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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO AULA 3 Prof. Anne Voss 2 CONVERSA INICIAL Olá, caro aluno! Seja bem-vindo ao nosso terceiro encontro da disciplina Psicologia do Desenvolvimento Humano! Nesta terceira aula, vamos dar continuidade ao nosso aprendizado sobre desenvolvimento humano, apresentando os aspectos relacionados aos processos de desenvolvimento da subjetividade. Falaremos, também, da relação entre indivíduo e sociedade e sobre a influência dos grupos sociais para a subjetividade humana. CONTEXTUALIZANDO Quando falamos em subjetividade, estamos nos referindo ao mundo interno do ser humano, ou seja, de emoções, sentimentos e pensamentos. Desta forma, tendo visto as principais teorias sobre o desenvolvimento humano na segunda aula, vamos estudar, hoje, os principais aspectos para o desenvolvimento da subjetividade. Antes de dar início a esses aspectos, vamos entender um pouco da noção de subjetividade na psicologia social? Acompanhe o texto a seguir: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-social/nocao-de-subjetividade-na- perspectiva-da-psicologia-social PESQUISE A formação do ser humano Para estudarmos sobre a subjetividade, precisamos partir do pressuposto de que somos seres em contínua transformação e que há uma infinidade de fatores influenciando nosso desenvolvimento, desde a infância até a velhice. Para tanto, é necessário considerar que, para além dos aspectos biológicos, estamos em constante interação com o meio, ou seja, a sociedade em que vivemos. Vejamos, a partir da tela seguinte, os aspectos que envolvem o desenvolvimento da subjetividade humana: Desenvolvimento social: os seres humanos são dos únicos animais que, ao nascer, precisam estabelecer vínculos sociais para sobreviver, ou seja, que 3 necessariamente precisam do cuidado do outro. Assim, a primeira forma de socialização é o contato com os pais e a família. Como vimos na aula anterior, a maioria dos autores consideram essencial esta vinculação, pois é ela que media nossa relação com o mundo, desde a alimentação, afeto até valores sociais. Esta primeira interação tem grande influência na subjetividade de cada um. Assim como os outros contatos que vão sendo estabelecidos ao longo da vida, como influências no período escolar e amizades que levam o sujeito a reconhecer os significados nos relacionamentos sociais. Desenvolvimento moral: a partir do contato com o outro, a criança começa a aprender o que é certo e errado. Kohberg estudou esse processo e identificou que o pensamento moral (saber o que é certo/errado) antecede o comportamento moral (fazer o que é certo/errado). Baseado pelos estágios de desenvolvimento de Piaget, o autor desenvolveu um sistema em três níveis e seis estágios para o desenvolvimento moral. Basicamente, esta teoria retrata que, a partir dos dois anos de idade, a criança começa a entender as normas externas e que elas devem ser obedecidas para evitar punição. Já na idade escolar, a criança tende a aceitar o que é socialmente correto, e na adolescência, o sujeito consegue entender as regras sociais vinculadas por princípios éticos mais amplos. Adolescência: diversos aspectos influenciam na constituição da subjetividade do adolescente: fatores biológicos, relacionados à maturação sexual e mudanças físicas corporais; fatores sociais e culturais, como maior autonomia, perspectivas de futuro, novos papéis sociais e ressignificação das suas relações. É um processo de transição que modifica o seu relacionamento com o mundo e que altera sua subjetividade. Vida adulta: nesta etapa da vida, outros aspectos irão permear a subjetividade humana, como trabalho, profissão, família, entre outros que irão depender de suas experiências. 4 Velhice e morte: precisamos considerar que a pessoa, em geral, ao ficar mais velha, costuma apresentar dificuldades para se relacionar socialmente, que podem ser por uma dificuldade de comunicação, por limitações motoras, dificuldade de raciocínio e, principalmente, pela sua relação com morte. Enfim, há diversos aspectos na velhice que contribuem para a construção de sua subjetividade que estão relacionados a uma série de dificuldades e desafios neste momento da vida. Que tal aproveitar o aprendizado a respeito da construção da subjetividade e como a sociedade influencia no desenvolvimento humano, para realizar uma pesquisa que aponta a prática desse tema? Procure materiais que abordem histórias de “meninos lobos” ou crianças selvagens. A mais famosa delas é do Victor de Aveyron, a história de um menino que viveu na floresta junto com outros animais e só foi encontrado por volta dos 10 anos de idade. No texto a seguir, você pode conhecer brevemente algumas histórias como essa: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/humanos-criados- como-animais-coracao-selvagem-434572.shtml TROCANDO IDEIAS Utilize o fórum para discutir com seus colegas os aspectos sociais que influenciam o indivíduo e a formação de sua subjetividade na nossa sociedade, considerando as diferenças entre as subculturas que vocês fazem parte. Participe, através do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)! NA PRÁTICA Agora, vamos ver mais aspectos para o desenvolvimento da subjetividade e de que forma influenciam no desenvolvimento do ser humano: Indivíduo e sociedade Afinal, qual a influência da sociedade para o indivíduo? Como vimos, a sociedade tem papel fundamental na definição de valores e comportamentos, ou seja, há um contrato social, definido pelos próprios indivíduos, que rege um padrão social e caso você não o siga, poderá ser punido ou repreendido por isso. Assim, há diversos aspectos da sociedade e da cultura que influenciam o indivíduo, inclusive, no seu desenvolvimento. 5 Cultura É entendida como toda a intervenção humana para transformar o ambiente natural, de modo a suprir suas necessidades básicas. Desta forma, trata-se de um resultado importante da relação entre indivíduo e sociedade. Assim, conseguimos observar que a cultura é, ao mesmo tempo, produzida pelo homem e produto dela, pois é passada de geração para geração. Considerando tais conceitos, precisamos pensar em alguns aspectos que envolvem a cultura, socialização e individualismo. Vamos ver quais são? Clique nos botões a seguir para saber mais: Agressividade: A forma como cada cultura lida com a questão da agressão irá influenciar no comportamento dos indivíduos. Porém, o que precisamos observar, é que sociedades mais pacíficas tendem a valorizar mais o grupo e os interesses coletivos do que em sociedades mais individualistas, que têm como característica pensar mais em interesses particulares. Emoção: Alguns autores afirmam que, mesmo em culturas muito diferentes, identificariam emoções básicas como felicidade, tristeza, raiva, surpresa, medo e repulsa. Porém, outros autores defendem que cada cultura apresenta uma variação de expressões aprendidas que dizem respeito às características daquela cultura (individualista ou coletivista). Sexualidade: Podemos considerar que o sexo é uma necessidade biológica, para fins de reprodução e sobrevivência da espécie. Porém, os fatores culturais influenciam no comportamento sexual, tanto com relação às experiências, quanto ao discurso social, ou seja, o que é moral, apropriado e agradável ao sentir prazer. Grupos Sociais Outro aspecto que influencia o desenvolvimento humano são os grupos sociais.Estamos inseridos nos grupos desde que nascemos e, ao longo da vida, interagimos com diversos deles, confirmando que somos seres sociais. O conceito de grupos sociais é de um agrupamento de pessoa sem que haja, necessariamente, interação social. Sua principal característica é que deve 6 haver uma consciência coletiva com valores, princípios e objetivos em comum. Assim, seus membros têm condutas parecidas que os que tornam parte do grupo, sem perder sua individualidade, e com um sentimento de pertencimento. Você sabe diferenciar grupo de agrupamento? A principal diferença entre ambos está na interação. No grupo, as pessoas interagem e têm um objetivo em comum; no agrupamento, podemos usar como exemplo a fila do ônibus, em que há pessoas apenas em um mesmo espaço, sem necessidade de interação. Cada grupo ao qual pertencemos tem influência sobre nós. Agora, vamos conhecer os tipos de grupos existentes: Grupo pessoal: diz respeito ao grupo que a pessoa se sente bem e à vontade. Podem ser identificados por fatores como etnia, religião, profissão; e a pessoa pode fazer parte de vários grupos pessoais ao mesmo tempo. Uma de suas características é considerar aquele de fora ou de outro grupo como estranho e até mesmo indesejável. Grupo externo: são os grupos a que não pertencemos. Família: é o primeiro grupo social de que fazemos parte e está diretamente relacionada ao nosso desenvolvimento, primeiro por garantir nossa sobrevivência, além disso, eles nos introduzem na cultura, língua e que nos ensinam normas e valores. Grupos primários: são grupos pessoais que dão a ideia de forte pertencimento, na maioria das vezes, os membros são insubstituíveis. O melhor exemplo é a família, além de ser o primeiro grupo com quem a pessoa se relaciona, ele também é responsável pelo desenvolvimento, cuidado e personalidade. Grupos secundários: tem como característica serem impessoais, limitados e não permanentes. Os grupos sociais podem ser considerados como um dos fatores que afetam o processo de desenvolvimento do ser humano. Escola: o ambiente escolar, os professores, a relação com os alunos e outros aspectos influenciam em diversos aspectos do desenvolvimento que não se 7 resume apenas no intelectual, mas inclui o emocional e social. Na escola aprendemos valores, cidadania, cultura, relacionamento interpessoal e convivência. SÍNTESE Chegamos ao fim deste encontro! Nesta aula vimos como se dá o desenvolvimento da subjetividade humana, a qual depende do desenvolvimento social e moral, bem como que ela se modifica a depender do estágio da vida. Vimos, também, que a sociedade tem papel fundamental na definição de valores e comportamentos dos indivíduos, e identificamos alguns dos aspectos que envolvem a cultura, socialização e individualismo – agressividade, emoção e sexualidade. Finalizamos com a relação entre os grupos sociais para o desenvolvimento humano, o conceito de grupos sociais e os tipos de grupos. COMPARTILHANDO Procure outros materiais e casos que ilustrem o aprendizado a respeito dos diversos aspectos que influenciam no desenvolvimento da subjetividade nas várias fases da vida. Compartilhe com seus colegas em suas redes sociais e proponha debates a respeito dessa interessante temática, para reforçar ainda mais o que você aprendeu. Até a próxima aula e bons estudos!