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CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA “PROJETO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO DE EDIFÍCIOS DE PEQUENO E MÉDIO PORTE” ASSUNTO: DIMENSIONAMENTO DE PISCINAS Prof. Marcos Alberto Ferreira da Silva Ribeirão Preto, 2011 1 DIMENSIONAMENTO DE PISCINAS 1. GENERALIDADES E TIPO DE FUNDAÇÃO As piscinas de concreto, na maioria dos casos, são executadas enterradas no solo e funcionam de maneira similares as caixas d´água. A figura 1 mostra esquematicamente como seria constituída a estrutura de uma piscina de concreto com as diversas paredes laterais (faces) e a laje de fundo. 400 50 0 25 0 FACE 1 (frontal) (lateral direita) FACE 2 FACE 4 (lateral esquerda) (posterior) FACE 3 Figura 1 – Perspectiva esquemática de uma piscina construída em concreto armado Ao se projetar uma piscina a primeira decisão a se tomar é se a mesma pode ser executada com fundação direta (superficial) ou não. Na figura 2 mostra-se a seção transversal de uma piscina enterrada e a representação dos seguintes pesos: sP = peso do solo retirado; aP = peso da água da piscina; cP = peso da estrutura. Se cas PPP é possível usar fundação superficial, em caso contrário não. Na figura 3 são mostradas duas situações em que pode ser necessário o uso de fundações profundas. No primeiro caso parte da piscina está em solo em aterro e em outra parte em corte, podendo haver recalques diferenciais que causam fissuração na estrutura. No segundo caso embora só exista corte, há uma variação muito grande dos tipos de solos no fundo da piscina fazendo com que haja risco, ao se usar fundação superficial, da ocorrência de recalques. Neste caso também pode ser necessário o uso de estacas. O uso de estacas eleva os custos de execução de uma piscina de concreto, assim um cuidadoso estudo da localização da mesma sempre é necessário. 2 SEÇÃO TRANSVERSAL DE PISCINA ESCAVADA Laje do fundoLaje do fundo P = peso da águaa sP = peso do solo retirado P = peso da estrutura de concretoc Figura 2 – Esquema da seção transversal de uma piscina escavada mostrando os pesos do solo retirado e da água da piscina e da estrutura de concreto CORTE LONGITUDINAL c Laje do fundoPLANTA Terreno natural estaca estaca estaca Terreno natural PLANTA c CORTE LONGITUDINAL Figura 3- Esquema de piscinas com fundação profunda (estacas) 3 2. MODELOS DE CÁLCULO PARA OS ELEMENTOS DA ESTRUTURA Assim como as caixas d’água as piscinas também podem ser consideradas compostas de paredes (laterais e frontais) e laje de fundo. O modelo de cálculo adotado para as paredes depende da relação entre as dimensões dos seus lados. Ao fazer dois cortes na piscina mostrada na figura 4, definidos pelos planos α e β, é possível ter-se para as paredes os modelos de cálculo mostrados na figura 5. FACE 3 (posterior) (lateral esquerda) FACE 4 FACE 2 (lateral direita)(frontal) FACE 1a c b Figura 4- Cortes em uma piscina de concreto armado CORTE 22 (plano ) c Laje do fundoLaje do fundo CORTE 11 (plano ) Laje do fundoLaje do fundo b a c > 2a a b > 2a Figura 5 – Modelos de cálculo para as paredes de uma piscina 4 As paredes podem ser consideradas como placas (lajes maciças) desde que a relação c/a e b/a estejam contidas no intervalo de 0,5 a 2,0; diferentemente das caixas d’água neste caso não se tem a laje da tampa, e então as placas terão apenas três contornos com deslocamentos perpendiculares impedidos e uma borda livre (indicada pelo tracejado na figura 5). No caso da relação dos lados das paredes ser maior que 2,0 ou inferior a 0,4 tem-se o comportamento de uma viga e portanto a parede pode ser considerada como uma haste engastada no fundo (laje inferior) e livre na outra extremidade (uma viga em balanço). No caso das paredes funcionarem como placa, tem-se para as mesmas as condições de contorno indicadas na figura 6: três bordas engastadas e uma livre. CORTE 22 (plano ) c Laje do fundoLaje do fundo CORTE 11 (plano ) Laje do fundoLaje do fundo b a Figura 6 – Condições de contorno das placas das paredes da piscina A laje de fundo da piscina, por sua vez, “trabalha” apoiada no solo e, assim, funciona como uma placa (ou viga dependendo da relação entre os lados) sobre base elástica. Na figura 7 mostra-se o esquema que é usado para considerar tal placa com o solo sendo substituído por molas. CORTE 22 (plano ) Laje do fundo Terreno natural Laje do fundo laje sobre base elástica Molas Figura 7 – Esquema estrutural da laje do fundo como uma laje sobre base elástica 5 3. AÇÕES ATUANTES NOS ELEMENTOS DA ESTRUTURA As ações a considerar na piscina são basicamente decorrentes das ações gravitacionais da água, da própria estrutura, dos empuxos horizontais da água e da terra e da reação do solo. Nas paredes atuam os empuxos d’água e de terra como mostra a figura 8. Neste caso convém considerar cada um deles atuando separadamente, ou seja, calcula-se a armadura necessária para o equilíbrio com a ação só da água e depois o mesmo para a ação só do solo. Isto se justifica porque na construção de uma piscina é comum executar um prova de carga enchendo-a com água antes de aterrar os lados da mesma; posteriormente, depois de pronta, para efetuar limpeza da mesma, é comum deixá-la vazia e neste momento só haverá a atuação do empuxo horizontal da terra. H Laje do fundoLaje do fundo E= p . __ p= K Ha s H 2 sap= K H 2 HE= p . __ ap= h H / 3 h CORTE 11 (plano ) Figura 8 – Ações nas paredes laterais causadas pelo solo e água Em relação à laje do fundo, conforme dito anteriormente o funcionamento é de uma placa ou viga sobre base elástica e, portanto, as ações do peso próprio da água e da laje do fundo são anuladas praticamente pela reação do solo. Restam assim as ações relativas aos momentos transmitidos pelas paredes laterais e a ação do peso da parede como pode ser visto na figura 9; o peso da parede foi considerado como uma reação uniforme no solo. Para fins de verificação da tensão no solo todos os efeitos devem ser considerados, mas para o cálculo da solicitação na laje apenas os momentos e o peso da parede devem ser considerados. Para calcular os esforços internos (esforços solicitantes) da laje do fundo da piscina pode- se imaginar um trecho de um metro de largura apoiada sobre base elástica. Outro tipo de solução é empregar uma grelha equivalente (analogia de grelha) e considerar em cada nó uma mola na direção vertical com constante igual ao produto do coeficiente de recalque multiplicado pela área contida entre as barras da grelha, ou seja, a b (ver figura 10). 6 M CORTE 11 (plano ) Pparede parede P águap ppeso da laje p = /aparede2P a págua peso da lajep M M a 2Pparedep = /a PparedeparedeP CORTE 11 (plano ) M Figura 9 – Ações na laje do fundo: ação da água, do peso próprio da laje, do peso da parede e do momento dos empuxos de água e de terra e reação do solo CORTE 22 (plano ) Laje do fundo Terreno natural PLANTA a b Figura 10 – Consideração da laje de fundo: modelo de laje sobre base elástica ou grelha equivalente com apoios de mola 4. EXEMPLO 1 Calcular a piscina cujos elementos geométricos são indicados na figura 11. São dados: Materiais: concreto C20 ( MPa 20fck ), aço CA-50. Cobrimentodas armaduras = 2,5cm. Peso do revestimento: 5 kN/m². 1/3K 30 kN/m 18γ :Solo a 0 3 s 7 Figura 11 – Elementos geométricos da piscina do exemplo 1 8 Cálculo dos momentos nas paredes Como a relação entre os lados das paredes (5/1,5 e 4/1,5) são maiores que dois a parede pode ser calculada como uma viga em balanço como pode ser visto na figura 12. Os momentos devido a cada ação isolada são dados por: Água: M= 3 H Ea = 6 10 32 3HHH Ha = 6 5,110 3 = 5,625 kN∙m/m Solo: M= 3 H Es = 63 1 18 32 3HHH Hkas = 18 5,118 3 = 3,375 kN∙m/m Parede H Laje do fundoLaje do fundo E= p . __ p= K Ha s H 2 2 HE = p . __ ap = h H / 3 a aH / 3 Figura 12 – Esquema estrutural para o cálculo das paredes Dimensionamento das pardes Para dimensionar a parede determina-se o valor de h (espessura da parede) de maneira que se tenha, por exemplo, na seção mais solicitada uma armadura de 6,3mm a cada 15cm. Como se tem uma flexão simples (o esforço normal é pequeno e pode ser desprezado) isto é feito determinando a força na armadura tracionada, calculando a posição da linha neutra, determinando o valor do braço de alavanca e finalmente o valor de h. Expressões empregadas: ydss fAF cs FF cdc 0,85f0,8xbF zFM sd 0,4xdz d = h – cobrimento – /2 9 Usando 6,3mm a cada 15cm, chega-se a As = 2,13 cm 2 /m. Assim, tem-se: Fs = 2,13 ∙ (50/1,15) = 92,75 kN/m 92,75 = 1 ∙ 0,8x ∙ 4,1 20000 85,0 x = 0,0095m 1,4 ∙ 5,625 = 92,75 ∙ z z = 0,0849m 0,0849 = d – 0,4 ∙ 0,0095 d = 0,0887m 0,0887 = h – 0,025 – 0,003 h = 0,011m Assim, adota-se h =12cm e a armadura necessária para resistir o momento causado pelo empuxo da água é de 6,3mm a cada 15cm. A armadura para resistir o momento causado pelo empuxo do solo fica: 1,4 20000 0,0891 3,3751,4 fdb M KMD 2cd 2 d = 0,042 Tabela de KMD KZ = 0,9697 1,15 50 0,0890,9697 3,3751,4 fdKZ M A yd d s = 1,26 cm 2 /m 6,3mm cada 25cm. Será adotado 6,3mm a cada 20cm. Dimensionamento da laje do fundo A laje do fundo tem a mesma armação que as paredes, pelo menos na extremidade. Se for considerada muito rígida haverá ainda o efeito do peso das paredes que o solo resistirá considerando uma tensão uniforme. Peso das paredes: 2 ∙ 0,12 ∙ 1,50 ∙ 25 = 9 kN/m na direção menor 8 Peso 8 Peso M 2 = 5,4 8 49 kN.m/m na direção maior 8 Peso M = 625,5 8 59 kN.m/m Na tabela 1 indicam-se as armaduras necessárias para a laje do fundo da piscina, nas duas direções. Tabela 1: Armaduras necessárias para a laje do fundo da piscina Vão Momento KMD KZ As Espaçamento (usando 6,3mm) 4m 4,5 kN∙.m/m 0,055 0,966 1,68 cm2/m cada 17,5cm 5m 5,63 kN∙m/m 0,070 0,957 2,12 cm2/m cada 15cm Nas figuras 13 e 14 mostra-se o detalhamento das armaduras da laje do fundo e das paredes da piscina. 10 PLANTA 488 388 26N1Ø6,3 -485- C/15 28N 2Ø 6,3 -48 5- C /17 ,5 N3Ø6,3 C/30 N4Ø6,3 C/30 N4Ø6,3 C/30 N4 Ø6 ,3 C/3 0 N4 Ø6 ,3 C/3 0 N3 Ø6 ,3 C/3 0 N3 Ø6 ,3 C/3 0 N4 Ø6 ,3 C/3 0 N4 Ø6 ,3 C/3 0 armadura negativa 2x1 3N 3Ø 6,3 C/ 30 2x1 3N 4Ø 6,3 C/ 30 26N 1Ø 6,3 -48 5- C /15 2x17N4Ø6,3 C/30 2x17N3Ø6,3 C/30 28N2Ø6,3 -485- C/17,5 2x1 8N 5Ø 6,3 C/ 20 armadura positiva 388 488 PLANTA N5Ø6,3 C/20 N5Ø6,3 C/20 N5 Ø6 ,3 C/2 0 N5 Ø6 ,3 C/2 0 2x25N5Ø6,3 C/20 Figura 13 – Armação da laje do fundo da piscina do exemplo 1 N 5Ø 6, 3- 2 80 c /2 0 ARAMADURA DAS PAREDES - CORTE N 3Ø 6, 3- 2 96 c /3 0 N 4Ø 6, 3- 2 20 c /3 0 80 15 7 7 7 125 125 7 7 125 15 7 2X 7N 6Ø 5- co rr id o c/ 20 15 0 3N6Ø5-corrido N 3Ø 6, 3- 2 96 c /3 0 N 3Ø 6, 3- 2 96 c /3 0 N 4Ø 6, 3- 2 96 c /3 0 N 4Ø 6, 3- 2 96 c /3 0 N 5Ø 6, 3- c /2 0 ARAMADURA DAS PAREDES - ELEVAÇÃO 3N6Ø5-corrido 3N6Ø5-corrido 2X 7N 6Ø 5- co rr id o c/ 20 2X 7N 6Ø 5- co rr id o c/ 20 12 5 125 N 8Ø 6, 3- 2 50 c /2 0 7 7 125 12 5 N 9Ø 6, 3- 2 64 c/ 20 CANTO ENTRE PAREDES (PLANTA) 4X 7N 8Ø 6, 3- c /2 0 7N 9Ø 6, 3- c /2 0 15 0 Figura 14 – Armação das paredes da piscina do exemplo 1 11 5. EXECUÇÃO Para as piscinas executadas em solo colapsivo deve-se seguir o esquema indicado na figura 15 com os seguintes procedimentos: escava-se o terreno, recoloca-se um trecho do solo no fundo compactando-o adequadamente, concreta-se um piso de concreto magro de regularização, coloca-se uma manta impermeável e executa-se uma calha ao redor da escavação com poços para permitir o bombeamento da eventual água de chuva. É de suma importância que não haja saturação do solo colapsivo e do solo compacto caso contrário poderão ocorrer recalques diferenciais ou absolutos que prejudicam a estrutura. Assim, havendo chuva durante a execução é preciso bombear a água acumulada na escavação. Para a situação de solos normais (não colapsíveis) o uso do piso de regularização também é recomendado assim como a colocação da manta impermeável. Recomenda-se aplicar uma película de desmoldante de fôrma na manta antes da concretagem da laje, com a finalidade de reduzir o atrito proveniente do encurtamento da laje causado pela retração do concreto (ver figura 16). CORTE LONGITUDINAL Terreno natural Terreno natural CORTE LONGITUDINAL CORTE LONGITUDINAL Terreno natural 2 DETALHE 1 DETALHE 1 Calha poço parede-laje da piscina piso de concreto magro Terreno recompactado da piscina Manta imoermeável Figura 15 – Execução de piscina enterrada apoiada no solo A laje do fundo é executada junto com um pequeno “pedaço” da parede vertical como mostra o detalhe 2 da figura 16; isto é feito para dificultar a percolação da água no encontro da parede vertical com a horizontal. Na superfície do concreto indicada neste detalhe (detalhe 2) é necessário que se dê um tratamento adequado: esta superfície (da junta de concretagem) deverá ser lavada com jato de água com pressão de maneira que toda a nata de cimento que exista seja retirada e a superfície fique o mais áspera e irregular possível, desta forma se garante uma melhor união entre o concreto “velho” da primeira concretagem com o “novo” da concretagem a ser feita na parede vertical. 12 CORTE LONGITUDINAL Terreno natural DETALHE 2 DETALHE 1 parede da piscina Manta impermeável piso de concreto magro superfície DETALHE 2 DETALHE 1 Laje do fundo Desmoldante encurtamento encurtamento atritoDETALHE 2 a ser tratadalaje da piscina armadura junta de concretagem Figura 16 – Detalhe 1: uso de manta impermeável com desmoldante de fôrma para diminuir atrito no fundo da piscina; Detalhe 2: tratamento da superfície da junta de concretagem parede-laje da piscina6. PISCINAS COM PAREDES DE ALVENARIA As piscinas chamadas de “mistas”, em que a parede é feita com pilares e vigas de concreto armado e alvenaria, são similares aos muros de arrimo mistos. Um esquema deste tipo de piscina pode ser visto na figura 17. 13 Figura 17 – Esquema de piscina mista em que se utiliza alvenaria para executar as paredes 14 7. EXEMPLO 2 Calcular os pilares da piscina do exemplo considerando a utilização de dois pilares intermediários na parede de 5m e um na parede de 4m. Usar os mesmos dados do problema anterior. A situação mais desfavorável passa a ser a da parede de 4m, pois a contribuição da pressão do solo ou da água será da largura de dois metros. Assim, o esquema de forças é o mostrado na figura 18 com e = 2m. Pilar H Laje do fundoLaje do fundo E= p . __ p= K H ea s H . e 2 2 H . eE = p . __ ap = h e H / 3 a aH / 3 s 2 Figura 18 – Esquema estrutural para o cálculo das paredes Assim os esforços de flexão no pilar são obtidos por: Água: M = e H Ea 3 = 6 20 32 3H e HH Ha = 6 5,120 3 = 11,25 kN.m/m Solo: M= e 3 H Es = 63 2 18 32 3H e HH Hkas = 18 5,118 3 = 6,75 kN.m/m Para dimensionar a parede da piscina determina-se o valor de h (altura do pilar considerando b = 25cm) de maneira que se tenha, por exemplo, na seção mais solicitada uma armadura de 212,5mm em cada pilar. Como se tem uma flexão simples (o esforço normal é pequeno e pode ser desprezado) isto é feito determinando a força na armadura tracionada, calculando a posição da linha neutra, determinando o valor do braço de alavanca e finalmente o valor de h. 15 Expressões empregadas: ydss fAF cs FF cdc 0,85f0,8xbF zFM sd 0,4xdz d = h – cobrimento – l/2 – e (l é o diâmetro da barra longitudinal e e o diâmetro da barra transversal) Usando 2 12,5mm chega-se a As = 2,50 cm 2 /m. Assim, tem-se: Fs = 2,5 ∙ (50/1,15) = 108,7 kN/m 108,7 = 0,25 ∙ 0,8x ∙ 4,1 20000 85,0 x = 0,0447m 1,4 ∙ 11,25 = 108,7 ∙ z z = 0,145m 0,145 = d – 0,4 ∙ 0,0447 d = 0,163m 0,163 = h – 0,025 – 0,06 – 0,003 h = 0,20m A armadura necessária para resistir o momento causado pelo empuxo do solo fica: 1,4 20000 0,1630,25 75,61,4 fdb M KMD 2cd 2 d = 0,10 Tabela de KMD KZ = 0,9372 1,15 50 0,1630,9372 75,61,4 fdKZ M A yd d s = 1,42 cm 2 /m Será adotado 2 10,0mm.