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EdUFSCar – Editora da Universidade Federal de São Carlos UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS Editora da Universidade Federal de São Carlos Via Washington Luís, km 235 13565-905 - São Carlos, SP, Brasil Telefax (16) 3351-8137 www.edufscar.com.br edufscar@ufscar.br Twitter: @EdUFSCar Facebook: /editora.edufscar Instagram: @edufscar REITORA Ana Beatriz de Oliveira VICE-REITORA Maria de Jesus Dutra dos Reis DIRETOR DA EDUFSCAR Wilson Alves-Bezerra CONSELHO EDITORIAL Ariadne Chloe Mary Furnival Claudia Maria Simões Martinez Edenis Cesar de Oliveira Evandro Marsola de Moraes José da Costa Marques Neto Nataly Carvalho Lopes Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva Rejane Cristina Rocha Wilson Alves-Bezerra (Presidente) Dimensionamento de elementos e ligações em estruturas de aço Alex Sander Clemente de Souza © 2017, Alex Sander Clemente de Souza Capa Thiago Borges Projeto gráfico Vítor Massola Gonzales Lopes Preparação e revisão de texto Marcelo Dias Saes Peres Daniela Silva Guanais Costa Vivian dos Anjos Martins Editoração eletrônica Renato Zocco Renan Alcantara Editoração eletrônica (eBook) Edgar Fabricio Rosa Junior Coordenadoria de administração, finanças e contratos Fernanda do Nascimento Ficha catalográfica elaborada pelo DePT da Biblioteca Comunitária da UFSCar Souza, Alex Sander Clemente de. S729d Dimensionamento de elementos e ligações em estruturas de aço / Alex Sander Clemente de Souza. -- Documento eletrônico. -- São Carlos: EdUFSCar, 2022. ePub: 4.5 MB. ISBN: 978-65-86768-71-8 1. Aço - estruturas. 2. Estruturas metálicas. 3. Engenharia de estruturas. I. Título. CDD – 624.1821 (20 ) CDU – 624.014.2 Bibliotecário responsável: Ronildo Santos Prado – CRB/8 7325 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônicos ou mecânicos, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sis- tema de banco de dados sem permissão escrita do titular do direito autoral. a Agradecimentos Este trabalho, além de um texto técnico, é o resumo da vida profissional e acadêmica do autor, e neste sen- tido são devidos agradecimentos a inúmeras pessoas que contribuíram e participaram desta jornada. Inicialmente a meus pais Ana Luzia e Antônio Luiz, grandes incentivadores e exemplos para mim, e a meus irmãos Robson, Rogério e Hionara, eternos parceiros. Muitos contribuíram para a minha jornada profissional. Sem desmerecer os demais, destaco o Prof. Dr. Joa- quim Mota, o Eng. Raimundo Calixto e o Prof. Dr. Roberto Martins Gonçalves. Aos colegas de ofício Profa. Dra. Silvana De Nardin e Prof. Dr. Wanderson Maia, e ao grande divulgador do meu trabalho, Prof. Dr. Augusto Albu- querque. Não posso deixar de agradecer aos meus alunos de graduação e pós-graduação assim como aos meus orien- tandos, que muito contribuíram, direta ou indiretamente, para este trabalho. Aqui não vou citar nomes pois a lista seria demasiado grande. À minha esposa e parceira de trabalho Silvana De Nardin, pela paciência e pelas valorosas sugestões para este trabalho, e à minha pequena Valentina, a nossa continuidade. A todos os citados e não citados, sinto-me extremamente agradecido e honrado de ter compartilhado momen- tos de vida e profissionais com cada um de vocês. Essa vivência certamente está refletida nesta obra. Sumário Agradecimentos Prefácio 1 AÇOS E PRODUTOS DE AÇO PARA ESTRUTURAS 2 AÇÕES E SEGURANÇA 3 ANÁLISE ESTRUTURAL 4 DIMENSIONAMENTO A TRAÇÃO 5 DIMENSIONAMENTO A COMPRESSÃO 6 DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO SIMPLES 7 DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO COMPOSTA 8 LIGAÇÕES 9 Resistência de Ligações 10 LIGAÇÕES VIGA-PILAR 11 BASE DE PILARES 12 Anexo – Tabela de perfis 13 Referências Prefácio Registros históricos demonstram que a tecnologia da construção metálica é anterior à tecnologia da cons- trução em concreto. No entanto, no Brasil, a sua implantação foi tardia e lenta por motivos técnicos, econômicos, sociais e políticos. A realidade atual é bem diferente; o aço aparece frequentemente como alternativa viável para diversos tipos de empreendimentos. Deixou de ser o material empregado predominantemente em edifícios industriais e grandes coberturas, passando a ser utilizado em edifícios comerciais, shopping centers, edifícios residenciais, pontes, via- dutos, passarelas e várias outras aplicações. Esse incremento no uso do aço foi possível devido ao entendimento das características deste material que interferem de forma positiva em várias etapas da construção, reduzindo peso próprio, aliviando cargas nas fundações, facilitando instalações de canteiro de obras, reduzindo prazos e custos. Algumas dificuldades técnico-econômicas e até certo preconceito em relação às estruturas metálicas têm sido superados ou minimizados, incrementando-se cada vez mais o uso do aço na construção civil brasileira. Este livro pretende ser uma ferramenta de auxílio ao entendimento do comportamento das estruturas metá- licas em aço, ao processo de projeto e à disseminação da norma brasileira de projeto de estruturas metálicas NBR 8800:2008. Desta forma, são apresentados e discutidos os conceitos teóricos fundamentais para o dimensi- onamento de elementos estruturais e ligações em aço segundo a NBR 8800:2008. E, no final de cada capítulo, são apresentados exemplos de aplicação com enfoque na análise estrutural e no dimensionamento de elementos submetidos aos diversos tipos de esforços solicitantes. 1.AÇOS E PRODUTOS DE AÇO PARA ESTRUTURAS 1.1 Aços estruturais O aço é uma liga metálica composta basicamente de ferro e de pequenas quantidades de carbono, que é o responsável por sua resistência. Na composição do aço também podem ser adicionados outros elementos para melhorar suas propriedades mecânicas, ou para fazê-lo adquirir propriedades especiais como, por exemplo, resis- tência a corrosão e resistência a temperaturas elevadas. Em função da composição química, é possível produzir diferentes tipos de aços estruturais com características diversas. Aumentando o teor de carbono, aumenta-se a resistência do aço, porém reduzem-se a ductilidade e a soldabi- lidade. Os aços empregados na construção civil são os aços laminados a quente e que apresentam teor de car- bono da ordem de 0,18% a 0,25%. Uma das vantagens do uso do aço em estruturas é o fato de ser um material homogêneo com características mecânicas bem-definidas e de simples caracterização. Independentemente do tipo de aço, as seguintes propri- edades físicas da Tabela 1.1 são constantes. Tabela 1.1 Constantes físicas do aço. Para o projeto e dimensionamento de elementos estruturais em aço é importante conhecer o diagrama tensão versus deformação, que pode ser obtido por meio de ensaio de tração em corpos de prova padronizados, em que se definem a resistência ao escoamento (f ) e a resistência à ruptura (f ). Diagramas tensão versus deformação típicos são apresentados na Figura 1.1. Figura 1.1 Diagrama tensão versus deformação. No primeiro caso da Figura 1.1, tem-se um diagrama com patamar de escoamento definido, típico de aços vir- gens que não passaram por qualquer tipo de tratamento ou processos de transformação. No segundo caso, um diagrama tensão versus deformação sem patamar de escoamento definido, comum em aços que passaram por tratamento a frio como, por exemplo, o encruamento. Para os procedimentos de dimensionamento, a NBR 8800:2008 exige aços estruturais com f ≤ 450 MPa e relação f /f ≥ 1,18. Os valores nominais da resistência ao escoamento f e resistência à ruptura f dos aços mais comumente utilizados, definidos pela norma americana da American Society for Testing and Materials (ASTM), são indicados na Tabela 1.2, esses aços atendem os requisitos da NBR 8800:2008. Tabela1.2 Valores nominais de resistência ao escoamento f e resistência à ruptura f de aços segundo especi- ficação da ASTM. Módulo de elasticidade E = 20000 kN/cm² Módulo de elasticidade transversal G = 7700 kN/cm² Coeficiente de Poisson n = 0,3 Coeficiente de dilatação térmica b = 1,2×10 C Massa específica r = 7850 kg/m³ a −5 ° −1 a y u y u y y u y u Denominação fy (MPa) fu (MPa) Produto Grupo ou faixa de espessura Grau Classificação ASTM A36 250 400 a Perfis 1, 2 e 3 --- Aço-carbono 550 Chapas e barras t ≤ 200 mm ASTM A500 230 310 Perfis 4 A 290 400 B ASTM A572 290 415 Perfis 1, 2 e 3 42 Baixa liga e alta resistência mecânica 345 450 50 380 485 55 415 520 Chapas e barras 1 e 2 60 450 550 65 290 415 Chapas e barras t ≤ 150 mm 42 345 450 t ≤ 100 mm 50 380 485 t ≤ 50 mm 55 415 520 t ≤ 31,5 mm 60 450 550 65 ASTM A242 345 485 Perfis 1 – Baixa liga e alta resistência mecânica e resistente à corrosão (patinável) 315 460 2 – 290 435 3 – 345 480 Chapa e barras t ≤ 19 mm – 315 460 19 ≤ t ≤ 37,5 mm – 290 435 37,5 ≤ t ≤ 100 mm – ASTM A588 345 485 Perfis 1 e 2 – Baixa liga e alta resistência mecânica e resistente à corrosão (patinável) 345 480 Chapas e barras t ≤ 100 mm – 315 460 100 ≤ t ≤ 125 mm – 290 435 125 ≤ t ≤ 200 mm – Grupo 1 – perfis com espessura de mesa inferior ou igual a 37,5 mm Grupo 2 – perfis com espessura de mesa superior a 37,5 mm e inferior ou igual a 50 mm Grupo 3 – perfis com espessura de mesa superior a 50 mm Grupo 4 – perfis tubulares 1.2 Perfis estruturais As estruturas metálicas são formadas predominantemente por elementos lineares; as seções transversais des- tes elementos são denominadas comumente de perfis. A escolha da geometria do perfil depende do tipo e inten- sidade das solicitações, do processo de montagem, dos detalhes de ligações, de fatores estéticos e de fatores ligados à durabilidade. Os perfis estruturais podem ser classificados em três grupos em função do processo de obtenção/fabricação. São os perfis formados a frio, os perfis laminados (padrão americano e padrão europeu ou de abas paralelas) e os perfis soldados. Os perfis formados a frio são obtidos por dobragem (conformação) de chapas planas em temperatura ambi- ente. Apresentam grande relação inércia-peso produzindo estruturas leves. Além disso, oferecem grande liber- dade de forma e dimensões. No entanto, por serem fabricados com chapas de pequena espessura (de 1,5 mm a 6,3 mm), podem ser mais sensíveis à flambagem local e perda de seção por corrosão. São aplicados em estru- turas de pequeno porte ou elementos secundários. Para a fabricação dos perfis formados a frio, devem-se res- peitar as exigências e tolerâncias dimensionais da norma NBR 6355:2012. Já os critérios de dimensionamento deste tipo de perfil são estabelecidos pela NBR 14762:2013, e não fazem parte do escopo deste texto. Na Figura 1.2 apresentam-se as principais seções ou perfis formados a frio. Figura 1.2 Perfis formados a frio. Os perfis laminados do padrão americano apresentam baixa relação inércia-peso e pouca variedade de formas e dimensões; além disso, as espessuras variáveis dos elementos que compõem a seção (característica deste tipo de perfil) dificultam as ligações. Nos perfis laminados de abas planas, esses problemas são resolvidos, no en- tanto a oferta desses perfis no Brasil ainda é relativamente restrita (Figura 1.3). No Anexo deste livro, encontra-se um conjunto de tabelas de perfis laminados disponíveis no mercado brasileiro e em conformidade com a norma NBR 15980:2011, que estabelece as dimensões e tolerâncias dessa categoria de perfis estruturais. Figura 1.3 Perfis laminados mais comuns. Os perfis soldados são obtidos pela soldagem de chapas planas, principalmente em seção em forma de I. O uso desses perfis se consolidou no Brasil em função da baixa oferta de perfis laminados de abas planas no mer- cado nacional, sobretudo para edifícios. Por ser fabricado a partir do corte e da solda de chapas planas, permite grande liberdade e variedade de dimensões. A norma NBR 5884:2013 estabelece as exigências e tolerâncias dimensionais para fabricação dos perfis soldados e apresenta três séries padronizadas, CS, VS e CVS, em função da relação entre altura e largura do perfil (Figura 1.4). As características geométricas dos perfis soldados padro- nizados pela norma NBR 5884:2013 encontram-se no Anexo deste livro. Figura 1.4 Perfis soldados. Outra possibilidade de seções que podem ser utilizadas nas estruturas de aço são os perfis tubulares. Os per- fis tubulares podem ser circulares ou retangulares (Figura 1.5), obtidos por extrusão ou por calandragem. O pro- cesso de fabricação de tubos por calandragem, em que a seção resultante é denominada tubo com costura, per- mite a utilização de espessuras menores que as obtidas pelo processo de fabricação por extrusão (tubos sem costura). Figura 1.5 Seções tubulares: circular e retangular. Devido às particularidades das estruturas constituídas predominantemente por seções tubulares, foi elabo- rada a norma NBR 16239:2013, que estabelece os requisitos para o projeto de edificações e ligações em estruturas de aço e estruturas mistas de aço e concreto com seções tubulares. 1.3 Parafusos Os parafusos aplicados nas ligações de estruturas de aço são produzidos a partir de aços estruturais. Na Ta- bela 1.3 são apresentados os tipos de parafusos mais utilizados em estruturas de aço com as respectivas resis- tência ao escoamento f e resistência à ruptura f segundo as especificações da ASTM e da International Or- ganization for Standardization (ISO). Tabela 1.3 Tipos de parafusos com resistência ao escoamento f e resistência à ruptura f . Na classe dos parafusos ISO, exemplificando para classe 8.8, o primeiro conjunto de dígito corresponde à resistência ao escoamento f = 8 × 100 N/mm² e o segundo, à relação f /f = 0,8. Mais detalhes e especificações sobre parafusos estruturais serão apresentados no capítulo 8. yb ub yb ub Especificação Resistência ao escoamento f (MPa) Resistência à ruptura f (MPa) Diâmetro d Milímetro Polegada ASTM A307 - 415 - 1/2 ≤ d ≤ 4 ISO 898 Classe 4.6 235 400 12 ≤ d ≤ 36 ASTM A325 ¹) 635 560 825 725 16 ≤ d ≤ 24 24 ≤ d ≤ 36 1/2 ≤ d ≤ 1 1 ≤ d ≤ 1 1/2 ISO 7411 Classe 8.8 640 800 12 ≤ d ≤ 36 - ASTM A490 895 1035 16 ≤ d ≤ 36 1/2 ≤ d ≤ 1 1/2 ISO 7411 Classe 10.9 900 1000 12 ≤ d ≤ 36 - Nota: 1) Disponíveis também com resistência à corrosão atmosférica comparável à dos aços AR 350 COR ou à dos aços ASTM A588. yb ub b b b b b b b b b b b y u y 1.4 Material de solda Os processos de soldagem mais empregados na construção metálica envolvem a deposição de um outro metal na junta a ser soldada. Independentemente do processo de soldagem, o metal de solda deve apresentar propriedades mecânicas compatíveis com o metal base da estrutura. Na Tabela 1.4 são apresentadas as resis- tências mínimas à tração dos metais de solda. Mais detalhes e especificações sobre processos, materiais e equi- pamentos de soldagem serão apresentados no capítulo 8. Tabela 1.4 Resistência mínima à tração dos metais de solda. Metal da solda f (MPa) Todos os eletrodos com classe de resistência 6 ou 60 415 Todos os eletrodos com classe de resistência 7 ou 70 485 Todos os eletrodos com classe de resistência 8 ou 80 550 w 1.5 Durabilidade das estruturas de aço A durabilidade das estruturas de aço está fortemente ligada ao desenvolvimento de processos corrosivos. Além de sistema de proteção adequado, com pintura, galvanização ou uso de aços especiais com alta resistência à corrosão, é necessária atenção especial ao detalhamento, evitando pontosde acúmulo de umidade e poeira que podem acelerar a corrosão. Em Gnecco e Pannoni¹ encontram-se informações mais detalhadas sobre os pro- cessos de pintura e durabilidade das estruturas em aço. A exposição a temperaturas elevadas, provocada pela ação do fogo em situação de incêndio, é outro fator que pode comprometer a durabilidade da estrutura ou até provocar o seu colapso. As propriedades físicas dos aços comuns decrescem rapidamente a partir de 400 ⁰C de temperatura. Em situação de incêndio, a estrutura deve atender às exigências da NBR 14432:2001 e sua resistência deve ser verificada segundo a NBR 14323:2013. Para incrementar o desempenho da estrutura, em situação de incêndio podem ser utilizados sistemas de proteção como, por exemplo, pintura intumescente, revestimento dos perfis com argamassa refratária, revestimento dos perfis com concreto ou outros materiais isolantes. Para mais detalhes sobre o comportamento de estruturas em situação de incêndio, recomenda-se Vargas e Silva.² [1] Gnecco et al. (2006), Pannoni (2009). [2] Vargas e Silva (2005). 2. AÇÕES E SEGURANÇA As estruturas devem ser projetadas para resistir a todas as ações atuantes durante a sua vida útil com segu- rança, desempenho e durabilidade adequada a sua utilização, com custos de construção e manutenção compa- tíveis. 2.1 Critérios de projeto O dimensionamento e a execução de uma estrutura pressupõem o atendimento às funções para as quais foi concebida, considerando sua vida útil estimada. Neste sentido, devem ser verificadas condições de segurança (estado limite último) e condições de desempenho em uso (estado limite de serviço). Além disso, devem ser garantidas condições de durabilidade com custos compatíveis. Os estados limites últimos estão relacionados ao colapso total ou parcial da estrutura, comprometendo a segu- rança dos usuários, e associados ao esgotamento da capacidade resistente, instabilidade e perda de equilíbrio. Os estados limites de serviço estão relacionados a deficiências no desempenho para as condições de utilização, como, por exemplo, deformações e vibrações excessivas. No projeto com método dos estados limites, as ações, solicitações e resistência dos materiais são tratadas de forma semiprobabilística e a segurança é introduzida de forma qualitativa, majorando as solicitações e minorando as resistências dos materiais em função de suas variabilidades. No Brasil, os códigos de projeto adotam o método dos estados limites como critério de introdução da segu- rança estrutural em projeto. As ações são majoradas e combinadas adequadamente e as resistências dos mate- riais são divididas por coeficientes parciais de modo a garantir a segurança estrutural. A NBR 8681:2003 é a norma de ações e segurança que serve de referência para as demais normas de projeto estrutural, incluindo a NBR 8800:2008. 2.1.1 Verificação para estado limite último (ELU) Segundo o método dos estados limites, a segurança estrutural é introduzida de forma qualitativa e pode ser expressa por: S ≤ R S – solicitações de cálculo, que são os efeitos gerados por combinações apropriadas de ações de cálculos apli- cadas à estrutura; R – resistência de cálculo, que é o limite de resistência do material associado a uma determinada forma de co- lapso. As solicitações de cálculo são obtidas majorando-se adequadamente as solicitações nominais, enquanto que as resistências de cálculo são obtidas minorando-se as resistências nominais. 2.1.2 Verificação para estado limite de serviço (ELS) As condições usuais referentes aos estados limites de serviço são expressas por desigualdades do tipo: S ≤ S S – representa os valores dos efeitos estruturais de interesse obtidos com base nas combinações de serviço; S – representa os valores limites adotados para esses efeitos em cada caso específico. d d d d ser lim ser lim 2.2 Ações Segundo a NBR 8681:2003, ações são causas que provocam esforços e deformações nas estruturas e seus elementos, podendo ser classificadas em: • Ações permanentes – não variam de forma significativa em intensidade, direção ou ponto de aplicação durante a vida útil da estrutura. Exemplo: peso próprio da estrutura, revestimento, alvenaria etc. • Ações variáveis – apresentam variações significativas durante a vida útil da estrutura, seja em intensidade, dire- ção, sentido ou ponto de aplicação. Exemplo: sobrecargas de utilização, ação de vento, variação de tempe- ratura, pontes rolantes etc. • Ações excepcionais – têm baixa probabilidade de ocorrência, com duração bastante curta em comparação com a vida útil da estrutura. Exemplo: explosões, impactos, ações sísmicas etc. A ação permanente é formada pelo peso próprio da estrutura e dos elementos fixos não estruturais, como vedações e revestimentos. A NBR 6120:1980 fixa os valores de peso próprio de vários materiais estruturais e ele- mentos complementares. O peso próprio da estrutura avaliado na fase de pré-dimensionamento não deve diferir em mais de 10% do peso próprio real após o dimensionamento definitivo. Valores de sobrecarga (cargas acidentais) em função do tipo e da utilização da edificação também são indi- cados na NBR 6120:1980. A ação do vento nas edificações é determinada segundo os procedimentos da NBR 6123:1982. O Anexo B da NBR 8800:2008 apresenta recomendações específicas sobre as ações variáveis oriundas do uso e da ocupação para edifícios estruturados em aço; essas recomendações estão apresentadas em resumo na Tabela 2.1. Tabela 2.1 Recomendações adicionais sobre ações variáveis devidas ao uso e à ocupação. Ação Recomendações Sobrecarga em telhado Mínima de 0,25 kN/m² Considera cargas provenientes de instalações e pequenas peças fixadas a estruturas. Casos especiais devem ser analisados em função da finalidade da edificação. Efeito dinâmico e impacto Elevadores Majorar as ações em 100%. Verificar limites de deformações na estrutura especificados pelo fabricante. Equipamentos Majorar em 20% ações devidas a equipamentos leves com movimentos rotativos. Majorar em 50% ações devidas a equipamentos com movimentos alternados e grupos geradores. Pontes rolantes Majorar em 25% ações de ponte rolante comandada por cabine. Majorar em 10% ações de ponte rolante comandadas por controle remoto ou pendente. Aplicar forças longitudinais ao caminho do trilho no valor de 10% da carga máxima das rodas em cada lado (sem majoração devida ao impacto). Aplicar forças transversais ao caminho do trilho com o maior valor entre: 1 – 10% da soma da carga içada, do trole e dos dispositivos de içamento. 2 – 5% da soma da carga içada com o peso total da ponte e seus Fonte: adaptada de NBR 8800:2008.¹ equipamentos acessórios. 3 – 15% da carga içada. Pendurais Majorar em 33% as ações gravitacionais em piso suportado por pendurais para levar em conta o impacto. 2.3 Carregamentos e combinações de ações Um carregamento é constituído de um conjunto de ações com probabilidade de atuarem simultaneamente na estrutura. As ações devem ser combinadas de várias maneiras diferentes, objetivando determinarem-se os efeitos mais nocivos para a estrutura. Portanto, cada carregamento é formado por combinações específicas de ações que podem ser classificadas em normal, construtiva ou especial e excepcional. 2.3.1 Combinações de ações para estados limites últimos As combinações para verificação de estados limites últimos podem ser classificadas em normais, especiais ou construtivas e excepcionais. Combinação última normal – decorre do uso normal e previsto para a estrutura. (2.1) Somatório das ações permanentes multiplicadas pelos respectivos coeficientes de ponderação mais a ação variável principal multiplicada pelo seu coeficiente de ponderação mais o somatório das demais ações variáveis multiplicadas pelos respectivos coeficientesde ponderação e de combinação. Combinação especial ou construtiva: (2.2) Combinação excepcional: (2.3) As tabelas 2.2 e 2.3 apresentam os coeficientes de ponderação e combinação para cada carregamento. Tabela 2.2 Coeficientes de ponderação das ações. Ações permanentes Combinação Diretas Indiretas Peso próprio de estruturas metálicas Peso próprio de estruturas pré-moldadas Peso próprio de estruturas moldadas no local e elementos construtivos industrializados Peso próprio de construtivos industrializado com adição in loco Peso próprio de elementos construtivos em geral e equipamentos Normal 1,25 (1,0) 1,3 (1,0) 1,35 (1,0) 1,4 (1,0) 1,5 (1,0) 1,2 (1,0) Construtiva ou especial 1,15 (1,0) 1,2 (1,0) 1,25 (1,0) 1,3 (1,0) 1,4 (1,0) 1,2 (0) Excepcional 1,1 (1,0) 1,15 (1,0) 1,15 (1,0) 1,2 (1,0) 1,3 (1,0) 0 (0) Ações variáveis Efeito de temperatura Ação do vento Demais ações variáveis, incluindo as decorrentes do uso Fonte: adaptada de NBR 8800:2008.² Tabela 2.3 Coeficientes de combinação. Fonte: adaptada de NBR 8800:2008.³ 2.3.2 Combinações para estados limites de serviço Nas verificações de estados limites de serviço devem ser utilizadas ações nominais, ou seja, com coeficiente de ponderação das ações g = 1,0. Nas combinações de ações de serviço são usados os fatores de redução das ações y e y , conforme Tabela 2.3. Essas combinações de ações são classificadas em quase permanentes, fre- quentes e raras. Combinações quase permanentes – Podem atuar durante um período da ordem da metade de vida útil da estrutura e são utilizadas para os efeitos de longa duração e que comprometam a aparência da construção, como, por exemplo, deslocamentos excessivos. (2.4) Normal 1,2 1,4 1,5 Construtiva ou especial 1,0 1,2 1,3 Excepcional 1,0 1,0 1,0 Notas: Os valores entre parênteses devem ser utilizados quando a ação permanente for favorável à segurança. O efeito de temperatura não inclui aqueles gerados por equipamentos, que devem ser considerados como ação variável decorrente do uso. Ações y y y Ação variável devida ao uso e à ocupação Locais onde não há predominância de pesos e de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas. 0,5 0,4 0,3 Locais onde há predominância de pesos e de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, ou de elevadas concentrações de pessoas. 0,7 0,6 0,4 Bibliotecas, arquivos, depósitos, oficinas e garagens e sobrecarga em coberturas. 0,8 0,7 0,6 Vento Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral. 0,6 0,3 0 Temperatura Variação uniforme de temperatura em relação à média anual local. 0,6 0,5 0,3 Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos Passarelas. 0,6 0,4 0,3 Vigas de rolamento de pontes rolantes. 1,0 0,8 0,5 Pilares e outros elementos que suportam vigas de rolamento de pontes rolantes. 0,7 0,6 0,4 Edificações residenciais de acesso restrito. Edificações comerciais de escritórios e de acesso ao público. Para estado limite de fadiga, usar y = 1. Para sismo como ação principal em combinações excepcionais, usar y = 0. 0 1 c) 2 d) a) b) a) b) c) 1d) 2 f 1 2 y F : são os valores quase permanentes das ações variáveis. Combinações frequentes – Têm duração da ordem de 5% da vida útil da estrutura ou se repetem da ordem de 10⁵ vezes em 50 anos. São utilizadas para verificação de estados limites que não causam danos permanentes e/ou que estão relacionados ao conforto do usuário, como vibrações, movimentos laterais, empoçamento, abertura de fissuras etc. (2.5) F – ação variável principal com seu valor frequente y F y F – demais ações variáveis com seus valores quase permanentes Combinações raras – Podem atuar no máximo por algumas horas durante o período de vida da estrutura. Utilizadas para os estados limites irreversíveis, isto é, que causam danos permanentes à estrutura ou a outros componentes da construção, e para aqueles relacionados ao funcionamento adequado da estrutura, tais como formação de fissuras e danos aos fechamentos. (2.6) F – ação variável principal com seu valor característico y F – todas as demais ações com seus valores frequentes Na Tabela 2.4 são apresentados os valores limites de deslocamentos que devem ser obedecidos para o aten- dimento dos estados limites de serviço em estruturas metálicas, segundo a NBR 8800:2008. Tabela 2.4 Deslocamentos limites em estruturas metálicas. 2 Qk Q1 1 Q1,k 2 Qk Q1,k 1 Qk Descrição d ¹) Travessas de fechamento L/180 ²) L/120 ³) ⁴) Terças de cobertura ⁷) L/180 ⁵) L/120 ⁶) Vigas de cobertura ⁷) L/250 Vigas de piso L/350 ⁸) Vigas que suportam pilares L/500 Vigas de rolamento: ¹⁰) – Deslocamento vertical para pontes rolantes com capacidade nominal inferior a 200 kN. – Deslocamento vertical para pontes rolantes com capacidade nominal igual ou superior a 200 kN, exceto pontes siderúrgicas. – Deslocamento vertical para pontes rolantes siderúrgicas com capacidade nominal igual ou superior a 200 kN. – Deslocamento horizontal, exceto para pontes rolantes siderúrgicas. – Deslocamento horizontal para pontes rolantes siderúrgicas. L/600 ⁹) L/800 ⁹) L/1000 ⁹) L/400 L/600 Galpões em geral e edifícios de um pavimento: – Deslocamento horizontal do topo em relação à base. – Deslocamento horizontal do nível da viga de rolamento em relação à base. H/300 H/400 ¹¹) ¹²) Fonte: adaptada de NBR 8800:2008.⁴ Edifícios de dois ou mais pavimentos: – Deslocamento horizontal do topo em relação à base. – Deslocamento horizontal relativo entre dois pisos consecutivos. H/400 h/500 ¹³) ¹) L é o vão teórico entre apoios (para vigas biapoiadas) ou o dobro do comprimento teórico do balanço; H é a altura total do pilar (distância do topo à base) ou a distância do nível da viga de rolamento à base; h é a altura do andar (distância entre centros das vigas de dois pisos consecutivos). ²) Deslocamento entre linhas de tirantes, paralelo ao plano do fechamento. ³) Deslocamento perpendicular ao plano do fechamento. ⁴) Considerar apenas as ações variáveis perpendiculares ao plano de fechamento (vento no fechamento) com seu valor raro. ⁵) Considerar combinações raras de serviço, utilizando-se ações variáveis de mesmo sentido que o da ação permanente. ⁶) Considerar apenas as ações variáveis de sentido oposto ao da ação permanente (vento de sucção) com seu valor raro. ⁷) Em telhados com pequena declividade, deve-se também evitar a ocorrência de empoçamento. ⁸) Caso haja paredes de alvenaria sobre ou sob uma viga, solidarizadas com esta viga, o deslocamento vertical também não deve exceder 15 mm. ⁹) Valor não majorado pelo coeficiente de impacto. ¹⁰) Considerar combinações raras de serviço. ¹¹) No caso de pontes rolantes siderúrgicas, o deslocamento também não pode ser superior a 50 mm. ¹²) O diferencial do deslocamento horizontal entre pilares do pórtico que suportam as vigas de rolamento não pode superar 15 mm. ¹³) Considerar apenas o deslocamento provocado pelas forças cortantes no andar considerado, desprezando-se os deslocamentos de corpo rígido provocados pelas deformações axiais dos pilares e vigas. 2.4 Exemplo de aplicação Para a barra 1 da treliça em balanço que pertence à estrutura da Figura 2.1, determinar os esforços de cálculo para as ações atuantes na cobertura. Figura 2.1 Esquema da estrutura: planta e elevação (cotas em mm). Solução – Determinam-se os carregamentos básicos na treliça para cada uma das ações, calculam-se os esforços na barra 1 para estes carregamentos e, posteriormente, fazem-se as combinações com estes esforços para se obterem os esforços de cálculo. Carregamentosbásicos: os carregamentos básicos para a treliça são os apresentados em seguida. Esforços na barra 1 para os carregamentos básicos: resolvendo-se a treliça para cada um dos carregamentos bási- cos, encontram-se os esforços na barra 1, indicados na Tabela 2.5. Tabela 2.5 Esforços na barra 1. As forças aplicadas em cada nó são obtidas multiplicando-se o carregamento distribuído no telhado pela área de contribuição de cada nó, que é o produto da distância entre treliças pela distância entre terças. No caso da monovia, será a capacidade nominal multiplicada por um coeficiente de impacto igual a 1,25, conforme Tabela 2.1. Carregamento permanente (CP) P = 0,3 × 6 × 2 = 3,6 kN Carregamento devido à sobrecarga (SC) P = 0,25 × 6 × 2 = 3,6 kN Carregamento devido à monovia (M) P = 1,25 × 15 = 18,75 kN Carregamento devido ao vento 1 (VI) P = 0,7 × 6 × 2 = 8,4 kN Carregamento devido ao vento 2 (VII) P = 0,5 × 6 × 2 = 6 kN G Q M VI VII Carregamento Esforço barra 1 (kN) Permanente (CP) +17,8 (tração) Combinações: são possíveis as seguintes combinações para a estrutura em questão para obtenção dos esforços de cálculo: Portanto, os esforços de cálculo serão aqueles correspondentes às combinações críticas, ou seja, a barra deve ser dimensionada para um esforço de tração de 109,1 kN e para um esforço de compressão de 40,4 kN, respecti- vamente. Esses valores são denominados envoltória de esforços. [1] ABNT (2008). [2] Idem. [3] Idem. [4] Idem. Sobrecarga (SC) +14,8 (tração) Monovia (M) +26,5 (tração) Vento 1 (VI) −41,6 (compressão) Vento 2 (VII) +29,7 (tração) Combinação 1 – com todos os esforços de tração, incluindo-se a sobrecarga + monovia como ação principal. As duas podem ser somadas, pois são de mesma natureza. 1,25 CP + 1,5 (SC + M) + 1,4 × 0,6 VII N = 1,25 × 17,8 + 1,5 (14,8 + 26,5) + 1,4 × 0,6 × 29,7 = 109,1 KN Combinação 2 – com todos os esforços de tração, considerando-se o carregamento vento 2 como ação principal. 1,25 CP + 1,4 VII + 1,5 × 0,5 (SC + M) N = 1,25 × 17,8 + 1,4 × 29,7 + 1,5 × 0,5 × (14,8 + 26,5) = 94,8 KN Combinação 3 – com todos os esforços de compressão, e a ação permanente que deve estar em todas as combinações. 1,0 CP + 1,4 × VI (a ação permanente é favorável nesta combinação) N = 1,0 × 17,8 + 1,4 × (−41,6) = −40,4 KN comb1 comb2 comb3 3. ANÁLISE ESTRUTURAL 3.1 Considerações gerais A análise estrutural implica na determinação da resposta da estrutura (esforços internos, reações e desloca- mentos) às ações e combinações de ações a ela impostas. É uma das etapas mais importantes no projeto estru- tural, pois pouco importa rigor na determinação da capacidade resistente de seus elementos constituintes se os esforços de cálculo e deslocamentos não são avaliados de maneira apropriada. A análise estrutural – determinação de esforços e deslocamentos – depende das características de rigidez e deformabilidade da estrutura, do comportamento das seções, das imperfeições de fabricação e montagem, do comportamento das ligações e, principalmente, da estabilidade dos elementos e da estrutura como um todo. Por- tanto, a escolha do modelo de análise para uma dada estrutura deve considerar todos esses aspectos. Para a análise estrutural, é possível adotar um modelo elástico linear ou plástico. No primeiro caso, admite-se que as tensões nos elementos da estrutura são inferiores à resistência ao escoamento do material. No segundo caso, admite-se plastificação em algumas seções da estrutura e a redistribuição de esforços; o comportamento da estrutura será dependente do comportamento reológico do material. Na análise estrutural, pode-se estabelecer o equilíbrio na posição inicial indeslocada, que se denomina análise de primeira ordem, e se tem como resposta um comportamento geometricamente linear. Outra possibilidade, mais apropriada para a verificação da estabilidade, é considerar o equilíbrio da estrutura em uma posição deslo- cada, neste caso tem-se uma resposta geometricamente não linear, sendo a análise denominada análise não linear geométrica ou, de forma simplificada, análise de segunda ordem. Em estruturas de edifícios de múltiplos andares, ocorrem efeitos de 2 ordem globais (denominados P-D) e locais nos elementos constituintes (denominados p-d) – Figura 3.1. Figura 3.1 Ilustração dos efeitos de 2 ordem globais e locais. Esses efeitos são oriundos das forças verticais multiplicadas pelos deslocamentos horizontais, que geram esforços adicionais e alteram os próprios deslocamentos, caracterizando um comportamento geometricamente não linear. Os deslocamentos horizontais podem ser originados por carregamentos horizontais ou por imper- feições geométricas. O gráfico da Figura 3.2 apresenta as diferentes respostas força aplicada versus deslocamentos de uma estrutura em função do modelo de análise adotado. a a Figura 3.2 Resposta estrutural em função do modelo de análise. Como se pode observar, existem diferenças significativas na resposta estrutural, porém isso não é válido para todas as tipologias estruturais. Existem casos, por exemplo, em que uma análise elástica linear pode ser suficien- temente representativa. Recursos computacionais atualmente disponíveis facilitam a análise estrutural e permitem o uso de métodos de análise mais rigorosos. 3.1.1 Efeitos de 2 ordem A análise dos efeitos de 2 ordem em uma estrutura pode ser avaliada por meio de análise rigorosa, com um procedimento incremental-interativo em que se atualiza sucessivamente a matriz de rigidez da estrutura em fun- ção de mudanças em sua configuração geométrica. Trata-se, portanto, de uma análise não linear geométrica, que exige ferramentas e procedimentos numérico-computacionais para o seu desenvolvimento. Alternativamente, existem os chamados procedimentos simplificados, em que o problema não linear é divi- dido em sucessivos problemas lineares. Ou seja, o problema é linearizado, mas o equilíbrio continua sendo es- tabelecido na configuração deformada da estrutura. Dentre os processos simplificados, o mais popular é o deno- minado processo P-Delta.¹ Outros métodos, classificados como aproximados, consideram os efeitos de 2 ordem por meio de coefi- cientes de amplificação aplicados aos resultados da análise de primeira ordem. Os procedimentos baseados em coeficientes de amplificação consideram o equilíbrio da estrutura na posição indeformada. Para se definir um coeficiente de amplificação para esforços de 2 ordem globais em edifícios de múltiplos andares, assume-se que o comportamento de cada andar seja independente e que o momento fletor nos pilares decorrente dos efeitos de 2 ordem seja equivalente aos causados por uma força lateral igual a ∑F D/h (binário do momento causado pelo somatório das forças verticais no andar pelo deslocamento horizontal); assim, é pos- sível determinar a rigidez de cada pavimento fazendo: (3.1) F – força horizontal no andar considerado; F – forças verticais no andar considerado; D1a ordem – deslocamento horizontal de 1 ordem; h – altura do pavimento; D – deslocamento final total, incluindo-se os efeitos de 2 ordem. Resolvendo-se a equação, é possível determinar o deslocamento final D por: a a a a a v H v a total a total (3.2) Como se vê, os deslocamentos finais, incluindo os efeitos de 2 ordem globais, podem ser estimados multi- plicando-se os efeitos de 1 ordem por um coeficiente de modificação B . Desde que os momentos fletores sejam proporcionais aos deslocamentos laterais, o coeficiente B também pode ser aplicado aos momentos fletores de 1 ordem para se obterem os momentos fletores em 2 ordem. De forma análoga, é possível demonstrar que os esforços finais de 2 ordem locais, nas barras que compõem a estrutura, podem ser obtidos multiplicando-se os efeitos de 1 ordem por um fator de modificaçãoB dado por: (3.3) Em que: N – Força normal solicitante de cálculo; N – Força normal de flambagem elástica; C – Coeficiente que considera o efeito da distribuição não uniforme de momento fletor na estabilidade da barra (coeficiente de uniformização de momentos fletores) e é função das condições de vinculação das extremidades e do carregamento atuante nas barras. Portanto, o método dos coeficientes de amplificação é um processo simplificado para avaliar os efeitos de se- gunda ordem, partindo-se dos resultados da análise de primeira ordem, ou seja, considera o equilíbrio da estru- tura na posição inicial ou indeformada. Esse método dos coeficientes de amplificação é admitido pela norma brasileira NBR 8800:2008 e detalhado em seu Anexo D. 3.1.2 Influência das imperfeições Nas estruturas em aço podem estar presentes imperfeições na geometria (desaprumo da estrutura e/ou ele- mentos não retilíneos) e imperfeições no material, como, por exemplo, a presença de tensões residuais oriundas dos processos de fabricação. As imperfeições geométricas são decorrentes do desaprumo da estrutura e da falta de alinhamento dos ele- mentos que a constituem. No primeiro caso, são denominadas imperfeições globais e decorrem dos processos de montagem da estrutura; no segundo caso, denominam-se imperfeições locais que decorrem dos processos de fabricação dos elementos. As normas técnicas estabelecem limites máximos para as imperfeições de fabricação em elementos de aço (imperfeições locais) em função do máximo desvio na barra e para imperfeições globais em função dos deslocamentos relativos entre os níveis superior e inferior dos pavimentos. Em geral, as imperfeições locais podem ser embutidas nas expressões de dimensionamento dos elementos ou podem ser introduzidas na análise estrutural por meio de um conjunto de forças transversais ao eixo da barra que represente essas imperfeições. Outra solução seria o desenvolvimento de elementos finitos curvos, em cuja formulação possam ser contempladas essas imperfeições locais. As imperfeições globais podem ser inseridas diretamente na análise, modelando-se a geometria da estrutura com uma inclinação correspondente ao desaprumo; este não é um procedimento prático para o dia a dia de pro- jeto. Podem-se ainda aplicar deslocamentos nodais ou forças horizontais fictícias que correspondam às imper- feições geométricas globais. As forças horizontais fictícias, também denominadas forças nocionais, são aplicadas ao nível de cada pavimento e calculadas como uma fração das ações gravitacionais no pavimento considerado. As imperfeições de material são decorrentes das tensões residuais presentes nos perfis e que são oriundas a a 2 2 a a a a 1 sd e m dos processos de fabricação destes. Essas tensões residuais alteram o diagrama tensão versus deformação do material, reduzindo o trecho de comportamento elástico linear. Para representar esse fenômeno de forma rigo- rosa, seria necessária uma análise física não linear, que é feita de forma incremental-interativa, impondo que as tensões nos elementos estruturais obedeçam a um diagrama tensão versus deformação (modelo constitutivo do material) preestabelecido. De forma simplificada, as tensões residuais podem ser consideradas com reduções na rigidez axial e rigidez a flexão dos elementos que compõem a estrutura. 3.1.3 Influência do comportamento das ligações De modo geral, as ligações são idealizadas como flexíveis ou rígidas. No entanto, a rigor, o comportamento das ligações é definido por uma curva momento-rotação e, desta forma, é possível determinar a rigidez, o mo- mento resistente e a capacidade de rotação das ligações e, em função disto, classificá-las em flexíveis, rígidas e semirrígidas. Esse comportamento deve ser considerado na análise quando necessário. Na análise estrutural, a rigidez da ligação pode ser simulada por meio de molas de rotação com rigidez equi- valente à rigidez da ligação em questão. Consequentemente, essa consideração leva a diferentes distribuições de esforços na estrutura e a diferentes trajetórias de equilíbrio, influenciando também a estabilidade da estrutura. 3.1.4 Estabilidade estrutural Deve-se garantir a estabilidade da estrutura como um todo e a estabilidade de seus elementos individu- almente. A análise da estabilidade estrutural deve levar em conta, quando necessário, os efeitos de 2 ordem, as imperfeições geométricas iniciais e a influência da rigidez das ligações. A verificação da estabilidade pode ser conduzida de uma das formas a seguir: i. Por meio de uma análise global incluindo as imperfeições iniciais (de material e geométrica local e global), todos os efeitos de 2a ordem (globais e locais) e, caso seja necessário, a rigidez das ligações. Neste caso, para o dimensionamento dos elementos comprimidos, o comprimento efetivo de flambagem é o próprio compri- mento teórico deste elemento (distância entre travamentos), ou seja, com essa análise o coeficiente de flam- bagem será K = 1 em todas as situações. A NBR 8800:2008 recomenda este tipo de análise com base em um procedimento simplificado, apresentado em seu Anexo D. ii. Por meio de uma análise global incluindo apenas as imperfeições iniciais e efeitos de 2a ordem globais. Neste caso, as imperfeições geométricas e os efeitos de 2a ordem locais deverão ser embutidos nas expressões de di- mensionamento. iii. A estabilidade global pode ainda ser verificada de forma indireta por meio da verificação da estabilidade dos seus elementos constituintes. Neste caso, faz-se uma correlação, por meio dos comprimentos efetivos de flambagem, entre o modo de flambagem dos elementos individuais e o modo de flambagem global da estru- tura. Ou seja, é necessário determinar os coeficientes de flambagem das barras em função da rigidez dos seus nós de extremidades, o que é feito por meio dos gráficos de alinhamentos, no caso de barras pertencentes a estruturas contínuas. As normas têm abandonado esse procedimento e recomendado procedimentos de aná- lise estrutural que levem em conta os efeitos de 2 ordem (não linearidade geométrica) e imperfeições iniciais. a a 3.2 Análise estrutural segundo a NBR 8800:2008 A NBR 8800:2008 classifica a estrutura quanto à deslocabilidade, e em função desta classificação adota dife- rentes procedimentos para a consideração dos efeitos de 2 ordem e das imperfeições iniciais. O texto atual desta norma apresenta grande evolução em relação ao anterior no que diz respeito à análise estrutural; passa a ser exi- gida a análise em 2 ordem, e o método do comprimento efetivo de flambagem para estruturas contínuas é abo- lido. 3.2.1 Classificação quanto à deslocabilidade As estruturas são classificadas quanto à deslocabilidade em função da relação entre o deslocamento lateral de cada andar relativo à sua base, obtida em análise de 2 ordem, e o deslocamento obtido em análise de 1 ordem para as combinações de ações últimas pertinentes. A NBR 8800:2008 classifica as estruturas em pequena, média e grande deslocabilidade. A estrutura é dita de pequena deslocabilidade quando a relação entre os deslocamentos em 2 ordem e os deslocamentos em 1 ordem não ultrapassar 1,1 em todos os andares; de média deslocabilidade quando essa relação estiver entre 1,1 e 1,4 em pelo menos um dos andares; e de grande deslocabilidade quando a relação entre os deslocamentos em 2 ordem e os deslocamentos em 1 ordem ultrapassar 1,4 em pelo menos um dos andares. A relação entre os des- locamentos em 2 ordem e os deslocamentos em 1 ordem pode ser determinada de forma aproximada pelo parâmetro B , que deve ser calculado para cada um dos andares da estrutura. (3.4) Em que: ∑N – somatório da força normal de cálculo nos pilares do andar considerado; ∑H – força cortante no andar considerado produzida pelas forças horizontais de cálculo; D – deslocamento relativoentre os níveis superior e inferior de cada andar obtido em análise de 1 ordem; h – altura do pavimento; R – coeficiente de ajuste, 0,85 para estruturas aporticadas em que a estabilidade da estrutura depende somente da rigidez de seus elementos, e 1 para os demais casos. Para efeito de classificação, as imperfeições iniciais de material não precisam ser consideradas na análise de primeira ordem. 3.2.2 Análise de 1 ordem elástica Para estruturas de pequena deslocabilidade, a análise estrutural pode ser realizada em 1 ordem, desde que sejam obedecidas as seguintes exigências: • A força axial de cálculo, em cada uma das combinações últimas, em todas as barras que participam do sistema de estilização lateral, não deve superar 50% da força normal de escoamento da seção transversal destas barras; • As imperfeições geométricas devem ser incluídas na análise; • Os efeitos de segunda ordem locais devem ser considerados na determinação dos esforços de cálculo nas bar- ras da estrutura. Cumpridas essas exigências para análise de 1a ordem, o coeficiente de flambagem pode ser K = 1 no dimensi- onamento das barras comprimidas. Os esforços de cálculo finais das barras, considerando-se os efeitos de 2 ordem locais, podem ser obtidos majorando os esforços de 1 ordem pelo parâmetro B , dado por: a a a a a a a a a a 2 sd sd h a m a a a a 1 (3.5) Em que: N – força axial de compressão solicitante de cálculo na barra considerada obtida em análise de 1 ordem. N – força axial de flambagem elástica com o comprimento real da barra; considerando, se for o caso, as imper- feições de material. C – coeficientes de uniformização de momentos fletores dados por: C = 1 quando houver forças transversais entre as extremidades da barra no plano de flexão. C = 0,6 − 0,4 quando não houver forças transversais entre as extremidades da barra no plano de flexão. é a relação entre os módulos do menor e do maior momento fletor nas extremidades da barra (na estrutura Nt), que deve ser tomada positiva quando os momentos provocarem curvatura reversa e negativa quando os momentos provocarem curvatura simples. Momentos fletores de extremidades em sentidos contrários tracionam o mesmo lado da seção e provocam curvatura simples. Momentos fletores de extremidades com o mesmo sen- tido tracionam lados opostos da seção, provocando curvatura reversa. Se a força axial nas barras for de tração, deve ser considerado B = 1. 3.2.3 Análise de 2 ordem Para as estruturas de pequena deslocabilidade, nas quais a análise em 1 ordem não seja possível, e nas estru- turas de média deslocabilidade, os esforços solicitantes finais de cálculo devem ser obtidos por meio de análise não linear geométrica, ou seja, considerando-se os efeitos de 2 ordem. É permitido qualquer método de análise: rigorosa, simplificada ou aproximada. É sugerido o método de amplificação de esforços baseado nos coeficientes B e B , que pode ser considerado uma aproximação aceitável do comportamento não linear geométrico para os efeitos de 2 ordem locais e globais. Nestes casos, devem ser incluídas na análise as imperfeições geométricas que podem se dar por meio de aplicação de forças nocionais ao nível de cada andar. E, nas estruturas de média e grande deslocabilidade, devem, também, ser incluídas as imperfeições do material por meio da redução da rigidez à flexão e axial das barras para 80% de seus valores reais. Os esforços solicitantes de cálculo finais em cada andar da estrutura, segundo o método de amplificação B e B , são dados por: M = B M + B M N = N + B N (3.6) Em que: M e N são, respectivamente, o momento fletor e a força axial solicitantes de cálculo obtidos por análise elás- tica de primeira ordem, com os nós da estrutura impedidos de se deslocarem horizontalmente (usando-se, na análise, contenções horizontais fictícias em cada andar – Figura 3.3(b)); M e N são, respectivamente, momentos fletor e força axial solicitante de cálculo, obtidos por análise elástica de primeira ordem, correspondente apenas ao efeito dos deslocamentos horizontais dos nós da estrutura (efeito das reações das contenções fictícias aplicadas em sentido contrário, nos mesmos pontos onde tais contenções foram colocadas – Figura 3.3(c)); Sd1 a e m m m 1 a a a 1 2 a 1 2 r 1 nt 2 lt r nt 2 lt nt nt lt lt Figura 3.3 Modelo para análise aproximada de 2 ordem. A força cortante solicitante de cálculo pode ser tomada igual à da análise elástica de primeira ordem na estru- tura original, que corresponde a: V = V + V (3.7) Para as estruturas de grande deslocabilidade, deve-se considerar o comportamento não linear geométrico da estrutura e o comportamento não linear do material em uma análise rigorosa. A NBR 8800:2008 permite a análise de estruturas de grandes deslocabilidades utilizando-se os coeficientes de amplificação de esforços, desde que os efeitos das imperfeições geométricas iniciais (forças fictícias ou nocionais) sejam somados às combinações últi- mas de ações em que atuem ações variáveis devidas ao vento. Tendo sido feita a análise de 2 ordem, ainda que por procedimentos simplificados, o coeficiente de flambagem pode ser K = 1 no dimensionamento das barras comprimidas. 3.2.4 Consideração das imperfeições iniciais Nas estruturas de pequena e média deslocabilidade, os efeitos das imperfeições geométricas iniciais devem ser levados em conta diretamente na análise, o que pode ser feito de duas formas: 1. Modelando a geometria da estrutura com um desaprumo, considerando, em cada andar, um deslocamento horizontal relativo entre os níveis inferior e superior (interpavimento) de h/333, em que h é a altura do andar. 2. Aplicando, no nível de cada andar, forças horizontais fictícias (equivalentes) que resultariam nestes desloca- mentos interpavimentos. Estas forças fictícias, também denominadas de forças nocionais, devem ser iguais a 0,3% do valor das cargas gravitacionais de cálculo aplicadas no andar considerado. Essas forças nocionais constituem o carregamento horizontal mínimo da estrutura e não precisam ser somadas às reações de apoio horizontais e nem figurarem em combinações de ações que já contemplem ações horizontais, como, por exemplo, ação do vento. As imperfeições geométricas iniciais devem ser consideradas nas duas direções orto- gonais em planta da estrutura de forma independente. Nas estruturas de média deslocabilidade, devem-se incluir também as imperfeições de material por meio da redução da rigidez à flexão e axial das barras para 80% de seus valores reais. Além disso, as forças nocionais devidas às imperfeições geométricas devem ser adicionadas a todas as combinações de ações últimas, inclusive àquelas que contenham ações horizontais devidas ao vento. a Sd nt lt a 3.3 Exemplo de aplicação Apresenta-se a determinação dos esforços em um pórtico considerando-se o comportamento não linear geométrico e incluídos os efeitos de 2 ordem segundo as especificações do NBR 8800:2008, com o uso dos coeficientes de amplificação de esforços. A geometria da estrutura, as seções transversais das barras e o carre- gamento de cálculo são apresentados na Figura 3.4. Para o aço, foi utilizado o módulo de elasticidade E = 20000 kN/cm². Existem travamentos laterais (contenções fora do plano da figura) nos níveis dos pavimentos. Figura 3.4 Geometria e carregamentos do pórtico exemplo. Para a análise estrutural utilizando o método de amplificação de esforços, a estrutura deve ser decomposta, como apresentado na Figura 3.5. Figura 3.5 Esquema para a análise estrutural. O primeiro passo é realizar uma análise da estrutura em 1 ordem, com regime elástico e sem imperfeições iniciais. A Figura 3.6 apresenta os diagramas de momentos fletores e esforços normais obtidos. As reações nos apoios horizontais da estrutura Nt são R = 31,41kN e R = 39,04 kN. a a 1 2 Figura 3.6 Diagramas de momentos fletores e esforço axial para a estrutura original, estrutura Nt e estrutura Lt. Para o cálculo do parâmetro B , devem-se utilizar os deslocamentos horizontais devidos, somente, às ações horizontais obtidas da análise em 1 ordem na estrutura original ou os deslocamentos horizontais obtidos na análise de 1 ordem da estrutura Lt. Na Tabela 3.1 estão os resultados de deslocamentos horizontais em primeira ordem (estrutura original) e os parâmetros necessários para a classificação da estrutura. Para a determinação dos deslocamentos da estrutura, foi considerada somente a parcela de deformação por flexão. Tabela 3.1 Classificação da estrutura. Como 1,1 < B ≤ 1,4, a estrutura é classificada de média deslocabilidade e, portanto, devem-se considerar as imperfeições de material, reduzindo a rigidez axial e de flexão das barras para 80% dos valores originais. Em se- guida, o parâmetro B deve ser recalculado, considerando-se os valores reduzidos de rigidez. A Tabela 3.2 2 a a Cálculo de R = 0,85 Pavimento h (cm) d (cm) D (cm) ∑N (kN) ∑H (kN) B Classificação 1 500 3,8 3,8 1.296 70 1,20 Média deslocabilidade 2 500 7,7 3,9 573 40 1,15 m h Sd Sd 2 2 2 apresenta o cálculo de B incluindo-se os efeitos dessas imperfeições de material. Tabela 3.2 Cálculo de B com imperfeições de material. Nos casos de estruturas de média deslocabilidade, devem ser consideradas forças horizontais fictícias (noci- onais) em cada pavimento para levar em conta as imperfeições geométricas iniciais. Para estas forças nocionais, deve ser tomado um valor correspondente a 0,3% das ações gravitacionais no pavimento considerado. Porém, essas forças nocionais não devem ser somadas à ação lateral de vento atuante na estrutura. A rigor, essas forças nocionais devem ser consideradas em outra combinação de ações em que não esteja presente a ação do vento, constituindo um carregamento horizontal mínimo para a estrutura. Em estruturas de grande deslocabilidade, as forças nocionais devem ser somadas à ação do vento. Para avaliar os efeitos de segunda ordem locais, deve-se calcular, para cada barra, o parâmetro B dado por: Nas vigas existem cargas transversais, portanto, tem-se o coeficiente C = 1,0. Na Tabela 3.3, apresentam-se as variáveis para o cálculo do C nos pilares; na Tabela 3.4, os valores de B . Tabela 3.3 Variáveis para cálculo de C nos pilares. Tabela 3.4 Cálculo de B . Para o cálculo de N foi considerada a rigidez EI com 80% do valor original, pois a estrutura foi classificada como de média deslocabilidade e o comprimento efetivo de flambagem igual ao comprimento da barra. Os esforços finais de 2 ordem são obtidos com a composição dos esforços encontrados na estrutura Nt e estrutura Lt (Figura 3.6) amplificados pelos coeficientes B e B da seguinte forma: M = B M + B M P = P + B P 2 2 Pavimento h (cm) d (cm) D (cm) ∑N (kN) ∑H (kN) B 1 500 4,7 4,7 1.296 70 1,26 2 500 9,6 4,9 573 40 1,20 h Sd Sd 2 2 m m 1 m Barra M (kNm) M (kNm) Curvatura C P1 −47,7 95,2 Reversa 0,40 P2 −155,0 172,3 Reversa 0,40 P3 46,9 −93,8 Reversa 0,40 P4 157,6 −174,4 Reversa 0,40 C = 0,6 − 0,4 – relação entre o menor e o maior momento fletor nas extremidades (na estrutura Nt). > 0, para momentos provocando curvatura reversa. < 0, para momentos provocando curvatura simples. 1 2 m m 1 Barra N (kN) N (kN) C B P1 615,3 5.521,4 0,4 1,00 P2 274,5 5.521,4 0,4 1,00 P3 680,7 5.521,4 0,4 1,00 P4 298,5 5.521,4 0,4 1,00 V1 22,4 2.003,5 1,00 1,01 V2 85,9 2.003,5 1,00 1,04 sd e m 1 e a 1 2 r 1 nt 2 lt r nt 2 lt Nas tabelas 3.5 e 3.6 estão apresentados os valores finais dos momentos fletores de 2 ordem nas extre- midades das barras e esforços normais calculados com os parâmetros de B e B em comparação com os valores obtidos em 1 ordem. Tabela 3.5 Momentos de cálculo em 1 e em 2 ordem nas extremidades e no meio da barra. a 1 2 a a a Barra Cota (m) M (kNm) M (kNm) M (kNm) B B M (kNm) M /M P1 0 63,8 −47,7 112,0 1,26 1,0 93,4 1,46 P1 5 31,0 95,2 −64,5 1,26 1,0 14,0 0,45 P2 0 −116,2 −155,0 38,6 1,20 1,01 −108,7 0,93 P2 5 113,4 172,3 −58,9 1,20 1,01 101,6 0,90 P3 0 158,9 46,9 111,6 1,26 1,0 187,5 1,18 P3 5 −158,3 −93,8 −64,2 1,26 1,0 −174,7 1,10 P4 0 196,2 157,6 38,8 1,20 1,02 207,3 1,06 P4 5 −233,4 −174,4 −58,9 1,20 1,02 −248,6 1,07 V1 0 −147,2 −250,2 103,1 1,26 1,01 −122,8 0,83 V1 10 −354,5 −251,4 −103,0 1,20 1,01 −377,4 1,06 V2 0 −113,4 −172,3 58,9 1,20 1,04 −108,5 0,96 V2 10 −233,4 −174,4 −58,9 1,20 1,04 −252,1 1,08 1a nt Lt 2 1 r r 1a Tabela 3.6 Esforços normais de cálculo em 1 e em 2 ordem. Os momentos fletores e esforços normais de 2 ordem apresentados nas tabelas 3.5 e 3.6 serão os esforços para dimensionamento dos elementos estruturais. [1] Ormonde (2013). a a Barra P (kN) P (kN) P (kN) B B P (kNm) P /P P1 −615,3 −647,7 32,4 1,26 1,0 −606,9 0,99 P2 −274,5 −286,3 11,8 1,20 1,0 −272,1 0,99 P3 −680,7 −648,3 −32,4 1,26 1,0 −689,1 1,01 P4 −298,5 −286,7 −11,8 1,20 1,0 −300,9 1,01 V1 22,5 6,9 −15,6 1,26 1,01 −12,7 −0,56 V2 −85,9 −105,4 −19,5 1,20 1,04 −128,9 1,50 1 nt Lt 2 1 r r 1 a 4. DIMENSIONAMENTO A TRAÇÃO Elementos submetidos à tração são encontrados em barras de treliças, pendurais, barras de contraven- tamento, tirantes etc. Os elementos estruturais em aço, quando submetidos a esforços axiais de tração, não estão sujeitos a instabi- lidades. Neste caso, os estados limites aplicáveis estão relacionados ao escoamento da seção bruta e à ruptura de seção efetiva na região da ligação – Figura 4.1. Figura 4.1 Distribuição de tensões em barras tracionadas. Na seção bruta é plausível admitir distribuição de tensões uniformes, ao contrário do que ocorre na seção lí- quida, devida à concentração de tensões junto a parafusos e/ou soldas e pelo fato da ligação, em certos casos, conectar apenas parte dos elementos que formam a seção transversal do elemento estrutural. 4.1 Determinação da resistência de cálculo a tração A resistência de cálculo a tração será o menor valor obtido para os estados limites últimos aplicáveis, ou seja, escoamento da seção bruta e ruptura da seção líquida efetiva. Estado limite último de escoamento da seção bruta: com g = 1,1 (4.1) Estado limite último de ruptura da seção líquida efetiva: com g = 1,35 (4.2) A = C A (4.3) em que: f – resistência ao escoamento f – resistência à ruptura A – área bruta da seção A – área líquida da seção A – área líquida efetiva C – coeficiente de redução da área líquida Em seções onde não existam furos, a área líquida será igual à área bruta. Em seções conectadas por meio de parafusos, a área líquida A é dada pela diferença entre a área bruta e o somatório das áreas de furos na seção considerada. Para o cálculo do diâmetro do furo, deve ser acrescido ao diâmetro do parafuso 1,5 mm (para furo padrão) e mais 2 mm de folga (prevendo danificação do material na borda do furo, sobretudo em furos punci- onados). A = A − ∑d t com d = d + 1,5 mm + 2 mm (4.4) d – diâmetro do furo d – diâmetro do parafuso t – espessura da seção No caso de furos em zigue-zague, deve-se somar a parcela s²/4g para cada trecho inclinado entre furos – Fi- gura 4.2. Nesta situação existem várias possibilidades de seção de ruptura, sendo que a crítica corresponde à ca- deia de furos que resultar com menor área líquida para o mesmo carregamento. (4.5) Figura 4.2 Área líquida em regiões com furos em zigue-zague. É comum que as ligações nas extremidades de barras tracionadasnão se estendam a todos os elementos da seção. Nestes casos, ocorrem concentrações, tensões, junto aos elementos conectados, e alívio nas partes não conectadas do perfil, resultando em redução da eficiência da seção – Figura 4.3. e t n y u g n e t n n g f f b f b Figura 4.3 Fluxo de tensões nas extremidades de barras tracionadas. Esse efeito é considerado, no cálculo, de forma indireta, por meio de um coeficiente de redução da área lí- quida (C ) que depende do arranjo de parafusos e soldas nas ligações de extremidades. A Tabela 4.1 apresenta os valores do coeficiente C para diversas situações. Tabela 4.1 Valores do coeficiente de redução C . 4.1.1 Verificação para estado limite de serviço Elementos tracionados podem resultar em seção com elevado índice de esbeltez, o que pode dar origem a vibrações excessivas sob a ação de impactos do vento ou de algum outro tipo de perturbação, constituindo um estado limite de serviço. As normas costumam limitar o índice de esbeltez máximo dos elementos tracionados para evitar esses esta- dos limites. Segundo a NBR 8800:2008, a esbeltez de elementos tracionados não deve superar 300, excetuando- se desse limite as barras redondas pré-tensionadas e outras barras montadas com pré-tensão, para as quais não há limitação de esbeltez. Em seções formadas por composição de perfis, a esbeltez de cada perfil que compõe a seção também está limitada a 300. Nestes casos, os perfis podem ser interligados através de chapas espaçadoras, de modo que o maior índice de esbeltez de qualquer perfil entre essas chapas espaçadoras não ultrapasse 300 – Figura 4.4. t t t Situação C Observações Todos os elementos da seção conectados por solda ou parafuso. 1 Solicitação de tração transmitida por soldas transversais à solicitação. A – área conectada A – área bruta da seção Perfis abertos nos quais a solicitação é transmitida, em partes dos elementos da seção, por parafusos, soldas longitudinais ou combinação de soldas longitudinais e transversais. 0,6 ≤ C = 1 − ≤ 0,9 e – Distância entre o c e o plano de cisalhamento. l – Comprimento da solda ou distância do primeiro ao último parafuso. Chapas planas com solicitação de tração transmitidas por solda longitudinal. C = 1 para l ≥ 2b C = 0,87 para 2b > l ≥ 1,5b C = 0,75 para 1,5b > l ≥ b t c g t c g c t w t w t w Figura 4.4 Seção composta de chapas espaçadoras (presilhas). 4.2 Exemplo de aplicação Dimensionar a diagonal de apoio da treliça da Figura 4.5 para a envoltória de esforços obtida no exercício do item 2.4. No pré-dimensionamento foi definida uma seção dupla cantoneira 2L 63 x 4,75 mm em aço ASTM A36. O detalhe de ligação na extremidade da barra também é apresentado na figura. Neste exemplo, a seção 2L 63 x 4,75 mm será verificada para o esforço de tração de cálculo N = 109 kN. Figura 4.5 Treliça e detalhe de ligação para exercício 4.2 (cotas em mm). As propriedades geométricas da seção são as apresentadas na Tabela 4.2. Tabela 4.2 Propriedades geométricas da seção dupla cantoneira 2L 63 x 4,75 mm. Verificação do estado limite último de escoamento da seção bruta: N = N = = 263,6 kN Verificação do estado limite último de ruptura da seção efetiva: N = A = C A A = A − 2t (d + 0,15 + 0,2) = 11,6 − 2 × 0,475 (1,25 + 0,15 + 0,2) = 10,08 cm² 0,6 ≤ C = 1 − ≤ 0,9 e = X = 17,5 mm A = 0,78 × 10,08 = 7,86 A = C A N = = 233 kN Portanto, a resistência de cálculo a tração do elemento é N = 233 kN. Para a verificação da segurança: N ≥ N = 109 kN ok. Verificação do estado limite de serviço – ELS Para verificação do estado limite de serviço, a esbeltez da seção, composta de dupla cantoneira, não poderá sd b (mm) t (mm) t (mm) A (cm²) r (cm) r (cm) r (cm) X (cm) 63 4,75 6,3 11,6 1,98 2,87 1,27 1,75 ch x y z cg t,Rd t,Rd t,Rd e t n n g b t c cg e e t n t,Rd t,Rd t,Rd t,Sd superar 300. A esbeltez de uma cantoneira isolada em relação ao eixo de menor inércia também não poderá supe- rar 300. = 143 ≤ 300 ok = 98,5 ≤ 300 ok = 228 ≤ 300 ok Portanto, a seção 2L 63 x 4,75 mm está verificada para os estados limites últimos e de serviço. 5. DIMENSIONAMENTO A COMPRESSÃO O modo de colapso em barras submetidas à compressão pode estar associado ao escoamento da seção, à ins- tabilidade global da barra ou à instabilidade local dos elementos que compõem a seção. Em barras curtas e se- ções formadas por elementos com baixa relação largura-espessura pode ocorrer a plastificação. Porém, nos casos práticos, predomina o colapso por instabilidade global, local ou a combinação destes dois fenômenos. 5.1 Instabilidade global – aspectos teóricos 5.1.1 Carga crítica de flambagem elástica por flexão A flambagem, que é um problema de estabilidade estrutural, se caracteriza pela ocorrência de grandes defor- mações transversais em elementos submetidos a esforços de compressão. Em estruturas metálicas, os pro- blemas de instabilidade são particularmente importantes, já que os seus elementos apresentam elevada esbeltez em função da grande resistência do aço. O fenômeno da flambagem foi inicialmente estudado por Euler.¹ Nos seus estudos, Euler considerou uma barra ideal com as seguintes simplificações e/ou aproximações: • Material é homogêneo, de comportamento elástico linear perfeito; • Barra é prismática e sem imperfeições; • Extremidades rotuladas (vínculos ideais); • Força aplicada sem excentricidade; • Não ocorre instabilidade local dos elementos da seção. Segundo essas hipóteses simplificadoras, e admitindo-se o equilíbrio da barra em uma posição levemente deformada, é possível deduzir a equação diferencial que rege o problema partindo-se da equação da linha elástica provocada por uma flexão (Figura 5.1). Como o equilíbrio do elemento estrutural é estabelecido na posição defor- mada, trata-se de uma análise não linear geométrica ou análise de 2 ordem. Figura 5.1 Equilíbrio da barra para estudo da flambagem e seu equacionamento. Para condições de contorno diferentes (diferentes tipos de vínculos), obviamente obtêm-se valores diferentes para N após a solução da equação diferencial obtida por meio da análise de 2 ordem da barra. Uma forma sim- plificada para determinar a carga crítica em barras isoladas com diferentes condições de contorno (diferentes tipos de vínculos) é utilizando o conceito de comprimento efetivo de flambagem. O comprimento efetivo de flam- bagem seria o comprimento que uma barra com condição de vínculo qualquer deveria ter para que sofresse flam- bagem como uma barra biarticulada (para apresentar a mesma configuração deformada de uma barra biarti- culada). Em uma linguagem mais técnica, seria a distância entre pontos de inflexão na linha elástica da barra. O comprimento efetivo de flambagem é obtido pela multiplicação do comprimento da barra em questão por uma constante denominada coeficiente de flambagem K, que é função das condições de vínculos. No projeto de estruturas metálicas, o conceito de comprimento efetivo de flambagem não é mais utilizado, a EI = M = − Nv ou + v = 0 (5.1) A solução geral para essa equação diferencial homogênea de segunda ordem é do tipo: (5.2) As constantes C e C podem ser determinadas utilizando-se as condições de contorno nos apoios. Ou seja, no caso de apoios rotulados, tem-se v = 0 em x = 0 e x = L, que resulta em, respectivamente, C = 0. C sen = 0 A segunda condição será satisfeita se sen = 0, o que ocorre para , o que permite determinar a carga crítica: (5.3) O primeiro modo de flambagem ocorre para n = 1, e a força correspondente é a força crítica de Euler: (5.4) 1 2 2 1 cr a visto que a NBR 8800:2008 exige que a análise considere o comportamento não linear geométricoda estrutura. Portanto, já está se considerando o equilíbrio na posição deslocada e, consequentemente, incluindo os esforços adicionais denominados efeitos de 2 ordem. Para prosseguimento do estudo da flambagem, é interessante definir tensão crítica de flambagem elástica por flexão, que é obtida dividindo-se a força crítica de Euler pela área da seção transversal do elemento: (5.5) em que l é denominada esbeltez da barra e é dada por , sendo r o raio de giração da seção transversal. Em elementos sem imperfeições geométricas iniciais e constituídos de aço com comportamento elástico per- feitamente plástico, só ocorrerá flambagem em regime elástico se a tensão crítica de Euler for inferior à resis- tência ao escoamento do aço. Caso o elemento não apresente flambagem, sua tensão crítica será igual à tensão li- mite de escoamento do aço, ou seja: (5.6) Donde se deduz a esbeltez limite de plastificação: (5.7) E com base na esbeltez de plastificação, define-se o coeficiente de esbeltez reduzido: (5.8) Portanto, em barras curtas com esbeltez l ≤ l não ocorre flambagem, e a falha será por plastificação da seção. Em barras longas, com esbeltez l ≥ l , ocorre flambagem em regime elástico dentro da validade das hipó- teses de Euler. O comportamento tensão normal versus esbeltez de um elemento comprimido é representado na Figura 5.2; é possível definir um fator de flambagem global dado por e apresentar esse comportamento inde- pendentemente das dimensões das grandezas envolvidas. Figura 5.2 Comportamento tensão versus esbeltez para elementos comprimidos. Além da flambagem por flexão, que é um caso particular de instabilidade, em barras de seção abertas e a pl pl paredes finas podem ocorrer outros fenômenos de instabilidade, denominados flambagem por torção e flam- bagem por flexotorção. A flambagem por torção está associada a rotações da seção transversal do elemento. A flambagem por flexotorção caracteriza-se pela ocorrência combinada de flambagem por flexão e flambagem por torção nas seções transversais do elemento comprimido. Em seções duplamente simétricas, pode haver predominância do caso particular de flambagem por flexão, no entanto, em seções monossimétricas e assimétricas, os outros modos de flambagem podem ser críticos e, por- tanto, devem ser considerados no dimensionamento. Considere-se o caso geral de instabilidade de uma barra com seção transversal assimétrica, conforme apre- sentado na Figura 5.3. Figura 5.3 Caso geral de instabilidade de barras. A equação 5.9 é obtida estudando-se o equilíbrio da barra em uma posição deslocada e rege o problema geral de estabilidade. (N −N )(N −N )(N −N )−N² (N −N ) −N² (N −N ) =0 (5.9) N – normal de flambagem elástica N – normal de flambagem elástica por flexão no eixo x N – normal de flambagem elástica por flexão no eixo y N – normal de flambagem elástica por torção x e y – coordenadas do centro de torção (Ct) r – raio de giração polar dado por: r e r – raios de giração da seção Neste caso, os modos de flambagem (flambagem por flexão em torno do eixo x N , flambagem por flexão em torno do eixo y N e flambagem por torção N ) ocorrem acoplados, e a carga crítica N de estabilidade elás- tica será a menor raiz da equação 5.9. No caso de seções monosimétricas, com simetria no eixo y, por exemplo, a coordenada x do centro de tor- ção C é nula e, portanto, a equação 5.9 toma a forma: (5.10) Para que a equação 5.10 seja satisfeita é necessário que: (N − N ) = 0 (5.11) e e ex e ey e ez e e ey e e ex e ex ey ez 0 0 0 x y ex ey ez e 0 t e ex (5.12) Resultando: N = N = (5.13) e (5.14) Na primeira situação (equação 5.13), tem-se o modo de flambagem por flexão no eixo x e na segunda (equa- ção 5.14), um acoplamento entre flambagem por flexão em y e torção, ou seja, flambagem por flexotorção. Por- tanto, em uma seção monossimétrica, podem ocorrer flambagem por flexotorção ou flambagem por flexão no eixo de não simetria, predominando o modo que resultar com menor carga crítica. Em seções duplamente simétricas, as coordenadas x e y do centro de torção são nulas, e a equação 5.9 transforma-se em: (N − N ) (N − N ) (N − N ) = 0 (5.15) Cujas raízes são: N = N = (5.16) N = N = (5.17) (5.18) Ou seja, em seções duplamente simétricas, os modos de flambagem ocorrem desacoplados, podendo ocor- rer um dos três casos; predominando o modo que resultar com menor carga crítica. A equação 5.18 corresponde à carga crítica de flambagem por torção, que é função do módulo de elasticidade longitudinal (E), do módulo de elasticidade transversal (G), do momento de inércia à torção (I ) da constante de empenamento (C ), do raio de giração polar e do comprimento efetivo de flambagem a torção. O C é uma propriedade geométrica dos perfis relacionada à rigidez e ao empenamento da seção transversal. Esse fenômeno de empenamento é característico de perfis de seção aberta, em que, para um dado esforço de tor- ção aplicado ao perfil, a sua seção transversal inicialmente plana perde essa condição em consequência das deformações longitudinais produzidas pelo esforço aplicado. A Figura 5.4 ilustra este fenômeno. e ex 0 0 e ex e ey e ez e ex e ey t W W Figura 5.4 Fenômeno de empenamento em seções abertas. A definição do comprimento efetivo de flambagem a torção é função das condições de vínculos nas extre- midades do elemento estrutural. Para os casos práticos de projeto, podem ser adotados os seguintes valores para o coeficiente de flambagem por torção K : • K = 1 para rotação impedida e empenamento livre em ambas extremidades das barras; • K = 2 para rotação e empenamento livre em uma extremidade e rotação e empenamento impedido na outra extremidade. 5.1.2 Efeito das imperfeições Nos casos práticos das construções sempre existe algum tipo de imperfeição geométrica oriunda dos pro- cessos de fabricação ou construtivos que provocam excentricidades inicias dos carregamentos e alteram o com- portamento do elemento no que diz respeito à sua estabilidade. Além disso, podem ocorrer imperfeições no material devidas à presença de tensões residuais nas seções. Para considerar o efeito das imperfeições geométricas, considera-se uma barra biarticulada com uma imper- feição geométrica inicial (Figura 5.5) senoidal expressa por: (5.19) Figura 5.5 Barra com imperfeição inicial. Para esta situação, a equação diferencial do problema é dada por: z z z = 0 (5.20) Resolvendo-se a equação diferencial com a aplicação adequada das condições de contorno referentes aos vín- culos de extremidades, encontra-se a seguinte solução: (5.21) Sendo N a carga crítica de Euler, combinado-se as equações 5.20 e 5.21, obtém-se a deformada total no ele- mento em função da força normal aplicada. (5.22) Cujo valor máximo, designado por v , é obtido para z = L/2 e dado por: (5.23) Vale observar que a parcela é o coeficiente de amplificação de deslocamento/esforços B estudado no capítulo 3. Portanto, é imediato concluir que imperfeições geométricas iniciais implicam em esforços axiais e momentos fletores adicionais de 2 ordem, que podem ser expressos por: M = N(v + v) = (5.24) Os momentos fletores, ainda que pequenos, provocam acréscimos nos deslocamentos laterais, resultando em comportamento força aplicada versus deslocamento lateral não linear, conforme apresentado na Figura 5.6. Figura 5.6 Comportamento força aplicada versus deslocamentos laterais. Em barras com imperfeições geométricas, não ocorre bifurcação do equilíbrio, os deslocamentos aumentam gradualmente para pequenos acréscimos de força normal aplicada e tendem para infinito quando a força aplicada cr t 1 a o tende para a carga crítica. Desta forma, o problema é analisadopor meio das tensões que atuam na barra subme- tida à flexão composta, limitando a tensão máxima ao valor correspondente à resistência ao escoamento do mate- rial – equação 5.25. f = (5.25) Na análise da estabilidade, devem ser consideradas também as imperfeições de material. As imperfeições de material estão relacionadas à presença de tensões residuais nas seções oriundas dos processos de fabricação. Essas tensões residuais, embora sejam autoequilibradas na seção, alteram o diagrama tensão versus deformação do material. Desta forma, a fase elástica passa a ser limitada por uma tensão de proporcionalidade (f ); acima deste limite de tensão, a análise da estabilidade deve incorporar efeitos não lineares físicos e geométricos. O efeito da não linearidade física pode ser expresso pela redução no módulo de elasticidade a partir do limite de proporcionalidade, que nesta fase deve ser substituído por um módulo tangente E . (5.26) Dependendo do diagrama tensão versus deformação adotado para análise, o módulo tangente pode ser variá- vel; neste caso, é necessário um procedimento iterativo para a sua determinação. Fazendo a tensão crítica igual à tensão de proporcionalidade (f = f ), é possível definir um parâmetro deno- minado esbeltez de proporcionalidade , que separa os limites de ocorrência de flambagem em regime elás- tico e flambagem em regime elastoplástico. E, portanto, uma barra comprimida pode atingir o colapso por escoa- mento se l ≤ l ; por flambagem em regime elástico se l ≥ l ; ou por flambagem em regime elastoplástico (inelás- tica) se l < l < l . Este comportamento pode ser expresso por uma curva de flambagem ou curva de resistência, conforme ilustrado na Figura 5.7. Figura 5.7 Curva de flambagem. As curvas de flambagem presentes nas normas são baseadas nestas formulações apresentadas aqui com cali- brações baseadas em ensaios experimentais, sobretudo no trecho correspondente à flambagem em regime inelás- tico. Como incluem imperfeições geométricas, tensões residuais, imperfeições de material, plastificação e são corrigidas por coeficientes de segurança, devem ser denominadas de curvas de resistência. máx p t cr p pl r pl r 5.2 Instabilidade local – aspectos teóricos Além da instabilidade global descrita na seção anterior, os perfis metálicos também podem apresentar o fenô- meno de instabilidade local, que é a perda da estabilidade dos elementos que compõem a seção transversal da barra e que pode ocorrer antes que a tensão crítica determinada na análise global seja atingida – Figura 5.8. Figura 5.8 Exemplos de flambagem local em perfis de aço. As chapas que compõem a seção transversal dos perfis de aço solicitadas por esforços de compressão ou de flexão estão submetidas a tensões axiais de compressão e, consequentemente, sujeitas à instabilidade. Trata-se, portanto, de instabilidade de chapas, e é dominada local porque o eixo da barra permanece indeformado. A tensão crítica de flambagem elástica para uma chapa quadrada com bordas apoiadas é dada pela expressão abaixo: (5.27) Para o entendimento do fenômeno, é possível fazer uma analogia com o caso da instabilidade de barra. A ten- são crítica depende: do material representado pelo seu módulo de elasticidade; de uma esbeltez – aqui deno- minada esbeltez local (relação largura-espessura - b/t); do coeficiente de Poisson, por se tratar de um elemento bidimensional; e de um coeficiente de flambagem, que, para este caso, é função das condições de vinculação, das condições de carregamento e da relação entre largura e comprimento do elemento – Tabela 5.1. Tabela 5.1 Coeficientes de flambagem local. Caso Condição de apoio Tensão Coeficiente de flambagem K 1 Normal 4,0 2 Normal 0,425 3 Flexão 24 No caso de plastificação da seção, ou seja, sem ocorrência de flambagem local, a tensão crítica de flambagem será igual à tensão de escoamento do material. Fazendo-se a expressão 5.27 igual f , define-se a esbeltez limite para flambagem de chapa (expressão 5.28). (5.28) Portanto, em chapas com relação b/t inferior a (b/t) não há flambagem local, e a mesma consegue atingir a plastificação. Esse comportamento é ilustrado na Figura 5.9. Figura 5.9 Curva de resistência para flambagem local. Ao contrário do que ocorre nas barras, a flambagem de chapa não implica no esgotamento de sua capacidade resistente. Nestes elementos existe a possibilidade de redistribuição de tensões, e em função disto, ocorre o fenô- meno denominado efeito pós-crítico ou pós-flambagem, que permite que a resistência ao escoamento seja alcan- çada. A Figura 5.10 ilustra este fenômeno e apresenta a evolução da distribuição de tensões em uma chapa até o esgotamento de sua capacidade resistente. 4 Cisalhamento 5,34 y lim Figura 5.10 Efeito pós-crítico em chapas. A partir da observação deste comportamento pós-crítico, foi possível definir o conceito de largura efetiva. Ou seja, despreza-se, para efeito de cálculo, a região da chapa que apresenta instabilidade e considera-se uma largura efetiva com a mesma resultante de tensões aplicadas na largura real do elemento. Este procedimento implica em considerar a redução de resistência da seção de forma indireta, por meio da redução da área. A determinação da largura efetiva foi inicialmente proposta por Von-Karma, segundo a expressão 5.29. (5.29) Portanto, se não houver instabilidade local, a largura efetiva é a própria largura do elemento, e, em caso de instabilidade, passa-se a trabalhar com uma largura efetiva menor. Desta forma, a redução na resistência de um elemento estrutural em função da instabilidade local pode ser considerada reduzindo-se as propriedades geomé- tricas da seção transversal, que passam a ser determinadas com base nas larguras efetivas. A expressão 5.29, com ajustes devidos a imperfeições iniciais e baseada em ensaios experimentais, é a mesma que aparece nas normas de dimensionamento. 5.3 Resistência à compressão 5.3.1 Estados limites últimos A determinação da força normal resistente de cálculo a compressão (N ) é dada pela expressão 5.30, em que já se considera a possibilidade de escoamento da seção, flambagem local e flambagem global. (5.30) γ – coeficiente de ponderação da resistência para compressão, igual a 1,10 χ – fator de redução associado à resistência à compressão Q – coeficiente de flambagem local A – área bruta da seção transversal da barra f – resistência ao escoamento do aço O χ, que é o fator de redução associado à instabilidade global, é dado pela expressão a seguir, que repre- senta a curva de resistência ou curva de flambagem da Figura 5.11. Para l ≤ 1,5, (5.31) Para l > 1,5, (5.32) (5.33) N é a força normal correspondente ao escoamento da seção transversal, igual ao produto entre a área bruta da seção e à resistência ao escoamento do aço. N é a força normal de flambagem elástica, definida para o modo de flambagem (por flexão, por torção ou por flexotorção) mais crítico. Os valores de χ podem ser retirados da curva apresentada na Figura 5.11 ou na Ta- bela 5.2. Figura 5.11 Curva de dimensionamento para elementos comprimidos – (NBR 8800:2008).² Tabela 5.2 Valores do fator de redução χ – (NBR 8800:2008).³ c,Rd g y o o pl e l 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 l 0,0 1,000 1,000 1,000 1,000 0,999 0,999 0,998 0,998 0,997 0,997 0,0 0,1 0,996 0,995 0,994 0,993 0,992 0,991 0,989 0,988 0,987 0,985 0,1 o o O coeficiente de instabilidade local, Q, considera a influência da flambagem local na resistência do elemento e é dividido em dois coeficientes: Q – coeficiente de redução da resistência devido à flambagem local em elementos apoiados e livres – AL, por exemplo, mesa de perfis tipo I; Q – coeficiente de redução da resistência devido à flambagemlocal em elementos apoiados e apoiado – AA, por exemplo, alma de perfis tipo I. Em seções compostas de elementos AA e AL, como, por exemplo, perfis I e U, o coeficiente Q é dado pelo produto dos coeficientes Q e Q : Q = Q Q (5.34) Em seções compostas apenas de elementos AL, como, por exemplo, perfis L e T, o coeficiente Q será o menor dos coeficientes Q entre os diversos elementos que compõem a seção. Para seções compostas apenas de elementos AA, como em seções caixão, o coeficiente de redução Q será o menor dos coeficientes Q . O parâmetro de instabilidade local Q será igual 1 se a relação largura-espessura dos elementos componentes da seção não ultrapassar os limites indicados na Tabela 5.3. Isto indica que não há redução de resistência em fun- ção da instabilidade local, ou que esta não ocorre. Seções com essas características podem ser denominadas de 0,2 0,983 0,982 0,980 0,978 0,976 0,974 0,972 0,970 0,968 0,965 0,2 0,3 0,963 0,961 0,958 0,955 0,953 0,950 0,947 0,944 0,941 0,938 0,3 0,4 0,935 0,932 0,929 0,926 0,922 0,919 0,915 0,912 0,908 0,904 0,4 0,5 0,901 0,897 0,893 0,889 0,885 0,881 0,877 0,873 0,869 0,864 0,5 0,6 0,860 0,856 0,851 0,847 0,842 0,838 0,833 0,829 0,824 0,819 0,6 0,7 0,815 0,810 0,805 0,800 0,795 0,790 0,785 0,780 0,775 0,770 0,7 0,8 0,765 0,760 0,755 0,750 0,744 0,739 0,734 0,728 0,723 0,718 0,8 0,9 0,712 0,707 0,702 0,696 0,691 0,685 0,680 0,674 0,669 0,664 0,9 1,0 0,658 0,652 0,647 0,641 0,636 0,630 0,625 0,619 0,614 0,608 1,0 1,1 0,603 0,597 0,592 0,586 0,580 0,575 0,569 0,564 0,558 0,553 1,1 1,2 0,547 0,542 0,536 0,531 0,525 0,520 0,515 0,509 0,504 0,498 1,2 1,3 0,493 0,488 0,482 0,477 0,472 0,466 0,461 0,456 0,451 0,445 1,3 1,4 0,440 0,435 0,430 0,425 0,420 0,415 0,410 0,405 0,400 0,395 1,4 1,5 0,390 0,385 0,380 0,375 0,371 0,366 0,361 0,356 0,352 0,347 1,5 1,6 0,343 0,338 0,334 0,330 0,326 0,322 0,318 0,314 0,311 0,307 1,6 1,7 0,303 0,300 0,296 0,293 0,290 0,286 0,283 0,280 0,277 0,274 1,7 1,8 0,271 0,268 0,265 0,262 0,259 0,256 0,253 0,251 0,248 0,246 1,8 1,9 0,243 0,240 0,238 0,235 0,233 0,231 0,228 0,226 0,224 0,221 1,9 2,0 0,219 0,217 0,215 0,213 0,211 0,209 0,207 0,205 0,203 0,201 2,0 2,1 0,199 0,197 0,195 0,193 0,192 0,190 0,188 0,186 0,185 0,183 2,1 2,2 0,181 0,180 0,178 0,176 0,175 0,173 0,172 0,170 0,169 0,167 2,2 2,3 0,166 0,164 0,163 0,162 0,160 0,159 0,157 0,156 0,155 0,154 2,3 2,4 0,152 0,151 0,150 0,149 0,147 0,146 0,145 0,144 0,143 0,141 2,4 2,5 0,140 0,139 0,138 0,137 0,136 0,135 0,134 0,133 0,132 0,131 2,5 2,6 0,130 0,129 0,128 0,127 0,126 0,125 0,124 0,123 0,122 0,121 2,6 2,7 0,120 0,119 0,119 0,118 0,117 0,116 0,115 0,114 0,113 0,113 2,7 2,8 0,112 0,111 0,110 0,110 0,109 0,108 0,107 0,106 0,106 0,105 2,8 2,9 0,104 0,104 0,103 0,102 0,101 0,101 0,100 0,099 0,099 0,098 2,9 3,0 0,097 0,097 0,096 0,096 0,095 0,094 0,094 0,093 0,092 0,092 3,0 s a s a s a s a seções compactas. Tabela 5.3 Limites de relação largura-espessura – (NBR 8800:2008).⁴ Para barras submetidas à força axial de compressão, nas quais elementos componentes da seção transversal possuem relações b/t maiores que os valores de (b/t) da Tabela 5.3, deve-se determinar o parâmetro de ins- tabilidade local para elementos AA e elementos AL, de acordo com as expressões apresentadas na Tabela 5.4. Tabela 5.4 Expressões para o cálculo do parâmetro de instabilidade local Q. Elemento Grupo Descrição dos elementos Exemplos com indicação de b e t (b/t) AA 1 Mesas ou almas de seções tubulares retangulares. Lamelas e chapas de diafragmas entre linhas de parafusos ou soldas. 1,40 2 Almas de seções I, H ou U. Mesas ou almas de seção caixão. Todos os demais elementos que não integram o Grupo 1. 1,49 AL 3 Abas de cantoneiras simples ou múltiplas providas de chapas de travejamento. 0,45 4 Mesas de seções I, H, T ou U, laminadas. Abas de cantoneiras ligadas continuamente ou projetadas de seções I, H T ou U, laminadas ou soldadas. Chapas projetadas de seções I, H, T ou U, laminadas ou soldadas. 0,56 5 Mesas de seções I, H T ou U, soldadas. 0,64 k na Tabela 5.4 6 Almas de seções T. 0,75 lim c lim Elementos AL Elementos AA Elementos do grupo 3 – Tabela 5.3 A = A − ∑(b − b )t b = 1,92 t c = 0,38 – mesas e almas de seções tubulares retangulares; c = 0,34 – para todos os demais elementos AA; s = c f – tensão máxima que pode atuar na seção. O valor c deve ser calculado inicialmente com Q = 1. De forma conservadora, pode-se adotar ef g ef ef a a y 5.3.2 Estados limites de serviço Os estados limites de serviço em barras comprimidas estão ligados à esbeltez da barra. Neste sentido, a NBR 8800:2008 limita em 200 a esbeltez de barras comprimidas. Em barras com seção composta formadas por mais de um perfil, o índice de esbeltez de qualquer perfil não deve ultrapassar ½ do índice de esbeltez máxima do conjunto. Podem ser utilizadas chapas espaçadoras a inter- valos de comprimentos que garantam essa condição de esbeltez – Figura 5.12. Figura 5.12 Verificação de esbeltez em barras compostas comprimidas. s = f Q = 1,340 − 0,76 , para , para Elementos do grupo 4 – Tabela 5.3 Q = 1,415 − 0,74 , para , para Elementos do grupo 5 – Tabela 5.3 Q = 1,415 − 0,65 , para , para , para Elementos do grupo 6 – Tabela 5.3 Seções tubulares circulares Q = 1,908 − 1,22 , para , para Q = 1,0 se ≤ se ≤ Simbologia h – altura da alma t – espessura da alma b e t – a largura e a espessura do elemento, respectivamente – Tabela 5.3 E – módulo de elasticidade f – resistência ao escoamento b – largura efetiva do elemento A – área efetiva da seção A – área bruta da seção D – diâmetro de seções tubulares y s s s s w y ef ef g 5.4 Exercício Dimensionar a diagonal de apoio da treliça da Figura 5.13 para a envoltória de esforços obtida no exercício do item 2.4. No pré-dimensionamento, foi definida uma seção dupla cantoneira 2L 63 x 4,75 mm em aço ASTM A36. Neste exemplo, a seção 2L 63 x 4,75 mm será verificada para o esforço de cálculo a compressão N = 40,4 kN. Figura 5.13 Treliça e detalhe de ligação para exercício 5.4 (cotas em mm). As propriedades geométricas da seção são as apresentadas na Tabela 5.5. Tabela 5.5 Propriedades geométricas da seção dupla cantoneira 2L 63 x 4,75 mm. O dimensionamento a compressão inicia-se com a verificação da flambagem local, neste caso, elementos AL do grupo 3 – Tabela 5.3. A relação largura-espessura para a aba da cantoneira é: O limite de esbeltez local para elementos AL do grupo 3 é: Com , poderá ocorrer flambagem local e, portanto, deve ser calculado o parâmetro de flambagem local Q, dado por: , para sd b (mm) t (mm) t (mm) A (cm²) r (cm) r (cm) r (cm) 63 4,75 6,3 11,6 1,98 2,87 1,27 Ix (cm⁴) Iy (cm⁴) It (cm⁴) Cw (cm²) X (cm) Y (cm) X (cm) 46,0 95,5 0,9 0 0 1,75 1,75 ch x y z 0 0 cg , para Logo, Como a seção é composta somente de elementos AL, Q = Q = 0,98. Determinado o parâmetro de flambagem local Q, parte-se para a verificação da flambagem global com o cál- culo da esbeltez reduzida . Porém, antes disto, é necessário determinar a normal de flambagem elástica da barra. Trata-se de uma seção monossimétrica (o eixo y é o eixo de simetria); portanto, os modos de flambagem possíveis são a flambagem por flexotorção (N ) ou a flambagem por flexão em x (N ). O comprimento da flambagem dabarra é o próprio comprimento da barra. A força normal de plastificação da barra será: N = A × fy = 11,6 × 25 = 290 kN A força normal de flambagem elástica por flexão em x: Para determinar a força normal de flambagem elástica por flexotorção será necessário determinar a força nor- mal de flambagem elástica por flexão em y e por torção: Força normal de flambagem elástica por flexão em y: Força normal de flambagem elástica por torção: com Força normal de flambagem elástica por flexotorção: s eyz ex pl = 202,8 kN A força normal de flambagem elástica será o menor valor entre a força normal de flambagem elástica por fle- xão em x e por flexotorção. Neste caso, predomina flambagem por flexão em x com: N = N = 113,4 kN Com isso, pode se determinar a esbeltez reduzida: O parâmetro de flambagem global c é dado por: Para l ≤ 1,5, Para l > 1,5, Portanto: l > 1,5 E, finalmente, a força normal resistente à compressão será: Lembrando que a solicitação de cálculo na barra é N = 40,4 kN, tem-se: N ≥ N Portanto, a seção 2L 63 x 4,75 está ok para os estados limites últimos. Para complementar o dimensionamento da seção, é necessário verificar os estados limites de serviço que estão relacionados à esbeltez da barra. No caso da seção dupla cantoneira, deve-se verificar: ok ok Não ok, utilizar chapas espaçadoras (também denominadas presilhas) para reduzir o comprimento destra- vado da cantoneira isolada. Distância entre presilhas: l = l ∙ r = 71,5 ∙ 1,27 = 88,7 cm (887 mm) Número de presilhas: Utilizar 3 chapas de presilhas. [1] Euler (1707-1783). [2] ABNT (2008). [3] Idem. [4] Idem. e ex o o o c,Sd c,Rd c,Sd z,máx z,máx z 6. DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO SIMPLES 6.1 Mecanismo de colapso plástico O colapso de uma barra de aço submetido à flexão pode ocorrer pela formação de rótulas plásticas, por ins- tabilidade local dos elementos constituintes da seção ou por flambagem lateral. Será investigado inicialmente o comportamento relativo ao colapso plástico que ocorre na ausência de ins- tabilidades, ou seja, em seções compactas e semicompactas travadas lateralmente. A formação de uma rótula plástica consiste na plastificação de uma seção transversal desde as fibras mais externas (mais afastadas do eixo neutro) até a plastificação total da seção. O mecanismo de formação da rótula plástica apresenta uma fase elástica que corresponde ao início da plastificação da fibra mais externa e uma fase elastoplástica até se atingir a plastificação total – Figura 6.1. Figura 6.1 Mecanismo de formação de rótulas plásticas. O limite elástico corresponde ao momento elástico M ; o elastoplástico corresponde ao momento de plasti- ficação total, M , que é o momento, devido às tensões normais na situação, em que a seção se encontra total- mente plastificada, e a Linha Neutra Plástica divide a seção em duas partes de áreas iguais. Fazendo-se o equi- líbrio de tensões para a seção tipo I da Figura 6.1, tem-se: i) Em regime elástico M = Wf (6.1) em que w é o módulo resistente elástico da seção. ii) Em regime elastoplástico (6.2) em que Z é o módulo resistente plástico da seção. O módulo resistente plástico pode ser quantificado por uma relação entre este e o módulo resistente elástico denominado fator de forma α. Para seções tipo I, o fator de forma é α = 1,12, e para seções retangulares chega a α = 1,5. Em seções assimétricas, a linha neutra plástica divide a seção em áreas iguais e, portanto, não coincide com a linha neutra elástica. É o caso de seções de dupla cantoneira e seções de tipo T submetidas à flexão em torno do eixo de maior inércia. O momento de plastificação corresponde à máxima capacidade da seção submetida à flexão pura. Um ele- mento submetido à flexão pode atingir essa capacidade máxima nas seguintes situações: • Na ausência de instabilidades locais, ou seja, em seções compactas e semicompactas; • Com flexão em torno do eixo de maior inércia; • Elementos com deslocamentos laterais impedidos na zona comprimida da seção. A contenção lateral pode ser conseguida por uma laje de concreto ou barras de aço secundárias, convenientemente posicionadas; • Em seções com rigidez a torção e a flexão lateral elevadas, como, por exemplo, seções tipo caixão. y pl y y No caso de atuação de outros esforços axiais, torção ou mesmo flexão em outro eixo, é necessário quantificar o efeito da interação entre as tensões geradas por cada um destes esforços combinados. 6.2 Flambagem lateral Na ausência de travamentos laterais, um elemento de aço submetido à flexão pode sofrer um fenômeno de instabilidade denominado flambagem lateral com torção – FLT. Este fenômeno é particularmente importante no caso de seções abertas, usuais nas estruturas metálicas. A flambagem lateral com torção é caracterizada por deslocamentos laterais da porção comprimida da seção de um elemento submetido à flexão. A parte comprimida da seção pode ser encarada como uma barra compri- mida continuamente travada pela parte tracionada, que não apresenta a tendência de deslocamentos laterais. Em função disso, os deslocamentos laterais na parte comprimida provocam também a rotação da seção transversal; daí a denominação flambagem lateral com torção. Nesta condição, ou seja, sem contenções laterais, o momento máximo resistente para uma viga corresponde ao momento crítico de flambagem lateral com torção. Para a determinação do momento crítico de flambagem lateral com torção, parte-se de uma viga ideal (Figura 6.2). Ou seja, sem imperfeições geométricas ou de material, comportamento elástico linear, regime de pequenos deslocamentos, seção transversal com dois eixos de simetria e sujeita a momento fletor constante ao longo do comprimento. Nas extremidades desta viga, são admitidos vínculos de garfo que restringem os deslocamentos laterais e de rotação em torno do eixo longitudinal da barra, e deixa livre o empenamento da seção. Figura 6.2 Configuração deslocada para análise da FLT. Analisando-se o equilíbrio da viga da Figura 6.2 na posição deslocada, definem-se as três equações diferen- ciais que seguem: Para flexão em torno do eixo x: (6.3) Para flexão em torno do eixo y: (6.4) Para torção em torno do eixo z: (6.5) A equação 6.3 é independente das demais. Trabalhando-se algebricamente as equações 6.4 e 6.5, que são dependentes, é possível deduzir a equação diferencial que rege o problema (equação 6.6). (6.6) Resolvendo-se a equação 6.6 com a aplicação conveniente das condições de contorno, encontra-se o mo- mento crítico elástico de flambagem lateral com torção dado por: (6.7) em que: l – comprimentos destravados da viga E – módulo de elasticidade G – módulo de elasticidade transversal I – inércia em torno do eixo de menor inércia I – momento de inércia à torção C – rigidez ao empenamento A equação 6.7, para o cálculo do momento crítico, é válida para o caso padrão ideal, apresentado na Figura 6.2. Para outras condições de vínculos e/ou diagrama de momentos fletores, o momento crítico pode ser obtido de forma absolutamente análoga. Na realidade de projeto, seria pouco prático deduzir e resolver as equações dife- renciais para cada tipo específico de seção, carregamento e condições de vinculação. Por isso, as normas apre- sentam expressões aproximadas para os casos mais comuns de perfis de aço, incluindo ajustes, para considerar as imperfeições inicias geométricas e de material. Para o caso de seções tipo I, a expressão para cálculo do momento crítico toma a forma: (6.8) com , e em que é a esbeltez para flambagem lateral com torção e l é a distância entre travamentos laterais, ou seja, é o comprimento destravado do elemento analisado. Em seções duplamente simétricas, fletidas em relação ao eixode maior inércia, para um carregamento qual- quer o momento crítico entre pontos com contenção lateral pode ser estimado multiplicando-se o momento crí- tico do caso padrão por um coeficiente C , que pode ser encarado como um coeficiente de uniformização de momentos fletores e que tem o mesmo papel do coeficiente de flambagem K na compressão. Esse coeficiente será maior que a unidade, já que a situação de momentos fletores constantes ao longo do comprimento destra- vado é a situação mais desfavorável. O coeficiente C é calculado em função de valores de momento fletores em pontos predefinidos do diagrama de momento ao longo do comprimento destravado, conforme expressão 6.9. (6.9) em que: M – valor do momento fletor máximo solicitante de cálculo, em módulo, no comprimento destravado; M – valor do momento fletor solicitante de cálculo, em módulo, na seção situada a um quarto do comprimento destravado, medido a partir da extremidade da esquerda; M – valor do momento fletor solicitante de cálculo, em módulo, na seção central do comprimento destravado; M – valor do momento fletor solicitante de cálculo, em módulo, na seção situada a três quartos do comprimento destravado, medido a partir da extremidade da esquerda; R – parâmetro de monossimetria da seção transversal, igual a 0,5 + 2(I /I )² para seções com apenas um eixo y t w b b máx A B C m yc y de simetria, fletidas em relação ao eixo que não é de simetria, sujeitas à curvatura reversa e igual a 1,00 em todos os demais casos; I – momento de inércia da mesa comprimida em relação ao eixo de simetria (como a curvatura é reversa, esse momento de inércia refere-se à mesa de menor momento de inércia); I – momento de inércia da seção transversal em relação ao eixo de simetria. Em trechos em balanço entre uma seção com restrição a deslocamento lateral, torção e extremidade livre, deve-se tomar C = 1. No fenômeno da instabilidade de elementos submetidos à flexão analisado até agora, considerou-se o mate- rial elástico linear. No limite do comportamento elástico linear do aço, tem-se M ≤ M , em que M é o momento de proporcionalidade calculado para a tensão de proporcionalidade do aço na seção. Para essa situação, deter- mina-se a esbeltez λ a partir da qual é válida a expressão 6.8, ou seja, em que ocorre flambagem em regime elás- tico linear. Em outro extremo, é possível calcular a esbeltez máxima λ do elemento no qual a falha ocorrerá por plasti- ficação total da seção. A esbeltez λ pode ser obtida fazendo-se M = M na equação 6.8. Para elementos com esbeltez intermediária entre λ e λ , ocorrerá flambagem lateral com torção, porém em regime inelástico. O gráfico da Figura 6.3 apresenta a resistência ao momento fletor em função da esbeltez do ele- mento. O trecho correspondente à flambagem em regime inelástico é aproximado por uma reta. Figura 6.3 Momento resistente em função da esbeltez. A norma brasileira NBR 8800:2008 apresenta as expressões e os valores de λ e λ e M para diferentes tipos de seções transversais. yc y b cr r r r p p cr pl p r p r cr 6.3 Instabilidade local na flexão Em elementos estruturais de aço submetidos à flexão pode surgir também o fenômeno de instabilidade local em função das tensões normais de compressão na seção transversal. No caso de seções tipo I, as mais comumente utilizadas em elementos submetidos à flexão, é analisada a possibilidade de flambagem local na mesa comprimida (FLM) e na alma (FLA). A mesa é considerada um elemento AL (apoiado-livre) com tensões uniformes de compressão; enquanto a alma é considerada elemento AA (apoiado-apoiado) submetido a tensões com variação linear com parte da alma comprimida e parte da alma tracionada. O momento crítico de flambagem local pode ser obtido de maneira análoga ao estudo apresentado para bar- ras submetidas à compressão axial. É possível traçar uma curva de resistência para FLM e FLA semelhante àquela obtida para flambagem lateral com torção. Figura 6.4 Curvas de resistência para FLM e FLA, respectivamente. Os valores de λ e λ e M podem ser calculados para cada situação de seção transversal, condição de vín- culo e tensão solicitante. As normas apresentam esses valores tabelados para as situações mais usuais. Em vigas de almas esbeltas, com λ > λ , a flambagem da alma pode levar consigo a mesa, exigindo-se uma verificação particularizada para a FLA que não será tratada neste texto. A utilização de vigas de almas esbel- tas é pouco comum em edifícios, sendo mais frequente em pontes. p r cr w r 6.4 Dimensionamento de elementos submetidos à flexão Com base no que foi exposto até aqui, fica claro que os estados limites últimos aplicáveis a elementos submetidos à flexão são flambagem lateral com torção (FLT), flambagem local de mesa (FLM) e flambagem local de alma (FLA). O momento fletor resistente da seção será o menor entre os momentos resistentes para cada um dos estados limites aplicáveis. O momento fletor resistente de cálculo, devido à FLT, será o menor das três situações a seguir: a) , para λ ≤ λ b) , para λ < λ ≤ λ c) , para λ > λ γ = 1,1 – Coeficiente de ponderação para a resistência do material O momento fletor resistente de cálculo, devido à FLM e FLA, será o menor das três situações a seguir: a) , para λ ≤ λ b) , para λ < λ ≤ λ c) , para λ > λ (não aplicável à FLA) γ = 1,1 – Coeficiente de ponderação para a resistência do material As expressões para a determinação dos parâmetros necessários para o cálculo do momento resistente estão resumidas na Tabela 6.1. Tabela 6.1 Parâmetros para cálculo da resistência à flexão – NBR 8800:2008.¹ p p r r al p p r r al Tipo de seção e eixo de flexão Estados limites aplicáveis M M λ λ λ Seções I e H com dois eixos de simetria e seções U não sujeitas a momento de torção, fletidas em relação ao eixo de maior momento de inércia. FLT (f − σ )W Ver nota 5 Ver nota 1 Ver nota 1 FLM (f − σ )W Ver nota 5 Ver nota 6 b/t Ver nota 8 Ver nota 6 FLA f W Viga esbelta (Anexo H) Seções I e H com apenas um eixo de simetria situado no plano médio da alma, fletidas em FLT (f − σ )W ≤ f W Ver nota 5 Ver nota 2 Ver nota 2 r cr p r y r y r y y r c y t Notas relativas à Tabela 6.1: 1) Em que: , para seções I , para seções U relação ao eixo de maior momento de inércia (ver nota 9). FLM (f − σ )W Ver nota 6 Ver nota 6 b/t Ver nota 8 Ver nota 6 FLA f W Viga esbelta (Anexo H) Seções I e H com dois eixos de simetria e seções U fletidas em relação ao eixo de menor momento de inércia. FLM (f − σ )W Ver nota 6 b/t Ver nota 8 Ver nota 6 FLA Ver nota 3 f W Ver nota 4 Ver nota 4 Seções sólidas retangulares fletidas em relação ao eixo de maior momento de inércia. FLT f W Seções caixão e tubulares retangulares duplamente simétricas fletidas em relação a um dos eixos de simetria. FLT Ver nota 7 (f − σ )W Ver nota 5 FLM f W Ver nota 4 Ver nota 4 b/t Ver nota 8 FLA f W - Ver nota 10 y r c y y r c y ef y y r y ef y 2) Em que: β = 5,2 β β + 1 , com α conforme nota 9 a seguir , para seções I 3) O estado limite FLA aplica-se somente à alma da seção U quando comprimida pelo momento fletor. 4) W é o módulo de resistência mínimo elástico, relativo ao eixo de flexão, para uma seção que tem uma mesa comprimida (ou alma comprimida no caso de perfil U fletido em relação ao eixo de menor inércia) de largura igual a b , dada por: a) Seção tubular retangular • para • para b = b b) Demais seções • quando • quando b = b Em alma comprimida de seção U fletida em relação ao eixo de menor momento de inércia,b = h, t = t e b = h . 5) A tensão residual de compressão nas mesas, σ , deve ser tomada igual a 30% da resistência ao escoamento do aço utilizado. 6) Para perfis laminados: , Para perfis soldados: , em que e 0,35 ≤ k ≤ 0,763 7) O estado limite FLT só é aplicável quando o eixo de flexão for o de maior momento de inércia. 8) b/t é a relação entre largura e espessura aplicável à mesa do perfil; no caso de seções I e H, com um eixo de simetria, b/t refere-se à mesa comprimida (para mesas de seções I e H, b é a metade da largura total, para mesas de seções U, a largura total, para seções tubulares retangulares, a largura da parte plana, e para perfis caixão, a distância livre entre almas). 2 1 y ef ef ef ef w ef ef r c 9) Para essas seções, devem ser obedecidas as seguintes limitações: a) 1/9 ≤ α ≤ 9 com b) a soma das áreas da menor mesa e da alma deve ser maior que a área da maior mesa. 10) Para seções caixão: Para seções tubulares retangulares: y 6.5 Resistência à força cortante A ocorrência de flexão pura é bastante rara nos casos práticos, portanto, os elementos estruturais submetidos à flexão estão também submetidos a esforço cortante. No caso de seções tipo I, admite-se, com base na obser- vação da distribuição das tensões de cisalhamento, que a força cortante é resistida exclusivamente pela alma. Os modos de falha ou estados limites últimos associados à força cortante em vigas são a plastificação da alma por cisalhamento ou a flambagem local por cisalhamento. A força cortante correspondente à plastificação por cisalhamento é dada por: V = 0,60 A f em que A é a área efetiva de cisalhamento, ou seja, a área da alma, que deve ser calculada como segue: • Em almas de seções I, H e U: A = d t ; • Em almas simétricas de seções caixão e tubulares retangulares: A = 2 d t ; em que d é a altura total da seção transversal. No caso da flambagem local, a alma é um elemento AA (apoiado-apoiado) solicitado por tensões de cisalha- mento e, semelhante a outras situações de flambagem local, pode ser definida uma curva de resistência (cortante resistente versus esbeltez da alma) que apresenta um trecho de plastificação, um trecho de flambagem em regime elástico e um trecho de flambagem inelástica. Desta forma, a resistência à força cortante é determinada como segue: Se λ ≤ λ Se λ < λ ≤ λ Se λ > λ Em que: a – distância entre as linhas de centro de dois enrijecedores transversais adjacentes h – altura da alma tomada como a distância entre as faces internas das mesas t – espessura da(s) alma(s) Os enrijecedores (Figura 6.5) são chapas soldadas na alma, com o objetivo de melhorar o comportamento quanto à instabilidade por força cortante e/ou falhas localizadas. pl w y w w w w w p p r r w Figura 6.5 Enrijecedores de alma. Os enrijecedores podem ser de apoio, utilizados em pontos de aplicação de carga concentrada, para melhor distribuição de tensões na seção e prevenção de falhas localizadas na alma. Já os chamados enrijecedores de alma, ou enrijecedores intermediários, dividem a alma em painéis, limitando ou eliminando os efeitos da flam- bagem por força cortante. Segundo a NBR 8800:2008, em vigas sem enrijecedores, que são comuns em edifícios, o coeficiente de flam- bagem por cisalhamento tende para k = 5 e a esbeltez local da alma não deve ultrapassar 260. Para que os enrijecedores de alma cumpram sua função, é necessário que seja impedida a flambagem do con- junto alma-enrijecedor; para tal, a inércia, I , em relação ao eixo do plano médio da alma deve ser superior a O cálculo da inércia I deve ser feito conforme indicado nas duas situações da Figura 6.6, com enrijecedor em apenas um lado da alma ou em ambos lados. Figura 6.6 Cálculo da inércia dos enrijecedores. Além disso, deve-se evitar a flambagem local do próprio enrijecedor, limitando a sua esbeltez local (relação largura-espessura) a: v St St 6.6 Estados limites de serviço O estado limite de serviço predominante nos elementos submetidos à flexão é o deslocamento ou flecha. Os limites de flecha admissíveis para situações mais comuns de elementos estruturais submetidos à flexão são apre- sentados no Anexo C da NBR 8800:2008 e estão reproduzidos na Tabela 2.4. 6.7 Exemplo de aplicação Dimensionar a viga V1 da Figura 6.7 com travamentos somente nos apoios (ou seja, a laje não trava a viga continuamente). Considere aço ASTM A 36 e os seguintes carregamentos: peso próprio da laje + revestimento de 150 kg/m², peso próprio de forro + divisórias de 100 kg/m² e uma sobrecarga de 200 kg/m². Figura 6.7 Pavimento com viga a ser dimensionada no exemplo 6.7. Para o pré-dimensionamento da altura da seção da viga, pode ser utilizada a relação altura-vão de L/20 a L/15. Ou seja: Testar VS 400 x 49 kg/m a) Ações nominais na viga A laje em questão é unidirecional, portanto, para determinar o carregamento sobre a viga, basta multiplicar a ação distribuída na laje pela largura de influência destas vigas. Ou seja: Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Altura d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b Ix (cm⁴) Wx (cm³) rx (cm) Zx (cm³) Iy (cm⁴) Wy (cm³) ry (cm) Zy (cm³) Cw (cm⁶) It (cm⁴) vs 400 × 49 48,7 62,0 400 6,30 381 9,50 200 17393 870 16,75 971 1267 127 4,52 194 483188 15 vs 400 × 58 57,8 73,6 400 6,30 375 12,5 200 21545 1077 17,11 1190 1667 167 4,76 254 625944 29 vs 400 × 68 68,4 87,2 400 6,30 368 16,00 200 26223 1311 17,34 1442 2134 213 4,95 324 786715 58 w f f Peso próprio da viga (PP): 49 kg/m (0,49 kN/m) Peso próprio da laje + revestimento (CP1): 3 m × 150 kg/m² = 450 kg/m (4,5 kN/m) Peso próprio de forro + divisório (CP2): 3 m × 100 kg/m² = 300 kg/m (3,0 kN/m) Sobrecarga (SC): 3 m × 200 kg/m² = 600 kg/m (6,0 kN/m) b) Verificação do estado limite de serviço Pode-se iniciar a verificação pelo estado limite de serviço, que implica na limitação da flecha máxima na viga em L/350 calculada para a combinação quase permanente, dada por: q = (PP) + (CP1 + CP2) + 0,3(SC) = 0,46 + 4,5 + 3,0 + 0,3(6,0) → q = 9,8 kN/m A flecha máxima para uma viga biapoiada com carregamento distribuído é: δ ≤ δ ok! c) Determinação dos esforços de cálculo Para verificação dos estados limites últimos, deve ser utilizada a seguinte combinação normal de ações: q = 1,25(PP) + 1,35(CP1 + CP2) + 1,5(SC) q = 1,25(0,49) + 1,35(4,5 + 3,0) + 1,5(6,0) = 19,8 kN/m E, portanto, os esforços de cálculo são os apresentados na Figura 6.8. Figura 6.8 Diagramas de esforços para a viga do exemplo 6.7. d) Resistência de cálculo a flexão: Caso 1 – viga com travamento lateral somente nos apoios. Flambagem local de mesa – FLM máx λ ≅ λ , não haverá flambagem local de mesa e, portanto, o momento resistente será: (220,7 kNm) Flambagem local de alma – FLA λ ≤ λ , não haverá flambagem local de alma e, portanto, o momento resistente será: (220,7 kNm) Flambagem lateral com torção – FLT Com λ > λ , haverá flambagem lateral. Para definir se a flambagem será em regime elástico ou plástico, deve-se calcular o λ . I , I , r , W, C são propriedades geométricas da seção em análise. λ ≤ λ ≤ λ , haverá flambagem lateral com torção em regime inelástico, e a resistência ao momento fletor será dada por: M = Z f = 971 × 25 → M = 24275 kNcm f p w p b p r y t y w p f r pl x y pl M = W (f − σ ) = 870 × (25 − 7,5) → M = 15225 kNcm ; para o cálculo deste coeficiente são utilizados os valores dos momentos fletores da Figura 6.8 e R = 1 para se- ções duplamente simétricas. e, finalmente, o momento fletor de cálculo: = = 16225 kNcm (162,25 kNm) Aresistência de cálculo ao momento fletor será a menor entre as obtidas para os estados limites de FLA, FLM e FLT, ou seja: M = 16225 kNcm (162,25 kNm) Para verificação da segurança: M = 162,25 kNm ≥ M = 89,1 kNcm (ok) d) Resistência de cálculo a força cortante A força cortante em vigas de seção tipo I é resistida somente pela alma. Em função da esbeltez, podem ocor- rer estados limites de escoamento da alma ou de flambagem local provocados por tensões de cisalhamento. , alma sem enrijecedores intermediários. k = 5,0 λ ≤ λ , não haverá flambagem local da alma, sendo o estado limite aplicável ao escoamento da alma com a resistência à força cortante dada por: V = 0,60 A f → V = 0,60 × (38,1 × 0,63) × 25 = 360 kN Para verificação da segurança: V = 327 kN ≥ V = 59,4 kN (ok) Concluindo, a seção da viga atende aos estados limites últimos para flexão e cortante e também aos estados limites de serviços relativos a flechas. [1] ABNT (2008). r x y r r m Rd Rd Sd v w p pl w y pl Rd sd 7. DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO COMPOSTA O comportamento de elementos estruturais submetidos à flexão composta é resultando da combinação dos esforços axiais e de flexão. Consequentemente, a forma de colapso pode ser através de flambagem por flexão (tí- pico de elementos solicitados axialmente), flambagem lateral com torção (típico de elementos submetidos à fle- xão) e, ainda, as instabilidades locais em seções esbeltas. Nos elementos estruturais submetidos à flexocompressão deve-se levar em conta os efeitos de 2 ordem na análise e no dimensionamento. O procedimento de análise em 2 ordem indicado pela NBR 8800:2008 e descrito no capítulo 3 já leva em consideração os efeitos de 2 ordem na estrutura (efeitos globais) e nos elementos (efei- tos locais) por meio dos coeficientes B e B . Caso a estrutura seja analisada em primeira ordem, os efeitos de 2 ordem locais devem ser considerados por meio do coeficiente B . A verificação da segurança em elementos submetidos à combinação de esforço axial e de flexão é baseada em equações de interação que são calibradas a partir de resultados numéricos e experimentais. Essas equações de interação definem superfícies de interação do tipo apresentado na Figura 7.1, delimitando o par M-N, em que o elemento atende aos critérios de segurança. Figura 7.1 Curvas de interação para uma seção retangular. a a a 1 2 a 1 7.1 Verificação de elementos submetidos à flexocompressão Para o dimensionamento de elementos sob flexocompressão, deve-se verificar isoladamente para os esforços de compressão e de flexão e, além disso, verificar a interação desses dois esforços por meio das seguintes equa- ções de interação. Para ≥ 0,2 Para Em que: N – força axial solicitante de cálculo de compressão; N – força axial resistente de cálculo a compressão; M e M – momentos fletores solicitantes de cálculo em relação aos eixos x e y da seção transversal, res- pectivamente, já incluindo os efeitos de 2 ordem; M e M – momentos fletores resistentes de cálculo em relação aos eixos x e y da seção transversal, res- pectivamente. Na verificação da flambagem lateral com torção em elementos submetidos a esforços combinados de flexão e compressão, o coeficiente C deve ser tomado igual a 1. Sd Rd Sd,x Sd,y a Rd,x Rd,y b 7.2 Exemplos de aplicação 7.2.1 Exemplo 7.1 Verificar o pilar da Figura 7.2 abaixo para o carregamento de cálculo indicado que inclui o peso próprio. Uti- liza-se aço ASTM A 572 Grau 50. A seção W 360 x 122 é compacta e, portanto, não apresenta instabilidade local. Figura 7.2 Geometria, travamento, carregamento de cálculo e propriedades geométricas da seção. Primeiramente, devem-se determinar os esforços de cálculo em análise de 2 ordem. Não existe carregamento horizontal na estrutura, portanto, será adotada uma força horizontal equivalente correspondente às imperfeições geométricas iniciais. A força horizontal equivalente deve ser igual a 0,3% do carregamento vertical de cálculo. F = 0,03 × 500 → F = 1,5 kN Na Figura 7.3 apresentam-se o carregamento de cálculo e a decomposição da estrutura para análise não linear geométrica, ou seja, determinação dos esforços de 2 ordem com o método dos coeficientes de amplificação de esforços. E, na Figura 7.4, os respectivos diagramas de esforços (momento e normal) em análise de 1 ordem. Figura 7.3 Carregamento de cálculo e esquema para análise estrutural. d = 363 mm I = 36599 cm⁴ r = 15,35 cm b = 257 mm I =6147 cm⁴ r = 6,29 cm t = 21,7 mm I =212,7 cm⁴ r = 16,6 cm t = 13 mm W = 2016,5 cm³ C = 1787806 m⁶ A = 155,3 cm² Z = 2269,8 cm³ x = y = 0 x x f y y f t o w x w x o o a eq eq a a Figura 7.4 Diagramas de esforços para a estrutura original, estrutura Nt e estrutura Lt. Para classificar a estrutura quanto à deslocabilidade, calcula-se o parâmetro B : = 0,68 → deslocamento relativo entre o topo e a base. h = 1000 cm → altura. R = 0,85 → a estabilidade lateral é assegurada somente pala rigidez da estrutura. ∑N = 5000 kN ∑H = 1,5 kN A estrutura é de média deslocabilidade, pois 1,1 < B < 1,4. Neste caso, devem-se incluir as imperfeições de material, reduzindo a rigidez da estrutura e corrigindo o parâmetro B . = 0,85 cm → deslocamento relativo entre a base e o topo da barra com a rigidez à flexão reduzida. Portanto, para a análise da estrutura, deve-se utilizar B = 1,5 para avaliar os efeitos de 2 ordem globais. Vale observar que esse novo valor de B não altera a classificação da estrutura. 2 m Sd Sd 2 2 2 a 2 Para avaliar os efeitos de segunda ordem locais, é necessário calcular o parâmetro B . (7.1) Em que: N = 500 kN – Força de compressão solicitante de cálculo obtida em análise de 1 ordem na estrutura original; = 5773,6 kN – força normal de flambagem elástica com o comprimento real da barra e redução de rigidez à flexão devida à classificação da estrutura em média deslocabilidade; C = 1, com forças transversais entre as extremidades da barra no plano de flexão. E, finalmente, determinados os parâmetros B e B , calculam-se os esforços finais: M = B M + B M M = 1,09 × 0 + 1,5 × 15 = 22,5 kNm N = N + B N N = 500 + 1,5 × 0 = 500 kN Portanto, a barra deve ser verificada à flexão composta com momento solicitante de cálculo M = 22,5 kNm e esforço axial de cálculo N = 500 kN. Além disso, tendo sido feita a análise em 2 ordem, o coeficiente de flambagem por flexão para a barra será K = 1. Verificação a compressão: Como se trata de uma seção compacta, não há ocorrência de flambagem local e, portanto, tem-se: Q = Q × Q = 1 Para se verificar a flambagem global, deve-se calcular a normal de flambagem elástica N , que, para uma seção duplamente simétrica, será o menor valor obtido para os modos de flambagem por flexão e por torção. = 7217 kN – normal de flambagem elástica por flexão em x; = 1212,2 kN – normal de flambagem elástica por flexão em y; = 7222,9 kN – normal de flambagem elástica por torção. Portanto, a normal de flambagem elástica será N = 1212,2 kN, que corresponde ao modo de flambagem por flexão no eixo y da seção. E, consequentemente, a esbeltez reduzida será: O parâmetro de flambagem global χ é dado por: Para λ ≤ 1,5, Para λ > 1,5, Portanto: λ ≤ 1,5, E, finalmente, a força normal resistente à compressão será: 1 Sd1 a m 1 2 r 1 nt 2 lt r r nt 2 lt r sd c,Sd a s a e e o o o N = 769,6 kN > N = 500 kN, a seção resiste ao esforço axial de cálculo. Verificação a flexão: A seção W 360 x 122 é compacta e, portanto, o momento resistente nominal para flambagem local de mesa (FLM) e flambagem local de alma (FLA) é igual ao momento de plastificação total. M = M = M = Z f = 2269,8 × 34,5 → M = 78308,1 kNcmDesta forma, a resistência à flexão da seção fica condicionada à flambagem lateral com torção – FLT, com esbeltez igual a: E a esbeltez de plastificação: Com λ > λ , haverá flambagem lateral. Para definir se a flambagem será em regime elástico ou plástico, deve-se calcular o λ . λ ≤ λ ≤ λ , haverá flambagem lateral com torção em regime inelástico, e a resistência ao momento fletor será dada por: no caso de flexão composta Cb = 1 M = Z f = 2269,8 × 34,5 → M = 78308,1 kNcm M = W (f − σ ) = 2016,5 × (34,5 − 10,35) → M = 48698,5 kNcm = 44853,6 kNcm (448,5 kNm) M = 448,5 kNm > M = 22,5 kNm. A seção resiste ao momento fletor solicitante de cálculo. Verificação da interação momento fletor – força normal: se ≥ 0,2 se c,Rd c,Sd FLM FLA pl x y pl b p r p b r pl x y pl r r y r r Rd Sd Portanto: (ok). Concluindo, a seção W 360 x 122 atende às condições de segurança para os estados limites aplicáveis. 7.2.2 Exemplo 7.2 Verificar o pilar da estrutura da Figura 7.5 em que estão indicados os esforços de cálculo obtidos em análise de 2 ordem. Utilizar aço ASTM A36. O pilar é travado lateralmente somente na base e no topo. Figura 7.5 Esforços de cálculo para o exemplo 1. O pilar deve ser verificado separadamente a compressão e a flexão; em seguida, deve ser verificada a interação entre esses dois esforços. Os efeitos de segunda ordem já foram considerados na análise, e os esforços da Figura 7.5 já são os esforços finais, incluindo 2 ordem local e global. Neste caso, devem-se utilizar coeficientes de flam- bagem K = 1 na verificação a compressão. As propriedades da seção CS 300 x 76 kg/m são apresentadas a seguir. Verificação a compressão: O dimensionamento a compressão inicia-se com a verificação da flambagem local da mesa (FLM) e da alma (FLA). a a Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Altura d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b Ix (cm⁴) Wx (cm³) rx (cm) Zx (cm³) Iy (cm⁴) Wy (cm³) ry (cm) Zy (cm³) Cw (cm⁶) It (cm⁴) CS 300 × 62 62,4 79,5 300 8,00 281 9,50 300 13509 901 13,04 986 4276 285 7,33 432 902174 22 CS 300 × 76 76,1 97,0 300 8,00 275 12,50 300 16894 1126 13,20 1229 5626 375 7,62 567 1162596 44 CS 300 × 95 95,3 121,5 300 9,50 268 16,00 300 20902 1393 13,12 1534 7202 480 7,70 726 1452194 90 w f f Flambagem local da mesa FLM – elemento AL O limite de esbeltez local para elementos AL do grupo 4 é: com Com λ < λ , não ocorre flambagem local e, portanto, Q = 1. Flambagem local da alma FLA – elemento AA do grupo 2 Com λ < λ , não ocorre flambagem local e, portanto, Q = 1. Como a seção é composta somente de elementos AL e AA, tem-se: Q = Q × Q = 1 Determinado o parâmetro de flambagem local Q, parte-se para a verificação da flambagem global com o cál- culo da esbeltez reduzida . Porém, antes disso, é necessário determinar a normal de flambagem elástica da barra. Trata-se de uma seção duplamente simétrica, portanto os modos de flambagem possíveis são a flam- bagem por flexão em x ou em y e a flambagem por torção. O comprimento da flambagem é o próprio compri- mento da barra. A força normal de plastificação da barra será: N = A × f = 97 × 25 = 2425 kN A força normal de flambagem elástica por flexão em x: A força normal de flambagem elástica por flexão em y: Força normal de flambagem elástica por torção: com = A força normal de flambagem elástica será o menor valor entre a força normal de flambagem elástica por fle- xão em x, por flexão em y ou por torção. Neste caso, predomina a flambagem por flexão em y e, portanto: N = N = 4437,6 kN f lim s w lim a s a pl y e ey Com isso, pode-se determinar a esbeltez reduzida: O parâmetro de flambagem global χ é dado por: Para λ ≤ 1,5, Para λ > 1,5, Portanto: λ ≤ 1,5 → χ = 0,769 E, finalmente, a força normal resistente à compressão será: Lembrando-se que a solicitação de cálculo na barra é N = 370 kN, tem-se: N ≥ N Portanto, a seção CS 300 x 76 está ok para os estados limites últimos na compressão. Verificação da flexão: Flambagem local de mesa – FLM λ ≤ λ ≤ λ , haverá flambagem local da mesa em regime inelástico, e a resistência ao momento fletor será dada por: M = Z f = 1229 × 25 → M = 30725 kNcm M = W (f − σ ) = 1126 × (25 − 7,5) → M = 19705 kNcm = 27108 kNcm (271 kNm) Flambagem local de alma – FLA o o o c,Sd c,Rd c,Sd p f r pl x y pl r x y r r λ ≤ λ , não haverá flambagem local de alma e, portanto, o momento resistente será: Flambagem lateral com torção – FLT Com λ > λ , haverá flambagem lateral. Para definir se a flambagem será em regime elástico ou plástico, deve-se calcular o λ . I , I , r , W, C são propriedades geométricas da seção em análise. λ ≤ λ ≤ λ , haverá flambagem lateral com torção em regime inelástico, e a resistência ao momento fletor será dada por: no caso de flexocompressão Cb = 1 M = Z f = 1229 × 25 → M = 30725 kNcm M = W (f − σ ) = 1126 × (25 − 7,5) → M = 19705 kNcm = =26629 kNcm (266,3 kNm) A resistência de cálculo ao momento fletor será a menor entre as obtidas para os estados limites de FLA, FLM e FLT, ou seja: M = 266,3 kNm Para verificação da segurança: M = 266,3 kNm ≥ M = 231,5 kNm (ok). Verificação da interação: . Portanto: w p b p r y t y w p b r pl x y pl r x y r r Rd Rd Sd (ok). Concluindo, a seção CS 300 x 76 atende às condições de segurança para os estados limites aplicáveis. 8. LIGAÇÕES 8.1 Introdução As estruturas devem ser projetadas para resistir a todas as ações atuantes durante a sua vida útil, com segu- rança, desempenho e durabilidade adequados à sua utilização, com custos de construção e manutenção compa- tíveis. Neste sentido, as ligações têm fundamental importância tanto no que se refere ao comportamento estru- tural como aos aspectos construtivos, de fabricação e montagem. As ligações, por vezes denominadas nós, são utilizadas para transferir esforços entre os elementos que for- mam a estrutura e entre estes e seus apoios. Alguns autores e normas definem de formas diferentes os termos ligações e nós da estrutura. A ligação consiste dos dispositivos (ou meios) de conexão como parafusos, pinos ou soldas, e os elementos são chapas, placas de bases, enrijecedores e cantoneiras de assento. Já o nó é definido como a região onde os elementos são conectados, incluindo os dispositivos e elementos de ligações, bem como o trecho dos elementos estruturais que devem ser conectados, possibilitando a transferência de esforços. Este texto apresenta as características e o comportamento estrutural dos principais dispositivos e elementos de ligação, bem como os procedimentos de dimensionamento de ligações soldadas e parafusadas segundo as recomendações da norma brasileira NBR 8800:2008. 8.1.1 Dispositivos e elementos de ligação Uma das principais diferenças entre os sistemas estruturais em aço e outras estruturas é justamente a neces- sidade de ligações entre os diversos elementos que a constituem. Nestas ligações podem ser identificados os ele- mentos de ligação e os dispositivos de ligação. Os elementos de ligação são os responsáveis pela transmissão dos esforços entre as partes conectadas, e são constituídos por chapas de ligação (chapa de nó ou gusset), placas de base, enrijecedores e cantoneiras de apoio (ou cantoneiras de assento). Já os dispositivos de ligação são os responsáveis pela união entre os diversos elementos de ligação. Atual- mente, os dispositivos de ligação mais comumente utilizados são as soldas e os parafusos. Nos itens seguintes, detalham-se osprincipais tipos e características para projeto destes dispositivos e elementos de ligação, infor- mações estas voltadas para o projeto de ligações. 8.2 Parafusos Nas ligações parafusadas podem ser utilizados parafusos comuns, parafusos de alta resistência e, excepcio- nalmente, parafusos sem qualificação estrutural. A transferência de esforços entre as partes conectadas pode acontecer por cisalhamento e contato (Figura 8.1(a)), por tração (Figura 8.1(c)) ou por atrito (Figura 8.1(b)). Figura 8.1 Mecanismos de transferência de forças em parafusos. Fonte: adaptada de Trahair et al.¹ No Brasil, é comum o emprego de duas classes de parafusos: comuns ASTM A307 e de alta resistência ASTM A325 e ASTM A490. Os parafusos comuns ASTM A307 são fabricados a partir de barras redondas de aço ASTM A307 com resistência à ruptura da ordem de 415 MPa. Esses parafusos normalmente possuem cabeça sextavada com rosca parcial ou ao longo de todo o seu comprimento. Na Figura 8.2 apresenta-se um desenho esquemático do parafuso ASTM A307 e, na Tabela 8.1, suas dimensões básicas. Figura 8.2 Parafuso comum ASTM A307. Tabela 8.1 Dimensões básicas de parafusos comuns.² Na construção metálica brasileira é comum a utilização de parafusos fabricados com aços do tipo SAE 1010 e SAE 1020. Ressalta-se que esses aços não possuem qualificação estrutural e, a rigor, não são permitidos para uso em estruturas metálicas. No entanto, por uma questão mercadológica, as normas têm tolerado o uso destes para- fusos, desde que seja adotada resistência à ruptura que não ultrapasse 380 MPa. Na segunda classe de parafusos estão os de alta resistência, fabricados com aço de médio carbono e Diâmetro nominal E (mm) máx. F (mm) G (mm) H (mm) R (mm) LT (mm) L<6” L>6” Pol. mm máx. mín. máx. mín. máx. mín. máx. mín. básico básico 1/2” 12,5 13,081 19,050 18,415 21,996 20,980 9,245 7,670 0,762 0,254 31,750 38,100 5/8” 16,0 16,306 23,812 23,012 27,508 26,238 11,277 9,601 1,524 0,508 38,100 44,450 3/4” 19,0 19,507 28,575 27,635 32,994 31,496 13,309 11,557 1,524 0,508 44,450 50,800 7/8” 22,0 22,733 33,324 32,232 38,506 36,753 15,341 13,487 1,524 0,508 50,800 57,150 1” 25,0 25,958 38,100 36,830 43,992 41,986 17,780 15,011 2,286 0,762 57,150 63,500 tratamento térmico. Esses parafusos são normalmente fabricados seguindo as especificações das normas ASTM e/ou ISO. Na Figura 8.3, são mostradas ilustração e características dos parafusos de alta resistência ASTM A325 e ASTM A490 e na Tabela 8.2, suas dimensões básicas. Figura 8.3 Parafuso de alta resistência ASTM A325 e ASTM A490. Tabela 8.2 Dimensões básicas de parafusos ASTM A325 e ASTM A490.³ Na Tabela 8.3 são apresentadas as classes de resistência ao escoamento e à ruptura para os parafusos do tipo ASTM. Tabela 8.3 Classes de resistência para parafusos ASTM. Na Figura 8.4, o esquema de um parafuso ISO com as suas respectivas dimensões, dadas na Tabela 8.4. Figura 8.4 Parafuso ISO. Tabela 8.4 Dimensões de parafusos ISO.⁴ Diâmetro nominal E F G H R L básico Pol. mm máx. mín. máx. mín. máx. mín. máx. mín. máx. mín. 1/2” 12,5 13,08 12,24 22,22 21,59 25,65 24,61 8,20 7,67 0,787 0,228 25,40 5/8” 16,0 16,30 15,36 26,97 26,18 31,16 29,84 10,23 9,60 1,574 0,533 31,75 3/4” 19,0 19,50 18,51 31,75 30,78 36,65 35,12 12,26 11,55 1,574 0,533 35,05 7/8” 22,0 22,73 21,64 36,52 35,40 42,16 40,36 14,30 13,48 1,574 0,787 38,10 1” 25,0 25,95 24,79 41,27 40,00 47,65 45,61 15,92 15,01 2,362 1,574 44,45 1.1/4” 32,0 32,43 31,06 50,80 49,22 58,64 56,10 20,65 19,02 2,362 1,574 50,80 T Especificação Diâmetro Resistência mínima ao escoamento – f (MPa) Resistência mínima à ruptura – f (MPa) ASTM A307 12,5 ≤ d ≤ 38 240 415 ASTM A325 12,5 ≤ d ≤ 25 635 825 ASTM A325 25 < d ≤ 38 560 725 ASTM A490 12,5 ≤ d ≤ 38 895 1.035 yb ub b b b b Diâmetro nominal d (mm) s (mm) e (mm) k (mm) r (mm) máx. mín. máx. mín. máx. mín. máx. mín. M5 5,8 4,52 8,00 7,64 9,2 8,63 3,875 3,125 0,35 b Os parafusos ISO são especificados da seguinte forma: ISO M12–5.8, sendo que M12 indica o diâmetro nomi- nal e 5.8 indica a classe de resistência, conforme a Tabela 8.5. Tabela 8.5 Classe de resistência para parafusos ISO. Nos parafusos ISO, a resistência ao escoamento f pode ser obtida tomando-se o produto do primeiro pelo segundo número da classe de resistência multiplicado por 10. Já a resistência à ruptura, f , corresponde a 100 vezes o primeiro algarismo da classe de resistência. Os parafusos mais frequentemente utilizados são os da clas- se 8.8, cuja resistência mínima à ruptura e ao escoamento é dada na Tabela 8.5. Os furos para instalação dos parafusos devem obedecer ao disposto na Tabela 8.6, que está de acordo com as prescrições da NBR 8800:2008. Tabela 8.6 Dimensões máximas de furos para parafusos e barras redondas rosqueadas – NBR 8800:2008. Na instalação de parafusos e barras rosqueadas, é necessário respeitar as distâncias mínimas e máximas entre furo e borda (Tabela 8.7) e entre furos consecutivos. A distância entre centros de furos padrão, alargados ou alongados, não pode ser inferior a 2,7 d , de preferência 3 d , sendo d o diâmetro do parafuso ou barra redonda M6 6,48 5,52 10,00 9,64 11,5 10,89 4,375 3,625 0,40 M8 8,58 7,42 13,00 12,57 15,0 14,20 5,875 5,125 0,80 M10 10,58 9,42 17,00 16,57 19,6 18,72 7,45 6,550 0,80 M12 12,70 11,30 19,00 18,48 21,9 20,88 8,45 7,550 1,25 M16 16,70 15,30 24,00 23,16 27,7 26,17 10,45 9,550 1,25 M20 20,84 19,16 30,00 29,16 34,6 32,95 13,90 12,10 1,78 M22 22,84 21,16 32,00 31,00 36,9 35,03 14,90 13,10 1,78 M24 24,84 23,16 36,00 35,00 41,6 39,55 15,90 14,10 1,78 M27 27,84 26,16 41,00 40,00 47,3 45,2 17,90 16,1 2,28 Classe de resistência Resistência mínima ao escoamento - f (MPa) Resistência mínima à ruptura - f (MPa) 4.6 240 400 5.6 300 500 5.8 400 500 6.8 480 600 8.8 640 800 10.9 900 1.000 12.9 1.080 1.200 yb ub yb ub Diâmetro do parafuso ou barra redonda rosqueada d Diâmetro do furo padrão Diâmetro do furo alargado Dimensões do furo pouco alongado Dimensões do furo muito alongado Dimensões em milímetro ≤ 24 d + 1,5 d + 5 (d + 1,5) × (d + 6) (d + 1,5) × 2,5 d 27 28,5 33 28,5 × 35 28,5 × 67,5 ≥ 30 d + 1,5 d + 8 (d + 1,5) × (d + 9,5) (d + 1,5) × 2,5 d Dimensões em polegada ≤ 7/8 d + 1/16 d + 3/16 (d + 1/16) × (d + 1/4) (d + 1/16) × 2,5 d 1 1 1/16 1 1/4 1 1/16 × 1 5/16 1 1/16 × 2 1/2 ≥ 11/8 d + 1/16 d + 5/16 (d + 1/16) × (d + 3/8) (d + 1/16) × 2,5 d b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b b rosqueada. Além desse requisito, a distância livre entre as bordas de dois furos consecutivos não pode ser infe- rior a d . Tabela 8.7 Distância mínima do centro de um furo padrão à borda – NBR 8800:2008.⁵ A distância máxima de um furo à borda não deve superar 12 vezes a maior espessura das partes conectadas ou 150 mm. 8.2.1 Resistência de parafuso em ligações por contato Em ligações estruturais, os parafusos podem estar solicitados à tração, ao cisalhamento ou a uma combi- nação desses dois esforços simultaneamente (Figura 8.5). Além disso, o mecanismo de resistência ocorre por meio do contato entre as chapas de ligação e o corpo do parafuso. Figura 8.5 Tipos de solicitação em parafusos. A força resistente de cálculo ao cisalhamento de um parafuso ou barra redonda rosqueada, calculada para um plano de corte, é dada por: Em que: A – área bruta, baseada no diâmetro nominal (d ) do parafuso ou barra redonda rosqueada; f – resistência à rupturado material do parafuso ou barra redonda rosqueada; γ = 1,35 – coeficiente de segurança do material para os estados limites últimos ligados à ruptura. No caso de parafusos tracionados, a força resistente de cálculo é dada por: b Diâmetro d Borda cortada com serra ou tesoura mm Borda laminada ou cortada a maçarico mm Pol. mm 1/2” 12,5 22 19 5/8” 16,0 29 22 3/4” 19,0 32 26 7/8” 22,0 38 29 1” 25,0 44 32 1.1/4” 32,0 57 42 >1.1/4” > 36,0 1,75 d 1,25 d b b b plano de corte fora da rosca em parafusos de alta resistência e barras redondas rosqueadas. plano de corte passando pela rosca em parafusos de alta resistência e parafusos comuns em qualquer situação. b b ub a2 em que A é a área efetiva do parafuso dada por A = 0,75 A . Em barras redondas rosqueadas, a força resistente de cálculo a tração deve atender ainda à seguinte limitação: Em que: f – resistência ao escoamento do material da barra rosqueada; γ = 1,1 – coeficiente de segurança do material para os estados limites últimos ligados ao escoamento. Para parafusos solicitados simultaneamente a tração e cisalhamento, deve-se verificar a interação entre esses dois esforços, que deve atender à equação a seguir: Em que: F – força solicitante de cálculo a tração por parafuso ou barra redonda rosqueada; F – força solicitante de cálculo ao cisalhamento no plano considerado do parafuso ou barra redonda ros- queada; F e F – respectivamente, força resistente de cálculo a tração e a cisalhamento. Segundo a NBR 8800:2008, a interação cisalhamento-esforço axial de tração pode ser verificada, também, limitando a força solicitante de cálculo a tração atuante no parafuso ou barra redonda rosqueada, que, neste caso, não deve superar os valores da Tabela 8.8. Tabela 8.8 Expressões para verificação dos esforços de cisalhamento e tração combinados – NBR 8800:2008.⁶ 8.2.2 Resistência de parafusos em ligações por atrito Em ligações por atrito, o mecanismo resistente ocorre pelo atrito desenvolvido entre as partes conectadas, conseguido com o pré-aperto dos parafusos que, consequentemente, estarão submetidos a elevados esforços de tração, ou seja, trabalham protendidos (Figura 8.6). be be b y a1 t,Sd v,Sd Rd,t Rd,v Meio de ligação Força de tração solicitante de cálculo máxima por parafuso ou barra redonda rosqueada submetida a esforço de tração e cisalhamento simultâneos Parafusos ASTM A307 F ≤ f A /γ − 1,90 F Parafusos ASTM A325 F ≤ f A /γ − 1,90 F plano de corte na rosca F ≤ f A /γ − 1,50 F plano de corte fora da rosca Parafusos ASTM A490 F ≤ f A /γ − 1,90 F plano de corte na rosca F ≤ f A /γ − 1,50 F plano de corte fora da rosca Barras redondas rosqueadas em geral F ≤ f A /γ − 1,90 F t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd ub b a2 v,Sd Figura 8.6 Mecanismo resistente em ligações por atrito. A resistência ao escorregamento deve ser calculada para a situação em que esse fenômeno constitui um es- tado limite último e nas situações em que o escorregamento pode ser considerado um estado limite de serviço. Considera-se que o escorregamento é um estado limite último em ligações com furos alongados na direção da solicitação e, neste caso, a resistência ao escorregamento é dada por: Em ligações com furos padrão ou alongados na direção perpendicular à solicitação, o escorregamento cons- titui um estado limite de serviço, pois, após o escorregamento, ocorre o contato entre chapa e parafuso e a liga- ção passa a ter um comportamento de ligação por contato. Para esta situação, a resistência ao escorregamento é dada por: Em que: μ – coeficiente de atrito entre as chapas conectadas cujos valores são dados na Tabela 8.9; C – fator que depende do tipo de furo e cujos valores são dados na Tabela 8.10; n – número de planos de corte presentes na ligação; γ – coeficiente de segurança igual a 1,0 para combinações excepcionais e 1,2 para as demais combinações; F – força de tração solicitante de cálculo aplicada ao parafuso; F – força de tração solicitante nominal (para combinações de serviço) aplicada ao parafuso; F – força de protensão mínima que deve ser aplicada ao parafuso, dada por: F = 0,7 A f . Tabela 8.9 Valores para coeficientes de atrito entre chapas de aço. Tabela 8.10 Fator de furo. Para garantir o mecanismo resistente nas ligações por atrito, é necessário o controle da força de protensão imposta ao parafuso, ou seja, a instalação e o aperto do parafuso devem ser controlados para garantir o nível de protensão mínimo F . Valores da força de protensão mínima F para diâmetros usuais de parafusos são h s e t,Sd t,Sk tb tb be ub Coeficiente de atrito μ Situação da interface 0,35 Superfícies laminadas, limpas e sem pintura 0,50 Superfícies jateadas e sem pintura 0,20 Superfícies galvanizadas a quente Fator de furo C Tipo de furo 1,0 Furos padrão 0,85 Furos alargados ou pouco alongados 0,7 Furos muito alongados h tb tb apresentados na Tabela 8.11. Tabela 8.11 Valores de força de protensão mínima F para diâmetros usuais de parafuso. Os parafusos comuns do tipo ASTM A307, em ligações por contato, podem ser apertados com chaves manu- ais por meio de torques aplicados na porca ou na cabeça dos parafusos até que as partes conectadas estejam completamente em contato. Já os parafusos de alta resistência, em ligações por atrito, devem ser apertados de forma que se garanta a força de protensão mínima F . A força de protensão aplicada ao parafuso pode ser empiricamente correlacionada ao torque aplicado no con- junto parafuso-porca de acordo com a expressão seguinte: Em que: M – torque aplicado ao conjunto parafuso-porca d – diâmetro nominal do parafuso Durante a instalação do parafuso, o controle de torque pode ser feito pelo método da rotação da porca, por meio de chaves calibradas ou com indicador direto de tração. O método de rotação da porca consiste em aplicar, a partir de uma condição de pré-torque, um giro (torque) adicional ao parafuso, que depende de seu comprimento e de parâmetros geométricos das partes parafusadas. A condição de pré-torque corresponde à condição de aperto máxima, que pode ser obtida por um operário utili- zando uma chave manual ou com aperto obtido com poucos impactos de uma chave de impacto. Antes do aperto final, todos os parafusos da ligação devem estar na condição de pré-torque. A Tabela 8.12 apresenta o giro da porca necessário para o aperto adicional que garante a força de protensão mínima nos parafusos pelo método da rotação da porca. Tabela 8.12 Parâmetros de instalação de parafusos pelo método da rotação da porca¹) – NBR 8800:2008.⁷ tb Diâmetro do parafuso em polegadas (mm) F = 0,7 A f (kN) ASTM A325 ASTM A490 1/2” (12.5) 53,0 66,0 5/8” (16) 85,0 106,0 3/4”(19) 125,0 156,0 7/8”(22) 173,0 216,0 1”(25) 227,0 283,0 1 1/8”(28) 250,0 357,0 1 1/4” (32) 317,0 453,0 1 1/2”(38) 460,0 659,0 tb be ub tb 0 b Comprimento do parafuso (medido da parte inferior da cabeça à extremidade) Disposição das faces externas das partes parafusadas Ambas faces normais ao eixo do parafuso Uma das faces normal ao eixo do parafuso e a outra face inclinada não mais que 1:20 (sem arruela biselada) Ambas faces inclinadas em relação ao plano normal ao eixo do parafuso não mais que 1:20 (sem arruelas biseladas) Inferior ou igual a 4 diâmetros 1/3 de volta 1/2 volta 2/3 de volta Acima de 4 diâmetros até no máximo 8 diâmetros, inclusive 1/2 volta 2/3 de volta 5/6 de volta Outro modo de garantir a força de protensão mínima nos parafusos é utilizando chaves de impacto (elétricas ou pneumáticas) com dispositivos calibráveis que indicam a tensão aplicada aos parafusos durante o aperto.Existem também as chaves manuais com torquímetros que indicam o torque aplicado ao parafuso que pode ser correlacionado com a força de protensão. Existem ainda parafusos especiais com indicador direto de tração, constituído por um dispositivo especial, denominado espiga, e que se rompe durante o aperto, indicando que a força de protensão mínima foi atingida. 8.2.3 Efeito alavanca em parafusos tracionados O efeito alavanca pode ocorrer em ligações com forças fora do plano de cisalhamento dos parafusos, como, por exemplo, nas ligações da Figura 8.7, e tem como consequência acréscimos na força de tração atuante nos parafusos. Esta força adicional de tração é denominada força de alavanca. Figura 8.7 Ligações onde pode ocorrer o efeito alavanca nos parafusos. A força de alavanca surge em consequência da deformação das chapas de ligação. Na região central, essa deformação é livre; no entanto, nas extremidades, as deformações são impedidas pelo contato entre os elementos de ligação, provocando o surgimento das forças de alavanca, que são, por equilíbrio, transferidas aos parafusos. Logo, se as chapas forem suficientemente espessas e, por consequência, a deformação for pequena, as forças de alavanca serão nulas ou desprezíveis (Figura 8.8). Figura 8.8 Conceituação do efeito alavanca. O modelo de cálculo mais utilizado para avaliar o efeito alavanca é o modelo de viga esquematizado para o T, genérico da Figura 8.9. Este modelo, além de simples, conduz a resultados próximos aos observados em ensaios Acima de 8 diâmetros até no máximo 12 diâmetros ²) 2/3 de volta 5/6 de volta 1 volta Notas: ¹) A rotação da porca é considerada em relação ao parafuso, sem levar em conta o elemento que está sendo girado (porca ou parafuso). Para parafusos instalados com 1/2 volta ou menos, a tolerância na rotação é de mais ou menos 30º; para parafusos instalados com 2/3 de volta ou mais, a tolerância na rotação é de mais ou menos 45º. ²) Nenhuma pesquisa foi feita para estabelecer o procedimento a ser usado para aperto pelo método da rotação da porca, para comprimentos de parafusos superiores a 12 diâmetros. Portanto, a rotação necessária deverá ser determinada por ensaios em um dispositivo adequado que meça a tração, simulando as condições reais. experimentais. Figura 8.9 Modelo de viga para avaliação do efeito alavanca. Admite-se que a faixa de largura p trabalhe como viga e que a força de alavanca se desenvolva na extremidade da chapa, cuja falha ocorre por plastificação da seção 1 (Figura 8.9). Por equilíbrio de forças e momentos, chega- se a dois limites de espessura, conforme expressões a seguir. Um limite inferior, a partir do qual não haverá plas- tificação da chapa, e um limite superior em que, além de não haver plastificação da chapa, também não ocorrerá o efeito alavanca. F – solicitação de cálculo no parafuso; p – largura de análise, conforme Figura 8.9, que deve ser determinada para parafusos nas extremidades e nos parafusos centrais; b – distância do eixo do furo à chapa (Figura 8.9); d – diâmetro nominal do parafuso; f – resistência ao escoamento da chapa. Portanto, se a espessura da chapa de ligação for inferior a t , haverá plastificação, o que constitui um t,sd b y mín estado limite último, ao passo que, se a espessura for superior a t , não haverá plastificação da chapa e nem forças de alavanca, ou seja, a chapa não irá se deformar o suficiente para provocar o efeito alavanca. Para espes- suras de chapa com valores entre t e t , não haverá plastificação, mas surgirão forças de alavanca nos parafusos. Estas forças podem ser determinadas pela expressão a seguir: em que t é a menor espessura de chapa na ligação e as demais variáveis são as mesmas já indicadas nas expres- são anteriores. máx mín máx 8.3 Soldas Segundo a American Society Welding (AWS), soldagem é um processo para união de metais e/ou não metais obtendo coalescência (união) localizada produzida por aquecimento dos elementos a serem conectados com ou sem adição de material e pressão. Além disso, a soldagem é um processo de ligação que visa garantir a conti- nuidade física e química na junta (região em que as peças serão unidas por soldagem); o resultado dessa ope- ração é denominado solda. Podem-se dividir as técnicas de soldagem em dois grandes grupos, que são: a soldagem por pressão (ou por deformação) e a soldagem por fusão. No primeiro grupo estão inclusos os processos de soldagem por forja- mento e ultrassom, por exemplo. Os processos de soldagem por fusão são os mais comuns na fabricação e mon- tagem de estruturas metálicas e consistem na fusão do metal base (material das peças que estão sendo ligadas) com a presença ou não de material de adição (metal adicionado para a formação da solda). Os processos de soldagem por fusão podem ser subdivididos em função da fonte de calor utilizada para fun- dir as peças, da forma de deposição do material de adição e do procedimento para proteção da poça de fusão (re- gião onde se encontram misturados o material base e o material de adição em fusão). A proteção da poça de fusão durante a execução da solda reduz a tendência de reações químicas entre os gases da atmosfera e o mate- rial em fusão.⁸ Os processos de soldagem mais utilizados na fabricação de artefatos e estruturas metálicas são os denomi- nados processos de soldagem a arco, que utilizam energia elétrica (arco elétrico) para produzir o calor necessário à fusão das peças. Na sequência, serão descritos sucintamente alguns destes processos de soldagem a arco utili- zados na execução das ligações em estruturas metálicas. 8.3.1 Processos de soldagem com eletrodo revestido O processo de soldagem a arco com eletrodo revestido produz a união de elementos metálicos pelo seu aquecimento por meio de um arco elétrico formado entre estes elementos e um eletrodo metálico revestido (consumível). Na Figura 8.10, é ilustrado um esquema genérico do processo de soldagem com eletrodo reves- tido. Figura 8.10 Processo de soldagem a arco com eletrodo revestido.⁹ O eletrodo é uma vareta metálica com diâmetro entre 1,5 mm e 8 mm e comprimento entre 20 cm e 45 cm, com um revestimento constituído, principalmente, de material celulósico. Durante o processo de soldagem, o eletrodo é consumido, fornecendo o metal de adição; a queima do seu revestimento produz gases que protegem a poça de fusão e ajudam a estabilizar o arco elétrico. Existe, no mercado, uma gama de eletrodos com caracte- rísticas específicas para as mais diversas aplicações e equipamentos; normalmente, variam a composição do revestimento e o limite de resistência do metal de adição. Para aplicações em estruturas metálicas, podem-se es- pecificar os eletrodos AWS A 5.1 (revestidos para soldagem a arco de aço-carbono) e AWS A 5.5 (revestidos para soldagem a arco de aço baixa liga). A AWS utiliza um conjunto de letras e números para designar as caracte- rísticas dos eletrodos (Figura 8.11). Figura 8.11 Sistema de classificação para eletrodos revestidos. Na Figura 8.11, os dois primeiros algarismos representam a resistência à tração do metal do eletrodo em 1.000 psi, o terceiro algarismo representa a posição de soldagem possível e o quarto representa o tipo de reves- timento do eletrodo e a corrente elétrica de trabalho, que pode ser contínua ou alternada. O conjunto de letras e números após o hífen indica a composição química, para o caso de eletrodos revestidos para soldagem a arco de aço baixa liga. Por exemplo, um eletrodo especificado por AWS E6010 indica um eletrodo com resistência à tra- ção de f = 60.000 psi (415 MPa), o algarismo 1 indica que pode ser utilizado para qualquer posição de soldagem e o algarismo 0 indica revestimento celulósico e utilização em corrente contínua. Para o dimensionamento das ligações soldadas em estruturas metálicas, a característica principaldo eletrodo é o seu limite de resistência, neste caso, os mais frequentemente utilizados são os eletrodos E60XX e E70XX, com limites de resistência, respectivamente, f = 415 MPa (60.000 psi) e f = 484 MPa (70.000 psi). O processo de soldagem com eletrodo revestido é um dos mais versáteis, permitindo execução de soldas em qualquer posição (horizontal, vertical ou de ponta-cabeça), opera com equipamentos simples e tem boa portabi- lidade. No entanto, é um processo manual cuja qualidade e produtividade dependem, em grande parte, da habi- lidade do soldador. No caso de fabricação de estruturas metálicas, é um processo que pode ser utilizado em fábricas ou em campo, sendo mais adequado neste último. A soldagem com eletrodo revestido pode ser utilizada em chapas com espessuras variando de 3 mm a 40 mm; em chapas muito finas pode haver danificação do material e em chapas muito grossas há uma baixa produtividade em função da taxa de deposição muito lenta deste processo de soldagem. 8.3.2 Processo de soldagem a arco submerso No processo de soldagem a arco submerso, utiliza-se um eletrodo nu que é alimentado automaticamente por meio de uma bobina. Para a proteção da poça de fusão, o arco é submerso em um fluxo granular de material fusí- vel também alimentado de forma automática (Figura 8.12). w w w Figura 8.12 Processo de soldagem a arco submerso.¹⁰ A qualidade da solda executada com esse processo é satisfatória. Além disso, o processo pode ser automa- tizado, aumentando a produtividade. No entanto, devido ao fluxo granular, só é possível utilizar o processo a arco submerso para execução de soldas no plano horizontal. Embora seja um processo utilizado com mais frequência para soldagem de chapas grossas, pode ser aplicado a uma variada gama de espessuras a partir de 5 mm. 8.3.3 Processo de soldagem com proteção gasosa – MIG/MAG Neste processo de soldagem são utilizados eletrodos contínuos nus alimentados de forma automática junta- mente com um gás, responsável pela proteção da poça de fusão (Figura 8.13). Um diferencial deste processo é que praticamente não há formação de escórias. Figura 8.13 Processo de soldagem com proteção gasosa – MIG/MAG.¹¹ Pode ser utilizado um gás ativo (MAG), indicado para soldagem de aços-carbono e aços baixa liga, ou um gás inerte (MIG), indicado para aços de média e alta liga, aços inoxidáveis e alumínio. Esses gases, além de prote- gerem a poça de fusão, interferem nas características do arco elétrico, afetam a velocidade de soldagem e a forma da região soldada. O processo de soldagem com proteção gasosa é ideal para soldagem de chapas finas, com espessuras infe- riores a 3 mm. 8.3.4 Processo de soldagem com proteção gasosa com eletrodo de tungstênio – TIG A principal diferença deste processo em relação aos processos MIG/MAG é o fato de se utilizar um eletrodo de tungstênio não consumível. A proteção da solda é feita por um gás e, opcionalmente, pode-se adicionar mate- rial de solda na poça de fusão por meio de uma barra de soldagem, conforme detalha a Figura 8.14. Figura 8.14 Processo de soldagem TIG.¹² 8.3.5 Processo de soldagem a arco com arame tubular (FCAW – Flux Cored Arc Wel- ding) Neste processo de soldagem, o arco elétrico é formado entre um eletrodo tubular contínuo e consumível ali- mentado automaticamente e a peça a ser soldada. A proteção da poça de fusão e do arco elétrico é garantida por um fluxo de soldagem contido no núcleo do eletrodo, e que pode ser complementado, se necessário, por fluxo de gás proveniente de uma fonte externa. A Figura 8.15 apresenta o esquema básico do processo de soldagem FCAW. Figura 8.15 Processo de soldagem a arco com arame tubular – FCAW.¹³ Esse processo de soldagem reúne vantagens inerentes aos processos MIG/MAG e ao processo de soldagem com eletrodos revestidos, ou seja, alta taxa de deposição, possibilidade de automação do processo, flexibilidade e facilidade de operação em campo, possibilitando execução de juntas soldadas em qualquer posição. 8.3.6 Tipos de solda e juntas soldadas Pode-se definir junta soldada como a região onde as peças são unidas, e o comprimento dessa região soldada é comumente denominado cordão de solda. Em função da posição relativa das peças a serem soldadas, originam- se os diferentes tipos de juntas. A Figura 8.16 apresenta alguns dos tipos de juntas soldadas mais comuns. Figura 8.16 Tipos de junta soldada. Nas ligações soldadas de estruturas metálicas, a forma como o material de solda é depositado entre os ele- mentos a serem conectados define, basicamente, dois tipos de soldas: a solda de filete e a solda de penetração (utilizada com mais frequência em juntas de topo). Na Figura 8.17 é mostrada a terminologia utilizada nestes dois tipos de soldas. Figura 8.17 Terminologia de soldagem: solda de penetração e solda de filete. Em certos casos, para facilitar o processo de soldagem ou para atender a exigências de projeto, é necessária uma preparação das peças a serem soldadas, normalmente constituída por cortes ou chanfros em suas extre- midades. Os tipos mais comuns de chanfros e suas características dimensionais estão na Figura 8.18. Figura 8.18 Tipos comuns de chanfros. O tipo específico de chanfro é definido em função do processo de soldagem, das espessuras das chapas e dos custos envolvidos nesta operação. 8.3.7 Simbologia para indicação de solda Como se percebe, a execução de uma junta soldada depende de várias características ligadas ao processo de soldagem, ao tipo de junta, ao tipo de solda e à necessidade de preparação dos elementos a serem soldados. Por- tanto, é necessária uma simbologia específica para que essas características sejam indicadas no projeto de forma adequada. A simbologia de solda utilizada no Brasil é originária da AWS A 2.4, cujos elementos e principais sím- bolos são ilustrados nas figuras 8.19 e 8.20. Figura 8.19 Elementos principais de uma simbologia de soldagem. Figura 8.20 Principais símbolos de soldagem e seus significados – AWS 2.4. A título de exemplo, a Tabela 8.13 apresenta algumas juntas soldadas e suas indicações em projeto segundo a simbologia AWS A 2.4. Tabela 8.13 Exemplos de juntas soldadas e respectivas simbologias. 8.3.8 Resistência de solda A resistência de uma junta soldada pode ser limitada pela ruptura da seção efetiva da solda ou pelo escoamento do metal base na face de fusão. Tanto as soldas de filete como de entalhe têm a seção efetiva verificada para solicitação de cisalhamento resultante da composição vetorial das forças (normais ou de cisalhamento) nas interfaces das partes conectadas (Figura 8.21). Figura 8.21 Área efetiva e tensões atuantes em solda de filete. Portanto, a resistência de uma solda de filete é dada pelo menor entre os dois valores: para ruptura da solda para escoamento do metal base Em que: f – resistência do metal de solda; f – resistência ao escoamento do metal base; γ = 1,35 – coeficiente de segurança para combinações normais; γ = 1,15 – coeficiente de segurança para combinações excepcionais; A = aL – área efetiva do filete, igual ao produto da garganta efetiva (a) pelo comprimento (L) do filete; A – área efetiva do metal base dada pelo produto entre o comprimento do cordão de solda (L) e a menor espessura das chapas na ligação. Nas soldas de penetração solicitadas por cisalhamento na direção paralela ao eixo da solda, a resistência será dada pelo menor valor entre ruptura da solda e escoamento do metal base, como segue: para ruptura da solda para escoamento do metal base Nesta situação, a diferença em relação à solda de filete é a definição da dimensão da garganta efetiva da solda para a determinação da área efetiva A . Em soldas de penetração total, a espessura da garganta efetiva deve ser igual à menor espessura das chapas conectadas. Para solda depenetração parcial, a espessura da garganta efetiva é dada na Tabela 8.14, em função do tipo de chanfro e do processo de soldagem. Tabela 8.14 Espessura da garganta efetiva em solda de penetração parcial – NBR 8800:2008.¹⁴ w y w2 w2 w MB w Processo de soldagem Posição de soldagem 5) Tipo de chanfro 6) Espessura da garganta efetiva Arco elétrico com eletrodo revestido (SMAW) ¹) Todas J U V com ângulo de 60 Profundidade do chanfro Arco elétrico com proteção gasosa (GMAW) ²) Arco elétrico com fluxo no núcleo (FCAW) ³) Todas Arco submerso (SAW) ⁴) P J o Para uma solda de penetração solicitada por tração ou compressão normal, a seção efetiva da solda a resis- tência deve ser a menor entre: para ruptura da solda para escoamento do metal base Em que: γ = 1,25 – coeficiente de segurança para combinações normais γ = 1,05 – coeficiente de segurança para combinações excepcionais 8.3.9 Limitações construtivas A NBR 8800:2008 estabelece algumas limitações construtivas para o bom funcionamento das juntas sol- dadas. Em solda de penetração, a espessura mínima da garganta efetiva é dada na Tabela 8.15 em função da menor espessura das chapas conectadas. Tabela 8.15 Espessura mínima para garganta efetiva em solda de penetração – NBR 8800:2008.¹⁵ As soldas de penetração não devem ser utilizadas em emendas de peças submetidas à flexão, e para uma boa qualidade da solda são recomendáveis cuidados adicionais, como o pré-aquecimento do material. Em soldas de filete, a dimensão mínima da perna do filete é definida em função da menor espessura das cha- pas conectadas (Tabela 8.16). U V ou bisel com ângulo de 60 Arco elétrico com proteção gasosa (GMAW) ²) Arco elétrico com fluxo no núcleo (FCAW) ³) P, H Bisel com ângulo de 45 Arco elétrico com eletrodo revestido (SMAW) ¹) Todas Bisel com ângulo de 45 Profundidade do chanfro menos 3 mm Arco elétrico com proteção gasosa (GMAW) ²) Arco elétrico com fluxo no núcleo (FCAW) ³) V, S Bisel com ângulo de 45 Notas: ¹) SMAW – Shielded Metal Arc Welding. ²) GMAW – Gas Metal Arc Welding. ³) FCAW – Flux Cored Arc Welding. ⁴) SAW – Submerged Arc Welding. ⁵) P – Plana; H – Horizontal; V – Vertical; S – Sobrecabeça. ⁶) Ângulo do chanfro é o ângulo entre as faces de fusão. o o o o w2 w2 Menor espessura do metal base na junta (mm) Espessura mínima da garganta efetiva (mm) Abaixo de 6,35 até 6,35 3 Acima de 6,35 até 12,5 5 Acima de 12,5 até 19 6 Acima de 19 até 37,5 8 Acima de 37,5 até 57 10 Acima de 57 até 152 13 Acima de 152 16 Tabela 8.16 Espessura mínima para perna de solda de filete – NBR 8800:2008.¹⁶ Outras limitações construtivas para soldas de filete podem ser encontradas na NBR 8800:2008. Menor espessura do metal base na junta (mm) Tamanho mínimo da perna da solda de filete (mm) Abaixo de 6,35 até 6,35 3 Acima de 6,35 até 12,5 5 Acima de 12,5 até 19 6 Acima de 19 8 8.4 Elementos de ligação Os elementos de ligação são as chapas de gusset, placas de base, chapas de extremidade (chapa de topo), en- rijecedores e cantoneiras de assento. Esses elementos são utilizados com frequência para transferência de esfor- ços entre os diversos elementos conectados. Cantoneiras de alma e de assento e enrijecedores são comumente utilizados para transferência de esforços em ligações viga-pilar (Figura 8.22(a), Figura 8.22(b), Figura 8.22(c)). Chapas de gusset são utilizadas para facilitar a ligação entre barras de treliça (Figura 8.22(d)), enquanto as placas de base fazem a interface entre pilares de aço e bases em concreto (Figura 8.22(e)). Figura 8.22 Exemplos de elementos de ligação. As chapas de ligação são mais eficientes do ponto de vista de resistência e rigidez quando transferem forças atuando em seu próprio plano e, proporcionalmente, menos resistentes e mais flexíveis quando utilizadas para transferir forças perpendiculares ao seu plano. Ou seja, as cantoneiras de ligação e de assento (no detalhe da Fi- gura 8.22(a)) são flexíveis e permitem a rotação relativa entre vigas e pilares, enquanto que na Figura 8.22(c), os enrijecedores de alma e as chapas de ligação nas mesas têm rigidez para restringir a rotação. Todos esses ele- mentos devem ser convenientemente dimensionados com rigidez e resistência compatíveis com o compor- tamento estrutural desejado para a ligação. Neste sentido, as ligações mostradas na Figura 8.22(a), (b) e (c) podem ser classificadas, em termos de rigidez, respectivamente, como flexível, semirrígida e rígida. Esses con- ceitos serão discutidos detalhadamente no capítulo 10. 8.4.1 Resistência dos elementos de ligação Quando uma chapa de ligação é utilizada para transferir forças em seu próprio plano (sobretudo em ligações parafusadas), seu modo de falha pode estar associado ao esmagamento do furo, rasgamento entre furos e borda e ruptura da seção líquida efetiva (Figura 8.23). Figura 8.23 Modos de falha em chapas de ligação parafusadas. A pressão de contato no furo (chapa-parafuso) determinará a falha por esmagamento ou rasgamento. Na Tabela 8.17 apresentam-se as expressões para o cálculo da resistência à pressão de contato em diferentes situ- ações, em que o primeiro termo está relacionado à falha por rasgamento enquanto o segundo termo, à falha por esmagamento. Tabela 8.17 Resistência à pressão de contatos em chapas de ligação. A resistência para o modo de falha por ruptura da seção efetiva é a mesma observada para barras submetidas à tração e para o estado limite correspondente, conforme apresentado na Tabela 8.18. Tabela 8.18 Resistência à ruptura da seção efetiva. Outro modo de falha que pode ocorrer nos elementos de ligação é conhecido como ruptura em bloco. As situações mais comuns de ocorrência deste modo de falha estão exemplificadas na Figura 8.24. Figura 8.24 Exemplos de ruptura em bloco – NBR 8800:2008.¹⁷ A ruptura em bloco ocorre devido ao esgotamento simultâneo da capacidade resistente das áreas efetivas submetidas a cisalhamento e tração, conforme apresentado na Figura 8.24. A capacidade resistente para o estado Caso Descrição Resistência 1 Quando a deformação em serviço for uma limitação de projeto. 2 Quando a deformação em serviço não for uma limitação de projeto. 3 Para chapas com furos alongados na direção perpendicular à solicitação. l – menor valor entre a distância furo-borda e entre dois furos consecutivos t – menor espessura das chapas presentes na ligação d – diâmetro nominal do parafuso f – resistência última do material γ = 1,35 – coeficiente de segurança para estados limites ligados à ruptura c b u a2 com γ = 1,35 A = C A Em que: f – resistência ao escoamento; f – resistência à ruptura; A – área bruta da seção; A – área líquida da seção; A – área líquida efetiva; C – coeficiente de redução da área líquida; no caso de chapas, igual a 1,0. A = A − ∑d t d = d + 1,5 mm + 2 mm d – diâmetro do furo t – espessura Para chapas com furos em zigue-zague: e t n y u g n e t n g f f b f limite de ruptura em bloco é determinada por: C = 0,5 para o caso (i) da Figura 8.24 C = 1 para os demais casos A – área bruta submetida a cisalhamento A – área líquida submetida a cisalhamento A – área líquida submetida à tração f – resistência ao escoamento do aço f – resistência à ruptura do aço As possibilidades de falha nos elementos de ligação aqui apresentadas constituem as mais comuns para as tipologias usuais de ligações. Outras possibilidades de falha destes elementos de ligação devem ser investigadas e verificadas pelo projetista para situações ou detalhes particulares. [1] Trahair et al. (2008). [2] Metalúrgica Vera. [3] Idem. [4] Idem. [5] ABNT (2008). [6] Idem. [7] Idem. [8] Marques et al. (2007). [9] Id. ibid.[10] Id. ibid. [11] Id. ibid. [12] Id. ibid. [13] Id. ibid. [14] ABNT (2008). [15] Idem. [16] Idem. [17] Idem. ts ts gv nv nt y u 9. Resistência de Ligações Nos itens anteriores, discutiram-se o comportamento e os procedimentos para determinação da capacidade resistente de dispositivos e elementos de ligação. A capacidade resistente de uma ligação específica dependerá da capacidade resistente dos elementos e dispositivos de ligação que a compõem. Na Figura 9.1, são mostrados al- guns tipos de ligações e os respectivos esforços solicitantes nos parafusos. Figura 9.1 Solicitações em grupos de parafusos. De forma semelhante, na Figura 9.2 apresentam-se exemplos de solicitações em grupos de soldas. Figura 9.2 Solicitações em grupos de soldas. Para garantir a segurança, é necessário determinar as solicitações individualmente nestes elementos e dispo- sitivos em função das solicitações na ligação como um todo. As solicitações nas ligações devem ser deter- minadas por meio da análise global da estrutura em conformidade com a norma brasileira NBR 8800:2008. Neste capítulo serão desenvolvidos alguns exemplos de aplicação objetivando a concepção e a verificação de ligações típicas, aplicando os conceitos estudados anteriormente sobre os dispositivos e elementos de ligação. Para isso, serão considerados os modelos teóricos utilizados para determinação de solicitações em grupos de parafusos e/ou soldas. 9.1 Ligações parafusadas 9.1.1 Grupos de parafusos submetidos a cisalhamento centrado Para um grupo de parafusos submetidos a cisalhamento centrado (como mostrado na Figura 9.3), é possível admitir que, próximo à ruptura, a distribuição de esforços entre os parafusos seja uniforme; portanto, a força cor- tante de cálculo em cada parafuso será, simplificadamente, o esforço de cálculo total na ligação dividido pelo nú- mero de parafusos. Exemplo 9.1 – Verificar a ligação da Figura 9.3 para o esforço de cálculo de 42 kN. As chapas são em aço ASTM A36 e a menor espessura é de 9,5 mm. Os parafusos do tipo ASTM A307 têm diâmetro nominal φ = 12,5 mm. Figura 9.3 Exemplo de ligação parafusada: grupo de parafuso sob cisalhamento centrado (cotas em mm) 1) Verificação da chapa para o esforço de tração N = 42 kN. • A área bruta da seção da chapa será: A = 0,95 × 5 = 4,75 cm² • A área líquida da seção da chapa será: A = A − A = 4,75 − (1,25 + 0,15 + 0,2) × 0,95 = 3,23 cm² • Como se trata de chapa, o coeficiente C = 1 • Desta forma, a área líquida efetiva será: A = C A = 1 × 3,23 = 3,23 cm² Determinadas as áreas, verificam-se os estados limites últimos de escoamento da seção bruta e ruptura da seção líquida efetiva. • A resistência de cálculo para o estado limite último de escoamento da seção bruta será: N = = 107,9 kN • Já para o estado limite último de ruptura da seção efetiva, a resistência de cálculo será: Portanto, a resistência de cálculo para a chapa com espessura de 9,5 mm será de N = 101,3 kN. N = 95,7 kN ≥ N = 42 kN (ok) Como a resistência de cálculo N é superior à solicitação N de cálculo, a chapa está verificada quanto à tração. 2) Verificação dos parafusos Uma vez que a chapa está verificada a tração, passa-se à verificação dos parafusos. Os parafusos se encon- tram solicitados a cisalhamento em um único plano de corte. Neste caso, a resistência ao cisalhamento por para- fuso será: para parafuso do tipo ASTM A307 A solicitação em cada parafuso será: 14 kN/parafuso, portanto, F ≥ F (ok). t,Sd g n g furo t e t n t,Rd t,Rd t,Rd t,Sd t,Rd t,Sd v,Rd v,Sd Como a resistência do parafuso ao cisalhamento (F ) é maior que a solicitação (F ), o parafuso está verificado ao cisalhamento. 3) Verificação quanto à pressão de contato É necessário ainda verificar a pressão de contato nos furos para a chapa de ligação com menor espessura, cuja resistência será dada por: l = 30 mm – menor distância entre parafusos ou entre parafuso e borda d = 12,5 mm – diâmetro nominal do parafuso – resistência ao escoamento da chapa de ligação t = 9,5 mm – menor espessura entre as chapas conectadas ou Portanto, a resistência à pressão de contato é R = 84,4 kN, e este valor deve ser comparado com a solici- tação em cada parafuso, ou seja: R = 84,4 kN ≥ F = 14 kN (ok) 4) Verificação da ruptura em bloco Finalmente, deve-se verificar a possibilidade da ruptura em bloco. A Figura 9.4 apresenta a região sujeita à ruptura em bloco e as áreas submetidas à tração e ao cisalhamento que podem provocar esse modo de ruptura. Figura 9.4 Ruptura em bloco e áreas resistentes (cotas em mm). De acordo com as dimensões apresentadas na Figura 9.4, é possível calcular as áreas brutas e líquidas (des- contando o diâmetro dos furos) submetidas à tração e ao cisalhamento. A = 2,5 × 0,95 − 0,5(1,25 + 0,15 + 0,2) × 0,95 = 1,62 cm² A = (3 + 6 + 6) × 0,95 = 14,25 cm² A = (3 + 6 + 6) × 0,95 − 2,5 × (1,25 + 0,15 + 0,2) × 0,95 = 10,45 cm² E a resistência à ruptura em bloco será o menor valor calculado pela expressão a seguir: Com C = 1, de acordo com a Figura 8.24, logo: × 1,62) R = 206,3 kN v,Rd v,Sd c b Rd,c Rd,c v,Sd nt gv nv ts d Essa resistência à ruptura em bloco deve ser comparada com a solicitação de cálculo na ligação, ou seja: R = 206,3 kN ≥ N = 42 kN (ok) Observação: Em muitas situações usuais, a ruptura em bloco não é crítica, no entanto essa possibilidade de falha deve ser investigada. Exemplo 9.2 – Determinar o número de parafusos do tipo ASTM A325 com diâmetro nominal de 16 mm em liga- ção por contato e a espessura da chapa de ligação suficientes para resistir à resistência de cálculo máxima para a seção dupla cantoneira 2L 76 x 6,3 mm (costa a costa) em aço ASTM A36. Figura 9.5 Detalhe esquemático da ligação parafusada para dupla cantoneira. A máxima solicitação corresponde à capacidade resistente da seção em dupla cantoneira. A área bruta da seção 2L 76 x 6,3 é A = 18,58 cm². A área líquida será calculada para a seção com um furo padrão, ou seja: A = A − A = 18,5 − (1,6 + 0,15 + 0,2) × 2 × 0,63 = 16,04 cm² Como ainda não se conhece a quantidade e a distribuição dos parafusos, será adotado C = 0,6, que é o valor mínimo permitido pela NBR 8800:2008. Logo, a área líquida efetiva será: A = C A = 0,6 × 16,04 = 9,62 cm² A resistência de cálculo para o estado limite último de escoamento da seção bruta será: Já para o estado limite último de ruptura da seção líquida efetiva, a resistência de cálculo será: Portanto, a capacidade resistente do perfil 2L 76 x 6,3 é N = 285 kN. Consequentemente, a chapa de liga- ção deverá ter, no mínimo, essa mesma resistência à tração; desta forma, é possível determinar a espessura da chapa. A área bruta da seção da chapa será A = 10 × t, em que t é a espessura a ser determinada. A área líquida, considerando um furo padrão na seção para parafuso de 16 mm, será: A = 10 × t − (1,6 + 0,15) × t = 8,25 × t. Para chapas, C = 1, e, portanto, a área líquida efetiva será A = C A = 8,25 × t. A espessura da chapa de ligação, com base no estado limite último de escoamento da seção bruta, será: Já para o estado limite último de ruptura da seção líquida efetiva, a espessura da chapa de ligação deverá ser: d T,Sd g n g furo t e t n t,Rd g n t e t n Portanto, na chapa de ligação, o estado limite de escoamento da seção bruta é dominante, logo, a espessura mínima deste elemento deverá ser de 12,5 mm. Assim, será adotada chapa com t = 12,5 mm (espessura comer- cial). Definida a espessura da chapa de ligação e admitindo-se que as distâncias entre furos e entre furo e borda atendem o disposto na NBR 8800:2008, é possível determinar a resistência à pressão de contato por furo. Entre- tanto, deve-se observar que, para esse modo de falha, a cantoneira é o elementocrítico, pois tem espessura menor que a espessura da chapa de ligação. Assim, a cantoneira será verificada quanto à resistência à pressão de contato: l 1,5 × φ = 1,5 × 16 = 24 mm – menor distância entre parafuso ou entre parafuso e borda d = 16 mm – diâmetro nominal do parafuso – resistência ao escoamento da chapa de ligação t = 2 × 6,3 = 12,6 mm – espessura da seção em dupla cantoneira Portanto, a resistência à pressão de contato é R = 107,5 kN/furo. Finalmente, determina-se a resistência do parafuso ao corte duplo: , , n = número de planos de corte no parafuso Portanto, quem domina o dimensionamento desta ligação é o parafuso e, desta forma, o número mínimo de parafusos será: Conclusão: Para desenvolver a capacidade resistente máxima da seção 2L 76 x 6,3, a ligação deve conter uma linha com 3 parafusos de 16 mm de diâmetro e chapa de ligação com espessura de 12,5 mm. 9.1.2 Grupos de parafusos submetidos à tração Para um grupo de parafusos submetidos à tração, sem excentricidades, também é possível admitir que, pró- ximo à ruptura, a distribuição de esforços entre os parafusos seja uniforme. Portanto, a força de tração de cálculo em cada parafuso será, simplesmente, o esforço de cálculo total na ligação dividido pelo número de parafusos. Adicionalmente, dependendo do arranjo de parafusos e chapas de ligação, pode ocorrer o efeito alavanca, que deve ser considerado no dimensionamento dos dispositivos e elementos de ligação. Exemplo 9.3 – Verificar a ligação da Figura 9.6 para a solicitação de cálculo N = 320 kN, considerando para- fusos φ 19 mm do tipo ASTM A325 e aço ASTM A36. c b Rd,c t,Sd Figura 9.6 Ligação com grupo de parafusos submetidos à tração (cotas em mm). Em primeiro lugar, calcula-se a resistência dos parafusos à tração, que será dada por: f = 82,5 kN/cm² para parafuso ASTM A325 Como se trata de um grupo de parafusos submetidos a esforço centrado de tração, o esforço de cálculo é dis- tribuído igualmente entre os parafusos. Porém, neste caso, pode haver efeito alavanca (Q), o que poderá aumen- tar o esforço aplicado em cada parafuso. Portanto: Desta forma, é necessário verificar o efeito alavanca e, consequentemente, são verificadas as chapas de liga- ção. Para verificação do efeito alavanca, utilizam-se as dimensões indicadas na Figura 9.6 correlacionadas com o modelo de viga apresentado na Figura 8.9. No Quadro 9.1, os parâmetros geométricos necessários para esta ve- rificação: Quadro 9.1 Parâmetros geométricos para verificação do efeito alavanca. ub a = 30 mm b = 40 mm e = 80 mm e = 40 mm b + 0,5d = 40 + 0,5 × 19 = 49,5 mm 40 mm 1 2 b De acordo com o indicado no Quadro 9.1: p = mín(e ; b + 0,5d ) + mín → p = 80 mm A força de tração em cada parafuso devida, exclusivamente, ao esforço de cálculo na ligação será: A espessura mínima da chapa de ligação para que não ocorra plastificação neste elemento será: Para que não ocorra o efeito alavanca, as espessuras das chapas de ligação devem ser superiores à espessura máxima: A espessura da chapa de ligação encontra-se entre as espessuras máxima e mínima; portanto, não há ruptura da chapa, porém irá ocorrer o efeito alavanca, cujo esforço decorrente dele é dado por: Portanto, o esforço final de cálculo em cada parafuso, levando em conta o efeito alavanca, será: Como F = 128,3 kN ≥ F = 100,6 kN, parafuso ok. 9.1.3 Grupos de parafusos submetidos a esforços combinados tração + cisalha- mento Exemplo 9.4 – Verifique os parafusos da ligação da Figura 9.7 para o esforço de cálculo aplicado na ligação. O parafuso é do tipo ASTM A 325 com diâmetro de 12,5 mm. 2 b t,Rd t,Rd Figura 9.7 Ligação com grupo de parafusos sob cisalhamento excêntrico (cotas em mm). Como se trata de uma força centrada no grupo de parafusos, o esforço de cálculo em cada parafuso será a componente da força aplicada à ligação dividida pelo número de parafusos. A resistência ao cisalhamento de um parafuso para um plano de corte será: A = 0,75A = 0,92 cm² E a resistência à tração isolada será: Para a interação entre cisalhamento e tração, a solicitação a tração no parafuso deve ser limitada de acordo com o disposto na Tabela 8.8. Considerando-se plano de corte passando pela rosca, a força solicitante de tração máxima deve ser: F ≤ f A /γ − 1,90F → F ≤ 82,5 × 1,23/1,35 − 1,90 × 25,63 → F = 26,5 kN (ok) Como a força de tração aplicada ao parafuso é F = 25,63 kN, considera-se que a interação entre cisalha- mento e tração esteja verificada. be b t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd t,Sd t,Sd 9.2 Ligações soldadas 9.2.1 Soldas submetidas a esforços axiais centrados Nas soldas, ou grupo de soldas, submetidas à tração ou compressão centradas, admite-se que as tensões são uniformes ao longo do comprimento do cordão de solda. Admite-se também que a resistência é semelhante para esforços perpendiculares ao cordão e na direção do mesmo. Os exemplos a seguir apresentam os procedimentos gerais para verificação de ligações soldadas com estas características. Exemplo 9.5 – Verifique a ligação da Figura 9.8 para os dois tipos de solda: filete e penetração. O aço utilizado é do tipo ASTM A36 e o eletrodo é E70XX. Figura 9.8 Ligação soldada (filete e penetração). 1) Verificação da ligação com solda de filete: De acordo com a Tabela 8.16, como a menor espessura entre as chapas conectadas é de 16 mm, a perna do fi- lete mínimo é b = 6 mm. A capacidade resistente da solda será determinada para os dois estados limites apli- cáveis, sendo 2 filetes de comprimento igual a 150 mm cada. • Estado limite de escoamento do metal base: A = bL = 0,6 × (2 × 15) = 18 cm² • Estado limite de ruptura do metal de solda: A = aL = 0,42 × (2 × 15) = 12,6 cm² a = 0,7b = 4,2 mm Em que: f = 41,5 kN/cm² – resistência do metal de solda para eletrodo E60 f = 25 kN/cm² – resistência ao escoamento do metal base para aço ASTM A36 γ = 1,35 – coeficiente de segurança para combinações normais Portanto, a resistência da junta soldada é F = 232,4 kN. F = 232,4 kN ≥ F = 220 kN ok 2) Verificação da ligação com solda de penetração Para a mesma ligação com solda de penetração, a espessura da garganta efetiva será a espessura da chapa de ligação t = 16 mm e o comprimento do cordão de solda será L = 150 mm. A resistência para solda de penetração total, submetida à tração ou compressão normal à seção efetiva da solda, será: • Estado limite de escoamento do metal base: A = tL = 1,6 × (15) = 24 cm² Como F = 545,5 kN ≥ F = 220 kN (ok), observa-se que a margem de segurança oferecida pela solda de penetração é superior à da solda de filete. Exemplo 9.6 – Determinar os comprimentos dos cordões de solda de filete indicados na ligação da Figura 9.9 para transferir adequadamente o esforço de cálculo na cantoneira L127 x 12,5 mm Nsd = 200 kN. Considere que as chapas de ligação e os perfis envolvidos na ligação já estão convenientemente verificados. Adote aço ASTM A36 e eletrodo E60XX. A espessura da chapa de ligação é de 12,5 mm. MB w w y w2 wRd wRd wSd MB wRd wSd Figura 9.9 Ligação para exemplo 3.6. 1) Ligação da cantoneira com a chapa de ligação Inicialmente, verifica-se a ligação da cantoneira com a chapa de ligação. Neste caso, como a linha de apli- cação de força não é equidistante das linhas onde estão os cordões de soldas, estes terão solicitações diferentes. Da equação de equilíbrio de momentos em relação à face do cordão de solda L1: 12,7 × F − 3,6 × 200 = 0 → F = 56,7 kN Pelo equilíbrio de forças na direção da solicitação, tem-se: F + F = N → F = 143,3 kN Portanto, serão determinados os comprimentos de cordão de solda L para solicitação de cálculo F = 143,3 kN e L para solicitação de cálculo F = 56,7 kN. A menor espessura entreas chapas conectadas é de 12,5 mm. Logo, a dimensão mínima da perna do filete de solda deverá ser b = 6 mm (Tabela 8.16). A resistência para o estado limite de escoamento do metal base será função do comprimento: A = bL = 0,6 × l A resistência para o estado limite de ruptura da solda será também função do comprimento: A = aL = 0,7 × 0,6 × l = 0,42 l a = 0,7 b Como se vê, o estado limite crítico é a ruptura da solda. Impondo-se a condição de segurança F ≥ F , determinam-se os comprimentos L e L . Para 7,75L ≥ 143,3 → L ≥ 18,5 cm, adotar um cordão de solda com comprimento de L = 185 mm. Para 7,75L ≥ 56,7 → L ≥ 7,3 cm, adotar um cordão de solda com comprimento de L = 75 mm. 2) Verificação da ligação entre a chapa de ligação e o pilar Passa-se agora à verificação da solda entre a chapa de ligação e o pilar para a determinação de L . A ligação é formada por dois cordões de solda de filete com perna de 6 mm submetidos a um esforço de cálculo centrado de F = 200 kN. Impondo-se a condição de segurança F ≥ F , tem-se: Para 7,75 × (2 × L ) ≥ 200 → L = 12,9 cm, adotar dois cordões de solda de comprimento L = 130 mm. 9.2.2 Soldas submetidas a esforços fora de seu plano Neste tipo de ligação, o grupo de solda poderá estar sujeito a cisalhamento, momento fletor e, 2 2 1 2 t,SD 1 1 w,Sd 2 w,Sd MB w wRd wSd 1 2 1 1 1 2 2 2 3 wSd wRd wSd 3 3 3 consequentemente, a distribuição de tensões ao longo do cordão de solda não será uniforme. O processo mais simples para avaliar a resistência nesta tipologia de ligação é o chamado método elástico, que consiste na soma vetorial das tensões elásticas desenvolvidas na solda. O exemplo subsequente ilustra esse procedimento. Exemplo 9.7 – Verificar a ligação soldada da Figura 9.10 para o esforço aplicado. O aço é do tipo ASTM A36 e o eletrodo, do tipo E60XX. Figura 9.10 Ligação para exemplo 9.7. A Figura 9.11 apresenta a distribuição de tensões normais e de cisalhamento na garganta efetiva da junta sol- dada. Figura 9.11 Distribuição de tensões na junta soldada. Portanto, a junta soldada será dimensionada para a soma vetorial das tensões no ponto mais extremo do cor- dão de solda. Será adotado um filete de solda com espessura de 6 mm, visto que a menor espessura entre as cha- pas conectadas é de 12,5 mm (Tabela 8.16). b = 6 mm a = 0,7b = 4,2 mm O momento fletor na ligação será dado pela força aplicada multiplicada pela excentricidade: M = 10 × N = 10 × 70 = 700 kNcm. 1) Garganta efetiva Desta forma, as tensões na garganta efetiva serão: • Tensão de cisalhamento: • Tensão normal: Sd Sd é o momento de inércia da junta soldada com base na garganta efetiva. • Tensão resultante solicitante de cálculo na garganta efetiva: 2) Metal base Para determinar a tensão resultante no metal base, basta multiplicar a tensão resultante da garganta efetiva por 0,7, que é a relação entre as dimensões da garganta efetiva e da perna do filete. Portanto: • Tensão resultante solicitante de cálculo no metal base: f = 6,06 kN/cm² 3) Resistência da junta soldada A resistência de cálculo da junta soldada será: Para ruptura da solda: /cm² Para escoamento do metal base: /cm² F = 18,4 kN/cm² ≥ f = 8,66 kN/cm² (ok) F = 13,64 kN/cm² ≥ f = 6,06 kN/cm² (ok) Observação: Obviamente, seria necessário verificar a chapa de ligação, que deve ser capaz de transferir a força aplicada na ligação. Essa verificação não será apresentada aqui. 9.2.3 Soldas submetidas a cisalhamento excêntrico Exemplo 9.8 – Verificar a ligação soldada para o esforço aplicado. O aço é do tipo ASTM A36 e o eletrodo, do tipo E60XX. Figura 9.12 Ligação para o exemplo 9.8. A verificação desta configuração de ligação pode ser realizada com base no método vetorial elástico, que considera a distribuição de tensões uniforme tanto para o esforço cortante como para o momento de torção que surge em função da excentricidade entre o carregamento e o centro geométrico da junta soldada. A Figura 9.13 apresenta a garganta efetiva da junta soldada, indicando as solicitações e as tensões nos pontos MB,Sd wRd wSd MB,Rd MB,Sd mais solicitados da solda (A e B). A tensão solicitante de cálculo será a resultante vetorial das tensões devidas à força cortante e ao momento de torção. Figura 9.13 Tensões na junta soldada com base na garganta efetiva. A tensão devida à força cortante pode ser determinada por: A – área da junta soldada A tensão devida ao momento de torção pode ser determinada por: M = N × e – momento de torção na seção da junta soldada dado pela força atuante multiplicada pela excentri- cidade. A excentricidade será a distância entre o ponto de aplicação da força e o centro geométrico da junta sol- dada; I = I + I – momento de inércia polar da seção da junta soldada; r – raio de rotação da seção da junta soldada. Portanto, para determinar as tensões, é necessário determinar algumas propriedades geométricas da seção da junta soldada. Em Salmon et al.¹ encontram-se tabelas com expressões para cálculo de propriedades geométricas em diferentes seções de juntas soldadas. Para o caso do exemplo em estudo, tem-se: A = 21 cm² I = 2060 cm⁴ x = 45,8 cm² e = 150 + (150 − 45,8) = 254,2 mm Conhecida a excentricidade, determinam-se o momento de torção e as tensões na solda. M = N × e = 90 × 25,42 = 2284,8 kNcm /cm² w T sd p x x w p cg T sd /cm² A tensão devida ao momento de torção pode ser calculada segundo suas componentes nas direções dos eixos x e y da seção da junta soldada. /cm² /cm² E, finalmente, a tensão resultante: /cm² Para determinar a tensão resultante no metal base, basta multiplicar a tensão resultante da garganta efetiva por 0,7, que é a relação entre as dimensões da garganta efetiva e da perna do filete. Portanto: Tensão resultante solicitante de cálculo no metal base: f = 0,7 × 19,2 = 13,44 kN/cm² A resistência da solda para eletrodo E60XX, em função dos modos de falha, será: 1) Ruptura da solda: /cm² 2) Escoamento do metal base: /cm² F = 13,64 kN/cm² ≥ f = 13,44 kN/cm² (ok) F = 18,4 kN/cm² < f = 19,2/cm² (não ok) Concluindo, a ligação não atende ao estado limite de ruptura da solda. Seria necessário aumentar a dimensão do filete ou utilizar eletrodo E70XX, que possui resistência mais elevada que o eletrodo E60XX, inicialmente ado- tado. A ligação deve ser recalculada com uma ou todas as modificações sugeridas, até que atenda ao estado limite de ruptura da solda. [1] Salmon et al. (2009). MB,Sd MB,Rd MB,Sd wRd wSd 10. LIGAÇÕES VIGA-PILAR As ligações entre vigas e pilares têm grande influência no comportamento global de estruturas de edifí- cios, seja com relação à rigidez ou à resistência. De modo geral, o comportamento destas ligações é idea- lizado para facilitar a análise e o dimensionamento estrutural. Assim, os elementos estruturais podem ser representados por barras e suas ligações, por nós idealmente rígidos ou articulados (flexíveis). O nó rígido pode ser entendido como aquele em que não existem rotações relativas significativas entre as barras nas quais há transferência integral de momentos fletores das vigas para os pilares. No nó articulado, ao contrário, não há transferências significativas de momentos fletores entre viga e pilar, e a rotação relativa entre esses ele- mentos é livre. É possível conceber detalhes de ligação cujo comportamento se aproxime suficientemente das situações idealizadas, porém algumas configurações geométricas da região de ligação podem conduzir a compor- tamento intermediário, resultando em uma ligação denominada semirrígida. Portanto, com relação à rigidez, as ligações podem ser classificadas em rígidas, flexíveis e semirrígidas. O gráfico da Figura 10.1 apresenta, de forma qualitativa, a curva momentoversus rotação que define o compor- tamento de uma ligação e sua classificação. Figura 10.1 Comportamento de ligações – curva momento versus rotação. As figuras 10.2 e 10.3 apresentam alguns detalhes de ligação comumente utilizados e que podem ser considerados rígidos ou flexíveis, respectivamente, desde que cumpridas algumas restrições quanto às dimen- sões e ao arranjo de chapas, parafusos e soldas. Figura 10.2 Ligações viga-pilar rígidas com chapa de topo, para galpões e edifícios.¹ Figura 10.3 Ligações viga-pilar flexíveis com chapa de alma, para galpões e edifícios.² A NBR 8800:2008 estabelece os seguintes limites para a classificação das ligações quanto à rigidez: Se S ≤ 0,5 , a ligação é considerada flexível; Se S ≥ 25 e ≥ 0,1 (em todos os andares), a ligação é considerada rígida; Se S ≥ 25 e < 0,1 (em todos os andares), a ligação deve ser considerada semirrígida; S – rigidez inicial da ligação tomada a 2/3 do momento resistente da ligação; I – momento de inércia da seção transversal da viga no plano da estrutura; L – comprimento da viga conectada à ligação; I – momento de inércia da seção transversal do pilar no plano da estrutura; L – altura do pilar; E – módulo de elasticidade longitudinal do aço. O uso de ligações semirrígidas pode trazer vantagens econômicas para o projeto estrutural, uma vez que estas ligações aliam facilidades de execução inerentes às ligações flexíveis e, ao mesmo tempo, podem garan- tir comportamento adequado para a estrutura resistir a solicitações horizontais. No entanto, o desenvol- vimento do projeto com essas ligações ainda é bastante trabalhoso, seja no tocante à determinação da rigidez da ligação, seja na análise estrutural em que a forma mais comum de representar o comportamento da ligação é utilizando apoios elásticos por meio de molas. Para determinação da rigidez da ligação, é necessário análise experimental em modelos físicos, análise baseada em simulações numéricas via Método dos Elementos Finitos ou o uso de expressões analíticas pre- sentes em códigos normativos nacionais ou estrangeiros, como, por exemplo, no Eurocode 3 parte 1-8. Portanto, em estruturas usuais predomina a utilização de detalhes de ligação que possam ser consi- derados rígidos ou flexíveis. Neste texto, apresenta-se somente a verificação de ligações rígidas e flexíveis. Para mais detalhes sobre a análise e verificação de estruturas com ligações semirrígidas, deve-se consultar literatura específica. i i i i v v p p 10.1 Ligação viga-pilar flexível Este tipo de ligação, que também pode ser denominada de ligação a cortante, é conseguido conectando-se apenas a alma da viga, deixando as mesas soltas, o que possibilita liberdade de rotações relativas entre vigas e pilares. No item seguinte, apresenta-se um roteiro para verificação da resistência deste tipo de ligação. Exemplo 10.1 – Verificar a ligação viga-pilar flexível da Figura 10.4 para um esforço cortante de 99 kN. Viga e pilar são em aço ASTM A36, parafusos do tipo ASTM A325 e eletrodos E60. Figura 10.4 Ligação viga-pilar flexível. 1) Estimativa do número de parafusos Iniciando-se pela verificação da parte parafusada, o primeiro passo é fazer uma estimativa do número mínimo de parafusos, admitindo-se, inicialmente, o uso de parafusos com diâmetro d = 12,5 mm e área A = 1,22 cm². A resistência do parafuso ao cisalhamento para um plano de corte (que é o caso da ligação em estudo) é dada por: Portanto, para o esforço cortante atuante na ligação serão necessários parafusos. No entanto, em função da excentricidade existente entre o centro geométrico da junta soldada e o plano de cisalhamento dos parafusos, irão surgir momentos fletores de extremidade que serão absorvidos pelos parafusos como força normal de tração. Por essa razão, deve-se multiplicar o número de parafusos obtidos anteriormente por 1,5. Logo, o número mínimo de parafusos deve ser n = 1,5 n = 1,5 ∙ 3,3 = 4,95 parafusos. Ou seja, 5 parafusos, mas como a ligação deve ser simétrica, serão utilizados 6 parafusos com 12,5 mm de diâmetro, conforme detalhe da Figura 10.4. 2) Determinação das solicitações nos parafusos Neste arranjo de ligação, além da força cortante aplicada, as excentricidades intrínsecas geram momentos de extremidade no plano da ligação (M ) e um momento lateral (M ), conforme ilustrado na Figura 10.5. b b 1 2 Figura 10.5 Momentos na ligação viga-pilar rotulada em função das excentricidades. O momento M será . Este momento M provoca cisalhamento nos parafusos externos (conforme Figura 10.5), dado por . O esforço de cisalhamento em cada parafuso devido à força cortante aplicada na ligação será: E, finalmente, o esforço de cisalhamento total no parafuso é a soma vetorial dos dois anteriores: O momento de extremidade M irá provocar tração nos parafusos superiores, conforme esquematizado na Fi- gura 10.6. Figura 10.6 Equilíbrio de forças na seção parafusada devido ao momento M . De acordo com a Figura 10.5, o momento M é dado por: A fim de se determinarem as forças de tração nos parafusos, é necessário determinar a posição da linha neu- tra da seção esquematizada na Figura 10.6. Isto é feito tomando o momento estático da área comprimida igual ao momento estático da área tracionada formada, por hipótese, pelos dois parafusos superiores. Ou seja: Resolvendo-se esta equação do segundo grau com A = 1,22 cm², resulta: y = 2,41 cm Veja que, de acordo com o detalhe da ligação apresentado na Figura 10.4, a distância do parafuso inferior até 2 2 1 1 1 b a borda da cantoneira é de 25 mm. Como a posição da linha neutra resultou y = 2,41 cm, a hipótese deste para- fuso estar localizado na região comprimida é bastante razoável. Com a posição da linha neutra definida, a força de tração nos parafusos pode ser determinada pela expressão abaixo: em que c é a distância do parafuso considerado até a linha neutra e I é o momento de inércia da junta parafusada, formada pelos dois parafusos na zona tracionada e na área comprimida. Assim, a força de tração no parafuso de extremidade mais solicitado será: Portanto, os parafusos devem ser verificados para um esforço de cisalhamento de F = 24,7 kN e um es- forço de tração de R = 17,2 kN. 3) Verificação da resistência dos parafusos A resistência ao cisalhamento de um parafuso para um plano de corte será: F = 29,8 kN/parafuso ≥ F = 24,7 kN (ok) E a resistência à tração isolada será: A = 0,75A = 0,92 cm² F = 56,4 kN/parafuso ≥ F = 17,2 kN Para a interação entre cisalhamento e tração, a solicitação a tração no parafuso deve ser limitada de acordo com o disposto na Tabela 8.8. Considerando o plano de corte passando pela rosca, a força solicitante de tração máxima deve ser: F ≤ f A /γ − 1,90F → F ≤ 82,5 × 1,23/1,35 − 1,90 × 24,7 → F = 28,2 kN (ok) Como a força de tração aplicada ao parafuso é F = 17,2 kN, considera-se que a interação entre cisalha- mento e tração esteja verificada. 4) Verificação da pressão de contato nas chapas de ligação É necessário, ainda, verificar a pressão de contato nos furos para a chapa de ligação com menor espessura, que, neste caso, é a cantoneira de ligação. A resistência à pressão de contato será: l = 25 mm – menor distância entre parafusos ou entre parafuso e borda d = 12,5 mm – diâmetro nominal do parafuso – resistência ao escoamento da chapa de ligação t = 6,3 mm – menor espessura entre as chapas conectadas ou v,Sd T,Sd v,Rd v,Sd be b t,Rd t,Sd t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd t,Sd t,Sd c b Portanto, a resistência à pressão de contato é R = 56,0 kN. Esse valor deve ser comparado com a solici- tação em cada parafuso, ou seja: R = 56,0 kN ≥ F = 24,7 kN (ok) 5) Solicitações na solda Inicialmente, é necessário calcular as propriedadesda junta soldada. Isso será feito tomando-se como refe- rência a dimensão da garganta efetiva da solda para um filete com perna b = 5 mm. Essas propriedades geomé- tricas, bem como a representação da junta soldada, estão no Quadro 10.1. Quadro 10.1 Propriedades geométricas da junta soldada. As máximas tensões na solda ocorrerão no ponto indicado na Figura 10.7. Neste ponto, desenvolvem-se ten- sões devidas à força cortante que vem da viga e ao momento fletor M = 260,9 kNcm na extremidade da viga, que surge devido à excentricidade entre o centro geométrico da junta soldada e a face do pilar, e que na junta soldada gera um efeito de torção. Figura 10.7 Esforços e tensões na junta soldada. Desta forma, calcula-se a tensão resultante máxima na junta soldada, como segue: • Tensão devida à força cortante (parcela da reação de apoio para cada cantoneira de alma): • Tensão devida ao momento fletor de extremidades: • Raio vetor para cálculo das tensões devidas ao momento fletor de extremidade: Rd,c Rd,c v,Sd A = 9,03 cm² x = 1,13 cm I = 301,3 cm⁴ I = 23,34 cm⁴ I = I + I = 324,64 cm⁴ – momento de inércia polar w cg x y p x y 1 • Componente da tensão devida ao momento de extremidade na direção horizontal: f = 6,02 kN/cm² • Componente da tensão devida ao momento de extremidade na direção vertical: f = 0,91 kN/cm² E, finalmente, a tensão resultante na garganta efetiva no ponto indicado na Figura 10.7: Para determinar a tensão resultante no metal base, basta multiplicar a tensão resultante da garganta efetiva por 0,7, que é a relação entre as dimensões da garganta efetiva e da perna do filete. Portanto: Tensão resultante solicitante de cálculo no metal base: f = 0,7 × 8,8 = 6,2 kN/cm² 6) Verificação da solda A resistência da solda para eletrodo E60XX, em função dos modos de falha, será: Ruptura da solda: Escoamento do metal base: F = 13,64 kN/cm² ≥ f = 6,2 kN/cm² (ok) F = 18,4 kN/cm² < f = 8,8 kN/cm² (ok) mx my MB,Sd MB,Rd MB,Sd wRd wSd 10.2 Ligação viga-pilar rígida A ligação viga-pilar rígida, tratada neste item, é denominada ligação com chapa de topo estendida e pode ser considerada rígida desde que algumas exigências mínimas com relação à espessura da chapa sejam atendidas. O momento fletor é transferido da viga para o pilar por meio do braço de alavanca formado entre os parafusos na região tracionada e a região comprimida da chapa. A parte parafusada neste tipo de ligação pode ser projetada por contato ou por atrito. No exemplo seguinte, apresenta-se a marcha de cálculo e as verificações necessárias para uma ligação viga-pilar rígida, com chapa de topo estendida em ligação por contato. Exemplo 10.2 – Verificar a ligação viga-pilar rígida da Figura 10.8 para um esforço cortante de 89 kN e um mo- mento fletor de 112,9 kNm. A junta soldada será executada com eletrodo E60XX, parafusos de 16 mm do tipo ASTM A325 e vigas e pilares em aço ASTM A36. Figura 10.8 Ligação viga-pilar rígida. 1) Verificação da junta soldada entre a viga e a chapa de topo A representação esquemática da junta soldada bem como as características geométricas para a garganta efe- tiva estão apresentadas no Quadro 10.2. Quadro 10.2 Junta soldada: características geométricas da garganta efetiva. Na Figura 10.9 estão representadas as tensões na junta soldada devidas ao momento fletor e à força cortante, sendo esta última resistida somente pela alma. Área total da junta soldada – garganta efetiva Área total da junta soldada na alma – garganta efetiva A = 2 × 28,135 × 0,49 = 27,57 cm² Momento de inércia da junta soldada – garganta efetiva w Figura 10.9 Tensões na junta soldada. Em função da distribuição de tensões da Figura 10.9, dois pontos da solda deverão ser verificados: a extre- midade superior da mesa e a extremidade da alma em que se tem uma tensão resultante do somatório da tensão normal com a tensão de cisalhamento. O cálculo dessa tensão é apresentado a seguir. • Tensão de cisalhamento na alma: • Tensão normal máxima na mesa – garganta efetiva: • Tensão normal máxima na alma – garganta efetiva: • Tensão resultante na mesa – garganta efetiva: f = 17,68 kN/cm² • Tensão resultante na alma – garganta efetiva: • Tensão resultante na mesa – metal base: • Tensão resultante na alma – metal base: Portanto, as tensões solicitantes críticas são: – Para garganta efetiva: f = 17,68 kN/cm² – Para o metal base: f = 12,4 kN/cm² A resistência da solda deve ser verificada para os estados limites de ruptura na solda da garganta efetiva e para o escoamento do metal base na face de fusão. wa wa wb Resistência da solda para ruptura da garganta efetiva: (ok) Já para escoamento do metal base a resistência é: (ok) 2) Verificação da parte parafusada A distribuição de força/tensões na junta parafusada é apresentada na Figura 10.10. Verifica-se que na parte comprimida há o contato entre chapa de topo e pilar; já na parte tracionada existe a tendência de separação pilar- chapa e, consequentemente, os parafusos resultam tracionados. Figura 10.10 Distribuição de força/tensão na junta parafusada. Para o cálculo dos valores de tensão de compressão e da força de tração nos parafusos, é necessário deter- minar a posição da linha neutra. Para isso, é necessário determinar o centro geométrico da seção. Isto é feito to- mando o somatório do momento estático nulo em relação à linha neutra: Resolvendo-se a equação, tem-se y = 5,01 cm. Desta forma, a seção resistente é formada pela porção comprimida da chapa e pelos parafusos tracionados, conforme apresentado na Figura 10.11. Figura 10.11 Seção resistente da ligação parafusada. Com base nas características da seção da Figura 10.11 e nos esforços aplicados na ligação, é possível deter- minar as forças solicitantes nos parafusos. • Momento de inércia da seção apresentada na Figura 10.11. I = 10514,86 cm² • Solicitação de cisalhamento devida à força cortante na ligação: • Solicitação normal devida ao momento fletor (parafuso mais afastado da linha neutra): – Área do parafuso. Portanto, os parafusos encontram-se solicitados por esforços combinados de cisalhamento e tração. A resistência ao cisalhamento do parafuso para um plano de corte, e considerando rosca no plano de corte, é: F = 49,1 kN ≥ F = 14,83 kN (ok) Como se trata de esforços combinados de tração e cisalhamento, a máxima solicitação de tração não dever ser maior que: F ≤ f A /γ − 1,90F No entanto, antes de realizar essa verificação, é necessário avaliar a ocorrência de acréscimo de força de tra- ção nos parafusos devido à deformação das chapas de ligação, ou seja, avaliar se ocorre o efeito alavanca. Com esta análise, consequentemente, estar-se-á verificando a resistência da chapa de ligação (chapa de topo). Para avaliar o efeito alavanca, é tomado um T equivalente na região tracionada da ligação, conforme indicado na Figura 10.12, em que as dimensões devem ser associadas ao modelo padrão de T equivalente, também apre- sentado nesta figura. vRd vSd t,Sd ub b a2 v,Sd Figura 10.12 Região para análise do efeito alavanca. De acordo com a Figura 10.12, tem-se: e = 25 mm b = 0,5d = 25 + 0,5 × 16 = 33 mm p = 25 + 33 = 58 mm Desta forma, é possível determinar a espessura mínima da chapa de topo: ou t = 16 mm Como a espessura adotada para a chapa de topo foi de 19 mm, portanto, maior que t , não há plasti- ficação, e a mesma atende ao requisito de resistência. Para avaliar a ocorrência do efeito alavanca, calcula-se a espessura máxima: ou t = 20,6 mm Como a espessura adotada para a chapa de topo está entre t e t , ocorrerá efeito alavanca, e o acrés- cimo de força no parafuso será dado por: 2 b mín mín máxmín máx Desta forma, a solicitação de tração no parafuso será: F ≤ f A /γ − 1,90F → F ≤ 82,5 × 2,01/1,35 − 1,90 × 14,83 → F = 94,7 kN (ok) A solicitação máxima de tração admitida é superior à solicitação de tração atuante no parafuso, portanto, o mesmo está verificado. Desta forma, foram verificados todos os elementos que compõem a ligação e, portanto, a mesma tem capa- cidade resistente para os esforços solicitantes. [1] Disponível em: <www.cype.pt>. [2] Idem. t,Sd ub b a2 v,Sd t,Sd t,Sd 11. BASE DE PILARES A ligação entre pilares de aço e bases de concreto é feita por meio de placas de base, chumbadores e barras de cisalhamento. Esses elementos devem ser convenientemente detalhados e dimensionados para transferir os esforços dos pilares para a fundação, garantindo segurança estrutural e reproduzindo o comportamento idea- lizado na análise da estrutura. Com relação ao comportamento estrutural, as bases podem ser rotuladas ou engastadas; exemplos de detalhes típicos para cada situação são apresentados na Figura 11.1. Figura 11.1 Exemplos típicos de bases rotuladas e engastadas, respectivamente. Com relação às ações que devem ser transferidas pelas bases à fundação, são possíveis os três casos da Fi- gura 11.2. Figura 11.2 Casos de carregamentos em placas de base. A placa de base tem a função de distribuir tensões axiais para a fundação, de forma que estas sejam compa- tíveis com as tensões resistentes da base de concreto. Em bases com momento fletor, pode existir a necessidade de chumbadores trabalhando a tração para ancorar o pilar à fundação de concreto. Os chumbadores também podem ser dimensionados a cisalhamento em bases solicitadas por forças cortantes. Outros dispositivos utili- zados para resistir à força cortante em base de pilares são as barras de cisalhamento, que serão discutidas pos- teriormente. 11.1 Projeto de bases rotuladas O projeto de bases rotuladas consiste em verificar a resistência da base de concreto, que é função das dimen- sões em planta da placa de base, e determinar a espessura da placa de base. O método apresentado aqui é base- ado nas especificações da norma americana AISC-LRFD:2005. Assume-se que o pilar é centralizado em relação à placa de base e que esta é centralizada em relação à base de concreto. Nesta situação, a resistência à pressão de contato na base de concreto, σ , é função do f e da relação entre a área da base de concreto e a área da placa de base, sendo expressa por: Com: A – Área da placa de base A – Área da base de concreto γ – Coeficiente de ponderação da resistência para o concreto = 1,4 γ – Coeficiente de comportamento = 1,4 Nos casos em que a placa de base não é centralizada em relação à base de concreto, a expressão anterior pode ser utilizada, porém a área A deve ser calculada segundo o esquema da Figura 11.3. Figura 11.3 Pressão de contato em bases de concreto. A resistência à pressão de contato aumenta à medida que a área da base de concreto aumenta. A máxima resistência à pressão de contato ocorre quando a relação entre a área da base de concreto e a área da placa de base é maior ou igual a 4. Pensando em termos de força última, e já considerando os coeficientes de segurança, a equação anterior transforma-se em: c,Rd ck 1 2 c n 2 Para determinação da espessura da placa de base, assume-se que a distribuição de tensões seja uniforme e, portanto, a mesma trabalha como uma placa em balanço submetida à flexão. A seção de engastamento, ou seja, a seção crítica, é a indicada na Figura 11.4. A espessura é determinada considerando-se a plastificação na seção crí- tica para o momento fletor de cálculo gerado pela tensão f sobre o maior comprimento entre m e n. Figura 11.4 Esquema para determinação da espessura da placa de base. Quando os comprimentos m e n (Figura 11.4) são iguais, tem-se a situação mais econômica. Isso ocorre sem- pre que a diferença entre H e B (dimensões da placa de base) for igual à diferença entre 0,95d e 0,8b (d e b são as dimensões do perfil do pilar). As dimensões da placa de base podem ser iguais ou um pouco maiores que as dimensões do perfil, o que significa que as dimensões m e n tendem a zero e a área da placa de base tende a A = b ∙ d. Neste caso, para a determinação da espessura, passa a ser crítica a porção central da placa entre as abas do perfil, assumindo uma área de contato em forma de H localizada imediatamente abaixo da seção do pilar, conforme Figura 11.5. Figura 11.5 Região crítica entre as mesas do perfil do pilar. Com base nos conceitos apresentados anteriormente, para o projeto de uma base rotulada deve-se considerar o procedimento de cálculo a seguir: a) Determinação da área da placa de base: deve ser a maior entre as obtidas pelas expressões seguintes: p f f 1 f Esses valores são obtidos a partir da resistência à pressão de contato, considerando-se que a mesma seja igual à solicitação de cálculo na base (N = P ). A primeira expressão representa o caso em que a relação entre a área da base de concreto e a da placa é igual a quatro, sendo esta a situação mais favorável. Na segunda expressão se tem definida a área da base de concreto. E a terceira expressão representa a situação em que a região entre as mesas do perfil é a região crítica da placa de base, o que significa que as dimensões da placa de base são bem próximas das dimensões do contorno do perfil. b) Determinação das dimensões da placa de base: geometricamente, tem-se: e Definidos H e B, é possível determinar a espessura da placa de base. c) Determinação da espessura da placa de base: definidas as dimensões m, n e c, é possível calcular a espessura necessária para a placa de base considerando-se a plastificação da seção. Tal espessura é dada por: c,Sd c,Rd 11.2 Projeto de bases engastadas Para análise das tensões e deformações nas bases, admite-se comportamento elástico-linear. Dentro desta hipótese, é possível identificar três diferentes aproximações com relação à distribuição de tensões. Na primeira hipótese, pouco utilizada na prática, considera-se que a resultante das tensões de compressão está localizada na linha da mesa do pilar. Uma segunda hipótese considera que a seção plana na interface aço-concreto permanece plana após a deformação, ou seja, as deformações são lineares e proporcionais no aço e no concreto e, conse- quentemente, a resultante de tração no chumbador é dependente da resultante de compressão na placa de base. Na terceira hipótese, despreza-se essa consideração de seção plana permanecer plana, o que resulta na não dependência entre a força de tração no chumbador e as tensões de compressão na placa de base; esta hipótese é mais consistente com o comportamento real e será adotada neste texto. Visando simplificar a análise do comportamento das bases engastadas, pode-se substituir o carregamento formado por força normal e momento fletor por uma força normal com excentricidade . Esta excentricidade pode ser classificada em pequena, moderada e grande. E, em função desta classificação, têm-se as distribuições de tensões da Figura 11.6, considerando comportamento elástico linear. Figura 11.6 Distribuição de tensões em função da excentricidade da força. Para pequenas excentricidades, ou seja, quando a excentricidade for inferior a um sexto da largura da placa , pode-se garantir que não há tensões de tração e, neste caso, a verificação é análoga à desenvolvida para bases rotuladas. A máxima tensão na placa de base é calculada como se a placa representasse uma seção trans- versal de uma viga sob flexão composta. O Quadro 11.1 resume a análise neste caso. Quadro 11.1 Análise de placas de base rígida com pequena excentricidade. Com excentricidade moderada, ou seja, quando , o contato entre placa de base e concreto ocorre so- mente em uma porçãoda placa de base; no entanto, não se desenvolve força de tração no chumbador. Neste caso, a distribuição e análise das tensões são feitas conforme o apresentado no Quadro 11.2, e a espessura da placa também pode ser determinada seguindo o procedimento apresentado para bases rotuladas. Quadro 11.2 Análise de tensões para excentricidade moderada. Quando , tem-se f = 0, caso limite para essa análise. pd2 Em placas com grande excentricidade, surgem tensões de tração que são transferidas para chumbadores ade- quadamente posicionados e ancorados na base de concreto. Para a análise das tensões (Quadro 11.3), faz-se o equilíbrio de forças na direção vertical e de momentos em relação à linha do chumbador, admitindo-se que a má- xima tensão de compressão seja igual à tensão resistente à pressão de contato no concreto. Quadro 11.3 Análise de tensões para grande excentricidade. Calculadas a força de tração nos chumbadores e a resultante de compressão na placa, é possível determinar o diâmetro dos chumbadores e a espessura da placa de base. A espessura da placa de base é calculada verificando- se os balanços externos de comprimento m para a seção crítica apresentada na Figura 11.7. Figura 11.7 Seção crítica para determinação da espessura da placa de base. De acordo com a Figura 11.7, o comprimento m é dado por: com G = Distância do chumbador até o eixo do perfil. Das duas equações anteriores, pode-se determinar: – Posição da linha neutra, que é o menor valor positivo da equação a seguir. f = σ – Resultante da força de tração no chumbador: pd c,Rd O momento fletor na seção crítica (M ) para uma faixa unitária da placa deve, então, ser calculado para uma distribuição de tensões trapezoidais ao longo do comprimento m, no lado comprimido e para a resultante de forças nos chumbadores no lado tracionado. Considerando-se como estado limite último a plastificação da seção crítica, a espessura da placa será: Vale ressaltar que nas bases engastadas não é possível determinar analiticamente as dimensões da placa de base. Portanto, neste caso, essas dimensões devem ser definidas, a priori, respeitando, obviamente, requisitos construtivos. É possível reduzir a espessura da placa de base com o uso de enrijecedores, ou seja, com uma placa de base nervurada mudando as condições de apoio desse elemento e, consequentemente, os esforços. A Figura 11.8 apre- senta um detalhe desta situação de placa de base com nervuras. Figura 11.8 Placa de base com enrijecedores ou nervuras. O uso de placas de base nervurada era bastante comum com o objetivo de reduzir custo de material. No en- tanto, atualmente, a tendência é simplificar o detalhamento para reduzir custos de fabricação e montagem que representam um percentual maior do custo total da estrutura. Neste sentido, existe a tendência para uso de placas de bases sem nervuras. máx 11.3 Chumbadores Os chumbadores normalmente são constituídos por barras redondas, com roscas nas extremidades, em aço do tipo SAE 1020. Quando necessário, para melhorar as condições de ancoragem, os chumbadores podem ter as extremidades em gancho ou com algum dispositivo, como chapas ou porcas (Figura 11.9). Figura 11.9 Detalhes típicos de chumbadores. Dependendo das condições de vínculo da base, os chumbadores podem estar solicitados por tração, cisalha- mento ou tração com cisalhamento simultaneamente. Chumbadores solicitados exclusivamente por cisalhamento não necessitam de grandes comprimentos de ancoragem, podendo, nesta situação, ser adotado o comprimento de ancoragem mínimo construtivo, reco- mendado pelo AISC:2005, que corresponde a doze vezes o diâmetro do chumbador. Já os chumbadores submetidos à tração necessitam de comprimentos de ancoragem maiores. Neste caso, o comprimento é calculado em função da resistência à tração do chumbador e da resistência do cone de arran- camento do concreto que depende, principalmente, da resistência à tração deste material. Os procedimentos da NBR 6118:2003 podem ser usados para a determinação do comprimento de ancoragem em chumbadores tracionados. Neste caso, determina-se um comprimento básico de ancoragem em função do diâmetro do chumbador, da resistência ao escoamento do aço e da resistência à tração do concreto. L – comprimento básico de ancoragem; f = η η η f – resistência de aderência aço-concreto; η – coeficiente de conformação superficial do chumbador cujos valores são definidos na NBR 6118:2003 e apre- sentados na Tabela 11.1; Tabela 11.1 Coeficiente de conformação superficial η . η – coeficiente que exprime a condição de aderência durante a concretagem, conforme NBR 6118:2003 e des- crito na Tabela 11.2. Tabela 11.2 Condição de aderência η . b bd 1 2 3 ctd 1 1 Tipo de barra η Lisa 1,0 Entalhada 1,4 Nervurada 2,25 1 2 2 Condição de aderência η Boa aderência 1,0 Má aderência 0,7 2 η – função do diâmetro do chumbador, dado por: – resistência à tração do concreto, valor de cálculo f = 0,7 f – resistência mínima à tração do concreto – resistência média à tração do concreto f – resistência característica do concreto f – resistência ao escoamento do aço do chumbador O comprimento final necessário de ancoragem é determinado por: α – parâmetro que depende das condições de extremidade do chumbador (Figura 11.9), devendo ser adotado um dos valores seguintes: N – solicitação de tração no chumbador determinado pelo equilíbrio de tensões na base – resistência de cálculo a tração do chumbador, em que: f – resistência última do aço do chumbador A – área da seção transversal do chumbador O comprimento de ancoragem não deve ser inferior a 12φ (doze vezes o diâmetro do chumbador). 3 ctk,inf ctm ck y,cs 1 Std,ch u,cs cs,e 11.4 Exemplos de aplicação Exemplo 11.1 – Projetar a base rotulada para um pilar de seção CVS 250 x 47 kg/m, cujos esforços de cálculo hori- zontais e verticais são H = 100 kN e N = 705 kN, respectivamente. O concreto da base é classe C20, aço do pilar e da placa de base do tipo ASTM A36 e o aço dos chumbadores do tipo SAE 1020. A base de concreto tem área igual a 720 cm². A Tabela 11.3 apresenta um resumo dos dados e informações necessárias para o dimensionamento da base. Tabela 11.3 Dados para projeto da base rotulada do pilar. A força resistente à pressão de contato na base de concreto é dada por: Para condição de segurança, tem-se P ≥ N . O maior valor para a resistência à pressão de contato ocorre quando a relação entre a área da base de con- creto e a área carregada (placa de base) for maior ou igual a 4. No presente caso, a área da base de concreto é A = 720 cm² e a área da placa de base deve ser a maior entre os valores a seguir: Portanto, A = 690,3 cm². A altura da placa de base pode ser determinada por: E sua largura será: . Portanto, será adotada uma placa de base com H = 320 mm e B = 220 mm, conforme desenho esquemático da Figura 11.10. v,Sd c,Sd Seção do pilar Aço Concreto Esforços Placa de base: f = 250 MPa f = 400 MPa Chumbador: f = 250 MPa f = 400 MPa f = 20 MPa Área da base: A = 720 cm² y u y u ck 2 c,Rd c,Sd 2 1 Figura 11.10 Dimensões da placa de base para base rotulada. Para determinação da espessura da placa de base, faz-se necessário definir os balanços externos e internos, conforme apresentado a seguir. Caso a desigualdade (d + b − t )² ≤ 4(A − bt ) seja satisfeita, pode-se garantir que a área da placa de base in- terna ao pilar (balanços internos) não é crítica. Para o exemplo em questão, tem-se: (d + b − t )² ≤ 4(A − bt ) → (25 + 17 − 1,25)² ≤ 4(541,6 − 17 × 1,25) → 1660,6 ≤ 2081,4 Portanto, a espessura da placa de base será definida em função do maior balanço externo, ou seja, n = 42 mm. Logo, devese adotar a chapa com espessura comercial de 12,5 mm. Com relação aos chumbadores nas bases rotuladas, é dimensionada a força cortante para a reação horizontal. A resistência de um chumbador a cortante é: A área mínima do chumbador é calculada para R = H , resultando: E, portanto, podem ser adotados dois chumbadores com diâmetro de φ = 25 mm e com área total de 9,8 cm². A = 541,6 cm² A = área definida pelos balanços internos H H f f H f f f H f Rdv v,Sd Como não há forças de arrancamento, o comprimento do chumbador pode ser o mínimo construtivo, igual a L = 12φ = 12 × 25 = 300 mm sem gancho. Para determinar o comprimento total do chumbador, deve ser so- mada a espessura de regularização da base, a espessura da placa de base e o comprimento de pega para insta- lação de arruelas, porcas e contraporcas. Exemplo 11.2 – Projetar a base engastada para um pilar de seção CS 300 x 76 kg/m, cujos esforços de cálculo hori- zontais e verticais e momento fletor são 130 kN, 885 kN e 10.087 kNcm, respectivamente. O concreto da base é classe C20, aço do pilar e da placa de base do tipo ASTM A36 e o aço dos chumbadores do tipo SAE 1020. A Ta- bela 11.4 apresenta os dados para o projeto da base engastada. Tabela 11.4 Dados para projeto da base engastada. Inicialmente, determina-se a excentricidade do carregamento equivalente dada por: Neste caso, a excentricidade é moderada, pois encontra-se no intervalo , sendo H = 50 cm a altura da placa de base. Para excentricidade moderada, a distribuição de tensões na placa de base é a apresentada na Figura 11.11, em que se percebe que a força de tração no chumbador é nula. Figura 11.11 Distribuição de tensões na placa de base para excentricidade moderada. A posição da linha neutra será: E a tensão de compressão máxima: Com a tensão máxima de cálculo determinada, é possível verificar a resistência do concreto à pressão de cs Seção do pilar Aço Concreto Esforços Placa de base: f = 250 MPa f = 400 MPa Chumbador: f = 250 MPa f = 400 MPa f = 20 MPa Área da base: 500 mm x 500 mm y u y u ck contato e, consequentemente, verificar se as dimensões da placa de base inicialmente adotadas são compatíveis com a capacidade resistente da base de concreto dada por: Para esse exemplo, considera-se A = A , e com isso tem-se: Conclui-se, então, que não há esmagamento do concreto por pressão de contato, pois: σ = 1,02 kN/cm² > f = 0,86 kN/cm². A espessura da placa de base será determinada em função do momento de plastificação na seção crítica indi- cada na Figura 11.12, que corresponde à extremidade de uma placa em balanço com comprimento igual a: Figura 11.12 Seção crítica para determinação da espessura da placa. O momento fletor solicitante de cálculo na seção crítica será determinado para uma faixa de largura unitária, considerando, de forma simplificada, um carregamento uniforme correspondente à tensão f = 0,86 kN/cm², resultando: E a espessura da placa de base, admitindo como modo de falha a plastificação da seção crítica, será: Portanto, deve-se adotar uma chapa de 32 mm para a placa de base. Para esse exemplo, cuja excentricidade é moderada, não há tração no chumbador, sendo o mesmo dimen- sionado apenas para o esforço cortante correspondente à reação horizontal e tendo seu comprimento igual ao mí- nimo construtivo. A resistência de um chumbador a força cortante é: 1 2 c,Rd pd pd A área mínima do chumbador é calculada para R = H , resultando: E, portanto, podem ser adotados quatro chumbadores com diâmetro de φ = 19 mm e com área total de 11,3 cm². Como não há forças de arrancamento, o comprimento de ancoragem do chumbador pode ser o mínimo construtivo, igual a L = 12φ = 12 × 19 ≈ 230 mm, sem gancho. Para determinar o comprimento total do chum- bador, deve ser somada a espessura de regularização da base, a espessura da placa de base mais o comprimento de pega para instalação de arruelas, porcas e contraporcas. Rdv v,sd cs 12. Anexo – Tabela de perfis Cantoneira simples de abas iguais Cantoneira simples de abas iguais Dimensões (pol) Dimensões (mm) Área cm² Peso kg/m I = I cm⁴ W = W cm³ r = r cm r cm X = Y cm h (pol) t (pol) b (mm) t (mm) 7/8 x 7/8 1/8 22,00 3,20 1,35 1,04 0,58 0,37 0,66 0,48 0,66 1 x 1 1/8 25,00 3,20 1,48 1,19 0,83 0,49 0,76 0,51 0,76 1 x 1 3/16 25,00 4,76 2,19 1,73 1,24 0,65 0,76 0,48 0,81 1¼ x 1¼ 1/8 32,00 3,20 1,93 1,50 1,66 0,81 0,96 0,63 0,91 1¼ x 1¼ 3/16 32,00 4,76 2,77 2,20 2,49 1,14 0,96 0,61 0,96 1¼ x 1¼ 1/4 32,00 6,30 3,61 2,86 3,32 1,47 0,93 0,61 1,01 1½ x 1½ 1/8 38,00 3,20 2,32 1,83 3,32 1,14 1,19 0,76 1,06 1½ x 1½ 3/16 38,00 4,76 3,42 2,68 4,57 1,63 1,16 0,73 1,11 1½ x 1½ 1/4 38,00 6,30 4,45 3,48 5,82 2,13 1,14 0,73 1,19 1¾ x 1¾ 1/8 44,00 3,20 2,70 2,14 5,41 1,63 1,39 0,88 1,21 1¾ x 1¾ 3/16 44,00 4,76 3,99 3,15 7,49 2,29 1,37 0,88 1,29 1¾ x 1¾ 1/4 44,00 6,30 5,22 4,12 9,57 3,11 1,34 0,86 1,34 1¾ x 1¾ 5/16 44,00 8,00 6,45 5,05 11,23 3,77 1,32 0,86 1,39 2 x 2 3/16 51,00 4,76 4,58 3,63 7,90 2,13 1,60 1,01 1,39 2 x 2 1/4 51,00 6,30 6,06 4,76 11,23 3,11 1,57 0,99 1,44 2 x 2 5/16 51,00 8,00 7,41 5,83 14,56 4,09 1,54 0,99 1,49 2 x 2 3/8 51,00 9,50 8,76 6,99 17,48 4,91 1,52 0,99 1,54 x y x y x y mín g g Dimensões (pol) Dimensões (mm) Área cm² Peso kg/m I = I cm⁴ W = W cm³ r = r cm r cm X = Y cm x y x y x y mín g g Cantoneira simples de abas iguais h (pol) t (pol) b (mm) t (mm) 2½ x 2½ 3/16 64 4,76 5,80 4,57 23,00 4,90 1,98 1,24 1,75 2½ x 2½ 1/4 64,00 6,30 7,67 6,10 29,00 6,40 1,96 1,24 1,83 2½ x 2½ 5/16 64,00 8,00 9,48 7,44 35,00 7,87 1,93 1,24 1,88 2½ x 2½ 3/8 64 9,50 11,16 8,78 41,00 9,35 1,91 1,22 1,93 3” x 3” 3/16 76 4,76 7,03 5,52 40,00 7,21 2,39 1,5 2,08 3” x 3” 1/4 76 6,3 9,29 7,29 50 9,5 2,36 1,5 2,13 3” x 3” 5/16 76 8,00 11,48 9,10 62,40 11,60 2,33 2,94 2,21 3” x 3” 3/8 76 9,50 13,61 10,70 74,90 14,00 2,35 2,92 2,26 3” x 3” 7/16 76 11,10 15,68 12,40 83,30 15,70 2,30 2,91 2,31 3” x 3” 1/2 76 12,50 17,74 14,00 91,60 17,50 2,27 2,86 2,36 4” x4” 3/8 102,00 9,50 18,45 14,60 1833,10 25,10 3,15 2,0 2,90 4” x 4” 7/16 102,00 11,10 21,35 16,80 208,10 28,70 3,12 3,94 2,95 4” x 4” 1/2 102,00 12,50 24,19 19,10 233,10 32,40 3,10 3,91 3,00 4” x 4” 9/16 102,00 14,30 26,97 21,30 253,90 35,60 3,07 3,86 3,07 4” x 4” 5/8 102,00 16,00 29,74 23,40 278,90 39,40 3,06 3,86 3,12 5” x 4” 1/2 127,00 12,50 30,65 24,10 470,30 51,90 3,92 4,95 3,63 5” x 5” 9/16 127,00 14,30 34,26 26,90 516,10 57,40 3,88 4,89 3,71 5” x 5” 5/8 127,00 16,00 37,81 29,80 566,10 63,30 3,87 4,89 3,76 5” x 5” 11/16 127,00 17,50 41,29 32,40 611,90 68,80 3,85 4,86 3,81 5” x 5” 3/4 127,00 19,00 44,77 35,10 653,50 73,90 3,82 4,82 3,86 Dimensões (pol) Dimensões (mm) Área cm² Peso kg/m I = I cm⁴ W = W cm³ r = r cm r cm X = Y cm h (pol) t (pol) b (mm) t (mm) 6” x 6” 7/16 152,00 11,10 32,65 25,60 736,70 67,10 4,75 6,02 4,22 6” x 6” 1/2 152,00 12,50 37,10 29,20 828,30 75,80 4,73 5,97 4,27 6”x 6” 9/16 152,00 14,30 41,48 32,60 919,90 84,70 4,71 5,95 4,34 6” x 6” 5/8 152,00 16,00 45,87 36,00 1.007,30 93,20 4,69 5,94 4,39 6” x 6” 11/16 152,00 17,50 50,19 39,40 1.090,50 101,40 4,66 5,90 4,45 6” x 6” 3/4 152,00 19,00 54,45 42,70 1.173,80 109,90 4,64 5,84 4,52 6” x 6” 13/16 152,00 20,60 58,65 46,10 1.252,90 117,90 4,625,81 4,57 6” x 6” 7/8 152,00 22,00 62,77 49,30 1.327,80 125,50 4,60 5,80 4,62 8” x 8” 1/2 203,00 12,50 50,00 39,30 2.022,90 137,20 6,36 8,05 5,56 x y x y x y mín g g Cantoneira dupla de abas iguais 8” x 8” 9/16 203,00 14,30 56,00 44,10 2.251,80 153,30 6,34 8,02 5,61 8” x 8” 5/8 203,00 16,00 62,00 48,70 2.472,40 168,90 6,31 7,97 5,66 8” x 8” 11/16 203,00 17,50 67,94 53,30 2.688,80 184,40 6,29 7,95 5,72 8” x 8” 3/4 203,00 19,00 73,81 57,90 2.901,10 199,90 6,27 7,92 5,79 8” x 8” 13/16 203,00 20,60 79,61 62,50 3.109,20 215,00 6,25 7,89 5,84 8” x 8” 7/8 203,00 22,00 85,35 67,00 3.313,20 229,90 6,23 7,86 5,89 8” x 8” 15/16 203,00 23,80 91,10 71,60 3.508,80 244,30 6,21 7,84 5,94 8” x 8” 1 203,00 25,40 96,77 75,90 3.704,40 259,40 6,19 7,81 6,02 Dimensões Eixo x-x r (cm) Y cm Espessura chapa de ligação (mm) b (pol) t (pol) b (mm) t (mm) A (cm²) P kg/m I (cm⁴) W (cm³) r (cm) 0,0 3,2 4,76 6,35 8,0 9,5 12,5 7/8 x 7/8 1/8 22,00 3,20 2,70 2,08 1,16 0,74 0,66 0,93 1,05 1,11 1,18 1,25 1,31 1,44 0,66 1 x 1 1/8 25,00 3,20 2,96 2,38 1,66 0,98 0,76 1,07 1,19 1,25 1,31 1,38 1,44 1,57 0,76 1 x 1 3/16 25,00 4,76 4,38 3,46 2,48 1,30 0,76 1,11 1,23 1,29 1,36 1,42 1,49 1,62 0,81 1¼ x 1¼ 1/8 32,00 3,20 3,86 3,00 3,32 1,62 0,96 1,30 1,42 1,48 1,54 1,61 1,67 1,79 0,91 1¼ x 1¼ 3/16 32,00 4,76 5,54 4,40 4,98 2,28 0,96 1,35 1,47 1,53 1,59 1,66 1,72 1,85 0,96 1¼ x 1¼ 1/4 32,00 6,30 7,22 5,72 6,64 2,94 0,93 1,39 1,51 1,57 1,64 1,71 1,77 1,90 1,01 1½ x 1½ 1/8 38,00 3,20 4,64 3,66 6,64 2,28 1,19 1,60 1,71 1,77 1,82 1,89 1,95 2,07 1,06 1½ x 1½ 3/16 38,00 4,76 6,84 5,36 9,14 3,26 1,16 1,60 1,72 1,78 1,84 1,90 1,96 2,08 1,11 1½ x 1½ 1/4 38,00 6,30 8,90 6,96 11,64 4,26 1,14 1,65 1,77 1,83 1,89 1,96 2,02 2,15 1,19 1¾ x 1¾ 1/8 44,00 3,20 5,40 4,28 10,82 3,26 1,39 1,86 1,97 2,02 2,08 2,14 2,20 2,32 1,21 1¾ x 1¾ 3/16 44,00 4,76 7,98 6,30 14,98 4,58 1,37 1,88 1,99 2,05 2,11 2,18 2,23 2,35 1,29 1¾ x 1¾ 1/4 44,00 6,30 10,44 8,24 19,14 6,22 1,34 1,90 2,02 2,08 2,14 2,20 2,26 2,39 1,34 y g x x x Cantoneira dupla de abas iguais 1¾ x 1¾ 5/16 44,00 8,00 12,90 10,10 22,46 7,54 1,32 1,92 2,04 2,10 2,16 2,22 2,28 2,41 1,39 2 x 2 3/16 51,00 4,76 9,16 7,26 15,80 4,26 1,60 1,91 2,03 2,09 2,15 2,22 2,28 2,41 1,39 2 x 2 1/4 51,00 6,30 12,12 9,52 22,46 6,22 1,57 1,98 2,10 2,16 2,22 2,29 2,35 2,47 1,44 2 x 2 5/16 51,00 8,00 14,82 11,66 29,12 8,18 1,54 2,05 2,17 2,23 2,29 2,35 2,41 2,54 1,49 2 x 2 3/8 51,00 9,50 17,52 13,98 34,96 9,82 1,52 2,09 2,21 2,27 2,33 2,40 2,46 2,59 1,54 2½ x 2½ 3/16 64,00 4,76 11,60 9,14 46,00 9,82 1,98 2,65 2,76 2,81 2,87 2,93 2,99 3,10 1,75 2½ x 2½ 1/4 64,00 6,30 15,34 12,20 58,00 12,80 1,96 2,67 2,78 2,84 2,90 2,96 3,02 3,13 1,83 2½ x 2½ 5/16 64,00 8,00 18,96 14,88 70,00 15,74 1,93 2,69 2,80 2,86 2,92 2,98 3,04 3,16 1,88 2½ x 2½ 3/8 64,00 9,50 22,32 17,56 82,00 18,70 1,91 2,72 2,84 2,89 2,95 3,02 3,08 3,19 1,93 Dimensões Eixo x-x r (cm) Y cm Espessura chapa de ligação (mm) b (pol) t (pol) b (mm) t (mm) A (cm²) P kg/m I (cm⁴) W (cm³) r (cm) 0,0 3,2 4,76 6,35 8,0 9,5 12,5 3” x 3” 3/16 76,00 4,75 14,06 11,07 80,00 14,42 2,39 3,16 3,38 3,44 3,5 3,1 3,73 3,85 2,08 3” x 3” 1/4 76,00 6,35 18,58 14,58 100,00 19,00 2,36 3,14 3,37 3,43 3,49 3,61 3,73 3,86 2,13 3” x 3” 5/16 76,00 8,0 22,96 18,14 124,00 23,20 2,34 3,21 3,43 3,49 3,55 3,67 3,8 3,92 2,21 3” x 3” 3/8 76,00 9,50 27,22 21,40 149,80 28,00 2,35 3,26 3,37 3,43 3,49 3,55 3,60 3,72 2,26 3” x 3” 7/16 76,00 11,10 31,36 24,80 166,60 31,40 2,30 3,26 3,38 3,44 3,50 3,56 3,62 3,73 2,31 3” x 3” 1/2 76,00 12,50 35,48 28,00 183,20 35,00 2,27 3,28 3,39 3,45 3,51 3,58 3,63 3,75 2,36 4” x4” 3/8 102,00 9,50 36,90 29,20 3.666,20 50,20 3,15 10,38 10,43 10,45 10,47 10,50 10,52 10,57 2,90 4” x 7/16 11,10 42,70 33,60 416,20 57,40 3,12 4,30 4,41 4,46 4,52 4,58 4,63 4,75 y g x x x Seção tipo U laminado padrão americano 4” 102,00 2,95 4” x 4” 1/2 102,00 12,50 48,38 38,20 466,20 64,80 3,10 4,32 4,43 4,49 4,54 4,60 4,66 4,77 3,00 4” x 4” 9/16 102,00 14,30 53,94 42,60 507,80 71,20 3,07 4,34 4,46 4,51 4,57 4,63 4,69 4,80 3,07 4” x 4” 5/8 102,00 16,00 59,48 46,80 557,80 78,80 3,06 4,37 4,49 4,54 4,60 4,67 4,72 4,84 3,12 5” x 5” 5/8 127,00 16,00 75,62 59,60 1.132,20 126,60 3,87 5,40 5,51 5,56 5,62 5,68 5,74 5,85 3,76 5” x 5” 11/16 127,00 17,50 82,58 64,80 1.223,80 137,60 3,85 5,42 5,53 5,59 5,64 5,70 5,76 5,87 3,81 5” x 5” 3/4 127,00 19,00 89,54 70,20 1.307,00 147,80 3,82 5,43 5,55 5,60 5,66 5,72 5,78 5,89 3,86 6” x 6” 3/8 152,00 9,50 56,26 44,40 1.282,00 116,20 4,77 6,34 6,44 6,50 6,55 6,61 6,66 6,77 4,17 6” x 6” 7/16 152,00 11,10 65,30 51,20 1.473,40 134,20 4,75 6,35 6,46 6,51 6,57 6,63 6,68 6,79 4,22 6” x6” 1/2 152,00 12,50 74,20 58,40 1.656,60 151,60 4,73 6,37 6,48 6,53 6,59 6,64 6,70 6,80 4,27 6”x 6” 9/16 152,00 14,30 82,96 65,20 1.839,80 169,40 4,71 6,40 6,51 6,57 6,62 6,68 6,74 6,84 4,34 6” x 6” 5/8 152,00 16,00 91,74 72,00 2.014,60 186,40 4,69 6,42 6,53 6,59 6,64 6,70 6,75 6,86 4,39 6” x 6” 11/16 152,00 17,50 100,38 78,80 2.181,00 202,80 4,66 6,44 6,56 6,61 6,67 6,73 6,78 6,89 4,45 6” x 6” 3/4 152,00 19,00 108,90 85,40 2.347,60 219,80 4,64 6,48 6,59 6,65 6,71 6,76 6,82 6,93 4,52 h x peso pol x kg/m b mm t mm t mm b mm A cm² I cm⁴ W cm² r cm Z cm⁴ I cm⁴ W cm³ r cm C cm⁶ I cm⁴ X cm X cm 3”x 6,1 76,2 6,9 4,3 35,8 7,78 68,9 18,1 3,0 21,4 8,2 3,3 1,0 80,5 1,0 1,1 2,2 3”x 7,4 76,2 6,9 6,6 38,0 9,48 77,2 20,3 2,9 24,0 10,3 3,8 1,0 99,4 1,4 1,1 2,6 3”x 8,9 76,2 6,9 9,0 40,5 11,4 86,3 22,7 2,8 26,8 12,7 4,4 1,1 121,4 2,4 1,2 4,3 4”x 101,6 7,5 4,6 40,1 10,1 159,5 31,4 4,0 37,1 13,1 4,6 1,1 240,2 1,4 1,2 2,6 w f w x x x x y y y w t g 0 Seção tipo I laminado padrão americano 8,0 4”x 9,3 101,6 7,5 6,3 41,8 11,9 174,4 34,3 3,8 40,5 15,5 5,1 1,1 281,5 1,9 1,2 3,8 4”x 10,8 101,6 7,5 8,1 43,7 13,7 190,6 37,5 3,7 44,3 18,0 5,6 1,2 327,4 2,8 1,2 4,7 6”x 12,2 152,4 8,7 5,1 48,8 15,5 546 71,7 5,9 84,6 28,8 8,1 1,4 1.257,1 2,7 1,3 4,2 6”x 15,6 152,4 8,7 8,1 51,7 19,9 632 82,9 5,6 97,8 36,0 9,2 1,3 1.584,4 4,7 1,3 7,2 6”x 19,4 152,4 8,7 11,1 54,8 24,7 724 95,0 5,4 112,1 43,9 10,5 1,3 1.921,4 8,6 1,3 10,9 8”x 17,1 203,2 9,9 5,6 57,4 21,8 1.356 133,4 7,9 157,4 54,9 12,8 1,6 4.390,8 4,8 1,5 7,4 8”x 20,5 203,2 9,9 7,7 59,5 26,1 1.503 147,9 7,6 174,5 63,6 14,0 1,6 5.130,5 6,6 1,4 9,0 8”x 24,2 203,2 9,9 10,0 61,8 20,8 1.667 164,0 7,4 193,5 72,9 15,3 1,5 5.910,8 10,1 1,4 13,3 Dimensões (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y C (cm⁶) P kg/m Perfil d b t t A cm² I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) 3” x 8,5 76,2 59,2 6,6 4,32 10,8 105 27,6 3,12 32,0 18,9 6,4 1,3 10,7 228,9 8,5 3” x 9,7 76,2 61,2 6,6 6,38 12,3 112 29,6 3,02 33,2 21,3 7,0 1,3 7,8 258,0 9,7 3” x 11,2 76,2 63,7 6,6 8,86 14,2 12132 2,93 38,7 24,4 7,7 1,3 13,5 295,5 11,2 4” x 11,4 101,6 67,6 7,4 4,83 14,5 252 49,7 4,17 55,7 31,7 9,4 1,5 10,5 703,2 11,4 4” x 12,7 101,6 69,2 7,4 6,43 16,1 266 52,4 4,06 58,7 34,3 9,9 1,5 11,1 760,9 12,7 4” x 14,1 101,6 71,0 7,4 8,28 18 283 55,6 3,96 62,3 37,6 10,6 1,5 11,9 834,1 14,1 4” x 15,6 101,6 72,9 7,4 10,2 19,9 299 58,9 3,87 66,0 41,2 11,3 1,4 12,7 914,0 15,6 5” x 14,8 127 76,2 8,3 5,33 18,8 511 80,4 5,21 92,9 50,2 13,2 1,6 22,5 1768,3 14,8 w f f w x x x x y y y y Seção tipo I laminado abas planas 5” x 18,2 127 79,7 8,3 8,81 23,2 570 89,8 4,95 100,6 58,6 14,7 1,6 16,5 2064,1 18,2 5” x 22,0 127 83,4 8,3 12,5 28 634 99,8 4,76 122,0 69,1 16,6 1,6 30,8 2434,0 22 6” x 18,5 152,4 84,6 9,1 5,84 23,6 919 120,6 6,24 139,0 75,7 17,9 1,8 30,3 3886,2 18,5 6” x 22,0 152,4 87,5 9,1 8,71 28 1003 131,7 5,99 147,5 84,9 19,4 1,7 21,7 4358,5 22 6” x 25,7 152,4 90,6 9,1 11,8 32,7 1095 143,7 5,79 174,0 96,2 21,2 1,7 38,7 4.938,6 25,7 8” x 27,3 203,2 101,6 10,8 6,86 34,8 2400 236 8,3 270,0 155,1 30,5 2,1 51,8 14.353,6 27,3 8” x 30,5 203,2 103,6 10,8 8,86 38,9 2540 250 8,08 280,0 165,9 32,0 2,1 35,8 15.353,1 30,5 8” x 34,3 203,2 105,9 10,8 11,2 43,7 2700 266 7,86 316,0 179,4 33,9 2,0 60,3 16.602,5 34,3 8” x 38,0 203,2 108,3 10,8 13,5 48,3 2860 282 7,69 315,8 194,0 35,8 2,0 40,1 17.953,6 38 10” x 37,7 254 118,4 12,5 7,87 48,1 5140 405 10,3 465,0 282,0 47,7 2,4 81,3 41.117,2 37,7 10” x 44,7 254 121,8 12,5 11,4 56,9 5610 442 9,93 495,0 312,0 51,3 2,3 57,5 45.491,4 44,7 10” x 52,1 254 125,6 12,5 15,1 66,4 6120 482 9,6 580,0 348,0 55,4 2,3 102,0 50.740,4 52,1 12” x 60,6 304,8 133,4 16,7 11,7 77,3 11.330 743 12,1 870,0 563,0 84,5 2,7 145,0 116.824,8 60,6 12” x 67,0 304,8 136,0 16,7 14,4 85,4 11.960 785 11,8 879,2 603,0 88,7 2,7 99,3 125.124,9 67 Perfil mm x kg/m Massa linear kg/m d mm b mm Espessura h mm d’ mm Área cm² Eixo X-X Eixo Y-Y I cm⁴ C cm⁶ t mm t mm I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ W 150 x 13,0 13 148 100 4,3 4,9 138 118 16,6 635 85,8 6,18 96,4 82 16,4 2,22 25,5 1,72 4.181,0 f t w w f x x x x y y y y W 150 x 18,0 18 153 102 5,8 7,1 139 119 23,4 939 122,8 6,34 139,4 126 24,7 2,32 38,5 4,34 6.683,0 W 150 x 22,5 (H) 22,5 152 152 5,8 6,6 139 119 29 1229 161,7 6,51 179,6 387 50,9 3,65 77,9 4,75 20.417,0 W 150 x 24,0 24 160 102 6,6 10,3 139 115 31,5 1384 173 6,63 197,6 183 35,9 2,41 55,8 11,08 10.206,0 W 150 x 29,8 (H) 29,8 157 153 6,6 9,3 138 118 38,5 1739 221,5 6,72 247,5 556 72,6 3,8 110,8 10,95 30.227,0 W 150 x 37,1 (H) 37,1 162 154 8,1 11,6 139 119 47,8 2244 277 6,85 313,5 707 91,8 3,84 140,4 20,58 39.930,0 W 200 x 15,0 15 200 100 4,3 5,2 190 170 19,4 1305 130,5 8,2 147,9 87 17,4 2,12 27,3 2,05 8.222,0 W 200 x 19,3 19,3 203 102 5,8 6,5 190 170 25,1 1686 166,1 8,19 190,6 116 22,7 2,14 35,9 4,02 11.098,0 W 200 x 22,5 22,5 206 102 6,2 8 190 170 29 2029 197 8,37 225,5 142 27,9 2,22 43,9 6,18 13.868,0 W 200 x 26,6 26,6 207 133 5,8 8,4 190 170 34,2 2611 252,3 8,73 282,3 330 49,6 3,1 76,3 7,65 32.477,0 W 200 x 31,3 31,3 210 134 6,4 10,2 190 170 40,3 3168 301,7 8,86 338,6 410 61,2 3,19 94 12,59 40.822,0 W 200 x 35,9 (H) 35,9 201 165 6,2 10,2 181 161 45,7 3437 342 8,67 379,2 764 92,6 4,09 141 14,51 69.502,0 W 200 x 41,7 41,7 205 166 7,2 11,8 181 157 53,5 4114 401,4 8,77 448,6 901 108,5 4,1 165,7 23,19 83.948,0 Seção tipo I laminado abas planas (H) W 200 x 46,1 (H) 46,1 203 203 7,2 11 181 161 58,6 4543 447,6 8,81 495,3 1.535 151,2 5,12 229,5 22,01 141.342,0 W 200 x 52,0 (H) 52 206 204 7,9 12,6 181 157 66,9 5298 514,4 8,9 572,5 1.784 174,9 5,16 265,8 33,34 166.710,0 HP 200 x 53,0 (H) 53 204 207 11,3 11,3 181 161 68,1 4977 488 8,55 551,3 1.673 161,7 4,96 248,6 31,93 155.075,0 W 200 x 59,0 (H) 59 210 205 9,1 14,2 182 158 76 6140 584,8 8,99 655,9 2.041 199,1 5,18 303 47,69 195.418,0 W 200 x 71,0 (H) 71 216 206 10,2 17,4 181 161 91 7660 709,2 9,17 803,2 2.537 246,3 5,28 374,5 81,66 249.976,0 W 200 x 86,0 (H) 86 222 209 13 20,6 181 157 110,9 9498 855,7 9,26 984,2 3.139 300,4 5,32 458,7 142,19 317.844,0 Perfil mm x kg/m Massa linear kg/m d mm b mm Espessura h mm d’ mm Área cm² Eixo X-X Eixo Y-Y I cm⁴ C cm⁶ t mm t mm I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ W 250 x 25,3 25,3 257 102 6,1 8,4 240 220 32,6 3.473 270,2 10,31 311,1 149 29,3 2,14 46,4 7,06 22.955,0 W 250 x 28,4 28,4 260 102 6,4 10 240 220 36,6 4.046 311,2 10,51 357,3 178 34,8 2,2 54,9 10,34 27.636,0 W 250 x 32,7 32,7 258 146 6,1 9,1 240 220 42,1 4.937 382,7 10,83 428,5 473 64,8 3,35 99,7 10,44 73.104,0 W 250 x 38,5 38,5 262 147 6,6 11,2 240 220 49,6 6.057 462,4 11,05 517,8 594 80,8 3,46 124,1 17,63 93.242,0 W 44,8 7,6 13 57,6 7.158 538,2 11,15 606,3 704 95,1 3,5 27,14 112.398,0 f t w w f x x x x y y y y 250 x 44,8 266 148 240 220 146,4 HP 250 x 62,0 (H) 62 246 256 10,5 10,7 225 201 79,6 8.728 709,6 10,47 790,5 2995 234 6,13 357,8 33,46 414.130,0 W 250 x 73,0 (H) 73 253 254 8,6 14,2 225 201 92,7 11.257 889,9 11,02 983,3 3.880 305,5 6,47 463,1 56,94 552.900,0 W 250 x 80,0 (H) 80 256 255 9,4 15,6 225 201 101,9 12.550 980,5 11,1 1088,7 4.313 338,3 6,51 513,1 75,02 622.878,0 HP 250 x 85,0 (H) 85 254 260 14,4 14,4 225 201 108,5 12.280 966,9 10,64 1.093,2 4.225 325 6,24499,6 82,07 605.403,0 W 250 x 89,0 (H) 89 260 265 10,7 17,3 225 201 113,9 14.237 1.095,1 11,18 1.224,4 4.841 378,2 6,52 574,3 102,81 712.351,0 W 250 x 101,0 (H) 101 264 257 11,9 19,6225 201 128,7 16.352 1.238,8 11,27 1.395 5.549 431,8 6,57 656,3 147,7 828.031,0 W 250 x 115,0 (H) 115 269 259 13,5 22,1 225 201 146,1 18.920 1.406,7 11,38 1.597,4 6.405 494,6 6,62 752,7 212 975.265,0 W 310 x 21,0 21 303 101 5,1 5,7 292 272 27,2 3.776 249,2 11,77 291,9 98 19,5 1,9 31,4 3,27 21.628,0 W 310 x 23,8 23,8 305 101 5,6 6,7 292 272 30,7 4.346 285 11,89 333,2 116 22,9 1,94 36,9 4,65 25.594,0 W 310 x 28,3 28,3 309 102 6 8,9 291 271 36,5 5.500 356 12,28 412 158 31 2,08 49,4 8,14 35.441,0 W 310 x 32,7 32,7 313 102 6,6 10,8 291 271 42,1 6.570 419,8 12,49 485,3 192 37,6 2,13 59,8 12,91 43.612,0 W 310 x 38,7 38,7 310 165 5,8 9,7 291 271 49,7 8.581 553,6 13,14 615,4 727 88,1 3,82 134,9 13,2 163.728,0 W 310 x 44,5 44,5 313 166 6,6 11,2 291 271 57,2 9.997 638,8 13,22 712,8 855 103 3,87 158 19,9 194.433,0 W 310 x 52,0 52 317 167 7,6 13,2 291 271 67 11.909 751,4 13,33 842,5 1.026 122,9 3,91 188,8 31,81 236.422,0 Seção tipo I laminado abas planas HP 310 x 79,0 (H) 79 299 306 11 11 277 245 100 16.316 1.091,3 12,77 1.210,1 5.258 343,7 7,25 525,4 46,72 1.089.258,0 HP 310 x 93,0 (H) 93 303 308 13,1 13,1 277 245 119,2 19.682 1.299,1 12,85 1.450,3 6.387 414,7 7,32 635,5 77,33 1.340.320,0 W 310 x 97,0 (H) 97 308 305 9,9 15,4 277 245 123,6 22.284 1.447 13,43 1.594,2 7.286 477,8 7,68 725 92,12 1.558.682,0 W 310 x 107,0 (H) 107 311 306 10,9 17 277 245 136,4 24.839 1.597,3 13,49 1.768,2 8.123 530,9 7,72 806,1 122,86 1.754.271,0 HP 310 x 110,0 (H) 110 308 310 15,4 15,5277 245 141 23.703 1.539,1 12,97 1.730,6 7.707 497,3 7,39 763,7 125,66 1.646.104,0 W 310 x 117,0 (H) 117 314 307 11,9 18,7 277 245 149,9 27.563 1.755,6 13,56 1.952,6 9.024 587,9 7,76 893,1 161,61 1.965.950,0 HP 310 x 125,0 (H) 125 312 312 17,4 17,4 277 245 159 27.076 1.735,6 13,05 1.963,3 8.823 565,6 7,45 870,6 177,98 1.911.029,0 Perfil mm x kg/m Massa linear kg/m d mm b mm Espessura h mm d’ mm Área cm² Eixo X-X Eixo Y-Y I cm⁴ C cm⁶ t mm t mm I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ W 360 x 44,0 44 352 171 6,9 9,8 332 308 57,7 12.258 696,5 14,58 784,3 818 95,7 3,77 148 16,7 239.091,0 W 360 x 51,0 51 355 171 7,2 11,6 332 308 64,8 14.222 801,2 14,81 899,5 968 113,3 3,87 174,7 24,65 284.994,0 W 360 x 57,8 57,8 358 172 7,9 13,1 332 308 72,5 16.143 901,8 14,92 1.014,8 1113 129,4 3,92 199,8 34,45 330.394,0 W 360 x 64,0 64 347 203 7,7 13,5 320 288 81,7 17.890 1.031,1 14,8 1.145,5 1885 185,7 4,8 284,5 44,57 523.362,0 W 360 x 72,0 72 350 204 8,6 15,1 320 288 91,3 20.169 1.152,5 14,86 1.285,9 2140 209,8 4,84 321,8 61,18 599.082,0 W 79 9,4 1.437 82,41 685.701,0 f t w w f x x x x y y y y Seção tipo I laminado abas planas 360 x 79,0 354 205 16,8 320 288 101,2 22.713 1.283,2 14,98 2416 235,7 4,89 361,9 W 360 x 91,0 (H) 91 353 254 9,5 16,4 320 288 115,9 26.755 1.515,9 15,19 1.680,1 4483 353 6,22 538,1 92,61 1.268.709,0 W 360 x 101,0 (H) 101 357 255 10,5 18,3 320 286 129,5 30.279 1.696,3 14,29 1.888,9 5063 397,1 6,25 606,1 128,47 1.450.410,0 W 360 x 110,0 (H) 110 360 256 11,4 19,9 320 288 140,6 33.155 1.841,9 15,36 2.059,3 5570 435,2 6,29 664,5 161,931.609.070,0 W 360 x 122,0 (H) 122 363 257 13 21,7 320 288 155,3 36.599 2.016,5 15,35 2.269,8 6147 478,4 6,29 732,4 212,7 1.787.806,0 W 410 x 38,8 38,8 399 140 6,4 8,8 381 357 50,3 12.777 640,5 15,94 736,8 404 57,7 2,83 90,9 11,69 153.190,0 W 410 x 46,1 46,1 403 140 7 11,2 381 357 59,2 15.690 778,7 16,27 891,1 514 73,4 2,95 115,2 20,06 196.571,0 W 410 x 53,0 53 403 177 7,5 10,9 381 357 68,4 18.734 929,7 16,55 1.052,2 1009 114 3,84 176,9 23,38 387.194,0 W 410 x 60,0 60 407 178 7,7 12,8 381 357 76,2 21.707 1.066,7 16,88 1.201,5 1205 135,4 3,98 209,2 33,78 467.404,0 W 410 x 67,0 67 410 179 8,8 14,4 381 357 86,3 24.678 1.203,8 16,91 1.362,7 1379 154,1 4 239 48,11 538.546,0 W 410 x 75,0 75 413 180 9,7 16 381 357 95,8 27.616 1.337,3 16,98 1.518,6 1559 173,2 4,03 269,1 65,21 612.784,0 W 410 x 85,0 85 417 181 10,9 18,2 381 357 108,6 31.658 1.518,4 17,07 1.731,7 1804 199,3 4,08 310,4 94,48 715.165,0 Perfil mm x kg/m Massa linear kg/m d mm b mm Espessura h mm d’ mm Área cm² Eixo X-X Eixo Y-Y I cm⁴ C cm⁶ t mm t mm I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ I cm⁴ W cm³ r cm Z cm³ W 460 x 68,0 68 459 154 9,1 15,4 428 404 87,6 29.851 1.300,7 18,46 1.495,4 941 122,2 3,28 192,4 52,29 461.163,0 W 74 9 33.415 1.661 271,3 52,97 811.417,0 f t w w f x x x x y y y y 460 x 74,0 457 190 14,5 428 404 94,9 1.462,4 18,77 1.657,4 174,8 4,18 W 460 x 82,0 82 460 191 9,9 16 428 404 104,7 37.157 1.615,5 18,84 1.836,4 1.862 195 4,22 303,3 70,62 915.745,0 W 460 x 89,0 89 463 192 10,5 17,7 428 404 114,1 41.105 1.775,6 18,98 2.019,4 2.093 218 4,28 339 92,49 1.035.073,0 W 460 x 97,0 97 466 193 11,4 19 428 404 123,4 44.658 1.916,7 19,03 2.187,4 2.283 236,6 4,3 368,8 115,05 1.137.180,0 W 460 x 106,0 106 469194 12,6 20,6428 404 135,1 48.978 2.088,619,04 2.394,6 2.515 259,3 4,32 405,7 148,19 1.260.063,0 W 530 x 66,0 66 525 165 8,9 11,4 502 478 83,6 34.971 1.332,2 20,46 1.558 857 103,9 3,2 166 31,52 562.854,0 W 530 x 72,0 72 524 207 9 10,9 502 478 91,6 39.969 1.525,5 20,89 1.755,9 1.615 156 4,2 244,6 33,41 1.060.548,0 W 530 x 74,0 74 529 166 9,7 13,6 502 478 95,1 40.969 1.548,9 20,76 1.804,9 1.041 125,5 3,31 200,1 47,39 688.558,0 W 530 x 82,0 82 528 209 9,5 13,3 501 477 104,5 47.569 1.801,8 21,34 2.058,5 2.028 194,1 4,41 302,7 51,23 1.340.255,0 W 530 x 85,0 85 535 166 10,3 16,5 502 478 107,7 48.453 1.811,3 21,21 2.099,8 1.263 152,2 3,42 241,6 72,93 845.463,0 W 530 x 92,0 92 533 209 10,2 15,6 502 478 117,6 55.157 2.069,7 21,65 2.359,8 2.379 227,6 4,5 354,7 75,5 1.588.565,0 W 530 x 101,0 101 537 210 10,9 17,4 502 470 130 62.198 2.316,5 21,87 2.640,4 2.693 256,5 4,55 400,6 106,04 1.812.734,0 W 530 x 109,0 109 539 211 11,6 18,8 501 469 139,7 67.226 2.494,5 21,94 2.847 2.952 279,8 4,6 437,4 131,38 1.991.291,0 W 610 x 101,0 101 603 228 10,5 14,9 573 541 130,3 77.003 2.554 24,31 2.922,7 2.951 258,8 4,76 405 81,68 2.544.966,0 W 610 x 113,0 113 608228 11,2 17,3 573 541 145,3 88.196 2.901,2 24,64 3.312,9 3.426 300,54,86469,7 116,5 2.981.078,0 W 610 x 125,0 125 612 229 11,9 19,6 573 541 160,1 99.184 3.241,3 24,89 3.697,3 3.933 343,5 4,96 536,3 159,5 3.441.766,0 Seção tipo I soldada – série VS W 610 x 140,0 140 617 230 13,1 22,2 573 541 179,3112.6193.650,5 25,06 4.173,1 4.515 392,65,02 614 255,01 3.981.687,0 W 610 x 155,0 155 611 324 12,7 19 573 541 198,1 129.5834.241,7 25,58 4.749,1 10.783665,67,38 1.023 200,77 9.436.714,0 W 610 x 174,0 174 616 325 14 21,6 573 541 222,8 147.7544.797,2 25,75 5.383,3 12.374761,5 7,45 1.171 286,88 10.915.665,0 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) VS 150 x 15 15,0 19,1 150 4,75 137 6,30 100 754 100 6,28 113 105 21 2,34 32 5.427 2 VS 150 x 18 17,6 22,4 150 4,75 134 8,00 100 903 120 6,35 135 133 27 2,44 41 6.727 4 VS 150 x 20 19,8 25,2 150 4,75 131 9,50 100 1028 137 6,38 154 158 32 2,51 48 7.820 6 VS 150 x 19 19,2 24,4 150 6,30 134 8,00 100 934 124 6,18 142 134 27 2,34 41 6.735 5 VS 150 x 21 21,4 27,3 150 6,30 131 9,50 100 1.057 141 6,23 161 159 32 2,41 49 7.827 7 VS 200 x 19 18,9 24,0 200 4,75 187 6,30 120 1.679 168 8,36 188 182 30 2,75 46 17.035 3 VS 200 x 22 21,9 27,9 200 4,75 184 8,00 120 2.017 202 8,50 225 231 38 2,87 59 21.249 5 VS 200 x 25 24,6 31,4 200 4,75 181 9,50 120 2.305 230 8,57 256 274 46 2,95 69 24.837 8 VS 19,8 25,3 200 1.797 180 8,43 200 231 36 54 21.654 3 w f f x x x x y y y y w t Seção tipo I soldada – série VS 200 x 20 4,75 187 6,30 130 3,02 VS 200 x 23 23,2 29,5 200 4,75 184 8,00 130 2.165 216 8,56 240 293 45 3,15 69 27.012 5 VS 200 x 26 26,1 33,3 200 4,75 181 9,50 130 2.477 248 8,63 274 348 54 3,23 81 31.574 8 VS 250 x 21 20,7 26,4 250 4,75 237 6,30 120 2.775 222 10,25 251 182 30 2,62 47 26.971 3 VS 250 x 24 23,8 30,3 250 4,75 234 8,00 120 3.319 266 10,46 297 231 38 2,76 59 33.763 5 VS 250 x 27 26,5 33,8 250 4,75 231 9,50 120 3.787 303 10,59 338 274 46 2,85 70 39.593 8 VS 250 x 23 22,7 28,9 250 4,75 237 6,30 140 3.149 252 10,44 282 288 41 3,16 63 42.810 3 VS 250 x 26 26,3 33,5 250 4,75 234 8,00 140 3.788 303 10,63 336 366 52 3,30 80 53.597 6 VS 250 x 30 29,5 37,6 250 4,75 231 9,50 140 4.336 347 10,74 383 435 62 3,40 94 62.854 9 VS 250 x 25 24,7 31,4 250 4,75 237 6,30 160 3.524 282 10,59 313 430 54 3,70 82 63.887 4 VS 250 x 29 28,8 36,7 250 4,75 234 8,00 1604.257 341 10,77 375 546 68 3,86 104 79.990 6 VS 250 x 32 32,5 41,4 250 4,75 231 9,50 160 4.886 391 10,87 429 649 81 3,96 123 93.808 10 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) VS 275 x 34 33,5 42,7 275 6,30 256 9,50 140 5.570 405 11,42 456 435 62 3,19 96 76.658 10 VS 275 x 40 39,8 50,8 275 6,30 250 12,50 140 6.854 498 11,62 558 572 82 3,36 125 98.568 20 VS 300 x 23 22,6 28,8 300 4,75 287 6,30 120 4.201 280 12,08 320 182 30 2,51 47 39.183 3 w f f x x x x y y y y w t VS 300 x 26 25,7 32,7 300 4,75 284 8,00 120 5.000 333 12,37 376 231 38 2,66 59 49.166 5 VS 300 x 28 28,4 36,1 300 4,75 281 9,50 120 5.690 379 12,55 425 274 46 2,75 70 57.776 8 VS 300 x 25 24,6 31,3 300 4,75 287 6,30 140 4.744 316 12,31 357 288 41 3,04 63 62.188 3 VS 300 x 31 31,4 39,9 300 4,75 281 9,50 140 6.492 433 12,75 480 435 62 3,30 95 91.715 9 VS 300 x 27 26,5 33,8 300 4,75 287 6,30 160 5.288 353 12,51 394 430 54 3,57 82 92.802 4 VS 300 x 34 34,3 43,7 300 4,75 281 9,50 160 7.294 486 12,91 535 649 81 3,85 123 136.878 10 VS 300 x 33 33,2 42,3 300 4,75 284 8,00 180 7.047 470 12,91 516 778 86 4,29 131 165.807 7 VS 300 x 37 37,3 47,5 300 4,75 281 9,50 180 8.096 540 13,05 591 924 103 4,41 155 194.868 11 VS 325 x 35 35,4 45,1 325 6,30 309 8,00 160 7.982 491 13,31 556 547 68 3,48 105 137.363 8 VS 325 x 49 39,0 49,7 325 6,30 306 9,50 160 9.072 558 13,51 627 649 81 3,61 125 161.547 12 VS 325 x 46 46,2 58,9 325 6,30 300 12,50 160 11.188 689 13,78 767 854 107 3,81 163 208.486 23 VS 350 x 38 37,9 48,2 350 6,30 334 8,00 170 9.911 566 14,33 641 656 77 3,69 119 191.752 9 VS 350 x 42 41,7 53,2 350 6,30 331 9,50 170 11.269 644 14,56 722 779 92 3,83 141 225.672 13 VS 350 x 49 49,4 63,0 350 6,30 325 12,50 170 13.910 795 14,86 884 1024 120 4,03 184 291.662 25 VS 350 x 58 58,4 74,4 350 6,30 318 16,00 170 16.871 964 15,06 1068 1311 154 4,20 234 365.568 49 VS 375 x 40 40,4 51,4 375 6,30 359 8,00 180 12.128 647 15,36 731 778 86 3,89 133 262.087 9 VS 375 x 44 44,5 56,6 375 6,30 356 9,50 180 13.793 736 15,61 825 924 103 4,04 157 308.641 13 Seção tipo I soldada – série VS VS 375 x 53 52,6 67,1 375 6,30 350 12,50 180 17.040 909 15,94 1.009 1.216 135 4,26 206 399.386 26 VS 375 x 62 62,2 79,2 375 6,30 343 16,00 180 20.690 1.103 16,16 1.219 1.556 173 4,43 263 501.320 52 VS 400 x 49 48,7 62,0 400 6,30 381 9,50 200 17.393 870 16,75 971 1.267 127 4,52 194 483.188 15 VS 400 x 58 57,8 73,6 400 6,30 375 12,50 200 21.545 1.077 17,11 1.190 1.667 167 4,76 254 625.944 29 VS 400 x 68 68,4 87,2 400 6,30 368 16,00 200 26.223 1.311 17,34 1.442 2.134 213 4,95 324 786.715 58 VS 400 x 78 77,6 98,8 400 6,30 362 19,00 200 30.094 1.505 17,45 1.654 2.534 253 5,06 384 919.627 95 VS 450 x 51 51,1 65,2 450 6,30 431 9,50 200 22.640 1.006 18,64 1.130 1.268 127 4,41 194 614.896 15 VS 450 x 60 60,3 76,8 450 6,30 425 12,50 200 27.962 1.243 19,08 1.378 1.668 167 4,66 254 797.950 30 VS 450 x 71 70,9 90,3 450 6,30 418 16,00 200 33.985 1.510 19,40 1.664 2.134 213 4,86 324 1.004.975 58 VS 450 x 80 80,0 102,0 450 6,30 412 19,00 200 38.989 1.733 19,56 1.905 2.534 253 4,99 384 1.176.885 95 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) VS 500 x 97 97,4 124,1 500 6,30 462 19,00250 60.154 2.406 22,02 2.621 4.949 396 6,31 598 2.862.444 118 VS 550 x 65 65,2 83,1 550 6,30 525 12,50 200 43.717 1.590 22,94 1.778 1.668 167 4,48 255 1.204.566 31 VS 550 x 75 75,0 95,6 550 6,30 525 12,50 250 52.747 1.918 23,49 2.114 3.256 261 5,84 396 2.351.915 37 VS 550 x 85 84,8 108,1 550 6,30 525 12,50 300 61.777 2.246 23,91 2.450 5.626 375 7,22 568 4.063.534 44 VS 550 x 95 94,7 120,6 550 6,30 525 12,50 350 70.807 2.575 24,23 2.786 8.933 510 8,61 771 6.452.277 50 VS 600 x 86 85,9 109,4 600 8,00 568 16,00200 66.799 2.227 24,71 2.514 2.136 214 4,42 329 1.821.032 65 VS 98,5 600 2.681 25,32 2.981 4.169 334 5,77 509 3.554.733 78 w f f x x x x y y y y w t 600 x 98 125,4 8,00 568 16,00250 80.445 VS 600 x 111 111,0 141,4 600 8,00 568 16,00300 94.091 3.136 25,79 3.448 7.202 480 7,14 729 6.141.074 92 VS 600 x 124 123,6 157,4 600 8,00 568 16,00 350 107.736 3.591 26,16 3.916 11.436 653 8,52 989 9.750.584 106 VS 650 x 84 84,4 107,5 650 8,00 631 9,50 300 75.213 2.314 26,45 2.622 4.278 285 6,31 438 4.387.204 28 VS 650 x 98 98,1 125,0 650 8,00625 12,50 300 92.487 2.846 27,20 3.172 5.628 375 6,71 573 5.717.797 50 VS 650 x 102 101,6 129,4 650 8,00 618 16,00250 96.144 2.958 27,25 3.300 4.169 334 5,68 510 4.189.691 79 VS 650 x 114 114,2 145,4 650 8,00 618 16,00300 112.225 3.453 27,78 3.807 7.203 480 7,04 730 7.237.858 93 VS 700 x 105 105,2 134,0 700 8,00 675 12,50 320 115.045 3.287 29,30 3.661 6.830 427 7,14 651 8.070.070 53 VS 700 x 117 117,3 149,4 700 8,00668 16,00300 132.178 3.777 29,74 4.176 7.203 480 6,94 731 8.424.742 94 VS 700 x 130 129,9 165,4 700 8,00668 16,00 350 150.895 4.311 30,20 4.723 11.436 653 8,31 991 13.376.218 107 VS 700 x 137 137,0 174,6 700 8,00662 19,00320 160.361 4.582 30,31 5.017 10.379 649 7,71 983 12.033.853 158 VS 750 x 134 134,2 171,0 750 8,00 712 19,00300 176.3904.704 32,12 5.181 8.553 570 7,07 866 11.426.025 150 VS 750 x 149 149,1 190,0 750 8,00 712 19,00 350 201.778 5.381 32,59 5.875 13.580 776 8,46 1.175 18.141.718 173 VS 800 x 152 152,3 194,0 800 8,00762 19,00 350 232.349 5.809 34,61 6.355 13.580 776 8,37 1.176 20.708.686 173 VS 800 x 167 167,2 213,0 800 8,00762 19,00400 261.328 6.533 35,03 7.097 20.270 1.013 9,76 1.532 30.909.648 196 VS 850 x 170 170,3 217,0 850 8,00 812 19,00400 298.151 7.015 37,07 7.634 20.270 1.014 9,67 1.533 34.994.405 197 VS 850 x 185 185,2 236,0 850 8,00 812 19,00450 330.959 7.787 37,45 8.424 28.860 1.283 11,06 1.937 49.823.483 220 VS 900 72.681.502 484 Seção tipo I soldada – série CS 900 x 230 230,0 293,0 8,00850 25,00450 471.723 10.483 40,12 11.289 37.972 1.688 11,38 2.545 VS 900 x 250 249,6 318,0 900 8,00850 25,00500 519.588 11.546 40,42 12.383 52.087 2.083 12,803.139 99.697.697 536 VS 950 x 253 252,8 322,0 950 8,00900 25,00500 583.49612.284 42,57 13.183 52.087 2.083 12,72 3.139 111.417.719 537 VS 950 x 272 272,4 347,0 950 8,00900 25,00 550 636.98513.410 42,84 14.339 69.327 2.521 14,13 3.796 148.294.265 589 VS 1000 x 276 275,5 351,0 1000 8,00950 25,00 550 710.856 14.217 45,00 15.211 69.327 2.521 14,05 3.796 164.759.877 590 VS 1000 x 295 295,2 376,0 1000 8,00950 25,00600 770.28315.406 45,26 16.430 90.0043.000 15,47 4.515 213.900.258 642 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C(cm⁶) I (cm⁴) CS 250 x 52 51,8 66,0 250 8,00 231 9,50 250 7.694 616 10,80 678 2.475 198 6,12 301 357.878 18 CS 250 x 63 63,2 80,5 250 8,00 225 12,50 250 9.581 766 10,91 843 3.256 260 6,36 394 459.171 37 CS 250 x 66 65,8 83,9 250 9,50 225 12,50 250 9.723 778 10,77 862 3.257 261 6,23 396 459.262 39 CS 250 x 76 76,5 97,4 250 8,00 218 16,00 250 11.659 933 10,94 1.031 4.168 333 6,54 503 570.502 72 CS 250 x 79 79,1 100,7 250 9,50 218 16,00 250 11.788 943 10,82 1.049 4.168 333 6,43 505 570.588 75 CS 250 x 84,2 107,3 250 12,50 218 16,00 250 12.047 964 10,60 1.085 4.170 334 6,24 509 570.861 84 w f f x x x x y y y y w t Seção tipo I soldada – série CS 84 CS 250 x 90 79,1 100,7 250 9,50 218 16,00 250 11.788 943 10,82 1.049 4.168 333 6,43 505 570.588 75 CS 250 x 95 95,4 121,5 250 12,50 212 19,00 250 13.694 1.096 10,62 1.238 4.951 396 6,38 602 660.525 129 CS 250 x 108 95,4 121,5 250 12,50 212 19,00 250 13.694 1.096 10,62 1.238 4.951 396 6,38 602 660.525 129 CS 300 x 62 62,4 79,5 300 8,00 281 9,50 300 13.509 901 13,04 986 4.276 285 7,33 432 902.174 22 CS 300 x 76 76,1 97,0 300 8,00 275 12,50 300 16.894 1.126 13,20 1.229 5.626 375 7,62 567 1.162.596 44 CS 300 x 95 95,3 121,5 300 9,50 268 16,00 300 20.902 1.393 13,12 1.534 7.202 480 7,70 726 1.452.194 90 CS 300 x 102 101,7 129,5 300 12,50 268 16,00 300 21.383 1.426 12,85 1.588 7.204 480 7,46 730 1.452.688 100 CS 300 x 109 109,0 138,9 300 9,50 262 19,00 300 23.962 1.597 13,13 1.765 8.552 570 7,85 861 1.688.161 145 CS 300 x 115 115,2 146,8 300 12,50 262 19,00 300 24.412 1.627 12,90 1.816 8.554 570 7,63 865 1.688.633 155 CS 300 x 122 122,4 155,9 300 16,00 262 19,00 300 24.936 1.662 12,65 1.876 8.559 571 7,41 872 1.689.557 176 CS 300 x 131 130,5 166,3 300 12,50 255 22,40 300 27.680 1.845 12,90 2.069 10.084 672 7,79 1.018 1.942.757 243 CS 300 x 138 137,6 175,2 300 16,00 255 22,40 300 28.165 1.878 12,68 2.126 10.089 673 7,59 1.024 1.943.635 263 CS 300 x 149 149,2 190,0 300 16,00 250 25,00 300 30.521 2.035 12,67 2.313 11.259 751 7,70 1.141 2.128.566 350 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) CS 400 x 128 127,9 163,0 400 9,50 368 16,00 400 51.159 2.558 17,72 2.779 17.069 853 10,23 1.288 6.292.425 120 136,6 400 17,35 854 9,91 6.293.664 134 w f f x x x x y y y y w t CS 400 x 137 174,0 12,50 368 16,00 400 52.404 2.620 2.881 17.073 1.294 CS 400 x 146 146,3 186,4 400 9,50 362 19,00 400 58.962 2.948 17,79 3.207 20.269 1.013 10,43 1.528 7.355.763 194 CS 400 x 155 154,8 197,3 400 12,50 362 19,00 400 61.532 3.077 17,66 3.420 20.279 1.014 10,14 1.543 7.359.308 235 CS 400 x 165 164,8 209,9 400 16,00 362 19,00 400 60.148 3.007 16,93 3.305 20.273 1.014 9,83 1.534 7.356.962 208 CS 400 x 176 175,5 223,6 400 12,50 355 22,40 400 69.927 3.496 17,68 3.888 23.905 1.195 10,34 1.815 8.521.206 351 CS 400 x 185 185,3 236,0 400 16,00 355 22,40 400 69.927 3.496 17,21 3.888 23.905 1.195 10,06 1.815 8.521.206 351 CS 400 x 201 201,0 256,0 400 16,00 350 25,00 400 77.205 3.860 17,37 4.332 26.687 1.334 10,21 2.032 9.382.033 502 CS 400 x 209 209,2 266,5 400 19,00 350 25,00 400 77.205 3.860 17,02 4.332 26.687 1.334 10,01 2.032 9.382.033 502 CS 400 x 248 248,1 316,0 400 19,00 337 31,50 400 85.757 4.288 16,47 4.643 33.600 1.680 10,31 2.520 11.406.549 833 CS 450 x 154 154,1 196,3 450 12,50 418 16,00 450 67.839 3.015 18,59 3.125 24.300 1.080 11,13 1.620 11.442.627 123 CS 450 x 175 174,7 222,5 450 12,50 412 19,00 450 79.464 3.532 18,90 3.685 28.856 1.283 11,39 1.924 13.400.915 206 CS 450 x 186 186,0 236,9 450 16,00 412 19,00 450 79.464 3.532 18,31 3.685 28.856 1.283 11,04 1.924 13.400.915 206 CS 450 x 198 198,0 252,3 450 12,50 405 22,40 450 96.672 4.297 19,58 4.639 34.022 1.512 11,61 2.274 15.551.482 344 CS 450 x 209 209,1 266,4 450 16,00405 22,40 450 96.672 4.297 19,05 4.639 34.022 1.512 11,30 2.274 15.551.482 344 CS 450 x 227 226,9 289,0 450 16,00400 25,00 450 105.9854.710 19,15 5.101 37.970 1.688 11,46 2.538 17.146.034 476 CS 450 x 236 236,3 301,0 450 19,00400 25,00 450 105.9854.710 18,76 5.101 37.970 1.688 11,23 2.538 17.146.034 476 CS 450 x 280,3 357,0 450 19,00 387 31,50 450 128.231 5.699 18,95 6.232 47.842 2.126 11,58 3.196 20.948.010 945 Seção tipo I soldada – série CVS 280 CS 450 x 291 290,6 370,2 450 22,40 387 31,50 450 128.955 5.731 18,66 6.288 47.843 2.126 11,37 3.198 20.948.497 950 CS 500 x 172 171,5 218,5 500 12,50 468 16,00 500 101.851 4.074 21,59 4.392 33.337 1.333 12,35 2.011 19.523.292 150 CS 500 x 195 194,5 247,8 500 12,50 462 19,00 500 117.7604.710 21,80 5.076 39.587 1.583 12,64 2.385 22.897.008 242 CS 500 x 207 207,2 263,9 500 16,00462 19,00 500 117.7604.710 21,12 5.076 39.587 1.583 12,25 2.385 22.897.008 242 CS 500 x 221 220,5 280,9 500 12,50 455 22,40 500 137.6565.506 22,14 5.997 46.674 1.867 12,89 2.818 26.616.097 406 CS 500 x 233 233,0 296,8 500 16,00 455 22,40 500 137.6565.506 21,53 5.997 46.674 1.867 12,54 2.818 26.616.097 406 CS 500 x 253 252,8 322,0 500 16,00450 25,00 500 150.6386.026 21,63 6.570 52.0912.084 12,72 3.143 29.382.387 552 CS 500 x 263 263,4 335,5 500 19,00450 25,00 500 150.6386.026 21,19 6.570 52.0912.084 12,46 3.143 29.382.387 552 CS 500 x 312 312,5 398,0 500 19,00 437 31,50 500 181.8047.272 21,37 7.976 65.632 2.625 12,84 3.955 36.014.350 1.072 CS 500 x 324 324,1 412,9 500 22,40 437 31,50 500 181.8047.272 20,98 7.976 65.632 2.625 12,61 3.955 36.014.350 1.072 CS 500 x 333 333,0 424,3 500 25,00 437 31,50 500 184.2387.370 20,84 8.143 65.640 2.62612,44 3.965 36.018.632 1.106 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) w f f x x x x y y y y w t CVS 250 x 33 32,9 41,9 250 6,30 234 8,00 170 4.656 373 10,54 415 656 77 3,95 118 95.980 8 CVS 250 x 40 39,9 50,8 250 8,00 231 9,50 170 5.495 440 10,40 495 779 92 3,92 141 112.626 14 CVS 250 x 47 47,5 60,5 250 8,00 225 12,50 170 6.758 541 10,57 606 1.025 121 4,12 184 144.471 26 CVS 250 x 56 56,4 71,8 250 8,00 218 16,00 170 8.149 652 10,65 732 1.311 154 4,27 235 179.471 50 CVS 250 x 64 64,0 81,6 250 8,00 212 19,00 170 9.272 742 10,66 836 1.557 183 4,37 278 207.666 82 CVS 300 x 47 47,5 60,5 300 8,00 281 9,50 200 9.499 633 12,53 710 1.268 127 4,58 194 267.489 16 CVS 300 x 57 56,5 72,0 300 8,00 275 12,50 200 11.725 782 12,76 870 1.668 167 4,81 254 344.644 31 CVS 300 x 67 67,1 85,4 300 8,00 268 16,00 200 14.202 947 12,89 1.052 2.134 213 5,00 324 430.396 59 CVS 300 x 70 70,2 89,5 300 9,50 268 16,00 200 14.442 963 12,71 1.079 2.135 214 4,89 326 430.551 63 CVS 300 x 79 79,2 100,9 300 9,50 262 19,00 200 16.449 1097 12,77 1.231 2.535 254 5,01 386 500.456 99 CVS 300 x 85 85,4 108,8 300 12,50 262 19,00 200 16.899 1.127 12,47 1.282 2.538 254 4,83 390 500.928 110 CVS 300 x 95 95,4 121,5 300 12,50 255 22,40 200 19.031 1.269 12,52 1.447 2.991 299 4,96 458 576.195 168 CVS 300 x 55 54,9 70,0300 8,00 281 9,50 250 11.504 767 12,82 848 2.475 198 5,95 301 522.198 19 CVS 300 x 66 66,3 84,5 300 8,00 275 12,50 250 14.310 954 13,01 1.050 3.256 261 6,21 395 672.901 37 CVS 300 x 80 79,6 101,4 300 8,00 268 16,00 250 17.432 1.162 13,11 1.280 4.168 333 6,41 504 840.397 73 CVS 300 x 83 82,8 105,5 300 9,50 268 16,00 250 17.672 1.178 12,94 1.307 4.169 333 6,29 506 840.553 76 CVS 300 x 94 94,1 119,9 300 9,50 262 19,00 250 20.206 1.347 12,98 1.498 4.950 396 6,43 600 977.101 122 Seção tipo I soldada – série CVS CVS 300 x 100 100,3 127,8 300 12,50 262 19,00 250 20.655 1.377 12,72 1.549 4.952 396 6,23 604 977.573 133 CVS 300 x 113 113,0 143,9 300 12,50 255 22,40 250 23.355 1.557 12,74 1.758 5.837 467 6,37 710 1.124.618 205 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) CVS 350 x 87 86,5 110,2 350 9,50 318 16,00250 24.874 1421 15,02 1.576 4.169 334 6,15 507 1.162.675 78 CVS 350 x 98 97,8 124,6 350 9,50 312 19,00250 28.454 1626 15,11 1.803 4.950 396 6,30 601 1.355.857 124 CVS 350 x 105 105,2 134,0 350 12,50 312 19,00250 29.213 1669 14,77 1.876 4.953 396 6,08 606 1.356.638 136 CVS 350 x 118 117,9 150,2 350 12,50 305 22,40 250 33.058 1889 14,84 2.126 5.838 467 6,24 712 1.56.6442 209 CVS 350 x 128 127,6 162,5 350 12,50 300 25,00 250 35.885 2051 14,86 2.313 6.515 521 6,33 793 1.720.446 282 CVS 350 x 136 135,8 173,0 350 16,00 300 25,00 250 36.673 2096 14,56 2.391 6.521 522 6,14 800 1.721.861 305 CVS 400 x 87 86,8 110,6 400 9,50 375 12,50 300 32.339 1617 17,10 1.787 5.628 375 7,13 571 2.112.578 50 CVS 400 x 103 102,8 131,0 400 9,50 368 16,00300 39.355 1968 17,34 2.165 7.203 480 7,42 728 2.655.177 93 CVS 400 x 116 116,5 148,4 400 9,50 362 19,00300 45.161 2258 17,45 2.483 8.553 570 7,59 863 3.103.755 148 CVS 400 x 125 125,0 159,3 400 12,50 362 19,00300 46.347 2317 17,06 2.581 8.556 570 7,33 869 3.104.955 162 CVS 400 x 140 140,4 178,8 400 12,50 355 22,40 300 52.632 2632 17,16 2.932 10.086 672 7,51 1.022 3.595.121 249 CVS 400 x 152 152,1 193,8 400 12,50 350 25,00 300 57.279 2864 17,19 3.195 11.256 750 7,62 1.139 3.957.081 337 CVS 400 x 161,7 206,0 400 16,00 350 25,00 300 58.529 2926 16,86 3.303 11.262 751 7,39 1.147 3.959.278 364 w f f x x x x y y y y w t 162 CVS 450 x 116 116,4 148,3 450 12,50 418 16,00300 52.834 2348 18,88 2.629 7.207 480 6,97 736 3.393.612 110 CVS 450 x 130 129,9 165,5 450 12,50 412 19,00300 60.261 2678 19,08 2.987 8.557 570 7,19 871 3.973.756 165 CVS 450 x 141 141,2 179,9 450 16,00 412 19,00300 62.301 2769 18,61 3.136 8.564 571 6,90 881 3.977.172 196 CVS 450 x 156 156,4 199,2 450 16,00 405 22,40 300 70.362 3127 18,79 3.530 10.094 673 7,12 1.034 4.613.934 283 CVS 450 x 168 168,0 214,0 450 16,00 400 25,00 300 76.346 3393 18,89 3.828 11.264 751 7,25 1.151 5.086.243 371 CVS 450 x 177 177,4 226,0 450 19,00 400 25,00 300 77.946 3464 18,57 3.948 11.273 752 7,06 1.161 5.090.402 410 CVS 450 x 188 188,1 239,6 450 22,40 400 25,00 300 79.759 3545 18,25 4.084 11.287 752 6,86 1.175 5.096.996 472 CVS 450 x 206 206,1 262,5 450 19,00 387 31,50 300 92.088 4093 18,73 4.666 14.197 946 7,35 1.452 6.216.289 721 CVS 450 x 216 216,4 275,7 450 22,40 387 31,50 300 93.730 4166 18,44 4.794 14.211 947 7,18 1.466 6.222.474 782 CVS 500 x 134 133,8 170,5 500 12,50 468 16,00350 76.293 3052 21,15 3.395 11.441 654 8,19 998 6.700.278 127 CVS 500 x 150 149,7 190,8 500 12,50 462 19,00350 87.240 3490 21,39 3.866 13.585 776 8,44 1.182 7.857.368 191 CVS 500 x 162 162,4 206,9 500 16,00 462 19,00350 90.116 3605 20,87 4.052 13.593 777 8,11 1.193 7.862.140 226 CVS 500 x 180 180,3 229,6 500 16,00 455 22,40 350 102.0584082 21,08 4.573 16.022 916 8,35 1.401 9.136.732 327 CVS 500 x 194 193,9 247,0 500 16,00 450 25,00 350 110.952 4438 21,19 4.966 17.880 1022 8,51 1.560 10.085.406 429 CVS 500 x 204 204,5 260,5 500 19,00 450 25,00 350 113.230 4529 20,85 5.118 17.890 1022 8,29 1.572 10.091.250 473 CVS 500 x 217 216,5 275,8 500 22,40 450 25,00 350 115.812 4632 20,49 5.290 17.907 1023 8,061.588 10.100.516 543 238,3 500 836 Seção tipo I soldada – série CVS CVS 500 x 238 303,5 19,00 437 31,50 350 134.391 5376 21,04 6.072 22.534 1288 8,62 1.969 12.365.290 Perfil soldado Massa (kg/m) Área A (cm²) Alt. d (mm) Alma (mm) Mesas (mm) Eixo X-X Eixo Y-Y Prop. torção t h t b I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) I (cm⁴) W (cm³) r (cm) Z (cm³) C (cm⁶) I (cm⁴) CVS 500 x 259 258,9 329,8 500 25,00 437 31,50 350 138.564 5.543 20,50 6.359 22.566 1.290 8,27 1.998 12.382.807 973 CVS 550 x 184 183,6 233,9 550 16,00 512 19,00400 125.087 4.549 23,12 5.084 20.284 1.014 9,31 1.553 14.298.343 255 CVS 550 x 204 204,1 260,0 550 16,00 505 22,40 400 141.973 5.163 23,37 5.748 23.911 1.196 9,59 1.824 16.639.476 372 CVS 550 x 220 219,8 280,0 550 16,00 500 25,00 400 154.583 5.621 23,50 6.250 26.684 1.334 9,76 2.032 18.386.760 488 CVS 550 x 232 231,6 295,0 550 19,00 500 25,00 400 157.708 5.735 23,12 6.438 26.695 1.335 9,51 2.045 18.394.693 537 CVS 550 x 245 244,9 312,0 550 22,40 500 25,00 400 161.250 5.864 22,73 6.650 26.713 1.336 9,25 2.063 18.407.269 613 CVS 600 x 190 189,9 241,9 600 16,00 562 19,00400 151.986 5.066 25,06 5.679 20.286 1.014 9,16 1.556 17.119.279 262 CVS 600 x 210 210,4 268,0 600 16,00 555 22,40 400 172.356 5.745 25,36 6.408 23.912 1.196 9,45 1.828 19.944.146 379 CVS 600 x 226 226,1 288,0 600 16,00 550 25,00 400 187.600 6.253 25,52 6.960 26.685 1.334 9,63 2.035 22.057.184 495 CVS 600 x 239 239,0 304,5 600 19,00 550 25,00 400 191.759 6.392 25,09 7.187 26.698 1.335 9,36 2.050 22.067.651 548 CVS 600 x 278 277,9 354,0 600 19,00 537 31,50 400 228.338 7.611 25,40 8.533 33.631 1.682 9,75 2.568 27.172.949 963 CVS 600 x 292 292,2 372,3 600 22,40 537 31,50 400 232.726 7.758 25,00 8.778 33.650 1.683 9,51 2.587 27.188.788 1046 CVS 650 x 211 211,1 268,9 650 16,00 612 19,00450 200.828 6.179 27,33 6.893 28.877 1.283 10,361.963 28.744.377 292 CVS 650 x 234 234,3 298,4 650 16,00 605 22,40 450 228.156 7.020 27,65 7.791 34.041 1.513 10,682.307 33.519.985 423 252,0 650 27,83 8.471 554 w f f x x x x y y y y w t CVS 650 x 252 321,0 16,00 600 25,00 450 248.644 7.651 37.989 1.688 10,882.570 37.098.857 CVS 650 x 266 266,1 339,0 650 19,00 600 25,00 450 254.044 7.817 27,38 8.741 38.003 1.68910,59 2.585 37.112.349 612 CVS 650 x 282 282,1 359,4 650 22,40 600 25,00 450 260.164 8.005 26,91 9.047 38.025 1.69010,292.607 37.133.737 703 CVS 650 x 310 310,1 395,0 650 19,00 587 31,50 450 303.386 9.335 27,71 10.404 47.874 2.128 11,01 3.242 45.784.738 1079 13. 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Prefácio 4. 1.AÇOS E PRODUTOS DE AÇO PARA ESTRUTURAS 1. 1.1 Aços estruturais 2. 1.2 Perfis estruturais 3. 1.3 Parafusos 4. 1.4 Material de solda 5. 1.5 Durabilidade das estruturas de aço 5. 2. AÇÕES E SEGURANÇA 1. 2.1 Critérios de projeto 2. 2.2 Ações 3. 2.3 Carregamentos e combinações de ações 4. 2.4 Exemplo de aplicação 6. 3. ANÁLISE ESTRUTURAL 1. 3.1 Considerações gerais 2. 3.2 Análise estrutural segundo a NBR 8800:2008 3. 3.3 Exemplo de aplicação 7. 4. DIMENSIONAMENTO A TRAÇÃO 1. 4.1 Determinação da resistência de cálculo a tração 2. 4.2 Exemplo de aplicação 8. 5. DIMENSIONAMENTO A COMPRESSÃO 1. 5.1 Instabilidade global – aspectos teóricos 2. 5.2 Instabilidade local – aspectos teóricos 3. 5.3 Resistência à compressão 4. 5.4 Exercício 9. 6. DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO SIMPLES 1. 6.1 Mecanismo de colapso plástico 2. 6.2 Flambagem lateral 3. 6.3 Instabilidade local na flexão 4. 6.4 Dimensionamento de elementos submetidos à flexão 5. 6.5 Resistência à força cortante 6. 6.6 Estados limites de serviço 7. 6.7 Exemplo de aplicação 10. 7. DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO COMPOSTA 1. 7.1 Verificação de elementos submetidos à flexocompressão 2. 7.2 Exemplos de aplicação 11. 8. LIGAÇÕES 1. 8.1 Introdução 2. 8.2 Parafusos 3. 8.3 Soldas 4. 8.4 Elementos de ligação 12. 9. Resistência de Ligações 1. 9.1 Ligações parafusadas 2. 9.2 Ligações soldadas 13. 10. LIGAÇÕES VIGA-PILAR 1. 10.1 Ligação viga-pilar flexível 2. 10.2 Ligação viga-pilar rígida 14. 11. BASE DE PILARES 1. 11.1 Projeto de bases rotuladas 2. 11.2 Projeto de bases engastadas 3. 11.3 Chumbadores 4. 11.4 Exemplos de aplicação 15. 12. Anexo – Tabela de perfis 16. 13. Referências Landmarks 1. Cover