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POLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, 
CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E 
PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Caderno de Estudos
Prof.ª Joelma Crista Sandri Bonetti
Prof.ª Neusa Mendonça Franzmann
UNIASSELVI
2016
NEAD
Educação a Distância
GRUPO
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br
Copyright  UNIASSELVI 2016
Elaboração:
Prof.ª Joelma Crista Sandri Bonetti
Prof.ª Neusa Mendonça Franzmann
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
360
B712p Bonetti; Joelma Crista Sandri
Políticas sociais – família, criança, adolescente, idoso e pessoa 
com deficiência/ Joelma Crista Sandri Bonetti; Neusa Mendonça Franzmann 
: UNIASSELVI, 2016.
185 p. : il.
 
ISBN 978-85-7830-979-4
1. Serviço social. 
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
APRESENTAÇÃO
Queridos acadêmicos, estamos iniciando mais uma disciplina. Neste caderno de Políticas 
Sociais - Família, Criança e Adolescentes, Idosos e Pessoas com Deficiência, abordaremos 
de maneira mais breve a questão da mulher, todas essas temáticas estão em evidência na 
atualidade como matéria-prima para a intervenção dos assistentes sociais.
Sempre que for identificada qualquer situação que indique fragilidades de vínculos ou 
conflitos familiares, faz-se importante que a rede de serviço e atendimento seja acionada para 
averiguar a situação e assim evitar expor os indivíduos a situações de violência. Dependendo 
da situação existem possibilidades de minimizar danos e traçar juntos aos usuários estratégias 
de atendimentos.
Neste caderno abordaremos todos os segmentos que trata o planejamento familiar, 
portanto, aproveite a oportunidade de aprender e tirar suas dúvidas, pois esta disciplina lhe 
proporcionará referências teóricas que facilitará a intervenção na prática profissional. 
Na primeira unidade será apresentada a questão da família, abordaremos de maneira 
sucinta o processo histórico e as mudanças na concepção social em relação à instituição 
familiar e a importância de cada segmento nessa composição; será abordado o porquê de 
certos comportamentos em relação a atribuições e responsabilidades de cada gênero (homem, 
mulher, filhos e descendentes) e seu comportamento na sociedade.
Na segunda unidade vamos expor de maneira simples e clara a questão das mudanças 
atribuídas às crianças e aos adolescentes, são recentes, porém apresentam contradições, sendo 
que a legislação apesar de descrever direitos e deveres familiares e da sociedade, entende 
que não consegue suprir todas as demandas impostas.
Na terceira unidade subdividimos as temáticas referente aos Idosos, Pessoas com 
Deficiência e de maneira mais precisa, a questão da mulher. 
Em relação à questão dos idosos, essa temática vem ganhando repercussão devido a 
projeções nacionais que apontam o crescimento em relação ao número de idosos, seja pela 
melhora na qualidade de vida ou no avanço da medicina, é fato que teremos cada vez mais 
idosos e será necessário buscar entender que tipo de atendimento pode ser apresentado e 
desenvolvido para esse grupo em ascensão.
Quando observamos a questão da pessoa com deficiência na contemporaneidade, 
tomamos consciência do quanto essa questão está abandonada pelas políticas públicas, pois 
a sociedade passa a ter outro olhar quando temos alguém na família que nasce ou adquire 
alguma deficiência.
iiiPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
UNI
Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas. 
Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus 
estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. 
Desejo a você excelentes estudos! 
 UNI
Ressaltamos que temos no país uma legislação em relação aos direitos da pessoa 
com deficiência, porém acaba sendo secundário, no que diz respeito ao conhecimento, aos 
profissionais de serviço social cabe o dever de orientar, encaminhar e de acompanhar as 
pessoas com deficiência, pois essa negligência não é apenas administrativa ela também pode 
ser familiar. 
No que diz respeito à questão da mulher, que se apresenta como um desafio numa 
sociedade com traços machista e mulheres submissas, o trabalho interdisciplinar se faz 
necessário, como também é importante o apoio da pessoa que vivencia tais conflitos, da família 
e da rede de atendimento, que compreende a situação de vulnerabilidade emocional, afetiva, 
financeira e o tipo de dependência que essa relação estabelece, por isso é imprescindível que 
a intervenção seja efetiva. 
Prof.ª Joelma Crista Sandri Bonetti
Prof.ª Neusa Mendonça Franzmann
ivPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
vPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
viPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
SUMÁRIO
UNIDADE 1: A EXPRESSÃO FAMÍLIA E SUAS FORMAS MULTIFACETADAS ............. 1
TÓPICO 1: A FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE ................................................................ 3
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 3
2 A ORIGEM E HISTORICIDADE DA FAMÍLIA A PARTIR DO PAPEL, A ESTRUTURA E
 AS FUNÇÕES DESEMPENHADAS ................................................................................ 5
3 RECONHECENDO DIFERENTES TIPOS DE FAMÍLIAS ............................................... 6
4 NOVAS CATEGORIAS DE FAMÍLIA ............................................................................... 9
5 PRECEITOS DA FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA ............................................................. 9
5.1 O PAPEL DO DIVÓRCIO NAS NOVAS CONFIGURAÇÕES DE FAMÍLIA ................. 10
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................... 16
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................. 17
TÓPICO 2: A CONSTRUÇÃO DOS PAPÉIS DE GÊNERO NA SOCIEDADE ................. 19
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 19
2 CONCEITOS DE GÊNERO ............................................................................................ 20
2.1 RECONHECENDO OS PAPÉIS DE GÊNERO ........................................................... 21
2.2 COMPREENDENDO A RELAÇÃO HOMEM X MULHER ........................................... 22
2.2.1 Construção Social do homem na sociedade ............................................................ 23
2.2.2 A construção social da mulher na sociedade ........................................................... 24
2.2.3 O papel da mulher na atualidade ............................................................................. 25
2.2.4 Construção social dos filhos na sociedade .............................................................. 27
2.3 COMPREENDENDO NOVAS CONFIGURAÇÕES DE GÊNERO
 (TRANSGÊNEROS) .................................................................................................... 29
2.3.1 Travesti ..................................................................................................................... 31
2.3.2 Homossexual ............................................................................................................ 33
3 DEFINIÇÃO DE TERMINOLOGIAS UTILIZADAS PARA DESIGNAR TERMOS
 INCLUSIVOS EM RELAÇÃO À TRANSVERSALIDADE .............................................. 35
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................39
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................. 40
TÓPICO 3: A LEGALIDADE DA CONSTITUIÇÃO FAMILIAR ........................................ 43
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 43
2 A COMPREENSÃO DO SERVIÇO SOCIAL QUANTO AOS TIPOS DE FAMÍLIA
 LEGALMENTE CONSTITUÍDOS ................................................................................... 46
3 POLÍTICAS SOCIAIS PARA AS FAMÍLIAS .................................................................. 54
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................ 56
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................... 60
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................. 62
AVALIAÇÃO ...................................................................................................................... 63
viiPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
viiiPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
UNIDADE 2: A TRAJETÓRIA DAS POLÍTICAS SOCIAIS EM RELAÇÃO AO CONTEXTO
 DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NA SOCIEDADE
 CONTEMPORÂNEA .................................................................................... 65
TÓPICO 1: CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ............ 67
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 67
2 EVOLUÇÃO E O CONCEITO DA INFÂNCIA ................................................................ 68
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................... 77
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................. 78
TÓPICO 2: A LEGISLAÇÃO E A QUESTÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E O
 PAPEL DAS TRÊS ESFERAS GOVERNAMENTAIS .................................... 79
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 79
2 A LEGISLAÇÃO E A QUESTÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E O PAPEL
 DAS TRÊS ESFERAS GOVERNAMENTAIS ................................................................ 79
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................... 91
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................. 92
TÓPICO 3: ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO NA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS
 E ADOLESCENTES ....................................................................................... 93
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 93
2 O PAPEL DA FAMÍLIA ................................................................................................... 93
3 GUARDA COMPARTILHADA ....................................................................................... 95
4 ALIENAÇÃO PARENTAL .............................................................................................. 97
5 AÇÕES DE ENFRENTAMENTO EM CASO DE SUSPEITA OU CONFORMAÇÃO
 DA VIOLAÇÃO DE DIREITOS ..................................................................................... 101
5.1 CONSELHO TUTELAR ............................................................................................. 103
6 COMPREENDENDO A VIOLAÇÃO DE DIREITOS .................................................... 106
6.1 MEDIDAS PROTETIVAS ........................................................................................... 108
6.2 ADOÇÃO ....................................................................................................................110
7 CADASTROS EM ÂMBITO NACIONAL, REGIONAL E INTERNACIONAL ...............115
LEITURA COMPLEMENTAR ...........................................................................................115
RESUMO DO TÓPICO 3 ..................................................................................................118
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 120
AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 121
UNIDADE 3: RECONHECENDO A REALIDADE VIVENCIADA NA 
 CONTEMPORANEIDADE PELOS IDOSOS, PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
 E A MULHER ............................................................................................ 123
TÓPICO 1: A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E A CONTEMPORANEIDADE
 DOS IDOSOS ................................................................................................ 125
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 125
2 RECONHECENDO O PAPEL DOS IDOSOS NA SOCIEDADE .................................. 125
ixPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
3 A CONDIÇÃO DO IDOSO NO BRASIL ....................................................................... 127
4 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DO ENVELHECIMENTO ............................................ 128
5 A FAMÍLIA E OS IDOSOS ........................................................................................... 132
6 IDOSOS E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS ........................................................... 135
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 135
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 138
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 140
TÓPICO 2: O PAPEL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NA SOCIEDADE ............. 141
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 141
2 BREVE RELATO SOBRE A HISTÓRIA DA DEFICIÊNCIA ........................................ 141
3 INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE AS DEFICIÊNCIAS ........................................... 146
3.1 DEFICIÊNCIA FÍSICA................................................................................................ 148
3.2 DEFICIÊNCIA AUDITIVA ........................................................................................... 150
3.3 DEFICIÊNCIA VISUAL .............................................................................................. 153
3.4 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ................................................................................... 154
3.5 DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA .......................................................................................... 156
4 REFLETINDO SOBRE O ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA .................. 159
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 160
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 161
TÓPICO 3: A QUESTÃO DA MULHER NA ATUALIDADE ............................................ 163
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 163
2 O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE ................................................................... 163
2.1 A MULHER E SUA REPERCUSSÃO SÓCIO-HISTÓRICA ......................................165
2.2 A MULHER NA CONTEMPORANEIDADE ................................................................ 166
3 A MULHER ENTRE AS CONQUISTAS E SEUS DESAFIOS FRENTE À
 REALIDADE ................................................................................................................. 167
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................. 175
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 177
REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 179
xPOLÍTICAS SOCIAIS – FAMÍLIA, CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO E PESSOA COM DEFICIÊNCIA
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UNIDADE 1
A EXPRESSÃO FAMÍLIA E SUAS 
FORMAS MULTIFACETADAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 A partir desta unidade, você será capaz de:
	identificar as principais configurações de família desde sua origem 
à contemporaneidade; 
	compreender a constituição histórica de gêneros e seu 
comportamento na sociedade;
	conhecer a legislação que norteia a intervenção e a prática 
profissional do assistente social.
TÓPICO 1 - A FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE
TÓPICO 2 - A CONSTRUÇÃO DOS PAPÉIS DE 
GÊNERO NA SOCIEDADE
TÓPICO 3 - A LEGALIDADE DA CONSTITUIÇÃO 
FAMÍLIA
PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 1 está dividida em três tópicos distintos. Ao final 
de cada um deles você encontrará autoatividades que auxiliarão no 
seu aprendizado.
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A FAMÍLIA DE ONTEM E DE HOJE
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1
Prezado acadêmico, quando falamos de família, ampliamos sua conotação na medida em 
que tentamos entender determinados conceitos, sendo que podem ter significados diferentes, 
dependendo da estrutura familiar que se pretende compreender.
• O que é uma família de fato? 
• Qual sua função? 
• Família é: um casal com filhos? Ou um casal sem filhos? E os casais homossexuais?
• E irmãos convivendo juntos sem a presença dos pais? 
• O pai e a mãe com a inserção de madrasta e padrasto?
• As avós, avôs, tios, primos, os parentes do atual marido/mulher são da família?
• Existe ex-família?
Neste sentido, é necessário estarmos preparados para compreender as novas 
configurações de famílias existentes na contemporaneidade, acima apresentamos alguns 
exemplos, no entanto estes podem variar de acordo com a realidade de cada um.
É possível compreender que família: 
É qualquer grupo em que as pessoas vivem, comem e dormem juntas, qual-
quer que seja a composição, forma ou nome que o grupo possa ter. A única 
coisa importante na definição de família é que este pequeno grupo tenha um 
passado e um futuro comuns, embora estes possam ser de curta duração 
(LYNK, 1978, p. 1).
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) define família como o “conjunto 
de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência, 
residente na mesma unidade domiciliar, ou pessoa que mora só em uma unidade domiciliar”. 
Considera, portanto, família um casal ou até uma pessoa que mora só, como “família unipessoal”, 
privilegiando o domicílio comum em sua definição.
UNIDADE 1
UNIDADE 1TÓPICO 14
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FIGURA 1 - NOVAS CONFIGURAÇÕES DE FAMÍLIA
FONTE: Disponível em: <http://www.betaredacao.com.br/estatuto-da-familia-pros-
contras-e-memes/>. Acesso em: 10 fev. 2016.
Logo, todas as pessoas que moram no mesmo espaço, independente de laços 
consanguíneos ou não são consideradas família.
Deste modo, neste tópico iremos desmistificar esta questão!
UNI
Conforme a psicanálise, podemos considerar que a família se 
apresenta como sendo a representante da cultura, a qual passa 
a cumprir um fantástico papel principal na transferência das leis, 
de conceitos de descendência e de parentesco, de herança e de 
sucesso, que unidas passam a fazer parte de uma instituição que 
rege os processos fundamentais da família.
DICA
S!
Sugestão de Filme: A Menina de Ouro 
(conceito de família).
Sinopse: Frankie Dunn passou a vida nos 
ringues, tendo agenciado e treinado grandes 
boxeadores. Frankie costuma trabalhar a 
mesma lição que segue para sua vida: com 
o afastamento de sua filha, Frankie é uma 
pessoa fechada, até que surge uma jovem 
determinada que possui um dom ainda não 
lapidado para lutar boxe, mas ele não aceita 
treinar mulheres, a jovem decide treinar 
diariamente no ginásio. Ele se vê vencido pela 
determinação de Maggie, Frankie enfim aceita 
ser seu treinador.
UNIDADE 1 TÓPICO 1 5
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2 A ORIGEM E A HISTORICIDADE DA FAMÍLIA A PARTIR DO PAPEL, 
E AS FUNÇÕES DESEMPENHADAS
Durante o processo evolutivo da sociedade a estrutura de família também pode ser 
considerada um ciclo com vários períodos, estes, na verdade são complementares, pois 
apresentam teorias e conceitos que esclarecem a origem e a estruturação do grupo familiar.
 Nessa mesma linha, Bruschini e Ridenti (1995) expõe que o termo família teve sua 
origem no latim fâmulos (agregado, doméstico), que era utilizado para se referir ao empregado 
de um senhor, somente anos mais tarde iniciou-se para denominar um grupo de pessoas que 
moram na casa, sendo que obedeciam às ordens de um único chefe, geralmente dado aos 
laços consanguíneos. 
Historicamente, temos relatos que as famílias se organizavam a partir de estruturas 
nômades de forma matriarcal, o conhecimento em relação à produtividade da terra era bastante 
restrito, a alimentação era baseada em produtos naturais, obtidos diretamente na natureza. 
A mulher por ser considerada uma procriadora, tinha funções bem definidas, com 
privilégios ou não, dependendo da cultura em que vivia. Na espécie humana, a maternidade é 
seguida de responsabilidades impostas principalmente à mulher, porém, na natureza existem 
animais que os cuidados com os descendentes é responsabilidade dos machos. Os animais 
também desenvolvem a ideia de união, por isso existem espécies que vivem em bandos e que 
ajudam no cuidado do grupo como um todo. 
Maria Berenice Dias (2005, p. 1) expõe que, ao longo da história a família gozou de um 
conceito sacralizado por ser considerada a base da sociedade. De início, as relações afetivas 
foram apreendidas pela religião, que as solenizou como união divina e abençoada pelos céus.
 
O Estado, não podendo ficar aquém dessa intervenção nas relações familiares, buscou 
estabelecer padrões de estrita moralidade e de conservação da ordem social, transformando a 
família numa instituição matrimonializada. Segundo Paulo Nader (2010, p. 3), a família é uma:
Unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em 
comum ou ligada por laços afetivos. Podendo também ser considerada como 
um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos 
membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema, que 
opera através de padrões transacionais.
Nesse sentido, os que não acompanhassem esse padrão social imposto seriam punidos 
e culpabilizados por menosprezar os preceitos morais da época. 
UNIDADE 1TÓPICO 16P
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A estrutura de família não é privilégio da espécie humana, todos os animais constituem 
família, bem como, todos os seres vivos têm um início, uma descendência, a qual pode ser 
definida como categorias. 
Seguindo a lógica da espécie humana, no reino animal também existem grupos que 
assumem os cuidados com os menores, a qual se denomina de família extensa, onde parentes 
ajudam nos cuidados de parentes ou descendentes diretos.
UNI
Segundo Minuchin (1985), a família é um complexo sistema de 
organização, com crenças, valores e práticas desenvolvidas ligadas 
diretamente às transformações da sociedade, em busca da melhor 
adaptação possível para a sobrevivência de seus membros e da 
instituição como um todo. O sistema familiar muda à medida que a 
sociedade muda, e todos os seus membros podem ser afetados por 
pressões internas e externas, fazendo que ela se modifique com a 
finalidade de assegurar a continuidade e o crescimento psicossocial 
de seus membros.
3 RECONHECENDO DIFERENTES TIPOS DE FAMÍLIAS
Trabalharemos a expressão família na antiguidade, na qual Gomes (2001) nos diz que: 
“eram apenas indivíduos que pertenciam a um ambiente nuclear, heterossexual, monogâmica 
e patriarcal, [...] dominada pela figura do pai [...] sendo o chefe e o gerente daquele núcleo”. 
Esse modelo de família tradicionalista refere-se à família formada por um grupo de 
indivíduos com grau de parentesco, uma forma de organização, tradicionalmente constituído 
por um homem e uma mulher, assumindo assim uma composição nuclear. A família torna-se 
responsável no processo de educação, exercendo nos filhos influência em seu comportamento, 
buscando autonomia e exercendo o papel de cidadão de direito na sociedade, é nela que os 
filhos experimentam um ambiente de harmonia, afeto e ajuda no desenvolvimento e soluções de 
conflitos, é neste ambiente e relação de confiança e segurança que acontece a unidade familiar. 
Gomes (2001) entende que a origem da família parte do ponto de vista sociológico de 
um grupo de pessoas que convivem, se juntam por relações de parentesco, no entanto, pode 
ser considerada também aquelas formadas por relações sociais, afinidades, adaptações que 
mantém um relacionamento cordial e respeitoso em determinado grupo. Família pode ser 
entendida como um grupo de pessoas que convivem sob o mesmo teto, e tenham contato. 
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Na história da humanidade houve momentos de extrema fragilidade para os preceitos 
atuais da época, o relacionamento sexual entre parentes diretos (pais, filhos e irmãos) não era 
condenado, já que isso beneficiava a preservação dos hábitos e costumes do grupo. Com o 
desenvolvimento da humanidade surgem novas categorias de família.
QUADRO 1 - NOVAS CATEGORIAS DE FAMÍLIA
FAMÍLIA 
CONSANGUÍNEA
• Considerada a primeira fase da família, com relações de base 
biológicas, nesse grupo existe um choque de gerações na qual os 
casamentos são realizados entre si, sendo que somente os pais e 
filhos são excluídos dos direitos e deveres do matrimônio, os demais 
ascendentes e descendentes, irmãos e irmãs, primos e primas, em 
primeiro, segundo e restantes graus, são todos, submetidos à regra.
• Seguindo essa linha é possível observar que a questão de ciúme e 
incesto é uma criação moral, pois até então essa era uma prática 
natural. Este tipo de família está desaparecendo, ainda existem 
casamentos entre parentes, porém em graus mais distantes e com 
menos frequência, das mudanças ocasionadas nesse período e da 
mistura dos grupos surgem descendentes considerados mais fortes, 
esses denominados de Famílias Punaluana.
A FAMÍLIA 
PUNALUANA
• A família punaluana substitui a família consanguínea, na qual passa 
a ver com ressalvas o relacionamento entre parentes, seja entre 
pais e filhos ou entre irmãos. Esse processo foi bastante lento, pois 
influenciou diretamente nos costumes de um povo, os casamentos 
foram sendo desautorizados, do maior parentesco para o menor, 
sendo assim, a descendência sempre era determinada pela linhagem 
feminina, nomeando como maternal essa forma de sociedade.
• Esse avanço ilustra o princípio da seleção natural sendo um processo 
que finda com a obrigação de casar por convivência familiar. As novas 
configurações de família misturam as raças, havendo possibilidade 
de casar com outras pessoas do grupo sem que tenham vínculo 
consanguíneo ou até casar com pessoas de outros grupos.
• Essas mudanças foram sentidas de forma negativa sem muito 
progresso em todos os povos primitivos, romanos e gregos que em 
algum momento se obrigavam a aceitar novos integrantes ao grupo 
familiar. 
• O casamento entre parentes em linha reta nos últimos tempos vem 
sendo extinto, porém, percebe-se que a prática sexual entre outros 
parceiros se torna comum. 
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A FAMÍLIA 
SINDIÁSMICA
• A configuração dessa família baseia-se numa organização de grupo, 
onde destacamos a presença de um marido e demais esposas, sendo 
que uma delas é quem gerencia a relação.
• Para a sociedade, esta prática causa certo desconforto. Os preceitos 
religiosos passam a condenar e considerar a prática promíscua em 
relação às mulheres e arbitrária em relação aos homens. Indiferente 
de quantos filhos o homem tinha com suas várias esposas, não podia 
haver casamento entre os irmãos, pois eles tinham pai em comum.
• Neste sistema o homem tem direito à infidelidade e à poligamia, 
enquanto que as mulheres eram submetidas a serem fiéis e prestarem 
serviços conjugais para o marido, qualquer desvio de comportamento 
perante à relação conjugal, a mulher seria severamente castigada.
• A evolução da família sobre a proibição do casamento entre parentes 
em linha reta e da união a partir de grupos fortalece a ideia de poder 
do homem sobre a figura da mulher: a mulher era escolhida pelo 
homem a partir de suas características, afinidades ou apenas como 
valor de compra pelos seus pais.
• A poligamia ainda continua com características de poder e submissão 
na figura da mulher, o homem tinha o poder de ter várias mulheres, 
o que fazia com que o número de mulheres nas tribos diminuísse, 
isso causava novos problemas sociais, as mulheres de outras tribos 
acabavam sendo raptadas de forma brutal e se tornavam escravas.
• Nesse período houve um aumento significativo nas atividades 
agrícola e pecuária, existem relatos que foi nesse período que surgiu 
a escravidão, e consequentemente, o acúmulo desigual de bens, 
a mulher passa a ser tratada também como posse ou até mesmo 
escrava de seus maridos. 
FAMÍLIA 
MONOGÂMICA
• Essa configuração de família monogâmica se apresenta como um tipo 
de organização familiar pautada no matrimônio, com surgimento na 
origem da civilização, entre suas características predomina o homem 
que detém o poder, tudo está centralizado na pessoa masculina, 
principal objetivo são os filhos, que serão os principais herdeiros 
naturais, o casamento só pode ser desfeito pelo homem, nunca pela 
mulher, os filhos são cuidados e recebem afetos do pai e da mãe.
• A família se consolida numa unidade social sólida, onde o papel da 
mulher é considerado proteção e uma posição privilegiada, porém, 
a ideia principal não era a fidelidade, mas sim a questão da divisão 
dos bens entre os descendentes,dando continuidade ao poder, essa 
questão pode ser considerada o início do poder do Estado percebido 
como centralizador na figura de algumas pessoas.
FONTE: As autoras
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4 NOVAS CATEGORIAS DE FAMÍLIA
Com o passar do tempo, o interesse na formação de famílias diminuiu, e quando existe 
uma formação, quase sempre se configura num perfil atual moderno e contemporâneo, com 
novas formas de pensar agir, conviver e com outra forma e jeito de educar. 
O tempo não para e está em constante evolução, podemos até questionar se essa 
evolução e mudanças em torno das novas configurações de famílias vai melhorar aquela base 
de família tradicional deixadas por nossos pais. Temos sim que respeitar essa evolução e 
essas novas configurações, afinal, o importante nesse processo é que formamos grupos onde 
o que impera é o amor, compromisso, respeito à transparência, além do cuidado de uns com 
os outros, buscando a felicidade e o bem comum.
5 PRECEITOS DA FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA
As novas configurações de família destacam que a principal quebra nesse sistema social 
foi a separação da centralidade entre os preceitos religiosos e a diferenciação da função do 
Estado. Dias (2008, p. 22) nos esclarece que:
O distanciamento entre Estado e Igreja culminou na busca de referenciais outros para 
a mantença das estruturas convencionais. Sem o freio da religião, valores outros precisaram 
ser prestigiados, e a moral e a ética foram convocadas como formas de adequação do convívio 
social. Esses paradigmas começaram a ser invocados para tentar conter a evolução dos 
costumes. [...] A questão pós-moderna essencial passa a ser a ética.
Nesse cenário surgem as novas configurações de família, não sendo apenas pessoas 
que têm vínculos consanguíneos, mas todas as que por opção resolvem se aproximar. Lôbo 
(2004, p. 2) destaca que “família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito 
à proteção da sociedade e do Estado”. 
 Schlithler, Ceron e Gonçalves (2014) têm a visão de que a família tradicional, composta 
de um casal heterossexual, com seus descendentes e ascendentes, integralmente responsável 
pela formação e socialização das crianças é um modelo que não faliu, mas convive atualmente 
com vários outros tipos de composição familiar. A configuração de família tradicional vem se 
remodelando onde novos membros são incorporados, geralmente a partir das separações, das 
dissoluções dos casais, novos indivíduos se somam à família, gerando novas configurações 
de irmãos, sendo estes ligados pelo pai ou pela mãe.
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5.1 O PAPEL DO DIVÓRCIO NAS NOVAS CONFIGURAÇÕES 
DE FAMÍLIA
O casamento, na contemporaneidade, não é mais uma necessidade cultural, não 
apresenta mais a carga de responsabilidades e atribuições impostas pela sociedade no passado 
a qual era adquirido vitaliciamente. Outra maneira contemporânea de identificar uma relação 
similar ao casamento denomina-se união estável, além da união homoafetiva que tornam-se 
cada vez mais comuns na sociedade brasileira, ambas adquirem os mesmos direitos que as 
relações estabelecidas a partir do casamento propriamente dito, entre elas: a inserção dos 
nomes nos registros dos filhos, naturais ou adotivos.
Com a evolução da sociedade, as pessoas passaram a compreender que as uniões que 
apresentam desconforto e as afinidades que os uniam foram diminuindo, as pessoas optaram 
pela separação, porém, isso só acontece a partir da Lei 6.515/77, a qual instituiu a separação 
judicial e o divórcio.
A separação judicial, também conhecida como desquite, é parte do ordenamento civil-
constitucional, nominada como extinção da sociedade conjugal, no entanto, essa modalidade 
impede as partes envolvidas de estabelecerem novos casamentos. Assim, vê-se que separação 
judicial, nos dizeres da professora Maria Helena Diniz, (2008, p. 12) é “motivo de dissolução 
da sociedade conjugal, não irrompendo o vínculo matrimonial, de maneira que nenhum dos 
consortes poderá convolar novas núpcias. [...]. A separação judicial é uma medida preparatória 
da ação do divórcio”. 
Geralmente os relacionamentos envolvem expectativas, cumplicidade e planos futuros, 
passam por várias etapas, conflitos de opinião e superação. O relacionamento incorpora várias 
características, como paixão, amor, afinidade, centralidade, segurança, entre outros, ou seja, 
incorpora de forma equilibrada hábitos e costumes diferentes.
A partir do momento que o relacionamento apresenta instabilidade e o casal opta pela 
separação, nos deparamos com três momentos específicos: o antes, o durante e o após. 
Segundo Abreo (1998), na pós-modernidade, a família se caracteriza pela diminuição 
do número de casamentos, e há uma tendência no aumento do número de divórcios. Hoje, as 
pessoas estão se casando menos e se separando mais, ao mesmo tempo em que aumenta o 
número de pessoas que mantêm um relacionamento conjugal sem vínculos formais.
As separações seguem, geralmente, uma linha ligada à afinidade, dificuldade de 
organização financeira, desemprego, rotina, problemas de saúde ou incapacidade de um 
dos cônjuges, falta de afinidade individual ou coletiva com a chegada ou perda dos filhos ou 
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membros extensos (sogros, sogras etc.). Porém, as separações são situações que causam 
desconforto no ambiente familiar, não apenas ao casal, mas também aos filhos e parentes 
próximos, já que ligações são diminuídas ou cerceadas por completo, as quais causam outras 
dificuldades, principalmente no caso de filhos com condutas agressivas e acusações, poucas 
são as separações que ocorrem de maneira consensual sem danos a terceiros. 
 
A separação ocorre quando o casal não visualiza mais nenhuma possibilidade para 
superar a situação, sendo assim as pessoas, mesmo separadas, ainda têm uma expectativa 
de encontrar alguém que proporcione a formação de uma família. 
As pessoas traçam metas conjugais, profissionais e financeiras, as separações destroem 
de certa forma um caminho até então seguro, iniciam com o dilema da guarda dos filhos, 
separação de bens e a necessidade de traçar novas expectativas.
Cerveny (2006) afirma que as separações e os divórcios podem ser de diferentes 
maneiras e constituem um dos momentos de maior desorganização num sistema familiar. As 
pessoas que se separam e possuem filhos, todo processo de separação se torna mais doloroso 
e com maior conflito. Geralmente, num clima tenso e desfavorável, onde as famílias buscam 
auxílio de consultórios e/ou judiciário.
As separações de casais envolvem todos os integrantes da família, de maneira que os 
pequenos necessitam do apoio, de cuidado e também no amparo financeiro, como moradia e 
alimentação por períodos muitas vezes longos, às vezes até os filhos se tornarem adultos. A 
necessidade de novas organizações após o processo de separação se faz necessária, assim 
como a presença de profissional capacitado e de todo auxílio possível da rede social.
Para Ferreira (2004), o fato de a família desorganizar-se momentaneamente não 
significa que ficará destruída ou seriamente prejudicada. A separação também pode representar 
desafio e oportunidade para o crescimento pessoal de seus elementos. Muitos relacionamentos 
considerados falidos se mantêm a partir da presença de filhos pequenos,a qual se justifica a 
partir da necessidade do cuidado, já que um dos envolvidos será privado do convívio diário 
com os filhos, porém, estes tendem a se diluírem com o tempo e a separação se torna a única 
solução. 
Pesquisas comprovam que crianças que vivem com os pais em ambientes conflituosos 
e agressivos são menos felizes que crianças que convivem com pais separados, mas bem 
resolvidos. 
Após 1977, com a regulamentação do divórcio, que instituiu na sociedade o fim do 
vínculo matrimonial, as pessoas tornam-se novamente livres, para se caso desejarem constituir 
novos relacionamentos, com ou sem vínculos matrimoniais. 
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O divórcio é a dissolução de um casamento válido, ou seja, extinção do 
vínculo matrimonial, que se opera mediante sentença judicial, habilitando as 
pessoas a convolar novas núpcias. [...]. O divórcio é uma permissão jurídica 
à disposição dos consortes, logo, nenhum efeito terá cláusula, colocada em 
pacto antenupcial, em que os cônjuges assumam o compromisso de jamais 
se divorciarem (DINIZ, 2008, p. 35).
Com essa nova modalidade é possível perceber que a ideia do direito da família no Brasil 
sempre esteve vinculada a preceitos tradicionalistas. Desde a época do início do catolicismo 
existia a ideia e o consentimento do divórcio em certos casos. 
A Lei do Divórcio possibilitou menos conflitos sociais e culturais, como a igualdade 
jurídica entre as partes. Abrindo novas possibilidades de desenvolver e elaborar todas as 
legislações para a formalização da união e para as possíveis dissoluções, sob a mesma 
óptica, e de fortalecimento de vínculos na família. Sendo assim, a proteção da família é direito 
personalíssimo que merece todos e quaisquer tipos de proteção, pois o casamento se desfaz, 
mas o vínculo entre as partes é eterno, quando existe filhos esses são de responsabilidade 
de ambos.
A separação judicial coloca fim ao relacionamento conjugal, ela poderá ocorrer por 
recíproco consentimento dos envolvidos, ou não, pode ser consensual ou de forma litigiosa. No 
caso de separação judicial consensual, é uma adesão voluntária, que põe fim ao relacionamento 
conjugal (art. 1.574 do Código Civil de 2002), na qual o juiz homologará o ato bilateral, um 
acordo de vontades à sua dissolução, por um meio contrário ao de sua origem. Nesse caso, a 
intervenção do juiz é puramente administrativa. Essa modalidade precisa atender os quesitos 
básicos para ser executável conforme dispõe o art. 1.574 do Código Civil, ter adquirido 
matrimônio há mais de um ano anterior ao pedido de separação. Caso o pedido seja formalizado 
por uma das partes, mas comprovada incapacidade, poderá ser nomeado um curador para 
realizar os trâmites legais conforme o disposto no art. 3º, §1° da Lei 6.515/77 e no art. 1.576, 
do Código Civil. 
Os cônjuges poderão divergir de certas opiniões, porém deverão levar em consideração 
os menores danos financeiros e afetivos dos descendentes, bem como a regulamentação de 
convivência familiar e comunitária. 
No caso de separação na modalidade de litígio pode ser solicitada a qualquer tempo 
por um dos envolvidos, ela ocorre de três maneiras:
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QUADRO 2 - MANEIRAS DE SEPARAÇÃO NA MODALIDADE DE LITÍGIO
SEPARAÇÃO 
SANÇÃO
• A separação sanção é justificada pela conduta julgada inadequada 
de um dos cônjuges. 
SEPARAÇÃO 
FALÊNCIA
• A separação falência, quando a separação já é consumada há mais de 
um ano, essa modalidade é percebida com a separação consensual 
a qual comprava o insucesso da vida conjugal.
SEPARAÇÃO 
REMÉDIO
• Separação remédio, esta modalidade compreende a aquisição por 
um dos cônjuges de uma “doença mental grave”, surgida após o 
casamento e que passados dois anos, é tida como incurável ou com 
pouca probabilidade de cura.
FONTE: As autoras
No caso de separação na modalidade litigiosa existe a possibilidade de um dos 
cônjuges fazer o pedido de separação, quando entender que o outro cometeu grave violação no 
casamento impossibilitando a vida em comum. Nesse caso também é possível representação 
através de curador quando existir a impossibilidade por uma das partes.
A modalidade litigiosa se baseia na culpa ou na ruptura da vida em comum. Essas 
situações podem ser entendidas a partir do art. 1.573 do CCB, e devem ser analisadas pelo 
juiz. Nestes termos, dispõe o referido diploma legal que pode caracterizar a impossibilidade 
da comunhão da vida a ocorrência de algum dos seguintes motivos:
I – Adultério.
II – Tentativa de morte.
III – Sevícia ou injúria grave.
IV – Abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo.
V – Condenação por crime infamante.
VI – Conduta desonrosa. 
 
Existindo a comprovação dos fatos que impeçam a continuidade da relação, o juiz 
tende a analisar o contexto e compreender que deveres matrimoniais foram descumpridos, 
ele ajuíza a situação. Entre os casos mais comuns de descumprimento dos deveres é possível 
destacar: infidelidade recíproca, coabitação no domicílio conjugal, mútua assistência, respeito e 
consideração mútuos, sustento, guarda e educação dos filhos e infrações entre outros deveres. 
O cônjuge que pede a separação tem a possibilidade de pedir a pensão alimentícia e cuidados 
pessoais e necessidades médicas decorrentes.
O processo de separação adquiriu novas modalidades a partir da Lei nº 11.441 de 2007, 
quando foi incorporada a ideia de separação extrajudicial ou administrativa que possibilita aos 
cônjuges optarem pela via administrativa para realizarem o processo de separação. 
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 A modalidade de separação extrajudicial surgiu por meio da Lei 11.441 de 4 de janeiro 
de 2007, que alterou a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil 
(CPC), dando aos cônjuges a possibilidade da realização da separação por via extrajudicial. 
É reconhecida como uma escritura pública, aparada em cartório na presença de um tabelião. 
Entretanto, essa nova modalidade de separação é facultativa, conforme podemos perceber 
em leitura do art. 1.124-A do CPC que diz: “A separação e o divórcio consensual, não havendo 
filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, 
poderão ser realizados por escritura pública [...]”.
Essa possibilidade dá agilidade ao processo de separação a partir das escrituras 
públicas, segundo o art. 215 do CCB deve acompanhar os seguintes critérios:
I – data e local de sua realização;
II – reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos haja 
comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemu-
nhas;
III – nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das 
partes e demais compareceu, com a indicação, quando necessário, do regime 
de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação;
IV – manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes;
V – referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à 
legitimidade do ato;
VI – declaração de ter sido lida na presença das partes e demais compare-
cestes, ou de que todos a leram;
VII – assinatura das partes e dos demais comparecestes, bem como a do 
tabelião ou seu substituto legal, encerrando o ato.
 A separação extrajudicial não pode ser realizada caso haja filhos menores e/ou 
incapazes,conforme disposto no art. 1.124-A do CPC:
Separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores 
ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, 
poderão ser realizados por escritura pública, confirmado na Resolução 35 do 
CNJ: As partes devem declarar ao tabelião, no ato da lavratura da escritura, 
que não têm filhos comuns ou, havendo, que são absolutamente capazes, 
indicando seus nomes e as datas de nascimento.
É uma modalidade consensual, voluntária, que deve obrigatoriamente respeitar os 
quesitos mínimos de escritura pública a qual deve constar declaração das partes de que 
estão cientes das consequências da separação e do divórcio, firmes no propósito de pôr fim à 
sociedade conjugal ou ao vínculo matrimonial, respectivamente, sem hesitação, com recusa 
de reconciliação.
Os cônjuges deverão ser acompanhados por advogado, que assim como na separação 
judicial consensual poderá ser único ao casal, ou diferente, cada qual com seu procurador, é 
o que determina o § 2º, do art. 1.224-A do CPC, bem como o art. 36 da Resolução do CNJ.
A separação devolve aos cônjuges a possibilidade de tomar suas próprias decisões, 
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sem ter que informar a ninguém, porém esse período também pode ser visualizado como 
solitário e propício ao desenvolvimento de necessidade que envolva a intervenção profissional 
de fortalecimento de vínculos e superação de situação de violação de direitos, já que envolve 
todo um contexto familiar.
DICA
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Assista ao f i lme: À PROCURA DA 
FELICIDADE 
Sinopse: Chris Gardner (Will Smith) é um 
pai de família com problemas financeiros. 
Apesar de todas as tentativas de manter 
a família unida, Linda, sua esposa, decide 
partir. Chris agora é pai solteiro e precisa 
cuidar de Christopher (Jaden Smith), seu 
filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua 
habilidade como vendedor para conseguir 
um emprego melhor, que lhe dê um salário 
mais digno, mantendo a esperança de que 
dias melhores virão.
DICA
S!
Para aprofundamento dos temas deste 
tópico, sugerimos que você leia o seguinte 
livro: Serviço Social Com Famílias
A intervenção profissional com famílias é 
um tema que tem sido abordado e debatido 
pelo Serviço Social desde as suas origens, 
garantindo à profissão uma inserção 
estratégica no cenário contemporâneo 
da política social. Este livro reúne o 
trabalho de assistentes sociais, docentes 
e investigadores, dando-se enfoque à 
intervenção sistémica e à intervenção 
individualizada e com famílias, com vários 
exemplos de intervenções neste domínio. 
Evidencia-se, igualmente, a intervenção em situações de 
acontecimentos adversos de saúde, com crianças em idade 
escolar, pessoas LGBT, imigrantes e famílias de idosos. Procura-se, 
ainda, relevar o conhecimento que é produzido noutros contextos 
societários, como é o caso do Brasil, com a participação de várias 
autoras que se têm destacado nesta área.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico vimos que:
• O termo família teve sua origem no latim fâmulos (agregado, doméstico), que era utilizado 
para se referir ao empregado de um senhor, somente anos mais tarde passou a ser denominado 
como um grupo de pessoas que moram na mesma casa. 
• O conceito atual de família é entendido como qualquer grupo em que as pessoas vivem, 
comem e dormem juntas, qualquer que seja a composição, forma ou nome que o grupo 
possa ter, portanto, todas as pessoas que moram no mesmo espaço, independente de laços 
consanguíneos ou não, são consideradas família.
• O Estado buscou estabelecer padrões de moralidade e de conservação da ordem social, 
transformando a família numa instituição matrimonializada, os que não seguissem esse padrão 
social imposto, seriam punidos.
• Na história da humanidade houve momentos de extrema fragilidade para os preceitos atuais 
da época, sobre o relacionamento entre parentes diretos.
• Na família consanguínea os casamentos são realizados entre parentes.
• Na família punaluana os casamentos entre parentes passam a ser vistos com ressalva, os 
casamentos foram sendo desautorizados do maior parentesco para o menor, sendo assim, a 
descendência sempre era determinada pela linhagem feminina.
• A família sindiásmica baseia-se numa organização de grupo, onde destacamos a presença 
de um marido e demais esposas.
• A Família monogâmica é pautada no matrimônio, seu principal objetivo são os filhos.
• A partir da Lei 6.515/77 as pessoas passam a ter oportunidade de optarem pela separação.
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AUT
OAT
IVID
ADE �
Preste bastante atenção nas autoatividades sugeridas, elas facilitarão a 
assimilação dos conteúdos, bem como sua compreensão em relação aos assuntos 
propostos nesse tópico.
Como a configuração da família vem acompanhando a evolução da 
sociedade, novas configurações podem ser identificadas. Nessa linha, associe a 
primeira e a segunda coluna de forma a identificar características importantes de 
cada família.
1 Família 
consanguínea 
2 Família 
punaluana
3 Família 
sindiásmica
4 Família 
monogâmica
( ) O incesto e a troca de casais era uma prática natural.
( ) As pessoas eram obrigadas a casar por conveniência familiar.
( ) Parentes próximos, como irmãos e primos, podem estabelecer 
matrimônio. 
( ) Essa modalidade passa a ver com ressalvas o relacionamento 
entre parentes.
( ) A descendência sempre era determinada pela linhagem 
feminina.
( ) Os casamentos foram sendo desautorizados, do maior 
parentesco para o menor.
( ) Misturam as raças, havendo possibilidade de casar com 
pessoas de outros grupos.
( ) Um marido e demais esposas.
( ) Não podia haver casamento entre os irmãos, pois eles tinham 
pai em comum.
( ) Neste sistema o homem tem direito à infidelidade e à poligamia.
( ) Fortalece a ideia de superioridade masculina sobre as 
mulheres.
( ) Foi nesse período que surgiu a escravidão.
( ) O casamento só poderia ser desfeito pelo homem, nunca pela 
mulher.
( ) Configuração familiar pautada no matrimônio.
( ) Fase de fortalecimento do Estado sobre a sociedade.
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A CONSTRUÇÃO DOS PAPÉIS DE 
GÊNERO NA SOCIEDADE
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 2
Para compreender o processo de desenvolvimento dos seres humanos e a função de 
cada gênero na sociedade, é importante conhecer os principais fatores de desenvolvimento 
da sociedade e os pontos mais relevantes da história. 
Partimos da teoria que a evolução da espécie humana é constante e, portanto, não há 
como precisar o momento exato de sua existência, bem como seu processo evolutivo foi de 
forma lenta e gradual, se deriva das necessidades, seus movimentos e seu desenvolvimento 
intelectual foi gerado pela situação, ou seja, ele começou a produzir instrumentos, que 
facilitariam sua vida, a qual foram se ajustando conforme as circunstâncias e as funções que 
lhe foram atribuídas, essa fase é reconhecida como Homo Habilis.
Neste período, os homens viviam em cavernase os afazeres do dia a dia passavam 
por transformação e desenvolvendo novas funções, que se transformaram em instrumentos 
de trabalho, como por exemplo: ossos, dentes de animais, chifres, pedaço de madeira etc. 
Os instrumentos de pedra representam a maior variedade catalogada e identificada, 
devido à sua resistência, sendo estes gradualmente aperfeiçoados pelo homem. Esse período 
é reconhecido como paleolítico, pelo meio de técnicas de corte de pedra, reconhecido também 
como período da pedra lascada, sendo estas transformadas em ferramentas que auxiliavam 
nas atividades cotidianas. 
A descoberta do fogo caracteriza um novo período, o do Homo Erectus, nessa fase a 
energia propicia a melhora da qualidade de vida. O fogo passa a iluminar e aquecer as noites, 
e transformar a naturalidade dos alimentos que passam a ser cozidos ou assados, melhorando 
a digestão e o gosto; os instrumentos se aperfeiçoaram cada vez mais. 
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Historicamente o homem é reconhecido enquanto ser dominante e a mulher enquanto 
submissa, responsável pela criação dos descendentes.
2 CONCEITOS DE GÊNERO
Na contemporaneidade vivemos em relação ao gênero, uma constante ressignificação 
de influências em relação ao sexo masculino e feminino, ou seja, gênero está sempre em 
constante mudança, não é estático e sim mutável.
Conforme Scott (1995), quando se referencia “gênero”, sobre a diferença dos sexos, ele 
não se remete apenas a ideias, mas também a instituições, a estruturas, a práticas cotidianas, 
ou seja, a todo processo que constitui as relações sociais. O discurso é um instrumento de 
organização do mundo, ele constrói o sentido desta realidade. 
A diferença sexual não é a causa originária, ela é mais uma estrutura social móvel, 
instável, que deve ser analisada em seus diferentes contextos históricos.
 Conforme a autora Joan Scott (1995), o gênero é um elemento constitutivo de relações 
sociais baseado nas diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é uma forma primeira de 
significar as relações de poder. As mudanças na organização das relações sociais correspondem 
sempre à mudança nas representações de poder, mas a direção da mudança não segue 
necessariamente um sentido único. Como elemento constitutivo das relações sociais fundadas 
sobre diferenças percebidas entre os sexos.
O ser humano não pode ser pensado de forma individual. É a partir das relações, mesmo 
que seja entre dois indivíduos, para manutenção da rede social, que se baseia a relação social, 
é importante que este agregado seja respaldado pelas regras sociais. 
Joan Scott (1995), em definição da categoria gênero, ensina-nos que o gênero é uma 
categoria historicamente determinada que não apenas se constrói sobre a diferença de sexos, 
mas, sobretudo, uma categoria que serve para “dar sentido” a esta diferença. 
O gênero é uma classe onde se pode pensar e refletir as relações sociais, que de certa 
maneira contribuem no envolvimento da figura do homem e da mulher, que vem através da 
história nos discursos sobre a diferença sexual.
Françoise Héritier (1996), em sua coletânea sobre o pensamento da diferença sexual, 
insiste sobre o fato de que o gênero se constrói na relação homem/mulher, uma vez que não 
existe indivíduo isolado, independente de regras e de representações sociais.
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DICA
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Gênero e Serviço Social - Desafio de Uma 
Abordagem Crítica
Este livro vem atender a uma demanda 
há muito presente no campo da produção 
de conhecimentos em serviço social, trata 
de uma questão amplamente presente 
entre nós, mas não tão aprofundada como 
gostaríamos: as desigualdades sociais entre 
homens e mulheres, conhecidas no debate 
teórico e político como relações de gênero.
2.1 RECONHECENDO OS PAPÉIS DE GÊNERO
Em qualquer cultura o papel de gênero está relacionado ao sexo biológico, ou seja, o 
que nasce fêmea ou macho, compreende-se que dependendo da cultura tempo e espaço os 
papéis se modificam de uma cultura para outra. 
Na contemporaneidade vivemos ainda padrões de papéis femininos e masculinos, 
quando nasce um bebê se for menino já tudo será relacionado conforme seu gênero, menino 
tudo azul, brinquedos serão todos relacionados ao seu gênero; se for menina igualmente, tudo 
será relacionado ao gênero, construindo assim em sua vida diária sua identidade, masculina 
e feminina, padrões em papéis rígidos. 
Conforme os estudos antropológicos sobre a questão de gênero a qual tem como 
objetivo pesquisar as diversas diferenças culturais no processo da humanidade, demonstra 
que os papéis de gênero se mostram com uma grande diversidade de um lugar para o outro, 
de uma cultura para outra cultura.
Você sabe o que é a identidade de gênero?
A identidade de gênero se constitui no processo individual da identidade da pessoa na 
sociedade, no contexto da família mesmo antes de nascer, quando ao saber se será menino 
ou menina, inicia-se sua identificação de gênero.
Para Stoller (1978), todo indivíduo tem um núcleo de identidade de gênero, que é um 
conjunto de convicções pelas quais se considera socialmente o que é masculino ou feminino. 
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Este núcleo não se modifica ao longo da vida psíquica de cada sujeito, mas podemos associar 
novos papéis a esta "massa de convicções". Este núcleo de nossa identidade de gênero se 
constrói em nossa socialização a partir do momento da rotulação do bebê como menina ou 
menino. Contudo, podemos dizer que identidade de gênero se classifica como um grupo que 
está na sociedade com o objetivo de pertencer e refletir sobre seu pertencimento no tempo e 
espaço, envolvida na cultura determinada e considerando que a sexualidade passa ter uma 
importância no sentido de se referir na prática ao sentimento relacionado à atividade sexual 
da pessoa.
2.2 COMPREENDENDO A RELAÇÃO HOMEM X MULHER
Durante o processo histórico é possível perceber muitas diferenças na relação homem 
e mulher, essas diferenças vão além dos fatores biológicos, elas existem no âmbito social, 
político, econômico e sexual. 
A instituição do matrimônio, nos primórdios, dava-se pelas ações políticas de 
favorecimentos que estabeleciam contatos a partir da realização das mesmas, e alguns casos 
como estratégias para manter o poder.
Na visão de Alves e Pintanguy (1991, p. 11) “o papel da mulher na Grécia antiga ocupava 
posição paralela à do escravo, sendo sua exclusividade a realização dos trabalhos manuais, 
a ocupação dos tempos livres era desvalorizada pelos homens”.
 “O tema dos papéis familiares e suas funções é também central para a compreensão 
e o trabalho com famílias. Os adultos, sejam eles o pai, a mãe, as avós, os tios ou quaisquer 
outras pessoas que convivam como famílias, têm responsabilidade em relação às crianças” 
(SCHLITHLER; CERON; GONÇALVES, 2014, p. 51).
No período entre a I e a II Guerra Mundial inicia-se a ruptura no modelo de família 
tradicionalista, existente até então (papai, mamãe e filhinhos). A ascensão ao mercado de 
trabalho foi um dos grandes divisores, quando os filhos passaram a receber salários em troca 
de mão de obra, e todo salário era repassado aos patriarcas, com o tempo e a evolução eram 
repassados apenas parte desses valores. 
Grande parte das mulheres ter ingressado no mercado de trabalhogerou 
importantes transformações na dinâmica familiar. Muitas das funções antes 
cumpridas exclusivamente pela mãe passaram a serem divididas com creches, 
escolas, cuidadores profissionais e também com os pais. Até recentemente, 
era comum que as avós assumissem os cuidados com os netos enquanto a 
mãe trabalhava. Hoje, muitas avós também trabalham, ou têm atividades que 
as impedem de ter esse compromisso (SCHLITHLER; CERON; GONÇALVES, 
2014, p. 47). 
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 A mulher passa também a abandonar as características de submissa e imposição do 
casamento indesejado, tendo direito a fazer suas escolhas quanto a ter ou não um marido.
Quando falamos de família, logo temos que pensar na ação biológica direta, sendo que 
todos são concebidos da mesma maneira. No entanto, todo ser humano, após o nascimento, 
é passível, através da inteligência, a estabelecer contatos sociais com pessoas, nesse caso, 
é possível afirmar que somos educados a partir dos preceitos morais e valores de nossos 
descendentes, nossas famílias.
Na contemporaneidade podemos destacar que muitas teorias sem relação à concepção 
de família se apresenta a partir de cada gênero dentro da união, a qual passa por transformação 
à medida que as famílias assumem novas configurações.
2.2.1 Construção Social do homem na sociedade
Pensar a figura masculina dentro da instituição família é fácil, já que esta é reconhecida 
como o chefe do grupo ou clã. É possível observar alguns comportamentos como:
• Na antiguidade era o único provedor do lar.
• Quem dava a palavra final em casa.
Aos homens cabiam as responsabilidades externas na busca do sustento ou a partir da 
produção agrícola e pecuária de subsistência, sendo a eles negada qualquer responsabilidade 
em relação aos afazeres domésticos ou aos cuidados com os filhos.
As atividades domésticas precisavam estar sempre organizadas e as refeições prontas 
e servidas quando os homens retornavam para suas casas, a ele era atribuído o direito de 
comer o melhor pedaço de carne.
Outra questão que dava poder aos homens era a força, já que esses eram considerados 
como únicos capazes de combater o outro através da força e do uso de armas. Aos homens 
também cabia a responsabilidade de defender a sua honra e de sua família, mesmo que isso 
necessitasse a utilização da força bruta e até mesmo o ceifamento de vidas. 
Outro aspecto importante que ainda observamos na contemporaneidade, nas casas de 
algumas famílias mais tradicionalistas, o lugar de maior destaque na mesa de refeições ainda 
pertence aos homens e estes não aceitam ceder o espaço para ninguém, esse condicionamento 
é ainda uma ação histórica que identifica quem é o líder do grupo. 
Quando se fala na questão macho, nos reportamos para a ideia de força, agilidade, a 
partir dessa descrição e na visão de Preuschoff (2006, p. 15, grifo nosso) “os pais cercam de 
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mais cuidados as filhas menores do que os filhos menores. Isso por ser atribuído ao homem 
menos sensibilidade, e devem aprender a serem mais fortes e resistentes desde pequenos”. 
2.2.2 A construção social da mulher na sociedade
A mulher, por ser considerada incapaz intelectualmente, era excluída do mundo 
intelectual, deveria estar sempre bem apresentável, impecavelmente bem arrumada e nas 
conversas ser agradável e demonstrar obediência à superioridade imposta pelo homem. 
Outro fator importante que merece destaque: a forma primitiva de casamentos múltiplos 
acontecia na linha de parentesco, que se denominava pela descendência feminina de matriarcal. 
Porém, com o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, essa ideia de superioridade foi 
superada, retomando para os homens a ideia de poder. Iniciou-se a cobrança sobre as mulheres 
de maneira mais severa, a virgindade e a fidelidade eram os principais princípios matrimoniais, 
caso a mulher descumprisse essas premissas, era excluída e abolida cruelmente do grupo. 
Quando se trata das questões naturais muitos estudiosos atribuem à sensibilidade 
feminina a domesticação de animais, já os homens atribuíam aos animais a ideia de alimento 
e substância a suas famílias. 
Nas comunidades primitivas, as mulheres viviam em habitações coletivas, juntamente 
com outras famílias, tanto que os artesanatos no período neolítico tinham muitas semelhanças 
com a estrutura de indústrias domésticas, pois todas as mulheres que moravam juntas 
contribuíam de alguma maneira nos trabalhos.
Geralmente os trabalhos eram coletivos e os resultados beneficiavam a todos os 
membros. Nessa fase a mulher era considerada responsável por garantir a continuidade do 
grupo a partir das práticas usuais da poligamia e da endogamia (casamentos entre parentes). 
Essa prática pode ser considerada um resultado das condições de organização social e 
econômica da sociedade naquele determinado período. 
Com o desenvolvimento das atividades agrícolas e pecuárias as famílias utilizavam a 
mão de obra dos filhos para realizar as tarefas consideradas essenciais, as atividades eram 
designadas desde a infância, o que incutiu a ideia de mais filhos mais mão de obra.
Um exemplo bem típico da submissão feminina foi a Roma antiga, uma instituição 
denominada pater-famílias a qual determinava que o homem era o detentor do poder sobre 
as mulheres, crianças e subalternos (os empregados). 
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Por serem poucos os espaços de liberdade que a mulher tinha, destacamos a Gália e 
Germânia que ocupavam espaços idênticos ao dos homens, onde elas também participavam 
das batalhas e realizam trabalho braçal de maneira paritária à dos homens.
Partindo para a Idade Média, as mulheres viúvas assumiam a responsabilidade 
nas oficinas, todavia tinham seu trabalho desvalorizado em relação ao trabalho realizado 
por outros homens, mesmo tendo qualidades superiores, recebiam remuneração inferior 
aos homens. Pensando nas formalidades sociais da época as mulheres precisavam estar 
devidamente impecáveis, apresentáveis e ter certo grau de educação de formação, no entanto 
ainda eram minorias no âmbito educacional. As mulheres nesse período tinham expectativas 
de um casamento para a felicidade. Por isso, desde cedo, as mulheres eram educadas e 
ensinadas a terem habilidades manuais. 
A mulher tem papel fundamental na constituição da sociedade. Ela passa a ser 
reconhecida como fundamental no processo de ampliação de sua espécie, pois foi a partir de 
sua condição de criadora, fixadora e transmissora de costumes às novas gerações, que se 
fixaram e difundiram hábitos culturais.
2.2.3 O papel da mulher na atualidade
Na contemporaneidade as mulheres vêm acompanhando o sistema capitalista, que 
vem se empoderando, buscando igualdade de oportunidade junto aos homens, no entanto a 
ideia de menos capacidade ainda é presente, desqualifica e inferioriza o trabalho feminino. 
O empoderamento, a autonomia feminina, a visibilidade das mulheres, seja nas relações 
sociais ou de trabalho, coloca em crise não apenas a identidade masculina, baseada no 
patriarcalismo, como também envolve uma complexidade de novas relações entre homens e 
mulheres, filhos e enteados, que multiplicam as possibilidades de identificação dos filhos com 
o feminino e o masculino, não mais composto apenas pela figura do pai ou da mãe, uma vez 
que agoratemos a figura cada vez mais recorrente dos novos companheiros dos pais (FÉRES 
- CARNEIRO, 2003).
A partir dos anos 60 a mulher passa a ter liberdade em relação a escolher a concepção, 
se quer ou não ter um filho, com o anticoncepcional, a mulher passa a ter controle sobre a 
quantidade de filhos que quer ter.
 No passado, a mulher apenas procriava a partir da vontade do companheiro, pois quanto 
mais filhos tivessem mais auxiliavam nas atividades ligadas à agricultura, pois era sinônimo 
de “mais braços” para a lavoura, para a terra, esse modelo contribuiu para diminuir o número 
de membros das famílias.
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A mulher, na atualidade, acompanha a lógica do mercado, ela vem se tornando cada 
vez mais multifuncional, já que no mesmo espaço de tempo ela concilia muitas funções sociais: 
de mulher, esposa, filha, mãe, doméstica, cozinheira, além de estar cada vez mais presente 
no mercado de trabalho. Rompeu-se assim a ideia de incapacidade e de procriação que se 
atribuía à mulher no passado, era considerada tecnicamente menos capaz que os homens. 
Uma expressão popularmente utilizada para diferenciar homem de mulher é: “o homem age 
pela razão e a mulher pela emoção”, essa expressão caracteriza a mulher como um ser frágil, 
incapaz de se defender. No entanto, essa ideia vem sendo desarticulada, pois as mulheres 
estão cada vez mais ocupando seu espaço no mercado de trabalho, em cargos de gestão, na 
política vêm conquistando lugares de destaque, contudo, a margem salarial muitas vezes é 
inferior à dos homens.
Outro fator determinante na vida das mulheres é a regulamentação do divórcio através 
da publicação da Lei nº 6.515 de 26 de dezembro de 1977, que ficou conhecida como Lei do 
Divórcio na 9° emenda constitucional; também contribuiu para o aparecimento de diversas 
configurações de família na contemporaneidade, temos que frisar que isto não significa o fim 
da concepção de família, mas sim sua reestruturação no contexto da sociedade. 
Segundo Sílvio Rodrigues (2004), o advento do divórcio no país representou significativo 
avanço social, haja visto o aumento das relações concubinárias. De tal forma o legislador 
possibilitou a dissolução do vínculo conjugal, e, por conseguinte, proporcionou felicidade aos 
cidadãos que não desejavam a mantença da sociedade conjugal.
 É fato que as separações resultam de opiniões contrárias e dificuldades de convivência 
entre as partes, mas também sabemos que em nossa sociedade ainda existem preconceitos em 
relação à separação. É importante compreender que existem fatores diferentes para homens 
e mulheres quando se fala em separação, contudo precisamos ter claro que não poderemos 
generalizar todas as situações.
A possibilidade de tomar decisões sobre o próprio corpo empoderou as mulheres, 
concedendo a elas o poder de decidir sobre a quantidade de filhos que desejam ter, hoje, 
elas pensam no planejamento familiar como uma estratégia de ingresso e permanência no 
mercado de trabalho, contudo vem à tona uma situação mascarada pela sociedade: a questão 
da violência psicológica, física e sexual que muitas mulheres sofrem de seus companheiros e 
familiares. É possível afirmar que homens e mulheres têm comportamentos e atitudes diferentes 
neste aspecto.
Conforme Eliene Percilia (2016), a psicologia popular estabeleceu uma diferença 
crucial entre os sexos: os homens são mais rápidos no raciocínio matemático e espacial, já as 
mulheres são melhores com as palavras. Essa ideia se baseia em estatísticas, onde a média 
das mulheres é ligeiramente melhor que a dos homens em raciocínio verbal.
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A questão da opressão da mulher na sociedade é resultado das exigências materiais e 
práticas da propriedade privada e dos meios de produção, na qual a mulher se tornou objeto do 
homem, sendo que o homem, em alguns casos, age de maneira irracional a partir da opressão 
psicológica, física e sexual.
2.2.4 Construção social dos filhos na sociedade
As relações estabelecidas no contexto familiar determinam efeitos pessoais e sociais 
no ordenamento jurídico, tais como o poder familiar e seus atributos em relação ao direito e 
dever de alimentos e visitas, entre outros.
A família é considerada a instituição responsável por promover a educação dos 
cidadãos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social. O papel da família no 
desenvolvimento de cada indivíduo é de fundamental importância. É no seio familiar que são 
transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo de socialização 
da criança, bem como as tradições e os costumes perpetuados através de gerações.
O ambiente familiar, o lar, é um local onde deve existir harmonia, afeto, proteção e todo 
o tipo de apoio necessário na resolução de conflitos ou problemas de algum dos membros. 
As relações de confiança, segurança, conforto e bem-estar proporcionam a unidade familiar.
As famílias visualizam nos filhos maiores ganhos financeiros, afinal eram mais braços 
para trabalhar. Com o início da industrialização, a produção familiar doméstica perdeu espaço, 
os filhos migraram para o trabalho assalariado, nos maiores centros, mas ainda entregavam 
sua renda aos pais, para sustento da casa.
As crianças eram submetidas ao trabalho infantil logo nos primeiros anos de vida, 
eram obrigadas a se adaptar nos espaços de trabalho, muitas das crianças foram submetidas 
a graves acidentes, em alguns casos causando a amputação de membros, principalmente 
os superiores, eram violentadas de forma psicológica, física, e muitas vezes sexualmente, já 
que a elas não lhe era conferido nenhum direito, pois estas eram tratadas como mercadoria 
e posse da família. 
A criança vinha para legitimar a função social do pai e da mãe na sociedade, era 
considerada uma ação natural e necessária para selar a união, assim como contribuir no 
amparo na velhice. 
Na contemporaneidade, trabalha-se muito a questão da responsabilidade e do 
planejamento familiar, não apenas a questão biológica, mas as responsabilidades que um filho 
demanda, sendo este considerado um ser em desenvolvimento com necessidades específicas. 
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Os filhos são escolhas individuais ou conjugais dos pais, os quais assumem a função afetiva 
e sentimental que se amplia para toda a família.
Hoje, a formação dos filhos envolve, muito mais diretamente do que antes, a 
escola, os meios de comunicação e a sociedade globalizada. O divórcio, as 
mudanças no papel da mulher e as novas tecnologias vêm impondo modifica-
ções em toda a sociedade. As separações e os casais recompostos são mais 
frequentes, e muitas famílias são constituídas de pai, mãe, os filhos de uniões 
anteriores e mais os filhos em comum (SCHLITHLER; CERON; GONÇALVES, 
2014, p. 1).
Ao nos referirmos à expressão filhos, é importante compreender a importância no 
ambiente familiar e social, sua dimensão, função e razões plausíveis para sua existência.
Nesse sentido, podemos caracterizar que os filhos são representados a partir de três 
frentes.
• Função Afetiva: à medida que realizam trocas de afeto com os pais e familiares.
• Função Simbólica: estes sendo resultado de uma expressão de amor entre os pais.
• Função Produtiva: participação na esfera doméstica ou profissional.
DIMENSÕES DO LUGAR DA CRIANÇA,FUNÇÃO DOS FILHOS E RAZÕES PARA 
SEREM TÃO IMPORTANTES
Dimensões Funções Razões
AFETIVAS • Morais e Sociais 
• Fonte de alegria na vida.
• Amor que dura para toda vida.
• Amor para os demais parentes. 
• Sinal de amor entre os pais.
INSTRUMENTAL
• Produtiva
• Solidariedade material 
• Solidariedade emocional 
• Ajuda em casa e no trabalho.
• Apoio na velhice.
• Possível amparo financeiro.
ESTATUTÁRIA
• Identidade 
• Aquisição de Autoridade 
• Mobilidade Social
• Linhagem
• Realização plena enquanto mulher.
• Alguém que lhe tem respeito.
• Sonhos não realizados e projetados 
nos filhos.
• Continuidade da família.
EXPRESSIVA 
• Papel 
• Sociabilidade lúdica
• Socializadora 
• O cuidado necessário com eles.
• Possibilidade de se divertir com eles.
• Possibilidade de aprender coisas 
novas.
FONTE: Disponível em: <http://www.tjdft.jus.br/cidadaos/infancia-e-juventude/publicacoes/colecao/
situacaoRisco.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2016.
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A partir do exposto é possível observar que os filhos são compreendidos na sociedade 
a partir de várias vertentes, divididas entre afetivas, simbólicas e produtivas, sendo que essas 
características são utilizadas de maneira individual ou associadas, dependendo do contexto 
social que se pretende identificar.
2.3 COMPREENDENDO NOVAS CONFIGURAÇÕES DE GÊNE-
RO (TRANSGÊNEROS)
Todas as pessoas possuem características individuais e características comuns a toda a 
humanidade. O local onde nascemos contribui para o desenvolvimento de hábitos e costumes 
diferenciados, o que caracteriza a diversidade humana.
Desde o nascimento somos estimulados para adquirir comportamentos considerados 
adequados para viver em sociedade, tanto o homem quanto a mulher terão características de 
acordo com sua personalidade, uns com maior sensibilidade outros com menor, a mulher, em 
geral, com sensibilidades mais transparentes, o homem com características mais fortes e suas 
sensibilidades menores, mais rudes. 
As diferenças entre homens e mulheres são construídas na sociedade influenciadas a 
partir do convívio social. Sendo que fatores biológicos, como os órgãos genitais, passam a ser 
considerados a principal diferença entre homem e mulher. Passaremos a compreender que 
essa também é uma construção social.
Para abordarmos o assunto de transgêneros, é necessário entender que “sexo é 
biológico, gênero é social” (JESUS, 2012, p. 6). E o gênero vai além do sexo, o que importa, na 
definição do que é ser homem ou mulher, não são os cromossomos ou a conformação genital, 
mas a autopercepção e a forma como a pessoa se expressa socialmente. 
Na contemporaneidade, existe uma inversão de papéis, sendo que não são os 
cromossomos ou os níveis hormonais que identificam o gênero: ele pode ser identificado a partir 
de suas próprias ideias, sendo estes travestis, transexuais os conhecidos como transgênero 
e os homossexuais.
Transgênero é uma terminologia que vem ganhando força no Brasil, pois passa a 
reconhecer a diversidade de forma de viver o gênero. Jesus (2012, p. 7) nos esclarece essa 
vivencia de gênero como: “1. Identidade (o que caracteriza transexuais e travestis); ou como 2. 
Funcionalidade (representado por crossdressers, drag queens, drag kings e transformistas) ”.
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UNI
TRANSGÊNERO é uma nova denominação para os termos: queer 
e andrógino.
O preconceito, “juízo” preconcebido presente na cultura em forma de discriminação 
que se manifesta em relação a outras pessoas, demonstra que na sociedade ainda temos 
pessoas que não conseguiram romper com o conservadorismo, causando um desconforto 
às pessoas que assumem essa transgeneralidade, essa terminologia chama-se de “transfobia”.
A transexualidade não é uma perversão sexual, e sim uma escolha por uma identidade, 
que pode surgir em todas as fases da vida, podendo ou não ser assumida. Existe a possibilidade, 
com os avanços da medicina, de mudar as características fisiológicas a partir de procedimentos 
cirúrgicos. 
A transexualidade se apresenta em várias teorias, porém, nenhuma delas é comprovável, 
a que mais se adapta busca entender que é uma mistura de questões biológicas e sociais que 
resulta em assumir uma nova identidade. Buscamos a compreensão de Jesus (2012, p. 8) 
quando nos esclarece que “mulher transexual é toda pessoa que reivindica o reconhecimento 
como mulher. E homem transexual é toda pessoa que reivindica o reconhecimento como 
homem”.
É importante compreender que o que determina a condição transexual é a maneira que 
as pessoas se identificam, homens transexuais passam a utilizar nome e forma de se vestir 
feminina, e no caso oposto, mulheres assumem posturas masculinas, passam a se comportar 
de tal maneira. Nesse caso, cabe à sociedade tratá-los de maneira como se nomeiam: “homens 
e mulheres”.
A transexualidade inclui pessoas bissexuais, heterossexuais ou homossexuais, o 
que a diferencia é o gênero que a pessoa assume e a maneira que é atraída afetivamente e 
sexualmente. É mais fácil compreender na visão de Jesus (2012, p. 8): “portanto, mulheres 
transexuais que se atraem por homens são heterossexuais, tal como seus parceiros, homens 
transexuais que se atraem por mulheres também; já mulheres transexuais que se atraem por 
outras mulheres são homossexuais, e vice-versa”.
Todos os transexuais são lésbicas ou gays, no entanto, geralmente assumem-se 
como simpatizantes do mesmo grupo político, o de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e 
Transexuais – LGBT.
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Os transexuais não são compatíveis com o corpo que nascem, por isso assumem outra 
identidade que é compatível com seus ideais, alguns assumem de maneira natural, outros têm 
a possibilidade de se submeter a procedimentos cirúrgicos para adequação.
2.3.1 Travesti
Travestis são pessoas que assumem o papel de gênero feminino, não se reconhecem 
como homem ou mulher, consideram-se como um terceiro gênero, preferem ser tratadas no 
feminino.
As travestis enfrentam preconceitos na sociedade, sendo muitas vezes obrigadas a 
adotarem uma postura diferente no mercado de trabalho, assumindo a real postura à noite, 
pois o mercado de trabalho ainda é bastante excludente nestes casos. Ou mesmo banalizam 
a escolha forçando a se tornarem profissionais do sexo.
As travestis, são denominadas também de crossdresser, para serem mais bem 
interpretadas na vivência transgênero.
Segundo Jesus (2012) a terminologia crossdresser é utilizada para denominar homens 
heterossexuais (geralmente casados), que sentem prazer ao se vestirem como mulheres, 
sentem-se como pertencentes ao gênero que lhes foi atribuído ao nascimento, e não se 
consideram travestis. Resumindo, são homens que gostam de se vestir de mulher.
Essa modalidade de heterossexuais é conhecida no Brasil como transformistas, as 
quais usam da inversão de papéis apenas enquanto espetáculo. As drag queens são pessoas 
do sexo masculino que usam da arte, a partir da feminilidade, em apresentações artísticas 
de dublagem, dança, entre outros. No caso de mulheres vestidas de homem, o nome dado é 
drag king.
As pessoas que se identificam ou se consideram transgênero precisam lidar 
primeiramente com o desafio pessoal e familiar de aceitação, para depois fazer o enfrentamentosocial assumindo uma nova identidade.
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DICA
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Assista ao filme FILADÉLFIA, que trata 
de assuntos como direitos sociais, civis, 
preconceito, aids, homossexualidade.
Andrew Beckett (Tom Hanks) é um promissor 
advogado que trabalha para um tradicional 
escritório da Filadélfia. Após descobrirem que 
ele é portador do vírus da aids, Andrew é 
demitido da empresa. Ele contrata os serviços 
de Joe Miller (Denzel Washington), um 
advogado negro que é homofóbico. Durante o 
julgamento, este homem é forçado a encarar 
seus próprios medos e preconceitos.
SÍMBOLOS
FIGURA 2 - BANDEIRA DO ORGULHO TRANSGÊNERO 
As cores da bandeira têm os seguintes significados: Azul para meninos, rosa para 
meninas, branco para quem está em transição e para quem não se sente pertencente a qualquer 
gênero. Simboliza que não importa a direção do seu voo, ele sempre estará correto!
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=bandeira+do+orgulh
o+transg%C3%AAnero&biw=1024&bih=671&source=lnms&tbm=isch&sa=
X&ved=0ahUKEwj0iJzQlNfKAhWIjJAKHesQBWkQ_AUIBigB#imgrc=FiaH5
Y20ErIPxM%3A>. Acesso em: 1 fev. 2016.
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2.3.2 Homossexual
Estudos antropológicos nos direcionam para o entendimento de que a homossexualidade 
esteve presente desde o princípio da humanidade, nas diferentes culturas, e essa forma foi 
considerada uma forma normal de vínculo afetivo. Em momento mais recente, mais ou menos 
após a metade do século XIX, o homoerotismo passa a ser considerado crime, mais tarde foi 
considerado doença, desvio de norma social e por fim depravação sexual.
 
A Associação Americana de Psiquiatria, por volta de 1973, passa a não mais considerar 
o homossexualismo como distúrbio psiquiátrico; e em 1995 a OMS – Organização Mundial da 
Saúde, deixa de considerar como doença a homossexualidade, neste sentido o mundo passa 
a ver o indivíduo como uma pessoa com orientação sexual diferente de outras pessoas, isto 
vem em um processo lento e que passa a ter aberturas e direitos garantidos para este tipo de 
opção sexual.
Estamos em meio a um processo de reconhecimento jurídico pela homossexualidade 
como também pelos direitos humanos, isto vem para antecipar o processo da sociedade aceitar 
cada vez mais o caráter legal da união e o relacionamento entre parceiros do mesmo gênero.
Estamos vivendo um momento em que o preconceito por essa opção pelo mesmo 
gênero, relacionamento homoafetivo, vem diminuindo cada vez mais em nossa sociedade, 
está cada vez mais tendo visibilidade, através dos movimentos dos grupos organizados como 
parada gay, novelas, debates entre outros. 
O conhecimento e a vivência passam a ser para a sociedade uma forma de minimizar 
o preconceito e se tornar a maior aliada para o processo de reconhecimento de direitos. As 
pessoas não se tornam outras pessoas por se descobrirem com interesses em alguém do 
mesmo gênero, continuam sendo elas mesmas, mas com opções diferentes. 
No processo de desenvolvimento, desde que nascemos até a adolescência, se 
caracteriza e define a identidade, como também se define a sensação interna sobre o quanto 
desejo me relacionar com outra pessoa do mesmo gênero de forma afetiva, isto dependerá 
do desenvolvimento afetivo que se dará nesta fase.
Este processo de opção se classifica como orientação sexual, podendo acontecer com 
indivíduo do mesmo sexo ou do sexo oposto, ou mesmo as duas possibilidades (bissexualidade). 
Através de estudos antropológicos sabemos que o interesse e a vontade de se relacionar 
afetivamente com alguém do mesmo gênero se dão independente do aspecto consciente da 
pessoa, o que se sabe é que não se trata verdadeiramente de uma escolha ou uma opção, 
embora tudo que se direciona a este assunto é nomeado como opção sexual. Este tipo de 
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relacionamento vem ganhando maior notoriedade e simpatizantes, reconhecido também como 
uma configuração de família. Essa nova configuração de família tem todos os direitos e deveres 
dos relacionamentos heterossexuais:
• Casamento Civil.
• Colocação do nome nas certidões de nascimento dos filhos.
• Herança dos parceiros.
 Essa situação ainda é bastante questionável pelos preceitos religiosos, no entanto é uma 
discussão que vem ganhando adeptos e quebrando paradigmas dos preceitos tradicionalistas.
ATE
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Lembre-se que esses conteúdos servem para embasar seu 
conhecimento sobre a temática abordada, e que devem ser 
aprofundados, já que é uma terminologia recente no cenário 
nacional, porém, é uma parcela que tende a crescer, portanto 
deve ser respeitada em sua diversidade.
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Livro - Gênero e Serviço Social: Desafios de uma abordagem 
crítica
Este livro, que vem atender a uma demanda há muito presente 
no campo da produção de conhecimentos em Serviço Social, trata 
de uma questão amplamente presente entre nós, mas não tão 
aprofundada como gostaríamos: as desigualdades sociais entre 
homens e mulheres, conhecidas no debate teórico e político como 
relações de gênero. 
Apoiado em um número expressivo de autores da tradição 
marxista, a obra Gênero e Serviço Social busca articular as 
considerações mais relevantes dessa tradição relacionadas a gênero, 
demonstrando que há uma preocupação com tal problemática, bem 
como que seus conceitos e categorias possam proporcionar uma 
importante fonte de interpretação e de intervenção sobre o tema. 
Leitura obrigatória para estudantes e profissionais interessados no 
descortinamento das desigualdades entre homens e mulheres, este 
livro oferece uma sólida contribuição à formação e ao aprimoramento 
profissional, amplamente consistente com os princípios profissionais 
presentes no projeto ético-político que a categoria de assistentes 
sociais vem construindo ao longo das últimas décadas.
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3 DEFINIÇÃO DE TERMINOLOGIAS UTILIZADAS PARA DESIGNAR 
TERMOS INCLUSIVOS EM RELAÇÃO À TRANSVERSALIDADE
Iremos rever alguns conceitos fundamentais para compreender o universo da 
transversalidade.
QUADRO 3 - TERMINOLGIAS COMUNS SOBRE A TRANSVERSALIDADE
ASSEXUAL
• Pessoa que não sente atração sexual por pessoas de qualquer 
gênero. 
BISSEXUAL
• Pessoa que se atrai afetivo-sexualmente por pessoas de 
qualquer gênero. 
CIRURGIA DE 
REDESIGNAÇÃO 
GENITAL/
SEXUAL OU DE 
TRANSGENITALIZAÇÃO
• Procedimento cirúrgico por meio do qual se altera o órgão 
genital da pessoa para criar uma vagina ou um neofalo. 
Preferível ao termo antiquado “mudança de sexo”. É importante, 
para quem se relaciona ou trata com pessoas transexuais, não 
enfatizar exageradamente o papel dessa cirurgia em sua vida 
ou no seu processo transexualizador, do qual ela é apenas uma 
etapa, que pode não ocorrer. 
CISGÊNERO
• Conceito “guarda-chuva” que abrange as pessoas que se 
identificam com o gênero que lhes foi determinado quando de 
seu nascimento. 
CROSSDRESSER
• Pessoa que frequentemente se veste, usa acessórios e/ou se 
maquia diferentemente do que é socialmente estabelecido para 
o seu gênero, sem se identificar como travesti ou transexual. 
Geralmente são homens heterossexuais, casados, que podem 
ou não ter o apoio desuas companheiras. 
EXPRESSÃO DE 
GÊNERO
• Forma como a pessoa se apresenta, sua aparência e seu 
comportamento, de acordo com expectativas sociais de 
aparência e comportamento de um determinado gênero. 
Depende da cultura em que a pessoa vive. 
GÊNERO
• Classificação pessoal e social das pessoas como homens ou 
mulheres. Orienta papéis e expressões de gênero. Independe 
do sexo. 
HOMEM TRANSEXUAL
• Pessoa que reivindica o reconhecimento social e legal como 
homem. Alguns também se denominam trans-homens ou 
female-to-male.
HETEROSSEXUAL
• Pessoa que se atrai afetivo-sexualmente por pessoas de 
gênero diferente daquele com o qual se identifica. 
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HOMOSSEXUAL
• Pessoa que se atrai afetivo-sexualmente por pessoas de 
gênero igual àquele com o qual se identifica. 
IDENTIDADE DE 
GÊNERO
• Gênero com o qual uma pessoa se identifica na sociedade 
que pode ou não concordar com o gênero que lhe foi atribuído 
ao nascer. Diferente da sexualidade da pessoa. Identidade de 
gênero e orientação sexual são dimensões diferentes e que não 
se confundem. Pessoas transexuais podem ser heterossexuais, 
lésbicas, gays ou bissexuais, tanto quanto as pessoas cisgênero. 
INTERSEXUAL
• Pessoa cujo corpo varia do padrão de masculino ou feminino 
culturalmente estabelecido, no que se refere a configurações 
dos cromossomos, localização dos órgãos genitais (testículos 
que não desceram, pênis demasiado pequeno ou clitóris muito 
grande, final da uretra deslocado da ponta do pênis, vagina 
ausente), coexistência de tecidos testiculares e de ovários. A 
intersexualidade engloba, conforme a denominação médica, 
hermafroditos verdadeiros e pseudo-hermafroditas. 
• O grupo composto por pessoas intersexuais tem se mobilizado 
cada vez mais, a nível mundial, para que a intersexualidade não 
seja entendida como uma patologia, mas como uma variação, 
e para que não sejam submetidas, após o parto, a cirurgias 
ditas “reparadoras”, que as mutilam e moldam órgãos genitais 
que não necessariamente concordam com suas identidades de 
gênero ou orientações sexuais. 
MULHER TRANSEXUAL
• Pessoa que reivindica o reconhecimento social e legal como 
mulher. Algumas também se denominam transmulheres ou 
male-to-female. 
ORIENTAÇÃO SEXUAL
• Atração afetivo-sexual por alguém. Sexualidade. Diferente do 
senso pessoal de pertencer a algum gênero.
PAPEL DE GÊNERO
• Modo de agir em determinadas situações conforme o gênero 
atribuído, ensinado às pessoas desde o nascimento. Construção 
de diferenças entre homens e mulheres. É de cunho social, e 
não biológico.
PROCESSO 
TRANSEXUALIZADOR
• Processo pelo qual a pessoa transgênero passa, de forma geral, 
para que seu corpo adquira características físicas do gênero com 
o qual se identifica. Pode ou não incluir tratamento hormonal, 
procedimentos cirúrgicos variados (como mastectomia, para 
homens transexuais) e cirurgia de redesignação genital/sexual 
ou de transgenitalização. 
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SEXO
• Classificação biológica das pessoas como machos ou fêmeas, 
baseada em características orgânicas como cromossomos, 
níveis hormonais, órgãos reprodutivos e genitais. 
TRANSFOBIA
• Preconceito e/ou discriminação em função da identidade de 
gênero de pessoas transexuais ou travestis. 
TRANSFORMISTA OU 
DRAG QUEEN/DRAG 
KING
• Artista que se veste, de maneira estereotipada, conforme 
o gênero masculino ou feminino, para fins artísticos ou de 
entretenimento. A sua personagem não tem relação com sua 
identidade de gênero ou orientação sexual. 
QUEER OU 
ANDRÓGENO OU 
TRANSGÊNERO
• Termo ainda não consensual com o qual se denomina a pessoa 
que não se enquadra em nenhuma identidade ou expressão 
de gênero. 
TRANSGÊNICO
• Conceito “guarda-chuva” que abrange o grupo diversificado 
de pessoas que não se identificam, em graus diferentes, com 
comportamentos e/ou papéis esperados do gênero que lhes foi 
determinado quando de seu nascimento. 
TRANSEXUAL
• Termo genérico que caracteriza a pessoa que não se identifica 
com o gênero que lhe foi atribuído quando de seu nascimento. 
Evite utilizar o termo isoladamente, pois soa ofensivo para 
pessoas transexuais, pelo fato de essa ser uma de suas 
características, entre outras, e não a única. Sempre se refira à 
pessoa como mulher transexual ou como homem transexual, 
de acordo com o gênero com o qual ela se identifica. 
TRAVESTI
• Pessoa que vivencia papéis de gênero feminino, mas não 
se reconhece como homem ou mulher, entendendo-se como 
integrante de um terceiro gênero ou de um não gênero. Referir-
se a ela sempre no feminino, o artigo “a” é a forma respeitosa 
de tratamento. 
FONTE: Adaptado de Jaqueline Gomes de Jesus. Disponível em: <https://www.sertao.ufg.br/up/16/o/
ORIENTA%C3%87%C3%95ES_POPULA%C3%87%C3%83O_TRANS.pdf?1334065989>. 
Acesso em: 1º fev. 2016.
Vivemos em um momento de maior consciência do quanto é importante a justiça 
em torno da igualdade de gênero e isto inicia quando compreendemos que as pessoas que 
vivem nesta sociedade superam seus medos, mitos, respeitam a identidade de cada um, 
pois entendemos que não somos uma ilha. Quando não dedicamos o devido respeito à cada 
singularidade, podamos muitos sonhos e possibilidades de realização desta pessoa a quem 
devemos considerar igualmente. 
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Esperamos que este estudo possa auxiliar para uma maior compreensão dos diferentes 
aspectos da identidade de gênero, possibilitando assim sua construção na caminhada individual 
e coletiva. 
DICA
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Livro - Reflexões sobre Diversidade e 
Gênero. 
Esta cartilha é um trabalho baseado em um 
artigo, sendo uma iniciativa governamental que 
busca a reflexão sobre os temas da diversidade, 
da igualdade, da equidade e das questões de 
gênero. Estereótipos, discriminação, trabalho, 
política, cultura e família estão entre as 
questões estudadas e relacionadas ao estudo 
da diversidade.
Disponível em: <file://grupouniasselvi.
local/RDS/Users/03471621938/Downloads/
reflexoes_sobre_diversidade.1reimp.pdf>.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos que:
• A construção dos papéis de gênero na sociedade são resultado de uma construção histórica.
• As diferenças entre homem e mulher vão além dos fatores biológicos, no âmbito social, 
político, econômico e sexual. 
• A figura masculina dentro da instituição familiar é reconhecida como o chefe do grupo, enquanto 
a mulher tem o papel de procriação e organizar a casa.
• Ao homem atribui-se a ideia de insensível, rudeza; enquanto à mulher atribui-se a ideia de 
sensibilidade.
• Na contemporaneidade as mulheres vêm acompanhando o sistema capitalista, vêm buscando 
igualdade de oportunidade junto aos homens.
• As famílias visualizavam nos filhos oportunidades de ganhos financeiros, afinal de contas 
eram mais braços para trabalhar.
• Os filhos são representados a partir de três funções: 
o Função Afetiva: à medida que realizam trocas de afeto com os pais e familiares.
o Função Simbólica: resultado da expressão de amor entre os pais.
o Função produtiva: participaçãona esfera doméstica ou profissional.
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1 Agora é hora de testar seus conhecimentos em relação a esta unidade. Nesse sentido 
propomos escrever uma redação sobre os temas levantados no tópico.
Lembrando que uma redação precisa ter: 
Título. 
Palavras-chave: de três a cinco palavras que vão auxiliar a desenvolver o tema. 
Em média cinco parágrafos:
1° Introdução (o que você pretende escrever e porquê)
2° Desenvolvimento (escrever sobre o assunto) 
3° Desenvolvimento (escrever sobre o assunto)
4° Desenvolvimento (escrever sobre o assunto)
5° Considerações Finais (o que você concluiu, percebeu com essa situação). 
Agora vamos lá, mãos à obra e BOA SORTE!
2 As mudanças em relação à família acontecem de forma rápida e espontânea, a família 
passa a ser a construção de um grupo de pessoas que através de laços e afinidades 
constroem uma vida em comum, buscando a convivência família. Partindo deste 
pressuposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Definimos família como grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco.
( ) As pessoas que residem no mesmo espaço, independente de laços consanguíneos 
podemos considera como família natural.
( ) No processo de evolução da família consideramos ela como um ciclo de vários 
momentos onde irão nos apresentar as teorias e os conceitos, esclarecendo sua origem 
e a composição do grupo familiar.
( ) Considera-se que a estrutura de família passa a não ser privilégio apenas do ser 
humano, os animais e todos os seres vivos possuem em sua constituição o início de 
sua descendência, caracterizando-se assim como família.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
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a) ( ) V – V – V – F.
b) ( ) F – F – V – V.
c) ( ) F – V – V – F.
d) ( ) V – F – V – V.
3 A família é considerada a matriz da civilização, ambiente fundamental de proteção 
integral de seus integrantes como um todo. É um elemento ativo e evolui acompanhando 
o progresso da sociedade. Partindo desse pressuposto, analise as sentenças a seguir: 
 
I- Entende-se que família nuclear é um grupo no qual os integrantes assumem papéis 
diferenciados e complementares.
 
II- Família punaluana tinha como regra a proibição do casamento entre filhos e irmãos, 
mas eram aceitos entre pais e filhos. 
 
III- Família sindiástica é contextualizada pela união do casal, na qual o homem poderia 
ter relacionamentos extraconjugais e à mulher era exigida fidelidade. A mulher era 
compreendida como uma escrava.
 
IV- A família passou por diversas alterações ao longo de sua história e hoje existem 
diversos arranjos familiares que podem constituir uma família.
 
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
b) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença II está correta.
d) ( ) Somente a sentença IV está correta.
4 Considerando que é importante compreender o quanto o ambiente familiar, e também 
o ambiente social, contribuem para uma dimensão fundamental no desenvolvimento 
dos filhos podemos pontuar que os filhos podem ser representados por três funções 
distintas. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Função afetiva, simbólica e função produtiva.
b) ( ) Função paternalista, afetiva e produtiva.
c) ( ) Função afetiva, profissional e paternalista.
d) ( ) Função produtiva, simbólica e paternalista.
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A LEGALIDADE DA CONSTITUIÇÃO FAMILIAR
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 3
A família seguiu durante muitos anos o modelo matriarcal, o qual é estabelecido a 
partir de laços consanguíneos, após, a migração para o modelo patriarcal onde o pai torna-se 
a principal autoridade do lar.
No processo evolutivo da sociedade podemos considerar que em Roma a autoridade 
maior sempre se refere à figura masculina, e este deve ser subordinado aos chefes políticos, 
sacerdotes e juízes, caso essa hierarquia for questionada ou desobedecida, as penas evoluíam 
para agressões corporais. Nesse cenário, a mulher não possui direitos, apenas deveres. 
Com o passar dos anos, institui-se a aceitação e a escolha dos parceiros para o 
matrimônio, o casal é identificado como poder familiar, que evolui de maneira lenta e gradativa 
até conferir a ideia de afetividade, corresponsabilizando os pais nos direitos e deveres dos 
filhos, destacando a missão de equilibrá-los.
Quando olhada a família a partir da ótica da legislação, é possível observar que existem 
muitos direitos que envolvem as relações familiares, sendo que são orientados no surgimento 
de atitudes em excesso ou negligência, tornando a questão do Direito e das Obrigações, cada 
vez mais expostas no âmbito do Direito de Família. 
À família se atribui o papel de responsabilidade sobre os comportamentos morais e 
éticos, conforme descritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Lobo 
(2008, p. 5) nos diz que:
 
A função política na família patriarcal, cujos fortes traços marcaram a cena 
histórica brasileira, da Colônia às primeiras décadas deste século. Em obras 
clássicas, vários pensadores assinalaram este instigante traço de formação do 
homem brasileiro, ao demonstrar que a religião e o patrimônio doméstico se 
colocaram como irremovíveis obstáculos ao sentimento coletivo da república. 
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Por trás da família, estavam a religião e o patrimônio, em hostilidade perma-
nente ao Estado, apenas tolerado como instrumento de interesses particulares. 
Em suma, o público era (e ainda é, infelizmente) pensado como projeção do 
espaço privado-familiar.
O ambiente familiar deve ter harmonia, afeto, proteção e apoio integral na resolução de 
conflitos, essa relação de confiança, segurança, conforto e bem-estar é que irá proporcionar 
a unidade familiar.
Com a mudança de autoridade familiar e as mudanças de sistema, a sociedade passa 
a seguir as leis da Carta Magna, na qual foram atribuídos parâmetros ao reconhecimento da 
família, estabelecendo princípios, efeitos e as obrigações, incumbindo a responsabilidade de 
proteção da família ao Estado.
Os pais têm obrigação de amparar e orientar os filhos. Conforme a legislação, entende-
se que enquanto crianças são vulneráveis, estão em fase de desenvolvimento integral e da 
personalidade. Nesse sentido, o ordenamento jurídico confere aos pais deveres, em nome do 
poder familiar.
 O Art. 227 da CF (1988) atribui à família “o dever de educar, bem como o dever 
de convivência e o respeito à dignidade dos filhos, devendo esta sempre primar pelo 
desenvolvimento saudável do menor”, enquanto que o Art. 229 acrescenta que é dever dos 
pais “assistir, criar e educar os filhos”. 
A partir da lei maior, que fortalece esse movimento, a qual se atribui a Lei 8.069/90, 
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que destaca deveres essenciais ao poder familiar, 
que amplia a ideia de necessidades materiais e destaca a importância nas questõesafetivas, 
morais e psíquicas. Assim como o Art. 3º do ECA que descreve claramente: “toda criança e 
adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, a fim de 
lhes proporcionar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições 
de liberdade e de dignidade”. Esse pressuposto reafirma o quanto são importantes os pais no 
desenvolvimento dos filhos. 
Destacamos a aprovação da Lei 10.406/2002, referente ao Código Civil Brasileiro (CCB), 
em seu artigo 1.634, que atribui como dever conjugal “promover o sustento, criação, guarda, 
companhia e educação dos filhos” e os Artigos 1.583 a 1.590, prescrevem sobre a proteção 
dos filhos em caso de rompimento da sociedade conjugal.
Na visão de Lima (1984, p. 31) o processo de criAção é mais amplo pois: 
Abrange as necessidades biopsíquicas do filho, que está vinculada à satisfa-
ção das demandas básicas, tais como os cuidados na doença, na orientação 
moral, no apoio psicológico, nas manifestações de afeto, no vestir, no abrigar, 
no alimentar, no acompanhamento físico e espiritualmente ao longo da vida. 
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Pensando no desenvolvimento integral dos filhos é importante que eles sejam 
considerados pelos pais prioridade, partindo do pressuposto da orientação, organização das 
necessidades afetivas e materiais. Uma das questões muito presente na atualidade é que “os 
genitores, na assunção de seus papéis de pais [...], devem cuidar para que seus encargos não 
se limitem ao aspecto material, do sustento” (SILVA, 2004, p. 123).
As relações de família são, portanto, amplamente afetadas pelas transforma-
ções da globalização, que abrem espaço para as manifestações plurais de 
comportamento. Ainda fala da necessidade do ordenamento jurídico se adequar 
à interpretação das relações de família, visando a desordem nos parâmetros 
tradicionais de organização familiar (CARVALHO, 2007, p. 2).
Na perspectiva de direitos, questões familiares podem ser inseridas no contexto civil, 
que possibilitarão uma releitura das responsabilidades. De acordo com Dinis (2008, p. 120), 
surge a possibilidade do Direito de Família adentrar no campo da responsabilidade civil. “É, 
pois, nesse ambiente de revisão, de releitura, de amplidão da responsabilização civil sendo 
derivados do abandono afetivo”.
Não havendo conduta adequada dos pais em relação às suas responsabilidades 
enquanto genitores, estes podem ser responsabilizados, pois a justiça entende que os pais 
não têm obrigação de conviver junto, porém, são responsáveis por esse filho. Assim, buscamos 
o entendimento de Dias (2007) quando afirma que a convivência dos filhos com os pais não 
é direito do pai, mas do filho. Com isso, quem não detém a guarda, tem o dever de conviver 
com ele. Não é direito de visitá-lo, e sim obrigação.
 O distanciamento entre pais e filhos produz sequelas de ordem emocional e reflexos no 
seu desenvolvimento. O sentimento “de dor e de abandono pode deixar reflexos permanentes 
em sua vida” (DIAS, 2007, p. 407). Pena que muitos genitores entendem equivocadamente 
que a obrigação é unicamente financeira. 
Uma das grandes demandas das políticas setoriais, que envolve crianças e adolescentes, 
refere-se justamente a essa questão “convivência familiar”, no caso de pais separados, já que 
em muitos casos a guarda pertence a um dos pais, que entende que pode simplesmente afastar 
a criança ou adolescente do outro membro, nesse caso ressaltamos que conviver com os pais 
é um direito da criança ou do adolescente, salvo situações de risco. 
 Impedir o direito de os filhos desfrutarem da convivência familiar de ambas as partes 
infringe a lei e prejudica o processo de desenvolvimento, já que desrespeita o princípio da 
dignidade da pessoa humana.
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A partir dos nossos conhecimentos temos consciência de que não 
foi a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 que 
ocorreram mudanças significativas na concepção de família, elas 
já vinham ocorrendo de forma gradual conforme a sua evolução 
no contexto da sociedade. 
A Constituição apenas uniu os valores que estavam se separando 
devido esta evolução e as mudanças a partir do surgimento das 
configurações de família.
2 A COMPREENSÃO DO SERVIÇO SOCIAL QUANTO AOS 
TIPOS DE FAMÍLIA LEGALMENTE CONSTITUÍDOS
O conceito de família vem sendo alterado e ampliado à medida que surgem novas 
configurações.
 
O mundo contemporâneo requer a adequação do fenômeno de internacionali-
zação de Direitos Humanos às normas de direito interno. Assim, novos temas 
como a igualdade de gênero, a democratização de uniões livres, a reconstru-
ção do parâmetro parental, a socioafetividade, a inseminação artificial ou as 
uniões homoafetivas incrementam o debate que descamba, necessariamente, 
na concepção tradicional dos modelos familiares, passando a ser necessário 
que se repense os critérios de igualdade e de cidadania aplicáveis a estes e 
inúmeros outros casos (CARVALHO, 2007, p. 12)
É importante compreender as diversas expressões da questão família e suas novas 
configurações consideradas pela atual legislação.
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QUADRO 4 - DIVERSAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO FAMÍLIA E SUAS NOVAS CONFIGURAÇÕES
FAMÍLIA 
NATURAL
A família natural é a mais comum, pois é identificada a partir dos LAÇOS 
SANGUÍNEOS, formada por pais e filhos.
É o modelo tradicional, resultado do casamento ou da união estável.
FAMÍLIA 
MONOPARENTAL
Família constituída a partir do relacionamento de um de seus genitores 
e um filho (por mãe e filho, ou pai e filho), reconhecida como entidade 
familiar na Carta Magna, artigo 226, § 4º “comunidade formada por 
qualquer dos pais e seus descendentes”.
UNIÃO ESTÁVEL
É a constituição de família que mais vem crescendo no cenário nacional, 
na qual reconhece a união entre duas pessoas heterossexuais ou 
homossexuais sem haver o casamento reconhecido, destacando que 
esta tem deveres similares ao casamento tradicional, pois tem e deve 
ser com o objetivo de constituir família.
Segundo Cunha (2010) a união estável pode ser identificada a partir 
das seguintes características:
• O delineamento do conceito de união estável deve ser feito buscando 
os elementos caracterizadores de um “núcleo familiar”. É preciso saber 
se daquela relação nasceu uma entidade familiar. 
• Os ingredientes são aqueles já demarcados principalmente pela 
jurisprudência e doutrina pós-constituição de 1988: durabilidade, 
estabilidade, convivência sob o mesmo teto, prole, relação de 
dependência econômica. Entretanto, se faltar um desses elementos, 
não significa que esteja descaracterizada a união estável. 
• É o conjunto de determinados elementos que ajuda a objetivar e a 
formatar o conceito de família. O essencial é que se tenha formado 
com aquela relação afetiva e amorosa uma família.
 
O Código Civil de 2002 também descreve, em seu artigo 1723, a união 
estável, in verbis: “É reconhecida como entidade familiar a união estável 
entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública contínua 
e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”. 
Esta união tem proteção constitucional e leis específicas, tais como 
8.971/94 e a 9.278/96.
CASAMENTO
A Constituição Federal de 1988 traz a questão do casamentoconsiderando a mais antiga consolidação da expressão familiar, mais 
conhecida e aceita pela sociedade e a mais formal. Conforme Rodrigues 
(2004, p. 19) casamento é “o contrato de direito de família que tem por 
fim promover a união do homem e da mulher, de conformidade com 
a lei, a fim de regularem suas relações sexuais, cuidarem da prole 
comum e se prestarem mútua assistência”.
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FAMÍLIAS 
MODERNAS
A instituição família vem se transformando através da história, que pode 
variar de uma cultura para outra. As mudanças tornam os indivíduos 
capazes de criar estratégias de sobrevivência e adaptação às novas 
realidades. 
A sociedade busca um equilíbrio em relação ao funcionamento 
familiar, principalmente na transição entre o século XIX e século XX, 
onde possibilitou, na contemporaneidade, alterações na estrutura das 
relações familiares. 
Essas modificações têm causado mudanças nos padrões de 
funcionamento entre os seus membros, levando a um processo de 
assimilação e de construção de novos modelos de relacionamento.
Na visão de Oliveira (2002), a literatura referencia alguns autores que 
apontam o prejuízo e o sofrimento atrelados à separação e ao divórcio, 
compreendendo como um choque de sofrimento, já que é possível 
desencadear problemas de ajuste psicológico e social nas crianças 
e adolescentes, todavia, outros autores destacam o seu potencial 
de reorganização e amadurecimento precoce, destes que tendem a 
expressar mais atitudes amorosas com os pais quando comparados 
aos filhos de famílias tradicionais.
Nesse sentido, Hetherington e Stanley-Hagan (1999), nos esclarecem 
que crianças de famílias mono parentais podem apresentar maior nível 
de bem-estar do que as de famílias nucleares com alto nível de conflito, 
uma vez que o bem-estar infantil está associado ao bem-estar dos pais 
e ao relacionamento entre eles.
A família moderna se configura onde o genitor deixa de ser o único 
provedor do lar, as decisões são tomadas de forma conjunta e a família 
passa a ter influência de todos os integrantes da casa, baseada nos 
princípios do respeito, amor, afetividade, carinho e na atenção.
FAMÍLIAS 
SUBSTITUTAS
A Constituição Federal não descreve essa configuração de família, 
mas abre precedente para essa compreensão, na qual descreve 
possibilidades de colocação, quando necessário afastamento de 
crianças ou adolescentes em situação de risco, em famílias identificadas 
pelas equipes de atendimento, essas famílias, mesmo sem vínculos, 
se oferecem para receber um novo membro. 
Ao receber um novo membro, a família passa a ter a responsabilidade 
na manutenção de todas as necessidades básicas e responde 
igualmente nas obrigações como qualquer outra família.
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Esta configuração se baseia na solidariedade, não existindo qualquer 
vínculo, apenas a necessidade identificada de crianças e adolescentes 
em situação de risco ou em situação de perda dos genitores e 
inexistência de família extensa, essa família previamente identificada é 
acionada para atender especificamente esta situação de acolhimento. 
O processo de colocação junto à família substituta acontece na casa 
da família, geralmente durante o processo de guarda que pode ser 
temporário ou definitivo, tutela e adoção.
Pereira (2007, p. 392) nos descreve a adoção como “o ato jurídico pelo 
qual uma pessoa recebe outro como filho, independentemente de existir 
entre elas qualquer relação de parentesco consanguíneo ou afim”.
Essas três modalidades: Guarda, Tutela e Adoção devem ser 
acompanhadas pelas equipes da rede de atendimento socioassistencial 
a fim de garantir a satisfação das necessidades básicas e afetivas da 
criança e do adolescente, impedindo assim riscos de novas situações 
de violação de direitos. 
• Guarda é assistência moral, material e educacional do guardião, à 
criança ou adolescente a ele confiado, dessa forma, regulamentando 
a posse de fato e sendo parte indissociável da tutela e da adoção.
Para facilitar essa compreensão vamos buscar o apoio de Pereira 
(2007) que diz que guarda é a regularização da posse de fato, podendo 
ser concedida por liminar ou incidental, nos processos de tutela e 
adoção, trazida pelo § 1º do artigo 33 do Estatuto da Criança e do 
Adolescente.
• Tutela no caso de crianças e adolescentes, e curatela no caso de 
pessoas com deficiência e idosos conferidos a uma pessoa considerada 
capaz de administrar a pessoa impossibilitada e conduzir seus bens, 
com relação às crianças e os adolescentes, versa um sucedâneo do 
pátrio poder, visto que estes não possuem condições de existir sozinhos 
e exercitar todos os atos necessários à vida no seio social.
Tutela é o “encargo conferido por lei a uma pessoa capaz, para cuidar 
da pessoa menor e administrar seus bens. Destina-se a suprir a falta do 
poder familiar e tem nítido caráter assistencial, constitui um sucedâneo 
do poder familiar e é incompatível com este (GONÇALVES, 2007, p. 
582).
• Adoção é a modalidade que confere a condição de filho ao adotado, 
com os mesmos direitos e deveres, até mesmo os sucessórios. 
A adoção, passa a ser uma modalidade artificial de filiação que busca 
imitar a filiação natural, este ato civil nada mais é do que aceitar 
um estranho na qualidade de filho, pois não resulta de uma relação 
biológica, mas de manifestação de vontade ou de sentença judicial 
que se sustenta sobre uma relação afetiva. 
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FAMÍLIAS 
ALTERNATIVAS
Família alternativa é também uma modalidade contemporânea, pois é 
formada por indivíduos do mesmo sexo, que formam uma família, estas 
podem ter descendentes de relacionamentos anteriores que podem 
ou não ser heterossexuais e por famílias comunitárias, na qual todos 
são considerados responsáveis pela educação e criação das crianças 
e adolescentes.
FAMÍLIAS 
EXTENSAS E 
AMPLIADAS
Modalidade de família que é acionada quando a criança e/ou 
adolescente estão em situação de risco, ou na perda dos seus 
genitores. Esta modalidade aparece bem clara no texto que trata da 
reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente no artigo 25, parágrafo 
único, da Lei 12.010/09, que reconhece a família extensa ou ampliada 
como sendo uma extensão da família biológica. 
Na visão de Lobo (2004), família extensa ou ampliada é “aquela que 
se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, 
formada por parentes próximos com os quais a criança ou o adolescente 
convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade”.
FAMÍLIAS 
SOCIOAFETIVAS
Quando encontramos novas configurações familiares, mesmo que 
estas não estejam amparadas por laços jurídicos, se formam por 
vínculos afetivos entre as pessoas, contudo, dizemos que a família 
contemporânea se constitui principalmente por relações socioafetivas. 
Essas famílias são consideradas um novo elemento no Direito Brasileiro 
contemporâneo e se, adaptando a Constituição Federal de 1988, sendo 
incorporados em seus princípios. 
A família vem mudando sua estrutura e sua composição. A família 
numerosa vem diminuindo drasticamente e a ideia de família composta 
apenas por filhos biológicos também. Essa mudança se deve ao fato de 
que as pessoas passam a valorizar mais o ambiente familiar constituídode amor, carinho e afeto, onde passa por um novo modelo de família 
em que está baseado na afetividade, e que só é possível a partir da 
convivência familiar. 
A afetividade não é uma mercadoria ou uma regra que possa ser 
imposta, é uma afinidade que pode ou não ser desenvolvida entre as 
partes a partir da reciprocidade de sentimentos. 
Segundo Oliveira (2002, p. 233), "a afetividade, traduzida no respeito 
de cada um por si e por todos os membros a fim de que a família seja 
respeitada em sua dignidade e honra, perante o corpo social é, sem 
dúvida uma das maiores características da família atual".
Essa nova modalidade vem se tornando mais forte à medida que 
conquista mais adeptos do movimento.
FONTE: As Autoras
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Após o conhecimento e aprendizado sobre as novas configurações de família, podemos 
considerar de forma cuidadosa entre o que se considera pela sociedade politicamente correta e 
a probabilidade da felicidade, na coragem do rompimento de valores, comportamentos e opiniões 
dos mais tradicionalistas passados de geração em geração com a família nuclear tradicional. 
Reconhecemos que mesmo na atualidade a busca e o desejo em construir novas 
relações podem ser consideradas proibidas e preconceituosas. Contudo, é notório no contexto 
da sociedade o convívio de novas estruturas familiares, o que demonstra claramente a mudança 
da concepção referente à instituição familiar, ou seja, a união de pessoas ligadas pelos mesmos 
laços de sangue unidos legalmente de forma matrimonial.
DICA
S!
Conheça mais sobre a Lei do casamento Civil.
LEI Nº 6.515, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1977
Regula os casos de dissolução da sociedade conjugal e do casamento, 
seus efeitos e respectivos processos, e dá outras providências
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6515.
htm>
CASAMENTO HOMOAFETIVO
A UNIÃO CIVIL DE HOMOSSEXUAIS, ou seja, casamento do ponto de vista civil entre 
pessoas do mesmo sexo, está para ser regulamentada, pois foi aprovada no dia 14 de maio 
de 2015 e passará a valer a partir da publicação no Diário de Justiça, que poderá ocorrer a 
qualquer momento.
A obrigatoriedade dos cartórios a oficializarem o casamento (união civil) de homossexuais 
tem gerado muitas opiniões divergentes em toda a sociedade, inclusive aos operadores da lei, 
visto que o art. 226 da Constituição entende como entidade familiar, “para efeito da proteção 
do Estado, a união estável entre o homem e a mulher”. Entretanto, a resolução recentemente 
tramitada e aprovada pelo Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cita que os 
responsáveis por cartórios que recusarem a celebração de casamento entre pessoas de mesmo 
sexo serão imediatamente levados ao Tribunal de Justiça. 
Os tribunais julgaram injustificável a recusa de Cartórios de Registro Civil em expedir 
certidões para essas uniões. O Superior Tribunal Federal alegou que a declaração da 
sexualidade não deve servir de base a um tratamento discriminatório.
A resolução busca efetivar a decisão tomada em maio de 2011 pelo Supremo 
Tribunal Federal que decretou legal a união estável homoafetiva, dando amplos direitos aos 
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homossexuais, entretanto, os cartórios continuavam negando a realização da celebração do 
casamento e consequentemente a emissão da certidão.
Em outros 14 países, o casamento entre homossexuais já é permitido com diversificações 
legais. Percebe-se que nos últimos anos esta questão está em evidência com várias decisões 
positivas, ou seja, a favor do casamento homoafetivo. Cartórios não podem mais se negar a 
realizar os casamentos.
RESOLUÇÃO Nº 175, DE 14 DE MAIO DE 2013
Dispõe sobre a habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união 
estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo. 
O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, no uso de suas 
atribuições constitucionais e regimentais, 
CONSIDERANDO a decisão do plenário do Conselho Nacional de Justiça, tomada 
no julgamento do Ato Normativo no 0002626-65.2013.2.00.0000, na 169ª Sessão Ordinária, 
realizada em 14 de maio de 2013; 
CONSIDERANDO que o Supremo Tribunal Federal, nos acórdãos prolatados em 
julgamento da ADPF 132/RJ e da ADI 4277/DF, reconheceu a inconstitucionalidade de 
distinção de tratamento legal às uniões estáveis constituídas por pessoas de mesmo sexo; 
CONSIDERANDO que as referidas decisões foram proferidas com eficácia vinculante 
à administração pública e aos demais órgãos do Poder Judiciário; 
CONSIDERANDO que o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RESP 
1.183.378/RS, decidiu inexistir óbices legais à celebração de casamento entre pessoas de 
mesmo sexo; 
CONSIDERANDO a competência do Conselho Nacional de Justiça, prevista no art. 
103-B, da Constituição Federal de 1988; 
RESOLVE: Art. 1º É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, 
celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre 
pessoas de mesmo sexo. 
 Art. 2º A recusa prevista no artigo 1º implicará a imediata comunicação ao respectivo 
juiz corregedor para as providências cabíveis. 
 Art. 3º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro Joaquim 
Barbosa Presidente da Secretaria-Geral Secretaria Processual.
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FIGURA 3 - CASAMENTO HOMOAFETIVO
FONTE: Disponível em: <http://www.parana-online.com.br/editoria/
politica/news/833385/?noticia=DIVULGACAO+DO+CASAME
NTO+HOMOAFETIVO+SERA+DISCUTIDA+COM+FRUET>. 
Acesso em: 16 mar. 2016.
Do ponto de vista religioso, a igreja sempre foi contra as uniões homoafetivas. Acredita-
se que mudanças podem ocorrer, mas ainda não no atual papado, pois se entende que ele não 
possui forças suficientes para fazer tal modificação. Ativistas de movimentos defensores dos 
direitos de grupos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) comemoram a decisão 
do CNJ, que determina aos cartórios de todo o país celebrar o casamento civil e converter a 
união estável homoafetiva em casamento.
DICA
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Família e Famílias: Práticas Sociais e 
Conversações Contemporâneas
Sinopse: Esta obra está organizada em 
três blocos, a matéria examina: práticas e 
concepções referentes à família, à política 
social e ao serviço social em diferentes 
campos da ação profissional; a noção de 
cuidados, situando nela as sempre delicadas 
relações entre as esferas públicas e privadas; 
trabalho, direitos e práticas protecionistas como 
partes da experiência de reprodução social, 
enfrentando aí os dilemas postos pela pobreza 
e pelas novas configurações familiares no Brasil 
destes nossos tempos, com o destaque dado 
às reflexões sobre homossexualidade.
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3 POLÍTICAS SOCIAIS PARA AS FAMÍLIAS
Após a 1ª Guerra Mundial (1919), a sociedade passa a entender as necessidades 
dos indivíduos a partir do momento que as mazelas sociais se afloram, fortalecendo a ideia 
da benesse como estratégia de ação frente às demandas impostas à sociedade da época, 
porém, a estratégia não estava sendo suficiente para atender às necessidades, a qual se fez 
necessária a intervenção do Estado. 
Após a década de 1970, com a aceitação dacrise econômica mundial, a instituição 
familiar foi redescoberta, sendo identificada como a focada intervenção social, já que se 
subentende que as necessidades de um indivíduo podem ser superadas a partir do apoio do 
grupo familiar. Nesse momento o Estado descreve que o indivíduo é corresponsabilidade entre 
Estado/Família. 
Já na década de 80 trabalha-se com a ideia de pluralismo de bem-estar social, onde os 
indivíduos são de responsabilidade da família, do Estado, do mercado e da sociedade. Nesse 
cenário ocorre uma privatização das responsabilidades públicas, com quebra da garantia de 
direitos. “O Estado elege a família e a sociedade como ‘parceiros’ na busca do desenvolvimento 
e da proteção social, incentivando o voluntariado a solidariedade” (PEREIRA, 2004, p. 25, grifo 
no original).
O Estado passa a ter a responsabilidade dividida e a intervenção mínima, na qual a 
família passa a ser considerada PARTE central na execução de políticas públicas, reduzindo 
assim os custos com a execução dos serviços na área social. 
Os programas são elaborados com o intuito de minimizar as expressões da questão 
social, como estratégia de acesso, todavia estes são ofertados de forma lenta e seu processo 
tende a ser bastante burocrático.
As políticas sociais são desenvolvidas com intuito de atender a coletividade que está 
com seus direitos sociais negligenciados, sendo que esta base para a sociedade está norteada 
na instituição da família.
Os programas sociais surgem com o objetivo de contribuir com as famílias, buscando sua 
autonomia e melhorando a qualidade de vida, sendo que as políticas públicas são insuficientes 
para manter esses indivíduos, desta forma, surgem programas sociais que vêm contribuir de 
certa maneira com a falta e a insuficiência dos programas, facilitando ao cidadão o acesso 
necessário e de forma mais eficaz aos seus direitos, sendo assim, na falta desta força tarefa 
desses programas emergenciais, o Estado precisa responder por essa demanda sozinho. 
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Exemplo prático: inclusão em programas habitacionais a preços reduzidos, o que faz 
com que as pessoas tenham acesso a melhores condições habitacionais e o Estado se exclui 
desta responsabilidade. 
 Com esse entendimento, Sawaia (2004, p. 42, grifos do original) nos esclarece que “ao 
se isentar dos deveres de prover o cuidado dos cidadãos, o Estado ‘sobrecarrega’ a família, 
conclamando-a a ser parceira da escola e das políticas públicas, e a sociedade, assustada, 
na ausência de ‘lugares com calor’, elege-a como o lugar da proteção social e psicológica”. 
As famílias ficam fragilizadas, com a proteção mínima do Estado, buscando ações diretas 
realizadas pela sociedade civil a fim de responder uma demanda coletiva.
A partir da década de 90 as políticas sociais estão direcionadas para as famílias 
brasileiras tendo como principal critério de seleção a renda per capita, sendo que se considera 
o valor financeiro integral familiar dividido pelo número de pessoas. Outro critério que é 
considerado, dependendo do programa que será inserido, é o número de crianças e se há 
pessoas com deficiência e idosos.
Na Política Pública temos os programas de transferência de renda que está centralizado 
e a responsabilização da família fica mais evidente nas políticas sociais com a aprovação do 
projeto de lei denominado Programa de Garantia de Renda Mínima (BRASIL, 1991), que vinculou 
a renda mínima à família e à educação à medida que acompanha o ingresso e permanência 
das crianças na escola.
Os inúmeros programas nacionais, estaduais e locais que envolvem trans-
ferências monetárias para segmentos em situação de risco, possuem uma 
abordagem compensatória e focalizada na pobreza e, sobretudo, na indigência. 
Utilizam critérios estreitos, que restringem seu raio de cobertura. São tentati-
vas de inserir as famílias no circuito do consumo, combinadas ao incentivo, à 
educação, mas com impacto muito limitado, tanto pelo valor das bolsas quanto 
pelos critérios de acesso (BEHRING, 2003, p. 253).
Compreendemos que para as políticas públicas a família é fundamental, portanto deve 
ser inserida numa rede onde tenha possibilidade de socialização e seja protetiva, como é o 
caso da inserção nos serviços das Políticas de Assistência Social. 
Os profissionais de Serviço Social precisam acompanhar seu projeto ético estabelecendo 
estratégias junto aos usuários, buscando o desenvolvimento e o protagonismo para maior 
qualidade de vida, emprego, renda, educação e que tenham participação ativa nos espaços 
públicos e assim, buscar a defesa e a garantia de seus direitos.
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LEITURA COMPLEMENTAR
Proposta de PROJETO DE LEI que Dispõe sobre o Estatuto da Família e dá outras 
providências.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta lei institui o Estatuto da Família e dispõe sobre os direitos da família, e as 
diretrizes das políticas públicas voltadas para valorização e apoiamento à entidade familiar.
Art. 2º Para os fins desta lei, define-se entidade familiar como o núcleo social formado 
a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, 
ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.
Art. 3º É obrigação do Estado, da sociedade e do Poder Público em todos os níveis 
assegurar à entidade familiar a efetivação do direito à saúde, à alimentação, à educação, à 
cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania e à convivência comunitária.
Das diretrizes gerais
Art. 4º Os agentes públicos ou privados envolvidos com as políticas públicas voltadas 
para família devem observar as seguintes diretrizes:
I - desenvolver a intersetorialidade das políticas estruturais, programas e ações;
II - incentivar a participação dos representantes da família na sua formulação, 
implementação e avaliação;
III - ampliar as alternativas de inserção da família, promovendo programas que priorizem 
o seu desenvolvimento integral e participação ativa nos espaços decisórios;
IV - proporcionar atendimento de acordo com suas especificidades perante os órgãos 
públicos e privados prestadores de serviços à população, visando ao gozo de direitos 
simultaneamente nos campos da saúde, educacional, político, econômico, social, cultural e 
ambiental;
V - garantir meios que asseguram o acesso ao atendimento psicossocial da entidade 
familiar;
VI - fortalecer as relações institucionais com os entes federados e as redes de órgãos, 
gestores e conselhos da família;
VII - estabelecer mecanismos que ampliem a gestão de informação e produção de 
conhecimento sobre a família;
VIII - garantir a integração das políticas da família com os Poderes Legislativo e Judiciário, 
com o Ministério Público e com a Defensoria Pública; e
IX - zelar pelos direitos da entidade familiar.
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Dos direitos
Art. 5º É obrigação do Estado, garantir à entidade familiar as condições mínimas para sua 
sobrevivência, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam a convivência 
saudável entre os seus membros e em condições de dignidade.
Art. 6º É assegurada a atenção integral à saúde dos membros da entidade familiar, por 
intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, e o Programa de Saúde da Família, garantindo-
lhes o acesso em conjunto articuladoe contínuo das ações e serviços, para a prevenção, 
promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial ao atendimento 
psicossocial da unidade familiar.
§ 1º A prevenção e a manutenção da saúde dos membros da entidade familiar serão 
efetivadas por meio de:
I – cadastramento da entidade familiar em base territorial;
II – núcleos de referência, com pessoal especializado na área de psicologia e assistência 
social;
III – atendimento domiciliar, e em instituições públicas, filantrópicas ou sem fins lucrativos 
e eventualmente conveniadas com o Poder Público;
IV – reabilitação do convívio familiar orientada por profissionais especializados.
V – assistência prioritária à gravidez na adolescência.
§ 2º Incumbe ao Poder Público assegurar, com absoluta prioridade no atendimento e 
com a disponibilização de profissionais especializados, o acesso dos membros da entidade 
familiar a assistentes sociais e psicólogos, sempre que a unidade da entidade familiar estiver 
sob ameaça.
§ 3º Quando a ameaça a que se refere o parágrafo anterior deste artigo estiver associada 
ao envolvimento dos membros da entidade familiar com as drogas e o álcool, a atenção a 
ser prestada pelo sistema público de saúde deve ser conduzida por equipe multidisciplinar e 
terá preferência no atendimento.
Art. 7º Todas as famílias têm direito de viver em um ambiente seguro, sem violência, 
com garantia da sua incolumidade física e mental, sendo-lhes asseguradas a igualdade de 
oportunidades e facilidades para seu aperfeiçoamento intelectual, cultural e social enquanto 
núcleo societário.
Art. 8º As políticas de segurança pública voltadas para proteção da família deverão 
articular ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e ações não 
governamentais, tendo por diretrizes:
I - a integração com as demais políticas voltadas à família;
II - a prevenção e enfrentamento da violência doméstica;
III - a promoção de estudos e pesquisas e a obtenção de estatísticas e informações 
relevantes para subsidiar as ações de segurança pública e permitir a avaliação periódica dos 
impactos das políticas públicas quanto às causas, às consequências e à frequência da violência 
entre membros das entidades familiares;
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IV - a priorização de ações voltadas para proteção das famílias em situação de risco, 
vulnerabilidade social e que tenham em seu núcleo membros considerados dependentes 
químicos;
V - a promoção do acesso efetivo das famílias à Defensoria Pública, considerando as 
especificidades da condição da entidade familiar.
Art. 9º É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na 
execução dos atos e diligências judiciais, em qualquer instância, em que o interesse versado 
constitua risco à preservação e sobrevivência da entidade familiar, devendo a parte interessada 
justificar o risco em petição endereçada à autoridade judiciária.
Art. 10 Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter em sua base nacional 
comum, como componente curricular obrigatório, a disciplina “Educação para família”, a 
ser especificada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, de acordo com as 
características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
Art. 11 É garantida a participação efetiva do representante dos interesses da família 
nos conselhos e instâncias deliberativas de gestão democrática das escolas.
Art. 12 As escolas deverão formular e implantar medidas de valorização da família no 
ambiente escolar, com a divulgação anual de relatório que especifique a relação dos escolares 
com as suas famílias.
Art. 13 O Dia Nacional de Valorização da Família, que ocorre no dia 21 de outubro de 
cada ano, nos termos da Lei nº 12.647/2012, deve ser celebrado nas escolas públicas e privadas 
com a promoção de atividades no âmbito escolar que fomentem as discussões contemporâneas 
sobre a importância da família no meio social.
§ 1º Na data a que se refere o caput deste artigo, o Ministério Público e as Defensorias 
Públicas em todos os níveis promoverão ações voltadas ao interesse da família, com a prestação 
de serviços e orientação à comunidade.
Do conselho da família
Art. 14 Os conselhos da família são órgãos permanentes e autônomos, não jurisdicionais, 
encarregados de tratar das políticas públicas voltadas à família e da garantia do exercício dos 
direitos da entidade familiar, com os seguintes objetivos:
I - auxiliar na elaboração de políticas públicas voltadas à família que promovam o amplo 
exercício dos direitos dos membros da entidade familiar estabelecidos nesta Lei;
II - utilizar instrumentos de forma a buscar que o Estado garanta à família o exercício 
dos seus direitos;
III - colaborar com os órgãos da administração no planejamento e na implementação 
das políticas voltadas à família;
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IV - estudar, analisar, elaborar, discutir e propor a celebração de instrumentos de 
cooperação, visando à elaboração de programas, projetos e ações voltados para valorização 
da família;
V - promover a realização de estudos relativos à família, objetivando subsidiar o 
planejamento das políticas públicas;
VI - estudar, analisar, elaborar, discutir e propor políticas públicas que permitam e 
garantam a integração e a participação da família nos processos social, econômico, político e 
cultural no respectivo ente federado;
VII - propor a criação de formas de participação da família nos órgãos da administração 
pública;
VIII - promover e participar de seminários, cursos, congressos e eventos correlatos para 
o debate de temas relativos à família;
IX - desenvolver outras atividades relacionadas às políticas públicas voltadas à 
valorização da família.
§ 1º A lei, em âmbito federal, estadual, do Distrito Federal e municipal, disporá sobre 
a organização, o funcionamento e a composição dos conselhos da família, observada a 
participação da sociedade civil mediante critério, no mínimo, paritário com os representantes 
do poder público.
Art. 15 São atribuições dos conselhos da família:
I - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa 
ou penal contra os direitos da família garantidos na legislação;
II - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
III - expedir notificações;
IV - solicitar informações das autoridades públicas;
V - assessorar o Poder Executivo local na elaboração dos planos, programas, projetos, 
ações e proposta orçamentária das políticas públicas voltadas à família.
Art. 16 Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 
1º de janeiro do ano subsequente ao de sua publicação.
Deputado ANDERSON FERREIRA PR-PE
FONTE: BRASIL. Estatuto da Família. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesweb/
prop_mostrarintegra?codteor=1159761&filename=pl+6583/2013>. Acesso em: 14 fev. 2016.
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RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos que:
• Quando olhamos a família, a partir da ótica da legislação, é possível observar que existem 
muitos direitos que envolvem as relações familiares.
• À família se atribui o papel de responsabilidade sobre o comportamento moral e ético.
• A sociedade passa a seguir as leis da Carta Magna, na qual foram atribuídos parâmetrosao reconhecimento da família, estabelecendo princípios, efeitos e as obrigações, atribuindo a 
responsabilidade de proteção da família ao Estado.
• O conceito de família vem sendo alterado e ampliado à medida que surgem novas 
configurações, dessa maneira o Serviço Social precisa entender os vários tipos de famílias 
legalmente constituídas. 
• A família natural é constituída a partir dos laços sanguíneos.
• A família monoparental é constituída a partir do relacionamento de um de seus genitores e 
um filho (por mãe e filho, ou pai e filho). 
• A União Estável reconhece a união entre duas pessoas heterossexuais ou homossexuais, 
sem haver o casamento reconhecido.
• O casamento é reconhecido legalmente através de contrato de direito de família que tem 
por fim promover a união em conformidade com a lei, a fim de regular as relações sexuais, e 
de forma comum cuidar da prole e se prestarem mútua assistência.
• A família moderna se configura onde o genitor deixa de ser o único provedor do lar, as 
decisões são tomadas de forma conjunta.
• A família substituta não apresenta vínculos, mas são identificadas pelas equipes de 
atendimento e quando necessário o afastamento de crianças ou adolescentes em situação de 
risco, essas famílias recebem temporariamente um novo membro. 
• A condição de guarda se configura pela assistência moral, material e educacional do guardião, 
prestada à criança ou adolescente. A tutela, no caso de crianças e adolescentes, e curatela no 
caso de pessoas com deficiência e idosos.
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• As famílias alternativas são formadas por indivíduos do mesmo sexo, que formam uma 
família que pode ou não descender de relacionamentos anteriores e que podem ou não ser 
heterossexuais.
• Famílias extensas e ampliadas se configuram a partir da família biológica, por motivo do 
afastamento ou da separação de seus genitores.
DICA
S!
Assista ao filme: A EDUCAÇÃO DA PEQUENA 
ÁRVORE, o qual trata de pertença, família 
tradicional, vínculos sociais e familiares.
Nos anos 30, numa sociedade cheia de 
preconceitos, o índio Cherokee Pequena 
Árvore cresce sob os cuidados dos avós e 
dos ensinamentos de seu povo. As diferenças 
com a educação local o obrigam a frequentar 
uma escola tradicional e a mudar de nome, 
mas nada é suficiente para tirá-lo de suas 
origens.
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1 No contexto das políticas públicas, os programas sociais aparecem como ferramenta 
para contribuir com as famílias na conquista de sua autonomia e consequentemente a 
superação das vulnerabilidades enfrentadas no dia a dia, buscando sempre uma melhor 
qualidade de vida. Neste sentido, assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) Inclusão em programas habitacionais a preços reduzidos, o que faz com que as 
pessoas tenham acesso a melhores condições de moradia. 
b) ( ) As políticas sociais são desenvolvidas com o objetivo de traçar linhas de 
enfrentamento das desigualdade no contexto social.
c) ( ) Os programas buscam minimizar em partes as expressões da questão social, 
como estratégia de acesso, porém estes são ofertados de forma bem mais rápida, sem 
burocracia.
d) ( ) As políticas sociais deixam de atender à sociedade nos seus direitos sociais básicos. 
2 O conceito de família vem evoluindo conforme os períodos históricos, as novas 
configurações em relação à família acompanham o processo de aceleração e 
desenvolvimento da instituição familiar. Nesse sentido, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
a) ( ) O conceito de família passa por um processo de alteração conforme a evolução 
natural no contexto da sociedade, sendo assim, a política de assistência social deve 
estar preparada para atender aos diversos tipos de expressão da questão social.
b) ( ) Entre muitas configurações de família podemos citar: família nuclear tradicional, 
família natural, família monoparental, família moderna, família substituta, entre outras 
não nominadas.
c) ( ) A sociedade passa a seguir as suas próprias determinações em relação à concepção 
de família sem respeitar o que está atribuído na Carta Magna.
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.
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UNIDADE 2
A TRAJETÓRIA DAS POLÍTICAS 
SOCIAIS EM RELAÇÃO AO CONTEXTO 
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NA 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir dessa unidade você será capaz de:
	identificar os principais fatos históricos que norteiam o entendimento 
sobre a criança e o adolescente;
	compreender a legislação vigente e o papel das três esferas 
governamentais em relação à criança e ao adolescente;
	conhecer as estratégias de enfrentamento em situação de violência 
contra crianças e adolescentes.
TÓPICO 1 - CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA 
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
TÓPICO 2 - A LEGISLAÇÃO E A QUESTÃO DA 
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 
E O PAPEL DAS TRÊS ESFERAS 
GOVERNAMENTAIS
TÓPICO 3 - ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO 
NA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS 
E ADOLESCENTES
PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 2 está dividida em três tópicos distintos, porém 
complementares. Ao final de cada tópico você encontrará autoatividades 
que contribuirão com o seu aprendizado.
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CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA CRIANÇA 
E DO ADOLESCENTE
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1
As crianças eram consideradas pequenos adultos, tinham que desempenhar praticamente 
as mesmas funções, sendo que dividiam as mesmas responsabilidades. Na escala evolutiva 
de desenvolvimento não havia tempo para ser criança, pois elas deveriam ser preparadas para 
o trabalho servindo de mão de obra barata, pois quanto mais filhos houvesse na família, mais 
braços para se trabalhar, consequentemente mais renda. 
As crianças não tinham nenhum direito, não eram respeitadas enquanto pessoas 
humanas com dignidade, sujeitos de direitos, apenas deveres, já que se tinha a ideia de que 
o trabalho era fundamental para garantir seu sustento e dos demais membros da família.
UNIDADE 2
FIGURA 4 - PIRÂMIDE INFANTIL
FONTE: Disponível em: <http://www.canstockphoto.com.br/crian%C3%A7as-piramide-
forma%C3%A7%C3%A3o-5615953.html>. Acesso em: 9 mar. 2016. 
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A adolescência não pode ser considerada apenas como uma espera da passagem 
da vida de infância para a juventude, pois significa muito mais, é um momento de perdas e 
desapegos significantes. Este período é marcado por grandes adaptações, como também 
a busca da autoafirmaçãoe o desenvolvimento de sua identidade. Contudo, adolescência 
significa crescimento. Ser adolescente é literalmente crescer para a vida, crescer para o 
mundo, buscando conhecimento e aprendizado para se transformar em um adulto de forma 
construtiva e com perspectiva de um futuro melhor, para um novo mundo como parte de uma 
família e de uma sociedade. 
O século XX foi muito importante para a situação do adolescente, pois o adolescente 
passa a ser tratado com dignidade, sujeito de uma história em construção, entre as 
multidisciplinariedades, buscando cada vez mais o trabalho em rede e a criação de novas 
estratégias de atendimento. 
O adolescente é reconhecido por estar em processo de desenvolvimento, necessitando 
assim de atenção e cuidados especiais para o seu pleno desenvolvimento.
Podemos considerar que a concepção de adolescente no processo da história não 
esteve presente de forma construtiva enquanto cidadão de direitos, era reconhecido apenas 
como objeto no contexto da sociedade. Observa-se que o entendimento sobre o processo 
de infância e adolescência passou por uma grande transformação, no entanto, muitas coisas 
ainda precisam ser reestruturadas a fim de identificar essa parcela da população realmente 
como prioridade de atendimento, e assim se tornar sujeito de sua própria história, de forma 
construtiva para nossa sociedade.
2 EVOLUÇÃO E O CONCEITO DA INFÂNCIA
A sociedade levou muito tempo para entender que as crianças e adolescentes fazem 
parte do processo histórico. A eles eram determinados deveres e desconsiderada a ideia de 
direitos, não podiam expor suas opiniões, os pais respondiam por todos os questionamentos. 
Apenas na contemporaneidade é que as crianças e os adolescentes são motivados a 
desenvolver o senso crítico e argumentar a partir de seus ideais.
A preocupação com o desenvolvimento infantojuvenil se fortalece a partir do século XIX, 
onde a criança e o adolescente são reconhecidos como tal, mas ainda é um problema social, 
no entanto, não foram, naquele período, objeto de investigação científica, a fim de contribuir 
sobremaneira para melhorar o processo de desenvolvimento desta criança e adolescente no 
contexto da sociedade. Compreende-se que as crianças viviam um processo de invisibilidade 
na sociedade. 
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A fragilidade de registros históricos em relação ao seu desenvolvimento mostra que 
a infância era considerada um processo natural, sendo dependente dos adultos e lhes devia 
obediência, em troca de satisfazer as necessidades básicas e da proteção entendida como 
um lar. 
As ações que antecedem o século XIX não identificam as fases humanas, a vida era 
relativamente igual para todas as idades, sendo estas imperceptíveis, já que as regras eram 
ditadas pelos mais velhos dos grupos. 
As crianças, por serem consideradas seres naturais e não de direitos, eram expostas aos 
comandos dos mais velhos e a agressões psicológicas, físicas e sexuais. Eram consideradas 
consequência da educação. Conforme o psico-historiador Lloyd de Mouse (1975 apud GUERRA, 
2002, p. 53), “a história da infância é um pesadelo do qual recentemente começamos a despertar. 
Quanto mais [...] regressamos, na história, mais reduzimos o nível de cuidado com as crianças, 
maior a probabilidade de que houvessem sido assassinadas, espancadas, aterrorizadas e 
abusadas sexualmente”. O que é fortalecido na visão de Levin (1997), quando este destaca 
que, antes do século XVI, a consciência social não admite a existência autônoma da infância 
como uma categoria diferenciada do gênero humano. 
As crianças viviam em um período bastante restrito de dependência de suas genitoras, 
pois precisavam ser autônomas desde muito cedo, já que a maneira de educar e negociação 
da época era a violência física, além desse “desmame” ocorrer precocemente, devido ao fato 
de a mãe conceber muitos filhos e não ter condições de cuidar de todos de maneira integral. 
Os períodos que antecedem o século XVIII mantêm poucos registros em relação à 
infância, pois essa fase era suprida de responsabilidades consideradas iguais às dos adultos. 
A ciência desconhecia a infância, porque não havia lugar para as crianças nesta sociedade.
Segundo Levin (1997), as crianças eram vistas apenas como seres biológicos, que 
necessitavam de grandes cuidados e, também, de uma rígida disciplina, a fim de transformá-
las em adultos socialmente aceitos. Nesse sentido, é possível perceber que a criança era 
considerada irracional e incapaz de se mobilizar com moderação e com coerência na sociedade.
Na Idade Média, crianças e adolescentes eram considerados mão de obra barata e 
inexistentes para a sociedade, ou seja, os adultos tinham na figura da infância uma estratégia 
de trabalho barata, o que ainda reflete na atualidade em relação à prevalência do trabalho 
infantil. A infância era uma fase desconsiderada, já que os indivíduos eram tidos como incapazes 
de raciocínio lógico. As possibilidades de acesso à educação eram restritas às famílias com 
posses e os demais eram condicionados ao trabalho físico, que evoluiu das áreas rurais para 
o chão das fábricas. 
No final da Idade Média iniciou-se um processo de reconhecimento de fases, estas 
passaram a ser divididas em seis etapas. As três primeiras correspondem à: 
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• 1ª idade (nascimento - 7 anos)
• 2ª idade (7 - 14 anos) e 
• 3ª idade (14 - 21 anos)
Essas etapas eram desconsideradas e tidas como fases inúteis do ser humano. O ser 
humano só passa a ser considerado pela sociedade após a 4ª fase, aquela em que, segundo 
o período, a pessoa desenvolvia a capacidade intelectual e responsabilidade civil de assumir 
os próprios atos. 
• 4ª idade, a juventude (21 - 45 anos) 
• 5ª idade (a senectude) considerando a pessoa que não era velha, mas que já tinha 
passado da juventude
• 6ª idade (a velhice), dos 60 anos em diante até a morte. 
Portanto, nossa história é carregada de preceitos morais e atitudes em que o ser humano 
- criança e adolescente - torna-se apenas uma marionete nas mãos dos adultos, sendo estes 
capazes apenas de executar as ordens dadas. 
A Idade Moderna, segundo Descartes (2005), origina um novo pensamento, que 
revoluciona o entendimento sobre o processo vivenciado na infância. Conforme o entendimento, 
a fisiologia do corpo perpassa por várias fases, e a fase de bebê era de responsabilidade de 
seus genitores. Nesse momento iniciou-se o processo de preocupação e proteção dos adultos 
com as crianças, já que estas são dependentes e fracas.
A ideia de primeira infância perdura na atualidade, portanto foi nesse período que surgiu 
a ideia de infância como princípio de proteção e amparo.
A primeira apreensão em relação à infância está interligada à ideia da disciplina e da 
obediência. Tanto é que Levin (1997, p. 230) retrata a ideia da exposição imposta às crianças: 
“assim como uma espora aguçada faz o cavalo correr, também uma vara faz a criança aprender”.
Rousseau (1995) foi considerado um dos primeiros pedagogos da História, quando nos 
fala que as crianças precisam ser preservadas, propondo a educação infantil sem juízes, sem 
prisões e sem exércitos. 
Somente com a mudança da função do Estado, ocorrida após a Revolução Francesa 
(1789), é que “os governos começaram a se preocupar com o bem-estar e com a educação 
das crianças” (LEVIN, 2007, p. 254). 
Outro grande teórico, Durkheim (1978), em seus escritos tenta demonstrar quea infância 
e a escola são situações complementares e necessárias para "moralizar" e disciplinar a criança, 
ele se utiliza de três elementos, identificando que educar é:
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‘Inscrever na subjetividade da criança’ os três elementos da moralidade: o 
espírito de disciplina (graças ao qual a criança adquire o gosto da vida regu-
lar, repetitiva, e o gosto da obediência à autoridade); o espírito de abnegação 
(adquirindo o gosto de sacrificar-se aos ideais coletivos) e a autonomia da 
vontade (sinônimo de submissão esclarecida) (DURKHEIM, 1978, p. 67).
A educação passa a favorecer o desenvolvimento do ser humano enquanto pessoa a 
partir de sua capacidade de compreender e assimilar os conhecimentos adquiridos no processo 
ensino-aprendizagem, construindo assim uma rede social, onde a criança passa a se perceber 
como pessoa e processo de construção histórica, através das interações do sujeito com os 
objetos que procura conhecer, tanto no mundo físico como cultural.
A infância passa a ser identificada como uma fase em desenvolvimento e escolarização. 
Esse entendimento acompanha a ideia de construção social da infância (CORSARO, 2003). 
Na contemporaneidade segmentamos a sociedade a partir de sua idade cronológica, 
sendo que cada faixa etária tem atendimento em locais específicos: crianças menores em 
creches ou unidades de educação infantil; crianças maiores e adolescentes nas escolas; adultos 
nas faculdades, universidades; e idosos em casas, lares, ancionatos e/ou asilos.
Na atualidade, as famílias passam a ser a grande preocupação, e as mesmas passam 
a ser prioridade na política de Assistência Social a partir dos serviços oferecidos aos usuários 
nos Centros de Referência em Assistência Social – CRAS e nos Centros de Referência 
Especializada em Assistência Social – CREAS. Sendo que é no contexto familiar que ocorrem 
os encontros entre as gerações, e as relações conflituosas surgem dentro do ambiente familiar.
A sociedade cria padrões de conduta e preceitos morais nos quais o indivíduo passa 
por fases diferentes durante seu processo de desenvolvimento e vivência na sociedade. Por 
exemplo, roupas mais insinuantes são socialmente aceitas na fase da adolescência, enquanto 
que roupas mais conservadoras passam a ser regras para as pessoas de mais idade. 
Retornamos à ideia de invisibilidade vivida pelas crianças e adolescentes, quando eram 
desconsideradas no processo teórico, e por serem em maior número, eram aproveitadas como 
mão de obra nas propriedades rurais. Atualmente, as famílias com crianças em idade de creche 
são submetidas a se socializarem em curto período, logo nos primeiros meses de vida, para 
que os pais possam estar no mercado de trabalho (CORSARO, 2003).
É a realidade destas crianças que necessitam estar em instituições sujeitas a uma 
convivência restrita e de forma negativa, onde os adultos que são cuidadores não fazem parte 
do contexto familiar, contribuindo assim para que os laços familiares se tornem fragilizados, 
com risco de ruptura, devido à complexidade do dia a dia a que as famílias são submetidas.
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Nas configurações de família da antiguidade as gerações 
conviviam no mesmo espaço, por ser herança de pais para filhos 
e, consequentemente, bisavôs e netos, havendo um choque de 
gerações quase centenárias, além de parentes agregados. Quanto 
mais crianças, mais “mão de obra” para executar trabalhos.
No período industrial a família predominante é a família nuclear, 
formada geralmente por um casal e menos filhos, esse processo de 
trabalho favoreceu a redução do número de integrantes na família.
Vivemos uma realidade em que as instituições de ensino não contribuem de forma 
significativa em relação à idade cronológica das crianças no que se refere ao desenvolvimento 
cognitivo, ou seja: idade cronológica X conhecimento, que é adquirido nas disciplinas. Exemplo: 
entende-se que a partir de tal idade a criança precisa ter aprendido tal coisa, com x idade tem 
habilidades matemáticas, e assim por diante.
É importante considerar que todas as crianças seguem sempre o mesmo escalonamento 
de etapas de desenvolvimento, sendo estas comuns a cada idade, que podem ser mais rápidas 
ou desaceleradas, conforme cada situação.
QUADRO 5 - FASES DO DESENVOLVIMENTO
Desenvolvimento do 
sistema nervoso
Aquisições no desenvolvimento motor – maturidade
Desenvolvimento de 
condutas da criança 
Conduta motora
15 dias criança fixa os olhos
16 semanas cabeça firme, abre as mãos, postura simétrica
28 semanas senta-se inclinando p/ frente, pega bolinha
40 semanas permanece sentado só, engatinha, põe-se de pé
12 meses caminha com ajuda, precisão para pegar
18 meses caminha sem cair, senta só, torre com três cubos
2 anos corre, faz uma torre de seis cubos
Conduta adaptativa
4 semanas olha ao redor, persecução ocular incompleta
16 semanas correta persecução ocular, olha as mãos
28 semanas passa cubos de uma mão p/ outra
40 semanas combina dois cubos
12 meses solta um cubo dentro de uma caixa
18 meses imita uma linha c/ lápis
2 anos imita linha circular
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Conduta de linguagem
Inclui toda a forma de comunicação:
• visível e audível, 
• movimentos posturais em relação a sons, 
• vocalizações, 
• palavras e orações,
• imitação e compreensão do que dizem outras pessoas 
4 semanas pequenos ruídos guturais, atende sons, campainhas
16 semanas murmúrios, ri, vocalização social
28 semanas balbucia, vocaliza e escuta própria vocalização
40 semanas diz uma palavra, atende seu nome
12 meses diz duas ou mais palavras
18 meses jargão, nomeia desenhos
2 anos usa frases, compreende ordens simples
Conduta pessoal-social
Reações individuais da criança ante outras pessoas e estímulos 
culturais; adaptação à vida doméstica, grupos sociais e às 
convenções da comunidade; é o setor mais dependente do 
temperamento da criança e das condições ambientais.
4 semanas olha no rosto das pessoas
16 semanas brinca c/ as mãos, c/ a roupa, conhece a mamada
28 semanas brinca c/ pés, brinquedos, expectativa p/ comer
40 semanas brincadeiras simples, come bolacha sozinho
12 meses ajuda a se vestir, come c/ dedos, pega brinquedos
18 meses usa colher, derruba um pouco, início controle esfíncter
2 anos pede p/ ir ao banheiro, brinca c/ bonecos
FONTE: As autoras
Vivemos numa sociedade onde ainda existe desigualdade, o indivíduo pouco dispõe 
do acesso a políticas públicas. De acordo com Adatto (1998, p. 5), “enquanto alguns têm 
sua infância delimitada pelo ciclo escolar, outros ainda se “transformam” em adultos sem ter 
condições para isso (crianças de rua, trabalho infantil etc.)”. Estamos em um momento onde os 
meios de proteção e prevenção infantojuvenil estão bastante evidenciados, mas não o suficiente 
para acabar com injustiças e expressões da questão social que são apenas reproduzidas pelas 
crianças, advindas de falta de planejamento familiar, falta de condições de moradia, fragilidade 
e inexistência da satisfação das necessidades básicas, entre outras. 
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Prezado(a) acadêmico(a), você sabe quais são as situações de vulnerabilidade social 
em crianças e adolescentes? Vejamos!
A crise que vem assolando o cenário brasileiro e mundial nos faz repensar a questão 
da pobreza e as estratégias empregadas pelas políticas públicas para enfrentar as dificuldades 
sociais. 
A situação de vulnerabilidade pressupõe a falta ou a necessidade de completar algo 
no ambiente familiar. Dependendo da condição e de empregabilidade dos membros, as 
necessidades básicas podem ou não ser supridas, o que, portanto, torna o sujeito vulnerável. 
Entende-se que as famílias que apresentam privações são vulneráveis, portanto fazem 
parte de uma parcela da população que vive em situação de risco. França et al. (2002) dizem 
que a situação de risco se configura, hoje, como um signo importante para se compreender o 
homem. Focalizar os discursos e situar a concepção de risco em relação a tantos outros signos 
construídos na modernidade - por exemplo, infância, trabalho precoce, subjetividade, saúde, 
pobreza - possibilitam a reflexão sobre as transformações que ocorrem no mundo atual, as 
quais incidem nos sujeitos, em particular, e na sociedade. É possível identificar que a falta dos 
mínimos valores sociais causa no ambiente familiar uma instabilidade financeira, emocional e 
afetiva, resultando numa desestrutura que vem interferindo na dinâmica familiar, provocando 
alterações em seu padrão tradicional de organização.
A constituição família é entendida, hoje, pela formação de todos os membros que moram 
no mesmo ambiente e estejam próximos por laços consanguíneos, afinidade ou necessidade. 
Geralmente essas famílias têm, entre seus membros, crianças, idosos ou pessoas com 
deficiência, o que leva a dispor de mais cuidados, porém, cada situação apresenta diferentes 
particularidades.
Colocam-nos que a família é o espaço indispensável para a garantia da 
sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, indepen-
dentemente do arranjo familiar ou da forma como vem se estruturando. É a 
família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo, materiais necessários 
ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha 
um papel decisivo na educação formal e informal; é em seu espaço que são 
absorvidos os valores éticos e morais, e onde se aprofundam [...] as marcas 
entre as gerações e são observados valores culturais (KALOUSTIAN; FER-
RARI, 1994, p. 12).
O que também pode ser analisado é a família não apenas como o elo afetivo mais forte 
dos pobres, mas o próprio substrato de sua identidade social (SARTI, 1996). É importante 
compreender que cada sujeito tem sua própria representação de família, representação que 
está ligada a concepções de famílias, sendo que não podemos determinar como algo concreto, 
mas algo que se constrói a partir de elementos da realidade. Por isso, cada integrante tem seu 
papel fundamental. 
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A crise do Estado incapacita a garantia do crescimento econômico, portanto inviabiliza 
a solução das questões sociais. Essa crise atinge diretamente a ineficácia ou inexistência das 
políticas públicas.
A saúde sofre com a precarização:
• Falta de condições de atendimento em hospitais.
• Falta de profissionais para realizar os atendimentos.
• Retirada do incentivo ao acesso a remédios.
A educação já vivencia um caos, que tende a piorar:
• Má remuneração de professores.
• Superlotação em salas de aula.
• Falta de oferta de vagas em escolas públicas.
• Sucateamento das estruturas físicas.
As famílias se apresentam com maior grau de dificuldades para adquirir sua casa 
própria, tornando-as ainda mais vulneráveis, pois famílias desassistidas são mais propícias a 
realizarem ocupações indevidas, ou se submeterem a moradias em locais aglomerados, favelas 
sem saneamento básico e sem o mínimo de condições dignas para viver humanamente. Sabe-
se que, além dessas fragilidades apontadas, há muitas outras que poderiam ser nominadas, 
porém entende-se que esse processo é gradual e tende a perdurar durante anos.
A preocupação se amplia na medida em que os filhos reproduzem o que vivenciam, 
sendo assim, formarão um ciclo de necessidades, que tende a crescer conforme a formação 
de novas famílias.
FIGURA 5 – CICLO DE VIDA
FONTE: Disponível em: <https://aalfredosalinas.wordpress.
com/2011/04/06/el-ciclo-de-vida-familiar-y-su-influencia-en-las-
decisiones-de-compra/nhji/>. Acesso em: 26 fev. 2014.
Abordamos que crianças e adolescentes que não tiveram oportunidade de educação 
de qualidade logo serão adultos sem qualificação profissional, ou seja, resultará em baixos 
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salários, dificultando o acesso de seus descendentes a melhores condições de vida, provocando 
o fortalecimento do ciclo de necessidades. 
Para Guareschi (2008), pobreza, fome, miséria, violência e exploração ainda são 
questões sociais relevantes e significantes para a construção da sociedade. Isso representa 
a triste realidade na qual milhares de crianças e adolescentes são submetidos a trabalhar 
desde muito cedo (desrespeitando a lei que proíbe o trabalho infantil), eles são obrigados a 
trabalhar para sua própria sobrevivência, como resultado da inexistência de programas de 
assistência social eficazes e contínuos, que permitam uma estabilidade social digna para 
essa população vulnerável.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico vimos que:
• A sociedade levou muito tempo para entender que as crianças e adolescentes fazem parte 
do processo histórico.
• As ações que antecedem ao século XIX não identificam as fases humanas, a vida era 
relativamente igual para todas as idades.
• As crianças eram consideradas pequenos adultos, dividiam as mesmas responsabilidades, 
não tinham nenhum direito, apenas deveres. 
• As crianças, por serem considerados seres naturais e não de direitos, eram expostas aos 
comandos dos mais velhos e a agressões psicológicas, físicas e sexuais, que eram consideradas 
consequência da educação. 
• Somente com a mudança da função do Estado, ocorrida após Revolução Francesa (1789), 
os governos começaram a se preocupar com o bem-estar e com a educação das crianças.
• A situação de vulnerabilidade pressupõe a falta ou a necessidade de completar algo. Entende-
se que as famílias que apresentam privações são vulneráveis, a falta dos mínimos valores 
sociais causa no ambiente familiar uma instabilidade financeira, emocional e afetiva, resultando 
numa desestrutura que passa a interferir na dinâmica familiar, provocando alterações em seu 
padrão tradicional de organização.
• É importante compreender que cada sujeito tem sua própria representação de família, 
representação esta que está ligada à concepção de família.
• A crise do Estado inviabiliza a solução das questões sociais, essa crise atinge diretamente 
a ineficácia ou inexistência das políticas públicas na área da saúde, educação, assistência 
social e demais políticas públicas. 
• Pobreza, fome, miséria, violência e exploração ainda são questões sociais relevantes e 
significantes para a construção da sociedade.
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AUT
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1 É importante que você, como futuro assistente social, tenha claro o processo histórico 
que envolve as crianças e os adolescentes. A partir desse pressuposto indique alguns 
direitos que o menor tem acesso. 
2 Indique algumas características sobre a visão que a família tem sobre a criança e os 
adolescentes.
FONTE: Disponível em: <http://hiszpanskibezproblemu.pl/slownictwo/etapas-de-la-vida-
humana/>. Acesso em: 20 abr. 2016.
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A LEGISLAÇÃO E A QUESTÃO DA CRIANÇA 
E DO ADOLESCENTE E O PAPEL DAS TRÊS 
ESFERAS GOVERNAMENTAIS
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 2
A criança e o adolescente são considerados indivíduos em constante desenvolvimento, 
portanto precisam ter as condições mínimas para ampliação de suas potencialidades e o 
desenvolvimento de sua identidade.
Para que a criança e o adolescente se desenvolvam de maneira sadia e harmoniosa 
é necessário o apoio e amparo da família, da sociedade e do Estado, portanto esse 
desenvolvimento só é integral quando esse tripé assume suas responsabilidades e oportuniza 
condições efetivas.
UNIDADE 2
2 A LEGISLAÇÃO E A QUESTÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 
E O PAPEL DAS TRÊS ESFERAS GOVERNAMENTAIS
Iniciaremos nosso estudo desvelando as características do Código de Menores, você 
já ouviu falar dele?
O Brasil e o mundo vivenciaram uma crise econômica e política na década de 20, que 
trouxe para discussão o papel do Estado e sua atuação frente às mazelas sociais.
Em 1923 aconteceu o primeiro movimento em relação ao reconhecimento da criança 
como ser social, a partir da Liga das Nações. Com a divulgação da primeira Declaração dos 
Direitos da Criança é criado o Juizado de Menores e o juiz Mello Mattos passa a ser o primeiro 
Juiz de Menores da América Latina. Nesse cenário político e social, o país passa a considerar 
a expressão da questão social e a problemática da criminalidade juvenil (termo utilizado para 
designar as crianças e adolescentes antes do ECA). O Código de Menores foi aprovado em 
1927.
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Nesse período havia muitas fragilidades organizacionais, principalmente problemas 
em relação aos “menores”, sobretudo em relação à gravidade das precárias condições de 
sobrevivência das crianças pobres. 
A saúde foi uma área bastante atingida, sendo que as crianças eram mais vulneráveis a 
doenças cotidianas e epidemias, as taxas de mortalidade infantil bastante elevadas, chegando 
a atingir o nível de 70%.
A educação era disponibilizada para as crianças de famílias com posses, e sempre 
restrita a pessoas do sexo masculino. 
Em 1927, no Brasil é instituída a primeira estrutura, documento de proteção aos menores 
de 18 anos que estavam em situação irregular, intitulado como Código de Menores, pelo 
Decreto nº 17.943-A, de 12 de outubro de 1927, com conteúdos claramente punitivos, onde o 
Estado passa a ser responsável pelas crianças órfãs e abandonadas, institucionalizando-as 
até o momento em que conseguissem trabalhar e se autogerenciar.
Fajardo (2013) entende que este conceito vem a superar, naquele momento histórico, a 
dicotomia entre menor abandonado e menor delinquente, numa tentativa de ampliar e melhor 
explicar as situações que dependiam da intervenção do Estado.
O Código de Menores representou uma vitória para essa parcela da população que 
vivia à margem da sociedade. Pela primeira vez foram considerados como indivíduos sociais, 
integrados na sociedade, considerando deveres paternos, impondo obrigações estatais e 
criando estruturas, porém, esse código era restrito aos pobres da época, aos marginalizados.
Os “menores” eram divididos em dois grupos distintos: os menores “normais” e os 
menores “em situação irregular”, que eram o “menor abandonado”, o “menor carente”, o “menor 
infrator”, o “menor com desvio de conduta”, o “menor viciado”, e assim por diante.
Nesse período a criança e o adolescente eram considerados como problemas, surgiram 
algumas instituições de atendimento específico para esse público de infratores. Esse movimento 
impulsionou o desenvolvimento do sistema de justiça recuperadora e reconheceu a “Doutrina 
da Situação Irregular”, o que se entende como uma ordem recuperada da “normalidade”, esta 
sentenciada pelo juiz.
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A infância e a juventude eram colocadas como uma segunda 
categoria, o próprio termo “menor” indica inferioridade.
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Nesse período histórico surge a atribuição dos Comissários de Menores que gerenciavam 
o recolhimento em carrocinhas de crianças e adolescentes abandonados ou órfãos, que eram 
recolhidos e encaminhados para abrigos que pareciam prisões, cercados de muros e regras, 
já que também estes eram considerados pela sociedade como irregulares.
As crianças e adolescentes, na vigência do Código de Menores, não eram considerados 
como protagonistas de seus direitos, ao contrário, eram tratados como meros objetos de direitos, 
o Estado é quem determinava o que era bom ou ruim para suas vidas. 
Estagnado qualquer movimento a favor dos menores até 1941, quando, no governo 
Vargas, acontece a instauração do Serviço de Assistência a Menores (SAM), que na verdade 
só reforça a ideologia da época de ações corretivas a partir do reconhecimento da “Política de 
Bem-Estar Social do Menor”, onde estes eram recolhidos e institucionalizados para “limpar e 
não contaminar” a sociedade.
No Brasil, somente a partir de 1979 é que se iniciam os investimentos na pesquisa e com 
novos estudos direcionados à questão da criança e do adolescente, isso porque a Assembleia 
das Nações Unidas reconheceu este como o Ano Internacional da Criança. 
Nesse período se inicia o questionamento em relação a efetividade e o entendimento do 
Código de Menores sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Inicia com a discussão 
sobre a questão da “situação irregular”, aplica unicamente em crianças e adolescentes, sendo 
que estes não atendiam ao padrão social de normalidade estabelecido na época. 
Em 1988, com a publicação da Constituição da República, e tendo como marco a 
Doutrina de proteção integral, o adolescente passa a ser tratado e reconhecido como pessoa 
de direito e passa a assumir seu papel de protagonista de seus direitos, uma nova abordagem 
jurídica da adolescência. Percebendo esse movimento, a promulgação da Constituição tenta 
minimizar essa compreensão à medida que descreve a criança e o adolescente como “pessoas 
em especial estado de desenvolvimento”, outorgando-lhes direito pleno de cidadania. Situação 
que foi reforçada com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), findando essa 
ideia de inferioridade reforçada no Antigo Código de Menores.
UNI
No antigo Código de Menores não havia diferenciação entre 
criança e adolescente. Funcionava como processo de controle, 
passando para o Estado a tutela dos “menores fora dos padrões 
de comportamento”.
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O ECA vem como o instrumento que exige que a criança e o 
adolescente sejam tratados com direito e dignidade peculiar da 
sua condição de pessoa em pleno desenvolvimento integral. A 
criança e o adolescente passam a ser reconhecidos como sujeitos 
de direitos (COSTA, 1990).
Agora,iremos trabalhar algumas concepções importantes relativas à Constituição da 
República Federativa do Brasil.
A Constituição de 1988 representou um importante marco na conquista dos direitos 
sociais. Quando se fala em direitos adquiridos por crianças e adolescentes, é importante 
ressaltar que esse movimento foi impulsionado primeiro por outros países, mas especificamente 
pela Organização das Nações Unidas, a qual discutiu e elaborou a Declaração dos Direitos da 
Criança, onde foi possível identificar alguns direitos referentes à proteção integral, reconhecendo 
tanto a criança como o adolescente como ser social, que necessita de cuidados e proteção 
especial. 
A legislação brasileira utilizou, no artigo 227 da Constituição Federal de 1988, a doutrina 
de proteção integral elaborada pela Organização das Nações Unidas:
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e 
ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimen-
tação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade e à convivência familiar comunitária, além de colocá-los 
a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, 
crueldade e opressão. […].
Esse artigo descreve com clareza a responsabilidade da família como uma instância 
natural e básica da sociedade e do Estado, a qual deveria proporcionar as condições mínimas 
da família para responder às necessidades das crianças e adolescentes, considerando-os 
sujeitos sociais em processo de desenvolvimento e, portanto, vulneráveis.
UNI
É importante compreender que a nomenclatura foi uma das 
principais rupturas entre os dois códigos: 
 Código de Menores. 
 Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA.
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No que tange aos aspectos relevantes entre o Código de Menores e o ECA, devemos 
compreender alguns aspectos que são muito importantes para o nosso agir profissional.
Buscamos compreender, ao longo da história, como foi o processo da legalidade sobre 
os direitos das crianças e dos adolescentes e sua ressocialização na sociedade brasileira. 
Reforçamos que a primeira composição sobre a proteção do menor, no país, foi o Código 
de Menores, onde ressaltava o autoritarismo, sem levar em consideração os problemas que 
o menor passava com a lei. O objetivo principal era afastar o menor do contexto em conflito, 
evitando confusões na sociedade, sendo que a ordem social é que prevalecia.
Conforme a autora Veronese (1999), o Código de Menores estabelece um novo 
termo: “menor em situação irregular”, pessoa menor de 18 anos de idade que se encontrava 
abandonado materialmente, vítima de maus-tratos, em perigo moral, desassistido juridicamente, 
com desvio de conduta. Todos esses preceitos eram interligados a questões morais da época.
A situação irregular da época tratava o menor infrator como todos os demais, de 
maneira indiferente, pois se encontravam em situação de vulnerabilidade social, pobreza e/ou 
em situação de violência, todos eram tratados da mesma forma, como se não pertencessem 
à sociedade.
A situação irregular era comparada a uma doença social que estava no meio da 
sociedade com risco de contaminar outras pessoas. Não se compreendia que o adolescente 
pode ser consequência de seu ambiente. 
Durante a vigência do Código de Menores ficou bastante evidente uma gritante 
discriminação contra a dignidade da pessoa do menor. Não se fazia distinção entre este público, 
a legislação pontuava sem regras. É possível afirmar que o preconceito contra todos os que 
não atendessem ao padrão moral da época era cruelmente apontado pela sociedade (pobres, 
negros, entre outros). 
Nos que detinham o poder não havia interesse na inclusão do menor na sociedade, não 
existia vinculação nenhuma na proteção dos direitos. O menor não era considerado e nem visto 
como sujeito de direito e sim, apenas, objeto do processo de uma sociedade que desejava a 
exclusão e subjugava aqueles que deveriam ser o futuro para uma sociedade melhor.
 Com a Constituição de 1988 e o ECA inicia-se uma nova fase. Após tantas repressões 
e falta de liberdade de expressões, a Constituição traz ideias da Revolução Francesa, como 
a liberdade e a fraternidade, e isso contribui para que se propague o amparo à infância, 
condenando todo tipo de violência, castigo e fazendo com que a assistência tivesse um caminho, 
ou seja, trilhasse por um caminho onde fosse mais acessível a todos que dela necessitasse, 
buscando romper a política da institucionalização, legitimando a política de Promoção Social.
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Após o processo de regulamentação da Constituição Federal de 1988, inicia-se a 
implantação das seguintes ordenações legais com base nos direitos sociais:
• O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal nº 8.069/90). 
• Lei Orgânica da Saúde – LOS (Lei Federal nº 8.080/90). 
• Criação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA 
(Lei Federal nº 8.242/91). 
• Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (Lei Federal nº 8.742/93).
• Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN (Lei Federal nº 9.394/96). 
• Lei Orgânica de Segurança Alimentar – LOSAN (Lei Federal nº 11.346/06).
• Integração dos serviços sociais, por meio do Sistema Único de Assistência Social – 
SUAS. 
Esse conjunto de leis passou a dar condições para garantir as diretrizes de políticas 
sociais básicas com competência para suprir as necessidades da população, como saúde, 
educação, cultura, alimentação, esporte, lazer e profissionalização, considerando que este 
acesso aos direitos sociais passa a ser condição importante para a cidadania (BRASIL, 1988).
QUADRO 6 - CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO ATENDIMENTO À INFÂNCIA E À 
ADOLESCÊNCIA NO BRASIL (1985-2006)
Períodos
Redemocratização e 
Estatuto da Criança 
e do Adolescente 
(1985-2006)
Principais normatizações e 
legislações
• Constituição da República 
Federativa do Brasil (1988). 
• Adoção da Convenção Internacional 
dos Direitos das Crianças (Decreto 
Legislativo nº 28, de 1990). 
• Estatuto da Criança e do 
Adolescente (Lei nº 8.069, de 1990). 
• Conselho Nacional dos Direitos 
da Criança e do Adolescente (Lei nº 
8.242, de 1991).
• Lei Orgânica da Saúde.
 • Lei Orgânica da Assistência Social 
(Lei nº 8.742, de 1993).
 • Criação do Ministério da 
Previdência e Assistência Social 
(Medida Provisória nº 813, de 1995).
• Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação (Lei nº 9.394, de 1996).
Principais características
• Novo padrão político, 
jurídico e social.
• Institucionalização da 
infância e da adolescência 
como sujeito de direitos.
•Descentralização, 
municipalização, controle 
e participação social.
• Consolidação de um 
sistema de proteção social 
(saúde, previdência, 
educação, assistência e 
desenvolvimento social, 
trabalho).
 • Reestruturação do 
aparato de controle e 
policiamento.
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• Programa de Erradicação do 
Trabalho Infantil (Portaria nº 458, de 
2001).
 • Criação da Secretaria Especial dos 
Direitos Humanos (Lei nº 10.683, de 
2003). 
• Criação do Programa Bolsa-Família 
(Lei nº 10.683, de 2003). 
• Substituição do Ministério da 
Previdência e Assistência Socialpelo 
Ministério de Desenvolvimento Social 
e Combate à Fome (Lei nº 10.869, de 
2004).
 • Política Nacional de Assistência 
Social (Resolução CNAS nº 145, de 
2004).
• Norma Operacional Básica do 
Sistema Único de Assistência Social 
(Resolução CNAS nº 130, de 2005). 
• Lei Orgânica de Segurança 
Alimentar (Lei nº 11.246, de 2006). 
• Plano Nacional de Promoção, 
Proteção e Defesa do Direito 
de Crianças e Adolescentes à 
Convivência Familiar e Comunitária 
(Resolução nº 1, de 2006/Conanda).
FONTE: Adaptado de Brasil (1990)
Junto ao processo de preparação e execução das políticas sociais determinadas para 
atender à criança e ao adolescente, o período de restauração da democracia e do Estado 
de Direito se caracterizou em mudança administrativa do Estado, que passa pela divisão e a 
municipalização das políticas públicas. 
O controle social passa a ter sua base com a implantação de conselhos a partir de uma 
gestão coletiva, buscando maior mobilização e participação da sociedade civil.
A Constituição de 1988 define novamente, nos artigos 227, 228 e 229, a criança e 
o adolescente como sujeitos de direito na sociedade, seu espaço de direito e de proteção 
integral. O ECA incorpora novas fontes, ou seja, novas referências para as políticas jurídicas 
e sociais ao definir, em seus primeiros artigos, que “toda criança e todo adolescente têm 
direito à proteção integral, considerando-os como sujeitos de direitos individuais e coletivos, 
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cuja responsabilidade é da família, da sociedade e do Estado” (BRASIL, 1990, grifo nosso). 
Desta forma, o Brasil passa a excluir definitivamente a categoria “menor” do contexto jurídico, 
e passa a tratar a criança e o adolescente como sujeitos de direitos e os incorporando aos 
preceitos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, de 1989.
O ECA passa a ser um documento que norteia os direitos da criança e do adolescente, 
onde as ações governamentais são desenvolvidas conjuntamente através de programas que 
irão, de forma positiva, garantir o direito de forma digna à criança e ao adolescente, e são 
distribuídas em quatro linhas de atuação. O Artigo 87 do Estatuto da Criança e do Adolescente 
defende esses direitos: 
I - As políticas sociais básicas, as quais garantem à população o seu direito de cidadania 
de caráter universal, sendo saúde, educação, alimentação, moradia, trabalho, saneamento 
básico.
II - As ações e programas de assistência social, sendo de forma adicional a complementar 
o que se necessita, para os que dela necessitam.
III - As ações e programas, que representam os serviços especiais de atendimento 
médico e psicossocial às vítimas de negligência e maus-tratos, exploração, abuso e opressão.
IV - Os serviços de identificação e localização de pais, responsáveis, crianças e 
adolescentes desaparecidos.
V - As ações e programas que garantem os direitos, que representam as entidades 
e as regras, os órgãos, as doutrinas, os ensinamentos, as leis, as normas, os costumes que 
organizam e modificam nossa ordem jurídica e social de proteção dos direitos individuais e 
coletivos da infância e juventude. 
No artigo 88 (item I a VI), a legislação propõe as diretrizes que compõem essa 
política: a municipalização; criação e manutenção de programas específicos, considerando a 
descentralização político-administrativa; criação de conselho. 
Você sabe o que é o SINASE?
Em 18 de janeiro de 2012 foi aprovada a Lei n° 12.594, que institui o SINASE, Sistema 
Nacional de Atendimento Socioeducativo, que normatiza e regula as medidas socioeducativas, 
aplicadas a crianças e adolescentes que praticam algum ato infracional. 
Quando uma infração é cometida por criança ou adolescente, este deverá ser autuado 
e encaminhado para a delegacia de atendimento à criança e adolescente, que procederá com 
trâmites legais, onde terá atendimento específico para sua condição peculiar, conforme artigo 
112 do ECA.
Reconhecida a prática do ato infracional, o sujeito da ação é encaminhado ao Ministério 
Público, com a abertura de processo na Vara da Infância e Juventude, seguido de audiência 
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com o juiz. O adolescente deverá estar acompanhado pelos pais ou responsáveis, onde o juiz 
aplicará medida de proteção prevista no ECA, conforme segue:
I. Advertência.
II. Obrigação de reparar o dano. 
III. Prestação de serviço à comunidade. 
IV. Liberdade assistida.
V. Inserção ao regime de semiliberdade. 
VI. Internação em estabelecimento educativo.
Segundo o Artigo 112 do ECA, o adolescente é responsável pelos seus atos, portanto, 
é capaz de responder pela infração que cometeu, por meio das medidas socioeducativas.
As medidas socioeducativas, na visão de Liberati (2000), são atividades impostas aos 
adolescentes, quando considerados autores de atos infracionais, sem perder de vista o sentido 
pedagógico das mesmas, que têm como objetivo maior a reestruturação deste adolescente 
para atingir sua reintegração social.
O processo de medida que o adolescente enfrenta tem como objetivo a reflexão, a 
responsabilização quanto às consequências nocivas do ato infracional, sempre possibilitando 
impulsionar na sua recuperação e ressocialização. Nesse caso, a responsabilidade assume o 
tripé entre Estado, família e sociedade, entendendo a criança e o adolescente com absoluta 
prioridade, conforme o artigo 6º da Constituição Federal. São direitos sociais a educação, a 
saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade 
e à infância, a assistência aos desamparados, na forma da Constituição (BRASIL, 2002).
As medidas socioeducativas são de natureza pedagógica e sancionatória, porém estas 
não impedem situações de reincidência dos atos infracionais, o que resulta em novas medidas 
socioeducativas, que serão aplicadas conforme a gravidade do ato e a possibilidade de cumprir 
a medida.
Identificamos os objetivos das medidas socioeducativas, trazidos pelo § 2° do artigo 
1° da Lei 12.594/2012, conforme o art. 112 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto 
da Criança e do Adolescente): 
I - A responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do 
ato infracional, sempre que possível incentivando a sua reparação. 
II - A integração social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais 
e sociais, por meio do cumprimento de seu plano individual de atendimento.
III - A desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da 
sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de 
direitos, observados os limites previstos em lei (BRASIL, 1990).
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As medidas socioeducativas buscam um resgate social à medida que possibilitam 
atividades de ressocialização, de apoio a ações comunitárias; havendo reincidência e 
descumprimento, as medidas são revistas e serão aplicadas de maneira gradativa, obedecendo 
ao art. 112 do ECA. 
É importante que as ações socioeducativas objetivam a ressocialização do infrator, 
sendo que o mesmo está em fase de desenvolvimento e, por isso, tem direito à proteção 
integral e especial, diferentemente de uma ação penal aplicada a adultos que cometeram atos 
infracionais. E as medidas aplicadas têm ação punitiva. 
A lei do SINASE é específicaquando trata das medidas socioeducativas, traz como 
premissa a identificação do adolescente e seus familiares a fim de aplicarem um Plano Individual 
de Atendimento (PIA), que é regulamentado pelos artigos 52 a 59, que nada mais é que do 
que um formulário de identificação. Assim, a família é corresponsável pelo cumprimento das 
medidas, como se fosse em registro das ações que se pretende idealizar durante o período 
em que o adolescente está prestando a medida. 
O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou responsáveis, os quais têm o 
dever de contribuir com o processo ressocializador do adolescente, sendo esses passíveis 
de responsabilização administrativa, nos termos do art. 249 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
O PIA deverá ser elaborado no prazo de até 45 dias da data do ingresso do adolescente 
por equipe técnica do respectivo programa da entidade de atendimento, a fim de identificar 
as fragilidades e as potencialidades do adolescente e de seu ambiente sociofamiliar. 
Subentendendo que a criança e o adolescente são reflexo do ambiente familiar e que precisam 
receber atendimento.
Outro fator importante é a possibilidade de regressão de medida socioeducativa, quando 
não atender às medidas previstas no PIA, ou se negar a realizar as atividades, considerando 
que não atingiu os objetivos e resultados esperados com a aplicação da medida.
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QUADRO 7 - ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O CÓDIGO DE MENORES E O ECA
Mudanças Código de Menores ECA (1990)
Idade
Menores os que tinham 14 
anos 
Proteção da criança entre 0 a 12 
anos e adolescente de 12 a 18 anos. 
Infração
Todos os casos de infração 
penal passavam pelo juiz. 
Como consequência, medida 
judicial, esfera comum, 
tratamento como qualquer 
pessoa que comete crime. 
Não havia respeito com a 
peculiaridade do adolescente 
em desenvolvimento. 
Os casos de infração que não 
impliquem grave ameaça podem 
ser beneficiados pela remissão 
(perdão), como forma de exclusão ou 
suspensão do processo.
Seus direitos eram respeitados, 
tratamento diferenciado, 
reconhecidos como sujeitos de 
direito. 
Apreensão
Preconiza a prisão cautelar. 
Sem proteção, sem respeito 
às particularidades, sem 
direitos.
Restringe a apreensão apenas 
em dois casos: Flagrante delito de 
infração penal. Ordem, expressão 
fundamentada do juiz. O juiz se 
ampara na fundamentação e 
respeito, o menor não pode ser 
privado de liberdade.
Internação
Aos menores sem tempo e 
condições determinadas, 
quando manifesta 
incapacidade dos pais para 
mantê-los.
Aplicável aos adolescentes autores 
de ato infracional grave. Menor 
tempo possível em internação. 
Privado de liberdade só em casos 
extremos.
Crime contra 
crianças e 
adolescentes
É omisso a esse respeito.
Pune o abuso do pátrio poder, das 
autoridades e dos responsáveis pelas 
crianças e adolescentes.
Trabalho
Os menores de 12 anos eram 
impedidos de trabalhar.
É proibido o trabalho de adolescente 
com idade inferior a 14 anos de 
idade, salvo em condições de 
aprendiz, sendo assegurados os 
direitos trabalhistas e previdenciário.
Questão Social
Sem preocupação com 
sua reinserção, educação, 
formação de caráter. Objetivo 
maior era o controle social, 
manter a ordem social.
Deixa de se preocupar com o 
controle social e passa a dar valor ao 
bem-estar do adolescente, buscando 
preservar a família.
Institucionalização
Intenção maior era 
institucionalizá-lo, tirá-lo do 
meio da sociedade. 
Intenção de deixar o menor tempo 
possível na condição de internado. 
Só em condições extremas.
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Vulnerabilidade 
socioeconômica
Adolescente que tinha 
alguma necessidade era 
afastado da sociedade, 
institucionalizado, não era 
reconhecida na educação 
uma forma de socialização e 
superação.
Tratamento sem discriminação, 
criação de órgão específico para 
cuidar das questões do menor.
FONTE: Alberton (2005)
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você viu que:
• Em 1923 houve a primeira Declaração dos Direitos da Criança.
• Em 1927 é instituída, no Brasil, a primeira estrutura, documento de proteção aos menores 
de 18 anos, com a criação do Código de Menores.
• Os “menores” eram divididos em dois grupos distintos: os menores “normais” e os menores 
“em situação irregular”, que eram os “menores abandonados, carentes, infratores, com desvio 
de conduta”, viciados, entre outros.
• A infância e a juventude eram colocadas como uma segunda categoria, o próprio termo 
“menor” indica inferioridade.
• As crianças e adolescentes, na vigência do Código de Menores, eram tratados como meros 
objetos de direitos, o Estado era quem determinava o que era bom ou ruim para suas vidas. 
• Somente a partir de 1979 é que se iniciam, no Brasil, novos estudos direcionados à questão 
da criança e do adolescente, ano este considerado “Ano Internacional da Criança”.
• Em 1988, com a Constituição Federal, a criança e o adolescente passam a ser reconhecidos 
como pessoas de direito, a ter dignidade.
• O ECA vem como o instrumento que exige que a criança e o adolescente sejam tratados com 
direito e dignidade peculiar da sua condição de pessoa em pleno desenvolvimento integral. 
• O SINASE - Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo normatiza e regula as medidas 
socioeducativas, aplicadas a crianças e adolescentes que praticam ato infracional.
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Buscar conhecer e reconhecer assuntos referentes à área da criança e 
do adolescente é primordial para o assistente social. Analise as colunas abaixo 
identificando como práticas do Código de Menores ou do ECA.
1 - Código de Menores
( ) As medidas judiciais são aplicadas de maneira 
igualitária às crianças e aos adultos.
( ) Tratamento diferenciado às crianças e aos 
adolescentes, que passam a ser reconhecidos como 
sujeitos de direito. 
( ) Passa a dar valor ao bem-estar do adolescente, 
buscando preservar a família.
( ) O juiz se ampara na fundamentação e no respeito.
2 – Estatuto da Criança e 
do Adolescente
( ) O objetivo maior era manter a ordem social.
( ) Compreendia apenas as pessoas até 18 anos.
( ) Entende criança entre 0 a 12 anos e adolescente 
de 12 a 18 anos.
( ) Para manter a ordem social eram institucionalizados.
( ) A privação de liberdade só acontece em casos 
extremos.
( ) A fase de desenvolvimento era desconsiderada. 
( ) Pune o abuso do pátrio poder, das autoridades e 
dos responsáveis pelas crianças e adolescentes.
( ) É vedado o trabalho de adolescentes com idade 
inferior a 14 anos de idade, salvo em condições de 
aprendiz.
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ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO 
NA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 3
Quando pensamos no desenvolvimento da criança e do adolescente, nos remetemosà satisfação das necessidades básicas e na proteção integral, porém, na atualidade nos 
deparamos com uma realidade bastante conflitante.
 Crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento, sendo assim, devem ser 
protegidos e amparados pela família, pela sociedade e pelo Estado. A realidade de negligência 
e abandono é frequentemente identificada pela rede de proteção, que busca fortalecer os laços 
familiares, conscientizar sobre as responsabilidades e as consequências que a negligência e 
a violência representam durante esta fase da vida.
UNIDADE 2
2 O PAPEL DA FAMÍLIA
Desde o nascimento a criança é amparada e protegida pelos familiares, sendo 
reconhecida a condição peculiar de fragilidade e desenvolvimento.
A família cumpre um importante papel no processo de desenvolvimento da criança, este 
processo é fundamental na construção da personalidade, e contribuirá para o enfrentamento 
dos desafios e assumir responsabilidades durante sua vida.
Conforme a estrutura familiar, outros personagens da família extensa tornam-se 
presentes na vida das crianças (pais, avós, tios, primos, entre outros), estes contribuem no 
processo de desenvolvimento da identidade enquanto ser social. A família deve garantir os 
mínimos necessários para a sobrevivência dos filhos, o seu crescimento saudável e sua 
socialização.
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Durante o crescimento da criança, outros personagens passam a fazer parte do processo 
social desse ser humano, como professores, colegas de escola, profissionais da saúde, entre 
outros, ou seja, conforme a criança cresce, ela vai ampliando seus contatos sociais.
O ambiente familiar deve facilitar e estimular as crianças no sentido de transformá-las 
em seres humanos capazes no relacionamento com o seu meio físico e social, assim como 
para responder às exigências necessárias à sua adaptação no mundo.
 O crescimento engloba vários fatores biológicos, sociais, psicológicos, que identificam 
e contribuem nas mudanças que ocorrem no contexto da vida, onde poderá produzir fortes 
influências no seu desenvolvimento.
É possível identificar que existem dois tipos de influências: 
• Temporárias: quando se recebe a visita de alguém, quando se faz um passeio, saída 
dos responsáveis pelo trabalho etc.
• Duradouras: aquelas referentes à mudança de endereço, perda de um parente, 
separação dos pais, nascimento de irmão(ã), mudança de guarda etc.
Na linha do desenvolvimento nos reportaremos a Bronfenbrenner (1996), quando 
descreve que o desenvolvimento humano só pode ser avaliado se for considerado o aspecto 
da pessoa em si, o processo em que ela está inserida, seu contexto e tempo. Considerando 
que o indivíduo reflete o que vive e ele é um ser em desenvolvimento, passível de mudanças. 
Nessa mesma linha, subentende-se que a criança precisa do relacionamento com outras 
pessoas para desenvolver sua personalidade, sendo que a interação da criança, associada a 
vários outros ambientes, influencia diretamente no seu desenvolvimento.
O modelo do sistema familiar é mutável e dinâmico, que se transforma com o tempo 
(modificações ao nível do número de membros e até no processo de desenvolvimento).
Dentro do ambiente familiar a pessoa passa por determinadas etapas do desenvolvimento, 
de acordo com a idade, sexo e inter-relações, dentro e fora da família. De acordo com a teoria 
de Bronfenbrenner (1996), o ambiente é dividido em níveis: 
• O microssistema refere-se a padrões e atividades de interações entre o indivíduo e 
seu meio.
• O mesossistema engloba relações entre microssistema, como o lar, a escola, a 
vizinhança, a creche etc., onde passa a favorecer o desenvolvimento da criança.
• O exossistema diz respeito aos cenários sociais próximos que afetam as experiências 
dos indivíduos. Por exemplo, as relações formais, como o local de trabalho dos pais, 
os serviços de saúde e bem-estar da comunidade, a rede social da família.
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Portanto, percebemos que o desenvolvimento da criança perpassa pelo seu processo 
de ambientação, construído a partir da influência e de várias situações e aspectos como a 
cultura, o social, o fator psicológico e o fator histórico, e também as situações imediatas que 
acontecem no dia a dia.
O macrossistema corresponde às consistências, na forma e conteúdo, de sistemas de 
ordem inferior (micro-, meso- e exo-) que existem, ou poderiam existir, no nível da subcultura ou 
da cultura como um todo, juntamente com qualquer sistema de crença ou ideologia subjacente 
a essas consistências. (BRONFENBRENNER, 1996).
DICA
S!
O Que é Família
Sinopse: Todo mundo em, ou já teve, 
uma família. Mas isso não significa que 
saibamos dizer o que ela é. Neste livro, a 
professora Danda Prado discute o conceito 
de família, analisando as diferentes 
formas e finalidades que as 'associações 
de parentesco' apresentaram ao longo 
da história e as modificações por que 
vêm passando depois da revolução dos 
costumes.
3 GUARDA COMPARTILHADA
No Brasil, a questão referente à guarda compartilhada ganhou destaque com a 
aprovação da Lei 13.058/2014, quando se tornou uma ação impositiva. Esse movimento vem 
ocorrendo desde a Lei nº 11.698/2008, quando os pais separados têm a opção de dividir 
responsabilidades e despesas relacionadas à vida dos filhos.
Essa lei deu efetividade ao artigo 227 da Constituição Federal, que consolida como 
dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta 
prioridade, todos os direitos fundamentais, dentre os quais, o direito à convivência familiar.
Está embasada também no artigo 229, da Carta Magna, que impõe aos pais “o dever de 
assistir, criar e educar os filhos menores”. Reforçada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, 
Lei nº 8.069/90, em seu artigo 4º, que diz: “É dever da família, da comunidade, da sociedade 
em geral e do poder público, assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos 
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referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, 
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, e à convivência familiar e comunitária”.
A guarda compartilhada vem para fortalecer a questão do Direito e suprir as necessidades 
básicas, conforme o que preconiza o artigo 5º do ECA: “Nenhuma criança ou adolescente será 
objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e 
opressão, punindo na forma da lei qualquer atentado por ação ou omissão, aos seus direitos 
fundamentais”.
A legislação vem para garantir o direito da criança e do adolescente, possibilitando a 
convivência com os pais e demais membros da família. Na modalidade de guarda unilateral 
existem muitos relatos onde o contato é extremamente restrito, impedindo que haja convivência. 
A partir de 2008, com a Lei nº 11.698, os artigos 1.583 e 1.584 do Código Civil foram 
alterados, reconhecendo apenas duas formas de guarda:
• Guarda Unilateral: “atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua”.
• Guarda Compartilhada: que atribui “a responsabilização conjunta e o exercício de 
direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes 
ao poder familiar dos filhos comuns”.
Embora essa lei seja de 2008, houve pouca adesão por parte dos juízes,sendo colocados 
muitos empecilhos para a efetivação da mesma. Somente em 2014, quando esta Lei nº 11.698 
foi reelaborada pela Lei n° 13.058, essa modalidade de guarda passou a ser regra diante dos 
conflitos entre os pais, tornando-se, em princípio, impositiva por determinação do legislador.
Novamente foram alterados os artigos 1.583, 1.584, 1.585 e 1.634 do Código Civil, 
tornando impositiva a guarda compartilhada, e enfraquecendo a própria rejeição do Ministério 
Público, que deverá acatar a opção dos pais quando acordarem a possibilidade de guarda 
compartilhada.
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É importante termos claro que essa questão deve ser analisada 
a partir do que é melhor para a criança e para o adolescente, 
tendo em vista as peculiaridades de cada caso.
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A guarda compartilhada possibilita a responsabilização conjunta dos pais separados. 
Os dois terão, ao mesmo tempo, a guarda física, com os mesmos direitos e deveres. Conforme 
o que preconiza o artigo 1.583, § 2º, do Código Civil: “Na guarda compartilhada, o tempo de 
convívio com os filhos deve ser dividido de forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre 
tendo em vista as condições fáticas e os interesses dos filhos”.
Para efetivar de fato a guarda compartilhada é necessário que os pais morem próximos, 
tenham ideias e objetivos claros em relação ao bem-estar e à felicidade plena do filho.
4 ALIENAÇÃO PARENTAL
Essa nomenclatura “alienação parental” é recente, porém sua existência é bastante 
antiga, já que crianças e adolescentes são parte de um processo de transição no momento 
da separação. 
Essa terminologia "Síndrome da Alienação Parental" foi identificada em 1985, por 
Richard Gardner, psicólogo americano, ao pesquisar o comportamento humano nos momentos 
de rompimento. De acordo com o pesquisador, se trata de um distúrbio que ocorre na infância 
durante a disputa de guarda.
Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra um dos ge-
nitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma 
justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz 
a 'lavagem cerebral, programação, doutrinação') e contribuições da própria 
criança para caluniar o genitor-alvo (BRASIL, 2012, grifos do original).
No Brasil, devido à fragilização e à exposição que essas crianças e adolescentes 
estavam sofrendo, foi regulamentada com a promulgação da Lei 12.318, de 26 de agosto de 
2010, que tem como objetivo principal proteger os direitos fundamentais e preservação das 
funções psíquicas e sociais. 
A interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente pro-
movida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a 
criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que 
repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção 
de vínculos com este.
Esta prática de alienação restringe a convivência familiar saudável, ferindo assim, 
segundo a Constituição Federal (1988), um direito fundamental, portanto inegável de usufruir 
da presença de ambos os genitores e seus descendentes diretos. A legislação também 
garante que esse método, ou situação, precisa ser observado e analisado pelas autoridades 
competentes, sendo requisito de mudança ou perda de guarda em situações mais conflitantes. 
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A criança acaba vivenciando um abuso psicológico, sendo responsabilizada pela escolha 
de seus genitores, e na maioria das vezes, um dos genitores influencia o filho com a intenção 
de atrapalhar ou mesmo evitar os vínculos com o outro.
Fatores que podem identificar situações de alienação parental:
• Falas desqualificadas ou vexatórias em relação à conduta do genitor.
• Impedir ou dificultar o exercício da autoridade parental.
• Omitir informações importantes sobre o desenvolvimento neuropsicomotor da criança. 
• Omitir o endereço ou referências de serviços importantes ao qual a criança esteja 
participando (endereço de residência, da escola, médico de referência, entre outras).
• Impedir que a criança tenha convivência com os demais membros da família extensa.
Na identificação de alguma situação que caracterize a existência da Alienação Parental, 
pela equipe de apoio da Rede Socioassistencial, o fato deverá ser comunicado ao Juizado da 
Infância e Juventude, que poderá advertir verbalmente o alienador; estipular o pagamento de 
multa ou prestação de serviço à comunidade, como também determinar guarda compartilhada, 
inversão de guarda nos casos mais complexos, repassar a guarda para família extensa.
Este período é bastante difícil para a criança, pois a deixa em posição de escolha 
“você é contra ou a favor”, sendo que poderá comprometer seu desenvolvimento, já que não 
é responsabilidade dela saber as dificuldades afetivas que seus genitores perpassam. 
Podemos pontuar possíveis lesões psicológicas causadas nas crianças que estão 
expostas à alienação parental. A dependência entre o alienador e o alienado poderá causar 
situações psicóticas na criança, ou seja, a criança alienada pode passar por um distúrbio 
mental causado por um conflito com a realidade; ideias fixas; obsessão, comprometendo todo 
o desenvolvimento desta criança no sentido da falta de autonomia, independência, a criança 
passa a não ter ação para fazer ou decidir algo por si. 
Sempre que houver suspeita de situações que envolvam a alienação parental, é 
importante acompanhar a situação e observar o comportamento da criança ou do adolescente. 
Caso seja necessário, acionar a rede de atendimento (Conselho Tutelar, Centro de Referência 
em Assistência Social - CRAS, Centro de Referência Especializada em Assistência Social - 
CREAS), pois entende-se que a relação de ações coletivas pode facilitar o intercâmbio entre as 
categorias profissionais, aspecto que facilita a viabilização do fluxo de informações, juntamente 
às intervenções sociais passíveis de maior sucesso.
Informações importantes: 
Com a intenção de inibir a prática e prestar assistência psicológica às crianças e 
adolescentes vítimas de alienação parental, tramitam, atualmente, no Congresso, alguns 
projetos de lei que modificam o CC e a Lei 12.318/10.
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• PL 5.197/09: Inclui a síndrome da alienação parental como causa de perda do poder 
familiar.
• PL 7.569/14: Dispõe sobre a implantação do programa de atendimento psicológico 
às vítimas de alienação parental.
• PL 1.079/15: Institui campanhas permanentes de combate à alienação parental.
Você sabe quais são as possibilidades de encaminhamento em situação de violação 
de direitos?
Somente a partir da Constituição Federal de 1988 é que a criança e o adolescente são 
reconhecidos como sujeitos de direitos. Complementando a Constituição, foi sancionada a Lei 
Federal 8.069 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA), de 13 de julho de 1990.
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O ECA considera CRIANÇA a pessoa de até 12 anos de idade 
incompletos, e ADOLESCENTE aquela entre 12 e 18 anos de 
idade.
A partir das legislações específicas, a infância e a adolescência tornam-se fases 
decisivas, por isso necessita de condições especiais para o desenvolvimento pleno e saudável.
Nessa linha entende-se que: 
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público 
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivaçãodos direitos referentes à vida, 
à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionaliza-
ção, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e 
comunitária (ECA - Lei nº 8.069, de 1990).
Mesmo com a legislação específica de proteção e amparo às crianças e aos adolescentes, 
muitos ainda são submetidos à violação de direitos. A sociedade necessita reconhecer as 
situações que indicam a ameaça ou a violência, pois é preciso acionar os mecanismos de 
defesa para garantir que a situação seja identificada e trabalhada a fim de ser superada.
Violação de direito é:
Toda e qualquer situação que ameace ou viole os direitos da criança ou do 
adolescente, em decorrência da ação ou omissão dos pais ou responsáveis, 
da sociedade ou do Estado, ou até mesmo em face do seu próprio comporta-
mento. Abandono, negligência, conflitos familiares, convivência com pessoas 
que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, além de todas as formas 
de violência (física, sexual e psicológica), configuram violação de direitos 
infantojuvenis (SEASIR, 2013, p. 1).
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Podemos identificar que a violência pode transcorrer em todos os espaços, na família, 
na comunidade, e que essa situação pode acarretar consequências sérias, como: emocionais, 
psicológicas e cognitivas. 
Para melhor entender as formas de violação de direito, identificaremos as mais comuns:
• Negligência: Bastante comum nas situações de risco, pois tende a omitir a 
responsabilidade dos adultos (da família, da comunidade, da sociedade). Pode ser 
entendida como falha do adulto em desempenhar suas obrigações em relação a crianças 
e adolescentes.
• Violência psicológica: Geralmente é a primeira das violências, quase sempre 
acontece a partir do momento em que um adulto age de maneira superior sobre a criança 
ou adolescente de forma opressora e agressiva, instaurando a insegurança e o medo.
• Violência física: Ocorre geralmente no ambiente familiar quando o adulto faz uso de 
sua autoridade a partir da força física. Como maneira de fazer obedecer ou reprimir 
certas atitudes ou comportamentos.
• Violência sexual: Acontece de maneira maliciosa, na qual uma das partes busca o 
prazer (com ou sem contato físico, com ou sem a força física), a violação dos direitos 
sexuais é identificada em situações isoladas ou a partir de contato com parentes e/ou 
amigos da família. Esse contato pode ser heterossexual ou homossexual. Ressaltamos 
que a violação sexual não se caracteriza apenas com o contato carnal, pode ser a partir 
de situações que indiquem a estimulação sexual.
FIGURA 6 - VIOLAÇÃO DE DIREITOS
FONTE: Disponível em: <http://mdemulher.abril.com.br/estilo-de-
vida/cosmopolitan-brasil/violencia-contra-a-mulher-3-
noticias-para-voce-refletir-sobre-o-assunto>. Acesso em: 9 
mar. 2016.
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Sistema de Garantia de Direitos, sabe o que significa? É um 
grupo de pessoas e rede de instituições dispostas a trabalhar 
para garantir os direitos das crianças e dos adolescentes. Estes 
grupos são: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do 
Adolescente, também os gestores responsáveis pelas políticas 
públicas de educação, saúde, assistência social, cultura, esporte, 
lazer etc. Conselho Tutelar, Juiz da infância e da Juventude, 
Promotor da Infância e da Juventude, professores e diretores de 
escolas, responsáveis pelas entidades não governamentais de 
atendimentos a crianças, adolescentes e famílias (ECA, 1990).
5 AÇÕES DE ENFRENTAMENTO EM CASO DE SUSPEITA 
OU CONFORMAÇÃO DA VIOLAÇÃO DE DIREITOS
Sempre que for detectada alguma situação de risco, é importante acionar os órgãos 
competentes a fim de que sejam tomadas as devidas providências. Onde devem ser realizadas 
as denúncias sobre suspeitas de violação de direitos de crianças e adolescentes?
FIGURA 7 - ORGÃOS DE DEFESA E GARANTIA DE DIREITOS
FONTE: Scussel et al. (2013)
A rede de apoio serve para identificar, acompanhar e analisar as situações de risco 
em relação à criança e ao adolescente. Dentre os parceiros é possível identificar o Conselho 
Tutelar, unidades de Educação Infantil, unidades educacionais, unidades de saúde, hospitais, 
além de outros órgãos de apoio, como Centro de Referência de Assistência Social - CRAS, 
Centro de Referência Especializada de Assistência Social – CREAS, entre outros.
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FIGURA 8 - REDE DE ATENDIMENTO
FONTE: As autoras
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Havendo dificuldade de realizar 
a denúncia, existe um canal de 
atendimento e monitoramento 
nacional realizado a partir de um 
serviço de proteção a crianças e 
adolescentes com foco em violência 
sexual, o disque 100, que encaminha 
em, no máximo, três dias úteis, a 
denúncia para os órgãos competentes 
averiguarem a situação. 
Disponível em: <http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/conteudo/
conteudo.php?conteudo=3>. Aceso em: 9 mar. 2016.
Os atendimentos que por algum motivo não forem resolvidos serão encaminhados 
para a Vara da Infância e da Juventude, para dar suporte aos casos, cabendo à autoridade 
judiciária determinar a aplicação de medida protetiva, sendo advertência, afastamento do 
autor da violação da moradia, como medida cautelar, perda da guarda, destituição da tutela, 
suspensão ou destituição do poder familiar.
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FIGURA 9 - CAMINHOS DA DENÚNCIA À RESOLUÇÃO 
FONTE: Scussel et al. (2013)
Cada situação de violação difere conforme as circunstâncias. Sempre que houver 
situações de risco é recomendado o afastamento do agressor e a vítima, até que as devidas 
providências sejam tomadas pela autoridade competente. As estratégias de proteção devem 
ser tomadas em relação a suspeita ou violação de direitos contra crianças e adolescentes.
5.1 CONSELHO TUTELAR
O Conselho Tutelar é um órgão municipal responsável pela garantia dos direitos 
da criança e do adolescente. De acordo com o que determina o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, tem a missão de orientar, analisar e encaminhar todas as situações referentes a 
violação de direito da criança e do adolescente.
 O Conselho Tutelar deve ser capaz de ouvir, compreender e discernir as situações que 
chegam a este órgão. São habilidades importantíssimas para que se desenvolva um trabalho 
com competência no sentido de receber, estudar e encaminhar, além de acompanhar todos 
os casos.
 O Conselho Tutelar deve cumprir as diretrizes do Artigo 227 da Constituição Brasileira 
de 1988. Sendo definido como órgão permanente e autônomo, ou seja, ele é quem decide, 
não jurisdicionalmente, mas é encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos 
direitos das crianças e dos adolescentes, em seus artigos 131 a 140 da Lei Federal 8.069/90.
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Jurisdição é o poder que o Estado detém para aplicar o direito 
a um determinado caso, com o objetivo de solucionar conflitos de 
interesses e com isso resguardar a ordem jurídica e a autoridade da 
lei. Disponível em: <http://www.significados.com.br/jurisdicao>.Pergunta Resposta
Quem cria o 
Conselho Tutelar
Art. 227 da Constituição Federal. Regulamentado por lei municipal 
cumprindo a norma geral federal e o Estatuto da Criança e do 
Adolescente.
Quantidade de 
Conselhos por 
município
O ECA diz que haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto 
de cinco membros. Conforme o tamanho do município e suas 
necessidades, haverá tantos Conselhos Tutelares quantos forem 
julgados necessários. Estes devem ser de acordo com a área 
geográfica bem definida. Devem ser eleitos e empossados.
Vinculação
Conselheiros tutelares são servidores públicos temporários, que são 
designados para cumprir um mandato, podendo ser reconduzido para 
uma nova gestão. São voluntários com requisitos preestabelecidos 
e submetem-se a uma votação da sociedade civil, na qual os mais 
votados assumem o cargo, sendo sempre os suplentes que assumem 
no impedimento do titular. O Conselho Tutelar vincula-se ao Poder 
Executivo (Prefeitura). Salários, dependências físicas e equipamentos, 
além das despesas básicas de água, luz, entre outros. 
Subordinação
No âmbito de suas decisões não se subordina a nenhum órgão. 
Vincula-se administrativamente e sua fiscalização é realizada pelo 
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – 
CMDCA e o Juizado da Infância e da Juventude. 
A natureza desse 
serviço
Serviço público relevante cujo efetivo exercício estabelece presunção 
de idoneidade moral e assegura prisão especial, em caso de crime 
comum, até o julgamento definitivo de seus membros.
Atribuição do 
Conselho Tutelar
Tem caráter essencial no campo da proteção à infância e à juventude.
Significado de 
órgão permanente 
e autônomo
É um órgão público que tem autonomia para desempenhar as 
atribuições que lhe são confiadas pelo Estatuto Federal que o 
instituiu. Não está subordinado hierarquicamente ao governo. 
Permanente porque, uma vez criado, o Conselho Tutelar não pode 
deixar de existir; apenas há a renovação de seus membros.
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Significado 
de órgão não 
jurisdicional
É uma entidade pública que auxilia o Poder Judiciário, tem funções 
administrativas e executivas. Está ligado ao Poder Executivo municipal. 
Não tem poder de justiça. 
Conduta 
inadequada de 
Conselheiro
Deverá ser encaminhado formalmente denúncia junto ao CMDCA. 
Conselho Municipal da Criança e do Adolescente.
FONTE: Adaptado de ECA (1990)
O Conselho Tutelar não tem poder de polícia, tampouco de justiça, é um órgão que 
integra a rede de atendimento em favor da defesa e garantia dos direitos das crianças e dos 
adolescentes. 
Você sabe quais são as atribuições do Conselho Tutelar?
Os conselheiros tutelares devem pensar na questão do menor dano e a preservação da 
integridade da criança e do adolescente, sua atuação deve pautar-se na ética e na legitimidade 
de proteção.
 Destacamos, segundo o ECA, algumas atribuições do Conselho Tutelar: 
• Atender crianças e adolescentes e aplicar medidas de proteção.
• Atender e aconselhar os pais ou responsável e aplicar medidas pertinentes previstas 
no Estatuto da Criança e do Adolescente.
• Promover a execução de suas decisões, podendo requisitar serviços públicos e entrar 
na Justiça quando alguém, injustificadamente, descumprir suas decisões.
• Levar ao conhecimento do Ministério Público fatos que o Estatuto tenha como infração 
administrativa ou penal.
• Encaminhar à Justiça os casos que a ela são pertinentes.
• Tomar providências para que sejam cumpridas as medidas socioeducativas aplicadas 
pela Justiça a adolescentes infratores.
• Expedir notificações em casos de sua competência.
• Requisitar certidões de nascimento e de óbito de crianças e adolescentes, quando 
necessário.
• Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamental para planos 
e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente.
• Entrar na Justiça, em nome das pessoas e das famílias, para que estas se defendam 
de programas de rádio e televisão que contrariem princípios constitucionais, bem como 
de propagandas de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e 
ao meio ambiente.
• Levar ao Ministério Público casos que demandam ações judiciais de perda ou 
suspensão do pátrio poder.
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• Fiscalizar as entidades governamentais e não governamentais que executem 
programas de proteção e socioeducativos.
Sempre que houver suspeita ou violação de direitos contra crianças e adolescentes, o 
Conselho Tutelar deve observar qual é o tipo de violação. Segundo o art. 98 do ECA:
a - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
b - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
c - em razão da conduta da própria criança ou adolescente.
A violação relacionada à ação ou omissão da sociedade ou do Estado refere-se à 
sociedade política e juridicamente organizada ou às unidades territoriais que reúnem os 
municípios que as compõem.
Nessa linha, o Estado refere-se ao Governo Federal, Estados e municípios, sendo esses 
responsáveis por ação ou omissão dos interesses das crianças e adolescentes. O Estado 
ameaça ou viola direito quando as políticas sociais não suprem as necessidades básicas da 
criança e do adolescente, como: educação, saúde, lazer, esporte, entre outros (ECA, 1990).
O Estado também se cerca de legislações que deveriam garantir o mínimo necessário 
para o desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes. Art. 203 da Constituição Federal 
descreve que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente 
de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: 
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; 
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; 
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; 
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a 
promoção de sua integração à vida comunitária; 
V - a garantia de um salário-mínimo de benefício mensal à pessoa portadora 
de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a pró-
pria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.
A assistência social, política pública, responsável pela implementação e execução de 
programas e projetos sociais para o atendimento dos direitos da criança e do adolescente, 
que efetivem a proteção, o amparo e a promoção, considerando a fase de desenvolvimento.
6 COMPREENDENDO A VIOLAÇÃO DE DIREITOS
Em relação à falta ou omissão por parte dos pais ou responsáveis, podemos 
compreender, a partir do art. 229 da Constituição Federal, referência à responsabilidade dos 
pais em criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de amparar os pais 
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na velhice, sendo essa uma linha divisória, porém complementar à medida que protege os 
mais fragilizados.
Havendo divergência entre o dever e a necessidade, que ocasione risco ou negligência, 
o Estado passa a ser corresponsável à medida que precisa criar estratégias de enfrentamento. 
Por isso é que a situação de ação ou omissão deve ser encaminhada ao Conselho Tutelar, 
órgão público responsável por gerenciar e encaminhar, a fim de resolver a situação vivenciada, 
fortalecendo a ideiade cuidado, proteção e amparo dos genitores em relação aos filhos.
UNI
Assistir é promover o atendimento das necessidades básicas 
da criança ou do adolescente, condições indispensáveis para 
que a dignidade humana seja garantida, abrigo, higiene, 
alimentação, vestuário, convivência sadia, estímulos positivos 
para a adequada integração social etc. 
Criar é reunir condições em torno da criança ou do adolescente 
para que seu processo de desenvolvimento pessoal se faça no 
caminho de sua plenitude como ser humano. 
Educar é orientar a criança e adolescente no sentido da 
aquisição de hábitos, usos e costumes, tais que suas atitudes 
possam se integrar à cultura da sociedade em que vive, 
refletindo valores de um mundo comum de conhecimentos e 
aspirações coletivas (ECA, 1990).
Os pais são os responsáveis naturais pelos filhos. Havendo divergência entre a proteção, 
o amparo e os cuidados com as crianças e adolescentes, abre-se a possibilidade de intervenção 
e acompanhamento pelo Conselho Tutelar.
As novas configurações de família facilitam a convivência dos filhos com demais 
parentes da família ampliada, isso possibilita a aquisição de novos valores, que podem ou não 
ser positivos na convivência familiar e comunitária. 
Ressaltamos que, independente da relação dos genitores (casados, amasiados, 
separados, entre outros), os filhos são responsabilidade das duas partes. Não cumprindo com 
essa assistência, cometem crimes previstos no Código Penal. Sendo negligentes, o crime é 
de abandono material; negligenciando a educação, crime de abandono intelectual. Entregar 
filho menor de 18 anos a pessoa com a qual tenha conhecimento, e que esta venha a estar de 
forma moral ou materialmente em perigo, também é crime. 
Os pais são responsáveis por seus filhos menores, mas há situações em que 
essa responsabilidade passa para outras pessoas que não são pai e mãe. É quando, por 
impossibilidade permanente ou eventual dos pais a exercerem, essa responsabilidade é 
entregue, por um juiz, a outra pessoa, colocação numa família substituta, seja ela um parente 
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ou um estranho. Conforme a conveniência de cada caso, essa determinação ocorre de três 
maneiras:
• Tutela, quando a Justiça suspende temporariamente ou decreta definitivamente a 
perda do pátrio poder dos pais e nomeia um tutor.
• Guarda, quando se mantém o pátrio poder dos pais, institui-se um "guardião" que 
ficará encarregado de assistir, criar e educar o filho de outra pessoa. 
• Adoção, quando se nomeiam novos pais definitivos, de forma irrevogável, para a 
criança ou o adolescente. 
Por fim, não havendo como inserir essa criança ou adolescente, encaminha-se, segundo 
o ECA (art. 92 e 93), para uma instituição de atendimento. Nessa condição, o dirigente da 
instituição ou entidade é nivelado ao guardião, passa a ser o responsável pelo abrigado durante 
sua institucionalização. 
 A violação dos direitos na adolescência pode ser uma consequência em razão de 
sua própria conduta, quando praticam ou são coniventes com atos antissociais, que possam 
prejudicar a sua integridade física, psíquica e moral.
6.1 MEDIDAS PROTETIVAS
Essas medidas foram desenvolvidas após a promulgação da Constituição Federal 
(1988), no Artigo 227, que assegura direitos (à vida, saúde, educação, lazer, convívio familiar 
etc.) à criança e ao adolescente, frente às obrigações da família, do Estado e da sociedade.
Reforçando essa ideia de proteção e promoção do desenvolvimento, surge o ECA, 
Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece em seu art. 98 que sempre que houver 
violação dos direitos, seja por "ação ou omissão da sociedade ou do Estado" ou "por falta, 
omissão ou abuso dos pais ou responsável" o Estatuto prevê também medidas de proteção 
como causa do próprio comportamento dos adolescentes, os que cometem ato infracional 
(situação descrita no SINASE). 
Certas medidas de proteção podem ser encaminhadas pelo Conselho Tutelar, que 
preservará a integridade da criança e do adolescente.
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Encaminhamento aos 
pais ou responsável
Quando os pais ou o responsável deixam de cumprir os deveres de 
assistir, criar e educar, serão notificados pelo Conselho Tutelar, onde 
assinam um termo de responsabilidade no qual se comprometem 
em proporcionar melhores condições de vida para a criança ou 
adolescente.
Orientação, apoio e 
acompanhamento 
temporário
Esta medida consiste na convocação do Conselho Tutelar aos pais 
ou responsáveis, explica-lhes a necessidade e encaminha a criança 
ou o adolescente à política de assistência social para atendimento 
psicossocial de orientação, apoio e acompanhamento temporários 
às crianças e adolescentes.
Matrícula e frequência 
obrigatória em 
estabelecimento de 
Ensino Fundamental
Quando os pais ou responsáveis impedem a matrícula e a frequência 
na instituição de ensino, o Conselho Tutelar aplicará a medida; 
orientando a família e a escola para o devido acompanhamento do 
caso. No entanto, a instituição de Ensino Fundamental também é 
responsável por comunicar ao órgão a infrequência, para que sejam 
tomadas as devidas providências.
Inclusão em programa 
comunitário
Comprovada a impossibilidade financeira da família, deverá ser 
encaminhada à política de assistência social cuja primeira ação é 
a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e 
à velhice. 
Requisição de 
acompanhamento 
médico psicológico
O Conselho Tutelar tem a primazia de resguardar os direitos da criança 
e do adolescente. Observando qualquer situação contraditória, 
deverá encaminhar para a política de saúde ou assistência social, 
objetivando a superação da situação negligenciada. Conforme 
dispõe o parágrafo único do Artigo 4º do Estatuto ECA: a garantia 
de prioridade (à criança e ao adolescente) compreende: 
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer 
circunstâncias; 
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de 
relevância pública; 
c) preferência na formulação ou na execução das políticas sociais 
públicas; 
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas 
relacionadas com a proteção à infância e à juventude. 
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Inclusão em programa 
de auxílio, orientação 
e tratamento a 
alcoólatras e 
toxicômanos
Observa-se que os jovens e seus ascendentes tornam-se usuários 
de substâncias psicoativas e álcool, causando prejuízos pessoais e 
familiares. Nessa linha temos o Artigo 81, inciso III do Estatuto, que 
diz ser proibida a venda à criança ou ao adolescente de produtos 
cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, 
ainda que por utilização indevida. É possível encaminhar a situação 
para a Secretaria de Saúde ou Assistência Social, para o programa 
de apoio e orientação.
Havendo 
impossibilidade de 
permanecer com a 
família biológica é 
possível encaminhar 
para
Família extensa
Família ampliada
Família acolhedora 
FONTE: Adaptado de Costa (1990)
A perda ou suspensão do pátrio poder é de atribuição exclusivamente do juiz da Vara 
da Infância e da Juventude, esgotadas todas as formas de fortalecimento ou orientação da 
família, bem como na impossibilidade de encaminhamento em família extensa ouampliada.
6.2 ADOÇÃO
O assunto adoção está envolvido por mitos, que muitas vezes dificultam tanto para 
os que têm o desejo de ter filhos, quanto para a pessoa que deseja e/ou necessita entregar a 
criança para a adoção, pois não podemos julgar a mulher que não desejou ter o filho e resolve 
entregá-lo para a adoção, entre outras situações que envolvem a quebra de vínculos familiares.
Advogados e profissionais do Sistema Judiciário Brasileiro relatam que tanto o novo 
Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - 
Lei nº 8.069, de 1990), não dão conta da realidade vivenciada pela adoção.
Quando da determinação do juiz em que a criança não poderá mais ficar com a família 
de origem, a adoção passa a ser uma opção e possibilidade da restauração do direito à 
convivência familiar desta criança. 
O fato de a criança ser abandonada e ter a possibilidade de ser adotada, fazer parte 
de uma nova família onde há dignidade, além de fazer valer seus direitos como pessoa em 
desenvolvimento, é, da mesma forma para o adotante, uma possibilidade de construir uma 
família. “A consciência de que a paternidade é opção e exercício, e não mercê ou fatalidade, 
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pode levar a uma feliz aproximação entre os que têm e precisam dar e os que não têm e 
carecem receber” (VILLELA, 2016)
Quem pode adotar? 
• Maiores de 18 anos, qualquer que seja seu estado civil.
• O adotante deve ser 16 anos mais velho do que o adotado.
• A Justiça não prevê adoção por casais homossexuais.
• A autorização fica a critério do juiz responsável.
• Cônjuge ou concubina pode adotar o filho do companheiro.
Quem não pode adotar?
• Avô não pode adotar neto.
• Irmão não pode adotar irmão.
• Tutor não pode adotar o tutelado.
Quem pode ser adotado? 
• Criança ou adolescente com, no máximo, 18 anos de idade, na data do pedido de 
adoção, cujos pais forem falecidos ou desconhecidos, tiverem sido destituídos do poder familiar 
ou concordarem com a adoção de seu filho.
• Pessoa maior de 18 anos que já esteja sob a guarda ou tutela do adotante na data 
do pedido de adoção.
Todas as crianças que vivem em abrigos podem ser adotadas?
Não, pois muitas têm vínculos jurídicos com a sua família de origem e, por isso, não 
estão disponíveis à adoção.
E o que acontece quando aparece uma criança disponível dentro do perfil 
desejado?
Você é chamado para conhecer a criança. Quando o relacionamento corre bem, o 
responsável recebe a guarda provisória, que pode se estender por um ano. As crianças passam 
por um estágio de convivência, uma espécie de adaptação, por tempo determinado pelo juiz 
e avaliado pelo(a) assistente social. Depois de dar a guarda definitiva, o Juizado emitirá uma 
nova certidão de nascimento para a criança, já com o sobrenome da nova família.
As relações de parentesco se estabelecem não somente entre o adotante e o adotado, 
como também entre aquele e os descendentes deste e entre o adotado e todos os parentes 
do adotante (BRASIL, 2012).
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Seguem mais alguns detalhes para a sua compreensão desta temática da adoção:
• A criança ou o adolescente passa a ter os mesmos direitos e deveres, inclusive 
hereditários, do filho legítimo.
• Quem é adotado recebe o sobrenome do adotante.
• A adoção é irrevogável, ou seja, a criança ou o adolescente nunca mais deixará de 
ser filho do adotante, nem mesmo com a morte.
• Registrar como filho uma criança nascida de outra pessoa é uma atitude ilegal. Essa 
prática, conhecida por adoção à brasileira, é crime de falsidade ideológica, previsto no art. 242 
do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos. Além disso, os pais biológicos 
podem recorrer à Justiça a qualquer momento para reaver o filho. Na adoção à brasileira, a 
história de vida e de origem da criança desaparece.
DICA
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Abandono e Adoção
Sinopse: As crianças não nascem incompetentes para 
a compreensão da função dos pais. Na realidade, 
nunca os identificam pela consanguinidade, mas 
pela constância da sua presença, a coerência dos 
seus gestos, e a bondade com que eles as acolhem 
e dialogam com as suas dificuldades. Uma criança 
sem pais dentro de si é como a noite à procura das 
estrelas. Mas, quem adota quem? Ninguém adota 
ninguém se a adoção não se der ao mesmo tempo e 
mutuamente.
Adoção Tardia - Mitos, Medos e Expectativas
Sinopse: Esta publicação apresenta o resultado de 
uma pesquisa sobre a cultura da adoção no Brasil, 
privilegiando o imaginário acerca da adoção tardia. 
Um conjunto de crenças e mitos negativos tem 
inviabilizado esse tipo de adoção que, rejeitado pela 
sociedade, condena inúmeras crianças a viverem em 
abrigos institucionais, ou expostas e despreparadas 
a percorrerem as ruas das cidades.
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No caso de adoção de mais de uma criança, simultaneamente, 
a segurada terá direito somente ao pagamento de um salário-
maternidade, observando-se o direito segundo a idade da criança 
mais nova.
Outros aspectos relevantes:
O que é “adoção tardia”?
A expressão “adoção tardia”, bastante utilizada, refere-se à adoção de crianças maiores 
ou de adolescentes. Remete à discutível ideia de que a adoção seja uma prerrogativa de 
recém-nascidos e bebês, e de que as crianças maiores seriam adotadas fora de um tempo 
ideal. Desconsidera-se, com isso, que grande parte das crianças em situação de adoção tem 
mais de dois anos de idade e que nem todos pretendentes à adoção desejam bebês como 
filhos (SCOTT, 2010).
DICA
S!
A Invenção de Hugo Cabret (2011)
Resenha.
Hugo é um garoto de 12 anos que vive em uma 
estação de trem em Paris no começo do século 
20. Seu pai, um relojoeiro que trabalhava em 
um museu, morre momentos depois de mostrar 
a Hugo a sua última descoberta: um androide, 
sentado numa escrivaninha, com uma caneta na 
mão, aguardando para escrever uma importante 
mensagem. O problema é que o menino não 
consegue ligar o robô, nem resolver o mistério.
O que é família substituta?
É aquela que passa a substituir a família biológica de uma criança/adolescente quando 
esta não pode, não consegue ou não quer cuidar do filho. A família substituta pode ocupar o 
papel da biológica de forma efetiva e permanente, como na adoção, ou de forma eventual, 
transitória e não definitiva, como na guarda e na tutela. 
A família substituta pode ser constituída por qualquer pessoa maior de 18 anos, de 
qualquer estado civil, e que não precisa obrigatoriamente ter parentesco com a criança.
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O que é guarda?
A guarda é uma medida que visa proteger crianças e adolescentes que não podem ficar 
com seus pais, provisoriamente ou em definitivo. É a posse legal que os cuidadores adquirem 
a partir da convivência com a crianças/adolescente. 
A guarda confere responsabilidade pela assistência material, afetiva e educacional de 
uma pessoa até 18 anos de idade. É uma medida em que o poder familiar e os vínculos com 
a família de origem ficam preservados. 
O guardião pode renunciar ao exercício da guarda sem impedimento legal, diferente do 
que ocorre com a adoção. São concedidosabrigo institucional, família guardiã e candidatos a 
pais adotivos durante o estágio de convivência, que precede à adoção.
O que é tutela?
A tutela corresponde ao poder instituído a um adulto para ser o representante legal da 
criança ou adolescente menor de 18 anos, na falta dos pais, devido à destituição do poder 
familiar ou falecimento, para gerenciar a vida e administrar seus bens.
O que é curatela?
É o encargo público, confiado, por lei, a alguém para reger e defender a pessoa e 
administrar os bens de maiores de idade, que, por si só, não estão em condições de fazê-lo, 
em razão de enfermidade ou deficiência mental (ECA, 1990).
DICA
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Adoção - Aspectos Jurídicos, Práticos e 
Efetivos
Autor: Helio Ferraz de Oliveira
Resenha:
A presente obra busca o aprofundamento dos 
estudos sobre o tema e sugere reflexões com a 
finalidade de reconstrução da cultura adotiva que, 
apesar das profundas modificações, permanece 
aquém da realidade das crianças e adolescentes 
acolhidos institucionalmente.
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7 CADASTROS EM ÂMBITO NACIONAL, REGIONAL 
E INTERNACIONAL
A Constituição Federal, Art. 227, e a Lei nº 8.069/90, Estatuto da Criança e do 
Adolescente, Art. 19, elevaram o direito de crianças e adolescentes à convivência, para agilizar 
o processo foram criados os cadastros em âmbito Nacional, Regional e Internacional.
Todos os pretendentes à adoção, para os inscritos e habilitados no Brasil, entram 
no cadastro Regional, como o CEJA/CUIDA, utilizado no Estado de Santa Catarina, e 
automaticamente estão inscritos no Cadastro Nacional.
ATE
NÇÃ
O!
O que é o Cadastro Nacional de Adoção?
O Cadastro Nacional de Adoção é uma ferramenta criada para 
auxiliar os juízes das varas da infância e da juventude na condução 
dos procedimentos de adoção. Lançado em 29 de abril de 2008, o 
CNA tem por objetivo agilizar os processos de adoção por meio do 
mapeamento de informações unificadas. O cadastro irá possibilitar 
ainda a implantação de políticas públicas na área (PIERITZ, 2015).
LEITURA COMPLEMENTAR
Guarda Compartilhada
Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos 
Jurídicos
LEI Nº 13.058, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2014.
Altera os art. 1.583, 1.584, 1.585 e 1.634 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil), para estabelecer o significado da expressão “guarda compartilhada” e dispor 
sobre sua aplicação.
A PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Esta Lei estabelece o significado da expressão “guarda compartilhada” e dispõe 
sobre sua aplicação, para o que modifica os art. 1.583, 1.584, 1.585 e 1.634 da Lei no 10.406, 
de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).
Art. 2o A Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), passa a vigorar com as 
seguintes alterações:
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Art. 1.583. [...]
§ 2o Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de 
forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os 
interesses dos filhos.
I - (revogado);
II - (revogado);
III - (revogado).
§ 3º Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será 
aquela que melhor atender aos interesses dos filhos.
§ 5º A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os 
interesses dos filhos, e, para possibilitar tal supervisão, qualquer dos genitores sempre será 
parte legítima para solicitar informações e/ou prestação de contas, objetivas ou subjetivas, 
em assuntos ou situações que direta ou indiretamente afetem a saúde física e psicológica e a 
educação de seus filhos”. (NR)
Art. 1.584. [...]
§ 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, encontrando-
se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda compartilhada, 
salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor.
§ 3o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência 
sob guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá 
basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar, que deverá visar à 
divisão equilibrada do tempo com o pai e com a mãe.
§ 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda 
unilateral ou compartilhada poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu 
detentor.
§ 5o Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe, 
deferirá a guarda a pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida, considerados, 
de preferência, o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade.
§ 6o Qualquer estabelecimento público ou privado é obrigado a prestar informações a 
qualquer dos genitores sobre os filhos destes, sob pena de multa de R$ 200,00 (duzentos reais) 
a R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia pelo não atendimento da solicitação”. (NR)
“Art. 1.585. Em sede de medida cautelar de separação de corpos, em sede de medida 
cautelar de guarda ou em outra sede de fixação liminar de guarda, a decisão sobre guarda de 
filhos, mesmo que provisória, será proferida preferencialmente após a oitiva de ambas as partes 
perante o juiz, salvo se a proteção aos interesses dos filhos exigir a concessão de liminar sem 
a oitiva da outra parte, aplicando-se as disposições do art. 1.584”. (NR)
“Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o 
pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos:
I - dirigir-lhes a criação e a educação;
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II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584;
III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem;
IV - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior;
V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua residência 
permanente para outro município;
VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não 
lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar;
VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos atos 
da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o 
consentimento;
VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha;
“IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade 
e condição”. (NR)
Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 22 de dezembro de 2014; 193o da Independência e 126o da República.
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Claudinei do Nascimento
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.12.2014 e retificado em 24.12.2014.
FONTE: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/Lei/L13058.htm>. 
Acesso em: 5 abr. 2016.
DICA
S!
Com tantas informações sobre a constituição da criança e do 
adolescente, é hora de pensar na intervenção do trabalho profissional.
Lembrando sempre que suas ações devem ser pautadas na ética e 
na legalidade, objetivando preservar a integridade de seus usuários.
Para melhorar seu conhecimento sugerimos a leitura do Estatuto da 
Criança e do Adolescente – ECA.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm>.
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RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos que:
• A partir do nascimento a criança é amparada e protegida pelos familiares, sendo reconhecida 
a condição peculiar de fragilidade e desenvolvimento.
• O modelo do sistema familiar é mutável e dinâmico, que se transforma com o tempo 
(modificações ao nível do número de membros e até no processo de desenvolvimento).
• Dentro do ambiente familiar a pessoa passa por determinadas etapas do desenvolvimento, 
de acordo com a idade, sexo e inter-relações, essas etapas se dividem em: microssistema, 
mesossistema e exossistema.
• Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de forma 
equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os interesses 
dos filhos.
• A alienação parental restringe a convivência familiar entre a criança e/ou adolescente com 
uma das partes (pai ou mãe e família extensa). 
• É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público a proteção e 
amparo às crianças e aos adolescentes.
• Muitas crianças e adolescentes ainda são expostos à violação de direitos, que nada mais é do 
que uma ação ou omissão, além de todas as formas de violência (física, sexual e psicológica). 
• A rede de apoio serve para identificar, acompanhar e analisar as situações de risco em relação 
à criança e ao adolescente. 
• Adoção é o processo ocorrido quando famílias não biológicas assumem uma criança ou 
adolescente como seu a partir da afetividade, recebendo todos os direitos de filho biológico. 
• Família substituta pode ser permanente após uma adoção, ou temporária eventual, transitória 
e não definitiva, como na guarda e na tutela. 
• A guarda é a posse legal que os cuidadores adquirem a partir da convivência com as crianças/
adolescentes. 
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• A tutela corresponde ao poder instituído a um adulto para ser o representante legal da criança 
ou adolescente menor de 18 anos.
• A curatela é dada ao cuidador de uma pessoa adulta que não tem condições de se 
autogerenciar.
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1 Pensando no processo de adoção e a possiblidade que as pessoas têm em ter filhos 
sem ser biológicos, mas por opção, é importante saber que podem adotar, segundo o 
ECA:
a) ( ) Maiores de idade e com pelo menos 16 anos de diferença de idade para com o 
adotado, independentemente do seu estado civil.
b) ( ) Todas as pessoas que tenham parceiro, desde que sejam casados ou vivam em 
união estável.
c) ( ) Todas as pessoas, desde que tenham mais de 21 anos e menos de 70 anos de 
idade, com mais de dez anos de diferença de idade para com o adotado.
d) ( ) Somente os que estão inscritos no cadastro de interessados em adotar.
e) ( ) Somente aqueles que já tenham exercido a guarda legal do adotando, demonstrando, 
portanto, aptidão para cuidar da criança ou adolescente.
2 Na contemporaneidade, as pessoas têm mais opções para dissolver a união, seja a 
partir do casamento ou união estável, no entanto, um complicador dessa separação 
é a guarda e os cuidados com os filhos. Nessa nova modalidade surgem algumas 
questões importantes com relação à Alienação Parental. Neste contexto, classifique 
V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Crianças cujos pais separaram-se, sendo que o possuidor da guarda induz a criança 
a uma visão depreciativa do outro genitor.
( ) Genitores que perderam o direito ao pátrio poder, tendo seus filhos retirados de sua 
custódia e abrigados em instituições.
( ) Genitores que perderam a guarda de seus filhos para o ex-companheiro e sofrem 
com as mazelas oriundas desse rompimento.
( ) Crianças que vivem em instituições de abrigo e cujos pais lhe são desconhecidos.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F - V - V - F.
b) ( ) V - F - F - V.
c) ( ) V - F - F - F.
d) ( ) F - F - V - F.
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.
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UNIDADE 3
RECONHECENDO A 
REALIDADE VIVENCIADA NA 
CONTEMPORANEIDADE PELOS 
IDOSOS, PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 
E A MULHER
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 A partir desta unidade você será capaz de:
• identificar os principais fatos históricos que norteiam o entendimento 
sobre idosos e o processo de envelhecimento, as pessoas com 
deficiência e as mulheres;
• compreender a legislação vigente e o papel das três esferas 
governamentais em relação aos idosos, as pessoas com 
deficiência e as mulheres;
• conhecer as estratégias de enfrentamento em situação de violência 
contra os idosos, pessoas com deficiência e as mulheres.
TÓPICO 1 - A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E A 
CONTEMPORANEIDADE DOS IDOSOS
TÓPICO 2 - O PAPEL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 
NA SOCIEDADE
TÓPICO 3 - A QUESTÃO DA MULHER NA ATUALIDADE
PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 3 está dividida em três tópicos distintos, 
porém, complementares. Ao final de cada tópico você encontrará 
autoatividades que contribuirão com o seu aprendizado.
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A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E A 
CONTEMPORANEIDADE DOS IDOSOS
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1
As pessoas constroem e reconstroem conceitos, conforme os períodos históricos, sendo 
que cada fase representa necessidades e adaptações específicas. A maturidade é tida como 
a fase final na qual a pessoa já se afirmou pessoal e profissionalmente. 
Sendo assim, a sociedade vem construindo e reconstruindo ideologias, reconhecendo 
o potencial dessa parcela da população que identifica a necessidade dos idosos em 
permanecerem na ativa. Esta é uma primazia favorável para o mercado de trabalho, para a 
família e para a própria manutenção do indivíduo, pois desse modo mantêm-se e ampliam-se 
as relações interpessoais.
UNIDADE 3
2 RECONHECENDO O PAPEL DOS IDOSOS NA SOCIEDADE
A sociedade está num processo de evolução bastante rápido, junto às tecnologias de 
informação decorrentes da informatização. A comunicação ficou mais ágil e precisa, as pessoas 
vêm se sobrecarregando cada vez mais de atividades, sejam pessoais ou profissionais, o que 
dificulta a convivência familiar e comunitária.
O desenvolvimento da tecnologia e o avanço desacerbado, em tempos passados, seria 
enlouquecedor para nossos ancestrais. Esse desenvolvimento, movimento de mudanças e 
formas de vida exigem certa capacidade e novas adaptações da pessoa no cotidiano. 
Com o avanço da medicina, a expectativa de vida do idosoteve um aumento significativo, 
consequentemente ele passa a ter melhora na qualidade de vida. Com o acesso a atividades 
físicas e o avanço da medicina, a vida deste idoso está mais ativa, aliada à necessidade de 
autonomia.
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A sociedade contemporânea está se preparando para atender adequadamente essa 
parcela da população. A falta de estrutura ainda é bastante evidente, o choque intergeracional 
demonstra o quanto a sociedade precisa avançar.
Estamos em um momento em que os idosos acompanham de forma bastante ativa a 
evolução das tecnologias de Informação – TICs. A era digital, para alguns idosos, ainda é algo 
distante e complicado, enquanto que para outros é uma ferramenta cotidiana.
Compreender a totalidade do contexto psicossocial e biológico desta etapa de vida nos 
proporciona refletir estratégias que farão com que os idosos estabeleçam e alcancem seus 
objetivos, levando em consideração suas limitações, potencialidades e as reais necessidades. 
É importante destacarmos que existem no país projetos referentes à inclusão social, a 
qual possibilita aos idosos a inserção e permanência em programas de extensão na Universidade 
Aberta, onde os idosos vivenciam experiências renovadas através do processo de relações e 
inter-relações no contexto intergeracional. 
O ser humano tem a capacidade de interpretar e se adaptar a mudanças, já que o 
próprio envelhecimento é um processo natural que se identifica a partir das três principais 
fases: infância, adulta e velhice.
Para reconhecer a condição do idoso, Mendes (2000, p. 22) esclarece que:
Envelhecer é um processo natural que caracteriza uma etapa da vida do 
homem e dá-se por mudanças físicas, psicológicas e sociais que acometem 
de forma particular cada indivíduo com sobrevida prolongada. É uma fase em 
que, avaliando sobre sua própria existência, o indivíduo idoso conclui que 
alcançou muitos objetivos, mas também sofreu muitas perdas, das quais a 
saúde destaca-se como um dos aspectos mais afetados.
Pensando no aspecto da velhice, a Organização Mundial de Saúde – OMS definiu como 
idoso um limite de 65 anos ou mais de idade para os indivíduos de países desenvolvidos e 
60 anos ou mais de idade para indivíduos de países centrais e subdesenvolvidos. Segundo o 
Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741), considera-se idosa a pessoa com 60 anos ou mais de idade.
O Estatuto do Idoso tem como objetivo regular os direitos do idoso e potencializar alguns 
avanços com a finalidade de ampliar e melhorar a qualidade de vida, tanto no ambiente familiar 
como no acesso a atividades comunitárias:
• Receber um salário-mínimo, se comprovar que a renda per capita familiar 
equivale a 1/4 do mesmo.
• 10% dos assentos em transporte público.
• Acesso gratuito ao transporte público coletivo para maiores de 65 anos.
• Duas vagas gratuitas para viagens interestaduais, e 50% de desconto nas 
passagens além desse limite.
• Rede pública de saúde: Prioridade de atendimento, remédios, próteses e 
acompanhantes em internações hospitalares.
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• Proibido o reajuste arbitrário dos planos de saúde usando a idade como 
critério.
• 50% de desconto em atividades de cultura, esporte e lazer.
• Caixa preferencial em bancos e supermercados.
• Vagas exclusivas em estacionamentos.
• Maus-tratos e retenção de cartão de aposentadoria punido na esfera criminal 
(BRASIL, 2003).
 
 Para Garcia (2001), vários países centrais, ou em desenvolvimento, pouco se 
desenvolveram em relação ao processo de envelhecimento da pessoa. Percebe-se isto pelo 
grande aumento demográfico, aumento de pessoas e também a saída de pessoas do campo 
para cidade. 
 
Contudo, mesmo que as pesquisas tenham contribuído para aumentar o tempo da 
espécie humana, a sociedade não conseguiu caminhar junto com esse processo e ganho 
da longevidade. Devido a este ponto, de não conseguir acompanhar a situação do idoso, a 
situação dessas pessoas tem se agravado progressivamente, isto porque o poder público não 
tem recursos suficientes para atender as necessidades deste grupo de forma plena e integral.
3 A CONDIÇÃO DO IDOSO NO BRASIL
 O envelhecimento é um processo de vida que vem sendo alvo de estudos e pesquisas 
no mundo inteiro, pois a expectativa de vida desta parcela da população tem aumentado 
significativamente, como também a qualidade de vida, condições de acesso à saúde, lazer, 
cultura e, por que não dizer, trabalho, o que vem contribuir para que o idoso viva mais e melhor.
 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE (2010) apresenta que, hoje, temos 
no Brasil aproximadamente 21 milhões de pessoas na faixa de 60 anos ou mais, representando 
assim 11% da população total. Portanto, os estudos indicam que em 2025 teremos uma 
população de 32 milhões de pessoas na terceira idade, isto é, com 60 anos ou mais de idade, 
pontuando no ranking mundial a sexta posição de país com mais pessoas na longevidade. A 
estimativa do IBGE é de que para cada grupo de 100 jovens abaixo de 15 anos teremos 50 
pessoas em idade de 65 anos ou mais. 
Dados do IBGE (2010) mostram que as pessoas estão vivendo mais, o grupo com 75 
anos ou mais teve o maior crescimento relativo (49,3%) nos últimos dez anos, em relação ao 
total da população idosa.
Conforme os dados, estima-se que no Brasil, até 2050, o número de idosos venha a 
triplicar na sociedade, o que vai representar cerca de 20% da população, ou seja, essa nova 
demanda social tende a crescer, as políticas sociais terão que desenvolver novas estratégias 
de atendimento.
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Esse processo contribui para a reflexão sobre a questão da crise de identidade, nas 
mudanças de papéis; na aposentadoria; perdas afetivas, familiares e financeiras diversas e a 
restrição ou diminuição dos contatos sociais. Essa realidade nos faz refletir que no futuro será 
comum encontrar nos lares brasileiros mais idosos do que crianças. 
Essa mudança teve maior repercussão após os anos 50, quando a medicina entendeu 
como necessária a prevenção, não somente a cura, pois a cura só acontece quando a doença 
já se manifestou, e a ideia é impedir que a doença apareça. Outra questão a ser considerada 
refere-se ao empoderamento da mulher e da queda da fecundidade.
Os idosos representam uma parcela da população com maior vulnerabilidade na questão 
saúde, tendem a ter mais problemas e com maior gravidade. Precisam de muito mais atenção, 
contudo, passam a refletir nos lares, nas famílias, a necessidade básica, como também toda 
a adaptação de cuidados que devem ter com esta pessoa neste ciclo de vida, buscando cada 
vez mais uma qualidade de vida. 
Para o serviço social essa parcela da população representa um desafio, pois além 
das necessidades fisiológicas, encontramos a dificuldade financeira, os conflitos familiares e 
a negação da idade, quando eles não reconhecem a necessidade de apoio e orientação de 
outros parentes. 
Esses dados retratam uma realidade preocupante na vida dos idosos, que é o 
envelhecimento sem qualidade e a carência nos aspectos político e social, os quais dão suporte 
ao envelhecimento saudável.
4 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DO ENVELHECIMENTO
Na sociedade atual, capitalista e ocidental, qualquer valoração se fundamenta na 
ideia básica de produtividade, inerente ao próprio capitalismo, porisso as etapas da vida se 
separam em:
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Na contemporaneidade, vivenciamos um momento importante no que diz respeito à 
qualidade de vida das pessoas acima de 60 anos ou mais. Percebemos que no Brasil houve 
uma evolução significativa na última década, observamos que a longevidade vem aumentando, 
sendo assim, o número de idosos tende a crescer cada vez mais.
Podemos considerar que o idoso deverá ser cada vez mais valorizado pela família e 
pela sociedade, já que o mesmo permanece mais tempo na ativa, o que preserva também 
sua condição laboral e psicológica, refletindo numa situação mais positiva em relação a esta 
população. 
A sociedade vem abandonando a visão de improdutividade e ociosidade, pois os 
mesmos não ficam mais restritos ao ambiente da residência e à convivência familiar. Eles estão 
reconquistando espaço de destaque no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. 
Na atualidade, os idosos estão vivenciando uma fase vital, novas conquistas e a 
possibilidade de desenvolverem ainda mais suas capacidades e, por que não, ter de volta 
suas capacidades cognitivas, sua adaptação ao novo processo na sociedade onde passam 
a conviver e interagir sem perder sua identidade e característica como pessoa integrada à 
comunidade. Nesta perspectiva, o envelhecimento passa a ser considerado uma fase “boa” 
da vida, pois neste momento a sociedade em geral reconhece este ciclo como possibilidade 
de ganhos e não de perdas, devido a tantas possiblidades de potencializar sua capacidade e 
transformação de ganhos e recursos para uma melhor qualidade de vida.
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Cognição significa a ação ou processo de conhecimento adquirido através 
do que é percebido no meio em que se vive, a capacidade de atenção, 
memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. É 
a maneira como nosso cérebro entende, aprende e consegue pensar 
sobre tudo o que recebeu de informação, captada pelos nossos cinco 
sentidos.
É também a nossa adaptação ao meio, é o processo de interação com 
o outro e o meio em que vive sem perder sua identidade existencial, é 
também um mecanismo de conversão do que é captado para o nosso 
modo de ser interno.
 Na contemporaneidade, o contexto social dos idosos passa a refletir sobre sua 
perspectiva e sua existência dentro de uma possiblidade de permanência no mercado de 
trabalho. O homem se torna sujeito a partir do trabalho, fazendo e construindo uma sociedade 
melhor para si e para o outro. 
 Segundo Marx (1989, p. 409), “a sociedade, assim como a característica fundamental 
do homem, está no trabalho. É do e pelo trabalho que o homem se faz homem, constrói a 
sociedade, é pelo trabalho que o homem transforma a sociedade e faz a história”. Desta forma, 
o idoso deixa de fazer parte da dialética da mais-valia. Por estar em idade avançada, não faz 
mais parte deste sistema de mais-valia.
Aliados a essa questão surgem também os problemas inerentes desse ciclo e período, 
o que passa a diminuir o seu valor social. Felizmente estamos em um momento importante 
no país e no mundo, com uma mudança de comportamento no mercado de trabalho. O que 
pela lógica do mercado era excluir de maneira desumana, passa a incluir de maneira humana 
e construtiva, reconhecendo seu valor no contexto da sociedade. 
Este contexto é confirmado por Veras (2002), quando ressalta que o modelo capitalista 
fez com que a velhice passasse a ocupar um lugar marginalizado na existência humana, na 
medida em que a individualidade já teria os seus potenciais evolutivos e perderia então o seu 
valor social.
Essa ideia é reforçada a partir da visão de Moragas (1997), quando entende que todos 
os seres vivos são regidos por um determinismo biológico. Sendo assim, o envelhecimento 
envolve processos que implicam na diminuição gradativa da possibilidade de sobrevivência, 
acompanhada por alterações regulares na aparência, no comportamento, na experiência e 
nos papéis sociais.
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Dentro desse contexto é importante compreendermos que o envelhecimento faz parte 
da humanidade e, portanto, não pode ser desconsiderado, pois é nesse período que surgem 
experiências e características próprias e peculiares, resultantes da trajetória de vida, integrando 
assim a formação do indivíduo idoso.
O processo de envelhecimento pode causar tensões psicológicas e sociais familiares 
e comunitárias, pois o controle que esse idoso detinha aos poucos vai diminuindo, contudo, 
precisa aprender a se adaptar a essas mudanças, que por vezes caracterizam-se como conflitos 
internos de aceitação.
FIGURA 10 - O PROCESSO EVOLUTIVO
FONTE: Disponível em: <http://pt.dreamstime.com/photos-images/fases-do-desenvolvimento-do-
homem.html>. Aceso em: 21 mar. 2016.
O ser humano é motivado por desafios, entre esses desafios identificamos como 
necessidade o relacionamento interpessoal e as trocas de experiências, sendo estas as 
principais atividades desenvolvidas pelos idosos, pois a responsabilidade de criar e orientar os 
filhos geralmente já foi superada, a afirmação profissional já foi concluída. Dando continuidade 
nesta caminhada, o idoso busca nesta fase uma possibilidade de autoafirmação e autonomia, 
aliada à qualidade de vida. 
 Quando as pessoas avançam na idade, elas precisam identificar significados, isso 
facilita a aceitação das mudanças biológicas e sociais, pois a possibilidade de mudança e 
adaptação é uma realidade deste público.
A primeira grande mudança se refere à configuração de família, em que os filhos 
geralmente saem do ambiente familiar para construir suas próprias famílias.
A possibilidade de afastamento do trabalho e a chegada da aposentadoria são os 
grandes fatores de mudança. Na questão familiar, uma ruptura com o passado, o homem deve 
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ajustar-se a uma nova condição que lhe traz certas vantagens, como o descanso, lazer, mas 
também graves desvantagens, como desvalorização e desqualificação. Geralmente, alguns 
idosos acabam suprindo parte desse tempo com seus netos e bisnetos.
Caro acadêmico, essa parte será melhor descrita no próximo item. 
Barros (2000) enfatiza que em nossa sociedade o ser humano está intimamente ligado 
ao processo de trabalho, produção, construção de família e ganhos. Diante disto, aposentar-se 
pode significar uma fase ameaçadora e até desastrosa.
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Conforme Mendes (2000) a aposentadoria foi concebida como uma 
instituição social, assegurando aos indivíduos renda permanente até 
a morte, correspondendo à necessidade de segurança individual.
DICA
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Sinopse:
A maior contribuição de Amor (o 
filme) é escancarar de forma realista 
a experiência da fase mais tardia (e 
difícil) do envelhecimento, por meio 
do protagonismo de Georges e Anne, 
um casal de idosos que aparenta ter 
80 e muitos anos, que passa pelo 
momento duríssimo em que um dos 
dois rapidamente perde parte das 
funções motoras e começa fisicamente 
a se degradar.
Diretor: Michael Haneke
5 A FAMÍLIA E OS IDOSOS
Em todas as fases da vida a família desempenha um importante papel no desenvolvimento 
e no fortalecimento dos vínculos. Considerandoque em cada fase a família exerce papel 
diferente, porém nem por isso menos importante. 
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Segundo o Art. 3° do Estatuto do Idoso, é responsabilidade: 
Da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao 
idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à ali-
mentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, 
à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária 
(BRASIL, 2003).
A partir da promulgação do Estatuto do Idoso, a sociedade recebe um importante 
instrumento que garante o acesso aos direitos enquanto idoso, buscando cada vez mais 
possibilidades de uma melhor qualidade de vida. O Estatuto do Idoso veio para garantir esses 
direitos, trazendo um olhar diferenciado, e concretiza o idoso como sujeito de direitos. A 
sociedade contemporânea precisa avançar bastante em relação a esta parcela da população.
Compreendemos que não basta o Estatuto trazer inúmeras mudanças e propor 
conquistas, se não houver mudanças de comportamento da sociedade em geral, mudança 
das atitudes da sociedade diante destas pessoas que estão em processo de envelhecimento 
ou já estão idosas.
FIGURA 11 - CICLO DE CONVIVÊNCIA
FONTE: As autoras
O envelhecimento é um processo contínuo e irreversível, pertinente a todos os seres 
vivos. Na humanidade, esse processo sofreu muitas alterações, pois desde o início da civilização, 
mais especificamente com os indígenas que cumpriam ordens dos chefes mais velhos das tribos, 
espalhando a tradição aos demais povos, os idosos representavam as maiores autoridades 
nos grupos. 
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Na contemporaneidade os idosos perpassam pelo entendimento da idade como fator 
de exclusão, até mesmo de violação de direitos, em que estes são desconsiderados pela 
sociedade e, muitas vezes, menosprezados pela própria família. 
Essa inversão de papéis entre pais e filhos vem dificultando a convivência familiar, já que 
os idosos vêm perdendo o poder de decisão dentro dos lares e precisam se readaptar a esta 
nova posição de obediência, a qual descaracteriza de certa maneira sua importância na família. 
A partir da visão de Leite (1995, p. 25), a mudança de papéis atribui uma nova realidade, 
na qual: 
Os filhos geralmente passam a ter responsabilidade pelos pais, mas muitas 
vezes se esquecem de uma das mais importantes necessidades: a de serem 
ouvidos. Os pais, muitas vezes, quando manifestam a vontade de conversar, 
percebem que os filhos não têm tempo de escutar as suas preocupações. 
O ambiente familiar influencia no comportamento dos idosos. Se este for instável, 
desestabiliza e reflete nas condições sociais e de saúde de seus membros, principalmente se 
entre eles houver idosos. Todos possuem funções, papéis, lugares e posições, e as diferenças 
de cada um devem ser respeitadas e levadas em consideração.
Nesse caso, podemos nominar as famílias que apresentam instabilidade e situação 
de risco, em que os idosos vivem num ambiente sem harmonia, desrespeito, tornando o 
relacionamento conflituoso e com muitas frustrações, com indivíduos deprimidos e agressivos. 
Essas instabilidades, segundo Barros (2000), provêm do retrocesso na vida das pessoas. 
O idoso torna-se isolado socialmente e com medo de cometer erros e ser punido. 
Muitos desses casos de negligência e conflito com os idosos chegam nos serviços da 
política de assistência social, no CRAS ou no CREAS, a fim de fortalecer os laços da família 
ou na tentativa da superação de uma situação de violência. 
Nos lares onde os idosos são compreendidos em suas particularidades e especificidades, 
estes tendem a ser mais independentes e ativos, o que alivia a sobrecarga da família. 
Nessa linha é possível considerar que a família representa para os idosos uma 
segurança, porém, depende de vários fatores para que se tenha adaptação, e de como os 
indivíduos do grupo familiar se reconhecem no processo.
Nestes últimos anos o número de pessoas que precisam ser atendidas pelas políticas 
públicas tem aumentado consideravelmente, justamente pela possibilidade de se viver mais 
e melhor. Deve existir um conjunto de forças entre as diversas instituições, buscando cada 
vez mais garantir direitos para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para as 
pessoas com e acima de 60 anos de idade.
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É importante observar que o embate da violação de direito por risco pessoal e social não 
é de responsabilidade somente da política de assistência social, perpassa por uma complexidade 
macro de articulação em rede de ações complementares juntamente com outras políticas e 
órgãos, garantindo assim a defesa e proteção integral. 
Temos no país importantes iniciativas voltadas à proteção dos idosos. No que se refere 
aos serviços assistenciais, a Política Nacional da Assistência Social (PNAS, 2004) e a Norma 
Operacional Básica - Sistema Único da Assistência Social (NOB-SUAS, 2005) estabelecem 
um inovador modelo de operacionalização dos serviços. Integra este conjunto sobre a situação 
dos idosos a própria legislação, a Política Nacional do Idoso (1996), e também o Estatuto do 
Idoso, sancionado pela Lei n° 10.741, de 1º de outubro de 2003, que garante direitos exclusivos 
aos de idade igual ou superior a 60 anos, o que vem garantindo e possibilitando aos idosos 
afirmação e concretização de seus direitos, garantido assim uma melhor qualidade de vida 
para este público.
6 IDOSOS E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Quando os idosos conseguem entender que o envelhecimento é um processo e que 
precisam se adaptar, geralmente tendem a ampliar suas relações interpessoais em relação a 
atividades socioculturais, já que o lazer era secundário e o trabalho era a prioridade. Ou seja, 
além do ambiente familiar, os idosos passam a frequentar outras possibilidades de convivência 
comunitária para sair da solidão, em busca de afeto, carinho e troca de experiências, além da 
possibilidade de atividades ou ocupações, a partir da formação de grupos, que podem variar 
conforme sua regionalização. 
Na visão de Barros (2000), esse convívio social para os idosos representa a estimulação 
do pensar, do fazer, do dar, do trocar, do reformular e do aprender. Nesse sentido, as atividades 
em grupos representam uma maneira de formar e manter o indivíduo engajado socialmente, 
onde a relação com outras pessoas contribui de forma significativa na sua qualidade de vida, 
que ajudará a melhorar e tornar mais satisfatória sua vida.
LEITURA COMPLEMENTAR
SAÚDE, EDUCAÇÃO, QUALIDADE DE VIDA PARA 3ª IDADE
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
Profª. Meike Schubert
Profª. Greisse Moser
No decorrer da vida das pessoas em sociedade, e com a globalização, evolução 
tecnológica e humana, os seres humanos estão demonstrando uma preocupação muito 
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grande com a qualidade de vida e o aprimoramento intelectual, principalmente no que se refere 
às questões da saúde física e alimentar, além da importância da aprendizagem em novas 
tecnologias. E para a população idosa não é diferente, pois as pessoas idosas estão cada vez 
maisconectadas nos acontecimentos do mundo e com o mundo virtual, por intermédio das 
redes sociais, internet, telefonia, entre outras inovações tecnológicas.
Salienta-se que é notório o envolvimento e participação das pessoas idosas em todas as 
áreas, principalmente na área social, pois estão participando ativamente de grupos de terceira 
idade, atividades físicas, viagens individuais e em grupo, além de estarem se aprimorando 
intelectualmente em cursos pontuais de curta e média duração, mas também temos exemplos 
de idosos realizando o sonho da primeira graduação.
Realmente, é uma evolução humana e social da população idosa no Brasil e no mundo 
muito positiva, a qual vem demonstrando a renovação da vitalidade humana, melhoria da 
qualidade de vida e vontade de viver destas pessoas quem têm muito a ensinar para as futuras 
gerações, é a geração de brilho no olho, pois não se contentam mais com o aparente e o posto 
pela tradição social, política e econômica. Estão indo muito além do padrão convencional, 
buscam saúde alimentar e física, buscam inclusão digital e social, desejam participar de tudo o 
que for possível, mas, claro, sempre respeitando suas condições físicas, de saúde e financeiras.
Falando da questão da saúde alimentar, denota-se que é um tema de grande 
relevância na promoção da qualidade de vida no contexto social, e em especial, para os idosos, 
que representam uma crescente parcela da população brasileira e mundial. A alimentação 
saudável e correta beneficia a manutenção da saúde da pessoa idosa, o que significa a 
diminuição de doenças próprias que ocorrem nesta faixa etária. Para tanto, faz-se necessário 
o desenvolvimento de ações pelos profissionais de saúde, com o intuito de criar hábitos 
alimentares saudáveis, assim como estender a mudança comportamental à família do idoso. 
Trata-se de medidas que tornem as refeições mais prazerosas e seguras, a partir da oferta de 
alimentos preparados de forma variada e harmônica. 
No que se refere à saúde física, o idoso vem de um processo progressivo que 
altera o organismo, tornando-o mais suscetível a instabilidades motora e sensorial. Assim, a 
manutenção da saúde física ocorre pela prática de exercícios físicos que atuam na melhora da 
capacidade funcional dos movimentos, do equilíbrio e da força. A prática de esportes vem sendo 
implementada na rotina de muitos idosos, que encontraram nos esportes – como hidroginástica, 
musculação, caminhadas, por exemplo – uma forma prazerosa de cuidar da sua saúde física. 
E, por fim, um novo universo de possibilidades para a população idosa, que é a inclusão 
digital, proporcionando benefícios como informação, novos conhecimentos, atualização, 
aplicação de relações através de redes sociais e melhoria da autoestima. Eles utilizam as 
redes sociais tanto para conversar e interagir com amigos e familiares, além de jogar com 
outras pessoas. 
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Por conseguinte, estes três elementos propiciarão à população idosa uma melhoria 
significativa em sua qualidade de vida e em sua autoestima. E, consequentemente, vale a pena 
investir nestas atitudes positivas e saudáveis, pois quanto melhor a saúde alimentar, física e 
intelectual do idoso, melhor seu convívio social.
FONTE: PIERITZ, Vera Lúcia Hoffmann; SCHUBERT, Meike; MOSER, Greisse. Saúde, Educação, 
Qualidade de Vida para 3ª Idade. Indaial: UNIASSELVI/NEAD, 2016.
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Idosos no Brasil: Vivências, desafios e expectativas na 
terceira idade
Autora: Anita Liberalesso Néri. 
Sinopse: O livro Idosos no Brasil – Vivências, desafios e 
expectativas na terceira idade, organizado pela professora 
Anita Liberalesso Néri e coeditado pela Editora Fundação 
Perseu Abramo e pelas Edições SESC, reúne análises 
aprofundadas dos dados da pesquisa realizada pela Fundação 
Perseu Abramo em parceria com o Serviço Social do Comércio 
- SESC (Nacional e São Paulo).
QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO
Autora: Sandra M. Albuquerque
Sinopse: Este livro é um trabalho original na sua 
temática, em face da escassez de estudos sobre 
a população de idosos inseridos em programas de 
assistência domiciliar e sua qualidade de vida.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:
• A sociedade evolui rapidamente, com o avanço das tecnologias de informação decorrentes 
da evolução da informática. 
• O ser humano tem a capacidade de interpretar e se adaptar às mudanças, já que o próprio 
envelhecimento é um processo natural.
• É idosa, segundo o Estatuto do Idoso, a pessoa a partir de 60 anos de idade.
• O grupo com 75 anos ou mais teve o maior crescimento relativo nos últimos dez anos, em 
relação ao total da população idosa.
• Estima-se que no Brasil, até 2050, o número de idosos venha a triplicar na sociedade, o que 
vai representar cerca de 20% da população do país. 
• Os idosos representam uma parcela da população mais vulnerável no que diz respeito à 
necessidade de adaptação e cuidados, pensando na qualidade de vida.
• Aspectos psicossociais do processo de envelhecimento, o processo de evolução, qualidade 
de vida e seus avanços.
• O capitalismo considera o ser humano em três etapas: a infância, a adultez e a velhice.
• O processo de envelhecimento pode causar tensões psicológicas, sociais, familiares e 
comunitárias, pois demanda adaptação a essas mudanças. 
• O afastamento do trabalho e a chagada da aposentadoria são os grandes fatores de mudança 
para os idosos. 
• A aposentadoria fornece aos indivíduos renda permanente até a morte.
• Em todas as fases da vida a família desempenha um importante papel no desenvolvimento e 
no fortalecimento dos vínculos, considerando que em cada fase a família exerce papel diferente, 
porém nem por isso menos importante. 
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• O papel das políticas públicas e da sociedade, e a contribuição do Estatuto do Idoso, normas 
e leis que asseguram direitos e qualidade de vida ao idoso. 
• O envelhecimento é um processo contínuo e irreversível, que pertence a todos os seres vivos. 
• A inversão de papéis entre pais e filhos vem dificultando a convivência familiar, já que os 
idosos vêm perdendo o poder de decisão dentro dos lares.
• O ambiente familiar influencia no comportamento dos idosos.
• Quando os idosos conseguem entender que o envelhecimento é um processo e que precisam 
se adaptar, geralmente tendem a ampliar suas relações interpessoais.
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Agora é a sua vez de pensar e repensar o papel dos idosos na sociedade. 
Portanto, como futuro assistente social você deverá ser capaz de identificar algumas 
situações de risco no texto a seguir:
Maria e José são casados há 40 anos, têm cinco filhos. Moram sozinhos 
numa casa boa em um bairro de porte médio do município de Trindade do Sul. 
Ambos são aposentados, possuem uma renda mensal de dois salários-mínimos. 
O Sr. José ainda pratica algumas atividades de monocultura sustentável em 
sua propriedade, porém, todas as noites, após o trabalho, tem o hábito de parar 
no bar (é dependente de álcool). D. Maria é bastante ativa, porém precisa de 
acompanhamento psiquiátrico e faz uso contínuo de medicações,além de 
precisar controlar a pressão arterial. Os cinco filhos já saíram da casa dos pais e 
constituíram suas próprias famílias. Recentemente, durante os afazeres da casa, 
D. Maria escorregou, quebrando um dos membros inferiores e comprometendo sua 
mobilidade, necessita de cuidados contínuos, pois precisa de remédios e auxílio 
nas atividades da vida prática. O marido tenta ajudar, no entanto não consegue 
suprir essas necessidades, já que este também é idoso e não tem força suficiente 
para ajudar, além da possibilidade dele também se machucar.
1 Nesse texto você deverá identificar as principais vulnerabilidades que a família esteja 
vivenciando. 
2 Quais os encaminhamentos frente à questão que podem ser realizados pela política 
de Assistência Social?
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O PAPEL DAS PESSOAS COM 
DEFICIÊNCIA NA SOCIEDADE
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 2
As pessoas com deficiência eram tidas como invisíveis pela sociedade e pelas políticas 
públicas. Somente no início dos anos 90 é que essa parcela da população recebe notoriedade. 
Existiam movimentos isolados de atendimento específico, tais como: APAES, INES e ONGs.
A sociedade vem construindo ideologias de inclusão das pessoas com deficiência. 
Porém, esse é um processo lento, já que essa valorização precisa iniciar no âmbito familiar e se 
estender para a comunidade, e assim valorizar as potencialidades e não apenas as limitações, 
como vinha sendo feito até então. 
Qualquer que seja a deficiência, não podemos tratar de forma simples. Seja qual for 
a limitação, sempre haverá necessidade de compreender o processo e as possibilidades de 
desenvolvimento no contexto familiar e social. 
Sendo assim, podemos classificar e conceituar que a deficiência é toda e qualquer 
limitação que uma pessoa possa apresentar durante sua vida. Esta limitação ou perda pode 
ser visual, motora, auditiva e cognitiva, podendo ter características congênitas, que é quando 
acompanha o indivíduo em sua trajetória de vida, a qual pode surgir ao nascer, na gestação 
ou até mesmo adquirir durante sua vida.
UNIDADE 3
2 BREVE RELATO SOBRE A HISTÓRIA DA DEFICIÊNCIA
Os registros históricos que caracterizam como era reconhecida a deficiência na 
sociedade podem inclusive ser encontrados em algumas escrituras da Bíblia. 
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Em sua maioria eram referenciados com descaso, sobretudo quando se relatava sobre 
as pessoas cegas, mancas e os leprosos. 
Eram rejeitados, vistos na sociedade como mendicantes ou disseminadores de doenças 
contagiosas e incuráveis, eram estigmatizados como pessoas amaldiçoadas pelos deuses.
A sociedade caminhou com essa prática por muitas gerações, apoiando essas práticas 
de exclusão como sendo naturais.
 O atendimento dependia da boa vontade da comunidade em que o deficiente estava 
inserido, pois, dependendo da deficiência, servia como mão de obra barata ou fonte de diversão, 
como os bobos da corte. 
Há relatos de crueldades extremas em que crianças com deformidades eram deixadas 
em locais de florestas para serem mortas por algum animal feroz, ou mesmo largadas em 
buracos ou esgotos.
Durante a Idade Média houve uma mudança radical, as pessoas com alguma deformação 
ou deficiência mental eram tidas como enviadas por Deus, por isso passaram a viver nas igrejas 
sob a proteção dos padres.
 Há alguns relatos, em documentos da Igreja Católica, que descrevem que no momento 
em que entravam em crise, eram vistos como um ser diabólico, tornando-se um inimigo, eram 
perseguidos, aprisionados e torturados até a morte.
Somente em meados do século XVI despontam ideias sobre a natureza orgânica da 
deficiência como algo de causas naturais, nessa época surgem as primeiras ideias de tratamento 
por meio da astrologia, da alquimia e da própria magia. Foi somente no século seguinte que a 
medicina passou a ser uma opção, a qual fortaleceu a questão da organicidade, aumentando 
o entendimento da deficiência como processo natural. 
As pessoas eram céticas em sua crença, pois tinham certeza de que as pessoas 
necessitavam de isolamento, onde foram aprisionadas primeiramente em conventos, e em 
seguida foram construídos asilos e hospitais, sendo que o intuito primeiro era uma prisão, onde 
não pudessem oferecer riscos para a comunidade. 
 A medicina, em parceria com outras áreas, foi desenvolvendo novos conhecimentos 
em relação às deficiências. Somente na metade do século XIX, quando se inicia a etapa 
da institucionalização, as pessoas que apresentavam alguma deficiência eram alojadas e 
protegidas, em instituições residenciais, segregadoras ou em escolas especiais, construídas 
propositalmente em locais de difícil acesso, dificultando o convívio familiar, pois muitos faziam 
questão de esconder a proximidade familiar com um deficiente. 
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Apenas no século XX, com o surgimento de escolas públicas que disponibilizavam 
classes especiais, a pessoa com deficiência poderia receber escolarização, passando a ser 
pessoa cidadã provedora de direitos e não mais apenas deveres.
Acredita-se que as pessoas com deficiência que são inseridas podem desenvolver 
potencialidades para o convívio social, essa inserção partia do pressuposto da caridade ao 
assistencialismo puro. 
Destaca-se que no Brasil a história da Educação Especial começa por iniciativa do 
Governo Imperial, em 1854, com a criação do Instituto dos Meninos Cegos (hoje Instituto 
Benjamin Constant), e em 1957 pela criação do Instituto de Surdos-Mudos (hoje conhecido 
como: Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES), ambos localizados na cidade do 
Rio de Janeiro. 
 Com a abertura dos dois Institutos, houve uma conquista significativa no atendimento 
dos indivíduos com deficiência, oportunizando a conscientização e a reflexão a respeito da 
educação. Infelizmente, “os institutos atendiam apenas 35 cegos e 17 surdos” (MAZZOTTA, 
1996, p. 29), diante de uma demanda de 15.848 cegos e 11.595 surdos já diagnosticados, o 
que esclarece que a negligência ainda predominava para a grande maioria dos deficientes.
A Educação Especial se caracterizou por ações individualizadas, centralizadas no 
atendimento às pessoas com deficiência visual ou auditiva, deixando de lado as pessoas que 
apresentassem deficiência física e intelectual. 
Somente em 1960 teve início uma “Campanha Nacional de Educação e Reabilitação 
de Deficientes Mentais” (CADEME), onde familiares se posicionaram contra a segregação, 
buscando a inserção social dos deficientes intelectuais.
 A primeira vez em que a Educação Especial é referenciada no Brasil foi na extinta 
LDB 4.024/61, que se posicionava a favor da inclusão das pessoas com deficiência mental no 
sistema geral de educação. Infelizmente, a Lei 5.692/71 retoma a ideia de separação, onde os 
educandos que apresentam deficiências físicas ou mentais e os superdotados deveriam ser 
tratados diferencialmente e em classes especiais.
A década de 60 pode ter sido um marco na expansão de escolas especiais, pois antes 
do final da década foram registrados mais de 800 estabelecimentos de ensino para deficientes 
mentais, quatro vezes mais que as computadas em 1960.
Foi na década de 70 que os países considerados desenvolvidos criaram várias 
discussões e questionamentos sobre a integração dos deficientes mentais na sociedade.Contudo, no Brasil estava em processo a institucionalização da Educação Especial, 
sendo uma demanda na execução das políticas públicas, fortalecidas com a criação do Centro 
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Nacional de Educação Especial (CENESP), em 1973. Esse processo também fortalece o 
movimento de integração social das pessoas com deficiência, que possibilitou a integração 
dos indivíduos em ambientes escolares, recebendo uma educação próxima à oferecida aos 
alunos “normais”. 
A Organização das Nações Unidas (ONU) se posiciona pela primeira vez em 1985, 
durante uma Assembleia Geral, a qual recomenda que o ensino a pessoas com deficiência 
seja junto ao sistema regular de ensino. 
A Constituição Federal de 1988 segue essa mesma linha, garante atendimento 
educacional especializado às pessoas com deficiências, preferencialmente na rede regular de 
ensino; em sua emenda garante a melhoria de sua condição social e econômica, tornando-se 
uma prioridade, diante de uma educação especial sem efetivação na prática. O que resulta no 
surgimento de Congressos Mundiais de Educação com o objetivo de defender essa inclusão. 
A partir dos anos 80 é que a prática da integração social teve destaque mundialmente, 
com o movimento de lutas pelos direitos dos deficientes. 
Neste mesmo período, o Brasil ficou marcado pelos movimentos sociais em prol da 
população considerada marginalizada socialmente. O que resultou em várias intenções de 
mudanças e poucas ações. 
Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 208, institui na integração 
escolar uma norma constitucional, priorizando o atendimento aos indivíduos com deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino. 
Também referenciamos a nova LDB 9.393/96, que traz em seu Capítulo V que a 
educação das pessoas com deficiência deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. 
Bueno (1998) nos faz refletir que o acesso à escola de pessoas que apresentam deficiência está 
mais na parte de legitimação da marginalidade social do que na ampliação das oportunidades 
educacionais para esses indivíduos. 
 
Com o crescimento do número de pessoas com alguma deficiência, surge no cenário 
mundial a necessidade de discutir ainda mais a inclusão. Por esse motivo, em 1994 aconteceu 
o Encontro na cidade espanhola de Salamanca, com a presença de 92 países que criaram e 
assinaram um documento intitulado Declaração de Salamanca, que trata da equalização de 
oportunidades para as pessoas com deficiências, onde acreditam que as escolas regulares 
inclusivas são a forma mais eficaz de combater a discriminação. 
 Com a finalidade de fortalecer o acordo feito durante o encontro na Espanha, o Brasil 
publica em dezembro de 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96. 
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Essa lei divulga avanços expressivos, como o aumento da oferta da educação especial 
para a faixa etária de zero a seis anos, o conceito de melhoria da qualidade dos serviços 
educacionais para os alunos já inseridos no ensino regular.
Verificou-se que o Capítulo V dessa lei trata especificamente da Educação Especial, seu 
Artigo 58 diz que a educação especial deve ser oferecida preferencialmente na rede regular 
de ensino e, quando necessário, deve haver serviços de apoio especializado.
IMP
ORT
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Lei de Diretrizes e Bases LDB - 9.393/96
EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. 58. Entende-se por educação especial, 
para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar 
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para 
educando com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento 
e altas habilidades ou superdotação. (Redação dada pela Lei nº 
12.796, de 2013) § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio 
especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da 
clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional 
será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre 
que, em função das condições específicas dos alunos, não for 
possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 
3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, 
tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação 
infantil (BRASIL, 1996).
 Essa lei garante que os serviços especializados e o atendimento das necessidades 
específicas dos alunos sejam respeitados em sua diversidade. 
Contudo, as escolas não foram preparadas para receber essa clientela, já que muitos 
têm problemas motores e a lei de acessibilidade não foi colocada como prioridade, e o professor 
que que trabalhar diretamente com o aluno em sala sofre a carência de recursos pedagógicos 
e o agravante na fragilidade de sua formação acadêmica para lidar com esse educando. 
Em outubro de 2009 houve um encontro entre delegados de todo o mundo para avaliar 
os resultados dos 15 anos da Resolução de Salamanca e reafirmar o compromisso com a 
educação inclusiva mundialmente. 
Observou-se que foram criadas muitas expectativas no primeiro encontro realizado em 
1994, mas, infelizmente, muitas frustrações também. Nesta devolutiva compareceram somente 
54 países dos 92 que participaram no primeiro momento, e ainda soube-se que muitas das 
propostas ficaram engavetadas e que apenas em 2010 os países se conscientizaram sobre 
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a importância e estão se estruturando para oportunizar melhoras no processo de ensino-
aprendizagem das pessoas com deficiência. 
No Brasil, 14,5% da população possui alguma deficiência. Os resultados do 
Censo 2000 mostram que, aproximadamente, 24,6 milhões de pessoas (14,5% 
da população total) apresentaram algum tipo de incapacidade ou deficiência. 
São pessoas com, ao menos, alguma dificuldade de enxergar, ouvir, locomover-
-se ou alguma deficiência física e/ou mental. Entre 16,6 milhões de pessoas 
com algum grau de deficiência visual, quase 150 mil se declararam cegos. Já 
entre os 5,7 milhões de brasileiros com algum grau de deficiência auditiva, 
um pouco menos de 170 mil se declararam surdos. Os dados do Censo 2000 
mostram, também, que os homens predominam no caso de deficiência mental, 
física (especialmente no caso de falta de membro ou parte dele) e auditiva. O 
resultado é compatível com o tipo de atividade desenvolvida pelos homens e 
com o risco de acidentes de diversas causas. Já a predominância das mulhe-
res com dificuldades motoras (incapacidade de caminhar ou subir escadas) 
ou visuais é coerente com a composição por sexo da população idosa, com o 
predomínio de mulheres a partir dos 60 anos. O conceito ampliado utilizado no 
Censo 2000 para caracterizar as pessoas com deficiência, que inclui diversos 
graus de severidade na capacidade de enxergar, ouvir e locomover-se, é com-
patível com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e 
Saúde (CIF), divulgada em 2001 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) 
(IBGE, 2010, p. 32). 
A educação especial consiste em promover o desenvolvimento das habilidades e 
potencialidades em deficientes.
Muitas conquistas foram alcançadas pela lei, mas percebe-se que não é o que acontece 
no cotidiano escolar, pois a educação proposta não está sendo implementada, dificultando a 
permanência dos educandos em salas de aula devido à falta de acesso aos mesmos conteúdos 
disponibilizados para as crianças tidas como “normais”.Essa luta não é num todo ruim, pois possibilitou a inserção desses educandos na escola 
e na sociedade de forma sistemática, comparado aos tempos de segregação. 
3 INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE AS DEFICIÊNCIAS
O termo deficiência é utilizado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura 
psíquica, fisiológica ou anatômica. Refere-se à biologia estrutural e corporal da pessoa. 
A Organização Mundial de Saúde foi quem definiu esse termo. A expressão “pessoa com 
deficiência” se refere a qualquer pessoa que tenha uma deficiência, mas legalmente ela deve 
ser utilizada em relação à pessoa que tenha diagnóstico e esteja amparada pela legislação 
vigente. 
No entendimento da ONU (2006, p. 12):
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A deficiência é um conceito em evolução, resultado da interação entre a 
deficiência de uma pessoa e os obstáculos que impedem sua participação 
na sociedade. Quanto mais obstáculos, como barreiras físicas e condutas 
atitudinais impeditivas de sua integração, mais deficiente é uma pessoa. Não 
importa se a deficiência é física, mental, sensorial, múltipla ou resultante da 
vulnerabilidade etária. Mede-se a deficiência pelo grau da impossibilidade de 
interagir com o meio da forma mais autônoma possível.
O termo deficiente vem sendo considerado inadequado por alguns especialistas e por 
algumas organizações não governamentais, pois a terminologia vem carregada de negatividade 
e depreciação social. Outros acreditam que se mudar a nomenclatura, as pessoas tendem a 
negar sua própria situação ao não respeito da diferença. 
As pessoas com deficiência geralmente necesssitam de atendimento específico, sendo 
que o ensino regular passou a realizar o atendimento de pessoas com necessidades educativas 
especiais, sejam comportamentais, emocionais ou sociais.
FIGURA 12 - RECONHECENDO AS DEFICIÊNCIAS
FONTE: Disponível em: <http://www.portaleduca.com.br/curso/deficiencias-multiplas.html>. 
Acesso em: 28 mar. 2016.
O termo necessidades educativas especiais, após a Declaração de Salamanca, veio 
substituir o termo criança especial. Este novo termo engloba toda e qualquer necessidade atípica 
que demande abordagens específicas por parte das instituições, seja de ordem comportamental, 
social, familiar, emocional ou física.
Somente quando a sociedade conhecer os limites e as potencialidades dos 
portadores de necessidades especiais e for devidamente esclarecida sobre a 
realidade do dia a dia de um deficiente é que ocorrerá uma maior interação. 
Mas, para tanto, há necessidade de uma campanha educacional governamental 
(JUNIOR, 2004, p. 35).
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Conforme a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência 
(Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999), o portador de deficiência é aquele que apresenta 
perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que 
gere incapacidade para o desempenho de atividades, dentro do padrão considerado normal 
para o ser humano. Além de situações em que a deficiência é adquerida em caráter temporário 
ou permanente. 
A Convenção da Guatemala, internalizada à Constituição Brasileira pelo Decreto nº 
3.956/2001, no seu artigo 1º, define deficiência como “[...] uma restrição física, mental ou 
sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou 
mais atividades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e 
social”. Essa definição ratifica a deficiência como uma situação.
Ao longo da história surgiram vários conceitos para designar ou chamar a pessoa com 
significativo atraso cognitivo. Atualmente, a tendência mundial é usar a nomenclatura Deficiência 
Intelectual, por se referir ao funcionamento do intelecto especificamente e não ao funcionamento 
da mente como um todo e as possibilidades que temos em diferenciar a deficiência mental da 
doença mental, pois esse termo vem gerando dubiedade há vários anos. 
Foi após o evento organizado pela Organização Pan-Americana da Saúde e a 
Organização Mundial da Saúde, realizado na cidade de Montreal, Canadá, em outubro de 2004, 
que foi elaborada a Declaração de Montreal sobre Deficiência Intelectual, onde aprovou-se a 
mudança de nomenclatura de Deficiência Mental para Deficiência Intelectual. O termo passou 
a ser utilizado oficialmente em 1995, quando a Organização das Nações Unidas realizou, em 
Nova York, o simpósio chamado “Deficiência Intelectual: Programas, Políticas e Planejamento 
para o Futuro”.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2010), um bilhão de pessoas 
tem algum tipo de deficiência, sendo que 4% da população total do mundo têm deficiência 
intelectual. 
O Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, traz em sua redação que pessoa 
deficiente é aquela que apresenta determinadas deficiências.
3.1 DEFICIÊNCIA FÍSICA
A deficiência física ocasiona limitações em relação à coordenação motora em geral, 
sendo que ela atinge escalas diferentes em maior ou menor proporção. 
Dentre as principais causas é possível destacar: 
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• Lesões neurológicas.
• Lesões neuromusculares.
• Má-formação congênita.
• Má-formação em condições adquiridas. 
Existem situações em que a deficiência física compromete a agilidade no desenvolvimento 
das atividades da vida prática, na hora da preensão de objetos, porém as mais visíveis pela 
sociedade referem-se à questão da mobilidade. 
 Para entender bem esse processo é importante reconhecer os principais tipos de 
deficiência física, segundo o Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999:
Paraplegia, perda total das funções motoras dos membros inferiores; tetraple-
gias, perda total da função motora dos quatro membros, e hemiplegia, perda 
total das funções motoras de um hemisfério do corpo. Ainda são consideradas 
as amputações, os casos de paralisia cerebral e as ostomias - uso de sondas. 
Os níveis de comprometimento dependem da área do cérebro atingida, e estes podem 
interferir também em outras áreas: na linguagem, na questão pedagógica, na percepção 
espacial, entre outros. 
 Para simplificar, a Deficiência Física é a disfunção ou interrupção dos movimentos de 
um ou mais membros: superiores, inferiores, ou até mesmo os dois, vai depender sempre do 
grau de comprometimento ou tipo de acometimento, fala-se em paralisia ou paresia. 
A paralisia é um termo utilizado para referenciar a perda da capacidade de contração 
muscular voluntária, por interrupção funcional, que pode iniciar do córtex cerebral até o próprio 
músculo, impossibilitando assim a realização de qualquer movimento. O termo paresia é utilizado 
quando existe apenas uma limitação de movimentos. 
A paralisia é classificada por Wyllie (1951, p. 18) em:
Monoplegia, condição rara em que apenas um membro é afetado; Diplegia 
quando são afetados os membros superiores; Hemiplegia quando são afetados 
os membros do mesmo lado; Triplegia, condição rara em que três membros são 
afetados; Tetraplegia/Quadriplegia quando a paralisia atinge todos os membros, 
sendo que a maioria dos pacientes com este quadro apresenta lesões na sexta 
ou sétima vértebra; Paraplegia quando a paralisia afeta apenas os membros 
inferiores, podendo ter como causa resultante uma lesão medular torácica ou 
lombar. Este trauma ou doença altera a função medular,produz como conse-
quências, além de déficits sensitivos e motores, alterações viscerais e sexuais.
Essa capacidade de movimento parcial depende da condição e do estímulo que o sujeito 
recebe ou recebeu, há situações onde os movimentos não serão mais executados, existindo 
situações onde os movimentos podem ser recuperados ou melhorados.
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Filmes que retratam a deficiência física:
• Ferrugem e Osso
• Espíritos Indômitos
• Amargo Regresso
• Carne Trêmula
• Feliz Ano Velho
• Nascido em 4 de Julho
• O Berço Imperfeito
• O óleo de Lorenzo
• O Homem Elefante
• Uma janela para o céu 1 e 2
• Dr. Fantástico
• Johnny vai à guerra
• Meu pé esquerdo
• Inside I’m Dancing
• The Best Years of Our Lives
• Mar Adentro
• Murderball
• As sessões
• Os Melhores Dias de Nossas Vidas
• A Teoria de Tudo
3.2 DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Para que se possa compreender a questão da deficiência auditiva é importante que se 
compreenda o contexto em que essas expressões foram desenvolvidas. 
Segundo a Federação Nacional dos Surdos - FENEIS, a expressão mais comum a ser 
utilizada na sociedade é a de surdo-mudo, pois é a mais antiga a ser identificada, considerada 
no trato específico a pessoas surdas. Porém, essa nomenclatura não representa a realidade 
das pessoas surdas, pois uma pessoa surda nem sempre é uma pessoa muda, a surdez é 
outra deficiência. 
Nesse sentido, nos reportaremos às explicações de Rodrigues-Moura (2008, p. 51) sobre 
a surdez: “O surdo é o indivíduo em que a audição não é funcional para todos os sons e ruídos 
ambientais da vida; que apresenta altos graus de perda auditiva, prejudicando a aquisição da 
linguagem e impedindo a compreensão da fala através do ouvido”.
Esse cenário nos mostra claramente que nem todo surdo é mudo e nem todo mudo é 
surdo. Por isso a importância de conhecer a deficiência e suas especificidades.
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A questão da deficiência ainda é colocada pela sociedade de maneira secundária, 
pois as pessoas ouvintes preferem ignorar essa realidade, já que a maioria desconhece as 
particularidades básicas. Por essa razão referenciaremos Nogueira (2013), quando nos situa 
ao esclarecer que para os ouvintes é comum confundir surdez com deficiência auditiva, pois 
a terminologia deficiência auditiva parece menos preconceituosa. 
Porém, a realidade vivenciada pelos surdos é o contrário, eles preferem ser chamados 
de ”surdos”, pois entendem que essa é sua condição.
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A grande maioria dos surdos, no entanto, não gosta de ser chamada 
de deficientes auditivos, este termo os remete a ser deficientes.
Surdo-mudo é uma terminologia inadequada, e que não se utiliza 
(NOGUEIRA, 2013).
Outra informação importante a ser considerada é que estudos já comprovaram que 
pessoas surdas podem emitir sons e falas, portanto, não podem ser consideradas pessoas 
mudas. Segundo Fernandes (2003), surdez é a privação parcial ou total do sentido de ouvir.
Os sons emitidos são particularidades individuais, que podem ser mais ou menos 
compreensíveis, dependendo do contexto sócio-histórico e suas representações sociais na 
sociedade. 
Essa incapacidade pode ser de origem:
• Congênita.
• Causada por viroses maternas.
• Doenças tóxicas desenvolvidas durante a gravidez. 
• Predisposição genética etc.
• Ou adquirida.
Ou seja, é uma deficiência que pode ser desenvolvida no período de concepção, 
gestatório e após o nascimento. 
Segundo Coelho (2012), a perda auditiva depende da intensidade de perda auditiva 
que é medida conforme a intensidade necessária para amplificação do som; essa medida se 
dá comumente através de decibéis.
Para embasar essa questão, temos a Lei 10.048 e a 10.098, que norteiam critérios 
básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade 
reduzida. Elas definem a deficiência auditiva como: 
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• Perda bilateral 
• Parcial ou 
• Total.
Essa perda é considerada a partir de um exame chamado de audiometria, executado 
por um fonoaudiólogo ou médico otorrinolaringologista que mede a capacidade auditiva em 
decibéis.
Essa perda pode ser considerada: 
• Leve
• Moderada
• Profunda 
A perda auditiva é considerada a partir de 41 decibéis (dB) ou mais aferida por 
audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
ATE
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O!
O decibel (abrevia-se dB) é a unidade usada para medir a 
intensidade de um som.
DICA
S!
Filmes que retratam a deficiência auditiva:
• A música e o silêncio
• Filhos do silêncio 
• Adorável professor 
• O piano
• O país dos surdos
• O filme surdo de Beethoven
• O segredo de Beethoven
• Los amigos
• Querido Frankie
• Tortura silenciosa
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3.3 DEFICIÊNCIA VISUAL
Com relação à deficiência visual, podemos ressaltar que não é qualquer limitação que 
terá característica de deficiência, encontramos pessoas que podem apresentar diversos tipos 
de limitações e que, através de tratamento e o uso de lentes e cirurgia, resultam na correção da 
limitação, contribuindo assim para que a pessoa tenha melhor qualidade de vida na sociedade. 
A terminologia deficiência visual se refere à irreversibilidade na condição visual, 
independente do uso de próteses ou da realização de procedimentos cirúrgicos, geralmente 
ocasionada por problemas congênitos e/ou hereditários. 
A redução da capacidade visual pode ser:
• Leve
• Moderada 
• Severa
• Profunda (ausência total da resposta visual, caracterizada como a cegueira). 
Essa terminologia é reforçada pelos estudos desenvolvidos por Barraga (1976, p. 42), 
nos quais se distinguem três tipos de deficiência visual: 
•	Cegos: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão 
e precisam aprender através do método Braille e de meios de comunicação 
que não estejam relacionados com o uso da visão. 
•	Portadores de visão parcial: têm limitações da visão à distância, mas são 
capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no 
máximo a meio metro de distância. 
•	Portadores de visão reduzida: são considerados com problemas de visão 
que podem ser corrigidos através de cirurgias ou pela utilização de lentes.
A sociedade vem desenvolvendo estratégias de inserção das pessoas com deficiência 
visual na sociedade, possibilitando o convívio familiar e social, porém as dificuldades não são 
apenas da sociedade. Este processo inicia de maneira pessoal, identificando-se culturalmente 
como um processo de educação e reeducação do sujeito como corresponsável com a sociedade 
sobre sua inserção, pois não há inserção social se o sujeito não estiver consciente de sua 
condição peculiar.
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Filmes que retratam a deficiência visual:
• O Sino de Anya
• Além dos meus olhos
• Perfume de mulher
• À primeira vista
• Dançando no escuro
• Demolidor
• Castelos de gelo
• Ray
• Quando só o coração vê
• Um clarão nas trevas
• Vermelho como o céu
• Eu não quero voltar sozinho
• A cordo paraíso
3.4 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
Para entender o conceito de Deficiência Intelectual é importante conceituar a competência 
que a pessoa tem em aprender a elaboração conceitual, pois a deficiência intelectual é o 
desenvolvimento significativamente inferior à média, que se apresenta geralmente antes dos 
18 anos, e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: 
• Comunicação. 
• Cuidado pessoal. 
• Habilidades sociais. 
• Utilização dos recursos da comunidade.
• Saúde e segurança; habilidades acadêmicas; lazer e trabalho (HONORA, 
2008, p. 26).
Geralmente, quem apresenta a deficiência tem maior dificuldades em acompanhar 
o processo regular de aprendizagem, por isso faz-se necessário o apoio com adaptações 
curriculares que lhe permitam acompanhar o processo regular de ensino.
Quando o diagnóstico for deficiência intelectual grave ou severa, é porque necessita de 
muita orientação e auxílio, possui pouca ou nenhuma autonomia, dificuldades psicomotoras, 
geralmente sua comunicação oral é bem comprometida. 
Enquanto que a deficiência intelectual moderada ou média precisa ser estimulada, 
mas seus portadores são capazes de desenvolver habilidades autônomas em relação aos 
cuidados pessoais e sociais. Porém, desenvolvem capacidades para se comunicar através da 
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linguagem oral, mas apresentam dificuldades na expressão e compreensão oral, apresentam 
desenvolvimento motor que fornece possibilidades para adquirir alguns conhecimentos pré-
tecnológicos básicos que lhes permitam desenvolver algumas atividades pedagógicas, como 
a leitura e a escrita.
Segundo a visão de Tédde (2012, p. 34), a deficiência intelectual leve se apresenta:
Às vezes, as pessoas vivem normalmente sem nenhum diagnóstico, pois de-
senvolvem habilidades em relação ao convívio social, desenvolvem habilidades 
pedagógicas com alguma dificuldade, mas podem permanecer em classes 
comuns, embora precisem de um acompanhamento especial; apresentam 
atraso mínimo nas áreas perceptivas e motoras, geralmente não apresentam 
problemas de adaptação ao ambiente familiar e social e têm capacidade para 
se adaptar e integrar-se no mundo laboral.
Finalmente, a descrição das Condutas Típicas, que são manifestações comportamentais 
típicas das síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que resultam em 
atrasos significativos no desenvolvimento da pessoa que demande atendimento educacional 
especializado.
DICA
S!
Filmes que retratam a deficiência intelectual:
• Forrest Gump, o contador de histórias
• Gaby, uma história verdadeira 
• Gilbert Grape - Aprendiz de sonhador
• Meu filho, meu mundo
• Benny & Joon: Corações em conflito
• O guardião de memórias
• O oitavo dia
• Simples como amar
• Uma lição de amor
• Shine - Brilhante
• Loucos de amor
• O óleo de Lorenzo
• Eu me chamo Elisabeth
• Meu nome é Radio
• O Primeiro da Classe (Síndrome de Tourette)
• Taare Zameen Par (Dislexia)
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3.5 DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
É importante que você compreenda que a Deficiência Múltipla se refere à associação 
de duas ou mais deficiências, conforme o Decreto nº 5.296, art. 5º (BRASIL, 2004).
Segundo a classificação da deficiência múltipla, Carvalho (2006, p. 54) diferencia essa 
categoria em dimensões distintas:
• Física e psíquica: 
- associa a deficiência física à deficiência intelectual; 
- associa a deficiência física a transtornos mentais.
• Sensorial e psíquica: 
- engloba a deficiência auditiva associada à deficiência intelectual; 
- a deficiência visual à deficiência intelectual; 
- a deficiência auditiva a transtornos mentais; 
- perda visual a transtorno mental.
• Sensorial e física: 
- associa a deficiência auditiva à deficiência física; 
- a deficiência visual à deficiência física.
• Física, psíquica e sensorial: 
- traz a deficiência física associada à deficiência visual e à deficiência inte-
lectual; 
- a deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência intelectual; 
- a deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência visual.
Destacamos que existem possibilidades de haver outros transtornos associados. 
Considerando as deficiências múltiplas, podemos destacar ainda a Deficiência Múltipla 
Sensorial, que, conforme Campos (2003, p. 9), engloba: 
• A surdez com deficiência mental leve ou severa.
• A surdez com distúrbios neurológicos de conduta e emocionais.
• A surdez com deficiência física (leve ou severa).
• A baixa visão com deficiência mental leve ou severa.
• A baixa visão com distúrbios neurológicos emocionais, de linguagem e 
conduta.
• A baixa visão com deficiência física (leve ou severa).
• Cegueira com deficiência física (leve ou severa).
• Cegueira com deficiência mental (leve ou severa). 
• Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem.
Nesse sentido nos reportaremos ao programa TECNEP (2008, p. 6), o qual afirma que 
deficiência múltipla: 
É a deficiência auditiva ou a deficiência visual associada a outras deficiências 
(mental e/ou física), como também a distúrbios neurológicos, emocionais, 
linguagem e desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, 
dificultando a sua autossuficiência.
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Sendo que a deficiência múltipla pode se manifestar de diferentes formas, de acordo 
com o nível de desenvolvimento e de alteração de cada ordem e a necessidade especial 
condizente à pessoa (GODÓI, 2006).
Conforme as alterações e a influência em seu desenvolvimento, a pessoa com deficiência 
múltipla tende a ter comprometimentos diferentes, o que não a impede de ter uma vida social 
com participação e frequência na família e na comunidade, com possibilidades de expressão 
desde que suas particularidades sejam respeitadas e suas potencialidades estimuladas. 
Dentre as principais causas da deficiência múltipla destacamos, de acordo com Campos 
(2003): 
•	Icterícia (pele amarelada).
•	Otite médica crônica (infecção do ouvido).
•	Falta de oxigênio.
•	Sarampo.
•	Traumatismos. 
•	Glaucoma.
•	Tumor cerebral.
•	Toxoplasmose.
•	Catarata.
•	Casamentos consanguíneos.
•	Causas como prematuridade.
•	Sífilis congênita.
•	Meningite e rubéola materna. 
Além desses fatores já descritos, não podemos deixar de mencionar os fatores de 
risco como: doenças venéreas, gravidez de risco, falta de saneamento básico e infecções 
hospitalares (TECNEP, 2008).
Outro fator importante: segundo a Associação de Prevenção, Atendimento Especializado 
e Inclusão da Pessoa com Deficiência (2010), cerca de 1% da população brasileira tem 
deficiência múltipla.
Em relação à prevenção é possível destacar que, conforme Carvalho (2000, p. 56), sua 
incidência pode ser diminuída à medida que as pessoas tomarem providência:
• Antes da concepção da criança 
• Durante o período gestacional 
• Após o nascimento. 
Entende-se que se essas medidas fossem adotadas de maneira correta pelos casais, 
pelo menos 70% de todas as deficiências poderiam ser evitadas.
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Filmes que retratam a deficiência múltipla:
• Amy
• O Escafandro e a Borboleta
• O milagre de Anne Sullivan (br)/ O milagre de Helen Keller (pt)
• Cegos, surdos e loucos
• Sob suspeita
• Uma lição de amor
• Experimentando a vida
• Black
DICA
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Educação inclusiva, deficiência e contexto social: 
questões contemporâneas
Autora: Theresinha Miranda
Sinopse: O foco desta obra decorre da relevância de que o 
contexto sociocultural em que a pessoa está inserida serve 
de parâmetro para classificá-la como 'normal' e 'anormal' e 
enfatiza o ensino e a escola, bem como as formas e condições 
de aprendizagem. Essa perspectiva, em vez de procurar no 
aluno a origem de um problema, define o tipo de resposta 
educativa e de recursos e apoios que a escola deve proporcionar 
a esse aluno para que obtenha sucesso escolar. Por fim, em 
vez de pressupor que o aluno deve ajustar-se a padrões de 
'normalidade' para aprender, aponta para a escola o desafio de 
ajustar-se para atender à diversidade de seus alunos.
Esclarecendo as Deficiências
Autora: Marcia Honora 
Sinopse: Este livro enfoca conhecimentos sobre as deficiências, 
contendo dados clínicos, mediações pedagógicas, bibliografia 
específica, sites e filmes que abordam o tema, para que 
possamos estar mais preparados para a nossa atuação numa 
sociedade inclusiva.
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4 REFLETINDO SOBRE O ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
O Estatuto da Pessoa com Deficiência foi aprovado recentemente pela Lei 13.146, em 
2015. Nele são estabelecidas condições mínimas de acessibilidade e inclusão relacionadas 
à educação, saúde, trabalho, infraestrutura, entre outros. 
Essa lei assegura e promove condições de igualdade, exercício dos direitos e da 
liberdade fundamental, sendo assim, se viabiliza o processo de inclusão social e cidadania de 
todas as pessoas com deficiência.
O Brasil tem como primazia adaptar a legislação brasileira para acompanhar a Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a qual segue desde 2009. 
Nesse sentido, a lei considera pessoa com deficiência aquela que: “tem impedimento de 
longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma 
ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade 
de condições com as demais pessoas” (BRASIL, 2015).
O Estatuto garante, em seu artigo 6°, que as pessoas com deficiência não tenham 
nenhuma perda em relação à sua condição civil. Tendo direito a:
I - casar-se e constituir união estável; 
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos; 
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a 
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; 
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; 
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; 
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante 
ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas (BRA-
SIL, 2015). 
O Estatuto descreve os direitos fundamentais das pessoas com deficiência, bem como 
prevê crimes e infrações administrativas cometidas contra as pessoas com deficiência e seus 
direitos.
DICA
S!
Como sugestão, para ampliar seu conhecimento, faça a leitura na 
íntegra da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. - Estatuto 
da Pessoa com Deficiência.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-
2018/2015/Lei/L13146.htm>.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você viu que:
• Os primeiros registros referentes a pessoas com deficiência podem ser encontrados em 
algumas escrituras da Bíblia. 
• As pessoas com deficiência eram tidas como invisíveis pela sociedade e pelas políticas 
públicas. 
• Somente em 1960 teve início o trabalho de reconhecimento e inserção das pessoas com 
deficiência na sociedade.
• A Constituição Federal de 1988 normatiza o acesso das pessoas com deficiência nas unidades 
educacionais. 
• No Brasil, 14,5% da população possui alguma deficiência. 
• Não importa se a deficiência é física, mental, sensorial, múltipla ou resultante da vulnerabilidade 
etária. Mede-se a deficiência pelo grau da impossibilidade e incapacidade de interagir com o 
meio da forma mais autônoma possível.
• O entendimento sobre a deficiência é subdividido em cinco categorias: Física; Intelectual; 
Visual; Auditiva e Múltiplas.
o A deficiência física ocasiona limitações em relação à coordenação motora em 
geral.
o Na deficiência auditiva sua condição de ouvir, a audição, não é funcional para 
todos os sons e ruídos ambientais da vida.
o A deficiência visual refere-se à redução da capacidade visual. 
o A deficiência intelectual se caracteriza nas limitações de duas ou mais áreas 
adaptativas do ser humano, tais como: comunicação, cuidado pessoal, 
habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança; 
habilidades acadêmicas; lazer; e trabalho. 
o A deficiência múltipla refere-se à associação de duas ou mais deficiências. 
• O Estatuto da Pessoa com Deficiência foi um grande avanço, já que regulamenta e normatiza 
a possibilidade de inserção da pessoa com deficiências na sociedade como um todo.
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Agora é a sua vez de pensar qual o papel das pessoas com deficiência na 
sociedade. Nessa linha, estamos propondo a vocês uma leitura sobre a defiência 
intelectual a partir da visão de uma pessoa com deficiência intelectual.
FONTE: Disponível em: <http://inclusaoguarulhos.blogspot.com.br/2009/11/imagine-como-
deve-ser.html>. Acesso em: 25 abr. 2016.
1 Analisando esse texto, você observa algumas situações que identificam o sentimento 
dessa pessoa com deficiência intelectual. Quais?
Imagine como deve ser...
 
Imagine que as pessoas nunca falam diretamente com você,
Porém conversam sobre você na sua presença. 
Imagine que as crianças debocham de você na rua.
E os adultos o olham e falam em voz baixa nas suas costas. 
Imagine que as pessoas a tomam pelo braço.
E o levam pela rua sem dizer-lhe nunca onde está indo. 
Imagine que a você não é permitido ir a nenhuma parte só.
Imagine que os professores sempre fazem perguntas tolas como “Que cor é esta?” 
ou “Mostra-me o teu nariz” mesmo quando você já tem 18 anos. 
Imagine que as suas tentativas de fazer algo sempre são interrompidas
por pessoas que fazem por você. 
Imagine que está doente e ninguém se dá conta. 
Imagine que você ouve as pessoas constantemente
discutirem o que você pode ou não pode fazer. 
Imagine que você é um adulto, porém todos se referem a você como uma criança. 
Imagine que as pessoas estão sempre dizendo o que fazer,
porém nunca conversam com você. 
Imagine que as pessoas só esperam condutas inapropriadas de você.
Imagine que a você não é permitido tomar, sequer, a menor decisão pessoal. 
Este é o mundo das pessoas com deficiência intelectual. 
Autora: Judith LeBlanc
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2 Identifique algumas intervenções que são possíveis de serem realizadas pelo assistente 
social e objetivos que podem ser alcançados com as ações.
Intervenções Objetivos 
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A QUESTÃO DA MULHER NA 
ATUALIDADE
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 3
A mulher vem ampliando suas atribuições na sociedade, ela deixa de atender de maneira 
exclusiva ao espaço doméstico para se integrar cada vez mais no mercado de trabalho. 
Essa transformação reflete na mudança de paradigma, sendo que a mulher passa a ser 
reconhecida também pelas capacidades cognitivas e não apenas pelas capacidades físicas e 
organizacionais dos espaços familiares.
A sociedade está em processo de reconhecimento dessas potencialidades, pois a mulher 
se torna multifuncional na medida em que assume o papel na família, no mercado de trabalho 
e na legislação, a qual tem determinações específicas de promoção e proteção.
UNIDADE 3
2 O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE
O papel da mulher na sociedade sempre foi bastante estigmatizado, já que a ela eram 
atribuídas as principais atividades de uma organização em grupo. 
A convivência em grupo pressupõe certos comportamentos que precisam ser gerenciados 
para ter continuidade. Essas atribuições são variáveis conforme o grupo e classe social, posição 
na divisão social do trabalho, grau de instrução, credo religioso e o sexo, entre outros.
Nessa linha, referenciaremos o 2º art. da Lei Maria da Penha, o qual nos esclarece 
que: Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, 
nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana.
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Nessa linha, as questões de gênero retornam para a discussão sobre os papéis sociais 
na sociedade, sabendo que o papel da mulher vem tendo maior repercussão. Para compreender 
esta linha de raciocínio é preciso compreender que: 
• Sexo está ligado à questão biológica.
• Gênero está ligado à questão de comportamentos e identidade.
Essas duas nomenclaturas foram complementares até há poucos anos, porém hoje 
se entende que a identidade é uma construção cultural, fruto da vida em sociedade, ou seja, 
essa separação de papéis “coisas de menino e coisas de menina” reflete em um determinado 
período histórico e pode variar conforme sua diversidade cultural.
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A ideia que se pretende transmitir é que as diferenças entre 
homens e mulheres são construídas socialmente e reproduzidas 
nas várias instituições sociais, inclusive na escola, um dos locais 
em que o preconceito de gênero faz coro. (Não é que as diferenças 
biológicas não existam, existem sim, mas não podem ser colocadas 
em oposição, pois foram justamente elas que justificaram por 
anos a opressão e discriminação da sociedade sobre as mulheres).
As diferenças biológicas sempre foram o principal critério de distinção entre homens e 
mulheres e a ideia de gênero é uma quebra de paradigma, pois a mulher era tida como figura 
frágil e dependente dos homens, sejam família biológica (pai ou irmão) ou do marido, dando 
origem e continuidade à cultura patriarcal e machista.
Uma situação que fortalece e ilustra bem essa ideia é a questão do ritual da cerimônia 
do casamento. Neste, a figura do pai entrega a filha ao marido.
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FIGURA 13 - DAS MÃOS DO PAI PARA AS MÃOS DO MARIDO
FONTE: As autoras
2.1 A MULHER E SUA REPERCUSSÃO SÓCIO-HISTÓRICA 
 Ao longo da história essa questão de masculinidade e feminilidade vem se modificando 
conforme as transformações sociais ocorridas. Como o crescimento do regime capitalista e a 
ascensão da mulher no mercado de trabalho.
Essa transformação é ocasionada pelo acúmulo de funções, sendo que a mulher sai 
do espaço familiar e doméstico onde atende as necessidades do marido e dos filhos, além de 
atividades ligadas à monocultura familiar sustentável, para assumir mais responsabilidades, 
como operária nas fábricas e indústrias.
A Revolução Industrial representa uma revolução também na vida das mulheres, estas 
ficam responsáveis pelo trabalho junto às máquinas de tear e assim tornam-se responsáveis 
pela confecção.
O trabalho era realizado em ambientes hostis, com regime de trabalho forçado, horas 
consecutivas, igualando a mulher aos homens nas mesmas condições insalubres de trabalho. 
Esse processo é consequência do predomínio de uma organização social patriarcal, 
onde o trabalho da mulher é considerado inferior ao trabalho dos homens. Ao longo da história 
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essa questão de masculinidade e feminilidade vem se modificando conforme as transformações 
sociais ocorridas. Como o crescimento do regime capitalista e a ascensão da mulher no mercado 
de trabalho.
Essa transformação é ocasionada pelo acúmulo de funções, sendo que a mulher sai 
do espaço familiar e doméstico onde atende as necessidades do marido e dos filhos, além de 
atividades ligadas à monocultura familiar sustentável, para assumir mais responsabilidades, 
como operária nas fábricas e indústrias.
A Revolução Industrial representa uma revolução também na vida das mulheres, estas 
ficam responsáveis pelo trabalho junto às máquinas de tear e assim tornam-se responsáveis 
pela confecção.
O trabalho era realizado em ambientes hostis, com regime de trabalho forçado, horas 
consecutivas, igualando a mulher aos homens nas mesmas condições insalubres de trabalho. 
Esse processo é consequência do predomínio de uma organização social patriarcal, 
onde o trabalho da mulher é considerado inferior ao trabalho dos homens.
2.2 A MULHER NA CONTEMPORANEIDADE
O início do século XX é marcado pelo movimento feminista, que busca combater a 
opressão e discriminação contra as mulheres na sociedade. Esse movimento ganha maior 
repercussão com os movimentos sociais e a inserção da mulher nos espaços políticos, quando 
lhe é concedido o direito ao voto, em 1932.
O século XX também foi marcado pela quebra das ideias norte-americanas importadas 
para os demais países, em que a representatividade da mulher era vista como: figura feminina, 
de avental, bobs nos cabelos, no meio da cozinha, envolta por liquidificador, batedeira, fogão, 
entre outros utensílios domésticos. 
Nas décadas de 50, 60 e 70 a mulher tem mudanças fundamentais no papel social, 
desencadeado com o movimento hippie que representa a violação de padrões culturais, defendia 
a quebra de tabus, não apenas em relação à sexualidade, mas também com a possibilidade 
real do divórcio.
A tecnologia, cada vez mais avançada, está substituindo o trabalho braçal por máquinas 
e equipamentos, o que reflete na substituição da força física pelo trabalho intelectual. Resultando 
na possibilidade de inserção do trabalho da mulher nas mais diferentes áreas de atuação.
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A mulher vem ganhando cada vez mais repercussão, pois está assumindo cargos de 
responsabilidade e comando nas empresas, na gestão e na política, cargos em que antes 
predominava a figura masculina.
 Tais mudanças sociais requerem um novo entendimento sobre os papéis na sociedade. 
Segundo Ribeiro (2016), isto significa que mudanças no papel da mulher requerem mudanças 
no papel do homem, o qual passa por uma crise de identidade ao ter que dividir um espaço no 
qual outrora reinava absoluto.
 Essamudança de comportamento social da mulher faz com que ela opte por estabilidade 
profissional e financeira, o que eleva os níveis de escolaridade e diminuição das taxas de 
natalidade, já que a maternidade acontece de maneira tardia, quando comparada a décadas 
anteriores. 
É claro que essa mudança de paradigma é acompanhada pela cultura em que a mulher 
está inserida, sendo que pode ser de maneira mais ampla ou restrita. 
Outro fator importante que precisa ser questionado é que a mulher no mercado de 
trabalho realiza praticamente todas as atividades do homem, no entanto a igualdade salarial 
ainda é um desafio. 
A mulher, além de conquistar o mercado de trabalho, acumula as funções familiares 
de mãe, esposa, filha, entre outras, além das atividades domésticas de organização, limpeza 
e manutenção do lar. Essas questões referentes às funções domésticas e familiares ainda 
são entendidas pela sociedade como responsabilidade da mulher, embora o homem venha 
assumindo a corresponsabilidade de maneira tímida. 
3 A MULHER ENTRE AS CONQUISTAS E SEUS DESAFIOS FRENTE À REALIDADE
Quando se fala em mulher, nem tudo são conquistas. A mulher, em alguns casos, 
continua sendo discriminada, humilhada e maltratada. Questões de violência psicológica, 
física e sexual são noticiadas diariamente em praticamente todos os meios de comunicação.
A questão da violência contra a mulher vem sendo trabalhada na rede de apoio como 
um desafio de conscientização, pois o próprio ambiente familiar era restrito aos segmentos de 
apoio à orientação, dificultando a intervenção e o combate à violência. 
Atrelado a isto, o medo, a insegurança, vergonha e falta de conhecimento contribuem 
para que mulheres agredidas no ambiente familiar não denunciem seus agressores, mesmo 
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porque, na maioria das vezes, a agressão acontece por pessoas próximas, como maridos, 
companheiros, namorados, pais, irmãos, filhos ou outro integrante da família.
As mulheres alcançaram, a partir da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha), de 2006, a 
legitimidade da defesa própria, com instrumentos e serviços capazes de garantir seus direitos 
e o atendimento em situações de violência.
Segundo a cartilha da Petrobras (2013, p. 5):
A Lei 11.340/2006, além de representar uma grande conquista das mulheres, 
transformou-se na principal ferramenta de enfrentamento à violência doméstica 
contra as mulheres no Brasil. A sociedade entendeu que essas violências não 
podem ser banalizadas e que o problema e a responsabilidade são de todos.
A Lei Maria da Penha define violência doméstica e familiar a partir da vinculação 
relacionando-a ao gênero feminino de maneira abrangente, ampliando as diferenças culturais 
e sociais entre os sexos, incluindo todas as formas de relacionamento, desde um simples olhar, 
até as relações sexuais, passando pela linguagem e comunicação entre homens e mulheres.
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Quem é Maria da Penha?
Maria da Penha Maia Fernandes é uma brasileira que, em 1983, 
sofreu duas tentativas de homicídio por parte de seu ex-marido 
e pai de suas três filhas, o professor universitário e economista 
Marcos Viveiros. A primeira foi com um tiro em suas costas 
enquanto dormia e a segunda ao tentar eletrocutá-la no banho. 
O resultado das agressões foi a perda do movimento das pernas, 
o que a deixou paraplégica, presa a uma cadeira de rodas, além 
de outras sequelas.
Diante da impunidade do crime, Maria da Penha recorreu à 
Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados 
Americanos) para que a Justiça brasileira tomasse uma decisão 
definitiva diante das agressões contínuas que sofria. Em 2001, o 
Brasil foi condenado pela Comissão por omissão e impunidade no 
caso de violência contra as mulheres, e a lei foi finalmente criada.
Maria da Penha, representando milhares de mulheres que 
sofreram ou sofrem violência, tornou-se símbolo dessa luta em 
oposição à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
FONTE: Petrobras (2013)
A Lei Maria da Penha define cinco formas de agressão como violência doméstica e 
familiar:
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QUADRO 8 - TIPOS DE VIOLÊNCIA
VIOLÊNCIA 
PSICOLÓGICA
Pode causar dano emocional, diminuir a autoestima, prejudicar e 
perturbar o pleno desenvolvimento pessoal, degradar ou controlar 
comportamentos, ações, crenças e decisões mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação e isolamento, tirando 
a liberdade de pensamento ou ação (ameaça, perturbação da 
tranquilidade).
VIOLÊNCIA FÍSICA
Ofender a integridade ou a saúde corporal: bater, chutar, queimar, 
cortar, mutilar (vias de fato, lesões corporais).
VIOLÊNCIA MORAL
Ofender com calúnias, insultos ou difamação, lançar opiniões contra 
a reputação moral, críticas mentirosas e xingamentos (injúria, calúnia, 
difamação).
VIOLÊNCIA 
PATRIMONIAL
Reter, subtrair, destruir parcial ou totalmente objetos, instrumentos de 
trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos 
econômicos (dano, furto, roubo, apropriação).
VIOLÊNCIA 
SEXUAL
Presenciar, manter ou obrigar a participar de relação sexual não 
desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força 
que induza a mulher a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, 
a sua sexualidade (estupro).
FONTE: Fedeli; Manssur e Malveiro. Mulher vire a página. GEVID - Grupo de Enfrentamento à 
Violência Doméstica. São Paulo: Ministério Público, 2013.
A legislação brasileira estabelece várias formas de proteção em casos de violência 
contra a mulher, como:
• O afastamento do agressor do lar. 
• A proibição de sua aproximação e contato. 
• Prisão preventiva por descumprimento de ordem judicial que concede medidas 
protetivas. 
A lei prevê punição ao agressor pela violência: física, sexual, psicológica, moral e a 
patrimonial. No entanto, reprimindo e punindo a ação, essa prática continua sendo realidade 
em muitas famílias brasileiras. 
 É importante compreender que a violência contra a mulher acontece porque a mulher, 
a comunidade e a sociedade negligenciam e omitem essa realidade.
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FIGURA 14 - A MULHER NA SOCIEDADE
FONTE: Fedeli; Manssur e Malveiro (2013)
A mulher: Sofre sozinha, por vergonha não expõe o que acontece, não consegue reagir 
e não busca ajuda.
A comunidade: A família e os vizinhos têm conhecimento das agressões, de que a 
mulher sofre violência e fingem que não estão vendo e não se posicionam; não denunciam o 
homem e não cobram uma mudança de atitude.
A sociedade: Ainda predomina um modo de viver em que os homens julgam ter mais 
direitos e poder do que as mulheres e sobre as mulheres.
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O Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher 
criado em 2005 e coordenado diretamente pela 
Secretaria de Política para Mulheres, da Presidência 
da República. O serviço é gratuito, confidencial e 
funciona 24 horas por dia, sete dias da semana, 
incluindo feriados.
O Ligue 180 tem como objetivo receber relatos de 
violência contra as mulheres, acolher e orientar 
mulheres em situação de violência doméstica e 
familiar, assim como divulgar serviços disponíveis 
na rede de atendimento à mulher em todo o país.
FONTE: Petrobras (2013)
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Infelizmente, a questão da violência contra a mulher ainda é um dos problemas a 
serem superados, embora a “Lei Maria da Penha” signifique um avanço na luta pela defesa da 
integridade da mulher brasileira, porém, sabe-se que ainda há muito a se fazer por esta causa.
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Os termos “status” e “papel” são considerados como definidores 
da posição social e do modo geral de interação entre os indivíduos. 
A cada “status” pessoal têm-se papéis que, somados, definem 
a posição individual da pessoa, ou seja, a soma dos direitos e 
obrigações que representam o seu comportamento social.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ape/v18n4/a11v18n4.
pdf>. Acesso em: 4 maio 2016.
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História de 8 de março
 
No dia 8 de março de 1857, operárias 
de uma fábrica de tecidos, situada na 
cidade norte-americana de Nova York, 
fizeram uma grande greve. Ocuparam 
a fábrica e começaram a reivindicar 
melhores condições de trabalho, tais 
como: redução na carga diária de 
trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho 
diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres 
chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para 
executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do 
ambiente de trabalho.
 
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram 
trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 
130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
 
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na 
Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o 
"Dia Internacional da Mulher", em homenagem às mulheres 
que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 
1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU 
(Organização das Nações Unidas).
Disponível em: <http://www.tst.jus.br/diainternacionaldamulher>. 
Acesso em: 20 mar. 2016.
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QUADRO 9 - MULHERES IMPORTANTES NA HISTÓRIA
CLEÓPATRA
Foi a última rainha da dinastia ptolomaica que dominou 
o Egito após a Grécia ter invadido aquele país. Filha de 
Ptolomeu XII com sua irmã, ela subiu ao trono egípcio 
aos 17 anos de idade, após a morte do pai. Contudo, 
ela teve que dividir o trono com seu irmão, Ptolomeu 
XIII (com quem casou), e depois, com Ptolomeu XIV.
MARIA, Mãe de Jesus
Deu à luz, criou e educou Jesus Cristo. Nasceu, 
provavelmente em Jerusalém, por volta de 20 a.C.
JOANA D’ARC
Nasceu na França no ano de 1412 e morreu em 1431 
(época medieval). Foi uma importante personagem 
da história francesa durante a Guerra dos Cem 
Anos (1337-1453), quando seu país enfrentou a rival 
Inglaterra. Joana D’Arc foi canonizada (transformada 
em santa) no ano de 1920.
RAINHA VITÓRIA
Foi rainha do Reino Unido entre 1837 e 1901. Embora 
com poucos poderes políticos, se tornou um exemplo 
nacional da moral e dos bons valores e costumes.
ANITA GARIBALDI
Companheira do líder revolucionário Giuseppe 
Garibaldi, Anita foi um exemplo de mulher corajosa e 
forte. Lutou ao lado do marido na Guerra dos Farrapos.
PRINCESA ISABEL
Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela 
Gonzaga de Bragança nasceu no Palácio de São 
Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1846. 
Tornou-se a herdeira do trono brasileiro após a morte 
prematura do irmão mais velho. Teve importância para 
a História do Brasil ao assinar a Lei Áurea em 1888, 
que aboliu a escravidão no país.
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MARIE CURIE
Cientista polonesa, ganhou dois prêmios Nobel de 
Física (1903 e 1911). Fez importantes descobertas 
e avanços científicos na área da radioatividade. Foi 
também importante na descoberta de dois elementos 
químicos: polônio e rádio.
MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Importante missionária católica do século XX. Lutou 
pelos mais necessitados. Ganhou o Prêmio Nobel da 
Paz em 1979. Foi beatificada pela Igreja Católica em 
2003.
IRMÃ DULCE
Importante religiosa católica do século XX. Lutou em 
prol dos mais carentes e necessitados, destacando-se 
por suas obras de caridade e assistência social. Foi 
beatificada pela Igreja Católica em maio de 2011. 
INDIRA GANDHI
Foi primeira-ministra da Índia entre os anos de 1966 
e 1977 e depois entre 1980 e 1984. Fez um governo 
popular, voltado para os mais pobres.
MARGARET TATCHER
Política britânica, foi primeira-ministra do Reino Unido 
entre os anos de 1979 e 1990. Conhecida como a 
"dama de ferro", conseguiu implantar importantes 
reformas políticas e econômicas no Reino Unido.
FONTE: Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher_htm>. Acesso 
em: 25 abr. 2016. 
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DICA
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A MULHER DO PAI
Autora: Fernanda Carlos Borges
Sinopse: A mulher do pai surgiu com as separações de casais 
com filhos e seus novos casamentos. Nem mãe substituta nem 
madrasta, não se sabe se ela faz parte da família nem se é 
parente das crianças. Assim, ela fica numa posição marginal, 
posição essa que o livro discute de forma aprofundada e bem-
humorada, oferecendo ajuda para a mulher do pai enfrentar 
criativamente essa estranha situação.
MULHER, TRABALHO E MATERNIDADE – UMA VISÃO 
CONTEMPORÂNEA
Autora: Vera Maluf 
Sinopse: A ideia deste livro é oferecer uma contribuição 
reflexiva sobre o que as mulheres gostariam de propor aos 
homens como novos paradigmas de valores e crenças para 
uma sociedade mais justa e equilibrada na formação das novas 
gerações, proposta essa baseada nos discursos do universo 
feminino, que fundamentaram este livro.
DICA
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Sugerimos que você faça a leitura da Lei nº 11.340, de 7 de 
agosto de 2006, a qual é denominada Lei Maria da Penha.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm>. Acesso em: 24 abr. 2016.
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RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você viu que:
• O 2º art. da Lei Maria da Penha nos esclarece que: Toda mulher, independentemente de 
classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza 
dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana.
• As questões de gênero retornam para a discussão sobre os papéis sociais na sociedade. 
• As diferenças biológicas sempre foram o principal critério de distinção entre homens e 
mulheres.
• A ideia que se pretende é transmitir as diferenças entre homens e mulheres que são 
construídas socialmente e reproduzidas nas várias instituições sociais.
• Com o regime capitalista, a mulher passa a ter um acúmulo de funções, pois sai do espaço 
familiar e doméstico para assumir mais responsabilidades, como operária nas fábricas e 
indústrias.
• A Revolução Industrial representa uma revolução também na vida das mulheres, na qual 
estas ficam responsáveis pelas confecções nos teares.
• O trabalho nas indústrias igualava a mulher e os homens, pois enfrentavam as mesmas 
condições insalubres de trabalho. 
• O século XX é marcado pelo movimento feminista, que busca combater a opressão e 
discriminação contra as mulheres na sociedade.
• A mulher conquista o direito ao voto em 1932.
• Nas décadas de 50, 60 e 70 amulher rompe com os padrões culturais em relação à 
sexualidade, e também com a possibilidade do divórcio.
• A tecnologia substitui a força física pelo trabalho intelectual. O que resulta na possibilidade 
de inserção do trabalho da mulher nas mais diferentes áreas de atuação.
• Questões de violência psicológica, física e sexual são noticiadas diariamente em praticamente 
todos os meios de comunicação.
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• A questão da violência é um desafio para a rede de atendimento, pois a denúncia sobre o 
agressor é difícil, por ser geralmente uma pessoa próxima. 
• A Lei 11.340 - Lei Maria da Penha - é a principal ferramenta de enfrentamento à violência 
doméstica contra as mulheres no Brasil. 
• A Lei Maria da Penha define cinco formas de agressão como violência doméstica e familiar: 
Violência psicológica, física, moral, patrimonial e sexual.
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Para refletir um pouco sobre a dinâmica da mulher na sociedade e sua 
repercussão frente à violência, trazemos para análise os objetivos da campanha do 
Dia Mundial de Combate à Violência contra as mulheres.
No dia 25 de novembro foi lançado a Dia Mundial de Combate à Violência 
contra as mulheres e se estenderá até o dia 10 de dezembro, “Dia Internacional 
dos Direitos Humanos”.
A data de 25 de novembro de 1960 ficou conhecida mundialmente 
por conta do maior ato de violência cometida contra mulheres. As irmãs 
dominicanas Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, 
que lutavam por soluções para problemas sociais de seu país, foram 
perseguidas, diversas vezes presas, até serem brutalmente assassinadas. 
 
A partir daí, 25 de novembro passa a ser uma data de grande importância, 
principalmente para aquelas que sofrem ou já sofreram violência. 
FONTE: Disponível em: <http://www.caefe.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=339>. 
Acesso em: 20 abr. 2016.
1 Pensando a questão da mulher na atualidade, identifique:
a) Quais são as principais formas de violência?
b) Quais são seus principais agressores?
c) Quais as causas que impedem a mulher de realizar a denúncia?
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FECHAMENTO DA UNIDADE
Olá, prezado(a) acadêmico(a)! 
Essa unidade foi bastante ampla, pois trabalhou três temáticas bem distintas: Idosos, 
Pessoas com Deficiência e a Mulher. São conteúdos que você, futuro assistente social, 
possivelmente se deparará com frequência ao ingressar no mercado de trabalho.
O cenário mundial indica que haverá cada vez mais pessoas idosas, isso reflete na 
necessidade de desenvolver novas estratégias de atendimento e enfrentamento às expressões 
da questão social. Isso porque a Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que num fututo 
bem próximo será comum encontrar pelo menos um idoso em cada lar brasileiro. A pergunta 
mais simples é: E o que fazer com eles? O que podemos oportunizar enquanto profissinais?
Qual a reflexão que podemos fazer sobre a repercussão que o movimento em defesa 
dos direitos da pessoa com deficiência vem tendo? Pois, até pouco tempo, era uma parcela 
da população desconsiderada socialmente. Vêm repercutindo no cenário nacional discussões, 
principalmente após a promulgação do Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015), que 
entendem as pessoas de idade avançada como necessidade de atendimento prioritário e de 
qualidade.
 
No cenário nacional a mulher teve destaque recentemente, pois sua participação era 
pequena. Ela estava isolada nas atividades familiares e nos afazeres domésticos, sua ascensão 
ao mercado de traballho vem crescendo, porém ainda é vista de forma secundária quando 
avançamos para a questão da discussão salarial.
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REFERÊNCIAS
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Brasiliense, 1991. 
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Getúlio Vargas, 2000. 
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contrarreforma: desestruturação do Estado e perda de direitos. São Paulo: Cortez, 2003.
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especiais. 2. ed. Brasília: Ministério da Justiça/Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, 
1997. 
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1995. 
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24 de outubro de 1989, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa 
Portadora de Deficiência. Brasília, 1999. 
______. Parâmetros Curriculares Nacionais – Adaptações Curriculares: estratégias para 
a educação de alunos com necessidades especiais. Brasília: Ministério da Educação e do 
Desporto/Secretaria de Educação Fundamental, 1999.
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