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AV1 BROMATOLOGIA UNIDADE 1 Ciência que possibilita estudar os alimentos (ou analisar os alimentos de forma detalhada): sua composição química qualitativa e quantitativamente sua ação no organismo seu valor alimentício e calórico suas propriedades físicas, químicas, toxicológicas, adulterantes e contaminantes. PRODUÇÃO → TRANSPORTE DA MATÉRIA-PRIMA → VENDA ALIMENTO: toda substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso destinadas a fornecer ao organismo humano os elementos normais à sua formação, manutenção e desenvolvimento CONSTITUINTES PRIMÁRIOS FUNDAMENTAIS DOS ALIMENTOS: Alimentos glicídios (CARBOIDRATOS) Alimentos lipídicos (GORDURAS) Alimentos proteicos (PROTEINAS) Vitaminas Minerais Água CONSTITUINTES SECUNDÁRIOS DOS ALIMENTOS: Enzimas Constituintes de cor Constituintes de sabor Constituintes de aroma COMPOSIÇÃO CENTESIMAL DOS ALIMENTOS: é a quantificação da composição de um alimento dado em 100% dele. 1g CHO = 4 kcal 1g PTN = 4 kcal 1g LIP = 9 kcal VIT E MIN = não possuem kcal PADRÃO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DOS ALIMENTOS (PIQ) Deverá conter: Designação Classificação Descrição do processo tecnológico Requisitos/Caracterização Aditivos e coadjuvantes de tecnologia/Elaboração Contaminantes Aditivos e coadjuvantes de tecnologia/Elaboração Contaminantes Critérios macroscópicos Pesos e medidas Rotulagem Métodos de Análise Amostragem Informação para o Consumidor Definições Projeto industrial Registros ÓRGÃOS OFICIAIS RESPONSÁVEIS PELA LEGISLAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DE ALIMENTOS NÍVEL FEDERAL: Ministério da Saúde: ANVISA e Ministério da Agricultura NÍVEL ESTADUAL: Secretaria de Estado da Saúde: - Centro de Vigilância Sanitária, Direção Regional de Saúde, Núcleos Regionais de Saúde NÍVEL MUNICIPAL: Secretarias Municipais de Saúde NORMAS INTERNACIONAIS PROGRAMA CODEX ALIMENTARIUS CONFERÊNCIA FAO/OMS SOBRE NORMAS ALIMENTARES (1962) PROGRAMA CONJUNTO FAO/OMS SOBRE NORMAS ALIMENTARES COMISSÃO DO CODEX ALIMENTARIUS FINALIDADES DO CODEX ALIMENTARIUS: Objetivo: Proteger a saúde dos consumidores; assegurar práticas equitativas no comércio de alimentos. UNIDADE 2 ALIMENTOS PRÓRPIOS AO CONSUMO OU GENUÍNOS: São os alimentos saudáveis, ou seja, que não possuem nenhum tipo de substância não autorizada e cumprem as especificações regulamentarias. ALIMENTOS IN NATURA X ALIMENTOS GENUÍNOS: A diferença entre alimentos genuínos e naturais radica em que sempre os alimentos genuínos devem estar dentro das regulamentações da lei; no entanto, nem sempre o alimento natural pode ser genuíno, como por exemplo uma fruta que está com grau de maturação acima da maturação fisiológica permitida. ALIMENTOS MINIMAMENTE MODIFICADOS: Limpeza, remoção de partes não comestíveis, secagem, embalagem, pasteurização, resfriamento, congelamento, moagem e fermentação são exemplos de processos mínimos que transformam alimentos in natura em minimamente processados. Note-se que, como em todo processamento mínimo, não há agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento. ALIMENTOS IMPRÓRPIOS AO CONSUMO: São aqueles que por diferentes causas não estão dentro das especificações legais. É crime contra as relações de consumo vender ou expor à venda produto impróprio para o consumo (Lei nº 8078/90, art. 7º, IX). FRAUDE EM ALIMENTOS: Fraudes por Alteração Fraudes por Adulteração Fraudes por Falsificação Fraudes por Sofisticação ALIMENTOS ALTERADOS: São os alimentos que por causas naturais, de natureza física, química ou biológica, derivada do tratamento tecnológico não adequado, sofrem deteriorações em suas características organolépticas, em sua composição intrínseca ou em seu valor nutritivo. As alterações podem ser classificadas em 5 grupos: Alterações enzimáticas (ranço hidrolítico e escurecimento enzimático); Alterações por agentes químicos (escurecimento químico e ranço oxidativo); Alterações por agentes físicos (temperatura e luz solar); Alterações microbianas (roedores, insetos, etc.); Alterações por microrganismos (fungos, bactérias e leveduras). ALIMENTOS ADULTERADOS: Aquele que foi privado em forma parcial ou total, de seus elementos úteis ou característicos, substituídos ou não por outros inertes ou estranhos, que tenha sido adicionado de aditivos não autorizados ou submetidos a tratamento de qualquer natureza, para dissimular ou ocultar alterações, deficiente qualidade de matéria-prima ou defeitos de elaboração. As fraudes por adulteração de alimentos são realizadas intencionalmente. Embora este tipo de fraude influencie pouco os caracteres sensoriais dos alimentos, afeta profundamente o seu valor nutritivo. Por afetar pouco as características sensoriais dos alimentos, a fraude por adulteração se torna difícil para a consumidor visualizar, sendo necessário geralmente análises específicas para sua detecção. ALIMENTOS FALSIFICADOS: É o que tenha a aparência e caracteres gerais de um produto legítimo, protegido ou não por marca registrada e se denomina como este, sem sê-lo, ou que não proceda de seus verdadeiros fabricantes ou zona de produção conhecida e/ou declarada. A falsificação é a modalidade de fraude levada a efeito na ocasião da venda do produto e consiste em enganar o consumidor, induzindo-o a adquirir o alimento de nível inferior, julgando-o de categoria superior. A falsificação de alimentos pode proceder de diferentes maneiras: Quanto à qualidade Quanto ao peso Quanto à apresentação Quanto à procedência Quanto à propaganda ALIMENTOS SOFISTICADOS: A sofisticação é uma variante da falsificação, porém, como o próprio nome já diz, mais sofisticada. Muita usada em bebidas, os compradores não conseguem perceber sua falta autenticidade. Os falsificadores desta modalidade fazem o aproveitamento de rótulos, etiquetas, garrafas, de latas e de outros tipos de embalagens, geralmente de origem estrangeiras, para utilização em produtos falsificados. Ainda na modalidade de sofisticação temos: Lícita propaganda da impressa, acompanhando ou não os produtos; Falsos denominações, exaltando qualificações que o alimento não detém (“ideal”, “integral”, “único”, “dietético”, “nutritivo”, “estrangeiro”, etc.); Apresentação de alimentos em ambientes propositalmente preparados (açougues, por exemplo, com iluminação de lâmpadas vermelhas, para carnes envelhecidas e de coloração esmaecida se mostrarem com uma cor avermelhada). CLASSIFICAÇÃO DA ANÁLISE DE ALIMENTOS Existem 3 tipos: Controle de qualidade de rotina: É utilizado tanto para checar a matéria prima que chega, como o produto acabado que sai de uma indústria, além de controlar os diversos estágios do processamento. Fiscalização: É utilizado para verificar o cumprimento da legislação, através de métodos analíticos que sejam precisos e exatos e, de preferência, oficiais. Pesquisa: É utilizada para desenvolver ou adaptar métodos analíticos exatos, precisos, sensíveis, rápidos, eficientes, simples e de baixo custo na determinação de um dado componente do alimento. UNIDADE 3 ANÁLISE DE ALIMENTOS: POR QUÊ? Conhecer a composição da matéria-prima e do produto acabado Determinar o padrão de identidade e qualidade dos alimentos Controlar e garantir a qualidade da matéria-primae do produto Estabelecer a composição nutricional nos rótulos Obter dados para o planejamento dietético Segurança no consumo de alimentos Gerar banco de dados e validação de processo Desenvolver novos produtos e padrões de qualidade Conhecer os efeitos do processamento e da estocagem na qualidade do produto ESCOLHA DO MÉTODO ANALÍTICO Um determinado método pode ser apropriado para um tipo de alimento e não fornecer bons resultados para outro. Escolha do método vai depender do produto a ser analisado Métodos: Convencionais: não necessitam de nenhum equipamento sofisticado; utilizam vidraria e reagentes Instrumentais: necessitam de equipamentos sofisticados; utilizam equipamentos eletrônicos Pontos críticos na análise de alimentos: 1. Coleta e preparação da amostra 2. Método de análise da amostra 3. Instrumentação 4. Analista 5. Erros TIPOS DE ERROS: Erros determinados: possuem um valor definido, podendo ser medidos. Encontra o erro e o retira! Pode ser: de métodos operacionais, pessoal, instrumental, reagente Erros indeterminados: Resultam dos efeitos de variáveis que não estão controladas (e que talvez não possam ser controladas) nas medidas. Não possuem valor definido; não podem ser medidos; Não podem ser localizados; Não podem ser corrigidos. Para isso realiza-se: Tratamento estatístico - permite saber qual o valor mais provável e também a precisão de uma série de medidas . DISTRIBUIÇÃO NORMAL . Curva de Gauss; ex: QI; GARANTIA DE QUALIDADE EXATIDÃO: Mede quanto próximo o resultado de um dado método analítico se encontra do resultado real previamente definido. PRECISÃO: Concordância entre os resultados de várias medidas efetuadas sobre a mesma amostra e nas mesmas condições de análise ESQUEMA GERAL PARA ANÁLISE QUANTITATIVA 1º) Coleta da amostra (Amostragem) 2º) Preparo da amostra 3º) Reações químicas ou mudanças físicas 4º) Medida 5º) Processamento de dados e avaliação estatística ASPECTOS FUNDAMENTAIS PARA A AMOSTRAGEM A amostra deve ser representativa da totalidade do alimento. A amostra não deve causar prejuízo econômico significativo. A parte da amostra a ser analisada numa análise de contraprova deve ser representativa da totalidade da amostra. COLETA DA AMOSTRA BRUTA: Idealmente, a amostra bruta deve ser uma réplica, em tamanho reduzido, do universo considerado, tanto no que diz respeito à composição como à distribuição do tamanho da partícula. No caso de embalagens únicas ou pequenos lotes, todo o material pode ser tomado como amostra bruta. O ideal seria analisar as amostras frescas o mais rápido possível. Mas nem sempre isto é possível e, portanto, devem existir maneiras de preservá-las: Inativação Enzimática Diminuição das Mudanças Lipídicas Controle de Ataque Oxidativo Controle do ataque microbiológico Para lotes maiores, a amostragem deve compreender de 10 a 20 % do nº de embalagens contidas no lote, ou 5 a 10% do peso total do alimento a ser analisado. Lotes muito grandes: toma-se a raiz quadrada do nº de unidades do lote. PODEMOS CLASSIFICAR AS AMOSTRAS DA SEGUINTE FORMA AMOSTRA MÉDIA: permite reduzir a qualidade média da totalidade. Deve representar uma composição similar, apesar do seu reduzido volume, àquele que resultaria o todo; AMOSTRA ARBITRÁRIA: é a tomada apenas aleatória de uma parte do produto, não permitindo deduzir a composição média da totalidade; AMOSTRA LEGAL: tem caráter de prova jurídica, destinando-se a verificar se o produto está de acordo com a regulamentação vigente; CONTRA-AMOSTRA: é deixada em poder do proprietário ou responsável: deve ser tomada pelas mesmas condições das outras amostras destinadas ao laboratório. AMOSTRA BRUTA: Amostragem é a série sucessiva de etapas operacionais especificadas para assegurar que a amostra seja obtida com a necessária condição de representatividade. A amostra é obtida através de incrementos recolhidos segundo critérios adequados. A reunião dos incrementos forma a amostra bruta. AMOSTRA DE LABORATORIO: A amostra de laboratório é o resultado da redução da amostra bruta mediante operações conduzidas de maneira a garantir a continuidade da condição de representatividade da amostra. AMOSTRA PARA ANÁLISE: A amostra para a análise é uma porção menor da amostra de laboratório, suficientemente homogeneizada para poder ser pesada e submetida à análise. UNIDADE 4 SIMPÓSIO BRASILEIRO DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO (SIBAN) OBJETIVO: retratar a situação alimentar e nutricional da população do País e apresentar recomendações para diferentes órgãos do governo. 1998: Portaria nº 42 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde Tornou obrigatória a identificação do lote, do prazo de validade e de instruções sobre o preparo e uso dos alimentos, caso necessário. Portaria nº 27 SVS/MS: regulamentando a apresentação da informação nutricional complementar (INC) OPCIONAL. Esta é definida como “qualquer representação que afirme, sugira ou implique que um alimento possui uma ou mais propriedades nutricionais particulares, relativas ao seu valor energético e ao seu conteúdo de proteínas, gorduras, carboidratos, fibras alimentares, vitaminas e minerais”. Declaração de propriedades nutricionais: ABSOLUTA: descreve o valor energético e ou a quantidade do nutriente contido no alimento. COMPARATIVA: compara os níveis de valor energético e ou nutrientes de dois ou mais alimentos. Alimentos para Fins Especiais - Portaria nº 29 SVS/MS Os alimentos destinados a pessoas em condições metabólicas ou fisiológicas especiais Divididos em 3 categorias: Alimentos para Dietas com Restrição de Nutrientes Alimentos para Ingestão Controlada de Nutrientes” Alimentos para Grupos Populacionais com Necessidades Específicas Será obrigatório declarar a seguinte informação: A quantidade do valor energético e dos seguintes nutrientes: Carboidratos; Proteínas; Gorduras totais; Gorduras saturadas; Gorduras trans; Fibra alimentar; Sódio RDC 359 de 23 de setembro de 2003: Regulamentada por diversos motivos, entre eles: Por considerar a importância de compatibilizar a legislação nacional com base nos instrumentos harmonizados no Mercosul () relacionados à rotulagem nutricional de alimentos embalados - Resolução GMC nº.47/03; Por considerar a necessidade de estabelecer os tamanhos das porções dos alimentos embalados para fins de rotulagem nutricional; RDC 360 de 23 de setembro de 2003 Causou o maior impacto tanto no setor produtivo como consumidor, estabelece que a rotulagem nutricional compreende a declaração obrigatória do valor energético e de nutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio), bem como a informação nutricional complementar relativa à declaração facultativa de propriedades nutricionais. Ademais, vitaminas e sais minerais podem ser declarados opcionalmente, desde que cada porção do alimento contenha pelo menos 5% da IDR (Ingesta Diária Recomendada). Cumpre destacar que a declaração de ferro, cálcio e colesterol, por sua vez, tornou-se facultativa desde dezembro de 2003, enquanto a declaração de gorduras trans passou a ser obrigatória, seguindo uma tendência internacional. REGRAS PARA A INFORMAÇÃO NUTRICIONAL A informação nutricional deve ser expressa por porção, incluindo a medida caseira correspondente, segundo o estabelecido no Regulamento Técnico específico e em percentual de Valor Diário (%VD). Fica excluída a declaração de gordura trans em percentual de Valor Diário (%VD). Adicionalmente, a informaçãonutricional pode ser expressa por 100 g ou 100 ml.