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UMA INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DO CURRÍCULO
Marcia Polacchini
O Que é currículo?
O currículo vem sendo conceituado de diversas formas, entendido em diferentes aspectos, enquanto nexo entre a sociedade e a escola, o sujeito e a cultura, o ensino e aprendizagem. 
Apresenta-se como um projeto escolar, um plano educativo formalizado, a cultura objetivada, sob um determinado formato, com conteúdos previamente definidos.
Mas também reflete práticas, experiências cotidianas, ideologias, crenças, valores; uma linguagem simbólica. 
Etimologicamente, curriculum é uma expressão latina significando pista ou circuito atlético – tinha ressonâncias similares com “ordem como sequência” e “ordem como estrutura”.
O termo vem da palavra latina currere, referindo-se à carreira, um percurso a ser atingido.
O currículo é lugar, espaço, território.
O currículo é relação de poder.
O currículo é trajetória, viagem, percurso.
O currículo é autobiografia, nossa vida, 
O curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. 
O currículo é texto, discurso, documento.
O currículo é documento de identidade.
 Tomaz Tadeu da Silva
Qual conhecimento ou saber é considerado importante ou válido ou essencial para merecer ser considerado parte do currículo?
O currículo é resultado de seleção
Por que “esses conhecimentos” e não “aqueles”?
Entretanto a pergunta “ O quê?” nunca deve estar separada de outra importante pergunta “ O que eles ou elas devem ser?” O que eles ou elas devem se tornar?”
O currículo busca modificar as pessoas que vão seguir aquele currículo.
- Qual é o tipo de ser humano desejável para
 um determinado tipo de sociedade?
- Será a pessoa racional e ilustrada do ideal humanista de educação?
- Será a pessoa otimizada e competitiva dos atuais modelos neoliberais de educação?
- Será a pessoa ajustada aos ideais de cidadania do modelo estado-nação?
- Será a pessoa desconfiada e crítica dos arranjos sociais existentes preconizada nas teorias educacionais críticas?
O currículo está envolvido em questões de poder.
Selecionar é uma operação de poder. Privilegiar um tipo de conhecimento é uma operação de poder.
 Destacar, entre as múltiplas possibilidades, uma identidade ou 
 subjetividade como sendo a ideal é uma operação de poder. 
O currículo na contemporaneidade, observa sua problemática a partir da reflexão sobre:
 que objetivo se pretende atingir; 
o que ensinar;
para quem são os objetivos;
quem possui o melhor acesso às formas legítimas de conhecimento decisões até que se chegue à prática;
 
Algumas Concepções Existentes sobre Currículo
como se transmite a cultura escolar, como os conteúdos podem ser inter-relacionados, com quais recursos/materiais metodológicos;
como organizar os grupos de trabalho, o tempo e o espaço;
como saber o sucesso ou não e as consequências sobre esse sucesso da avaliação dominante, e de que maneira é possível modificar a prática escolar relacionada aos temas. 
Gimeno Sacristán (2000)
John Kerr - currículo é “toda aprendizagem organizada ou conduzida pela escola, que se efetua no contexto de um grupo de maneira individual, no interior ou no exterior da escola”. 
Paul Hirst - currículo é “um programa de atividades dos professores e dos alunos, concebido de maneira que os alunos alcancem na medida do possível certos fins ou certos objetivos educativos”.
As funções que o currículo cumpre como expressão do projeto de cultura e socialização são realizadas através de seus conteúdos, de seu formato e das práticas que cria em torno de si. 
“O currículo é uma determinação da ação e da prática, assim como o são as valorizações sobre o que é cultura apropriada” (GIMENO SACRISTÁN, 1998, p. 48) 
“(...) a educação é reprodução e também aposta na construção de um projeto para os sujeitos, para a sociedade e, portanto, ela mesma é criadora de cultura no sentido de transformar a cultura existente [assim] (...) educar requer um projeto com uma direção (...)” (GIMENO SACRISTÁN, 1999, p. 180) 
A educação é cultura, constrói cultura, reproduz o real/objetivo e reconstrói a memória.
TEORIAS DE CURRÍCULO
TRADICIONAIS
Ensino; Aprendizagem; Metodologia;
Avaliação; Didática; Organização;
Planejamento; Objetivos
CRÍTICAS
Ideologia; Reprodução Cultural e Social;
Poder; Classe Social; Capitalismo;
Relações Sociais de Produção; Conscientização; Emancipação e Libertação; Currículo Oculto e Resistência
PÓS-CRÍTICAS
Identidade,Diferença, Subjetividade, Significação e Discurso;
Saber-Poder; Representação; Cultura;
Gênero, Raça, Etnia, Sexualidade, Multiculturalismo
O nascimento da escola pública
A escola como instituição pública ocorreu por imperativos da Revolução Industrial.
O deslocamento de grandes massas populacionais das zonas rurais para os subúrbios das cidades industriais obrigou as autoridades públicas a prestarem maior atenção aos problemas criados, por exemplo: crianças sozinhas; e adultos sem ocupação.
Revolução Industrial – Inglaterra – séc. XVIII expandindo-se ao resto do mundo durante o séc. XIX.
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Tornava-se necessário “armazenar”, isto é “encaixotar” esta parte da população e formá-la à nova ordem industrial.
Como nos diz Alvin Toffler:
Era preciso que os indivíduos se adaptassem a um “trabalho repetitivo, portas adentro, a um mundo de fumo, barulho, máquinas, vida em ambientes superpovoados e disciplina coletiva, a um mundo em que o tempo, em vez de regulado pelo ciclo sol-lua, fosse regido pelo apito da fábrica e pelo relógio.” (In Choque do Futuro).
Ensino em massa  inspirado no modelo de gestão científica de Taylor, veio dar resposta ao tipo de homem de que necessitava o novo modelo de produção.
A ideia geral de reunir multidões de estudantes (matéria-prima) destinados a ser ensinados por professores (operários) numa escola central (fábrica) foi a demonstração de gênio industrial. (Taylor, 1911; 1985).
Escola fabril
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Assim:
A escola nasce com caráter instrumental: ela destinava-se, por via do currículo, a processar (transformar) o aluno com o máximo de eficácia e o mínimo de custos, numa lógica empresarial, comercial ou industrial.
A escola nasce como instrumento do social.
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Então:
O modelo fabril do desenvolvimento do Currículo que emerge nos primeiros anos do campo realça a racionalidade técnica do processo-produto ligada a uma enfase na eficácia e produtividade.
A gestão científica do ensino e o currículo
Nos EUA sob a influência de Johann Friedrich Herbart (1776-1841) assistiu-se a partir de meados do século XIX à emergência de uma nova área pedagógica relacionada com a organização do ensino, ligada a um objeto específico de estudo e investigação: o currículo.
Johann Friedrich Herbart - filósofo e educador alemão.
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Sala de aula vitoriana
A Era Vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da Rainha Vitória, em meados do Século XIX, a partir de Junho de 1837 a Janeiro de 1901. 
Sala de aula feminina 
Fonte: Fotografia que ilustra o livro Histórias da nossa terra, de Julia Lopes de Almeida, publicado em 1907.
Sala de aula da Escola Caetano de Campos, colégio frequentado pelas crianças da elite paulistana.
John Dewey (1859 – 1952):
“The absolute curriculum” (1900)
“The curriculum in elementary education” (1901)
“The child and the curriculum” (1902)
Pragmatismo
Dewey estava muito mais preocupado com a construção da democracia que com o funcionamento da economia.
Apesar dos trabalhos de Dewey... Foram as obras de... Que se estabeleceram como grandes marcos para a definição de uma nova área directamente relacionada com o ensino e a sua gestão científica tendo em vista alcançar objectivos claros, observáveis e mensuráveis, de acordo com um desenho curricular bem ordenado e sequencial.
As primeiras problematizações sobre o currículo surgem essencialmente nos anos 20 do século passado.32
Fonte: Charles Chaplin, Tempos Modernos, 1936. 
A divisão do trabalho tem como objetivo a adaptação dos sujeitos às máquinas e aos processos industriais
Este é o "não tempo" do trabalhador. O trabalhador troca seu tempo para cumprir com obrigações dispostas em seu posto.
AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAIS
Franklin Bobbitt (1876 – 1956):
“The Curriculum” (1918)
“How to make a curriculum” (1924)
“No modelo de currículo de Bobbit, os estudantes devem ser processados como um produto fabril”
Tradicional
AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAIS
BOBBITT The Curriculum (1918)
Escrito no momento em que forças econômicas, políticas e culturais procuravam moldar o currículo;
Para Bobbitt A escola deveria funcionar como qualquer outra empresa comercial.
AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAIS
Para Bobbitt o sistema educacional deveria:
Especificar precisamente que resultados pretendia obter estabelecendo objetivos claros;
Estabelecer métodos para obter os objetivos de forma precisa;
Estabelecer formar de mensuração que permitissem saber com precisão se os resultados foram alcançados. 
AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAIS 
A perspectiva de Bobbitt (1918):
Currículo é uma questão de organização.
O currículo é uma mecânica.
O especialista em currículo deve exercer uma atividade burocrática.
Conceito central desenvolvimento curricular.
O currículo resume-se a uma questão técnica. 
O modelo de Bobbitt (1918) consolida-se, definitivamente, no livro de Ralph Tyler (1949)
Paradigma (organização e desenvolvimento)
Na perspectiva de Bobbitt, a questão do currículo se transforma numa questão de organização. O currículo é simplesmente uma mecânica. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática.
 Ralph Tyler (1902-1994): “Basic principles of curriculum and teaching” (1949)
Questões básicas centradas sobre o processo de construção curricular:
Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?
Que experiências educacionais podem ser proporcionadas para que seja possível atingir esses objetivos?
Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?
Como poderemos ter a certeza de que esses objetivos estão a ser alcançados?
Ralph Tyler consagra os princípios de Bobbitt na sua obra de 1949.
Questões:
1 – Objectivos / metas educacionais / visão
2 / 3 – Planificação e desenvolvimento de experiências / Programação
4 – Avaliação / Investigação
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 Hilda Taba (1902–1967): “Curriculum Development – Theory and Practice” (1962)
Utilizou o mesmo tipo de abordagem técnica.
Sete etapas para a construção do currículo:
Diagnóstico das necessidades.
Formulação dos objetivos.
Seleção dos conteúdos.
Organização dos conteúdos.
Seleção das experiências da aprendizagem.
Organização das experiências da aprendizagem.
Determinação do que deve ser avaliado e dos processos e meios para o fazer.
O professor enquanto técnico de ensino
Teoria linear e prescritiva de instrução, assentado em uma definição clara de objetivos, em termos de comportamento observável, de forma a facilitar uma avaliação objetiva dos resultados.
O Sputnik foi o primeiro satélite artificial da Terra. Lançado a 4 de Outubro de 1957
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Concepção behaviorista de currículo.
Estávamos perante a ilusão de uma teoria curricular meramente tecnicista e administrativa. 
Para tal, Bloom dividiu as possibilidades de aprendizagem em três grandes domínios:
o cognitivo, abrangendo a aprendizagem intelectual;
 o afectivo, abrangendo os aspectos de sensibilização e gradação de valores;
o psicomotor, abrangendo as habilidades de execução de tarefas que envolvem o organismo muscular.
Cada um destes domínios tem diversos níveis de profundidade de aprendizagem.
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O professor seria um mero técnico de instrução cujo papel seria o de traduzir objetivos gerais, determinados algures, em objetivos comportamentais (mensuráveis) a aplicar dentro da sala de aula. Não lhe cabia questionar sobre o que era suposto ensinar.
AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAIS 
 PARADIGMA TÉCNICO-LINEAR
CURRICULO = SISTEMA DE PRODUÇÃO
ALUNO = MATÉRIA BRUTA > PRODUTO FINAL 
PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM = PROCESSO DE PRODUÇÃO
AVALIAÇÃO = CONTROLE DE QUALIDADE
TAYLORISMO/
FORDISMO
ESCOLA
MODELO DE ORGANIZAÇÃO PROPOSTO POR TAYLOR
AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAIS 
Conceitos enfatizados pelas teorias tradicionais do currículo: 
Ensino
Aprendizagem
Avaliação
Metodologia
Didática
Organização
Planejamento 
Eficiência
Objetivos
Um olhar crítico sobre o currículo
Principal eixo de análise: questionar as políticas educativas, os modelos e os métodos de ensino. Problematizar o porquê de se ensinar um determinado tipo de conhecimento em detrimento de outro!
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Conceitos enfatizados pelas teorias críticas do currículo: 
Ideologia
Reprodução cultural e social
Poder
Classe Social
Capitalismo
Relações sociais de produção
Conscientização
Emancipação e libertação
Currículo Oculto
 Resistência
AS TEORIAS CRÍTICAS
Principais fundamentos
 Escola Francesa: teoria da reprodução cultural - “capital cultural”. O currículo da escola está baseado na cultura dominante, na linguagem dominante, transmitido através do código cultural (Bourdieu e Passeron)
 Escola de Frankfurt – crítica à racionalidade técnica da escola “pedagogia da possibilidade”- da resistência: Currículo como possibilidade de emancipação e libertação (Giroux e Freire)
O currículo oculto
 Crítica à reprodução das relações sociais não expressa porém, no currículo oficial, mas manifestada pelas relações sociais na e da escola (currículo oculto)
 As relações sociais na escola mais que o conteúdo são responsáveis pela socialização necessárias para que haja uma ótima adaptação às exigências do trabalho capitalista. (Bowles e Gintis) 
A essência do currículo: o professor como mais do que um técnico de ensino
As Teorias Críticas centradas na escola abordam o currículo como resultado de determinada seleção feita por quem detém o poder.
O fato de selecionar, de entre um universo amplo, aqueles conhecimentos que constituirão o currículo é, por si só, uma operação de poder! 
Para Tomaz Tadeu da Silva:
As Teorias Tradicionais eram teorias de aceitação, ajuste e adaptação.
As Teorias Críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical.
Teorias Tradicionais – a tesoura – simboliza o corte e costura. A precisão de um alfaiate, por exemplo.
Teorias Críticas – o microscópio – simboliza a profundidade da análise, da investigação, das variáveis que compõem o contexto e que são claramente distintas.
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A ideologia e os “aparelhos ideológicos do Estado”
Louis Althusser (1918-1990): “Idéologie et appareils idéologiques d’Etat” (1970).
Analisa a relação entre cultura e economia.
Procura demonstrar que a Ideologia é bem mais forte do que o próprio poder material de base econômica, na manutenção do “status quo”.
“status quo” – estado actual das coisas.
Ideologia tem costumes, rituais, comportamentos-padrão, modos de pensamento que o Estado utiliza para a manutenção do poder, por parte das classes dominantes
“a escola contribui para a reprodução da sociedade
capitalista ao transmitir, através das matérias escolares, as
crenças que nos fazem vê-la como boa e desejável”
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A Ideologia tem costumes, rituais, comportamentos-padrão, modos de pensamento que o Estado utiliza para a manutenção do poder, por parte das classes dominantes.
O controle é exercido por:
Forças repressivas, ou seja, Aparelhos Repressivos do Estado: tribunais, polícia, prisões, forças armadas, etc..
Aparelhos Ideológicos do Estado: a escola, os partidos políticos, a igreja, a família, a comunicação social, etc..
A reprodução social por via da escola
Pierre Bourdieu (1930 – 2002) e Jean-Claude Passeron (1930 - ...) – estudam (também) o papeldesempenhado pela escola na manutenção do “status quo”, centrando atenção na cultura que ela veicula.
“Les Héritiers, les étudiants et la culture” (1964).
Concluem, por exemplo, que a universidade francesa acolhia predominantemente os herdeiros dos privilégios sociais.
Herança cultural / capital cultural  meio familiar.
Referir que tinham 34 anos quando escreveram a obra!!!!
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“La réproduction. Éléments pour une théorie du système d’enseignement” (1970).
Procuram demonstrar:
a relação entre sucesso escolar e situações sociais privilegiadas.
A relação entre o fracasso escolar e situações sociais desfavorecidas.
Concluem que a escola confirma e reforça a cultura de classes privilegiadas, dissimulando a seleção social sob as aparências duma pretensa objetividade técnica.
Capital cultural e violência simbólica
A escola apesar de proclamar a sua função de instrumento democrático de mobilidade social, acaba por ter a função, talvez inconsciente, de legitimar e, em certa medida, perpetuar as desigualdades de oportunidades dos alunos.
Insofar – na medida em que
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Papéis de submissão e dominação veiculados pela Escola
Christian Baudelot (1938 - ...) e Roger Establet (1938 - ...): “L’école capitalist en France” (1971).
Consideram que a escola capitalista tem a função de reproduzir as relações sociais de classes da sociedade capitalista.
Samuel Bowles (1939 - ...) e Herbert Gintis (1939 - ...): “Schooling in capitalist America” (1976).
Para estes autores o sexo, a idade, a raça e a “personalidade” ligada à classe social têm, no seu conjunto, mais força do que os conhecimentos fornecidos pelas escolas.
Destacam as relações sociais no interior da escola como produtoras de atitudes. (lideranças e climas escolares mais abertos ou fechados).
Baudelot e Establet discípulos de Bourdieu e Passeron – 2 canais de escolarização: SS (Secundário e Superior) e PP (Primário e Profissional) – tinham 33 anos qd escreveram uma das obras mais importantes da sociologia da escola.
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A educação problematizadora na libertação do oprimido
Paulo Freire (1921 – 1997)  encara a educação
 em geral mais como um processo político 
do que pedagógico.
“Pedagogia do Oprimido” (1971).
A educação é uma ação cultural que tem a ver com o processo de consciencialização crítica.
É problematizadora e não bancária (transmissão em massa).
A vocação ontológica do Homem é ser um Sujeito que age sobre o mundo, podendo transformá-lo.
sofreu a perseguição do regime militar no Brasil (1964-1985), sendo preso e forçado ao exílio. Regressa ao Brasil em 1980
A educação que problematiza é a educação que questiona, que interroga o status quo.
É um pedagogo que mesmo na velhice sabia reconhecer a importância do sorriso... Não era, nem queria ser um velho desconfiado da juventude, pois sabia que era nela que residia o poder da transformação social. Teria era que haver o chamado processo dialógico.
A valorização dos círculos de cultura.
Faleceu a 2 de Maio. (76 anos)
Video - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
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A educação enquanto formação humano é um esforço indiscutivelmente ético e estético. A educação busca a decência do ser! 
“(...) eu sou um sonhador, mas não um sonhador maluco. Há pessoas que me consideram um idealista, mas um idealista perigoso... Para mim a esperança faz parte disso que a gente vem chamando de natureza humana. Eu gostaria de ser lembrado como um sujeito que amou profundamente o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, as águas, a vida.” (Paulo Freire).
Afinal ainda há esperança... Ainda há espaço para os chamados utópicos sem asas! 
Currículo como responsável pelas desigualdades sociais
Anos 70 – Inglaterra:
Movimento: “Nova Sociologia da Educação” (NSE), liderado por Michael Young.
Publica “Knowledge and Control: New directions in the Sociology of Education” (1971).
Põe em causa a abordagem sociológica até então desenvolvida, que procurava encontrar as razões do insucesso escolar na cultura, na linguagem e no ambiente familiar.
O conceito de diferenciação do conhecimento implica que muito do conhecimento que é importante que os alunos adquiram não será local e será contrário à sua experiência. Então, a pedagogia irá sempre envolver um elemento daquilo que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chama indirectamente e, a meu ver, equivocadamente, de violência simbólica.
O currículo tem que levar em consideração o conhecimento local e quotidiano que os alunos trazem para a escola, mas esse conhecimento nunca poderá ser uma base para o currículo.
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A NSE vira o seu foco de atenção para o próprio currículo, responsabilizando-o pela produção das desigualdades sociais.
Procura estudar os motivos por que determinados saberes são selecionados e os processos por que estes passam até se escolarizarem.
A sociologia do currículo estudaria:
As relações de poder entre as diversas disciplinas e áreas de saber:
Porquê umas teriam mais prestígio do que outras?
Porquê umas teriam uma maior carga horária do que outras?
Porquê umas seriam objecto de avaliação formal e não outras?
Que interesses de classe, profissionais e institucionais, estariam envolvidos nesse jogo de poder?
Reconceitualização curricular
I Conferência sobre o Currículo – Universidade de Rochester em Nova York (1973)
Resultou o livro organizado por William Pinar:
“Curriculum Studies: The Reconceptualization”
Põe em causa o entendimento do currículo como atividade meramente técnica e administrativa do ensino.
Destacam-se daqui, dois autores que se centraram na vertente política do currículo e conhecimento escolar: Michael Apple e Henry Giroux.
O que é o conhecimento legítimo?
Michael Apple (1942 - ...): o mundo dentro e fora da educação não é apenas um texto!
“Ideology and Curriculum” (1979).
“Education and Power” (1985).
“Democratic Schools” (1995).
“Cultural Politics and Education” (1996).
São alguns dos livros de onde se pode extrair a sua preocupação por uma educação mais justa e democrática!
Aos 37 anos escreveu uma das principais obras em estudos curriculares.
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Michael Apple. A crítica:
Opunha-se à perspectiva neoliberal característica da sociedade norte-americana, que, a leva a pensar o mundo como um vasto supermercado, reduzindo a democracia à escolha livre do consumidor.
Alerta para o fato de que a seleção que constitui o currículo é o resultado de um processo que reflete os interesses particulares das classes e dos grupos dominantes.
Contudo, como se dá uma luta em torno dos valores, símbolos, significados e propósitos sociais, o campo social não é feito só de domínio e subordinação, mas também de resistência e oposição.
Resistência e oposição: luta pelos direitos e deveres sociais, a emancipação dos oprimidos, as vivências em torno de uma prática da cidadania activa.
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Currículo e Multiculturalismo
Henry Giroux (1943 - ...) – filho de trabalhadores imigrantes franco-canadianos, desde cedo se preocupou com a questão da diversidade étnica , linguística, economica e cultural.
A crítica:
Diz-nos que o conhecimento é quase exclusivamente desenhado a partir de um modelo europeu de cultura e de civilização, espartilhado em áreas autónomas e especializadas.
Os estudos culturais alertam os professores para as questões do multiculturalismo, da raça, da identidade, do poder, do conhecimento, da ética e do trabalho, levando-os a repensar os fins últimos da escolarização.
Os trabalhos de Giroux vão no sentido de consciencializar os professores para a necessidade de encarar os seus alunos como portadores de diversas memórias sociais que também são legítimas, com direito a se exprimirem e representarem na busca de aprendizagem e autodeterminação.
As questões educacionais tornam-se reféns de pressupostos ligados à europeização e à globalização.
ULTIMO PONTO: a importância da dinamização da área de projecto nas escolas. Demonstra-se como um verdadeiro percurso alternativo de acolhimento (da diferença.)
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Quadro Resumodas tendências críticas: 
Tendência
Referências
Conceitos/Interesses
Representantes
Crítico-Reprodutivista
França
Filosofia Marxista
Sociologia Crítica
EUA
Ideologia e Educ./AIE
Reprodução Cult/Violência Simb
Escola Dualista
Relações sociais na escola
Louis Althusser
BourdieuePasseron
BaudeloteEstablet
Bowles eGintis
MovimentoReconceptualista
Sociologia Crítica
Neomarxismo
Educação (EUA)
Fenomenologia/Psicanálise
Análise crítica do currículo
Relação: estruturas econômicas e políticas e reprod. Cultural
Michael Apple
Henry Giroux
Willian Pinar
Pedagogias Dialéticas
Marxismo humanista
Fenomenologia Existen-cialista e Cristã
Marxismo (Gramsci)
Educação Bancária.
Emancipação do indivíduo e sociedade oprimidas
PHC emancipação/ Transf. Soc
Paulo Freire
Saviani
Nova Sociologia da Educação
Sociologia (Inglaterra)
Crítica sociológica e histórica dos currículos existentes
Quais interesses cercam o processo de seleção de currículos? (organização curric)
Conexões:currículo & poder
Michael Young
Códigos e Reprodução Cultural
Inglaterra
Teoria Sociológica do Currículo
Códigos de conduta
Noção de poder (Foucault)
Códigos transmitidos no processo
BasilBerstein
TEORIAS PÓS-CRÍTICAS: processos culturais pós-modernos
Multiculturalismo;
Questões de gênero e pedagogia feminista;
Narrativa étnica e racial;
Teoria queer;
Pós-Modernismo;
Pós-Estruturalismo;
Pós-Colonialista;
Estudos Culturais;
As relações de gênero e a pedagogia feminista.
Há uma profunda desigualdade dividindo homens e mulheres, e estende-se a educação e ao currículo.
Há desigualdade do gênero com questões de acesso, sobretudo nos países periféricos do capitalismo.
O currículo como narrativa étnica e racial.
As teorias críticas focalizadas na dinâmica da raça e da etnia se concentram em questões de acesso a educação ao currículo.
A identidade étnica e racial está estreitamente ligada às relações de poder que opõem o homem branco europeu às populações dos países por ele colonizados.
Um currículo multiculturalista desse tipo deixaria de ser folclórico para se tornar profundamente político.
A teoria queer. 
O conceito de gênero foi criado para enfatizar o fato de que as identidades masculina e feminina são historicamente e socialmente produzidas.
O pós-modernismo 
Para o pós-modernismo, o progresso não é algo necessariamente desejável ou benigno.
O pós-modernismo, inspirado no pós-estruturalismo, o sujeito não é o centro da ação social. Ele não pensa, fala e produze: ele é pensado, falado e produzido.
A crítica pós-estruturalista do currículo.
Foucault: não existe saber que não seja a expressão de uma vontade de poder. Ao mesmo tempo, não existe poder que não se utilize do saber.
Uma perspectiva pós-estruturalista sobre o currículo questionaria os “significados transcendentais”, ligados a religião, a pátria, a ciência, que povoam o currículo. Buscaria perguntar: onde, quando, por quem foram eles inventados.
Uma teoria pós-colonialista do currículo.
A análise pós-colonial busca examinar tanto as obras literárias escritas do ponto de vista dominante, quanto àquelas escritas por pessoas pertencentes às nações dominadas.
Uma perspectiva pós-colonial exige um currículo multicultural que não separe questões de conhecimento, cultura e estética de questões de poder, política e interpretação.
Os Estudos Culturais e o currículo.
Os Estudos Culturais concebem a cultura como campo de luta em torno da significação social. A cultura é um jogo de poder.
Os Estudos Culturais estão preocupados com questões que se situam na conexão entre cultura, significação, identidade e poder.
Nessa perspectiva, a “instituição” do currículo é uma invenção social como qualquer outra, o “conteúdo” do currículo é uma construção social.
Os Estudos Culturais e o currículo.
Não há uma separação rígida entre o conhecimento tradicionalmente considerado como escolar e o conhecimento cotidiano das pessoas envolvidas no currículo, ambos buscam influenciar e modificar as pessoas, estão ambos envolvidos em complexas relações de poder.
Com as teorias pós-criticas do currículo a análise do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero, na sexualidade, na cultura colonialista. Estas teorias rejeitam a ideia de consciência coerente e centrada, questionam a ideia de subjetividade dizendo que ela é social. Para elas não existe um processo de conscientização e libertação possível.
Quais conhecimentos são considerados válidos?
A visão pós-estruturalista, dentre as varias teorias pós-criticas do currículo, é a que nos parece possibilitar uma maior reflexão para a construção de currículo dentro de uma educação inclusiva, tratando o currículo como prática cultural e como prática de significação. Por esse motivo vale o esforço de compreender os conceitos que ela traz.
A cultura é produção
A cultura é um campo de luta em torno da construção e da imposição de significados sobre o mundo social. Cultura numa visão dinâmica é produção e não produto, é criação, é trabalho. 
ANÁLISE COMPARATIVA
TEORIAS CRÍTICAS
CONCEITOS E CONHECIMENTOS HISTÓRICOS E CIENTÍFICOS
 CONCEPÇÕES E TEORIA DE CURRÍCULO 
CONCEITOS COMO :TRABALHO
MATERIALIDADE/ OBJETIVIDADE
REALIDADE
CLASSES SOCIAIS
EMANCIPAÇÃO E LIBERTAÇÃO
DESIGUALDADE SOCIAL
CURRÍCULO COMO RESISTÊNCIA 
CURRÍCULO OCULTO
DEFINIÇÃO DO “O QUÊ” E “POR QUÊ” SE ENSINA 
NOÇÃO DE SUJEITO
TEORIAS PÓS CRÍTICAS
FIM DAS METANARRATIVAS
HIBRIDISMO
CURRÍCULO COMO DISCURSO- REPRESENTAÇÕES
CULTURA
IDENTIDADE/ SUBJETIVIDADE
DISCURSO
GÊNERO, RAÇA, ETNIA, SEXUALIDADE
REPRESENTAÇÃO E INCERTEZAS
MULTICULTURALISMO
CURRÍCULO COMO CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES
RELATIVISMO 
COMPREENSÃO DO “PARA QUEM” SE CONSTRÓI O CURRÍCULO
FORMAÇÃO DE IDENTIDADES
Conclusão
O currículo já não pode ser lido como aquela área simplesmente técnica, ateórica e apolítica.
O currículo do ponto de vista das teorias críticas é um artefato político que interage com a ideologia, a estrutura social, a cultura e o poder.
Passamos de um currículo técnico, fechado, descontextualizado, para um currículo que toma consciência crítica do seu território enquanto subsistema de um sistema mais amplo onde jogam múltiplas pressões de natureza política, econômica, social e cultural.
Asséptico – desinfectado, puro, neutro.
A realidade curricular tem que ser concebia como janelas e não como muros. Uma metáfora para exprimir a ideia de que o currículo deverá expandir o horizonte de acção não só da escola, como de todos aqueles que fazem parte dela.
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CURRÍCULO
 “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
 “Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato.
 “O lugar não me importa muito...”, disse Alice.
 “Então não importa que caminho você vai tomar”, disse o Gato.
 “...desde que eu chegue a algum lugar”, acrescentou Alice em forma de explicação.
 “... você vai certamente chegar a algum lugar”, disse o Gato, “se caminhar bastante.”
Alice no País das Maravilhas
Lewis Carroll 
Referências Bibliográficas: 
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