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Planejamento e organização do turismo. Aula 1: Turismo e desenvolvimento: fases, estrutura e características. No Brasil, quando falamos de desenvolvimento do turismo, ainda estamos abaixo da média do mercado mundial. O mercado de turismo brasileiro ainda não atingiu seu potencial diante de todas as possibilidades. Em termos de desenvolvimento, podemos concluir que estamos longe do ideal, uma vez que somos o país com maior extensão territorial da América do Sul, temos a maior economia da região, sem contar nossa diversidade cultura e natural. Por obrigação, deveríamos ter uma representatividade bem maior. Em relação à redução dos níveis de pobreza e melhor distribuição da renda, o turismo é um importante fator porque movimenta preços de bens e serviços, meios pelos quais se obtém renda. Além disso, o turismo influencia rendimentos do mercado e receitas do governo de forma geral. Por fim, por ser um setor essencialmente dependente de serviços, a possibilidade de geração de empregos é enorme. Dentro do contexto econômico, muitos países utilizam o desenvolvimento do setor do turismo como estratégia principal para competir no mercado globalizado. O turismo é um setor capaz de promover aceleração da economia, incentivar o consumo, atrair os turistas e, ao mesmo tempo em que ganha novos consumidores, é capaz de incrementar as áreas social, cultural e ambiental de um país. Isto ocorre porque o turismo é fundamentalmente dependente da sociedade, de sua cultura, ambiente, belezas naturais e de todas as possibilidades para exploração e conquista de novas demandas do mercado. Fases da atividade turística: Como em qualquer atividade, conforme o turismo foi se desenvolvendo, suas características foram mudando ao longo do tempo. Novos tipos de atividades turísticas foram identificados, novas descobertas, novos desejos e necessidades dos turistas. Acerenza (1995) considera seis etapas cronológicas para o desenvolvimento do turismo: Antecedentes remotos Após a Primeira Guerra Mundial A partir do século XVI Últimas décadas A partir de meados do século XIX Antecedentes remotos: Viagens realizadas na Antiguidade e na Idade Média. A partir do século XVI (16): Expansão marítima e evolução tecnológica dos meios de transporte, com destaque para o Grand Tour, fenômeno social do século XVIII representado pelas viagens aristocráticas no continente europeu (como um intercambio realizado, sobretudo, por jovens membros de famílias ricas, em busca de conhecimento e experiência). A partir de meados do século XIX (19): Surgimento das viagens organizadas, com pioneirismo de Thomas Cook. Após a Primeira Guerra Mundial: Expansão das rodovias e do transporte aéreo. Após a Segunda Guerra Mundial: Maior avanço do transporte aéreo, que passou a ser o principal meio de transporte do turismo internacional, caracterizando-se pelo advento do turismo de massa e pela ampliação significativa do fluxo turístico internacional. Últimas décadas: Planejamento das destinações turísticas, diversificação e segmentação do turismo e busca pelos efeitos multiplicadores do turismo. A OMT, por sua vez, sugere cinco etapas evolutivas das viagens e turismo: Primórdios (início da humanidade até o século V d.c). Idade média (século V até o século XIV). Renascimento (Século XIV até o século XVIII) Revolução industrial (Séculos XVIII e o século XIX). Turismo moderado (Século XX até os tempos modernos). Primórdios (início da humanidade até o século V d.c): Deslocamentos dos povos das civilizações pré-históricas, motivados pela busca de alimento, abrigo e clima mais ameno - Revolução Neolítica (em busca de troca de mercadorias, guerras e até pela busca de prazer). Idade média (século V até o século XIV): Declínio do Império Romano, com dificuldades nas viagens pelo alto grau de periculosidade e dificuldade. Aumento das viagens de cunho religioso (Jerusalém e Roma). Renascimento (Século XIV até o século XVIII): Conhecimento como o grande motivador das viagens Grand Tour. Revolução industrial: Profundas mudanças econômicas e sociais. A nova classe de trabalhadores urbanos, com mais tempo livre, recursos e o desejo por viagens recreativas, propiciou o declínio do Grand tour e o crescimento das viagens de lazer (facilitadas pelas férias anuais, pela tecnologia vinculada aos transportes e aos problemas urbanos, que estimularam as pessoas a viajar). Revolução industrial (Séculos XVIII e o século XIX): Profundas mudanças econômicas e sociais. A nova classe de trabalhadores urbanos, com mais tempo livre, recursos e o desejo por viagens recreativas, propiciou o declínio do Grand tour e o crescimento das viagens de lazer (facilitadas pelas férias anuais, pela tecnologia vinculada aos transportes e aos problemas urbanos, que estimularam as pessoas a viajar). Turismo moderno: Devido à grande evolução tecnológica, novos desejos, mobilidade, acessibilidade, renda e crédito. Grandes fluxos turísticos internacionais e domésticos foram propiciados pela ampliação da tecnologia de transportes, das telecomunicações e da construção civil. Podemos pensar no turismo como uma complexa combinação de inter-relações entre produtos e serviços, que tem como objetivo uma prática social baseada na cultura, na herança histórica, no meio ambiente, nas relações sociais de hospitalidade e na troca de informações interculturais. O estudo de toda esta dinâmica nos leva a identificar o fenômeno turístico. Estrutura da atividade turística: características e conceitos. A atividade turística envolve todas as inter-relações entre os diversos fatores que envolvem o turismo, que devem ser vistos em conjunto para que haja evolução contínua e dinâmica. Toda a estrutura da atividade turística deve se concentrar entre os quatro elementos a seguir: Oferta turística Núcleo receptor Demanda turística Operadores de mercado Oferta turística: Corresponde a todos os bens e serviços turísticos, que devem ser organizados de forma a criar demanda e se oferecer a ela. A demanda turística é representada pelos consumidores ou possíveis consumidores de um determinado produto ou serviço turístico. Demanda turística: Assim como em qualquer mercado, a demanda pode existir ou ser criada, ou seja, um produto ou serviço que ainda não era visto como necessário ou desejado pelo mercado consumidor. Núcleo recptor: Envolve todo o espaço geográfico, ou seja, é a base física, a localidade onde a oferta e a demanda estão. No entanto, é importante notar que, principalmente no caso do turismo internacional, oferta e demanda estão em localidades diferentes. Operadores de mercado: Todas as empresas, organismos, organizações e agentes, que têm como função a organização do sistema , isto é, a organização de todas as inter-relações que acontecem neste mercado. Organização do sistema: Os operadores de mercado são os mecanismos de organização e promoção para viabilizar e incentivar que os produtos e serviços, ou seja, as ofertas de mercado, cheguem até à demanda, aos consumidores. São representados pelas agências de viagem/turismo, companhias de transporte, secretarias de turismo e outros diversos, podendo ser órgão públicos ou privados. Território turístico: Novas tecnologias da informação, desenvolvimento turístico sustentável, espaço inovador, qualidade de vida, experiência turística, competitividade. É no território turístico que acontece todas as relações entre os quatro elementos principais (Oferta turística, Núcleo receptor, Demanda turística, Operadores de mercado). No entanto, este ambiente, por si só, já não é mais suficiente. O aumento da tecnologia, a velocidade na comunicação e nas relações e o aumento da troca de informações exigem alterações em todos os setores. Novas tecnologias da informação e desenvolvimento turístico sustentável são consideradasduas premissas por serem fundamentais para o bom desenvolvimento do território turístico. Uso das tecnologias da informação: Na era da Internet, da comunicação, da globalização e da tecnologia, um destino turístico sem uso de novas tecnologias da informação rapidamente pode se tornar ultrapassado, até desconhecido. Ou seja, um destino que não está na internet, some do mapa. Sustentabilidade: A sustentabilidade é premissa para que haja desenvolvimento. Quando falamos em sustentabilidade, devemos ir além da questão ambiental. Algo só é sustentável quando é ambientalmente correto, socialmente responsável e economicamente viável. Não há desenvolvimento constante e de longo prazo sem base nesses três conceitos da sustentabilidade. Portanto, o desenvolvimento de um território turístico deve partir dessas duas premissas para obter sucesso. Os benefícios do território turístico inteligente, por sua vez, são aquelas ferramentas que irão trazer algo a mais para que um destino turístico seja escolhido como destino de férias, por exemplo: Inovação, qualidade de vida, competitividade, experiência turística. Inovação: A inovação deve estar sempre presente. Na verdade, ela deveria ser regra básica para o sucesso de qualquer setor nos dias atuais. Qualidade de vida: A qualidade de vida deve ser preservada e deve ser objetivo, ainda mais em um mercado de lazer como é o caso do turismo. Competitividade: A competitividade também é premissa básica para o desenvolvimento contínuo e de longo prazo. Experiência turística: A experiência turística deve, cada vez mais, ser o diferencial de qualquer território turístico. O turismo surge exatamente da experiência, de vivenciar novos lugares, novas culturas, novos ares e territórios. Por isso, a experiência deve estar sempre à frente de qualquer construção de um território turístico. A cadeia produtiva do turismo é dividida em três segmentos distintos: Montante, principal, a jusante. Cadeia Montante Envolve todos os fatores que não se relacionam diretamente ao produto ou serviço turísticos, mas são fundamentais para que ele aconteça, pois envolvem toda a estrutura que precisa estar disponível para que os produtos e serviços turísticos se instalem e sejam oferecidos. Se o local não possuir um patrimônio natural, histórico ou cultural, dificilmente terá apelo para se tornar um território turístico, pois eles correspondem a um dos principais pontos de partida para que haja o turismo. Os demais fatores dentro desse segmento a montante são mais fáceis de desenvolver, inclusive em conjunto com a cadeia produtiva principal do turismo. No entanto, sem algum patrimônio para ser o fato gerador do turismo, esse desenvolvimento torna-se mais difícil. Cadeia principal Representa todas as relações diretamente envolvidas com o turismo. Ela envolve todas as transformações que esse mercado provoca para oferecer um produto ou serviço turístico. A Cadeia principal representa todas as relações diretamente envolvidas com o turismo. Ela envolve todas as transformações que esse mercado provoca para oferecer um produto ou serviço turístico. Então, vamos voltar no exemplo do patrimônio natural, histórico ou cultural. Faça de conta que um possível local turístico possui uma cachoeira (patrimônio natural). O simples fato de possuir a cachoeira já permite que seja um atrativo turístico? Claro que não! Na Cadeia a Montante, é suficiente apenas a presença do patrimônio, neste caso, natural, que é a cachoeira. Para a continuidade da cadeia produtiva, a Cadeia Principal precisa transformar esse patrimônio em atração turística. Vamos verificar as formas de fazer isso ao longo de todo nosso estudo sobre planejamento turístico. No entanto, você já pode imaginar como isso pode acontecer: Criando um passeio imaginário pela cachoeira; Pensando quem são os órgãos que precisarão participar/autorizar possíveis burocracias; elaborando a divulgação desse passeio; Definindo qual será o preço, os turistas-alvo, o local onde a cachoeira se localiza e como os turistas farão para chegar até ela. São infinitas as questões envolvidas. O mesmo vale para um hotel, para os meios de transporte e restaurantes. O simples fato de existirem (parte da Cadeia a montante) não garante o oferecimento do turismo em si na Cadeia principal. Todas as ofertas que estão a montante precisam ser trabalhadas e elaboradas na para que sejam efetivamente ofertadas como turismo na Cadeia principal. Cadeia jusante: São todos os segmentos que não são necessariamente envolvidos com o turismo, mas que acabam se beneficiando dele. Ou seja, a Cadeia principal de Turismo se apoia e recorre para atender às suas necessidades. São todas as atividades anexas e que auxiliam às atividades fim para que elas efetivamente aconteçam. Continuando no exemplo da cachoeira, depois de definir o produto ou serviço turístico, que será ofertado a partir do patrimônio natural, representado pela cachoeira, a divulgação desse produto turístico vai precisar de publicidade e das gráficas para que ele se torne conhecido, se desenvolva e traga resultados. As empresas de publicidade e as gráficas fazem parte da Cadeia a jusante, finalizando o ciclo para que o produto turístico seja efetivamente oferecido no território turístico em questão. Identificada a cadeia produtiva, cada atividade dentro da cadeia, ou seja, cada ligação entre os agentes, deve ser analisada pensando na oferta, nos produtos e nos serviços oferecidos. Você deve ser capaz de analisar possíveis sazonalidades, mercados envolvidos, preços praticados, cuidados ambientais necessários para sustentabilidade de determinado território turístico, condições de acesso e sinalização, entre outros fatores. Dentro dessa análise da cadeia produtiva do setor do turismo é importante destacar que o Ministério do Turismo considera seis atividades principais, como características do turismo: Meios de hospedagem Serviço de alimentação Meios de transporte Locação de veículos Agencias de turismo similares Atividades recreativas, históricas, culturais e desportivas. Teste de conhecimento 1. A OMT divide em cinco fases o turismo ao longo da história, sendo a última o turismo moderno, que estaria vigente até os dias atuais. Na sua opinião, seria possível a classificação de uma nova fase, a sexta, do turismo na atualidade? Quais seriam suas principais características? R Sim, é possível fazer uma nova classificação do turismo. Atualmente, as atividades turísticas não estão apenas ligadas a uma localização geográfica, mas sim a experiências. Desta forma, muitos turistas não procuram um país ou cidade específica, mas algumas experiências ligadas a determinados nichos, como o turismo esportivo, o turismo ecológico, o turismo social, o turismo LGBT, entre outros. 3. Na sua opinião, quais são as principais potencialidades a serem exploradas pelo Brasil em sua estratégia de turismo? Quais pontos necessitam evoluir? O Brasil possui riquezas naturais fantásticas, como belas praias, montanhas, cachoeiras, paisagens incríveis. Além disso, possui uma cultura diversificada e muito rica, de norte a sul do país. Os eventos pontuais também destacam-se, especialmente os períodos do carnaval, onde milhares de turistas procuram o país, e o réveillon, pelo clima quente e propício para turismo. Os principais pontos a serem melhorados são a infraestrutura, principalmente de transporte, e principalmente a segurança. 4. Como as novas tecnologias, como a Internet, têm influenciado o turismo? Novas possibilidades de divulgação foram criadas. A necessidade de atualização e prospecção de turistas aumentou muito. Neste caso, as localidades precisam ter uma estratégia bem definida de divulgação e de captura de turistas para aumentar seus números no setor. Considerando a relação entre planejamento do turismo, políticas públicas e desenvolvimento sustentável. O que expressa a relevância de se trabalhar com indicadores para o desenvolvimento sustentável do turismo no planejamento? R A elaboraçãodas políticas públicas em sintonia com o planejamento do turismo e o desenvolvimento sustentável Porque Turismo é um termo problemático? R Porque assume diversos padrões e significados. Sobre o planejamento do turismo podemos considerar que: É um processo de previsões que exige monitoramento e controle É um processo que exige conhecimento sobre o fenômeno turístico É um processo de transformação do produto turístico em fenômeno É um processo que engloba as atividades turísticas A abrangência geográfica do planejamento turístico pode ser: Local, federal, municipal e estadual. Em termos temporais, o planejamento e organização do turismo é uma ação: do presente que objetiva resultados no futuro. Nos anos de 2014 e 2016 o Brasil sediou dois grandes eventos esportivos internacionais: a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. A esse respeito, assinale a opção correta: Os referidos eventos projetaram a imagem do Brasil no exterior, ainda que sustentada em mitos a respeito da cultura e da sociedade, como, por exemplo, a harmonia social e racial Ao estimular a consolidação de uma rede de entidades e instituições, em todo o território nacional, com o envolvimento do poder público nas três esferas de governo, da iniciativa privada e do terceiro setor, o Plano Nacional de Turismo está propondo que sua gestão seja: Descentralizada. Por meio dos programas do Plano Nacional de Turismo (2003- 2007), o Ministério do Turismo buscou estabelecer referenciais fundamentados para as ações de promoção e marketing do turismo brasileiro. Sobre essas ações, podemos dizer: Deram origem ao Plano Aquarela para o marketing do turismo no mercado interno. Deram origem ao Plano Cores para o marketing do turismo brasileiro no exterior. Deram origem à Agenda de Promoção Comercial do Turismo Brasileiro no mercado internacional, ampliando a presença do País em eventos no exterior. Deram origem à Marca Brasil que representa a imagem do turismo brasileiro. Sobre o papel do Estado no Turismo, podemos dizer: O Estado fornece infraestrutura básica, como as estradas e o saneamento, não podendo ser proprietário e dirigir empreendimentos, como hotéis, pousadas, campings. A regulamentação do turismo é uma das mais importantes ações que podem ser empreendidas pelo Estado em seus diferentes níveis de organização. Um dos papéis mais importantes do Estado é a promoção do Turismo nas regiões emissoras de turistas, que tende a acentuar-se devido ao aumento da competição global pelo fluxo de viajantes. O Estado deve manter sob sua responsabilidade a definição dos rumos do desenvolvimento do Turismo, seja de um país, região ou município, realizando a vontade coletiva. O turismo é sazonalidade pois depende, principalmente, das estações do ano e das características de cada destino. Assim, as variações no padrão da demanda são muito comuns, ou seja, cada destino apresenta suas particularidades. Os altos custos fixos das operações ocorrem, principalmente, devido à necessidade de instalações e infra-estrutura adequadas, que independem do período do ano, ou seja, a capacidade de um hotel, por exemplo, é fixa ao longo de todo ano, independente da sazonalidade. E, por fim, há interdependência dos produtos de turismo. Por ser, fundamentalmente, baseado em serviços é intangível. O turismo pode ser definido como todas "as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos dos que vivem, por um período de tempo inferior a um ano consecutivo, com fins de lazer, negócios e outros." Sobre Turismo é correto afirmar: O termo "turismologia" surgiu nos anos 60 mas, Zirondy Strewart Jovicic foi o cientista que popularizou a nomeclatura, chamado de considerado "pai da turismologia" e que fundou a revista do mesmo nome, em 1977. O turismólogo representa um papel fundamental no planejamento dos destinos turísticos. Turismologia é a ciência que estuda o turismo e se preocupa em conhecer o turismo em sua totalidade. A palavra deriva de tour, do latim tornaree do grego tornus, cujo significado é giro ou círculo. Pela definição da própria EMBRATUR, "é a autarquia especial do Ministério do Turismo responsável pela execução da Política Nacional de Turismo no que diz respeito a promoção, marketing e apoio à comercialização dos destinos, serviços e produtos turísticos brasileiros no mercado internacional. Trabalha pela geração de desenvolvimento social e econômico para o País, por meio da ampliação do fluxo turístico internacional nos destinos nacionais. Para tanto, tem o `Plano Aquarela como orientador de seus programas de ação". Aula 2: Turismo e desenvolvimento – planejamento da atividade turística no Brasil O turismo é uma área muito importante para a geração de renda e emprego no Brasil. No entanto, o foco para este segmento é recente. Faz apenas quinze anos que o Ministério do Turismo foi separado da pasta de Esporte. Cabe ao Ministério do Turismo elaborar nossa Política Nacional de Turismo e, por meio dela, desenvolver o setor público, regulamentar o setor privado, além de fornecer ferramentas para direcionar o mercado como um todo. Podemos dizer que a Política Nacional de Turismo é o planejamento estratégico do turismo no Brasil. Politica nacional do turismo: Ela que deve buscar todas as medidas imprescindíveis e urgentes para aumentar o fluxo do turismo, tanto doméstico quanto internacional. É por meio dela que o país moderniza sua legislação, cria oportunidades de negócios no setor, estimula geração de emprego e renda através do turismo e torna os produtos e serviços do turismo brasileiros competitivos frente ao mercado internacional. Ou seja, temos que estimular nossos cidadãos a viajar pelo Brasil e, também, fazer com que o mercado internacional veja o Brasil como uma opção de turismo, de destino para ser conhecido. Atualmente, a principal ferramenta para viabilizar tal objetivo é o Plano Nacional do Turismo. Plano Nacional do Turismo: Tivemos um Plano Nacional do Turismo (PNT) de 2013 a 2016 e o PNT vigente foi elaborado em 2017 para o período entre 2018 e 2022. Esse PNT é o direcionamento para que o Brasil oriente o crescimento e a transformação no turismo. Também cabe a ele buscar as vantagens comparativas do país para transformá-las em vantagens competitivas. Assim, é preciso buscar as potencialidades que o turismo possui no Brasil para que seja atrativo ao mercado de consumidores de turismo, nacionais (com o turismo interno) e internacionais. Objetivos: Contribuir para a redução das desigualdades sociais e econômicas regionais. Promover a inclusão social pelo crescimento da oferta de trabalho. Melhorar a distribuição de renda. O Plano Nacional do Turismo (PNT) busca consolidar o turismo como um eixo estratégico efetivo para que haja desenvolvimento econômico no Brasil. Dentro da definição dessa estratégia, não há apenas a participação do Ministério do Turismo, pelo contrário, quanto mais agentes participam, maiores as chances de sucesso e de englobar corretamente as características e necessidades do mercado. Portanto, podemos pensar no Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), autarquia que é parte do ministério, principal responsável pela execução da Política Nacional de Turismo, além de agentes públicos e privados, que devem participar da Câmara Temática do Plano Nacional do Turismo, como parte do Conselho Nacional de Turismo (CNT). Quais são os principais pontos do atual Plano Nacional de Turismo: Modernizar e desburocratizar o setor. Estimular a competividade e a inovação. Investir na qualificação profissional e dos serviços. Ampliar os investimentos e o acesso ao crédito. Investir na promoção do destino Brasil interna e internacionalmente. Fortalecer a gestão descentralizada e a regionalização do turismo. O Plano Nacional de Turismo é a ferramenta que estabelece diretrizes e estratégias para que a Política Nacional de Turismo seja implementada. É o documento que permite as ações na prática, sejam elas para ordenaro setor público, orientar os esforços do Estado ou direcionar o uso de recursos para o desenvolvimento do turismo. O PNT 2018-2022, em consonância com os indicadores que consideram uma gradual recuperação da economia brasileira, prevê aumentar a chegada de estrangeiros e, consequentemente, a receita cambial do turismo: 6,6 milhões 12 milhões 2018 2022 Além disso, há a expectativa de inserir 39,7 milhões de brasileiros dentro do mercado consumidor de viagens, gerando 2 milhões de novos empregos. Para atingir tais números, o turismo brasileiro precisa, a partir dos gargalos identificados, elencar iniciativas e estratégias prioritárias, realizar planejamento e articulação dentro do setor produtivo e da sociedade como um todo. Ou seja, precisa vislumbrar e ter atenção a tudo que pode estimular ou facilitar a movimentação turística dos brasileiros e a entrada dos estrangeiros no Brasil. Isso pode acontecer por meio de ações como: Implantação de vistos eletrônicos Garantia de segurança pública Ampliação do número de voos e rotas nacionais Garantir a qualidade da experiência de um destino O PNT 2018-2022 trata dos seguintes temas: Cenário econômico mundial e nacional Turismo no contexto internacional Turismo no Brasil O diagnóstico deve apresentar dados, números, estatísticos que traduzam toda a situação do turismo relacionada ao mercado brasileiro, como, por exemplo: Número de turistas domésticos e internacionais. Gasto médio por pessoa. Possibilidades de crescimento, renda e empregos gerados. Preferências em hospedagem. Locais mais visitados e locais de maior interesse. Condições de consumo (preço, qualidade, localização). Meios de transporte mais utilizados. A partir da identificação do cenário, é possível, portanto, traçar objetivos e metas. Quando o cenário é otimista, as metas podem ser mais ambiciosas e ousadas, mas, quando o cenário é pessimista, cuidados com grandes expectativas devem ser tomados. É isso que o nosso PNT faz na sequência: define metas globais para o turismo no Brasil. Veja quais são elas a seguir: Meta 1: Aumentar a entrada anual de turistas estrangeiros de 6,5 para 12 milhões. Meta 2: Aumentar a receita gerada pelos visitantes internacionais de US$ 6,5 para US$ 19 bilhões. Meta 3: Ampliar de 60 para 100 milhões o número de brasileiros viajando pelo país. Meta 4: Ampliar de 7 para 9 milhões o número de empregos no turismo. Com as metas definidas, são estabelecidas as diretrizes, ou seja, o direcionamento para que seja possível atingir tais metas. As diretrizes são o norte do PNT. São regras que precisarão ser executadas para obter sucesso, resultados positivos e vantagem competitiva no turismo brasileiro, como: Fortalecimento da regionalização. Promoção da sustentabilidade. Melhoria da qualidade e competitividade Incentivo à inovação. A preocupação do PNT é como tornar competitivos e sustentáveis os destinos, produtos e serviços turísticos, diante de tanta competitividade e possibilidades, onde a transformação ocorre em velocidades praticamente imediatas. A partir das diretrizes, é possível que o PNT aborde as linhas de atuação em termos estratégicos, que irão nortear a atuação sinérgica entre as esferas do governo e as regiões turísticas. Elas correspondem à operacionalização necessária para viabilizar a estratégia. O PNT 2018-2022 definiu cinco linhas de atuação que são desmembradas em 17 iniciativas. As iniciativas, por sua vez, determinam quarenta e quatro propostas estratégicas para o turismo brasileiro, que apresentaremos aqui de forma resumida, para que você compreenda a organização do PNT até o final. As cinco linhas de atuação são: 1º Linha de atuação - Ordenamento, gestão e monitoramento. 2º Linha de atuação - Estruturação do turismo brasileiro. 3º Linha de atuação – Formalização e qualificação no turismo. 4º Linha de atuação – Incentivo ao turismo responsável 5 º Linha de atuação - Marketing e apoio a comercialização. 1º Linha de atuação - Ordenamento, gestão e monitoramento: Iniciativa: Fortalecer a gestão descentralizada do turismo. 1. Fortalecer o Sistema Nacional de Turismo; 2. Estimular a formação de redes para a gestão do turismo; 3. Estimular as parcerias no turismo e a gestão compartilhada dos recursos. Iniciativa: Apoiar o planejamento do turismo, integrado ao setor de segurança pública. 4. Estimular e apoiar o planejamento do turismo, em âmbitos estadual, regional e municipal; 5. Incentivar soluções de segurança pública que envolvam o setor turístico. Iniciativa: Aperfeiçoar o ambiente legal e normativo do setor turístico. 6. Promover melhorias e alterações em legislações e normativos no ordenamento jurídico brasileiro, com vistas a estruturar a atividade turística, melhorar o ambiente de negócios e estimular investimentos. Iniciativa: Ampliar e aprimorar estudos e pesquisas em turismo. 7. Efetivar e apoiar a estruturação de uma rede de observatórios de turismo em âmbito nacional; 8. Viabilizar a implementação da Conta Satélite do Turismo; 9. Ampliar a divulgação e o acesso às informações e aos dados turísticos; 10. Estimular a realização de estudos para conhecimento dos mercados-alvo. Iniciativa: Fortalecer e aperfeiçoar o monitoramento da atividade turística no país. 11. Padronizar os indicadores de monitoramento do turismo; 12.Monitorar o desempenho da economia do turismo nos municípios; 13. Monitorar o ordenamento e a estruturação dos segmentos e o desempenho das atividades econômicas orientadas ao turismo. 2º Linha de atuação - Estruturação do turismo brasileiro: Iniciativa: Melhorar a infraestrutura nos destinos e nas regiões turísticas brasileiras. 14. Estimular projetos de sinalização turística inteligente e interativa; 15. Promover a infraestrutura necessária para permitir o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida aos atrativos turísticos; 16. Elaborar plano integrado de desenvolvimento da infraestrutura logística para o turismo. Iniciativa: Promover e facilitar a atração de investimentos e a oferta de linhas de crédito para o turismo: 17. Ampliar a oferta de recursos para fomento e incentivo ao setor de turismo; 18. Criar e implementar um novo modelo que reduza a burocracia nas transferências intergovernamentais. Iniciativa: Aprimorar a oferta turística nacional: 19. Promover a valorização do patrimônio cultural e natural para visitação turística; 20. Estimular o desenvolvimento de destinos turísticos inteligentes; 21. Estimular o desenvolvimento segmentado dos produtos turísticos brasileiros. 3º Linha de atuação – Formalização e qualificação no turismo: Iniciativa: Ampliar a formalização dos prestadores de serviços turísticos: 22. Ampliar as parcerias para fortalecer e intensificar as ações de fiscalização dos prestadores de serviços turísticos; 23. Fortalecer o relacionamento com os prestadores de serviços turísticos e com o turista. Iniciativa: Intensificar a qualificação no turismo: 24. Estimular a qualificação do turismo nos setores público e privado; 25. Estimular a modernização e atualização contínua da grade curricular dos cursos relacionados ao setor de turismo; 26. Incentivar a constituição de parâmetros para a certificação de empresas e atividades do turismo 4º Linha de atuação – Incentivo ao turismo responsável Iniciativa: Estimular a adoção de práticas sustentáveis no setor turístico. 27. Promover o desenvolvimento de políticas de turismo responsável nos níveis estadual, regional e municipal; 28. Premiar e disseminar boas práticas de turismo sustentável; 29. Intensificar a realização de campanhas de sensibilização para o consumo consciente. Iniciativa: Promover a integração da produção local à cadeia produtiva do turismo e o desenvolvimentodo Turismo de Base Local. 30. Estimular o desenvolvimento de novas atividades turísticas que incorporem aspectos da produção local, da cultura e da culinária regional; 31. Apoiar e articular ações para promover e ampliar os canais de comercialização dos produtos associados ao turismo e das iniciativas de Turismo de Base. Iniciativa: Possibilitar o acesso democrático de públicos prioritários à atividade turística. 32. Definir as diretrizes para o desenvolvimento do turismo social; 33. Estimular o desenvolvimento de um turismo acessível a todos; 34. Sensibilizar o setor para a inclusão das pessoas idosas e do público LGBT no turismo. Iniciativa: Intensificar o combate à violação dos direitos de crianças e adolescentes no turismo. 35. Intensificar parcerias institucionais com agentes governamentais, organismos internacionais e do setor privado para a definição e implementação de agenda conjunta para o combate à violação dos direitos de crianças e adolescentes no turismo; 36. Incentivar a adoção de códigos de conduta profissional ou outras práticas responsáveis em conformidade com o Código de Ética Mundial para o Turismo, da OMT. 5º Linha de atuação Marketing e apoio a comercialização. Iniciativa: Incrementar a promoção nacional e internacional dos destinos e produtos turísticos brasileiros. 37. Redefinir os destinos brasileiros prioritários para a promoção nacional e internacional; 38. Desenvolver novas ferramentas para armazenamento e divulgação de informações turísticas e mercadológicas dos destinos brasileiros; 39. Ampliar a utilização da inteligência de mercado no turismo para fins promocionais; 40. Promover projetos de relacionamento com a imprensa; 41. Incentivar eventos geradores de fluxos turísticos; 42. Fortalecer a cooperação na promoção do turismo. Iniciativa: Definir o posicionamento estratégico do Brasil como produto turístico. 43. Elaborar um plano integrado de posicionamento de imagem do Brasil. Iniciativa: Intensificar ações para facilitação de vistos. 44. Intensificar os diálogos com outros países estratégicos. O PNT pode ser considerado o planejamento estratégico geral para o turismo brasileiro. Ele direciona o planejamento estratégico de todo o setor. Por isso, o planejamento de um hotel, de uma empresa de transportes, de uma agência de viagens, deve ter o PNT como ponto de referência para elaborar seu próprio plano, ou seja, sua própria estratégia de atuação. Compreendendo o que envolve o PNT, fica muito mais simples compreender níveis micros, das empresas e organizações dentro desse mercado. Fontes de financiamento: Como qualquer outra atividade, principalmente quando falamos de mercados capitalistas, o turismo precisa de recursos financeiros para se desenvolver. Além disso, o planejamento estratégico depende, fundamentalmente, de tais recursos. Conhecer as principais possibilidades de fontes de financiamento para o mercado turístico será fundamental para garantir competitividade, sucesso e desenvolvimento. Dentro das fontes de financiamento, é importante compreendermos não apenas qual foi o montante investido, mas de onde vieram tais investimentos Dentro das fontes de financiamento, é importante compreendermos não apenas qual foi o montante investido, mas de onde vieram tais investimentos. 1. Qual é a importância da compreensão sobre a Política Nacional de Turismo e, mais especificamente, sobre o Plano Nacional do Turismo? R Eles são a base do planejamento para qualquer atividade turística no Brasil. No PNT estão, inclusive, diversas informações importantes sobre o setor, direcionadoras da atividade turística. E, mais do que isso, indicam o posicionamento do governo sobre o turismo, o que tem impacto direto sobre a atividade no país como um todo. 2. Relacione o planejamento da atividade turística no Brasil às possibilidades e fontes de financiamento. R Conhecer as possibilidades de fontes de financiamento é fundamental para garantir um bom desenvolvimento do planejamento. De nada adianta um planejamento estratégico perfeito se não houver formas de viabilizar um projeto em termos financeiros. O mesmo raciocínio vale para a atividade turística. 3. O que podemos concluir sobre as principais fontes de financiamento do mercado turístico brasileiro? São predominantemente privadas. As fontes oriundas do setor público são mais visíveis em momentos de interesse político, como foi o caso da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Mesmo quando somamos as fontes públicas e privadas, os investimentos são muito baixos diante do potencial existente e, principalmente, diante do PIB do Brasil. Turismo emissivo é aquele considerado a partir do local de partida do turista. Considerando a importância da sintonia entre o planejamento urbano, rural e turístico é correto afirmar que: Uso de telhados verdes e/ou reflexivos do aquecimento solar é uma tendência tecnológica importante no processo de planejamento urbano de áreas de interesse turístico. Os eventos são comumente utilizados para promover a imagem de um destino. O investimento em eventos para o aumento do número de visitantes se justifica pelo(a): R Oportunidade de o visitante combinar a necessidade profissional com a oportunidade de fazer turismo. Para fins de planejamento de efeitos da demanda, visitantes de um destino turístico que efetuaram gastos, mas não pernoitaram na localidade, são considerados: R Excursionistas. Sustentabilidade pode ser tratada por dimensões e está em função de um modelo de desenvolvimento sustentável. Regionalização do turismo é uma tendência mundial. Na prática, significa que: R O valor de um destino turístico está no conjunto de seus atrativos, independentemente das fronteiras geográficas. O impacto econômico do turismo tende a ser positivo para economias receptoras de visitantes. Mas, para os planejadores e tomadores de decisão é difícil estabelecer o significado dos diferentes tipos de gastos na matriz econômica geral. Nesse sentido, o instrumento que vem sendo desenvolvido para apresentar um panorama mais claro do impacto econômico do turismo para um destino é: R Conta Satélite de Turismo. O Turismo é uma área de conhecimento relativamente recente para fins de estudos em gestão. Além de multifacetada, apropria-se de conceitos de outras atividades para sua própria definição, o que acaba por cercá-la de estereótipos. Sobre o setor de viagens, é correto afirmar que: R A maior parte do turismo mundial é doméstico. Aula 03 – Planejamento e gestão do turismo. No turismo, o Estado tem grande responsabilidade para o desenvolvimento da Política Nacional do Turismo. Além de ser responsável pelo planejamento necessário para que haja desenvolvimento da infraestrutura básica para o bem-estar da população e dos turistas, cabe ao governo definir e zelar pela legislação. As empresas e as organizações privadas, por sua vez, têm o lucro como principal objetivo e, por isso, o planejamento é direcionado a ele. Existem dez etapas do planejamento tradicional aplicadas aos conceitos do turismo definidas por Petrocchi, são elas: 1-Análise Macroambiental 6- Criação dos meios 2-Elaboração do diagnostico 7-Dimensionamento dos recursos necessários 3-Definição dos objetivos 8-Estabelecimento de responsabilidades 4-Determinação das prioridades 9-Projetar cronograma 5-Identificação dos obstáculos 10-Estabelecer pontos de controle. 1º Análise do Macroambiental: Envolve o conhecimento do entorno da organização, além do mercado e da situação interna. Além disso, também envolve a análise PEST, que veremos em detalhes adiante. No turismo, as pesquisas estatísticas são fundamentais. Os principais objetivos devem ser os turistas, os receptores e o trade. Visitas orientadas também são necessárias e servem como ótimas fontes de informação. O inventário turístico, que também veremos em detalhes a seguir, é importantíssimo. 2º Elaboração do diagnostico:Como o nome diz, corresponde ao diagnóstico das questões identificadas na análise macroambiental. Também corresponde à análise das situações identificadas de forma aprofundada, como em um diagnóstico médico para identificar uma doença. É a chamada análise SWOT, que veremos em detalhes a seguir, identificada a partir do inventário turístico. 3° Definição dos objetivos: Determinação do que se pretende atingir a partir do diagnóstico. Exige muito cuidado, pois devem estar de acordo com a localidade turística em questão. Os objetivos devem ser efetivamente concretizados na realidade. 4°Determinação das prioridades: O ranking de prioridades deve ter como apoio o diagnóstico e as análises já identificadas. 5°Identificação dos obstáculos: Para identificar os obstáculos, é preciso encontrar as possíveis dificuldades no caminho rumo aos objetivos, lista-las e classifica-las de acordo com a intensidade e com os possíveis impactos nos resultados desejados. Esta etapa também se baseia na fase de diagnóstico, além das informações obtidas sobre a localidade e seu entorno. 6°Criação dos meios:Corresponde ao momento da definição de todos os mecanismos e estratégias que irão facilitar o caminho rumo aos objetivos. A criação dos meios também possibilita análises para escolha das possíveis alternativas. 7°Dimensionamento dos recursos necessários: Nesta etapa, são quantificados todos os recursos necessários para o planejamento e para atingir objetivos, em ordem de necessidade. 8°Estabelecimento de responsabilidades: Este é o momento de estabelecer volumes necessários, fluxos de tomada de decisão e delegação, além da definição das áreas críticas e fundamentais para atingir objetivos. É o famoso quem faz o que na equipe. 9ºProjetar cronograma: Corresponde ao momento de definição de todos os prazos de execução, volumes de produção, custos, parâmetros. Podemos dizer que é o início da prática. Depois daqui estamos quase tirando tudo do papel. 10° Estabelecer pontos de controle: Esta fase pode, inclusive, ocorrer durante a prática, pois envolve a determinação de áreas-chave que devem ser observadas, que podem direcionar o sucesso e que, por isso, merecem ter critérios estabelecidos para que sejam controlados. É importante destacar que o planejamento deve ser constantemente avaliado para, além de verificar objetivos atingidos, detectar possíveis falhas ao longo de todo o processo. Para executar cada uma das dez etapas listadas, há outras seis etapas para execução do planejamento, ou seja, para colocar em prática tudo o que foi planejado. São elas: 1 Elaborar diagnostico 4 Definir estratégias 2 Elaborar o prognostico 5 Elaborar e implantar o plano 3 Estabelecer objetivo e metas 6 Acompanhar os resultados 1.Elaborar diagnostico: Pesquisar e conhecer a localidade turística na qual se deseja atuar; Conhecer seu entorno; Analisar a demanda e a oferta turística existentes; Levantar dados; Fazer todo o inventário. 2.Elaborar o prognostico: Elaborar cenários futuros, sempre traçando o lado pessimista, o realista e o otimista. 3 Estabelecer objetivo e metas: Traçar o que efetivamente se pretende alcançar. 4 Definir estratégias: Estabelecer a forma de execução para atingir objetivos e metas, por meio de programas, projetos, atividades, ações etc. 5 Elaborar e implantar o plano: Reunir uma equipe multidisciplinar formada a partir do estabelecimento de responsabilidades abordadas anteriormente para iniciar a implementação. 6 Acompanhar os resultados: Verificar ao longo de toda a execução se o que foi previsto está sendo executado a partir dos pontos de controle definidos. Análise PEST: efeitos e fatores A análise PEST, que corresponde à análise dos fatores Políticos, Econômicos, Socioculturais e Tecnológicos, deve ocorrer antes da análise SWOT. Tais fatores devem ser analisados para caracterização do macroambiente no qual a atividade turística em questão irá se relacionar. Novamente, essa análise é fundamental para qualquer empresa, organização ou mercado. Análise SWOT: efeitos e fatores Forças – Ameaças – Fraquezas – Oportunidades A partir da análise PEST, identificando as questões fundamentais do macroambiente, é possível identificar possibilidades de atuação. Ou seja, eu, sendo uma organização que faz parte do mercado turístico, dentro das questões identificadas a seguir: O que tenho como forças diante do mercado? Quais são meus pontos fortes? Quais pontos me destacam e me fazem diferente das demais no mercado? Quais são minhas fraquezas e pontos que preciso melhorar para garantir competitividade no mercado? Quais são as ameaças que o mercado oferece? Mudanças de legislação, fatores ambientais, questões políticas, mudanças na tecnologia? Quais são as oportunidades que posso aproveitar para valorizar as minhas forças até mesmo fazendo das ameaças uma possibilidade de crescimento e diferenciação no mercado? Inventário turístico O inventário turístico é parte fundamental do planejamento de uma localidade, quase um planejamento dentro do planejamento. Seu foco principal é fazer o levantamento da oferta turística de determinada região, com a identificação de todos os aspectos fundamentais e relevantes. Eles serão utilizados como atrativos da localidade ou como pontos que merecem melhorias para se tornar atrativos. Além disso, o inventário também propicia a criação de novas estruturas para gerar atratividade, retorno e desenvolvimento do turismo de uma localidade. De forma específica, inventariar a oferta turística envolve o levantamento, identificação e registro dos atrativos, serviços e equipamentos turísticos, assim como da infraestrutura de apoio ao turismo em determinada localidade. Todos estes itens servem como instrumentos básicos de informações para que seja possível o planejamento e a gestão da atividade turística na região. A oferta turística envolve o conjunto de todos os bens e serviços turísticos, atrações, acesso e facilidades que estão à disposição dos turistas no mercado. Podem ser ofertas conjuntas ou individuais, mas que sempre buscam atender às necessidades, solicitações ou desejos do mercado, ou seja, dos turistas. Os aspectos turísticos são diretamente envolvidos com o turismo, que avaliam tudo o que pode ser motivo efetivo de atração de turistas: Elementos ambientais e atrativos naturais. Aspectos históricos e recursos histórico-culturais. Áreas e opções de entretenimento Meios de hospedagem. Serviços de alimentação e outros serviços de turismo, ao turista e à gestão turística. Assim, podemos listar todos os fatores que fazem parte do planejamento e do inventário para permitir a caracterização geral de uma localidade turística, de acordo com Cesar e Stigliano (2005). São duas partes, divididas em: Parte I: Aspectos Gerais E Parte II: Aspectos Turísticos. Parte I: Aspectos Gerais: Parte II: Aspectos Turísticos. Delimitação da área Aspectos ambientais e atrativos naturais Aspectos gerais e administrativos Aspectos histórico-culturais, atrativos e recursos histórico-culturais. Aspectos socioeconômicos Entretenimento Infraestrutura básica urbana Meios de hospedagem Alimentação Outros serviços de turismo e apoio ao turista Gestão turística Análise de potencial e da concorrência. Esta análise também deve se basear na PEST e na SWOT. Para entender a concorrência é necessário compreender o mercado. Para superar a concorrência, por sua vez, é precisoconhecer a organização ou empresa profundamente, inclusive as fraquezas. Apenas dessa forma é possível entender como se destacar frente à concorrência, diante das possibilidades que o mercado coloca. Para esta etapa, vale apresentar uma ferramenta da gestão que será fundamental para analisar a concorrência: as cinco forças de Porter. Atividade: O que pode acontecer se a análise da estrutura e do sistema de turismo da localidade em questão não for bem executada? R - As chances de sucesso, desenvolvimento e crescimento na direção correta são menores. O planejamento adequado depende, fundamentalmente, de boas análises e diagnósticos iniciais. Por que a PEST e a SWOT são fundamentais para o planejamento turístico? R - Para qualquer mercado, a PEST e a SWOT são duas ferramentas importantes para o planejamento. Elas auxiliam na fase inicial de detecção do mercado e do ambiente em questão para, a partir daí, traçar estratégias de sucesso. São elas que vão caracterizar o ambiente e permitir a identificação das possibilidades de atuação: forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Vimos que o inventário turístico possui diversas etapas e pode, inclusive, ser ainda mais específico e direcionado à determinada oferta turística. Por que, no caso de uma localidade turística, o inventário deve ser o mais completo possível? R - Quando falamos em uma localidade turística, podemos tratar de uma região (Deserto do Atacama/ Patagônia) ou de um município, de forma mais específica, (San Pedro de Atacama/ Ushuaia/ Punta Arenas), que pode fazer parte de determinada região, em que o segmento turístico é comum. Dessa forma, a localidade turística é muito mais complexa porque envolve toda a estrutura turística da região ou do município. O inventário da oferta turística acontece em casos menos abrangentes, envolvendo, inclusive, apenas um hotel dentro dessa região, uma agência de turismo, um Parque Nacional etc., ou seja, ofertas que fazem parte do todo, que é a localidade. Após uma reunião de planejamento, uma dupla de Turismólogos foi chamada para compor equipes que fazem planos estratégicos para um município. Sua tarefa seria desenvolver o planejamento inicial de um Plano de Desenvolvimento Turístico a ser licitado no mercado. Planejamento é uma fase importante do Plano e se caracteriza pelo(a): R - Programação das fases e metas de sucesso, garantindo a implementação eficiente. Planejar "é identificar quais são os objetivos de uma entidade ou equipe de trabalho, quais os meios disponíveis para alcançá-los e quais as formas de utilizá-los" (POIT, D. R., 2006, p.34). Nesse sentido, é correto afirmar que as categorias de planejamento são: R - Planejamento estratégico, planejamento tático, planejamento operacional. O turismo é um setor gerador de receitas, podendo ser até a principal fonte de recursos de uma determinada região. O cálculo do impacto econômico em turismo pode ser uma atividade complexa, por requerer exame de diferentes aspectos da economia que são afetados pelas despesas turísticas. Os efeitos econômicos associados às despesas turísticas podem ser: R - Diretos, indiretos e induzidos. Medir o gasto turístico por meio de pesquisas primárias e análise de informações secundárias é uma tarefa essencial para entender como os turistas usam seus recursos financeiros no destino. Porém, para que os dados sobre despesas se traduzam em informação de impacto econômico, é necessário lançar mão de: R - Valores multiplicadores. Elemento importante na configuração do Plano Aquarela 2020 - Marketing Turístico Internacional do Brasil, o "Decálogo Geral do Brasil" contém argumentos a serem utilizados na comunicação do produto Brasil no mercado internacional. Assinale a alternativa que apresenta um desses argumentos. R- Natureza exuberante, com a maior diversidade do planeta. São premissas do Planejamento Estratégico Turístico: R - Sempre que possível, ter uma visão mais ampla a partir de um planejamento regional do local; Ser elaborado para evitar impactos negativos e maximizar os positivos; Criação de um senso de participação e envolvimento nos processos e resultados; Deve considerar dimensões sociais, econômicas, ambientais e culturais. Nos anos de 2014 e 2016 o Brasil sediou dois grandes eventos esportivos internacionais: a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. A esse respeito, assinale a opção correta: R - Os referidos eventos projetaram a imagem do Brasil no exterior, ainda que sustentada em mitos a respeito da cultura e da sociedade, como, por exemplo, a harmonia social e racial. Medir o gasto turístico por meio de pesquisas primárias e análise de informações secundárias é uma tarefa essencial para entender como os turistas usam seus recursos financeiros no destino. Porém, para que os dados sobre despesas se traduzam em informação de impacto econômico, é necessário lançar mão de: R – Valores multiplicadores Aula 4: Planejamento e gestão do turismo II O inventário turístico acontece em quatro níveis principais: Nível Federal, nível estadual, nível municipal, nível usario/participante. Nível Federal: Indica aos Estados a orientação dos planos e políticas para o turismo. É composto, basicamente, pelo Ministério do Turismo, responsável pela abertura, acompanhamento e fechamento do inventário turístico em âmbito nacional. Após a homologação do inventário turístico por parte do ministério, as informações são disponibilizadas para os níveis seguintes. Nível estadual: Elabora planos e traça diretrizes de planos e políticas para os municípios. Os gestores desse nível, geralmente nas secretarias estaduais do turismo, são responsáveis pelo acompanhamento dos trabalhos em cada município. Nível municipal: Executa as diretrizes do seu respectivo estado, assim como suas próprias diretrizes, a partir dos objetivos para desenvolvimento do turismo. Os gestores de cada cidade, geralmente nas secretarias municipais de turismo, devem participar do processo de inventariação do município, fazendo os levantamentos necessários para garantir a qualidade e a confiabilidade das informações. Nível visitante/usuário: Composto pelos turistas, visitantes e interessados em geral, ou seja, todos que desejam visualizar as informações sobre o turismo de determinada região. # A política de turismo do país impacta sobre os estados que, por sua vez, geram consequências nas estratégias dos municípios. Os atrativos de cada cidade orientam as políticas estaduais, que, consequentemente, direcionam a política do país. Diagnóstico e prognósticos para desenvolvimento turístico. A definição de diagnóstico envolve as seguintes situações: Identificação de problemas; Análise do ambiente; Compreensão da realidade; Avaliação dos impactos e consequências. Identificação e classificação de necessidades; O diagnóstico é, portanto, a identificação da realidade, a análise da situação, dos recursos existentes e do ambiente em questão, ou seja, é a identificação do momento atual e presente. O inventário turístico corresponde à compreensão e identificação de falhas, problemas e necessidades. O inventário também deve identificar pontos fortes e fracos, atrativos que podem ser diferenciais, recursos disponíveis ou necessários, além de conhecer toda infraestrutura, recursos e atrativos disponíveis. É como conhecer a si próprio e o ambiente com o qual se relaciona. O prognóstico corresponde à previsão sobre o que poderá acontecer no futuro. Seu objetivo é responder às seguintes perguntas: A partir do que temos hoje, da realidade atual, quais são as possibilidades no futuro? Quais são os possíveis cenários que podemos encontrar (e que precisamos nos preparar para receber)? A partir das previsões e cenários, é possível traçar medidas aconselhadas em cada situação. O prognóstico deve traçar cenários possíveis, formulando todas as alternativas deação ou intervenção diante das possibilidades existentes. Você já deve ter percebido que um prognóstico fica muito mais fácil com um bom diagnóstico. Além do presente, o diagnóstico deve analisar o passado, uma vez que a história faz com que seja possível identificar como foi o desenvolvimento ao longo dos anos até chegar à atualidade. Encontrar problemas na fase de diagnóstico é natural. São exatamente os problemas que servirão de base para o diagnóstico. Resumidamente, o prognóstico é feito com base em: 1 – Levantamento do passado Histórico 2 – Conhecimento do presente 3 – Expectativa relação futuro 4 - Oportunidades e potencialidades identificadas como possíveis no futuro, diante do presente analisado. 5 - Restrições e riscos que poderão influenciar o desenvolvimento, também diante do diagnóstico situacional atual. A partir destes cinco fatores principais, o prognóstico dirá o que se espera do futuro a curto, médio e longo prazos. A partir do prognóstico, deve-se seguir para a tomada de decisão sobre “o que fazer”, “por que fazer”, “como fazer”, “quando fazer”, “onde fazer”. A imagem a seguir ilustra esse resumo sobre o prognóstico. Para que o prognóstico seja efetivo, orienta-se que sejam seguidos alguns procedimentos a partir e durante sua elaboração. Veja quais são: Definir claramente os objetivos que devem ser alcançados no futuro. Estabelecer metas que devem ser atingidas. Estabelecer estratégias distintas para atingir os objetivos. Analisar a viabilidade de cada objetivo de acordo com a estratégia escolhida. Avaliar e escolher a melhor maneira de realizar a estratégia proposta. Seguir as cinco etapas listadas para a elaboração do prognóstico deve resultar, ao menos, em dois tipos de produtos: Produtos que apresentam projeções futuras de intervenção, ou seja, que têm como objetivo minimizar ameaças e promover oportunidades e potencialidades para o desenvolvimento turístico da localidade em questão. Produtos que servem como base para elaborar políticas públicas para estimular o desenvolvimento turístico da localidade em questão. Objetivos macro-orientados: 1. Implementar equipamentos e atividades, incluindo definição de prazos, a partir da definição de políticas e processos. 2. Estimular a implementação de equipamentos e serviços turísticos no setor público e privado. 3. Pensando no bem-estar social e rentabilidade organizacional, buscar a maximização dos benefícios socioeconômicos, reduzindo custos de investimento e de operações. 4. Garantir sustentabilidade por meio da minimização da degradação de recursos sociais, ambientais e econômicos. 5. Buscar capacitação do setor público para a atividade turística. 6. Introduzir e cumprir padrões de regulamentação para a iniciativa privada. 7. Relacionar a imagem da localidade turística à proteção ambiental e à qualidade. - Essa macro-orientação para o poder público serve como diretriz para o poder privado, mas, no poder privado, a definição dos objetivos é ainda mais particular, dependendo dos diagnósticos, prognósticos, análises de mercado, expectativas etc. Para que você entenda um pouco mais sobre a definição de objetivos e metas, precisamos compreender os componentes fundamentais do planejamento estratégico presentes nas seguintes perguntas: O que planejar? Por que planejar? O que irá sustentar o planejamento? Quem são os agentes e beneficiários atingidos? Quais são os meios para atingir objetivos? Onde se realizam ações planejadas? Quando cada ação deve ser realizada? Quais recursos (humanos, materiais e financeiros) são necessários? Como será o pagamento/financiamento? Objetivo geral Os objetivos são a resposta para a seguinte e fundamental pergunta: Onde queremos chegar? Responder essa pergunta é determinar o objetivo geral do planejamento. É como em um trabalho/artigo científico: o objetivo geral é o objetivo maior, mais global e abrangente. Dele saem outros objetivos e, também, as metas. Responder à pergunta é deixar clara a nova situação que se deseja atingir para o futuro que será possível a partir da implementação do planejamento. Como fazer para chegar lá? A resposta a essa pergunta deve indicar os melhores caminhos a se seguir e os meios necessários para “chegar lá”. Definir o objetivo geral só é possível a partir do prognóstico, pois sem ele não é possível saber os melhores caminhos. Repare que primeiro fazemos o prognóstico e depois definimos o objetivo geral. Após a definição do objetivo geral, recomenda-se a revisão dos prognósticos para que os cenários futuros traçados englobem tudo que o objetivo geral exige para que seja possível atingi-lo. O objetivo geral deve refletir com a maior fidelidade possível a situação desejada em relação às necessidades e desejos da comunidade local para a busca do desenvolvimento turístico sempre atrelado à sustentabilidade. Ao mesmo tempo que os objetivos devem se ajustar às características de cada localidade, alguns princípios básicos devem ser comuns: -Contribuir para inclusão social e econômica, bem como para a sustentabilidade ao estimular atividades complementares ao turismo. -Utilizar de maneira racional e sustentável os recursos naturais, humanos, materiais e financeiros. -Criar parcerias para organizar e integrar o turismo. -Desenvolver ferramentas para que os órgãos públicos racionalizem e integrem os agentes turísticos com menos burocracia. Objetivos específicos Partindo do objetivo geral, é possível definir os objetivos específicos. A pergunta que deve ser feita para se chegar a eles é a seguinte: O que deve ser feito? Os objetivos específicos são o “meio do caminho” para atingir o objetivo final. Eles representam as etapas que precisam ser cumpridas ao longo da implementação de todo o planejamento para que, ao final, o objetivo geral (e maior) seja alcançado. Assim, podemos dizer que os objetivos específicos são o desmembramento e o detalhamento do objetivo geral. São diferentes, mas completamente relacionados. Metas Cada objetivo específico deve ser acompanhado de uma descrição detalhada, com números que devem ser alcançados e indicadores que devem ser controlados. Objetivos X Metas Podemos dizer que objetivos são qualitativos e metas são quantitativas. Vale destacar que a qualidade também pode ser medida por meio de metas, mas precisa ser trazida para a avaliação numérica. Caso contrário, corresponde a um objetivo. Para definir metas, recomenda-se acompanhar o seguinte roteiro: 1. Analisar dados presentes e atualizados, que serão posteriormente comparados aos dados futuros atingidos, indicando o grau de sucesso no cumprimento das ações do planejamento. 2. Identificar diferentes variáveis que podem avaliar o desenvolvimento de uma localidade turística, verificando se as projeções de crescimento e de melhoria futura são realizáveis. 3. Avaliar riscos presumíveis no planejamento, buscando identificar ameaças que podem ser contornadas, minimizadas ou eliminadas. 4. Verificar o grau de probabilidade de cumprimento das metas nos prazos previstos, com os recursos disponíveis. Estabelecer estratégias: potencialidades e limites Estabelecer estratégias significa estabelecer linhas de ação para atingir os objetivos. Cada objetivo especifico precisa de linhas de ação que indiquem os meios para que eles sejam alcançados. Devem ser, ao mesmo tempo, necessárias e suficientes para atingir o objetivo especifico a que se referem, ou seja, suficientes em número e necessárias em conteúdo, para que sejam eficientes e eficazes, sem desperdício. Para que o planejamento, ou seja, o que se espera, se transforme em realidade, prática, é necessário: Verificar – identificar – Identificar – conhecer. Verificar... O que já está sendo realizado dentro dos objetivos estabelecidos. Identificar... O que ainda é necessário e que pode complementar o que já é feito. Identificar... Quais são as possíveis formas de intervenção,juntamente com o que é suficiente e/ou necessário, considerando os objetivos estabelecidos. Conhecer... Os riscos existentes ou possíveis, buscando minimiza-los, anula-los ou contorna-los. As linhas de ação são conjuntos de ações complementares que buscam atingir os objetivos específicos. Para que as ações sejam realmente efetivas, elas devem ser detalhadas em atividades, ou seja, uma ação engloba uma ou mais atividades. Ministério do turismo: Coordenar e incentivar o processo de inventariação em âmbito nacional; Desenvolver estratégias de implementação; Elaborar e disponibilizar metodologias e instrumentos operacionais; Apoiar e orientar as iniciativas de inventariação dos Estados (UFs), regiões e municípios; Receber e divulgar as informações coletadas. Órgão de turimo estadual Estimular, promover e orientar o processo de inventariação nos municípios; Articular, buscar parcerias e promover estratégias de implementação; Apoiar as iniciativas de inventariação dos municípios. 1. Diferencie diagnóstico de prognóstico e discuta sobre a relação entre as duas etapas dentro do planejamento turístico em busca de desenvolvimento. Diagnóstico é como uma análise situacional, um levantamento de tudo o que existe e, por isso, é representado pelo inventário turístico. É a listagem de tudo que o turismo de determinado município, estado, região ou país possui no momento da análise. A partir do diagnóstico, é possível fazer o prognóstico, ou seja, traçar possibilidades de futuro, cenários possíveis de caminhos diante da situação atual, no presente. Portanto, resumidamente, o primeiro é o presente e o segundo é o futuro. A relação entre eles é que sem o presente a previsão do futuro se torna mais difícil e menos tangível. Conhecer o presente é fundamental para que seja possível se desenvolver no futuro. 2. Entre as etapas do planejamento que estamos discutindo desde a aula anterior, qual delas você̂ considera mais importante? Justifique. Diagnóstico (inventário turístico); Prognóstico (previsão do cenário futuro); Definição de objetivos e metas; Estabelecimento de estratégias. Todas as etapas são fundamentais e devem seguir uma coerência entre si. Um diagnóstico inicial coerente e com as informações corretas será fundamental para o prognóstico que virá na sequência. Definir claramente os objetivos e metas será primordial para ser coerente e saber onde se deseja chegar. E, por fim, as estratégias que levarão à ação. Então, talvez elas sejam as mais importantes por serem a etapa final antes da prática, mas sem as etapas anteriores, nada faz sentido. - O Inventário Turístico consiste em levantar, identificar, registrar e divulgar os atrativos, serviços e equipamentos turísticos e as estruturas que viabilizam o Turismo. - Os planos setoriais de turismo têm por objetivo incentivar o desenvolvimento do turismo capaz de propiciar a participação efetiva da sociedade. - O desenvolvimento do turismo impõe uma permanente articulação entre os diversos setores, públicos e privados, relacionados à atividade, no sentido de proporcionar compartilhamento, cooperação e integração das atividades turísticas. - Para medir o potencial turístico de determinado local, faz-se necessário avaliar os recursos que o compõem, a começar pelos atrativos. - O conceito de demanda está diretamente ligado ao processo de tomada de decisões que as pessoas realizam constantemente no processo de planejamento de suas atividades de lazer. - A demanda não efetiva é o grupo de pessoas que não viaja por algum motivo. - A demanda turística pode ser definida como o número total de pessoas que viaja ou deseja viajar para desfrutar das comodidades turísticas e da residência habitual. - A definição da demanda turística variará de acordo com os interesses do pesquisador. Assim, um economista centrará a demanda do ponto de vista econômico, um psicólogo, do ponto de vista comportamental e de motivações da demanda etc. - Demanda efetiva e demanda potencial são diferentes. Como o nome diz, a demanda efetiva é mais próxima da realidade, ou seja, de pessoas que realmente tem a intenção de viajar para determinada localidade. A demanda potencial utiliza previsão futura em maior escala, podendo, assim, incorrer ao erro. O diagnóstico da oferta de um destino turístico passa por avaliações e classificação de serviços, atividades culturais e pontos de visitação. Um dos instrumentos de gestão mais importantes para esse tipo de avaliação é: R – Inventario turístico. Sobre as ações voltadas para o Planejamento Turístico, podemos dizer: - O Inventário Turístico consiste em levantar, identificar, registrar e divulgar os atrativos, serviços e equipamentos turísticos e as estruturas que viabilizam o Turismo. - Para medir o potencial turístico de determinado local, faz-se necessário avaliar os recursos que o compõem, a começar pelos atrativos. - O desenvolvimento do turismo impõe uma permanente articulação entre os diversos setores, públicos e privados, relacionados à atividade, no sentido de proporcionar compartilhamento, cooperação e integração das atividades turísticas. - Os planos setoriais de turismo têm por objetivo incentivar o desenvolvimento do turismo capaz de propiciar a participação efetiva da sociedade. - Os equipamentos e serviços urbanos são fundamentais para a identificação da infra-estrutura disponível na região turística estudada. São também direcionadores para a oferta turística. (FGV 2015) Nas previsões sobre impactos da Copa do Mundo de Futebol da FIFA no Brasil em 2014, o Ministério do Turismo indicava que: "cerca de 3,7 milhões de turistas devem movimentar R$ 6,7 bilhões, mobilizando cerca de 200 mil trabalhadores temporários e acrescentando R$ 6,7 bilhões à economia do País." (Publicado: Quinta, 12 de Junho de 2014, 08h59) Esse tipo de informação é característica do setor de turismo, geralmente coletada por meio de: R – Pesquisa de demanda Turistas domésticos brasileiros respondem mais positivamente à propensão de viajar quando questionados nos meses anteriores ao período de verão. A precisão dessa informação terá maior grau de confiança se: R - For resultante de uma série histórica. Aula 5: Produto turístico Produto turístico: caracterização e elaboração. Produto turístico: Tudo aquilo que é ofertado no mercado do turismo, seja um produto efetivamente ou um serviço. Elaborar um produto turístico deve envolver todas as etapas da construção de bens e serviços que irão interagir com o mercado consumidor, os turistas. A composição de um produto turístico envolve o setor público e o setor privado em conjunto. Quanto mais desenvolvido é um produto turístico, mais ele será composto e diversificado, unindo os três setores da economia: Primário – Secundário – Terciário. Primário: Composto por matéria-prima, recursos naturais e, no caso do turismo, recursos culturais. Secundário: Representado pela indústria, que fabrica os produtos e bem físicos. Terciário: Constituído por serviços. O desenvolvimento de um produto turístico também representa o nível de interesse das pessoas, consumidores e turistas, em relação ao consumo do produto. Mais do que o mercado de bens em geral, o turismo é um setor em que as singularidades fazem toda a diferença para o consumo. Como o nome mesmo diz, são os atrativos de uma localidade que trazem o consumo. É fundamental ter em mente que o produto turístico é produzido e consumido no mesmo local, por meio da experiência e experimentação. O turista precisa se deslocar em direção ao produto turístico. O produto turístico é fixo em sua localidade, diferentemente do que acontece com a maioria dos produtos da atualidade, o turismo está entre os únicos mercados que provoca o deslocamento do consumidor, não o contrário. Sobre o consumo do produto turístico: É um bem intangível; Não é possível consumir antes de comprar porque, geralmente, o produto encontra-se distante do local da compra; A compra costuma ser realizada com certa antecedênciaem relação ao consumo. Todos esses pontos precisam ser considerados para a elaboração do produto turístico, sempre em busca da maior satisfação ao turista. Se ele não gostar da experiência, dificilmente voltará ao destino ou mesmo indica-lo a outras pessoas. Os impactos negativos podem prejudicar muito mais o mercado do turismo do que um simples bem de consumo que chega à casa do consumidor. Principalmente por envolver o deslocamento dos turistas, as expectativas pela experiência e, muitas vezes, a idealização de um sonho no destino. Apesar do produto turístico (experiência) ser um bem intangível, ele possui elementos tangíveis e intangíveis. Tangíveis: Ruínas arqueológicas, Montanhas e Monumentos. Intangíveis: Hospitalidade das pessoas, Qualidade da atenção e Experiência em si. O produto turístico, ao apresentar cada um de seus elementos, é responsável pelo desenvolvimento da atividade turística. Os turistas procuram produtos turísticos, não destinos. O destino fica famoso por seus atrativos e produtos turísticos, mas a experiência precisa ser completa em todos os fatores, o que depende da qualidade dos produtos turísticos oferecidos. Para sermos mais diretos, um produto turístico pode ser: Roteiro, atrativo, segmento e destino. Roteiro: Vendido por agências de turismo, inclusive dentro de pacotes, com o roteiro dia a dia. Atrativo: São exemplos de atrativos um Parque Nacional, uma praia específica, uma cachoeira, a neve, a Estrada Real, entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, considerada o maior corredor turístico do país etc. Segmento: São exemplos de segmento: ecoturismo, turismo de aventura, turismo cultural, turismo de negócios e turismo de eventos, turismo de sítios arqueológicos etc. Destino: Plano Nacional de Turismo (PNT) do Brasil de 2018-2022 apresenta como uma das iniciativas o posicionamento estratégico do Brasil como produto turístico. Produtos turísticos. O turismo é reconhecido como uma indústria. No entanto, se encontra, em sua maioria, no setor terciário da economia, oferecendo serviços. Apesar de ser fundamental a união dos três setores. Pode, também, ser considerado uma realidade humana, uma vez que tem como foco a experimentação. Basicamente, turismo viabiliza viagens, hospedagens, entretenimento e alimentação. Quando envolve recursos naturais, deve cuidar para explorá-los de forma sustentável, pois se os recursos naturais acabarem, a atividade turística será prejudicada. Recursos e atrativos, equipamentos e serviços O produto turístico envolve tudo o que o turista, seu consumidor, pode consumir, utilizar, experimentar, observar e apreciar durante uma viagem ou estadia. Ele combina elementos materiais e imateriais, tangíveis e intangíveis, englobando patrimônios naturais ou não, equipamentos, infraestrutura, acessibilidade ao destino, atrativo ou localidade. Modelo de Smith (1994) O autor estabelece cinco elementos do produto turístico genérico: elemento físico (infraestrutura), serviço, hospitalidade, liberdade de escolha e envolvimento do turista. O autor defende que os três primeiros elementos (elemento físico, serviço, hospitalidade) formam a essência do produto turístico, são o produto formal ou tangível. Os dois últimos (liberdade de escolha e envolvimento do turista) correspondem ao produto turístico ampliado ou estendido. Todos os elementos precisam ser analisados em relação aos recursos e atrativos que podem ser oferecidos para o consumidor diante do produto turístico final ofertado. Podemos dizer que os recursos que compõem um produto turístico envolvem: Recursos públicos, empresas turísticas, Entidades com responsabilidades na gestão das infraestruturas e Empresas complementares. Recursos públicos - Praias, florestas, museus, monumentos, castelos. Empresas turísticas -Hotéis, transportes, agências de viagens, restaurantes, operadores turísticos. Entidades com responsabilidades na gestão das infraestruturas - Estradas, aeroportos, serviços de saneamento. Empresas complementares - Parques temáticos, cinemas, cassinos, instalações desportivas e culturais. Os recursos oferecidos podem ser naturais ou construídos pelo homem, atividades ou eventos específicos, além de fenômenos que envolvem cultura, hábitos e costumes, representando a motivação principal que levam à viagem. Esses recursos, sob a ótica da oferta no mercado, podem ser vistos de duas maneiras: Conjunto de oferta e Toda a realidade oferecida, percepcionada e experimentada pelo turista. Conjunto da oferta: Limitada ao espaço onde o turista escolheu para sua estadia: hotéis, restaurantes, atrações, transporte etc., que são a base de comercialização e consumo da oferta. Toda a realidade oferecida, percepcionada e experimentada pelo turista - Um produto que combine fatores físicos e emocionais, como a realidade de vivenciar um hotel ou restaurante e a sensação ou emoção durante o contato com a realidade, cultura ou costume do país receptor, que envolve muito mais o sonho, a idealização, as expectativas antes da experiência. Vale reforçar que o produto turístico, assim como qualquer produto, dentro de qualquer mercado, deve ser composto por: Recursos, no caso do turismo, geralmente naturais, culturais, históricos; Bens e serviços; Infraestrutura e equipamentos; Gestão; Imagem da marca; Preço. Além disso, como recursos principais básicos, estão os quatro principais componentes do produto turístico, conforme apresentado a seguir: Transporte, alojamento, alimentação e animação. Em termos de decomposição de seus elementos principais, podemos elencar: Recursos primários ou básicos. Recursos secundários ou instalações. Recursos terciários ou complementares. Recursos primários ou básicos: Advindos da ação da natureza (recursos naturais) ou da ação do homem (recursos culturais e históricos). São condição indispensável para o surgimento do produto turístico. Recursos secundários ou instalações: Satisfazer as necessidades dos turistas. Sua criação é condicionada ao turismo e envolve alojamento, agências de viagens, complexos de animação etc. Recursos terciários ou complementares: Destinados à população em geral, mas também à população residente, não apenas aos turistas, como museus, teatros, espetáculos etc. Estudo de competitividade de produtos turísticos: Identifica, os componentes que influenciam a competitividade dos produtos turísticos, que envolvem os recursos disponíveis para os produtos turísticos. São eles: Infraestrutura e acesso, Serviços e equipamentos turísticos, valor agregado, marketing, palenj. e gestão, sustentabilidade, espaço para congressos e feira de negócios. Infraestrutura e acesso: Capacidade de atendimento médico, segurança, comunicação, funcionamento das estruturas dos atrativos, acessibilidade, condições de deslocamento e acesso aos produtos. Serviços e equipamentos turísticos: Oferta de meios de hospedagem, restaurantes, empresas ou profissionais de turismo receptivo e apoio ao turista, estrutura de sinalização turística e oferta de centros de atendimento ao turista para atender ao produto. Valor agregado: Fatores que podem incrementar o potencial de atração do produto, como identificação de elementos diferenciais, desenvolvimento de estratégias inovadoras, adoção de estruturas físicas diferenciadas, disponibilidade de atividades e serviços variados. Marketing: Ferramentas e estratégias de promoção focadas no produto, presença e o destaque em materiais promocionais, existência de folhetaria, website, redes sociais específicas e representatividade dos produtos nos principais guias turísticos especializados. Planejamento e gestão: Questões relativas à capacidade de estruturação e gestão do produto turístico, existência de um órgão responsável pela gestão do produto, envolvimento da comunidade no processo de planejamento e gestão, existência e efetiva aplicação de planos adequados à realidade de cada segmento. Sustentabilidade:Monitoramento de impactos ambientais, socioculturais e econômicos, presença de iniciativasde educação ambiental, presença de lixeiras para separação do lixo e realização de coleta seletiva de resíduos. Espaço para congresso e feira de negócios: Representatividade da oferta de centros de eventos em operação no destino. Além disso, o estudo também identifica unidades de análise em termos de segmentação turística no Brasil, conforme ilustrado a seguir. Ecoturismo - Turismo Cultural – Turismo de negócios e eventos – Turismo de sol e praia. Objetivos e estratégias O principal objetivo e ponto de partida de qualquer estratégia de sucesso, seja para um produto turístico ou não, é a busca por qualidade, crescimento e desenvolvimento. Portanto, o objetivo principal de um produto turístico deve ser proporcionar um produto e experiências de qualidade aos turistas. Considerando que podemos resumir o produto turístico nas seguintes características: Intangível, perecível, abstrato, sistêmico, diversificado, limitado/pouco elástico, sazonal, variável em valor percebido, estático. Intangível - Geralmente não envolve a compra de um bem físico, algo que o consumidor leve para casa. Perecível - A viagem tem começo, meio e fim, com consumo imediato no momento presente. Abstrato - Fica apenas a memória depois do consumo. Sistêmico - Ocorre em um ambiente de constante troca.