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“Existe diferença entre mobilizar um paciente e manipular?” RUSUMO Lilyana S. As técnicas de terapia manual são manipulações, mobilizações e exercícios específicos com objetivo de estimular a propriocepção, produzir elasticidade a fibras aderidas, estimular o líquido sinovial e promover a redução da dor podendo o livrar das suas algias. Mobilização Originário do Latim, mobilis, o conceito de “mobilização” diz respeito àquilo que pode mudar de lugar. Aquilo que é capaz de mover, deslocar. Segundo os teóricos Bernardo Toro e Nísia Werneck, é o ato de convocar vontades para atuar na busca de um propósito comum, compartilhando interpretações e sentido. Onde diferentes indivíduos ou setores da sociedade se reúnem para começar ou transformar determinados processos, cenários ou ações. Mobilização articular esta referida a técnicas de terapia manual usadas para modular a dor e tratar as disfunções articulares que limitam a amplitude de movimento, abordando alterações na mecânica articular. Alterada em razão de dor, mecanismo de defesa muscular, derrame articular, contraturas ou aderências nas cápsulas articulares ou ligamentos de suporte, ou desalinhamento e sub luxação das superfícies ósseas. A mobilização articular trata os movimentos, com perda de mobilidade, de forma passiva com objetivo de recuperar os movimentos de giro, rotação, rolamento e deslizamento entre as superfícies articulares e, por conseguinte, os movimentos do osso descrito em planos como a flexão e extensão. A técnica de mobilização articular proposta por Maitland (2001) baseia-se nos movimentos passivos oscilatórios, rítmicos, classificados em quatro níveis de mobilização e um quinto nível chamado de manipulação articular. Quatro graus da mobilização articular do método Maitland são classificados por suas variações nas formas de aplicações e efeitos fisiológicos: grau I é caracterizado por micromovimentos no começo do arco de movimento em ritmo lento, livre da resistência de tecidos, tendo como efeito fisiológico a entrada de informações neurológicas através de mecanorreceptores, ativando as comportas medulares; grau II, movimento grande no meio do arco em ritmo lento sem resistência, que, além de ativar as comportas medulares, estimula o retorno venoso e linfático, causando clearance articular; grau III, movimento por todo arco com oscilação mais rápida que o grau I e II, com resistência dada pelos tecidos periarticulares, causando os mesmos efeitos do grau II acrescido de estresses nos tecidos encurtados por aderências; grau IV, micromovimentos no final do arco que promovem es-tresses teciduais capazes de movimentar discretamente tecidos fibróticos. Maitland também classificou a manipulação articular como grau V Mobilização Passiva Movimento dentro da amplitude de movimento livre, que é produzido inteiramente por uma força externa, não há contração muscular voluntária. A força externa pode vir da gravidade, de um aparelho, de outra pessoa ou de uma parte do corpo do próprio individuo. Indicações Quando um paciente não se acha apto para mover ativamente um segmento ou segmentos do corpo, como, um comatoso, um paralítico ou alguém em repouso total no leito, ou quando há uma reação inflamatória e a amplitude de movimento ativa é dolorosa, a AM passiva controlada é usada para diminuir as complicações da imobilização de modo a: - manter a integridade da articulação ou tecido mole; - minimizar efeitos da formação de contraturas; - manter elasticidade mecânica do músculo; - promover circulação vascular; - manter liquido sinovial para nutrição das cartilagens e difusão de substâncias dentro da articulação; - diminuir ou inibir dor; - auxiliar o processo de cicatrização após uma lesão ou cirurgia; - ajudar a manter a consciência de movimento do paciente; - também é utilizado para determinar a elasticidade do músculo e outros tecidos moles, para determinar limitações de movimento e estabilidade articular. Mobilização ativa Movimento dentro da AM livre, que é produzida por uma contração ativa dos músculos que cruzam aquela articulação. Pode ser do tipo isotônica, onde pode ocorrer a aproximação das fibras musculares(estão no sentido de um centro único)denominada de contração concêntrica, ou ocorrer o afastamento das fibras musculares denominada de contração excêntrica.Nas contrações isométricas ocorre a contração muscular, porém não há arco de movimento. Indicações Quando o paciente está apto para contrair ativamente seus músculos e mover um segmento, e quando não existe contra-indicações, a AM ativa e utilizada para: - alcançar as mesmas metas da AM passiva com os benefícios adicionais de resultar em contração muscular; - manter elasticidade e contratilidade fisiológicas dos músculos participantes; - dar feedbach sensorial dos músculos em contração; - promover estímulos para integridade óssea e articular; - aumentar a circulação e evitar a formação de trombos; - desenvolver coordenação e habilidades motoras para atividades funcionais. Contra-Indicações para mobilização passiva e ativa São contra-indicados em circunstâncias onde o movimento de um segmento possa ser prejudicial; - imediatamente após rupturas agudas, fraturas e cirurgias; - movimentos onde ocorre aumento da dor e inflamação; - processos inflamatórios agudos; - dor articular ou muscular severa; - dor muscular imediata ou tardia.