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DISCIPLINA: GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS AULA 1 Prof.ª Carolina Walger CONVERSA INICIAL Olá! Seja bem-vindo à disciplina de Gestão de Recursos Humanos! Diversos temas nos esperam ao longo desse trabalho, como: Conhecer a área de recursos humanos, sua evolução, seu papel e objetivos; Compreender seus subsistemas, como recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento e avaliação de desempenho; Entender os processos de segurança e saúde no trabalho, entre outros. Esperamos que você esteja motivado! Vamos lá? Acessando o material on-line, assista ao vídeo de introdução da professora Carolina! CONTEXTUALIZANDO Problematização Para iniciar esta aula, você está convidado a uma reflexão! Primeiramente, leia o artigo a seguir: http://previuconsultoria.com.br/importancia-da-gestao-de-rh-mundo- globalizado Após a leitura, reflita: quais são as suas impressões iniciais sobre a área de recursos humanos? Após realizar a atividade, confira o feedback em vídeo da professora acessando o material on-line! 2 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS “À medida que compreendemos como os sistemas vivos operam, desenvolvemos as qualidades de que precisamos e tornamo-nos flexíveis, adaptáveis, atentos e criativos. ” Falar de RH é sempre um desafio, pois nos faz pensar sobre os indivíduos nas organizações e a relação das pessoas com o trabalho. As informações referentes a todos os temas em termos de evolução, gestão e tendências de gestão de pessoas nos levam a perguntar: É necessário que as organizações funcionem como máquinas? ... que os empregados sejam tratados como recursos? Máquinas não pensam, não têm inteligência, não sentem, não têm sonhos nem esperanças, só obedecem a quem as maneja. O ideal dos dias atuais é a busca por uma organização diferente, portanto, um cenário mais complexo e difícil, o que exige de nós uma postura incentivadora de organizações mais flexíveis, adaptáveis, capazes de se refazer, inovar, aprender...como é próprio dos sistemas vivos. Mudando a forma de pensar sobre as organizações, necessário se faz entender o papel do RH, sua evolução, gestão e tendências. Mas, o mais importante é que os gestores entendam que as pessoas se juntam para criar novas iniciativas, para responder a novos desafios e para alterar os processos da organização com inteligência e sensibilidade. Para que os indivíduos sejam encarados como parceiros das organizações e respeitados em suas individualidades e anseios, a gestão de recursos humanos tem um papel fundamental. 3 Mas, o que significa Recursos Humanos? Vejamos o que dizem os estudiosos deste tema: O que é RH? A sigla RH significa Recursos Humanos. Dentro de uma empresa, RH é o departamento que tem a responsabilidade de seleção, contratação, treinamento, remuneração, formação sobre higiene e segurança no trabalho, e estabelecimento de toda a comunicação relativa aos funcionários da organização. RH também pode se referir à totalidade de empregados e colaboradores que compõem a organização, normalmente referidos como os recursos humanos da empresa. RH é ainda conjunto de práticas de recursos humanos, constituído por todas as decisões tomadas pela empresa para realizar as atividades inerentes ao setor de RH. O que é Gestão de RH? É uma área de estudo que forma profissionais capacitados para gerenciar pessoas e lidar com todos os processos relacionados à gestão do quadro de funcionários de uma empresa. O profissional de RH é encarregado de gerenciar planos de carreira; determinar a política salarial, remunerações, incentivos e benefícios; avaliar a necessidade de contratação de novos colaboradores; elaborar estratégias e planos operacionais para recrutamento e proporcionar a integração de novos funcionários dentro da organização. Segundo Chiavenato (2010): É importante entender a junção desses dois conceitos: RH e Gestão. Com as novas características do terceiro milênio – globalização da economia, forte competitividade no mundo dos negócios, mudanças rápidas e imprevisíveis e o dinamismo do ambiente – as organizações bem sucedidas não mais administram recursos humanos, nem administram as pessoas, pois isso seria 4 tratá-las como agentes passivos e dependentes, mas, sobretudo, administram com as pessoas. (CHIAVENATO 2010). Administrar com as pessoas supõe reconhecer que elas são um poderoso ativo que sendo bem administrado traz resultados não esperados pela organização, ao mesmo tempo que impulsiona a competitividade, a inovação, a confiança e, sobre tudo cria um ambiente propício para o desenvolvimento contínuo das competências e habilidades. O contexto moderno da ARH – termo adotado mundialmente – faz com se entenda o conceito incluindo necessariamente a organização e as pessoas. A gestão de RH envolve a realização de cinco funções básicas: Planejamento, Organização, Administração, Controle e Liderança. Vamos conhecer o mapa conceitual que abrange todas elas! Planejamento Organização Administração FUNÇÕES BÁSICAS DE RH Liderança Controle Como se pode observar, diversas são as atribuições da área de recursos humanos, desde as tarefas burocráticas e operacionais de rotinas de departamento de pessoal, como contratação, demissão, folha de pagamento, até as mais complexas, como atração e retenção de talentos para o desenvolvimento da vantagem competitiva das organizações. 5 Diante dessas explanações, podemos dizer que os principais objetivos da ARH são: - Proporcionar à empresa os talentos e competências ao seu funcionamento, desenvolve-los e mantê-los na organização. - Proporcionar às pessoas trabalho e ambiente adequados para que se sintam motivadas. - Proporcionar condições de perfeito alinhamento entre os objetivos empresariais e os objetivos de cada pessoa. A moderna ARH se preocupa em compartilhar com todas as áreas da empresa a preocupação pela criação de valor, interesse para entender os processos produtivos, entender seu papel dentro da criação de vantagens competitivas, acreditar que políticas de sustentabilidade permitem à empresa se manter atualizada, mas de que práticas isoladas, o que dá um sentido de pertinência é encontrar a sustentabilidade inserida, na identidade, nos valores e na gestão de pessoas. A relação entre gestão de recursos humanos e sustentabilidade é clara. Afinal, gente é quem faz as empresas; é quem toma as decisões; gente é quem age, quem protege; gente é quem destrói. Orientar pessoas para a adequada tomada de decisão, para uma ação consciente, para entender o que protege e o que destrói é cerne da função de Recursos Humanos; daí a óbvia relação entre os dois temas. A busca constante para capacitar os funcionários de uma forma mais eficaz, econômica e atual, agrega valor e oferece resultados mais confiáveis. A razão de ser de RH está em alcançar um equilíbrio dinâmico na interação entre as pessoas e os processos da organização. Ações de mutualidade são indispensáveis tanto para a sobrevivência organizacional, como para a satisfação das pessoas. 6 Tudo istoprovoca sinergia, ou seja, simultaneidade de forças. Todas as partes saem ganhando, pois os esforços conjuntos provocam retornos multiplicados e não apenas somados! Acessando o material on-line, assista ao vídeo da professora Carolina e saiba mais sobre RH e Gestão de RH! Leitura obrigatória Leia o Capítulo 1 de: CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação a administração de Recursos Humanos. 4a. ed. Rev. e atual. Barueri: Manole 2010. Confira também a reportagem ―O RH que gera Lucro" da Revista Você S.A. disponível a seguir: http://exame.abril.com.br/revista-voce-rh/edicoes/36/noticias/o-rh-que-gera- lucro Para finalizar esse tema, você está convidado a uma reflexão: O mundo do trabalho exige profissionais altamente qualificados, com competências técnicas e comportamentais. Quais competências você acredita que sejam as mais importantes nos dias de hoje? EVOLUÇÃO DE RECURSOS HUMANOS “A evolução avança a partir de novas relações, não a partir da dinâmica dura e solitária do mais apto. A cooperação vem do reconhecimento fundamental de que nada existe sem o outro.” Evolução, segundo o dicionário Michaelis (2002, p. 329), significa progresso, transformação lenta e progressiva de uma ideia, fato, ação e etc. A evolução abrange todas as áreas da natureza e também da sociedade humana. Por isso, é de importância considerável trazer a evolução da área de Recursos Humanos para os dias atuais, buscando entender sua trajetória ao longo dos anos. 7 Vejamos como se dá esse processo de evolução e quais são as características mais marcantes e as mudanças de comportamento que acompanharam a área durante sua trajetória. Final século XIX Administração científica – Relações industriais Objetivos: padronizar as atividades administrativas e implantação de processos organizacionais. Década 1920 Escola das Relações Humanas Descoberta do Fator Humano Objetivo: conseguir a interação das pessoas e a coordenação de suas atividades, tendo em conta quatro princípios: contato direto relações recíprocas planejamento processo continuo Década de 1950 Administração de pessoal Objetivo: administrar as pessoas segundo a legislação trabalhista vigente e administrar os conflitos que surgissem espontaneamente. Década de 1960 Ampliação do conceito de administração de pessoal Objetivo: considerar as pessoas como recursos fundamentais para o sucesso organizacional. 8 Década de 1990 Administração de Recursos Humanos Objetivo: solucionar as demandas de excelência organizacional. Gestão de pessoas Objetivos: mudar do antigo modelo burocrático para um modelo de gestão gerencial e estratégico, onde capacitar e desenvolver o bem mais precioso da organização: o capital humano torna-se prioridade. A busca é pelos objetivos pessoais e empresariais. Sociedade do conhecimento Gestão de Talentos Objetivo: valorizar as pessoas como provedoras de competências na busca constante de atividade intelectual, para ter condições de participar estratégica, ativa e proativamente nos processos de inovação das organizações. Como foi possível observar, a área de Recursos Humanos evoluiu da seguinte forma: 1. Fase burocrática, na qual apenas as atividades operacionais e técnicas eram relevantes, no denominado Departamento de Recursos Humanos; 2. Fase em que se começa a valorizar questões táticas ligadas ao desenvolvimento e motivação das pessoas; 3. Visão mais atual de Gestão Estratégica de Pessoas, na qual as pessoas são vistas como parceiros estratégicos para as organizações na busca de vantagem competitiva. Área de RH no Século XXI Primeiramente, vamos conferir o que Chiavenato (1999) diz sobre a gestão de pessoas: 9 A gestão de pessoas é uma área muito sensível à mentalidade que predomina nas organizações. Ela é contingencial e situacional, pois depende de vários aspectos como a cultura que existe em cada organização, a estrutura organizacional adotada, as características do contexto ambiental, o negócio da organização, a tecnologia utilizada, os processos internos e uma infinidade de outras variáveis importantes. Nos dias atuais, a questão para as empresas não é mais apenas ser competitiva. O contexto empresarial desde o início do século XXI é caracterizado por uma competitividade mais acirrada, que podemos chamar de hipercompetitividade, apresentando características como a dinamicidade, complexidade e incerteza em níveis intensos. As mudanças no comportamento dos consumidores, o surgimento de novos mercados, a ameaça de novos concorrentes, os efeitos da globalização e os avanços do mundo da internet passaram a afetar o padrão de competição das empresas. Nesse cenário, a mudança é a única estratégia permanente na gestão da empresa e consequentemente na gestão de pessoas. O que se pode observar é que a área de gestão de pessoas tem evoluído para acompanhar as constantes mudanças no modelo empresarial e mesmo mundial. O que vem ajudando no desenvolvimento e no conhecimento da área de Gestão Estratégica de Pessoas é a visão sistêmica e holística sobre os processos organizacionais e das pessoas na relação de trabalho. Navegue pelos ícones para saber mais sobre o pensamento sistêmico: O pensamento sistêmico visa auxiliar as pessoas para que possam ver as coisas como parte de um todo e não como peças isoladas, bem como, criar e mudar a realidade, de acordo com a necessidade. 10 É um complexo de conhecimentos e ferramentas desenvolvidos ao longo do tempo, que servem como uma base de referência conceitual, que irá auxiliar na percepção do mundo como uma rede de relacionamentos integrada. É uma ferramenta de gestão empresarial que busca integrar todos os subsistemas ou departamentos da empresa, buscando a interação dos setores, fazendo com que a atividade fim ou a missão da empresa sejam atingidas no menor espaço de tempo e com o menor custo possível. Mas como efetivamente aplicar esta gestão do novo século? Conheça alguns pontos importantes sobre isso a seguir: A real vantagem competitiva no mercado não está somente representada no financeiro ou nos altos investimentos em tecnologia, mas sim nas pessoas que compõem a organização, que movimentam tudo isto diariamente. Nos dias de hoje com a velocidade das mudanças, como a globalização, muitas empresas tiveram a necessidade urgente de buscar novos paradigmas de gestão, e o conhecimento torna-se a principal vantagem competitiva da organização. Quebrar os velhos paradigmas para entender a empresa e as pessoas como gestoras e colaboradoras está se tornando ponto crucial na organização bem como entender o novo conceito de gestão de pessoas. Assim a forma mais segura de conseguir a tão desejada vantagem competitiva é por meio da correta administração dos seus recursos humanos. Tratando-os como agentes ativos e proativos, sobretudo dotados de inteligência e criatividade, de habilidades mentais e não apenas de habilidades e capacidades manuais, físicas e artesanais. As pessoas não são recursos que a organização consome e utiliza e que produzem custos. Ao contrário, as pessoas constituem um fator de competitividade, da mesma forma que o mercado e a tecnologia. As políticas 11contemporâneas de recursos humanos não podem ignorar que o sucesso das empresas radica no capital humano. A competência de uma organização é medida exatamente pela soma das capacidades de seus colaboradores. Portanto, a gestão do conhecimento, necessária e importante para toda empresa, somente será eficaz se tiver como pressuposto o reconhecimento ao talento dos funcionários. Pode-se concluir que uma das principais funções da área de recursos humanos ou Gestão de Pessoas é viabilizar a capacidade de mudar e se adaptar. A atual Gestão de Pessoas procura facilitar esse processo de mudanças organizacionais, pois as organizações estão evoluindo e ajudando seus colaboradores a evoluírem juntos, consequentemente se obtém profissionais mais comprometidos com sua missão. Acessando o material on-line, assista ao vídeo da professora Carolina sobre este tema! Leitura obrigatória Leia o capítulo 2 do livro: KNAPIK, Janete. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2011. Agora que você já conhece um pouco mais sobre o tema, confira a seguinte reportagem que relaciona neurociência à gestão de pessoas: http://exame.abril.com.br/videos/sua-carreira/como-a-neurociencia-pode- contribuir-na-gestao-de-pessoas/ 12 PAPEL DO RH “Se você deseja pequenas mudanças, trabalhe seus comportamentos; se você deseja mudanças realmente significativas, trabalhe seus paradigmas”. A globalização justifica uma boa e eficaz administração das organizações. A área de RH deve apoiar as mudanças e trabalhar em parceria para desenvolver, implementar e cumprir com as estratégias da empresa. O papel da área de RH é de vital importância, já que apoia a direção a formular e executar as estratégias. Mas, o que são Recursos Humanos? Recursos Humanos remete a todas as práticas e políticas que objetivam administrar comportamentos dentro de uma organização. A partir do reconhecimento das pessoas como recursos, faz-se necessário estabelecer formas de gerenciar e investir neles, de forma a explorar de forma positiva a plenitude das capacidades humanas disponíveis na empresa. Vamos ver o que os colaboradores têm a dizer sobre isso a seguir? As funções do departamento de RH vão desde a seleção de profissionais para compor a equipe da instituição à sua gerência, uma vez que são contratados ou estabelecem alguma forma de vínculo empregatício. E não somente isso, mas guiar e orientar os profissionais quanto aos objetivos e metas da empresa, proporcionando um ambiente de comunicação aberta, passa a ser também preocupação e responsabilidade do setor, compondo parte importante do que a área de recursos humanos faz pela organização na qual se insere. 13 Sem pessoas motivadas, satisfeitas e em sintonia com o que a organização quer realizar, será difícil alcançar os objetivos da empresa. Em vez de ser visto como um mal necessário, ou um departamento limitador do profissional, o RH deveria buscar novas estratégias e oportunidades internas e externas para expandir as possibilidades da equipe de funcionários. O mundo dos negócios está passando por transformações que exigem uma mudança nesse papel muito ligado à burocracia ao qual frequentemente se associa a área de recursos humanos. Uma nova forma de gerenciar e equilibrar profissionais valiosos é necessária diante dos avanços tecnológicos e da globalização também administrativa pela qual passamos hoje. Maior flexibilidade, eficiência e empreendedorismo são exigidos desse novo RH, de forma que a contribuição do departamento para a empresa seja uma gerência estratégica das pessoas, para que elas atinjam níveis cada vez mais altos de performance. Assim, o papel da área de RH é também o de apoiar funcionários, para além de trâmites burocráticos, e dar-lhes condições de aumentar a produtividade e fortalecer as competências da empresa. O objetivo deve ser o desenvolvimento de um ambiente encorajador da inovação, identificação com a organização, com a consequente geração de responsabilidade e dedicação por parte do profissional. GESTÃO DE PESSOAS Gestão de pessoas é um dos temas mais abordados no ambiente corporativo e acadêmico atual. Nunca se falou tanto em captar e reter talentos, tornando cada vez mais competitiva a busca pelos melhores. Em meio à competitividade e busca por excelência na comercialização de produtos e serviços, cada vez mais os empresários brasileiros buscam 14 implantar e implementar em suas organizações a tão desejada área de Recursos Humanos. Entretanto, na tentativa de organizar a ―casa‖, acredita-se que os profissionais dessa área possuem o poder de transformar as diversas realidades com um passe de mágica, o que não é verdade. O fato é que os profissionais da área de Recursos Humanos são sim agentes de mudanças, mas para que as mudanças aconteçam, os empresários precisam compreender a essência do papel dessa área que, vai muito além de contratar pessoal e que não pode carregar sozinha a missão de reter talentos. A verdade é que o RH por si só nada faz! E enquanto visualizarem que a missão do departamento é apenas selecionar, as empresas estarão apenas obtendo um custo em manter o setor. Hoje os papéis assumidos pelo RH são muitos, operacionais e ao mesmo tempo estratégicos. Precisam ser policiais e parceiros simultaneamente. Para que a área de Gestão de Pessoas possa adicionar valor à organização servir a seus objetivos e criar vantagens competitivas, ela precisa desempenhar papéis cada vez mais múltiplos e complexos. Confira os novos papéis da função de Gestão de Pessoas a seguir, segundo Chiavenato (2014): Antes Hoje Operacional e burocrático Estratégico Policiamento e controle Parceria e compromisso Curto prazo e imediatismo Longo prazo Administrativo Consultivo Foco na função Foco no negócio 15 Foco interno e introvertido Foco externo e no cliente Relativo e solucionador de problemas Proativo e preventivo Foco na atividade e nos meios Foco nos resultados e nos fins Para saber mais sobre isso, veja o que a professora Carolina tem a dizer no material on-line! Leitura obrigatória Leia o capítulo 1 do livro: KNAPIK, Janete. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2011. Assista também à reportagem a seguir sobre o papel do RH na empresa: https://www.youtube.com/watch?v=oPaWjrg5A5M E também confira algumas ponderações sobre a vantagem competitiva e o RH: O papel de RH – Vantagem competitiva...? O papel de RH passa de importante para fundamental no posicionamento da empresa no cenário organizacional em que vivemos e ainda viveremos pelos próximos cinco ou dez anos. Esse novo papel é o de ser o grande exemplo na formação de pessoas que realmente serão a vantagem competitiva. Mas não falamos de formação técnica, mas da formação integral do ser humano inserido no mundo corporativo. Então é necessário: conhecer debilidades e assumir fraquezas, buscar melhores opções de diminuir o gap de competências, diferenciar-se. Vantagem competitiva só terá quem investir de forma correta, no tempo e da forma certos e nas pessoas certas. Para finalizar, reflita: Qual é a importância de uma área de recursos humanos estratégica? Como a área de recursoshumanos pode se tornar estratégica? 16 GESTÃO DE RH NO BRASIL ”Quem você é como pessoa, suas crenças e valores e como você se conecta os outros, tudo importa para as pessoas que você vai influenciar”. Como vimos já detalhadamente a evolução de RH no mundo, analisaremos agora a evolução histórica de Recursos Humanos no Brasil. É importante levar em conta o momento político e social nacional, para poder entender as características principais, norteadoras da transformação da área de RH. Vamos conhecer cada época mais detalhadamente na linha do tempo a seguir: I. Período pré-industrial Administração de pessoal rudimentar e autoritária. Industrialização primária e reduzida com mão de obra europeia. Organização profissional baseada em associações de classe. Inexistência de sindicatos formalizados. As principais classes profissionais eram: ferroviários, portuários e profissionais de indústria têxtil. Ausência de intervenção do estado nas relações trabalhistas – Liberalismo econômico. Formação profissional incipiente e restrita. Primeiras ‖Escolas de Aprendizes e Artífices― (1909) para ensino profissional. Governo de Epitácio Pessoa (1919- 1922) criou as Escolas de Ensino Industrial. Quebra da Bolsa de valores de Nova York (1929). Fim do poder econômico e político das oligarquias cafeiculturas. II. Período de 1930 a 1945 – Era Vargas / Novo Populismo Forte intervenção do Estado nas relações trabalhistas. 17 Criação do Ministério do Trabalho Criação do SENAI em 1942. Criação da CLT. Caráter controlador e manipulador da população pobre. Industrialização: desenvolvimento da mão de obra rural e pouco qualificada. Organização profissional baseada em sindicatos controlados pelo Estado. Criação da ‖Secção de Pessoal‖ (registro legal de trabalhadores nas empresas). Primeiros centros de treinamento profissional e implantação de cursos de aprendizagem para as indústrias nas escolas públicas (1938). III. Período de 1956 a 1961 – Juscelino Kubitschek Política desenvolvimentista. Abertura as multinacionais. Indústria automobilística e de base. Grande desenvolvimento dos centros de treinamento profissional – SENAC – e pesquisa tecnológica. Criação do ‖Setor de Relações Industriais‖ com os processos tradicionais de RH, baseado no modelo americano, trazido pelas multinacionais. IV. Período de 1964 a 1990 Ditadura militar até 1985. Fechamento da economia à entrada de multinacionais e restrição de entrada a tecnologias estrangeiras. Criação do FGTS (1966) eliminando a estabilidade do emprego – o empregado escolhe entre o regime CLT ou FGTS. Surgimento do departamento de RH (Relações Industriais remodelada) na década de 70 nas grandes empresas. 18 Grande oferta de mão de obra facilitando o rebaixamento dos salários e uso da rotatividade como mecanismo gerencial de controle e redução de custos. V. Período de 1964 a 1985 Após a chamada ‖crise do petróleo‖ em 1973, o departamento de RH se vê obrigado a demitir o máximo possível dos funcionários para deduzir custo (reestruturação produtiva). Na década de 1980 se inicia com uma economia estagnada, inflacionada e sem avanços tecnológicos e gerenciais. A maioria das empresas não conseguiu crescimento e a área de RH, ficou estagnada, repetindo praticas antigas. Os treinamentos nas empresas apenas visavam a qualificação essencial de profissionais a melhoria gerencial. A área de RH permanece passiva e gerencia principalmente as demissões e contratações de pessoal. VI. Período de 1985 a 1990 Transição para a democracia Ao final da década de 1980, com as pressões sociais e políticas iniciou-se a abertura política e a instauração da Nova Constituição Federal de 1988. Abertura para os sindicatos. A obrigatoriedade do regime do FGTS para os contratos de trabalho e a situação econômica, forçaram o RH a praticar a seleção de pessoal de uma forma mais rígida. Na década de 1980 começam a surgir ideias como: qualidade total, reengenharia, downsizing, que estimulam a demissão em massa. O nível de educação formal e o grau de informação dos trabalhadores elevaram-se, acionando posturas mais participativas e reivindicatórias dos profissionais. 19 VII. Período de 1990 a 2002 Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) promove a estabilização inflacionaria do Real, com grande recessão. As empresas buscam menos seu desenvolvimento e mais sua sobrevivência. Redução de empregos. Introdução de mudanças: automação, informatização, terceirização, privatização de empresas públicas, intensificação do trabalho feminino. A área de RH está despreparada para lidar com as mudanças. Retomada da atualização tecnológica e gerencial. VIII. Período pós 2002 Aceleração da globalização e da competitividade internacional com a entrada de inúmeras multinacionais, fusões e aquisições. A área de RH é pressionada para gerar resultados. Volta-se para o desenvolvimento de aspectos estratégicos e obtenção de vantagem competitiva. Treinamentos e educação corporativa se expandem. A área de RH começa a aprender a lidar com novas tecnologias e formas novas de gerenciamento. Preocupação pela qualidade de vida no trabalho. RH começa a se tornar descentralizado e internacional. Preocupação com a empregabilidade e rotatividade de pessoal. Gestão de competências e desenvolvimento com muitos investimentos em T&D. A atualização técnica se torna obrigatória. Preocupação com a criação de valor para a empresa e para os clientes. RH entendido como fonte de vantagem competitiva. O RH deve ser estratégico e vinculado às metas da empresa. Podemos concluir pelos dados históricos que a evolução qualitativa da Administração de RH, o desenvolvimento e consolidação de modelos próprios 20 de sistemas e gestão, foram prejudicados pela instabilidade econômica dos últimos vinte anos. A evolução de RH nas organizações brasileiras sempre teve como causa primeira pressões de fatores externos; ou seja, foi marcada nos primeiros tempos, pelos modelos trazidos pelas multinacionais instaladas no Brasil, porém estivemos sempre defasados em relação aos EUA e outros países europeus. Em nenhuma fase a evolução aconteceu pela força das teorias de organizações e liderança proativa de RH. A evolução de RH foi maior nos aspectos que denominamos de expansivos e quantitativos, ou seja, maiores números de empresas introduziram atividades ou áreas de RH, e as que já as tinham, acrescentaram novas atividades e sistemas. Entretanto, o RH melhorou pouco significativamente em termos de eficácia, qualidade de serviços e contribuições nos resultados das empresas. Outra forma de evolução de RH se relaciona ao crescimento de sua posição na estrutura hierárquica. Nos primeiros tempos o RH se limitava a uma seção subordinada a um Chefe Administrativo. Depois passou a setor, subordinado ao Gerente ou Diretor Administrativo Financeiro. Adquiriu status de Gerência, ligado diretamente ao executivo principal. Nos últimos tempos, tem aumentado gradativamente o número de empresas que possuem Diretor de RH e até Vice-Presidentede RH. Leitura obrigatória Para mais embasamento, leia o seguinte artigo sobre a evolução da área de recursos humanos no Brasil: https://tatimolini.wordpress.com/2008/11/07/evolucao-da-area-de-recursos- humanos-no-brasil/ 21 Exercite você também o conhecimento: pesquise mais informações sobre a evolução do RH no Brasil e registre seus apontamentos! Restaram dúvidas? Atente para o vídeo no material on-line e reforce o aprendizado! Para uma síntese da história do RH no Brasil, não deixe de assistir ao vídeo de Pedro Mandelli: https://www.youtube.com/watch?v=PM_259f1ugU TENDÊNCIAS DA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS “Quando olhamos a vida através das lentes da natureza humana e do desejo humano, nós nos defrontamos com descobertas maravilhosas. Nosso desejo de autonomia e criatividade é refletido em toda a natureza. A vida se mostra ilimitadamente criativa, buscando sempre novas possibilidades e novos recursos. ” Nos últimos anos, a função de Recursos Humanos tem estandardizado e harmonizado sistemas comuns e plataformas, para atingir a promessa de ser um sócio estratégico para os negócios. Mas as atividades fundamentais de RH, as pessoas, a organização e a mensuração de resultados, têm se mantido mais ou menos igual. Hoje, o RH está próximo da mudança. As rápidas mudanças tecnológicas, a crescente globalização, a forte necessidade de ser ágil no dinâmico entorno empresarial e uma nova força de trabalho com muitos e diferentes valores e comportamentos estão criando uma mudança radical em direção ao futuro do trabalho e da Gestão de RH. 22 Pesquisas da Accenture com áreas de recursos humanos e executivos de negócios no mundo todo identificaram dez tendências que vão redefinir a função de RH nos próximos anos. Estas são as tendências que provavelmente redefinirão a forma como RH ajuda as pessoas e as organizações a ser mais efetivas. HABILIDADES Aproveitar as habilidades em qualquer momento e lugar As oportunidades nas habilidades estão ampliando-se e RH das empresas estará cada vez mais pressionado para assegurar que suas organizações contem com o talento adequado. Para isto deverá aproveitar rapidamente as habilidades de seus profissionais de acordo as necessidades do negócio. ADMINISTRAÇÃO Administrar as pessoas como força laboral A personalização está a ponto de revolucionar a forma como as organizações administram seus funcionários. Não se tratará a força laboral como uma só entidade, mas tratarão cada funcionário como uma ‖força de trabalho individual‖, oferecendo serviços de RH e soluções de gestão personalizadas. FORÇA LABORAL A ascensão da força laboral estendida As organizações se munirão de novas forças de trabalho, como por exemplo, uma rede global de contratantes externos, sócios de outsourcing, fornecedores e funcionários não tradicionais. As áreas de RH redefinirão sua missão e objetivos de maximizar o valor estratégico desta força laboral. TECNOLOGIA DIGITAL Irrupção da tecnologia digital em RH O uso da tecnologia digital está transformando a forma em que as pessoas realizam seu trabalho mediante a integração da gestão do talento dentro da estrutura das atividades cotidianas. A tecnologia em RH se converterá em um componente vital do desempenho da organização, em um mundo cada vez mais digitalizado. 23 TALENTO Redefinição do panorama global de talento As áreas de RH evoluirão para se adaptar ao mundo global, incluindo novas estratégias de contratação de talento para que coincidam com sua visão global e seus novos métodos de gestão, assim como proporcionar o suporte para as forças de trabalho móvel, superando as barreiras geográficas. REDES SOCIAIS As redes sociais acionarão a democratização do trabalho Em vez de confiar nas soluções ditadas desde a liderança, as organizações confiarão no conhecimento que seu talento aproveitará das redes sociais para criar soluções em conjunto agitando de forma determinante as estruturas e hierarquia. COMPORTAMENTO HUMANO A gestão do talento reunirá conhecimento do comportamento humano A medida que surgem novos conhecimentos sobre o comportamento humano, as áreas de RH começarão a se preparar com as ferramentas e informações necessárias para incentivar um melhor desempenho da força laboral. ORGANIZAÇÃO As áreas de RH agilizam a organização À medida que o contexto social se torna cada vez menos previsível, as organizações que podem se adaptar às condições de mudança do negócio superam a concorrência. RH evoluirá ao mesmo tempo em que a função se converte no motor fundamental da agilidade. GERENCIAMENTO DE RISCOS Rh manejara riscos e privacidade em um mundo cada vez mais complexo Recursos Humanos adaptará estratégias de Gestão de Riscos Integrais, que incluam desde a proteção de informação confidencial e dados, até os riscos associados à contratação pouco exaustiva. 24 AMPLIAÇÃO DE FRONTEIRAS As áreas de RH ampliarão seu alcance para oferecer experiências integrais RH passará de ser uma função clara e independente, que administra processos de pessoal e Gestão de Talento, a uma área que abrange distintas disciplinas e cruza as fronteiras para entregar experiências de funcionários com funções integrais. As tendências identificadas exigirão um conjunto muito diferente de práticas de RH e Gestão de Talento, que serão efetivas perante a alta volatilidade global e a era de informação na qual vivemos. Ao ter presentes as tendências do negócio, as áreas de RH demandarão uma nova forma de organização e metas que fortalecerão seu objetivo para transforma-se em sócios estratégicos do negócio. Com este panorama podemos concluir que o RH "clássico" está com os seus dias contados, sendo que muitas empresas já se livraram da burocracia e operam em processos on-line, outorgando maior autonomia aos seus profissionais por meio de programas de conscientização da importância do trabalho e do comprometimento individual com as metas corporativas. Leitura obrigatória Leia o Capítulo 1 de: DESSLER, Gary. Administração de Recursos Humanos. 3 ed. São Paulo: Pearson Education Brasil, 2014. A partir dos estudos realizados até o momento, reflita sobre as tendências da área de Recursos Humanos! Para finalizar este conteúdo, assista ao vídeo da professora Carolina no material on-line! Complementando os estudos, assista a um vídeo sobre evolução e tendências no setor de RH: https://www.youtube.com/watch?v=9S2Ex2538n0 25 Conheça as principais tendências identificadas no estudo “Global Human Capital Trends 2014”: AS TENDÊNCIAS EM GESTÃO PARA O SÉCULO XXI Liderar e desenvolver Atrair e engajar Transformar e reinventar 86% dos entrevistados elencam o desenvolvimento de novos líderes como algo urgente ou importante Liderança em todos os níveis: apesar de ter sido apontada como uma questão fundamental para grande parte das empresas, apenas 13% dos entrevistados dizem que fazem um excelente trabalho no desenvolvimento de líderes. Aprendizagem corporativa redefinida: 70% dos executivos enxergam o aprendizado por meio de plataformas online e móveis gratuitas como algo de extrema importância, mas apenas 6% dizem que têm dominado essas tecnologias.Gestão de desempenho: desenvolver novas práticas de gestão de performance, para além das avaliações anuais, é uma necessidade. Capacitação da força de trabalho: a competição por profissionais é global; porém, as empresas têm de lidar com um ambiente de escassez de competências técnicas e profissionais. 58% dos entrevistados apontam que suas empresas não estão preparadas para atrair e reter a Geração Y Mais competitivas. Engajando o profissional do século 21: a questão geracional ainda é um desafio para os executivos. Reinventar a captação de talentos: a maioria das organizações (62%) utiliza as redes sociais para publicidade; no entanto, 54% indicam que suas práticas ainda estão abaixo do esperado. Mudança de diversidade para real inclusão: mais de um terço (34%) das empresas diz que estão despreparadas em perceber os benefícios que uma força de trabalho diversificada pode gerar para o negócio, enquanto 20% dizem estar totalmente preparadas. Profissionais sobrecarregados: cuidar da produtividade de profissionais que recebem informações de todos os lados e precisam estar conectados é uma das cinco maiores preocupações de 34% dos líderes. 7% das organizações acreditam que têm a capacidade de usar os dados analiticamente para tomar decisões em relação à área de talentos. Big data: a análise avançada do grande volume de informações disponível pode contribuir com o planejamento e o acompanhamento do desempenho dos profissionais. Computação em nuvem: dois terços dos empresários acreditam que tecnologias de RH são uma demanda urgente e importante, mas 56% relatam que ainda não têm planos definitivos para sistemas na área. RH local e global: um modelo dealto impacto da gestão de pessoas prevê consistência e flexibilidade para atrair, reter e gerenciar talentos. Requalificar o RH: a equipe de gestão de pessoas deve conhecer a sua área, mas também o seu mercado e o seu negócio. 26 NA PRÁTICA Acessando o material on-line, confira as orientações da atividade prática no vídeo da professora Carolina! SÍNTESE A professora Carolina agora apresentará os principais pontos estudados na aula! Acompanhe no material on-line! REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4 a . ed. Barueri; SP Manole 2014. CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação a administração de Recursos Humanos. 4 a . ed. rev. E atual – Barueri; SP Manole 2010. DESSLER, Gary. Administração de Recursos Humanos. 3 a ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PEQUENO, Álvaro. Administração de Recursos Humanos. 1 a ed. São Paulo: São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Mundo corporativo nº 44, abril-junho 2014. Pags. 30-32. Disponível em: http://www2.deloitte.com/content/dam/Deloitte/br/Documents/conteudos/mund ocorporativo44.pdf Evolução Histórica do RH no Brasil. Disponível em: http://es.slideshare.net/BernardoLima1/arh-2-evoluo-histrica-do-rh-no-brasil DISCIPLINA: GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS AULA 2 Prof.ª Carolina Walger CONVERSA INICIAL Olá, seja bem-vindo ao segundo encontro da disciplina ―Gestão de Recursos Humanos‖! Para começar, veja no material on-line o que a professora Carolina tem a dizer! Introdução Agora que você já sabe o que é a gestão de recursos humanos, sua evolução e seus objetivos, serão aprofundados alguns pontos específicos. Nessa aula, você será apresentado ao planejamento de recursos humanos, tarefa essencial para que os objetivos sejam alcançados. Também discutiremos a gestão de talentos, termo bastante utilizado atualmente e que, muitas vezes, deixa-nos com dúvidas. Abordaremos, ainda, dois processos bastante conhecidos da área: recrutamento e seleção (por meio do qual talentos são atraídos e selecionados para compor as equipes que levarão às organizações ao sucesso) e treinamento e desenvolvimento (que permite a capacitação das pessoas para ocupar seus cargos e assumir responsabilidades futuras nas organizações). Portanto, falaremos de atribuições estratégicas da área de recursos humanos. Vamos lá? CONTEXTUALIZAÇÃO Problematização Segundo Leyla Nascimento, presidente da ABRH Nacional, os processos de recursos humanos não podem mais estar somente nos muros da área de RH: ‖Não conseguiremos atrair e engajar os profissionais nesse novo modelo de gestão se não criarmos novas formas de seleção, de engajamento ou educação corporativa. Nossos processos necessitam ganhar vida e estar alinhados com a energia, o otimismo e a transparência que as mídias sociais nos ensinam. É preciso entender que o conceito, hoje, é desenvolver melhor as competências que os profissionais já possuem e não mais trabalhar nas competências ainda a 2 desenvolver. Não dá mais para continuar com o modelo de valorização dos iguais e não valorizarmos a diversidade que é fundamental nesse novo modelo‖. Disponível em: Melhor Gestão de Pessoas. Revista oficial da ABRH Nacional. Ano 22, n. 318, maio de 2014. Assista no material on-line ao vídeo da professora Carolina a respeito desse assunto. Com base no texto de Leyla Nascimento, qual alternativa corresponde a uma atitude evidenciada em uma boa política de RH? a. Não é necessário capacitar os novos profissionais que não estejam preparados para desempenhar suas funções. b. As empresas devem formar seus quadros de trabalho. c. O RH deve investir, sobretudo, no desenvolvimento das competências que seus funcionários já possuem. d. As mídias sociais não contribuem para uma boa seleção ou aprimoramento dos funcionários. e. Uma empresa deve se esforçar para que todos os seus funcionários pensem e atuem da mesma forma. E aí, qual opção você escolheu como mais adequada? Veja o feedback de cada uma das alternativas: Alternativa A: falsa. As empresas devem ser formadas por pessoas preparadas. Alternativa B: falsa. Não é função das empresas responder pela preparação para o trabalho, a menos que sejam de natureza educacional. Alternativa C: correta. Desenvolver o potencial que já existe na empresa é a melhor opção. Alternativa D: falsa. As mídias são hoje um excelente meio de detectar e desenvolver as capacidades das pessoas para o trabalho. 3 Alternativa E: falsa. Hoje, o desafio e a vantagem é explorar ao máximo a diversidade e riqueza dos diferentes recursos humanos, sem impedir a sua originalidade e criatividade. TEMA 1 - PLANEJAMENTO DE RECURSOS HUMANOS Alice perguntou ao gatinho: ‖Que caminho devo seguir?‖ O gatinho respondeu: ‖Depende de onde você quer chegar‖ (Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll) O conceito de planejamento estratégico para recursos humanos (PERH) surgiu no início da década de 1980, tendo sido desenvolvido, inicialmente, através de duas abordagens: Essas áreas são afetadas pelos interesses dos stakeholders (nos quais se incluem os empregados)e por fatores situacionais (como características da força de trabalho, da filosofia da administração, das estratégias de negócios, do mercado de trabalho, dos sindicatos etc.). As decisões têm efeitos imediatos em termos de comprometimento, competência, congruência, custo; e também de longo prazo, como o bem-estar dos empregados, a efetividade organizacional e o bem-estar social. 4 As políticas têm efeitos circulares, o que deve ser reconhecido ao serem traçadas e implementadas (STAEHLE, 1990). De maneira geral, atualmente, podemos pensar em cinco características do planejamento estratégico: É Adaptável: Está voltado para as relações entre organização e seu ambiente de tarefa. Está sujeito a incertezas a respeito dos eventos ambientais. Suas decisões são baseadas em julgamentos e não em dados concretos. Reflete uma orientação externa que focaliza as respostas adequadas às forças e às pressões que estão situadas do lado de fora da organização. É Orientado para o futuro: Seu horizonte de tempo é o longo prazo. Durante o curso do planejamento, a consideração dos problemas atuais é dada apenas em função dos obstáculos e das barreiras que eles possam provocar para um desejado lugar no futuro. É mais voltado para os problemas do futuro do que aqueles de hoje. É Compreensivo: Ele envolve a organização como uma totalidade, abarcando todos os recursos. A resposta estratégica da organização envolve um comportamento global, compreensivo e sistêmico. É Processo de construção de consenso: Dada a diversidade dos interesses e a necessidades dos parceiros envolvidos, o planejamento oferece um meio de atender a totalidade na direção futura que melhor convenha a todos. É Forma de aprendizagem organizacional: Orientado para a adaptação da organização ao contexto ambiental, o planejamento constitui uma tentativa de aprender a se ajustar a um ambiente complexo, competitivo e mutável. O planejamento de recursos humanos representa um processo de decisão a respeito dos recursos humanos necessários para atingir os objetivos organizacionais dentro de determinado período de tempo. Trata-se de antecipar a força de trabalho e os talentos humanos necessários para a realização de ação organizacional futura. 5 Embora nem sempre o planejamento de recursos humanos da organização seja feito pelo órgão de Recursos Humanos, antecipar sua quantidade e qualidade à organização é extremamente importante. Segundo Chiavenato (2009 p. 195), existem vários modelos de planejamento de RH que exigem a participação de área de Recursos Humanos. Alguns são genéricos e abrangem toda a organização e outros são específicos para determinados setores. As estratégias empresariais para conseguir um bom resultado não devem considerar apenas os setores de finanças, marketing e logística, mas devem também alinhar os aspectos mais importantes da estratégia organizacional com a Gestão de Pessoas. A estratégia organizacional, por sua vez, tem que ser relacionada com um planejamento estratégico de RH. No planejamento estratégico de RH, são definidos antecipadamente os talentos humanos e a força de trabalho que serão necessários para alcançar os objetivos organizacionais. Além disso, observa-se o tempo e os profissionais de outras áreas que serão necessários. O planejamento deve ser implantado de forma gradativa, reforçando a importância de todas as etapas do planejamento estratégico. A partir do planejamento de RH, a organização é capaz de: Diagnosticar sua condição atual, em relação à disponibilidade de capital humano; Antecipar sua futura necessidade de pessoas; Tomar medidas preventivas possíveis para garantir a manutenção de um quadro de pessoal suficientemente adequado para manter suas atividades em funcionamento; Ter maior controle financeiro em relação aos custos de pessoal; Obter maior controle quanto ao volume de capital humano e intelectual que precisa para se manter eficiente e competitiva. 6 Para planejar, é importante conhecer o contexto em que a organização está inserida. O que significa saber qual é a sua missão, sua visão, seus objetivos e, principalmente, quais são os fatores mais importantes para seu sucesso. A partir dessas considerações é que se parte para o planejamento. É necessário fazer uma leitura objetiva da realidade, para então aplicar os diferentes modelos de planejamento de acordo as necessidades. A seguir você encontra o detalhamento dos Modelos de Planejamento Estratégico: Modelo baseado na procura estimada do produto ou serviço Este modelo realiza o planejamento de RH de acordo com a demanda sobre seus produtos ou serviços. Se essa procura aumenta, o planejamento irá tomar esse rumo. Assim, necessidade de pessoal é uma variável dependente da procura estimada do produto ou serviço. Modelo baseado em segmentos de cargos - restrito ao nível operacional e utilizado por empresas de grande porte. Consiste em: Escolher um fator estratégico cuja variação afeta proporcionalmente a necessidade de pessoal; Estabelecer o nível histórico e futuro para cada fator; Determinar os níveis históricos da força de trabalho para cada unidade; Projetar os níveis futuros de força de trabalho para cada unidade. Esse modelo possui as mesmas limitações do modelo baseado na procura estimada do produto ou serviço. Modelo baseado na substituição de postos-chave São os mapas de substituição ou organograma de carreira dos funcionários. Neste caso, o planejamento baseia-se em "quem substitui quem". Então, a partir do organograma, visualiza-se quem substituirá quem e planeja-se as necessidades de pessoas (ou o treinamento delas). 7 Modelo baseado no fluxo de pessoal Mapeia a transação de pessoas na empresa e o turnover. A partir da análise desses dados, planeja-se a necessidade de pessoal. É um modelo adequado para empresas conservadoras que não pretendem aumentar seus serviços. Isso porque se a empresa tem grande fluxo de pessoas (cargos instáveis), não é possível fazer uma previsão segura da necessidade de pessoal. Se a empresa pretende expandir os serviços, também não poderá se basear somente nos dados de turnover. Modelo de planejamento integrado: abrangente e leva em conta 4 fatores: volume de produção desejado; mudanças tecnológicas dentro da empresa que alterem a produtividade; condições de oferta e procura do mercado e comportamento dos clientes; planejamento das carreiras dentro da organização. Vejamos o quadro seguinte analisando cuidadosamente as ações que correspondem ao planejamento e ao diagnóstico que se faz levando em consideração as perguntas-chave. O processo do planejamento está composto por etapas: Fonte: Elaborado com base em Chiavenato (2009). 8 Para responder a primeira pergunta (Onde estamos agora?), realizamos o diagnóstico, que pode ser de dois tipos: Diagnóstico ambiental Verifica e analisa as oportunidades que devem ser aproveitadas e as ameaças que devem ser neutralizadas ou evitadas em relação aos recursos humanos. Na análise ambiental identifica-se: O contexto econômico; As tendências competitivas (inovações e concorrências); As mudanças tecnológicas; A legislação e a política; As tendências sociais e ecológicas; As tendências demográficas de mão de obra.Diagnóstico organizacional Identifica os pontos fortes e fracos da empresa em relação aos seus recursos humanos atuais. No diagnóstico organizacional, identifica-se: As características demográficas do quadro profissional atual da empresa (escolaridade, sexo, idade e tempo de trabalho); As medidas atuais de taxas de mobilidade e rotatividade de pessoal (promoções, transferências, afastamentos, admissões, demissões, aposentadorias e falecimentos); Os padrões atuais de contratação (funcionários fixos ou autônomos); O nível de desenvolvimento e domínio tecnológico do pessoal; A necessidade de qualificação e atualização; O potencial humano e as competências disponíveis; O volume atual de custos diretos e indiretos com pessoal (reposição, treinamento e desenvolvimento, salários, benefícios, faltas ao trabalho etc.); O nível de satisfação dos funcionários com o trabalho e com a empresa. 9 Realizado o diagnóstico, a organização poderá traçar os seus objetivos, que podem seguir dois tipos básicos de ações: Ações corretivas Visam reduzir ou eliminar os problemas relacionados ao pessoal. Exemplo: reduzir custos de demissões e admissões, de treinamento, de absenteísmo (faltas, atrasos, licenças etc.) e de remuneração (salários, benefícios, auxílios etc.). Buscam reduzir também as taxas de demissão para perder menos capital humano e know how, além de introduzir programas de incentivo à frequência ao trabalho, a fim de reduzir o nível de absenteísmo. Ações de melhoria Visam adquirir ou atualizar os conhecimentos, as capacidades e as competências do pessoal. Exemplo: contratar pessoas mais qualificadas, patrocinar cursos para empregados, implantar programas de qualidade, criar campanhas motivacionais e criar prêmios por desempenho. Leitura obrigatória: CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: O novo papel dos recursos humanos nas organizações. Barueri: Manole, 2014. Capítulo 3. Acesse a obra pelo seu portal único, insira seu ru e senha, clique em aluno, clique no lado direito em biblioteca virtual e realize a busca pelo autor ou nome da obra. No link a seguir você tem acesso a um vídeo que mostra algumas dicas de planejamento estratégico na área de RH: http://globotv.globo.com/rede-clube/bom-dia-piaui/v/especialista-em-rh-da- dicas-para-planejamento-estrategico-em-2015/3861809/ Para finalizar a leitura desse tema, acesse o link a seguir! Você vai ter acesso ao texto ―Planejamento de Recursos Humanos‖, que complemente o que vimos até aqui! http://www.rh.com.br/Portal/Desenvolvimento/Artigo/3726/planejamento-de- recursos-humanos.htm 10 Ficou com alguma dúvida a respeito do planejamento de recursos humanos? Então acesse o material on-line e assista ao vídeo da professora Carolina! TEMA 2 - GESTÃO DE TALENTOS ”A vida é um maravilhoso mosaico‖ Fela Moscovici A moderna administração considera as pessoas (os talentos) como peças- chave e importantes recursos organizacionais, e não apenas como ferramentas de produção. Os recursos e as pessoas se juntam para criar novas iniciativas, que buscam responder às necessidades da era do conhecimento, para alterar positivamente os processos da organização, respondendo de maneira inteligente à necessidade de mudança. Uma eficiente gestão de talentos não persegue somente o curto prazo e as necessidades atuais da organização; ela visualiza o longo prazo e a continuidade da organização, focando nas necessidades e também nos anseios dos profissionais que colocam suas aspirações e expectativas ao serviço da empresa. A base dessa gestão é o compromisso mútuo, no qual o profissional busca uma organização que tenha princípios alinhados aos seus, assumindo o controle de sua própria educação e de seu treinamento. Ao mesmo tempo, as empresas devem criar condições para que essa situação seja possível, constituindo-se em centros de aprendizado e de transformação de valores, para que as pessoas se sintam satisfeitas no seu local de trabalho. Os desafios da gestão de talentos se inicia já na primeira etapa da gestão de pessoas: a Atração de Talentos. Nos tempos atuais, bons profissionais são selecionados, mas eles também selecionam as empresas onde querem trabalhar. O propósito da empresa exerce um papel importante no processo decisório. 11 O que é gestão de Talentos? Segundo Dessler (2014), Gestão de Talentos é o processo integrado e orientado por metas, que inclui planejamento, recrutamento, desenvolvimento, gestão, bônus e remuneração de funcionários. Veja a seguir quais as atitudes de um gerente que tem uma perspectiva de gestão de talentos: Entende que as tarefas de gestão de talentos (recrutamento, treinamento e remuneração de funcionários) são parte de um único processo com etapas interligadas. Por exemplo, ter funcionários com as competências adequadas depende tanto do recrutamento, do treinamento e da remuneração como dos testes de candidatos. Garante que decisões de gestão de talentos (como formação de equipes de trabalho, treinamento e salários) sejam direcionados por metas. Os gestores devem sempre questionar: ―Quais processos seletivos, testes ou outras ações devem ser providenciadas para estimular as competências necessárias, a fim de alcançar nossos objetivos estratégicos?‖. Usa o mesmo ―perfil‖ de competências, características, conhecimentos e experiências tanto para formulação de um plano de recrutamento quanto para seleção, treinamento, avaliação e tomada de decisão sobre remuneração. Por exemplo, fazer perguntas na entrevista de seleção para determinar se o candidato tem os conhecimentos e as habilidades necessários ao trabalho podem indicar se ele mostra o domínio desses conhecimentos e dessas habilidades, podendo ser um parâmetro de treinamento e avaliação. Segmenta e gerencia funcionários. A abordagem de gestão de talentos requer que os empregadores gerenciem proativamente o recrutamento, a seleção, o desenvolvimento e as recompensas dos seus empregados. Por exemplo, os empregadores identificam seus funcionários ―essenciais‖ e, em seguida, gerenciam o desenvolvimento e as bonificações separadamente dos outros funcionários das empresas. Integra e coordena todas as funções de gestão de talentos. Em resumo, um processo eficaz de gestão de talentos integra as atividades básicas da gestão, como recrutamento, desenvolvimento e bonificação de funcionários. Gestores de 12 RH podem se reunir com sua equipe para analisar e discutir como coordenar avaliações e treinamentos (certificando-se, por exemplo, de que a empresa usa o mesmo perfil de competências para recrutar, selecionar, treinar e avaliar os funcionários para um trabalho em particular). Também podem usar a tecnologia da informação para integrar essas atividades. Muitas empresas disponibilizam soluções de gestão de talentos informatizadas, como: recrutamento, gestão de desempenho do funcionário, gestão de aprendizagem e gestão de bonificação. Esse conjunto de programas garante que ―todos os níveis da organização estejam alinhados, todos trabalhando para os mesmos objetivos‖. Hoje, os profissionais não se restringem a saber detalhes, escopo de atuação, desafios e perspectivas de crescimento da vaga que lhes é oferecida. Eles investigam também o que a empresa pode oferecer para seu crescimento profissional e pessoal, solicitando ainda informações sobre o cenário político da empresa, quem são os executivose a governança e qual a forma como a empresa lida com o alinhamento entre os objetivos, os valores organizacionais, as aspirações e as crenças pessoais dos funcionários. A efetiva gestão de talentos deve se importar com o plano de sucessão da organização, observando os executivos em posições mais seniores, mas também os profissionais de alto potencial ou que detenham conhecimentos e relacionamentos que podem impactar na competividade da empresa. Se a empresa recruta profissionais com base nos valores e nas competências que ela precisa para desempenhar suas atividades e se manter competitiva, terá muito mais oportunidades de contar em seu time com talentos adequados à sua realidade e às suas necessidades. Leia o livro: LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. Capítulo 3. Acesse-o na Biblioteca Virtual! http://ava.grupouninter.com.br/tead/hyperibook/IBPEX/550.php Será que, atualmente, vivemos uma crise de talentos no Brasil? Porque isso acontece? No link a seguir você tem acesso a um texto que trata desse assunto. http://www.abrhpb.com.br/artigos/vivemos+uma+crise+de+talentos-34 13 Veja também um vídeo com o depoimento do Consultor Távio Almeida sobre a importância da gestão de talentos. https://www.youtube.com/watch?v=0lQfBwNx6iY Acesse o material on-line e confira o vídeo da professora Carolina, no qual ela traz mais informações sobre gestão de talentos. TEMA 3 - RECRUTAMENTO DE PESSOAS ―É sempre mais fácil dizer do que fazer‖ (Fela Moscovici) As práticas de gestão de pessoas promovem a atração e retenção dos indivíduos e são, em geral, subdivididas em: recrutamento e seleção; treinamento e desenvolvimento; avaliação de desempenho; remuneração; segurança e saúde no trabalho, entre outras possibilidades de divisão. Neste tema e nos próximos, vamos conhecer dois desses subsistemas, considerados mais clássicos: o recrutamento e seleção e o treinamento e desenvolvimento. Recrutamento e seleção A tarefa de recrutamento e seleção é de fundamental importância para as organizações, pois por meio dela é que se constrói a base da empresa, que são as pessoas. Ter uma equipe bem selecionada é um ponto crucial no sucesso da empresa. Sobre esse processo, veja um resumo a seguir: 14 Pessoas e organizações convivem em um constante e interminável processo dialético, já que estão engajadas em um contínuo e interativo processo de atrair uns aos outros: Do ponto de vista da organização, o processo de atração e escolha entre pessoas e organizações não é tão simples. Trata-se de uma contínua e mútua redução de incerteza através da qual as pessoas e as organizações buscam se conhecer reciprocamente e aliviar as diferenças entre si. Da mesma maneira, as organizações buscam recursos em seus ambientes, entre os quais pessoas capazes de oferecer talentos e competências necessários ao sucesso organizacional (CHIAVENATO, 2009). Assim, na dinâmica de interação entre organização e mercado sobressaem as atividades de recrutamento de pessoas. Por tanto, a primeira tarefa de RH é a captação de pessoas para provimento dos cargos, o que acontece por meio do recrutamento. Você sabe o que é recrutamento e como ele acontece? Trata-se de um conjunto de técnicas e procedimentos que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos e oferecer competências para a organização. Chiavenato (2010) explica que se trata basicamente de um sistema de informação por meio do qual a organização divulga e oferece ao mercado de RH as oportunidades de emprego que pretende preencher. Para ser eficaz, o recrutamento deve atrair um contingente de candidatos suficiente para abastecer adequadamente o processo de seleção que vem logo a seguir. A função do recrutamento é a de suprir a seleção de pessoal com a matéria-prima básica (candidatos) para seu funcionamento. 15 Existem três tipos de recrutamento: Recrutamento interno Segundo Knapik (2011), o recrutamento interno é realizado com pessoas que já estão atuando na empresa e que pretendem conseguir uma transferência para setores ou cargos que proporcionem mais desafios. De acordo com a autora, essa modalidade pode apresentar vantagens e desvantagens: Recrutamento externo O recrutamento externo, conforme Knapik (2011), é aquele realizado por meio de fontes que visam atrair pessoas qualificadas e aptas no mercado. Nesse caso, os candidatos estão fora da organização. De acordo com a autora, essa modalidade pode apresentar vantagens e desvantagens: 16 Recrutamento misto O recrutamento misto é a composição do interno e do externo. Para executar a tarefa de recrutamento (atração de pessoas), é necessário recorrer às fontes de recrutamento, ou seja, formas de divulgação de vaga. A escolha da divulgação que será feita deve estar alinhada à vaga que será divulgada. Existem diversas possibilidades de divulgação segundo Knapik (2011). A seguir você confere algumas delas: Site da empresa Muitas empresas mantêm um espaço reservado no site para a divulgação das vagas disponíveis, oferecendo um campo de cadastro para as pessoas que têm interesse em candidatar-se. Essa fonte pode comprometer vagas que são sigilosas, portanto só deve ser utilizada quando não há comprometimento do processo. Jornais e revistas J. uma fonte que pode ser utilizada para vagas de qualquer nível hierárquico e que já figurou como a forma mais utilizada de recrutamento, tendo perdido espaço para a internet nos últimos anos. Existem revisas especializadas, jornais específicos de empregos e os jornais de alta circulação em cada região. Nesses anúncios, é possível divulgar ou não o nome da empresa, mas, em geral, sempre são expostos os requisitos da vaga. Consultoria em Recrutamento e Seleção Essas consultorias intermediam o processo de recrutamento e seleção e possuem um grande banco de currículos. Trata-se da terceirização desse serviço para uma empresa parceira. Universidades, centros de integração de estagiários etc. JJ. uma fonte de recrutamento ideal para vagas que possuem como requisito o candidato estar estudando, como vagas de estagiários ou cargos técnicos. Em 17 geral, tem baixo ou nenhum custo e apresenta uma porta para jovens entrarem no mundo do trabalho. Internet Atualmente, existem inúmeros sites especializados que permitem divulgação de vagas e busca de currículos. Devido ao advento da digitalização, essa tem sido a fonte de recrutamento mais utilizada, sendo possível utilizá-la para qualquer tipo de vaga. Cartazes uma fonte de recrutamento de baixo custo, ideal para cargos operacionais ou específicos. Os cartazes devem ser fixados nos locais alvo para o público que se deseja (bancas de jornal, terminal de ônibus, postos de gasolina, igrejas etc.) Indicação de funcionários Essa fonte de recrutamento não representa custos para a organização, envolve os funcionários e acontece de forma rápida. É necessário apenas esclarecer que a indicação não é garantia de contratação. Networking Trata-se da rede de relacionamento de cada profissional, que pode ser acionada a qualquer momento, visandoa divulgação de uma vaga, seja por meio eletrônico ou pessoalmente. Hunting O termo hunting vem do inglês hunt (caçar) e, em processo de recrutamento, significa ―caçar talentos‖. Consiste em abordar diretamente profissionais que possuam qualificação almejadas para o cargo, em geral pessoas estratégicas ou muito especializadas e que, no momento da seleção, não estão procurando emprego. Redes Sociais JJJ. uma importante fonte de recrutamento na atualidade, tanto para divulgação de vagas quanto para a busca de perfis profissionais específicos. 18 Agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine) Qualquer pessoa desempregada pode se cadastrar em uma das agências do Sine, órgão do governo que tem o objetivo de recolocar no mercado de trabalho pessoas desempregadas, sendo um mediador entre empresa e candidato. Tem bons resultados para cargos operacionais. Para complementar seu conhecimento, leia o livro: KNAPIK, Janete. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2011. Capítulo 7. http://ava.grupouninter.com.br/tead/hyperibook/IBPEX/550.php Nos links a seguir é possível ler alguns textos complementares sobre recrutamento. O primeiro trata da diferenciação entre o recrutamento interno e externo, o segundo fala dos tipos de recrutamento e o terceiro dá 7 dicas para recrutar melhor. Confira! http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/16633/recrutamento http://gestaodepessoas2012.blogspot.com.br/p/tipos-de-recrutamento.html http://exame.abril.com.br/revista-voce-rh/edicoes/28/noticias/7-formas-de- recrutar-melhor Ficou com alguma dúvida a respeito de recrutamento e seleção? A professora Carolina vai trazer mais informações no vídeo que está no material on-line. Confira! TEMA 4 - SELEÇÃO DE PESSOAS Depois de atrair candidatos com potencial para ocupar as vagas em aberto (processo de recrutamento), é necessário fazer um filtro para a escolha do profissional mais adequado. Assim, de acordo com Knapik (2011), a seleção é o processo para filtrar e identificar os candidatos que reúnem as qualificações e as capacidades exigidas para ocupar um cargo oferecido pela empresa. 19 A seleção tem início com a triagem de currículos. Um currículo bem triado é a possibilidade de diminuir o número de entrevistas e aumentar a qualidade dos profissionais presentes nas etapas de seleção. A organização geral do currículo pode ajudar a perceber um pouco sobre a pessoa, e alguns dados específicos devem ser observados: informações pessoais, formação acadêmica e experiências profissionais. Se os dados apresentados no currículo correspondem às necessidades expostas na abertura da vaga, inclui-se o candidato no processo. Não é uma regra, mas algumas organizações utilizam o contato por telefone ou e-mail como uma segunda etapa de seleção, fazendo nesse momento uma pré- entrevista para filtrar informações básicas. Após essa fase inicial, devem ser aplicadas as técnicas de seleção. Cada processo seletivo possui uma necessidade, sendo possível aplicar apenas uma das técnicas ou a combinação de algumas delas, sempre levando em consideração as características do cargo em questão: Entrevista As entrevistas são a técnica mais utilizada em processos de seleção. Knapik (2011) explica que o objetivo é conhecer o candidato, pesquisar seus conhecimentos e suas habilidades e aplicar determinados estímulos para ver suas reações e seu estilo comportamental. Uma entrevista pode ser feita na modalidade individual (com um candidato na sala) ou coletiva (com mais de um candidato na sala). de consenso que a entrevista individual é mais rica e permite um maior acesso às informações necessárias. No entanto, a entrevista coletiva pode se mostrar interessante em processos onde o objetivo é avaliar a pessoa em situações grupais ou de competição, por exemplo. Além disso, é um recurso para os processos seletivos em massa, ou seja, quando se tem um grande volume de pessoas para avaliar em pouco tempo. 20 Dinâmicas de grupo Para que essa técnica seja funcional, o selecionador deve ter claro qual é o objetivo dessa etapa, o que se quer avaliar e quais as características que se quer ressaltar e avaliar. Entendendo que é uma etapa importante, a atividade em si deve ser muito bem pensada e planejada, para cumprir sua função e não expor os participantes a situações vexatórias. Segundo Knapik (2011), as dinâmicas são técnicas vivenciais realizadas com um grupo de candidatos e por intermédio de exercícios específicos, ocasião em que são observados determinados comportamentos e atitudes dos participantes. A dinâmica pode ser uma atividade pronta ou personalizada, sendo essa última a mais eficaz, por provocar situações que serão comuns no cotidiano do profissional. Provas técnicas Essa pode ser uma etapa rica para a filtragem de candidatos, já que avalia se o candidato possui ou não conhecimentos mínimos para atuar na vaga à qual está se candidatando. Alguns exemplos de provas realizadas são de idiomas, de ferramentas de informática, de matemática básica e de conhecimentos técnicos (financeiros, jurídicos etc.). Provas situacionais Knapik (2011) explica que as provas situacionais têm o objetivo de identificar como um candidato se comporta em uma situação real e específica do seu trabalho. Para isso, em geral, são utilizados casos para que o candidato exponha como reagiria na situação simulada. Por exemplo, para uma vaga de atendimento ao cliente, expor ao candidato uma situação ―X‖ e pedir que ele descreva como se comportaria. Avaliação psicológica Essa técnica pode ser aplicada exclusivamente por psicólogos com competência na área e utilizando testes cientificamente reconhecidos, o que torna a técnica onerosa, sendo aplicada para cargos específicos e estratégicos. Knapik (2011) 21 esclarece que a avaliação psicológica tem o intuito de identificar traços de personalidade e aptidões dos candidatos. Recrutamento e seleção por competências Para conduzir um processo de recrutamento e seleção por competências, é necessário iniciar pela definição de um perfil comportamental, ou seja, é preciso saber quais competências buscamos no profissional. Assim, com base nas competências organizacionais, é preciso identificar as competências exigidas para determinado cargo. Dessa forma, o principal critério de seleção passa a ser a proximidade entre as competências que as pessoas possuem e as competências exigidas pela atividade que exercerão. De posse das competências necessárias, é preciso que se detalhe o desdobramento de tais competências, ou seja, que se tenha clareza de como essas competências irão se traduzir em conhecimentos, habilidades e atitudes, como demonstrado por Robaglio (2001) no quadro a seguir: Fonte: Robaglio (2001). Para que as competências possam ser identificadas, o processo de seleção deverá utilizar metodologias específicas, como a entrevista por competências (GRAMIGNA, 2007). Knapik (2011) explica que a premissa da entrevista por competências é que o comportamento passado prediz o comportamento futuro, ou seja, as pessoas tendem a repetir comportamentos. Assim, nessa modalidade de entrevista, deve-se investigar o passado do profissional para identificar a sua tendência de atuação em eventos futuros. 22 Diante das respostas obtidas,o avaliador deve classificar a competência revelada pelo candidato como: não atende as expectativas, supre as expectativas ou supera as expectativas. Como é observado nos processos de recrutamento e seleção por competências, o foco não está no cargo e sim nas competências, o que permite uma visão de trajetória, estabelecendo um relacionamento de longo prazo entre empresa e profissional. As principais diferenças entre o recrutamento e seleção no modelo tradicional e no modelo por competências foram ilustradas por Dutra (2012, p. 63), como se identifica no quadro a seguir: Leitura obrigatória: ROMERO, S. M. T.; SILVA, S. F. C.; KOPS, L. M. Gestão de Pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Intersaberes, 2013. Capítulo 3. Acesse-o no material on-line! Acesse a obra pelo seu portal único, insira seu ru e senha, clique em aluno, clique no lado direito em biblioteca virtual e realize a busca pelo autor ou nome da obra. Assista a um vídeo que traz uma entrevista com a headhunter Berenice Baxter. Ela vai falar sobre os métodos de recrutamento, analisando os prós e os contras de cada um. https://www.youtube.com/watch?v=i-PVtNp6BJw No vídeo disponível no material on-line, a professora Carolina traz mais informações sobre a seleção de pessoas. Não deixe de conferir! 23 TEMA 5 - TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS ―Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito‖ – Aristóteles. Vivemos na Era do Conhecimento, na qual as pessoas e seus conhecimentos são considerados o principal patrimônio das organizações, pois é isso que irá diferenciá-las de seus concorrentes. O foco desse subsistema é ajudar o indivíduo a adquirir e desenvolver conhecimentos e/ou comportamentos mais funcionais que os utilizados até o momento, para sua maior competência e ajustamento psicossocial e organizacional. Assim, os programas de treinamento e desenvolvimento tratam do processo educacional aplicado de maneira sistemática e organizada, através do qual as pessoas aprendem conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA) em função de objetivos definidos. Você sabe a diferença entre treinamento e desenvolvimento? Confira a seguir! De acordo com o objetivo que se tem, os programas de treinamento e desenvolvimento serão estruturados de forma diferente. Veja a seguir as opções possíveis: 24 Para executar um programa de treinamento e desenvolvimento, é necessário planejar adequadamente o processo para que os resultados sejam alcançados. Essa estrutura tradicional propõe que sejam seguidas algumas etapas: Levantamento de necessidades: É a etapa do diagnóstico das necessidades, que determina quem precisa de que tipo de treinamento e que tipo de conteúdo ele deve ter. Esse levantamento garante que os recursos sejam bem empregados na área onde são necessários. Definição do plano: Define os objetivos do treinamento e os critérios para seu sucesso. Busca responder a perguntas como: o que o participante deverá ser capaz de fazer ou saber após o treinamento? Como pode ser avaliada a consecução do objetivo? Definição do programa: Nessa etapa, deve-se projetar o programa de treinamento: tema, conteúdos, metodologia, recursos e orçamento. O principal foco aqui é pensar o que será repassado, como será aprendido e como o conhecimento será transferido para o trabalho. O treinamento pode ser feito de várias formas, desde uma palestra relativamente passiva a uma envolvente simulação. Aplicação do programa: É a implementação, execução ou condução do treinamento em si. Os programas devem ser aplicados por especialistas em treinamentos e nos conteúdos. 25 W. Avaliação da efetividade: Para que seja efetivo, um treinamento deve gerar resultados. Para avaliar os resultados de um treinamento, podemos utilizar quatro técnicas: Avaliação de reação: na qual são verificadas as reações dos participantes frente ao programa apresentado, visando o entendimento e os sentimentos em relação ao conteúdo, à forma e ao instrutor. Avaliação de aprendizagem: geralmente são utilizados testes pré e pós-treinamento, verificando se as habilidades, os conhecimentos ou as atitudes foram mudadas e em que proporção. Avaliação de aprendizado aplicado ao trabalho: é verificado qual nível de aplicação da aprendizagem e os novos comportamentos assumidos no local de trabalho. Retorno do investimento: é verificado se a aplicação do conhecimento produziu resultados mensuráveis e se o valor monetário dos resultados excedeu o custo do programa. O retorno do investimento pode ser medido em aumento de produtividade, economia de tempo, melhoria da qualidade, redução de erros ou redução de reclamação de clientes, por exemplo. Treinamento e desenvolvimento por competências Quando se fala em Gestão de Pessoas por Competências, o enfoque dos programas de treinamento e desenvolvimento é que o profissional deve desenvolver ―capacidade para assumir atribuições e responsabilidades em níveis crescentes de complexidade‖ (DUTRA, 2012, p. 65). Para o autor, o fato de a pessoa não ser olhada em função apenas do cargo que ocupa, mas sim de sua trajetória na organização, estimula uma relação de longo prazo. Assim, o que se pretende é que os profissionais estejam em constante desenvolvimento para que possam assumir novas tarefas e novos cargos ao longo do tempo. 26 ―O processo de desenvolvimento é a preparação da pessoa para posições mais complexas em termos de abrangências ou para carreiras diversas da que ela está engajada ou desempenhada‖ (GRAMIGNA, 2007, p. 49). Segundo Dutra (2012), com a finalidade de desenvolver as competências, as organizações podem trabalhar de duas maneiras: A abordagem por competências aplicada ao desenvolvimento de pessoas pode ter desdobramentos importantes, conforme aponta Dutra (2012): Análise das pessoas com base em sua individualidade: As pessoas deixam de ser avaliadas em função do cargo que ocupam e passam a ser avaliadas de acordo com a sua capacidade de entrega, ou seja, de acordo com a sua capacidade de apresentar resultados. Cabe ressaltar que no caso de não ter as entregas esperadas é preciso analisar se há algum problema motivado pela organização ou se há alguma deficiência nas competências do profissional. Análise das deficiências individuais: Para o autor, analisar a capacidade de entrega de uma pessoa permite detectar o porquê da não entrega. Assim, é preciso identificar se a deficiência apresentada está no nível do conhecimento, da habilidade ou da atitude para que se estabeleça um plano de desenvolvimento individual. Análise da efetividade das ações de desenvolvimento: Após o estabelecimento de um plano de desenvolvimento individual, é preciso avaliar se ele foi efetivo, analisando as mudanças apresentadas pelo profissional. Adequação das ações de desenvolvimento: As organizações devem constantemente incentivar o desenvolvimento das competências dos seus colaboradores. Para isso, é preciso que se mantenha o foco nos pontos fortes 27 das pessoas, pois elas se desenvolvem usando de forma mais elaborada seus pontos fortes. Leitura Obrigatória acesso a Biblioteca Virtualpelo Único, CHIAVENATO, Idalberto. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. Barueri: Manole, 2009. Capítulo 3: Treinamento e desenvolvimento de pessoas. Acesso a Biblioteca Virtual, pelo UNICO. Para complementar seu conhecimento, assista a dois interessantes vídeos: Treinamento comportamental: https://www.youtube.com/watch?v=wArGLp9jGNU Treinamento e desenvolvimento: https://www.youtube.com/watch?v=T3Eze9-Xmfs No vídeo disponível no material on-line, a professora Carolina traz mais informações sobre treinamento e desenvolvimento de pessoas. Confira! NA PRÁTICA Imagine que você é o responsável pelo processo de recrutamento e seleção de uma vaga de Analista Administrativo Financeiro. Para realizar o processo, é necessário que realize algumas tarefas. Então mãos à obra! Veja a seguir que atividades são essas e elabore cada uma delas em seu caderno: Construa o perfil da vaga; Elabore um anúncio para a vaga que você criou; Liste quais serão as suas melhores opções de divulgação dessa vaga e como você fará para encontrar os melhores currículos; Liste quais dados irá triar no currículo dos candidatos; Liste quais dados irá triar no contato telefônico com os candidatos; Elabore o roteiro de entrevista individual e/ou coletiva que irá aplicar; 28 Descreva quais provas técnicas irá aplicar, caso elas sejam necessárias; Descreva qual dinâmica de grupo vai utilizar e com quais objetivos, caso julgue essa técnica necessária para esse processo; Informe se vai necessitar de testes psicológicos e com qual objetivo. Em seguida, veja como a professora Carolina resolveu esse problema: O aluno deve apresentar uma descrição de vaga com os requisitos técnicos e comportamentais para o cargo em questão e também um detalhamento das atividades que essa pessoa terá de realizar, por exemplo: ‖Analista Administrativo Financeiro, necessário que tenha experiência anterior mínima de 1 ano, curso superior completo em Administração ou Ciências Contábeis, desejável que tenha curso de Pós-Graduação na área. Deve, ainda, ter alto nível de precisão e concentração, além de habilidade de relacionamento interpessoal‖. O anúncio deve conter o nome da vaga e as informações essenciais para os candidatos, por exemplo: ―Contrata-se Analista Administrativo Financeiro com curso superior completo em Administração ou Ciências Contábeis, enviar currículo para xxxxxx‖. Os dados importantes para triar no currículo e no contato telefônico são aqueles requisitos obrigatórios da vaga, como curso superior e tempo de experiência. O roteiro de entrevista deve contemplar informações pessoais e experiências profissionais. As provas técnicas não são obrigatórias, mas podem ser interessantes, como Excel, sistemas e informática etc. A dinâmica de grupo e os testes psicológicos também não são obrigatórios, mas podem ser sugeridos, desde que justificados e com objetivos claros. Veja no material on-line um vídeo com a professora Carolina sobre o problema apresentado. 29 SÍNTESE Nesse tema, você se familiarizou com assuntos que são corriqueiros dentro da organização. É importante que você se prepare para realizar ou acompanhar os processos de recrutamento e seleção; treinamento e desenvolvimento da sua equipe. Vimos que o recrutamento tem o objetivo de atrair candidatos e deve ser feito por diversas fontes de divulgação de vaga. Já a seleção é a escolha do candidato ideal e deve ser feita por meio de técnicas específicas. Aprendemos que o treinamento tem como foco o cargo atual de um profissional e que o desenvolvimento se preocupa com o futuro daquele profissional na organização. De acordo com o nosso objetivo, devemos escolher um tipo de treinamento que nos leve ao resultado desejado. Para que esse processo não tenha falhas, devemos fazer o levantamento das necessidades de treinamento, a definição do plano e do programa de treinamento, a sua execução e a sua avaliação. Mas nesta era do conhecimento, necessário estar atento ao que significa inovação e retenção de talentos. Hoje as empresas inteligentes investem em inovação, recrutando pessoas talentosas que agreguem valor aos processos da organização. Mas é importante que você não foque apenas no estudo e entendimento das formas de agir da área de RH. O mais importante é se colocar como possível talento. É necessário, para participar deste novo tempo, que você se converta em um gestor proativo e inovador. Nos vemos na próxima aula, até lá! Para finalizar os estudos desse tema, confira no material on-line o vídeo da professora Carolina! 30 REFERÊNCIAS BISPO, Patrícia. Planejamento estratégico de RH. Disponível em: <http://www.rh.com.br/ler.php?cod=4635>. Acesso em: 6 out. 2015. CAVAGNOLI, Irani. Gestão e Inovação. A importância dos Recursos Humanos de uma empresa. Disponível em: <http://gestaoeinovacao.com/a-importancia-dos- recursos-humanos-de-uma-empresa/>. Acesso em: 6 out. 2015. DESSLER, Gary. Administração de recursos humanos. Tradução de Cecília Leão Oderich. 3. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: O novo papel dos recursos humanos nas organizações. Barueri: Manole, 2014. ______. Planejamento recrutamento e seleção de pessoal: como agregar talentos à empresa. 7. Barueri: Manole, 2009. ______. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. 7 ed. Barueri: Manole 2009. ______. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. GRAMIGNA, M. R. Modelos de Competências e Gestão de Talentos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. HILSDORF, Carlos. O que é inteligência competitiva. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/o-que-e-inteligencia- competitiva/44824/>. Acesso em: 6 out. 2015. KANTER, Rosabeth Moss. Alianças Estratégicas e Parcerias. Harvard University. Disponível em: <http://www.rhportal.com.br/artigos/rh.php?idc_cad=073mruam9>. Acesso em: 6 out. 2015. KNAPIK, J. Gestão de Pessoas e Talentos. 3 ed. Curitiba: Ibpex, 2011. 31 LACOMBE, Beatriz Maria; TONELLI, Maria José. Revista de Administração Contemporânea On-line. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415- 65552001000200008&script=sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em: 6 out. 2015. PERDIGÃO, Gilmar. Necessidades básicas para a Gestão de Recursos Humanos em Projetos. Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/743>. Acesso em: 6 out. 2015. ROBAGLIO, M. O. Seleção por Competências. São Paulo: Educator, 2001. DISCIPLINA: GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS AULA 3 Prof.ª Carolina Walger INTRODUÇÃO Seja bem-vindo(a) a aula 3 de Gestão de Recursos Humanos. Nesta aula vamos conversar sobre a Avaliação de Desempenho, uma ferramenta que pode impactar em todas as outras atividades de gestão de pessoas, sendo considerada um elemento integrador das demais práticas de recursos humanos. Portanto, vamos definir avaliação do desempenho,compreender seus objetivos e sua importância para as organizações, além de conhecer como os métodos de avaliação de desempenho podem ser utilizados. Para finalizar, vamos falar sobre a Educação Corporativa e o Desenvolvimento Organizacional, temas relacionados a Avaliação de Desempenho e a Treinamento e Desenvolvimento. Assista ao primeiro vídeo com da professora Carolina no material on-line! Lá você terá mais detalhes da aula de hoje! PROBLEMATIZAÇÃO Leia o caso a seguir... em seguida, reflita sobre as questões propostas: Paulo Souza sentou-se em sua mesa, olhando o formulário de avaliação de desempenho que acabava de preencher sobre Francisco Miranda, um de seus vendedores de seguros. Francisco estava vindo à sala de Paulo para realizar a entrevista anual de avaliação. Paulo tinha pavor destas reuniões, apesar de que até o momento não tivera que dar nenhum retorno negativo aos seus empregados. Dois anos atrás, a empresa havia experimentado um crescimento rápido e também havia decidido implantar um sistema de avaliação de desempenho. O formulário apresentado para os supervisores incluía cinco subcategorias diferentes, porém com uma pontuação geral. 2 Solicitou-se aos supervisores que pontuassem os empregados, em cada um dos fatores, utilizando uma escala de 1 (inaceitável) até 5 (excepcional), e também se aconselhou que deveriam manter um arquivo de cada empregado, onde pudessem fazer anotações no decorrer do ano, a respeito do bom ou mau desempenho. O relatório tinha como objetivo ser um histórico documentado para ser utilizado no preenchimento da avaliação. Na orientação também se falou que somente deveriam dar pontuação geral de 1 ou de 5 se tivessem documentos sustentáveis para respaldar a referida pontuação. Paulo nunca havia dado uma dessas pontuações, já que não era muito cuidadoso em relação ao registro dos sucessos ou insucessos de seus empregados. Pensava que revisar toda essa documentação necessária para justificar a pontuação necessitaria de muito tempo. Existiam em seu departamento vários empregados que, na opinião de Paulo, mereciam uma pontuação de 5, porém até o momento nenhum deles havia questionado do porque não havia recebido. Francisco era um dos trabalhadores excepcionais. Paulo tinha três ou quatro exemplos de desempenho excelente nos registros de Francisco, porém observando o formulário de avaliação não conseguia identificar claramente qual categoria deveria assinalar. ―Muito bem‖, pensou Paulo, ―lhe darei somente três ou quatro‖. ―Não tenho que justificá-los e até o momento Francisco nunca reclamou‖. Uma das categorias da avaliação correspondia a análise dos materiais de trabalho, porém Paulo nunca havia entendido o que significava isto, ou se tinha alguma relação com o cargo de Francisco. Havia marcado a pontuação 3 (satisfatório) no formulário de Francisco, da mesma forma que sempre fez. Entendia os outros fatores – qualidade do trabalho, quantidade, melhora nos métodos de trabalho e relacionamento com os outros companheiros de trabalho, porém estava confuso em relação a pontuação que daria (3 ou 4) em cada categoria. Paulo chamou Francisco em sua sala. Paulo deu uma olhada e sorriu. E então Paulo lhe disse: — Como vai Francisco? Sente-se e vamos acabar logo com isso, para que possamos retornar ao nosso trabalho. O que você acha? 3 Vamos refletir sobre a situação exposta? Quais são os problemas com o Projeto de Avaliação de Desempenho? Sugira um possível plano de ação para a resolução do caso. Veja os comentários da professora Carolina no vídeo do material on-line sobre o caso acima!!! AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Depois de contratados e treinados, os profissionais devem ser acompanhados no seu trabalho, o que é feito por meio da avaliação de desempenho. Com o uso dessa ferramenta é possível identificar: Se a pessoa está ocupando o cargo adequado, se apresenta potencial para desempenhar outras funções; Se está com alguma necessidade de treinamento; Se está sendo remunerada de acordo. A avaliação de desempenho é um método que visa estabelecer um combinado com os empregados referente aos resultados desejados pela organização e, assim, acompanhar os desafios propostos, corrigir os rumos e avaliar os resultados. Esta ferramenta pode ser conhecida com outras nomenclaturas, tais como avaliação por mérito, avaliação de pessoal e avaliação de eficiência individual, por exemplo. O fato, é que estamos falando da mesma coisa, ―uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa, em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados, das competências que ela oferece e do seu potencial de desenvolvimento‖ (CHIAVENATO, 2010, p. 241). Podemos identificar nessa definição alguns pontos importantes: A avaliação de desempenho é sistemática, ou seja, ela precisa ser feita rotineiramente, com a utilização de uma ferramenta, que pode ser melhorada ao longo do tempo, mas que deve seguir uma lógica no que se refere ao foco da avaliação. 4 As pessoas são avaliadas em função da atividade, das metas, dos resultados e das competências, isso significa que a avaliação não é em relação à pessoa, mas em relação ao seu trabalho, ao resultado que apresentou diante das metas que tinha. De acordo com Chiavenato (2010), a avaliação de desempenho pode focar no cargo ocupado pela pessoa ou nas competências que ela oferece para a organização. Conforme o enfoque, as nuances da avaliação serão diferentes, como apresentado a seguir: Baseada em Cargos Objetivo Primário: avaliar o desempenho no cargo Objetivo Final: cargos adequadamente desempenhados pelos ocupantes Eficiência: adequação dos ocupantes aos cargos ocupados Eficácia: força de trabalho adequada ao conjunto de cargos da organização Indicador: cargos ocupados e bem desempenhados na organização Retorno sobre o Investimento: cargos bem ocupados/custos da avaliação de desempenho Baseada em Competências Objetivo Primário: avaliar competências individuais ou grupais Objetivo Final: competências adequadamente aplicadas no trabalho pelas pessoas Eficiência: adequação das competências ao negócio da organização Eficácia: resultado das competências aplicadas ao negócio da organização Indicador: pessoas dotadas de competências essenciais do sucesso do negócio na organização Retorno sobre o Investimento: competências aplicáveis e aplicadas/custos de avaliação do desempenho 5 A gestão de pessoas por competências é a mais moderna forma de gestão, contudo não podemos considerar equivocada a avaliação de desempenho com base nos cargos. Na verdade, ela será útil para muitas organizações. A escolha entre a avaliação de desempenho por cargo ou por competências deverá ser feita com base em toda a organização e o planejamento estratégico da mesma. Robbins (2005) explica que, de maneira geral, a avaliação de desempenho avalia dois tópicos: os resultados individuais da tarefa e os comportamentos. Agora que já sabemos o que é a avaliação de desempenho vamos entender melhor os seus objetivos e aplicações. Acompanhe a seguir! Objetivos da avaliação de desempenho Qualquer sistema de avaliação influencia o comportamento das pessoas e, de acordo com Robbins (2005), a avaliação de desempenho influencia o comportamento dos trabalhadores,a dedicação que terão para o trabalho, as técnicas que irão utilizar e o resultado do trabalho que irão executar. Aqui, encontramos o principal objetivo da avaliação de desempenho: oferecer ao avaliado feedback sobre o seu trabalho. Para Chiavenato (2010), sem receber esse tipo de retroação, o indivíduo não possui parâmetro sobre o seu desempenho e acaba não tendo a possibilidade de fazer os ajustes necessários. Assim, a avaliação proporciona desenvolvimento porque as pessoas passam a conhecer seus pontos fortes e fracos e possuem clareza do que a organização espera delas. A avaliação de desempenho também permite que as organizações e seus gestores conheçam melhor as potencialidades do seu pessoal. Assim, os gestores utilizam o resultado da avaliação de desempenho para tomar decisões de recursos humanos (ROBBINS, 2005). As práticas de gestão de pessoas podem ser sustentadas e justificadas por meio do resultado da avaliação de desempenho. Por exemplo, as recompensas podem ser embasadas na avaliação, podendo justificar aumentos salariais, promoções, transferências e até demissões. 6 A avaliação também pode atuar como um levantamento de necessidades de treinamento, identificando pontos que podem ser desenvolvidos em programas de treinamento e desenvolvimento de carreiras. Por ser um meio pelo qual se localizam problemas de supervisão e gerência, de integração das pessoas à organização, de adequação das pessoas ao cargo, de localização de possíveis dissonâncias ou carências de treinamento de construção de competências, a avaliação de desempenho torna-se uma prática de gerenciamento para garantir a vantagem competitiva, pois melhora o desempenho, a satisfação, a motivação e leva à melhoria continua. Para sintetizar, apresentamos a definição de Knapik (2011) sobre avaliação de desempenho, cujo objetivo será identificar potenciais, desenvolver equipes, melhorar relacionamentos e alinhar expectativas para o alcance de resultados, tendo as seguintes finalidades: Estabelecer o desempenho e os resultados esperados das pessoas; Alcançar maior comprometimento das pessoas para estimular a produtividade; Servir como ferramenta de apoio na tomada de decisões quanto a remanejamentos internos, dispensa e identificação de potenciais, etc; Alinhar esforços e expectativas para alcançar resultados; Identificar os incentivos mais adequados para a motivação das pessoas; Melhorar e incentivar a comunicação; Proporcionar feedback para o avaliado, um retorno do seu desempenho; Ajudar no processo de levantamento de necessidades de treinamento; Servir como um indicador de acompanhamento e desenvolvimentos dos colaboradores para o sistema da qualidade; Favorecer um clima de confiança e motivação Limitações da avaliação de desempenho Assim como qualquer ferramenta, a avaliação de desempenho pode apresentar alguns problemas, limitações e vulnerabilidades. De acordo com Marras (2012), uma das vulnerabilidades da avaliação de desempenho é a subjetividade. 7 No processo de avaliação, um indivíduo julga o comportamento de outro, gerando vícios e ambiguidade ao processo de avaliação. Para o autor, esses vícios estão ligados a efeitos psicológicos relativos ao avaliador, e não ao instrumento de avaliação. As atitudes dos avaliadores que podem distorcer a avaliação são tanto conscientes quanto inconscientes. Vamos ver cada uma delas em detalhes, a seguir: Atitudes conscientes Acontecem quando o avaliador ―sob qualquer pretexto vicia um resultado, premeditando intencionalmente atender a interesses em jogo ou ajudar/prejudicar o avaliado‖ (MARRAS, 2012, p. 135). Alguns exemplos são: O Efeito Halo Consiste em uma tendência do avaliador de se deixar levar por alguma característica do avaliado que o tenha marcado de forma significativa, o que lhe impede de interpretar as demais características com neutralidade de clareza. Assim, a avaliação de um item pode interferir no julgamento sobre outros fatores, contaminando o resultado geral. Na avaliação de desempenho, este efeito é a interferência causada devido à simpatia ou antipatia que o avaliador tem pela pessoa que está sendo avaliada. O Efeito da Tendência Central manifestado quando o avaliador utiliza um ponto central da escala de avaliação para não se comprometer ou não comprometer o avaliado. Assim, quando o avaliador não quer comprometer-se com avaliações muito boas ou muito ruins, para evitar explicações de extremos de desempenho junto ao avaliado, escolhe atribuir a nota média. Atitudes inconscientes Acontecem quando o avaliador vicia um resultado ―sem a intenção premeditada e dolosa de provocar uma alteração no resultado original‖ (MARRAS, 2012, p. 135). 8 Tendência de Julgar sob a Impressão de uma Qualidade Acontece quando o avaliador se deixa influenciar por uma qualidade de destaque do avaliado e acaba o avaliando apenas com base nessa impressão. Tendência de Basear-se em Acontecimentos Recentes ou o Efeito da Recentidade Consiste na avaliação realizada com base em fatos acontecidos no período imediatamente anterior ao momento da avaliação. Assim, o avaliador considera apenas os últimos acontecimentos, e não o desempenho de todo o período de avaliação. Tendência de Levar em conta Características Pessoais Extracargo Consiste em avaliar o subordinado a partir de seus valores ou comportamentos fora do ambiente de trabalho Tendência de Supervalorizar as Qualidades Potenciais Acontece quando o avaliador confunde resultados realizados com características potenciais do avaliado. Efeito Semelhança Neste, o avaliador tem a tendência de avaliar o subordinado à semelhança de si próprio. Assim, o avaliador julga mais favoravelmente as pessoas que se identificam mais consigo. Efeito Comparação Neste, o avaliador apresenta uma tendência de avaliar para mais ou para menos, em virtude de comparação com outro funcionário que acabou de ser avaliado. Influência de Preconceitos (cor, raça, religião, gênero, etc.) Pode distorcer a avaliação e a postura de complacência ou rigor do avaliador, que pode acreditar que todos os membros de sua equipe são ótimos ou são péssimos. 9 Leitura obrigatória Leia o capítulo 8 do livro a seguir: KNAPIK, Janete. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2011. Acesse no material on-line. Saiba Mais Conheça o Manual de Avaliação de Desempenho do Governo do Estado do Espírito Santo. Acesse: http://seger.es.gov.br/Media/seger/Avalia%C3%A7%C3%A3o%20de% 20Desempenho%20Individual-%20Manual/Manual%20Avalia%C3%A7%C3% A3o%20de%20Desempenho.pdf Sobre este tema de estudos, assista também ao vídeo da professora Carolina. Confira no material on-line! MODELOS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Existem diversos métodos para realizar a avaliação do desempenho humano nas organizações, cada um deles com suas vantagens e desvantagens e com o seu grau de complexidade. Não podemos afirmar que um método é melhor do que o outro, mas que cada um será mais adequado para determinado contexto e necessidade de avaliação. Portanto, a escolha do método deve levar em conta as características da empresa e os objetivos da avaliação. Chiavenato (2010) recomenda que cada organização deve construir o seu próprio sistema de avaliação, ajustado as suaspeculiaridades, a partir dos métodos descritos pela literatura. Isso torna comum a utilização dos chamados métodos mistos, que se caracterizam pela utilização da composição de dois os mais métodos, de forma a atender a necessidade da organização. Sendo assim, nosso objetivo é que você possa conhecer os métodos e identificar a melhor forma de aplicá-los nos diferentes contextos organizacionais. Acompanhe alguns a seguir! Incidentes Críticos O método consiste no registro, pelo avaliador, do chamado ―comportamento crítico do avaliado‖. Assim, toda vez que o colaborador realiza um trabalho tido como realmente de excepcional, ou, ao contrário, executa um determinado 10 serviço de forma acentuadamente negativa, tal comportamento é registrado em ficha específica de Avaliação de Desempenho do colaborador. Chiavenato (2010, p. 251) explica que esse é um método bastante tradicional de avaliação do desempenho, o qual ―não se preocupa com o desempenho normal, mas com desempenhos excepcionais, sejam positivos ou negativos‖. O método deve acontecer em três fases: Observação sistemática, pelo superior imediato, do comportamento funcional do colaborador. Registro dos fatos excepcionais no desempenho do colaborador. Pesquisa de atitudes e do comportamento do colaborador analisado. Vantagens e Desvantagens do uso do método de Incidentes Críticos Vantagens Avalia o desempenho excepcionalmente bom e excepcionalmente ruim; Enfatiza os aspectos excepcionais do desempenho. As exceções positivas devem ser realçadas e ampliada a sua aplicação, enquanto as exceções negativas devem ser eliminadas ou corrigidas; Método de fácil montagem e de fácil utilização. Desvantagens Não se preocupa com aspectos normais do desempenho; Peca por fixar-se em poucos aspectos do desempenho, podendo se tornar tendencioso e parcial; Como o registro deve acontecer à medida que os comportamentos acontecem, muitos gestores esquecem de fazer as anotações, prejudicando a avaliação. Escalas Gráficas Esse é um dos métodos mais antigos e populares de avaliação – é o que afirma Robbins (2005). Também denominado de ―sistema de gráficos analíticos‖, consiste numa sequência de fatores de desempenho que o avaliador pretende medir ao analisar a execução do trabalho do avaliado. 11 Esse método avalia o desempenho das pessoas através de fatores de avaliação previamente definidos e graduados. Para isso, o instrumento se baseia em uma tabela de dupla entrada, com os fatores de avaliação dispostos nas linhas horizontais e os graus de avaliação do desempenho dispostos nas colunas verticais, como ilustrado na tabela a seguir. Escala Gráfica de Avaliação do Desempenho FATORES ÓTIMO BOM REGULAR SOFRÍVEL FRACO Produção Sempre Às vezes Satisfaz os Às vezes Sempre (quantidade de ultrapassa ultrapassa padrões abaixo dos abaixo dos trabalho os padrões os padrões padrões padrões realizada) Qualidade Excepcional Superior Qualidade Qualidade Péssima (esmero no qualidade qualidade satisfatória insatisfatória qualidade trabalho) do trabalho no trabalho no trabalho Conhecimento do Conhece Conhece Conhece o Conhece Conhece trabalho todo o mais do que suficiente parte do pouco o (perícia no trabalho necessário trabalho trabalho trabalho) Cooperação Excelente Bom espírito Colabora Colabora Não (relacionamento espírito de de normalmente pouco colabora interpessoal) colaboração colaboração Compreensão de Excelente Boa Capacidade Pouca Nenhuma situações capacidade capacidade satisfatória capacidade capacidade (capacidade de de intuição de intuição de intuição de intuição de intuição resolver problemas) Criatividade Tem sempre Quase Algumas Raramente Nunca (capacidade de excelentes sempre tem vezes apresenta apresenta inovar) ideias excelentes apresenta ideias ideias ideias ideias Realização Excelente Boa Razoável Dificuldade Incapaz de (capacidade de capacidade capacidade capacidade em realizar realizar fazer) de realizar de realizar de realizar Fonte: Chiavenato (2010, p. 250). Vamos conversar um pouco sobre a tabela que acabamos de ver? Acompanhe... vai ser importante explicar algumas coisas!!! 12 Podemos observar que os fatores de avaliação, dispostos nas linhas horizontais À esquerda, constituem os critérios importantes para a avaliação do trabalho ou os parâmetros básicos para avaliar o desempenho dos colaboradores. De acordo com Chiavenato (2010), o primeiro passo na formatação desse instrumento é a escolha e a definição dos fatores de avaliação, que são comportamentos e atitudes valorizados pela organização. Logo, o preenchimento das linhas deverá ser único para cada organização, pois caracteriza aquilo que é importante naquela empresa, que deve estar alinhado a sua missão, visão, valores, objetivos e competências. Para evitar erros ou distorções de interpretação, Chiavenato (2010) sugere que cada fator de avaliação tenha uma descrição sumária, simples e objetiva, que defina o que se quer dizer com cada fator – é a informação que consta entre parênteses em cada fator. Ainda de acordo com Chiavenato (2010), após a definição dos fatores avaliação, o segundo passo na construção dessa metodologia é a definição dos graus de avaliação, dispostos nas colunas coloridas, os quais também podem variar conforme o interesse de cada organização. Encontramos na realidade organizacional a variação do uso de 3 a 10 critérios. Aqui, vale lembrar que uma das limitações da avaliação de desempenho é a Tendência Central. Nessa limitação, o avaliador tende a marcar a coluna do meio para evitar se comprometer ou comprometer o avaliado. Utilizando a tabela acima como exemplo, o avaliado teria a tendência de marcar o grau 3 para todos os fatores de avaliação. Portanto, ao optar por utilizar o Método de Escala Gráfica sugere-se a utilização de um número par de graus de avaliação (4, 6, 8 ou 10) para que o avaliador não tenha a possibilidade de marcar a coluna do meio. Outra sugestão, ao optar por utilizar uma escala ímpar (3, 5, 7 ou 9), é que seja feito um adequado trabalho de conscientização e capacitação dos avaliadores, a fim de evitar a Tendência Central. Após a definição dos fatores de avaliação e dos graus de avaliação, monta-se uma escala a ser preenchida. Na tabela anterior apresentamos um exemplo, porém a disposição gráfica das escalas pode variar de acordo com a criatividade dos organizadores do instrumento. 13 Vantagens e Desvantagens do uso do método de Escalas Gráficas: Vantagens Facilidade de planejamento e construção do instrumento de avaliação Simplicidade e facilidade de compreensão e utilização Visão gráfica e global dos fatores de avaliação envolvidos Facilidade na comparação dos resultados de vários colaboradores Proporciona fácil retroação de dados ao avaliado Permite a tabulação quantitativa dos resultados, de forma estatística É de rápido preenchimento Desvantagens Superficialidade e subjetividade na avaliação do desempenho Produz efeito de generalização Peca pela categorização e homogeneização das características individuais Limitação dos fatores de avaliação (funciona como um sistema fechado) Rigidez e reducionismo no processo de avaliação Nenhuma participação ativa do avaliado Avalia apenas o desempenho passado Escolha Forçada Consiste na avaliação do desempenho por meio de blocos de frases que descrevem determinados aspectos do comportamento, que são importantes para aquele cargo, setor ou organização. Essas frases podem ser escritas de forma positiva ou negativa e o avaliador deve escolher forçosamente se aquela afirmação condiz ou não com o comportamento do avaliado. Para isso, o avaliador deve assinalar o sinal positivo (+) quando aquela frase representa o avaliado, ou o sinal negativo (–) quando a frase não caracteriza o avaliado. Como exemplo para ampliar a compreensão da utilização do método, acesse o PDF ―Escolha Forçada‖, lá no material on-line! 14 Vantagens e Desvantagens do uso do método de Escolha Forçada: Vantagens Evita o efeito de generalizações na avaliação Reduz a influência pessoal do avaliador (subjetividade) Requer pouco treinamento dos avaliadores para a sua aplicação Instrumento de fácil manuseio pelos avaliadores Desvantagens Complexidade no planejamento e na construção do instrumento Não proporciona uma visão global dos resultados da avaliação Não provoca retroação de dados, nem permite comparações Técnica pouco conclusiva a respeito dos resultados Avaliação baseada em Resultados Também conhecida como Avaliação Participativa por Objetivos, este método de avaliação faz parte do grupo dos chamados métodos modernos de avaliação de desempenho, que buscam formas mais inovadoras e criativas para avaliar o desempenho humano, com menos burocracia e de forma mais personalizada a cada um dos colaboradores. De acordo com Chiavenato (2010), esse método de avaliação de desempenho deve acontecer em seis etapas: 1. Formulação de objetivos consensuais Um objetivo é uma declaração do resultado que se deseja alcançar dentro de um determinado período de tempo. Os objetivos são conjuntamente formulados entre o colaborador e seu gerente através de negociação entre ambos para chegar a um consenso. O desempenho deve estar focado no alcance desses objetivos e sua avaliação dependerá diretamente disso. 15 2. Comprometimento pessoal quanto ao alcance dos objetivos conjuntamente formulados É imprescindível a aceitação plena dos objetivos por parte do avaliado e o seu comprometimento íntimo em alcançá-los. Em alguns casos se celebra uma espécie de contrato formal ou psicológico para caracterizar o acordo feito. 3. Negociação com o gerente sobre a alocação dos recursos e meios necessários para o alcance dos objetivos Após a definição dos objetivos, é necessário definir os recursos que serão necessários para o alcance dos mesmos, que podem ser recursos materiais, humanos e etc. 4. Desempenho É o comportamento do avaliado no sentido de efetivar o alcance dos objetivos formulados. Constitui a estratégia pessoal escolhida pelo indivíduo para alcançar os objetivos pretendidos. 5. Constante monitoramento dos resultados e comparação com os objetivos formulados A medição constante dos resultados quanto ao alcance dos objetivos precisa ter base quantitativa e oferecer uma ideia objetiva e clara do andamento das coisas e do esforço do avaliado. 6. Retroação intensiva e contínua avaliação conjunta O avaliado precisa ter uma clara percepção e noção de como está caminhando para poder avaliar e tomar suas conclusões. Chiavenato (2010) explica que nessa forma de avaliação, o foco não está no passado, naquilo que o avaliado fez, mas sim no futuro, está orientada para o planejamento do desempenho futuro do avaliado. O desempenho deve ser orientado para metas e pelos objetivos previamente negociados e fixados, procurando cercar o colaborador de todos os recursos necessários para a sua adequada consecução, medi-lo com medições 16 adequadas e comparativas e, sobretudo, procurando dar-lhe consistência através de constante retroação e avaliação continua. Tudo para assegurar um desempenho conforme as necessidades da organização e os objetivos de carreira do avaliado. Essa avaliação deve estar associada a recompensas ao avaliado ao atingir suas metas, como a participação nos lucros e resultados. Confira um exemplo a seguir... Modelo de Formulário para Avaliação de Desempenho por Objetivos Leitura Obrigatória Leia o capítulo 6 do livro: LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. Acesse o livro no material on-line! Saiba Mais Leia mais sobre avaliação de desempenho. Acesse: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/avaliacao-do-desempenho- por-competencias/23428/ Sobre este tema de estudos, assista também ao vídeo da professora Carolina, lá no material on-line. 17 TIPOS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO As organizações utilizam diferentes alternativas a respeito de quem deve avaliar o desempenho do colaborador. As mais democráticas e participativas proporcionam ao próprio colaborador a responsabilidade de autoavaliar livremente o seu desempenho. Outras organizações atribuem a responsabilidade pela avaliação ao gerente imediato, para reforçar a hierarquia. Outras ainda procuram integrar o gerente e o subordinado na avaliação, para reduzir a diferença hierárquica. Há também as que atribuem a avaliação de desempenho à equipe, principalmente, quando estão estruturadas em equipes autossuficientes e autogeridas. Assim como há as que ainda adotam um processo circular de 360º, na avaliação; e as que cujo órgão de RH centraliza a monopoliza totalmente o processo de avaliação. Acompanhe nas próximas telas alguns tipos de avaliação de desempenho que pensamos ser relevantes de serem estudadas. Autoavaliação Como o nome sugere, trata-se da avaliação feita pelo próprio indivíduo avaliado. Segundo Robbins (2005), fazer com que as pessoas avaliem o próprio desempenho é consistente com valores como o autogerenciamento e a autonomia. Este processo costuma atenuar a postura defensiva das pessoas em relação à avaliação e é uma forma de estimular as discussões sobre o desempenho no trabalho. Contudo, esse processo sofre com o risco de vieses autocondescendentes e superestimados, fazendo com que as pessoas se avaliem muito acima ou muito abaixo da realidade. Assim, a autoavaliação é mais indicada para propósitos de desenvolvimento e, enquanto avaliação, deve ser combinada com outros métodos para reduzir a margem de erros. 18 Superior Imediato É o tipo mais comum de avaliação, quando o gestor avalia o seu subordinado. De acordo com Robbins (2005), a autoridadede um executivo inclui, tradicionalmente, a avaliação de desempenho de seus subordinados. A lógica que sustenta essa tradição parece ser a de que, já que o executivo é o responsável pelo desempenho de seus subordinados, é ele quem deve fazer tal avaliação. Subordinados Imediatos Acontece quando os membros da equipe avaliam a chefia. Robbins (2005) explica que levar em conta a opinião dos subordinados é consistente com as recentes tendências de valorização da honestidade, da transparência e da autonomia dos funcionários. As avaliações feitas pelos subordinados imediatos podem oferecer informações precisas e detalhadas sobre o comportamento do administrador, pois os avaliadores estão em contato frequente com o avaliado. O problema desse sistema é o medo de represália em virtude da avaliação negativa dada ao chefe. Por esse motivo, a garantia do anonimato é crucial para que esse tipo de avaliação seja preciso. Chiavenato (2010) explica que essa avaliação permite que a equipe avalie o seu gestor, como ele proporcionou os meios e recursos para a equipe alcançar os objetivos e como o gerente poderia incrementar a eficácia da equipe e ajudar a melhorar os seus resultados. Essa avaliação permite que o grupo promova negociações e intercâmbios com o gerente, exigindo deste, novas abordagens em termos de liderança, motivação e comunicação, que tornem as relações de trabalho mais livres e eficazes. Avaliação dos pares de trabalho Acontece quando os colegas de trabalho avaliam um dos membros da equipe. Para Robbins (2005), a avaliação feita pelos colegas constitui uma das fontes mais confiáveis de julgamento, pois os colegas estão próximos das ações e as 19 interações diárias oferecem uma visão abrangente do desempenho de um funcionário. Utilizar os colegas como juízes resulta em diversos julgamentos independentes, oferecendo múltiplas avaliações, sendo confiável a média dessas avaliações. Por outro lado, os aspectos negativos podem ser a indisposição para julgar o trabalho de um colega e os vieses resultantes das relações de amizade e animosidades. Comissão de Avaliação de Desempenho Em algumas organizações, a avaliação é atribuída a uma comissão especialmente designada para essa finalidade. Trata-se de uma avaliação coletiva, feita por um grupo de pessoas direta ou indiretamente interessadas no desempenho dos colaboradores. A comissão é, em geral, constituída de pessoas de diversas unidades organizacionais, e formada por membros permanentes e transitórios. Trata-se de uma alternativa onerosa, trabalhosa e demorada e é um elemento estranho ao relacionamento entre o colaborador e seu entorno. Órgão de RH Nessa avaliação, o setor de Recursos Humanos assume totalmente a responsabilidade pela avaliação de desempenho de todas as pessoas da organização. Chiavenato (2010) explica que essa é uma alternativa comum em empresas conservadoras, mas está sendo abandonada, pois é centralizadora, monopolizadora e burocrática. Avaliação 360° É uma avaliação que considera múltiplas fontes de informação a respeito do desempenho de um empregado. Para Robbins (2005), essa avaliação fornece um feedback acerca do desempenho dado por todos aqueles que formam o círculo de contatos diários do funcionário, como chefia, subordinados, pares, clientes, fornecedores e etc. 20 Dessa forma, para uma única pessoa, é possível ter de 3 a 25 avaliações. Contudo, na maioria das organizações, esse número fica entre 5 e 10 avaliações por avaliado. O uso de diversas fontes traz uma possibilidade maior de conseguir capturar todos os aspectos do comportamento, oferecendo uma perspectiva mais ampla a respeito do desempenho. De acordo com Knapik (2011), essa prática vem ganhando espaço nas organizações. Trata-se de um método que envolve toda a rede de relacionamentos e tem como principal foco o desenvolvimento de competências a partir do feedback que se recebe. Vantagens e Desvantagens do uso do método Avaliação 360º Vantagens É mais compreensivo e as avaliações provêm de múltiplas perspectivas A qualidade da informação é melhor Complementa as iniciativas da qualidade total Enfatiza os clientes internos/externos e o espírito de equipe Como a retroação vem de vários avaliadores, pode haver preconceitos e prejuízos A retroação fornecida pelo entorno permite o autodesenvolvimento do avaliado Desvantagens É administrativamente complexo para combinar todas as avaliações A retroação pode intimidar e provocar ressentimentos no avaliado Pode envolver avaliações conflitivas sob diferentes pontos de vista O sistema requer treinamento dos avaliadores para funcionar bem As pessoas podem fazer conluio ou jogo para dar avaliação inválida para as outras 21 Leitura Obrigatória Leia o capítulo 3 do livro: JARDEWESKI, C. J. F.; JARDEWESKI, G. L. F. Técnicas e Métodos de Avaliação de Desempenho. Curitiba: Intersaberes, 2014. O Livro está no material on-line! Saiba Mais Leia mais sobre avaliação de desempenho. Acesse: http://exame.abril.com.br/pme/noticias/3-metodos-para-avaliar-o-desempenho- de-funcionarios Sobre este tema de estudos, assista também ao vídeo da professora Carolina que está no material online! EDUCAÇÃO CORPORATIVA A educação corporativa diz respeito ao processo educacional dos empregados d’ uma organização, os quais acontecem sob responsabilidade da própria empresa. A preocupação das organizações quanto ao aprendizado das pessoas tem se ampliado cada vez mais, pois o desenvolvimento delas acaba por favorecer a obtenção de resultados dos negócios. Chiavenato (2010) esclarece que a educação corporativa vem sendo estimulada por conta do ambiente turbulento decorrente da globalização, do desenvolvimento tecnológico, da competitividade e das mudanças rápidas e contínuas. Assim, há um interesse em incentivar a aprendizagem contínua, alinhando educação das pessoas e objetivos estratégicos da organização. Carvalho (2014) argumenta que a educação corporativa é uma estratégia capaz de promover vantagem competitiva e que contribui para transformar oportunidades em negócios por meio do conhecimento desenvolvido e compartilhado continuamente. Moscardini e Klein (2015) complementam que a educação corporativa favorece o aprendizado e cria condições para a inovação, o empreendedorismo e o desenvolvimento de líderes eficientes. 22 As práticas de educação corporativa, segundo Moscardini e Klein (2015, p. 90) são os conjuntos de ―ações educacionais que a empresa estabelece a fim de assegurar que todos os participantes da sua cadeia de valor possam desenvolver as competências profissionais necessárias para a concretização da estratégia organizacional, com foco no negócio‖. De acordo com Freire (2014), podemos considerar como ferramentas de educação corporativa: Programas de treinamento de curta e média duração, de cunho técnico, estratégico, comportamental e de gestão; Investimento em cursos de graduação e pós-graduação do quadro de pessoal, por meio do subsídio parcial ou total desses cursos em instituições formadoras (faculdades, centro universitários e universidades); Criação de Universidades Corporativas (UCs). Como explica Freire (2014, p. 216 e 217), a criação de uma (UC) é ―uma estratégia para desenvolvere educar empregados, clientes, fornecedores e a comunidade em geral, com a finalidade de alcançar os objetivos da organização‖. Ao optar por implementar uma UC, ou seja, uma universidade própria, as organizações visam aumentar a competitividade por meio do aumento do valor das pessoas, estimular e potencializar a inteligência empresarial e disseminar uma cultura de aprendizagem em todos os níveis organizacionais. Ainda de acordo com o autor (2014), o surgimento das UCs esteve ligado a fatores como: Emergência de organizações flexíveis com capacidade de respostas rápidas ao mercado; Educação como estratégia global, principalmente com o advento da internacionalização; Era do conhecimento como nova base para formação de riqueza na atualidade; Rápida obsolescência do conhecimento; Empregabilidade. 23 Como característica, Carvalho (2014) destaca que as UCs deslocam o objetivo principal do desenvolvimento de habilidades individuais para as competências do negócio, focando a aprendizagem organizacional. Assim, os cursos são desenhados a partir das estratégias do negócio. Outra questão importante é que as UCs não devem se limitar apenas ao ambiente interno da empresa (qualificando apenas os empregados), elas devem atingir o público externo também (como fornecedores, clientes, franquias e etc.). Como resultado das UCs, as organizações têm obtido melhoria dos serviços oferecidos e aumento de lucratividade. No Brasil, diversas são as organizações que já contam com suas próprias universidades, como: Grupo Accor, Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica, Grupo Globo, Carrefour, Bradesco e outras. Universidade Grupo Accor Universidade Universidade McDonald’s Brahma Motorola Localizada em Localizada em Não tem espaço Localizada em Barueri, SP Campinas, SP físico Jaguariúna, SP Inaugurada em Inaugurada em Inauguração em Inaugurada em 1997 1992 1995 1999 Oferece Oferece cursos Oferece cursos Oferece cursos treinamentos sobre a cultura do específicos de gerenciais e específicos sobre grupo e assuntos interesse geral, técnicos alimentação, de interesse geral, que enfocam as Participantes: eletricidade e como criatividade, diretrizes da funcionários, refrigeração, sendo satisfação do empresa clientes e de interesse geral cliente e etiqueta Participantes: fornecedores nas áreas de empresarial, funcionários administração e dependendo da qualidade necessidade de Participantes: cada departamento profissionais a Participantes: partir da gerência funcionários Fonte: Chiavenato (2010, p. 389). 24 Além das UCs, os programas de educação corporativa contam com diversas estratégias para a capacitação e o desenvolvimento de pessoas. Moscardini e Klein (2015) sintetizam essas estratégias em uma tabela... Acesse o PDF ―Educação Corporativa‖ no material on-line e confira! Leitura Obrigatória Leia o capítulo 8 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: Intersaberes, 2014. Saiba Mais Conheça algumas Universidades Corporativas: http://www.eletrobras.com/elb/data/Pages/LUMIS70805430PTBRIE.htm http://www.bb.com.br/portalbb/home1,139,139,23,0,1,8.bb http://www.portaldaindustria.com.br/senai/canal/unindustria-home http://unicorreiosvirtual.correios.com.br http://www.cemig.com.br/pt- br/Recursos_Humanos/UniverCemig/Paginas/conceito_unicorp.aspx http://solutions.3m.com.br/wps/portal/3M/pt_BR/UniversidadeCorporativa/Home http://uni.imaginarium.com.br Sobre este tema de estudos, assista também ao vídeo – no material on-line – da professora Carolina. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Treinamento e desenvolvimento diz respeito aos programas que lidam com as mudanças das pessoas nas organizações, ou seja, a aprendizagem em nível individual. Mas, será que o aprendizado das pessoas por si só faz com que as organizações aprendam e mudem? 25 É claro que o aprendizado dos indivíduos é importante, mas, quando estamos preocupados com a gestão da organização como um todo, é preciso olhar para o aprendizado organizacional. É a partir dessa ideia que surge o termo Desenvolvimento Organizacional. Como explica Chiavenato (2010), o Desenvolvimento Organizacional (DO) está ligado à aprendizagem e à mudança organizacional. Como apresenta o autor, o foco está em melhorar os processos de resolução de problemas e de renovação da organização. Isso acontece por meio da aplicação dos conhecimentos das ciências comportamentais, em intervenções planejadas, para melhorar a capacidade da empresa em enfrentar as mudanças, assim há incremento da eficácia organizacional e do bem-estar dos empregados. Leite e Albuquerque (2010) complementam que o DO é reconhecido como uma estratégia ou um programa de ação voltado para gerenciar o processo de mudança organizacional. Para os autores, DO não se trata apenas de uma técnica, mas de um processo contínuo decorrente da necessidade de mudança. Por isso, tal processo deve ser planejado e precisa envolver todos os escalões da organização. Quanto às características do DO, Chiavenato (2010) lista: a) É baseado na pesquisa e ação, utiliza diagnóstico e intervenção; b) Aplica conhecimentos das ciências comportamentais; c) Muda atitudes, valores e crenças dos empregados para que possam identificar e implementar as mudanças na organização; d) Muda a organização rumo a uma determinada direção, como melhoria na solução dos problemas, flexibilidade, reatividade, incremento da qualidade, mudança cultural e aumento da eficácia. É importante considerar que as mudanças não ocorrem de uma hora para outra, portanto o DO é um processo dinâmico, planejado e negociado, que ocorre em três fases distintas, como apontado por Chiavenato (2010): 26 Diagnóstico Investiga a situação atual, por meio de entrevistas e pesquisas com as pessoas envolvidas, tendo como objetivo identificar a percepção a respeito da necessidade de mudança organizacional. Intervenção São as ações executadas para alterar a situação, devem ser discutidas com os envolvidos e não impostas. Reforço Para que a nova situação seja mantida e estabilizada é necessário um reforço que acontece com reuniões e avaliações periódicas. O processo de DO como um processo de mudança Fonte: Chiavenato (2010, p. 421). Para que o DO aconteça, diversas técnicas e tecnologias podem ser utilizadas para auxiliar as pessoas na compreensão e modificação de suas atitudes, valores e crenças que permitem melhorias para a organização, conforme menciona Chiavenato (2010), tais como: 27 Nível intrapessoal - Treinamento de sensitividade Reúne grupos de treinamento para aumentar a sensibilidade dos participantes quanto a habilidades e dificuldades de relacionamento interpessoal. Nível interpessoal - Análise transacional Tem como objetivo o autodiagnostico das relações interpessoais com foco nos estilos de comunicação. Nível intragrupal - Desenvolvimentode equipes, consultoria de procedimento São técnicas de mudança de comportamento de grupo e de compreensão de processos internos, respectivamente. Nível intergrupal - Reunião de confrontação Destina-se ao trabalho com diferentes grupos que estão em conflito, que exige autoavaliação e avaliação do outro, por meio da mediação de um consultor. Nível intraorganizacional - Retroação de dados Proporciona aprendizagem de novos dados visando a mudança de comportamento. Como apresentado, o uso dessas técnicas visa à melhoria dos comportamentos e relacionamentos interpessoais para que o trabalho conjunto e coordenado possa favorecer o alcance dos objetivos organizacionais. Contudo, o DO pode apresentar limitações na busca pela mudança e inovação organizacional, tais como o tempo e os custos envolvidos, bem como a dificuldade de avaliação de um programa de DO. Portanto, é preciso levar em consideração esses limites e planejar adequadamente o processo de DO. Leite e Albuquerque (2010) defendem que a estratégia de gestão de pessoas pode ser uma ferramenta do DO, posto que os ambientes psicossociais, o desenvolvimento do ser humano e de suas relações estão no bojo das atuações de gestão de pessoas e de DO. 28 Leitura Obrigatória Leia o artigo A estratégia de gestão de pessoas como ferramenta do desenvolvimento organizacional, disponível na Revista Ibero-Americana de Estratégia. Acesse a seguir: http://www.spell.org.br/documentos/ver/5756/a-estrategia-de-gestao-de- pessoas-como-ferramenta-do-desenvolvimento-organizacional Saiba Mais Leia mais sobre Desenvolvimento Organizacional, acesse os sites a seguir: https://casesdesucesso.wordpress.com/2008/11/20/teoria-do-desenvolvimento- organizacional/ http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/desenvolvimento- organizacional-e-o-sucesso-da-empresa/78980/ Assista também ao vídeo da professora Carolina no material on-line! Lá você encontra mais detalhes! NA PRÁTICA Acompanhe o caso a seguir. Depois faça o que se pede! Banco Auriverde S.A. O Banco Auriverde, fundado em 1975, é um grande banco de varejo, com 850 agências concentradas na região Sul-Sudeste e foi, até 1994, um dos mais lucrativos do Brasil. As constantes mudanças no panorama do setor, como a entrada de bancos internacionais, tiveram um impacto negativo sobre o desempenho do banco, obrigando a Diretoria a rever a sua estratégia e a sua organização. Após a reestruturação e o enxugamento do seu quadro de pessoal, o banco resolveu, dentre outras medidas estratégicas, diferenciar-se na qualidade de atendimento aos seus clientes, que havia se deteriorado em anos recentes. O Sr. Silva, Gerente de Gestão de Pessoas, foi contratado para reorganizar a área 29 e aperfeiçoar os processos de desenvolvimento e avaliação de desempenho do banco. Inicialmente, ele resolveu concentrar-se na área de atendimento, com a implantação de programas voltados para os funcionários das agências. Conversando com gerentes e caixas, ele descobriu que parte dos problemas de atendimento eram decorrentes da falta de diálogo entre chefe e subordinado no tocante à clarificação das expectativas do cargo. Também descobriu que inexistia um sistema de recompensas fundado no desempenho, o que causava uma sensação de injustiça nas agências. Silva já havia iniciado a revisão do trabalho nas agências, cuja principal inovação consistia na criação da função de Gerente de Contas – uma modificação das atribuições dos funcionários em posições de gerência e assistência que, no passado, eram essencialmente passivas e focadas nas relações públicas com clientes e usuários. Na nova concepção, o Gerente de Contas responde por um número de clientes importantes, adotando uma atitude proativa de identificação de oportunidades e de realização de negócios. Espera-se, com isso, melhorar os índices de qualidade de atendimento e de geração de novos negócios. Para evitar os problemas de desempenho já mencionados, Silva decidiu criar e implementar um sistema de avaliação de desempenho capaz de atingir os seguintes objetivos: Propiciar a gerentes e subordinados instrumentos para clarificar as expectativas recíprocas quanto ao desempenho; Identificar pontos fortes e fracos de desempenho, para que estas possam ser supridas com programas de treinamento; Identificar os diferentes níveis de desempenho e premiar aqueles com desempenho superior; Identificar os empregados candidatos à promoção. A Descrição do Cargo de Gerente de Contas foi apresentada da seguinte forma: Descrição Sumária Relacionar-se diretamente com os titulares das contas sob sua responsabilidade, procurando rentabilizá-las através da venda de produtos e serviços do Banco e do atendimento das necessidades dos clientes. 30 Descrição Detalhada Identificar o perfil e as necessidades dos titulares das suas contas, a partir da sua situação atual e do seu histórico no Banco. Visitar e contatar periodicamente os clientes, oferecendo novos produtos e serviços que atendam as suas necessidades, prestando informações e esclarecimentos sobre tarifas, taxas e condições gerais dos produtos e serviços do Banco. Alertar o cliente sobre eventuais problemas potenciais e tendências na sua conta, discutindo providências e sugerindo alternativas. Rentabilizar as contas dos clientes, procurando aumentar as vendas cruzadas de serviços e produtos bancários e financeiros. Analisar as necessidades de empréstimos e de outros serviços bancários, propondo termos e ajustes que atendam às necessidades dos clientes. Relacionar-se com outras áreas do grupo financeiro, representando os interesses dos clientes e facilitando a realização de negócios. Especificações Conhecimentos: curso superior completo, conhecimento de economia e administração financeira, inclusive mercado de capitais. Conhecimentos avançados dos produtos e serviços bancários, seguros, planos de previdência, matemática financeira e operação de softwares e planilhas eletrônicas. Experiência de 6 meses na área bancária. Habilidades e Atitudes: Negociação. Relacionamento interpessoal com clientes atuais e potenciais. Iniciativa para propor negócios ―sob medida‖. Comunicação verbal e escrita avançadas. Integridade. Responsabilidades: informações confidenciais e numerário Com base nas informações dadas, desenvolva um Formulário de Avaliação de Desempenho para o cargo de Gerente de Contas, que contemple avaliação de competências e de resultados. Agora veja o que professora Carolina fala sobre o caso do Banco Auriverde lá no material on-line! 31 SÍNTESE Nesse encontro conhecemos uma importante ferramenta estratégica na gestão de pessoas – a avaliação de desempenho. Identificamos o que é, qual é a importância e os objetivos da avaliação de desempenho, para depois conhecer suas limitações, métodos e tipos. Embora a organização do processo de avaliação seja uma tarefa da área de recursos humanos, o envolvimento dos gestores é essencial para que ela aconteça. Os gestores devem estar presentes no processo de conscientização e planejamento da avaliação e são os principais responsáveis pela aplicação dos instrumentos de avaliação, também são eles que devem garantir que os resultados da avaliação sejam revertidos em práticas de gestão de pessoas utilizadas pela organização.Também pudemos refletir sobre os processos de educação corporativa e desenvolvimento organizacional que nos chamam a atenção para a importância do aprendizado contínuo das pessoas e das organizações, frente a um ambiente de constantes mudanças. Assista ao último vídeo desta aula, no material on-line, com a fala da professora Carolina. Até a próxima! 32 REFERÊNCIAS CARVALHO, L. M. Educação corporativa e desempenho estratégico. Revista de Administração FACES Journal, v. 13, n. 3, p. 66-85, 2014. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: Intersaberes, 2014. KNAPIK, J. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2011. LEITE, N. R. P.; ALBUQUERQUE, L. G. A estratégia de gestão de pessoas como ferramenta do desenvolvimento organizacional. Revista Ibero- Americana de Estratégia, v. 9, n. 1, p. 32-55, 2010. MARRAS, J.P. Administração de Remuneração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MOSCARDINI, T.; KLEIN, A. Z. Estratégias de educação corporativa e suas relações com os diferentes níveis de aprendizagem organizacional. Revista de Administração da UFSM, v. 8, n. 1, p. 89-102, 2015. ROBBINS, S. P. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. DISCIPLINA: GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS AULA 4 Prof.ª Carolina Walger INTRODUÇÃO O trabalho é a maior expressão transformadora do homem. Sem ele não teríamos invenções, descobertas e formas diferentes de produzir; em síntese, o progresso e a geração de riqueza. O novo paradigma é agregar valor. E é neste novo conceito que aponta o trabalho como uma atividade mais agradável, desafiadora e recompensadora, necessitando de um ambiente físico que ofereça condições, para desempenhar as atividades com segurança, conservando sua saúde dos funcionários e priorizando a sua qualidade de vida. Nesta aula sobre retenção de pessoas, entraremos em um mundo onde é necessário entender as condições físicas, psicológicas, sociais e materiais que caracterizam o ambiente de trabalho. Tudo está inter-relacionado, por isso é importante entender os conceitos de segurança, higiene, ergonomia, processos psicossociais, qualidade de vida no trabalho (QVT), estresse. Esses conhecimentos o conduzirão a entender e verificar como, hoje, o processo de reter pessoas está intimamente relacionado às condições físicas e sociais que o gestor irá encontrar no seu lugar de trabalho. Considerando as significativas mudanças no mercado de trabalho, que se torna, muitas vezes, mais complexo, rápido e turbulento a cada dia, e tendo em conta a eminente busca por uma melhor qualidade de vida por parte dos trabalhadores de todos os níveis, fica a cada instante mais evidente a necessidade de as organizações cuidarem de seus talentos, bem como empreenderem esforços no sentido de captar, desenvolver e reter o capital humano. Afinal, qual é o segredo para a retenção de talentos? Um dos caminhos é ter um ambiente de trabalho que seja considerado excelente para os funcionários. A qualidade de vida no trabalho é um assunto muito abordado no atual ambiente das organizações e é um fator de grande importância na retenção de novos talentos e manutenção dos talentos já existentes. 2 Tornar os ambientes mais agradáveis, saudáveis e seguros é um objetivo que demanda conhecimento e necessidade por parte dos gestores e das empresas. Vamos, então, começar... e lembre-se: de todas as formas, você vivenciará ou já vivenciou todos os aspectos que de forma conceitual trabalharemos nessa aula. Assista ao primeiro vídeo com da professora Carolina no material on-line! Lá você terá mais detalhes da aula de hoje! CONTEXTUALIZANDO A maior parte da vida de uma pessoa é passada na organização onde trabalha. Significa que além de sua casa, é na a empresa que você passa a maior parte do tempo, onde surgem relações, problemas, planos, frustrações e doenças. É necessário, por isso, entender o que significa, por exemplo, higiene e segurança no trabalho, suas relações, sua dinâmica com a prática diária e as consequências de não observá-las. Podemos arriscar a dizer que sem condições físicas, psicológicas, ambientais e sociais, se torna difícil ou não é possível a prática profissional. Pense na sua empresa e em outras muitas e perceba a importância dos temas que vamos tratar. Boas condições de trabalho são necessárias para o desempenho do profissional do funcionário. 3 Administrar pessoas implica em responsabilidades legais e morais. Ou seja, é necessário assegurar que o local de trabalho esteja livre de riscos que, em algum momento, possam pôr em perigo a segurança física e/ou psicológica dos trabalhadores. É importante oferecer condições de trabalho que evitem prejuízos que acarretam custos à empresa e insatisfação e desmotivação por parte dos funcionários. O ambiente de trabalho deve proporcionar condições favoráveis para que as condições físicas e psicológicas dos trabalhadores sejam preservadas, evitando impactos físicos e/ou emocionais que reduzam substancialmente a produtividade. Problematização Minimizar as condições perigosas nos processos produtivos depende, principalmente, de saber identificar os fatores de risco que podem ocasionar acidentes e, consequentemente, atrasos na produção. Aproveite a oportunidade e inicie sua preparação como gestor responsável. O quadro a seguir apresenta uma classificação de riscos. Observe seu ambiente de trabalho e liste os fatores de risco nele existentes, classificando-os como no quadro. Riscos físicos Riscos químicos Riscos biológicos Riscos ergonômicos Agora, responda: o clima organizacional da empresa, do local de trabalho, a hostilidade entre as pessoas, as queixas contínuas e baixos salários aumentam o risco de acidentes? Anote suas impressões e, depois, compare-as com este direcionamento da professora! Dentre as variáveis que afetam o clima organizacional de uma empresa, a segurança, as condições do trabalho e um bom ambiente de trabalho colaboram com a satisfação e as expectativas das pessoas. 4 Quando se consegue criar um bom clima, há um aumento da eficácia e consequentemente de produtividade. Isso é fruto das políticas e ações da organização, em consonância com as necessidades dos funcionários, proporcionando a satisfação de suas necessidades, sua segurança, equipamentos apropriados, e direcionando seus comportamentos. Confira as considerações da professora Carolina quanto a esta questão que acabamos de ver... No material on-line! HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO Breve histórico da segurança no trabalho: mundo e Brasil Vamos entender a importância destes conceitos e suas aplicações. Para isso é importante conhecer brevemente a história da segurança no trabalho, no Brasil. De acordo com Pereira (2001), a saúde dos trabalhadores em umposto de trabalho é resultado das conquistas obtidas com as leis trabalhistas. Grande parte das primeiras indústrias não apresentava condições mínimas de garantia É saúde do trabalhador, pois eram localizadas em imensos galpões, armazéns velhos, com pouca iluminação, ventilação deficiente e sujeira. O tema da saúde do trabalhador ganhou força e importância com a Revolução Industrial. O foco dos empregadores era o lucro a qualquer preço, e com esse intuito ofereciam aos operários as mínimas condições de trabalho (PEREIRA, 2001). Pereira (2001) explica que alguns fatores levam a acreditar que os altos índices de acidentes de trabalho eram ocasionados em função de: Postos de trabalho inadequados e deficientes; Ferramentas utilizadas de maneira imprópria e/ou em más condições; Extensas jornadas de trabalho; Ausência de pausas para descanso; Falta de treinamento para execução das tarefas; Ritmos excessivos de produtividade, dentre tantas outras causas. 5 Desses fatores surgiu a necessidade de criar leis para proteger a saúde e o bem-estar do trabalhador. A primeira lei de proteção aos trabalhadores foi aprovada em 1802, na Inglaterra. É medida que os empregadores perceberam a relação entre o aumento da produtividade e as melhores condições de trabalho, passaram a dar mais atenção a essa causa, de modo que outros benefícios surgiram lenta e gradativamente. Um movimento em prol da saúde tornou-se necessário nas fábricas, surgindo, então, a figura do médico do trabalho, cujo papel era adotar medidas preventivas ocupacionais por meio de exames médicos admissionais e periódicos (PEREIRA, 2001). Em 1919, foi criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a finalidade de promover a melhoria das condições de trabalho, bem como garantir os direitos ao trabalhador. Em 1950, estruturou-se um comitê misto da OIT com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que aprovou uma resolução definindo as primeiras funções da medicina do trabalho; promover e manter o alto nível de bem- estar físico, mental e social do trabalhador em todas as profissões e auxiliar a adaptação do trabalho ao homem e de cada homem à sua tarefa. Contudo, somente entre 1953 e 1959 a OIT, atualmente vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou a necessidade da operação da medicina do trabalho no âmbito ocupacional. Dessa forma, foram definidas as ações e os serviços que os médicos dessa especialidade deveriam prestar aos empregadores e empregados (PEREIRA, 2001). De acordo com Pereira (2001), o Brasil, na condição de país colonizado, e com desenvolvimento tecnológico tardio, preocupou-se com a saúde do trabalhador a partir do surgimento de epidemias como febre amarela, cólera e peste, que matou dezenas de trabalhadores, ocasionando prejuízo para a economia da época. durante o ciclo do café que ocorre a divisão internacional do trabalho e a saúde pública volta-se para o combate das epidemias. A classe trabalhadora dá início aos movimentos sociais de luta por seus direitos, organizando-se em greves, como as de 1907, 1912, 1917 e 1920. 6 Em decorrência dessas manifestações e da insatisfação da classe, foram surgindo leis objetivando a regulamentação da questão da higiene e segurança do trabalhador em seu ambiente de trabalho, assim como o surgimento do primeiro médico de fábrica, no Brasil. Lei n. 3.724/19 – compreende a intervenção do Estado nas condições de trabalho no Brasil. Decreto n. 16.027/23 – cria o Conselho Nacional do Trabalho para Previdência Social. Decreto n. 19.433/30 – cria o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, tendo como área de atuação a Higiene e a Segurança do Trabalho, conforme o artigo 200 da Constituição Federal de 1988. Em 1934 criou-se a Inspetoria de Higiene e Segurança do Trabalho. Em 1943 houve a implantação do Código de Legislação Trabalhista – CLT, o qual vem regulamentar todas as normas trabalhistas determinando os direitos e deveres de empregador e empregado, não só no que diz respeito à segurança do trabalho, como também à jornada de trabalho, salário, previdência social, aposentadoria. Decreto-lei n. 7.036/44 – institui o seguro obrigatório ao trabalhador acidentado e a constituição de comissão interna para representar os trabalhadores no que concerne a higiene e segurança no trabalho, em empresas com mais de 100 (cem) empregados. HIGIENE DO TRABALHO Segundo Chiavenato (2010), a higiene do trabalho pretende garantir um ambiente de trabalho saudável e seguro: Refere-se a um conjunto de normas e procedimentos que visa proteção da integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerentes às tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas. Relaciona-se com o diagnóstico e a prevenção das doenças ocupacionais a partir do estudo e controle de duas variáveis, o homem e o seu ambiente de trabalho. 7 Relaciona-se também com a busca de condições de trabalho saudáveis e higiênicas. Há vários fatores de risco que afetam o trabalhador no desenvolvimento das suas tarefas diárias. De acordo com o site, Portal da Educação, os principais tipos de risco ambiental que afetam os trabalhadores de um modo geral, estão separados em: Riscos físicos Os fatores físicos do ambiente de trabalho interferem diretamente no desempenho de cada trabalhador e na produção obtida pelo que se justifica a sua análise com o maior cuidado. Riscos químicos Substâncias químicas, utilizadas nos processos de produção industrial, são lançadas no ambiente de trabalho através de processos de pulverização, fragmentação ou emanações gasosas. Essas substâncias podem apresentar se nos estados sólido, líquido e gasoso. Riscos biológicos Relacionam-se com a presença de microrganismos no ambiente de trabalho, como bactérias, vírus, fungos, bacilos, etc., normalmente presentes em alguns ambientes de trabalho, como hospitais, laboratórios de análises clínicas, coleta de lixo, indústria do couro, tratamento de efluentes líquidos. 8 Riscos ergonômicos Verifica-se, algumas vezes, que os postos de trabalho não estão bem adaptados às características do operador, quer quanto à posição da máquina com que trabalha, quer no espaço disponível ou na posição das ferramentas e materiais que utiliza nas suas funções. Trataremos o tema da ergonomia e o porquê da sua necessidade mais adiante. Conhecendo os riscos e todas suas consequências, é importante saber e ter em conta os principais aspectos de higiene do trabalho que estão relacionados, de acordo com Chiavenato (2010, p. 471) com: Ambiente físico de trabalho Iluminação: luminosidade adequada para cada tipo de atividade Ventilação: remoção de gases, fumaça e odores desagradáveis, assim como o afastamento de possíveis fumantes; utilização de máscaras Temperatura: manutenção de níveis adequados de temperatura Ruídos: eliminação de ruídos, utilização de protetores de ouvido Conforto: ambiente agradável e aconchegante Ambiente psicológico de trabalho Relacionamentos humanos agradáveis Atividade agradável e motivadora Estilo de gestão democrática e participativa Eliminação de possíveis fontes de estresse Comprometimento pessoal e emocional 9 Aplicaçãode princípios de ergonomia Máquinas e equipamentos adequados às características humanas Mesas e instalações ajustadas ao tamanho das pessoas Ferramentas que reduzam a necessidade de esforço físico humano Saúde ocupacional Ambiente facilitador das relações interpessoais Melhoria da produtividade Redução de absenteísmo, acidentes, doenças e rotatividade Um ambiente de trabalho agradável facilita as relações interpessoais, melhora a produtividade e reduz acidentes. Contudo, os riscos de saúde como riscos físicos e biológicos, tóxicos e químicos, assim como condições estressantes de trabalho, podem provocar riscos de acidentes no trabalho, o que leva as empresas e os gestores a pensar e implantar e praticar ações que cuidam da segurança e da saúde dos funcionários. Segurança no trabalho Para Wachowicz (2009), a segurança no trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que adotadas visando minimizar os acidentes de trabalho, as doenças ocupacionais, em como proteger a integridade e a capacidade laboral. A segurança no trabalho está relacionada com a prevenção de acidentes e com a administração de riscos ocupacionais. Sua finalidade é profilática, no sentido de antecipar-se para que os riscos de acidente sejam minimizados. Além disso, as condições de segurança, higiene e saúde no trabalho constituem o fundamento material de qualquer programa de prevenção de riscos profissionais e contribuem, na empresa, para o aumento da produtividade com diminuição dos acidentes. Ainda nos conceitos, vejamos que aspectos envolvem a segurança no trabalho: Prevenção de acidentes Prevenção de incêndios Prevenção de roubos 10 Mais adiante, vamos ver cada um deles, mas, por hora, é importante conhecer o que significa acidente, dentro do tema que estamos estudando. O National Safety Council define acidente como uma ocorrência em uma série de fatos que, sem intenção, produz lesão corporal, morte ou dano material. Essas definições consideram o acidente como um fato súbito, inesperado, imprevisto e não premeditado. Os acidentes de trabalho são classificados em: Acidente sem afastamento Após o acidente a pessoa continua trabalhando e sem qualquer sequela ou prejuízo considerável. Acidente com afastamento O acidente impede que a pessoa continue suas atividades: Incapacidade temporária Incapacidade parcial permanente Perda de qualquer membro ou parte do mesmo Redução da função de qualquer membro ou parte do mesmo Perda da visão ou redução funcional de um olho Perda da audição ou redução funcional de um ouvido Quaisquer outras lesões orgânicas, perturbações funcionais ou psíquicas que resultem em redução de menos de três quartos da capacidade de trabalho Incapacidade permanente total Provoca a perda total em caráter permanente da capacidade de trabalho. Basicamente, existem duas causas principais de acidentes: Condições inseguras São as principais causas dos acidentes de trabalho: Equipamento sem proteção Equipamento defeituoso Procedimentos arriscados em máquinas ou equipamentos Armazenamento inseguro, sobrecarregado Iluminação deficiente ou imprópria 11 Ventilação imprópria (temperatura elevada ou muito baixa; Condições física ou mecânicas inseguras constituindo-se em zonas de perigo) Atos inseguros As pessoas causam acidentes. Os atos inseguros das pessoas são: Carregar materiais pesados inadequadamente Trabalhar a velocidades muito rápidas ou muito lentas Utilizar esquemas de segurança inoperantes Usar equipamentos inseguros e usá-los inadequadamente Não usar procedimentos seguros Subir em escadas ou degraus depressa Distrair, negligenciar, brincar, arriscar, abusar etc. É fundamental reduzir a possibilidades de acidentes dentro da empresa. As condições inseguras e os atos inseguros – certas características pessoais – causam acidentes que colocam em perigo a segurança dos funcionários. Prevenir acidentes é função e missão de todos. Leitura obrigatória Complete seus estudos sobre higiene e segurança do trabalho lendo: ‖A importância dos programas de segurança na empresa‖. p. 32 a 36 Segurança e Higiene do trabalho (Organizador: Celso Augusto Rossete). São Paulo: Perarson. Coleção Bibliografia Universitária Pearson, 2014. Saiba Mais Assista ao vídeo: Pato Donald – Como sofrer um acidente de trabalho: https://www.youtube.com/watch?v=Jc7WU9ku8Ko Sobre este tema de estudos, assista também ao vídeo da professora Carolina, que está no material on-line! 12 SAÚDE NO TRABALHO Segundo Chiavenato (2010), uma maneira de definir saúde é a ausência de doenças. Contudo, os riscos de saúde no desenvolvimento das atividades profissionais, como riscos físicos e biológicos, tóxicos e químicos, bem como condições estressantes de trabalho podem provocar riscos no trabalho. O ambiente de trabalho em si também pode provocar doenças. Esta definição prioriza as relações entre corpo, mente e padrões sociais. A saúde de uma pessoa pode ser prejudicada por doenças, acidentes ou estresse emocional. Com este panorama, é importante que os gestores assumam também a responsabilidade de cuidar do estado geral da saúde dos funcionários, incluindo logicamente seu bem-estar psicológico. Um funcionário competente, mas em depressão e ou com baixa autoestima, pode ser tão improdutivo como um funcionário que está doente ou hospitalizado. A Lei n. 24/94 instituiu o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, que exige: Exame médico pré-admissional; Exame médico periódico; Exame de retorno ao trabalho (no caso de afastamento superior a 30 dias); Exame de mudança de função – transferência; Exame médico demissional (15 dias antes do desligamento). Além destes exames exigidos por Lei, o Programa de Medicina Ocupacional realiza também: Programas de proteção à saúde dos funcionários; Palestras de medicina preventiva; Elaboração do mapa de riscos ambientais; Relatório anual e arquivos de exames médicos com avaliação clínica; Exames complementares, visando a qualidade de vida dos funcionários e maior produtividade da organização. 13 Empresas interessadas em um bom desempenho de seus funcionários preocupam-se em criar programas de saúde ocupacional, garantindo, dessa forma, um alto rendimento profissional; assim como afastam de sua administração o aumento dos afastamentos por doença, aumento de custos de seguro, aumento de absenteísmo, rotatividade e baixa produtividade. Um programa de saúde ocupacional deve seguir as seguintes etapas: Estabelecimento de um sistema de indicadores, onde constem estatísticas de afastamento e doenças; Desenvolvimento de sistemas de relatórios médicos; Desenvolvimento de procedimentos e regras para prevenção médica; Recompensa aos gestores pela administração eficaz no que se refere à saúde ocupacional. Qual é o papel da ergonomia para a saúde? No Tema 1, conhecemos os riscos ergonômicos. Estes profissionais contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho,14 produtos, ambientes e sistemas dentro da organização, de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. Em agosto de 2000, a Associação Internacional de Ergonomia (IEA) adotou a seguinte definição considerada oficial: ―A ergonomia (ou fatores humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema.‖ Fonte: Abergo. A adoção aumenta a eficiência humana no momento em que se tomam decisões que marcam caminhos, para a correção das ações ou uso de equipamentos, causadores de acidentes ou doenças físicas ou mentais. O campo de atuação da ergonomia é extenso, abrangendo tudo que fazemos e que nos rodeia, desde a disposição do mobiliário e dos materiais de um pequeno escritório, até a planta do mais alto edifício ou parque industrial, passando por detalhes, como altura de mesas, cadeiras, formato de tesoura, ruído e temperatura de ambientes e uma infinidade de fatores que podem dificultar ou facilitar a vida das pessoas (IIDA, 2003). O objetivo prático da ergonomia é efetuar as adaptações do lugar de trabalho, dos instrumentos, das máquinas, dos horários e de tudo o necessário para o exercício da função a fim de evitar doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. A ergonomia preocupa-se também, com as condições gerais de trabalho, tais como iluminação, ruídos e temperatura do local, que geralmente são conhecidas como agentes causadores de males na área de saúde física e mental. O importante é que através do estudo das situações procura-se traçar os caminhos para a correção, no sentido de aumentar a eficiência humana através de dados que permitam que se tomem decisões lógicas. De maneira geral, os domínios de especialização da ergonomia são: 15 Ergonomia física Inclui o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde. Ergonomia cognitiva Refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora conforme afetem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Ergonomia organizacional Concerne à otimização dos sistemas sociotécnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Muitas empresas já buscam a melhoria da qualidade do trabalho dos empregados e estabelecem uma série de programas como forma de incentivar a saúde do trabalhador. Nas grandes cidades e áreas mais industrializadas, os gestores conscientes dos futuros problemas estão investindo e colocando em prática estes programas. Preocupam-se também em realizar estudos sobre as vantagens da ergonomia para a melhoria da produção nas suas organizações. Se por um lado, o uso da ergonomia pode sugerir maior gasto, por outro representa uma economia para a empresa e como consequência, a melhoria da saúde do trabalhador e da sociedade. Estresse no trabalho Para Chiavenato (2010), estresse é um conjunto de reações físicas, químicas e mentais de uma pessoa decorrente de estímulos ou estressores que existem no ambiente; é uma condição dinâmica que surge quando uma pessoa é confrontada com uma oportunidade, restrição ou demanda relacionada com o que ele deseja. O estresse é a soma de perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por diversos agentes agressores, tais como traumas, emoções fortes, fadiga, exposição a situações conflituosas e problemáticas. 16 A falta de perspectiva no trabalho de progresso profissional e a insatisfação pessoal, não somente derrubam o bom humor das pessoas como também provocam estresse no trabalho. Existem duas fontes principais de estresse no trabalho... interaja com a imagem e conheça: Causas ambientais Envolvem uma variedade de fatores externos e contextuais que podem conduzir ao estresse no trabalho. Por exemplo: programação de trabalho intensivo, falta de tranquilidade no trabalho, insegurança no trabalho, fluxo interno de trabalho e o número e natureza dos clientes internos a serem atendidos. Causas pessoais Envolvem uma variedade de características individuais que predispõem ao estresse. Cada pessoa reage sob diferentes maneiras na mesma situação aos fatores ambientais que produzem o estresse. O estresse no trabalho produz sérias consequências, tanto para o trabalhador como para a organização, tais como. Leitura Obrigatória Acesse a obra a seguir e leia as páginas 94 a 105: WACHOVICZ, Marta Cristina. Segurança, saúde e ergonomia. Curitiba: Ibpex, 2007. Você anda estressado? Quer descobrir quanto? Acesse e faça o teste: http://www.ismabrasil.com.br/testes/teste-seu-nivel-de-stress Não perca esta oportunidade, assista ao vídeo ―Saúde e Segurança do Trabalho - Faça a Escolha Certa‖... é uma interessante animação. https://www.youtube.com/watch?v=wu5v7MK_Ey8 Sobre este tema de estudos, assista também ao vídeo da professora Carolina, você confere lá no material on-line! 17 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT) 1. É possível ter qualidade de vida no trabalho? 2. Ela proporciona uma maior participação por parte dos funcionários? 3. Existe alguma relação entre QVT e eficácia organizacional? 4. Um programa de QVT busca uma organização mais humanizada que proporciona condições de desenvolvimento de desenvolvimento pessoal e profissional? Acreditamos que poderá responder a todos estes questionamentos ao final deste tema, e entenderá a importância da prática da QVT nos processos produtivos da empresa. A expressão Qualidade de Vida no Trabalho foi cunhado por Louis Davis, na década de 1970. Para ele, o conceito de QVT refere-se à preocupação com o bem-estar geral e a saúde dos trabalhadores no desempenho de suas atividades. ‖A QVT responde a duas necessidades: dos trabalhadores, que reivindicam bem-estar e satisfação no trabalho, e das organizações, que precisam potencializar a produtividade e a qualidade.‖ (CHIAVENATO, 2010). 18 Para Wachowicz (2007), a QVT é uma forma de pensar a respeito das pessoas, do trabalho e da organização, tendo em vista o impacto do trabalho sobre os indivíduos e a eficácia organizacional. Para a autora, a QVT é uma compreensão abrangente e comprometida das condições de vida no trabalho, que inclui: Aspectos de bem-estar; Garantia de saúde e segurança física, mental e social; Capacitação para realizar tarefas com segurança; Bom uso da energia pessoal. O conceito de QVT implica em profundo respeito pelas pessoas. Para atingir níveis elevados de qualidade e produtividade, as organizações precisam de pessoas motivadas, que participem ativamente nos trabalhos que executam e que sejam recompensadas adequadamente pelas suas contribuições. O quadro a seguir mostra os prejuízos que pode ter um trabalhador pela ausência de QVT e os benefícios gerados pela prática da QVT: Ausência de QVT - Falta de disposição para o trabalho - Sofrimento e depressão - Relacionamento interpessoal comprometido - Redução da performance no trabalho - Adoecimentofísico, mental e emocional - Aumento de absenteísmo, rotatividade e acidentes - Elevada imposição de normas - Conflito de valores Componentes da QVT - Satisfação com o trabalho executado - Possibilidade de futuro na organização - Relacionamento dentro da equipe e da organização - Reconhecimento pelos resultados Ambiente psicológico e físico de trabalho: - Participação ativa na organização - Liberdade na tomada de decisões 19 - Benefícios auferidos - Salários - Liberdade Modelos de QVT Entre os principais indicadores de QVT, podemos encontrar os modelos de Nedler e Lawer, o modelo de Hackman e Oldhan e o modelo de Walton. Vejamos a seguir os principais componentes dos modelos de QVT e seus autores... Modelo de Nadler e Lawler Participação nas decisões Reestruturação do trabalho Recompensas Ambiente de trabalho Modelo de Hackman e Oldhan Variedade de habilidades Identidade da tarefa Significado da tarefa Autonomia Retroação do próprio trabalho Retroação extrínseca Inter-relacionamento Modelo de Walton Compensação justa e adequada Condições de segurança e saúde Utilização e desenvolvimento de capacidades Oportunidade de crescimento contínuo e segurança Integração social Constitucionalismo Trabalho e espaço total de vida Relevância social da vida no trabalho 20 Para ampliar seus conhecimentos sobre a necessidade da QVT e os perigos latentes, não só para os trabalhadores, mas também para as organizações, com o desconhecimento ou ausência dela, leia os ‖Modelos de QVT‖ propostos nas páginas 196 a 200 da obra a seguir: Leitura Obrigatória WALGER, Carolina. VIAPIANA, Larissa. BARBOZA, Mariana. Motivação e satisfação no trabalho: em busca do bem-estar de indivíduos e organizações. Curitiba: Intersaberes, 2014. Assista ao vídeo ―Qualidade de vida no trabalho‖: https://www.youtube.com/watch?v=qoxW13XryFM Sobre este tema de estudos, assista, no material on-line, também ao vídeo da professora Carolina. MOTIVAÇÃO NO TRABALHO O homem se realiza naquilo que faz, e aquilo que faz realiza-o! Você, como está encarando o trabalho? Como castigo, como obrigação, como meio de vida, como condição para ser gente, como forma de ser cidadão do mundo e agente da história? Entender o trabalho como fonte de humanização e de realização pessoal é um dos objetivos deste tema. Sem trabalho não há cidadania. Trabalho? Para quê? Por quê? Fazemos essas perguntas visando entender a necessidade do trabalho nas nossas vidas, ao mesmo tempo que queremos identificar o significado dele no nosso dia a dia. O trabalho sempre ocupou um lugar importante na vida das pessoas. É através dele que nos realizamos ou não. 21 A relação que se pode fazer entre trabalho e existência capitaliza a constante necessidade do homem de transformar a natureza. É pelo trabalho que evoluímos, mesmo que em alguns momentos fosse limitado pelas condições socialmente estabelecidas. Por estes motivos, é primordial que a pessoa esteja motivada para realizar seu trabalho, e essa motivação se manifesta pela orientação do funcionário para realizar com agilidade e rigor as suas tarefas e continuar na sua execução até conseguir o resultado previsto ou esperado. São três os componentes na motivação: 1. Intensidade (esforço despendido) 2. Direção (qualidade do esforço) 3. Persistência (tempo do esforço) Entende-se, desta forma, que a motivação é o processo de esforco para atingir um objetivo. Mas de nada adianta a intensidade do esforço se não for direcionado corretamente. A qualidade do esforço se vê comprometida quando a direção não é a correta, ou não é identificada a direção para atingir um objetivo, resolver um problema ou tomar uma decisão. A capacidade de persistência é outro dos fatores importantes da motivação. São os obstáculos, as decisões equivocadas e os erros na produção que, em algum momento da vida do trabalhador, podem interferir na motivação dos trabalhadores. A motivação do indivíduo é dele exclusivamente ou pode ser despertada por outras pessoas? Acompanhe o quadro das Teorias endógenas e exógenas. Perceba a relação que existe entre elas. Você acha que elas se complementam? Teorias Endógenas 1. Arousal/Atividade/Energia Pressuposto fundamental: processos internos (estados fisiológicos e afetivos) mediatizam o impacto das condições de trabalho sobre o desempenho. 22 2. Expectativas-valência Pressuposto fundamental: as pessoas são motivadas a trabalhar quando acreditam que serão capazes de obter e realizar o que elas esperam do trabalho. 3. Equidade Pressuposto fundamental: as pessoas são motivadas pelas necessidades de receber tratamento equitativo. 4. Atitude Pressuposto fundamental: indivíduos com atitudes favoráveis ao seu trabalho e à sua organização serão mais motivadas na execução das suas tarefas. 5. Intenção/Metas Pressuposto fundamental: o desempenho individual é determinado pelas metas das pessoas. 6. Atribuição e Autoestima Pressuposto fundamental: a motivação é maior quando as causas do desempenho são percebidas como sendo estáveis e internas e a autoestima do indivíduo é elevada. Teorias Exógenas 1. Motivos/Necessidades Pressuposto fundamental: as pessoas possuem tendências inatas ou adquiridas a buscar certos estímulos e evitar outros. 2. Incentivos/Recompensas Pressuposto fundamental: características da situação do trabalho levam o trabalhador a associar determinadas formas de comportamento com a recompensa. 23 3. Reforço Pressuposto fundamental: as pessoas são motivadas a trabalhar bem quando o bom desempenho é seguido de consequências positivas. 4. Metas/Objetivos Pressuposto fundamental: as pessoas apresentam melhor desempenho quando as metas desafiadoras, específicas e atraentes. 5. Recursos pessoais e materiais Pressuposto fundamental: condições de trabalho que facilitam a obtenção das metas são fonte de motivação. 6. Grupo e fatores sociais Pressuposto fundamental: as pessoas apresentam melhor desempenho quando a organização e os colegas facilitam a execução do trabalho e reconhecem o bom desempenho. 7. Sistema sociotécnico Pressuposto fundamental: a motivação aumenta quando, no sistema de trabalho, existe harmonia nas condições de funcionamento pessoal, social e técnico. Que contribuição as teorias endógenas oferecem à elaboração de ações motivadoras dentro da empresa? Segundo Katzel e Thompson (1990), elas explicam a dinâmica da motivação, mas são as teorias exógenas que sugerem ações que podem ser feitas para mudar a motivação no trabalho. Na prática, as teorias endógenas, que lidam com as motivações dos funcionários, ficam no nível teórico, e são as teorias exógenas que fornecem os elementos de base para definir os programas de motivação para o trabalho, pois estas lidam com as características do trabalho, que podem ser modificadas por agentes externos, tais como oportunidades de promoção, condições de trabalho ou enriquecimento da tarefa. 24 Apesar da eficiência dos motivadoresdeduzidos a partir de diversas teorias exógenas, pode acontecer que, em uma situação determinada, eles não respondam às expectativas e às metas dos trabalhadores de uma organização. Pense em você e na empresa na qual você trabalha ou em alguma em que já tenha trabalhado... quais eram os fatores endógenos que geravam motivação e quais eram os fatores exógenos que favoreciam a motivação? Insatisfação no trabalho É importante identificar as causas de insatisfação no trabalho. O esquema a seguir mostra diferentes aspectos que incentivam por diversas causas o ―não se sentir satisfeito‖ com o trabalho que está desempenhando ou por descontentamento pelo salário. Também são causas de insatisfação: Conflitos; Um líder em dissonância com a equipe; Um ambiente de trabalho com riscos de acidentes pela falta de segurança; Uma cultura organizacional onde as pessoas não são reconhecidas. 25 Ser infeliz no emprego é mais comum do que parece, especialmente se o mercado está aquecido e novas oportunidades costumam bater à porta. Mas, nem sempre, a pessoa insatisfeita vai dar ouvidos à tentação da mudança, seja por causa de um salário difícil de ser equiparado, um benefício oferecido pela empresa ou pela visibilidade do cargo ocupado em grandes multinacionais, por exemplo, são fatores que costuma ―amarrar‖ a pessoa ao emprego, mesmo estando desmotivado. Nesse caso, se a decisão é permanecer, como fazer para que o fardo não seja tão pesado? Um caminho possível é a automotivação. A estratégia consiste em desenvolver um olhar mais criativo sobre o ambiente de trabalho, pois quando estamos desmotivados tendemos a olhar para o próprio umbigo. É preciso buscar oportunidades ao redor. Comece refletindo que nem tudo é ruim... identificar exatamente o que provoca a sua insatisfação pode ser o ponto de partida para adotar medidas pontuais para combatê-la. A seguir, veja cinco dicas para lidar com a insatisfação no trabalho. 1. Converse com colegas e desenvolva novas formas de realizar tarefas e atingir os objetivos da organização; se entraves burocráticos do dia a dia atrapalham não só o seu desempenho, mas também o de outros profissionais, apresente um projeto para a modernização do sistema que beneficie toda a equipe. 2. Não generalize a insatisfação; busque pontualmente o que o desagrada e defina estratégias específicas para lidar com cada aspecto negativo. Se for uma determinada tarefa, por exemplo, considere a possibilidade de delegá-la. 3. Se o seu superior imediato é o problema, abra o jogo para ele ou para instâncias que estejam acima do seu chefe. A própria empresa pode cogitar que você seja direcionado para outro departamento ou informar que ele está para ser transferido. 4. Lembra do sonho de exercer uma atividade que requeira uma atitude criativa mais acentuada? Talvez seja o momento de correr atrás dessa 26 oportunidade, e ela pode estar algumas salas ou mesas ao lado. Não feche os olhos para novos desafios em seu emprego atual. 5. Se a situação ficar insustentável e você decidir que sairá da empresa, tome essa atitude antes que seu desempenho despenque a um nível assombroso e sua imagem profissional fique desgastada. Ela é o seu maior patrimônio. Pese o custo da sua decisão, e saiba até que ponto vale a pena sacrificar o prazer e a realização no trabalho em nome de vantagens externas. Leitura obrigatória Leia as páginas 148 a 162, sobre Causas situacionais da satisfação no trabalho: WALGER, Carolina. VIAPIANA, Larissa. BARBOZA, Mariana. Motivação e satisfação no trabalho: em busca do bem-estar de indivíduos e organizações. Curitiba: Intersaberes, 2014. Saiba Mais Assista ao vídeo ―Motivação no trabalho: os 3 principais motivos da infelicidade no trabalho‖: https://www.youtube.com/watch?v=BXCmjWvmXTI Agora assista ao vídeo da professora Carolina no material on-line! PROCESSOS PSICOSSOCIAIS NO TRABALHO Há evidências muito difundidas, e que você conhece graças aos meios de comunicação, de que o estresse e os transtornos de ansiedade têm crescido nos últimos tempos, o que diminui a saúde e o bem-estar das pessoas. Muitos, por desespero, buscam as drogas e o álcool para ajudar a suportar as pressões. Genericamente, pode-se dizer que todas as situações citadas anteriormente, assim como as injustiças sociais e a degradação do ambiente, são consequências psicossociais da evolução político-econômica-social e tecnológica, tão incisivas em este momento. 27 Analise o mapa mental a seguir. Nele você terá uma visão rápida do todo: processos psicossocias, organização e interação humana, como pilares importantes na saúde e na produtividade empresarial. Fonte: adaptado de Zanelli, Silva e Tolfo (2011). De acordo com Zanelli, Silva e Tolfo (2011), uma possível definição da expressão ―processo psicossocial‖ nos levaria às interações e às variáveis psicológicas e sociais do indivíduo. Estas variáveis podem ser recebidas de forma positiva ou negativa, afetando todos os membros, e se evidenciam quando se manifestam verbalmente, expressando temores, valores, atitudes e ações. Estes aspectos são um incentivo a ser geradores de mudança para obter o controle de suas vidas e ter consciência das razões, causas e consequências do que se deseja fazer. 28 Felizmente, cada vez mais, as empresas têm levado em consideração a importância dos processos psicológicos, que acontecem a nível dos trabalhadores que conformam a organização, assim como dos processos psicossociais, que se originam nos grupos de trabalho. Estes aspectos são tão importantes como os aspectos financeiros da organização, e surgem entre as pessoas e os grupos que trabalham na organização, sendo o resultado direto do entorno, da estratégia e o desenho da organização (ZANELLI, SILVA E TOLFO, 2011). Saiba mais sobre estes elementos agora: Entorno Dentro de um nível macro, encontra-se o entorno. Entende-se que uma organização forma parte de um contexto socioeconômico e cultural multifacético com o qual relaciona-se. A organização é influenciada e influencia na conformação da realidade. Estratégia Num segundo nível, encontramos a estratégia, ou seja, a resposta que uma organização deve dar ao entorno no qual se desenvolve, em termos de fortalezas, oportunidades, fraquezas e ameaças. Para enfrentar essas demandas é necessário saber com quais recursos se conta para fazer-lhes frente. Desenho da organização Em terceiro lugar, é necessário ter em conta o desenho da organização, em termos de tecnologia, estrutura organizacional e sistemas de organização, trabalho, gestão e desenvolvimento do Recurso Humano. A análise destes fenômenos envolve características que superam os níveis pessoal, grupal, organizacional e macrossocietário. Existe, então, uma intrincada combinação, em amplo sentido, das variáveis pessoais e sociais, em relação a promoção e otimização dos recursos vinculados à melhoria das tarefas, do ambiente social, estilos de liderança, aspectos ergonômicos, prevenção de acidentes, qualidade de vida, e com a cultura e dimensões gerais da organização (políticas, estratégias e tecnologia, entre outras). 29De acordo com as fontes do International Labour Office (1984), os aspectos psicossociais nas organizações dizem respeito às interações que ocorrem no ambiente de trabalho, ao conteúdo do trabalho, ao suporte organizacional, às competências do funcionário, às necessidades, à cultura e valores, à relação entre o trabalho e outros aspectos da vida pessoal, como a família. Por conseguinte, os aspectos psicossociais podem influenciar a saúde, o desempenho e a satisfação no trabalho. Podemos deduzir que existe uma íntima relação entre os indicadores de QVT de Walton (estudados no tema 3 desta aula), e os aspectos psicossociais relacionados ao trabalho. Fatores psicossociais geradores de estresse Podem estar presentes no ambiente do trabalho e envolvem aspectos de organização, administração e sistemas de trabalho e qualidade das relações humanas. Por isso, o clima organizacional de uma empresa vincula-se não somente a sua estrutura e às condições de vida da coletividade do trabalho, mas também a seu contexto histórico, com seu conjunto de problemas demográficos, econômicos e sociais. Assim, o crescimento econômico da empresa, o progresso técnico, o aumento da produtividade e a estabilidade da organização dependem também dos meios de produção, das condições de trabalho, dos estilos de vida, do nível de saúde e bem-estar de seus trabalhadores. Na atualidade, produzem-se aceleradas mudanças tecnológicas nas formas de produção, as quais, consequentemente, afetam os trabalhadores em suas rotinas de trabalho, modificando seu entorno laboral e aumentando o aparecimento ou o desenvolvimento de enfermidades crônicas pelo estresse. Vejamos, então, com o surgimento dessas doenças, que tipo de riscos psicossociais sofrem os trabalhadores: 30 As mudanças significativas que ocorreram no mundo laboral, nas últimas décadas, resultaram em riscos emergentes no campo da segurança e saúde no trabalho e levaram – além de riscos físicos, químicos e biológicos – ao surgimento de riscos psicossociais. De fato, a insegurança no emprego, a necessidade de ter vários empregos e a intensificação do trabalho podem gerar estresse profissional e colocar em risco a saúde dos trabalhadores. Os riscos psicossociais englobam as características das condições de trabalho e, sobretudo, da sua organização, que afetam a saúde das pessoas através de mecanismos psicológicos e fisiológicos. Manifestam-se através de problemas como o absentismo, a rotação de pessoal, o estresse ou os defeitos de qualidade que, em conjunto, representam importantes custos tanto em termos de saúde para as pessoas como económicos para a empresa. Quando ocorre desequilíbrio entre as interações a seguir, aparece o risco de origem psicossocial: 31 Riscos psicossociais relacionados com a tarefa: Conteúdo e significado do trabalho O trabalhador sente que a tarefa desenvolvida não é útil para a sociedade em geral nem lhe oferece a possibilidade de aplicar e desenvolver os seus conhecimentos e capacidades. Carga de trabalho As exigências do trabalho superam a capacidade do sujeito para responder às mesmas (sobrecarga) ou, pelo contrário, a realização das tarefas apresenta poucas exigências ao trabalhador (infracarga). Autonomia A falta de autonomia (ex.: impossibilidade de controlar a duração e distribuição das pausas, impossibilidade de influir na ordem das tarefas, etc.) traz menor envolvimento do trabalhador na organização, afetando a sua motivação, gerando insatisfação e reduzindo o seu rendimento no trabalho. Grau de automatização Na maioria dos processos automatizados, a organização e o ritmo de trabalho dependem do equipamento, limitando a tarefa do trabalhador a uma série de operações rotineiras e repetitivas. Pode ocorrer igualmente um empobrecimento das relações pessoais e das possibilidades de comunicação com outros trabalhadores, aparecendo o risco de isolamento. 32 Riscos psicossociais relacionados com a organização do tempo: Duração e distribuição do horário de trabalho Impossibilidade de recuperação física e mental do organismo humano, decorrente da realização de um horário de trabalho contínuo e excessivo (superior a 8 horas diárias). Horário por turnos As mudanças de horário provocam uma série de consequências relacionadas com a redução da atividade mental e da capacidade de atenção/reação, e com o equilíbrio nervoso e a fadiga, juntamente com alterações do sono, repercutindo-se a nível familiar e social. Descansos e pausas A distribuição das pausas está relacionada com o tipo de horário, a possibilidade de flexibilidade do mesmo e, sobretudo, com o tipo de tarefa realizada. Na organização do período de trabalho, deve-se promover a realização de intervalos para descanso, de duração não inferior a uma hora nem superior a duas, de modo que o trabalhador não preste mais de cinco horas de trabalho consecutivo. Riscos psicossociais relacionados com a estrutura: Definição da tarefa A incerteza/ambiguidade/indefinição do modo de realização das tarefas associadas a determinado posto de trabalho pode colocar o trabalhador em situações contraditórias ou de indecisão e geradoras de estresse. Estrutura da hierarquia Conhecer a estrutura da empresa e o lugar que cada um ocupa na mesma é importante para o desenvolvimento, tanto dos trabalhadores como da própria empresa. 33 Canais de informação e comunicação A informação que o trabalhador precisa conhecer, tanto para desempenhar adequadamente a sua função como para trabalhar sem riscos para a sua segurança e saúde, deve ser transmitido de forma clara e simples e deve chegar a todo o pessoal. Relações entre departamentos e trabalhadores As boas relações entre os diferentes departamentos da empresa e entre os próprios funcionários contribuem para a melhoria do ambiente de trabalho e da produtividade. Desenvolvimento profissional A falta de possibilidades de promoção pode provocar a perda de interesse por tudo aquilo não relacionado com a rotina diária e, por outro lado, uma formação inadequada para o desempenho dos trabalhos constituem fontes de estresse. Sistema de recompensas ou compensações A interação entre um esforço elevado e um baixo nível de recompensas (instabilidade profissional, falta de perspectivas de promoção, falta de respeito e reconhecimento, etc.), a longo prazo, representa a situação de maior risco para a saúde. É importante monitorar e melhorar constantemente os ambientes de trabalho no nível psicossocial, a fim de criar empregos de qualidade e assegurar o bem-estar dos trabalhadores, o que contribui para a prevenção de riscos psicossociais. Leitura Obrigatória Acesso a Biblioteca Virtual, pelo ÚNICO, e leia as páginas 118 a 122, sobre Trabalho, qualidade de vida e promoção de saúde: ZANELLI, José Carlos. Interação humana e gestão: a construção psicossocial das organizações de trabalho. São Paulo: Casa do psicólogo, 2008. 34 Saiba Mais Assista ao vídeo ―Gestão do estresse e dos riscos psicossociais no trabalho‖: https://www.youtube.com/watch?v=bMIwfXgBImk Assista esta reportagem sobre a influênciade fatores psicossociais no trabalho: http://g1.globo.com/ma/maranhao/bom-dia-mirante/videos/t/edicoes/v/palestra- fala-sobre-influencia-de-fatores-psicossociais-no-trabalho/3580255/ Não esqueça do vídeo da professora Carolina, que fala sobre esse tema! Está lá no material on-line! TROCANDO IDEIAS É importante saber usar as informações e os conhecimentos obtidos através do desenvolvimento dos temas estudados e aplicá-los em situações concretas. Por isso, no Fórum, responda a seguinte questão, explicando claramente sua posição: A satisfação no trabalho e o aumento da produtividade relacionam-se diretamente com a minimização das condições insalubres e perigosas nos processos do trabalho? Através dos temas estudados, você pensa que tem perfil para ser um gestor de RH? Como analisa as principais atitudes que as pessoas que trabalham em grupo manifestam dentro de um contexto de trabalho? É possível modificar as atitudes no ambiente profissional? NA PRÁTICA Baterias Máxima Gabriela Passos herdou de seu pai a Baterias Máxima, fabricante de baterias para carros e pilhas de pequeno porte. Como presidente da organização, Gabriela procurou conhecer mais profundamente os negócios e o esquema de produção da empresa. 35 Os relatos de gerentes e funcionários a deixaram preocupada com as condições internas de trabalho, consideradas insalubres e perigosas, fruto de trabalho direto com produtos químicos – ácidos e chumbo, que geram como consequências: Riscos de acidentes de gravíssimos; Doenças profissionais irrecuperáveis; Reclamações trabalhistas por periculosidade; Ações criminais por doenças e acidentes graves. Além disso, o custo das indenizações era extremamente alto e implicava grandes perdas para a organização. Por outro lado, eram vidas humanas que estavam em jogo naqueles processos judiciais. Gabriela pediu ajuda para o Gestor de RH. Fonte: CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 3 ed. Rio de janeiro: Elsevier, 2010 (Adaptado). Como você procederia no lugar da Gabriela? Resolução do Caso Você, como gestor, é o responsável pelas soluções aos problemas organizacionais. Então, é importante: Analisar a situação da empresa com relação às condições de trabalho perigosas e insalubres; Identificar as condições de risco que devem ser eliminadas; Propor ações pontuais e procedimentos para melhorar e reduzir a possibilidade de acidentes, minimizando as condições perigosas e incentivando o uso de equipamentos de proteção individual; 36 Desenvolver um processo para a criação de uma equipe de Segurança no Trabalho (CIPA). Não esqueça de colocar: INPUT Informações que entram PROCESSO Dinâmica do mesmo OUTPUT Informações, ações que saem Para tanto, você vai precisar recorrer aos seguintes assuntos estudados: Conceitos de H&S Tipos de risco Acidentes Causas dos acidentes Classificação dos acidentes Diferentes ambientes de trabalho Qualidade de Vida no Trabalho Satisfação e processos psicossociais. As possíveis ações que você, como gestor de RH, pode propor são: Contratar médicos do trabalho, para verificar o estado de saúde dos funcionários; Localizar as principais áreas de risco dentro a empresa e minimizar as condições perigosas, incentivando o uso de EPIs; além de reformar as instalações internas da empresa para reduzir os perigos; Reduzir o impacto dos ácidos utilizados na elaboração dos produtos, adquirindo e usando adequadamente equipamentos de trabalho, reduzindo, com isso, o impacto ambiental, por meio da reutilização dos detritos dentro de um programa de Responsabilidade Social; Organizar uma equipe de Segurança do trabalho (CIPA) para reduzir os acidentes de trabalho. 37 Criar um fundo de ajuda para os funcionários que adquiriram doenças graves durante a prática do seu trabalho. Veja no vídeo que está no material on-line os comentários da professora Carolina sobre este estudo de caso prático. SÍNTESE Estudamos nesta aula temas importantes na formação de um gestor. A modernidade organizacional trouxe à tona uma série de indagações que estão sendo assumidas pelos novos gestores. Foram apresentados aspectos importantes para que os trabalhadores possam desempenhar suas funções, dentro de um ambiente seguro, tanto físico como psicológico. As reflexões e considerações conceituais feitas ao longo do desenvolvimento dos temas de estudo destacam a importância do trabalho para que se possa entender a grande variedade de fatores envolvidos, para que seja produtivo e realizador. É prioritário saber e entender que o bom desempenho do trabalhador está permeado por um conjunto de condições materiais, sociais, psicológicas e culturais. Os assuntos que estudamos explicitam, principalmente, as ações que devem ser assumidas no âmbito organizacional, através de seus gestores, para que o funcionário resgate seu papel de cidadão responsável e inteligente, frente a responsabilidade do trabalho. Só desta forma surgirá um homem consciente de suas potencialidades, transformador através de suas competências e habilidades dos processos e dos resultados, como fruto de seu desempenho profissional. 38 Espera-se que você, como gestor, obtenha, através da assimilação dos conteúdos, uma certa autonomia intelectual para fazer as análises, sínteses e aplicações pertinentes. É importante perceber que os conceitos de segurança e higiene do trabalho estão intimamente relacionados, e que é necessário entendê-los, hoje, conhecendo e valorizando os avanços obtidos através da história. A prevenção de acidentes está em consonância com as instalações físicas da empresa, os equipamentos usados e também com o clima organizacional, que é importante para evitar acidentes pelo comprometimento psicológico e/ou relacional dos trabalhadores. Na prática, você quem tem que analisar e tomar decisões encima dos conhecimentos adquiridos. Lembra-se do levantamento de riscos possíveis na sua empresa? Agora assista os comentários finais da professora Carolina, lá no material on-line! Até a próxima aula! 39 REFERÊNCIAS CARVALHO, L. M. Educação corporativa e desempenho estratégico. Revista de Administração FACES Journal, v. 13, n. 3, p. 66-85, 2014. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: Intersaberes, 2014. KNAPIK, J. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2011. LEITE, N. R. P.; ALBUQUERQUE, L. G. A estratégia de gestão de pessoas como ferramenta do desenvolvimento organizacional. Revista Ibero- Americana de Estratégia, v. 9, n. 1, p. 32-55, 2010. MARRAS, J.P. Administração de Remuneração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MOSCARDINI, T.; KLEIN, A. Z. Estratégias de educação corporativa e suas relações com os diferentes níveis de aprendizagem organizacional. Revistade Administração da UFSM, v. 8, n. 1, p. 89-102, 2015. ROBBINS, S. P. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. DISCIPLINA: GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS AULA 5 Prof.ª Carolina Walger CONVERSA INICIAL A construção de um modelo de competências não é algo que se possa copiar. Depende da cultura corporativa da organização assim como de sua estratégia. Nesta aula, trataremos mais detalhadamente sobre algumas das fases necessárias para a implantação da gestão por competências. Talvez em algum momento você tenha feito as seguintes perguntas: a gestão por competências é uma ferramenta útil para o desenvolvimento profissional dos futuros gestores? Dependerá o futuro e a excelência das organizações de sua política de gestão de pessoas por competências? Algumas empresas já estão respondendo a esses questionamentos e levam muito tempo trabalhando dentro dessa metodologia. Com os conceitos e temas que trataremos nesta aula, acreditamos que você estará em condições de responder a esses questionamentos! Assista ao primeiro vídeo com da professora Carolina no material on-line! Lá você terá mais detalhes da aula de hoje! CONTEXTUALIZANDO Vamos estudar nesta aula as dimensões da gestão por competências a partir dos cinco temas. A questão da qual se parte é a seguinte: que caminho deve percorrer uma organização para implementar a gestão por competências de tal forma que essa prática acrescente valor à organização incrementando sua vantagem competitiva, melhorando o perfil de competências dos funcionários, facilitando o mapeamento de competências, buscando identificar as necessidades e possibilidades de crescimento da organização através dessas ações. O objetivo é identificar e entender a importância das competências como fonte de valor para o indivíduo e para a organização. Os temas são relevantes e atuais já que as estratégias que definem as competências refletem-se na escolha das estratégias por parte da organização. 2 Podemos iniciar nossa aventura com a frase de um estudioso destes temas: ―Competência, um conceito em construção‖ Le Boterf. Você já pensou nas habilidades que o gestor, dentro de uma organização, deveria desenvolver para, em algum momento, adotar de uma metodologia de Gestão por Competências? Agora, procure responder às seguintes questões: Qual deve ser o ponto de partida de uma empresa que deseja implantar a Gestão por Competências? É necessário conhecer que benefícios serão acrescentados a organização? A adoção desse modelo permitirá a flexibilização da empresa para adaptar-se às mudanças? A empresa terá seu modelo de competências de acordo com o segmento no qual atua? Essas questões podem ser respondidas lendo e pesquisando no livro Modelo de Competências e Gestão dos Talentos, de Maria Rita Gramigna. 2ª ed. – São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. O livro se encontra na biblioteca virtual que você pode acessar pelo UNICO. Aproveite, agora, para assistir à videoaula da professora Carolina, disponível no material on-line! Problematização Nos últimos anos, tem variado a forma de administrar as pessoas, a situação de trabalho, as relações com os funcionários e as exigências nas organizações. Uma ferramenta indispensável para enfrentar os novos desafios das empresas hoje é a Gestão por Competências. Essa ferramenta aprofunda o desenvolvimento e comprometimento das pessoas, ajudando a elevar as competências de cada indivíduo envolvido nos processos da empresa a um grau de excelência. Trata-se de dispor das competências adequadas e no momento certo para responder aos compromissos e desafios adquiridos pela organização. Vamos conhecer a gestão por competências como estratégia de potencialização de talentos? 3 http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/a-gestao-por-competencias-como- estrategia-de-potencializacao-de-talentos/101815/ Com base nessas informações quais seriam as atividades e passos para a implantação de um modelo de Gestão por Competências? KK. Delinear um modelo básico de competências genéricas com base principalmente no planejamento estratégico. Definir as competências requeridas com base nos processos da organização. NNN. Identificar e avaliar as competências existentes entre os funcionários e na organização como um todo. correto o que se afirma em: I, apenas. II, apenas. I e III, apenas. II e III, apenas. I, II e III. O que você achou desse exercício? Muito difícil? Veja as considerações da professora sobre essa atividade! A metodologia para a implantação de um modelo de Gestão por Competências deve levar em conta não apenas o planejamento estratégico da empresa, mas também a missão, a visão, os valores corporativos, a cultura e definir quais competências são as mais importantes nos processos de produção da empresa. Igualmente, é importante identificar as competências já existentes na empresa como um todo e em cada nível operacional no qual os funcionários atuam. 4 NOÇÃO DE COMPETÊNCIAS Neste tema discorreremos sobre as competências e sua gestão. Mesmo sendo um tema atual, foi em 1973 que McClelland publicou um artigo que, de certa forma, iniciou o debate sobre competência entre psicólogos e administradores. A competência, para esse autor, é uma característica subjacente a uma pessoa e pode ser relacionada com desempenho superior na realização de uma tarefa ou em determinada situação. Para Le Boterf (1994) a competência é o resultado do cruzamento de três eixos: a formação pessoal (biografia e socialização), a formação educacional e a experiência profissional. É um saber agir responsável, como tal reconhecido pelos outros. Implica saber como mobilizar, integrar recursos e transferir os conhecimentos, recursos e habilidades, num contexto profissional determinado. Já Dutra (2004), faz uma classificação em função de sua abrangência e impacto na gestão de pessoas. Primeira fase – Competência como base para seleção e desenvolvimento de pessoas Nessa fase, o uso do conceito está centrado na concepção de McClelland (1973), elaborada a partir da observação das competências diferenciadoras que conduziram pessoas ao sucesso profissional. Levantadas as histórias de sucesso, as competências servem de padrão para analisar as demais pessoas da empresa e para orientar os processos de seleção, escolha, avaliação para desenvolvimento e orientação do processo de capacitação. A grande crítica feita a esse procedimento é o fato de a mesma característica de competência ser aplicada indistintamente a todas as pessoas. Segunda fase – Competência diferenciada por nível de complexidade Ao incorporarem os conceitos de competência, as empresas foram naturalmente criando escalas de diferenciação por níveis de complexidade. 5 Na segunda fase, surgiram alguns desconfortos em relação ao uso do conceito de competência. Os principais foram: Vinculação da competência a trajetórias de sucesso em realidades passadas; Ausência de vinculação das competências aos objetivos estratégicos da empresa; Necessidade de estendera utilização do conceito para as demais políticas e práticas de gestão de pessoas da empresa, como remuneração e carreira, por exemplo. Terceira fase – Competência como conceito integrador da gestão de pessoas com os objetivos estratégicos da empresa. O conceito de competência organizacional estimula a discussão sobre como compatibilizar as competências organizacionais com as individuais. Dessa forma, as competências humanas não mais derivariam das trajetórias de sucesso de pessoas dentro da empresa, e sim dos objetivos estratégicos e das competências organizacionais. Essa fase inicia uma nova forma de olhar para a gestão de pessoas, buscando não só a integração dos objetivos estratégicos da empresa, mas também a integração da gestão de pessoas em si. Hoje, a articulação entre os conceitos de competência, complexidade e espaço ocupacional permite maior envolvimento dos gestores na administração de pessoas e melhor avaliação das repercussões de suas decisões. Quarta fase – Apropriação pelas pessoas dos conceitos de competência A apropriação por parte das pessoas dos conceitos de competência, complexidade e espaço ocupacional é fundamental para o contínuo aprimoramento desses conceitos. Quando as pessoas não compreendem os conceitos e não os utilizam para pensar o próprio desenvolvimento, reduzem os instrumentos e processos derivados desses conceitos a rituais burocráticos. HH. importante que você perceba que há aspectos que devem ser tratados, trabalhados mais intensamente para aprimorar o uso dos conceitos. É muito importante, também, que sejam internalizados pelos gestores e pelas pessoas. 6 A noção de competência aparece associada a verbos como saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, saber aprender, saber se engajar, assumir responsabilidades e ter visão estratégica. As competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo. Vejamos o esquema a seguir: Define-se, assim, competência: um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que ageguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo. Fonte: FLEURY, 2011 p. 30. Assim, competência engloba habilidade, mas não se restringe a ela, ultrapassando a mera questão técnica de capacidade de operacionalização. Da mesma maneira, competência engloba atitude, mas não se restringe a ela, pois competência pressupõe ação adequada e não simplesmente ação. Competência pressupõe uma ação que agregue valor diante de novas situações! 7 Podemos, dessa forma, compreender a composição do conceito de competência através de critérios objetivamente mensuráveis, como o exercício proativo e simultâneo de: Saber conceitualmente (qualificação) conhecimento Saber fazer (experiência funcional) habilidade Saber agir (capacidade de obter resultados) atitude Portanto, competência pode ser entendida como uma ação fundamentada e assertiva frente a novos desafios! Essa ação deve agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo. Competência é um potencial disponível para enfrentar os desafios futuros! Dentro do universo de negócios, o conjunto das competências desejadas deve estar alinhado com a estratégia adotada, o que implica que, além de alguma competência em comum, cada segmento de negócios demandará competências específicas, assim como cada organização fará o mesmo em função da sua estratégia. O conceito pressupõe produtividade e adequação a cada realidade de negócios. importante que você, como gestor, saiba que o domínio de determinadas competências leva os profissionais e a organização a fazer diferença no mercado. Por isso é prioritário conhecer as chamadas competências de suporte (aquelas que dão sustentação às competências técnicas exigidas para cumprir determinadas funções). Podem-se considerar, então, dentre as competências de suporte, as competências diferenciais, as essenciais e as básicas. Diferenciais: Estratégicas, estabelecem a vantagem competitiva da organização. Identificadas no estabelecimento da missão. São constituídas por um conjunto de capacitações que auxiliam a empresa a atingir resultados e fazer diferencial no mercado. São genéricas. Essenciais: Identificadas como as mais importantes para o sucesso do negócio. Devem ser percebidas pelos clientes. Básicas: Necessárias para que a empresa funcione. São percebidas no ambiente interno. Estimulam e sustentam o clima de produtividade. 8 Acreditamos que, com os conceitos apresentados, ficou claro o conceito de competência, certo? Vamos agora ver o que significa e em que consiste a gestão por competências. Então, vamos fazer a leitura do artigo ―Construindo o Conceito de Competência‖, de autoria de Maria Tereza e Afonso Fleury. http://www.scielo.br/pdf/rac/v5nspe/v5nspea10.pdf Aproveite também para assistir ao vídeo ―Conceito de Competência‖. https://www.youtube.com/watch?v=5Hgy1sUNj2U Vamos, agora, recapitular os conceitos aprendidos neste tema! Acesse o material on-line. GESTÃO POR COMPETÊNCIAS A gestão por competências é mais do que uma forma de administrar – é uma filosofia de desenvolvimento dos talentos nas organizações. Por meio dela possível orientar as ações das pessoas com o objetivo de construir uma empresa forte e eficaz, que esteja disposta a aplicar suas estratégias e alcançar metas e objetivos. Em um mundo que se caracteriza pela forte competitividade, torna-se vital que as empresas tenham uma clara visão de suas estratégias e objetivos, alinhadas com as melhores práticas de gestão de pessoal. Faz-se necessário então, que a empresa conheça a sua força de trabalho disponível, identificando os pontos fortes e insuficientes de cada colaborador, a fim de agir no desenvolvimento do capital humano. O aumento da competitividade global das atividades a partir da década de 1990 direcionou as empresas ao alinhamento entre políticas de recursos humanos e estratégias organizacionais, agregando o conceito de competências às práticas empresariais, de forma que se tornasse a base do modelo de gestão de pessoas. Fischer apud Fleury e Fleury (2008), afirma que, atualmente, o grande desafio das empresas é garantir o alinhamento das pessoas, competências e desempenho individual às estratégias e objetivos organizacionais. 9 Entre os princípios que nortearão a gestão de pessoas, está a gestão por competências, através da captação, desenvolvimento e remuneração adequada de talentos. Atualmente as empresas estão engajadas em identificar pessoas que possuam potencial para crescimento, que sejam flexíveis para lidar com situações críticas e inesperadas e que pensem estrategicamente. A questão de treinamento e desenvolvimento vem sendo discutida constantemente, pois a preocupação está no alinhamento do desenvolvimento individual com as estratégias empresariais e competências essenciais para a organização (FLEURY e FLEURY, 2008). A Gestão por Competências tem sua base em alguns indicadores organizacionais, que dão suporte para o desenvolvimento e implantação eficaz da ferramenta de gestão. Para Gramigna (2007), quatro são os indicadores: Negócio: o ambiente determina as demandas e a organização se posiciona conforme o seu desejo de espaço.A organização define quais as expectativas e desejos do consumidor que pretende atender. Serve como base para orientar o comportamento dos colaboradores da empresa. Missão institucional: tem por objetivo definir a razão de existir do negócio, indicando o caminho a ser seguido para o alcance dos objetivos. Está voltada para a orientação nas tomadas de decisões, elaboração de objetivos e estratégias. Visão de futuro: sua essência está na ideia de como a organização quer ser vista pelos seus consumidores, fornecedores, parceiros e colaboradores, norteando ações para a busca de resultados e compartilhando-os com toda organização. Pensar além dos objetivos específicos, servindo como um guia. Valores e crenças: normas e princípios aceitos pelo grupo que conduzem o comportamento das pessoas, contribuindo para a formação da cultura organizacional. Segundo Leme (2005), é tecnicamente impossível desenvolver um modelo de gestão por competências sem a definição da missão, visão, valores e estratégia, pois esses fatores são fundamentais para a validação do modelo de gestão. 10 Não é possível concluir que uma empresa precisa de criatividade, por exemplo, se não estiver claro o porquê da sua existência ou qual o seu papel, fato que pode ser checado na missão da empresa‖ (LEME, 2005, p.27). De acordo com Gramigna (2007), a gestão por competências é um conjunto de ferramentas, instrumentos e processos metodológicos voltados para a gestão estratégica de pessoas. As etapas básicas dentro do modelo de gestão por competências são (LEME, 2005): Mapear as competências organizacionais; Identificar as competências de que uma função precisa; Identificar as competências que o colaborador possui; Fazer o cruzamento das informações apuradas, identificando o gap de treinamento e desenvolvimento necessário para o funcionário. Como exposto pelo Portal Educação (2012), o modelo de gestão por competências está inserido dentro de todas as áreas de trabalho de gestão de pessoas na organização, onde temos recrutamento e seleção por competências, treinamento e desenvolvimento por competências, remuneração por competências e a avaliação de desempenho por competências. Assim, a gestão por competências proporciona para a empresa a mensuração dos diferentes tipos de competências existentes. A mensuração das competências é a tradução em números dos resultados apresentados por determinado funcionário em seu comportamento, capacidade técnica e resultados alcançados. Com essa metodologia, a organização consegue alinhar os seus objetivos estratégicos com o desenvolvimento dos seus funcionários, onde os mesmos alcançarão as metas propostas e consequentemente a organização apresentará bons resultados. Uma importante opção para as organizações é a gestão por competências. Administrar neste modelo leva ao redirecionamento das políticas e práticas de gestão de pessoas, as quais adquirem um novo significado por meio de sua adoção. Não é simplesmente uma forma de administrar, mas um meio muito eficaz de desenvolvimento de talentos nas empresas. 11 Você, como gestor, pode orientar as ações de seu pessoal por meio da Gestão de Competências, com o objetivo de estruturar uma organização eficaz, que atinja suas metas e objetivos traçados. Ultimamente, esse tema tem recebido muita atenção por ser de suma importância para o correto funcionamento das empresas. As organizações que hoje focam na gestão de competências e não abrem mão de se tornar mais competitivas e de, inclusive, definir com clareza sua área de atuação mais forte no mercado. Será interessante que você faça a leitura do livro ―Gestão de Pessoas e talentos‖, mais especificamente seu capítulo 6: ―Gestão por competências – Qual é o papel das competências individuais‖. O livro está disponível na biblioteca virtual, que você poderá acessar pelo portal UNICO! Saiba mais sobre o assunto deste tema assistindo ao vídeo ―Gestão por Competências‖! https://www.youtube.com/watch?v=R07V2oXvANs Aproveite para acessar o material on-line para comrpreender a necessidade de uma gestão por competências! GESTÃO DE PESSOAS POR COMPETÊNCIAS O tema das competências é apaixonante. Em muitos países a Gestão de RH tem incorporado a gestão baseada em competências, para melhorar a produtividade e manter um clima positivo nas relações da empresa com os funcionários. Esses esforços buscam melhorar os níveis de produtividade, por meio da mobilização do conhecimento e da capacidade de aprendizagem da organização. É evidente a tendência da revalorização do papel humano na competitividade organizacional. Os desafios e a crescente competitividade e globalização das atividades na década de 1990, levou o alinhamento definitivo das políticas de recursos humanos às estratégias empresariais, incorporando à prática organizacional o conceito de competência com base no modelo para gerenciarem pessoas. 12 Visualizar novos enfoques é importante para a implantação de um novo modelo de gestão baseado em competências. Esse modelo pode dar respostas imediatas e relevantes a situações como: alinhamento das contribuições dos funcionários às necessidades estratégicas dos negócios, administração eficiente de ativos intelectuais centrados nas pessoas, substituição das descrições de cargo como eixo central da gestão de RH, a avaliação de desempenho, o reconhecimento e compensação justos com base na contribuição do valor agregado e erradicação da velha e custosa prática do treinamento tradicional. Observe o gráfico seguinte, acreditamos que facilita a compreensão da importância da Gestão por Competências. É um gráfico sistêmico, onde todos os componentes estão relacionados, facilitando a aceitação e estruturação deste novo modelo de gestão. Fonte: Adaptado de DELGADO (s/d) O caráter holístico deste modelo, estrutura-se em duas características: À A gestão do ativo, que representa as competências, dentro de um sistema onde se relaciona a estratégia, o conhecimento (gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional e gestão por competências), a tecnologia, os processos e os recursos. 13 29: A competência integra as dimensões: 2.1. Características pessoais e sociais (aptidões emocionais sobre as que se estrutura a inteligência emocional. 2.2. Conhecimentos e habilidades técnicas contextualizadas aos processos do trabalho. A instalação de um modelo de gestão por competências supõe, entre outras coisas, uma mudança cultural, no que concerne o modo como a empresa valoriza o conhecimento (capta, seleciona, organiza, distingue e apresenta), focalizando na aprendizagem para resolver problemas, se antecipando às necessidades do mercado e aumentando a inteligência e adaptabilidade da empresa. Gestão por competências é o processo de administrar o ativo intelectual e intangível que representam as competências nas pessoas. (DELGADO, s/d) Com esse enfoque as competências descrevem o que uma pessoa deve saber e pode fazer para desenvolver e manter em alto nível seu desempenho. Inclui aspectos: cognitivos, afetivos, motores e de experiência. As competências se organizam em torno de unidades: papéis, posições e processos que constituem a estrutura social do trabalho na empresa. O modelo de competências sob esse enfoque holístico inclui as competências organizacionais, que significam um diferencialno mercado, as competências que todos os funcionários devem ter para corresponder com seu desempenho à oferta de valor que a empresa oferece e as competências de papéis, que partilham os funcionários que desempenham um conjunto de responsabilidades comuns, por exemplo: líderes, coordenadores, pessoal de apoio. A identificação e construção de competências supõe que elas estejam associadas a um desempenho específico que deve agregar valor mensurável, que esteja redigida de forma clara e que resulte em um insumo útil para os diferentes subprocessos da gestão dos recursos humanos: seleção, avaliação de desempenho e o próprio desenvolvimento de competências. Com tudo isso que você acabou de estudar, você deve ter percebido que o investimento no recurso humano é indispensável para a empresa. Por isso é importante conhecer algumas das razões que justificam a adoção de um modelo de Gestão por Competências: 14 Alinhamento dos recursos humanos com a estratégia do negócio aumenta sua capacidade de resposta as exigências do mercado. A administração adequada dos ativos que são as competências garante a permanência da vantagem competitiva. As funções são descritas partindo das competências requeridas para um alto desempenho. O valor agregado por competências pode ser medido, inclusive, em termos financeiros. Vejamos como funciona o conceito e a utilização das competências nos subsistemas de RH. Lembre-se que é importante que a visão, missão e os valores da organização estejam definidos de maneira correta antes de especificar as competências! Elas devem estar de acordo para que seja mais fácil que as competências se alinhem para atingir os objetivos da organização. Recrutamento por competências: entrevista A entrevista por competências foca na ideia de que o comportamento do candidato no passado e a forma como desempenhou os trabalhos anteriores são as melhores amostras de como seria seu desempenho no futuro. O objetivo principal do entrevistador é obter informações sobre situações específicas e quais seriam as atitudes tomadas pelo candidato nessas situações. Para que este tipo de entrevista seja efetivo para avaliar o candidato, é importante que as perguntas que o entrevistador formulará estejam elaboradas de maneira correta, de modo que ofereçam informações sobre as competências específicas que sejam relevantes para a vaga em questão. Deve-se realizar as mesmas perguntas para todos os candidatos, para ter elementos suficientes para avaliar, em cada caso, se o candidato conta com as competências requeridas pela organização para desempenhar a função para a qual está se candidatando. O método utilizado para elaborar as perguntas diz respeito a uma das atividades a serem desenvolvidas nesta aula. O STAR – Situação (qual foi o problema solucionado), Tarefa (o que fez o candidato para enfrentar a situação), Ação (descrição dos passos e atividades realizados) e Resultados (o que obteve 15 pelas decisões tomadas), é o caminho utilizado para elaborar as perguntas de forma que se avaliem as competências do candidato. O objetivo é que o entrevistador conduza a entrevista para guiar o candidato a dar respostas que possam ajudá-lo a avaliar se o candidato conta com as competências que se requerem para a função para a qual está se propondo. Seleção por competências De acordo com Neri (2012), a seleção por competências tem por base a elaboração de indicadores ou perfis de competências exigidas para o cargo. O processo deve iniciar-se pelo mapeamento das competências que serão requeridas, levando-se em conta os requisitos do cargo, do posto de trabalho a ser preenchido e dos objetivos da organização. De posse desse perfil, o selecionador estrutura o processo com um foco mais preciso, realiza entrevistas, dinâmicas situacionais e jogos, empregados como ferramentas para o levantamento das competências que o candidato já possui. O objetivo é identificar no candidato os comportamentos mais importantes para a melhor execução das suas funções. Dessa forma, entende-se que o processo poderá ser mais objetivo e com isso assegurar os melhores resultados para empresa. Modelo de treinamento de competências Neri (2013) considera que, no modelo de treinamento de competências, treinar é oferecer oportunidades para que as pessoas possam frequentemente refletir sobre seus atributos e exercitar a autocrítica, posicionando-se diante das circunstâncias empresariais e de seu projeto de vida. Isso só será possível com a utilização cada vez mais frequente das chamadas técnicas ou práticas interativas de treinamento. É por meio delas que o ―treinando‖ pode exercitar suas racionalidades para legitimar e reelaborar sua prática (Malvezzi, 1997). É importante perceber que todas as atividades de recursos humanos devem estar alinhadas com a estratégia da organização, o que é possível com a adoção da administração de recursos humanos por competências, já que as competências essenciais para a estratégia da empresa são as premissas para o estabelecimento dos quadros de competências funcionais. 16 Além desse alinhamento externo aos recursos humanos, as atividades devem ter um alinhamento interno, ou seja, devem fazer parte de um sistema que procure continuamente o resultado empresarial. No treinamento de competências deve-se utilizar o máximo possível das práticas on the job monitoradas por gerentes executivos capacitados para o coaching e com ferramentas de acompanhamento e avaliação de desempenho. Só assim poderemos desenvolver competências que sejam conjuntos de habilidades e atitudes. Não há possibilidade de um treinamento que não perceba as pessoas em seu conjunto psicossocial. Gestão de desempenho por competências Segundo Ulrich (2003), a aplicação da gestão por competências a essa atividade pode contribuir para a redução dos problemas enfrentados, gerando resultados mais consistentes. Uma das principais fontes das dificuldades enfrentadas é a falta de clareza sobre os objetivos do processo avaliativo em si. A gestão por competências proporciona definições claras sobre as necessidades que precisam ser atendidas na área de gestão de pessoas, necessidades essas que são derivadas de estratégias corporativas. Sua implantação favorece o surgimento de uma nova mentalidade na organização, trazendo clareza a respeito da necessidade que o desempenho dos funcionários seja constantemente avaliado e redirecionado. A tendência é que, com isso, o clima organizacional seja menos afetado por receios a respeito das consequências geradas pela avaliação de desempenho. Para Gramigna (2002) a gestão do desempenho por competências representa uma forma eficaz de identificar o potencial e o estágio atual de desenvolvimento dos funcionários, estimulando-os a assumirem a responsabilidade pela busca da excelência. Uma das premissas básicas da avaliação do desempenho por competências é a de que o indivíduo tem capacidade para identificar as competências que possui, verificando seus pontos fortes e fracos, tendo em vista suas necessidades profissionais. Uma vez que esteja consciente sobre a relação entre as necessidades relacionadas ao cargo que ocupa e as competências que precisa manifestar, o indivíduo terá maior facilidade para avaliar-se e para aceitar feedbacks 17 oferecidos por outras pessoas. Isso porque a avaliação estará centrada em fatores mais objetivos. Encontram-se com frequência deficiências na avaliação. Destaca-se a adoção de indicadoresdirecionados apenas para a adequação do comportamento dos funcionários aos padrões estabelecidos. Fatores como pontualidade e assiduidade, por exemplo, indicam apenas o quanto o avaliado demonstrou ser disciplinado, mas pouco acrescentam à verificação do desempenho efetivamente alcançado. Frente a esse panorama, devem ser priorizados indicadores que caracterizem o chamado valor agregado, que representa a contribuição oferecida ao alcance dos objetivos da organização. Os tempos mudam. É também necessário que os métodos utilizados nos subsistemas de Recursos Humanos se adequem às necessidades, aos novos tempos. Você, como gestor do século XXI, deve observar e fazer análises sistêmicas. Essa sua posição de análise lhe trará consequentemente um olhar mais objetivo e preciso da realidade e do mercado. Será interessante que você faça a leitura do livro ―Modelo de Competências e Gestão dos Talentos‖, mais especificamente seu capítulo 2: ―A base do modelo de competências: negócio, missão, visão e valores organizacionais‖ e seu capítulo 3: ―Apresentando um modelo – Alinhamento conceitual‖. O livro está disponível na biblioteca virtual, que você pode acessar pelo portal UNICO! Agora, acesse o material on-line para saber mais sobre a gestão de pessoas por competências! MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS Para você, gestor, deve ficar claro que mapear competências significa identificar as competências técnicas e comportamentais necessárias a cada cargo, área ou mesmo a todos os funcionários da empresa. Como resultado desse trabalho, o mapeamento de competências permite que a organização tenha seus critérios de mensuração de sucesso bem esclarecido. 18 Competências individuais De acordo com Fleury (2010), passando do nível mais estratégico de formação das competências organizacionais para o nível de formação das competências do indivíduo, as competências foram categorizadas em três grandes blocos, que envolvem a relação do indivíduo com toda a empresa, em uma perspectiva sistêmica: Competências organizacionais Zarifian (2001) diferencia as seguintes competências em uma organização que acabam por configurar diferentes áreas de desenvolvimento de competências: 19 Zarifian (2001) diferencia vários conteúdos relacionados às competências organizacionais que configuram as áreas de desenvolvimento de competências: competências referentes aos processos, competências técnicas, competências relacionadas à organização, competências de serviço e competências sociais. Uma vez que as competências individuais formam a base para as competências organizacionais, pode-se considerar que elas se influenciam mutuamente, de modo que a organização prepara as pessoas para enfrentar novas situações dentro da própria organização ou mesmo em sua vida pessoal, 20 enquanto o indivíduo oferece à organização o seu aprendizado, de modo que esta tenha as condições necessárias para enfrentar os novos desafios (DUTRA, 2008). Essas ideias reforçam a concepção de competência organizacional constituída a partir de recursos e de que a competência agrega valor econômico (+) organização e valor social ao indivíduo, conforme a definição de Fleury e Fleury (2001). Podemos, então, entender que as competências organizacionais ―São construídas por meio de ações e articulações das competências individuais, pautadas em um processo sinérgico. O desenvolvimento das competências organizacionais é marcado pelo resultado do aperfeiçoamento continuo‖. Fleury e Fleury (2001, p. 23). Mapeamento de Competências ‖O conhecimento é a nova base da riqueza‖, garante o economista Lester Thurow, do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT). Mas a transformação desse conhecimento em riqueza não é automática. Thurow diz que a melhor imagem para refletir o processo de construção da riqueza é uma pirâmide simbólica para cujo vértice convergem diferentes fatores determinantes. Fonte: HSM Management, 2005. Nessa pirâmide ele destaca dois aspectos importantes que têm a ver com nosso tema: É preciso gente capacitada para descobrir novos conhecimentos, inventar novos produtos e processos e saber como usar essas novidades. O conhecimento gera inovações revolucionárias em tecnologia, que permitem alcançar índices altos de crescimento econômico. Como gestor, é importante que você tenha em conta que o conhecimento, a criatividade e o capital são as ferramentas indispensáveis para que as organizações e os indivíduos aprendam a viver segundo as novas regras. O mundo está mergulhado em uma grande e contínua transformação histórica. Essa nova economia gera uma competição acirrada! E como diz Gramigna (2007), três desafios se fazem presentes: A adoção de tecnologias inovadoras (como já declarava Thurow), que permitam competir de igual para igual com os concorrentes. 21 5. O alinhamento de processos internos para agilizar e apresentar qualidade em produtos e serviços. 6. A adoção de um modelo assertivo de gestão de pessoas capaz de identificar, desenvolver e reter talentos como principal fonte de capital. Uma das etapas do modelo de gestão por competências é o mapeamento de competências. Então o que é mapear? Podemos recorrer a uma série de verbos que caracterizam muito bem o que significa esta palavra. E vemos como, além de identificar, é necessário que esse processo permita descrever e classificar as competências corporativas e profissionais. Ao mesmo tempo, desenvolver significa identificar e trabalhar os gaps ou lacunas existentes entre as competências individuais necessárias à estratégia da organização, atualmente e no futuro. É nesta etapa que se procede a identificação clara e objetiva das competências individuais e organizacionais necessárias, assim como a verificação das competências de que dispõe a empresa nesse momento. Observe o gráfico e veja como é importante que esse processo de mapeamento seja realizado por meio da análise dos documentos relativos ao planejamento estratégico da empresa, tendo em conta sua visão, missão e valores principalmente. Você deve ter percebido que as competências individuais, aliadas a outros recursos formam as competências organizacionais. Mesmo assim a organização precisa definir quais são competências essenciais para seu negócio e se elas estão de acordo com seus objetivos e estratégias. Depois deverá estabelecer quais são as competências individuais necessárias. 22 Fonte: Fundação Dom Cabral: http://www.fdc.org.br/programas/Paginas/Programa.aspx?programa=Programa%20Customizado:%20Foco%20em%20 Compet%C3%AAncias Esse mapeamento deve permitir a identificação de lacunas existentes entre as competências reais e as necessárias ou desejadas, permitindo orientar a tomada de decisões e ações para reduzir essas diferenças. Segundo Costa (2008, p. 27) podem ser utilizados para a realização do processo de mapeamento das competências ―métodos e técnicas de pesquisa social (sobretudo entrevistas individuais ou coletivas com dirigentes da organizaçãoe especialistas); realização de workshops com a participação de dirigentes e especialistas‖, avaliação de desempenho, autoavaliação e por meio de entrevistas qualitativas ou quantitativas com os próprios colaboradores que descrevem as competências essenciais para executarem de forma excelente suas atividades. O projeto educacional está baseado em um processo de aprendizagem onde o objetivo principal são os sistemas de produção e o desenvolvimento de competências para competir em mercados globalizados. 23 Observe que, em síntese, o processo de aprendizagem de todas as empresas é estruturado com o objetivo de criar uma vantagem competitiva. O processo gera uma dinâmica de mudança interna, onde os mecanismos de sustentação (desenvolvimento das equipes, papel do RH e o processo contínuo de acompanhamento no que se refere a performance dos funcionários), são a base primordial para que o processo se mantenha e gere os resultados desejados pela organização e pelos funcionários. Lembre-se que o propósito do mapeamento por competências é identificar a discrepância entre as competências necessárias para concretizar a estratégia corporativa e as competências internas existentes na organização! São estes os passos para a realização do mapeamento por competências: 24 As etapas da implantação do modelo De acordo com Gramigna (s/d) a gestão por competências é um programa que se instala através de etapas que se sucedem de forma simultânea ou passo-a- passo. Para que tenha sucesso, o envolvimento e a adesão das pessoas-chave da administração e dos postos de trabalho é fundamental. A sensibilização deste público na busca do comprometimento é a primeira etapa do processo. Para a autora, essa sensibilização poderá ser realizada por meio de intervenções variadas: Reuniões de apresentação e discussão do modelo, para prováveis adaptações à cultura da empresa. Fóruns de discussão com o objetivo de detectar as falhas do modelo vigente. Participação em palestras e em cursos específicos que tratam do tema. A partir do momento em que a alta administração e as pessoas-chave aderirem à ideia, passa-se à segunda etapa. Duas ações são fundamentais neste momento: Verificar se as missões setoriais estão compatíveis com a missão da empresa. Checar as responsabilidades de cada unidade ou grupos de funções. A terceira etapa consiste em listar as competências necessárias a cada grupo de funções, delinear os perfis e estabelecer mecanismos de verificação de performances individuais. A partir daí o corpo gerencial é treinado para acompanhar o desempenho de suas equipes, identificando os pontos de excelência e os pontos de insuficiência. É preciso ter em conta que, o mapeamento de competências é uma das etapas mais complexas do sistema de gestão do conhecimento, e todas as questões pertinentes a esse tema devem ser esclarecidas pela área de RH. Você, como gestor, não deve esquecer que, as competências humanas formam a estrutura de sustentação das competências organizacionais. Isso ratifica o papel do indivíduo como ator principal no cenário da gestão do conhecimento e como principal artífice da construção da vantagem competitiva da empresa. 25 Façamos, agora, a leitura do artigo ―Mapeamento de competências como diferencial competitivo nas organizações‖, de autoria de Margareth rodrigues Pena. http://www.rh.com.br/Portal/Desempenho/Artigo/4306/mapeamento-de- competencias-como-diferencial-competitivo-nas-organizacoes.html# Agora, temos duas sugestões de vídeo para você fixar melhor os conteúdos que acabamos de discutir neste tema! O primeiro é o vídeo ―Como mapear as competências através do coaching‖. Confira! https://www.youtube.com/watch?v=bpd4_yqtv3I O segundo é o ―Mapeando Competências com diversão‖, vamos lá? https://www.youtube.com/watch?v=bqN4NDb_kz0 Agora, chegou o momento de sabermos o que a professora Carolina Walger tem a dizer sobre o assunto deste tema! Acesse o material on-line! ÉTICA NA GESTÃO DE PESSOAS Muito se tem falado sobre ética atualmente. Surgem questionamentos gerados pela realidade que estamos vivendo. O tema não é mais novidade no mercado. As organizações, dentro de um plano prospectivo, estão interpretando esse ‖clima ético‖, como a necessidade urgente de gerenciar os processos organizacionais, profissionais e de relacionamentos com o mercado dentro de uma nova ótica. Essa maneira de pensar e de agir, predispõe as organizações para um processo de revisão de seus procedimentos internos e externos nos âmbitos social, cultural e de relacionamento com seus clientes, fornecedores, acionistas, concorrentes e com a sociedade em geral. O termo, ―ética‖ representa a essência de como devemos agir para atingir um objetivo ou uma meta, ou melhor, dentro de quais princípios devemos nortear nossas decisões. A incansável busca do homem para conseguir sua realização, seu equilíbrio psicofísico, enfim, ter uma vida virtuosa vai de encontro a esses conceitos de caráter ético debatidos exaustivamente por grandes filósofos, 26 desde os tempos de Sócrates, há cerca de 400 a.C. A partir de então, foram surgindo novas correntes filosóficas sobre a ética, porém, sempre dentro de um propósito único que é a definição da maneira de agir do ser humano – único ser vivo capaz de demonstrar tais comportamentos dentro da visão ética – e de se relacionar com o meio em que vive. Ao longo dos anos, a sociedade vem experimentando transformações comportamentais que consequentemente influenciaram as empresas a passarem por processos de mudanças em relação a sua atuação e os impactos gerados por elas. Nesse contexto o comprometimento das empresas com a ética abrange não apenas uma boa reputação externa, mas também o alinhamento dos seus profissionais com base em padrões éticos, como a transparência, a integridade, a confiabilidade e a honestidade, valores esses que constroem ou a imagem da organização de tal modo que sua ausência prejudica essa mesma imagem. A resposta à seguinte pergunta pode levar você futuro gestor a entender a importância da ética na organização e nos negócios. O que é ética nos negócios? Encontramos uma resposta no International Business Ethics Institute, que define a ética nos negócios como ‖uma forma de ética aplicada. Seu objetivo é incutir na mente do gestor e dos funcionários como agir para conduzir negócios com responsabilidade‖. A visão de ética de gerenciamento não é filosofar, mas, sim, criar as condições organizacionais para tornar o comportamento ético natural. Continuamos respondendo à pergunta, e percebemos também que a ética nos negócios é uma questão de equilíbrio. Significa que o gestor deve equilibrar os desejos naturais dos indivíduos com os imperativos da ação organizacional. O gestor deve construir incentivos organizacionais, controles, promoções, identificar competências individuais e organizacionais, dentro de dos conceitos fundamentais de gerenciamento: estabilidade e coesão, igualdade, flexibilidade e inovação. 27 Passos em direção a uma organização baseada na Ética: É Os valores éticos da organização devem ficar bem claros dentro das afirmações e conceitos de visão, missão, valores, assim como em todos os documentos nos quais a organização se apoia paradar um rumo a suas atividades. É Essas afirmações de valor ético devem ser bem pensadas e limitadas em número. Esses valores não são afirmações políticas, mas sim os verdadeiros e inflexíveis princípios éticos da organização aos quais todos devem aderir. É É necessário, haver uma explicação clara e de fácil compreensão em relação ao porquê da importância destes valores para a empresa. É Os gestores e funcionários, dos membros de menor poder até os executivos chefes, devem ser lembrados, regular e formalmente, dos valores éticos. Eles têm de ser valores ‖explícitos‖. É Os valores éticos são uma parte integral da seleção, contratação e treinamento É Os líderes-gestores devem dar os maiores exemplos de comportamento ético. É Deve haver uma igualdade imutável na ênfase às regras éticas e aos critérios morais. É Deve existir um mecanismo de reforço do comprimento das regras, claramente compreendido por todos. É O gestor deve projetar a organização para que o benefício da associação de todos os funcionários seja mais importante que a violação de regras. É A prioridade é a sobrevivência da organização. Não é negativo nas atividades comerciais ou no mercado de trabalho que exista a concorrência, mas é importante que se observe a ética apropriada para a competitividade! Você como gestor ético, deve certificar-se de que a prática dos negócios não envolve fraude, desonestidade ou ganância; além de criar um equilíbrio ético dentro da organização, equilíbrio que leve as variáveis de esforço organizacional e produtividade em direção à durabilidade e à viabilidade do negócio. 28 Os gestores éticos de pessoas entendem que: A ética na organização é parte de um sistema de gerenciamento muito mais abrangente e importante; A ética não pode ser colocada à força; A ética nos negócios envolve escolhas; Deve ser criado um ambiente onde os funcionários possam tomar decisões éticas apropriadas. A Ética deve permear todas as ações dos diferentes subsistemas de RH. As pessoas são o ponto de partida de uma organização sustentável. São elas que interagem entre si para atingir um objetivo comum. A evolução das organizações superiores começa com a cuidadosa escolha e formação dos indivíduos. Hoje em dia, trabalhar dentro de padrões éticos começa no recrutamento e seleção. Esse espírito é, atualmente, uma qualidade, uma marca das organizações de elite que desejam fazer a diferença. Não é de surpreender que estas empresas sigam um processo de seleção cuidadosamente controlado. São aceitos somente aqueles que realmente mostram ter talento, força de vontade e compromisso. Ética no Recrutamento e Seleção A ética no Recrutamento e Seleção surge de um pleno entendimento do negócio, de seus objetivos, de suas fraquezas, de seus pontos fortes. Da definição clara das competências necessárias, dos métodos e das técnicas utilizadas (essas últimas devem ser coerentes com a investigação a ser realizada). De acordo com Oyamada (2005), é fundamental que todo processo seja fundamentado na ética para que haja um bom equilíbrio e um bom funcionamento da organização, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Afinal, todo processo seletivo cria expectativas e envolve a vida e o futuro de pessoas! Profissionais não podem ser tratados como simples produtos. Eles devem ser alvo, sobretudo, de um tratamento respeitoso durante e após o preenchimento da vaga. 29 Finalmente, a ética profissional em Recrutamento e Seleção se faz imprescindível e discussões sobre o tema são necessárias não só nas organizações, mas principalmente na academia, espaço para formação de selecionadores, construção de saberes e de possíveis mudanças ao pensar o papel da Psicologia dentro das organizações. Vamos agora a estudar o papel da ética no Treinamento e Desenvolvimento! Ética no treinamento e no desenvolvimento Segundo De Cícero 2015, o treinamento possui a finalidade de ajudar a empresa a alcançar seus objetivos, criando oportunidades e ampliando a visão de seus colaboradores. Com isso há uma mudança na atitude das pessoas, criando um clima saudável entre líderes e liderados, motivando a equipe e fazendo com que todos entendam e aceitem às estratégias utilizadas por aqueles que dirigem, gerenciam ou supervisionam. Já o desenvolvimento de pessoas tem uma característica diferenciadora: o tempo. Trata-se mais de um processo de educação, pois a aplicação depende das circunstâncias; é um processo de crescimento integral das pessoas, a expansão de suas competências, para aplicá-la na solução ou resolução de novas e diferentes situações. O objetivo é proporcionar às pessoas a oportunidade de assumir novas atribuições e responsabilidades a um nível mais elevado de complexidade na organização, num processo de crescimento contínuo. Diante de todas essas questões, o que realmente é ético será de acordo com o momento que se vive. A ética é um conjunto de normas com conceitos morais que devem orientar o comportamento de cada profissão, tendo a consciência de que podemos influenciar outros com nossos pensamentos. Todo empresário deve entender definitivamente que treinar e aperfeiçoar sua equipe de colaboradores periodicamente faz parte do andamento de sua empresa, é insumo básico e fundamental. Diante dessa concepção, a abordagem da capacitação deverá estar diretamente ligada à prática específica para cada área, a qual se devem incluir reflexões para cada uma. Por exemplo, na área de saúde, como agir diante de um aborto provocado ou eutanásia? No 30 momento de sua formação, o profissional deverá estar preparado para estas situações, por isso cada profissão detém um código de ética. Mediante o código da sua empresa, faz-se necessário uma boa capacitação e desenvolvimento para que o sucesso seja contínuo. Papel da ética na avaliação de desempenho ‖As pessoas são diferentes, nascem assim e pela natureza humana trabalham de formas diferentes‖. A frase acima talvez possa resumir uma das maiores preocupações dos gestores de pessoas: como usar métodos que possam de forma eficiente e eficaz avaliar uniformemente o desempenho de pessoas diferentes com necessidades, anseios e experiências diferentes. A avaliação do desempenho precisa ser mais que um procedimento administrativo que ―nivela‖ pessoas em patamares de produção e desempenho estipulados pela empresa, pois as pessoas não fazem as coisas pelas mesmas razões e suas motivações e anseios variam de pessoa a pessoa ainda que os objetivos da empresa estejam definidos. Portanto, distancia-se da ética um processo que ignora as carências, os interesses e a personalidade do indivíduo e leva em consideração os interesses da organização. Um processo de avaliação de desempenho deve tratar o avaliado como sujeito de um processo produtivo, preocupar-se primeiramente em entender as diferenças existentes nos grupos de trabalho, identificar as potencialidades em competências específicas e ainda permitir mobilidade ao seu avaliado para áreas que reconhecidamente apresente mais chances de desempenho. Depois de todo o exposto, surge um questionamento como tratar de questões importantes relacionadas a este processo sem, contudo, prescindir de princípios éticos e valores. De modo geral as organizações adotam sistemas informatizados com base em modelos de avaliação tradicionalmente conhecidos sem considerar as diferenças individuais. Muitas vezes a avaliação de desempenho pode transformar-se em umaarma contra os funcionários. Depois de ter estudado e entendido o papel da Ética no recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento e na avaliação de desempenho chega o momento preciso para conhecer detalhadamente o código de ética que rege o Gestor de Recursos Humanos. 31 CÓDIGO DE ÉTICA DO GESTOR DE RECURSOS HUMANOS – PREÂMBULO O código de ética tem como objetivo destinar ao Gestor de Recursos Humanos os princípios que devem formar a consciência profissional e a conduta do mesmo, respeitando o bem material, social e humano da instituição, o trabalho em equipe e aprimorando-se nos valores éticos. Definição um instrumento regulador que traça os parâmetros do ideal moral na sociedade em diversos campos da conduta humana, ou seja, critérios, regras, leis e normas para os profissionais de cada categoria. CÓDIGO DE ÉTICA DO GESTOR DE RECURSOS HUMANOS – PREÂMBULO Dos princípios fundamentais 1º – O Gestor de Recursos Humanos tem a responsabilidade de controlar e impor deveres indelegáveis com compromisso moral com o indivíduo (cliente interno, organização e a sociedade) e com seus recursos humanos. 2º – Preservar em sua conduta a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo caráter de essencialidade e de indispensabilidade. Do perfil do gestor de Recursos Humanos 3º – Ter interesse por pessoas e pelas condições de vida no trabalho. 4º – Ser um estrategista responsável pela integração entre funcionário e empresa. 5º – Analisar e executar atividades relativas a recrutamento, seleção, treinamento, contatos com a agência de empresa, recebimento de currículo, análise e entrevistas de mão-de-obra para a empresa. 6º – Comportar-se de forma ativa em face dos problemas, habilidade para contribuir no reconhecimento e nas decisões estratégicas, ser motivador, criativo, dinâmico, autoconfiante e desenvolvedor de talentos. 7º – Prestar assessoria e orientação à empresa quanto a empréstimos, cheque refeição, vale transporte, assistência médica e odontológica, seguro de vida, dentre outros assuntos. 32 8º – Auxiliar os empregados a respeito de seus direitos previdenciários e manter a relação sindical. Dos deveres 9º – Não compactuar com nenhum tipo de violação deliberada aos Direitos Humanos, ao Direito Constitucional e Direito do Trabalho. 10º – Buscar o bom convívio entre funcionários e empregados, trabalhando, assim, métodos de bom convívio entre todos os departamentos. 11º – Jamais transigir quanto a possíveis práticas de discriminação de qualquer natureza, assim como em relação as minorias sociais. 12º – Exercer sua profissão com honestidade, independência, lealdade na sua dignidade e boa-fé. 13º – Estar comprometido com políticas de Recursos Humanos voltadas para justiça, transparência iguais de trabalho a todos aqueles que integram a companhia. Das relações com a empresa e entre os profissionais 14º – Cumprir fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos mediante contratos ou outros instrumentos relativos ao exercício profissional. 15º – Não ser conivente com erros, faltas éticas, crimes ou contravenções penais praticadas por outras na prestação de serviços profissionais. 16º – É vedado aos profissionais: Usar de má-fé com seus companheiros de trabalho, seus clientes e fornecedores. Infligir a ética moral da empresa. Usar da amizade para se beneficiar futuramente. Dos direitos 17º – Exercer a profissão independentemente de questões religiosas, raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, condição social ou de qualquer natureza, inclusive administrativa. 18º – Apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições, quando as julgar indignas do exercício profissional ou prejudicial ao empregador, devendo, 33 nesse caso, orientá-lo para corrigir as falhas para evitar penalidades dos órgãos competentes. 19º – Fazer parte das Entidades de Classe, tais como Sindicatos, Associações e Confederações. 20º – Exigir justa remuneração por seu trabalho, o qual corresponderá às responsabilidades assumidas a seu tempo de serviço dedicado, sendo-lhe livre firmar acordos sobre salários, valendo, no entanto, pelo seu justo valor. Do sigilo profissional 22º – O sigilo é fundamental a qualquer profissão, mantém o respeito, confiança e dignidade. 23º – Observar suas obrigações, evitar e reprimir negócios escusos, manter a equidade e lealdade em todos os relacionamentos. 24º – O Gestor de Recursos Humanos deve manter sigilo do processo de recrutamento e seleção pois o candidato, sendo estimulado, nos fala muita coisa que é de sua intimidade e que não vai influenciar na atividade a ser desenvolvida na organização. Das proibições 25º – Não permitir em nenhuma hipótese a exploração do trabalho infantil, reservando-se o direito de denunciar as organizações ou entidades que adotem essa prática. 26º – Não permitir nos processos ou em quaisquer outros fatores relativos ao desempenho profissional, qualquer forma de discriminação relativa a raça, gênero, orientação sexual, cor, religião, idade, origem étnica, incapacidade física ou mental e/ou qualquer outra classificação protegida por leis federais, estaduais ou municipais. 27º – Não admitir qualquer conduta que possa criar um ambiente hostil, intimidador e ofensivo. 28º – Não admitir que os colaboradores obtenham qualquer benefício pessoal decorrente do privilégio de informações ou vantagem obtida em situação de trabalho. 29º – Deixar de pagar, regularmente as anuidades e contribuições devidas ao CRRH (Conselho Regional de Recursos Humanos) a que esteja obrigado. 34 30º – Deturpar intencionalmente a interpretação do conteúdo explícito ou implícito em documentos, obras doutrinárias, leis, acordos e outros instrumentos de apoio técnico do exercício da profissão, com intuito de iludir a boa-fé de outros. Das penalidades dos infratores 31º – O não cumprimento deste código, segundo a gravidade, terá as seguintes penalidades: Advertência confidencial, em aviso reservado. Suspensão do registro profissional para o prazo de até 1(um) ano que caberá ao conselho a recolher a carteira de identidade profissional do infrator. As penalidades serão anotadas na carteira de identidade profissional e no cadastro do Conselho Regional, sendo comunicado ao Conselho Federal. CONSIDERAÇÕES FINAIS Oferecer meios e suporte para o bom desenvolvimento dentro da organização. O código de ética obriga igualdade aos Gestores de Recursos Humanos, no que lhe forem aplicáveis. Os Gestores deverão ser éticos com seus funcionários, ser responsáveis por ações passadas e pelo cumprimento de leis e normas. A ética gera credibilidade e confiabilidade, alicerces de bons negócios e bons relacionamentos profissionais ou individuais. Para enfrentar os desafios do mercado, que está cada vez mais competitivo, de horizontes incertos e de comportamento dinâmico faz-se necessário pensar e agir estrategicamente com muita ética e responsabilidade, com atenção no dia-a-dia e foco nas tendências, perspectivas, possibilidades e hipóteses de negócios que o futuro pode nos apresentar. Fonte: http://docslide.com.br/documents/codigo-de-etica-do-gestor-de-recursos-humanos.html Hoje em dia começa a surgir um modelo diferente de gestão, de organização, de sociedade. Gestores que praticam abordagens mais participativas percebema capacidade, a energia, a criatividade e o empenho das pessoas em suas empresas. 35 Vale a pena refletir e acreditar que as organizações que aprenderam a pensar em conjunto e que valorizam os comportamentos éticos são cheias de pessoas inteligentes, com competências, que realizam mudanças e que colocam sua criatividade ao serviço da organização em um gesto de uso de sua liberdade individual. Para você fundamentar melhor os conhecimentos adquiridos ao longo deste tema, aproveite para fazer a leitura do livro ―Ética Empresarial na prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa‖ de autoria de Mário Sérgio Cunha Alencastro. O segundo capítulo do livro, intitulado ―Ética nos negócios, impostura ou realidade? – Definindo a ética empresarial‖ tem tudo a ver com o que discutimos neste tema! O livro está disponível na biblioteca virtual! http://ava.grupouninter.com.br/tead/hyperibook/IBPEX/548.php Agora, acesse o material on-line! TROCANDO IDEIAS Já que você, como gestor, necessita conhecer e dominar todos os temas relativos às competências essenciais, básicas e diferenciais (vantagem competitiva, modelo de gestão de competências e mapeamento), você se sente preparado para responder alguns questionamentos próprios destes temas? Vamos começar então, prepare-se: Em que momento uma empresa é considerada competente? Existe alguma diferença entre uma pessoa competente e uma pessoa que tenha competência? Atualmente as pessoas estão em alta? Que competências devem ter as pessoas para se manter ativas no mercado? NA PRÁTICA Metodologia STAR para entrevista por competências O método STAR é um dos melhores métodos ou estratégias para fazer uma entrevista por competências. O Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de 36 Aurélio Buarque de Holanda, enfatiza na definição de competências, aspectos como ‖capacidade para resolver qualquer assunto, aptidão, idoneidade‖. Esta atividade vai medir a capacidade que você tem para resolver situações como gestor. Vamos, então, ao desafio-aprendizagem! Primeiro pense: que competências específicas você, como gestor, está procurando em seus futuros talentos? Que características eles terão que demonstrar durante a entrevista a fim de convencê-los que eles têm a capacidade para ter sucesso, ao invés de só fazer o trabalho normal? Se você está buscando contratar alguém que vai ―ajudar a melhorar a satisfação do cliente‖, você faria perguntas em torno das competências ―foco no cliente‖ ou ―orientação para o cliente‖, certo? Se o futuro funcionário terá suas atividades focadas em ―conquista de novos negócios‖, então você pode querer fazer uma combinação de perguntas em torno de competências como: ―iniciativa‖, ―negociação‖ e ―resistência‖. Se você estiver à procura de um colaborador que será ―responsável por gerenciar uma equipe de pessoas‖, então competências como ―adaptabilidade‖, ―liderança‖, ―trabalho em equipe‖, ―tomada de decisão‖ e ―habilidades interpessoais‖ estariam na sua lista de comportamentos a avaliar. Depois de identificar os principais comportamentos e competências que você gostaria que seus candidatos fossem capazes de demonstrar, você deve selecionar as perguntas específicas para avaliar tais competências. Veja os aspectos que são necessários para a entrevista por competências: Importante definir que competência quer avaliar e estabelecer uma Situação (S) que tenha usado essa competência em particular. Determine a Tarefa (T) que teve que fazer colocando em prática essa competência e as Ações (A) ações realizadas para solucionar situações problema. Pergunte pelos Resultados (R) obtidos e como o candidato os afrontou. Esses resultados devem ser mensuráveis e de fácil comprovação. importante avaliar todos os candidatos com as competências que você decidiu. Não esqueça! Vamos à entrevista! Escolha um colega. Espere também para ser escolhido e responder às questões. 37 Antes da entrevista, prepare-se. Tenha claro o que quer saber e pense nas perguntas que lhe ajudarão a obter as informações necessárias para que sua entrevista seja válida. Fonte: GRAMIGNA, 2007 – p. 110 Agora é com você. Se quiser, utilize as mesmas perguntas do quadro e registre as respostas no modelo do quadro abaixo para registro de resultados: Fonte: GRAMIGNA, 2007 – p. 111 38 É necessário pontuar. Desta forma sua escolha será mais objetiva. Fonte: GRAMIGNA, 2007 – p. 111 Esse quadro de pontuação tem como objetivo pontuar as respostas que foram dadas pelo entrevistado. É muito fácil de entender e de preencher. Leia com atenção e relacione todos os passos que até agora foram feitos! O registro das respostas é importante. E atribuir um valor a cada uma delas lhe facilitará sua decisão. Depois de terminar a entrevista, veja os resultados e tenha uma conversa com seu colega para que ele conheça o resultado da entrevista. Lembre-se: você deve mudar as perguntas de acordo ao cargo solicitado. Protocolo de Resolução da situação proposta O professor deverá indicar ao aluno uma série de passos para resolver a situação envolvendo: É Leitura do caso: nesse caso é necessário que o aluno saiba o que significa o modelo STAR para a entrevista por competências. É Identificação do que deve ser feito: fazer duplas e realizar a entrevista completa. Um de cada vez. Apresentar os comentários. É Identificação da teoria/conteúdo que resolve o problema. É Indicação de leitura complementar, se necessário. 39 Apresentação da solução do problema. Para obter mais informações sobre o tema, façamos a leitura do capítulo ―Metodologia STAR por competências‖, no livro de Maria Rita Gramigna ―Modelo de Competências e Gestão dos Talentos‖. 2ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. O livro está disponível na biblioteca virtual do UNICO! http://unico.facinter.br/ Veja no vídeo que está no material on-line os comentários da professora Carolina sobre este estudo de caso prático. SÍNTESE Crescemos em uma cultura em que administrar era dizer às pessoas o que fazer. Hoje, é preciso entender que o mundo atual e as condições da sociedade e do mercado exigem que os gestores aprendam, se desenvolvam e atuem como mestres, para inspirar e levar as pessoas ao desempenho perfeito. Administrar por competências significa envolver as pessoas de tal modo para se disporem a fazer um trabalho excelente. O gestor deve ser inspirador para atingir o resultado que a empresa espera! Os resultados alcançados são criados por muitos funcionários que compreendem seu papel e sabem que, ao colocar suas competências ao serviço da empresa, contribuem para que os processos organizacionais e as estratégias adotadas sejam potencializadas, por meio de ações inspiradas nas competências individuais. Como reconhecer que todo mundo é um inovador em potencial? Como desenvolver a necessidade de criar inata no ser humano? As mudanças organizacionais de sucesso têm como base o desenvolvimento das competências. Não se quer só um funcionário competente – que em alguns casos pode falhar – busca-se a competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades, comportamentos e atitudes, que permitem queas pessoas desempenhem com eficácia suas atribuições em qualquer situação. Assim como a visão da empresa se expande, é preciso também fazer com que a visão dos funcionários vá além para que eles reconheçam e ajam conforme suas competências inovadoras frente aos desafios que caracterizam a vida nas organizações. 40 Gerir ações de acordo com as competências significa trabalhar com o potencial inovador que existe em todos nós. Significa, também, resolver situações-problema, inovando estrategicamente, com uma nova visão de mundo na qual as organizações e os funcionários se adaptam a novos modelos, com o intuito de construir alternativas novas de ação. As empresas trabalham hoje para ter uma real sobrevivência competitiva. No mundo dos negócios, as organizações estão sujeitas às forças econômicas que mudam e incentivam novas ações. As competências essenciais são a base da vantagem competitiva das organizações. Elas se aprimoram baseadas em uma contínua aprendizagem, de modo que as lacunas próprias do processo são preenchidas através de uma educação permanente e ativa que responda a complexidade do mercado. Os temas tratados na rota são de uma relevância atual e mais quando todas essas ações devem estar permeadas por comportamentos éticos, que em algum momento podem ‖complicar‖ a ação dos funcionários e das empresas. Søren Kierkegaard, grande filósofo dinamarquês do século XIX, gostava de usar o exemplo do ‖ou‖ para descrever a condição humana. De certa maneira, sempre estamos lutando para decidir que caminho seguir... esse ‖ou‖ é também o que deve preocupar as organizações: é o que nos faz seres humanos. Para regulamentar todas essas ações é importante ter um código de ética. O termo ‖fraternidade‖ usado no mundo dos negócios é muito mais holístico e genérico, a ponto de incluir a todos: funcionários, gerentes, supervisores, diretores, processos etc. Esse código deve fortalecer os laços profissionais e fraternais, buscando o interesse comum articulado e compreendido por todos os envolvidos, além, de limites claros e um forte senso de coesão dentro da organização. Mais uma aula, mais conhecimentos, mais experiências..., mas é você, como gestor de Recursos Humanos, quem deve decidir a validade do estudado e sua aplicabilidade por meio de ações práticas, de decisões, de atrever-se, de descobrir suas competências e ter competência para assumi-las. Agora assista os comentários finais da professora Carolina, lá no material on-line! Até a próxima aula! 41 REFERÊNCIAS ALENCASTRO, M. S. C. Ética Empresarial na prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa. Curitiba: Ibpex, 2010. AMARAL, R. M. Gestão de pessoas por competências em organizações públicas. Anais do XV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, p. 875-898, 2008. AMARAL, R. M. et al. Modelo para o mapeamento de competências em equipes de inteligência competitiva. Ciência da Informação, v. 37, nº 2, p. 7 - 19, 2008. BELFORT, R. M.; SANTOS, E. F. M. S; TADEUCCI, M. S. R. Gestão por Competência: Um novo modelo de gerenciamento. Revista UNI, Imperatriz (MA), v. 2, p. 39 - 53. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: O capital humano das organizações. São Paulo: Atlas, 2006. DELGADO, D. J. Modelos de Gestión por Competencias. Fundação Iberoameriacana Del Conhecimiento. Disponível em: http://www.virtual.unal.edu.co/cursos/economicas/2008551/lecciones/descargas /competencias2.pdf DUTRA, Joel de Souza (Org.). Gestão por competências. São Paulo: Gente, 2001. FRANÇA, A. C. L. Práticas de Recursos Humanos – PRH: conceitos, ferramentas e procedimentos. São Paulo: Ed. Atlas, 2012. FLEURY, A.; FLEURY, M. T. L. Estratégias empresariais e formação de competências: um quebra-cabeça caleidoscópico da indústria brasileira. São Paulo: Atlas, 2010. FLEURY, M. T. L. Aprendizagem e gestão do conhecimento. In: DUTRA, Joel de Souza (Org.). Gestão por competências. São Paulo: Gente, 2001. GALBRAITH, C. O código beneditino de liderança: organização e gerenciamento de empresas de resultados. São Paulo: Editora Landscape, 2005. NERI, A. Gestão de RH por competências e a empregabilidade: reflexões, cuidados e orientações para os principais processos associados à gestão de RH. Rev. atual. 2005. 42 GRAMIGNA, M. R. Modelo de Competências e Gestão dos Talentos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. GRAMIGNA, M. R. Gestão por Competências: Uma ferramenta para a competitividade. 2003. KNAPIK, Janete. Gestão de Pessoas e talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. LANA, M. S.; FERREIRA, V. C. P. Gestão por competências: impactos na gestão de pessoas. Estação Científica Online, Juiz de Fora, nº 04, 2007. LEME, R. Aplicação prática de gestão de pessoas: mapeamento, treinamento, seleção, avaliação e mensuração de resultados de treinamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005. LOTZ, E. G. Gestão de talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. OYAMADA, G. M. Recrutamento com ética. São Paulo: Gazeta Mercantil, 2005. ULRICH, D. Os campeões de recursos humanos: inovando para obter os melhores resultados. 8. ed. São Paulo: Futura, 2003. ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. Trad. Maria Helena C. V. Trylinski. São Paulo: Atlas, 2001. Artigos Código de Ética do Gestor de Recursos Humanos. Disponível em: http://docslide.com.br/documents/codigo-de-etica-do-gestor-de- recursos-humanos.html Acesso em 13/11/2015. Conceito de Gestão por Competências. Disponível em: http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/17326/conceitodegestao#i xzz3lYu87DHm Acesso em 13/11/2015. Treinamento e Desenvolvimento – O envolvimento da ética no processo de treinamento e desenvolvimento. Disponível em: http://www.rhportal.com.br/artigos/rh.php?idc_cad=o5qt7mn3y Acesso em 13/11/2015. 43 DISCIPLINA: GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS AULA 6 Prof.ª Carolina Walger CONVERSA INICIAL Olá! Seja bem-vindo à sexta aula da disciplina ―Gestão de Recursos Humanos‖! Confira a seguir quais serão os temas trabalhados a partir de agora: Indicadores de RH Consultoria e auditoria em Recursos Humanos Ferramentas de RH para gerenciamento ético Indicadores de RH e Benchmarking Sistemas de trabalho de alto desempenho INTRODUÇÃO Você sabe qual a função da área de RH? Além de cuidar das pessoas que estão na organização, a área de RH não deve esquecer o principal desafio da empresa: o resultado. É preciso também que ela forme lideres, os quais ajudem os gestores e funcionários a ter um melhor equilíbrio de vida. Ou seja, não se pode esquecer como se ganha dinheiro, como se faz negócio, como se satisfaz o cliente e como se alavanca o valor de sua marca. Quem opta pela área de RH, deve estar disposto a trabalhar fora de sua área de conforto, principalmente no que se relaciona com o desenvolvimento das competências, que são necessárias para enfrentar os grandes desafios do século. O grande desafio da área de RH é mais tático que estratégico, ou seja, deve entender a necessidade de capacitar mais rapidamente as pessoas para ocupar os espaços que a empresa está gerando, além de acompanhar a velocidade dos jovens, paraaproveitar suas competências e a visão que eles têm do mundo empresarial. 2 Com os conceitos e temas que abordaremos nesta aula, você como futuro gestor, terá oportunidade de se preparar de forma mais consciente para desempenhar da melhor maneira seu papel como líder dos processos. Vamos lá? Antes de começar, acesse o material on-line e confira um vídeo com as considerações iniciais da professora Carolina! CONTEXTUALIZANDO Você vai ver que os temas dessa aula são muito atuais. Hoje, um dos maiores desafios, para qualquer funcionário que esteja diretamente ligado às funções da área de Recursos Humanos, é o conhecimento e a aplicabilidade dos indicadores de RH. A consultoria alinhada à auditoria podem facilitar a tomada de decisão e melhorar os processos organizacionais em RH. E o que são as políticas de RH? Qual é seu papel dentro da organização? As políticas de Recursos Humanos são guias para ação. Servem para promover a resolução dos problemas que acabam ocorrendo com frequência no mundo organizacional. Com as grandes mudanças sofridas ao longo das últimas décadas, o mercado descobre cada vez mais novas ferramentas de RH para auxiliar na administração de funcionários, as quais ampliam as possibilidades e vantagens no mundo corporativo. Uma dessas ferramentas é o benchmarking, o qual permite que as empresas possam comparar dados, medidas e estatísticas de sua empresa com o mercado. O objetivo dos temas que serão trabalhados é ter uma visão geral, que permita perceber através de uma visão sistêmica a importância e a interdependência que existe entre eles. Acessando o material on-line você confere um vídeo com mais algumas informações sobre a aplicação dos conteúdos que serão trabalhados durante essa aula. Não deixe de conferir! 3 Problematização Leia com atenção o trecho a seguir: ―Diante de um cenário que causa temores em vários setores da economia, no qual várias empresas estão reduzindo investimentos e expectativas de crescimento, qual é o papel que o Recursos Humanos deve adotar para auxiliar a sua organização a não perder o rumo em direção às metas e objetivos do negócio. A redução nos investimentos e no crescimento implica em maior austeridade na gestão das empresas. Em um cenário de crise as companhias devem implementar cortes de custos e maior exigência de performance de suas equipes. Volta a valer o antigo bordão: ―fazer mais, com menos‖. Disponível em: <http://www.revistamelhor.com.br/artigo/9381/os-desafios-do-rh- em-um-novo-cenario-brasileiro>. Qual dos títulos a seguir você acha que é adequado para o texto anterior? É Economia em crise global. É Programa de austeridade empresarial. É Corte de gastos: salvação das empresas. É Saída da crise: reduzir os Recursos Humanos. É O papel do Recursos Humanos em cenário de crise. Anote a resposta em seu caderno e, em seguida, veja o gabarito comentado que a professora Carolina preparou para você: K. Falsa. O texto trata do papel dos Recursos Humanos e não da crise global da economia. L. Falsa. Redução de investimentos e austeridade podem ser necessários, mas o texto enfatiza o papel dos Recursos Humanos na implementação dessa política. M. Falsa. Por si só, o corte de gastos não garante a salvação das empresas. Pode até ser necessário, mas o que salva as empresas é a performance dos seus funcionários. 4 LL. Falsa. Embora em época de crise as empresas cortem pessoal de RH, essa redução será inútil se os resultados não melhorarem. MM. Correta. O texto destaca a importância do Recursos Humanos para que a empresa não se perca em situação de crise. TEMA 1 - INDICADORES DE RH Para um gestor de RH, é indispensável saber utilizar corretamente os indicadores de Recursos Humanos, a fim de demonstrar os resultados dos investimentos em gestão de pessoas. Para iniciar os estudos a respeito desse assunto, é importante responder a algumas questões. Clique em cada uma e veja a resposta: Quais os passos para sua implantação? Os passos mais importantes para implantação destas métricas são a criação de fontes confiáveis, a sistematização periódica dos dados e sua utilização adequada para a tomada das decisões dos gestores. Para que eles servem? O Sistema de indicadores de Recursos Humanos é utilizado para medir e avaliar como se comporta e se administra o talento na organização. Os indicadores podem ser medidas, números, fatos, opiniões ou percepções que sinalizem condições ou situações específicas e particulares. A partir deles, é possível medir as mudanças, já que auxiliam na percepção e no entendimento dos resultados das iniciativas ou das ações concretas que tenham sido tomadas. São instrumentos valiosos na busca de melhores resultados em determinados projetos. Como eles devem ser? Os indicadores devem ser pertinentes, precisos, confiáveis e econômicos na sua mensuração. É impossível avaliar, planejar, prevenir, corrigir ou inovar sem mensurar rigorosamente todas as atividades da organização, que estão vinculadas à área de RH. 5 A seguir você confere os diferentes tipos de indicadores e seus respectivos objetivos. Seleção Treinamento e Desenvolvimento Clima Organizacional Salários 6 Baseado em: Thinking People. Los sistemas de indicadores como procedimiento de medición en la nueva función de RRHH. Disponível em: <http://www.thinkingpeoplerecursoshumanos.es/blog-thinking-people/los-sistemas-de- indicadores-como-procedimiento-de-medicion-en-la-nueva-funcion-de-rrhh/>. Acesso em: 19 nov. 2015. Os indicadores destacados no mapa têm três objetivos principais: Conhecer a situação atual da empresa Perceba, por exemplo, que cada um dos indicadores colocados tem um objetivo intimamente relacionado. Através deles, é possível perceber claramente as condições reais nas quais a empresa se encontra. Fica clara a função da área de RH na manutenção e prática destes indicadores. Essa função está relacionada à administração de pessoal, à redução de custos da seleção, assim como ao ajuste do funcionário à função para a qual foi selecionado. Auxiliar na definição de uma meta futura Veja agora a área de Treinamento e Desenvolvimento. Com os indicadores, os gestores de RH perceberão claramente a efetividade do treinamento, se ele alavanca promoções e se as avaliações de desempenho mensuram os resultados, através da qualidade do trabalho. É possível perceber as capacidades diretivas, o potencial dos funcionários, sua produtividade e a adequação deles com suas funções. Comparar resultados e metas Através deste indicador o gestor poderá visualizar e sentir o clima organizacional, por meio do sentido de pertinência dos funcionários e da satisfação com a organização. De igual forma, facilita-se perceber a diminuição da rotatividade e do absenteísmo, graças à satisfação dos funcionários em suas funções e com as políticas da empresa. 7 Podemos afirmar que graças ao panorama oferecido especificamente por estes indicadores, as pessoas já não são consideradas como gastos inevitáveis, mas sim como capital humano, indispensável para atingir os resultados da organização.Da mesma forma, os indicadores com seus respectivos objetivos possibilitam um diagnóstico mais profundo de situações problema, permitindo um planejamento eficiente de intervenções para solucionar os problemas. Segundo Assis (2005), existem fórmulas que ajudam na medição de algumas questões: Turnover (rotatividade de pessoal) O cálculo do índice de rotatividade é baseado no volume de entradas e saídas de pessoal em relação aos recursos humanos disponíveis na organização, dentro de certo período de tempo e em termos percentuais. A fórmula é a seguinte: A = Admissões de pessoa na área considerada dentro do período considerado (entradas). D = Desligamento de pessoa (tanto por iniciativa da empresa como por iniciativa do empregado) na área considerada dentro do período considerado (saídas). EM = Efetivo médio da área considerada dentro do período considerado. Pode ser obtido pela soma dos efetivos existentes no início e no final do período, dividida por dois. Absenteísmo a relação do grau de ausência ao trabalho multiplicado pelas horas trabalhadas (total de horas trabalhadas no fechamento da folha de pagamento). Considerar as ausências ao trabalho de dias inteiros dos empregados ativos e até, no máximo, 15 dias para os casos de auxílio doença e acidente de trabalho. 8 HP = Horas perdidas. HT = Horas trabalhadas (total de horas trabalhadas no fechamento da folha de pagamento). Porcentagem de horas extras x horas trabalhadas OOO. a relação entre a quantidade de horas extras (horas extras realizadas independentemente de serem pagas ou não - banco de horas) x horas trabalhadas. HE = Horas extras (horas extras realizadas, inclusive banco de horas, durante o mês corrente). HT = Horas trabalhadas (total de horas trabalhadas no fechamento da folha de pagamento). Índice de reclamações trabalhistas a relação entre o número de reclamações trabalhistas acumuladas nos últimos 12 meses multiplicado pelo número de funcionários desligados acumulados nos últimos 12 meses: Porcentagem da folha bruta x faturamento líquido É a relação do valor da folha bruta multiplicado pelo valor do faturamento líquido. 9 Porcentagem do valor investido em treinamento x faturamento líquido a relação do valor mensal gasto com treinamento (considerar treinamento externo e interno, incluindo despesas de viagens) multiplicado pelo faturamento líquido: Estes indicadores fundamentam e justificam investimentos que possibilitam o crescimento das organizações numa perspectiva tangível, na qual é possível mensurar os investimentos em diversos processos da área, aplicando os recursos de maneira adequada e resultante. Como gestor, você deve conhecer esses indicadores, mesmo que não os use na sua prática diária. Isso porque um gestor deste século deve dominar os conceitos para poder fazer análises sistêmicas, que resultam em decisões mais objetivas nos processos de gestão e nos processos produtivos da organização. Você já parou para pensar que a diversidade constatada nas empresas (de nacionalidade, religião, posicionamento político etc.) deve ser um fator norteador dos indicadores de Recursos humanos? A seguir é possível ler um interessante texto que trata da aplicabilidade na prática da introdução da diversidade. http://exame.abril.com.br/negocios/como-a-bloomberg-introduziu-a- diversidade-na-pratica/ Complemente seus estudos! Acesse o link a seguir e assista a um interessante vídeo sobre os indicadores de recrutamento e seleção. https://www.youtube.com/watch?v=NcypSVq5jb0 10 TEMA 2 - CONSULTORIA E AUDITORIA EM RECURSOS HUMANOS Ao desempenhar suas funções como gestor, é importante ter claro os conceitos e as práticas que diariamente se apresentam dentro de uma organização. Através do desenvolvimento desse tema, você perceberá que existem poucas diferenças entre Consultoria e Auditoria, uma vez que ambas se preocupam com a melhor forma de administrar uma determinada empresa. Mas é necessário saber que a consultoria é uma atividade profissional regulamentada, que visa auxiliar as organizações. Consultoria A consultoria é uma prestação de serviços solicitada geralmente pelas empresas de acordo com suas necessidades. Observe as ações que um consultor contratado por uma empresa deve desenvolver e ser responsável: Identificar os pontos fortes e fracos da organização; Propor soluções para as possíveis deficiências da empresa; Realizar palestras motivacionais para os funcionários; Elaborar e realizar pesquisas; Auxiliar a área de Recursos Humanos; Assessorar a empresa na tomada de decisões. Constata-se, no ambiente de trabalho, que as consultorias são contratadas por temporadas curtas, dependendo da necessidade da empresa. Mesmo assim, algumas organizações preferem contratar os serviços de uma consultoria por um tempo mais longo, porque acreditam que o resultado é mais eficaz. A influência dos processos liderados pela consultoria pode alavancar e estimular respostas mais rápidas ou mais elaboradas. Então, é necessário que haja algum problema para solicitar uma consultoria? A reposta com certeza é não. Essa solicitação deve ser prospectiva e se adiantar a possíveis dificuldades. Através de sua prática profissional, você poderá comprovar que existem dentro do âmbito profissional de RH dois tipos de consultores: 11 Existe também a possibilidade de que, em algum momento, seja realizado um trabalho, uma análise organizacional por exemplo, partindo de três formas diferentes de ação. Veja a formação da equipe de consultores nesses casos: A decisão, em todos os casos, de aprovar e contratar a intervenção de uma consultoria partirá sempre da alta gerência. Essa consultoria pode estar voltada para auxiliar a empresa em diferentes áreas, por exemplo: Estratégia empresarial; Gestão por competências; Sistemas de qualidade – implantação; Marketing e vendas. Como você percebeu são muitos os fatores que fazem com que uma empresa decida contratar os serviços de uma consultoria, dependendo da necessidade. As informações que são obtidas passam a fazer parte do Relatório de Análise Crítica, de forma a não comprometer o resultado. Nestes processos, a intenção não é buscar culpados, mas relatar os fatos tais quais eles são, para encontrar possíveis e viáveis soluções. 12 Auditoria Para Dessler (2014), a auditoria de RH geralmente envolve a revisão da função de recursos humanos da empresa (recrutamento, testes, treinamento e assim por diante) utilizando uma lista de verificação e assegurando que a empresa está coerente com seus regulamentos, leis e políticas. Na sua realização, os gestores muitas vezes comparam seus resultados com os de empresas semelhantes. Amostras (indicadores) podem incluir a relação dos profissionais de RH por funcionário da empresa. Auditorias de RH variam em escopo e foco, mas existem as áreas típicas auditadas. Veja a seguir quais são elas: Número de pessoas e funções que realizam (incluindo descrições de cargos e funcionários com dedicação exclusiva ou não); Conformidade com a legislação federal,estadual e local relacionada com o emprego; Recrutamento e seleção (incluindo a utilização de ferramentas de seleção, verificação de antecedentes etc.); Compensação (políticas, incentivos, procedimentos de pesquisa etc.); Relações trabalhistas (acordos sindicais, gestão de desempenho, procedimentos disciplinares, reconhecimento do empregado etc.); Benefícios obrigatórios (Previdência Social, seguro-desemprego, seguros por acidentes de trabalho etc.); Benefícios de grupo (seguro, tempo de descanso, benefícios flexíveis etc.); Folha de pagamento (cumprimento legal); Documentação e manutenção de registros. Por exemplo, fazer com que os arquivos tenham informações, incluindo currículos e formulários, cartas de apresentação, descrições de cargos, avaliações de desempenho, formulários de inscrição em benefícios, avisos de mudança de folha de pagamento e documentação relacionada a ações de pessoal, como livro de anotações de reconhecimento ao funcionário; 13 Treinamento e desenvolvimento (orientação de novos funcionários, desenvolvimento técnico e de segurança da força de trabalho, planejamento de carreira etc.); Comunicações ao empregado (manual do trabalhador, boletim informativo, programas de reconhecimento); Políticas e práticas de desligamento e de transição. Auditoria da função da Gestão de Pessoas Para Chiavenato (2010), a avaliação da função de GP (também conhecida como Auditoria de RH) é uma revisão sistemática e formal desenhada para medir custos e benefícios do programa global de GP e comparar a eficiência e eficácia atual com o desempenho passado, com o desempenho em outras organizações comparáveis e verificar a contribuição para os objetivos da organização. Trata-se de avaliar o desempenho da GP na organização. A avaliação das atividades e dos programas de GP tem os seguintes propósitos: Justificar a própria existência, o orçamento de despesas de GP e o retorno; Melhorar continuamente a função de GP, proporcionando meios para decidir quando adicionar ou suprimir atividades, alterar rumos e práticas; Proporcionar retroação para os executivos de GP, executivos de linha e funcionários a respeito dos graus de eficácia da GP, da importância e do impacto no negócio da organização; Ajudar a GP a proporcionar uma contribuição significativa para os objetivos da organização e para as necessidades e expectativas dos diferentes stakeholders. A auditoria de GP é a análise sistemática das políticas e práticas de pessoal e a avaliação do funcionamento, tanto para a correção de desvios quanto para a melhora contínua. Trata-se, portanto, de um sistema de controle e se baseia na determinação de padrões de quantidade, qualidade, tempo e custo, os quais 14 permitem a avaliação e o controle pela comparação do desempenho com os resultados do que se pretende controlar. Qual é a mais importante então: a auditoria ou a consultoria? Acreditamos que tanto a consultoria quanto a auditoria, mesmo tendo suas especificidades, são atividades que se complementam. As informações de cada área são importantes, já que a visão de análise é diferente, permitindo que a leitura sobre a realidade da organização seja sistêmica, pelo tanto mais objetiva. Aprofunde seus conhecimentos com os conteúdos complementares a seguir! Qual é o papel do consultor interno na estrutura de RH? Você saberia responder? No link a seguir você confere uma reportagem da Revista ―Você RH‖ que trata desse assunto. http://exame.abril.com.br/revista-voce- rh/edicoes/27/noticias/business-partner-longe-do-mundo-ideal Assista também a um vídeo que analisa o que é uma consultoria em Gestão Empresarial. https://www.youtube.com/watch?v=08y8RCsAmK4 Acesse o material on-line e confira o vídeo da professora Carolina! Ela vai trazer mais informações sobre a consultoria e auditoria, analisando suas diferenças e a importância de cada uma para desenvolvimento da organização. TEMA 3 - FERRAMENTAS DE RH PARA GERENCIAMENTO ÉTICO Por que são necessárias ferramentas de RH para gerenciar a ética? Quais seriam essas ferramentas? Qual é o papel que desempenham na gestão de pessoas? A resposta a estes questionamentos, acreditamos, terão que ser dadas à medida que vamos aprofundando os temas. Lembre-se de que você, como gestor deste século, precisa entender e praticar a ética, para que suas ações estejam de acordo com os valores éticos e justos que devem permear as ações dos gestores e das organizações. 15 Segundo Dessler (2014), existem várias ferramentas que o gestor de RH pode usar para promover um tratamento ético dentro da organização. Confira a seguir quais são elas: Ferramentas de seleção O escritor norte-americano James Krohe disse: ―A maneira mais simples de ajustar uma organização, eticamente falando, é contratando as pessoas mais éticas‖. Sendo assim, a contratação de pessoas éticas deve começar antes de os candidatos se candidatarem, com materiais de recrutamento que enfatizem o compromisso da empresa com a ética. Os gerentes podem utilizar ferramentas como testes de triagem de honestidade, verificação de antecedentes e perguntas como ―Você já viu alguém violando as regras no trabalho? O que você fez?‖ Para filtrar posturas antiéticas indesejáveis. Da mesma forma, é preciso tratar os candidatos de maneira justa. Se por alguma situação os futuros funcionários perceberem que no processo de contratação as pessoas não são tratadas de forma justa, eles se sentirão no direito de assumir que o comportamento ético não é importante para a empresa. Ferramentas de treinamento A questão da ética nas empresas é tão séria que os gerentes devem influenciar a ética do empregado, cultivando com cuidado as normas corretas, a liderança, os sistemas de recompensa e a cultura. A ética é prejudicada quando as pessoas passam por desengajamento moral. Elas não sentem o tipo de sofrimento, ou culpa, que normalmente ocorre na violação de normas éticas pessoais. Essas diretrizes éticas, que envolvem decisões, leis e códigos de conduta, de um modo geral, devem ser transmitidas a todos os empregados, para que sejam treinados a reconhecer os dilemas éticos, saber como aplicar códigos de conduta para resolver problemas e usar de modo ético as atividades em equipe, como práticas disciplinares. O treinamento deve enfatizar os fundamentos morais da escolha ética e o profundo compromisso da empresa com a integridade e a ética, além de incluir 16 a participação de gestores do topo da hierarquia da empresa no programa para ressaltar esse compromisso. Treinamento de ética on-line A formação ética pode, inclusive, ser feita por meio da internet. Quer um exemplo? Os 160 mil funcionários da Lockheed Martin realizaram uma formação em ética e conformidade legal, valendo-se da intranet. O software dessa empresa também mantém o controle de quão bem a organização e seus empregados estão se saindo em termos da manutenção de elevados padrões éticos. Ferramentas de treinamento on-line incluem, por exemplo, sites como Ética Empresarial para Gerentes (Business ethics for managers). A empresa Yahoo! Por exemplo, produziu um programa interativo contendo cenários éticos estabelecidos em escritórios da empresa ao redor do mundo. O programa de 45 minutos abrange o código de conduta Yahoo!, bem como questões sobre legislação estrangeira de práticas de corrupção. Ferramentasde avaliação de desempenho Avaliações injustas tendem a sugerir que o empregador pode desculpar ou relevar o comportamento antiético. Por isso: As normas para os empregados devem ser claras; Os funcionários devem entender a base sobre a qual eles serão avaliados; O superior deve realizar uma avaliação objetiva e imparcial. Igualmente, as empresas preocupadas com as questões éticas têm criado sistemas que mantêm a prática da ética nos diferentes processos e ações da organização. Temos, por exemplo, o sistema de recompensas disciplinares: os funcionários esperam que seus empregadores castiguem condutas antiéticas. A prática deste sistema abrange não só os funcionários, mas também executivos que, em algum momento, tenham cometido abusos em relação à ética. Existem também dentro desses sistemas a política de privacidade, o monitoramento de empregados e as questões legais. 17 Políticas de privacidade Muitas pessoas acham que a violação de sua privacidade é antiética e injusta. No trabalho, invasões de privacidade dos empregados incluem: intromissões (como no vestiário e na vigilância de e-mail), publicação de assuntos particulares, divulgação dos registros médicos, apropriação do nome ou da imagem de um empregado para fins comerciais, verificação de antecedentes criminais, conduta de monitoramento fora do horário de trabalho, questionamentos sobre o estilo de vida, testes de drogas, buscas e atividades de monitoramento no local de trabalho etc. Monitoramento de empregados O aumento do uso de blogues e redes sociais, como o Twitter, ampliou ainda mais as opções para a distribuição de conteúdo potencialmente questionável. Algumas empresas permitem que seus funcionários usem seus iPads e iPhones pessoais como ferramenta de trabalho, criando novos problemas. A segurança também é um problema. ―Um MP3 player com capacidade de quatro gigabytes, bem como a primeira geração do iPod Mini, pode levar para casa uma grande quantidade de dados corporativos‖, disse um empregador (processo também conhecido como podslurping 63). Permitir o uso de tais dispositivos no trabalho, portanto, exige planejamento e políticas especiais. Instituir políticas de privacidade de e-mail é um problema urgente que deve ser pensado e solucionado pelas empresas. Estas são algumas situações delicadas que algumas empresas enfrentaram ou enfrentam: Um hospital descobriu que, para facilitar o trabalho em casa, alguns médicos tinham registros confidenciais dos pacientes em e-mails pessoais, violando leis federais de privacidade. Algumas empresas enfrentam restrições legais para ter acesso ao e-mail de um empregado acusado de assédio sexual na empresa. A recente decisão da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos pode tornar as empresas responsáveis por propagandas enganosas que os 18 funcionários postam em seus próprios blogues ou redes sociais, como o Facebook, mesmo que os empregadores não autorizem as declarações. O Bronx Lebanon Hospital, de Nova York, usa scanners biométricos para garantir que os funcionários que registram ponto sejam realmente quem dizem que são. Digitalização pela íris tende a ser o dispositivo de autorização mais preciso. Uma pesquisa apontou que 40% das organizações pesquisadas têm uma política formal que rege as mídias sociais utilizadas pelos funcionários. No entanto, as empresas precisam formular tais políticas com cuidado. Indiscutivelmente, conhecer estes temas abre um leque enorme de informação. Atuando ou não na área de RH, é indispensável que você, como gestor, fique por dentro da importância que a ética tem nas práticas organizacionais. Acesse a Biblioteca Virtual e leia o livro ―Administração de recursos humanos‖, de Gary Dessler. Nas páginas 332 a 336 você vai encontrar o tópico ‖O que molda o comportamento ético no trabalho‖. O mesmo autor do livro acima (DESSLER, 2011 p. 329), aponta três razões para entender a necessidade da ética na organização: A ética não é teórica. Na verdade, ela colabora para que tudo funcione na empresa. Exemplos como gerentes que prometem aumentos, mas não cumprem; vendedores que dizem que ―o pedido está chegando‖ quando não é verdade e gerentes de produção que aceitam propina de fornecedores colaboram para diminuir a confiança nas operações do dia a dia, das quais as empresas dependem. As decisões de recursos humanos são, normalmente, carregadas de consequências éticas. Por exemplo, deve-se monitorar as atividades de rede sociais dos funcionários ou não? Eu sei que minha equipe não deve trabalhar em determinada máquina até que eu tenha verificado a segurança, mas meu chefe está com pressa: o que devo fazer? 19 A maioria dos empregadores se esforça para manter relações positivas com os empregados, e isso é impossível se os funcionários da empresa ou seus gestores forem vistos como antiéticos ou injustos. Acesse o material on-line e assista ao vídeo da professora Carolina. Ela vai trazer mais informações sobre as ferramentas de RH para gerenciamento ético. Confira com atenção! TEMA 4 - INDICADORES DE RH E BENCHMARKING Estudando e entendendo este tema, você poderá facilmente obter informações comparativas dos aspectos e processos de sua organização. Da mesma forma, surgirão novas ideias através da recopilação das informações, que facilitarão a análise dos processos de sua companhia com outras empresas fortes dentro do mercado. Para começar, vamos entender o que é benchmarking: Em poucas palavras, o benchmarking é tomar como referência os melhores e adaptar seus métodos e suas estratégias. Por exemplo, podem-se adaptar as melhores práticas em atendimento ao cliente utilizadas por uma outra empresa. Existem dois provérbios que justificam a existência do benchmarking. Um chinês: Se você conhece seu inimigo e a si mesmo, não tem porque temer o resultado de 100 batalhas. Outro japonês: Lutar para ser o melhor dos melhores... Pode-se fazer uma comparação referencial, a partir das necessidades das empresas, buscando saber qual o desempenho de cada uma. Assim, é possível obter informações que permitem melhorar os processos e entrar em um amplo nível de competitividade, graças a busca contínua de melhoras, tanto nos processos comerciais quanto nos industriais. 20 Historicamente, o benchmarking tem o seguinte trajeto: Nasce nos Estados Unidos como um modelo de busca para aprender com experiência externas, identificando e melhorando os processos já estabelecidos por outras empresas. A primeira empresa que utilizou esta ferramenta foi a Xerox, que disfrutou durante muitos anos o monopólio na indústria copiadora. A partir da primeira crise competitiva, em 1979, companhias japonesas como Minolta, Cannon e outras começaram a vender fotocopiadoras com menor preço. Foi nesse momento que Charles Christ, presidente da Xerox, compreendeu que tinha nas mãos o mais grave problema da história da organização. Buscando uma saída, Christ enviou uma equipe ao Japão para estudar os processos, o produto e a matéria-prima utilizada. Suas palavras de despedida foram ‖necessito de uma referência‖, ou seja, um benchmark. Algo com o qual se possa mensurar e entender para onde se deve ir, partindo do ponto atual. A visita confirmou que a Xerox estava muito longe do benchmarking. Mesmo assim, essa situação, significou a saída paraa concorrência do mercado da Xerox. Assim, a empresa decidiu arriscar, aplicando o benchmarking. Os resultados foram espetaculares. A alta gerência exigiu que toda a organização aplicasse os estudos de benchmarking. Hoje, o mundo é extremamente competitivo. As empresas têm que se comparar com as melhores que existe no mercado para ganhar vantagens em áreas fundamentais, como: Nível de qualidade: significa o valor criado sobre um produto, tendo em conta o preço e os custos necessários para sua fabricação e venda; 21 Produtividade: as empresas comparam quanto produzem e consomem para obter determinadas quantidades, com o objetivo de comparar a eficiência nos processos. Para entender melhor o que é benchmarking, muitos autores o divide em tipos específicos: Interno Geralmente ocorre em organizações que têm muitos departamentos ou divisões, onde é comum comparar os níveis obtidos por cada uma dessas áreas. Exemplo: quando o setor de Compras visita o setor de Informática para obter determinada informação. Competitivo Ocorre quando se identifica que existe uma competição agressiva. Comparam-se aqui aspectos da empresa com os aspectos das empresas concorrentes, líderes do mercado em um determinado produto. Na prática, este tipo de benchmarking é mais complicado de praticar, já que as empresas concorrentes limitam as informações sobre seus produtos e processos. Ocorre entre empresas do mesmo mercado, por exemplo entre Volkswagen e Renault. Poderá ser mais fácil obter informações entre empresas que não competem no mesmo mercado. Funcional A organização se compara com empresas que não pertençam a seu ramo de negócio. Isso permite obter mais facilmente as informações necessárias, já que não são concorrentes diretos. Um exemplo é a troca entre empresas de aviação e hotéis de luxo em serviços destinados a alta classe. Genérico Acontece quando se comparam parâmetros da funcionalidade das empresas, em aspectos como o tempo que um determinado produto demora a chegar ao cliente, desde que foi requisitado. Um desses processos pode ser, por exemplo, a análise desde a entrada de um pedido na indústria até a entrega do produto ao cliente. 22 Dessler (2012) acrescenta que o benchmarking fornece apenas uma perspectiva sobre o sistema de administração de recursos humanos da empresa, comparando-o com o da concorrência. No entanto, não mostra até que ponto as práticas de RH apoiam os objetivos estratégicos. Por exemplo, se a estratégia prevê dobrar os lucros e melhorar o serviço ao cliente, até que ponto as novas práticas de treinamento estão ajudando a melhorar o atendimento ao cliente? Gerentes usam indicadores baseados em estratégia para responder a essas perguntas, os quais buscam a medição das atividades que contribuam para alcançar os objetivos estratégicos. Se as mudanças nas práticas de RH (como aumento do treinamento e melhores incentivos) têm os efeitos pretendidos, consequentemente os indicadores estratégicos (como os retornos de clientes e seus elogios) também devem aumentar. Uma das vantagens do benchmarking é ser um sistema contínuo de avaliação dos resultados obtidos, seja relacionado com a observação das áreas da mesma empresa ou de outras organizações concorrentes. Sua aplicação correta potencializa a obtenção de resultados positivos, isso porque o conhecimento da concorrência e o estudo de seus processos trará possibilidades de mudanças benéficas para a organização, o que aumentará a competitividade. As práticas empresariais também terão melhora, graças a descoberta de mais opções práticas, que conduzem a empresa a um desempenho superior. Além disso, a avaliação objetiva do mercado e dos clientes impulsionará a organização para ter um conhecimento objetivo de seu cliente, baseado nas suas necessidades. Quando se fixam metas e objetivos viáveis, é difícil que a organização se perca em seus processos. É importante também que ela seja proativa, adiantando-se aos possíveis problemas ou demandas do mercado. 23 As melhores práticas do mercado surgiram do benchmarking, que possibilitou aumento da produtividade e compreensão dos resultados obtidos, pelo conhecimento dos problemas reais que cercam a organização. Mas há também as desvantagens... Elas aparecem quando as informações sobre os processos são passadas de forma que não corresponde à realidade. Outra dificuldade é quando os métodos adquiridos com outras empresas não se encaixam em sua política interna, assim, todo o planejamento e aplicação só trariam grandes prejuízos. A percepção subjetiva dos processos impedirá que a empresa identifique o que os clientes desejam. Você, como gestor, deve entender que a aplicação do benchmarking é uma boa técnica, que permite o crescimento e enriquecimento dos processos e das estratégias das organizações. Desse modo, cria-se uma forma de cultura rápida que está em consonância com tudo o que é eficaz no amplo mercado atual. Para mais informações sobre a importância do benchmarking na Gestão Empresarial leia um artigo que trata desse tema. http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/a-importancia-do- benchmarking-na-gestao-empresarial/51080/ Acesse o material on-line e confira o vídeo da professora Carolina! TEMA 5 - SISTEMAS DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO Talvez você nunca tenha ouvido falar dos Sistemas de Trabalho de Alto Desempenho (STAD). A seguir você confere uma definição suscita: Trata-se de uma combinação entre as práticas da área de RH, as estruturas de trabalho e os processos próprios da organização, por meio da qual o conhecimento, as competências, as habilidades, o compromisso e a flexibilidade do funcionário para se adaptar às novas ações são maximizados. Durante o desenvolvimento desse tema, será possível conhecer e entender quais são seus princípios, fundamentos, práticas e resultados. Vamos lá? 24 Muitos autores concordam que as equipes de alto desempenho são recursos estratégicos. Assim como um país se preocupa com seus recursos naturais, também deve se preocupar com seus recursos humanos. O conceito surgiu na década de 1940, fruto de pesquisas que reconheciam a existência de alto desempenho quando havia coerência entre o projeto do sistema técnico (a forma de coordenação do trabalho/execução das tarefas com a tecnologia disponível) com o projeto do sistema social de trabalho. E o que isso significa? O que envolve essa nova forma de agir? O mais importante desse conceito é que as pessoas e o sistema técnico devem se adaptar mutuamente para atingir os objetivos desejados. Os reflexos atingem os aspectos externos e internos, a visão estratégica dos negócios, a tecnologia, o relacionamento com os clientes entre outros. Os resultados se tornam visíveis na forma como as pessoas interagem entre si e com os ambientes interno e externo e ainda na forma como desempenham suas funções. Os Sistemas de Trabalho de Alto Desempenho supõem uma interação entre os funcionários e a organização. Esta interação se orienta a controles mais frequentes, com o objetivo de que as variações nos processos possam ser percebidas e controladas nas suas causas e não fora da unidade de trabalho. Segundo Dessler (2012, p. 61) um Sistema de Trabalho de Alto Desempenho é um conjunto de políticas e práticas de administração de recursos humanos que, juntas, produzem um desempenho superior do empregado.Além disso, uma das razões para medir, avaliar e analisar cientificamente as práticas de administração de recursos humanos é promover práticas de trabalho de alto desempenho. Mas que práticas são essas? Um estudo analisou 17 fábricas, algumas das quais adotaram práticas do sistema de trabalho de alto desempenho. Dois pontos importantes dos resultados foram: 25 As unidades de alto rendimento pagavam mais (os salários médios eram de US$ 16 por hora, em comparação com US$ 13 por hora para as demais); Elas também treinavam mais, usando recrutamento e práticas de contratação mais sofisticadas (testes e entrevistas validadas, por exemplo) e tinham mais equipes de trabalho autogeridas. Aqueles com as práticas de RH de alto desempenho tinham resultados significativamente melhores do que aqueles sem tais práticas. Eles enfatizam o serviço ao cliente, inclusive as empresas de serviços (como hotéis), então ganham ainda mais por aderir a sistemas e práticas de trabalho de alto desempenho. Políticas e práticas de recursos humanos de alto desempenho O que são exatamente as práticas de trabalho de alto desempenho? Elas diferem daquelas que são menos produtivas. Em termos de práticas de RH, por exemplo, as empresas de alto desempenho recrutam mais candidatos a emprego, usam mais testes de seleção e gastam muito mais em horas de treinamento de funcionários. A seguir você confere uma tabela de exemplos selecionados sobre recrutamento, seleção, treinamento, avaliação, remuneração e outras práticas entre empresas de baixo e alto desempenho. Não é difícil entender e fazer a relação dos números e porcentagens com os conceitos que estamos estudando. Fonte: Dessler (2012, p. 62). 26 A tabela acima apresenta alguns aspectos importantes. Clique no botão a seguir e veja quais são eles: Apresenta exemplos de indicadores de Recursos Humanos, como horas de treinamento por empregado ou candidatos qualificados por vaga. O indicador ―número de candidatos qualificados por vaga‖ é baseado em 37 empresas de alto desempenho. Gerentes usam esses indicadores para avaliar o desempenho de RH de suas empresas e para comparar o desempenho de uma empresa com o de outra. Ilustra o que os empregadores devem fazer para ter sistemas de alto desempenho. Por exemplo, contratar com base em testes de seleção validados e treinar os funcionários extensivamente. Mostra que as práticas de trabalho de alto desempenho geralmente aspiram a ajudar os trabalhadores a autogerir-se. Em outras palavras, a busca de tal recrutamento, seleção, treinamento e outras práticas de Recursos Humanos é fomentar uma força de trabalho competente e automotivada. Destaca as diferenças mensuráveis entre os sistemas de administração de recursos humanos em empresas de alto desempenho e de baixo desempenho. As empresas de alto desempenho, por exemplo, têm mais de quatro vezes o número de candidatos qualificados por vaga do que as de baixo desempenho. Mostra que, em termos de práticas de RH, as empresas de alto desempenho recrutam mais candidatos a emprego, usam mais testes de seleção e gastam muito mais em horas de treinamento de funcionários. Dessa forma, cabe a você como gestor fazer as considerações sobre o tema e realizar uma síntese que seja norteadora na sua prática profissional. Equipes de alto desempenho Criar equipes de alto desempeno é um grande desafio para o líder de hoje. Otimizar o desempenho empresarial requer equipes altamente comprometidas e com uma enorme capacidade de conexão emocional. 27 Hoje está demonstrado que, para triunfar no mundo dos negócios, não basta possuir competências e habilidades técnicas. Isso porque o sucesso das organizações é fruto da qualidade de suas equipes de trabalho. Mas você deve estar se perguntando: o que é necessário para construir uma equipe de alto desempenho? O segredo está na seleção. A contratação deve visar não apenas a ocupação do cargo, mas principalmente encontrar alguém que trabalhe pela imagem da empresa e que entenda que está na organização para construir uma equipe de alto desempenho. Dessa forma, os elementos mais importantes para construir essas equipes são: Estabelecer um clima de confiança; Partilhar informação; Oferecer recompensas justas; Promover a integração; Identificar na equipe pontos fortes e fraquezas; Desenvolver emoções e motivações coesas; Distribuir tarefas adequadas aos conhecimentos; Desenvolver empatia com o projeto; Possibilitar a existência de opiniões diferentes; Trabalhar com foco; Ter uma equipe que trabalha com poucos recursos e consegue seus objetivos; Ter criatividade; Ter inovação e buscar melhores resultados; Buscar resultados melhores que os planejados. É importante que essas equipes tenham líderes competentes com grande capacidade de trabalho, competência, qualidade humana, serenidade, apoio constante e bom exemplo, que incentive ótimos resultados. O caminho tem duas direções: você pode ser um líder de equipes de alto desempenho ou ser um membro ativo desse tipo de equipes. A resposta está na sua mão! 28 Independentemente do papel que escolher, saiba que uma equipe de alto desempenho precisa de pessoas seguras, dispostas a aceitar a responsabilidade pelas tarefas assumidas e pelos resultados obtidos, que saibam pedir ajuda sem medo e que, principalmente, se envolvam nas tarefas para fortalecer a equipe. Para terminar o tema, é importante saber que estar em equipes de alto desempenho supõe entender e assumir a importância de estabelecer programas de melhoria contínua. Além disso, deve-se ter clareza nas atividades, nos projetos e nas responsabilidades; analisar as variáveis e os critérios usados para recompensar a eficácia dos resultados da equipe; fazer o possível para ajudar a equipe a se autogerenciar e, por fim, ser flexível frente as mudanças e conflitos. E então, você está preparado? Complemente seus estudos com os materiais complementares a seguir! O primeiro é um vídeo sobre a formação de equipes de alto desempenho e o segundo um artigo que mostra que esse tipo de equipe tem paixão pelo trabalho. https://www.youtube.com/watch?v=6AFVeARaBEQ http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/180/noticias/um-time-de- verdade Para mais informações sobre as equipes de alto desempenho, confira no material on-line o vídeo da professora Carolina! TROCANDO IDEIAS Chegou a hora de participar do fórum! Um gestor que acredita em mudanças estruturais como novos caminhos para assegurar a competitividade da empresa deve estar atento ao desenvolvimento de suas habilidades sociais, que são: a conexão emocional, a boa comunicação oral, o desenvolvimento de competências, a liderança e a influência pessoal. 29 Você considera você essas habilidades sociais importantes? Qual delas é a mais desenvolvida em sua empresa? Entre no fórum, dê sua opinião e veja o que seus colegas têm a dizer! Esse é o momento de compartilhar informações e conhecimento, não deixe de participar! NA PRÁTICA Que tal colocar em prática o que vimos até aqui? O turnover indica o índice de rotatividade de pessoal e é baseado no volume de entradas e saídas dos funcionários, dentro de certo período de tempo e em termos percentuais.Mas como é realizado seu cálculo? Deve-se somar o número de admissões no mês com o número de demissões no mês e dividir esse valor por 2. O resultado, então, é dividido pelo número de funcionários do mês anterior e, por fim, multiplicado por cem. O resultado será a porcentagem de turnover de mês. Ou seja: Falando assim parece complicado, não é mesmo? Vamos então a uma situação prática! Imagine que a situação da empresa ABC é a seguinte: Funcionários em janeiro: 20 Admissões em fevereiro: 2 Demissões em fevereiro: 4 Qual foi o turnover dessa organização em fevereiro? Realize o cálculo em seu caderno. Não esqueça de aplicar as fórmulas indicadas na página anterior! 30 Então, como se saiu na atividade? A seguir você confere a solução. Compare com o resultado que você encontrou! Caso tenha ficado com alguma dúvida, volte ao conteúdo e revise os conceitos! Para resolver o problema apresentado, é importante seguir algumas etapas, as quais você confere a seguir: Leitura do caso: Funcionários em janeiro: 20 Admissões em fevereiro: 2 Demissões em fevereiro: 4 Identificação do que deve ser feito: cálculo do turnover por meio da fórmula. Identificação da teoria/conteúdo que resolve o problema: indicadores de RH e cálculo de turnover, que é baseado no volume de entradas e saídas de pessoal em relação aos recursos humanos disponíveis em certa área da organização, dentro de certo período de tempo e em termos percentuais. Apresentação da solução do problema: Aplicando a formula, teremos: (((2+4)/2)/20) x 100 ((6/2)/20) x 100 (3/20) x 100 0,15 x 100 15% Dessa forma, conseguimos concluir que a taxa de turnover da empresa em fevereiro foi de 15%. 31 SÍNTESE Como vimos durante essa aula, entender e praticar os novos modelos de gestão, praticando os indicadores e utilizando de forma conscienciosa as ferramentas para gerenciar a ética dentro da organização é um desafio constante. Por isso, utilizar a consultoria ou a auditoria certificam que os processos estão sendo avaliados de acordo ao que acontece na organização. O objetivo é buscar caminhos novos que garantam a competitividade da empresa. Vimos também que organização não sobrevive sem equipes de alto desempenho, as quais devem trabalhar não só pelos objetivos da empresa, mas também para confirmar sua marca no mercado. Antes de finalizar os estudos, acesse o material on-line e confira a videoaula da professora Carolina! REFERÊNCIAS ASSIS, Marcelino Tadeu de. Indicadores de Gestão de Recursos Humanos. Usando indicadores demográficos, financeiros e de processos na gestão do Capital Humano. Qualitymark, 2005. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Barueri – São Paulo: Manole, 2014. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. CUELLAR, Marcelo. Diversidade: além dos indicadores do RH. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-do-marcelo- cuellar/2014/07/25/diversidade-alem-dos-indicadores-do-rh/>. Acesso em: 19 nov. 2015. DESSLER, Gary. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. 32 EXAME. Equipes de alto desempenho têm paixão no trabalho. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/180/noticias/um-time-de- verdade>. Acesso em: 19 nov. 2015. 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