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Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 1 - 
Constelações Sistêmicas Familiares 
Perguntas e Respostas 
 
 
Quem é Bert Hellinger? 
 
Bert Hellinger (psicoterapeuta ), Nascido na Alemanha em 1925, formou-se em teologia e em 
pedagogia e trabalhou 16 anos como membro de uma ordem missionária católica entre os 
Zulus na África do Sul. Através de uma formação e experiência em campos variados, como 
Psicanálise, Terapia Primal, Análise Transacional, Hipnoterapia e Terapia Familiar, 
desenvolveu um método original de constelações sistêmicas, largamente difundido em todos os 
continentes. Seus livros, traduzidos em muitas línguas, incluem reprodução de workshops, 
ensaios teóricos, pensamentos, poemas e contos breves; em contextos de genuína e forte 
espiritualidade. 
 
O que é Constelação Sistêmica Familiar ? 
 
 Constelação Sistêmica Familiar é um trabalho filosófico e terapêutico que foi 
desenvolvido pelo pedagogo, psicoterapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger. 
 
O que são Constelações Familiares? 
 As Constelações Familiares são uma inovadora abordagem psicoterapêutica que 
promove a identificação das Ordens do Amor, pondo em evidência os profundos laços 
que unem uma pessoa à sua família, inclusive às gerações mais longínquas. Estes laços 
são de tal maneira poderosos que quando membros de uma dada geração deixam 
situações por resolver, membros das gerações posteriores sentir-se-ão irresistivelmente 
empurrados para a sua resolução permanecendo prisioneiros de fatos pelos quais não 
são minimamente responsáveis. Existe uma transmissão transgeracional dos problemas 
familiares que cria uma cadeia de destinos trágicos. No entanto, este amor capaz de 
criar sofrimento é o mesmo que traz consigo a sabedoria da solução logo que se torna 
consciente ao emergir no decurso da configuração de uma Constelação Familiar. 
 As constelações familiares são uma das formas mais eficazes de resolver problemas 
familiares, empresariais e outros. Com origem na Alemanha, foram criadas por Bert 
Hellinger. Como o seu nome indica as constelações familiares visam criar uma 
constelação (agrupamento ou conjunto - que pode ser a família ou outra situação) por 
forma a que se encontre a harmonia entre as pessoas ou situações. As constelações 
familiares são criadas por um conjunto de pessoas que representam e recriam uma 
situação a resolver de forma a encontrarem as respostas aos problemas com que a 
pessoa se debate. Numa constelação o cliente tem a oportunidade de conhecer a sua 
"imagem interior" de sua família de origem ou da família atual. Para isso se escolhe para 
si e para sua família pessoas do grupo de trabalho como representantes. Então o cliente 
posiciona essas pessoas umas em relação às outras como ele sente que elas estão ou 
estiveram. Desta forma o cliente recria uma constelação de acordo com a sua "imagem 
interior" para que consiga ver e sentir aquilo que está errado e dessa forma se encontre 
a melhor solução. Freqüentemente a pessoa procura dentro de si ou nos outros a razão 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 2 - 
dos seus problemas ou doenças mas muitas das vezes sem a encontrar. As 
constelações familiares mostram-nos que muitos dos nossos problemas físicos e 
emocionais muitas vezes não têm origem em nós mas em situações que existem ou que 
existiram na nossa família e de que muitas vezes nem temos conhecimento. E as 
constelações familiares trazem-nos isso à nossa compreensão, libertando-nos das 
causas de muitos dos nossos problemas e infelicidades. Muitas das vezes essa razão 
encontra-se enraízada em acontecimentos familiares passados que agora se 
manifestam em si ou na sua família. 
 
 A Constelação Familiar é uma abordagem terapêutica, inovadora, criada por Bert 
Hellinger, onde traz à luz o que está oculto nos relacionamentos familiares e 
interpessoais. Este método coloca em evidência a conexão profunda que temos com a 
nossa família, em uma ou mais gerações. Traz à tona os vínculos de amor e lealdade 
que podem estar emaranhados nos nossos destinos, sejam positivos ou negativos. O 
enfoque é fenomenológico, pois Bert Hellinger trabalha com a alma. Em uma sessão 
pode-se trabalhar os problemas familiares transformando o "amor que adoece" em 
"amor que cura". Quando a família provoca doenças é porque atuam destinos dentro 
dela que influenciam a todos. E, se algo de grave aconteceu numa família, existe ao 
longo de gerações, uma necessidade de compensação. Mas o sistema familiar tem uma 
força tão grande que, quando aprendemos a usar esta força para restaurar a ordem, 
podemos mudar um destino negativo. 
 
 Técnica criada por Bert Hellinger (psicoterapeuta alemão), onde se cria "Esculturas 
Vivas" reconstruindo a árvore genealógica, o que permite localizar e remover bloqueios 
do fluxo amoroso de qualquer geração ou membro da família. Muitas dificuldades 
pessoais, assim como os problemas de relacionamento são resultado de confusões nos 
sistemas familiares. Esta confusão ocorre quando incorporamos em nossa vida o 
destino de outra pessoa viva ou que já viveu no passado, de nossa própria família sem 
estar consciente disto e sem querer. Isto nos faz repetir o destino dos membros 
familiares que foram excluídos, esquecidos ou não reconhecidos no lugar que pertencia 
a eles. 
 
Como é Constelação Individual? 
 
A Constelação Individual é oferecida para atendimento no consultório; onde apenas o cliente e 
o terapeuta fazem parte do processo. No contato pessoal com o cliente, o terapeuta pode fazer 
experiências com a estrutura do processo, com as frases e seus efeitos na percepção corporal 
e nas sensações, a fim de encontrar um lugar seguro e boas imagens para o cliente. Este 
trabalho é realizado montando imagens com "bonecos" ou "papéis" no chão, substituindo assim 
os representantes experimentados pelas pessoas quando a Constelação é de grupo. 
 
Como é Constelação Educacional? 
 
Criada por Marianne Franke - une o trabalho sistêmico do Bert Hellinger com a rotina diária de 
uma escola.Trabalhando com situações referentes à problemas experimentados pelos 
professores em suas atividades cotidianas, como dificuldades de aprendizagem, conflitos entre 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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alunos ou entre eles e os professores, comportamentos agressivos das crianças, entre outros. 
Assim a Constelação Educacional não apenas contempla indivíduos isolados, mas como parte 
viva de suas famílias, grupos diversificados e meio-ambiente. 
 
Como é Constelação Organizacional? 
 
É uma técnica criada a partir da Constelação Familiar, onde trabalhamos para reproduzir e 
definir situações ligadas à empresa. Esta técnica complementa e apóia o trabalho de 
consultoria de uma empresa; pois a colocação organizacional pode servir de subsídios para a 
tomada de decisões iminentes como por exemplo: questões sucessórias, preenchimento de 
cargos e outras mudanças pessoais ou econômicas. Colocações organizacionais informam 
sobre a falta de apoio e de recursos, sobre riscos de saúde, orientação de uma organização 
em tarefas, no cliente ou em objetivos, e sobre a energia e o clima dentro de um grupo de 
trabalho. 
 
Como se desenvolve o trabalho de Constelações Familiares ? 
 
O trabalho de Constelações Familiares pode ser desenvolvido individualmente ou em grupo. 
Individualmente, o cliente traz um tema pessoal em que o constelador pode trabalhar com 
bonecos para representar papéis da situação em questão, ou o constelador pode trabalhar sem 
nenhum recurso externo onde ele próprio e o cliente podem representar os papéis dentro da 
constelação. Em grupo, o cliente também traz um tema que depois de abordado, o constelador 
ou o própriocliente escolhem pessoas desconhecidas para representar os papéis da situação. 
 
Como Funciona? 
 
O cliente escolhe, dentre os participantes, representantes para os membros de sua família que 
são importantes. Coloca-os uns em relação aos outros. Os representantes então colocam-se à 
disposição e sentem como as pessoas que representam. Daquilo que vem à luz resulta, então, 
cada passo para uma solução. Trabalha-se com a s forças que se mostram no sistema, na 
família, com as forças positivas. 
 
Qual o objetivo do trabalho com Constelações Sistêmicas Familiares ? 
 
O objetivo principal do trabalho é se expor à tudo que atua no cliente e no sistema no qual 
ele(a) está inserido. 
 
O que é um sistema ? 
 
Sistema é um grupo de pessoas ou coisas, que permanecem unidos ou vinculados, em função 
de um interesse comum ou forças que os permeiam, independente de que tenham consciência 
ou não. 
 
Quais temas podem ser trabalhado nas Constelações Sistêmicas Familiares ? 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 4 - 
 
Qualquer tema importante para o cliente onde ele(a) não esteja conseguindo solução pode ser 
trabalhado, tais como: relacionamentos, desequilíbrios emocionais, separações, doenças 
crônicas, problemas financeiros, falência, vida profissional, entre outras. 
 
O que pode ser trabalhado? 
 
Pode-se trabalhar problemas familiares, aspectos da personalidade, sensações de exclusão, 
angústias, inseguranças, problemas que ocorrem regularmente numa família, decisões, mortes, 
suicídios, doenças, desaparecimentos, alcoolismo, drogas, ou qualquer problema que o 
indivíduo sente que o impede de seguir seu próprio rumo. 
 
As constelações familiares são indicadas para quais situações: 
 
Se vive situações repetitivas. 
Se está agarrado/o a um hábito ou padrão que se repete sem causa aparente. 
Se os "azares" o perseguem a si ou à sua família. 
Se não percebe porque atrai as pessoas erradas para a sua vida. 
Se as suas relações não funcionam ou não se mantêm. 
Se as coisas na sua vida não avançam apesar de todo o trabalho e empenho que coloca. 
Se apesar de tudo o que faz, as coisas não funcionam ou não correm como deviam. 
Se não tem explicações para o que lhe acontece a si ou à sua família. 
Se o seu casamento não funciona. 
Se a sua separação ou divórcio não foram o melhor ou se ou se não se sente bem com isso. 
Se procura soluções ou respostas para problemas de saúde. 
Se gostaria de lidar com os seus medos e ansiedades, fobias, etc. 
 
As constelações familiares podem possibilitar a compreensão e dar respostas para estas e 
muitas outras questões. 
 
Encontrar respostas e soluções é agora possível com as constelações familiares! 
 
As constelações demonstram as energias dos acontecimentos que ocorreram no passado quer 
consigo quer com a sua família (pais, avós etc.) e mostram o caminho da mudança dessas 
imagens interiores e assim podem desbloquear a razão pela qual você agora está na condição 
em que se encontra. 
Atualmente vou fazendo muito deste trabalho nas minhas consultas assim como com grupos 
de pessoas. 
 
Quais as diferenças entre Movimentos da Alma e Constelações Sistêmicas Familiares ? 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 5 - 
 
Movimentos da Alma é a nova denominação que Bert Hellinger adotou para o trabalho de 
Constelações Sistêmicas Familiares. É uma nova fase de seu trabalho. Antigamente, no antigo 
trabalho de constelações familiares ainda se procurava uma solução para a constelação. No 
novo trabalho de Constelações Sistêmicas Familiares ou Movimentos da Alma o constelador 
renuncia até mesmo à intenção de encontrar uma solução para o cliente e deixa-se guiar pelos 
movimentos de todo sistema em uma postura totalmente fenomenológica. 
 
O que é Fenômeno? 
 
Fato, aspecto ou ocorrência passível de observação. Fato de interesse científico, suscetível de 
descrição ou explicação. Tudo que é objeto de experiência possível, e que se pode manifestar 
no tempo e no espaço através da intuição sensível e segundo as leis do entendimento. 
 
O que é uma postura fenomenológica ? 
 
É uma postura interna onde a pessoa se isenta de qualquer interpretação, julgamento, 
conhecimento prévio ou intenção e passa a observar e acompanhar os fenômenos do que jeito 
que se apresentam com total presença. 
 
Informação Fenomenológica 
 
A percepção fenomenológica é ajudada a maior parte das vezes, pedindo somente a 
informação mais essencial, e isso a ser feito, deve ser quando se está a fazer a constelação, 
não antes. 
 
As perguntas essenciais são: 
 
1 - Quem pertence à família? 
2 - Há na família algum nado-morto, ou alguém que tenha morrido? Houve algum destino 
especial na família, por exemplo: alguém com uma deficiência? 
3 - Alguns dos pais ou avós viveu maritalmente com algum parceiro, foi casado antes, ou teve 
algum relacionamento anterior significativo? 
 
Alguma questão adicional geralmente impede a abertura à informação fenomenal que emerge. 
Isto é verdadeiro tanto para o terapeuta como para os representantes. Esta é também a razão 
pela qual o terapeuta declina todas as conversações prévias com o cliente ou os questionários 
extensivos. Além disso, é melhor se o cliente permanecer silencioso durante a constelação, e 
que os representantes não façam ao cliente perguntas. 
 
Sobre a teoria e a técnica do trabalho sistêmico com constelações 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 6 - 
O trabalho com constelações familiares é um procedimento psicoterapêutico relativamente 
recente e controvertido. Ainda menos numerosas são até agora as experiências realizadas 
através dessa abordagem com pessoas que exibem comportamento psicótico. Tais 
experiências, contudo, são animadoras a ponto de justificar nosso relato a seu respeito. 
Dispensamos-nos aqui de apresentar os princípios que fundamentam esse trabalho, ( Ordens 
do amor, consciência pessoal e consciência do grupo familiar, etc). Apresentamos apenas uma 
breve introdução, dedicando maior atenção aos aspectos que nesse trabalho com pacientes 
com diagnósticos de psicose nos aparecem como especialmente importantes. 
 
O desenvolvimento do trabalho com constelações familiares 
 
A técnica das constelações familiares foi desenvolvida em seus elementos básicos por Bert 
Hellinger, sobretudo nos anos 80. Desenvolveu-se e expandiu-se rapidamente no espaço 
cultural de língua alemã e, nos últimos anos, também em escala internacional. Tem suas raízes 
na abordagem da terapia familiar através de várias gerações. Abordagens da terapia familiar 
orientada para o crescimento já utilizavam há mais tempo representações espaciais para 
entender constelações de relacionamentos e para estimular modificações. Depois que Bert 
Hellinger entrou em contato com representantes da terapia familiar, nos Estados Unidos, e com 
o trabalho de escultura familiar, na Alemanha, ele começou a condensar insights sobre a 
dinâmica familiar, - sobretudo os que tinham caráter estrutural e envolviam várias gerações -, 
com procedimentos da análise transacional, numa terapia breve de grupo, sob a condução de 
um diretor. Essa terapia ele denominou de Familien-Stellen (método de colocar ou de constelar 
famílias). Esse trabalho era complementado, nas assim chamadas rodadas, por intervenções 
hipnoterapêuticas ou outras, de que se valia Hellinger, através do humor, da confrontação ou 
da narração de histórias para quebrar padrões rotineiros de pensamento e estimular novas 
alternativas de ação. Infelizmente, essa técnica de rodadas, onde os participantes relatavam, 
cada um por seu turno, seus sentimentos e suas questões,tiveram de ser abandonada quando 
Bert Hellinger passou a trabalhar com grupos muito numerosos. 
 
Compreensão do sistema e dos sintomas 
 
Numa constelação são levados em conta todos os membros de um sistema familiar no âmbito 
de três gerações, de maneira a incluir os vivos e os mortos. Todos os membros da família 
tomam parte numa ordem básica à qual estão permanentemente vinculados. Essa ordem 
básica inclui, por exemplo, o direito de todos a pertencer ao sistema e a precedência dos que 
vêm antes sobre os que vêm depois. As famílias onde os sintomas aparecem estão 
freqüentemente em desordem no que toca a essas leis. 
Os sintomas que estejam condicionados por implicações sistêmicas manifestam a existência 
de um profundo amor resultante do vínculo, uma ligação inconsciente do indivíduo com seu 
grupo de origem. Isto faz com que alguns repitam os destinos de outros e queiram, em lugar 
deles, assumir algo de pesado, expiar ou até mesmo morrer. Tal necessidade de compensar se 
radica num pensamento mágico de caráter infantil, já que tal atitude não tem o poder de redimir 
essas pessoas nem de aliviar ou de anular seus destinos. Outra base para o desenvolvimento 
de problemas é a perda de conexão com as fontes dos laços familiares. Isto acontece, por 
exemplo, quando membros da família não são respeitados ou são esquecidos. Além da 
implicação sistêmica, devem ser ainda considerados, na geração de dificuldades psíquicas, os 
aspectos associados à evolução pessoal, por exemplo, a interrupção do movimento precoce da 
criança, dirigido geralmente para a mãe. No presente trabalho focalizamos preferencialmente 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 7 - 
as dinâmicas sistêmicas, dando menos espaço ao significado da história individual da vida e do 
processo da aprendizagem. 
 
O processo da constelação 
 
Em nossos seminários, que duram de dois dias e meio a quatro dias, trabalhamos com grupos 
de 12 a 14 participantes e com um máximo de 10 observadores participantes. Na constelação 
familiar cada participante do grupo monta espacialmente sua imagem interna de um dos seus 
sistemas (o de sua família de origem ou da atual, ou ainda de suas relações de trabalho), com 
a ajuda de representantes, escolhidos entre os integrantes do grupo. Esses representantes 
geralmente possuem pouquíssimas informações prévias sobre as circunstâncias da vida e da 
história das pessoas representadas. O terapeuta interroga os representantes sobre suas 
sensações e sentimentos nos lugares que ocupam. As percepções dos representantes 
fornecem indicações importantes sobre as dinâmicas familiares e as conexões sistêmicas, pois 
é incrível como refletem exatamente, muitas vezes, as pessoas representadas, que não são 
conhecidas pelos representantes. O dirigente do grupo tenta a seguir mudanças de posição 
para os interessados, buscando, na medida do possível, o melhor lugar para cada um do 
sistema. Quando se consegue isto, o terapeuta geralmente introduz o próprio cliente em seu 
lugar (até então ocupado por seu representante). Em conexão com determinadas frases que 
diz às pessoas importantes de suas relações, ele muitas vezes experimenta de novo uma dor 
antiga e emoções que aliviam, e ganha novas perspectivas. A imagem da solução, quando ele 
a consegue acolher e interiorizar desenvolve nele freqüentemente efeitos que perduram por 
longo tempo. 
 
A inserção da constelação familiar no processo terapêutico 
Evolução progressiva ou experiência de iluminação? 
 
A forte expansão do trabalho com constelações tem despertado junto ao público, de um lado, 
expectativas fora da realidade e, de outro, críticas de simplificação sem seriedade. De acordo 
com nossas experiências, o trabalho da constelação familiar, justamente com pacientes que 
exibem comportamento psicótico, só se recomenda no contexto de uma relação terapêutica e 
com uma acurada preparação. Os pacientes se inscrevem para os seminários de forma 
autônoma e sob a própria responsabilidade, mas geralmente são advertidos dessa 
possibilidade por seus terapeutas, que freqüentemente também os acompanham nos 
seminários. Não devem apresentar sintomas psicóticos agudos. Muitos pacientes comparecem 
inicialmente a seminários, uma vez ou várias, como observadores participantes, não fazendo 
inicialmente suas próprias constelações mas presenciando as de outros ou delas participando 
como representantes. Os terapeutas que lhes recomendam o trabalho ou os acompanham nele 
deveriam conhecer o trabalho com as constelações e suas premissas, e o terapeuta que 
conduz a constelação deveria ter experiência com pacientes desses grupos de diagnóstico. Em 
seguimento a uma constelação familiar podem eventualmente surgir no pacientes reações 
depreciadoras ou agressivas e até mesmos episódios psicóticos. Tais reações, que 
inicialmente interpretávamos como sinal de insucesso, hoje encaramos como medidas 
distanciadoras, que visam restabelecer a autonomia do paciente para poder lidar com o intenso 
desejo de estar próximo e de ser olhado, que se reavivou nesses seminários e foi satisfeito 
apenas por um curto período de tempo. Ultimamente, justamente em seguida a tais pioras, 
temos recebido com freqüência excelentes retornos de terapeutas relatando desenvolvimentos 
positivos depois de constelações familiares. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Elementos terapêuticos do trabalho com constelações familiares 
Esclarecimento da solicitação 
 
Um fator importante do seminário de constelações é o esclarecimento do que se deseja do 
terapeuta. Quanto mais concretamente forem formuladas as questões e os objetivos, tanto 
melhor se poderá decidir qual corte do sistema deverá ser representado ou levado em 
consideração. A ampla dispensa de uma anamnese detalhada e o enfoque dirigido para 
soluções e recursos choca-se, às vezes com resistências, justamente por parte de pacientes 
com longa história de tratamento, como se estes tivessem de defender seu status de doentes e 
justificar seus problemas. Contudo, se os pacientes com diagnósticos de psicose recebem nos 
seminários o mesmo tratamento como todos os demais, eles logo mostram, muitas vezes, 
incríveis habilidades sociais e geralmente se integram em problemas ao grupo. 
 
A representação 
 
O que se exige dos representantes nas constelações é que se desprendam em larga medida 
de suas histórias pessoais, que percebam! Sem intenções! E comuniquem as reações 
corporais, sentimentos ou sensações que emergem nos lugares que ocupam como 
representantes. Esta exigência de deixar de fora à própria história e as hipóteses de uma 
psicologia corriqueira (por exemplo, Aquela pessoa está longe de mim - com ela não devo ter 
muito a ver), e de se entregar sem reservas ao que se sente, oferece a cada participante um 
exercício de percepção que no decurso do seminário vai sendo cada vez melhor dominado. 
Tem-nos surpreendido, repetidas vezes, a maneira diferenciada e sensível que exibem, como 
representantes, pacientes que antes apresentavam um comportamento psicótico. Alguns ainda 
precisam de uma ajuda inicial, tanto para entrarem num papel quanto para se despedirem dele, 
mas muitos vão apreciando cada vez mais a possibilidade de vivenciar papéis e lugares 
totalmente diferentes nas famílias. Numa constelação é possível perceber onde esses 
pacientes freqüentemente encontram problemas: em viver relações intensas e em seguida 
voltar a si mesmos (quando, depois de uma constelação, abandonam os papéis que 
representavam). 
 
A vivência da imagem 
 
Através do método de posicionar membros da família, com a ajuda de representantes, 
manifesta-se um aspecto vivencial que, à exceção do trabalho com esculturas familiares, 
raramente aparece em outras abordagensterapêuticas: a experiência subjetiva direta, 
realizada simultaneamente em muitos canais sensórios, envolvendo o lado fisiológico, o 
expressivo-motor, o emocional e então também o cognitivo. Através dessa experiência direta 
que envolve o corpo e os sentidos, as imagens consteladas têm muitas vezes fortes efeitos 
emocionais e com isto podem ser revividas e trabalhadas. O que se procura, em termos de 
imagem sensível, é um lugar melhor para o protagonista. As mudanças nas sensações 
corporais e nas emoções dos representantes e do próprio cliente servem de instrumentos para 
validar a solução. Na imagem da solução ganham um lugar informações e pessoas até então 
excluídas. Quando o processo da constelação, com a imagem da solução, é significativo para o 
cliente, ele ativa novas formas de ver e de proceder em constelações familiares até então 
experimentadas como problemáticas. Como num rito de passagem, os passos individuais (as 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 9 - 
imagens intermediárias) são condensados numa experiência que se pode apreender e 
compreender. 
 
Experiências já resultantes do trabalho de constelações com pessoas com diagnóstico 
de psicose 
 
Em contraposição às teorias e procedimentos de abordagens terapêuticas estabelecidas, 
exaustivamente formuladas e diferenciadas através de decênios, o trabalho com constelações, 
especialmente com pacientes de psicoses, só apresenta algumas experiências iniciais. Essas 
experiências indicam que determinados padrões de relacionamento e determinadas dinâmicas 
sistêmicas aparecem mais freqüentemente em sistemas com pacientes de psicose do que em 
outros sistemas. Isto não implica em afirmar que esses padrões estejam condicionando o 
aparecimento de psicoses. Entretanto, podemos verificar que processo de trazê-los à luz e 
resolvê-los através das constelações freqüentemente influencia positivamente e de forma 
duradoura o comportamento dos envolvidos. 
Descrevemos a seguir algumas dessas características e dinâmicas de relacionamento em 
pacientes com diagnoses de formas esquizofrênicas, inclusive alguns exemplos de casos. 
 
Fragilidade na diferenciação entre o eu e os outros. 
 
Nestas constelações, com mais freqüência e de modo mais drástico do que em outras, os 
representantes expressam percepções que, num sentido mais amplo, se relacionam ao tema 
da diferenciação entre si mesmo e outras pessoas no sistema. Os representantes se 
confundem com outros, sentem-se enredados e ligados como se fossem siameses e carecem 
de um espaço próprio perceptível; ou então se sentem colocados inteiramente diante do 
sistema ou para fora dele. Exprimem-se com marcada ambivalência, oscilam entre sentimentos 
de estarem fundidos, amarrados e obrigados, desejando ter autonomia e espaço livre, ou então 
se apresentam desorientados, desesperados ou mudos. Estas manifestações de participantes 
ingênuos do curso em posições de representantes correspondem às descrições da dinâmica 
psíquica nas abordagens da terapia individual. Nas constelações pode-se mostrar com 
freqüência que esses estados psíquicos perturbadores, opacos e quase insuportavelmente 
contraditórios possuem o seu equivalente em acontecimentos e processos relacionais 
obscuros, traumáticos e cercados de segredos do sistema familiar, em que os interessados 
estão implicados de forma muitas vezes inconsciente. Trata-se aí de dinâmicas que atuam 
através de gerações. Nas constelações, o comportamento psicótico se manifesta como um 
esforço ativo para dominar inconciliáveis tensões e oposições, de caráter interpessoal e 
intrapsíquico. 
 
Ligação profunda e identificação 
 
Denominamos identificada uma pessoa que, de modo inconsciente, está implicada com 
aspectos de um ou de vários membros da família e tenta imitar ou superar aspectos da vida 
dele(s). Segundo nossa experiência, tais identificações surgem principalmente quando 
membros do sistema tiveram um destino especial, ou quando não são respeitados ou foram 
excluídos. Membros que se seguem no sistema familiar caem então em contextos de 
relacionamento em que muitas vezes, de forma inconsciente, repetem aspectos do destino 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 10 - 
dessa(s) pessoa(s) ou sentem a necessidade de resolver algo em seu lugar. Em famílias com 
formações sintomáticas esquizofrênicas, encontramos freqüentemente formas especiais de 
identificação que descrevemos a seguir. 
 
Identificação transexual 
 
Exemplo 1: 
A mais velha de duas filhas desenvolvera um comportamento psicótico ao terminar seus 
estudos superiores. Apaixonara-se por um de seus professores, mas também não estava certa 
de que ela própria não fosse um homem, e durante semanas apresentou-se em suas aulas 
com trajes masculinos. Jamais conseguira trabalhar em sua profissão. Na constelação, sua 
representante se postou ao lado da mãe e o pai afirmou que não tinha nada a ver com aquilo. 
Através de perguntas apurou-se que a mãe tivera um noivo e que o casamento fora impedido 
pelas injunções da guerra. Durante toda a sua vida, ela rejeitara seu marido, desvalorizando-o 
em presença das filhas e também idealizando o noivo por sua melhor instrução. A cliente tinha 
cursara a mesma disciplina do antigo noivo da mãe e, como ela própria dizia, tomara o lugar 
dele junto da mãe. 
Ela se sentiu liberada quando o noivo foi introduzido na constelação e quando ela disse, tanto a 
ele quanto à sua mãe, que nada tinha a ver com ele e que só queria viver a própria vida e 
aceitar-se plenamente como mulher. Em seguida colocou-se junto do pai e disse-lhe que ele 
era o responsável pela mãe. 
 
Exemplo 2: 
 
Um paciente, que vinha sendo diagnosticado como doente psíquico crônico e que fora criado 
num círculo de muitas mulheres, após um seminário assumiu-se abertamente como 
homossexual. A partir daí passou a mostrar sintomas bem mais raramente, completou com 
acompanhamento terapêutico uma exigente formação e há dois anos exerce sua profissão. 
 
Identificações duplas 
 
Particularmente pesada é a identificação simultânea com dois excluídos. Uma forma especial 
dela é a identificação simultânea com vítima(s) e autor(es). 
 
Um exemplo: 
 
Uma participante de um seminário, de cerca de 50 anos, com uma carreira psiquiátrica de 
muitos anos, tinha um pai de mãe solteira, que entrou na policia especial nazista e mais tarde 
foi vigia num campo de concentração. Através de perguntas, apurou-se durante a constelação 
que o pai dele era judeu e que nada se sabia sobre seu destino. Com isto a paciente passou a 
compreender melhor seus sintomas, que já duravam anos, de ser simultaneamente perseguida 
e perseguidora. Essa dinâmica foi por nós encontrada diversas vezes, por exemplo, nos 
chamados doentes mentais transgressores. Seja frisado, neste contexto, que com muita 
freqüência tomamos à letra conteúdos de manias, que se revelam carregados de sentido. Se 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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alguém se sente perseguido ou envenenado, perguntamos: quem na família foi perseguido ou 
envenenado? Ou, se alguém sente compulsão de lavar-se, perguntamos: quem na família 
precisava lavar-se? Não dispomos aqui do espaço necessário para entrar mais fundo nesta 
matéria. 
 
Segredos e tabus 
 
Em constelações de pacientes de psicoses pudemos verificar repetidas vezes que provocavam 
perturbação nesses pacientes relacionamentos confusos e mal definidos, como paternidade 
obscura, adoções mantidas em segredo, ocultação de um irmão gêmeo que morreu no parto 
ou durante a gravidez, causas de morte obscuras ou ocultadas (por exemplo, um suicídio 
apresentado como um acidente). Devido a sentimentos de lealdade, os pacientesfreqüentemente não se atrevem a comunicar as incertezas que experimentam, fazer perguntas 
sobre elas ou investigá-las. 
 
Seqüelas de culpa e de violência na família 
 
Em famílias onde há psicoses parece também haver um número bem maior de segredos de 
família e de tabus relacionados com atos de violência, crimes e injustiças de que participaram, 
como autores ou como vítimas, membros da família (geralmente de gerações precedentes). A 
culpa cometida ou experimentada geralmente não era encarada nem exteriorizada. 
Ilustro com um exemplo de um seminário de constelações familiares: 
Um homem de 33 anos, após uma grave tentativa de suicídio, procurou-me para uma terapia. 
Contou que nos últimos meses, quando estava se separando de sua namorada, retraiu-se de 
todo contato social e desenvolveu fantasias de perseguido e de perseguidor. Finalmente abriu 
a própria veia jugular e só foi salvo devido a circunstâncias felizes. Na época do início da 
terapia não mostrava sintomas psicóticos agudos, mas todos os sinais de uma grave crise de 
identidade e de auto-valorização. Estava fortemente deprimido e padecia de sentimentos 
massivos de culpa, insuficiência e fracasso.Experimentava uma forte diminuição de seus 
impulsos e um retardamento motor, falava por monossílabos e estava grandemente limitado 
em sua expressão.Durante um ano de acompanhamento psicoterapêutico aconteceram vários 
episódios de crise e conversas em família com o pai e o irmão mais novo, que sempre 
exprimiam medo de uma recaída e pela vida dele. Ele se estabilizou, mas voltou a viver com os 
pais e cortou quase todo contato com o mundo exterior. Ele mesmo se queixava de falta de 
acesso emocional a si mesmo e à tentativa de suicídio, experimentava-se como se estivesse 
cortado de alguma coisa e não sentisse mais a si mesmo. 
Sua participação num seminário de constelações familiares tinha o objetivo principal de retomar 
contato com outros (interessados). No decurso do seminário ele constelou sua família de 
origem (os pais, ele próprio e um irmão mais novo). Os representantes de todos eles disseram 
que tinham pouco contato com os próprios sentimentos. Como o representante do pai, na 
constelação da família, se virou e olhava para fora, interrogamos o cliente sobre destinos ou 
acontecimentos especiais em sua família de origem. Apuramos que dois de seus irmãos 
tombaram na guerra e que seu avô voltara para casa ferido por um tiro na barriga. Fizemos 
com que o cliente incluísse na constelação os dois tios e o avô. Ele reverenciou cada um deles. 
Os representantes dos tios se sentiram olhados e honrados em seu destino, mas o 
representante do avô disse que não se devia reverenciá-lo, pois cometera algo muito grave. 
Paralelamente já se tinham modificado antes os sentimentos dos demais representantes da 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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família, de forma incomum e dramática. Todos eles se afastaram do representante do avô e 
mostravam um forte medo. Respondendo às perguntas, o cliente só pôde informar que o avô 
tinha sido um participante entusiasta da guerra. Experimentalmente foram então introduzidos 
representantes de vítimas da guerra, que se deitaram no chão. Sua presença provocou no 
representante do cliente uma veemente compaixão, enquanto o representante do avô 
permaneceu frio e distante. O representante do cliente se inclinou diante das vítimas, despediu-
se também do avô, que fora colocado à parte da família, e deixou com ele a culpa. Em seguida 
foi colocado ao lado do pai. Depois da constelação o cliente contou que da herança do pai ele 
tinha pedido para si a mochila de guerra (na ocasião, tinha sete anos). Essa mochila continha, 
entre outros objetos de uso, o livro de Hitler Mein Kampf (Minha Luta) e uma velha pistola. Foi 
com essa arma que ele tentou suicidar-se e só recorreu à faca quando a pistola falhou. Foi 
profundamente tocante, para o cliente, sua vivência num grupo onde nem ele nem seu avô 
foram moralmente julgados, e no qual ele, de forma comovente, se dirigiu a seu pai e seu pai a 
ele. Por desejo próprio, ele terminou a terapia, depois umas cinco sessões adicionais, 
separadas por intervalos mais longos. Dois anos depois, apareceu no consultório do terapeuta 
com um ramo de flores nas mãos. Relatou que tinha prestado com êxito seus exames finais 
como engenheiro, assumido um emprego e iniciado uma nova relação. Sentia que 
tinha?Aterrissado bem na vida. Disse que o seminário da constelação tinha sido a coisa mais 
difícil que conseguira na vida, e que fora incrivelmente importante para ele. 
 
Outros dilemas que pesam 
 
Certas situações se tornam também insustentáveis para tais pacientes quando, além das 
implicações sistêmicas, se defrontam com vários dilemas de relacionamento. Podem estar 
colocados, por exemplo, entre duas pessoas relacionadas que estejam em conflito total entre si 
(por exemplo, seus pais ou a mãe e uma avó que também more em casa). Pode ser ainda que 
alguém tenha colocado para eles expectativas comportamento totalmente contraditórias e 
inconciliáveis, ou que várias pessoas ao mesmo tempo lhes tenham colocado expectativas 
diferentes e estressantes. Isto aconteceu, por exemplo, com uma paciente simultaneamente 
identificada com agressora e vítima. Na constelação ela ficou em posição transversa entre a 
representante da mãe e a da avó paterna, que se odiavam mutuamente. Tais triangulações 
adicionais marcantes dessas crianças foram freqüentemente encontradas por nós nas 
constelações. Suas soluções proporcionaram claros alívios adicionais. Quando os pais 
provinham de países diferentes ou pertenciam a diferentes comunidades religiosas, isto trazia 
aos filhos novos dilemas. 
 
Conclusão 
 
Requer-se uma grande experiência terapêutica para se lidar cuidadosamente com as 
informações reveladas nas constelações, tomando-as, sim, a sério, não, porém 
excessivamente à letra. Talvez mais do que em outros métodos, existe aqui, conforme a 
formação e a mentalidade do praticante, o perigo da simplificação, de uma abreviação sem 
seriedade e da manipulação. Além disto, cada família tem o direito de manter seus segredos. 
Pode ser útil que, depois de uma constelação, familiares acrescentem às percepções, até 
então tomadas como?Loucas. Informações que esclareçam os acontecimentos já registrados. 
Quando, porém, aquilo que emerge nas constelações passa a ser considerado como a única 
verdade válida, a confusão e as manias apenas ficam piores. Em nossa apreciação, o trabalho 
da constelação familiar, com sua perspectiva sistêmica que abrange gerações e a utilização da 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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representação espacial, é uma complementação e um prolongamento essencial do espectro 
terapêutico no tratamento de pessoas que exibem um comportamento psicótico. Nossas 
experiências apóiam as tentativas de pessoas versadas em assuntos psíquicos, no sentido de 
buscar um entendimento de seus sintomas aparentemente incompreensíveis como mensagens 
do mundo interior. Nossa tendência é de interpretá-los, antes, como indicações de implicações 
sistêmicas até então não compreendidas. 
 
Caso: Devolução na Constelação Familiar 
 
Moça casada com alcoólatra. Não consegue se desvencilhar do casamento negativo. Sente-se 
responsável pelo parceiro, apesar deste não estar trabalhando nem procurando trabalho. Há 
anos separam-se e voltam juntos. Durante o trabalho descobrimos que ela perdeu um irmão 
muito querido, quando era criança. Este irmão era alcoólatra e gostava muito dela. Na verdade, 
foi um verdadeiro pai para ela. O laço entre eles era forte demais. Ela ficou sem saber que ele 
havia morrido. Sentiu-se “morta” e abandonada. Durante a constelação, ficou provado que 
esta perda não tinha sido trabalhada e que haviano coração da menina o desejo de “morrer” 
junto com o irmão. Ao mesmo tempo, havia também o desejo de “continuar” este amor do 
irmão através dos cuidados com o marido, que tem a mesma doença. Foi feito o 
reconhecimento do amor do irmão, o reconhecimento da “lealdade” e identificação com o 
sofrimento do irmão, e o reconhecimento da situação atual. Houve um enorme alívio da cliente. 
O semblante transformou-se. Houve uma grande compreensão. Processou-se o verdadeiro luto 
pelo irmão. Agora, ela tem mais condição de resolver sua situação atual. 
 
Como é desenvolvido o trabalho ? 
 
O trabalho com constelação sistêmica pode ser realizado em grupo (workshop, Grupos 
de Desenvolvimento da Consciência) ou individualmente (workshop, terapia). 
 
Em grupo, o cliente escolhe participantes presentes no workshop para representar 
membros da sua própria família ou da situação que deseja constelar. Por exemplo, num 
conflito entre pai e filho, o cliente poderia escolher uma pessoa para ser ele próprio e a 
outra para ser o seu pai se fosse este o caso. Essas pessoas assumiriam uma postura 
dentro do campo da constelação, onde a partir de então o importante é apenas 
perceber qual a necessidade de cada um, respeitá-la e viabilizar a oportunidade para 
que isso aconteça para que ambos se sintam livres e vivam em harmonia. O trabalho 
pode acontecer também diretamente com o próprio cliente dentro da constelação, o que 
depende muito de cada caso. 
No atendimento individual o modelo é o mesmo, porém o processo é todo com o cliente, 
pois é ele próprio perceber o que está acontecendo, ou seja, é ele que vai colaborar no 
desenrolar do conflito. 
 
Constelações Sistêmicas Familiares e os Movimentos da Alma 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O trabalho sistêmico vem a partir da concepção da vida, do fluir no desenvolvimento natural. 
Estamos inseridos dentro de um grande sistema contínuo, de diversos elementos que se 
interagem e de certa forma são inter-dependentes uns com os outros. Nós, por exemplo, 
precisamos dos elementos básicos da natureza como os alimentos, a água e a luz solar. 
Nenhum organismo é um sistema estático, fechado ao mundo exterior; e sim um sistema 
aberto num estado (quase) estacionário, onde há uma constante troca de informações entre os 
mais diversos níveis. Não temos como falar de constelação familiar sem falar da visão 
sistêmica. Nascemos dentro de um sistema familiar, que existe há muitos anos e onde não 
sabemos direito o seu histórico por completo. Foram gerações atrás de gerações, com muitas 
histórias, acontecimentos, e situações felizes e trágicas. Herdamos através dos nossos pais e 
ancestrais toda a carga morfogenética (morfo=forma) e não damos conta dos padrões, das 
crenças e até mesmo dos "repetecos" de histórias dentro da nossa família. Algumas teorias 
afirmam que até a sétima geração precedente pode influenciar significativamente nossos 
padrões. Por exemplo, quando temos algum comportamento como violência, ciúmes, 
envolvimentos com drogas, ou sentimentos de depressão entre outras manifestações, muitas 
vezes podemos estar identificados com um membro da família seja pai, avô, tio ou mesmo de 
gerações ainda anteriores, sejam elas pessoas vivas ou falecidas. O trabalho de constelação 
familiar é uma oportunidade de identificarmos de forma consciente o que está acontecendo 
com o sistema familiar, podendo assim resolver os conflitos a partir da escolha interna de cada 
um. 
 
O que posso trabalhar dentro da constelação sistêmica familiar? 
 
Como é um trabalho de pulsação da vida, do fluir, então tudo que está relacionado com a vida 
pode ser trabalhado, desde que traga um significado importante para você. Os curiosos 
dificilmente entrariam em uma constelação e mesmo se entrassem não teriam como dar 
continuidade ao trabalho, pois não haveria força suficiente no campo para que o trabalho 
acontecesse. 
 
Alguns dos temas trabalhados em uma constelação podem ser: 
 
• Conflitos familiares (pais, filhos, irmãos, tios, avôs); 
• Conflitos entre casais; 
• Dificuldade em lidar com perdas de parentes, pessoas queridas ou o parceiros; 
• Dificuldade em relacionar-se de uma forma geral; 
• Dificuldade em comunicar-se; 
• Problemas de saúde; 
• Conflitos entre sócios, funcionários e clientes; 
• Problemas financeiros; 
• Entre outros temas. 
 
As crenças 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Cada pessoa vê a realidade com seu próprio olhar. A Realidade não é a Verdade; a Realidade 
depende das nossas crenças. As nossas crenças vêm das transmissões familiares, culturais e 
religiosas. Por exemplo, em certas famílias, a crença é "todos os homens são violentes" ou 
"todos os homens são inúteis" ou "não sou capaz de ser uma boa mãe". Construímos a nossa 
realidade, as nossas relações a partir das nossas crenças. 
 
O sistema familiar é o mais importante dos sistemas? 
 
A família é um sistema de relações humanas continuas que estão sempre interligadas. Quando 
há mudança num membro da família, há mudança nos outros membros. Essas interações são 
exprimidas por palavras, pelo toque, os olhares, a postura do corpo e os outros 
comportamentos verbais e não verbais. Uma pessoa vive em diferentes sistemas. Esses 
sistemas influenciam-se mutuamente. "A unidade maior de crescimento da vida humana não é 
o trabalho individual ou o trabalho de grupo nem ainda o grupo social, é a Família". 
 
Como é a aproximação Fenomenológica? 
 
No inquérito fenomenológico temos que nos abrir até perceber uma variedade de fenômenos 
sem julgar ou focalizar num qualquer ponto em particular. Este tipo de investigação requer um 
estado interno liberto de preconceitos, intenções e julgamentos, particularmente relacionados 
com os movimentos internos, tais como sensações, sentimentos ou idéias. A atenção é ao 
mesmo tempo dirigida e sem sentido, focalizada e aberta. Um estado fenomenológico exige 
rapidez de ação e no entanto refreia a ação. Na dinâmica destes opostos a nossa percepção 
intensifica-se. Se puder tolerar a tensão provocada por estes opostos, logo um contexto 
emerge, em que uma variedade de impressões parece organizar-se em torno de um tema 
central, talvez uma verdade mais profunda, e a etapa seguinte aparecerá. 
 
O que acontece realmente na psicoterapia quando um cliente faz uma constelação da 
sua família? 
 
Inicialmente seleciona representantes para cada membro da sua família no grupo de 
participantes. Por outras palavras, representantes para a sua mãe, pai, irmãos e também para 
si. É irrelevante quem ele escolhe para os vários membros, ou mesmo se ele seleciona 
membros do mesmo sexo. Até pode ser melhor se negligenciar completamente as parecenças 
externas e escolher os representantes sem nenhuma intenção em particular. Isto representa 
uma primeira etapa para recolher-se internamente, recebendo-se a si próprio, e o libertar-se de 
velhas imagens e idéias sobre a sua família. O participante que escolhe um representante de 
acordo com a idade ou o tipo do corpo físico, não está verdadeiramente aberto ao que pode ser 
essencial e ainda permanecer invisível. Considerando fatores externos, limita a força do que a 
constelação pode revelar, e a constelação pode já estar condenada ao fracasso. É por esta 
razão que pode mesmo ser melhor se for o próprio terapeuta a selecionar os representantes 
para o cliente. Uma vez que os representantes são selecionados, o cliente coloca-os em 
relação uns aos outros no espaço. Durante esta etapa é útil se os guiar por detrás colocando 
ambas as mãos nos seus ombros, estando assim conectado energeticamente com eles quando 
os mover para o seu lugar. O cliente permanece centrado, detectando e escutando com 
cuidado oseu movimento interno, seguindo as suas orientações e impulsos subtis, até que 
chegue com eles a um lugar que sinta instintivamente que é o certo para o representante. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Durante o processo de colocar o representante ele permanece em contacto não só com ele 
próprio e o representante, mas também com um campo maior. Este campo cerca-o e pode 
guiá-lo, se estiver aberto a receber os sinais. Esta orientação subtil ajudar-lhe-á a encontrar o 
lugar apropriado para o representante. Segue o mesmo procedimento para colocar os outros 
representantes. Durante este tempo o cliente bloqueia-se a tudo o que o envolve e só retorna 
deste estado completamente focalizado depois que cada representante foi colocado no seu 
lugar. Às vezes é útil se depois andar em torno da constelação inteira e corrigir o que quer que 
pareça fora do lugar. Então volta a sentar-se. É imediatamente visível se um cliente não está 
concentrado nesta postura de humildade e recolhimento interno. Neste caso ele pode tentar, 
por exemplo, sugerir ao representante alguma postura corporal, similar a criar uma escultura; 
ou pode mover-se rapidamente, ao ajustar os representantes, como se estivesse a seguir um 
retrato interno preconcebido; ou pode esquecer-se completamente de colocar um dos 
representantes; ou pode declarar que um determinado representante está no lugar certo 
embora o mesmo não se tenha movido. A maioria das constelações que não forem construídas 
de uma forma séria, concentrada, alcançarão um impasse ou terminarão em confusão. 
 
Para que uma constelação seja bem sucedida o que deve fazer o Terapeuta? 
 
Para que uma constelação seja bem sucedida, o terapeuta tem que se abstrair de todas as 
idéias e teorias. Ao retirar-se para um vácuo interno, e expondo-se inteiramente à constelação 
tal como ela é, reconhecerá imediatamente se um cliente estiver a tentar influenciar a 
constelação, ou se o cliente estiver a tentar fugir de uma realidade que esteja a começar a 
emergir, ajustando imagens pré-concebidas. Neste caso o terapeuta tenta ajudar o cliente a 
manter-se objetivo, e a abrir-se à experiência tal como ela se apresenta. Se isso não funcionar, 
perde-se a constelação. 
 
Qual a postura dos representantes? 
 
A mesma postura de manter-se internamente afastado das intenções, medos, e idéias teóricas, 
é requerida também aos representantes. Durante o processo de ajuste é-lhes pedido para 
prestar muita atenção aos indícios subtis de alterações no seu estado físico ou emocional, por 
exemplo, se a sua freqüência cardíaca mudar, ou se sentirem atraídos para olhar para o chão, 
ou se sentirem de repente mais leves ou mais pesados, irritados, ou zangados. Além disso, 
todas as imagens que possam chegar, sons ou palavras que se recordem, devem ser 
relatadas, mesmo se não fizerem sentido. Por exemplo, havia um americano, que estava a 
aprender alemão, que ouviu repetidamente a frase, "Sagen Sie Albert," a atravessar a sua 
cabeça, durante uma constelação, enquanto representava um pai. Perguntou mais tarde ao 
cliente se o nome "Albert" lhe dizia qualquer coisa. "Sim, naturalmente" respondeu o cliente, 
"era o nome do meu pai e do meu avô, e o meu nome do meio também é Albert." Um outro 
participante, que representava o filho de um homem que morrera num acidente de helicóptero, 
ouviu continuamente os sons do rotor de um helicóptero. Este filho tinha também sofrido uma 
vez um acidente de helicóptero, sendo ele o piloto e seu pai o passageiro, mas sobreviveram 
ambos ao acidente. Obviamente, para que isto aconteça é necessário possuir sensibilidade e 
intuição, assim como uma capacidade voluntária de se abstrair dos motivos ulteriores para que 
este processo ocorra. O terapeuta tem que permanecer alerta para que os representantes não 
confundam as suas fantasias por percepções reais. Quanto menos informação prévia o 
terapeuta e os representantes tiverem sobre uma família, mais fácil é evitar esta tendência. 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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No coração das constelações familiares 
 
O psicoterapeuta alemão Bert Helinger é o criador de uma abordagem de psicoterapia sistêmica que 
tem como base à energia que flui entre os membros de uma família, de forma a constituir a 
chamada "constelação familiar": No desenrolar do trabalho, aponta no texto a seguir o Bert Helinger 
é possível reconhecer emaranhados entre as gerações, que mantêm as pessoas presas de forma 
negativa ao sistema energético da família. 
Bert Hellinger trabalha com a energia básica de todo sistema familiar: essa energia se expressa 
através do amor. Quando dizemos amor, pensamos em um sentimento positivo que dá força e ajuda 
a crescer (o amor positivo), porém não devemos esquecer que existe também um amor negativo, 
que adoece e escraviza. Muita gente julga que o amor positivo tem o poder de superar tudo, que é 
preciso apenas amar bastante e tudo ficará bem. Contudo isto não é verdade. Muitos pais, apesar do 
amor positivo, sincero e libertador são forçados a ver seus filhos adoecerem gravemente, 
desenvolveram dependência de drogas ou se suicidarem. Nem sempre as causas estão em 
acontecimentos desta vida e sim na energia básica que flui na família, no sistema familiar, 
envolvendo relações interpessoais de gerações anteriores. Para que o amor "dê certo", é necessário 
que haja o conhecimento e o reconhecimento da energia oculta do amor negativo. 
O primeiro ponto é que os pais não só dão vida, mas dão a seus filhos também as energias positiva 
e negativa que possuem. Eles não podem influenciar essa energia. Os filhos nada podem excluir, 
nem acrescentar à ela. Só aceitando-a, essa energia poderá fluir de forma positiva e benéfica, 
apesar de muitas vezes estar repleta de amor negativo. Aceitar significa assumir a vida e o próprio 
destino, tal como nos foi dado através dos nossos pais. Com os limites que nos são impostos e com 
as possibilidades que são concedidas. Com a energia, destinos, sucessos e culpas de nossa família. 
Com tudo o que houver nela de bom e de ruim, de leve e de pesado. Ato de libertação 
Aqui cabe um esclarecimento: faz parte da aceitação dos filhos que digam a seus pais: "Eu sei que 
vocês me deram tudo que possuíam. Eu sei que o que recebi é o bastante para assumir minha vida. 
Eu aceito com amor". O efeito destas frases atua muito fundo: os pais concluem sua tarefa e os 
filhos se tornam livres para viverem a própria vida com respeito aos pais, mas sem dependência 
energética. 
Imagine agora a situação de um filho que diz aos pais: "O que vocês me deram foi errado" ou "o 
que vocês me deram foi muito pouco". Esse filho não consegue soltar-se de seus pais, simplesmente 
pela vontade de receber mais. Sua dependência, seu ódio, sua censura e suas reivindicações o 
vinculam a eles. O filho se torna infeliz e incapaz de solucionar seus próprios problemas e passará 
sua energia negativa para seus próprios filhos. Entretanto, conforme foi dito acima, pertencemos 
também a um grupo familiar, a um sistema maior. Nossa vinculação não se limita aos nossos pais. 
O grupo familiar se comporta como se fosse dirigido por uma instância comum e superior (energia 
básica) que influencia todos os membros, a saber: 
 
*Todos os filhos, inclusive os que morreram ou foram abortados. 
*Os pais e todos os seus irmãos. 
*Os avós. 
*Os bisavós ou até mesmo um antepassado ainda mais distante, principalmente se teve um destino 
ruim. 
*Pessoas sem relação de parentesco, aquelas de cujo o destino, seja bom ou ruim, pessoas da 
família se beneficiaram. 
*As vítimas de violência ou morte causadas por membros anteriores dessa família. 
 
Lei Fundamental 
 
Para todas as famílias vigora uma lei fundamental: todas as pessoas ligadas aogrupo familiar 
possuem o mesmo direito de se relacionar. Em muitas famílias determinados membros são 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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excluídos. Alguns dizem, por exemplo: "Essa tia não vale nada e por isso não pertence a nós". Ou 
então: "Dessa criança ilegítima não queremos saber". Com isso, -negam a essas pessoas o direito 
de pertencer. 
O excesso de moral de algumas pessoas que se sentem melhores e superiores a outras, ou quando 
alguém condena uma pessoa ou a considera má, na prática significa dizer-lhes: "Tenho mais direito 
de pertencer que você". Ou seja, praticamente está lhe dizendo: "Você não tem direito de pertencer 
a essa família", "Eu tenho mais direitos que você". 
Um exemplo: quando alguém morre prematuramente em uma família e seus parentes dão seu nome 
a um filho, estão dizendo à criança "seja ele" - ou dizendo a quem morreu, "você não pertence mais 
à família". Assim a pessoa morta não ocupa o seu lugar na família. Com freqüência, não é mais 
considerada, nem mencionada. Assim lhe é negado e retirado o direito de pertencer a essa família. 
Isso tanto pode ocorrer com parentes vivos como mortos. A carga que as crianças assumem ao 
receberem um nome repleto de história pode tornar-se um fardo. 
Essa lei fundamental, que assegura a todos o mesmo direito de pertencer, não aceita nenhuma 
violação. Quando isso acontece, existe no sistema um desequilíbrio e uma necessidade inconsciente 
de compensação, que faz com que os excluídos ou desprezados sejam mais tarde representados por 
algum outro membro da família. Essa pessoa, mesmo não tendo consciência do fato, buscará a 
compensação. 
 
Uma questão de hierarquia 
 
Mais um exemplo: quando um casamento se desfaz e o casal briga, inventa falsas razões para a 
separação e comete injustiças um contra o outro, a energia que circula na família é negativa e passa 
para os filhos, desta e da próxima união. Um dos filhos do segundo casamento, por exemplo, poderá 
combater os pais com o mesmo ódio do ou da parceira rejeitada, sem que tenha a menor 
consciência dessa "compensação". Aqui atua a força secreta da lei fundamental, para que a injustiça 
feita à primeira pessoa seja "compensada" por uma segunda. Essa compensação pode ser buscada 
em até duas ou mais gerações descendentes. 
Existe dentro de cada família uma ordem básica hierárquica onde todas as pessoas são, em primeiro 
lugar, filhos; em segundo, parceiros ou "casal"; em terceiro, pai ou mãe dos filhos do primeiro 
casamento; só em quarto lugar são novamente "casal" e, por último, são pais de seus filhos do 
segundo casamento. Esta é a ordem natural das relações dentro de uma família. Quando se aceita 
isto, pode-se resolver ou evitar diversos conflitos em muitas famílias. Afinal, marido ou esposa não é 
uma relação que sempre dura "até que a morte os separe". Mas "ex-marido" ou "ex-esposa" 
realmente não deixam nunca de ser "ex". 
A solução de muitos conflitos só é possível quando a lei fundamental que assegura a todos o mesmo 
direito de pertencer deixa de ser violada e os excluídos voltam a fazer parte da energia da família e 
a serem respeitados. No exemplo da separação, pertence à aceitação energética que o novo casal 
diga: "Eu reconheço a sua dor e respeito o seu destino. Por favor aceite a mim como eu sou e queria 
bem aos meus filhos". Desta forma é reconhecido o direito de pertencer e a energia estará 
equilibrada. 
 
 
O que é o Curador? 
 
Curador é toda aquela pessoa que cura; desde a pessoa que usa um sorriso e "cura" uma cara 
triste, àquela que usa técnicas ou conhecimentos para ajudar alguém a restabelecer-se ou a 
curar-se. Da mesma forma um curador tanto pode ser um cirurgião como aquele que aplica um 
curativo ou que aplica um penso rápido. O curador é toda a pessoa que usa os seus 
conhecimentos para ajudar alguém em algum problema seja ele sentimental, emocional, de 
saúde, etc. ou apenas ajudar alguém a sentir-se melhor. Os seus conhecimentos podem 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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implicar o uso de técnicas, terapias, experiências, etc. com vista a ajudar alguém em 
determinado problema. Os conhecimentos podem ser adquiridos nos mais diversos locais 
desde a escola, universidades, livros, prática, experiência, conversas, etc. O conhecimento 
existe em qualquer lugar e em qualquer pessoa e da mesma forma ele é e deve ser usado por 
toda e qualquer pessoa. Quando esse conhecimento é usado e aplicado, as pessoas ganham 
um sorriso e começam a ver a vida de outra forma. O sorriso é uma das melhores formas de 
cura que existem e que está ao alcance de qualquer pessoa. Qualquer pessoa pode sorrir para 
as que tem à sua volta e dessa forma curá-las de tristezas, de más disposições ou maus 
humores e de muitas outras situações. Se todos sorríssemos, o mundo seria curado em pouco 
tempo pois todos somos curadores independentemente de acreditarmos ou não que possamos 
fazer alguma diferença. Mas muitas das vezes o termo curador é usado por aqueles que fazem 
curas que saem do campo da ciência. Ou seja por aqueles que fazem curas psíquicas, 
espirituais, energéticas, etc. No fundo um curador pode usar Deus, anjos, espíritos de luz, etc. 
para curar ou ser um intermediário para a cura. Ele pode ser apenas um canal para que a 
energia, Deus, anjos, espíritos de luz, etc. passem ou trabalhem através dele. Pode também 
ser alguém com capacidades psíquicas, espirituais, mediúnicas, etc. ou apenas um qualquer 
profissional que zela pelo bem estar das pessoas à sua volta. No fundo pode ser qualquer 
pessoa que atue para curar ou obter resultados. Freqüentemente os Curadores fazem uso das 
suas capacidades mentais, psíquicas, espirituais e outras, para resolver as causas dos 
problemas conseguindo dessa forma aquilo que a ciência sabe ser possível mas que tem 
negado ao longo dos séculos. Um curador usa as suas capacidades e conhecimentos para 
levar as pessoas a encontrarem as suas soluções e a encontrarem as suas capacidades de 
auto cura. É sempre a própria pessoa que quer e permite a sua cura. O Curador está um passo 
acima do Facilitador. 
 
O que é Facilitador? 
 
O facilitador é toda a pessoa que facilita que algo ocorra ou aconteça. Isto pode ser visto no 
amigo que ajuda a resolver ou a apoiar na resolução de um problema como na pessoa que 
aplica técnicas e terapias para chegar a algum resultado. A diferença entre curador e facilitador 
é que o curador é suposto curar ou ajudar a curar enquanto o facilitador apenas facilita que as 
coisas e situações aconteçam. O facilitador sabe que ele não tem poder para mudar nada nem 
ninguém e dessa forma sabe que os resultados não dependem dele mas sim da pessoa que 
ele ajuda. Ele apenas facilita a que algo aconteça mas é a pessoa que tem de fazer e de 
deixar que as mudanças aconteçam. Para que o Facilitador consiga resultados, ele precisa de 
ter conhecimentos acerca do que fazer e como fazer para que os resultados aconteçam. O 
Facilitador não se impõe ao corpo nem à pessoa e apenas ajuda a pessoa e o seu corpo a 
encontrarem o equilíbrio. Desde sempre que se sabe que uma doença ou um problema é 
apenas um desequilíbrio em algum lugar ou alguma área. Uma vez conseguido o equilíbrio, o 
problema acaba por desaparecer. Um facilitador por norma socorre-se de técnicas e terapias 
para facilitar a obtenção de resultados e o equilíbrio do corpo e da pessoa. Ele ajuda (facilita) a 
pessoa a entrar de novo em equilíbrio. Um Curador faz mais uso das suas capacidades e dons. 
Ele não usa apenas os seus conhecimentos, formações e experiências pessoais. Quer um quer 
outro, podem ter ou não formação superior. O Facilitador está um passo acima do terapeuta. 
 
O que é o Terapeuta? 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material- 20 - 
Um terapeuta é todo aquele que aplica terapias e soluções para obter resultados quer essas 
terapias sejam ou não de formação acadêmica. Ele faz uso de conhecimentos e aplica-os para 
obter resultados. Uma vez que ele faz uso de conhecimentos e informações, ele muitas das 
vezes não consegue um ponto de equilíbrio e dessa forma os seus resultados acabam por ser 
"impostos" e por não serem naturais. Os seus resultados apesar de serem bons ficam muito 
aquém dos resultados que um facilitador consegue e ainda mais atrás daqueles que um 
curador consegue. 
 
A LÓGICA DA EMOÇÃO Da Psicanálise à Física Quântica. 
 
Conhecer-nos, nossas capacidades e limitações, nossas emoções e necessidades e a forma 
como nos relacionamos é essencial para que tenhamos saúde. Esse estado que temos 
buscado desde o início dos tempos, de todas as formas, sempre procurando restaurar um 
equilíbrio que foi perdido quando nos tornamos racionais. Quando fomos "expulsos do paraíso" 
e jogados na aventura de uma amplificação da consciência que nos tornou seres especiais, 
capazes de criar. Habilitados, como nenhum outro ser vivo que conhecemos, a imitar a 
natureza neste ato fundamental que é a criação. 
 
Esta aventura chega ao momento de desenlace quando já temos poder e conhecimento para 
destruir tudo à nossa volta e para produzir outros seres humanos sem a ajuda dos processos 
naturais. Sem dúvida, chegamos muito longe! Agora é melhor olharmos para dentro e 
percebermos quem realmente somos e o que desejamos, o que é válido e o que é para nós 
perigoso equívoco. 
 
A Lógica da Emoção, parte das descobertas da psicanálise passa pelo conhecimento das 
religiões antigas e chega à nova física, numa trajetória que busca explicar o funcionamento de 
nossas mentes, as leis que a regem e o papel da emoção. 
 
Por que nos tornamos inteligentes? O que nos torna capazes de criar? Quais são as formas de 
comunicação entre nós? Qual a qualidade e a realidade do mundo que construímos? Todas 
são perguntas que só podem ser respondidas se usarmos uma lógica mais abrangente que 
passa, necessariamente, por este sentido especial: a emoção, que nos distingue e eleva acima 
da. Irracionalidade. Este é o território a ser desbravado pela humanidade nos próximos anos. 
 
Estaremos tão interessados no poder sobre nossa natureza subjetiva por descobrirmos que 
somente nele reside a possibilidade de êxito em alcançar um estado de bem estar que 
prevaleça na maior parte do tempo, obedecendo ao conceito de saúde formulado pela O.M.S. 
 
Leitura Recomendada 
 
A Alma do Negócio - Jan Jakob Stam - Ed. Atman 
A Fonte não Precisa Perguntar pelo Caminho - Bert Hellinger - Ed. Atman 
A Paz Começa na Alma - Bert Hellinger - Ed. Atman 
A Simetria Oculta do Amor - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 21 - 
Ah! Que bom que eu sei! - Jakob Schneider e Brigitte Gross - Ed. Atman 
Amor à Segunda Vista - Bert Hellinger - Ed. Atman 
Constelações Familiares - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
Desatando os Laços do Destino - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
Liberados Somos Concluídos - Bert Hellinger - Ed. Atman 
No Centro Sentimos Leveza - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
O Essencial é Simples - Bert Hellinger - Ed. Atman 
Ordens da Ajuda - Bert Hellinger - Ed. Atman 
Ordens do Amor - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
Para que o Amor Dê Certo - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
Pensamentos a Caminho - Bert Hellinger - Ed. Atman 
Quando fecho os olhos vejo você - Ursula Franke - Ed. Atman 
Religião, Psicoterapia e Aconselhamento Espiritual - Bert Hellinger - Ed. Cultrix 
Você é um de Nós - Marianne Franke-Grickeh - Ed. Atman 
 
Reflexão: 
 
"Quando alguém pára no caminho, e não quer avançar, o problema não está no saber. Ele 
busca segurança quando é preciso coragem, e quer liberdade quando o certo não lhe deixa 
escolha. Assim, fica dando voltas." - Bert Hellinger 
 
"O coração tem razões que a razão desconhece." 
 
Depoimentos - Nossas Experiências!!! 
 
Oi, pessoal! Penso que seria legal a gente conversar sobre as experiências pessoais de 
cada um com a constelação. Quem já fez, quem ainda não mas deseja fazer, quem ainda 
não conhece. Quem se habilita a começar? 
 
... Profundo e Transformador Fiz a minha constelação há mais de um ano e transformou minha 
vida. Me identifiquei totalmente com a qualidade desse trabalho e estou fazendo a formação. 
Também sou de Brasília e fiz o meu trabalho com o Regis. Os Alemães que dão a formação 
são fantásticos. Que bom que possamos dispor desse novo conhecimento... 
...Descobri na abordagem terapêutica desenvolvida por Bert Hellinger pode ser utilizada com 
sucesso somente pelos terapeutas e orientadores de grupo que conseguem manter uma 
atitude interior de maior respeito pela individualidade do cliente. Além disso, devem estar livres 
de preconceitos e convenções moralistas. O olhar intuitivo é a atitude fundamental: uma 
posição de um movimento amoroso em direção ao mundo tal como ele é – seja aparentemente 
bom ou aparentemente mau. Assim, o terapeuta tem a possibilidade de reconhecer o amor 
enredado e de iniciar os passos que levam à solução... 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 22 - 
...A constelação familiar nos coloca em contato com heranças de nossos antepassados que 
levamos conosco inconscientemente. O grande amor que flui dentro do universo familiar se 
manifesta muitas vezes de maneira equívoca através de sacrifícios, renúncias e sofrimentos. 
Através dos sentimentos e sensações que experimentam os representantes de nossos 
antepassados, as verdades do amor em nossas famílias nos são reveladas. E todos que 
participam aprendem pela experiência da constelação os movimentos que adoecem as 
relações familiares e os movimentos que curam deixando fluir a verdadeira força do Amor... 
...Já fiz diversas constelações para mim, inclusive com bonecos, além de ter participado em 
inúmeras outras. Ainda assim, continuo a me impressionar, diria ser quase inacreditável! É 
mágico. É surpreendente a possibilidade que a constelação familiar oferece de resgatar 
questões familiares, recentes ou vinculadas a nossos antepassados, através da atualização de 
sentimentos e sensações em geral desconhecidos e por vezes inesperados. Só vendo ou 
participando para crer!... 
...Tomei conhecimento da Constelação Familiar por intermédio da minha terapeuta. Sem ter 
muita explicação do que se tratava, assisti a duas Constelações e me encantei com o trabalho! 
Pude participar como representante logo na primeira vez, e achei muito curioso as sensações e 
sentimentos que tive. A partir daí, fiz duas Constelações para mim e participei de muitas outras. 
Atualmente estou inscrita na Constelação Familiar em grupo e estou adorando! De tudo que já 
experimentei para meu auto-conhecimento, a Constelação familiar é a maneira mais objetiva 
de entender a origem dos problemas. A cada Constelação que participo aprendo cada vez mais 
sobre mim mesma e minha família. Agradeço ao Bert Hellinger pela oportunidade que tive de 
conhecer e de participar deste trabalho maravilhoso... 
...Conheci o trabalho com constelação familiar no primeiro semestre de 2003, através de uma 
amiga. Meu primeiro contato direto com a técnica, após uma breve explicação durante uma 
entrevista prévia com uma amiga foi com a minha própria constelação. O primeiro impacto que 
senti durante a minha primeira constelação foi a grande onda de amor que se criou durante a 
formação do meu sistema familiar e que permaneceu durante o tempo de duração da 
constelação, em que as pessoas, a maioria delas totalmente desconhecidas, representavam os 
membros da minha família. A intensidadedo amor que senti era tão grande que saí de lá muito 
impressionada. Só por isso, a constelação familiar já me fascinou e continua fascinando. O 
segundo ponto marcante foi a imagem clara do meu sistema familiar. Pude perceber como 
estava inegavelmente ligada aos meus antepassados, pude enxergar com clareza e força onde 
estava o meu bloqueio e ao recuperar com amor os emaranhamentos dos meus ascendentes, 
pude olhar para o que buscava -- a minha imagem de cura. Ao se montar pela constelação 
qualquer sistema familiar, a imagem é clara, límpida, verdadeira, forte, mesmo que em alguns 
casos não queiramos ver... Impossível questionar, duvidar. A imagem fala por si só, confirmada 
pela reação dos representantes... 
...Não há palavras, não há forma de se mascarar ou negar a verdade que surge diante da 
montagem de um sistema em uma constelação. A verdade das relações, os emaranhados, os 
excluídos e a força que nos une, cada um em seu sistema, surge imperativa, com a mesma 
intensidade do amor e mais uma vez permite ver como, por amor, assumimos destinos que não 
são nossos. Desde então, sou sempre voluntária para participar de qualquer grupo de 
constelação, venho estudando os livros de Hellinger sobre o tema, e sinto em minha vida a 
força dos resultados desta técnica. Com o tempo e os temas tratados em constelação, pude 
também confirmar a eficácia da técnica. Há um trabalho que se efetua e que parece vibrar até 
se materializar em solução. Participo regularmente dos grupos organizados no Rio e de alguns 
em Niterói desde então, e também usufruo muito das diferentes vivências propostas na 
primeira parte de cada encontro. Impossível enumerar aqui tudo o que tenho aprendido nos 
grupos de Estudos. Quero então dizer à ao Bert Hellinger em um encontro casual em um 
elevador: Obrigada, Bert Hellinger! Ter te conhecido e através de você ter conhecido a 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 23 - 
constelação familiar, as ordens do amor, trouxe muito mais luz e colorido à minha vida. 
Agradeço também o carinho e o amor que você dedica a cada um de seus clientes constelados 
e tenho certeza que aí também reside a força e o sucesso do teu trabalho... 
... Enquanto os procedimentos médicos estavam a decorrer, outras questões faziam eco na 
minha cabeça: o que tenho eu a aprender com isto? Que parte de mim foi esquecida e 
maltratada para estar a lidar com estas seqüelas? O que é que a vida me está a mostrar? 
Procurei respostas para estas questões junto de uns queridos amigos e Mestres que já me 
acompanham há alguns anos. A abordagem através das Constelações Familiares (do Dr. Bert 
Hellinger) veio trazer muitas surpresas. Mas partindo do princípio de que poucas pessoas 
sabem que terapia é esta e não querendo perder uma óptima oportunidade para a divulgar um 
pouco, vou socorrer-me de alguns textos que constam do site desses “anjos” de que vos falei: 
http://www.portais.org . Este sítio é já o espaço onde existe mais informação em português 
sobre esta terapia e em breve estará disponível muito mais informação sobre a mesma, assim 
como, tudo aquilo que a envolve (inclusive a teoria dos Campos Morfogenéticos de Rupert 
Sheldrake). ''Campo morfogenético'' é o nome dado a um campo hipotético que explica a 
emergência simultânea da mesma função adaptativa em populações biológicas não-contíguas. 
Segundo o holismo, os campos morfogenéticos são a memórias coletiva a que recorre cada 
membro da espécie e para a qual cada um deles contribui. De uma forma simples, a base das 
Constelações Familiares é a seguinte: todos temos gravadas dentro de nós, imagens 
conhecidas e desconhecidas, da nossa família. Estas imagens impõem-nos, duma forma 
inconsciente, os seus laços subtis, seja no modo como nos relacionamos conosco próprios, 
seja com aqueles que nos rodeiam, levando a que na nossa vida, surjam situações por vezes 
problemáticas, causadoras de sofrimento, que em última instância originam, doenças ou 
comportamentos doentios, os quais, aparentemente, não têm uma explicação racional. Estas 
imagens inconscientes, causadoras de desarmonias, têm com freqüência origem, numa quebra 
do fluxo do amor. O objetivo da Terapia Constelações Familiares é localizar onde o amor 
deixou de fluir, e, duma forma vivencial e profunda trazer à luz essa quebra e, se possível, 
ajudar a que o amor volte a fluir. E quando o amor volta a fluir, podem acontecer surpresas nos 
sintomas atuais, ou seja, a sua cura. feito… Outra coisa que quero que conheçam foi a 
descoberta de um padrão familiar que, por o desconhecer, também a mim me surpreendeu. 
Pude comprovar mais tarde, através de registros de um tio já falecido, que eram 
completamente exatas as datas que emergiram das sessões de terapia. Remeto para um 
parágrafo anterior em que se diz que “somos todos um só ser” e acrescento que as escolhas 
da nossa alma nem sempre são compreendidas pelo nosso consciente. Mas é por elas que a 
nossa vida nos conduz. O meu avô paterno morreu (com cancro) quando o meu pai tinha 
dezesseis anos. Não consigo avaliar os danos que este acontecimento lhe causou, mas parece 
que foi de tal maneira devastador que o meu pai esperou até que eu tivesse dezesseis anos e 
também ele partiu com um cancro. Continuo a não conseguir (ainda não consigo) avaliar os 
danos que isso me causou, mas espanta-vos que me tenha sido diagnosticado um cancro 
exatamente quando a minha filha tinha dezesseis anos? Que escolha tinha eu feito? E quem 
me poderia ajudar a alterar o rumo?... 
... Bom dia, Estou invadida por um sentimento de gratidão e reconhecimento pelo seu trabalho, 
penso o tempo inteiro... Cada vez mais sinto necessidade de conhecer e me aprofundar sobre 
constelações, não lembro exatamente onde tinha visto, não conhecia ninguém que tinha feito 
constelação, mas repercute muito bem em mim os princípios teóricos, a forma de trabalhar e as 
dimensões abrangidas. Gostaria de participar de outros encontros, como constelante e se 
possível como aprendiz. Pra isto peço que me comunique sobre próximos encontros, cursos de 
formação, etc. Posso, continuar em Brasília... 
... Grande abraço. P.S. Lembra-se daquele trabalho A, B e C, que fizemos no final da manhã 
de domingo? Participamos do mesmo grupo, quando posicionai todos, e você sentiu uma 
sensação de que estava esperando pelo outro, uma sensação de birra. Pois é, logo após sair 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 24 - 
do Hotel, a pessoa, ( que visualizei) me ligou, pedindo que eu o perdoasse, e perguntou se eu 
estava esperando que ele ligasse? Na verdade não tinha o que perdoar, apenas dar uma lição, 
entre eu e esta pessoa existe um amor imenso, que é reconhecido por ambos e que ultrapassa 
aspectos físicos. Sei da simplicidade da situação, mas foi muito bom a rapidez da resposta, 
fiquei com vontade de compartilhar com você... 
... Que LINDO! As fotos transbordam felicidade, que maravilha! É a materialização do resultado 
de uma constelação familiar, que muitas vezes fica restrito aos que participam... 
... É com muita satisfação que relato sobre o momento especial que estou vivenciando no 
trabalho e na minha vida pessoal, após ter feito a constelação do trabalho e participado dos 
wokshops e do Curso sobre Constelação Familiar. Há muito tempo vinha pasando por sérias 
dificuldades no trabalho, das quais não conseguia me desvenciar, por mais que eu me 
esforçasse ou mudasse de setor e na minha vida pessoal estava sempre angustiada e 
insatisfeita... 
... Hoje estou desenvolvendo o trabalho forma tranqüila, sendo valorizada e completamente 
integrada à equipe. Na vida pessoal saí da estagnação e estou me movimentando sem esfoço 
e em alguns momentos sentido uma enorme felicidade, que há muitos anos não sentia. Muito 
obrigada pela competência, dedicação e amorozidade que você temdispensado a esse 
trabalho. Um grande abraço... 
... Muito grata por ter me recebido e feito este trabalho lindo na minha vida as vésperas do meu 
casamento. Já posso sentir as mudanças em mim e no meu dia-a-dia... Esta cerimônia será 
realmente uma celebração de união e não teria a emoção que promete sem a sua ajuda. Um 
abraço carinhoso... 
... Após um longo tempo sem noticias, ou melhor talvez minha mãe tenha dado noticias minhas 
nesse sábado já que ela participou do grupo de constelação... estou no Rio. Consegui me 
mudar e estou bem satisfeita. Por favor me mantenha na sua lista de e-mail principalmente 
para que eu seja informada das constelações aqui no Rio.Gostaria de agradecer por todo o 
suporte que você me deu quando mais precisei e também de expressar a minha alegria por ter 
encontrado na constelação um caminho para melhor compreender minha historia de vida. 
Apesar de ter participado de uma constelação já há algum tempo sinto mudanças até hoje. 
Obrigada por tudo.Bjs... 
... Eu e minha irmã, fizemos juntas uma Constelação com você, no final de 2004. Gostaríamos 
de fazer outra para dar continuidade. Após a constelação, alguns resultados positivos para a 
família, foram alcançados. De 2004 para cá, algumas coisas na família mudaram, mas muitas 
ainda estão empacadas, parece que há um ciclo de coisas que nos rodeiam e não se resolvem. 
Gostaria de saber qual é o preço da constelação. Posso fazê-la novamente junto com minha 
irmã?... 
... Gostei muito do texto e aproveito para dizer que o trabalho de constelação no último dia 5 no 
CLIAMA foi excelente. Tudo estava perfeito, do local (especial e muito agradável), à 
alimentação natural e, é claro, as constelações. Valeu muito a pena e todos perceberam que foi 
feito um grande trabalho. Parabéns e continue com este trabalho maravilhoso e muito 
necessário! Quanto ao "pós-constelação", sei que ela continua atuando por um bom tempo e os 
resultados vão sendo vistos progressivamente. Mas, de imediato, posso dizer que minha 
relação com minha mãe já melhorou bastante. Antes eu me sentia irritada com ela e com 
freqüentes atritos. Tb, se eu me colocava no lugar da 1ª mulher do meu pai (como a 
constelação mostrou) ficava difícil! Ela, por seu lado, se colocava entre eu e meu marido - 
talvez vendo meu marido como o dela e eu como a 1ª mulher dele. Agora entendo melhor o 
fato de ela ter se metido muito no meu casamento e sentia que ela queria muito ficar no meu 
lugar, viver minha vida! Também estou mais tranqüila e deixando as coisas correrem. Ou 
melhor, seguindo a corrente e mergulhando nela, como diz Bert Hellinger!... 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 25 - 
... Posso dizer que mudou minha vida... tive a chance de me despedir dos que morreram e 
entender muito "emaranhado" brabo!... 
... Entrei num grupo de estudos, pois quero aprender mais, honrar e respeitar os q fizeram suas 
opções, embora deseje viver as minhas!... 
... A minha também Tive a graça de ter 2 constelações, uma da relação com a minha mãe e 
outra da relação com meu ex-companheiro e ainda estão mudando a minha vida. Muita coisa 
vai vindo pro plano consciente e a minha atitude vai mudando aos poucos. Recomendo a 
todos!... 
... Também recomendo...Parece que a turma aqui é meio tímida... bom, acho importante 
lembrar que a constelação pode abrir muitas portas em nossas vidas, mas é preciso estar 
preparado, pois se pode ouvir o que não se quer, ok?... 
... Ganhei uma constelação de presente e foi tudo que eu precisava. Me deu muita força pra 
seguir a vida e entender melhor as coisas. E principalmente a aceitar, amar mais e aproveitar a 
minha família. Foi bom pra a família inteira. Mudou muita coisa na minha vida e um pouquinho 
na vida de cada um que estava "presente" naquele dia. Foi um dia abençoado... 
... Realmente, a Constelação é algo maravilhoso demais. Fiz no início do ano, aqui em Brasília, 
com a orientação do Régis, de BH, e mudou minha vida tb. E é impressionante, como participar 
de outras tb nos dá oura visão das coisas. Tenho vontade de indicar todas as pessoas que eu 
conheço pra fazer. Quem sabe um dia... 
... Conheci este trabalho há 8 anos e foi e continua sendo uma dádiva que hoje partilho com 
todos que chegam. Para mim, antes de uma cura familiar, este trabalho é uma grande 
investigação sobre a origem de nossos sofrimentos individuais(nossa família) e os sofrimentos 
coletivos(Culturais). Os encontros de constelação familiar, me fazem tocar cada vez mais no 
Ser, limpo de crenças e pactos e assim, mais amoroso e inclusivo... 
... Conheci a Constelação bem recentemente através de uma amiga terapeuta. Participei de 
duas vivência, inclusive um 'encontro de almas'que realmente me facilitou muito minhas 
reflexões perante muitos ângulos ante não percebidos por mim anteriormente. Abraços!... 
... Cura pelas constelações feliz em fazer parte. constelando há quase dois anos “tirando 
cascas da cebola" - aceitando os meus pais, exercício continuado e amoroso, repassando pra 
quem amo... 
...Através da constelação eu toda minha familiar descobrimos que a mesma dor que afetou 
muitas vezes todo o sistema familiar da minha família resgata o amor entre seus membros... 
... Fiz mais de 7 constelações Sou do Rio. Todas fiz com a Cida. Nossa terapeuta. Amei !!! 
Após conhecer esse trabalho consegui entrar em contato com meus sentimentos. Que mundo 
maravilhoso se descortinou para mim. Passei a viver minha vida dentro de minhas opções e 
entendi que posso optar por ser feliz. Tudo depende apenas de mim. O fantástico disso tudo é 
que na teoria sabia de muita coisa mas através das constelações foi que consegui praticar e 
optar por um caminho mais meu, mas fácil pra mim, mais feliz... 
... Constelação Familiar Minha participação na constelação familiar se dá com o convite de 
Viviane minha amada, e desde a primeira vez senti-me me senti envolvido e identificado e cada 
vez mais com a Constelação Familiar as quais eu participei. Quando vai ter a próxima? Já 
estou com saudades das pessoas e da Constelação Familiar... 
... Sou outra pessoa Esse trabalho simplesmente mudou a minha vida por completo. Faço 
constelações há 5 anos e só tenho a agradecer à Deus que iluminou o Bert Hellinger para 
desenvolver esse trabalho tão maravilhoso e poder expandí-lo pelos 4 cantos do 
mundo.Atualmente organizou as constelações do meu noivo, o terapeuta Homero Zolli aqui em 
São Paulo e tenho visto verdadeiros milagres acontecerem na vida das pessoas... 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 26 - 
 
Constelações Familiares, liberando os destinos trágicos, e refazendo a 
imagem interior do seu lugar na família. 
Uma abordagem terapêutica desenvolvida por Bert Hellinger 
Resumo do conteúdo do site: www.hellinger.com 
 
Livros editados: Editora Cultrix – Autor: Bert Hellinger 
1- As ordens do Amor 
2- Simetria Oculta do Amor 
3- Constelações Familiares 
 
Biografia Resumida Bert Hellinger. 
 
Nascido em 1925, estudou filosofia, teologia e pedagogia. Sua formação religiosa levou-o depois a 
ingressar em uma ordem religiosa católica. Mais tarde trabalhou como missionário na África do Sul. No 
início dos anos 70 deixou a ordem religiosa católica dedicando-se então à psicoterapia. 
Através da dinâmica de grupo, da terapia primal, da análise transacional e de diversos métodos 
hipnoterapêuticos chegou à sua própria terapia sistêmica e familiar. 
Autor de best-sellers na Alemanha, possui mais de 14 livros em sua bagagem. "A Simetria Oculta do 
Amor" foi o primeiro livro a ser publicado no Brasil. Entre as suas atividades atuais está o seu trabalho 
com os sobreviventes do holocausto e suas famílias. 
Bert Hellinger redescobriu durante o seu trabalho com centenas de sistemas familiares queo 
reconhecimento do amor que existe no seio das famílias comove as pessoas e muda suas vidas. Porque 
um amor rompido em gerações anteriores pode causar sofrimentos aos membros posteriores de uma 
família, o processo de cura exige que os primeiros sejam relembrados. Nos seus workshops os 
participantes observam, representam pessoas de outras constelações familiares ou exploram suas próprias 
dinâmicas familiares ajudando Hellinger a demonstrar como o amor, mesmo se injuriado ou mal-
direcionado pode ser transformado em uma força que cura. 
Hellinger é inabalável em sua serena compaixão durante o seu trabalho com indivíduos, casais ou famílias 
que enfrentam situações difíceis. Terapeutas experientes apreciam a efetividade de seu método e seus 
resultados. Freqüentemente os participantes de seus workshops partem com uma profunda compreensão 
de si mesmos, o poder do amor e as forças que governam os relacionamentos humanos. 
Bert Hellinger vive hoje com sua esposa na Alemanha, no sudeste da Baviera, perto da fronteira austríaca. 
 
Algumas idéias básicas 
 
Sobre o desenvolvimento da abordagem de Bert Hellinger 
 
Bert Hellinger descreveu em julho de 1999 a sua abordagem e seu respectivo desenvolvimento em 
tópicos. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 27 - 
1. A idéia de Eric Berne de que existem scripts pessoais segundo os quais uma pessoa organiza 
inconscientemente a sua vida teve um papel muito importante para mim. Berne acreditava que isso vem 
das instruções recebidas dos pais na infância. Eu vi que isto tem a ver com emaranhamentos nos destinos 
de outros membros da família, freqüentemente em uma ou duas gerações anteriores. 
2. Já durante o meu trabalho prático de muitos anos com a terapia primal pude observar que muitos 
sentimentos, também os violentos, nada tinham a ver com a vivência pessoal. Tornou-se bem evidente 
para mim que são sentimentos freqüentemente assumidos através de uma identificação com uma outra 
pessoa. 
3. Além disso sempre vivenciei que a consciência que sentimos tem funções que conservam o sistema. 
Trata-se, em especial, do vínculo ao grupo, da regulamentação do intercâmbio através da necessidade de 
equiparação entre o dar e o receber, das vantagens e perdas e a imposição das normas do grupo. 
4. Mais ainda. Existe uma consciência inconsciente que liga os membros de um sistema e impõe dentro 
dele as seguintes ordens ou leis: 
a. Cada membro da família e estirpe tem o mesmo direito de pertinência, também os que 
faleceram precocemente ou os natimortos, assim como os deficientes e os maus. 
b. A perda de um membro através da exclusão ou esquecimento será compensada por um 
outro membro da família. Freqüentemente em uma geração posterior este representa ou 
imita inconscientemente aquele que foi excluído ou esquecido. 
c. Vantagens às custas de outrem serão compensadas muitas vezes somente em uma 
geração posterior. 
d. Os membros anteriores têm precedência sobre os posteriores . Por isso quando um 
membro posterior se eleva sobre um anterior ele paga muitas vezes através do fracasso ou 
queda. 
5. Finalmente existem muitas indicações que os mortos atuam sobre os vivos , ou de um modo ruim se 
são excluídos ou temidos, ou de modo benévolo, se são chorados, honrados e depois deixados em paz. 
A Constelação Familiar como a entendo e pratico, traz então à luz, no sentido das idéias básicas aqui 
apresentadas, onde estamos emaranhados e quais são os passos que conduzem ao desenredamento e 
solução. Todos estes passos têm a ver com o respeito pelos outros. Os assassinos são uma exceção. 
Devemos deixá-los partir do sistema para que possam juntar-se às suas vítimas. Ali eles encontram a paz. 
 
Constelações Familiares - Visão geral 
 
Resumo da história do trabalho com as Constelações Familiares 
 
O trabalho com as Constelações Familiares "segundo Hellinger" em sua forma atual foi desenvolvida nos 
últimos 15 anos por Bert Hellinger. Baseia-se no pensamento sistêmico que teve seu início com Gregory 
Bateson nos últimos 30 anos e que já foi também colocado em prática e desenvolvido por outros 
terapeutas. 
Para o tratamento terapêutico de um cliente é, portanto, necessário que sua família, o sistema em que está 
conectado seja levado em consideração. Em psicodramas o psiquiatra americano de ascendência rumena 
Jakob Moreno descobriu através do teatro o significado das ligações sociais de seus clientes. Reconheceu 
que os problemas e distúrbios psíquicos de um ser humano têm relação com o seu ambiente. Da 
americana Virginia Satir, assistente social em Palo Alto provém a reconstrução familiar e e a escultura 
familiar (entretanto não é idêntica à Constelação Familiar segundo Hellinger). Todos os membros da 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 28 - 
família trabalham em conjunto a sua ligação à cadeia das gerações e como podem se libertar dos encargos 
assumidos da família. 
Impulsos importantes provém também do trabalho de Ivan Bosyomenyi-Nagy que derivam do 
pensamento de Martin Buber e acentua o equilíbrio necessário entre o dar e o receber nos 
relacionamentos humanos. 
Paralelamente a estas evoluções Bert Hellinger trabalha com cada um dos clientes e sua imagem interna 
da família como esta se apresenta nas percepções dos representantes que foram colocados nas 
constelações familiares. Ele designa a postura fundamental e o procedimento terapêutico que se 
desenvolve a partir daí como fenomenológico. 
A realidade profundamente comovente deste trabalho pode ser apreendida apenas através da própria 
participação em uma constelação familiar. 
Bert Hellinger descreve seu método de trabalho em uma Introdução ao Trabalho com as Constelações 
Familiares , que escreveu para esta homepage. 
 
Constelações Familiares segundo Bert Hellinger 
O Trabalho com as Constelações Familiares – Uma introdução de Bert Hellinger 
 
O caminho do conhecimento 
 
Dois movimentos nos levam ao conhecimento. O primeiro se estende e quer abarcar algo até então 
desconhecido para dele se apropriar e dele dispor. O esforço científico pertence a esse tipo e sabemos 
quanto ele transformou, assegurou e enriqueceu o nosso mundo e a nossa vida. O segundo movimento se 
origina quando nos detemos, durante nosso esforço em abarcar o desconhecido, e dirigimos o olhar, não 
mais para um determinado objeto palpável, mas para um todo. Assim, o olhar está disposto a receber, 
simultaneamente, a diversidade que se encontra à sua frente. Quando nos deixamos levar por esse 
movimento, por exemplo, diante de uma paisagem, uma tarefa ou um problema, notamos como nosso 
olhar fica, ao mesmo tempo, pleno e vazio. Pois só podemos nos expor à plenitude e suportá-la, quando 
prescindimos primeiramente dos detalhes. 
Assim, detemo-nos em nosso movimento exploratório e nos retraímos um pouco, até atingirmos aquele 
vazio que pode resistir à plenitude e à diversidade. Esse movimento, que primeiramente se detém e depois 
se retrai, chamo de fenomenológico. Ele nos conduz a conhecimentos distintos daqueles obtidos pelo 
movimento do conhecimento exploratório. Contudo, ambos se completam. Pois também no movimento 
do conhecimento científico exploratório precisamos, às vezes, deter-nos e dirigir nosso olhar, do estreito 
ao amplo, do próximo ao distante. Por sua vez, o conhecimento resultante do procedimento 
fenomenológico precisa ser verificado no indivíduo e no próximo. 
 
O processo 
 
No caminho do conhecimento fenomenológico, expomo-nos, dentro de um determinado horizonte, à 
diversidade dos fenômenos, sem escolher entre eles e nem avaliá-los. Esse caminho do conhecimento 
exige, portanto, umesvaziar-se, tanto em relação às idéias preexistentes quanto aos movimentos internos, 
sejam eles da esfera do sentimento, da vontade ou do julgamento. Nesse processo, a atenção é 
simultaneamente dirigida e não dirigida, centrada e vazia. A postura fenomenológica requer uma 
prontidão tencionada para a ação, sem passar, entretanto, à execução. Graças a essa tensão, tornamo-nos 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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extremamente capazes e prontos para perceber. Quem a suporta percebe, depois de algum tempo, como a 
diversidade presente no horizonte se dispõe em torno de um centro e, de repente, reconhece uma conexão, 
uma ordem talvez, uma verdade ou o passo que leva adiante. Esse conhecimento provém igualmente de 
fora, é vivenciado como uma dádiva e é, via de regra, limitado. 
 
O Trabalho com as Constelações Familiares 
 
O que o procedimento fenomenológico possibilita e requer pode ser experimentado e descrito de modo 
especialmente marcante através do trabalho com as constelações familiares. Pois a colocação da 
constelação familiar é, por um lado, o resultado de um caminho do conhecimento fenomenológico e, por 
outro lado, o procedimento fenomenológico obtém resultado, quando se trata do essencial, apenas através 
da contenção e confiança na experiência e compreensão por ele possibilitado. 
 
O cliente 
 
O que acontece quando um cliente coloca a sua família na psicoterapia? Em primeiro lugar, escolhe entre 
as pessoas de um grupo, representantes para os membros de sua família. Portanto, para o pai, para a mãe, 
para os irmãos e para si mesmo, não importando quem ele escolhe para representar os diversos membros 
de sua família. Na verdade, é melhor ainda se escolher os representantes independentemente de 
aparências externas e sem uma determinada intenção. Isto já é o primeiro passo em direção a uma 
contenção e uma renúncia a intenções e velhas imagens. 
Quem escolhe seguindo aspectos exteriores, por exemplo, idade ou características corporais não se 
encontra numa postura aberta para o essencial e invisível. Limita a força expressiva da colocação através 
de considerações externas. Com isso a colocação de sua constelação familiar já pode estar, para ele, talvez 
fadada ao fracasso. Por isso também não importa e algumas vezes é melhor que o terapeuta escolha os 
representantes e deixe o cliente montar com estes a sua família. Porém, o que deve ser considerado é o 
sexo das pessoas escolhidas, isto é, que homens sejam escolhidos para representar os homens e mulheres 
para as mulheres. 
Escolhidos os representantes o cliente coloca-o no espaço um em relação ao outro. No momento da 
colocação é de grande ajuda que ele os segure com ambas as mãos pelos ombros e assim em contato com 
eles os posicione em seu lugar. Durante a montagem permanece centrado, prestando atenção ao seu 
movimento interior, seguindo-o até sentir que o lugar para onde conduziu o representante seja o certo. 
Durante a colocação está em contato não somente consigo e com o representante, senão também com uma 
esfera, recebendo daí também sinais que o ajudarão a encontrar o lugar certo para essa pessoa. Prossegue 
assim com os outros representantes até que todos se encontrem em seus lugares. Durante este processo o 
cliente está , por assim dizer, esquecido de si mesmo. 
Desperta deste esquecimento de si mesmo quando todos estão posicionados. Algumas vezes é de ajuda 
quando, em seguida, dá uma volta e corrije o que ainda não está totalmente certo. Senta-se então. 
Podemos perceber imediatamente quando alguém não se encontra nesta postura de esquecimento de si 
mesmo e contenção. Por exemplo, quando prescreve para cada um dos representantes uma determinada 
postura corporal no sentido de uma escultura, ou quando monta a constelação muito depressa como se 
seguisse uma imagem preconcebida ou quando se esquece de colocar uma pessoa, ou quando declara que 
uma pessoa já está em seu lugar certa sem tê-la posicionado concentradamente. 
Uma constelação familiar que não foi montada deste modo concentrado termina num beco sem saída ou 
de forma confusa. 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O terapeuta 
 
O terapeuta precisa também se libertar de suas intenções e imagens a fim de que a colocação de uma 
constelação familiar tenha êxito. Na medida em que se contém e se expõe centrado à constelação familiar, 
reconhece imediatamente se o cliente quer influenciá-lo através de imagens preconcebidas ou esquivar-se 
daquilo que começa a se mostrar. Então ele ajuda-o a se centrar e o conduz a um estado de disposição 
para que se exponha ao que está acontecendo. Se isso não for possível, pára com a colocação. 
 
Os representantes 
 
Exige-se também dos representantes uma contenção interna de suas próprias idéias, intenções e medo. 
Isso significa que eles devem observar exatamente as mudanças que se manifestam em seu estado 
corporal e seus sentimentos enquanto são colocados. Por exemplo, que o coração bate mais depressa, que 
querem olhar para o chão, que se sentem repentinamente pesados ou leves, ou estão com raiva ou tristes. 
É também de grande ajuda quando prestam atenção às imagens que emergem e que ouçam os sons e 
palavras que afloram. 
Por exemplo, um americano que estava começando a aprender alemão, ouvia constantemente durante uma 
colocação familiar na qual ele representava um pai a sentença alemã: "Diga Albert". Mais tarde ele 
perguntou ao cliente se o nome Albert tinha algum significado para ele. "Mas é claro", foi a resposta “, é 
o nome do meu pai, do meu avô e Albert é o meu segundo prenome." 
Uma outra pessoa que representava em uma constelação o filho de um pai que havia morrido em um 
acidente de helicóptero ouvia constantemente o ruído do rotor de um helicóptero. Certa vez este filho 
tinha sido o piloto de um helicóptero em que estava também o pai. O helicóptero caiu, mas os dois 
sobreviveram. Para que essa postura obtenha resultado são naturalmente necessárias uma grande 
sensibilidade e uma enorme prontidão para se distanciar de suas próprias idéias. E o terapeuta precisa ser 
muito cauteloso para que as fantasias dos representantes não sejam captadas como percepções. Tanto o 
terapeuta quanto os representantes podem escapar mais facilmente deste perigo quanto menos 
informações tiverem sobre a família. 
 
As perguntas 
 
A percepção fenomenológica obtém melhores resultados quando se pergunta só o essencial, diretamente 
antes da colocação familiar. As perguntas necessárias são: 
1. Quem pertence à família? 
2. Existem natimortos ou membros da família que morreram precocemente ? Houve na família 
destinos especiais, por exemplo deficientes? 
3. Algum dos pais ou avós tiveram anteriormente um relacionamento firme, portanto, foi noivo(a), 
casado(a) ou teve de alguma forma um relacionamento longo e significante? 
Uma anamnésia extensa dificulta, via de regra, a percepção fenomenológica tanto do terapeuta como 
também dos representantes. Por isso o terapeuta recusa também conversas prévias ou questionários que 
vão além das perguntas mencionadas. Pelo mesmo motivo os clientes não devem dizer nada durante a 
colocação nem os representantes devem fazer perguntas de qualquer tipo para os clientes. 
 
Centrar-se em si mesmo 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Alguns representantes são tentados a extrair da imagem externa da constelação o que sentem em vez de 
prestar atenção à sua percepção corporal e ao seu sentimento interno imediato. Por exemplo, o 
representante de um pai dissera que se sentia confrontado pelos filhos porque estestinham sido colocados 
à sua frente. Entretanto, quando prestou atenção ao seu sentimento interior imediato, percebeu que estava 
se sentindo bem. Ele se desviara de sua percepção imediata por causa da imagem externa. Algumas vezes, 
quando um representante sente algo que lhe parece indecoroso, não o menciona. Por exemplo, que ele, 
como pai, sente uma atração erótica pela filha. Ou uma representante não se arrisca a dizer que ela, como 
mãe, se sente melhor quando um de seus filhos quer seguir um membro da família na morte. 
O terapeuta presta atenção, portanto, aos leves sinais corporais, por exemplo, um sorriso ou um 
revezamento, ou uma aproximação involuntária das pessoas. Quando comunica tais percepções os 
representantes podem verificar novamente a sua própria percepção. Alguns representantes fazem também 
afirmações amáveis porque pensam que com isso poderão ajudar ou consolar o cliente. Tais 
representantes não estão em contato com o que acontece e o terapeuta deve substitui-los por outros 
imediatamente. 
 
Os sinais 
 
Um terapeuta que não se mantém constantemente durante a situação inteira em sua percepção centrada, 
isto é, sem intenção e sem medo, é levado, muitas vezes através de afirmações de primeiro plano a um 
caminho errado ou a um beco sem saída. Com isso os outros representantes ficam também inseguros. 
Existe um sinal infalível se uma colocação familiar está no caminho certo ou não. Quando começa a se 
perceber no grupo observador inquietação e a atenção diminui, a colocação não tem mais chance. Nesse 
caso, quanto mais depressa o terapeuta interromper o trabalho tanto melhor. 
A interrupção permite a todos os participantes concentrar-se novamente e depois de algum tempo 
recomeçar o trabalho. Algumas vezes o grupo observador também apresenta sugestões que levam adiante. 
Entretanto isto deve ser apenas uma observação. Se tentarem somente adivinhar ou interpretar, isso 
aumenta a confusão. Então o terapeuta também deve parar a discussão e reconduzir o grupo à 
concentração e seriedade. 
 
A abertura 
 
Tratei minuciosamente destas formas de procedimento e dos obstáculos que podem surgir a fim de por 
limites às colocações feitas levianamente. Senão o trabalho com as constelações familiares pode cair 
facilmente em descrédito. Alguns procedem de outra forma nas constelações familiares. Se isso ocorrer a 
partir de uma atenção centrada pode obter bons resultados. Entretanto, se ocorrer somente por uma 
necessidade de delimitação ou para ganhar prestígio à abertura fenomenológica fica limitada devido às 
intenções. 
A melhor forma de adquirir prestígio é quando se tem novas percepções que podem ser comprovadas 
pelos resultados e nas quais se deixa também outros participarem. Se, entretanto, a delimitação segue 
idéias teóricas ou é influenciada por intenções e medos que se recusam em concordar com a realidade que 
se mostra, isto leva à perda da prontidão para apreender, com as respectivas conseqüências para o efeito 
terapêutico. Se a colocação da constelação familiar for feita só por curiosidade ela perde a sua seriedade e 
força. Restam, então, do fogo talvez apenas as cinzas e do vestido apenas a cauda. 
 
O início 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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De volta agora ao trabalho com as constelações familiares. A questão que o terapeuta deve decidir, em 
primeiro lugar, é: 
Coloco a família atual ou a de origem? 
Deu bons resultados começar com a família atual. Pois, dessa maneira, pode-se colocar mais tarde aquelas 
pessoas da família de origem que ainda agem fortemente na família atual. Obtém-se assim uma imagem 
em que as influências que sobrecarregam e curam através das várias gerações ficam visíveis e podem ser 
sentidas. Unicamente quando os destinos da família de origem são especialmente trágicos é que se 
começa com a família de origem. 
A próxima pergunta é: 
Com quem começo a colocação? 
Começa-se com o núcleo familiar, portanto, pai, mãe e filhos. Se existe um natimorto ou uma criança que 
morreu precocemente, coloca-se esta criança mais tarde para poder ver qual o efeito que tem na família 
quando está à vista. A regra é começar com poucas pessoas, deixar-se conduzir por elas e desenvolver 
passo a passo à constelação. 
 
O procedimento 
 
Quando a primeira imagem é configurada dá-se ao cliente e aos representantes um pouco de tempo para 
que se exponham a ela, deixando-a atuar. Muitas vezes os representantes começam a reagir 
espontaneamente, por exemplo, começam a tremer ou chorar ou abaixam a cabeça, respiram com 
dificuldade ou olham com interesse ou apaixonadamente para alguém. Alguns terapeutas perguntam aos 
representantes muito depressa como eles estão se sentindo, impedindo ou interrompendo dessa maneira 
este processo. 
Quem faz perguntas aos representantes apressadamente, utiliza este procedimento facilmente como 
substituto para a sua própria percepção, tornando os representantes inseguros também. O terapeuta deixa, 
em primeiro lugar, a imagem atuar também sobre ele. Freqüentemente vê imediatamente qual a pessoa 
que está mais carregada ou em perigo. Se, por exemplo, ela foi colocada de costas ou de lado, o terapeuta 
vê que ela quer partir ou morrer. Apenas precisa, sem perguntar nada a ninguém, dirigi-la uns poucos 
passos à frente na direção em que está olhando e prestar atenção ao efeito que esta mudança provoca nela 
e nos outros representantes. 
Ou se todos os representantes olham para uma mesma direção o terapeuta sabe, imediatamente, que 
alguém deve estar na frente deles: uma pessoa que foi esquecida ou excluída. Por exemplo, uma criança 
que morreu precocemente ou um noivo anterior da mãe que morreu na guerra. Então ele pergunta ao 
cliente quem poderia ser e coloca a pessoa no quadro antes que qualquer um dos representantes tenha dito 
algo. 
Ou quando a mãe está cercada pelos filhos dando a impressão de que eles estão impedindo as suas 
partida, o terapeuta pergunta ao cliente imediatamente: O que aconteceu na família de origem da mãe que 
possa esclarecer esta atração por partir. Então ele procura, em primeiro lugar, um alívio e solução para a 
mãe antes de continuar a trabalhar com os outros representantes. 
O terapeuta desenvolve, portanto, os próximos passos a partir da colocação inicial e busca informações 
adicionais do cliente para o próximo passo, sem fazer ou perguntar nada além do que ele precise para este 
passo. Com isso a constelação mantém a concentração no essencial e a sua especial densidade e tensão. 
Cada passo desnecessário, cada pergunta desnecessária, cada pessoa adicional que não seja necessária 
para a solução diminui a tensão e desvia a atenção das pessoas e dos acontecimentos importantes. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Constelações familiares densas 
 
Freqüentemente é suficiente colocar somente dois representantes, por exemplo, a mãe e o filho com aids. 
O terapeuta nem precisa então dar maiores instruções. Deixa os representantes seguir os movimentos que 
resultam do campo de forças entre eles, entretanto sem nada dizer. Assim ocorre um drama mudo, no qual 
vem à luz não somente os sentimentos das pessoas participantes mas também emergem um movimento 
que mostra quais os passos que são possíveis ou adequados para ambos. 
 
O espaço 
 
Aqui se apresenta o mais surpreendente efeito da postura fenomenológica e sua forma de procedimento. 
A contenção centrada do terapeuta e do grupo participante cria o espaço no qual relacionamentos e 
emaranhamentos vêm à tona. Eles se movimentam em direção a uma solução dando a impressão de que 
os representantes são movidos por umaforça poderosa exterior. 
Esta força serve-se deles e deixa parecer muitas das usuais suposições psicológicas e filosóficas 
insuficientes e falhas. 
 
A participação 
 
Em primeiro lugar vê-se que existe obviamente um conhecimento através da participação. Os 
representantes comportam-se e se sentem como as pessoas que representam embora nem eles nem o 
terapeuta possuam informações prévias que vão além dos fatores e acontecimentos externos mencionados 
anteriormente. Muitas vezes o cliente fica estupefado que os representantes expressam as mesmas coisas 
que conhece das pessoas reais ou que mostram os mesmos sentimentos e sintomas que as pessoas reais 
têm. Por isso pode-se concluir que os membros reais da família também possuem este conhecimento 
através da participação de modo que nada de significativo permanece oculto à sua alma. 
Há pouco tempo uma conhecida de uma mulher relatou que o seu pai era judeu e que tinha ocultado este 
fato de seus filhos, batizando-se. Ela tomara conhecimento disto pouco antes de sua morte. Nesta 
oportunidade soube também que o pai tinha ainda duas irmãs que haviam morrido em um campo de 
concentração. Esta mulher tivera muitas profissões, uma atrás da outra. Primeiro tinha sido uma 
camponesa, depois foi restauradora de velhos móveis antes de escolher a sua atual profissão de terapeuta. 
Quando então pesquisou sobre as circunstâncias da vida de suas duas tias mortas veio à tona que uma 
delas administrara uma fazenda e a outra uma loja de antiguidades. Sem ter conhecimento disto tinha 
seguido as duas através de suas profissões, ligando-se desse modo a elas. 
 
O campo de forças 
 
O esclarecimento para isso permanece um mistério. Rupert Sheldrake provou através de observações e 
muitas experiências que cães demonstram através de seu comportamento que sentem imediatamente 
quando seu dono ou dona que estão ausentes se põem a caminho de casa e que percebem imediatamente 
quando este caminho é interrompido. Sentem também, algumas vezes, através dos continentes. Portanto, 
deve existir um campo de forças através do qual ambos estão diretamente ligados. 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Os mortos 
 
Nas constelações familiares torna-se ainda mais evidente através do comportamento dos representantes e 
com isso, naturalmente, através do comportamento e dos destinos dos membros reais da família que eles 
estão ligados às pessoas que já faleceram há muito tempo. Como poder-se-ia de outra forma ser 
esclarecido que numa família, durante os últimos 100 anos, três homens de várias gerações tenham se 
suicidado com 27 anos de idade no dia 31 de dezembro e pesquisas revelaram que o primeiro marido da 
bisavó tinha falecido com 27 anos no dia 31 de dezembro e tinha sido provavelmente envenenado pela 
bisavó e seu segundo marido? 
 
A alma 
 
Aqui atua mais do que um campo de forças. Aqui atua uma alma comum que liga não somente os vivos 
mas também os membros falecidos da família. Esta alma abarca somente certos membros familiares e nós 
podemos ver pelo alcance de sua atuação quais os membros da família que foram por ela abrangidos e 
tomados a seu serviço. 
Começando pelos descendentes são os seguintes: 
1. os filhos, inclusive os natimortos e os falecidos, 
2. os pais e seus irmãos, 
3. os avós, 
4. algumas vezes ainda um ou outro avô ou avó e também ancestrais que estão ainda mais longe 
5. todos - e isto é especialmente significativo - aqueles que deram lugar para a vantagem dos 
membros mencionados anteriormente, principalmente parceiros anteriores dos pais ou avós, e 
todos aqueles que através de sua infelicidade ou morte a família teve vantagem ou lucro. 
6. as vítimas de violência ou morte causadas por membros anteriores dessa família. 
Sobre os dois últimos grupos mencionados gostaria de comunicar o que experiências recentes trouxeram à 
luz. Nas colocações das constelações familiares de descendentes de pessoas que acumularam uma grande 
riqueza, chamou-me a atenção que netos e bisnetos têm tido destinos terríveis que não podem ser 
entendidos somente pelos acontecimentos dentro da família. 
Somente depois que as vítimas cuja morte ou infelicidade havia sido o preço para esta riqueza foram 
colocadas na constelação veio à tona a extensão da atuação dos destinos destas pessoas na família. 
Exemplos para estes casos: trabalhadores que morreram na construção de ferrovias ou sondagens de 
petróleo, cuja contribuição para a riqueza e bem-estar dos industriais não tinha sido reconhecida e 
valorizada. Em muitas colocações de descendentes de assassinos, por exemplo, agressores nazistas do 3° 
Reich pôde-se ver que os netos e bisnetos queriam se deitar junto às vítimas e com isso corriam extremo 
risco de se suicidar. 
A solução para ambos os grupos era a mesma. As vítimas devem ser vistas e respeitadas por todos os 
membros da família. Todos devem reverenciá-las, inclinando-se diante delas, sentir tristeza e chorar por 
elas. Depois disso, os ganhadores e agressores originais devem se deitar ao lado das vítimas e os outros 
membros da família devem deixá-los aí. Só assim os descendentes ficam livres. Aqui fica evidente que os 
membros da família se comportam como se tivessem uma alma comum e como se fossem chamados a 
serviço por uma instância comum preordenada e como se esta instância servisse uma certa ordem e 
seguisse um certo objetivo. 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O amor 
 
Em primeiro lugar podemos ver que a alma liga os membros da família uns aos outros. Isso vai tão longe 
que a alma de uma criança anseia seguir na morte o pai que morreu cedo ou a mãe que morreu cedo. Pais 
ou avós também desejam às vezes seguir na morte um(a) filho(a) ou um(a) neto(a). Podemos observar 
esse anseio também entre parceiros. Se um deles morre o outro freqüentemente também não quer mais 
viver. 
 
O equilíbrio 
 
Em segundo lugar, podemos ver que existe em uma família uma necessidade de equilíbrio entre o ganho e 
a perda que abarca várias gerações. Isto é, os que ganharam às custas de outros pagam com uma perda 
compensando assim o que ganhou. Ou, se no caso do ganhadores se tratarem de agressores, geralmente 
não são eles que pagam, senão os seus descendentes. Estes são escolhidos pela alma da família para 
compensar no lugar de seus antecedentes, freqüentemente sem que tenham consciência disso. 
 
A precedência dos antecedentes 
 
A alma da família, portanto, dá preferência aos antecedentes em relação aos descendentes, sendo este o 
terceiro movimento ou a ordem que a alma da família segue. Um descendente ou está disposto a morrer 
por um antepassado se achar que com isso pode evitar a morte dele ou está disposto a expiar a culpa 
pendente de um membro familiar anterior. Ou uma filha representa a mulher anterior de seu pai e se 
comporta em relação ao pai como se fosse a sua parceira e como rival em relação à mãe. Se a mulher 
anterior foi injustiçada, então a filha apresenta os sentimentos dessa mulher perante os pais. 
 
A totalidade 
 
Aqui podemos ver também o quarto movimento e a ordem que a alma da família segue. Ele vela para que 
a família esteja completa e restaura a sua totalidade com o auxílio de descendentes para representar os que 
foram esquecidos, rejeitados ou excluídos. Resumi aqui, de modo sucinto, os movimentos da alma da 
família, as leis e as ordens que ela segue. Eu os descrevo minuciosamente em meu livro “Die Mitte fühlt 
sich leicht an" ("No centro sentimos com leveza") nos capítulos "Culpa e Inocência em Sistemas", "Os 
Limites da Consciência" e "Corpo e Alma, Vida e Morte" assim como emmeu livro "Ordnungen der 
Liebe" ("As Ordens do Amor") no capítulo "Do Céu que provoca Doenças e da Terra que cura". 
 
As soluções 
 
As questões são as seguintes: 
Como o terapeuta encontra uma solução para o cliente? 
O que é aqui o procedimento fenomenológico? 
Ele vai do próximo ao distante e do estreito ao amplo. Isto é, em vez de olhar somente para o cliente o 
terapeuta olha para a sua família e, em vez de olhar somente para o cliente e sua família ele olha para 
além deles, para um campo de forças e para a alma que os abarca. Pois é evidente que o indivíduo e sua 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 36 - 
família estão integrados em um campo de forças maior e em uma grande alma e são usados e tomados a 
seu serviço. 
Da mesma forma que o reconhecimento do problema e as soluções possíveis só surgem freqüentemente 
através da ligação com algo maior. Por isso se quero ajudar a alma do cliente eu a vejo governada pela 
alma da família. Mas se olhar aqui somente para o cliente e sua família, reconheço, talvez , as ordens e 
leis que levam a emaranhamentos. Entretanto, somente apreendo onde estão as soluções se encontro um 
acesso ao campo de forças e dimensões da alma que ultrapassam o indivíduo e a sua família. 
Não podemos influenciar estas dimensões da alma. Nós podemos somente nos abrir. Porque quando se 
tratar de algo decisivo, a compreensão das imagens, frases e passos que solucionam e curam nos será 
presenteada por esta alma. O terapeuta abre-se para a atuação desta grande alma através do recolhimento 
total de suas intenções e sua consideração pelo que ele talvez receie, inclusive o receio de fracassar. Então 
surge repentinamente uma imagem ou uma palavra ou uma frase que lhe possibilita dar o próximo passo. 
No entanto é sempre um passo no escuro. 
Apenas no final é que se releva se foi o passo certo que inverte a necessidade. Através da postura 
fenomenológica entramos, portanto, em contato com estas dimensões da alma. Isto é, mais através da não-
ação centrada do que através da ação. Através de sua presença centrada o terapeuta ajuda também o 
cliente a adquirir esta postura, a compreensão e a força que daí advêm. Muitas vezes o cliente não agüenta 
esta compreensão e se fecha a ela novamente. O terapeuta também concorda com isso, através de seu 
recolhimento. Também aqui ele não se deixa envolver nem através de uma reivindicação interna nem 
externa no destino do cliente e de sua família. 
Pode parecer duro, mas o resultado da experiência mostra que cada compreensão que foi presenteada 
desta forma é incompleta e temporária, tanto para o terapeuta quanto para o cliente. 
Retorno, no final, ao começo “à diferença entre o caminho do conhecimento científico e do 
fenomenológico. Eu a sintetizei num poema já há alguns anos atrás. Ele se chama”: 
 
Palestra de Bert Hellinger em São Paulo 
Agosto de 1999 
Para que o Amor dê Certo 
 Sumário 
 Ordem e amor (poema) 
 Tomar a vida 
 E algo que é próprio 
 O mesmo (poema) 
 Aceitar tudo o mais que nossos pais nos dão 
 O tamanho de criança 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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 Receber e exigir 
 A equiparação 
 O grupo familiar 
 O direito de pertencer 
 Os excluídos são representados 
 A solução 
 A imagem mágica do mundo e suas conseqüências 
 Homens e Mulheres 
 O vínculo 
 A ordem de precedência 
 Dois modos de ser feliz (uma história) 
 
Sumário 
 
Muita gente julga que o amor tem o poder de superar tudo, que é preciso apenas amar 
bastante e tudo ficará bem. Contudo, a experiência mostra que isto não é verdade. Muitos pais 
são forçados a experimentar que, apesar do amor que dão a seus filhos, estes não se 
desenvolvem como eles esperavam. São forçados a ver seus filhos adoecerem, se drogarem 
ou suicidarem, apesar de todo o amor que lhes dão. Para que o amor dê certo, é preciso que 
exista alguma outra coisa ao lado dele. É necessário que haja o conhecimento e o 
reconhecimento de uma ordem oculta do amor. 
 
Ordem e amor 
 
O amor preenche o que a ordem abarca. 
O amor é a água, a ordem é o jarro. 
A ordem ajunta, 
o amor flui. 
Ordem e amor atuam juntos. 
Como uma linda canção obedece às harmonias, 
assim o amor obedece à ordem. 
Assim como o ouvido dificilmente se acostuma 
às dissonâncias, mesmo quando são explicadas, 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 38 - 
assim também nossa alma dificilmente se acostuma 
ao amor sem ordem. 
Muita gente trata essa ordem 
como se ela fosse uma opinião 
que se pode ter ou mudar à vontade. 
Contudo, ela nos preexiste. 
Ela atua, mesmo que não a entendamos. 
Não é inventada, mas encontrada. 
É por seus efeitos que a descobrimos, 
Como descobrimos o sentido e a alma. 
Muitas dessas ordens são ocultas. Não podemos sondá-las. Elas atuam nas profundezas da 
alma, e freqüentemente as encobrimos com pensamentos, objeções, desejos e medos. É 
preciso tocar no fundo da alma para vivenciar as ordens do amor. 
 
Tomar a vida 
 
Direi primeiro alguma coisa sobre as ordens do amor entre pais e filhos e, do ponto de vista da 
criança, isto é, do filho para com seus pais. Aqui menciono algumas verdades banais. Elas são 
tão óbvias que eu quase me envergonho de citá-las. Não obstante, são freqüentemente 
esquecidas. 
O primeiro ponto é que os pais, ao darem a vida, dão à criança, nesse mais profundo ato 
humano, tudo o que possuem. A isso eles nada podem acrescentar, disso nada podem tirar. 
Na consumação do amor, o pai e a mãe entregam a totalidade do que possuem. Pertence 
portanto à ordem do amor que o filho tome a vida tal como a recebe de seus pais. Dela, o filho 
nada pode excluir, nem desejar que não exista. A ela, também, nada pode acrescentar. O filho 
é os seus pais. Portanto, pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele 
diga sim a seus pais como eles são -- sem qualquer outro desejo e sem nenhum medo. Só 
assim cada um recebe a vida: através dos seus pais, da forma como eles são. 
Esse ato de tomar a vida é uma realização muito profunda. Ele consiste em assumir minha vida 
e meu destino, tal como me foi dado através de meus pais. Com os limites que me são 
impostos. Com as possibilidades que me são concedidas. Com o emaranhamento nos destinos 
e na culpa dessa família, no que houver nela de leve e de pesado, seja o que for. 
Essa aceitação da vida é um ato religioso. É um ato de despojamento, uma renúncia a 
qualquer exigência que ultrapasse o que me foi transmitido através de meus pais. Essa 
aceitação vai muita além dos pais. Por esta razão, não posso, nesse ato, considerar apenas os 
meus pais. Preciso olhar para além deles, para o espaço distante de onde se origina a vida e 
me curvar diante de seu mistério. No ato de tomar os meus pais, digo sim a esse mistério e me 
ajusto a ele. 
O efeito desse ato pode ser comprovado na própria alma. Imagina-se se curvando 
profundamente diante de seus pais e dizendo-lhes: “Eu tomo esta vida pelo preço que custou a 
vocês e que custa a mim. Eu tomo esta vida com tudo o que lhe pertence, com seus limites e 
oportunidades". Nesse exato momento, o coração se expande. Quem consegue realizar esse 
ato, fica bem consigo, sente-se inteiro. 
Como contraprova, pode-se igualmente imaginar o efeito da atitude oposta, quando uma 
pessoa diz: "Eu gostaria de ter outros pais. Não os suporto como eles são." Que atrevimento! 
Quem fala assim, sente-se vazio e pobre, não pode estar em paz consigo mesmo. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 39 - 
Algumas pessoas acreditam que, seaceitarem plenamente seus pais, algo de mal poderá 
infiltrar-se nelas. Assim, não se expõem à totalidade da vida. Com isto, contudo, perdem 
também o que é bom. Quem assume seus pais, como eles são, assume a plenitude da vida, 
como ela é. 
 
E algo que é próprio 
 
Mas aqui existe ainda um mistério que não posso justificar. Com efeito, cada um experimenta 
que também tem em si algo de único, algo que é inteiramente próprio, irrepetível, e não pode 
ser derivado de seus pais. Isso também ele precisa assumir. Pode ser algo de leve ou de 
pesado, algo de bom ou de mau. Isto não pode julgar. 
A pessoa que encara o mundo e sua própria vida com olhos desimpedidos pode ver que tudo o 
que ela faz obedece a uma ordem. Tudo o que ela faz ou deixa de fazer, tudo o que ela apóia 
ou combate, ela o realiza porque foi encarregada de um serviço que ela própria não entende. 
Aquele que se entrega a tal serviço, experimenta-o como uma tarefa ou como um chamado, 
que não se baseia nos próprios méritos nem na própria culpa (quando for algo de pesado ou 
cruel). Ele foi simplesmente tomado a serviço. 
Quando contemplamos o mundo desta maneira, cessam as diferenças habituais. 
Falei até aqui sobre a ordem fundamental da vida. Foram-nos concedido termos pais e sermos 
filhos. E temos também algo de próprio. 
 
Aceitar tudo o mais que nossos pais nos dão 
 
Na verdade, os pais não dão aos filhos apenas a vida. Eles nos dão também outras coisas: 
alimentam-nos, educam-nos, cuidam de nós e assim por diante. Convém à criança que ela 
tome tudo isso, da forma como o recebe. Quando a criança o aceita de bom grado, costuma 
bastar. Existem exceções, que todos conhecemos, mas via de regra é suficiente. Pode não ser 
sempre o que desejamos, mas é o bastante. 
Nesse particular, pertence à ordem que o filho diga a seus pais: "Eu recebi muito. Sei que é 
muito, é o bastante. Eu o tomo com amor". Então ele se sente pleno e rico, seja qual for à 
situação. Então ele acrescenta: "o resto, eu mesmo faço". Isto também é um belo pensamento. 
Finalmente, o filho ainda pode dizer aos pais: "E agora eu os deixo em paz". O efeito destas 
frases vai muito fundo: agora o filho tem seus pais e os pais têm o filho. Pais e filho estão 
simultaneamente separados e felizes. Os pais concluíram sua obra e a criança está livre para 
viver sua vida, com respeito pelos seus pais mas sem dependência. 
Imaginem agora a situação contrária, quando o filho diz aos pais: "O que vocês me deram foi 
errado e foi muito pouco. Vocês ainda estão me devendo muito". O que esse filho tem de seus 
pais? Nada. E o que têm dele os pais? Igualmente nada. Esse filho não consegue soltar-se de 
seus pais. Sua censura e sua reivindicação o vinculam a eles, mas de uma forma tal que ele 
não os tem. Ele se sente vazio, pequeno e fraco. 
Esta seria a segunda lei do amor entre filhos e pais. 
 
O tamanho de criança 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Existe algo que os pais adquirem por mérito pessoal. Se a mãe, por exemplo, tem um dom 
especial - suponhamos que ela seja pintora e pinte quadros maravilhosos - então isso pertence 
a ela e não ao filho. Este não pode reivindicar ser também um bom pintor, a não ser que o 
tenha merecido por dotação própria e dedicação pessoal. 
A mesma coisa vale para a riqueza dos pais. O filho não tem o direito de reivindicá-la, como é o 
caso da herança. O que ele vier a receber será puro presente. 
Isto vale ainda para a culpa pessoal dos pais. Também esta pertence exclusivamente a eles. 
Com freqüência, uma criança presume, por amor, tomar sobre si essa culpa, carregá-la em 
nome dos pais. Também isto vai contra a ordem. A criança se arroga um direito que não lhe 
compete. Quando os filhos querem expiar pelos pais, estão se julgando superiores a eles. Os 
pais passam a ser tratados como crianças, cuidadas por seus próprios filhos, que assumem o 
papel de pais. 
Uma senhora, que recentemente participou de um grupo meu, tinha um pai cego e uma mãe 
surda. Os dois se completavam bem, mas a filha achava que devia cuidar deles. Quando 
montei a constelação de sua família, ela se comportou como se fosse ela a pessoa grande. 
Porém sua mãe lhe disse: "Esse assunto com seu pai eu resolvo sozinha". E o pai lhe disse: 
"Esse assunto com sua mãe eu resolvo sozinho. Não precisamos de você para isso". Aquela 
senhora ficou muito desapontada, porque foi reduzida ao seu tamanho de criança. 
Na noite seguinte, ela não conseguiu dormir. Aliás, ela sentia uma grande dificuldade para 
adormecer. Perguntou-me se eu podia ajudá-la. Respondi: "Quem não consegue dormir talvez 
esteja pensando que precisa vigiar". Contei-lhe então a história de Borchert sobre o menino de 
Berlim que, no fim da guerra, tomava conta de seu irmão morto, para que os ratos não o 
comessem. O menino estava esgotado, porque achava que devia ficar vigiando. Nisto, passou 
por ali um senhor simpático que lhe disse: "Mas os ratos dormem à noite". E a criança 
adormeceu. 
Na noite seguinte, aquela senhora dormiu melhor. 
Portanto, a ordem do amor entre filhos e pais estabelece, em terceiro lugar, que respeitemos o 
que pertence pessoalmente a nossos pais e o que eles podem e devem fazer sozinhos. 
 
Receber e exigir 
 
A ordem do amor entre pais e filhos envolve ainda um quarto elemento. Os pais são grandes, 
os filhos pequenos. Assim, o certo é que os pais dêem e os filhos recebam. Pelo fato de 
receber tanto, o filho sente a necessidade de pagar. Dificilmente suportamos quando 
recebemos algo sem dar algo em troca. Mas, em relação a nossos pais, nunca podemos 
compensar. Eles sempre nos dão muito mais do que podemos retribuir. 
Alguns filhos querem escapar da pressão de retribuir e dos sentimentos de obrigação ou de 
culpa. Eles dizem então: "Prefiro nada receber, assim não sinto obrigação nem culpa". Esses 
filhos se fecham para seus pais e, nessa mesma medida, sentem-se pobres e vazios. Pertence 
à ordem do amor que os filhos digam: "Eu recebo tudo com amor". Assim, eles irradiam 
contentamento para os pais, e estes percebem a felicidade deles. Esta é uma forma de receber 
que é simultaneamente uma compensação, porque os pais se sentem respeitados por esse 
receber com amor. Eles dão, então, com um prazer ainda maior. 
Quando, porém, os filhos dizem: "Vocês têm que me dar mais", o coração dos pais se fecha. 
Por causa da exigência do filho, eles não podem mais cumulá-lo de amor. Este é o efeito de 
tais reivindicações. Esse filho, por sua vez, mesmo quando recebe alguma coisa, não 
consegue tomar o que exigiu. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 41 - 
 
A equiparação 
 
A verdadeira equiparação entre o dar e o tomar na família consiste em passar adiante o dom. 
Quando a criança diz: "Eu tomo tudo, e quando eu crescer, eu darei por minha vez", os pais 
ficam felizes. A criança, no seu dar, não olha para trás, mas para frente. Os pais fizeram o 
mesmo. Eles receberam de seus pais e deram a seus filhos. Justamente pelo fato de terem 
recebido tanto, sentem-se pressionados a dar, e podem igualmente fazê-lo. 
Até aqui, falei das ordens do amor entre filhos e pais. 
 
O grupo familiar 
 
Entretanto, nossa vinculação não se limita aos pais. Pertencemos também a um grupo familiar, 
a uma estirpe, um sistema maior. O grupo familiar se comporta como se fosse dirigido por uma 
instância comum e superior. Ele é comparável a um bando de pássaros em formação. De 
repente, todos mudam a direção do vôo, como se tivessem sido movidos por uma força 
superior comum. 
No grupo familiar, essa instância superior atua quase como um comando (Gewissen) interior 
partilhado por todos, e que atua de modo amplamente inconsciente. Reconhecemos as ordens 
a que obedece pelos bons efeitos de suaobservância e pelos maus efeitos de sua violação. 
Quero citar, para começar, o círculo de pessoas que são abarcadas e dirigidas por esse 
comando interior (Gewissen), cuja amplitude podemos reconhecer por seus efeitos. Estão nele 
incluídos: 
 Todos os filhos, inclusive os que morreram ou foram abortados; 
 Os pais e todos os seus irmãos; 
 Os avós; 
 Eventualmente, algum bisavô ou até mesmo um antepassado ainda mais distante, 
principalmente se teve um destino mau. 
 Incluem-se ainda pessoas sem relação de parentesco, a saber, aquelas de cuja morte 
ou infelicidade pessoas da família se beneficiaram, como são, por exemplo, antigos 
parceiros dos pais e dos avós. 
 
O direito de pertencer 
 
No interior de cada grupo familiar, vale a ordem básica, a lei fundamental: todas as pessoas do 
grupo familiar possuem o mesmo direito de pertencer. Em muitas famílias e grupo familiares, 
determinados membros são excluídos. Alguns dizem, por exemplo: "Esse tio não vale nada, ele 
não pertence a nós", ou então: "Dessa criança ilegítima nada queremos saber". Com isso, 
recusam a essas pessoas o direito de pertencer. 
Existem também os que dizem: "Sou católico, você é evangélico. Como católico, tenho mais 
direito de pertencer que você". Ou inversamente: "Como protestante, tenho mais direito, porque 
minha fé é mais verdadeira. Você é menos crente do que eu, portanto tem menos direito de 
pertencer". Isto não é hoje tão freqüente como antigamente, mas ainda acontece. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 42 - 
Ocorre ainda, quando um filho morre prematuramente, que seus pais dão seu nome ao filho 
seguinte. Com isto, estão dizendo ao primeiro: "Você não pertence à família. Temos um 
substituto para você". Assim o filho morto não conserva nem mesmo o seu próprio nome. Com 
freqüência, não é mais contado nem mencionado. Assim lhe é negado e retirado o direito de 
pertencer. 
O excesso de moral de alguns, que se sentem melhores e superiores a outros, na prática 
significa dizer-lhes: "Tenho mais direito de pertencer que você". Ou, quando alguém condena 
uma pessoa ou a considera má, praticamente está lhe dizendo: "Você tem menos direito de 
pertencer do que eu". "Bom" significa então: "Tenho mais direitos", e "mau" significa: "Você tem 
menos direito". 
 
Os excluídos são representados 
 
Essa lei fundamental, que assegura a todos o mesmo direito de pertencer, não tolera nenhuma 
violação. Quando isso acontece, existe no sistema uma necessidade inconsciente de 
compensação, que faz com que os excluídos ou desprezados sejam mais tarde representados 
por algum outro membro da família, sem que essa pessoa tenha consciência do fato. 
Quando, por exemplo, um homem casado se relaciona com outra mulher e diz à própria 
esposa: "Não quero mais saber de você", inventando falsas razões e cometendo injustiça 
contra ela, e depois se casa com a segunda mulher e tem filhos com ela, sua primeira mulher 
será representada por um desses filhos. Uma menina, por exemplo, combaterá o pai com o 
mesmo ódio da parceira rejeitada, sem que tenha a menor consciência dessa representação. 
Aqui atua uma força secreta de compensação, para que a injustiça feita à primeira pessoa seja 
vingada por uma segunda. 
Muitos acontecimentos infelizes na família como, por exemplo, desvios de comportamento dos 
filhos, doenças, acidentes e suicídios acontecem pelo fato de que um filho inconscientemente 
representa um excluído e quer dar-lhe reconhecimento. Nisso se revela ainda uma outra 
propriedade da instância superior. Ela faz reinar justiça para com aqueles que vieram antes e 
injustiça para os que vêm depois. 
 
A solução 
 
A solução de um tal emaranhamento torna-se possível quando a ordem básica é restabelecida, 
isto é, quando os excluídos voltam a ser acolhidos e respeitados. Neste caso, por exemplo, a 
segunda mulher deveria dizer à primeira: "Eu tenho este homem às suas custas. Eu honro isto 
e reconheço que foi feita injustiça a você. Por favor, queira bem a mim e a meus filhos". Desta 
forma, a primeira mulher é respeitada. Nas constelações familiares, pode-se perceber então 
como se relaxa o rosto da primeira mulher, como ela se torna amigável pelo fato de ser 
respeitada. Com isso, é reconhecido o seu direito de pertencer. 
A solução exige também que a menina, que imita essa mulher, lhe diga interiormente: "Eu 
pertenço apenas à minha mãe e ao meu pai. Aquilo que se passou entre vocês adultos não 
tem nada a ver comigo". Ela diz a seu pai: "Você é meu pai, e eu sou sua filha. Por favor, olhe-
me como sua filha". Então o pai não precisa mais ver nela sua ex-mulher, não precisa mais se 
defrontar com o ódio ou a tristeza que ela possa ter. Ou, se ele ainda a ama, não precisa ver a 
criança como sua amante, mas apenas como sua filha. Então a criança pode ser a filha, e o pai 
pode ser o pai. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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A criança precisa também dizer ao pai: "Esta aqui é a minha mãe. Com sua primeira mulher 
não tenho nada a ver. Eu tomo esta como minha mãe. Esta é para mim a certa". E então ela 
precisa dizer à mãe: "Com a outra mulher eu nada tenho a ver". De outra forma, essa criança 
se tornará uma rival da mãe, e não poderá ser filha. Talvez a mãe veja nela inconscientemente 
a outra mulher, e então mãe e filha entram em conflito como se fossem duas amantes rivais. 
Mas quando a criança diz: "Você é minha mãe e eu sou sua filha, com a outra não tenho nada 
a ver. Eu tomo você como minha mãe", então a ordem é restabelecida. 
Existem contudo emaranhamentos bem mais complicados. Quando, por exemplo, numa 
família, um filho morre prematuramente, os filhos sobreviventes carregam muitas vezes um 
sentimento de culpa pelo fato de estarem vivos, enquanto seu irmão está morto. Acreditam 
que, por estarem vivos, possuem uma vantagem sobre o irmão falecido. Então eles querem 
compensar isto, por exemplo, deixando-se ficar mal, adoecendo ou mesmo desejando morrer, 
sem que saibam por quê. 
Aqui pertence à ordem do amor que eles digam interiormente ao irmão morto: "Você é meu 
irmão (minha irmã). Eu respeito você como meu irmão (minha irmã). Você tem um lugar em 
meu coração. Eu me curvo diante do seu destino, da forma como lhe aconteceu, e digo sim ao 
meu destino, da forma como me foi determinado". Então a criança morta é respeitada, e a outra 
pode permanecer viva sem sentimento de culpa. 
 
A imagem mágica do mundo e suas conseqüências 
 
Por trás da necessidade de compensação, que faz adoecer, atua uma fantasia mágica, a 
saber, que eu posso salvar uma outra pessoa de seu pesado destino, desde que eu tome 
também algo de pesado sobre mim. É o caso da criança que diz à mãe gravemente doente: 
"Antes eu adoeça do que você. Antes morra eu do que você". Ou ainda, quando a mãe quer 
abandonar a vida, um filho se suicida, para que a mãe possa ficar viva. 
Um exemplo disto é a magreza compulsiva. O anoréxico vai se tornando cada vez menor, 
desaparece, por assim dizer, até a morte. Em sua alma, essa criança diz a seu pai ou a sua 
mãe: "Antes desapareça eu do que você". Aqui atua um amor profundo. Mas quando a criança 
morre, qual é o efeito desse amor? Ele é totalmente inútil. 
Quando trabalho com uma pessoa com essa compulsão, faço que olhe nos olhos de seu pai ou 
de sua mãe e diga: "Antes desapareça eu do que você". Quando ela os encara nos olhos a 
ponto de realmente os ver, ela não consegue mais dizer essa frase, porque percebe que o pai 
ou a mãe não aceitará isto dela. É que o amor mágico desconhece o fato de que também a 
outra pessoa ama e que ela recusaria isto, independentemente da inutilidade de tal amor. 
Quando a mãe morre no nascimento de uma criança, é muito difícil para essa criança tomar a 
sua vida. Ela precisariaencarar a mãe nos olhos e dizer: "Mamãe, mesmo por este alto custo 
eu tomo esta vida e faço algo de bom com ela, em sua memória. Você precisa saber que não 
foi em vão". Isto é amor, num nível mais elevado. Ele exige o abandono da fantasia mágica de 
poder interferir no destino de outra pessoa e mudá-lo. Ele exige a passagem de um amor que 
faz adoecer para um amor que cura. 
A fantasia do amor mágico está associada a uma presunção, a um sentimento de poder e 
superioridade. A criança realmente acha que, através de sua doença e de sua morte, pode 
salvar da morte outra pessoa. Renunciar a essa idéia só é possível pela humildade. 
Até aqui falei da ordem do amor na relação entre filhos e pais. 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Homens e Mulheres 
 
Quero também dizer mais alguma coisa sobre a ordem do amor na relação do casal. Este tema 
nos fala mais de perto. Muitos se envergonham disso, como se fosse algo que a gente deveria 
ocultar. Aquilo que diferencia os homens das mulheres, que realmente os diferencia, é 
escondido. Ou, pode-se dizer também, é protegido. Pois é o lugar onde cada um é mais 
vulnerável. É o lugar próprio da vergonha. Vergonha significa, neste contexto, que eu guardo 
alguma coisa, para que nada de mau aconteça. E é o lugar onde nos sentimos mais entregues. 
Alguns falam depreciativamente do instinto sexual e esquecem que ele é a força real e mais 
profunda, que tudo mantém unido e dirige, que toma cada pessoa a seu serviço, sem que ela 
possa se defender. Pela pura razão, ninguém se casaria ou teria filhos. Só esse instinto 
consegue isso. É através dele que estamos em sintonia mais profunda com a alma do mundo. 
Esse instinto é o que existe de mais espiritual. Todo entendimento e toda consideração racional 
empalidecem diante da força que atua por detrás desse instinto. 
A ordem do amor entre homem e mulher exige portanto, em primeiro lugar, que o homem 
admita que lhe falta a mulher, e que ele, por si só, jamais poderá alcançar o que uma mulher 
tem. E exige igualmente que a mulher admita que lhe falta o homem, e que ela, por si só, 
jamais poderá alcançar o que o homem tem. Então ambos se experimentam como incompletos 
e admitem isto. 
Quando o homem admite que precisa da mulher e que só através dela se torna um homem, e 
quando a mulher admite que precisa do homem e só através dele se torna uma mulher, então 
essa carência os liga um ao outro, justamente pelo fato de a admitirem. Então o homem recebe 
o feminino como presente da mulher, e a mulher recebe o masculino como presente do 
homem. 
Imaginem agora um homem que desenvolve em si o feminino e uma mulher que desenvolve 
em si o masculino, como muito considera ideal. Se esse homem quiser se ligar a essa mulher, 
qual será a profundidade dessa relação? No fundo, eles não precisam um do outro. 
Inversamente, quando o homem renuncia ao feminino e a mulher ao masculino, então eles 
precisam um do outro e isto os mantém juntos. 
 
O vínculo 
 
Quando o homem e a mulher se aceitam mutuamente como tais, a consumação de seu amor 
cria um vínculo. Esse vinculo é indissolúvel. Isto nada tem a ver com a doutrina moral da Igreja 
sobre a indissolubilidade do matrimônio. A realização do amor cria uma ligação, 
independentemente do casamento e de qualquer rito externo. 
A existência de uma tal ligação é percebida pelos seus efeitos. Por exemplo, o homem que se 
separa levianamente de uma parceira a quem estava vinculado dessa forma pela consumação 
do amor, via de regra não conseguirá conservar uma segunda parceira num outro 
relacionamento. Pois esta percebe o seu vínculo com a parceira anterior, e não ousa tomá-lo 
plenamente. Quando um homem abandona uma mulher e se casa de novo, talvez sua segunda 
mulher se considere melhor que a primeira e diga: "Agora eu o tenho para mim". Ela entretanto 
o perderá. Nesse próprio triunfo o perde, pois reconhece o vínculo desse homem com a sua 
primeira mulher. 
Então ela não o assumirá completamente. Nas constelações familiares, pode-se perceber que 
uma segunda mulher se distancia um pouco do homem. Ela não ousa colocar-se perto dele, 
pelo fato de não ser sua primeira ligação, mas a segunda. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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A profundidade de um tal vínculo pode ser avaliada pelo seu efeito. A separação do primeiro 
amor é a mais difícil de se conseguir. É a mais dolorosa. Quando uma segunda ligação se 
desfaz, a dor é menor. Numa terceira, é ainda menor. 
Essa ligação não é porém sinônimo de amor. O amor pode ser pequeno e o vínculo profundo. 
Inversamente, o amor pode ser profundo e a ligação pequena. O vínculo se origina do ato 
sexual. Por isto, ele também nasce de um incesto ou de um estupro. Para que mais tarde uma 
nova ligação seja possível, é preciso que a primeira seja corretamente resolvida. Ela é 
resolvida quando é reconhecida e quando é honrado o respectivo parceiro. Quem amaldiçoa o 
primeiro vínculo impede uma ligação ulterior. 
 
A ordem de precedência 
 
O fruto do amor entre o homem e a mulher é os filhos. Também aqui é importante observar 
uma ordem do amor, uma ordem de precedência no amor. Ela se orienta pelo começo. Isto 
significa que o que vem antes tem, via de regra, precedência sobre o que vem depois. Numa 
família, existe primeiro o casal homem-mulher. Seu amor funda a família. Por isso, seu amor 
como homem e mulher tem precedência sobre tudo o que vem depois, portanto, sobre seu 
amor de pais por seus filhos. Muitas vezes acontece nas famílias que os filhos atraem sobre si 
toda a atenção. Então os pais não são antes de tudo um casal, mas pais. Com isto os filhos 
não se sentem bem. 
Quando a relação do casal tem prioridade, o pai diz a seu filho: "Em você, eu respeito e amo 
também a sua mãe". E a mãe diz ao filho: "Em você, eu respeito e amo também o seu pai". E a 
mulher diz ao homem: "Em nossos filhos, eu respeito e amo a você". E o homem diz à mulher: 
"Em nossos filhos, eu respeito e amo a você". Então o amor dos pais é a continuação do amor 
do casal. Este tem a prioridade. Os filhos então se sentem muito bem. 
Várias famílias são segundas e terceiras famílias, quando o homem e a mulher já eram 
casados anteriormente e trouxeram filhos do matrimônio anterior. Como é então a ordem de 
precedência? 
Eles são primeiramente pai e mãe de seus próprios filhos, e só depois disso constituem um 
casal. Por conseguinte, seu amor como casal não pode continuar nos filhos, pois já foram pais 
anteriormente. Então, o novo parceiro deve reconhecer que o outro é, em primeiro lugar, pai ou 
mãe dos próprios filhos, e que seu maior amor e sua maior força fluem para eles e, neles, 
naturalmente, também para o parceiro anterior. Só então seu amor e sua força fluem para o 
novo parceiro. Quando ambos os parceiros reconhecem isto, seu amor pode ser bem sucedido. 
Quando, porém, um parceiro diz ao outro: "Eu tenho prioridade em seu amor, e só então vêm 
seus filhos", a relação fica em perigo. Essa situação não se mantém por longo tempo. 
Se eles mais tarde têm filhos em comum, então são, em primeiro lugar, pai e mãe dos filhos do 
primeiro casamento; em segundo lugar, são uns casais e, em terceiro lugar, são pais de seus 
filhos comuns. Esta seria a ordem, neste caso. Quando se sabe disto, pode-se resolver ou 
evitar conflitos em muitas famílias. 
Falei até aqui sobre algumas ordens do amor na relação entre o homem e a mulher. Para 
terminar, contarei a vocês uma história sobre o amor. Ela é assim: 
 
Dois modos de ser feliz 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Antigamente, quando os deuses ainda pareciam bem próximos dos homens, viviam numa 
pequena cidade dois cantores que se chamavam Orfeu. 
Um delesera o grande. Tinha inventado a cítara, um tipo primitivo de guitarra. Quando tocava 
o instrumento e cantava, toda a natureza ficava enfeitiçada em torno dele. Animais ferozes se 
deitavam mansamente a seus pés, árvores altas se inclinavam para ele: nada podia resistir a 
seus cantos. Pelo fato de ser tão grande, ele conquistou a mais bela mulher. E aí começou a 
descida. 
Enquanto ele ainda festejava o casamento, morreram a bela Eurídice, e a taça cheia, que ele 
erguia nas mãos, se partiu. Contudo, para o grande Orfeu, a morte ainda não foi o fim. Com a 
ajuda de sua arte requintada, encontrou a entrada para o mundo subterrâneo, desceu ao reino 
das sombras, atravessou o rio do esquecimento, passou pelo cão dos infernos, chegou vivo 
diante do trono do deus da morte e o comoveu com seu canto. 
A morte liberou Eurídice -- porém sob uma condição, e Orfeu estava tão feliz que não percebeu 
o que se escondia por trás desse favor. Orfeu pôs-se a caminho de volta, ouvindo atrás de si 
os passos da mulher amada. Passaram ilesos pelo cão de guarda do inferno, atravessaram o 
rio do esquecimento, começaram os caminhos para a luz, que já viam de longe. Então Orfeu 
ouviu um grito - Eurídice tinha tropeçado - horrorizado, ele se voltou, viu ainda a sombra dela 
caindo na noite e ficou sozinho. Esmagado pela dor, ele cantou sua canção de despedida: "Ai 
de mim, eu a perdi, toda a minha felicidade se foi!" 
Ele próprio voltou à luz. Entretanto, no reino dos mortos, passara a estranhar a vida. Quando 
mulheres ébrias quiseram levá-lo à festa do novo vinho, ele se recusou, e elas o 
despedaçaram vivo. 
Tão grande foi sua desgraça, tão inútil foi sua arte. Entretanto, todo o mundo o conhece. 
O outro Orfeu era o pequeno. Era apenas um cantor de rua, aparecia em pequenas festas, 
tocava para gente humilde, alegrava um pouco e curtia isso. Como não conseguia viver de sua 
arte, aprendeu um ofício comum, casou-se com uma mulher comum, teve filhos comuns, pecou 
eventualmente, foi feliz de modo comum, morreu velho e satisfeito da vida. 
Entretanto, ninguém o conhece - exceto eu! 
----------------------------------- 
Original: Wie Liebe gelingt, 
Palestra proferida por Bert Hellinger, em S.Paulo, Agosto de 1999 em original manuscrito. 
Tradução: Anand Udbuddha (Newton Queiroz) , Rio de Janeiro 
Revisão: Mimansa Érika Farny, Caldas Novas 
Novembro de 2000 
 
Sobre a Teoria, o Conteúdo e o Método das 
Constelações Familiares 
© Jakob Robert Schneider 
 
Abordarei a seguir, de uma perspectiva pessoal, alguns aspectos do trabalho com 
constelações familiares que podem ser socialmente desafiadores. Deixo ao leitor discernir o 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 47 - 
que nisso é realmente novo e leva a novos modelos da ajuda, e o que apenas provoca os 
espectadores, embora já goze, de longa data, de aceitação geral. 
 
A CONSTELAÇÃO FAMILIAR 
 
Para o nosso entendimento de processos psíquicos, a vivência de constelações é de fato 
desafiante. Até mesmo consteladores experimentados se surpreendem sempre com o que 
nelas observam e experimentam. Como é possível que os representantes se sintam, falem e 
apresentem sintomas como os membros da família, embora não os conheçam e disponham de 
pouca ou nenhuma informação sobre eles? Para esse fenômeno ainda não temos explicação, 
muito menos uma explicação científica. Mas nos espantamos, descrevemos os processos e 
procuramos, às vezes, imagens ou modelos que os façam aparecer como compreensíveis e 
comunicáveis, sem postular explicações precipitadas. 
Talvez a explicação mais simples seria esta: o cliente exterioriza sua imagem interna, e a 
posição dos representantes reproduz uma certa estrutura de relacionamento que está 
arquivada em nosso aparelho de percepção, com sua respectiva dinâmica. Mas como se 
explica que os representantes sintam coisas tão diversas em constelações de configurações 
semelhantes ou mesmo idênticas? Por que razão surgem nas constelações processos que 
tocam emocionalmente o cliente e fazem sentido para ele, mesmo quando o terapeuta escolhe 
e coloca os representantes, ou quando se coloca apenas uma pessoa - para não falar das 
chamadas "constelações invisíveis" -? 
Uma teoria bem aceita entre os círculos de consteladores é a de Ruppert Sheldrake e seus 
"campos morfogenéticos". Entretanto, mesmo ela só nos fornece até o momento uma 
explicação de caráter mais metafórico. Mas a falta de uma explicação científica para um 
fenômeno observável não prova a inexistência desse fenômeno. As observações de uma 
"participação psíquica" para além das informações comunicadas são tão numerosas e tão 
independentes da experimentação dos consteladores individuais que também pode ser útil a 
observação atenta de pessoas externas à "cena". 
Por exemplo, um representante coloca de repente as mãos nos ouvidos e diz: "Não estou 
escutando nada" e o cliente que colocou as pessoas diz, estupefato: "Meu irmão, quando era 
pequeno, ficou soterrado na guerra e desde então ficou surdo". O que acontece num caso 
como este? 
Outro exemplo: O representante do irmão de uma cliente é introduzido na constelação dela, e a 
representante da cliente exclama: "Não tenho mais o antebraço", e a cliente exclama, 
espantada: "Meu irmão teve de amputar o antebraço aos vinte anos depois de um acidente". O 
que explica este caso? 
Mais um exemplo: Numa constelação, o representante do avô da cliente leva ambos os braços 
ao rosto. Perguntado sobre o que acontece, responde: "Algo me atinge os olhos e me arranca 
a cabeça". Com efeito, esse avô, quando mostrava à sua tropa como desarmar uma granada, a 
fizera explodir por descuido e ela lhe arrancou a cabeça. E não foi dada informação prévia 
sobre esse fato. 
Tais exemplos poderiam prosseguir indefinidamente. Naturalmente, tais observações 
dramáticas não constituem a regra nas constelações, porém são suficientemente freqüentes 
para gerar confiança no que se manifesta nelas. 
Um professor que veio participar de grupo com ceticismo, escreveu posteriormente numa carta: 
"... Embora me pareça haver muito de verdade na forma de ver o mundo como uma união de 
almas, na necessidade de intervir reconciliando e de proporcionar a cada criatura seu lugar 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 48 - 
condigno, parece-me um mistério que pessoas estranhas fiquem disponíveis e caiam em bloco 
sob o feitiço de pessoas inteiramente desconhecidas, comportando-se como elas. Minha 
própria constelação atestou isso, na medida em que os representantes agiram de um modo 
incrivelmente "autêntico", inclusive em alguns detalhes que não puderam perceber de nossa 
conversa preliminar, por exemplo, a reação de minha filha..." Todos os consteladores 
conhecem declarações e surpreendentes concordâncias como esta, mas essas experiências 
não são constituem provas. Seria preciso sermos cegos se pretendêssemos simplesmente 
ignorar esses fenômenos que questionam nosso entendimento atual de processos de 
informação. 
Explicar os fenômenos das constelações como frutos de sugestão pelo constelador ou como 
uma espécie de mágica de grupo ou mesmo como charlatanismo seria igualmente precário. 
Presume-se que, dentro de prazos previsíveis, os cientistas irão examinar em que medida o 
recurso à constelação será válido para a pesquisa socio-psicológica e para os processos 
terapêuticos, e irão desenvolver novas teorias, talvez fundamentadas, sobre essa difusão de 
informação em contextos anímicos e comunicativos. Também em muitos domínios das ciências 
naturais a teoria freqüentemente se segue à observação. A falta de uma teoria não significa 
ainda que estamos nos movimentamos em áreas esotéricas. Além do mais, muitas teorias até 
aqui não confirmadas da moderna física, por exemplo, a teoriados universos paralelos, fazem 
um efeito bem mais espetacular e "esotérico" do que o que observamos nas constelações. 
 
A ALMA – O "CAMPO DOTADO DE SABER" 
 
As constelações familiares se referem de uma nova maneira àquilo que chamamos de "alma". 
Podemos denominar assim a força invisível que animando (ou pelo menos no mundo animado; 
congrega partes num todo de uma tal maneira que o todo é mais do que a soma das partes e 
de suas funções dentro dele. A alma não se identifica com nossa consciência, pois inclui o 
inconsciente. E não se identifica com os processos fisiológicos e físicos em nosso corpo e em 
nosso cérebro, embora esteja inseparavelmente unida a eles. Não se identifica tampouco com 
nossos sentimentos, embora o sentir seja o modo de expressão por onde se experimenta a 
alma. 
Ela é antes como o espaço ou o campo que une, ultrapassando espaço e tempo, tudo o que 
constitui uma pessoa, criando uma identidade. A abordagem típica da ciência natural atual, que 
busca o que "não difere", a saber, as partes e partículas e suas mútuas conexões, exclui por 
seu próprio método a possibilidade de descobrir uma alma. Porém nossa experiência 
quotidiana se dirige ao que é "mais do que". Não há conversa, nem arte, nem política, nem vida 
de relacionamento sem participação da alma. Como a experiência psíquica não pode ser 
reduzida ao que material e quantificável, a língua desenvolveu "palavras da alma" como 
liberdade, paciência, espírito, coragem, amor, etc. O que entendemos por "amor" não pode ser 
adequadamente entendido a partir de genes ou de funções do cérebro. 
Sabemos que para falar dos domínios da alma dependemos de imagens, metáforas, 
imprecisões, vivências, experiências, intuições perceptivas, bem como da função anímica da 
avaliação sensitiva e de coisas semelhantes. Por mais que as ciências da natureza nos ajudem 
com seus conhecimentos e nos obriguem, por exemplo, a repensar nossa liberdade de 
decisão, a ocupação com a alma, que ultrapassa o âmbito da experiência da vida, pertence 
mais às ciências do espírito ou à psicologia como ciência do espírito. O trabalho com as 
constelações familiares se apresenta no concerto da teoria e da prática psicológica modernas 
de um modo amplo e desafiador, descortinando a alma redescoberta e suas leis. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 49 - 
Da mesma forma como em nossa alma pessoal somos maiores do que aquilo que percebemos 
conscientemente em nós, assim também em todos os níveis de relações estamos envolvidos 
em contextos maiores, formados, em termos anímicos, por "espaços" ou "campos" (tomados 
como metáforas), que juntam as partes para constituir algo "mais" e "maior": uma união 
familiar, um grupo de amigos, uma empresa, uma comunidade social, um Estado - que se 
integra na natureza e no cosmo como um todo. Essa nossa vinculação, em sua grandeza e 
totalidade, recebe freqüentemente de Bert Hellinger a denominação de "grande alma". Isso não 
significa para ele algo místico ou do além, mas a totalidade da existência individual e coletiva, 
que justamente através das conquistas das ciências naturais nos aparece de modo cada vez 
mais misterioso, nos sustentando, ligando e talvez mesmo dirigindo. 
Entre os consteladores também existem divergências sobre a conveniência e a medida em que 
se falar de alma. Para alguns isso envolve uma carga excessivamente mística ou religiosa. 
Outros não partilham essas restrições. Pois diariamente, ao abrirmos um jornal ou revista, 
lemos em diversos artigos, seja na política, na economia ou na parte esportiva a palavra "alma" 
num contexto imediatamente inteligível para cada caso. Por exemplo, em manchete: "O templo 
de Ankor e a alma ferida do Camboja: em busca de nossa identidade". 
Quando se fala de "alma", seja no trabalho com as constelações, seja de modo geral na 
psicoterapia ou na vida quotidiana, isso não acontece com ânimo anti-científico. Um consultor 
familiar não pode esperar que a ciência natural lhe forneça dados e métodos exatos, 
cientificamente comprovados e universalmente reconhecidos, para a solução de conflitos 
conjugais. Ele trabalha de uma forma mais ampla, orientado por vivências e pelas "regras da 
alma". Uma das realizações de Bert Hellinger é ter condensado e desenvolvido um modelo 
preexistente de constelações familiares, reduzindo ao essencial, de uma forma experimentável, 
os processos anímicos e os complexos contextos de relações, e abrindo o acesso a mudanças 
profundas na alma. Quem se disponha a nisso pode comprová-lo pela própria prática do 
próprio Bert Hellinger, amplamente documentada, e de milhares de consultores e terapeutas. 
 
O SISTEMA 
 
Por ocasião do aconselhamento matrimonial, no mais tardar, percebe-se que o modelo 
puramente causal de explicação não é mais utilizável quando ouvimos um dos parceiros e lhe 
damos razão, e ouvimos o outro parceiro e igualmente lhe damos razão. As dinâmicas do 
relacionamento e os processos da alma são contextos altamente complexos, que não podem 
ser suficientemente apreendidos recorrendo a explicações e conexões causais lineares. Por 
esta razão, já vem sendo colocada há mais tempo no domínio psicossocial a seguinte questão: 
"Como é possível intervir adequadamente nos sistemas de relação sem se deixar apanhar nas 
armadilhas do pensamento e do discurso causal, mas respeitando ao mesmo tempo a 
determinação estrutural dos sistemas vivos? A psicoterapia sistêmica de enfoque construtivista 
encontrou para isso um caminho muito elegante. Ela utiliza a estrutura causal da linguagem, 
por exemplo, por melo de perguntas circulares, de tal maneira que uma família já não 
consegue manter facilmente as descrições causais que sustentam o comportamento 
sintomático. O sistema de relações é estimulado por meio de perguntas hipotéticas a 
desenvolver por si mesmo comportamentos novos e mais funcionais para a vida familiar. 
Em que medida a constelação familiar é um método sistêmico? Primeiramente, ela percebe o 
cliente, desde o início, em conexão com as pessoas relevantes de seu campo relacional. As 
constelações permitem experimentar imediatamente como o comportamento humano 
apresenta uma multiplicidade dos aspectos cambiantes, conexões e interações. Até o 
momento, nenhum outro método visando informação e intervenção possui uma perspectiva 
sistêmica tão ampla como as constelações familiares, abrangendo gerações, embora se deva 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 50 - 
também mencionar Ivan Boszormenyi Nagy, Helm Stierlin e outros, que direcionaram a terapia 
sistêmica familiar para uma perspectiva multigeneracional. 
O simples significado do "emaranhamento" basta para mostrar que nas constelações não se 
manifestam apenas os fenômenos individuais causais lineares do relacionamento. O olhar para 
o enredamento de destinos e para o efeito de eventos traumáticos nos sistemas familiares, 
freqüentemente através de várias gerações, ampliou e aprofundou, de modo impressionante, o 
pensamento sistêmico e o correspondente procedimento terapêutico. Nenhum método na 
psicoterapia conseguiu até hoje, como as constelações familiares, tornar visíveis e 
experimentáveis os processos de compensação sistêmica que atravessam gerações, 
colocando à disposição os procedimentos específicos adequados. A complexidade do que 
acontece em relacionamentos humanos não contradiz a ação de regularidades nos 
relacionamentos. O bater das asas da borboleta, utilizado como exemplo na Teoria do Caos, 
introduz, é certo, alguma incerteza no evento climático, mas não anula suas regularidades e as 
forças que atuam no conjunto. Para dizer de outra forma: pertence à essência da sabedoria 
que ela é capaz de articular inteligentemente e de modo esclarecedor a regularidade e a 
singularidade da situação individual.Em segundo lugar: Uma constelação se compõe de imagens. Os sistemas, na medida em que 
não podem ser descritos de um modo causal, só podem ser expressos por meio de imagens, 
linguagem imaginativa e histórias. Através de uma imagem, um grande número de informações 
e de processos pode ser percebida simultaneamente e como um todo. Desta maneira 
procedemos constantemente de forma sistêmica em nossa percepção. Dificilmente um método 
terapêutico utilizará isso de uma forma processual e mais concentrada do que as constelações 
familiares. 
As frases de ligação e solução, às vezes ritualizadas, atuam igualmente associadas a imagens. 
Uma constatação ou descrição causal obtida a partir do que acontece numa constelação serve 
para trazer à luz uma 'verdade", mas não é essa verdade. Observações gerais de 
consteladores, por exemplo, sobre anorexia, câncer ou psicoses, não são modelos causais de 
explicação - mesmo quando são apresentadas como tais -, mas indicações, adquiridas por 
experiência, destinadas a instigar no cliente uma atitude de busca que o leve adiante e faça 
descobrir. Uma - impossível - dissolução do que acontece na constelação em passos 
individuais de causação linear atuaria justamente como obstáculo para a sua eficácia. As 
constelações, pelo menos de consteladores experimentados, estão se tornando cada vez 
menos faladas e comentadas, e confiam cada vez mais no que as pessoas podem ver. 
Portanto, a dinâmica sistêmica não é ocultada, soterrada ou coarctada pelas palavras. A 
evidência sistêmica se introduz na alma do cliente e pode "vibrar em uníssono" no constelador 
e nos participantes do grupo, justamente porque não é fragmentada em observações 
individuais e em argumentos "compreensíveis" que seriam - justamente - passíveis de crítica. 
 
FENOMENOLOGIA E VERDADE 
 
0 que significa "verdade" numa constelação? Seria uma grande incompreensão do que 
acontece nela tomá-la como concordância entre a realidade objetiva e o conhecimento, ou 
como sua expressão em linguagem. A verdade nas constelações é antes comparável à 
verdade de uma peça teatral. Ela se faz presente, de forma algo condensada, na imagem e na 
linguagem, permitindo que venha à luz a realidade oculta. As constelações não são uma 
reprodução da realidade de um relacionamento. Elas desvelam uma realidade, no sentido do 
conceito grego de verdade (alétheia). Esta é também a essência da arte. E, como muitas 
formas de terapia ou de aconselhamento, as constelações dão muitas vezes um passo além 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 51 - 
disso. Elas ajudam a assumir a realidade, tal como ela se apresenta e atua, e a preenchê-la 
com amor. 
Fenomenologia significa, de modo geral, perceber e descrever a realidade tal como ela se 
manifesta. Num sentido filosófico mais elaborado, a fenomenologia se refere a uma forma de 
experiência, em que a realidade - através de sua forma de manifestação - se dá a conhecer em 
sua essência, seu sentido e seu ser mais profundo. A percepção fenomenológica é nosso 
último recurso quando queremos olhar para fenômenos da alma que se ocultam por trás da 
superfície de suas aparências. Quem busca ajuda precisa de um conselho ou de uma terapia 
para encarar o que ele não pode saber, e para entendê-lo em sua razão mais profunda. 
Na grande maioria das relações sociais dependemos do conhecimento fenomenológico. Até 
mesmo uma grande parte de nossas ciências naturais começa por uma visão do fenômeno. 
Aquilo que se manifesta nas constelações sob a forma de conhecimento fenomenológico só se 
comprova, em última análise, por seus efeitos e pelo fato de que também outras pessoas 
vêem, de repente, o que antes estava oculto. Presumir nos participantes de uma constelação 
uma submissão completa ao dirigente do grupo seria enganar-se redondamente. Os 
participantes, em sua maioria, olham com muita atenção o que se passa, e o dirigente do grupo 
com freqüência percebe isto de imediato quando interpreta erradamente o que acontece na 
constelação ou quando faz afirmações implausíveis, contrariando a percepção dos 
participantes e do cliente. 
Para ver precisamos de um "artista" que vê o que se esconde na profundidade - e aqui 
"profundidade" não quer dizer algo místico. Ele é comparável a um rastreador que descobre e 
interpreta vestígios que permanecem ocultos a um espectador inexperiente. Como Bert 
Hellinger e a maioria dos consteladores não realizam controles posteriores sobre o efeito das 
constelações, a percepção dos "rastros" muitas vezes carece de comprovação. Mas existem 
suficientes informações de retorno, imediatas ou posteriores, por parte dos clientes, que 
atestam a veracidade e a eficácia desse rastreamento. 
Naturalmente, a contemplação fenomenológica está sujeita a fantasias, interpretações 
equivocadas, erros, construções mentais e pressões de grupos. Por esta razão, muitos 
consteladores se treinam constantemente para voltar a ser receptivos e livres diante da 
realidade da alma, da forma como ela se manifesta. As constelações requerem uma extrema 
contenção do terapeuta no que toca a perceber, interpretar e agir. Fenomenologicamente 
verdadeiro' é o que se realiza imediatamente numa constelação e, além dela, na vivência 
pessoal imediata, e não 0 objeto da crença num terapeuta ou numa instância superior. "O 
presente é irrefutável", no dizer de Kafka. 
O método fenomenológico aparece como provocante somente quando se aplicam a uma 
dinâmica social padrões científicos inadequados e incompatíveis, ou quando se acredita que a 
verdade pode ser manejada e produzida em discursos, A fenomenologia só é provocante para 
o puro construtivista que se limita a apurar se "a chave serve", sem reconhecer uma certa 
cognoscibilidade à fechadura e à própria chave. O construtivismo e sua compreensão da 
realidade se apresenta associado a um impulso ético. Numa entrevista ao jornal Die Zeit, Heinz 
von Förster, um dos epígonos do construtivismo, afirmou que seu conceito de verdade é o 
contrário da mentira ou da inverdade. Por razões éticas, disse ele, excluiria do dicionário a 
palavra `verdade", em razão de toda mentira e infelicidade que já aconteceram em nome dela. 
Perguntado sobre o que lhe restaria nesse caso, respondeu: em lugar da "verdade" (truth), "a 
confiança" (trust), a confiança que nasce quando utilizamos nossos olhos e nossos ouvidos. 
Aliás, esta é uma perfeita descrição da atitude fenomenológica. A ORDEM 
As relações não se configuram de um modo caótico e arbitrário, mesmo quando às vezes são 
experimentadas dessa forma. Como toda realidade, elas se subordinam a determinadas 
ordens. Isto é indiscutível. A questão está em saber como se originam essas ordens e se 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 52 - 
podem ser reconhecidas. Freqüentemente Bert Hellinger e outros consteladores são acusados 
de declarar universalmente válidas e tentar impor ordens arcaicas, culturalmente condicionadas 
e há muito ultrapassadas. 
Essa crítica parece compreensível à primeira vista, quando, por exemplo, se fala da "hierarquia 
pela origem", do significado da união conjugal, de uma mudança de nome ou de uma 
reverência aos pais. Estamos acostumados a desconfiar de ordens culturalmente 
preestabelecidas e a reivindicar nossa autonomia e emancipação. Quando vemos - e não só 
em constelações - o que acontece nas relações, deparamos com algo desafiador, a saber, que 
nelas atuam forças ordenadoras, ancoradas em nossa alma como uma marca biológica e uma 
realidade coletivamente ordenada, presente no fundo de nosso inconsciente. Essas forças 
estão apenas encobertas devido a nossa evolução em termos individualistas e de razão 
esclarecida. Uma das conquistas do trabalho das constelações foi ter nos levado a 
experimentar essas ordens ou regulamentações que atuam independentementede nosso 
pensamento consciente, permitindo-nos assim lidar sabiamente com elas. Entretanto, são 
ordens vivas, que estão a serviço da sobrevivência, do crescimento e do progresso nos 
relacionamentos. Além disso, são ordens que fazem sentido em termos de evolução. Podemos 
descobri-las, direta ou indiretamente, nas descrições da realidade humana presentes na 
literatura de todos os séculos. 
À semelhança das leis da física, essas ordens de relacionamentos são sempre atuantes. Por 
exemplo, quem não respeita a lei da gravidade, cai redondamente no chão, porém aquele que 
a respeita e percebe em conexão com outras leis, pode construir aviões. Assim também as 
regulações da alma permitem uma série de possibilidades de manipulação, não porém ao bel-
prazer. 
A hierarquia pela origem, por exemplo, é uma simples ordem básica: primeiro vem quem 
chegou primeiro, em seguida vem quem chegou depois. Ela vale no interior de um sistema 
familiar e indica a cada um sua posição e seu lugar dentro da família. Primeiro vêm os pais, 
depois os filhos. Entre os filhos, primeiro vem o mais velho, depois o segundo e o terceiro. Em 
primeiro lugar vêm os pais. Isto significa que sua sobrevivência tem precedência sobre a 
sobrevivência dos filhos. Isso é compreensível em função da sobrevivência do grupo, pois a 
sobrevivência dos pais assegura uma nova geração mais rapidamente que a sobrevivência dos 
filhos. Todo o restante que faz parte das transformações culturais da hierarquia da origem 
resulta disso e deve ser medido por sua função original. Entretanto, em épocas de 
superpopulação sua avaliação pode obedecer a critérios diferentes. 
A hierarquia pela origem é completada pela "hierarquia pelo progresso". Por outras palavras: 
entre dois sistemas diferentes, o novo sistema tem precedência sobre o anterior. Assim, 
quando os filhos deixam seus pais e se casam e têm filhos, essa nova família tem precedência 
sobre a família de origem. Isso também faz sentido em termos de evolução e de abertura para 
o futuro. 
É sempre emocionante experimentar como são úteis essas ordens, básicas mas fundamentais, 
para configurar relacionamentos e resolver conflitos. Todo mundo percebe imediatamente, por 
exemplo, como é útil quando uma mãe grávida diz à sua filha de três anos: "Você vai ganhar 
um irmão. No início eu precisarei cuidar muito dele, do mesmo jeito como você mesma 
precisou muito de mim quando era bebê. Mas você será sempre a minha filha primeira e a mais 
velha". 
As ordens do amor contribuem para o sucesso dos relacionamentos. Elas são geralmente 
imediatamente compreensíveis e fundam numa base confiável as relações entre pais e filhos, 
homem e mulher, e dentro do clã familiar. Aqui as constelações familiares realmente 
proporcionam ajuda e orientação. O grande interesse delas se prende à capacidade de 
solucionar que possuem as "ordens do amor". Muitas oposições contra essas ordens se 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 53 - 
relacionam menos à emancipação cultural e pessoal do que a outros contextos, muitas vezes 
inconscientes. 
Uma mulher foi a um grupo devido a problemas no casamento. Tinha mantido "naturalmente" o 
seu sobrenome de solteira e também o filho único conservou o sobrenome da mãe [Na 
Alemanha apenas se usa o sobrenome paterno, que as mulheres normalmente substituem no 
casamento pelo sobrenome do marido, (N.T.)]. Era a mais nova de três irmãs. Quando o 
terapeuta disse: "Talvez vocês conservaram o seu nome de solteira para que seu pai tivesse 
um descendente de sua estirpe", - vieram-lhe lágrimas e ela confirmou com a cabeça. 
Será mostrado em que medida essas ordens mudam de acordo com a evolução humana. Mas 
deve ficar claro que a realidade não se orienta de acordo com o nosso arbítrio e a nossa 
opinião. O movimento ecológico demonstrou que quando nossa ação desrespeita as 
regulamentações e seus efeitos de longo prazo, ela acarreta resultados danosos e até 
funestos. As "ordens do amor" representam talvez uma transposição do pensamento e da ação 
ecológica para o domínio das relações. Elas também nos permitem levar em conta em nossos 
relacionamentos os efeitos de longo prazo que nosso comportamento produz nas gerações 
subsequentes. Como podemos estruturar nossas relações, de modo que nossos filhos e os 
filhos de nossos filhos não precisem pagar o seu preço? Mesmo em nossa época, com toda a 
aparente amizade pelos filhos, temos a tendência de sacrificá-los não só por necessidade, mas 
também por vergonha, medo, interesse próprio e falsa autonomia e emancipação. 
 
O DESTINO 
 
A compreensão de nosso destino e o assentimento a ele estão no cerne do trabalho das 
constelações. Chamamos de destino as forças que, vindas do passado, nos ligam 
inelutavelmente ao efeito bom ou funesto de certos eventos. O efeito dos acontecimentos nos é 
imposto, quer o queiramos ou não, e não temos a possibilidade de interferir nele. A força do 
destino se revela, em relação a acontecimentos traumáticos numa família, de uma forma às 
vezes inquietante. Nas constelações experimentamos constantemente, e de modo 
impressionante, que somos muito pouco livres e reeditamos em própria vida, sem o saber nem 
querer, destinos passados e acontecimentos dolorosos, numa espécie de compulsão repetitiva. 
O efeito maior das constelações consiste em nos fazer perceber como, sem necessidades 
próprias, revivemos necessidades passadas e não aquietadas de outras pessoas, como se o 
que passou tivesse de ficar em paz e se tornar definitivamente passado. Este é o pão habitual 
do trabalho com constelações. 
A concordância com a ligação ao destino significa por acaso fatalismo? De maneira nenhuma. 
Pelo contrário. É verdade que a configuração de nossa vide pelos destinos anteriores não pode 
ser anulada, mas para o futuro nos tornamos mais livres através do que se mostra nas 
constelações. Então o destino alheio poderá ser de algum modo exteriorizado, tornando-se 
uma interface à qual já não estamos cegamente entregues. Pois a alma não liga 
indissoluvelmente a destinos, ela nos libera deles através de um insight, de um movimento 
próprio inconsciente ou, às vezes, de um modo totalmente casual (com ou sem constelação). 
Numa época em que às vezes julgamos que nossa vida esta completamente em nossas mãos 
- uma ilusão de muitos individualistas -, o reconhecimento do destino e o assentimento à 
ligação com o destino próprio e alheio constitui um desafio. Tanto nos acostumamos à idéia de 
uma livre razão e de uma autonomia individual que nos recusamos a reconhecer o que em 
épocas passadas foi descrito como daimonía e eudaimonía - a triste sina e a felicidade 
presenteada. O trabalho das constelações é seguramente uma afronta a uma psicoterapia que 
valoriza acima de tudo a autonomia e a emancipação individual e considera a humildade como 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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uma submissão. Porém basta ler jornais e romances para perceber como atua o destino e 
como 0 nosso poder e a nossa impotência partilham a realidade. 
Muitas pessoas sentem instintivamente como um processo benéfico a reverência diante do 
destino ou diante de pessoas a que somos ligados pelo destino. Uma reverência autêntica é 
quase sempre experimentada por nós como solução e liberação. Quem precisa se curvar não é 
a criança pequena, mas o adulto. E a reverência abarca vários processos: o ato de curvar-se, o 
deixar que algo morra, e o ato de erguer-se. Bem longe de ser um processo humilhante, a 
reverência exige coragem. Ela proporciona força, alívio da respiração e abertura de espaço. 
O destino, como força que inelutavelmente dispõe, não faz caso de nossa vontade: ele a toma 
de roldão, sem esperar o nosso consentimento. O destino não é uma pessoa, embora 
freqüentemente seja representado por umapessoa nas constelações. É um acontecimento 
direcionado a partir do passado, um movimento que nos liga, através da alma, à realidade 
maior. Quantas vezes os clientes falam de sua luta para não se tornarem iguais a seu pai ou a 
sua mãe, e quantas vezes acrescentam que essa luta resultou em fracasso! Quantos clientes 
quiseram fazer melhor que seus pais, e quantos confessam que não o conseguiram! Um dos 
paradoxos da vida humana é que a luta contra o destino nos liga ainda mais a ele, e o 
assentimento ao destino nos torna mais livres. É como um redemoinho num rio. Quem luta 
contra a sua sucção é puxado ainda mais para o interior, e quem sem pânico se entrega à sua 
força é muitas vezes impelido para fora. 
Reconhecimento do destino não significa entregar-se à doença sem vontade e com resignação. 
Significa acompanhá-la com as forças do corpo e da alma. Então, como num redemoinho, elas 
são de novo liberadas da atração da doença ou da morte. Aqui muitas vezes faz sentido 
perguntar: O que há na doença que quer curar? Naturalmente, o doente precisa de apoio 
externo. E muitas constelações ajudam pessoas enfermas a se confiarem aos serviços 
médicos. Mas as constelações também as fazem confrontar-se com a morte. Uma senhora, 
gravemente doente de câncer, procurava saber através de uma constelação as causas de sua 
doença. O representante da morte, colocado diante dela, olhou-a com carinho, colocou-se ao 
lado dela e abraçou-a pelo ombro. Ela se defendeu com lágrimas, mas o representante da 
morte não cedeu. Dois anos depois, essa senhora escreveu ao terapeuta: "Eu me defendi 
muito contra a morte, e finalmente a aceitei. Agora ela está a meu lado já há algum tempo, e 
estou viva". Mas também existe o movimento oposto. Outra mulher com câncer em estado 
grave, que se sentia fortemente atraída a seguir na morte seu pai, enredado em grave culpa, 
pediu ao terapeuta que se esforçava por desprendê-la da morte: "For favor, deixe-me ir para 
meu pai!" Ela se deitou junto do representante do pai, estreitou-o nos braços, sorriu para ele 
com amor entre lágrimas, até que se acalmou completamente. Na continuação do grupo ela 
atuou com alegria e energia e colocou muitas questões práticas sobre seu comportamento em 
relação ao marido e aos filhos. Notou-se que ela se preparava para sua morte. Que vontade 
terapêutica teria aqui a força e o direito de se opor à sua morte? 
 
OS MORTOS 
 
Num filme amador, perguntaram a um curandeiro do Nepal quem procurava um médico em 
caso de necessidade, e quem vinha a ele. O curandeiro respondeu que os que tinham doenças 
comuns procuravam um médico, e aqueles sobre quem pesava a maldição de algum morto 
vinham até ele. O encontro com os mortos a quem somos existencialmente ligados toma um 
grande espaço nas constelações. 
Sem constrangimento, os consteladores tomam pessoas vivas para representar mortos, para 
que possa ser esclarecido, com seus efeitos, um envolvimento cego ou um seguimento 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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amoroso para a morte. Acontecem então impressionantes encontros entre vivos e mortos, e 
são iniciados curtos diálogos que ajudam a união de corações, a paz recíproca e a liberação 
mútua. Será um fantasma? 
Nada sabemos sobre a existência dos mortos em torno de nós ou num outro mundo. Porém 
todos sabemos que um laço entre vivos e mortos permanece na alma para além da morte. 
Falamos com mortos, lembramo-nos deles nos cemitérios ou em discursos, continuamos a 
amá-los e a temê-los como se não tivessem morrido. Nossas questões existenciais, em sua 
maioria, abordam, além do amor, a morte. E quem olha em torno com certa atenção pode 
perceber diariamente como a morte e os mortos sobressaem em nossa vida. 
O trabalho das constelações retoma, de uma forma não mágica e realizável pelo homem 
moderno, antigos ritos xamânicas em favor da paz entre ritos e mortos. Como é tocante 
quando numa constelação uma mulher adulta se deita nos braços da mãe que perdeu quando 
criança em virtude de um acidente! As emoções da criança, talvez bloqueadas pela carência e 
pela dor, passam a fluir, e o amor e a despedida podem ser agora realmente vividos. Como se 
sentem aliviados os representantes de mortos que são reconhecidos pela primeira vez como 
pertencentes à família, ou dos que, porque honrados em seu sofrimento, se livram de uma 
maldição! Como se sentem liberados os representantes de criminosos ou de vítimas quando 
sua condição de culpados ou de vítimas já pode ficar com eles e os vivos renunciam a se 
imiscuir nisso! Como se sentem redimidos os representantes de mortos quando se sentem 
acolhidos entre outros mortos e já podem realmente ser acolhidos na "grande morte"! 
Não é de hoje que tendemos a reprimir a morte e as ligações carregadas de dívidas que por 
amor, medo ou dor mantemos com os mortos e com as histórias de suas vidas. Isso já é, de 
longa data, conhecido pela psicoterapia. No decurso de nossa evolução cultural, perdemos o 
acesso a muitas formas rituais e sociais de superação da morte e de respeito pelos 
antepassados. Mesmo sem as constelações familiares e muito tempo antes delas existe um 
profundo anseio de lidar com o morrer, a morte e os mortos de uma forma liberadora e 
pacificadora. E para isso as pessoas sempre precisaram de um apoio, por exemplo, através de 
um sacerdote ou com a ajuda da psicanálise ou da assistência ao morrer. Nesse ponto, o 
trabalho das constelações assume uma necessidade profunda e supre talvez uma lacuna de 
rituais e de luto coletivo. 
Além disso, as constelações abrem a perspectiva para o enquadramento psíquico maior do 
encontro com a morte e com os mortos na alma. Elas fazem ver o fato individual enquanto 
enquadrado no contexto e na história da família, ou de um grupo de camaradas que viveram 
juntos coisas terríveis na guerra, ou no destino comum de perpetradores e vítimas, e sempre 
transcendendo a morte. Ou elas abrem a alma para a "grande morte". Isto só parece estranho 
e até mesmo absurdo quando é encarado de longe e não no contexto da contemplação e da 
experiência imediata. Para os clientes envolvidos e os participantes de grupos, o encontro 
entre vivos e mortos geralmente se realiza como que naturalmente e é muito emocionante e 
curativo. E mesmo que não saibamos ao certo o que acontece nas constelações nos domínios 
fronteiriços dos vivos e dos mortos, podemos perceber o seu efeito e nos apoiar nisso. Neste 
particular, as constelações atuam como uma "cura de almas". A RECONCILIAÇÃO 
A palavra grega therapêuein significa, em sua acepção original, "servir aos deuses". Embora 
em nossa época a terapia seja vista de uma forma profana, nela permanece algo do sentido 
primitivo da palavra, na medida em que, decaídos de uma ordem ou abandonado uma opinião 
e um bel-prazer que nos prejudicam, retornamos a uma ordem saudável. Em nosso linguajar 
coloquial, exprimimos isso com as palavras: "Preciso pôr alguma coisa em ordem". Os conflitos 
da alma surgem quando forças contrárias nos dividem inconciliavelmente e conservam-se em 
oposição irredutível em nós ou entre nós. A psicoterapia é sempre um trabalho de mediação e 
reconciliação, embora várias tendências terapêuticas tenham enveredado pelo caminho 
oposto, enfatizando a auto-afirmação, uma perspectiva unilateral da autonomia pessoal, a 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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separação e a luta, por exemplo, contra os pais, os destinos funestos ou as pessoas 
consideradas más. 
Bert Hellinger, ousando chegar a limites extremos, trilhou imperturbavelmente um caminho que 
pode abrir dimensões novas (ou retomar antigas, de uma nova maneira) para a solução de 
conflitos e o trabalho de reconciliação. 
Os passos para a reconciliação, embora basicamente simples, geralmente nos parecem 
difíceis. O procedimentoinicial faz com que os perpetradores reconheçam o mal que fizeram às 
vítimas. Precisam assumir as conseqüências de suas ações e encarar as vítimas e seus 
sofrimentos. Um segundo procedimento induz as vítimas a encarar os perpetradores e a aceitar 
sem reservas sua ligação de destino com eles. A vítima precisa abandonar a atitude de se 
julgar melhor e de se colocar, mesmo perdoando, acima do perpetrador. Num terceiro 
procedimento, tanto as vítimas quanto os perpetradores e os descendentes de ambos honram 
o acontecimento funesto. Reconhecendo suas oposições, todos eles, em sua condição de 
vítimas ou de perpetradores e com seus sentimentos de vingança e de expiação, se entregam 
a uma força maior que é "indiferente" para com bons e maus, assim como o sol brilha sobre 
ambos, e a morte os trata com igualdade. 
A dificuldade de aceitar criminosos em condição de igualdade e em sua dignidade humana é 
uma experiência comum para os consteladores. Um exemplo: Uma mulher contou que sua 
mãe, quando era jovem, foi violentada e quase morta. Confrontada na constelação com o 
representante do perpetrador, essa mulher gritou para ele, cheia de ódio: "Eu mato você!". 
Quando o terapeuta observou que sua frase fora a mesma do agressor diante de sua mãe, ela 
ficou profundamente impressionada. Ela viera ao grupo porque os homens sempre a 
abandonavam, alegando terem medo dela. Vê-se como é difícil conceder ao criminoso um 
lugar na própria alma e no sistema familiar, e reconhece-lo como equiparado à sua mãe. Às 
vezes, as próprias vítimas são mais capazes de fazer isso do que seus amorosos 
descendentes, que não dispõem dos mecanismos de elaboração da pessoa envolvida, e por 
isso ficam entregues à indignação ou ao desejo de vingança e de cega compensação. 
Outras vezes é mais fácil para os descendentes, devido ao maior intervalo de tempo, atuar na 
reconciliação, ajudando as almas do agressor e da vítima a se encontrarem face a face e a se 
reconciliarem. As vezes só resta aos atingidos o esquecimento e, reconciliados ou não, o 
assentimento e a reverência diante do destino que os associou como vítima e agressor. E aos 
pósteros, só resta às vezes a reverência diante dos antepassados, reconciliados ou não. 
Talvez eles possam se tomar "permeáveis" a algo maior no que toca ao efeito do destino de 
vítimas e agressores, para que esse efeito possa ser abolido nessa realidade maior. 
É o próprio processo da constelação que determina como iniciar a reconciliação ou o que é 
preciso observar em cada passo. O terapeuta limita-se a olhar e a escutar a alma do cliente e 
de sua família, abrindo espaço, com suas poucas intervenções, às forças que resolvem os 
conflitos e atuam de forma reconciliadora. Seja qual for o caso, abuso ou assassinato de filhos, 
trapaça financeira, paternidade clandestina, traição, atrocidades de guerra, extermínio de 
judeus ou terrorismo de qualquer espécie, as constelações mostram uma força incrivelmente 
reconciliadora e liberadora, em que pesem as imperfeições e as tentativas frustradas, 
superficiais ou mesmo traumáticas dos consteladores. 
Acusar de anti-semitismo ou de tendências fascistas esses procedimentos das constelações é 
uma atitude absurda e degradante. Que, depois de homenagear as vítimas, também se encare 
a dignidade dos perpetradores e as fronteiras imprecisas entre criminosos e vítimas, é uma 
atitude que choca muitas pessoas, e os próprios consteladores enfrentam dificuldades na 
presença de graves injustiças. Mas quem lê as publicações mais recentes percebe também a 
manifestação de um novo empenho, não somente para que sejam honradas as vítimas e seu 
destino, mas também para que os criminosos sejam considerados como seres humanos e seja 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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respeitada sua dignidade. Foi um rabino judeu que afirmou: "Não haverá paz até que o último 
judeu faça a oração dos mortos por Hitler". Embora Bert Hellinger e os consteladores não 
estejam sozinhos nesse trabalho de reconciliação que honra tanto as vítimas quanto os 
criminosos, o significado do "amor aos inimigos" dificilmente é experimentado no domínio da 
psicoterapia e do aconselhamento de forma tão sensível como nas constelações. 
Entretanto, não existem realmente diferenças objetivas entre bons e maus? E a observação de 
que tanto as vítimas quanto os criminosos estão a serviço de um destino maior, não abre ela as 
portas para a arbitrariedade e a injustiça no comportamento humano? Não podemos dizer que 
temos sempre uma resposta para isso, mesmo abstraindo de destinos concretos. Muitas vezes, 
porém, um primeiro passo importante para a reconciliação e a paz, apesar das oposições e 
mesmo da luta pela própria causa, que freqüentemente é necessária, é reconhecermos o 
adversário como igual a nós e não nos considerarmos melhores do que ele. 
Diariamente experimentamos que a realidade costuma ser maior do que nossa vontade. 
Mesmo quando criamos uma realidade, nem sempre podemos controlar as conseqüências de 
nossas ações. Um dos efeitos profundos do trabalho das constelações é que nos ajuda a 
confiar no desenvolvimento do sentimento humano, para além da culpa e das incriminações, 
renunciando a flagelar' nossos semelhantes como desumanos. Só entramos em sintonia com a 
realidade quando também reconhecemos o funesto e o terrível como fazendo parte dela, e lhes 
deixamos um lugar. Muitos desenvolvimentos positivos recebem sua força e seu 
direcionamento desse reconhecimento e respeito pelo terrível. 
 
A AJUDA 
 
Como prestadores de ajuda, somos obrigados a colaborar no desenvolvimento de algo bom 
que faça progredir aqueles que se encontram em necessidade. A ajuda' é uma faculdade que 
se baseia em treinamento e experiência [entendida num sentido profissional. (N.T.)]. Estamos 
acostumados a ver a faculdade terapêutica encaixada em instituições de psicoterapia e 
aconselhamento e em sua respectiva administração, que velam pelo desenvolvimento dessa 
faculdade e para impedir abusos em seu exercício. O trabalho das constelações familiares, 
como originariamente muitos outros métodos de ajuda, se desenvolveu fora da psicoterapia 
estabelecida e não reivindica lugar como um método terapêutico reconhecido. O que muitos 
teóricos e praticantes sentem como afronta no domínio da terapia é a observação de Bert 
Hellinger, partilhada por muitos consteladores - não por todos - que o trabalho com 
constelações vai muito além da psicoterapia. 
Os críticos objetam que com isso se abrem amplamente as portas para tolices esotéricas. 
Afirmam que o trabalho com as constelações visa realmente efeitos terapêuticos e que por isso 
ele deve sujeitar-se às leis que regulam a terapia e às normas de uma terapia cientificamente 
controlada, ou deve deixar de existir. Neste particular também vem acontecendo importantes 
discussões entre os consteladores, e campo está aberto para o desenvolvimento. As "Ordens 
da Ajuda" de Bert Hellinger [Publicado no site www.hellinger.com ? existe uma tradução de 
nossa autoria, (N.T.)], que resumem sua longa experiência e suas convicções sobre o tema da 
ajuda, contém matéria explosiva que exerce provocação, tanto sobre a esfera externa quanto 
sobre o "cenário" dos consteladores: 
Somente é capaz de ajudar quem assumiu plenamente os próprios pais e a vida. Só é capaz 
de ajudar quem renuncia a dar ao cliente mais do que ele precisa. Só pode ajudar quem tem a 
capacidade de dar o que o cliente necessita. Muitos ajudantes [no original, Helfer, entendem-se 
aqui sobretudo os profissionais da ajuda (N.T.)] correm o risco de que seu impulso de ajudar 
resulte de sua própria carência, de uma simpatia que se restringe aos fracos e às vítimas, e da 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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pretensão de estarem á altura de todos os destinosde seus clientes. Toda ajuda deve ajustar-
se às circunstâncias na vida do cliente e só pode intervir em caráter de apoio, e quando o 
permitam as circunstâncias. Somente respeita a dignidade do cliente a ajuda que não se coloca 
acima dessas circunstâncias, do destino do cliente e de sua vocação pessoal, de suas aptidões 
e de sua capacidade de decisão. 
Na psicoterapia tradicional infiltraram-se padrões de pensamento segundo os quais os 
terapeutas poderiam ser mecânicos, juizes, cônjuges ou pais. Principalmente esta última 
tendência foi grandemente reforçada através do modelo teórico e do prático de transferência e 
contratransferência, com a "elaboração" de conflitos e a idéia de acompanhamento posterior 
com o correspondente prolongamento da terapia. 
A constelação familiar não trabalha com transferência e contratransferência, embora não 
conteste a existência desses processos. Mas o constelador se desprende deles, da melhor 
forma possível. O terapeuta ou o aconselhador conduz o cliente, quando isso é necessário, 
diretamente para os pais dele. Ele só os representa transitoriamente e por pouco tempo, 
apoiando, por exemplo, a recuperação do movimento amoroso, sem colocar-se, entretanto, no 
lugar dos pais. Ele renuncia a acompanhar o cliente durante um período de sua vida e a 
oferecer-lhe um espaço de substituição ou de proteção para seu crescimento na segurança do 
espaço terapêutico. Ele só lhe dá um estímulo para o crescimento, geralmente sem 
acompanhar a realização de seu crescimento na vida concreta. 
A constelação familiar, entendida desta maneira, não é uma terapia. Ela se assemelha 
realmente a uma "predição", um "oráculo" ou um "vaticínio", na medida em que traz à luz laços 
de destino e seus efeitos. Ela ajuda a "ver", sem buscar influenciar o que o cliente fará com ela, 
e sem que o ajudante desempenhe um papel nisso. Para além de uma "predição", a 
constelação também ajuda as pessoas a sentirem o próprio amor, freqüentemente oculto no 
destino cego. Ela possibilita abrir os olhos para o amor, estabelecendo relações cara a cara. E 
também aqui o terapeuta se coloca antes a serviço do diálogo do cliente com seu sistema de 
relações do que a si mesmo como interlocutor do diálogo. 
A constelação familiar mostra os caminhos para uma compensação positiva em vez de uma 
compensação funesta. Ela fornece indicações sobre o que ordena as relações, tanto para o 
mal quanto para o bem. Ela faz confrontar, às vezes duramente, com a realidade, mas não diz 
o que a pessoa deve fazer ou deixar, ou como será seu futuro. Nesse particular, ela deixa a 
pessoa que busca auxilio sozinha, ou no círculo de sua família e de outras relações 
existenciais. Isso muitas vezes parece ser chocante para as pessoas no exterior, se bem que 
muitos clientes experimentem justamente essa atitude como confiável, aliviadora e 
fortalecedora, pois com ela são tomados a sério e se sentem livres. 
Outra coisa que incomoda observadores externos é que os consteladores às vezes olham 
menos para o que o próprio cliente precisa do que para as necessidades de outros membros 
do sistema, principalmente dos excluídos ou incriminados. A principal atenção se dirige para a 
incorporação dos que estão separados num sistema de relações, e não apenas para o cliente e 
sua autonomia. O autêntico ajudante, no sentido de Bert Hellinger, resiste à diferenciação entre 
o bem e o mal e, com isso, à consciência pessoal do cliente. Ele antecipa a necessária ação do 
cliente, na medida em que dá em sua alma um lugar aos excluídos ou incriminados. 
Ao abrirem um espaço para além dos efeitos da consciência do grupo, os consteladores têm 
em vista o que sugere a "grande alma" - um contexto que aponta para além dos grupos 
individuais - numa determinada situação de vida, como conveniente para o crescimento ulterior. 
Tanto a consciência pessoal quanto a coletiva são acolhidas numa espécie de consciência 
"universal", direcionada para o todo maior. Aqui a configuração de sistemas de relações 
também se distancia de uma psicoterapia e um aconselhamento puramente orientados para 
soluções. Abrese um nível mais espiritual, na medida em que se encara a ligação com algo 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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"maior", que está fora de nossa disponibilidade e possibilidade. Orienta-se no sentido do 
crescimento e do desenvolvimento na direção de um "espaço aberto". Nisso reside o que na 
constelação familiar é "mais que uma psicoterapia". 
A ajuda que ocorre no interior desse "mais" dificilmente se enquadra nas instituições de ajuda e 
em seus regulamentos. Nesse ponto se insere, talvez, a crítica dos teólogos e a luta contra o 
método das constelações, como se ele fizesse parte de uma cena esotérica. Como esse "mais" 
abrange aconselhamento e psicoterapia, e o trabalho das constelações se processa tanto 
dentro quanto fora das correspondentes instituições, os conflitos são facilmente 
compreensíveis e quase programados por antecipação. A RESPONSABILIDADE EM 
CONSTELAR 
Em razão da euforia fundada na profundidade das vivências e na densidade humana de muitas 
constelações, muitos consteladores correm o risco de se descuidar, justificando as críticas. O 
que nos ajuda para trabalhar responsavelmente com constelações familiares? 
O cuidado significa aqui agir com sobriedade e clareza, correção e plausibilidade. Além da 
atitude e da reserva fenomenológica, constantemente aconselhada, precisamos nos direcionar 
para a vida comum. Não se trata de direcionar os clientes ou suas famílias a um padrão único, 
de acordo com nossas concepções, mas de colaborar para que o que é "maior", seja o que for, 
possa atuar como incentivo e solução no dia-a-dia do cliente. O milagre não está na unidade do 
múltiplo, mas na multiplicidade do uno. 
Toda a sabedoria é inútil quando não se refere a situações individuais ou coletivas. Por mais 
que encaremos a alma humana como uma espécie de "campo", ela não deixa de abranger 
pessoas individuais. Ela só existe e se mostra através de indivíduos. Por mais que os 
movimentos sistêmicos permaneçam no primeiro plano das constelações, eles não existem 
sem os indivíduos num sistema, isto é, sem a mãe prematuramente falecida, sem o avô 
suicida, sem o cliente com sua necessidade ou doença. "You cannot kiss a system". Para 
corresponder realmente à necessidade do cliente, a atenção do terapeuta deve realmente 
passar através de seu sistema de relações, porém sem perder de vista o cliente e suas 
necessidades concretas, e absolutamente sem feri-lo. 
No tocante aos efeitos externos do trabalho das constelações, recomenda-se considerar os 
seguintes aspectos: 
Quem oferece constelações como psicoterapia também precisa possuir habilitação legal para a 
prática da psicoterapia. Quem não a possui não deve despertar a impressão de praticar 
terapia, nem atender a expectativas terapêuticas no sentido tradicional e legal. Precisa limitar-
se ao aconselhamento, que até agora - felizmente - não foi regulamentado. Naturalmente, no 
trabalho concreto fica difícil definir os limites entre psicoterapia e aconselhamento, entre curar e 
aconselhar. 
Seguramente não se justifica enaltecer a constelação familiar como o único método capaz de 
resolver tudo e trazer felicidade. Por mais liberador e saudável que seja seu efeito para a alma, 
ela não produz redenção nem salvação. Por mais espiritual ou religiosa que possa ser, ela não 
é uma religião. O êxito de um método tende a colocá-lo em evidência, em lugar da intenção ou 
da necessidade do cliente, ao qual o método serve. Muitos clientes preferem fazer uma 
constelação a descrever seu problema, seja ele uma briga entre irmãos, um conflito conjugal, a 
busca do lugar certo em sua vida ou o risco de suicídio de um filho. Mas a participação numa 
constelação não significa por si só uma receita de sucesso.O "mais" do trabalho das constelações é em muitas situações também um "menos". Por 
exemplo, a constelação familiar não substitui o tratamento psiquiátrico, embora freqüentemente 
seja útil para famílias onde se manifesta um comportamento psicótico. Não substitui o 
tratamento médico em casos de doenças. Não substitui o atendimento social, com as decisões 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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de sua competência. Não substitui todas as instituições que se dedicam a intervenções em 
casos de crises. Nem substitui os métodos de ajuda à alma, quando alguém precisa apreender 
o que necessita para o domínio de sua vida e que, pelas circunstancias de sua história, ainda 
não aprendeu. As constelações não são úteis para mudanças de personalidade, embora 
possam interferir profundamente no processo de crescimento da pessoa. Elas não substituem 
o treinamento ou a disciplina espiritual, quando alguém quer se desenvolver nesse sentido. E 
não substituem os domínios da experiência quotidiana dos clientes a que servem, mesmo que 
possam proporciona r-Ihes luzes extraordinárias. 
O cuidado no trabalho com constelações também envolve a aprendizagem. Nesse particular, 
muito se discute nos círculos de consteladores sobre o que é necessário aprender para 
dirigilas. Até o momento pertence a cada um testar-se para sentir se está pronto e capaz de 
assumir a responsabilidade por esse trabalho. Note-se que a atitude fenomenológica que abre 
mão do saber só tem significado para aquele que sabe algo. Ela não significa "sem 
capacidade", "sem experiência" ou "sem competência". A atitude de agir "sem medo" não 
significa ausência de respeito pelas forças com que temos de lidar nas constelações. A atitude 
de atuar "sem intenção" não significa que nos deixemos arrastar nas constelações pela 
arbitrariedade e pelo acaso. E o atuar "sem amor" se refere ao domínio da transferência e da 
contra-transferência, e não significa falta de amorosidade. 
Também de nós, consteladores, continua exigindo um constante esforço assumir cada pessoa, 
cada família, cada sistema, cada realidade como ela é, de modo que também o cliente possa 
reconhecer mais facilmente o que necessita para a solução de seus problemas e para o seu 
próprio crescimento. AGRADECIMENTO 
Muito agradeço aos amigos e colegas que me apoiaram neste artigo com valiosos estímulos e 
correções: Bernhard Haslinger, Eva Madelung, Albrecht Mahr, Wilfried de Philipp, Katharina 
Stresius,Gunthard Weber e Berthold Ulsamer. 
 
Sobre a Técnica das Constelações Familiares 
© Jakob Robert Schneider 
 
Em nossa compreensão preliminar, entendemos "técnica" como um meio para a realização de 
um fim humanamente estabelecido. Ela tem um caráter instrumental, pois é usada como um 
instrumento para se obter determinada utilidade. No desenvolvimento e ampliação das antigas 
habilidades artesanais, a moderna técnica, como aplicação prática da ciência moderna, 
caracteriza-se por três outros critérios: precisa ser segura e proporcionar-nos segurança; torna 
previsível o seu objeto; e confere ao método, com o qual abordamos o objeto utilizável, a 
precedência sobre aquilo que pode ser utilizado de forma segura. (1) 
Tal entendimento da técnica não coincide com o procedimento fenomenológico que adotamos 
nas constelações familiares. É verdade que as utilizamos como um método para processos 
anímicos de solução e cura. Contudo, o procedimento metódico fica em segundo plano com 
relação à dinâmica familiar que ele revela e às soluções que aponta. O que se evidencia 
através desse trabalho não pode ser previsto com segurança, tanto no que se refere ao 
processo dessa revelação, quanto no que diz respeito ao resultado de tal processo. () 
procedimento metódico utilizado nas constelações familiares requer abertura em face de seu 
resultado, e só é bem sucedido na ausência de intenções e de preconceitos intelectuais. 
Apesar disto, justifica-se falar de uma técnica de constelações familiares. Pois, na maioria dos 
casos, comprovou-se o valor de um procedimento metódica, que pode ser transmitido e 
proporciona uma certa segurança na condução desse trabalho. 0 procedimento prático utilizado 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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nesse processo requer uma série de atenções e habilidades que estão a serviço da percepção 
terapêutica e do processo liberador e que podem ser comunicadas. Esses requisitos serão 
tratados a seguir. 
Quando falamos da técnica das constelações familiares, não a entendemos no sentido 
matemático das ciências naturais, mas antes à semelhança de determinada técnica de fazer 
uma pintura ou de tocar um instrumento. A composição de uma peça musical ou a criação de 
um poema exigem igualmente, via de regra, uma técnica, que entretanto fica em segundo 
plano em relação ao resultado. Aquilo que se mostra num quadro, numa música ou num poema 
não pode ser previsto, determinado, apreendido ou assegurado com o auxílio da técnica 
utilizada no processo da criação. Assim, o conceito da "técnica", em nosso trabalho, serve aqui 
simplesmente para distinguir entre "como" se conduz uma constelação familiar e o "que" se 
revela aí, em termos de dinâmica da alma. 
 
1. A intenção 
 
Para que uma constelação familiar seja bem sucedida, é preciso que haja uma necessidade 
cuja força sustente o trabalho e conduza o cliente, o terapeuta e os representantes. Ajuda 
muito quando tal necessidade é claramente formulada. Um problema solúvel geralmente se 
distingue de um problema insolúvel, na medida em que pode ser expressa numa frase e 
entendido por todos. A intenção do cliente deve ser formulada com abertura, tanto em relação 
ao problema ou à necessidade sentida quanto à sua solução, sem apresentação de 
justificativas para o problema ou de condições para o que possa surgir como solução. Um 
desejo claro e poderoso pode ser expresso ao terapeuta com o olhar franco, enquanto que um 
olhar que se desvia para o chão freqüentemente se associa à imprecisão nos sentimentos e na 
descrição do problema. 
Nem sempre o problema ou mesmo a intenção precisam ser claramente formulados, se o que 
pesa na alma se manifesta através de uma emoção, de um sintoma ou da revelação de um 
destino funesto. O terapeuta se decide a fazer uma constelação baseado na força que percebe 
no desejo do cliente e na reação de atenção tensa que provoca na grupo. É fácil, por exemplo, 
perceber a diferença entre "Eu gostaria de ser mais livre" e: "Não agüento mais esta 
depressão, que já dura anos". 
Nem todo cliente consegue expressar sua intenção logo no início de um grupo. Ele talvez ainda 
precise de tempo e de vivenciar antes o trabalho feito com outras pessoas do grupo. Com 
muita freqüência, os participantes de um curso mudam sua intenção no decurso do trabalho, 
porque somente conseguem perceber o essencial a partir das experiências dos outros. Por 
outro lado, é possível que às vezes, impressionados pelo peso desses destinos, eles recuem 
das poderosas intenções que expressaram inicialmente e sigam por algum caminho 
secundário. 
Talvez a causa mais freqüente do insucesso de uma constelação reside em que o terapeuta se 
decidiu a fazê-la, apesar de ter percebido que o problema apresentado pelo cliente ou a forma 
de sua apresentação -- por exemplo, pela imprecisão, falta de amor ou teimosia -- não 
sustentaria o trabalho. 
A forma breve e concisa com a qual o terapeuta pergunta pela intenção, pelo problema, pela 
necessidade emergente ou pelo beneficio que se espera do trabalho estimula o cliente a 
responder de forma igualmente breve e concisa. A coragem do terapeuta em encarar qualquer 
tipo de problema estimula a confiança do cliente, e sua disposição de deixar-se conduzir pela 
força e pelo amor que atua no sistema familiar incentiva a abertura da almaque se manifesta 
através do cliente. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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A formulação do problema e o gestual que a acompanha fornecem, com freqüência, indicações 
importantes sobre aquilo de que se tratará na constelação e sobre a dinâmica básica da alma, 
que pressiona no sentido de uma solução. Portanto, vale a pena dedicar uma grande atenção 
ao início do processo. É porém igualmente importante, na busca da solução, que o terapeuta 
não se deixe prender e confinar pelo desejo que e cliente manifestou e pelas primeiras 
informações que prestou. 
A montagem de uma constelação não se fixa num problema ou num sintoma a resolver, mas 
se concentra naquilo que precisa ficar em ordem, em paz ou em sintonia numa alma. É daí que 
nasce aquilo que libera, e talvez resida aí também a solução para o problema apresentado ou 
algo que aja curativamente sobre algum sintoma. 
 
2. O processo da informação 
 
Para conduzir uma constelação familiar poucas informações são necessárias. O que se requer 
são os acontecimentos e destinos numa família, não a caracterização de pessoas ou a 
descrição de vivências pessoais - se bem que uma vivência, narrada em poucas palavras, 
possa eventualmente abrir caminho para o conhecimento de um importante acontecimento 
familiar. A maneira como alguém se apresenta e comporta é menos significativa do que os 
acontecimentos essenciais de sua vida e de seu destino e o fato de ser simplesmente mãe ou 
pai, embora às vezes a aparência e o comportamento estejam associados ao destino pessoal. 
A constelação familiar é um método terapêutico que visa descobrir os efeitos de 
acontecimentos e de destinos. 
Que informações são importantes para esse trabalho? Uma primeira pergunta diz respeito às 
pessoas que pertencem ao sistema. Estas são: irmãos, pai, mãe, eventuais parceiros 
anteriores dos pais, meios-irmãos, tios e tias, avós e seus eventuais parceiros anteriores, 
meios-irmãos dos pais; às vezes, também um ou outro dos irmãos de avós e bisavós, quando 
afetados por um destino impactante. Também pertencem ao sistema pessoas sem vínculo de 
parentesco, quando a família lhes deve algo de modo existencial, como são pais adotivos e 
ainda pessoas a quem foi infligida alguma desgraça por membros da família. São pertencentes 
tanto os vivos como os mortos, até onde habitualmente alcança a memória da família. 
Acontecimentos importantes nas famílias são: nascimentos e mortes; mudanças de domicilio 
especialmente importantes (por exemplo, por deportação ou emigração ou mudança para um 
ambiente muito diferente); separações, tanto entre filhos e pais quanto dos pais ou parceiros 
entre si; doenças; vícios que envolvem dependência; acidentes; destinos associados à guerra; 
suicídios; internações psiquiátricas, etc. 
Ao indagar pelas informações, o terapeuta deve distinguir entre dois tipos de acontecimentos: 
aqueles que pertencem antes ao domínio dos ressentimentos pessoais (por exemplo, uma 
separação prematura entre a criança pequena e sua mãe), e aqueles que são sistémicos e por 
isso especialmente relevantes para a constelação familiar. Da observação resultam indicações 
sobre se convém trabalhar com o resgate de um movimento amoroso em direção aos pais ou 
com a constelação familiar, dentro da qual poderá eventualmente ser encaixado um abraço, 
como meio de se recuperar tal movimento. Muitas vezes, recomenda-se trabalhar 
simultaneamente com a solução sistêmica e com o movimento amoroso. Nesse caso, convém 
começar com o trabalho sistêmico e então, ou num momento posterior, propiciar o movimento 
amoroso. Isso possibilita distinguir mais facilmente entre os sentimentos adotados de outras 
pessoas e os ressentimentos pessoais. Às vezes, porém, a dor da criança, proveniente da 
vivência de separação dos pais, está de tal maneira "à flor da pele" que o terapeuta precisa 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 63 - 
lidar imediatamente com esses sentimentos, provenientes de um movimento amoroso 
interrompido. 
Mencionarei, a seguir, alguns critérios que ajudam a distinguir se convém fazer de preferência 
um trabalho sistêmico ou a terapia do movimento amoroso. Critérios para o trabalho sistêmico 
são, por exemplo: 
 
 a pessoa se experimenta como se fosse teleguiada, e de algum modo não está presente 
a si mesma; 
 não conhece e não encontra seu lugar na vida; 
 ao apresentar-se, dá a impressão de estar meio ofuscada, inapropriada, contraditória ou 
enredada; 
 dá a impressão de estar presa ao problema e de ter permanecido magicamente num 
cego amor infantil; 
 existem na pessoa ou em sua família destinos pesados como mortes prematuras, 
suicídios, acidentes freqüentes, psicoses, etc.,, 
 a pessoa coloca em risco, leviana ou compulsivamente, o sucesso de sua vida; 
 há um grave desequilíbrio em seus relacionamentos, brigas sérias, faltas de 
consideração e de reconciliação, conflitos de consciência, sentimentos de culpa, 
sentimentos de vítima ou medo compulsivo de fazer algo funesto; 
 faltam pessoas no sistema, por exemplo, algum filho extraconjugal do pai; 
 pessoas do sistema não são levadas em consideração, por exemplo, natimortos; 
 silencia-se sobre o destino das pessoas, dizendo-se, por exemplo, que um avô morreu 
de infarto, quando na verdade suicidou-se. 
Critérios para o trabalho com o movimento amoroso são, por exemplo: 
 a pessoa teve graves experiências traumáticas, sobretudo na primeira infância.-, 
 apresenta as chamadas perturbações "neuróticas": problemas ligados à aproximação, 
medos, compulsões, etc., 
 dá a impressão de estar "ligada" e aberta quando se imagina abraçada com amor pela 
mãe ou pelo pai; 
 tem dificuldade de tomar e mostra sentimentos de desesperança e resignação, que não 
correspondem â situação real de sua vida; 
 permanece presa na satisfação de necessidades infantis. 
As informações recolhidas para a constelação familiar visam responder às seguintes 
perguntas: 
 quem falta e precisa ser acolhido, para que algo se resolva no sistema; 
 quem está sendo atraído para fora de um sistema, e para onde está sendo atraído; 
 de quem quer afastar-se ou em lugar de quem deseja partir; 
 quem é preciso deixar partir, para que os outros do sistema possam ficar; 
 quem talvez possa deter a dinâmica de partir e morrer, caso seja considerado e seu 
amor seja recebido; 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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 que destino pressiona para ser repetido através de uma compensação funesta, de modo 
que uma pessoa só se sente ligada a outra se não estiver melhor do que ela; 
 que destino pressiona para ser repetido porque foi encoberto e deseja vir à luz ou não 
foi honrado e quer ser reconhecido; 
 quem foi, através de seu destino, arrancado da vida de forma a parecer "incompleto", e 
talvez precise ser consumado através de outros; 
 que pessoas, vivas ou mortas, não puderam despedir-se, 
 que vítima não foi vista e reconhecida, e pressiona para que um póstero se assemelhe a 
ela; 
 que perpetrador não foi visto e reconhecido por seu ato funesto, de forma que um outro 
deseja segui-lo cometendo um ato semelhante; 
 se foi perturbada a ordem num sistema, por exemplo, a hierarquia dos irmãos, ou se não 
foi assegurada a precedência de um novo sistema, por exemplo, a da família atual sobre 
a família de origem, ou a do segundo casamento sobre o primeiro; 
 se as relações numa família não são confiáveis porque, por exemplo, filhos pressionam 
por assumir papéis dos pais ou vice-versa, ou porque os filhos querem fazer algo de 
inapropriado por seus pais, ou porque os pais não preservam a segurança dos filhos. 
O mais conveniente é que as informaçõesnecessárias sejam perguntadas passo a passo, em 
conexão com o processo da constelação. Naturalmente, é preciso saber inicialmente quem 
pertence a um sistema e eventualmente poderá ser incluído em sua representação. As 
informações restantes podem se: recolhidas de acordo com a dinâmica que se manifesta 
durante o processo da constelação. 
Com freqüência é útil também que, antes de começar o trabalho, sejam solicitadas informações 
sobre os destinos na família. Isto é importante, sobretudo quando alguém ainda não tem muita 
experiência com constelações e, antes de começar o trabalho, gostaria de obter indicações 
sobre a direção em que se desenvolverá o processo. O risco que se corre com isso é que as 
informações nos levem a desviar da dinâmica autêntica que se manifesta no processo da 
constelação ou que este fique sobrecarregado com as informações previamente recolhidas. 
Recomenda-se que, antes de iniciar o trabalho, sejam recolhidas informações suficientes 
sempre que a intenção expressa pela pessoa envolvida ainda não revele uma força clara e o 
direcionamento para uma solução, e o terapeuta ainda careça de informações que contenham 
um "peso de alma" e lhe dêem esta segurança: "agora já posso trabalhar". 
Muitas vezes, as informações essenciais para uma constelação liberadora só se revelam, de 
forma totalmente inesperada, durante o processo de sua colocação. Vou citar um breve 
exemplo. 
Uma mulher, que já tinha feito sua constelação e contemplado nela os destinos da família da 
mãe, queria esclarecer algo de "indefinível" que a separava de seu pai. Numa segunda 
constelação, ela colocou sua representante num lugar que não competia a uma filha, como se 
estivesse substituindo uma pessoa que faltava. Mas o que mais impressionou nessa 
constelação foi que o representante do pai olhava "para um túmulo". Perguntas feitas na 
ocasião revelaram que o pai tivera anteriormente uma noiva, sobre a qual nada se sabia. Numa 
rodada anterior, o terapeuta havia interrogado os participantes sobre histórias literárias que 
foram pessoalmente importantes para eles, e essa mulher citara "A Bela Adormecida", que fala 
de uma amada excluída pelo pai, e uma história de Ingeborg Bachmann sobre o suicídio de 
uma mulher. Baseado nessa informação, o terapeuta fez com que a representante da noiva se 
deitasse no chão, diante do pai, mas não se manifestou nenhuma relação significativa. Então o 
terapeuta simplesmente virou o pai para fora, como se buscasse a morte. Aí o representante 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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do irmão da mulher exclamou: "Eu bem gostaria de fuzilá-lo pelas costas!" Essa expressão 
emocionou profundamente a mulher, e ela contou que seu pai sempre sofreu muito porque, 
quando era um jovem soldado na guerra, tinha fuzilado num bosque, pelas costas, um homem 
que depois se verificara ser um velho camponês, que trazia flores nas mãos. Com o relato da 
filha, ficou claro para que túmulo o pai estava olhando e na direção de quem se sentia atraído, 
e assim foi possível encontrar uma solução que comoveu e aliviou a família. 
 
3. Sistema atual ou sistema de origem? 
 
Para um esclarecimento talvez necessário: família de origem é a família onde alguém é filho, e 
família atual é aquela onde alguém é marido ou mulher, pai ou mãe. 
Que sistema o terapeuta deve pedir que o cliente coloque? (No presente contexto e tio que 
vem a seguir falo sempre de sistemas familiares, sem entrar nas características metodológicas 
do trabalho com outros sistemas de relações como são, por exemplo, uma empresa ou unia 
equipe). A resposta à pergunta acima depende muitas vezes diretamente da intenção expressa 
pelo cliente, por exemplo, a solução para uma briga séria com uma irmã ou uma ajuda para 
permanecer com o parceiro. 
Se eventualmente tal desejo abrange ambas as direções, a precedência geralmente deve 
caber ao sistema que possua a maior força com vistas à solução desejada. Via de regra é o 
sistema atual, quando se trata de um problema de peso. O cliente tem a tendência de escapar 
desse sistema, porque com freqüência ele exige as soluções mais dolorosas. O terapeuta não 
deve colaborar com tal evasão; caso contrário, perderá a confiança do cliente. Por outro lado, 
ele nada conseguirá insistindo, contra a vontade do cliente, em colocar o sistema atual. Já 
vivenciei repetidas vezes que, ao pedir a um participante que configure o seu sistema atual, ele 
espontaneamente vai buscar representantes para a mãe ou um irmão, mostrando que 
interiormente está voltado para o sistema de origem. Em tal caso talvez seja melhor esperar, 
até que o cliente manifeste com mais força e segurança a escolha do sistema a ser colocado. 
Freqüentemente convém inserir algo do sistema de origem na constelação de um sistema 
atual, porque muitos conflitos de casais e de famílias decorrem de emaranhamentos nas 
famílias de origem. Talvez seja preciso que se solte um movimento interrompido em direção à 
mãe para que alguém aceite a proximidade do parceiro, ou que alguém se despeça de uma 
noiva do pai ou de uma avó que foi tratada injustamente, para que passe a olhar o parceiro 
sem mistura de sentimentos estranhos. Quando, porém, existem graves ofensas ou 
acontecimentos entre o casal ou na família atual (por exemplo, morte ou exclusão de um filho, 
ou violência), ou quando o sistema atual é muito complexo, provavelmente será preciso, para 
esclarecer o que nele se passa, renunciar temporariamente a abordar os emaranhamentos do 
sistema de origem. 
 
4. A escolha dos representantes 
 
Uma constelação começa com a escolha dos representantes. Ela deve ser feita num único 
fluxo, sem predeterminação de pessoas e sem critérios. Quando o cliente valoriza 
determinadas características das pessoas que quer escolher, ele prende a alma, responsável 
pela escolha, a fantasias e ligações que distraem. Semelhanças na aparência, altura das 
pessoas ou outras características não influem na percepção dos representantes. Pois uma 
pessoa não se torna mãe pelo fato de ser alta ou baixa, e o destino normalmente não depende 
de características externas. A vantagem de trabalhar com representantes consiste justamente 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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em que eles não se assemelham aos membros da família e aquilo que sentem não depende de 
qualquer caracterização ou indicação prévia. Desta maneira, podem sentir coisas essenciais 
que na própria família, devido ao excesso de informações e à grande proximidade, não podem 
ser percebidas. O essencial é liberado pelo acaso, e este não se prende a nossos laços 
pessoais. 
É conveniente que a pessoa que coloca sua família escolha ela própria os representantes, pois 
através dessa escolha ela já introduz no processo a busca e a força de sua alma. Isto, porém, 
não significa que somente ela possa escolher os representantes "certos". Quando, no decurso 
de uma constelação, é preciso introduzir outras pessoas, o próprio terapeuta, para agilizar o 
processo, pode escolher os representantes. Pois pertence às surpreendentes características 
deste método que pessoas diferentes, colocadas no mesmo lugar dentro de uma constelação, 
sentem da mesma maneira. 
Já no processo da escolha das pessoas é preciso que haja tranqüilidade, concentração e uma 
certa tensão na pessoa que coloca, no terapeuta e no próprio grupo. O "campo" da constelação 
já começa a ser estruturado com a escolha e a introdução das pessoas. Os representantes 
precisam estar disponíveis para se deixarem colocar, desfazendo-se de objetos que possam 
perturbar, por exemplo, de algum chapéu que chame a atenção. Sua energia deve poder fluir 
livremente, sem ser prejudicada, por exemplo, por um chiclete na boca. Caso alguma pessoa 
escolhida não se mostre disponível, hesite ou dê a impressãode estar inibida, o terapeuta deve 
pedir ao cliente que escolha outra pessoa. 
Quantas pessoas devem ser incluídas desde o início numa constelação? Isto depende, 
naturalmente, das dimensões do sistema a ser colocado e do problema a ser resolvido. Como 
regra geral, devem ser colocadas apenas as pessoas que sejam absolutamente necessárias. E 
melhor incluir posteriormente outras pessoas na constelação do que sobrecarregá-la ou 
bloqueá-la, desde o início, com um excessivo número de pessoas. Quando, por exemplo, 
houver muitos irmãos e seus destinos não puderem ser tratados individualmente, basta 
começar com aqueles que, pelas informações prestadas, sejam imprescindíveis, incluindo 
posteriormente os demais na imagem da solução. Quando os sistemas familiares são muito 
complexos, o terapeuta começa apenas com os membros que pertencem imediatamente à 
família do interessado e eventualmente com os "anteriores". Quando a família de origem tem 
uma forte influência sobre a família atual, consideramos inicialmente a dinâmica da família 
atual e depois introduzimos pessoas relevantes da família de origem. Pode-se ainda trabalhar 
simplesmente com um sistema reduzido, por exemplo, apenas com a mãe e seu filho, ou com a 
pessoa em questão e sua doença ou sua morte. 
Se já no início precisa ser colocado um número maior de representantes, é necessário ficar 
atento para que cada um deles saiba, desde o princípio, qual é a pessoa que ele está 
representando e quem estão representando as demais pessoas escolhidas. Caso contrário, 
começa com freqüência um cochicho entre os representantes, durante o processo da escolha, 
para saber quem é quem, e com isso se desconcentram. O melhor é que as pessoas sejam 
escolhidas em alta voz, claramente e numa ordem bem definida. Por vezes, é útil que o 
terapeuta coloque os escolhidos numa certa ordem provisória que mostre claramente a 
seqüência dos irmãos. 
 
5. 0 processo da colocação 
 
A pessoa que coloca seu sistema deve fazê-lo sem se preocupar com épocas e com razões, e 
sem uma imagem preconcebida. Se o terapeuta tem a impressão de que o cliente está 
seguindo algum esquema ou alguma imagem preconcebida, deve adverti-lo e pedir que 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 67 - 
recoloque os representantes, ou então interromper o processo. Se for perguntado se a família 
deve ser colocada como é atualmente ou corno era antes, o terapeuta não deve entrar na 
questão mas acentuar a necessidade de uma "ausência de tempo" na colocação. Pertence à 
essência da alma, e portanto também de uma constelação, que sua dinâmica não está 
confinada a um tempo determinado. Vivos e mortos estão presentes da mesma forma, e 
freqüentemente não sabemos que acontecimentos e que destinos ainda estão atuando numa 
família. 
Na maioria dos casos, as pessoas colocam a família "corretamente", sem que o terapeuta 
precise dizer ou explicar muita coisa. Às vezes, é preciso dar algumas indicações introdutórias 
como, por exemplo: "Coloque sem preocupação de ordem temporal, sem buscar razões, sem 
imagem preconcebida. Posicione as pessoas em relação umas com as outras, da forma como 
a família é. Aja de acordo o seu sentimento e confie em seu coração e em sua alma". Talvez 
seja preciso ainda dizer algo sobre a maneira de posicionar, como: "Segure as pessoas, de 
preferência com ambas as mãos, pelos braços ou pelos ombros, de frente ou de costas, e 
coloque-as silenciosamente em seu lugar, sem configurar posturas e sem dar instruções". 
Então o terapeuta se retira, deixa com o interessado o processo da colocação e confia-se à 
própria percepção do que acontece. Ele toma atenção para que a pessoa configure o sistema 
com cuidado e amor e para que, desde o início, as forças do campo possam manifestar-se 
através da "força" da constelação. A reação de atenção ou de intranqüilidade no grupo indica 
rapidamente se o tema de uma constelação é importante e se a pessoa que a coloca está 
realmente envolvida. 
Quando alguém coloca sem amor sua família, esquece de posicionar pessoas, assegura que já 
estão certas no lugar onde por acaso ficaram depois de escolhidas, não sabe onde colocar 
certas pessoas ou duvida da própria imagem que configurou, o terapeuta pode eventualmente 
intervir com esclarecimento e incentivo; porém, na maioria dos casos, precisa interromper o 
trabalho, ainda na fase da colocação. Talvez não seja ainda o momento certo para colocar o 
sistema, ou o sistema escolhido não seja o adequado. Talvez a lealdade a um membro da 
família ou a falta de alguém, por insuficiência de informação, esteja bloqueando a constelação. 
Algumas pessoas colocam seu sistema apesar de estarem talvez excessivamente "saciadas" 
ou excessivamente "famintas" ou amarguradas, ou têm medo do que possa manifestar-se, ou 
se sentem pressionadas, por exemplo, pelo parceiro, a colocar o sistema, embora não se 
sintam dispostas a isso. 
Uma moça compareceu a um grupo, por intermédio de sua mãe, para fazer sua constelação. 
Em virtude de seus medos, sua mãe precisou acompanhá-la de Hamburgo a Munique, para 
que ela pudesse participar. Quando ela começou a colocar, dava a impressão de estar muito 
desconcentrada e não sabia onde posicionar as pessoas da família. O terapeuta interrompeu 
imediatamente, e isto trouxe a ela simultaneamente decepção e alívio. Na rodada inicial do dia 
seguinte ela contou que, na noite anterior, tivera uma séria briga com sua mãe, por causa da 
interrupção de seu trabalho. O desejo de sua mãe era que ela se livrasse de seus medos, mas 
o interesse dela era totalmente diverso; o que ela desejava era encontrar finalmente um 
relacionamento satisfatório com um homem. Ela afirmou isto com muita força na voz, e o 
terapeuta imediatamente fez com que ela colocasse de novo sua família. Desta vez, ela o fez 
com muita clareza e energia e conseguiu ter com seu falecido pai um encontro que muito a 
comoveu e aliviou. Indiretamente algo tinha ficado claro também sobre seus medos. Essa 
segunda tentativa de colocação foi sustentada por sua própria força e por seu direcionamento 
interior. 
 
6. Deixar agir a imagem que foi colocada 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Quando a pessoa; com o auxílio dos representantes, acabou de configurar o sistema das 
relações familiares, ela se senta, de modo a poder acompanhar bem o que acontece na 
representação. Também o terapeuta se senta ou se afasta do campo da constelação. Começa 
uma fase mais ou menos longa de silêncio, em que os representantes entram em contato com 
seus sentimentos e se concentram no que emerge neles. O terapeuta se deixa impressionar 
pela imagem que foi colocada. Em termos mais precisos, deixa que esse campo ou a alma da 
família que foi colocada produza uma impressão sobre ele. Sem se prender aos detalhes, 
percebe as primeiras reações, freqüentemente sutis, dos representantes, os impulsos de se 
movimentar, os movimentos corporais intranqüilos, as mudanças na direção do olhar para 
outros membros da família, um olhar para o chão, para o céu ou para longe, etc. Ao mesmo 
tempo, o terapeuta fica atento às próprias reações internas, às vezes também corporais, às 
"imagens" que afloram nele, àquilo que nele fulgura com uma primeira "verdade" (no sentido de 
um desvendamento). Ele se deixa tocar pelo sistema representado ou pela alma da família. Na 
medida do possível, "esvazia-se" e deixa-se comover por aquilo que vê e que o toca. 
Este é, muitas vezes, o momento mais difícil para um terapeuta, pois nesse ponto ele nada 
pode fazer, nem sabe para onde o conduzirá a dinâmica da constelação. Talvez seja tentado a 
formular pensamentos, a compatibilizar a imagem com as informações que já possui ou a 
refletir como irá proceder. Talvez se coloque sob pressão, coma se passasse a dependerdele 
o sucesso ou o insucesso da constelação. Talvez também fique com medo diante do que 
possa surgir ou não surgir, ou então se entregue a uma segurança precipitada sobre a forma 
de achar logo uma solução. Porém o que importa agora é aquilo que Bert Hellinger chama de 
olhar fenomenológico: um olhar "sem saber", "sem intenção", "sem medo". Este é também um 
momento profundo de participação naquilo que muitas vezes toca uma família no mais íntimo; 
o olhar e a percepção do terapeuta (e também dos representantes) são acompanhados de 
respeito e gratidão por poder participar. 
Esse primeiro momento silencioso de uma constelação, antes que os representantes comecem 
a ser interrogados, é de grande importância. Ele é necessário para que se tome consciência 
daquilo que a alma do grupo está disposta a manifestar. 
Quanto tempo deve durar esse silêncio, é algo que o terapeuta geralmente percebe com muita 
precisão. O silêncio é sustentado por uma força que vai se construindo, por uma tensão e, às 
vezes, por uma profunda comoção, que vem à tona durante a representação e também 
mobiliza o terapeuta e o grupo. Quando o terapeuta começa a fazer perguntas cedo demais, o 
fator que mobiliza não pode desenvolver-se e o processo da constelação fica superficial ou 
torna-se cansativo. Freqüentemente o terapeuta não confia no próprio olhar e por conseguinte 
"necessita" dos representantes e do que eles dizem. Isto, porém, pode sepultar a confiança, no 
terapeuta. Por outro lado, quando ele espera por um tempo longo demais, a energia da tensão 
se dissipa e os representantes ficam inquietos e impacientes ou caem num processo que os 
tira da dinâmica da família que representam e os leva para uma dinâmica pessoal, que então 
pode falsificar o processo da constelação. 
Nem sempre, é verdade, a atitude de deixar que a representação atue resulta numa dinâmica 
poderosa. Algumas constelações só desenvolvem sua força e sua dinâmica com os passos 
posteriores. Isso acontece principalmente quando ainda não foram colocadas pessoas 
decisivas para a dinâmica familiar ou faltam informações importantes. Assim, o terapeuta não 
deve se deixar perturbar ou desencorajar quando a imagem de uma constelação não apresenta 
inicialmente profundidade. Embora seja às vezes aconselhável interromper a representação já 
no princípio, vale a pena, em primeiro lugar, insistir na continuação do processo e confiar em 
seu bom êxito. 
Às vezes aparecem, desde o início, reações estranhas nos representantes. Certa vez, um 
homem colocou sua família de origem. Mal havia acabado de posicionar os representantes 
quando estes começaram a cochichar e a rir, e não houve meio de fazêlos parar. O homem 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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ficou muito perturbado e confuso e o terapeuta já pensava em interromper o trabalho, quando 
uma voz interior o aconselhou a presenciar o riso por mais algum tempo. Então ele perguntou 
ao homem: "O que aconteceu no casamento de seus pais?" Pois algo na imagem lhe fazia 
lembrar uma companhia de convidados num casamento. O homem respondeu: "Certa vez me 
contaram que no casamento de meus pais apareceu uma mulher com uma filha de uns vinte 
anos. Diante de toda a assistência, ela caminhou até minha mãe, mostrou-lhe a mão da filha e 
disse: "Esse anel na mão de minha filha foi dado a ela de presente por seu marido, junto com a 
promessa de casamento". Ao ouvir este relato, os representantes repentinamente silenciaram. 
O terapeuta introduziu então representantes dessa mulher e de sua filha, que tinham sido 
supostamente ridicularizadas, e agora elas foram olhadas com emoção. 
 
7. As perguntas aos representantes 
 
Se os representantes estão envolvidos - e quase sempre estão - o terapeuta começa a 
interrogá-los sobre seus sentimentos. Talvez seja necessário -- sobretudo se os representantes 
ainda não conhecem o trabalho -- que o terapeuta os incentive a confiar no que sentem e a 
comunicá-lo abertamente, sem qualquer tipo de consideração. A maioria dos representantes, 
pelo menos em nosso espaço cultural, tem facilidade de expressar seus sentimentos. As vezes 
eles expressam não o que surge de seu papel mas o que pensam da situação, fora do contexto 
da representação, ou dizem o que julgam que deveriam dizer. Na maioria das vezes, basta um 
curto esclarecimento e incentivo por parte do terapeuta para que entrem na representação. 
Acontece ainda, com freqüência, que os representantes não expressem o que estão sentindo 
mas relatem o que estão vendo, ficando presos à superficialidade do olhar e à simples 
descrição de sua posição. Isto também é geralmente fácil de corrigir através de uma breve 
advertência quanto ao serviço que se espera do representante numa constelação. 
Quem é interrogado primeiro pelo terapeuta? Se o início da constelação ainda mostra pouca 
dinâmica, ele começa habitualmente pelo pai e pela mãe, passando depois para os filhos. Se, 
porém, logo ao começar, se manifesta num representante alguma reação nítida, o terapeuta 
acompanha essa dinâmica com suas perguntas e aborda os representantes que nela estejam 
claramente envolvidos. 
Não é necessário, e freqüentemente é mesmo contraproducente, que todos os representantes 
sejam logo interrogados, sobretudo nos sistemas maiores. Se uma dinâmica importante se 
manifesta em alguém, o terapeuta a acompanha imediatamente e, em consonância com ela, 
começa a fazer as primeiras alterações na imagem. Se ele o fizer, estará acompanhando a 
força e o fluxo de energia da constelação. Se não o fizer, com a continuação das perguntas a 
força se dissipa, pelo menos inicialmente. Caso se evidencie depois que seguir a primeira 
dinâmica não leva à solução e até mesmo desorienta, isso poderá ser corrigido no decorrer do 
trabalho. 
Pode acontecer que um representante nada sinta mas esteja comunicando algo de verdadeiro 
com essa ausência de sentimento. Já outros precisam ser contidos em sua loquacidade para 
que se limitem ao essencial, que pode ser expresso de maneira muito simples e breve. Quando 
um representante mostra um forte sentimento ou uma espontânea reação física, o terapeuta 
fica nessa reação não verbal, ao invés de tirar dela o representante incentivando-o a descrevê-
la. Com efeito, o que interessa não são tanto as palavras, mas a revelação da dinâmica 
profunda da alma numa família. Quando as palavras de um representante contrariam a 
impressão que a dinâmica produziu no terapeuta, este deve confiar também no próprio 
sentimento e comunicá-lo. Muitas vezes isto contribui para elucidar o que é importante e 
adequado na expressão dos representantes. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O terapeuta deve ficar atento para que a prontidão de comunicar por parte dos representantes 
não se autonomize. Existem constelações em que os representantes, da. mesma forma como 
na família real, passam a disputar entre si, o que afasta do essencial. Nesse caso, o terapeuta 
deve reconduzir os representantes a um silêncio que permita o desenvolvimento do que 
realmente importa. Alguns representantes se sentem desconsiderados se não são 
imediatamente interrogados e pressionam o terapeuta no decurso da constelação. Também 
aqui deve-se pedir que se contenham e assegurar a todos que terão oportunidade de dizer o 
que for significativo. Os representantes, com seus sentimentos e comunicações, são 
individualmente importantes; contudo, na medida em que estão dentro do sistema, não 
conseguem ter um olhar de conjunto e um direcionamento para o sistema em sua totalidade. O 
terapeuta que os acompanha é capaz disso e precisa estar consciente dessa tarefa. 
Durante as perguntas aos representantes, o terapeuta não deixa de manter também sob os 
olhos a pessoa que colocou a família -- que geralmente está olhando e ouvindode fora --, 
percebe suas reações pelo canto dos olhos e pode interrogá-la, de vez em quando, sobre o 
que ela gostaria de dizer sobre as manifestações dos representantes, e se fazem sentido para 
ela. Um dos principais efeitos de uma constelação para a solução de problemas do cliente 
reside no fato de ele identificar a si mesmo e a própria família nas reações dos representantes. 
Assim, embora acompanhando de fora, ele vibra em sintonia com o processo da constelação. 
 
8. A descoberta da dinâmica familiar 
 
O cerne de todo trabalho com constelações consiste em acompanhar as reações dos 
representantes e aquilo que o terapeuta "vê" e sente, e em fazer as correspondentes 
alterações e complementações no contexto dos relacionamentos. Nesse trabalho se mostra, 
passo a passo, o que aflige a alma do grupo e a mantém no destino funesto, bem como o que 
pode desfazer o emaranhamento ou levar a uma solução final os processos inconclusos numa 
família. Neste particular, cada constelação é nova e única para o terapeuta. A cada vez, ele é 
de novo desafiado a não se deixar levar por regras rígidas mas pelo amor, pela força e verdade 
do próprio sistema. Caso o terapeuta perca contato com o fluxo da representação, isto não 
será tão desastroso, desde que recupere a tempo o contato. Caminhos errados são 
rapidamente reconhecidos e geralmente corrigidos quando o terapeuta confia no processo da 
constelação, nas reações dos representantes e nos próprios sentimentos. Se o processo 
estanca, geralmente são necessárias novas informações e a introdução de pessoas 
importantes no sistema. Em seguida apresento algumas perguntas importantes, que podem 
dirigir o processo de descoberta da dinâmica familiar (já foram apresentadas, de modo 
semelhante, no capítulo sobre o processo de informação). 
 
Elas apontam para uma variedade de processos na alma, que aqui apenas pode ser esboçada. 
 Que indicações para o processo na alma do grupo se depreendem imediatamente da 
imagem que foi colocada -- por exemplo, de um olhar para o chão ou do tremor no corpo 
de algum representante--? A primeira imagem colocada é a base de tudo 0 mais e a 
conexão com ela não deve ser perdida na continuação do processo Se, essa primeira 
imagem não dá sustento, é necessário interromper a constelação. 
 Que indicações fornecem as palavras dos representantes, por exemplo: "Não sinto 
nenhuma relação com meus filhos"? 
 Quem está faltando no sistema e deve ser nele incluído? 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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 Quem se sente atraído para sair do sistema, e para onde? Essa atração resulta do 
destino pessoal, da vontade de seguir ou substituir outra pessoa, do desejo de expiar 
por ela? 
 Quem procura impedir que outra pessoa vá embora? Quem atua no sistema para 
separar ou unir outras pessoas, por exemplo, os próprios pais? 
 Quem não consegue assumir o lugar que lhe compete? Quem assume um lugar por 
presunção? 
 Quem está preso à lembrança de um acontecimento funesto, -- por exemplo, a 
descoberta do corpo do pai que se suicidara -- e de que precisa essa pessoa para 
libertar-se disso? 
 Quem não foi reconciliado, -- por exemplo, uma antiga noiva do pai --, e de que 
necessita para que se reconcilie? 
 Por quem não se chorou? Que processos de despedida precisam ser retomados (de 
ambos os lados) entre vivos ou entre vivos e mortos? 
 Que mudanças e alterações no sistema possibilitam que o amor flua, que uma situação 
seja concluída, que algo se cure, seja colocado em ordem ou fique em paz? O que não 
foi olhado ou nomeado e precisa sê-lo? 
 Quem não foi respeitado, que destino não foi honrado? 
 Como podem os homens ser homens, as mulheres ser mulheres, os pais ser pais e os 
filhos ser filhos? 
Os meios para obter processos de mudança na constelação são os seguintes: 
 permitir que sejam executados os impulsos de se movimentar; 
 virar as pessoas na direção das outras ou na direção contrária; 
 incluir ou afastar pessoas (às vezes, também para fora do recinto); colocar pessoas 
frente a frente ou lado a lado; 
 ordenar pessoas de acordo com a hierarquia dentro de um sistema ou a precedência do 
novo sistema, quando houver vários; 
 colocar pessoas deitadas ( em acidentes fatais de grande importância no destino) e 
fazer com que outras se deitem ao seu lado, 
 abraçar-se 
 fazer uma inclinação ou reverência; 
 olhar pessoas nos olhos; 
 dizer frases que trazem à luz e nomeiam algo oculto e que atuam de forma liberadora e 
curativa. 
Depois de fazer ou deixar fazer tais alterações na posição e na postura dos representantes, o 
terapeuta, após um adequado tempo de sensibilização, verifica, com novas perguntas aos 
envolvidos, o efeito dessas alterações. Assim se desenvolve, passo a passo, um processo que 
revela, no decorrer da constelação, os eventos anímicos que enredam e que liberam, e 
possibilita a sua compreensão. No processo de descoberta e de solução é preciso observar 
algumas coisas: 
O terapeuta não pode seguir todas as dinâmicas do sistema. Precisa limitar-se ao que na 
representação se revela como essencial e que é mais eficaz em relação ao desejo manifestado 
pelo cliente. Assim, o terapeuta se concentra na procura da solução sistêmica que é 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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especialmente importante para o cliente, renunciando a encontrar uma boa solução para todos 
os envolvidos no sistema, por exemplo, para todos os irmãos. Algumas coisas que são apenas 
aludidas na constelação e não podem ser tratadas nela, a própria alma as revela por si mesma 
no correr do tempo. E algumas vezes uma segunda constelação precisa abordar outros 
aspectos da dinâmica familiar. 
O terapeuta só deve seguir uma pista no processo da constelação se nisso tiver o suporte dos 
representantes. Embora conduza os representantes e também o cliente, o terapeuta não pode 
trabalhar contrariando os sentimentos e a energia deles. A constelação não tem a função de 
convencer alguém de uma idéia, mas precisa falar e convencer por si mesma. Às vezes é 
importante acompanhar "imagens" que espontaneamente emergem no terapeuta, nos 
representantes ou na pessoa que está colocando sua família. Muitas vezes elas revelam o 
essencial. Mas é preciso verificá-las e eventualmente rejeitá-las ou corrigi-las. 
Quando se manifesta que alguns membros da família, pela forma como foram posicionados, 
encobrem uma dinâmica importante -- por exemplo, a dinâmica entre os pais--, é útil fazer 
inicialmente uma ordenação parcial do sistema, tirando os filhos que estejam entre os pais e 
colocando-os na fila dos irmãos, para que se possa ver mais claramente e trabalhar o que 
existe entre os pais. Quando foram colocadas mais pessoas na constelação do que se verifica 
ser necessário, pode-se pedir a algum representante que se sente. Isto diz respeito sobretudo 
a parceiros anteriores no sistema atual ou no sistema de origem, quando se revela que não são 
muito significativos. 
De modo geral, é melhor aprofundar com menos pessoas do que perseguir o maior número 
possível de assuntos numa família. A tentativa de apreender completamente os processos da 
alma tira força e eficiência das constelações e das soluções. Um perigo igualmente importante 
é a tentativa de enquadrar as constelações e seus processos em esquemas lógicos e 
explicações de causa e efeito. O objetivo é esclarecer, não explicar. Bert Hellinger menciona 
com freqüência as palavras de Werner Heisenberg que, interrogado sobre qual seria o 
contrário da clareza, respondeu: "A exatidão". 
Uma constelação precisa ser clara mas não exata. Ela não reproduz a verdade, mas no 
processo de sua colocação acontece algo da verdade de uma família. Um cliente pode 
geralmente semesforço tomar em sua alma uma clara imagem da constelação e ajustá-la à 
sua realidade familiar interna e externa, da forma como for correto e útil, mesmo que essa 
imagem, à semelhança de uma boa pintura, não reproduza simplesmente a realidade mas, em 
sua forma específica, aponte para algo real, justamente por não ser a própria realidade. Tal 
imagem não afirma: "é assim", mas simplesmente: "é isto". Tratase de um contexto de efeito 
benéfico, mais do que da análise de uma realidade explicável por suas causas. Como método 
sistêmico, o trabalho da constelação ganha sua realidade a partir de uma totalidade maior que 
não podemos desvendar completamente, mas da qual somente podemos participar. 
 
9. A ordenação do sistema 
 
Na maioria das vezes, o processo de uma constelação conduz a uma nova ordenação da 
sistema: a uma nova ordenação mais externa, através da imagem da solução, que indica a 
cada um o lugar certo e liberador no sistema; e a uma nova ordenação mais interna, que 
resulta das frases e também dos gestos trocados entre as pessoas. 
Ordenar uma constelação no sentido de se obter uma imagem da solução obedece a 
determinadas regras que em muitas constelações se comprovaram como solucionadoras. Vou 
citar algumas regras gerais, que certamente permitem muitas variações de posicionamento. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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 Os filhos ficam de frente para os pais. Na maioria das vezes, a melhor solução reside na 
separação clara entre os níveis dos pais e dos filhos, que então podem ver-se. 
 Os filhos são ordenados entre si de acordo com a hierarquia de origem, isto é, primeiro o 
mais velho, em seguida o segundo, e assim por diante. 
 A hierarquia de origem se mostra na imagem da solução, no sentido horário. 
 Entre os pais, ocupa o primeiro lugar (a direita) o que tem maior responsabilidade 
quanto à segurança da família ou que, por sua família de origem, tem um peso especial 
no que toca ao destino ou aos bens, ou ainda que já possui filhos de um relacionamento 
anterior. 
 Às vezes, os filhos necessitam da segurança de um dos pais, por exemplo, quando 0 
outro está em risco de suicídio. Nesse caso os filhos ficam imediatamente ao lado do 
progenitor que lhes proporciona segurança. 
 Na separação dos pais, o lugar dos filhos é freqüentemente entre ambos. Entre os pais, 
o primeiro lugar cabe àquele que permaneceu em casa. 
 Às vêzes, os pais precisam ser fortalecidos por seus antepassados, sobretudo quando 
estes morreram prematuramente. Pode-se então colocar, por trás dos pais, os avós e às 
vezes também outros antepassados. 
 Por vezes, uma fila de pais ou irmãos ou outros parentes já falecidos, junto a um ou a 
ambos os pais, tem um sentido liberador, sobretudo quando uma corrente de amor 
interrompida quer voltar a fluir e pessoas que antes não foram consideradas ainda 
precisam manter, por algum tempo, um lugar junto aos vivos. 
 Quando existem ligações estáveis anteriores das pais de que não resultaram filhos, o 
pai se interpõe entre a mãe e o parceiro anterior dela, e a mãe se interpõe entre o pai e 
a parceira anterior dele, a não ser que o amor anterior ainda atue tão fortemente que 
impeça essa solução. Essa interposição não é possível se existem filhos da relação 
anterior. Por exemplo, um homem separou-se da primeira mulher, com quem tem três 
filhos, casou-se de novo e tem um filho com a segunda mulher. Então a ordem é a 
seguinte: primeiro vem a primeira mulher, depois os filhos do primeiro casamento, a 
seguir o pai, então sua segunda mulher e finalmente o filho do segundo casamento. 
Nesse caso, deve-se notar que a primeira mulher, embora anterior no sistema, ocupa 
posição secundária com respeito à segunda mulher. Já os filhos do primeiro casamento 
têm (para o pai) posição anterior e precedência sobre o filho do segundo. 
 Às vezes, em razão de uma culpa grave, como um assassinato, é preciso que alguém 
abandone um sistema familiar ou que se satisfaça sua tendência de abandonar a 
família. Isto se mostra na constelação, na medida em que essa pessoa é afastada ou 
levada para fora do recinto, de forma a aliviar o sistema. Outras pessoas que sintam 
vontade de ir embora devem ser viradas para fora. Com freqüência, porém, elas devem 
ser novamente viradas para dentro na imagem da solução, de forma a poderem 
participar melhor, mesmo que sintam impulso de ir embora. Isto é mais fácil de se fazer 
quando ficou claro quem é que elas querem seguir e, após um processo de solução, 
ambos podem ser virados de novo para dentro do sistema. 
 Crianças abortadas, de forma espontânea ou voluntária, geralmente não são colocadas 
na fila dos irmãos. 
Um saber claro sobre a ordem liberadora na imagem da solução facilita muito 0 terapeuta. Os 
representantes não podem encontrar por si mesmos a ordem que libera porque, como já foi 
mencionado, eles estão no sistema. Quando, porém, ficam na nova ordem, percebem muito 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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bem se ela é boa ou não. Se não se sentem bem é preciso geralmente "melhorar" alguma 
coisa no processo e na imagem da solução. 
Para a ordenação existe ainda uma regra geral, além dos critérios anteriormente mencionados: 
quanto mais simples forem as alterações e quanto mais conectadas à primeira imagem do 
sistema, tanto melhor. Modificações excessivas confundem, produzindo inquietação e falta de 
clareza. A ordem na imagem da solução não precisa ser sempre exata -- exceto quanto à 
ordem seqüencial dos irmãos --, se a exatidão representar um peso para a dinâmica da 
solução. Assim, nem toda constelação precisa ser completamente ordenada, e nem sempre é 
importante qual dos pais fica à direita ou à esquerda. Entretanto, de modo geral, é justamente a 
imagem da solução que guarda na memória uma força liberadora de largo alcance. Assim, vale 
a pena cuidar que ela seja ordenada de uma forma certa e liberadora. As imagens da solução 
despertam uma sensação de estarem bem formadas e uma certa harmonia que ajuda. E 
eventualmente revestem uma certa beleza interior e exterior e irradiam para todos algo de 
prazer e de alegria. 
 
10. A introdução do cliente na constelação 
 
A pessoa que coloca a família é geralmente introduzida na constelação quando já se visualiza 
para onde caminha a solução e quando o processo decisivo precisa ser percorrido com a 
presença da própria pessoa. Assim, quando o sistema já está mais ou menos ordenado e a 
dinâmica mais profunda foi esclarecida, a pessoa interessada é colocada diante do pai, da mãe 
ou de outras pessoas, para fazer ou dizer algo que a desprende de um destino alheio e faz 
com que ela tome e deixe fluir o amor, com os olhos abertos. 
Neste particular, muitas variantes são aceitáveis. 
Às vezes, o terapeuta trabalha só com os representantes até o final. Isto é aconselhável 
quando a própria pessoa ainda não consegue defrontar-se com processos difíceis de suportar 
em sua família, quando duvida, resiste ou simplesmente precisa de mais tempo e distância 
para assumir plenamente o que se revela. Entretanto, o terapeuta precisa sentir que a pessoa 
foi tocada pelo que acontece na representação. 
Quando os representantes estão muito emocionados e foram tomados a serviço de assuntos 
funestos, muitas vezes é bom percorrer com eles os passos da solução. Pois a pessoa 
interessada também está acompanhando de fora com seu sentimento e é mais fácil para o 
representante sair do seu papel quando pôde vivenciar não apenas o peso, mas também o 
alívio. Já o cliente pode assumir o peso com mais facilidade, porque é algo que lhe pertence, o 
que não sucede com seu representante. E o cliente terá tempo, em seu dia a dia, para o 
processo liberador e para seu aprofundamento, enquanto 0 representanteserá retirado do 
processo ainda no decurso da constelação. Além disso, os representantes que participam da 
constelação de alguém recebem algo de bom para si quando são tocados em algo que também 
os afeta. Esta é, entre outros, a grande vantagem do trabalho da constelação num grupo: 
através da representação de destinos estranhos, também se recebe muito para si mesmo. 
Existem constelações onde o representante da pessoa interessada está pouco tocado, embora 
o próprio terapeuta o esteja. Nesse caso pode-se introduzir o próprio cliente, logo que seja 
possível. Com freqüência aparece então, com muito mais clareza, a profundidade do que 
acontece. Se porém a troca do representante pela pessoa interessada iria prejudicar ou mesmo 
suprimir a emoção, é melhor continuar trabalhando com o representante. Deve-se evitar fazer 
um processo com o representante e depois repeti-lo com o interessado, pois com isto a força e 
a tensão se dissipam. Caso seja preciso fazer um movimento amoroso em direção ao pai ou à 
mãe, o próprio interessado deve ser tomado para o processo; porém se este acontece 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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espontaneamente com o representante, o terapeuta deixa que ele fique, por algum tempo, nos 
braços da mãe ou do pai, e então geralmente precisa repetir o processo com o interessado. 
A pessoa que coloca sua família não é introduzida desde o início na constelação porque ela 
própria não percebe a dinâmica oculta em sua família -- caso contrário, não necessitaria desse 
processo. Por esta razão, ela só entra em cena quando a dinâmica da família foi esclarecida. 
Isto vale sobretudo quando a pessoa está enredada. Existem casos de movimento interrompido 
em que as experiências dolorosas sepultaram a confiança da criança em ser acolhida pelos 
pais ou em que o filho se recusa a fazer tal movimento, rejeitando os pais com arrogância. 
Nesses casos, pode ser conveniente colocar representantes apenas para a mãe ou o pai, e 
trabalhar desde o início com a própria pessoa interessada. No movimento livre fica então muito 
clara a dinâmica do relacionamento e a pessoa interessada chega freqüentemente a uma boa 
solução ou ao processo curativo, por si mesma ou com pequena ajuda do terapeuta. 
 
11. A imagem da solução 
 
A imagem da solução acontece quando, depois de tudo o que ainda precisou ser dito e 
executado (por exemplo, uma reverência), todos os representantes e a pessoa interessada se 
sentem bem em seus lugares. Muitas vezes, uma respiração profunda e um visível alívio 
percorrem toda a família colocada. As fisionomias estão claras e abertas e, às vezes, 
realmente irradiantes. 
A imagem da solução, quando é vivenciada como verdadeira e liberadora, tem para a pessoa 
envolvida uma grande força, que estrutura sua vida. Se, numa situação de estresse, o efeito de 
uma constelação corre o risco de perder-se, a lembrança ativa ou inconsciente da imagem da 
constelação conduz a alma, como um guia, através das dificuldades. O terapeuta pode chamar 
a atenção para esse ponto quando alguém se pergunta ansioso se a solução vai se manter. 
Mas se alguém pergunta: "o que faço agora com essa imagem da solução?", isto revela que a 
constelação (ainda) não moveu coisa alguma na alma, seja porque essa imagem não pode ser 
assumida, seja porque não tocou em profundidade a alma do grupo familiar. 
Alguns participantes pedem a outros que anotem a constelação e também escrevam as frases, 
porque temem que o importante se perca. Entretanto, esse direcionamento interior para 
"possuir" a imagem de uma constelação fecha a alma. Quando uma constelação toca a alma 
ela também faz efeito, justamente porque a pessoa se entrega ao que vivencia, sem uma 
preocupação dispersiva sobre seu efeito no futuro. 
O terapeuta percebe com clareza se a constelação tem um efeito visível na pessoa envolvida, 
e em certas circunstâncias a interroga a respeito. Um bom indício do efeito de uma constelação 
é o sentimento de soltura em todo o grupo, quando este deixa que atue sobre si a imagem da 
solução. Existem porém também imagens de solução que, apesar de serem certas, ainda ficam 
como que pairando no espaço. Repetidas vezes recebi, longo tempo depois de uma 
constelação, cartas de pessoas em que adequadamente me comunicam: "Agora entendi". 
Por benéfica que seja para todos uma boa imagem de solução, nem sempre é aconselhável 
uma constelação seja "bem" resolvida. Justamente nos casos onde existe dificuldade de 
assumir a dinâmica que se manifesta, a força da constelação aumenta se o terapeuta a 
interrompe no auge dos acontecimentos e a deixa ficar sem solução. Muitas vezes, isto 
estimula mais as forças saudáveis na alma do que uma imagem da solução. Porém este 
recurso só é aconselhável quando o terapeuta tem clareza e está em sintonia com o que 
acontece na constelação. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Uma imagem de solução, assim como a própria constelação, não precisa ser completa. 
Portanto, não precisam estar presentes todas as pessoas que pertencem ao sistema. 
Entretanto, quando a pessoa que coloca já foi incluída na imagem da solução, é possível que 
ela diga: "Estou sentindo falta de meu irmão". Nesse caso, pode-se colocar ainda o irmão. O 
terapeuta também pode completar a imagem introduzindo pessoas que, embora não sejam 
imediatamente importantes para a dinâmica, pertencem à imagem da solução e a tornam mais 
"redonda" e poderosa. 
Acontece, repetidas vezes, que a imagem da solução colocada peio terapeuta não é aceita 
pelos representantes ou mesmo pela pessoa interessada. Neste caso, freqüentemente falta 
ainda alguma informação, alguma pessoa ou algum acontecimento importante, que até então 
não foi considerado no processo da solução. Se aparecem indícios nesse sentido, é preciso 
completar o trabalho. Se, porém, a energia da constelação já se dissipou, geralmente é preciso 
interromper. São situações que muitas vezes pesam em todos os envolvidos. O terapeuta 
precisa suportar isso e permanecer interiormente conectado com a solução, mesmo que ela 
não tenha se manifestado. 
Pode acontecer, ainda, que os representantes sugiram uma imagem que é bem recebida mas 
que, de uma forma ou de outra, contraria as ordens do amor. Nesse caso, a terapeuta não 
deve deixar-se seduzir pelos representantes ou pela pessoa envolvida. Por exemplo, numa 
constelação todas as pessoas se sentiram bem quando a primeira mulher do pai e a filha 
comum de ambos foram voltadas para fora e se afastaram alguns passos. Porém o terapeuta 
não confiou nisso. Levou o pai outra vez à presença de sua primeira mulher e fez com que ele 
lhe dissesse algo que a tocou muito. Então o terapeuta pôde trazer a mulher para perto da 
segunda família do pai e sua presença e proximidade foi aceita pelos representantes. 
Com isso eu gostaria de apontar para algo importante. Uma imagem de solução, como também 
todo o processo da constelação, recebe geralmente sua adequação, antes de tudo, daquilo que 
precisa ser dito, portanto das palavras reveladoras e das frases liberadoras. A imagem 
proporciona clareza, as frases proporcionam direção e força. Sem as palavras que precisam 
ser ditas, uma imagem pode bem aliviar e ser "bonita", mas talvez permaneça superficial. O 
que atua na alma realmente atua através de imagens, mas não consiste em imagens. O 
essencial é antes invisível. A ressonância com a alma pode de fato instalar-se por meio da 
imagem, mas freqüentemente só vibra com as palavras que atingem e liberam. É sempre 
surpreendente verificar como imagens de constelação muito semelhantes abrem na alma 
processos totalmente distintos, e como processos de solução totalmente distintos conduzem a 
imagens de solução semelhantes. 
 
12. As frases liberadoras 
 
O terapeuta podeindicar as frases da solução ou deixar que sejam encontradas pelos 
representantes. 0 essencial é que elas resultem do processo da constelação e sejam 
adequadas. Elas surgem da compreensão dos processos profundos da alma numa família. 
Com freqüência elas ocorrem simplesmente ao terapeuta ou aos representantes quando eles 
se abrem aos acontecimentos familiares e quando a alma do grupo está preparada para uma 
solução. Elas dão expressão ao vínculo e à solução, tocam e comovem a alma. 
Nas constelações utilizamos duas espécies de frases de solução: as que descobrem um 
vínculo de destino e as que desatam um vínculo de destino. As frases descobridoras têm um 
efeito liberador, porque nelas vem à luz numa vivência de espanto, muitas vezes muito tocante, 
o vínculo de destino que até agora determinou a vida, e porque elas exprimem a concordância 
com o amor que causou a vinculação ao destino. Tais frases são, por exemplo: "Mamãe, por 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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você vou encontrar sua irmã na morte, e então você pode ficar com papai", ou: "Querido vovô, 
você perdeu tudo; eu também não conservo nada, então fico perto de você". 
As frases que liberam proporcionam ao amor a conversão para o domínio aberto da vida. Elas 
honram o destino das pessoas conectadas, contemplam seu amor e deixam o destino com 
aqueles que o devem carregar -- e geralmente já o carregaram. Assim, uma filha poderia dizer 
à noiva abandonada por seu pai: "Vejo sua dor mas não posso tirá-la de você; tenho que deixar 
sua dor e sua raiva com você e com papai. Seja bondosa comigo se eu deixo você, fico com 
minha mãe e conservo meu namorado". 
As frases liberadoras só funcionam em confronto com a pessoa a quem alguém está vinculado. 
Esse olhar de pessoa a pessoa precisa de um certo tempo, até que a relação e a ligação sejam 
percebidas. A solução acontece "cara a cara". Portanto, as frases da solução não devem ser 
ditas cedo demais. E é preciso ficar atento para que as pessoas envolvidas realmente entrem 
em ligação recíproca. Só então as frases se comunicam, como que espontaneamente, e 
podem desenvolver todo o seu efeito. 
Nesse processo, o terapeuta fica atento a que a pessoa envolvida, enquanto diz as frases 
liberadoras, mantenha o contato do olhar com a pessoa com a qual está envolvida pelo 
destino, pois com freqüência ela procura desviar o olhar e com isso conservar os sentimentos 
que mantêm o enredamento. O terapeuta faz então, cuidadosamente, com que ela recupere o 
contato do olhar, de forma que os sentimentos que liberam encontrem sua expressão. Da 
mesma forma, o terapeuta fica atento, na repetição das frases da solução, à adequação da voz 
e à sua força liberadora, de modo que também a pessoa a quem se dirige e todo o grupo se 
convençam do passo liberador. 
Nem sempre as frases de solução ocorrem logo aos representantes, ao terapeuta e mesmo à 
pessoa envolvida. O terapeuta talvez se sinta então um pouco desorientado. Nesse caso, é 
bom que ele mantenha a situação num curto silêncio. Ele também pode recorrer às frases 
padronizadas que lhe são conhecidas, de Bert Hellinger ou de outros terapeutas. Elas 
conservam uma grande função orientadora, mesmo que sejam freqüentemente repetidas. 
É essencial que a pessoa envolvida possa pegar as frases e vivenciá-las de maneira adequada 
e liberadora. Às vezes o terapeuta precisará igualmente experimentar frases, até encontrar 
aquelas que trazem solução. Isto também não traz problema, na medida em que a busca das 
frases permanecer no contexto da alma e em contato com ela. 
O terapeuta deve verificar com cuidado se a pessoa simplesmente repete as frases ou se estas 
são também acertadas para ela e a tocam. Se não alcançam o que é adequado, é preciso 
procurar outras frases. Se o terapeuta sente que as frases são acertadas mas não tocam, ele 
precisará talvez lançar mão de mais alguma coisa na dinâmica do sistema. Por exemplo, ele 
induz a um diálogo os representantes da mãe e do pai e, depois, coloca a pessoa envolvida 
outra vez em relação e faz com que ela repita, na nova base, as frases da solução. Quando 
uma confrontação não liberta do emaranhamento, freqüentemente há outras pessoas no 
sistema que precisam primeiro liberar algo entre si. Portanto, durante as frases de solução não 
se deve olhar apenas a pessoa envolvida, mas manter presente todo o sistema. 
As frases liberadoras tocam o cerne do trabalho com constelações. Elas fazem vibrar as 
"imagens da alma". Tais frases não se vinculam necessariamente às imagens da constelação, 
se bem que uma linguagem tocante tem sempre a capacidade de "ver". Experimentamos isto 
quando, independentemente de constelações, e até mesmo numa conversa no telefone, a alma 
toca através das palavras. E fica claro, no mais tardar até que as soluções da alma advenham 
pela mediação das palavras, que a psicoterapia está longe de ser uma técnica de transmissão 
de informações, e que o elemento fundamental da psicologia consiste "no dizer, como forma de 
mostrar e fazer comparecer o presente e o ausente, a realidade em seu sentido mais amplo". 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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(2) Na psicoterapia, através de uma linguagem que preserva e guarda o que pertence à alma, o 
mundo é dito de novo em sua qualidade anímica e o ainda-não-visto é trazido à luz. (3) 
 
13. Rituais nas constelações familiares 
 
Nas constelações familiares, os rituais desempenham um importante papel. O ritual, como um 
procedimento repetido da mesma forma, associa-se às dimensões mais profundas da 
realidade. Nele são experimentadas forças anímicas que não podem, sem perder seu sentido, 
ser transmitidas pela simples linguagem. Vou abordar aqui brevemente apenas três rituais: a 
reverência, o deitar-se ao lado dos mortos e a fileira dos antepassados. A inclinação e a 
reverência. 
Na reverência, a pessoa que coloca sua família inclina-se diante de seus pais. Ela se inclina 
diante do destino que atua em sua família e das pessoas que carregam esse destino. A 
reverência é entendida de modo mais amplo do que a inclinação profunda. 
Na inclinação profunda, muitas vezes até o chão, uma pessoa deixa cair a presunção, 
sobretudo em face do pai ou da mãe. Tal gesto é indicado quando alguém permanece na 
recusa de se mover em direção aos pais, fez-lhes graves acusações ou talvez mesmo cometeu 
atos contra eles. Mesmo quando alguém, por amor ou orgulho, se coloca acima dos pais e com 
isso os perdeu internamente e às vezes também externamente, a inclinação profunda libera. 
Esse gesto restabelece o desnível entre os pais e o filho e é muitas vezes a condição para que 
o amor volte a fluir. Não raramente, a inclinação profunda leva uma pessoa a lágrimas 
abundantes, nas quais a compulsão da presunção e talvez também a culpa podem se 
dissolver. 
O gesto de curvar-se não é indicado quando a pessoa envolvida tem a sensação de ser 
humilhada pelos pais. Isto acontece, por exemplo, quando vem à tona a recordação de graves 
maus tratos infligidos pelos pais. Aqui é necessário um outro processo de liberação, e 
geralmente é preciso trabalhar primeiro com os pais na constelação. 
Uma inclinação profunda, feita com o devido sentimento, sempre libera, mesmo que nem 
sempre seja aceita pela outra pessoa. Às vezes é muito tarde para tal gesto, e então a pessoa 
precisa carregar diante dos pais a culpa e suas conseqüências. Se é grande a resistência 
contra a inclinação, pode-se pedir ao representante que a faça em lugar da pessoa envolvida. 
Isto muitas vezes produz um efeito ainda maior. O representante pode entregar-se mais 
facilmente ao que acontece. Nele, e no efeito sobre ele, costuma ser mais fácil perceber se é 
autêntico o gesto de curvar-se, e normalmente a pessoa envolvida participa plenamente, defora. A inclinação profunda feita pelo representante talvez suporte mais, porque nela não existe 
o medo inibidor diante do despojamento e porque também a resistência é respeitada. Esse 
curvar-se envolve também um segundo movimento, igualmente importante, que é o erguer-se. 
Através dele volta a força e a coragem para um relacionamento adequado e para o movimento 
amoroso. 
A reverência é um gesto abrangente de respeito e homenagem e de soltar-se. Por ela são 
honradas pessoas que nos precederam, juntamente com seus destinos. Através dela 
aceitamos os efeitos que o destino de outros trouxe à nossa própria vida e nos desprendemos 
desse destino. Pela inclinação algo pode "declinar", isto é, caminhar para seu fim, de forma a 
poder passar depois de algum tempo, mesmo quanto a seu efeito. Deitar-se ao lado dos 
mortos. 
Se alguém morreu no sistema e queremos perceber o efeito de sua morte sobre a família, 
podemos virar para fora o representante da pessoa morta e afastá-lo da família alguns passos. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Podemos também fazer com que alguém se retire do recinto. Se alguém teve uma morte 
trágica ou se sua morte não foi devidamente considerada e honrada, pode-se fazer com que 
seu representante se deite no chão, geralmente de costas. Isto provoca geralmente reações 
muito fortes na constelação, pois o ato de morrer e a morte são sentidos com todo o seu efeito. 
Talvez alguém queira deitar-se ao lado da pessoa morta, ou esta queira ser abraçada mais 
uma vez, ou uma mãe ao morrer queira tomar, mais uma vez, seu filho nos braços, ou os vivos 
se curvam. Freqüentemente não houve uma despedida entre vivos e mortos, que então pode 
ser resgatada. 
Quando se pede a uma pessoa que se deite ao lado de um morto, pode-se notar a atração que 
a morte exerce e a necessidade freqüente que sentem os vivos de estar entre os mortos. Com 
efeito, observa-se, muitas vezes, que os vivos querem trazer os mortos de volta à vida. Quando 
se deitam ao lado deles, percebem logo que isso não é possível e que os mortos também não 
o desejam. Para outras pessoas, deitar-se ao lado dos mortos faz o efeito de uma redenção e 
pode-se perceber então algo do poder que possui a vontade de morrer. Se um vivo permanece 
por algum tempo deitado ao lado de um morto, a intimidade na ligação vem à tona. Porém 
muitas vezes os mortos também ficam inquietos, querem voltar as costas e ser deixados em 
paz. A pessoa que vive sente então que sua presença junto aos mortos não é desejada e pode 
mais facilmente encarar a vida. 
Uma mulher tinha passado por graves depressões e algumas tentativas de suicídio. Como 
quadro de fundo, revelou-se que sentia uma profunda ligação com as vítimas de seu querido 
avô, que no regime nazista tinha denunciado muitas pessoas e as levado a um campo de 
concentração. Quando as vítimas e o avô se deitaram no solo, a mulher quis imediatamente 
deitar-se ao lado das vítimas. Olhou-as com lágrimas nos olhos e sentiu um profundo peso. O 
terapeuta trabalhou primeiro com o avô e suas vítimas e o resultado foi que estas se afastaram 
da mulher. De repente, ela se sentiu muito só. Depois de algum tempo, seus olhos procuraram 
os olhos de seu marido e de seus filhos e ela disse: "Agora gostaria de ficar de novo com os 
vivos". 
Um movimento como este geralmente só é possível depois que alguém se deitou por algum 
tempo junto aos mortos. Como ritual, o deitar-se com os mortos transcende esse processo. 
Nele se experimenta que a vida e a morte fazem parte de uma só realidade. Para além da 
vontade da vida em afirmar-se, da esperança e do consolo, experimenta-se o efeito liberador 
que resulta da concordância e da sintonia com o abismo da realidade. Podemos experimentar 
que a vida é algo que emerge, por um momento, de algo obscuro e que se completa e 
consuma quando volta a cair nesse obscuro. A vida e a morte, o sucesso e o horror, como tudo 
o que existe, são acolhidos na grande realidade única. A fileira dos antepassados 
Às vezes, mesmo depois que uma constelação foi resolvida, alguém dá a impressão de estar 
ainda sem força em seu lugar. Pode-se então colocar essa pessoa com as costas apoiadas em 
seus pais. Desta forma, ela pode perceber e receber em si a força deles, sentindo seu suporte 
e apoio. Se a força dos pais não for bastante, pode-se colocar atrás deles outros 
antepassados, até que flua a corrente de força. 
Quando os pais se separaram ou é preciso assumir que estão separados, o terapeuta os 
coloca juntos nesse ritual e depois os separa de novo. Pois, pelo menos no momento de gerar, 
os pais estiveram assim juntos para a criança. A força masculina pode ser especialmente 
sentida numa fileira de homens e a força feminina numa fileira de mulheres. 
Na fileira dos antepassados, a pessoa não ganha apenas o sentimento de que é sustentada e 
apoiada pelos pais, pelo grupo familiar e pela grande alma, mas também o saber e a força de 
perceber que ela própria é agora uma pessoa adulta. Justamente quando foram trabalhadas as 
vivências traumáticas da criança e as necessidades infantis, entra em ação desta forma, além 
do movimento amoroso, aquilo que dá apoio e sustento à pessoa. Ao mesmo tempo, abre-se 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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nesse ritual, para muitas pessoas, o olhar para a frente. Nossa vida não é apenas carregada 
pela "fonte", mas também pelo "desnível" que nos puxa para a frente. 
 
14. A constelação condensada 
 
Nos últimos anos, Bert Hellinger vem trabalhando, com freqüência cada vez maior, com 
constelações condensadas. Nessa forma breve - ou melhor, intensiva - de representação, não 
colocamos e mantemos diante dos olhos um sistema familiar, mas a pessoa interessada, em 
seu relacionamento individual com a mãe, o pai, um parceiro, um filho, uma doença ou a morte. 
O que aqui está no centro da atenção não é tanto 0 emaranhamento ou a vinculação ao 
destino que abrange toda a família, quanto as forças que atuam sobre a alma de alguém com 
respeito a certos relacionamentos ou a temas como culpa pessoal, ressentimento e morte. 
O terapeuta pede ao cliente que escolha e posicione em relação recíproca representantes para 
as poucas pessoas que importam ou para as forças que atuam. A seguir, confia os 
representantes à dinâmica que os move na representação, sem interferir no processo. Os 
representantes expressam com o corpo e sem palavras aquilo que move sua alma. 
O terapeuta geralmente não interfere. Desta forma coloca-se muitas vezes em movimento um 
processo muito impressionante, que mostra tanto o problema e a necessidade quando a 
solução. A pessoa envolvida presencia geralmente de fora e se entrega ao que ela vê, que se 
comunica a ela e a toca. 
Esse tipo de representação é especialmente recomendado quando uma constelação familiar 
poderia desviar de algo que está imediatamente desafiando a alma. Quando alguém está 
gravemente doente, pesquisar um emaranhamento não ajuda muito ou, em todo caso, só 
ajudará depois que essa pessoa se defrontou com sua doença. 
Um homem que sofria de câncer queria saber em que contexto familiar poderia entender sua 
doença. Entretanto, o terapeuta lhe pediu que colocasse apenas a si mesmo, sua doença e sua 
morte. No decurso da constelação, o representante escolhido evitava a doença e a morte e não 
queria encará-las. A morte dava uma impressão de desamparo e a doença se postava de 
braços abertos. Quando o representante, depois de algum tempo, se voltou para a doença -- 
representada por uma mulher mais velha -- e caminhou ao seu encontro, aconteceu um abraço 
terno entre ambos. A morte se retirou um pouco, permaneceu ligada e deu a impressão de 
tranqüilidade. 
O terapeuta não interrogou o representante e também não comentou o trabalho realizado. O 
homempareceu muito tocado e tranqüilo. Apenas numa rodada seguinte ele se declarou 
decepcionado por não saber o que fazer com aquela representação. Mas quando o terapeuta 
lhe perguntou: "Que peso teria o saber que você busca, em confronto com aquilo que você 
viu?", vieram-lhe lágrimas de novo e ele concordou com a cabeça. Numa encenação como 
esta, ninguém sabe exatamente o que acontece e o que atua. Contudo, algo de essencial 
surge diante dos olhos. 
Às vezes, sobretudo quando se trata de um movimento interrompido, o terapeuta pode também 
fazer com que a pessoa envolvida se coloque pessoalmente na relação, dispensando o 
representante, e se exponha diretamente ao processo da encenação. Isto é indicado quando o 
que está em primeiro plano é menos o que o cliente "vê" e mais o que ele sente, por exemplo, 
a força liberadora do movimento para a mãe. Se a representação não progride, o terapeuta 
pode interferir com cuidado para que o cliente ou um representante ultrapasse algum limiar, 
deixando-os então entregues à continuação do processo até sua conclusão. Se o cliente ou os 
representantes, apesar de sensibilizados, não se colocam em movimento, o terapeuta pode 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 81 - 
também interrogá-los em busca de nova informação. Talvez seja ainda preciso introduzir outra 
pessoa ou força personificada, ou também se possa ampliar a representação até que se 
transforme numa constelação familiar. O terapeuta simplesmente se entrega ao que vê e sente, 
e progride com a força da alma. 
Mais ainda do que a constelação familiar, a representação condensada escapa de qualquer 
rotina terapêutica e de qualquer "fazer" que pretenda ajudar. Embora transcorra de forma 
simples e singela, ela exige dos representantes uma entrega completa e do terapeuta - que 
aparentemente só deixa as coisas acontecerem - alto grau de atenção e concentração. 
Justamente quando se trata de doença, morte e culpa, os participantes se defrontam com as 
zonas limítrofes da vida e com a necessidade de uma profunda sintonia com a realidade. 
 
15. Duração e término de uma constelação familiar 
 
Duração 
Uma constelação breve e concentrada é geralmente a mais eficiente. Pode-se gastar cinco a 
dez minutos numa representação condensada, ou vinte a trinta minutos numa constelação 
familiar. Porém já tive constelações que duraram quase uma hora, porque precisaram de todo 
esse tempo. Isso acontece sobretudo quando, ao final de uma constelação, aparece uma 
informação importante que exige a continuação do processo, quando é preciso procurar 
solução também para outras pessoas da família, quando se deve aliviar representantes muito 
sobrecarregados. O mesmo acontece em confrontos entre perpetradores e vítimas, onde é 
preciso lutar intensamente por uma solução, e também quando um movimento interrompido 
precisa ser resgatado dentro da constelação. 
É essencial que a energia e a atenção sejam mantidas durante toda a constelação. Se os 
representantes ficam cansados, o grupo inquieto e o cliente confuso, então geralmente a 
constelação já durou um tempo excessivo. O risco de prolongá-la demais existe principalmente 
quando o terapeuta se desvia numa interpretação, deixa os representantes excessivamente 
entregues à própria dinâmica ou pretende resolver de uma vez todos os problemas que surgem 
numa família. A força de uma constelação reside no seu mínimo. 
Naturalmente existem constelações que estacam de repente ou cuja energia não se mantém 
sempre num nível elevado. Às vezes, o terapeuta precisa buscar e experimentar o que faz 
progredir e nessa tentativa nem sempre encontra o caminho certo. Ele tem o direito de se dar o 
tempo de que precisa para que a constelação possa chegar a um bom resultado. É melhor 
pagar o preço de uma baixa de energia durante a representação do que interrompê-la 
prematuramente e forçar uma solução não confiável. Enquanto 0 terapeuta estiver agindo em 
consonância com a alma da família que está sendo configurada, ele não poderá cometer 
muitos erros. Caso perca o contato com a alma da família, ou esta se esquive, ou a busca da 
solução se torne muito trabalhosa e cansativa, a constelação precisa ser interrompida. A 
interrupção. 
A interrupção de uma constelação familiar é uma intervenção de poderoso efeito, que deve 
absolutamente resultar do que acontece na própria representação. Com freqüência a 
interrupção alivia o cliente, porque ele mesmo percebe que ela não progride ou que entrou em 
pista errada. Talvez ele tenha mais tarde nova oportunidade de colocar sua família quando isto 
se torne possível em virtude de uma nova informação, de um novo direcionamento ou da 
melhora de sua conexão interna com a família. 
Às vezes, porém, o cliente foi muito mobilizado e reage até com ressentimento contra a 
interrupção. O terapeuta deve mantê-la e não debitá-la a si mesmo, a não ser que a tenha 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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interrompido por estar fora de sintonia com o que estava acontecendo. Freqüentemente uma 
interrupção incentiva a alma do cliente a buscar informações importantes ou o confronta com a 
própria impotência em querer algo sem condições. Ou ainda, a interrupção pode mostrar que 
se buscou a solução no lugar errado, por exemplo, no sistema de origem, embora a força da 
solução aponte para o sistema atual. Sejam quais forem as razões para uma interrupção, ela 
precisa estar sempre a serviço da alma de quem buscou conselho e não deve ser dirigida 
contra ele. 
A maioria das interrupções resulta da falta de informações importantes. A responsabilidade 
pelo fato deve pertencer ao cliente ou à sua família. Freqüentemente, porém, as interrupções 
são necessárias quando a pessoa se depara com uma fronteira difícil que ela não quer ou não 
pode ultrapassar. O terapeuta renuncia então ao processo que resolveria a constelação, para 
que essa fronteira seja plenamente encarada. Muitos clientes, que inicialmente ficam 
chocados, mostram-se depois muito agradecidos. Pode acontecer, por exemplo, que alguém 
seja deixado junto de pessoas mortas de quem não queira desprender-se. Há pouco tempo, 
recebi uma carta de uma mulher gravemente enferma. Eu a tinha confrontado com a morte 
numa representação e deixei a morte junto dela, sem ceder a seu pedido de uma solução 
melhor. Agora, passados três anos, ela me escreveu: "Agradeço. A morte continua a meu lado 
e estou viva". O término. 
O melhor momento para terminar uma constelação familiar é quando aparece a solução e 
chegam ao auge a força e a energia. A pessoa envolvida pode então abandonar a constelação 
"carregada de solução". O fim da constelação é realmente um começo, que produz algo que 
leva adiante na vida e que é alimentado por uma nova força da alma. 
Isto não significa, porém, que só se deva encerrar uma constelação no seu auge. Muitas vezes 
é preciso que se faça um pequeno acréscimo ou um fecho harmonioso. E embora o auge da 
constelação tenha sido alcançado com uma emocionante reverência a um dos pais, o processo 
precisa ser arredondado com o encontro com o outro progenitor, com o alinhamento dos 
irmãos ou com alguma frase de solução que seja dita a outras pessoas da família que 
passaram a ser importantes. Para muitas pessoas, é muito liberador experimentar como, ao 
sair de um emaranhamento, o olhar fica livre para outros membros da família e a pessoa sente 
o impulso de ir até elas para dizer-lhes algo ou abraçá-las. Sobretudo em constelações muito 
liberadoras, nas quais também os representantes, que costumam ficar à margem do processo 
da solução, estiveram muito presentes, existe uma necessidade de terminar a constelação 
como uma festa e expressar solidariedade e alegria na despedida. 
Se, entretanto, alguns representantes já querem voltar aos seus lugaresenquanto outros 
começam a conversar durante o processo, seguramente não se chegou a um final concentrado 
e a constelação se desmancha. Por outro lado, se os representantes a abandonam contra a 
vontade e sentem o impulso de prolongá-la posteriormente com suas reações, ela 
provavelmente foi encerrada antes da hora. O encontro do final correto talvez seja a maior arte. 
O final tem o melhor êxito quando permanece ligado ao início da constelação, à intenção que o 
cliente expressou e à força que sustentou o processo. 
O término de uma constelação exige também que, concluído o trabalho, o terapeuta e o grupo 
deixem em paz a pessoa envolvida e sua alma. Muitas vezes, na melhor das intenções, os 
representantes ainda querem acrescentar alguma coisa ou ocorre algo ao terapeuta que ele 
ainda queira comunicar, e talvez o próprio cliente ainda não esteja satisfeito. Ceder a tais 
impulsos prejudica a alma e compromete o efeito da constelação. Caso haja um complemento 
importante do cliente, dos representantes ou do terapeuta, ele deve ser feito a serviço do 
cliente e do que foi conseguido durante o trabalho. O que é importante não se perde e encontra 
seu momento adequado. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 83 - 
Para que uma constelação possa ser eficaz, seu efeito precisa ficar visível no próprio decorrer 
do processo. A própria pessoa que colocou a família mostra algo desse efeito, o terapeuta se 
assegura dele na solução e também o grupo pode percebê-lo. Esse efeito permanece então 
confiado à alma. Em última instância, não sabemos o que realmente resolve. Já presenciei 
constelações muito satisfatórias que a longo prazo se revelaram pouco eficazes. E já 
presenciei constelações "más" que posteriormente se mostraram extremamente eficazes. O 
terapeuta só pode confiar naquilo que vê na constelação e então entregá-lo aonde pertence e 
onde seguirá seu próprio caminho. Não podemos assegurar o êxito de uma constelação, por 
mais experimentados e seguros que sejamos no trato com esse trabalho. O terapeuta colabora 
com pouca coisa para o seu sucesso. Mas esse pouco compensa a coragem, o exercício, a 
experiência e o esforço da compreensão crescente do terapeuta e o recompensa com um 
trabalho muito satisfatório. 
 
16. Das ordens do amor aos movimentos da alma 
 
Nos últimos tempos, existe nas constelações de Bert Hellinger uma evolução das "ordens do 
amor" para os "movimentos da alma". Tal evolução já se manifestou na "constelação 
condensada". Sobretudo em casos onde os destinos familiares estão envolvidos em contextos 
maiores e onde as soluções não podem mais provir da alma da família mas apenas do espaço 
da "alma maior", por exemplo, em destinos de vítimas e agressores, especialmente em 
conexão com acontecimentos políticos e sociais, Bert Hellinger muitas vezes deixa que os 
representantes, freqüentemente colocados por ele mesmo, se movam livremente sem palavras, 
sem interferir em seu processo interno e externo. Então se desenvolve um drama sem 
palavras, com uma dinâmica espantosamente profunda. Às vezes Hellinger permite que os 
representantes relatem posteriormente seus processos interiores, outras vezes não. Em tais 
contextos tão amplos, nenhum terapeuta pode proporcionar uma "visão geral" e o 
encaminhamento para uma solução. Ele próprio, como os demais que presenciam o processo, 
limita-se a contemplar e acolher o que, no espaço dessa "alma maior", se manifesta em termos 
de movimento e de solução. 
Tais representações ultrapassam os limites da constelação familiar. Muitas vezes o 
representantes relatam depois vivências e insights que os surpreenderam totalmente e que 
eles não teriam podido imaginar. Mesmo quando trabalha com famílias, Bert Hellinger vem 
confiando totalmente na manifestação dos movimentos da alma. Ainda Jakob Robert 
Schneider, Sobre a 'Técnica (Ias Constelações Familiares 27 mais fortemente do que antes, o 
olhar se converte das soluções procuradas dentro das ordens do amor à sintonia da alma com 
a realidade, da forma como esta se revela.. 
Minha intenção aqui é apenas de aludir a esse desenvolvimento no trabalho de Bert Hellinger 
com as constelações. Tal desenvolvimento não exclui o procedimento apresentado neste artigo 
sobre as constelações familiares, mas vai além dele, mostrando em que medida permanece 
ainda aberto e inconcluso o trabalho que se faz a serviço dos movimentos da alma. 
Trabalho apresentado pelo autor para o 1 ° Módulo do ]'Treinamento Sul-americano em Terapia 
sistêmica fenomenológica de Bert Hellinger, Rio de Janeiro, setembro de 2001 
Do original alemão: Zur Technik des Familienstellens 
Tradução de Newton Queiroz 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 84 - 
 
Referências: 
(1) Ver Martin Heidegger, Úberlieferte Sprache zcnd technische Sprache (Linguagem 
transmitida e linguagem técnica), Erker-Tterlag, St. Gallen, 1989. 
(2) Martin Heidegger, op. cit. p. 25 
(3) Martin Heidegger, op. cit. p. 27 
Referências Adicionais 
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em 
nossa Bibliografia. 
 
 
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TEXTOS – CONSTELAÇÃO FAMILIAR SISTÊMICA 
Ana Lucia Braga 
 
Constelação Sistêmica é uma abordagem terapêutica através da qual torna-se possível 
identificar e solucionar problemas e conflitos de pessoas, empresas e organizações. Vem da 
compreensão Sistêmica Fenomenológica, que preconiza que todo indivíduo é integrante de um 
sistema, e como tal, sofre influências de outros membros do sistema. 
Nos sistemas familiares, questões vivenciadas por gerações anteriores, como por exemplo, 
injustiças cometidas, mortes precoces, suicídios, podem inconscientemente afetar a vida de 
seus familiares com enfermidades inexplicáveis, depressões, novos suicídios, relações de 
conflito, transtornos físicos e psíquicos, dificuldade de estabelecer relações duradouras com 
parceiros, comportamentos conflitantes entre familiares, etc. 
Bert Hellinger, filósofo e psicoterapeuta alemão, descobriu que por amor, lealdade e fidelidade 
à família, quando algum ancestral deixa situações por resolver, pessoas de gerações seguintes 
trarão o sentimento e o comportamento, a ação para a resolução dessas situações, 
“emaranhando-se” e permanecendo, assim, prisioneiros a fatos e eventos pelos quais não são 
responsáveis e muitas vezes sequer têm conhecimento. Esta é a herança afetiva, uma 
transmissão transgeracional de problemas familiares, que acaba criando uma seqüência de 
destinos trágicos. Nas Constelações Sistêmicas, configurando a família através de 
representantes, é possível que se restabeleçam as “Ordens do Amor”, trazendo solução às 
dinâmicas familiares. Do mesmo modo ocorre nas Constelações que envolvem empresas e 
organizações. 
Esta abordagem traz vantagens especiais quando comparada com outras formas de terapia, 
como a rapidez, a profundidade e a simplicidade com que se processa. É um trabalho 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
- 85 - 
desenvolvido em grupo, onde o processo de aprendizado acontece simultaneamente com o 
cliente, com os representantes e com quem está apenas assistindo. Na maioria das vezes, são 
necessárias uma ou duas sessões de intervenção. 
 
CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS - O Casal 
 
Todo relacionamento de casal é um relacionamentoentre sistemas. O reconhecimento da 
necessidade um do outro e de que o homem e mulher são diferentes, porém equivalentes está 
na base de todo relacionamento; este tem sucesso quando há equilíbrio entre dar e receber; 
Ordem e Amor se completam: a Ordem vem primeiro e o amor está a serviço de uma ordem 
maior. Essas são algumas afirmações de Bert Hellinger sobre casais. 
Nas Constelações Sistêmicas, muitas vezes quando se configura o casal, os representantes 
apontam uma indisponibilidade mútua, inconsciente e perceptível apenas nos atos. Às vezes 
até desejam estar juntos, mas algo os impossibilita. Em geral, as dificuldades entre um casal 
estão ligadas à possibilidade de haver questões anteriores não solucionadas. Questões que 
nos remetem aos pais, à família de origem. 
Para que um casal possa permanecer junto é necessária a separação da família de origem e a 
libertação dos emaranhamentos nos destinos desta família. 
As ordens na família envolvem o direito à pertinência, ou seja, todos têm o direito de 
pertencer. Há uma hierarquia que deve ser respeitada, e deve haver equilíbrio entre o dar e 
o tomar em todas as relações dentro do sistema familiar. 
O amor da criança pelos pais e dos pais pela criança também faz parte da base de todo 
relacionamento. Quando um dos parceiros não toma seus pais, também não pode tomar o 
outro no casamento. 
Outras questões percebidas nas Constelações Sistêmicas: o relacionamento do casal tem 
precedência com relação à paternidade ou maternidade; a hierarquia é fundamental nas 
famílias mistas - quando há mais de um casamento. Em um casamento com filhos, os 
parceiros anteriores sempre precisam ser respeitados para que uma próxima relação dê certo, 
não importando os motivos da separação. 
E quando isso não acontece, os parceiros anteriores são representados no casamento pelos 
filhos. O relacionamento entre um homem e uma mulher está inserido num contexto 
maior. Pela sua natureza está direcionado aos filhos, à formação de uma família, à 
continuação da vida. 
 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
 
CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS 
 
O sistema familiar pode ser descrito como um conjunto de pessoas que permanecem unidas ou 
vinculadas em função de um interesse comum ou de forças que as permeiam, independente de 
que tenham consciência. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Nossa consciência individual atua para nos manter vinculados. Ela manifesta-se quase como 
uma voz. Essa consciência pessoal é limitada tanto na sua percepção quanto na sua 
dimensão. Ela se coloca moralmente acima. A Razão está na consciência individual. 
Nas Constelações Sistêmicas é preciso deixar de lado a consciência pessoal. A solução é 
abandonar a consciência individual e ir além, além inclusive do bem e do mal. O trabalho 
sistêmico fenomenológico possibilita uma nova percepção, que às vezes nos chega através 
dos sentidos e não necessariamente através da compreensão e da razão. Ele nos faz olhar 
para algo, nos permitindo ser tocados por aquilo, mesmo que nossa mente não entenda. 
A Consciência do grupo é mais ampla e está ligada a necessidades do grupo. A pessoa é 
impulsionada pelas forças do grupo. Essa consciência tem como objetivo manter o grupo. Para 
se ter acesso a esta consciência é necessário que se olhe para todo o grupo. Na verdade, não 
se tem acesso à consciência do grupo, só é possível observar e perceber o efeito através de 
seus resultados. 
Existem forças que atuam sobre a consciência de grupo, sobre o que Bert Hellinger chama de 
alma. Essas forças são: pertinência, ordem ou hierarquia e equilíbrio. Quando estas forças não 
são respeitadas são criados os emaranhamentos. As conseqüências do desrespeito às ordens, 
os efeitos desse desrespeito são o surgimento de doenças, conflitos, sentimentos de 
infelicidade. As gerações seguintes passarão a reproduzir esses efeitos de forma inconsciente. 
O trabalho com Constelações Sistêmicas nos permite acessar algo que está presente no 
sistema. Para sair da consciência pessoal e ir para a consciência grupal é preciso deixar de 
lado crenças, conceitos, verdades e até mesmo a consciência pessoal. 
Para que a solução aconteça, vários passos devem ser dados. Nas 
Constelações o primeiro passo é a revelação da dinâmica, e isso, na maioria das vezes basta. 
“Final feliz” não é importante. O que importa é o reconhecimento de uma nova ordem. E o 
reconhecimento de que a Constelação é só o primeiro passo. Os outros, a alma saberá dar. 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP– Tel. 30215490 - 99947224 
 
Constelação Sistêmica é uma abordagem terapêutica através da qual torna-se possível 
identificar e solucionar problemas e conflitos de pessoas, empresas e organizações. Vem da 
compreensão Sistêmica Fenomenológica, que preconiza que todo indivíduo é integrante de um 
sistema, e como tal, sofre influências de outros membros do sistema. 
O sistema é um conjunto de pessoas que permanecem unidas ou vinculadas em função de um 
interesse comum ou forças que as permeiam, independente de que tenham consciência. 
Quando pensamos em sistema familiar, podemos dizer que é um grupo de pessoas que se 
mantém unido por uma força invisível que é o Amor. Fazendo uma analogia com o corpo 
humano, o individuo está para a família assim como um órgão está para o corpo. Quando um 
órgão não funciona adequadamente, o corpo humano tende a entrar em sofrimento; assim 
como, quando uma pessoa da família não está bem, a família tende a entrar em desequilíbrio. 
O desequilíbrio sistêmico é um desrespeito às Ordens, o que causa emaranhamentos. As 
conseqüências ou os efeitos deste desrespeito é o surgimento de doenças, conflitos, 
sentimentos de infelicidade. As gerações seguintes passarão a reproduzir esses efeitos de 
forma inconsciente. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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 O Trabalho de Constelações possibilita um novo olhar para o sistema. No sentido terapêutico, 
a revelação da dinâmica do sistema é a própria intervenção. 
Quando a pessoa configura sua Constelação, ela entra em contato com uma imagem que em 
parte é fruto de sua consciência individual e outra é fruto de uma consciência maior que ela 
não conhece, mas que se manifesta na configuração. A partir dos movimentos que acontecem 
na Constelação, a pessoa pode criar uma nova imagem e essa nova imagem é que atua dentro 
do sistema. A imagem inicial é limitada e a imagem final é ampliada. 
Quando uma dinâmica é revelada, algo vem à tona. É o ponto mais importante do trabalho. Às 
vezes é possível dar mais alguns passos e às vezes não. No trabalho Sistêmico de 
Constelações não se trata de alterar ou mudar algo, se trata do terapeuta encontrar a força que 
permeia aquela dinâmica, e encontrar posicionamentos dentro do sistema, ou completar frases 
que de alguma forma não têm sido permitidos. 
Para que uma cura aconteça, vários passos devem ser dados até que se restabeleça a cura 
final. Nosso primeiro passo é a revelação da dinâmica, e muitas vezes isso basta. O importante 
é o reconhecimento de uma nova ordem. E, se aquele que assiste chega a uma nova imagem 
para seu sistema, significa que ele expandiu algo em seu sistema. Ele acompanhou os passos 
e chegou a uma nova imagem, a alma dele encontrou uma solução e podemos perceber os 
efeitos que isto causa na pessoa. Quando, em uma Constelação , se acompanha a dinâmica 
dos fatos e se está em sintonia, isso é o suficiente, e em geral não depende de uma 
compreensão racional. 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações SistêmicasTerapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP – Tel. 30215490 - 99947224 
 
CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS COM BONECOS 
As pessoas procuram um terapeuta em função de suas dificuldades pessoais. O trabalho 
Sistêmico de Constelações também é procurado pelos mesmos motivos. A diferença é que se 
olha para o todo, com uma visão sistêmico-fenomenológica, para a consciência do grupo, da 
família, e não para a consciência individual, como nas terapias convencionais. E o trabalho de 
Constelações pode ser desenvolvido tanto em grupo como individualmente. 
Muitas pessoas que procuram um terapeuta não desejam um trabalho em grupo. Por este 
motivo, a Constelação com bonecos (ou figuras, ou objetos) é uma possibilidade para o 
trabalho sistêmico individualmente, no consultório. Os bonecos são colocados sobre a mesa e 
representam as relações estabelecidas entre as pessoas da família ou as pessoas importantes 
de um sistema. A orientação fenomenológica não permite que o terapeuta seja levado por 
associações e caracterizações, ou por semelhanças com membros do sistema, como em 
muitas abordagens terapêuticas, especialmente as que trabalham com o psicológico. No 
trabalho sistêmico o importante é olhar os acontecimentos essenciais, os fatos, os destinos e 
dinâmicas de relacionamentos. E levar em consideração as “Ordens do Amor”, sistematizadas 
pelo terapeuta alemão Bert Hellinger, que implicam um olhar para as forças que atuam dentro 
dos sistemas, como as leis da Pertinência, da Hierarquia e do Equilíbrio. 
Os bonecos funcionam como os representantes no grupo e são posicionados pelo cliente do 
mesmo modo como é feito nas Constelações em Grupo. Vivencia-se no consultório, entre 
terapeuta, cliente e bonecos, o mesmo tipo de percepções, incluindo todos os canais do 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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sentido, como a visão, a audição e outras sensações experimentadas pelos representantes no 
grupo, com a diferença de que o terapeuta acaba sendo o maior foco das percepções e tem 
maior responsabilidade no explicitar dessas percepções, já que o campo morfogenético, 
responsável pelos efeitos que se observa em uma Constelação , também está presente no 
trabalho individual. 
Como nas Constelações em Grupo, no trabalho com os bonecos o cliente pode olhar junto com 
o terapeuta para suas questões, e ter uma imagem inicial, a partir do modo como posiciona os 
bonecos e, a partir dela, possivelmente poderão ser percebidos os profundos processos 
anímicos do seu sistema. Será olhado o contexto amplo do vínculo e da solução para os seus 
relacionamentos. 
Muitas vezes, em uma única sessão, pode-se ver com profundidade as dificuldades de uma 
pessoa e de seu sistema, tendo em vista o princípio “tão breve quanto possível e tão efetivo 
quanto necessário, como um ponto de partida que auxilia um forte processo de ajuda”, como 
diz Jakob Schineider. 
Ao olhar calmamente para os bonecos posicionados, cliente e terapeuta podem “ver” o que 
acontece, sentir, perceber. E o terapeuta comunica ao cliente aquilo que “vê”. A partir daí, os 
bonecos vão sendo posicionados de outros modos, com a percepção e o acompanhamento do 
cliente, até uma imagem final. Frases de solução são sugeridas pelo terapeuta durante o 
trabalho, que são verbalizadas pelo cliente, parecendo mesmo uma “brincadeira com bonecos”, 
como fazem as crianças, mas que trazem solução e alívio, muitas vezes vivenciados 
corporalmente pelo cliente, podendo este sentir os movimentos da alma. São frases de solução 
que explicitam a verdade anímica, que evidenciam o amor sistêmico, que liberam e 
reconciliam. 
Neste trabalho lidamos com pontes visuais e com a reordenação dentro do sistema da 
pessoa. No entanto, as Constelações vão além, como afirma Schineider: elas atuam em um 
campo onde há espaço para imagens anímicas e energias ou forças que conduzem a 
dimensões difíceis de serem descritas, para vivências de fenômenos de campos anímicos que 
estão além da mera observação. 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP– Tel. 30215490 – 99947224 
 
“CONSTELAÇÃO SISTÊMICA” 
 
“Constelação Sistêmica” é um trabalho que busca na família a origem de dificuldades, 
bloqueios, padrões comportamentais que trazem sofrimentos desenvolvidos pelas pessoas ao 
longo da vida. Destina-se a todas as pessoas que desejam trabalhar suas relações familiares 
e amorosas, separações, desequilíbrios emocionais, problemas de saúde, comportamentos 
destrutivos, envolvimento com drogas, perdas e/ou luto, dificuldades financeiras, dificuldades 
nos relacionamentos, entre outras dificuldades. 
É uma abordagem terapêutica através da qual torna-se possível identificar as “Ordens do 
Amor” dentro da estrutura familiar, trazendo à luz os profundos vínculos – conscientes ou 
inconscientes - que as pessoas têm com sua família. Vem da compreensão Sistêmica 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Fenomenológica, que preconiza que todo indivíduo é integrante de um sistema, e como tal, 
sofre influências de outros membros do sistema. 
Questões vivenciadas por gerações anteriores, como por exemplo, injustiças cometidas, 
mortes precoces, suicídios, podem inconscientemente afetar a vida de seus familiares com 
enfermidades inexplicáveis, depressões, novos suicídios, relações de conflito, transtornos 
físicos e psíquicos, dificuldade de estabelecer relações duradouras com parceiros, 
comportamentos conflitantes entre familiares, etc. E, muitas vezes, por terem essas questões 
implicações sistêmicas, não mostram melhoras com as terapias tradicionais. 
Bert Hellinger descobriu que muitos dos problemas vivenciados pelas pessoas têm uma origem 
sistêmica, ou seja, vêm do seio da família, muitas vezes de outras gerações. Por amor, 
lealdade e fidelidade à família, quando algum antepassado deixa situações por resolver, 
pessoas de gerações seguintes trarão o sentimento e o comportamento, a ação para a 
resolução dessas situações, “emaranhando-se” e permanecendo, assim, prisioneiros a fatos e 
eventos pelos quais não são responsáveis e muitas vezes sequer têm conhecimento. Esta é a 
herança afetiva, uma transmissão transgeracional de problemas familiares, que acaba criando 
uma seqüência de destinos trágicos. Ele diz que há Ordens dentro do sistema familiar e 
chamou a essas de “Ordens do Amor”. Dentro deste amor, há o amor cego, infantil, que 
determina os emaranhamentos, que são as origens dos conflitos e das grandes dificuldades de 
uma pessoa; é o emaranhamento que mantém determinadas dinâmicas de sofrimento dentro 
do sistema. O envolvimento sistêmico sempre se dá pela conturbação das Ordens, das regras 
do sistema. Este amor cego, que cria sofrimento na tentativa de trazer solução às dinâmicas 
familiares, também contém a sabedoria e a solução. 
E foi através desta sabedoria que Hellinger descobriu, nas “Constelações Sistêmicas”, a 
possibilidade de restabelecimento da Ordem e do fluxo do amor. 
Esta abordagem traz vantagens especiais quando comparada com outras formas de terapia, 
como a rapidez, a profundidade e a simplicidade com que se processa. 
É um trabalho desenvolvido em grupo, onde o terapeuta, a partir de um problema trazido pelo 
cliente, configura o seu sistema, representando os familiares com as pessoas do grupo. 
O processo de aprendizado acontece simultaneamente com o cliente, com os representantes e 
com quem está apenas assistindo. Na maioria das vezes, são necessárias uma ou duas 
sessões de intervenção. 
As Constelações Sistêmicas Empresariais são configuradas do mesmo modo, mudando-seapenas do enfoque familiar para o organizacional. 
 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP – Tel. 30215490 – 
99947224 
 
TEXTO PARA O PEREGRINO 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Constelação Sistêmica é uma abordagem terapêutica através da qual torna-se possível 
identificar e solucionar problemas e conflitos de pessoas, empresas e organizações. Vem da 
compreensão Sistêmica Fenomenológica, que preconiza que todo indivíduo é integrante de um 
sistema, e como tal, sofre influências de outros membros do sistema. 
Nos sistemas familiares, questões vivenciadas por gerações anteriores, como por exemplo, 
injustiças cometidas, mortes precoces, suicídios, podem inconscientemente afetar a vida de 
seus familiares com enfermidades inexplicáveis, depressões, novos suicídios, relações de 
conflito, transtornos físicos e psíquicos, dificuldade de estabelecer relações duradouras com 
parceiros, comportamentos conflitantes entre familiares, etc. 
Bert Hellinger, filósofo e psicoterapeuta alemão, descobriu que por amor, lealdade e fidelidade 
à família, quando algum ancestral deixa situações por resolver, pessoas de gerações seguintes 
trarão o sentimento e o comportamento, a ação para a resolução dessas situações, 
“emaranhando-se” e permanecendo, assim, prisioneiros a fatos e eventos pelos quais não são 
responsáveis e muitas vezes sequer têm conhecimento. Esta é a herança afetiva, uma 
transmissão transgeracional de problemas familiares, que acaba criando uma seqüência de 
destinos trágicos. 
Nas Constelações Sistêmicas, configurando a família através de representantes, é possível 
que se restabeleçam as “Ordens do Amor”, trazendo solução às dinâmicas familiares. Do 
mesmo modo ocorre nas Constelações que envolvem empresas e organizações. 
A constelação Sistêmica Familiar possibilita a conscientização do papel e da forma que as 
pessoas estão enredadas dentro do sistema 
familiar, atuando nos processos de desemaranhamento e harmonização de 
vínculos em famílias que possuem casos de ressentimentos, co-dependência, 
relacionamentos destrutivos, doenças psicossomáticas, alcoolismo, abortos, incesto, suicídio, 
mortes precoces, pessoas excluídas, conflitos inexplicáveis etc. 
O trabalho sistêmico empresarial permite uma visão clara e objetiva dos emaranhados dentro 
de empresas, organizações, comércios, consultórios, departamentos etc. No campo sistêmico 
é possível verificar as origens dos conflitos e experienciar novas soluções, possibilitando uma 
melhor dinâmica de funcionamento para a empresa. 
Nas Constelações de Casais, as dificuldades pessoais, assim como problemas de 
relacionamentos são possíveis de serem configurados através de representantes, observados 
os inúmeros emaranhamentos que afetam o casal e encontrar soluções adequadas para a 
relação. 
Esta abordagem traz vantagens especiais quando comparada com outras formas de terapia, 
como a rapidez, a profundidade e a simplicidade com que se processa. É um trabalho 
desenvolvido em grupo, onde o processo de aprendizado acontece simultaneamente com o 
cliente, com os representantes e com quem está apenas assistindo. Na maioria das vezes, são 
necessárias uma ou duas sessões de intervenção. 
 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP – Tel. 30215490 - 99947224 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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A PERTINÊNCIA NOS SISTEMAS FAMILIARES 
 
Sistematizadas por Bert Hellinger, terapeuta alemão, as Constelações Sistêmicas Familiares e 
Organizacionais cada vez alcançam maior espaço no campo das terapias. São utilizadas no 
trabalho individual, no consultório, a partir da aplicação da técnica com figuras ou bonecos, e 
especialmente em intervenções grupais, em workshops com duração de um ou mais dias 
consecutivos, nos quais são atendidos alguns clientes. 
Hellinger descobriu as Ordens Sistêmicas dentro da família e de outros sistemas. Quando uma 
das Ordens ou Leis Sistêmicas é desrespeitada, há emaranhamentos, ou seja, alguém de uma 
geração seguinte pode envolver-se com essa desordem e entrar em sofrimento 
(inconscientemente), conhecendo ou não a desordem, numa tentativa de trazer novamente o 
equilíbrio, a ordem para seu sistema. Essas Ordens envolvem a Pertinência, a Hierarquia e o 
Equilíbrio. 
Nos próximos números serão abordadas as Leis da Hierarquia e do Equilíbrio. Aqui será 
abordada a Lei da Pertinência, que quer dizer que ninguém pode ficar fora, que todos os 
membros do sistema têm direito a pertencer. E quando algum dos elementos fica de fora, é 
excluído, gerações seguintes emaranham-se com este membro, identificando-se com ele, 
tentando, de algum modo reintegrá-lo ao sistema. É uma tentativa vã, já que o que move este 
elemento que veio depois é o amor cego e infantil. 
Fatos como mortes precoces, mortes ocorridas com menos de vinte e cinco anos, morte do pai 
ou da mãe, deixando filhos com idade inferior a vinte e cinco anos, abortos espontâneos ou 
provocados, mortes durante o parto, suicídios ou tentativas, assim como crimes onde se exclui 
intencionalmente ou não a vítima ou o agressor, são essencialmente importantes no trabalho 
de Constelações. São ainda importantes os assassinatos, as crianças abandonadas, os que 
utilizam drogas, prostitutas, deficiências, entre outros fatos que possam estar ligados a 
pessoas excluídas. 
Devolver a Ordem, trazer o equilíbrio, restabelecer o fluxo energético, assim como a 
reconciliação e o restabelecimento do fluxo amoroso é o objetivo do trabalho com as 
Constelações Sistêmicas. 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP – Tel. 30215490 - 99947224 
 
A HIERARQUIA NOS SISTEMAS FAMILIARES 
 
A Hierarquia é uma Força, uma Lei que atua em todos os sistemas. Ela tem a ver com a 
ordem nas posições, com o lugar que cada um ocupa dentro do sistema. Nas organizações 
ou empresas também esta Força atua. E quando não é respeitada, criam-se 
emaranhamentos. A consciência coletiva, aquela que serve como “vigia” dentro dos sistemas, 
diz que o todo é mais importante que a soma de suas partes, e pede por “restauração” das 
infrações desta Lei – Hierarquia -, assim como das outras Leis Sistêmicas: Pertinência e 
Equilíbrio. Neste sentido, quando as pessoas estão fora de seus lugares dentro de um 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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sistema, pode-se olhar para possíveis emaranhamentos, que têm como efeito o sofrimento 
vivenciado pelas pessoas, tanto na família como nas organizações. 
Nas Constelações Sistêmicas (Familiares ou Organizacionais) pode-se ver a tentativa de 
restauração da consciência coletiva. As gerações seguintes, inconscientemente, colocam-se a 
serviço do que aconteceu anteriormente, tentando, por exemplo, corrigir injustiças ou reinserir 
aqueles que foram excluídos. Quem vem depois acaba pagando a conta. 
Cito como exemplos de situações que envolvem a Hierarquia o filho que se sente mais sábio e 
mais importante que os pais. Para ele os pais têm muito o que aprender... O que este filho não 
sabe é que comete uma infração contra seu sistema familiar, que possivelmente será cometida 
também por seus filhos, estes últimos em defesa de seus avós. Sentir-se grande diante dos 
pais traz, além desta, outras confusões, conflitos, perdas e sofrimentos na vida. Pode-se ver os 
efeitos distona vida das pessoas, quando estão emaranhadas com a Força da Hierarquia. 
A precedência é clara: quem vem primeiro tem o lugar especial de primeiro. E os demais, 
aconteça o que acontecer, devem respeitar o lugar desta pessoa. Muitas vezes um filho caçula 
deseja assumir as responsabilidades do mais velho e paga um preço alto por isto. Muitos 
casais não respeitam o primeiro parceiro. Às vezes até o chamam de “falecido”. Isso traz 
profunda confusão sistêmica. Quando o segundo parceiro quer assumir o lugar do primeiro, em 
geral este relacionamento também não dá certo. As famílias mistas atualmente sofrem em 
profundidade com esta questão, sofrimento este que é estendido também aos filhos. A 
prevalência quer dizer que o que é atual prevalece sobre o que é anterior, ainda que o que veio 
antes não possa perder seu lugar. Por isso, o relacionamento atual prevalece sobre os 
anteriores. 
A Hierarquia é clara: o último vem depois dos primeiros. E o primeiro é realmente o primeiro. 
Quando há uma inversão na ordem (filhos agindo como pais, por exemplo), há sofrimento 
sistêmico. 
 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe, 566 - Jd. Irajá - Ribeirão Preto - SP – Tel. 30215490 – 99947224 
 
A LEI DO EQUILÍBRIO NOS SISTEMAS FAMILIARES 
 
O Equilíbrio é uma Força, uma Lei presente em todos os sistemas. Dentro dos sistemas há 
uma necessidade de compensação entre perdas e ganhos, dar e receber, e como uma Lei 
Sistêmica, ela atua em todos os níveis. Consciente ou inconscientemente tem-se a 
necessidade de compensação, e às vezes isso ocorre fazendo com que se perca algo, com 
que se vivencie algo de ruim, mesmo sem a aparente necessidade ou sem se perceber de 
onde isto vem. É como se houvesse um sentido de equilíbrio. Ele diz se há crédito ou débito 
com alguém. É quase matemático: se você deu algo, então você espera receber algo também 
(ainda que não seja na mesma moeda). O outro, por sua vez, sente uma pressão para retribuir, 
dar também. Se deve algo, há uma pressão para pagar, para devolver, para quitar. Se esta 
troca for efetiva, produtiva, positiva, a relação será fértil e rica. E isto ocorre tanto no positivo 
quanto no negativo. A troca equilibra as relações, tornando possível uma convivência longa e 
saudável. Se, em uma negociação há equilíbrio, então há também liberdade, alegria e portas 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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abertas para próximas negociações. Os dois lados ficam satisfeitos. Caso contrário, uma das 
partes não se sente bem. E quando há dívida, uma das partes fica presa. A dívida funciona 
como uma necessidade de pagar algo para que o equilíbrio retorne. Ela muitas vezes atua 
como um fantasma, retorna, assombra, pode ser transformada em sentimentos de culpa, 
atuando secundariamente, sem que se perceba sua origem. Os que recebem pouco – 
injustiçados -, muitas vezes também ficam presos nesse sentimento, que se secundariza, 
fazendo com que a pessoa se sinta uma vítima eterna, transforma sua vida em verdadeira 
pobreza. 
No negativo, quando há necessidade de troca, então é necessário que se retribua com menor 
intensidade: um pouco menos. Isso traz possibilidades para um novo equilíbrio na relação. Se 
há revide na mesma intensidade, ou em maior escala, então esta relação permanece 
equilibrada no negativo, o que significa conflito e sofrimento. 
Nos sistemas familiares é comum a observação de sentimentos de vazio ligados a não tomar 
os pais, o que significa que os filhos querem receber apenas o que é bom dos pais, e rejeitar o 
que não é bom. Para tomar os pais é necessário receber tudo o que eles têm de bom e de 
ruim. Não é possível selecionar, separar. Muitas vezes os pais estão disponíveis – prontos para 
se relacionar com o filho apenas como são, com o que têm (não é possível dar aquilo que não 
se tem). E o filho critica, julga, condena, nega, reclama e simplesmente não recebe, não toma 
seus pais. Muitas depressões têm origem nesta dinâmica. O filho acaba sentindo-se vazio, só. 
Esta é uma dinâmica relacionada à Lei do Equilíbrio e que cria outros emaranhamentos. 
O que traz solução é o bem, o respeito e o amor. Outros tipos de compensação que na maioria 
das vezes estão vinculados ao sofrimento das pessoas, não trazem solução, apenas causam 
mais desequilíbrios sistêmicos. 
 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Rua Abrão Caixe 566 - JD IRAJÁ - RIBEIRÃO PRETO – Tel. 30215490 – 
99947224 
 
CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS E OS CAMPOS MÓRFICOS I 
 
Constelação sistêmica familiar é um trabalho que busca na família a origem de dificuldades, 
bloqueios, padrões comportamentais que trazem sofrimentos desenvolvidos pelas pessoas ao 
longo da vida. Destina-se a todas as pessoas que desejam trabalhar suas relações familiares e 
amorosas, separações, desequilíbrios emocionais, problemas de saúde, comportamentos 
destrutivos, envolvimento com drogas, perdas e/ou luto, dificuldades financeiras, dificuldades 
nos relacionamentos, entre outras dificuldades. Atende, ainda, às organizações de todos os 
tipos, empresas, escolas etc. que desejam diagnosticar e/ou resolver problemas 
organizacionais. É um trabalho realizado em grupo ou individualmente. No grupo há a 
participação das pessoas como representantes da família (isto é, do sistema familiar) do 
cliente. Individualmente, realiza-se a intervenção com o auxílio de figuras ou bonecos. 
A representação é parte do fenômeno que ocorre neste tipo de trabalho, onde o terapeuta e os 
participantes disponibilizam suas percepções para "ver" o que acontece na dinâmica do 
sistema do cliente. Este "ver" dá-se de diversos modos: as pessoas têm sensações físicas 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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como tremores, arrepios, dores, calor, frio, suores; sentimentos diversos como alegria, raiva, 
tristeza, desconfiança, entre tantos outros. E há, na maioria das vezes, o reconhecimento pelo 
cliente do comportamento, dos sentimentos, do modo como a pessoa representada é ou foi na 
realidade, por vezes com a detecção de sintomas físicos, mesmo não tendo o representante 
dado nenhuma informação sobre o que ocorre em seu sistema e sobre as pessoas 
representadas. 
A representação ocorre não em nível psíquico, mas em um nível que a ciência ainda não 
consegue explicar. 
O terapeuta, então, faz a sua leitura do que está física e espacialmente colocado no campo da 
representação do sistema familiar do cliente e dá o direcionamento que julga adequado ou 
necessário, buscando não a expressão de sentimentos e sim a ordem sistêmica, segundo as 
leis sistematizadas pelo terapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger, visando a reconciliação e o 
restabelecimento do fluxo amoroso no sistema. A percepção dos representantes, utilizando a 
mente expandida, é a mesma que o terapeuta utiliza dentro deste campo energético que se 
abre ao se configurar um sistema, seja ele familiar ou empresarial. É a partir dele que se abre 
também a possibilidade de movimentos e do restabelecimento da ordem e do equilíbrio, o que 
significa possivelmente a eliminação do sofrimento da pessoa e também de outros elementos 
do sistema. 
(continua no próximo número) 
 
CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS E OS CAMPOS MÓRFICOS II 
 
Constelação Sistêmica Familiar é um trabalho que busca na família a origem de dificuldades, 
bloqueios, padrões comportamentais que trazem sofrimentos desenvolvidos pelas pessoas ao 
longo da vida. 
No número anterior falamos sobre a representação e concluímos dizendo que a mente 
expandida é que possibilita o fenômeno da percepção dos representantes e do terapeuta 
dentro do campo energéticoque se abre ao se configurar um sistema, seja ele familiar ou 
empresarial. Abre-se também a possibilidade de movimentos e do restabelecimento da ordem 
e do equilíbrio, o que significa possivelmente a eliminação do sofrimento da pessoa e também 
de outros elementos do sistema, mesmo que esses elementos não estejam presentes no 
momento da constelação, é o que tem sido observado em depoimentos de inúmeras pessoas 
que constelaram. Este fenômeno ocorre em função dos “campos”, dos quais fazemos parte. 
O biólogo Rupert Sheldrake propõe a idéia dos campos morfogenéticos, que nos auxiliam na 
compreensão de como os sistemas adotam suas formas e comportamentos característicos, no 
caso das famílias, padrões de sofrimento que muitas vezes se repetem geração após geração. 
“O campos morfogenéticos são campos de forma; campos padrões ou estruturas de ordem. 
São campos que levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do 
tempo sem perda alguma de intensidade depois de terem sido criados. Eles são campos não 
físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização 
inerente.” Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos mas também de 
cristais e moléculas, instinto ou padrão de comportamento. (...). Estes campos são os que 
ordenam a natureza. Há muitos tipos de campos porque há muitos tipos de coisas e padrões 
dentro da natureza...", afirma Sheldrake. Isso também significa que em cada nível, o total de 
energia é mais que a soma das partes, o que ainda necessita de muitos estudos a serem 
realizados pela ciência. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Por este motivo – a existência dos campos morfogenéticos – é que, nas Constelações 
Familiares, podemos conceber as repetições de padrões de sofrimento, pois o modo como 
foram organizados no passado influencia taxativamente o modo como as pessoas no seio da 
família funcionam hoje. Há uma espécie de memória integrada nos campos mórficos. E os 
fatos, os eventos ocorridos na família, por exemplo, podem tornar-se regularidades, “hábitos”. 
Na intervenção Sistêmica Fenomenológica de Constelações, há a possibilidade de uma 
interação inteligente, do acesso em outros níveis energéticos, da consciência e da mudança no 
sistema, pois o campo mórfico é uma estrutura alterável, a partir do que Sheldrake chama de 
ressonância mórfica e, neste sentido, não apenas o cliente que constela beneficia-se, mas todo 
o sistema pode beneficiar-se das Constelações Sistêmicas. 
Ana Lucia Braga 
Terapeuta de Constelações Sistêmicas 
Terapeuta Corporal Neo Reichiana 
Psicopedagoga 
Consultório: Tel. 30215490 – 99947224 
 
Teoria do Vínculo e Constelação Familiar 
 
Mexican Institute of Group and Organizational Relations 
Gregório Baremblitt (organizador) 
http://www.continents.com/Art34.htm 
Chamamos grupo operativo a todo grupo no qual a explicitação da tarefa e a participação 
através dela permite não só sua compreensão, mas também, a sua execução(...). O grupo 
pode ser visualizado em dois planos: o da temática, extensão de temas que constituirão a 
armação da tarefa; e o da dinâmica, no qual a interrelação evidenciará o sentir que se mobiliza 
em dita temática. 
Todo conjunto de pessoas ligadas entre si por constantes de tempo e espaço, e articuladas por 
sua mútua representação interna, que se propõe explícita ou implicitamente uma tarefa que 
constitui sua finalidade. 
Podemos dizer então que estrutura, função, coesão e finalidade, juntamente com o número 
determinado de integrantes, configuram a situação grupal que tem seu modelo natural no grupo 
familiar (Pichon-Rivière). 
 
TEORIA DO VÍNCULO 
 
"É sempre uma situação em forma de espiral contínua, onde o que se diz ao paciente, por 
exemplo - interpretação, no caso de um vínculo terapêutico - determina uma certa reacção do 
paciente que é assimilada pelo terapeuta que por sua vez a reintroduz em uma nova 
interpretação". Para Pichon, isto constitui um aprendizado tanto do ponto de vista teórico como 
do ponto de vista objetivo. Pois à medida que conhece, se conhece, ou à medida que se 
ensina, se aprende. Esta série de pares dialéticos devem ser considerados para qualquer 
operação. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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"Todo vínculo é bi-corporal e tripessoal", isto é, em todo vínculo há uma presença sensorial 
corpórea dos dois, mas há um personagem que está interferindo sempre em toda relação 
humana, que é o terceiro. Sempre há alguém na mente de um ou outro que está olhando, 
vigiando e corrigindo - alguns aspectos do que Freud descreveu como complexo superego - 
ideal do ego - é algo que funciona automaticamente como uma escala de valores onde a 
sinalização é interna e determina que a comunicação se estabeleça de uma maneira distorcida 
e misteriosa. 
 
ESTRUTURA 
 
"Todo comportamento tem um caráter de estrutura significativa e que o estudo positivo de todo 
comportamento humano consiste no esforço por fazer acessível esta significação" (...) "As 
estruturas constitutivas do comportamento não são dados universais, e sim fatos específicos 
nascidos de uma gênese passada em situação de sofrer transformação que perfila uma 
evolução futura". (...) "O postulado básico de nossa teoria de enfermidade mental é: toda 
resposta inadequada, toda conduta desviante, é a resultante de uma leitura distorcida e 
empobrecida da realidade. A doença implica, portanto, numa perturbação do processo de 
aprendizado da realidade, um déficit no circuito da comunicação, processos esses 
(aprendizado e comunicação) que se realimentam mutuamente". 
1) Princípio da policausalidade: no campo específico da conduta desviante podemos dizer que 
na gênese das neuroses e psicoses nos deparamos com uma pluralidade causal, uma equação 
etiológica composta por vários elementos que vão se articulando sucessiva e evolutivamente 
ao que Freud chamou de séries complementares...Intervêm: 
O fator constitucional, onde se distinguem os elementos genotípicos e hereditários e os 
fenotípicos, isto é, aqueles elementos resultantes do contexto social que se manifestam em um 
código biológico. 
O fator disposicional, que está determinado pelo impacto da presença da criança no grupo 
familiar, as características adquiridas pela constelação familiar com esta presença, os vínculos 
positivos ou negativos da estrutura edípica triangular. Aqui surgem os chamados pontos 
disposicionais considerados como um estancamento dos processos de aprendizado e 
comunicação, o que Freud denominou de fixação da libido. 
O fator atual ou desencadeante, que se refere a uma determinada quantidade de privação, 
uma perda, uma frustração ou sofrimento, que determina uma inibição do aprendizado e 
conseqüente regressão ao ponto disposicional e recorrência às técnicas de controlo da 
angústia por meio das quais o sujeito tentará se libertar da situação de sofrimento. 
2) Princípios de pluralidade fenomenológica: leva em consideração as três áreas de expressão 
e conduta: a área da mente, a área do corpo e a área do mundo externo. Cada área é o campo 
projetivo onde o sujeito coloca seus vínculos num inter-jogo entre mundo interno e contexto 
externo, mediante processos de internalização. Cada uma dessas áreas tem um código 
expressivo que lhe é próprio. Assim é possível construir toda uma psicopatologia em função 
das áreas de expressão predominantes e as valências positivas ou negativas em cada uma 
delas (pôr exemplo: o fóbico projeta e realiza sentimentos positivos e negativos na área três, do 
mundo externo; a histeria tem predomínio de expressão na área dois, do corpo, etc.). 
3) Princípio de continuidade genética e funcional: este princípio postula a existência de um 
núcleo patogênico central de naturezadepressiva e que todas as formas clínicas seriam 
derivadas daquele núcleo. Este princípio está ligado à teoria de Pichon-Rivière de enfermidade 
única. Haveria então um núcleo patogênico depressivo (enfermidade básica) e uma 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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instrumentação através de técnicas defensivas do mesmo, que são características da posição 
esquizo-paranóide descrita pôr Melanie Klein e a que Pichon denomina pato-plástica ou 
funcional. O fracasso na elaboração do sofrimento da posição depressiva acarreta, de forma 
inevitável, o predomínio de defesas que implicam o bloqueio das emoções e da atividade da 
fantasia. Essas defesas estereotipadas impedem sobretudo um certo grau de auto-
conhecimento e insight da realidade. Isto é fundamental para entender a importância do 
momento depressivo de integração na realização dos grupos operativos. Pois a tentativa de 
evitar este sofrimento "operativo" leva a um bloqueio do afeto, da fantasia e do pensamento, 
que determina uma conexão empobrecida com a realidade, uma dificuldade para modificá-la e 
de modificar-se nesta interação dialética que seria justamente um dos critérios operativos. Em 
termos de grupo, podemos chamar operativo ou capacidade de autognose ao que permite ao 
grupo elaborar um projeto com a inclusão da morte como situação própria e concreta. Isto 
significa enfrentar os problemas existenciais e a conquista de uma adaptação ativa à realidade 
com um destino e uma ideologia de vida próprias. 
4) Mobilidade das estruturas: se refere basicamente às estruturas que são instrumentais e 
situacionais em cada aqui e agora do processo de interação. Ou seja, que as modalidades ou 
técnicas de manejo das ansiedades básicas, com sua localização de objetos e vínculos nas 
distintas áreas, é modificável segundo os processos de interação com os quais o sujeito se 
compromete. Esta afirmação tem importantes implicações no trabalho diagnóstico, pois todo 
diagnóstico será então situacional e historicamente determinado. 
 
PRÉ-TAREFA, TAREFA E PROJECTO 
 
Pré-tarefa são todas aquelas atividades onde a presença dos medos básicos (ansiedade de 
perda e ataque) determinam a utilização de técnicas defensivas que estruturam o que se 
denomina resistência à mudança. A pré-tarefa está caracterizada pôr uma situação de 
impostura que paralisa o prosseguimento do grupo. Se faz "como se" se trabalhasse, "como 
se" se efetuasse um trabalho especificado. Nesta impostura o grupo aparece sem capacidade, 
com uma certa transparência, onde o sujeito é como o negativo de si mesmo, faltando-lhe 
revelação de si mesmo. Concorre para ressaltar a estranheza aos comportamentos alheios a 
ele como grupo e como sujeito, mas afins a ele como homem alienado. Realiza, então uma 
série de tarefas para passar o tempo (protelação, atrás da qual se oculta a impossibilidade de 
suportar as frustrações de início e término da tarefa) o que gera uma insatisfação constante. 
Isto se observa particularmente no tipo de manejo do tempo que realiza o grupo. Outra das 
formas características de se manifestar a pré-tarefa é o "absolutismo dinâmico" que é uma 
série de movimentos que apresentam uma ação mas que na realidade são realizados a fim de 
impedir qualquer situação de transformação. É a expressão "gato pardismo" nos grupos, de 
mudar algo para que nada mude. 
O momento da tarefa consiste na abordagem e elaboração das ansiedades, e emergência da 
posição depressiva básica o que, em termos de Pichon, se expressaria como consciência de 
finitude e possibilidade de incluir a idéia da própria morte a partir de onde se poderia estruturar 
a tarefa possível em termos de tempo e espaço. Na passagem da pré-tarefa à tarefa se efetua 
um salto por somatização quantitativa de insight através do qual se personifica e se estabelece 
uma relação com o outro (diferenciado). 
O grupo aparece com uma percepção global dos elementos em jogo, com possibilidade de 
instrumentá-los, com um contacto com a realidade onde é possível sua colocação como sujeito 
ativo, onde pode elaborar estratégias e tácticas, onde pode intervir nas situações provocando 
transformações. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Entramos, assim então, na idéia de projeto ou produto que seriam aquelas estratégias e 
tácticas para produzir uma mudança que, pôr sua vez, voltariam a modificar o sujeito com o 
qual o processo se põe outra vez em marcha. 
 
PAPEL E LIDERANÇA 
 
A análise dos papéis e a forma em que se configuram, constitui uma das operações básicas, 
tendentes à constituição de um ecro grupal. 
Cada um dos participantes de um grupo constrói seu papel em relação aos outros; assim, de 
uma articulação entre o papel prescrito e o papel assumido, surge a actuação característica de 
cada membro do grupo. 
Este papel se constrói baseado no grupo interno (representação que cada um tem dos outros 
membros) e que vai constituindo "o outro" generalizado do grupo. Na relação do sujeito com 
este "outro generalizado" se vai constituindo o rol operativo diferenciado, que permitirá a 
construção de uma estratégia, uma táctica, uma técnica e uma logística para a realização da 
tarefa. 
Os quatro papéis mais destacados, que se perfilam na operação grupal são: porta-voz, bode 
expiatório, líder e sabotador. 
O porta-voz é aquele que sendo depositário da ansiedade grupal, aparece, no grupo, 
expressando-a de diversas maneiras (através de palavras, atos ou silêncios). Nele se inclui 
uma interação entre sua verticalidade e a horizontalidade do grupo, o que lhe permite ser um 
emergente qualificado para denunciar qual é a ansiedade predominante que está impedindo a 
tarefa. 
É importante discriminar no processo de "depósito" que constrói os diferentes papéis, os três 
elementos que a constituem: o depositante e o depositário, para permitir assim, uma 
redistribuirão de ansiedade e a ruptura do estereótipo dos papéis. 
Outro papel que aparece frequentemente nos grupos, o de bode expiatório, surge como 
contrapartida ou decadência do chamado líder messiânico. Esta situação é característica 
quando existe uma forte predominância do pólo paranóico. O bode expiatório é o depositário de 
todas as dificuldades do grupo e culpado de cada um de seus fracassos. As ideologias 
messiânicas, ou com tendência à idealização, que se fazem a cargo do grupo, tendem 
constantemente a desenvolver este tipo de papel. 
Outros papéis que Pichon destaca em sua importância são: o de sabotador e o do bobo do 
grupo Estes papéis, quase universais, são depositários das forças que se opõem à tarefa no 
interior do grupo (grupo conspirador), o que determina o aparecimento de mecanismos de 
segregação. A segregação é o fantasma que ameaça constantemente o grupo e é uma 
tentativa fracassada de redistribuirão da ansiedade, o que implica em dificuldades para 
enfrentar situações de mudanças. Podemos dizer que assim como a projeção é o fantasma 
que ameaça constantemente a comunicação interpessoal, a segregação é o principal inimigo 
na construção de uma comunicação grupal. 
A detecção dos líderes tem uma importância fundamental na compreensão da dinâmica do 
grupo, tanto é assim, que a estrutura e a função do grupo se configuram de acordo com os 
tipos de liderança assumidos pelo coordenador. A liderança pode ser assumida tanto pelo 
coordenador como pelos diferentes membros do grupo e a análise e a elucidação em ambos os 
casos é necessária para quebrar as estereotipias de funcionamento. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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A teoria dos papéis se compõe então, dessa representação que cada um tem de si mesmo e 
que responde a uma representação de expectativas que as demais pessoas têm de nós. Em 
função das expectativasque temos dos outros, e que os outros têm de nós, se produz uma 
correlação de condutas que denominamos interrelação social. Assim se dispõe cada um para o 
outro com um protótipo de atitudes na qual cada um pode pré-julgar ou pré-dizer qual é o tipo 
de conduta que receberá como respostas às mensagens que emite. 
Isto é o que se chama expectativa de papel, ou seja, todas as condutas que esperamos das 
pessoas ao nosso redor. Este conceito, no campo de certas psicologias sociais, constitui o que 
se chama análise da atitude social, que configura o estudo das disposições que cada um de 
nós tem para reagir frente a um fato social determinado. 
Consideramos que, justamente, operar um grupo, consiste em romper com estas expectativas 
fixas e atitudes prototípicas, gerando novos modos de comunicação e efeitos de sentido que 
possibilitem uma transformação grupal. 
 
ECRO GRUPAL 
 
Esquema Conceitual, Referencial e Operativo 
Este esquema conceitual-referencial está baseado na idéia de uma interdisciplinar que 
compreenda o estudo geral da problemática abordada. Esta noção de interdisciplinar é a que 
vai dar origem à necessidade de heterogeneidade nos grupos operativos, onde a maior 
heterogeneidade entre seus membros corresponde à maior homogeneidade na tarefa. Este 
ECRO é instrumental e operativo no sentido que a aprendizagem do grupo se estrutura como 
um processo contínuo e com oscilações, articulando os momentos do ensinar e do aprender a 
que se dá no aluno e professor como um todo estrutural e dinâmico. 
 
Esquema Corporal 
 
O esquema corporal se conforma através de sensos-percepção que vêm do próprio corpo 
como também do corpo do outro. 
Recebemos informações, através do córtex cerebral, de cinco diferentes tipos: 
1. Sensações que vêm da superfície corporal. 
2. Sensações que vêm do interior do corpo. 
3. Sensações que provêm da tensão muscular. 
4. Sensações que informam a postura corporal. 
5. Sensações que provêm da percepção visual. 
Considerando cada membro, cada órgão, como parte de um grupo interno corporal, conclui-se 
que todos os órgãos de nosso corpo constituem um grupo, cuja tarefa é a aprendizagem e a 
correção das enfermidades orgânicas. A tarefa do terapeuta consiste em esclarecer os conflitos 
que existem entre eles, evitando que um dos órgãos seja o depositário da ansiedade do grupo, 
assim como o enfermo mental é o depositário da enfermidade do grupo familiar. 
Esta concepção de grupo orgânico e de grupo psicológico é fundamental para o tratamento 
grupal dos enfermos chamados orgânicos e sem provas de sua organicidade. O estudo do 
corpo do grupo nos leva ao conceito de distância social. Existiria uma distância ótima, uma 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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altura espacial e emocional ótima, que permite uma melhor comunicação, uma maior 
segurança psicológica e uma maior operatividade para cada situação. Se a distância é 
exagerada aparecem perturbações na comunicação; se, pelo contrário, existe um excesso de 
aproximação, se produz uma situação de rejeição e bloqueio no outro. Esta distância social 
implica tanto o corporal como o emotivo, tanto o espaço do eu como o espaço do id. 
Dizemos, finalmente, que devemos entender o esquema corporal não como a representação 
empírica do próprio corpo, mas sim como a representação fantasmática grupal constituída pôr 
todos os vínculos espaços-temporais. 
 
CONE INVERTIDO 
 
É um esquema constituído pôr vários vetores na base dos quais se fundamenta a operação no 
interior do grupo. A partir da análise interrelacionada destes vetores se chega a uma avaliação 
da tarefa que o grupo realiza. 
A eleição do desenho do cone invertido se deve a que em sua parte superior estariam os 
conteúdos manifestos e em sua parte inferior, as fantasias latentes grupais. Pichon propõe que 
o movimento de espiral que vai fazer explícito o que é implícito, atua ante os medos básicos 
subjacentes, permitindo enfrentar o temor à mudança. 
Os vetores são: 
Filiação e Pertinência: a filiação se pode considerar como um asso anterior à pertinência, é 
uma aproximação não fixa com a tarefa. Seriam aqueles que estão interessados pelo trabalho 
grupal, seriam "os torcedores e não os jogadores". Pertinência é quando os participantes 
entram no grupo, "na cancha". Na dinâmica grupal, tradicionalmente é medida em relação à 
presença no grupo, à pontualidade do seu início, às intervenções etc. 
Cooperação: é dada pela possibilidade do grupo fazer consciente a estratégia geral do mesmo. 
"Se vê na justiça dos passes, na exatidão das jogadas gerais". No movimento grupal se 
manifesta pela capacidade de se colocar no lugar do outro. 
Pertinência: é um terceiro vetor que surge da realização dos dois anteriores. "Se mede pela 
quantidade de suor que tem a camiseta ao final da partida", é a realização da tarefa 
estratégica. "O gol contra seria o cúmulo da falta de pertinência". Cabe aclarar que o alcance 
da pertinência grupal não é proposta como um ato de vontade mas sim como a expressão do 
desejo grupal, revelado na análise dos medos básicos. 
Aprendizagem: a aprendizagem inclui vários aspectos que são o da estratégia - o da táctica 
(que seria moldar na prática os objetivos estratégicos); o da técnica, que é a arte e o 
artesanato para levar a tarefa adiante, e a logística, que é a possibilidade de avaliar as 
estratégias dos elementos que se opõem à realização da tarefa em relação aos do próprio 
grupo, para permitir uma operação no nível adequado. 
Para Pichon (...) o indivíduo nos momentos de intensa resistência à mudança, voltaria 
regressivamente mais que a comportamentos próprios da etapa libidinal onde está 
predominantemente fixado, a repetir atitudes mal aprendidas que dificultaram sua passagem a 
uma etapa posterior. Assim substitui o conceito de instinto pelo de necessidade não satisfeita. 
A repetição seria provocada pôr dificuldades na aprendizagem e na comunicação, não 
permitindo assim a elaboração de uma estratégia adequada em seu devido momento. 
Assim, a transferência, mais que uma simples repetição, seria a colocação em jogo de 
estratégias e tácticas mal aprendidas, com a intenção de poder corrigir as dificuldades ou os 
obstáculos que não puderam ser encarados daquela vez. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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A aprendizagem operativa no grupo, através da tarefa, permite novas abordagens ao objeto e o 
esclarecimento dos fantasmas que impedem sua penetração, permitindo a operação grupal. 
Comunicação: esse vetor é tomado pôr Pichon como o lugar privilegiado pelo qual se 
expressam os transtornos e dificuldades do grupo para enfrentar a tarefa. Na medida em que 
cada transtorno da comunicação remete-se a um transtorno da aprendizagem, veremos os 
sujeitos grupais tratarem de desenvolver velhas atitudes, em geral mal aprendidas, com a 
intenção de abordar os objetos novos de conhecimento. Este objeto pode ser nos grupos 
operativos, indistintamente, desde a compreensão de um conceito ao desenvolvimento de um 
processo terapêutico. Entendendo a aprendizagem, então, como a ruptura de certos 
estereótipos de comunicação e a obtenção de novos estilos, o que implica sempre 
reestruturações e redistribuirão dos papéis desempenhados pelos integrantes do grupo. 
Tele: este vetor se refere ao clima afetivo que prepondera no grupo em diferentes momentos. É 
um conceito tomado da sociometria de Moreno para assinalar o grau de empatia positiva ou 
negativa que se dá entre os membros do grupo. A fundamentação deste conceito parte da 
base de que todo encontro é na realidade um reencontro, ou como gostava de dizer o próprio 
Pinchos: "Todo amor é um amor à primeira vista". Isto quer dizer que o afastamento e a 
aproximação entreas pessoas de um grupo, não tem que ver com essa pessoa real presente, 
mas com a recordação de outras pessoas e outras situações que ela evoca. 
 
INTERPRETAÇÃO 
 
A interpretação no grupo operativo está tomada do modelo da interpretação psicanalítica que, 
sinteticamente, consistiria em procurar fazer explícito o implícito. 
O propósito geral da interpretação é o esclarecimento em termos das ansiedades básicas, 
aprendizagem, esquema referencial, semântica, decisão etc. Desta maneira coincidem a 
aprendizagem, a comunicação, esclarecimento e a resolução de tarefas com a cura. Tenta-se 
criar então um novo esquema referencial. 
 
COORDENADOR E OBSERVADOR 
 
O coordenador de grupo operativo não pode trabalhar nem como um característico psicanalista 
de grupo nem como um simples coordenador de grupo de discussão e tarefa. Sua intervenção 
se limita a sinalizar as dificuldades que impedem ao grupo enfrentar a tarefa. Dispõe para isso 
de um ECRO a partir do qual tentará decifrar essas dificuldades e num processo adequado em 
relação aos quatro passos que são, estratégia, táctica, técnica e logística, irá propondo ao 
grupo as hipóteses que lhe permitam tomar-se a si mesmo como objeto de estudo e ir 
revelando as dificuldades que aparecem na comunicação e aprendizagem. O coordenador não 
está ali para responder às questões, mas para ajudar o grupo a formular aquelas que 
permitirão o enfrentar dos medos básicos. Ele cumpre no grupo um papel prescrito: o de ajudar 
os membros a pensar, abordando o obstáculo epistemológico configurado pelas ansiedades 
básicas. Seu instrumento é a sinalização das situações manifestas e a interpretação da 
causalidade subjacente. 
Forma uma equipe com o observador que, na forma tradicional de grupo operativo, é um 
observador não participante. Este ao mesmo tempo que serve de tela de projeção pôr sua 
característica de permanecer silencioso, recolhe material expresso tanto verbalmente como 
pré-verbalmente nos distintos momentos grupais. As notas do observador são analisadas logo 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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em conjunto com o coordenador que com esses elementos pode repensar as hipóteses 
formuladas e adequá-las em função do processo grupal. 
Posted by at August 2, 2004 01:45 AM 
 
CONSTELAÇÃO FAMILIAR SEGUNDO 
BERT HELLINGER 
 
O Trabalho com as Constelações Familiares: O caminho do conhecimento 
 
Dois movimentos nos levam ao conhecimento. O primeiro se estende e quer abarcar algo até 
então desconhecido para dele se apropriar e dele dispor. O esforço científico pertence a esse 
tipo e sabemos quanto ele transformou, assegurou e enriqueceu o nosso mundo e a nossa 
vida. O segundo movimento se origina quando nos detemos, durante nosso esforço em abarcar 
o desconhecido, e dirigimos o olhar, não mais para um determinado objeto palpável, mas para 
um todo. Assim, o olhar está disposto a receber, simultaneamente, a diversidade que se 
encontra à sua frente. Quando nos deixamos levar por esse movimento, por exemplo, diante de 
uma paisagem, uma tarefa ou um problema, notamos como nosso olhar fica, ao mesmo tempo, 
pleno e vazio. Pois só podemos nos expor à plenitude e suportá-la, quando prescindimos 
primeiramente dos detalhes. 
Assim, detemo-nos em nosso movimento exploratório e nos retraímos um pouco, até 
atingirmos aquele vazio que pode resistir à plenitude e à diversidade. Esse movimento, que 
primeiramente se detém e depois se retrai, chamo de fenomenológico. Ele nos conduz a 
conhecimentos distintos daqueles obtidos pelo movimento do conhecimento exploratório. 
Contudo, ambos se completam. Pois também no movimento do conhecimento científico 
exploratório precisamos, às vezes, deter-nos e dirigir nosso olhar, do estreito ao amplo, do 
próximo ao distante. Por sua vez, o conhecimento resultante do procedimento fenomenológico 
precisa ser verificado no indivíduo e no próximo. 
 
O processo 
 
No caminho do conhecimento fenomenológico, expomo-nos, dentro de um determinado 
horizonte, à diversidade dos fenômenos, sem escolher entre eles e nem avaliá-los. Esse 
caminho do conhecimento exige, portanto, um esvaziar-se, tanto em relação às idéias 
preexistentes quanto aos movimentos internos, sejam eles da esfera do sentimento, da 
vontade ou do julgamento. Nesse processo, a atenção é simultaneamente dirigida e não 
dirigida, centrada e vazia. A postura fenomenológica requer uma prontidão tensionada para a 
ação, sem passar, entretanto, à execução. Graças a essa tensão, tornamo-nos extremamente 
capazes e prontos para perceber. Quem a suporta percebe, depois de algum tempo, como a 
diversidade presente no horizonte se dispõe em torno de um centro e, de repente, reconhece 
uma conexão, uma ordem talvez, uma verdade ou o passo que leva adiante. Esse 
conhecimento provém igualmente de fora, é vivenciado como uma dádiva e é, via de regra, 
limitado. 
 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O Trabalho com as Constelações Familiares 
 
O que o procedimento fenomenológico possibilita e requer pode ser experimentado e descrito 
de modo especialmente marcante através do trabalho com as constelações familiares. Pois a 
colocação da constelação familiar é, por um lado, o resultado de um caminho do conhecimento 
fenomenológico e, por outro lado, o procedimento fenomenológico obtém resultado, quando se 
trata do essencial, apenas através da contenção e confiança na experiência e compreensão 
por ele possibilitadas. 
 
O cliente 
 
O que acontece quando um cliente coloca a sua família na psicoterapia? Em primeiro lugar, 
escolhe entre as pessoas de um grupo, representantes para os membros de sua família. 
Portanto, para o pai, para a mãe, para os irmãos e para si mesmo, não importando quem ele 
escolhe para representar os diversos membros de sua família. Na verdade, é melhor ainda se 
escolher os representantes independentemente de aparências externas e sem uma 
determinada intenção. Isto já é o primeiro passo em direção a uma contenção e uma renúncia 
à intenções e velhas imagens. 
Quem escolhe seguindo aspectos exteriores, por exemplo, idade ou características corporais 
não se encontra numa postura aberta para o essencial e invisível. Limita a força expressiva da 
colocação através de considerações externas. Com isso a colocação de sua constelação 
familiar já pode estar, para ele, talvez fadada ao fracasso. Por isso também não importa e 
algumas vezes é melhor que o terapeuta escolha os representantes e deixe o cliente configurar 
com estes a sua família. Porém, o que deve ser considerado é o sexo das pessoas escolhidas, 
isto é, que homens sejam escolhidos para representar os homens e mulheres para as 
mulheres. 
Escolhidos os representantes o cliente coloca-os no espaço um em relação ao outro. No 
momento da colocação é de grande ajuda que ele os segure com ambas as mãos pelos 
ombros e assim em contato com eles os posicione em seu lugar. Durante a montagem 
permanece centrado, prestando atenção ao seu movimento interior, seguindo-o até sentir que o 
lugar para onde conduziu o representante seja o certo. Durante a colocação está em contato 
não somente consigo e com o representante, senão também com uma esfera, recebendo daí 
também sinais que o ajudarão a encontrar o lugar certo para essa pessoa. Prossegue assim 
com os outros representantes até que todos se encontrem em seus lugares. Durante este 
processo o cliente está , por assim dizer, esquecido de si mesmo. 
Desperta deste esquecimento de si mesmo quando todos estão posicionados. Algumas vezes 
é de ajuda quando, em seguida, dá uma volta e corrige o que ainda não está totalmente certo. 
Senta-se, então. Podemos perceber imediatamente quando alguém não se encontra nesta 
postura de esquecimento de simesmo e contenção. Por exemplo, quando prescreve para cada 
um dos representantes uma determinada postura corporal no sentido de uma escultura, ou 
quando monta a constelação muito depressa como se seguisse uma imagem preconcebida ou 
quando se esquece de colocar uma pessoa, ou quando declara que uma pessoa já está em 
seu lugar certo sem tê-la posicionado de modo concentrado. 
Uma constelação familiar que não foi configurada deste modo concentrado termina num beco 
sem saída ou de forma confusa. 
 
O terapeuta 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O terapeuta precisa também se libertar de suas intenções e imagens a fim de que a colocação 
de uma constelação familiar tenha êxito. Na medida em que se contém e se expõe centrado à 
constelação, reconhece imediatamente se o cliente quer influenciá-lo através de imagens 
preconcebidas ou esquivar-se daquilo que começa a se mostrar. Então ele ajuda-o a se centrar 
e o conduz a um estado de disposição para que se exponha ao que está acontecendo. Se isso 
não for possível, pára com a colocação. 
 
Os representantes 
 
Exige-se também dos representantes uma contenção interna de suas próprias idéias, intenções 
e medo. Isso significa que eles devem observar exatamente as mudanças que se manifestam 
em seu estado corporal e seus sentimentos enquanto são colocados. Por exemplo, que o 
coração bate mais depressa, que querem olhar para o chão, que se sentem repentinamente 
pesados ou leves, ou estão com raiva ou tristes. É também de grande ajuda quando prestam 
atenção às imagens que emergem e que ouçam os sons e palavras que afloram. 
Por exemplo, um americano que estava começando a aprender alemão, ouvia constantemente 
durante uma colocação familiar na qual ele representava um pai a sentença alemã: "Diga 
Albert". Mais tarde ele perguntou ao cliente se o nome Albert tinha algum significado para ele. 
"Mas é claro", foi a resposta", é o nome do meu pai, do meu avô e Albert é o meu segundo 
prenome." 
Uma outra pessoa que representava em uma constelação o filho de um pai que havia morrido 
em um acidente de helicóptero ouvia constantemente o ruído do rotor de um helicóptero. Certa 
vez este filho tinha sido o piloto de um helicóptero em que estava também o pai. O helicóptero 
caiu, mas os dois sobreviveram. Para que essa postura obtenha resultado são naturalmente 
necessárias uma grande sensibilidade e uma enorme prontidão para se distanciar de suas 
próprias idéias. E o terapeuta precisa ser muito cauteloso para que as fantasias dos 
representantes não sejam captadas como percepções. Tanto o terapeuta quanto os 
representantes podem escapar mais facilmente deste perigo quanto menos informações 
tiverem sobre a família. 
 
As perguntas 
 
A percepção fenomenológica obtém melhores resultados quando se pergunta só o essencial, 
diretamente antes da colocação familiar. As perguntas necessárias são: 
Quem pertence à família? 
Existem natimortos ou membros da família que morreram precocemente ? Houve na família 
destinos especiais, por exemplo deficientes? 
Um dos pais ou avós teve anteriormente um relacionamento firme, portanto, foi noivo(a), 
casado(a) ou teve de alguma forma um relacionamento longo e significante? 
Uma anamnésia extensa dificulta, via de regra, a percepção fenomenológica tanto do terapeuta 
como também dos representantes. Por isso, o terapeuta recusa também conversas prévias ou 
questionários que vão além das perguntas mencionadas. Pelo mesmo motivo os clientes não 
devem dizer nada durante a colocação nem os representantes devem fazer peguntas de 
qualquer tipo para os clientes. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Centrar-se em si mesmo 
Alguns representantes são tentados a extrair da imagem externa da constelação o que sentem 
em vez de prestar atenção à sua percepção corporal e ao seu sentimento interno imediato. Por 
exemplo, o representante de um pai dissera que se sentia confrontado pelos filhos porque 
estes tinham sido colocados à sua frente. Entretanto, quando prestou atenção ao seu 
sentimento interior imediato, percebeu que estava se sentindo bem. Ele se desviara de sua 
percepção imediata por causa da imagem externa. Algumas vezes, quando um representante 
sente algo que lhe parece indecoroso, não o menciona. Por exemplo, que ele, como pai, sente 
uma atração erótica pela filha. Ou uma representante não se arrisca a dizer que ela, como 
mãe, se sente melhor quando um de seus filhos quer seguir um membro da família na morte. 
O terapeuta presta atenção, portanto, aos leves sinais corporais, por exemplo, um sorriso ou 
um retesamento, ou uma aproximação involuntária das pessoas. Quando comunica tais 
percepções os representantes podem verificar novamente a sua própria percepção. Alguns 
representantes fazem também afirmações amáveis porque pensam que com isso poderão 
ajudar ou consolar o cliente. Tais representantes não estão em contato com o que acontece e o 
terapeuta deve substitui-los por outros imediatamente. 
 
Os sinais 
 
Um terapeuta que não se mantém constantemente durante a situação inteira em sua 
percepção centrada, isto é, sem intenção e sem medo, é levado, muitas vezes através de 
afirmações de primeiro plano a um caminho errado ou a um beco sem saída. Com isso os 
outros representantes ficam também inseguros. Existe um sinal infalível se uma colocação 
familiar está no caminho certo ou não. Quando começa a se perceber no grupo observador 
inquietação e a atenção diminui, a colocação não tem mais chance. Nesse caso, quanto mais 
depressa o terapeuta interromper o trabalho tanto melhor. 
A interrupção permite a todos os participantes concentrar-se novamente e depois de algum 
tempo recomeçar o trabalho. Algumas vezes o grupo observador também apresenta sugestões 
que levam adiante. Entretanto isto deve ser apenas uma observação. Se tentarem somente 
adivinhar ou interpretar, isso aumenta a confusão. Então o terapeuta também deve parar a 
discussão e reconduzir o grupo à concentração e seriedade. 
 
A abertura 
 
Tratei minuciosamente destas formas de procedimento e dos obstáculos que podem surgir a 
fim de por limites às colocações feitas levianamente. Senão o trabalho com as constelações 
familiares pode cair facilmente em descrédito. Alguns procedem de outra forma nas 
constelações familiares. Se isso ocorrer a partir de uma atenção centrada pode obter bons 
resultados. Entretanto, se ocorrer somente por uma necessidade de delimitação ou para 
ganhar prestígio a abertura fenomenológica fica limitada devido às intenções. 
A melhor forma de adquirir prestígio é quando se tem novas percepções que podem ser 
comprovadas pelos resultados e nas quais se deixa também outros participarem. Se, 
entretanto, a delimitação segue idéias teóricas ou é influenciada por intenções e medos que se 
recusam em concordar com a realidade que se mostra, isto leva à perda da prontidão para 
apreender, com as respectivas consequências para o efeito terapêutico. Se a colocação da 
constelação familiar for feita só por curiosidade ela perde a sua seriedade e força. Restam, 
então, do fogo talvez apenas as cinzas e do vestido apenas a cauda. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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O início 
 
De volta agora ao trabalho com as constelações familiares. A questão que o terapeuta deve 
decidir, em primeiro lugar, é: 
Coloco a família atual ou a de origem? 
Deu bons resultados começar com a família atual. Pois, dessa maneira, pode-se colocar mais 
tarde aquelas pessoas da família de origem que ainda agem fortemente na família atual. 
Obtém-se assim uma imagem em que as influências que sobrecarregam e curam através das 
várias gerações ficam visíveis e podem sersentidas. Unicamente quando os destinos da 
família de origem são especialmente trágicos é que se começa com a família de origem. 
 
A próxima pergunta é: 
 
Com quem começo a colocação? 
Começa-se com o núcleo familiar, portanto, pai, mãe e filhos. Se existe um natimorto ou uma 
criança que morreu precocemente, coloca-se esta criança mais tarde para poder ver qual o 
efeito que tem na família quando está à vista. A regra é começar com poucas pessoas, deixar-
se conduzir por elas e desenvolver passo a passo a constelação. 
 
O procedimento 
 
Quando a primeira imagem é configurada dá-se ao cliente e aos representantes um pouco de 
tempo para que se exponham à ela, deixando-a atuar. Muitas vezes os representantes 
começam a reagir espontaneamente, por exemplo, começam a tremer ou chorar ou abaixam a 
cabeça, respiram com dificuldade ou olham com interesse ou apaixonadamente para alguém. 
Alguns terapeutas perguntam aos representantes muito depressa como eles estão se sentindo, 
impedindo ou interrompendo dessa maneira este processo. 
Quem faz perguntas aos representantes apressadamente, utiliza este procedimento facilmente 
como substituto para a sua própria percepção, tornando os representantes inseguros também. 
O terapeuta deixa, em primeiro lugar, a imagem atuar também sobre ele. Freqüentemente vê 
imediatamente qual a pessoa que está mais carregada ou em perigo. Se, por exemplo, ela foi 
colocada de costas ou de lado, o terapeuta vê que ela quer partir ou morrer. Apenas precisa, 
sem perguntar nada a ninguém, dirigi-la uns poucos passos à frente na direção em que está 
olhando e prestar atenção ao efeito que esta mudança provoca nela e nos outros 
representantes. 
Ou se todos os representantes olham para uma mesma direção o terapeuta sabe, 
imediatamente, que alguém deve estar na frente deles: uma pessoa que foi esquecida ou 
excluída. Por exemplo, uma criança que morreu precocemente ou um noivo anterior da mãe 
que morreu na guerra. Então ele pergunta ao cliente quem poderia ser e coloca a pessoa no 
quadro antes que qualquer um dos representantes tenha dito algo. 
Ou quando a mãe está cercada pelos filhos dando a impressão de que eles estão impedindo a 
sua partida, o terapeuta pergunta ao cliente imediatamente: O que aconteceu na família de 
origem da mãe que possa esclarecer esta atração por partir. Então ele procura, em primeiro 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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lugar, um alívio e solução para a mãe antes de continuar a trabalhar com os outros 
representantes. 
O terapeuta desenvolve, portanto, os próximos passos a partir da colocação inicial e busca 
informações adicionais do cliente para o próximo passo, sem fazer ou perguntar nada além do 
que ele precise para este passo. Com isso a constelação mantém a concentração no essencial 
e a sua especial densidade e tensão. Cada passo desnecessário, cada pergunta 
desnecessária, cada pessoa adicional que não seja necessária para a solução diminui a tensão 
e desvia a atenção das pessoas e dos acontecimentos importantes. 
 
Constelações familiares densas 
 
Freqüentemente é suficiente colocar somente dois representantes, por exemplo, a mãe e o 
filho com aids. O terapeuta nem precisa então dar maiores instruções. Deixa os representantes 
seguir os movimentos que resultam do campo de forças entre eles, entretanto sem nada dizer. 
Assim ocorre um drama mudo, no qual vem à luz não somente os sentimentos das pessoas 
participantes mas também emerge um movimento que mostra quais os passos que são 
possíveis ou adequados para ambos. 
 
O espaço 
 
Aqui se apresenta o mais surpreendente efeito da postura fenomenológica e sua forma de 
procedimento. A contenção centrada do terapeuta e do grupo participante cria o espaço no 
qual relacionamentos e emaranhamentos vêm à tona. Eles se movimentam em direção à uma 
solução dando a impressão de que os representantes são movidos por uma força poderosa 
exterior. 
Esta força serve-se deles e deixa parecer muitas das usuais suposições psicológicas e 
filosóficas insuficientes e falhas. 
 
A participação 
 
Em primeiro lugar vê-se que existe obviamente um conhecimento através da participação. Os 
representantes comportam-se e se sentem como as pessoas que representam embora nem 
eles nem o terapeuta possuam informações prévias que vão além dos fatores e 
acontecimentos externos mencionados anteriormente. Muitas vezes o cliente fica estupefado 
que os representantes expressam as mesmas coisas que conhece das pessoas reais ou que 
mostram os mesmos sentimentos e sintomas que as pessoas reais têm. Por isso pode-se 
concluir que os membros reais da família também possuem este conhecimento através da 
participação de modo que nada de significativo permanece oculto à sua alma. 
Há pouco tempo uma conhecida de uma mulher relatou que o seu pai era judeu e que tinha 
ocultado este fato de seus filhos, batizando-se. Ela tomara conhecimento disto pouco antes de 
sua morte. Nesta oportunidade soube também que o pai tinha ainda duas irmãs que haviam 
morrido em um campo de concentração. Esta mulher tivera muitas profissões, uma atrás da 
outra. Primeiro tinha sido uma camponesa, depois foi restauradora de velhos móveis antes de 
escolher a sua atual profissão de terapeuta. Quando então pesquisou sobre as circunstâncias 
da vida de suas duas tias mortas veio à tona que uma delas administrara uma fazenda e a 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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outra uma loja de antigüidades. Sem ter conhecimento disto tinha seguido as duas através de 
suas profissões, ligando-se desse modo a elas. 
 
O campo de forças 
 
O esclarecimento para isso permanece um mistério. Rupert Sheldrake provou através de 
observações e muitas experiências que cães demonstram através de seu comportamento que 
sentem imediatamente quando seu dono ou dona que estão ausentes se põem a caminho de 
casa e que percebem imediatamente quando este caminho é interrompido. Sentem também, 
algumas vezes, através dos continentes. Portanto, deve existir um campo de forças através do 
qual ambos estão diretamente ligados. 
 
Os mortos 
 
Nas constelações familiares torna-se ainda mais evidente através do comportamento dos 
representantes e com isso, naturalmente, através do comportamento e dos destinos dos 
membros reais da família que eles estão ligados às pessoas que já faleceram há muito tempo. 
Como poder-se-ia de outra forma ser esclarecido que numa família, durante os últimos 100 
anos, três homens de várias gerações tenham se suicidado com 27 anos de idade no dia 31 de 
dezembro e pesquisas revelaram que o primeiro marido da bisavó tinha falecido com 27 anos 
no dia 31 de dezembro e tinha sido provavelmente envenenado pela bisavó e seu segundo 
marido? 
 
A alma 
 
Aqui atua mais do que um campo de forças. Aqui atua uma alma comum que liga não somente 
os vivos mas também os membros falecidos da família. Esta alma abarca somente certos 
membros familiares e nós podemos ver pelo alcance de sua atuação quais os membros da 
família que foram por ela abrangidos e tomados a seu serviço. 
Começando pelos descendentes são os seguintes: 
os filhos, inclusive os natimortos e os falecidos, 
os pais e seus irmãos, 
os avós, algumas vezes ainda um ou outro avô ou avó e também ancestrais que estão ainda 
mais longe todos - e isto é especialmente significativo - aqueles que deram lugar para a 
vantagem dos membros mencionados anteriormente, principalmente parceiros anteriores dos 
pais ou avós, e todos aqueles que através de sua infelicidade ou morte a família teve vantagem 
ou lucro. 
as vítimas de violência ou morte causadas por membros anteriores dessa família. 
Sobre os dois últimos grupos mencionados gostaria de comunicaro que experiências recentes 
trouxeram à luz. Nas colocações das constelações familiares de descendentes de pessoas que 
acumularam uma grande riqueza, chamou-me a atenção que netos e bisnetos têm tido 
destinos terríveis que não podem ser entendidos somente pelos acontecimentos dentro da 
família. 
Brasil Constelação Familiar – Perguntas e Respostas – Material 
 
 
 
 
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Somente depois que as vítimas cuja morte ou infelicidade havia sido o preço para esta riqueza 
foram colocadas na constelação veio à tona a extensão da atuação dos destinos destas 
pessoas na família. Exemplos para estes casos: trabalhadores que morreram na construção de 
ferrovias ou sondagens de petróleo, cuja contribuição para a riqueza e bem-estar dos 
industriais não tinha sido reconhecida e valorizada. Em muitas colocações de descendentes de 
assassinos, por exemplo, agressores nazistas do 3° Reich pôde-se ver que os netos e bisnetos 
queriam se deitar junto às vítimas e com isso corriam extremo risco de se suicidar. 
A solução para ambos os grupos era a mesma. As vítimas devem ser vistas e respeitadas por 
todos os membros da família. Todos devem reverenciá-las, inclinando-se diante delas, sentir 
tristeza e chorar por elas. Depois disso, os ganhadores e agressores originais devem se deitar 
ao lado das vítimas e os outros membros da família devem deixá-los aí. Só assim os 
descendentes ficam livres. Aqui fica evidente que os membros da família se comportam como 
se tivessem uma alma comum e como se fossem chamados a serviço por uma instância 
comum preordenada e como se esta instância servisse uma certa ordem e seguisse um certo 
objetivo. 
 
O amor 
 
Em primeiro lugar podemos ver que a alma liga os membros da família uns aos outros. Isso vai 
tão longe que a alma de uma criança anseia seguir na morte o pai que morreu cedo ou a mãe 
que morreu cedo. Pais ou avós também desejam às vezes seguir na morte um(a) filho(a) ou 
um(a) neto(a). Podemos observar esse anseio também entre parceiros. Se um deles morre o 
outro freqüentemente também não quer mais viver. 
 
O equilíbrio 
 
Em segundo lugar, podemos ver que existe em uma família uma necessidade de equilíbrio 
entre o ganho e a perda que abarca várias gerações. Isto é, os que ganharam às custas de 
outros pagam com uma perda compensando assim o que ganhou. Ou, se no caso dos 
ganhadores se tratarem de agressores, geralmente não são eles que pagam, senão os seus 
descendentes. Estes são escolhidos pela alma da família para compensar no lugar de seus 
antecedentes, freqüentemente sem que tenham consciência disso. 
 
A precedência dos antecedentes 
 
A alma da família, portanto, dá preferência aos antecedentes em relação aos descendentes, 
sendo este o terceiro movimento ou a ordem que a alma da família segue. Um descendente ou 
está disposto a morrer por um antepassado se achar que com isso pode evitar a morte dele ou 
está disposto a expiar a culpa pendente de um membro familiar anterior. Ou uma filha 
representa a mulher anterior de seu pai e se comporta em relação ao pai como se fosse a sua 
parceira e como rival em relação à mãe. Se a mulher anterior foi injustiçada, então a filha 
apresenta os sentimentos dessa mulher perante os pais. 
 
A totalidade 
 
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Aqui podemos ver também o quarto movimento e a ordem que a alma da família segue. Ele 
vela para que a família esteja completa e restaura a sua totalidade com o auxílio de 
descendentes para representar os que foram esquecidos, rejeitados ou excluídos. Resumi 
aqui, de modo sucinto, os movimentos da alma da família, as leis e as ordens que ela segue. 
Eu os descrevo minuciosamente em meu livro " Die Mitte fühlt sich leicht an" ("No centro 
sentimos com leveza") nos capítulos "Culpa e Inocência em Sistemas", "Os Limites da 
Consciência" e "Corpo e Alma, Vida e Morte" assim como em meu livro "Ordnungen der Liebe" 
("As Ordens do Amor") no capítulo "Do Céu que provoca Doenças e da Terra que cura". 
 
As soluções 
 
As questões são as seguintes: 
Como o terapeuta encontra uma solução para o cliente? 
O que é aqui o procedimento fenomenológico? 
Ele vai do próximo ao distante e do estreito ao amplo. Isto é, em vez de olhar somente para o 
cliente o terapeuta olha para a sua família e, em vez de olhar somente para o cliente e sua 
família ele olha para além deles, para um campo de forças e para a alma que os abarca. Pois é 
evidente que o indivíduo e sua família estão integrados em um campo de forças maior e em 
uma grande alma e são usados e tomados a seu serviço. 
Da mesma forma que o reconhecimento do problema e as soluções possíveis só surgem 
freqüentemente através da ligação com algo maior. Por isso se quero ajudar a alma do cliente 
eu a vejo governada pela alma da família. Mas se olhar aqui somente para o cliente e sua 
família, reconheço, talvez , as ordens e leis que levam a emaranhamentos. Entretanto, 
somente apreendo onde estão as soluções se encontro um acesso ao campo de forças e 
dimensões da alma que ultrapassam o indivíduo e a sua família. 
Não podemos influenciar estas dimensões da alma. Nós podemos somente nos abrir. Porque 
quando se tratar de algo decisivo, a compreensão das imagens, frases e passos que 
solucionam e curam nos será presenteada por esta alma. O terapeuta abre-se para a atuação 
desta grande alma através do recolhimento total de suas intenções e sua consideração pelo 
que ele talvez receie, inclusive o receio de fracassar. Então surge repentinamente uma imagem 
ou uma palavra ou uma frase que lhe possibilita dar o próximo passo. No entanto é sempre um 
passo no escuro. 
Apenas no final é que se releva se foi o passo certo que inverte a necessidade. Através da 
postura fenomenológica entramos, portanto, em contato com estas dimensões da alma. Isto é, 
mais através da não-ação centrada do que através da ação. Através de sua presença centrada 
o terapeuta ajuda também o cliente a adquirir esta postura, a compreensão e a força que daí 
advêm. Muitas vezes o cliente não agüenta esta compreensão e se fecha a ela novamente. O 
terapeuta também concorda com isso, através de seu recolhimento. Também aqui ele não se 
deixa envolver nem através de uma reivindicação interna nem externa no destino do cliente e 
de sua família. 
Pode parecer duro, mas o resultado da experiência mostra que cada compreensão que foi 
presenteada desta forma é incompleta e temporária, tanto para o terapeuta quanto para o 
cliente. 
Retorno, no final, ao começo " à diferença entre o caminho do conhecimento científico e do 
fenomenológico". Eu a sintetizei num poema que escrevi já há alguns anos atrás. Ele se 
chama: 
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Duas maneiras de saber 
 
Um erudito perguntou a um sábio, 
como as partes se unem num todo 
e como o saber sobre as muitas partes 
se diferencia do saber sobre o todo. 
O sábio respondeu: 
O disperso se agrega num todo 
quando encontra seu centro 
e passa a atuar. 
Pois so tendo um centro, o muito torna-se Essencial e real, 
e o todo então se nos revela como algo simples, 
quase como pouco, 
como força serena que segue adiante, 
uma força que tem peso 
e está contígua àquilo que sustenta. 
Assim, para conhecer 
ou transmitir o todo, 
não preciso 
saber, 
dizer, 
ter, 
fazer 
tudo em detalhe. 
Quem quer entrar na cidade 
passa por uma única porta. 
Quem dá uma badalada num sino 
faz retinir, com esse único som, muitos outros. 
E quem colhe a maçã madura 
não precisa averiguar a sua origem. 
Ele a segura na mão 
e a come. 
O erudito não concordou: quem quer a verdade, 
tem que conhecer também todos os detalhes.Mas o sábio contestou. 
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Sabe-se muito apenas sobre a verdade que nos foi legada . 
A verdade que leva adiante 
é nova, 
e ousada. 
Pois ela contém o seu fim 
assim como, uma semente, a árvore. 
Portanto, aquele que ainda hesita em agir, 
porque quer saber mais 
do que lhe permite o próximo passo, 
não aproveita o que atua. 
Ele toma a moeda 
pela mercadoria, 
e transforma em lenha 
as árvores. 
O erudito acha 
que essa só pode ser uma parte da resposta 
e pede-lhe 
um pouco mais. 
Mas o sábio se recusa, 
pois o todo é, no princípio, como um barril de mosto: 
doce e turvo. 
E precisa fermentação durante um tempo suficiente, 
até ficar claro. 
Então, aquele que o bebe em vez de degustá-lo, 
passa a cambalear embriagado. 
 
CONSTELAÇÃO FAMILIAR – O RESGATE DE SI MESMO 
 
Constelação Familiar é um método eficaz e poderoso, para reconhecer emaranhamentos na 
vida familiar do ser humano, trazendo relaxamento e compreensão nas situações 
problemáticas vivenciadas na família. Isso permite que o amor flua novamente entre os 
membros do Sistema Familiar. 
A Terapia Sistêmica Fenomenológica foi criada pelo Terapeuta alemão Bert Hellinger. Seu 
trabalho mostra como forças entranhadas profundamente no Sistema Familiar podem ser 
redirecionadas para o equilíbrio, quando membros desse sistema são reconhecidos, 
respeitados e colocados no seu devido lugar. Bert Hellinger desenvolveu uma série de novos 
procedimentos psicoterapêuticos. Enfocando dinâmicas que envolvem várias gerações trouxe a 
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compreensão das implicações fatídicas e freqüentemente inconscientes dentro das famílias, 
implicações essas que ele reuniu sob o conceito “ Ordens do Amor”. No caminho do 
conhecimento fenomenológico, é necessário expor-se, dentro de um determinado horizonte, à 
diversidade dos fenômenos, onde não se escolhe entre eles e nem os avalia. Apenas, esse 
procedimento exige um esvaziar-se em relação às idéias preexistentes quanto aos movimentos 
internos, sendo eles do campo do sentimento, da vontade ou do julgamento. Em suma, nesse 
processo a atenção é dirigida e não dirigida, centrada e vazia, acarretando a postura 
fenomenológica que requer um estado de prontidão tencionada para a ação, sem executá-la. 
Devido a esta tensão, torna-se a pessoa extremamente capaz e pronta para perceber. E, após 
um tempo, ela vê como a diversidade presente no horizonte se dispõe ao redor de um centro e, 
de repente, reconhece uma conexão, uma ordem, uma verdade ou o passo que permite 
continuar adiante. Esse procedimento é externo, experienciado como uma dádiva e, via de 
regra, limitado. O procedimento fenomenológico possibilita e requer a experiência do que foi 
descrito acima. Através da colocação da Constelação Familiar experiencia-se o resultado de 
um caminho do conhecimento fenomenológico e ao mesmo tempo, obtém-se o procedimento 
fenomenológico como resultado. O trabalho é realizado dentro de um contexto onde o cliente 
escolhe entre as pessoas de um grupo, representantes para os membros de sua família. Seu 
pai, sua mãe, seus irmãos e para si mesmo, não importando quem ele escolha para 
representar os vários membros de sua família. É considerado melhor se ele escolher os 
representantes independentemente de aparências externas e sem uma determinada intenção. 
Este é o primeiro passo para uma contenção e renúncia a intenções ou antigas imagens. Quem 
busca semelhanças físicas nos representantes, por ex, não se encontra numa postura aberta 
para o essencial e invisível. Limita, assim, a força expressiva da colocação através de 
considerações externas. Assim sendo, a colocação de sua Constelação Familiar já pode estar, 
para ele, fadada ao fracasso. Algumas vezes é melhor que o Terapeuta escolha os 
representantes e deixe o cliente configurar sua família. Deve ser considerado o sexo das 
pessoas escolhidas, isto é, que homens sejam escolhidos para representar os homens e 
mulheres para as mulheres. O cliente coloca os representantes no espaço um em relação ao 
outro. Neste momento é importante que ele os segure com ambas as mãos pelos ombros, e, 
assim, em contato com eles os posicione em seu lugar. É imprescindível que durante a 
montagem o cliente esteja centrado, observando seu movimento interior, seguindo-o ate sentir 
que o lugar para onde conduziu o representante seja o correto. Assim ele prossegue até que 
todos os representantes se encontrem em seus lugares. Durante esse processo o cliente 
encontra-se esquecido de si mesmo. À medida que todos estejam posicionados ele desperta 
deste esquecimento e é de grande ajuda, quando ele dá uma volta e corrige algo que não 
esteja totalmente correto. Aí ele se senta. Pode-se perceber quando o cliente não está 
esquecido de si mesmo. Por ex., quando coloca um dos representantes tal e qual uma 
escultura, ou quando monta a Constelação Familiar muito rapidamente, como se seguisse uma 
imagem pré-concebida ou quando se esquece de colocar uma pessoa, ou quando declara que 
uma pessoa já esta em seu lugar certo sem tê-la posicionado de modo concentrado. Esta 
Constelação Familiar tende a terminar num beco sem saída ou de forma confusa. É necessário 
que o Terapeuta também se liberte de suas intenções e imagens para que a colocação de uma 
Constelação Familiar tenha êxito. À medida que se contém e se centra na Constelação, 
reconhece imediatamente se o cliente quer influenciá-lo com imagens pré-concebidas ou 
esquivar-se daquilo que começa a se mostrar. Então, ele leva o cliente a se centrar e o conduz 
ao estado de disposição para que se exponha ao que está acontecendo. Quando isso não é 
possível, interrompe-se a Constelação. Cabe também aos representantes uma contenção 
interna de suas intenções, idéias e medo. Isso possibilita a observação das mudanças que se 
manifestam em seu estado corporal e seus sentimentos enquanto são colocados. Por ex., que 
querem olhar para o chão, para o alto, que se sentem pesados ou leves, que o coração bate 
mais depressa, se estão com raiva ou tristes, ou com medo. Ajuda bastante quando prestam 
atenção às imagens que emergem e que ouçam os sons e palavras que afloram. É necessária 
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uma grande sensibilidade e uma enorme prontidão para se distanciar de suas próprias idéias. 
É necessário que o Terapeuta seja muito cauteloso para que as fantasias dos representantes 
não sejam captadas como percepções. Tanto o Terapeuta como os representantes podem 
escapar mais facilmente desta situação quanto menos informações tiverem sobre a família. A 
percepção fenomenológica acarreta melhores resultados quando se questiona só o essencial, 
diretamente antes da Constelação Familiar. As perguntas necessárias são: 1-Quem pertence à 
família? 2-Houve na família destinos especiais, por ex., deficientes? Há natimortos? Ou 
membros da família morreram precocemente? 3-Um dos pais ou avós teve anteriormente um 
relacionamento firme? A percepção fenomenológica do Terapeuta e representantes será 
dificultada se a anamnese for muito longa. Cabe ao Terapeuta recusar conversas prévias ou 
questionários que vão além das perguntas citadas anteriormente. Pela mesma razão o cliente 
deve calar-se durante a colocação e nem os participantes devem fazer perguntas de qualquer 
natureza para o cliente. Faz-se necessário que os representantes comuniquem ao Terapeuta o 
que sentem ao invés de prestarem atenção à imagem externa da Constelação ou que tentem 
“ajudar” o cliente com afirmações amáveis. Nestes casos, o Terapeuta deve substituí-los por 
outros imediatamente. É importante que o representante fale ao Terapeuta o que realmente

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