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Filosofia e Ética 
 
 
 
ICEG- INSTITUTO E CONSULTORIA DE EDUCAÇÃO GERAL 
CNPJ: 11.274.641/0001-50 
(33)3523-5169 / 3536-2540 / 8802-9788 
E-mail: iceg.mg@hotmail.com 
 
2 
 
SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE 1: FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA 
 
APRESENTAÇÃO................................................................................................................... 3 
CAPÍTULO 1 - A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA FILOSOFIA ............................................5 
CAPÍTULO 2 - SITUANDO A FILOSOFIA NAS DIVERSAS ÉPOCAS................................. 14 
CAPÍTULO 3 - AS CONCEPÇÕES E OS MÉTODOS DA FILOSOFIA ............................... 16 
CAPÍTULO 4 - OBJETOS DE ESTUDO – OS GRANDES TEMAS...................................... 21 
CAPÍTULO 5 - OS RAMOS DA FILOSOFIA......................................................................... 40 
REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 49 
 
UNIDADE 2: ÉTICA 
 
INTRODUÇÃO.......................................................................................................................52 
CAPÍTULO 1 - A ÉTICA NA FILOSOFIA ANTIGA................................................................ 53 
CAPÍTULO 2 - A ÉTICA CRISTÃ: A FILOSOFIA MEDIEVAL .............................................. 64 
CAPÍTULO 3 - A ÉTICA NA FILOSOFIA MODERNA .......................................................... 70 
CAPÍTULO 4 - ÉTICA CONTEMPORÂNEA ........................................................................ 76 
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 81 
ATIVIDADE ............................................................................................................................82 
 
 
 
 
 
3 
 
UNIDADE 1 - FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA 
 
Vários são os motivos que justificam a importância do estudo e entendimento da filosofia, 
quer seja nos cursos de graduação, no Ensino Médio ou como leitura de lazer pessoal. 
 
No nosso entendimento (e que, evidentemente, pode e deve variar de acordo com a visão 
que cada um tem da vida), o que mais motiva no estudo da Filosofia é a possibilidade de 
desenvolver uma visão generalista e, ao mesmo tempo, crítico-reflexivo acerca dos 
problemas do cotidiano. 
 
Aos alunos do Ensino Médio, o estudo da Filosofia possibilita a formação de cidadãos 
críticos, disciplinados, autônomos e cultos como recomenda a Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional (LDBEN n. 9394/96). 
 
O artigo 36, § 1o, inciso III, justifica os conhecimentos de Filosofia como “necessários ao 
exercício da cidadania”, contribuindo para o “aprimoramento como pessoa humana, 
incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento 
crítico” (art. 35, inciso II, da LDB). E devem, ainda, mais especialmente, seguir a diretriz de 
“difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, 
de respeito ao bem comum e à ordem democrática” (art. 27, inciso I, da LDB) (BRASIL, 
2006). 
 
Não é raro observarmos nos cursos de graduação, principalmente nas áreas de Ciências 
Exatas, a Filosofia ser encarada como algo de “intelectuais”, que não leva a nada, mas 
temos duas explicações! Primeiro, a forte influência do modelo universitário norte-
americano com seu pragmatismo1 e segundo, porque aqui no Brasil, ao contrário da Europa, 
os meios de comunicação não se preocupam em divulgar textos filosóficos (dentre outras 
lacunas que não nos interessa aprofundar no momento). Desse modo, aos alunos dos 
cursos de graduação, a Filosofia em muito tem a contribuir na formação cultural, crítica e 
ética das gerações atuais e futuras do país. 
 
_____________________________________________________________________ 
1 As doutrinas de C. S. Peirce (v. peirciano), W. James (v. jamesiano1), J. Dewey (v. deweyano) e do 
literato alemão Friedrich J. C. Schiller (1759-1805), cuja tese fundamental é que a verdade de uma 
doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou 
satisfação (FERREIRA, 2004) 
 
4 
 
Concordando com Sponville (2002) filosofar é pensar por conta própria; mas só se 
consegue fazer isso de um modo válido, apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, 
em especial dos grandes filósofos do passado. A filosofia não é apenas uma aventura; é 
também, um trabalho, que requer esforços, leituras, ferramentas. Esperamos que esta 
capacitação capacite-os para a discussão interdisciplinar, proporcionando a formação de 
cidadãos críticos que possam fazer com que a filosofia ocupe seu lugar no contexto local, 
regional e nacional, mas ressaltamos que o assunto não se esgota e tanto por isso, ao 
final da apostila são oferecidas bibliografias complementares para sanar dúvidas que, 
por ventura venham surgir no decorrer do estudo, possíveis lacunas e para aprofundamento 
dos senhores. 
 
Desejamos a todos uma boa leitura e um estudo proveitoso! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
CAPÍTULO 1 - A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA FILOSOFIA 
 
Origem, nascimento, definições 
 
Oficialmente a Filosofia nasceu com Tales de Mileto marcando uma nova forma de pensar o 
mundo através da observação e a tentativa sistemática de uma explicação natural para a 
realidade. 
 
No começo o homem acreditava nos mitos, mas algo aconteceu que o fez mudar seu modo 
de pensar. Ele deixou de recorrer aos mitos para explicar o universo e inaugurou um 
sistema de pensamento que permeia toda a civilização ocidental até os dias de hoje. 
 
Ao longo desta apostila encontraremos os motivos, as razões e as características desde o 
começo, passando pelas ideias pré-socráticas. 
 
A palavra “filosofia” tem sua origem no idioma grego e resulta da união de outras duas 
palavras: philia que significa amizade, amor fraterno (não no sentido erótico) e respeito 
entre os iguais e Sophia, que significa sabedoria, conhecimento. Filosofia significa, portanto, 
amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Assim, o filósofo seria aquele que ama 
e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. A tradição atribui ao filósofo 
Pitágoras de Samos (que viveu no século V antes de Cristo) a criação da palavra. Filosofia 
indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, deseja o conhecimento, o estima, 
o procura e o respeita (RUSSELL, 1977). 
 
Segundo Russell (1977), a filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o 
conhecimento real. Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três 
defeitos: é convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório. O primeiro passo rumo à 
filosofia consiste em nos tornarmos conscientes de tais defeitos, não a fim de repousar, 
satisfeitos, no ceticismo indolente, mas para substituí-lo por uma aperfeiçoada espécie 
de conhecimento que será experimental, precisa e autoconsistente. Naturalmente, 
desejamos atribuir outra qualidade ao nosso conhecimento: a compreensão. Desejamos que 
a área de nosso conhecimento seja a mais ampla possível. Isto, no entanto, é mais da 
competência da ciência que da filosofia. Um homem não vem a ser necessariamente melhor 
filósofo graças ao conhecimento de maior número de fatos científicos; são os 
princípios e métodos, e as concepções gerais, que ele deva apreender da ciência, 
6 
 
caso a filosofia seja matéria de seu interesse. A missão do filósofo é, a bem dizer, a 
segunda natureza do fato bruto. A ciência tenta agrupar fatos por meio de leis científicas; 
estas leis, mais que os fatos originais, são a matéria-prima da filosofia.A filosofia envolve 
uma crítica, do conhecimento científico, não de um ponto de vista em tudo diferente do 
da ciência, mas de um ponto de vista menos preocupado com detalhes e mais 
comprometido com a harmonia do corpo genérico das ciências especiais. 
 
A Filosofia é um ramo do conhecimento que pode ser caracterizado de três modos: seja 
pelos conteúdos ou temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, seja pela forma 
como trata tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata 
de conceitos tais como bem, beleza, justiça, verdade. Mas, nem sempre ela tratou de tais 
temas. No começo, na Grécia, a Filosofia tratava de todos os temas, já que até o séc. XIX 
não havia uma separação entre ciência e filosofia. Assim, na Grécia, a Filosofia incorporava 
todo o saber. No entanto, a Filosofia inaugurou um modo novo de tratamento dos temas a 
que passa a se dedicar, determinando uma mudança na forma de conhecimento do mundo 
até então vigente. Isto pode ser verificado a partir de uma análise da assim considerada 
primeira proposição filosófica (DUTRA 2005). 
 
Quanto ao seu valor, a filosofia deve ser estudada, não por causa de quaisquer respostas 
exatas às suas questões, uma vez que, em regra, não é possível saber que alguma 
resposta exata é verdadeira, mas antes por causa das próprias questões; porque 
estas questões alargam a nossa concepção do que é possível, enriquecem a nossa 
imaginação intelectual e diminuem a certeza dogmática que fecha a mente à especulação; 
mas acima de tudo porque, devido à grandeza do universo que a filosofia contempla, a 
mente também se eleva e se torna capaz da união com o universo que constitui o seu mais 
alto bem (RUSSELL, 2001). 
 
Para Prado Jr (1981) a Filosofia seria isso mesmo: uma especulação infinita e desregrada 
em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas 
preferências e mesmo de seus humores. Na verdade, existem pensadores ou 
especuladores que afirmam caber à Filosofia simplesmente sugerir questões e propor 
problemas, fazer perguntas cujas respostas não têm maior interesse, e com o fim único de 
estimular a reflexão, aguçar a curiosidade. 
 
7 
 
Apesar, contudo, de boa parte da especulação filosófica, particularmente em nossos dias, 
parecer confirmar tal ponto de vista, ele certamente não é verdadeiro. Há sem dúvida um 
terreno comum onde a Filosofia, ou aquilo que se tem entendido como tal, se confunde com 
a literatura e não objetiva realmente conclusão alguma, destinando-se tão somente, como 
toda literatura, a par do entretenimento que proporciona, levar aos leitores ou ouvintes, a 
partir destes centros condensadores da consciência coletiva que são os profissionais do 
pensamento, levar-lhes impressões e estados de espírito, emoções e estímulos, dúvidas 
e indagações. Mas esse terreno não é toda a Filosofia (PRADO JR, 1981). 
 
Mas vamos às definições colhidas para o termo Filosofia: 
 
1) Para Platão, filosofia é o uso do saber em proveito do homem, o que implica em, 1º, 
posse de um conhecimento que seja o mais amplo e mais válido possível, e, 2º, o 
uso desse conhecimento em benefício do homem. 
 
2) Rene Descartes simplifica como o estudo da sabedoria. 
 
3) Em Thomas Hobbes encontramos o conhecimento causal e a utilização desse em 
benefício do homem. 
 
4) Para Kant, é a ciência da relação do conhecimento à finalidade essencial da razão 
humana, que é a felicidade universal; portanto, a Filosofia relaciona tudo com a 
sabedoria, mas através da ciência, e para Auguste Comte, é a ciência 
universal que deve unificar num sistema coerente os conhecimentos universais 
fornecidos pelas ciências particulares (COLLINSON, 2006). 
 
 
5) Para o filósofo cristão alemão Johannes Hessen, como quer que se entenda e defina 
o que é Filosofia, não pode ser negado que nesta se realiza sempre um autoexame 
do Espírito. “O espírito humano cultiva ciência e arte; pratica atos de moralidade 
e de religião. Mas só na filosofia ele medita sobre o sentido e o alcance 
dessas suas atividades. Reflete ainda sobre as suas funções e atividades não-
teoréticas, sobre a sua atitude em face dos valores e pretende indagar qual é 
a essência dos valores éticos, estéticos e religiosos” (HESSEN, 1980, p.50). 
8 
 
6) Como o escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881): “o segredo da existência 
humana consiste não somente em viver, mas ainda em encontrar um motivo de 
viver”. Não será a ciência, com sua postura essencialmente não valorativa, que irá 
fornecer este sentido de totalidade, o conhecimento unificado e universal. 
 
Numa comparação com as ciências, estas, de forma simplificada, tendem a uma descrição 
analítica dos fatos ou situações, enquanto a Filosofia acaba sendo uma interpretação 
sintética. Como diz Durant (1996, p.26) “A ciência quer decompor o todo em partes, o 
organismo em órgãos, o obscuro em conhecido. Ela não procura conhecer os valores e as 
possibilidades ideais das coisas, nem o seu significado total e final; contenta-se em mostrar 
a sua realidade e sua operação atuais, reduz resolutamente o seu foco, concentrando-se na 
natureza e no processo das coisas tais como são.” Com a Filosofia acontece o oposto. O 
filósofo não se contenta com a simples descrição dos fatos; quer averiguar a relação do fato 
com a experiência em geral, tenta compor o que havia sido decomposto pelos cientistas 
combinando as coisas em uma grande síntese interpretativa. 
 
“A ciência nos ensina a curar e a matar; reduz a taxa de mortalidade 
no varejo e depois nos mata por atacado na guerra; mas só a 
sabedoria - o desejo coordenado à luz de toda a experiência - 
pode nos dizer quando curar e quando matar. Observar 
processos e construir meios é ciência; criticar e coordenar fins 
é filosofia; e porque hoje os nossos meios e instrumentos se 
multiplicaram além da nossa interpretação e e da nossa síntese 
de ideais e fins, nossa vida está cheia de som e fúria, não 
significando coisa alguma. Porque um fato nada é exceto em 
relação ao desejo; não completo, exceto em relação a um 
propósito e a um todo. A ciência nos dá conhecimento mas só a 
filosofia pode nos dar a sabedoria” (DURANT, 1996, p. 27). 
 
Enfim, as contradições, as incoerências, as ambiguidades, as incompatibilidades levam o 
homem em direção à Filosofia. Esse é momento em que ela nasce, ou seja, quando ele 
começa a exigir provas e justificativas racionais que validam ou invalidam as crenças 
cotidianas. O surgimento dos momentos críticos e quando sistemas religiosos, éticos, 
políticos, científicos e artísticos estabelecidos se envolvem em contradições internas 
ou contradizem-se uns aos outros e buscam transformações e mudanças, também entra 
em cena o “filosofar”. 
9 
 
A matéria e o espírito 
 
Quando os filósofos tentaram explicar o mundo, a natureza, o homem, tudo o que nos 
rodeia, enfim, foram levados a fazer distinções. Nós próprios constatamos que há coisas, 
objetos que são materiais, que vemos e tocamos. Depois, outras realidades que não vemos 
e não podemos tocar, nem medir, como as nossas ideias (POLITZER, 2001). 
 
Classificamos, portanto, assim as coisas: por um lado, as que são materiais; por outro lado, 
as que não o são, e pertencem ao domínio do espírito, do pensamento das ideias. 
 
Foi assim que os filósofos se encontraram em presença da matéria e do espírito. 
 
Mas, o que vem a ser cada um deles? 
 
Nós não costumamos falar do espírito, mas do pensamento, das nossas ideias, da nossa 
consciência, da alma; assim como, falamos da natureza, do mundo, da terra, do ser,estamos falando é da matéria. 
 
O pensamento é a ideia que fazemos das coisas; algumas dessas ideias vêm-nos 
ordinariamente das nossas sensações e correspondem a objetos materiais; outras, como 
as de Deus, filosofia, infinito, do próprio pensamento não correspondem a objetos 
materiais. Temos ideias, pensamentos, sentimentos, porque vemos e sentimos. 
 
Já a matéria é tudo aquilo que nos rodeia, que chamamos de mundo “exterior 
 
 
Campos de investigação 
 
Os grandes temas ou os campos de investigação da Filosofia sempre serão o homem, o 
universo, a sociedade, o conhecimento é uma autocrítica constante. Sempre foi sob estes 
temas que a Filosofia existiu e existirá, sendo sempre necessária e prazerosa. 
 
Segundo Chauí (2003) no período socrático, a filosofia se voltou para as questões humanas 
no plano da ação, dos comportamentos, das ideias, das crenças, dos valores e, portanto, se 
preocupando com as questões morais e políticas. 
10 
 
Seu ponto de partida é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, 
capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o 
pensamento faz sobre si mesmo para conhecer-se; é a consciência conhecendo-se a si 
mesma como capacidade para conhecer as coisas, alcançando o conceito ou a essência 
delas (GILES, 2006). 
 
Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se 
volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, 
o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios 
próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcançá-lo em tudo o que investiguemos 
(GILES, 2006). 
 
Ela também está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas, tendo 
como objeto central de suas investigações a moral e a política, isto é, as ideias e práticas 
que norteiam os comportamentos dos seres humanos tanto como indivíduos quanto como 
cidadãos. 
 
Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, o conceito ou a essência dessas virtudes, 
para além da variedade das opiniões, para além da multiplicidade das opiniões contrárias e 
diferentes. As perguntas filosóficas se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, 
a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a prudência, etc., que constituem os 
ideais do sábio e do verdadeiro cidadão (GILES, 2006). 
 
É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado a opinião e as imagens 
das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, 
pelos interesses, e, de outro lado, as ideias. As ideias se referem à essência íntima, 
invisível, verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que 
afasta os dados sensoriais, os hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões (GILES, 
2006). 
 
A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual, que 
permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutável, universal e necessária 
(GILES, 2006). 
 
11 
 
A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, 
mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento 
siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro (GILES, 2006). 
 
Em última análise, a filosofia nada mais é do que um instrumento, uma maneira que o 
homem encontrou para entender melhor a si próprio, ao outro e ao mundo, o que vai, 
complementarmente com as demais ciências, proporcionar benefícios ao próprio homem, o 
qual não deixa de ser um animal curioso que investiga, que deseja saber o porquê de toda 
existência, inclusive da sua (GILES, 2006). 
 
Isso nos leva a inferir que o homem é o tema mais privilegiado da Filosofia, e do seu 
entorno fazem parte o universo e a sociedade onde vive. 
 
Quanto ao conhecimento, outro campo de atuação da filosofia, conceitualmente: 
 
a) Conhecer, em sentido lato, é recolher e organizar informações sobre o meio 
envolvente de modo a permitir a constante adaptação do organismo ao meio, 
possibilitando assim a sua sobrevivência. 
b) Conhecer, em sentido restrito, apenas aplicável aos seres humanos, pode ser 
entendido como a construção de representações mentais que o sujeito organiza ao 
longo da vida na sua relação com os objetos. Nesta perspectiva restrita, 
encontramos conceitos como: 
 
1. Sujeito (aquele que conhece); 
 
2. Objeto (o que é conhecido); 
 
3. Sensação (apreensão imediata do objeto, que se realiza pela ação de um estímulo 
específico); 
 
4. Percepção (configuração ou construção individual dos dados sensoriais, em função dos 
mecanismos receptores, experiências anteriores, interesses, etc.). A palavra percepção 
deriva do latim perceptio que significa ação de recolher, e por extensão conhecimento como 
apreensão. O que caracteriza a percepção é a apreensão da realidade, não como 
12 
 
impressões sensoriais isoladas, mas um conjunto organizado, ou uma totalidade portadora 
de sentido. 
 
5. Razão (elaboração de representações mentais abstratas, conceitos, discursos), relações 
lógicas e teorias interpretativas sobre a realidade (FONTE, 2008). 
 
Enfim, as teorias explicativas sobre o conhecimento foram sempre um tema central na 
história da filosofia, e mais recentemente, também na ciência. As perspectivas da ciência 
não são, como é obvio, coincidentes com as da filosofia (FONTES, 2008). 
 
Entre as teorias científicas do conhecimento, Fontes (2008) destaca as filogenéticas, as 
ontogenéticas, a sociologia do conhecimento e a psicologia da percepção. 
 
A filogênese estuda a história da evolução humana, nomeadamente a constituição dos 
seres humanos como sujeitos cognitivos. 
 
A paleontologia humana, baseada em inúmeras investigações, afirma que os homens nem 
sempre tiveram a mesma constituição e capacidades. A explicação mais consensual é que a 
evolução da nossa constituição morfológica e funcional, foi feita em simultâneo com o 
desenvolvimento das nossas capacidades cognitivas (memória, linguagem e pensamento) e 
esta de forma articulada com o desenvolvimento das nossas realizações e capacidades 
técnicas. Todos estes fatores de forma inter-relacionada contribuíram para gerarem a 
espécie que hoje somos (FONTES, 2008). 
 
Na ontogênese, o conhecimento é encarado como um processo de modificações e 
adaptações ao meio que desde o nascimento ocorre em todos os seres vivos. Segundo 
diversos autores, a ontogênese repete a filogênese, isto é, o desenvolvimento da 
humanidade é como que repetido no desenvolvimento de cada ser (FONTES, 2008). 
 
Sobre outro grande campo de estudo da Filosofia, a autocrítica, Marx e Freud descobriram 
aspectos decisivos da ação das forças que atuam subterraneamente em nós e 
mostraram que, sob uma capa de “racionalidade”, elas impõem limites aos movimentos da 
nossa consciência. Mostraram como esquemas explicativos são elaborados e reelaborados 
em nossas cabeças com a finalidade de nos proporcionar a “boa consciência”, com o 
13 
 
objetivo de amenizar nossas dúvidas, atenuar nossas inquietações e evitar a vertigem 
das nossas inseguranças (KONDER, 2008). 
 
No pensamento de Konder (2008) forjamos para nós imagens que nos ajudem a viver; e 
nos apegamos a elas. O autoritário se apresenta como “enérgico” e “corajoso”; o oportunista 
como “prudente” ou “realista”; o covarde com “sensato”; o irresponsável como “livre”. Não 
existe nenhuma tomada de posição no plano político ou filosófico que, por si mesma, 
imunize a consciência contra a ação desses mecanismos. Somos todos divididos, 
contraditórios. Por isso mesmo, precisamos promover discussões, examinar e reexaminar a 
função interna das nossas racionalizações.Quer dizer: precisamos realizar 
permanentemente um vigoroso esforço crítico e autocrítico. 
 
Nesse contexto, a autocrítica é de uma importância decisiva. É por ela que passa o teste da 
superação do conservadorismo dentro de nós. Um conservador – é claro – pode fazer 
autocrítica; mas, se a autocrítica for feita mesmo para valer, ele seguramente não estará 
sendo conservador no momento em que a fizer. 
 
Desde que consiga se instalar solidamente na consciência de alguém, o conservadorismo 
pode administrar uma grande flexibilidade: pode suportar com tolerância liberal as opiniões 
divergentes, até as provocações e irreverências alheias. Mas não pode se permitir o 
autoquestionamento radical (KONDER, 2008). Este campo basicamente permeia ao mesmo 
tempo, o começo e o final do processo de filosofia de qualquer ser humano, sendo de 
extrema importância para lançar mão de novos questionamentos e reiniciar sua caminhada 
na busca de novas respostas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
CAPÍTULO 2 - SITUANDO A FILOSOFIA NAS DIVERSAS ÉPOCAS 
 
Antiga (do séc. VI a.C. ao séc. III d.C) 
 
A filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga, no séc. VI a.C. sendo considerados Pitágoras 
(c. 580-500 a.C.) e Tales de Mileto (c. 624-546 a.C.), os fundadores e primeiros 
filósofos. Eles dedicavam-se com especial atenção à cosmologia (que hoje é uma disciplina 
científica), isto é, ao estudo da origem e natureza última do universo. Sócrates e Platão 
dedicaram-se depois a problemas éticos e políticos, assim como a alguns aspectos mais 
conceituais da filosofia. Fizeram da procura de definições explícitas de conceitos básicos 
como beleza, justiça e conhecimento a sua atividade principal. Aristóteles desenvolveu 
praticamente todas as áreas da filosofia e da ciência, e estabeleceu firmemente o estudo 
sistemático de problemas filosóficos e científicos. Fundaram-se várias escolas dedicadas ao 
estudo da filosofia e surgiram vários filósofos importantes (CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 
2006). 
 
Medieval (sécs. III-XV) 
 
No período medieval a filosofia foi estudada num contexto, sobretudo religioso. Muitos 
filósofos deste período foram extraordinariamente perspicazes, tendo desenvolvido algumas 
ideias e argumentos hoje considerados centrais em filosofia, não só na filosofia da religião 
e na metafísica, mas também na ética, filosofia da linguagem e lógica. Alguns dos 
debates mais importantes da época incluem o problema dos universais, as provas da 
existência de Deus e a compatibilidade entre a presciência divina e o livre-arbítrio humano 
(a presciência é a capacidade para saber de antemão o que vai acontecer). Alguns dos 
mais destacados filósofos ocidentais do período medieval foram Santo Agostinho, Santo 
Anselmo (1033-1109), Abelardo (1079-1142), Tomás de Aquino e Guilherme de Ockham 
(CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 2006). 
 
Moderna (sécs. XVI-XVIII) 
 
No período moderno, a epistemologia foi considerada por muitos filósofos o ponto de partida 
da filosofia. Descartes tornou-se um dos mais influentes filósofos de sempre. Neste período, 
a oposição entre empirismo e racionalismo tornou-se central. Do lado racionalista, 
juntamente com Descartes, estão filósofos como Espinosa (1632-77) e Leibniz. Do lado 
15 
 
empirista, filósofos como Hobbes, Locke, Berkeley e Hume. Hobbes, Locke, Hume e 
Espinosa deram uma atenção especial à ética e à filosofia política, que tinham sido 
negligenciadas por Descartes. Outros filósofos importantes deste período foram Voltaire 
(1694-1778) e Jean Jacques Rousseau (1712-78). Kant prossegue o trabalho dos filósofos 
racionalistas e empiristas, ocupando-se, sobretudo, de ética, epistemologia e metafísica 
(CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 2006). 
 
Contemporânea (do séc. XIX aos dias de hoje) 
 
No séc.XIX, principalmente a partir do séc. XX, a filosofia conhece uma vitalidade e 
diversidade que ultrapassa de longe qualquer período histórico anterior. Alguns filósofos 
alemães e franceses fundam correntes como o existencialismo, a fenomenologia e a 
hermenêutica; que serão definidos em tópico mais adiante. Depois da segunda guerra 
mundial, florescem disciplinas antes negligenciadas, como a metafísica, a filosofia da 
religião, a filosofia da arte, a ética, incluindo a ética aplicada) e a filosofia política. A 
filosofia da ciência e a epistemologia atingem resultados de grande importância, assim como 
a filosofia da linguagem e a lógica, que em grande parte se autonomiza relativamente à 
filosofia. A filosofia, tal como as artes e as ciências, entra no séc. XXI com um grau de 
sofisticação, pertinência e alcance nunca antes atingido (CHAUÍ, 2003; WARBURTON, 
2006). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
CAPÍTULO 3 - AS CONCEPÇÕES E OS MÉTODOS DA FILOSOFIA 
 
 
SegundoChauí (2003), Politzer (2001) e outros autores, existem três formas de 
concebermos a filosofia, sendo elas: a forma metafísica, a positivista e a crítica. 
 
A forma metafísica prevaleceu na Antiguidade e na Idade Média, tendo como característica 
principal, a negação de que qualquer investigação autônoma fora da Filosofia tivesse 
validade. 
 
Naqueles tempos, um conhecimento era filosófico ou não era conhecimento. As demais 
ciências eram apenas parte da Filosofia, sendo esta, o saber único possível. 
 
Para Politzer (2001) a metafísica só tem importância na filosofia burguesa, uma vez que se 
ocupa de Deus e da alma. 
 
Tudo aí é eterno. Deus é eterno, não mudando, permanecendo igual a si mesmo; a alma 
também. O mesmo acontece com o bem, o mal, etc., estando tudo isso nitidamente definido, 
definitivo e eterno. Nessa parte da filosofia que se chama metafísica, veem-se, pois, as 
coisas como um conjunto congelado, e procede-se, no raciocínio, por oposição: opõe-se 
espírito à matéria, o bem ao mal, etc., isto é, raciocina-se por oposição das contrárias 
entre elas (POLITZER, 2001, p. 99-100). 
 
Ainda segundo Politzer, chama-se metafísica a essa maneira de raciocinar, de pensar, 
porque trata das coisas e das ideias que se encontram fora da física, como Deus, a 
bondade, a alma, o mal, etc. Metafísica vem do grego meta, que quer dizer além, e de física, 
ciência dos fenômenos do mundo. Portanto, metafísica ocupa-se de coisas situadas além do 
mundo. 
 
Na segunda forma, Positivista, o conhecimento cabe às ciências e à Filosofia cabe 
coordenar e unificar os resultados. 
 
Os positivistas abandonaram a busca pela explicação de fenômenos externos, como a 
criação do homem, por o conhecimento cabe às ciências e à Filosofia cabe coordenar e 
unificar os resultados exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas e presentes na 
17 
 
vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética. A filosofia 
positivista de Comte, surgida no século XIX, nega que a explicação dos fenômenos naturais, 
assim como sociais, provenha de um só princípio. Tem como base teórica os três pontos 
seguintes: 
 
1) Todo conhecimento do mundo material decorre dos dados "positivos" da 
experiência, e é somente a eles que o investigador deve ater-se; 
 
2) Existe um âmbito puramente formal, no qual se relacionam as ideias, que é o da 
lógica pura e da matemática; e, 
 
3) Todo conhecimento dito “transcendente” - metafísica, teologia e especulação acrítica 
- que se situa além de qualquer possibilidade de verificação prática, deve ser 
descartado (CHAUÍ, 2003). 
 
Na terceira forma, a crítica, a Filosofia é juízo sobre a ciência e não conhecimento de 
objetos. Sua tarefa é verificar a validade do saber, determinando seus limites, condições e 
possibilidades efetivas. Segundo essa concepção, a Filosofia nãoaumenta a quantidade do 
saber, portanto, não pode ser chamada propriamente de “conhecimento” (CHAUÍ, 2003). 
 
Segundo Ewing (2008), recentemente, a filosofia crítica tem sido frequentemente 
contraposta à metafísica (que nesse caso é às vezes denominada filosofia especulativa). A 
filosofia crítica analisa e critica os conceitos pertencentes ao senso comum e às ciências. 
As ciências pressupõem certos conceitos que não são suscetíveis de investigação por meio 
de métodos científicos, de modo que passam a integrar o âmbito da filosofia. Nesse 
sentido, todas as ciências, com exceção da matemática, pressupõem de alguma forma a 
concepção de lei natural; cabe à filosofia, e não a qualquer das ciências particulares, 
examinar tal concepção. 
 
Enfim, a parte da filosofia crítica que trata da investigação da natureza e dos critérios de 
verdade, assim como da maneira pela qual obtemos conhecimento, é chamada de 
epistemologia (teoria do conhecimento). 
 
Sobre os métodos, a ciência moderna, caracterizada pelo método experimental, foi 
tornando-se independente da Filosofia, dividindo-se em vários ramos de conhecimento, 
18 
 
tendo em comum o método experimental. Esse fenômeno, típico da modernidade, restringiu 
os temas tratados pela Filosofia. Restaram aqueles cujo tratamento não poderia ser dado 
pela empiria, ao menos não com a pretensão de esclarecimento que a Filosofia pretenderia 
(POLITZER, 2001). 
 
A característica destes temas é que vai determinar o modo adequado de tratá-los, já que 
eles não têm uma significação empírica. Em razão disso, o tratamento empírico de tais 
questões não atinge o conhecimento próprio da Filosofia, ficando, em assim procedendo, 
adstrita ao domínio das ciências (POLITZER, 2001). 
 
Macedo e Santos (1994) deixam claro que o tratamento dos assuntos filosóficos não se 
pode dar de maneira empírica, porque, desta forma, confundir-se-ia com o tratamento 
científico da questão. Por isso, no dizer de Kant “o conhecimento filosófico é o 
conhecimento racional a partir de conceitos”. Ou seja, “as definições filosóficas são 
unicamente exposições de conceitos dados [...] obtidas analiticamente através de um 
trabalho de desmembramento”. Portanto, a Filosofia é um conhecimento racional mediante 
conceitos, ela constitui-se num esclarecimento de conceitos, cuja significação não pode ser 
ofertada de forma empírica, tais como o conceito de justiça, beleza, bem, verdade, etc. 
 
Vários são os métodos que foram utilizados pela Filosofia, cada um a seu tempo. Abaixo 
temos alguns exemplos, os quais serão explicados em tópicos adiante. 
 
MÉTODO HERMENÊUTICO 
 
 
 
 SUJEITO OBJETO FINALIDADE 
 
 SISTEMA DE INTERPRETAÇÃO DE HERMENÊUTICA 
FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) 
 
Interpretação Texto Verdade|siginificado
19 
 
 
MÉTODO CARTESIANO 
 
 EVIDÊNCIA 
 
 
 
 
 ANÁLISE 
 
 
 
 
 SÍNTESE 
 
 
 
 
 ENUMERAÇÃO 
 
 
FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) 
 
 
MÉTODO FENOMENOLÓGICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMA DE INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA 
 
FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) 
 
 
 
 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO TEXTO COISA – EM - SI 
20 
 
MÉTODO SOCRÁTICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Definição - conceitos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Experiência 
 (ação) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Opiniões particulares 
 
 
 
FONTE: (MACEDO E SANTOS, 1994) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Raciocínio Indutivo 
(das opiniões particulares 
aos conceitos) 
Ciência: 
Universal 
Imanente 
Essência 
 
Raciocínio Dedutivo 
Aplicação prática dos 
conceitos universais 
Ironia 
Fase destrutiva 
Maiêutica 
Fase construtiva 
(auto-reflexão) 
 
Douta Ignorância 
21 
 
CAPÍTULO 4 - OBJETOS DE ESTUDO – OS GRANDES TEMAS 
 
Metafísica 
 
Metafísica (além do físico) é um ramo da filosofia que estuda a essência do mundo, 
as inter-relações entre mente e matéria, buscando responder perguntas tais como: O que é 
real? O que é natural? O que é sobrenatural? 
 
Tem na ontologia o seu ramo central que investiga em quais categorias as coisas 
estão no mundo e quais as relações dessas coisas entre si. Ela também tenta esclarecer as 
noções de como as pessoas entendem o mundo, incluindo a existência e a natureza 
do relacionamento entre objetos e suas propriedades, espaço, tempo, causalidade, e 
possibilidade. 
 
De acordo com o sentido usado por Aristóteles e Andrônico de Rodes, ou seja, algo 
que vinha depois da física, se torna algo intocável, que só existe no mundo das 
ideias, como a ética e a política que não tratam de seres físicos, mas de seres não-físicos 
existentes apesar de sua imaterialidade. 
 
Como é uma especulação em torno das causas primeiras do ser, podemos chegar a 
confundi-la com a própria filosofia. 
 
Epistemologia 
 
O primeiro conceito de epistemologia é creditado a Platão: conformidade ou 
adequação entre o pensamento e a realidade. 
 
A partir do século XVII quando começa a crescer a importância do conhecimento 
científico, predominando nos debates sobre a verdade as questões sobre a 
objetividade e validade universal desse conhecimento científico, a epistemologia toma 
novo impulso (FONTES, 2008). 
 
Positivistas como Comte consideram que somente são verdadeiros os conhecimentos 
baseados em fatos que podem ser observados. A possibilidade da verificação das 
provas torna-se uma exigência básica do conhecimento científico. 
22 
 
Na sequência, os empiristas lógicos, também conhecidos como 
neopositivistas colocam a questão da adequação, enquanto garantia da verdade do 
conhecimento, na própria linguagem. Ao considerarem que a linguagem científica se 
exprime através de proposições, defendem que a principal tarefa para atingir a 
verdade é expurgar da linguagem, os termos ambíguos susceptíveis de provocarem o erro. 
 
A única forma da linguagem cientifica permitir o acesso à verdade, é tornar-se unívoco, isto 
é, cada termo possuir apenas um único sentido ou significado. Para isso terá de 
usar signos lógicos ou matemáticos, ou expressões que tenham conceitos cuja 
aplicação se possa decidir com auxilio da observação (FONTE, 2008). 
 
Entretanto, o único critério para saber se um conhecimento é verdadeiro ou falso, 
continua, contudo, a ser o da sua verificabilidade. Só se conhece o significado de uma 
proposição se conhece como a mesma pode ser verificada (FONTE, 2008). 
 
Para Silveira (2005), toda epistemologia é histórica ou não é epistemologia. Histórica 
porque se constrói a partir da história do conhecimento humano e porque se altera com as 
descobertas científicas e com as mudanças de valores e interesses. 
 
Dada a história das ciências desde o final do século XIX, à epistemologia atual não 
interessa discutir a verdade da ciência, conceito que perdeu o sentido, mas a 
gênese, a formação ea estruturação de cada ciência e os processos históricos de 
validação que aí aparecem (SILVEIRA, 2005). 
 
Para Grayling (1996), à epistemologia interessa a investigação da natureza, das fontes 
e da validade do conhecimento. 
 
O mesmo autor acima infere que na era moderna, a partir do século XVII em diante - como 
resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com 
a emergência da ciência moderna - que a epistemologia tem ocupado um plano central 
na filosofia. 
 
 
 
 
23 
 
Ética e Moral 
 
A Ética além de ser um dos grandes temas da Filosofia onde a investigação da conduta 
humana é central, determinando as origens, conceitos, universalidades, relatividades e 
constituição da dimensão ética individual e social, é completamente um tema atual. 
 
O termo ética deriva de uma palavra grega que significa “costume” e, por isso, a ética foi 
definida com frequência como a doutrina dos costumes, principalmente no pensamento de 
orientação mais empirista. 
 
Para os antigos gregos, principalmente para Aristóteles, o termo “ética” é tomado 
primitivamente só num sentido “adjetivo”: trata-se de saber se uma ação, uma 
qualidade, uma virtude ou um modo de ser são ou não “éticos” (MORA, 1998). 
 
Para Aristóteles, as virtudes éticas são aquelas que se desenvolvem na prática e 
que estão orientadas para a consecução de um fim, servem para a realização da 
ordem na vida do Estado como a justiça, a amizade, o valor, etc. e que têm a sua origem 
direta nos costumes e no hábito, pelos quais se pode chamá-las de virtudes de hábito ou 
tendência. 
 
Na evolução do termo, Vazquéz (1999, p.23) fala que o ético identificou-se cada vez 
mais com o moral, e a ética chegou a significar propriamente “a teoria ou ciência do 
comportamento moral dos homens em sociedade”. 
 
Ainda segundo Vasquéz (1999), ética diz respeito diretamente ao Homem, à relação 
consigo mesmo, com os outros e com a natureza. Além de ser um tema que remonta às 
mais antigas especulações filosóficas, tem trazido na atualidade grandes questões para a 
pós-modernidade, especificamente no que concerne à bioética e questões ambientais. 
 
Muitas vezes confundimos o objeto em estudo (o comportamento moral) com a ciência 
(Ética), mas as explicações abaixo ajudarão a compreender o sentido de ambos. 
 
A moral tem por objeto as formas históricas de conhecimento e conduta moral, ao 
passo que a ética trata dos conteúdos do conhecimento moral, formulando juízos sobre o 
que é dado sobre este conhecimento moral. 
24 
 
A ética tem um caráter absoluto, enquanto a moral é essencialmente relativa a uma 
realidade histórica, cultural e mesmo individual, atuando como regulamentação do 
comportamento dos indivíduos entre si e destes com a comunidade, ajustando o 
comportamento individual ao coletivo com a finalidade de estabelecer e manter a 
estabilidade social da comunidade bem como proporcionar as condições para a sua 
própria sobrevivência. 
 
Várias são as origens da moral, dentre elas, a concepções baseada no 
comportamento histórico do homem em sociedade; ou, a que coloca Deus como sua origem 
ou fonte. 
 
Nesse sentido Vasquéz (1999, p. 38) nos ensina que “as normas morais derivam de 
um poder sobre-humano, cujos mandamentos constituem os princípios e as normas morais 
fundamentais.” 
 
Outra hipótese sobre a origem da moral considera a Natureza como origem ou fonte 
da moral. Considera que a conduta moral seria apenas um aspecto da conduta 
natural, biológica, tendo sua origem nos instintos. 
 
Se observarmos, essas correntes não consideram o caráter histórico, mas, em cada 
época, cada sociedade cria seus códigos morais visando, com a subordinação do 
individual ao coletivo, sua própria sobrevivência. Esse código persiste no tempo 
enquanto existem condições sociais capazes de sustentá-la. Quando estas condições 
não são mais suficientes, surgem novas morais mais adaptadas a estas novas 
condições que são de natureza sociais, econômicas e políticas (ABBAGNANO, 2007). 
 
As filosofias de Platão, Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Hegel, Marx e outros, 
consideram a ética como a ciência do fim para o qual a conduta dos homens deve ser 
orientada e dos meios para atingir este fim. Essa é a ética que fala a língua do ideal para o 
qual o homem se dirige por sua natureza, essência ou substância do homem 
(ABBAGNANO, 2007). 
Abbagnano continua seu pensamento expondo a outra concepção (compartilhada por 
autores como Kant, Spinoza, Schopenhauer, Hobbes, Hume, Locke e Leibniz) que 
considera a Ética como ciência do móvel da conduta humana e procura determinar este 
móvel, o que faz o homem ir de tal maneira e não de outra nas diversas situações de sua 
25 
 
vida, visando dirigir ou disciplinar esta conduta. É a Ética que fala dos motivos ou 
causas da conduta humana, ou das forças que a determinam, pretendendo ater-se aos 
fatos. 
 
Na segunda metade do século XX, após a segunda guerra mundial desenvolveu-se 
na França (com Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Merleau-Ponty) e na 
Alemanha (com Heidegger), a chamada “Ética Existencialista” que, em linhas gerais é uma 
espécie de “não-ética”, uma negação de que possa haver uma ética, pois, segundo os 
pensadores desta corrente, não parece haver possibilidade de se formular normas 
morais objetivas, fundadas em Deus, sociedade, natureza, um suposto reino objetivo 
de valores ou normas, etc., de modo que o único “imperativo” ético possível é o de 
que cada um tem de decidir por si mesmo, em vista de sua própria e intransferível 
situação concreta, o que vai fazer e o que vai ser (ABBAGNANO, 2007). 
 
Analisando-se a história da ética como uma disciplina da Filosofia não devemos 
esquecer que esta história é mais limitada no tempo e no material tratado do que as ideias 
morais da humanidade que compreendem, segundo MORA (1998), o estudo de todas as 
“normas que regularam a conduta humana desde os tempos pré-históricos até os 
nossos dias”. 
 
Este estudo da Moral não é só filosófico ou histórico-filosófico, mas também, 
essencialmente social. Por este motivo a descrição dos diversos grupos de ideias 
morais é um tema de que se ocupam disciplinas como a sociologia e a antropologia. Enfim, 
a existência de ideias morais e de atitudes morais não implicam a presença de uma 
disciplina filosófica particular. 
 
 
Estética e Arte 
 
Conhecida como Filosofia da Arte, a estética é o estudo da forma ideal ou da beleza! 
Estética (percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objeto o estudo da 
natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda: 
 
• O julgamento e a percepção do que é considerado belo; 
• A produção das emoções pelos fenômenos estéticos, 
26 
 
• As diferentes formas de arte e do trabalho artístico; 
• A idéia de obra de arte e de criação; 
• A relação entre matérias e formas nas artes. 
 
Por outro lado, a estética também pode ocupar-se da privação da beleza, ou seja, o que 
pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo. 
 
A publicação da obra Aesthetica do filósofo alemão Baumgarten, por volta de 1750 levou a 
estética a adquirir autonomia como ciência, destacando-se da metafísica, lógica e da 
ética. A nova abordagem da autor permitia aos artistas alterarem a natureza, 
adicionando sentimentos à realidade percebida, compreendendo,então, de outra 
forma, o prévio entendimento grego clássico que entendia a arte principalmente como 
mimesis da realidade. 
 
Na Antiguidade - especialmente com Platão, Aristóteles e Plotino - a estética era estudada 
fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a 
obra. A essência do belo seria alcançada identificando-o com o bom, tendo em conta os 
valores morais. 
 
Na Idade Média surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros 
ramos filosóficos como ficou claro quando falamos da obra de Baumgarten. 
 
Pauli (1997) nos coloca que no âmbito do Belo, dois aspectos fundamentais podem 
ser particularmente destacados: 
 
• A estética iniciou-se como teoria que se tornava ciência normativa às custas 
da lógica e da moral - os valores humanos fundamentais: o verdadeiro, o 
bom, o belo. Centrava em certo tipo de julgamento de valor que enunciaria 
as normas gerais do belo (ver cânone estético); 
• A estética assumiu características também de uma metafísica do belo, que se 
esforçava para desvendar a fonte original de todas as belezas sensíveis: 
reflexo do inteligível na matéria (Platão), manifestação sensível da idéia 
(Hegel), o belo natural e o belo arbitrário (humano), etc. 
 
27 
 
Mas este caráter metafísico e conseqüentemente dogmático da estética transformou-se 
posteriormente em uma filosofia da arte, onde se procura descobrir as regras da arte na 
própria ação criadora (Poética) e em sua recepção, sob o risco de impor construções a priori 
sobre o que é o belo. Neste caso, a filosofia da arte se tornou uma reflexão sobre os 
procedimentos técnicos elaborados pelo homem, e sobre as condições sociais que 
fazem um certo tipo de ação ser considerada artística (PAULI, 1997). 
 
A estética também possui, conforme já se adiantou, um sentido amplo, ou acepção ampla, 
em que estuda, além do sentimento estético, ainda o belo e a arte, que são os principais 
causadores desse apreciável sentimento. A denominação tomada neste sentido amplo 
reúne três assuntos com peculiaridades semelhantes, sem, contudo, se unirem numa só 
disciplina de saber. 
 
Separados os três planos ou três áreas inconfundíveis, eles ficam, conforme a 
seguir: 
• O sentimento estético se mantém como capítulo da psicologia; 
• O belo, quando entendido como a perfeição em destaque, é um capitulo da 
ontologia; 
• Da arte se ocupam as ciências formais, a saber, a filosofia da arte e a tecnologia da 
arte (PAULI, 1997). 
 
Simplificando, a estética estuda o sentimento estético e os objetos que o produzem, 
tais como o belo e a arte. Se for reduzido ao estudo de belo, a estética estuda o belo e sua 
propriedade de produzir o sentimento estético. E reduzindo ao estudo da arte, a estética 
investiga a arte e sua propriedade de agrado estético (PAULI, 1997). 
 
 
Lógica e Linguagem 
 
A lógica (do grego clássico logos, que significa palavra, pensamento, idéia, 
argumento, relato, razão ou princípio) é uma ciência de índole matemática e 
fortemente ligada à Filosofia. Já que o pensamento é a manifestação do 
conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer 
algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a lógica é o ramo da filosofia 
que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento 
28 
 
do pensar. Desse modo, aprender a lógica não constitui um fim em si. Ela só tem sentido 
enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de 
chegar a conhecimentos verdadeiros. Enfim, a lógica trata dos argumentos, isto é, das 
conclusões a que chegamos através da apresentação de evidências que a sustentam. 
O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada 
Organon. Ele divide a lógica em formal e material. 
 
A lógica é o estudo do método ideal de pensamento e pesquisa. Observação e 
introspecção, dedução e indução, hipótese e experimento, análise e síntese são as formas 
da atividade humana que a lógica tenta compreender e orientar. Quanto à linguagem 
esta é a forma como acontece a manifestação do pensamento. 
 
Os melhoramentos pelos quais passou ao longo de sua história é que permitiu o 
desenvolvimento dos diversos métodos de pesquisa científica. 
 
Segundo Chateaubriand (2008) a lógica se apresenta na prática contemporânea como 
uma multiplicidade de sistemas formais conceitualizados lingüística e matematicamente. 
Uma lógica (e, de modo mais geral, um sistema formal) é concebida como uma 
linguagem composta de uma sintaxe e de uma semântica. A sintaxe inclui tudo o que 
pode ser tratado como uma combinatória de símbolos, sem considerar quaisquer conteúdos 
que esses símbolos possam ter - isto é, sem considerar o que os símbolos simbolizam. 
 
A formulação da linguagem (a gramática) é um aspecto central da sintaxe, mas esta 
não se restringe à gramática. Também a prova é tratada sintaticamente como 
constituída de operações (isto é, regras de inferência) realizadas sobre seqüências de 
símbolos de certas categorias como fórmulas e sentenças. Considerando uma 
totalidade de aplicações dessas operações pode-se definir as noções de dedução 
lógica, consistência lógica e teorema lógico, que juntamente com certas noções de 
definição (definição abreviativa, definição recursiva), são as principais noções sintáticas 
da lógica (CHATEAUBRIAND, 2008). 
 
A semântica de uma linguagem lógica é baseada na noção de interpretação (ou de 
estrutura). Esta é uma noção que pertence principalmente à teoria de conjuntos e que 
envolve um universo de discurso - um conjunto não vazio - e uma função de denotação que 
atribui a vários símbolos denotações relativas ao universo de discurso. Pode-se, assim, 
29 
 
introduzir as noções de satisfação e verdade relativas a uma interpretação. Considerando 
uma totalidade de interpretações, pode-se definir as noções de conseqüência lógica, 
satisfatibilidade e verdade lógica, bem como uma noção semântica de definição como 
individuação, que são as principais noções semânticas da lógica (CHATEAUBRIAND, 
2008). 
 
O estudo sistemático dessas noções e de suas interconexões pertence à teoria da 
prova, à teoria de modelos e à teoria da recursão, que são as áreas centrais da 
lógica e são basicamente ramos da matemática. A lógica enquanto ciência é 
considerada a combinação destas teorias, e não simplesmente lógica proposicional e 
lógica de predicados. Essa foi uma mudança importante na concepção de lógica. Para 
Frege e para Russell, por exemplo, a lógica se restringia à lógica proposicional e à lógica 
de predicados; e era uma ciência (CHATEAUBRIAND, 2008). 
 
As principais influências filosóficas na formação da concepção linguística moderna de 
lógica vieram de Wittgenstein e dos positivistas lógicos, embora também Russell 
tenha desempenhado um papel decisivo com a sua teoria eliminativista de classes 
(CHATEAUBRIAND, 2008). 
 
Temos vários tipos de lógica. Dentre elas a lógica formal, a material, a matemática, 
filosófica, a lógica de predicados, de vários valores e a lógica de computadores. 
 
Evidentemente que nos interessa a lógica filosófica, a qual lida com descrições 
formais da linguagem natural, sendo postulado pelos filósofos que a maior parte do 
raciocínio “normal”pode ser capturada pela lógica, desde que se seja capaz de encontrar 
o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa lógica. 
 
A lógica estuda e sistematiza a argumentação válida. O seu alto grau de precisão e 
tecnicismo permitiu-lhe tornar-se uma disciplina autônoma em relação à filosofia, tanto 
que nos dias atuais, ela recorre a métodos matemáticos, e os lógicos contemporâneos têm 
em geral formação matemática. Todavia, a lógica elementar que se costuma estudar 
nos cursos de filosofia é tão básica como a aritmética elementar e não tem 
elementos matemáticos. A lógica elementar é usada como instrumento pela filosofia, 
para garantir a validade da argumentação (CHATEAUBRIAND, 2008). 
 
30 
 
Quando a filosofia tem a lógica como objeto de estudo, entramos na área da filosofia da 
lógica, que estuda os fundamentos das teorias lógicas e os problemas não 
estritamente técnicos levantados pelas diferentes lógicas. Hoje em dia há muitas lógicas 
além da teoria clássica da dedução de Russell e Frege (como as lógicas livres, 
modais, temporais, paraconsistentes, difusas, intuicionistas, etc.), o que levanta novos 
problemas à filosofia da lógica (CHATEAUBRIAND, 2008). 
 
Para Warburton (2007) a filosofia da lógica distingue-se da lógica filosófica, que não 
estuda problemas levantados por lógicas particulares, mas problemas filosóficos gerais, 
que se situam na intersecção da metafísica, da epistemologia e da lógica. Em qualquer 
caso, o importante é não pensar que a lógica filosófica é um gênero de lógica, a 
par da lógica clássica, mas “mais filosófica”; pelo contrário, e algo paradoxalmente, a 
lógica filosófica, não é uma lógica no sentido em que a lógica clássica é uma lógica, 
isto é, no sentido de uma articulação sistemática das regras da argumentação válida. 
 
A lógica informal estuda os aspectos da argumentação válida que não dependem 
exclusivamente da forma lógica (WARBURTON, 2007). 
 
Enfim, a Lógica filosófica está muito mais preocupada com a conexão entre a Linguagem 
Natural e a Lógica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
Ceticismo e outros “ismos” 
 
Ceticismo, Cinismo, Dogmatismo, Estoicismo, Epicurismo, Neoplatonismo, Humanismo, 
Iluminismo, Espiritualismo, Pragmatismo, Racionalismo, Subjetivismo, Materialismo, 
Idealismo são alguns dos inúmeros “ismos” das ciências sociais (aqui só citamos aqueles 
que mais tem relação com a filosofia). 
 
Suas acepções variam conforme a área ou ramo de conhecimento, ou seja, referem-
se a posições assumidas ou ideias aceitas sobre a possibilidade do conhecimento 
(GRAYLING, 1996). 
 
O Dogmatismo defende que não existe o problema do conhecimento enquanto 
relação entre sujeito e objeto. As coisas existem pura e simplesmente, o jeito é 
acreditar. O Ceticismo é o extremo do Dogmatismo e afirma que o sujeito não pode 
apreender o objeto, daí o conhecimento ser impossível. Já o Subjetivismo e o Relativismo 
limitam a validade do conhecimento ao sujeito. Toda verdade é relativa, não há verdade 
absoluta. Para o Pragmatismo, o conhecimento ou a verdade significam utilidade, 
valor, prática. Numa posição diferente, o Criticismo admite o conhecimento, mas sob 
reserva. Não é dogmático nem cético, mas reflexivo e crítico. Para cada um destes 
“ismos” houve ilustres filósofos com suas obras clássicas. Além destes “ismos” há 
outros, referentes ainda ao conhecimento, sobre sua origem e sobre sua essência 
(GRAYLING, 1996). 
 
Vamos explica o que vem a ser o "ismo". É uma posição filosófica ou científica que sustenta 
algo sobre uma idéia, um fato, um sistema, uma política, um programa, uma circunstância, 
etc. É uma idéia central a nortear o adepto perante o mundo ou em face de determinadas 
coisas. É um método ou conjunto de valores, é um principio ou conjunto de princípios 
explicativos sobre alguma coisa ou algum fato. É uma filosofia ou um modo de ver o mundo 
ou determinado problema. Para Grayling (1996) há tantas definições de “ismos” quase 
quantos “ismos” há. Cada um tem seu contexto histórico em que surge e se desenvolve. 
Ocorre, muitas vezes, que, após passar a ser moda ou um sistema de ideias dominante, o 
“ismo” cai no ostracismo. Não há dúvidas de que a filosofia sempre preconizou grandes 
cosmovisões. Com elas, o pensador procurava entender e unificar o entendimento do 
mundo por um prisma específico, fundando escolas de pensamento, correntes e 
filosofias específicas. Cada época da história do pensamento mundial, uma 
32 
 
determinada cosmovisão predominou, e a maioria das vezes “contaminou” todas as áreas 
de uma determinada sociedade ou cultura. Formas de pensar, de ver o mundo, de conceber 
o universo, o homem e a sociedade, passaram por uma visão unificada e voltada 
para um determinado conjunto de ideias de uma escola ou corrente filosófica 
específica (MIRANDA, 2008). 
 
Tentaremos na sequência, definir e explicar pormenorizadamente alguns dos ismos mais 
importantes dentro da Filosofia, já adiantando que, como observado acima, eles são 
inúmeros. Portanto, sugerimos aprofundamento paralelo, devido a importância do seu 
conhecimento para o entendimento da trajetória percorrida pela filosofia. 
 
O Ceticismo, estudo e o emprego dos argumentos céticos, é frequentemente descrito como 
a tese do não é ou do pode ser! Mas segundo Grayling (1996) essa é uma caracterização 
ruim, porque se não conhecemos nada, então não podemos saber que não sabemos 
nada, e assim tal afirmação é trivialmente algo que frustra a si mesma. Na realidade, ele 
é um desafio direto contra reivindicações de conhecimento, e a forma e a natureza 
do desafio variam segundo o campo da atividade epistêmica em questão. 
 
O termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma 
atitude negativa do pensamento. O cético é visto, freqüentemente, não somente como um 
espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, 
sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se 
refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da 
recusa e da negação categórica. Os céticos qualificam a si mesmos de zetéticos, isto é, 
de pesquisadores; de eféticos, que praticam a suspensão do juízo; de aporéticos, 
filósofos do obstáculo, da perplexidade e dos resultados não encontrados (GRAYLING, 
1996; MEGALE, 2008). 
 
O Historicismo, surgido no século XIX, mais precisamente em 1881, é uma visão ou 
filosofia segundo a qual todos os valores resultam de uma evolução histórica. A 
historicidade ou a inserção cronológica, causal, condicionante e concomitante de 
eventos na história constitui posição assumida a priori, isto é, ela é prévia e determina a 
inserção dos fatos na história. A razão substitui a providência divina na visão historicista, 
caracterizada pela consciência histórica, pela historicidade do real. A humanidade é 
33 
 
compreendida por sua história e a essência do homem não é a espécie biológica, 
mas sua história, movida pela razão (GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). 
 
O termo humanismo veio com o objetivo de promover a educação e formação global do 
indivíduo através do estudo dos clássicos gregos e latinos, em oposição às escolas da 
moderna pedagogia. A própria natureza e experiência humanas constituem os seus 
fundamentos(GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). 
 
O Positivismo se constitui no conjunto de ideias e doutrinas de Comte (1798-1857) baseado 
nas obras Curso de filosofia positiva, Sistema de filosofia positiva e Catecismo positivista. 
Admite a evolução da humanidade em três estados: teológico, metafísico e positivo. “Tudo é 
relativo - eis o princípio absoluto único.” No século XX o positivismo ressurgiu com novo 
nome e outra preocupação, no Círculo de Viena, empirismo lógico ou positivismo lógico 
(GRAYLING, 1996; MEGALE, 2008). 
 
Utilitarismo ou Pragmatismo é uma teoria ética e social que defende a busca do poder 
como objetivo do homem. É uma versão moderna do epicurismo, ou a busca da 
felicidade. Surgiu no final do século XIX com J. Bentham e J. Mill. Tem certa 
semelhança com o hedonismo, diferenciando-se deste pelo aspecto moral. Segundo 
Veblen, o homem econômico é um emérito calculador de prazeres e de sofrimentos, 
se se consideram o lucro e o custo como prazer e sofrimento. O direito serviu-se das ideias 
utilitaristas, através da jurisprudência produzida pela obra de Beccaria: Dos delitos e 
das penas, que defendia a pena ou o sofrimento para todos os criminosos, de qualquer 
classe sem distinção, desde a nobreza até a classe mais baixa. O crime deve ser 
compensado de seu prejuízo para com a sociedade através do castigo e a única medida 
do crime é a extensão do dano: maior crime, maior pena (MEGALE, 2008) 
 
No geral, as teorias filosóficas do conhecimento, apesar da sua enorme diversidade, 
polarizam-se em grandes problemas do tipo: (1) Qual a natureza do conhecimento? (2) 
Qual o seu valor ou possibilidade? (3) Qual a sua origem? 
 
No quadro abaixo temos os grandes problemas e algumas respostas filosóficas. 
 
 
 
34 
 
Problema Resposta filosófica 
(1) O que é que 
conhecemos? 
 
Os próprios objetos, ou 
as representações, em 
nós, dos mesmos? 
 
 
Realismo: Conhecer é apreender a realidade existente na 
experiência interna (atos da consciência) ou na experiência 
externa (objetos do mundo sensível). Os objetos existem 
independentemente dos sujeitos. 
 
Idealismo: Nega a existência do real. A realidade é reduzida a 
ideias: o mundo sensível é um mero produto do pensamento. 
Os objetos só existem enquanto representações, não têm 
uma existência independente. 
 
(2) Pode o sujeito 
apreender o objeto? 
Atingir a verdade, a 
essência das coisas, ou 
está condenado às suas 
múltiplas aparências? 
 
O dogmatismo (dogmatikós, em grego significa que se funda em 
princípios ou é relativo a uma doutrina) defende a apreensão 
absoluta da realidade pelo sujeito. Esta posição assenta 
numa total confiança na razão humana. 
 
O cepticismo (skeptikós, em grego significa “que observa”, que 
“considera”) defende a impossibilidade do sujeito apreender a 
realidade.Esta posição desconfia na razão humana. 
 
 
(3) Qual a origem do 
conhecimento: a razão 
ou a experiência? 
 
 
 
Racionalismo: a razão é a fonte principal do conhecimento. O 
conhecimento sensível é considerado enganador. Por isso, as 
representações da razão são as mais certas, e as únicas 
que podem conduzir ao conhecimento logicamente 
necessário e universalmente válido. 
 
Os racionalistas partem do princípio que o sujeito 
cognoscente é ativo e, ao criar uma representação de 
qualquer objeto real, está a submetê-lo às suas estruturas 
ideias. 
 
Entre os filósofos que assumiram uma perspectiva 
35 
 
racionalista do conhecimento, destacam-se Platão, René 
Descartes (1596-1650) e Leibniz. Todos eles partem do 
princípio que temos ideias inatas e que é a nossa razão que 
constrói a realidade tal como a percebemos. 
 
Descartes é considerado o fundador do racionalismo 
moderno. Após ter suspendido a validade de todos os 
conhecimentos, porque susceptíveis de serem postos em 
causa, descobre que a única coisa que resiste à própria dúvida 
é a razão. Esta seria a primeira verdade absoluta da filosofia. 
Descobre ainda que possuímos ideias que se impõem à 
razão como verdadeiras mas que não derivam da experiência 
(as ideias inatas). Só com base nestas ideias claras e distintas, 
segundo Descartes, se poderia construir por dedução um 
conhecimento universal e necessário. 
 
Empirismo: a experiência é a fonte de todo o 
conhecimento. Os empiristas negam a existência de ideias 
inatas, como defendiam Platão e Descartes. A mente está vazia 
antes de receber qualquer tipo de informação proveniente dos 
sentidos. Todo o conhecimento sobre as coisas, mesmo aquele 
em que se elabora leis universais, provém da experiência, por 
isso mesmo, só é válido dentro dos limites do observável. 
 
Os empiristas reservam para a razão a função de uma 
mera organização de dados da experiência sensível, sendo 
as ideias ou conceitos da razão simples cópias ou 
combinações de dados provenientes desta experiência. 
FONTE: (GRAYLING, 1996) 
 
 
 
 
 
 
36 
 
Retórica e Oratória 
 
“A definição de retórica é conhecida: é a arte de bem falar, de mostrar eloquência 
diante de um público para ganhar a sua causa. Isto vai da persuasão à vontade de agradar: 
tudo depende (...) da causa, do que motiva alguém a dirigir-se a outrem. O caráter 
argumentativo está presente desde o início: justificamos uma tese com argumentos, mas o 
adversário faz o mesmo: neste caso, a retórica não se distingue em nada da 
argumentação (...). Para os antigos, a retórica englobava tanto a arte de bem falar - ou 
eloquência - como o estudo do discurso ou as técnicas de persuasão até mesmo de 
manipulação” (MEYER, 1997). 
 
A origem da Retórica como técnica oratória de persuasão, remonta à necessidade 
grega na nova configuração das relações sociais com o advento da Pólis e do 
regime democrático. Há toda uma configuração histórica contextual que precisa ser 
entendida para compreender os desdobramentos e necessidade do aprendizado da 
Oratória nesses tempos remotos, bem como sua aplicação e necessidade nos tempos 
atuais. Juntamente com a Lógica Argumentativa, a Filosofia Política e a Ética, a 
Retórica e a Oratória constitui um estudo racional do discurso, se constituindo um dos 
grandes temas da filosofia. 
 
A palavra Retórica (originária do grego rhetoriké, “arte da retórica”, subentendendo-se 
o substantivo téchne) tem sido entendida historicamente em acepções muito diversas. 
Em sentido lato, a retórica se mistura com a poética, consistindo na arte da 
eloquência em qualquer tipo de discurso. Não é esse, no entanto, o sentido que 
interessa no estudo em questão, mas a concepção mais restrita que identifica a 
retórica como “a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz 
de gerar a persuasão” (PACHECO, 2008). 
 
Como características básicas da retórica temos: 
 
• A retórica exerce a persuasão por meio de um discurso. Não se recorre a um 
experimento empírico nem à violência, mas procura-se ganhar a adesão 
intelectual do auditório apenas com o uso da argumentação; 
37 
 
• A retórica se preocupa mais com a adesão do que com a verdade. O objetivo 
daquele que a exerce é obter o assentimento do auditório à tese que 
apresenta. A verdade ou falsidade da mesma é uma questão secundária; 
 
• A retórica se utiliza da linguagem comum do dia-a-dia, e não de uma 
linguagem técnica ou especializada.Isso ocorre porque a retórica é dirigida a todos 
os homens, e não a um setor específico da população; 
 
• A retórica não se limita a transmitir noções neutras e assépticas, mas tem 
sempre em vista um determinado comportamento concreto resultante da 
persuasão por ela exercida, já que se propõe a modificar não só as convicções, mas 
também as atitudes (PACHECO, 2008). 
 
Na verdade, para compreender a retórica é preciso levar em conta o processo histórico de 
sua formação e evolução no mundo grego. 
 
Suas origens estão relacionadas às novas relações sociais advindas do surgimento da 
Polis como foi falado acima, consistindo sua essência na persuasão através da 
argumentação, portanto, não há como pensar na retórica sem democracia e liberdade 
de debate, características da organização política do mundo grego. Ligada também ao 
Direito, no aspecto que Aristóteles chamou de “Gênero judicial” do discurso retórico 
(PACHECO, 2008). 
 
A Retórica só se desenvolveu plenamente, no entanto, após a consolidação da 
democracia ateniense. Todos os cidadãos atenienses participavam diretamente nas 
assembléias populares, que possuíam funções legislativas, executivas e judiciárias. 
Assim, todos os assuntos eram submetidos ao voto popular - a organização do 
estado, a fixação de impostos, a declaração de guerra e até mesmo a morte de um 
cidadão, tudo isso era submetido à apreciação dos tribunais de justiça. Nenhum 
cidadão podia escapar à sua cota de responsabilidade, que muitas vezes incluía a 
justificativa de sua opinião perante uma platéia. O exercício da função política 
dependia, portanto, da habilidade em raciocinar, falar e argumentar corretamente, e 
era natural que houvesse uma demanda de professores que proporcionassem a 
necessária “educação política”. Esses professores eram os sofistas (PACHECO, 2008). 
 
38 
 
A maioria dos sofistas desprezava o conhecimento daquilo que discutiam, 
contentando-se com simples opiniões, concentrado a sua atenção nas técnicas de 
persuasão e, tanto por isso, encontramos oposicionistas como Sócrates e Platão, que 
afirmavam ser a retórica, uma negação da própria filosofia e passaram a impor como 
condição primeira da filosofia, que o discurso fosse dirigido à razão e não à emoção, 
não sendo necessário convencer ninguém. 
 
Durante a Idade Média, a argumentação adquiriu enorme divulgação, nomeadamente 
entre os cléricos, ocupando um lugar central na educação (fazia parte do Trivium) 
(FONTES, 2008). 
 
Na Idade Moderna, a retórica continuou a desfrutar ainda de algum prestígio nos países 
católicos (é só relembrar o orador Padre Antonio Vieira), mas segundo Fontes (2008), 
a tendência era outra. A Retórica como arte argumentativa começou a ser completamente 
desacreditada. Descartes reafirma o primado das evidências sobre os argumentos 
verossímeis. Na mesma linha, se desenvolve o discurso científico. Não se trata de 
convencer ninguém, mas de demonstrar com “fatos”, “dados”, “provas” a Verdade (única 
e irrefutável). 
 
Chegamos ao século XX e a verdade dos filósofos não pode mais ser admitida 
como ponto de partida para qualquer discussão, muito por conseqüência das teses 
relativistas e o descrédito das ideologias. Fontes (2008) nos diz que todas as filosofias não 
passam de opiniões plausíveis que devem ser continuamente demonstradas através 
de argumentos também plausíveis. Neste sentido, toda a filosofia é um espaço sempre 
em aberto e susceptível de continuas revisões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
Ontologia e Cosmologia 
 
Respectivamente, Ontologia e Cosmologia são: A Ciência do Ser e a Ciência do Cosmos. 
 
A Ontologia parte do princípio que existe algo perene, além das particularidades de 
cada coisa, além dos acidentes, estudando, portanto, o SER enquanto SER (SANTOS, 
1957). 
 
A Cosmologia preocupa-se, sobretudo, com uma concepção do Universo, seja ele 
físico ou metafísico (SANTOS, 1957). 
 
Ambos os estudos fazem parte da concepção Metafísica da Filosofia (sendo objeto 
desta), no entanto, inseridos nela, revelam apenas aspectos do que a Metafísica é 
como um todo: a ciência da realidade última das coisas (SANTOS, 1957). 
 
Se um cosmos (de Cosmos, em grego, universo organizado em oposição a Caos) 
tem realmente uma ordem, se é um e único, se há vários, se entre eles há pontos 
de contato ou não, se forma uma unidade ou uma pluralidade, se essa unidade é 
homogênea ou o produto de uma pluralidade, heterogênea, portanto, que se unifica, etc., 
tais perguntas cabem à Metafísica responder (SANTOS, 1957). 
 
A filosofia não se dá fora da vida, ou seja, pertence à vida e ao homem, e busca, 
através do cosmos, invadir os mais altos terrenos sobre a origem e o destino do ser 
humano, não impedindo, é claro, que se torne em ócio agradável de alguns espíritos. 
 
De acordo com Fontes (2008) a Cosmologia enquanto disciplina filosófica usa métodos 
metafísicos para estudar os magnos problemas que surgem da visão do nosso 
cosmos, sendo que entre os gregos, o problema cosmológico fora colocado desde a 
antiguidade, como encontramos nas origens da filosofia hindu, da filosofia chinesa e da 
egípcia. 
 
O mesmo autor infere sobre duas vertentes da cosmologia, a científica (que estuda 
as diversas hipóteses sobre a ordenação do mundo) e a filosófica (que examina tais 
hipóteses e estabelece especulações fundadas apenas em métodos metafísicos), 
40 
 
entretanto, o próprio confere a essa classificação uma certa arbitrariedade, ou seja, 
não há tanta distinção assim entre elas, se confundindo em seus centros 
 
Para distinguir a Cosmologia científica da filosófica, Fontes (2008) propõe indicar que 
a primeira, em suas observações, pode comprová-las, empregando até certo ponto os 
métodos da ciência, enquanto a metafísica baseia-se nos métodos filosóficos para 
estudar o cosmos. 
 
Enfim, a Cosmologia é a ciência filosófica que estuda a origem, determinação, significação e 
destino do mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
CAPÍTULO 5 - OS RAMOS DA FILOSOFIA 
 
Social e política 
 
No entendimento de Almeida (2005) a Filosofia Política está intimamente ligada á 
Ética, principalmente por fazer parte da Ética da Coletividade. O autor ressalta que na 
antiguidade não houve separação entre a moral das pessoas e suas atuações políticas, 
sendo a Ética responsável por ambas. 
 
A melhor definição possível para a Filosofia Política é a mais ampla possível, ou seja, é o 
campo da investigação filosófica que se ocupa das relações humanas 
consideradas em seu sentido coletivo. 
 
Voltando à Antiguidade grega e romana (principalmente na primeira), discutia-se os limites 
e as possibilidades de uma sociedade justa e ideal (Platão, com sua obra A 
República). Mas o que se tornou célebre, por tornar-se a teorização da prática política 
grega, em particular de Atenas, foi o tema do bem comum (Aristóteles), representado 
pelo homem político, compreendido como o cidadão habitante da Polis, o homem 
politikós que opinando e reunindo-se livremente na Ágora, junto a seus pares, discute 
e delibera acerca das leis e das estruturas da sociedade. Já em Roma, Cícero teorizou aRepública como espaço das liberdades cívicas, em que ocorre uma 
complementaridade entre os senadores e a plebe (tese retomada no século XVI por 
Maquiavel). 
 
Segundo Politzer (2001) e Chauí (2003), desde fins da Idade Média, a Filosofia 
Política e os pensadores tratavam das mais variadas questões sobre a legitimação e 
a justificação do Estado e do governo: 
 
• Os limites e a organização do Estado frente ao indivíduo (Thomas Hobbes, 
John Locke, dentre outros); 
• As relações gerais entre sociedade, Estado e moral (Nicolau Maquiavel, 
Augusto Comte, Antonio Gramsci); 
• As relações entre a economia e política (Karl Marx, F. Engels, Max Weber); 
• O poder como constituidor do “indivíduo” (Michel Foucault); 
42 
 
• As questões sobre a liberdade (Benjamin Constant, John Stuart Mill, Hannah 
Arendt, Raymond Aron, Norberto Bobbio); 
• As questões sobre justiça e Direito (Kant, Hegel, Habermas) e, 
• As questões sobre participação e deliberação (Habermas, Joshua Cohen). 
 
Educação 
 
É tarefa da Filosofia da Educação contribuir para a intencionalização da prática 
educacional, a partir de sua própria construção em ato; como presença atuante na 
sociedade. 
 
Essa internacionalização quer dizer, dar condições à prática educacional para que se 
realize como práxis, ou seja, como ação pautada num sentido, como ação pensada, 
refletida, apoiada em significações construídas, explicitadas e assumidas pelos sujeitos 
envolvidos. É por isso que se pode definir a Filosofia da Educação como o esforço 
para o desvendamento/construção do sentido da educação no contexto do sentido da 
existência humana, em sua totalidade (MIRANDA, 2008). 
 
Para Kohan (2008), pensar, reformular e fundamentar a função do professor como 
educador, a função dos alunos enquanto educandos e a própria função da educação 
como método de aprendizado e seus próprios métodos de ensino e tantos outros temas e 
abordagens em relação ao ensino é o escopo da Filosofia da Educação. 
 
Como havia falado inicialmente sobre o descaso do ensino de filosofia nos países 
latino-americanos, mais especificamente no Brasil, realmente ela ocupa um lugar de 
pouco interessante no universo acadêmico e no Ensino Médio, embora tenhamos 
observado tentativas do MEC em levá-la para as escolas. 
 
“Depreciada na imensa maioria dos departamentos de filosofia das instituições de 
formação superior, acolhida nos de educação, costuma ser matéria obrigatória nos 
cursos de formação de mestres. Tornada, assim, muitas vezes, o único espaço de 
contato com a filosofia durante todo o processo de formação, seus docentes, programas e 
bibliografia costumam manter, no melhor dos casos, um caráter enciclopédico, 
totalizador e fundacionista. Em todo o caso, o repertório não parece muito variado: aqui, a 
história das ideias filosóficas sobre a educação; lá, correntes do pensamento filosófico 
43 
 
sobre a educação; ou, então, o estudo das divisões mais ou menos claras do saber 
pedagógico, segundo orientações bastante clássicas do conhecimento filosófico: um 
pouco de epistemologia, outro tanto de axiologia e de ontologia, usadas para explicar o 
fenômeno educativo. Dessa forma, o aluno mais afortunado poderá compreender, com a 
ajuda de um mestre explicador, um saber filosófico, histórico ou sistemático, sobre a 
educação. Aprenderá a distinguir, com as explicações que recebeu, escolas e 
orientações pedagógicas, períodos, conceitos e categorias, que habilmente relacionará 
às correntes de pensamento já instituídas. Para os menos afortunados, essas mesmas 
explicações funcionarão, muito mais simplesmente, como uma espécie de doutrinação 
educativa, que os infundirá, brutal ou delicadamente, da firme crença nos fins, nos 
valores e nos ideais que deverão passar a perseguir (KOHAN, 2008). 
 
O mesmo autor nos mostra que esses modos de ensinar a filosofia da educação 
não estão isentos de pressupostos sobre o significado e sentido de ensinar e 
aprender a filosofia, assim como sobre suas relações com a educação. Trata-se, 
basicamente, de transmitir um certo saber instituído, predeterminado, que permitirá uma 
compreensão mais “crítica” do fenômeno educacional ou, simplesmente, compreender a 
“verdadeira” missão da filosofia na educação. O saber filosófico pode toma a forma de 
conteúdos conceituais ou atitudinais que contribuirão para a aquisição das habilidades ou 
competências de pensamento crítico, por parte do(a)s futuro(a)s profissionais da educação. 
 
Mente 
 
Encontramos em Teixeira (2) (2008) algumas referências sobre a Filosofia da mente, como 
um estilo de filosofar que nos últimos anos vem recolocando questões centrais da filosofia 
como: O que é o pensamento? Qual a natureza do mental? O que é consciência? 
Será o cérebro o produtor da mente? Ou apenas o seu hospedeiro biológico? Será 
que pensamos com nossa cabeça ou somente “em” nossa cabeça? 
 
Para Miranda (2008), uma ponte legítima entre as neurociências e a especulação 
filosófica coloca a Filosofia da Mente como vanguarda entre a reserva que existe entre os 
limites da ciência e da filosofia. Ambas dão exemplo da necessária retroalimentação 
entre um conhecimento experimental e o especulativo, abrindo caminhos uma para outra no 
entendimento necessário do universo cognitivo humano. 
 
44 
 
Já Zilhão (2008) coloca o fato de que a Filosofia da Mente contemporânea e as Ciências 
cognitivas se distinguem por serem sensíveis a diferentes aspectos do seu problema crucial. 
Nesse campo encontramos os experimentos mentais que são muito antigos, 
remontando à tradição grega, como por exemplo, a alegoria do mito da caverna de Platão. 
Muitos experimentos mentais incluem aparentes paradoxos sobre fatos conhecidos ou 
aceitos que tem permitido reformular ou precisar em maior medida diferentes teorias 
científicas. 
 
Segundo Chauí (2003), a filosofia faz intenso uso de experimentos mentais. Como 
exemplo, podemos citar dentro da metafísica, o paradoxo de Zenão; na 
epistemologia, o Mito da Caverna, o Cérebro numa cuba; dentro da filosofia da 
mente, terra gêmea, quarto chinês e ainda como identidade pessoal, o homem do 
pântano. 
 
Religião 
 
Já deu para entendemos que filosofia é o movimento do pensar globalmente a relação da 
vida humana no mundo, desde o mundo e como ela concebe o mundo. Dentro desse 
enfoque, Teixeira (1) (2008) nos lembra o fenômeno religioso que se transforma em um dos 
escopos filosóficos por excelência. 
 
A mesma autora discute ainda que, mesmo que tenhamos uma consciência 
contemporânea pós-moderna marcada pelo conhecimento científico, avanços 
tecnológicos e um ceticismo atuante, a proliferação de seitas, religiões e culturas 
misteriosas precisam ser estudadas filosoficamente, sendo tema recorrente da Filosofia 
da Religião, assim como o próprio repensar e desvendar das religiões já constituídas 
e consolidadas. 
 
Outro ponto a se considerar é que, apesar da multiplicidade de religiões com diferentes 
cultos, mitos e práticas, os filósofos têm-se tradicionalmente centrado nas religiões 
dominantes no ocidente — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Uma das razões deve-
se ao fato de estas religiões fornecerem visões complexas acerca do modo como o mundo e 
o universo se comportam, ao contrário do que se passa com as religiõesorientais — como o 
hinduísmo, o budismo e o confucionismo — que se preocupam mais em propor formas 
45 
 
de conduta e de viver. O que interessa em geral aos filósofos é saber se a visão 
religiosa do universo é ou não verdadeira. 
 
Comum às religiões ocidentais é a crença na existência de Deus, caracterizado como 
uma pessoa incorpórea e eterna, que criou o universo, que é sumamente boa 
(moralmente perfeita), que é toda-poderosa (omnipotente), que sabe tudo 
(omnisciente), que está em todo o lado (omnipresente), etc. Diz-se que este deus é o 
Deus teísta, e chama-se teísmo à crença na sua existência, de modo que não é de 
estranhar que os problemas que mais têm atraído a atenção dos filósofos sejam o 
da coerência do conceito de Deus e o da existência de Deus (TEIXEIRA (1) 2008). 
 
Um dos paradoxos clássicos relativamente à coerência do conceito de Deus é o de saber se 
Deus pode criar uma pedra tão pesada que Ele não a possa levantar. Se Deus é 
omnipotente, então pode criar tal pedra, mas se a criar então não é omnipotente, 
porque depois não pode levantá-la. Por outro lado, se não a pode criar, então não é 
omnipotente. Uma resposta a este problema é a de que Deus não pode criar 
impossibilidades lógicas. Outro problema é o de saber se a existência de Deus é compatível 
com a liberdade humana: se Deus sabe tudo, então sabe o que vamos fazer; mas, se 
sabe o que vamos fazer, então o que vamos fazer já está determinado; logo, não 
pode haver livre-arbítrio. A questão de saber se Deus existe é a que mais tem 
interessado aos filósofos. São vários os argumentos a favor da existência de Deus, 
muitos deles apresentados na Idade Média. Por exemplo, só da autoria de S. Tomás de 
Aquino há cinco argumentos a favor da existência de Deus. Os principais tipos de 
argumentos a favor da existência de Deus são: o argumento ontológico, o argumento 
cosmológico e o argumento do desígnio (TEIXEIRA (1) 2008). 
 
Dois outros problemas igualmente muito discutidos são o papel dos milagres enquanto 
provas da existência de Deus, a que David Hume levantou fortes objeções, e o 
problema do mal (TEIXEIRA (1) 2008). 
 
Outros problemas igualmente importantes são os seguintes: Será que a existência de 
Deus é compatível com a liberdade humana? Será que existe vida depois da morte? 
Como compreender conceitos como o de fé, salvação e criação, entre outros? 
(TEIXEIRA (1) 2008). 
 
46 
 
Entre nós, a filosofia da religião certamente não é uma prioridade. Para isso há diversas 
razões. Por um lado, em nossa época, predomina a consciência marcada pelo saber 
científico, pela técnica e pela crítica iluminista, centrada na imanência. Tal postura 
ignora o pensamento religioso. Por outro, nas últimas décadas, a teologia pulverizou-se 
em tantas teologias que, no meio cristão, a única coisa comum que sobrou parece reduzir-
se ao recurso à Bíblia (PAULI, 1997). 
 
Para Zilles (2006), o diálogo entre filosofia e religião é tão antigo como a própria 
filosofia. A partir da tensão desafiadora entre conhecimento autônomo e fé gratuita, 
desenvolveram-se sistemas filosóficos e projetos teológicos. Mas, se, no passado 
distante, a religião pertencia aos temas centrais da reflexão filosófica, nos tempos modernos 
e recentes, o problema dos fenômenos religiosos é cada vez mais marginalizado. O 
homem moderno, esclarecido, evita argumentos religiosos como evita falar de Deus. 
Consideram-se tais coisas reservadas ao púlpito ou simplesmente pertencentes à 
esfera íntima e privada de cada pessoa ou, então, quando muito, busca-se espaço 
para a crítica do conceito de Deus e de religião. 
 
Por outro lado, a filosofia não consegue demonstrar religião, mas pode mostrar seus 
fundamentos. Pode mostrar que se trata de um fenômeno original e colocá-lo ao 
lado de outros; descobrir os vestígios da religião e seus símbolos na cultura 
secularizada. A filosofia, segundo Wittgenstein, pode mostrar como são estreitos os 
limites da linguagem e da racionalidade. O espaço limitado pela linguagem e pela 
razão é pequeno para nele viver. Mostrando os limites da linguagem e do pensamento, 
indica para além dos mesmos (ZILLES, 2006). 
 
A filosofia da religião não se limita a descrições neutras de costumes da linguagem 
religiosa, nem fixa normas arbitrárias para o uso religioso da linguagem. Sua missão 
consiste em mostrar sentido e profundidade da religião, na vida humana, de maneira 
crítica. Vale usar a razão, para completar a fé, e crer, para aprofundar a razão, enfim, 
humanizar mais o homem e a humanidade. 
 
Enfim, a filosofia da religião pensa criticamente o fenômeno religioso como fenômeno 
que diz respeito ao homem e à humanidade, sendo o fenômeno religioso a expressão da 
liberdade (ZILLES, 2006). 
 
47 
 
Analítica 
 
Segundo Marcondes (2004), a análise em filosofia é um método utilizado ao menos 
desde os tempos de Platão e Aristóteles, mas tornando-se característico entre o final 
do século 19 e o início do século 20. 
 
Na Antiguidade, em Platão a análise foi motivada pelo seu realismo, segundo o qual as 
coisas são tal qual se apresentam ao intelecto, e não tal qual se apresentam aos 
sentidos. Assim, para se compreender a realidade que se apresenta aos órgãos dos 
sentidos é preciso decompô-la (MARCONDES, 2004). 
 
Os filósofos analíticos viram a análise lingüística e conceitual como um modo de chegar à 
compreensão sobre temas vistos tradicionalmente como problemas na filosofia. Alguns, 
pioneiros, como Frege, buscaram uma linguagem científica à qual a linguagem ordinária 
pudesse ser reduzida. Outros, posteriores, como John L. Austin, viram a linguagem 
ordinária como o ponto de partida inevitável para o esclarecimento através da análise 
(MARCONDES, 2004). 
 
Inicialmente, as propostas da filosofia analítica eram exclusivamente analisar conceitos para 
resolver problemas filosóficos. 
 
A Hermenêutica 
 
O termo hermenêutica vem do grego e significa declarar, anunciar, interpretar, esclarecer e 
ainda, traduzir. Em outras palavras, significa que alguma coisa é tornada 
compreensível. 
 
Filosoficamente o termo deriva do nome do deus da mitologia grega, Hermes, mensageiro 
dos deuses, a quem os gregos atribuíam a origem da linguagem e da escrita, sendo 
ainda considerado o patrono da comunicação e do entendimento humano. Relativo à 
expressão “dos deuses”, a qual precisa de uma interpretação mais profunda para ser 
apreendida corretamente. 
 
Encontramos em Spinoza, um dos precursores da hermenêutica bíblica, ou seja, 
aquele que interpreta correta e objetivamente a bíblia. 
48 
 
 
Também pode ser entendida como ciência ou técnica que tem por objetivo exclusivo, 
interpretar textos religiosos, especialmente as Sagradas Escrituras. 
 
Para Schleiermacher a hermenêutica não visa o saber teórico, mas sim o uso prático, isto 
é, a práxis ou a técnica da boa interpretação de um texto falado ou escrito. Trata-se 
aí da “compreensão”, que se tornou desde então o conceito básico e a finalidade 
fundamental de toda a questão hermenêutica. Schleiermacher define a hermenêutica como 
“reconstrução histórica e divinatória, objetiva e subjetiva, de um dado discurso” 
(COLLINSON, 2006). 
 
A maiêutica 
 
A maiêutica foi um método criado por Sócrates que a definiu como o momento do parto 
intelectual da procura daverdade no interior do homem, ou seja, “parir” ideias 
complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de determinado contexto. 
 
A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum “conhece a ti mesmo” põe o Homem na 
procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da 
virtude. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
 
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52 
 
UNIDADE 2 – ÉTICA 
 
Há duas perspectivas principais para a ética: a ética do dever e a ética do maior bem 
possível. Ambas as perspectivas receberam inúmeras derivações que, no momento, não 
serão objetos de nosso estudo. A ética do dever tem como princípio o seguinte 
fundamento: a melhor ação é esta porque isto é o correto a ser feito. A ética dos fins tem 
como princípio: ainda que isto signifique uma ação moralmente incorreta, neste momento, é 
melhor tomá-la e evitar um mal maior no futuro. 
 
Em geral, um exemplo significativo desse dilema se dá em relação a moral religiosa. Na 
Bíblia está escrito que não devemos julgar para não sermos julgados. Tomando ao pé da 
letra, tal preceito impediria todo o funcionamento do sistema judiciário. No entanto, o mesmo 
preceito pode ser compreendido em outra perspectiva, qual seja, não queira julgar se 
alguém é ou não pecador, portanto, que ninguém diga que o outro está condenado às 
penas divinas, pois somente Deus julga. Em relação à lei dos homens, trata-se de um 
julgamento meramente humano e nada tem a ver com as leis divinas. Tal interpretação, 
porém, só é compreensível a partir do momento em que vemos a lei como laica, isto é, que 
não se pode tomar preceitos religiosos para fundamentar leis civis, porque as religiões 
dentro de um mesmo Estado podem ser muitas e, nenhuma, deve ter a primazia para 
orientar o comportamento de todos os cidadãos. Nas teocracias – tanto as atuais como 
as antigas – as leis da religião oficial se tornam também leis civis, portanto, os que 
julgam condenam tanto o criminoso como o infiel. 
 
O dilema ético contemporâneo que se encontra em maior evidência é o do aborto. Há dois 
casos em que o aborto é considerado legal: se resultado de um estupro e se a gestação 
coloca em risco a vida da mãe. Do ponto de vista da ética do dever, portanto, com exceção 
desses dois casos e da anencefalia, autorizar um aborto porque a mãe não deseja ter o filho 
seria inadequado. Porém, o argumento daqueles que partem do princípio da “ética do 
maior bem possível” é a deque impedir o aborto legal leva milhares de mulheres às 
clínicas clandestinas causando mortes ou problemas de saúde que mais tarde deverão 
ser atendidos no sistema público de saúde elevando os custos para toda a 
sociedade. Portanto, para esse grupo, autorizar o aborto é uma forma de minimizar a morte 
de mulheres e reduzir os custos da saúde pública. 
 
 
53 
 
CAPÍTULO 1 - A ÉTICA NA FILOSOFIA ANTIGA 
 
1.1 ÉTICA SOFÍSTICA 
 
A filosofia nasce com os filósofos conhecidos como pré-socráticos,dentre eles destacamos 
Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Parmênides, Heráclito, Demócrito. Buscavam 
o conhecimento sobre a origem de todas as coisas, a chamada physis, muitas vezes 
incorretamente traduzida por natureza. O período da Filosofia da physis é conhecido 
também por cosmológico, pois sua preocupação era antes de mais nada com a ordem do 
universo, a definição do ser, a origem das coisas. 
 
Os sofistas modificaram o tema da filosofia, transportaram o tema principal para o homem. 
Assim, as relações humanas, as possibilidades da linguagem, a cultura, a política, passam a 
ser os novos objetos de investigação da Filosofia. O período sofístico também passa a ser 
conhecido como humanístico. Como foram adversários de Sócrates, Platão e Aristóteles, os 
sofistas passaram para a histórica como falsos filósofos, afinal, nos diálogos platônicos 
foram desmascarados por Sócrates. No entanto, a partir do século XIX, especialmente, 
vários filósofos recuperaram a imagem dos sofistas procurando entender seus 
pensamentos por suas próprias expressões e não mais pelas palavras de Platão. 
 
Outro fenômeno causado pelos sofistas foi a disseminação da cultura helênica, pois esses 
filósofos circulavam por entre as cidades, ensinando a quem os contratasse para ensinar. 
A arte da oratória e da escrita foram levadas aos seus graus máximos de excelência, pois 
além de ensinarem, tais filósofos também defendiam pessoas em tribunais públicos, 
ou posições políticas nos debates. Sua ferramenta era a linguagem e seu objetivo 
demonstrar os erros de raciocínio do adversário, bem como impor o seu. Aristóteles 
registrou em seus elencos sofísticos os principais recursos retóricos utilizados por eles. 
 
Dentre os principais sofistas destacaremos dois: Protágoras e Górgias. O primeiro nasceu 
em Abdera e sua frase mais conhecida é “o homem é a medida de todas as coisas” esse é o 
conceito de homo mesura. Tal concepção nos remete à ideia de que o conhecimento das 
coisas, ou da verdade sobre as coisas, é resultado da construção humana, ou ainda, da 
construção possível da linguagem humana. Não há uma verdade oculta a ser desvendada 
pelos raciocínios filosóficos, mas a verdade reside justamente na linguagem. Os pré-
54 
 
socráticos buscavam a relação entre physis (origem) e logos (saber/linguagem); para 
Protágoras, há somente o logos, sabedoria e linguagem se fundem numa unidade 
indissolúvel. 
 
Górgias de Leontinos, em sua obra, ataca os fundamentos da Filosofia pré- socrática a partir 
de três teses fundamentais. A primeira afirma: “o ser não existe”. Tal tese nos remete a ideia 
de que não há uma verdade oculta por trás das coisas a qual pode ser desvendada. Não há, 
portanto, nenhuma physis a ser descoberta pelo logos. Em sua segunda tese afirma: “se o 
ser existisse não poderia ser pensado”; essa concepção nos remete à ideia de que o 
pensamento está dentro do limite humano e que, portanto, não é possível conceber o ser 
das coisas, mas somente o próprio pensamento. Ora o nosso pensamento não é o ser das 
coisas, mas apenas pensamento. Também afirma: “se existisse e fosse pensável, não seria 
comunicável”; aqui vemos a delimitação do uso da linguagem. Nesse caso, a ideia central é 
a de que mesmo que pudéssemos pensar o ser, não haveria como comunicá-lo a outra 
pessoa, porque a linguagem não nos permite transmitir as coisas mesmas, mas 
somente suas representações em forma de palavras e fonemas. 
 
Conclusões 
A respeito da ética sofística podemos compreender que para eles como não há 
verdades ocultas por trás das aparências das coisas, não há também nenhum critério 
absoluto e intocável que possa orientar a conduta ética. Essa deve ser definida dentro 
do limite humano do pensamento e da palavra. Assim, não buscam um princípio metafísico 
de verdade, justiça, bem ou qualquer outro que possa servir de orientação para o 
estabelecimento daquilo que é bom, mau, justo ou injusto na vida concreta dos homens. 
Essas coisas devem ser conhecidas e definidas a partir da própria realidade humana, 
homo mesura, da linguagem e da cultura. Tais filósofos, evidentemente, são acusados 
de relativismo ético, pois dessa forma, não havendo critério absoluto para definir o que é 
bem e o que é mal estamos sempre à procura dos critérios de definição. Dentre estes 
acusadores está o maior adversário que enfrentaram: Sócrates. 
 
 
 
 
55 
 
1.2 SÓCRATES 
 
O pensamento socrático foi registrado por dois discípulos: Xenócrates e Platão. No entanto, 
apesar de inúmeros pontos em comum, há diferenças entre os registros destes dois 
discípulos. Em Xenofonte, temos um Sócrates bem mais próximo dos sofistas, pois, em 
geral, os registros de seus argumentos estão presos ao campo da linguagem e ele mais faz 
destruir a argumentação dos adversários do que, propriamente, demonstrar verdades sobre 
a ética. Em Platão, no entanto,Sócrates além de contra-argumentar os pensamentos 
sofísticos registrados em diálogos como Górgias, Protágoras, Laquês, Teeteto, 
também demonstra a necessidade de se encontrar princípios que estejam além da 
realidade e que devem nortear a ética. Assim, a ética socrática diferencia-se da sofística, 
nesta perspectiva, na medida em que esta não está baseada em princípios metafísicos e 
aquela, busca tais princípios para orientarem a conduta do indivíduo, bem como a lei. 
 
Por exemplo, lemos nas Memoráveis de Xenofonte: “Farei também por contar como 
Sócrates formava seus discípulos na dialética. Achava que, quando se conhece bem o que 
seja cada coisa em particular, pode-se explicá-la aos outros; mas que, se se ignora, 
não admira que se engane a si mesmo e consigo aos outros”. 
 
Aristófanes foi o primeiro a dizer que Sócrates mais parecia um sofista do que propriamente 
seus adversários em sua peça teatral As Nuvens. Nietzsche, em A Gaia Ciência, também o 
chama de sofista. Sua obra, registrada pelos escritos de Platão, destaca-se por opor-se ao 
pensamento sofístico. 
 
1.2 PLATÃO 
 
A doutrina ética de Platão nos remete à ideia de que existem: o bem, a verdade, a justiça, 
e outros elementos da ética. Ao contrário dos sofistas que não acreditavam na existência 
desses entes. Uma vez que, se pode conhecer, por exemplo, o que é o bem, então os 
casos particulares nos quais deve se julgar o que é o bem e o que é o mal deve ser 
orientado por aquele conhecimento do que é o bem. Ora, conforme Platão, não podemos 
depreender o que é o bem ou o que é o justo somente observando os casos concretos que 
ocorrem, tal observação nunca se esgotará, haverá sempre a possibilidade de novos 
56 
 
eventos. Será preciso usar de um critério que não derive dos casos particulares, mas ao 
contrário, que oriente a análise desses casos. 
 
Por isso, em Platão, o conhecimento e a ética estão profundamente imbricados. Afinal de 
contas, para que se julgue uma ação conforme a ética é preciso de um critério e esse só 
pode ser obtido por meio do uso abstrato da razão. Nesse filósofo, o modelo da geometria é 
fundamental para a Filosofia. Por meio de raciocínios, podemos nos distanciar da 
dependência dos casos particulares, dos fenômenos e entendero que as coisas são. Esta é 
a teoria das ideias, isto é, o que as coisas são? Ideias. No entanto, as coisas concretas, os 
fenômenos ou as aparências existem de fato, mas são apenas uma, das inúmeras 
possibilidades de existências das ideias. Tomemos como exemplo uma mesa. Ora por mais 
que observemos todas as mesas existentes no mundo hoje, não esgotaremos uma 
definição do que é mesa: quadrada, redonda; de madeira, de ferro; para cozinha, 
para sala; branca, azul? Definir o que é mesa é antes um exercício da razão do que de 
observação. Como dissemos anteriormente, se definir o que é mesa exige o uso da razão, 
definir o que é justo ou injusto torna-se ainda mais complicado. Por isso, Platão insiste em 
abandonar a observação dos casos reais e avançar cada vez mais em direção à ideia em si, 
ou como ele diz, a coisa – em – si. Vejamos o que nos diz no livro VII da República: 
 
 
Sócrates – Mas como? Achas espantoso que um homem que passa 
das contemplações divinas às miseráveis coisas humanas revele 
repugnância e pareça inteiramente ridículo, quando, ainda com a 
vista perturbada e não estando suficientemente acostumado às 
trevas circundantes, é obrigado a entrar em disputa, perante os 
tribunais ou em qualquer outra parte, sobre sombras de justiça ou 
sobre as imagens que projetam essas sombras, e a combater as 
interpretações que disso dão os que nunca viram a justiça em si 
mesma? (Platão, 1987, p. 255). 
 
 
Esse princípio de que nosso conhecimento não passa de sombras do que as coisas 
realmente são (no exemplo acima, a justiça em si mesma) sintetiza os dois polos 
principais de seu pensamento, isto é, o problema do conhecimento e o da ética. A alegoria 
da caverna, também presente no livro VII da República, é a mais conhecida ilustração que 
Platão faz desses dois polos. 
 
 
57 
 
Sócrates – Agora, prossegui, imagina da maneira que se segue o 
estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. 
Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de 
caverna, tendo a toda a largura uma entrada aberta à luz; 
esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço 
acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o 
que está diante deles, dado que a cadeia os impede de voltar a 
cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que 
se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa 
uma estrada alta: imagina que ao longo dessa estrada está 
construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os 
apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais 
exibem suas maravilhas. Imagina, agora, ao longo desse pequeno 
muro, homens que transportam objetos de toda a espécie, que 
transpõem o muro, e estatuetas de homens e animais, de pedra, 
madeira e toda a espécie de matéria; naturalmente, entre esses 
transportadores, uns falam e os outros calam-se. (...) E, para 
começar, achas que, numa tal situação, eles tenham alguma vez 
visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as 
sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica 
defronte? (...) E, portanto, se pudessem comunicar uns com os 
outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que 
veriam? (pp. 251 – 252). 
 
Essa alegoria ilustra muito bem o problema platônico: o que nós observamos são as 
sombras dos objetos reais e não os objetos mesmo. Portanto, perdemos nosso tempo 
tentando descobrir o que as coisas são pelo que “vemos”, isto é, pelo conhecimento dos 
inúmeros fenômenos onde a justiça, o bem, o mal, o belo aparecerem. 
 
1.4 ARISTÓTELES 
 
Aristóteles foi o mais famoso discípulo de Platão. Enquanto este fundou e dirigiu a 
Academia, seu discípulo fundou e dirigiu o Liceu. Aristóteles, apesar da admiração pelo 
mestre e por Sócrates, não deixou de efetuar críticas a eles e elaborar sua própria Filosofia. 
Essa se estende por vários campos, a Física, a Metafísica (ou Filosofia primeira em suas 
palavras), a linguagem, o raciocínio e, como não poderia deixar de ser, sobre ética e 
política. Sobre a ética sua obra mais conhecida é a Ética a Nicômacos, este não é outro 
senão o próprio filho de Aristóteles. 
 
São vários os temas presentes nos livros da Ética a Nicômacos, o bem, a excelência 
moral, o meio termo, a amizade, o prazer e outros, concentrar-nos-emos nos mais 
58 
 
significativos para esta obra. No livro 2 da Ética, Aristóteles afirma que o propósito desse 
livro não é o conhecimento teórico, mas o prático, porque seu objetivo não é somente 
dar a conhecer o que é a excelência moral, mas praticá-la. Assim, precisamos entender o 
que é a excelência moral e como ela pode ser alcançada. 
 
A excelência moral é uma disposição da alma que pode ser alcançada somente pelo hábito. 
Para Aristóteles, nossa alma possui três manifestações: emoções, como os desejos de 
cólera, medo, temeridade, inveja, alegria e outros; as faculdades que são nossas 
capacidades naturais, como por exemplo, a inteligência; e disposições as quais podem ser 
para a excelência ou para a deficiência. As disposições para a excelência ou para a 
deficiência moral não decorrem das emoções, mas de uma escolha, portanto não somos 
excelentes ou deficientes moralmente por natureza, mas por escolha. Ou seja, não são 
nossas emoções que nos fazem escolher esta ou aquela ação, mas nossa disposição para 
a excelência ou deficiência moral. 
 
A excelência moral, além de proporcionar boas condições à coisa a que ela dá excelência, 
faz com que esta mesma coisa atue bem, como por exemplo, a excelência dos olhos é a de 
serem sadios e permitirem uma boa visão; assim como o cavalo são é sadio e permite 
transportar o homem. Ter excelência moral é bom em si e suas consequências também o 
são, ou seja, o resultado das ações de quem possui excelência moral são bons em si. 
 
Por outro lado, a excelência moral é a nossa disposição para escolher o meio termo, por 
meio da percepção. Assim, quando estamos diante de situações que exigem uma escolha 
moral, a razão não é o único critério de escolha, pois há também necessidade da percepção 
e da excelência moral. A excelência nos leva a escolher o bem; a razão, o meio termo. Esse 
não pode ser encontrado universalmente, isto é, não existe um meio termo natural do 
objeto, pois é preciso sempre levar em conta as condições de escolha, daí a necessidade 
da razão para nos levar a compreender qual é o meio termo em cada circunstância. Por 
exemplo, seis é o meio termo entre dez e dois; mas comer um quilo de alimento pode 
ser muito, assim como, duzentos gramas, pouco. Conforme a pessoa seiscentos gramas 
não são, necessariamente, o meio termo. 
 
Eis alguns exemplos que ilustram o meio termo: 
• O meio termo entre o medo e a temeridade é a coragem; 
59 
 
• O meio termo entre a insensibilidade e a concupiscência é a moderação; 
• O meio termo entre a avareza e a prodigalidade é a liberalidade; 
• O meio termo entre o irascível e o apático é o amável; 
• O meio termo entre o acanhado e o impudente é o recatado; 
• O meio termo entre a inveja e o despeito é a indignação justa. 
 
Ora, da mesma forma que o médio é maior que o menor e menor do que o maior, os dois 
extremos, isto é, as duas disposições que pecam pelo excesso ou pela falta, relativizam, o 
meio termo. Por exemplo, o corajoso é chamado de covarde pelo temerário e de temerário 
pelo covarde; da mesma forma, o moderado é chamado de insensível pelo concupiscente e 
de concupiscente pelo insensível. É bem mais fácil atingir o excesso ou a falta em relação à 
excelência moral do que o meio termo, pois como dissemos, é preciso ter percepção das 
condições. Por isso,quando se procura agir pelo meio termo, mas se incorre no excesso ou 
na falta, deve-se observar se a ação não ficou muito longe do que seria o seu ponto 
de equilíbrio. Deve tomar cuidado, no entanto, para não se afastar demais do meio termo 
seja para mais, seja para menos para que a pessoa não se torne censurável. 
 
1.5 A ÉTICA NO PERÍODO HELENÍSTICO 
 
Entende-se por Filosofia helênica aquela formada pelo pensamento grego clássico. Por 
Filosofia helenística, a Filosofia formada pelo contato do pensamento grego com outras 
fontes – especialmente as orientais. No século II antes de Cristo, Atenas ainda é o centro do 
pensamento filosófico, mas Alexandria, o centro das ciências. Essa passagem foi decorrente 
da desarticulação do mundo grego graças às invasões sofridas desde os macedônicos até 
os romanos. Por um lado, o pensamento grego perdeu a sua pureza, por outro, deu origem 
a novas filosofias marcadas profundamente pela ruptura entre a ética e a política. Em geral, 
os críticos apontam essa ruptura porque entendem que a Filosofia clássica formava 
cidadãos, afinal o indivíduo não teria qualquer identidade isolado de sua sociedade. Afirmam 
que a Filosofia helenística toma como principal motivo a formação do indivíduo, porque não 
havia mais sentido formar um cidadão para participar de uma sociedade na qual as leis 
eram impostas pelo imperador. 
 
A Filosofia helenística, por causa desses fenômenos, é também conhecida como período 
ético. Várias escolas filosóficas formaram-se nesse período: o cinismo, o ceticismo, o 
60 
 
epicurismo, o estoicismo; todas, porém, inseridas na história da Filosofia, ou seja, de um 
modo ou de outro, variando de fonte filosófica de influência, remetem suas ideias ao 
pensamento filosófico anterior a eles. 
 
a) O cinismo 
 
A escola cínica é conhecida também por ser a mais anti-cultural de todas as escolas 
helenísticas, exatamente porque, considera toda a cultura artificialidade humana que 
somente nos afasta da vida para a qual os deuses nos prepararam. Viver as fadigas 
impostas pela natureza – suportar o frio, a fome, o calor – era uma forma de temperar o 
espírito e o corpo para poder superar as ilusões que os homens criaram e chamavam de 
sociedade. Daí as “esquisitices” que marcaram sua história: viver num barril, carregar 
somente um manto, desprezar o luxo e a riqueza. Diz-se que certa vez Alexandre Magno 
sabendo que Diógenes se encontrava próximo e conhecendo a fama do filósofo apelidado 
de cão, foi ter com ele. Acercando-se do filósofo que estava deitado no chão propôs-lhe: 
“pede-me o que quiseres e eu te darei!” Diógenes, mesmo reconhecendo seu 
poderoso interlocutor, respondeu de maneira direta: “Afasta-te do meu sol!” 
 
b) O Epicurismo 
 
A primeira escola helenística surgiu em Atenas ao final do século IV (306 – 307 a.C.) e já 
captava o sentido da necessidade de mudança, pois ao invés de se localizar próximo à 
Ágora (praça pública) localizava-se em um lugar afastado do centro urbano, no campo, num 
prédio dominado por um imenso jardim (daí kéros). Por isso a ruptura com a Filosofia da 
interpretação, vizinha do comércio onde se “discutia o preço”, interpretio. As principais teses 
epicuristas podem ser resumidas nos seguintes itens: 
• a realidade é plenamente cognoscível pela inteligência humana (crítica aos 
filósofos que duvidavam de nossa capacidade de conhecer a realidade 
material, especialmente Platão); 
• nas dimensões do real existe espaço para a felicidade do homem; 
• a felicidade é a falta de perturbação; 
• para atingir essa felicidade e essa paz, o homem só precisa de si mesmo; 
• não lhe servem a cidade, as instituições, a nobreza e todas as coisas e nem mesmo 
os deuses: o homem é autárquico, isto é, governa-se por si mesmo. 
 
61 
 
O pensamento de Epicuro é, predominantemente, ético, fundamentado na lógica e na física. 
A primeira é importante para determinar os critérios que nos permitem chegar à verdade; a 
segunda, por que demonstra a constituição do real; e então, chega-se à ética, que estuda a 
finalidade do homem, ou seja, a felicidade. Sobre a física de Epicuro, pode-se afirmar que 
está diretamente inspirada nas doutrinas dos atomistas Leucipo e Demócrito, com 
mudanças em algumas concepções. Para Epicuro, ao contrário de Platão, as sensações 
não devem ser descartadas do campo do saber, ao contrário, são reais porque pertencem à 
própria estrutura atômica da realidade. 
 
A física de Epicuro é uma ontologia, isto é, ao refletir sobre a natureza reflete, 
fundamentalmente, sobre o ser. Seus fundamentos são: o nada nasce do não-ser e nada se 
dissolve no nada. Matéria gera matéria. O todo é composto apenas por dois elementos 
fundamentais: os corpos e o vazio que nada mais é do que espaço, distanciando-se da 
noção de não-ser de Platão. É importante observar que para Epicuro a alma é material, 
composta por partículas sutis. 
 
A ética epicuréia está baseada nos princípios anteriores, por isso, sendo o homem 
matéria, sua felicidade será também material: seu bem é seu prazer. Essa é a sua teoria do 
hedonismo, da felicidade. Normalmente, acredita-se que a ética de Epicuro leva à uma 
concepção de fruir, desregradamente, dos prazeres. No entanto, se analisarmos 
corretamente seu pensamento verificaremos que isso deve ser interpretado como uma 
incitação à imoralidade. 
 
Para Epicuro a felicidade é obtida por dois princípios: 
 
• Aponia, que significa a ausência de dor no corpo; 
 
• Ataraxia: ausência de perturbação na alma. 
 
Quando dizemos, então, que o prazer é bem, não aludimos, de modo algum 
aos prazeres dos dissipados, ou aos produzidos pela sensualidade, como 
creem certos ignorantes em desacordo conosco ou não nos compreendem 
mas ao prazer de nos acharmos livres de sofrimentos no corpo e à 
ausência de perturbação na alma. (Epicuro, 1980, p. 17). 
 
Também, para ele, existem três tipos de prazeres: 
62 
 
• Os naturais e necessários: por exemplo, comer, beber, repousar, abrigar-se e outros 
semelhantes; 
• Os naturais, mas não necessários: comer bem, sorver bebidas finas, vestir-se com 
luxo e outros semelhantes; 
• Os não naturais e nem necessários os quais devem ser evitados, como o desejo de 
riqueza, poder, honrarias, glória e outros semelhantes. 
 
Os quatro remédios do sábio são conclusões inevitáveis da lógica e da física que nos levam 
à aceitar a rigorosa ética, são eles: são vãos os temores em relação aos deuses e ao além; 
a morte é um mergulho no nada, por isso não deve nos apavorar; o prazer está à disposição 
de todos; o mal dura pouco e é facilmente suportável. 
 
c) O Estoicismo 
 
O estoicismo é representado por grandes nomes como Zenão de Cítio (336 – 264 a.C.), 
Cleanto de Assos (280 – 210 a.C.) e Sêneca (4 ou 2 até 65 d. C.). A física dos estóicos 
gregos caracteriza-se por supor que todas as coisas corpóreas são semelhantes aos seres 
vivos. O sopro divino, presente em tudo, é quem faz com que todas as partes que compõem 
os corpos se tornem interdependentes. Assim, o Universo é a junção de todas as coisas 
unidas por um sopro ígneo (alma). A Razão Universal (o logos) seria essa alma comum, que 
a tudo penetra e organiza. Assim, tanto na natureza como na vida humana não haveria lugar 
para o caos nem para a desordem, pois é estar contra o logos. Dessa física decorre que 
tudo é corpóreo e sujeito a ciclos de surgimento e desaparecimento; sujeitos estamos à 
predeterminação de tudo, pois somente a predeterminação pode explicar a ordem 
perfeita das coisas. 
 
A ética, cujo lema é “seguir a natureza”, decorre dessa física. Uma vez que a natureza é 
logos, segui-la é estar de acordo com o que há de melhor para o homem. A virtude moral é 
o acordo do homemcom sua natureza, quando caminha nesse sentido, pratica a prudência. 
O que leva os homens a viverem de forma contrária à sua natureza são as paixões, cujo 
surgimento e ampliação podem ser explicados pela influência do meio externo sobre os 
homens, por exemplo, por meio da educação. 
 
63 
 
Para Sêneca, o corpo humano é um mal necessário, uma prisão, uma passagem; enganam-
se aqueles que vivem para o corpo e não para a alma, pois ela é eterna, ao passo que o 
corpo é transitório. Porém, em virtude de sua necessidade não se deve negligenciar as 
necessidades do corpo, por outro lado, não se deve ser seu escravo, pois se nos 
entregamos às suas volições também estragamos nossa alma. 
 
Sintetizemos alguns dos principais aspectos da filosofia de Sêneca para compreendermos 
melhor o pensamento estóico. 
 
a) O homem é um ser corpóreo e espiritual. O corpo é uma prisão para a alma e 
devemos, portanto, livrarmo-nos o máximo possível da influência deste sobre 
ela; 
b) A razão é parte do espírito divino imerso no corpo humano; 
c) Para Sêneca Júpiter é o único Deus, todos as outras divindades que ele cultuava 
eram consideradas manifestações de Júpiter; 
d) A pessoa é o composto de corpo e alma; assim esta palavra atinge para ele um 
elevado teor ético, contrariamente a toda a filosofia anterior na qual significava, 
meramente, aparência; 
e) O ser pessoa iguala a todos os homens, quaisquer que sejam suas diferenças 
aparentes; 
f) Podem os homens diferir quanto ao corpo, podem diferir quanto à fortuna, mas 
somente pela razão de todos serem bons por natureza, tornam-se iguais; 
g) A pessoa humana representa algo sagrado, na carta 4 a Lucilio afirma: Deus está 
perto de ti,; está contigo; está em ti. Sim, Lucilio, um espírito santo reside em nós, o 
qual observa e nota as más e boas ações nossas” Contudo, este espírito só habita 
os virtuosos e não aqueles que se entregam aos vícios. 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
CAPÍTULOS 2 – A ÉTICA CRISTÃ: A FILOSOFIA MEDIEVAL 
 
A Filosofia cristã é caracterizada pela formação de um pensamento influenciado pela 
filosofia grega e pelos preceitos morais do cristianismo, orientados pela Bíblia e por seus 
intérpretes. O nascimento de Filosofia cristã ocorre com a formação de um período 
conhecido por patrística, o qual pode ser definido da seguinte forma: “elaboração doutrinal 
das crenças religiosas do cristianismo e na sua defesa contra os ataques dos pagãos e das 
heresias” (Abbagnano, 2003). Então, a Filosofia cristã tinha por objetivo justificar a fé no 
cristianismo, mas precisava combater a filosofia pagã e as heresias, por vezes também 
orientadas pela Filosofia. Assim, era preciso tornar-se filosófica também. 
 
2.1 A virtude cristã e a virtude pagã 
 
Em geral, observa-se que, em relação à ética, a Filosofia cristã está muito próxima da 
Filosofia helenística, porque o cristianismo não é uma religião nacional, mas universal. A 
virtude do cristão não é a mesma virtude do cidadão. Enquanto a desse é marcada pelo 
amor à pátria, a qual vale mesmo a pena sacrificar a própria vida, aquela é marcada pelo 
amor a Deus, ao qual vale a pena sacrificar a própria vida. 
 
São vários os exemplos, durante a antiguidade, de heróis que sacrificaram a própria vida 
por amor à pátria. Catão é um exemplo romano e os 300 de Esparta que morreram na 
batalha das Termópilas são um exemplo grego auto-sacrifício em nome da pátria. Por outro 
lado, os mártires cristãos sacrificaram-se por sua fé; desde Estevão, aos mártires da 
perseguição romana até o édito de Milão, não morreram por pátria terrena, mas 
celeste. Esta diferença entre o sacrifício cristão e o pagão nos demonstra uma mudança 
significativa na estrutura ética. Enquanto a virtude no paganismo é a do cidadão, do 
guerreiro que defende sua pátria, a do cristão é a do auto-sacrifício, ser morto, mas não 
matar. 
 
Maquiavel observará em O Príncipe que o príncipe deverá parecer ter as virtudes cristãs, 
tais como a piedade, a humildade, a recusa à violência, o perdão, mas não deverá praticá-
las sob pena de ser um mau governante e por todo o Estado em risco, por exemplo, como 
perdoar um inimigo que ataca sua cidade? Como ser piedoso com os traidores da pátria? 
Enfim, do mesmo modo que a virtude no modelo cristão representou um choque para a 
65 
 
virtude pagã, também a autonomia da política na era moderna chocou-se contra os 
princípios cristãos. 
 
2.2 A Cidade de Deus 
 
Santo Agostinho, ou Aurélio Agostinho, nasceu em 354 em Tagasta, norte da África e 
faleceu em Hipona, em 430. Sua obra pode ser considerada a mais importante do início da 
filosofia cristã, justamente porque conseguiu conciliar, definitivamente, a doutrina filosófica 
de Platão aos princípios morais do cristianismo. É bom advertirmos ao leitor que Agostinho 
não teve contato com toda a obra platônica e, muitas vezes, suas fontes eram os neo-
platônicos e não exatamente os diálogos do discípulo de Sócrates. 
 
Na Cidade de Deus Agostinho responde a uma acusação dos pagãos. Para eles a invasão 
de Roma por Alarico em 410 fora consequência do enfraquecimento do espírito de 
cidadania dos romanos em razão da penetração da moral cristã. Como vimos, a moral cristã 
enfraquece o espírito nacional e fortalece o universal. Agostinho escreve essa obra com o 
intuito de responder esta acusação dizendo que ao contrário do que os detratores do 
cristianismo falavam, o que enfraqueceu o espírito romano não foi a moral cristã, mas a 
situação de falta de moral, de absoluto desregramento na qual havia mergulhado a moral 
pagã. Então, em sua perspectiva, o rigor da moral cristã seria uma salvação para Roma e 
não a sua perdição. 
 
2.3 A liberdade do cristão 
 
Um ponto central da ética cristã é o problema da liberdade. A questão pode ser posta mais 
ou menos da seguinte forma: nascemos sob o pecado, isto é, o pecado original. No entanto, 
este pode ser perdoado com o batismo. O problema se diante dos dilemas éticos da ação e 
tem liberdade de escolha. Assim, o pecador é alguém que diante de uma escolha, decidiu-
se por agir de modo contrário ao recomendado pela moral cristã. 
 
A perspectiva de Santo Agostinho é a de que somos dotados por Deus Do livre arbítrio, isto 
é, da liberdade de escolha. Para ele a chave do problema está na noção de vontade. 
Enquanto para os gregos a liberdade é uma escolha racional, ou pertence à esfera da 
razão, Santo Agostinho reconhece que a vontade está além do campo da racionalidade. 
Nossa razão pode até nos mostrar o que deve ser feito, mas nossa vontade pode nos 
66 
 
conduzir para outros caminhos. Ele viveu isso plenamente, pois antes de converter-se ao 
cristianismo teve, como relata em suas Confissões uma vida libertina. 
 
Portanto, nossa liberdade está em resistir aos apelos da vontade e fazer aquilo que é 
correto e não aquilo que desejamos, pois estes desejos não pertencem à nossa natureza 
humana, mas foram impostos pela educação. Evidentemente, o referencial estóico na 
formação da Filosofia cristã é de absoluta evidência, mas o cristianismo não se 
resume em ser uma reprodução do estoicismo, havia novas questões para serem 
resolvidas. Dentre elas, Santo Agostinho nos alerta para o fato de que se os homens tentam 
ser livres e viver somente com as próprias forças uma vida correta não o conseguirão, o 
homem não pode pretender ser “autárquico”, isto é, governar a si mesmo, pois é preciso que 
uma força superior nos ajude a superar as tentações. 
 
Essa força superior é a graça divina. Ela não nos torna seu escravo, ao contrário, nos 
liberta verdadeiramente das paixões e do pecado, que é para onde ela nos conduzem. A 
graça divina é libertadora, porque, desde a tradição epicurista e estóica, considera-seque 
viver ao sabor das paixões não é ser livre, mas tornar-se escravo dos próprios desejos. 
Quem não é senhor de seus desejos e vontades é escravo dos mesmos. Sozinho, o 
homem não tem capacidade de libertar-se desta servidão, a razão grega, por mais 
imponente que seja foi incapaz de salvar os homens, completamente, ainda que tenham os 
sábios, como Sócrates, chegado muito próximos da verdadeira libertação, não a 
conseguiram, pois não contaram com a conversão ao cristianismo. A graça divina não tem o 
poder de eliminar a vontade humana, mas pode torná-la boa. 
 
Os conceitos livre arbítrio e graça divina, portanto estão profundamente imbricados, pois a 
razão é insuficiente para nos fazer preferir o bem ao mal; ainda que possa demonstrar qual 
é o bem e qual é o mal, ela não nos pode fazer escolher. Como vimos, nossa vontade de 
preferir o bem ao mal também não é suficiente, mas sim, é preciso que a graça divina nos 
converta a preferir o bem. 
 
Santo Agostinho tornou-se a principal referência para a formação filosófica dos cristãos 
durante séculos da Idade Média até que a influência de Aristóteles suplantou a de Platão, 
especialmente na Escolástica e na obra de Santo Tomás de Aquino. Contudo, em termos 
de teologia e do livre arbítrio sua obra continuou como uma referência fundamental. Assim, 
sua obra continuou a influenciar novos pensadores e, dentre estes, encontra-se Erasmo de 
67 
 
Roterdã (1466 – 1536), em cuja obra encontramos o tratado Sobre o Livre Arbítrio. 
Encontramos em sua obra críticas severas à escolástica e um retorno às origens, do 
ponto de vista da história, ao cristianismo primitivo, e do ponto de vista filosófico aos 
padres da Igreja, ou seja, ao período patrístico com especial destaque para Santo 
Agostinho. Assim, suas concepções sobre o livre arbítrio são muito próximas daquelas de 
Santo Agostinho, por isso, vamos abordar agora não seu pensamento, mas o de seu mais 
ilustre adversário, Martinho Lutero. 
 
 
Sobre a liberdade do Cristão: Martinho Lutero 
 
Martinho Lutero (1483 – 1546) foi o fundador do protestantismo, contudo, sua formação 
intelectual se deu dentro da Igreja Católica, pois foi monge agostiniano. Aliás, é clara a 
influência de Santo Agostinho sobre seu pensamento e, tal como Erasmo, com base nele 
tornou-se crítico da escolástica e sua filosofia árida e distante da vida do cristão. No 
entanto, afasta-se de Erasmo na medida em que rompe, definitivamente, com a Igreja em 
seu desejo de reforma; Erasmo também crítico dos péssimos costumes que tomavam conta 
da instituição, não aceita a posição de ruptura. O auge de seus debates se dá em torno do 
tema da liberdade. Erasmo publicou em 1524 seu Do Livre Arbítrio tendo em vista criticar as 
já propaladas teses de Martinho Lutero, esse respondeu-o em Do Servo Arbítrio em 
1525. 
 
O pensamento de Lutero, apesar de ser um forte crítico do pensamento filosófico, teve 
grande influência na história da filosofia, pois forneceu uma série de elementos críticos à 
autoridade da interpretação das escrituras – e consequentemente, qualquer autoridade 
que queira se impor sobre a razão. Seus pontos fundamentais são: 
 
• A doutrina da justificação, unicamente, pela fé; 
 
• A doutrina da infalibilidade da Escritura considerada única fonte de verdade; 
 
• A doutrina do livre exame da Bíblia ou do sacerdócio universal; 
 
• A doutrina da predestinação. 
68 
 
 
Quanto à primeira destas doutrinas trata-se de uma posição radical contra uma ala 
dominantes da Igreja Católica que defendia a venda de indulgências como forma de 
salvação pelas obras. O problema não estava na venda da indulgência em si, mas no abuso 
que se fez dela para a reforma da Igreja de São Pedro em Roma e a estratégias nada éticas 
de John Tetzel para convencer os fiéis a doarem dinheiro à Igreja como forma de salvação 
da alma. Lutero radicaliza ao máximo suas posturas frente aos desmandos da cúpula da 
Igreja e defende, ardentemente, a doutrina da salvação unicamente pela fé. Além do 
que, os católicos como Tetzel afirmavam que quando se dava um dízimo à Igreja, Deus se 
via obrigado a conceder uma graça ao donatário. Para Lutero, essa postura era inaceitável, 
pois, de alguma forma, os homens estavam tentando obrigar Deus a fazer algo, o que 
era um absurdo. 
 
A segunda doutrina se opõe à política da Igreja Católica de basear sua autoridade, não 
somente na Bíblia, mas numa série de documentos canônicos, como os resultados dos 
concílios. Para ele, estes documentos escritos por homens poderiam ser submetidos ao 
exame da razão e não deviam ser considerados verdades incontestáveis. Além disso, os 
próprios concílios se contradiziam, com teses abandonadas ou retomadas constantemente. 
Dessa postura, nasce sua crítica à ideia de infalibilidade papal, isto é, que a opinião oficial 
do Papa é sempre correta. 
 
A terceira doutrina afirma que todos possuem luzes de razão suficientes para ler e 
interpretar a Bíblia. Tradicionalmente, a Igreja Católica considerava desaconselhável que os 
fiéis lessem a Bíblia, pois como é um livro repleto de parábolas e histórias cujas 
interpretações deveriam ser orientadas por um correto e profundo conhecimento das 
Escrituras. Enfim, a xegese da Bíblia exige uma formação adequada para que não se a 
interprete literalmente dando origem a uma série de heresias. Para Lutero, se a 
interpretação da Bíblia exige determinados conhecimentos, então que sejam ensinados 
àqueles que desejam aprender. Para que ela fosse mais acessível ao povo, providenciou 
sua tradução para o alemão, dando origem às traduções da Bíblia para as línguas 
vulgares. Além disso, não adotou a Bíblia dos Católicos que era baseada na Septuaginta, 
preferindo o cânone da Bíblia judaica. Sua posição fortaleceu no meio protestante o 
estímulo à leitura da Bíblia e, portanto, ao estudo. 
 
69 
 
Sua doutrina da predestinação se opõe frontalmente ao livre arbítrio, pois trata-se de uma 
tese na qual o destino dos homens já está traçado e não há como sabermos se Deus nos 
reservou a condenação ou a salvação. Em geral, essa tese causa algum embaraço 
naqueles que não enxergam nela a possibilidade de se compreender qual a 
responsabilidade que temos sobre nossos atos se tudo já está previsto pela mente divina, 
ou seja, se Deus já predisse o que aconteceria conosco, então não seríamos responsáveis 
por nossas ações. Ora, essa interpretação não é condizente com o pensamento luterano. 
Para ele, de fato, Deus já determinou quem será salvo e quem será condenado, mas nós 
não sabemos em qual grupo estamos. Por isso, a responsabilidade de nossos atos recai 
sobre nós mesmos. 
 
A religião continua até nossos dias a influenciar o pensamento ético e os códigos morais, 
contudo, tais posturas não são essencialmente diferentes destas analisadas aqui. Por isso, 
passemos agora à Idade Moderna, onde as reflexões sobre a ética tentam livrar-se da 
influência religiosa e procuram fundamentar-se unicamente na natureza humana e na razão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
 
CAPÍTULO 3 - A ÉTICA NA FILOSOFIA MODERNA 
 
Podemos dizer que na idade moderna a tendência geral é pela busca de uma ética laica, ou 
seja, de uma ética que esteja baseada somente na racionalidade, na natureza humana e 
não na religião. O motivo desta mudança está no fato de que a liberdade religiosa se 
expandiu de maneira definitiva, assim, pensadores de diversos credos buscam diferentes 
referenciais, mas estão em busca de uma ética universal, que valha para todo gênero 
humano e não somente para um grupo social específico. O anglicano Locke, o protestante 
Bayle, o judeu Espinosa, o católico Pascal. De qualquer forma, a problemática geral daética continua em pé, pois todos estão em busca da compreensão do comportamento 
humano. 
 
3.1 Baruc Espinosa (1632 – 1677) 
 
Retoma os princípios socráticos e estóicos de ética, ou seja, para ele, o vício é resultado da 
ignorância e a virtude do conhecimento. Por outro lado, para ele, as paixões nos dominam 
somente quando não as compreendemos. Desta forma, em linhas gerais, a ética de 
Espinosa implica naquela perspectiva de que é pela razão que nós controlaremos as 
paixões e passaremos a ter um comportamento ético, portanto, a razão é o fundamento 
de todas as virtudes. 
 
3.2 Blaise Pascal (1623 - 1662) 
 
Parte de um princípio diferente daquele de Espinosa. Para ele, a razão é insuficiente para 
levar os homens à grandeza moral. Ele próprio converteu-se a uma ordem religiosa católica, 
extremamente, rigorosa do ponto de vista do comportamento e devotada ao conhecimento. 
Define, então, dois conceitos fundamentais: o espírito de geometria e o espírito de finesse. 
O primeiro é correspondente à racionalidade científica a qual Pascal conheceu desde a 
juventude, pois foi grande matemático e inventou a máquina de calcular, da qual 
obteve não somente a patente, como continuou aperfeiçoando o modelo. O espírito de 
finesse refere-se a uma forma de compreensão da realidade que ultrapassa os limites da 
pura racionalidade matemática ou científica. Pascal está convicto de que a razão não é 
suficiente para conduzir os homens. 
 
71 
 
Agora, deixemos as proposições éticas particulares de alguns filósofos e mergulhemos 
nas duas correntes éticas mais representativas da modernidade: o utilitarismo e o 
kantismo. Em outras palavras, a ética voltada para o que é mais útil para a maioria e a ética 
voltada para o dever. 
 
 
3.3 Rousseau: a moral como razão e consciência 
 
Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), filósofo genebrino, é muitas vezes considerado um 
dos mais influentes inspiradores do romantismo. Essa corrente filosófica caracteriza-se por 
uma valorização da natureza em oposição à super-valorização da cultura. Trata-se de um 
retorno ao “seguir a natureza” dos estóicos. Sua obra é marcada pela relação intrínseca 
entre ética e política, pois para ele, como lemos no texto que abre este trabalho, ética e 
política devem ser compreendidas juntas, quem as separa não entende, nem de uma, nem 
de outra. 
 
Sobre a ética podemos lembrar que, para Rousseau, a razão é insuficiente para conduzir a 
vontade humana. Em seu Discurso sobre as Ciências e as Artes afirma que se o gênero 
humano dependesse da compreensão do que os moralistas escrevem em seus grossos 
livros, há muito teria desaparecido. Isto significa sua desconfiança quanto à pedagogia dos 
moralistas que pretendem ensinar lições de morais e convencer seus leitores 
racionalmente a preferirem o bem ao mal. 
 
No entanto, não devemos supor que, para Rousseau, a natureza humana é má por sua 
origem, de forma alguma. No Discurso sobre a Origem da Desigualdade formulou sua tese 
de que o homem nasce com uma tendência para preferir o bem ao mal e somente prefere 
este quando a educação que recebeu em sociedade o leva a não mais ouvir e seguir “a voz 
da natureza”. Por isso, em seu Emílio ou da Educação procura demonstrar passo a passo 
como o mal vai lentamente penetrando o coração humano e deturpando sua origem boa. 
 
Para ele, o que nos leva a preferir o bem ao mal não é a razão, mas a consciência, tal como 
apresenta no Emílio: 
 
 Consciência! Consciência! Instinto divino, voz celeste 
 e imortal; guia seguro de um ser ignorante e limitado, 
72 
 
 mas inteligente e livre; juiz infalível do bem e do mal, 
 que tornas o homem semelhante a Deus, és tu que 
 fazes a excelência de sua natureza e a moralidade de 
 suas ações; sem ti nada sinto em mim que me eleve 
 acima dos bichos, a não ser o triste privilégio de me 
 perder de erro em erro com a ajuda de um entendimento 
 delirante sem regra e de uma razão sem princípios (1992, 
 p. 338). 
 
 
Não devemos supor, no entanto, que Rousseau seja um irracionalista apenas porque duvida 
dos limites da razão. De forma alguma, podemos ver em sua proposição uma ética do 
irracional, mas do sentimento e da consciência, pois a razão pode nos fazer 
compreender o que é o bem e o que é o mal, mas não tem força suficiente para direcionar 
nossa vontade. 
 
 
3.4 O utilitarismo 
 
Trata-se de uma corrente predominante no pensamento inglês dos séculos XVIII e XIX 
que abrangia as áreas da ética, da política e da economia. Stuart Mil foi seu primeiro teórico. 
 
O utilitarismo propunha transformar a ética numa ciência da conduta humana, portanto, 
transformar a ética em uma ciência exata como a matemática e a geometria. Ora, tais 
ciências assumem determinados axiomas e, a partir deles, deduzem as consequências. 
Tratava-se de encontrar os axiomas fundamentais da ética e deles deduzir as 
consequências inevitáveis. Seu fundamento não será, de forma alguma, o bem ou o mal em 
si mesmos, porque não há bem ou mal em si. Também não está preocupado em definir a 
natureza humana, ou seja, saber se ela é boa ou má em sua origem. Toma como 
referências os homens tais quais se comportam e procura formas de fazê-los 
comportarem-se de maneira útil para a sociedade. 
 
O pensamento utilitarista pode ser sintetizado na fórmula clássica de Cesare Beccaria: “a 
maior felicidade possível, compartilhada pelo maior número possível de pessoas” (Dos 
Delitos e das Penas). Há, portanto, uma coincidência entre a utilidade individual e a utilidade 
pública, no entanto, de modo proporcional. Assim, não se trata de se escolher o melhor bem 
público em si, porque não existe, mas de escolher o melhor bem possível, para a maioria 
73 
 
das pessoas. A influência do utilitarismo nas doutrinas econômicas resultou na radicalização 
das doutrinas liberais, as quais, por sua vez, sabiam que a liberdade de mercado poderia 
trazer alguns danos para a sociedade, mas por outro lado, também permitiam bens maiores. 
 
Outra influência decisiva da doutrina ética utilitarista se encontra na obra O Príncipe de 
Maquiavel. No capítulo XVIII afirma sua máxima mais conhecida: os fins justificam os meios, 
a qual, a rigor foi assim enunciada: 
 
 
 Nas ações de todos os homens, especialmente os príncipes, 
 contra os quais não há tribunal a que recorrer, os fins é que 
 contam”. (MAQUIAVEL,1995, p. 113) 
 
 
Por vezes, o príncipe deverá tomar determinadas decisões que ferem os princípios da 
moral cristã, ou mesmo não cumprir a palavra dada. No entanto, isto não deve acontecer ao 
seu bel-prazer, mas como resultado inevitável das circunstâncias. Se essas mudam, 
não deve o príncipe prender-se às máximas da religião porque os danos de uma postura 
desse formato podem ser maiores do que os danos causados por sua decisão. Por 
exemplo, o inimigo está às portas da cidade para invadi-la, o que fazer? Perdoa-los e 
oferecer a outra face? Ainda que a decisão por uma guerra viole outro princípio o do, não 
matarás, o príncipe deve fazer uma escolha que deve oferecer o maior bem possível ao 
maior número possível de pessoas. O mesmo se dá em relação a palavra dada. Muitas 
vezes, o príncipe empenha sua palavra numa promessa futura, mas se as circunstâncias se 
modificam e manter o que havia prometido for causar mal a um grande número de pessoas 
é melhor deixar sua palavra e fazer o que é melhor para a maioria. 
 
 
3.5 Kant e a ética do dever 
 
Immanuel Kant (1724 – 1804), filósofo alemão, realizou uma obra que pretendia sintetizar 
a filosofia até então e propô-la em novas bases. Supõe que sua teoria do conhecimento é 
uma síntese do empirismo (de David Hume,por exemplo) e o inatismo (de Descartes). Seu 
pensamento ficou conhecido como criticismo porque algumas de suas obras mais 
importantes iniciam com esta palavra: Crítica da Razão pura e Crítica da Razão Prática. 
Enquanto a primeira formula os o princípios que demonstram como nós podemos conhecer, 
74 
 
a segunda se refere à moral. A palavra prática para Kant, não tem o mesmo significado 
que lhe atribuímos hoje. Para ele, como herança da obra de Aristóteles, prática se refere ao 
mundo moral da ação e da esfera política. Nesse caso, a Crítica da Razão Prática é um livro 
sobre a ética. 
 
Para Kant, a razão humana não é apenas teórica, mas também prática, ou seja, não é 
apenas capaz de conhecer possui a capacidade de determinar a vontade e, portanto, a ação 
moral. Por esse motivo, Kant pode ser considerado o maior expoente moderno da ética do 
dever, isto é, que nós devemos pautar nossas ações conforme o dever moral revelado a nós 
pela razão. Abaixo sintetizamos o caminho percorrido pelo pensamento kantiano do qual 
faremos a análise a seguir. 
 
Os princípios práticos podem ser máximas (subjetivas) ou imperativos (objetivos). Os 
imperativos, por sua vez, podem ser hipotéticos (que são prescrições práticas, divididas 
em regras de habilidade e conselhos de prudência); ou categóricos (que são leis morais). 
 
As máximas são subjetivas porque valem somente para os indivíduos que as propõem, por 
exemplo, “vinga-te da ofensa que receberdes”. Ora, diz-se que serve somente ao indivíduo 
que a propõe porque se todos agirem assim a sociedade logo se destruirá. Portanto, as 
máximas não têm valor universal, logo não podem tornar-se leis morais. 
 
A respeito dos imperativos hipotéticos é importante observar que o termo “hipotético” não 
tem o mesmo significado ao qual o atribuímos hoje. Aqui talvez pudéssemos falar em 
imperativos condicionais, porque eles determinam a vontade com a condição de que 
alcancem determinados objetivos. Uma prescrição prática é aquela que determina um 
objetivo imediato, por exemplo: “se quiser boas notas, deve estudar”. Um conselho de 
prudência é mais geral, suas orientações não remetem a um objetivo tão específico, como 
por exemplo, “seja cortês para com os mais velhos”. 
 
Os imperativos categóricos possuem valor universal, não somente para quem enuncia o 
princípio, mas para todo ser racional. Giovane Reale sintetiza desta forma o imperativo 
kantiano: “o imperativo categórico, portanto não diz se quiserdes...deves’, mas sim 
‘deves fazer, porque deves’ ou ‘deves e pronto” (1990). 
Kant definiu alguns imperativos categóricos que possuem, conforme ele, valor universal, por 
exemplo: “não deves nunca prometer em falso”. Para identificarmos o imperativo categórico 
75 
 
basta nos perguntarmos diante de uma ação que faremos: “se todos agirem conforme você 
o que ocorrerá na sociedade?” Podemos distinguir o imperativo categórico do hipotético sob 
duas perspectivas. A primeira é: o imperativo categórico nos propõe uma lei moral, porque o 
fim resultante da sua ação não é necessariamente o benefício de quem observou a lei. Por 
isso, trata-se da ética do dever; a segunda, que o imperativo categórico pode ser praticado 
por todo gênero humano e isto não implicará a destruição da sociedade. 
 
Por fim, os conceitos de heteronomia e autonomia em Kant concluem o desenvolvimento do 
trajeto ético. A heteronomia, palavra cujo sentido literal significa “lei alheia” é obedecer às 
leis. Depois, passa-se à autonomia (lei própria). Ora, a autonomia não significa viver alheio 
às leis sociais, mas de admitir as leis civis como boas para si. Por exemplo, as leis nos 
obrigam a usar o cinto de segurança nos automóveis (heteronomia), porém, quando 
admitimos que é melhor utilizar o cinto do que circular nos automóveis sem eles, passamos 
da heteronomia para a autonomia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 
 
CAPÍTULO 4 - ÉTICA CONTEMPORÂNEA 
 
Sobre a ética contemporânea nos concentraremos sobre um grupo específico de 
pensadores os quais possuem em comum a busca de fundamentos éticos materialistas, ou 
seja, não querem recorrer a preceitos que dependem de princípios metafísicos ou religiosos. 
Noções sobre “o que é o homem”, “o que é o bem”, “o que é justiça” são considerados 
princípios metafísicos e as noções que derivem dos livros sagrados ou das teologias, não 
servem como base para esta ética. 
 
Por outro lado, abordaremos também uma escola filosófica que fundamenta suja ética em 
princípios morais baseados tanto na metafísica quanto na religião,trata-se do 
personalismo. 
 
4.1 Friedrich Nietzsche (1844 – 1890) 
 
Atacou todos os fundamentos morais metafísicos e religiosos, porque considerava que eles 
serviam somente para tornar os homens dóceis e não permitiam sua realização plena. Em 
Além do Bem e do Mal e Genealogia da Moral Nietzsche desenvolve seus argumentos 
contra a moral fundada, especialmente, na filosofia clássica ou metafísica e no 
cristianismo. 
 
Sobre a primeira, seu alvo de críticas é, especialmente, Sócrates e Platão. Para Nietzsche, 
Sócrates nos lançou para noções de ética para o mundo das ideias, separando o sensível 
do inteligível e, com isso, retirou as relações éticas do limite humano, tal como haviam 
estabelecido os sofistas. Definir o que é ético ou não, está dentro dos limites da linguagem, 
das relações humanas e não em princípios obtidos por meio de reflexões abstratas que 
podem até ser irrefutáveis, as insuficientes para convencê-lo de que são a verdade. 
O positivismo, o evolucionismo, idealismo e todas as outras escolas filosóficas eram 
apenas reflexões dos homens que pretendiam atribuir às suas teorias um valor 
universal de verdades eternas e absolutas. Era preciso, portanto, desmascará-las, todas. 
 
Sobre o cristianismo, Nietzsche repete a máxima de Rousseau modificando-lhe de forma 
significativa o sentido: “uma religião de escravos”. Tal afirmação tem o seguinte sentido: o 
cristianismo pregando humildade, auto-sacrifício nos retira a vontade de vida; a famosa 
frase de São Paulo, em Romanos, 13: “toda autoridade vem de Deus” é uma evidência 
77 
 
dessa ação do cristianismo sobre o espírito humano. Para ele, é uma moral dos escravos 
que não podendo ter a mesma glória dos nobres subverte os valores realmente 
dignos dos guerreiros, como a bravura, o destemor, e torna os valores dos fracos mais 
elevados que o dos fortes. 
 
Dois princípios ilustram o pensamento nietzscheano sobre ética: o dionísico e o apolíneo. 
Em termos gerais, entendemos por dionisíaco, o mito grego de Dionísio, no qual a religião 
não significa a negação da vida, o controle das paixões e dos instintos. O dionisíaco é 
uma afirmação da vida em seu sentido mais pleno. Para ele, o apolíneo, referência ao deus 
Apolo, é o símbolo da racionalidade que procura eliminar o elemento que não pode 
compreender, ou seja, a razão expulsa os instintos e procura a tudo controlar. 
Nietzsche, em seus estudos sobre a tragédia grega, observou que as tragédias de 
Eurípedes (Medéia, Electra, As Bacantes) retiraram o elemento dionisíaco e inseriram 
os elementos da moral e de uma racionalidade árida, substituindo o valor vida pela 
superficialidade silogística, por isso conhecido também por “filosofo do teatro”. 
 
Quando Nietzsche proclama a “morte de deus”, quer dizer o fim de uma sociedade 
fundada nos valores morais que dependem da existência de um Deus que seja o 
fundamento de toda a verdade, de toda a justiça. Conforme Nietzsche, quem matou 
deus foram os homens que pouco a pouco foram se afastando dos valores que diziam 
cultuar, mas o super-homem nascerá para umanova sociedade que não depende de um 
valor extra-humano para guiar-se. 
 
4.2 Jean-Paul Sartre 
 
Sartre (1905 – 1980) foi um dos mais notáveis representantes do existencialismo. Em sua 
concepção, o existencialismo se opõe à filosofia essencialista, pois para ele, o homem não 
possui essência alguma ao nascer, a essência se forma na medida em que vivemos, 
por isso, “a existência precede a essência”. 
 
Sartre formula uma relação entre liberdade e responsabilidade. Nós somos livres e não há 
limite para esta liberdade, além da própria liberdade. Não podemos deixar de ser livres. Por 
outro lado, esta liberdade traz consigo a responsabilidade das nossas escolhas. Uma vez 
que estamos no mundo, estamos diante de escolhas a serem feitas constantemente, por 
78 
 
isso, com a mesma frequência somos forçados a usar nossa liberdade o que faz de nós 
responsáveis por nossas escolhas e por suas consequências. 
 
Aparentemente, é paradoxal a afirmação de que somos livres e não podemos abrir mão de 
nossa liberdade, pois se vivemos em uma sociedade regida por leis as quais não fizemos – 
no máximo, votamos em que faz as leis – então que liberdade é essa? Ora, até mesmo 
obedecer ou deixar de obedecer às leis é escolha. Não nos esqueçamos que Sartre 
presenciou as duas grandes guerras e o holocausto, por isso, pode afirmar que o que 
levou o mundo a esses horrores foram escolhas, não podemos ocultar nossas decisões sob 
o manto da hipocrisia. 
 
Podemos citar como exemplo um seminarista que diga ter ido residir em uma cidade por 
ordem de sua congregação. Alega não ter tido oportunidade de escolha. No entanto, teve 
sim, pois ele poderia escolher não obedecer, como consequência, teria sido expulso do 
seminário. Ora, como não deseja sair do seminário, obedece a ordem superior e o faz por 
escolha própria. 
 
O existencialismo sartreano propõe o conceito de angústia, inspirado em Kierkegaard, pois 
diante dessa liberdade ilimitada, pela qual somos obrigados o tempo todo a fazer escolhas 
e arcar com a responsabilidade delas, vivemos um sentimento constante de angústia. 
 
4.3 Apel: a Ética do Discurso 
 
A expressão ética do discurso foi criada por Otto von Apel e, conforme ele, os atuais 
problemas éticos exigem novas respostas. Apel procura retomar a tradição filosófica da 
filosofia da linguagem desenvolvida no século XIX e a razão comunicativa elaborada por 
Jurgen Habermas. Três são os temas a serem abordados: os problemas éticos 
contemporâneos, os fundamentos da ética do discurso e sua aplicação. 
 
Dois são os problemas éticos mais significativos para Apel. O primeiro deles é o embate 
entre natureza e técnica. Para Apel, ela primeira vez na história a civilização colocou 
sua própria existência em risco, pois a natureza corre riscos evidentes com a 
aplicação da técnica, por isso, é preciso que todas as nações atuem em comum para 
governar os efeitos do poder que efetivamente possuímos. O segundo problema é o desafio 
79 
 
político, porque desde a “Queda do muro de Berlim”(1989) as questões éticas 
transcendem as fronteiras dos Estados e exigem a elaboração de uma ética universal 
de solidariedade. 
 
A não atenção a esses dois problemas leva a sociedade a conviver com o que Apel chama 
de as quatro vergonhas contemporâneas: a fome, a miséria, a tortura e a má 
distribuição de renda e riquezas. A solução destas vergonhas é uma questão, portanto, 
de responsabilidade mundial. 
 
A respeito da fundamentação da ética o discurso, tanto para Apel, quanto para Habermas, o 
discurso é o ponto de apoio para a ética contemporânea. Ora, o discurso não é somente um 
jogo linguístico (como Sócrates afirmava ser o discurso sofístico), mas é uma forma pública, 
porque tanto o pensar como o falar, só encontram sua fundamentação no processo de 
comunicação das ideias. Por isso, é preciso superar a filosofia da consciência que deseja 
instalar-se como médio entre o sujeito e o objeto; para ele, deve ser o discurso, linguístico 
comunicativo que deve intermediar todas as experiências no mundo da vida. 
 
Sobre as condições de aplicação da ética do discurso, Apel afirma dois pontos de vista que 
devem ser atendidos: 
 
a) Sintático: que o discurso cumpra as regras intersubjetivas do uso linguístico que uma 
determinada comunidade possua; 
b) Semântico e pragmático: as proposições devem ser compreensíveis para os sujeitos 
da argumentação para que possa mediatizar o significado do objeto da 
argumentação. 
 
O objetivo de Apel, portanto, é encontrar um princípio moral que seja fundamento da 
argumentação e da ação. Esse fundamento regulador da ação exige a corresponsabilidade 
da sociedade real. A sobrevivência aponta para dois caminhos, cujo interesse global são 
evidentes: a condição natural da sociedade (ecologia) e a condição particular de cada 
comunidade (cultura). 
 
A aplicação da ética do discurso deve ocorrer no campo da prática, e devem viabilizar as 
condições históricas concretas de um agir moral. Esse agir moral, pautado por normas 
80 
 
válidas obtidas por meio de consenso, implica em aceitar, responsavelmente e, sem 
coerção, suas consequências, por todos os participantes do discurso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
 
REFERÊNCIAS: 
 
 
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 
 
ARANHA, M. L. A. e MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São 
Paulo: Editora Moderna, 2006. 
 
CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2004.Introdução à História da Filosofia. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2002. 
 
REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 1990, 
volumes III. 
 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 
 
ARISTÓTELES. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
EPICURO Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
KANT, I. Crítica da Razão Prática. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 
MAQUIAVEL. O Príncipe. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
PLATÃO. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
ROUSSEAU. Do Contrato Social e outras obras. Coleção os Pensadores. São 
Paulo: Abril Cultural, 1973. 
Emílio ou da Educação. Bertrand Brasil, 1992. 
SANTO AGOSTINHO. Coleção Os Pensadores. São Paulo, Nova Cultural, 1999. 
SANTO TOMÁS DE AQUINO. Coleção os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 
1996. 
SENECA Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
SOCRATES. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 
 
 
 
 
 
 
82 
 
 INSTITUTO E CONSULTORIA DE EDUCAÇÃO GERAL 
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___________________________________________________________________ 
FILOSOFIA E ÉTICA 
 
Aluno: ___________________________________________________________________ 
Data: ___/___/_____ Núcleo:_________________________________________________ 
 
→ Todas as questões estão de acordo com a apostila. Em caso de dúvida, leia e estude 
novamente. 
 
UNIDADE 1 - FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA 
 
Questão 01 
A palavra “filosofia” tem sua origem no idioma grego e resulta da união de outras duas 
palavras: philia que significa amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais e sophia, que 
significa sabedoria, conhecimento. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, 
amor e respeito pelo saber. Assim, o filósofo seria aquele que amae busca a sabedoria, tem 
amizade pelo saber, deseja o saber. Assinale a opção que mostra o nome do filósofo que a 
tradição atribui à origem da palavra: 
a) Pitágoras de Samos 
b) Parmênides 
c) Heráclito 
d) Górgias 
 
Questão 02 
Prado Jr. (1981) nos coloca uma definição ou explicação muito interessante para Filosofia. 
Assinale a opção que condiz com seu pensamento: 
a) O uso do saber em proveito do homem, o que implica em 1º, posse de uma 
conhecimento em benefício do homem. 
b) Uma ciência universal que deve unificar num sistema coerente os conhecimentos 
universais fornecidos pelas ciências particulares. 
c) A compreensão de todas as questões do mundo. 
83 
 
d) Uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao 
sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores. 
 
Questão 03 
Assinale abaixo a opção que NÃO condiz com o momento de nascimento da Filosofia: 
a) No momento em que o homem se torna coerente e quando as contradições e 
ambiguidades foram todas sanadas. 
b) Quando se acentuam as contradições, as incoerências, as ambiguidades, as 
incompatibilidades. 
c) Quando ele começa a exigir provas e justificativas racionais que validam ou 
invalidam as crenças cotidianas. 
d) Quando surgem os momentos críticos e quando sistemas religiosos, éticos, políticos, 
científicos e artísticos estabelecidos se envolvem em contradições internas ou 
contradizem-se uns aos outros e buscam transformações e mudanças. 
 
Questão 04 
Vimos que são vários os campos de atuação ou de investigação da filosofia. Dentre eles, 
temos o conhecimento que encerra vários conceitos, tais como sujeito, objeto, percepção, 
sensação e razão. Qual a definição proposta para SENSAÇÃO: 
a) O que é conhecido 
b) Configuração ou construção individual dos dados sensoriais em função dos 
mecanismos receptores, experiências anteriores, interesses, etc. 
c) Apreensão imediata do objeto que se realiza pela ação de um estímulo 
específico. 
d) Elaboração de representações mentais abstratas, conceitos, discursos, relações 
lógicas e teorias interpretativas sobre a realidade. 
 
 
 
 
Questão 05 
A filosofia foi dividida, segundo Chauí (2003) e Warburton (2006) em quatro períodos. Em 
qual dos períodos surgiram correntes como o existencialismo, fenomenologia e a 
hermenêutica e que também tiveram elevada importância da ciência e da epistemologia? 
a) Contemporânea (século XIX aos dias de hoje) 
84 
 
b) Moderna (século XVI – XVIII) 
c) Medieval (século III- XV) 
d) Antiga (século VI a.C ao século III a.C) 
 
Questão 06 
“O campo de investigação filosófica que se ocupa das relações humanas consideradas em 
seu sentido coletivo” diz respeito a qual ramo da filosofia? 
a) Filosofia da mente 
b) Filosofia da política 
c) Hermenêutica 
d) Analítica 
 
Questão 07 
A filosofia da mente vem colocando, ultimamente, questões centrais que dizem respeito a, 
exceto: 
a) De onde viemos e para onde vamos? 
b) Qual a natureza do mental? 
c) O que é consciência? 
d) O que é pensamento? 
 
Questão 08 
Sobre a Filosofia da Religião, podemos dizer que estão corretas as afirmativas, exceto: 
a) Pensa criticamente o fenômeno religioso como fenômeno que diz respeito ao homem 
e à humanidade. 
b) Mesmo que tenhamos uma consciência contemporânea pós-moderna marcada pelo 
conhecimento científico, avanços tecnológicos e um ceticismo atuante, a proliferação 
de seitas, religiões e culturas misteriosas precisam ser estudadas filosoficamente, 
sendo tema recorrente da Filosofia da Religião. 
c) No passado distante, a religião pertencia aos temas centrais da reflexão filosófica, 
nos tempos modernos e recentes, o problema dos fenômenos religiosos é cada vez 
mais marginalizado. 
d) Se limita a descrições neutras de costumes da linguagem religiosa, nem fixa normas 
arbitrárias para o uso religioso da linguagem. 
 
Questão 09 
85 
 
Hermenêutica, maiêutica e filosofia analítica são métodos filosóficos. Respectivamente, qual 
a atribuição de cada um desses métodos? 
a) A técnica da boa interpretação de um texto falado ou escrito | momento do parto 
intelectual da procura da verdade do interior do homem, ou seja, “parir” ideias 
complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de determinado 
contexto | modo de chegar à compreensão sobre temas vistos tradicionalmente 
como problemas na filosofia. 
b) modo de chegar à compreensão sobre temas vistos tradicionalmente como 
problemas na filosofia | momento do parto intelectual da procura da verdade do 
interior do homem, ou seja, “parir” ideias complexas a partir de perguntas simples e 
articuladas dentro de determinado contexto | a técnica da boa interpretação de um 
texto falado ou escrito 
c) técnica da boa interpretação de um texto falado ou escrito | modo de chegar à 
compreensão sobre temas vistos tradicionalmente como problemas na filosofia | 
momento do parto intelectual da procura da verdade do interior do homem, ou seja, 
“parir” ideias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de 
determinado contexto. 
d) momento do parto intelectual da procura da verdade do interior do homem, ou seja, 
“parir” ideias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de 
determinado contexto | modo de chegar à compreensão sobre temas vistos 
tradicionalmente como problemas na filosofia | técnica da boa interpretação de um 
texto falado ou escrito. 
 
Questão 10 
Segundo a LDBEN, os conhecimentos de Filosofia são importantes para o desenvolvimento 
dos alunos enquanto cidadãos... 
a) Críticos 
b) Disciplinados 
c) Autônomos 
d) Todas as respostas acima 
 
 
 
 
 
86 
 
UNIDADE 2 - ETICA 
 
Questão 01 
Na história da Filosofia fica claro que os pré-socráticos eram os filósofos que buscavam o 
conhecimento sobre a origem de todas as coisas, a chamada physis. Marque a alternativa 
correta quanto à tradução desse período da Filosofia: 
a) O período da Filosofia da physis é conhecido como metafísico. 
b) O período da Filosofia da physis pode ser também traduzida por Filosofia da 
natureza. 
c) O período da Filosofia da physis pode ser definido como o período do homem como 
tema principal. 
d) O período da Filosofia da physis é conhecido também por cosmológico, pois sua 
preocupação maior era com a ordem do universo, a definição do ser, a origem das 
coisas. 
 
Questão 02 
Grandes fenômenos foram causados pelos sofistas que eram os filósofos que circulavam 
por entre as cidades no período humanístico. Marque a alternativa que não condiz com os 
sofistas: 
a) Os sofistas modificaram o tema da filosofia, transportaram o tema principal para o 
homem. 
b) Os sofistas eram considerados dentre os filósofos os mais sábios e foram 
homenageados nos diálogos platônicos. 
c) Os sofistas disseminaram a cultura helênica, ensinando-a a que os contratasse para 
ensinar. 
d) Além de ensinar, tais filósofos levaram a arte da oratória e da escrita a graus 
máximos de excelência, pois sua ferramenta era a linguagem e demonstrar erro do 
raciocínio do adversário. 
 
Questão 03 
A respeito da ética sofistica podemos afirmar que para eles não há verdades ocultas por trás 
das aparências das coisas, não há nenhum critério absoluto que possa orientar a conduta 
ética. Eles não buscam um princípio metafísico de verdade, justifica, bem ou outro que sirva 
de orientação para a vida concreta dos homens. Assim, evidentemente, tais filósofos são 
acusados de: 
87 
 
 
a) Argumentadores racionais. 
b) Libertinos existencialistas 
c) Relativistas éticos, sempre á procura dos critérios de definição. 
d) Absolutistas orientadores. 
 
Questão 04 
Dentre os maiores acusadores dos sofistas está Sócrates. No entanto, vários filósofos 
posterioresa ele falaram que ele parecia um sofista. Exceto: 
a) Nietzsche 
b) Aristófanes 
c) Xenofontes 
d) Platão. 
 
Questão 05 
A teoria das ideias foi elaborada por Platão e é considerada uma das mais importantes 
teorias da filosofia. Marque a alternativa que melhor explica a relação entre esta teoria e a 
ética socrática. 
a) Para Platão, não podemos depreender o que é o bem ou o que é o justo somente 
observando os casos concretos que ocorrem; é preciso encontrar a “ideia de bem” 
ou a “ideia de justiça”. 
b) A teoria das ideias demonstra que os fundamentos da ética se encontram nas 
aparências e não nas essências. 
c) A teoria das ideias, ao separar essência e aparência, destrói completamente os 
fundamentos racionais da ética. 
d) A teoria das ideias dissolve a barreira entre aparência essência e nos permite 
observar diretamente os fundamentos da ética tal qual são, para isso não é preciso 
fazer-se filósofo, basta contemplar as verdades a partir dos conhecimentos do senso 
comum. 
 
 
 
Questão 06 
A excelência moral é uma disposição da alma que pode ser alcançado somente pelo hábito. 
Essa afirmação CONDIZ com a ética de: 
88 
 
a) Sócrates 
b) Platão 
c) Sofistas 
d) Aristóteles 
 
Questão 07 
A filosofia helenística, que toma como principal motivo a formação do indivíduo, é também 
conhecida como período ético. Várias escolas filosóficas formaram-se nesse período, 
exceto: 
a) O cinismo 
b) O cristianismo 
c) O epicurismo 
d) O estoicismo 
 
Questão 08 
Assinale a alternativa que descreve os conceitos de aponia e ataraxia em Epicuro. 
a) Ausência de pertubação no corpo e ausência de pertubação na alma. 
b) Ausência de pertubação na alma e ausência de pertubação no corpo. 
c) Os dois conceitos nos remetem à valorização das paixões e desejos humanos. 
d) Estes não são conceitos de Epicuro, mas de Platão. 
 
Questão 09 
O utilitarismo trata-se de uma corrente predominante no pensamento inglês dos séculos 
XVIII e XIX que abrangia áreas da ética, da política e da economia. Assinale a alternativa 
que apresenta seu primeiro teórico: 
a) Rousseau 
b) Pascoal 
c) Stuart Mill 
d) Espinosa 
 
 
 
Questão 10 
O filósofo contemporâneo Apel tem como objetivo encontrar um princípio moral que seja 
fundamentado da argumentação e da ação. Para ele, são dois os problemas éticos mais 
89 
 
significativos, o primeiro sendo o embate entre natureza e técnica e o segundo é o problema 
político. A não atenção a esses problemas leva a sociedade a conviver com o que Apel 
chama de as quatro vergonhas contemporâneas. Assinale a alternativa que NÃO descreve 
uma dessas vergonhas: 
a) A fome, a tortura 
b) Miséria 
c) A poluição dos mares e rios 
d) A má distribuição de renda e riquezas

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