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Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia Aula 7 - Adaptações Celulares e Associação com Lesões Pré-Neoplásicas Adaptações Celulares: As adaptações celulares consistem em uma resposta celular frente a algum estresse ou estímulo patológico. Diante disso, a célula tenta se adaptar para não lesar ou não morrer. Alguns dos estímulos que a célula pode sofrer são a alteração ambiental (como a alteração do pH), a agressão celular (como a presença de um vírus) e ainda os fatores hormonais (como o estrogênio). Existem cinco tipos de adaptações celulares, são eles: 1. Hiperplasia 2. Hipertrofia 3. Atrofia (ou hipotrofia) 4. Metaplasia 5. Displasia 1) Hiperplasia: A hiperplasia é causada pelo aumento do número de células, e não pelo aumento do tamanho das células. Ela causa aumento do volume e do tamanho do órgão onde ocorre. Acontece principalmente em órgãos hormônio-responsivos. Por estar relacionada ao aumento do número de células, está relacionada com a divisão celular e com a mitose. Em decorrência disso, ocorre em células lábeis e em células estáveis. O principal estímulo para a hiperplasia é uma desregulação hormonal que cause um aumento de hormônios. A hiperplasia pode ser fisiológica ou patológica. A hiperplasia fisiológica ocorre por um desequilíbrio hormonal fisiológico, no qual os hormônios atuam como fatores de crescimento e desencadeiam a transcrição de vários genes. Além disso, há o aumento da capacidade funcional do tecido quando é necessário. Exemplos de hiperplasia fisiológica: proliferação do epitélio glandular da mama feminina na puberdade, gravidez, lactação e o útero gravídico. O útero gravídico é o único caso no qual a alteração hormonal causa não só a hiperplasia, mas também a hipertrofia. Já a hiperplasia patológica é provocada por uma alteração hormonal que gera doenças, um estímulo hormonal anormal ou um desequilíbrio hormonal. A maioria das formas de hiperplasias patológicas é causada pela estimulação excessiva das células alvo por hormônios e por fatores de crescimento. Exemplos de hiperplasias patológicas associadas a fatores hormonais: hiperplasia prostática benigna (induzida por hormônios androgênios) e hiperplasia endometrial (associada ao hiperestrinismo). Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia Hiperplasia Nodular Benigna da Próstata (HNBP): Com o envelhecimento, ocorre maior degradação da testosterona pela 5-alfa- redutase em di-hidrotestosterona (DHT). A DHT tem um potencial mitogênico 10 vezes maior que o da testosterona e, portanto, se dissocia mais lentamente, agindo por mais tempo sobre a próstata. A DHT age tanto sobre as células estromais quanto sobre as células epiteliais da próstata. O componente estromal da próstata é composto pelo mesênquima que fica entre as glândulas e que as sustenta. Nessas células, a DHT age por efeito autócrino. Já o componente epitelial da próstata é composto pelas glândulas prostáticas. Nessas células, a DHT age por efeito parácrino. Ela provoca aumento no número de glândulas, aumento no número de células que formam as camadas epiteliais e aumento no número de camadas celulares. Quando a hiperplasia das células epiteliais é maior que a hiperplasia das células estromais, ocorre a saída de um líquido leitoso. Já quando a hiperplasia das células estromais é maior que a hiperplasia das células epiteliais, a próstata fica mais rígida. A HNBP gera uma compressão da uretra prostática, causando dificuldade/dor para urinar, jato urinário fino, retenção urinária e cistite de repetição. O antígeno prostático benigno (PSA) é um marcador sérico e tecidual que é produzido naturalmente para desfazer o coágulo ejaculatório. Quanto maior a próstata, maior a produção de PSA. No entanto, as células malignas também produzem essa substância e, em consequência disso, o PSA não pode ser usado como marcador do câncer de próstata. Assim, níveis altos de PSA e o aumento do volume da próstata são totalmente inespecíficos. O toque retal alcança o lobo posterior da próstata, que é o local mais frequente do câncer de próstata. Caso se trate de um câncer de próstata, o toque será mais firme. Caso se trate de uma hiperplasia, o toque será mais borrachoso. É possível distinguir duas camadas de células do epitélio de revestimento glandular: uma camada interna, formada por células colunares, e uma camada externa, formada por células achatadas ou cuboides. Portanto, a presença de células achatadas externamente fala a favor de benignidade. Além disso, pode haver displasia/neoplasia juntamente à hiperplasia. Uma displasia é um distúrbio de crescimento das células internas do revestimento epitelial com alteração citológica (volume, formato, cromatismo - núcleos bem eosinofílicos, corados por hematoxilina). A displasia é sempre intraepitelial e citológica. Quando a hiperplasia prostática benigna é associada à displasia, chama-se de neoplasia intraepitelial prostática (PIN). A PIN não é maligna, mas tem risco de se tornar, ou seja, é considerada pré- maligna. Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia Quando essa displasia é acompanhada por uma alteração citológica não intraepitelial, está-se diante de uma neoplasia maligna. Hiperplasia Glandular Cística do Endométrio: A hiperplasia glandular cística do endométrio ocorre devido a um estímulo estrogênico persistente (não necessariamente excessivo) que não é antagonizado pela progesterona. Na hiperplasia endometrial, o componente estromal é menos abundante em relação ao epitelial glandular, cujas glândulas são maiores, mais dilatadas e mais próximas umas das outras. Ocorre durante a fase proliferativa do ciclo menstrual, na qual o endométrio se prolifera por domínio estrogênico, e pode formar cistos. A hiperplasia endometrial pode ser simples ou complexa, típica ou atípica. A hiperplasia simples se refere a glândulas dilatadas ou císticas com formato redondo e ligeiramente irregular, com ligeira alteração na relação glândula-estroma. Já a hiperplasia complexa se refere à aglomeração glandular com menos estroma interposto e com glândulas digitiformes. A hiperplasia típica se refere à ausência de displasia, e a hiperplasia atípica se refere à presença de displasia. A hiperplasia atípica é precursora do câncer endometrial e também é considerada uma neoplasia intraepitelial endometrial. A hiperplasia endometrial típica simples representa um risco de 1% de progressão para neoplasia. A hiperplasia endometrial típica complexa representa um risco de 3% de progressão para neoplasia. A hiperplasia endometrial atípica simples representa um risco de 8% de progressão para neoplasia. Por fim, a hiperplasia endometrial atípica complexa representa um risco de 29% de progressão para neoplasia. 2) Hipertrofia: A hipertrofia é o aumento do órgão devido ao aumento do tamanho e do volume celular. Ocorre o aumento dos constituintes celulares devido a maior síntese proteica. Não ocorre divisão celular. O aumento celular é maior devido à síntese de proteínas. Não surgem células novas, mas sim as células ficam maiores. Ocorre especialmente no músculo cardíaco e no músculo esquelético, pois esses músculos não conseguem se adaptar ao aumento da demanda metabólica, nem através de divisões mitóticas, nem por meio da produção de mais células, para dividir o excesso de trabalho. O mecanismo da hipertrofia envolve a indução de vários genes para a síntese de proteínas envolvidas com resposta celular ao estresse. Ocorre a transformação da alfa-miosina (forma adulta) em beta-miosina (forma fetal), o que diminui a atividade da ATPase e economiza energia para a célula que está sobrecarregada. Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia Como não estárelacionada à divisão celular, ocorre tanto em células lábeis, estáveis e permanentes. Pode ocorrer concomitantemente à hiperplasia. As células capazes de se dividir (lábeis e estáveis) podem sofrer hipertrofia, hiperplasia ou metaplasia. Já as células que não se dividem (permanentes) podem sofrer apenas hipertrofia. Quando a hipertrofia acontece nas células cardíacas, ocorre a reindução da expressão ventricular do fator natriurético, que foi inibida no nascimento. O fator natriurético é diurético, o que diminui a sobrecarga do coração. O aumento dos níveis de estrogênio pode levar tanto à hiperplasia quanto à hipertrofia, como no crescimento fisiológico do útero gravídico. 3) Atrofia/Hipotrofia: A atrofia é a redução do tamanho do órgão causada por déficits que reduzem a sua demanda. Ocorre uma diminuição do tamanho das células por perda da substância celular e dos constituintes celulares. As principais causas da atrofia são a redução do trabalho, déficit hormonal, déficit de inervação, redução do suprimento sanguíneo e déficit nutricional. Os mecanismos bioquímicos responsáveis pela atrofia afetam o equilíbrio entre a síntese e a degradação das proteínas, havendo um nítido aumento da degradação das proteínas (proteólise) em relação à síntese. A caquexia é um exemplo de atrofia causada por déficit nutricional, sendo utilizada para se referir a uma atrofia muscular generalizada. Isso acontece em pacientes com câncer em estágios avançados, pois os tumores se alimentam de proteínas, consumindo, portanto, os músculos. Entre os exemplos de atrofia causada por déficit hormonal, tem-se o que ocorre devido à perda da estimulação estrogênica após a menopausa, a qual resulta em uma atrofia fisiológica do endométrio, da mama e do epitélio vaginal. Já como exemplo de atrofia causada por déficit sanguíneo, tem-se a atrofia cerebral que ocorre na velhice, pois a aterosclerose reduz o suprimento sanguíneo e leva a consequente redução da massa cerebral. 4) Metaplasia: A metaplasia consiste na substituição de um tecido maduro por outro tecido, também maduro, de mesma origem. Ocorre como um meio de substituição de células que são sensíveis ao estresse por tipos celulares mais resistentes e capazes de sobreviver ao ambiente adverso. Como envolve divisão celular, só ocorre em células capazes de sintetizar DNA, ou seja, as células lábeis e estáveis. Possui relação com algum grau de lesão que desencadeia uma inflamação, promovendo a liberação de citocinas inflamatórias que atuam como fatores de crescimento, os quais estimulam as células- tronco adultas do tecido lesado a gerar uma nova linha de diferenciação. O objetivo final de uma metaplasia é evitar lesões e gerar adaptação, por meio da formação de um tecido mais adaptado ao meio. Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia A metaplasia não resulta da alteração do fenótipo de uma célula diferenciada, mas sim do resultado de uma reprogramação de células-tronco que existem nos tecidos normais ou em células mesenquimatosas indiferenciadas do tecido conjuntivo. As citocinas, os fatores de crescimento e os componentes da matriz extracelular estimulam as células-tronco dos tecidos normais e das células mesenquimais do tecido conjuntivo a seguirem outra linha de diferenciação celular, que é mais resistente ao ambiente adverso. As metaplasias podem ser epiteliais escamosas (como na bexiga, na correção do ectrópio funcional no colo do útero e nos brônquios), epiteliais gástricas (como no esôfago de barrett e no intestino) e epiteliais intestinais (como no esôfago de barrett e no estômago). Além disso, pode haver metaplasias mesenquimais ósseas. Refluxo gastroesofágico: No refluxo gastroesofágico, o epitélio do esôfago passa a ser atingido por um pH mais ácido ao que está acostumado, podendo ser causado, por exemplo, por uma hérnia de hiato. Essa redução do pH no terço inferior do esôfago é um fator irritativo que lesa o epitélio, causando inflamação e liberação de agentes químicos inflamatórios. Os fatores de crescimento colocam no ciclo celular as células-tronco basais do epitélio pavimentoso estratificado do esôfago para que elas sofram um novo nível de diferenciação. Essas células-tronco são reprogramadas geneticamente para que haja a substituição de um tecido maduro em outro, ou seja, o epitélio pavimentoso estratificado do esôfago é substituído por um epitélio glandular, que é mais acostumado e resistente a um meio ácido. A substituição do epitélio normal do esôfago pode ocorrer por epitélio gástrico e também por epitélio intestinal. A tendência é que a substituição seja feita por epitélio gástrico, mas pode ocorrer também a substituição por epitélio intestinal, pois o duodeno também apresenta meio ácido (não tão ácido quanto o do estômago, mas ainda sim mais ácido que o do esôfago). Esôfago de Barrett: O esôfago de barrett é o nome dado para a substituição (metaplasia) do terço inferior do esôfago por epitélio gástrico ou intestinal. Deve-se dar mais atenção quando a metaplasia for do tipo intestinal. A metaplasia intestinal pode ser completa ou incompleta. Se a metaplasia intestinal for incompleta, as células caliciformes geram uma mucina ácida, chamada sulfomucina. Se a metaplasia intestinal for completa, as células caliciformes geram uma mucina menos ácida, chamada de sialomucina. A sulfomucina gerada na metaplasia incompleta é um agente carcinógeno químico. Portanto, o esôfago de barrett é uma doença com potencial de câncer no terço inferior do esôfago. 90% dos cânceres de esôfago são carcinomas de células escamosas, a partir do epitélio pavimentoso estratificado normal do esôfago. Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia O esôfago de barrett é risco para adenocarcinoma de terço inferior do esôfago, pois é uma área de metaplasia glandular. Nos terços superior e médio do esôfago há o risco de carcinoma de células escamosas, oriundos do epitélio pavimentoso estratificado do esôfago. Já no terço inferior há o risco de carcinoma de células escamosas (se não houver relação com o esôfago de barrett) e de adenocarcinoma (se estiver relacionado com o esôfago de barrett). Além disso, juntamente à metaplasia, pode haver displasia. Critérios de displasia somente para esôfago de barrett: A displasia no esôfago de barrett pode ser de alto e de baixo grau. A displasia no esôfago de barrett de baixo grau apresenta em suas células glandulares núcleos basais que não chegam à superfície luminal. (Basais Baixo grau). A displasia no esôfago de barrett de alto grau apresenta em suas células glandulares núcleos apicais, mais próximos à luz. Metaplasia intestinal no estômago: Pode ser causada pela gastrite crônica devido a Helicobacter pylori. Quando a metaplasia intestinal se estende, ocorre a gastrite atrófica, quando ocorre a atrofia do estômago devido à substituição quase total do epitélio do estômago por epitélio intestinal. Diante disso, aumentam-se os riscos para adenocarcinoma de tipo intestinal no estômago, causado pela gastrite atrófica gerada pela H. pylori. Assim, a gastrite atrófica pode ser considerada uma agente pré-maligna para adenocarcinoma de tipo intestinal no estômago. Deve-se diferenciar o adenocarcinoma causado pelo epitélio normal do estômago, que também é glandular, e o adenocarcinoma causado pela metaplasia intestinal no estômago. O Helicobacter pylori é um agente biológico causador de carcinogênese. Metaplasia epitelial escamosa: Ocorre em epitélio estratificado pavimentoso. Exemplos: Brônquio de paciente fumante – substituição do epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado do brônquio em epitélio estratificado pavimentoso, que é mais resistente à agressão. Bexiga – cistite hemorrágicacausada pelo Schistosoma haematobium, transformando o epitélio transicional em epitélio pavimentoso estratificado, que é mais resistente à agressão. O Schistosoma haematobium é um agente biológico causador de carcinogênese. Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia Metaplasia epitelial escamosa na correção do ectrópio funcional: No colo uterino, a ectocérvice corresponde a um epitélio pavimentoso estratificado e a endocérvice corresponde a um epitélio colunar muco-secretor glandular. Entre a ectocérvice e a endocérvice, tem-se a junção escamo-colunar (JEC). O orifício cervical externo se dá exatamente no nível da junção escamo- colunar (JEC). Fisiologicamente, pode haver uma projeção da junção escamo-colunar (JEC) para fora do orifício cervical externo. Assim, pode haver epitélio glandular muco- secretor da endocérvice no lugar do epitélio pavimentoso estratificado da ectocérvice. Isso se chama de ectrópio funcional, que é um processo fisiológico, no qual a junção ecto-cervical (JEC) pode se projetar naturalmente. Apesar disso, o epitélio glandular da endocérvice é um epitélio menos resistente, mas está localizado agora em uma zona de exposição. Dessa forma, o epitélio endocérvico no ectrópio funcional pode sofrer metaplasia do tipo epitelial escamosa para tentar corrigir essa projeção, por meio de uma sobreposição dos epitélios. Caso não haja a sobreposição dos epitélios, com o escamoso metaplásico acima do glandular endocervical, não se pode afirmar a presença de metaplasia, pois se os epitélios estiverem um ao lado do outro, a amostra pode ter sido coletada exatamente na junção escamo-colunar (JEC), no orifício cervical externo. A área de metaplasia escamosa formada para corrigir o ectrópio funcional é chamada de zona de transformação. A metaplasia escamosa do colo do útero é considerada pré-maligna somente diante da presença de uma displasia causada pelo HPV. A metaplasia escamosa predispõe à infecção pelo HPV, que provoca a displasia do colo uterino, que por usa vez predispõe ao câncer do colo do útero. As displasias causadas pelo HPV são as grandes responsáveis pelo câncer de colo de útero, e não a metaplasia em si. 5) Displasia: A displasia é causada por uma série de alterações citológicas (variação de formato, volume, cromatismo e proporção núcleo-citoplasma) e arquiteturais (perda parcial no controle e na organização celular e alterações na diferenciação e maturação celular). A displasia é sempre epitelial, não rompe a membrana basal e não promove invasão. As células mais imaturas são as células basais, que são menores e menos diferenciadas. Já as células mais maduras são as células apicais, que são maiores e mais diferenciadas. Algumas displasias são reversíveis, como as causadas por algumas cepas menos agressivas do HPV no colo do útero. Todas as displasias são lesões pré-neoplásicas. As hiperplasias e as metaplasias também podem ser lesões pré-neoplásicas quando associadas à displasia. Quando ocorre invasão pelo rompimento da membrana basal, tem-se um carcinoma in situ, que não é câncer. Jéssica N. Monte Turma 106 P2 Patologia Os carcinomas epiteliais podem ser minimamente invasores (3 mm), micro invasores (5 mm de profundidade ou 7 mm de largura) ou invasores (mais de 5 mm de profundidade ou mais de 7 mm de largura). Displasia de útero: A displasia de colo de útero deve ser chamada de lesão escamosa intraepitelial de alto ou baixo risco. A presença de células grandes, núcleos bem grandes e com área clara ao redor, chamada de coilócito ou capsídeo viral, significa displasia de baixo grau. Já a presença de alterações citológicas, nas quais não se consegue visualizar o coilócito, significa displasia de alto grau. O coilócito é uma célula superficial ou intermediária do epitélio com alterações citopáticas virais, que apresentam em um aro claro ao redor do núcleo e que está presente na displasia de baixo grau. À medida que a neoplasia intraepitelial cervical (NIC) avança, a coilocitose diminui, indicando que o vírus não é capaz de se diferenciar em células menos diferenciadas. Por esse motivo, é muito mais fácil se encontrar o HPV em lesões de baixo grau, onde o vírus está presente e íntegro, do que em lesões de alto grau, nas quais o vírus foi incorporado ao genoma celular e só pode ser identificado por técnicas de biologia molecular. A displasia leve ou de baixo grau é causada pelas cepas 6 e 11 do HPV, que são cepas de baixo risco. Antigamente a classificação era: displasia de terço inferior, leve ou NIC 1. A displasia severa ou de alto grau é causada pelas cepas 16 e 18 do HPV, que são cepas de alto risco. Antigamente a classificação era: displasia de terço médio, moderada ou NIC 2; displasia de terço superior, severa ou NIC 3; e quando estava presente em tudo, era chamada de carcinoma in situ. Adenomas intestinais: Os adenomas intestinais são pólipos intestinais com displasia (necessariamente) nas células que os revestem. Os pólipos podem ser pediculados ou sésseis, sendo estes últimos os de maior risco. Os adenomas podem ser: tubulares (com pólipos pediculados), que representam um risco menor e que menos se associam a displasias severas; túbulo- vilosos (com pólipos pediculados e sésseis); e vilosos (com pólipos sésseis). Nos adenomas tubulares, mais de 70% do epitélio que reveste o pólipo é do tipo tubular. São os mais comuns e são pediculados. Nos adenomas vilosos, mais de 50% do epitélio que reveste o pólipo é do tipo viloso. São mais raros e são sésseis. Já nos adenomas túbulo-vilosos, de 25% a 50% do epitélio que reveste o pólipo é do tipo viloso, sendo o restante tubular.