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REVISÃO PEDAGOGIA I CURRÍCULO • Os teóricos críticos entendem o currículo como experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, em meio a relações sociais, e que contribuem para a construção das identidades dos estudantes. Para compreender a escola é preciso recorrer ao sentido amplo da palavra cultura, isto é, o conjunto de costumes, dos modos de viver, de vestir, das maneiras de pensar, das expressões de linguagem, dos valores das várias origens dos alunos. Consequentemente, a escola para ser bem- sucedida precisa colocar-se aberta às diversas culturas existentes nos grupos de alunos. ESCOLA X CULTURA EDUCAÇÃO E A LDB (9.394/96) A LDB estabelece que o ensino deverá ser ministrado com base no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Para que isto se efetive, a escola deve se pautar em um ensino que: o Considere seus educandos como sujeitos de seu processo de aprendizagem e não meros receptores de conhecimentos. o Promova a participação, estimulando “a voz” de todos educandos. o Estimule o respeito à diversidade e rejeite qualquer forma de discriminação. o Auxilie o educando na busca de sua autoconstrução e de seu modo de estar na vida mediante aprendizagens bem- sucedidas. ESCOLA X PRECONCEITO “ Não temos problema nenhum de racismo aqui. Eu, por exemplo, ao entrar em sala, trato todos os meus alunos como se fossem brancos”. Depoimentos como o acima, confirmam o complexo, variado e conflituoso no cenário cultural em que a escola está imersa. ESCOLA/PRECONCEITO O preconceito de gênero, que gera discriminação e violência contra as mulheres, se expressa no ambiente educacional de várias maneiras, como: conteúdos discriminatórios e imagens estereotipadas da mulher que são ainda reproduzidos em materiais didáticos e paradidáticos, em diferentes espaços e contextos educacionais. Para mudar essa realidade, faz-se necessário: o Ampliar e melhorar a qualidade do atendimento educacional, incluindo a valorização profissional dessa parcela da população. o Aumentar as taxas de matrícula feminina em todos os níveis e modalidades de ensino. o Promover ações afirmativas. ESCOLA E DIFERENÇAS CULTURAIS • “Os padrões de funcionamento da escolarização tendem à homogeneização. A escola tem sido e é um mecanismo de normatização. [...] A escola tem-se configurado, em sua ideologia e em seus usos organizativos e pedagógicos, como um instrumento de homogeneização e de assimilação à cultura dominante”.(SACRISTÁN in Cultura e Diversidade Cultural) • As críticas do autor indica um desafio à Educação: A valorização das diferentes identidades culturais, proposta pela Educação Intercultural. ESCOLA E DIFERENÇAS CULTURAIS • Diversos debates são travados acerca da capacidade da escola de absorver e trabalhar as diferenças culturais frente às questões suscitadas pelo fenômeno globalização. • Pensar a educação escolarizada a partir da dimensão cultural implica buscar modalidades de práticas pedagógicas que possibilitam, por um lado, a afirmação de um processo de globalização irreversível e, por outro, explosões de movimentos identitários. PLANEJAMENTO ESCOLAR • O planejamento é ato. É uma atividade que projeta, organiza e sistematiza o fazer docente. • Farias (2014) ressalta que existem cinco elementos a considerar no planejamento das situações de ensino: os objetivos, conteúdo, metodologia de ensino (procedimento) , recursos e avaliação. PLANEJAMENTO ESCOLAR O planejamento articula o que acontece dentro da escola com o contexto em que ela se insere. O planejamento é um processo de reflexão crítica a respeito das ações e opções ao alcance do professor. O planejamento escolar é um processo de racionalização, organização e coordenação da atividade do professor, PLANEJAMENTO e a diversidade na escola • As diversidades culturais e socioeconômicas compreendem diferentes formas de cooperação do adolescente e níveis de responsabilidades. • Os aspectos históricos e geográficos expõem uma diversidade regional marcada pela desigualdade, do ponto de vista do atendimento pleno dos direitos de cidadania. • Uma proposta curricular voltada para a cidadania deve preocupar-se necessariamente com as diversidades existentes na sociedade. FUNÇÕES DO PLANEJAMENTO ESCOLAR • Explicitar princípios, diretrizes e procedimentos do trabalho docente que assegurem a articulação entre as tarefas da escola e as exigências do contexto social e do processo de participação democrática. • Expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico, político-pedagógico e profissional, bem como, as ações efetivas que o professor realizará na sala de aula, através de objetivos, métodos e formas organizativas do ensino. FUNÇÕES DO PLANEJAMENTO ESCOLAR • Assegurar a racionalização, organização e coordenação do trabalho docente, de modo que a previsão das ações docentes possibilite ao professor a realização de um ensino de qualidade e evite a improvisação. • Atualizar o conteúdo do plano sempre que for revisto, aperfeiçoando-o em relação aos progressos feitos no campo de conhecimentos, adequando-os às condições de aprendizagem dos alunos, aos métodos, técnicas e recursos de ensino que fazem parte da experiência cotidiana. DIFERENTES TEORIAS DO CURRÍCULO • As teorias do currículo se diferenciam, inclusive, pela ênfase que dão à natureza da aprendizagem, do conhecimento, da cultura, da sociedade, enfim, à natureza humana. • As teorias tradicionais, procuram ser neutras • As chamadas teorias críticas e pós‐críticas, argumentam que nenhuma teoria é neutra ou desinteressada, mas que implica relações de poder e demonstra a preocupação com as conexões entre saber, identidade e poder. TEORIAS DO CURRÍCULO: tradicionais, críticas e pós-críticas • Teorias tradicionais pretendem ser “teorias” neutras, científicas, desinteressadas. Assim, ao aceitar o status quo, os conhecimentos e os saberes dominantes, acabam por se concentrar em questões técnicas, “o que?” e o “como?”, ou seja, nas questões de organização e elaboração do currículo. • As teorias tradicionais enfatizam os conceitos de ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, organização, planejamento, eficiência, objetivos. • Procura ser científica e objetiva, tendo como principal foco identificar os objetivos da educação escolarizada, formar o trabalhador especializado ou proporcionar à população uma educação geral, acadêmica. TEORIAS DO CURRÍCULO: tradicionais, críticas e pós-críticas • Teorias críticas sobre o currículo colocam em questão os pressupostos dos presentes arranjos sociais e educacionais; são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical, na tentativa de desenvolver conceitos que permitam compreender o que o currículo faz. • As teorias críticas sustentam que o currículo é uma invenção social, mantendo certa noção realista de currículo. Se a ideologia cedesse lugar ao verdadeiro conhecimento, o currículo e a sociedade seriam emancipados e libertados. TEORIAS DO CURRÍCULO: tradicionais, críticas e pós-críticas • A perspectiva crítica de currículo faz uma profunda crítica às bases do pensamento de organização curricular clássica. • Na perspectiva crítica de currículo, há um questionamento político do papel da educação na sociedade. • Preocupam‐se em desenvolver conceitos que permitem compreender, o que o currículo faz. • Portanto, no desenvolvimento desses conceitos, existe uma ligação entre educação e ideologia. TEORIAS DO CURRÍCULO: tradicionais, críticas e pós-críticas • Para as teorias críticas, o currículo é a construçãocultural de um modo de organizar uma série de práticas educativas. • As bases desta teoria são estudos sociológicos, filosóficos e antropológicos, sendo as ideias de Marx bastante marcantes. • A partir dessas ideias, o currículo passou a ser um espaço de poder, um meio pelo qual é reproduzida e mantida uma ideologia dominante, PODENDO também ser um espaço de construção, de libertação e de autonomia. TEORIAS DO CURRÍCULO: tradicionais, críticas e pós-críticas • As teorias pós-críticas continuam a enfatizar que o currículo não pode ser compreendido sem uma análise das relações de poder nas quais ele está envolvido. • Nas teorias pós-críticas, o poder está espalhado por toda a rede social. O mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade. • O currículo escolar, na perspectiva pós-crítica propõe: * que a base do planejamento educativo e sua construção seja permeada por concepções de homem e de sociedade. * a construção de um currículo multicultural que considere as manifestações culturais do mundo contemporâneo. TEORIAS DO CURRÍCULO: tradicionais, críticas e pós-críticas • As teorias pós-críticas continuam a enfatizar que o currículo não pode ser compreendido sem uma análise das relações de poder nas quais ele está envolvido. Nas teorias pós-críticas, entretanto, o poder está espalhado por toda a rede social. O mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade. • Teorias críticas e as Teorias pós-críticas argumentam que nenhuma teoria é neutra, científica ou desinteressada, mas que está implicada nas relações de poder. Sua questão central é: “por quê?”. Por que esse conhecimento e não outro? Estão preocupadas com as conexões entre saber, identidade e poder. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR (Currículo centrado nas disciplinas ou matérias escolares) • É uma sistemática de organização do trabalho pedagógico que se expressa em um quadro de horário, no qual temos um professor designado para uma turma, em um dado horário e em determinado espaço, para ministrar um conjunto de conteúdos previamente definidos no currículo, [e que tais conteúdos] podem fazer referência a um dado conhecimento acadêmico (História, Matemática, Química). 1993 - UNESCO constituiu uma Comissão para refletir sobre as formas pelas quais a educação poderia responder às exigências do século XXI. “EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR” - Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Diante dos múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais de paz, liberdade e justiça social. Jacques Delors FREIRE é a sua concepção de CURRÍCULO • Freire valoriza a dimensão filosófica do “currículo” como devendo ser histórico e interdisciplinar. • “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” EVA VIU A UVA INTEGRAÇÃO DAS DISCIPLINAS • Disciplina é o conjunto de conhecimentos específicos que têm as suas características próprias no terreno de ensino , da formação, dos mecanismos, dos métodos e dos materiais. • Segundo Piaget, as relações entre as disciplinas podem se dar em três níveis: Multidisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade. • São estratégias de integração disciplinar, para reunir as possibilidades de produção do conhecimento, em oposição ao conhecimento monodisciplinar. MULTIDISCIPLINARIDADE MULTIDISCIPLINARIDADE • Mais de uma disciplina; aparentemente, não tem relação uma com a outra; • Cada disciplina permanece com sua metodologia própria; não há um resultado integrado. • Segundo Piaget, é quando a solução de um problema requer a obtenção de informações de uma ou mais ciências ou setores do conhecimento sem que as disciplinas evocadas sejam alteadas ou enriquecidas. Plurisciplinaridade => Sistema de um só nível e de objetivos múltiplos; cooperação mas sem coordenação; há troca entre elas, ainda que não seja organizada; propõe estudar o mesmo objeto em várias disciplinas ao mesmo tempo. Sua finalidade ainda é “multidisciplinar”. Interdisciplinaridade =>Intercâmbio mútuo e interação de diversos conhecimentos de forma recíproca e coordenada; perspectiva metodológica comum a todos; integrar os resultados; permanecem os interesses próprios de cada disciplina, porém, buscam soluções dos seus próprios problemas através da articulação com as outras disciplinas. INTERDISCIPLINARIDADE • Caracteriza-se como nova concepção de divisão do saber e visa à interdependência, à interação e à comunicação existente entre as áreas do conhecimento. Há a interação e o compartilhamento de ideias, opiniões e explicações. Transdisciplinaridade => Etapa superior a interdisciplinaridade; não atinge apenas as interações ou reciprocidades, mas situa essas relações no interior de um sistema total; interação global das várias ciências; inovador; não é possível separar as matérias. A Transdisciplinariedade inaugura um NOVO JEITO DE VER o mundo, UM NOVO JEITO DE PENSAR o ensinar e aprender. “Na escola primária nos ensinam a isolar os objetos (do seu meio ambiente), a separar as disciplinas (em vez de reconhecer suas correlações), a dissociar os problemas, em vez de reunir e integrar. Obrigam- nos a reduzir o complexo ao simples, isto é, a separar o que está ligado; a decompor , e não a recompor; a eliminar tudo o que causa desordens ou contradições em nosso entendimento”(MORIN, 2001) Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • Segundo a BNCC uma das competências a ser desenvolvida no decorrer de toda Educação Básica é a da Cultura Digital. • A falta de acesso e o uso limitado das tecnologias nas escolas ampliam as desigualdades – PORQUE quem sabe usá-las está mais preparado para viver em sociedade. • A BNCC priorizou a inclusão da competência digital, e as escolas precisam assegurar a infraestrutura. • Para os professores, fica a tarefa de qualificar o uso para que os alunos façam o melhor proveito desses recursos. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR E A RELAÇÃO DE PODER Ocorre por diversos motivos: O processo de construção do conhecimento escolar sofre inegavelmente efeitos de relações de poder. Há uma fabricada hierarquia entre os saberes escolares que faz parecer que alguns são mais importantes do que outros. A hierarquia curricular estabelece bases na qual se valorizam diferentemente os conhecimentos escolares e se justifica a prioridade concedida a determinadas disciplinas. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR E A RELAÇÃO DE PODER Os conhecimentos que historicamente têm sido vistos como os mais importantes costumam ser avaliados segundo padrões vistos como mais rigorosos, ainda que não se problematize quem ganha e quem perde com essa hierarquia. “Chega-se mesmo a aceitar, sem questionamentos, que as vozes de docentes de determinadas disciplinas sejam ouvidas nos Conselhos de Classe com mais intensidade que docentes de disciplinas em que o processo de avaliação não se centra em provas ou testes escritos.” (MEC – Currículo Conhecimento e Cultura) Obrigada !!!!