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DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM NUMA GESTANTE DE ALTO RISCO BASEADOS NA
TEORIA DO AUTOCUIDADO DE OREM: ESTUDO DE CASO*
Maria do Carmo Andrade Duarte de Farias**
Maria Miriam Lima da Nóbrega***
FARIAS, M.C.A.D. de; NÓBREGA, M.M.L. da. Diagnósticos de enfermagem numa gestante de alto risco baseados
na teoria do autocuidado de Orem: estudo de caso. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 8, n. 6, p. 59-
67, dezembro 2000.
Trata-se de uma pesquisa descritiva com uma abordagem qualitativa, realizada objetivando identificar diagnósticos de
enfermagem numa gestante de alto risco, baseados na teoria do autocuidado, de Orem. Foram identificados os seguintes
diagnósticos de enfermagem: déficit de volume de líquidos, ansiedade, processo familiar alterado, comunicação prejudicada,
mobilidade física prejudicada, entre outros. Os resultados mostraram a importância da execução do processo de enfermagem,
apoiado num modelo de assistência, para a identificação de diagnóstico de enfermagem, bem como a viabilidade da paciente
engajar-se no autocuidado.
UNITERMOS: diagnóstico de enfermagem, gravidez de alto risco, autocuidado
1. INTRODUÇÃO
A ciência da enfermagem está pautada numa
ampla estrutura teórica e, o processo de enfermagem,
segundo IYER et al.5, é “o modelo através do qual essa
estrutura é aplicada à prática da enfermagem”. Assim,
sendo o processo de enfermagem o cerne da profissão, é
importante a sua utilização na assistência ao paciente,
para nortear a prática da enfermagem. Porém, necessário
é que este processo seja embasado numa teoria de
enfermagem, para que possibilite não apenas nortear a
sua prática, bem como viabilizar e tornar concretos os
resultados dessa assistência. Na execução do processo
de enfermagem o autocuidado deve ser um dos objetivos,
para que o paciente seja estimulado a participar de forma
ativa na terapêutica, tornando-se correspondente na
condução e nos resultados da assistência. Foot et al.
citados por PEIXOTO8, “afirmam que a teoria de OREM
fornece uma estrutura para uma enfermagem holística,
nos aspectos relativos ao levantamento e interpretação
de dados”.
São vários os trabalhos realizados pela
enfermagem utilizando a teoria do Autocuidado de Orem
na assistência aos mais diversos pacientes, haja vista que
este modelo teórico facilita o planejamento da assistência
e mostra-se efetivo e eficaz, pois leva o paciente a engajar-
se no autocuidado.
Esta pesquisa foi realizada com uma gestante de
alto risco, com diagnóstico médico de placenta prévia,
através da implementação do processo de enfermagem
embasado na teoria de OREM, possibilitando a
identificação de diagnósticos de enfermagem, que são
imprescindíveis no planejamento da assistência, uma vez
que eles nortearão as intervenções de enfermagem. Em
conseqüência, o acompanhamento à gestante será eficaz,
pois as ações serão voltadas para as suas peculiaridades,
visando a redução dos déficits de AC, na busca de
contribuir para a redução do índice de morbimortalidade
materna.
Justifica-se também a realização deste estudo em
virtude da placenta prévia ser uma das principais
patologias determinantes de morte materna, tendo em
vista a hemorragia que proporciona. Esta, associada às
infecções e a toxemia, são responsáveis por 50% das
mortes maternas em todo o mundo, sendo passíveis de
prevenção primária6. Um caminho para a prevenção seria
* Trabalho apresentado no III Simpósio Nacional sobre Diagnóstico de Enfermagem e I Encontro Cearense sobre Diagnóstico de
Enfermagem, em novembro de 1996, Fortaleza - Ceará
** Enfermeira. Docente da Universidade Federal da Paraíba, CFP/Campus V. Mestre em Enfermagem/UFPB. Endereço: Rua:
Barão de Aratanha, 667 - Centro - 60050-070 - Fortaleza - Ceará - Brasil
*** Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Docente do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública e Psiquiatria,
CCS/UFPB. Orientadora da pesquisa
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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o engajamento e a prática do autocuidado, tendo por base
o conhecimento da gestante acerca do seu problema,
fatores determinantes e preditivos a ele associados, que
acreditamos seja possível de ser alcançado através da
operacionalização do processo de enfermagem.
2. OBJETIVO
Identificar diagnósticos de enfermagem numa
gestante de alto risco, baseando-se na teoria do
autocuidado de OREM.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
3.1. A gestação e a placenta prévia
A gestação é caracterizada por alterações
fisiológicas, físicas e emocionais, vivenciadas de forma
distinta por cada mulher. Essas alterações são decorrentes
de fatores hormonais e mecânicos, e devem ser
considerados normais durante o estado gravídico.
Conquanto, há alguns fatores que tornam a gestação de
alto risco, para a mãe, para o concepto, ou para ambos, a
exemplo da placenta prévia9,10.
Como a gestação é marcada por etapas de
desenvolvimento, a gestante precisa ser acompanhada
sistematicamente durante a evolução da gravidez, com
vistas a atender as suas necessidades, obtendo assim
melhores resultados sobre a sua saúde e do recém-nascido.
Durante o acompanhamento da gestante, os
profissionais da saúde devem realizar intervenções
preventivas, educativas e terapêuticas, tais como exames
físico e obstétrico, vacinação, solicitação de exames de
rotina, entre outras; ao passo que, de acordo com os dados
obtidos e as necessidades, a gestante deve ser orientada,
incentivada e ajudada a realizar o autocuidado necessário.
Ressalta-se a relevância destas intervenções, tendo em
vista que um outro ser está sendo formado, e que, se estes
cuidados não forem efetivados, mãe e filho correm risco
de vida3.
No caso de uma gestante de alto risco, em
particular com placenta prévia, estes cuidados devem ser
intensificados e monitorizados, pois este diagnóstico é
um dos principais fatores de prematuridade e letalidade
materna10.
Na placenta prévia a placenta está implantada
no canal cervical, que não é o sítio normal de implantação
placentária. A cérvix, no terceiro trimestre de gestação,
modifica-se intensa e gradualmente, ocasionando
hemorragia placentária. Caso não aja interferência
terapêutica, pode provocar grandes perdas sangüíneas,
superando a capacidade de reação orgânica
compensatória, podendo levar a óbito materno2.
3.2. A teoria geral de enfermagem de DOROTHEA
OREM
A Teoria de Enfermagem de Orem é formada por
três constructos teóricos que são relacionados entre si: a
Teoria do Autocuidado (AC), a Teoria do Déficit de
Autocuidado e a Teoria dos Sistemas de Enfermagem1.
Para OREM7, o AC é “a prática das ações que os
indivíduos iniciam e executam por si mesmos para manter,
promover, recuperar e/ou conviver com os efeitos e
limitações dessas alterações de saúde, contribuindo assim
para sua integridade, funcionamento e desenvolvimento”.
As capacidades de autocuidado são as
habilidades que o indivíduo possui, que o faz realizar as
suas atividades de autocuidado. Essas habilidades estão
condicionadas a uma série de fatores, como o sexo, a
idade, estado de desenvolvimento, condições sócio-
econômicas e culturais, nível educacional, estado de saúde
e experiência de vida4.
As demandas terapêuticas de autocuidado,
segundo Orem citada por PEIXOTO8, são as ações
necessárias e confiáveis para controlar tudo o que
prejudica o desenvolvimento e a regulação do corpo
humano. Essas ações diferem em seus aspectos, na sua
constituição e estabilidade, conforme os requisitos de
autocuidado que lhes deram origem. Esses requisitos
são classificados em universais - comuns a todos os
indivíduos, em todos os seus estágios de
desenvolvimento; de desenvolvimento - relacionados as
etapas do desenvolvimento humano e com os fatores
intervenientes; e de desvios de saúde - relacionados aos
problemas de ordem funcional, genética, bem como o
diagnósticomédico e meios de tratamento.
A Teoria do Déficit de Autocuidado segundo
FOSTER & JANSSENS4, é o substancial da Teoria de
OREM, pois é nela que se mostra quando a enfermagem
é necessária. O déficit de AC ocorre, quando as
habilidades de autocuidado do indivíduo são insuficientes
para satisfazer as suas demandas terapêuticas de AC.
Nesse caso, o enfermeiro atua como provedor de AC.
Na visão de Orem citada por PEIXOTO8, após o
enfermeiro identificar os déficits de AC, ele estabelece o
plano de ação junto ao paciente, delegando a sua
responsabilidade, a do paciente e a de outros profissionais,
para que as demandas terapêuticas para o AC sejam
atendidas.
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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Na Teoria dos Sistemas de Enfermagem, Orem
citada por FOSTER & JANSSENS4, classificou três
sistemas de enfermagem para que os requisitos de AC
do paciente possam ser atendidos: •o Sistema
Totalmente Compensatório, ao qual o paciente é incapaz
de realizar o autocuidado, pois as suas ações são limitadas;
•o Sistema Parcialmente Compensatório, onde o
enfermeiro e o paciente realizam medidas de cuidado;
•o Sistema Apoio-educação, onde o paciente realiza e
regula suas atividades de autocuidado. O enfermeiro o
auxilia para que ele seja um agente de autocuidado.
O processo de enfermagem de OREM
compreende as fases de diagnóstico e prescrição,
planejamento, produção e administração. Neste processo
são determinados os déficits de autocuidado e definidos
os papéis do paciente e do enfermeiro para que as
exigências de autocuidado sejam atendidas4.
4. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, com uma
abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso. Para a
coleta de dados foi realizada uma entrevista semi-
estruturada, utilizando um roteiro que enfocava os
seguintes aspectos da teoria de OREM: levantamento de
fatores condicionantes, demandas terapêuticas para o AC,
capacidades e habilidades do paciente para atender essas
demandas, e os déficits de autocuidado (Anexo 1). Antes
da realização da pesquisa foi solicitada a anuência por
escrito da gestante para participar do estudo, de acordo
com a Resolução 01/1998, do Ministério da Saúde,
Capítulo II - Aspectos Éticos da Pesquisa em Seres
Humanos11. A pesquisa foi realizada inicialmente no
domicílio da paciente, e posteriormente na maternidade
onde a mesma foi submetida a uma cesária de emergência.
A paciente foi acompanhada por quatro dias sucessivos,
nos quais, diariamente era realizada a sua avaliação e
identificados os déficits de autocuidado, bem como os
respectivos diagnósticos de enfermagem. Para realizar a
identificação dos diagnósticos de enfermagem adotou-
se o processo de raciocínio diagnóstico de Gordon citado
por IYER et al5. A partir da identificação dos diagnósticos
de enfermagem, primeira fase do processo de Orem, foi
traçado o planejamento da assistência de enfermagem
quando foram determinadas as metas, os objetivos, o
método de ajuda, o tipo de sistema de enfermagem e
estabelecido as intervenções de enfermagem. Esse
planejamento passou por modificações de acordo com
as avaliações que foram feitas na cliente durante o estudo.
Todas as etapas do processo foram implementadas tendo
como meta primordial levar a paciente a realização do
autocuidado.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1. Aplicação da teoria de OREM ao processo de
enfermagem
5.1.1. História da paciente
A senhora V., brasileira, casada, funcionária
pública federal, graduada em Ciências Contábeis, 30 anos,
1,56 m, pesando 64 Kg, grávida do 2º filho, no 8º mês.
Seu 1º filho tem 1 a e 9 m. No 5º mês desta 2ª gestação
apresentou pequeno sangramento vaginal, que, após
ultrasonografia foi diagnosticado placenta prévia,
levando-a a repouso absoluto, a conselho médico. No
momento não apresenta sangramento. O parto será do
tipo cesária, que está agendado para o dia 07 de agosto.
Na cirurgia será retirado o seu único ovário, que ora
apresenta-se com cisto dermóide acentuado. O seu outro
ovário foi retirado aos seus quinze anos. Conhece a
importância da placenta para a criança, bem como os
fatores de risco da placenta prévia. Atualmente está
estudando para o concurso do TRT. Ela acredita que a
sua aprovação nesse concurso trará melhoria para a sua
vida. Apresenta-se apreensiva em relação ao mesmo, e
relata que tem sonhado com a prova, e que os sonhos não
são bons. Este fato, associado à cirurgia a tem deixado
preocupada. Ela teme a recuperação do parto (cirurgia),
pois não vai ser como no primeiro parto, o qual foi normal.
Sabe que não vai poder segurar o seu 1º filho no colo,
aliás, já não o segura desde a detecção da placenta prévia.
Outro fator que tem causado “angústia” (sua fala) é estar
morando na casa da família, onde sua privacidade para
conversar com o marido é restrita, e não pode cuidar do
filho (devido ao seu problema de saúde e porque muitos
interferem). Relata que após ter sido diagnosticado a
placenta prévia, o ritmo de vida do seu filho mudou,
principalmente o horário de dormir. Deseja modificar esse
horário, para no próximo ano colocá-lo na escola. Conta
com a ajuda de uma prima para cuidar do seu filho. Às
vezes, a Srª. V. passa o final de semana na casa dos sogros,
ou até uma semana. Vê televisão à noite. Dorme de 7 a 8
horas por dia, acorda durante a noite com a barriga
incomodando, mas logo adormece. Bebe cerca de 1 litro
de água por dia, tem história de hemorróidas na última
gravidez, e alimenta-se de forma balanceada, em horários
freqüentes e regulares. Durante o dia elimina fezes uma
vez e urina várias vezes, em boa quantidade. Fez exames
laboratoriais recente, os dados estão todos dentro dos
limites. Apresenta-se bem vestida.
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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5.1.2. Planejamento da assistência de enfermagem
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
63FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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5.1.3. Implementação da assistência de enfermagem
1º dia - Domicílio - A gestante foi informada
sobre a importância dos líquidos para o corpo humano e
sobre as implicações negativas da ingesta insuficiente de
líquidos para o organismo. Ela aumentou sua ingesta de
líquidos, expressou suas ansiedades e sentimentos, e
permaneceu em repouso absoluto, mostrando ter iniciado
seu processo de autocuidado.
2º dia - Domicílio / Maternidade - A gestante
manteve a ingesta de líquidos e o repouso absoluto. Por
volta do meio dia, quando estava no banheiro, apresentou
sangramento vaginal intenso, o que a levou a ser
submetida a uma cesária de emergência, antes mesmo de
ter sido orientada sobre a mesma. Acompanhei a paciente
até a maternidade onde foi realizada a cesária, porém
não pude permanecer ao seu lado durante a cirurgia, por
falta de permissão da Direção. A cirurgia foi realizada às
15:20’, transcorreu bem, sem transtorno. O recém-nascido
foi levado ao berçário para os cuidados imediatos; ele
estava bem. Ao sair da sala de cirurgia, a puérpera
apresentava-se chorosa, relatando que teve medo da
cirurgia, pois ficou sozinha, sem nenhuma pessoa querida
por perto. Perguntava pelo seu filho. Estava com sonda
vesical de demora e soro instalado no antebraço direito.
Seus familiares a aguardavam no apartamento. Ela foi
informada sobre o estado de saúde do seu filho, e
tranquilizada ao ser explicado que tudo transcorreu bem
na cirurgia. Foi orientada a não falar, a fim de evitar
acúmulo de gases no abdome, incentivada a comunicar-
se através da escrita, e providenciado lápis e papel para
que ela pudesse comunicar-se.Foi dada atenção a infusão
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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venosa, com vistas a evitar infiltração tissular de líquidos
e infecção, procurando manter limpo e seco o local. A
sondagem vesical não apresentou complicações. Mais
tarde, o curativo apresentava-se umedecido por sangue.
Foi providenciado asseio vaginal e a troca de curativo e
dos lençois, atentando para não deixar dobras, para evitar
pruridos e escaras. Temperatura 36,5°C, Pulso 80 bpm e
PA 110 x 70 mmHg. Passou a noite bem. Em relação à
sua comunicação, a paciente ora escrevia as queixas e
solicitações, ora esquecia ou não se continha, e falava.
3º dia - Maternidade - Ao amanhecer, foi retirada
a sonda vesical e suspensa a infusão venosa. Havia cerca
de um litro de urina drenada, com aspecto e coloração
fisiológicos. O local da infusão não apresentava
infiltração de líquidos. A puérpera foi ajudada a sentar-
se na cama. Ingeriu, de forma fracionada, um copo de
água. Seu banho foi preparado. Ela foi ajudada a
locomover-se para o banheiro, onde foi auxiliada no
banho e a vestir-se. Alimentou-se de todos os alimentos
oferecidos (fruta, pão, papa de aveia, queijo, leite e café).
Queixava-se de sensação de bexiga cheia, mas não
conseguia urinar. Orientada a abrir a torneira, usar a ducha
e procurar relaxar, para facilitar a micção, assim o fez.
Foi mantida a sua privacidade. Aos poucos, em pequena
quantidade, sua bexiga foi sendo esvaziada até recuperar-
se, por volta das 10:00. Seu filho foi trazido para a sua
companhia. Com ajuda, ela o colocou ao seio. O bebê
apresentava boa sucção, mas ainda não tinha leite. Ela
foi orientada que a sucção do bebê estimulava a produção
do leite e sua descida. Assim procedeu ao longo do dia.
A incisão cirúrgica apresentava-se seca e sem
sangramento. Apresentava distensão abdominal e
queixava-se de dor e desconforto. Foi orientada sobre a
importância da deambulação precoce para a eliminação
de gases, funcionamento do intestino, cicatrização
cirúrgica e circulação sangüínea. Ela realizou a
deambulação com auxílio. Durante o dia a puérpera
alimentou-se bem, urinou várias vezes e deambulou.
Ingeriu cerca de dois litros de líquidos, incluindo água,
sucos, leite e café. A noite acordou algumas vezes, para,
com auxílio, amamentar o filho. Observou-se que a
paciente regulava suas atividades de autocuidado,
aceitava atendimento e auxílio do enfermeiro e realizava
algumas atividades de autocuidado, com exceção de evitar
conversar.
4º dia - Maternidade - Ao amanhecer, foi
auxiliada a locomover-se para o banho e a vestir-se.
Alimentou-se bem. Ainda apresentava-se com distensão
abdominal. As orientações do dia anterior foram
reforçadas. Presença de colostro nos seios. Foi
incentivada para a amamentação exclusiva do seu filho,
em livre demanda; ela mostrou-se determinada para tal,
pois já havia amamentado o outro filho com sucesso.
Recebeu alta hospitalar. Deixou a maternidade às 10:15’.
6. AVALIAÇÃO GERAL
No decorrer da implementação da assistência de
enfermagem e a sua avaliação, constatou-se que muitas
vezes o paciente não está consciente da importância da
realização do AC para a manutenção da sua vida, saúde e
bem-estar. Nesse caso em particular, a paciente, em
algumas ocasiões, era conhecedora dessa necessidade.
Porém, necessitava ser orientada e incentivada a executá-
lo. Observou-se, também, que não é utópico
desenvolvimento do Autocuidado pela paciente, e que
isto envolve, acima de tudo, decisão da mesma. Pode-se
dizer que, com sucesso, a meta primordial deste estudo,
que foi levar a paciente a realizar o Autocuidado, foi
alcançada.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante a gravidez a mulher passa por diversas
mudanças, ocasionando algumas demandas e déficits de
autocuidado, que precisam ser compensadas e supridos
de forma a preservar o seu bem-estar e manter a sua saúde.
Nesse sentido, o enfermeiro ocupa um papel importante
no acompanhamento às gestantes de baixo e de alto risco,
que necessitam de recomendações e cuidados para que a
gestação chegue a termo, a fim de prevenir a
prematuridade e ou riscos à sua saúde e a do concepto.
Para tanto, a gestante deve ser incentivada a engajar-se
no autocuidado, devendo compreender a natureza da
assistência e os fatores intervenientes na mesma.
Acerca dos resultados obtidos, houve
possibilidade de identificar, pela assistência embasada
no modelo teórico de OREM, os déficits de autocuidado
universais, de desenvolvimento e de desvios de saúde,
que levaram aos seguintes diagnósticos de enfermagem:
Déficit de volume de líquido; Ansiedade; Processo
familiar alterado; Comunicação prejudicada; Risco para
integridade da pele prejudicada; Risco para infecção;
Mobilidade física prejudicada; Déficit no autocuidado:
higiene corporal; Déficit no autocuidado: vestir-se e
arrumar-se; Retenção urinária; Dor; e Amamentação
ineficaz.
Os resultados permitiram também a identificação
da ocorrência, numa mesma paciente, dos três Sistemas
de Enfermagem de OREM. Através dos resultados
obtidos, o método de ajuda foi selecionado, e relacionado
o Sistema de Enfermagem, expressando o papel do
enfermeiro e a capacidade da paciente em engajar-se no
autocuidado. Acredita-se que os resultados deste estudo
possam contribuir para o despertar do enfermeiro quanto
as suas responsabilidades em cuidar e atender os
requisitos para o autocuidado terapêutico dos seus
pacientes.
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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Por ultimo, vale destacar que este estudo mostrou
a importância da assistência à gestante de alto risco
baseada na Teoria do Autocuidado de OREM, quando
houve a adesão da paciente às medidas terapêuticas
prescritas, fato observado através de sua tomada de
decisão, controle e condução da assistência.
Ademais, evidenciou-se com a realização deste
estudo, a importância de se operacionalizar o processo
de enfermagem tendo por base um modelo assistencial, a
fim de facilitar a identificação de diagnósticos de
enfermagem, bem como o desenvolvimento da sua
prática. Ficou evidente, também, que o autocuidado é
algo aprendido, e que a gestante faz parte de um grupo
ideal para que o processo de aprendizagem se realize.
NURSING DIAGNOSES IN HIGH-RISK PREGNANT WOMEN BASED ON OREM’S SELF-
CARE THEORY – A CASE STUDY
This work concerns a descriptive research with a qualitative approach which aimed to identify nursing diagnoses in
high-risk pregnant women based on Orem’s self-care theory. The following nursing diagnoses were identified: deficit of liquid
volume, anxiety, altered family process, handicapped communication, handicapped physical mobility, among others. The results
showed the importance of the nursing process execution supported on an assistance pattern, for the identification of nursing
diagnoses as well as the feasibility of the patient’s engagement in self-care.
KEY WORDS: nursing diagnostics, pregnancy high-risk, self-care
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMERÍA EN UNA GESTANTE DE ALTO RIESGO BASADOS EN
LA TEORIA DEL AUTOCUIDADO DE OREM
Investigación descriptiva con un abordaje cualitativo, realizada con el objetivo de identificar diagnósticos de enfermería
en una gestante de alto riesgo, basados en la teoría del autocuidado de Orem. Fueron identificados los siguientes diagnósticos de
enfermería: déficit de volumen de líquidos, ansiedad, proceso familiar alterado, comunicación perjudicada, movilidad física
perjudicada, entre otros. Los resultados mostraran la importancia de la ejecución del proceso de enfermería, apoyado en un
modelo de atención, para la identificación del diagnóstico de enfermería, así como también la viabilidad del paciente adaptarse
al proceso de autocuidado.
TÉRMINOS CLAVES: diagnóstico de enfermería,embarazo de alto riesgo, autocuidado
ANEXO 1
ROTEIRO DE ENTREVISTA
ASPECTOS DA TEORIA DE OREM A SEREM
OBSERVADOS
1. FATORES CONDICIONANTES
Idade _______ Escolaridade ________ Altura ________ Peso
atual __________ Profissão/ocupação ________________
Procedência _______________ Estado civil _____________
D.U.M. ________ I.G. ________ Gesta ______ Para _______
Nº de filhos vivos _________ Idade dos Filhos _____________
2. DEMANDAS TERAPÊUTICAS PARA O
AUTOCUIDADO (AC)
REQUISITOS UNIVERSAIS
Quais são os alimentos presentes na sua alimentação? Desjejum,
Almoço e Jantar
Eliminação e excreção:
- Urina: Quantas vezes você urina por dia? Qual a cor e odor?
Qual a quatidade?
- Fezes: Quantas vezes você evacua por dia? Quais as
características das fezes?
Equilíbrio entre atividade e descanso:
- Tem dificuldade em satisfazer as necessidades de sono e
repouso?
- Dorme quantas horas por dia? As horas de sono que dorme
são suficientes para o repouso?
- Trabalha quantas horas por dia?
Equilíbrio entre solidão e interação social:
- A gravidez interferiu no seu relacionamento com as demais
pessoas?
- Você sente momentos de tristeza e/ou choro? Em que
circunstância?
Avaliação: Demanda de AC ( ) Sim Relacionada a:________
( ) Não
 Capacidade de AC _________ demanda de AC
REQUISITOS DE DESENVOLVIMENTO
Você já fez algum exame nesta gestação? Qual(is)? Quando?
Pelos resultados dos exames é uma gravidez de risco? Porque?
Você compareceu a todas as consultas marcadas?
Como você percebe esta gravidez?
Há algum evento na sua vida que a tem preocupado e/ou está
lhe preocupando? Gostaria de falar?
Avaliação: Demanda de AC ( ) Sim Relacionada a: _______
( ) Não
 Capacidade de AC _________ demanda de AC
REQUISITOS DE DESVIO DE SAÚDE
Em caso de Gestação de Risco:
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000
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Você apresentou algum problema nesta gravidez? O que?
Quando? Qual a conduta médica?
Você conhece a natureza e as conseqüências deste problema?
Em relação ao preparo para o parto, você já recebeu alguma
orientação? Quais são os seus anseios?
Avaliação: Demanda AC ( ) Sim Relacionada a: ________
 ( ) Não
 Capacidade de AC _________ demanda de AC
Observações da pesquisadora, durante a entrevista e em
avaliações subseqüentes (s/n): (estado geral, gestos e expressão.
motivação para o autocuidado, etc) ______________________
_____________________________________________________
____________________________________________________
_____________________
Assinatura da pesquisadora
COREN/PB
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Enfermagem: os fundamentos para a prática
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Obstetrícia fundamental. 7. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara, 1995.Caps. 5, p. 69-84: Modificações
do organismo materno.
10. REZENDE, J. de.; MONTENEGRO, C.A.B.
Obstetrícia fundamental. 7. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara, 1995.Caps. 22, p. 265-271: Placenta
prévia.
11. ROSSI JÚNIOR, R. Metodologia científica para a
área da saúde. São Paulo: Pancast, 1990. 108p.
Recebido em: 22.9.1997
Aprovado em: 29.6.2000
FARIAS, M.C.A.D.de; NÓBREGA, M.M.L.da. Diagnósticos... Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 8 - n. 6 - p. 59-67 - dezembro 2000

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