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Capacitor Variável e Dielétrico Adrielle Domingos dos Santos1, Priscila Alves Nunes2, Samuel Gadiel de Ávila3, Victor Almeida Barcelos4 Experimental de Física II Universidade Federal de Uberlândia 1e-mail Autor1: adrielleds@hotmail.com 2e-mail Autor2: priscilaalves.n@hotmail.com 3e-mail Autor3: samuel_gadiel@hotmail.com 4e-mail Autor4: victor_ab45@hotmail.com Resumo: Este relatório aborda a respeito de um experimento físico realizado durante a aula de Experimental de Física II, com temática: “Capacitor Variável e Dielétrico”, cujo objetivo era realizar um estudo acerca dos capacitores, bem como suas propriedades intrínsecas e assim, posteriormente, determinar a variação da capacitância em função da adição de dielétricos entre as placas metálicas. Palavras chave: capacitor, dielétrico, campo elétrico, capacitância. Introdução O capacitor é um dos componentes mais utilizados em eletrônica devido à sua importância em circuitos elétricos. Trata-se de um dispositivo formado por duas placas condutoras paralelas, chamadas de armadura, separadas entre si a uma distância 𝑑 por meio de um material isolante, denominado dielétrico, que por sua vez define o tipo do mesmo. Portanto, se o material isolante for a cerâmica ter-se-á um capacitor cerâmico. Visto que a principal função de um capacitor diz respeito ao armazenamento de energia, por meio da concentração de cargas e dissipação rápida da mesma, esses dispositivos são muito utilizados em circuitos de desfibriladores. Além disso, os capacitores se apresentam em vários tamanho e formas, sendo assim, a figura 1 demonstra o arranjo de um capacitor de placas paralelas mencionado anteriormente e as figuras 2 e 3 apresentam como são tais componentes bem como os símbolos utilizados para representa-los. O presente relatório aborda acerca do capacitor variável, que por sua vez é denomina-se assim por ter sua capacitância alterada intencionalmente. Figura 1 - Capacitor de Placas Paralelas Figura 2– Capacitores de Capacitância Fixa Figura 3 – Capacitores de Capacitância Variável Como é possível perceber, ainda na figura 1, as placas metálicas dos capacitores são carregadas com cargas opostas e com mesmo valor em módulo, gerando um campo elétrico 𝐸que, por convenção, tem suas linhas de campo saindo da placa carregada positivamente e entrando na placa carregada negativamente, de tal forma que haja uma diferença de potencial𝑉entre essas as placas. A carga 𝑞e a diferença de potencial 𝑉 para um capacitor são proporcionais uma à outra. Ou seja, 𝑞 = 𝐶 ∗ 𝑉 (1) Uma vez que as armaduras estão separadas por uma distância 𝑑 muito pequena em relação a área das placas, o efeito de bordas, ao se tratar de capacitores, é desprezado. Portanto, o campo elétrico entre as placas é dado por 𝐸 = |�⃗� | = 𝜎 𝜀0 (2) Onde 𝜎 é a densidade superficial de carga nas placas do componente, dada por 𝜎 = 𝑞 𝐴 (3) Sendo 𝜎: Densidade superficial de carga, dada em 𝐶 𝑚²⁄ ; 𝜀0: Constante de permissividade do vácuo e seu valor é de 8,85 ∗ 10 −12 𝐹 𝑚⁄ ; 𝐸: Campo elétrico entre as placas; 𝐶: Capacitância; 𝐴: Área das placas. Desse modo, ao substituir a equação (3) em (2), tem-se que 𝐸 = 𝑞 𝜀0∗𝐴 (4) Visto que a diferença de potencial entre as placas está relacionada ao campo elétrico 𝐸por 𝑉𝑓 − 𝑉𝑖 = −∫ 𝐸. 𝑑𝑠 𝑓 𝑖 , (5) devido a Lei de Gauss que associa o campo elétrico a uma carga sobre uma placa através de 𝜀0 ∮𝐸. 𝑑𝐴 = 𝑞, (6) mas, como o campo elétrico é constante, uma vez que o efeito de bordas foi desprezado, a diferença de potencial entre as duas placas do capacitor é, portanto 𝑉𝑓 − 𝑉𝑖 = ∫ 𝐸. 𝑑𝑠 𝑓 𝑖 = 𝐸. 𝑑 (7) Onde, 𝑑: Separação entre as placas; 𝑓 e 𝑖: Indicam o caminho percorrido pelas linhas de campo, que partem da placa de carga positiva e chegam na placa de carga negativa. Entretanto, ao substituir (2) em (7), tem-se que 𝑉 = 𝜎∗𝑑 𝜀0 = 𝑞∗𝑑 𝜀0∗𝐴 (8) Assim, a diferença de potencial entre as placas é proporcional à carga 𝑞 armazenada e, isso vale para qualquer capacitor. Ademais, ao inverter a equação (8) é possível reescrevê-la tendo 𝑞 em função de 𝑉, ou seja 𝑞 = 𝜀0𝐴 𝑑 ∗ 𝑉 (9) Desse modo, como proposto pela equação (1), tem-se a capacitância como 𝐶 = 𝜀0 𝐴 𝑑 (10) A capacitância é o inverso da constante de proporcionalidade entre a diferença de potencial e a carga das placas e, tem sua unidade dada no Sistema Internacional, em homenagem a Michael Faraday, como 1 farad = 1 F = C V = 1 Coulomb Volt Bem como visualizado na equação (10), a capacitância de um capacitor sem dielétrico só depende, piamente, de fatores geométricos, isto é, da área 𝐴e da distância 𝑑 entre as placas. Todavia, uma vez que o material isolante entre as placas seja um dielétrico, e não o ar como considerado anteriormente, e este seja submetido a um campo externo, os polos desse material são induzidos a formar uma densidade superficial de carga que cria um campo elétrico interno �⃗� 𝑖𝑛𝑡 oposto ao seu campo criador �⃗� 0, como demonstrado na Figura 4. Figura 4 – Capacitor Dielétrico com uma Fonte de Tensão E No caso representado pela Figura 4, o campo resultante é dado por 𝐸 = 𝐸0 − 𝐸𝑖𝑛𝑡 = 𝐸0 𝑘 (11) Onde 𝑘 é a constante dielétrica do material. Assim, escrevendo a equação (11) em termos da equação (7), tem-se 𝑉 = 𝐸 ∗ 𝑑 = 𝐸0∗𝑑 𝑘 (12) Ao utilizar a relação da equação (1) para𝑉 é possível obter 𝑉 = 𝑞 𝐶 = 𝑉0 𝑘 (13) E ao reescrever em termos de C, semelhante ao ocorrido nas equações (9) e (10), tem-se 𝐶 = 𝑘 𝑞 𝑉0 = 𝑘𝐶0 = 𝑘 ∗ 𝜀0 ∗ 𝐴 𝑑 (14) Portanto, conclui-se que a capacitância quando há um dielétrico entre as placas, é dada por 𝐶 = 𝑘 ∗ 𝜀0 ∗ 𝐴 𝑑 (15) Permitindo, desse modo, obter a permissividade 𝑘 do dielétrico do capacitor em questão, exatamente como proposto pelo experimento discorrido no presente relatório. Procedimento Experimental O procedimento experimental foi dividido em duas etapas. A primeira consistia em verificar e analisar a permissividade elétrica do ar medindo a capacitância entre as placas de um capacitor variável e variando a distância entre elas. Já para o segundo experimento, a ideia foi de calcular a constante dielétrica do papelão e do EVA, porém neste caso, ao medir a capacitância e a distância das placas também haverá entre elas lâminas do respectivo material à ser analisado. Para ambos os experimentos o valor dos resultados desejados como permissividade para o experimento 1 e constante dielétrica para o experimento 2, são obtidos por meio da linearização dos dados coletados nos experimentos. Para a realização dos experimentos citados, os seguintes equipamentos foram utilizados: Capacitor variável com escala de distância (Leybold didactic); Multímetro digital operando como capacímetro, com escala 2nF; Discos de cartolina; Discos de Espuma Vinílica Acetinada (EVA) (etileno acetato de vinila); Cabos de conexão; Papel milimetrado. Para o experimento em questão, o capacitor utilizado é um capacitor em que se pode variar o valor de sua capacitância ao se variar a distância entre as placas, semelhante ao mostrado na Figura . Nele tem-se duas placas paralelas entre si, em que uma delas (lado direito) é fixa enquanto que a outra (lado esquerdo) pode se movimentar. Tal movimento pode ser feito de duas maneiras, na primeira solta-se um parafuso e, com isso, é possível movimentar a placa esquerda livremente com as mãos, porém este métodonão é preciso e valores exatos de distância são dificilmente alcançados. Para solucionar isso existe uma rosca giratória em uma das extremidades do dispositivo e para utilizá-la é necessário, primeiramente, apertar novamente o parafuso anteriormente solto, uma vez que, se isso não for feito a distância entre as placas não se alterará. Por meio desta rosca podemos realizar um ajuste fino e preciso de valores de distância. O dispositivo oferece ainda um paquímetro fixo à ele onde se pode averiguar com mais exatidão o valor da distância desejado. Vale ressaltar ainda que por se tratar de um ajuste de precisão a rosca possui um limite de giro, não podendo ultrapassar certo ponto. Para fazer o ajuste do dispositivo, portanto, primeiro é necessário soltar o parafuso e então regular a distância de forma aproximada, após isso o parafuso deve ser apertado novamente e, por meio da rosca e do paquímetro, ajustar a distância de uma forma mais precisa. Figura 5 – Esquema do capacitor variável utilizado. Após verificar que todos os equipamentos citados no roteiro estavam na bancada, e com as devidas orientações sobre a utilização dos mesmos, deu-se início ao primeiro experimento. Primeiramente mediu-se o diâmetro das placas do capacitor variável para posteriormente calcular a área correspondente das placas. Após isso, montou-se um esquema onde é conectado um multímetro configurado como capacímetro com escala de 2nF ao capacitor variável utilizado, como apresentado na Figura 6. Figura 6– Esquema de ligação do capacitor variável ao capacímetro Ao variar a distância entre as placas do capacitor varia-se também sua capacitância. Partindo disso, tomou-se 5 valores de distância igualmente distribuídos entre 0 e 2 centímetros (4mm, 8mm, 12mm, 16mm e 20 mm) como os pontos de coletas de dados. Dessa forma, variou-se a distância de acordo com os valores selecionados e para cada um destes pontos foi medido o valor da capacitância e registrado. Com os dados de distância e capacitância recolhidos do experimento criou-se a Tabela 2 e, partindo dela, foi possível criar um gráfico que relaciona a capacitância entre as placas com a distância existente entre elas, como mostrado no tópico “Resultados e Discussões”. Por fim, para calcular o valor de permissividade do ar é necessário tomar o gráfico criado e linearizar a curva que o define, o resultado encontrado será o próprio valor da permissividade do ar. O segundo experimento é muito semelhante ao primeiro, porém para essa situação utilizou- se lâminas de papelão e de EVA entre as placas do capacitor variável. A montagem do sistema é semelhante e acompanha o que é mostrado na Figura 7. Figura 7 - Esquema de ligação do capacitor variável com dielétrico entre as placas metálicas. Como foi dito, o segundo experimento é muito semelhante ao primeiro, porém neste caso a variação de distância não mais se dá à valores arbitrários escolhidos, mas sim devido à variação da quantidade de lâminas de papelão ou EVA presentes entre as placas do capacitor. Para cada número de lâminas entre as placas do capacitor anotou-se os valores de distância e de capacitância. O procedimento foi repetido para cinco lâminas de papelão e o mesmo foi feito para o EVA. Após isso as lâminas de papelão foram removidas e substituídas por lâminas de EVA, e o mesmo procedimento foi realizado. Construiu-se a Tabela 3 com dados coletados de quantidade de lâminas de papelão, distância entre as placas do capacitor e valor da capacitância, bem como os valores referentes ao procedimento realizado com as lâminas de EVA. Tendo em mãos os dados da Tabela 3 foi possível fazer a linearização e determinar os valores correspondentes às constantes dielétricas do papelão e do EVA, respectivamente, e por fim, compará-los com os valores apresentados pela Tabela 1, fornecida pelo roteiro do experimento, na qual contém dados de diversos materiais, bem como seus respectivos valores de constante dielétrica. Material Constante dielétrica Rigidez dielétrica Estado da Matéria Ar 1,00054 0,8 Gás Acetato de celulose 3,3 a 3,9 9,8 a 23,6 Sólido Vidro 7,6 a 8 7,8 a 9,8 Sólido Mica 5,4 150 a 220 Sólido Papel 3 7,8 Sólido Parafina 2,1 Sem dado Sólido Poliestireno 2,6 > 20 Sólido Porcelana 5,1 a 5,9 1,6 a 4 Sólido Quartzo 3,8 39,4 Sólido Teflon 2,1 > 40 Sólido Vácuo 1 Infinito N/A Água 76,5 a 80 Sem dado Líquido Policarbonato 2,9 a 3,2 15 a 70 Sólido Policloreto de Vinila (PVC) Sem dado 18 Sólido Polietileno de alta densidade 2,28 > 22 Sólido Polietileno de baixa densidade 2,28 > 20 Sólido Vinil 2,8 a 4,5 Sem dado Sólido Etileno acetato de vinila 2,8 21 Sólido Tabela 1 – Constante dielétrica e rigidez dielétrica de materiais diversos. Resultados e Discussões Em relação ao primeiro experimento foram recolhidos dados em prol de calcular a permissividade do ar, obtendo-se, por fim, os valores apresentados na tabela 2. Distância entre placas do capacitor (mm) Capacitância (nF) 20 65 16 81 12 89 8 109 4 168 Tabela 2 – Relação entre distância entre as placas do capacitor e a capacitância. Para montar o gráfico foi necessário o cálculo da área das placas do capacitor cujo diâmetro era igual a 25.5cm. Sendo o cálculo de área, para formas circulares, estabelecido por A=πr2, tem-se que A= π(0,255/2)2= 0,051 m2. Figura 8 –Gráfico para calcular a permissividade do ar A reta que melhor intersecta os pontos é a que obedece a função y= 9,616x+46,1. Para calcular a permissividade do ar utiliza-se a tangente do ângulo α formado pela reta da função e o eixo x, que representa a área pela distância. Sabe-se que tg α é igual ao coeficiente angular da reta, portanto a permissividade elétrica do ar, para o experimento em questão, é igual a 9,616x10-12F/m (Ɛ=9,616x10-12 F/m). O valor encontrado foi um pouco maior do que a permissividade dielétrica no vácuo (8,85x10-12 F/m). A coleta de medidas no segundo experimento foi semelhante a do primeiro, contudo foram adicionadas lâminas de dielétricos (EVA e papel) entre as placas do capacitor. Montou-se, por fim a tabela 3. y = 9.6161x + 46.41 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 0 5 10 15 C ap ac it ê n ci a (n F) Área/dist (m) Permissividade do ar Series1 Linear (Series1) EVA Papel Quantidade de EVA’s Distância entre placas (mm) Capacitância (nF) Quantidade de papel Distância entre placas (mm) Capacitância (nF) 1 2,20 290 1 1,20 622 2 4,65 171 2 1,60 490 3 7,20 131 3 2,10 397 4 9,00 116 4 2,50 346 5 10,00 107 5 2,80 332 Tabela 3 – Relação de distância entre placas do capacitor devido à presença de diferentes dielétricos e suas respectivas capacitâncias A partir desses dados apresentados, e sabendo que a área do capacitor era de 0,051m2, foi possível montar gráficos que relacionam a capacitância e a área dos capacitores pela distância entre as placas do capacitor (A/d), apresentados nas figuras 9 e 10. Figura 9 – Gráfico para calcular a constante dielétrica do EVA. y = 10.005x + 58.958 0 50 100 150 200 250 300 350 0 5 10 15 20 25 C ap ac it ân ci a (n F) Área/dist (m) EVA Series1 Linear (Series1) Figura 10 –Gráfico para calcular a constante dielétrica do papel. A partir dos gráficos apresentados e de suas respectivas equações, foi possível calcular a constante dielétrica 𝑘 desses diferentes materiais, por meio da equação 𝑘 = 𝐴 𝜀0 , obtendo 𝑘𝐸𝑉𝐴= 1,13 e 𝑘𝑝𝑎𝑝𝑒𝑙= 1,37. A constantedo papel apresentou-se muito menor do que o valor tabelado, após conferir novamente os cálculos e o raciocínio e, não tendo sido encontrado nenhum erro, conclui-se que, possivelmente, o erro foi instrumental ou humano durante a realização da coleta de dados. A constante do EVA não pode ser comparada com os valores tabelados. Conclusão Como já discorrido sabe-se que o material dielétrico utilizado entre as placas e a distância entre estas, influenciam no valor da capacitância. A partir dos resultados dos experimentos, observou-se que quanto maior for a distância entre as placas menor será valor da capacitância do capacitor, logo com distância mínima, obtém-se o maior valor de capacitância. Além disso, verificou-se que os equipamentos de medição e o método de coleta de dados podem gerar diferenças nos resultados, visto que o valor obtido para as constantes desejadas distinguiram do valor esperado, mas nada que fosse exorbitante. Portanto, conclui-se que a capacitância será máxima quando a distância for mínima e o dielétrico apresentar maiores valores de para 𝑘. y = 12.16x + 103.56 0 100 200 300 400 500 600 700 0 10 20 30 40 50 C ap ac it ân ci a (n F) Área/dist (m) Papel Series1 Linear (Series1) Referências BONJORNO, José Roberto et al. Física: Eletromagnetismo, Física Moderna. 2. ed. São Paulo: Ftd, 2013. 3 v. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER J. Fundamentos de Física, vol. 3: Eletromagnetismo; tradução Ronaldo Sérgio de Biasi. – 10ªed. – Rio de Janeiro: LTC, 2016. KNIGHT, R. Física 3: Uma Abordagem Estratégica; tradução Manuel Almeida Andrade Neto. – 2ª ed. – Porto Alegre: Bookman, 2009. ROQUE, Antônio. Capacitores e Dielétricos: Física Básica II – Aula 9. FFCLRP – USP. Disponível em: <http://sisne.org/Disciplinas/Grad/FisicaBasica2IBM/aula9.pdf>. Acesso em 03 de maio de 2019. Capacitor Variável e Dielétrico