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Revisão pediatria CEVADA • Crescimento: o Comprimento adequada para idade ≥ -2 o Baixa comprimento para idade ≥ -3 e +3 o Sobrepeso > +2 e ≤ +3 o Risco de sobrepeso > +1 e ≤ +2 o Eutrofia ≥ -2 e ≤ +1 o Magreza ≥ -3 e Segue objetos, sorri, vocaliza o 4 meses -> Sustenta a cabeça, emite sons, sorri espontaneamente o 6 meses -> Rola, senta com apoio, balbucia, pega objetos o 9 meses -> Senta sem apoio, responde ao nome, estranha pessoas o 12 meses -> Fica em pé com apoio, fala 1–2 palavras, faz tchau o 15 meses -> Anda sem apoio, fala palavras soltas, empilha cubos o 18 meses -> Corre, aponta partes do corpo, tenta se vestir o 24 meses -> Fala frases simples, sobe escadas, brinca com outras crianças o Adequado para a idade • Ambiente o Adequado ANEMIA FALCIFORME • Incidência de 3,78 a cada 10 mil nascidos vivos • Hemoglobinopatia qualitativa congênita. • Existem três tipos de hemoglobina considerados normais, que são a A1, A2 e F. E o fenótipo AA é o considerado normal. • Ocorre devido a uma mutação no gene Beta-globina. • Apenas indivíduos que apresentam homozigose para o gene Beta globina S irá desenvolver a anemia falciforme o Indivíduos que só apresentam um alelo dessa mutação herdarão a variante falcêmica/traço falciforme. (está associado a uma evolução clinica benigna.) • Alteração nas cadeias beta causando formação de Eritrócitos com deformidade, maior fragilidade e consequente destruição prematura • A hemoglobina HbS é mais suscetível a polimerização, afetando a hemácia e a deixando em formato de foice. • Para essa deformação da hemácia ocorrer são necessários alguns gatilhos como: Desoxigenação, acidose e desidratação. • A doença falciforme (são as variações dessas hemoglobinopatias) pode ser encontrada em todo o Brasil, sendo mais frequente no Nordeste, onde há maior porcentagem de negros • As hemácias em forma de foice não circulam de forma adequada na microcirculação, dificultando a circulação sanguínea, provocando em vaso-oclusão • Complicações: o Hemólise e vaso-oclusão ▪ Tendencia a ruptura ▪ Formatos muito diferentes ▪ Fluxo turbilhonar, aumentando as chances de lesão endotelial. • Quadro clínico ( queda súbita da hemoglobina + reticulocitose + esplenomegalia; fenômeno mais comum em crianças menores de 5 anos (entre 5 meses e 2 anos idade) • Crianças maiores de 5 anos tem autoesplenectomia porque gera uma fibrose progressiva do baço. o Infecção: ▪ Devido a autoesplenectomia o paciente tem maior risco de ter germes encapsulados e ter osteomielite. • Paciente que apresentou febre nesse quadro é necessário internação o Síndrome toráxica aguda: Infiltrado pulmonar + 1 achado de pneumonia. ▪ Critério Obrigatório: Novo infiltrado em Raio-x de tórax. Pelo menos um dos seguintes critérios: Dor torácica; Febre (T>38,5ºC); Hipoxemia; Taquipneia ou desconforto respiratório; Crepitações ou sibilância; Tosse. ▪ Febre, tosse, dor torácica, purulência e dispneia ▪ Desencadeado por infecções e/ou crise álgica. ▪ Tratamento: Internamento hospitalar. Manutenção volêmica. Transfusão de concentrado de hemácias 10 a 15 ml por kg. Analgesia. Antibioticoterapia. • Diagnostico: o Ocorre com o teste do pezinho -> eletroforese de hemoglobina para discriminar o tipo de hemoglobina o Hemograma ▪ anemia normo-normo ▪ células alvo e em formato foice. ▪ Leucócitos geralmente elevados mesmo em ausência de infecções. 12000 – 20000/mm3 ▪ Plaquetas aumentadas. ▪ VHS e PCR baixos. ▪ Provas de função hepática podem estar alteradas. • Diagnostico diferencial: o Talassemias o Anemias hemolíticas autoimunes o Esferocitose hereditária. o Febre Reumática. o Sopros Cardíacos. o Hepatoesplenomegalias. • Tratamento agudo: o Vacinação para: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo B, hepatite B e influenza o Hidratação (desidratação aumenta o risco de polimerização) -> Expansão volêmica com soro fisiológico 0.9% 20ml/kg em 5-10 minutos. o Oxigenoterapia: SatO2 > 92% o Analgesia, que pode incluir o uso de opioides o Se paciente tiver febre e suspeita de infecção: beta-lactâmicos e macrolídeos. o Transfusão com concentrado de hemácias ou fazes exsanguinotransfusão. -> Transfusão de concentrado de hemácias 10 a 15 ml por kg • Tratamento crônico: o Penicilina oral até os 5 anos o Ácido fólico o Hidroxiureia, o que faz aumentar a quantidade de hemoglobina F. o Transplante de células tronco: considerar apenas em casos muito graves. . SEMIOLOGIA E PUERICULTURA DO PREMATURO 🧠 1. DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÕES DO RN PREMATURO • Definição: o O recém-nascido (RN) prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas completas de idade gestacional (IG), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). • 📅 Classificação por Idade Gestacional: o RN pré-termo tardio: 34 semanas a 36 semanas e 6 dias o RN pré-termo moderado: 32 semanas a 33 semanas e 6 dias o RN muito prematuro: 28 semanas a 31 semanas e 6 dias o RN pré-termo extremo: menos de 28 semanas • ⚖️ Classificação por Peso de Nascimento: o Peso insuficiente: 2500g a 2999g o Baixo peso: 1500g a 2499g o Muito baixo peso: 1000g a 1499g o Extremamente baixo peso: menos de 1000g • 📊 Classificação por Peso x IG (Percentil): o Pequeno para a IG (PIG): abaixo do percentil 10 o Adequado para a IG (AIG): entre os percentis 10 e 90 o Grande para a IG (GIG): acima do percentil 90 • Critérios para Alta da Neonatologia o Estabilidade fisiológica o Pais treinados para cuidados, sinais de alerta e medicações o Plano de alta definido e acesso garantido ao seguimento o Três competências essenciais: 1. Alimentar-se por via oral com ganho de ≥ 20g/dia por 3 dias 2. Controlar temperatura sem incubadora 3. Estabilidade cardiorrespiratória (sem apneia por 8 dias) 👶2. PUERICULTURA DO RN PREMATURO • Primeiras Semanas Pós-Alta: o 1ª semana: visita domiciliar da equipe da atenção básica + retorno ao hospital em até 72 horas o 2ª semana: retorno ao hospital de origem o 3ª semana em diante: acompanhamento semanal até atingir peso ≥ 2500g • Seguimento Posterior: o Se não houver intercorrências: o Mensal até 6 meses (idade corrigida - IGC) o Bimestral dos 6 aos 12 meses o Trimestral de 12 a 18 meses o Semestral de 18 a 24 meses o Anual: dos 4 anos até a puberdade • Acompanhamento Abrangente: o Identificação de fatores de risco e vulnerabilidadeso Apoio ao aleitamento materno o Avaliação do crescimento e desenvolvimento o Monitoramento da vacinação (inclusive palivizumabe) o Encaminhamentos para especialidades (fono, fisio, neuro, cardio etc.) 🐨 3. MÉTODO CANGURU • Conceito: o Forma humanizada de cuidado ao RN prematuro ou de baixo peso, centrada na família. • Características: o Inicia-se no pré-natal, com continuidade no parto e internação o Contato pele a pele precoce e progressivo com os pais o Promove vínculo, estabilidade térmica, estimula o aleitamento e o neurodesenvolvimento o Mantido até que o RN atinja 2500g 🧾 4. ANAMNESE ESPECÍFICA DO RN PREMATURO • Idade Corrigida (IC): o Utilizada para ajustar avaliações clínicas com base na imaturidade do RN. • Fórmula: Idade Corrigida = Idade Cronológica - (40 semanas - IG ao nascimento) • Itens Relevantes: o Relatório de alta hospitalar o Sorologias maternas (TORCHS) ▪ Toxoplasmose, Rubéola, CMV, Herpes Simples o Diagnósticos como hemorragia intracraniana, displasia broncopulmonar, ROP, DOMP o Tipo de dieta, uso de SOG ou NPT o Uso de antibóticos, oxigenoterapia, fototerapia 📈 5. CRESCIMENTO DO RN PREMATURO • Avaliação: o Peso: semanal; perda de até 15% do peso ao nascer é aceitável com recuperação do PN até 21 dias de vida. o Comprimento e Perímetro Cefálico: acompanhamento regular o Considera-se a idade corrigida até, no mínimo, 2 anos de idade • Curvas de Crescimento: o Intergrowth-21st: prematuros até 64 semanas o OMS: após 64 semanas (ajustado para IGC) • Catch-up Growth: o Crescimento acelerado após o nascimento, permitindo que o RN alcance os padrões esperados para sua idade. Pode acontecer ainda durante a internação ou após a alta 🧠 6. DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR (DNPM) • Considerações: o Avaliado com base na idade corrigida o Utilizar sempre a Caderneta da Criança o Intervenção precoce para estímulo de habilidades • Instrumentos: o Teste de Denver II: triagem ampla. O mais utilizado por ser de fácil execução. Resultado: normal, suspeito ou atraso. Sinais de alerta para o componente motor de atraso o Escala Bayley III: avaliação detalhada dos domínios motor, cognitivo e linguagem • Plasticidade Neural: o Capacidade do SNC de reorganizar-se e compensar lesões 🍼 7. NUTRIÇÃO DO RN PREMATURO • Leite Materno: o Ideal para imunidade e neurodesenvolvimento o Rico em DHA (ácido docosaexaenoico) e antioxidantes -> melhor desempenho no neurodesenvolvimento • Se indisponível: o Fórmulas específicas para prematuros com alto teor proteico e lipídico • Alimentação Complementar: o Introduzida aos 6 meses de IGC com sinais de prontidão (controle cervical, interesse por alimentos, etc.) o Deve-se observar o desenvolvimento digestório, imunológico e neurológico do lactente • Sinais de prontidão: o Redução ou desaparecimento do reflexo de protusão lingual o Capacidade de sustentação cervical e do tronco o Capacidade de sentar-se com pouco ou nenhum apoio o Interesse e curiosidade pelos alimentos o Segura objetos com as mãos e leva à boca 💊 8. SUPLEMENTAÇÕES • Suplemento Dose e Início Vitamina D-> 400 UI/dia desde o 7º dia de vida Atua na função neuromuscular e mineralização óssea. Vitamina A-> 400 a 1000 UI/dia Deficiência pode levar a infecções recorrentes e a um risco aumentado de displasia broncopulmonar Vitamina C -> Incluída no polivitamínico Zinco -> 0,5–1 mg/kg/dia (36 semanas até 6 meses de IGC) Fundamental nos processos fisiológicos da função imune e defesa antioxidante. Deficiência pode causar déficit de crescimento pondero-estatural. Ferro -> Dose depende do peso de nascimento. Inicia com 30 dias de vida 💉 9. IMUNIZAÇÕES • Calendário: o Segundo a SBIM e a SBP segue a idade cronológica com as seguintes exceções: o BCG: apenas se P ≥ 2000g o Hepatite B: nas primeiras 12h se estável; esquema especial com 4 doses se vacina + imunoglobulina nas primeiras 12h de vida para todos o Penta/Hexa acelular: paraobserva-se hipertrofia importante das conchas inferiores • Diagnóstico o É frequentemente realizada apenas por anamnese e exame físico. o Presença de ≥2 sintomas (obstrução, rinorreia, prurido, espirros) por: ▪ Mais de 1 hora por dia ▪ Por mais de 2 semanas o Sintomas após exposição a alérgenos o História pessoal/familiar de atopia (asma, dermatite atópica, rinite) o Sinais físicos: prega nasal, palato ogival, hipertrofia de conchas, conjuntivite o Quando necessário, exames complementares auxiliam no esclarecimento de dois pontos principais: etiologia e anatomia nasal. ▪ Testes cutâneos (Prick Test): identifica sensibilização in vivo ▪ Dosagem de IgE específica: in vitro, útil em pacientes com lesões de pele ▪ Testes de provocação nasal e rinometria acústica: uso em pesquisa ▪ Rinoscopia anterior: avaliação da anatomia nasal (desvios, pólipos) • Diagnóstico Diferencial: o Rinites infecciosas (resfriado, Covid-19) o Anomalias anatômicas (desvio de septo, pólipos, adenoide) o Doenças autoimunes (LES), granulomatosas (sarcoidose, Wegener) o Fibrose cística, corpo estranho nasal, tumores • Comorbidades e Complicações o Rinossinusite aguda/crônica o Otite média com efusão o Alterações do desenvolvimento facial (respiradores orais) o Apneia obstrutiva do sono (SAHOS) o Conjuntivite alérgica o Asma (compartilham fisiopatologia) • Tratamento: o OBJETIVO: controlar os sintomas e evitar as complicações decorrentes deles. o Medidas não farmacológicas (controle ambiental) ▪ Limpeza ambiental frequente (evitar carpetes, cortinas) ▪ Troca de roupas de cama semanal ▪ Evitar exposição a fumaças, perfumes, poluentes ▪ Lavagem nasal com soro fisiológico o Rinite intermitente leve ▪ Anti-histamínicos de 2ª geração -> Poucos efeitos sedativos ▪ Anti histamínicos (1ª geração) -> 2ª escolha por ser sedante ▪ Antileucotrienos -> Útil quando há asma associada o Rinite Persistente Moderada\ Grave ▪ Corticosteroides tópicos nasais -> principal medicação; reduzem a liberação de mediadores inflamatórios; reduzem a congestão nasal. ▪ Associação de anti-histamínico e corticoide tópico nasal ▪ Imunoterapia PNEUMONIAS ADQUIRIDAS • Refere-se à pneumonia que ocorre em crianças não hospitalizadas no último mês, adquirida por germes provenientes do meio domiciliar, escolar ou comunitário. • Etiologia o Vírus: principais agentes na faixa etária pré-escolar (até 5 anos) ▪ Agentes: VSR, adenovírus, influenza, parainfluenza, enterovírus o Bactérias: Mais comum na faixa etária escolar e em lactentes ▪ Lactentes: Bordetella pertussis ▪ coriza, tosse e febre ▪ Evolui e gera uma febre persistente, prostração e infecção de VAI ▪ Infecção de VAI -> febre, tosse produtiva, taquicardia e desconforto respiratório. ▪ Taquipneia, estertores e síndrome de condensação • 20 ipm o Pneumonia atípica ▪ Mais comum em escolar e adolescente ▪ Tosse persistente ▪ Febre ausente ou baixa ▪ M. pneumoniae e C. pneumoniae o Pneumonia afebril do lactente: ▪ tiragem, aleteo nasal e cianose o Hipoxemia o Cianose e palidez o Agitação x sonolência -> sonolência anormal ou irritabilidade excessiva o Prostração ou toxemia o recusa de líquidos • Diagnostico: o FR alta -> pneumonia o FR alta + tiragem -> pneumonia grave o Clínico: história sugestiva + taquipneia o Rx tórax: não é obrigatório. Mas é bom para quando tem sinais de gravidade, duvida diagnostica e falha na resposta terapêutica. • Diagnostico diferencial: Bronquiolite, asma e tuberculose • Achados radiológicos: o Opacidade alveolar o Atelectasia o Hiperinsuflação o Em caso de internação -> hemograma completo, PCR, hemocultura e pesquisa viral • Tratamento: o Antibiótico empírico o Hidratação, alimentação, lavagem nasal e controle da temperatura o Em domicílio-> Via Oral -> amoxicilina e Claritromicina, 5-7 dias, reavaliando em 48-72h o Hospitalar -> Endovenoso -> oxacilina, cefalosporina, penicilina ▪ Grave: ceftriaxone + vancomicina • Complicações: o Derrame parapneumonico ▪ Persistência da febre; dor torácica; queda do estado geral; piora do desconforto respiratório ▪ RX com velamento do seio costofrênico e desvio da traqueia -> Derrame pleural é a complicação mais clássica de PAC mal evoluída com esse padrão clínico e radiológico. ▪ Sempre solicitar Rx tórax (PA, perfil, Laurell); USG tórax, TC o Pneumatocele ▪ Cavidades aéreas no pulmão, comuns com S. aureus ▪ São silenciosas clinicamente na maioria das vezes ▪ Não cursam com macicez nem deslocamento de traqueia ▪ Vistas como imagens hipotransparente (claras) no RX, não velamento o Abscesso pulmonar o Pneumonia necrosante o Atelectasia segmentar ▪ Pode cursar com macicez, mas geralmente é assintomática ou leve ▪ Não costuma causar febre persistente ou desvio de traqueia ▪ Ausência de dor torácica importante • Prevenção: o Vacinas pneumocócicas e influenza ADENOMEGALIAS • O aumento do tamanho dos linfonodos é encontrado com frequência na infância devido à maior massa de tecido linfoide em relação ao adulto e a maior frequência de infecções que cursam com tal manifestação. • Até os 3 anos de idade qualquer linfonodo palpável deve ser considerado adenomegalia (exceto os inguinais) • A hiperplasia reacional dos linfonodos é uma resposta imunológica comum às infecções frequentes na infância. CLASSIFICAÇÕES • Quanto ao tempo de evolução: o Aguda: 6 semanas • Quanto à localização: o Localizada: linfonodo único ou grupo contíguo (75% dos casos) o Generalizada: envolvimento de ≥2 regiões não contíguas (25%) • Quanto à etiologia: o Infecciosas: virais, bacterianas, parasitárias, fúngica o Autoimunes: colagenoses, LES, artrite reumatoide o Neoplásicas: linfomas, leucemias, metástases o Iatrogênicas: medicamentos (hidantoína), doença do soro o Outras: Kawasaki, Addison, lipidoses, hipertireoidismo CRITÉRIOS DE NORMALIDADE DO TAMANHO DOS LINFONODOS Região Valor de Referência Cervicais/Axilares > 1,0 cm Inguinais > 1,5 cm Epitrocleares/Poplíeos > 0,5 cm Supraclaviculares Sempre anormais Occipital/Auricular (o Lesões de pele, cavidade oral, couro cabeludo e regiões genitais SINAIS DE ALERTA • Linfonodo em regiões supraclavicular, epitroclear, mediastinal, abdominal ou cervical inferior • Indolor, endurecido, aderido aos planos profundos, coalescente • Associado a febre inexplicada, emagrecimento, sudorese noturna, hepatoesplenomegalia, anemia ou petéquias DIAGNÓSTICO • Exames laboratoriais: o Hemograma completo o PCR, VHS o Sorologias (EBV, CMV, toxoplasmose, HIV, etc.) o Hemocultura o LDH, ácido úrico, eletrólitos (suspeita de neoplasia) o Testes específicos (teste rápido para Streptococcus A) • Exames de imagem: o USG de partes moles: avalia forma, vascularização, ecogenicidade o RX de tórax (mediastino) o US abdome o RNM (em casos específicos) • Mielograma: suspeita de leucemia • Biópsia: indicações o Crescimento persistente (> 4 semanas) ou progressivo o Linfonodos supraclaviculares ou epitrocleares o Ausência de resposta a ATB por 2 semanas o Alterações sugestivas em imagem o Sinais de alerta associados CONDUTA E TRATAMENTO • Observação: o Linfonodos pequenos, móveis, dolorosos, com sinais de infecção viral o Sem sinais sistêmicos • Tratamento com ATB: o Adenite piogênica: sinais flogísticos, febre e foco infeccioso o ATB empírico por 7–10 dias • Tratamento específico: o Fúngicas: antifúngicos o Neoplásicas: quimioterapia o Autoimunes: corticoides e imunossupressores o Iatrogênicas: suspensão do medicamento causador O tratamento definitivo é guiado pela etiologia final determinada. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL • Rinites, otites, amigdalites • Lesões de couro cabeludo, face, cavidade oral ou genital • Lupus, leucemias, linfomas • Toxoplasmose, HIV, mononucleose o Mononucleose infecciosa -> Pode causar linfadenomegalia cervical dolorosa e febre, mas geralmente é bilateral e acompanhada de esplenomegalia. Também há fadiga intensa, faringite e linfocitose atípica. No caso da Letícia, não há esses outros sinais típicos. o Toxoplasmose -> É uma possibilidade em crianças com linfonodomegalia, mas geralmente indolor, e a evolução é mais crônica. Não costuma ser precedida por fator ambiental claro (como arranhadura). Além disso, esplenomegalia é mais comum que neste caso não está presente. • Corpo estranho, traumas cutâneos, entre outros FEBRE SEM SINAIS LOCALIZATÓRIOS . DEFINIÇÃO • A Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL) é definida como uma febre com menos de 7 dias de duração em uma criança clinicamente estável e cujo exame físico e anamnese não revelam foco infeccioso aparente. • Corresponde a 20% dos atendimentos pediátricos em emergências. • Principais diagnósticos diferenciais incluem: infecções respiratórias virais, diarreia aguda, doenças exantemáticas e infecções urinárias. • A maioria dos casos de FSSL na infância tem origem viral autolimitada. • No entanto, é essencial identificar sinais de alerta e estratificar risco para evitar evolução para sepse ou bacteremia oculta. • O uso racional de exames e antibioticoterapia é fundamental para evitar intervenções desnecessárias ou omissões prejudiciais. BACTEREMIA OCULTA (BO) • Refere-se à presença de bactérias na hemocultura em crianças com febre sem sinais localizatórios e sem toxicidade evidente. • Historicamente associada a Haemophilus influenzae tipo B e Streptococcus pneumoniae, com queda acentuada após a introdução das vacinas contra esses agentes. • Crianças com BO podem parecer em bom estado geral (BEG), mas podem evoluir para sepse caso não monitoradas. FATORES DE RISCO PARA BACTEREMIA OCULTA • Idade 40ºC • Leucocitose > 15.000/mm³ • Trombocitopenia • Esfregaço com granulações tóxicas • Doenças crônicas (ex: HIV, anemia falciforme, desnutrição) • Contato com caso de doença bacteriana • Criança com aspecto toxemiado, apática, chorosa, emagrecida ou desidratada CONDUTA GERAL POR FAIXA ETÁRIA • Recém-Nascido ( 36 meses) o Caso BEG: observância clínica o Caso toxemiado: penicilina cristalina ou ampicilina EV (cobertura para estreptococo do grupo A, pneumococo e meningococo) ANTITÉRMICOS • Utilizados para conforto e bem-estar • Não substituem a investigação da causa da febre • Paracetamol e ibuprofeno são os mais utilizados RESUMO DAS INDICAÇÕES DE INTERNAÇÃO Situação Conduta RN com febre Internar + investigação + ATB EV Lactente com sinais de alerta Internar + exames + ATB EV Criança com exames alterados Internar ou acompanhar com ATB EV Criança BEG com exames normais Observação clínica + reavaliação INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO • A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma condição comum na faixa etária pediátrica, definida pela presença de bactérias no trato urinário, com consequente inflamação das vias urinárias. As ITUs são classificadas conforme a localização do acometimento: o ITU baixa (Cistite): infecção limitada à uretra e à bexiga, geralmente com sintomas urinários sem febre. o ITU alta (Pielonefrite): infecção que alcança o parênquima renal, manifestando-se com febre e sinais sistêmicos. o Bacteriúria assintomática: presença de bactérias na urina sem sintomas clínicos, usualmente identificada por rastreio. EPIDEMIOLOGIA • Representa a segunda infecção bacteriana mais comum em pediatria, perdendo apenas para as infecções respiratórias. • Maior incidência no primeiro ano de vida, com predomínio em meninos não circuncidados. • A partir do segundo ano, passa a ser mais frequente em meninas. • Recorrência após o primeiro episódio: o 30% em meninas o 15-20% em meninos FISIOPATOLOGIA • A maioria das ITUs ocorre por via ascendente, com bactérias da região perineal penetrando pela uretra até a bexiga. Em neonatos, pode haver disseminação hematogênica, com acometimento renal a partir da corrente sanguínea. • Fatores bacterianos importantes: o Fímbrias tipo 1 e P: facilitam adesão da E. coli ao urotélio o Produção de hemolisinas, endotoxinas e enzimas • Fatores do hospedeiro: o Alterações anatômicas (RVU, duplicidade) o Constipação e disfunção miccional o Baixa produção de IgA secretória, proteínas protetoras (Tamm-Horsfall, lactoferrina) FATORES DE RISCO • Sexo feminino (uretra curta) • Não circuncisão (meninossíndrome urêmica, convulsões • Lactentes (até 2 anos): o Febre sem foco, vômitos, perda ponderal, choro ao urinar, urina escura, irritabilidade • Crianças maiores e adolescentes: o Cistite: polaciúria, disúria, urgência, enurese o Pielonefrite: febre alta, dor lombar ou abdominal, vômitos, mal-estar geral DIAGNÓSTICO • Exame clínico: o Avaliação do crescimento, inspeção perineal, toque abdominal e lombar (punho-percussão) • EAS (sumário de urina): o Leucócitos ≥ 5 por campo o Nitrito positivo (bactérias nitrato-redutoras) o Esterase leucocitária positiva o Hematúrias, cilindros piocitários (pielonefrite) • Urocultura: o Padrão ouro para confirmação o Critérios: o Jato médio: ≥ 10⁵ UFC/mL o Cateterismo: ≥ 10⁴ UFC/mL o Punção suprapúbica: qualquer crescimento o A coleta deve ser realizada antes do início dos antibóticos • Coleta da urina: o Jato médio: ideal em crianças que controlam esfíncter o Cateterismo vesical: mais sensível em lactentes o Punção suprapúbica: alta especificidade, mas mais invasiva o Saco coletor: apenas para triagem, alta taxa de falso-positivo EXAMES DE IMAGEM • Ultrassonografia renal e vias urinárias: o Realizada após o primeiro episódio de ITU febril o Detecta anomalias como dilatação pielocalicial, duplicidade renal, cistos, obstruções • Uretrocistografia miccional (UCM): o Indicação seletiva após ITU febril com alteração no USG o Diagnóstico do refluxo vesicoureteral (RVU) • Cintilografia renal com DMSA: o Avalia lesões e cicatrizes renais o Indicado em pielonefrite aguda e acompanhamento da função renal TRATAMENTO • Suporte geral: o Antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno) o Hidratação vigorosa o Analgésicos/antiespasmódicos (disúria intensa) • Antibióticos: o Iniciar após coleta da urina o Via oral: casos leves/moderados, idade > 3 meses, sem sinais de toxemia o Via EV: idade