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Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy – HEMATOLOGIA – MEDICINA P8 – 2011.1
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MED RESUMOS 2011
CORREIA, Luiz Gustavo.
HEMATOLOGIA
ESFEROCITOSE HEREDITÁRIA
(Professora Flávia Pimenta)
A esferocitose hereditária é uma doença de curso clínico intermitente e recorrente, que se caracteriza pela tríade 
clínica: anemia, icterícia e esplenomegalia. Traduz-se pela presença de hemácias microcíticas (pequenas) e hipo ou 
hipercrômicas, com formato esférico e sem a palidez central, o que caracteriza os esferócitos. É uma doença de 
prevalência na população caucasiana, com raros casos na população negra, de evolução clínica variável. 
A terapêutica, atualmente, visa a retirada do órgão responsável pela maioria das alterações estruturas das 
hemácias, que é a esplenectomia (retirada do baço), que deve ser feita movida a uma atenção completa sobre o 
histórico de vacinas e ainda reposição do ácido fólico. 
CARACTERƒSTICAS GERAIS
A esferocitose hereditária (em 80% das vezes, na forma autossômica dominante) é uma síndrome clínica que se 
caracteriza pela tríade clássica: anemia microcítica e hipercrômica, icterícia e esplenomegalia. O quadro clínico é 
recorrente, com crises intermitentes durante a vida, muito confundida com a hepatite e doença hemolítica do recém-
nascido. Incide em 1 caso a cada 2.000 nascimentos. Nos EUA e norte da Europa, a esferocitose hereditária é a causa 
mais comum de anemia hemolítica hereditária, com alta prevalência na população caucasiana e, pouco frequente, na 
raça negra. 
Ocorre em consequência ao defeito na membrana do eritrócito, com comprometimento dos compostos presentes 
nesta membrana, dentre os quais se destacam:
 Deficiência de anquirina ou espectrina (que é mais comum)
 Deficiência de banda 3 ou proteína 4.2
FISIOPATOLOGIA
A membrana do eritrócito é sustentada por uma rede de proteínas que formam um citoesqueleto. A espectrina, 
uma proteína fibrilar em forma de hélice (cadeias alfa e beta), é o principal constituinte do sistema. A interação 
espectrina-actina é fundamental para a manutenção da rede. O ancoramento das fibras de espectrina sobre a membrana 
da hemácia é feita pela anquirina que serve como ponte entre a espectrina e a proteína banda 3 (glicoforina). De uma 
forma geral, a esferocitose hereditária ocorre quando existem defeitos genéticos das proteínas (espectrina, anquirina, 
banda 3, proteína 4.2). Ocorre que, o citoesqueleto da membrana das hemácias além de dar sustenação à membrana, 
também garante a sua forma bicôncava, que é importante para a maleabilidade ou deformibilidade dos eritrócitos, tão 
importante para a sua passagem através das fendas sinusoidais do leito esplênico. 
A actina, que é considerada um componente protéico 
disposto longitudinalmente, possui a capacidade de deformar ou 
retrair uma determinada hemácia, conferindo-a certa elasticidade. 
Deste modo, fica fácil entender que o comprometimento do 
componente actínico da membrana eritrocitária faz com que as 
hemácias alcancem com dificuldades o leito capilar, com uma 
pouca deformabilidade da hemácia. Outra característica 
importante é o fato que os componentes da membrana eritrocitária 
também contribuem para uma sobrevida média das hemácias de, 
em média 120 dias. Portanto, destruições ou ausências de 
componentes da membrana da hemácia também determinam uma 
hemólise mais acelerada. 
Na vigência de uma esferocitose hereditária, a medula óssea promove a formação normal das hemácias, ao 
longo de seu percurso na circulação, as hemácias com membranas alteradas permanecem por mais tempo no pólo 
vascular do baço. Isto faz com que os macrófagos esplênicos fagocitem parte do componente lipídico da membrana 
das hemácias, retirando-se fragmentos desta estrutura. Em seguida, a superfície das hemácias passa a sofrer uma 
diminuição de sua espessura e extensão, culminando em uma alteração estrutural das hemácias, tornando-as com 
pouco diâmetro, coradas em uma só coloração, perda do componente hemoglobiníco central. A célula eritrocitária, após 
sucessivas ações macrofagocitárias, passa a ser denominada de esferócitos. Em resumo, os quatro eventos abaixo 
caracterizam a fisiopatologia da esferocitose hereditária:
 Pouca deformabilidade da hemácia
 Desidratação celular (alteração dos canais iônicos)
 Fagocitose parcial e total das hemácias no leito esplênico
 Hemólise extra-vascular
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Imagem mostrando duas lâminas distintas. Na lâmina esquerda, 
podemos visualizar várias hemácias com um halo interno pálido, ao 
redor de uma área corada de rosa. Nesta mesma lâmina, podemos 
visualizar pequenas células com coloração homogênea, sem o halo 
interno pálido, são os microesferócitos. 
DIAGNSTICO
QUADRO CLÍNICO
O quadro clínico da esferocitose hereditária é caracterizado pela tríade clássica: icterícia, anemia e 
esplenomegalia. A icterícia é discreta, que ocorre em conseqüência da hemólise acelerada. A anemia hemolítica é extra-
vascular, por ocorrer em nível do baço e, a esplenomegalia é variada de moderada a intensa. Outras características 
também estão co-associadas ao quadro clínico típico recém-referido.
 Aumento da absorção intestinal de ferro, que pode gerar aumento da ferritina plasmática;
 Aumento da demanda de ácido fólico, podendo induzir a uma anemia megaloblástica;
 Cálculos biliares de bilirrubina, em virtude de uma maior oferta de bilirrubina;
 Úlceras em membros inferiores (MMII);
 Distúrbios extrapiramidais e fenômenos tromboembólicos (raros) 
OBS1: Algumas características são responsáveis pela piora da anemia em distúrbios hemolíticos crônicos.
 Crise aplástica: Ocorre em indivíduos com esferocitose hereditária que são infectados pelo parvovírus B19, 
induzindo a uma queda do DHL basal e curva de reticulócitos baixo, mas com bilirrubina normal. 
 Crise megaloblástica: Em determinados pacientes, ocorre uma deficiência relativa de ácido fólico, induzindo a 
uma taxa de reticulócitos baixa, com VCM muito aumentado. 
 Crise de seqüestro esplênico: O aumento do volume do baço caracteriza uma queda importante da 
hemoglobina (acima de 2 g). 
 Crise hemolítica: Piora da hemólise em relação ao episódio anterior, com reticulocitose elevada. 
ALTERAÇÕES LABORATORIAIS
O diagnóstico da esferocitose hereditária deverá constar de uma avaliação clínica completa, bem como da 
realização de exames complementares. O hemograma, por si só, é um exame de boa eficácia no diagnóstico da 
esferocitose hereditária e da avaliação geral do doente. Todavia, o padrão-ouro é a ectacitometria, teste da fragilidade 
osmótica e a eletroforese de proteína de membrana. Na realidade do Brasil, o teste da fragilidade osmótica ainda pode 
ser feito, mas a associação entre clínica e o hemograma já são suficientes para ditar o diagnóstico. 
Hemograma.
 Alterações da forma das hemácias, com a formação dos esferócitos;
 Anemia com icterícia
 Anemia microcítica (em virtude da diminuição do tamanho das hemácias), com VCM baixo
 Anemia com icterícia determina um CHCM elevado
 Reticulocitose, elevação do DHL
Teste da fragilidade osmótica.
O referido teste é utilizado para o diagnóstico de anemias 
hemolíticas e esferocitose hereditária. Neste teste os eritrócitos do 
paciente são incubados em soluções salinas de diferentes tonicidades, 
para avaliar sua resistência ou fragilidade osmótica. Quando 
aumentado, sugere esferocitose. 
Observamos no gráfico, a curva da esferocitose em linha 
contínua, demonstrando o seu desvio para a direita. No caso da 
esferocitose, sempre ocorre o desvio à medida que se diminui o volume 
do cloreto de sódio. 
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Ectacitometria.
Na imagem, observamos a ectacitometria, que é o padrão-ouropara a 
esferocitose, cuja principal função é a de identificar que os defeitos ocorrem na 
membrana das hemácias. É um exame pouco utilizado, por ser bastante custoso 
e, praticamente, impossível no nosso País.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Apesar de que a esferocitose hereditária apresente uma prevalência em crianças pequenas, não é incomum que 
determinados profissionais confundam com a história de hepatite recorrente. Além disto, a própria doença hemolítica 
auto-imune, que é mais prevalente em adultos jovens, também deve ser diferenciada da esferocitose, quando 
reconhecida tardiamente. 
TRATAMENTO
O tratamento mais atualizado consiste na retirada cirúrgica do baço, procedimento conhecido por esplenectomia, 
a partir dos 5 anos de idade. Todavia, previamente ao tratamento cirúrgico, o paciente deve ser preparado a partir de 
vacinas que cubram germes encapsulados (hemófilos, pneumococos, menigococos) e ainda administrar ácido fólico. No 
tocante à vacinação prévia, o baço possui um efeito imunológico, no instante em que produz a IgA, que é a principal 
imunoglobulina efetiva contra os germes encapsulados. 
Diante do que foi exposto a despeito do seu tratamento, podemos fazer o seguinte argumento: “Em crianƒas 
menores que 5 anos, com gravidade do quadro an„mico, o que fazer?”. Nesta situação, devemos utilizar a classificação 
proposta por Eber et al., 1990, que descreve que a indicação da esplenectomia deve seguir após uma análise de 4 
critérios, conforme podemos visualizar abaixo:
 Hemoglobina
 Reticulócitos
 Bilirrubina
 Espectro por eritrócito

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