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Universidade Luterana do Brasil – Ulbra 
Graduação em Fonoaudiologia 
 
 
 
 
 
Portfólio 
 
 
Thallita da Silva Rodrigues 
Disciplina: Fundamentos de Voz 
Professora: Eda Franco 
 
 
 
CANOAS 
2019/1 
 
 
 
Introdução. 
 
Este portfólio tem como objetivo reunir o conhecimento obtido através das aulas 
ministradas pela Profª. Fga Eda Franco, na disciplina de fundamentos de voz no 
primeiro semestre de 2019 na Universidade Luterana do Brasil. Bem como no 
auxílio da acadêmica nas demais disciplinas de voz e estágios. 
 
 
 
 
Laringe 
 
É o principal órgão do aparelho fonador. Composta por: cartilagens, músculos, 
membranas e mucosa. 
É dividida em três espaços: 
Supraglote: Estruturas acima da glote 
Glote: Espaço entre as PPVV 
Infraglote: Logo abaixo da glote 
 
 
 
Principais funções: Respiração, deglutição e fonação. 
 
Possui 9 cartilagens principais. 
3 ímpares: Tireóidea, Cricóidea, Epiglote. 
1 par principal: Aritenóideas. 
2 pares de acessórias: Corniculadas e Cuneiformes. 
2 pares de menor importância: Tritíceas e Sesamóides. 
 
Osso Hióide : responsável pela sustentação óssea da laringe; apoia os músculos 
da língua e é o único osso que não se articula aos demais. 
 
 
 
Cartilagens 
 
Cartilagem Tireóidea :é a maior das cartilagens que constitui a laringe. Nela 
há uma proeminência popularmente chamada de pomo-de-adão. Protege as 
pregas vocais. Varia o tamanho para homens e mulheres e definem o 
tamanho das pregas vocais. 
Cartilagem Cricóidea: é um anel formado de cartilagem hialina que fica na 
parte inferior da laringe, ligando-a à traqueia. Segunda maior da laringe. 
Cartilagens Aritenóideas: são pequenas cartilagens onde se fixam as 
pregas vocais. Respiração e fonação. UNIDADE FUNCIONAL DA LARINGE. 
Movimento ântero posterior, vertical e médio-lateral. 
Cartilagem Epiglote: é uma fina estrutura cartilaginosa, que fecha a 
comunicação da laringe com a traqueia durante a deglutição, impedindo que 
o alimento entre nas vias aéreas. 
Cartilagens Acessórias: Cartilagens de santarini. Forma de cone. Ficam no 
ápice das aritenóides. 
Cartilagens cuneiformes: Mergulhadas nas pregas ariepiglóticas. Provável 
participação na constrição supraglótica ântero-posterior – fechamento da 
laringe pelo abaixamento da epiglote. 
Cartilagens Trintíceas: Situadas nos ligamentos e membranas que 
conectam o corno superior da tireóide ao corno maior do hióide. 
Cartilagens Sesamóides: Situa-se nas bordas laterais das cartilagens 
aritenóideas. 
 
 
 
 
 
 
Musculatura 
 
A musculatura é dividida em dois grupos, musculatura intrínseca e musculatura 
extrínseca. 
-INTRÍNSECOS: Origem e inserção na laringe. 
-EXTRÍNSECOS: Uma inserção na laringe e outra fora dela, como no tórax, 
mandíbula ou no crânio. 
 
Musculatura Intrínseca 
Ação: abduz as PPVV, aduz as PPVV, tensão nas PPVV nas 3 funções: 
respiração, deglutição e fonação. Músculos pares a exceção do aritenóideo. 
 
 
TIREOARITENÓIDEO (TA)- É um músculo que forma a principal massa das 
pregas vocais. Eles originam-se no ângulo da cartilagem tireóidea e a inserção 
localiza-se principalmente no processo vocal. O TA é adutor, tensor e relaxador, 
ou seja, ele abaixa, encurta e espessa as pregas vocais. Esse movimento de 
encurtar e abduzir as pregas vocais faz com que ocorra a diminuição das 
distâncias entre as cartilagens aritenóideas e tireóidea. Como consequência 
desse movimento, as pregas vocais tornam-se com um feixe mais largo que por 
sua vez reduzirá a frequência da voz, tornando a voz mais grave. 
CRICOARITENÓIDEO POSTERIOR (CAP)- É um músculo par e o único 
músculo abdutor (promove a abertura) da laringe, por isso é responsável pela 
 
 
respiração. É conhecido como o músculo da vida. No final da emissão vocal, ele 
abduz as pregas vocais promovendo a inspiração. 
O CAP alonga, eleva e afila as pregas vocais, mantendo a borda livre 
arredondada. Ele auxilia no fechamento glótico, pois durante a contração desse 
músculo, ele desloca o processo muscular, abrindo as pregas vocais. 
Quanto mais soprosa está a voz, mais em ação está o CAP. 
CRICOARITENÓIDEO LATERAL (CAL)- É um músculo par, que aduz, abaixa e 
alonga a prega vocal, afilando sua borda livre. É o principal músculo adutor e ao 
contrair desloca o processo muscular anteriormente, fechando a glote. 
Ele aduz, abaixa e alonga as pregas vocais, com isso afila a borda livre, que fica 
mais arredondada tornando-as mais rígidas. É um músculo largo na forma de 
leque e tem origem na depressão rasa da face posterior da lâmina cricóidea 
enquanto que a inserção está no processo muscular da cartilagem aritenóidea. 
ARITENÓIDEOS (A)- O músculo aritenóideo oblíquo é o mais superficial e é 
formado por diversos fascículos que se originam na face posterior do processo 
muscular e na face póstero-lateral adjacente da cartilagem aritenóide contrária, 
formando a forma do “X”. As outras fibras musculares continuam em torno do 
ápice da cartilagem aritenóidea. É responsável pela adução e aproximação das 
cartilagens aritenóideas, promovendo a compressão medial da glote e fechando 
a região posterior. 
CRICOTIREÓIDEO (CT)- O CT é um músculo par e é considerado um adutor 
secundário, pois realiza a tensão longitudinal da prega vocal, promovendo o 
controle de frequência. Ao contrair,a frequência se eleva, tornando o som mais 
agudo. Além do TA, o outro músculo que pode tensionar ou alongar diretamente 
as pregas vocais é o CT. A distância entre a cartilagem tireóidea e os processos 
vocais aumenta para alongar as pregas vocais e posicioná-la para aumentar a 
tensão, que é fundamental para mudar a frequência. Tem origem no arco da 
cartilagem cricóidea, na região anterior, já a inserção ocorre na borda inferior da 
cartilagem tireóidea. Esse músculo aduz na posição paramediana, abaixa, estira, 
alonga e afila a prega vocal. Enrijece as camadas e angula a borda livre da prega 
vocal. Maior músculo intrínseco da laringe. 
ARIEPIGLÓTICO (AE)- Fibras esparsas nas pregas ariepiglóticas; Músculo 
contínuo ao feixe oblíquo do aritenóideo. Origem: feixe oblíquo do aritenóideo. 
Inserção: abaixo da epiglote. Contração: abaixa a epiglote e fecha a laringe. 
TIREOEPIGLÓTICO (TE)- Músculo pequeno. Origem: cartilagem tireóidea. 
Inserção: epiglote. Contração: retorno da epiglote à posição natural, após a 
contração da AE. 
 
 
 
 
 
Musculatura Extrínseca 
Interferem de modo indireto na fonação. Sua função é manter a posição da 
laringe no pescoço, elevar ou abaixar, mudar o ângulo e a tensão entre as 
cartilagens. 
*inserção no osso hióide: 
SUPRA HIÓIDEOS: Elevam a laringe no pescoço. 
INFRA HIÓIDES: Abaixam a laringe no pescoço. 
 
SUPRA-HIÓIDEOS: 
ESTILO-HIÓIDEO: Eleva e retrai o osso hioide. 
DIGÁSTRICO: Eleva o hioideo e deprime a mandíbula. 
MILO-HIÓIDEO: Eleva e projeta o hioide e a língua. 
GÊNIO-HIÓIDEO: Puxa a língua e o hioide para frente. 
 
 
Músculos Intrínsecos 
 
Ação principal 
 
Inervação 
TA 
Tireoaritenóideo 
Aduz, abaixa, encurta e 
espessa a prega vocal. 
Nervo laríngeo inferior (X par) 
CAP 
Cricoaritenoideo Posterior 
Aduz, eleva, alonga e afila a 
prega vocal. 
Nervo laríngeo inferior (X par) 
CAL 
Cricoaritenóideo Lateral 
Aduz, abaixa, alonga e afila a 
prega vocal. 
Nervo laríngeo inferior (X par) 
A 
Aritenóideo 
Aduz a glote posterior. Nervo laríngeo inferior (X par) 
CT 
Cricoaritenóideo 
Aduz na posição 
paramediana, abaixa, alonga 
e afila a prega vocal. 
Nervo laríngeo superior (X 
par)INFRA-HIÓIDEOS: 
ESTERNO-HIÓIDEO: Abaixa o osso hioide. 
ESTERNOTIREÓIDEO: Abaixa a cartilagem tireóidea. 
TIREO-HIÓIDEO: Aproxima a cartilagem tireóide e o osso hioide. 
OMO-HIÓIDEO: Abaixa e retrai o osso hioide. 
 
 
 
Ligamentos, juntas e membranas. 
Sua função é interligação. Ligamentos intrínsecos (conectam as cartilagens 
laríngeas entre si) e extrínsecas (conectam o osso hioide às cartilagens tireóide 
e epiglote; conectam as cartilagens cricóidea aos anéis traqueais). 
 
Pregas 
PREGA ARIEPIGLÓTICA: Formada por músculo ariepiglótico, tecido conectivo 
e mucosa. 
Estende-se das pontas das cartilagens aritenóideas até a epiglote. Vigoroso 
esfíncter da proteção da laringe. Fechamento para proteção, deglutição e outros. 
Durante a fonação: Contração parcial, traz brilho na voz; estilo Broadway. 
PREGAS VESTIBULARES: são as falsas pregas vocais ou bandas ventriculares. 
São dobras de tecido espesso e mole acima das pregas vocais. Na situação 
habitual não participam da fonação. São lateralizadas em relação às PPVV. 
Em frequências muito graves podem ser envolvidas passivamente; som basal; 
às vezes no sussurro ou quando a glote é incompetente. 
 
Estrutura anatômica da prega vocal 
As pregas vocais são uma estrutura multilaminada, onde cada camada 
apresenta propriedades mecânicas diferentes. De modo geral a prega vocal é 
composta de MUCOSA E MÚSCULO. 
 
Hirano (modelo corpo-cobertura) 
 
 
 
O epitélio pode ser visto como um fino papel plástico, resistente, cuja função é 
cobrir e manter a forma da prega vocal. É formado por tecido escamoso 
estratificado. 
A lâmina própria se divide em três camadas: camada superficial, camada 
intermediária , e camada profunda, com diferença crescente de rigidez. 
CAMADA SUPERFICIAL DA LÂMINA PRÓPRIA: é frequentemente chamada de 
espaço de Reinke, é uma camada solta, flexível e com poucos elementos, como 
se fosse uma leve gelatina, esta é a camada que vibra mais intensamente 
durante a fonação. 
CAMADA INTERMEDIÁRIA DA LÂMINA PRÓPRIA: está logo abaixo da 
superficial,é mais densa e composta de fibras elásticas, semelhantes a elásticos 
moles. 
CAMADA PROFUNDA DA LÂMINA PRÓPRIA: é composta por fibras de 
colágeno, mais rígidas comparadas a linhas de algodão 
O ligamento vocal é a junção das camadas intermediárias e profundas. 
O corpo da prega vocal é composto basicamente pelo músculo vocal. 
 
 
Diferença anatômica do trato vocal e parâmetros vocais 
A seguir devemos observar a comparação entre diferenças anatômicas e 
aspectos vocais encontrados na infância, vida adulta e na terceira idade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Patologias de Prega Vocal 
 
Cisto Vocal 
O cisto epidermóide corresponde a uma cavidade fechada, localizada 
profundamente no interior da PV, em geral na camada superficial da lâmina 
própria, normalmente sem aderência ao epitélio e com ou sem aderência o 
ligamento vocal. 
 
O cisto pode ser assintomático, levemente sintomático ou com alteração vocal 
caracterizada por voz rouca, devido a 
irregularidade dos ciclos glóticos, e 
grave, devido ao aumento de massa na 
prega vocal. 
Qualidade Vocal 
Soprosidade, voz enfraquecida, mais 
esforço ao falar, cansaço vocal aparente, 
menos fôlego e rugosidade. 
 
 
 
Sulco Vocal 
O sulco vocal é uma depressão na PV que se dispões paralelamente à borda 
livre. Consiste em uma invaginação do epitélio e camada superficial da lâmina 
própria da prega vocal que se adere ao ligamento vocal. 
O sulco vocal pode se apresentar de diversas 
formas, de acordo com a invaginação da mucosa: 
sulco oculto, sulco estria e sulco bolsa. 
Sulco Oculto: É o sulco mais difícil de ser 
identificado, sendo sua presença percebida 
apenas em exames mais detalhados. 
(Estroboscopia Laríngea) 
O impacto vocal é mínimo na voz falada habitual, 
podendo haver redução na extensão vocal ou 
queixa de pouca resistência ao uso continuado da voz. 
Sulco estria: Pode ser divididos em dois tipos: estria menor e estria maior, de 
acordo com a sua invaginação nas camadas da mucosa. 
❖ Sulco Estria Maior: A depressão na mucosa forma uma canaleta, 
geralmente paralela à borda livre da PV, bilateral e assimétrica. Possui 
dois lábios, um superior, mais flexível e um inferior, mais espesso e rígido, 
aderindo até a camada mais profunda da mucosa podendo alcançar o 
musculo vocal. A voz típica de do SEM é de qualidade desagradável, 
rouco-áspera, podendo ser também bitonal, aguda ou hiperaguda, o 
esforço vocal é nítido. 
❖ Sulco Estria Menor: Aparece como uma linha atrófica, escurecida, cinza-
azulada, podendo ser uni ou bilateral, simétrico ou assimétrico, unitário ou 
múltiplo, ao longo da prega vocal, paralelo à sua borda livre , na face 
vestibular ou na face subglótica. A qualidade vocal apresenta 
comprometimento diretamente relacionado ao grau de adesão do sulco 
nas camadas de tecido da PV. 
Sulco Bolsa: Conhecido anteriormente como sulco aberto, pode parecer com o 
sulco estria maior ou com cisto. Pode produzir lesões secundárias como pólipos 
,edemas, laringite crônica e até mesmo leucoplasia que é uma lesão pré-
cancerígena. A voz é rouca e grave. 
 
Úlcera de contato 
Escavações bilaterais, às vezes unilaterais no início do 
desenvolvimento, que ocorrem na mucosa que reveste o 
processo vocal das cartilagens aritenóideas. Sintomas e 
alterações vocais: Pigarro constante, fadiga vocal, rugosidade 
e/ou soprosidade, odinofagia, odinofonia, otalgia reflexa. 
 
 
Granuloma 
Lesão uni ou bilateral de aspecto proliferativo, caracterizado por um 
crescimento benigno de tecido de granulação hipertófico. Situa-se na região 
posterior da laringe, recobrindo a ponta do processo vocal da cartilagem 
aritenóidea ou sobre a própria articulação cricoaritenóidea. 
 
Coloração esbranquiçada, amarelada ou 
avermelhada; 
Formato arredondado, bilobulado ou 
multilobulado e com rebordo irregular; 
 
 
 
Sintomas e alterações vocais: 
Origem Funcional 
Frequência grave, tensa, com ataques vocais bruscos e de intensidade tendendo 
a forte. 
Qualidade vocal crepitante, comprimida e de intensidade reduzida. 
A ressonância é laringofaríngea e a articulação dos sons da fala pode ser travada 
Síndrome de tensão musculoesquelética. 
Origem orgânica 
 É possível que não existam sintomas vocais, apenas alterações cenestésicas. 
Pigarro; 
Sensação de corpo estranho na garganta; 
Odinofagia; 
Odinofonia; 
Otalgia reflexa. 
 
Leucoplasia 
Lesão esbranquiçada, com imagem de camadas de 
gesso, geralmente rasas, uni ou bilateral. 
Sintomas e alterações vocais: Fadiga vocal constante, 
falta de resistência ao uso contínuo da voz, voz áspera, 
 
 
bitonalidade/diplofonia, ataques vocais bruscos ou sopros, alterações de 
ressonância e dificuldade em falar baixo. 
 
Carcinoma 
O carcinoma espino-celular é um tumor mais frequente que acomete as pregas 
vocais. 
 
Alterações vocais: 
 
Voz soprosa; 
Fraca intensidade; 
Dificuldade de sonorização; 
Diminuição do tempo máximo fonatório. 
 
Papiloma 
É uma doença causada pelo HPV; em crianças, a transmissão do HPV seja 
vertical e ocorra no canal do parto; 
Em adultos por infecção primária através de 
contato com condilomas genitais (sexo oral). 
Alterações vocais: 
 
Rugosidade 
Soprosidade 
Disfonia (alteração da voz) 
Dispnéia (alteração do padrão respiratório). 
 
Disfonia Infantil 
São representadas por indivíduos que nascem com determinada patologia ligada 
à voz, estando relacionada a malformações e determinadas síndromes. 
Sintomas:Obstrução respiratória 
Distúrbio na deglutição 
 
 
Choro anormal 
As anomalias do suporte cartilagíneo laríngeo são constantemente 
diagnosticadas erroneamente, por serem pouco comuns. A laringomalácia é a 
mais comum de todas as anomalias congênitas da laringe, tem por característica 
a flacidez anormal das estruturas supraglóticas. A respiração é muito ruidosa e 
isso faz com que os pais se assustem, pensando que a criança possui alguma 
dificuldade respiratória. A epiglote tem a forma de ômega. Os cistos saculares e 
as laringoceles são facilmente confundidas, por serem muito parecidas. O cisto 
sacular é a dilatação do sáculo que não se comunica com o ventrículo, o 
tratamento no neonato é feito por incisão por laringoscopia direta, a atuação 
fonoaudiologica é complementar. A laringocele é uma dilatação anormal do 
sáculo que se comunica com a laringe através do ventrículo. O tratamento é por 
endoscopia, ressexando suas paredes junto com a mucosa. Assim como no 
cisto, a terapia fonoaudiologica é complementar. 
Nas alterações sindrômicas, podemos ressaltar a síndrome de Down que altera 
a musculatura, fazendo com que os músculos fiquem hipotônicos. A voz de uma 
criança com síndrome de Down é lentificada, pastosa e pode ser áspera também. 
Outra síndrome que compromete o trato vocal é a Cri-Du-Chat, onde a criança 
tem o choro estridente, semelhante a de um gato. 
Nas alterações neurológicas, podemos ressaltar a paralisia cerebral, onde o 
paciente pode ser hipo ou hipertônico, resultando em alterações na articulação 
da fala, fluência e prosódia. 
 
Edema de Reinke 
É um lesão organofuncional decorrente de comportamento vocal alterado e 
inadequado.As pregas vocais tornam-se progressivamente edematosas 
(inchadas) . 
 
O edema ocorre pelo acúmulo de líquido 
no espaço de Reinke, região situada logo 
abaixo do epitélio de cobertura das pregas 
vocais. 
 
À medida que o líquido se acumula, este 
espaço se alarga, fazendo com que a 
prega vocal aumente sua espessura e se 
projete para o interior da laringe. 
 
 
 
 
 
Paralisia de PV 
As pregas vocais encontram-se sem mobilidade. Acomete mais no lado 
esquerdo, as causas podem ser infecção no nervo vago e infecção no nervo 
laríngeo, ambas as causas podem ser de traumatismos secundários e/ou 
cirurgias cervicais, intubação traqueal, acidentes automobilísticos e ferimentos 
por armas. 
 
As pregas podem mobilizar em 
posição de adução, que pode 
haver dificuldade respiratória 
ou em posição de abdução, 
onde pode ocorrer aspiração 
de alimentos ou até mesmo de 
saliva. 
 
 
Pólipos 
Correspondem a formações não cancerosas que surgem em consequência do 
uso excessivo da voz, de reações alérgicas crônicas que acometem a laringe ou 
da inalação crônica de substâncias irritantes, como é o caso de poluentes 
industriais ou o tabaco. 
Na maioria das vezes, o surgimento dos pólipos é 
decorrente do mau uso da voz, ou seja, utilização 
de um timbre ou de um tom de voz forçado, 
especialmente quando se utiliza artificialmente 
uma frequência baixa. Deste modo, é comum o 
aparecimento dessa patologia em crianças que 
habitualmente comunicam-se por meio de gritos, 
vendedores ambulantes, telefonistas, cantores, 
políticos e professores, ou seja, profissionais que 
necessitam utilizar amplamente a voz em suas 
profissões. 
Nódulos 
Sua incidência é maior em mulheres, entre 25 à 35 anos de idade e em crianças 
de sexo masculino, devido a anatomia da prega vocal. 
Costuma ser decorrente do mau uso e abuso vocal. 
É uma lesão de massa benigna, costuma ser bilateral 
e tem como característica a cor esbranquiçada ou 
levemente avermelhada. A voz tende a ficar rouca, 
soprosa e áspera. 
 
 
Nódulos Infantis 
Os nódulos vocais que se dão na infância são lesões bilaterais na prega vocal, 
edematosas e que variam no tamanho. São considerados a lesão mais comum 
em crianças, existindo uma prevalência em meninos. Geralmente ocorrem na 
faixa etária dos 7 aos 9 anos, porém também podem aparecer antes desse 
período. Estão associados a comportamentos vocais excessivos e abusivos. 
 
Disfonias Neurológicas 
Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA 
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa 
progressiva do sistema nervoso central, que evolui causando atrofia progressiva 
da musculatura respiratória e dos membros, além de sintomas de origem bulbar 
como disartria e disfagia, resultando em morte ou ventilação mecânica 
permanente. 
Principais Alterações: 
- Disfagia: A dificuldade de deglutição pode ser decorrente de fraqueza muscular, 
espasticidade e incoordenação, podendo ocasionar desnutrição e desidratação. 
- Disartria: Sintoma inicial na maioria dos pacientes com acometimento bulbar, a 
fala torna-se ininteligível, sendo necessária a repetição frequente ou a utilização 
de comunicação não-verbal. 
Qualidade Vocal: 
Voz áspera,tensa-estrangulada; 
Soprosidade; 
Rugosidade (rouquidão) e rugosidade molhada; 
Inspiração audível; 
Frequência grave; 
Intensidade reduzida; 
Monoaltura; 
Monointensidade,; 
Tremor rápido ao redor de 10-20Hz; 
Hipernasalidade 
 
Parkinson 
 
 
A doença de Parkinson é uma alteração do sistema nervoso central, expressa 
de forma crônica e progressiva.É resultante da morte dos neurônios produtores 
de dopamina da substância negra. 
Características: 
-Tremor de repouso; 
- Rigidez (sensação de endurecimentos dos músculos); 
- Bradicinesia (atraso ou falsa iniciação do movimento e redução na sua 
velocidade após o inicio); 
- Anormalidades posturais; 
- Disfagia; 
-Alterações de voz e fala. 
Qualidade Vocal: 
- Intensidade reduzida; 
- Monointensidade; 
- Monoaltura; 
- Rouquidão; 
- Soprosidade; 
- Velocidade irregular (trechos acelerados); 
- Articulação reduzida e imprecisa; 
- Repetição de fonemas 
 
Coréia de Huntington 
É uma doença neurodegenerativa e hereditária, que impede ao individuo ter 
controle sobre seus movimentos, que são irregulares e podem ocorrem em 
qualquer parte do corpo. 
Pessoas que são acometidas pela Doença de Huntington apresentam 
movimentos involuntários por conta de contrações musculares irregulares, 
conhecido tecnicamente como coréia. Por ser uma doença neurológica, as 
principais características apresentadas pelos pacientes são os problemas 
motores e mentais,que englobam alterações de fala,linguagem e deglutição que 
interferem na comunicação e alimentação dos doentes,levando a prejuízos em 
seu convívio familiar e social. 
Qualidade Vocal: 
- Soprosidade transiente; 
 
 
- Voz tensa-estrangulada; 
- Nítido esforço fonatório; 
- Variações de intensidade; 
- Articulação distorcida, irregular e lenta; 
- Em relação a prosódia: intervalos prolongados, sons de duração irregular, 
pausas inadequadas, acentuação excessiva ou inadequada. 
 
Síndrome de Tourette 
Síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por tiques 
múltiplos, motores e vocais, que persistem por mais de um ano e geralmente se 
instalam na infância ou adolescência. Tem maior prevalência em homens. 
Tiques são movimentos estereotipados que envolvem os olhos, rosto, pescoço 
e ombros, podem ser simples ou complexos, e estar ou não associados a 
comportamentos obscenos ou de automutilação. 
Características dos Tiques: 
- Saltos; 
- Toques em partes do copo; 
- Pigarro excessivo; 
- Tosse; 
- Grunhidos; 
- Ruídos Guturais; 
- Latidos; 
- Ecolalia; 
- Coprolalia. 
 
Esclerose Múltipla 
É uma doença inflamatória de caráter autoimune, que comprometea mielina da 
substancia branca do cérebro, tronco e medula. 
A vulnerabilidade individual determinada geneticamente e a influência ambiental 
desencadeiam a doença. 
Qualidade Vocal: 
- Fraca Intensidade; 
- Emissão silabada; 
 
 
- Voz aspera; 
- Soprosidade; 
- Hipernasalidade; 
- Velocidade lenta; 
- Articulação imprecisa. 
 
 Alzheimer 
O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das 
funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e 
interferindo no comportamento e na personalidade da pessoa. De início, o 
paciente começa a perder sua memória mais recente. Pode lembrar de 
acontecimentos de tempos atrás, mas esquece do que fez no dia. Com a 
evolução do quadro, o Alzheimer causa grande impacto no cotidiano da pessoa 
e afeta a capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e 
linguagem. A pessoa fica cada vez mais dependente da ajuda dos outros. 
O Alzheimer é a causa mais comum de demência - um grupo de distúrbios 
cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. Na doença 
de Alzheimer, as células cerebrais degeneram e morrem, causando um declínio 
constante na memória e na função mental. A demência varia em gravidade 
desde o estágio mais brando, quando está apenas começando a afetar o 
funcionamento de uma pessoa, até o estágio mais grave, quando a pessoa deve 
depender completamente dos outros para atividades básicas da vida diária. 
 
Disfonias 
Toda e qualquer dificuldade ou alteração na emissão vocal que impede a 
produção natural da voz (Behlau e Pontes, 1995). 
A disfonia é um distúrbio de comunicação oral, no qual a voz não cumpre o seu 
papel de transmissão da mensagem verbal e emocional de um indivíduo. Pode 
ser por desvios na qualidade vocal, esforço na emissão, fadiga vocal, perda de 
potência vocal, variações de frequência fundamental, perda da eficiência vocal, 
baixa resistência vocal e sensações desagradáveis a emissão. 
Classificação das disfonias: 
As disfonias funcionais são classificadas em primárias onde há o uso incorreto 
da voz, secundária que são por inadaptações vocais e por alterações 
psicogênicas. 
DISFONIA FUNCIONAL PRIMÁRIA 
 
 
Pode estar relacionado a postura, falar em ambientes ruidosos e falar com a 
articulação travada (por ter uma possível alteração na articulação temporo-
mandibular). 
 
DISFONIA FUNCIONAL SECUNDÁRIA 
Quanto menor a resistência, mais perceptível será a disfonia. Podem estar 
restritas ou envolver regiões ou estruturas. Quando a causa é por inadaptações 
anatômicas, geralmente é encontrado assimetrias laríngeas, desvios na 
proporção glótica ou sulcos vocais. 
As inadaptações funcionais ocorrem por incoordenação pneumofônica ou 
fonodeglutitória, ou ainda por alterações na respiração ou ressonância laríngea. 
DISFONIA FUNCIONAL POR ALTERAÇÕES PSICOGÊNICA 
O estresse emocional pode induzir a um comportamento diferente no uso da voz, 
que pode gerar laringopatologia funcional. 
 
Fendas 
Fendas triangulares posterior: Padrão feminino com pouca ou nenhuma 
interferência na qualidade vocal. Quando existir contração excessiva muscular, 
pode evoluir para fenda triangular médio posterior. 
Fenda triangular médio posterior: Esta fenda ocorre por um estado de contração 
excessiva da musculatura intrínseca da laringe. Por predomínio do CAP a laringe 
mantém as PPVV afastadas na região posterior. Fenda típica das STME. 
Associada ao nódulo, é considerada precursora destes. Inadaptações 
Fendas triangulares: A energia envolvida na produção do som, atua como um 
turbilhão no terço médio das PPVV, porque não existe vibração posterior pelo 
afastamento e nem anterior pelo excesso de aproximação (acúmulo de secreção 
na região) A energia acaba por traumatizar os tecidos, nódulos. 
Fenda triangular antero posterior: São menos comuns, há uma hipocontração da 
laringe em oposição a fenda triangular médio posterior. Projeção vocal é restrita, 
baixa intensidade. Inadaptação fônica, presbifonia, certas patologias 
neurológicas. Nas psicogênicas a base do triangulo é bem alargada e não há 
vibração da mucosa (fala articulada). 
Fendas fusiformes: 
Fenda Fusiforme Anterior: Há uma deficiência na atividade dos músculos CT. A 
frequência está levemente elevada. Porção vibrante reduzida. 
Fendas fusiformes antero posterior : Não há região de contato efetivo. Ocorre 
por alterações estruturais mínimas. Geralmente associada a hiperconstrição do 
vestíbulo. 
 
 
Fendas fusiformes posterior : Semelhante a fusiforme antero posterior com 
menor rigidez da região anterior. 
Fendas paralelas : Resultam provavelmente de inadaptações miodinâmicas e 
orgânicas (pouca mucosa). Pouco comuns, podem ser confundidas com 
triangular antero posterior. A falta de coaptação é uniforme ao longo das PPVV. 
Geram pouco impacto vocal. Pode haver redução da intensidade. 
Fendas duplas : Apresentam duas regiões de coaptação insuficientes, formando 
pequeno fuso anterior e triangulo posterior.São chamadas de triangular médio 
posterior com lesão. 
Fenda em ampulheta : Difere da fenda dupla porque existe aproximação da 
região posterior. Pode ser chamada de duplo fuso. É mais freqüente nas AEM 
com lesão de massa secundária. Está associada ao nódulo. 
Fendas irregulares : A borda livre não apresenta um traçado definido. Podem ser 
encontradas em quadros de inadaptação fônica associadas a diferentes 
tamanhos de PPVV, nas AEM , RGE, atrofias de PPVV, laringites crônicas, 
placas leucoplásicas, carcinoma, pós operatório de lesões, após radioterapia, 
terceira idade, e em quadros conversivos.

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