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IV- PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 
 
 São muitos os procedimentos especiais previstos nas leis processuais penais e no próprio 
Código de Processo PenaL Alguns ritos são tratados como especiais, por exemplo, quando se 
distinguem apenas por uma fase preliminar, que antecede o recebimento da denúncia, ou a partir do 
prazo concedido para as alegações finais. A diferença, por vezes, é tênue. Em outros casos, é 
verificada uma distinção em virtude de tramitar o processo em órgão colegiado. 
 Nos procedimentos especiais que abordaremos, estão incluídos os crimes afiançáveis 
imputados a funcionário público, os crimes contra a honra, os crimes previstos na lei de 
entorpecentes e outros procedimentos especiais. Outrossim, o procedimento para os crimes de 
competência do tribunal do júri é tratado à parte em virtude de suas relevantes peculiaridades. 
 
 atenção: Aos procedimentos especiais é admitida aplicação subsidiária do procedimento 
 comum ordinário estabelecido pela Lei no 11.719/2008, desde que omissa a legislação 
 específica e compatível constitucionalmente o seu suprimento 
 
1- CRIMES PRATICADOS POR SERVIDORES PÚBLICOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO 
 
 O art. 513 do Código de Processo Penal inicia o tratamento do procedimento especial 
aplicável aos funcionários públicos que cometem infrações funcionais afiançáveis. 
 Relevante destacar que há uma impropriedade quando se mencionam os crimes de 
responsabilidade, haja vista que estes não são crimes propriamente ditos, mas sim, infrações de cunho 
político-administrativo que podem dar ensejo à perda da função pública, à inabilitação para o 
exercício de cargo e à suspensão de direitos políticos, mas não à pena privativa de liberdade. 
 Portanto ,cuida-se apenas dos delitos cometidos por funcionários públicos, no exercício da sua 
função, logo, são crimes funcionais. Estão previstos nos arts. 312 a 326 do Código Penal. Essa é a 
posição majoritária. 
 
 obs: o procedimento disciplinado pelo Código de Processo Penal se refere, a crimes 
 praticados por funcionários públicos não detentores de foro por prerrogativa de 
 função. 
 
 Há crimes funcionais próprios e impróprios. Próprios são os delitos que somente o 
funcionário público pode praticar e impróprios os que outras pessoas podem cometer, respondendo 
como incursas em outro tipo penal. Exemplos: Somente o funcionário pode cometer concussão 
(funcional próprio), mas, na segunda hipótese, um particular pode cometer peculato-furto, que passa 
a ser considerado simples furto (funcional impróprio). 
 Se há concurso de pessoas, aplica-se a regra prevista no art. 30 do Código Penal, estendendo-
se a condição de funcionário público ao sujeito que não a detém, por se tratar de elementar. Assim, 
caso duas pessoas subtraiam bens de determinada repartição pública, uma delas sendo funcionário 
público, com o conhecimento da outra, responderão por peculato-furto. 
 A especialidade do rito aparecerá quando o crime imputado a funcionário público for 
afiançável. 
 Como regra, todo delito imputado a funcionário público, no exercício de suas funções, em 
tese, é afiançável, de acordo com as disposições em vigor no CPP (artigos 324 e 324). 
 Só não são afiançáveis os delitos com vedação constitucional ou legal, tais como os crimes 
hediondos, os equiparados a hediondo, o de racismo e aqueles cometidos por grupos armados, civis 
ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 323, CPP). 
 
 Atenção: Nucci entende que crimes funcionais previstos nos arts. 316,§ 1.º (excesso de 
 exação) e 318 (facilitação de contrabando ou descaminho), que são inafiançáveis. 
 
 Por outro lado, há impedimento à concessão da fiança em alguns casos de delitos afiançáveis, 
toda vez que o agente estiver incurso em alguma das situações do art. 324, CPP, a saber: 
quebramento de fiança, prisão civil ou militar, ou quando presentes os requisitos da preventiva. 
 A particularidade deste procedimento está na necessidade de notificação do réu para 
responder à denúncia antes do seu recebimento.Assim, o procedimento será: 
 
1º) Oferecimento da denúncia ou queixa 
2) Defesa preliminar: O juiz, antes de receber a denúncia ou queixa, determinará não apenas a sua 
autuação, como também a notificação do agente para apresentar a sua defesa preliminar no prazo de 
quinze (15) dias.A defesa preliminar objetiva impedir o recebimento da peça acusatória inicial, no 
interesse da administração pública. No procedimento, é uma fase obrigatória, haja vista que a sua 
ausência acarreta a nulidade do processo, por ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. 
3)Recebimento da denúncia ou queixa: do recebimento da peça acusatória, o procedimento se 
ordinariza. 
 
obs: A notificação feita, preliminarmente, não supre a obrigatoriedade da citação. Dessa forma, caso 
seja recebida a denúncia ou queixa, é indispensável que ele tome ciência disso, podendo, agora, 
defender-se nos autos do processo-crime apresentando sua resposta à acusação. 
 
 A não concessão de prazo para o oferecimento de defesa preliminar gera nulidade relativa, 
dependente da prova do prejuízo e da alegação da parte interessada. Há quem sustente tratar-se de 
nulidade absoluta, pois não se respeitou o procedimento legal. 
 Dado o prazo para apresentação da defesa preliminar, não o fazendo o funcionário, é 
irrelevante. Afinal, ele não é obrigado a contestar o contido na denúncia, sendo apenas faculdade 
fazê-lo. 
 
OBS: não haverá possibilidade da defesa preliminar: 
 Quando o funcionário público estiver respondendo por outras infrações penais comuns na 
mesma denúncia, afasta-se o seu direito à notificação prévia; 
 Ao Funcionário que deixa a função, não mais se aplica o procedimento especial previsto neste 
Capítulo; 
 STJ Súmula nº 330 - É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do 
Código de Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito policial; 
 
OBS: Ao particular que, como coautor ou partícipe, pratica crimes funcionais, não se aplica este rito 
especial, mas sim o rito comum; 
 
 
 
 
2- CRIMES CONTRA A HONRA 
 
Os crimes contra a honra são: CALÚNIA, DIFAMAÇÃO E INJÚRIA; 
*A calúnia consiste em atribuir, falsamente, à alguém a responsabilidade pela prática de fato definido 
como crime. 
*A difamação consiste em atribuir à alguém determinado fato ofensivo à sua reputação. 
 Se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado, constitui crime de difamação cometido por “A”. 
*A injúria consiste em atribuir à alguém qualidade negativa, que ofenda sua dignidade ou decoro. 
 Se “A” chama “B” de idiota, de safado, etc., constitui crime de injúria cometido por “A”. 
 
 Nos termos do art. 145 Cod. Penal, no crimes contra a honra, a ação penal é, quase sempre, 
privada. MAS TEMOS QUATRO EXCEÇÕES: 
 
A)Se a ofensa for contra funcionário público em razão de suas funções a ação penal será privada ou 
pública condicionada a representação (legitimidade concorrente) 
 B)Se a ofensa for contra presidente da república ou chefe de governo estrangeiro, a ação é pública 
condicionada à representação do Ministro da Justiça; 
C)No crime de injúria real, a ação será pública - (com a lei 9.099/95 passou-se a entender que no 
crime de injúria real a ação penal só será pública incondicionada se a lesão sofrida pela vítima for 
grave; se for lesão leve, será condicionada à representação.) - OBS: Na injúria real o agente ofende a 
vitima por meio de agressão física. Exemplo: bater no rosto da vítima, raspar o cabelo, cuspir em 
alguém. 
D) Injúria decorrente de preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa 
ou portadora de deficiência: ação penalpública condicionada à representação do ofendido, 
 
 O procedimento para apurar os crimes contra a honra se encontra previsto especificamente 
nos artigos 519 a 523 do Código de Processo Penal. 
 O procedimento especial para os crimes contra a honra sobejou, pois, de maneira, restrita, já 
que a regra é que tais infrações sejam processadas no seio dos juizados especiais criminais. O 
regramento gizado nos artigos 519 e seguintes, CPP, é para o processo e julgamento desses crimes - 
calúnia, injúria e difamação - com tramitação perante o juiz de primeiro grau, somente aplicável 
quando não comportar seu processamento em juizado especial criminal sob o procedimento 
sumaríssimo. 
 obs: Excluem-se os crimes contra a honra previstos em leis especiais ( ex: lei eleitoral) 
 
 Assim, o procedimento será: 
 
 
1º) Oferecimento da queixa 
2º) Audiência de tentativa de conciliação: O juiz manda notificar o querelante e o querelado com a 
finalidade de comparecer à audiência designada. Ambos devem comparecer sem os advogados. O 
juiz ouve separadamente as partes e, tenta ou não a conciliação, conforme o caso. 
3º) Recebimento da queixa: do recebimento da peça acusatória, o procedimento segue o rito comum 
 
 O entendimento que prevalece quanto à natureza jurídica da audiência de conciliação é no 
sentido de que a referida audiência constitui condição objetiva de prosseguibilidade da ação penal. A 
não designação dessa audiência acarreta nulidade da ação. 
 Se houver acordo, o querelante assinará um termo de desistência da ação e a queixa será 
arquivada, decretando o juiz a extinção da punibilidade do querelado. 
 Caso não haja acordo o juiz decidirá se recebe a queixa. Se for recebida, segue-se o 
procedimento comum, sumário ou sumaríssimo, conforme a pena máxima cominada. 
Obs: Essa audiência não será realizada quando o crime contra a honra é de ação pública. Isso 
pelo fato de o MP não poder conciliar-se com o querelado em nome do ofendido 
 
EXCEÇÃO DA VERDADE - art. 523 do CPP. 
 É o meio de defesa pelo qual o agente procura demonstrar a veracidade do que afirmou; 
 Nada mais é que o querelado provar que o que afirmou contra o querelante é verdadeiro; 
 Entenda: por exemplo, para existir calúnia é necessário que alguém tenha afirmado que 
outrem cometeu um crime. Logo, se o que afirmou for verdadeiro, inexistirá a calúnia. 
 Assim, o querelado provando que a imputação era verdadeira e que o querelando realmente 
praticou o fato definido como crime, deve aquele ser absolvido por ausência de tipicidade. 
 Obs: não se admite a exceção da verdade se do crime imputado, embora de ação penal 
 pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível 
 
EXCEÇÃO DE NOTORIEDADE DO FATO - art. 523 do CPP 
 É outra forma de defesa; 
 A notoriedade nada mais é do que a qualidade daquilo que ocorreu à vista de todos ou é 
sabido de todos; 
 Cabe no procedimento do crime de difamação, consiste demonstrar a notoriedade do fato 
imputado; 
 Não cabe na injúria porque aí não há imputação de fato, e sim atribuição de qualidade (ex: 
fulano é um vagabundo) 
 
PEDIDO DE EXPLICAÇÃO 
 Vide teor do art. 144 do Código Penal: 
 Trata-se de excelente providência para evitar que uma ação penal seja promovida 
açodadamente, quando o próprio acusado da pretensa ofensa pode dar explicações necessárias, 
desfazendo equívocos. 
 é adotado quando o ofendido não tiver certeza sobre a ofensa; 
 O pedido de explicação compete, com exclusividade, ao ofendido, mesmo que se trate de 
funcionário público; 
 O Código de Processo Penal não estabeleceu forma e procedimento para o pedido de 
explicações em juízo. 
 
 
 
3 - CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL 
 
 Propriedade intelectual é a propriedade sobre tudo aquilo que, corporificando-se no mundo 
exterior, teve sua origem no pensamento humano. É a obra intelectual, estas que são as criações 
vindas do pensamento e que são exteriorizadas. 
 A proteção constitucional encontra-se prevista no art. 216. Na legislação ordinária, situam-se 
tanto no Código Penal (violação de direito autoral – arts. 184 e 186) quanto na Lei 9.279/96 (crimes 
contra as patentes – arts. 183 a 186; crimes contra os desenhos industriais – arts. 187 e 188; crimes 
contra as marcas – arts. 189 e 190; crimes cometidos por meio de marca, título de estabelecimento e 
sinal de propaganda – art. 191; crimes contra indicações geográficas e demais indicações – arts. 192 a 
194; crimes de concorrência desleal – art. 195). 
 
 A quase totalidade dos crimes contra a propriedade imaterial é de ação exclusivamente 
privada, devendo ser movida pela parte ofendida. Excetuam-se os delitos cometidos em prejuízo de 
entidades de direito público, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista ou 
fundações instituídas pelo poder público e em alguns delitos de violação de direito autoral 
 
Atenção: Regra Geral: a ação penal é, em regra, privada. As exceções encontram-se nos art. 186 
do CP. Portanto, poderá ser publica condicionada à representação ou pública incondicionada, 
dependendo das circunstâncias criminais. 
 
 QUANDO A AÇÃO FOR PRIVADA: nos termos do art. 524 do CPP, segue-se o 
procedimento comum ordinário, com as alterações constantes dos arts. 525 a 530-A do CPP. 
 
 1- SE O CRIME DEIXA VESTÍGIOS art. 525, CPP): 
 1.1 - como providência preliminar ao oferecimento da ação penal, exige-se que seja feito 
prévio exame pericial nos objetos que constituam o corpo de delito. O exame de corpo de delito é 
condição de procedibilidade para o exercício da ação penal; 
 1.2.- o querelante deverá requerer ao juiz que se proceda à busca e apreensão do material 
(a fim de se comprovar ou não a falsificação)  haverá, então, a nomeação de 1 perito oficial ou, na 
sua falta, 2 não-oficiais, que irão até o local onde os bens se encontram para verificar se há ou não 
fundamento para a apreensão, verificação se o material é ou não falso. Havendo indícios de 
falsificação o material será apreendido; 
 1.3- Havendo ou não a apreensão, o laudo pericial deverá ser apresentado em até 03 dias após 
o encerramento da diligência  após isso, o laudo será enviado ao juiz para homologação (art. 
528). 
 1.4- Após toda essa providência de apreensão do material e realização da perícia, exige-se, 
que a queixa seja oferecida no prazo de 30 dias a contar da homologação do laudo (Se ocorrer 
prisão em flagrante e o réu não for posto em liberdade, o prazo será 8 dias. Ultrapassado esse 
prazo, a perícia se torna imprestável, exigindo-se a realização de nova perícia antes do oferecimento 
da ação penal, desde que tudo isso seja feito dentro do prazo decadencial de seis meses. 
 
 2 - SE O CRIME NÃO DEIXA VESTÍGIOS: 
 segue-se o rito comum ordinário sem qualquer modificação. 
 
obs: Vale ressaltar que o exame de corpo de delito (exame pericial constatando a existência do crime) 
é condição de procedibilidade para o exercício da ação penal. Sem ele, nem mesmo o recebimento da 
denúncia ou queixa ocorrerá. Se a infração deixou vestígios materiais que, no entanto, 
desapareceram, inclusive pela atuação do próprio agente do crime, é possível a realização do exame 
de corpo de delito indireto 
 
QUANDO A AÇÃO PENAL FOR PÚBLICA: nesse caso, segue-se o disposto nos arts. 530-B a 
530-I do CPP. 
 A autoridade policial procederá à apreensão dos bens ilicitamente produzidos ou 
reproduzidos, em sua totalidade, juntamente com todos os equipamentos e materiais que 
destinem-se à prática do ilícito. 
 Após a apreensão, será realizada a perícia, por perito oficial ou na sua falta, por pessoa 
tecnicamente habilitada e elaborado laudo que será anexado ao inquérito. Segue-se o inquérito e rito processual de praxe. 
 
OBS: Bens produzidos são os bens criados ou gerados a partir de um modelo protegido pelo direito 
autoral (ex.: fabricação de calças imitando modelo de grife); reproduzidos são os bens multiplicados 
ou copiados a partir de uma fonte original, sem autorização do autor (ex.: CDs e DVDs “pirateados”, 
ou seja, tomando-se um original, busca-se multiplicá-lo em várias peças para a venda sem pagamento 
do direito autoral). Os equipamentos, suportes e materiais constituem o aparato necessário para a 
produção ou reprodução de peças ou objetos, violando a propriedade imaterial. 
 
procedimento válido para os crimes de ação privada: 
 
 
 
 
 
procedimento válido para os crimes de ação pública: 
 
 
 
 
 
 
 
4- PROCEDIMENTO DA LEI DE DROGAS 
 
 
 O procedimento a ser aplicado está previsto nos artigos 54 a 59 da Lei n.11.343/2006, em 
conformidade com o disposto no art. 48 da referida Lei, , aplicando-se, subsidiariamente, as 
disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal.” Também aplicável, por 
óbvio, o Código Penal (art. 12) e leis extravagantes, se for o caso (ex.: Lei nº. 8.072/90 – Crimes 
Hediondos, Lei nº. 7.960/89 – Prisão Temporária, etc.). 
 Devem ser observados os arts. 395, 396 e 397 do Código de Processo Penal, com as 
alterações introduzidas pela Lei nº. 11.719/08, inclusive a possibilidade do julgamento antecipado 
do processo (absolvição sumária). Neste sentido, determina o novo art. 394, § 4º., CPP. 
 Não obstante, existe uma ressalva na lei que se refere à hipótese de o agente praticar o crime 
de posse de droga para consumo, uma das condutas previstas no art. 28 da citada lei. Nesse caso, o 
agente será processado e julgado nos termos da Lei dos Juizados Especiais Criminais, observando as 
seguintes situações deste artigo: 
 Quando se tratar da prática das condutas previstas no art. 28 da lei e, salvo se houver concurso 
com os crimes previstos nos arts. 33 a 37, “será processado e julgado na forma dos arts.60 e 
sseguintes da lei 9.099/95 (Juizados Especiais Criminais”). 
 Tal como ocorre com as infrações penais de menor potencial ofensivo, nas condutas previstas 
no art. 28 (porte ou plantação para consumo próprio), não se imporá prisão em flagrante, 
devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta 
deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e 
providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários.” 
 Ainda que ausente a autoridade judicial ou ainda que o autor do fato não assine o termo de 
compromisso, não deve ser lavrado o auto de prisão em flagrante.... em nenhuma hipótese! 
 Está vedada expressamente a detenção do agente. 
 No Juizado Especial Criminal, o Ministério Público deverá propor a transação penal (art. 76 
da lei 9099/95), sendo que a proposta terá como objeto uma das medidas educativas (como 
define o próprio art. 28 da lei de drogas) 
 
OBSERVAÇÕES: 
 
 Se a resposta preliminar não for apresentada no prazo, o juiz nomeará defensor para oferecê-
la em 10 (dez) dias; 
 Apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 (cinco) dias se rejeita ou recebe a denúncia; Se 
entender imprescindível, o juiz, no prazo máximo de 10 (dez) dias, determinará a 
apresentação do preso, realização de diligências, exames e perícias. 
 Se o acusado for funcionário público, e sendo condutas tipificadas nos arts. 33, caput e § 1o, e 
34 a 37, o juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o afastamento cautelar do denunciado 
de suas atividades,comunicando ao órgão respectivo. 
 O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da 
autoridade de polícia judiciária, ouvido o Ministério Público, havendo indícios suficientes, 
poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras medidas 
assecuratórias relacionadas aos bens móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos 
dos crimes previstos nesta Lei, ou que constituam proveito auferido com sua prática; 
 O art. 70 estabelece que “o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, se 
caracterizado ilícito transnacional, são da competência da Justiça Federal.” Neste sentido é 
o Enunciado 522 do Supremo Tribunal Federal (“Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, 
quando então a competência será da Justiça Federal, compete à Justiça dos Estados o 
processo e julgamento dos crimes relativos a entorpecentes”), além do art. 109, V da 
Constituição Federal. 
 
 
 
 ATENÇÃO: Os arts. 50 a 53 tratam da fase de investigação criminal (pré-processual) - 
 
Procedimento Na fase inicial (Polícia): 
a) Indiciado preso: A autoridade policial, em caso de prisão em flagrante, deverá comunicá-la 
imediatamente ao juiz competente, enviando-lhe cópia do auto de prisão em flagrante, sendo dada 
vista ao órgão do Ministério Público, no prazo de vinte e quatro (24) horas. O inquérito policial 
deverá ser concluído no prazo máximo de trinta (30) dias, sob pena de relaxamento da prisão por 
excesso de prazo. 
b) Indiciado solto: Após a conclusão do inquérito deverá ser remetido a juízo, no prazo de noventa 
(90) dias. 
c) Dilatação de prazo: Poderão ser duplicados os prazos pelo juiz, ouvido o Ministério Público, por 
meio de pedido justificado da autoridade de polícia judiciária, para a conclusão do inquérito policial, 
tanto no caso do indiciado preso como no caso de ele estar solto. 
d) Diligências complementares: Segundo o parágrafo único, do art. 52, da Lei n.º 11.343/2006, a 
remessa dos autos a juízo não impede a realização de diligências complementares que forem 
necessárias. 
 
*Nucci, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução. 13.ed.rev.,atual.e ampl. – Rio de 
Janeiro: Forense, 2016. 
 
*Lopes Jr., Aury. Direito processual penal / Aury Lopes Jr. – 13. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. 1. 
Processo penal – Brasil I. Título. 
*Justino, Patricy Barros. Direito processual penal II.Rio de Janeiro: SESES, 2017. 
*Lima, Renato Brasileiro de.Manual de processo penal: volume único. 4. ed. rev., ampl. e atual. – 
Salvador: Ed. JusPodivm, 2016.

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