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Brasília-DF. 
Química Forense – Procedimentos Para 
Perícias, controles de Qualidade e 
elaboração de laudos e 
Pareceres técnicos
Elaboração
Kalya Cravo Di Pietro Roux
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APrESEntAção ................................................................................................................................. 5
orgAnizAção do CAdErno dE EStudoS E PESquiSA .................................................................... 6
introdução.................................................................................................................................... 8
unidAdE i
LegisLação ....................................................................................................................................... 11
CAPítulo 1
CriminoLogia ..................................................................................................................... 11
CAPítulo 2
ConCeitos fundamentais .................................................................................................. 18
CAPítulo 3
tipos de deLitos ................................................................................................................... 30
unidAdE ii
QuímiCa forense .............................................................................................................................. 34
CAPítulo 1 
a CiênCia QuímiCa forense ............................................................................................... 34
CAPítulo 2
preparação e Cuidados das amostras para anáLise ..................................................... 47
CAPítulo 3
extrações ........................................................................................................................... 51
CAPítulo 4
Cromatografia .................................................................................................................. 59
CAPítulo 5
padrões anaLítiCos ............................................................................................................ 68
unidAdE iii
VaLidações e ControLe da QuaLidade em QuímiCa anaLítiCa ..................................................... 70
APítulo 1
VaLidação ........................................................................................................................... 70
CAPítulo 2
Quimiometria ....................................................................................................................... 76
unidAdE iV
períCias JudiCiais e ambientais ........................................................................................................ 79
CAPítulo 1
períCias JudiCiais ................................................................................................................ 81
CAPítulo 2
períCias ambientais ............................................................................................................. 86
unidAdE V
eLaboração de Laudos e pareCeres téCniCos ............................................................................ 90
CAPítulo 1
Laudos periCiais .................................................................................................................. 90
CAPítulo 2
pareCeres téCniCos ......................................................................................................... 106
CAPítulo 3
modeLo de Laudo/pareCer téCniCo de aVaLiação para imóVeis urbanos e bens 
móVeis .............................................................................................................................. 116
rEfErênCiAS ............................................................................................................................... 121
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para 
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
7
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
introdução
O crime sempre existiu e, com o passar do tempo, a sociedade revelou a necessidade 
de estudá-lo: como pensa o criminoso? A vítima? Como acontecem os crimes? Como 
pensarmos e anteciparmo-nos aos criminosos? E tudo o que pode estar envolvido nessa 
situação. Pois esse é o trabalho em conjunto dos pesquisadores, polícia judiciária e 
magistrados, ou seja, terem o encargo não só do entendimento e elucidação do que já 
aconteceu, mas também de prevenir que outros crimes ocorram da mesma maneira. 
Essa é uma tarefa da disciplina de criminologia, estudar o crime e todos os seus 
envolvidos, trabalhar no controle social do delito, e fornecer mecanismos e sanções 
sociais que pretendem submeter o indivíduo aos modelos comunitários.
Já a criminalística se ocupa dos conhecimentos técnicos imprescindíveis para a 
elucidação dos crimes, para se chegar aos autores, colhendo e interpretando os vestígios, 
fornecendo provas para que o magistrado examine e julgue os processos criminais.
Para fornecer as provas técnico-científicas, a criminalística utiliza de todo o conhecimento 
técnicodisponível: seja nas áreas da química, física, biologia, engenharia, geologia, 
geografia, medicina, odontologia, entre tantas outras áreas do conhecimento científico. 
Fica sob a responsabilidade do perito facilitar a compreensão do julgador, estando 
atento a todos os detalhes para que o magistrado profira sua decisão, sem que cometa 
um julgamento com uma convicção errônea, para tanto é necessária a elaboração de 
elementos materiais para construção de provas concretas.
Cabe ao perito criminal ou judicial prover elementos materiais para a elucidação dos 
crimes. O trabalho do perito envolve ir ao local do crime, coletar os vestígios, analisar 
as amostras, realizar os exames e, por fim, elaborar o laudo pericial com as informações 
e conclusões baseadas em dados técnicos.
A química forense tem grande papel nos esclarecimentos dos crimes, pois abrange uma 
extensa gama de exames, tais como: detectar e quantificar poluentes em águas, verificar 
adulteração de combustíveis, identificar se houve envenenamento, saber qual o tipo de 
veneno, análises de doping esportivo, realizar exames de constatações provisórias e 
definitivas de entorpecentes (seja, maconha, crack, cocaína, LSD, cola, anfetaminas ou 
qualquer outra droga natural ou sintética) etc.
Como coletar uma amostra ou vestígio? O que é cadeia de custódia? São procedimentos 
que o perito precisa dominar e seguir para que não invalide a prova pericial. Manter 
9
a cadeia de custódia é fundamental para que os exames sejam levados a sério. E não 
somente os exames, mas que desde a coleta seja realizada de forma correta.
A necessidade de se observar as normas de coleta para garantir o estabelecimento do 
nexo causal nos casos (por exemplo) de contaminação de alimentos, ou seja, para que se 
possa garantir que a contaminação ocorreu no local da apreensão e não foi decorrente 
dos procedimentos adotados durante a coleta e armazenamento inadequados do 
material apreendido. Por isso, a apreensão desses materiais deve ser realizada por 
profissionais da área, como os agentes sanitários ou peritos criminais, desde que 
capacitados e treinados.
Este Caderno de Estudos traz um apanhado de ideias que vão desde a criminologia e o 
estudo do crime até as maneiras corretas de coletar os vestígios e exemplos de laudos 
periciais.
objetivos
 » Conceituar e diferenciar a criminologia e a criminalística. 
 » Trazer os conceitos fundamentais que estão envolvidos nos processos 
criminais: o crime, o criminoso, o corpo de delito, os locais de crimes, 
os vestígios, as provas criminais etc.Elencar as principais legislações que 
regem a perícia em nosso país. 
 » Mostrar como funcionam os trabalhos do perito criminal de campo e de 
laboratórios. 
 » Diferenciar a perícia criminal, a perícia judicial e a perícia ambiental. 
Explicar as principais técnicas de análises químicas utilizadas para os 
exames forenses. 
 » Dar exemplos de laudos periciais na área criminal.
10
11
unidAdE ilEgiSlAção
Nesta unidade, serão apresentadas uma breve abordagem sobre criminologia e as 
previsões legais da perícia criminal. Serão abordados os conceitos de direito e prova 
criminal. Vestígio, indício e evidência e suas diferenciações.
CAPítulo 1
Criminologia
A criminalidade urbana, desde a Revolução Industrial, que ocorreu no século XVIII, 
vem aumentando em decorrência do aumento do deslocamento da produção de riqueza 
do campo para a cidade. Junto com a urbanização acontecem os reflexos econômicos e 
sociais.
De modo geral, a urbanização tem gerado exclusão social, crise habitacional, segregação 
espacial, violência urbana e degradação ambiental.
Excesso populacional e a má distribuição das pessoas acarretam inúmeros problemas 
urbanos, como ineficiente gestão hídrica, falta de saneamento básico, bolsões de 
pobreza, poluição e agressão ao meio ambiente.
A criminologia surge nesse contexto e Molina (2002) a define como:
Uma ciência empírica e interdisciplinar, que se ocupa do estudo 
do crime, da pessoa do infrator, da vítima e do controle social do 
comportamento delitivo, e que trata de subministrar uma informação 
válida, contrastada sobre a gênese, dinâmica e variáveis principais 
do crime – contemplando este como problema individual e como 
problema social –, assim como os programas de prevenção eficaz do 
mesmo e técnicas de intervenção positiva no homem delinquente 
(MOLINA, 2002). 
12
UNIDADE I │ LEgIsLAção
Posto isso, são objetos de estudo da Criminologia, o crime, o criminoso, a vítima e o 
controle social do delito, que é o conjunto de mecanismos e sanções sociais que pretende 
submeter o indivíduo aos modelos comunitários. 
Tendo a ciência que estuda o crime – a criminologia – existe a outra face, a perícia 
oficial, que caminha junto e que trabalha para o esclarecimento dos crimes e julgamento 
dos envolvidos.
Criminalística
A criminalística é considerada uma disciplina nascida da Medicina Legal, que é quase 
tão antiga quanto a própria humanidade. Uma vez que em épocas passadas o médico era 
pessoa de notório saber, sendo sempre consultado. No século XIX era a medicina legal 
que tratava da pesquisa, da busca e da demonstração de elementos relacionados com a 
materialidade do crime. Mas com os avanços dos diversos ramos das ciências, como a 
Química, a Biologia e a Física, houve a necessidade de uma maior especialização, o que 
fez com que outros profissionais passassem a ser consultados.
Desse modo, surge a necessidade da criação de uma nova disciplina para a pesquisa, 
análise e interpretação de vestígios encontrados em locais de crimes. Nasce assim a 
criminalística, uma ciência independente que vem dar apoio à polícia e a justiça, tendo 
como objetivo o esclarecimento de casos criminais.
Nesse sentido, a criminalística baseia-se no fato de que um criminoso deixa no lugar do 
crime, alguns vestígios, e por outro lado também recolhem na sua pessoa, na sua roupa 
e no seu material, outros vestígios, e todos eles imperceptíveis, mas característicos da 
sua presença ou da sua atividade (princípio de Locard).
A criminalística ocupa-se fundamentalmente em determinar de que forma se 
cometeu o delito e quem o cometeu, também abrange interrogações: “Como?”, “Por 
quê?”, “Quem?”, que instrumentos foram utilizados, “Donde?”, “Quando?”, ou seja, a 
criminalística utiliza uma série de técnicas, procedimentos e ciências que estabelecem 
a verdade jurídica acerca do ato criminal.
Postulados da criminalística
Entre os principais postulados da criminalística, destacam-se:
 » O conteúdo de um laudo pericial criminalístico é invariante com relação 
ao perito que o produziu: a criminalística baseia-se em leis naturais, ou 
13
LegisLação │ UNiDaDe i
seja, leis científicas com teorias e experiências consagradas, portanto, seja 
qual o profissional que se utilizar de tais leis para analisar um fenômeno 
criminalístico, o resultado não poderá depender dele, indivíduo. 
 » As conclusões de uma perícia criminalística são independentes dos meios 
utilizados para alcançá-las: utilizando-se os meios adequados para se 
concluir a respeito do fenômeno criminalístico, esta conclusão, quando 
forem reproduzidos os exames, será constante e independente de se haver 
utilizados meios mais rápidos, mais precisos, mais modernos ou não. 
 » A perícia criminalística é independente do tempo: este postulado decorre 
da perenidade da verdade, pois a verdade é imutável em relação ao tempo 
decorrido.
A perícia oficial é atrelada a uma investigação policial, realizada pela polícia judiciária, 
sendo assim, necessita de previsão legal para realização dos seus trabalhos. A previsão 
legal federal da perícia criminal, está elencada abaixo, com os trechos da Constituição 
Federal, do Código de Processo Penal e a da Lei 12.030/2009 dasperícias oficiais. 
A função da perícia é examinar o local de crime, efetuar os levantamentos de vestígios 
e indícios, determinar os instrumentos do crime, a maneira como o crime foi cometido, 
elaborar o laudo pericial e por fim, produzir a prova. 
No Brasil, a perícia oficial de natureza criminal federal é parte integrante da Polícia 
Federal. Já no âmbito estadual, divide-se em dois grupos: os que fazem parte da Polícia 
Civil e os que possuem estrutura própria (Instituto de Criminalística ou de Instituto 
Geral de Perícias, por exemplo), em todos os casos, vinculadas à Secretaria de Segurança 
Pública do estado.
A Contituição Federal versa sobre a Segurança Pública, e os órgãos da polícias:
 » Polícia Federal.
 » Polícia Rodoviária Federal.
 » Polícia Ferroviária Federal.
 » Polícias Civis. 
 » Polícias Militares.
 » Corpos de Bombeiros Militares.
14
UNIDADE I │ LEgIsLAção
Cada estado da Nação dispõe em sua Constituição Estadual a organização e o 
funcionamento dos seus órgãos de segurança pública e, por meio de leis complementares 
e decretos, disciplinam sobre as carreiras das polícias civil e militar e das perícias oficiais 
de natureza criminal. 
Leia o Artigo 144 da Constituição Federal e esclareça a previsão legal sobre a 
Segurança Pública em nosso país.
A perícia criminal é regulamentada pelo Decreto-lei Federal no 3.689, de 3 de outubro 
de 1941, denominado Código de Processo Penal, ou CPP. Com o passar dos anos o 
CPP necessitou de atualizações o que foi atendido pela Lei Federal no 8.862 de 28 de 
março de 1994.
A Lei no 12.030 de 17 de setembro de 2009 dispõe sobre as normas gerais das perícias 
oficiais de natureza criminal e dá outras providências.
O Código de Processo Penal prevê a atuação dos peritos oficiais e especifica em seu 
Artigo 6o os procedimentos da autoridade policial quanto à perícia criminal, ao tomar 
ciência de práticas ilícitas, ou seja, a autoridade policial deverá dirigir-se até o local, 
providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada 
dos peritos criminais. E proceder com a apreensão de objetos, colher provas e oitivas.
figura 1. regras e legislação.
fonte: <https://pixabay.com/pt/regras-palavra-nuvem-1339917/>
* Leia a Lei no 12.030 de 17 de setembro de 2009 na íntegra:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12030.htm>
* Leia o Artigo 6o do Código de Processo Penal.
15
LegisLação │ UNiDaDe i
O Título VI do Código de Processo Penal aborda os meios de prova existentes, o exame 
do corpo de delito e perícias em geral. Ou seja, os meios úteis para a formação da 
verdade real. 
Para que o perito criminal saiba como atuar em seu trabalho, saiba o que é necessário 
para obter provas do fato ilícito, é necessário o conhecimento das leis que o normatizam.
A perícia criminal abrange duas áreas: 
I. o trabalho de campo, que envolve ir ao local do crime para coletar indícios 
para produção das provas; 
II. o trabalho em laboratório, que envolve analisar os materiais coletados 
em campo.
Para que as provas, tanto as coletadas em campo quanto as análises de laboratórios, 
não sejam invalidadas, é necessário que haja uma normatização para os procedimentos 
de coletas e análises. As normas existem no âmbito federal e estadual, assim como a 
legislação. 
direito e provas criminais
Para apurar o fato delituoso, aparece a prova criminal, sendo preciso reconstruir o fato 
ilícito. Os fatos vão surgir, assim como as afirmações, então é preciso demonstrar que 
esses fatos existem, aí é que entra a prova. Ou seja, um elemento que demonstra que 
o fato é verdadeiro, é tudo aquilo que contribui para a formação do convencimento 
do juiz.
Alguns conceitos são essenciais para o entendimento da elaboração da prova concreta, 
tais quais:
 » Finalidade da prova: a prova deve ser capaz de influenciar na convicção 
do julgador, de maneira que ele tenha em mãos os elementos necessários 
para proceder com o julgamento mais próximo da realidade.
 » Elemento de prova: expressão usada para o elemento que reside a 
convicção do julgador, é a prova produzida. Depoimento de testemunha, 
perícia, interrogatório do réu.
 » Meio de prova: é a maneira por meio da qual a prova é colocada no 
processo. Prova testemunhal, perícia, interrogatório, confissão, entre 
outros.
16
UNIDADE I │ LEgIsLAção
 » Fonte de prova: é o local, pessoa, coisa, de onde deriva a prova. 
 » Objeto de prova: tudo aquilo que diz respeito à prática infração penal e 
suas circunstâncias. Tudo que seja importante ser recriado.
Fatos insignificantes para apuração do crime não será objeto de prova. Ou seja, não 
precisam ser provados os fatos chamados axiomáticos (evidentes, de conhecimento 
geral) não é preciso provar por conta da sua evidência; os fatos notórios; as presunções 
legais (a lei presume). Lembrando que existem duas modalidades de presunções legais, 
a presunção absoluta e a presunção relativa. A presunção legal absoluta não admite 
prova em contrário, é taxativa. Já a presunção legal relativa, dependendo do caso 
concreto, pode receber prova em contrário. 
Em seu livro, Manzano (2011, p. 8), descreve a perícia criminal como meio de prova:
Perícia é um meio de prova técnica ou científica, que tem por objetivo a 
obtenção de certo conhecimento relevante para o acertamento do fato 
(elemento de prova), a partir de um procedimento técnico realizado sobre 
a pessoa ou coisa (fonte de prova). A conclusão do técnico ou profissional 
(conclusão probatória) é expressa num laudo (elemento de prova), que 
tem por finalidade (finalidade da prova) influir na formação da persuasão 
racional do juiz, em seu processo cognitivo de valoração (valoração da 
prova). A perícia sujeita-se às fases de admissão e assunção, que compõem 
o chamado procedimento probatório (MANZANO, 2011, p. 8). 
Segundo a classificação de Paulo Rangel (2013, p. 456), a prova pericial pode ser de dois 
tipos: prova real e prova material.
Prova real é aquela originada dos vestígios deixados pelo crime. 
Ou seja, é a prova encontrada na “res”, não necessariamente no objeto 
material do crime, mas, sim, em qualquer coisa que tenha vestígios do 
crime. Assim, o ferimento na vítima, o arrombamento da fechadura 
no furto, a roupa ensanguentada da vítima, o sangue na parede onde 
o fato ocorreu e a faca do crime são exemplos de prova real. Pode ser, 
também, direta ou indireta. Prova real direta existe quando a análise 
recai sobre a própria coisa. Exemplo é a carta utilizada para difamar 
alguém. Nesse caso, o escrito é a comprovação do próprio fato em si: a 
difamação. Prova real indireta há quando se chega ao fato probando por 
meio de raciocínio lógico (RANGEL, 2013, p. 456). 
17
LegisLação │ UNiDaDe i
E a prova material é aquela consistente em qualquer materialidade que sirva de 
elemento de convicção sobre o fato a ser provado. São eles os exames de corpo de delito, 
as perícias e os instrumentos utilizados pelo crime.
Por conta de todo processo jurídico o perito necessita conhecer a legislação para nortear 
sua conduta no desenrolar da lide. Lembrando que o perito norteia suas investigações 
utilizando normas, leis, decretos, portarias etc., mas não atribui culpa a nenhuma das 
partes: quem atribui a culpa é o juízo por meio da decisão do magistrado.
<https://jus.com.br/artigos/21391/a-cadeia-de-custodia-e-a-prova-pericial>
18
CAPítulo 2
Conceitos fundamentais
Primeiramente faz-se necessário elencar alguns conceitos fundamentais necessários 
para o entendimento do processo de reconstrução do fato ilícito, são eles o local do 
crime, o corpo de delito, vestígio, evidência, indício.
O local do crime pode ser definido como todo o espaço físico onde ocorreu a prática 
da infraçãopenal. Duas definições são bem aceitas no aspecto criminalístico, uma delas 
é de Carlos Kehdy, que define como “toda área onde tenha ocorrido qualquer fato que 
reclame as providências da polícia”, já no entendimento de Eraldo Rabello:
Local de crime é a porção do espaço compreendida num raio que, 
tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, se estenda de 
modo a abranger todos os lugares em que, aparente, necessária ou 
presumivelmente, hajam sido praticados, pelo criminoso, ou criminosos, 
os atos materiais, preliminares ou posteriores, à consumação do delito, 
e com este diretamente relacionados. 
A expressão “local de crime”, apesar de admitir alguns sinônimos, como sítio da 
ocorrência, cena do crime, sede da ocorrência e local da ocorrência, tornou-se um termo 
técnico na visão da Criminalística atual.
É imprescindível o comparecimento ao local para que se inicie qualquer procedimento 
para o esclarecimento de um delito. A polícia deve verificar se realmente ocorreu o 
crime e a existência de vestígios, para então, requisitar os exames periciais.
Devido à infinidade de tipos de locais de crime que podem ocorrer, esses são classificados 
em diversas categorias, para facilitar a compreensão. 
Classificações dos locais de crime
Os locais de crime são classificados quanto à circulação de pessoas como locais:
 » Ermos: desertos, desabitados, abandonados.
 » Concorridos: habitados, próximos a pontos habituais de trânsito, 
afluência ou permanência de pessoas.
19
LegisLação │ UNiDaDe i
Quanto à preservação dos vestígios, os locais são:
 » Internos: limites definidos, cobertos e protegidos do meio.
 » Externos: descobertos e sem limitação.
 » Mistos: cobertura e limitação insuficientes na preservação dos vestígios.
Quanto à área em que ocorreu o delito, os locais são:
 » Abertos: locais ao ar livre.
 » Fechados: recinto delimitado, coberto e fechado, e esses podendo ser:
 › Móveis: no interior de veículos.
 › Imóveis: construções (isolados ou contíguos).
 » Mistos: início da ação delituosa em local fechado e continuidade da ação 
em local aberto, ou vice-versa.
Quanto à preservação do local, são locais:
 » Preservados (idôneos ou não violados): quando os locais são mantidos na 
integridade ou originalidade com que foram deixados pelo agente, após a 
prática da infração penal, até a chegada dos peritos.
 » Não preservados (inidôneos ou violados): quando são abertos ou 
franqueados à vista e acessível a todos, investigados, processados.
Quanto à delimitação:
 » Área imediata: região próxima ao foco principal do local que apresenta 
vestígios do fato. 
 » Área mediata: região afastada do foco principal do local que apresenta 
vestígios do fato.
local de crime prejudicado
São chamados de locais prejudicados aqueles em que os peritos não têm condições 
materiais de realizar o exame de corpo de delito, por terem os vestígios sido 
quantitativamente, plena e irreversivelmente destruídos.
20
UNIDADE I │ LEgIsLAção
isolamento do local de crime
Isolar o local de crime significa delimitar um perímetro que inclua todos os vestígios 
de interesse pericial, com o intuito de impedir a circulação de pessoas para que o local 
mantenha as características originais do momento final da ação delituosa.
Agora que o conceito de local de crime já foi exposto, aborda-se o corpo de delito. 
Corpo de delito
O artigo 158 do CPP é assim expresso: “quando a infração deixar vestígios, será 
indispensável o exame de corpo de delito*, direto ou indireto, não podendo supri-lo a 
confissão do acusado”, evidenciando de forma direta a importância e a relevância da 
perícia no contexto probatório
Então, o corpo de delito é conjunto de elementos materiais (pessoas e coisas), com 
todas as suas circunstâncias, que resultam da prática de um crime. É, assim, a prova 
material da existência do crime. Sob pena de nulidade de processos por “[...] falta do 
exame de corpo de delito nos crimes que deixem vestígios [...]” (Art. 564 CPP). Tornando 
obrigatória a atuação da Criminalística e da Medicina Legal para que através dos exames, 
da pesquisa, da análise, da interpretação e correlação dos vestígios possibilitar, como 
testemunhas mudas, a reconstituição de atos que ali se desenrolaram.
Vestígios, indícios e evidências
Os vestígios – são elementos materiais encontrados no local de crime não 
necessariamente relacionados com a ocorrência policial. 
Na compreensão técnica da Criminalística, são chamados de vestígios todos os tipos 
de objetos, marcas ou sinais sensíveis que possam ter relação com o fato investigado. 
É tudo encontrado em um local de crime que após o estudo e a interpretação dos peritos 
possa vir a se transformar em prova. Ou seja, são informações concretas que podem ou 
não ter alguma relação com o crime, relação esta comprovada por meio de análises e 
exames.
21
LegisLação │ UNiDaDe i
figura 2. fluxograma sintetizando o agente produtor do vestígio, o vestígio e o suporte do vestígio.
VESTÍGIO
produto da ação do agente
AGENTE
Produz o vestígio
SUPORTE
Local onde foi produzido o 
vestígio
fonte: própria autora.
As fotografias apresentadas a seguir trazem exemplos de vestígios, primeiramente 
dois objetos, um martelo e uma chave de fenda de tamanho grande, que podem ser 
os próprios vestígios, mas que produzem também vestígios, como por exemplo, um 
buraco na parede de alvenaria junto à grade metálica a fim de arrombar uma janela. E 
uma porta com marcas produzidas pela chave de fenda na região da fechadura, também 
com o intuito de arrombá-la. 
figuras 3 e 4. um martelo e uma chave de fenda de tamanho grande: agente provocador de vestígio.
fonte: acervo próprio, 2017.
22
UNIDADE I │ LEgIsLAção
figuras 5 e 6. os danos causados na parede e grade de uma janela e na região da fechadura de uma porta.
fonte: acervo próprio, 2017 e 2014.
As próximas duas imagens ilustram objetos e vestígios deixados no corpo humano, que 
são duas facas e as lesões causadas por elas no corpo de uma vítima.
figuras 7 e 8. facas e as lesões causadas por elas: vestígios.
 
fonte: acervo próprio, 2017.
tipos de vestígios
 » Vestígio verdadeiro: é aquele produzido diretamente pelos atores da 
infração e aquele resultante direto das ações do cometimento do delito 
em si.
 » Vestígio ilusório: é todo elemento encontrado no local de crime que 
não esteja relacionado às ações dos atores da infração e desde que sua 
produção não tenha ocorrido de maneira intencional.
 » Vestígio forjado: é todo elemento encontrado no local de crime, cujo autor 
teve intenção de produzi-lo, com o objetivo de modificar o conjunto dos 
23
LegisLação │ UNiDaDe i
elementos originais produzidos pelos atores da infração. Preocupação 
constante do perito em identificá-los adequadamente, para o correto 
exame do local.
indícios
O termo “indício” encontra-se explicitamente definido no artigo 239 do CPP, 
“Considera-se indício a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o 
fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias”.
São elementos materiais encontrados no local de crime necessariamente relacionados 
com a ocorrência policial.
Evidências
Na esfera da Criminalística, constitui uma evidência o vestígio que, após analisado pelos 
peritos, se mostrar diretamente relacionado com o delito investigado. As evidências 
são, portanto, os vestígios depurados pelos peritos.
Observamos que as evidências, por decorrerem dos vestígios, são elementos 
exclusivamente materiais e, por conseguinte, de natureza puramente objetiva.
A definição de indício adotada pelo CPP parece sinônimo do conceito de evidência. 
Contudo, a expressão “indício” foi definidapara a fase processual, portanto para um 
momento após a perícia, o que quer dizer que a palavra “indício” carreia consigo, além 
dos elementos materiais de que trata a perícia, outros de natureza subjetiva, próprios 
da esfera da polícia judiciária.
Neste contexto, cabe aos peritos transformar vestígios em evidências, enquanto aos 
policiais reserva-se a tarefa de, agregando-se às evidências informações subjetivas, 
apresentar o indiciado à Justiça.
Classificação dos vestígios
 » Quanto à duração, apresenta os seguintes aspectos:
 › Transitórios: desaparecem rapidamente após um lapso de tempo 
relativamente curto, como os vestígios de frenagem, lama, sangue, 
impressões papilares etc.
24
UNIDADE I │ LEgIsLAção
A figura 9 e a figura 10 ilustram duas situações em que o ato criminoso deixou um 
vestígio. A figura 9 mostra um vestígio de frenagem, alguns metros antes do ponto de 
um acidente de trânsito, e a figura 10 manchas de sangue em um local de homicídio. 
Ambos podem ser facilmente apagados ou por ação proposital (lavagem do local) ou 
mesmo pelo intemperismo (chuva, por exemplo).
figura 9. marca de frenagem em um acidente de trânsito.
fonte: acervo próprio, 2014.
figura 10. mancha de sangue em pavimento, que pode ser lavada e deixar de existir.
fonte: acervo próprio, 2014.
 › Permanentes: permanecem por tempo indeterminado, num espaço 
de tempo relativamente longo, como em relação aos sinais de 
arrombamento, vidros quebrados, amolgamentos em veículos, 
impressões digitais impressas, manchas de tinta etc.
A figura 11 ilustra uma impressão digital revelada com pó preto em uma superfície de 
vidro de uma janela, em um local de furto, no qual o suspeito do delito usou as mãos 
para abrir a referida janela e deixou impressões digitais no vidro. 
25
LegisLação │ UNiDaDe i
figura 11. impressão digital coletada em um local de crime e posteriormente impressa.
fonte: acervo próprio, 2015.
 » Quanto à natureza, classificam-se em:
 › Manchas: são marcas ou sinais que se apresentam sob a forma de 
crosta, mais ou menos tênue, aderidas em determinadas superfícies. 
São classificadas de acordo com a constituição da substância, como:
 · Orgânicas: sangue, esperma, suor, lágrimas, vômito, leite e colostro, 
muco, fezes, urina etc. 
 · Inorgânicas: lama e lodo, ferrugem, tintas, pólvora, pintura etc. 
A figura 12 ilustra um provável vômito em um local de furto. O indivíduo suspeito 
consumiu bebidas alcoólicas na residência e vomitou sobre a cama. O Vômito é uma 
mancha de composição orgânica.
figura 12. Vômito encontrado em um local de crime: material a ser coletado.
fonte: acervo próprio, 2014.
26
UNIDADE I │ LEgIsLAção
A figura 13 traz um muro pichado, as tintas utilizadas na pichação apresentam em sua 
composição exemplos de substâncias inorgânicas. 
figura 13. pichação: crime que deixou vestígio de tinta.
fonte: acervo próprio, 2015.
 » Impressões: são os vestígios que interessam pelo aspecto formal, 
destacando-se, principalmente, as impressões seguintes:
 › papilares;
 › dentárias;
 › ungueais (unhas);
 › labiais;
 › instrumentais;
 › pegadas.
 » ARMAS: reservam-se ao estudo das armas de fogo e das armas brancas.
As figuras 14, 15 e 16 mostram respectivamente, um revólver deixado em um local 
de homicídio, o tambor do mesmo revólver aberto com a posição das munições, e as 
cinco munições retiradas do revólver: três estojos de cartuchos com suas espoletas 
deflagradas, ou seja, que os projéteis foram disparados, e duas munições íntegras.
27
LegisLação │ UNiDaDe i
figura 14. arma de fogo: revólver encontrado em um local de homicídio, peça a ser analisada.
fonte: acervo próprio, 2016.
figura 15. arma de fogo: revólver encontrado em um local de homicídio, tambor contendo três munições com 
suas espoletas deflagradas e duas íntegras.
fonte: acervo próprio, 2016.
figura 16. munições retiradas do revólver: peças a serem analisadas.
fonte: acervo próprio, 2016.
28
UNIDADE I │ LEgIsLAção
 » Outros vestígios: referem-se ao estudo dos demais vestígios, como:
 › cabelos;
 › pelos;
 › poeira;
 › cinzas;
 › documentos etc.
 » Quanto ao comportamento, podem ser:
 › Perceptíveis: são os vestígios determinados pelos sentidos do ser 
humano. 
Por exemplo, a visualização das impressões ou dos objetos deixados no local de crime.
 » Imperceptíveis: são aqueles que devem ser revelados, pois, se encontram 
em estado latente. A revelação pode ser praticada por meios químicos, 
mecânicos, biológicos, físicos etc.
 » A série de figuras a seguir (17, 18 e 19) ilustra um cômodo de imóvel 
onde teria ocorrido um homicídio. Na primeira fotografia não é possível 
perceber a presença latente de sangue. E não se observa vestígios do 
homicídio.
Utilizando reagentes químicos, do tipo Luminol, pode-se revelar a presença do sangue 
latente no rejunte do piso do cômodo, o que é observado na segunda fotografia, feita no 
escuro. 
Uma montagem da primeira com a segunda fotografia é obtida e está ilustrada na 
terceira fotografia, que mostra melhor os locais que continham o sangue latente. 
Esse sangue latente nada mais é do que uma mancha de sangue que foi lavada após 
o crime, com o intuito de sumir com os vestígios do crime. E, desta forma, não 
pode ser visualizada a olho nu. Mas após aplicação do luminol, os resquícios de 
sangue que ficaram ipregnados no rejunte do piso, foram revelados e puderam ser 
observados.
29
LegisLação │ UNiDaDe i
figura 17. Cômodo de imóvel que ocorreu um homicídio: aparentemente sem vestígios.
fonte: acervo próprio, 2017.
figura 18. Cômodo de imóvel que ocorreu um homicídio: após utilização de Luminol os vestígios de sangue 
aparecem.
fonte: acervo próprio, 2017.
figura 19. montagem de fotografias para melhor ilustrar os vestígios de sangue revelados com Luminol.
fonte: acervo próprio, 2017.
30
CAPítulo 3
tipos de delitos
Inúmeros são os tipos de delitos que podem ocorrer em locais de crimes, uma vez que 
nem todo delito é previsível, ou mesmo é cometido de forma isolada. Os delitos são 
divididos basicamente em três grandes grupos, são esses:
 » crimes contra a pessoa;
 » crimes contra o patrimônio;
 » acidentes de trânsito.
Os crimes contra a pessoa compõem todos os delitos praticados contra a pessoa. 
Englobam desde uma simples tentativa de se cometer um delito contra a pessoa até a 
morte da mesma. 
Podemos citar alguns crimes contra a pessoa:
 » Homicídios:
 › lesões corporais;
 › aborto;
 › feminicídio;
 › infanticídio;
 › periclitação da vida e da saúde;
 › crimes contra a liberdade individual, entre outros.
Cabe ressaltar os casos de suicídio que, embora não se trate de ilícito penal, cabe 
realização de perícia neste tipo de local para a exclusão de delito (homicídio, por 
exemplo) dissimulado.
A figura 20 que segue ilustra um típico vestígio em casas de lesão corporal: manchas de 
sangue. Mesmo que não tenha ocorrido um delito mais grave, no caso um homicídio, a 
lesão corporal deixou vestígios, entre outros, as manchas de sangue.
31
LegisLação │ UNiDaDe i
figura 20. manchas de sangue decorrentes de lesão corporal.
fonte: acervo próprio, 2017.
Os crimes contra o patrimônio compreendem todos os delitos praticados cuja intenção 
do autor era a de obter, de forma ilícita, vantagem pecuniária ou patrimonial por 
intermédio da apropriação de objetos, bens ou valores. São crimes contra o patrimônio:
 » furto;
 » roubo;
 » extorsão;
 » usurpação;
 » dano;
 » apropriação indébita;
 » estelionato e outras fraudes;
 » receptação etc.
As quatro fotografias a seguir ilustram casos de crimes de furto, as duas primeiras 
referem-se a furto de equipamentode som instalado no painel do veículo, por meio 
de fratura do vidro do automóvel permitindo abertura da porta lateral direita a fim 
de retirar o aparelho de som. A terceira e quarta fotografias são de casos de furto em 
diferentes residências.
32
UNIDADE I │ LEgIsLAção
figuras 21 e 22. Caso de furto em veículo.
 
fonte: acervo prórpio, 2017.
figuras 23 e 24. dois casos de furto em residência.
fonte: acervo prórpio, 2017.
Os crimes decorrentes de acidentes de trânsito podem ser:
 » homicídio culposo na direção de veículo automotor;
 » lesão corporal culposa na direção de veículo automotor;
 » acidentes envolvendo embriaguez, fuga do local e condutor sem permissão 
para dirigir.
Vale ressaltar que suicídios e crimes de homicídios dolosos podem se consumar por 
meio do emprego de veículos automotores.
Dois casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais estão ilustrados nas fotografias 
a seguir. 
33
LegisLação │ UNiDaDe i
figura 25 e 26. acidentes de trânsito.
 
fonte: acervo prórpio, 2015 e 2016.
34
unidAdE iiquímiCA forEnSE
CAPítulo 1 
A ciência química forense
Química é o ramo da ciência que estuda as transformações que ocorrem entre os átomos 
e as moléculas, os estudos da estrutura das substâncias que compõem a matéria, 
identifica a reação entre a estrutura e as propriedades moleculares.
Química forense é a aplicação dos conhecimentos e dos métodos de análises químicas, 
qualitativa e quantitativa, aplicados na investigação das evidências, para resolver os 
problemas de natureza legal. E a palavra forense vem da palavra latina “forum”, que na 
Roma Antiga, era a praça central da cidade, na qual ficavam os prédios administrativos 
e de justiça.
A análise qualitativa estabelece a identidade química das espécies presentes em uma 
amostra. A análise quantitativa determina as quantidades relativas das espécies, ou 
analitos, em termos numéricos
Assim como a Química Analítica tem por finalidade encontrar a composição das 
amostras, a química forense também tem a mesma finalidade. Utilizam-se os mesmos 
equipamentos para as análises, porém enquanto a fonte é conhecida e existem amostras 
e controles definidos na química analítica, na forense nem sempre se conhece a fonte e 
as misturar são complexas e oferecem dificuldade em encontrar o controle adequado.
Técnicas clássicas e também sofisticadas como cromatografia, espectroscopia, 
espectrometria de massa, calorimetria, papiloscopia e termogravimetria são capazes 
de identificar a substância utilizada em um envenenamento, as impressões digitais de 
envolvidos em crimes, manchas orgânicas, tais como sangue, esperma, fezes e vômito, 
manchas inorgânicas, como lama, tinta, ferrugem e pólvora, e analisar evidências 
como fios de cabelo, peças de vestuário, entre outros vestígios encontrados em locais 
de crime.
35
Química Forense │ uniDaDe ii
Toda a Ciência Forense, não somente a Química Forense é baseada no Princípio da Troca 
de Locard, que pode ser assim enunciado “toda vez que dois objetos entram em contato 
existe uma troca de material de maneira que a substância de cada um é depositada 
no outro”, ou de forma mais direta “todo contato deixa um traço”. Edmond Locard 
(1877-1966) foi o pioneiro na Ciência Forense e ficou conhecido como o Sherlock 
Holmes da França.
Apesar de as investigações criminais serem o aspecto mais conhecido da química 
forense, ela não se limita a ocorrências policiais. O químico forense também pode 
dar seu parecer em decisões de natureza judicial, atuar em questões trabalhistas, 
como determinar se uma atividade é perigosa ou insalubre, detectar adulterações 
em combustíveis e bebidas, uso de drogas ilícitas, fazer perícias em alimentos e 
medicamentos e investigar o doping esportivo.
figura 27. relações entre a química analítica, outras áreas da química e outras ciências. 
Química
Analítica
Química
Bioquímica
Química 
Inorgânica
Química Orgânica
Físico-Química
Física
Astrofísica
Astronomia
Biofísica
Engenharia Civil
Química
Elétrica
Mecânica
Medicina
Química Clínica
Química Medicinal
Farmácia
Toxicologia
Ciência dos 
Materiais
Metalurgia
Polímeros
Estado SólidoCiências SociaisArqueologia
Antropologia
Fornse
Agricultura
Agronomia
Ciência dos 
Animais
Ciência da 
Produção
Ciência dos 
Alimentos
Horticultura
Ciência dos Solos
Ciências do
Meio Ambiente
Ecologia
Meteorologia
Oceanografia
Geologia
Geofísica
Geoquímica
Paleontologia
Paleontobiologia
Biologia
Botânica
Genética
Microbiologia
Biologia Molecular
Zoologia
fonte: skoog, West, Holler, Crouch, fundamentos de Química analítica – editora thomson, p. 3, 2002.
36
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
Procedimentos de coletas e controle de 
qualidade em química forense
Os procedimentos de coleta de amostras são padronizados e devem ser criteriosos para 
que a prova não seja invalidada.
A cadeia de custódia deve ser mantida desde a observação e coleta de um vestígio no 
local do crime, até o final das análises e o julgamento transitado em julgado.
O termo cadeia de custódia se refere à documentação fotográfica e escrita com o 
propósito de rastrear todas as operações realizadas com cada amostra desde sua coleta 
até o final das análises a que ela foi submetida. Assim como o laboratório deve ser hábil 
para demonstrar que tomou todas as precauções para prevenir a falsificação, quebra, 
perda ou contaminação da amostra.
A cadeia de custódia confere à amostra certificação de sua origem e destino e, 
consequentemente, cede ao laudo pericial resultante de sua análise, confiabilidade e 
robustez suficientes para conferir sua aprovação no elenco probatório.
As amostras ou materiais coletados podem ser de natureza biológica, química ou física. 
E podem apresentar-se na forma de material líquido, material seco ou material fixado 
em lâminas.
Pensando que o perito de local, trabalha em todos os locais de crime que ocorrem na 
rua, ou seja, desde homicídio, suicídio, acidentes de trânsito, até danos, furtos e outros 
crimes contra o patrimônio, é preciso estar preparado para coletar os mais diversos 
vestígios. 
Conforme foi descrito anteriormente, pode ser coletada uma mancha, uma impressão, 
ou mesmo um objeto, uma arma de fogo, uma roda de caminhão. Para que as coletas 
ocorram da maneira mais correta possível, são elaborados manuais de coleta e cadeia 
de custódia.
É impostante ter uma noção dos procedimentos, tanto para manter a saúde e segurança 
do perito, quanto a integridade e validade da amostra coletada.
materiais úteis para coletas
Em todo procedimento de coleta, deve haver preocupação no sentido de evitar 
contaminação externa, sempre proceder à identificação do vestígio de maneira 
apropriada que garanta o maior número de informações possíveis. Fotografar o local 
37
Química Forense │ uniDaDe ii
do crime antes da coleta para registrar cada vestígio coletado na posição e situação em 
que foram encontrados, informar o local em que ocorreu o fato ilícito e registrar a data, 
e a natureza da ocorrência. Os procedimentos a serem seguidos pelos órgãos policiais 
e periciais oficiais devem estar em consonância com os ditames da legislação em vigor.
Dessa forma, são úteis os materiais:
 » Luvas descartáveis: devem ser usadas uma única vez, tanto para proteção 
do perito, quanto para não contaminar as amostras coletadas.
figura 28. utilização de luvas para revelação e coleta de impressões digitais.
fonte: acervo próprio, 2017.
figura 29. utilização de luvas para coleta de estojo de munição de arma de fogo.
fonte: acervo próprio, 2017.
38
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
 » Suabe embalado individualmente: os suabes são utilizados para coletar 
amostras de fluidos, principalmente os biológicos(sangue, saliva, sêmen 
etc.). E quando embalados individualmente evitam ou diminuem os 
riscos de contaminações.
figura 30. suabe embalado individualmente.
fonte: <https://pixabay.com/pt/m%C3%a9dica-farm%C3%a1cia-a-doen%C3%a7a-342446/>
 » Cotonete estéril: o cotonete estéril tem a função similar ao do suabe.
 » Gaze estéril: o perito pode utilizar a gaze tanto para limpeza de alguma 
superfície que deseja examinar, quanto para coletar algum líquido ou 
mesmo sólido (poeira, cinza, etc.) que possa estar relacionado com o 
crime em questão.
 » Sacos plásticos de diferentes tamanhos: todo vestígio coletado deve ser 
acondicionado em embalagem, de preferência plástica, e vedada por lacre 
para ser encaminhado aos laboratórios especializados ou seguirem junto 
com o laudo pericial. E como não se sabe qual vestígio será coletado, os 
diferentes tamanhos de sacos plásticos são necessários.
 » Pipeta plástica estéril: pode ser utilizada para misturar reagentes químicos 
em uma análise de entorpecentes; para coletar líquidos e armazenar em 
potes vedados por tampa, entre outras serventias.
 » Tubos e potes plásticos com tampa: para coletar amostras de combustível 
com suspeita de adulteração. Para coletar amostras de bebidas com a 
mesma suspeita. Para coletar amostra de entorpecentes, solo contaminado, 
e outros vestígios que podem ser fracionados e armazenados em tubos e 
potes.
39
Química Forense │ uniDaDe ii
A figura 31 mostra combustível sendo coletado em frasco de plástico de cor âmbar.
figura 31. pote plástico sendo utilizado na coleta de combustível adulterado.
fonte: acervo próprio, 2015.
 » Pinça descartável: auxilia na coleta e manipulação dos vestígios, evitando 
o contato com o mesmo. Mesmo com a utilização da pinça é necessário 
utilizar luvas para coletas e análises forenses.
 » Tesoura descartável: os mais diversos usos nas práticas periciais.
 » Lâminas estéreis de bisturi: pode ser usado para remoção da roupa de 
um cadáver para realização de exame perinecroscópico feito no local dos 
fatos. Pode ser usado para fracionamento de uma peça de vestimenta 
para envio a laboratório específico, entre outros usos.
 » Sacos, envelopes e caixas de papel escuro de diferentes tamanhos: 
utilização semelhante aos sacos plásticos, porém para amostras úmidas 
e biológicas, pois o papel minimiza o problema de proliferação de 
microrganismos uma vez que possibilita a secagem gradativa da amostra. 
 » Etiqueta adesiva padrão: todo material embalado em envelope, saco ou 
tubo plástico deve ser etiquetado e identificado. Deve conter as principais 
informações sobre o caso: Delegacia requisitante, data, origem, destino, 
identificação do material, perito responsável, número do laudo pericial, 
entre outras informações pertinentes.
A figura 32 ilustra duas garrafas de plástico âmbar contendo duas amostras do mesmo 
combustível coletado. Uma das garrafas deve ficar no posto de combustível como 
contraprova. A outra garrafa deve ser enviada ao laboratório de Química para análises 
de adulteração de combustível.
40
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
figura 32. potes plásticos utilizados na coleta de combustível adulterado, vedados por tampa e etiquetados.
fonte: acervo próprio, 2015. 
 » Álcool 70%: pode ser utilizado na desinfecção dos utensílios que não são 
descartáveis e mãos do perito. 
 » Envelopes e sacos dotados de lacre: quando o saco já possui vedação por 
lacre facilita o trabalho do perito na embalagem dos vestígios coletados.
Um saco autolacrável contendo vestígios coletados em um local de crime está 
representado na fotografia da figura 33. Devidamente lacrado e identificado esta 
amostra segue para laboratório específico. 
figura 33. saco plástico próprio para embalagem de peça de crime dotado de lacre.
fonte: acervo próprio, 2016.
41
Química Forense │ uniDaDe ii
 » Lacres avulsos: na ausência de sacos dotados de lacre, utilizar lacres 
avulsos ara vedação dos mais diversos invólucros plásticos ou de papéis.
Nos procedimentos de acondicionamento, deve-se evitar contaminação por 
microrganismos, evitar contaminação por mistura de amostras e perda do vestígio.
Materiais biológicos: sangue, urina, saliva, sêmen, e outros.
figura 34. manchas de sangue.
fonte: <https://pixabay.com/pt/sangue-crime-horror-morte-mancha-18983/>
Amostras químicas: águas, bebidas, resíduos de incêndio, alimentos, entorpecentes, 
medicamentos, combustíveis, resíduos de disparo de arma de fogo, pesticidas e 
contaminantes, tintas, cosméticos, produtos de higiene e limpeza, entre outros.
Materiais para exames físicos: dispositivos e materiais para caracterização de forma, 
disposição, integridade, função, desempenho, atributos, propriedades ou estrutura; 
alterações, deformações, fraturas e secções em materiais diversos, para caracterização 
do agente; caracterização de materiais. 
Tendo em vista a diversidade de amostras e materiais que podem ser coletados, também 
é diversa a forma de coleta de cada um. 
Primeira regra básica é que todo material deve ser lacrado oficialmente pelo Perito ou 
pela Autoridade requisitante, um procedimento de segurança para o exame pericial e 
para a Justiça.
42
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
Coleta de amostras
Um procedimento importante antes da coleta de uma peça de crime é a realização 
de fotografia com a correta localização das peças encontradas. Garantindo, assim, a 
perpetuação da cena do crime e suas peças.
Sempre utilizar luvas e manusear o mínimo possível, acondiconar em invólucro 
apropriado e vedar com lacre numerado. Proceder com a identificação da peça, 
informando no invólucro a Data, a Delegacia de Polícia (DP) Requisitante, o Boletim de 
Ocorrência (B.O.), o número do lacre, o nome do Perito Criminal e o número do Laudo 
Pericial.
Para evitar contaminações:
 » isolar o local de crime;
 » recolher os vestígios biológicos primeiro;
 » usar luvas para cada vestígio coletado;
 » utilizar instrumentos estéreis e descartáveis;
 » não usar conservantes;
 » secar as amostras em temperatura ambiente;
 » guardar cada vestígio separado;
 » recolher o material e instrumentos descartáveis;
 » evitar tossir, comer, beber, fumar, falar sobre os vestígios.
Alguns tipos de contaminações podem ocorrer se as amostras forem:
 » preservadas úmidas: ocorre a proliferação de bactérias e fungos e 
degradação do material genético;
 » congeladas e descongeladas várias vezes;
 » expostas a luz (vale para material biológico).
Critérios de coleta
Em toda coleta de material em um local de crime, o Perito deve proceder com bom 
senso, uma vez que o que será coletado depende do seu discernimento para decidir o 
43
Química Forense │ uniDaDe ii
que pode ser de interesse para se fazer a correlação do material com o fato a ser apurado 
ou para a conclusão da sua perícia de levantamento de local realizado, e não, coletar 
aleatoriamente e sem nenhum critério tudo o que se encontrar no local.
Feita a coleta, o material deve ser encaminhado ao laboratório de química responsável 
pelas análises, sempre em invólucro lacrado e acompanhado de uma Requisição de 
Exame que deve conter informações básicas sobre o material coletado e sua natureza, 
um breve histórico do fato, e os quesitos a serem analisados. 
Os quesitos são importantes para contextualizar as análises, pois toda substância ou 
produto químico em si possui latente o risco potencial intrínseco à natureza química do 
mesmo, que só se manifesta quando do uso ou da aplicação incorreta. O que diferencia 
o efeito de determinada substância como remédio ou veneno é a dose e a finalidade da 
aplicação. Se for usada em porção correta e para a enfermidade indicada a substância é 
um remédio, entretanto, se usado em dosagem incorreta e para doença contraindicada 
torna-se veneno,letal ou não.
A Química Forense envolve coleta e análise de:
 » adulteração de combustíveis;
 » adulteração e falsificação de bebidas;
 » exames residuográficos (disparo de arma de fogo);
 » recenticidade de disparo em armas de fogo;
 » drogas/entorpecentes;
 » medicamentos na área toxicológica;
 » adulteração e falsificação de medicamentos;
 » dopping;
 » resíduos de incêndios;
 » aromas de alimentos;
 » pesticidas;
 » álcool no sangue;
 » tintas;
 » entre outras análises.
44
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
Coleta de combustível
De forma geral deve-se coletar duas amostras de um litro cada uma, uma para 
ser analisada no labortório e outra para ficar depositada com o averiguado como 
contraprova. De preferência essa coleta deve ser realizada em vasilhame de cor 
âmbar com tampa autolacrável, essa tampa é recomendada para garantir a cadeia de 
custódia do material, ou seja, o frasco é fechado no local com uma tampa com um lacre. 
Esse frasco é enviado para um laboratório que abrirá o frasco para analisar o combustível, 
assim com a tampa autolacrável garante-se que não houve manipulação do combustível 
antes de chegar ao laboratório.
Por que fica depositada uma amostra coletada com o averiguado como contraprova?
O posto de combustível averiguado “recebe” uma amostra coletada para, quando dos 
julgamentos, se houver questionamentos sobre as análises, há uma outra amostra, 
coletada no mesmo dia e nas mesmas condições armazenada com ele e pode ser também 
analisada.
figura 35. posto de gasolina abandonado.
fonte: <https://pixabay.com/pt/abandonado-sair-postos-de-gasolina-1641489/>
líquidos
Recomeda-se que sejam coletados em vasilhames providos de tampa, de modo a evitar 
vazamentos, identificados, embalados em invólucro vedado por lacre e acompanhados 
de informações sobre o histórico do fato e sobre o material a ser analisado.
Sólidos
De forma análoga aos líquidos, devem ser coletados em recipientes providos de tampa, 
de modo a evitar desperdícios, identificados, embalados em invólucro vedado por 
45
Química Forense │ uniDaDe ii
lacre e acompanhados de informações sobre o histórico do fato e sobre o material a ser 
analisado.
Exames residuográficos
Quando for uma peça de vestuário, esta deverá ser coletada íntegra e encaminhada seca 
para exames, embalada em invólucro vedado por lacre, identificado e acompanhado de 
informações sobre o histórico do fato e sobre o material a ser analisado.
Quando se tratar de coleta de material das mãos, poderá proceder com tiras de 
esparadrapos da seguinte forma: colar as tiras de esparadrapos nas mãos e dedos do 
averiguado, posteriormente colar as tiras em papel de filtro, identificar o nome do 
indivíduo e a mão de coleta (direita/esquerda), embalar em invólucro plástico vedado 
por lacre e identificado.
figura 36. disparo de arma de fogo.
fonte: <https://pixabay.com/pt/pistola-arma-alvo-crime-luta-2948729/>
resíduos de incêndio
Quando houver possibilidade de identificar o acelerante utilizado em incêndio, coletar 
o material suspeito de conter o acelerante, vedar para evitar perda do material volátil, 
embalar em invólucro plástico, identificar e vedar com lacre.
Preservação das amostras
Quando uma amostra é coletada no local do crime, ela vem de forma “crua”, ou seja, é 
preciso adequar a amostra coletada ao procedimento analítico a ser adotado, tendo em 
vista o equipamento a ser utilizado. Cada equipamento recebe a amostra de uma maneia 
particular, por exemplo, em um cromatógrafo a gás só podemos inserir amostras no 
estado gasoso ou líquido. E se a amostra for um sólido? 
46
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
Essa pergunta pode ser respondida de duas maneiras:
Primeiramente, deve-se pensar se vale a pena transformar esse sólido em líquido. 
E segundo, se será feito somente uma dissolução desse sólido em um líquido compatível 
com o equipamento ou se será necessário um processo químico para que esse sólido 
seja inserido na forma líquida no cromatógrafo a gás.
Esses questionamentos fazem parte do preparo da amostra. Que é preparar a amostra que 
veio do local do crime para que ela seja compatível com a inserção em um equipamento 
ou mesmo outro método analítico mais simples que não envolva equipamento, como 
por exemplo, uma titulação.
Você sabe o que é analito?
Analito é o composto químico de interesse na análise ou, em outras palavras, é o composto 
químico que será analisado. Podemos proceder uma análise somente para saber se há 
ou não este composto na amostra ou até mesmo para determinar sua concentração.
Dependendo do tipo de amostra e do tipo de analito a ser determinado pode ocorrer 
alterações nos níveis de concentração durante o período de armazenamento devido ao 
armazenamento inadequado.
Importante estar ciente de que a composição do material pode mudar com o tempo 
após a coleta, devido a:
1. Processos físicos: volatilização do analito (se for armazenado em 
recipiente aberto e a amostra for volátil), perda ou absorção de umidade 
(amostra higroscópica armazenada em local úmido), adsorção (interação 
do analito da amostra com o recipiente de armazenamento).
2. Processos químicos: reações fotoquímicas (se a amostra for deixada no 
sol, por exemplo), oxidações, precipitações.
3. Processos biológicos: biodegradação, reações enzimáticas, proliferação 
microbiológica.
47
CAPítulo 2
Preparação e cuidados das amostras 
para análise
Amostras reais são complexas de um modo geral, possuem na matriz da amostra 
diversos componentes que podem não ser de interesse na análise química. Em exame 
dessas amostras reais, seja uma análise química qualitativa ou quantitativa, estão 
envolvidos os seguintes pontos:
 » seleção do método de análise;
 » processamento da amostra de interesse;
 » realização das análises;
 » expressão dos resultados.
Todo procedimento analítico deve ser escolhido com base na precisão, exatidão, 
seletividade, sensibilidade, limite de detecção, frequência analítica do processo como um 
todo. Sempre levar em conta o custo, o espaço laboratorial disponível, a infraestrutura 
laboratorial e a habilidade do analista.
Seleção do método de análise
O sucesso da análise qualitativa ou quantitativa depende da compatibilidade do método 
de preparo da amostra usado com o método de análise.
O preparo da amostra pode representar uma grande parte do tempo de um método de 
análise e pode ser uma fonte de erro significativa no resultado da análise. Por outro 
lado, em muitos casos o preparo da amostra pode representar uma parte crucial do 
método de análise química, tornando possível a determinação de um analito em uma 
amostra. Isso porque, essa etapa previamente a análise permite minimizar a influência 
de outras substâncias presentes na amostra, e que não são do interesse da investigação, 
sobre a resposta analítica do método de análise para o analito. Além disso, os peritos 
podem fazer uso de algumas técnicas de preparo de amostra para concentrar os analitos 
na amostra, tornando possível a detecção química de um determinado composto. Isso 
porque, em muitos casos o analito encontra-se em concentrações muito baixas na 
amostra, de maneira que não seja possível a sua detecção, mesmo por técnicas mais 
sofisticadas como as técnicas cromatográficas. 
48
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
Um exemplo é a detecção de drogas em uma amostra biológica de um indivíduo suspeito. 
A análise, geralmente, é realizada na urina do indivíduo, dependendo da droga. Contudo, 
a sua presença na urina decorre dos processos farmacológicos corpóreos após o consumo 
da droga, de maneira que se encontrará presente no nível de mg por litro de urina. 
Ou seja, uma quantidade muito pequena para ser detectada por técnicas convencionais 
e, dependendo da instrumentação, até mesmo por técnicascromatográficas. Nesses 
casos, existem técnicas, tais como a extração em fase sólida (SPE) e a microextração 
em fase sólida (SPME), que permitem aumentar a concentração do analito em 10 ou 
100 vezes, conforme necessário, além de eliminar substâncias indesejáveis que podem 
distorcer os resultados reais. 
A seleção do método de análise deve levar em conta os elementos ou compostos a serem 
determinados; as faixas de concentrações dos analitos; a exatidão, precisão, seletividade 
e limite de detecção do método; a disponibilidade em laboratório, as características do 
método, etc.
Processamento da amostra de interesse
Vamos agora detalhar o procedimento de processamento e preparo de uma amostra a 
ser investigada. 
figura 37. amostragem: parte importante da análise.
fonte: <https://pixabay.com/pt/amostragem-de-lava-cientista-1098262/>
A análise de uma amostra é realizada em uma pequena quantidade do material 
amostrado no local do crime. Contudo, a seleção dessa pequena quantidade numa 
porção amostrada deve ser representativa de toda a porção, de maneira que o resultado 
obtido corresponda àquela amostra como um todo. 
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Química Forense │ uniDaDe ii
Por exemplo, a investigação de um material apreendido suspeito de ser um entorpecente 
inicia-se na coleta de uma amostra desse material apreendido. Convenhamos que 
levaria muito tempo para analisar várias dezenas, se não centenas de quilogramas de 
um material. A coleta dessa amostra deve ser realizada tomando pequenas quantidades 
de várias partes de um pacote do material, por exemplo. Ou de vários pacotes. 
Essas pequenas quantidades devem ser homogeneizadas, podendo ser novamente 
fragmentadas, sucessivamente, até se obter uma quantidade pequena suficiente para 
a análise. Esse procedimento faz com que a resposta obtida a partir dessa pequena 
quantidade de material coletado do(s) pacote(s) seja representativa de todo o material 
ali contido. 
Somente após a amostragem inicia-se a etapa de preparo da amostra.
Por que preparar a amostra? 
A amostra deve ser convertida em uma forma adequada para viabilizar a análise. 
Por exemplo, equipamentos de cromatografia a gás só aceitam introdução de amostra 
no estado gasoso ou líquido, enquanto que a cromatografia líquida e a absorção atômica 
por chama somente aceitam amostras no estado líquido.
Se a amostra é sólida, pode optar por um método que aceite inserção direta de sólidos ou 
converter o sólido em líquido, por processos de simples dissolução ou de decomposição 
do material inicial em outra espécie química na forma líquida.
Preparar a amostra também em termos de concentração: se está muito concentrada, 
faz-se diluição da amostra. Ou se está em concentrações muito baixas, faz-se 
concentração da amostra.
Os principais objetivos do preparo da amostra são, portanto, promover a extração e 
a diluição ou concentração dos analitos de interesse, além da remoção, tanto quanto 
possível, dos interferentes (substâncias presentes na amostra a ser analisada que podem 
interferir de maneira negativa no resultado da análise). 
interferentes
As espécies além do analito, que afetam a medida final, são chamadas interferências ou 
interferentes. Um plano deve ser traçado para se isolar os analitos das interferências 
antes que a medida final seja feita. Não há regras claras e rápidas para a eliminação de 
interferências; de fato, a resolução desse problema pode ser o aspecto mais crítico de 
uma análise.
50
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
Interferência ou interferente é uma espécie que causa um erro na análise pelo 
aumento ou atenuação (diminuição) da quantidade que está sendo medida. Para 
eliminar os interferentes e isolar o(s) analito(s) é necessário preparar a amostra.
O esquema a seguir representa o que acontece com o sinal analítico frente aos dois tipos 
de interferentes: o positivo e o negativo.
figura 38. esquema interferentes e sinal analítico.
interferente positivo aumento do sinal analítico
interferente negativo diminuição do sinal analítico
fonte: própria autora.
É um concomitante que modifica o sinal do analito. 
 » Positivo = aumento de sinal. 
 » Negativo = diminuição do sinal. 
51
CAPítulo 3
Extrações
Uma vez coletada a amostra, ela será analisada e para tanto, uma das etapas mais 
importantes é a de extração. Além disso, a baixa concentração dos analitos em amostras 
reais, assim como a complexidade da matriz da amostra também são fatores que podem 
dificultar a quantificação dos analitos.
Um grande número de técnicas incluindo coprecipitação, extração com solventes, 
extração em fase sólida, entre outras, têm sido usadas para a pré-concentração de 
analitos em diversas matrizes de amostras. A técnica mais popular de extração é a 
extração com solventes.
A seguir serão abordas as principais técnicas de extração como etapa de preparo de 
amostra empregadas em análises químicas, considerando a infinidade de amostras 
passíveis de investigação e enfatizando que serão abordadas as seguintes técnicas, pois 
são as mais utilizas para fins de aplicações forenses.
Extração líquido-líquido 
Na extração liquido-líquido ocorre a partição da amostra entre duas fases imiscíveis, 
uma orgânica e outra aquosa. A eficiência da extração depende da afinidade entre o 
analito a ser extraído da amostra. Analitos polares apresentam maior afinidade pela fase 
aquosa, enquanto analitos apolares apresentam maior afinidade com a fase orgânica. 
Assim o analito, apresentando polaridade distinta dos interferentes da amostra, pode 
ser extraído, sendo isolado desses interferentes. 
O ajuste do pH da fase aquosa pode ser empregado para promover essa extração. 
Para tal, é necessário conhecer o pKa e a solubilidade do analito e dos possíveis 
interferentes. 
A extração líquido-líquido tem a vantagem de ser simples, fazer uso de vidrarias 
simples e não requerer instrumentação e pode utilizar um grande número de solventes 
disponíveis comercialmente. Por outro lado, apresenta uma série de limitações:
 » amostras muito polares, com alta afinidade pela água são parcialmente 
extraídas pelo solvente orgânico;
52
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
 » as impurezas indesejáveis podem ser extraídas juntamente com os 
analitos de interesse;
 » pode ocorrer a formação de emulsões;
 » requer grandes volumes de amostra e solventes orgânicos, geralmente 
tóxicos;
 » pode ocorrer adsorção dos analitos da vidraria;
 » difícil automação.
Apesar dessas limitações, a extração líquido-líquido é considerada uma técnica clássica 
de preparo de amostra, e ainda é muito utilizada por mostrar-se eficiente em vários 
casos, como para a determinação de substâncias presentes em amostras biológicas. 
quEChErS
QuEChERS (Quick, Easy, Cheap, Effective, Rugged, Safe) é a denominação dada para 
um procedimento de extração sólido-líquido mais elaborado e considerado simples, 
rápido, barato, sem requerer equipamento ou vidraria especial. 
O procedimento de preparo de amostras denominado QuEChERS consiste em:
1. extração de compostos em solvente orgânico, seguida de uma etapa de 
extração/partição pela adição de um sal (salting-out); 
2. agitação em ultrassom e/ou vórtex para promover a interação do solvente 
com os analitos; 
3. centrifugação, para promover a precipitação de proteínas e outras 
macromoléculas presente no meio; 
4. limpeza do extrato (clean up), etapa fundamental para reduz as 
interferências, além de diminuir a necessidade de manutenção do sistema 
cromatográfico.
Um esquema da técnica de extração QuEChERS pode ser visualizado na Figura 39 a 
seguir:
53
Química Forense │ uniDaDe ii
figura 39. técnica de extração QueChers: (1) extração/partição na presença de um sal; (2) agitação; (3) 
Centrifugação; (4 e 5) extração em fasesólida dispersiva; (6) agitação; (7) Centrifugação.
fonte: própria autora.
Esta técnica de preparo de amostras, que possui aplicações principalmente na área de 
alimentos, tem demonstrado ser eficiente na remoção de interferentes na determinação 
de resíduos tóxicos de praguicidas. No entanto, a técnica já foi utilizada na determinação 
de mais de 40 substâncias, dentre elas estimulantes, anestésicos, antidepressivos, 
hormônios e ansiolíticos em amostras de sangue total.
SPE – Extração em fase sólida
A extração em fase sólida (SPE, do inglês Solid Phase Extraction) é extremamente útil 
para a extração de analitos presentes em baixas concentrações de matrizes aquosas. 
É muito útil em análises de drogas de abuso em matrizes biológicas como urina e sangue, 
por promover não apenas a limpeza da amostra previamente à análise, como também a 
concentração das substâncias de interesse. 
A possibilidade de automação da SPE e o uso de pequenos volumes de solventes 
orgânicos são algumas das conveniências que a tornaram uma alternativa frente 
à extração líquido-líquido. Além das vantagens citadas, a disponibilidade de fases 
extratoras diversificadas possibilita extrações seletivas para determinada classe de 
compostos. 
As etapas da SPE consistem em (Figura 40): 
I. Condicionamento: percolação de solventes apropriados pela fase 
extratora do cartucho, preparando-a para reter os analitos. 
54
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
II. Adição da amostra: percolação da amostra pela fase extratora 
condicionada, retendo os analitos com afinidade pela fase extratora 
presentes na amostra. 
III. Lavagem: passagem de um solvente pelo cartucho para retirar 
interferentes e manter os analitos de interesse na fase extratora.
IV. Eluição: percolação de baixo volume de solvente apropriado pela fase 
extratora, recuperando os analitos de interesse retidos.
Figura 40. Esquema ilustrativo das etapas envolvidas em SPE: (x) interferentes; (•) analitos; porção em azul claro 
ilustra a amostra; em cinza, a fase extratora e em branco, o solvente.
fonte: própria autora.
SPmE – micro extração em fase sólida
Uma tecnologia recentemente introduzida à ciência de separações é a microextração 
em fase sólida (SPME, do inglês Solid Phase Micro-Extraction), e esta técnica está em 
constante desenvolvimento. A SPME apresenta-se como uma alternativa promissora 
para procedimentos de preparação de amostras especialmente para cromatografia a gás 
(GC), oferecendo vantagens como alta eficiência, boa precisão, baixo limite de detecção 
e facilidade para automação. 
Tipicamente, a SPME usa fibras de sílica fundida com recobrimento polimérico para 
extrair compostos alvos de diferentes matrizes, sendo a seleção do tipo de recobrimento 
55
Química Forense │ uniDaDe ii
da fibra a parte chave do sistema para uma análise eficiente. A microextração em fase 
sólida vem sendo amplamente aceita e aplicada em química analítica pelo fato de ser 
uma técnica livre de solventes, relativamente rápida, seletiva, versátil e que combina 
extração e pré-concentração em uma única etapa. É uma técnica relativamente recente 
de extração com sorventes que foi desenvolvida por Arthur e Pawliszyn como uma 
alternativa às técnicas convencionais de extração. 
Embora inicialmente desenvolvida para análise de compostos voláteis e semivoláteis 
em amostras ambientais, como micropoluentes orgânicos em água, a SPME tem sido 
aplicada a várias áreas. Atualmente é possível encontrar publicações que utilizam 
esta metodologia para determinação de compostos orgânicos voláteis, semivoláteis 
e poluentes inorgânicos não voláteis em diferentes campos de aplicação, como: meio 
ambiente, alimentos, produtos naturais, farmacêuticos, biológicos, toxicologia, entre 
outros.
A SPME pode ser acoplada a diferentes técnicas para a obtenção de dados analíticos, 
como: cromatografia gasosa, cromatografia gasosa acoplada a espectrômetro de massas 
(GC-MS), cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e eletroforese capilar (CE).
O princípio destas técnicas é similar ao da extração líquido-líquido convencional, 
contudo apresentam vantagens como a minimização na quantidade de solvente 
utilizado, simplicidade de operação, baixo custo e consumo de tempo.
As estratégias de preparo de amostra são realizadas de diversas formas e estão em 
constante desenvolvimento, alguns exemplos de preparo de amostra seguem abaixo:
 » Via seca.
 » Via úmida (ácidos, agentes oxidantes e suas mesclas). 
 » Decomposição sob pressão -> bombas de PTFE.
 » Decomposição sob pressão -> incinerador a alta pressão. 
 » Decomposição com radiação micro-ondas (forno de MW). 
 » Decomposição com minifrascos. 
 » Extração líquido-líquido – LLE. 
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UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
 » Extração em fase sólida – SPE.
 » Microextração em fase sólida – SPME. 
 » Microextração com gota única – SDME. 
 » Extração líquido-líquido dispersivo – DLLE. 
 » Extração mediada por radiação micro-onda – MWE. 
 » Extração mediada por ultrassom – USE. 
 » Extração mediada por surfactantes – CPE.
 » Extração mediada por radiação UV. 
 » Técnicas de precipitação. 
 » Amostragem de sólidos/suspensões. 
A escolha do preparo de amostra é feita com base na disponibilidade de 
reagentes/instrumentos no laboratório, na natureza dos analitos, no tipo de amostra 
e, além disso, no tempo gasto para o preparo, a eficiência e o custo benefício de cada 
técnica.
realização das análises 
Uma vez preparada a amostra, aplica-se o método de análise. As condições do 
instrumento analítico devem ser verificadas, assim como, avaliações estatísticas e 
controle de qualidade (exatidão) do método analítico.
Para que a análise seja bem-sucedida e os erros sejam minimizados, é importante 
proceder com a purificação dos reagentes e da água utilizados.
As análises costumam ocorrer com o emprego de métodos clássicos, são eles:
 » Métodos gravimétricos. 
Que são baseados na medida de massa de um composto puro ao qual o analito está 
quimicamente relacionado.
 » Métodos volumétricos. 
57
Química Forense │ uniDaDe ii
Que são baseados em análise nas quais a medida final é o volume de um titulante 
padrão necessário para reagir com o analito presente em uma quantidade conhecida 
de amostra.
 » Métodos instrumentais. 
Os esquemas representados nas figuras a seguir representam as classificações dos 
métodos instrumentais.
Classificação dos métodos instrumentais
figura 41. esquema de representação das divisões dos métodos espectroanalíticos.
Espectroanalíticos
Colorimetria
Espectrofotometria no visível 
e ultravioleta 
Espectrofotometria no 
infravermelho
Espectrofluorimetria
Espectroscopia de absorção 
atômica
Espectroscopia de emissão 
atômica
fonte: própria autora.
figura 42. esquema de representação das divisões dos métodos cromatográficos.
Cromatográficos
Cromatografia líquida
Cromatografia a gás
fonte: própria autora.
58
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
figura 43. esquema de representação das divisões dos métodos eletroanalíticos.
Eletroanalíticos
Eletrogravimetria
Amperometria
Condutimetria
Coulometria
Potenciometria
Voltametria
Polarografia
fonte: própria autora.
Alguns métodos instrumentais serão discutidos no decorrer do texto, principalmente 
os mais utilizados com aplicação nas análises periciais.
59
CAPítulo 4
Cromatografia
A palavra cromatografia deriva do grego que significa “estudo da cor” e foi criada em 
1903 por Michael Tswett, que era botânico e trabalhava no estudo de separação de 
cores de pigmentos.
É utilizada para separar componentes semelhantes de misturas complexas. A fase 
móvel da cromatografia pode ser um gás, um líquido ou um fluido supercrítico. A faseestacionária deve ser adequada para que os componentes da amostra se distribuam e 
por diferenças mobilidade ocorra separação destes componentes. 
A cromatografia pode ser planar ou em coluna. 
 » A cromatografia planar abrange a cromatografia em papel, a cromatografia 
em camada delgada e a cromatografia em camada delgada de alta 
eficiência.
 » A cromatografia em coluna pode ser a clássica em coluna de vidro, a 
cromatografia a líquido de alta eficiência, a cromatografia com fluido 
supercrítico e a cromatografia a gás.
figura 44. fluxograma representando os tipos de cromatografia, fase móvel, fase estacionária e classificação.
CROMATOGRAFIA
Planar ColunaMétodo
Fase móvel Líquido Gás
Fluido
supercrítico 
Líquido 
Fase
estacionária
Sólido Fase
ligada
Líquido Fase
Ligada
SólidoLíquido Fase
ligada
SólidoSólido Fase
ligada
TIPOS CP CCD CCDA CGL CGS CGFL CSS CSFL CLL CLS CE CT CBCLF
Líquido
fonte: própria autora.
A separação dos analitos por cromatografia envolve processos definidos pela natureza 
da fase estacionária, pode ser um processo ou a combinação de mais de um:
60
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
 » Processos físicos (fase estacionária com filme ou polaridade): sorção, 
adsorção ou absorção.
 » Processos químicos (fase estacionária com carga): troca iônica.
 » Processos mecânicos (fase estacionária de matriz inerte): mobilidade.
Quando a cromatografia é acoplada a técnicas de detecção como a espectrofotometria 
e a espectrometria de massas é possível que ocorra a identificação e quantificação dos 
componentes da mistura (amostra).
A fase móvel adequada de apresentar as seguintes características:
 » Não deve reagir com a fase estacionária ou analito. 
 » Deve dissolver os componentes da amostra. 
 » Deve remover ou dessorver os componentes da mistura de forma seletiva 
(velocidades diferentes). 
 » Pode ser escolhida por cromatografia em camada delgada (menor custo, 
rapidez). 
 » Podem ser usados solventes puros ou em misturas com polaridade 
crescente. 
 » Deve ser escolhida de tal forma que a velocidade de eluição não seja nem 
muito alta (solutos juntos com a frente do eluente), nem muito baixa 
(coeluição de analitos), prejudicando a seletividade. 
 » Ser compatível com detector acoplado. 
 » Em Cromatografia a Gás é um gás inerte que não interage quimicamente 
com o analito.
Os mecanismos básicos de separação envolvem:
 » Adsorção.
 » Partição (absorção).
 » Exclusão.
 » Troca iônica.
 » Bioafinidade.
 » Cromatografia quiral. 
61
Química Forense │ uniDaDe ii
Cromatografia líquida
Na cromatografia líquida, a separação das espécies ocorre em função do equilíbrio de 
partição entre a fase estacionária e a fase móvel dos analitos na coluna cromatográfica. 
As colunas, constituídas de fase de sílica coberta por um polímero, pode ser polar 
(Fase Normal) ou apolar (Fase reversa).
A amostra é injetada no estado líquido, solubilizado em um solvente apropriado, de 
acordo com a composição da amostra. Após a injeção, os analitos são empurrados para 
a coluna cromatográfica pela passagem da fase móvel (mistura de solvente aquoso – 
água pura, tampão, ácido ou base – e um solvente orgânico – na maioria dos casos 
acetonitrila ou metanol). À medida que passam pela coluna, os analitos que apresentam 
maior afinidade pela fase estacionária, permanecem retidos, enquanto aqueles que 
apresentam maior afinidade pela fase móvel, vão saindo da coluna, chegando ao 
detector, que gera um sinal analítico. 
Sua maior aplicação é na determinação de moléculas orgânicas, voláteis ou não, em 
diferentes amostras. 
Cromatografia gasosa
A cromatografia gasosa apresenta exatamente os mesmos conceitos, mas, tem este 
nome porque, neste caso, a fase móvel é sempre um gás e a amostra tem que estar 
no estado gasoso para entrar no cromatógrafo. Ela pode ser volatilizada logo após a 
injeção, porém, antes de entrar na coluna. A eluição é feita por um fluxo de fase móvel 
gasosa inerte. Em contraste, com muitos outros tipos de cromatografia, a fase móvel 
não interage com as moléculas do analito; sua única função é transportar o analito 
através da coluna.
A fase móvel em cromatografia gasosa é denominada gás de arraste e deve ser 
quimicamente inerte. O hélio é a fase móvel gasosa mais comum, embora o argônio, o 
nitrogênio e o hidrogênio sejam também empregados.
Para a aplicação, a amostra e os analitos devem apresentar alguns requisitos:
 » Homogeneidade: a amostra deve estar em uma solução homogênea, 
pois, apenas a parte solúvel da amostra será analisada. Caso contrário, a 
análise não será representativa da amostra, resultando em informações 
errôneas. 
62
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
 » Estabilidade térmica: no processo de injeção da amostra na coluna, a 
amostra sofre um processo de vaporização, no qual os analitos não podem 
se decompor. Se ocorrer a decomposição os resultados obtidos não serão 
coerentes com a amostra. Normalmente a decomposição é observada no 
aspecto do cromatograma obtido.
 » Volátil ou semivolátil: como no processo de vaporização a amostra 
é transferida para o estado gasoso. A parte não gasosa não entrará na 
coluna e, portanto, não será detectada, resultando em erros de análise. 
Assim, a CG é aplicável para separação e análise de misturas cujos constituintes tenham 
pontos de ebulição de até 300ºC e que sejam termicamente estáveis.
figura 45. representação esquemática de um Cromatógrafo a gás.
fonte: <http://1.bp.blogspot.com/-as1g44qcapi/ugr1aWo7kui/aaaaaaaab00/_tleo3gplxs/s1600/Cromatografia_gasosa.jpg>
A cromatografia a gás é aplicada à Química Forense para:
 » Análise de drogas. 
 » Análise de resíduos de incêndio. 
 » Análise de compostos voláteis responsáveis pelo aroma característico de 
alimentos. 
 » Análise de combustíveis. 
 » Análise de bebidas. 
63
Química Forense │ uniDaDe ii
 » Análise de pesticidas. 
 » Análise de fármacos. 
Os Gases de arraste (Fase Móvel) mais comumente utilizados são H2, N2, He, Ar. 
Que têm a função de transporte da amostra e possuem as propriedades: inerte, 
compatível com o detector, pureza.
Os parâmetros mais comuns das colunas utilizadas para cromatógrafos a gás estão 
descritos na tabela a seguir:
tabela 1. parâmetros cromatográficos. 
Parâmetro Coluna empacotada Coluna capilar
Diâmetro interno (mm) 1 - 4 0,15 – 0,75
Comprimento (m) 1 - 3 10 – 100
Pratos teóricos 2400 3000
Espessura F.E. (µm) 5 0,5 – 2
Vazão do gás de arraste (mL/min) 20 – 60 1 – 5
Volume de amostra (µL) 02 -20 0,001 – 0,5
fonte: própria autora.
As colunas empacotadas são mais econômicas e suportam maior quantidade de amostra. 
Já as colunas capilares oferecem maior eficiência, melhor separação de misturas 
complexas, análises mais rápidas com maior separação dos analitos.
Os detectores são avaliados quanto à sensibilidade, ao baixo nível de sinal de 
ruído, a faixa linear para as respostas e podem ser do tipo destrutivo (destroem a 
amostra/analito após a análise) ou não destrutivos (mantém a amostra/analito). 
Os tipos mais comuns de detectores são:
 » Ionização de chamas (alta sensibilidade, resposta quase universal). 
 » Condutividade térmica (resposta universal). 
 » Captura de elétrons (seletivo para halogênios orgânicos, nitrilas, nitratos 
e organometálicos). 
 » Termiônico (seletivo para compostos contendo N e P). 
Conforme consta da Lei no 6.368/1976 e suas modificações (10.409/2002 e 
11.434/2006), são admitidos dois tipos de exames periciais de substâncias 
entorpecentes (ou drogas de abuso): o exame de constatação e o exame definitivo. 
O primeiro deve ser realizado apenas em casos de prisão em flagrante por tráfico 
de entorpecentes (art. 12) e em substâncias não metabolizadasou retiradas do 
64
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
corpo humano (casos específicos da toxicologia forense). Os exames de constatação 
(ou preliminares) são recomendados pela Organização das Nações Unidas (UNODC) 
como testes rápidos, de baixo custo e que fornecem resultados confiáveis. No entanto, 
admite-se a ocorrência de falsos negativos e falsos positivos quando a droga está 
em baixa concentração, numa mistura com outras substâncias químicas ou quando 
se trata de substância de propriedades químicas similares ao analito. Sempre que 
houver dúvida, o exame definitivo, por CCD ou cromatografia gasosa ou líquida, deve 
ser feito de imediato.
fluxograma: qualidade nos resultados
A qualidade dos resultados, ou mesmo da prova criminal, depende de todo o 
procedimento adotado, seguindo a cadeia de custódia, desde o momento do crime, a 
preservação adequada do local e o vestígio, a coleta do vestígio, e todas as análises, sem 
esquecer de lacrar e identificar cada etapa.
figura 46. esquema da cadeia de custódia desde o vestígio até a prova criminal.
Vestígio ColetaAdequada
Armazenamento
Adequado
Análises
Confiáveis Prova Criminal
Cadeia de Custódia 
fonte: própria autora.
Espectroscopia
Espectroscopia estuda a interação da radiação eletromagnética com a matéria por 
meio da transmissão, absorção ou reflexão da energia radiante incidente em uma 
amostra, sendo um dos seus principais objetivos o estudo dos níveis de energia de 
átomos ou moléculas. Normalmente, as transições eletrônicas são situadas na região 
do ultravioleta ou visível, as vibracionais na região do infravermelho e as rotacionais 
na região de micro-ondas e, em casos particulares, também na região do infravermelho 
longínquo.
65
Química Forense │ uniDaDe ii
Medidas de absorção da radiação eletromagnética na região do UV/Visível encontram 
vasta aplicação para identificação e determinação de milhares de espécies inorgânicas 
e orgânicas. 
A espectroscopia apresenta algumas divisões principais, são elas: 
 » espectrometria de massas; 
 » espectroscopia de elétrons; 
 » espectroscopia de absorção; 
 » espectroscopia de emissão; 
 » espectroscopia de raios X; 
 » espectroscopia eletromagnética.
O princípio das diferentes técnicas de espectroscopia trata-se do brilho de um feixe 
de radiação eletromagnética sobre uma amostra, com a finalidade de observar como a 
amostra responde a tal estímulo. A resposta obtida é registrada como uma função do 
comprimento de onda de radiação e resultam na produção de um espectro. 
O pesquisador Kirchhoff formulou três leis empíricas da espectroscopia, para determinar 
a composição de uma mistura de elementos:
1. Um corpo opaco quente, sólido, liquido ou gasoso, emite um espectro 
contínuo. 
2. Um gás transparente produz um espectro de linhas brilhantes (de 
emissão). O número e a posição dessas linhas dependem dos elementos 
químicos presentes no gás.
3. Se um espectro contínuo passar por um gás à temperatura mais baixa, 
o gás frio causa a presença de linhas escuras (absorção). O número e 
a posição dessas linhas dependem dos elementos químicos presentes 
no gás.
Comprimentos de onda inferiores a 150 nm são altamente energéticos que levam à 
ruptura de ligações químicas.
Acima de 780 nm atinge-se o IV próximo, onde a energia, já relativamente baixa, começa 
apenas a promover a vibração molecular e não mais transições eletrônicas.
66
UNIDADE II │ QUímIcA ForENsE
tabela 2. espectro eletromagnético e os tipos de espectroscopia.
Espectro eletromagnético Tipo 
de espectroscopia 
Faixa de comprimento de onda Tipo de transição quântica 
Emissão de raios gama 0,005 - 1,4 Å Nuclear
Absorção, emissão, fluorescência e 
difração de raios-X 
0,1 - 100 Å Elétrons internos
Absorção de ultravioleta de vácuo 10 - 180 nm Elétrons de valência
Absorção, emissão e fluorescência no 
ultravioleta-visível 
180 - 780 nm Elétrons de valência
Absorção no infravermelho e 
espalhamento Raman 
0,78 – 300 μm Rotação/vibração molecular
Absorção de micro-ondas 0,75 – 375 mm Rotação molecular
Ressonância de spin eletrônico 3 cm Spins dos elétrons em um campo magnético
Ressonância magnética nuclear 0,6 – 10 m Spins dos núcleos em um campo magnético
fonte: modificado de sKoog, d.a., HoLLer, f.J., nieman, t.a., princípios de análise instrumental, 2002.
Devido ao grande número de estados vibracionais e rotacionais, um espectro de 
absorção no UV/Vis apresenta um formato alargado (banda).
Para o espectrofotômetro escolher o melhor comprimento de onda significa fazer 
a varredura dos vários comprimentos de onda que o equipamento possui, a fim de 
identificar o valor adequado. 
A intensidade dos picos do espectro depende da
 » natureza da substância;
 » concentração;
 » caminho óptico da solução;
 » quantas moléculas da amostra estão no estado de energia correto para 
absorver ou emitir esta frequência.
Essas técnicas são utilizadas nas determinações de metais nas mais diversas amostras: 
alimentos, águas, tecido animal/humano, solo, entre outras.
Espectroscopia de absorção atômica
O conceito da espectrometria de absorção atômica foi proposto por Alan Walsh em 
1955 que montou o primeiro protótipo de um espectrômetro de absorção atômica. 
Com base no princípio fundamental, o elemento metálico de interesse, no estado 
atômico de vapor, absorve a radiação em um certo comprimento de onda específico 
67
Química Forense │ uniDaDe ii
pela transição de elétrons, principalmente da camada de valência, para um nível mais 
energético. A maioria destas transições corresponde a comprimentos de onda nas 
regiões do visível e ultravioleta.
A espectrometria de absorção atômica, caracterizada por ser uma técnica altamente 
seletiva para a determinação elementar, tem sido constantemente aperfeiçoada. 
A técnica com chama (FAAS, do inglês Flame Atomic Absorption Spectrometry) 
apresenta-se como uma análise simples, rápida, precisa e de baixo custo. 
Entretanto, a FAAS possui limitações de detectabilidade devido a diversos fatores, 
entre os quais a rápida e contínua passagem do átomo pela chama na qual é feita à 
medida de absorção durante a aspiração da amostra e a baixa eficiência do sistema 
nebulizador/queimador.
Em determinações por FAAS uma amostra líquida é aspirada e nebulizada para a 
formação de um aerossol, resultante de uma mistura da solução amostra e os gases 
combustível e comburente. A mistura é então conduzida até a chama, cuja temperatura 
varia de 2.100 a 2.800ºC, onde os átomos do elemento de interesse são convertidos ao 
estado atômico fundamental gasoso, que absorvem radiações de comprimento de onda 
característico. Esta radiação absorvida pelo analito pode ser medida, e a quantidade do 
analito é determinada através de uma curva de calibração.
técnicas eletroanalíticas
As técnicas eletroanalíticas empregam as propriedades elétricas mensuráveis tais como 
corrente, potencial e carga, resultantes de reações de oxirredução de um analito quando 
este é submetido a um estímulo elétrico sobre os eletrodos imersos em uma célula 
eletroquímica. Estas medidas podem estar relacionadas com algum parâmetro químico 
intrínseco deste analito e assim, são técnicas amplamente utilizadas na identificação, na 
determinação e no estudo eletroquímico de qualquer composto capaz de sofrer reações 
químicas de redução e/ou oxidação.
A reação eletroquímica de um analito envolve o transporte de massa das espécies 
eletroativas do seio da solução até a superfície do eletrodo e o transporte de carga 
decorrente das reações de oxirredução. É indispensável que o transporte de massa seja 
contínuo para satisfazer a relação entre a corrente e a concentração do analito; caso 
contrário a concentração da espécie eletroativa de interessena superfície do eletrodo 
irá decrescer rapidamente. O transporte de massa pode ocorrer de três formas distintas, 
tais como, migração, convecção e difusão.
68
CAPítulo 5
Padrões analíticos
Sinais obtidos por equipamentos e instrumentos devem ser calibrados para evitar erros 
nas medidas.
Calibração, de acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia 
(INMETRO), é o conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, 
a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistemas 
de medição ou valores representados por uma medida materializada ou material de 
referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidas por padrões.
Para muitos tipos de análises químicas, a resposta para o procedimento analítico deve 
ser avaliada para quantidades conhecidas de constituintes (chamados padrões), de 
forma que a resposta para uma quantidade desconhecida possa ser interpretada.
A essa relação dá-se o nome de curva de calibração, que corresponde ao modelo 
matemático que estabelece uma relação entre a resposta instrumental (área/altura 
da banda cromatográfica) e a concentração do analito. É claro que, para cada analito 
que se deseja determinar é necessário elaborar uma curva de calibração. O modelo de 
calibração deve ser construído a partir da análise de, no mínimo, 6 a 8 concentrações 
conhecidas do analito (padrões de calibração).
Há três diferentes tipos de padronização para a construção da curva de calibração, que 
pode ser selecionado de acordo com a amostra e o tipo de técnica instrumental a ser 
utilizada. Como critérios de escolha, deve-se levar em consideração a maior exatidão e 
precisão possível. 
Os procedimentos de calibração são:
Curva de calibração externa ou curva 
analítica
É utilizada para amostras que não precisam de extenso pré-tratamento; os padrões 
de calibração são preparados a partir da adição de conhecidas do padrão analítico 
do analito de interesse sobre a amostra. A partir da comparação entre a resposta 
analítica do analito obtida pela técnica instrumental escolhida e a concentração de 
padrão adicionada tem-se a curva de calibração. A amostra desconhecida é analisada 
na sequência, e a concentração do analito na amostra desconhecida é determinada 
por meio do modelo matemático (regressão linear) gerado a partir da curva de 
calibração obtida.
69
Química Forense │ uniDaDe ii
Curva de adição de padrão
A calibração por adição de padrão é deve ser utilizado quando não é possível obter a 
matriz isenta do analito; em matrizes muito complexas; quando há fortes interações entre 
o analito e os constituintes da amostra, e quando é difícil encontrar um padrão interno 
adequado. Este método consiste em analisar a amostra contendo uma concentração 
desconhecida do analito e analisar a amostra adicionada de diferentes concentrações do 
padrão do analito. A adição deve ser feita antes do processo de tratamento da amostra. 
A concentração do analito é determinada pela extrapolação da regressão linear da curva 
de calibração obtida sobre a amostra positiva para o analito.
Padrão interno
Na calibração interna utilização além do padrão de referência do analito, um padrão 
interne, que consiste do padrão analítico de uma substância semelhante, em termos 
de propriedades físico-químicas, que a substância de interesse. Às soluções padrões 
de calibração, contendo diferentes concentrações do analito, é adicionada uma 
concentração fixa do padrão interno (PI). O modelo de regressão e o gráfico são elaborados 
pela relação entre a razão entre a resposta analítica do analito e a resposta analítica do 
padrão interno em função da concentração do padrão do analito. Esse método permite 
avaliar a variação da resposta em função da composição e manipulações da amostra 
(por exemplo, concentração, extração, preparo da amostra), sendo o método de escolha 
para análises em quando não se trabalha com injeção direta de amostras.
Um termo importante é amostra padrão, que significa uma amostra de referência que 
contém o analito de interesse.
 » Padrão externo: amostra e padrão são injetados separadamente e a 
identificação do composto desejado é feita através da comparação de 
alguma característica, por exemplo, em cromatografia, tempo de retenção. 
 » Padrão interno: adição de quantidade conhecida de elemento de referência 
nos padrões e na amostra.
70
unidAdE iii
VAlidAçõES E 
ControlE dA 
quAlidAdE Em 
químiCA AnAlítiCA
APítulo 1
Validação
Todo laboratório deve confirmar que os métodos de ensaios químicos, nas condições em 
que são realizados, cumprem as exigências necessárias para a obtenção de resultados 
com qualidade.
O INMETRO (2007, p. 4) traz uma orientação sobre validação de métodos de ensaios 
químicos e define os principais termos gerais referentes à qualidade da seguinte 
maneira:
Validação: Comprovação, através do fornecimento de evidência 
objetiva, de que os requisitos para uma aplicação ou uso específicos 
pretendidos foram atendidos. (ABNT NBR ISO/IEC 9000).
Método normalizado: É aquele desenvolvido por um organismo 
de normalização ou outras organizações (por exemplo, ABNT, ASTM, 
ANSI ou APHA/AWWA/WEF), cujos métodos são aceitos pelo setor 
técnico em questão.
Método não normalizado: É aquele desenvolvido pelo próprio 
laboratório ou outras partes, ou adaptado a partir de métodos 
normalizados e validados. Por exemplo, métodos publicados em revistas 
técnicas, métodos de fabricantes de equipamentos, métodos utilizando 
conjuntos (kits) de ensaio e instrumentos portáteis.
Sabendo disso, é necessário que cada laboratório comprove sua competência em realizar 
as análises propostas e que mantenha um controle de qualidade ativo. Para tanto, 
71
Validações e Controle da Qualidade em QuímiCa analítiCa │ unidade iii
faz-se uso da validação dos ensaios químicos. A validação de um método é um processo 
contínuo que começa no planejamento da estratégia analítica e continua ao longo de 
todo a sua aplicação e desenvolvimento.
Até as décadas de 1980 e 1990, um laboratório desenvolvia um método analítico 
baseando-se principalmente na resposta linear do detector a diferentes concentrações 
do analito em uma faixa de interesse. Se fosse razoável, o método era aceito sem maiores 
questionamentos, muitas vezes era descrito apenas como uma receita de bolo. Porém 
algumas questões começaram a ser levantadas, em especial duas:
 » Como assegurar que o resultado obtido é verdadeiro?
 » Se outro laboratório for utilizar o método, será que conseguirá reproduzir 
os mesmos resultados?
Para responder essas questões é preciso VALIDAR o método analítico.
O laboratório deve validar os métodos não normalizados, os métodos 
criados/desenvolvidos pelo próprio laboratório, os métodos normalizados usados fora 
dos escopos para os quais foram criados e as ampliações ou modificações em métodos 
normalizados.
Os estudos de validação necessitam ser representativos e conduzidos de modo que a 
variação da faixa de concentração e os tipos de amostras sejam adequados. Um método 
para um composto majoritário requer um critério e uma abordagem diferentes de um 
método desenvolvido para análise de traços (analito em concentrações muito baixas).
Muitas são as dúvidas que surgem durante o processo de validação, Ribani (2004) 
esclarece algumas delas:
A frequência com que o método será utilizado (muitas vezes em um 
dia, uma vez em um dia para um estudo rápido, uma vez em um mês 
etc.) também influencia o tipo de estudo de validação que é necessário. 
Os parâmetros analíticos devem ser baseados na intenção do uso do 
método. Por exemplo, se um método será usado para análise qualitativa 
em nível de traços, não há necessidade de testar e validar a linearidade 
do método sobre toda a faixa linear dinâmicado equipamento. 
O objetivo do método pode incluir também os diferentes tipos de 
equipamentos e os lugares em que o método será utilizado, ou seja, se o 
método é desenvolvido para ser utilizado em instrumento e laboratório 
específicos, não há necessidade de usar instrumentos de outras 
marcas ou incluir outros laboratórios nos experimentos de validação. 
Desta forma, os experimentos podem ser limitados para o que realmente 
é necessário (RIBANI, 2004). 
72
UNIDADE III │ VAlIDAçõEs E CoNtrolE DA QUAlIDADE Em QUímICA ANAlítICA
E como proceder à validação de um método 
analítico?
O processo de validação e cada estudo deve ser planejado por meio de um protocolo de 
estudo, no qual deve estar descrito todos os passos a serem seguidos. Os documentos 
de referência para os procedimentos de validações são baseados nas orientações do 
INMETRO (2010) e ANVISA (2003).
Os equipamentos utilizados devem ser adequados e calibrados. 
O químico responsável pelo estudo deve ser competente na área, sendo capaz de tomar 
decisões apropriadas durante a realização de todo o processo de validação.
O protocolo de estudo irá guiar os ensaios químicos a serem realizados e quais os 
parâmetros analíticos de mérito serão aplicados.
Parâmetros analíticos de mérito, também conhecidos como parâmetros de desempenho, 
características de desempenho e, algumas vezes, como figuras analíticas de mérito.
tabela 3. parâmetros de validação do inmetro e anVisa.
INMETRO ANVISA
Especificidade/Seletividade Especificidade/Seletividade
Faixa de trabalho e Faixa linear de trabalho Intervalos da curva de calibração
Linearidade Linearidade 
- Curva de Calibração
Limite de Detecção (LD) Limite de Detecção (LD)
Limite de Quantificação (LQ) Limite de Quantificação (LQ)
Sensibilidade (inclinação da curva) -
Exatidão e tendência (bias) Exatidão 
Precisão Precisão
Repetitividade Repetibilidade (precisão intracorrida)
Precisão intermediária Precisão intermediária (precisão intercorrida)
Reprodutibilidade Reprodutibilidade (precisão interlaboratorial)
Robustez Robustez
Incerteza de medição -
fonte: ribani, 2004.
Vamos entender melhor os principais 
parâmetros analíticos de méritoSeletividade
 » É a capacidade de medir um composto em presença de outros componentes 
da matriz.
73
Validações e Controle da Qualidade em QuímiCa analítiCa │ unidade iii
 » É aplicada quando houver a necessidade/viabilidade de estudar a 
interferência dos outros componentes da matriz.
Critério de Aceitação: em cromatografia, pode ser avaliada a separação dos picos por 
assimetria, fator de cauda, resolução etc.
linearidade
É a capacidade de obter resultados proporcionais à concentração do analito dentro de 
um intervalo especificado.
É aplicada sempre que envolver o uso de curva de calibração, através da avaliação de 
cinco concentrações com três preparações independentes em dias diferentes. 
Critério de Aceitação: correlação mínima de 0,99.
repetibilidade
É o grau de concordância entre resultados individuais (precisão), devendo ser obtido 
por meio de réplicas de uma mesma amostra, processadas em curto intervalo de tempo 
e nas mesmas condições. 
É aplicada pela realização de sete determinações independentes em uma mesma 
amostra no mesmo dia.
Critério de Aceitação: em caráter orientativo, o desvio padrão relativo ou coeficiente 
de variação (DPR = DP/média x 100) pode ter um máximo de 5% na quantificação de 
altos teores e até 20% para análises de traços ou impurezas, dependendo da técnica 
empregada, da complexidade da amostra e da finalidade do método. 
Precisão intermediária
É o grau de concordância entre resultados de um mesmo laboratório, mas obtidos em 
dias diferentes ou com analistas diferentes e/ou equipamentos diferentes.
É aplicada para melhor aferir a performance do método, variar apenas o dia, realizando 
sete determinações independentes. 
Critério de Aceitação: o coeficiente de variação deve ser comparável à repetibilidade. 
74
UNIDADE III │ VAlIDAçõEs E CoNtrolE DA QUAlIDADE Em QUímICA ANAlítICA
recuperação
É o grau de proximidade dos resultados ao valor real (exatidão), obtida pela adição do 
analito em quantidades conhecidas.
É aplicada sempre que a amostra passar por processo de preparação (filtração, extração, 
destilação, derivatização etc.) ou quando se desejar conhecer a interferência da matriz, 
desde que a adição do analito seja possível, verificando a resposta do método como um 
percentual do resultado esperado (Recuperação = média experimental/média teórica 
x 100).
Critério de Aceitação: em caráter orientativo, a recuperação deve estar compreendida 
entre 50 e 120% dependendo da complexidade analítica e da amostra. 
limite de quantificação
É o menor valor determinado com confiabilidade analítica em que o analito esteja 
dentro da sensibilidade normal da técnica. 
É aplicado para determinações de baixos teores, por exemplo, análises de traços ou 
impurezas em baixíssimas concentrações. 
Critério de Aceitação: em cromatografia, estimar o LQ como até dez vezes maior que a 
área do ruído e nas análises clássicas avaliar a resposta da técnica através de diluições 
sucessivas da amostra ou cálculo pelo menor volume e maior massa que possam ser 
utilizadas na metodologia. 
robustez
É a medida da resistência que um método apresenta diante de deliberadas variações 
das condições analíticas. 
É aplicada em cromatografia, podem ser variados pH da fase móvel, comprimento de 
onda do detector UV, temperatura do injetor e do detector, rampa, fluxo de gás etc. 
e em análises clássicas podem ser variados o eletrodo, a massa da amostra, o lote ou 
fator da solução titulante, a velocidade da titulação, tempo de agitação, temperatura da 
amostra etc.
Critério de Aceitação: são esperados resultados comparáveis à média afetada pela 
precisão.
75
Validações e Controle da Qualidade em QuímiCa analítiCa │ unidade iii
Dentro de um laboratório é provável que, após um período, certos reagentes e 
equipamentos possam ter sofrido alterações, seja por mudança de fornecedor, troca de 
componentes ou desgaste do equipamento provocado pelo uso constante. É possível 
que o desempenho do método e, então, a validade dos resultados gerados pelo método 
sejam afetados por estas mudanças. A revalidação, que pode ser necessária em tal 
situação, é a reavaliação de um método analítico validado em resposta a uma mudança 
em algum aspecto do método.
Os documentos de referência nos procedimentos de validação são baseados nas 
orientações do INMETRO e/ou ANVISA, saiba mais lendo esses documentos de 
referência:
 » INMETRO DOQ-CGCRE-008 R03 – Orientação Sobre Validação de 
Métodos Analíticos, FEV/2010.
 » ANVISA: RE 899 de 29 de maio de 2003 – Guia Para Validação de 
Métodos Analíticos e Bioanalíticos.
76
CAPítulo 2
quimiometria
Provavelmente, a otimização dos parâmetros de relevância seja uma das etapas mais 
críticas dos experimentos desenvolvidos em química analítica e forense e, na maioria 
dos casos, o processo de otimização é realizado de maneira univariada. 
A otimização univariada nada mais é do que utilizar o clássico sistema de uma variável 
por vez. Este tipo de trabalho, que envolve um grande número de experimentos, fornece 
condições que permitem um valor otimizado da resposta. No entanto, por negligenciar 
a interação entre as variáveis, o resultado obtido não necessariamente corresponde às 
condições que levam ao ótimo verdadeiro, afinal, nos sistemas químicos, as variáveis 
costumam se correlacionar fortemente, interagindo através de mecanismos que 
proporcionam efeitos sinérgicos e antagônicos. E esse fato não pode ser ignorado. 
Nos últimos anos, os sistemas multivariados de otimização, ou seja, quimiometria,têm 
ganhado bastante força, demonstrando a sua utilidade nos mais variados campos do 
conhecimento.
Dentre as várias alternativas existentes, destaque pode ser dado aos sistemas 
de planejamento fatorial. O planejamento fatorial completo é uma das técnicas 
quimiométricas que permitem avaliar simultaneamente o efeito de um grande número 
de variáveis, a partir de um número reduzido de ensaios experimentais. O número de 
experimentos requeridos para isto é calculado como N = 2k, onde k é o número de 
variáveis. Se o número de variáveis é grande, o mais indicado é o planejamento fatorial 
fracionado onde será calculado como N= 2k-p, onde p indica o quão fracionado será o 
planejamento. 
tabela 4. experimentos requeridos em um planejamento fatorial completo em dois níveis para três variáveis.
Ensaio Variável 1 Variável 2 Variável 3
1 -1 -1 -1
2 -1 -1 +1
3 -1 +1 -1
4 -1 +1 +1
5 +1 -1 -1
6 +1 -1 +1
77
Validações e Controle da Qualidade em QuímiCa analítiCa │ unidade iii
Ensaio Variável 1 Variável 2 Variável 3
7 +1 +1 -1
8 +1 +1 +1
9 0 0 0
10 0 0 0
11 0 0 0
12 0 0 0
fonte: barros neto, 2001.
Para planejar um experimento de otimização de variáveis utilizando quimiometria, 
deve-se pensar quais as informações são buscadas. Quais as variáveis que influenciam 
essas informações buscadas. É necessário identificar os fatores, entre os fatores quais 
são qualitativos e quais são quantitativos, e a faixa de trabalho. 
Os planejamentos fatoriais são úteis para fazer uma triagem, identificando quais fatores 
são importantes para o sistema e se a faixa de trabalho está sendo usada na região 
correta. O princípio de Pareto que diz que “20% dos dados são responsáveis por 80% 
da informação”. 
A avaliação do planejamento pode ser feita através de análise de variância (ANOVA), 
que estima a significância dos efeitos principais e das interações entre as variáveis. 
O valor de p (probabilidade estatística) indica quando o efeito é estatisticamente 
significativo (p>0,05). Os principais efeitos, bem como as interações das variáveis, 
podem ser também avaliados analisando o gráfico de Pareto, que se apresenta em 
barras horizontais, correspondentes aos valores obtidos dos efeitos estimados, sendo 
seccionado por uma linha vertical correspondente ao intervalo de confiança de 95%. Os 
efeitos que ultrapassam esta linha devem ser considerados como significativos sobre a 
resposta analítica.
Após o planejamento fatorial, uma vez definidos os fatores importantes, é necessário 
encontrar a região ótima de trabalho, o que pode ser obtido por meio de uma nova 
etapa de otimização. Assim, o método de superfície de resposta tem sido usado com 
este intuito. Sua aplicação, a qual inclui um grupo de técnicas matemáticas/estatísticas, 
permite selecionar a combinação de níveis ótimos na obtenção da melhor resposta para 
uma dada situação através de modelos matemáticos de segunda ordem. O planejamento 
Doehlert (figura 47), um exemplo de modelagem de superfície de resposta, vem sendo 
aplicado no desenvolvimento de metodologias analíticas por necessitar de poucos 
experimentos, os quais são mais eficientes e podem se mover através do domínio 
experimental.
78
UNIDADE III │ VAlIDAçõEs E CoNtrolE DA QUAlIDADE Em QUímICA ANAlítICA
figura 47. exemplo de duas superfícies de respostas obtidas com planejamento doehlert.
fonte: <https://www.frontiersin.org/files/articles/305208/fchem-05-00116-HtmL/image_m/fchem-05-00116-g002.jpg>.
79
unidAdE iVPEríCiAS JudiCiAiS 
E AmbiEntAiS
Existem dois tipos de perícias, a judicial e a extrajudicial. 
Os peritos judiciais são nomeados para o trabalho. E para tanto, esses peritos devem 
adicionar seus currículos junto ao Tribunal de Justiça e Ministério Público.
Os peritos extrajudiciais atuam por indicação, recomendação de alguém que conhece 
suas experiências e normalmente atuam para a construção civil, ou seja, quando um 
empreendimento está para ser realizado em um terreno, surge a necessidade de uma 
perícia extraoficial para relatar a viabilidade da construção.
A finalidade de qualquer perícia é dar subsídio técnico ao juiz para embasar sua decisão 
quanto à solução de determinado conflito. Esse subsídio é dado por meio de trabalho 
técnico-cientifico materializado em documento chamado Laudo Pericial. 
A perícia civil tem seus fundamentos ditados pela Lei Federal no 13.105 de 16 de março 
de 2015 denominada Código de Processo Civil, ou CPC. 
De acordo com o CPC, o juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de 
conhecimento técnico ou científico. E os peritos serão nomeados entre os profissionais 
legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em 
cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado.
A formação do cadastro será realizada por consulta pública com divulgação na internet 
ou em jornais, além de consulta direta a universidades, a conselhos de classe, ao 
Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil, para a 
indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados. Os tribunais realizarão 
avaliações e reavaliações periódicas para manutenção do cadastro.
Ocorrem impedimentos e suspeições dos peritos judiciais caso o mesmo seja amigo ou 
inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados, se os peritos receberem presentes 
ou afins de pessoas que tiverem interesse na causa, quando uma das partes for sua 
credora ou devedora, ou ainda, tiver interesse no julgamento do processo.
80
UNIDADE IV │ PErícIAs JUDIcIAIs E AmbIENtAIs
O novo Código de Processo Civil está disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.
htm#art1045>.
legislação sobre perícias
 » Resolução do CONMETRO no 12, de 12/10/1988 – Quadro Geral de 
Unidades de Medida. 
 » Leis Federais no 6.766/1979 e 9.785/1999, que dispõem sobre o 
parcelamento do solo urbano. 
 » Lei Federal no 8.245/1991, que dispõe sobre locações de imóveis urbanos. 
 » Decreto-lei no 9.760/1946, que dispõe sobre os terrenos de marinha e 
acrescidos de marinha. 
 » ABNT NBR 12721:1999 – Avaliação de custos unitários e preparo de 
orçamento de construção para incorporação de ABNT NBR 12721:1999 – 
Avaliação de custos unitários e preparo de orçamento de construção para 
incorporação de edifícios em condomínio.
 » ABNT NBR 13752:1996 – Perícias de Engenharia na Construção Civil.
 » ABNT NBR 14653-1:2001 – Avaliação de bens – Parte 1: Procedimentos 
gerais.
 » ABNT NBR 14653-2:2011 – Avaliação de bens – Parte 2: Imóveis urbanos.
 » ABNT NBR 14653-3:2004 – Avaliação de bens – Parte 3: Imóveis rurais.
 » ABNT NBR 14653-4:2002 – Avaliação de bens - Parte 4: Empreendimentos.
81
CAPítulo 1
Perícias judiciais
As contratações das perícias observarão os dispostos na Lei no 8.666, de 21 de junho de 
1993, que regulamenta o artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas 
para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências.
Para os fins dessa Lei, consideram-se, entre outros, os serviços técnicos profissionais 
especializados os trabalhos relativos a:
 » estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
 » pareceres, perícias e avaliações em geral.
Nas perícias judiciais são utilizados conhecimentos, meios e métodos científicos, técnicos 
e profissionais para obterem conclusões profissionais sobre questões relacionadas com 
casos criminais, administrativos, civis e/ou casos por peritos judiciais a pedido de 
Agências e/ou pessoas envolvidas no processo, com vista a servir para a resolução do 
processo em si.
Descreveremos aqui os critérios, direitos e obrigações dos peritos judiciais, das 
organizações de peritos judiciais. Ordem e procedimentospara solicitar perícias, 
a realização de perícias; Peritagens judiciais e a gestão do Estado em matéria de 
competências judiciais.
Uma vez que a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação, o juiz nomeará 
perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do 
laudo. E as partes podem, dentro do prazo:
 » arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso;
 » indicar assistente técnico;
 » apresentar quesitos.
Ciente da nomeação, o perito apresentará: 
I. proposta de honorários; 
II. currículo, com comprovação de especialização; 
III. contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde 
serão dirigidas as intimações pessoais. 
82
UNIDADE IV │ PErícIAs JUDIcIAIs E AmbIENtAIs
Princípios para o exercício de perito judicial
1. Cumprir a lei, respeitar as normas profissionais.
2. Para ser honesto, preciso, objetivo.
3. Tirar conclusões profissionais apenas sobre questões relacionadas com 
casos dentro do escopo solicitado.
responsabilidade pessoal perante a lei para a 
realização de conclusões
Responsabilidades das organizações, pessoas físicas para atividades de perito judicial. 
As organizações e os indivíduos têm a responsabilidade de criar condições para que 
os peritos judiciais possam realizar a experiência de acordo com as disposições desta 
Portaria e outras disposições legais relevantes.
São estritamente proibidos todos os atos de interferência ou obstaculização ilegal do 
desempenho de peritos por peritos judiciais.
O Estado: incentiva e cria condições para que organizações e indivíduos participem 
em atividades de expertise judicial. E fornece formação profissional e promove e adota 
políticas de tratamento preferencial para os peritos judiciais.
Detectando a necessidade de requerer uma perícia, o “Requerimento de Autorização 
de Perícia”, juntamente com cópia da capa do processo judicial ou administrativo, da 
petição inicial (em caso de ação judicial) ou da portaria de instauração do inquérito civil 
ou outro procedimento administrativo e de justificativa acerca da impossibilidade de 
realização do ato, ao menos no tempo necessário, pelos órgãos oficiais do Estado com 
atribuição legal para executá-las. O perito cadastrado deverá, sempre que solicitado, 
fornecer orçamento discriminando os serviços que serão efetivamente executados com 
o valor previsto para a realização da perícia e os encargos existentes, seguindo as tabelas 
de honorários.
Caso o Órgão de Execução do Ministério Público já possua um orçamento, deverá 
encaminhá-lo juntamente com o requerimento de perícia. Caso contrário a Secretaria 
providenciará orçamentos para os serviços solicitados junto aos peritos cadastrados.
Deferida a perícia, o perito contratado assinará um Termo de Compromisso para 
realização da perícia. Será emitida uma autorização de serviço/empenho e encaminhada 
ao perito e ao Órgão de Execução do Ministério Público que requereu a perícia.
83
Perícias Judiciais e ambientais │ unidade iV
O perito deverá produzir o Laudo Pericial no prazo fixado na autorização de serviço, 
entregando-o ao responsável pelo Órgão de Execução do Ministério Público, 
acompanhado da nota fiscal do serviço realizado e dos comprovantes de quitação dos 
impostos correspondentes.
Recebido o Laudo Pericial e documentos, o Órgão de Execução do Ministério Público, 
após avaliação positiva de seu conteúdo, dará o aceite na nota fiscal de serviço 
apresentada pelo perito.
Por meio de Portaria, o Ministério Público abre cadastros para peritos, pessoa física ou 
jurídica, que desejam realizar perícias a este órgão.
Cabe salientar que há diferença do Perito Judicial e Perito do Ministério Público. 
O Perito Judicial é nomeado pelo juiz nos processos civis e trabalhistas. O Perito do 
Ministério Público fornece laudos de meio ambiente, de patrimônio histórico, de direito 
do consumidor a este órgão para efetivo uso em inquéritos civis ou ações civis públicas.
O perito que fizer o cadastro como pessoa física deverá remeter à Secretaria responsável 
do Ministério Público, para validar seu cadastro:
 » seu número do PIS ou NIT; 
 » número do CPF; 
 » Carteira de Registro no órgão de classe.
O perito que se cadastrar como pessoa jurídica deverá remeter à Secretaria responsável 
do Ministério Público, para validar seu cadastro, cópia:
 » do CNPJ;
 » do certificado de registro da empresa no respectivo conselho de classe;
 » da Carteira de Registro do perito no órgão de classe.
Caso o indivíduo deseje seguir uma careira como profissional nas Perícias Judiciais de 
Engenharia Legal ele perceberá que será preciso ter experiência aliada à competência. 
É fundamental possuir uma boa formação técnica, pois a realização de perícias é uma 
atividade complexa, que exige do profissional conhecimento especializado para cada 
tipo de Ação, juntamente com o conhecimento de Legislações, Normas e Diretrizes 
Técnicas. 
É comum que alguns profissionais que desejem atuar como Peritos Judiciais procurem 
juízes nos Fóruns, demonstrando o seu interesse. Mas não é o bastante, a função de 
84
UNIDADE IV │ PErícIAs JUDIcIAIs E AmbIENtAIs
Perito Judicial é um cargo de confiança e por isso os juízes só iram nomear aqueles 
profissionais que lhe passem segurança, experiência e conhecimento. Por esse motivo, 
o Perito Judicial deve apresentar uma boa conduta, educação e bons costumes, além de 
possuir muito conhecimento sobre o tema que irá tratar em sua Perícia, já que possui a 
finalidade de apresentar ao Juiz, da maneira mais clara e precisa possível, sua análise 
técnica para diminuir ou sanar as dúvidas e divergências existentes na Ação em curso.
A leitura a seguir é parte do texto “Perícias Judiciais – A Importância do Perito 
Judicial” do Engenheiro Civil e Perito Judicial Ricardo Henrique de Araujo 
Imamura:
As Perícias de Engenharia Legal evoluíram muito desde ao longo 
do tempo e, como todas áreas técnicas e jurídicas, tudo mudou. 
Dentre alguns dos entraves existentes para exercer sua função, 
o Perito se depara hoje com situações inusitadas e complexas 
com relação aos honorários que, além de alimentos, são uma 
garantia moralizadora dos serviços a serem prestados, norteando 
a qualidade e proporcionando uma justa remuneração por sua 
competência, integridade e experiência. 
É comum hoje as partes impugnarem honorários por não se 
importarem com o custo benefício da solução do embate ou 
por motivos escusos, o fazendo sem qualquer conhecimento e 
embasamento ou mesmo ainda por intencionar procrastinar a 
Ação. Juízes atentos costumam proteger os Peritos destes fatos 
como no brilhante e coerente Agravo de Instrumento no 63.231-
2 da Comarca de Guarulhos, onde essa questão fática também 
foi abordada com precisão no V. Aresto da 19ª Câmara Civil do 
E.T.J.E.S.P. “[…] diz a agravante que quem não quiser esperar para 
receber que não faça Perícias”. O argumento não é convincente, 
porque nem sempre é fácil encontrar pessoas que além de reunir 
todas as qualidades que se exigem dos Peritos também aceitem, 
de bom grado, trabalhar e suportar despesas que as Perícias 
impõem, para só receber depois de longa espera. Convém não 
esquecer: o trabalho mal pago vale quanto custa. Pagar tarde é 
uma forma de pagar mal. 
O depósito é garantia de que não haverá demora no pagamento. 
Sua exigência contribui para o aprimoramento das Pericias.”. 
Agravos aos honorários ou a redução destes, quando ocorrem, 
tem como consequência principal o afastamento do meio Forense 
dos bons Peritos Judiciais, que preferem atuar como Assistentes 
Técnicos, já que recebem honorários justos diretamente da parte 
85
Perícias Judiciais e ambientais │ unidade iV
por contrato firmado, contandoainda com antecipação de parte 
dos mesmos.
Como agravante, a redução dos honorários por vezes inviabiliza 
a própria Perícia, já que mal se conseguirá cobrir as despesas 
indiretas e diretas necessárias para sua realização, como por 
exemplo quando existem levantamentos topográficos, mesmo 
simples e outros serviços técnicos específicos, alongando ainda os 
prazos processuais e obrigando os Juízes a nomeação de outros 
profissionais, até que algum incauto aceite o encargo. A situação 
se agravou com a entrada em vigor do Novo CPC, que possui 
artigos em visível prejuízo aos Peritos e à competência necessária 
dos profissionais que atuam na função de Perito Judicial. 
Com a evolução das técnicas processuais e das legislações, 
também evoluíram as técnicas das Perícias, necessitando da 
atualização constante do profissional nas diversas matérias que 
envolvem sua atuação. Há de se considerar ainda a cara estrutura 
técnica e administrativa que o Perito necessita para o seu 
escritório. Antigamente a função do Perito era exercida como um 
complemento de sua atividade profissional, pois normalmente 
era funcionário de empresas privadas ou órgãos públicos, sendo 
que hoje se dedicam exclusivamente a atender as nomeações de 
Juízes que os nomeiam ou possuem suas próprias empresas para 
atuarem como Perito Assistente Técnico. 
Destarte, essa fascinante função, repleta de desafios, atua como 
fator ímpar colaborador ao Sistema Judiciário, sendo merecedora 
de reconhecimento e valorização pela Justiça (IAMAMURA, 2016). 
Fonte: Imamura, 2016
86
CAPítulo 2
Perícias ambientais
A perícia judicial ambiental é apenas uma parte da perícia judicial como um todo.
o que é perícia ambiental?
Geralmente as perícias envolvem danos causados ao meio ambiente. 
Sendo assim, o perito deve investigar se houve ou não o crime ambiental, levantar as 
causas e fazer a valoração dos danos.
E, assim como os peritos oficiais, os peritos não oficiais necessitam ser profissionais 
totalmente imparciais, que não tenham envolvimento com as partes. Além disso, o 
artigo 158 do CPC, fala sobre os peritos prestarem informações inverídicas: 
Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas 
responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado 
para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, 
independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o 
juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das 
medidas que entender cabíveis.
Devido à complexidade dos assuntos ambientais, as perícias são 
de caráter multidisciplinar e envolvem mais de um profissional 
especializado, por exemplo, biólogos, geólogos, engenheiros ambientais, 
engenheiros químicos, químicos.
legislação para perícias ambientais
Na Lei de Crimes Ambientais (no 9.605 de 12 de fevereiro de 1998), há diversos artigos 
prevendo a necessidade da Perícia:
Artigo 17. A verificação da reparação a que se refere o parágrafo 2o do 
artigo 78 do Código Penal será feita mediante laudo de reparação do 
dano ambiental e, as condições a serem impostas pelo juiz, deverão 
relacionar-se com a proteção do meio ambiente. 
87
Perícias Judiciais e ambientais │ unidade iV
Artigo 19. A perícia de constatação do dano, sempre que possível, fixará 
o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e 
cálculo de multa”. Parágrafo Único – “A perícia produzida no inquérito 
civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada no inquérito criminal, 
instaurando-se o contraditório. 
Artigo 20. A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará 
o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, 
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente.
Por que a perícia ambiental está tão em alta?
O perito ambiental possui uma flexibilidade de horários de trabalho, podendo trabalhar 
em horários vagos, afinal não há um horário de trabalho preestabelecido. 
O trabalho é realizado em campo e depois o trabalho escrito pode ser realizado em 
qualquer lugar, em casa ou escritório. E pode desempenhar outras atividades em 
paralelo.
O conteúdo do trabalho que redige é de sua responsabilidade, o que diminui as pressões 
externas.
Profissionais sem conhecimento na área de perícias podem adquirir as noções essenciais 
ao encargo mediante um curso ou estudando sozinho o assunto perícia judicial, não 
necessitando concurso público.
O conhecimento da prática e da burocracia para se tornar perito na Justiça é básico 
aos químicos, aos biólogos, aos agrônomos, aos engenheiros, assim como para os 
profissionais de todas as áreas técnicas e científicas. Quem participa de curso de perícia 
judicial ambiental também tem o conhecimento essencial para ser perito em áreas 
que não sejam aquelas em que o meio ambiente esteja envolvido, desde que a área da 
perícia designada seja atribuição de seu curso superior. As atribuições são descritas 
pelos Conselhos Regionais de cada área de formação.
Os grandes mercados de perícia são, essencialmente: a Justiça Cível Estadual, a Justiça 
Cível Federal e a Justiça do Trabalho. Existem oportunidades em todas as capitais 
e cidades do interior do país; e como depende de nomeação e indicação, os bons 
permanecem. Lembrando que os peritos são chamados nos processos para resolverem 
questões técnico-cientificas.
88
UNIDADE IV │ PErícIAs JUDIcIAIs E AmbIENtAIs
quais as atribuições de quem atua como perito 
ambiental?
De acordo com o novo Código De Processo Civil, tanto profissionais graduados como 
técnicos e especialistas na área podem atuar como peritos judiciais ambientais. 
Especialista quer dizer que você tem especialidade da matéria, não somente quem 
possui mestrado ou doutorado.
Por exemplo:
 » a questão que envolve monitoramento ambiental da flora e da fauna, 
pode ser avaliada por um biólogo;
 » a questão que envolve qualidade das águas e solo, pode ser avaliada por 
um químico;
 » a questão que envolve a estrutura dos solos, pode ser avaliada por um 
geólogo, e assim por diante.
Assistentes técnicos
Assim como existe um perito no processo, podem existir nele um ou mais assistentes 
técnicos das partes, fato que aumenta a gama de trabalho das perícias; ou seja, o as 
perícias judiciais dividem-se em duas: a área de atuação do perito e a do assistente 
técnico das partes.
A figura 48 traz um esquema que mostra de forma simplificada o relacionamento entre 
os envolvidos em um processo:
figura 48. esquema do relacionamento entre os envolvidos em um processo.
JUIZ
AUTOR ASSISTENTETÉCNICO
PERITO
RÉU ASSISTENTETÉCNICO
fonte: própria autora.
É conveniente o conhecimento de perícia judicial para que os assistentes técnicos das 
partes realizem um bom trabalho. Pois as partes que possuem assistentes técnicos que 
não dominem a burocracia e a prática forense podem não ser bem representadas.
89
Perícias Judiciais e ambientais │ unidade iV
Os próprios peritos podem ser chamados a atuarem como assistentes técnicos das partes 
em outros processos nos quais não foram nomeados peritos, por isso a importância de 
realizarem trabalhos de boa qualidade.
Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão sujeitos a impedimento 
ou suspeição previsto no CPC. E o perito deve assegurar aos assistentes das partes o 
acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia 
comunicação.
A perícia e as ações judiciais
Deve o profissional que desejar adentrar o campo da perícia também conhecer os ritos 
processualísticos que são os procedimentos norteadores do andamento das ações 
judiciais.
A figura 49 mostra de forma genérica as fases do processo para melhor entendimento 
de todo o processo daperícia judicial, desde a nomeação do perito até o fim do processo.
figura 49. forma genérica as fases do processo.
NOVA NOMEAÇÃO 
PERITO ACEITA 
APRESENTA 
HONORÁRIOS 
PERITO OU PARTE 
NÃO ACEITA 
PERITO JUSTIFICA OU 
ACEITA REDUÇÃO 
HONORÁRIOS 
ACEITOS
NOVA NOMEAÇÃO 
PERITO ELABORA, 
APRESENTA LAUDO E 
SOLICITA LIBERAÇÃO 
HONORÁRIOS 
PERITO MARCA 
DILIGÊNCIA INICIAL 
DILIGÊNCA COM 
ASSISTENTES
PERITO ESCLARECE 
PARTES NÃO ACEITAM, 
PEDEM NOVA PERÍCIA
JUIZ MANTÉM A PERÍCIA 
INICIAL OU DETERMINA 
NOVA PERÍCIA 
PARTES ACEITAM 
FIM
HONORÁRIOS NÃO 
ACEITOS
INDICAÇÃO 
ASSISTENTES
TÉCNICOS
INTIMAÇÃO DO 
PERITO
PERITO NÃO 
ACEITA
APRESENTAÇÃO 
QUESITOS 
PARTES NÃO ACEITAM LAUDO, 
SOLICITAM ESCLARECIMENTOS 
fonte: misael Cardoso pinto neto, 2016. 
90
unidAdE V
ElAborAção 
dE lAudoS 
E PArECErES 
téCniCoS
CAPítulo 1
laudos periciais
De um modo geral, quando alguém está insatisfeito com uma situação, por exemplo, um 
novo sistema de instalação de aquecimento central não está funcionando corretamente, 
os responsáveis pelo estabelecimento querem um especialista para lhes dizer o porquê 
e o que eles podem fazer sobre isso e possivelmente até mesmo se eles são suscetíveis 
de obter compensação. Um relatório desta natureza é o que se chama um “Relatório 
Consultivo”. Não é preparado com vista a usá-lo em tribunal ou arbitragem. Dito de 
outra forma, ele permite que alguém decida o que pode fazer e ajuda-os a decidir que 
ação tomar.
Se for decidido que uma ação legal deve ser tomada para “corrigir o erro” ou para pedir 
compensação (danos), as chances são que um perito será obrigado a prestar provas. 
Antes que isso possa acontecer, o especialista será obrigado a produzir um relatório 
especializado, denominado de Laudo ou Parecer Técnico.
a. Relatório de especialista
A finalidade de um relatório de perito é expor a opinião do perito em matérias dentro 
de sua perícia a que foi instruído para relatar.
A utilização final do relatório é informar o tribunal sobre questões que não são da sua 
competência e sobre as quais tem de tomar uma decisão para resolver o litígio que lhe 
é submetido.
Além do uso do tribunal, o relatório também informará a parte instruidora e seus 
advogados sobre questões técnicas para que possam determinar a força de seu caso 
legal. Durante a preparação para a audiência será divulgado para o outro lado na 
disputa, assim, ajudando-os a avaliar a força do seu próprio caso jurídico. 
91
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
b. Conteúdo geral de um laudo ou parecer técnico
O relatório deve ser uma exposição concisa dos fatos e suposições usados pelo perito e 
sua análise seguida pela opinião do perito. Terá de cumprir os requisitos legais.
Os fatos e a opinião do perito devem ser claramente separados. 
 O leitor deve ser capaz de compreender e seguir o raciocínio que conduz às conclusões 
alcançadas no Relatório. Embora o relatório possa tratar de assuntos muito técnicos, 
estes devem ser expressos de uma forma que possa ser compreendida por um leigo 
inteligente. Não deve conter jargões ou siglas.
O perito é obrigado a incluir um resumo das instruções recebidas em qualquer forma 
que tenham sido dadas. Para evitar mal-entendidos, é mais seguro dar instruções por 
escrito ou, quando as instruções são dadas verbalmente, confirmá-las por escrito.
c. Regras aplicáveis a um relatório de peritos
Como o relatório do perito se tornará a principal evidência do perito (conhecido como 
“prova em chefe”) a ser dada ao tribunal, as Regras de Processo Civil (CPR) definiram 
muito claramente o que deve ser incluído no relatório de um perito.
Em termos gerais, os requisitos de CPR para um relatório de peritos podem ser vistos 
como uma forma de o tribunal poder ter certeza de que o perito tenha claramente definidas 
suas qualificações e metodologia, bem como mostrando quem trabalhou na preparação 
do relatório. Estes e outros assuntos são necessários para mostrar claramente que o 
perito deu o seu próprio parecer profissional independente. Isto deve incluir questões 
que possam prejudicar o caso da parte para a qual o Relatório foi preparado.
CPR também deixa bem claro que o dever supremo do perito é para o tribunal não para 
a parte que nomeia ou paga o perito.
d. Atividades básicas
Alguns aspectos são muito importantes para a elaboração de um parecer técnico. 
Por isso, foi montado um roteiro com as principais atividades que devem ser realizadas, 
durante a realização da vistoria e descrição do documento. Abaixo, são listadas as etapas 
previstas:
 » Requisição de documentação.
 » Conhecimento da documentação.
 » Vistoria do bem avaliando.
92
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
 » Coleta de dados:
 › aspectos quantitativos;
 › aspectos qualitativos;
 › situação mercadológica.
 » Escolha da metodologia.
 » Tratamento dos dados.
 » Conhecimento da documentação.
 » Identificação do valor de mercado.
Diz-se vulgarmente que os peritos são os olhos dos juízes. E todas as observações do 
perito e os exames realizados serão os objetos do laudo pericial.
Os exames periciais são muito importantes, pois é a partir dos exames que se obtém 
os vestígios, as evidências e a prova pericial. Porém o exame é algo intangível e por 
mais que possa conduzir à prova pericial, ele não é a prova e não é apresentado aos 
tribunais. Somente o perito tem acesso ao exame e, para que produza qualquer efeito, o 
exame precisa ser materializado. O elemento que materializa o exame pericial é o laudo 
pericial.
O laudo é o resultado do trabalho do perito, tanto o perito oficial criminal, quanto o 
perito judicial ou até mesmo o assistente técnico. O exame reduz-se ao laudo pericial. 
Dele vai depender a liberdade ou a prisão de alguém. Por isso a responsabilidade de 
quem redige o laudo. 
O laudo tem dois aspectos importantes: o material e o formal.
O material: o laudo tem de refletir aquilo que foi constatado e concluído por meio dos 
exames periciais.
O formal: como o perito expõe o conteúdo que foi obtido a partir dos exames. 
A concatenação das ideias, a estrutura do documento, a linguagem.
Apresentação dos laudos periciais
Não existe uma normatização sobre a apresentação dos laudos periciais criminais, o 
que existem são formalidades que devem ser atendidas:
93
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
Abertura: fazer as considerações iniciais, constar órgão de destino do laudo, 
identificações do caso que foi periciado, objetivo da perícia.
Desenvolvimento do trabalho: relatar, descrever os acontecimentos, realizar a 
apresentação dos exames e dos cálculos, situações em que os fatos se deram e como 
foram encontrados pelo perito, responder aos quesitos formulados pela Autoridade 
Policial Requisitante.
Considerações finais: resumo dos exames, conclusões.
Constar no laudo: rubrica do perito em todas as páginas; a localidade e a data em que 
o laudo foi concluído, assinatura e identificação do perito.
Não pode conter no laudo pericial: opiniões pessoais. O perito deve se limitar ao exame 
das questões técnicas, ou seja, das questões derivadas dos dados empíricos que ele 
realizou, afastando as impressões pessoais. As opiniões pessoais em nada contribuem 
para o laudo pericial. 
A elaboração dos laudos periciais deve levar em conta a Redação Oficial, ou seja, a 
linguagem utilizada, os níveis da fala, o padrão formal, seguir a norma culta de 
linguagem. O laudo deve ser claro e conciso, possuir pensamento ordenado e lógico.
Toda perícia criminal deve ter um objetivo e quesitos formulados pela Autoridade 
Policial Requisitante, sendo assim, na medida do possível o Perito Criminal deve se 
ater ao objetivo da perícia,assim como, responder aos quesitos formulados. 
Como já comentado anteriormente, o Código de Processo Penal, prevê a elaboração do 
laudo pericial:
Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão 
minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos 
formulados. 
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 
10 dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a 
requerimento dos peritos. 
A estrutura do laudo pericial deve se ajustar ao encadeamento de ideias cujo laudo 
pretende transmitir e, na medida em que o laudo decorre de um exame pericial, ele 
certamente deverá conter informações (figura 50):
94
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
figura 50. informações importantes que devem constar no laudo pericial.
Quem
requisitou o 
exame pericial?
Quando o 
exame foi 
requisitado?
Qual o meio de 
requisição?
Qual o objetivo 
da perícia?
fonte: própria autora.
O laudo será melhor compreendido se tiver uma estrutura simples e coerente, 
preferencialmente com o ordenamento temporal dos eventos, desde à solicitação até a 
conclusão dos exames e apresentação dos resultados. 
Sempre que os quesitos forem formulados anteriormente aos exames periciais, os 
mesmos serão respondidos no laudo. Na ausência de quesitos, as respostas das questões 
básicas de qualquer crime serão o norteador dos resultados periciais:
 » Houve crime?
 » Por qual meio foi praticado?
 » Houve emprego de instrumentos? Quais?
 » Houve concurso de pessoas? 
 » É possível determinar a dinâmica dos fatos?
Sobre a elaboração do laudo pericial, o legislador concedeu aos peritos prazo de dez 
dias, de acordo com o parágrafo único do artigo 160 do CPP. 
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 
dez dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a 
requerimento dos peritos.
A figura 51 sintetiza as partes de um laudo pericial: solicitação, exames e resultados.
95
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
figura 51. esquema das partes de um laudo pericial.
informações
organizadas
da solicitação
do histórico
dos objetivos
dos exames
dos objetos da perícia
dos exames 
propriamente
dos resultados
dos resultados
das conclusões
fonte: própria autora.
Exemplos de laudos periciais de diversas 
naturezas criminais
A seguir, serão apresentados exemplos genéricos de laudos periciais de naturezas 
criminais.
Exemplo de laudo de natureza furto
O papel timbrado do Instituto de Criminalística ou Polícia Técnica. 
Cabeçalho padrão da instituição
LAUDO PERICIAL no 0011/2017
Preâmbulo
Aos 14 dias do mês de setembro de 2017, na cidade de Xangrilá e no Núcleo de 
Perícias do INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA, da Superintendência da Polícia 
Técnico-Científica da Secretaria da Segurança Pública do Estado, em conformidade com 
o disposto no artigo aaa do Decreto Lei no lll, pelo Diretor deste Instituto foi designado o 
Perito Criminal Fulano de Tal, para proceder ao exame em atendimento à requisição 
do Delegado de Polícia do 1o DP de Bento Silva, Exmo Sr. Beltrano da Silva.
96
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
1. Histórico
Para proceder ao exame pericial em local de furto, esta equipe de Perícias Criminalísticas 
compareceu às 14h30min do dia 14 de setembro de 2017 ao local dos fatos, em 
atendimento à requisição no 111/2017, referente ao B.O. no 222/2017.
2. Do local e do Exame
2.1. Qual a natureza do local examinado?
Tratava-se de um imóvel comercial denominado “XXX”, situado na Rua Santa 
Filomena, no 333, Centro, na cidade de Bento Silva. A face frontal era vedada junto ao 
passeio público por porta de enrolar metálica. Em seu interior, dispunha de instalações 
e mobiliários compatíveis com a atividade de comércio de alimentos e bebidas.
A construção era de alvenaria, unida em ambos os lados, ao nível da via pública e no 
alinhamento geral das construções. 
2.2. Qual o meio usado para o acesso a esse local: com destruição ou 
rompimento de obstáculo ou mediante escalada, uso de chave falsa ou 
outros?
O acesso delituoso teria se dado pelo telhado do imóvel, sendo este constituído por 
telhas em fibrocimento onduladas, onde se verificou na área anterior do salão principal 
do estabelecimento que aproximadamente duas telhas se apresentavam fraturadas 
propiciando um vão livre, possuindo ainda sob este forro de gesso o qual se apresentava 
rompido na área logo abaixo a do telhado com danos, estando partes e fragmentos 
destes rompidos espalhados sobre o piso.
2.3. Há, internamente, vestígios de destruição ou rompimento de obstáculo 
ou teria ocorrido escalada, uso de chave falsa ou outro meio tendente à 
subtração da coisa? 
Internamente, não foram verificados vestígios de destruição ou rompimento de 
obstáculo.
2.4. Em que época se presume tenha ocorrido o fato?
Segundo informes da própria vítima, o fato teria ocorrido às 21h00min do dia anterior 
ao exame pericial, quando foi constatado o delito. Sendo que o local permaneceu 
fechado e vazio entre as 20h00mim e 22h00min.
97
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
2.5. Houve emprego de instrumento ou instrumentos? Quais?
Baseada nas observações e informes, este perito é levado a admitir que tivesse 
havido emprego de instrumento(s) desconhecido(s) utilizado(s) a guisa de percussão 
combinados com esforço muscular para romper os obstáculos.
2.6. Existiam vestígios, marcas, objetos, documentos ou outros que venham 
a permitir a futura identificação do autor ou autores?
Não foram encontrados documentos, objetos ou outros que venham a permitir a futura 
identificação do autor ou autores. A pesquisa de impressão dígito-papilar resultou 
negativa. 
3. Considerações finais
Nota: Este laudo vai impresso no anverso de 04 (quatro) folhas deste papel e dele fica 
arquivada cópia devidamente assinada. É ilustrado por 10 (dez) fotografias devidamente 
legendadas, que passam a fazer parte integrante do laudo.
- x - x - x - x - x - x -
Fulano de Tal
Perito Criminal
laudo de exame pericial de acidente de trânsito
Preâmbulo
Constar as informações da data da designação e nome do Diretor do INSTITUTO 
DE CRIMINALÍSTICA, nome dos Peritos Criminais designados; natureza do exame, 
autoridade requisitante e quesitos formulados.
Histórico
Constar o fato ou fatores que motivaram a realização da perícia; o horário da solicitação 
da autoridade requisitante e do atendimento pelos Peritos.
Do Objetivo Pericial
Indicar a razão da perícia ou o objetivo específico delineado pelo requisitante da perícia.
98
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
Dos Exames
Relatar todos os exames realizados referentes a:
a) Descrição do Local
Descrever detalhadamente o local, objetivando caracterizar o endereço do acidente; 
tipo de superfície de rolamento; topografia; sinalização; iluminação; condições físicas 
do pavimento; visibilidade; sentido direcional em que o tráfego se processa; controle 
do fluxo quando dos exames; sistema de referência para a descrição dos indícios e ou 
outros itens que julgarem pertinentes. 
 Da Preservação – citar a Resolução SSP 382/1999
a) Dos Vestígios materiais
Descrever detalhadamente todos os vestígios encontrados no local da ocorrência; 
localização; característica e posicionamento em relação ao sistema de referência e 
outros dados observados.
b) Do local do Embate
Informar o ponto exato da ocorrência do fato delituoso, utilizando os elementos do 
local e o sistema de referência. 
c) Da velocidade das Vias e dos Veículos Envolvidos
Classificar a via de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (artigos 61 a 62). 
Inserindo as velocidadesdos veículos envolvidos correlacionando com os vestígios que 
permitiram a sua determinação e a metodologia empregada.
d) Dos Veículos Envolvidos
Informar as características dos veículos envolvidos; as avarias e intensidades; o ponto 
de impacto e orientações; as condições do veículo quanto ao seu uso operacional, 
sistema de segurança, sinalização e iluminação.
Outros Exames
Caso julgar necessário a realização de outros exames, podendo ser em componentes dos 
sistemas de segurança do veículo e etc.
99
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
e) Do Exame no Cadáver
Fazer a identificação documental, se houver; descrever toas as características físicas do 
cadáver e posicionamento em relação ao sistema de referência definido e tudo o mais 
que for necessário;
f) Do Exame Perinescroscópico
Descrever as características e posicionamento das lesões externas do cadáver.
Das Considerações técnico-periciais
Constatar a análise e interpretação dos vestígios interligando-os entre si e sua correlação 
com o fato estudado
Da Dinâmica do Evento
Descrição da Reconstituição da movimentação dos veículos e pedestres anteriores e 
posterior ao embate.
Conclusão
Informar as conclusões pertinentes ao causa determinante do caso estudado e ou outras 
que porventura sejam necessárias.
Das Respostas Aos Quesitos
Consignar, se caso existir, as respostas aos quesitos formulados, de forma sucinta, clara 
e objetiva.
Nos quesitos que não for possível a resposta, em consequência da natureza do exame, 
responder com a palavra “prejudicado”.
Levantamento Fotográfico
Inserir as fotografias relativas ao caso indicando a quantidade e sempre que possível, com 
o posicionamento dos vestígios encontrados no local; todos com a legenda explicativa. 
Deverá ainda fazer referência ao número da fotografia junto ao texto a que se refere.
Croquis e Desenho
Constar a representação esquemática com escala do local do delito, com a sua orientação 
e outras ilustrações julgadas convenientes.
100
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
DISPOSIÇÕES FINAIS
No fechamento dos laudos periciais serão inseridos:
a) Número de folhas que compõem o laudo, que fica arquivada cópia e os anexos que 
acompanham, com menção dos técnicos responsáveis pelo trabalho.
b) o local, data e assinatura dos peritos, que deverão ainda rubricar todas as outras folhas.
laudo de exame pericial de local de crime contra 
a pessoa
Preâmbulo
Constar as informações da data da designação e nome do Diretor do INSTITUTO 
DE CRIMINALÍSTICA, nome dos Peritos Criminais designados, natureza do exame, 
autoridade requisitante e quesitos formulados.
Histórico
Constar o fato ou fatores que motivaram a realização da perícia; o horário da solicitação 
da autoridade requisitante e do atendimento pelos Peritos.
Do Objetivo Pericial
Indicar a razão da perícia ou o objetivo específico delineado pelo requisitante da perícia.
Dos Exames
Relatar todos os exames realizados referentes a:
a) Descrição do Local
Descrever detalhadamente o local, objetivando caracterizar o endereço do fato; a área 
mediata e imediata; as formas de acesso ao local; as condições atmosféricas do tempo; 
topografia; iluminação; orientação geográfica com pontos de referência; as condições 
de visibilidade; sistema de referência para a descrição e ou outros itens que julgarem 
pertinentes.
Da Preservação
b) Dos Vestígios materiais
Descrever detalhadamente todos os vestígios encontrados no local da ocorrência; 
localização; característica e posicionamento em relação ao sistema de referência e 
outros dados observados.
101
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
c) Do Exame no Cadáver
Fazer a identificação documental, se houver; descrever toas as características físicas do 
cadáver e posicionamento em relação ao sistema de referência definido e tudo o mais 
que for necessário;
d) Do Exame Perinescroscópico
Constar as informações referentes ao exame externo do cadáver, anotando os ferimentos 
(características e dimensões); sinais de violência; sinais de luta; reação de defesa e 
material do agressor examinando cabeça, pescoço, tórax; membros superiores, mãos, 
abdome, dorso, órgãos genitais, membros inferiores e qualquer outro vestígio presente. 
No caso de cadáver não se encontrar no local quando dos exames, os Peritos deverão 
verificar no IML os tipos de lesões para servir de orientação e ou confronto com o estudo 
do local. Porém não constar no seu laudo para não haver interferência indevida, pois 
o cadáver no IML é de competência do Médico Legista.
e) Das Vestes
Assinalar minuciosamente as características físicas de cada peça encontrada; sua 
disposição geral quanto a sua forma de acomodação da vítima, observando se estão 
repuxadas, abertas, ou fora de alinhamento normal quanto ao seu uso correto no corpo 
da pessoa; orifícios e perfurações e sua correspondência com as lesões encontradas; 
presença de substância de qualquer natureza e objetos encontrados no interior de 
bolsos e tudo o que mais for encontrado de vestígios. Os Peritos deverão recolher todas 
as peças de vestes do cadáver, para exames, que acompanharão o laudo pertinente.
f) Das Peças
Relatar todos os objetos, substâncias, armas, instrumentos, projeteis e outros materiais. 
Necessitando exame específico, solicitar Relatório de Análise a laboratório específico e 
consignar em seu laudo o resultado das análises, bem como, o nome do núcleo e dos 
Peritos que fizeram os respectivos exames de laboratório.
g) Outros Exames
Caso julgar necessário a realização de outros exames, podendo ser em veículos, locais 
e etc.
102
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
Das Considerações técnico-periciais
Constatar a análise e interpretação dos vestígios interligando-os entre si e sua correlação 
com o fato estudado
Da Dinâmica do Evento
Descrição da Reconstituição da dinâmica de ocorrência do fato, estabelecendo-se o 
diagnóstico diferencial se a morte ocorrida foi em consequência de suicídio, homicídio, 
acidente ou morte natural.
Conclusão
Informar as conclusões pertinentes ao caso estudado, informando o diagnóstico 
diferencial, o instrumento utilizado e ou outras que porventura sejam necessárias.
Das Respostas Aos Quesitos
Consignar, se caso existir, as respostas aos quesitos formulados, de forma sucinta, clara 
e objetiva.
Nos quesitos que não for possível a resposta, em consequência da natureza do exame, 
responder com a palavra “prejudicado”.
Levantamento Fotográfico
Inserir as fotografias relativas ao caso indicando a quantidade e sempre que possível, com 
o posicionamento dos vestígios encontrados no local; todos com a legenda explicativa. 
Deverá ainda fazer referência ao número da fotografia junto ao texto a que se refere.
Croquis e Desenho
Constar a representação esquemática com escala do local do delito, com a sua orientação 
e outras ilustrações julgadas convenientes.
DISPOSIÇÕES FINAIS
No fechamento dos laudos periciais serão inseridos:
a) Número de folhas que compõem o laudo, que fica arquivada cópia e os anexos que 
acompanham, com menção dos técnicos responsáveis pelo trabalho.
b) o local, data e assinatura dos peritos, que deverão ainda rubricar todas as outras 
folhas.
103
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
laudo de constatação prévia de entorpecente
(MODELO PARA QUANTIDADE SUPERIOR A 2,0 GRAMAS)
LAUDO No ________/__
TC No _________/____IP No _________/____ BO No ___________/____
DELEGACIA: ________DATA: _____/_____/ 2018
NOME DO INDICIADO:________________________________________
MATERIAL ESTAVA EMBALADO EM _____________________________
ACOMPANHADO DO(S) DOCUMENTO(S): requisição da Delegacia Policial.DO EXAME:
O exame do material revelou peso líquido de ____________ gramas.
Deste material foi retirada uma amostra média de 2,0 gramas, da qual foi utilizada__ 
gramas para a elaboração do presente laudo de constatação e o restante ___ gramas, com 
lacre _____, está sendo devolvido à Autoridade requisitante, para o encaminhamento 
ao Núcleo de Exames de Entorpecentes do Instituto de Criminalística para realização 
do Laudo definitivo.
O restante do material ______gramas, com lacre no _______e os invólucros com 
lacre no _____________estão sendo encaminhados à Autoridade requisitante nos 
termos das exigências legais.
RESULTADO: Positivo para ______________(Cocaína, maconha, etc.).
(ESTE RESULTADO É DE CARÁTER PROVISÓRIO E NÃO CONFIRMA 
NECESSARIAMENTE O RESULTADO DA IDENTIFICAÇÃO QUE SERÁ ENVIADO 
NO LAUDO DEFINITIVO)
RECEBI TRÊS VIAS DESTE E O RESPECTIVO MATERIAL
São Paulo, ______de _________de 2018.
NOME:
ASSINATURA:
RG No
DATA E HORA: __/__/___ ____________h.
PERITO CRIMINAL
104
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
Exames em armas de fogo
dados que devem constar em laudos iniciais
 » Tipo de arma (revólver, espingarda, pistola semiautomática etc.). 
 » Modelo (quando existente ou avaliável, normalmente gravado na 
estrutura ou cano). 
 » Número de série (quando adulterado, picotado raspado etc., colocar lacre 
no guarda mato, constando o respectivo número do lacre no laudo). 
 » Número de montagem (obrigatória à colocação deste, quando existente em 
casos de numeração de série suprimida etc.). Observação: é conveniente 
colocar numeração do cano de Pistolas, quando existente, mesmo tendo 
a arma número de série, tendo em vista que o cano de Pistolas pode ser 
trocado facilmente). 
 » Número de segredo (pesquisar, quando com número de série suprimido 
etc.). 
 » Estado e conservação da arma. 
 » Acabamento (oxidado, inoxidável etc.). 
 » Calibre:
 › Nominal: gravado na arma em frações de polegada ou milímetros.
 › Real: medida em milímetro na boca do cano, fazendo constar 
compatibilidade com calibre nominal (quando possível).
 » Sistema de percussão (pino isolado, articulado etc.). 
 » Sistema de carregamento e capacidade (se por carregador, sua capacidade, 
deslocamento lateral de tambor, culatra etc.). 
 » Extração e ejeção.
 » Comprimento de cano (em milímetros ou polegadas). 
 » Número de raias e sua orientação (quando avaliável). 
 » Guarnições e outros (cabo, coronha, elementos de mira, brasões etc.). 
105
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
 » Funcionamento (análise dos sistemas e verificação de eficácia). 
 » Verificação de sistemas de segurança e travas: quando em ocorrência de 
tiro acidental, verificação da existência de travas e seu funcionamento e 
testes específicos de acordo com depoimentos sobre o ocorrido.
 » Pesquisa de resíduos de pólvora combusta (nitritos – realizados até 08 
dias após a ocorrência. Após este prazo o exame fica prejudicado).
Inicia-se com exame visual (câmaras de revólver e cano), observando o esfumaçamento, 
ou mesmo a presença de “cotton”. A pesquisa é realizada como orientação técnica.
 » Levantamento de numeração (explicitamente quando solicitado, 
utilizando inicialmente método físico, com abrasão delicada utilizando 
lixas de granulações variáveis, promovendo uma superfície lisa e polida. 
Não obtendo resultados, procede-se ao método físico-químico).
106
CAPítulo 2
Pareceres técnicos
A figura do assistente técnico, de certo modo, foi uma opção do legislador, que concedeu 
às partes para que se possa falar em paridade de armas, uma vez que, como lecionam 
Távora e Alencar “Estamos diante de mais um meio de prova, afinal, o magistrado, 
se assim estiver convencido, poderá afastar o laudo oficial e valer-se do parecer do 
assistente para lastrear a decisão”, ou seja, o julgador tem autonomia para selecionar o 
parecer que considerar mais adequado.
Porém, apesar de ser devidamente regulamentado na legislação, deve-se levar em 
consideração que o parecer do assistente técnico não tem compromisso com a 
imparcialidade, tal qual o Laudo Pericial, sendo assim, existe uma possibilidade 
muito maior de que haja uma tentativa de beneficiar a parte que, porventura, o tenha 
contratado.
Parecer técnico é uma peça escrita e fundamentada, na qual os técnicos expõem as 
observações, estudo e conclusões que fizeram e registraram durante a perícia executada. 
Importante perceber a diferença entre parecer e laudo:
PARECER: opinião, conselho ou esclarecimento técnico emitido por um profissional 
legalmente habilitado sobre assunto de sua especialidade.
LAUDO: Peça na qual o perito, profissional habilitado, relata o que observou e dá as 
suas conclusões ou avalia, fundamentadamente, o valor de coisas ou direitos.
Nenhum é mais importante que o outro, simplesmente são aplicados em cenários 
distintos para situações distintas.
Parecer médico-legal
É a resposta escrita de autoridade médica, de comissão de profissionais ou de sociedade 
científica, a consulta formulada com o intuito de esclarecer questões de interesse 
jurídico (Preâmbulo, Exposição, Discussão, Conclusão).
metodologia aplicável
A metodologia escolhida deve ser compatível com a natureza do bem avaliando, a 
finalidade da avaliação e os dados de mercado disponíveis. Para a identificação do valor 
de mercado, sempre que possível preferir o método comparativo de dados de mercado. 
107
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
Regras ou normas estabelecidas para o desenvolvimento de uma pesquisa são 
estabelecidas em acordo com a natureza do bem estudado, seu tipo e capacidades, 
qual a sua finalidade, a que se destinada ou teria maior sucesso, quais os interesses 
maiores após a avaliação e conclusão do laudo, se os dados oferecidos estão disponíveis 
e respondem ao o resultado esperado. 
A norma NBR 14653/1: 2001, destaca que sempre que os dados forem suficientes, é 
desejoso que se use o método comparativo de dados do mercado, por sua finalidade 
e didática. Toda a metodologia aplicada deve estar de acordo com as exigências 
normativas, observar o que se pretende alcançar diante do mercado, se utilizando de 
suas regras ou normas estabelecidas para um desenvolvimento que dê suporte e valide 
o valor encontrado.
A abordagem metodológica a ser utilizada será escolhida baseada na natureza do bem 
que está sendo avaliado. E podem ser:
métodos para identificar o valor de um bem de seus frutos 
e direitos
I. Método Comparativo Direto de Dados de Mercado: por meio desse método 
é possível identificar o valor de mercado do bem por meio de tratamento 
técnico dos atributos dos elementos comparáveis que compõe a amostra.
II. Método involutivo: por meio desse método é possível identificar o valor 
de mercado do bem, alicerçado no seu aproveitamento eficiente, baseado 
em modelo de estudo de viabilidade técnico-econômica, mediante 
hipotético empreendimento compatível com as características do bem 
e com as condições do mercado no qual está inserido, considerando-se 
cenários viáveis para execução e comercialização do produto.
III. Método evolutivo: por meio desse método é possível identificar o valor do 
bem pelo somatório das parcelas componentes. 
IV. Fator de comercialização: é, de maneira preferencial, mensurado em 
comparação no mercado.
V. Método da capitalização da renda: por meio desse método é possível 
identificar o valor do bem, baseado na capitalização presente da sua 
renda líquida prevista, considerando-se cenários viáveis.
108
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
Métodos para identificar o custo de um bem:
I. Método Comparativo Direto de Custo: por meio desse método é possível 
identificar o custo de um atravésdo tratamento técnico dos atributos dos 
elementos comparáveis que compõem a amostra.
II. Método da quantificação de custo: por meio desse método é possível 
identificar o custo do bem ou partes dele, através de orçamentos sintéticos 
ou analíticos partindo das quantidades de serviços e respectivos custos 
diretos e indiretos.
Métodos para identificar indicadores de viabilidade da utilização econômica de um 
empreendimento:
I. Os procedimentos avaliatórios que em geral se utiliza para determinar 
indicadores de viabilidade econômica de um empreendimento são 
alicerçados no seu fluxo de caixa, por meio dele que se são determinados 
indicadores de decisão com base no valor presente líquido, taxas internas 
de retorno, tempos de retorno dentre outros.
Especificação das avaliações
O conceito de especificação relacionado à intenção de se estabelecer uma gradação 
qualitativa dos trabalhos avaliatórios em função do nível de fundamentação e de 
precisão conseguidos pelo avaliador.
Está relacionado de forma direta com o prazo demandado; com os recursos despendidos, 
e com a disponibilidade de dados de mercado e da natureza do tratamento a ser 
empregado.
A fundamentação está relacionada com o aprofundamento do trabalho avaliatório e a 
precisão será estabelecida quando for possível medir o grau de certeza e o nível de erro 
tolerável numa avaliação.
Como já vimos, o valor de mercado do bem é a identificação do valor de mercado que 
deve ser realizado por meio de uma metodologia que se encaixe de melhor maneira 
ao mercado de inserção do bem e segundo o tratamento de dados de mercado, o que 
garante:
 » Arredondar o resultado de sua avaliação, desde que o ajuste final não 
varie mais de 1% do valor estimado.
109
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
 » Indicar a faixa de variação de preços do mercado admitida como tolerável 
em relação ao valor final, desde que indicada a probabilidade associada.
Para o diagnóstico do Mercado, o avaliador deve analisar o mercado no qual está 
inserido o bem, avaliando de forma a descrever no laudo, a liquidez deste bem e, tanto 
quanto possível, relatar a estrutura, a conduta e o desempenho do mercado.
Preparação de laudos segundo a nbr 14653
De acordo com a NBR 14653, o laudo de avaliação deve ser autoexplicável, para 
ser considerado de boa qualidade, todas as informações pertinentes, necessárias 
e elucidativas, sem deixar sombra de dúvida sobre o elemento avaliado. Para isso 
recomenda um roteiro de informações:
Identificação do solicitante: o contratante, pessoa física ou jurídica, deve estar 
devidamente registrado no laudo.
Finalidade do laudo: dá o entendimento do laudo para o que foi pedido e qual sua 
função exemplo alienação, aquisição, arrematação, venda etc.
Objetivo da avaliação: um laudo de avaliação precisa deixar bem claro qual o seu 
objetivo. Os principais objetivos de avaliação são determinação do valor de mercado, 
identificação do custo de reedição, valor de desmonte e patrimonial.
Conjecturas para iniciar um laudo: quando qualquer documento tipo laudo é 
pedido, a sua documentação é indispensável. 
Para a segurança do avaliador e de todos os dados que serão levantados, é necessário 
que a documentação do imóvel esteja correta e completa. 
Se o suposto proprietário omitiu alguma documentação, é possível que aconteça 
incoerência nas informações.
Esse tipo de comportamento deixa o avaliador livre para continuar ou não a fazer o 
laudo. Se optar em fazer deve deixar de maneira concisa esse detalhe além de descrever 
as possíveis limitações para conclusão do laudo.
identificação e caracterização do imóvel avaliado
Nada pode ser realizado antes da vistoria, esta é realizada pelo profissional de avaliações, 
pelo engenheiro ou pelo técnico, todos validados pelos órgãos como CREA etc.
110
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
O entendimento do imóvel, seus aspectos e características para que a orientação para 
o laudo seja clara e concisa, também se torna indispensável para a avaliação da análise 
da região onde o terreno está inserido, observando as edificações, benfeitorias, a 
localização, infraestrutura, condições de habitação, aspectos físicos e etc.
diagnóstico de mercado
O avaliador após identificar o objetivo da avaliação e sua finalidade, tem que se inteirar 
do mercado onde está inserido o bem avaliado, demonstrando sua liquidez, deve fazer 
um esforço para que todas as nuances do mercado sejam expostas, sua estrutura, 
conduta e o desempenho do mercado local.
Alguns autores acreditam que para que os aspectos críticos da estrutura do mercado 
sejam estudados alguns pontos devem ser os principais, são eles: 
 » Grau de concentração dos vendedores: o mesmo que saber sua 
organização, como estão relacionados e o tipo de negociações comum no 
mercado. Perfil do universo de compradores: identificação dos supostos 
negociadores, interessados em adquirir bens, onde se estabeleceram, qual 
o tipo de compra, se com poucas ou muitas posses, o poder aquisitivo alto 
em que grau, como se comportam diante da oferta, o que é mais comum 
entre eles, todo o perfil de descritivo para que se possa desenvolver 
estratégias econômicas para as vendas na região.
 » Grau de diferenciação do produto: qual o tipo de bens oferecidos pelos 
compradores, qual a sua forma, características físicas, onde estão 
estabelecidos, qual sua origem, capacidade de rentabilidade, qual a 
visão dos compradores em relação a eles, se demonstraram interesse, 
se buscaram informações diversas, se ao seu olhar do comprador tem 
condições de gerar negociações etc. A disposição natural do mercado 
deve ser levada a sério, o interesse em observar como o mercado se 
comporta, quanto de sucesso o vendedor tem tipo, suas percentagens 
anuais e semestrais, qual o grau de satisfação dos compradores, qual o 
tipo e empreendimento que mais tem resultado, qual a vocação local, se 
está bem definida ou não, sua capacidade de gerar frutos é alta, ou está 
em transição. 
A maneira como os negociadores estão se comportando diante das situações de venda, 
ou das situações de negócios ruim, qual o quadro mais comum, se conseguem reverter, 
algum negócio ruim, qual o êxito etc. Identificar sua média de valores, se o mercado de 
111
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
fato comporta, ou seria necessário para uma rentabilidade maior uma revisão desses 
dados, quais locais dentro da mesma região atingiram uma maior fama em relação ao 
sucesso em deixar os compradores satisfeitos e trabalhar essa tendência nas outras 
microáreas.
Em relação à implantação de novos empreendimentos qual o interesse maior, o 
destaque pode ser levado em outras regiões próximas, quanto desses empreendimentos 
a região suportaria, a chance de outros elementos ligados ao comércio que vem sendo 
desenvolvido na região terem sucesso, qual a capacidade e velocidade de ocupação do 
solo, tem quanto tempo que a região começou a se desenvolver. 
Os tipos de bens que estão sendo oferecidos para povoar a região está dentro do interesse 
regional, quanto a infraestrutura local qual o tipo, como está dividida, estruturada, qual 
a posição do poder público local em relação ao avanço, está sendo oferecido de fato 
equipamentos urbanos suficientes e na qualidade da ocupação do solo, ou ainda está 
em expansão, qual o grau de relação entre os vendedores e o poder público local, quanto 
a sua legislação séria, mas flexível, ou rígida e por isso, enfrenta grandes problemas na 
manutenção do interesse dos compradores
utilizando o método comparativo direto de dados de 
mercado
O método requerido pela norma é o método comparativo direto de dados de mercado, 
para melhor entendimento vamos destacar os pontos, mas importantes dentro do 
conceitoespecífico para a formação do laudo:
 » Planejamento da pesquisa, de acordo com a norma NBR 14653/1/1 2001 
e 2004, o objetivo central é a composição de uma amostra representativa 
contendo as informações de mercado, para isto o maior número possível 
de dados deve ser coletado, que contenham características particulares 
capazes de serem comparadas aos do bem que será avaliado. 
 » Delimitar o mercado com conceitos e hipóteses existentes provenientes 
de experiências anteriores sobre o problema específico de identificação 
do valor do imóvel. Inicialmente nesta fase, são fixadas variáveis, que são 
relevantes para a explicação da formação de valor.
 » Identificar s variáveis do modelo. As variáveis dependentes são 
especificadas a partir da investigação do mercado, por conta dos valores 
112
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
e como este se comporta, é necessária a homogeneidade nas unidades de 
medidas, são levadas em conta as características físicas, de localização 
e econômicas serão inseridas no modelo pelas variáveis independentes, 
logo após a pesquisa deve verificar as relevâncias para utilizar corretas 
varáveis.
Por recomendação da norma, adotam-se variáveis quantitativas, as distinções dos 
imóveis seguem uma ordem específica: uso de variáveis dicotômicas, variáveis Proxy e 
por meio de códigos alocados. Divididas em qualitativas e quantitativas:
Quantitativas: diferenças medidas em valores para cada elemento da amostra, exemplo 
área, frente, número de dormitórios etc. podem assumir valores diferentes em uma 
sequência numérica.
Deve-se evitar muitos dados diversos de populações diferentes. Então uma amostra 
de terrenos que apresente amplitude de áreas entre 200,00 m² e 100.000,00 m² 
provavelmente contém possíveis dados pertencentes à população, terrenos misturados 
com dados da população de glebas urbanizáveis, ou seja, essas populações apresentam 
demandas diferentes, por isso devem estudar em separado. Igualmente se a amostra 
contivesse dados com áreas variando entre 200,00 m² e 220,00 m², dificilmente 
comprovaria a influência desta variável na variação de mercado para ser aproveitado o 
artifício de transformações matemáticas como potenciação em níveis elevados.
Qualitativas: são os conceitos ou qualidades, que podem ser transformadas em valores 
numéricos, dando a possibilidade de medir as diferenças entre os dados, por exemplo 
padrão construtivo, atratividade, estado de conservação, localização na malha urbana 
etc., é estabelecida uma codificação numérica, variáveis como bairro comercial ou 
residencial, avenida A ou avenida B são variáveis chamadas de binárias, dicotômicas ou 
ainda dummies. Exemplo de variáveis dicotômicas:
 » oferta/venda;
 » esquina;
 » frente para o mar;
 » ocupação;
 » elevador;
 » garagem.
113
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
As mais contundentes são as variáveis: 
 » Padrão construtivo: baixo, alto, normal.
 » Conservação: ruim, regular, boa.
 » Fluxo de pedestres: baixo, médio, alto.
São atribuídos pesos como 1,2,3 crescendo o peso no sentido da situação menos favorável 
para a mais favorável, são valores subjetivos de difícil quantificação, mas utiliza-se das 
experiências para resoluções dos problemas relativos a essa dificuldade.
 » Levantamento de dados de mercado: as informações devem ser 
diversificadas, coletadas em diferentes fontes. Assim a confiabilidade 
dos dados se torna mais segura diante do mercado, busca dados 
contemporâneos com data de referência da avaliação, verifica ofertas 
buscando informações sobre o tempo de exposição no mercado, se 
mercadológicas sempre verificar os dados de mercado e suas situações 
adversas de mercado.
 » Tratamentos de dados: pela recomendação da norma devemos manter o 
equilíbrio das variáveis, preços e forma de variação, as dependências etc. 
por isso a norma recomenda alguns tratamentos já citados nas unidades 
anteriores são eles:
 › conceitos científicos;
 › inferência estatística aplicada;
 › população;
 › amostra;
 › parâmetros;
 › estatísticas ou parâmetros estimados;
 › estimador;
 › estimação;
 › estimativa;
 › propriedade dos estimadores.
114
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
Existem alguns formulários padrões para autenticar laudos, geralmente as empresas 
têm suas especificações, de acordo com as normativas, quando a amostra é única, ainda 
é mais difícil ter uma formulação.
Exemplo de formulário padrão está no caderno de encargos da SUDECAP/2008 um 
roteiro é imprescindível para que o laudo seja, dinâmico e demonstre confiabilidade.
tratamento dos dados e observação dos 
resultados
O avaliador tem total liberdade para definir, escolher seu método, a maneira de teorização 
da pesquisa, sua coleta de dados etc., tudo em função de apresentar um trabalho 
confiável de avaliação. No entanto, tem obrigação de ser coerente, ter consciência 
crítica e objetiva, buscar a originalidade em suas ações e conclusões avaliativas, ter um 
interesse em manter fiel, confiável em seus julgamentos em relação à avaliação e ter 
criatividade, estar aberto a novidades, sem deixar de levar em consideração a história 
de cada bem avaliado, de cada informação colhida.
Sempre buscando na norma as considerações sobre as etapas a serem executadas 
no processo de avaliações, está definido pela mesma norma que todos os cálculos 
considerados para fins de avaliação no campo arbítrio, ou seja, a relação que resulta em 
o avaliador modificar o valor da estimativa alcançada na avaliação, entender por bem 
que há motivos suficientes que justifique sua escolha, e por qualquer outro motivo que 
não esteja claro no procedimento que foi tomado como base para a avaliação inicial.
É normatizado que previamente se faça um estudo gráfico, levando em conta o resumo 
conclusivo das informações coletadas, o principal objetivo é que se consiga demonstrar 
as distribuições de frequência para cada uma das variáveis, assim como as relações 
entre elas.
É nesse momento que se identifica a veracidade das amostras, seu equilíbrio, a 
influência das eventuais variáveis-chave que irão incidir sobre os valores e a forma de 
variação, as dependências que podem ocorrer entre elas, os pontos atípicos que surgem 
etc. Desta maneira há como fazer a correlação das respostas obtidas no mercado com a 
possibilidade a priori do engenheiro avaliador, assim como fornece embasamento para 
que se obtenham novas hipóteses.
A utilização de tratamento científico é bem aceita no tratamento de evidências empíricas 
(desenvolvida a partir da prática) a partir do uso do mesmo tratamento anteriormente, 
que consiga desenvolver o interesse em utilizar o modelo aceito para o comportamento 
do mercado em que se está atuando.
115
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
Ainda que todo modelo seja uma representação simplista do mercado, porque não 
consegue absorver todas as informações.
Com isso é justo que todo tipo de cuidados científicos a pesquisa na sua elaboração, 
inicialmente na preparação da pesquisa e todo o levantamento documental, bibliografias 
gerando dados brutos e dando embasamento às informações, esse cuidado deve ser 
levado para o trabalho de campo (análise quantitativa e qualitativa dos dados para 
definição da amostra), até o resultado final do trabalho de avaliação de um imóvel. 
É imprescindível a busca exaustiva da confiabilidade de dados.
Graficamente também os cuidados devem ser observados para a serem tomados 
de maneira que as demonstrações gráficas de preços versus valores estimados 
por determinação do modelo escolhido devem ser apresentadas no laudo, como é 
prerrogativa da norma, identificando a proximidade dos pontos em relação à bissetriz 
do primeiroquadrante, também pede que os modelos previamente escolhidos devem 
ser testados e julgados para atender o comportamento do mercado. Se for utilizar os 
modelos de regressão linear a norma NBR 14653/2, 2004 exige que o Anexo A seja 
levado em conta.
O resultado da avaliação deve estar de acordo com o que está prescrito na norma NBR 
14653, como também deve-se colocar de maneira clara a data em que foi solicitada. 
O engenheiro avaliado é um profissional qualificado e registrado no Conselho 
Regional de Engenharia, Arquitetura (CREA), sendo responsável pela avaliação, deve 
previamente demonstrar essa qualificação legal completa, e anexar a ART (anotação 
de responsabilidade técnica), referente ao trabalho realizado e assinando o laudo de 
avaliação.
116
CAPítulo 3
modelo de laudo/parecer técnico de 
avaliação para imóveis urbanos e bens 
móveis
Início do laudo
No Laudo/ Parecer Técnico _______/________
1. SOLITANTE:
(Citar solicitante)
2. PROPRIETÁRIO:
(Citar o nome do Proprietário)
3. OBJETO DA AVALIAÇÃO:
 1.1. Tipo de Bem:
(Tipo de bem, preencher conforme a tipologia que está sendo avaliada)
 1.2. Descrição Sumária do Bem:
(Descrever sucintamente o bem, visando identificar prontamente o imóvel, incluindo 
endereço complete e CEP)
a. Área construída total (m²):
 › Área averbada (m²).
 › Área ampliada (m²).
 › Área do terreno (m²). 
 1.3. Ocupante do imóvel. 
 1.4. Tipo de ocupação:
(Indicar, se for o caso, o ocupante do imóvel e o tipo de ocupação: imóvel próprio, 
locação, invasão e outros)
117
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
 4. FINALIDADE DO LAUDO/PARECER TÉCNICO:
(Preencher conforme abaixo, segundo o informado pelo interessado)
LPA levantamento Patrimonial
Informar trata-se de laudo para conclusão do curso.
 5. OBJETIVO DA AVALIAÇÃO/ PARECER TÉCNICO:
(Preencher conforme abaixo)
Determinação dos valores:
De mercado
De liquidação imediata (conforme item 3.30 da NBR 14.653-1 – Liquidação forçada)
 6. PRESSUPOSTOS, RESSALVAS E FATORES LIMITANTES:
(Atender ao disposto no item 7.2 da NBR 14.653-1)
 7. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO BEM AVALIADO:
Período da vistoria: _____/_____/_____
(Atender ao disposto no item 7.3 da NBR 14.653-1, relatar a vistoria ao bem avaliando e 
o contexto imobiliário a que pertence. Valer-se de anexo, em caso de grande volume de 
informações, citando neste campo o número do referido anexo).
 8. DIAGNÓSTICO DO MERCADO:
(Retratar, conforme item 7.7.2 da NBR 14.653-1, a expectativa do avaliador em relação 
ao desempenho do avaliando no Mercado, completando elementos auxiliares à 
finalidade do Laudo, tais como: conveniência de lotear ou relembrar áreas/ formas de 
pagamento/ permutes/ reformas/ carências em locações/ sugestões para marketing). 
Sem prejuízo das informações relevantes, o avaliador deve classificar o imóvel 
quanto à:
a. Liquidez: baixa liquidez, liquidez normal ou alta liquidez. Desempenho 
de Mercado: recessivo, normal ou aquecido. 
b. Número de ofertas: sem perspectiva, difícil, demorada ou rápida. 
c. Pública alvo para absorção do bem. 
118
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
d. Absorção pelo Mercado: perspectiva, difícil, demorada ou rápida. 
e. Facilitadores para negociação do bem.
(Valer-se de anexo em caso de grande volume de informação, citando neste campo o 
número do referido anexo.)
 9. INDICAÇÃO DO (S) MÉTODO (S) E PROCEDIMENTO (S) 
UTILIZADO (S):
(Indicar a (s) metodologia (s) empregada (s) conforme disposto no item 8.2 da NBR 
14.653-2, justificando sucintamente sua utilização e atentando para as denominações 
abaixo)
 » MCDDM: Método comparativo direto de dados de mercado. 
 » MINVO: Método involutivo.
 » MEVOL: Método evolutivo.
 » MCREN: Método de renda.
 » MCDCT: Método comparativo direto de custo.
 » MQTCT: Método da quantificação de custo.
 » MCDRE: Método comparativo direto de reposição de equipamentos. 
 » SMIDNO: Sem metodologia definida em norma. 
 2. PESQUISA DE VALORES E TRATAMENTO DOS DADOS:
Período de pesquisa: de ___/___/___ a ___/___/___
Tratamento de Dados:
Tipo de Tratamento:
(Indicar estatística inferencial/ estatística descritiva/ outros)
(Explicitar os cálculos efetuados, o campo de arbítrio, se for o caso, e justificativas para 
o resultado adotado. Valer-se de anexo em caso de grande volume de informações, 
indicando-o neste campo)
119
Elaboração DE lauDos E ParEcErEs Técnicos │ uniDaDE V
 3. GRAU DE FUNDAMENTAÇÃO E PRECISÃO:
(Indicar e justificar a categoria em que se enquadra o laudo, segundo a classificação da 
norma NBR 14.653-2 da ABNT, quanto aos graus de fundamentação e precisão).
 4. RESULTADO DA AVALIAÇÃO E DATA DE REFERÊNCIA:
Valor de Mercado:
R$:__________________, (____________________________________)
 5. OBSERVAÇÃO COMPLEMENTARES IMPORTANTES:
(Informações relevantes, tais como: alerta sobre dividas, ônus, gravames, invasões, 
posseiros, benfeitorias não averbadas, riscos de inundação, restrições de órgãos de 
proteção ambiental ou concessionárias de energia elétrica e telecomunicações, projeto 
de desapropriação, patrimônio histórico, pioneirismo do empreendimento, obsoletismo. 
Indicar documentos não anexados, que também subsidiaram o trabalho).
6. PROFISSIONAIS RESPONSÁVEIS:
(Deverá conter: nomes, assinatura, títulos, número de CPF/CGC e do registro no 
CREA do (s) professional (ISO/ empresa(s) responsável(is) e técnico(s), número da 
ART referente ao trabalho)
7. LOCAL E DATA DO LAUDOPARECER TÉCNICO:
8. ANEXOS:
a. Vistoria detalhada do bem avaliado quando não contemplada no corpo 
do laudo. 
b. Fotografias coloridas do avaliando, que permitam pronta identificação do 
bem, destacando em especial fachadas e interior do imóvel, logradouro e 
vizinhança. 
c. Diagnóstico de mercado quando não contemplado no corpo do laudo. 
d. Plantas de engenharia e arquitetura (fornecidas pelo proprietário). 
e. Documentação do objeto avaliado. 
f. Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) dos trabalhos junto ao 
CREA (via do contratante). 
120
UNIDADE V │ ElAborAção DE lAUDos E PArEcErEs TécNIcos
g. Croqui de localização do imóvel avaliado, com identificação dos elementos 
amostrais. 
h. Pesquisa de Mercado, conforme normais especificas. 
i. Tratamento de dados. 
j. Memorial de cálculos. 
k. Outros documentos que fundamentam o trabalho. 
l. Foto colorida de cada elemento da amostra (justificar quando não for 
possível.)
121
referências 
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2001.
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1021-1030, 2009.
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IMAMURA, R. H. A. Perícias judiciais: a importância do perito judicial. 2016, 
disponível em: <https://www.institutodeengenharia.org.br/site/2016/08/30/
pericias-judiciais-a-a-importancia-do-perito-judicial/>.
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por FI – FAAS e aplicação em aditivo alimentar à base de fosfato. Dissertação 
de mestrado – UFSM – Rio Grande do Sul – 2005.
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Espectroscopia de absorção atômica parte 1- fundamentos e absorção com 
chama.
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de Polícia Federal, Instituto Nacional de Criminalística. – 1. ed. – Brasília. Diretoria 
Técnico-Científica, 2012.
MANZANO,Luíz Fernando de Moraes. Prova Pericial: admissibilidade e assunção 
da prova científica e técnica no processo brasileiro. São Paulo: Atlas, 2011. p. 8. 
PINTO NETO, M. C. Seminário de valoração de dano ambiental: introdução à 
perícia judicial. IBAPE, 2016.
MOLINA, Antonio García-Pablos de; GOMES, Luiz Flávio. Criminologia. 4. ed. 
São Paulo: RT, 2002.
RANGEL, Paulo. Direito processo penal. 21. ed. São Paulo: Atlas, pp. 456 e 457, 
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122
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