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TÍTULO III 
DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 914. O executado, 
independentemente de penhora, 
depósito ou caução, poderá se opor à 
execução por meio de embargos. 
Art. 736. O executado, 
independentemente de penhora, 
depósito ou caução, poderá opor-se à 
execução por meio de embargos. 
§ 1º Os embargos à execução serão 
distribuídos por dependência, autuados 
em apartado e instruídos com cópias 
das peças processuais relevantes, que 
poderão ser declaradas autênticas pelo 
próprio advogado, sob sua 
responsabilidade pessoal. 
Parágrafo único. Os embargos à 
execução serão distribuídos por 
dependência, autuados em apartado e 
instruídos com cópias das peças 
processuais relevantes, que poderão 
ser declaradas autênticas pelo 
advogado, sob sua responsabilidade 
pessoal. 
§ 1º Na execução por carta, os 
embargos serão oferecidos no juízo 
deprecante ou no juízo deprecado, mas 
a competência para julgá-los é do juízo 
deprecante, salvo se versarem 
unicamente sobre vícios ou defeitos da 
penhora, da avaliação ou da alienação 
dos bens efetuadas no juízo deprecado. 
Art. 747. Na execução por carta, os 
embargos serão oferecidos no juízo 
deprecante ou no juízo deprecado, mas 
a competência para julgá-los é do juízo 
deprecante, salvo se versarem 
unicamente vícios ou defeitos da 
penhora, avaliação ou alienação dos 
bens. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque: 
1. Meios de defesa do executado na execução fundada em título extrajudicial. O 
executado possui duas principais formas de se defender na execução amparada em título 
executivo extrajudicial. A principal forma são os embargos do executado, disciplinados nos 
arts. 914, 915 e 917 a 920 e objeto de discussão nos próximos itens. O outro meio de defesa é 
a chamada exceção de pré-executividade, resultado de construção doutrinária e 
jurisprudencial que restou, ao final, contemplada no art. 803, parágrafo único (sobre sua 
origem histórica, momento em que pode ser apresentada, matérias que podem ser suscitadas, 
hipóteses em que terá efeito suspensivo, recurso cabível contra a decisão que a julga e 
cabimento de honorários de advogado, v. comentários ao art. 803, itens 5 e seguintes). Além 
dos embargos e da exceção de pré-executividade, o executado ainda pode se valer da ação 
autônoma de impugnação (defesa heterotópica). 
2. Ação autônoma de impugnação (defesa heterotópica). Mesmo após encerrado o 
prazo para os embargos (art. 915), o executado poderá questionar a dívida e o título executivo 
extrajudicial (não os aspectos formais da execução) por meio de ação autônoma de 
impugnação, também chamada de defesa heterotópica, porque é processada fora do ambiente 
próprio do procedimento executivo. Referida ação é disciplinada pelas seguintes regras: (i) 
pode ser proposta antes ou depois da execução; (ii) os dois processos (ação autônoma e 
execução) devem ser reunidos perante o mesmo juízo (ressalvada a existência de 
competências absolutas distintas, o que depende de cada organização judiciária – por 
exemplo, no caso em que houver uma vara privativa de execuções), ante a nítida relação de 
prejudicialidade entre a ação autônoma e a execução (art. 55, § 2º, I); (iii) o mero ajuizamento 
da ação autônoma não impede o prosseguimento da execução (art. 784, § 1º) e esta não possui 
efeito suspensivo automático, sendo possível, contudo, a concessão de tutela provisória na 
ação autônoma determinando a suspensão da execução (efeito suspensivo ​ope judicis​), desde 
que observados os mesmos requisitos para o efeito suspensivo dos embargos (art. 919, § 1º); 
(iv) se o ajuizamento da ação autônoma foi anterior à execução ou, pelo menos, do prazo para 
os embargos, não há necessidade de que sejam oferecidos os embargos, pois se ambos (ação 
autônoma e embargos) versassem sobre as mesmas matérias, haveria litispendência, sendo 
admissíveis os embargos, contudo, que tratem de questões distintas da ação autônoma. 2.1. 
Que espécies de matérias podem ser tratadas na ação autônoma? Como já se apontou, tal 
forma de oposição do executado pode ter por finalidade questionar tanto a obrigação 
executada quanto o próprio título executivo extrajudicial. Mesmo que esgotado o prazo para 
os embargos, qualquer matéria não apreciada com cognição exauriente no procedimento 
executivo (incluindo eventuais embargos) poderá ser suscitada pelo executado mediante ação 
autônoma. Isso porque a estabilidade das questões na execução é menos intensa, tendo em 
vista a inversão da iniciativa do contraditório exauriente, o qual somente será deflagrado pela 
apresentação dos embargos do executado e, ainda assim, de forma restrita às matérias 
suscitadas (nesse sentido, SICA, Heitor. ​Ċognição do juiz na execução civil. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2017, p. 265). Não se pode impedir a discussão (ainda que em um 
novo processo) de questões que não foram submetidas à cognição exauriente, conforme 
aponta a doutrina, relacionando cognição exauriente à coisa julgada (GRECO, Leonardo. 
Cognição sumária e coisa julgada. ​Revista Eletrônica de Direito Processual​, v. 10, 2012, p. 
279-282, disponível em: 
<​http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/redp/article/view/20351​>, acesso em: 21 fev. 
2017; BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Cognição e decisões do juiz no processo 
executivo. In: FUX, Luiz; NERY JR., Nelson; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (coord.). 
Processo e Constituição​: estudos em homenagem ao Professor José Carlos Barbosa Moreira. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 371). 
3. Terminologia: embargos do executado, do devedor ou à execução? O CPC/1973 
denominava a principal defesa do executado de “embargos do devedor”, terminologia 
inadequada, pois devedor é nomenclatura própria do direito material. Perfeitamente possível, 
nesse sentido, que o executado apresente embargos e demonstre que nada deve ao exequente, 
não sendo seu devedor. O CPC/2015 fez referência ao termo “embargos à execução”, o qual é 
melhor que a terminologia do código anterior, mas ainda é impreciso, pois há outras espécies 
de embargos que podem ser apresentados incidentalmente à execução, como os embargos de 
terceiro. Mais apurado, portanto, seria denominar tal defesa de embargos do executado – 
obviamente, quando apresentados pelo executado, o que nem sempre será o caso, como 
apontado no item 5, ​infra​. 
4. Natureza jurídica: ação incidental autônoma deflagrada por petição inicial. A 
natureza jurídica dos embargos é de uma ação incidental autônoma, de conhecimento, com 
cognição plena (podendo versar sobre qualquer matéria que o executado poderia deduzir 
como defesa em processo de conhecimento – art. 917, VI) e exauriente, e que veicula 
pretensão constitutiva negativa (por exemplo, no caso em que se invalida o título executivo 
extrajudicial) ou declaratória (a título de ilustração, na hipótese em que se reconhece ter 
havido o pagamento), conforme a matériaalegada. Devem ser distribuídos por dependência 
ao juízo da execução e têm por finalidade questionar os aspectos formais da execução ou a 
obrigação amparada no título executivo extrajudicial. A natureza jurídica como uma ação 
autônoma consiste em entendimento corroborado pela disciplina legislativa dos embargos (os 
quais são julgados por sentença, considerada esta um ato decisório que põe fim a um processo 
ou, pelo menos, à sua fase cognitiva – art. 203, § 1º) e pelo fato de que a execução está toda 
estruturada para a satisfação do exequente, não sendo lógico que fosse possível no meio dessa 
relação jurídica processual executiva o oferecimento de defesa que deflagrasse contraditório 
pleno e exauriente acerca do direito material, tumultuando a sequência dos atos executivos. 
4.1. Uma das consequências da natureza jurídica de ação autônoma dos embargos é que estes 
devem ser apresentados por meio de uma petição inicial, a qual deve observar, no que couber, 
os requisitos do art. 319 (o único requisito que não se aplica é o que se encontra disposto no 
inciso VII, pois não há previsão no procedimento dos embargos de designação obrigatória de 
audiência de conciliação ou de mediação). Havendo qualquer defeito ou irregularidade 
sanável, o juiz deverá conceder o prazo de quinze dias ao embargante para correção (art. 321), 
indicando com precisão o que deve ser corrigido ou complementado. Tratando-se de vício 
insanável ou no caso de inércia do embargante em atender à determinação de correção ou 
complementação, será o caso de indeferimento da petição inicial (art. 330), que consiste em 
um dos casos de rejeição liminar dos embargos (art. 918, II). 
5. Legitimados para os embargos. Ċomo visto, o principal meio de defesa do executado 
na execução amparada em título extrajudicial são os embargos. O executado é, portanto, o 
principal legitimado ativo para os embargos, sendo nesta condição denominado de 
embargante. 5.1. Além do executado, seu cônjuge ou companheiro também pode se valer dos 
embargos. No caso em que pretenda apenas afastar sua meação ou bens próprios de eventual 
penhora indevida, deve lançar mão dos embargos de terceiro (art. 674, § 2º, I, e Súmula 134 
do STJ). Entretanto, o cônjuge ou companheiro do executado pode pretender discutir a própria 
execução, com vistas a afastar a execução do patrimônio familiar, situação em que o manejo 
dos embargos será adequado. Na prática do foro, contudo, tem sido reconhecida a 
fungibilidade entre os embargos à execução e os embargos de terceiro apresentados pelo 
cônjuge ou companheiro do executado, desde que respeitado o prazo para oposição (STJ, 
REsp 1.522.093, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 17.11.2015). 5.2. Se o executado foi 
citado por hora certa ou por edital, deverá ser nomeado curador especial (art. 72, II), com 
legitimidade para oferecer os embargos, nos termos da Súmula 196 do STJ. A rigor, nesse 
caso, o embargante será o próprio executado, representado em juízo pelo curador especial. 
5.3. Nada impede, por óbvio, o litisconsórcio ativo nos embargos, oferecidos simultaneamente 
por mais de um executado ou pelo executado e por seu cônjuge ou companheiro. 5.4. Quanto 
à legitimação passiva, não há discussão: esta incumbirá ao exequente, que figurará no polo 
passivo dos embargos e é denominado, nesta condição, de embargado. No caso de 
litisconsórcio ativo na execução, os embargos normalmente serão apresentados contra todos 
os exequentes, mas é possível que nem todos figurem no polo passivo dos embargos se for 
alegada, por exemplo, apenas a ilegitimidade de um dos exequentes. 
6. Desnecessidade de garantia do juízo. Ocorrido qualquer dos eventos do art. 231, 
inicia-se o prazo para os embargos (art. 915, ​caput​), independentemente de penhora, depósito 
ou caução. Desde a reforma promovida pela Lei 11.382/2006 no CPC/1973, os embargos já 
não exigiam a prévia garantia do juízo da execução. Tal solução é acertada, pois embora 
pareça facilitar a defesa do executado (o que não deixa de ser verdadeiro), também permite 
um ganho de tempo considerável para o exequente. No regime anterior à reforma da Lei 
11.382/2006, caso o executado não garantisse de forma espontânea a execução, o exequente 
precisava primeiro buscar bens em seu patrimônio para serem penhorados – por vezes, tarefa 
bastante demorada – e só depois disso iniciar o debate processual a respeito das matérias 
trazidas dos embargos. A disciplina atual permite ao exequente desde logo adiantar toda a 
discussão com o executado relativamente às matérias suscitadas dos embargos e, 
paralelamente, buscar bens do patrimônio do executado para que sejam penhorados. Não por 
acaso, exige-se, para que seja atribuído excepcional efeito suspensivo aos embargos, que o 
juízo esteja garantido por penhora, depósito ou caução (art. 919, § 1º). 6.1. Na execução 
fiscal, no entanto, a situação é diferente. O art. 16, § 1º, da Lei 6.830/1980 exige, de forma 
explícita, que o juízo esteja garantido para que possam ser processados os embargos do 
executado e, conforme decidiu o STJ sob o regime dos recursos repetitivos, tal disposição se 
mantém mesmo após a alteração do CPC/1973 pela Lei 11.382/2006, que suprimiu o requisito 
da garantia do juízo para os embargos na execução civil (STJ, REsp 1.272.827, Rel. Min. 
Mauro Campbell Marques, j. 22.05.2013). Ainda que se possa criticar tal entendimento, sob o 
fundamento de que a Lei 6.830/1980 foi editada em época na qual também se exigia a 
garantia do juízo para os embargos do executado disciplinados no CPC, não parece haver 
perspectiva de modificação do entendimento consolidado pelo STJ sobre a matéria. 
7. Distribuição e autuação dos embargos. Apresentados os embargos, de acordo com o 
§ 1º, estes serão distribuídos por dependência ao juízo da execução. Nada mais natural, ante a 
nítida relação de prejudicialidade entre os embargos (que podem concluir pela inexistência da 
obrigação ou invalidade do título executivo, por exemplo) e a execução. 7.1. O mesmo 
dispositivo dispõe, ainda, que os embargos serão autuados em apartado. A razão para isso não 
é, como se poderia supor, porque os embargos possuem natureza de processo incidental 
autônomo. O motivo é de ordem prática e consiste em não tumultuar os autos da execução (a 
qual, em princípio, deverá prosseguir, mesmo na pendência dos embargos, que não possuem 
efeito suspensivo automático – art. 919, ​caput​) com petições e documentos relativos aos 
embargos do executado. 
8. Cópias das peças processuais relevantes​​. Por fim, o § 1º determina que os embargos 
serão instruídos com cópias das peças processuais relevantes (que só podem ser da execução), 
as quais poderão ser declaradas autênticas pelo advogado, sob sua responsabilidade pessoal. 
Tal previsão foi obviamente pensada para os processos que tramitamem autos físicos, não 
havendo necessidade de apresentação de cópia nenhuma no caso de autos eletrônicos 
(providência dispensada até mesmo para o agravo de instrumento eletrônico – art. 1.017, § 
5º). A razão de se exigir a apresentação de cópias da execução que tramita em autos físicos é 
porque, no caso de interposição de recurso contra a sentença que extinguir os embargos sem 
resolução de mérito ou julgá-los improcedentes, em princípio, a execução prosseguirá na 
pendência da apelação, já que esta não é dotado de efeito suspensivo automático (art. 1.012, § 
1º, III). Para que isso ocorra, é importante que os autos da execução fiquem em 1º grau, 
remetendo-se apenas os autos dos embargos para o tribunal. Note-se que o § 1º do dispositivo 
em destaque estipula tão somente a autuação em apartado dos embargos (ou seja, em autos 
próprios), mas não necessariamente que esses sejam apensados (ou seja, anexados) aos autos 
da execução. 8.1. O legislador não estabeleceu a obrigatoriedade de nenhuma cópia de peça 
processual em específico, devendo ser trazidas todas as necessárias à compreensão das 
questões que forem suscitadas nos embargos. Em geral, será preciso trazer cópias das 
procurações das partes, da petição inicial da execução e do título executivo extrajudicial. 8.2. 
O advogado não está obrigado a assumir responsabilidade pessoal pela autenticidade das 
cópias. Contudo, se não o fizer, deverá autenticar as peças que juntar com os embargos em 
cartório. 8.3. Se, eventualmente, o juiz constatar a ausência de peça indispensável à 
apreciação da controvérsia, não deve rejeitar liminarmente os embargos. O caso se assemelha 
à ausência de documento indispensável à propositura da ação (art. 320), devendo o 
executado/embargante ser intimado para apresentar as cópias faltantes, sob pena de extinção 
dos embargos, sem resolução do mérito. Observe-se que, por força do art. 321, parágrafo 
único, aplicável subsidiariamente, o juiz tem o dever de indicar precisamente os documentos 
que devem ser apresentados. 8.4. Mesmo que, por eventualidade, os autos dos embargos 
sejam remetidos ao tribunal por ocasião da apelação sem que tenham sido apresentadas as 
cópias necessárias à compreensão da controvérsia, não se poderá prontamente deixar de 
conhecer do recurso. O relator deverá, na forma dos arts. 932, parágrafo único, e 938, § 1º, 
conceder ao apelante prazo para que seja complementada a documentação. Somente em caso 
de desatendimento à determinação é que será caso, aí sim, de não se conhecer do recurso. 
9. Competência para os embargos. Execução por carta. A regra geral é que os 
embargos sejam oferecidos e apreciados no próprio juízo da execução, sendo por esta razão 
que o § 1º determina que estes sejam distribuídos por dependência. Trata-se de regra de 
competência funcional e, portanto, absoluta, a qual pode ser conhecida de ofício e a qualquer 
tempo e grau de jurisdição. Nos termos do art. 61, a ação acessória deverá ser proposta no 
juízo competente para a ação principal, regra aplicável aos embargos do executado. 9.1. 
Entretanto, situação peculiar ocorre na execução por carta (art. 845, § 2º), que se caracteriza 
pela prática de atos processuais executivos (como a penhora e a avaliação) fora da comarca ou 
seção judiciária em que ajuizada a execução. Os embargos poderão ser protocolados em 
qualquer um dos juízos, o deprecante (onde proposta a ação de execução) ou o deprecado (no 
qual são praticados os atos executivos). É recomendável que o executado/embargante indique 
o juízo competente, mas eventual equívoco não prejudicará o conhecimento dos embargos, os 
quais serão encaminhados a quem de direito (art. 64, § 3º). 9.2. Na execução por carta, o juízo 
competente dependerá das questões veiculadas nos embargos. Se estes questionam 
exclusivamente atos praticados pelo juízo deprecado (por exemplo, alegação de penhora 
incorreta ou avaliação errônea – art. 917, II), a competência será desse juízo. Nos demais 
casos, competirá ao juízo deprecante o julgamento dos embargos. Trata-se, uma vez mais, de 
regra de competência funcional e, portanto, absoluta, podendo eventual incompetência ser 
reconhecida de ofício. 9.3. Observe-se que, no caso específico da penhora realizada fora da 
comarca ou subseção judiciária, pode haver dúvida. Se a ordem do juízo deprecante foi 
genérica e a individualização do bem a ser penhorado foi realizada pelo juízo deprecado, é 
este que deverá apreciar embargos fundados na alegação de impenhorabilidade. Por outro 
lado, se a ordem partiu do juízo deprecante para que determinado bem, já individualizado, 
fosse penhorado pelo juízo deprecado, que não decidiu a respeito, agindo apenas como ​longa 
manus​, a competência para apreciar os embargos fundados em impenhorabilidade será do 
juízo deprecante, que foi quem efetivamente determinou o ato questionado. 
10. Embargos do executado e convenção de arbitragem. Caso o título executivo 
extrajudicial contenha uma cláusula compromissória (art. 4º da Lei 9.307/1996), sua execução 
permanecerá na esfera do Poder Judiciário, pois o árbitro não tem poder para determinar a 
prática de atos executivos, nem para executar suas próprias decisões. No entanto, com a 
apresentação dos embargos, podem ser suscitadas questões que dizem respeito ao título 
executivo e à obrigação executada. Quem será o competente para apreciar tais matérias? Se os 
embargos se limitarem à análise das questões formais do título e dos atos praticados na 
execução (por exemplo, alegação de impenhorabilidade ou de avaliação errônea ou, de forma 
geral, as hipóteses relacionadas no art. 803), o Poder Judiciário será competente para conhecer 
da matéria. Por outro lado, se o executado questionar a obrigação executada (existência, 
constituição ou extinção do crédito), ou alegar excesso de execução, pressupondo que a 
cláusula compromissória abranja tais matérias e suscitada a existência de convenção de 
arbitragem na impugnação do exequente aos embargos, estes deverão ser extintos sem 
resolução de mérito quanto a tais questões, sem prejuízo de que estas sejam resolvidas 
mediante o devido procedimento arbitral (nesse sentido, STJ, REsp 1.465.535, Rel. Min. Luis 
Felipe Salomão, j. 21.06.2016, e Enunciado 12 da I Jornada de Prevenção e Solução 
Extrajudicial de Litígios). Observe-se que, se o exequente não invoca a convenção de 
arbitragem na impugnação aos embargos, entende-se ter havido aceitação da jurisdição estatal 
e renúncia ao juízo arbitral pelo consenso das partes (art. 337, § 6º), caso em que os embargos 
poderão ser normalmente apreciados pelo Poder Judiciário 
 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 915. Os embargos serão oferecidos 
no prazo de 15 (quinze) dias, contado, 
conforme o caso, na forma do art. 231. 
Art. 738. Os embargos serão oferecidos 
no prazo de 15 (quinze) dias, contados 
dadata da juntada aos autos do 
mandado de citação. 
§ 1º Quando houver mais de um 
executado, o prazo para cada um deles 
embargar conta-se a partir da juntada 
do respectivo comprovante da citação, 
salvo no caso de cônjuges ou de 
companheiros, quando será contado a 
partir da juntada do último. 
§ 2º Nas execuções por carta, o prazo 
para embargos será contado: 
I – da juntada, na carta, da certificação 
da citação, quando versarem 
unicamente sobre vícios ou defeitos da 
§ 1º Quando houver mais de um 
executado, o prazo para cada um deles 
embargar conta-se a partir da juntada 
do respectivo mandado citatório, salvo 
tratando-se de cônjuges. 
§ 2º Nas execuções por carta 
precatória, a citação do executado será 
imediatamente comunicada pelo juiz 
deprecado ao juiz deprecante, inclusive 
por meios eletrônicos, contando-se o 
prazo para embargos a partir da juntada 
aos autos de tal comunicação. 
penhora, da avaliação ou da alienação 
dos bens; 
II – da juntada, nos autos de origem, do 
comunicado de que trata o § 4º deste 
artigo, ou, não havendo este, da juntada 
da carta devidamente cumprida, quando 
versarem sobre questões diversas da 
prevista no inciso I deste parágrafo. 
§ 3º Em relação ao prazo para 
oferecimento dos embargos à 
execução, não se aplica o disposto no 
art. 229. 
§ 4º Nos atos de comunicação por carta 
precatória, rogatória ou de ordem, a 
realização da citação será 
imediatamente informada, por meio 
eletrônico, pelo juiz deprecado ao juiz 
deprecante. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque: 
1. Prazo para os embargos. Verificado qualquer dos eventos do art. 231 (como a juntada 
do aviso de recebimento ou do mandado de citação do executado aos autos da execução, ou a 
consulta à citação eletrônica pelo executado), inicia-se o prazo para apresentação de 
embargos, o qual é de quinze dias. Trata-se de prazo evidentemente processual, razão pela 
qual deve ser computado apenas nos dias úteis (art. 219). Nada impede, obviamente, que o 
executado compareça espontaneamente, abrindo o prazo para os embargos (art. 239, § 1º) ou 
mesmo que se antecipe ao início do prazo e já apresente os embargos, por exemplo, antes da 
juntada do mandado de sua citação aos autos, sendo tal ato considerado tempestivo, na forma 
do art. 218, § 4º. 1.1. Observe-se que o termo inicial do prazo dos embargos não coincide com 
aquele previsto para o pagamento espontâneo pelo executado na execução de obrigação 
pecuniária (três dias contados da própria citação – art. 829, ​caput​) ou, de forma geral, para o 
cumprimento voluntário da obrigação pelo executado (sempre a partir do próprio ato citatório, 
por se tratar de ato a ser praticado diretamente pela parte, ou seja, sem a necessidade de 
intermediação por advogado ou qualquer outro sujeito com capacidade postulatória – art. 231, 
§ 3º). 
2. Litisconsórcio passivo na execução e prazo para os embargos. Os embargos são 
uma ação autônoma incidental à execução (v. comentários ao art. 914, item 4) e, por esta 
razão, não se aplicam as regras relativas ao prazo para a contestação quando há pluralidade de 
réus. 2.1. O prazo para os embargos é individual para cada executado, não havendo que se 
aguardar a citação do último litisconsorte passivo para que tenha início (não se aplica, 
portanto, o art. 231, § 1º). Assim, para cada executado que for citado, correrá em separado o 
seu prazo para embargar, o qual será sempre contado a partir dos eventos relacionados no art. 
231 e que sejam correspondentes à sua respectiva citação. Impreciso, portanto, o § 1º do 
dispositivo em destaque, que estabelece que o prazo terá início “a partir da juntada do 
respectivo comprovante da citação”, pressupondo que a citação será invariavelmente realizada 
pelos correios ou por oficial de justiça, o que não é correto, pois é possível que a citação do 
executado se verifique por outras modalidades, como por meio eletrônico ou por edital. 2.2. 
Há uma exceção à regra geral de que o prazo para embargar é individual, referida no próprio § 
1º, que se passa no caso em que os executados são casados entre si ou vivem em união 
estável. Não se compreende a razão dessa exceção, a qual se aplica apenas, insista-se, no caso 
de litisconsórcio passivo na execução, não se estendendo à hipótese em que apenas um deles é 
executado e o outro vem a ser intimado pela penhora sobre bem imóvel (art. 842). De todo 
modo, no caso de companheiros, para que se excepcione a regra geral, é necessário que a 
união estável esteja amparada em prova pré-constituída nos autos, não fazendo sentido 
desvirtuar o procedimento executivo para discutir o termo inicial do prazo para os embargos. 
2.3. Outra decorrência de que os embargos possuem natureza de ação autônoma (e não de 
defesa) é que não haverá a dobra no caso de litisconsortes passivos com procuradores 
distintos, sendo explicitamente afastada a incidência do art. 229 pelo § 4º da regra em 
destaque. Entretanto, o prazo será simples apenas para o oferecimento dos embargos. Se, 
porventura, eles são apresentados por mais de um executado e estes possuem diferentes 
advogados, de escritórios distintos e o processo tramita em autos físicos, haverá prazo em 
dobro para as próximas manifestações dos embargantes. 
3. Termo inicial do prazo para os embargos na execução por carta. Situação peculiar 
ocorre na execução por carta (art. 845, § 2º), que se caracteriza pela prática de atos 
processuais executivos (como a penhora e a avaliação) fora da comarca ou seção judiciária em 
que ajuizada a execução. 3.1. Em princípio, o prazo para embargar terá início com a juntada 
da carta precatória de citação nos autos originários da execução, que correm perante o juízo 
deprecante, ou, ainda, com a juntada aos autos originários da execução da informação enviada 
pelo juízo deprecado de que se realizou a citação (art. 915, § 2º, II e § 4º). O exequente 
também pode tomar a iniciativa e juntar aos autos da execução o comprovante de citação na 
carta precatória, o que igualmente deflagrará o prazo para os embargos. 3.2. Entretanto, se os 
embargos versarem unicamente sobre atos praticados pelo juízo deprecado (penhora, 
avaliação ou alienação dos bens), de maneira a configurar a competência do próprio juízo 
deprecado para a apreciação dos embargos (art. 914, § 2º), o prazo terá início a partir “da 
juntada, na carta, da certificação da citação”. Ou seja, não será necessário aguardar que a carta 
seja devolvida para o juízo deprecante ou que este receba a informação de que a citação foi 
realizada pelo juízo deprecado. Será suficiente a juntada aos autos da carta precatória (e não 
aos autos da execução) do comprovante de citação do executado, raciocínio este que poderá 
ser estendido a outras modalidades de citação (por exemplo, citação eletrônica realizada pelojuízo deprecado ou retirada, em carga, dos autos da carta precatória). 
4. Prazo preclusivo. O prazo para a apresentação dos embargos é preclusivo. Isso quer 
dizer que, encerrado tal prazo, não poderá o devedor oferecer os embargos ou estes serão 
rejeitados liminarmente (art. 918, I). Poderá, contudo, suscitar matérias de ordem pública por 
simples petição nos autos da execução, que podem ser conhecidas de ofício pelo juiz, como 
são exemplo as hipóteses de nulidade da execução referidas no art. 803. É lícito, ainda, 
opor-se contra atos executivos praticados posteriormente ao encerramento do prazo para os 
embargos, como evidencia o art. 917, § 1º, que se refere à incorreção da penhora ou da 
avaliação (extensível a qualquer outro ato executivo superveniente ao momento para 
oferecimento dos embargos). O executado ainda poderá, mesmo após encerrado o prazo dos 
embargos, apresentar ação autônoma de impugnação (defesa heterotópica), conforme visto em 
comentários ao art. 914, item 2. 
5. Prazo para os embargos à execução fiscal. Os embargos do executado na execução 
fiscal possuem prazo e termo inicial diferenciados. O prazo para embargar se inicia, de forma 
semelhante ao que dispunha o CPC/1973 antes da reforma realizada pela Lei 11.382/2006, a 
partir (i) da data do depósito em dinheiro; (ii) da juntada aos autos da execução da prova do 
seguro garantia judicial ou da fiança bancária, ou; (iii) da intimação da penhora (art. 16 da Lei 
6.830/1980). Em regra, o juízo necessita estar garantido integralmente, mas se o executado 
demonstrar que não tem condições econômicas para fazê-lo, é o caso de se admitir o seu 
processamento mediante garantia parcial, sob pena de comprometer o acesso à justiça do 
executado. Além disso, estabelece referido dispositivo que o prazo é de trinta dias (em vez 
dos quinze dias previstos no CPC/2015). O STJ, em julgamento submetido ao rito dos 
recursos repetitivos na vigência do código anterior, decidiu que tais regras especiais da Lei 
6.830/1980 prevalecem sobre as dispostas no CPC/1973 (STJ, REsp 1.112.416, Rel. Min. 
Herman Benjamin, j. 27.05.2009), não havendo razão para que a conclusão seja diferente com 
o CPC/2015 (nesse sentido, STJ, REsp 1.663.742, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 
16.05.2017). O único impacto que o CPC/2015 trouxe para o prazo dos embargos à execução 
fiscal diz respeito à sua contagem: como se trata de prazo processual e não há regra especial 
em contrário, o executado terá trinta dias úteis para oferecer os embargos (nesse sentido, 
Enunciado 20 da I Jornada de Direito Processual Civil). 
 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 916. No prazo para embargos, 
reconhecendo o crédito do exequente e 
comprovando o depósito de trinta por 
cento do valor em execução, acrescido 
de custas e de honorários de advogado, 
o executado poderá requerer que lhe 
seja permitido pagar o restante em até 6 
(seis) parcelas mensais, acrescidas de 
correção monetária e de juros de um 
por cento ao mês. 
Art. 745-A. No prazo para embargos, 
reconhecendo o crédito do exequente e 
comprovando o depósito de 30% (trinta 
por cento) do valor em execução, 
inclusive custas e honorários de 
advogado, poderá o executado requerer 
seja admitido a pagar o restante em até 
6 (seis) parcelas mensais, acrescidas 
de correção monetária e juros de 1% 
(um por cento) ao mês. 
§ 1º O exequente será intimado para 
manifes-tar-se sobre o preenchimento 
dos pressupostos do ​caput​, e o juiz 
decidirá o requerimento em 5 (cinco) 
dias. 
§ 2º Enquanto não apreciado o 
requerimento, o executado terá de 
depositar as parcelas vincendas, 
facultado ao exequente seu 
levantamento. 
§ 3º Deferida a proposta, o exequente 
levantará a quantia depositada, e serão 
suspensos os atos executivos. 
§ 4º Indeferida a proposta, seguir-se-ão 
os atos executivos, mantido o depósito, 
que será convertido em penhora. 
§ 5º O não pagamento de qualquer das 
prestações acarretará cumulativamente: 
I – o vencimento das prestações 
subsequentes e o prosseguimento do 
processo, com o imediato reinício dos 
atos executivos; 
II – a imposição ao executado de multa 
de dez por cento sobre o valor das 
prestações não pagas. 
§ 6º A opção pelo parcelamento de que 
trata este artigo importa renúncia ao 
direito de opor embargos. 
§ 1º Sendo a proposta deferida pelo 
juiz, o exequente levantará a quantia 
depositada e serão suspensos os atos 
executivos; caso indeferida, 
seguir-se-ão os atos executivos, 
mantido o depósito. 
§ 2º O não pagamento de qualquer das 
prestações implicará, de pleno direito, o 
vencimento das subsequentes e o 
prosseguimento do processo, com o 
imediato início dos atos executivos, 
imposta ao executado multa de 10% 
(dez por cento) sobre o valor das 
prestações não pagas e vedada a 
oposição de embargos. 
§ 7º O disposto neste artigo não se 
aplica ao cumprimento da sentença. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque: 
1. Parcelamento: conceito e fundamentos. O dispositivo em tela somente se aplica à 
execução de obrigação de pagar quantia certa e, a rigor, está mal posicionado no CPC/2015, 
pois não versa sobre qualquer modalidade de defesa do executado. De acordo com a regra em 
análise, o executado pode, no prazo para os embargos (art. 915), pedir o parcelamento do 
crédito executado, depositando à vista o correspondente a trinta por cento do valor da 
execução e comprometendo-se a pagar o restante em até seis parcelas mensais. 1.1. Trata-se 
de providência que visa, a um só tempo, a promover a efetividade da tutela executiva (art. 
797), uma vez que dificilmente, considerando a realidade brasileira, a execução seria satisfeita 
em menos do que seis meses, e a tutelar a menor onerosidade da execução (art. 805), pois 
assegura ao executado a possibilidade de adimplir sua dívida de forma parcelada e evita a 
prática de atos de agressão ao seu patrimônio enquanto permanece com as prestações em dia, 
tudo isso independentemente de se alcançar a autocomposição com o exequente. 1.2. Como se 
observa do confronto dos dispositivos em destaque, o CPC/2015 detalhou e aprimorou a 
disciplina do instituto, resolvendo questões sobre as quais havia expressiva controvérsia, 
como a necessidade de intimação do exequente sobre a proposta de parcelamento (§ 1º), e a 
inaplicabilidade do parcelamento ao cumprimento de sentença, como consta no § 7º. 
2. Requisitos. Para que seja concedido o parcelamento ao executado, devem ser 
observados três requisitos. 2.1. O primeiro requisito é o reconhecimento do crédito do 
exequente pelo executado, o qual deverá ser incondicionado, mas não necessita ser expresso, 
podendo ser inferido do simples pedido de parcelamento. Se o executado afirma 
expressamente que não reconhece o crédito do exequente, contudo, o parcelamento não pode 
ser autorizado pelo juiz. 2.2. Outro requisito é que, no próprio ato em que requerer o 
parcelamento, o executadopromova o depósito de, no mínimo, trinta por cento do valor 
executado, incluindo as despesas processuais e os honorários de advogado (não se aplica a 
redução à metade prevista no art. 827, § 1º, porque o pagamento não foi integral). Em que 
pese a omissão do dispositivo, não há nenhum prejuízo para que seja deferido o parcelamento 
se o executado se propõe a dar uma entrada superior ao mínimo legal de trinta por cento. 2.3. 
O terceiro requisito é que seja explicitamente requerido pelo executado o parcelamento do 
saldo não depositado em até seis prestações mensais – sendo perfeitamente possível, por 
óbvio, requerer o parcelamento em menor prazo. Sem que seja requerido o parcelamento, o 
depósito da entrada será considerado pagamento parcial (se não apresentados os embargos) ou 
penhora parcial (se oferecidos os embargos). 2.4. O executado não precisa, contudo, motivar a 
sua proposta de parcelamento. É necessário que, uma vez atendidos os requisitos 
objetivamente dispostos na lei, confira-se segurança jurídica ao executado de que sua proposta 
será deferida ou, caso contrário, dificilmente estará disposto a renunciar ao direito de opor 
embargos (§ 6º). 
3. Prazo para se propor o parcelamento ​​. A proposta de parcelamento e o depósito da 
entrada devem ser impreterivelmente realizados no prazo para os embargos (art. 915). 
Ultrapassado o prazo dos embargos, fecha-se para o executado a possibilidade de pedir o 
parcelamento com fundamento no dispositivo legal em tela, sem prejuízo de eventual 
transação, a qual necessitará, como em qualquer outra forma de autocomposição, do consenso 
da parte contrária, ou seja, do exequente. Isso significa, por outro lado, que o oferecimento 
antecipado dos embargos pelo executado – ou seja, antes do término do prazo legal para a sua 
apresentação – obsta o pedido de parcelamento, diante da preclusão consumativa. O prazo 
para os embargos se encerrou antes de seu término legal porque o ato processual a que se 
refere já foi praticado. 
4. Intimação do exequente. Uma vez apresentada tempestivamente a proposta para 
parcelamento, junto com o depósito de, no mínimo, trinta por cento do valor executado, 
deverá o exequente ser intimado para se manifestar a respeito. Trata-se de necessária 
providência para resguardar o contraditório. 4.1. O prazo de manifestação do exequente não 
foi indicado explicitamente, de sorte que será de cinco dias (úteis, pois é um prazo de natureza 
processual), a não ser que haja determinação do juiz em sentido diverso (art. 218, § 1º). 4.2. O 
exequente somente poderá se opor à proposta de parcelamento alegando não estarem 
preenchidos os seus requisitos. Não pode o exequente recusar o parcelamento por motivo de 
conveniência e oportunidade, ou simplesmente afirmando que o executado teria condições 
econômicas de adimplir o débito à vista. Por isso, há quem sustente na doutrina tratar-se o 
parcelamento de verdadeiro direito potestativo do executado (nesse sentido, BASTOS, 
Antonio Adonias Aguiar. Comentários ao art. 916. In: WAMBIER, Teresa Arruda Alvim et 
al. (coord.). ​Breves comentários ao novo Código de Processo Civil​. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2016, p. 2.274). 4.3. Se o exequente não se manifestar no prazo legal, pressupõe-se 
que concorda com o parcelamento, mas, ainda assim, deverá o juiz avaliar se estão presentes 
os requisitos legais. 
5. Prazo para decisão sobre o requerimento e depósito das parcelas vincendas na sua 
pendência. Após a manifestação do exequente ou esgotado o prazo legal sem que o exequente 
tenha se pronunciado, deverá o juiz decidir sobre o pedido de parcelamento no prazo de cinco 
dias (também úteis, pois é um prazo processual, ainda que não para as partes). Trata-se, 
contudo, de prazo impróprio, cujo esgotamento não acarreta preclusão alguma. 5.1. Enquanto 
o julgador não decide sobre a proposta de parcelamento, o executado deve já ir depositando 
regularmente as prestações vincendas, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros legais 
de mora de um por cento ao mês, sob pena de lhe serem aplicadas as sanções do § 5º. Trata-se 
de inovação muito bem-vinda, pois acelera a satisfação do exequente. No código anterior, era 
frequente que fosse apresentada a proposta de parcelamento e se passassem vários meses até 
que tal providência fosse deferida pelo juiz, período durante o qual não se exigia o depósito 
das parcelas vincendas, postergando o pagamento pelo executado. De acordo com o § 2º, 
portanto, o executado não deve esperar o deferimento do parcelamento pelo juiz para iniciar o 
pagamento das parcelas seguintes, cujo vencimento ocorrerá necessariamente a partir do 
primeiro mês seguinte à data de protocolo do requerimento. 
6. Deferimento da proposta de parcelamento. Deferida a proposta de parcelamento, o 
juiz determinará o levantamento de todos os depósitos já realizados (entrada, mais as parcelas 
vincendas depositadas enquanto o requerimento não era apreciado) pelo exequente, bem como 
a suspensão de todos os atos executivos. O executado fica obrigado a adimplir as parcelas 
remanescentes, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros legais de um por cento ao 
mês. Observe-se que se trata de suspensão, e não desfazimento de qualquer ato praticado na 
execução. Assim se, por exemplo, já houve penhora antes que fosse deferido o parcelamento, 
o bem permanecerá penhorado durante o período de suspensão do processo. A suspensão 
perdurará até a integral satisfação do crédito (caso em que eventuais bens penhorados serão 
liberados da constrição) ou se configurada a inadimplência do executado, na forma do § 5º, I. 
7. Indeferimento da proposta de parcelamento. Caso a proposta de parcelamento seja 
indeferida, o que normalmente ocorrerá por não estarem presentes seus requisitos legais, a 
execução terá regular prosseguimento e os depósitos já realizados pelo executado serão 
convertidos em penhora – os quais, provavelmente, serão levantados pelo exequente, pois o 
executado já reconheceu seu crédito por ocasião da proposta de parcelamento e lhe restará 
espaço muito restrito para eventuais defesas (v. item 10, ​infra​). Se o valor convertido em 
penhora não for suficiente para a integral garantia do juízo, será necessário buscar outros bens 
a serem penhorados. 
8. Um caso raro de indeferimento: garantia completa do juízo e em dinheiro. Há uma 
situação peculiar em que o parcelamento poderá ser indeferido, por violar a exigência do art. 
805, parágrafo único (alternativa mais eficaz à execução ou, pelo menos, igualmente efetiva). 
Tal se passa quando o juiz, ao apreciar a proposta de parcelamento, verifica que já houve 
penhora suficiente a garantir integralmente a execução e em dinheiro (incluindo a hipótese de 
bloqueio eletrônico de ativos financeiros pelo sistema BacenJud), situação em que o seu 
levantamentopelo exequente seria muito mais efetivo que aguardar o pagamento das parcelas 
subsequentes pelo executado. Note-se que, embora rara, tal hipótese não é de todo inviável, 
pois o prazo para pagamento espontâneo pelo executado, de três dias, contados da citação (art. 
829, ​caput ​) se encerra anteriormente ao prazo para os embargos (art. 915). A penhora se torna 
possível, portanto, antes mesmo que se esgote o prazo para a proposta de parcelamento. Além 
disso, a suspensão da execução apenas ocorre com o efetivo deferimento da proposta de 
parcelamento (§ 3º), razão pela qual, antes que tal ocorra, o processo prosseguirá 
normalmente. 
9. Inadimplência do executado. Inaplicabilidade do § 5º aos casos de recuperação 
judicial ou extrajudicial do executado. O inadimplemento pelo executado do pagamento de 
qualquer das parcelas vincendas acarreta as seguintes consequências: (i) vencimento 
antecipado de todas as prestações subsequentes;(ii) multa de dez por cento sobre todas as 
prestações não pagas; (iii) retomada da execução (na redação do dispositivo, “reinício”, 
embora a suspensão não tenha implicado encerramento de nenhum ato executivo). Se havia 
bens do executado penhorados antes que tivesse sido deferido o parcelamento, eles 
continuarão submetidos à constrição, observados o limite do saldo devedor e a exigência de 
que a penhora guarde correspondência com o valor executado (art. 831). Se algum depósito 
foi realizado pelo executado e ainda não havia sido levantado pelo exequente, será convertido 
em penhora – o qual, provavelmente, será levantado pelo exequente, pois o executado já 
reconheceu seu crédito por ocasião da proposta de parcelamento e lhe restará espaço muito 
restrito para eventuais defesas (v. item 10, ​infra​). 9.1. O que acontece se deferido o 
processamento da recuperação judicial do executado no curso do parcelamento? O 
deferimento do processamento da recuperação judicial implica a suspensão de todas as 
execuções em face do devedor (art. 6º, ​caput​, da Lei 11.101/2005), de sorte que a falta de 
pagamento das parcelas remanescentes não pode implicar as consequências previstas no § 5º 
do dispositivo em análise, sob pena de permitir o prosseguimento de uma execução individual 
à revelia da recuperação judicial. O mesmo se diga no caso de homologação do plano de 
recuperação extrajudicial do executado (art. 163, § 1º, da Lei 11.101/2005), desde que o 
crédito objeto da execução em que houve o parcelamento esteja abrangido pelo plano. 
10. Renúncia ao direito de opor embargos ou a qualquer outra forma de defesa. 
Preclusão lógica. Limites da renúncia. Nos termos do § 6º, a opção pelo parcelamento 
regulado no dispositivo em tela implica renúncia do executado ao direito de opor embargos. 
Nem poderia ser diferente, pois um dos requisitos para que seja deferida a proposta de 
parcelamento é o reconhecimento pelo executado do crédito do exequente. Seria um flagrante 
comportamento contraditório, em violação à boa-fé objetiva no processo (art. 5º do 
CPC/2015), o executado primeiro reconhecer o crédito do exequente e, em momento 
posterior, pretender apresentar embargos. O executado, ao reconhecer o crédito do exequente, 
praticou ato incompatível com o oferecimento de embargos à execução. 10.1. Ainda tendo em 
vista a proibição do comportamento contraditório, embora o dispositivo apenas se refira à 
renúncia ao direito de opor embargos (principal forma de defesa do executado), impõe-se a 
interpretação extensiva, configurando-se a renúncia para todas as modalidades de defesa, 
como a exceção de pré-executividade e a ação autônoma de impugnação (defesa heterotópica 
– v. comentários ao art. 914, item 2). Mais do que simples preclusão lógica, a qual produz 
efeitos endoprocessuais, trata-se de verdadeira renúncia ao direito de ação (embargos ou ação 
autônoma de impugnação). Se o executado, ainda assim, insistir em tais defesas, cometerá ato 
atentatório à dignidade da justiça (art. 774, II). 10.2. Há, porém, um limite temporal à 
renúncia do executado, a qual abrange apenas o próprio crédito executado e a validade dos 
atos executivos praticados até o momento em que foi apresentada a proposta de parcelamento. 
É lícito ao executado, uma vez retomada a marcha processual executiva, questionar a validade 
dos atos executivos posteriores, mediante simples petição, na forma do art. 917, § 1º. Nesse 
sentido, por exemplo, se após a inadimplência das parcelas vincendas, a execução volta a 
correr e vem a ser penhorado um bem de família do executado, este poderá questionar a 
constrição judicial no prazo de quinze dias da ciência do ato. 
11. Inaplicabilidade ao cumprimento de sentença. De maneira a encerrar expressiva 
controvérsia que se desenvolveu ao tempo do CPC/1973, o § 7º prevê que a proposta de 
parcelamento regulada no dispositivo em análise não se aplica ao cumprimento de sentença. 
Isso porque, tratando-se de título executivo judicial, o exequente já teve que aguardar todo o 
trâmite da fase de conhecimento, não sendo razoável exigir que espere por mais seis meses 
em caso de parcelamento. Além disso, o executado teve toda a fase de conhecimento para 
chegar a uma autocomposição com o exequente, o que também não se verificou. Considerou o 
legislador, portanto, que deveria nesse cenário preponderar a exigência de efetividade da 
tutela executiva, o que não impede que o executado obtenha o parcelamento de seu débito 
mediante transação com o exequente. 
12. Aplicabilidade em caráter subsidiário à ação monitória. Na ação monitória 
fundada em obrigação pecuniária, o réu também poderá pedir o parcelamento da dívida (art. 
701, § 5º), cujo procedimento segue, em linhas gerais, o art. 916. A proposta de parcelamento 
deve ser formulada no prazo para os embargos monitórios, que é o mesmo para cumprimento 
do mandado de pagamento (arts. 701, ​caput​, e 702, ​caput​). Para maiores detalhes sobre o 
assunto, v. comentários ao art. 701, item 12. 
13. Inaplicabilidade à execução fiscal. O parcelamento previsto na regra em tela não se 
aplica à execução fiscal, notadamente de tributos. Não se deve cogitar de aplicação subsidiária 
do CPC/2015 nesse aspecto, uma vez que há regras específicas para o parcelamento de tais 
obrigações (v., por exemplo, art. 37-B da Lei 10.522/2002, referente a créditos de autarquias e 
fundações públicas federais, de qualquer natureza), as quais devem prevalecer sobre a regra 
geral de parcelamento em destaque. 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA: 
a)Enunciado 331 do FPPC: “O pagamento da dívida objeto de execução trabalhista 
fundada em título extrajudicial pode ser requerido pelo executado nos moldes do art. 916”. 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 917. Nos embargos à execução, o 
executado poderá alegar: 
Art. 745. Nos embargos, poderá o 
executado alegar: 
I – inexequibilidade do título ou 
inexigibilidade da obrigação; 
II –penhora incorreta ou avaliação 
errônea; 
III – excesso de execução ou 
cumulação indevida de execuções; 
IV – retenção por benfeitorias 
necessárias ou úteis, nos casos de 
execução para entrega de coisa certa; 
V – incompetência absoluta ou relativa 
do juízo da execução; 
VI – qualquer matéria que lhe seria lícito 
deduzir como defesa em processo de 
conhecimento. 
§ 1º A incorreção da penhora ou da 
avaliação poderá ser impugnada por 
simples petição, no prazo de 15 (quinze) 
dias, contado da ciência do ato. 
§ 2º Há excesso de execução quando: 
I – o exequente pleiteia quantia superior 
à do título; 
II – ela recai sobre coisa diversa 
daquela declarada no título; 
III – ela se processa de modo diferente 
do que foi determinado no título; 
IV – o exequente, sem cumprir a 
prestação que lhe corresponde, exige o 
I – nulidade da execução, por não ser 
executivo o título apresentado; 
II – penhora incorreta ou avaliação 
errônea; 
III – excesso de execução ou 
cumulação indevida de execuções; 
IV – retenção por benfeitorias 
necessárias ou úteis, nos casos de 
título para entrega de coisa certa (art. 
621); 
V – qualquer matéria que lhe seria lícito 
deduzir como defesa em processo de 
conhecimento. 
Art. 743.​​ Há excesso de execução: 
I – quando o credor pleiteia quantia 
superior à do título; 
II – quando recai sobre coisa diversa 
daquela declarada no título; 
III – quando se de modo diferente do 
que foi determinado na sentença; 
IV – quando o credor, sem cumprir a 
prestação que lhe corresponde, exige o 
adimplemento da do devedor (art. 582); 
V – se o credor não provar que a 
condição se realizou. 
Art. 739-A.​​ (...) 
adimplemento da prestação do 
executado; 
V – o exequente não prova que a 
condição se realizou. 
§ 3º Quando alegar que o exequente, 
em excesso de execução, pleiteia 
quantia superior à do título, o 
embargante declarará na petição inicial 
o valor que entende correto, 
apresentando demonstrativo 
discriminado e atualizado de seu 
cálculo. 
§ 4º Não apontado o valor correto ou 
não apresentado o demonstrativo, os 
embargos à execução: 
I – serão liminarmente rejeitados, sem 
resolução de mérito, se o excesso de 
execução for o seu único fundamento; 
II – serão processados, se houver outro 
fundamento, mas o juiz não examinará 
a alegação de excesso de execução. 
§ 5º Nos embargos de retenção por 
benfeitorias, o exequente poderá 
requerer a compensação de seu valor 
com o dos frutos ou dos danos 
considerados devidos pelo executado, 
cumprindo ao juiz, para a apuração dos 
respectivos valores, nomear perito, 
observando-se, então, o art. 464. 
§ 5º Quando o excesso de execução for 
fundamento dos embargos, o 
embargante deverá declarar na petição 
inicial o valor que entende correto, 
apresentando memória do cálculo, sob 
pena de rejeição liminar dos embargos 
ou de não conhecimento desse 
fundamento. 
Art. 745.​​ (...) 
§ 1º Nos embargos de retenção por 
benfeitorias, poderá o exequente 
requerer a compensação de seu valor 
com o dos frutos ou danos 
considerados devidos pelo executado, 
cumprindo ao juiz, para a apuração dos 
respectivos valores, nomear perito, 
fixando-lhe breve prazo para entrega do 
laudo. 
§ 2º O exequente poderá, a qualquer 
tempo, ser imitido na posse da coisa, 
prestando caução ou depositando o 
valor devido pelas benfeitorias ou 
resultante da compensação. 
§ 6º O exequente poderá a qualquer 
tempo ser imitido na posse da coisa, 
prestando caução ou depositando o 
valor devido pelas benfeitorias ou 
resultante da compensação. 
§ 7º A arguição de impedimento e 
suspeição observará o disposto nos 
arts. 146 e 148. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque: 
1. Matérias suscetíveis de alegação em embargos (causas de pedir): cognição plena. 
Ao contrário do que se verifica na impugnação ao cumprimento de sentença (arts. 525 e 535), 
não há limitação das matérias que podem ser alegadas nos embargos à execução fundada em 
título extrajudicial. Apesar de o legislador relacionar as defesas mais comuns nos incisos I a 
V, encerra o rol com uma hipótese aberta no inciso VI, que se refere a qualquer matéria que 
poderia ser deduzida como defesa em processo de conhecimento. Exemplos de questões não 
relacionadas nos incisos I a V são o pagamento da obrigação ou a alegação de compensação. 
Por esse motivo, diz-se que os embargos do executado são uma ação autônoma de cognição 
plena, em que não há limitação às questões que podem ser suscitadas, as quais podem versar 
sobre fatos anteriores ou posteriores à formação do título executivo. Nem poderia ser 
diferente: é que, ao contrário do que se passa normalmente no cumprimento de sentença, o 
título executivo extrajudicial foi formado fora do Poder Judiciário, mediante algum negócio 
jurídico ou ato administrativo, sendo o processo de execução a primeira oportunidade em que 
este será submetido à apreciação judicial. 1.1. Como os embargos são um processo autônomo 
e incidental à execução, os fundamentos que vierem a ser alegados consistem, na verdade, em 
verdadeiras causas de pedir, o que será relevante para definir os limites objetivos da coisa 
julgada material na hipótese de trânsito em julgado de decisão que apreciar o mérito das 
questões veiculadas nos embargos. 1.2. Eventualmente, o direito material pode limitar as 
matérias que podem ser suscitadas nos embargos, tal como ocorre em relação aos títulos de 
crédito revestidos de abstração e que tenham circulado, em que não se admite a discussão de 
sua causa subjacente (​causa debendi​). Tal limitação, contudo, não infirma o inciso VI do art. 
917, pois mesmo em processo de conhecimento tais matérias não poderiam ser veiculadas 
como defesa. 1.3. Poder veicular qualquer defesa não se confunde com a possibilidade de 
formulação de qualquer pedido em embargos. Indevido, por exemplo, pleitear em embargos 
em que o exequente-embargado seja condenado a indenizar o executado-embargante por 
danos materiais ou morais. Tal pedido somente poderá ser veiculado por ação autônoma. 
2. Inexequibilidade do título. O executado poderá alegar que o título apresentado não 
tem força executiva, seja por algum defeito formal (por exemplo, nota promissória sem data 
de emissão), ou porque não está aperfeiçoado o seu fato gerador, ou porque o documento 
apresentado não se compreende no rol de títulos executivos extrajudiciais (por exemplo, 
documento particular assinado por apenas uma testemunha). Compreendem-se ainda, nesta 
hipótese de defesa, a falta de certeza ou liquidez da obrigação representada pelo título 
executivo. 2.1. Obrigação certa é aquela expressa no título executivo e sobre a qual há um 
mínimo de segurança quanto à sua existência. Evidentemente, tal certeza não se revela 
absoluta, até porque tal discussão pode consistir precisamente no mérito dos embargos. 
Suficiente, portanto, para atender ao requisito da certeza, que se empreenda uma cogniçãosuperficial a esse respeito, em regra limitada aos requisitos extrínsecos (de forma) do título 
executivo. 2.2. Liquidez refere-se à expressa determinação do objeto da liquidação, em seus 
aspectos qualitativos (por exemplo, individuação da coisa a ser entregue ao exequente) e 
quantitativos (delimitação do ​quantum debeatur da obrigação de pagar quantia certa). 
Observe-se não haver falta de liquidez na mera necessidade de realização de cálculos 
aritméticos (art. 786, parágrafo único), providência corriqueira sobretudo para fins de 
atualização monetária da obrigação. 
3. Inexigibilidade da obrigação. A inexigibilidade da obrigação refere-se à ausência de 
demonstração, pelo exequente, de que se implementou a condição ou de que ocorreu o termo, 
conforme exigido pelo art. 798, I, ​c e ​d​. O juiz, contudo, deve dar ao exequente a 
oportunidade de apresentar tal prova antes de julgar os embargos. Se, por exemplo, a condição 
se implementou apenas enquanto eram processados os embargos ou se semelhante situação se 
verificou quanto ao advento do termo (por exemplo, obrigação que se venceu somente após o 
ajuizamento da execução), o magistrado poderá considerar tal fato superveniente (art. 493) e 
julgar improcedentes os embargos. No entanto, a distribuição dos ônus sucumbenciais 
também deverá ter por perspectiva o princípio da causalidade e o ajuizamento injustificado da 
execução, pelo menos enquanto não implementada a condição ou verificado o termo. Outra 
situação que pode ser alegada nos embargos a título de inexigibilidade da obrigação é a 
prescrição da obrigação. 
4. Penhora incorreta ou avaliação errônea. Trata-se de hipótese que apenas pode ser 
suscitada na execução relativa a obrigação de pagar quantia certa. A penhora “incorreta” é 
aquela realizada sobre bens impenhoráveis (art. 833 da Lei 8.009/1990), que deixa de 
observar a gradação legal do art. 835, que implica excessiva onerosidade ao executado (arts. 
805 e 836) ou, de forma geral, a que deixa de observar as formalidades estabelecidas em lei. 
Avaliação “errônea”, por sua vez, é a que aponta valor em desconformidade com o preço justo 
do bem penhorado ou a que se realiza sem atender às formalidades legais. 4.1. Na sistemática 
estabelecida pelo CPC/2015, em regra a penhora e a avaliação acabarão por se realizar quando 
já esgotado o prazo para os embargos. Por esta razão, o legislador estabeleceu, no § 1º do art. 
917, que eventuais vícios da penhora ou da avaliação, se realizados tais atos após o prazo para 
os embargos, poderão ser questionados pelo executado por simples petição, no prazo de 
quinze dias (úteis, por se tratar de prazo processual), contado da ciência do ato. 
5. Excesso de execução. Qualquer desconformidade entre o pleiteado pelo exequente na 
petição inicial e o efetivamente devido, de acordo com os parâmetros estabelecidos no título 
executivo, caracteriza excesso de execução. Não é só, portanto, a execução em valor superior 
a que tem direito o exequente que enseja o excesso de execução, conforme definido no 
CPC/2015. Nesse sentido, o § 2º estabelece haver excesso quando o exequente pleiteia 
quantia superior à do título (obrigação de pagar quantia certa ou de entregar coisas fungíveis); 
ou a atividade executiva recai sobre coisa diversa daquela declarada no título (obrigação de 
entregar coisa); ou a execução se processa de modo diferente do que foi determinado no título 
(obrigação de fazer ou não fazer distinta da indicada no título ou no caso em que o exequente 
busca o cumprimento de obrigação de natureza diversa da que foi reconhecida no título 
executivo, como a execução de uma obrigação de fazer no lugar de outra de pagar quantia 
certa – o que configura mais uma inadequação do rito executivo eleito pelo exequente do que 
propriamente excesso de execução). As últimas duas hipóteses relacionadas no art. 917, § 2º 
(exequente que não cumpre prestação que lhe corresponde e que não prova que a condição se 
realizou), a rigor, se enquadram como inexigibilidade da obrigação, já contemplada no inciso 
I do art. 917. 5.1. No caso em que se afirma excesso por ser o valor executado superior ao 
devido, não basta ao executado formular tal alegação genericamente. Nesse sentido, exige o § 
3º que declare já nos embargos o valor que considera correto (o qual ficará incontroverso e, 
portanto, não será afetado pelos embargos, nem por seu eventual efeito suspensivo, a não ser 
que em virtude de algum outro fundamento suscitado pelo executado que abranja toda a 
execução). Deve o executado, ainda, apresentar demonstrativo discriminado e atualizado do 
crédito, demonstrando de que maneira chegou ao valor que entende como adequado. Esse 
demonstrativo, por questão de igualdade de tratamento no processo, também deve atender aos 
requisitos do art. 798, parágrafo único e, se for o executado beneficiário de gratuidade de 
justiça, poderá pedir para que a planilha de cálculos seja elaborada pelo contador judicial, 
com fundamento no art. 98, VII. A rigor, não basta apenas que o executado indique 
formalmente o valor que entende correto e junte um demonstrativo, devendo, sempre que 
possível, desenvolver argumentação apontando especificamente por que os cálculos do 
exequente estão errados. O ônus da impugnação especificada (art. 341), portanto, aplica-se 
também à alegação de excesso de execução veiculada nos embargos, impedindo que tal 
questão seja suscitada pelo executado com objetivos meramente protelatórios, sem o menor 
fundamento, em contrariedade à boa-fé processual (art. 5º). A consequência para o não 
atendimento a tais exigências será a rejeição liminar dos embargos se o excesso de execução 
for o único fundamento suscitado ou, estando estes amparada em algum outro fundamento, o 
não conhecimento pelo juiz da alegação de excesso. 5.2. O CPC/2015 estabelece, como um de 
seus princípios fundamentais, a preponderância do julgamento do mérito (art. 4º). Desse 
modo, se o executado alega excesso de execução, mas deixa de indicar o valor que entende 
correto ou não apresenta o demonstrativo discriminado do crédito, deverá o julgador conceder 
prazo razoável para que tal vício seja sanado e, apenas na hipótese de desatendimento à 
determinação judicial, aplicar as consequências previstas no § 4º, deixando de conhecer do 
excesso de execução invocado (Enunciado 95 da I Jornada de Direito Processual Civil, 
aplicável subsidiariamente). Deve ser superada, assim, a orientação da jurisprudência 
consolidada ao tempo do CPC/1973 que entende não ser possível a emenda em tal 
circunstância (STJ, REsp 1.387.248, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 07.05.2014). 
6. Cumulação indevida de execuções. Os requisitos para a cumulação de execuções 
estão dispostos no art. 780. São eles: (i) identidade subjetiva no polo passivo; (ii) competência 
absoluta do juízo;e (iii) identidade de procedimento para as diversas execuções, que podem 
estar lastreadas em títulos distintos. 6.1. Estabelecidos os requisitos, não é possível cumular 
execução fundada em título judicial com outra amparada em título extrajudicial, pois são 
diferentes os procedimentos. Pela mesma razão, não deve o exequente cumular no mesmo 
processo a tutela executiva de obrigações de naturezas distintas. Se o título extrajudicial for 
objetivamente complexo, contemplando, por exemplo, obrigações de fazer e de pagar quantia 
certa, deverá o exequente propor duas execuções distintas. 6.2. Outro requisito importante 
para a cumulação de execuções é que haja identidade pelo menos parcial de executados. Nada 
impede, nesse sentido, que uma execução seja proposta relativamente a duas obrigações de 
natureza idêntica (por exemplo, pagar quantia certa), sendo que um dos executados responde 
por ambas e o outro, por apenas uma delas. Contudo, se tal identidade no polo passivo não 
existir, sequer parcialmente, inviável será a cumulação, devendo o exequente ajuizar duas 
execuções distintas. 6.3. O acolhimento da alegação de cumulação indevida de execuções não 
acarreta a extinção completa do processo. Se inexiste identidade ao menos parcial dos 
executados, o exequente será intimado para indicar contra qual deles pretende prosseguir. Se o 
problema for a incompetência absoluta do juízo para um ou alguns dos pedidos formulados, 
somente estes serão extintos. Se os procedimentos forem incompatíveis, o exequente será 
intimado para indicar qual das obrigações pretende continuar a executar, extinguindo-se a 
execução em relação às demais. Somente no caso de inércia do exequente, aí sim, será o 
processo totalmente extinto. 
7. Retenção por benfeitorias necessárias ou úteis. Tal matéria somente pode ser 
alegada na ação de execução destinada à entrega de coisa e, ainda assim, se o executado 
realizou benfeitorias úteis (“as que aumentam ou facilitam o uso do bem” – art. 96, § 2º, do 
Código Civil) ou necessárias (“as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore” 
– art. 96, § 3º, do Código Civil) no bem objeto da execução e desde que o direito material lhe 
assegure direito de retenção. O direito de retenção consiste na possibilidade, conferida pelo 
ordenamento jurídico, de o credor (ora executado) manter consigo a posse de um bem do 
devedor (ora exequente) em garantia ao pagamento de determinada obrigação (qual seja, 
indenização pelas benfeitorias necessárias ou úteis realizadas). São exemplos de direito de 
retenção em decorrência da realização de benfeitorias os arts. 578 (locatário que faz 
benfeitorias necessárias, ou úteis, estas últimas se feitas com expresso consentimento do 
locador) e 1.219 (possuidor de boa-fé que realiza benfeitorias necessárias e úteis) do Código 
Civil, bem como o art. 35 da Lei 8.245/1991 (locatário de imóvel urbano que realiza 
benfeitorias necessárias, ou úteis, estas últimas se feitas autorizadas locador, podendo o 
contrato dispor em sentido contrário e afastar qualquer direito de retenção). 7.1. O 
executado/embargante deve especificar nos embargos quais benfeitorias foram feitas no bem 
objeto da execução e, sempre que possível, indicar o valor que entende devido. Não se pode 
admitir a alegação genérica de realização de benfeitorias, sob pena de rejeição liminar dos 
embargos (art. 918, III) ou não conhecimento desse argumento. O ônus da prova de realização 
das benfeitorias, em princípio, recairá sobre o executado/embargante, por se tratar de fato 
impeditivo do direito do exequente. 7.2. Em resposta aos embargos fundados em direito de 
retenção decorrente da realização de benfeitorias, o exequente poderá pedir a compensação do 
valor que deve com os frutos ou danos considerados devidos pelo executado. Trata-se, a rigor, 
de verdadeira reconvenção excepcionalmente admitida pelo legislador em sede de embargos, 
tanto que, se o saldo resultante da compensação dos frutos ou danos com o valor devido a 
título de indenização por benfeitorias for favorável ao exequente, este poderá cobrá-lo nos 
autos da execução (art. 810, II). Se impossível a indicação dos valores relativos à indenização 
por benfeitorias a serem pagos ao executado ou dos frutos ou danos em favor do exequente 
mediante prova documental, o juiz deverá determinar a realização de prova pericial para este 
fim. 7.3. Antes mesmo do julgamento dos embargos fundados em direito de retenção, o 
exequente poderá se imitir na posse da coisa, desde que preste caução idônea (real ou 
fidejussória) ou deposite valor suficiente a garantir o pagamento da indenização pelas 
benfeitorias ou, ainda, do saldo resultante de eventual compensação com os frutos ou danos 
devidos pelo executado. Como se vê, a alegação de retenção é meramente dilatória: não afasta 
a obrigação de entregar a coisa, apenas postergando-a até que seja paga a indenização pelas 
benfeitorias ou que o exequente preste alguma garantia de que efetuará tal pagamento. 
8. Incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução. Caso a execução tenha 
sido proposta em juízo absoluta ou relativamente incompetente (por exemplo, por não terem 
sido observadas as regras do art. 781), tais matérias também devem ser veiculadas nos 
embargos. Assim como se passa com o processo de conhecimento, não se prevê mais no 
CPC/2015 a exceção de incompetência na execução. Evidentemente, os regimes jurídicos da 
incompetência absoluta e relativa são inconfundíveis. A incompetência absoluta poderá ser 
conhecida de ofício pelo juiz ou alegada a qualquer tempo pelo executado (art. 64, § 1º), ainda 
que por simples petição, após o prazo dos embargos. A incompetência relativa, por sua vez, 
depende de alegação pelo executado e, se não suscitada nos embargos, acarreta a prorrogação 
de competência (art. 65). 
9. Alegação de impedimento ou suspeição. Além de suscitar qualquer defesa por meio 
dos embargos, poderá o executado, ainda, suscitar em petição autônoma o impedimento ou 
suspeição do juiz, do membro do Ministério Público, dos auxiliares da justiça ou dos demais 
sujeitos imparciais do processo, devendo ser observadas as regras estabelecidas nos arts. 146 e 
148, que disciplinam de forma detalhada a arguição de impedimento ou suspeição. 
 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 918. O juiz rejeitará liminarmente os 
embargos: 
I – quando intempestivos; 
II – nos casos de indeferimento da 
petição inicial e de improcedência 
liminar do pedido; 
III – manifestamente protelatórios. 
Parágrafo único. Considera-se conduta 
atentatória à dignidade da justiça o 
oferecimento de embargos 
manifestamente protelatórios. 
Art. 739. O juiz rejeitará liminarmente 
os embargos: 
I – quando intempestivos; 
II – quando inepta a petição (art. 295); 
ou 
III – quando manifestamente 
protelatórios. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque:1. Rejeição liminar dos embargos. Apresentados os embargos, o juiz poderá rejeitá-los 
liminarmente – ou seja, antes da citação do exequente para sobre eles se manifestar – nas 
hipóteses do art. 918. São situações em que, ao apreciar a petição inicial dos embargos, o juiz 
profere um despacho liminar negativo, não chegando sequer a recebê-los. Como o exequente 
sequer foi citado para responder aos embargos, não haverá condenação do embargante em 
honorários sucumbenciais. 
2. Intempestividade dos embargos. A primeira hipótese de rejeição liminar se refere à 
intempestividade dos embargos. Como não há que se cogitar de embargos intempestivos por 
terem sido apresentados antes do início do prazo, nos termos do art. 218, § 4º, e como os 
embargos não exigem prévia penhora, depósito ou caução (art. 914, ​caput​), só pode haver 
intempestividade se os embargos forem oferecidos após o esgotamento do prazo regulado no 
art. 915. 2.1. Controverte-se a doutrina a respeito do fundamento pelo qual se veda o 
oferecimento de embargos após esgotado o prazo legal. Há quem sustente tratar-se de 
preclusão temporal (por exemplo, DIDIER JR., Fredie et al. ​Curso de direito processual civil 
– Execução. Salvador: JusPodivm, 2017, v. 5, p. 766). Outros apontam que a preclusão 
produz apenas efeitos endoprocessuais e os embargos são uma ação autônoma, de forma que o 
encerramento do prazo do art. 915 comprometeria, em verdade, o interesse processual (sob o 
aspecto da adequação) em relação à via dos embargos (nesse sentido, BASTOS, Antonio 
Adonias Aguiar. Comentários ao art. 916. In: WAMBIER, Teresa Arruda Alvim et al. 
(coord.). ​Breves comentários ao novo Código de Processo Civil​. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2016, p. 2.287; NEVES, Daniel Amorim Assumpção, ​Novo Código de Processo 
Civil comentado​. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 1.462), sem prejuízo da possibilidade de o 
executado ajuizar ação autônoma de impugnação (defesa heterotópica – v. comentários ao art. 
914, item 2). Independentemente do fundamento teórico adotado, é indiscutível o fato de que, 
encerrado o prazo estabelecido no art. 915, veda-se o oferecimento dos embargos, sob pena de 
rejeição liminar. 2.2. Eventualmente, se o executado alegou alguma matéria de ordem pública 
em sede de embargos intempestivos, como aquelas relacionadas no art. 803, nada obsta que o 
juiz os receba como simples petição e aprecie tal questão (a qual poderia ser, de todo modo, 
conhecida de ofício a qualquer tempo). O magistrado não poderá, todavia, examinar as 
matérias que não sejam de ordem pública, devendo o executado, se assim quiser, propor a 
competente ação autônoma de impugnação. 
3. Indeferimento da petição inicial. O CPC/2015 ampliou as hipóteses de rejeição 
liminar dos embargos. O código anterior se referia apenas ao caso de inépcia da petição 
inicial, ao passo que o atual indica que todas as causas de indeferimento da petição inicial (art. 
330) podem conduzir à rejeição liminar. Os embargos consistem em ação autônoma incidental 
à execução (v. comentários ao art. 914, item 4). Uma das consequências dessa natureza 
jurídica dos embargos é que estes devem ser apresentados por meio de uma petição inicial, a 
qual deve observar, no que couber, os requisitos do art. 319 (o único requisito que não se 
aplica é o que se encontra disposto no inciso VII, pois não há previsão no procedimento dos 
embargos de designação obrigatória de audiência de conciliação ou de mediação). Havendo 
qualquer defeito ou irregularidade sanável, o juiz deverá conceder o prazo de quinze dias ao 
embargante para correção (art. 321), indicando com precisão o que deve ser corrigido ou 
complementado. Tratando-se de vício insanável ou no caso de inércia do embargante em 
atender à determinação de correção ou complementação, será o caso de indeferimento da 
petição inicial. 
4. Improcedência liminar do pedido. Ċonfigurado qualquer dos casos de improcedência 
liminar do pedido (art. 332), os embargos também deverão ser liminarmente rejeitados. 
Observe-se, portanto, que nem sempre a rejeição liminar implica extinção dos embargos sem 
resolução do mérito, pois o julgamento liminar de improcedência é típica decisão que resolve 
o mérito do processo e, uma vez verificado o trânsito em julgado, forma coisa julgada 
material (v. comentários ao art. 332, item 10). 
5. Embargos manifestamente protelatórios. Não é fácil interpretar o inciso III do art. 
918, pois se trata de um conceito jurídico indeterminado, de difícil compreensão. A rigor, 
literalmente tomado, sequer seria possível cogitar de embargos “protelatórios”, tratando-se de 
dispositivo concebido ao tempo do CPC/1973, anterior à reforma promovida pela Lei 
11.382/2006. Nessa época, em que os embargos contavam com efeito suspensivo automático, 
compreendia-se que o executado que os apresentava destituídos de qualquer fundamento 
minimamente consistente lograva, ainda assim, obstar a marcha processual executiva 
enquanto os embargos não fossem julgados. Desde a Lei 11.382/2006, no entanto, os 
embargos não possuem efeito suspensivo automático, o que foi preservado no CPC/2015 (art. 
919, ​caput ​). Dessa forma, ou bem os embargos não terão o condão de suspender a execução (e 
não poderão ser protelatórios) ou lhes será atribuído excepcional efeito suspensivo pelo juiz (o 
qual exige, na forma do art. 919, § 1º, a plausibilidade dos argumentos articulados nos 
embargos, o que também afasta o caráter protelatório). 5.1. Abstraída a imprecisão conceitual 
do dispositivo, verifica-se que se trata de hipótese de improcedência ​prima facie dos 
embargos, situação na qual o juiz já constata, antes mesmo da citação do exequente, que o 
embargante não tem a mínima chance de vitória. Não deixa de ser, portanto, um caso de 
julgamento liminar de improcedência fora das situações tipificadas no art. 332 (que exigem, 
em regra, contrariedade a precedente jurisprudencial ou enunciado de súmula), mas 
caracterizando, igualmente, apreciação do mérito dos embargos. 5.2. Exemplo de embargos 
manifestamente protelatórios são aqueles fundados em alegação genérica de excesso de 
execução, sem que o executado tenha apontado o valor que entende correto ou apresentado o 
demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo (art. 917, § 3º). De todo modo, na 
hipótese de alegação genérica de excesso de execução, o juiz deve primeiro dar ao executado 
a oportunidade de emenda e, apenas na hipótese de desatendimento, rejeitar liminarmente os 
embargos (nesse sentido, Enunciado 95 da I Jornada de Direito Processual Civil). 5.3. Outros 
exemplos se passam nos casos em que o embargante sustenta tese jurídica que contraria texto 
expresso de lei ou suas alegações contrariam fatos já definitivamente comprovados no 
processo ou, ainda, afrontam decisão judicial anterior transitada em julgado (por exemplo,ressuscitando tese já afastada em anterior exceção de pré-executividade). 5.4. Recomenda-se, 
contudo, que o julgador atue com parcimônia, só rejeitando liminarmente os embargos por 
serem manifestamente protelatórios quando não exista qualquer chance de êxito do 
embargante. Na dúvida, e ausente qualquer das outras hipóteses de rejeição liminar, deve o 
magistrado dar regular prosseguimento aos embargos. 5.5. Uma vez verificado tratar-se de 
embargos manifestamente protelatórios, deve o juiz não somente rejeitá-los liminarmente, 
como aplicar as sanções previstas no art. 774, parágrafo único, contra o embargante, pois tal 
conduta caracteriza ato atentatório à dignidade da justiça, na forma do parágrafo único do art. 
918. 
6. Ausência de recolhimento do preparo. Outra hipótese de rejeição liminar não 
prevista no dispositivo em tela ocorre quando o embargante, mesmo após devidamente 
intimado, na forma do art. 290, deixa de recolher o preparo exigido para o processamento dos 
embargos, situação em que será determinado o cancelamento da distribuição. 
7. Recurso cabível. Via de regra, contra a decisão que rejeita liminarmente os embargos, 
qualquer que seja o seu conteúdo, caberá apelação, pois se trata de pronunciamento com 
natureza de sentença (art. 203, § 1º). Referida apelação não terá efeito suspensivo automático 
(art. 1.012, § 1º, III). Excepcionalmente, porém, é possível que a rejeição liminar somente 
atinja parte do objeto dos embargos (por exemplo, no caso de embargos com alegação 
genérica de excesso de execução, bem como outros fundamentos aduzidos de forma regular), 
situação em que o recurso cabível será o agravo de instrumento, com fundamento no art. 354, 
parágrafo único (se a rejeição liminar tiver conteúdo de decisão sem resolução do mérito, 
como no indeferimento da petição inicial) ou no art. 1.015, II (se implicar resolução do mérito 
parcial, como nas hipóteses de julgamento liminar de improcedência ou de embargos 
manifestamente protelatórios). Obviamente, no caso de embargos intempestivos, a rejeição 
liminar atingirá a sua totalidade. 
8. Coisa julgada. A decisão de rejeição liminar dos embargos apresenta conteúdo 
variável, podendo implicar ou não a formação de coisa julgada material. Nas hipóteses de 
embargos intempestivos ou de indeferimento da petição inicial, não haverá exame sobre o 
mérito dos embargos e, portanto, não se formará coisa julgada material, sendo ainda possível 
a discussão das questões veiculadas nos embargos por meio de ação autônoma de impugnação 
(defesa heterotópica). Em relação aos casos de julgamento liminar de improcedência e de 
embargos com caráter manifestamente protelatório, o juiz deverá necessariamente se debruçar 
sobre a causa de pedir e o pedido formulado nos embargos, o que implica julgamento de 
mérito e, uma vez transitada aludida decisão em julgado, a formação de coisa julgada 
material, impedindo a rediscussão das matérias suscitadas pelo embargante em qualquer outro 
processo. 
 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 919. Os embargos à execução não 
terão efeito suspensivo. 
§ 1º O juiz poderá, a requerimento do 
embargante, atribuir efeito suspensivo 
aos embargos quando verificados os 
requisitos para a concessão da tutela 
provisória, e desde que a execução já 
esteja garantida por penhora, depósito 
ou caução suficientes. 
§ 2º Cessando as circunstâncias que a 
motivaram, a decisão relativa aos 
efeitos dos embargos poderá, a 
requerimento da parte, ser modificada 
ou revogada a qualquer tempo, em 
decisão fundamentada. 
§ 3º Quando o efeito suspensivo 
atribuído aos embargos disser respeito 
apenas a parte do objeto da execução, 
esta prosseguirá quanto à parte 
restante. 
Art. 739-A. Os embargos do executado 
não terão efeito suspensivo. 
§ 1º O juiz poderá, a requerimento do 
embargante, atribuir efeito suspensivo 
aos embargos quando, sendo 
relevantes seus fundamentos, o 
prosseguimento da execução 
manifestamente possa causar ao 
executado grave dano de difícil ou 
incerta reparação, e desde que a 
execução já esteja garantida por 
penhora, depósito ou caução 
suficientes. 
§ 2º A decisão relativa aos efeitos dos 
embargos poderá, a requerimento da 
parte, ser modificada ou revogada a 
qualquer tempo, em decisão 
fundamentada, cessando as 
circunstâncias que a motivaram. 
§ 3º Quando o efeito suspensivo 
atribuído aos embargos disser respeito 
apenas a parte do objeto da execução, 
essa prosseguirá quanto à parte 
restante. 
§ 4º A concessão de efeito suspensivo 
aos embargos oferecidos por um dos 
executados não suspenderá a execução 
contra os que não embargaram, quando 
o respectivo fundamento disser respeito 
exclusivamente ao embargante. 
§ 4º A concessão de efeito suspensivo 
aos embargos oferecidos por um dos 
executados não suspenderá a execução 
contra os que não embargaram, quando 
o respectivo fundamento disser respeito 
exclusivamente ao embargante. 
§ 5º A concessão de efeito suspensivo 
não impedirá a efetivação dos atos de 
substituição, de reforço ou de redução 
da penhora e de avaliação dos bens. 
(...) 
§ 6º A concessão de efeito suspensivo 
não impedirá a efetivação dos atos de 
penhora e de avaliação dos bens. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque: 
1. Regra geral: não há efeito suspensivo automático. Os embargos não têm efeito 
suspensivo automático, o que significa dizer que sua simples apresentação não impede o 
prosseguimento da execução, nem mesmo em relação aos atos de expropriação. Nada obsta, 
inclusive, a satisfação do crédito executado na pendência dos embargos, ressalvada a 
responsabilidade objetiva do exequente em indenizar eventuais prejuízos ocasionados ao 
executado na hipótese de acolhimento dos embargos, com a restituição das partes ao estado 
anterior (art. 776). 
2. Concessão excepcional de efeito suspensivo​​. O efeito suspensivo dos embargos 
depende de decisão que o conceda (​ope judicis​) e está condicionado ao preenchimento de 
quatro requisitos: (i) requerimento do executado (não pode ser concedido de ofício, pois o 
efeito suspensivo tutela exclusivamente o interesse do executado, não dizendo respeito à 
efetividade da tutela jurisdicional); (ii) presença dos requisitos para a tutela provisória; e (iii) 
garantia integral do juízo com penhora, caução ou depósito suficientes. 2.1. A apreciação do 
requerimento de atribuição de efeito suspensivo normalmente ocorre por ocasião do 
recebimento dos embargos, mas nada impede que tal se verifique em etapa procedimental 
posterior, por exemplo, nos casos de tutela da evidência fundados no art. 313, incisos I e IV, 
os quais só podem se configurar após a manifestação do exequente sobre os embargos (art. 
311, parágrafo único). Nada impede, ainda, que o próprio embargante pleiteie a concessão do 
efeito suspensivo em etapa mais avançada do procedimento dos embargos, por exemplo, 
porque acabou de ser designada para a realização do leilão judicial.2.2. Observe-se que o 
efeito suspensivo apenas obsta a marcha processual da execução, mas não implica 
desfazimento de nenhum ato executivo, o que apenas (eventualmente) ocorrerá com o 
julgamento de procedência dos embargos. Dessa forma, se um bem do executado foi 
penhorado antes da concessão do efeito suspensivo, ele permanecerá submetido à constrição 
judicial. 
3. Requisitos para a tutela provisória como pressuposto para o efeito suspensivo​​. O 
CPC/2015 ampliou as hipóteses de concessão de efeito suspensivo aos embargos, pois se 
refere, como um dos pressupostos para tal medida, aos requisitos do gênero “tutela 
provisória”, que pode ser de urgência ou de evidência (art. 294). 3.1. No primeiro caso, da 
tradicional tutela de urgência, o efeito suspensivo depende da demonstração da plausibilidade 
da fundamentação dos embargos e do risco iminente de dano grave ou de difícil reparação 
para o executado. Esse risco deve dizer respeito a um dano específico do caso concreto, não 
podendo consistir de forma genérica no simples prosseguimento da atividade executiva, como 
a possibilidade de alienação do bem penhorado, o que representa risco inerente a qualquer 
execução, já ponderado em abstrato na lei. Nesse caso, por exemplo, poderia ser atribuído o 
efeito suspensivo se o bem a ser alienado tem um valor sentimental especial, é essencial para 
a atividade profissional do executado ou para a sobrevivência da empresa executada, 
peculiaridades não antecipadas pelo legislador. Além disso, o risco deve ser manifesto, no 
sentido de existir grande probabilidade ou mesmo certeza de que o prosseguimento da 
execução acarretará dano de difícil reparação ou irreparável ao executado. 3.2. O CPC/2015 
inova, ao dispor que o efeito suspensivo pode ainda ser concedido no caso de tutela de 
evidência, a qual dispensa a demonstração do ​periculum in mora diante da elevadíssima 
plausibilidade da tese sustentada pelo embargante. Para saber em que casos se admite a tutela 
da evidência nos embargos, é necessário analisar o art. 311. O inciso I raramente restará 
configurado, mas não se pode descartar a hipótese de execução manifestamente indevida e de 
defesa abusiva do exequente nos embargos. Em relação ao inciso II, trata-se de hipótese 
perfeitamente compatível com os embargos, quando as alegações de fato do embargante 
estiverem comprovadas documentalmente e a tese jurídica por ele sustentada encontrar 
amparo em julgamento de casos repetitivos (recursos repetitivos ou incidente de resolução de 
demandas repetitivas – art. 928). O inciso III não tem aplicação ao caso de embargos à 
execução. Finalmente, o inciso IV também é compatível com os embargos, bastando que 
estejam amparados em prova documental suficiente, a que o exequente não oponha prova 
capaz de gerar dúvida razoável. Observe-se, porém, que por força do art. 311, parágrafo 
único, somente a hipótese contemplada no inciso II autorizará o juiz a atribuir efeito 
suspensivo liminarmente, por ocasião do recebimento dos embargos, devendo nos demais 
casos aguardar a manifestação do exequente para, aí sim, verificar se deverá ser concedido o 
efeito suspensivo. 
4. Integral garantia do juízo da execução. Ċomo visto, a integral garantia do juízo da 
execução, mediante penhora, caução (como o seguro garantia judicial ou a fiança bancária) ou 
depósito, é requisito para a atribuição do efeito suspensivo aos embargos. Obviamente, a regra 
apenas se explica às execuções de obrigação pecuniária e de dar coisa, mas não à obrigação de 
fazer ou não fazer, em que sequer se prevê a garantia do juízo como etapa do procedimento 
executivo. 4.1. A regra é salutar, pois equilibra a exigência de efetividade da execução (art. 
797) com o princípio da menor onerosidade para o executado (art. 805). Dessa forma, 
enquanto o juízo não estiver integralmente garantido, o exequente poderá continuar em sua 
tarefa de buscar bens no patrimônio do executado. 4.2. Em situações excepcionais, como 
pondera de forma acertada a doutrina (ASSIS, Araken de. ​Comentários ao Código de 
Processo Civil​. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016, v. 13, p. 1.590-1.591), é possível se 
cogitar de efeito suspensivo sem a integral garantia do juízo, quando o executado demonstrar 
que simplesmente não tem condições patrimoniais de fazê-lo e, por exemplo, esteja prestes a 
perder o bem penhorado em decorrência dos atos expropriatórios, sem que o exequente tenha 
condições de indenizá-lo (art. 776) pelos danos que serão causados. Sob a perspectiva do 
exequente, o prejuízo decorrente da atribuição do efeito suspensivo e de ter que suportar o 
ônus do tempo do processo é mitigado com a previsão do § 5º do dispositivo em tela, que lhe 
permite continuar a buscar novos bens no patrimônio do executado para garantia de forma 
integral a execução e, inclusive, passar à fase de sua avaliação. 
5. Modificação ou revogação da decisão que concede efeito suspensivo. A decisão que 
atribui efeito suspensivo aos embargos nada mais é do que uma tutela provisória com 
regulamentação legal específica, a qual se funda em cognição sumária do juiz, sobretudo 
acerca da plausibilidade dos argumentos veiculados pelo embargante Por esta razão, assim 
como qualquer outra forma de tutela provisória (art. 296), a decisão que atribui efeito 
suspensivo aos embargos pode ser modificada ou revogada pelo juiz, diante, por exemplo, de 
novos elementos trazidos pelo exequente que demonstrem não haver verossimilhança na tese 
sustentada pelo embargante. 5.1. Para que tal ocorra, contudo, é necessário haver 
requerimento do exequente, não podendo a modificação ou revogação da decisão que 
concedeu efeito suspensivo ocorrer de ofício, o que foi previsto pelo legislador como medida 
de isonomia processual, já que a atribuição do efeito suspensivo também depende de 
requerimento do embargante. 
6. Modulação objetiva do efeito suspensivo. O efeito suspensivo pode ser total, 
sustando por completo a execução, ou parcial, quando os embargos disserem respeito a apenas 
parte do objeto da execução (situação em que, evidentemente, não pode ir além dos limites 
objetivos dos embargos a decisão que lhes empresta efeito suspensivo) ou, ainda, quando os 
requisitos para a atribuição do efeito suspensivo estiverem preenchidos somente quanto a uma 
parcela da execução (por exemplo, argumentos relevantes dos embargos apenas para reduzir o 
valor executado, mas não para excluí-lo totalmente, ou bem penhorado essencial para a 
atividade profissional do executado e que não deve ser alienado, mas que garante apenas parte 
do montante executado). 6.1. Nada impede, ainda, que o efeito suspensivo apenas obste a 
prática de alguns atos executivos (por exemplo, apenas o levantamento do dinheiro obtido 
com a alienação judicial pelo exequente, mas não a realização do atode expropriação). 
7. Efeito suspensivo dos embargos e litisconsórcio passivo na execução. Havendo 
litisconsórcio passivo na execução, o efeito suspensivo concedido nos embargos de um 
executado aproveitará aos demais (que tenham embargado ou não, em que pese a referência 
do § 4º apenas aos executados que deixaram de oferecer embargos) apenas quanto aos 
fundamentos comuns (por exemplo, plausibilidade da tese de prescrição da obrigação 
executada) e às parcelas que estiverem sendo executadas em comum de todos eles, em 
regramento que apenas expressa, nesta fase processual, a disciplina do art. 117. Se os 
fundamentos não forem comuns (por exemplo, bem penhorado essencial à atividade 
econômica de um dos executados) ou as parcelas executadas forem diversas, os litisconsortes 
serão considerados litigantes distintos em suas relações com o exequente e o efeito suspensivo 
nos embargos de um executado não aproveitará aos demais. 
8. Possibilidade de penhora de novos bens ou avaliação mesmo com a atribuição de 
efeito suspensivo à execução. O efeito suspensivo não poderá impedir a realização de novos 
atos de constrição patrimonial do executado (incluindo substituição, redução ou reforço de 
penhora), nem a avaliação dos bens penhorados. Considerou o legislador que tais atos, por si 
sós, não acarretam dano irreparável ou de difícil reparação. Não se pode descartar, contudo, 
que em hipóteses excepcionalíssimas seja obstada a penhora, desde que da sua realização 
decorra dano especialmente grave ao executado e que seja de difícil ou impossível reparação 
pelo exequente. 
9. Recurso cabível. O pronunciamento judicial que concede, modifica ou revoga efeito 
suspensivo atribuído aos embargos pode ser atacado por agravo de instrumento, como 
estabelece o art. 1.015, X, do CPC/2015. Pode existir alguma dúvida a respeito da 
recorribilidade imediata da decisão que indefere o efeito suspensivo, mas a mesma conclusão 
se impõe. Como os embargos são uma ação autônoma (ainda que incidental à execução), não 
se lhes aplica o art. 1.015, parágrafo único, que estabelece ser cabível o agravo de instrumento 
contra todas as decisões interlocutórias na execução. Nada obstante, como exposto (v. item 5, 
supra ​), a decisão que aprecia o efeito suspensivo dos embargos versa sobre hipótese 
específica de tutela provisória, fundada em cognição sumária do juiz, situação em que se 
previu de forma explícita o cabimento do agravo de instrumento (art. 1.015, I). Concluindo no 
mesmo sentido, Enunciado 71 da I Jornada de Direito Processual Civil e STJ, REsp 
1.694.667, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 05.12.2017. Esta observação conduz ainda a outra 
importante conclusão: no agravo de instrumento interposto contra decisão que aprecia 
requerimento de atribuição de efeito suspensivo aos embargos, deve ser admitida a 
sustentação oral, nos termos do art. 937, VIII (nesse sentido, acolhendo o entendimento aqui 
sustentado, Enunciado 681 do FPPC). 
10. Efeito suspensivo dos embargos à execução fiscal. Os embargos à execução fiscal 
também não possuem efeito suspensivo automático, podendo, contudo, ser paralisada a 
execução, desde que preenchidos os requisitos estabelecidos pela legislação processual 
comum, ou seja, pelo art. 919, § 1º, do CPC/2015. Nesse sentido, em julgamento submetido 
ao rito dos recursos repetitivos, STJ, REsp 1.272.827, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 
22.05.2013. 
 
 
CPC/2015 CPC/1973 
Art. 920. ​​ Recebidos os embargos: 
I – o exequente será ouvido no prazo de 
15 (quinze) dias; 
II – a seguir, o juiz julgará 
imediatamente o pedido ou designará 
audiência; 
III – encerrada a instrução, o juiz 
proferirá sentença. 
Art. 740. Recebidos os embargos, será 
o exequente ouvido no prazo de 15 
(quinze) dias; a seguir, o juiz julgará 
imediatamente o pedido (art. 330) ou 
designará audiência de conciliação, 
instrução e julgamento, proferindo 
sentença no prazo de 10 (dez) dias. 
Comentários de Andre Vasconcelos Roque: 
1. Procedimento dos embargos. Citação do exequente. O dispositivo em tela disciplina 
o procedimento dos embargos, após o seu recebimento pelo juiz. Trata-se de uma forma de 
procedimento especial sumarizado, em que não se prevê a designação de audiência de 
mediação ou conciliação, nem uma fase formal de saneamento (embora seja frequente que tal 
ocorra, na prática do foro, o que é recomendável, dada a amplitude de matérias que podem ser 
suscitadas nos embargos e o fato de que a cognição do juiz será exauriente, com possibilidade 
de formação de coisa julgada material). Não sendo, portanto, o caso de rejeição liminar (art. 
918) e apreciado eventual requerimento de concessão de efeito suspensivo (art. 919), o juiz 
determinará a manifestação do exequente, no prazo de quinze dias (úteis, por se tratar de 
prazo processual). Tal comunicação consiste em verdadeira citação do exequente para 
responder aos embargos, pois estes são uma ação autônoma incidental à execução. 
Excepcionalmente, contudo, por questão de economia e celeridade processual, a citação se 
realizará na pessoa do advogado constituído pelo exequente na execução (em regra, por meio 
eletrônico ou pelo Diário da Justiça), ainda que a procuração não contemple poderes 
expressos nesse sentido. Trata-se de comunicação confiável e segura, a qual deve continuar a 
ser prestigiada no CPC/2015. 
2. Resposta do embargado e intervenção de terceiros nos embargos. Devidamente 
citado, o exequente/embargado terá o prazo de quinze dias (úteis) para se manifestar sobre os 
embargos. Essa resposta do embargado tem natureza jurídica de contestação, embora na 
prática do foro tenha se consagrado a denominação “impugnação aos embargos” (o que é 
ruim, pois pode causar confusão com a impugnação ao cumprimento de sentença). Qualquer 
matéria poderá ser alegada na contestação aos embargos, com exceção, obviamente, da 
incompetência do juízo (afinal, foi o próprio exequente/embargado que escolheu onde ajuizar 
a execução e os embargos são normalmente de competência do juízo da execução), ressalvado 
o caso de execução por carta, em que o embargado poderá discutir se a competência para 
julgamento dos embargos é do juízo deprecante ou deprecado (art. 914, § 2º). Pode o 
embargado, ainda, arguir a suspeição ou impedimento do juiz ou de auxiliar da justiça 
imparcial em petição autônoma, na forma dos arts. 146 a 148. 2.1. Não cabe, via de regra, 
reconvenção em embargos à execução. Na execução fiscal, há vedação legal expressa (art. 16, 
§ 3º, da Lei 6.830/1980). Por sua vez, no CPC/2015, não há resposta clara, mas o fato de os 
embargos se tratarem de procedimento sumarizado e terem por finalidade precípua atacar a 
obrigação executada ou a validade dos atos da execução afasta o cabimento da reconvenção. 
Se o embargado pretender formular pretensão contra o embargante, deverá fazê-lo por meiode demanda autônoma (nesse sentido, STJ, REsp 1.528.049, Rel. Min. Mauro Campbell 
Marques, j. 18.08.2015; contra, entre outros, NEVES, Daniel Amorim Assumpção. ​Novo 
Código de Processo Civil comentado​. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 1.473). A exceção se 
passa nos casos de embargos de retenção por benfeitorias (art. 917, IV) em que o 
exequente/embargado alega em seu favor ter direito a receber do executado/ embargante 
valores a título de frutos e danos (art. 917, § 5º), hipótese em que o art. 810, II admite a 
cobrança de eventual saldo favorável ao embargado nos próprios autos da execução. 2.2. 
Quanto às modalidades de intervenção de terceiros, cabem somente a assistência (art. 119, 
parágrafo único, admissível “em qualquer procedimento”) e, ocasionalmente, se houver 
repercussão social ou pela especificidade do tema, a intervenção do ​amicus curiae. A 
denunciação da lide, o chamamento ao processo e o incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica são incompatíveis com os embargos (a não ser, quanto a este último, no 
que concerne a eventual fase de cumprimento de sentença, por exemplo, das verbas 
sucumbenciais fixadas pela sentença que julgar os embargos). 
3. Revelia do embargado. A ausência de resposta do embargado acarreta a decretação de 
revelia, pois os embargos nada mais são que uma ação autônoma incidental e de natureza 
cognitiva. Os efeitos da revelia, contudo, necessitam de uma análise detida. O efeito 
processual (desnecessidade de intimação do revel para que se deflagrem os seus prazos – art. 
346) não irá se verificar, pois o exequente/embargado terá constituído advogado para 
ingressar com a execução. Quanto ao efeito material decorrente da presunção de veracidade 
das alegações do embargante (art. 344), há intensa controvérsia. De acordo com o STJ, não se 
operaria tal efeito, pois prevaleceria a presunção de existência da obrigação decorrente do 
título executivo (nesse sentido, STJ, AgRg no AREsp 576.926, Rel. Min. Marco Aurélio 
Bellizze, j. 12.02.2015). Tal raciocínio merece reparos. De fato, a presunção da existência da 
obrigação contemplada no título executivo prevalece sobre a presunção decorrente da revelia, 
mas o mesmo não se verifica em relação a fatos posteriores e externos ao título, como a 
alegação de pagamento. Não se infirma o título executivo, apenas se aponta que a obrigação 
executada já foi satisfeita. Nesse caso, a ausência de resposta aos embargos por parte do 
exequente induzirá à presunção de veracidade da alegação de pagamento do embargante, 
cumprindo ao juiz verificar se tal fato (presumido) acarretará o acolhimento dos embargos. 
Isso não quer dizer, evidentemente, que os embargos serão automaticamente julgados 
procedentes, pois não pode o juiz presumir verdadeiro o inverossímil (art. 345, IV) e deverá, 
em todo caso, avaliar se as consequências jurídicas alegadas pelo executado são pertinentes 
(v. comentários ao art. 341, que trata do ônus da impugnação especificada no processo civil). 
Não se concorda, portanto, com a tese de que nunca haverá presunção de veracidade 
decorrente da falta de resposta aos embargos por prevalecer a presunção de existência do 
crédito extraída do título executivo extrajudicial. 
4. Providências preliminares e julgamento conforme o estado do processo. Como já 
se apontou, os embargos tramitam por meio de um procedimento especial sumarizado, em que 
não há exigência formal de que o juiz tome as providências preliminares dispostas nos arts. 
373 a 353, ou realize o saneamento formal do processo, nos termos do art. 357. Apesar disso, 
se o exequente/embargado alegou em sua resposta algum fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito do embargante, ou se deduziu qualquer matéria preliminar, deve ser aberta 
a oportunidade para oferecimento de réplica, em decorrência do princípio do contraditório. 
4.1. Apresentadas as manifestações das partes ou transcorrido o prazo para tal, caso o juiz 
verifique a desnecessidade de qualquer prova adicional, deverá proceder imediatamente ao 
julgamento dos embargos. Nada impede, embora não previsto no CPC/2015, que se proceda 
ao julgamento antecipado parcial do mérito, desde que configurada qualquer das hipóteses do 
art. 356. 4.2. Não é verdade que o magistrado só tenha duas escolhas nesta etapa do 
procedimento (julgar de imediato ou designar audiência), como o inciso II do art. 920 faz crer. 
Pode ser necessário produzir prova pericial, que em regra prescinde da designação de 
audiência, a qual se destina precipuamente à prova oral. Embora o art. 920 não preveja, diante 
da necessidade de produção de novas provas, é de todo recomendável que o julgador profira 
decisão de saneamento e organização do processo (art. 357). 
5. Sentença dos embargos e recurso cabível. A sentença que julga procedentes os 
embargos pode ser de natureza preponderantemente constitutiva negativa (por exemplo, no 
caso em que se invalida o título executivo extrajudicial por vício do consentimento ou que se 
desfaz a constrição judicial sobre bem impenhorável) ou declaratória (a título de ilustração, na 
hipótese em que se reconhece ter havido o pagamento ou a ocorrência de excesso de 
execução), conforme o fundamento acolhido. A sentença que julga improcedentes os 
embargos será sempre de natureza declaratória negativa, certificando a inexistência do direito 
alegado pelo embargante. 5.1. Não há dúvidas acerca do recurso cabível contra a decisão que 
julga os embargos, qualquer que seja o seu conteúdo. Como se trata de sentença, a qual põe 
fim a um processo incidental, o recurso cabível será a apelação. Reforça essa conclusão o 
disposto no art. 1.012, § 1º, III, que trata da ausência de efeito suspensivo automático da 
apelação interposta contra a sentença que extingue sem resolução de mérito ou julga 
improcedentes os embargos do executado. 5.2. A apelação poderá veicular inconformismo 
contra a sentença, assim como contra qualquer decisão interlocutória que tenha sido proferida 
no procedimento dos embargos e não se enquadre nos incisos do art. 1.015, conforme previsto 
no art. 1.009, § 1º. Como já apontado, os embargos possuem natureza de ação autônoma, 
razão pela qual não se lhes aplica o disposto no art. 1.015, parágrafo único, que estabelece a 
recorribilidade imediata de qualquer decisão interlocutória proferida na execução. 
6. Honorários de advogado. Tendo em vista a natureza jurídica de ação autônoma 
incidental, qualquer que seja o resultado da sentença dos embargos (a não ser no caso de sua 
rejeição liminar – art. 918), haverá arbitramento de nova verba sucumbencial, com amparo no 
art. 85, ​caput ​. Se os embargos forem rejeitados (com ou sem resolução de mérito), os 
honorários de advogados fixados liminarmente no despacho que recebeu a petição inicial da 
ação de execução poderão ser elevados até o limite de vintepor cento sobre o valor da 
execução (art. 827, § 2º). 
7. Coisa julgada. A sentença que julga os embargos, uma vez transitada em julgado, 
forma coisa julgada material? Há que se distinguir duas situações. Na primeira, os embargos 
são rejeitados liminarmente (exceto por improcedência liminar do pedido ou por serem 
manifestamente protelatórios) ou extintos sem resolução de mérito. A sentença não examinou 
o mérito e não forma coisa julgada material. Na segunda, os embargos do executado são 
rejeitados liminarmente por improcedência liminar do pedido (arts. 332 e 918, II) ou por 
serem manifestamente protelatórios (art. 918, III) ou são julgados improcedentes. Neste caso, 
haverá efetiva formação de coisa julgada material (sobre a formação de coisa julgada na 
sentença liminar de improcedência, v. comentários ao art. 332, item 10), nos limites das 
questões apreciadas conclusivamente pelo juiz na sentença, que não poderão ser discutidas 
neste e em nenhum outro processo. Para as matérias compreendidas fora das causas de pedir 
veiculadas nos embargos, é ainda possível que o executado ajuíze ação autônoma de 
impugnação (defesa heterotópica), mesmo encerrado o prazo dos embargos e após eventual 
julgamento de sua improcedência. 
8. Acolhimento dos embargos e possibilidade de cobrança na própria execução ou 
mediante processo de conhecimento. Nem sempre o julgamento de procedência dos 
embargos, embora forme coisa julgada material, impedirá a cobrança do crédito pelo 
exequente. Se foi reconhecida, no âmbito dos embargos, a inexistência da obrigação, a coisa 
julgada material impedirá que a cobrança ocorra em qualquer outra demanda, 
independentemente da via processual eleita. Contudo, se os embargos foram acolhidos 
simplesmente para invalidar determinado ato executivo (por exemplo, afastamento da 
constrição judicial sobre bem impenhorável ou reconhecimento de erro na avaliação), nada 
impedirá o prosseguimento da execução, com a repetição dos atos processuais considerados 
defeituosos. Ainda, se foi reconhecida a impossibilidade de se prosseguir na execução, por 
exemplo, por ausência de título executivo extrajudicial, poderá o exequente cobrar o seu 
crédito do executado por meio do competente processo de conhecimento.

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