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Questões resolvidas

verbo da subordinada.


a) I. O povo solicitava a unificação dos impostos.
II. O povo solicitava que unificassem os impostos. OU que os impostos fossem unificados. OU que se unificassem os impostos.____________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta_______________________
b) I. O chefe insiste na manutenção dos direitos.
II. O chefe insiste em que se mantenham os direitos. OU em que os direitos sejam mantidos.____________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta_______________________
c) I. A sociedade tem consciência da inexistência de solução para o desemprego.
II. A sociedade tem consciência de que inexiste solução para o... _________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal___________________________
d) I. Minha esperança é a cassação dos corruptos.
II. Minha esperança é que cassem os corruptos. OU que os corruptos sejam cassados. OU que se cassem...__________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Predicativa___________________________
e) I. É fundamental a rescisão do contrato.
II. É fundamental que rescindam o contrato. OU que o contrato seja rescindido. OU que se rescinda o contrato...____________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva___________________________
f) I. Peço apenas uma coisa: a sua chegada a tempo.
II. Peço apenas uma coisa: que (você) chegue a tempo._______________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Apositiva___________________________

(UFAL) – Dadas as afirmativas a respeito da tira,
I. O recurso linguístico utilizado pelo personagem é o discurso direto.
II. As falas do personagem exemplificam o uso da linguagem em função predominantemente fática, uma vez que o elemento da comunicação centralizado é o canal.
III. O vocábulo que em: “Não é justo que uma mulher trabalhe...” introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva.
IV. Em se tratando de noção temporal, o pronome isso em: “Por que não faz isso à noite?...”, de 2ª pessoa do discurso, indica tempo presente ou momento pontual.
verifica-se que estão corretas


a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e IV, apenas.
d) III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

subordinada substantiva;
em IV, a indicação temporal relaciona-se ao tempo presente
porque “isso” refere-se ao que a mulher estava executando no
momento da fala de Hagar.
E
4. (INSPER) – Na passagem "Nossos resultados demonstram que as
aptidões básicas de processamento de ortografia podem ser
adquiridas na ausência de representações linguísticas", a oração
destacada exerce a mesma função sintática que a oração sublinhada
em
a) “... meia dúzia deles para que reconhecessem quando letras na tela
de um computador formavam uma palavra ...”
b) “Eles queriam saber se o processamento da informação ortográfica
poderia ser feito...”
c) “Se acertavam, ganhavam uma recompensa na forma de
comida...”
d) “... entre os linguistas e biólogos: a de que a capacidade de
reconhecer palavras seria inseparável da lingua gem...”
e) “... reconhecer combinações (...) é algo que pode ter surgido na
evolução bem antes de os seres humanos...”
RESOLUÇÃO:
A oração em questão é subordinada substantiva objetiva direta,
pois exerce a função de objeto direto do verbo da principal
(demonstram). A mesma função de objeto direto exerce, em b, a
oração introduzida pela conjunção se (que, no caso, é uma
conjunção integran te, como o que) em relação ao verbo da oração
principal (saber). Em a, trata-se de oração subordinada adverbial
final; em c, de oração subordinada adverbial condicional; em d, de
oração subordinada substantiva completiva nominal (completa o
sentido de noção, da oração principal, palavra retomada pelo
pronome a); em e, de oração subordinada adjetiva restritiva cujo
antecedente é algo.
Resposta: B
5. (FGV) – Assinale a alternativa em que a oração em destaque tem
a mesma função sintática da destacada no período – Acho que já sei
qual será o novo toque do meu celular.
a) Marcaram a reunião, mas ainda não informaram o local.
b) O contrato será assinado, a menos que o texto contenha erros.
c) Atenda bem ao cliente, que ele voltará sempre.
d) É necessário que tenham confiança na empresa e no produto.
e) Ainda não decidimos se haverá a tal reunião.
RESOLUÇÃO:
As orações em questão são subordinadas substantivas objetivas
diretas, pois funcionam como objetos diretos dos verbos das
orações que complementam (“sei” e “decidimos”).
Resposta: E
6. (UNIFESP) – “De acordo com essa teoria, não cabia aos homens
modificar a ordem social.” (1.° parágrafo)
O trecho destacado exerce a função sintática de
a) objeto indireto.
b) objeto direto.
c) adjunto adnominal.
d) sujeito.
e) adjunto adverbial.
RESOLUÇÃO:
A oração “modificar a ordem social” funciona como sujeito
(oração subordinada substantiva subjetiva) da principal. Assim o
trecho poderia ser reescrito da seguinte forma: “De acordo com
essa teoria, modificar a ordem social não cabia aos homens”.
Resposta: D


3. (PUC-RJ) – Frequentemente, frases como as apresentadas abaixo são proferidas em conversações informais. Num texto formal escrito, porém, são inadequadas. Reescreva-as, sem modificar o seu sentido e pontuação, mas adequando-as ao padrão da língua escrita.
a) A menina que eu gosto dos olhos dela ainda não chegou.


7. (FUVEST)
a) Para que o emprego da palavra “onde”, sublinhada no texto, seja considerado correto, a que termo antecedente ela deve se referir?
Justifique sua resposta.


O excerto em destaque expressa uma condenação às inúmeras fotografias que se popularizam na forma de selfies. Assim, a pontuação adequada a essa postura crítica seria: “Todas as outras? Que ideia!”


a) Identifique a preposição exigida pelo verbo e refaça a construção, obedecendo à norma gramatical.

b) Justifique a correção.

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Questões resolvidas

verbo da subordinada.


a) I. O povo solicitava a unificação dos impostos.
II. O povo solicitava que unificassem os impostos. OU que os impostos fossem unificados. OU que se unificassem os impostos.____________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta_______________________
b) I. O chefe insiste na manutenção dos direitos.
II. O chefe insiste em que se mantenham os direitos. OU em que os direitos sejam mantidos.____________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta_______________________
c) I. A sociedade tem consciência da inexistência de solução para o desemprego.
II. A sociedade tem consciência de que inexiste solução para o... _________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal___________________________
d) I. Minha esperança é a cassação dos corruptos.
II. Minha esperança é que cassem os corruptos. OU que os corruptos sejam cassados. OU que se cassem...__________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Predicativa___________________________
e) I. É fundamental a rescisão do contrato.
II. É fundamental que rescindam o contrato. OU que o contrato seja rescindido. OU que se rescinda o contrato...____________________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva___________________________
f) I. Peço apenas uma coisa: a sua chegada a tempo.
II. Peço apenas uma coisa: que (você) chegue a tempo._______________________________________________________________________

Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Apositiva___________________________

(UFAL) – Dadas as afirmativas a respeito da tira,
I. O recurso linguístico utilizado pelo personagem é o discurso direto.
II. As falas do personagem exemplificam o uso da linguagem em função predominantemente fática, uma vez que o elemento da comunicação centralizado é o canal.
III. O vocábulo que em: “Não é justo que uma mulher trabalhe...” introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva.
IV. Em se tratando de noção temporal, o pronome isso em: “Por que não faz isso à noite?...”, de 2ª pessoa do discurso, indica tempo presente ou momento pontual.
verifica-se que estão corretas


a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e IV, apenas.
d) III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

subordinada substantiva;
em IV, a indicação temporal relaciona-se ao tempo presente
porque “isso” refere-se ao que a mulher estava executando no
momento da fala de Hagar.
E
4. (INSPER) – Na passagem "Nossos resultados demonstram que as
aptidões básicas de processamento de ortografia podem ser
adquiridas na ausência de representações linguísticas", a oração
destacada exerce a mesma função sintática que a oração sublinhada
em
a) “... meia dúzia deles para que reconhecessem quando letras na tela
de um computador formavam uma palavra ...”
b) “Eles queriam saber se o processamento da informação ortográfica
poderia ser feito...”
c) “Se acertavam, ganhavam uma recompensa na forma de
comida...”
d) “... entre os linguistas e biólogos: a de que a capacidade de
reconhecer palavras seria inseparável da lingua gem...”
e) “... reconhecer combinações (...) é algo que pode ter surgido na
evolução bem antes de os seres humanos...”
RESOLUÇÃO:
A oração em questão é subordinada substantiva objetiva direta,
pois exerce a função de objeto direto do verbo da principal
(demonstram). A mesma função de objeto direto exerce, em b, a
oração introduzida pela conjunção se (que, no caso, é uma
conjunção integran te, como o que) em relação ao verbo da oração
principal (saber). Em a, trata-se de oração subordinada adverbial
final; em c, de oração subordinada adverbial condicional; em d, de
oração subordinada substantiva completiva nominal (completa o
sentido de noção, da oração principal, palavra retomada pelo
pronome a); em e, de oração subordinada adjetiva restritiva cujo
antecedente é algo.
Resposta: B
5. (FGV) – Assinale a alternativa em que a oração em destaque tem
a mesma função sintática da destacada no período – Acho que já sei
qual será o novo toque do meu celular.
a) Marcaram a reunião, mas ainda não informaram o local.
b) O contrato será assinado, a menos que o texto contenha erros.
c) Atenda bem ao cliente, que ele voltará sempre.
d) É necessário que tenham confiança na empresa e no produto.
e) Ainda não decidimos se haverá a tal reunião.
RESOLUÇÃO:
As orações em questão são subordinadas substantivas objetivas
diretas, pois funcionam como objetos diretos dos verbos das
orações que complementam (“sei” e “decidimos”).
Resposta: E
6. (UNIFESP) – “De acordo com essa teoria, não cabia aos homens
modificar a ordem social.” (1.° parágrafo)
O trecho destacado exerce a função sintática de
a) objeto indireto.
b) objeto direto.
c) adjunto adnominal.
d) sujeito.
e) adjunto adverbial.
RESOLUÇÃO:
A oração “modificar a ordem social” funciona como sujeito
(oração subordinada substantiva subjetiva) da principal. Assim o
trecho poderia ser reescrito da seguinte forma: “De acordo com
essa teoria, modificar a ordem social não cabia aos homens”.
Resposta: D


3. (PUC-RJ) – Frequentemente, frases como as apresentadas abaixo são proferidas em conversações informais. Num texto formal escrito, porém, são inadequadas. Reescreva-as, sem modificar o seu sentido e pontuação, mas adequando-as ao padrão da língua escrita.
a) A menina que eu gosto dos olhos dela ainda não chegou.


7. (FUVEST)
a) Para que o emprego da palavra “onde”, sublinhada no texto, seja considerado correto, a que termo antecedente ela deve se referir?
Justifique sua resposta.


O excerto em destaque expressa uma condenação às inúmeras fotografias que se popularizam na forma de selfies. Assim, a pontuação adequada a essa postura crítica seria: “Todas as outras? Que ideia!”


a) Identifique a preposição exigida pelo verbo e refaça a construção, obedecendo à norma gramatical.

b) Justifique a correção.

Prévia do material em texto

PORTUGUÊS
C2_3ano_LARANJA_DCN_PORT_JR_2023.qxp 18/01/2023 16:25 Página I
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FRENTE 1Gramática e Sintaxe
Numa época em que tempo e espaço são exíguos, de ve mos pro cu rar
transmitir mensagens verbais conci sas, com poucas palavras, des de que
isso não preju di que a clareza e a expressão completa da infor mação.
Buscando a economia de palavras, seu desafio é trans formar o período
composto abaixo em um período sim ples, com um só verbo. Dica: um
dos verbos deve ser transformado em substantivo.
Desejo que vocês viajem bem e descansem bastante. 
RESOLUÇÃO:
Desejo-lhes uma boa viagem e bastante descanso.
Você já aprendeu que a oração subordinada depen de de outra
oração do período, pois funciona como um termo dessa oração,
como se estivesse encaixada nela. A oração subordinada pode ser
substituída por um substantivo (ou pronome substantivo), adjetivo
ou palavra ou expressão com valor de advérbio, compondo, dessa
maneira, a oração principal.
Para saber se uma oração é subordinada, verifique
• se ela é introduzida por uma conjunção ou por um pronome
relativo; ou
• se não introduzida por conjunção ou pronome relativo,
apresenta o verbo no gerúndio, particí pio ou infinitivo (esses
casos serão estudados mais tarde);
• se pode ser substituída por um substantivo (ou pro nome
substantivo), adjetivo ou palavra ou expressão com valor de
advérbio, compondo, desta maneira, a oração principal.
Exemplos
Meu professor, que nasceu na França, fala bem o português.
Meu professor, francês, fala bem o português.
No caso, a oração subordinada – que nasceu na França –
• é introduzida por pronome relativo (que);
• pode ser substituída por um adjetivo (francês) que passa a
compor a oração principal.
Observei que eles estão contentes.
Observei o contentamento deles.
Observei isso.
A oração subordinada – que eles estão contentes –
• é introduzida por uma conjunção (que);
• pode ser substituída por um substantivo (conten tamento) ou
pronome substantivo (isso) que passa a compor a oração
principal.
Quando anoiteceu, ele chegou.
À noite, ele chegou.
No caso, a oração subordinada – quando anoiteceu –
• é introduzida por conjunção (quando);
• pode ser substituída por uma expressão com valor de advérbio
(à noite) que passa a compor a oração prin cipal.
Para saber se uma oração é principal, verifique
• se ela assimila o substantivo, adjetivo, advérbio ou expressão
com valor de advérbio equivalente à transformação da oração
subordinada.
Exemplos
Observei que eles estão contentes.
Observei o contentamento deles.
Observei isso.
A oração principal – Observei – assimilou o substan tivo
contentamento (ou o pronome isso), equiva lente à oração
subordinada transformada.
O termo contentamento deles (ou isso) funciona como objeto direto
da nova oração.
A oração subordinada substantiva desempenha fun ção sintática
própria do substantivo. Pode ser subs tituída por um substantivo ou
pronome substantivo.
Às vezes, não encontramos um substantivo ade quado, que não
altere o sentido da frase, para fazer a substituição. Mas sempre
podemos substituir a oração subordinada substan tiva pelo pronome
substantivo isso (ou contração do pronome com conjunção, como
disso, nisso).
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
desempenham função sintática própria do substantivo
Funcionam como
• sujeito da principal — subjetiva
• objeto direto da principal — objetiva direta
• objeto indireto da principal — objetiva indireta
• predicativo do sujeito da principal — predicativa
• complemento nominal da principal — completiva nominal
• aposto da principal — apositiva
MÓDULO 11 Orações Subordinadas Substantivas
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1. Analise a função sintática do termo grifado em I e, a seguir, em II, transforme esse termo na oração subor dinada subs tan tiva correspondente,
classifican do-a. Preste atenção na correlação entre o verbo da principal e o verbo da subordinada.
a) I. O povo solicitava a unificação dos impostos.
II. O povo solicitava que unificassem os impostos. OU que os impostos fossem unificados. OU que se unificassem os impostos.____________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta_______________________
b) I. O chefe insiste na manutenção dos direitos.
II. O chefe insiste em que se mantenham os direitos. OU em que os direitos sejam mantidos.____________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta_______________________
c) I. A sociedade tem consciência da inexistência de solução para o desemprego.
II. A sociedade tem consciência de que inexiste solução para o... _________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal___________________________
d) I. Minha esperança é a cassação dos corruptos.
II. Minha esperança é que cassem os corruptos. OU que os corruptos sejam cassados. OU que se cassem...__________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Predicativa___________________________
e) I. É fundamental a rescisão do contrato.
II. É fundamental que rescindam o contrato. OU que o contrato seja rescindido. OU que se rescinda o contrato...____________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva___________________________
f) I. Peço apenas uma coisa: a sua chegada a tempo.
II. Peço apenas uma coisa: que (você) chegue a tempo._______________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Apositiva___________________________
( Aposto )
( S )
( PS )
( CN )
( OI )
( OD )
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2. Classifique as orações subordinadas substantivas extraídas de Dom
Casmurro, de Machado de Assis.
(1) objetiva direta (2) subjetiva (3) objetiva indireta 
(4) completiva nominal (5) predicativa 
a) "Vi que a emoção dela era outra vez grande, mas não recuava de
seus propósitos..." ( )
b) "De repente, cessando a reflexão, fitou em mim os olhos de
ressaca, e perguntou-me se tinha medo." ( )
c) "Se me acudisse ali uma injúria grande ou pequena, é possível que
a escrevesse também..." ( )
d) "Ao mesmo tempo tomei-me do receio de que alguém nos
pudesse ouvir..." ( )
e) "O bonito é que cada um de nós queria agora as culpas para si..."
( )
f) "No dia seguinte, arrependi-me de haver rasgado o discurso...
( ) Pensei em recompô-lo, mas só achei frases soltas..." ( )
RESOLUÇÃO: a) 1; b) 1; c) 2; d) 4; e) 5; f) 3, 3. 
Tira para a questão 3.
.
3. (UFAL) – Dadas as afirmativas a respeito da tira,
I. O recurso linguístico utilizado pelo personagem é o discurso direto.
II. As falas do personagem exemplificam o uso da linguagem em
função predominantemente fática, uma vez que o elemento da
comunicação centralizado é o canal.
III. O vocábulo que em: “Não é justo que uma mulher trabalhe...”
introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva.
IV. Em se tratando de noção temporal, o pronome isso em: “Por que
não faz isso à noite?...”, de 2ª pessoa do discurso, indica tempo
presente ou momento pontual. 
verifica-se que estão corretas
a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e IV, apenas.
d) III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
RESOLUÇÃO:
Todas corretas. Em I, a fala é apresentada pela própria
personagem (discurso direto); em II, a indicação da função
predominantemente fática é adequada, já que há, apenas, a
intençãode interação entre os falantes; em III, “que” é conjunção
integrante, introduz, portanto, oração subordinada substantiva;
em IV, a indicação temporal relaciona-se ao tempo presente
porque “isso” refere-se ao que a mulher estava executando no
momento da fala de Hagar.
Resposta: E
4. (INSPER) – Na passagem "Nossos resultados demonstram que as
aptidões básicas de processamento de ortografia podem ser
adquiridas na ausência de representações linguísticas", a oração
destacada exerce a mesma função sintática que a oração sublinhada
em
a) “... meia dúzia deles para que reconhecessem quando letras na tela
de um computador formavam uma palavra ...”
b) “Eles queriam saber se o processamento da informação ortográfica
poderia ser feito...”
c) “Se acertavam, ganhavam uma recompensa na forma de
comida...”
d) “... entre os linguistas e biólogos: a de que a capacidade de
reconhecer palavras seria inseparável da lingua gem...”
e) “... reconhecer combinações (...) é algo que pode ter surgido na
evolução bem antes de os seres humanos...”
RESOLUÇÃO:
A oração em questão é subordinada substantiva objetiva direta,
pois exerce a função de objeto direto do verbo da principal
(demonstram). A mesma função de objeto direto exerce, em b, a
oração introduzida pela conjunção se (que, no caso, é uma
conjunção integran te, como o que) em relação ao verbo da oração
principal (saber). Em a, trata-se de oração subordinada adverbial
final; em c, de oração subordinada adverbial condicional; em d, de
oração subordinada substantiva completiva nominal (completa o
sentido de noção, da oração principal, palavra retomada pelo
pronome a); em e, de oração subordinada adjetiva restritiva cujo
antecedente é algo.
Resposta: B
5. (FGV) – Assinale a alternativa em que a oração em destaque tem
a mesma função sintática da destacada no período – Acho que já sei
qual será o novo toque do meu celular.
a) Marcaram a reunião, mas ainda não informaram o local.
b) O contrato será assinado, a menos que o texto contenha erros.
c) Atenda bem ao cliente, que ele voltará sempre.
d) É necessário que tenham confiança na empresa e no produto.
e) Ainda não decidimos se haverá a tal reunião.
RESOLUÇÃO:
As orações em questão são subordinadas substantivas objetivas
diretas, pois funcionam como objetos diretos dos verbos das
orações que complementam (“sei” e “decidimos”).
Resposta: E
6. (UNIFESP) – “De acordo com essa teoria, não cabia aos homens
modificar a ordem social.” (1.° parágrafo)
O trecho destacado exerce a função sintática de
a) objeto indireto.
b) objeto direto.
c) adjunto adnominal.
d) sujeito.
e) adjunto adverbial.
RESOLUÇÃO:
A oração “modificar a ordem social” funciona como sujeito
(oração subordinada substantiva subjetiva) da principal. Assim o
trecho poderia ser reescrito da seguinte forma: “De acordo com
essa teoria, modificar a ordem social não cabia aos homens”.
Resposta: D
(Disponível em https://www.facebook.com/SignosNordestinos/?fref=ts. 
Acessado em 26/07/2016.)
NÃO É JUSTO QUE
UMA MULHER TRABALHE
TANTO COM UM SOL
DESSES!
POR QUE NÃO FAZ
ISSO À NOITE?...
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Exemplos
O pátio, que se desdobrava diante do copiar, era imenso.
(Graciliano Ramos)
Perto da mesa havia uma esteira, onde as mulheres cosiam.
Exemplos
Os velhos que seguem as modas presumem remoçar com elas.
(Marquês de Maricá)
O homem que trabalha é útil à sociedade.
Nota
Observe atentamente a diferença de sentido que simples vírgulas
podem provocar:
O homem que é cruel para com os animais é cruel também com
outros seres humanos.
O homem, que é cruel para com os animais, é cruel também com
outros seres humanos.
No primeiro caso, tem-se uma oração que restringe o sentido de
homem, designando um tipo de homem entre vários: o homem que é
cruel para com os animais. Trata-se de oração adjetiva restritiva.
No segundo, tem-se entre vírgulas uma espécie de explicação
acessória que, segundo o locutor da frase, caracterizaria todo homem,
sem exceção: todo homem é cruel para com os animais (e outros
seres humanos). Agora, observe que o sentido seria totalmente traído
se no primeiro período fosse eliminada a adjetiva restritiva:
O homem é cruel para com outros seres humanos (todo homem,
não apenas um certo tipo de homem).
PRONOMES RELATIVOS
QUE
Substitui um termo da oração anterior.
É antecedido por preposição se o nome ou verbo a
que se associa a exigir.
Exemplos: Contou a novidade que todos já conhe -
ciam. Comprou o carro de que gostara. Chegaram
os livros com que vou terminar meu trabalho.
O QUAL
Usa-se, preferencialmente, depois de
pre po sições com mais de uma sílaba.
Substitui o que para evitar ambiguidade.
É antecedido por preposição se o nome ou verbo a
que se associa a exigir.
Exemplos: A testemunha falou a verdade ao juiz
perante o qual depôs. O guia da tur ma, o qual se
atra sou, era novo na em pre sa. (Repare, neste
último exemplo, que o uso do que acarretaria ambi -
gui da de.)
QUEM
Usa-se com referência a pessoas.
Substitui aquele que.
De preferência, concorda com o verbo na terceira
pessoa do singular.
É antecedido por preposição se o nome ou verbo a
que se associa a exigir.
Exemplos: João foi quem me defendeu.
Foi embora Júlia, por quem todos se apaixo naram.
ONDE
Usa-se com referência a lugar.
Substitui em que, na qual.
Exemplos: Esta é a rua onde moro.
Va mos seguir o caminho por onde
passo to dos os dias.
CUJO
Indica posse.
Substitui substantivo ou pronome
prece dido da preposição de.
É antecedido por pre posição exigida
pelo verbo que o segue.
Exemplos: Recordava apenas dos
escri tores de cujos livros havia gostado.
Visi tava sempre as primas em cuja casa
passara a infância.
1. ORAÇÃO
SUBORDINADA ADJETIVA EXPLICATIVA
Aparece isolada por vírgula(s), “encerra uma simples
explicação ou pormenor do antecedente, uma informação
adicional de um ser que se acha suficientemente definido,
podendo ser omitida sem prejuízo”. 
(Evanildo Bechara)
3. ORAÇÃO
SUBORDINADA ADJETIVA RESTRITIVA
Não aparece isolada por vírgula(s), “serve para delimitar ou definir
mais claramente o seu antecedente, o qual, sem a oração
adjetiva, pode ou não fazer sentido ou dizer coisa diferente do que
temos em mente”. 
(Evanildo Bechara)
MÓDULO 12
Orações Subordinadas Adjetivas e
Emprego do Pronome Relativo
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1. Grife as orações adjetivas e classifique-as como explicativas (E) ou
restritivas (R): 
a) ( E ) “... os viajantes atravessaram o rio Taíba, em cujas
margens vagavam bandos de porcos-de-mato; mais longe,
corria o Cauípa, onde se fabri cava excelente vinho de
caju.” (José de Alencar)
b) ( R ) “Dois dos problemas crônicos de que São Paulo padece
são a anarquia publicitária (...) e os espaços exíguos
destinados ao sempre preterido pedestre paulistano.”
(Editorial, Folha de S. Paulo)
c) ( R ) “As políticas sociais não alteraram as estruturas arcaicas
que impedem a redução da desigualdade social.” (Frei
Betto)
d) ( E ) “Tanto Marx quanto Lênin nunca se livraram do modelo
neo-monárquico de um partido altamente centralizado, em
cujas mãos se concentra todo o poder.” (Frei Betto)
RESOLUÇÃO: 
a) em cujas margens vagavam bandos de porcos-de-mato e onde
se fabricava excelente vinho de caju. 
b) de que São Paulo padece.
c) que impedem a redução da desigualdade social.
d) em cujas mãos se concentra o poder.
2. (FUVEST-transferência) – Considere os seguintes frag mentos:
A explicação correta para a presença da vírgula, antes de “que”, no
segmento I, e para a ausência, no segmento II, é:
a) Em I e em II, o uso da vírgula é opcional, por tratar-se do emprego
do mesmo pronome relativo.
b) Em I, o “que” separa o sujeito do respectivo verbo e, em II, sujeito
e verbo estão próximos.
c) Em I, inserem-se termos que designam tempo e lugar e, em II, não
há inserção de termos.
d) Em I e em II, constrói-se o significado por meio da entonação
promovidapelo uso ou não da vírgula.
e) Em I, o “que” introduz uma explicação, e, em II, restringe o sentido
do termo antecedente.
Resposta: E
3. (PUC-RJ) – Frequentemente, frases como as apre sentadas abaixo
são proferidas em conversações informais. Num texto formal escrito,
porém, são ina dequadas. Reescreva-as, sem modificar o seu sentido e
pontuação, mas adequando-as ao padrão da língua escrita.
a) A menina que eu gosto dos olhos dela ainda não chegou.
RESOLUÇÃO:
A menina de cujos olhos eu gosto ainda não chegou.
b) O homem que eu telefonei para ele ontem não estava em casa.
RESOLUÇÃO:
O homem para quem (o qual) eu telefonei ontem não estava
em casa.
c) A rua que eu gosto de correr é toda arborizada.
RESOLUÇÃO:
A rua em que (onde) eu gosto de correr é toda arborizada.
4. Diante do número de óbitos provocados pela gripe
H1N1 – gripe suína – no Brasil, em 2009, o Ministro
da Saúde fez um pronunciamento público na TV e no
rádio. Seu objetivo era esclarecer a população e as autoridades locais
sobre a necessidade do adiamento do retorno às aulas, em agosto,
para que se evitassem a aglomeração de pessoas e a propagação do
vírus. Fazendo uso da norma padrão da língua, que se pauta pela
correção gramatical, seria correto o Ministro ler, em seu
pronunciamento, o seguinte trecho:
a) Diante da gravidade da situação e do risco de que nos expomos, há
a necessidade de se evitar aglomerações de pessoas, para que se
possa conter o avanço da epidemia.
b) Diante da gravidade da situação e do risco a que nos expomos, há
a necessidade de se evitarem aglomerações de pessoas, para que
se possam conter o avanço da epidemia.
c) Diante da gravidade da situação e do risco a que nos expomos, há
a necessidade de se evitarem aglomerações de pessoas, para que
se possa conter o avanço da epidemia.
d) Diante da gravidade da situação e do risco os quais nos expomos,
há a necessidade de se evitar aglomerações de pessoas, para que
se possa conter o avanço da epidemia.
e) Diante da gravidade da situação e do risco com que nos expomos,
tem a necessidade de se evitarem aglomerações de pessoas, para
que se possa conter o avanço da epidemia.
Resposta: C
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA
encaixa-se na principal, equivalendo a um adjetivo
RESTRITIVA EXPLICATIVA
• delimita ou define mais cla -
 ra mente o seu ante ce dente
• não é separada por vír gu la
• apresenta uma explica ção
ou pormenor do an te -
cedente
• é separada por vírgula
I. “A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros,
umedecia o ar”.
II. “vinham choros abafados de crianças que ainda não andam”.
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Texto para a questões 5 e 6.
5. (FUVEST-2022) – De acordo com o texto, os eventos sequenciais
aos quais alude a expressão “efeito cascata” são:
a) livros mais caros, decréscimo de vendas, estímulo às editoras,
supressão de investimento em novas publicações.
b) aumento do valor do produto final, queda de vendas, encolhimento
das editoras, aumento do investimento em novas obras.
c) livros mais caros, instabilidade nas vendas, enfraquecimento das
editoras, expansão das publicações.
d) aumento do valor do produto final, contração nas vendas,
esgotamento das editoras, falta de investimento em novas
publicações.
e) livros mais caros, equilíbrio nas vendas, diminuição das editoras,
carência de investimento em novas publicações.
RESOLUÇÃO:
O “efeito cascata” da taxação dos livros pode ser resumido na
sequência apresentada na alternativa d): aumento do preço,
diminuição das vendas, crise das editoras, falta de investimento
em novas publicações. 
Resposta: D
6. (FUVEST-2022) – No texto, os pronomes em negrito referem-se,
respectivamente, a:
a) taxação de livros, mercado editorial, crise, queda de vendas. 
b) taxação de livros, leitor, crise, queda de vendas. 
c) efeito cascata, mercado editorial, crise, queda de vendas.
d) efeito cascata, mercado editorial, livrarias, livros.
e) efeito cascata, leitor, crise, livros.
RESOLUÇÃO:
Todos os pronomes destacados são relativos e, portanto, referem-
se a termos ou expressões anteriores. O primeiro retoma a
expressão “um efeito cascata’; o segundo, “mercado editorial”; o
terceiro, “uma crise”; o quarto, “queda de vendas”. 
Resposta:C
Texto para a questão 7.
7. (FUVEST)
a) Para que o emprego da palavra “onde”, sublinhada no texto, seja
considerado correto, a que termo antecedente ela deve se referir?
Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo “onde” refere-se a lugar, retomando a
expressão “álbum de fotografia”, o que permite a seguinte
relação de ideias: “víamos as imagens no álbum de fotografias”.
b) Reescreva a frase “Todas as outras, que ideia.”, substituindo os
dois sinais de pontuação nela empregados por outros, de tal
maneira que fique mais evidente a entonação que ela tem no
contexto.
RESOLUÇÃO:
O excerto em destaque expressa uma condenação às inúmeras
fotografias que se popularizam na forma de selfies. Assim, a
pontuação adequada a essa postura crítica seria: “Todas as
outras? Que ideia!”
8. (ITA) – Leia com atenção a seguinte frase de um letreiro
publicitário:
a) Identifique a preposição exigida pelo verbo e refaça a construção,
obedecendo à norma gramatical.
RESOLUÇÃO:
O verbo confiar rege a preposição em e a frase reconstruída seria
a seguinte:
“Esta é a escola em que os pais confiam.”
b) Justifique a correção.
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que é precedido da preposição em, que, na
oração reformulada, foi exigida pelo verbo confiar (um verbo
transitivo indireto). 
A taxação de livros tem um efeito cascata que acaba custando
caro não apenas ao leitor, como também ao mercado editorial –
que há anos não anda bem das pernas – e, em última instância, ao
desenvolvimento econômico do país. A gente explica. Taxar um
produto significa, quase sempre, um aumento no valor do produto
final. Isso porque ao menos uma parte desse imposto será
repassada ao consumidor, especialmente se considerarmos que as
editoras e livrarias enfrentam há anos uma crise que agora está
intensificada pela pandemia e não poderiam retirar o valor desse
imposto de seu já apertado lucro. Livros mais caros também
resultam em queda de vendas, que, por sua vez, enfraquece ainda
mais editoras e as impede de investir em novas publicações –
especialmente aquelas de menor apelo comercial, mas igualmente
importantes para a pluralidade de ideias. Já deu para perceber a
confusão, não é? Mas, além disso, qual seria o custo de uma
sociedade com menos leitores e menos livros?
Taís Ilhéu. “Por que taxar os livros pode gerar retrocesso social e
econômico no país”. Guia do Estudante. Setembro/2020. Adaptado.
A PRAGA DOS SELFIES
De uma coisa tenho certeza. A foto pelo celular vale apenas
pelo momento. Não será feito um álbum de fotografias, como no
passado, onde víamos as imagens, lembrávamos da família, de
férias, de alegrias. As imagens ficarão esquecidas em um imenso
arquivo. Talvez uma ou outra, mais especial, seja revivida. Todas as
outras, que ideia. Só valem pelo prazer de fazer o selfie. Mostrar a
alguns amigos. Mas o significado original da foto de família ou com
amigos, que seria preservar o momento, está perdido. Vale pelo
instante, como até grandes amores são hoje em dia. É o sorriso, o
clique, e obrigado. A conquista: uma foto com alguém conhecido.
W. Carrasco, “A praga dos selfies”. Época, 26.09.2016.
Esta é a escola que os pais confiam.
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1. (UNESP) – Em “Tales também previu um eclipse solar que ocorreu
no dia 28 de maio de 585 a.C.” (3.° parágrafo), o termo destacado
exerce função de
a) adjunto adnominal. b) adjunto adverbial. c) sujeito.
d) objeto indireto. e) objeto direto.
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que funciona como sujeito do verbo ocorrer,
porque retoma “um eclipse solar”.
Resposta: C
Texto para a questão 2.
2. (UEAM) – Na última oração do período, o pronome relativoque
desempenha a função sintática de
a) sujeito. b) objeto direto. c) objeto indireto.
d) adjunto adverbial. e) predicativo.
Resposta: A
Texto para a questão 3.
3. (FGV) – Observando o emprego do pronome rela tivo que, nas duas
ocorrências grifadas no fragmento, é possível afirmar:
a) na primeira ocorrência, substitui um objeto direto; na segunda, vem
no lugar de um sujeito.
b) em ambos os casos, a relação que estabelece é de simples e
objetiva coordenação.
c) na primeira ocorrência, trata-se do sujeito da ação; na segunda, de
um adjunto adverbial.
d) na primeira ocorrência, há uma relação de posse; na segunda, de
referência ao receptor da ação.
e) em ambos os casos, a palavra não exerce função sin tá tica, mas de
simples realce.
Jerônimo levantou-se, quase que maquinalmente, e seguido
por Piedade, aproximou-se da grande roda que se formara em
torno dos dois mulatos.
(O Cortiço)
Eu lia o meu livrinho quando a sucessão de gritos – “ahhh”…
“ehhh”… – picotou a noite de domingo. A impressão que tive foi
de alguém sendo esfolado no andar de cima. Não fui o único a
saltar da poltrona, assustado, tentando descobrir de onde vinha
aquela esganiçada voz feminina: no meu prédio e no que fica ao
lado, meia dúzia de pescoços se insinuaram na moldura das janelas
enquanto o alarido – “ihhh”… “ohhh”… – prosseguia.
(Humberto Werneck. O espalhador de passarinhos.)
MÓDULO 13 Função Sintática dos Pronomes Relativos
Funções sintáticas dos pronomes relativos 
Os pronomes relativos (= que [ou o qual, a qual, os
quais, as quais], quem, cujo, onde, quanto) exercem uma
função sintática dentro da oração subordinada adjetiva.
Para analisar esses pronomes, basta substituí-los pelo
seu antecedente e verificar a função que tal
antecedente assume na oração subordinada.
Que
Esse pronome relativo também é conhecido como
pronome relativo universal, pois o seu emprego é
bastante amplo; ele pode ser usado com referência a
pessoa ou coisa. Sintaticamente, tal pronome pode
desempenhar várias funções sintáticas:
a) Sujeito
[ Não concordo com as ideias ]
sujeito da 2.a oração (*)
[ que povoam a tua mente ].
as quais ideias ⇒ sujeito
(*) = as ideias povoam a tua mente.
b) Objeto direto
objeto direto (*)
[Onde estão os livros] [ que meu pai comprou]?
os quais livros
⇒ objeto direto
(*) = meu pai comprou os livros.
c) Objeto indireto
[Esses são os funcionários]
objeto direto (*)
[de que tanto dependemos]
= dos quais funcionários ⇒ objeto
indireto
(*) = (nós) dependemos dos funcionários.
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RESOLUÇÃO: 
O primeiro que é um pronome relativo que substibui o
substantivo impressão e exerce a função de objeto direto do
verbo tive. O segundo que também é pro no me relativo, por sua
vez substituindo o pronome demonstrativo o, que está no lugar
do substantivo prédio. Neste segundo caso, assume a função de
sujeito do verbo fica. 
Resposta: A
4. (FGV) – Na frase “Como a voz de um negro que canta num saveiro
o samba que Boa-Vida fez”, o pronome relativo “que”, em relação ao
verbo “canta”, exerce a função de ___________ e, em relação ao verbo
“fez”, exerce a função de ___________.
Essas lacunas dessa frase devem ser preenchidas, respectivamente,
por:
a) sujeito; objeto indireto.
b) sujeito; objeto direto.
c) objeto direto; sujeito.
d) objeto direto; objeto indireto.
e) objeto indireto; objeto direto.
RESOLUÇÃO:
No primeiro segmento, o pronome relativo “que” refere-se a
“negro”: um negro canta num saveiro, e funciona sintaticamente
como sujeito do verbo cantar. No segundo segmento, o pronome
relativo refere-se a “samba”: Boa-Vida fez o samba, e funciona
sintaticamente como objeto direto do verbo fazer.
Resposta: B
5. (UNIFESP) – Em “Podemos [...] elevar à perfeição o tipo de
civilização que representamos”, o termo em destaque exerce a
mesma função sintática do trecho destacado em:
a) “[...] todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça
parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima
e de outra paisagem.” 
b) “Esse ingresso tardio deveria repercutir intensamente em seus
destinos [...].” 
c) “[...] somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra.” 
d) “É significativa, em primeiro lugar, a circunstância de termos
recebido a herança através de uma nação ibérica.” 
e) “Assim, antes de perguntar até que ponto poderá alcançar bom
êxito a tentativa [...].” 
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo “que”, no enunciado, exerce a função
sintática de objeto direto (representamos a civilização). Em e, a
oração destacada funciona também como objeto direto (oração
subordinada substantiva objetiva direta) do verbo perguntar.
Resposta: E
Texto para a questão 6.
6. (BARRO BRANCO) – O pronome relativo que exerce a função de
objeto direto, e não de sujeito, apenas no trecho
a) que ouço com frequência (linha 3).
b) que nada tem de simples (linha 4).
c) que não pode ser esclarecido (linha 8).
d) que avança e recua no espaço (linha 12).
e) que não exclui a disciplina (linha 13).
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “ouço”, na primeira pessoa do singular, já indica o
sujeito oculto “eu”, portanto “que” só pode ser objeto direto.
Resposta: A
Texto para a questão 7.
7. (PUC) – A palavra relacional que aparece quatro vezes, exercendo,
pela ordem, as seguintes funções:
a) sujeito, objeto direto, sujeito, sujeito.
b) sujeito, sujeito, sujeito, sujeito.
c) sujeito, sujeito, sujeito, objeto direto.
d) objeto direto, objeto direto, sujeito, sujeito.
e) objeto direto, sujeito, objeto direto, sujeito.
RESOLUÇÃO:
O primeiro que é sujeito de têm; o segundo é objeto direto de há;
o terceiro é sujeito de podem; o quarto é sujeito de são. 
Resposta: A
OS CINCO SENTIDOS
Os sentidos são dispositivos para a interação com o mundo
externo que têm por função receber infor mação necessária à
sobrevivência. É necessário ver o que há em volta para poder evitar
perigos. O tato ajuda a obter conhecimentos sobre como são os
objetos. O olfato e o paladar ajudam a catalogar elementos que
podem servir ou não como alimento. O movimento dos objetos
gera ondas na atmosfera que são sentidas como sons.
— Como nasce um conto? Um romance? Qual é a raiz de um
texto seu?
— São perguntas que ouço com frequência. Procuro então
simplificar essa matéria que nada tem de simples. Lembro que
algumas ideias podem nascer de uma simples imagem. Ou de
uma frase que se ouve por acaso. A ideia do enredo pode ainda
se originar de um sonho. Tentativa vã de explicar o inexpli cá vel,
de esclarecer o que não pode ser esclarecido no ato da cria ção.
A gente exagera (...) no fundo sabemos disso per fei tamente —
tudo é sombra. Mistério. O artista é um visionário. Um vidente.
Tem passe livre no tempo que ele percorre de alto a baixo em
seu trapézio voador que avança e recua no espaço: tanta luta,
tanto empenho que não exclui a disciplina.
(Clarice Lispector. Entrevistas, 2007.)
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1. Identifique a circunstância expressa pela oração destacada, consi -
derando a relação que ela estabelece com o restante do período.
a) "Homens e coisas vinham do descanso; o céu fazia economia de
estrelas, apagando-as, à medida que o sol ia chegando para o
seu ofício." (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: 
relação de proporção
b) "Se um dia pudermos mudar os genes para que as crianças
fiquem mais bonitas ou inteligentes, não vejo por que não fazê-lo."
(James Watson)
RESOLUÇÃO: 
relação de condição e finalidade
c) "A propaganda com pessoas 'normais' foi tão bem aceita que virou
assunto de conversa, de deba tes, de charges." (adaptada:
Olivetto)
RESOLUÇÃO: 
relação de consequência, a anterior é a causa.
d) "Como tinha religião, entrava na igreja uma vez por ano. E sempre
vira, desde que se entendera, roupas de festa assim: calça e
paletó engomados, botinas de elástico, chapéu de baeta, colarinho
e gravata." (Graciliano Ramos)
RESOLUÇÃO:relação de causa, a oração seguinte é conse quên cia. A segunda
oração destacada estabelece relação de tempo.
e) "Trabalhe como se não precisasse do dinheiro. Ame como se
nunca tivesse se ferido. Dance como se ninguém observasse."
(Mark Twain)
RESOLUÇÃO: 
relação de comparação
f) "Opinei de cabeça, como me sucedia nas maté rias que eu não
sabia bem nem mal." (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: 
relação de conformidade
g) "Ainda que as siglas permaneçam as mesmas, o eleitor não
perderá a oportunidade de manifestar sua indignação diante da
atual crise." (Frei Betto)
RESOLUÇÃO: 
relação de concessão
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
exercem a função de adjunto adverbial em 
relação à oração principal
causais – relação de causa
Ex.: Como você chamou, eu vim.
(porque, visto que, como, uma vez que, já que etc.)
consecutivas – relação de consequência
Ex.: Correu tanto que chegou cansado.
( [tanto] que, [tão...] que, [de tal forma] que etc.)
concessivas – relação de concessão
Ex.: Embora não me conheça bem, confia em mim.
(embora, apesar de que, ainda que, se bem que,
conquanto etc.)
comparativas – relação de comparação
Ex.: Ele observa mais do que fala.
(tal, como, quanto [mais...] do que, [menos...] do que,
[tanto...] quanto etc.)
conformativas – relação de conformidade
Ex.: Conforme afirmaram os meteorologistas, hoje cho veria.
(como, conforme, segundo etc.)
condicionais – relação de condição
Ex.: Comprarei o livro desde que encontre uma edição
revisada.
(se, salvo se, caso, contanto que, desde que, a menos
que etc.)
proporcionais – relação de proporção
Ex.: Quanto mais falava, mais se confundia.
(à proporção que, à medida que, quanto mais... etc.)
temporais – relação de tempo
Ex.: Assim que entrei, ele saiu.
(quando, enquanto, logo que, assim que, depois que, até
que, apenas, mal, que [= quando] etc.)
finais – relação de finalidade
Ex.: Eles apresentaram a carteirinha a fim de obterem
um desconto.
(a fim de que, para que, que [= para que], porque [=
para que] etc.)
MÓDULO 14 Orações Subordinadas Adverbiais
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2. (UNIFESP) – “Deus me livre das bobagens de Lamarck como
‘tendência ao progresso’, ‘adaptações a partir do esforço dos animais’,
— porém minhas conclusões não diferem muito das dele — embora a
forma da mudança difira inteiramente — creio que descobri (que
presunção!) a maneira simples pela qual as espécies se adaptam a
várias finalidades.”
No contexto em que se insere, o trecho sublinhado expressa ideia de
a) comparação.
b) causa.
c) conclusão.
d) consequência.
e) concessão.
RESOLUÇÃO: 
A oração introduzida pela conjunção “embora” é subordinada
adverbial concessiva em relação à anterior. Esse conectivo pode
ser substituído por “ainda que”, “mesmo que”, “se bem que”.
Resposta: E
Texto para o teste 3.
3. (FUVEST-2020) – Considerando o contexto, o trecho “E não se
pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse” (L.3-4) pode
ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte maneira: E não se
pense que este nome a alegrou,
a) apesar de lisonjeá-la. b) antes a lisonjeou.
c) porque a lisonjeava. d) a fim de lisonjeá-la.
e) tanto quanto a lisonjeava.
RESOLUÇÃO:
A locução conjuntiva “posto que” é concessiva e pode ser
substituída adequadamente por “apesar de, embora, mesmo que,
ainda que, conquanto, se bem que”. Em b, “antes” indica tempo;
em c, “porque”, causa; em d, “a fim de”, finalidade; em e, “tanto
quanto”, comparação.
Resposta: A
Texto para a questão 4.
4. 2.a aplicação) – Entre as estratégias de progressão
textual presentes nesse trecho, identifica-se o
emprego de elementos conectores. Os elementos
que evidenciam noções semelhantes estão destacados em:
a) “Se ficou notório por ser tímido” e “[...] então tem que se explicar.”
b) “[...] então tem que se explicar” e “[...] quando as estrelas virarem
pó”.
c) “[...] ficou notório apesar de ser tímido [...]” e “[...] mas isso não é
vantagem [...]”.
d) “[...] um estratagema para ser notado [...]” e “Tão secreto que
nem ele sabe”.
e) “[...] como no paradoxo psicanalítico [...]” e “[...] porque só ele
acha [...]”.
RESOLUÇÃO:
A alternativa c é a única que apresenta conectivos que indicam
semanticamente a mesma ideia: oposição, contraste.
Resposta: C
DA TIMIDEZ
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror
a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser
tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é
essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido,
talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez
seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem
ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha
muito superior procura o analista para tratar um complexo de
inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença. 
[…]
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com
multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas
são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante
de uma plateia, o tímido não pensa nos membros da plateia como
indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois
olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas
gafes. Não adianta pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um
olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade.
Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de
que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será
lembrado quando as estrelas virarem pó.
(VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. 
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da
comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia
chamou-lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este
nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário,
resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar
as novas amigas, e fazer-lhe perder em um dia o trabalho de
longos meses. Assim se explica o artigo que a mesma folha
trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e
glorificando as outras comissárias – “estrelas de primeira
grandeza”.
(Machado de Assis, Quincas Borba.)
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Texto para a questão 5.
(Folha de S. Paulo, 12/04/2015)
5. (INSPER) – Na chamada acima, a manchete é construída por um
período composto, no qual a segunda oração, introduzida pela
conjunção “e”, coordena-se à anterior, expressando sentido de
a) consequência, já que “passar para a semifinal” decorre da ação de
“anular o gol”.
b) oposição, já que “anulação de gol” e “passar para a semifinal” se
opõem contextualmente.
c) causa, já que a informação “passar para a semifinal” é motivo de
“anular o gol”.
d) explicação, já que se justifica a classificação do time em função da
atitude do juiz.
e) alternância, já que as ações se alternam para o juiz e para o
Corinthians.
RESOLUÇÃO:
A conjunção e indica consequência, podendo ser substituída por
por isso, por esse motivo, em consequência disso.
Resposta: A
Texto para a questão 6.
6. – Na construção de textos literários, os autores
recorrem com frequência a expressões metafóricas.
Ao empregar o enunciado metafórico “Muito peixe
foi embrulhado pelas folhas de jornal”, pretendeu-se estabelecer, entre
os dois fragmentos do texto em questão, uma relação semântica de
a) causalidade, segundo a qual se relacionam as partes de um texto,
em que uma contém a causa e a outra, a consequência
b) temporalidade, segundo a qual se articulam as partes de um texto,
situando no tempo o que é relatado nas partes em questão.
c) condicionalidade, segundo a qual se combinam duas partes de um
texto, em que uma resulta ou depende de circustâncias apre sen -
tadas na outra.
d) adversidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto
em que uma apresenta uma orientação argumentativa distinta e
oposta à outra.
e) finalidade, segundoa qual se articulam duas partes de um texto em
que uma apresenta o meio, por exemplo, para uma ação e a outra,
o desfecho da mesma.
RESOLUÇÃO:
O segundo texto se situa à distância de sete anos do primeiro —
anos em que, como registra esse texto, ocorreram mudanças seja
na situação do autor (fictício), seja na do escritor comentado
(Stephen Crane, também fictício). 
Resposta: B
Labaredas nas trevas 
Fragmentos do diário secreto de 
Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski
20 DE JULHO [1912]
Peter Sumerville pede-me que escreva um artigo sobre Crane.
Envio-lhe uma carta: “Acredite-me, prezado senhor, nenhum jornal
ou revista se interessaria por qualquer coisa que eu, ou outra
pessoa, escrevesse sobre Stephen Crane. Ririam da sugestão. […]
Dificilmente encontro alguém, agora, que saiba quem é Stephen
Crane ou lembre-se de algo dele. Para os jovens escritores que
estão surgindo ele simplesmente não existe.”
20 DE DEZEMBRO [1919]
Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal. Sou reco nhe -
cido como o maior escritor vivo da língua inglesa. Já se passaram
dezenove anos desde que Crane morreu, mas eu não o esqueço. E
parece que outros também não. The London Mercury resolveu
celebrar os vinte e cinco anos de publicação de um livro que, se gun -
do eles, foi “um fenômeno hoje esquecido” e me pediram um
artigo.
(FONSECA, R. Romance negro e outras histórias.
São Paulo: Companhia das Letras, 1992 – fragmento.)
ESPORTE
Juiz anula gol e
Corinthians passa
para a semifinal D1
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Observação:
As conjunções finais ainda permi tem, dependendo do contexto, correla -
cionar o pre térito perfeito do indicativo com o presente do subjuntivo.
Exemplo:
Enviamos a correspondência ontem para que (a fim de que) ele a
receba amanhã.
oração principal
oração iniciada com as conjunções 
condicionais se, salvo se
presente do indicativo (vou) –
usado na lin guagem co loquial
futuro do subjuntivo (for)
futuro do presente do 
indi cativo (irei)
futuro do subjuntivo (for)
futuro do pretérito do 
indi cativo (iria)
imperfeito do subjun ti vo (fosse)
oração principal
oração iniciada com 
as conjunções condicionais 
caso, contanto que, 
des de que, a menos que
presente do indicativo (vou) –
usado na lin guagem co loquial
presente do subjuntivo (vá)
futuro do presente do indi cativo (irei) presente do subjuntivo (vá)
futuro do pretérito 
do indi cativo (iria)
imperfeito do 
subjun ti vo (fosse)
oração principal
oração iniciada com as
conjunções concessivas
embora, ainda que, se bem
que, conquanto e com as 
conjunções finais
presente do indicativo (vou) presente do subjuntivo (vá)
pretérito perfeito do indi cativo (fui) presente do subjuntivo (vá)
pretérito imperfeito do indi cativo
(ia)
imperfeito do subjun ti vo
(fosse)
futuro do presente do indi cativo (irei) presente do subjuntivo (vá)
futuro do pretérito do indi cativo
(iria)
imperfeito do subjunti vo
(fosse)
Na construção de períodos compostos por subor dinação com orações subordinadas adverbiais condi cionais, finais e concessivas, é preciso observar
a correlação correta dos tempos verbais. 
Examine os quadros seguintes.
1. (UNIV. EST. DE GOIÁS) – Reescreva os textos abai xo, retirados de
obras indicadas para leitura, subs tituindo as formas verbais
destacadas pelas que são apresentadas entre parênteses, fazendo as
adaptações necessárias:
a) “Se fosse agora, ainda pegaria o seriado, mas per deria metade do
filme.” (pegará)
(Luiz Vilela)
RESOLUÇÃO: 
Se for agora... pegará... perderá... 
b) “Eu sabia que ele esperava que eu olhasse pra ele e dissesse
alguma coisa.” (espera)
(Luiz Vilela)
RESOLUÇÃO: 
Eu sei que espera que eu olhe para ele e diga alguma coisa.
c) “Não se passa um só dia em que se não tenha de lamentar alguma
travessura desse moço.” (passava)
(Martins Pena)
RESOLUÇÃO: 
Não se passava... tivesse de lamentar...
d) “A perda de consciência era instantânea e, se o aço penetrasse os
oito centímetros apropriados, a morte ocorreria em dois
segundos.” (é)
(Rubem Fonseca)
RESOLUÇÃO: 
A perda de consciência é.... penetrar... ocorrerá.
MÓDULO 15 Correlação Verbal nas Orações Subordinadas
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2. (ESPM) – Em sua coluna diária no jornal Folha de S.Paulo, o escritor
e ensaísta Carlos Heitor Cony comenta sobre o fato de a ci da de do Rio
de Janeiro possuir duas datas de aniversário: 20 de janeiro e 1.o de
março. E afirma:
A forma verbal destacada
a) traduz ideia de condição e equivale ao pretérito mais-que-perfeito
composto tinha havido.
b) traduz ideia de condição e equivale ao pretérito imperfeito do
subjuntivo houvesse.
c) traduz ideia de desejo e equivale ao presente do subjuntivo haja.
d) traduz ideia de concessão e equivale ao futuro do subjuntivo
houver.
e) traduz ideia de concessão e equivale ao pretérito imperfeito do
subjuntivo houvesse.
Resposta: B
Examine este anúncio de uma instituição financeira, cujo nome foi
substituído por X, para responder às questões 3 e 4.
(Valor Setorial, junho de 2014. Adaptado.)
3. (FUVEST) – Compare os diversos elementos que compõem o
anúncio e atenda ao que se pede.
a) Considerando o contexto do anúncio, existe alguma relação de
sentido entre a imagem e o slogan “É DIFERENTE QUANDO VOCÊ
CONHECE”? Explique.
RESOLUÇÃO:
Sim, existe. A relação de sentido encontra-se no fato de que a
pegada do sapato indica que a instituição bancária está presente
no campo de soja e assim conhece o negócio do seu cliente. Daí o
slogan: “É diferente quando você conhece”.
b) A inclusão, no anúncio, dos ícones e algarismos que prece dem o
texto escrito tem alguma finalidade comunicativa? Explique.
RESOLUÇÃO:
Sim. Tais ícones e algarismos indicam latitude e longitude,
referentes à localização exata onde o cliente está estabelecido.
Com isso, a instituição financeira demonstra ter ciência das
atividades comerciais de seus clientes.
4. (FUVEST) – Com base na parte escrita do anúncio, responda.
a) Qual é a relação temporal que se estabelece entre os ver bos
“conhecer”, “oferecer”, “proporcionar” e “alcançar”? Explique.
RESOLUÇÃO:
O verbo “conhecer” indica tempo anterior aos outros verbos,
porque é imprescindível que “o primeiro passo” seja “conhecer”
os clientes.
“Oferecer” e “proporcionar” indicam tempo simultâneo e
posterior a “conhecer”, visto que ambos se referem ao serviço a
ser proporcionado pela empresa. O verbo “alcançar” se refere aos
resultados que serão obtidos pelo cliente que utilizar a instituição
do anúncio.
b) Complete a frase impressa na página de resposta, flexionando de
forma adequada os verbos “oferecer”, “proporcionar” e
“alcançar”.
RESOLUÇÃO:
Conhecer pronfundamente os negócios de nossos clientes é só o
primeiro passo que permite que ofereçamos sempre respostas
mais rápidas, proporcionemos decisões mais assertivas e
alcancemos melhores resultados.
Para manter a correlação verbal, é necessário que os verbos das
lacunas estejam no presente do subjuntivo, indicando
possibilidade, em função da forma verbal “permite” (presente do
indicativo) da oração anterior.
Como carioca radical e livre (estão em moda os radicais livres),
gosto de comemorar as duas datas como se fossem uma só – e
mais houvera pretexto, mais comemoraria.
Conhecer profundamente os negócios de nossos clientes é só
o primeiro passo que permite que _____________________________
sempre respostas mais rápidas, ______________________________
decisões mais assertivas e ___________________________________
melhores resultados.
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5. (FUVEST) – Considerando a necessidade de cor relação entre
tempos e modos verbais, assinale a alternativa em que ela foge às
normas da língua escrita padrão.
a) A redação de um documento exige que a pessoa conheça uma
fraseologia complexa e arcaizante.b) Para alguns professores, o ensino de língua portu guesa será sem -
pre melhor, se houver o domínio das regras de sintaxe.
c) O ensino de Português tornou-se mais dinâmico depois que textos
de autores modernos foram introduzidos no currículo.
d) O ensino de Português já sofrera profundas modi ficações, quando
se organizou um Simpósio Nacio nal para discutir o assunto.
e) Não fora coerção exercida pelos defensores do purismo lin guístico,
todos teremos liberdade de expressão.
RESOLUÇÃO: Observar que fora foi empregado no lugar de fosse,
o que está correto. Essa correlação é clássica e pode ser
encontrada em Camões. Resposta: E (teríamos)
6. (FUVEST) – Leia com atenção as seguintes frases, extraídas do
termo de garantia de um produto para emagre cimento:
I. Esta garantia ficará automaticamente cance la da se o produto
não for corretamente utilizado. 
II. Não se aceitará a devolução do produto caso ele contenha me -
nos de 60% de seu conteúdo.
III. As despesas de transporte ou quaisquer ônus decorrente do envio
do produto para troca corre por conta do usuário.
a) Reescreva os trechos sublinhados nas frases I e II, substituindo as
conjunções que os iniciam por outras equivalentes e fazendo as
alterações neces sárias.
RESOLUÇÃO: 
Descrevendo-se os trechos sublinhados nas frases I e II, tem-se:
I. “… caso (contanto que, desde que, a não ser que) o produto
não seja corretamente utilizado”.
II. “… se ele contiver…” ou “desde que (contanto que, a não ser
que) ele contenha…”.
b) Reescreva a frase III, fazendo as correções neces sárias.
RESOLUÇÃO: 
Fazendo-se as correções necessárias, tem-se:
“As despesas de transporte ou quaisquer ônus decorrentes (ou
qualquer ônus decorrente) do envio do produto para troca correm
por conta do usuário”.
7. (FUVEST) – A única frase em que a correlação de tempos e modos
não foi corretamente observada é:
a) Segundo os Correios, se a greve terminar amanhã, as entregas
serão normalizadas em 13 dias. 
b) Para que o agricultor não se limitasse aos recursos oficiais, as fá -
bricas também criaram suas próprias linhas de crédito.
c) Um dos seus projetos de lei exigia que os profes sores e servidores
das universidades fizes sem exa mes antidoping.
d) Na discussão do projeto, o deputado duvidou que o colega era o
autor da emenda.
e) A Câmara Municipal aprovou a lei que concede descontos a multas
e juros que estão em atraso.
RESOLUÇÃO:
Não ocorre a necessária correlação modo-temporal em "...o
deputado duvidou que o colega era o autor da emenda." O
pretérito perfeito do indicativo na oração principal deve
correlacionar-se com o pretérito imperfeito do subjuntivo: em
lugar de era, deveria usar-se fosse.
Resposta: D
Aplicações
8. (FGV) – Leia a tira.
(www.entretenimento.uol.com.br/humor/)
Os espaços das falas devem ser preenchidos, correta e respecti va -
mente, com
a) faria ... fazia ... senso b) farei ... fará ... censo
c) fizesse ... fez ... senso d) faço ... faria ... censo
e) fizer ... fará ... senso
RESOLUÇÃO:
Fizer e fará são formas do futuro, tempo adequado à construção
hipotética (se...), no modo subjuntivo na oração subordinada e no
indicativo na principal. Senso significa “faculdade de julgar, sentir ou
apreciar; entendimento”; censo, num de seus sentidos, é “conjunto de
dados estatísticos sobre a população de determinado lugar”. (Neste
teste, o texto, ou seja, a “tirinha”, não passa de mero pretexto, pois a
pergunta não depende do contexto e poderia ser respondida com igual
facilidade se a frase em questão viesse isolada.) 
Resposta: E
Texto para a questão 9.
9. (FUVEST-transferência) – Alterando-se os tempos verbais do
parágrafo acima, estará correta a seguinte articulação entre eles:
a) quando eu fosse chamado – que podia afirmar – talvez me ocorrerá
b) quando eu vier a ser chamado – que pudesse afirmar – talvez me
ocorra
c) se eu fora chamado – que posso afirmar – talvez me ocorra
d) quando eu fosse chamado – que poderia afirmar – talvez me
ocorresse
e) se eu fora chamado – que poderei afirmar – talvez me ocorre
Resposta: D
Um dia, quando eu for chamado a dar testemunho sobre a minha
jornada na face da terra, que poderei afirmar sobre os homens e as
coisas do meu tempo? Talvez me ocorra apenas isto, no meio de
tantas fatigadas lembranças: “cascas de barba timão secando ao sol”.
(Rubem Braga)
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1. As orações a seguir são reduzidas de infinitivo, gerúndio ou par ti cí -
pio. Desenvolva-as e, para tanto, utilize as conjunções ou os prono mes
relativos ade qua dos, conjugando os verbos no modo indicativo ou no
subjuntivo.
a) Convém abrir todas as janelas. 
b) Tenho a impressão de estarmos sendo enganados.
c) Sinto uma grande felicidade invadir meu coração.
d) “Responsabilizando qualquer deles, meu pai me esqueceria.”
(Graciliano Ramos)
Resumindo:
O indicativo, o subjuntivo e o imperativo cons tituem as
formas modais do verbo, isto é, indicam os diferentes
modos de um fato reali zar-se.
As formas nominais do verbo – infinitivo (pes soal e impes -
soal), gerúndio e particípio –, como o próprio nome indica,
além de terem valor verbal, podem ter a função de nomes
(subs tantivo ou adjetivo).
Exemplos:
É proibido entrar.
É proibida a entrada.
(O infinitivo entrar tem a mesma função do subs tantivo “a
entrada”, ou seja, de sujeito de “é proibido”.)
Ela desenhou um mapa abrangendo tudo.
Ela desenhou um mapa abrangente de tudo.
(O gerúndio abrangendo tem a mesma função do adjetivo
“abrangente”, ou seja, de adjunto adnominal de “mapa”.)
Concluída a tarefa, dedicou-se a outras atividades.
Pronta a tarefa, dedicou-se a outras atividades.
(O particípio concluída tem a mesma função do adje tivo
“pronta”.)
As formas nominais, sozinhas, não exprimem nem o tempo
nem o modo. Seu valor temporal e modal sem pre depende
da frase em que aparecem.
RESOLUÇÃO:
Convém que se abram todas as janelas ou Convém que abram
todas as janelas.
(O. S. S. Subjetiva)
RESOLUÇÃO:
Tenho a impressão de que estamos sendo enganados.
(O. S. S. Completiva Nominal)
RESOLUÇÃO:
Sinto que uma grande felicidade invade meu coração.
(O. S. S. Objetiva Direta)
RESOLUÇÃO:
Se (ou caso) responsabilizasse qualquer deles, meu pai me es -
que ceria.
(O. S. Adverbial Condicional)
Orações Desenvolvidas Orações Reduzidas
são iniciadas por con -
junção ou pronome re -
la tivo (conectivos);
não são iniciadas por
conjunção ou pronome
relativo;
apresentam verbo 
fle xio nado.
apresentam verbo em
u ma forma nominal.
ORAÇÃO SUBORDINADA
SUBSTANTIVA REDUZIDA
apresenta verbo no infinitivo pessoal ou impessoal.
ORAÇÃO SUBORDINADA
ADJETIVA REDUZIDA
apresenta verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio.
ORAÇÃO SUBORDINADA
ADVERBIAL REDUZIDA
apresenta verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio.
MÓDULO 16 Orações Reduzidas
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2. (2021)
DECRETO N. 28 314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007
Demite o Gerúndio do Distrito Federal
e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das
atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei
Orgânica do Distrito Federal, DECRETA: 
Art. 1.° Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do
Distrito Federal.
Art. 2.° Fica proibido, a partir desta data, o uso do gerúndio para
desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3.° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4.° Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 28 de setembro de 2007.
119.° da República e 48.° de Brasília
Disponível em: www.dodf.gov.br. Acesso em: 11 dez. 2017.
Esse decreto pauta-se na ideia de que o uso do gerúndio, como
“desculpa de ineficiência”, indica
a) conclusão de uma ação. b) realização de um evento.
c) repetição de uma prática. d) continuidade de um processo.
e) transferência de responsabilidade.
RESOLUÇÃO:
O gerúndio é usado para indicar ações contínuas, em andamento.
O uso dessa forma nominal pode ser entendido como “desculpa
de ineficiência”por indicar prolongamento de uma ação, falta de
conclusão de um determinado processo.
Resposta: D
3. (UNESP) – Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque
a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra” e “As
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”, os termos
sublinhados estabelecem relação, respectivamente, de
a) consequência e conformidade. b) causa e conformidade.
c) conformidade e consequência. d) causa e finalidade.
e) consequência e finalidade.
RESOLUÇÃO:
No primeiro trecho, a relação que se estabelece entre a oração
iniciada pela conjunção porque com a anterior é de causa. No
segundo trecho, a oração iniciada pela preposição “para”
estabelece relação de finalidade com a oração anterior.
Resposta: D
4. (UNIFESP) – “De acordo com essa teoria, não cabia aos homens
modificar a ordem social.” (1.° parágrafo)
O trecho destacado exerce a função sintática de
a) objeto indireto. b) objeto direto.
c) adjunto adnominal. d) sujeito.
e) adjunto adverbial.
RESOLUÇÃO:
A oração “modificar a ordem social” funciona como sujeito
(oração subordinada substantiva subjetiva) da principal. Assim o
trecho poderia ser reescrito da seguinte forma: “De acordo com
essa teoria, modificar a ordem social não cabia aos homens”.
Resposta: D
Texto para a questão 5.
5. A coesão textual é responsável por estabelecer
relações entre as partes do texto. Analisando o
trecho “Acontecendo de o cientista provocar um
dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele
estabelece com a oração seguinte uma relação de
a) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade
provocar a falta de vocalização dos ratos.
b) oposição, visto que o dano causado em um local específico no
cérebro é contrário à vocalização dos ratos.
c) condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro
para que não haja vocalização dos ratos.
d) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização
dos ratos é o dano causado no cérebro.
e) proporção, já que a medida que se lesiona o cérebro não é mais
possível que haja vocalização dos ratos.
RESOLUÇÃO:
A oração reduzida de gerúndio indica condição: Se o cientista
provocar um dano no cérebro de um rato, ele deixará de produzir
vocalizações ultrassônicas.
Resposta: C
6. (FGV-ADM-2022) – Em “Ao contemplá-lo, cobrindo casta e
redondamente o joelho, foi que eu fiz uma descoberta sutil” e “A
nudez habitual, dada a multiplicação das obras e dos cuidados do
indivíduo, tenderia a embotar os sentidos e a retardar os sexos”, os
trechos sublinhados exprimem, respectiva mente, ideia de
a) tempo e causa.
b) causa e condição.
c) consequência e finalidade.
d) condição e consequência.
e) finalidade e tempo.
RESOLUÇÃO:
“Ao contemplá-lo” é uma expressão que indica tempo, é o
momento em que o narrador fez “uma descoberta sutil”. Na
segunda frase, o trecho sublinhado, “dada a multiplicação das
obras e dos cuidados do indivíduo”, aponta para a ideia de causa,
que explicaria o fato da nudez “embotar os sentidos e retardar os
sexos”. 
Resposta: A
O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir.
Isso não é verdade?
Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão
física do riso, do movimento da face e da vocalização – nós
compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram
observadas vocalizações ultrassôni cas – que nós não somos
capazes de perceber – e que eles emitem quando estão brincando
de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano
em um local específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa
vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso, o outro pensa
que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que
não temos apenas esse mecanismo básico. Temos um outro mais
evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós, mas
não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro
deles, não é tão evoluído como o nosso. Temos mecanismos
corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.
Disponível em: http://globonews.globo.com. 
Acesso em: 31 maio 2012 (adaptado).
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Texto para a questão 7.
7. (FUVEST) – Com base no texto, é correto afirmar:
a) A “campanha nacional” a que se refere o autor tem por objetivo
banir da língua portuguesa os verbos terminados em “ilizar”.
b) O autor considera o emprego de verbos como “reinicializando”
(L. 7) e “viabilizar” (L. 13) uma verdadeira “doença”.
c) A maioria dos verbos terminados em “(i)lizar”, presentes no texto,
foi incorporada à língua por influência estrangeira.
d) O autor, no final do primeiro parágrafo, acaba usando
involuntariamente os verbos que ele condena.
e) Os prefixos “des” e “in”, que entram na formação do verbo
“desincompatibilizar” (L. 14), têm sentido oposto, por isso o autor
o considera um “palavrão”.
RESOLUÇÃO:
Segundo o autor, a recorrência de verbos terminados em “-ilizar”,
em nossa língua, advém da ação de “maus tradutores de livros de
marketing e administração”, que incorporam anglicismos à língua
portuguesa, desconsiderando o uso de termos vernáculos com a
mesma acepção.
Resposta: C
8. (FGV) – Nos períodos abaixo, estão sublinhadas qua tro orações
subordinadas, na forma reduzida.
Assinale a alternativa que, na ordem, corresponda ao sentido das ora -
ções sublinhadas.
a) Embora o agregado fosse... / Depois que... / Por que conhecia... /
Porque chorava...
b) Se o agregado fosse... / Porque a missa tinha aca ba do... / Embora
conhecesse... / Embora cho ras se...
c) Porque o agregado era... / Quando a missa aca bou... / Ainda que
conhecesse... / Se chorasse...
d) À medida que... / Quando a missa acabou... / Em bo ra conhecesse...
/ Ainda que chorasse...
e) Como o agregado era... / Logo que a missa aca bou... / Se co nheces -
se... / Embora chorasse...
RESOLUÇÃO: 
A alternativa e é correta, pois:
I. “Sendo o agregado homem …” = “Como o agre gado era
homem…” (orações subordinadas adver biais causais);
II. “Acabada a missa, …” = “Logo que a missa aca bou…”
(orações subor dinadas adverbiais temporais); 
III. “Conhecendo melhor a jovem, …” = “Se conhe cesse…”
(orações subordinadas adverbiais condicionais) e 
IV. “Mesmo chorando a menina, …” = “Embora chorasse…”
(orações subordinadas adverbiais concessivas). 
Resposta: E
Sim, estou me associando à campanha nacional contra os
verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a
pouco eles serão mais numerosos do que os terminados
simplesmente em “ar”. Todos os dias os maus tradutores de
livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais
termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados
pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e eram
perfeitamente claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos,
com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de
cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois
que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir,
digamos, “viabilizar”? É triste demorar tanto tempo para a
gente se dar conta de que “desin compatibilizar” sempre foi um
palavrão.
(FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.)
5
10
15
Sendo o agregado homem de poucas palavras, entrou ele mudo e
saiu calado.
Acabada a missa, o gerente do banco retornou a seu trabalho.
Conhecendo melhor a jovem, não a teria reco men da do para o cargo.
Mesmo chorando a menina, seus lábios se abriram em amplo
sorriso.
Aplicações
Texto para os testes 9 e 10.
9. (UFSCar) – No texto apresentado, Saint-Exupéry defende
a) o esclarecimento das tarefas a serem realizadas.
b) a posição de que aquele que manda não precisa saber fazer.
c) a delegação de tarefas, sem demasiadas expli ca ções.
d) a motivação das pessoas para fazer seu trabalho.
e) o planejamento estratégico na elaboração de um trabalho.
RESOLUÇÃO:
Ao falar antes sobre a grandeza e a imensidão do mar, procura-se
estimularas pessoas a se inte ressarem pe la cons trução do navio. 
Resposta: D
10.(UFSCar) – Uma outra versão do início do texto, mantendo seu
sentido original, é:
a) Querendo construir um navio...
b) Construído um navio...
c) À medida que construir um navio...
d) Por querer construir um navio...
e) Ainda que queira construir um navio...
RESOLUÇÃO:
Em “querendo construir um navio...”, ocorre circuns tância de
condição, idêntica à oração subordinada ad verbial condicional: “Se você
quer construir um navio...”. 
Resposta: A
Se você quer construir um navio, não peça às pessoas que
consigam madeira, não dê a elas tarefas e trabalhos. Fale, antes, a
elas, longamente, sobre a grandeza e a imensidão do mar.
(Saint-Exupéry)
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Sendo a próclise a tendência, é aconselhável que se fixem
bem as poucas regras de mesóclise e ênclise. Assim, sempre
que estas não forem obrigatórias, deve-se usar a próclise, a
menos que prejudique a eufonia da frase.
A colocação do pronome átono está relacionada à harmonia
da frase. A tendência do português falado no Brasil é o uso
do pronome antes do verbo – próclise. No entanto, há
casos em que a norma culta prescreve o emprego do
pronome no meio – mesó clise – ou após o verbo – ênclise.
De acordo com a norma culta, no português escrito não se
inicia um período com pronome oblíquo átono. Assim,
se na linguagem falada diz-se Me encontrei com ele, na
linguagem escrita, formal, usa-se Encontrei-me com ele.
CASOS DE PRÓCLISE
Palavra de sentido negativo
Não me falou a verdade.
Advérbios sem pausa em relação ao verbo
Aqui te espero pacientemente.
Havendo pausa indicada por vírgula, recomenda-se a ênclise.
Ontem, encontrei-o no ponto do ônibus.
Pronomes indefinidos
Ninguém o chamou aqui.
Pronomes demonstrativos
Aquilo lhe desagrada.
Orações interrogativas
Quem lhe disse tal coisa?
Orações optativas (que exprimem desejo), com sujeito
anteposto ao verbo
Deus lhe pague, Senhor!
Orações exclamativas
Quanta honra nos dá sua visita!
Orações substantivas, adjetivas e adverbiais, desde
que não sejam reduzidas.
Percebia que o observavam.
Este é o homem que te procura.
Caso me ausente, cuide dos nossos negócios.
Verbo no gerúndio, regido de preposição em.
Em se plantando, tudo dá.
Verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição.
Seus intentos são para nos prejudicarem.
CASOS DE ÊNCLISE
Verbo no início da oração, desde que não esteja no futuro
do indicativo.
Trago-te flores.
Verbo no imperativo afirmativo
Amigos, digam-me a verdade!
Verbo no gerúndio, desde que não esteja precedido
pela preposição em. 
Saí, deixando-a aflita.
Verbo no infinitivo impessoal regido da prepo sição a. Com
outras preposições é facultativo o emprego de ênclise ou
próclise.
Apressei-me a convidá-los.
Estava para dizer-lhe a verdade. /
Estava para lhe dizer a verdade.
CASOS DE MESÓCLISE
É obrigatória somente com verbos no futuro do
presente ou no futuro do pretérito que iniciam a oração.
Dir-lhe-ei toda a verdade.
Far-me-ias um favor?
Se o verbo no futuro vier precedido de pronome reto ou de
qualquer outro fator de atração, ocorrerá a próclise.
Eu lhe direi toda a verdade.
Tu me farias um favor?
COLOCAÇÃO DO PRONOME ÁTONO NAS
LOCUÇÕES VERBAIS
Verbo principal no infinitivo ou gerúndio
Se a locução verbal não vier precedida de um fator de
próclise, o pronome átono deverá ficar depois do auxiliar
ou depois do verbo principal.
Devo-lhe dizer a verdade.
Devo dizer-lhe a verdade.
Havendo fator de próclise, o pronome átono deverá ficar
antes do auxiliar ou depois do principal.
Não lhe devo dizer a verdade.
Não devo dizer-lhe a verdade.
Verbo principal no particípio
Se não houver fator de próclise, o pronome átono ficará
depois do auxiliar.
Havia-lhe dito a verdade.
MÓDULO 17 Colocação Pronominal
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Se houver fator de próclise, o pronome átono ficará antes
do auxiliar.
Não lhe havia dito a verdade.
Haver de e ter de + infinitivo
Pronome átono deve ficar depois do infinitivo.
Hei de dizer-lhe a verdade.
Tenho de dizer-lhe a verdade.
Observação
Não se deve omitir o hífen nas seguintes cons truções:
Devo-lhe dizer tudo.
Estava-lhe dizendo tudo.
Havia-lhe dito tudo.
1. (UNISAL) – A gramática normativa determina que os pronomes
oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, se, nos, vos) apareçam antes do
verbo quando houver palavras negativas, advérbios, conjunções
subordi nativas, prono mes relativos, indefinidos ou demons tra tivos
antes dele. Verifique a aplicação dessa regra nas frases seguintes:
Estão corretas, segundo a gramática normativa, as frases:
a) I e IV.
b) I, II, III e IV.
c) I, II e IV.
d) I, II e III.
e) III e IV.
2. (FGV) – Assinale a alternativa em que a posição dos pro nomes áto -
nos, na frase, está de acordo com a norma-padrão do português escrito.
a) A respeitosa atitude de todos e a deferência universal que cerca vam-no...
b) As obscuras determinações das coisas acertadamente o haviam
erguido até ali.
c) Ele julgava-se e só o que parecia-lhe grande entrava nesse julga mento.
d) ... uma chusma de sentimentos atinentes a si mesmo que quase
falavam-lhe.
e) As obscuras determinações das coisas, acertadamente, mais alto
levariam-no.
RESOLUÇÃO:
Nas demais alternativas há ênclises indevidas: em a e c porque os
verbos são antecedidos por pronomes relativos; em d porque
antes vem um advérbio; em e porque se trata de futuro do
pretérito. 
Resposta: B
3. (FGV-Econ) – Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de
colocação pronominal.
a) Vai-se o sertanejo no êxodo para a costa, para as serras distantes –
esvazia-se o sertão, ainda que a saudade acompanhe o retirante.
b) Quando acaba-se o flagelo, é como se todos os problemas fossem
esquecidos, e tudo se reestabelecesse como antes.
c) Por fim, o sertanejo se dobra e, depois de tantos retirantes à sua
porta, rapidamente amatula-se em um daqueles bandos.
d) Ainda que o flagelo tenha ameaçado-o, o sertanejo volta ao sertão,
movido pela saudade por estar meses longe de sua casa.
e) Se vê, com assombro, a primeira turma de retirantes atravessar o
terreiro, e depois outras seguem-se nos dias posteriores.
RESOLUÇÃO:
Ambos os pronomes oblíquos átonos estão em ênclise por ser
início de oração. Em b, “quando se acaba”; em c, “rapidamente se
anula”; em d, “tenha-o ameaçado”; em e “Vê-se... e depois outras
se seguem”.
Resposta: A
4. (ESPM) – A colocação pronominal foge ao que se recomenda para
o padrão culto em: 
a) Não se sabia ao certo, sem os resultados da pesquisa, quantos
beneficiariam-se com a distribuição de alimentos. 
b) Tratava-se de um procedimento normal, informou a secretária, pois
a dispensa de funcionários decorria da queda de arrecadação. 
c) Quem se dispuser a trabalhar em benefício das pessoas carentes
da comunidade deve apresentar-se ao coordenador, amanhã cedo,
no Centro de Solidariedade.
d) Não houve quebradeira de empresas e de bancos, porque já se
sabia dos riscos de uma desvalorização e as companhias se
protegeram, comprando dólares.
e) Presumo que o erro foi causado pelo fato de muitos economistas
terem deduzido que a história se repete, e não foi o que se
observou, nesse caso.
Texto para a questão 5.
I. Luís jamais me olhou de novo.
II. Nós esperávamos que nos dissessem toda a ver dade. 
III. Agora escute-me, por favor.
IV. Avisaram-me sobre o acidente.
RESOLUÇÃO: 
No item III, o correto é: Agora me escute...
Resposta: C
RESOLUÇÃO: 
Na passagem ...quantos beneficiariam-se... existe um erro de
colocação pronominal, porque o pronome interroga tivo quantos
atrai o pronome se para antes do verbo, havendo assim próclise:
“...quantos se beneficiariam com...” 
Resposta: A
A colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais
oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se
referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as,
lhe, lhes, nos e vos. Esses pronomespodem assumir três posições
na oração em relação ao verbo. Próclise, quando o pronome é
colocado antes do verbo, devido a partículas atrativas, como o
pronome relativo. Ênclise, quando o pronome é colocado depois do
verbo, o que acontece quando este estiver no imperativo afirmativo
ou no infinitivo impessoal regido da preposição “a” ou quando o
verbo estiver no gerúndio. Mesóclise, usada quando o verbo estiver
flexionado no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
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5. A mesóclise é um tipo de colocação pronominal raro
no uso coloquial da língua portuguesa. No entanto,
ainda é encontrada em contextos mais formais,
como se observa em:
a) Não lhe negou que era um improviso.
b) Faz muito tempo que lhe falei essas coisas.
c) Nunca um homem se achou em mais apertado lance.
d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum outro
autor?
e) Acabou de chegar dizendo-lhe que precisava retornar ao serviço
imediatamente.
RESOLUÇÃO:
Temos, em tal alternativa, o verbo flexionado no futuro do
pretérito, o que justifica a mesóclise (pronome no meio do verbo)
do pronome pessoal oblíquo átono.
Resposta: D
6. (TOLEDO) – Para as questões seguintes, assinale:
A) quando somente a I estiver correta;
B) quando I e II estiverem corretas.
a) I. O gado ia finar-se, até os espinhos secariam.
II. O gado ia-se finar, até os espinhos secariam.
b) I. Compadre, eu não lhe quero dizer coisa alguma.
II. Compadre, eu não quero dizer-lhe coisa algu ma.
c) I. Preciso contar, senhor delegado, como se foi formando entre
nós esse espírito de briga.
II. Preciso contar, senhor delegado, como foi for mando-se entre
nós esse espírito de briga.
d) I. As visões da caatinga tinham-se dissipado.
II. As visões da caatinga tinham dissipado-se.
(Graciliano Ramos. Vidas secas. Ed. Martins, pp. 30, 36.)
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
a) B / B / A / A
b) A / B / A / B
c) B / B / B / A
d) A / A / A / B
e) B / A / A / A 
7. (FGV) – O emprego e a colocação do prono me estão de acordo
com a norma culta na alternativa:
a) Trata-se, evidentemente, de material muito simples, mas muitos dos
que são alfabetizados não conse guem lê-lo, nem compreendê-lo.
b) Pensemos na desobediência, na heresia e nas seitas e em como o
conhecimento lhes introduziu no mundo.
c) Lembre-se das rodas dentadas da pobreza, da igno rância, da falta
de esperança e da baixa autoestima e de como usam-as para criar
um tipo de máquina do fracasso perpétuo.
d) Temos dilemas que nos perseguem e inteligências brilhantes, que
poderiam ajudar a solucionar eles rapida mente.
e) Existe a ideia de que a capacidade de ler, o conheci mento, os livros
e os jornais são potencialmente peri go sos; os tiranos e os
autocratas sempre compreenderam-na.
RESOLUÇÃO: 
Em lê-lo, compreendê-lo, houve fusão do pronome oblí quo o, na
função de objeto direto, com a terminação verbal (ler + o = lê-lo;
compreender + o = compreendê-lo); em b, a forma pronominal lhes
deve ser trocada por as (introduziu-as); em c e e, deve haver
próclise (como as usam), (sempre a com preenderam); em d,
solucionar eles é variante popular; deveria ser regis trada a forma
solucioná-los. Resposta: A
8. (CEFET-MG) – A alteração na ordem da palavra em desta que
promoveu um desvio da norma-padrão, exceto em:
a) Já não se encolhe...
Já não encolhe-se...
b) ...as pessoas nunca se comunicaram tanto quanto na internet...
...as pessoas nunca comunicaram-se tanto quanto na internet...
c) ...que se abre de par em par, passando para o outro lado, e se
entregando...
...que se abre de par em par, passando para o outro lado, e en -
tregando-se...
d) ...a não ser por medo de sair à noite, pela insegurança que se alastra...
...a não ser por medo de sair à noite, pela insegurança que alastra-se...
e) Encontram-se, em bibliotecas monumentais como a do Congresso
americano...
Se encontram, em bibliotecas monumentais como a do Congresso
americano...
Resposta: C
Texto para a questão 9.
9. (UFAL) – Assinale a alternativa correta em relação aos aspectos
formais da língua padrão culta.
a) O termo “vê-la-íamos” é traduzido por “vimos a verdade”.
b) O termo “Basta-nos” pode ser substituído por “Nos basta”.
c) A expressão “não se compreende” pode ser substituída por “não
compreende-se”.
d) O ponto e vírgula utilizado após a expressão “vê-la-íamos” pode ser
substituído por um ponto, sem causar mudança de sentido ao
texto.
e) O trecho “ser homem é saber que não se compreende” pode ser
reescrito da seguinte forma: “ser homem é saber, que não se
compreende”.
RESOLUÇÃO: 
Pode ocorrer a substituição porque a oração seguinte “Tudo o
mais é sistema e arredores” é independente (coordenada).
Resposta: D
RESOLUÇÃO: 
A frase As visões da caatinga tinham dissipado-se está er rada
porque não se prende pronome oblíquo átono ao parti cípio. 
Resposta: C
Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é
sistema e arredores. Basta-nos, se pensarmos, a incompreensi bi -
lidade do universo; querer compreendê-lo é ser menos que
homens, porque ser homem é saber que não se compreende.
PESSOA, Fernando. O livro do desassossego. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 117.
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MÓDULO 18 Estudos Linguísticos (V)
As questões 1 e 2 tomam por base o “Soneto LXVII” (“Considera a
vantagem que os brutos fazem aos homens em obedecer a Deus”) de
Dom Francsco Manuel de Melo (1608-1666).
1. (UNESP) – Que contraste é explorado pelo poema como base da
argumentação? Justifique sua resposta. Considerando também outros
aspectos, em que movimento literário o poema se enquadra? 
RESOLUÇÃO:
No texto, o eu lírico opõe o comportamento do animal ao do ser
humano. O primeiro, em decorrência de sua irracionalidade, é
obediente às leis divinas, enquanto o homem, “racional e
resoluto”, questiona as determinações de Deus, desobedecendo
às leis divinas. O eu poemático, consciente de seu desrespeito ao
Senhor, pede-lhe que o transforme em animal irra cional, pois,
dessa maneira, ainda haveria possi bilidade de obediência e
respeito a Deus.
Dom Francisco Manuel de Melo, autor do Barroco português, vale-
se de recursos típicos desse movimento literário como o jogo de
oposições (“homem x fera”), a inversão sintática, a temeridade às
leis divinas, a insignificância do homem frente a Deus,
evidenciando-se, assim, o conflito desse contexto: a pressão
teocên trica da Contrarreforma sobre os valores antro po cên tricos.
2. (UNESP) – No primeiro verso, a que classe de palavras pertence
o termo “que” e qual sua função na frase? No quarto verso, a que
classe de palavras pertence o termo “que” e qual sua função na frase?
RESOLUÇÃO:
No primeiro verso, que é uma conjunção integrante que introduz
oração subordinada substantiva objetiva direta, que completa
sintaticamente o verbo ver da oração principal. No quarto verso,
que é pronome relativo, introduz oração adjetiva restritiva, refere-
se à expressão antecedente “o alto estatuto das leis” e funciona
sintaticamente como objeto direto do verbo pôr.
Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões de 3 a 5.
3. (FAMEMA) – O poema faz referência
a) à pobreza do campo, quando comparada à riqueza das cidades.
b) à possibilidade de as cidades se expandirem em direção ao campo.
c) à beleza que surge do crescimento e da modernização dos
ambientes urbanos.
d) à importância do jovem na construção de uma sociedade melhor.
e) à desumanização dos indivíduos no processo de homogeneização
das cidades.
RESOLUÇÃO:
Os versos que confirmam a “homogeneização” dos indivíduos
nas cidades são os seguintes: “Nas cidades todas as pessoas se
parecem/ Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente” .
Resposta: E
Quando vejo, Senhor, que às alimárias1
Da terra, da água do ar, – peixe, ave, bruto –
Não lhe esquece jamais o alto estatuto 
Das leis que lhes pusestes ordinárias;
E logovejo quantas artes2 várias 
O homem racional, próvido3 e astuto, 
Põe em obrar, ingrato e resoluto, 
Obras que a vossas leis são tão contrárias;
Ou me esquece quem sois ou quem eu era;
Pois do que me mandais tanto me esqueço, 
Como se a vós e a mi não conhecera. 
Com razão logo por favor vos peço 
Que, pois homem tal sou, me façais fera, 
A ver se assi melhor vos obedeço. 
(A Tuba de Caliope, 1988.)
1 alimária: animal irracional.
2 arte: astúcia, ardil.
3 próvido: providente, que se previne, previdente, precavido.
A ESTRADA
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo o mundo é igual. Todo o mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um
[bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz
[dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.
(Estrela da vida inteira, 2009.)
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4. (FAMEMA) – O poema se desenvolve em acordo com uma carac -
terís tica típica da poesia de Manuel Bandeira:
a) a reflexão sobre questões abrangentes, por vezes abstratas, a partir
de elementos pontuais, simples e cotidianos.
b) o elogio à contenção das emoções e ao regramento, o que é
adequado a uma vida disciplinada, sem lugar para ações
intempestivas.
c) a defesa de uma atitude humana libertária em face das questões do
mundo, o que tem paralelo na utilização de métrica variada e versos
livres.
d) a visão positiva a respeito dos homens, como indiví duos, e de suas
organizações sociais.
e) a crítica aos avanços da modernidade em uma visão saudosista que
se consolida na recuperação dos forma tos clássicos da poesia.
RESOLUÇÃO:
A poética de Manuel Bandeira faz abordagem de pequenos fatos
da vida cotidiana e os transpõe para o geral. A descrição que o
poeta faz de uma cidade de interior abrange todas as pequenas
povoações rurais e ganha maior dimensão.
Resposta: A
5. (FAMEMA) – “Estes cães da roça parecem homens de
negócios”.
A função sintática do termo destacado no excerto é a mesma do termo
destacado em:
a) “cada um traz a sua alma.”
b) “E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:”
c) “Cada criatura é única.”
d) “Nem falta o murmúrio da água,”
e) “Nas cidades todas as pessoas se parecem.”
RESOLUÇÃO:
No enunciado, “homens de negócios” funciona sintaticamente
como predicativo do sujeito “Estes cães da roça”. A mesma
função, predicativo do sujeito, ocorre em “única”, como
característica de “Cada criatura”.
Resposta: C
Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico brasileiro
Marcelo Gleiser para responder às questões de 6 a 8.
6. (UNESP) – “Sua origem marca o início da grande aventura
intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência
moderna.” (1.° parágrafo)
O pronome em destaque refere-se a
a) “cidade-Estado” (Mileto).
b) “ciência moderna”.
c) “grande aventura intelectual”.
d) “primeira escola de filosofia pré-socrática”.
e) “costa mediterrânea da Turquia”.
RESOLUÇÃO:
O pronome possessivo sua funciona como elemento de coesão,
retomando “primeira escola de filosofia pré-sociática”.
Resposta: D
7. (UNESP) – Em “Tales também previu um eclipse solar que
ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C.” (3.° parágrafo), o termo
destacado exerce função de
a) adjunto adnominal. b) adjunto adverbial.
c) sujeito. d) objeto indireto.
e) objeto direto.
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que funciona como sujeito do verbo ocorrer,
porque retoma “um eclipse solar”.
Resposta: C
8. (UNESP) – O sarcástico comentário da jovem escrava de que
“Tales estava tão preocupado com os céus que nem conseguia ver as
coisas que estavam a seus pés” (3.° parágrafo) alude sobretudo à
seguinte oposição:
a) razão x loucura.
b) determinação x hesitação.
c) liberdade x escravidão.
d) compaixão x aversão.
e) abstração x concretude.
RESOLUÇÃO:
Tales de Mileto abstraía-se para entender questões complexas e
aparentemente distantes da realidade, mas não via obstáculos
concretos, como o poço em que caiu. É essa a ironia que se
depreende da frase da escrava.
Resposta: E
Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que
ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C., que efeti vamente causou o
fim da guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram
o que era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando
lhe pergun taram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não
é à toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia
Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido
em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse
acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem
escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo
sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem
conseguia ver as coisas que estavam a seus pés.
(A Dança do Universo, 2006. Adaptado.)
Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados
gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma
melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das
atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da
Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a
primeira escola de filosofia pré-socrática floresceu. Sua origem
marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos
depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com
Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da filosofia ocidental.
A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento
astronômico e meteorológico (provavel mente herdado dos
babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um
ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro
para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando
chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram que pagar
a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna.
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Leia a crônica de Clarice Lispector, publicada no Jornal do Brasil em 29 de
março de 1969, para responder às questões 9 e 10.
9. (FAMERP) – “A sugestão “seja você mesma” deixou a autora
“perplexa e desamparada” porque
a) mostrou que seus leitores não eram capazes de compreender o que
ela queria expressar em seus textos.
b) fez com que ela percebesse que não sabia como ser, no jornal, uma
escritora tão boa quanto nos livros. 
c) provocou questionamentos de ordem existencial, para os quais não
encontrou resposta.
d) levou-a a se perguntar se seria capaz de evitar as temidas concessões
ao escrever para o jornal.
e) gerou dúvidas quanto à sua identidade, pois se viu dividida em duas
escritoras com estilos antagônicos.
10. (FAMERP) – “Os trechos “por estar escrevendo em jornal” (1o
parágrafo) e “ao ouvir um ‘seja você mesma’” (2o parágrafo) expri -
mem, respectivamente, circunstância de
a) consequência e tempo.
b) causa e condição.
c) causa e tempo.
d) finalidade e condição.
e) consequência e finalidade.
11.(INSPER)
Na fala da personagem, identifica-se
a) crítica ao uso do aplicativo para disseminação de mensagens de
ódio, reforçada pelo jogo de palavras “áudio” e “ódio”.
b) descaso com o uso do aplicativo, considerando-se que ele
regularmente apresenta problemas, o que gera “ódio” nas
pessoas.
c) opinião contraditória em relação ao compartilhamento de áudio, só
aceitável para veiculação de mensagens de “ódio”.
d) reconhecimento de que mensagens de áudio são necessárias, o
que se comprova com a relevância desse recurso para disseminar
o “ódio”.
e) ambiguidade, pois não se sabe ao certo o que é problema, devido
ao trocadilho provocado pelo uso de “áudio” e “ódio”.Resposta: A
PERGUNTAS GRANDES
Pessoas que são leitoras de meus livros parecem ter receio de
que eu, por estar escrevendo em jornal, faça o que se chama de
concessões. E muitas disseram: “Seja você mesma.”
Um dia desses, ao ouvir um “seja você mesma”, de repente
senti-me entre perplexa e desamparada. É que também de repente
me vieram então perguntas terríveis: quem sou eu? como sou? o
que ser? quem sou realmente? e eu sou?
Mas eram perguntas maiores do que eu.
(A descoberta do mundo, 1999.)
RESOLUÇÃO: 
Clarice Lispector começou a questionar a própria existência, não
encontrando resposta satisfatória, depois que seus leitores
pediram para que essa autora fosse ela mesma, sem fazer
concessões literárias ao escrever para a imprensa.
Resposta: C
RESOLUÇÃO: 
A oração “por estar escrevendo em jornal” é subordinada
adverbial reduzida de infinito e exprime circunstância de causa
em relação à principal “o que se chama”. No segundo parágrafo,
há circunstância de tempo na oração subordinada adverbial
reduzida de infinito.
Resposta: C
(Duke. www.otempo.com.br, 20.02.2019.)
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MÓDULO 11 Primeira Geração Modernista: Mário de Andrade
1. Mário de Andrade
(São Paulo, 1893-1945)
Mário de Andrade
Fez o curso secundário no Gi násio Nossa Senhora do
Carmo e di plomou-se no Conservatório Dra má tico e
Musical, onde viria a ser pro fes sor de História da Música.
Tendo si do um dos respon sá veis pela Se mana de Arte
Moderna, animou as prin ci pais revistas do movi mento na
sua fa se de afirmação polêmica: Klaxon, Es tética, Terra
Roxa e Ou tras Terras. Sou be conjugar uma vi da de intensa
cria ção literária com o estudo apai xo nado da música, das
artes plásticas e do fol clore bra sileiro. De 1934 a 1937 diri -
giu o Departa mento de Cul tura da Pre feitura de São Paulo,
fun dou a Dis coteca Pública, promoveu o Primei ro Con -
gresso de Língua Nacio nal Can ta da e dina mizou a
excelente Revista do Arquivo Municipal.
De 1938 a 1940 lecionou Estéti ca na Universidade
do Distrito Fe de ral. Voltando a São Paulo, pas sou a tra ba -
lhar no Serviço do Patri mônio His tó rico. Faleceu na sua
ci da de aos cin quenta e um anos de idade.
2. Considerações críticas
� Poesia
A poesia de Mário de Andrade segue dois ca mi nhos,
muito ligados ao tipo de assunto que abordam. 
Quando fala de São Paulo, o poeta incorpora várias
téc ni cas da poesia futurista euro peia, porque a cidade,
pre cisamente a metrópole, foi o eixo principal de toda a
arte moderna. É o que Mário de Andrade realiza prin ci -
palmente em Pauliceia Desvairada (1922):
Chove?
Sorri uma garoa cor de cinza,
muito triste, como um tristemente longo...
A casa Kosmos não tem impermeáveis em liquidação...
Mas neste largo do Arouche 
posso abrir o meu guarda-chuva paradoxal, 
este lírico plátano de rendas mar...
Ali em frente... — Mário, põe a máscara!
— Tens razão, minha Loucura, tens razão.
O rei de Tule jogou a taça ao mar...
Os homens passam encharca dos...
Os reflexos dos vultos curtos
mancham o petit-pavé...
As rolas da Normal 
esvoaçam entre os dedos da garoa...
(E si pusesse um verso de Crisfal
No De Profundis?...)
De repente
um raio de Sol arisco
risca o chuvisco ao meio.
(Pauliceia Desvairada)
A outra vertente é folclórica, fin cada nas lendas bra -
si leiras, inspi ra da em nossa formação cul tural. Es sa poe -
sia aparece sobre tu do em Clã do Jabuti (1927).
Mas, a partir de 1930, a poesia de Mário de Andrade
vai mostrando evo lução e maturidade. Em Remate de
Males (1930), ele já abandona mui tos maneirismos e
mo dis mos futu ristas para criar uma poesia que con se -
gue fundir o pessoal e o coletivo.
� Prosa 
A prosa literária de Mário de An drade apresenta tam -
bém duas ten dên cias:
• A prosa mítica e folclórica de Macunaíma
Macunaíma é uma revolução na linguagem da nar ra -
tiva. Mário de An drade une tom oral a um vocabulário re -
FRENTE 2Literatura
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gional inédito na prosa de ficção. Macunaíma é “o herói
sem nenhum ca ráter”, é o índio nascido no Ama zo nas, que
parte para São Paulo para buscar sua muiraquitã (pedrinha
mágica, em forma de jacaré), roubada por um gigante de
dupla identidade: por um lado é índio antropófago (o
gigante Piaimã), por outro é de origem italia na e mora em
São Paulo (Venceslau Pietra). Macunaíma consegue
vencê-lo e recuperar a pedra. De volta a sua terra natal, não
encontra mais sua tribo, que fora destruída. Fica sozinho na
floresta, sempre triste por ter per di do a mulher que
amava, Ci, mãe do mato, rainha das Icamiabas (tribo ama -
zônica). Macunaíma pas sa o tem po contando suas
histórias (e men tindo muito) a um papagaio, seu único
com panheiro na solidão e nar rador presu mível do livro.
Morto pelo abraço des truidor de Yara (espécie de sereia
dos índios), sobe ao céu, transformado numa estrela da
Ursa Maior. Trata-se de uma fábula múlti pla, ou rap só dia,
porque reúne várias lendas brasi leiras, tendo no cen tro a
lenda de Macunaí ma, que Mário de Andrade ex traiu de um
livro sobre os mitos indígenas do norte do Amazo nas. A
narrativa reúne supers ti ções, fra ses fei tas, pro vérbios e
modismos de lin gua gem, tudo sistematizado e intencio nal -
mente en tre te ci do:
Então Macunaíma percebeu que não era assombração
nada, era mas o monstro Oibê minhocão temível. Criou
coragem pegou no brinco da orelha esquerda que era a
máquina revólver e deu um tiro na assom bra ção. Porém
Oibê não fez caso e veio vindo. O herói tornou a ter medo.
Pu lou na rede agarrou a gaiola e esca fedeu pela janela,
jogando baratas no caminho todo. Oibê correu atrás. Mas
era só de brinca deira que ele que ria comer o herói.
Macunaíma de sembestara agreste fora mas isso ia que ia
aco chado pelo minhocão. En tão botou o furabolo na goela,
fez cos quinha e lançou a farinha engo lida. A farinha virou
num areão e en quanto o mons tro pelejava pra atra vessar
aquele mundo de areia escor regando, Macu naíma fugia.
Tomou pe la direita, des ceu o morro do Es trondo que soa de
sete em sete anos seguiu por uns caponetes e depois de
cortar um travessão encapelado fez o Sergipe de ponta a
ponta e parou ofegante num agar rado muito pe dregoso.
Na frente havia uma lapa grande furada por uma furna com
um altarzinho dentro. Na bo ca da so ca va um frade.
Macunaíma per gun tou pro frade:
— Como se chama o nome de você?
O frade pôs no herói uns olhos frios e secundou com
pachorra:
— Eu sou Mendonça Mar pintor. Desgostoso da
injustiça dos homens faz três séculos que afastei-me
deles me tendo cara no sertão. Descobri esta gruta ergui
com minhas mãos este altar do Bom Jesus da Lapa e vivo
aqui per doando gente muda do em frei Fran cisco da
Soledade.
— Está bom, Macunaíma falou. E partiu na chis pa da.
(…)
(Macunaíma, cap. XV)
• A prosa urbana
A prosa urbana de Mário de An drade recolhe vários
falares paulis ta nos do dia a dia, seja a fala mais po lida,
como aparece nos Contos No vos (1947), seja a orali da de
dos bair ros de imigrantes italianos, como Be la zar te (1934).
Nos Contos Novos, Mário de Andrade descarrega
muita dose de psicolo gismo, que cul mina no célebre
conto “Peru de Natal”, o mais conhecido dos seus
contos. Apoian do-se em Freud (To tem e Tabu), desmis -
ti fica as rela ções familiares.
Em Belazarte, com muita graça e compa de cimen to
cristão, Mário fala da gente pobre e oprimida das clas ses
médias de São Paulo. 
Já em Amar, Verbo Intransitivo, o autor dá tratamento
literá rio a processos psi canalíticos freu dia nos, como fixa -
ções, recalques e su bli ma ções. Nesse romance, narra-se
a his tória de uma jovem alemã, Fräulein, cha mada por
uma família de bur gue ses paulistanos para ini ciar Carlos,
filho mais velho, na vida sexual.
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Como diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São
Paulo, Mário de Andrade teve atuação incansável. Além da
Biblioteca Circu lante (foto), que ia às praçase bairros operários,
animou o projeto da construção de uma grande biblioteca
municipal, que hoje leva o nome de seu idealizador.
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Texto para a questão 1.
1. (FUVEST – adaptada) – Estas afirmações se aplicam à perso -
nagem Macunaíma? Justifique resumidamente sua resposta.
RESOLUÇÃO:
O fato de que se trate de personagem “sem nenhum caráter” faz
que a observação de Sérgio Buarque de Holanda seja precisa -
mente adequada a Macunaíma, a quem não faltam características
opostas e mesmo contraditórias, pois sua personalidade não é
limitada por nenhum tipo de ética ou de coerência.
Textos para a questão 2.
2. (UEPG – modificada) – Analise as proposições abaixo e indique as
verdadeiras (V) e as falsas (F).
I. ( ) Tanto em Iracema como em Macunaíma, o índio é visto de
forma idealizada, como uma entidade bela e
extremamente feliz, em sintonia com uma paisagem
paradisíaca.
II. ( ) Ligado a um olhar mais socioeconômico, o herói de Mário
de Andrade faz uma leitura desmistificadora de nosso
selvagem, na qual se mos tram suas características
negativas e definidoras de seu caráter.
III. ( ) Os dois textos pertencem a momentos de renovação de
nossas artes: o Romantismo, que buscou romper com o
padrão neoclássico, e o Modernismo, que rompeu com o
formalismo parnasiano.
IV. ( ) Construído a partir da incorporação crítica de outros textos,
Macunaíma apresenta elementos que dialogam com o
romance român tico de José de Alencar, como se pode
notar no trecho transcrito.
RESOLUÇÃO: 
I: F; II: F; III: V; IV: V. Em I, não há idealização do protagonista
Macunaíma. Em II, não existe análise socioeconô mica nessa
rapsódia. Há nessa obra a fusão de mitos da cultura sincrética
brasileira.
A vida íntima do brasileiro nem é bastante coesa, nem bastante
disciplinada, para envolver e dominar toda a sua personalidade e,
assim, integrá-la, como peça consciente, no conjunto social. Ele é
livre, pois, para se abandonar a todo repertório de ideias, gestos e
formas que encontre em seu caminho, assimilando-os frequen te -
mente sem maiores dificuldades.
(Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil – adaptado)
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte,
nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais
negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de
palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso, nem a baunilha
recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o
sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da
grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas
a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
(José de Alencar, Iracema)
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa
gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um
momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo
do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa
criança é que chamaram de Macunaíma.
(Mário de Andrade, Macunaíma)
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Texto para o teste 3.
3. Confrontada pela dona da casa, a personagem
alemã explica as razões de sua presença ali. Em
seu discurso, o amor é concebido por um viés que
a) defende a idealização dos sentimentos.
b) explica filosoficamente suas peculiaridades.
c) questiona a possibilidade de sua compreensão.
d) demarca as influências culturais sobre suas práticas.
e) reforça o papel da família na transmissão de seus valores.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Fräulein foi contratada por Felisberto Sousa Costa para
iniciar sexualmente o primogênito adolescente da família, mas
esse propósito é disfarçado como se Fräulein Elza fosse a
preceptora dos filhos de Felisberto. Nesse trecho, ela é
confrontada por Dona Laura, mãe de Carlos, sobre o real motivo
de sua presença na casa. Elza, esse é seu nome, explica: ensinar a
Carlos “o amor como deve ser”, “puro, sincero, união inteligente
de duas pessoas, compreensão mútua”, para “criar um lar
sagrado”. Essa postura vai de encontro ao que é propagado pelos
filósofos Schopenhauer e Nietzsche, que animalizam o indivíduo.
Dessa forma, constata-se que suas ações são influenciadas por
valores culturais dos quais ela discorda.
Resposta: D
Texto para o teste 4.
4. No fragmento do conto de Mário de Andrade, o tom
confessional do narrador em primeira pessoa revela
uma concepção das relações humanas marcada por
a) distanciamento de estados de espírito acentuado pelo papel das
gerações.
b) relevância dos festejos religiosos em família na sociedade moderna.
c) preocupação econômica em uma sociedade urbana em crise.
d) consumo de bens materiais por parte de jovens adultos e idosos.
e) pesar e reação de luto diante da morte de um familiar querido.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] A visão que o narrador expressa sobre o falecido pai
revela distância “de estados de espírito” entre ambos, já que o
filho julga ter sido excessiva a austeridade do pai, avesso aos
pequenos prazeres da mesa e da vida.
Resposta: A
— ... E o amor não é só o que o senhor Sousa Costa pensa. Vim
ensinar o amor como deve ser. Isso é que pretendo, pretendia
ensinar pra Carlos. O amor sincero, elevado, cheio de senso
prático, sem loucuras. Hoje, minha senhora, isso está se tornando
uma necessidade desde que a filosofia invadiu o terreno do amor!
Tudo o que há de pessimismo pela sociedade de agora! Estão se
animalizando cada vez mais. Pela influência às vezes até indireta de
Schopenhauer, de Nietzsche... embora sejam alemães. Amor puro,
sincero, união inteligente de duas pessoas, compreensão mútua. E
um futuro de paz conseguido pela coragem de aceitar o presente.
Rosto polido por lágrimas saudosas, quem vira Fräulein
chorar!...
— ... É isso que eu vim ensinar pra seu filho, minha senhora.
Criar um lar sagrado! Onde é que a gente encontra isso agora?
(ANDRADE, M. Amar, Verbo Intransitivo. 
Rio de Janeiro: Agar, 2008.)
O nosso primeiro Natal em família, depois da morte de meu
pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas
para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente
felizes, nesse sentido muito abstrato de felicidade: gente honesta,
sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades
econômicas. Mas, por causa principalmente da natureza cinzenta
de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma
exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos
faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas
felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas,
aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom
errado, quase dramático, o puro sangue dos desmancha-prazeres.
Morreu meu pai, sentimos muito, etc...
(Mário de Andrade, “O Peru de Natal”, in Contos Novos)
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Texto para o teste 5.
5.
O poema modernista de Mário de Andrade revisita o
tema do nacionalismo de forma irônica ao
a) referendar estereótipos étnicos e sociais ligados ao brasileiro
nortista.
b) idealizar a vida bucólica do norte do país como alternativa de
brasilidade.
c) problematizar a relação entre distância geográfica e construção da
nacionalidade.
d) questionar a participação da cultura autóctone na formação da
identidade nacional.
e) propalar uma inquietação desfavorável quanto à aceitação das
diferenças socioculturais.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] O nacionalismo é revisitado ironicamente pelo eu lírico,
que mora no Sudeste e é escritor, ao “descobrir” que o homem,
lá no Norte, que trabalha com extração de borracha, e que tem
uma condição tão diferente da sua, é brasileiro tal qual ele o é.
Resposta: C
Texto para o teste 6.
6. O fragmento é baseado nos originais de Mário de
Andrade destinados à elaboração da sua gramati -
quinha. Muitos rascunhos do autor foram
compilados, com base nos quais se depreende do pensamento de
Mário de Andrade queele
a) demonstra estar de acordo com os ideais da gramática normativa.
b) é destituído da pretensão de representar uma linguagem próxima
do falar.
c) dá preferência à linguagem literária, ao caracterizá-la como esti -
lização erudita da linguagem oral.
d) reconhece a importância do registro do português do Brasil, ao
buscar sistematizar a língua na sua expressão oral e literária.
e) reflete a respeito dos métodos de elaboração das gramáticas, para
que eles se tornem mais sérios, o que fica claro na sugestão de que
cada um se dedique a estudos pessoais.
RESOLUÇÃO: 
[ENEM] É explícita no texto de Mário de Andrade a importância
atribuída à linguagem oral brasileira, expressa em seu interesse
na sistematização não apenas dessa modalidade, “transitória e
vaga”, mas também da “expressão literária impressa”, que ele
define como “estilização erudita da linguagem oral”.
Resposta: D
DESCOBRIMENTO
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro,
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim,
Não vê que me lembrei lá no norte, meu Deus! Muito longe de 
[mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu,
Um homem pálido, magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo,
Esse homem é brasileiro que nem eu...
(ANDRADE, M. Poesia Completa. 
Belo Horizonte: Vila Rica, 1993.)
Esta gramática, pois que gramática implica no seu conceito o
conjunto de normas com que torna consciente a organização de
uma ou mais falas, esta gramática parece estar em contradição
com o meu sentimento. É certo que não tive jamais a pretensão de
criar a Fala Brasileira. Não tem contradição. Só quis mostrar que o
meu trabalho não foi leviano, foi sério. Se cada um fizer também
das observações e estudos pessoais a sua gramatiquinha muito
que isso facilitará pra daqui a uns cinquenta anos se salientar
normas gerais, não só da fala oral transitória e vaga, porém da
expressão literária impressa, isto é, da estilização erudita da
linguagem oral. Essa estilização é que deter mina a cultura civilizada
sob o ponto de vista expressivo. Linguístico.
(Mário de Andrade, in: PINTO, E. P.
A Gramatiquinha de Mário de Andrade: texto e contexto. São Paulo:
Duas Cidades / Secretaria de Estado da Cultura, 1990 – adaptado.)
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Leitura complementar
Conferência proferida por Mário de Andrade em 19421
Capítulo 1
Faz vinte anos, este mês de fevereiro, que se realizou no Teatro
Municipal a Semana de Arte Moderna. 
É todo um passado longínquo de que sorrio sem medo, mas que
me assombra um pouco também. Foi gostoso, ficou bonito, mas
como tive coragem para participar daquilo! É certo que com minhas
experiências artísticas muito venho escandalizando essa minoria que
é a intelectualidade do meu país, mas, na realidade, feitas em artigos
e livros, minhas experiências como que não se executam in anima
nobile [latim: em alma nobre]. Não estou de corpo presente e isso
desencaminha o choque da estupidez. 
Mas como tive coragem para dizer versos ante uma assuada tão
singular, que eu não escutava do palco o que Paulo Prado me gritava
da primeira fila das poltronas?… Como pude fazer uma hórrida
conferência na escadaria do teatro, cercado de anônimos que me
caçoavam e ofendiam a valer?… 
O meu mérito de participante é mérito alheio: fui encorajado, fui
enceguecido pelo entusiasmo dos outros. Apesar da confiança,
absolutamente firme que tinha na estética renovadora, eu não teria
forças para arrostar aquela tempestade de achincalhes. E se aguentei
o tranco foi porque estava delirando. O entusiasmo dos outros me
embebedava, não o meu. Por mim teria cedido. Digo que teria cedido,
mas apenas nessa parte espetacular do movimento modernista. Com
ou sem a Semana, minha vida intelectual seria o que tem sido.
A Semana marca uma data, isso é inegável. É uma data que
envaidece recordar. 
Mas o certo é que a preconsciência primeiro, e em seguida a
convicção de uma arte nova, de um espírito novo, desde pelo menos
seis anos viera se definindo no… sentimento de um grupinho de
intelectuais, aqui. Do primeiro, foi um fenômeno estritamente
sentimental, uma intuição divinatória, um… estado de poesia. Com
efeito: educados na plástica “histórica”, sabendo quando muito da
existência dos primeiros impressionistas, ignorando Cézanne, o que
nos levou a aderir incondicionalmente à exposição de Anita Malfatti,
em plena guerra europeia, mostrando quadros expressionistas e
cubistas? Parece absurdo, mas aqueles quadros foram para mim a
revelação. E delirávamos diante de O Homem Amarelo, A Estudante
Russa, A Mulher de Cabelos Verdes. E aO Homem Amarelo eu
dedicava um soneto parnasianíssimo… Éramos assim. 
Pouco depois, Menotti del Picchia e Osvaldo de Andrade
descobriram Brecheret no seu exílio do Palácio das Indústrias. E
fazíamos verdadeiras “rêveries” [francês: fantasias, devaneios]
simbolistizantes em frente da simbólica exasperada e das
estilizações decorativas do “gênio”. Porque Brecheret era para nós
no mínimo um gênio. Este era o mínimo com que podíamos nos
contentar, tais os entusiasmos a que ele nos sacudia. E Brecheret ia
ser em breve o gatilho que faria Pauliceia Desvairada estourar. 
Eu passara esse ano de 1920 sem fazer mais poesia. Tinha
cadernos e cadernos de cousas parnasianas e algumas simbolistas,
mas tudo acabara por me desagradar. Na minha cultura desarvorada,
já conhecia até Marinetti, mas repudiava a maioria dos princípios
futuristas, como já escrevera no Jornal dos Debates, de Pinheiro da
Cunha. Só então é que descobri Verhaeren, desculpem, e foi o
deslumbramento. Concebi fazer um livro de poesias modernas em
verso livre, sobre a minha cidade. Tentei, não veio nada que me
interessasse. Tentei mais e nada. Os meses passavam numa
angústia, numa insuficiência feroz. Será que a poesia tinha se
acabado em mim?… E eu me acordava insofrido. 
A isso se ajuntavam dificuldades morais e vitais de toda espécie,
foi ano de sofrimento muito. Já ganhava para viver folgado, mas o
ganho fugia em livros e eu me estrepava em arranjos financeiros
temíveis. Estava criando fama de professor bom e fazia esforços
para que meus alunos de Conservatório passassem com notas altas.
Em casa o clima era torvo. Se mãe e irmãos não me amolavam com
as minhas “loucuras”, o resto da família me retalhava sem piedade.
Tinha discussões brutas em que os desaforos mútuos não raro
chegavam àquele ponto de arrebentação que… por que será que a
arte os provoca!… A briga era brava e, se não me abatia nada, me
deixava em ódio, mesmo ódio. 
Foi quando Brecheret me concedeu passar em bronze um gesto
dele que eu adorava, uma cabeça de Cristo. Mas “com que roupa”?
Eu devia os olhos da cara! Não hesitei, fiz mais conchavos
financeiros e afinal pude desembrulhar em casa a minha Cabeça de
Cristo. A notícia correu num átimo, e a parentada que morava
pegado invadiu a casa para ver. E brigar. Aquilo até era pecado
mortal, onde se viu Cristo de trancinha! era feio, medonho! 
Fiquei alucinado, palavra de honra. Minha vontade era matar.
Jantei por dentro, num estado inimaginável de estraçalho. Depois
subi para o quarto, era noitinha, na intenção de me arranjar, sair,
espairecer um bocado, botar uma bomba no centro do mundo, nem
sei. Sei que cheguei à sacada, olhando sem ver o meu Largo do
Paissandu. Ruídos, luzes, falas abertas subindo dos choferes de
aluguel. Estava aparentemente calmo. Não sei o que me deu…
Cheguei na secretaria, abri um caderno, escrevi o título em que
jamais pensara, Pauliceia Desvairada. O estouro chegara afinal,
depois de quase ano de angústias interrogativas. Entre exames,
desgostos, dívidas, brigas, em poucos dias estava jogado no papel
um discurso bárbaro, duas vezes maior talvez do que isso que o
trabalho de arte fez um livro. 
Mais tarde, eu sistematizaria este processo de separação nítida
entre o estadode poesia e o estado de arte, para a composição dos
meus poemas “dirigidos”, as lendas, por exemplo, o
abrasileiramento linguístico de combate. Escolhido o tema, por meio
das excitações psicológicas sabidas, preparar o advento do estado
de poesia. Se este chega (quantas vezes não chegou…), escrever
sem coação de espécie alguma tudo o que me chega até a mão —
a “sinceridade” do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho
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penoso e lento da arte — a “sinceridade” da obra de arte, coletiva e
funcional, mil vezes mais importante que eu…
Quem teve a ideia da Semana? Por mim não sei quem foi, só
posso garantir que não fui eu. O mais importante era decidir e poder
realizar a ideia. E o autor verdadeiro da Semana de Arte Moderna foi
Paulo Prado. E só mesmo uma figura como ele e uma cidade como
São Paulo poderiam fazer o movimento modernista e objetivá-lo na
Semana. 
Houve tempo em que alguns escritores do Rio cuidaram de
transplantar para a Capital as raízes do movimento, estribados nas
manifestações simbolistas e pós-simbolistas, que existiam por lá.
Existiam é inegável. Aqui, esse ambiente só fermentava em
Guilherme de Almeida, e num Di Cavalcanti pastelista, “menestrel
dos tons velados”, como o apelidei numa dedicatória esdrúxula. Mas
eu creio ser um engano esse evolucionismo a todo transe, que
lembra nomes de Nestor Vítor ou Adelino Magalhães, como elos ou
precursores.
Seria mais lógico evocar Manuel Bandeira com o Carnaval. Não. O
modernismo no Brasil foi uma ruptura, foi um abandono consciente
de princípios e de técnicas, foi uma revolta contra a intelligensia
nacional. É mais possível imaginar que o estado de guerra da Europa
tivesse preparado em nós um espírito de guerra. E as modas que
revestiram este espírito foram diretamente importadas da Europa.
Quanto a dizer que éramos antinacionalistas, é apenas bobagem
ridícula. É esquecer todo o movimento regionalista aberto
anteriormente pela Revista do Brasil primeira fase, todo o movimento
editorial de Monteiro Lobato, a arquitetura e até urbanismo
(Dubugras) neocolonial aqui nascidos. Isso sim eram raízes
engrossadas desde o início da guerra. Mas o espírito e as modas
foram diretamente importados da Europa. 
Ora São Paulo estava muito mais “ao par” que o Rio de Janeiro.
E, socialmente falando, o modernismo só podia ser importado por
São Paulo e arrebentar aqui. Havia uma diferença profunda, já agora
pouco sensível, entre Rio e São Paulo. O Rio era muito mais
internacional, como norma de vida exterior. Está claro: capital do país,
porto de mar, o Rio tem um internacionalismo ingênito. São Paulo era
muito mais “moderna”, porém, fruto necessário da economia do
café e do industrialismo consequente. 
Ingenitamente provinciana, conservando até agora um espírito
provinciano servil, bem denunciado na política. São Paulo ao mesmo
tempo estava, pela sua atualidade comercial e sua industrialização,
em contato, se menos social, mais espiritual (não falo “cultural”) e
técnico com a atualidade do mundo. 
(...) 
Junto disso, o movimento renovador era nitidamente
aristocrático. Pelo seu caráter de jogo arriscado, pelo seu espírito
aventureiro, pelo seu internacionalismo modernista, pelo seu
nacionalismo embrabecido, pela gratuidade antipopular, era uma
aristocracia do espírito. Era natural que a alta e a pequena burguesia
o temessem. Paulo Prado, ao mesmo tempo que um dos expoentes
da aristocracia intelectual paulista, era uma das figuras principais da
nossa aristocracia tradicional. E foi por tudo isto que ele pôde medir
bem o que havia de aventureiro, de exercício do perigo no
movimento, e arriscar a sua responsabilidade intelectual e tradicional
na aventura. 
Uma cousa dessas seria impossível no Rio, onde não existe
aristocracia tradicional, mas apenas sita burguesia riquíssima. E esta
não podia encampar um movimento que lhe destruía o espírito
conservador e conformista. A burguesia nunca soube perder e isso é
que a perde. E aqui foi isso mesmo. Se Paulo Prado, com a sua
autoridade intelectual e tradicional, abriu a lista das contribuições e
arrastou atrás de si os seus pares e… alguns outros que a sua figura
dominava, a burguesia protestou e vaiou. Tanto a burguesia de classe
como a do espírito. 
(...) 
(...) [A] burguesia semiculta (a aristocracia era inculta: e já
irresponsável na sua decadência de então), essa espécie de
intelectualidade réptil que abastece as cidades e acaba onde as
cidades acabam, com que violência de fulgir e se defender,
arremeteu contra nós! Hoje, é irônico evocar os nomes que brilharam
lunarmente, iluminados pelo brilho próprio de um estado de espírito
coletivo. Tanto os contra como os favoráveis. (...) 
Capítulo 2
Na verdade, o período “heroico” do movimento, que traria tão
maior necessidade coletiva às artes nacionais, foi esse iniciado com
a exposição expressionista de Anita Malfatti e acabado com a “festa”
da Semana de Arte Moderna. Durante essa meia dúzia de anos
fomos realmente puros e livres, desinteressados, vivendo numa
união iluminada e sentimental das mais sublimes. Isolados do
mundo, caçoados, achincalhados, malditos, ninguém pode imaginar o
delírio de grandeza e convencimento pessoal com que reagimos. O
estado de exaltação gozado em que vivíamos era insopitável.
Qualquer página de qualquer um de nós jogava os outros a
acomodações prodigiosas, mas aquilo era genial! 
E eram aquelas fugas desabaladas dentro da noite, na cadillac
verde de Osvaldo de Andrade, para ir ler as nossas obras-primas em
Santos, no Alto da Serra, na Ilha das Palmas… E os nossos encontros
à tardinha na redação de Papel e Tinta… E a falange engrossando
com Sérgio Milliet e Rubens Borba de Morais, chegados da Europa…
E a adesão, no Rio, de um Manuel Bandeira… E as convulsões de
idealismo a que nos levava O Homem e a Morte de Menotti del
Picchia… E o descobrimento assombrado de que existiam em São
Paulo quadros de Lasar Segall, já muito querido através de revistas
de arte alemãs… E Di Cavalcanti, um dos homens mais inteligentes
que conheci, com os seus desenhos já então duma acidez
destruidora. Tudo gênios, tudo obras-primas geniais… Apenas Sérgio
Milliet punha um certo mal-estar no incêndio com a sua serenidade
equilibrada… E o filósofo do grupo, Couto de Barros, pingando ilhas
de consciência em nós, quando no meio da discussão, perguntava
mansinho: — Mas qual é o critério que você tem da palavra
“essencial”, ou — Mas qual é o conceito que você faz do “belo
horrível”… 
Éramos uns puros. Mesmo cercados de repulsa cotidiana, a
saúde mental de quase todos nós nos impedia qualquer cultivo da
dor. Nisso talvez as teorias futuristas tivessem uma influência única
e benéfica sobre nós. Ninguém pensava em sacrifício, nenhum se
imaginava mártir: éramos uma arrancada de heróis convencidos (...).
(...)
(Disponível em: https://www.estadao.com.br/
cultura/semana-de-22-por-mario-de-andrade/. 
Acesso em: 06 jan. 2023.)
1 – Texto originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo por ocasião
do 20.o aniversário da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1942;
republicado em 2002, no 80.o aniversário daquele evento.
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1. Oswald de Andrade
(São Paulo, 1890-1954)
Oswald de Andrade
Viajei, fiquei pobre, fiquei rico, ca sei, enviuvei, casei,
divorciei, via jei, casei... já disse que sou conjugal, gre -
 mial e ordeiro. O que não me im pe diu de ter brigado
diversas vezes à por tuguesa e tomado parte em al gu -
mas batalhas campais. Nem ter si do preso 13 vezes.
Tive também gran des fugas por motivos políticos.
Te nho três filhos e três netos e sou ca sado, em últimas
núpcias, com Maria Anto nieta d’Alkimin. Sou livre -
do cente de lite ratura na Faculdade de Filo sofia da
Universi dade de São Paulo.
(Oswald de Andrade, 
de um artigo publicado pelo 
Diá rio de Notícias, em 1950)
O mal foi ter eu medido o meu avan ço sobre o
cabresto metrificadoe na cio nalista de duas remotas ali -
má rias — Bilac e Coelho Neto. O erro foi ter cor rido na
mesma pista ine xis ten te. (...)
A situação “revolucio ná ria” desta bosta mental sul-
americana apresen ta va-se assim: o contrário do bur -
guês não era o proletário — era o bo ê mio! As massas,
ignora das no ter ri tó rio e, como hoje, sob a completa de -
vas sidão eco nômica dos políticos e dos ricos. Os inte -
lectuais brin can do de roda.
(Oswald de Andrade, 
prefácio de Serafim Ponte Grande)
O mais radical dos mo der nistas de 1922 teve sua
vida marcada por uma cria tiva von tade de transgredir,
por um fe cun do anar quis mo, fazendo de Os wald uma
per sonagem em per pé tua revolta, guiado por uma infi -
nita cu rio sidade: “En cai xo tudo, so mo, in cor poro”.
Das memórias da infância, uma das mais marcantes
foi a des coberta do circo, que plasmou a vi são cir cen se
do mundo, a car nava lização da vi da, tão marcantes na
ironia, no hu mor e nas paródias de Oswald, que se di zi a
“um palhaço da burguesia”.
Aos 22 anos parte para a Europa, in corporando em
sua bagagem, no re gresso, os “ismos” da vanguarda do
velho mundo: as lembranças de Landa Kosbach, dan ça ri -
na, “flor de car ne musculosa e doirada”, e Ka mi á, ex-
rainha dos estudantes de Mont martre, que lhe dá o
primeiro fi lho, Nonê (síntese de “nosso nenê”).
Conhece também lsadora Dun can, de quem foi
muito amigo e com quem escandalizou a sociedade da
época. 
Dessas relações, a mais intensa se rá com Deise,
apelidada “Miss Ci clo ne”, moça de uma garçonnière da
Rua Líbero Badaró, em São Paulo, com quem Oswald
passa a viver em 1917. 
Deise morre tragicamente de um abor to malsu ce -
dido, e Oswald ca sa-se com ela in extremis, no leito do
hospital em que estava interna da.
As marcas dessa relação vão rea parecer no primeiro
romance, Os Con denados. Em seu livro de me mó ri as,
Oswald fala dessa fase:
Sinto-me só, perdido numa i men sa noite de orfandade.
A amada que me deu a vida par ti u sem me dizer adeus.
A francesa que trouxe de Paris veio buscar o dinheiro
para outro ho mem.
Landa, que foi o primeiro sonho vi vo que me ofuscou,
tornou-se a es tá tua de sal da lenda bíblica. Olhou pa ra o
passado.
lsadora Duncan estrondou como ra io e passou. A que
encontrei, en fim, para ser toda minha, meu ciúme ma tou...
Estou só e a vida vai custar a re flo rir.
Estou só.
Mais tarde, já no auge do mo vi men to modernista
(1926), casa-se com Tarsila do Amaral, formando o ele -
gan tíssimo casal Tarsiwald, fun da dor do Movimento
Antropófago. Entra em con tato com alguns artistas eu ro -
peus, co mo Blaise Cendrars e Leger. Nesse pe ríodo pro -
move concorridas reuniões etíli co -gastronômico-cul tu -
rais. Em Pa ris, Oswald lança seu pri meiro livro de poe sia,
Pau-Brasil, ilustrado por Tar si la.
MÓDULO 12 Primeira Geração Modernista: Oswald de Andrade
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Com a crise internacional em 1929, Oswald vai à
falência, depen du rando-se nos reis da vela, ape li do dos
agiotas da zona bancária do cen tro velho da cidade de
São Paulo. Perde tu do, transforma-se num “vira-latas do
Mo dernismo”, mas adquire uma vi go ro sa experiência
das misérias do mun do das finanças, matéria-prima que
vai transpor em O Rei da Vela.
No início dos anos de 1930, passa a vi ver com
Patrícia Galvão (Pagu), ati vís sima mulher que foi res ga -
tada para a memória nacional por Augusto de Campos,
em trabalho pu blicado no ano de 1982.
Com Pagu, Oswald realiza uma gui nada ideológica
para a esquer da, filian do-se ao Partido Comunista e fun -
dando o jornal O Homem do Povo, pas quim humo rís tico-
pan fle tá rio, que foi em pas telado por es tudan tes da Fa -
cul dade de Direito do Largo São Fran cis co. Serafim
Ponte Gran de é o ro mance que pro jeta essa fase de ra -
di ca li dade cria tiva e ideo ló gica.
Fiel à sua proposta de “mo noga mia su ces siva”,
Oswald casa-se, em 1936, com a poe tisa Julieta Bár -
bara e, em 1942, com Maria Anto nieta d’Alkimin, sua
rela ção mais es tá vel, do cu men ta da nos poe mas de
Cân tico dos Cânti cos, para Flauta e Violão e no livro de
memórias.
Nas décadas de 1940 e 1950, Oswald de di ca-se à
vida acadê mica, in cli nan do-se para a pro ble má tica es pi ri -
tu al e para os temas es senciais da vi da.
� Considerações críticas
Oswald chega a vivenciar uma São Paulo ainda
provinciana, des per tan do para o seu processo de in dus -
tria lização. Ele está no meio de duas for ças: a do
patriarcalismo agrá rio, já pas sada, e a do início da tec no -
logia ur bana. “Nossos pais vinham do pa tri ar cado rural,
nós inaugurá vamos a era da indústria”, ele afirma com
lu ci dez na mirada retrospectiva de sua vi da.
Assim, os meios de comuni ca ção de massa — como
o cinema, o rádio, a lin guagem da propaganda — são ra -
pi da mente assimilados pelo poeta. “Pos tes da Light”,
em Poesia Pau-Bra sil, é um exemplo de poema cujo es -
tilo vem contaminado pela síntese ver tiginosa causada
pela nova pai sa gem urbana; suas prin cipais per so na gens
são a multidão, os novos meios de transporte, o
fonógrafo, o ci ne ma etc. Exemplo vivo dessa fas ci na ção
pelo moderno é o famoso Ca di llac ver de que Oswald
possuía nessa é poca.
Segundo Antônio Cândido:
Oswald de Andrade foi um dos mais vivos en saís tas e
panfle tários de nossa literatu ra, com uma rara ca pa cidade de
tor nar suges tiva a ideia, pe la violên cia cor rosiva das afir ma -
ções, o hu mo ris mo e o ful gor dos tro pos. Na obra propria -
men te cria dora, mostrou a im portância das ex pe riên cias se -
mân ticas e o relevo que a pa la vra ad quire, quando ma ni pu la -
da com o duplo apoio de imagem sur pre endente e da sin -
taxe desca ma da. Des te modo, que brou as bar rei ras en tre
poesia e prosa, para atingir uma espécie de fonte comum de
lin gua gem artística. Po de-se dizer que a sua importância his -
tórica de reno va dor e agitador (no mais alto sen ti do) foi
decisiva para a for mação da nos sa literatura con tem porâ nea.
Alfredo Bosi iden tifi ca, na obra de Oswald, três níveis:
I – O mais inferior: a prosa de Os Con denados, A
Estrela de Absinto e A Es cada Vermelha, novelas meio
mun da nas, meio psicológicas, nas quais há sempre um
artista atribu lado pe las exigências de sua perso nali da de.
lI – O trânsito para a expe riência do romance
“informal” de Memórias Sen timentais de João Miramar,
seu pon to alto, e de Serafim Ponte Gran de. Ambas as
obras correm pa ra le la mente às poé ticas do Pau-Brasil e
da Antro po fagia, no sentido de sa ti ri zar o Brasil.
III – A “nova revolução formal”: o te legrafismo das
rupturas sintáticas, o simultaneísmo, as ordens do sub -
cons ciente, os neologismos. A com po sição do romance
é revolu cio ná ria: ca pítulos-instantes; capítulos-re lâm pa -
gos; capí tulos-sensa ções (capí tu los -flash).
Oswald, leitor dos futu ristas e afe tado pela técnica
do cinema — a co lagem rá pida de sig nos, os pro ces sos
diretos “sem compa ra ções de ap oio”, “as pala vras em
liber da de” —, vai além do verso livre. Desarticulação
total da frase — o que pro du zirá também um modo
no vo de dispor o texto, uma nova es pa ci a lização do
material lite rário.
� Pau-Brasil (livro de poesia)
Composto em Paris, Oswald cria nesse livro aquilo
que ele chamaria poesia de exportação.
O projeto visava a um desli ga men to dos modelos
poéticos im por ta dos, pondo fim à grandiloquência e à
serie dade. Com seus poemas-pí lulas, mistura a lingua -
gem antiga dos cro nis tas e jesuítas da época do des co -
bri mento do Brasil com o falar coloquial de seu tempo;
reinventa com po si ções consa gradas do Romantismo em
paró dias irônicas.
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A seguir, alguns poemas de Pau-Brasil, acompanha -
dos de breves comentários:
ESCAPULÁRIO
No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia
(“PorOcasião da Descoberta do Brasil”)
Note como Oswald de Andrade pa rodia a lingua gem
religiosa, subs ti tuin do o termo “pão”, do Pai-Nosso, por
“Pão de Açúcar” e “Poe sia”. Com isto, o poeta sub -
verte a ordem li túr gi ca para introduzir o elemento bra si -
lei ro e refletir sobre o caráter da poe sia. São traços
moder nos do poe ma o seu humor, seu caráter sin té tico,
assim como a ausên cia total de pontuação.
A DESCOBERTA
Seguimos nosso caminho por este mar de longo 
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
(“História do Brasil”)
OS SELVAGENS
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
(“História do Brasil”)
AS MENINAS DA GARE
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis 
Com cabelos mui pretos pelas espáduas 
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas 
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
(“História do Brasil”)
Oswald recria, poeticamente, a Car ta de Caminha a
D. Manuel. Veja, em “As Meninas da Gare”, a jus ta po si -
 ção do histórico ao moderno: as in dí ge nas a que Pero
Vaz se refere são vis tas como as meninas da gare (ga re:
pa la vra francesa que significa “es ta ção”).
VÍCIO NA FALA
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
(“História do Brasil”)
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(“Postes da Light”)
Nos dois poemas se manifesta a pro posta de reduzir
a distância entre a linguagem falada e a escrita, rene gan -
do o passadismo acadêmico e abo lindo “as alfândegas
culturais”, co mo diria Oswald.
NOTURNO
Lá fora o luar continua
E o trem divide o Brasil
Como um meridiano
(“São Martinho”)
DITIRAMBO
Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade
(“rp 1”)
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Temos aqui dois exem plos da for ça expressiva que
Oswald retira de sua lin gua gem elíptica, alusi va, con den -
sada. O “Notur no” evi den cia a téc nica cubista, preva le -
cendo as for mas geométri cas: o círculo da lua e as re tas
do trem e do meridiano. O tí tu lo é ambíguo, remetendo-
nos tan to a um tipo de com posição musical ro mân tica
(os noturnos de Chopin) quan to à desig nação de um
trem no tur no.
ESCOLA BERLITES
Todos os alunos têm a cara ávida 
Mas a professora sufragete 
Maltrata as pobres datilógrafas bonitas 
E detesta
The spring
Der Frühling
La primavera scapigliata
Há uma porção de livros pra ser com pra dos 
A gente fica meio esperando 
As campainhas avisam
As portas se fecham
É formoso o pavão?
De que cor é o Senhor Seixas?
Senhor Lázaro traga-me tinta
Qual é a primeira letra do alfabeto?
Ah!
(“Postes da Light”)
RECLAME
Fala a graciosa atriz
Margarida Perna Grossa
Linda cor — que admirável loção
Considero lindacor o complemento
Da toalete feminina da mulher
Pelo seu perfume agradável
E como tônico do cabelo garçone
Se entendam todas com Seu Fagundes
Único depositário 
Nos E. U. do Brasil
(“Postes da Light”)
HÍPICA
Saltos records
Cavalos da Penha
Correm jóqueis de Higienópolis
Os magnatas
As meninas
E a orquestra toca 
Chá
Na sala de cocktails
(“Postes da Light”)
Nos três poemas, dois as pec tos “cosmopolitas” de
São Paulo: a es cola de línguas (“berlites”) e a so ci edade
de consumo (“reclame”), bem como uma cena da alta
sociedade paulistana de então (“Hípica”).
Capa da primeira edição (1927) do Primeiro
Caderno do Aluno de Poesia Oswald de
Andrade, ilustrada por Tarsila do Amaral.
Capa da primeira edição (1924) de Memórias
Sentimentais de João Miramar, desenhada por
Tarsila do Amaral. É a primeira obra modernista
em prosa, que abriu caminho para as mais
ousadas experiências narrativas e linguísticas da
década de 1920.
Capa da primeira edição (1943) de Marco
Zero. Nessa fase, Oswald recua quanto às
propostas mais inova doras da década de
1920 e avança quanto ao caráter participante,
politicamente en ga ja do à Esquerda. Perde
suas melhores quali da des: a irreverên cia e a
inventividade anár quica e poderosa.
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1. O uso do pronome átono no início das frases é
destacado por um poeta e por um gramático nos
textos abaixo:
Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra,
pode-se afirmar que ambos
a) condenam essa regra gramatical.
b) acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
c) criticam a presença de regras na gramática.
d) afirmam que não há regras para uso de pronomes.
e) relativizam essa regra gramatical.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Em ambos os textos, a explicação sobre a posição do
pronome átono considera situações específicas: prática escolar
(“professor” e “aluno”) e contexto social (“mulato sabido”), no
caso do poema de Oswald de Andrade; linguagem escrita, não
voltada para a reprodução do coloquial, no texto do gramático
Cegalla. Trata-se, portanto, de relativização da regra gramatical
sobre o uso (colocação) do pronome átono.
Resposta: E
Textos para o teste 2.
2. (UNICAMP) – A imagem e o poema revelam a dinâmica do espaço
na cidade de São Paulo na primeira metade do século XX. Qual
alternativa abaixo formula corretamente essa dinâmica?
a) Trata-se da ascensão de um moderno mundo urbano, onde
coexistiam harmonicamente diferentes temporalidades, funções
urbanas, sistemas técnicos e formas de trabalho, viabilizando-se,
desse modo, a coesão entre o espaço da cidade e o tecido social.
b) Trata-se de um espaço agrário e acomodado, num período em que
a urbanização não tinha se estabelecido, mas que abrigava em seu
interstício alguns vetores da modernização industrial.
c) Trata-se de um espaço onde coexistiam distintas temporalidades:
uma atrelada ao ritmo lento de um passado agrário e, outra, atrelada
ao ritmo acelerado que caracteriza a modernidade urbana.
d) Trata-se de uma paisagem urbana e uma divisão do trabalho típicas
do período colonial, pois a metropolização é um processo
desencadeado a partir da segunda metade do século XX.
RESOLUÇÃO:
A fotografia retrata o momento da história no qual a sociedade
brasileira deixava de ser uma sociedade rural e adentrava um
período de urbanização acelerada. Nesse contexto, dois
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(ANDRADE, Oswald de. Seleção de Textos.
São Paulo: Nova Cultural, 1988.)
Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação
familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja
reproduzir a fala dos personagens (...).
(CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática
da Língua Portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.)
Rua da Liberdade – São Paulo, SP – 1937
(Disponível em: http://www.ims.com.br/
ims/artista/colecao/claudelevi-strauss/obra/1995.)
POBRE ALIMÁRIA
O cavalo e a carroça
Estavam atravancados no trilho
E como o motorneiro se impacientasse
Porque levava os advogados para os escritórios
Desatravancaram o veículo
E o animal disparou
Mas o lesto carroceiro
Trepou na boleia
E castigou o fugitivo atrelado
Com um grandioso chicote
(ANDRADE, Oswald de. Pau Brasil.
São Paulo: Globo, 2003. p. 159.)
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elementos se tocam: o passado, representado pela carroça
puxada por cavalo, e o outro, representado pelo então moderno
bonde, que exige um ritmo mais rápido, mais frenético. A imagem
mostra bem o que aconteceu na cidade de São Paulo.
Resposta: C
Textos para o teste 3.
3. Os textos 1 e 2, escritos em contextos históricos e
culturaisdiversos, enfocam o mesmo motivo
poético: a paisagem brasileira entrevista a distância.
Analisando-os, conclui-se que
a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha excessivamente do país
em que nasceu, é o tom de que se revestem os dois textos.
b) a exaltação da natureza é a principal característica do texto 2, que
valoriza a paisagem tropical realçada no texto 1.
c) o texto 2 aborda o tema da nação, como o texto 1, mas sem perder
a visão crítica da realidade brasileira.
d) o texto 1, em oposição ao texto 2, revela distanciamento geográfico
do poeta em relação à pátria.
e) ambos os textos apresentam ironicamente a paisagem brasileira.
RESOLUÇÃO: 
[ENEM] O caráter humorístico e crítico é notável no poema de
Oswald de Andrade, ao contrário do texto puramente laudatório,
ufanista de Gonçalves Dias. 
Resposta: C
Texto 1
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar — sozinho, à noite — 
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(GONÇALVES DIAS, A. Poesia e Prosa Completas. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1998.)
Texto 2
CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
(ANDRADE, Oswald de.
Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade. 
São Paulo: Círculo do livro, [s.d.].)
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Texto para o teste 4.
4. O poema “Oferta”, de Oswald de Andrade,
apresenta em sua estrutura e temática uma relação
evidente com um aspecto da modernização da
sociedade brasileira. Trata-se da 
a) recusa crítica em inserir no texto poético elementos advindos do
discurso publicitário, avesso à sensibilidade lírica do autor.
b) impossibilidade da poesia de incorporar as novidades do mundo
moderno já inseridas nas novas relações sociais da vida urbana.
c) associação crítica entre as invenções da modernidade e a criação
poética modernista, entre o lirismo amoroso e a automatização das
ações.
d) ausência de lirismo amoroso no poema e da impossibilidade de se
estabelecerem relações amorosas numa sociedade regida pelo
consumo de mercadorias.
e) adesão do eu lírico ao mundo mecanizado da modernidade,
justificada pela certeza de que as facilidades tecnológicas
favorecem o contato humano.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] A aspiração do eu lírico pela concretização amorosa
aproxima um meio de locomoção moderno, o elevador, à
correspondência e à chegada do “teu amor”. A plenitude
sentimental viria automaticamente.
Resposta: C
Observe a pintura a seguir e responda ao que se pede:
5. O quadro Abaporu (o homem que come carne humana), de Tarsila
do Amaral, é associado ao Manifesto Antropófago, de Oswald de
Andrade, publicado em 1928. Nesse mesmo ano surge a obra
Macunaíma, de Mário de Andrade, que foi considerada, na época,
como ligada ao movimento antropofágico. Esses artistas modernistas
levaram em conta as correntes das vanguardas europeias (Cubismo,
Primitivismo, Futurismo etc.) para discutirem a cultura e o homem do
nosso país. Mário de Andrade construiu a personagem Macunaíma
como símbolo de um presumido modo de ser brasileiro. Assinale a
alternativa em que o aspecto físico de Macunaíma se aproxima da
figura de Abaporu.
a) “No outro dia por causa da machucadura Macunaíma amanheceu
com uma grosseira pelo corpo todo. Foram ver e era a erisipa,
doença comprida.”
b) “Ficou do tamanho dum homem taludo. Porém a cabeça não
molhada ficou pra sempre rombuda e com a cara enjoativa de piá.”
c) “E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo
retinta dos Tapanhumas.”
d) “Macunaíma virou num caxipara que é o macho da formiga saúva e
foi se enroscar na rama de algodão acolchoando o gigante.”
e) “Na frente Macunaíma vinha de pé, carrancudo, procurando no
longe a cidade.”
RESOLUÇÃO: 
Tanto o “homem taludo” (grande, corpulento) como a “cara de
piá” (menino) estão presentes em Abaporu. A desproporção sim -
bo liza a imaturidade emocional do brasileiro, que se desen -
volveria apenas fisicamente, pois sua mentalidade permaneceria
infantil. 
Resposta: B
OFERTA
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
(ANDRADE, Oswald de. Obras Completas de Oswald de Andrade.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 33.)
Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral (1886-1973). Abaporu, em língua
indígena, significa “aquele que come”, “antropófago”.
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Texto para o teste 6.
6. (MACKENZIE – modificado) – É incorreto afirmar que cola bo ra
para a construção do significado do poema
a) a enumeração aleatória de objetos e ocorrências da infância dos
quatro primeiros versos.
b) a transgressão do padrão culto da língua no último verso.
c) o emprego de um tempo verbal que se relaciona com o título,
firmando o significado de lembrança.
d) o aproveitamento lúdico das reminiscências, por meio dos recursos
apontados nas alternativas a e b.
e) a transformação do tempo, apresentando ocorrências anteriores e
posteriores ao fato narrado.
RESOLUÇÃO:
A alternativa e está completamente errada, pois o poema não
trata de qualquer “transformação do tempo”. Ao contrário, o
texto concentra-se apenas na evocação da infância por meio da
“enumeração aleatória de objetos e ocorrências”.
Resposta: E
Textos para o teste 7.
7. (UFV – modificado) – Assinale a alternativa incorreta.
a) Oswald de Andrade parodia o texto de Caminha, imprimindo-lhe um
sentido diferente.
b) O poema de Oswald reflete a visão crítica do mundo e da arte,
proposta pelo Modernismo.
c) O texto de Caminha tem, predominantemente, caráter informativo.
d) Caminha limitou-se à descrição do que observou nos indígenas;
Oswald recriou fragmentos da carta de 1500, conferindo-lhe
estatuto artístico.
e) Oswald e Caminha expressam os mesmos objetivos na elaboração
de seus textos.
RESOLUÇÃO:
Paródia é uma recriação geralmente irônica e com propósitos
críticos. Um texto do século XX que parodia outro, escrito em
1500, não pode expressar “os mesmos objetivos” que o original.
Resposta: E
INFÂNCIA
O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A visita na casa que a gente sentava no sofá.
(Oswald de Andrade)
Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de
encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência
como em mostrar o rosto.
(Carta de Caminha)
AS MENINAS DA GARE
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
(Oswald de Andrade)
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Leitura complementar
MANIFESTO ANTROPÓFAGO
Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente.
Filoso ficamente.
–––––
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os indivi -
dualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos
os tratados de paz.
–––––
Tupi or not tupi[,] that is the question.
–––––
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
–––––
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do
antropófago.
–––––Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos
postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros
sustos da psicologia impressa.
–––––
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o
mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido.
O cinema americano informará. 
–––––
Filhos do Sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados
ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos
traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. 
–––––
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos
vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço
e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa. 
–––––
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A
existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr.
Lévy-Bruhl estudar. 
–––––
Queremos a Revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa.
A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem.
Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos
direitos do homem. 
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas
as girls. 
–––––
Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Où Villegaignon print
terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução
Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução
Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos. 
–––––
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito
sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
–––––
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
–––––
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para
ganhar comissão. O rei analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel
mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar
brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
–––––
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O
antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o
equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores. 
–––––
Só podemos atender ao mundo orecular. 
–––––
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da
Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.
–––––
Contra o mundo reversível e as ideias objetivadas. Cadaverizadas.
O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do
sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E
o esquecimento das conquistas interiores. 
–––––
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
–––––
O instinto Caraíba. 
–––––
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao
axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento.
Antropofagia. 
–––––
Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo. 
–––––
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido
de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de
Alencar cheio de bons sentimentos portugueses. 
–––––
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A
idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju.
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–––––
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens
físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o
mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais. 
–––––
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu
que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem
chamava-se Galli Mathias. Comi-o.
–––––
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós
com isso? 
–––––
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra.
O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César. 
–––––
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de
televisão. Só maquinaria. E os transfusores de sangue. 
–––––
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas. 
–––––
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela
sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: — É a mentira
muitas vezes repetida. 
–––––
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma
civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos
como o Jabuti. 
–––––
Se Deus é a consciência do Universo Incriado, Guaraci é a mãe
dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais. 
–––––
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos
Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-
planetário. 
–––––
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses
urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo. 
–––––
De William James a Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem.
Antropofagia. 
–––––
O pater familias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real
das coisas + falta de imaginação + sentimento de autoridade ante a
prole curiosa.
–––––
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à ideia de
Deus. Mas o caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci. 
–––––
O objetivo criado reage como os Anjos da Queda. Depois Moisés
divaga. Que temos nós com isso?
–––––
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha
descoberto a felicidade. 
–––––
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de
Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
–––––
A alegria é a prova dos nove.
–––––
No matriarcado de Pindorama.
–––––
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal
renovada.
–––––
Somos concretistas. As ideias tomam conta, reagem, queimam
gente nas praças públicas. Suprimamos as ideias e as outras parali -
sias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos
e nas estrelas.
–––––
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.
–––––
A alegria é a prova dos nove. 
–––––
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura — ilustrada
pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor
cotidiano e o modus vivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do
inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A
terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a
antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita
todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se
dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica
do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a
amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e
transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia
aglomerada nos pecados de catecismo — a inveja, a usura, a calúnia,
o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é
contra ela que estamos agindo. Antropófagos. 
–––––
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de
Iracema, — o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo. 
–––––
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de
D. João VI: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que
algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar
o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte. 
–––––
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por
Freud — a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições
e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.
OSWALD DE ANDRADE
Em Piratininga
Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.
(Revista de Antropofagia, Ano 1, n.o 1, maio de 1928.)
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1. Manuel Bandeira
(Recife, 1886 – Rio de Janeiro, 1968)
Manuel Bandeira
Feitos os estudos primários na ci da de natal, em
1896 muda-se com a famí lia para o Rio de Janeiro, onde
se matri cula no Colégio Pedro II. Termi na do o curso
secundário, vai para São Paulo estudar En genharia, mas
ado e ce grave mente e abandona o pro jeto de ser ar qui -
teto (1904). Inicia-se, então, uma de morada peregrina -
ção em bus ca de me lhoras, o que fi nal mente o leva a
Clavadel, na Suíça (1913). Com a deflagração da Pri meira
Grande Guer ra, regressa ao Brasil e, em 1917, publica
seu primeiro livro: A Cinza das Horas. Integrado no
mo vi mento reno vador de 1922, con tinua a escrever e
publicar poesia, en quan to colabora com a imprensa. Em
1935, é nomea do inspetor do ensino secun dário, três
anos mais tarde, pro fessor de Lite ra tura no Colégio
Pedro II e, em 1943, é nomeado professor de Filo sofia,
car go em que se aposenta em 1956. Per ten ceu à
Aca de mia Bra silei ra de Le tras e falece no Rio de Janeiro
em 13 de outubro de 1968.
2. Considerações críticas
Sobre Manuel Bandeira, afirmou Antônio Cândido:
A poesia de Manuel Bandeira ca racteriza-se pela
amplitude do âm bi to, testemunho de uma varie da de
criadora que vem do Parnasia nis mo cre puscular até as
experiên cias con cre tistas, do soneto às for mas mais
audazes de expressão. Dou tro lado, con servou e adaptou
ao es pí rito mo der no os ritmos e formas mais re gu la res, de
tal maneira que ne nhum ou tro con temporâneo revela tão
acen tu a da mente a herança do mais puro li ris mo
português, trans fundido na mais autên tica pesqui sa da
nossa sen sibilidade. Sob este aspecto, a sua obra lembra
a de Gonçalves Dias.
Em toda ela, com timbre in con fun dível, corre a nota da
ternura ar den te da paixão pela vida, que vem des de os
versos da mocidade até os de hoje, como força humani -
zadora. Graças a isso, a confidência e a no ta ção exte rior se
unem numa ex pres são poética ao mesmo tempo fami li ar e
requin tada, pito resca e essen ci al, unificando o que há de
melhor no lirismo inti mista e no re gistro do es pe táculo da
vida. Daí uma sim pli ci da de que em muitos modernistas pa -
rece afetada, mas que nele é a pró pria marca da ins piração.
São frequentes, em sua poesia, os seguintes temas: a
morte, a re cor da ção da infância, o cotidiano sim ples, a
melancolia, o erotismo. Como po eta da morte, é dos
maiores de nos sa língua. O mais célebre de seus poemas
de recordação da in fân cia é “Evocação do Recife”. Tal vez
sua mais famosa com posição se ja “Vou-me embora pra
Pasárgada”, na qual constrói uma uto pia como com pen -
sação emocional.
Sua linguagem poética carac te ri za-se pela musicali -
dade, que sem pre se conserva próxima do colo quial. É
um exemplar artesão da for ma poé tica, tanto das formas
tra di cio nais da poe sia, quanto da forma moderna do
verso livre e da com posição, não obe diente a padrões
esta belecidos. 
Leia, a seguir, um poema de Manuel Bandeira sobre
o tema da morte e do desencanto:
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
— Eu faço versos como quem morre.
(“Desencanto”, in A Cinza das Horas)
MÓDULO 13 Primeira Geração Modernista: Manuel Bandeira (I)
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1. (FUVEST) – Leia o poema a seguir e responda ao que se pede:
a) Relacione o título do poema à corrente estética da qual o texto
participa.
RESOLUÇÃO:
O que há de modernista no título é a incorporação poética do
cotidiano, já enunciada na intenção de extrair “de uma notícia de
jornal” a matéria-prima do lirismo e da poeticidade. É modernista,
também, a atitude, já no título provocativa, de buscar poesia onde
a tradição e as convenções viam “antipoesia”, informação e
notícia.
b) O poema adota o procedimento de relatar os acon te cimentos sem
comentá-los ou interpretá-los diretamente. Que atitu de esse
procedimento pede ao leitor? Explique brevemente.
RESOLUÇÃO:
O despojamento com que Bandeira narra o episódio, reprodu zin -
do a linguagem de uma hipotética notícia de jornal, sem qualquer
metaforização, sem um comentário sequer, deixa inteiramente à
sensibilidade do leitor a percepção da dimensão trágica do
cotidiano, o lirismo que se esconde no fato, na vida, estampados
nas páginas dos jornais. Esta é uma das grandes qualidades de
Bandeira: a poesia desentranhada do cotidiano, das situações
banais da vida, despojada, antirretórica, por vezes áspera e
dissonante, outras, terna e delicada, que surpreende e comove
exatamente pelo que contidamente revela.
2. A discussão sobre gramática na classe está
“quente”. Será que os brasileiros sabem gramática?
A professora de Português propõe para debate o
seguinte texto:
Com a orientação da professora e após o debate sobre o texto de
Manuel Bandeira, os alunos chegaram à seguinte conclusão:
a) Uma das propostas mais ousadas do Modernismo foi a busca da
identidade do povo brasileiro e o registro, no texto literário, da
diversidade das falas brasileiras.
b) Apesar de os modernistas registrarem as falas regionais do Brasil,
ainda foram preconceituosos em relação às cariocas.
c) A tradição dos valores portugueses foi a pauta temática do
movimento modernista.
d) Manuel Bandeira e os modernistas brasileiros exaltaram em seus
textos o primitivismo da nação brasileira.
e) Manuel Bandeira considera a diversidade dos falares brasileiros
uma agressão à Língua Portuguesa.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Oswald de Andrade, um dos líderes do Modernismo
brasileiro, na mesma linha de Manuel Bandeira no texto
transcrito, defendia a “contribuição milionária de todos os erros”
para o enrique cimento da linguagem da literatura brasileira.
Resposta: A
POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da
[Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
(Manuel Bandeira)
PRA MIM BRINCAR
Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no
infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática
falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as
cariocas que não sabem gramática.
— As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá,
alhures e miúde.
(BANDEIRA, Manuel. Seleta em Prosa e Verso.
4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. p. 19.)
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Texto para os testes 3 e 4.
3.
(modificado) – Na estruturação do texto,
destaca-se
a) o emprego de verbos com sentidos opostos.
b) a apresentação de ideias de forma objetiva.
c) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.
d) a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.
e) a inversão da ordem sintática das palavras.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Verifica-se a “repetição de sons” na aliteração dos
fonemas /v/, /f/ e /r/, assim como “construções sintáticas
semelhantes” obtidas por meio das repetições das sequências
frasais “o vento varria…” e “E a minha vida ficava / cada vez mais
cheia…”, que configuram construções anafóricas. 
Resposta: D
4.
Predomina no texto a função da linguagem 
a) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
b) metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
d) referencial, já que são apresentadas informações sobre aconte -
cimentos e fatos reais.
e) poética, pois se chama a atenção para a elaboração especial e
artística da estrutura do texto.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] O arranjo linguístico elaborado, a seleção vocabular, a
estrutura paralelística e a exploração de recursos sonoros
configuram a função poética.
Resposta: E
CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varriaas músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres.
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
(BANDEIRA, M. Poesia Completa e Prosa.
Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.)
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Texto para os testes de 5 a 10.
1 – Golfão: o mesmo que gólfão; golfo; porção de mar.
2 – Demissionário: que se demitiu.
3 – Mais-valia: acréscimo de valor.
5. (FUVEST) – Nesse texto, o poeta
a) restringe-se a uma descrição rigorosa de um fim de tarde.
b) lamenta a morte das noites de sua juventude, pois já não pode
contemplar a lua.
c) reduz a lua a um golfão de cismas.
d) manifesta seu afeto à lua, independentemente de significações
sentimentais que outros atribuíram a ela.
e) limita-se à narração de um episódio que ocorreu num fim de tarde.
RESOLUÇÃO:
O eu lírico manifesta seu afeto à lua enquanto satélite, ou seja,
vista como corpo celeste apenas (“cosmograficamente”), sem o
sentido metafórico e sentimental que lhe atribuíram os poetas
românticos.
Resposta: D
6. (FUVEST) – O poeta afirma sua afeição à lua(,)
a) para fazer apologia do progresso científico.
b) para advertir que não estamos mais em tempo de dar vazão aos
nossos sentimentos.
c) porque ela é ainda “o astro dos loucos e dos enamorados”.
d) para criticar a ausência de sentimento no mundo contemporâneo.
e) apesar de despojada da metáfora e do mito.
RESOLUÇÃO:
O eu lírico manifesta seu apreço à lua enquanto satélite apenas,
portanto “despojada da metáfora e do mito”.
Resposta: E
7. (FUVEST) – Indique qual dos seguintes trechos do poema contradiz
a passagem “Sem show para as disponibilidades sentimentais”.
a) “Gosto de ti assim”
b) “Despojada do velho segredo de melancolia”
c) “Não é agora o golfão de cismas”
d) “A Lua baça / Paira”
e) “Demissionária de atribuições românticas”
RESOLUÇÃO:
Em “gosto de ti assim”, o eu lírico expressa sua afeição pela lua,
havendo manifestação sentimental.
Resposta: A
SATÉLITE
Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão1 de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados,
Mas tão somente
Satélite.
Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária2 de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!
Fatigado de mais-valia3,
Gosto de ti, assim:
Coisa em si,
— Satélite.
(Manuel Bandeira, Estrela da Tarde)
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8. (FUVEST) – No texto, o termo “fatigado” refere-se
a) ao agente de “gostar”, em “gosto de ti assim”.
b) ao agente de “pairar”, em “A Lua baça / Paira”.
c) ao elemento qualificado por “golfão de cismas”.
d) ao “si”, em “coisa em si”.
e) ao “ti”, em “gosto de ti assim”.
RESOLUÇÃO:
O adjetivo fatigado refere-se ao sujeito da forma verbal “gosto”.
Trata-se do eu lírico.
Resposta: A
9. (FUVEST) – No poema, as palavras “plúmbeo” e “baça” devem ser
entendidas respectivamente como
a) cinzento e fosca. 
b) lustroso e brilhante.
c) celeste e brilhante. 
d) opaco e baixa.
e) emplumado e embaçada.
RESOLUÇÃO:
O adjetivo plúmbleo significa “cor de chumbo”, “cinzento”. O
adjetivo baça significa “sem brilho”, “fosca”.
Resposta: A
10. (FUVEST) – Entre as seguintes passagens extraídas do texto,
assinale aquela que expressa uma exortação:
a) “Fim de tarde”
b) “Ah! lua deste fim de tarde”
c) “Despojada do velho segredo de melancolia”
d) “Não é agora o golfão de cismas”
e) “Fatigado de mais-valia”
RESOLUÇÃO:
Em “Ah! lua deste fim de tarde”, há exortação à lua.
Resposta: B
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Texto para a questão 1.
1. (ITA) – O poema acima, de Manuel Bandeira, faz parte do livro
Libertinagem (1930). Acerca desse poema, responda: 
a) Por que o tema da morte ganha um tratamento diferente e mais
sóbrio nesse poema modernista do que nos seguintes versos do
poeta romântico Álvares de Azevedo?
Se eu morresse amanhã, viria ao menos 
Fechar meus olhos minha triste irmã; 
Minha mãe de saudades morreria 
Se eu morresse amanhã! 
Quanta glória pressinto em meu futuro! 
Que aurora de porvir e que manhã! 
Eu perdera chorando essas coroas 
Se eu morresse amanhã!
RESOLUÇÃO: 
A linguagem modernista da primeira geração busca o tom
coloquial, o registro da fala brasileira, o despojamento. Afasta-se,
portanto, dos efeitos passionais da poesia romântica, do
sentimentalismo pomposo, exclamativo, de “Se eu morresse
amanhã!”. Para Manuel Bandeira, a simplicidade lírica é a própria
essência da poesia, e a morte ganha, portanto, tratamento sóbrio,
muitas vezes irônico, e com a evocação de entes queridos e
familiares, como ocorre em muitos de seus poemas, tais como
“Consoada”, “Pneumotórax”, “Preparação para a Morte”, entre
outros. 
b) Citando alguma passagem do poema de Bandeira, explique por que
se pode dizer que a emoção também está presente no poema do
escritor modernista, mas distante da forma exagerada com que ela
aparece no texto do poeta romântico. 
RESOLUÇÃO:
A emoção pela perda do pai aparece em vários versos, como,
entre outros, “Leva três rosas bem bonitas”, “O que resta de mim
na vida / É a amargura do que sofri”, “E em verdade estou morto
ali”. O léxico desses versos revela a dor do poeta, mas não há
nessas passagens a sobrecarga da emoção que se evidencia em
“Se eu morresse amanhã!”. Essa sobrecarga aparece tanto na
recorrência das frases exclamativas, como na série de
lamentações pela morte, impeditiva do futuro glorioso. Além
disso, a imposição da subjetividade emocional é mais intensa no
poema de Álvares de Azevedo, já que são recorrentes os
pronomes e a desinência da primeira pessoa do singular (“eu”,
“meus”, “minha”, “pressinto”, “meu”).
POEMA DE FINADOS
Amanhã que é dia dos mortos 
Vai ao cemitério. Vai 
E procura entre as sepulturas 
A sepultura de meu pai. 
Leva três rosas bem bonitas. 
Ajoelha e reza uma oração. 
Não pelo pai, mas pelo filho. 
O filho tem mais precisão. 
O que resta de mim na vida 
É a amargura do que sofri. 
Pois nada quero, nada espero. 
E em verdade estou morto ali.
MÓDULO 14 Primeira Geração Modernista: Manuel Bandeira (II)
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Leia o poema de Manuel Bandeira (1886-1968) para responder às
questões de 2 a 4:
1 – Jaime Ovalle (1894-1955): compositor e instrumentista. Aproximou-se do
meio intelectual carioca e se tornou amigo íntimo de Villa-Lobos, Di Cavalcanti,
Sérgio Buarque de Holanda e Manuel Bandeira. Sua música mais famosa é
“Azulão”, em parceria com o poeta Manuel Bandeira. (Dicionário Cravo Albin da
Música Popular Brasileira)
2. (UNESP) – Por oscilar entre duas classes de palavra, o termo “só”
confere ambiguidade ao título do poema. Identifique essas duas
classes de palavras e o sentido que cada uma delas confere ao título.
RESOLUÇÃO:
O termo “só” pode ser adjetivo, com o sentido de “sozinho”,
“solitário”, “único”, e advérbio, com o sentido de “somente”. 
3. (UNESP) – Pleonasmo (do grego pleonasmós, superabundância):
emprego de palavras redundantes, de igual sentido; redundância. Há o
pleonasmo vicioso, decorrente da ignorância da língua e que deve ser
evitado, e o pleonasmo estilístico, usado intencionalmente para
comunicar à expressão mais vigor ou intensidade. (Domingos Paschoal
Cegalla. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, 2009.
Adaptado.)
Transcreva o verso em que se verifica a ocorrência de um pleonasmo.
Justifique sua resposta. 
RESOLUÇÃO:
Há pleonasmo no 4.o verso: “Chovia uma triste chuva de
resignação.” A ação do verbo chover é reiteradasemanticamente
no substantivo chuva. Esse pleonasmo é estilístico e intensifica o
tom intimista do verso.
4. (UNESP) – Identifique duas características do poema, uma formal e
outra temática, que o vinculam ao movimento modernista brasileiro.
RESOLUÇÃO:
A característica formal vinculada ao movimento modernista é o
verso livre (sem métrica regular) e o estilo simples, empregando-
se linguagem coloquial. O elemento temático típico da Primeira
Geração Modernista é a abordagem do cotidiano, a partir de fatos
corriqueiros, banais, como a chuva e o preparo do café da manhã,
momento marcado pela solidão e reflexão nostálgica do eu lírico.
POEMA SÓ PARA JAIME OVALLE1
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei 
[pensando...
— Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
(Belo Belo)
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Os testes 5 e 6 baseiam-se no poema “Pneumotórax”, do modernista
Manuel Bandeira (1886-1968):
1 – Pneumotórax: tratamento de doenças pulmonares, especialmente a
tuberculose; pneumotórax terapêutico; presença anômala de ar na pleura.
5. (UNIFESP) – Em uma de suas ocorrências, no poema
“Pneumotórax”, a conjunção e poderia ser substituída por mas, sem
prejuízo semântico. Essa possibilidade verifica-se em 
a) “dispneia, e suores noturnos”.
b) “trinta e três... trinta e três”.
c) “Diga trinta e três”.
d) “pulmão esquerdo e o pulmão direito”.
e) “ter sido e que não foi”.
RESOLUÇÃO:
A conjunção coordenativa mas conecta orações que se
contrapõem, como ocorre em “ter sido” (ser, no passado) e “não
foi” (não ser, no passado).
Resposta: E
6. (UNIFESP – modificado) – A presença do humor amargo e o feitio
de poema-piada são traços modernistas de “Pneumotórax”. Quando,
nesse poema, o médico enuncia a frase “A única coisa a fazer é tocar
um tango argentino”, o paciente deve entender que 
a) não há mais nada que a medicina possa fazer por ele. 
b) ainda há solução para seu problema de saúde. 
c) o tango argentino é o processo terapêutico para curá-lo. 
d) figurativamente, deverá buscar ajuda com especialistas portenhos. 
e) nem a musicoterapia é recomendável para o tratamento de seu
problema pulmonar. 
RESOLUÇÃO:
É admirável a imagem usada por Manuel Bandeira para exprimir
o irremediável de forma cômica, por meio de um gênero musical
popular que se caracteriza pela dramaticidade e pelo fatalismo.
Resposta: A
PNEUMOTÓRAX1
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
...................................................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o 
[pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. In: Poesia Completa e Prosa.
4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p. 206.)
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Leitura complementar
Poemas de Manuel Bandeira, todos extraídos da obra
Libertinagem (1930), exceto “Consoada”, de Opus 10 (1952)
1
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo 
É outra civilização 
Tem um processo seguro 
De impedir a concepção 
Tem telefone automático 
Tem alcaloide à vontade 
Tem prostitutas bonitas 
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
2
PROFUNDAMENTE
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente. 
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3
EVOCAÇÃO DO RECIFE
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois —
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A Rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças 
[da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras, mexericos,
[namoros, risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!
A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longes da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo
Rua da União...
Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
... onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
... onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capibaribe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redomoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em 
[jangadas de bananeiras
Novenas
Cavalhadas
Eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos meus 
[cabelos
Capiberibe
— Capibaribe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas 
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
(...)
4
IRENE NO CÉU
Irene preta
Irene boa
Irene sempre debom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
5
CONSOADA
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
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1. Introdução
O Segundo Tempo Modernista marca, simultanea -
mente, a consolidação de algumas propostas da “fase
heroica”, ou de demolição (1922-1930), e certo recuo
quanto aos radicalismos da Semana e seus desdo bra men -
tos. Prevalece, passada a fase de ruptura, um moder nis -
mo moderado, com o abandono, por exemplo, do experi -
men talismo de Oswald de Andrade e a retomada de
certas linhas do passado (o Simbolismo — na corrente
espiritua lista —, as formas clás sicas, a tradição lírica
portuguesa e brasileira, assim como o resgate da prosa
voltada para a denúncia artística dos problemas sociais,
como faziam o Realismo e o Naturalismo).
No plano histórico, vale lembrar que esse período é
marcado por alguns fatos relevantes:
– os efeitos da crise econômica iniciada em 1929
com o crack da Bolsa de Nova York;
– a radicalização política: nazismo, fascis mo e
comunismo;
– as esperanças com a Revolução de 1930, logo frus -
tradas pelo Estado Novo e pela Ditadura Vargas;
– o rompimento da dominação inconteste das
oligar quias regionais e a ascensão da nova bur -
guesia industrial;
– a aliança do tenentismo liberal e da política getu -
liana com as oligarquias, provocando a ra dica -
lização política dos segmentos da inteli gência
nacional marginalizados no processo: daí a aproxi -
mação de Rachel de Queirós, Jorge Amado,
Graciliano Ramos e outros ao Partido Comunista,
em que militaram;
– a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) fecha o
período, projetando no País a tensão externa.
No plano estético, observam-se:
– o predomínio de um projeto ideológico subja cen -
te ao projeto estético;
– a consolidação das conquistas de 1922, mas com
um recuo quanto às propostas mais radicais da
“fase heroica”;
– a diminuição da oposição ao Modernismo;
– o desejo de denunciar a realidade social e espiri -
tual do País.
Na prosa, desenvolvem-se duas correntes: o
romance regionalista do Nordeste, marcado pelo
propósito de denúncia e pelas tendências neorrealista e
neonaturalista; e o roman ce psicológico, ou intimista,
mergulhado na crise existencial da burguesia urbana.
Na poesia, são identificáveis algumas constantes:
– estabilização das conquistas novas;
– ampliação da temática;
– caminho para o universal;
– equilíbrio no uso do material linguístico, em
termos de normas de linguagem.
Há, na poesia, três tendências básicas:
– a poesia de tensão ideológica: presente na obra
de Carlos Drum mond de Andrade;
– a poesia de preocupação religiosa e filosófica:
característica do grupo Festa, de tendência espiri -
tualista, destacando-se Cecília Meireles, Jorge de
Lima e Vinícius de Moraes;
– a poesia de dimensão surrealista, observada na
obra de Murilo Mendes.
Operários (1931), de Tarsila do Amaral (1886-1973). Óleo sobre tela, Palácio
Boa Vista, Campos do Jordão (SP).
Rostos anônimos, uniformemente duros e sofridos. Nas décadas de
1930/1940, tanto na literatura quanto nas artes plásticas, o “projeto ideoló -
gico” alia-se ao “projeto estético”, e às vezes o sobrepuja. A atitude anár -
quica, a irreverência e a busca de soluções estéticas inovadoras cedem lugar
à atitude participante. Oswald, Tarsila, Mário de Andrade, Drummond e muitos
outros tomaram essa direção.
MÓDULO 15
Segunda Geração Modernista – Poesia: 
Carlos Drummond de Andrade (I)
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2. Carlos Drummond de Andrade
(Itabira, MG, 1902 – Rio de Janeiro, 1987)
Carlos Drummond de Andrade
Descendente de fazendeiros e mineradores da cidade
mineira de Itabira, estuda, em Belo Horizonte, com
Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco, que
seriam, mais tarde, companheiros de atividade política e
intelectual. Volta para Itabira por problemas de saúde.
Parte depois para Nova Friburgo, onde cursa o Colégio
Anchieta, dos Jesuítas, e de onde é expulso. Em 1923,
matricula-se na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo
Horizonte e mantém intensa correspondência com
Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Oswald de Andrade
e Tarsila do Amaral. Em 1930, publica seu primeiro livro,
Alguma Poesia (muitos outros viriam a ser publicados), e
inicia uma carreira burocrática como Oficial de Gabinete
de Gustavo Capanema, então Secretário do Interior de
Minas. Em 1962, Drummond aposenta-se do
funcionalismo, mas continua sua intensa produção
literária, como poeta, cronista e jornalista.
■ Considerações críticas
Primeiramente é preciso notar que o Segundo Tempo
Modernista mar ca, simultaneamente, a consoli da ção de
algumas propostas da “fa se heroica” ou “de demolição”
(1922-1930) e certo recuo quanto às pro pos tas mais
radicais da “Semana” e dos seus desdobramentos.
Propõe-se, pas sada a fase de ruptura, um mo der nismo
moderado, com o aban dono, por exemplo, do radi ca lis -
mo ex peri men talista de Oswald e a re to ma da de certas
linhas do pas sa do. É nesse novo contexto estético que
deve ser compreendida a obra dos poetas da Segunda
Geração, da qual Drummond faz parte.
Nos primeiros livros, são cons tan tes a ironia, a
atitude mineira mente desconfiada de refl e tir, o
pessimismo, a autone ga ção, as reminiscências da
infân cia ita bi rana. Drummond pa re ce buscar a si
mesmo, posi cio nan do -se como espec tador de um
mundo que não aceita e que tenta des cre ver e encontrar.
No “Poema de Sete Faces”, que abre o primeiro
livro, Alguma Poe sia (1930), a confissão do poeta que se
sente gauche (= sem jeito, ina daptado) e a ironia, sob a
forma in tencional de um antilirismo:
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
(...)
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Em “Confidência do Itabi ra no”, a infância e a vida,
mode lan do a pro ver bial “secura” do poe ta, o alhea men to,
o poeta que se sente de fer ro, mas que es con de, sob
essa apa rente indiferença, um pro fun do senso do
humano e do so cial:
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e 
[comunicação.
Sob inspiração dos i de a is da Semana de 22, funda,
em 1925, A Revista, ponta de lança do Mo dernis mo em
Minas Gerais. Em 1928, publi ca o célebre “No Meio do
Cami nho”, na Revista de Antro po fagia.
A partir de Sentimento do Mun do (1940) e
especialmente em A Rosa do Po vo (1945), a poesia de
Drummond centra-se na dimensão social, no
coti di ano, na denúncia da incom preensão; na luta
contra o me do (“que esteriliza os abraços”) e con tra a
consciência da im pos si bilidade da luta (“eu tenho
apenas duas mãos / e o sentimento do mun do”).
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Em “Mãos Dadas”, o com pro mis so com o homem,
a solida rie da de:
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
(...)
(...)
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens 
[presentes,
a vida presente.
A poesia social de Drummond faz desabrochar o
“sentimento do mun do”, marcado pela cons ciência da
solidão, da impotência do homem di ante de um mundo
frio e mecânico que o reduz a objeto. “Os Mortos de
So bre casaca”, “Congresso In terna cio nal do Medo”,
“A Noite Dissolve os Ho mens”, “Mundo Grande”,
“O Lu ta dor”, “Mão Suja”, “A Morte do Lei tei ro”, “A
Flor e a Náusea” e “José” in clu em -se nessa ver tente.
Em Claro Enigma (1951), pas sa a predominar a esca -
va ção do real, me diante um pro ces so de in ter ro ga ções e
nega ções que acaba revelan do o va zio à espreita do
homem. O mun do define-se como “um vá cuo a tor men -
ta do” (exis ten cialis mo ni ilis ta). A abo lição de toda
crença e o apagar-se de toda esperança tra zem con si go
o autofe cha mento do es pírito.
Essa negatividade traduz-se pela ex pre s são de dor,
do va zio, da angústia, da cons ciência da queda que
aprisiona to do ser vivo, daí o autofechamento:
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
(“O Enterrado Vivo”)
Lição de Coisas (1962) marca a op ção concreto-
formalista do poeta. Es sa poe sia objetual de Drummond
é u ma radi caliza ção de processos es tru turais que já
estavam presentes des de Alguma Poesia, na opção pe lo
prosai co, pelo irô nico, pelo antirre tó rico, pelo antili ris mo
intencional e que predis pu nham, pela recusa e pe la
contenção, ao poema-objeto, tí pi co da Geração de 1950.
A ruptura com a sintaxe, a rima final ou interna, a
assonância, a alite ra ção e o eco, a repetição com pulsó ria
do som-coisa, aproximam, con tu do, Drummond das
opera ções técni cas das vanguar das de 1950/60:
O fácil o fóssil
o míssil o físsil
a arte o infarte
o ocre o canopo
a urna o farniente
a foice o fascículo
a lex o judex
o maiô o avô
a ave o mocotó
o só o sambaqui
(“Isso é Aquilo”)
A poe sia metalinguística, que se pen sa e se
interroga, a meta poe sia são cons tantes no poeta:
Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convêm.
(“Consideração do Poema”)
■ Temática drummondiana
Na Antologia Poética, que pu bli cou em 1962, Carlos
Drummond de Andra de classificou tematicamente sua
poe sia, distribuindo os seus poe mas por nove comparti -
mentos, con siderados “pontos de partida ou ma téria de
poesia”. O próprio poeta advertiu, porém, sobre a
existência de poemas seus que po de riam ser associados
a mais de um dos temas. Pode-se acres cen tar que há
também entre seus poemas alguns — bem poucos, é
ver dade — cuja temática não correspon de a nenhum de
tais temas. Ainda assim, o quadro discernido pelo poe ta
oferece uma visão abrangente das preocu pações que
frequentaram a sua obra ao longo de todo o seu
desenvolvimento. A seguir, são enumerados esses nove
núcleos temáticos, colocando-se ao lado de cada um,
entre aspas, o título da seção correspondente da
Antologia:
1. O indivíduo: “um eu todo retorcido”
2. A terra natal: “uma pro vín cia: esta”
3. A família: “a família que me dei”
4. Amigos: “cantar de amigos” 
5. O choque social: “na praça de convites” 
6. O conhecimento amo ro so: “amar-amaro”
7. A própria poesia: “poesia contemplada” 
8. Exercícios lúdicos: “uma, duas argolinhas”
9. Uma visão, ou tentativa de, da existência: “tenta ti va
de explo ração e de inter pre tação do estar-no-mundo”
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1. (modificado) – Quem não passou pela experiência
de estar lendo um texto e defrontar-se com
passagens já lidas em outros? Os textos conversam
entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação
de intertextualidade.
Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em
relação a Carlos Drummond de Andrade, por
a) reiteração de imagens.
b) oposição de ideias.
c) atualização do tema.
d) negação dos versos.
e) repetição de palavras.
RESOLUÇÃO: 
[ENEM] Os textos de Chico Buarque e de Adélia Prado retomam a
conhe cida imagem do indivíduo “gauche”, ainda que em situações
existenciais diversas daquela do “Poema de Sete Faces”.
Resposta: A
Texto para o teste 2.
2. (ITA) – O poema apresentado é um dos mais conhecidos de Carlos
Drummond de Andrade. É incorreto dizer que o poema
a) é herdeiro da vertente social do Modernismo de 1930.
b) ironiza a idealização da vida rural, tão cantada pelos românticos do
século XIX.
c) substitui a idealização romântica da vida rural por uma visão mais
crítica.
d) se vale de vocabulário e sintaxe simples, de acordo com a proposta
do Modernismo.
e) mostra, na primeira estrofe, um quadro romântico da natureza, que
é desfeito nas estrofes seguintes.
RESOLUÇÃO:
O poema de Drummond nada tem a ver com a ficção neorrealista
regionalista, que corresponde à “vertente social do Modernismo
de 1930”. Ademais, o poema de Drummond, publicado em 1930,
não poderia ser “herdeiro” de algo que apenas se iniciava.
Resposta: A
I. Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
(ANDRADE, C. D. Alguma Poesia. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.)
II. Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim.
(BUARQUE, C. Letra e Música.
São Paulo: Cia. das Letras, 1989.)
III. Quando nasci um anjo esbelto
Desses que tocam trombeta anunciou:
Vai carregar bandeira.
Carga muito pesada pra mulher
Esta espécie ainda envergonhada.
(PRADO, A. Bagagem.
Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.)
CIDADEZINHA QUALQUER
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
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3. (FUVEST) – Costuma-se reconhecer que estes poemas,
pertencentes ao Modernismo, apresentam aspectos característicos do
poema-piada, modalidade bastante praticada nesse período literário:
a) Identifique um recurso de estilo tipicamente modernista que esteja
presente em ambos os poemas. Explique-o sucintamente.
RESOLUÇÃO:
Ambos os poemas foram compostos em versos livres,
contrariando as convenções da métrica tradicional, isossilábica,
isto é, na qual os versos têm o mesmo número de sílabas
métricas. Também se pode mencionar o fato de que, em ambos os
poemas, o registro de linguagem é coloquial, próprio da
conversação, despido dos traços retóricos que caracterizam o
discurso de registro “elevado”, típico da tradição literária de que
o Modernismo de então procurava afastar-se. 
b) Considere a seguinte afirmação: 
A afirmação aplica-se aos poemas aqui reproduzidos? Justifique
brevemente sua resposta.
RESOLUÇÃO:
Nos dois poemas, o humorismo é instrumento de crítica, de
“crítica de vida”: em “Política Literária”, trata-se da vida cultural,
suas relações com o poder e suas hierarquias espúrias; em
“Anedota Búlgara”, trata-se da opressão política.
4. No poema “Procura da Poesia”, Carlos Drummond
de Andrade expressa a concepção estética de se
fazer com palavras o que o escultor Michelângelo
fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação:
Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre
autores modernistas:
a) a nostalgia do passado colonialista revisitado.
b) a preocupação com o engajamento político e social da literatura.
c) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos
novos.
d) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética.
e) a contemplação da natureza brasileira sob a perspectiva ufanista da
pátria.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Embora a relação entre Drummond e Michelângelo não
seja muito precisa nem justificada e a ideia de “trabalho
artesanal” pareça arbitrária em relação ao texto, a única
alternativa aceitável é a c.
Resposta: C
POLÍTICA LITERÁRIA
A Manuel Bandeira
O poeta municipal
discute com o poeta estadual
qual deles é capaz de bater o poeta federal.
Enquanto isso o poeta federal
tira ouro do nariz.(Carlos Drummond de Andrade, in Alguma Poesia)
ANEDOTA BÚLGARA
Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e 
[andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.
(Carlos Drummond de Andrade, in Alguma Poesia)
O poema-piada visa a um humorismo instantâneo e, por
isso, esgota-se em si mesmo, não indo além desse objetivo
imediato.
(…)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo.
Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 13-14.)
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Texto para o teste 5.
5.
Entre os recursos expressivos empregados no
texto, destaca-se a
a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à
própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com
intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido
próprio e objetivo.
e) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inani madas,
atribuindo-lhes vida.
RESOLUÇÃO:
No texto de Drummond, a noção de progresso e a visão da cidade
grande aparecem indissoluvelmente associadas a mazelas como o
surgimento de favelas. Trata-se de uma visão irônica do desenvol -
vimento. 
Resposta: C
Texto para o teste 6.
6. (FUVEST) – No poema de Drummond, 
a) a hierarquização dos substantivos que compõem a primeira estrofe
tem a função de situar essa família na sociedade escravagista do
século XIX.
b) a repetição de um verbo de ação, em contraste com o caráter
nominal dos versos, destaca a serventia da figura feminina na
organização familiar.
c) a ausência de menção direta ao homem produz um retrato reativo
à família patriarcal, por salientar o protagonismo social da mulher.
d) o modo como os elementos que compõem a terceira estrofe estão
relacionados permite inferir a prosperidade econômica familiar.
e) o enquadramento da mulher no ambiente doméstico lança luz
sobre um regime social que favorece a realização plena das
potencialidades femininas.
RESOLUÇÃO:
Em “Família”, o único verbo de ação é “trata” (no sentido de
“cuidar, tomar para si a responsabilidade”). Esse verbo está no
verso que encerra as duas primeiras estrofes e no penúltimo verso
da estrofe final. Essa reiteração, no contexto do poema, significa
que a mulher assume o seguinte papel na estrutura familiar
patriarcal brasileira: a incumbência de cuidar, de maneira total, do
lar e dos assuntos domésticos.
Resposta: B
CIDADE GRANDE
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.
(Carlos Drummond de Andrade)
FAMÍLIA
Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
(Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia)
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Leitura complementar
Uma das abordagens mais conhecidas da poesia de Carlos
Drummond de Andrade é a do estudioso Afonso Romano de
Sant’Anna, que procura equacioná-la a partir da dialética eu x mundo,
desdobrada em três atitudes:
A) “Eu maior que o mundo”, marcada pela poesia irônica. O
poeta vê os conflitos de uma posição de equidistância e não
envolvimento, daí o humor, os poemas-piada e a ironia. O poeta
fotografa a província e a família, é sarcástico, de uma irreverência
incontida, mas de um sentimento contido, o que vem gerar um texto
objetivo e seco, versos curtos e descarnados, sem transbordamento
emocional. É o que ocorre em Alguma Poesia e Brejo das Almas:
POLÍTICA LITERÁRIA
O poeta municipal
discute com o poeta estadual
qual deles é capaz de bater o poeta federal.
Enquanto isso o poeta federal
tira ouro do nariz.
(Alguma Poesia)
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
(Alguma Poesia)
CIDADEZINHA QUALQUER
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
(Alguma Poesia)
FAMÍLIA
Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
(Alguma Poesia)
COTA ZERO
Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?
(Alguma Poesia)
SONETO DA PERDIDA ESPERANÇA
Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa
com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.
(Brejo das Almas)
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B) “Eu menor que o mundo”, identificada pela poesia social,
tem como temas a política, a guerra e o sofrimento do homem.
Desabrocha o “sentimento do mundo”, traduzido na solidão e na
impotência do homem, diante de um mundo frio e mecânico, que o
reduz a objeto. É o que ocorre em Sentimento do Mundo, José e,
especialmente, em A Rosa do Povo. Os poemas “Os Ombros
Suportam o Mundo” e “Confidência do Itabirano” exemplificam essa
atitude: 
OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Sentimento do Mundo)
CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nasalmas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
(Sentimento do Mundo)
Além dos poemas aqui transcritos, “Os Mortos de Sobrecasaca”,
“Congresso Internacional do Medo”, “Dentaduras Duplas”, “A Noite
Dissolve os Homens”, “Mundo Grande”, “O Lutador”, “José”,
“Consideração do Poema”, “A Flor e a Náusea”, “O Medo”, “A
Morte do Leiteiro” e “Canto ao Homem do Povo Charlie Chaplin” são
poemas obrigatórios em qualquer antologia de Drummond sob a
perspectiva do “eu menor que o mundo”.
C) “Eu igual ao mundo”, abrangendo a poesia metafísica de
Claro Enigma, em que a escavação do real, mediante um processo de
interrogações e negações, conduz ao vazio que espreita o homem e
ao desencanto; bem como a poesia objetual de Lição de Coisas, em
que a palavra se faz coisa, objeto, e é pesquisada, trabalhada,
desintegrada e refundida no espaço da página:
ISSO É AQUILO
I
O fácil o fóssil
o míssil o físsil
a arte o infarte
o ocre o canopo
a urna o farniente
a foice o fascículo
a lex o judex
o maiô o avô
a ave o mocotó
o só o sambaqui
II
o gás o nefas
o muro a rêmora
a suicida o cibo
a litotes Aristóteles
a paz o pus
o licantropo o liceu
o flit o flato
a víbora o heléboro
o êmbolo o bolo
o boliche o relincho
III
o istmo o espasmo
o ditirambo o cachimbo
a cutícula o ventríloquo
a lágrima o magma
o chumbo o nelumbo
a fórmica a fúcsia
o bilro o pintassilgo
o malte o gerifalte
o crime o aneurisma
a tâmara a Câmara
IV
o átomo o átono
a medusa o pégaso 
a erisipela a elipse 
a ama o sistema 
o quimono o amoníaco 
a nênia o nylon
o cimento o ciumento 
a juba a jacuba 
o mendigo a mandrágora 
o boné a boa-fé
(...)
(Lição de Coisas)
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Texto para as questões de 1 a 5.
1. Faça um comentário sucinto sobre o sentido do verso: “O tempo é
a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes”.
RESOLUÇÃO:
Esse verso faz referência ao compromisso da poesia social de
Drummond: o engajamento do eu lírico com os problemas da
época em que vive. Há inter-relação entre o poeta e o momento
histórico em que vive: o contexto da Segunda Guerra Mundial
(1939-1945) e o Estado Novo, a Ditadura Vargas (1937-1945).
2. Os versos “Não serei o cantor de uma mulher, de uma história / não
direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela” podem ser
relacionados a uma visão antagônica à poesia romântica? Justifique.
RESOLUÇÃO:
Sim, podem ser vistos como antagônicos à postura romântica,
porque se afastam do lirismo amoroso, do sentimentalismo e da
postura contemplativa sensível.
3. No início do poema, há um vocábulo com forte conotação
ideológica, relacionado à postura de esquerda. Identifique-o.
RESOLUÇÃO:
É a palavra “companheiros”, muito utilizada no contexto da
ideologia de esquerda.
4. Faça um comentário sucinto sobre o sentimento dos versos “não
distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida / não fugirei para as ilhas
nem serei raptado por serafins”.
RESOLUÇÃO:
O eu lírico afasta-se radicalmente da postura alienada em relação
aos problemas do mundo. Rejeita esse afastamento, seja pelo
tóxico, seja pelo suicídio, seja pelo isolamento, seja pelo
misticismo.
5. O verso “Estou preso à vida e olho meus companheiros” é
bastante expressivo em relação ao título do livro (Sentimento do
Mundo). Por quê?
RESOLUÇÃO:
Porque o eu lírico não pode deixar de tematizar a vida e observar
os que estão a sua volta. Deve sentir necessariamente o contexto
do mundo que o cerca e participar dele.
MÃOS DADAS
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens 
[presentes,
a vida presente.
(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do Mundo, 1940)
MÓDULO 16
Segunda Geração Modernista – Poesia: 
Carlos Drummond de Andrade (II)
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Texto para o teste 6.
6. (FGV-SP-ADM.) – Considere as seguintes afirmações sobre o
texto:
I. A expressão “num passe” (verso 2) exprime noção de tempo.
II. Segundo o poeta, “na hora formidável do almoço”, ocorrem os
movimentos de fluxo e refluxo, expressos, respectivamente, por
“esvaziam-se” e “se recuperam”.
III. O último verso contém dois verbos no imperativo (“toma” e
“extrai”), por meio dos quais o poeta se dirige ao leitor.
Está correto apenas o que se afirma em
a) I. 
b) II. 
c) III. 
d) I e II. 
e) I e III.
RESOLUÇÃO:
A expressão “num passe” é adjunto adverbial de tempo,
equivalendo, no contexto, à expressão “de repente”. No texto, a
“formidável hora do almoço” marca a saída das pessoas de seus
postos de trabalho para alimentação e/ou descanso e seu retorno
aos postos: os escritórios “esvaziam-se” e “se recuperam”. No
último verso, os verbos não estão no imperativo, mas no presente
do indicativo, com sujeito oculto: “o esplêndido negócio”.
Resposta: D
Texto para os testes 7 e 8.
1 – Carro: vagão ferroviário para passageiros.
7. (FUVEST) – Para a caracterização do subúrbio, o poeta lança mão,
principalmente, da/o
a) personificação.
b) paradoxo.
c) eufemismo.
d) sinestesia.
e) silepse.
RESOLUÇÃO:
O eu poemático descreve o subúrbio atribuindo-lhe características
humanas: com “medo” de que não o percebamos (v. 4), ele
“reage, luta, se esforça” (v. 7). O recurso utilizado nesse processo
é, portanto, a personificação.
Resposta: A
8. (FUVEST) – No poema de Drummond, a presença dos motivos da
velocidade, da mecanização, da eletricidade e da metrópole configura-
se como
a) uma adesão do poeta ao mito do progresso, que atravessa as letras
e as artes desde o surgimento da modernidade.
b) manifestação do entusiasmo do poeta moderno pela industria -
lização por que, na época, passava o Brasil.
c) marca da influência da estética futurista da Antropofagia na
literatura brasileira do período posterior a 1940.
d) uma incorporação, sob nova inflexão política e ideológica, de temas
característicos das vanguardas que influenciaram o Modernismo
antecedente.
e) uma crítica do poeta pós-modernista às alterações causadas, na
percepção humana, pelo avanço indiscriminado da técnica na vida
cotidiana.
RESOLUÇÃO:
Publicado em 1940, Sentimento do Mundo é obra em que
Drummond deixa de lado o espírito iconoclasta modernista do
início de sua carreira poética, assumindo uma dicção menos
elíptica e mais linear. Ainda assim, não abandona ingredientes da
fase precedente, como a referência a elementos do progresso, da
técnica e da modernidade (o trem e a sua velocidade, a
caracterização da realidade urbana), que agora convivem com
preocupações sociais, uma “nova inflexão política e ideológica”
(de fundo socialista).
Resposta: D
REVELAÇÃO DO SUBÚRBIO
Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça 
[do carro1, 
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa, 
com medo de não repararmos suficientemente 
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.A noite come o subúrbio e logo o devolve, 
ele reage, luta, se esforça, 
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais 
e à noite só existe a tristeza do Brasil.
(Carlos Drummond de Andrade, 
in Sentimento do Mundo, 1940)
NOSSO TEMPO
(...)
V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas 
[vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo 
[de comida, 
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma
[indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.
(...)
(Carlos Drummond de Andrade, A Rosa do Povo, 1945)
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Leitura complementar
DRUMMOND: O MODERNO E O ETERNO
E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.
Qual a contribuição da poesia de Drummond à literatura
brasileira? 
Tendo enraizado seus primeiros livros no modernismo
irreverente e iconoclasta de 1922, Drummond acompanhou, a
partir daí, todos os desdobramentos da literatura moderna,
incorporando à sua dicção personalíssima todos os temas e formas
em que se espraiou a poesia brasileira, em mais de meio século.
Assim, a poesia de Drummond sintetiza (e transcende), na
multiplicidade de aspectos que abrangeu, a evolução de toda nossa
poesia moderna: do poema-piada à poesia participante, da poesia
experimental às formas clássicas, dos exercícios lúdicos ao lirismo
intimista, da poesia de circunstância à poesia metafísica, do poeta
de ação ao autofechamento, do humanismo solidário ao niilismo,
do poeta itabirano ao poeta universal, da “secura” à ternura, do
Tânatos (morte) ao Eros (amor), do humorismo ao surrealismo, do
moderno ao eterno. 
Drummond expressou, em todas as suas vertentes, a
sensibilidade moderna, isto é, a experiência existencial do homem
da grande cidade e da sociedade de massa, convertendo-a em alta
literatura lírica, englobando a escrita de ruptura radical, a tradição
clássica, o Romantismo e as tendências finisseculares
(Neoparnasianismo, Simbolismo, Sincretismo etc.). 
Certamente, o autor de A Rosa do Povo e de Claro Enigma não
foi o iniciador do lirismo moderno no Brasil; sabe-se o quanto ele
deve à revolução estética dos primeiros modernistas e às
conquistas de 1922. Seu papel foi antes o de realizar a promessa
literária do modernismo de choque, criando uma poesia rica e
substancial, superando os três defeitos maiores da literatura
acadêmica de antes de 1922: o servilismo em relação aos modelos
europeus, a cegueira no tocante à realidade social, concreta, e a
superficialidade intelectual. 
A poesia acadêmica, anterior a 1922, era bem afastada tanto do
Brasil quanto de seu século. Assim, a primeira grande contribuição
do verso drummondiano consistiu em apreender o sentido profundo
da evolução social e cultural de seu país. A partir de sua própria
situação de filho de fazendeiro emigrado para a grande cidade,
justamente na época em que o Brasil começava sua metamorfose
de subcontinente agrário em sociedade urbano-industrial,
Drummond dirigiu o olhar do lirismo para o significado humano de
estilo existencial moderno. Desde então, tornou sua escrita
extraordinariamente atenta aos dois fenômenos de base dessa
mesma evolução histórica: o sistema patriarcal e a sociedade de
massa. Sua abertura de espírito, sua sensibilidade à questão social,
sua consciência da História impediram-no de superestimar as formas
tradicionais de existência e de dominação, mas, ao mesmo tempo, ele
se serviu do “mundo de Itabira” — símbolo do universo patriarcal —
para detectar, por contraste, os múltiplos rostos da alienação e da
angústia do indivíduo moderno, esmagado por uma estrutura social
cada vez menor em relação ao humanismo. 
Profundamente enraizada numa época de transição, a mensagem
poética de Drummond se elevou, dessa forma, ao nível das
significações universais. Nacional por sua linguagem e por sua
inspiração, sua obra nada tem de exótica; não é sequer
“regionalista”, mesmo que se trate de um escritor importunado por
suas origens. Além de universal, a poesia de Drummond é muito
atual. Poucos líricos de nosso tempo terão mostrado tanta fidelidade
aos movimentos essenciais do espírito moderno, a suas
inquietações, desconfianças, perplexidades críticas, com legítimo
desapreço pelos clichês ideológicos e pelas filosofias abastardadas.
Nesse sentido, o humor de Drummond — na aparência inclinado ao
niilismo — não passa, no fundo, de uma estratégia intelectual
radicalmente lúcida e liberadora. 
Drummond é um dos primeiríssimos poetas brasileiros e o mais
importante de sua época quanto ao questionamento filosófico da
vida, do homem e do mundo, constituindo uma lírica filosófica
densa, ampla e inesgotável. Cantor da terra e da cidade, analista sutil
da criação poética, moralista fascinado pelas paixões do homem e
pela ordem do mundo, ele é, depois de Machado de Assis — com
quem divide tanto o humor desiludido quanto a atitude lúdica no
tocante à forma e ao verbo —, o principal exemplo, na poesia
brasileira, da obra literária voltada à problematização da vida. “A
única função válida e legítima de um texto literário, pelo menos
desde a Revolução Industrial, é justamente a problematização do
real”, diz José Guilherme Merquior, que temos seguido neste passo;
e conclui: “Como todo grande poeta (e não sendo senão poeta e
somente poeta), Carlos Drummond de Andrade é muito mais que
um bom escritor. É um grande praticante da poesia como jogo do
conhecimento e da sabedoria.”
(Fernando Teixeira)
*Drummond também escreveu crônica.
Carlos Drummond de Andrade (2002), de Leo Santana. Estátua em
bronze, calçadão da Praia de Copacabana, Rio de Janeiro.
Essa escultura é inspirada em uma famosa foto de Rogério Reis que
eternizou um hábito de Drummond, morador da capital fluminense já a
partir de 1938.
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1. Murilo Mendes
(Juiz de Fora, MG, 1901 – Estoril, Portugal, 1975)
Murilo Mendes
Estudou na sua cidade e em Ni te rói, começou o
curso de Direito, mas logo o interrompeu. Foi sempre
um homem inquieto passando por ati vidades díspares:
auxiliar de gua r da -livros, prático de dentista, te le gra fis ta
aprendiz e, em melhores dias, no tário e Inspetor Federal
de Ensino. Não menos rica de experiência foi a sua vida
espiritual e literária: tendo es treado em revistas do
Modernis mo, Ter ra Roxa e Outras Terras e Antro po fa gia,
conheceu de perto a poética pri mitivista e surrealista que
as ani ma va; em 1934, converteu-se ao cato licismo,
partilhando com o pintor Ismael Nery o fervor por uma
arte que trans mitisse conteúdos reli gio sos em có digos
radicalmente novos. (...) A par tir de 1953 viveu quase
exclu si va men te na Europa e, desde 57, em Ro ma, onde
ensinou Literatura Bra si lei ra. Em todos esses anos, M.
Mendes re velou-se um dos nossos escritores mais afins
à van guarda ar tística eu ro pe ia, o que, no entanto, não o
apar tou das imagens e dos sentimentos que o prendiam
às suas origens bra si leiras e, estrita men te, mineiras.
(BOSI, Al fredo. História Concisa da Lite ratura Brasileira. 
São Paulo: Cultrix, 1994. p. 446.)
■ Considerações críticas
Tido como um poe ta difícil, pela liberdade criadora,
pela multi pli ci dade de temas e pela den sidade que
impregna sua visão de mundo, é autor, entre ou tros, dos
li vros: História do Brasil (1932), Tem po e Eter nidade (em
parceria com Jorge de Lima, 1935), A Poesia em Pânico
(1938), O Vi sionário (1941), As Me ta mor fo ses (1944),
Mun do Enigma (1945), PoesiaLiber da de (1947), Jane la
do Caos, Con tem pla ção de Ouro Pre to (1954), além de
Transís tor, A Idade do Serrote (prosa, 1969), entre outros.
Iniciou-se reali zan do uma po e sia in fluen cia da pelo
espírito de “de mo lição” dos mo der nis tas de 1922
(Mário e Os wald), por meio de paró dias de tex tos
con sa gra dos e de de nún cia da colo ni za ção física e cul tu -
ral do Brasil. Na “Can ção do Exílio”, obser ve-se a
pro xi mi dade com a ati tude ir re ve ren te dos mo vi mentos
Pau-Bra sil e Antro pofá gi co :
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos1 de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas2, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
(...)
1 – Gaturamo: designação comum a várias es pé cies de aves.
2 – Monista: que crê na doutrina monista, segun do a qual tudo
pode ser re du zi do à uni da de.
Em Tempo e Eternidade, bus ca, convertido ao cato -
li cis mo, “res taurar a poe si a em Cris to”, inte grando, com
Jor ge de Li ma, Is ma el Nery, Otá vio de Faria, Tas so da
Silveira, Augus to Frederico Schmidt, a cor rente dos
poetas cató licos, mar cados pela in fluên cia dos au tores
franceses (Péguy, Claudel, Bernanos, Mari ta in) e pela
atuação de Jackson de Figuei redo e Al ceu de Amoroso
Lima (Tristão de Ataíde), pensadores ca tó li cos que
aglutinaram em tor no de si esse “renascimento” da
visão mís tica e do catolicismo mi litante.
Com O Visionário (1941), como observa Alfredo
Bosi, “entramos em cheio no clima onírico e alucinatório
que envolveria sempre a sua poesia”. Dessa vertente,
destaca-se “O Pastor Pianista”:
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
(...)
MÓDULO 17
Segunda Geração Modernista – Poesia: 
Murilo Mendes e Jorge de Lima
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Depois de 1950, em livros como Tem po Espanhol
(1959) e Con ver gên cia (1970), sua poesia ten de à obje -
tividade e ao des car na men to da escri ta, apro xi man do-se da
poesia expe ri mental da épo ca (o Concre tismo). É elo quen -
te o seguinte de poimento de João Cabral de Melo Neto: “a
poe sia de Murilo me foi sempre maes tra, pela plasticidade
e no vi dade da imagem. Sobretudo foi ela quem me ensinou
a dar pre ce dên cia à imagem sobre a men sa gem, ao
plástico sobre o dis cur sivo”. Um exem plo dessa ver ten te é
o poema que integra o ci clo “A Lua de Ouro Preto”:
Lua, luar,
Não confundamos:
Estou mandando
A Lua luar.
Luar é verbo,
Quase não é
Substantivo.
(...)
E tu és cíclica,
Única, onírica,
Envolverônica,
Musa lunar.
2. Jorge de Lima
(União, AL, 1895 – Rio de Janeiro, 1953)
Jorge de Lima
Estudou Humanidades em Ma ceió e Medicina em
Salvador e no Rio de Janeiro. Interessou-se pelas artes
plás ticas, lecionou Literatura na Universidade do Brasil e
in gres sou na política como deputado estadual. Em
1925, entra em con ta to com o Mo dernismo, divulgando-o
no Nordeste, com os livros Poemas (1927) e Novos
Poemas (1929).
Em 1930, muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce
a profissão de médico. Seu consultório torna-se um ponto
de encontro de artistas e inte lec tuais. Em 1935, con -
verte-se ao cato licismo. Além de poeta, foi pintor, fotó -
grafo, ensaísta, biógrafo, historiador e prosador.
■ Considerações críticas
Estreia em 1914 com XIV Ale xan drinos, livro ainda
preso aos mol des parnasianos e sim bolis tas, lavra do
em ver sos longos e constituído de so netos, entre os
quais o co nhe cido “O Acendedor de Lam piões”. O livro
seguinte, O Mun do do Menino Impos sível, retoma essa
linha.
Em Poemas Negros, nota-se a in fluência dos grupos
regio na lis tas nor des ti nos (Gil ber to Freyre, José Lins
do Rego, Rachel de Queirós). Rea liza uma poesia apoia -
da nas re cor dações da infância, de “me ni no de
engenho”, e nas sugestões do folclo re a fri cano. Nos
Poemas Ne gros des cortinam-se as múlti plas di reções
que o poeta irá tri lhar: a poesia social, o ca to li cis mo
militante, a poe sia o ní ri ca, surreal, tudo trans fundido na
própria afe ti vidade e va za do numa lingua gem múltipla e
po derosa.
A partir de Tempo e Eter ni da de (1935), que escreveu
com Murilo Mendes, e em A Túnica In consútil (1938) e
Anun ci a ção e Encontro de Mira-Celi, in corpora à sua
temática a poe sia mística e católica, a lém de novos
proces sos cons tru tivos. É dessa vertente o “Poema do
Cristão”:
Porque o sangue de Cristo
jorrou sobre os meus olhos,
a minha visão é universal
e tem dimensões que ninguém sabe.
Os milênios passados e os futuros
não me aturdem, porque nasço e nascerei,
porque sou uno com todas as criaturas,
com todos os seres, com todas as coisas
que eu decomponho e absorvo com os sentidos
e compreendo com a inteligência
transfigurada em Cristo.
Em Livro de Sonetos (1949) e In venção de Orfeu
(1952), a no ção es tetizante da poesia (vista como ofício
de tratar com palavras) opera uma bar ro quização da
verten te sur realista, que se ma ni fes ta pelo em prego
das formas fi xas (so neto, oitava-rima, sex ti nas), modu -
lan do a atmos fe ra aluci natória e surreal.
Em Invenção de Orfeu realiza uma es tranha e bizarra
paródia de Os Lu sí adas, jogando com alguns motivos re -
 cor rentes: a viagem, o desco bri men to da ilha, a
profundeza da vida e do ins tinto, os círculos do inferno e
do paraí so, Orfeu, a Musa amada (Beatriz, Inês) de
Dante Alighieri e Ca mões.
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1. (UNESP) – Leia o poema de Murilo Mendes (1901-1975) para
responder ao que se pede:
a) O crítico literário Antônio Cândido caracterizou esse poema como
uma “pastoral fantástica”. Tal caracterização alude a qual escola
literária? Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
A expressão “pastoral fantástica” remete tanto ao Arcadismo ou
Neoclassicismo (e, antes dele, à poesia bucólica greco-latina),
quanto ao Surrealismo. O gênero pastoral consiste na abordagem
idealizada da vida de pastores e o Surrealismo, vanguarda do
Modernismo, apresenta como característica o ilógico, o nonsense,
com elementos visionários e oníricos, como se observa nos
versos “Vejo ao longe com alegria meus pianos / Recortarem
vultos monumentais / Contra a lua”.
b) Identifique duas características que permitem vincular esse poema
ao movimento modernista.
RESOLUÇÃO:
Os versos livres, sem métrica, a paródia da tradição literária (a
retomada da poesia bucólica do Arcadismo ou Neoclassicismo) e
a influência da teoria psicanalítica freudiana na literatura,
rompendo com a lógica, são características da vanguarda
modernista, iconoclasta não só em relação ao passado literário,
como também quanto ao uso da razão para captar a realidade.
Embora muitos candidatos possam ter mencionado os versos
brancos (sem rima), esse tipo de verso já era usado na poesia do
século XVIII, como exemplifica a obra O Uraguai, de Basílio da
Gama, publicada em 1769.
2. Depois que Gonçalves Dias escreveu sua famosa
“Canção do Exílio” (“Minha terra tem palmeiras /
Onde canta o Sabiá (...)”), vários poetas retomaram
e reconstruíram o célebre poema. Murilo Mendes, por exemplo, em
1930, escreveu:
deixando claro que a expressão do nacionalismo
a) conservou a solenidade cívica ao longo do tempo.
b) incorporou os valores sociais e estéticos de cada época.
c) manteve-se alheia às transformações estéticas.
d) perdeu todo interesse no período modernista.
e) ganhou um aspecto dramático depois da Primeira Grande Guerra.
RESOLUÇÃO: 
[ENEM] A “Canção do Exílio” de Murilo Mendes, a exemplo de
outros poetas modernistas e de poetas contemporâneos,
retomou o poema gonçalvino sob a forma paródica, incorporando
“valores sociais e estéticos [da] época”. 
Resposta: B
O PASTOR PIANISTASoltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
Acompanhado pelas rosas migradoras
Apascento os pianos: gritam pastoreio
E transmitem o antigo clamor do homem
Que reclamando a contemplação,
Sonha e provoca a harmonia,
Trabalha mesmo à força,
E pelo vento nas folhagens,
Pelos planetas, pelo andar das mulheres,
Pelo amor e seus contrastes,
Comunica-se com os deuses.
(As Metamorfoses)
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia,
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Texto para os testes 3 e 4.
3. O conflito de gerações e de grupos étnicos
reproduz, na visão do eu lírico, um contexto social
assinalado por
a) modernização dos modos de produção e consequente
enriquecimento dos brancos.
b) preservação da memória ancestral e resistência negra à apatia
cultural dos brancos.
c) superação dos costumes nativos por meio da incorporação de
valores dos colonizados.
d) nivelamento social de descendentes de escravos e de senhores
pela condição de pobreza.
e) antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de
hereditariedade.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Nos versos, a preservação da cultura ancestral dos negros
está assegurada, por mais que se tente renegá-la. A musicalidade
dessa cultura persiste, contrapõe-se ao tédio, à apatia dos
opressores, a “raça” branca.
Resposta: B
OLÁ! NEGRO 
Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos
e a quarta e quinta gerações de teu sangue sofredor
tentarão apagar a tua cor!
E as gerações dessas gerações, quando apagarem
a tua tatuagem execranda,
não apagarão de suas almas a tua alma, negro!
Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi,
negro-fujão, negro cativo, negro rebelde
negro cabinda, negro congo, negro ioruba,
negro que foste para o algodão de USA
para os canaviais do Brasil,
para o tronco, para o colar de ferro, para a canga
de todos os senhores do mundo;
eu melhor compreendo agora os teus blues
nesta hora triste da raça branca, negro!
Olá, Negro! Olá, Negro!
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
E és tu que a alegras ainda com os teus jazzes,
com os teus songs, com os teus lundus!
Os poetas, os libertadores, os que derramaram
babosas torrentes de falsa piedade
não compreendiam que tu ias rir!
E o teu riso, e a tua virgindade e os teus medos e a tua 
[bondade
mudariam a alma branca cansada de todas as ferocidades!
Olá, Negro!
Pai-João, Mãe-Negra, Fulô, Zumbi
que traíste as Sinhás nas Casas-Grandes,
que cantaste para o Sinhô dormir,
que te revoltaste também contra o Sinhô;
quantos séculos há passado
e quantos passarão sobre a tua noite,
sobre as tuas mandingas, sobre os teus medos, sobre tuas 
[alegrias!
Olá, Negro!
Negro que foste para o algodão de U.S.A.
ou que foste para os canaviais do Brasil,
quantas vezes as carapinhas hão de embranquecer
para que os canaviais possam dar mais doçura à alma 
[humana?
Olá, Negro!
Negro, ó antigo proletário sem perdão,
proletário bom,
proletário bom!
Blues
Jazzes,
songs,
lundus...
Apanhavas com vontade de cantar,
choravas com vontade de sorrir,
com vontade de fazer mandinga para o branco ficar bom,
para o chicote doer menos,
para o dia acabar e negro dormir!
Não basta iluminares hoje as noites dos brancos com teus 
[jazzes,
com tuas danças, com tuas gargalhadas!
Olá, Negro! O dia está nascendo!
O dia está nascendo ou será a tua gargalhada que vem 
[vindo?
(LIMA, Jorge de. Novos Poemas. Poemas Escolhidos.
Poemas Negros. Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 1997.)
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4. (UNICAMP – modificado) – Do conjunto desse poema,
depreende-se que o último verso
a) manifesta o desprezo do negro pela situação decadente da cultura
do branco.
b) realiza a aproximação entre a alegria do negro e uma ideia de futuro.
c) remete à vingança do negro contra a violência a que foi submetido
pelo branco.
d) funciona como um lamento, já que o nascer do dia não traz justiça
social.
RESOLUÇÃO:
É evidente a associação entre a “alegria do negro e uma ideia de
futuro” nos versos que encerram o poema “Olá! Negro”, do livro
Poemas Negros, de Jorge de Lima. Assim, a herança que os negros
ofereceriam ao porvir não se restringiria à enorme contribuição
histórica em termos de riqueza econômica e musical, mas também
no que se refere a um atributo de seu próprio modo de ser: a
alegria, notável mesmo em momentos mais cruéis da vida.
Resposta: B 
Texto para o teste 5. 
5. O poema de Jorge de Lima sintetiza o percurso de
vida de Maria Diamba e sua reação ao sistema
opressivo da escravidão. A resistência dessa figura
feminina é assinalada no texto pela relação que se faz entre
a) o uso da fala e o desejo de decidir o próprio destino.
b) a exploração sexual e a geração de novas escravas.
c) a prática na cozinha e a intenção de ascender socialmente.
d) o prazer de sentir os ventos e a esperança de voltar à África.
e) o medo da morte e a vontade de fugir da violência dos brancos.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Maria Diamba, para mudar seu destino e deixar de
apanhar, declara que sabe fazer bolos, para poder trabalhar na
cozinha da casa-grande. Cala-se mediante a exploração sexual
que passa a sofrer, mas fala a si mesma, “diante da ventania”
vinda do Sudão, de seu desejo de fugir “dos senhores e das
judiarias [daquele] mundo”.
Resposta: A
MARIA DIAMBA
Para não apanhar mais
falou que sabia fazer bolos:
virou cozinha.
Foi outras coisas para que tinha jeito.
Não falou mais:
Viram que sabia fazer tudo,
até molecas para a Casa-Grande.
Depois falou só,
só diante da ventania
que ainda vem do Sudão;
falou que queria fugir
dos senhores e das judiarias deste mundo
para o sumidouro.
(LIMA, J. Poemas Negros.
Rio de Janeiro: Record, 2007.)
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1. Vinícius de Moraes
(Rio de Janeiro, 1913-1981)
Vinícius de Moraes
Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes formou-se
em Letras e em Direi to. Foi censor e crítico cine mato grá -
fi co e estudou Literatura Inglesa em Ox ford. Em 1943,
ingressou na car rei ra diplomática, servindo nos Esta dos
Uni dos, na Espanha, no Uruguai e na Fran ça, mas sem
nunca perder o con tato com a vida literária e artís tica do
Rio de Janeiro. No final da década de 1950, passou a
compor le tras para can ções populares, con sa grando-se
co mo um dos funda dores do mo vi mento musical conhe -
cido por Bos sa Nova.
2. Considerações críticas
Os primeiros livros, até Cinco Ele gi as, marcam-se pela
aproxi ma ção com a poesia católica fran ce sa, com o
sim bolismo mís ti co e, como em Augusto Fre de ri co
Schmidt, pelo uso do ver sí cu lo bíblico, pelo gosto do poema
longo, de tom grave e exal ta do, cheio de ressonâncias.
A partir de Cinco Elegias, a ade são à modernidade é
prenun cia da pela contenção formal, pe la liberdade
temática e de ex pres são, pela incor po ra ção poé tica
do cotidiano e da experiência direta da vi da, que
substituem a busca do trans cen dente, do sublime, e a
ten dência mística e me tafísica da primeira fase.
Poemas, Sonetos e Ba ladas (1946) é considerado o
livro mais ex pres sivo de sua obra, impreg na do de ternura,
de humor, de i ro nia, nu ma poesia de grande co municabili -
da de, em que con vivem a lin gua gem clássica, nos
sone tos de fei ção ca mo niana (Sonetos: “de Se pa -
ração”, “de Fidelidade”, “do Amor To tal” etc.); os versos
cur tos in ci si vos e a in ten si da de da vi são lí rica/realista
do amor, que re to ma elementos tro va dorescos e ro mân -
ticos, acres cidos da concepção do amor como expe riên -
cia-limite (o amor louco dos surrea listas).
Além de ser um lírico ex cepcio nal, Vinícius versou
tam bém so bre a temática so cial (“O Operário em
Cons trução”, “A Ro sa de Hiroxima”, “A Bomba”), so bre
o cotidiano; fez poesiain fantil (A Arca de Noé), além
dos poemas que o cancioneiro po pular consa grou:
“Serenata do A deus”, “Marcha da Quarta-Feira de
Cinzas”, “Se Todos Fossem I guais a Você” etc.
São apresentados a seguir dois dos poemas mais
célebres de Vinícius de Moraes:
A ROSA DE HIROXIMA
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
SONETO DE SEPARAÇÃO
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de re pente.
MÓDULO 18 Segunda Geração Modernista – Poesia:
Vinícius de Moraes
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Texto para o teste 1.
1. O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de
Moraes apresenta marcas do gênero textual carta,
possibilitando que o eu poético e o interlocutor
a) compartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia com o
meio urbano.
b) troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas
na cidade.
c) façam confidências, uma vez que não se encontram mais no Rio de
Janeiro.
d) tratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da vida
citadina.
e) aceitem as transformações ocorridas em pontos turísticos
específicos.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Na “Carta ao Tom 74”, o emissor é Vinícius de Moraes.
Nela, há lembranças sobre o Rio de Janeiro do passado, feliz,
mesmo quando a tristeza invadia o eu lírico por causa da saudade
do amor que se perdeu no tempo. Lamenta-se também a
alteração da paisagem urbana, porque já não se vê mais o Cristo
Redentor.
Resposta: B
2. (UNICAMP) – Leia o poema a seguir e responda ao que se pede: 
a) A poesia é um lugar privilegiado para constatarmos que a língua é
muito mais produtiva do que preveem as normas gramaticais. Isso
é particularmente visível no modo como o poema explora os
marcadores temporais e espaciais. Comente dois exemplos
presentes no poema que confirmem essa afirmação.
RESOLUÇÃO:
Os marcadores espaciais e temporais aparecem associados a
ações e predicados inesperados, que se relacionam com eles em
virtude de sentidos antitéticos (“De manhã escureço”) e de nexos
aparentemente arbitrários (“O este é meu norte”) ou absurdos
(“Eu morro ontem”, “Nasço amanhã”). Essas novas associações
perturbam os parâmetros semânticos habituais, obedientes às
normas gramaticais.
CARTA AO TOM 74
Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor
(MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova – 
sua história, sua gente. São Paulo: Philips, 1975.)
POÉTICA
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço
— Meu tempo é quando.
(Vinícius de Moraes, in Antologia Poética) 
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b) As duas últimas estrofes apresentam uma oposição entre o eu lírico
e os “outros”. Explique o sentido dessa oposição.
RESOLUÇÃO:
O eu lírico define-se como oposto aos outros, os quais,
diferentemente dele, se pautam pelos parâmetros habituais da
experiência, em que os eventos se sucedem passo por passo, e
passado e futuro são irredutíveis um ao outro. Na experiência do
eu lírico, o futuro pode reduzir-se ao passado (“Eu morro ontem”)
e o passado situar-se no futuro (“Nasço amanhã”). Fugindo do
habitual, a experiência do eu lírico não conhece limites temporais
nem espaciais: “Ando onde há espaço / — Meu tempo é quando.” 
Texto para o teste 3.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo,
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente,
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia,
À mesa, ao cortar o pão,
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
— Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção. 
(...)
(...)
(Vinícius de Moraes, “O Operário em Construção”, Rio de Janeiro, 1959. 
Disponível em: http://www.viniciusdemoraes.com.br. 
Acesso em: 18 jan. 2016.)
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3. (UFES) – Sobre o fragmento do poema de Vinícius de Moraes, é
incorreto afirmar que o operário, a quem o eu poético se refere,
a) é visto, inicialmente, como um indivíduo subjugado e sem
liberdade, ao ser comparado a um “pássaro sem asas”.
b) não consegue fazer de seu trabalho um meio de libertação e acaba,
contraditoriamente, na condição de oprimido, denunciada por meio
do paradoxo presente nos versos “a casa que ele fazia / Sendo a
sua liberdade / Era a sua escravidão”.
c) tem consciência crítica de sua mais-valia, luta por seus direitos e
busca reverter a situação ao questionar “como podia / Um operário
em construção / Compreender por que um tijolo / Valia mais do que
um pão?”
d) dá-se conta, em uma súbita constatação, de que tudo a sua volta é
fruto de seu trabalho: “— Garrafa, prato, facão — / Era ele quem os
fazia”.
e) constrói sua consciência ao longo do texto, criando uma dicotomia
entre a construção de habitações e objetos e a construção de seu
próprio olhar crítico, na condição de um “humilde operário”
explorado pelo sistema econômico.
RESOLUÇÃO:
Esse discurso (como podia / Um operário em construção /
Compreender por que um tijolo / Valia mais do que um pão?) é do
eu poemático, é ele quem questiona a possibilidade de o operário
perceber a estrutura econômica da sociedade capitalista. Frise-se
que, ao longo do poema, o operário adquire a consciência de
classe e participa da luta social.
Resposta: C
Texto para a questão 4.
1 – Cachaça fabricada em Parati (RJ) e, por extensão, qualquer cachaça.
4. (FGV-SP – adaptada) – Nesse poema, Vinícius manifesta-se, de
maneira bem-humorada, contra a prática das dietas. Localize, no
poema, o argumento utilizado por ele na defesa de sua tese.
RESOLUÇÃO:
O poeta, para argumentar contra dietas vegetarianas (“as
saladas”), nega que seja “ruminante como os bois” ou, “como os
coelhos, roedor”, afirmando-se “omnívoro”, ou seja: o organismo
do eu lírico (e das pessoas em geral) não seria compatível com as
restrições do vegetarianismo, pois seria preparadopara a
ingestão de todo tipo de alimento.
Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.
Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.
Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: deem-me feijão com arroz
E um bife, e um queijo forte, e parati1
E eu morrerei feliz, do coração,
De ter vivido sem comer em vão.
(Vinícius de Moraes)
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Leitura complementar
Poemas de Vinícius de Moraes
1
SONETO DE FIDELIDADE
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
2
SONETO DO MAIOR AMOR
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere, vibra, mas prefere
Ferir a fenecer — e vive a esmo.
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
3
SONETO DO AMOR TOTAL
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
4
O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
(...)
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
5
A UM PASSARINHO
Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.
Deixa-te de histórias
Some-te daqui!
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POEMA DE NATAL
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
7
MENSAGEM À POESIA
Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu 
[encontro.
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens: contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso 
[reconquistar a vida.
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os 
[caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
(...)
8
O DIA DA CRIAÇÃO
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
II
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
(...)
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
(...)
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
(...)
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
(...)
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
(...)
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Textos para as questões de 1 a 7.
1. (UNESP – adaptada) – Não são raros, em nossa literatura, os
poemas que tomam por tema a própria língua em que são realizados.
Comparando os dois textos, encontramos entre ambos identidade e
diferenças. Uma das diferenças está no plano da forma poemática:
estrofação e tipo de verso utilizado. Observe esses dois aspectos em
ambos os textos e comente as diferenças de composição.
RESOLUÇÃO:
No poema de Bilac, os versos são decassílabos e estruturados na
forma tradicional do soneto italiano: dois quartetos e dois
tercetos. No texto de Caetano Veloso, os versos são livres e não
obedecem a nenhuma estrutura tradicional de estrofação.
Texto 1
LÍNGUA PORTUGUESA
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga1 impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor2, lira singela,
Que tens o trom3 e o silvo4 da procela5,
E o arrolo6 da saudade e da ternura!
Amo o teu viço7 agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
(Olavo Bilac, in Tarde, 1919)
1 –Ganga: em trabalho de mineração, resíduo de minério não aproveitável.
2 – Clangor: som forte e estridente.
3 – Trom: estrondo.
4 – Silvo: assobio.
5 – Procela: tempestade.
6 – Arrolo: canto com o qual se faz adormecer a criança.
7 – Viço: frescor.
Texto 2
LÍNGUA
(a Violeta Gervaiseau)
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões.
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade.
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
— Fala, Mangueira!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?
(...)
(Caetano Veloso, in Velô)
MÓDULO 11 Análise de Texto
Análise de Textos FRENTE 3
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2. (UNESP) – O texto de Bilac contém referências ao Brasil ou ao
português aqui falado, como, por exemplo, em: “Amo o teu viço
agreste e o teu aroma / De virgens selvas e de oceano largo!”. Localize
no texto de Caetano duas passagens em que se faça referência ao
português do Brasil ou a qualquer outro fato que diga respeito a nosso
país.
RESOLUÇÃO: 
Tanto o possessivo em “minha língua” (primeiro verso), como o
demonstrativo em “esta língua” (último verso) referem-se à
língua portuguesa em sua variante brasileira. As referências ao
país estão em: 1) Sambódromo: espaço criado no Rio de Janeiro
para o desfile de escolas de samba; 2) Lusamérica: neologismo
que se refere à colonização do Brasil por Portugal; 3) “— Fala,
Mangueira!”: referência à escola de samba carioca; 4) “da rosa no
Rosa” (Guimarães Rosa).
3. (UNESP – adaptada) – No verso “És, a um tempo, esplendor e
sepultura”, Bilac trabalhou a tessitura sonora pela aliteração do /p/ e do
/t/. Em seu texto, Caetano Veloso serve-se diversas vezes do mesmo
recurso. Com base nessas informações, indique um verso de Caetano
Veloso em que esse recurso é bastante evidente.
RESOLUÇÃO:
Na letra de Caetano Veloso, os versos “GoSTo de SenTir a minha
Língua roÇar / A Língua de LuíS de CamõeS” apresentam
aliteração dos fonemas /s/, /t/ e /l/. Nos versos “A criar
conFuSões de ProSódia / E uma ProFuSão de Paródias”, temos
aliteração dos fonemas /f/, /z/ e /p/.
4. (UNESP) – A leitura do poema de Bilac revela que sua atitude ante
a língua portuguesa é solene e respeitosa. Pelo acúmulo de adjetivos
e pelo recurso a imagens rebuscadas, típicas do Parnasianismo, o
poeta tenta demonstrar sua admiração ante as riquezas e
potencialidades expressivas do idioma falado em nosso país.
Confrontando o poema de Bilac e a letra de Caetano Veloso,
percebemos neste uma atitude em parte semelhante à de Bilac, mas
com alguns ingredientes próprios. Faça um comentário sucinto a esse
respeito.
RESOLUÇÃO:
Caetano Veloso e Olavo Bilac enaltecem a língua portuguesa,
porém a letra da canção, além do tom informal (e algo
irreverente), procura enaltecer particularidades da variante
brasileira e, sobretudo, sua inventividade e elementos de nossa
cultura — que se refletem em nosso léxico, como, por exemplo, na
palavra sambódromo. Pode-se dizer que Bilac se refere à língua
portuguesa em seu caráter mais universal, inclusivo quanto a sua
tradição, ao passo que Caetano Veloso prefere marcar uma
distinção ou cisão do português brasileiro. Quanto a esse último
aspecto, note-se a adaptação da frase “Minha pátria é a língua
portuguesa”, de Bernardo Soares (um semi-heterônimo de
Fernando Pessoa), que passa a “Minha pátria é minha língua”. Por
fim, também se pode mencionar o fato de o compositor se referir
aos recursos linguísticos de que se vale em suas composições,
como os elementos de prosódia, a paródia, os neologismos (como
em Lusamérica), entre outros, de modo a exaltar a língua também
como seu instrumento de trabalho.
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5. (UNESP) – “Gosto de sentir a minha língua roçar / A língua de Luís
de Camões.” Interprete esses dois versos, atentando para os sentidos
que neles podem assumir os vocábulos língua e roçar.
RESOLUÇÃO:
As palavras língua e roçar foram empregadas de modo ambíguo,
podendo se referir, no caso do substantivo língua, tanto ao idioma
(primeiro sentido possível), quanto ao órgão situado na boca
(segundo sentido) e, no caso do verbo roçar, podendo se referir ao
ato de “desgastar pelo atrito” (primeiro sentido), como também
“tocar de leve, raspar” (segundo sentido). Assim sendo, é possível
afirmar que Caetano Veloso, ao criar essa ambiguidade, imprime
também um tom sensual ao texto, se considerarmos o segundo
sentido dos termos.
6. (UNESP) – A que fato histórico fundamental fazem alusão as
expressões “Flor do Lácio” e “latim em pó”?
RESOLUÇÃO:
O latim, falado na região do Lácio, centrada na cidade de Roma,
estendeu-se por quase toda a Europa ocidental por meio da
expansão do Império Romano, dando origem às diversas línguas
neolatinas, entre elas o português, aqui identificado
metaforicamente como uma das flores do “jardim” do Lácio. A
expressão “latim em pó” refere-se ao mesmo processo de
expansão e consequente transformação do latim.
7. (UNESP) – Explique a razão pela qual a palavra portugais aparece
escrita com letra minúscula e não com maiúscula no verso: “E deixa os
portugais morrerem à míngua”.
RESOLUÇÃO:
O plural retira do substantivo seu sentido próprio, indicando que
o termo se refere não apenas ao país, mas também a seu legado
cultural, seus habitantes, sua língua, seus costumes e sua
literatura.
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Texto para o teste 1.
1. Inscrito na estética romântica da literatura brasileira,
o conto descortina aspectos da realidade nacional
no século XIX ao
a) revelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.
b) apontar a hipocrisia do discurso conservador na defesa da
escravidão.
c) sugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso
material.
d) relacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões
raciais.
e) ironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração
do trabalho.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] O texto descortina aspectos da realidade nacional
do século XIX, revelando que o discurso conservador escravista é
hipócrita, pois não se coaduna com uma sociedade que se diz
religiosa.
Resposta: B
Texto para o teste 2.
2. No trecho do romance naturalista, a forma como o
narrador julga comportamentos e emoções das
personagens femininas revela influência do
pensamento
a) capitalista, marcado pela distribuição funcional do trabalho.
b) liberal, buscando a igualdade entre pessoas escravizadas e livres.
c) científico, considerando o ser humano como um fenômeno
biológico.
d) religioso, fundamentado na fé e na aceitação dos dogmas do
cristianismo.
e) afetivo, manifesto na determinação de acolher familiares e no
respeito mútuo.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] O narrador dos romances naturalistas é influenciado
pelas teorias científicas do final do século XIX. No excerto do
romance Dona Guidinha do Poço, a referência ao “cru instinto da
maternidade, obrando por mera simpatia carnal” evidencia o
cientificismo, o “fenômeno biológico” presente nessa estética.
Resposta: C
A ESCRAVA
— Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos
sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa
sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século,
no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem,
e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no
mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!
Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da
sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício, o Homem Deus, que ali
exalouseu derradeiro alento? Ah! Então não era verdade que seu
sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável
ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a
sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!...
Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e
sempre será, um grande mal. Dela a decadência do comércio;
porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o
escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é
forçado.
(REIS, M. F. Úrsula e Outras Obras.
Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.)
A senhora manifestava-se por atos, por gestos, e sobretudo
por um certo silêncio, que amargava, que esfolava. Porém
desmoralizar escancaradamente o marido, não era com ela. (...) 
As negras receberam ordem para meter no serviço a gente do
tal compadre Silveira: as cunhadas, ao fuso; os cunhados, ao
campo, tratar do gado com os vaqueiros; a mulher e as irmãs, que
se ocupassem da ninhada. Margarida não tivera filhos, e como os
desejasse com a força de suas vontades, tratava sempre bem aos
pequenitos e às mães que os estavam criando. Não era isso uma
sentimentalidade cristã, uma ternura, era o egoísta e cru instinto da
maternidade, obrando por mera simpatia carnal. Quanto ao pai do
lote (referia-se ao Antônio), esse que fosse ajudar ao vaqueiro das
bestas.
Ordens dadas, o Quinquim referendava. Cada um moralizava o
outro, para moralizar-se.
(PAIVA, M. O. Dona Guidinha do Poço.
Rio de Janeiro: Tecnoprint, [s.d.].)
Análise de Texto
Enem: analisar recursos expressivos das linguagens, 
relacionando textos com seus contextos
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Texto para o teste 3.
3. No relato da visita de duas mulheres ricas a uma
vidente no Morro do Castelo, a ironia — um dos
traços mais representativos da narrativa machadiana
— consiste no
a) modo de vestir dos moradores do morro carioca.
b) senso prático em relação às oportunidades de renda.
c) mistério que cerca as clientes de práticas de vidência.
d) misto de singeleza e astúcia dos gestos da personagem.
e) interesse do narrador pelas figuras femininas ambíguas.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] A ironia, uma das características centrais do estilo
machadiano, está, nesse excerto, na junção da singeleza e da
astúcia na mesma personagem. A vidente Bárbara era uma
“criaturinha leve e breve, (...) chinelinha no pé”, mas essa
aparente simplicidade e ingenuidade não eliminam a agudeza da
percepção, isto é, a inteligência para intuir o interior das
interlocutoras, pois os olhos de Bárbara, apesar de “opacos”,
eram “tão compridos e tão agudos que entravam pela gente
abaixo, revolviam o coração e tornavam cá fora, prontos para
nova entrada e outro revolvimento”. Essa ironia do narrador em
relação à ambiguidade do caráter da personagem feminina está
presente também na célebre Capitu, para se citar um exemplo, de
Dom Casmurro.
Resposta: D
Texto para o teste 4.
4.
A passagem registra um momento em que a
expressividade lírica é reforçada pela
a) plasticidade da imagem do rebanho reunido.
b) sugestão da firmeza do sertanejo ao arrear o cavalo.
c) situação de pobreza encontrada nos sertões brasileiros.
d) afetividade demonstrada ao noticiar a morte do cantador.
e) preocupação do vaqueiro em demonstrar sua virilidade.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] A expressividade lírica decorre da maneira pela qual
a morte de tio Firmo é relatada: os versos lançados e não
respondidos pelo velho; as lágrimas contidas de Raimundinho.
Resposta: D 
ESAÚ E JACÓ
Bárbara entrou, enquanto o pai pegou da viola e passou ao
patamar de pedra, à porta da esquerda. Era uma criaturinha leve e
breve, saia bordada, chinelinha no pé. Não se lhe podia negar um
corpo airoso. Os cabelos, apanhados no alto da cabeça por um
pedaço de fita enxovalhada, faziam-lhe um solidéu natural, cuja
borla era suprida por um raminho de arruda. Já vai nisto um pouco
de sacerdotisa. O mistério estava nos olhos. Estes eram opacos,
não sempre nem tanto que não fossem também lúcidos e agudos,
e neste último estado eram igualmente compridos; tão compridos
e tão agudos que entravam pela gente abaixo, revolviam o coração
e tornavam cá fora, prontos para nova entrada e outro revolvimento.
Não te minto dizendo que as duas sentiram tal ou qual fascinação.
Bárbara interrogou-as; Natividade disse ao que vinha e entregou-lhe
os retratos dos filhos e os cabelos cortados, por lhe haverem dito
que bastava.
— Basta, confirmou Bárbara. Os meninos são seus filhos?
— São.
(MACHADO DE ASSIS, J. M. Obra Completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.)
FIRMO, O VAQUEIRO
No dia seguinte, à hora em que saía o gado, estava eu
debruçado à varanda quando vi o cafuzo que preparava o animal
viajeiro:
— Raimundinho, como vai ele?...
De longe apontou a palhoça.
— Sim.
O braço caiu-lhe, olhou-me algum tempo comovido; depois,
saltando para o animal, levou o polegar à boca fazendo estalar a
unha nos dentes: 
— Às quatro da manhã... Atirei um verso e disse, para bulir
com ele: Pega, velho! Não respondeu. Tio Firmo, mesmo velho e
doente, não era homem para deixar um verso no chão... Fui ver,
coitado!... estava morto. E deu de esporas para que eu não lhe
visse as lágrimas.
(NETTO, C. In: MARCHEZAN, L. G. Org. O Conto Regionalista.
São Paulo: Martins Fontes, 2009.)
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Texto para o teste 5.
5. O fragmento de texto faz parte do capítulo VIII,
intitulado “Vei, a Sol”, do livro Macunaíma, de Mário
de Andrade, pertencente à primeira fase do
Modernismo brasileiro. Considerando a linguagem empregada pelo
narrador, é possível identificar
a) resquícios do discurso naturalista usado pelos escritores do século
XIX.
b) ausência de linearidade no tratamento do tempo, recurso comum
ao texto narrativo da primeira fase modernista.
c) referência à fauna como meio de denunciar o primitivismo e o
atraso de algumas regiões do País.
d) descrição preconceituosa dos tipos populares brasileiros,
representados por Macunaíma e Caiuanogue.
e) uso de linguagem coloquial e de temáticas do lendário brasileiro
como meio de valorização da cultura popular nacional.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Na passagem de Macunaíma apresentada, é possível
identificar a assimilação de linguagem coloquial-oral — como em
“pra ver si”, “pro escolhido”, “vá tomar banho” —, assim como a
valorização da cultura popular brasileira, com suas lendas e
figuras da mitologia indígena (Vei) e cabocla.
Resposta: E
Texto para o teste 6.
6. A poesia de Murilo Mendes dialoga com o ideário
poético dos primeiros modernistas. No poema, essa
atitude manifesta-se na
a) releitura irônica de um fato histórico.
b) visão ufanista de um episódio nacional.
c) denúncia implícita de atitudes autoritárias.
d) isenção ideológica do discurso do eu lírico.
e) representação saudosista do regime monárquico.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] A releitura irônica de um fato histórico do Brasil (a
Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889) é
evidente nos versos, seja pelo registro linguístico adotado pelo eu
lírico, seja pelo aspecto caricatural das personalidades de
Marechal Deodoro da Fonseca e do Imperador Dom Pedro II,
sendo o primeiro excessivamente insolente e rude, e o segundo
excessivamente passivo e cortês.
Resposta: A
VEI, A SOL
Ora o pássaro careceu de fazer necessidade, fez e o herói
ficou escorrendo sujeira de urubu. Já era de-madrugadinha e o
tempo estava inteiramente frio. Macunaíma acordou tremendo,
todo lambuzado. Assim mesmo examinou bem a pedra mirim da
ilhota pra ver si não havia alguma cova com dinheiro enterrado. Não
havia não. Nem a correntinha encantada de prata que indica pro
escolhido, tesouro de holandês. Havia só as formigas jaquitaguas
ruivinhas.
Então passou Caiuanogue, a estrela da manhã. Macunaíma já
meio enjoado de tanto viver pediu pra ela que o carregasse pro céu.
Caiuanogue foi se chegando porém o herói fedia muito.— Vá tomar banho! ela fez. E foi-se embora. 
Assim nasceu a expressão “Vá tomar banho!” que os
brasileiros empregam se referindo a certos imigrantes europeus.
(ANDRADE, M. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. 
Rio de Janeiro: Agir, 2008.)
QUINZE DE NOVEMBRO
Deodoro todo nos trinques
Bate na porta de Dão Pedro Segundo.
— Seu imperadô, dê o fora
que nós queremos tomar conta desta bugiganga.
Mande vir os músicos.
O imperador bocejando responde:
— Pois não meus filhos não se vexem
me deixem calçar as chinelas
podem entrar à vontade:
só peço que não me bulam nas obras completas de Victor Hugo.
(MENDES, M. Poesia Completa e Prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.)
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Texto para o teste 7.
7.
A partir da intimação recebida pelo filho de 9 anos, a
autora faz uma reflexão em que transparece a
a) lição de vida comunicada pelo tenente.
b) predisposição materna para se emocionar.
c) atividade política marcante da comunidade.
d) resposta irônica ante o discurso da autoridade.
e) necessidade de revelar seus anseios mais íntimos.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] A autora, ante as explanações do delegado — “a
favela é um ambiente propenso [à violência]” —, indaga-se sobre
a razão pela qual tais explanações não são levadas às autoridades
competentes. Esse questionamento é irônico, pois repõe o
problema da violência no âmbito político.
Resposta: D
10 de maio
Fui na delegacia e falei com o tenente. Que homem amável!
Se eu soubesse que ele era tão amável, eu teria ido na delegacia
na primeira intimação. (...) O tenente interessou-se pela educação
dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso,
que as pessoas têm mais possibilidade de delinquir do que
tornar-se útil à pátria e ao país. Pensei: se ele sabe disto, porque
não faz um relatório e envia para os políticos? O Senhor Jânio
Quadros, o Kubistchek e o Dr. Adhemar de Barros? Agora falar para
mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as
minhas dificuldades.
... O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou
fome. A fome também é professora.
Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas
crianças.
(JESUS, C. M. Quarto de Despejo: diário de uma favelada.
São Paulo: Ática, 2014.)
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As questões de números 1 a 3 tomam por base um poema de Luís
Gama (1830-1882), poeta, jornalista e líder abolicionista brasileiro,
nascido livre e vendido como escravo pelo próprio pai, e um excerto da
narrativa Doze Anos de Escravidão, de Solomon Northup (1808-1863),
homem livre sequestrado em Washington em 1841 e submetido à
escravidão em fazendas da Louisiana, livro que serviu de base ao
roteiro do filme 12 Anos de Escravidão, dirigido por Steve McQueen.
1 – Caliginoso: muito escuro, tenebroso.
2 – Cetro: bastão de comando usado pelos reis.
3 – Bordão: cajado grosso usado como apoio no caminhar.
4 – Potentado: pessoa muito rica e poderosa.
1. (UNESP) – Tanto no poema de Luiz Gama quanto no excerto de
Solomon Northup se verifica uma mesma concepção de morte para os
escravos. Explique essa concepção comum aos dois textos e, a seguir,
transcreva um verso da primeira estrofe do poema e a frase do
primeiro parágrafo do excerto que expressam essa concepção.
RESOLUÇÃO:
A concepção comum aos dois textos é a de que a morte é um
alívio diante dos sofrimentos vividos. No poema de Luiz Gama, o
verso que corresponde a essa concepção é “Dorme o sono feliz da
eternidade”. No excerto de Solomon Northup, essa mesma
concepção encontra-se no trecho “o vislumbre da morte como o
fim de sofrimentos terrenos”.
NO CEMITÉRIO DE S. BENEDITO
Em lúgubre recinto escuro e frio,
Onde reina o silêncio aos mortos dado,
Entre quatro paredes descoradas,
Que o caprichoso luxo não adorna,
5 Jaz da terra coberto humano corpo,
Que escravo sucumbiu, livre nascendo!
Das hórridas cadeias desprendido,
Que só forjam sacrílegos tiranos,
Dorme o sono feliz da eternidade.
10 Não cercam a morada lutuosa
Os salgueiros, os fúnebres ciprestes,
Nem lhe guarda os umbrais da sepultura
Pesada laje de espartano mármore.
Somente levantando um quadro negro
15 Epitáfio se lê, que impõe silêncio!
— Descansam neste lar caliginoso1
O mísero cativo, o desgraçado!...
Aqui não vem rasteira a vil lisonja
Os feitos decantar da tirania,
20 Nem ofuscando a luz da sã verdade
Eleva o crime, perpetua a infâmia.
Aqui não se ergue altar, ou trono d’ouro
Ao torpe mercador de carne humana,
Aqui se curva o filho respeitoso
25 Ante a lousa materna, e o pranto em fio
Cai-lhe dos olhos revelando mudo
A história do passado. Aqui, nas sombras
Da funda escuridão do horror eterno,
Dos braços de uma cruz pende o mistério,
30 Faz-se o cetro2 bordão3, andrajo a túnica,
Mendigo o rei, o potentado4 escravo!
(Primeiras Trovas Burlescas 
e Outros Poemas, 2000)
DOZE ANOS DE ESCRAVIDÃO
Houvera momentos em minha infeliz vida, muitos, em que o
vislumbre da morte como o fim de sofrimentos terrenos — do
túmulo como um local de descanso para um corpo cansado e
alquebrado — tinha sido agradável de imaginar. Mas tal
contemplação desaparece na hora do perigo. Nenhum homem, em
posse de suas forças, consegue ficar imperturbável na presença do
“rei dos horrores”. A vida é cara a qualquer coisa viva; o verme
rastejante lutará por ela. Naquele momento, era cara para mim,
escravizado e tratado tal como eu era.
Sem conseguir livrar a mão dele, novamente o peguei pelo
pescoço e dessa vez com uma empunhadura medonha que logo o
fez afrouxar a mão. Tibeats ficou enfraquecido e desmobilizado.
Seu rosto, que estivera branco de paixão, estava agora preto de
asfixia. Aqueles olhos miúdos de serpente que exalavam tanto
veneno estavam agora cheios de horror — duas órbitas brancas
precipitando-se para fora.
Havia um “demônio à espreita” em meu coração que me
instava a matar o maldito cão naquele instante — a manter a
pressão em seu odioso pescoço até que o sopro de vida se fosse!
Não ousava assassiná-lo, mas não ousava deixá-lo viver. Se eu o
matasse, minha vida teria de pagar pelo crime — se ele vivesse,
apenas minha vida satisfaria sua sede de vingança. Uma voz lá
dentro me dizia para fugir. Ser um andarilho nos pântanos, um
fugitivo e um vagabundo sobre a Terra, era preferível à vida que eu
estava levando.
(Doze Anos de Escravidão, 2014)
MÓDULO 13 Análise de Texto
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2. (UNESP) – No último parágrafo do excerto, explique por que o
raciocínio de Solomon durante a luta contra Tibeats, um de seus
proprietários, corresponde a um dilema.
RESOLUÇÃO:
O dilema reside no fato de que, se matar Tibeats, pagará por esse
crime e, se não o matar, sofrerá a vingança deste: “Se eu o
matasse, minha vida teria de pagar pelo crime — se ele vivesse,
apenas minha vida satisfaria sua sede de vingança.”
3. (UNESP) – O filme 12 Anos de Escravidão, considerado uma
excelente obra de arte cinematográfica pela crítica, tem seu roteiro
baseado na narrativa Doze Anos de Escravidão. Assistindo ao filme e
lendo a narrativa, percebe-se, por exemplo, a ausência no filme de
algumas cenas presentes na narrativa. Esse fato deve ser considerado
uma falha do filme? Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
No filme 12 Anos de Escravidão, baseado no romance de Northup,
fazem-se adaptações necessárias para extrair da narrativa apenas
o mais relevante para condensá-la em uma outra linguagem.
Portanto, não se trata de “falha do filme”, mas da adaptação da
linguagem escrita para a linguagem do cinema, que engloba
recursos como som, luz, cenário etc.
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As questões de números 4 a 6 focalizam um excerto de um comentário de
Fernando Pessoa (1888-1935) e um poema de Olegário Mariano (1889-1958).
1 – Aguarela: aquarela.
2 – Arminho: pele ou pelo do arminho;muito alvo, muito branco, alvura (sentido
figurado).
3 – Gaza: tecido fino, transparente, feito de seda ou de algodão.
4. (UNESP) – No primeiro período do segundo parágrafo, Fernando
Pessoa faz uma afirmação categórica, mas ainda nesse mesmo
parágrafo a atenua. Transcreva o período em que ocorre essa
atenuação e explique a razão apresentada pelo escritor para fazê-la.
RESOLUÇÃO:
Fernando Pessoa atenua a afirmação de que “Todo o estado de
alma é uma paisagem” em “E — mesmo que se não queira
admitir que todo o estado de alma é uma paisagem — pode ao
menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar
por uma paisagem”. A paisagem, portanto, altera-se de acordo
com o estado de alma, isto é, a felicidade estabelece relação com
uma paisagem que indique a alegria, e a tristeza estaria vinculada
à imagem natural indicativa dela.
NOTA PRELIMINAR
1 – Em todo o momento de atividade mental acontece em nós
um duplo fenômeno de percepção: ao mesmo tempo que temos
cons ciên cia dum estado de alma, temos diante de nós,
impressionan do-nos os sentidos que estão virados para o exterior,
uma paisagem qualquer, entendendo por paisagem, para
conveniência de frases, tudo o que forma o mundo exterior num
determinado momento da nossa percepção.
2 – Todo o estado de alma é uma paisagem. Isto é, todo o estado de
alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente
uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa
vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós,
uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E — mesmo que se não
queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem — pode ao
menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por
uma paisagem. Se eu disser “Há sol nos meus pensamentos”, nin guém
compreenderá que os meus pensamentos estão tristes.
3 – Assim tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo o nosso espírito uma paisagem, temos
ao mesmo tempo consciência de duas paisagens. Ora essas
paisagens fundem-se, interpenetram-se, de modo que o nosso
estado de alma, seja ele qual for, sofre um pouco da paisagem que
estamos vendo — num dia de sol uma alma triste não pode estar
tão triste como num dia de chuva — e, também, a paisagem
exterior sofre do nosso estado de alma — é de todos os tempos
dizer-se, sobretudo em verso, coisas como que “na ausência da
amada o sol não brilha”, e outras coisas assim.
(Obra Poética, 1965)
PAISAGEM HOLANDESA
Não me sais da memória. És tu, querida amiga,
Uma imagem que eu vi numa aguarela1 antiga.
Era na Holanda. Um fim de tarde. Um céu lavado.
Frondes abrindo no ar um pálio recortado...
5 Um moinho à beira d’água e imensa e desconforme
A pincelada verde-azul de um barco enorme.
A casaria além... Perto o cais refletindo
Uma barra de sombra entre as águas bulindo...
E, debruçada ao cais, olhando a tarde imensa,
10 Uma rapariguinha olha as águas e pensa...
É loira e triste. Nos seus olhos claros anda
A mesma paz que envolve a paisagem da Holanda.
Paira o silêncio... Uma ave passa, arminho2 e gaza3,
A flor d’água, acenando adeus com o lenço da asa...
15 É a saudade de Alguém que anda extasiado, a esmo,
Com a paisagem da Holanda escondida em si mesmo,
Com aquela rapariga a sofrer e a cismar
Num pôr de sol que dá vontade de chorar...
Ai não ser eu um moinho isolado e tristonho
20 Para viver como na paz de um grande sonho,
A refletir a minha vida singular
Na água dormente, na água azul do teu olhar...
(Toda uma Vida de Poesia, 1957)
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5. (UNESP) – O terceiro verso do poema de Olegário Mariano
apresenta doze sílabas métricas e é constituído por três segmentos
distintos. Transcreva esses três segmentos e, analisando-os um a um,
como se fossem versos independentes, aponte o que há de comum e
o que há de diferente entre eles, sob os pontos de vista do número de
sílabas métricas e das posições dos acentos.
RESOLUÇÃO:
O que há em comum nos três segmentos em que o terceiro verso
pode ser dividido é o fato de todos possuírem quatro sílabas
métricas. Entretanto, diferenciam-se quanto à posição dos
acentos, pois o primeiro segmento apresenta tonicidade na 1.a e
na 4.a sílabas e o segundo e o terceiro segmentos, na 2.a e na 4.a
sílabas:
E / ra / na Ho / lan / da (1.° segmento)
1 2 3 4
Um / fim / de / tar / de (2.° segmento)
1 2 3 4
Um / céu / la / va / do (3.° segmento)
1 2 3 4
6. (UNESP) – Considerando o que teoriza Fernando Pessoa em sua
“Nota Preliminar” sobre paisagem interna e paisagem externa, a que
conclusão se chega sobre o modo como o eu lírico se expressa no
poema “Paisagem Holandesa”?
RESOLUÇÃO:
Fernando Pessoa, no 3.° parágrafo, afirma que “temos ao mesmo
tempo consciência de duas paisagens”, a externa, que no poema
de Olegário Mariano corresponde à paisagem holandesa descrita
na primeira estrofe, e a interna, expressa na segunda estrofe com
a evocação de sentimentos como saudade, sofrimento, tristeza e
solidão.
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Texto para o teste 1.
1.
O discurso da jornalista traz questionamentos sobre
a relação da conquista da skatista com a
a) conciliação do jornalismo com a prática do skate.
b) inserção das mulheres na modalidade skate street.
c) desconstrução da noção do skate como modalidade masculina.
d) vanguarda de ser a atleta mais jovem a subir no pódio olímpico.
e) conquista de medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] Ao abordar a conquista da medalha de prata por
Rayssa Leal, no skate street, e ao indagar certos padrões de
gênero — “menina ganha boneca, mas por que também não fazer
um esporte de aventura?” —, a jornalista promove a
“desconstrução da noção do skate como modalidade masculina”.
Resposta: C
Texto para o teste 2.
2. A história da prática do mountainboard representa
uma das principais marcas das atividades de
aventura, caracterizada pela
a) competitividade entre seus praticantes.
b) atividade com padrões técnicos definidos.
c) modalidade com regras predeterminadas.
d) criatividade para adaptações a novos espaços.
e) necessidade de espaços definidos para a sua realização.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] Os praticantes do mountainboard desenvolveram
equipamentos esportivos para a prática do snowboard quando
não há neve.
Resposta: D
A conquista da medalha de prata por Rayssa Leal, no skate
street nos Jogos Olímpicos, é exemplo da representatividade
feminina no esporte, avalia a âncora do jornal da rede de televisão
da CNN. A apresentadora, que também anda de skate, celebrou a
vitória da brasileira, que entrou para a história como a atleta mais
nova a subir num pódio defendendo o Brasil. “Essa
representatividade do esporte nos Jogos faz pensarmos que não
temos que ficar nos encaixando em nenhum lugar. Posso gostar de
passar notícia e, mesmo assim, gostar de skate, subir montanha,
mergulhar, andar de bike, fazer yoga. Temos que parar de ficar
enquadrando as pessoas dentro das regras. A gente vive num
padrão no qual a menina ganha boneca, mas por que também não
fazer um esporte de aventura? Por que o homem pode se
machucar, cair de joelhos, e a menina tem que estar sempre
lindinha dentro de um padrão? Acabamos limitando os talentos das
pessoas”, afirmou a jornalista, sobre a prática do skate por
mulheres.
(Disponível em: www.cnnbrasil.com.br.
Acesso em: 31 out. 2021. Adaptado.)
Criado há cerca de 20 anos na Califórnia, o mountainboard é
um esporte de aventura que utiliza uma espécie de skate off-road
para realizar manobras similares às das modalidades de
snowboard, surf e do próprio skate. A atividade chegou ao Brasil
em 1997 e hoje possui centenas de praticantes, um circuito
nacional respeitável e mais de uma dezena de pistas espalhadas
pelo país. Segundo consta na história oficial, o mountainboard foi
criado por praticantes de snowboard que sentiam falta de praticar
oesporte nos períodos sem neve. Para isso, eles desenvolveram
um equipamento bem simples: uma prancha semelhante ao
modelo utilizado na neve (menor e um pouco menos flexível), com
dois eixos bem resistentes, alças para encaixar os pés e quatro
pneus com câmaras de ar para regular a velocidade que pode ser
alcançada em diferentes condições. Com essa configuração, o
esporte se mostrou possível em diversos tipos de terreno: grama,
terra, pedras, asfalto e areia. Além desses pisos, também é
possível procurar pelas próprias trilhas para treinar as manobras.
(Disponível em: www.webventure.com.br. 
Acesso em: 19 jun. 2019.)
MÓDULO 14
Análise de Texto
Enem: compreender e usar a linguagem corporal como relevante 
para a própria vida, integradora social e formadora de identidade
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Texto para o teste 3.
3. Ao divulgar a adaptação do jogo para questões
relativas a ações e habilidades de mulheres
notáveis, o texto busca
a) contribuir para a formação cidadã dos jogadores.
b) refutar modelos estereotipados de beleza e elegância.
c) estimular a competitividade entre potenciais compradores.
d) exemplificar estratégias de arrecadação financeira pela internet.
e) desenvolver conhecimentos lúdicos específicos dos tempos atuais.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] O texto apresenta um jogo que destaca os feitos e
as realizações de personalidades femininas, “mulheres notáveis
da história e da atualidade”. Infere-se, assim, que essa prática
lúdica contribui “para a formação cidadã dos jogadores”.
Resposta: A
Texto para o teste 4.
4.
Nesse texto, a violência no futebol está
caracterizada como um(a)
a) problema social localizado numa região do país.
b) desafio para as torcidas organizadas dos clubes.
c) reflexo da precariedade da organização social no país.
d) inadequação de espaço nos estádios para receber o público.
e) consequência da insatisfação dos clubes com a organização dos
jogos.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] A precariedade da organização social fica evidente
nas ações violentas recorrentes envolvendo futebol e que
demonstram a desordem pública incapaz de conter essa escalada.
Resposta: C
É ruivo? Tem olhos azuis? É homem ou mulher? Usa chapéu?
Quem jogou Cara a Cara na infância sabe de cor o roteiro de
perguntas para adivinhar quem é o personagem misterioso do seu
oponente.
Agora, o jogo está prestes a ganhar uma nova versão. A
designer polonesa Zuzia Kozerska-Girard está desenvolvendo uma
variação do Guess Who? (nome do Cara a Cara em inglês), em que
as personalidades do tabuleiro são, na verdade, mulheres notáveis
da história e da atualidade, como a artista Frida Kahlo, a ativista
Malala Yousafzai, a astronauta Valentina Tereshkova e a aviadora
Amelia Earhart. O Who’s She? (“Quem é ela?”, em português)
traz, no total, 28 mulheres que representam diversas profissões,
nacionalidades e idades.
A ideia é que, em vez de perguntar sobre a aparência das
personagens, as questões sejam direcionadas aos feitos delas:
ganhou algum Nobel, fez alguma descoberta? Para cada
personagem há um cartão com fatos divertidos e interessantes
sobre sua vida. Uma campanha entrou no ar com o objetivo de
arrecadar dinheiro para desenvolver o Who’s She?. A meta inicial
era reunir 17 mil dólares. Oito dias antes de a campanha acabar, o
projeto já angariou quase 350 mil dólares.
A chegada do jogo à casa do comprador varia de acordo
com a quantia doada — quanto mais você doou, mais rápido vai
poder jogar.
(Disponível em: www.super.abril.com.br.
Acesso em: 4 dez. 2018. Adaptado.)
Pisoteamento, arrastão, empurra-empurra, agressões,
vandalismo e até furto a um torcedor que estava caído no asfalto
após ter sido atropelado nas imediações do estádio do Maracanã.
As cenas de selvageria tiveram como estopim a invasão de
milhares de torcedores sem ingresso, que furaram o bloqueio
policial e transformaram o estádio em terra de ninguém. Um
reflexo não só do quadro de insegurança que assola o Rio de
Janeiro, mas também de como a violência social se embrenha pelo
esporte mais popular do país. Em 2017, foram registrados 104
episódios de violência no futebol brasileiro, que resultaram em 11
mortes de torcedores. Desde 1995, quando 101 torcedores ficaram
feridos e um morreu durante uma batalha campal no estádio do
Pacaembu, autoridades brasileiras têm focado as ações de
enfrentamento à violência no futebol em grupos uniformizados,
alguns proibidos de frequentar estádios. Porém, a postura
meramente repressiva contra torcidas organizadas é ineficaz em
uma sociedade que registra mais de 61.000 homicídios por ano. “É
impossível dissociar a escalada de violência no futebol do
panorama de desordem pública, social, econômica e política vivida
pelo país”, de acordo com um doutor em sociologia do esporte.
(Disponível em: https://brasil.elpais.com.
Acesso em: 22 jun. 2019. Adaptado.)
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Texto para o teste 5.
5. Com base na pesquisa e em uma visão ampliada de
saúde, para a prática regular de exercícios ter
influência significativa na saúde dos brasileiros, é
necessário o desenvolvimento de estratégias que
a) promovam a melhoria da aptidão da população, dedicando-se mais
tempo aos esportes.
b) combatam o sedentarismo presente em parcela significativa da
população no território nacional.
c) facilitem a adoção da prática de exercícios, com ações relacionadas
à educação e à distribuição de renda.
d) auxiliem na construção de mais instalações esportivas e espaços
adequados para a prática de atividades físicas e esportes.
e) estimulem o incentivo fiscal para a iniciativa privada destinar verbas
aos programas nacionais de promoção da saúde pelo esporte.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] Uma pesquisa, baseada em renda, escolaridade e
práticas esportivas, concluiu que os que possuem maior
escolaridade e renda praticam mais atividades esportivas
regulares. Portanto, faz-se necessário o desenvolvimento de
estratégias que vinculem renda, escolaridade e prática de
exercícios.
Resposta: C
Texto para o teste 6.
6.
O sentido de esporte-participação construído no
texto está fundamentalmente presente 
a) nos Jogos Olímpicos, uma vez que reúnem diversos países na
disputa de diferentes modalidades esportivas. 
b) nas competições de esportes individuais, uma vez que o sucesso
de um indivíduo incentiva a participação dos demais. 
c) nos campeonatos oficiais de futebol, regionais e nacionais, por se
tratar de uma modalidade esportiva muito popular no país. 
d) nas competições promovidas pelas federações e confederações,
cujo objetivo é a formação e a descoberta de talentos. 
e) nas modalidades esportivas adaptadas, cujo objetivo é o maior
engajamento dos cidadãos. 
RESOLUÇÃO:
[ENEM] O esporte-participação é apresentado no texto como uma
modalidade esportiva de inclusão e engajamento através da
atividade lúdica. 
Resposta: E
Seis em cada dez pessoas com 15 anos ou mais não praticam
esporte ou atividade física. São mais de 100 milhões de
sedentários. Esses são dados do estudo Práticas de Esporte e
Atividade Física, da Pnad 2015, realizado pelo IBGE. A falta de
tempo e de interesse são os principais motivos apontados para o
sedentarismo. Paralelamente, 73,3% das pessoas de 15 anos ou
mais afirmaram que o poder público deveria investir em esporte ou
atividades físicas. Observou-se uma relação direta entre
escolaridade e renda na realização de esportes ou atividades
físicas. Enquanto 17,3% das pessoas que não tinham instrução
realizavam diversas práticas corporais, esse percentual chegava a
56,7% das pessoas com superior completo. Entre as pessoas que
têm práticas de esporte e atividade física regulares, o percentual de
praticantes ia de 31,1%, na classe sem rendimento, a 65,2%, na
classe de cinco salários-mínimos ou mais. A falta de tempo foi mais
declarada pela população adulta, com destaque entre as pessoas
de 25 a 39 anos. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o principal
motivo foi não gostarem ou nãoquererem. Já o principal motivo
para praticar esporte, declarado por 11,2 milhões de pessoas, foi
relaxar ou se divertir, seguido de melhorar a qualidade de vida ou o
bem-estar. A falta de instalação esportiva acessível ou nas
proximidades foi um motivo pouco citado, demonstrando que a não
prática estaria menos associada à infraestrutura disponível.
(Disponível em: www.esporte.gov.br.
Acesso em: 9 ago. 2017. Adaptado.)
No esporte-participação ou esporte popular, a manifestação
ocorre no princípio do prazer lúdico, que tem como finalidade o bem-
estar social dos seus praticantes. Está associado intimamente com
o lazer e o tempo livre e ocorre em espaços não comprometidos
com o tempo e fora das obrigações da vida diária. Tem como
propósitos a descontração, a diversão, e desenvolvimento pessoal e
o relacionamento com as pessoas. Pode-se afirmar que o esporte-
participação, por ser a dimensão social do esporte mais inter-
relacionada com os caminhos democráticos, equilibra o quadro de
desigualdades de oportunidades esportivas encontrado na
dimensão esporte-performance. Enquanto o esporte-performance
só permite sucesso aos talentos ou àqueles que tiveram condições,
o esporte-participação favorece o prazer a todos que dele desejarem
tomar parte.
(GODTSFRIEDT, J. Esporte e sua relação com a sociedade:
uma síntese bibliográfica. EFDeportes, n. 142. mar. 2010.)
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Texto para o teste 7.
7. São exemplos de “esportes individuais em interação
com o oponente” e “esportes coletivos em
interação com o oponente”, respectivamente,
a) judô e futebol americano.
b) lançamento de disco e polo aquático.
c) remo e futebol.
d) badminton e nado sincronizado.
e) salto em distância e basquetebol.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] O judô é um esporte em que o indivíduo tem interação
com o oponente, e o futebol americano é uma prática de equipe
em que se busca suplantar o adversário.
Resposta: A 
Os esportes podem ser classificados levando em
consideração critérios como a quantidade de competidores e a
interação com o adversário. Os chamados esportes individuais em
interação com o oponente são aqueles em que os atletas se
enfrentam diretamente, tentando alcançar os objetivos do jogo e
evitando, concomitan temente, que o adversário o faça, porém sem
a colaboração de um companheiro de equipe. Os esportes coletivos
em interação com o oponente são aqueles nos quais os atletas,
colaborando com seus companheiros de equipe, de forma
combinada, enfrentam-se diretamente com a equipe adversária,
tentando atingir os objetivos do jogo, evitando, ao mesmo tempo,
que os adversários o façam. 
(GONZALEZ, F. J. Sistema de classificação de esportes com base nos critérios:
cooperação, interação com o adversário, ambiente, desempenho comparado e
objetivos táticos da ação. EFDeportes, n. 71, abr. 2004.)
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Textos para as questões de 1 a 3. 
1. No texto I, Norma Telles trata da abordagem que Júlia Lopes de
Almeida (1862-1934) realiza sobre os ideais feministas de seu tempo,
propondo uma “leitura” sobre a falência não como um fim, mas como
uma possibilidade de recomeço, sobre novos moldes, afastados da
ideologia burguesa para essas vidas femininas. Faça um comentário
sucinto sobre essa nova situação.
RESOLUÇÃO:
Camila, que era uma mulher burguesa, com a nova situação,
precária economicamente e viúva, pede para ajudar no trabalho.
Nessa cena, em que há só mulheres dependendo de si mesmas,
nota-se a proposta de emancipação socioeconômica da mulher.
2. Para a compreensão dos textos em análise, é preciso ter em
mente que eles lidam com questões em voga na época em que o
romance foi publicado (1901): a emancipação e o adultério femininos.
Tendo em vista o desfecho do romance e o que foi apresentado nos
excertos lidos, nota-se que o campo semântico do título A Falência
incide sobre o
a) econômico e o ideal feminista.
b) patriarcal e a moral.
c) econômico e o patriarcal.
d) religioso e o econômico.
e) ideal feminista e o patricarcal.
RESOLUÇÃO:
O título remete não só à quebra econômica de Francisco Teodoro,
a qual desencadeia o suicídio do mantenedor da família, como
também à derrocada do patriarcalismo nessa família.
Resposta: C
3. Assinale a alternativa cujo trecho apresenta de modo mais evidente
a verbalização da personagem sobre a possibilidade da existência
feminina sem a submissão à moral masculina.
a) “Camila pediu que lhe dessem trabalho.”
b) “Tudo acabou, devo começar vida nova!”
c) “— Mamãe, quer mesmo fazer alguma coisa?!”
d) “sua coragem iluminava-lhe a fronte, uma fronte de homem”.
e) “Ela olhou para todos.”
RESOLUÇÃO:
Em b, há a percepção de Camila sobre o fim de uma fase da vida,
submetida ao patriarcalismo e à dependência econômica, e o
início de uma fase em que o sustento vem do próprio trabalho
dela e das mulheres da casa.
Resposta: B
Texto I
Um tema que aparece em vários de seus livros: a comunidade
de mulheres. A perda do marido/pai, no desfecho do romance
A Falência, publicado em 1901, por exemplo, não é um drama mas
a abertura para novas possibilidades de vida. Expõe a concorrência
comercial e o denominado progresso como subproduto de uma
cultura masculina e financista que criou um mundo onde só o lucro
importa, onde existem desigualdades e injustiças, onde a mulher é
subordinada e ignorante e não está preparada para a vida. Por causa
da falência, as mulheres mudam-se para uma casa afastada, à
margem da cidade e começam um aprendizado de vida, de trabalho
e do cuidado com a autossubsistência. Uma das personagens, até
então em posição subalterna, é que ensina às outras, fazendo da
solidariedade entre elas fator preponderante para construírem uma
vida aprazível e segura. Laços fortes entre mulheres, especialmente
em situações de dificuldade financeira, longe do mundo dos
negócios e do poder, descobrindo a si mesmas, são traços
constantes da obra da autora.
(TELLES, Norma. In: PRIORI, Mary del. Org.; 
PINSKY, Carla Bassanezi. Coord. de texto.
História das Mulheres no Brasil. 10. ed. 
São Paulo: Contexto, 2011. p. 436. Adaptado.)
Texto II
... Debruçada sobre a mesa, Ruth escrevia em papel de pauta,
preparando lições para duas discípulas novas. Toda a sua indolência
antiga se transformara em atividade. Nina cosia à máquina e, no
meio da casa, Noca borrifava a roupa para o engomado. Ela olhou
para todos. Ruth estava feiosa, muito magrinha; mas a sua
coragem iluminava-lhe a fronte, uma fronte de homem, vasta e
pensadora; as outras pareciam até mais bonitas naquele afã.
Estavam na sua atmosfera.
Com voz pausada e clara, Camila pediu que lhe dessem
trabalho. Olharam-na com espanto.
— Mamãe, quer mesmo fazer alguma coisa?!
— Sim, minha filha... Tudo acabou, devo começar vida nova!
(ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: 
Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 295-296.)
MÓDULO 15 Análise de Texto
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Texto para as questões de 4 a 6. 
4. Releia o seguinte diálogo, extraído do excerto acima, entre,
respectivamente, Francisco Teodoro e Dr. Gervásio:
A expressão sublinhada (“das mulheres”) foi interpretada de duas
formas diferentes. Explicite a maneira como cada uma das
personagens, Francisco Teodoro e Dr. Gervásio, a entendeu.
RESOLUÇÃO
Francisco Teodoro utiliza a locução adjetiva “das mulheres” para
determinar o substantivo “honestidade”, indicando que essa
característica, honestidade, tanto pode ser aplicada a homens
quanto a mulheres. Já Dr. Gervásio entende essa locução como
uma expressão diferenciadora, delimitando o tipo de honestidade
a que refere. Assim, para o primeiro só existe um tipo de
honestidade, presente tanto em homens quanto em mulheres;
para o segundo, existem duas — uma masculina, outra feminina.
5. Para tornar sua opinião mais clara e fundamentar sua organizaçãode ideias, Dr. Gervásio utiliza como expediente linguístico
a) uma prosopopeia, por atribuir qualidades humanas a um ser
inanimado (a honestidade).
b) uma alegoria, por elaborar uma sequência de metáforas de mesmo
campo semântico.
c) um paradoxo, por estabelecer uma oposição de pensamentos de
ordem moral.
d) uma sinestesia, por fundir o aspecto físico (cor) ao psicológico
(honestidade).
e) uma hipérbole, por exagerar as expressões.
RESOLUÇÃO
Dr. Gervásio, para discorrer sobre a honestidade, utiliza um
encadeamento de metáforas ligadas ao mesmo universo
semântico, o do vestuário: casaco preto, vestido branco, pano
grosso, cetim sem forro, nódoa, imundície, escovadela, suor,
picadela de alfinete. Esse tipo de sequência conotativa chega a
constituir uma narrativa alegórica.
Resposta: B
— Lá por isso, replicou Catarina, de quantas mulheres se fala na
sociedade e que mal sabem ler?
— De poucas...
— De muitas. Sr. Teodoro, faz favor de me dar o vinho?
— Ora, as senhoras não conhecem o mundo! exclamou
Teodoro, passando a garrafa ao médico, que encheu o copo de
Catarina e disse rindo:
— Elas não conhecerão o mundo e nós, meu amigo, não as
conhecemos a elas! A mulher mais doce e mais honesta, dizem
que dissimula e engana com uma arte capaz de endoidecer o
próprio Mefistófeles.
— Homem, que ideia faz você da honestidade das mulheres!
— Faço ideia de que deve ser bem mais difícil de manter do que
a nossa.
— Bom; eu quando disse honestidade das mulheres, não foi
com o pensamento de que houvesse duas honestidades.
— Pois se tivesse tido tal pensamento, tê-lo-ia com muito
acerto. Há duas.
— Temos outra! Se está de maré, explique-nos a diferença.
— Não estou de maré, mas explicarei: é pequena.
Materializemos as comparações, para as tornarmos bem claras.
Suponhamos, por exemplo, que a nossa honestidade é um casaco
preto e que a das senhoras é um vestido branco. Tudo é roupa, têm
ambos o mesmo destino, mas que aspectos e que
responsabilidades diferentes! 
Assim, o nosso casaco, ora o vestimos de um lado, ora de outro,
disfarçando as nodoazinhas. O pano é grosso, com uma escovadela
voa para longe toda a poeira da imundície; e ficamos decentes. A
honestidade das senhoras é um vestido de cetim branco, sem forro.
Um pouco de suor, se faz calor, macula-o; o simples roçar por uma
parede, à procura da sombra amável, macula-o; uma picadela de
alfinete, que só teve a intenção de segurar uma violeta cheirosa,
toma naquela vasta candidez proporções desagradáveis...
Realmente, deve ser bem difícil saber defender um vestido de cetim
branco que nunca se tire do corpo. Eu não sei como elas fazem, e,
francamente, não me parece que a vida mereça tamanho luxo.
— Você é o homem das divagações; tratava-se de uma questão
positiva. Dizia eu que as mulheres vulgares são mais sérias do que
as outras... pelo menos parecem...
(ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. 
São Paulo: Penguin Classics. Companhia das Letras, 
2019. p. 111-112.) 
— Bom; eu quando disse honestidade das mulheres, não foi
com o pensamento de que houvesse duas honestidades.
— Pois se tivesse tido tal pensamento, tê-lo-ia com muito
acerto. Há duas.
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6. Quando Dr. Gervásio afirma: “Tudo é roupa, têm ambos o mesmo
destino, mas que aspectos e que responsabilidades diferentes!”,
demonstra consciência de que
a) as diferenças de gênero em discussão não são naturais, mas fruto
de atribuições sociais. 
b) o destino humano deve ser entendido como dissociado das
influências do momento histórico. 
c) os papéis assumidos pelo homem e pela mulher na sociedade se
orientam pela essência do ser. 
d) as mulheres que assumem a manutenção do lar e desempenham o
papel do homem não sofrem discriminação.
e) a vestimenta cara eleva moralmente a mulher, enquanto a barata a
rebaixa.
RESOLUÇÃO:
Quando Dr. Gervásio afirma que “tudo é roupa, têm ambos o
mesmo destino”, nota-se que a diferença entre o comportamento
do homem e da mulher provém de um julgamento que leva em
conta a moral da sociedade, e não características biológicas,
naturais. A sociedade patriarcal é tolerante com o homem e rígida
com qualquer atitude da mulher que se afaste do padrão imposto
a ela. 
Resposta: A
Textos para a questão 7.
7. No texto I, capitão Rino mostra-se certo das grandes
transformações que a instauração da República realizaria em nosso
país. O texto de Lilian Schwarcz, sobre os anos do contexto abordado
em A Falência, confirma ou contraria as expectativas de Rino?
Justifique com elementos do texto II.
RESOLUÇÃO:
Segundo o texto de Lilian Schwarcz, os anos que sucederam à
proclamação da República contrariam as expectativas da
personagem Rino e as dos “patriotas de plantão”, como se nota
em: “... não faltaram os patriotas de plantão, os quais viam
apenas com bons olhos essa época que tinha muito de
maquiagem superficial, que prometia um futuro estável onde só
cabiam sonhos passageiros...”.
Texto I
Da cadeira de braços, Francisco Teodoro atirava a sua última
bomba contra a República, lamentando este grande país, tão digno
de melhor sorte...
Rino levantou-se; ele tinha outras opiniões e uma fé sincera nos
destinos da pátria. A alma nova da América só podia agasalhar
sentimentos de liberdade. A monarquia era a poeira da tradição
acumulada com o correr dos séculos, em velhas terras da Europa.
Lá teria a sua razão de ser, talvez; mas não aqui! Concluiu ele.
(ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: 
Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 106.)
Texto II
No Brasil, a atmosfera que no Rio de Janeiro ficou conhecida
como Regeneração parecia corresponder ao surto que ocorria em
outras partes do mundo, além de transmitir a sensação de que o
país vivia em sintonia com a civilização ocidental. Para isso, não
faltaram os patriotas de plantão, os quais viam apenas com bons
olhos essa época que tinha muito de maquiagem superficial, que
prometia um futuro estável onde só cabiam sonhos passageiros. O
suposto vigente era que a República representava a modernidade
recém-chegada ao país, tirando-o da “letargia da monarquia” ou da
“barbárie da escravidão”.
(SCHWARCZ, Lilian. Lima Barreto: triste visionário. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 133.)
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Texto para o teste 1.
1.
Chico Science foi fundamental para a renovação da
música pernambucana, fato que se deu pela
a) utilização de aparelhos musicais eletrônicos em lugar dos
instrumentos tradicionais.
b) ocupação de espaços da natureza local para a produção de eventos
musicais memoráveis.
c) substituição de antigas práticas musicais, como o frevo, por
melodias e harmonias inovadoras.
d) recuperação de composições tradicionais folclóricas e sua
apresentação em grandes festivais.
e) integração de referenciais culturais de diferentes origens, criando
uma nova combinação estética.
RESOLUÇÃO:
[ENEM-2022] A renovação da música pernambucana ocorre em
função dos diferentes referenciais culturais integrados por Chico
Science, conforme exposto em “o maracatu e suas alfaias se
misturaram com as batidas do hip hop, as guitarras do rock,
elementos eletrônicos e o sotaque recifense de Chico Science”.
Resposta: E
Textos para o teste 2.
2.
Ao situar a composição no panorama cultural
brasileiro, o texto II destaca o/a
a) diálogo que a letra da canção estabelece com diferentes tradições
da cultura nacional.
b) singularidade com que o compositor converte referências eruditas
em populares.
c) caráter inovador com que o compositor concebe o processo de
criação artística.
d) relativização que a letra da canção promove na concepção
tradicional de originalidade.
e) o resgate que a letra da canção promove de obras pouco
conhecidas pelo público no país.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] No início do texto II, Arthur Nestrovski deixa claro que
“nada vem do nada”, “nem mesmo para Tom Jobim”. Em
seguida, o autor mostra que a canção deTom Jobim “Águas de
Março” tem estreita intertextualidade com o poema “O Caçador
de Esmeraldas”, de Olavo Bilac, e com um ponto de macumba
gravado por J. B. Carvalho. Observa-se, portanto, que a canção de
Tom Jobim estabelece diálogo “com diferentes tradições da
cultura nacional”, uma erudita (Olavo Bilac), outra popular (ponto
de macumba).
Resposta: A
Texto I
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba-do-campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita pereira
(TOM JOBIM. Águas de Março. O Tom de Jobim e o tal de João Bosco –
disco de bolso. Salvador: Zen Produtora, 1972 – fragmento.)
Texto II
A inspiração súbita e certeira do compositor serve ainda de
exemplo do lema antigo: nada vem do nada. Para ninguém, nem
mesmo para Tom Jobim. Duas fontes são razoavelmente conhecidas.
A primeira é o poema “O Caçador de Esmeraldas”, do mestre
parnasiano Olavo Bilac: “Foi em março, ao findar da chuva, quase à
entrada / do outono, quando a terra em sede requeimada / bebera
longamente as águas da estação (...)”. E a outra é um ponto de
macumba, gravado com sucesso por J. B. Carvalho, do Conjunto Tupi:
“É pau, é pedra, é seixo miúdo, roda a baiana por cima de tudo”.
Combinar Olavo Bilac e macumba já seria bom; mas o que se vê em
“Águas de Março” vai muito além: tudo se transforma numa outra
coisa e numa outra música, que recompõem o mundo para nós.
(NESTROVSKI, A. O Samba mais Bonito do Mundo.
In: Três Canções de Tom Jobim. São Paulo: Cosac Naify, 2004.)
O Recife fervilhava no começo da década de 1990, e os
artistas trabalhavam para resgatar o prestígio da cultura
pernambucana. Era preciso se inspirar, literalmente, nas raízes
sobre as quais a cidade se construiu. Foi aí que, em 1992, com a
publicação de um manifesto escrito pelo músico e jornalista Fred
Zero Quatro, da banda Mundo Livre S/A, nasceu o mangue beat. O
nome vem de “mangue”, vegetação típica da região, e “beat”,
para representar as batidas e as influências musicais que o
movimento abraçaria a partir dali. Era a hora e a vez de os
caranguejos — aos quais os músicos recifenses gostavam de se
comparar — mostrarem as caras: o maracatu e suas alfaias se
misturaram com as batidas do hip hop, as guitarras do rock,
elementos eletrônicos e o sotaque recifense de Chico Science. A
busca pelo novo rendeu uma perspectiva diferente do Brasil ao
olhar para o Recife. A cidade deixou de ser o lugar apenas do frevo
e do carnaval, transformando-se na ebulição musical que continua
a acontecer mesmo após os 25 anos do lançamento do primeiro
disco da Nação Zumbi, Da Lama ao Caos.
(FORCIONI, G. et al. O Mangue Está de Volta.
Revista Esquinas, n. 87, set. 2019. Adaptado.)
MÓDULO 16
Análise de Texto
Enem: analisar recursos expressivos das linguagens, 
relacionando textos com seus contextos
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Texto para o teste 3.
3. O fragmento faz parte de uma canção brasileira
contemporânea e celebra a cultura popular
nordestina. Nele, o artista exalta as diferentes
manifestações culturais por meio da
a) valorização do teatro, música, artesanato, literatura, dança,
personagens históricas e artistas populares, compondo um tecido
diversificado e enriquecedor da cultura popular como patrimônio
regional e nacional.
b) identificação dos lugares pernambucanos, manifestações culturais,
como o bumba meu boi, as cirandas, os bonecos mamulengos e
heróis locais, fazendo com que essa canção se apresente como
uma referência à cultura popular nordestina.
c) exaltação das raízes populares, como a poesia, a literatura de cordel
e o frevo, misturadas ao erudito, como a Orquestra Armorial,
compondo um rico tecido cultural, que transforma o popular em
erudito.
d) caracterização das festas populares como identidade cultural
localizada e como representantes de uma cultura que reflete
valores históricos e sociais próprios da população local.
e) apresentação do Pastoril do Faceta, do maracatu, do bumba meu
boi e dos autos como representação da musicalidade e do teatro
popular religioso, bastante comum ao folclore brasileiro.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] A canção de Lenine e Paulo César Pinheiro contempla
uma parcela do patrimônio regional e nacional que tem origem
nordestina, mas que conquistou o respeito e apreciação
nacionais. Assim, ao lembrar dança, literatura, teatro e
personagens históricas, o autor reconhece o valor, a riqueza de
nossa cultura.
Resposta: A
Texto para o teste 4.
4. A incorporação de um trecho da obra para flauta solo
de Johann Sebastian Bach na música de MC Fioti
demonstra a
a) influência permanente da cultura eurocêntrica nas produções
musicais brasileiras.
b) homenagem aos referenciais estéticos que deram origem às
produções da música popular.
c) necessidade de divulgar a música de concerto nos meios populares
nas periferias das grandes cidades.
d) utilização não intencional de uma música excessivamente distante
da realidade cultural dos jovens brasileiros.
e) inter-relação de elementos culturais vindos de realidades distintas
na construção de uma nova proposta musical.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] MC Fioti, ao utilizar em sua composição um trecho de
uma música do compositor do barroco alemão Johann Sebastian
Bach (1685-1750), exemplifica a possibilidade de elementos
culturais advindos de realidades diversas se conjugarem. No caso
do funkeiro brasileiro, sua música se refere a uma realidade
popular e brasileira; a música de Bach, por sua vez, remete a uma
realidade europeia, marcada pela erudição. A pesquisa de MC
Fioti permitiu o encontro desses dois universos tão distantes.
Resposta: E
Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do boi-bumbá
Sou o boneco de Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da Orquestra Armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra Nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga
E sou do mangue também
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
(LENINE.; PINHEIRO, P. C. Leão do Norte. In: LENINE.; SUZANO, M.
Olho de Peixe. São Paulo: Velas, 1993 – fragmento.)
Leandro Aparecido Ferreira, o MC Fioti, compôs em 2017 a
música “Bum Bum Tam Tam”, que gerou, em nove meses, 480
milhões de visualizações no YouTube. É o funk brasileiro mais
ouvido na história do site.
A partir de uma gravação da flauta que achou na internet, MC
Fioti fez tudo sozinho: compôs, cantou e produziu em uma noite só.
“Comecei a pesquisar alguns tipos de flauta, coisas antigas. E
nisso eu achei a ‘flautinha do Sebastian Bach’”, conta. A
descoberta foi por acaso: Fioti não sabia quem era o músico
alemão e não sabe tocar o instrumento.
A “flauta envolvente” da música é um trecho da “Partita em Lá
Menor”, escrita pelo alemão Johann Sebastian Bach por volta de
1723.
(Disponível em: https://gl.globo.com.
Acesso em: 6 jun. 2018 – adaptado.)
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Texto para o teste 5.
5. O rock personifica o paradoxo da cultura de massas
(pós-moderna), visto que seu alcance e influência
globais, combinados com sua tolerância, criam uma
a) subversão ao sistema cultural vigente.
b) identificação de pluralidade de estilos e mídias.
c) homogeneização dos ritmos nas novas criações.
d) desvinculação identitária nos hábitos de escuta.
e) formação de confluência de métodos e pensamento.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Segundo o texto, a cultura do rock serve aos propósitos
do sistema atual, pois, devido a sua “vendabilidade elástica”,
pode ter seus símbolos culturais reconstruídos e moldados pelas
novas tecnologias. Desse processo, resulta a utilização dos
elementos da cultura “roqueira” de formasvariadas, como em
memes, gifs, camisetas com o símbolo da banda (mas sem seu
nome) e outros.
Resposta: B
Texto para o teste 6.
6.
A apresentação da banda Atomic Tom revela 
a) alternativas inusitadas para enfrentar a difícil aquisição de
instrumentos musicais tradicionais.
b) formas descartáveis de produção musical ligadas à efemeridade da
sociedade atual.
c) maneiras inovadoras de ouvir música por meio de aparelhos
eletrônicos portáteis.
d) possibilidades de fazer música decorrentes dos avanços
tecnológicos.
e) soluções originais de levar a cultura musical para os meios de
transporte.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] A banda Atomic Tom usou telefones celulares, em vez de
instrumentos musicais, para um show num vagão de metrô,
demonstrando que há “possibilidades de fazer música
decorrentes dos avanços tecnológicos”.
Resposta: D
Ao lado da indústria da moda, a do rock é o melhor exemplo
da vendabilidade elástica do passado cultural, com suas reciclagens
regulares de sua própria história na forma de retomadas e
releituras, retornos e versões cover. Nos últimos anos, o
desenvolvimento de novas tecnologias acelerou e, de certa
maneira, democratizou esse processo a ponto de permitir que as
evidências culturais do rock sejam fisicamente desmanteladas e
remontadas como pastiche e colagem, com mais rapidez e falta de
controle do que em qualquer época.
(CONNOR, S. Cultura Pós-Moderna: introdução
às teorias do contemporâneo. São Paulo: Loyola, 1989.)
Durante cinco minutos, a banda norte-americana Atomic Tom
deixou de lado microfones, guitarras, baixo e bateria. Mas eles não
fizeram um show acústico como pode parecer. Eles utilizaram
quatro aparelhos de telefone celular, cada um substituindo um
instrumento, por meio de quatro aplicativos diferentes: Shred,
Drum Meister, Pocket Guitar e Microphone.
Os quatro membros da banda embarcaram no metrô de Nova
Iorque, ligaram seus celulares e começaram a tocar a música Take
me Out sem nenhum tipo de anúncio, filmando a apresentação
com outros aparelhos de telefone. O vídeo resultante foi sucesso
no YouTube com mais de 2 milhões de visualizações.
(Disponível em: www.tecmundo.com.br. 
Acesso em: 6 jun. 2018 – adaptado.)
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Texto para o teste 7.
7. A frase “Quando John Cage abre a porta da sala de
concerto e encoraja os ruídos da rua a atravessar
suas composições”, na proposta de Schafer de
formular uma nova conceituação de música, representa a 
a) acessibilidade à sala de concerto como metáfora, num momento
em que a arte deixou de ser elitizada. 
b) abertura da sala de concerto, que permitiu que a música fosse
ouvida do lado de fora do teatro. 
c) postura inversa à música moderna, que desejava se enquadrar em
uma concepção conformista. 
d) intenção do compositor de que os sons extramusicais sejam parte
integrante da música. 
e) necessidade do artista contemporâneo de atrair maior público para
o teatro. 
RESOLUÇÃO:
[ENEM] A abertura da porta da sala de concerto, ao permitir a
entrada de ruídos da rua, representa a integração de sons
extramusicais à música.
Resposta: D
Texto para o teste 8.
8. Entre as manifestações da cultura hip hop
apontadas no texto, o break se caracteriza como um
tipo de dança que representa aspectos
contemporâneos por meio de movimentos 
a) retilíneos, como crítica aos indivíduos alienados. 
b) improvisados, como expressão da dinâmica da vida urbana. 
c) suaves, como sinônimo da rotina dos espaços públicos. 
d) ritmados pela sola dos sapatos, como símbolo de protesto. 
e) cadenciados, como contestação às rápidas mudanças culturais. 
RESOLUÇÃO: 
[ENEM] A cultura hip hop mistura linguagens, dentre elas, a dança
de rua, em que há movimentos improvisados, em que os
dançarinos fazem uma espécie de “batalha”, em que vence o mais
criativo.
Resposta: B
Era um dos meus primeiros dias na sala de música. A fim de
descobrirmos o que deveríamos estar fazendo ali, propus à classe
um problema. Inocentemente perguntei: — O que é música? 
Passamos dois dias inteiros tateando em busca de uma
definição. Descobrimos que tínhamos de rejeitar todas as
definições costumeiras porque elas não eram suficiente mente
abrangentes. 
O simples fato é que, à medida que a crescente margem a
que chamamos de vanguarda continua suas explorações pelas
fronteiras do som, qualquer definição se torna difícil. Quando John
Cage abre a porta da sala de concerto e encoraja os ruídos da rua a
atravessar suas composições, ele ventila a arte da música com
conceitos novos e aparentemente sem forma.
(SCHAFER, R. M. O Ouvido Pensante. 
São Paulo: Unesp, 1991 – adaptado.)
O rap, palavra formada pelas iniciais de rhythm and poetry
(ritmo e poesia), junto com as linguagens da dança (o break
dancing) e das artes plásticas (o grafite), seria difundido, para além
dos guetos, com o nome de cultura hip hop. O break dancing surge
como uma dança de rua. O grafite nasce de assinaturas inscritas
pelos jovens com sprays nos muros, trens e estações de metrô de
Nova York. As linguagens do rap, do break dancing e do grafite se
tornaram os pilares da cultura hip hop. 
(DAYRELL, J. A Música Entra em Cena: o rap e o funk na 
socialização da juventude. Belo Horizonte: UFMG, 2005 – adaptado.)
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Texto para o teste 1.
1. (modificado) – Na década de 1960, a proposição de
Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um
movimento social que teve como marca a/o
a) ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.
b) pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de
trabalho.
c) organização de protestos públicos para garantir a igualdade de
gênero.
d) oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos
homoafetivos.
e) estabelecimento de políticas governamentais para promover ações
afirmativas.
RESOLUÇÃO:
[ENEM] Simone de Beauvoir foi escritora e ativista feminista.
Preocupou-se, sobretudo, em desnaturalizar o conceito de
feminino, defendendo tratar-se de uma construção social num
contexto de dominação do gênero masculino.
Resposta: C
Texto para as questões de 2 a 7.
(...) O que significa, aqui, dizer que a existência precede a
essência? Significa que, em primeira instância, o homem existe,
encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se
define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é
passível de uma definição porque, de início, não é nada: só
posteriormente será alguma coisa e será aquilo que fizer de si
mesmo. Assim não existe natureza humana, já que não existe um
Deus para concebê-la. O homem é tão somente não apenas como
ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se
concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso
para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz
de si mesmo: esse é o primeiro princípio do existencialismo. É
também a isso que chamamos subjetividade: a subjetividade de
que nos acusam. Porém, nada mais queremos dizer senão que a
dignidade do homem é maior do que a da pedra ou a da mesa. Pois
queremos dizer que o homem, antes de mais nada, existe, ou seja,
o homem é, antes de mais nada, aquilo que se projeta num futuro,
e que tem consciência de estar se projetando no futuro. De início,
o homem é um projeto que se vive a si mesmo subjetivamente ao
invés de musgo, podridão ou couve-flor; nada existe antes desse
projeto; não há inteligibilidade no céu, e o homem será apenas o
que ele projetou ser. Não o que ele quis ser, pois entendemos
vulgarmente o querer como uma decisão consciente que, para
quase todos nós, é posterior àquilo que fizemos de nós mesmos.
Eu quero aderir a um partido, escrever um livro, casar-me, tudo isso
são manifestações de uma escolha mais original, mais espontânea
do que aquilo a que chamamos vontade. Porém, se realmente a
existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é.
Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo
homem naposse do que ele é e de submetê-lo à responsabilidade
total de sua existência. Assim, quando dizemos que o homem é
responsável por si mesmo, não queremos dizer que o homem é
apenas responsável pela sua estrita individualidade, mas que ele é
responsável por todos os homens. A palavra subjetivismo tem dois
significados, e os nossos adversários se aproveitam desse duplo
sentido. Subjetivismo significa, por um lado, escolha do sujeito
individual por si próprio e, por outro lado, impossibilidade em que o
homem se encontra de transpor os limites da subjetividade
humana. É esse segundo significado que constitui o sentido
profundo do existencialismo. Ao afirmarmos que o homem se
escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se
escolhe, mas queremos dizer também que, escolhendo-se, se
escolhem todos os homens. De fato, não há um único de nossos
atos que, criando o homem que queremos ser, não esteja criando,
simultaneamente, uma imagem do homem tal como julgamos que
ele deva ser. Escolher ser isto ou aquilo é afirmar,
concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois
nunca podemos escolher o mal; o que escolhemos é sempre o
bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. Se, por
outro lado, a existência precede a essência, e se nós queremos
existir ao mesmo tempo que moldamos nossa imagem, essa
imagem é válida para todos e para toda a nossa época. Portanto, a
nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, 
Ninguém nasce mulher; torna-se mulher. Nenhum destino
biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana
assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que
elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que
qualificam o feminino.
(BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo [obra publicada em 1949].
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.)
MÓDULO 17 Análise de Texto
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2. Segundo o texto, qual é o primeiro princípio do existencialismo?
RESOLUÇÃO:
Para o existencialismo, “o homem nada mais é do que aquilo que
ele faz de si mesmo”, isto é, o homem é concebido como “aquilo
que se projeta para o futuro, e que tem consciência de estar se
projetando para o futuro”.
3. Para o existencialismo, o homem é passível de uma definição
baseada na essência?
RESOLUÇÃO:
Não, pois, para o existencialismo, a existência precede a essência,
o que implica dizer que primeiramente o homem existe e “só
posteriormente se define”. Assim, o homem não é passível de
uma definição metafísica, uma vez que não há a noção de
natureza humana; de início o homem não é nada, ele só se
concebe após a existência para a configuração do modo como ele
se quer.
4. Que significado o termo subjetividade assume para o
existencialismo? E de que modo essa definição corrobora o
engajamento proposto pelo existencialismo?
RESOLUÇÃO:
A noção de subjetividade corrobora a noção de engajamento da
filosofia existencialista, considerando-se que o homem, segundo
Sartre, ao escolher para si mesmo, o faz a partir de valores que
dialogam com todos, com o mundo que está fora do sujeito.
Assim, toda escolha individual vai além dos limites pessoais.
5. Por que a responsabilidade do existencialista se relaciona com a
humanidade inteira?
RESOLUÇÃO:
Porque todo ato ou escolha individual confere ao homem uma
responsabilidade capaz de “engajar a humanidade inteira”. O que
torna o homem responsável não só por si mesmo, mas também
por todos.
pois ela se engaja à humanidade inteira. (...) Sou, desse modo,
responsável por mim mesmo e por todos e crio determinada
imagem do homem por mim mesmo escolhido; por outras
palavras: escolhendo-me, escolho o homem.
(SARTRE, J-P. O Existencialismo é um Humanismo.
Coleção Os Pensadores. Trad. Rita Correia Guedes.
São Paulo: Abril Cultural, 1984. p. 6.)
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6. Explique o sentido do aforismo existencialista “o inferno são os
outros”, de autoria de Jean-Paul Sartre.
RESOLUÇÃO:
Depreende-se dessa máxima que as nossas opções existenciais
são sempre julgadas pela opinião da ideologia dominante na
sociedade. Assim, uma atitude existencial que destoe do senso
comum é abominada, como se fosse a condenação para o inferno.
Leia o texto de Zygmunt Bauman, filósofo que discorre sobre a
pós-modernidade, e responda ao que se pede:
7. Esse excerto de Bauman revela a definição do ser como ocorre com
a filosofia de Sartre e demais existencialistas?
RESOLUÇÃO:
Nesse excerto, não se constata a definição do ser como propõem
os existencialistas. No mundo pós-moderno, a multiplicidade e a
velocidade na mudança de valores provocam a liquefação de
posturas e ideologias. Há a distopia que aniquila a integridade do
ser.
Texto para as questões 8 e 9. 
8. Qual o significado, no contexto do poema, da palavra ateu?
RESOLUÇÃO:
Significa “descrente”.
9. É possível dizer que o eu lírico está numa crise existencial?
Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
Sim, é flagrante a crise existencial do eu lírico, que concebe,
contra a vontade dele, sensações que vão aniquilando sua
individualidade. Essa desconstrução da personalidade é
sintetizada em versos como “Nem nunca, propriamente, reparei /
Se na verdade sinto o que sinto. Eu / Serei tal qual pareço em
mim? Serei / Tal qual me julgo verdadeiramente / (...) / Nem sei
bem se sou eu quem em mim se sente”. 
Hoje, os padrões e configurações não são mais “dados”, e
menos ainda “autoevidentes”; eles são muitos, chocando-se entre
si e contradizendo-se em seus comandos conflitantes, de tal forma
que todos e cada um foram desprovidos de boa parte de seus
poderes de coercitivamente compelir e restringir (...). Chegou a vez
da liquefação dos padrões de dependência e interação. Eles agora
são maleáveis a um ponto que as gerações passadas não
experimentaram e nem poderiam imaginar; mas, como todos os
fluidos, eles não mantêm a forma por muito tempo.
(Modernidade Líquida)
Quando olho para mim, não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir, 
Que me extravio às vezes ao sair 
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente, reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim se sente.
(Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa)
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Leitura complementar
Nos Exe rc í c i os P ropos tos , você l eu um t recho de
O Existencialismo é um Humanismo (1945), conferência do
filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). A
seguir, você lerá mais alguns parágrafos desse texto, sequência do
trecho apresentado nos exercícios:
Tudo isso permite-nos compreender o que subjaz a palavras
um tanto grandiloquentes como angústia, desamparo, desespero.
Como vocês poderão constatar, é extremamente simples. Em
primeiro lugar, como devemos entender a angústia? O
existencialista declara frequentemente que o homem é angústia.
Tal armação significa o seguinte: o homem que se engaja1 e que
se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas
também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo
e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de
sua total e profunda responsabilidade. É fato que muitas pessoas
não sentem ansiedade, porém nós estamos convictos de que
estas pessoas mascaram a ansiedade perante si mesmas, evitam
encará-la; certamente muitos pensam que, ao agir, estão apenas
engajando a si próprios e, quando se lhes pergunta: mas se todos
fizessem o mesmo?, eles encolhem os ombros e respondem:
nem todos fazem o mesmo. Porém, na verdade, devemos sempre
perguntar-nos: o que aconteceria se todo mundo fizessecomo
nós? E não podemos escapar a essa pergunta inquietante a não
ser através de uma espécie de má-fé. Aquele que mente e que se
desculpa dizendo: nem todo mundo faz o mesmo, é alguém que
não está em paz com sua consciência, pois o fato de mentir
implica um valor universal atribuído à mentira. Mesmo quando ela
se disfarça, a angústia aparece. É esse tipo de angústia que
Kierkegaard2 chamava de angústia de Abraão. Todos conhecem a
história: um anjo ordena a Abraão que sacrifique seu filho. Está
tudo certo se foi realmente um anjo que veio e disse: tu és Abraão
e sacrificarás teu filho. Porém, para começar, cada qual pode
perguntar-se: será que era verdadeiramente um anjo? Ou: será
que sou mesmo Abraão? Que provas tenho? Havia uma louca que
tinha alucinações: falavam-lhe pelo telefone dando-lhe ordens. O
médico pergunta: “Mas afinal, quem fala com você?” Ela
responde: “Ele diz que é Deus”. Que provas tinha ela que, de fato,
era Deus? Se um anjo aparece, como saberei que é um anjo? E se
escuto vozes, o que me prova que elas vêm do céu e não do
inferno, ou do subconsciente ou de um estado patológico? O que
prova que elas se dirigem a mim? Quem pode provar-me que fui
eu, efetivamente, o escolhido para impor a minha concepção do
homem e a minha própria escolha à humanidade? Não encontrei
jamais prova alguma, nenhum sinal que possa convencer-me. Se
uma voz se dirige a mim, sou sempre eu mesmo que terei de
decidir que essa voz é a voz do anjo; se considero que
determinada ação é boa, sou eu mesmo que escolho afirmar que
ela é boa e não má. Nada me designa para ser Abraão, e, no
entanto, sou a cada instante obrigado a realizar atos exemplares.
Tudo se passa como se a humanidade inteira estivesse de olhos
fixos em cada homem e se regrasse por suas ações. E cada
homem deve perguntar a si próprio: sou eu, realmente, aquele
que tem o direito de agir de tal forma que os meus atos sirvam de
norma para toda a humanidade? E, se ele não fizer a si mesmo
esta pergunta, é porque estará mascarando sua angústia. Não se
trata de uma angústia que conduz ao quietismo, à inação. Trata-se
de uma angústia simples, que todos aqueles que um dia tiveram
responsabilidades conhecem bem. Quando, por exemplo, um
chefe militar assume a responsabilidade de uma ofensiva e envia
para a morte certo número de homens, ele escolhe fazê-lo, e, no
fundo, escolhe sozinho. Certamente, algumas ordens vêm de
cima, porém são abertas demais e exigem uma interpretação: é
dessa interpretação — responsabilidade sua — que depende a
vida de dez, catorze ou vinte homens. Não é possível que não
exista certa angústia na decisão tomada. Todos os chefes
conhecem essa angústia. Mas isso não os impede de agir, muito
pelo contrário: é a própria angústia que constitui a condição de sua
ação, pois ela pressupõe que eles encarem a pluralidade dos
possíveis e que, ao escolher um caminho, eles se deem conta de
que ele não tem nenhum valor a não ser o de ter sido escolhido.
Veremos que esse tipo de angústia — a que o existencialismo
descreve — se explica também por uma responsabilidade direta
para com os outros homens engajados pela escolha. Não se trata
de uma cortina entreposta entre nós e a ação, mas parte
constitutiva da própria ação.
Quando falamos de desamparo, (...) queremos simplesmente
dizer que Deus não existe e que é necessário levar esse fato às
últimas consequências. O existencialista opõe-se frontalmente a
certo tipo de moral laica que gostaria de eliminar Deus com o mínimo
de danos possível. (...) O existencialista (...) pensa que é
extremamente incômodo que Deus não exista, pois, junto com ele,
desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num
céu inteligível; não pode mais existir nenhum bem a priori3, já que
não existe uma consciência infinita e perfeita para pensá-lo; não está
escrito em nenhum lugar que o bem existe, que devemos ser
honestos, que não devemos mentir, já que nos colocamos
precisamente num plano em que só existem homens. Dostoiévski
escreveu: “Se Deus não existisse, tudo seria permitido”. Eis o ponto
de partida do existencialismo. De fato, tudo é permitido se Deus não
existe, e, por conseguinte, o homem está desamparado porque não
encontra nele próprio nem fora dele nada a que se agarrar. Para
começar, não encontra desculpas. (...)
(SARTRE, J-P. O Existencialismo é um Humanismo.
Coleção Os Pensadores. Trad. Rita Correia Guedes.
São Paulo: Abril Cultural, 1984.)
1 – Engajar: comprometer-se com um ideal. (nota nossa)
2 – Søren Aabye Kierkegaard (1813-1855): filósofo, teólogo, poeta e crítico
social dinamarquês, considerado o primeiro filósofo existencialista. (nota
nossa)
3 – A priori (latim): pressuposto; conhecimento independente da experiência.
(nota nossa)
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Para responder aos testes de 1 a 5, leia o trecho do livro Casa-Grande
& Senzala, de Gilberto Freire:
1. (UNIFESP) – De acordo com o texto, os ladrões da época evitavam
praticar furtos
a) devido à violência dos senhores de engenho.
b) por respeito aos mortos.
c) devido às crenças religiosas.
d) em razão do rigor da justiça.
e) por medo de assombrações.
RESOLUÇÃO:
Os ladrões, devido ao respeito à religiosidade, raramente
furtavam peças sagradas nas igrejas.
Resposta: C
Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela,
escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria.
Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi
também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos
tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se
joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas,
enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à
baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos
e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos,
raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É
verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São
Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que
“negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos
tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.
Por segurança e precaução contra os corsários, contra os
excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos
indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos
exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o
ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes
motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas
com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos
que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos
batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de
engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo
padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando
lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de
que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que
compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para
guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e
acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do
depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores
para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos:
“Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”
Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente.
Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de
Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para
ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em
algum desvão de parede. (…) Em várias casas-grandes da Bahia,
de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou
escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou
Pires de Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de
parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-
grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos,
justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou
dentro de casa, à reveliadas autoridades. Conta-se que o
visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou
enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua
justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-
grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses
patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha
relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo
irmão mais velho.
(Silviano Santiago, coord., Intérpretes do Brasil )
MÓDULO 18 Análise de Texto
DOIS SOCIÓLOGOS DO MODERNISMO
Na década de 30 do século XX, mais moderna que modernista, a consideração dos fatores sociais e culturais iria assumir o devido lugar
como o advento das pesquisas antropológicas sistemáticas: Gilberto Freire (Casa-Grande & Senzala, publicado em 1933) e Sérgio Buarque de
Holanda (Raízes do Brasil, publicado em 1936). Persistiria, no entanto, o interesse em detectar as qualidades e os defeitos do homem brasileiro,
ou seja, o caráter nacional, noção cheia de ciladas enquanto projeta estereótipos e os maneja com os instrumentos de uma enferrujada
“psicologia dos povos”.
(Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira)
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2. (UNIFESP) – “Noutras casas-grandes só se têm desencavado do
chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados
enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades.” (3.º
parágrafo) Conclui-se da leitura desse trecho que, em relação às
autoridades, os senhores de engenho assumiam um comportamento
a) transgressor. 
b) vingativo. 
c) submisso.
d) isento. 
e) respeitoso.
RESOLUÇÃO:
Os senhores de engenho não respeitavam a lei, matavam os
escravos e os enterravam na casa-grande, numa clara atitude de
desobediência às autoridades.
Resposta: A
3. (UNIFESP) – “Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente
ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um
roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto,
ponderável para a época, de que ‘negro não devia ter luxo’.” (1.º
parágrafo) Em relação à frase anterior, a frase sublinhada constitui uma
a) condição. 
b) ratificação. 
c) conclusão.
d) redundância. 
e) ressalva.
RESOLUÇÃO:
A frase sublinhada faz uma ressalva ao período anterior, o qual
afirma serem raros os roubos em lugares religiosos, porém um
desses furtos incomuns ocorreu em uma estátua de São Benedito
sob o pretexto de que “negro não devia ter luxo”.
Resposta: E
4. (UNIFESP) – Em “Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-
grandes, que mandavam matar os próprios filhos.” (3.o parágrafo), a
conjunção que poderia unir as duas frases, sem alteração de sentido, é
a) como. 
b) mas. 
c) embora.
d) se. 
e) pois.
RESOLUÇÃO:
A conjunção coordenativa sindética pois une com correção as
duas orações, já que estabelece o sentido de explicação que
justifica o que “não é de admirar”.
Resposta: E
5. (UNIFESP) – A expressão do texto cujo sentido está corretamente
indicado é:
a) “ponderável para a época” (1.o parágrafo) → desprezível para o
tempo.
b) “tempos piedosos” (1.o parágrafo) → época fervorosa.
c) “excessos demagógicos” (2.o parágrafo) → desmando político.
d) “tendências comunistas” (2.o parágrafo) → incitação pública.
e) “zelos exagerados” (2.o parágrafo) → aflições excessivas.
RESOLUÇÃO:
O substantivo tempos é usado como sinônimo de época, e
piedoso, segundo o dicionário Houaiss, é “aquele que tem
devoção, amor pelas coisas religiosas”, ou seja, fervoroso.
Resposta: B
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Para responder aos testes de 6 a 9, leia o trecho do livro O Homem
Cordial, de Sérgio Buarque de Holanda:
1 – Cordial: em que há boa vontade ou convergência de pontos de vista, que
revela disposição favorável em relação a outrem (Houaiss).
2 – Lhaneza: afabilidade.
6. (UNIFESP) – De acordo com o autor,
a) a lhaneza no trato, a hospitalidade e a generosidade são traços
constitutivos da civilidade do brasileiro.
b) a polidez constitui uma espécie de máscara com a qual os
brasileiros continuamente se defendem da sociedade.
c) a polidez observada no convívio social entre brasileiros chega quase
a se confundir com a veneração religiosa.
d) a lhaneza no trato, a hospitalidade e a generosidade constituem
quase mandamentos impostos pela sociedade brasileira.
e) a polidez constitui uma qualidade íntima dos brasileiros a se
manifestar continuamente no convívio social.
RESOLUÇÃO:
Comportamento polido é um tipo de mímica defensiva,
proposital, de atitudes que são “espontâneas no homem cordial”,
o brasileiro. O texto reitera essa postura de proteção em: “Além
disso, a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a
sociedade”. Em a, a palavra “civilidade” invalida a alternativa; em c,
a chamada polidez do homem cordial não se confunde com
veneração religiosa; em d, não há a imposição dessas
características pela sociedade brasileira; em e, a polidez não é
uma característica íntima do brasileiro.
Resposta: B
7. (UNIFESP) – Aproxima-se do argumento exposto no último
parágrafo do texto a seguinte citação do filósofo Friedrich Nietzsche:
a) “O amor a um único ser é uma barbaridade: pois é praticado às
expensas de todos os outros.”
b) “Não há no mundo amor e bondade bastantes para que ainda
possamos dá-los a seres imaginários.”
c) “Vosso mau amor por vós mesmos vos faz do isolamento um
cativeiro.”
d) “O amor perdoa ao ser amado até o desejo.”
e) “O medo promoveu mais a compreensão geral dos homens que o
amor.”
RESOLUÇÃO:
No último parágrafo, o autor afirma que o “homem cordial” sente
“pavor” de “viver consigo mesmo”. Tal constatação encontra
respaldo na citação de Nietzsche.
Resposta: C
Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira
para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o
“homem cordial1”. A lhaneza2 no trato, a hospitalidade, a
generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos
visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter
brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e
fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano,
informados no meio rural e patriarcal. Seria engano supor que essas
virtudes possam significar “boas maneiras”, civilidade. São antes
de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente
rico e transbordante. Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo
— ela pode exprimir-se em mandamentos e em sentenças. Entre
os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os aspectos
mais ordinários do convívio social, chega a ponto de confundir-se,
por vezes, com a reverência religiosa. Já houve quem notasse este
fato significativo, de que as formas exteriores de veneração à
divindade, no cerimonial xintoísta, não diferem essencialmente das
maneiras sociais de demonstrar respeito.
Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida
do que o brasileiro. Nossa forma ordinária de convívio social é, no
fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na
aparência — e isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir
precisamente em uma espécie de mímica deliberada de
manifestações que são espontâneas no “homem cordial”: é a
forma natural e viva que se converteu em fórmula. Além disso, a
polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade.
Detém-se na parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo
mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência. Equivale
a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua
sensibilidade e suas emoções.
Por meio de semelhante padronização das formas exteriores da
cordialidade, que não precisam ser legítimas para se manifestarem,
revela-se um decisivo triunfo do espírito sobre a vida. Armado
dessa máscara, o indivíduo consegue manter sua supremacia ante
o social. E, efetivamente, a polidez implica uma presença contínua
e soberana do indivíduo.
No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo,uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo
mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias
da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz
o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no
brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais
importa. Ela é antes um viver nos outros.
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8. (UNIFESP) – Dentre os seguintes termos empregados no primeiro
parágrafo, considerados no contexto, o que tem sentido mais
genérico é:
a) veneração.
b) lhaneza.
c) polidez.
d) civilidade.
e) caráter.
RESOLUÇÃO:
O “caráter” do brasileiro transita nas várias especificações que lhe
dá o autor, esse vocábulo, portanto, é o que apresenta sentido
mais genérico; em a, “veneração” é sinônimo de “admiração,
reverência, consideração”; em b, “lhaneza” significa “afabilidade,
despojamento”; em c, “polidez” tem sentido de “amabilidade,
educação, cortesia”; em d, “civilidade” significa “gentileza,
afabilidade, amabilidade”.
Resposta: E
9. (UNIFESP) – Está empregado em sentido figurado o termo
sublinhado em:
a) “Detém-se na parte exterior, epidérmica do indivíduo, podendo
mesmo servir, quando necessário, de peça de resistência.” (2.°
parágrafo)
b) “Entre os japoneses, onde, como se sabe, a polidez envolve os
aspectos mais ordinários do convívio social (...).” (1.° parágrafo)
c) “São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo
extremamente rico e transbordante.” (1.° parágrafo)
d) “Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do
que o brasileiro.” (2.° parágrafo)
e) “Na civilidade há qualquer coisa de coercitivo — ela pode exprimir-se
em mandamentos e em sentenças.” (1.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
“Epidérmica”, em sentido literal, significa “referente à camada
superficial da pele”; em sentido figurado, como empregado no
texto, conota “superficialidade, que não vai além das aparências”.
Resposta: A
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FRENTE 4Morfologia e Redação
MÓDULO 11 Estrutura e processos de formação de palavras (I)
1. ESTRUTURA DOS VOCÁ BU LOS 
E PROCESSOS DE FOR MAÇÃO
a) Radical: CANT-ar, VEND-er, PART-ir, ALUN-o.
b) Vogal Temática: cant-A-r, vend-E-r, part-I-r, trib-O.
c) Tema: união do radical com a vo gal temática:
CANTA-r, VENDE-r, PARTI-r, TRIBO.
d) Afixos: dividem-se em prefi xos e sufixos: INapto,
DESfazer, Amo ral; moraliDADE, casaMENTO, fe -
lizMENTE.
e) Desinências: elementos que indicam as flexões
(nominais e verbais).
macacO – macacA; macacOS – macacAS.
cantaVA – cantaMOS – vendêRA mos – partiSTE.
f) Vogal e Consoante de Li ga ção: elementos
que se interpõem nos vocábulos por razões eufônicas:
chaLeira – gasÔmetro – cafeTeira – cafeIcultor.
2. PROCESSOS DE FORMA ÇÃO
DE PALAVRAS
� Composição
União de dois ou mais vocábulos pri mitivos para a
formação de um com posto.
a) Justaposição: sem altera ção na estrutura
das primitivas: gi ras sol, passatempo, guarda-chuva,
bem-te-vi.
b) Aglutinação: com alteração na estrutura das
primitivas: você (vos sa + mercê) – planalto (plano +
alto) – embora (em + boa + hora).
� Derivação
Formação de um vocábulo deri va do a partir de um
primitivo.
a) Prefixal: sublinhar, predizer, an tepor, infeliz.
b) Sufixal: felizmente, cavalaria, lealdade, pedreiro.
c) Parassintética: junção si mul tâ nea do prefixo e
do sufixo: apedre jar, anoitecer, desalmado.
d) Regressiva: criação de novas palavras,
subtraindo-se algum elemen to mórfico da palavra
primitiva: chor-ar – chor-o; vend-er – vend-a; em barc-ar –
embarqu-e; troc-ar – troc-o.
e) Imprópria: alteração da fun ção normal de uma
palavra da língua: co mí cio-monstro, homem-rã, o infeliz,
meni no burro, sr. Carvalho, o cantar, o falar.
3. OUTROS PROCESSOS
a) Abreviação: moto, cine, foto.
b) Sigla: Fuvest, Inamps, MEC.
c) Onomatopeia: tilintar, reco-re co, zurrar.
d) Hibridismo: união de ele men tos pertencentes a
línguas dife rentes: automóvel (grego + latim); alcoô -
metro (árabe + grego); burocra cia (francês + grego);
goleiro (inglês + por tuguês).
Correspondência entre prefixos gregos e latinos
Prefixos gregos Exemplos Prefixos latinos Exemplos Sentidos
a-, an- amoral, anestesia des-, in- imoral, desumano privação
anti- antiaréreo contra- contradizer ação contrária
anfi- anfíbio ambi- ambivalente duplicidade
apo- apogeu ab- abjurar afastamento
cata cataclismo de- decair movimento para baixo
di- díptero bi- bilabial dois
dia-, meta- diálogo, metamorfose trans- transformação através de, mudança
en- encéfalo in- ingerir interioridade
endo- endovenoso intra- intramuscular posição interior
epi- epiderme supra- supracitado acima
eu- eufonia bene- benefício bem, bom, êxito
ex-, ec- êxodo ex- exportar movimento para fora
hemi- hemiciclo semi- semicírculo metade
hiper- hipertensão super- superabundante excesso
hipo- hipotrofia sub- subterrâneo posição abaixo
para- paráfrase ad- adjacente proximidade
peri- perímetro circum- circunscrever em torno de
sin- sintonia cum- cúmplice simultaneidade
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1. (FGV-Economia-2017) – Observe a manchete do site UOL.
O processo de formação das palavras “emburrecer” e “reversível”
também ocorre, respectivamente, nas pala vras destacadas nos
seguintes trechos do texto O país tenta se recompor:
a) “o desemprego continua a se encorpar” e “Já o índice que mede
a produção industrial”.
b) “Trata-se de uma reorganização” e “tornar a economia brasileira
mais competitiva”.
c) “O país tenta se recompor” e “A profusão de dados pintando um
cenário contraditório”.
d) “mostrou que o desemprego” e “enquanto grande parte da
economia brasileira”.
e) “a cada novo dado econômico” e “registrou em julho a quinta alta
consecutiva”.
RESOLUÇÃO:
“Emburrecer” é verbo formado pelo processo de deri vação
parassintética, em que à raiz “burr” foram acrescidos o prefixo
“en” e o sufixo “ecer”: em+ bur ro+ -ecer. A palavra “reversível é
um adjetivo formado por “reverso” acrescido do sufixo “-el “:
revers+i+vel. O mesmo ocorre com a palavra “encor par”, verbo
formado pelo processo de derivação parassintética e “industrial”,
adjetivo formado por derivação sufixal.
Resposta: A
Texto para o teste 2.
2. (FUVEST) – As palavras do texto cujos prefixos traduzem, respecti -
vamente, ideia de anterioridade e contiguidade são
a) “persistente” e “alteridade”.
b) “discriminados” e “hierarquização”.
c) “preconceituosos” e “cooperação”.
d) “subordinados” e “diversidade”.
e) “identidade” e “segregados”.
RESOLUÇÃO: 
O prefixo pre- indica “anterioridade” e co-, “conti gui dade”.
Resposta: C
3. (UNICAMP-2022) – Leia, a seguir, o título e subtítulo de uma
reportagem.
Ao longo da pandemia da Covid-19 tornou-se cada vez mais recorrente
o uso da expressão de língua inglesa home office (em tradução literal,
“escritório em casa”) para se referir a trabalho a distância ou a
teletrabalho. Indique a alternativa que descreve o processo de
composição do neologismo “roça-office”, conforme empregado no
título da reportagem.
a) A substituição do vocábulo em inglês “home” por “roça” torna o
uso desse estrangeirismo mais adequado à grafia do português.
b) A justaposição de “roça” e “office” produz um efeito cômico pelo
contraste entre os meios rural e urbano na formação do neologismo.
c) A justaposição de “roça” e do neologismo “office” baseia-se na
similaridade fonético-fonológica entre os vocábulos “home” e “roça”.
d) A aglutinação dos radicais “roça” e “office” adapta o neologismo
aos imóveis brasileiros e produz o efeito de humor na manchete.
RESOLUÇÃO:
O neologismo “roça-office” é formado por composição por
justaposição, pois nenhum dos termos utilizados perde elementos
fonéticos. A alternativa correta aponta também o efeito cômico que
tal neologismo provoca ao opor “home” a “roça”, contrastando
meio urbano a rural. Resposta:B
Texto para o teste 4.
4. (FUVEST-2021) – Um processo de formação de palavras em língua
portuguesa é o cruzamento vocabular, em que são misturadas pelo
menos duas palavras na formação de uma terceira. A força expressiva
dessa nova palavra resulta da síntese de significados e do inesperado
da combinação, como é o caso de “dramédia” no texto. Ocorre esse
mesmo tipo de formação em
a) “deleitura” e “namorido”.
b) “passatempo” e “microvestido”.
c) “hidrelétrica” e “sabiamente”.
d) “arenista” e “girassol”.
e) “planalto” e “multicor”.
RESOLUÇÃO:
O vocábulo “dramédia” é formado por cruzamento vocabular de
“drama” e “comédia”. O mesmo processo ocorre nas palavras
“deleitura” (deleite + leitura) e “namorido” (namorado + marido).
Resposta: A
A questão racial parece um desafio do presente, mas trata-se de
algo que existe desde há muito tempo. Modi fi ca-se ao acaso das
situações, das formas de socia bi li dade e dos jogos das forças
sociais, mas reitera-se continuamente, modificada, mas persistente.
Esse é o enigma com o qual se defrontam uns e outros, intolerantes
e tolerantes, discriminados e preconceituosos, segregados e
arrogantes, subordinados e dominantes, em todo o mundo. Mais do
que tudo isso, a questão racial revela, de forma particularmente
evidente, nuançada e estri den te, como funciona a fábrica da
sociedade, compreen den do identidade e alteridade, diversidade e
desigualdade, cooperação e hierarquização, dominação e alienação.
(Octavio Ianni. Dialética das relações sociais.
Estudos avançados, n.° 50, 2004.)
O que nos faz imbecis?
Podemos
emburrecer ao 
longo da vida,
mas é reversível
uol. http://bit.ly/2e08yFs, 
14.09.2016)
Terça é dia de Veneza revelar as atrações de seu festival anual,
cuja 77.ª edição começa no dia 2 de setembro, com a dramédia
“Lacci”, do romano Daniele Luchetti, seguindo até 12/9, com 50
produções internacionais e uma expectativa (extraoficial) de colocar
“West Side Story”, de Steven Spielberg, na ribalta. 
(Rodrigo Fonseca. “À espera dos rugidos de Veneza”. 
O Estado de S. Paulo. Julho/2020. Adaptado.)
(Fonte: Correio 24horas. 21/06/2021.)
Roça-office: dobra procura por imóveis
no interior baiano durante a pandemia
Reflexão sobre vivência urbana tem causado um novo êxodo
urbano; conheça histórias e veja quando vale a pena se mudar
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Texto para a questão 5.
5. (UNIFESP) – Constitui exemplo de palavra formada pelo processo
de derivação regressiva o termo sublinhado em:
a) “Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às
outras no seu tempo remoto”
b) “E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz
rouca.”
c) “Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de
passarinho.”
d) “A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado.”
e) “O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria
doidice era uma falta grave”
RESOLUÇÃO:
A derivação regressiva ou deverbal ocorre quando o verbo sofre
redução e transforma-se em substantivo abstrato que indica ação,
como em vender/ a venda, cantar / o canto, pegar / a pega.
Resposta: C
Texto para o teste 6.
6. (UNICAMP) – Do ponto de vista da norma culta, é correto afirmar
que “coisar“ é
a) uma palavra resultante da atribuição do sentido conotativo de um
verbo qualquer ao substantivo “coisa”.
b) uma palavra resultante do processo de sufixação que transforma o
substantivo “coisa” no verbo “coisar”.
c) uma palavra que, graças a seu sentido universal, pode ser usada em
substituição a todo e qualquer verbo não lembrado.
d) uma palavra que resulta da transformação do substantivo “coisa”
em verbo “coisar”, reiterando um esquecimento.
RESOLUÇÃO:
Segundo a norma culta, o verbo “coisar” é formado por processo
de derivação sufixal do substantivo “coisa”. 
Resposta: B
Textos para a questão 7.
7. (UNICAMP) – Embora os dois textos tratem do termo “maratonar”
a partir de perspectivas distintas, é possível afirmar que o Texto II
retoma aspectos apresentados no Texto I porque
a) esclarece o significado do neologismo “maratonar” como esforço
físico exaustivo, derivado de “maratona”.
b) deprecia a definição de “maratona” como ação contínua de
superação de dificuldades e melhoria da saúde.
c) reflete sobre o impacto que a falta de exercícios físicos e a
permanência em casa provocam na saúde.
d) menospreza o uso do termo “maratonar” relacionado a um estilo
de vida sedentário, antagônico a maratona.
RESOLUÇÃO:
Ambos os textos apontam o sentido negativo do neologismo
“maratonar” que, em oposição ao signifi ca do tradicional que lhe
dá origem (maratona), refere-se ao sedentarismo daquele que
assiste inin ter rup tamente aos episódios de uma série. 
Resposta: D
Derivação regressiva: formação de palavras novas pela redução
de uma palavra já existente. A redução se faz mediante supressão
de elementos terminais (sufixos, desinências).
(Celso Pedro Luft. Gramática resumida, 2004.)
Texto I
Os idiomas e suas regras são coisas vivas, que vão se
modificando de maneira dinâmica, de acordo com o momento em
que a sociedade vive. Um exemplo disso é a adoção do termo
“maratonar”, quando os telespecta dores podem assistir a vários
ou a todos os episódios de uma série de uma só vez. Contudo, ao
que parece, a plataforma Netflix não quer mais estar associada à
“maratona” de séries. A maior razão seria a tendência atual que as
gigantes da tecnologia têm seguido para evitar o consumo
excessivo e melhorar a saúde dos usuários.
(Adaptado de Claudio Yuge, “Você notou? Netflix parece estar evitando o 
termo ‘maratonar’.” Disponível em https://www.tecmundo.com.br/
internet/133690-voce-notou-net flix-pareceevitando-termo-maratonar.htm.
Acessado em 01/06/2019.)
Texto II
(Disponível em http://www.willtirando.com.br/anesia-417/. 
Acessado em 01/06/ 2019.)
(Disponível em https://www.facebook.com/SignosNordestinos/?fref=ts. 
Acessado em 26/07/2016.)
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MÓDULO 12 Estrutura e processos de formação de palavras (II)
Texto para a questão 1.
1. (FUVEST-2021)
a) Explique o processo de formação da palavra “marilama”,
sublinhada no texto, identificando as semelhanças sonoras entre as
formas originárias que se sobrepõem nessa nova formação.
RESOLUÇÃO:
O vocábulo “marilama” é formado pela junção do substantivo
próprio “Mariana”, do qual Bento Rodrigues faz parte, com o
substantivo “lama”, portanto, trata-se de composição por
aglutinação. Os termos “Mariana” e “lama” têm, em sua
formação, a assonância em “a” e a tônica na penúltima sílaba,
configurando ambas palavras paroxítonas, gerando semelhança
com a expressão “mar de lama”. 
b) Identifique uma atitude dos jovens do vilarejo rural de Bento
Rodrigues que revele a tentativa de apagamento de suas
identidades. Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
Segundo o texto, as crianças e jovens de Bento Rodrigues, que
perderam suas casas pelo derrame de lama da Samarco,
frequentam as escolas de Mariana e, para não sofrerem
discriminação e bullying, optaram por não usar os uniformes da
Escola Municipal de Bento Rodrigues, como tentativa de
apagamento de suas identidades, pois “muitas vezes” foram
responsabilizados pelo encerramento das atividades da
mineradora.
Texto para a questão 2.
2. (FUVEST)
a) Qual a razão apresentada por essa matéria jornalística para
aconselhar seus leitores a “pensar antes de compartilhar”?
RESOLUÇÃO:
O comportamento leviano ou irresponsável que parece ser
frequente no compartilhamento de informação de natureza
pessoal e mesmo íntima representa grande risco aos usuários das
redes sociais. Daí a necessidade de tal compartilhamento fazer-se
de forma refletida, cuidadosa.
b) No verbete “privacidade”, do Dicionário Houaiss da língua
portuguesa, lê-se: trata-se de ang. de empréstimo recente na
língua, sugerindo-se em seu lugar o uso de ................ .
Por que o dicionário sugere que se evite o uso de “privacidade”?Que palavra pode ser usada em seu lugar?
RESOLUÇÃO:
De acordo com o dicionário Houaiss, privacidade é um
empréstimo da língua inglesa. Em seu lugar, deveria ser usado
“intimidade, (...) vida íntima” etc”.
“Eu só quero a minha liberdade de volta”. O pedido é um dos
mais comuns entre as crianças e os adolescentes que viram suas
vidas se transformarem há mais de quatro anos, quando a
barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompeu,
formando um tsunami de rejeitos de minério que engoliu o vilarejo
rural de Bento Rodrigues, em Mariana (Minas Gerais), e atingiu
outros distritos da região. Após a tragédia, as famílias dos atingidos
foram alocadas em casas alugadas em Mariana. Recomeçar uma
nova rotina, no entanto, não tem sido fácil para os jovens. Além da
adaptação ao novo território, as crianças também sofrem com o
preconceito e o bullying. “Ainda há uma hostilização por parte dos
moradores de Mariana. No início, quando eles frequentavam as
mesmas escolas, eles eram chamados de pé de lama e marilama.
Muitas vezes, eram culpados pelo encerramento das atividades da
Samarco. Grande parte das falas das crianças são uma reprodução
das dos adultos”, explica a psicóloga. Apesar de os jovens das
cidades atingidas estarem estudando em instituições de ensino
próprias, havia relatos de que eles evitavam circular na cidade com
o uniforme da Escola Municipal de Bento Rodrigues, por exemplo.
H. Mendonça. ‘Filhos e órfãos de Mariana e Brumadinho enfrentam a
infância interrompida por uma tragédia que não acabou’. Adaptado.
PENSE ANTES DE COMPARTILHAR
Cada vez mais pessoas interagem por meio de redes sociais.
O crescimento dessas comunidades reforça uma das principais
discussões relativas à internet: a privacidade.
(Época)
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3. (UNICAMP) – O poema abaixo é de autoria de Manoel de Barros
e foi publicado no Livro sobre nada, de 1996.
a) No poema há uma estrutura típica de provérbios com uma
finalidade crítica. Aponte duas características dessa estrutura.
RESOLUÇÃO:
O verso do poema que apresenta a estrutura de um provérbio é o
terceiro: “Quem acumula muita informação perde o condão de
adivinhar: divi nare”. Daí formar-se por frase curta, sintética e
sugestiva, com verbos no presente do indicativo (presente
atemporal), formulação de um princípio de conduta, além do jogo
sonoro, que no caso ocorre na rima interna entre “informação e
“condão”. Como outos provérbios, o pronome in definido “quem”
generaliza o receptor, enquan to o conteúdo da mensagem sugere
proce di mento moral, visto pelo autor como válido para todos: a
sensibilidade deve sobrepor-se à racionalidade.
b) Considerando que o poeta joga com os sentidos do verbo
“adivinhar” e da sua raiz latina divinare, justifique o neologismo
usado no último verso. 
RESOLUÇÃO:
Manuel de Barros cria o neologismo “divinam” a partir do verbo
adivinhar e de sua raiz latina “divinare”, o que configura
composição por aglutinação. A forma verbal “divinare”, conferida
aos sabiás, reúne o sentido de adivinha ao signi ficado de divino,
cujo campo semântico evidencia “dom, virtude especial”, ideia já
sugerida em “encantos” e “condão”. Assim, o poeta reconhece
no sabiá encantos inexplicáveis pela ciência.
Texto para a questão 4.
4. (FUVEST-2020)
a) Explique o processo de formação da palavra “preca riado”,
associando-o ao seu significado.
RESOLUÇÃO:
A palavra “precariado” é formada por derivação sufixal de
“precário +ado”. Precário é um adjetivo que significa aquele que
tem “pouca ou nenhuma estabilidade” e o sufixo “ado” tem
sentido de “semelhante a”. “Precariado” pode ser associado, pela
sonoridade, a “proletariado” e “salariado”. Assim, “precariado”,
para o autor, remete à classe social do proletariado, que se
encontra em situação precária profissional e social.
b) Qual a função sintática da expressão “com razão” e o seu sentido
na construção do texto?
RESOLUÇÃO:
“Com razão” é expressão circunstancial de afirmação (adjunto
adverbial de afirmação), significando, no texto, que o autor
concorda com a opinião de Ruy Braga.
“A ciência pode classificar e nomear todos os órgãos de um
sabiá mas não pode medir seus encantos. 
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem
nos encantos de um sabiá. 
Quem acumula muita informação perde o condão de
adivinhar: divinare. 
Os sabiás divinam”.
(Manoel de Barros. Livro sobre nada. 
Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 53.)
Tenho utilizado o conceito de precariado num sentido bastante
preciso que se distingue, por exemplo, do significado dado por Guy
Standing e Ruy Braga. Para mim, precariado é a camada média do
proletariado urbano constituída por jovens adultos altamente
escolarizados com inserção precária nas relações de trabalho e vida
social.
Para Guy Standing, autor do livro The Precariat: The new
dangerous class, o precariado é uma “nova classe social” (o título
da edição espanhola do livro é explícito: Precariado: una nueva
clase social ). Ruy Braga o critica, com razão, salientando que o
precariado não é exterior à relação salarial que caracteriza o modo
de produção capitalista, isto é, o precariado pertence sim à classe
social do proletariado, sendo tão somente o “proletariado
precarizado”. (...) Por outro lado, embora Ruy Braga (no livro A
política do precariado) esteja correto em sua crítica do precariado
como classe social exterior à relação salarial, ele equivoca-se
quando identifica o precariado meramente com o “proletariado
precariza do”, perdendo, deste modo, a particularidade heurística
do conceito capaz de dar visibilidade categorial às novas
contradições do capitalismo global.
(Giovanni Alves, O que é precariado?. 
Disponível em https://blogdaboitempo.com.br/. Adaptado.)
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Textos para a questão 5.
5. (UNICAMP-2020)
a) Explique por que “bacuralizar” é um neologismo e qual é o
processo de formação dessa palavra.
RESOLUÇÃO:
O neologismo “bacularizar” é formado por de rivação sufixal -izar,
a partir do substantivo “Ba curau”, que nomeia uma cida de fictícia
em filme homônimo. O sufixo -izar forma verbos de pri meira
conjugação.
b) Considere as informações sobre o enredo do filme Bacurau
presentes no texto I e sobre o papel do Estado na vida da
comunidade no texto II. A partir dessas informações, crie um
exemplo do uso de “bacuralizar” para cada acepção da palavra
registrada no texto II.
RESOLUÇÃO:
Sugestões de resposta:
I – A comunidade organizou-se e bacularizou a segurança local.
II – Os cidadãos daquela região se bacularizaram contra a força
policial abusiva.
TEXTO I
Em Bacurau, vilarejo fictício no meio do nada que recebe o
nome de um pássaro “brabo” de hábitos noturnos, o sertão é
também o centro do país. Bacurau cheira a morte. A primeira
sequência do longa é a passagem de um caminhão-pipa que
atropela caixões pelo caminho. No povoado isolado, mas
hiperconectado à internet, os moradores, com uma grande
variedade de gêneros, raças e sexualidades, vivem sem água e
escondem-se quando o prefeito em campanha pela reeleição
chega para distribuir mantimentos vencidos, e despejar livros
velhos em frente à escola local. Aí já começa a resistência: em
meio à penúria, os moradores organizam-se e ajudam-se entre si.
Quando o vilarejo literalmente desaparece dos mapas digitais e a
comunidade perde a conexão com a internet, a presença de
forasteiros coincide com o misterioso aparecimento de cadáveres
crivados à bala e Bacurau vive uma carnificina.
(Adaptado de Joana Oliveira, Em ‘Bacurau’, 
é lutar ou morrer no sertão que espelha o Brasil. El País. 
Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/20/cultura/15663
28403_365611.html. Acessado em 20/10/2019.)
TEXTO II
(Adaptado do Instagram de Lia de Itamaracá. 
Disponível em: https://www.insta7zu.com/tag/LiaDeltamaraca. 
Acessado em 20/10/2019.)
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Uma dissertação bem redigida apresenta, necessariamente, perfeita articulação de ideias. Para obtê-la, é
necessário promover o encadeamento semântico (significado, ideias) e o encadeamento sintático (mecanismos que
ligam uma oração à outra). A coesão (elemento da frase A retomado na frase B) é obtida, principalmente, por meio dos
elementos de ligação que proporcionam as relações necessárias à integração harmoniosa de orações e parágrafos em
torno de um mesmo assunto (eixo temático).
Com base em um levantamento elaborado por Othon Moacyr Garcia (Comunicação em Prosa Moderna), rela -
cionamos os elementos de coesão mais usuais, agrupados pelo sentido.
por consequência, por conseguinte, como resultado, por isso, por causa de, em
virtude de, assim, de fato, com efeito, tão... que, tanto... que, tal... que, tamanho...
que, porque, porquanto, pois, que, já que, uma vez que, visto que, como (=
porque), portanto, logo, pois (posposto ao verbo), que (= porque).
{Causa e consequência,explicação
em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa
forma, dessa maneira, logo, pois.{Resumo, recapitulação,conclusão
Lugar, proximidade,
distância { perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além,acolá, lá, ali, algumas preposições e os pronomes demonstrativos.
Propósito, intenção,
finalidade { com o fim de, a fim de, com o propósito de, para que, a fim de que.
{
{
{
{
{
{
{
{
{
por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber.Ilustração, 
esclareci men to
inesperadamente, inopinadamente, de súbito, imprevistamente, surpreenden te -
mente, subitamente, de repente.Surpresa, imprevisto
decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvi -
da, inegavelmente, com toda a certeza.Certeza, ênfase
talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo,
se é que.Dúvida
além disso, (a)demais, outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro lado,
também e as conjunções aditivas (e, nem, não só ... mas também etc.).Adição, continuação
se, caso, salvo se, contanto que, desde que, a menos que etc.Condição, hipótese
igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente,
semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de
conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, consoante sob o mesmo
ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, bem como, como se.
Semelhança, 
compa ra ção, 
conformidade
então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, pouco
antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim,
finalmente, agora, atualmente, hoje, frequentemente, constantemente, às vezes,
eventualmente, por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao
mesmo tempo, simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, enquanto,
quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que,
todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal.
Tempo (frequência, 
du ração, ordem, 
su ces são, 
anterioridade, 
pos te rio ri dade)
em primeiro lugar, antes de mais nada, primeiramente, acima de tudo, preci -
puamente, principalmente, primordialmente, sobretudo.Prioridade, relevância
MÓDULO 13 Coesão, Correção, Clareza, Concisão e Coerência (I)
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à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.{Proporcionalidade
ou ... ou, ora ... ora, quer ... quer, seja ... seja, já ... já, nem ... nem.{Alternativas
pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia,
entretanto, embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, conquanto, se
bem que, por mais que, por menos que, no entanto, não obstante.{Contraste, oposição,restrição, ressalva
Segundo Celso Cunha, certas palavras têm classificação à parte, por isso convém “dizer apenas palavra ou locução
denotativa” de
a) inclusão: até, inclusive, mesmo, também etc.
b) exclusão: apenas, exceto, salvo, senão, só, somente etc.
c) designação: eis
d) realce: cá, lá, é que, só etc.
e) retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor etc.
f) situação: afinal, agora, então, mas etc.
Exemplo de texto dissertativo com elementos de coesão destacados:
Viver é perigoso, mas navegar é preciso
O mundo moderno fez da segurança sua maior obsessão. 
Nos países desenvol vidos tudo é calculado para reduzir a margem de risco ao mínimo nas apli cações finan ceiras,
nos negó cios, nos contratos, nas cirurgias, nos automó veis, nos aviões, nos ban cos, nas casas, nas lojas, nas ruas,
no trânsito, na conduta dos pedestres, tudo coberto e supervi sionado pela informática da mais alta precisão. E, no
entanto, as bolsas des pen cam, arrastando consi go países inteiros, os negó cios fracassam, os aviões caem
misteriosamente, os bancos, as casas, as pes soas são assaltadas, os circuitos de segurança falham. (...)
A preocupação exage ra da com a segurança não evitou duas guerras mun diais devastadoras, nem eliminou
bolsões vergonho sos de miséria num mundo cada vez mais rico, e muito menos impediu o surgimen to dos Estados
totalitários e autoritários. (...)
A vida humana não é possível sem certa margem de segurança (o conceito, as crenças sociais, a ciência, a lei,
os paradig mas, a religião, a tecno logia etc.), mas os instru mentos de segurança não podem abafar nem para lisar a
vida em sua esponta neidade e em seu impulso criador. Não são feitos para substituir a vida, e sim para assegurá-
la. Em outras pa la vras: a segurança só tem sentido e valor como atri buto da vida em movi mento, da vida em
expan são, em busca de novos horizontes; e perde o valor e o sentido quando dege ne ra na malha de aço que cai
sobre nossos ombros e trava por completo nossa liberdade de ação. (...)
Viver é perigoso porque – como ensina o filósofo Nietzsche – a vida nos é dada, mas não nos é dada feita.
Temos nós mes mos de fazer nossa vida, a cada passo, a cada ins tante, escolhendo sem pre a atitude, a ideia, a
ação, a palavra ade quada a cada situação, sob risco de perdição. O perigo mora dentro da vida, é intrínseco a ela,
não sobrevém de fora, como parece.
Viver é perigoso, mas navegar é preciso.
(Gilberto de Mello Kujawski, O Estado de S. Paulo, texto adaptado.)
Correção: obediência às regras gerais da língua, ou seja, às normas gra ma ti cais.
Clareza: qualidade de organizar palavras, frases e períodos para trans mi tir ideias de forma compreensível.
Concisão: habilidade de selecionar palavras com significado preciso para trans mi tir ideias de forma sucinta. O
procedimento oposto é a prolixidade, de fei to que deve ser evitado.
Coerência: capacidade de organizar as ideias, conferindo unidade ao tex to. A sequência lógica entre frases e
parágrafos, a escolha de vo ca bu lá rio adequado, o correto uso dos elementos de ligação e a aplicação do co nhe ci -
men to empírico (baseado na experiência) são necessários para promover a coerência textual.
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Tirinha para a questão 1.
1. (PROSEL/UNCISAL) – Considerando os critérios de coesão e
coerência, dadas as afirmativas sobre a tirinha,
verifica-se que está(ão) correta(s)
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
A tirinha pode ser considerada um texto coerente e coeso, pois a
ordenação lógica da sequência de imagens permite a compreensão
de uma narrativa.
Resposta: E
Textos para a questão 2.
2. (AFA) – Sobre os trechos anteriores, pode-se afirmar que
a) I é coerente, mas não é coeso; II é coeso e coerente; III não é
coerente e não é coeso.
b) I é coeso e coerente; II é coeso e coerente; III é coeso e coerente.
c) I é coeso e coerente; II não é coeso, nem coerente; III não é
coerente, mas é coeso.
d) I é coeso, mas não é coerente; II é coeso, mas não é coe rente; III
é coerente,mas não é coeso. 
Resposta: A
I. Mesmo sem a presença de palavras, a tirinha pode ser
considerada um texto que apresenta tanto coesão quanto
coerência.
II. A coesão textual se justifica porque as imagens estão todas
relacionadas e seguem uma ordenação lógica.
III. A coerência, no contexto referente, é marcada pela temática
abordada de modo claro e progressivo: o posicionamento do
garoto para arremessar a bola, a trajetória da bola e a
derrubada dos pinos. 
Texto I
INFÂNCIA
O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A visita na casa que a gente sentava no sofá.
(Oswald de Andrade)
Texto II
Não queiras ter Pátria.
Não dividas a Terra.
Não dividas o Céu.
Não arranques pedaços de mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto,
Que as coisas boas serão tuas.
Que alcançarás todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte.
Te ponha em tudo,
Como Deus.
(Cecília Meireles)
Texto III
Lá vem a lua surgindo,
Redonda que nem um tamanco.
Pedaço de telha é caco.
Caranguejo não tem pescoço.
Disponível em: http://leiaprimeiro.blogspot.com.br/
2010/08/tirinhas-da-vez-28.html.
Acesso em: 27 out. 2015.
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Texto para a questão 3.
3. (ESPM) – De acordo com a tirinha e o texto transcrito, é pos sível
afirmar que
a) um exemplo de justaposição de eventos na tirinha é o uso das
exclamações, fato já anunciado no subtítulo da mesma.
b) um exemplo de coerência na tirinha se dá pelo uso do conectivo
“que”, cuja função é retomar o evento anterior.
c) na tirinha, a sequência de ilustrações não parti cipa minimamente da
construção de seu sentido.
d) a coerência na tirinha se dá menos pela presença de elementos
coesivos e mais pelos implícitos des vendados pelo leitor a partir da
situação nela sugerida.
e) no último quadrinho, a ausência do elemento coesivo “que” e a
justa posição das ações preju dicam substancialmente a coerência
da tirinha.
Resposta: D
4. (ESPM) – Levando-se em consideração os aspectos textuais e
visuais da tirinha, assinale a afirmação incorreta.
a) Apesar de o texto não apresentar todos os ele mentos essenciais
para o gênero narrativo (espaço, tempo e foco narrativo), pode-se
afirmar, ainda assim, que existe uma ação em desenvol vimento.
b) O tédio enunciado no primeiro quadrinho e rompido pelas ações
sugeridas nos quadrinhos seguintes é retomado no quadrinho final
por meio da generalização do sentimento de decepção da
personagem em relação aos homens.
c) Na passagem da segunda para a terceira linha, a revelação de uma
terceira personagem provoca em Radical Chic uma irritação, poste -
riormente transformada em decepção e finalmente no tédio de
início.
d) Apesar da quase ausência de adjetivos na tirinha, em detrimento da
presença de substantivos, é possível ao leitor perceber atribuições
de quali da des positivas e negativas às personagens, respectiva -
mente masculina e feminina.
e) A partir da sequência dos quadrinhos, o leitor pode inferir a pre sen -
ça de apenas mais uma per sonagem, evidenciada pelo substantivo
mascu lino “homens” enunciado pela personagem Radical Chic. 
Resposta: E
Texto para a questão 5.
5. (FUVEST)
a) Há algum problema de coerência na expressão alto demais, dado o
contexto linguístico em que ela ocorre? Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
A expressão alto demais, aplicada a cheque em branco, cria um
problema de coerência, pois se o cheque está em branco (isto é,
sem valor determinado), como é possível afirmar que seu valor é
alto demais? Para resolver o problema, o autor poderia ter
acrescentado um advérbio que tornasse contingente sua
afirmação; por exemplo: cheque em branco... potencialmente alto
demais.
b) Qual é, no texto, a relação de sentido entre prerrogativas e
privacidade?
RESOLUÇÃO:
Prerrogativas são vantagens, privilégios, regalias; privacidade é
intimidade, vida privada. Segundo o texto, a privacidade é uma
das prerrogativas que devem assistir a todo cidadão, mas não
àquele que se candidata a cargo eletivo.
O cheque em branco que o leitor passa ao eleito é alto
demais, faz parte da condição mesma de candidato expor-se ao
escrutínio público e abrir mão de uma série de prerrogativas, entre
elas a privacidade.
(Folha de S.Paulo)
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Texto para as questões 6 e 7.
6. (FUVEST) – Ao justificar a autoridade com que pretende ensinar
um príncipe a governar, Maquiavel compara sua missão à de um
cartógrafo para demonstrar que
a) o poder político deve ser analisado tanto do ponto de vista de quem
o exerce quanto do de quem a ele está submetido.
b) é necessário e vantajoso que tanto o príncipe como o súdito
exerçam alternadamente a autoridade do governante.
c) um pensador, ao contrário do que ocorre com um cartógrafo, não
precisa mudar de perspectiva para situar posições
complementares.
d) as formas do poder político variam, conforme sejam exercidas por
representantes do povo ou por membros da aristocracia.
e) tanto o governante como o governado, para bem compreenderem
o exercício do poder, devem restringir-se a seus respectivos papéis.
RESOLUÇÃO:
A comparação feita por Maquiavel implica a idéia de que o poder
político deve ser analisado tanto “de cima”, isto é, pelo príncipe,
quanto “de baixo”, isto é, por alguém como ele, “homem de
baixo e ínfimo estado”. Resposta: A
7. (FUVEST) – Está redigido com clareza, coerência e correção o
seguinte comentário sobre o texto:
a) Temendo ser qualificado de presunçoso, Maquiavel achou por bem
defrontar sua autoridade intelectual, tipo um cartógrafo habilitado a
desenhar os contrastes de uma região.
b) Maquiavel, embora identificando-se como um homem de baixo
estado, não deixou de justificar sua autoridade diante do príncipe,
em cujos ensinamentos lhe poderiam ser de grande valia.
c) Manifestando uma compreensão dialética das relações de poder,
Maquiavel não hesita em ministrar ao príncipe, já ao justificar o
livro, uma objetiva lição de política.
d) Maquiavel parece advertir aos poderosos de que não se
menospreze as lições de quem sabe tanto analisar quanto ensinar
o comportamento de quem mantenha relações de poder.
e) Maquiavel, apesar de jamais ter sido um governante em seu livro
tão perspicaz, soube se investir nesta função, e assim justificar-se
diante de um príncipe autêntico.
RESOLUÇÃO:
A única alternativa aceitável é a c, pois as demais apresentam
inépcias flagrantes. Para chegar à resposta, o candidato deveria
concluir que a visão do poder político apresentada por Maquiavel
é de natureza dialética, por implicar a complementaridade entre
pontos de vista opostos.
Resposta: C
Texto para a questão 8.
8. (2ª Aplicação) – O emprego adequado dos
elementos de coesão contribui para a construção de
um texto argumentativo e para que os objetivos
pretendidos pelo autor possam ser alcançados. A análise desses
elementos no texto mostra que o conectivo
a) “ou seja” introduz um esclarecimento sobre a diminuição da
quantidade de lixo.
b) “mas” instaura justificativas para a criação de novos tipos de
reciclagem.
c) “também” antecede um argumento a favor da reciclagem.
d) “afinal” retoma uma finalidade para o uso de matérias-primas.
e) “então” reforça a ideia de escassez de matérias-primas na natu -
reza.
RESOLUÇÃO:
O elemento de coesão ou seja é explicativo. 
Resposta: A
RECICLAR É SÓ PARTE DA SOLUÇÃO
O lixo é um grande problema da sustentabilidade. Literalmente:
todos os anos, cada brasileiro produz 385 kg de resíduos – dá
61 milhões de toneladas no total. O certo seria tentar diminuir ao
máximo essa quantidade de lixo. Ou seja, em vez de ter objetos
recicláveis, o ideal seria produzir sempre objetos reutilizáveis, o que
diminui os resíduos. Mas, enquanto isso não acontece, temos que
nos contentar com a reciclagem. E é aí que vem um detalhe perigoso:
reciclar o lixo também polui o ambiente e gasta energia. Reciclar
vidro, por exemplo, é 15% mais caro do que produzi-lo a partir de
matérias-primas virgens. Afinal,é feito basicamente de areia, soda e
calcário, que são abundantes na natureza. Então, nenhuma empresa
tem interesse em reciclá-lo. Já o alumínio é um supernegócio, porque
economiza muita energia.
HORTA, M. Disponível em: http://super.abril.com.br. 
Acesso em: 25 maio 2012.
No início do século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe – uma
célebre análise do poder político, apresentada sob a forma de
lições, dirigidas ao príncipe Lorenzo de Médicis. Assim justificou
Maquiavel o caráter professoral do texto:
Não quero que se repute presunção o fato de um homem de
baixo e ínfimo estado discorrer e regular sobre o governo dos
príncipes; pois assim como os [cartógrafos] que desenham os
contornos dos países se colocam na planície para considerar a
natureza dos montes, e para considerar a das planícies ascendem
aos montes, assim também, para conhecer bem a natureza dos
povos, é necessário ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é
necessário ser do povo.
(Tradução de Lívio Xavier, adaptada.)
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MÓDULO 14 Coesão, Correção, Clareza, Concisão e Coerência (II)
Leia o ensaio de Eduardo Giannetti para responder à questão 1.
1. (UNESP-2020)
a) No contexto do ensaio, o que significa “desmorder a maçã”?
RESOLUÇÃO:
“Desmorder a maçã” sugere intertextualmente um retorno aos
primórdios, na Bíblia, em Gênesis, pois “morder a maçã” significa
cometer o pecado original, que trouxe aos seres humanos a
expulsão do paraíso, decorrendo daí o sentimento de culpa e a
consciência de si mesmos. Para o autor, retroceder até o estado
de pureza e inconsciência da origem da humanidade “não existe
como opção”.
b) Quais são os referentes dos três pronomes sublinhados no ensaio?
RESOLUÇÃO:
O pronome oblíquo “o” refere-se à oração anterior “que não
sabem para que vivem”; “se” refere-se a “seres” e “a” a
“intenção”.
2. (FGV) – Leia o texto e, em seguida, atenda ao que se pede. 
a) Tendo em vista o assunto desenvolvido no texto, o que existe de
comum entre a fábula de Esopo e a história bíblica de José do
Egito?
RESOLUÇÃO:
José do Egito previu sete anos de severas priva ções – gado
magro e má colheita – e avisou o Faraó, que não foi previdente e
não guardou provisões para os anos infaustos. O mesmo aconte -
ce na fábula de Esopo, em que a cigarra, imprevidente, apenas
cantou durante o verão e não fez provisões para atravessar o
inverno, o que lhe custou a vida.
b) Entendido em seu sentido literal, o trecho “sem que administra -
dores previdentes tenham previsto” contém uma incoerência. O
emprego de aspas em uma das palavras desse trecho, conferindo
a ela um sentido especial, eliminaria a incoerência? Justifique.
RESOLUÇÃO:
Há uma incoerência no emprego das palavras “previdentes” e
“previsto”, pois quem é previ dente, prevê situações futuras. Se o
autor tivesse usado aspas em “previdentes”, o leitor entenderia
que o autor usou de ironia, já que os adminis tradores foram
imprevidentes, pois deveriam ter previsto a crise que se
anunciava.
A maçã da consciência de si. — O labrador dourado saltando
com a criança na grama; o balé acrobático do sagui; a liberdade
alada da arara-azul cortando o céu sem nuvens — quem nunca
sentiu inveja dos animais que não sabem para que vivem nem
sabem que não o sabem? Inveja dos seres que não sentem
continuamente a falta do que não existe; que não se exaurem e
gemem sobre a sua condição; que não se deitam insones e choram
pelos seus desacertos; que não se perdem nos labirintos da culpa
e do desejo; que não castigam seus corpos nem negam os seus
desejos; que não matam os seus semelhantes movidos por
miragens; que não se deixam enlouquecer pela mania de possuir
coisas? O ônus da vida consciente de si desperta no animal
humano a nostalgia do simples existir: o desejo intermitente de
retornar a uma condição anterior à conquista da consciência. — A
empresa, contudo, padece de uma contradição fatal. A intenção de
se livrar da autoconsciência visando a completa imersão no fluxo
espontâneo e irrefletido da vida pressupõe uma aguda consciência
de si por parte de quem a alimenta. Ela é como o fruto tardio
sonhando em retornar à semente da qual veio ao galho. [...] O
desejo de saltar para aquém do cárcere do pensar se pode
compreender — e até cultivar — em certa medida, mas o lado de
fora não há. A consciência é irreparável; dela, como do tempo,
ninguém torna atrás ou se desfaz. Desmorder a maçã não existe
como opção.
(Trópicos utópicos, 2016.)
ESPIGAS CHEIAS OU CHOCHAS
Este é o momento de cair na real. Não há muita saída para o
drama da hora, senão consertar o que está quebrado.
A economia vive de ciclos, curtos e longos. Disso já se sabia
desde José do Egito, filho de Jacó, que avisou o faraó de que sete
anos de vacas magras e de espigas chochas sucederiam a sete
anos de vacas gordas e espigas cheias.
Para enfrentar caprichos do setor produtivo desse tipo é que a
humanidade aprendeu a fazer estoques, a empilhar reservas e criar
fundos de segurança, também desde José do Egito ou desde o
escravo grego Esopo, o autor da fábula da cigarra e da formiga.
Um dos grandes problemas da economia brasileira é o de que
enfrenta agora brutal crise fiscal sem que administradores
previdentes tenham previsto a tragédia nem se preparado para
enfrentá-la.
(Celso Ming, http://economia.estadao.com.br)
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3. (FUVEST) – Leia o texto e responda ao que se pede.
*assinar: fixar, indicar.
a) No texto, o autor retifica o que corriqueiramente se entende por
“morte natural”? Justifique.
RESOLUÇÃO:
O autor argumenta que a ideia de morte natural (“morrer de
esgotamento em virtude uma extre ma velhice”) é na verdade
uma exceção, pou cas vezes acontece, sendo, portanto, pouco na -
tural. Também salienta que é natural morrer de aci den tes ou de
doenças, já que não vai contra a natureza do homem fa lecer ao
sofrer algum trauma físico.
b) A que palavra ou expressão se referem, respecti vamente, os
pronomes destacados no trecho “Vejo que os filósofos lhe assinam
um limite bem menor do que o fazemos comumente”?
RESOLUÇÃO:
O pronome pessoal oblíquo “lhe” refere-se a “du ração da vida”; o
pronome demonstrativo “o” refere-se a “limite”.
Texto para os testes 4 e 5.
*cafona: quem tem ou revela mau gosto (roupa cafona); que revela gosto ou
atitude vulgares. (Adaptado de aulete.com.br.)
4. (UNICAMP-2021) – Essa releitura do significado de “cafona”
salienta
a) a importância das atitudes de determinado grupo de pessoas em
relação aos problemas que o país de fato enfrenta.
b) o controle do poder político nas mãos de pessoas desprovidas de
ética e educação nas formas como se relacionam com o meio
ambiente.
c) a incorporação de padrões de comportamento e de convivência
social baseada na vulnerabilidade das classes minoritárias.
d) o privilégio de uma parcela da sociedade em relação a outras e a
forma como isso determina os dilemas enfrentados pelo país.
RESOLUÇÃO:
Apesar de problemas sociais prementes no país, a autora Fernanda
Young resolve analisar o comportamento dos “cafonas” (“império
da cafonice que nos domina”) os quais, segundo ela, são
indivíduos desrespeitosos, negacionistas, afrontosos, truculentos,
impertinentes que, com suas atitudes, se põem em evidência,
sobrepondo-se às adversidades nacionais. Resposta: A
5. (UNICAMP-2021) – Em relação aos recursos de coesão usados na
construção do texto, é correto afirmar que:
a) a “economia estagnada” é retomada no uso da expressão “dar
carteiradas”.
b) o uso de “isso”, no final do texto, retoma as ideias de cafonice e
honestidade.
c) “apesar de tudo”, na penúltima linha, retoma o que a autora
denomina “império da cafonice”.
d) o “porque”, na última linha, explica que o país precisa do bom
gosto dos cafonas.
RESOLUÇÃO:
O pronome “isso”, presente no período “É sobre isso que a
pessoa quer falar, apesar de tudo o que está acontecendo”, é
anafóricoe retoma os períodos anteriores, nos quais a autora
aponta como cafonice a ação de um rico roubar em contraponto à
honestidade do pobre. Resposta: B
DA IDADE
Não posso aprovar a maneira por que entendemos a duração da
vida. Vejo que os filósofos lhe assinam* um limite bem menor do
que o fazemos comumente. (...) Os [homens] que falam de uma
certa duração normal da vida, estabelecem-na pouco além. Tais
ideias seriam admissíveis se existisse algum privilégio capaz de os
colocar fora do alcance dos acidentes, tão numerosos, a que
estamos todos expostos e que podem interromper essa duração
com que nos acenam. E é pura fantasia imaginar que podemos
morrer de esgotamento em virtude de uma extrema velhice, e
assim fixar a duração da vida, pois esse gênero de morte é o mais
raro de todos. E a isso chamamos morte natural como se fosse
contrário à natureza um homem quebrar a cabeça numa queda,
afogar-se em algum naufrágio, morrer de peste ou de pleurisia;
como se na vida comum não esbarrássemos a todo instante com
esses acidentes. Não nos iludamos com belas palavras; não
denominemos natural o que é apenas exceção e guardemos o
qualificativo para o comum, o geral, o universal.
Morrer de velhice é coisa que se vê raramente, singular e
extraordinária e portanto menos natural do que qualquer outra. É a
morte que nos espera ao fim da existência, e quanto mais longe de
nós menos direito temos de a esperar.
(Michel de Montaigne, Ensaios.
Editora 34. Trad. de Sérgio Milliet.)
A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia
estagnada, e a pessoa quer falar de quê? Dos cafonas. Do império
da cafonice que nos domina. O cafona fala alto e se orgulha de ser
grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo. Não há ética
que caiba a ele. Enganar é ok. Agredir é ok. Gentileza, educação,
delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de
maricas. O cafona fura filas, canta pneus e passa sermões.
Despreza a ciência, porque ninguém pode ser mais sabido que ele.
O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas. Quer
bajular o poderoso e debochar do necessitado. Quer andar armado.
Quer tirar vantagem em tudo. Unidos, os cafonas fazem passeatas
de apoio e protestos a favor. Atacam como hienas e se escondem
como ratos. Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo
mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa
quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom
gosto pode salvar este país.
(Adaptado de Fernanda Young, Bando de cafonas. Publicado em https: 
//oglobo.globo.com/cultura/em-sua-ultima-coluna-fernanda-young-
sentenciacafonice-detesta-arte-23903168. 
Acessado em 27/05/2020.)
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Leia o trecho inicial do texto “O futuro da saúde”, de Cilene Pereira,
para responder às questões de 5 a 7.
5. (FAMERP) – A frase que interpreta corretamente o texto e que está
redigida com coesão, coerência e em conformidade com a norma-
padrão da língua portuguesa é:
a) A utilização da inteligência artificial na medicina resultou o
engajamento de 1,5 mil especialistas na última edição do Fórum de
Inovação Médica Mundial, que se tratou do tema dos robôs e seus
avanços.
b) Na medida em que tornam mais ágil e precisa a formulação de
diagnósticos e evitam gastos com terapias dispensáveis, os robôs
representam grande avanço na medicina.
c) Os robôs tem revolucionado a sociedade contemporânea de modo
geral e, com a medicina não poderia ser diferente. Contudo vem
fazendo com que se tornem cada vez mais eficiente os
tratamentos.
d) Ao levar tratamento a regiões pouco acessíveis, os robôs
promovem o avanço da medicina, especialmente por que
contribuem sobre a facilidade de encontrar remédios
comprovadamente eficazes.
e) O fato que o uso de robôs na medicina é benéfico é inquestionável,
contanto que auxiliam o tratamento. Conforme afirma o médico
Gregg Meyer, considerado um dos estudiosos do assunto mais
respeitado.
RESOLUÇÃO:
“Na medida em” indica circunstância de proporção e os verbos no
plural “tornam” e “evitam” concordam o sujeito “os robôs”,
posposto e oculto para esses verbos.
Resposta: B
6. (FAMERP) – Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que
expressa adequadamente o sentido daquela que está subli nhada na
passagem do texto.
a) “Robô é o nome palatável encontrado para definir os complexos
sistemas de algoritmos” (2.o parágrafo) – científico
b) “Para citar algumas das transformações: tornam o diagnóstico
preciso” (1.o parágrafo) – necessário
c) “reduzem os custos ao evitar gastos em terapias desnecessárias”
(2.o parágrafo) – interrompem
d) “as informações geradas no processo esclarecem ou confirmam
suspeitas diagnósticas” (2.o parágrafo) – elucidam
e) “ajudam a desenhar tratamentos para cada paciente” (1.o parágrafo)
– agilizar
RESOLUÇÃO:
“Esclarecer” significa “elucidar, aclarar, desvendar”. Em a,
“palatável” significa, no texto, “aceitável, admissível”; em b,
“preciso” significa “acertado, rigoroso, correto”; em c,
“reduzem” significa “diminuem”; em e, “desenhar” tem sentido
de “indicar, sugerir”.
Resposta: D
7. (FAMERP) – “Em linhas gerais, trata-se da utilização do maior
número possível de dados disponível sobre determinado assunto, seu
cruzamento e, como consequência, a identificação de padrões.”
(2.o parágrafo)
A palavra “disponível” modifica o sentido da palavra _____________ , e
a palavra “seu” retoma o sentido da palavra ____________________.
As lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por
a) utilização e assunto.
b) número e dados.
c) utilização e dados.
d) número e assunto.
e) dados e assunto.
RESOLUÇÃO:
“Disponível” é adjetivo singular que concorda com o substantivo
“número”, citado anteriormente. O pronome possessivo “seu”
refere-se a “dados”, que devem ser cruzados para identificar
padrões.
Resposta: B
Eles começam a mudar tudo na saúde. Para citar algumas das
transformações: tornam o diagnóstico preciso, ajudam a desenhar
tratamentos para cada paciente, a levar o cuidado a regiões
distantes e a encontrar remédios eficazes em tempo recorde. Na
saúde, assim como em outras áreas da vida contemporânea, os
robôs revolucionam. “Seu uso é um ponto de virada na medicina”,
afirma o médico Gregg Meyer, do Massachusetts General Hospital,
da Universidade Harvard (EUA), e um dos mais respeitados
estudiosos do assunto. Na edição deste ano do Fórum de Inovação
Médica Mundial, realizada recentemente em Boston, o tema foi
um dos destaques, reunindo 1,5 mil pessoas só para debatê-lo.
Robô é o nome palatável encontrado para definir os complexos
sistemas de algoritmos que baseiam a inteligência artificial. Em
linhas gerais, trata-se da utilização do maior número possível de
dados disponível sobre determinado assunto, seu cruzamento e,
como consequência, a identificação de padrões. Na saúde, as
informações geradas no processo esclarecem ou confirmam
suspeitas diagnósticas e indicam a resposta do paciente ao
tratamento. Além dos ganhos médicos, reduzem os custos ao
evitar gastos em terapias desnecessárias.
(https://istoe.com.br, 25.05.2018.)
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MÓDULO 15 Funções da Linguagem
A classificação das funções da linguagem depende
das relações estabelecidas entre elas e os elementos
que participam do circuito da comunicação:
O linguista russo Roman Jakobson, ba sean do-
se nos seis elementos da comunicação, elaborou este
quadro das funções da linguagem. Segundo ele, cada
função é cen trada em um dos seis elementos que
compõem o circuito da comunicação. O reconhe -
cimento e a adequada utili zação das funções são
fundamentais tanto na produção quanto no
entendimento de qualquer tipo de texto. Um texto
pode ter mais de uma função.
� Função referencial
Centrada no contexto (a refe rência ou o referente
da mensagem) – é aquela que remete à rea lidade
exterior; sua finalidade é informar o receptor. É usada
prin cipalmente

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