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PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES O R T O G R A F I A Emprego de algumas palavras Por que / porque / porquê / por quê Lembre-se, inicialmente, de que em final de frase a palavra que deve ser sempre acentuada. Vocês precisam de quê? Ela acredita em quê? Escreve-se por que (separado): quando equivale a pelo qual e flexões. Este foi o animal por que fui atacado. Está é a rua por que caminho todas as manhãs. quando depois dele vier escrita ou subentendida a palavra razão. Se ocorrer no final da frase, deverá ser acentuado. Por que razão você não estudou? Você não estudou por quê? Não sabemos por que você não compareceu. Por que ele faltou à palestra? Ele faltou por quê? Ela chegou tarde por quê? Não sabemos por que ele faltou à aula. Escreve-se porque (junto e sem acento) quando se tratar de uma conjunção explicativa ou causal. Geralmente equivale a pois. Recebeu o salário porque trabalhou muito. Não foi à reunião porque estava nervosa. Escreve-se porquê (junto e com acento) quando se tratar de um substantivo. Nesse caso, virá precedido de artigo, ou outra palavra determinante. Não sei o porquê de tanta briga. Eis o porquê da minha revolta. Não entendi o porquê da ausência. Analisei o porquê da perda. Onde / aonde Emprega-se aonde com os verbos que dão ideia de movimento. Equivale sempre a para onde. Aonde tu irás? Aonde nos leva com tal rapidez? Naturalmente, com os verbos que não dão ideia de movimento emprega-se onde. Não sei onde comprar livros. Onde estão os alunos, professor? Mau / mal Mau é sempre um adjetivo (seu antônimo é bom); refere-se, pois, a um substantivo. Ele está de mau-humor. Ele é um mau estudante. Mal pode ser: advérbio de modo (antônimo de bem). Ele está mal-humorado. Eles procederam mal. conjunção temporal (equivale a assim que). Mal analisou as provas, foi criticado pelos alunos. substantivo (quando precedido de artigo ou de outro determinante). O mal não tem remédio. Ela foi atacada por um mal incurável. Cessão / sessão / secção / seção Cessão significa o ato de ceder, o ato de dar. Ele fez a cessão dos seus direitos autorais. A cessão do terreno para a construção do estádio agradou a todos os torcedores. Sessão é o intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembleia. Assistimos a uma sessão de cinema. Reuniram-se em sessão extraordinária. Secção (ou seção) significa parte de um todo, segmento, subdivisão. Lemos a notícia na secção (ou seção) de esportes. Compramos os presentes na secção (ou seção) de brinquedos. Há / a Na indicação de tempo, emprega-se: há para indicar tempo passado (equivale a faz). Há dois meses que ele não aparece. Ele chegou da Europa há um ano. a para indicar tempo futuro. Daqui a dois meses ele aparecerá. Ela voltará daqui a um ano. Tão pouco / tampouco Tão pouco pode ser substituído por muito pouco. Eles estudaram tão pouco. Os estudantes pesquisaram tão pouco. Tampouco equivale a nem. Paula não estudou tampouco trabalhou. Ele nem e pesquisou tampouco analisou os trabalhos. Ao invés de / em vez de Ao invés de dá ideia contrária. Ao invés de subir, ele desceu. Ao invés de sorrir, ele chorou. Em vez de equivale a em lugar de. Em vez de comprar laranjas, ele comprou mangas. Demais / de mais Demais equivale a muito, demasiado ou outros. Ele trabalha demais. Um latia, os demais comiam. De mais opõe-se a de menos. Compareceram convidados de mais. Compraram carne de mais. Sob / sobre Sob equivale a embaixo, debaixo. Tudo ficou sob controle. Móveis sob medida. Sobre equivale a em cima de. As lágrimas correram sobre a face. Os livros estão sobre a mesa. Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O S Estão grafadas corretamente todas as palavras da frase: O mercado mais atraente é necessáriamente aquele que possue mais produtos disponíveis. Com o adivento da internet, deparamos com uma imença cidade virtual, onde há os melhores preços do mercado. A escacês de mercadorias no campo foi determinante para explicar o porque dos homens se agruparem nas cidades. As empresas virtuais vêm se tornando concorrentes desleais das que se encontram no mundo físico. O mercado de relacionamentos virtuais assistiu a um avanço discomunal com a consolidassão da internet. Quanto à ortografia, há INCORREÇÕES na frase: O crescimento da classe C tem tido uma importância incomensurável para o comércio, mas vem ocasionando também uma elevação na taxa de inadimplência, o que é perturbador. Milhões de pessoas têm sido beneficiadas com o crescimento econômico que se vê no país, saltando da classe D para a C, algo que há poucos anos não pareceria factível. Alguns especialistas vêm disseminando a teoria de que, a partir da distribuição de riqueza por meio da geração de milhões de novos empregos, a classe E deixe de existir. Os “consumidores emergentes”, como vêm sendo chamados os novos integrantes da classe C, ainda têm dificuldade em poupar e adquirem grande parcela de produtos a crédito. Sabe-se que a ascenção da classe D tem proporcionado um aumento expresivo do consumo de bens duráveis, o que pode acelerar sobremaneira esse mercado. Está correta a grafia de todas as palavras na frase: A presunção de verossimilhança é inerente aos escritos ficcionais, mesmo aos que exploram as rotas e as sendas mais fantasiosas da imaginação. Deprende-se do texto que, no futuro, as civilizações adotarão paradigmas que substituirão com vantajem aqueles que regeram a vida do século XX. Distila-se nesse texto o humor sutil de Mário Quintana, um autor gaúcho para quem a poesia e a vida converjem de modo inelutável. A apreenção humana diante das forças da natureza deriva de épocas préhistóricas, quando o homem não dispunha de recursos técnicos para enfrentá-las. As obsessões humanas pelo progresso parecem ignorar que as leis da natureza não sofrem nenhum processo de obsolecência, e custam caro para quem as transgrida. Os _____________ reuniram-se na Igreja e ____________ em __________. fiéis – saíram – procissão fiéis – sairam – procissão fiéis – saíram – prossissão fieis – sairam – procissão fieis – sairam - prossissão A palavra destacada que está empregada corretamente é: Diante de tantos abaixos-assinados, teve de acatar a solicitação. Considerando os incontestáveis contra-argumento, reconheceu a falha do projeto. Ele é um dos mais antigos tabeliões deste cartório. Os guardas-costas do artista foram agressivos com os jornalistas. Os funcionários da manutenção já instalaram os corrimãos. Entre as frases que seguem, a única correta é: Ele se esqueceu de que? Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui-lo entre os presentes. Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas. O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos funcionários. Não sei por que ele mereceria minha consideração. Não sei ______, até hoje, ninguém foi ______ desses papéis extraviados. por quê – atraz por que – atrás porque – atrás por que – atraz porque – atrás ______ você brinca? ______ ? Ora, ______ me agrada. A experiência ______ passei, foi desagradável. Depois você saberá o ______. a) Porque - Porquê - porque - porque - por que b) Por que - Porquê - porque - porque – porque c) Por que - Porquê - porque - porque - por quê d) Porque - Porque - por quê - porque - por que e) Por que - Por quê - porque - por que – porquê Assinale a alternativa cujas palavras ou expressões preenche convenientemente as lacunas: Havia muita gente _________ do viaduto. (embaixo, a baixo). Ele não sabe _______ o viu, mas tem certeza de que não foi na rua. (onde, aonde). _________ de dez oradores falando_______ de poluição. (acerca, há cerca). _______ saíste, eu também saí. (mau, mal). a) embaixo, onde, há cerca, acerca, mal b) embaixo, aonde, há cerca, acerca, mau c) a baixo, onde, acerca, há cerca, mal d) a baixo, aonde, há cerca, há cerca, mau e) embaixo, aonde, acerca, acerca, mal Em que opção a frase está gramaticamente correta? Ela não foi ao encontro por que estava ocupada com os relatórios da empresa. Ela não foi ao encontro porquê estava ocupada com os relatórios da empresa. Ela não foi ao encontro porque estava ocupada com os relatórios da empresa. Não foi ao encontro por que? Não foi ao encontro porquê? G A B A R I T O D E A A E E B E A C C O L O C A Ç Ã O P R O N O M I N A L Os pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as, lhe, lhes, me, te, se, nos, vos) costumam apresentar problemas de colocação, uma vez que podem ocupar três posições: antes do verbo (próclise ou pronome proclítico): Nunca me revelaram os verdadeiros motivos. no meio do verbo (mesóclise ou pronome mesoclítico): Revelar-me-iam os verdadeiros motivos. depois do verbo (ênclise ou pronome enclítico): Revelaram-me os verdadeiros motivos. Convém lembrar que os pronomes oblíquos átonos nunca podem vir no início da frase, embora na linguagem popular isso ocorra com frequência. Assim, não são aceitas pela norma culta construções como: Me convidaram para a festa. os revelaram os verdadeiros motivos. Devemos dizer: Convidaram-me para a festa. Revelaram-nos os verdadeiros motivos. U S O D A P R Ó C L I S E A próclise é obrigatória quando houver palavras que atraia o pronome para antes do verbo. As palavras que atraem o pronome são as seguintes: palavras ou expressões negativas: Nunca me informavam os verdadeiros motivos. advérbios: Sempre me informavam os verdadeiros motivos. Obs.: Se houver vírgula depois do advérbio, ele deixa de atrair o pronome. Aqui se trabalha. Aqui , trabalha-se. pronomes indefinidos e pronomes demonstrativos neutros: Alguém me informou os verdadeiros motivos. Isto me pertence. conjunções subordinativas: Embora me informassem os verdadeiros motivos, não acreditei. pronomes relativos: A pessoa que me informou os verdadeiros motivos não compareceu. Obs.: Se houver duas palavras atraindo um mesmo pronome oblíquo, pode-se colocá-lo entre essas duas palavras. É difícil entender quando se não ama. Ou, como é mais frequente: É difícil entender quando não se ama. A palavra que atrai o pronome, mesmo que venha subentendida. Desejo me compreendam. (Desejo que me compreendam.) A próclise é obrigatória também nas orações: interrogativas diretas: Quem nos revelou os verdadeiros motivos? exclamativas: Quanto nos custou tal procedimento! optativas (orações que exprimem um desejo): Deus te abençoe. U S O D A M E S Ó C L I S E A mesóclise é obrigatória com o verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito, desde que não haja antes palavra atrativa. Convidar-me-ão para a cerimônia. Convidar-me-iam para a cerimônia. No caso de haver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória. Não me convidarão para a cerimônia. Nunca me convidariam para a cerimônia. Obs.: É sempre errado o uso do pronome oblíquo depois de verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito. U S O D A Ê N C L I S E A ênclise é obrigatória: com o verbo no início da frase: Entregaram-me as mercadorias. Obs.: Lembre-se de que é sempre errado o pronome oblíquo átono no início da frase. com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se. com o verbo no gerúndio: Saiu, deixando-nos por instantes. Obs.: Se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa, ocorrerá próclise. Em se tratando de cinema, prefiro as comédias. Saiu da sala, não nos revelando os motivos. com o verbo no infinitivo impessoal: Era necessário ajudar-te. Obs.: Se o infinitivo impessoal vier precedido de palavra negativa, é indiferente o uso da ênclise ou da próclise. Era necessário não te ajudar. Era necessário não ajudar-te. Se o infinitivo impessoal vier precedido de preposição, é indiferente o uso da ênclise ou da próclise. Estou apto a te ajudar. Estou apto a ajudar-te. Com o infinitivo pessoal precedido de preposição ocorre próclise. Foram censuradas por se comportarem mal. COLOCAÇÃO DOS PRONOMES NAS LOCUÇÕES VERBAIS Locução verbal com verbo principal no particípio Nas locuções verbais cujo verbo principal é um particípio, o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se houver palavra atrativa, deverá ficar antes do verbo auxiliar. Havia-lhe contado a verdade. Não lhe havia contado a verdade. Obs.: Se o auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja atração. Ter-me-iam falado a verdade, se a soubessem. Veja que é sempre errada a colocação do pronome depois de um particípio. Locução verbal com o verbo principal no infinitivo ou no gerúndio Se não houver palavra atrativa, coloca-se o pronome oblíquo depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Quero-lhe dizer a verdade. ou Quero dizer-lhe a verdade. Ia-lhe dizendo a verdade. ou Ia dizendo-lhe a verdade. Caso haja palavra atrativa, coloca-se o pronome antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Não lhe quero dizer a verdade. ou Não quero dizer-lhe a verdade. Não lhe ia dizendo a verdade. ou Não ia dizendo-lhe a verdade. Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O Assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de acordo com a norma culta: Por que expulsaram-se os holandeses que vieram ao Brasil? Nada compara-se à contribuição de Post à pintura e, principalmente, à arquitetura. As colônias da Holanda, o governo não as comandava diretamente. A ocupação de Pernambuco, foi o conde Maurício de Nassau que comandou-a. Ninguém esqueceu-se do episódio da dominação holandesa. Assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de acordo com a norma culta: Sempre cumprimentaram-na pelo seu aniversário. Poucos se negaram a participar da ação voluntária. Este é o autor a que referiu-se o comentarista. Me acusaram daquele ato de covardia. Nunca diga-lhe que estive aqui. Assinale a única frase que ficará incorreta se o pronome oblíquo que está entre parênteses for colocado depois da forma verbal destacada: a) Seus argumentos vão convencer facilmente. (me) b) Atualmente, fala muita coisa errada sobre ele. (se) c) A umidade está infiltrando pelas paredes. (se) d) Não houve jeito de localizar no meio da multidão. (te) e) Alguns amigos haviam convidado para uma festa. (nos) Indique a alternativa em que o pronome está empregado de maneira correta. Se contentou com um salário regular. Dar-me-iam nova oportunidade. Farei-lhe o favor de esperar. Não mudar-me-á o conceito sobre ela. Sempre estive disposto a os receber em minha casa. Indique a opção que preenche de forma correta as lacunas da frase: “Os projetos que _____ estão em ordem; _______ ainda hoje, conforme _____.” enviaram-me / devolvê-los-ei / lhes prometi enviaram-me / os devolverei / lhes prometi enviaram-me / os devolverei / prometi-lhes me enviaram / devolvê-los-ei / lhes prometi me enviaram / os devolverei / prometi-lhes Assinale a frase incorreta quanto à colocação do pronome átono: Nunca mais encontrei o colega que me emprestou o livro. Retiramo-nos do salão, deixando-os sós. Não quero magoar-te; porém não posso deixar de te dizer a verdade. Valter apresentou-seontem a seu novo chefe. Faça boa viagem! Deus proteja-te! Imagine o pronome entre parênteses no devido lugar e aponte a opção em que não deve haver próclise: Não desobedeças. (me) Deus pague. (lhe) Caro amigo, dize a verdade. (me) A mão que estendemos é amiga. (te) Assim que sentiu prejudicado, saiu. (se) O pronome pessoal oblíquo átono está corretamente empregado, exceto em: Pretendemos enviá-lo para um estágio no exterior. O livro não está aqui: repõe-no antes que o percebam. Solicitamos-lhe a remessa imediata do pagamento. Não se aplaudirão absurdos nem desacordos. Quando avisaram-me, nada mais pude fazer. O pronome está mal colocado na alternativa: Lá, disseram-me que entrasse logo. Aqui me disseram que saísse. Posso ir, se me convidarem. Irei, se quiserem-me. Estou pronto. Chamem-me. A frase em que há erro de colocação pronominal é: Dize-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Quando a mamãe limpa a louça, ela o faz com muito cuidado. É um prazer ouvi-lo falar. Caberia-lhe, então mostrar patriotismo e competência. Mandou-me embora mais cedo. GABARITO C B E B D E C E D D V E R B O Definição Verbo é a palavra variável em pessoa, número, tempo e modo que exprime um fato (ação, estado ou fenômeno) no tempo. O gorila comeu a banana. (ação) O jardim está florido. (estado) Choveu muito. (fenômeno) E S T R U T U R A D O V E R B O Radical: é a parte do verbo que serve como base do significado. Obtém-se o radical do verbo retirando-se as terminações -ar, -er, -ir do infinitivo. infinitivo radical terminação cantar cant- -ar bater bat- -er partir part- -ir Vogal temática: é a vogal que se agrega ao radical, preparando-o para receber as desinências. Como nem sempre é possível juntar-se a desinência diretamente ao radical, usam-se as vogais a, e, i como elemento de ligação. A vogal temática indica a que conjugação pertence o verbo. vogal temática a – 1ª conjugação cantar vogal temática e – 2ª conjugação: bater vogal temática i – 3ª conjugação partir Obs.: O verbo pôr e seus derivados pertencem à segunda conjugação. O radical, acrescido da vogal temática, recebe o nome de tema. r vt r vt r vt can a bat e part i tema tema tema Desinências: são elementos que se acrescentam ao radical (ou ao tema) para indicar as categorias gramaticais de tempo e modo (desinência modo-temporal), e pessoa e número (desinência número-pessoal). r vt dmt dnp cant a va cant á va mos cant á sse mos C L A S S I F I C A Ç Ã O D O S V E R B O S Os verbos classificam-se em: regular: quando segue o modelo da conjugação. Para se saber se um verbo é regular ou não, basta conjugá-lo no presente do indicativo e no pretérito perfeito do indicativo. Se ele for regular nesses dois tempos, será regular nas demais formas. Presente do indicativo Pretérito perfeito do indicativo cant – o cant – ei cant – as cant – aste cant – a cant – ou cant – amos cant – amos cant – ais cant – astes cant – am cant – aram Observe que, na conjugação do verbo cantar, o radical permaneceu o mesmo em todas as formas. irregular: quando se afasta do modelo da conjugação. Para se saber se um verbo é irregular, deve-se conjugá-lo no presente do indicativo e no pretérito do indicativo. Se houver qualquer irregularidade, ela se manifestará em um desses dois tempos. Presente do indicativo Pretérito perfeito do indicativo peç – o ped – i ped – es ped – iste ped – e ped – iu ped – imos ped – imos ped – is ped – istes ped – em ped – iram Observe que, na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, o radical altera-se para PEC-; daí a irregularidade do verbo. Obs.: Há casos em que a irregularidade do verbo se apresenta não no radical, mas nas desinências. Verifique a conjugação do verbo estar: Estou, estás, está, estamos, estais, estão. anômalo: quando na sua conjugação verificam-se vários radicais. Exemplos: verbo ser e verbo ir. Presente do indicativo Futuro do indicativo sou vou serei irei és vais serás irás é vai será irá somos vamos seremos iremos sois ides sereis ireis são vão serão irão defectivo: quando não apresenta certas formas. Exemplos: verbo falir e verbo abolir. Pessoa Presente do indicativo falir abolir eu tu aboles ele abole nós falimos abolimos vós falis abolis eles abolem Consideram-se defectivos os verbos impessoais, como chover, ventar, anoitecer etc. abundantes: quando possuem duas ou mais formas de idêntico valor. A abundância do verbo ocorre com maior frequência no particípio de alguns verbos, que, além da forma regular (desinência –do), apresentam outra forma, denominada irregular ou abundante. Infinitivo Particípio regular Particípio irregular aceitar aceitado aceito acender acendido aceso benzer benzido bento exprimir exprimido expresso expulsar expulsado expulso enxugar enxugado enxuto prender prendido preso Quando o verbo apresenta duplo particípio, deve-se usar a forma regular com os auxiliares ter e haver e a forma irregular com os auxiliares ser e estar. Tinham aceitado o pedido. O pedido foi aceito. Haviam aceitado o pedido. O pedido estava aceito. Obs.: Alguns verbos apresentam tão-somente o particípio irregular. Infinitivo Particípio irregular dizer dito fazer feito escrever escrito abrir aberto Na linguagem atual, os verbos pagar, gastar e ganhar são usados apenas no particípio irregular, com qualquer auxiliar. Ele havia pago a conta. Tinham gesto todo o dinheiro. Havia ganho muitos presentes no aniversário. auxiliar: quando se junta a um outro verbo, denominado principal, ampliando-lhe a significação. O conjunto verbo auxiliar + verbo principal recebe o nome de locução verbal. Amanhã poderá chover. Observe no exemplo que o verbo auxiliar, ao juntar-se ao verbo principal, alarga-lhe a significação, conferindo-lhe ideia de possibilidade. F O R M A S R I Z O T Ô N I C A S E F O R M A S A R R I Z O T Ô N I C A S Formas rizotônicas são aquelas em que o acento tônico recai no radical. and-o, and-as Formas arrizotônicas são aquelas em que o acento tônico recai na terminação. and-amos, and-emos T E M P O S P R I M I T I V O S E T E M P O S D E R I V A D O S Nos verbos podemos distinguir determinadas formas que dão origem a outras, uma vez que umas são primitivas, e outras, derivadas. Os tempos (ou formas) primitivos são: presente do indicativo, pretérito perfeito do indicativo e infinitivo impessoal. Todas as demais formas são derivadas. C O N J U G A Ç Ã O V E R B A L Conjugar um verbo significa expressá-lo em todas as formas que possui. Conjugação dos verbos cantar, bater, partir e pôr MODO INDICATIVO presente pretérito perfeito simples canto cantas canta cantamos cantais cantam bato bates bate batemos bateis batem parto partes parte partimos partis partem ponho pões põe pomos pondes põem cantei cantaste cantou cantamos cantastes cantaram bati bateste bateu batemos batestes bateram parti partiste partiu partimos partistes partiram pus puseste pôs pusemos pusestes puseram pretérito imperfeito cantava cantavas cantava cantávamos cantáveis cantavam batia batias batia batíamos batíeisbatiam partia partias partia partíamos partíeis partiam punha punhas punha púnhamos púnheis punham pretérito perfeito composto tenho cantado tens cantado tem cantado temos cantado tendes cantado têm cantado tenho batido tens batido tem batido temos batido tendes batido têm batido tenho partido tens partido tem partido temos partido tendes partido têm partido tenho posto tens posto tem posto temos posto tendes posto têm posto pretérito mais-que-perfeito simples cantara cantaras cantara cantáramos cantáreis cantaram batera bateras batera batêramos batêreis bateram partira partiras partira partíramos partíreis partiram pusera puseras pusera puséramos puséreis puseram pretérito mais-que-perfeito composto tinha cantado tinhas cantado tinha cantado tínhamos cantado tínheis cantado tinham cantado tinha batido tinhas batido tinha batido tínhamos batido tínheis batido tinham batido tinha partido tinhas partido tinha partido tínhamos partido tínheis partido tinham partido tinha posto tinhas posto tinha posto tínhamos posto tínheis posto tinham posto futuro do presente simples cantarei cantarás cantará cantaremos cantareis cantarão baterei baterás baterá bateremos batereis baterão partirei partirás partirá partiremos partireis partirão porei porás porá poremos poreis porão futuro do presente composto terei cantado terás cantado terá cantado teremos cantado tereis cantado terão cantado terei batido terás batido terá batido teremos batido tereis batido terão batido terei partido terás partido terá partido teremos partido tereis partido terão partido terei posto terás posto terá posto teremos posto tereis posto terão posto futuro do pretérito simples cantaria cantarias cantaria cantaríamos cantaríeis cantariam bateria baterias bateria bateríamos bateríeis bateriam partiria partirias partiria partiríamos partiríeis partiriam poria porias poria poríamos poríeis poriam futuro do pretérito composto teria cantado terias cantado teria cantado teríamos cantado teríeis cantado teriam cantado teria batido terias batido teria batido teríamos batido teríeis batido teriam batido teria partido terias partido teria partido teríamos partido teríeis partido teriam partido teria posto terias posto teria posto teríamos posto teríeis posto teriam posto MODO SUBJUNTIVO presente cante cantes cante cantemos canteis cantem bata batas bata batamos batais batam parta partas parta partamos partais partam ponha ponhas ponha ponhamos ponhais ponham pretérito imperfeito cantasse cantasses cantasse cantássemos cantásseis cantassem batesse batesses batesse batêssemos batêsseis batessem partisse partisses partisse partíssemos partísseis partissem pusesse pusesses pusesse puséssemos pusésseis pusessem pretérito perfeito tenha cantado tenhas cantado tenha cantado tenhamos cantado tenhais cantado tenham cantado tenha batido tenhas batido tenha batido tenhamos batido tenhais batido tenham batido tenha partido tenhas partido tenha partido tenhamos partido tenhais partido tenham partido tenha posto tenhas posto tenha posto tenhamos posto tenhais posto tenham posto pretérito mais-que-perfeito tivesse cantado tivesses cantado tivesse cantado tivéssemos cantado tivésseis cantado tivessem cantado tivesse batido tivesses batido tivesse batido tivéssemos batido tivésseis batido tivessem batido tivesse partido tivesses partido tivesse partido tivéssemos partido tivésseis partido tivessem partido tivesse posto tivesses posto tivesse posto tivéssemos posto tivésseis posto tivessem posto futuro simples cantar cantares cantar cantarmos cantardes cantarem bater bateres bater batermos baterdes baterem partir partires partir partirmos partirdes partirem puser puseres puser pusermos puserdes puserem futuro composto tiver cantado tiveres cantado tiver cantado tivermos cantado tiverdes cantado tiverem cantado tiver batido tiveres batido tiver batido tivermos batido tiverdes batido tiverem batido tiver partido tiveres partido tiver partido tivermos partido tiverdes partido tiverem partido tiver posto tiveres posto tiver posto tivermos posto tiverdes posto tiverem posto MODO IMPERATIVO afirmativo canta (tu) cante (você) cantemos (nós) cantai (vós) cantem (vocês) bate (tu) bata (você) batamos (nós) batei (vós) batam (vocês) parte (tu) parta (você) partamos (nós) parti (vós) partam (vocês) põe (tu) ponha (você) ponhamos (nós) ponde (vós) ponham (vocês) negativo não cantes (tu) não cante (você) não cantemos (nós) não canteis (vós) não cantem (vocês) não batas (tu) não bata (você) não batamos (nós) não batais (vós) não batam (vocês) não partas (tu) não parta (você) não partamos (nós) não partais (vós) não partam (vocês) não ponhas (tu) não ponha (você) não ponhamos (nós) não ponhais (vós) não ponham (vocês) INFINITIVO impessoal cantar bater partir pôr pessoal cantar cantares cantar cantarmos cantardes cantarem bater bateres bater batermos baterdes baterem partir partires partir partirmos partirdes partirem pôr pores pôr pormos pordes porem GERÚNDIO cantando batendo partindo pondo PARTICÍPIO cantado batido partido posto V O Z E S V E R B A I S As vozes verbais são três: voz ativa: quando o sujeito é o agente, isto é, aquele que executa a ação Expressa pelo verbo. sujeito O gorila comeu a banana. sujeito O aluno leu o livro. voz passiva: quando o sujeito é o paciente, isto é, o receptor da ação expressa pelo verbo. Há dois tipos de voz passiva: voz passiva analítica: formada por verbo auxiliar mais particípio. sujeito A banana foi comida pelo gorila. sujeito O livro foi lido pelo aluno. Voz passiva sintética (ou pronominal): quando é formada pelo verbo na terceira pessoa mais a partícula apassivadora se. sujeito Comeu-se a banana. sujeito Leu-se o livro. voz reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente, isto é, executor e receptor da ação expressa pelo verbo. sujeito O gorila cortou-se. sujeito O menino feriu-se. Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O S “... têm as mesmas oportunidades...” a forma verbal correta do verbo TER (ou de um verbo composto de TER) é: a) As pessoas se entretém em sociedade. b) A liberdade não se mantem para sempre. c) Todos se manteram de forma disciplinada. d) Ele não se conteve de tão contente. e) Ela se mantia afastada de todos. Que item abaixo caracteriza inadequadamente a forma verbal “venham atingir”? Corresponde a uma locução verbal. Constitui o núcleo verbal de uma só oração. Apresenta “vir” como verbo auxiliar. Equivale ao presente do subjuntivo composto. Indica semanticamente uma possibilidade futura. Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas. Pela primeira vez na história, uma dúzia de países - sem guerra nem violência, somente com negociações e entendimento democrático - _______ parte essencial de sua soberania para ______ uma moeda única ____________ ao bem-estar coletivo. _________ problemas no horizonte. Mas esse empreendimento admirável do Velho Mundo já está servindo aos interesses dos brasileiros. (Luiz Felipe de Alencastro, Veja, 16/01/2002, p.22.) abandonam - criarem - com o visto – A abandona - criar - visando – Há abandonaram - criarem - com vistas – A abandona -criarem - com vista – Haverão abandonam - criar - para visar - Haverão Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas. No primeiro mundo, as taxas de crescimento _______________ para a metade em relação ao que foram nos primeiros 20 anos após a Segunda Guerra Mundial, enquanto as taxas de desemprego ______________, principalmente na Europa, e o milagre japonês que ______________ aos anos 80, afinal ________________nos anos 90. Na América Latina e no Leste Europeu, que se recusam a realizar o ajustamento fiscal nos anos 70, a crise se desencadeia nos anos 80 com muito mais violência. reduzem - aumenta - sobreviveria – soçobraria reduzem-se - aumenta - sobrevive – soçobra reduziram - aumentam - sobrevivera – soçobram reduziam - aumentaram - sobrevivera – soçobra reduzem-se - aumentam - sobrevivera - soçobra “As crianças serão as mais afetadas por males causados pelo uso e ingestão de água contaminada. No mesmo período, serão registrados 65 milhões de casos fatais em consequência da AIDS em todo o mundo”. As formas sublinhadas mostram verbos, respectivamente, nas vozes: ativa /passiva; passiva /ativa; passiva /passiva; ativa / ativa; ativa / reflexiva. Considerando que a ação de agredir o jogador brasileiro Antonio Carlos ocorreu antes de o Lazio perder o mando do campo, ação também passada, o verbo “agredir” deveria estar no: mais-que-perfeito do indicativo; imperfeito do indicativo; futuro do pretérito; imperfeito do subjuntivo; presente do subjuntivo. “... porque o trabalhador não tem interesse no resultado”. A frase a seguir em que o verbo ter ou derivado é conjugado e grafado de forma correta é: A lei não contem exceções. Os advogados têem cópias das leis. A leitura dos documentos entreteu os advogados. Quando deter o marginal, o policial ficará satisfeito. Quando retém os documentos, a escola contraria as leis. “... vieram a significar, no plano social...” o item a seguir em que o verbo destacado está conjugado erradamente é: Se o virmos por lá, daremos o recado. Os advogados interviram na discussão. A empregada proveu a despensa com o necessário. Quando vimos para cá, sentimo-nos contentes. Os aparelhos provieram dos Estados Unidos. Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costuma olhar E não maldisse a vida quanto era o seu jeito de sempre falar. (Trecho de Valsinha, de Chico Buarque de Holanda e Vinícius de Moraes) Quanto ao tempo verbal, “maldisse” está para “maldizer” assim como: previsse está prever; proviu está para prover; interveio está para intervir; reouvesse está para reaver; precavesse está para precaver. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas da frase abaixo. Se _____ que não pode mais amar-me, _________ -me então. Suas palavras amenas _________ -me; __________ nosso amor. vir – esqueça – detiveram – protejamos vires – esqueça – deteram – protejamos veres – esquece – detiveram – protejamos ver – esqueça – deteram – protejamos vir – esquece – deteram – protejemos GABARITO D D B E C A E B C A C O N J U N Ç Ã O Definição Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois termos que exercem a mesma função sintática dentro de uma oração. Pedro chegou atrasado e João ficou aborrecido. Pedro e João chegaram atrasados. No primeiro caso, a conjunção e liga duas orações; já no segundo, a conjunção liga dois termos da oração que exercem a mesma função sintática (sujeito). C L A S S I F I C A Ç Ã O D A S C O N J U N Ç Õ E S As conjunções classificam-se em: Coordenativas Ligam termos que exercem a mesma função sintática, ou orações independentes (coordenadas). As conjunções coordenativas subdividem-se em: aditivas (indicam soma, adição): e, nem, mas também, mas ainda etc. adversativas (indicam oposição, contraste): mas, porém, todavia, contudo, entretanto etc. alternativas (indicam alternância, escolha): ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer etc. conclusivas (indicam conclusão): pois (posposto ao verbo), logo, portanto, então etc. explicativas (indicam explicação): pois (anteposto ao verbo) porque, que etc. Subordinativas Ligam duas orações sintaticamente dependentes. As conjunções subordinativas subdividem-se em: causais (exprimem causa, motivo): porque, visto que, já que, uma vez que, como etc. condicionais (exprimem condição): se, caso, contato que etc. consecutivas (exprimem resultado, consequência): que (precedido de tão, tal, tanto), de modo que, de maneira que etc. comparativas (exprimem comparação): como, que (precedido de mais ou menos) etc. conformativas (exprimem conformidade): como, conforme, segundo etc. concessivas (exprimem concessão): embora, se bem que, ainda que, mesmo que, conquanto etc. temporais (exprimem tempo): quando, enquanto, logo que, desde que, assim que etc. finais (exprimem finalidade): a fim de que, para que, que etc. proporcionais (exprimem proporção): à proporção que, à medida que etc. integrantes: que, se (quando iniciam oração subordinada substantiva). Obs.: A um conjunto de duas ou mais palavras com valor de conjunção dá-se o nome de locução conjuntiva. Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O S A primeira oração do texto “Mal o pai colocou o papel na máquina todos saíram,” apresenta um valor adverbial e exprime a circunstância de: a) tempo b) modo c) causa d) meio Lágrimas e testosterona Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona. Entre o primeiro e o terceiro períodos do texto I, há uma relação semântica que poderia ser explicitada por um dos conectivos abaixo. Assinale- o: a) mas b) porque c) por conseguinte d) porquê e) embora O silêncio é um grande tagarela. Acredite se quiser. O silêncio tem voz. O silêncio fala. O que é perfeitamente normal no universo humano. Ou você pensa que só o nosso falar, comunica? O silêncio também comunica. E muito. O silêncio pode dizer muita coisa sobre um líder, uma organização, uma crise, uma relação. Mesmo que a mudez seja uma ação estratégica, não adianta. Logo mais, alguém vai criar uma versão sobre aquele silêncio. Interpretá-lo e formar uma opinião. As percepções serão múltiplas. As interpretações vão correr soltas. As opiniões formarão novas opiniões e multiplicarão comentários. O silêncio, coitado, que só queria se preservar acabou alimentando uma rede de conversas a seu respeito. Porque não adianta fingir que ninguém viu, que passou despercebido. Não passou. Nada passa despercebido – nem o silêncio. O conectivo que introduz o segundo parágrafo do texto apresenta o valor semântico de: a) finalidade b) concessão c) modo d) adição e) explicação No trecho “O surto agora atingiu proporções tais que já não é mais possível enfrentá-lo”, o conectivo em destaque introduz o valor semântico de: a) proporcionalidade b) explicação c) consequência d) comparação e) conformidade Considerando a estrutura das frases e a pontuação como ferramenta de delimitação de sentidos, observe o trecho abaixo e responda às questão. “Muitos telespectadores assumem esse comportamento. Tanto que um grupo de estudiosos da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, por meio de experimentos e pesquisas, concluiu que a velha história do víciona TV não é só uma metáfora.” (2º §) Observando que a expressão “tanto que” estabelece com a frase anterior uma relação semântica, pode-se afirmar que tal expressão possui o valor de: a) Causa b) Consequência c) Conclusão d) Comparação As conjunções explicitam relações semânticas entre orações. Podem ainda, sinalizar o sentido introduzido por um parágrafo. Assim, assinale a alternativa em que se ERRA na indicação do valor semântico da conjunção em destaque. a) “Mas os tipos de leitura também são muito diferentes.” – oposição b) “Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio” – condição c) “ praticamente desde quando passamos a habitar este planeta.” – tempo d) “não é um interesse “casual” como colecionar selos por exemplo.“ – conformidade Os versos “Lá a seca castigava/ Mas o pouco que eu plantava” são relacionados por um conectivo que apresenta sentido de: a) conclusão b) explicação c) adição d) oposição A arte de escrever A arte de escrever precisa assentar numa atividade preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do que outros, com bom resultado, escreveram.” JOAQUIM MATTOSO CÂMARA JR. Manual de expressão oral & escrita. 7a. Edição, Vozes, Petrópolis, 1983. No trecho acima, a expressão, “portanto" assume valor semântico de: a) Causa b) Consequência c) Conclusão d) Adição Por que os átomos se dão esse trabalho é um enigma. Ser você não é uma experiência gratificante no nível atômico. Apesar de toda a atenção dedicada, seus átomos na verdade nem ligam para você - eles nem sequer sabem que você existe. Não sabem nem que eles existem. São partículas insensíveis, afinal, e nem estão vivas. (A ideia de que se você se desintegrasse, arrancando com uma pinça um átomo de cada vez, produziria um montículo de poeira atômica fina, sem nenhum sinal de vida, mas que constituiria você, é meio sinistra.) No entanto, durante sua existência, eles responderão a um só impulso dominante: fazer com que você seja você. (BRYSON, Bill. Breve história de quase tudo. Trad. de Ivo Korytowski. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 11) A expressão “No entanto", que introduz a última frase do texto, introduz um sentido de: a) conclusão b) adição c) oposição d) explicação Em “O ritmo dos meus dias é tão intenso que às vezes a gente se esquece de se alimentar direito”, a conjunção em destaque introduz um valor semântico de: a) condição b) finalidade c) causa d) concessão e) consequência É para ter medo? Para Gabriel Garcia Márquez (1927-2014), capaz de criar inesquecíveis cidades imaginárias e personagens fantásticos, delicado mesmo era o olhar para o comportamento banal do ser humano. Escreveu o Nobel de Literatura em 1980: “O único medo que nós, latinos, confessamos sem vergonha e até com um certo orgulho machista é o medo de avião. Talvez porque seja um medo diferente, que não existe desde nossas origens, como o medo do escuro ou o próprio medo de que se perceba que sentimos medo. Pelo contrário: o medo de avião é o mais recente de todos, pois só existe a partir do momento em que se inventou a ciência de voar, há apenas 77 anos”. O medo de tubarões é ancestral. Há relatos da ferocidade dos cães marinhos em textos da Grécia antiga. [...] (Pieter Zalis e Renata Lucchesi, Veja, 29/07/15, p.89, fragmento) Entre as duas últimas frases do texto, há um ponto final. Contudo, percebendo-se a relação semântica que existe entre elas, seria possível substituir esse ponto criando um período composto relacionado por um conectivo: a) condicional b) temporal c) proporcional d) concessivo e) causal Faxina S/A A PEC das Domésticas completa um ano em abril e, embora ainda aguarde regulamentação no Congresso, já provocou uma reviravolta no mercado. Além do lançamento de eletrodomésticos que trazem praticidade à faxina, o setor atravessa a expansão de um serviço já conhecido dos americanos e europeus: a limpeza residencial profissional. (Veja, 26/03/2014) A conjunção “embora”, presente no primeiro período do texto, indica um valor semântico de: conclusão consequência concessão causa No fragmento “Como não é um sistema fechado e imutável, a língua portuguesa ganha diferentes nuances.” , o conectivo em destaque introduz na oração em que se encontra um sentido de: a) comparação b) conformidade c) consequência d) causa GABARITO A B B C B D D C C E E C D C O N C O R D  N C I A V E R B A L COM SUJEITO SIMPLES O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa, estando o sujeito antes ou depois do verbo. sujeito simples “Chico Bóia, com toda a sua gordura, fazia misérias.” (Zéliz Gattai) Tu a expulsarias de casa? sujeito simples Desapareceram no meio da mata os fugitivos sujeito simples COM SUJEITO COMPOSTO ANTEPOSTO AO VERBO a O verbo vai para o plural. sujeito composto Ouro Preto e Mariana são cidades marcadas pela antiga mineração. sujeito composto A secretária e o diretor chegaram pontualmente. b Admite-se também o verbo no singular: se os núcleos forem sinônimos ou formados de palavras de um mesmo conjunto significativo. A sinceridade e a franqueza é uma virtude rara. (ou são) A casmurrice e a sisudez marcava o rosto do velho senhor. (ou marcavam) se os núcleos aparecerem em sequência gradativa. A falta de companhia, a solidão, a angústia levou-o ao bar, onde se embriagou. (ou levaram-no) A picada, a coceira, o mal-estar deixou-a nervosa. (ou deixaram-na) c O verbo ficará no singular: se os núcleo se referirem à mesma pessoa ou coisa. O cidadão brasileiro, o eleitor espera leis sociais mais justas. A dona de casa, a mãe, a mulher é fundamental na mudança da sociedade. se os núcleos apareceram resumidos por tudo, nada, ninguém. Papel, caneta, lápis, borracha, tudo era instrumento de trabalho do escritor. Cara feia, beiço caído, nada me fará mudar de ideia. Pedro, Paulo, José, ninguém me dirá o que devo fazer. COM SUJEITO COMPOSTO POSPOSTO AO VERBO a O verbo vai para o plural. Na obra Capitães de Areia, de Jorge Amado, vivem no trapiche o Gato e o Pedro Bala. sujeito composto Cambaleavam na rua Romeu dos Prazeres e Maria das Dores. sujeito composto Na tenda da mãe-preta, ajudavam a todos Exu, Xangô e Ogum. sujeito composto b Admite-se também a concordância do verbo com o núcleo mais próximo. Em um ano ocorreu a condenação do irmão e a perda da esposa. Nesta casa, mora a viúva e seus três filhos. COM SUJEITO COMPOSTO DE PESSOAS DIFERENTES O verbo vai para o plural na pessoa que prevalecer: a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª. Eu, tu e ele faremos a proposta ao professor. Édson e eu fotografamos tudo naquele passeio. Atiramos a pedra você e eu. a 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª. Tu e ele fareis o trabalho. Tu e Maria recebereis a indenização. Deus e tu sois testemunhas. COM SUJEITO REPRESENTADO POR UM COLETIVO a Quando o sujeito é formado de um coletivo, o verbo concorda com ele. O cardume escapou da rede. Os cardumes escaparam da rede. A boiada do fazendeiro seguia seu caminho. As boiadas do fazendeiro seguiam seu caminho. b Quando o sujeito é formado de um coletivo singular seguido de adjunto adnominal plural, admitem-se duas concordâncias: de preferência, o verbo fica no singular, concordando com o coletivo. O bando de andorinhascontrastava com o céu azul. A equipe de cinegrafistas deixou a televisão, sob protesto. Um grupo de mães acompanhou o protesto dos estudantes. para dar ênfase ao adjunto adnominal, admite-se o verbo no plural. O bando de andorinhas contrastavam com o céu azul. A equipe de cinegrafistas deixaram a televisão, sob protesto. Um grupo de mães acompanharam o protesto dos estudantes. COM SUJEITO CONSTITUÍDO DE PRONOMES DE TRATAMENTO Quando o sujeito for constituído por um pronome de tratamento, o verbo vai para a 3ª pessoa. Vossa Excelência entrou em conflito com os parlamentares? Vossas Excelências entraram em conflito com os parlamentares? Vossa Senhoria se enganou na remessa de mercadoria? Vossas Senhorias se enganaram na remessa de mercadoria? C O N C O R D  N C I A V E R B A L: O U T R O S C A S O S COM SUJEITO CONSTITUÍDO DE NOMES PRÓPRIOS QUE SÓ TÊM PLURAL Quando o sujeito é formado de um nome próprio plural, podem ocorrer as seguintes construções: se o nome não for precedido de artigo, o verbo fica no singular. Minas Gerais não possui mar, mas suas montanhas aproximam o homem do infinito. Campinas é um rico município paulista. se o nome for precedido de artigo, o verbo vai para o plural. As Minas Gerais produzem excelentes escritores. Os Estados Unidos sustentam sua riqueza explorando outros países. Observação Quando se trata de títulos de obras, admite-se o plural ou o singular. Exemplos: Os lusíadas são (é) um grande poema em que Camões fala da história de Portugal. As minas de prata, de José de Alencar, já foi adaptada (foram adaptadas) como novela de televisão. COM SUJEITO CONSTITUÍDO PELOS PRONOMES RELATIVOS QUE E QUEM a Se o sujeito for constituído pelo pronome relativo que, o verbo concordará em número e pessoa com o antecedente desse pronome. Fui eu que paguei a conta. Foste tu que pagaste a conta. Fomos nós que pagamos a conta. Foram eles que pagaram a conta. b Se o sujeito for constituído pelo pronome relativo quem, o verbo irá para a 3ª pessoa do singular. Fui eu quem pagou a conta. Fomos nós quem pagou a conta. Observação Na língua popular, quando o pronome relativo quem aparece como sujeito, é comum o verbo concordar com o antecedente desse pronome. Exemplos: Fui eu quem paguei a conta. Fomos nós quem pagamos a conta. COM SUJEITO ORACIONAL Se o sujeito for representado por uma oração, o verbo fica na 3ª pessoa do singular. 1ª oração 2ª oração Não adianta vocês ficarem na fila do leite. or.principal sujeito da oração principal 1ª oração 2ª oração Decidiu-se todos ficarem discutindo? or.principal sujeito da oração principal COM SUJEITO CONSTITUÍDO DE INFINITIVOS Quando os núcleos de um sujeito forem constituídos de infinitivos, poderão ocorrer as seguintes concordâncias: o verbo irá para o plural se os infinitivos aparecerem determinados. O conversar e o discutir são necessários para nosso amadurecimento. O trabalhar e o descansar são direitos de qualquer pessoa. o verbo poderá ficar no singular se os infinitivos não aparecerem determinados. Conversar e discutir é necessário para nosso amadurecimento. Lutar, reivindicar, analisar os problemas é tão normal como respirar. COM NÚCLEOS DO SUJEITO LIGADOS POR OU Quando os núcleos do sujeito forem ligados pela conjunção ou, poderão ocorrer as seguintes concordâncias: o verbo ficará no singular sempre que houver ideia de exclusão. O ministro do Trabalho ou o da Justiça anunciará a nova lei. José ou Gilberto casará com Cláudia. Márcia ou Júnior será o representante da classe. o verbo concordará com o núcleo mais próximo se os núcleos representarem pessoas diferentes ou se houver ideia de retificação. José ou eu casarei com Cláudia. Até agora não foi solicitada a passagem ou as passagens aéreas. O marginal ou os marginais arrebentaram a porta da escola, por nada. o verbo irá para o plural se não houver ideia de exclusão. A bebida ou o fumo prejudicam a saúde. No silêncio da noite, o barulho do grilo ou o do vento na folha aumentavam a insônia da Anita. O excesso de trabalho ou o excesso de ginástica provocam dores. COM NÚCLEOS DO SUJEITO LIGADOS POR COM Quando os núcleos do sujeito forem ligados pela preposição com, o verbo irá para o plural. O pedreiro com o marceneiro não terminaram o serviço a tempo. Augusto Matraga com o casal de pretos começaram vida nova. O técnico com mais dois preparadores físicos pediram demissão. OBSERVAÇÃO Admite-se o verbo no singular quando se quer enfatizar o primeiro elemento do sujeito. Exemplos: A mulher com os filhos menores conseguiu a pensão alimentar. O velho senhor com sua filha reagiu contra o motorista de táxi. VERBO COM O PRONOME SE apassivador Quando o verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto aparece apassivado pelo pronome se, concorda com o seu sujeito. Analisou-se o plano de reforma agrária. Analisaram-se os planos de reforma agrária. verbo transitivo sujeito verbo transitivo sujeito direto direto Do lado de fora, ouvia-se o gemido do doente. verbo transitivo sujeito direto Do lado de fora, ouviam-se os gemidos do doente. verbo transitivo sujeito direto Entregou-se uma flor à mulher. Entregaram-se flores à mulher. verbo transitivo sujeito verbo transitivo sujeito direto e indireto direto e indireto VERBO COM O PRONOME SE índice de indeterminação do sujeito O verbo fica na 3ª pessoa do singular quando a indeterminação do sujeito é marcada pelo pronome se com verbo transitivo indireto e verbo intransitivo. FRASE ? Precisa-se de homens e mulheres corajosos. ? – sujeito indeterminado Precisa-se – verbo transitivo indireto de homens e mulheres corajosos. – objeto indireto FRASE ? Assiste-se a belos espetáculos no Carnaval carioca. ? – sujeito indeterminado Assiste-se – verbo transitivo indireto A belos espetáculos – objeto indireto no Carnaval carioca – adjunto adverbial de lugar FRASE ? Descansa-se muito em Peruíbe. ? – sujeito indeterminado Descansa-se – verbo intransitivo muito – adjunto adverbial de intensidade em Peruíbe – adjunto adverbial de lugar COM SUJEITO FORMADO POR EXPRESSÕES a Um ou outro – o verbo fica no singular. Hoje, um ou outro viaja a Brasília. Sempre uma ou outra levava a mãe ao médico. Uma ou outra redação merecia críticas. b Um e outro, nem um nem outro, nem... nem... – o verbo vai, de preferência, para o plural. Um e outro esculpiam a madeira da porta. Depois do lanche, uma e outra expunham os dentes contentes. Nem um nem outro quiseram pedir desculpas. Nem a miséria nem a orfandade o abateram. c Um dos que, uma das que – o verbo vai, de preferência, para o plural. Eu era uma das que mais brincavam na escola. A editora parecia uma das que mais pagavam direitos autorais. O tradutor é um dos que menos aparecem e mais trabalham. d Mais de, menos de – o verbo concorda com o numeral que segue a expressão. Mais de um tenista representou o Brasil nas Olimpíadas.Mais de cem pessoas morreram no incêndio da Vila Socó. e A maior parte de (ou uma porção de, grande número de, a maioria de) – o verbo fica, de preferência, no singular. A maior parte dos pesquisadores precisa de mais verbas. Grande número de empresários nem se preocupou com as notícias. Uma porção de alunos faltou à aula hoje. A maioria dos casos de infecção ocorre por falta de saneamento básico. Observação Essas expressões aparecem, muitas vezes, com o verbo no plural, concordando com o substantivo plural que as segue. Exemplo: A maior parte dos professores sentem necessidade de bons livros. f Quais de vós, quantos de nós, alguns de nós – admitem as seguintes concordâncias: o verbo concorda com o pronome indefinido ou interrogativo, ficando na 3ª pessoa do plural. Quais de vós são humildes? Quantos de nós lutaram por melhores dias? Alguns de nós telefonaram à polícia. Muitos de nós assistiram à partida de vôlei. O verbo concorda com o pronome pessoal. Quais de vós sois humildes? Quantos de nós lutamos por melhores dias? Alguns de nós telefonamos à polícia. Muitos de nós assistimos à partida de vôlei. Observação Se o pronome indefinido ou interrogativo estiver no singular, o verbo ficará na 3ª pessoa do singular. Exemplo: Algum de nós telefonou à polícia. COM SUJEITO FORMADO POR NÚMERO PERCENTUAL a O verbo poderá concordar com o numeral ou com o termo a que se refere a porcentagem. Um por cento dos coveiros recebeu aumento salarial. Um por cento dos coveiros receberam aumento salarial. 87% da produção de arroz foram vendidos. 87% da produção de arroz foi vendida. b O verbo concordará com o numeral, se este aparecer com determinantes. Os 87% da produção de arroz foram vendidos. Aqueles 30% de lucro obtido desapareceram. CONCORDÂNCIA DA EXPRESSÃO HAJA VISTA Com a expressão haja vista podem ocorrer as seguintes construções: A expressão fica invariável. Haja vista aos ladrões de colarinho branco. (= atente-se) Haja vista os ladrões de colarinho branco. (= por exemplo) o verbo haver pode variar. Hajam vista os ladrões de colarinho branco. (= vejam-se) CONCORDÂNCIA DOS VERBOS DAR SOAR BATER Na indicação de horas, esses verbos concordam com o número de horas, que normalmente é o sujeito. A não ser que sejam usadas outras palavras como sujeito. Deu uma hora no relógio da matriz. Deram cinco horas no relógio da matriz. sujeito sujeito Naquele momento soavam oito horas. sujeito Batiam dez horas e os boias-frias abriam suas marmitas sob o sol forte. sujeito Observação Esses verbos podem ter outra palavra como sujeito, com a qual devem concordar. Exemplo: Deu cinco horas o relógio da matriz. sujeito FALTAR SOBRAR BASTAR Esses verbos concordam com o sujeito. Falta uma semana para terminar a competição. Faltam quinze minutos para as duas horas. sujeito sujeito Sobrou-me apenas, o dinheiro para a condução. sujeito Sobraram-me,apenas, alguns trocados para o café. sujeito Basta uma palavra sua para que tudo se resolva. Alguns dias de férias já me bastam. sujeito sujeito CONCORDÂNCIA DOS VERBOS IMPESSOAIS Por não possuírem sujeito, os verbos impessoais ficam na 3ª pessoa do singular. Não havia, em outros jardins, flores mais belas. Havia três anos que Sílvia se mudara para a França. Faz cinco anos que nos separamos. No Nordeste faz invernos amenos. Choveu na sua horta, mas na minha geou. Observação 1º) Quando acompanhado de verbo auxiliar, o verbo impessoal transmite ao auxiliar a sua impessoalidade. Exemplos: Deverá haver feiras de artesanato nas férias. (auxiliar) Começou a haver cambalachos no jogo. Na prova não pode haver borrões. (auxiliar) (auxiliar) 2º) Os verbos que exprimem fenômenos da natureza podem deixar de ser impessoais quando empregados em sentido figurado. Exemplos: Choviam salivas da boca de Mariquita. As vozes trovejaram no meu ouvido. Relampejavam contentes os olhos do menino, diante da vitrina. 3º) Na língua popular é comum o uso do verbo ter, impessoal, no lugar de haver ou existir. Exemplos: Em Monte Alegre do Sul tem festividades em homenagem a São Bom Jesus, padroeiro da cidade. Tem gente nova no pedaço. Tem dias que a gente levanta com o pé esquerdo. CONCORDÂNCIA DO VERBO SER O verbo ser ora concorda com o sujeito ora concorda com o predicativo. Destacam-se os seguintes casos: a Se o sujeito e o predicativo forem representados por nomes de coisa (abstrata ou concreta) e um deles estiver no plural, o verbo concordará com o que estiver no plural. Essas dores são o meu sofrimento. A compra são uns retalhos coloridos. Muitas vitórias eram o seu sonho. Durante dias, a fruta foram seus alimentos. Observação Nesse caso, admite-se a concordância no singular quando se deseja fazer prevalecer um elemento sobre o outro. Exemplo: A vida é ilusões. b Se um dos elementos (sujeito ou predicativo) referir-se a pessoa, o verbo concordará com ela. Minha vaidade são os meus filhos. Minhas alegrias é esta criança. c Se um dos elementos (sujeito ou predicativo) for pronome pessoal, com este concordará o verbo. As crianças abandonadas e os trabalhadores desempregados não somos nós. No meu setor, eu sou o chefe. O parlamentar sempre ausente sois vós. O candidato à presidência do sindicato és tu. Você era os meus sonhos. Observação Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) representados por pronomes pessoais, o verbo concorda com o pronome sujeito. Exemplos: Eu não sou ele. Ele não é eu. d Se o sujeito for representado por pronomes neutros – sem flexão de gênero e de número (tudo, aquilo, isso, o, isto) – e o predicativo estiver no plural, o verbo concordará, de preferência, com o predicativo. Naquela loja, tudo eram quinquilharias. No amor nem tudo são alegrias. Aquilo eram cobras venenosas disfarçadas de gente. Isso são lembranças de viagens. O que machuca bastante são as agressões verbais. Observação Pode ocorrer também o verbo no singular concordando com o pronome. Exemplo: “E tudo é chuvas que orvalham.” (Fernando Pessoa) e Como impessoal na indicação de horas, dias e distância, o verbo ser concorda com o numeral. É uma hora. São oito e quinze da noite. Eram 23 de abril quando partimos no navio. Da praia até a nossa casa, são cinco quarteirões. Observação Na indicação de dia, o verbo ser admite as seguintes concordâncias: no singular, concordando com a palavra dia explícita. Exemplo:Hoje é dia 2 de agosto. no plural, concordando com o numeral, sem a palavra dia explícita. Exemplo: Hoje são 2 de agosto. no singular, concordando com a ideia implícita de dia. Exemplo: Hoje é 2 de agosto. f Se o sujeito indicar peso, medida, quantidade e for seguido de palavras ou expressões como pouco, muito, menos de, mais de etc., o verbo ser fica no singular. Cinco quilos de arroz é pouco. Trezentos cruzados novos pela passagem é muito. Seis litros de álcool é menos do que precisamos. Oito metros de elástico é mais do que pedi. g Se o sujeito for representado por palavra ou expressão de sentido coletivo ou partitivo e o predicativo estiver no plural, o verbo ser concordará com o predicativo. O restante eram verduras murchas. O resto foram cenas de terror. O mais são pérolas atiradas aos porcos. No Brasil, a maioria da população eleitora são mulheres. h Se o predicativo for o pronome demonstrativo o, mesmo o sujeito estando no plural, o verbo ser ficará no singular. Dores é o que não sinto. Cartas amorosas e anônimas era o que me escreviam. O vento e a brisa é o que os alimentam. CONCORDÂNCIA DO VERBO PARECER a O verbo parecer antes de infinitivo admite duas concordâncias: varia o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. Com a falta de notícias, as pessoas de casa pareciam emudecer. As cenas do palhaço pareciam alegrar a criançada. As pescarias pareciam dar vida nova ao meu pai. não varia o verbo parecer e flexiona-se o infinitivo. Com a falta de notícias, as pessoas de casa parecia emudecerem. As cenas do palhaço parecia alegrarem a criançada. As pescarias parecia darem vida nova ao meu pai. b O verbo parecer fica no singular com oração desenvolvida. As paredes parece que têm ouvidos. (Parece que as paredes têm ouvidos.) Seus olhos parecia que guardavam todos os segredos do mundo. (Parecia que seus olhos guardavam todos os segredos do mundo.) Suas palavras pareceu que eram lamentos. (Pareceu que suas palavras eram lamentos.) Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal. Soava seis horas no relógio da matriz quando eles chegaram. Apesar da greve, diretores, professores, funcionários, ninguém foram demitidos. José chegou ileso a seu destino, embora houvessem muitas ciladas em seu caminho. Fomos nós quem resolvemos aquela questão. O impetrante referiu-se aos artigos 37 e 38 que ampara sua petição. Indique a série que corresponde às formas apropriadas para os enunciados abaixo. As diferenças existentes entre homens e mulheres ____ ser um fato indiscutível. 1. parece 2. parecem Alguns cientistas, desenvolvendo uma nova pesquisa sobre a estrutura do cérebro, os efeitos dos hormônios e a psicologia infantil, ____ que as diferenças entre homens e mulheres não se devem apenas à educação. 3. propõe 4. propõem ____ diferenças cerebrais condicionadoras das aptidões tidas como tipicamente masculinas ou femininas. 5. Haveria 6. Haveriam ____ ainda pesquisadores que consideram os machos mais agressivos, em virtude de sua constituição hormonal. 7. Existe 8. Existem Como sempre, discute-se se é a força da Biologia, ou meramente a Educação, que ____ sobre o comportamento humano. 9. predomina 10. predominam 2,4,5,8,9 1,4,6,8,9 2,4,6,7,10 2,3,5,8,10 2,4,6,7,9 Indique o único segmento que apresenta concordância verbal condizente com as normas do português padrão. O funcionamento dos dois hemisférios cerebrais são necessários tanto para as atividades artísticas como para as científicas. As diferentes divisões e subdivisões a que se submetem a área de ciências humanas provocam uma indesejável pulverização de domínios do conhecimento. Normalmente, a aplicação de métodos quantitativos e exatos acabam por distorcer as linhas de raciocínio em ciências humanas. Uma das premissas básicas do conjunto de assunções teóricas e epistemológicas do trabalho que ora vem a lume é a concepção da Arte como uma entre as muitas formas por meio das quais o conhecimento humano se expressa. Não existem fórmulas precisas ou exatas para avaliar uma obra de arte, não existe um padrão de medida ou quantificação, tampouco podem haver modelos rígidos pré-estabelecidos. Concordância verbal incorreta. a) V. Excelência é generoso. b) Mais de um jornal comentou o jogo. c) Elaborou-se ótimos planos. d) Eu e minha família fomos ao mercado. e) Os Estados Unidos situam-se na América do Norte. Concordância verbal correta. a) Foi aí que todos entramos na sala. b) As pessoas esquecem-se de mandarem mensagens aos amigos. c) Cada um dos alunos receberam seus cadernos. d) Três mil cruzados são pouco pelo serviço. e) Não me consta tais informações. Concordância verbal incorreta. a) Poderá haver problemas. b) V. Senhoria já se decidiu? c) Eu e tu iremos hoje. d) Você e ele ficarão de guarda. e) Quando chegares, telefone-me. Concordância verbal correta. a) Cala-te e ouça! b) Cala-te e ouve! c) Cala-se e ouve! d) Cala-te e ouves! e) Cala-se e ouça! Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas dos períodos abaixo: Pedrinho ________ as esperanças dos pais. ________ fazer horas que eles saíram. Dez quilos ________ suficiente para a viagem. Joaquim ou Manoel ________ com Maria. são – Devem – são – casarão. são – Devem - é – casarão é – Deve – são - casarão são – Deve – são - casará é – Deve – é – casará A única concordância verbal correta está na afirmativa: O que fizeram Capitu e eu? No relógio deu duas horas. Fazem, hoje, dois meses de sua morte. Houveram muitas discussões naquela reunião. Os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo. Indique a única frase que passaria a apresentar erro de concordância verbal, se tivesse o verbo sublinhado no singular: "Um dos soldadinhos que me acompanhavam chorava como um desgraçado." (G. Ramos) "Os sentenciados houveram do poder público a comutação da pena." ( G. Góis) "E quanto enfim cuidava e quanto via, eram tudo memórias de alegria." (Camões) "O conselho se reuniu, e decidiram recomeçar a guerra." (B. Guimarães) "Um turbilhão de sentimentos nos acodem." (L. Coelho) G A B A R I T O: D A D C A E B E E B R E G Ê N C I A V E R B A L Regência verbal é a maneira como o verbo (termo regente) se relaciona com os seus complementos (termos regidos). Há verbos que admitem mais de uma regência sem que o sentido seja alterado. Aquele homem não esquecia os favores recebidos. ↓ ↓ verbo objeto direto transitivo direto Aquele homem não se esquecia dos favores recebidos. ↓ ↓ verbo objeto indireto transitivo indireto Há outros verbos, porém, que, mudando-se a regência, muda-se o significado. Nesta cidade aspiramos ar poluído. (aspiramos → sorvemos) ↓ ↓ verbo objeto direto transitivo direto Eles aspiram a um mês de férias. (aspiram → almejam) ↓ ↓ verbo objeto indireto transitivo indireto Regência de alguns verbos: AJUDAR Pode aparecer como: transitivo direto. Toda a vizinhança ajudava a velhasenhora. transitivo direto e indireto (preposição a). O motorista ajudou-nos a carregar as malas. ASPIRAR Pode aparecer como: transitivo direto (sentido de sorver, absorver). O doente aspirou o álcool e começou a melhorar. transitivo indireto (sentido de almejar, pretender, preposição a). Os trabalhadores aspiravam à maior segurança no trabalho. Observação Como transitivo indireto, aspirar não admite as formas pronominais lhe, lhes, mas sim as formas a ele(s), a ela(s). Exemplo: A televisão anunciou os vários tênis da moda, mas não aspirávamos a eles. ASSISTIR Pode aparecer como: transitivo direto (sentido de dar assistência, ajudar). O veterinário assistiu o gato com muita dedicação. Observação Como transitivo direto admite a voz passiva. Exemplo: O gato foi assistido pelo veterinário com muita dedicação. Transitivo indireto (sentido de presenciar, preposição a). As mulheres assistiram ao espetáculo. Observação 1º) Nesse sentido, o verbo assistir não admite as formas pronominais lhe, lhes, mas sim a ele(s), a ela(s). Exemplo: O torneio de natação foi muito divulgado, por isso todos assistiram a ele. 2º) Como transitivo indireto não admite a voz passiva. No uso popular, porém, é comum essa construção. Exemplo: As comemorações de 1º de Maio foram assistidas por milhares de trabalhadores. transitivo indireto (sentido de caber, pertencer; preposição a). Assiste ao técnico o trabalho de escalar o time. intransitivo (sentido de morar, residir). O carioca assiste na cidade do Rio de Janeiro. Observação O verbo assistir neste sentido é pouco usado. CHAMAR Pode aparecer como: Transitivo direto (sentido de convidar, convocar). Nós chamamos alguns amigos para a festa. Nós os chamamos para a festa. Observação Com o mesmo sentido, pode aparecer com a preposição de realce por. Exemplo: O sapateiro chamou por você. transitivo direto ou transitivo indireto (sentido de denominar, cognominar) com as seguintes construções: ─ transitivo direto (com objeto direto + predicativo sem preposição). Chamaram-no caloteiro. ─ transitivo direto (com objeto direto + predicativo com preposição). Chamaram-no de caloteiro. ─ transitivo indireto (com objeto indireto + predicativo sem preposição). Chamaram-lhe caloteiro. ─ transitivo indireto (com objeto indireto + predicativo com preposição). Chamaram-lhe de caloteiro. CHEGAR Intransitivo (preposição a). Cheguei ao cinema. ↓ adjunto adverbial CUSTAR Pode aparecer como: transitivo indireto (sentido de ser custoso, ser difícil). Custou ao menino aquele trabalho pesado. transitivo direto e indireto (sentido de acarretar). A irresponsabilidade custou-lhe o emprego. ESQUECER LEMBRAR Podem aparecer como: transitivos diretos (quando não forem pronominais). Esqueci o livro de História. Lembrei o nome do artista. transitivos indiretos (quando forem pronominais; preposição de). Esqueci-me do livro de História. Lembrei-me do nome do artista. transitivos indiretos (quando significarem, respectivamente, cair no esquecimento e vir à lembrança). Esqueceram-me todos os fatos passados. (= Esqueci todos os fatos passados.) Lembraram-me todos os fatos passados. (= Lembrei todos os fatos passados. transitivo direto (sentido de fazer recordar). Marcelo lembra o pai na maneira de andar. transitivo direto e indireto (sentido de advertir). Lembramos aos alunos a hora da prova. INFORMAR Pode aparecer como: objeto direto – pessoa Informamos o policial do (ou sobre o) acidente. objeto indireto - coisa objeto indireto – pessoa Informamos ao policial o acidente. objeto direto - coisa Observação O mesmo ocorre quando o objeto for uma oração. Exemplos: Informa-o de que os trabalhos estão terminados. Informa-lhe que os trabalhos estão terminados. IR Intransitivo (com preposição) Fui ao clube. Fui para Santos. ↓ adjunto adverbial OBEDECER DESOBEDECER Transitivos indiretos (preposição a). Os motoristas obedecem aos sinais de trânsito. Poucos desobedeciam à faixa de pedestres. Observação Apesar de transitivos indiretos, esses verbos admitem a voz passiva. Exemplo: Os sinais de trânsito são obedecidos pelos motoristas. PAGAR PERDOAR Podem aparecer como: transitivos diretos (quando o objeto refere-se a coisa). Há governos que não pagam o décimo terceiro salário. Sem dificuldades, o bom homem perdoava nossas falhas. transitivos indiretos (quando o objeto refere-se a pessoa; preposição a). Já pagaram ao conferencista. Nesta época de crise, o governo não perdoou aos devedores. transitivos diretos e indiretos (quando possuem os dois objetos). Há firmas que pagam salários injustos aos funcionários. O agiota não perdoava a dívida aos devedores. PREFERIR Transitivo direto e indireto (preposição a). Preferia a dura verdade do filho à doce mentira do marido. PRESIDIR Transitivo direto ou transitivo indireto. Poucos presidiram o Sindicato dos Metalúrgicos como ele. Presidiram ao júri cinco mulheres. PROCEDER Pode aparecer como: intransitivo (sentido de ter fundamento, ter procedência, sem preposição). Tua resposta estúpida não procede. transitivo indireto (sentido de originar-se, provir de; preposição de). Muito de nossa cultura procede da África e dos povos indígenas. transitivo indireto (sentido de dar andamento; preposição a). O médico da seleção procedeu aos cortes dos jogadores contundidos. QUERER Pode aparecer como: transitivo direto (sentido de desejar). Queríamos um pouco de paz e aquele lugar era ideal. transitivo indireto (sentido de estimar, gostar; preposição a). Aquela senhora queria muito aos netos. Quero-lhe muito; por isso conte comigo. SIMPATIZAR ANTIPATIZAR Transitivos indiretos (preposição com). Todo o país simpatizou com a ideia de eleição. A classe antipatizou com o novo aluno. VISAR Pode aparecer como: transitivo direto (sentido de apontar, mirar). O homem visou o alvo e disparou o tiro. transitivo direto (sentido de passar visto). Para nossa segurança, visamos o cheque antes de viajar. transitivo indireto (sentido de pretender, ter em vista; preposição a). Nós visávamos a um pouco de sol aos dias calmos da praia. Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O Marque onde há erro na regência do verbo: Ela chegou na cidade ontem à noite. Eu o vi ontem, no cinema. Obedeça às minhas ordens. Informei os amigos sobre a carta. Paga o que deve aos teus funcionários. Que frase apresenta erro na regência nominal? Ninguém está imune a influências. Ela já está apta para dirigir. Tinha muita consideração por seus pais. Ele revela muita inclinação com as artes. Era suspeito de ter assaltado a loja. Era tão rancoroso, que preferiu _______ triste _____ saber que era feliz. vê-la - que. a ver - do que. a ver - a. vê-la - do que. vê-la - a. Há erro de regência verbal no item: Algumas ideias vinham ao encontro das reivindicações dos funcionários, contentando-os, outras não. Todos aspiravam a uma promoção funcional, entretanto poucos se dedicavam àquele trabalho, por ser desgastante. Continuaram em silêncio, enquanto o relator procedia à leitura do texto final. No momento este departamento não pode prescindir de seus serviços devido ao grande volume de trabalho. Informamos a V.Sa. sobre os prazos de entrega das novas propostas, as quais devem ser respondidas com urgência. Marque a alternativa incorreta quanto à regência verbal: Na verdade, não simpatizo com suas ideias inovadoras. Para trabalhar, muitos preferem a empresa privada ao serviço público. Lamentavelmente, não conheçoa lei que te referes. Existem muitos meios a que podemos recorrer neste caso. Se todos chegaram à mesma conclusão, devem estar certos. Assinale a alternativa incorreta quanto à regência: Creio que os trabalhadores estão muito conscientes de suas obrigações para com a pátria. O filme a que me refiro aborda corajosamente a problemática dos direitos humanos. Esta nova adaptação teatral do grande romance não está agradando ao público; eu, porém, prefiro esta àquela. O trabalho inovador de Gláuber Rocha que lhe falei chama-se Deus e o Diabo na Terra do Sol. José crê que a classe operária está em condições de desempenhar um papel importante na condução dos problemas nacionais. O emprego dos pronomes relativos precedidos de preposição está correto apenas em: Recebeu promoção a servidora a cuja dedicação tanto deve nosso setor. Olhem as notícias de cujas vocês vão saber os detalhes no jornal das cinco. Esse é o tipo de assunto sobre o que não temos certeza nenhuma. Já se vislumbrava o prejuízo do qual sua atitude acarretaria. Verificou-se a procedência do recurso ao qual os contribuintes pedem revisão dos cálculos. Assinale a alternativa que melhor completa a oração a seguir. “A professora ___ lhe falamos é aquela, ___ outra é ___ diretora do curso”. de que - À - a a quem - À - à de que - À - à a que - A - à de quem - A - a Considere o trecho abaixo: “Eu queria saber é quem está no aparelho. Ah, sim. No aparelho não está ninguém. Como não está, se você está me respondendo? Eu estou fora do aparelho. Dentro do aparelho não cabe ninguém. Engraçadinho! Então, quem está ao aparelho? Agora melhorou. Estou eu, para servi-lo.” (Carlos Drummond de Andrade) Marque o par de verbos com problema de regência idêntico ao do texto: a) Meditar num assunto - meditar sobre um assunto. b) Sentar à mesa - sentar na mesa. c) Estar em casa - estar na casa. d) Assistir o doente - assistir ao doente. e) Chamar o padre - chamar pelo padre. Assinale a opção que apresenta a regência verbal incorreta, de acordo com a norma culta da língua: a) Os sertanejos aspiram a uma vida mais confortável. b) Obedeceu rigorosamente ao horário de trabalho do corte da cana. c) O rapaz presenciou o trabalho dos canavieiros. d) O fazendeiro agrediu-lhe sem necessidades. e) Ao assinar o contrato, o usineiro visou, apenas, ao lucro pretendido. GABARITO A D E E C D A E B D C R A S E Na contração da preposição a ocorre a fusão de dois sons idênticos. A essa fusão de sons idênticos dá-se o nome de crase. Exemplos: contração da preposição a com o artigo definido feminino a. Fui à festa. Fui a + a festa. ↓ ↓ verbo ir substantivo pede o artigo a pede preposição a contração da preposição a com pronome demonstrativo. Fui àquela festa. Fui a + aquela festa. ↓ verbo ir: pede preposição a Observação Na escrita, o sinal indicativo de crase é o acento grave ( ` ). CASOS EM QUE OCORRE CRASE a Antes de palavras femininas que admitem artigo, desde que o termo regente exija preposição: Devemos obedecer a as leis. ↓ ↓ termo artigo regente palavra que exige feminina preposição a que admite artigo preposição → Devemos obedecer às leis. Se não houver ambas as condições não ocorrerá a crase. Danificaram a estrada. ↓ ↓ termo regente artigo que não exige termo regido que admite artigo preposição preposição Danificaram a estrada. ↓ artigo Fui a Campinas. ↓ artigo preposição termo regido que não admite artigo termo regente que exige preposição Fui a Campinas. ↓ preposição Quando se tratar de nome de lugar, uma maneira fácil de saber se esse nome admite ou não artigo é construir a frase usando o verbo voltar. Observe: Voltei de Campinas. ↓ preposição não admite artigo Então, Fui a Campinas. ↓ preposição Voltei da Bahia. de + a ↓ ↓ preposição artigo admite artigo Fui à Bahia. a a preposição artigo b Com os pronomes demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo, desde que o termo regente exija preposição a: Fui a aquele cinema. Fui àquele cinema. ↓ preposição Refiro-me a aquilo. Refiro-me àquilo. ↓ preposição c Com pronomes a, as, quando demonstrativos representando aquela ou aquelas, desde que o termo seguinte exija preposição: Esta cena é igual à que vi ontem. Esta cena é igual a (aquela) que vi ontem. ↓ preposição Estas cenas são iguais às que vi ontem. Estas cenas são iguais a (aquelas) que vi ontem. ↓ preposição d Antes dos pronomes relativos a qual ou as quais, desde que o termo regente exija preposição: Esta é a moça à qual me referi. Estas são as moças às quais me referi. (Verbo referir-se pede a preposição) e Na indicação de horas: Chegamos à uma hora. Saímos às dez horas. f Nas locuções adverbiais femininas: Saímos à noite. Sentiu-se à vontade. Sentou-se à direita. Respondeu às pressas. g Nas locuções prepositivas formadas de palavras femininas: à beira de, à custa de, à forma de, à sombra de, à moda de: Era bonito o entardecer à beira do lago. À custa do irmão ela conseguiu estudar. h Nas locuções conjuntivas: à medida que, à proporção que: À medida que caminhava, recordava-se da infância. A saudade aumentava à proporção que chegavam suas cartas. CASOS EM QUE NÃO OCORRE CRASE a Antes de palavra masculina: Gostava de andar a cavalo. Obs.: Nas construções: Usava sapatos à Luís XV. Elaborou um texto à Graciliano Ramos. há o sinal indicativo de crase porque se tem subentendida a locução prepositiva à moda de: Usava sapatos à moda de Luís XV. Elaborou um texto à moda de Graciliano Ramos. b Antes do verbo: Estou disposto a colaborar. c Antes da maioria dos pronomes, por eles não admitirem artigo: Dirijo-me a Vossa Excelência com todo o respeito. Referiram-se a nós ontem na discussão? Respondi a todas as cartas que recebi. Não é este o salário a que aspirávamos. Obs.: Entre os pronomes de tratamento excetuam-se senhora e senhorita, já que admitem artigo. Exemplo: Peço à senhora que fique mais um pouco. d Antes de palavras no plural que não são definidas pelo artigo: Discutiam a portas fechadas. Não tem hábito de ir a reuniões de condomínio. e Antes das palavras casa e terra quando não tiverem elementos modificadores: Chegaram a casa e não disseram nada. As naus voltaram a terra. Obs.: Quando essas palavras aparecem com modificadores há a crase. Exemplos: Chegaram à casa de César muito tarde. As naus voltaram à terra de origem. f Nas locuções adverbiais formadas de elementos repetidos: gota a gota a água cairá no balde. g Na expressão a distância: Os pais observavam os filhos a distância.Obs.: Se, porém, essa expressão aparecer determinada, haverá crase. Exemplo: Os pais observavam os filhos à distância de uns cem metros. CASOS EM QUE A CRASE É FACULTATIVA a Antes de nomes próprios femininos referentes a pessoas: Refiro-me a Ana Cristina. Refiro-me à Ana Cristina. b Antes de pronomes possessivos femininos: Não me referi a sua capacidade. Não me referi à sua capacidade. c Após a preposição até: Irei até a escola. Irei até à escola. Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O Das orações abaixo, uma apresenta incorreção quanto ao uso do sinal indicativo da crase. Assinale-a: a) Pôs-se a correr assim que viu a bruxa. b) Todos estão a lhe prestar as devidas homenagens póstumas. c) Entregue a ela todos os livros que tomamos emprestados. d) Vários ataques terroristas têm sido planejados para destruir a cidade de Nova Iorque. e) Pedro foi a cidade de Nova Iorque em meio aos ataques terroristas. O acento grave, indicador de crase, foi empregado corretamente, exceto na alternativa: Após o almoço, todos podem dirigir-se à sala. Mamãe, nós voltaremos à noite, a não ser que a chuva nos impeça. Quando chegarmos à Bahia, a primeira coisa a fazer é visitar as igrejas. Tu já escreveste àquele teu amigo? Não falo à pessoas estranhas. Indique a sentença em que não foi empregado adequadamente o acento indicador de crase: “Foi o que procurei fazer, na medida do possível e ao longo de vários anos, ouvindo reações à proposta que apresentara.” “A hora das frivolidades acabara, a que começava era a do sacrifício austero e diuturno.” “Posto que Jorge falasse do coronel nas cartas que escrevia à mãe, não o dava como amigo seu.” “Comparava-se ao mar daquela manhã, nem borrascoso nem quito, mas levemente empolado e crespo, tão prestes a adormecer de todo, como a crescer e arremessar-se à praia.” “De Buenos Aires chegava-lhe na véspera, a tarde, a notícia da morte de um irmão, se último parente.” Preencha as lacunas da frase abaixo e assinale a alternativa correta: “Comunico ____ V.S.a que encaminhamos ____ petição anexa ____ Divisão de Fiscalização que está apta ____ prestar ____ informações solicitadas.” a) a, a, à, a, as b) à, a, à, a, às c) a, à, a, à, as d) à, à, a, à, às e) à, a, à, à, as Assinale o item que preenche corretamente as lacunas da frase: “Em virtude de investigações psicológicas ____ que me referi, nota-se crescente aceitação de que é preciso pôr termo ____ indulgência e ____ inação com que temos assistido ____ escalada da pornoviolência.” (S. Pfromm) à, a, à, a a, à, à, à a, a, a, à à, à, a, a à, à, a, à Marque a letra cuja sequência preenche corretamente, pela ordem de aparecimento, as lacunas do trecho abaixo. O exame das propostas da reforma fiscal, ___ primeira abordagem, leva ____ conclusão de que ____ carga tributária continuará ____ incidir mais sobre os salários e menos sobre lucros e grandes fortunas. à, à, a, a à, a, à, a a, a, a, à a, à, a, a a, a, à, a Complete as lacunas, adequadamente, usando uma das alternativas abaixo: Não pergunte nada ___ mim, porém ___ quem esteve presente ___ reunião. a – a – a a – a – à à – à – à à – a – à à – à – a Assinale a frase cujo a deve levar acento indicador de crase: Gostava de andar a cavalo. Requereu a autoridade competente. Comunicou o fato a quem de direito. Referia-se a Copacabana. Deixai vir a mim as criancinhas. Assinale a alternativa em que todos os as possuem o acento indicador de crase: Não nos referimos a todas as funcionárias, mas as que faltaram no feriado. Informamos a V. S.ª que foram feitas novas concessões a empresa privada. Nosso objetivo é dar apoio a teses que forneçam subsídios a política educacional. Devido a ausência do professor, entregaremos o estudo a você ou a ela. A custa de muito sacrifício, fomos aquela reunião a qual compareceram muitas autoridades. Assinale a relação cujas palavras, em correspondência com as frases, preencham convenientemente as respectivas lacunas: Não perguntei ____ essa funcionária, mas ____ que usa óculos, se daqui ____ pouco poderei vir retirar o salário que me devem ____ muito. a – a – há – a à – a – a – há à – à – à – a a – a – há – há a – à – a – há GABARITO E E E A B A B B E E P O N T U A Ç Ã O Para reproduzirmos, na linguagem escrita, os inumeráveis recursos da fala, contamos com uma série de sinais gráficos denominados sinais de pontuação. São eles: o ponto ( . ) o ponto de interrogação ( ? ) o ponto de exclamação ( ! ) a vírgula ( , ) o ponto e vírgula ( ; ) os dois pontos ( : ) as aspas ( “ “ ) o travessão ( ) as reticências ( ... ) os parênteses ( ( ) ) Alguns sinais de pontuação servem, fundamentalmente, para marcar pausas (o ponto, a vírgula, o ponto e vírgula). Outros têm a função de marcar a melodia, a entoação da fala (ponto de exclamação, ponto de interrogação etc.). Não é fácil fixar regras para o emprego correto dos sinais de pontuação, uma vez que, além dos casos em que o uso de determinados sinais é obrigatório, existem também razões de ordem subjetiva para sua utilização. A seguir, passaremos a expor algumas orientações sobre o assunto. Ponto É utilizado para encerrar qualquer tipo de período, exceto os terminados por orações interrogativas ou exclamativas. É um dos sinais que indica maior pausa. Anoitecia. Eu sou estudante. Refiz as contas e não descobri onde errei. Obs.: O ponto é também usado para indicar abreviação de palavras. Sr., Sra., Srtª., V.Exª., Obs., Ex., etc. Ponto de interrogação É usado no fim de orações interrogativas diretas. Nunca é colocado no fim de uma oração interrogativa indireta. Entendeu? Será que vai chover? Se eu terminar os exercícios, posso ir com você? Ponto de exclamação É colocado após determinadas palavras, como as interjeições, e orações enunciadas com entoação exclamativa. Denota, entre outras coisas, entusiasmo, alegria, dor, surpresa, espanto, ordem. Olá! Ah! Entendi! Ótimo! Que susto! Mãos ao alto! Não toque em nada! Vírgula A vírgula é o sinal de pontuação que indica uma pausa de curta duração, sem marcar o fim do enunciado. A vírgula pode ser empregada para separar termos de uma oração (vírgula no interior da oração), ou para separar orações de um período (vírgula entre orações). Vírgula no interior da oração Em português, a ordem normal dos termos na frase é a seguinte: sujeito – verbo – complementos do verbo – adjuntos adverbiais. Quando os termos da oração se dispõem nessa ordem, dizemos que ocorre ordem direta (ou ordem lógica). Muitos alunos estudaram a matéria da prova com afinco. sujeito verbo obj.direto adj.adverbial Quando ocorre qualquer alteração na sequência lógica dos termos, temos a ordem indireta. Com afinco, muitos alunos estudaram a matéria da prova. termo deslocado Quando a oração se dispõe em ordem direta, não se separam por vírgulas seus termos imediatos. Assim, não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado, entre o verbo e seu complemento, e entre o nome e seu complemento ou adjunto. Muitos imigrantes europeus chegaram ao Brasil naquele ano. sujeito predicado Todos os alunos apresentaram a redação ao professor. verbo complemento A áspera resposta ao candidato deixou-o magoado. adj. Nome compl. adnom. nominal Usa-se vírgula no interior da oração para: marcar intercalações Os termos que se intercalam na ordem direta, quebrando a sequência natural da frase, devem vir isolados por vírgulas. Assim, separam-se: O aposto intercalado:Misha, símbolo das Olimpíadas, é um ursinho simpático. aposto Expressões de caráter explicativo ou corretivo: A sua atitude, isto é, o seu comportamento na aula merece elogios. expressão explicativa Não haverá aula amanhã, ou melhor, depois de amanhã. expressão corretiva Conjunções coordenativas intercaladas: A sua atitude, no entanto, causou sérios desentendimentos. conj. intercalada Havia, porém, um inconveniente sério. conj. intercalada Adjuntos adverbiais intercalados: Os candidatos, naquele dia, receberam a imprensa. adj. adv. intercalado Obs.: Se o adjunto adverbial intercalado for de pequena extensão (um simples advérbio, por exemplo), não se usa a vírgula, uma vez que não houve quebra da sequência lógica do enunciado. Os candidatos sempre receberam a imprensa. advérbio marca termos deslocados Normalmente, quando um termo é deslocado de seu lugar original na frase, deve vir separado por vírgula. Nesse sentido, separam-se: o adjunto adverbial anteposto Naquele dia, os candidatos receberam a imprensa. adj. adv. anteposto Obs.: Se o adjunto adverbial anteposto for um simples advérbio, a vírgula é dispensável. Hoje os candidatos deverão receber os jornalistas credenciados. advérbio o complemento pleonástico antecipado: Este assunto, já o li em algum lugar. compl.pleonástico anteposto o nome do lugar na indicação de datas: São Paulo, 28 de agosto de 1966. Roma, 14 de fevereiro de 1989. marcar a omissão de uma palavra (geralmente o verbo) Ela prefere cinema e eu, teatro. marcar o vocativo “Meus amigos, a ordem é a base do governo.” (Machado de Assis) vocativo Obs.: Pode-se, em vez de vírgula, marcar o vocativo com um ponto de exclamação a fim de dar ênfase. “Deus” ó Deus! onde estás que não respondes?” (Castro Alves) separar termos coordenados assindéticos Aquela paisagem nos despertava confiança, tranquilidade, calma. “Quaresma convalesce longamente, demoradamente, melancolicamente.” (Lima Barreto) Obs.: Se os termos coordenados estiverem ligados pelas conjunções e, ou, nem não se usa a vírgula. Aquela paisagem nos despertava confiança, tranquilidade e calma. Pedro ou Paulo casará com Heloísa. Não necessitavam de dinheiro nem de auxílio. Se essas conjunções vierem repetidas para dar ideia de ênfase, usa-se a vírgula. E os pais, e os amigos, e os vizinhos magoaram-no. Não caminhava por montanhas, ou florestas, ou cavernas. Não estudava Física, nem Química, nem Matemática, nem História. VÍRGULA ENTRE ORAÇÕES orações subordinadas adjetivas explicativas as orações subordinadas adjetivas explicativas sempre são separadas por vírgula. O homem, que é um ser racional, vive pouco. o.p. or.sub.adj. explicativa o.p. Obs.: As orações subordinadas adjetivas restritivas normalmente não se separam por vírgulas. Podem terminar por vírgula (mas nunca começar por ela!) quando tiverem uma certa extensão: O homem que encontramos ontem à noite perto do lago, parecia aborrecido. quando os verbos se seguirem: O homem que fuma, vive pouco. Quem estuda, aprende. orações subordinadas adverbiais Orações dessa modalidade (sobretudo quando estiverem antecipadas) separam-se por vírgula. Quando o cantor entrou no palco, todos aplaudiram. or.sub.adverbial o.p. Entrando o cantor, todos devem aplaudir. or. sub. adverbial o.p. A questão, conforme se esperava, era complicadíssima. o.p. or.sub. adverbial o.p. “Matias estava compondo um sermão, quando começou o idílio psíquico.” (Machado de Assis) o.p. or.sub.adverbial orações subordinadas substantivas Orações desse tipo (com exceção das apositivas) não se separam da principal por vírgula. Espero que você me telefone. O remédio era ficar em casa. o.p. or.sub.substantiva o.p. or.sub.substantiva orações coordenadas As orações coordenadas (exceto as iniciadas pela conjunção aditiva e) separam-se por vírgula. Cheguei, pedi silêncio, aguardei alguns minutos e comecei a palestra. or.coord. or.coord. or.coord. or.coord. Eles se esforçaram muito, porém não obtiveram o resultado desejado. or.coord. or.coord. Duvido,longo penso. Penso, logo existo. or.coord. or.coord. or.coord. or.coord. Obs.: Pode-se usar vírgula antes da conjunção e quando: as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes. Os ignorantes falavam demais, e os sábios se mantinham em silêncio. quando a conjunção e vier repetida enfaticamente (polissíndeto). E volta, e recomeça, e se esforça, e consegue. quando a conjunção e assumir outros valores (adversidade, consequência etc.) Ele estudou muito, e não conseguiu passar. Esforçou-se muito, e conseguiu a aprovação. orações intercaladas São sempre separadas por vírgulas ou duplo travessão. Eu, disse o orador, não concordo. or.intercalada O problema das enchentes, disse o candidato, será prioritário. or. intercalada Ponto e vírgula O ponto e vírgula marca uma pausa mais longa que a vírgula, no entanto menor que a do ponto. Justamente por ser um sinal intermediário entre a vírgula e o ponto, fica difícil sistematizar seu emprego. Entretanto, há algumas normas para sua utilização. Emprega-se o ponto e vírgula para: separar orações coordenadas que já venham quebradas no seu interior por vírgula. Os indignados réus mostravam suas razões para as autoridades de forma firme; alguns, no entanto, por receio de punições, escondiam detalhes aos policiais. Ela prefere cinema; eu, teatro. Não esperava outra coisa; afinal, eu já havia sido avisado. Os indignados réus protestaram; os severos juízes, no entanto, não cederam. separar orações coordenadas que se contrabalançam em força expressiva (formando antítese, por exemplo). Muitos se esforçam; poucos conseguem. Uns trabalham; outros descansam. separar orações coordenadas que tenham certa extensão. Os excelentes jogadores de futebol olímpico reclamaram com razão das constantes críticas do técnico; porém o teimoso técnico ficou completamente indiferente aos constantes pedidos dos jogadores. separar os diversos itens de um considerando ou de uma enumeração. Considerando: a alta taxa de desemprego no país; a excessiva inflação; a recessão econômica; solicitamos especial atenção ao nosso pedido. Art. 92. São órgãos do pode Judiciário: o Supremo Tribunal Federal; o Superior Tribunal de Justiça; os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; os Tribunais e Juízes do Trabalho; os Tribunais e Juízes Eleitorais; os Tribunais e Juízes Militares; os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. (Constituição Federal) Dois pontos Os dois pontos marcam uma sensível suspensão da melodia de uma frase para introduzir algo bastante importante. Nesse sentido, utilizam-se os dois-pontos para: dar início a fala ou citação textual de outrem. Já dizia o poeta: “A vida é a arte do encontro...” “A portaabriu-se, um brado ressoou: Até que enfim, meu rapaz!” (Eça de Queirós – Os Maias) dar início a uma sequência que explica, esclarece, identifica, desenvolve ou discrimina uma ideia anterior. Descobri a grande razão da minha vida: você. Já lhe dei tudo: amor, carinho, compreensão, apoio. Tivemos uma ótima ideia: abandonar a sala. O resultado não se fez esperar: fomos chamados à diretoria. Aspas Empregam-se as aspas para: isolar citação textual colhida a outrem. Como afirma Caio Prado jr. em História Econômica do Brasil: “A questão da imigração europeia do século passado está intimamente ligada à da escravidão”. Diz Thomas Mann em A Montanha Mágica: “Todo caminho que trilhamos pela primeira vez é muito mais longo e difícil do que o mesmo caminho quando já o conhecemos”. Observe que os títulos de obras literárias ou artísticas devem vir entre aspas se o material é manuscrito ou datilografado; se o material é impresso, o procedimento normal é colocar o nome da obra em itálico. Verifique ainda que as aspas só aparecem depois da pontuação quando abrangem todo o período. “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti.” (Machado de Assis) Isolar palavras ou expressões estranhas à língua culta, tais como: gírias e expressões populares, estrangeirismos, neologismos, arcaísmos etc. Ele era um “gentleman”. Ele estava “numa boa”. O rapaz ficou “grilado” com o resultado. Emocionado, o rapaz deu-lhe um “ósculo” ardente. Mostrar que uma palavra está em sentido diverso do usual (geralmente, em sentido irônico). Fizeste “excelente” serviço. Sua ideia foi mesmo “fantástica”. OBS.: Podem-se ainda utilizar as aspas para dar destaque a uma palavra ou expressão. Já entendi o “porquê” do seu projeto; só não percebo “como” executá-lo. Podem-se ainda utilizar as aspas para dar destaque a uma palavra ou expressão. Já entendi o “porquê” do seu projeto; só não percebo “como” executá-lo. TravessãoPodem-se ainda utilizar as aspas para dar destaque a uma palavra ou expressão. Já entendi o “porquê” do seu projeto; só não percebo “como” executá-lo. O travessão simples ( ) serve para indicar que alguém está falando de viva voz (discurso direto). Emprega-se, pois, o travessão para marcar a mudança de interlocutor nos diálogos. “ De quem são as pernas? Da Madalena, respondeu Gondim. Quem? Uma professora. Não conhece? Bonita. Educada, atalhou João Nogueira. Bonita, disse outra vez Gondim. Uma lourinha aí, de uns trinta anos. Quantos?, perguntou João Nogueira. Uns trinta, pouco mais ou menos.” (Graciliano Ramos – São Bernardo) Pode-se usar o duplo travessão ( ) para substituir dupla vírgula, sobretudo quando se quer dar ênfase ou destaque ao termo intercalado. O ministro profundo conhecedor do mercado internacional está consciente das dificuldades. Machado de Assis grande romancista brasileiro também escreveu contos. Obs.: As orações intercaladas podem vir separadas por vírgulas ou duplo travessão. Eu, disse o eminente jurista, não aceito tal decisão. ou Eu disse o eminente jurista não aceito tal decisão. Reticências As reticências marcam uma interrupção da sequência lógica da frase. Podem ser usadas com valor estilístico, isto é, com a intenção deliberada de permitir que o leitor complete o pensamento que foi suspenso, ou para marcar fala quebrada e desconexa, própria de quem está nervoso ou inseguro. Eu não vou dizer mais nada. Você já deve ter percebido que ele... “Depois de um instante, Carlos lançou de lá, entre um rumor de água que caía: Não sei... Talvez... Logo te digo...” (Eça de queirós – Os Maias) Bem... Sabe... Pois é... Quer dizer... Não era bem assim... Sei lá... Usam-se também as reticências (de preferência, entre parênteses) para indicar que parte de uma citação foi omitida. “O sertanejo é (...) um forte.” (Euclides da Cunha – Os Sertões) “(...) nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.” (Machado de Assis – Dom Casmurro) “Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa (...)” (Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas) Parênteses Os parênteses servem para isolar explicações, indicações ou comentários acessórios. “Aborrecido, aporrinhado, recorri a um bacharel (trezentos mil-réis, fora despesas miúdas com automóveis, gorjetas, etc.) e embarquei vinte e quatro horas depois (...)” (Graciliano Ramos – São Bernardo) “Fui hoje cedo à casa deste último, apresentar desculpas (deve ter ficado aborrecido com a minha ausência no local determinado para o encontro) e repetir o convite para a pretendida visita.” (Cyro dos Anjos – O Amanuense Belmiro) “Ela (a rainha) é a representação viva da mágoa (...)” (Lima Barreto – Recordações do Escrivão Isaías Caminha) Q U E S T Õ E S D E C O N C U R S O Assinale a opção em que a pontuação está totalmente correta. Naquela empresa, acontecem fatos relevantes, o que, deve ser documentado, sempre. O país, em relação à política energética, deve adotar medidas eficientes para diversos setores. O país, deve adotar, em relação às fontes energéticas, recursos que propiciem eficiência no setor. Em relação ao problema do petróleo, urge, de imediato, que se adotem, medidas objetivas, rápidas e satisfatórias. Muitas empresas, surpresas com o elevado preço da gasolina, chegam, a prever, um racionamento em escala. Pontuação correta: A citação é antiga, “Trabalhar para progredir”. Leia dois autores, pelo menos; Machado, e Aluísio, por exemplo. Sempre aconselhou aos mais novos; lutam pela vida. Primeira regra do jogo; respeitar o adversário. Amado e Osman, escritores brasileiros; Camilo, português. Das redações abaixo, assinale a que não está pontuada corretamente: Os candidatos, em fila, aguardavam ansiosos o resultado do concurso. Em fila, os candidatos, aguardavam, ansiosos, o resultado do concurso. Ansiosos, os candidatos aguardavam, em fila, o resultado do concurso. Os candidatos ansiosos aguardavam o resultado do concurso, em fila. Os candidatos aguardavam ansiosos, em fila, o resultado do concurso. Assinale a alternativa que apresenta o emprego correto dos sinais de pontuação: Na Suíça, delegados de 103 países, grande parte deles com suas vestes africanas, determinaram a proibição total da caça aos elefantes. Na Suíça, delegados de 103 países, grande parte deles com suas vestes africanas, determinaram, a proibição total da caça aos elefantes. Na Suíça delegados de 103 países, grande parte deles com suas vestes africanas determinaram a proibição total, da caça aos elefantes. Na Suíça, delegados de 103 países, grande parte deles com suas vestes africanas determinaram a proibição, total da caça aos elefantes. Na Suíça, delegados de 103 países grande parte deles com suas vestes africanas determinaram, a proibição total da caça aos elefantes. Assinale o item que apresenta a pontuação correta: A hospitalidade tem dois aspectos: um geral, que se refere à convivência em sociedade e se confunde com o cerimonial e a etiqueta de cada povo; o outro, específico, que estabelece relações especiais entre anfitriões e convidados. Baseadas no código de honra do deserto, as relações de hospitalidade árabe, dão ao hóspede direitos exorbitantes. Os poetas árabes, que tanto cantaram as virtudes do perfeito anfitrião não dizem quase nada, a respeito dos hóspedes. Aquele que recebe a hospitalidade é ao mesmo tempo, um emir, um prisioneiro, e um poeta dizem os beduínos. A hospitalidade no entanto, não é medida pela abundância da comida, mas é particularmente, apreciada quando se pratica apesar dos meios limitados. (Trechos da Revista Correio da Unesco, com adaptações) Marque o texto em que ocorre erro de pontuação: O traço todo da vida é para muitos um desenho de criança esquecidodo homem, e ao qual este terá sempre de se cingir sem o saber. Os primeiros anos da vida foram portanto, os de minha formação instintiva ou moral,definitiva. Passei esse período inicial, tão remoto e tão presente, em um engenho de Pernambuco, minha província natal. A população do pequeno domínio, inteiramente fechado a qualquer ingerência de fora, como todos os outros feudos da escravidão, compunha-se de escravos, distribuídos pelos compartimentos da senzala, o grande pombal negro ao lado da casa de morada, e de rendeiros, ligados ao proprietário pelo benefício da casa de barro que os agasalhava ou da pequena cultura que ele lhes consentia em suas terras. No centro do pequeno cantão de escravos levantava-se a residência do senhor,olhando para os edifícios da moagem, e tendo por trás, em uma ondulação do terreno, a capela sob a invocação de São Mateus. (Joaquim Nabuco, com adaptações) Indique o trecho em que os sinais de pontuação estão bem empregados: O principal dado da pesquisa do DataFolha sobre a sucessão presidencial, publicada ontem, é o fato de que, pela primeira vez desde abril, os números indicam que haverá um segundo turno. O principal dado, da pesquisa do DataFolha, sobre a sucessão presidencial, publicada ontem, é o fato de que pela primeira vez, desde abril, os números indicam que haverá um segundo turno. O principal dado da pesquisa do DataFolha sobre a sucessão presidencial publicada ontem, é o fato de, que pela primeira vez, desde abril, os números indicam que haverá um segundo turno. O principal dado da pesquisa do DataFolha, sobre a sucessão presidencial, publicada ontem é o fato de, que pela primeira vez, desde abril, os números indicam que haverá um segundo turno. O principal dado da pesquisa do DataFolha sobre a sucessão presidencial publicada, ontem, é o fato de que pela primeira vez, desde abril os números indicam que haverá um segundo turno. Indique o período em que as vírgulas não isolam oração subordinada adjetiva: “Entre a história romanceada, que teve nova voga entre 1920 e 1940, situa-se parte da obra do escritor.” “Dentre os numerosos dialetos regionais usados no Sul da França, não há nenhum que, desde o início da Idade Média, tenha adquirido importância decisiva como língua literária.” “No fim do século XI constituiu-se uma língua de civilização, cujo o berço é a França Meridional, hoje denominada ‘provençal clássico’." “Os comediantes italianos, que vinham com frequência a Paris, representavam a comédia improvisada em torno de um esquema prévio: a ‘commedia dell’arte’." “Como consequência de tudo isso os gramáticos, que eram senhores absolutos da língua, impunham arbitrariamente regras cerebrinas.” Assinale a alternativa correta quanto à pontuação: Seguido pelo alcoolismo o tabagismo, encabeça a lista dos fatores de risco. O tabagismo encabeça, seguido pelo alcoolismo a lista dos fatores de risco. O tabagismo, seguido pelo alcoolismo, encabeça a lista dos fatores de risco. O tabagismo seguido pelo alcoolismo, encabeça a lista dos fatores de risco. O tabagismo encabeça seguido pelo alcoolismo, a lista dos fatores de risco. Assinale a alternativa correta quanto à pontuação: Foi assim, que Nassau a partir de Recife, dirigiu as terras e a população. Foi assim que, a partir de Recife Nassau dirigiu as terras e a população. Foi assim que Nassau dirigiu, a partir de Recife as terras e a população. Foi assim que, a partir de Recife, Nassau dirigiu as terras e a população. Foi assim, a partir de Recife que Nassau dirigiu as terras e a população. GABARITO B E B A A B A B C D QUESTÕES IBFC REVISÃO IBFC - 1 Texto I Ensinamento Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo: “Coitado, até essa hora no serviço pesado”. Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. Não me falou em amor. Essa palavra de luxo. (Adélia Prado) Em um texto, as palavras cumprem papel expressivo na construção de sentidos. Assim, indique o par de palavras que, no poema, funcionam como sinônimos. a) “fina” (v.2)/ “luxo” (v.10) b) “estudo” (v.1)/ “serviço” (v.7) c) “pão”(v.8)/ “café” (v.8) d) “tacho” (v.8)/ “água” (v.8) e) “dia” (v.5)/ “noite” (v.5) Após a leitura atenta do texto, deve-se entender o “Ensinamento”, a que o título faz referência, como a: a) utilização do estudo como possibilidade de diferenciação social b) valorização do trabalho através da dedicação do pai ao “fazer serão” c) importância das atitudes de amor representadas pelo cuidado da mãe com o pai d) irrelevância do trabalho doméstico diante da atividade desenvolvida pelo pai e) obrigatoriedade de observação do cotidiano familiar por parte dos filhos No texto, percebe-se a presença de mais de um ponto de vista. São eles: a) o do enunciador e o da mãe b) o da mãe e o do pai c) o do leitor e o da mãe d) o do enunciador e o do leitor e) o do enunciador e o do pai O último verso do texto emprega o pronome “essa” como recurso coesivo. Seu uso pode ser explicado uma vez que: a) antecipa uma ideia que será apresentada b) faz referência a algo próximo ao leitor c) sinaliza uma referência temporal d) resume elementos de uma enumeração e) retoma um termo citado anteriormente Em “Não me falou em amor.” (v.9), o pronome destacado participa da estrutura da oração exercendo a função sintática de: a) sujeito b) objeto direto c) complemento nominal d) objeto indireto e) adjunto adnominal Texto II Carnaval de trazer por casa Quinze dias antes já os olhos se colavam aos pés, com medo de uma queda que acabasse com o Carnaval. Subíamos e descíamos as escadas, como quem pisa algodão. [...] Nós éramos todas meninas. Tínhamos a idade que julgávamos ser eterna. Sonhávamos com os cinco dias mais prometidos do ano. A folia começava sexta-feira e só terminava terça quando as estrelas iam muito altas. Havia o cheiro das bombinhas que tinham um odor aproximado ao dos ovos podres e que se misturava com o pó do baile que se colava aos lábios. Que se ressentiam vermelhos de dor. Havia o cantor esganiçado em palco a tentar a afinação, que quase nunca conseguia: [...] Depois os bombos saíam à rua, noite fora, dia adentro. [...] E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético. E que o Carnaval ia estar sempre presente nas ruas estreitas da minha aldeia, assim, igual a si próprio, com os carros de bois a chiar pelas ruas, homens vestidos de mulheres com pernas cheias de pelos, mulheres vestidas de bebês, o meu pai vestido de François Mitterrand e eu com a certeza de que o mundo estava todo certo naqueles cinco dias, na minha aldeia. O outro, o que via nas televisões, não era meu. (FREITAS, Eduarda. Revista Carta Capital. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/carnaval-de-trazer-porcasa/?autor=40. Acesso em set. 2016.) A expressão “O outro”, presente no último parágrafo encerra uma oposição que deve ser entendida como: a) juventude e velhice b) televisão e paixão c) organização e desordem d) realidade e fantasia e) rapidez e eternidade No início do texto, ao dizer que “já os olhos se colavam aos pés”, emprega-se uma linguagem simbólica para reforçar o sentido pretendido. Isso ocorre por meio da seguinte figura de estilo: a) ironia b) metáfora c) metonímia d) antítese e) comparação Considere o fragmento abaixo para responder às questões 8 e 9 seguintes. “E na noite que transformava o frio do inverno no calor do Carnaval, eu tinha a certeza de que aquele som dos bombos fazia parte do meu código genético.” (1º§) A preposição destacada acima tem seu emprego justificado por uma relação de regência cujo termo regente é: a) eub) tinha c) certeza d) aquele e) som Há duas ocorrências do vocábulo “que” no trecho em análise. Contudo, possuem classificações morfológicas distintas. Assim, nota-se que, respectivamente, são: a) pronome relativo e conjunção integrante b) conjunção consecutiva e pronome interrogativo c) pronome relativo e conjunção explicativa d) conjunção integrante e pronome relativo e) conjunção explicativa e pronome relativo O texto expõe memórias coletivas através do olhar de um narrador. Assinale a opção em que se destaca um vocábulo que evidencie essa ideia de coletividade. a) “Quinze dias antes já os olhos se colavam aos pés” b) “Subíamos e descíamos as escadas, como quem pisa algodão.” c) “A folia começava sexta-feira e só terminava terça” d) “Que se ressentiam vermelhos de dor.” e) “E que o Carnaval ia estar sempre presente nas ruas estreitas” GABARITO A C A E D D B C A B REVISÃO IBFC - 2 Texto I Sinto-me um pouco intrusa vasculhando minha infância. Não quero perturbar aquela menina no seu ofício de sonhar. Não a quero sobressaltar quando se abre para o mundo que tão intensamente adivinha, nem interromper sua risada quando acha graça de algo que ninguém mais percebeu. Tento remontá-la aqui num quebra-cabeças que vai formar um retrato - o meu retrato? Certamente faltarão algumas peças. Mas, falhada e fragmentária, esta sou eu, e me reconheço assim em toda a minha incompletude. Algumas destas narrações já publiquei. São meu rebanho, e posso chamá-las de volta quando quiser. Muitas eu mesma vi e vivi; outras apanhei soltas no ar, pois sempre há quem se exponha a uma criança que finge não escutar nem enxergar muita coisa da sua vida ao rés-do-chão. Aqui onde estou - diante deste computador, nesta altura e deste ângulo -, afinal compreendo que não são as palavras que produzem o mundo, pois este nem ao menos cabe dentro delas. Assim aquela menina dançando no pátio na chuva não cabia no seu protegido cotidiano: procurava sempre o susto que viria além. Então enfiava-se atrás dos biombos da imaginação, colocava as máscaras e espiava o belo e o intrigante, que levaria o resto de sua vida tentando descrever. (Lya Luft, Mar de dentro, p. 13-14) O texto acima pode ser entendido como pertencente à tipologia narrativa. Desse modo, todos os elementos abaixo comprovam essa classificação, exceto: a) a presença de um narrador em primeira pessoa que relata, com parcialidade, os fatos e elementos descritos. b) referências espaciais como o estar “diante deste computador, nesta altura e deste ângulo”. c) A presença de personagens como “aquela menina no seu ofício de sonhar”. d) A defesa de um posicionamento que fica claro na oposição entre o adulto e a criança no texto. A leitura do texto, tomado em sua totalidade, permite inferir que: a) A postura intrusa, referida no primeiro parágrafo, refere-se à falta de permissão para entrar na casa da menina. b) As atitudes de uma pessoa são, invariavelmente, as mesmas, na infância ou na fase adulta. c) As narrações já publicadas pela narradora são sempre resultados de experiência que ela vivenciara na infância. d) O retrato fragmentado e a imagem de um “quebra-cabeças” são resultados de uma postura recordadora. No texto, alternam-se exemplos de conotação e denotação. Assinale a opção em que NÃO ocorre o emprego conotativo da linguagem. a) “São meu rebanho, e posso chamá-las de volta quando quiser.” (3°§) b) “outras apanhei soltas no ar, pois sempre há quem se exponha a uma criança”(3°§) c) “Aqui onde estou - diante deste computador, nesta altura e deste ângulo” (4°§) d) “Então, enfiava-se atrás dos biombos da imaginação, colocava as máscaras” (5°§) No texto, destaca-se o emprego de duas funções da linguagem. São elas: a) emotiva e poética b) apelativa e referencial c) metalinguística e fática d) referencial e emotiva No fragmento “Assim aquela menina dançando no pátio na chuva não cabia no seu protegido cotidiano: procurava sempre o susto que viria além.” (4°§), a autora deixa entrever uma característica da menina que pode ser entendida como: a) conformismo b) ousadia c) limitação d) insegurança Considere o trecho abaixo para responder às questões 6 e 7 seguintes: “Não a quero sobressaltar quando se abre para o mundo que tão intensamente adivinha, nem interromper sua risada quando acha graça de algo que ninguém mais percebeu.” (1°§) Os dois fragmentos destacados no trecho relacionam-se sintático-semanticamente. Assinale a opção que indica, corretamente, o tipo de relação sintática que há entre eles e o valor semântico explicitado. a) dependência sintática; oposição b) independência sintática; adição c) dependência sintática; tempo d) independência sintática; conclusão Assinale a opção em que se aponta, erroneamente, a análise sintática do termo indicado. a) “que tão intensamente adivinha” - objeto indireto b) “o mundo que tão intensamente” - adjunto adverbial c) “Não a quero sobressaltar” - objeto direto d) “ninguém mais percebeu” - sujeito Considerando o contexto, indique a opção em que haja um prefixo cujo valor semântico encontra-se, corretamente, indicado. a) “remontá-la” (2°§) - excesso b) “incompletude” (2°§) - posição intermediária c) “exponha”(3°§) - movimento de saída d) “rebanho” (3°§) – repetição Texto II A propaganda acima busca expressividade na apresentação do tema ao leitor. Desse modo, o recurso que MELHOR se destaca na construção de um efeito semântico é: a) o verbo “denuncie” flexionado no modo imperativo. b) o humor provocado pela imagem do urso com venda nos olhos. c) a palavra infantil que se relaciona com a imagem do urso. d) a ambiguidade provocada pela expressão “dá pena”. Considerando as normas para redação de correspondências oficiais e a estrutura desses documentos, assinale a opção em que se faz uma afirmação correta. a) O memorando é um documento utilizado para comunicação interna em uma empresa. b) Deve-se sempre usar o vocábulo “obrigado/a” como fecho de correspondências oficiais. c) Os números presentes no corpo do texto de uma ATA não devem vir escritos por extenso. d) Um parecer é um documento usualmente empregado para registraras decisões de uma reunião ou assembleia. GABARITO D D C A B B A C D A REVISÃO IBFC - 3 Texto O CAÇADOR DE PALAVRAS [...] Foi quando vi, no canto do balcão, ajudando a apoiar uma lata, um livro grosso. Fui até ele. Peguei. Era bem pesado. Saí do saguão, onde só entrava a luz do luar, e fui ao banheiro. Acendi a luz. No hall de entrada que levava aos dois toaletes, havia um sofazinho velho. Sentei, e abri o livro. Era um dicionário com a origem e o significado das palavras. No primeiro instante, pensei: – Bem que eu preferia um livro policial! Puro engano. Só para me distrair, comecei a folheá-lo. Pouco a pouco, fui sendo envolvido pelo universo fascinante das palavras. Elas começaram a brilhar para mim como estrelas no céu. Da mesma forma que todas as pessoas, sempre vivi cercado por verbos, substantivos, adjetivos. Com eles, dei forma a sentimentos, expressei vontades, descobri risos, comuniquei emoções. Mas, assim como não se pensa conscientemente nos dedos cada vez que se pega um garfo, também não me detinha nas palavras. Elas faziam parte de mim como os olhos, os cabelos e as unhas. Eram tão enredadas no cotidiano como o elevador do prédio, o ônibus, o cartão de ponto. Apesar de fluírem através da vida com tanta facilidade quanto o ar que respirava, as palavras eram um instrumento que eu usava mecanicamente. De repente, tudo mudou. Naquela noite, descobri que as palavras guardam histórias. Percorrem os tempos, registrando emoções, atravessam vidas. Entendi, pela primeira vez, o fascínio dos poetas ao brincar com elas,criando versos e rimas que trazem os sons das marés, a cadência dos sentimentos, o colorido das primaveras. A paixão de quem faz letras de músicas, sonoras por si sós, onde as palavras remetem umas às outras, dançam entre si. Senti o encanto dos escritores, que as usam para criar mundos e vidas, como se fossem bilhetes para viagens fulgurantes. E, então, eu também me apaixonei, porque descobri, mais que tudo, o quanto as palavras são vivas. [...] Descobri que as palavras ganham e perdem significados, como se fossem pedaços de argila modeláveis com a história de cada povo. Alguém hoje fala em camisinha para dizer que a camisa está pequena? Mais que isso: outdoors, panfletos, livros, falam abertamente na importância dos preservativos. No entanto, houve época em que a simples menção da camisa-de-vênus — nome dado por nossos avós à camisinha — era motivo de escândalo, principalmente diante de uma dama. Quantos duelos terão sido travados por isso? Aquela noite mudou minha forma de ser. Passei horas lendo o dicionário, e quando amanheceu eu estava absolutamente encantado. Entrou um servente com um balde. Ele me olhou espantado: jamais esperaria encontrar alguém lendo de madrugada, na porta do banheiro, dentro do cinema. Aproveitei sua surpresa para me levantar e sair sem dar maiores explicações. Levei o dicionário comigo. Como um livro tão fascinante podia estar sendo usado como apoio para uma reles lata de biscoitos? [...] Finalmente, podia escrever nas páginas em branco da minha vida. Eu tinha me apaixonado pelas palavras. [...] CARRASCO, Walcyr. O caçador de palavras. São Paulo: Ática, 1993.) 0 narrador termina o texto afirmando que tinha se apaixonado pelas palavras. A partir de uma leitura atenta, é correto afirmar que esse sentimento fora provocado em função de o narrador: a) nunca ter lido um dicionário anteriormente por preferir romances policiais. b) ter percebido o dinamismo das palavras que ganham e perdem significados. c) ter vivido cercado por verbos, substantivos e adjetivos para expressar-se. d) ter feito uma leitura despretensiosa, de madrugada, no hall de entrada do cinema. Para alcançar maior expressividade em seu texto, o autor lança mão da linguagem figurada. Assinale a única opção que NÃO ilustra um exemplo desse recurso. a) "Elas começaram a brilhar para mim como estrelas no céu." (4°§) b) "onde as palavras remetem umas às outras, dançam entre si." (6º§) c) "jamais esperaria encontrar alguém lendo de madrugada,"(8º§) d) "Finalmente, podia escrever nas páginas em branco da minha vida." (9º§) Em um texto, as palavras ganham sentido de acordo com o contexto em que estão inseridas. Nesse sentido, em “Eram tão enredadas no cotidiano como o elevador do prédio” (4º§), o vocábulo em destaque deve ser entendido como: a) necessárias b) envolvidas c) custosas d) raras As três últimas frases do primeiro parágrafo são curtas. Sobre elas, só NÃO é correto afirmar que: a) Todas constituem exemplos de orações absolutas. b) A pontuação contribui para enfatizar as informações. c) A última frase revela uma impressão do narrador. d) Todas as três frases apresentam o mesmo sujeito. Em "Com eles, dei forma a sentimentos, expressei vontades, descobri risos, comuniquei emoções." (4º§), o vocábulo em destaque é uma preposição. Assinale a opção que indica, corretamente, a razão essencial da não ocorrência de crase nesse exemplo. a) o termo seguinte é um substantivo masculino b) o termo seguinte está flexionado no plural c) o termo anterior é um substantivo feminino d) o termo anterior está flexionado no singular O pronome demonstrativo destacado em "Aquela noite mudou minha forma de ser.", permite ao leitor concluir que houve uma referência: a) temporal, apontando um fato já ocorrido. b) espacial, indicando a proximidade do narrador. c) temporal, indicando um fato simultâneo à narração. d) espacial, situando o leitor no cenário descrito. Sobre os termos destacados em "Só para me distrair, comecei a folheá-lo" (4º§), pode-se afirmar que possuem: a) o mesmo referente pronominal e funções sintáticas distintas. b) mesma função sintática e referem-se à mesma pessoa do discurso. c) funções sintáticas distintas e referem-se a pessoas do discurso diferentes. d) mesma função sintática e referentes pronominais distintos. No trecho "Como um livro tão fascinante podia estar sendo usado como apoio para uma reles lata de biscoitos?" (9º§), o autor explora a oposição entre o livro e a função que lhe fora atribuída. Essa oposição é evidenciada pela seguinte classe gramatical: a) advérbio b) substantivo c) adjetivo d) artigo Em “Aproveitei sua surpresa para me levantar" (8º§), atentando-se para o contexto em que tal fragmento está inserido, percebe-se que se trata da surpresa: a) do narrador b) do servente c) do leitor d) do autor No sétimo parágrafo, a expressão destacada, em "No entanto, houve época em que a simples menção da camisa de vênus", introduz o seguinte valor semântico: a) alternância b) explicação c) conclusão d) oposição GABARITO B C B D A A D C B D REVISÃO IBFC - 4 Para responder às questões de 1 a 4, leia o texto abaixo. A pipoca Rubem Alves A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé... A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panelasobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas! E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante. Na simbologia cristã, o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. "Morre e transforma-te!" — dizia Goethe. Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira... "Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu". Quanto à ideia central do texto, assinale a alternativa correta: a) A intencionalidade discursiva do autor é divagar sobre a culinária e a origem da pipoca. b) A pipoca é usada como metáfora para a transformação de pessoas fisicamente feias em bonitas. c) O autor emprega a palavra “piruá” para pessoas duras que não se transformam em algo melhor. d) O autor considera que só as pessoas não religiosas tornam-se piruás. Assinale a alternativa que indica outra forma correta de se reescrever o período abaixo: Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella. a) Me lembrei, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella. b) Lembrei, então, a lição que aprendi com a Mãe Stella. c) Lembrei-me, então, lição que aprendi com a Mãe Stella. d) Lembrei , então, de lição que aprendi com a Mãe Stella Considere o período abaixo: Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. O pronome isso refere-se: a) Ao fato de haver milhos mirrados. b) Ao modo como foi “inventada” a pipoca. c) Ao sentido religioso da pipoca. d) Aos grãos que não estouram no fogo. Assinale a alternativa que indica corretamente a classe gramatical da palavra destacada no trecho abaixo: Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. a) Substantivo. b) Adjetivo. c) Advérbio. d) Verbo. Considere as orações abaixo: I. Nesta semana, eu já tinha chegado tarde ao escritório. II. Ele deixou claro a sua opinião. De acordo com a norma culta, a) somente I está correta. b) somente II está correta. c) I e II estão corretas. d) nenhuma está correta. Assinale a alternativa em que a palavra deve ser obrigatoriamente acentuada: a) Publica. b) Ironia. c) Maléfico. d) Analise. Considere o período e as afirmações abaixo. A adoção de projetos bem elaborados fazem-se necessários para o bem da comunidade. I. Há um erro de concordância nominal. II. Há um erro de concordância verbal. Está correto o que se afirma em a) somente I. b) somente II. c) I e II. d) nenhuma. Considere o período e as afirmações abaixo: O jovem aspirava em seus sonhos, uma vida muito confortável. I. A pontuação está correta. II. Há um problema de regência verbal. Está correto o que se afirma em a) somente I. b) somente II. c) I e II. d) nenhuma. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas: Não diga ____ ela que eu fui ______ academia. a) a – à b) a – a c) à – à d) à – a Considere o período e as afirmações abaixo: Meu amigo, nunca encontrei-o tão preocupado! I. A colocação pronominal está incorreta. II. A pontuação está correta. Está correto o que se afirma em a) somente I. b) somente II. c) I e II. d) nenhuma. GABARITO C B B B A C C B A C REVISÃO IBFC - 5 Texto I Encontro Com atenção não seria difícil descobrir pequenas mudanças: os cabelos mais claros, e entretanto com menos luz e vida; a boca pintada com um desenho diferente, e o batom mais escuro. Impossível negar uma tênue, fina ruga – quase estimável. Mas naquele instante, diante da amiga amada que não via há muito tempo, não eram essas pequenas coisas que intrigavam o seu olhar afetuoso e melancólico. Havia certa mudança imponderável,e difícil de localizar – a voz ou o jeito de falar, o tom ao mesmo tempo mais desembaraçado e mais sereno? E mesmo no talhe do corpo (o pequeno cinto vermelho era, pensou ele, uma inabilidade: aumentava-lhe a cintura), na relação entre o corpo e os membros, havia uma sutil mudança. Sim, ela estava mais elegante, mais precisa em seu desenho, mas perdera alguma indizível graça elástica do tempo em que não precisava fazer regime para emagrecer e era menos consciente de seu próprio corpo, como que o abandonava com certa moleza, distraída das próprias linhas e dos gestos cuja beleza imprevista ele fora descobrindo devagar, com uma longa delícia. Por um instante, enquanto conversava com outras pessoas presentes assuntos sem importância, ele tentou imaginar que impressão teria agora se a visse pela primeira vez, se aquela imagem não estivesse, dentro de seus olhos e de sua alma, fundida a tantas outras imagens dela mesma perdidas no espaço e no tempo. Não tinha dúvida de que a acharia muito bonita, pois ela continuava bela, talvez mais bem vestida; não tinha dúvida mesmo de que, como da primeira vez que a vira, receberia sua beleza como um choque, uma bênção e um leve pânico, tanto a sua radiosa formosura dá uma vida e um sentido novo a qualquer ambiente, traz essa vibração especial que só certas mulheres realmente belas produzem. Mas de algum modo esse deslumbramento seria diferente do antigo – como se ela estivesse mais pessoa, com mais graça e finura de mulher, menos graça e abandono de animal jovem. O grupo moveu-se para tomar lugar em uma mesa no fundo do bar. Ele andou a seu lado um instante (como tinham andado lado a lado!) mas não quis sentar, recusou o convite gentil, sentia-se quase um estranho naquela roda. Despediu-se. E quando estendeu a mão àquela que tanto amara, e recebeu, como antigamente, seu olhar claro e amigo, quase carinhoso, sentiu uma coisa boa dentro de si, uma certeza de que nem tudo se perde na confusão da vida e que uma vaga mas imperecível ternura é o prêmio dos que muito souberam amar. (BRAGA, Rubem. O verão e as mulheres. Rio de Janeiro, ed. Record, 10ª ed., 2008) O texto trata de um encontro e compara a imagem de uma mulher em dois momentos distintos. Sobre essa comparação, assinale a opção em que se faz um comentário correto. a) Uma graça de mulher substituíra o abandono de animal jovem do passado. b) A nova cor dos cabelos e o modo de pintar a boca representam a efetiva mudança. c) O jeito de falar, desembaraçado e sereno, mantivera-se igual ao da adolescência. d) Por estar mais elegante no presente, disfarçara a falta de beleza do passado. As orações subordinadas adverbiais são importantes elementos no texto, uma vez que apontam circunstâncias, evidenciando valores semânticos. Com base nisso, considere o contexto e assinale a opção em que o sentido atribuído à oração em destaque NÃO está correto. a) “tempo em que não precisava fazer regime para emagrecer” – FINALIDADE (3º§) b) “Por um instante, enquanto conversava com outras pessoas...” – TEMPO (4º§) c) “que impressão teria agora se a visse pela primeira vez” – CONCESSÃO (4º§) d) “se aquela imagem não estivesse, dentro de seus olhos e de sua alma” – CONDIÇÃO (4º§) Em “E quando estendeu a mão àquela que tanto amara” (5º§), há uma ocorrência de crase sobre a qual faz-se o seguinte comentário corretamente: a) Trata-se de um caso facultativo em função do pronome demonstrativo. b) Não deveria ocorrer em função da falta da preposição “a” explícita. c) O acento grave deveria ser deslocado para o “a” que precede o termo “mão”. d) Ocorre devido à regência do verbo estender e sua relação com o termo regido. No segundo parágrafo, ao caracterizar o uso do pequeno cinto vermelho como “uma inabilidade”, o autor revela um pensamento que: a) sinaliza a impressão do leitor sobre a amiga descrita. b) indica que a sua visão é diferente da do personagem. c) aponta o modo como a mulher se via na maturidade. d) retrata uma crítica do personagem em relação à amiga. O emprego da construção destacada em “Mas naquele instante, diante da amiga amada” (1º§), permite ao leitor concluir que se trata de: a) um momento posterior ao da enunciação. b) uma referência ao passado. c) uma ação simultânea à enunciação. d) uma ação descrita como possibilidade. No fragmento “Impossível negar uma tênue, fina ruga – quase estimável” (1º§), todos os adjetivos listados abaixo possuem o mesmo referente, EXCETO: a) “Impossível” b) “tênue” c) “fina” d) “estimável” O sentido de algumas palavras pode ser inferido pelo contexto. Assim, em “E mesmo no talhe do corpo” (2º§), o vocábulo em destaque deve ser entendido como: a) charme b) ânimo c) porte d) cuidado Assinale a opção em que NÃO se destaca um exemplo de locução adverbial. a) “Com atenção não seria difícil descobrir” (1º§) b) “Por um instante, enquanto conversava com outras pessoas” (4º§) c) “para tomar lugar em uma mesa no fundo do bar.” (5º§) d) “é o prêmio dos que muito souberam amar.” (5º§) Considere as ocorrências de pronomes oblíquos átonos nos seguintes fragmentos retirados do 5º parágrafo do texto. Em seguida, assinale a alternativa que faz um comentário correto quanto à adequação da colocação desses pronomes em relação à Norma Padrão. I. O grupo moveu-se para tomar lugar” II. “recusou o convite gentil, sentia-se quase um estranho” III. “Despediu-se.” IV. “uma certeza de que nem tudo se perde” a) Apenas I e III estão corretas. b) Todas estão corretas. c) Apenas I e II estão corretas. d) Apenas a III está correta. Texto II Ao ser indagado a respeito de si, o personagem descreve-se empregando todos os recursos linguísticos apontados abaixo, EXCETO: a) verbo de ligação b) adjetivo c) pronomes oblíquos d) verbos de ação GABARITO A C D D B A C D B C REVISÃO IBFC - 6 Texto Sobre a Escrita... (Clarice Lispector) Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras. Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes. Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento quepode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem. Clarice Lispector, em sua crônica, propõe-nos uma reflexão cujo teor central é demonstrar a relação conflitante entre as palavras, que chega a ser paradoxal, excludente. Tal relação está MELHOR representada em: a) “Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? “ (1º§) b) “Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever.” (7º§) c) “Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada.” (4º§) d) “Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida.” (4º§) Na frase “O som de minha máquina é macio.” (1º§), evidencia-se a seguinte figura de estilo: a) Metáfora b) Metonímia c) Sinestesia d) Sinédoque Apesar da densidade de suas reflexões, é possível afirmar que Clarice Lispector utiliza-se de alguns recursos linguísticos que tornam a crônica mais palatável ao leitor. Dessa forma, assinale a opção em que NÃO apareça um desses recursos: a) Predomínio de linguagem informal b) Primeira pessoa gramatical c) Analogias d) Questionamentos Em “Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. “ (4º§), a palavra em destaque tem sua classificação morfológica corretamente indicada em: a) artigo definido b) pronome oblíquo c) preposição d) pronome demonstrativo Assinale a alternativa que apresenta um comentário INCORRETO sobre a sintaxe da oração “Simplesmente não há palavras.” (5º§). a) Por ser impessoal, o verbo haver constitui uma oração sem sujeito. b) Trata-se de uma oração absoluta. c) Há dois adjuntos adverbiais na estrutura oracional. d) Há duas orações: uma de sujeito indeterminado e outra de sujeito simples. Na frase “A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som.”(1º§), o vocábulo em destaque é uma conjunção que, ao relacionar orações, introduz o valor semântico de: a) concessão b) consequência c) conformidade d) causa A partir de uma leitura atenta do texto, é possível inferir, sobre a relação da cronista com a palavra, todas as afirmações abaixo, EXCETO: a) Pode-se dizer mais, dizendo muito menos. b) Destaca-se o não dito em detrimento do que é dito. c) A música e a palavra sensibilizam as mais diferentes espécies. d) A capacidade de nomear permite a palavra materializar sentimentos. Considere o trecho abaixo para responder às questões 8 e 9 seguintes. “A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito.” (1º§) Ao longo do fragmento, a autora faz referência ao vocábulo “palavra” grafando-o ou ainda o substituindo por outros termos. Contudo, em uma dessas referências, percebe-se uma inadequação gramatical que pode ser entendida em função: a) de um desvio de regência verbal b) da ausência de paralelismo sintático c) da inadequação da colocação pronominal d) da falta de concordância na flexão de número A construção “como se lançam dados” equivale, semanticamente a: a) como dados são lançados b) como lançavam dados c) como dados lançam a si mesmos d) como um dado lança-se sobre outro No penúltimo parágrafo do texto, a autora emprega as palavras “crepúsculo” e “aurora”. Contextualmente, seus significados apontam para que se apreenda um par de vocábulos: a) equivalentes b) opostos c) complementares d) idênticos GABARITO B C A D D B C D A B REVISÃO IBFC - 7 Para responder às questões de 1 a 3, leia o texto abaixo. As raízes do racismo Drauzio Varella Somos seres tribais que dividem o mundo em dois grupos: o "nosso" e o "deles". Esse é o início de um artigo sobre racismo publicado na revista "Science", como parte de uma seção sobre conflitos humanos, leitura que recomendo a todos. Tensões e suspeições intergrupais são responsáveis pela violência entre muçulmanos e hindus, católicos e protestantes, palestinos e judeus, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, corintianos e palmeirenses. Num experimento clássico dos anos 1950, psicólogos americanos levaram para um acampamento adolescentes que não se conheciam. Ao descer do ônibus, cada participante recebeu aleatoriamente uma camiseta de cor azul ou vermelha. A partir desse momento, azuis e vermelhos faziam refeições em horários diferentes, dormiam em alojamentos separados e formavam equipes adversárias em todas as brincadeiras e práticas esportivas. A observação precisou ser interrompida antes da data prevista, por causa da violência na disputa de jogos e das brigas que irrompiam entre azuis e vermelhos. Nos anos que se seguiram, diversas experiências semelhantes, organizadas com desconhecidos reunidos de forma arbitrária, demonstraram que consideramos os membros de nosso grupo mais espertos, justos, inteligentes e honestos do que os "outros". Parte desse prejulgamento que fazemos "deles" é inconsciente. Você se assusta quando um adolescente negro se aproxima da janela do carro, antes de tomar consciência de que ele é jovem e tem pele escura, porque o preconceito contra homens negros tem raízes profundas. Nos últimos 40 anos, surgiu vasta literatura científica para explicar por que razão somos tão tribais. Que fatores em nosso passado evolutivo condicionaram a necessidade de armar coligações que não encontram justificativa na civilização moderna? Por que tanta violência religiosa? Qual o sentido de corintianos se amarem e odiarem palmeirenses? Seres humanos são capazes de colaborar uns com os outros numa escala desconhecida no reino animal, porque viver em grupo foi essencial à adaptação de nossa espécie. Agrupar-se foi a necessidade mais premente para escapar de predadores, obter alimentos e construir abrigos seguros para criar os filhos. A própria complexidade do cérebro humano evoluiu, pelo menos em parte, em resposta às solicitações da vida comunitária. Pertencer a um agrupamento social, no entanto, muitas vezes significou destruir outros. Quando grupos antagônicos competem por território e bens materiais, a habilidade para formar coalizões confere vantagens logísticas capazes de assegurar maior probabilidade de sobrevivência aos descendentes dos vencedores. A contrapartida do altruísmo em relação aos "nossos" é a crueldade dirigida contra os "outros". Na violência intergrupal do passado remoto estão fincadas as raízes dos preconceitos atuais. As interações negativas entre nossos antepassados deram origem aos comportamentos preconceituosos de hoje, porque no tempo deles o contato com outros povos era tormentoso e limitado. Foi com as navegações e a descoberta das Américas que indivíduos de etnias diversificadas foram obrigados a conviver, embora de forma nem sempre pacífica. Estaria nesse estranhamento a origem das idiossincrasias contra negros e índios, por exemplo, povos fisicamente diferentes dos colonizadores brancos. Preconceito racial não é questão restrita ao racismo, faz parte de um fenômeno muito mais abrangente que varia de uma cultura para outra e que se modifica com o passar do tempo. Em apenas uma geração, o apartheid norte-americano foi combatido a ponto de um negro chegar à Presidência do país. O preconceito contra "eles" cai mais pesado sobre os homens, porque eram do sexo masculino os guerreiros que atacavam nossos ancestrais. Na literatura, essa constatação recebeu o nome de hipótese do guerreiro masculino. A evolução moldou nosso medo de homens que pertencem a outros grupos. Para nos defendermos deles, criamos fronteiras que agrupam alguns e separam outros em obediência a critérios de cor da pele, religião, nacionalidade, convicções políticas, dialetos e até times de futebol. Demarcada a linha divisória entre "nós" e "eles", discriminamos os que estão do lado de lá. Às vezes com violência. Considere as afirmações abaixo.I. O autor afirma que a ciência comprova que há, naturalmente, grupos superiores a outros e isso justifica o racismo. II. O autor afirma que apenas os homens tribais, não evoluídos, apresentam preconceito. Está correto o que se afirma em a) somente I b) somente II c) I e II d) nenhuma Considere as afirmações abaixo. I. De acordo com o texto, o homem tem tendência a se agrupar, tendo como base sempre a cor da pele e as características físicas. II. O intuito da experiência científica dos psicólogos americanos na década de 1950 era obter dados que ajudassem a descrever o comportamento humano. Está correto o que se afirma em a) somente I b) somente II c) I e II d) nenhuma Considere o período e as afirmações abaixo. Estaria nesse estranhamento a origem das idiossincrasias contra negros e índios, por exemplo, povos fisicamente diferentes dos colonizadores brancos. I. O uso do futuro do pretérito do verbo “estar” indica falta de certeza quanto à origem do preconceito contra outros povos. II. O adjetivo “idiossincrasias” pode ser substituído, sem alteração de sentido, por agressões. Está correto o que se afirma em a) somente I b) somente II c) I e II d) nenhuma Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas. I. O médico atende _____ cinco anos naquela clínica. II. Devemos obedecer _____ regras do hospital. a) a – as b) a – às c) há – às d) há – as Considere as orações abaixo. I. É necessário calma. II. Conhecemos lugares o mais lindos possível. A concordância está correta em a) somente I b) somente II c) I e II d) nenhuma Considere as orações abaixo e assinale a alternativa correta. I. O rápido garoto terminou o exercício. II. O garoto anda muito rápido. a) Em I e II, “rápido” é um advérbio. b) Em I e II, “rápido” é um adjetivo. c) Em I, “rápido” é advérbio e, em II, é adjetivo. d) Em I, “rápido” é adjetivo e, em II, é advérbio. Considere o período e as afirmações abaixo. Os estudantes que praticam atividades físicas sempre sentem-se mais dispostos. I. Se a oração subordinada fosse colocada entre vírgulas, não haveria qualquer alteração de sentido. II. Deveria ter sido usada a próclise. Está correto o que se afirma em a) somente I b) somente II c) I e II d) nenhuma Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas. I. Há um conflito, pois as ideias dele vão __________ minhas. II. O doutor não estava ___________ do caso. a) de encontro às – a par b) de encontro às – ao par c) ao encontro das – a par d) ao encontro das – ao par Considere as orações abaixo. I. Prescreveu-se vários medicamentos. II. Trata-se de doenças graves. A concordância está correta em a) somente I b) somente II c) I e II d) nenhuma Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas. I. Espera-se que o rapaz tenha bom ________. II. O paciente corre risco __________. a) censo – eminente b) censo – iminente c) senso – eminente d) senso – iminente GABARITO D B A C C D B A B D REVISÃO IBFC - 8 Texto Primeira classe (Moacyr Scliar) Durante anos, o homem teve um sonho: queria viajar de avião na primeira classe. Na classe econômica, ele, executivo de uma empresa multinacional, era um passageiro habitual; e, quando via a aeromoça fechar a cortina da primeira classe, quando ficava imaginando os pratos e as bebidas que lá serviam, mordia-se de inveja. Talvez por causa disso trabalhava incansavelmente; subiu na vida, chegou a um cargo de chefa que, entre outras coisas, dava-lhe o direito à primeira classe nos voos. E assim, um dia, ele embarcou de Nova Délhi, onde acabara de concluir um importante negócio, para Londres. E seu lugar era na primeira classe. Seu sonho estava se realizando. Tudo era exatamente como ele imaginava: coquetéis de excelente quantidade, um jantar que em qualquer lugar seria considerado um banquete. Para cúmulo da sorte, o lugar a seu lado estava vazio. Ou pelo menos estava no começo do voo. No meio da noite acordou e, para sua surpresa, viu que o lugar estava ocupado. Achou que se tratava de um intruso; mas, em seguida, deu-se conta de que algo anormal ocorria: várias pessoas estavam ali, no corredor, chorando e se lamentando. Explicável: a passageira a seu lado estava morta. A tripulação optara por colocá-la na primeira classe exatamente porque, naquela parte do avião, havia menos gente. Sua primeira reação foi exigir que removessem o cadáver. Mas não podia fazer uma coisa dessas, seria muita crueldade. Por outro lado, ter um corpo morto a seu lado horrorizava-o. Não havendo outros lugares vagos na primeira classe, só lhe restava uma alternativa: levantou-se e foi para a classe econômica, para o lugar que a morta, havia pouco, ocupara. Ou seja, ao invés de um upgrade, ele tinha recebido, ainda que por acaso, um downgrade. Ali ficou, sem poder dormir, claro. Porque, depois que se experimenta a primeira classe, nada mais serve. Finalmente, o avião pousou, e ele, arrasado, dirigiu-se para a saída, onde o esperavam os parentes da falecida para agradecer-lhe. Disse um deles, que se identificou como filho da senhora: “Minha mãe sempre quis viajar de primeira classe. Só conseguiu morta graças à sua compreensão. Deus lhe recompensará”. Que tem seu lugar garantido no céu, isso ele sabe. Só espera chegar lá viajando de primeira classe. E sem óbitos durante o voo. A partir de uma leitura global do texto, assinale a alternativa correta. a tripulação do avião resolveu colocar a passageira morta na primeira classe porque sabia que esse seria o desejo dela. embora tenha ocorrido um óbito durante o voo, a narrativa privilegia o desejo de voar na primeira classe do personagem principal. o negócio importante fechado pelo personagem principal em Nova Délhi só foi possível porque ele viajaria de primeira classe. no voo em questão, tanto a primeira classe quanto a econômica possuíam inúmeros lugares vazios. a gratidão dos parentes foi justa porque o personagem principal foi o responsável pela colocação, na primeira classe, da mulher morta. Considere as palavras destacadas na frase abaixo e assinale a alternativa em que se indica, respectivamente e de modo correto, sua classificação morfológica. “Durante anos, o homem teve um sonho: queria viajar de avião na primeira classe.” (1º§) numeral e numeral. numeral e pronome. artigo e numeral. pronome e numeral. artigo e pronome. Com a frase “Ou pelo menos estava no começo do voo.”, que introduz o terceiro parágrafo, o autor sugere ao leitor que a situação descrita anteriormente: seria alterada. era muito comum. fora preservada. não agradava. era merecida. Embora não sejam originariamente vocábulos da Língua Portuguesa, as palavras “upgrade” e “downgrade”, presentes no quarto parágrafo, têm seus sentidos apreendidos, mantendo uma relação entre si. Assim, pelo contexto, devem ser entendidas como termos: equivalentes. complementares. polivalentes. opostos. pejorativos. No terceiro parágrafo, a oração “A tripulação optara por colocá-la na primeira classe” pode ser reescrita de várias outras formas sem grandes alterações de sentido. Assinale a opção em que, ao reescrever, comete-se um erro no emprego dos pronomes. Ela foi colocada na primeira classe pela tripulação. Os membros da tripulação colocaram-na na primeira classe. A tripulação colocou-a na primeira classe. A tripulação colocá-la-ia na primeira classe. A tripulação optou por colocar ela na primeira classe. Considere o fragmento transcrito abaixo para responder às questões 6 e 7 seguintes. Ali ficou, sem poder dormir, claro. Porque, depois que se experimenta a primeira classe, nada mais serve.(5º§) As palavras ganham sentido no contexto em queestão inseridas. Desse modo, pode-se concluir que o advérbio “Ali” é uma expressão locativa que faz referência: à primeira classe. ao avião. à classe econômica. a Nova Délhi. ao aeroporto. A conjunção destacada no trecho introduz o valor semântico de: consequência. tempo. concessão. finalidade. causa. No último parágrafo, o trecho “Que tem seu lugar garantido no céu” ilustra uma figura de linguagem conhecida como: hipérbole. personificação. metonímia. eufemismo. comparação. A flexão de alguns verbos, sobretudo os irregulares, pode causar confusão. O verbo “quis”, presente em “Minha mãe sempre quis viajar” (5º§) é um exemplo típico. Nesse sentido, assinale a alternativa em que se indica INCORRETAMENTE a sua flexão. queres – Presente do Indicativo. queria – Futuro do Pretérito do Indicativo. quisera – Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo. queira – Presente do Subjuntivo. quisesse – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo. A análise sintática da oração “entre outras coisas, dava-lhe o direito à primeira classe nos voos.” (1º§) permite concluir que o termo preposicionado em destaque exerce a função de: objeto direto. adjunto adverbial. complemento nominal. objeto indireto. predicativo. GABARITO 1. B 2. A 3. A 4. D 5. E 6. C 7. E 8. D 9. B 10. C REVISÃO IBFC – 9 Texto I Entre palavras Entre coisas e palavras – principalmente palavras – circulamos. A maioria delas não figura nos dicionários de há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se tornar conhecimento de novas palavras e combinações de. Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô; talvez ele não entenda o que você diz. O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o diafone, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940? Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a motoneta, a Velosolex, o biquíni, o módulo lunar, o antibiótico, o enfarte, a acupuntura, a biônica, o acrílico, o tá legal, o apartheid, o som pop, a arte pop, as estruturas e a infraestrutura. Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex, o bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem. Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servomecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a Futurologia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a Unesco, o Isop, a OEA, e a ONU. Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglomerado, a diagramação, o ideologema, idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica. Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tensora, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster, filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da girafa, poluição. Fundos de investimento, e daí? Também os incentivos fscais. Know-how. Barbeador elétrico de noventa microrranhuras. FenoliteBaquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados. Viagens pelo crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh! Pow! Click! Não havia nada disso no Jornal do tempo do Venceslau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo geral A enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre palavras circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado? (Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988) Uma leitura atenta do texto permite ao leitor inferir, quanto ao potencial nomeador das palavras, que: a) as expressões de uso técnico não podem ser entendidas por um falante comum. b) as tecnologias inventadas são consideradas inovações em qualquer época. c) uma vez construído um sentido para a palavra, ela não pode ter outros. d) as coisas sempre existiram, faltava ao homem apenas nomeá-las. e) as classificações econômicas foram culturalmente construídas. Com o objetivo de aproximar-se do leitor do texto, o autor faz uso de vários mecanismos linguísticos. Assinale, dentre os listados abaixo, o único que não seria uma ferramenta de interlocução. a) O emprego do pronome de tratamento “Você” (2º§). b) O uso de formas verbais de imperativo como em “Ponha” (3º§). c) A pergunta retórica “Só?” presente no quarto parágrafo. d) O advérbio de negação “Não” no início do último parágrafo. e) A presença do advérbio “aí ” no terceiro parágrafo. Assinale a alternativa correta. A opção de Drummond pelo modo como escolheu organizar seu texto cumpre papel expressivo e essa escolha é melhor representada pela seguinte passagem do texto: a) “A maioria delas não figura nos dicionários de há trinta anos” (1º§). b) “Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo” (3º§). c) “A enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer.” (6º§). d) “Não havia nada disso no Jornal do tempo do Venceslau Brás,” (6º). e) “Olhe aí na fila – quem?” (5º§). No segundo parágrafo, o vocábulo destacado, em “Você que me lê, preste atenção”, cumpre papel coesivo e é classificado, morfologicamente, como: a) pronome relativo. b) conjunção integrante. c) pronome interrogativo. d) conjunção coordenativa. e) pronome demonstrativo. Ao encerrar seu texto, Drummond reforça a ampla importância atribuída às palavras na existência humana. Na oração “e palavras somos”, o termo destacado ganha expressividade ao exercer a função sintática de: a) objeto direto. b) sujeito. c) predicativo do sujeito. d) adjunto adverbial. e) adjunto adnominal. Em “Entre palavras circulamos, vivemos, morremos,” (6º§), ocorre uma enumeração de: a) frases. b) períodos. c) orações adjetivas. d) orações coordenadas. e) orações substantivas. Texto II Ressalva Este livro foi escrito por uma mulher que no tarde da Vida recria e poetiza sua própria Vida. Este livro Foi escrito por uma mulher Que fez a escalada da Montanha da Vida removendo pedras e plantando fores. Este livro: Versos ... Não Poesia ... Não. um modo diferente de contar velhas estórias. Assinale a alternativa correta. O texto II é o poema de abertura do livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, da escritora Cora Coralina. Esse poema apresenta uma aparente contradição na caracterização do livro à medida que se afirma: a) que o livro foi escrito por uma mulher e a autora chama-se Cora Coralina. b) na 1ª estrofe, que a autora poetiza a vida e, na última, que o livro não é de poesia. c) que a escrita do livro seria um modo diferente de contar velhas estórias. d) ter a autora recriado a sua própria vida por meio da escritura do livro em questão. e) tratar-se de três livros distintos, o que se percebe pela divisão do poema em três estrofes. Atentando para as construções dos sentidos apreendidos, ao longo do poema, nota-se que todas as opções abaixo ilustram linguagem figurada, EXCETO: a) “Este livro foi escrito / por uma mulher” (v. 1,2). b) “que no tarde da Vida” (v.3). c) “Que fez a escalada da/ Montanha da Vida” (v. 8, 9). d) “removendo pedras “ (v. 10). e) “e plantando fores” (v. 11). Assinale a alternativa correta. Quanto à tipologia textual predominante no texto II, nota-se que ela está corretamente indicada e justificada na seguinte opção: a) dissertativa, em função da defesa de um ponto de vista por meio de argumentos. b) narrativa, pois nota-se a presença de uma sequência progressiva de ações. c) dissertativa, sobretudo em função da linguagem impessoal adotada. d) narrativa, em função da delimitação clara das noções de espaço e tempo. e) descritiva, já que se destacaa caracterização de um objeto e de uma pessoa. No último verso, considerando-se o contexto, o adjetivo “velhas” poderia ser adequadamente substituído por: a) raras. b) antigas. c) pobres. d) idosas. e) tristes. GABARITO 1. E 2. D 3. C 4. A 5. C 6. D 7. B 8. A 9. E 10. B F C C – 01 Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 8. Quando Nelson Mandela criou o grupo The Elders (Os Anciãos) para promover a paz e os direitos humanos em todo o mundo, ele nos desafiou a ser ousados e a dar voz àqueles que não a têm. Nenhuma questão exige essas qualidades mais do que nossa incapacidade coletiva de lidar com os problemas das mudanças climáticas. Estas são o maior desafio da nossa era. Elas ameaçam o bem-estar de centenas de milhões de pessoas agora e de muitos bilhões no futuro. Elas destroem o direito humano a alimentação, água, saúde e abrigo - causas pelas quais temos lutado toda a nossa vida. Ninguém nem nenhum país escapará do seu impacto. Mas são aqueles sem voz - porque já são marginalizados ou ainda não nasceram - que se encontram em maior risco. Temos um dever moral urgente de falar em seu nome. Dado o peso notório das evidências, pode ser difícil entender por que continuamos avançando lentamente na ação coordenada necessária para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. O último relatório dos especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas afirma claramente que o aquecimento do sistema climático é "inequívoco" e o comportamento humano é muito provavelmente sua causa dominante. Temos visto nos últimos meses o aumento de eventos de clima extremo, sobre os quais os especialistas chamam a atenção. Os custos já são avultados e, por esse motivo, o Banco Mundial, o FMI e a Agência Energética Internacional se juntaram à comunidade científica para alertar sobre os riscos que estamos correndo. Já não são somente os ambientalistas que fazem soar os alarmes. E, todos os anos, a nossa incapacidade em agir nos deixa mais próximos de um ponto sem volta, no qual os cientistas receiam que as mudanças climáticas possam se tornar irreversíveis. Muitos dos Anciãos já foram responsáveis por governos. Não cometemos o erro de pensar que tratar das mudanças climáticas é uma questão fácil. Mas sabemos que existem momentos em que, independentemente das dificuldades do panorama imediato, os líderes precisam mostrar coragem e ousadia. Esse é um desses momentos. Chegamos em uma encruzilhada. Em uma direção, um legado terrível pode ser passado para nossos netos e bisnetos. De outro lado, está a oportunidade de dar os primeiros passos em direção a um mundo mais justo e sustentável. Não queremos que as gerações futuras digam que falhamos. (Adaptado de: ANNAN, Kofi. Ex-Secretário Geral da ONU. O Estado de S. Paulo, A14, Inetrnacional, 24 de janeiro de 2014) É correto afirmar que o texto se apresenta como critica à atuação improdutiva de órgãos responsáveis pelo controle da emissão de poluentes em todo o planeta, apesar da experiência já demonstrada por alguns líderes, especialmente os mais idosos. aconselhamento aos governantes de todo o mundo, especialmente aqueles mais idosos e experientes, para que consigam realmente controlar as emissões de gases poluentes, que causam o efeito estufa. apelo a líderes mundiais no sentido de não só se preocuparem com as mudanças climáticas no planeta, mas também passarem a agir para que haja realmente um controle eficaz do aquecimento global. constatação da necessária redução das atividades produtivas, em todo o mundo, por existirem dados concretos a respeito da ineficácia de medidas tomadas até o momento contra as causas do aquecimento global. convite à expansão das medidas anteriormente tomadas para proteger populações inteiras, em todo o mundo, que lhes permitem o acesso irrestrito a direitos essenciais, como água potável, casa, saúde e alimentação. O autor baseia sua exposição em dados de especialistas, referentes a eventos climáticos extremos, criticando a falta de medidas rápidas e eficazes para o controle do efeito estufa. defende a participação de líderes, apontados pelos especialistas e pelos órgãos de proteção ambiental, em decisões governamentais de controle do efeito estufa. censura das falhas de órgãos responsáveis pela manutenção do equilíbrio ambiental, bastante comprometido, a partir de evidências apontadas por especialistas da área. se vale de sua experiência pessoal, como responsável pelo atendimento a populações vítimas de catástrofes provocadas pelas mudanças climáticas no mundo todo. desenvolve seu raciocínio com o apoio de governantes mais velhos, cuja experiência na resolução de problemas derivados das mudanças climáticas deve ser valorizada A frase do texto cujo verbo poderia ter sido empregado, também corretamente, no plural, é: ... um legado terrível pode ser passado para nossos netos e bisnetos. ... tratar das mudanças climáticas é uma questão fácil. Nenhuma questão exige essas qualidades... Ninguém nem nenhum país escapará do seu impacto. O último relatório dos especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas afirma claramente... Dado o peso notório das evidências... O segmento sublinhado acima, que introduz o 3º parágrafo, estabelece relação de ............ e pode ser substituído, sem alteração do sentido original, por ....... . As lacunas acima estarão corretamente preenchidas por: causa – Em razão do peso ressalva – Conquanto haja o peso condição – Se acaso o peso consequência – Resulta daí o peso finalidade – Para se verificar o peso Conclui-se corretamente do texto que é fundamental a ação de especialistas junto a órgãos governamentais, direcionada à tomada de medias eficazes por alguns países, especialmente os mais desenvolvidos, de controle de emissões de poluentes para garantir o equilíbrio ambiental. imprescindível a destinação de recursos financeiros para garantir as condições necessárias à qualidade de vida das populações, especialmente no momento em que elas estão expostas à ocorrência de eventos climáticos extremos. necessária uma ação coletiva no sentido de controlar as causas do aquecimento global, responsável pela ocorrência de eventos climáticos extremos, que tanto comprometem a qualidade de vida humana, como resultam em prejuízos financeiros. evidente a ocorrência, cada vez maior,d e eventos climáticos extremos, ainda que haja preocupação de governantes, principalmente os mais experientes, no sentido de controlar os prejuízos decorrentes da atividade humana no planeta. importante que as populações passem a exigir de seus governantes maisor atenção aos relatórios de especialistas e de órgãos de finanças sobre a ocorrência de fenômenos climáticos que põem em risco a sobrevivência humana. Não queremos que as gerações futuras digam que falhamos. (final do texto) Identifica-se uma decorrência da afirmativa acima em: Não cometemos o erro de pensar que tratar das mudanças climáticas é uma questão fácil. Temos um dever moral de falar em seu nome. Os custos já são avultados... Muitos dos Anciãos já foram responsáveis por governos. Já não são somente os ambientalistas que fazem soar os alarmes. Ninguém nem nenhum país escapará do seu impacto. Temos um dever moral urgente de falar em seu nome. Os pronomes sublinhados nas frases acima, ambas do 2º parágrafo, referem-se, respectivamente, a os eventos de clima extremo – o maior risco o direito humano ao bem-estar – a nossa incapacidade coletiva os alarmes dos cientistas – os direitos humanos as mudanças climáticas – aqueles sem voz nossa incapacidade coletiva – os eventos de clima extremo Elas destroem o direito humano a alimentação, água, saúde e abrigo... O verbo que exige o mesmo tipo de complemento do sublinhado acima está em: ... e o comportamentohumano é muito provavelmente sua causa dominante. Chegamos a uma encruzilhada. Estas são o maior desafio da nossa era. ... Mas do que nossa incapacidade coletiva de lidar com os problemas das mudanças climáticas. Temos visto nos últimos meses o aumento de eventos de clima extremo... O período redigido com lógica, clareza e correção é: As mudanças climáticas, onde nos países mais ricos estão a maior responsabilidade, com a emissão de dióxido de carbono que afeta inclusive as nações mais pobres, sendo necessário caminhar para um mundo mais sustentável, cujos esforços no controle dos eventos extremos precisam ser ampliados. Todos sabem o que precisa ser feito para evitar as catástrofes das mudanças climáticas, prejudicando regiões e todo o planeta, comprometendo sua economia, restando também impossível recuperar inteiramente as áreas em alguns países, principalmente naqueles mais pobres. para evitarem as mudanças climáticas, deve ser limitado os aumentos da temperatura global especialmente em países desenvolvidos, com o afastamento de combustíveis fósseis e passar a preferir as energias renováveis mais econômicas, segundo o qual se reduz as emissões de gases do efeito estufa. O aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos em todo o planeta sobre o que os especialistas emitem alertas, resultado evidente das atividades humanas que precisa voltar aos índices pré-industriais, com avultados prejuízos para todos os países, os ricos e inclusive os em desenvolvimento. As soluções para os problemas decorrentes das mudanças climáticas não resultam apenas de observações realizadas em centros de pesquisas, mas também de inovações surgidas nas regiões mais afetadas, que já estão mostrando o caminho para um mundo sem emissões de dióxido de carbono. Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 14. Vitalino A mãe de Vitalino era louceira. E foi vendo-a moldar os tourinhos de cachaço crivado de furos para neles se espetarem os palitos de dentes, que Vitalino sentiu aos seis anos vontade de plasmar* aqueles outros bichos, como os via no terreiro da casa – galos, cachorros, calangos. Depois feras – onças, jacarés. Depois gente... Também a arte de Vitalino veio se complicando. Já não se limita ele aos simples bichinhos de plástica* tão ingenuamente pura. Atira-se a composições de grupos, com meio metro de comprido e uns vinte centímetros de altura. Cenas da terra: casamentos, confissões na igreja, o soldado pegando o ladrão de galinhas ou o bêbado, a moenda, a casa de farinha etc. Aliás, nesse delicioso ainda que humilde gênero de escultura, Vitalino não está sozinho, não. Outras cidadezinhas do interior de Pernambuco (em todo o Nordeste, creio eu, não sou entendido no assunto, esta crônica devia ter sido encomendada à mestra Cecília Meireles) têm o seu Vitalino. Por exemplo, Sirinhaém tem o seu Severino. Naturalmente, quando se trata de saber quem entre os dois é o tal, os colecionadores se dividem. E, naturalmente, também os [irmãos] Condé torcem para o Vitalino, que é de Caruaru. Já tive muitas dessas figurinhas em minha casa. Não sei se alguma era de Vitalino ou de Severino. Sei que eram realmente obras de arte, especialmente certo papagaiozinho naquela atitude jururu de quem (quem papagaio) está bolando para acertar uma digna do anedotário da espécie. Acabei dando o meu papagaio. Sempre acabo dando os meus calungas de barro. Não há coisa que se dê com mais prazer. Mesmo porque, quando não se dá, elas se quebram. Se quebram com a maior facilidade. E isso, na minha idade, é de uma melancolia que me põe doente. Não quero mais saber de coisas efêmeras*. Deus me livre de ganhar afeição a passarinho: eles morrem à toa. Flor mesmo dei para só gostar de ver onde nasceu, a rosa na roseira etc. Uma flor que murcha num vaso está acima de minhas forças. *plasmar = moldar, modelar *plástica = arte de plasmar; forma do corpo *efêmero = que dura um dia; passageiro, temporário, transitório (Adaptado de: BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, v. único, 1993, p. 479-4810 A afirmativa correta, de acordo com o texto, é: Segundo o autor, por serem principalmente reproduções artísticas de animais feitas em barro, as figuras conservam suas características, como resistência à passagem do tempo. Em todo o texto, o autor questiona o valor artístico das figuras moldadas em barro, com base em sua pouca durabilidade, ainda que considere a habilidade dos artesãos nordestinos. O reconhecimento do valor artístico das figuras moldadas em barro esbarra na constatação da extrema simplicidade e da ingenuidade que identificam o artesanato nordestino. No último parágrafo, o autor se mostra desiludido perante as circunstâncias da vida, usando como elemento de comparação a fragilidade das figurinhas esculpidas em barro. A concorrência que se estabelece entre artesãos, envolvendo as cidades de onde eles vêm, prejudica uma adequada avaliação do valor artístico de cada uma das obras criadas por eles. A mãe de Vitalino era louceira. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o sublinhado acima está em: ... como os via no terreiro da casa... ... que se dê com mais prazer. ... onde nasceu, a rosa na roseira etc. ... que me põe doente... ... Vitalino não está sozinho, não. Considere o que se afirma em relação ao emprego de sinais de pontuação no texto. Está correto o que consta em: Na frase Também a arte de Vitalino veio se complicando, no 2º parágrafo, estaria correta a colocação de uma vírgula em seguida ao nome do artesão. Os dois segmentos isolados pelos travessões no 1º parágrafo apresentam função semelhante à do que vem introduzido por dois pontos no 2º parágrafo. A presença dos dois-pontos antes do segmento eles morrem à toa, no último parágrafo, indica uma condição, que vai justificar o pessimismo do autor em relação às figuras de barro. Os segmentos introduzidos pelos dois pontos – no 2º e no 5º parágrafos – apresentam idêntica função, ou seja, a de enumeração. O uso das reticências no final do 1º parágrafo coloca em dúvida o acerto de Vitalino, ao substituir os modelos de alguns bichos por representações de pessoas feitas em barro. Não há coisa que se dê com mais prazer. A afirmativa acima se justifica com o que se lê em: fica difícil determinar quem é o melhor artesão, pois os colecionadores se dividem. além de serem realmente obras de arte, as figuras de barro se quebram com a maior facilidade. um eventual colecionador perderia interesse ao perceber que se trata de um humilde gênero de escultura. a arte de Vitalino veio se complicando, à medida que ele se tornava famoso. vitalino não está sozinho, pois há outros artesãos em Pernambuco, como em Sirinhaém, que tem o seu Severino. (em todo o Nordeste, creio eu, não sou entendido no assunto, esta crônica devia ter sido encomendada à mestra Cecília Meireles) O segmento acima, isolado por parênteses no 3º parágrafo, deve ser entendido como constatação geral de que o artesanato nordestino é pouco reconhecido. interferência de um interlocutor distante do assunto que se desenvolve. comentário pessoal voltado para o assunto principal do texto. determinação do assunto principal abordado no texto. definição do tipo de texto mais adequado ao assunto tratado. Vitalino começou, aos seis anos, a modelar suas figurinhas de barro, à .................... . o segmento que completa a lacuna da frase acima, corretamente introduzido pelo à, com o sinal indicativo de crase, é: exemplo daquelas que sua mãe fazia. partir dos modelos criados por sua mãe. que dava verdadeiros contornos artísticos. seu estilo característico de artesão nordestino. imitação dos bichos que via no terreiro. GABARITO C A D A C B D E E D A B B C E F C C – 02 Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões denúmeros 1 a 10. Um filme é uma criatura muito especial, muito específica, nascida das mesmas vontades antigas que levaram nossos antepassados a narrar uma caçada ao mamute nas paredes das cavernas. Num filme está um impulso ao mesmo tempo mais primitivo que o da leitura e mais tecnologicamente sofisticado que o do teatro. Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação − mas diferentemente do livro, onde mundos interiores, paisagens distantes, estados de espírito ou intenções ocultas podem ser descritos, deixando-a preencher o vácuo, o filme tem a obrigação de nos mostrar visualmente cada uma dessas coisas. Como no teatro, ele propõe a apreciação do movimento, da presença humana, da máscara do personagem − mas apenas com a intermediação da imagem captada. E assim, desse jeito tão peculiar, o cinema tem capturado nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo há mais de um século. Nos primórdios do cinema não havia montagem porque não havia o que montar: encantadas com a novidade da imagem em movimento, as plateias do final do século XIX contentavam- se com uma tomada estática, que durava algo em torno de três minutos. A necessidade de aumentar a duração das sessões só podia ser resolvida com a adição de mais imagens, um problema que Edwin Porter resolveu com inventividade. Em pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo que iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes: as imagens se sucedem, convidando o espectador a organizá-las como uma história linear, com começo meio e fim. As normas que hoje regem o mercado da produção cinematográfica mundial não são exatas e rígidas, mas, basicamente, a filosofia principal é: um filme, mesmo “barato”, é caro; antes de investir a pequena fortuna necessária para que ele se torne realidade, há que se tentar ao máximo minimizar os riscos. E esse processo interessa de perto a nós, os espectadores, porque são as decisões tomadas durante essa tentativa que, em última análise, determinam a forma final que um filme terá, se ele será ousado ou conservador, cheio de estrelas ou repleto de desconhecidos, rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio. (Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, formato e-book.) De acordo com o texto, um filme constitui parte fundamental da cultura moderna, embora seja menos importante do que a literatura. oferece, em comparação com a literatura, mais recursos para a imaginação, que deve preencher com coerência aquilo que nele fica apenas sugerido. é menos atraente do que o teatro, pois neste a presença humana tem mais impacto; no entanto, é uma forma de arte mais acessível e democrática. origina-se do desejo do homem de narrar aquilo que o rodeia, desejo que o acompanha desde tempos remotos. deve ser montado e produzido de forma a criar uma história linear, verossímil, de modo a conquistar a atenção do espectador. ... são as decisões tomadas durante essa tentativa... (3º parágrafo) A tentativa mencionada acima refere-se à necessidade de dominar os princípios que controlam o mercado da produção cinematográfica. baratear ao máximo os custos de uma produção cinematográfica. minimizar os riscos que produzir um filme oferece. trazer atores famosos para um filme, o que o tornaria mais lucrativo. organizar a história a ser contada de modo convincente para o espectador. ... mais primitivo que o da leitura... (1º parágrafo) ... convidando o espectador a organizá-las...(2º parágrafo) ... deixando-a preencher o vácuo... (1º parágrafo) Os elementos sublinhados acima referem-se, na ordem dada, a: impulso − imagens – imaginação tempo − décadas − presença humana tempo − narrativas – imaginação filme − plateias – leitura impulso − imagens − presença humana Infere-se do texto que Edwin Porter foi fundamental, no âmbito do cinema, para a trilha sonora. o diálogo entre personagens. a verossimilhança. a produção. a montagem. ... onde mundos interiores... (1º parágrafo) O elemento sublinhado acima pode ser substituído por: aos quais em que cujos de que pelos quais Nos primórdios do cinema não havia montagem porque não havia o que montar... (2º parágrafo) O sentido e a correção do segmento acima estão mantidos em: Nos primórdios do cinema, não havia montagem conquanto não havia o que montar. Como não havia montagem, nos primórdios do cinema não havia o que montar. Nos primórdios do cinema, portanto, não havia montagem ou o que montar. Porém, nos primórdios do cinema, não havia montagem, desde que não houvesse o que montar. Visto que não havia o que montar, não havia montagem nos primórdios do cinema. Em pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo que iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes: as imagens se sucedem, convidando o espectador a organizá-las como uma história linear, com começo meio e fim. Atente para as afirmações abaixo a respeito do segmento acima. I. O sinal de dois-pontos introduz uma decorrência do que se afirma antes. II. Sem prejuízo da correção e do sentido original, uma continuação para o segmento “as imagens se sucedem” é: "umas as outras". III. A vírgula empregada após “linear” precede uma explicação. Está correto o que se afirma APENAS em: I. II e III. I e II. I e III. III. O elemento que pode ser suprimido do texto, sem prejuízo do sentido, da correção e da clareza, encontra-se sublinhado em: Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação... ... as plateias do final do século XIX contentavam-se... E esse processo interessa de perto a nós... ... rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio. ... se ele será ousado ou conservador... O elemento que NÃO é um pronome está sublinhado em: ... determinam a forma final que um filme terá... (3º parágrafo) ... e mais tecnologicamente sofisticado que o do teatro. (1º parágrafo) ... que durava algo em torno de três minutos. (2º parágrafo) ... o conceito narrativo que iria dominar o cinema... (2º parágrafo) As normas que hoje regem o mercado... (3º parágrafo) Mantendo em linhas gerais o sentido original, uma redação alternativa para um segmento do texto (a última frase do 1º parágrafo), escrita com correção e lógica, está em: Faz mais de século que, desse modo específico, a atenção, imaginação e tempo vem sendo captado pelo cinema. Dessa maneira tão inexpressiva, nossa atenção, imaginação e tempo vem sendo captada pelo cine ma há mais de um século. Há mais de um século, o cinema prende, desse modo tão próprio, nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo. Nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo, há séculos tem sido cativados pelo cinema de modo valoroso. O cinema que vem captando de forma tão expressiva, nossa atenção, nossa imaginação e tempo faz mais de um século. Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 11 a 19. − E se a vida for como um cardápio? A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou com o marido em estado reflexivo. − Ora, Alfredo, deixe de filosofar e escolha logo o prato que vai querer. Os dois haviam saído para jantar e estavam na varanda do Bar Lagoa, de onde se pode ver um cantinho de céu e o Redentor. − Rosinha, pense nas consequências do que estou dizendo. Se a vida for como um cardápio, nós talvez estejamos escolhendo errado. No lugar da buchada de bode em que nossas vidas se transformaram, poderíamos nos deliciar com escargots. Experimentar sabores novos, mais sofisticados... − Por que a vida seria como um cardápio, Alfredo? Tenha dó. − E por que não seria? Ninguém sabe de fato o que é a vida, portanto qualquer acepção é válida, até prova em contrário. − Benhê, acorda. Ninguém vai aparecer para serviro seu cardápio imaginário. Na vida, a gente tem que ir buscar. A vida é mais parecida com um restaurante a quilo, self-service, entende? − Boa imagem. Concordo com o restaurante a quilo. É assim para quase todo mundo. Mas, quando evoluímos um pouco, chega a hora em que podemos nos servir à la carte. Rosinha, nós estamos nesse nível. Podemos fazer opções mais ousadas. − Alfredo, se você está querendo aventuras, variar o arroz com feijão, seja claro. Não me venha com essa conversa de cardápio existencial. Além disso, se a nossa vida virou uma buchada de bode, com quem você pensa experimentar essa coisa gosmenta, o tal escargot? − Querida, não reduza minhas ideias a uma trivial variação gastronômica. Minha hipótese, caso correta, tem implicações metafísicas. Se a vida for como um cardápio, do outro lado teria que existir o Grand Chef, o criador do menu. − Alfredo, fofo, agora você viajou na maionese. É o cúmulo querer reconstruir o imaginário religioso baseado no funcionamento de um restaurante. Só falta você dizer que, nesse seu céu, os anjos são os garçons! Nesse momento, dois chopes desceram sobre a mesa. Flutuaram entre as mãos alvas, quase diáfanas, de um dos velhos garçons do Bar Lagoa. Alfredo e Rosinha trocaram olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não haviam pedido nada, o garçom falou com voz grave: − Cortesia da casa. Já olharam o cardápio? (FARIA, Antônio Carlos de. "Cardápio existencial". Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult686u141.shtml) De acordo com o texto, embora Rosinha negue-se, de início, a dar prosseguimento à discussão de Alfredo, termina por oferecer-lhe a metáfora que define seus objetivos como casal, o restaurante a quilo, em que se pode escolher o que se deseja. a discussão entabulada por Alfredo, que estabelece uma equivalência entre a vida e a dinâmica do restaurante, encontra oposição na voz de Rosinha, cujos argumentos apenas se confirmam com a reviravolta ao fim do texto. articula-se, em forma de diálogo, a comparação da vida a um cardápio de restaurante, cujas possibilidades abrem espaço para o questionamento de nosso livre arbítrio. ainda que a comparação com um cardápio tenha um caráter bastante material, leva os interlocutores do diálogo a pensarem em suas implicações metafísicas, a ponto de esquecerem que pediram dois chopes ao garçom. revela-se, a partir da discussão entre um casal, a tentativa de compreensão do destino que é assinalado a todos, o qual restringe as escolhas e as possibilidades de mudança na vida dos personagens. ... deixe de filosofar e escolha logo o prato que vai querer. No lugar da buchada de bode em que nossas vidas se transformaram... ... quando evoluímos um pouco, chega a hora em que podemos nos servir à la carte. Os pronomes sublinhados nos segmentos acima referem-se, respectivamente, a: prato / buchada de bode / hora prato / lugar / restaurante a quilo Alfredo / cardápio / hora Alfredo / buchada de bode / restaurante a quilo prato / cardápio / hora Alfredo e Rosinha trocaram olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não haviam pedido nada, o garçom falou com voz grave... Transpondo-se o verbo sublinhado para o presente do indicativo, mantém-se a correlação verbal da frase em: Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não tenham pedido nada, o garçom fala com voz grave... Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes que poderem dizer que ainda não pediram nada, o garçom fala com voz grave... Alfredo e Rosinha vão trocar olhares de espanto e antes que tenham podido dizer que ainda não escolhiam nada, o garçom vai falar com voz grave... Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes que possam dizer que ainda não pediram nada, o garçom fala com voz grave... Alfredo e Rosinha estão trocando olhares de espanto e antes que tenham podido dizer que ainda não pedem nada, o garçom fala com voz grave... Ninguém sabe de fato o que é a vida... Querida, não reduza minhas ideias... Podemos fazer opções mais ousadas. Os trechos sublinhados são corretamente substituídos por pronomes em: Ninguém a sabe de fato / Querida, não as reduza / Podemo-las fazer Ninguém a sabe de fato / Querida, não as reduza / Podemos as fazer Ninguém a sabe de fato / Querida, não reduza-as / Podemos fazê-las Ninguém o sabe de fato / Querida, não nas reduza / Podemos fazê-lo Ninguém o sabe de fato / Querida, não as reduza / Podemos fazê-las ... qualquer acepção é válida, até prova em contrário. Na frase acima, a relação do segmento sublinhado com o que o antecede é de causa, uma vez que a prova em contrário restringe a validade da acepção. condição, pois, se houver prova em contrário, a acepção deixa de ser válida. temporalidade, pois somente quando houver prova é que será válida a acepção. finalidade, pois indica o limite que pode ser alcançado pela acepção. concessão, uma vez que oferece uma oposição atenuada à acepção válida. A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou com o marido em estado reflexivo. As frases acima estão reescritas em um único período, mantendo-se a coerência e a correção, em: A pergunta pegou Rosinha de surpresa, uma vez que ela levantou os olhos do menu para deparar-se com o marido em estado reflexivo. A pergunta pegou Rosinha de surpresa, de maneira que ela levantou os olhos do menu, deparando com o marido em estado reflexivo. Depois que a pergunta pegou Rosinha de surpresa, ela levantou os olhos do menu, pois se deparou com o marido em estado reflexivo. Quando a pergunta pegou Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando-se, todavia, com o marido em estado reflexivo. Embora a pergunta pegasse Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando com o marido em estado reflexivo. A frase que pode ser transposta para a voz passiva encontra-se em: Podemos fazer opções mais ousadas. Por que a vida seria como um cardápio, Alfredo? Nesse momento, dois chopes desceram sobre a mesa. Concordo com o restaurante a quilo. Não me venha com essa conversa de cardápio existencial. Caso o segmento sublinhado seja substituído pelo que está entre parênteses, o verbo que deverá sofrer alteração encontra-se em: Ninguém vai aparecer para servir o seu cardápio imaginário... (os pratos solicitados) ... do outro lado teria que existir o Grand Chef... (uma equipe de cozinheiros) ... não reduza minhas ideias a uma trivial variação gastronômica... (variações gastronômicas) Minha hipótese, caso correta, tem implicações metafísicas... (uma decorrência espiritual) ... se a nossa vida virou uma buchada de bode... (nossas vidas) As frases abaixo referem-se à pontuação do texto. Com as devidas alterações, no segmento...tem implicações metafísicas. Se a vida for como um cardápio..., pode-se substituir o ponto final por dois-pontos, uma vez que a ele se segue uma explicação. Na frase Ora, Alfredo, deixe de filosofar e escolha logo o prato, o termo sublinhado pode ser substituído por uma vírgula. No segmento ...e estavam na varanda do Bar Lagoa, de onde se pode ver um cantinho de céu..., pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente após estavam. Está correto o que se afirma APENAS em I e III. I. I e II. II e III. III. A vida é semelhante ...... um restaurante a quilo, ...... vamos buscar o que desejamos. Cabe ...... percepção de cada um discernir o que é melhor para si. Preenche corretamente as lacunas da frase acima o que está em: à − de que – a à − onde – à a − aonde – a a − em que – à a − a que – a GABARITO D C A E B E D A B C C A D E B B A E C D F C C – 03 Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10 considere o texto abaixo. Falsificações na internet Quem frequenta páginas da internet, sobretudo nas redes sociais, volta e meia se depara com textos atribuídos a grandes escritores.Qualquer leitor dos mestres da literatura logo perceberá a fraude: a citação está longe de honrar a alegada autoria. Drummond, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Fernando Pessoa, por exemplo, jamais escreveriam banalidades recheadas de lugares comuns, em linguagem capenga e estilo indefinido. Mas fica a pergunta: o que motiva essas falsificações grosseiras de artistas da palavra e da imaginação? São muitas as justificativas prováveis. Atrás de todas está a vaidade simplória de quem gostaria de ser tomado por um grande escritor e usa o nome deste para promover um texto tolo, ingênuo, piegas, carregado de chavões. Os leitores incautos mordem a isca e parabenizam o fraudulento, expandindo a falsificação e o mau gosto. Mas há também o ressentimento malicioso de quem conhece seus bem estreitos limites literários e, não se conformando com eles, dispõe-se a iludir o público com a assinatura falsa, esperando ser confundido com o grande escritor. Como há de fato quem confunda a gritante aberração com a alta criação, o falsário dá-se por recompensado enquanto recebe os parabéns de quem o “curtiu”. Tais casos são lamentáveis por todas as razões, e constituem transgressões éticas, morais, estéticas e legais. Mas fiquemos apenas com a grave questão da identidade própria que foi rejeitada em nome de outra, inteiramente postiça. Enganar-se a si mesmo, quando não se trata de uma psicopatia grave, é uma forma dolorosa de trair a consciência de si. Os grandes atores, apoiando-se no talento que lhes é próprio, enobrecem esse desejo tão humano de desdobramento da personalidade e o legitimam artisticamente no palco ou nas telas; os escritores criam personagens com luz própria, que se tornam por vezes mais famosos que seus criadores (caso de Cervantes e seu Dom Quixote, por exemplo); mas os falsários da internet, ao não assinarem seu texto medíocre, querem que o tomemos como um grande momento de Shakespeare. Provavelmente jamais leram Shakespeare ou qualquer outro gênio citado: conhecem apenas a fama do nome, e a usam como moeda corrente no mercado virtual da fama. Tais fraudes devem deixar um gosto amargo em quem as pratica, sobretudo quando ganham o ingênuo acolhimento de quem, enganado, as aplaude. É próprio dos vícios misturar prazer e corrosão em quem os sustenta. Disfarçar a mediocridade pessoal envergando a máscara de um autêntico criador só pode aprofundar a rejeição da identidade própria. É um passo certo para alargar os ressentimentos e a infelicidade de quem não se aceita e não se estima. (Terêncio Cristobal, inédito) No texto manifesta-se, essencialmente, uma censura a quem, frequentando páginas da internet, deixa-se seduzir com facilidade pelos textos de grandes autores, sem antes certificar-se quanto à sua autenticidade. por falta de talento literário e por ressentimento, costuma ressaltar nos textos dos autores clássicos as passagens menos inspiradas ou mais infelizes. levado pelo sentimento da vaidade, porta-se como se fosse um grande escritor, tratando de temas profundos num estilo elevado, próprios dos grandes talentos. cometendo uma fraude, publica na internet textos medíocres, atribuídos a escritores célebres, buscando com isso, entre outras coisas, ganhar o aplauso de quem lê. com intenção maliciosa, cita autores famosos em páginas da internet, afetando uma familiaridade que de fato jamais teve com esses grandes escritores. Considere as seguintes afirmações: No primeiro parágrafo, o autor do texto imagina que muitos usuários das redes sociais, mesmo os versados em literatura, podem se deixar enganar pela fraude das citações, uma vez que o estilo destas lembra muito de perto a linguagem dos alegados autores. No segundo parágrafo, duas razões são indicadas para explicar a iniciativa dos fraudulentos: o gosto pela ironia, empregada para rebaixar os escritores de peso, e a busca da notoriedade de quem quer ser identificado como um artista superior. Nos dois parágrafos finais, o que o autor ressalta como profundamente grave é o fato de os falsários mentirem para si mesmos, dissolvendo a identidade que lhes é própria e assumindo, ilusoriamente, a personalidade de alguém cujo valor já está reconhecido. Em relação ao texto está correto o que se afirma APENAS em I. II. III. I e II. II e III. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de um segmento em: honrar a alegada autoria (1º parágrafo) = enobrecer a presunção de um autor ressentimento malicioso (2º parágrafo) = remorso astuto a usam como moeda corrente (3º parágrafo) = gastam-na perdulariamente o ingênuo acolhimento (4º parágrafo) = a recepção incrédula Disfarçar a mediocridade (4º parágrafo) = dissimular a banalidade Está inteiramente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: É natural que muitos dos usuários da internet se irritem com este fenômeno generalizado: a pessoa publica um medíocre texto de sua autoria como se fosse da lavra de algum escritor consagrado. Tratando-se de um fenômeno generalizado na internet, implica na irritação de quem toma os textos de alguém famoso cujo o teor foi estabelecido por quem escreveu uma mera banalidade. Está cada vez mais usual o seguinte fato: alguém mal intencionado, publica sob um nome de autor conhecido um texto de que este jamais teria interesse em escrever, por banal que seja. Muitas pessoas, provavelmente com má fé, dão como de outros autores, textos seus, imaginando que as assinaturas famosas encobrem as debilidades do texto de cujos são criadores. Certamente são irritantes essas falsificações da internet, mormente nas redes sociais, aonde escritores sem qualquer talento plageiam autores famosos, tentando se fazer passar pelos mesmos. Muita gente nos engana valendo-se das páginas da internet. A transposição da frase acima para a voz passiva implicará a utilização da forma verbal enganam-nos. em que o sujeito de valendo-se passe a ser internet. em que o sujeito de enganar passe a ser nós. a utilização de muita gente como sujeito. a utilização de páginas da internet como sujeito. Como há de fato quem confunda a gritante aberração com a alta criação, o falsário dá-se por recompensado enquanto recebe os parabéns de quem o “curtiu”. Caso a frase acima iniciasse com a expressão Se houvesse de fato, as formas verbais sublinhadas deveriam ser substituídas, na ordem dada, por: confundisse − dar-se-ia − recebesse − curtisse confundiria − dera-se − recebera − curtia confundisse − deu-se − receberia − curte confundira − dar-se-á − recebera − curta confundira − dera-se − receba − curtisse Considere as seguintes afirmações sobre aspectos da construção do texto: Na frase É próprio dos vícios misturar prazer e corrosão em quem os sustenta, o pronome os refere-se aos nomes prazer e corrosão. Atentando para a regência verbal, o segmento Os grandes atores, apoiando-se no talento que lhes é próprio permanecerá correto caso se substitua apoiando-se no por valendo-se do ou contando com o. Ao observar que ninguém deve enganar-se a si mesmo, o autor poderia ter optado pela forma do imperativo e nos lançar a seguinte frase, de modo correto e solene: “Não deveis enganar-se a vós mesmos”. Está correto o que se afirma em I, II e III. I e II, apenas. I e III, apenas. II, apenas. III, apenas. Por apresentar falha estrutural de construção, deve-se reelaborar a redação da seguinte frase: Há quem busque disfarçar a falta de talento atribuindo a autores famosos os textos medíocres que publica nas páginas da internet. A falta de talento faz com que artistas famosos passem por ser alegados como genuínos autores daqueles textos de escritores medíocres que não o têm. Alguns nomes de grandes escritores brasileiros são muitas vezes indicados na internet como autores de textos que jamais escreveriam. É fácil entender que alguém cometa uma fraude para enganar os outros; difícil é aceitar que alguém se proponha a enganara si mesmo. Leitores ingênuos deixam-se enganar pelos falsários da internet, mostrando que não reconhecem a diferença entre a boa e a má literatura. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se concordando com o termo sublinhado na frase: O autor do texto acha que (ser) de se lamentar que tantas pessoas sejam enganadas pelos falsários da internet. Seria preciso que se (aplicar) a esses falsários alguma sanção, para que não houvesse tantos abusos. Quem jamais leu Shakespeare nem (imaginar) as lições literárias e as discussões éticas que está perdendo. Não (dever) caber aos usuários da internet o direito de publicar o que quer que seja com assinatura falsa. Infelizmente não se (punir) esses falsos gênios da internet com medidas rigorosas e exemplares. Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase: Atualmente, ocorre na internet com cansativa frequência, a atribuição de textos insípidos aos grandes autores da nossa literatura, o que concorre certamente para a propagação do mau gosto, e a banalização da fraude. Atualmente ocorre na internet, com cansativa frequência, a atribuição de textos insípidos, aos grandes autores da nossa literatura, o que concorre certamente, para a propagação do mau gosto e a banalização da fraude. Atualmente, ocorre na internet, com cansativa frequência, a atribuição de textos insípidos aos grandes autores da nossa literatura, o que concorre, certamente, para a propagação do mau gosto e a banalização da fraude. Atualmente ocorre, na internet com cansativa frequência, a atribuição de textos insípidos, aos grandes autores, da nossa literatura o que concorre, certamente, para a propagação do mau gosto e a banalização da fraude. Atualmente ocorre, na internet, com cansativa frequência a atribuição, de textos insípidos, aos grandes autores da nossa literatura, o que concorre, certamente para a propagação do mau gosto, e a banalização da fraude. GABARITO D C E A C A D B E C F C C – 04 Atenção: Para responder às questões de números 1 a 9, considere o texto abaixo. Comparado ao tamanho dos rios amazônicos, o Tietê é um regato. Nas estatísticas, porém, é uma catarata de superlativos. Estudo mostra que o Tietê e seus afluentes formam a bacia hidrográfica mais populosa, mais rica e mais poluída do Brasil. É também a de maior desenvolvimento humano do país. Às suas margens ou perto delas moram 30 milhões de pessoas, a maior população ribeirinha do país, com médias de 10,6 anos de estudo e 75,3 anos de vida. O rio Tietê nasce acima dos mil metros de altitude, nas encostas da Serra do Mar, em Salesópolis, a leste da capital. Corre 1.136 quilômetros para o interior, por 73 municípios paulistas. Deságua no rio Paraná, a 300 metros acima do nível do mar. São apenas 740 metros de desnível da nascente à foz, ou um metro de declive a cada quilômetro e meio de percurso, em média. Mesmo assim, as quedas do Tietê são famosas desde antes dos bandeirantes. Para fugir desse trecho inicial tortuoso e cheio de corredeiras, a navegação rio abaixo entre os séculos XVIII e XIX começava em Araritaguaba, atual Porto Feliz, com destino às minas de ouro de Cuiabá. Por só poderem ser feitas em parte do ano, no período de cheia do rio, as expedições eram chamadas de monções. As canoas, escavadas em troncos derrubados ao longo das margens do rio e de seus afluentes, levavam mantimentos, ferramentas e escravos para as minas, e traziam ouro. Hoje, a hidrovia Tietê-Paraná percorre 2,6 mil quilômetros e transporta 6 milhões de toneladas de carga anualmente, entre insumos e grãos. Um comboio de seis barcaças carregadas tira 210 carretas das estradas, gastando um quarto do combustível e emitindo um terço da quantidade de carbono. O rio foi determinante na fundação da maior cidade do hemisfério sul e na ocupação do território ao seu redor. Nas últimas décadas, o desenvolvimento se estendeu do alto ao baixo Tietê. O desenvolvimento econômico e demográfico custou caro ao rio. A qualidade de suas águas, cristalinas em Salesópolis, passa de apenas "boa", para "ruim" e "péssima", à medida que avança pelo interior, e só volta a ficar boa em Barra Bonita. Nos últimos 30 quilômetros antes de chegar à sua foz, as águas do rio voltam a ter a mesma excelência dos primeiros 40 quilômetros de seu curso. O rio mais poluído do país se recupera e termina tão limpo quanto começou. (Adaptado de: TOLEDO, José Roberto de; MAIA, Lucas de Abreu e BURGARELLI, Rodrigo. O Estado de S. Paulo, 22 de setembro de 2013, A26) A afirmativa do texto que reforça a importância do rio Tietê é: O rio Tietê nasce acima dos mil metros de altitude, nas encostas da Serra do Mar, em Salesópolis, a leste da capital. (2º parágrafo) Comparado ao tamanho dos rios amazônicos, o Tietê é um regato. (1º parágrafo) O rio foi determinante na fundação da maior cidade do hemisfério sul e na ocupação do território ao seu redor. (5º parágrafo) São apenas 740 metros de desnível da nascente à foz, ou um metro de declive a cada quilômetro e meio de percurso, em média. (2º parágrafo) O rio mais poluído do país se recupera e termina tão limpo quanto começou. (5º parágrafo) Nas estatísticas, porém, é uma catarata de superlativos. (1º parágrafo) O sentido da expressão grifada acima é confirmado, no texto, pelos dados referentes à população, aos índices de qualidade de vida e à quantidade de produtos que são transportados por via fluvial. pelas dificuldades que o rio sempre ofereceu a quem pretendia navegar por ele, desde os séculos XVIII e XIX, período de desbravamento da região. pela preocupação com o controle da qualidade de suas águas, pois elas são um importante meio de transporte nos municípios banhados pelo rio. pela extensão do curso do rio que, ao contrário dos outros, corre para o interior, banhando um grande número de municípios paulistas. pela informação de que o rio era famoso desde a época dos bandeirantes, que transportavam ouro e escravos em seu curso. Conclui-se corretamente do texto que o funcionamento da hidrovia Tietê-Paraná depende, ainda hoje, de certas épocas do ano para o transporte de cargas. apresenta problemas no curso dos rios desde o tempo das primeiras expedições. permite o transporte de cargas com mais economia e maior proteção ao ambiente. resulta, desde os séculos XVIII e XIX, do desenvolvimento da região. traz dificuldades para o transporte de cargas feito por caminhões nas estradas. ... a navegação rio abaixo entre os séculos XVIII e XIX, começava em Araritaguaba... (3º parágrafo) O verbo conjugado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está em: ... o Tietê é um regato. ... ou perto delas moram 30 milhões de pessoas... O desenvolvimento econômico e demográfico custou caro ao rio. O rio Tietê nasce acima dos mil metros de altitude... ... e traziam ouro. Por só poderem ser feitas em parte do ano, no período de cheia do rio, as expedições eram chamadas de monções. (3º parágrafo) O segmento grifado pode ser corretamente transcrito de outra forma, sem alteração do sentido original, por: A fim de serem feitas... Porque só podiam ser feitas... Ainda que fossem feitas... Embora pudessem ser feitas... Contudo fossem feitas... Respeitando-se o sentido do texto, monções eram (final do 3º parágrafo) os ventos que favoreciam a navegação feita em canoas nos rios paulistas. as expedições que antigamente subiam e desciam os rios de São Paulo. as datas estabelecidas para comemorar o encontro de ouro em São Paulo e Mato Grosso. as festas realizadas em agradecimento pelo sucesso das expedições rio abaixo. as quedas do rio Tietê, que eram famosas desde o tempo dos bandeirantes. O rio mais poluído do país se recupera e termina tão limpo quanto começou. (Final do texto) A forma como se apresentam os adjetivos grifados acima transmite noção, na ordem, desuperioridade e superioridade. inferioridade e igualdade. igualdade e inferioridade. igualdade e igualdade. superioridade e igualdade. Nas últimas décadas, o desenvolvimento se estendeu do alto ao baixo Tietê. (5º parágrafo) A mesma relação de sentido estabelecida entre as palavras grifadas acima está reproduzida entre as que se encontram em: insumos e grãos. declive e desnível. nascente e foz. fundação e ocupação. econômico e demográfico. Até o século passado, as margens e várzeas do Tietê ...... pela população, ...... das enchentes e do risco de doenças que ...... depois delas. Os espaços da frase acima estarão corretamente preenchidos, na ordem dada, por: eram evitadas − temerosa − apareciam era evitadas − temerosa − aparecia era evitado − temerosas − apareciam era evitada − temeroso − aparecia eram evitadas − temeroso − aparecia Atenção: Para responder às questões de números 10 a 15, considere o texto abaixo. Trânsito e lixo. Esses dois agentes são a dor de cabeça de qualquer cidade grande. Em São Paulo, então, a dor é muito mais aguda. Considerando que a frota de carros na capital só cresce, o problema parece sem solução. Mas só parece. Um grupo de pesquisadores da USP tem um projeto para colocar ordem nesse caos. E a resposta vem do lugar mais improvável: os rios da cidade. O Hidroanel Metropolitano pretende resolver o problema em São Paulo em dois momentos. O primeiro envolve a construção de uma série de portos na borda dos rios e das represas que circundam a cidade. Eles serviriam para receber a enorme quantidade de lixo produzido pela metrópole, desde saquinhos que os moradores colocam nas portas das casas até a terra e o entulho de construções e demolições. Essa carga seria levada para os portos de caminhão, mas existe uma diferença importante. Com a construção dos portos para recebimento do lixo, as distâncias percorridas pelos veículos seriam encurtadas. Sem precisar atravessar a cidade, eles desafogariam o trânsito. Os barcos − que conseguem movimentar 400 toneladas, enquanto um caminhão transporta apenas oito − atracados nos portos percorreriam o resto do caminho. Além dos portos, existiriam três centros de processamento, prontos para receber 800 toneladas de lixo por hora. E toda essa carga seria reciclada, transformada em matéria-prima novamente. "O Hidroanel constitui uma infraestrutura de saneamento, mobilidade e transporte, que tem como espinha dorsal o canal navegável. Ele serve também como um arco irradiador de desenvolvimento", resume um dos pesquisadores. (Adaptado de: ROMERO Luiz; DAVINO Ricardo e MANOEL Vinícius. Superinteressante, dezembro de 2012, p. 48) O texto trata, principalmente, de um projeto que, transformado em realidade, deverá facilitar a solução de dois grandes problemas da cidade de São Paulo. do atual sistema de recolhimento e tratamento da enorme quantidade de lixo que é produzido na cidade de São Paulo. de um novo sistema de recolhimento de lixo na cidade, com separação de pequenos e de grandes volumes recolhidos nos caminhões. de uma estratégia destinada a diminuir, gradativamente, a quantidade de carros, favorecendo o trânsito de caminhões que recolhem o lixo na cidade. de um planejamento voltado para o tratamento do lixo em São Paulo, para diminuir as causas da poluição, até mesmo dos rios. Considerando-se o desenvolvimento do texto, seus autores discordam dos pesquisadores que propõem um projeto urbano para São Paulo, porque conhecem as dificuldades no tratamento do lixo produzido na cidade. duvidam claramente da possibilidade de resolução de alguns problemas já instalados em São Paulo, comuns em todas as grandes cidades. informam o leitor a respeito de um projeto que propõe soluções para amenizar alguns problemas existentes em São Paulo. criticam a falta de novos projetos, importantes para a melhoria das condições de vida da população em uma metrópole como São Paulo. reconhecem que não existe solução para os problemas que prejudicam a população de São Paulo, referentes ao trânsito e à enorme quantidade de lixo. A infraestrutura de saneamento, mobilidade e transporte citada no último parágrafo refere-se, na ordem dada, a: capacidade dos barcos para receber o lixo, reciclagem de resíduos e diminuição do tráfego de caminhões. substituição de caminhões por barcos para transporte, aproveitamento de rios e construção de portos. encurtamento de distâncias percorridas por caminhões, maior capacidade de transporte do lixo e construção de portos. reciclagem de lixo, encurtamento de distâncias percorridas por caminhões e capacidade dos barcos. construção de portos, recolhimento de lixo por barcos e encurtamento de distâncias percorridas por caminhões. No último parágrafo, o segmento marcado pelas aspas constitui parte de um diálogo entre o autor do texto e um possível leitor. reprodução exata das palavras de um dos responsáveis pelo projeto. opinião expressa do autor do texto a respeito do assunto tratado. introdução de um novo assunto, que passará a ser desenvolvido. determinação dos locais previstos no projeto para os portos. O segmento grifado está corretamente substituído pelo pronome correspondente em: Sem precisar atravessar a cidade = atravessar-lhe (1º parágrafo) Eles serviriam para receber a enorme quantidade de lixo = recebê-lo (2º parágrafo) Um grupo de pesquisadores da USP tem um projeto = tem-los (1º parágrafo) O primeiro envolve a construção de uma série de portos = envolve-lhe (2º parágrafo) O Hidroanel Metropolitano pretende resolver o problema em São Paulo = resolvê-lo (2º parágrafo) Sem precisar atravessar a cidade, eles desafogariam o trânsito. (3º parágrafo) O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando-se o que diz o texto, (A) os veículos. (B) os portos. (C) os barcos. (D) três centros de processamento. (E) 800 toneladas de lixo. GABARITO C A C E B B E C A A C D B E A F C C – 05 Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo. A morte e a morte do poeta Ao ler o seu necrológio no jornal outro dia, o pianista Marcos Resende primeiro tratou de verificar que estava vivo, bem vivo. Em seguida gravou uma mensagem na sua secretária eletrônica: “Hoje é 27 e eu não morri. Não posso atender porque estou na outra linha dando a mesma explicação”. Quando li esta nota, me lembrei de como tudo neste mundo caminha cada vez mais depressa. Em 1862, chegou aqui a notícia da morte de Gonçalves Dias. O poeta estava a bordo do Grand Condé havia cinquenta e cinco dias. O brigue chegou a Marselha com um morto a bordo. À falta de lazareto, o navio estava obrigado à caceteação da quarentena. Gonçalves Dias tinha ido se tratar na Europa e logo se concluiu que era ele o morto. A notícia chegou ao Instituto Histórico durante uma sessão presidida por d. Pedro II. Suspensa a sessão, começaram as homenagens ao que era tido e havido como o maior poeta do Brasil. Suspeitar que podia ser mentira? Impossível. O imperador, em pleno Instituto Histórico, só podia ser verdade. Ofícios fúnebres solenes foram celebrados na Corte e na província. Vinte e cinco nênias saíram publicadas de estalo. Joaquim Serra, Juvenal Galeno e Bernardo Guimarães debulharam lágrimas de esguicho, quentes e sinceras. O grande poeta! O grande amigo! Que trágica perda! As comunicações se arrastavam a passo de cágado. Mal se começava a aliviar o luto fechado, dois meses depois chegou o desmentido: morreu, uma vírgula! Vivinho da silva. A carta vinha escrita pela mão do próprio poeta: “É mentira! Não morri, nem morro, nem hei de morrer nunca mais!” Entre exclamações, citou Horácio: “Não morrerei de todo.” Todavia, morreu, claro. E morreu num naufrágio, vejam a coincidência. Em 1864, trancado na sua cabine do Ville de Boulogne, à vista da costa do Maranhão. Seu corpo não foi encontrado. Terá sido devorado pelos tubarões. Mas o poeta,este de fato não morreu. [...] (Adaptado de: RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. São Paulo: Cia das Letras, 2011, p.107-8) No texto, o autor contrapõe fundamentalmente as boas condições do porto de Marselha, em território francês, às péssimas condições do porto brasileiro localizado no Maranhão, perto do qual o navio Ville de Boulogne acabou por naufragar. a demora com que a notícia da suposta morte de Gonçalves Dias, no século XIX, pôde ser contestada pelo poeta à rapidez com que o pianista Marcos Resende, contemporâneo do cronista, pôde contestar a própria morte. a comoção com que foi recebida a notícia da suposta morte do poeta Gonçalves Dias à indiferença com que se recebeu a notícia da morte do pianista Marcos Resende, buscando-se esclarecê-la com um simples telefonema. a resistência do navio Grand Condé , onde Gonçalves Dias pôde permanecer em segurança por mais de cinquenta dias, à fragilidade do Ville de Boulogne, que levou pouco tempo para naufragar na costa do Maranhão. a banalização das notícias em seu próprio tempo, mesmo as mais trágicas, à solenidade com que eram dadas no século XIX, muitas vezes em sessões no Instituto Histórico, com a eventual presença do próprio Imperador. De acordo com o texto, a falsa notícia da morte de Gonçalves Dias teria se originado de uma conjunção de acontecimentos que incluem: a morte de um passageiro no navio em que ele viajava, a impossibilidade dos passageiros do navio cumprirem o período de quarentena em terra e a motivação da viagem do poeta para a Europa. a inexistência de lazareto no Grand Condé, a motivação da viagem do poeta para a Europa e as falhas de comunicação entre o navio e o porto de Marselha. a impossibilidade dos passageiros do navio cumprirem o período de quarentena em terra, a presença do Imperador no Instituto Histórico e as homenagens feitas no Brasil ao grande poeta. a morte de um passageiro no navio em que ele viajava, a motivação da viagem do poeta para a Europa e as falhas de comunicação entre o navio e o porto de Marselha. a inexistência de lazareto no Grand Condé, a morte de um passageiro no navio e as homenagens feitas no Brasil ao grande poeta. Considerando-se o contexto, o segmento cujo sentido está adequadamente expresso em outras palavras é: Entre exclamações, citou = Em meio aos brados, parodiou Ofícios fúnebres = Comunicações danosas o seu necrológio no jornal = a sua matéria fúnebre impressa obrigado à caceteação = compelido ao aborrecimento aliviar o luto fechado = compensar a grande tristeza A frase do texto que permite transposição para a voz passiva é: Em seguida gravou uma mensagem na sua secretária eletrônica... Mas o poeta, este de fato não morreu. Em 1862, chegou aqui a notícia da morte de Gonçalves Dias. O poeta estava a bordo do Grand Condé... ... de como tudo neste mundo caminha cada vez mais depressa. Joaquim Serra, Juvenal Galeno e Bernardo Guimarães debulharam lágrimas de esguicho, quentes e sinceras. O verbo transitivo empregado com o mesmo tipo de complemento com que foi empregado o verbo grifado acima está em: É mentira! A notícia chegou ao Instituto Histórico durante uma sessão presidida por d. Pedro II. ... que estava vivo, bem vivo. E morreu num naufrágio... Entre exclamações, citou Horácio... À falta de lazareto, o navio estava obrigado à caceteação da quarentena. (2º parágrafo) Mantendo-se o sentido e a coesão da frase, o segmento grifado acima pode ser corretamente substituído por: (A) De sorte que faltava o lazareto (B) Embora faltasse o lazareto (C) Uma vez que faltava o lazareto (D) À medida que faltasse o lazareto (E) Conquanto faltava o lazareto Suspensa a sessão, começaram as homenagens... O segmento grifado exerce na frase acima a mesma função sintática que o segmento também grifado em: (A) As comunicações se arrastavam a passo de cágado. (B) O brigue chegou a Marselha com um morto a bordo. (C) Ao ler o seu necrológio no jornal outro dia... (D) Terá sido devorado pelos tubarões. (E) ... dois meses depois chegou o desmentido... A frase cuja REDAÇÃO está inteiramente clara e correta é: Para quem acredita em destino e que o dia da morte está marcado, nada nem ninguém pode alterá-la ou prolongá-la, e nenhum remédio poderia ser proscrito para salvar aquele que já está condenado. Não foi absolutamente efêmera há glória de Gonçalves Dias, mas ao contrário duradoura e imperecível, já que ainda hoje o autor da “Canção do exílio” é considerado um dos maiores poetas brasileiros de que conhecemos. Outra extraordinária coincidência na biografia de Gonçalves Dias é a composição de um poema chamado “O mar”, em cujos versos aquele que viria a morrer num naufrágio alude ao “oceano terrível” e à própria morte. Senão tivesse morrido no naufrágio do Ville de Boulogne, é possível que Gonçalves Dias não sobreviveria muitos dias à seu desembarque, pois seu estado de saúde era de fato muito grave. Ser dado por morto e estar bem vivo, numa experiência das mais inquietantes que o ser humano pode vir a conhecer, cuja é talvez ainda mais terrificante quando se depara de repente com a notícia da própria morte. Atenção: Para responder às questões de números 9 a 15, considere o texto abaixo. Já tive muitas capas e infinitos guarda-chuvas, mas acabei me cansando de tê-los e perdê-los; há anos vivo sem nenhum desses abrigos, e também, como toda gente, sem chapéu. Tenho apanhado muita chuva, dado muita corrida, me plantado debaixo de muita marquise, mas resistido. Ontem, porém, choveu demais, e eu precisava ir a três pontos diferentes do bairro. Pedi ao moço de recados, quando veio apanhar a crônica para o jornal, que me comprasse um chapéu-de-chuva que não fosse vagabundo demais, mas também não muito caro. Ele me comprou um de pouco mais de trezentos cruzeiros. Depois de cumprir meus afazeres voltei para casa, pendurei o guarda-chuva a um canto e me pus a contemplá-lo. Senti então uma certa simpatia por ele; meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu a um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber qual a origem desse carinho. Pensando bem, ele talvez derive do fato de ser o guarda-chuva o objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de minha infância existe mais em sua forma primitiva. O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas, já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas. Reparem que é um dos engenhos mais curiosos que o homem já inventou; tem ao mesmo tempo algo de ridículo e algo de fúnebre, essa pequena barraca ambulante. Já na minha infância era um objeto de ares antiquados, que parecia vindo de épocas remotas, e uma de suas características era ser muito usado em enterros. Por outro lado, esse grande acompanhador de defuntos sempre teve, apesar de seu feitio grave, o costume leviano de se perder, de sumir, de mudar de dono. Ele na verdade só é fiel a seus amigos cem por cento, que com ele saem todo dia, faça chuva ou sol, apesar dos motejos alheios; a estes, respeita. O freguês vulgar e ocasional, este o irrita, e ele se aproveita da primeira distração para sumir. (Adaptado de: BRAGA, Rubem. Coisas antigas. In: 200 Crônicas escolhidas. 13. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p.217-9) De acordo com o texto, mesmo que possam ser condenáveis os abusos a que foi submetido o aspecto das sombrinhas, elas têm a grande vantagem de não serem esquecidas exatamente por conta da sua diversidade de cores e padrões. se a todo momento se perde um guarda-chuva, a perda não precisa ser lamentada, já que guarda-chuvas podem sempre ser comprados por um preço relativamente acessível. ainda que o guarda-chuva seja uma invenção bastante engenhosa, parece surpreendente que o homem não tenha conseguido até hoje inventar alguma coisa mais práticaque pudesse substituí-lo na proteção contra a chuva. a despeito da aversão que se possa ter em relação ao guarda-chuva, o seu conservadorismo chega a ser atraente sobretudo num mundo em que tudo acaba sofrendo constantes e vertiginosas transformações. se é elogiável o fato do guarda-chuva ter permanecido praticamente o mesmo desde a sua invenção, a falta de variedade de seu aspecto é responsável pelas confusões que o levam a constantes trocas de dono. Em diversos momentos o autor se vale do humor na composição do texto, como ocorre no segmento: Pensando bem, ele talvez derive do fato de ser o guarda-chuva o objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. (4º parágrafo) Suas irmãs, as sombrinhas, já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e tanto abusaram que até caíram de moda. (5º parágrafo) Reparem que é um dos engenhos mais curiosos que o homem já inventou; tem ao mesmo tempo algo de ridículo e algo de fúnebre... (6º parágrafo) Por outro lado, esse grande acompanhador de defuntos sempre teve, apesar de seu feitio grave, o costume leviano de se perder, de sumir, de mudar de dono. (último parágrafo) Atende ao enunciado o que consta APENAS em II e IV. I, II e III. II e III. I, III e IV. IV. Pensando bem, ele talvez derive do fato... O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o verbo grifado acima está em (A) ... um chapéu-de-chuva que não fosse vagabundo demais... (B) ... nenhum objeto de minha infância existe mais em sua forma primitiva. (C) Já na minha infância era um objeto de ares antiquados... (D) ... faça chuva ou sol, apesar dos motejos alheios... (E) O freguês vulgar e ocasional, este o irrita... A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi feita corretamente em: (A) quando veio apanhar a crônica = quando veio apanhar-lhe (B) Depois de cumprir meus afazeres = Depois de cumprir-nos (C) Já tive muitas capas e infinitos guarda-chuvas = Já lhes tive (D) pendurei o guarda-chuva = pendurei-no (E) Pedi ao moço de recados = Pedi-lhe ... meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu a um estranho carinho... (3º parágrafo) Sem que seja feita qualquer outra alteração, a frase acima permanecerá correta caso o verbo sublinhado seja substituído pelo que consta em: (A) deu lugar (B) transformou-se (C) foi vencido (D) transigiu (E) trocou-se Atente para as seguintes afirmações sobre a pontuação empregada no texto: Em frases como choveu demais, e eu precisava... (2º parágrafo) e Sou apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de minha infância existe mais... (4º parágrafo), o emprego da vírgula está em desacordo com a norma culta. Em Ele na verdade só é fiel a seus amigos cem por cento, que com ele saem todo dia... (último parágrafo), a retirada da vírgula implica alteração do sentido da frase. Em O freguês vulgar e ocasional, este o irrita (último parágrafo), a retirada do pronome este Implica que simultaneamente se retire a vírgula, pois do contrário haverá prejuízo para a correção. Está correto o que se afirma APENAS em II e III. II. I e III. III. I e II. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na redação da seguinte frase: Tantas mudanças sofreram nossa moeda ao longo do tempo que é difícil saber quanto representaria hoje os cerca de trezentos cruzeiros gastos pelo cronista na compra de um guarda-chuva. Dos mais atentos aos mais distraídos, talvez não se encontre quem não tenha esquecido ao menos um guarda-chuva na vida, para não falar daqueles que já não têm ideia de quantos guarda-chuvas teriam perdido. Muito mais do que nos anos em que Rubem Braga escrevia as suas crônicas tão saborosas, que coisas hoje não teria sofrido mudança significativa ao longo de um curto período de tempo? Escrever sobre coisas aparentemente insignificantes e corriqueiras denotam um extraordinário talento que as pessoas comuns quase nunca tem. Modelos mais avançados, coloridos e estampados como costumava ser a sombrinha no tempo de Rubem Braga, convive hoje com o tradicional guarda-chuva, preto e austero. GABARITO B A D A E C B C D A D E A A B F C C – 06 Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo. Em defesa da dúvida Numa época em que tantos parecem ter tanta certeza sobre tudo, vale a pena pensar no prestígio que a dúvida já teve. Nos diálogos de Platão, seu amigo Sócrates pulveriza a certeza absoluta de seus contendores abalando-a por meio de sucessivas perguntas, que os acabam convencendo da fragilidade de suas convicções. Séculos mais tarde, o filósofo Descartes ponderou que o maior estímulo para se instituir um método de conhecimento é considerar a presença desafiadora da dúvida, como um primeiro passo. Lendo os jornais e revistas de hoje, assistindo na TV a entrevistas de personalidades, o que não falta são especialistas infalíveis em todos os assuntos, na política, na ciência, na economia, nas artes. Todos têm receitas imediatas e seguras para a solução de todos os problemas. A hesitação, a dúvida, o tempo para reflexão são interpretados como incompetência, passividade, absenteísmo. É como se a velocidade tecnológica, que dá o ritmo aos nossos novos hábitos, também ditasse a urgência de constituirmos nossas certezas. A dúvida corresponde ao nosso direito de suspender a verdade ilusória das aparências e buscar a verdade funda daquilo que não aparece. Julgar um fato pelo que dele diz um jornal, avaliar um problema pelo ângulo estrito dos que nele estão envolvidos é submeter-se à força de valores já estabelecidos, que deixamos de investigar. A dúvida supõe a necessidade que tem a consciência de se afastar dos julgamentos já produzidos, permitindo-se, assim, o tempo necessário para o exame mais detido da matéria a ser analisada. A dúvida pode ser o primeiro passo para o caminho das afirmações que acabam sendo as mais seguras, porque mais refletidas e devidamente questionadas. (Cássio da Silveira, inédito) A valorização da dúvida se deve ao fato de que ela constitui o meio pelo qual se empreende uma contestação ilusória de verdades dadas como irrefutáveis. vale-se astutamente de sua fragilidade como método para poder impor algumas verdades definitivas. permite abrir um caminho para o conhecimento ao questionar verdades dadas como absolutas. contribui para a valorização de verdades pré-estabelecidas por métodos seguros de conhecimento. implica a tentativa de se chegar a um tipo de conhecimento cuja validade dispensa qualquer comprovação. Diferentemente da maneira pela qual Sócrates e Descartes qualificavam a dúvida, o texto nos lembra que há quem pulverize a certeza inabalável com que alguns afirmam seus pontos de vista, juízos e convicções. aqueles que já de saída se apresentam como especialistas infalíveis em temas da política, da ciência, das artes. aquele que se dispõe a se pronunciar sobre algum assunto depois de ter aberto várias hipóteses de abordagem. quem sempre suspenda a verdade das aparências, não se furtando a questioná-las antes de aceitá-las. quem se afaste de julgamentos definitivos para se deter sobre o que há de problemático numa matéria. Considere as afirmações abaixo. Da leitura do 1° parágrafo pode-se deduzir que o método de conhecimento no qual a dúvida exerce um papel importante passou a ser mais reconhecido e utilizado em nossos dias, em função da complexidade da época que estamos atravessando. No 2° parágrafo, é patente o tom irônico com que o autor do texto faz referência aos especialistas infalíveis em todos os assuntos, ironia que se ratifica no segmento Todos têm receitas imediatas e seguras para a solução de todos os problemas. No 3° parágrafo, todos estes três segmentos referem ações a se evitar:suspender a verdade ilusória das aparências, avaliar um problema pelo ângulo estrito dos que nele estão envolvidos e Julgar um fato pelo que dele diz um jornal. Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em I e II. I e III. II e III. II. III. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: pulveriza a certeza absoluta (1° parágrafo) = aniquila a convicção imperiosa ditasse a urgência (2° parágrafo) = consumasse a precipitação suspender a verdade ilusória (3° parágrafo) = ir ao encontro da ilusão convincente avaliar um problema pelo ângulo estrito (3° parágrafo) = retificar uma questão aprimorando o foco o exame mais detido da matéria (3° parágrafo) = a prova mais recôndita da tese defendida Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: Uma vez distanciados no tempo, Sócrates e Descartes são parceiros quanto a compartilharem ao mesmo prestígio que costumam atribuir ao valor da dúvida. Mesmo separados por séculos, os filósofos Sócrates e Descartes parecem acordes quanto ao valor que atribuem ao papel da dúvida na constituição do pensamento. Muito embora fossem distintos filósofos, é de se constatar que tanto Descartes quanto Sócrates alimentavam sobre as dúvidas a mesma convicção que lhes mantinha. Descartes e Sócrates, filósofos consagrados, em que pese o valor que se atribuíam às suas dúvidas, tinham estreita relação de pensamento quanto aquilo que lhes era comum. A par de serem distantes no tempo, ainda que compartilhando suas condições de filósofos, Descartes e Sócrates se identificavam por conta da dúvida que se nutriam. As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na seguinte frase: Aos que vivem de apregoar certezas, diga-se que faria melhor duvidarem um pouco, pois a dúvida nunca faz mal ao rigor com que se ordena as ideias. Fazem-se notar nos jornais e revistas de hoje a convicção com que se manifestam as pessoas a propósito de tudo, como se jamais lhes faltassem competência para julgar o que quer que sejam. Tomam-se como presunção de incompetência as qualidades de quem hesita e reflete antes de agir, preferindo assim a dúvida à precipitação, a cautela ao açodamento. Sempre haverá aqueles que prefiram relativizar suas análises, evitando assim, com a dúvida, que se emprestem aos preconceitos o peso que eles jamais poderiam ter. Não se confunda com a dúvida saudável e metódica as indecisões permanentes de quem jamais se habilitam a percorrer o caminho que leva às decisões finais. Os tempos e modos verbais estão adequadamente correlacionados na completude da frase: Se lêssemos os jornais e revistas de hoje com espírito crítico apurado pela dúvida, muitos dos mais notórios preconceitos em que incorremos acabarão sendo evitados. evita-se a precipitação de julgamento com que estamos respondemos aos fatos. haveremos de compreender o quanto fôssemos injustos em nossas avaliações precipitadas. mais complexos acabariam por se revelar aqueles fatos que julgávamos tão cristalinos. as interpretações que vimos dando aos fatos acabarão sendo outras, mais justas. Admite transposição para a voz passiva a forma verbal da frase: Tantos parecem estar certos sobre tudo. Sócrates pulverizava as certezas de seus interlocutores. As notícias em que costumamos acreditar são muitas vezes falsas. A dúvida corresponde a um legítimo direito nosso. A suspensão os preconceitos é um dos méritos da dúvida. Atenção: Para responder às questões de números 9 a 15, considere o texto abaixo. Campo e cidade “Campo" e “cidade" são palavras muito poderosas, e isso não é de estranhar, se aquilatarmos o quanto elas representam na vivência das comunidades humanas. O termo inglês country pode significar tanto “país" quanto “campo"; the country pode ser toda a sociedade ou só a parte rural. Na longa história das comunidades humanas, sempre esteve bem evidente essa ligação entre a terra da qual todos nós, direta ou indiretamente, extraímos nossa subsistência, e as realizações da sociedade humana. E uma dessas realizações é a cidade: a capital, a cidade grande, uma forma distinta de civilização. Em torno das comunidades existentes, historicamente bastante variadas, cristalizaram-se e generalizaram-se atitudes emocionais poderosas. O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e virtudes simples. À cidade associou-se a ideia de centro de realizações – de saber, de comunicações, de progresso. Também constelaram-se poderosas associações negativas: a cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de atraso, ignorância e limitação. Além disso, em nosso próprio mundo, entre os tradicionais extremos de campo e cidade existe uma ampla gama de concentrações humanas: subúrbio, cidade dormitório, favela, complexo industrial, centro tecnológico etc. A visão que se pode ter do campo ou da cidade pode variar conforme a perspectiva pessoal. Vejam-se estes versos do poeta inglês Wordsworth, do século XIX, vindo do campo e chegando a Londres pela manhã, compostos a partir de sua primeira visão da cidade: Nada há na terra de maior beldade: (...) Torres e cúpulas se elevam no ar Em luminosa e suave majestade. É bem verdade que se trata de uma visão da cidade antes da azáfama e do barulho do dia de trabalho; porém não há como não reconhecer esse sentimento de entusiasmo diante de um grande aglomerado de metas e destinos humanos. (Adaptado de: WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade. Trad. Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 11) A afirmação de que Em torno das comunidades existentes (...) cristalizaram-se e generalizaram-se atitudes emocionais poderosas (2° parágrafo) comprova-se e exemplifica-se em: O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e virtudes simples. À cidade associou-se a ideia de centro de realizações – de saber, de comunicações, de progresso. Também constelaram-se poderosas associações negativas: a cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de atraso, ignorância e limitação. Atende ao enunciado o que se afirma em I, II e III. I e II, apenas. I e III, apenas. II e III, apenas. I, apenas. Ao comparar a vida das comunidades humanas no campo e na cidade, o autor nos mostra que essas duas formas se opõem definitivamente, uma vez que se associam a cada uma delas valores contrários estabilizados e permanentes. se complementam na história da humanidade, dado que se alternam no cumprimento das mesmas funções. sofrem fortes associações negativas, por conta da crítica que se faz contra o que há de destrutivo no progresso. apresentam apenas vantagens para quem opta por um cotidiano marcado pela ambição e pelo dinamismo. se avaliam de modo relativo, uma vez que se pode associar a cada uma delas qualidades positivas e negativas. A citação dos versos do poeta Wordsworth e o comentário que a ela se segue reforçam o que se afirma em O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida, sobretudo quando se pensa no que há de atropelo na vida que se leva nas grandes cidades. the country pode ser toda a sociedade ou só a parte rural, já que é essa a sensação confusa vivida pelo poeta à porta da grande cidade existe uma ampla gama de concentrações humanas, tal como pode constatar aquele que chega do campo e se depara com o gigantismo de uma capital. a cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição, ao mesmo tempo em que se reconhecem nela a azáfama e as agitações que a tantos deprimem. A visão (...) da cidade pode variar conforme a perspectiva pessoal, sendo possível ver nas edificações urbanas uma alta e incomparável beleza. Sem prejuízo para o sentido da frase, o elemento sublinhado pode ser substituído pelo que está entre parênteses em: isso não é de estranhar, se aquilatarmoso quanto elas representam na vivência das comunidades humanas (ainda que relativizemos) À cidade associou-se a ideia de centro de realizações (Se acobertou na cidade) A visão (...) pode variar conforme a perspectiva pessoal (não obstante o ponto de vista) É bem verdade que se trata de uma visão da cidade antes da azáfama (Está patente que se fala) porém não há como não reconhecer esse sentimento de entusiasmo (ainda que não se constate) Ao flexionar-se, o verbo indicado entre parênteses deve concordar com o elemento sublinhado na seguinte frase: Não (ser) de estranhar que haja tantas opiniões contraditórias acerca da vida na cidade ou no campo. É difícil evitar que se (constelar), em torno da cidade, muitas associações negativas. Em nossa época se (cristalizar) juízos mais favoráveis à vida no campo do que à da cidade. Não (propiciar) uma visão harmônica da cidade os vários ritmos impostos pelo progresso. (Ressaltar) nos versos do poeta Wordsworth sua admiração pelos ícones arquitetônicos de Londres. Considere as construções abaixo. Ele pesquisa o transporte público nas grandes cidades, onde convivem meios obsoletos e avançados. A preferência pela vida no campo tende a diminuir, em função das ofertas de trabalho que há na cidade. Num passado recente, ninguém imaginaria que confortos da cidade viessem a se oferecer na vida do campo. A exclusão da vírgula altera o sentido do que se enuncia APENAS em I. II. III. I e III. II e III. Ambos os termos sublinhados são exemplos de uma mesma função sintática na frase: “Campo" e “cidade" são palavras muito poderosas. O termo inglês country pode significar tanto “país" quanto “campo". uma dessas realizações é a cidade. O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida. entre os tradicionais extremos de campo e cidade existe uma ampla gama de concentrações humanas. Atenção: Para responder às questões de números 16 a 20, considere o texto abaixo. Barbárie e civilização Em 1777, o ferino filósofo francês Voltaire escreveu: “O mundo começa a civilizar-se um pouco; mas que ferrugem espessa, que noite grosseira, que barbárie dominam ainda certas províncias, sobretudo entre os probos agricultores tão louvados em elegias e éclogas, entre lavradores inocentes e vigários de aldeia, que por um escudo arrastariam os irmãos para a prisão e vos apedrejariam se duas velhas, vendo-vos passar, exclamassem: herege! O mundo está melhorando um pouco; sim, o mundo pensante, mas o mundo bruto será ainda por muito tempo um composto de animais, e a canalha será sempre de cem para um. É para ela que tantos homens, mesmo com desdém, mostram compostura e dissimulam; é a ela que todos querem agradar; é dela que todos querem arrancar vivas; é para ela que se realizam cerimônias pomposas; é só para ela, enfim, que se faz do suplício de um infeliz um grande e soberbo espetáculo" (O preço da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 29-30) Voltaire não hesita, ao considerar o grau de civilização em que encontra sua época, em suprimir quaisquer preconceitos contra as classes populares, notadamente as mais laboriosas. enaltecer a aristocracia, escudado tão somente no argumento de que a nobreza está no sangue. manifestar seu desprezo pelos que julga néscios, responsabilizados pela prática e expansão da barbárie. atribuir aos clérigos e fanáticos religiosos a responsabilidade pelo atraso nas letras e no pensamento. declarar sua admiração pelos campesinos que se conservam humildes e honestos a despeito de sua classe. Voltaire associa a quem se manifesta pela acusação de herege e pela saudação dos vivas o direito à manifestação pública, desde que interpretada como insensata ou injusta. a motivação irrefletida dos grosseiros que acatam a acusação leviana e aplaudem a barbárie. o entusiasmo das massas, quando inflamadas pela fé ou pela opinião de quem difunde a cultura erudita. a facilidade com que mesmo as criaturas pensantes incorrem no vício de seguir a opinião alheia. a vantagem que leva sobre as demais criaturas, ao fazer valer a virtude de seu descortino crítico. Considere as afirmações abaixo. Nas expressões probos agricultores e lavradores inocentes, os qualificativos devem ser entendidos, em função do contexto, como manifestações da ironia de Voltaire. Voltaire acusa o idealismo de poetas que louvam em suas éclogas ou elegias criaturas que de fato ele reconhece como bárbaros ou grosseiros. Ao se valer da expressão suplício de um infeliz, Voltaire está se referindo às provações que sofre um homem culto diante das manifestações de barbárie. Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em I. II. III. I e II. II e III. Está plenamente clara e correta a redação da seguinte frase: Voltaire não hesita em quantificar a preponderância dos homens grosseiros sobre os pensantes, ao se valer da expressão a canalha será sempre de cem para um. Ao se pautar na expressão a canalha será sempre de cem para um, cujo sentido óbvio é o de apontar a supremacia desta sobre os demais. A expressão a canalha será sempre de cem para um refere-se ao quanto Voltaire imagina de que os incultos são muito mais voluntariosos que os outros pensantes. Para não deixar dúvida em matéria de proporção, quem são os pensantes, Voltaire afirma que estes se reduzem a um por cada cem dos demais. Para cada cem pessoas grosseiras, propõe Voltaire que apenas uma é mais pensante, atestando-se assim a hegemônica atuação de uns poucos sobre todos os demais. Estão adequadas ambas as construções pronominais indicadas entre parênteses, como alternativas válidas, no contexto, para as expressões sublinhadas em: Voltaire atribui aos grosseiros (atribui-lhes) a responsabilidade por aplaudirem a barbárie (lhe aplaudirem). As velhas acusam a vítima (acusam-lhe) de herege e os bárbaros seguem as velhas (seguem-nas) em seu preconceito. Os poetas idealistas louvam os campesinos (lhes louvam), ignorando os defeitos deles (ignorando-lhes os defeitos). Muitos homens querem agradar as massas (as agradar), não hesitando em cortejar as mesmas (cortejar-lhes). Para que aprimoremos a civilização (a aprimoremos), é preciso prestigiar os pensantes (prestigiá-los). GABARITO 01. C 02. B 03. D 04. A 05. B 06. C 07. D 08. B 09. A 10. E 11. E 12. D 13. B 14. A 15. E 16. C 17. B 18. D 19. A 20. E F C C – 07 Atenção: Para responder às questões de números 01 a 10, considere o texto abaixo. Maias usavam sistema de água eficiente e sustentável Um estudo publicado recentemente mostra que a civilização maia da América Central tinha um método sustentável de gerenciamento da água. Esse sistema hidráulico, aperfeiçoado por mais de mil anos, foi pesquisado por uma equipe norte-americana. As antigas civilizações têm muito a ensinar para as novas gerações. O caso do sistema de coleta e armazenamento de água dos maias é um exemplo disso. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores fizeram uma escavação arqueológica nas ruínas da antiga cidade de Tikal, na Guatemala. Durante o estudo, coordenado por Vernon Scarborough, da Universidade de Cincinnati, em Ohio, e publicado na revista científica PNAS, foram descobertas a maior represa antiga da área maia, a construção de uma barragem ensecadeira para fazer a dragagem do maior reservatório de água em Tikal, a presença de uma antiga nascente ligada ao início da colonização da região, em torno de 600 a.C., e o uso de filtragem por areia para limpar a água dos reservatórios. No sistema havia também uma estação que desviava a água para diversos reservatórios. Assim, os maias supriam a necessidade de água da população, estimada em 80 mil em Tikal, próximo ao ano 700, além das estimativas de mais cinco milhões de pessoas que viviam na região dasplanícies maias ao sul. No final do século IX a área foi abandonada e os motivos que levaram ao seu colapso ainda são questionados e debatidos pelos pesquisadores. Para Scarborough é muito difícil dizer o que de fato aconteceu. “Minha visão pessoal é que o colapso envolveu diferentes fatores que convergiram de tal modo nessa sociedade altamente bem-sucedida que agiram como uma ‘perfeita tempestade’. Nenhum fator isolado nessa coleção poderia tê-los derrubado tão severamente”, disse o pesquisador à Folha de S. Paulo. Segundo ele, a mudança climática contribuiu para a ruína dessa sociedade, uma vez que eles dependiam muito dos reservatórios que eram preenchidos pela chuva. É provável que a população tenha crescido muito além da capacidade do ambiente, levando em consideração as limitações tecnológicas da civilização. “É importante lembrar que os maias não estão mortos. A população agrícola que permitiu à civilização florescer ainda é muito viva na América Central”, lembra o pesquisador. (Adaptado de Revista Dae, 21 de Junho de 2013, www.revistadae.com.br/novosite/noticias_interna.php?id=8413) De acordo com o texto, o sistema de coleta e armazenamento de água dos maias - composto por barragem ensecadeira, grande reservatório de água, nascente e processo de filtragem da água por areia-, recentemente descoberto por pesquisadores dos Estados Unidos, data de 600 a.C. é o mais antigo do continente americano. o grande nível de desenvolvimento atingido pela civilização maia, segundo o pesquisador norte-americano Vernon Scarborough, impede que se atribua a uma única causa o seu desaparecimento, que deve ter sido o resultado da concorrência de um conjunto de diferentes acontecimentos infaustos. o pesquisador norte-americano Vernon Scarborough, da universidade de Cincinnati, em Ohio, acredita que o principal motivo que levou ao desaparecimento da civilização maia foi uma avassaladora tempestade que se abateu sobre a região no século IX d.C. as controvérsias entre os especialistas se estendem à questão da eficiência do sistema de abastecimento de água dos maias, havendo quem acredite, como o pesquisador norte-americano Vernon Scarborough, que suas limitações podem ter sido uma das causas da ruína dessa civilização. o principal interesse dos pesquisadores norte-americanos ao estudar o sistema de coleta e armazenamento de água dos maias é o aprendizado que dele poderia advir e a possibilidade desse conhecimento vir a ser aplicado na construção de sistemas semelhantes nos Estados Unidos. Considerado o contexto, o segmento cujo sentido está adequadamente expresso em outras palavras é: permitiu à civilização florescer (último parágrafo) = possibilitou a refutação da barbárie para fazer a dragagem do maior reservatório (3º parágrafo) = para empreender a drenagem da eclusa mais funda os motivos que levaram ao seu colapso (5º parágrafo) = as razões que conduziram à sua derrocada os pesquisadores fizeram uma escavação arqueológica (2º parágrafo) = os diletantes realizaram um experimento geomorfológico método sustentável de gerenciamento da água (1º parágrafo) = procedimento ambiental de dissipação hídrica A palavra empregada no texto em sentido próprio e depois em sentido figurado está grifada nestes dois segmentos: os pesquisadores fizeram uma escavação arqueológica nas ruínas da antiga cidade de Tikal ... / a mudança climática contribuiu para a ruína desta sociedade... a civilização maia da América Central tinha um método sustentável de gerenciamento da água. / As antigas civilizações têm muito a ensinar para as novas gerações. e os motivos que levaram ao seu colapso ainda são questionados e debatidos pelos pesquisadores. / Minha visão pessoal é que o colapso envolveu diferentes fatores... para fazer a dragagem do maior reservatório de água em Tikal ... / uma estação que desviava a água para diversos reservatórios. a presença de uma antiga nascente ligada ao início da colonização da região ... / estimativas de mais cinco milhões de pessoas que viviam na região das planícies maias ao sul. ... e os motivos que levaram ao seu colapso ainda são questionados e debatidos pelos pesquisadores. O verbo que possui o mesmo tipo de complemento que o verbo grifado acima está empregado em: ... os pesquisadores fizeram uma escavação arqueológica nas ruínas da antiga cidade de Tikal... ... que os maias não estão mortos. ... que a civilização maia da América Central tinha um método sustentável de gerenciamento da água. ... o que de fato aconteceu. ... uma vez que eles dependiam muito dos reservatórios que... A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente foi realizada de modo INCORRETO em: que permitiu à civilização = que lhe permitiu envolveu diferentes fatores = envolveu-os para fazer a dragagem = para fazê-la que desviava a água = que lhe desviava supriam a necessidade = supriam-na Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores fizeram uma escavação arqueológica nas ruínas da antiga cidade de Tikal, na Guatemala. O a empregado na frase acima, imediatamente depois de chegar, deverá receber o sinal indicativo de crase caso o segmento grifado seja substituído por: (A) uma tal ilação (B) afirmações como essa (C) comprovação dessa assertiva (D) emitir uma opinião desse tipo (E) semelhante resultado Nenhum fator isolado nessa coleção poderia tê-los derrubado tão severamente... A transposição da frase acima para a voz passiva terá como resultado a forma verbal: (A) poderiam ter vindo a derrubar. (B) poderiam ter derrubado. (C) poderia ter sido derrubado. (D) poderiam ter sido derrubados. (E) poderia terem sido derrubados. Segundo ele, a mudança climática contribuiu para a ruína dessa sociedade, uma vez que eles dependiam muito dos reservatórios que eram preenchidos pela chuva. A locução conjuntiva grifada na frase acima pode ser corretamente substituída pela conjunção: (A) quando. (B) porquanto. (C) conquanto. (D) todavia. (E) contanto. Considerada a substituição do segmento grifado pelo que está entre parênteses ao final da transcrição, o verbo que deverá permanecer no singular está em: ... disse o pesquisador à Folha de S. Paulo. (os pesquisadores) Segundo ele, a mudança climática contribuiu para a ruína dessa sociedade... (as mudanças do clima) No sistema havia também uma estação... (várias estações) ... a civilização maia da América Central tinha um método sustentável de gerenciamento da água. (os povos que habitavam a América Central) Um estudo publicado recentemente mostra que a civilização maia... (Estudos como o que acabou de ser publicado) Sem prejuízo para a correção e a lógica, uma vírgula poderia ser colocada imediatamente depois de mostra, na frase Um estudo publicado recentemente mostra que a civilização maia... (1º parágrafo) abandonada, na frase No final do século IX a área foi abandonada e os motivos que levaram ao seu colapso ainda são questionados e debatidos pelos pesquisadores. (5º parágrafo) Scarbourough, na frase Para Scarborough é muito difícil dizer o que de fato aconteceu. (5º parágrafo) Está correto o que consta APENAS em I. II e III. I e III. II. III. Atenção: Para responder às questões de números 11 a 15, considere o texto abaixo. O conceito de desenvolvimento sustentável evoluiu ao longo do tempo e incorporou, para além do capital natural, também aspectos de desenvolvimento humano. Desta forma é possível distinguir três dimensões do Desenvolvimento Sustentável (AYUSO e FULLANA, 2002): — Sustentabilidade ambiental: deve garantir que o desenvolvimento seja compatível com a manutenção dos processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos recursos naturais; — Sustentabilidade econômica: deve garantir que o desenvolvimento seja economicamente eficiente, beneficie todos os agentes de uma região afetada e os recursos sejam geridos de maneira que se conservem para as gerações futuras;— Sustentabilidade social e cultural: deve garantir que o desenvolvimento sustentável aumente o controle dos indivíduos sobre suas vidas, seja compatível com a cultura e os valores das pessoas, e mantenha e reforce a identidade das comunidades. Atualmente, também se associa o Desenvolvimento Sustentável ou Sustentabilidade à responsabilidade social. Responsabilidade social é a forma ética e responsável pela qual a Empresa desenvolve todas as suas ações, políticas, práticas e atitudes, tanto com a comunidade quanto com o seu corpo funcional. Enfim, com o ambiente interno e externo à Organização e com todos os agentes interessados no processo. Assim, as definições de Educação Ambiental são abrangentes e refletem a história do pensamento e visões sobre educação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. É importante que a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultura empresarial, por meio das ações e projetos de Educação Ambiental, esteja alinhada a esses conceitos. (Adaptado de: Guia de Educação Ambiental. Programa de Educação Ambiental - PEA Sabesp, p. 23-4. http://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=176) Conclui-se corretamente do texto que a sustentabilidade econômica prioriza o tempo presente, isto é, a utilização dos recursos naturais esgotáveis em benefício do aumento da prosperidade humana em detrimento da preservação desses mesmos recursos, que acabam por não gerar riqueza e bem-estar para as pessoas. manter intocada a cultura e o modo de vida de uma dada comunidade, de modo a evitar as influências advindas do contato com outras culturas, especialmente daquelas dos grandes centros, que já perderam a sua identidade, deve ser uma das metas da sustentabilidade social e cultural. há uma hierarquia entre os aspectos hoje relacionados ao desenvolvimento sustentável: em primeiro lugar, deve vir a natureza e o meio ambiente; em segundo, os fatores econômicos; e, por fim, as questões ligadas à sociedade e à cultura. a responsabilidade da Empresa é limitada às pessoas - seu corpo de funcionários e sua clientela -, não lhe cabendo envolver-se nas questões propriamente ligadas à conservação do meio ambiente e da natureza. o conceito de desenvolvimento sustentável não é estável ao longo do tempo: relacionado inicialmente ao meio ambiente, passou a abranger também aspectos econômicos, sociais e culturais, vinculando-se mais recentemente à responsabilidade social das empresas. Sustentabilidade econômica: deve garantir que o desenvolvimento seja economicamente eficiente, beneficie todos os agentes de uma região afetada e os recursos sejam geridos de maneira que se conservem para as gerações futuras... Os elementos grifados no trecho acima têm, respectivamente, o sentido de: assegurar - administrados implicar - cuidados abonar - aplicados propiciar - produzidos almejar - gerenciados É importante que a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultura empresarial, por meio das ações e projetos de Educação Ambiental, esteja alinhada a esses conceitos. O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o verbo grifado na frase acima está em: ... a Empresa desenvolve todas as suas ações, políticas... ... as definições de Educação Ambiental são abrangentes... ... também se associa o Desenvolvimento Sustentável... ... e incorporou [...] também aspectos de desenvolvimento humano. ... e reforce a identidade das comunidades. A palavra retirada do texto que NÃO está acompanhada de um antônimo é: essenciais - acessórios evoluiu - involuiu compatível - incompatível agentes - reagentes controle - descontrole Atualmente, também se associa o Desenvolvimento Sustentável ou Sustentabilidade à responsabilidade social. Responsabilidade social é a forma ética e responsável pela qual a Empresa desenvolve todas as suas ações, políticas, práticas e atitudes, tanto com a comunidade quanto com o seu corpo funcional. Enfim, com o ambiente interno e externo à Organização e com todos os agentes interessados no processo. Assim, as definições de Educação Ambiental são abrangentes e refletem a história do pensamento e visões sobre educação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Os advérbios grifados no trecho acima podem ser substituídos corretamente, na ordem dada, por: (A) Nos dias de hoje - Por fim - Desse modo (B) Consentaneamente - Afinal de contas - Desse modo (C) Nos dias de hoje - Ultimamente - Do mesmo modo (D) Consentaneamente - Por derradeiro - Destarte (E) Presentemente - Afinal de contas - De todo modo GABARITO B C A E D C D B C B E A E D A 1