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Bioquímica – Bloco III 
Sangue 
O sangue é considerado um tecido- sistema complexo e com células especializadas – e uma gama 
de substâncias dissolvidas que tem papéis essenciais. É uma suspensão de células em meio líquido 
=>plasma (90% composto de água) 
 
 
 
 
 
 
 
Na centrifugação com um agente anticoagulante é possível separar componentes do sangue: 
Eritrócitos, leucócitos (células polimoronucleadas) e trombócitos e o plasma (proteínas 
plasmáticas, sais dissolvidos, nutrientes, hormônios e outros elementos). 
Composição do plasma: 
 Água = 90% 
 Solutos = 10% 
Os solutos são compostos por proteínas plasmáticas (9%) e compostos orgânicos (1%). As 
principais proteínas do sangue são: albumina,  e  globulinas e proteínas da coagulação e do 
complemento. Os principais compostos orgânicos são: aminoácidos, vitaminas, hormônios, 
glicose. Além disso, outros compostos como: sais inorgânicos, íons e gasestambém estão 
presentes. 
Características Físico-químicas 
8% do peso corporal 
 5 a 6 L no adulto 
 . 1 L pulmões 
. 1 L coração e circulação arterial sistêmica 
Bioquímica – Bloco III 
 . 3 L circulação venosa sistêmica 
Lactantes – volume proporcionalmentemenor 
Recém- nascidos – 250 mL 
 
pH 7,4 (7,35 e 7,45) 
Densidade 1,06 (1,055 e 1,065) 
Viscosidade 5X maior comparada a água 
Temperatura 38C 
*valores aproximados 
O sistema tampão é responsável por manter o pH ideal do sangue. A temperatura de 38°C é ideal 
para o funcionamento da resposta do sistema imunológico. 
 
 Funções do sangue 
 Respiração: transporte de gases respiratórios (O2 dos pulmões para os tecidos e de CO2 dos 
tecidos para os pulmões). 
 Nutrição: transporte de substâncias absorvidas dos alimentos. 
 Transporte de metabólitos 
 Regulação do metabolismo: transporte de hormônios. 
 Excreção: transporte de resíduos do metabolismo das células para remoção através dos 
rins, pulmões, pele e intestinos (portas de saídas). 
 Regulação do balanço hídrico: através dos efeitos do sangue na troca de água entre os 
fluidos da circulação e do tecido. 
 Manutenção do equilíbrio ácido-básico: controle do pH local e sistêmico. 
 Regulação da temperatura corpórea: distribuição de calor no organismo. 
 Coagulação: formação e dissolução de trombos no organismo. 
 Defesa: através dos leucócitos e anticorpos circulantes (elementos figurados). 
 
 
 
Bioquímica – Bloco III 
Células do sangue 
Os reticulócitos são percursores diretos dos eritrócitos, são células ainda nucleadas e encontradas em 
grandes quantidades no sangue, podendo terminar sua diferenciação já na periferia. 
As plaquetas são fragmentos celulares dos megacariócitos formados na medula óssea e são 
importantíssimas no processo de coagulação sanguínea. 
Hematopoese (Medula Óssea) 
As células tronco-hematopoéticasnão tem comprometimento com uma linhagem específica, por 
isso tem uma alta capacidade de auto regulação, ou seja, de proliferação e uma baixa capacidade 
de diferenciação. Os fatores de crescimento hematopoético vãodirecionar a diferenciação dessas 
células para a geração das células totipotentes dependendo da demanda do organismo. Essa 
célula, então, dará origem a dois tipos celulares: 
progenitores mielóides e linfóides. Os progenitores 
linfóides estarão comprometidos com a formação dos 
linfócitos e células NK, já os progenitores mielóides 
darão origem aos leucócitos - que tem importante 
papel na resposta imunológica -, as plaquetas e aos 
eritrócitos. Essas populações de células podem, ainda 
se diferenciar em subpopulações, por exemplo: os 
diversos tipos de linfócitos T helper, tipos de células 
NK mais circulantes e outro que se encontram mais 
nos tecidos, entre outros... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bioquímica – Bloco III 
Eritrócitos ou hemácias 
 Indivíduo sadio: 3 a 4 milhões por 
decilitro de sangue 
 Células anucleadas que não se 
dividem 
 Tempo de vida limitado de cerca de 
120 dias, depois disso são captadas e 
metabolizadas, liberando seus 
elementos como o ferro para serem 
reutilizados. 
 Por volta de dois milhões de células 
entram na circulação por segundo 
 Permanecem no interior dos vasos 
sanguíneos e transportam O2 e CO2 
ligados à hemoglobina 
Albumina 
 
 - 60% das proteínas plasmáticas 
 - Funções fisiológicas: transporte de substâncias 
apolares (ác. graxos, hormônios esteróides, 
bilirrubina, triptofano, vitaminaslipofilicas, drogas e 
etc.) e manutenção da pressão osmótica do 
sangue. 
- É uma proteína pequena com regiões chamadas 
fendas hidrofóbicas que são os sítios de ligação 
para as substâncias apolares. Essas fendas são 
características da estrutura terciária da albumina. 
Além disso, ela transporta alguns íons. 
 
Globulinas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bioquímica – Bloco III 
 
Inibidores de proteases plasmáticas 
 ANTITRIPSINA (1 - globina) 
- Principal inibidor de protease plasmático 
- Na resposta inflamatória, temos a liberação de proteases (ex.: metaloproteinases) e essas 
antitripsinas inibem essas proteases evitando a destruição tecidual. 
 MACROGLOBULINA (2 - globina) 
- Inibir de proteases. 
 - Transporta de 8 a 10% do zinco que é co-fator de uma serie de reações enzimáticas. 
 MICROGLOBULINA (β – globulina) 
- Inibidor de protease. 
- Premonitória da AIDS (seu aumento indica uma susceptibilidade à infecção). 
 Eritropoetina (α2 – globulina) - HORMÔNIO 
- Atua sobre as células eritroblásticaslevando a diferenciação em hemácias (precursoras de 
eritrócitos). É sintetizada nos rins. 
Fibrinogênio (Coagulação) 
- Zimogênio (quandoativada, polimeriza e forma a rede de fibrina). 
Transportadores plasmáticos 
ALBUMINA 
- Transporta compostos hidrofóbicos, Ca+2, Cu+2 e Zn+2 
HAPTOGLOBINA (2 - globina) 
- Liga-se a Hb extracelular, prevenindo sua excreção. Durante a morte das hemácias temos a perda 
de 10% da hemoglobina da circulação. Ela é, então, captada pela haptoglobina pois há uma 
necessidade de não se perder o ferro. O complexo haptoglobina-hemoglobina é grande e não 
consegue atravessar os glomérulos dos rins. 
CERULOPLASMINA (2 - globina). 
- Incorpora90% do cobre plasmático. 
Bioquímica – Bloco III 
- Utiliza o cobre para oxidar o ferro (Fe+2 → Fe+3), assim a transferrina – que tem afinidade por Fe+2 
- pode se ligar a esse ferro e transportá-lo novamente para os tecidos. 
TRANSFERRINA (β - Globulina) 
- Transportar ferro (Fe3+) para os tecidos. 
Quando se tem uma condição patológica podem ocorrer mudanças nessas proteínas. 
Proteínas de fase aguda (PFA) 
PFA negativas são aquelas que apresentam diminuição das suas concentrações durante as 
respostas de fase aguda: albumina e transferrina. 
PFA positivas são aquelas que aumentam suas concentrações: proteína C-reativa, amilóide sérico 
A, haptoglobina, 1-glicoproteína ácida, ceruloplasmina e fibrinogênio. 
*Proteína amiloide sérico A – constitui pedaços de proteínas com configurações estavéis 
depositadas nas paredes dos vasos. 
Proteína C reativa (CRP) 
Nome: devido a ser uma proteína e ser capaz de se ligar ao polissacarídeo C da parede celular de 
Streptococcuspneumoniae(1930) 
Aumentam seus níveis em doenças inflamatórias, e é uma das primeiras a aparecer na reação da 
fase aguda(infarto do miocárdio, estresse, trauma, infecção, inflamação, cirurgia e proliferação 
neoplásica). 
Síntese: É sintetizada no fígado, possui 5 subunidades idênticas, e utiliza Ca+2 como cofator. 
Função: se liga a polissacarídeos presentes em muitas bactérias, fungos e protozoários parasitas; 
mas também a fosforilcolina, fosfatidilcolinas(Lecitina) e poliânions (ácidos nucleicos)na presença 
de Ca+2. Na ausência de Ca+2 a CRP se liga a policátions (histonas). 
Uma vez complexada, ativa a via do complemento clássica, que se inicia em C1q, promovendo: 
opsonização, fagocitose e lise de organismos invasores. 
 
Sistema complemento 
Composição: 30 proteínas do sangue e fluidos teciduais 
Síntese: principalmente no fígado, mas também por monócitos e outros tipos celulares (pequenas 
quantidades) 
Interação: são ativadas por uma cascata proteolítica, para a geração de moléculas efetoras. Os 
meios de ativação são: 
Bioquímica – Bloco III 
• complexos antígeno-anticorpo; 
• entre si; 
• Com membranas celulares. 
Função: 
Destruir vírus e bactérias e, em algumas doenças, até mesmo células do próprio hospedeiro, ou 
envolvidas em inflamação ou depuração de complexos antígeno-anticorpo do organismo. 
 
Estão divididas em cinco grupos, de 
acordo com a função: 
1. A via clássica, que inclui C1, C4, C2 e C3 
(em ordem de ativação); 
2. A via alternativa, que inclui C3, os 
fatores B e D, e a properdina; 
3. O complexo de ataque à membrana, 
que inclui C5 a C9; 
4. Inibidores e inativadores das vias 
mencionadas anteriormente, incluindo 
o inibidor de C1, os fatores H e I, e a 
proteína de ligação a C4 (C4bp); 
5. Receptores celulares dos componentes 
ativados ou ligados à célula. 
 
Como ocorre: muitos componentes do complemento são clivados enzimaticamente em dois 
fragmentos: 
um maior (b), que se liga a diversas superfícies, como membranas bacterianas; outro pequeno (a), 
que pode ser ativo na quimiotaxia e na permeabilidade vascular. 
Fragmentos inativados são designados com a letra i 
A ativação sequencial da via clássica ou da via alternativa, com ou sem ativação completa do 
complexo de ataque à membrana, produz moléculas efetoras que iniciam a inflamação e facilitam 
a eliminação de antígenos por lise, ou fagocitose. 
O sistema complemento é um mediador inflamatório 
Bioquímica – Bloco III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cadeia leve = 50% região constante e 50% região variável 
Cadeia pesada = 75% região constante e 25% região variável 
A região entre as duas cadeias que é formada por região variável é o sitio de ligação para o 
antígeno = região Fab 
A região Fc é onde o anticorpo se liga a receptores celulares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bioquímica – Bloco III 
Água 
Proteína 
Sal 
Precipitado 
 
Estrutura terciária de uma proteína globular 
Tem um formato arredondado e possuem resíduos de 
aminoácidos hidrofóbicos voltados para o centro no 
arranjo tridimensional. A parte mais externa possui 
maior polaridade, mantendo-as solvatadas pela água 
presente no plasma. Dependendo da força iônica e do 
pH ocorrem mudanças na carga efetiva do aa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Técnicas para fracionamento de proteínas: determinar concentração dessas 
proteínas em situações patológicas. 
 
 Salting out (precipitação): as proteínas 
estão solvatadas no sangue, ao 
adicionar um solvente, sal ou alterar o pH da 
solução, podemos alterar a solubilidade dessas 
proteínas possibilitando sua precipitação. As 
proteínas precipitadas colocadas em tampão fisiológico 
de pH próximo ao sanguíneo que elas irão se solubilizar 
novamente, porém purificadas. 
 
Bioquímica – Bloco III 
2
fibrinogenio
hemopexina
ceruloplasmina
- +
2-macroglobulina
-anti-tripsina1
1
Ig M
Quilomicrons
VLDL
LDL
HDL
VHDL
albumina
212
haptoglobina
transferrina
C4
C3Ig G
Ig A
CRP
pré-albumina
-lipoproteína
-proteína ácida1
-lipoproteína1
2-microglobulina
PLASMASORO
Eletroforese em acetato de celulose (tampão barbital pH 8,6)
Mobilidade de algumas (glico-)(lipo-) proteínas
 Eletroforese 
Adiciona-se então, essas 
proteínas 
solubilizadas na 
solução tampão em um 
suporte (ex.: 
acetatocelulose). Uma 
carga elétrica é 
aplicada e essas proteínas irão migrar de acordo com a sua carga efetiva. Como uma 
proteína globular, suas cargas se encontram na superfície se comportando como uma 
partícula que: se carregada positivamente, migra para o polo negativo e vice-versa. A 
velocidade dessa migração para um polo é proporcional à carga delas e ao 
pesomolecular (relação carga/massa). Essas proteínas são coradas e passam por um 
aparelho chamado densidômetro que vai medir a densidade da luz que passa através 
dessas bandas coradas e então é 
possível observar a quantidade 
de cada proteína. Quanto mais 
intensa e mais larga for a banda 
menos luz passa ou seja, quanto 
mais escuro, maior a quantidade 
de proteínas. 
Diferença entre soro e plasma: o plasma 
possui fibrinogênio. 
Junto com os glóbulos vermelhos, os glóbulos 
brancos e as plaquetas, o plasma é um dos 
componentes do sangue 
Pelo plasma circula uma substância chamada 
fibrinogênio, que conta com a propriedade de 
se converter em fibrina quando se produz a 
rotura de um vaso e as plaquetas atuam para 
formar um tampão plaquetário. É então 
quando esta substância e as suas propriedades 
coagulantes se convertem em fibrina, uma vez que é insolúvel. Chegados a este ponto, o plasma 
sem fibrinogênio passa a ser soro. 
Bioquímica – Bloco III 
Resumindo: O plasma contém soro e fatores de coagulação, uma vez que se eliminam os 
coagulantes como a fibrina, este líquido converte-se em soro. 
Enzimas plasmáticas 
Liberadas normalmente na renovação tecidual e em quantidades 
circulantes normais em indivíduos sadios. Em situações patológicas, 
principalmente relacionadas a um tecido específico, essas enzimas são 
liberadas em quantidades aumentadas e com isso é possível 
determinar a patologia tecidual. Em indivíduos com proliferação 
aumentada (câncer), também há esse aumento nessas enzimas. 
 
 
 
Hemostasia 
Compreende mecanismos que tem 
como finalidade interromper o 
sangramento. Sabemos que, 
fisiologicamente, ocorrem lesões 
teciduais, rompimento de vasos 
sanguíneos, mas que são logo corrigidos 
a partir da formação de coágulos (conter 
sangramento) e recuperação tecidual. 
Atua em equilíbrio com dois 
mecanismos: um que responsável pela 
interrupção da coagulação (controla 
sangramento) e dissolução do coágulo 
(evita formação de trombos que poderiam impedir a circulação sanguínea). 
Tempo de sangramento: 2 a 10 minutos 
 
Lesão 
parcial ou 
total do 
vaso 
Adesão 
plaquetária 
Ativação do 
fibrinogênio 
Formação 
da rede de 
fribrina 
Bioquímica – Bloco III 
Esse mecanismo cria um tampão que impede o sangramento do vaso até que ele seja 
reparado.Existem dois tipos de tampões hemostáticos: primário, formado pela agregação das 
plaquetas e um coágulo de fibrina frouxo (produto da formação de agregados de fibrina) que não 
tem tanta força para conter o sangramento; secundário, gerado depois que a fibrina forma 
ligações cruzadas catalisadas por fatores de coagulação. 
Quando não temos uma lesão, as células endoteliais estão sempre formando fatores que 
impedem a ativação plaquetária, liberam fatores que estimulam a fibrinólisee fatores que inibem 
a cascata de coagulação. Essas células sintetizam esses elementos que vão impedir a formação de 
coágulos. 
Na matriz subendotelial existem fatores que estimulam essas cascatas de coagulação: superfície 
aniônica e o fator tecidual; e os fatores que ativam as plaquetas: presença de colágeno e fator de 
vonWillebrand. 
 
Plaquetas 
- 4.000 plaquetas são liberadas por cada 
megacariócito. 
- No sangue,as plaquetas tem forma de disco 
plano, mas quando estão ativadas elas ficam 
esféricas e apresentam pseudópodes. 
- Apresentam glicoproteínas integrais de membranaque vão se ligar a esses componentes da 
matriz subendotelial -colágeno e fator de vonWillebrand – e vão se ativando e agregando na região 
de lesão do vaso, formando o tampão primário. 
- A adesão das plaquetas a matriz subendotelial vai ativar essas plaquetas que irão mudar sua 
conformação. Além disso, acontece a exposição de receptores de membrana (IIb/IIIa) pra ligação 
do fibrinogênio. Esses fatores irão estimular a adesão plaquetária e a ativação do fibrinogênio. 
- A plaqueta ativada secreta fatores que irão auxiliar tanto no processo de coagulação quanto na 
recuperação vascular: fator de crescimento endotelial (ajuda a vasoconstrição provocada pela 
formação do tromboxano), ativação do fibrinogênio, Cálcio (importante na ativação de fatores da 
cascata de coagulação), entre outros. 
Etapas de formação da rede de fibrina 
Bioquímica – Bloco III 
Ambas as vias, intrínseca e extrínseca irão levar 
a formação de um produto comum: fator X 
O fator x irá seguir uma via comum levando a 
formação da rede de fibrina. 
Todos os componentes necessários que 
participam da via intrínseca estão presentes no 
sangue. Ela se dá por: 
- Contato com uma superfície com carga 
negativa (fosfolipídios de membrana) 
- Complexo de precalicreína 
- Cininogênio de alto peso molecular (ativa fator 
XII). 
 
 
Normalmente esses fatores, estão na forma de zimogênios. 
A ativação de cada um deles, leva a ativação do fator seguinte da cascata. Por exemplo, 
precalicreína é ativada pela ligação com a superfície aniônica -> complexo calicreína + cininogênio 
ativam fator XII -> que ativam fator XI -> que ativam fator IX na superfície celular (ligação do fator 
IX com fosfolipídio é favorecida pelo Ca²+) -> fator IX ativado pode então, junto ao fator VIII, ativar 
fator X (também ativado na superfície celular). 
Obs.: Prof não quer que a gente grave os números dos fatores, apenas saber que ambas as vias 
levam a ativação do fator X. 
Numa estrutura de vidro, por exemplo, tubo de coleta de sangue, podemos ter a formação de um 
coágulo pois essa superfície é aniônica e funciona como uma membrana com fosfolipídios 
ativando a cascata de coagulação. O uso de anticoagulante impede a formação de coágulos ao se 
fazer coleta para hemograma completo. 
Na via extrínseca, há a ativação do fator VII na superfície celular pelo fator tecidual que é liberado 
na matriz subendotelial. Fator VII ativado é capaz de ativar fator X também na superfície celular. 
Na via comum, o fator X juntamente com fator V, Ca2+ e a 
ligação na superfície celular são capazes de ativar a 
protrombina em trombina. 
Trombina ativa fibrinogênio pra gerar a fibrina que forma 
inicialmente o tampão primário. O fator XIII faz reações 
cruzadas formando um emaranhado que compõe a rede 
de fibrina gerando o tampão secundário. 
Bioquímica – Bloco III 
Alguns fatores são ativados na superfície celular e o Ca2+ faz uma ponte entre o fator de 
coagulação e o fosfolipídio (na lesão celular acontece a exposição da fosfatidilserina que tem carga 
negativa). Essa ponte é necessária pois tanto o fator a ser ativado quanto a membrana da célula 
tem uma carga negativa. Os fatores de coagulação sofrem uma modificação da sua estrutura pela 
gama carboxilação que é a formação do resíduo gama carboxiglutâmico (Gla). 
Carboxilação: carboxila é introduzida pela enzima carboxilase no resíduo de ácido glutâmico 
formando o resíduo Glanuma modificação pós-traducional no processo de síntese desses fatores.A 
vitamina K atua como co-fator para a enzima carboxilase. 
 
 
A 
vitamina K em forma original, ou seja, reduzida (KH2) 
atua como co-fator essencial para o processo da gama 
carboxilação dos fatores de coagulação. Neste processo, 
a KH2 (hidroquinona) é oxidada a epóxi-vitamina K e a 
seguir retorna a KH2 pela ação de duas redutases, 
completando o ciclo da vitamina K. A varfarina inibe a 
ação das duas redutases, reduzindo a quantidade de vitamina KH2 disponível, limitando o processo 
de carboxilação 
 
Os fatores que possuem resíduo Gla são: protrombina, fatores X, IX e VII. Algumas proteínas como 
as proteínas C e S que são anticoagulantes fisiológicos também possuem esse resíduo. 
Obs.: Se o fator não tiver esse resíduo Gla não poderá ser ativado na superfície celular 
comprometendo a coagulação. 
Obs2.:Existe também uma interrelação dessas vias: o fator XII ativado (intrínseca) pode ativar o 
fator VII (extrínseca); fator VII (extrínseca) pode ativar fator IX (intrínseca). 
Obs3.: a trombina é liberada inicialmente e num segundo momento ela é capaz de ativar ainda 
mais fatores, intensificando a coagulação. 
Hemofilia 
Há o comprometimento da cascata de coagulação devido a uma deficiência na produção de 
fatores de coagulação nesses indivíduos. A mais comum é a deficiência do fator VII chamada 
Bioquímica – Bloco III 
hemofilia A e a hemofilia B é caracterizada pela deficiência do fator IX. Ambas as deficiências são 
herdadas e apresentam diferentes graus de distúrbios hemorrágicos.Está sendo pesquisada a 
inibição de um anticoagulante o que parece melhorar a coagulação nesses pacientes. 
Mecanismos que controlam a coagulação 
Esses mecanismos impedem a formação de coágulos de forma descontrolada, de forma que ocorra 
um equilíbrio entre a síntese e a degradação. São dois mecanismos: de interrupção da coagulação 
e de dissolução do coágulo. 
Interrupção da coagulação 
- sistema trombomodulina, 
proteína C e proteína S: 
*obs.: as ptns C e S possuem 
resíduo Gla e precisam ser 
ativadas na superfície celular. 
A ligação da trombina a 
trombomodulina (proteína 
transmembrana de células endoteliais) forma um complexo que ativa a proteína C que vai ativar a 
proteína S (na superfície da plaqueta) e estas formarão um complexo com a proteína S na 
superfície das plaquetas destrói os fatores VIIIa E Va. Além disso este complexo também estimula 
as células endoteliais a produzirem prostaciclinas que é um inibidor da agregação plaquetária. 
- sistema antitrombina III: 
A antitrombinaIII é uma proteína do 
sangue capaz de se ligar a trombina 
ativada através de um resíduo de arginina 
inativando irreversivelmente uma 
molécula de trombina. A arginina da 
antitrombina se liga ao resíduo serina da 
trombina. Uma vez inativada a trombina 
não pode converter fibrinogênio em fibrina e consequentemente não há formação e coágulo. A 
antitrombina III também inativa os fatores IXa e Xa 
Dissolução de coágulo (fibrinolíse) 
Uma vez reparado o vaso não necessita mais do coágulo para 
impedir que o sangue extravase... assim, o coágulo é dissolvido 
por degradação de fibrina pela enzima plasmina. A plasmina é 
secretada pelos tecidos sob a forma inativa de plasminogênio. As 
células endoteliais secretam a proteína ativadora do 
Bioquímica – Bloco III 
plasminogênio tecidual (t-pa) que ativa plasminogênio em plasmina. O resultado final é a 
degradação do coágulo de fibrina. 
Inibidores de plasminogênio: PAI-1inibe o ativador (t-pa) impedindo a conversão de plaminogênio 
em plasmina; Alfa2-antiplasmina inibe a ação do plasminogênio. 
Existem anticoagulantes sintéticos: 
EDTA (sintético) é muito pouco utilizado como anticoagulante na coleta de sangue pois ele quela o 
cálcio. Juntos eles formam um complexo de coordenação com o cálcio IRREVERSÍVEL e impede que 
esse cálcio fique livre dessa forma todos os fatores que precisam do cálcio para fazerem a ponte 
com a superfície celular não são ativados. 
O citrato é utilizado fisiologicamente em transfusõesde sangue por exemplo. O citrato vai 
formar o mesmo complexo com o cálcio porém de forma reversível. O sangue será recolhido 
numa bolsa com citrato e administrado no paciente. Como ele é um componente normal do 
organismo ele vai ser metabolizado e o sangue vai se tornar útil para quem o recebeu 
Inibidores da síntese de tromboxano: ácido acetilsalicílico (aintiinflamatórionão-esteroide). Na 
resposta inflamatória a fosfolipase cliva o ácido aracdônico presente nos fosfolipideos de 
membrana e a cox-1 catalisa a formação de prostagladinas, tromboxano a partir deste ácido graxo. 
O ác. acetilsalicílico tem uma estrutura que compete com o ác. Aracdônico pela cox-1 inibindo a 
síntese de tromboxano 
Análogos da vitamina K: inibidores competitivos da enzima oxi-redutase impedindo a recuperação 
da estrutura original da vitamina K e formação dos resíduos gla (ex.: varfarina) 
Heparina: se liga a antitrombina potencializando seu efeito de inibidor de trombina.

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