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Princípios Biológicos do Treinamento Esportivo Segundo Barbanti (1997), treinamento é a organização das ações que leva o ser humano ao aumento do rendimento físico, psicológico e intelectual. Anteriormente, o treinamento era tido como um elemento importante apenas para atletas de modalidades esportivas. Contudo, hoje, observa-se que as atitudes de planejar e de organizar ações ou intervenções são igualmente importantes para pessoas que querem aprimorar sua aptidão física para a prática de determinada modalidade de forma lúdica, bem como para pessoas que querem apenas melhorar a qualidade de vida e a capacidade de realizar as atividades diárias. Independentemente de qual seja o objetivo da pessoa, as ações devem ser organizadas segundo os conhecimentos científicos e os embasamentos teóricos existentes. Um embasamento teórico de fundamental importância está nos Princípios Biológicos do Treinamento Esportivo (WEINECK, 2003 e ZATSIORSKY, 1999). Usando os conceitos expostos nos Princípios Biológicos de Treinamento, o profissional de Educação Física poderá elaborar o treinamento com maior eficiência para alcançar os resultados desejados. Os Princípios Biológicos do Treinamento Esportivo explicam como os organismos vivos respondem às características do treinamento que foi organizado, ou seja, permitem saber o que pode ser esperado como resposta de um treinamento aplicado a um indivíduo (WEINECK, 2003). Embora não haja unanimidade na nomeação dos Princípios, é possível, seguindo os principais autores, agrupá-los em: Princípio da Adaptação; Princípio da Sobrecarga; Princípio da Acomodação; e Princípio da Individualidade. O Princípio da Adaptação refere-se a uma importante característica dos seres vivos: a adaptação. Em termos gerais, adaptação significa ajustar-se a uma demanda do meio ambiente. Quando o termo adaptação refere-se ao exercício, isso significa que houve ajuste no funcionamento do organismo para que o exercício, antes estressante, não seja mais desgastante em excesso e torne-se uma atividade à qual a pessoa está acostumada. Por exemplo, se adicionarmos uma atividade, como uma corrida de rua três vezes na semana, na vida de uma pessoa, isso promoverá um estresse que exigirá ajuste, ou adaptação. Assim que esse ajuste ocorrer, a nova atividade terá sido incorporada e não promoverá mais estresse físico ao indivíduo (ZATSIORSKY, 1999). O Princípio da Sobrecarga indica que somente ocorre adaptação ao treinamento imposto se a exigência do esforço for mais alta do que o esforço habitual. Cargas costumeiras ou baixas em relação à condição física ou à aptidão do praticante não trarão ganhos no desempenho, pois não exigem nada além daquilo que o aparelho locomotor já é capaz de realizar em tarefa. Uma sobrecarga pode tornar-se estimulante, para induzir melhora no desempenho, por exemplo, pelo aumento na intensidade ou pelo aumento do volume da sessão de treinamento (WEINECK, 2003; ZATSIORSKY, 1999). A Teoria da Supercompensação explica como o organismo se adapta. Essa teoria considera que uma sobrecarga estimulante promove desgaste ou redução no nível de preparo da pessoa para a realização da atividade. Imediatamente após o exercício, inicia-se a recuperação. Essa recuperação levará certo tempo para ocorrer, mas, assim que for concluída, o nível de preparo alcançará patamares mais altos do que os observados antes da realização do exercício. Esse aumento no nível de preparo chama-se supercompensação. A figura 1 ilustra as etapas mencionadas. Figura 1. Ilustração das fases da Teoria de Supercompensaçãoa: depleção (desgaste), restituição (recuperação) e supercompensação. Fonte. Zatsiorsky (1999). O Princípio da Acomodação indica que, se o praticante de exercício físico mantiver a mesma sobrecarga por um período muito longo, o aparelho locomotor deixará de se adaptar, ou seja, deixará de obter ganhos no desempenho. Isso ocorre justamente porque aquela sobrecarga que antes gerava estresse, com o tempo, promoveu adaptação no funcionamento do organismo e o estímulo não gera mais estresse físico alto o suficiente e, portanto, não trará novas adaptações. O funcionamento do aparelho locomotor acomoda-se a essa rotina na qual a sobrecarga não aumenta, como, por exemplo, em situações nas quais o volume e a intensidade são mantidos constantes (ZATSIORSKY, 1999). O Princípio da Individualidade preconiza que cada organismo deve ser tratado de forma individualizada, pois apresenta diferenças em vários aspectos de seu funcionamento, ou seja, diferenças anatômicas, no funcionamento de seus sistemas e nas respostas ao exercício físico. Esse é o motivo pelo qual as necessidades do atleta ou do praticante de exercício físico devem ser adequadamente identificadas, para que o exercício possa ser particularmente ajustado (BOMPA, 2002; WEINECK, 2003 e ZATSIORSKY, 1999). Um princípio que pode ser observado em alguns textos, mas que não faz parte dos princípios tradicionalmente apresentados, é o Princípio da Variabilidade ou da Variedade. Esse princípio indica que variar as técnicas de treinamento é positivo, pois permite abordar o treinamento de uma técnica ou de uma capacidade motora de formas diversas. Não se deve perder o foco da modalidade em questão, mas a diversificação dos estímulos pode ser interessante para reduzir a monotonia de um treinamento que precisa ocorrer por várias horas ininterruptas. Além disso, a variação do treinamento pode promover o bem-estar psicológico do praticante (BOMPA, 2002). 2. Indicações bibliográficas BARBANTI, V. J. Teoria e prática do treinamento esportivo. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1997. BOMPA, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. São Paulo: Phorte, 2002. DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 4. ed. Rio de Janeiro: Shape, 1998. WEINECK, J. Treinamento ideal. Barueri: Manole, 2003. ZATSIORSKY, V. M. Ciência e prática do treinamento de força. São Paulo: Phorte, 1999.