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Hugo Alencar Pedro Henrique Matos Novembro - 2018 Esplenomegalia • Aumento do baço em tamanho e ou peso; • Peso normal: 150g e Tamanho: 11cm • Funções: imunovigilância e hematopoiese; • Localizado no quadrante superior esquerdo e, geralmente, não palpável; Esplenomegalia • Fatores associados: desconforto abdominal, FEBRE, dispneia, icterícia, petequias, sintomas constitucionais; • Exame físico: Palpação em posição supina e decúbito lateral direito com joelhos e quadril flexionados • Diagnóstico é dividido em casos leves, moderados e graves • Diagnóstico é clínico e pode ser complementado por exames de imagem; Esplenomegalia Febril Infecciosas InflamatóriasReticuloendoteliose Hematológicas Caso Clínico 1 Paciente, 55 anos, do sexo feminino procedente de pernambuco desenvolveu febre de 39,4°C de início súbito associada a artralgia simétrica em joelhos, punhos, tornozelos e interfalangianas proximais (IFP) que evoluiu com rash maculopapular, dor retro-orbital e alopecia. Caso Clínico 1 Foi iniciado sintomáticos e o quadro se resolveu após 13 dias. Após 2 meses, ela desenvolveu artralgia incapacitante e simétrica nas IFP, punhos, joelhos, tornozelos, ombros e lombar, além de fadiga. Os sintomas persistiram por um ano e retornou para atendimento com fadiga e poliartrite intensas. Caso Clínico 1 HPP: NDN HF: Mãe com artrite reumatoide. Nega fumo e etilismo. Funcionária publica. EF: Espaço de traube ocupado e edema nas articulações. DAS28 7.39 Diagnóstico? Caso Clínico 1 • Conduta: MTX 15mg/ Semana + ácido fólico Síndrome de Felty • Condição associada a AR soropositiva • Tríade: Esplenomegalia + Neutropenia + AR • Granulocitopenia é um fator de risco para infecções oportunistas • Controle da AR é a melhor maneira de tratar a síndrome de Felty, mas o tratamento pode ser considerado em alguns casos; • Desenvolve-se em pacientes com mais de 10 anos de atividade de AR Caso Clínico 2 • Paciente do sexo feminino, 19 anos, queixa-se de fadiga contínua associada a astenia e tontura. Relata cerca de 6 a 8 horas de sono por dia. • HPP: NDN • HF: NDN Caso Clínico 2 • Exame Físico: • Palidez associada a alguns hematomas leves em múltiplas áreas do corpo e linfadenopatia palpável nas cadeias submandibular, axilar e inguinal não dolorosa. Espaço de traube ocupado. • Apresenta febre de 38°C. FC: 75bpm, PA: 110x75 mmHg Caso Clínico 2 • Hemograma • Hb: 9g/dl • Plaquetas: 80.000/mm3 • Leucócitos: 13.000/mm3 • Neutrófilos: 2000/mm3 • Esfregaço sanguíneo: Pequenos bastos com citoplasma claro e sem granulações, nucléolos ou bastonetes de Auer Hipótese diagnóstica? Punção lombar? Biópsia de medula óssea? Caso Clínico 2 • Conduta: Quimioterapia com daunorrubicina, vincristina e prednisolona Leucemia Linfoblástica Aguda • As leucemias caracterizam-se pelo acúmulo de progenitores de linhagem linfóide ou mieloide, células que recebem a denominação de blastos • Os blastos leucêmicos são incapazes de se diferenciar em células maduras, devido a um bloqueio de maturação • A LLA é o tipo mais comum de câncer (em geral) da criança • Os blastos leucêmicos primeiramente infiltram a medula óssea, ocupando mais de 20% (pela OMS) do total de células nucleadas, podendo chegar a 80-100% de ocupação • Presença de linfoblastos na medula óssea em proporção ≥ 25% do total de células nucleadas • A punção lombar é necessária como parte do tratamento para a administração de QT intratecal (profilaxia do SNC) TTO: • Introdução da remissão • Profilaxia do SNC • Consolidação da remissão • Manutenção Caso Clínico 3 Paciente do sexo feminino, 32 anos, apresentou febre alta e intermitente com 6 meses de duração associada a artralgia generalizada e perda de peso significativa. Apesar de ter feito uso de diversos esquemas de antibióticoterapia após múltiplos atendimentos, a febre persistiu. HPP: NDN HF: NDN Ao exame físico: Apresentou linfadenopatia não dolorosa nas cadeias cervicais e axilares, além de baço palpável 4cm abaixo do rebordo costal esquerdo. Caso Clínico 3 Hemograma •HB: 9,4g/dl •Leuco: 8.7 × 10 9 /l (68% neutrophils, 25% lymphocytes, and 7% monocytes) •Plaquetas: 106 × 10 9 /l •USG ABD: Moderada esplenomegalia. •Biópsia do linfonodo: Hiperplasia folicular, centros germinais reativos e distensão focal dos sinus com monócitos •Hemocultura: estéril •Anti-HIV ELISA: Negativo •Anti-RK 39 para leishmaniose: Negativo Caso Clínico • Aspirado de medula óssea: Múltiplos cistos sugestivos de Toxoplasma gondii • IgM toxoplasmose: Muito reagente • IgG toxoplasmose: Reagente • Conduta: Pirimetamina e clindamicina por 2 semanas. Toxoplasmose • Infecção zoonótica em humanos causada pelo protozoário parasita intracelular Toxoplasma gondii • Contaminação oral-fecal. Os gatos são os principais reservatórios. • Manifestações: síndrome febril, letargia, mialgia, linfadenopatia com duração de até 6 semanas e hepatoesplenomegalia. • Diagnóstico por métodos sorológicos, PCR ou histopatológico • Tríade da toxoplasmose: Hiperplasia folicular, distensão focal dos sinus com células monócitoides e presença de aglomerados de histiocitos epitelioides • TTO: pirimetamina com sulfadiazina ou clindamicina Caso clínico 4 • HDA: Criança era saudável até 1 ano de idade, quando passou a apresentar febre intermitente. Procurou assistência médica, tendo recebido prescrição de antitérmicos e antibióticos, que não sabe precisar, com melhora do quadro. Este fato se repetiu por várias vezes e, há duas semanas, houve retorno da febre após suspensão do antibiótico. Piorou há 10 dias, com intensificação da febre (39ºC), sem calafrios, diária, associada a anorexia e com aumento de linfonodos cervicais e axilares, dolorosos. Há 6 dias com aumento do volume abdominal. Antecedentes Pessoais: Varicela com 1 ano Interrogatório por órgãos e aparelhos: Nega diarréia, náuseas, tosse e artralgias. Cartão de vacinação atualizado. • EXAME FÍSICO Estado geral regular, afebril ao toque, acianótica, anictérica, eupnéica, emagrecida, hidratada, pálida. Pescoço: linfonodos cervicais e submandibulares palpáveis, dolorosos e móveis Ausculta cardíaca: ritmo cardíaco regular, em dois tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros. FC: 80bpm Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular universal, sem ruídos adventícios. • Abdome: globoso, hérnia umbilical, fígado ao nível da cicatriz umbilical e baço ao nível da fossa ilíaca esquerda. • Extremidades: sem edema. • QUAIS OS PONTOS CHAVES? • QUAIS OS PONTOS CHAVES? • Criança de 2a8m, sexo feminino com: • • Hepatoesplenomegalia, • • Febre intermitente, • • Desnutrição • • Hérnia Umbilical. • QUAIS OS DIAGNÓSTICOS SINDRÔMICOS? • QUAIS OS DIAGNÓSTICOS SINDRÔMICOS? • 1. Hepatoesplenomegalia de grande monta (baço além da cicatriz umbilical) • 2. Síndrome febril (intermitente). Relacionada à hepatoesplenomegalia ou não? • 3. Adenomegalia cervical. • EXAMES SUBSIDIÁRIOS BÁSICOS • Hb: 8,1 / Hct: 25,5 / HbCM: 20,5 VCM: 64,4 / RDW: 33,5 Leuc: 2200 / Seg: 60% / Bast: 1% Linf: 36% / Mono: 3% / Eos: 0 Plt: 90.000 / VHS: 55 • EXPLORANDO OS DAGNÓSTICOS SINDRÔMICOS E PONTOS CHAVES • 1. Hepatoesplenomegalia de grande monta • Atentar para a função desses órgãos • Tuberculose miliar? • Calazar • HIV? EBV?? • Anemias hemolíticas?? • Metaplasia mieloide? 2. Síndrome febril: A síndrome febril em questão como componente direto do quadro ou como sintoma associado? Pode-se enquadrar a doente como portadora de Febre de Origem Indeterminada(FOI)-duração superior a três semanas, como investigação hospitalar por três dias ou três retornos ambulatoriais sem diagnóstico. A FOI pode ser investigada com hemograma, prova de atividade inflamatória, Rx de tórax, sumário de urina, proteínas total e frações, PPD. Podese ainda acrescentar k39 e anti-HIV se houver epidemiologia para tal. • 3. Adenomegalia • O aumento dos linfonodos pode ser devido a dois mecanismos: proliferação de linfócitos ou infiltração por células extrínsecas. • E AGORA? COMO PROSSEGUIR? • Paciente com hepatoesplenomegalia, febre e adenomegalia cervical dolorosa, associado a pancitopenia • Hemograma realizado 4 dias após o primeiro evidenciou: Hb: 7,8 / Hct: 24,5 / HbCM: 20,9 / VCM: 65,9 / RDW: 34,2 / Leuc: 4250 / Seg: 48% / Bast: 1% / Linf: 46% / Mono: 3% / Eos: 3% / Plt: 155.000 / VHS: 90. • Perfil hepático: Alb: 2,39 / Glob: 3,99 TGO: 351 / TGP: 64 / Gama-GT: 307 (2 a 32) / FA: 1116 (65 a 300) BD: 0,404 / BI: 0,153 TAP: 49,4% (Após 3 dias de Vit K: 66,5%) • solicitado k39 (negativo) e imunofluorescência para Calazar também negativa • Mielograma – diseritropoiese leve PPD – não reator Anti-HIV – negativo US ABD – vesícula biliar distendida, parede espessada com conteúdo espesso no seu interior, formando verdadeira massa móvel hipoecogênica, sem imagem de cálculo, sugerindo colecistite alitiásica. Doppler: hepatoesplenomegalia difusa sem dilatação do sistema venoso portal, doppler colorido e doppler do sistema venoso portal normal com fluxo do tipo hepatopetal e restante dos órgãos abdominais normais. • Punção esplênica normal. Bx hepática: hepatopatia crônica em moderada atividade. • CONCLUSÃO: Hepatite crônica idiopática Caso clínico 5 • Criança de 5 anos e 9 meses, do sexo masculino, cor branca, procedente da Cidade de São Paulo, foi admitida com história de 20 dias, com aumento progressivo do volume abdominal associado a febre diária de até 38,50C e emagrecimento de aproximadamente 2 kg , neste período. A mãe negava sintomas respiratórios como tosse, cansaço, dor torácica e alterações urinárias ou intestinais. As condições socioeconômicas da família do paciente foram consideradas regulares. Não havia recebido a vacina BCG, mas o restante da imunização estava adequada. Passava o dia aos cuidados de sua mãe. • Ao exame físico inicial, apresentava-se em regular estado geral, descorado, eupnéico, acianótico, anictérico, febril (37,50C), emagrecido. O peso era de 14,2 kg e a altura 1,02 cm. O abdome mostrava-se globoso, distendido e difusamente doloroso, sem massas palpáveis ou circulação colateral. Os sinais de ascite estavam presentes. Fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito e do apêndice xifóide, de consistência normal e baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Perímetro abdominal de 56 cm. Não foram encontradas outras alterações. • Os exames laboratoriais iniciais mostraram hemograma com discreta anemia (Hb=10.7 g% e Ht= 33.8%), leucopenia (3.700 leucócitos/ mm3 sem desvio à esquerda) e plaquetas normais. As enzimas hepáticas, amilase, proteínas totais e frações e o coagulograma eram normais, bem como o sedimento urinário. As hemoculturas e a urocultura foram estéreis. A radiografia de tórax mostrava espessamento pleural e opacidade homogênea, sem limites precisos em campo médio superior do hemitórax esquerdo. A ultra-sonografia de abdome revelou hepatomegalia discreta com ecotextura hepática normal, líquido livre na cavidade abdominal, em quantidade moderada e ausência de adenomegalias. • Feita a hipótese diagnóstica inicial de ascite, com peritonite de possível etiologia bacteriana e introduzido cefoxitina, foi iniciada a investigação etiológica. • A punção do líquido ascítico revelou material turvo, rico em fibrina que, após centrifugação, mostrou-se límpido e incolor. A contagem citológica apresentou numerosos leucócitos com 97% de linfócitos. A pesquisa para células neoplásicas, exame bacterioscópico, cultura e pesquisa de BAAR foram negativos. • Os exames para pesquisa de doença do colágeno revelaram-se negativos. O ecocardiograma não mostrou anormalidades e a tomografia computadorizada de abdome mostrou apenas hepatomegalia e ascite, sem loculações ou septações. • Foram realizadas cinco pesquisas de bacilo de Koch (BK), em amostras de suco gástrico, sendo todas negativas. O Teste de Mantoux, efetuado com derivado protéico purificado (PPD), foi igual a 16mm. • Durante a evolução apresentou sinais clínicos e radiológicos de derrame pleural em hemitórax esquerdo. Foram realizadas punção e biópsia pleural para investigação etiológica e nova punção do líquido ascítico para dosagem da atividade da enzima adenosina deaminase (ADA). Todos os exames bacteriológicos (bacterioscopia, cultura geral, pesquisa e cultura para BAAR do líquido pleural e ascítico) foram negativos. A biópsia pleural mostrou-se inconclusiva e a cultura geral e para BAAR, deste material, também foram negativas. • A atividade da ADA no líquido ascítico foi de 183U/ l (normal < 36U/l), confirmando-se a hipótese de tuberculose peritoneal. A antibioticoterapia foi suspensa e introduzido esquema tríplice com pirazinamida, hidrazida e rifampicina nas doses habituais. • A criança evoluiu com melhora da febre e do estado geral, diminuição da circunferência abdominal e maior ganho ponderal. Caso clínico 6 • Paciente do sexo feminino, 6 anos, brasileira, mulata clara, admitida em enfermaria de Pediatria com história de febre, cefaleia, vômitos e tosse há 20 dias. Após dois dias, apresentou hiperemia conjuntival. Foi medicada em unidade de emergência com dextroclorfeniramina e encaminhada ao oftalmologista que, por sua vez, prescreveu lubrificante oftálmico. Evoluiu com melhora da hiperemia conjuntival e término da febre, persistindo com tosse. Após 15 dias afebril, a genitora percebeu aumento de linfonodos cervicais bilaterais, com dor e calor local, odinofagia e retorno da febre. Procurou novamente a emergência, onde iniciou antibiótico venoso (oxacilina 100 mg/kg/dia) três dias antes da admissão, mantendo ainda febre e os demais sintomas. • Evoluiu no hospital com picos febris vespertinos em média de 38,5ºC e com presença de linfonodomegalia dolorosa em cadeia cervical posterior bilateralmente com o aglomerado linfonodal medindo cerca de 6 cm, esplenomegalia com baço palpável a 3 cm do rebordo costal esquerdo (RCE), fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito e odinofagia importante. O antibiótico foi mantido e foram solicitados exames laboratoriais e ultrassonografia de região cervical. Após dois dias, houve melhora do quadro geral, da odinofagia e da dor em região cervical (local de linfonodomegalias). Como persistia com picos febris diários, foi suspensa a oxacilina e introduzida amoxicilina-clavulanato. • Resultados de exames leucograma de 12.020 células/mm3 com linfócitos 48% e linfócitos atípicos 2%, segmentados 40%, bastões 4%, monócitos 6%. Proteína C reativa negativa, lactado desidrogenase - 1473 UI/L, AST 133 U/L e ALT 168 U/ L. No sexto dia de internamento, foram disponibilizados os resultados das hemoculturas e sorologias solicitadas: hemoculturas negativas; IgG EBV 48,30 U/mL (positiva, se maior que 20 U/mL); IgM EBV positivo; IgG CMV: 120,0 UI/mL (positiva, se maior que 0,6 UI/ML); IgM CMV positivo; IgG toxoplasmose < 3,0 UI/mL (negativa, se menor que 7,2 UI/mL); IgM toxoplasmose: negativo. Intradermorreação de Mantoux foi não reatora. Ultrassonografia de região cervical: linfonodomegalias cervicais de aspecto reacional. Após os resultados das sorologias, os antibióticos foram suspensos, o leucograma mostrou aumento da celularidade, com 12.320 células/mm3, com o percentual de linfócitos atingindo 62% eos linfócitos atípicos 8%. Persistência da febre até o quinto dia de internamento. Diagnóstico diferencial • Infecção por EBV • Infecção bacteriana e fúngica • Leucemia aguda ou linfoma • Cirrose • Histoplasmose • Linfoma de hodking • PTI • endocardite subaguda • Anemia ferropriva • Hepatite Viral