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Revisão pediatria 
CEVADA 
• Crescimento: 
o Comprimento adequada para idade ≥ -2 
o Baixa comprimento para idade ≥ -3 e +3 
o Sobrepeso > +2 e ≤ +3 
o Risco de sobrepeso > +1 e ≤ +2 
o Eutrofia ≥ -2 e ≤ +1 
o Magreza ≥ -3 e Segue objetos, sorri, vocaliza 
o 4 meses -> Sustenta a cabeça, emite sons, sorri espontaneamente 
o 6 meses -> Rola, senta com apoio, balbucia, pega objetos 
o 9 meses -> Senta sem apoio, responde ao nome, estranha pessoas 
o 12 meses -> Fica em pé com apoio, fala 1–2 palavras, faz tchau 
o 15 meses -> Anda sem apoio, fala palavras soltas, empilha cubos 
o 18 meses -> Corre, aponta partes do corpo, tenta se vestir 
o 24 meses -> Fala frases simples, sobe escadas, brinca com outras crianças 
o Adequado para a idade 
• Ambiente 
o Adequado 
 
 
ANEMIA FALCIFORME 
• Incidência de 3,78 a cada 10 mil nascidos vivos 
• Hemoglobinopatia qualitativa congênita. 
• Existem três tipos de hemoglobina considerados normais, que são a A1, A2 e F. E o fenótipo AA é o considerado normal. 
• Ocorre devido a uma mutação no gene Beta-globina. 
• Apenas indivíduos que apresentam homozigose para o 
gene Beta globina S irá desenvolver a anemia falciforme 
o Indivíduos que só apresentam um alelo dessa 
mutação herdarão a variante falcêmica/traço 
falciforme. (está associado a uma evolução clinica 
benigna.) 
• Alteração nas cadeias beta causando formação de 
Eritrócitos com deformidade, maior fragilidade e consequente destruição prematura 
• A hemoglobina HbS é mais suscetível a polimerização, afetando a hemácia e a deixando em formato de foice. 
• Para essa deformação da hemácia ocorrer são necessários alguns gatilhos como: Desoxigenação, acidose e desidratação. 
• A doença falciforme (são as variações dessas hemoglobinopatias) pode ser encontrada em todo o Brasil, sendo mais 
frequente no Nordeste, onde há maior porcentagem de negros 
• As hemácias em forma de foice não circulam de forma adequada na microcirculação, dificultando a circulação sanguínea, 
provocando em vaso-oclusão 
• Complicações: 
o Hemólise e vaso-oclusão 
▪ Tendencia a ruptura 
▪ Formatos muito diferentes 
▪ Fluxo turbilhonar, aumentando as chances de lesão endotelial. 
• Quadro clínico ( queda súbita 
da hemoglobina + reticulocitose + esplenomegalia; fenômeno mais comum em crianças menores de 5 
anos (entre 5 meses e 2 
anos idade) 
• Crianças maiores de 5 anos tem autoesplenectomia porque gera uma fibrose progressiva do 
baço. 
o Infecção: 
▪ Devido a autoesplenectomia o paciente tem maior risco de ter germes encapsulados e ter osteomielite. 
• Paciente que apresentou febre nesse quadro é necessário internação 
o Síndrome toráxica aguda: Infiltrado pulmonar + 1 achado de pneumonia. 
▪ Critério Obrigatório: Novo infiltrado em Raio-x de tórax. Pelo menos um dos seguintes critérios: Dor 
torácica; Febre (T>38,5ºC); Hipoxemia; Taquipneia ou desconforto respiratório; Crepitações ou sibilância; 
Tosse. 
▪ Febre, tosse, dor torácica, purulência e dispneia 
▪ Desencadeado por infecções e/ou crise álgica. 
▪ Tratamento: Internamento hospitalar. Manutenção volêmica. Transfusão de concentrado de hemácias 10 a 
15 ml por kg. Analgesia. Antibioticoterapia. 
• Diagnostico: 
o Ocorre com o teste do pezinho -> eletroforese de hemoglobina para discriminar o tipo de hemoglobina 
o Hemograma 
▪ anemia normo-normo 
▪ células alvo e em formato foice. 
▪ Leucócitos geralmente elevados mesmo em 
ausência de infecções. 12000 – 20000/mm3 
▪ Plaquetas aumentadas. 
▪ VHS e PCR baixos. 
▪ Provas de função hepática podem estar 
alteradas. 
• Diagnostico diferencial: 
o Talassemias 
o Anemias hemolíticas autoimunes 
o Esferocitose hereditária. 
o Febre Reumática. 
o Sopros Cardíacos. 
o Hepatoesplenomegalias. 
• Tratamento agudo: 
o Vacinação para: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo B, hepatite B e influenza 
o Hidratação (desidratação aumenta o risco de polimerização) -> Expansão volêmica com soro fisiológico 0.9% 
20ml/kg em 5-10 minutos. 
o Oxigenoterapia: SatO2 > 92% 
o Analgesia, que pode incluir o uso de opioides 
o Se paciente tiver febre e suspeita de infecção: beta-lactâmicos e macrolídeos. 
o Transfusão com concentrado de hemácias ou fazes exsanguinotransfusão. -> Transfusão de concentrado de 
hemácias 10 a 15 ml por kg 
• Tratamento crônico: 
o Penicilina oral até os 5 anos 
o Ácido fólico 
o Hidroxiureia, o que faz aumentar a quantidade de hemoglobina 
F. 
o Transplante de células tronco: considerar apenas em casos 
muito graves. 
. 
 
 
 
SEMIOLOGIA E PUERICULTURA DO PREMATURO 
🧠 1. DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÕES DO RN PREMATURO 
• Definição: 
o O recém-nascido (RN) prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas completas de idade gestacional (IG), 
segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 
• 📅 Classificação por Idade Gestacional: 
o RN pré-termo tardio: 34 semanas a 36 semanas e 6 dias 
o RN pré-termo moderado: 32 semanas a 33 semanas e 6 dias 
o RN muito prematuro: 28 semanas a 31 semanas e 6 dias 
o RN pré-termo extremo: menos de 28 semanas 
• ⚖️ Classificação por Peso de Nascimento: 
o Peso insuficiente: 2500g a 2999g 
o Baixo peso: 1500g a 2499g 
o Muito baixo peso: 1000g a 1499g 
o Extremamente baixo peso: menos de 1000g 
• 📊 Classificação por Peso x IG (Percentil): 
o Pequeno para a IG (PIG): abaixo do percentil 10 
o Adequado para a IG (AIG): entre os percentis 10 e 90 
o Grande para a IG (GIG): acima do percentil 90 
• Critérios para Alta da Neonatologia 
o Estabilidade fisiológica 
o Pais treinados para cuidados, sinais de alerta e medicações 
o Plano de alta definido e acesso garantido ao seguimento 
o Três competências essenciais: 
1. Alimentar-se por via oral com ganho de ≥ 20g/dia por 3 dias 
2. Controlar temperatura sem incubadora 
3. Estabilidade cardiorrespiratória (sem apneia por 8 dias) 
 
👶2. PUERICULTURA DO RN PREMATURO 
• Primeiras Semanas Pós-Alta: 
o 1ª semana: visita domiciliar da equipe da atenção básica + retorno ao hospital em até 72 horas 
o 2ª semana: retorno ao hospital de origem 
o 3ª semana em diante: acompanhamento semanal até atingir peso ≥ 2500g 
• Seguimento Posterior: 
o Se não houver intercorrências: 
o Mensal até 6 meses (idade corrigida - IGC) 
o Bimestral dos 6 aos 12 meses 
o Trimestral de 12 a 18 meses 
o Semestral de 18 a 24 meses 
o Anual: dos 4 anos até a puberdade 
• Acompanhamento Abrangente: 
o Identificação de fatores de risco e vulnerabilidadeso Apoio ao aleitamento materno 
o Avaliação do crescimento e desenvolvimento 
o Monitoramento da vacinação (inclusive palivizumabe) 
o Encaminhamentos para especialidades (fono, fisio, neuro, cardio etc.) 
🐨 3. MÉTODO CANGURU 
• Conceito: 
o Forma humanizada de cuidado ao RN prematuro ou de baixo peso, centrada na família. 
• Características: 
o Inicia-se no pré-natal, com continuidade no parto e internação 
o Contato pele a pele precoce e progressivo com os pais 
o Promove vínculo, estabilidade térmica, estimula o aleitamento e o neurodesenvolvimento 
o Mantido até que o RN atinja 2500g 
🧾 4. ANAMNESE ESPECÍFICA DO RN PREMATURO 
• Idade Corrigida (IC): 
o Utilizada para ajustar avaliações clínicas com base na imaturidade do RN. 
• Fórmula: Idade Corrigida = Idade Cronológica - (40 semanas - IG ao nascimento) 
• Itens Relevantes: 
o Relatório de alta hospitalar 
o Sorologias maternas (TORCHS) 
▪ Toxoplasmose, Rubéola, CMV, Herpes Simples 
o Diagnósticos como hemorragia intracraniana, displasia broncopulmonar, ROP, DOMP 
o Tipo de dieta, uso de SOG ou NPT 
o Uso de antibóticos, oxigenoterapia, fototerapia 
📈 5. CRESCIMENTO DO RN PREMATURO 
• Avaliação: 
o Peso: semanal; perda de até 15% do peso ao nascer é aceitável com recuperação do PN até 21 dias de vida. 
o Comprimento e Perímetro Cefálico: acompanhamento regular 
o Considera-se a idade corrigida até, no mínimo, 2 anos de idade 
• Curvas de Crescimento: 
o Intergrowth-21st: prematuros até 64 semanas 
o OMS: após 64 semanas (ajustado para IGC) 
• Catch-up Growth: 
o Crescimento acelerado após o nascimento, permitindo que o RN alcance os padrões esperados para sua idade. 
Pode acontecer ainda durante a internação ou após a alta 
🧠 6. DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR (DNPM) 
• Considerações: 
o Avaliado com base na idade corrigida 
o Utilizar sempre a Caderneta da Criança 
o Intervenção precoce para estímulo de habilidades 
• Instrumentos: 
o Teste de Denver II: triagem ampla. O mais utilizado por ser de fácil execução. Resultado: normal, suspeito ou 
atraso. Sinais de alerta para o componente motor de atraso 
o Escala Bayley III: avaliação detalhada dos domínios motor, cognitivo e linguagem 
• Plasticidade Neural: 
o Capacidade do SNC de reorganizar-se e compensar lesões 
🍼 7. NUTRIÇÃO DO RN PREMATURO 
• Leite Materno: 
o Ideal para imunidade e neurodesenvolvimento 
o Rico em DHA (ácido docosaexaenoico) e antioxidantes -> melhor desempenho no neurodesenvolvimento 
• Se indisponível: 
o Fórmulas específicas para prematuros com alto teor proteico e lipídico 
• Alimentação Complementar: 
o Introduzida aos 6 meses de IGC com sinais de prontidão (controle cervical, interesse por alimentos, etc.) 
o Deve-se observar o desenvolvimento digestório, imunológico e neurológico do lactente 
• Sinais de prontidão: 
o Redução ou desaparecimento do reflexo de protusão lingual 
o Capacidade de sustentação cervical e do tronco 
o Capacidade de sentar-se com pouco ou nenhum apoio 
o Interesse e curiosidade pelos alimentos 
o Segura objetos com as mãos e leva à boca 
💊 8. SUPLEMENTAÇÕES 
• Suplemento Dose e Início 
Vitamina D-> 
400 UI/dia desde o 7º dia de vida 
Atua na função neuromuscular e mineralização óssea. 
Vitamina A-> 
400 a 1000 UI/dia 
Deficiência pode levar a infecções recorrentes e a um risco 
aumentado de displasia broncopulmonar 
Vitamina C -> Incluída no polivitamínico 
Zinco -> 
0,5–1 mg/kg/dia (36 semanas até 6 meses de IGC) 
Fundamental nos processos fisiológicos da função imune e defesa 
antioxidante. Deficiência pode causar déficit de crescimento 
pondero-estatural. 
Ferro -> Dose depende do peso de nascimento. Inicia com 30 dias de vida 
💉 9. IMUNIZAÇÕES 
• Calendário: 
o Segundo a SBIM e a SBP segue a idade cronológica com as seguintes exceções: 
o BCG: apenas se P ≥ 2000g 
o Hepatite B: nas primeiras 12h se estável; esquema especial com 4 doses se vacina + imunoglobulina nas primeiras 12h de vida para todos 
o Penta/Hexa acelular: paraobserva-se hipertrofia importante das conchas inferiores 
• Diagnóstico 
o É frequentemente realizada apenas por anamnese e exame físico. 
o Presença de ≥2 sintomas (obstrução, rinorreia, prurido, espirros) por: 
▪ Mais de 1 hora por dia 
▪ Por mais de 2 semanas 
o Sintomas após exposição a alérgenos 
o História pessoal/familiar de atopia (asma, dermatite atópica, rinite) 
o Sinais físicos: prega nasal, palato ogival, hipertrofia de conchas, conjuntivite 
o Quando necessário, exames complementares auxiliam no esclarecimento de dois pontos principais: etiologia e 
anatomia nasal. 
▪ Testes cutâneos (Prick Test): identifica sensibilização in vivo 
▪ Dosagem de IgE específica: in vitro, útil em pacientes com lesões de pele 
▪ Testes de provocação nasal e rinometria acústica: uso em pesquisa 
▪ Rinoscopia anterior: avaliação da anatomia nasal (desvios, pólipos) 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Rinites infecciosas (resfriado, Covid-19) 
o Anomalias anatômicas (desvio de septo, pólipos, adenoide) 
o Doenças autoimunes (LES), granulomatosas (sarcoidose, Wegener) 
o Fibrose cística, corpo estranho nasal, tumores 
• Comorbidades e Complicações 
o Rinossinusite aguda/crônica 
o Otite média com efusão 
o Alterações do desenvolvimento facial (respiradores orais) 
o Apneia obstrutiva do sono (SAHOS) 
o Conjuntivite alérgica 
o Asma (compartilham fisiopatologia) 
• Tratamento: 
o OBJETIVO: controlar os sintomas e evitar as complicações decorrentes deles. 
o Medidas não farmacológicas (controle ambiental) 
▪ Limpeza ambiental frequente (evitar carpetes, cortinas) 
▪ Troca de roupas de cama semanal 
▪ Evitar exposição a fumaças, perfumes, poluentes 
▪ Lavagem nasal com soro fisiológico 
o Rinite intermitente leve 
▪ Anti-histamínicos de 2ª geração -> Poucos efeitos sedativos 
▪ Anti histamínicos (1ª geração) -> 2ª escolha por ser sedante 
▪ Antileucotrienos -> Útil quando há asma associada 
o Rinite Persistente Moderada\ Grave 
▪ Corticosteroides tópicos nasais -> principal medicação; reduzem a liberação de mediadores inflamatórios; 
reduzem a congestão nasal. 
▪ Associação de anti-histamínico e corticoide tópico nasal 
▪ Imunoterapia 
PNEUMONIAS ADQUIRIDAS 
• Refere-se à pneumonia que ocorre em crianças não hospitalizadas no último mês, adquirida por germes provenientes do 
meio domiciliar, escolar ou comunitário. 
• Etiologia 
o Vírus: principais agentes na faixa etária pré-escolar (até 5 anos) 
▪ Agentes: VSR, adenovírus, influenza, parainfluenza, enterovírus 
o Bactérias: Mais comum na faixa etária escolar e em lactentes 
▪ Lactentes: Bordetella pertussis 
▪ coriza, tosse e febre 
▪ Evolui e gera uma febre persistente, prostração e infecção de VAI 
▪ Infecção de VAI -> febre, tosse produtiva, taquicardia e desconforto respiratório. 
▪ Taquipneia, estertores e síndrome de condensação 
• 20 ipm 
o Pneumonia atípica 
▪ Mais comum em escolar e adolescente 
▪ Tosse persistente 
▪ Febre ausente ou baixa 
▪ M. pneumoniae e C. pneumoniae 
o Pneumonia afebril do lactente: 
▪ tiragem, aleteo nasal e cianose 
o Hipoxemia 
o Cianose e palidez 
o Agitação x sonolência -> sonolência anormal ou irritabilidade excessiva 
o Prostração ou toxemia 
o recusa de líquidos 
• Diagnostico: 
o FR alta -> pneumonia 
o FR alta + tiragem -> pneumonia grave 
o Clínico: história sugestiva + taquipneia 
o Rx tórax: não é obrigatório. Mas é bom para quando tem sinais de gravidade, duvida diagnostica e falha na 
resposta terapêutica. 
• Diagnostico diferencial: Bronquiolite, asma e tuberculose 
• Achados radiológicos: 
o Opacidade alveolar 
o Atelectasia 
o Hiperinsuflação 
o Em caso de internação -> hemograma completo, PCR, hemocultura e pesquisa viral 
• Tratamento: 
o Antibiótico empírico 
o Hidratação, alimentação, lavagem nasal e controle da temperatura 
o Em domicílio-> Via Oral -> amoxicilina e Claritromicina, 5-7 dias, reavaliando em 48-72h 
o Hospitalar -> Endovenoso -> oxacilina, cefalosporina, penicilina 
▪ Grave: ceftriaxone + vancomicina 
• Complicações: 
o Derrame parapneumonico 
▪ Persistência da febre; dor torácica; queda do estado geral; piora do desconforto respiratório 
▪ RX com velamento do seio costofrênico e desvio da traqueia -> Derrame pleural é a complicação mais 
clássica de PAC mal evoluída com esse padrão clínico e radiológico. 
▪ Sempre solicitar Rx tórax (PA, perfil, Laurell); USG tórax, TC 
o Pneumatocele 
▪ Cavidades aéreas no pulmão, comuns com S. aureus 
▪ São silenciosas clinicamente na maioria das vezes 
▪ Não cursam com macicez nem deslocamento de traqueia 
▪ Vistas como imagens hipotransparente (claras) no RX, não velamento 
o Abscesso pulmonar 
o Pneumonia necrosante 
o Atelectasia segmentar 
▪ Pode cursar com macicez, mas geralmente é assintomática ou leve 
▪ Não costuma causar febre persistente ou desvio de traqueia 
▪ Ausência de dor torácica importante 
• Prevenção: 
o Vacinas pneumocócicas e influenza 
 
ADENOMEGALIAS 
• O aumento do tamanho dos linfonodos é encontrado com frequência na infância devido à maior massa de tecido linfoide 
em relação ao adulto e a maior frequência de infecções que cursam com tal manifestação. 
• Até os 3 anos de idade qualquer linfonodo palpável deve ser considerado adenomegalia (exceto os inguinais) 
• A hiperplasia reacional dos linfonodos é uma resposta imunológica comum às infecções frequentes na infância. 
 
CLASSIFICAÇÕES 
• Quanto ao tempo de evolução: 
o Aguda: 6 semanas 
• Quanto à localização: 
o Localizada: linfonodo único ou grupo contíguo (75% dos casos) 
o Generalizada: envolvimento de ≥2 regiões não contíguas (25%) 
• Quanto à etiologia: 
o Infecciosas: virais, bacterianas, parasitárias, fúngica 
o Autoimunes: colagenoses, LES, artrite reumatoide 
o Neoplásicas: linfomas, leucemias, metástases 
o Iatrogênicas: medicamentos (hidantoína), doença do soro 
o Outras: Kawasaki, Addison, lipidoses, hipertireoidismo 
 
CRITÉRIOS DE NORMALIDADE DO TAMANHO DOS LINFONODOS 
Região Valor de Referência 
Cervicais/Axilares > 1,0 cm 
Inguinais > 1,5 cm 
Epitrocleares/Poplíeos > 0,5 cm 
Supraclaviculares Sempre anormais 
Occipital/Auricular (o Lesões de pele, cavidade oral, couro cabeludo e regiões genitais 
 
SINAIS DE ALERTA 
• Linfonodo em regiões supraclavicular, epitroclear, mediastinal, abdominal ou cervical inferior 
• Indolor, endurecido, aderido aos planos profundos, coalescente 
• Associado a febre inexplicada, emagrecimento, sudorese noturna, hepatoesplenomegalia, anemia ou petéquias 
 
DIAGNÓSTICO 
• Exames laboratoriais: 
o Hemograma completo 
o PCR, VHS 
o Sorologias (EBV, CMV, toxoplasmose, HIV, etc.) 
o Hemocultura 
o LDH, ácido úrico, eletrólitos (suspeita de neoplasia) 
o Testes específicos (teste rápido para Streptococcus A) 
• Exames de imagem: 
o USG de partes moles: avalia forma, vascularização, ecogenicidade 
o RX de tórax (mediastino) 
o US abdome 
o RNM (em casos específicos) 
• Mielograma: suspeita de leucemia 
• Biópsia: indicações 
o Crescimento persistente (> 4 semanas) ou progressivo 
o Linfonodos supraclaviculares ou epitrocleares 
o Ausência de resposta a ATB por 2 semanas 
o Alterações sugestivas em imagem 
o Sinais de alerta associados 
 
CONDUTA E TRATAMENTO 
• Observação: 
o Linfonodos pequenos, móveis, dolorosos, com sinais de infecção viral 
o Sem sinais sistêmicos 
• Tratamento com ATB: 
o Adenite piogênica: sinais flogísticos, febre e foco infeccioso 
o ATB empírico por 7–10 dias 
• Tratamento específico: 
o Fúngicas: antifúngicos 
o Neoplásicas: quimioterapia 
o Autoimunes: corticoides e imunossupressores 
o Iatrogênicas: suspensão do medicamento causador 
O tratamento definitivo é guiado pela etiologia final determinada. 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
• Rinites, otites, amigdalites 
• Lesões de couro cabeludo, face, cavidade oral ou genital 
• Lupus, leucemias, linfomas 
• Toxoplasmose, HIV, mononucleose 
o Mononucleose infecciosa -> Pode causar linfadenomegalia 
cervical dolorosa e febre, mas geralmente é bilateral e 
acompanhada de esplenomegalia. Também há fadiga 
intensa, faringite e linfocitose atípica. No caso da Letícia, não há esses outros sinais típicos. 
o Toxoplasmose -> É uma possibilidade em crianças com linfonodomegalia, mas geralmente indolor, e a evolução é mais crônica. Não 
costuma ser precedida por fator ambiental claro (como arranhadura). Além disso, esplenomegalia é mais comum que neste caso não 
está presente. 
• Corpo estranho, traumas cutâneos, entre outros 
 
FEBRE SEM SINAIS LOCALIZATÓRIOS 
. DEFINIÇÃO 
• A Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL) é definida como uma febre com menos de 7 dias de duração em uma criança 
clinicamente estável e cujo exame físico e anamnese não revelam foco infeccioso aparente. 
• Corresponde a 20% dos atendimentos pediátricos em emergências. 
• Principais diagnósticos diferenciais incluem: infecções respiratórias virais, diarreia aguda, doenças exantemáticas e infecções 
urinárias. 
• A maioria dos casos de FSSL na infância tem origem viral autolimitada. 
• No entanto, é essencial identificar sinais de alerta e estratificar risco para evitar evolução para sepse ou bacteremia oculta. 
• O uso racional de exames e antibioticoterapia é fundamental para evitar intervenções desnecessárias ou omissões prejudiciais. 
BACTEREMIA OCULTA (BO) 
• Refere-se à presença de bactérias na hemocultura em crianças com febre sem sinais localizatórios e sem toxicidade 
evidente. 
• Historicamente associada a Haemophilus influenzae tipo B e Streptococcus pneumoniae, com queda acentuada após a 
introdução das vacinas contra esses agentes. 
• Crianças com BO podem parecer em bom estado geral (BEG), mas podem evoluir para sepse caso não monitoradas. 
FATORES DE RISCO PARA BACTEREMIA OCULTA 
• Idade 40ºC 
• Leucocitose > 15.000/mm³ 
• Trombocitopenia 
• Esfregaço com granulações tóxicas 
• Doenças crônicas (ex: HIV, anemia falciforme, desnutrição) 
• Contato com caso de doença bacteriana 
• Criança com aspecto toxemiado, apática, chorosa, emagrecida ou desidratada 
CONDUTA GERAL POR FAIXA ETÁRIA 
• Recém-Nascido ( 36 meses) 
o Caso BEG: observância clínica 
o Caso toxemiado: penicilina cristalina ou ampicilina EV (cobertura para estreptococo do grupo A, pneumococo e 
meningococo) 
ANTITÉRMICOS 
• Utilizados para conforto e bem-estar 
• Não substituem a investigação da causa da febre 
• Paracetamol e ibuprofeno são os mais utilizados 
 
RESUMO DAS INDICAÇÕES DE INTERNAÇÃO 
Situação Conduta 
RN com febre Internar + investigação + ATB EV 
Lactente com sinais de alerta Internar + exames + ATB EV 
Criança com exames alterados Internar ou acompanhar com ATB EV 
Criança BEG com exames normais Observação clínica + reavaliação 
 
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO 
• A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma condição comum na faixa etária pediátrica, definida pela presença de bactérias 
no trato urinário, com consequente inflamação das vias urinárias. As ITUs são classificadas conforme a localização do 
acometimento: 
o ITU baixa (Cistite): infecção limitada à uretra e à bexiga, geralmente com sintomas urinários sem febre. 
o ITU alta (Pielonefrite): infecção que alcança o parênquima renal, manifestando-se com febre e sinais sistêmicos. 
o Bacteriúria assintomática: presença de bactérias na urina sem sintomas clínicos, usualmente identificada por 
rastreio. 
EPIDEMIOLOGIA 
• Representa a segunda infecção bacteriana mais comum em pediatria, perdendo apenas para as infecções respiratórias. 
• Maior incidência no primeiro ano de vida, com predomínio em meninos não circuncidados. 
• A partir do segundo ano, passa a ser mais frequente em meninas. 
• Recorrência após o primeiro episódio: 
o 30% em meninas 
o 15-20% em meninos 
 FISIOPATOLOGIA 
• A maioria das ITUs ocorre por via ascendente, com bactérias da região perineal penetrando pela uretra até a bexiga. Em 
neonatos, pode haver disseminação hematogênica, com acometimento renal a partir da corrente sanguínea. 
• Fatores bacterianos importantes: 
o Fímbrias tipo 1 e P: facilitam adesão da E. coli ao urotélio 
o Produção de hemolisinas, endotoxinas e enzimas 
• Fatores do hospedeiro: 
o Alterações anatômicas (RVU, duplicidade) 
o Constipação e disfunção miccional 
o Baixa produção de IgA secretória, proteínas protetoras (Tamm-Horsfall, lactoferrina) 
FATORES DE RISCO 
• Sexo feminino (uretra curta) 
• Não circuncisão (meninossíndrome urêmica, convulsões 
• Lactentes (até 2 anos): 
o Febre sem foco, vômitos, perda ponderal, choro ao urinar, urina escura, irritabilidade 
• Crianças maiores e adolescentes: 
o Cistite: polaciúria, disúria, urgência, enurese 
o Pielonefrite: febre alta, dor lombar ou abdominal, vômitos, mal-estar geral 
 
DIAGNÓSTICO 
• Exame clínico: 
o Avaliação do crescimento, inspeção perineal, toque abdominal e lombar (punho-percussão) 
• EAS (sumário de urina): 
o Leucócitos ≥ 5 por campo 
o Nitrito positivo (bactérias nitrato-redutoras) 
o Esterase leucocitária positiva 
o Hematúrias, cilindros piocitários (pielonefrite) 
• Urocultura: 
o Padrão ouro para confirmação 
o Critérios: 
o Jato médio: ≥ 10⁵ UFC/mL 
o Cateterismo: ≥ 10⁴ UFC/mL 
o Punção suprapúbica: qualquer crescimento 
o A coleta deve ser realizada antes do início dos antibóticos 
• Coleta da urina: 
o Jato médio: ideal em crianças que controlam esfíncter 
o Cateterismo vesical: mais sensível em lactentes 
o Punção suprapúbica: alta especificidade, mas mais invasiva 
o Saco coletor: apenas para triagem, alta taxa de falso-positivo 
EXAMES DE IMAGEM 
• Ultrassonografia renal e vias urinárias: 
o Realizada após o primeiro episódio de ITU febril 
o Detecta anomalias como dilatação pielocalicial, duplicidade renal, cistos, obstruções 
• Uretrocistografia miccional (UCM): 
o Indicação seletiva após ITU febril com alteração no USG 
o Diagnóstico do refluxo vesicoureteral (RVU) 
• Cintilografia renal com DMSA: 
o Avalia lesões e cicatrizes renais 
o Indicado em pielonefrite aguda e acompanhamento da função renal 
TRATAMENTO 
• Suporte geral: 
o Antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno) 
o Hidratação vigorosa 
o Analgésicos/antiespasmódicos (disúria intensa) 
• Antibióticos: 
o Iniciar após coleta da urina 
o Via oral: casos leves/moderados, idade > 3 meses, sem sinais de toxemia 
o Via EV: idade

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