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Universidade Luterana do Brasil – Ulbra Graduação em Fonoaudiologia Portfólio Thallita da Silva Rodrigues Disciplina: Fundamentos de Voz Professora: Eda Franco CANOAS 2019/1 Introdução. Este portfólio tem como objetivo reunir o conhecimento obtido através das aulas ministradas pela Profª. Fga Eda Franco, na disciplina de fundamentos de voz no primeiro semestre de 2019 na Universidade Luterana do Brasil. Bem como no auxílio da acadêmica nas demais disciplinas de voz e estágios. Laringe É o principal órgão do aparelho fonador. Composta por: cartilagens, músculos, membranas e mucosa. É dividida em três espaços: Supraglote: Estruturas acima da glote Glote: Espaço entre as PPVV Infraglote: Logo abaixo da glote Principais funções: Respiração, deglutição e fonação. Possui 9 cartilagens principais. 3 ímpares: Tireóidea, Cricóidea, Epiglote. 1 par principal: Aritenóideas. 2 pares de acessórias: Corniculadas e Cuneiformes. 2 pares de menor importância: Tritíceas e Sesamóides. Osso Hióide : responsável pela sustentação óssea da laringe; apoia os músculos da língua e é o único osso que não se articula aos demais. Cartilagens Cartilagem Tireóidea :é a maior das cartilagens que constitui a laringe. Nela há uma proeminência popularmente chamada de pomo-de-adão. Protege as pregas vocais. Varia o tamanho para homens e mulheres e definem o tamanho das pregas vocais. Cartilagem Cricóidea: é um anel formado de cartilagem hialina que fica na parte inferior da laringe, ligando-a à traqueia. Segunda maior da laringe. Cartilagens Aritenóideas: são pequenas cartilagens onde se fixam as pregas vocais. Respiração e fonação. UNIDADE FUNCIONAL DA LARINGE. Movimento ântero posterior, vertical e médio-lateral. Cartilagem Epiglote: é uma fina estrutura cartilaginosa, que fecha a comunicação da laringe com a traqueia durante a deglutição, impedindo que o alimento entre nas vias aéreas. Cartilagens Acessórias: Cartilagens de santarini. Forma de cone. Ficam no ápice das aritenóides. Cartilagens cuneiformes: Mergulhadas nas pregas ariepiglóticas. Provável participação na constrição supraglótica ântero-posterior – fechamento da laringe pelo abaixamento da epiglote. Cartilagens Trintíceas: Situadas nos ligamentos e membranas que conectam o corno superior da tireóide ao corno maior do hióide. Cartilagens Sesamóides: Situa-se nas bordas laterais das cartilagens aritenóideas. Musculatura A musculatura é dividida em dois grupos, musculatura intrínseca e musculatura extrínseca. -INTRÍNSECOS: Origem e inserção na laringe. -EXTRÍNSECOS: Uma inserção na laringe e outra fora dela, como no tórax, mandíbula ou no crânio. Musculatura Intrínseca Ação: abduz as PPVV, aduz as PPVV, tensão nas PPVV nas 3 funções: respiração, deglutição e fonação. Músculos pares a exceção do aritenóideo. TIREOARITENÓIDEO (TA)- É um músculo que forma a principal massa das pregas vocais. Eles originam-se no ângulo da cartilagem tireóidea e a inserção localiza-se principalmente no processo vocal. O TA é adutor, tensor e relaxador, ou seja, ele abaixa, encurta e espessa as pregas vocais. Esse movimento de encurtar e abduzir as pregas vocais faz com que ocorra a diminuição das distâncias entre as cartilagens aritenóideas e tireóidea. Como consequência desse movimento, as pregas vocais tornam-se com um feixe mais largo que por sua vez reduzirá a frequência da voz, tornando a voz mais grave. CRICOARITENÓIDEO POSTERIOR (CAP)- É um músculo par e o único músculo abdutor (promove a abertura) da laringe, por isso é responsável pela respiração. É conhecido como o músculo da vida. No final da emissão vocal, ele abduz as pregas vocais promovendo a inspiração. O CAP alonga, eleva e afila as pregas vocais, mantendo a borda livre arredondada. Ele auxilia no fechamento glótico, pois durante a contração desse músculo, ele desloca o processo muscular, abrindo as pregas vocais. Quanto mais soprosa está a voz, mais em ação está o CAP. CRICOARITENÓIDEO LATERAL (CAL)- É um músculo par, que aduz, abaixa e alonga a prega vocal, afilando sua borda livre. É o principal músculo adutor e ao contrair desloca o processo muscular anteriormente, fechando a glote. Ele aduz, abaixa e alonga as pregas vocais, com isso afila a borda livre, que fica mais arredondada tornando-as mais rígidas. É um músculo largo na forma de leque e tem origem na depressão rasa da face posterior da lâmina cricóidea enquanto que a inserção está no processo muscular da cartilagem aritenóidea. ARITENÓIDEOS (A)- O músculo aritenóideo oblíquo é o mais superficial e é formado por diversos fascículos que se originam na face posterior do processo muscular e na face póstero-lateral adjacente da cartilagem aritenóide contrária, formando a forma do “X”. As outras fibras musculares continuam em torno do ápice da cartilagem aritenóidea. É responsável pela adução e aproximação das cartilagens aritenóideas, promovendo a compressão medial da glote e fechando a região posterior. CRICOTIREÓIDEO (CT)- O CT é um músculo par e é considerado um adutor secundário, pois realiza a tensão longitudinal da prega vocal, promovendo o controle de frequência. Ao contrair,a frequência se eleva, tornando o som mais agudo. Além do TA, o outro músculo que pode tensionar ou alongar diretamente as pregas vocais é o CT. A distância entre a cartilagem tireóidea e os processos vocais aumenta para alongar as pregas vocais e posicioná-la para aumentar a tensão, que é fundamental para mudar a frequência. Tem origem no arco da cartilagem cricóidea, na região anterior, já a inserção ocorre na borda inferior da cartilagem tireóidea. Esse músculo aduz na posição paramediana, abaixa, estira, alonga e afila a prega vocal. Enrijece as camadas e angula a borda livre da prega vocal. Maior músculo intrínseco da laringe. ARIEPIGLÓTICO (AE)- Fibras esparsas nas pregas ariepiglóticas; Músculo contínuo ao feixe oblíquo do aritenóideo. Origem: feixe oblíquo do aritenóideo. Inserção: abaixo da epiglote. Contração: abaixa a epiglote e fecha a laringe. TIREOEPIGLÓTICO (TE)- Músculo pequeno. Origem: cartilagem tireóidea. Inserção: epiglote. Contração: retorno da epiglote à posição natural, após a contração da AE. Musculatura Extrínseca Interferem de modo indireto na fonação. Sua função é manter a posição da laringe no pescoço, elevar ou abaixar, mudar o ângulo e a tensão entre as cartilagens. *inserção no osso hióide: SUPRA HIÓIDEOS: Elevam a laringe no pescoço. INFRA HIÓIDES: Abaixam a laringe no pescoço. SUPRA-HIÓIDEOS: ESTILO-HIÓIDEO: Eleva e retrai o osso hioide. DIGÁSTRICO: Eleva o hioideo e deprime a mandíbula. MILO-HIÓIDEO: Eleva e projeta o hioide e a língua. GÊNIO-HIÓIDEO: Puxa a língua e o hioide para frente. Músculos Intrínsecos Ação principal Inervação TA Tireoaritenóideo Aduz, abaixa, encurta e espessa a prega vocal. Nervo laríngeo inferior (X par) CAP Cricoaritenoideo Posterior Aduz, eleva, alonga e afila a prega vocal. Nervo laríngeo inferior (X par) CAL Cricoaritenóideo Lateral Aduz, abaixa, alonga e afila a prega vocal. Nervo laríngeo inferior (X par) A Aritenóideo Aduz a glote posterior. Nervo laríngeo inferior (X par) CT Cricoaritenóideo Aduz na posição paramediana, abaixa, alonga e afila a prega vocal. Nervo laríngeo superior (X par)INFRA-HIÓIDEOS: ESTERNO-HIÓIDEO: Abaixa o osso hioide. ESTERNOTIREÓIDEO: Abaixa a cartilagem tireóidea. TIREO-HIÓIDEO: Aproxima a cartilagem tireóide e o osso hioide. OMO-HIÓIDEO: Abaixa e retrai o osso hioide. Ligamentos, juntas e membranas. Sua função é interligação. Ligamentos intrínsecos (conectam as cartilagens laríngeas entre si) e extrínsecas (conectam o osso hioide às cartilagens tireóide e epiglote; conectam as cartilagens cricóidea aos anéis traqueais). Pregas PREGA ARIEPIGLÓTICA: Formada por músculo ariepiglótico, tecido conectivo e mucosa. Estende-se das pontas das cartilagens aritenóideas até a epiglote. Vigoroso esfíncter da proteção da laringe. Fechamento para proteção, deglutição e outros. Durante a fonação: Contração parcial, traz brilho na voz; estilo Broadway. PREGAS VESTIBULARES: são as falsas pregas vocais ou bandas ventriculares. São dobras de tecido espesso e mole acima das pregas vocais. Na situação habitual não participam da fonação. São lateralizadas em relação às PPVV. Em frequências muito graves podem ser envolvidas passivamente; som basal; às vezes no sussurro ou quando a glote é incompetente. Estrutura anatômica da prega vocal As pregas vocais são uma estrutura multilaminada, onde cada camada apresenta propriedades mecânicas diferentes. De modo geral a prega vocal é composta de MUCOSA E MÚSCULO. Hirano (modelo corpo-cobertura) O epitélio pode ser visto como um fino papel plástico, resistente, cuja função é cobrir e manter a forma da prega vocal. É formado por tecido escamoso estratificado. A lâmina própria se divide em três camadas: camada superficial, camada intermediária , e camada profunda, com diferença crescente de rigidez. CAMADA SUPERFICIAL DA LÂMINA PRÓPRIA: é frequentemente chamada de espaço de Reinke, é uma camada solta, flexível e com poucos elementos, como se fosse uma leve gelatina, esta é a camada que vibra mais intensamente durante a fonação. CAMADA INTERMEDIÁRIA DA LÂMINA PRÓPRIA: está logo abaixo da superficial,é mais densa e composta de fibras elásticas, semelhantes a elásticos moles. CAMADA PROFUNDA DA LÂMINA PRÓPRIA: é composta por fibras de colágeno, mais rígidas comparadas a linhas de algodão O ligamento vocal é a junção das camadas intermediárias e profundas. O corpo da prega vocal é composto basicamente pelo músculo vocal. Diferença anatômica do trato vocal e parâmetros vocais A seguir devemos observar a comparação entre diferenças anatômicas e aspectos vocais encontrados na infância, vida adulta e na terceira idade. Patologias de Prega Vocal Cisto Vocal O cisto epidermóide corresponde a uma cavidade fechada, localizada profundamente no interior da PV, em geral na camada superficial da lâmina própria, normalmente sem aderência ao epitélio e com ou sem aderência o ligamento vocal. O cisto pode ser assintomático, levemente sintomático ou com alteração vocal caracterizada por voz rouca, devido a irregularidade dos ciclos glóticos, e grave, devido ao aumento de massa na prega vocal. Qualidade Vocal Soprosidade, voz enfraquecida, mais esforço ao falar, cansaço vocal aparente, menos fôlego e rugosidade. Sulco Vocal O sulco vocal é uma depressão na PV que se dispões paralelamente à borda livre. Consiste em uma invaginação do epitélio e camada superficial da lâmina própria da prega vocal que se adere ao ligamento vocal. O sulco vocal pode se apresentar de diversas formas, de acordo com a invaginação da mucosa: sulco oculto, sulco estria e sulco bolsa. Sulco Oculto: É o sulco mais difícil de ser identificado, sendo sua presença percebida apenas em exames mais detalhados. (Estroboscopia Laríngea) O impacto vocal é mínimo na voz falada habitual, podendo haver redução na extensão vocal ou queixa de pouca resistência ao uso continuado da voz. Sulco estria: Pode ser divididos em dois tipos: estria menor e estria maior, de acordo com a sua invaginação nas camadas da mucosa. ❖ Sulco Estria Maior: A depressão na mucosa forma uma canaleta, geralmente paralela à borda livre da PV, bilateral e assimétrica. Possui dois lábios, um superior, mais flexível e um inferior, mais espesso e rígido, aderindo até a camada mais profunda da mucosa podendo alcançar o musculo vocal. A voz típica de do SEM é de qualidade desagradável, rouco-áspera, podendo ser também bitonal, aguda ou hiperaguda, o esforço vocal é nítido. ❖ Sulco Estria Menor: Aparece como uma linha atrófica, escurecida, cinza- azulada, podendo ser uni ou bilateral, simétrico ou assimétrico, unitário ou múltiplo, ao longo da prega vocal, paralelo à sua borda livre , na face vestibular ou na face subglótica. A qualidade vocal apresenta comprometimento diretamente relacionado ao grau de adesão do sulco nas camadas de tecido da PV. Sulco Bolsa: Conhecido anteriormente como sulco aberto, pode parecer com o sulco estria maior ou com cisto. Pode produzir lesões secundárias como pólipos ,edemas, laringite crônica e até mesmo leucoplasia que é uma lesão pré- cancerígena. A voz é rouca e grave. Úlcera de contato Escavações bilaterais, às vezes unilaterais no início do desenvolvimento, que ocorrem na mucosa que reveste o processo vocal das cartilagens aritenóideas. Sintomas e alterações vocais: Pigarro constante, fadiga vocal, rugosidade e/ou soprosidade, odinofagia, odinofonia, otalgia reflexa. Granuloma Lesão uni ou bilateral de aspecto proliferativo, caracterizado por um crescimento benigno de tecido de granulação hipertófico. Situa-se na região posterior da laringe, recobrindo a ponta do processo vocal da cartilagem aritenóidea ou sobre a própria articulação cricoaritenóidea. Coloração esbranquiçada, amarelada ou avermelhada; Formato arredondado, bilobulado ou multilobulado e com rebordo irregular; Sintomas e alterações vocais: Origem Funcional Frequência grave, tensa, com ataques vocais bruscos e de intensidade tendendo a forte. Qualidade vocal crepitante, comprimida e de intensidade reduzida. A ressonância é laringofaríngea e a articulação dos sons da fala pode ser travada Síndrome de tensão musculoesquelética. Origem orgânica É possível que não existam sintomas vocais, apenas alterações cenestésicas. Pigarro; Sensação de corpo estranho na garganta; Odinofagia; Odinofonia; Otalgia reflexa. Leucoplasia Lesão esbranquiçada, com imagem de camadas de gesso, geralmente rasas, uni ou bilateral. Sintomas e alterações vocais: Fadiga vocal constante, falta de resistência ao uso contínuo da voz, voz áspera, bitonalidade/diplofonia, ataques vocais bruscos ou sopros, alterações de ressonância e dificuldade em falar baixo. Carcinoma O carcinoma espino-celular é um tumor mais frequente que acomete as pregas vocais. Alterações vocais: Voz soprosa; Fraca intensidade; Dificuldade de sonorização; Diminuição do tempo máximo fonatório. Papiloma É uma doença causada pelo HPV; em crianças, a transmissão do HPV seja vertical e ocorra no canal do parto; Em adultos por infecção primária através de contato com condilomas genitais (sexo oral). Alterações vocais: Rugosidade Soprosidade Disfonia (alteração da voz) Dispnéia (alteração do padrão respiratório). Disfonia Infantil São representadas por indivíduos que nascem com determinada patologia ligada à voz, estando relacionada a malformações e determinadas síndromes. Sintomas:Obstrução respiratória Distúrbio na deglutição Choro anormal As anomalias do suporte cartilagíneo laríngeo são constantemente diagnosticadas erroneamente, por serem pouco comuns. A laringomalácia é a mais comum de todas as anomalias congênitas da laringe, tem por característica a flacidez anormal das estruturas supraglóticas. A respiração é muito ruidosa e isso faz com que os pais se assustem, pensando que a criança possui alguma dificuldade respiratória. A epiglote tem a forma de ômega. Os cistos saculares e as laringoceles são facilmente confundidas, por serem muito parecidas. O cisto sacular é a dilatação do sáculo que não se comunica com o ventrículo, o tratamento no neonato é feito por incisão por laringoscopia direta, a atuação fonoaudiologica é complementar. A laringocele é uma dilatação anormal do sáculo que se comunica com a laringe através do ventrículo. O tratamento é por endoscopia, ressexando suas paredes junto com a mucosa. Assim como no cisto, a terapia fonoaudiologica é complementar. Nas alterações sindrômicas, podemos ressaltar a síndrome de Down que altera a musculatura, fazendo com que os músculos fiquem hipotônicos. A voz de uma criança com síndrome de Down é lentificada, pastosa e pode ser áspera também. Outra síndrome que compromete o trato vocal é a Cri-Du-Chat, onde a criança tem o choro estridente, semelhante a de um gato. Nas alterações neurológicas, podemos ressaltar a paralisia cerebral, onde o paciente pode ser hipo ou hipertônico, resultando em alterações na articulação da fala, fluência e prosódia. Edema de Reinke É um lesão organofuncional decorrente de comportamento vocal alterado e inadequado.As pregas vocais tornam-se progressivamente edematosas (inchadas) . O edema ocorre pelo acúmulo de líquido no espaço de Reinke, região situada logo abaixo do epitélio de cobertura das pregas vocais. À medida que o líquido se acumula, este espaço se alarga, fazendo com que a prega vocal aumente sua espessura e se projete para o interior da laringe. Paralisia de PV As pregas vocais encontram-se sem mobilidade. Acomete mais no lado esquerdo, as causas podem ser infecção no nervo vago e infecção no nervo laríngeo, ambas as causas podem ser de traumatismos secundários e/ou cirurgias cervicais, intubação traqueal, acidentes automobilísticos e ferimentos por armas. As pregas podem mobilizar em posição de adução, que pode haver dificuldade respiratória ou em posição de abdução, onde pode ocorrer aspiração de alimentos ou até mesmo de saliva. Pólipos Correspondem a formações não cancerosas que surgem em consequência do uso excessivo da voz, de reações alérgicas crônicas que acometem a laringe ou da inalação crônica de substâncias irritantes, como é o caso de poluentes industriais ou o tabaco. Na maioria das vezes, o surgimento dos pólipos é decorrente do mau uso da voz, ou seja, utilização de um timbre ou de um tom de voz forçado, especialmente quando se utiliza artificialmente uma frequência baixa. Deste modo, é comum o aparecimento dessa patologia em crianças que habitualmente comunicam-se por meio de gritos, vendedores ambulantes, telefonistas, cantores, políticos e professores, ou seja, profissionais que necessitam utilizar amplamente a voz em suas profissões. Nódulos Sua incidência é maior em mulheres, entre 25 à 35 anos de idade e em crianças de sexo masculino, devido a anatomia da prega vocal. Costuma ser decorrente do mau uso e abuso vocal. É uma lesão de massa benigna, costuma ser bilateral e tem como característica a cor esbranquiçada ou levemente avermelhada. A voz tende a ficar rouca, soprosa e áspera. Nódulos Infantis Os nódulos vocais que se dão na infância são lesões bilaterais na prega vocal, edematosas e que variam no tamanho. São considerados a lesão mais comum em crianças, existindo uma prevalência em meninos. Geralmente ocorrem na faixa etária dos 7 aos 9 anos, porém também podem aparecer antes desse período. Estão associados a comportamentos vocais excessivos e abusivos. Disfonias Neurológicas Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva do sistema nervoso central, que evolui causando atrofia progressiva da musculatura respiratória e dos membros, além de sintomas de origem bulbar como disartria e disfagia, resultando em morte ou ventilação mecânica permanente. Principais Alterações: - Disfagia: A dificuldade de deglutição pode ser decorrente de fraqueza muscular, espasticidade e incoordenação, podendo ocasionar desnutrição e desidratação. - Disartria: Sintoma inicial na maioria dos pacientes com acometimento bulbar, a fala torna-se ininteligível, sendo necessária a repetição frequente ou a utilização de comunicação não-verbal. Qualidade Vocal: Voz áspera,tensa-estrangulada; Soprosidade; Rugosidade (rouquidão) e rugosidade molhada; Inspiração audível; Frequência grave; Intensidade reduzida; Monoaltura; Monointensidade,; Tremor rápido ao redor de 10-20Hz; Hipernasalidade Parkinson A doença de Parkinson é uma alteração do sistema nervoso central, expressa de forma crônica e progressiva.É resultante da morte dos neurônios produtores de dopamina da substância negra. Características: -Tremor de repouso; - Rigidez (sensação de endurecimentos dos músculos); - Bradicinesia (atraso ou falsa iniciação do movimento e redução na sua velocidade após o inicio); - Anormalidades posturais; - Disfagia; -Alterações de voz e fala. Qualidade Vocal: - Intensidade reduzida; - Monointensidade; - Monoaltura; - Rouquidão; - Soprosidade; - Velocidade irregular (trechos acelerados); - Articulação reduzida e imprecisa; - Repetição de fonemas Coréia de Huntington É uma doença neurodegenerativa e hereditária, que impede ao individuo ter controle sobre seus movimentos, que são irregulares e podem ocorrem em qualquer parte do corpo. Pessoas que são acometidas pela Doença de Huntington apresentam movimentos involuntários por conta de contrações musculares irregulares, conhecido tecnicamente como coréia. Por ser uma doença neurológica, as principais características apresentadas pelos pacientes são os problemas motores e mentais,que englobam alterações de fala,linguagem e deglutição que interferem na comunicação e alimentação dos doentes,levando a prejuízos em seu convívio familiar e social. Qualidade Vocal: - Soprosidade transiente; - Voz tensa-estrangulada; - Nítido esforço fonatório; - Variações de intensidade; - Articulação distorcida, irregular e lenta; - Em relação a prosódia: intervalos prolongados, sons de duração irregular, pausas inadequadas, acentuação excessiva ou inadequada. Síndrome de Tourette Síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por tiques múltiplos, motores e vocais, que persistem por mais de um ano e geralmente se instalam na infância ou adolescência. Tem maior prevalência em homens. Tiques são movimentos estereotipados que envolvem os olhos, rosto, pescoço e ombros, podem ser simples ou complexos, e estar ou não associados a comportamentos obscenos ou de automutilação. Características dos Tiques: - Saltos; - Toques em partes do copo; - Pigarro excessivo; - Tosse; - Grunhidos; - Ruídos Guturais; - Latidos; - Ecolalia; - Coprolalia. Esclerose Múltipla É uma doença inflamatória de caráter autoimune, que comprometea mielina da substancia branca do cérebro, tronco e medula. A vulnerabilidade individual determinada geneticamente e a influência ambiental desencadeiam a doença. Qualidade Vocal: - Fraca Intensidade; - Emissão silabada; - Voz aspera; - Soprosidade; - Hipernasalidade; - Velocidade lenta; - Articulação imprecisa. Alzheimer O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade da pessoa. De início, o paciente começa a perder sua memória mais recente. Pode lembrar de acontecimentos de tempos atrás, mas esquece do que fez no dia. Com a evolução do quadro, o Alzheimer causa grande impacto no cotidiano da pessoa e afeta a capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e linguagem. A pessoa fica cada vez mais dependente da ajuda dos outros. O Alzheimer é a causa mais comum de demência - um grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. Na doença de Alzheimer, as células cerebrais degeneram e morrem, causando um declínio constante na memória e na função mental. A demência varia em gravidade desde o estágio mais brando, quando está apenas começando a afetar o funcionamento de uma pessoa, até o estágio mais grave, quando a pessoa deve depender completamente dos outros para atividades básicas da vida diária. Disfonias Toda e qualquer dificuldade ou alteração na emissão vocal que impede a produção natural da voz (Behlau e Pontes, 1995). A disfonia é um distúrbio de comunicação oral, no qual a voz não cumpre o seu papel de transmissão da mensagem verbal e emocional de um indivíduo. Pode ser por desvios na qualidade vocal, esforço na emissão, fadiga vocal, perda de potência vocal, variações de frequência fundamental, perda da eficiência vocal, baixa resistência vocal e sensações desagradáveis a emissão. Classificação das disfonias: As disfonias funcionais são classificadas em primárias onde há o uso incorreto da voz, secundária que são por inadaptações vocais e por alterações psicogênicas. DISFONIA FUNCIONAL PRIMÁRIA Pode estar relacionado a postura, falar em ambientes ruidosos e falar com a articulação travada (por ter uma possível alteração na articulação temporo- mandibular). DISFONIA FUNCIONAL SECUNDÁRIA Quanto menor a resistência, mais perceptível será a disfonia. Podem estar restritas ou envolver regiões ou estruturas. Quando a causa é por inadaptações anatômicas, geralmente é encontrado assimetrias laríngeas, desvios na proporção glótica ou sulcos vocais. As inadaptações funcionais ocorrem por incoordenação pneumofônica ou fonodeglutitória, ou ainda por alterações na respiração ou ressonância laríngea. DISFONIA FUNCIONAL POR ALTERAÇÕES PSICOGÊNICA O estresse emocional pode induzir a um comportamento diferente no uso da voz, que pode gerar laringopatologia funcional. Fendas Fendas triangulares posterior: Padrão feminino com pouca ou nenhuma interferência na qualidade vocal. Quando existir contração excessiva muscular, pode evoluir para fenda triangular médio posterior. Fenda triangular médio posterior: Esta fenda ocorre por um estado de contração excessiva da musculatura intrínseca da laringe. Por predomínio do CAP a laringe mantém as PPVV afastadas na região posterior. Fenda típica das STME. Associada ao nódulo, é considerada precursora destes. Inadaptações Fendas triangulares: A energia envolvida na produção do som, atua como um turbilhão no terço médio das PPVV, porque não existe vibração posterior pelo afastamento e nem anterior pelo excesso de aproximação (acúmulo de secreção na região) A energia acaba por traumatizar os tecidos, nódulos. Fenda triangular antero posterior: São menos comuns, há uma hipocontração da laringe em oposição a fenda triangular médio posterior. Projeção vocal é restrita, baixa intensidade. Inadaptação fônica, presbifonia, certas patologias neurológicas. Nas psicogênicas a base do triangulo é bem alargada e não há vibração da mucosa (fala articulada). Fendas fusiformes: Fenda Fusiforme Anterior: Há uma deficiência na atividade dos músculos CT. A frequência está levemente elevada. Porção vibrante reduzida. Fendas fusiformes antero posterior : Não há região de contato efetivo. Ocorre por alterações estruturais mínimas. Geralmente associada a hiperconstrição do vestíbulo. Fendas fusiformes posterior : Semelhante a fusiforme antero posterior com menor rigidez da região anterior. Fendas paralelas : Resultam provavelmente de inadaptações miodinâmicas e orgânicas (pouca mucosa). Pouco comuns, podem ser confundidas com triangular antero posterior. A falta de coaptação é uniforme ao longo das PPVV. Geram pouco impacto vocal. Pode haver redução da intensidade. Fendas duplas : Apresentam duas regiões de coaptação insuficientes, formando pequeno fuso anterior e triangulo posterior.São chamadas de triangular médio posterior com lesão. Fenda em ampulheta : Difere da fenda dupla porque existe aproximação da região posterior. Pode ser chamada de duplo fuso. É mais freqüente nas AEM com lesão de massa secundária. Está associada ao nódulo. Fendas irregulares : A borda livre não apresenta um traçado definido. Podem ser encontradas em quadros de inadaptação fônica associadas a diferentes tamanhos de PPVV, nas AEM , RGE, atrofias de PPVV, laringites crônicas, placas leucoplásicas, carcinoma, pós operatório de lesões, após radioterapia, terceira idade, e em quadros conversivos.