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ANÁLISE MICROBIOLÓGICA COMPARATIVA DAS ÁGUAS DE MINAS DE ÁREA URBANA E RURAL PARA CONSUMO, DO MUNICÍPIO DE PORCIÚNCULA/RJ Deiny de Oliveira Matos Deliene Pavão Chilese Eduarda Pinho de Oliveira Gabriel Silva Maria Eduarda Rampazio Prof. Érica Santiago INTRODUÇÃO Segundo FREITAS et al.,2001, a água é um dos compostos químicos terrestres mais importante e com importância direta para evolução da vida. Nos dias atuais o homem possui grande necessidade do uso da água para atender suas necessidades, sendo ela de modo doméstico, industrial, agrícola, transporte hidroviário e outros como o destino de resíduos. Esses resíduos quando se apresentam na natureza em pequenas quantidades, são decompostos por microrganismos, e quando se apresentam em grandes quantidades são capazes de provocarem a degradação de bacias fluviais e até mesmo das costas, tornando inviável a presença e o ciclo de vida nesses habitats aquáticos (PONTES, 2004). Segundo a Portaria Nº. 2.914/2011 do Ministério da Saúde, água potável é água destinada ao consumo humano cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de portabilidade e que não ofereça riscos à saúde. Com o estabelecimento de portarias do Ministério da Saúde, a qualidade da água passa a ser de domínio público, uma vez que possui grande facilidade de contaminação e assim podendo ocasionar consequências aos seus usuários (BARCELOS, 1998). A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta dados em que 80% das doenças em países subdesenvolvidos são decorrentes do consumo humano de água contaminada. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) o número de países que se encontram em escassez d’água no mundo já chega a trinta e dois. E mais de um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável e quase três bilhões não faz uso de serviços de saneamento público (ABINAM, 2005). Segundo a ONU em 2050 cerca de 50 países entrará em escassez hídrica impedindo o abastecimento de água a população (BETTEGA et al., 2006). Contudo, a água potável pode ser adquirida de diferentes fontes. Segundo FREITAS et al.,2001, a população brasileira hoje obtém grande parte do recurso hídrico a partir de mananciais subterrâneos. Essa água subterrânea pode ser encontrada em nascentes d’água ou através de poços artesianos, esses por sua vez são encontrados entre duas camadas parcialmente impermeáveis, essas camadas dificultam o processo de contaminação, já o recurso adquirido através das nascentes d’água ou livres próximos da superfície, são mais suscetíveis à proliferação de microrganismos e a contaminação (SCORSAFAVA et al., 2010). Na maioria das vezes, apesar de abastecer rios, as nascentes são fontes de água para uso dos seres humanos, seja em área urbana ou rural. Normalmente, quem se responsabiliza pela distribuição da água em áreas urbanas são as empresas de saneamento, já nas áreas rurais, essa gestão é feita pelos próprios proprietários ou moradores da propriedade na qual a mina se localiza (ROMERO, 2017). A água para ser potável deve seguir alguns parâmetros e deverão acompanhar os padrões de potabilidade: água mole, pouco colorida, pouca turbidez, baixo teor de ferro, além de boa qualidade bacteriológica (SOUZA, 2014). Os mananciais superficiais como lagoas, açudes, rios e lagos, são indispensáveis o processo de tratamento, levando em consideração que os mesmos são mais vulneráveis a poluição do meio ambiente. O tratamento da água pode se dar de várias formas, principalmente na parte de clarificação, onde deverá ser considerando o índice de cor e turbidez em função do terreno e assoreamento. A Norma Brasileira 5626/98 da ABNT sugere que o abastecimento de água nas residências seja realizado diretamente da rede, de acordo com as condições permitidas. Quando acontece de não conseguir o uso direto de reservatórios essa norma estipula exigências e recomendações (BRASIL, 1998). Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi analisar a qualidade microbiológica das águas de duas minas localizadas no município de Porciúncula, uma na zona rural e outra na área urbana. METODOLOGIA Coleta da água As duas amostras foram coletadas em minas de água no mês de março, no município de Porciúncula, RJ, sendo uma de área urbana e a outra de área rural. Após a coleta foram encaminhadas para serem analisadas na Uni Redentor, em Itaperuna-RJ. Análise coliformes totais e termotolerantes Foi usada a técnica do número mais provável (NMP), no qual se refere ao processo em que se utilizam tubos múltiplos. Foram usados trinta tubos, quinze para cada amostra, sendo dez de concentração simples e cinco de concentração dupla para cada uma das amostras. Esse processo se deu em duas fases: presuntiva e confirmativa. Na primeira fase, retiraram-se assepticamente as amostras para serem transferidas para os tubos juntamente com o meio de cultura apropriado, sendo o Lauryl triptose. Foram preparadas três diluições sucessivas (10, 1, 0,1), que em seguida foram encubados a 35ºC por 48h. Após a encubação, os que obtiveram coloração opaca e/ou produção de gás no tubo de Durhan foram considerados como positivos para coliformes totais. Na segunda fase, fez-se a transferência com a alça de platina dos tubos que deram positivos para tubos agora contendo agora o meio de cultura Verde Brilhante, seguindo o mesmo processo de encubação por 48h, para analisar o NMP de coliformes totais. Por último, realizamos a fase complementar, simultaneamente ao teste confirmativo, para identificar coliformes termotolerantes, fizemos o repique dos tubos presuntivos para outros tubos, porém, agora contendo meio EC (meio de cultura confirmatório para coliformes termotolerantes) sendo incubados a 44,5ºC durante 24 h. Conforme o número de tubos positivos em cada uma das diluições e das fases usadas, confirma-se o número mais provável (NMP), a partir de tabelas estatísticas. RESULTADO A análise geral dos números descritos no gráfico 1 permite obsevar que nos dois pontos de coleta tanto a rural quanto a urbana ocorre à presença de coliformes totais e a mesma quantidade de colônias de coliformes totais. Complementarmente, observa-se que a coleta da área rural é a mais afetada possuindo um nmp (número mais provável) de bactérias de 240/100 ml. A presença de coliformes totais na água pode ser resultado de contato da água com matéria orgânica em decomposição. Gráfico 1 – Resultado dos coliformes totais e termotolerantes dos dois pontos coletados. No ponto de coleta da área rural possui os maiores valores de colônias de coliformes totais e coliformes termotolerantes. Já a coleta da área urbana se obteve negativo para coliformes termotolerantes. Segundo Liguori et al.,2010, o abastecimento de água à população deve ser fornecido em quantidade e qualidade apropriada. Essa água pode ser natural de minas, açudes, rios ou de recursos subterrâneos como água do lençol freático. Para a utilização dessas águas que se apresentaram contaminadas é necessário realizar um tratamento antes de sua utilização. A água contaminada por coliformes totais não possui bactérias do tipo patógenas, mas de acordo com a Portaria 2914, do Ministério da Saúde, água com resultado positivo para coliformes totais é considerada descartada para consumo humano, sendo assim não potável. A água deve possuir um controle de qualidade quando destinada ao consumo ou produção de alimentos, visando diminuir os riscos à saúde do usuário. Assim é necessário realizar periodicamente analise microbiológica da água, mantendo sempre a integridade e qualidade da água potável. CONCLUSÃO Com base nos resultados apresentados, foi possível concluir que a água coleta na área rural apresentou um alto índice positivo para bactérias termotolerantes. Sendo assim, não podendo ser utilizada para o consumo do homem, já que as mesmas são resistentes a altas temperaturas. Portanto, a ingestão dessa água poderia desencadear doenças devido ao seu alto fator contaminante. Já a amostra coletada na área urbana, teve um menor teor de contaminação e presença de bactérias, o que a torna viável para o consumo humano após alguns processos caseiros de tratamento, podendo ser o da fervura que é um procedimento de fácil acesso e execução; tratamento através de adição de cloro na água em forma de hipoclorito; filtragem por meio de filtros a base de carvão ativado, porém esse método não é tão eficaz quanto o da fervura e adição de cloro. REFERÊNCIA PESTANA, Melissa dos Santos Vidal. "SANEAMENTO: UM INDICADOR DE QUALIDADE DE VIDA NA COMUNIDADE DO ENTORNO DA LAGOA DO VIGÁRIO” 2015. RIZZATTI, Ivanise Maria et al. AVALIAÇÃO DE PARÂMETROS FÍSICOS, QUÍMICOS E MICROBIOLÓGIOS DE ÁGUA DE ALGUNS POÇOS DO BAIRRO JARDIM DAS COPAÍBAS, BOA VISTA, RORAIMA. Revista Eletrônica Ambiente, Gestão e Desenvolvimento, v. 11, n. 01, p. 17-32, 2018. SILVA, Gabriel, et al. ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA E MICROBIOLOGICA DA ÁGUA TRATADA DO MUNICÍPIO DE CÓRREGO DO OURO Revista Eletrônica Faculdade Montes Belos, 2015, 8.2. ROCHA, Amanda Gomes Krull. et al. AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DE POÇOS RAOS PRÓXIMOS A UM CÓRREGO. Revista Ciências do Ambiente On-Line. 2011. BUZANELLO, Elizandra Bruschiet al. DETERMINAÇÃO DE COLIFORMES TOTAIS E TERMOTOLERANTES NA ÁGUA DO LAGO MUNICIPAL DE CASCAVEL, PARANÁ. Revista Brasileira de Biociências, v. 6, n. S1, 2008. Portugal, Ana Sarah Brito, et al. “CONDIÇÕES HIGIÊNICOSSANITÁRIAS EM QUIOSQUES DE PRAIA EM VILA VELHA-ES”. DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde 10.4 (2015): 845-856. NORETE, Diésse Nascimento; CORREIA, Quezia Botelho; SÃO JOSÉ, Jackline Freitas Brilhante. QUALIDADE DA ÁGUA UTILIZADA EM QUIOSQUES DE PRAIA. Revista Ambiente e Água, 2018, 13.2. BRASIL,NBR(NormaBrasileira)26/98 da ABNT, 1998. CECCONELLO, Samanta Tolentino; CENTENO, Luana Nunes; GUEDES, Hugo Alexandre Soares. 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