Prévia do material em texto
UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS CURSO DE PSICOLOGIA DANIELI APARECIDA PINTOR RA: A81EAG-8 QUESTIONÁRIO DE ATIVIDADES PARA AVALIAÇÃO NP2 PSICOLOGIA COMUNITÁRIA Campus Bauru 5 2018 NP2 = 10 QUESTÕES - MÓDULO 5 ao 8 1 – uma das inovações da Política Nacional de Assistência Social, os serviços prescritos por esta Política são organizados em relação à sua complexidade. Desta forma, a Proteção Social Básica “tem como objetivos prevenir situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Destina-se à população que vive em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação (ausência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços públicos, dentre outros) e, ou, fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por deficiências, entre outras).” (PNAS, 2004, p. 33). Em relação aos serviços oferecidos na Proteção Social Básica, pode-se dizer que: I. buscam trabalhar na direção do empoderamento e da autonomia das populações atendidas pela Assistência Social; II. devem estar articulados a outras Políticas Públicas e seus serviços, como nas áreas de Saúde e Educação, o que contribuirá para compor uma efetiva rede de Proteção Social; III. são organizados e executados através do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), serviço público municipal de atuação territorial responsável pela implantação e acompanhamento da Política Nacional de Assistência Social no município; IV. atuam com indivíduos e famílias, tendo em vista novos arranjos e referências para o entendimento de diferentes arranjos familiares além do modelo único baseado na família nuclear tradicional. Está correto APENAS o que se afirma em: R: E) I, II, III e IV. Justificativa: A organização das políticas sociais brasileiras passou por profundasmodificações desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Essas novasmediações institucionais tiveram sua gênese nos compromissos gerados durante oprocesso de redemocratização da sociedade brasileira. Assim, o escopo das mudançasinstitucionais na proteção social brasileira transformou os governos municipais emprovedores fundamentais de diversos serviços, tais como educação, saúde e assistência social. Não obstante, assistência social, demarcada por uma trajetória marginal emrelação aos direitos sociais, tem no texto Constitucional de 1988 seu conteúdo alçado aonível de política pública no âmbito da seguridade social, juntamente com a saúde eprevidência social. 2 – O psicólogo que atua no CRAS deve atuar em consonância com as diretrizes e objetivos da PNAS e da Proteção Social Básica (PSB). Dentre os princípios que devem orientar a prática do psicólogo no CRAS encontra-se a necessidade de “desenvolver o trabalho social articulado aos demais trabalhos da rede de proteção social, tendo em vista os direitos a serem assegurados ou resgatados e a completude da atenção em rede”. Esse princípio visa atender à diretriz de: R: A) Intersetorialidade. Justificativa: O CRAS é responsável pela oferta de serviços continuados de proteção social básica e de Assistência Social às famílias, grupos e indivíduos em situação de vulnerabilidade social. Nessa unidade básica da Assistência Social são realizados os seguintes serviços, benefícios, programas e projetos (BRASIL, 2006a): 1. Serviços: socioeducativo-geracionais, intergeracionais e com famílias; sócio-comunitário; reabilitação na comunidade; outros; 2. Benefícios: transferência de renda (bolsa-família e outra); Benefícios de Prestação Continuada - BPC; benefícios eventuais - assistência em espécie ou material; outros; 3. Programas e Projetos: capacitação e promoção da inserção produtiva; promoção da inclusão produtiva para beneficiários do programa Bolsa Família - PBF e do Benefício de Prestação Continuada; projetos e programas de enfrentamento à pobreza; projetos e programas de enfrentamento à fome; grupos de produção e economia solidária; geração de trabalho e renda. O psicólogo pode participar de todas essas ações, articulando a sua atuação a um plano de trabalho elaborado em conjunto com a equipe interdisciplinar. As ações devem ter caráter contínuo e levar em conta que o público-participante do CRAS é a população em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação e/ou fragilização de vínculos efetivos relacionais e de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por deficiências, dentre outras). Dado isso, a atuação do psicólogo deve se apoiar em investigações sobre essas situações no território de abrangência do CRAS ( BRASIL, 2007). 3 – Tanto o Plano Nacional de Assistência Social (PNAS, 2004) como o Sistema Único de Assistência Social (SUAS, 2005) constituem políticas recentes. Ambas impõem novos questionamentos para os profissionais envolvidos no campo da proteção social. A respeito das práticas psicológicas, aponte a alternativa correta: R: D) A conquista da independência dos benefícios sociais é entendida pelo CREPOP como autonomia e fortalecimento de um grupo. Justificativa: Atuar baseado na leitura e inserção no tecido comunitário, para melhor compreendê-lo, e intervir junto aos seus moradores; 5. Atuar para identificar e potencializar os recursos psicossociais, tanto individuais como coletivos, realizando intervenções nos âmbitos individual, familiar, grupal e comunitário; 6. Atuar a partir do diálogo entre o saber popular e o saber científico da Psicologia, valorizando as expectativas, experiências e conhecimentos na proposição de ações; 7. Atuar para favorecer processos e espaços de participação social, mobilização social e organização comunitária, contribuindo para o exercício da cidadania ativa, autonomia e controle social, evitando a cronificação da situação de vulnerabilidade; 8. Manter-se em permanente processo de formação profissional, buscando a construção de práticas contextualizadas e coletivas; 9. Atuar com prioridade de atendimento aos casos e situações de maior vulnerabilidade e risco psicossocial; 10. Atuar para além dos settings convencionais, em espaços adequados e viáveis ao desenvolvimento das ações, nas instalações do CRAS, da rede socioassistencial e da comunidade em geral. Desde o ponto de vista conceitual, a ação do psicólogo e do assistente social e as diretrizes do Ministério de Desenvolvimento Social unem-se na reabilitação psicossocial de um lado e de outro, na promoção da cidadania e do protagonismo político. 4 - Leia o trecho a seguir: “O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) promove o acesso à assistência social à famílias em situação de vulnerabilidade, como prevê o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Articulada nas três esferas de governo, a estratégia de atuação está hierarquizada em dois eixos: Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial.” (http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/protecaobasica) I. A Proteção Social Especial tem como objetivo prevenir situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. II. A Proteção Social Básica destina-se à população que vive em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação e, ou, fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertencimento social. III. A ênfase da Proteção Social Básica deve priorizar a reestruturação dos serviços de abrigamento dos indivíduos que, por uma série de fatores, não contam mais com a proteção e o cuidado de suas famílias, para as novas modalidades de atendimento. IV. A Proteção Social Especial é a modalidade de atendimento assistencial destinada a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e social, por ocorrência de abandono, maus tratos físicos e, ou, psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias psicoativas,cumprimento de medidas sócio-educativas, situação de rua, situação de trabalho infantil, entre outras. Está correto apenas o que se afirma em: R: B) II e IV. Justificativa: Apontam-se, a seguir, algumas diretrizes para a atuação do psicólogo nos serviços, benefícios e programas do CRAS: - desenvolver modalidades interventivas coerentes com os objetivos do trabalho social desenvolvido pela Proteção Social Básica e Proteção Social Especial (média e alta), considerando que o objetivo da intervenção em cada uma diferese, assim como o momento em que ele ocorre na família, em seus membros ou indivíduos; - facilitar processos de identificação, construção e atualização de potenciais pessoais, grupais e comunitários, de modo a fortalecer atividades e positividades já existentes nas interações dos moradores, nos arranjos familiares e na atuação dos grupos, propiciando formas de convivência familiar e comunitária que favoreçam a criação de laços afetivos e colaborativos entre os atores envolvidos; - fomentar espaços de interação dialógica que integrem vivências, leitura crítica da realidade e ação criativa e transformadora, a fim de que as pessoas reconheçam-se e se movimentem na condição de co-construtoras de si e dos seus contextos social, comunitário e familiar; - compreender e acompanhar os movimentos de construção subjetiva de pessoas, grupos comunitários e famílias, atentando para a articulação desses processos com as vivências e as práticas sociais existentes na tessitura sócio-comunitária e familiar. 5 – As visitas domiciliares constituem procedimentos importantes para os profissionais que trabalham no Sistema Único de Assistência Social. Nas visitas, a especificidade do trabalho do psicólogo complementa as percepções da equipe, ampliando a leitura do caso atendido. Dentre as alternativas abaixo, não é função do psicólogo: R: C) Estabelecer categorias de sujeitos, conforme suas condutas. Justificativa: - colaborar com a construção de processos de mediação, organização, mobilização social e participação dialógica que impliquem na efetivação de direitos sociais e na melhoria das condições de vida presentes no território de abrangência do CRAS; - no atendimento, desenvolver as ações de acolhida, entrevistas, orientações, referenciamento e contra-referenciamento, visitas e entrevistas domiciliares, articulações institucionais dentro e fora do território de abrangência do CRAS, proteção pró-ativa, atividades socioeducativas e de convívio, facilitação de grupos, estimulando processos contextualizados, auto-gestionados, práxicos e valorizadores das alteridades; - por meio das ações, promover o desenvolvimento de habilidades, potencialidades e aquisições, articulação e fortalecimento das redes de proteção social, mediante assessoria a instituições e grupos comunitários; - desenvolver o trabalho social articulado aos demais trabalhos da rede de proteção social, tendo em vista os direitos a serem assegurados ou resgatados e a completude da atenção em rede; - participar da implementação, elaboração e execução dos projetos de trabalho; - contribuir na elaboração, socialização, execução, no acompanhamento e na avaliação do plano de trabalho de seu setor de atuação, garantindo a integralidade das ações; - contribuir na educação permanente dos profissionais da Assistência Social; - fomentar a existência de espaços de formação permanente, buscando a construção de práticas contextualizadas e coletivas; - no exercício profissional, o psicólogo deve pautar-se em referenciais teóricos, técnicos e éticos. 6 - Uma entidade socioassistencial realizará um trabalho junto a uma comunidade carente, em parceria com o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da região. As primeiras informações colhidas, através de reuniões com os profissionais do CRAS e contatos com o SMADS (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), revelam alto índice de casos de violência contra mulher, uso de drogas por adolescentes, alcoolismo e baixa instrução escolar por parte dos moradores. Como profissional desta entidade socioassistencial, você desenvolverá intervenções pautadas na Psicologia Comunitária, atento, sobretudo, às exigências do Conselho Federal de Psicologia. Após reuniões e conversas informais, o profissional se deparou com o universo de representações de seus moradores. As funções sociais das mulheres estavam atreladas às tarefas do lar e criação dos filhos; e a violência era legítima em situações como traições e desobediência dos filhos. Aponte a alternativa CORRETA. R: B) A equidade, como princípio democrático, orienta ações dos profissionais do SUAS neste caso. Justificativa: A definição dos campos de proteção social (básica ou especial) que compete à assistência e às demais políticas sociais é fundamental, não por mero preciosismo conceitual, mas por outras razões. Primeiro, porque o sentido de proteção social extrapola a possibilidade de uma única política social e requer o estabelecimento de um conjunto de políticas públicas que garantam direitos e respondam a diversas e complexas necessidades básicas (PEREIRA, 2000) da vida social. Desse modo, à Assistência Social não se pode atribuir a tarefa de realizar exclusivamente a proteção social. Esta compete, articuladamente, às políticas de emprego, saúde, Previdência, habitação, transporte e Assistência, nos termos do artigo 60 da Constituição Federal. 7 - A partir das leituras e das discussões em sala de aula, responda: o trabalho do psicólogo tem caráter transformador quando: I. Contribuir para que os sujeitos, coletivamente, superem suas condições de vida marcadas pela desigualdade. II. Possibilitar o despertar do sujeito enquanto construtor da própria história como ser coletivo e único. III. Contribuir para que os sujeitos, individualmente, superem suas condições de pobreza. IV. Fortalecer o fatalismo perante as condições de desigualdade e opressão. V. Fortalecer a consciência mágica dos sujeitos e comunidades, de modo a desnaturalizar a opressão e tornar o sujeito consciente a respeito da capacidade de mudar a realidade. Está correto APENAS o que se afirma em: R: B) I e II. Justificativa: Dados os aportes da Psicologia comunitária, a atuação comunitário-libertadora, mais do que as duas primeiras, pode dar corpo ao intento de ampliar vínculos familiares e comunitários sob o prisma da cidadania e da atualização da potência de ação dos atores sociais (Sawaia, 2004), isso porque, nesse tipo, uma heterogeneidade de atores sociais – institucionais ou não – que compõem a dinâmica comunitária é considerada coconstrutora das ações que são desenvolvidas pelo psicólogo e pela equipe multiprofissional com a qual este venha a trabalhar. Dessa forma, tais atores participam ativamente do seu planejamento, da sua execução, da sua avaliação e do seu aprimoramento. Nesse processo, aliás, há que se considerar a possibilidade de que visões distintas estejam presentes – não só quando consideradas as diferenças entre “agentes externos” e “agentes internos” mas também quando se considera a própria diversidade de “agentes internos” que compõe aquele contexto. 8 - Suponha uma situação em que o psicólogo social irá realizar um trabalho de intervenção junto a adolescentes moradores de um bairro de periferia que apresentam um histórico de envolvimento com as drogas pesadas e criminalidade. Aponte, dentre as alternativas abaixo, aquela que apresente uma intervenção recomendada: R: C) Promoção, em um primeiro momento, da coesão grupal através de atividades que fortaleçam o vínculo entre os integrantes do grupo. Justificativa: No âmbito da Psicologia comunitária, a análise, a vivência e a co-construção de atividades comunitárias, mediante um método dialógico-vivencial (Góis, 2005), podem figurar como elementos relevantes em função de, pelo menos, dois aspectos: primeiramente, porque podem subsidiar a efetivação das próprias diretrizes então apresentadas; em segundo lugar, porque ampliam o campo de inteligibilidaderelativo à atuação do psicólogo nas ações eminentemente grupais da Proteção Social Básica. 9 - interface das Políticas Públicas com a Psicologia tem sido um importante campo em construção para atuação dos/as psicólogos. Na Psicologia Social é possível fazer essa interface com as Políticas de Assistência Social e dessa forma o/a profissional deverá ter as seguintes habilidades e competências: I. Trabalhar em equipe e em rede; II. Desenvolver capacidade de intervenção técnica a partir do seu campo de saber, fundamentando-se na teoria e prática clínica; III. Operacionalizar ações de modo interdisciplinar; IV. Conhecer as diretrizes das Políticas específicas do seu campo de atuação. Está correto apenas o que se afirma em: R: D) I, III e IV. Justificativa: A prática profissional do psicólogo junto a políticas públicas de Assistência Social é a de um profissional da área social produzindo suas intervenções em serviços, programas e projetos afiançados na proteção social básica, a partir de um compromisso ético e político de garantia dos direitos dos cidadãos ao acesso à atenção e proteção da Assistência Social. A partir da interface entre várias áreas da Psicologia, estas ações estão sendo construídas numa perspectiva interdisciplinar, uma vez que vão constituindo várias funções e ocupações que devem priorizar a qualificação da intervenção social dos trabalhadores da Assistência Social. 10 - Os seminários apresentados em sala revelam uma situação preocupante em relação à inserção profissional do(a) psicólogo(a) na Política Nacional de Assistência Social. Se de um lado seu lugar profissional não tem ainda o devido reconhecimento por parte de gestores e de outros profissionais (como o assistente social), também os próprios psicólogos sustentam muitas vezes um estereótipo que não condiz com as demandas e desafios de práticas sociais que pretendem fugir do modelo assistencialista. A partir deste entendimento, qual das alternativas abaixo NÃO compreende uma prática que deve entrar na agenda de preparação do profissional de psicologia dentro da Assistência Social: R: D) Psicoterapia. Justificativa. O conceito em questão refere-se a espaços de trabalho conjunto em que, a partir de situações-limite identificadas, os agentes de uma comunidade realizam ações em rede cujo objetivo é a melhoria da qualidade de vida coletiva, considerando a pertinência da diversidade nesse processo e o caráter não necessariamente harmonioso nesse curso. Segundo Góis (2005), atividades dessa natureza envolvem processos interacionais mediados que se pautam na transformação do contexto onde se verificam. Podem ser exemplos disso: a ampliação de espaços públicos existentes no território através da organização de momentos de socialização entre os moradores, a elaboração de um projeto de desenvolvimento comunitário, a formação de grupos, a constituição de redes de apoio entre os moradores e a realização de trocas de experiências cujo tema gerador provenha da tessitura cotidiana.