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e-Book 3 Laíssa S. Ribeiro MECÂNICA DOS SÓLIDOS Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 ESFORÇOS SOLICITANTES EM ESTRUTURAS PLANAS ���������������������������������� 4 Mecânica dos sólidos rígidos ���������������������������������������������� 4 Definição de esforços solicitantes �������������������������������������� 7 Vinculações ������������������������������������������������������������������������� 13 Carregamentos ������������������������������������������������������������������� 16 Cálculo das reações ����������������������������������������������������������� 19 Classificação das estruturas ���������������������������������������������� 25 Diagramas dos esforços solicitantes �������������������������������� 28 BARRAS SUBMETIDAS À FORÇA NORMAL 30 Tração e compressão simples ������������������������������������������� 30 Tensão normal �������������������������������������������������������������������� 32 Diagrama tensão-deformação ������������������������������������������� 34 Peso próprio ������������������������������������������������������������������������ 37 Segurança contra ruptura ��������������������������������������������������� 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������42 INTRODUÇÃO O estudo das mecânicas na engenharia é de grande relevância para que um projeto tenha êxito, em que é preciso ter um conhecimento acurado sobre cada área a ser trabalhada. Dentre elas destacamos as estruturas e as possíveis forças que atuam sobre elas� Sendo assim, nesta unidade estudaremos a atuação dos esforços solicitantes em estruturas planas e as barras submetidas à força normal. Para isto, iniciaremos abordando a mecânica dos sólidos rígidos e definiremos os esforços solicitantes, ele- vando a importância dos vínculos nas estruturas. Posteriormente, trataremos das formas de carre- gamentos que ocorrem nas estruturas, onde as forças podem estar concentradas ou distribuídas ao longo de uma estrutura. Seguindo esta linha de raciocínio, mostraremos os cálculos essenciais e como as estruturas são classificadas e o compor- tamento dos esforços solicitantes sobre as barras. Na segunda parte, a qual envolve as barras sub- metidas a força normal, falaremos sobre a tração e compressão simples, além das tensões normais e o diagrama da tensão-deformação. E por fim, serão mostrados os pesos próprios e a segurança contra ruptura, associada à resistência do material. 4 ESFORÇOS SOLICITANTES EM ESTRUTURAS PLANAS Neste tópico, abordaremos os conceitos relaciona- dos à mecânica dos sólidos rígidos, bem como as forças de atuação e as divisões em áreas estáticas e dinâmicas dos corpos. Posteriormente definiremos os esforços solicitan- tes e os vínculos usados para ligar as estruturas. Logo em seguida, trataremos dos carregamentos feitos nas estruturas. E por fim, apresentaremos os cálculos das rea- ções, os quais variam de acordo com os tipos de carregamentos. E também mostraremos a classificação das estruturas e os diagramas dos esforços solicitantes. MECÂNICA DOS SÓLIDOS RÍGIDOS O campo da mecânica abrange diversos setores, visto que é um ramo das ciências físicas que trata do estado de repouso ou movimento de corpos propícios às ações de forças. Dentre as subdivisões, é destacada a mecânica dos sólidos rígidos, também conhecida como me- cânica dos corpos rígidos, a qual é essencial para a formação de projetos e análise de dispositivos estruturais, elétricos e mecânicos. (HIBBELER, 2005) 5 De acordo com Assis (2015), quando a massa é fornecida em forma de moléculas, elétrons, átomos e demais elementos minúsculos, os problemas da mecânica são considerados complexos. Desta forma, a pressão, densidade e temperatura são consequências das ações geradas pelas mo- léculas e átomos, provenientes da distribuição de matérias, em que é denominado de meio contínuo. Se uma força age sobre um corpo, é possível sim- plificar os efeitos do meio contínuo. O corpo rígido, por sua vez, é um dos modos de idealização da mecânica e é constituído por um meio contínuo que, teoricamente, não sofre deformações. O corpo rígido é definido como uma combinação de inúmeras partículas que permanecem com dis- tâncias fixas entre si, mesmo que uma carga seja aplicada (HIBBELER, 2005). Por mais que a ação de forças sobre um corpo provoque deformações, estas são pequenas e desprezíveis para as análises em corpos rígidos. A precisão das análises é complicada devido às alterações da configuração dos suportes, mesmo que os cálculos envolvidos sejam complexos. Portanto, é preciso considerar as situações mais realistas para atingir a precisão nos resultados. 6 Se uma força finita é aplicada a um corpo, a de- formação também será finita, na qual se cria uma área de contato finita. Mas quando este conceito é aplicado em corpos rígidos, podemos imaginar uma força finita demonstrada em um ponto ou área infinitesimal. A distribuição de força, de modo simplificado, recebe o nome de força pontual. Com uma área de contato pequena e sem deter- minação exata, é aplicado o conceito de força pontual, ocasionando uma redução na precisão da análise. As Figuras 1 e 2 demonstram os corpos indeformável e deformável. Figura 1: Geometria indeformada original. P Fonte: Adaptado de Assis (2015, p. 13) Figura 2: Corpo deformável. P P’ Fonte: Adaptado de Assis (2015, p. 13) 7 Já a divisão da mecânica dos corpos rígidos é feita em duas áreas: estática e dinâmica. Na estática, o foco é o equilíbrio dos corpos, tanto em repouso quanto em movimento, considerando a velocidade constante. Por outro lado, a dinâmica se interessa com o movimento acelerado dos corpos. Desta forma, considera-se um corpo em equilí- brio aquele que mantém todas as partículas em equilíbrio. No caso de corpos rígidos, se este está em equilíbrio, não se pode girar em relação a uma referência inercial. Para que se analisem os problemas, é necessário que o corpo rígido esteja isolado, sendo assim, quando isolado do meio externo, é denominado corpo livre. (ASSIS, 2016) DEFINIÇÃO DE ESFORÇOS SOLICITANTES Ao interagir com os corpos que estão ao seu redor e fora dos limites dimensionados, um corpo está exposto a um conjunto de forças externas. Este conjunto é caracterizado pelas forças ativas (for- ças que são aplicadas) e forças reativas. Quando os corpos entram em contato, as forças externas são definidas como de superfície. Se não houver contato entre os corpos, são deno- minadas de forças de volume. As forças de volume 8 atuam em cada partícula que compõe o corpo, porém são demonstradas na maior parte das vezes como forças concentradas ou distribuídas por superfície ou por linha. Uma representação desta força é a ação da gravidade exercida sobre os corpos (peso próprio), o qual se encontra geralmente no centro de gravidade� Para que os corpos se mantenham em equilíbrio, é necessário que seja formado um sistema de equilíbrio das forças externas. As forças reativas são as primeiras incógnitas a serem calculadas por equações de equilíbrio. Porém, a análise da interação entre corpos ocorre por meio de forças internas que surgem em seções contíguas que estão sob a ação de forças externas. A Figura 3 a seguir demonstra um corpo que está submetido a um sistema de forças externas em equilíbrio. Já a Figura 4 mostra este mesmo cor- po seccionado em duas partes na seção S, com isso, nota-se que é preciso introduzir um sistema de forças internas com o intuito de manter as duas partes (à esquerda e à direita) do corpo em equilíbrio. 9 Figura 3: Corpo sob a ação de forças externas em equilíbrio. Seção S F2 F1 F3 F6 F8 F9 F4 F5 F7 Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 42) Figura 4: Tensões internas em uma seção genérica S. F2 F1 F3 s s 2Fint = 0 F4 F6 F8 F9 F5 F7 Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 42) É possívelnotar que as forças internas variam conforme a posição da seção S e correspondem à interação das partículas em cada uma das seções. As seções das duas partes possuem a mesma direção, intensidade, ponto de aplicação, mas com sentidos opostos, baseando-se assim no princípio de ação e reação e formando um sistema de forças internas em equilíbrio. As tensões são os meios de distribuição das for- ças internas no plano da seção S (Figura 4). Com isso, a demonstração dos esforços internos será 10 realizada por meio da resultante (Figura 5) dos eixos das estruturas unidimensionais. Figura 5: Resultante das tensões internas em uma seção S. F2 F1 R R F3 Eixo Eixo s s F4 C�G� C�G� F6 F8 F9 F5 F7 Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 43) A resultante das forças e o momento resultante são obtidos por meio do centro de gravidade (CG) da seção e são demonstrados na Figura 6 em relação à esquerda da estrutura. Figura 6: Resultante R→ e o momento M→ em relação ao CG. F2 F1 R M F3 Eixo s F4 C�G� Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 43) De acordo com Almeida (2009), a Figura 7 expõe o sistema de eixos ortogonais local em que o eixo x está coincidindo com o eixo da barra y positivo para cima, desta forma, obtemos os três componentes da resultante das forças, onde R→: R→x, R → y e R → z, e os 11 três componentes do momento resultante M→: M→x, M→y e M → z. Estes componentes são conhecidos como Esforços Solicitantes Internos� Figura 7: Esforços Solicitantes Internos F2 F1 T x y N Qy Qz Mz My F3 Eixo s F4 C�G� Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 43) Ainda em relação à Figura 7, podemos notar os seis internos que ocorrem em pórticos espaciais, portanto, o componente da força R→ de acordo com o eixo x é dado como esforço normal e é mostrado através de N. Em relação aos eixos y e z, os com- ponentes da resultante R→ são conhecidos como esforços cortantes e apresentados por Qy e Qz� Já o componente que envolve o momento M→ de acordo com o eixo x é o momento de torção, também conhecido por momento torçor e é denominado em T. Os eixos y e z são considerados momentos fletores My e Mx� 12 Portanto, com a teoria analisada anteriormente é possível demonstrar os esforços solicitantes in- ternos, bem como a convenção de sinais, os tipos de deformação e o diagrama na Figura 8 a seguir. Tabela 1: Esforços Solicitantes Internos. ESI CONVEN- ÇÃO DE SINAIS TIPO DE SOLICITA- ÇÃO DEFOR- MAÇÃO DIAGRA- MA Normal N(+) N(+) Tração Alonga-mento Eixo + N N(–) N(–) Compres- são Encurta- mento Eixo – Cortante Q (Qy e Qz) Q(+) Q(+) Q(–) Q(–) Cisalha- mento Desliza- mento re- lativo das seções Eixo + Momento Fletor M (My e Mz) M(+) M(+) M(–) M(–) Flexão Rota- ção das seções trans- versais em torno de eixos no seus planos Eixo – Momento de Torção T (Mx, Mt ou MT) T(+) T(+) T(–) T(–) Torção Rotação relati- va das seções transver- sais Eixo + Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 44) 13 Quando uma estrutura se mantém em um plano, bem como as forças que nela atuam, se considera então como uma estrutura plana. Se esta estiver relacionada no eixo x – y, as direções de desloca- mento que importam para as análises são DX, DY, 0Z. Sendo assim, os esforços solicitantes internos essenciais a essas estruturas são: Normal (N), Cortante (Q) e o Momento Fletor (M). VINCULAÇÕES Os vínculos ou apoios são considerados elementos de ligação dispostos entre as partes de uma estru- tura ou entre a estrutura e um meio externo com a finalidade de provocar a restrição dos graus de liberdade do corpo. Portanto, para que os vínculos obtenham êxito, as reações deverão ocorrer apenas na direção do momento impedido. (ASSIS, 2016) A restrição de liberdade de uma estrutura não será feita por um único vínculo, mas sim por um conjunto de vínculos. A reação será provocada caso ocorra uma ação, em que as cargas reativas dependem das cargas ativas. A classificação dos vínculos é feita em função do número de movimentos impedidos. Segundo Almeida (2009), os vínculos possuem três tipos em estruturas planas: apoios de primeiro gênero, apoios de segundo gênero e apoios de terceiro gênero. 14 Os apoios de primeiro gênero (apoio simples ou “charriot”) impedem o deslocamento (translação) somente em uma das direções e produzem rea- ções na direção perpendicular ao deslocamento impedido, sendo assim, somente uma reação será a incógnita. A Figura 8 demonstra o apoio sobre roletes. Figura 8: Apoio sobre roletes Fonte: Adaptado de Viero (2011, p. 82) Os apoios de segundo gênero (rótula ou articulação) impedem que ocorram as translações em todas as direções (X e Y), mas permitem que a rotação aconteça em torno da conexão (Z). A Figura 9 representa uma dobradiça. 15 Figura 9: Dobradiças Fonte: Adaptado de Viero (2011, p. 82) Os apoios de terceiro gênero (engaste ou apoio fixo) são aqueles que imobilizam completamente o corpo livre, impedindo assim o movimento. Ou seja, o corpo é impedido de realizar as translações das duas direções (X e Y) e a rotação (em torno de Z). A Figura 10 representa uma solda. Figura 10: Solda Fonte: Adaptado de Viero (2011, p. 83) 16 CARREGAMENTOS Uma estrutura pode sofrer ações de diferentes tipos de cargas ou carregamentos, como a pres- são realizada pelo vento, as reações de uma viga entre outros. Sendo assim, deve-se considerar o tempo de exposição destas cargas, visto que as permanentes atuam constantemente sobre uma estrutura, formadas pela própria composição como os revestimentos e materiais. E também as cargas acidentais, as quais envolvem os fatores externos sobre uma estrutura. Os carregamentos das estruturas podem ser reais ou aproximados, enquanto os tipos são classificados em forças e momentos. E para a distribuição, con- sideram-se as cargas concentradas e distribuídas. As cargas concentradas são dispostas por forças que estão localizadas em uma pequena área quando comparada às dimensões totais de uma estrutura analisada. A Figura 11 mostra o exemplo de uma carga concentrada. 17 Figura 11: Cargas concentradas em vigas e pilares Carga concentrada e c a e a f d b f b qhl Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 27) As cargas distribuídas são as forças e momentos distribuídos ao longo de um comprimento ou tre- chos da estrutura. Portanto, uma dimensão em que a força está atuando é menor quando comparada às demais dimensões. Quando constituídas por elementos unidimensionais (estruturas reticulares), a distribuição das forças ou momentos ao longo dos eixos serão lineares. A Figura 12 mostra uma carga distribuída por área sobre as lajes. 18 Figura 12: Carga distribuída por área em lajes Carga distribuída por área, a d e Viga Viga I Laje Vi ga Vi ga f d b h h Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 27) A Figura 13 demonstra uma carga distribuída por comprimento sobre as vigas. Figura 13: Carga distribuída por área em vigas Carga distribuída por comprimento, qh Área de influência para a viga cda b d h/2 h/2c e f Área de influência para a viga cd Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 27) De acordo com Almeida (2009), a resultante dos carregamentos distribuídos em um comprimento L é mostrada através da função q(x), em que é igual à área definida pela função q(x) no intervalo, então teremos a seguinte Equação 1, onde o ponto de 19 aplicação da resultante R corresponde ao centro de gravidade (1) Os modelos planos (uniforme, triangular, trapezoidal e qualquer) definem os carregamentos distribuídos ao longo de um comprimento e culminam nas resultantes para cada caso em específico. CÁLCULO DAS REAÇÕES O cálculo das reações requer o conhecimento prévio dos apoios em uma determinada estrutura, podendo assim iniciar os cálculos necessários. Desta forma, as reações de apoio são consideradas como forças ou momentos. Nestas reações, os pontos de aplicação e a dire- ção são conhecidos, bem como as intensidadese sentidos que propiciam o equilíbrio do sistema de forças ativas. As forças ativas e reativas em equilíbrio formam os sistemas de forças externas. Os primeiros cálculos que analisaremos serão voltados para os carregamentos distribuídos em uniforme total; uniforme parcial; triangular total; 20 triangular parcial; trapezoidal; e axial uniforme, conforme as Figuras 14, 15, 16, 17, 18 e 19. y Sendo assim, em uniforme total temos: Figura 14: Uniforme total VA A B A B q = cte R= qL I VB L/2 L/2L I I I II I I Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 34) y Em uniforme parcial, quando L = l1 +l2 + l3: Figura 15: Uniforme parcial A B ql2 l1 + l2/2l1 l2 l3 l3 + l2/2 VA A B q VB L Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 34) 21 y Em triangular total temos: Figura 16: Triangular total A B R = qL/2 2L/3 l/3VA A B q VB L Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 35) y Portanto, em triangular parcial temos: Figura 17: Triangular parcial A B ql2/2 VA A q VB L l1 + (2/3) l2l1 l2 l3 l3 + l2/3 Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 35) 22 y Em trapezoidal temos: Figura 18: Trapezoidal A B R1 = q1L R2 = (q2 – q1)L/2 L/2L L 2L/3 L/3 A B q2 – q1q2 q1 A B q1 VA VB Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 35) 23 y E em axial uniforme, considerando (p(x) = p = constante), temos: Figura 19: Axial Uniforme L/2 L/2 A B HB p(x) = p = cte Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 36) E também temos os cálculos das reações de apoio para os momentos concentrados, como mostram os exemplos 1 e 2. Exemplo 1. Figura 20: Momento concentrado L/2 M/L M/L L/2 A B VA VB M Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 36) 24 Exemplo 2. Figura 21: Momento concentrado L M/L M/L A B VA VB M Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 36) 25 Portanto, deve-se notar que as forças reativas constituem o binário que promove o equilíbrio do momento aplicado em M e também observa-se que o binário das forças reativas não se altera, independentemente do local em que é aplicado o momento. CLASSIFICAÇÃO DAS ESTRUTURAS As estruturas em modelos planos possuem carac- terísticas a serem consideradas quanto à estabili- dade e estaticidade, visto que são conceitos que caminham juntos na classificação das estruturas. Portanto, quando abordamos a estabilidade, as estruturas são classificadas como estáveis e instáveis. As estruturas estáveis são aquelas em que ocorre o equilíbrio no sistema das forças ativas, enquanto que as forças reativas são incapazes de criar os sistemas de forças concorrentes ou paralelas. Por outro lado, as estruturas instáveis formam um sistema de forças paralelas que não possibilita o equilíbrio das forças perpendiculares a elas, assim como são incapazes de equilibrar os momentos. Em relação à estaticidade, as estruturas são classificadas em isostáticas, hiperestáticas ou hipostáticas. 26 As estruturas isostáticas são formadas por vín- culos estritamente necessários para promover a total imobilidade. Ou seja, a quantidade de reações equivale ao número de equações de equilíbrio disponibilizados (Figura 22). Estas estruturas possuem estabilidades estáveis, porém, podem ser instáveis por não satisfazerem as condições imprescindíveis de estabilidade, o que as tornam para alguns autores como estruturas hipostáticas. Figura 22: Número de reações iguais ao número de equa- ções de equilíbrio. A B C VB VC HB HC MC VA Fonte: Adaptado de Borja. (2017, p. 8) As estruturas hiperestáticas possuem vínculos em demasia para proporcionar total imobilidade. Portanto, o número de incógnitas (reações de apoio) é superior em relação ao número de equações de equilíbrio à disposição, como mostra a Figura 23. 27 Figura 23: Número de reações superior ao número de equações de equilíbrio. A B C D Fonte: Adaptado de Borja. (2017, p. 9) E para que o problema seja matematicamente possível, outras equações devem ser obtidas por meio da compatibilidade de deformações, surgindo assim as equações de compatibilidade de defor- mações (Figura 24). Figura 24: Equação de compatibilidade de deformações + equações de equilíbrio A A B CB θesq�B θesq�B = θ + dir� B θA = 0 + θ dir�B ΣFx = 0 ΣFy = 0 ΣMy = 0 Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 38) E por fim, as estruturas hipostáticas aquelas em que o número de vínculos são incapazes de pro- mover o equilíbrio. Estas estruturas são instáveis, em que o número de reações é inferior ao número de equações de equilíbrio estático, como mostra a Figura 25� 28 Figura 25: Estruturas hipostáticas e instáveis (1) ΣFx = 0 (2) ΣFy = 0 Nº de equações equilíbrio >Nº de reações apoio (3) ΣMy = 0 A Fonte: Adaptado de Almeida (2009, p. 38) DIAGRAMAS DOS ESFORÇOS SOLICITANTES Os diagramas de esforços solicitantes são grá- ficos baseados nas funções de Esforço Normal, Esforço Cortante e Momento Fletor. O objetivo destes diagramas é mostrar o comportamento de esforços solicitantes sobre as barras, o qual determina os valores de todas as suas seções, assim como demonstrar os pontos de esforços máximos, mínimos e nulos, caso ocorram. O esforço será considerado o mesmo quando o valor constante do esforço solicitante não depender de x, o que culmina em: f(x) = cte� Caso as equações resultem em uma função de primeiro grau, é preciso que x detenha no mínimo 29 dois valores para determinar a reta. Portanto, é definido um valor inicial e um valor final para x, com isso, temos f(x) = ax + b� Nas funções de segundo grau, para que seja forma- da uma parábola, é preciso no mínimo três valores de x. Portanto, temos: f(x) =ax2 + bx + c� E por fim, com as funções de grau três ou superior, deve ser utilizada a mesma teoria apresentada an- teriormente para atribuir os valores de x e construir os diagramas. Vale lembrar que é preferível usar sentidos positivos, visto que os sinais encontra- dos nas equações dos esforços solicitantes serão equivalentes aos sinais dos diagramas. BARRAS SUBMETIDAS À FORÇA NORMAL Neste tópico, você vai estudar sobre os efeitos das forças que agem em um corpo. Contudo, nesta perspectiva devemos considerar as deformações e os seus cálculos em distintos corpos, com a intenção de analisar a mecânica dos sólidos. Veremos as forças causadoras de tração e com- pressão simples, bem como o estudo da tensão em área seccionada. Em seguida, será possível entender as suas abordagens do diagrama ten- são-deformação: convencional e real. E por fim, analisaremos as características do deslocamento longitudinal; as influências causa- das pelo peso próprio de uma peça, variação de temperatura, tensão, deslocamento; e os critérios de segurança contra ruptura. TRAÇÃO E COMPRESSÃO SIMPLES A condição de esforço normal no interior de um corpo é caracterizada pela situação em que ele sofre ação de forças externas, na direção do seu eixo longitudinal, mesmo em condições de equilíbrio. Considerando um corpo seccionado, na seção de corte de área A, irá surgir uma força equivalente ao esforço normal N, pois como todo corpo per- manece em equilíbrio, qualquer de suas partes também permanecerá. Logo, um esforço normal se distribui de modo uni- forme na área atuante, e a tração ou a compressão simples podem ser observadas em treliças, pilares e tirantes, por exemplo. E a convenção adotada para o esforço normal pode ser compreendida da seguinte forma: + tração – compressão N Ou seja, consideramos uma peça de metal de eixo reto e seção transversal constante, que possui em suas extremidades um par de forças opostas colineares e coincidentes com o eixo longitudinal da peça e com ação através do centroide de cada seção transversal. Para alcançarmos o equilíbrio, as intensidades dessas forças devem ser iguais. Logo, se as forças são direcionadas para fora da peça, compreende-se que a peça é tracionada, e ao contrário, a peça é comprimida. Análise estes dois casos na Figura 26� Figura 26: Tração e compressão. Peça comprimida Peça tracionada PPP P Fonte: Elaboração própria. TENSÃO NORMAL Para o estudo de tensão, precisamos considerar a área seccionada (Figura 27.a) subdividida em partes menores, como ∆A. Bem como, devemos adotar duas considerações em relação às proprie- dades do material. 1) O material deve possuir uma distribuição uni- forme de matéria sem vazios. 2) O material deve ter todas as suas partes co- nectadas, sem intervalos, trincas ou qualquer tipo de separação. Figura 27: Tensão normal. (a) F1 F2 ∆F ∆A ∆F ∆Fx ∆Fy τyx τyz σy ∆Fz x z z yx y (b) (c) F1 x z z y x y σx τxz τxy Fonte: Adaptado de Hibbeler (2019, p. 17) Logo, este material contínuo e coeso, sofre uma pequena força ∆F finita e com direção única que age sobre ∆A. Contudo, para compará-la com as demais, podemos substitui-la em três componentes: ∆Fx ∆Fy ∆Fz Considerando que ∆A equivale a aproximadamente zero, o mesmo deve valer para ∆F e suas compo- nentes, e o quociente da força e da área atingirá um limite finito. Assim, a tensão é este quociente que descreve a intensidade da força interna que atua em uma área específica, passando por um determinado ponto. Esta intensidade da força que age em ∆A é conhe- cida como tensão normal e representada por sigma (σ). Onde ∆Fz seja normal à área, visto: A tensão de tração ocorre ao tracionar ∆A com a força ou tensão, como mostra a Figura 27.a. E a tensão de compressão acontece quando ∆A se comprime. E em relação ao sistema Internacional de Unida- des (SI), como a tensão representa uma força por unidade de área, as suas grandezas são represen- tadas por N/m² (unidades básicas de newtons por metro quadrado). Que também pode ser chamada de pascal, pois 1 Pa = 1 N/m²� DIAGRAMA TENSÃO- DEFORMAÇÃO O diagrama da tensão-deformação é o resultado compilado dos ensaios de tensão e deformação, que pode ser muito útil para prova de material de todos os tamanhos. Contudo, este diagrama pode ser descrito de duas maneiras: convencional e real. No estudo do diagrama tensão-deformação con- vencional, a tensão nominal pode ser determinada com a divisão da carga aplicada P pela área original da seção transversal do corpo em prova A0, como mostra a equação seguinte: Esta equação considera uma tensão constante na seção transversal e por todo seu comprimento em questão. E a deformação nominal, pode ser determinada pela leitura da deformação no próprio extensômetro, ou através da divisão da variação no comprimento de referência do corpo δ, pelo comprimento de referência original do corpo L0� Logo, o diagrama de tensão-deformação é cons- truído através da representação dos valores de σ e ϵ em uma curva, quando o eixo vertical é a tensão e o eixo horizontal é a deformação. Já o diagrama tensão-deformação real, utiliza a área de seção transversal A e o comprimento L reais do corpo de prova, no momento em que a carga é medida. Na Figura 28, você pode observar que dois diagramas de tensão-deformação podem ser semelhantes, mas nunca os mesmos, pois os seus resultados dependem de diferentes variáveis, como: y Composição do material; y Imperfeições do corpo; y Forma de fabricação do material; y Taxa de carga; e y Temperatura durante o ensaio. Figura 28: Diagramas de tensão-deformação convencional e real para o aço. comportamento elástico comportamento plástico � σ σ’rup σrup σeσlp E σmáx escoamentoregião elástica estricçãoendurecimento por deformação limite de proporcionalidade limite de resistência tensão de ruptura tensão de ruptura real limite de elasticidade tensão de escoamento Fonte: Adaptado de Hibbeler (2019, p. 73) Nesta curva é possível identificar quatro distintas regiões, nas quais o material se corpo de modo único, dependendo da qualidade de deformação induzida no ensaio. E que os diagramas σ e ϵ convencional e real são coincidentes em casos de pequena deformação. As maiores diferenças começam a surgir após a faixa de endurecimento por deformação, quando a taxa de deformação aumenta. E a partir do dia- grama convencional, o corpo demonstra suportar uma tensão ou carga decrescente, visto que A0 é constante e σ = N/A0� E o diagrama real demonstra a área A no interior da área de estricção sempre decrescente até a ruptura (σ’rup), deste modo, o material suporta tensão crescente, pois σ = N/A� Por mais que existam divergências entre os diagra- mas convencionais e reais, deve-se ignorar esse efeito, pois grande parte dos projetos de engenharia é realizado apenas dentro da faixa elástica. PESO PRÓPRIO O peso próprio de um corpo é constituído por uma das cargas externas ativas, razão pela qual devem ser resistentes. A sua ação pode ser observada através da Figura 29, que representa peças de eixo horizontal e vertical. Figura 29: Ação do peso próprio no eixo horizontal e vertical. Eixo horizontal Eixo vertical G Fonte: Elaboração própria. Deste modo, é possível ver que o peso próprio da peça horizontal é constituído por uma carga trans- versal ao eixo, proporcionando o momento fletor e esforço cortante. E no peso próprio das peças verticais, representado por G, atua na direção do eixo longitudinal da peça, provocando um esforço normal� Contudo, este esforço normal pode adquirir um efeito diferenciado de acordo com a sua vincula- ção, pois em peças apoiadas se cria o efeito de compressão, e nas peças suspensas o efeito de tração. Logo, o peso próprio (G) é calculado através da multiplicação do volume da peça pelo específico do seu material, como mostra a equação: G = A . γ . l Quando A representa a área da seção transversal da peça; l representa o seu comprimento; e γ re- presenta o peso específico do material. SEGURANÇA CONTRA RUPTURA Os critérios de segurança contra ruptura estão associados à capacidade de resistência do ma- terial em todas as partes da peça. Para sua veri- ficação em uma estrutura, é necessário realizar uma comparação entre a tensão provocada pela força normal em qualquer ponto, com a tensão admissível do material. O conceito de tensão admissível se refere à ca- pacidade que um material possui para resistir as tensões normais, proporcionando uma condição de trabalho em perigo. E o seu valor pode ser encontrado através da divisão entre a tensão de resistência do material σ por um coeficiente de segurança S� Em outras palavras, este coeficiente de segurança se refere a uma relação entre as tensões de resis- tência e a tensão admissível do material. Deste modo, ele pode ser determinado de acordo com diferentes fatores parciais, como: y homogeneidade do material; y tipo de carga a ser aplicada; e y outras causas desconhecidas. Este coeficiente pode ser expresso como S = S1 . S2 . S3..., onde S representa o coeficiente de segu- rança total, e S1, S2, S3... representa os fatores de segurança parcial. Contudo, devemos adotar na prática dos cálculos, os valores de coeficiente de segurança contra ruptura que já são estabelecidos de acordo com a qualidade do material e do tipo de carga aplicada à peça. 41 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o intuito de promover melhor desempenho nas soluções práticas quando relacionadas à en- genharia, nesta unidade realizamos a abordagem dos esforços solicitantes e das barras submetidas à força normal. No primeiro momento, iniciamos com a mecânica dos sólidos rígidos e as forças atuantes sobre esses corpos. Em sequência, definimos os esfor- ços solicitantes, considerando o esforço normal, esforço cortante e o momento de torção. Além de demonstrarmos os três tipos de vínculos em estruturas planas. Consequentemente tratamos dos cálculos das reações, considerando os apoios. Classificamos as estruturas, de acordo com a estabilidade e esta- ticidade. E mostramos quais são os objetivos dos diagramas dos esforços solicitantes, dispostos em gráficos. E por fim, foram abordadas a tração e compressão simples em barras submetidas a força normal. Por consequência, mostramos as tensões normais, o diagrama tensão-deformação,peso próprio e en- cerramos com a segurança contra a ruptura, por meio da resistência do material. Referências Bibliográficas & Consultadas ALMEIDA, M. C. F. Estruturas isostáticas. São Paulo: Oficina de Textos, 2009. ASSIS, Arnaldo Rezende de. Mecânica dos Sólidos. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. [Biblioteca Virtual] BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R.; DEWOLF, J. T.; MAZUREK, D. F. Mecânica dos Materiais. Porto Alegre: AMGH, 2015. [Minha Biblioteca] BORJA, E. Estabilidade das construções� Disponível em: https://docente.ifrn.edu.br/ edilbertoborja/estabilidade-das-construcoes/ estabilidade-das-construcoes-subsequente/ modulo-04-vigas-isostaticas/modulo-04-vigas- isostaticas/view� Acesso em: 10 mai� 2021� CRAIG JR., R. R. Mecânica dos materiais� 2� ed� Rio de Janeiro: LTC, 2017. 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Introdução Esforços Solicitantes em Estruturas Planas Mecânica dos sólidos rígidos Definição de esforços solicitantes Vinculações Carregamentos Cálculo das reações Classificação das estruturas Diagramas dos esforços solicitantes BARRAS SUBMETIDAS À FORÇA NORMAL Tração e compressão simples Tensão normal Diagrama tensão-deformação Peso próprio Segurança contra ruptura Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas