Prévia do material em texto
APOSTILA DE RESISTÊNCIA DO MATERIAIS I “APRENDENDO E GOSTANDO DE APRENDER” PROFESSOR MSc. LUIZ HENRIQUE MOREIRA DE CARVALHO DISCIPLINA DE DP-2018-1 ALFABETO GREGO AULA 01: Capítulo 1 – Generalidades: 1.1 – Objetivos da Resistência dos Materiais: É a ciência que estuda as tensões e deformações que ocorrem nos sólidos, provenientes de forças externas a eles aplicadas. A Resistência dos Materiais também é conhecida como Mecânica dos Materiais ou Mecânica dos Sólidos. Sólido: é um estado da matéria que tem volume e forma definidos. Fluido: Substância liquida ou gasosa que não tem resistência ao cisalhamento. Os fluidos tomam a forma do recipiente em que está colocado. 1.2- Histórico da Resistência dos Materiais: Madeira: Pela sua disponibilidade e propriedades foi um dos primeiros materiais utilizados pelo homem para construir. As primeiras pontes surgiram de forma natural pela queda de árvores sobre os rios ou vales. Ferro fundido: A fabricação do ferro fundido teve início na Ásia por volta de 1.500 a. C. O ferro fundido oxida com facilidade. Aço: Liga de ferro e carbono sendo o teor de carbono variando de 0,008% a 2,11%. Se o teor de carbono da liga for maior do que 2,11% e menor do que 6,67% a liga é chamada ferro fundido. Os gregos Aristóteles e Arquimedes estabeleceram os princípios da estática. Os romanos foram grandes construtores de templos, estradas e pontes. Usavam frequentemente, arcos nas construções. Os egípcios tinham algumas regras empíricas (baseadas na experiência) para construir templos e pirâmides. Muito do conhecimento dos gregos, romanos e egípcios para análise de estruturas foi perdido durante a idade média. Leonardo da Vinci estudou a resistência de colunas experimentalmente. Galileu Galilei foi o primeiro cientista a estudar a flexão de vigas. É considerado o pai do método experimental e da Resistência dos Materiais. 1.3 – Definições: a) Material dúctil: É um material que apresenta grandes deformações antes de se romper e a resistência à tração é considerada igual à compressão. Ex.: aço doce (aço de construção), alumínio. b) Material frágil: É um material que rompe bruscamente, sem aviso prévio, com pequena deformação. A resistência à tração é diferente da resistência à compressão. Ex.: aço para ferramentas, vidro, concreto, giz. c) Corpo rígido: corpo que não se deforma quando solicitado por forças ou momentos. d) Deslocamento de corpo rígido: deslocamento sem deformação. e) Barra - placa – bloco: Barra: quando as duas dimensões da seção transversal são pequenas quando comparadas com o comprimento longitudinal (L>> h ; L>> b). Exemplo: vigas. Placa: quando uma dimensão (a espessura) é muito menor do que as outras duas dimensões (L b ; L>> h). Exemplos: lajes e cascas. Bloco: quando: L h b. f) Eixo da barra: uma barra pode ser representada pelo seu eixo que é o conjunto de pontos dos centróides das seções transversais. g) Barra prismática: barra de eixo reto e seção transversal constante. 1.4 - Estrutura: É a parte mais resistente de uma construção e tem a função de resistir às cargas aplicadas. Em um edifício a estrutura é constituída pelas vigas, pilares, lajes e fundação. Para o dimensionamento da estrutura deve-se levar em consideração a economia e a segurança. 1.5 – Hipótese fundamental: a estrutura está em equilíbrio estático. -Condições necessárias e suficientes para o equilíbrio de um ponto material no espaço: -Condições necessárias e suficientes para o equilíbrio de um corpo rígido no espaço: 1.6 – Apoios: Uma estrutura no espaço possui seis graus de liberdade, sendo três translações e três rotações. A função dos apoios é retirar graus de liberdade, surgindo reações nas direções dos movimentos impedidos. 1.7 – Estaticidade e estabilidade de estruturas planas carregadas no próprio plano: Para estruturas planas carregadas no próprio plano (plano xOy) as condições necessárias e suficientes para o equilíbrio são três: onde “o”, na expressão do somatório de momentos, é qualquer ponto do plano da estrutura. Para as estruturas planas carregadas no próprio plano três casos podem ocorrer com relação à estabilidade e estacidade: 1o caso: O número de reações de apoio é menor que o número de equações de equilíbrio da estática (3). A estrutura é chamada hipostática e o equilíbrio é instável. 2o caso: O número de reações de apoio é igual ao número de equações de equilíbrio da estática (3). A estrutura é chamada isostática e o equilíbrio é estável. 3o caso: O número de reações de apoio é maior que o número de equações de equilíbrio da estática (3). A estrutura é chamada hiperestática e o equilíbrio é estável. São três as equações de equilíbrio e a viga acima possui cinco reações de apoio, então, a viga é duas vezes hiperestática. As três equações de equilíbrio da estática não são suficientes para calcularem-se as reações de apoio das estruturas hiperestáticas. Além das três equações de equilíbrio são necessárias outras equações que são obtidas conhecendo-se como a estrutura se deforma (para impor condições de deslocamento e/ou de rotação). Observação: Casos particulares: A viga acima possui três reações, mas o equilíbrio é instável; a viga abaixo possui quatro reações e o equilíbrio também é instável. 1.8 – Sistema de Unidades: Unidades básicas do Sistema Internacional m (metro): para comprimento quilograma (kg): para massa segundo (s): para tempo Unidades de força no SI (unidade derivada) 1 N = 1 kg.m/s² Sistema inglês 1 polegada = 1 in = | | 1 = 2,54 cm 1 pé (foot) = 1 ft = | 1 = 12 in = 30,48 cm 1 libra = 453,59 gramas 1.9 – Esforços externos: São os esforços aplicados nas estruturas e podem ser: a) Concentrados: b) Distribuídos: Observação: a carga distribuída uniforme q (N/m) é calculada multiplicando-se o peso específico () pela área da seção transversal (A). c) Estático: quando aplicado lentamente (sem impacto) e o seu valor não varia com o tempo. Ex.: peso próprio de vigas. d) Dinâmico: quando aplicado com impacto e o seu valor varia com o tempo. Ex.: efeito do vento em edifícios altos, efeito das ondas do mar em uma plataforma, pontes. 1.10- Esforços internos: Os esforços externos produzem esforços internos que são em número de quatro. Força normal (N) Força cortante (V) Momento fletor (M) Momento de torção ou torque (T) Força normal (N) → é a força normal (perpendicular) a uma área. A força normal pode ser de tração ou compressão. Fazendo-se um corte imaginário na barra tracionada, tem-se: Por considerações de equilíbrio das partes recortadas: N = N| N = esfoço externo e N| = esforço interno. Força cortante (V) → é a força que está contida em uma seção transversal. Momento fletor (M) → é o momento de uma força que produz flexão em uma barra. Fazendo-se um corte imaginário na barra solicitada por um momento fletor positivo: Por considerações de equilíbrio das partes recortadas: M = M| M = esfoço externo e M| = esforço interno Observação: Força vertical com o sentido para cima produz momento fletor positivo (traciona em baixo). Força vertical com o sentido para baixo produz momento fletor negativo (traciona em cima). Momento de torção ou torque (T) → é o momento de uma força que produz torção em uma barra. Não existe convenção de sinais para o momento de torção. AULA 02: 2.1- Um conceito de cálculo estrutural: A ideia de cálculo estrutural podeser dividida em três frentes de trabalho não independentes: Fase 1 - Ante-projeto da estrutura: Nesta fase uma concepção inicial do projeto é criada. A estrutura pode ser um edifício, um navio, um avião, uma prótese óssea, uma ponte, etc. As dimensões das peças estruturais são arbitradas segundo critérios técnicos e empíricos. Fase 2 - Modelagem. Modelar um fenômeno físico é descrever seu comportamento através de equações matemáticas. Neste processo parte-se normalmente de um modelo que reúne as principais propriedades do fenômeno que se deseja modelar. No caso de estruturas, os modelos estruturais são constituídos de elementos estruturais. A partir do conhecimento do comportamento dos elementos estruturais e do carregamento envolvido são determinadas as deformações e tensões a que a estrutura está submetida. No caso de barras, uma boa parte desta tarefa pode ser realizada com o auxílio dos conhecimentos a serem obtidos nas disciplinas Resistência dos Materiais Análise Estrutural. Para outros tipos de elementos estruturais, devido á complexidade dos cálculos, serão necessários estudos mais aprofundados em mecânica dos sólidos e métodos numéricos que viabilizem a solução do problema. O método numérico mais conhecido na modelagem estrutural é o Método dos Elementos Finitos (MEF). Fase 3 - Dimensionamento das peças. Nesta fase é necessário o conhecimento de questões específicas de cada material que constitui a estrutura (aço, madeira, alumínio, compósito, concreto, etc...). Este conhecimento será adquirido em cursos específicos como Concreto I e II e Estruturas Metálicas. Nesta fase é possível que se tenha necessidade de retornar à Fase 1 pois os elementos estruturais podem ter sido sub ou super dimensionados. Neste caso parte-se para um processo recursivo até que o grau de refinamento requerido para o projeto seja alcançado. O cálculo de uma estrutura depende de três critérios: • Estabilidade: Toda estrutura deverá atender às equações universais de equilíbrio estático. • Resistência: Toda estrutura deverá resistir às tensões internas geradas pelas ações solicitantes. • Rigidez: Além de resistir às tensões internas geradas pelas ações solicitantes, as estruturas não podem se deformar excessivamente. 2.2- Pressupostos e hipóteses básicas da Resistência dos Materiais: A Resistência dos Materiais é uma ciência desenvolvida a partir de ensaios experimentais e de análises teóricas. Os ensaios ou testes experimentais, em laboratórios, visam determinar as características físicas dos materiais, tais como as propriedades de resistência e rigidez, usando corpos de prova de dimensões adequadas. As análises teóricas determinam o comportamento mecânico das peças em modelos matemáticos idealizados, que devem ter razoável correlação com a realidade. Algumas hipóteses e pressupostos são admitidos nestas deduções e são eles: 1. Continuidade Física: A matéria apresenta uma estrutura contínua, ou seja, são desconsiderados todos os vazios e porosidades. 2. Homogeneidade: O material apresenta as mesmas características mecânicas, elasticidade e de resistência em todos os pontos. 3. Isotropia: O material apresenta as mesmas características mecânicas elásticas em todas as direções. Ex: As madeiras apresentam, nas direções das fibras, características mecânicas e resistentes distintas daquelas em direção perpendicular e portanto não é considerada um material isótropo. 4. Equilíbrio: Se uma estrutura está em equilíbrio, cada uma de suas partes também está em equilíbrio. 5. Pequenas Deformações: As deformações são muito pequenas quando comparadas com as dimensões da estrutura. 6. Saint-Venant: Sistemas de forças estaticamente equivalentes causam efeitos idênticos em pontos suficientemente afastados da região de aplicação das cargas. 7. Seções planas: A seção transversal, após a deformação, permanece plana e normal à linha média (eixo deformado). 8. Conservação das áreas: A seção transversal, após a deformação, conserva as suas dimensões primitivas. 9. Lei de Hooke: A força aplicada é proporcional ao deslocamento. onde: F é a força aplicada; k é a constante elástica de rigidez e d é o deslocamento; 10. Princípio da Superposição de efeitos: Os efeitos causados por um sistema de forças externas são a soma dos efeitos produzidos por cada força considerada agindo isoladamente e independente das outras. A fim de compensar as incertezas na avaliação das cargas, na determinação das propriedades dos materiais, nos pressupostos ou nas simplificações, é previsto nas Normas Técnicas a adoção de coeficientes de segurança. Consiste em se majorar as cargas e se reduzir a resistência dos materiais. Os diversos critérios adotados para escolha dos coeficientes de segurança adequados são estudados ao longo do curso de Engenharia Civil. Adota-se neste texto um coeficiente de segurança único que reduz a capacidade de carga da estrutura. 2.3- O Método das Seções e Esforços Internos: Seja uma barra de comprimento L, em equilíbrio sob a ações das forças externas (cargas e reações), quaisquer no espaço. Na figura 2.3 foi representado o caso particular de uma barra de eixo reto e seção constante, sujeita as forças mas os conceitos são válidos no caso geral. Fig. 2.3 Devido a grande dificuldade de analisar a transmissão de forças, internamente, de cada molécula para suas vizinhas, será analisado a transmissão de esforços, internamente, de cada elemento de volume para seus vizinhos. Esse método de análise é válido somente para barras e é chamado de Métodos das seções. Exercícios: 01) Calcular as reações de apoio e os esforços simples nas seções E e F da viga representada: 02) Calcular as reações de apoio e os esforços simples nas seções E e F da viga representada: