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Aristides Oliveira
2016/17
Aristides Oliveira
Prefácio
Olá caros estagiários, é com imensa gratitude que ofereço esse
pequeno manuscrito, a gente na verdade nunca sabe o que escrever em um
prefácio. Inicialmente, eu pensei em desenvolver esse “guia” por
necessidade pessoal, apesar de buscar em vários livros, sempre encontrava
certas barreiras para chegar no finalmente, no que de fato, para o momento
era necessário. Ao longo dos meus estudos foi selecionado e escrevendo
aquilo que acreditava ser o mais importante para o dado momento. Mas,
confesso, a minha primeira tentativa, não publicada, foi realmente um
desastre, então, partindo do meu desastre, busquei melhorar, busquei ler
mais, aprender mais, assistir outras pessoas que sabem muito mais do que
eu, para em fim, entender o que é importante.
Esse pequeno manuscrito foi desenvolvido de forma a facilitar o
estudo e o entendimento, ao mesmo tempo teórico, prático e reflexivo.
Busquei sempre trazer o que há de melhor na literatura, busquei além
disso, observar como, na medida do possível, aliar a teoria a prática, já que
este é um trabalho demasiadamente árduo, e no fim, não é o principal
propósito deste. Que se alinha em trazer a reflexão para vocês que estão
lendo esse prefácio.
Além da literatura relevante para os assuntos aqui discutidos,
busquei também trabalho os conteúdos de acordo com programas
pedagógicos de cursos por exemplo, ventilação mecânica invasiva e não
invasiva, mobilização precoce, entre outros para citar alguns. Existem
muitas e muitas coisas a serem ditas, mas por este momento deixo-os com
essa citação que resulme bem o propósito desse manuscrito.
“O acaso favorece uma mente preparada – Louis Pasteur”
Por último, um pedido. Esteja sempre a vontade em compartilhar
este arquivo, na medida do possível, mantenha os créditos autorais. Além
disso, sugestões, agradecimentos, críticas, outros a fim, não hesite em
entra em contado.
Aristides Oliveira.
Aristides.fisio@live.com
Petrolina-PE 2016/17.
Sumário
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar................................................................ 1
Anatomia das vias aéreas e segmentos pulmonares e lóbulos.................................. 1
Anatomia superficial dos lóbulos pulmonares ........................................................ 1
Vias aéreas superiores .......................................................................................... 2
Do brônquio ao alvéolo .......................................................................................... 3
Fisiologia da respiração............................................................................................. 5
Mecânica respiratória............................................................................................. 5
Referências ............................................................................................................. 14
Capítulo 2 – Anatomia e fisiologia cardíaca ................................................................ 16
Anatomia superficial do coração .............................................................................. 16
Morfologia cardíaca ............................................................................................. 16
Percurso do sangue através do coração .............................................................. 18
Circulação Coronária ........................................................................................... 18
Fisiologia cardíaca .................................................................................................. 19
Coordenação dos eventos cardíacos ................................................................... 19
Influências sobre o volume sistólico ..................................................................... 21
Controle da pressão arterial ................................................................................. 24
O sistema de troca capilar ................................................................................... 25
Referências ............................................................................................................. 27
Capítulo 3 – Avaliação beira leito ................................................................................ 29
O prontuário ............................................................................................................ 29
Avaliação orientada por sistemas ............................................................................ 29
Neurológico ......................................................................................................... 29
Cardiovascular ..................................................................................................... 31
Respiratório ......................................................................................................... 33
Abdome ............................................................................................................... 37
Musculoesquelético ............................................................................................. 39
Avaliação tegumentar .......................................................................................... 42
Avaliação Funcional ............................................................................................. 42
Delírio .................................................................................................................. 42
Avaliação diária na UTI ........................................................................................ 45
Roteiro para evolução no prontuário .................................................................... 49
Referências ............................................................................................................. 50
Capítulo 4 – Exames Complementares ....................................................................... 52
Aristides Oliveira
Radiografia de tórax ................................................................................................ 52
Introdução............................................................................................................ 52
Indicações e técnica ............................................................................................ 52
Radiografia de tórax normal ................................................................................. 53
Avaliação e descrição dos achados ..................................................................... 54
Exames Laboratoriais .............................................................................................. 56
Interpretação do hemograma ............................................................................... 56
Bioquímica ........................................................................................................... 59
Equilíbrio hidroeletrolítico ..................................................................................... 61
Equilíbrio ácido-base ........................................................................................... 66
Referências ............................................................................................................. 72
Capítulo 5 – Oxigenioterapia ....................................................................................... 73
Introdução ............................................................................................................... 73
Bases fisiológicas da oxigenioterapia ...................................................................... 73
Aplicação clínica......................................................................................................74
Introdução............................................................................................................ 74
Hipóxia ................................................................................................................ 75
Avaliação beira leito ............................................................................................. 76
Prescrição de oxigênio......................................................................................... 76
Métodos de administração de oxigênio ................................................................ 77
Efeitos colaterais do oxigênio .................................................................................. 78
Estresse Oxidativo ............................................................................................... 78
Atelectasias de Absorção .................................................................................... 78
Referência ............................................................................................................... 79
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva ................................................................. 80
Introdução ............................................................................................................... 80
Indicações ............................................................................................................... 80
Fisiologia da Ventilação Mecânica .......................................................................... 81
Média de pressão das vias aéreas....................................................................... 81
Efeitos pulmonares .............................................................................................. 82
Interação Cardiopulmonar ....................................................................................... 83
Efeito do volume pulmonar .................................................................................. 83
Tônus autonômico ............................................................................................... 83
Resistência vascular pulmonar ............................................................................ 83
Interação mecânica pulmão-coração ................................................................... 84
Ventilação altera a pressão intratorácica (PIT)..................................................... 84
Retorno venoso sistêmico .................................................................................... 84
Pré-carga do ventrículo esquerdo e interdependência ventricular ........................ 85
Pós-carga do ventrículo esquerdo ....................................................................... 85
Princípios da ventilação mecânica .......................................................................... 85
Ciclo Ventilatório .................................................................................................. 85
Variável Disparo (trigger) ..................................................................................... 86
Variável Alvo ........................................................................................................ 86
Variável Ciclagem ................................................................................................ 87
Curvas ventilatórias: análise gráfica ........................................................................ 88
Curva de fluxo-tempo........................................................................................... 88
Curva de pressão-tempo ..................................................................................... 90
Curva pressão-volume ......................................................................................... 91
Curva fluxo-volume .............................................................................................. 95
Modos ventilatórios convencionais .......................................................................... 98
Ventilação mandatória contínua ........................................................................... 98
Modo à Volume.................................................................................................... 98
Modo à Pressão................................................................................................... 99
Modo Mandatório Intermitente ........................................................................... 101
Modo Espontâneo .............................................................................................. 102
Ajustes de parâmetros ventilatório ........................................................................ 104
Frequência respiratória ...................................................................................... 104
Volume corrente ................................................................................................ 105
PEEP ................................................................................................................. 105
Fração inspirada de Oxigênio (FIO2) .................................................................. 106
Relação I:E ........................................................................................................ 106
Pico pressão ...................................................................................................... 107
Drive Pressure (∆P) ........................................................................................... 107
Alarmes ............................................................................................................. 107
Monitorização em Ventilação Mecânica ................................................................ 110
Sinais vitais ........................................................................................................ 110
Exame físico ...................................................................................................... 111
Avaliação ventilatória ......................................................................................... 111
Avaliação da oxigenação ................................................................................... 111
Sincronia paciente ventilador................................................................................. 113
Tipos de Assincronia.......................................................................................... 114
Cuidados durante a ventilação mecânica .............................................................. 118
Aristides Oliveira
Prevenção de Pneumonia associada à VM ........................................................ 118
Prevenção de estenose traqueal ....................................................................... 119
Prevenção de extubação acidental .................................................................... 119
Minimizar lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica ........................... 121
Ventilação mecânica em situações específicas ..................................................... 123
Ventilação Mecânica na Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo............. 123
Ventilação Mecânica no Paciente Neurológico .................................................. 125
Ventilação Mecânica na DPOC .......................................................................... 127
Fórmulas em cuidados respiratórios ...................................................................... 130
Referências ........................................................................................................... 135
Capítulo 7 – Ventilação mecânica não invasiva ........................................................ 139
Introdução .............................................................................................................139
Objetivos e indicações ....................................................................................... 139
Preditores de sucesso ou fracasso da VNI ........................................................ 139
Efeitos pulmonares e hemodinâmicos da pressão positiva .................................... 141
Insuficiência respiratória ........................................................................................ 142
Ventiladores e modos ventilatórios ........................................................................ 143
Ventilação controlada a volume ......................................................................... 143
Ventilação controlada a pressão ........................................................................ 143
Modo espontâneo .............................................................................................. 144
Modo assistido ................................................................................................... 145
Modo assistido controlado (A/C) ........................................................................ 145
Modo controlado (C) .......................................................................................... 145
CPAP (continuous positive airway pressure) ..................................................... 146
BiPAP (Bilevel Positive Airway Pressure) .......................................................... 146
Interfaces .............................................................................................................. 146
Umidificação durante a VNI ................................................................................... 148
Tipos de sistemas de humidificação .................................................................. 148
Como iniciar a VNI ................................................................................................ 149
Abordagem inicial ao paciente ........................................................................... 149
Monitorização .................................................................................................... 149
Avaliação clínica ................................................................................................ 149
Retirada da VNIPP ................................................................................................ 150
Uso nas principais situções clínicas ...................................................................... 150
DPOC ................................................................................................................ 150
ASMA ................................................................................................................ 151
SDRA/LPA ......................................................................................................... 152
Edema pulmonar cardiogênico .......................................................................... 153
Pós-operativo .................................................................................................... 153
Pós-extubação ................................................................................................... 154
Referências ........................................................................................................... 155
Capítulo 8 - Desmame da ventilação mecânica invasiva........................................... 158
Conceitos .............................................................................................................. 158
Fatores associados à interrupção do suporte ventilatório ...................................... 158
Problemas neurológicos .................................................................................... 159
Sistema respiratório ........................................................................................... 159
Fatores metabólicos e a função muscular respiratória ....................................... 159
Fatores das trocas gasosas ............................................................................... 160
Fatores cardiovasculares ................................................................................... 160
Início do processo de descontinuação do suporte ventilatório ............................... 160
Avaliação e monitorização ..................................................................................... 161
Índices preditivos de desmame da ventilação mecânica ....................................... 162
Teste de respiração espontânea ........................................................................... 163
Identificação de pacientes apropriados para TRE .............................................. 163
Método .............................................................................................................. 164
Critério para interromper o TER ......................................................................... 164
Razões para reintubar seguido sucesso no TRE ............................................... 165
Ventilação mecânica não invasiva no processo de desmame ............................... 165
Extubação ............................................................................................................. 166
Teste de Permeabilidade ................................................................................... 167
Rotina de extubação .......................................................................................... 167
Cuidados Gerais Pré-Extubação ........................................................................ 168
Complicações da extubação .............................................................................. 168
Referências ........................................................................................................... 169
Capítulo 9 – Cuidados com as vias aéreas ............................................................... 171
Intubação endotraqueal (assistência) .................................................................... 171
Indicações para intubação ................................................................................. 171
Avaliação das vias aéreas antes da intubação................................................... 171
Definição de via aéreas difícil ............................................................................ 173
Equipamento ..................................................................................................... 173
Pré-oxigenação.................................................................................................. 173
Posicionamento ................................................................................................. 174
Aristides Oliveira
Sinais de intubação endotraqueal ...................................................................... 175
Sinais de intubação esofágica ........................................................................... 175
Traqueostomia ...................................................................................................... 175
Indicações ......................................................................................................... 176
Técnica de realização ........................................................................................ 176
Complicações .................................................................................................... 177
Quando realizar a traqueostomia? ..................................................................... 178
Tipos de cânulas de traqueostomia ................................................................... 179
Alterações fisiológicas da traqueostomia ........................................................... 180
Manutençãoda via aérea ...................................................................................... 180
Fixação da via aérea artificial ............................................................................. 180
Fornecer meios de comunicação para o paciente .............................................. 181
Garantir adequada umidificação ........................................................................ 181
Minimizar a possibilidade de infecções .............................................................. 183
Auxiliar com o clearance das secreções ............................................................ 184
Fornecer cuidado apropriado do cuff, ................................................................ 184
Problemas relacionados à via aérea .................................................................. 185
Referências ........................................................................................................... 187
Capítulo 10 – Terapia de higiene brônquica (THB) ................................................... 189
Aspiração Traqueal ............................................................................................... 189
Indicações ......................................................................................................... 189
Contraindicações ............................................................................................... 190
Considerações prévias a aspiração ................................................................... 190
Monitorização dos efeitos .................................................................................. 190
Prática clínica .................................................................................................... 191
Hiperinsuflação Manual (HM) ................................................................................ 194
Compressão manual torácica ................................................................................ 194
Prática clínica .................................................................................................... 195
Contraindicações ............................................................................................... 195
Drenagem Postural ............................................................................................... 196
Complicações .................................................................................................... 196
Avaliação da necessidade ................................................................................. 197
Avaliação da resposta à terapia ......................................................................... 197
Monitorização .................................................................................................... 197
Frequência ......................................................................................................... 197
Posições ............................................................................................................ 198
Vibração e Percussão Torácica ............................................................................. 199
Contraindicações a terapia torácica....................................................................... 200
Ciclo ativo da respiração ....................................................................................... 200
Expiração lenta total com a glote aberta em decúbito lateral ................................. 201
Tosse .................................................................................................................... 202
Tosse dirigida .................................................................................................... 203
Técnica de expiração forçada (TEF) .................................................................. 203
Tosse assistida .................................................................................................. 204
Aumento do fluxo expiratório (AFE) ....................................................................... 205
Oscilação de alta frequência (OAF) ....................................................................... 205
Flutter ................................................................................................................ 206
Acapella ............................................................................................................. 207
Oscilação de alta frequência da parede torácica................................................ 209
Ventilação intrapulmonar percussiva ................................................................. 210
Evidência .............................................................................................................. 211
Considerações sobre a THB ................................................................................. 212
Algoritmos ............................................................................................................. 213
Referências ........................................................................................................... 215
Capítulo 11 - Terapia de expansão pulmonar (TEP) ................................................. 219
Introdução ............................................................................................................. 219
Perda de volume pulmonar ................................................................................... 219
Atelectasia ......................................................................................................... 219
Mobilização controlada .......................................................................................... 221
Posicionamento ................................................................................................. 221
Exercícios respiratórios ......................................................................................... 223
Respiração profunda.......................................................................................... 223
Pausa inspiratória .............................................................................................. 224
Respiração diafragmática .................................................................................. 225
Auxílio mecânico para aumentar o volume ............................................................ 225
Espirometria de incetivo ..................................................................................... 226
Ventilacão não invasiva por pressão positiva (VNIPP) ....................................... 228
Respiracão com pressão positiva intermitente (RPPI) ....................................... 228
Pressão positiva nas vias aéreas (EPAP) .......................................................... 230
Fluxograma ........................................................................................................... 233
Referências ........................................................................................................... 234
Capítulo 12 - Treinamento muscular respiratório ...................................................... 237
Aristides Oliveira
Introducão ............................................................................................................. 237
Definicão ............................................................................................................... 238
Fadiga muscular ................................................................................................ 238
Fraqueza dos músculos inspiratórios ................................................................. 238
Endurance .........................................................................................................239
Características clínicas.......................................................................................... 239
Função dos músculos respiratórios.................................................................... 239
Avaliação ........................................................................................................... 239
Princípios de treino ................................................................................................ 245
Sobrecarga ........................................................................................................ 245
Especificidade.................................................................................................... 245
Reversibilidade .................................................................................................. 246
Equipamentos para treino dos músculos inspiratórios ........................................... 246
Treino de força muscular ................................................................................... 246
Treinamento de endurante ................................................................................. 249
Implementando o treino muscular respiratório ....................................................... 252
Indicações ......................................................................................................... 252
Contraindicações ............................................................................................... 252
Questões prática ................................................................................................ 252
Monitoramento ................................................................................................... 253
Iniciando o treino ............................................................................................... 253
Interrupção do treino .......................................................................................... 253
Referências ........................................................................................................... 254
Capítulo 13 - Mobilização.......................................................................................... 257
Introdução ............................................................................................................. 257
Avaliação do paciente grave ................................................................................. 258
Efeito do imobilismo no paciente grave ................................................................. 260
Sistema cardiovascular ...................................................................................... 260
Sistema hematológico........................................................................................ 261
Sistema respiratório ........................................................................................... 261
Sistema musculoesquelético.............................................................................. 262
Sistema Nervoso ............................................................................................... 263
Sistema imunológico .......................................................................................... 264
Sistema Renal ................................................................................................... 264
Sistema endócrino ............................................................................................. 264
Sistema Gastrointestinal .................................................................................... 265
Fraqueza muscular adquirida na UTI..................................................................... 266
Definição............................................................................................................ 266
Etiologia ............................................................................................................. 266
Fisiopatologia .................................................................................................... 266
Manifestações clínicas ....................................................................................... 268
Métodos de avaliação ........................................................................................ 268
Mobilização precoce .............................................................................................. 270
Definição e benefícios da mobilização precoce no paciente grave .................... 270
Cuidados durante a mobilização precoce .......................................................... 272
Quando iniciar a mobilização precoce ............................................................... 272
Quando interromper a mobilização precoce ....................................................... 275
Recursos para realizar a mobilização precoce ...................................................... 276
Cinesioterapia (manual) ..................................................................................... 276
Eletroestimulação neuromuscular ...................................................................... 277
Cicloergômetro .................................................................................................. 281
Reabilitação Virtual ............................................................................................ 283
Protocolos ............................................................................................................. 285
1 - Gosselink, et al., (2011) ................................................................................ 285
2 – Hanekom, et al., (2011)................................................................................ 287
3 - França, et al., (2012) .................................................................................... 290
4 - Berry, et al., (2014) ....................................................................................... 291
5 - Sommers, et al., (2015) ................................................................................ 292
6 - Klein, et al., (2015)........................................................................................ 293
7 - Hillegass, et al., (2016) ................................................................................. 294
Referências ........................................................................................................... 295
Capítulo 14 – Fisioterapia no pós-operatório............................................................. 301
Introdução ............................................................................................................. 301
Resposta fisiológica a cirurgia ........................................................................... 301
Complicações pulmonares pós-operatória (CPPO) ............................................ 301
Fatores de risco .................................................................................................... 303
Fatores de risco relacionados ao paciente ......................................................... 303
Relacionados ao procedimento .......................................................................... 306
Estratificação de risco ........................................................................................... 308
Cardiovascular ................................................................................................... 308
Pulmonares ....................................................................................................... 313
Outros exames ...................................................................................................... 316
Aristides Oliveira
Radiografia de tórax e Gasometria arterial .........................................................316
Estatus funcional ............................................................................................... 316
Teste de função pulmonar ................................................................................. 317
Fisioterapia............................................................................................................ 317
Ventilacão mecânica no pós-operatório ............................................................. 318
Ventilação não invasiva no pós-operatório ......................................................... 319
Terapia de higiene brônquica............................................................................. 322
Treinamento muscular respiratório pré- e pós-operatório ................................... 322
Expassão pulmonar pré-, intra- e pós-operatório ............................................... 323
Mobilizacão pré- e pós-operatória ...................................................................... 325
Dor pós-operatória ............................................................................................. 327
Referências ........................................................................................................... 329
1
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
Anatomia das vias aéreas e segmentos pulmonares e lóbulos
Anatomia superficial dos lóbulos pulmonares
Os pulmões acedem acima da primeira costela. Durante a inspiração total o
lobo inferior desce até o nível de T10 posteriormente e o processo xifoide
anteriormente. As partes de todos os lóbulos pulmonares (superior direito, médio e
inferior; superior esquerdo e inferior) estão adjacente à parede torácica anterior,
enquanto somente partes dos ápices e bases são encontradas posteriormente. Ambas
as fissuras oblíquas (separando o ápice e lóbulo médio do lóbulo inferior). Ambas as
fissura oblíquas (separando o lobo superior e médio do lobo inferior) começa ao nível
da terceira-quarta vértebra torácica e segue até a sexta junção costocondral. A fissura
horizontal (encontrada somente no pulmão direito) segue o quarto espaço intercostal a
partir do esterno até encontrar a fissura oblíqua ao cruzar a quinta costela.
Consequentemente, ambos os lobos superiores (excluindo a língula) estão localizados
acima do processo espinhoso T3 ou espinha da escápula posteriormente e acima da 4ª
e 6ª cartilagem costal anteriormente. A língula e o lóbulo médio estão
predominantemente anteriores a linha medioaxilar e são encontrados entre a 4ª
cartilagem costal. Os lobos inferiores dos pulmões estão localizados entre os níveis T3
e T10 posteriormente (ou tão baixo quanto uma mão de largura abaixo do ângulo
inferior da escapula posteriormente no adulto) e lateralmente ao xifoesterno
anteriormente. Esse pontos de referências podem mudar de acordo com o ciclo
respiratório, doenças pulmonares, mudança no padrão ventilatório (figura 1).
Figura 1 Áreas de projeção dos lóbulos e das fissuras dos pulmões na superfície do corpo, vista
anterior, posterior e lateral.
Aristides Oliveira
Vias aéreas superiores
A faringe estende da base do crânio ao esófago e comunica-se com o nariz,
boca e laringe. A faringe serve como uma passagem comum para o ar e alimento; a
respiração e a deglutição não podem acontecer simultaneamente.
Fonação e prevenção de aspiração para a árvore traqueobrônquica são
importantes funções da laringe. A proteção de aspiração é alcançada por ação
esfictérica das pregas vestibulares e as pregas vocais. A laringe contem as cordas
vocais que vibram para produzir a fonação durante a expiração. A laringe é composta
principalmente da cartilagem tireoide e cricóide e o osso hioide. A cartilagem tireóidea
é composta por duas lâminas cartilagíneas unidas anteriormente na linha média do
pescoço formando a proeminência laríngea, em forma de crista visível sob a pele do
pescoço como o "pomo de Adão". Na borda superior da cartilagem tireóidea está
ligado o osso hioide pela membrana tireóidea. A epiglote projeta-se
superoinferiomente e se conecta na face posterior da língua. A cartilagem cricóidea
está ligada a borda inferior da cartilagem tireóidea pela membrana cricotireóideo que
pode ser palpada anteriormente logo abaixo do pomo de adão. Duas cartilagens
aritenóide articulam-se com o corpo superior da cricóide, a cartilagem aritenóide tem
dois processos em suas bases. Anteriormente, o processo vocal da inserção as cordas
vocais; lateralmente, o processo muscular é o local de inserção para os músculos
anterior e lateral cricoaritenóidea, esses músculos aduz e abduz as cordas vocais. O
par de cordas vocais e a elevação da aritenóide compreende a glote. A abertura
mediana entre as pregas vocais através da qual o ar passa se chama rima da glote, e
é mais estreita na parte onde a laringe repousa (figura 2).
Figura 2 Anatomia da laringe
Traqueia
A traqueia do adulto estende da borda inferior da cartilagem cricóide (que está
na altura da C6) a carina. A traqueia é composta por cerca de 18 a 22 cartilagens
flexíveis em formato de "C" com uma membrana posterior (Fig. 3). O comprimento
médio de 11,8 cm (variando de 10-13 cm) com o pescoço na posição neutra, enquanto
que na extensão do pescoço, o seu comprimento aumenta em 30% aproximadamente.
O formato traqueal varia ao longo do comprimento da traqueia e muda com inspiração,
expiração, tosse, ventilação mecânica e postura. A traqueia aumenta durante a
inspiração e contrai com a expiração. Devida à porção membranosa posterior ser
altamente complacente que a cartilagem anterior, é mais facilmente deformada
durante as mudanças de pressão intratraqueal. A complacência da traqueia diminui
3
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
com a idade, a calcificação das cartilagens pode ser vistas após os 35 anos e é quase
sempre vista em alguns graus naqueles pacientes com mais 60 anos.
Figura 3 Anatomia da traqueia.
Do brônquio ao alvéolo
Na carina a traqueia se bifurca em brônquio principal (1º geração) direito e
esquerdo (Fig. 4). O brônquio principal direito difere de muitas formas do esquerdo. O
direito geralmente é mais curto e mais largo e sai da traqueia em um angulo de cerca
15º, enquanto que o esquerdo em cerca 35º a linha média do plano sagital. Isso não
necessariamente ocorre. Também, o brônquio principal direito divide-se em três
brônquios lobares; o esquerdo apenas dois. O brônquio lobar suprem diferentes
lóbulos do pulmão, e suas ramificações dentro dos pulmões dão origem aos brônquios
segmentares ou terceira geração. Esses brônquios segmentares suprem a porção do
pulmão conhecida como segmento broncopulmonar. A distribuição desses segmentos
é ilustrada na Figura 4.
Figura 4 Seguimentos broncopulmonares.
Aristides Oliveira
O brônquio principal, lobar e segmentar normalmente permanecem patente
durante a inspiração e expiração e tosse, mas eles estão susceptíveis ao colapso com
mudanças na pressão intratorácica, Quando a pressão intratorácica excede a pressão
intraluminar em cerca de 50 cmH2O, como pode ocorre durante a expiração forçada,
os brônquios mais largos colapsam e limitam o pico de fluxo expiratório (peak
expiratory flow). Pequenos ramos brônquicos do brônquio segmentar, e seus
diâmetros, diminuem progressivamente de 3,5 a 1mm até, na 12º geração, a via aérea
cessa de ter cartilagem em suas paredes e passam a ser conhecidas como
bronquíolos. O calibre dos bronquíolos é influenciado pelo volume pulmonar. Cada
bronquíolo entra no lóbulo pulmonar e dão origem a sete bronquíolos terminais
(geração 12-16). O lóbulo pulmonar servido pelo bronquíolo terminar é denominado
ácinos. Os bronquíolos terminais são os últimos condutores de ar e obtém suprimentosanguíneo da circulação bronquial. Distalmente, a passagem de ar tem função de
troca gasosa e são supridos pela circulação pulmonar.
Além dos bronquíolos terminal (17-23 geração) os ácinos são compostos de
bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolo. Cerca de 20
alvéolos comunica-se com a câmara central do saco alveolar. Pequenas aberturas (5-
10µm de diâmetro) são encontradas nos alvéolos denominados de poros de Kohn,
permitindo a passagem de ar de um alvéolo para outro.
Os canais intrabronquiolar foram descritos por Martin (1966), e as
comunicações brônquio-alveolar por Lambert (1955) (Fig. 5). Os lóbulos comunicantes
são algumas vezes bífidos e conectados com os alvéolos adjacentes. Nas gerações
12-14 eles podem conectar com suas próprias subdivisões alveolares, mas na geração
14-16 (bronquíolos terminais) eles podem conectar a outros alvéolos (conexão
interacinar). Essas conexões são maiores (cerca de 30µm de diâmetro) que os poros
de Kohn e podem permanecer abertas independentemente da contração dos
músculos lisos brônquico. Eles são importantes vias para ventilação colateral e pode
ser altamente significante na reexpansão de vias aéreas colapsadas.
Figura 5 Potenciais vias do fluxo colateral.
5
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
Fisiologia da respiração
Mecânica respiratória
Vias aéreas e volumes pulmonares
A via aérea condutora incluem a traqueal e todos os ramos da via aérea para
baixo até os bronquíolos que são supridos com sangue da artéria bronquial. A via
aérea condutora não contém alvéolos, e não realiza troca gasosa, e, dessa forma,
constituem o que é conhecido como espaço morto anatômico. Distal aos bronquíolos
terminal, o bronquíolo respiratório, que contém o alvéolo, realiza a função de troca
gasosa e seu suprimento deriva da artéria pulmonar. Em função do vasto número de
ramos a velocidade do ar diminui consideravelmente. A difusão de oxigênio ocorre nos
capilares pulmonares adjacentes, e o CO2 difunde do sangue ao longo dos gradientes
de pressão parcial entre o sangue e as zonas respiratórias das vias aéreas.
O volume de gás no pulmão ao final da exalação tranquila é a capacidade
funcional residual (CFR). Os valores normais para os indivíduos em diferentes
posições são mostradas na tabela. A CRF é comumente utilizada como ponto de
partida para considerar o volume pulmonar, a CRF é o volume de gás deixado nos
pulmões após a expiração passiva e permite a mistura de gás e a troca gasosa ocorra
durante a pausa expiratória. Outros volumes pulmonares de importância clínica são a
capacidade vital (CV) e volume residual (VR). Todos os volumes exceto a CFR e VR
são mensurados pela espirometria (Fig. 6). A determinação do VR é sempre indireta,
sendo derivada da CRF. Várias técnicas são empregadas nesse sentido:
plestimografia de corpo interior, lavagem de nitrogênio (N2), técnica de diluição de
gases.
Figura 6 Subdivisão espirométrica do pulmão mostrando quatro volumes e quatro capacidades.
Cada capacidade é formada da combinação de dois ou mais volumes. VCIN =Capacidade Vital
Inspiratória; FVC =Capacidade Vital Forçada; FEV =Volume Expiratório Forçado; Ts =T s =Tempo
em segundos; IC=Capacidade Inspiratória; VT =Volume Corrente; e ERV =Volume de Reserva
Expiratória. Adaptado de: Costa e Jamami, (2001).
Pressão respiratória e Fluxo
Na CRF as forças de recolhimento elástico da parede torácica tende a
expandir, projetando-se para fora, e se equilibra com as forças de recolhimento
elástico do pulmão. A tração entre as duas superfícies pleurais geram uma pressão
pleural subatmosférica de 5 cmH2O na CRF. Devido a ausência de fluxo aéreo na
Aristides Oliveira
CRF, a pressão alveolar é atmosférica. A diferença entre as pressões pleural e
alveolar na CRF é de 5 cmH2O, e é conhecida como pressão transpulmonar. Com a
inspiração do volume corrente (geralmente 8-10 ml/kg), uma grande pressão
subatmosférica é gerada. A quantidade de aumento de pressão subatmosférica que é
gerada para produz a mudança no volume corrente é a medida da complacência.
Complacência é definida como modificação de volume por unidade de pressão
alterada. A pressão pleural pode ser estimada por um balão posicionado no terço
inferior do esófago. Se a pressão mensurada durante a inspiração é subatmosférica
ocorre a pressão alveolar. Se o fluxo inspiratório também for determinado, a
resistência da via aérea pode ser determinada, dividindo a pressão alveolar pelo fluxo.
Os valores normais para a resistência da via aérea e complacência bem como as
causas de anormalidades são mostrada na Tabela 1. A condutância da via aérea é
proporcional à resistência das vias aéreas. Existe uma linearidade entre a condutância
das vias aéreas e o volume pulmonar: Como o pulmão aumenta seu volume, o
diâmetro e comprimento das vias aéreas aumentam proporcionalmente fig.
TABELA 1 Definições, Requisitos de Medição, Valores Típicos e Causas de
Anormalidade para Complacência e Resistência.
Definição Mensuração Valores típicos
Complacênciaa Modificação de volume por
unidade de pressão
alterada.
Pressão estática e
volume
Pulmão/tórax = 50-100
ml/cmH2O
Resistênciab Diferença de pressão
necessária por unidade de
mudança de fluxo
Pressão dinâmica e
fluxo
0.5-1.5 cmH2O
(litros/segundo)
a. Baixa complacência ocorre com edema pulmonar, pneumonia, contusão pulmonar, fibrose intersticial, e
síndrome da angústia respiratória (SAR).
b. Alta resistência ocorre na asma, enfisema, bronquite, broncoespasmo, retenção de secreção nas vias
aéreas, compressão das vias aéreas, e estreitamento ou estenose.
Músculos respiratórios e caixa torácica
Devido ao formato das costelas e a forma em que os músculos intercostais
estão dispostos, em paralelo a circunferência do tórax, a espação anteroposterior e
lateral ocorre pela contração dos músculos intercostais. Durante a inspiração os
diâmetros anteroposterior e lateral aumentam, e as costelas são elevadas. O
movimento das costelas sobre seus eixos de rotação é análogo ao arco descrito pela
alça de balde. O ponto em que a distância radial do eixo de rotação é maior (onde a
alça deve ser pega) é anterior no tórax superior e mais lateral nas costelas inferiores.
O movimento do esterno durante a inspiração tem ação de alavanca movendo para
cima e para fora.
O diafragma é o músculo da inspiração mais importante. Na respiração
tranquila ele contribui com 70-80% do volume corrente. A contração do diafragma
causa decida da cúpula, espação da base do tórax, aumento na pressão
intrabdominal, e diminuição da pressão intratorácica. Na respiração com VC normal o
diafragma move cerca de 1cm; com exercício e inspiração e expiração forçada ele
pode se mover 10 vezes esse valor. O diafragma não é essencial para a respiração,
como há outros músculos acessórios da respiração. Quando o diafragma é paralisado,
ele move mais para cima que para baixo durante a inspiração, devido a queda da
pressão intratorácica. O músculo mais importante da expiração são os músculos
abdominais. Os músculos abdominais oblíquos interno e externo e transverso
7
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
comprimem o abdome, enquanto que o reto abdominal traciona as costelas
anteriormente para a sínfise púbica e comprime o abdome durante a expiração. Em
adição aos três maiores músculos da respiração, diafragma, os intercostais, e o
abdome, há músculos secundários. O escaleno eleva e fixa a 1º e 2º costela; o
esternocleidomastóideo eleva o esterno e pode ser importante meio de ventilação para
pacientes quadriplégicos, como eles são inervados pelo nervo acessório e C1-C3.
Troca gasosa
Pela lei de Graham, na qual a velocidade de difusão de um gás em meio
gasoso é inversamente proporcional à raiz quadradade seu peso molecular, vemos
que o oxigênio difunde mais rapidamente que o dióxido de carbono (peso molecular do
O2=32 e CO2=44). Um alvéolo normal tem cerca de 100µm de diâmetro, 80% de um
gás se difunde em menos de 0,002 segundos se a distância de difusão é de 0,5 mm.
No enfisema, a distância é muito maior, se a distância for de 7 mm, 0.38 segundos são
necessários para difundir 80% de um gás. A área da barreira sangue-gás é 50-100 m2,
e a diferença da pressão parcial na mistura alveolar venosa de O2 é 100-40 = 60
mmHg (respirando ar ambiente) e é 46-40 (CO2 alveolar) = 6 mmHg para o CO2. A
membrana alvéolo-capilar é normalmente menor que 0.5µm de espessura. Pela lei de
Fick a quantidade de gás transferida através dessa membrana é proporcional a área, a
constante de difusão, e a diferença na pressão parcial e inversamente proporcional a
espessura da membrana (Fig. 7). A constante de difusão é proporcional à solubilidade
do gás e inversamente proporcional ao peso molecular.
A difusão do gás ocorre entre uma fase gasosa (alvéolo) e uma fase líquida
(capilar pulmonar). Devido ao CO2 ser 25 vezes mais solúvel que o O2 na água na
pressão atmosférica, há difusão mais rápida de CO2 do capilar do que entrada de O2,
apesar de O2 ter difusão mais rápida na fase gás do alvéolo.
Fluxo sanguíneo pulmonar
O pulmão e coração são os dois únicos órgãos em que todo fluxo sanguíneo
passa completamente. O fluxo sanguíneo normalmente é mesurado como débito
cardíaco que varia de 5 a 15 litros/minuto em repouso e no exercício, respectivamente.
O coração direito bombeia sangue venoso para a artéria pulmonar. A artéria pulmonar
progressivamente se divide em pequenos vasos adjacentes aos ramos das vias
aéreas. Além do bronquíolo os ramos capilares da artéria pulmonar contem sangue
venoso. Os capilares pulmonares forma uma camada quase contínua de sangue
fluindo na parede alveolar na zona respiratória. As veias pulmonares deixam o leito
capilar e é composto por sangue oxigenado fluindo em vasos progressivamente
maiores, que se esvaziam no coração esquerdo. A representação diagramática da
pressão parcial de O2 e CO2 e as pressões intravasculares são mostradas na figura 8.
Figura 7 Difusão através de uma lâmina fina. A
quantidade de gás transferida é diretamente
proporcional à área (A), à constante de difusão (D) e a
diferença na pressão parcial (P1-P2), e inversamente
proporcional à espessura (E). A constante é
diretamente propor cional à solubilidade (Sol) do gás
e inversamente proporcional a raiz quadrada do seu
peso molecular (PM).
Aristides Oliveira
Figura 8 Na direita a PO2 (cima) e PCO2 (baixo) ilustração das mudanças do ar à mitocôndria. A
depressão na PO2 causada pela difusão e shunt está ilustrada. Na esquerda, pressões, expressam
em mmHg, na circulação pulmonar e sistêmica. Modificado de: Raff e Levitzky, (2012).
A resistência na circulação pulmonar normal é de cerca de um décimo da
resistência vascular sistémica (pulmonar normal = 50-150 dyn/seg/cm-5; sistêmica
normal = 900-1500 dyn/seg/cm-5). Toda a circulação flui através da vasculatura
pulmonar. Funcionalmente, é necessária menor capacidade regulatória do fluxo
sanguíneo pulmonar que na circulação sistémica, que distribui porções de circulação a
órgãos e tecidos acima ou distantes do coração. Há três tipos maiores de vasos
pulmonares: o vaso pulmonar, vaso alveolar, e os vasos maiores envolta do
mediastino. O capilar pulmonar é incomum à medida em que estão cercados por gás
nos alvéolos. Quando a pressão alveolar se eleva acima da pressão capilar pulmonar,
ocorre colapso do capilar e o fluxo sanguíneo é interrompido. Os vasos extra-
alveolares dentro do parênquima pulmonar respondem da mesma forma com as vias
aéreas e aumento de suas dimensões com aumento do volume pulmonar. Devida a
tração radial do parênquima pulmonar, a pressão nesses vasos extra-alveolares é
reduzido com aumento do volume pulmonar. Os maiores vasos envolta do mediastino
responde a pressão intrapleural. A pressão intrapleural pode ser menos
subatmosférica que a pressão dos vasos extra-alveolares devido às forças no interior
do parênquima. A vasculatura pulmonar é capaz de reduzir agudamente o aumento da
resistência vascular que pode normalmente ocorrer durante o aumento do fluxo
sanguíneo (e.g., durante o exercício). Os dois mecanismos que previnem o aumento
na pressão pulmonar são abertura de vasos previamente fechados (recrutamento) e o
aumento no calibre dos vasos já abertos (distensão).
. Se a diferença de pressão entre o alvéolo e o capilar pulmonar cai devido a
ambas elevação na pressão alveolar ou na diminuição da pressão capilar, a
resistência no capilar pulmonar se eleva por causa da compressão das finas camadas
dos capilares. A resistência continua a aumentar à medida que o gradiente transmural
entre as pressões alveolar e capilar cai. No ponto em que a pressão alveolar excede a
pressão capilar, a pressão transmural se torna positiva, o capilar pulmonar se fecha, e
o fluxo através dele cessa. Há um aumento na pressão vascular do ápice à base. Há
diferenças na perfusão (Q). O modelo de distribuição da (Q) é ilustrado na figura 9. Na
zona 1, a pressão alveolar (PA) é maior que outra artéria ou veia pulmonar. O capilar
pulmonar é comprimido, e não ocorre fluxo sanguíneo (ilustrado no lado direito do
diagrama). Na zona 2, a pressão da artéria pulmonar é maior que a alveolar, mas a
9
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
pressão alveolar é maior que a pressão venosa. O fluxo sanguíneo na zona 2 é
terminado pela diferença da pressão da artéria pulmonar e PA. O fluxo sanguíneo
progressivamente aumenta abaixo da zona 2 com aumento da pressão hidrostática da
artéria pulmonar e queda da pressão transmural. Na zona 3, a pressão vascular é
maior que a PA, e a pressão da artéria pulmonar é maior que a pressão venosa. O
fluxo sanguíneo na zona 3 é determinada pela diferença de pressões arteriovenosa.
A diferença regional também ocorre na ventilação (V). Na base dos pulmões,
quando o indivíduo está sentado ou em ortostase, a pressão pleural se torna menos
subatmosférica devido ao peso dos pulmões. Na CRF, a PA é atmosférica ao longo
dos pulmões. Entretanto, a diferença entre a PA e pressão pleural (pressão
transpulmonar) torna-se menor do ápice à base dos pulmões. A maior pressão
transpulmonar no ápice resulta na abertura periférica das vias aéreas e alvéolos,
entretanto na base, as vias aéreas e o alvéolo estão fechados a baixos volumes.
Normalmente, o alvéolo apical permanece aberto e tem volume. Eles estão na parte
superior da curva pressão/volume do pulmão ao fim da expiração. O alvéolo apical tem
menos potencial para mais aumento de volume durante a inspiração. Os alvéolos da
base estão vazios no final da expiração, e eles estão na parte inferior da curva
pressão volume. Com o volume corrente inspirado, o alvéolo apical é ventilado
inicialmente, pois eles estão abertos. Com o aumento do volume pulmonar, os
alvéolos basais abrem e recebem a maioria do volume corrente elevado. Dessa forma,
a ventilação é maior na base que no ápice. Como foi mostrado acima, não há perfusão
nos alvéolos apicais: o alvéolo apical, entretanto, está aberto e tem alguma ventilação,
assim, relativo à Q: a o excesso de V. A relação V/Q é maior que 1 e tende ao infinito,
desde que não há fluxo sanguíneo na zona 1. Na zona 2 há melhor relação V e Q. e
V/Q é mais próximo a 1. Na zona 3, devido ao flux sanguíneo (Q) aumenta mais que a
ventilação do ápice à base, a um excesso de Q sobre V. A relação V/Q na zona 3 é,
dessa forma, menos que 1.
Figura 9 As zonas pulmonares. Os efeitos da gravidade e da pressão alveolar sobre à perfusão do
pulmão.
Espaço morto e Shunt intrapulmonar
Considerando a zona 1 do pulmão, há excesso de ventilação sobre aperfusão.
O excesso de ventilação que não realiza troca gasosa é denominado espaço morto.
Alto V/Q causa espaço morto alveolar. A combinação do espaço morto anatômico e o
espaço morto ocorrendo devido ao excesso de ventilação sobre a perfusão na zona
respiratória é chamada de espaço morto fisiológico. O espaço morto fisiológico é
sempre maior que o espaço morto anatômico, pois é uma combinação de espaço
morto anatômico e alveolar. Quando ocorre excesso de perfusão sobre ventilação,
Aristides Oliveira
como na zona 3, alguns vasos capilares não entra em contato com o gás alveolar
através da membrana alvéolo-capilar, e a troca gasosa não ocorre. O sangue
desoxigenado é referido como shunt intrapulmonar ou mistura venosa. Ambos os
nomes são sinônimos como o sangue passa através dos pulmões e não são
oxigenados ou o CO2 não é removido. O shunt anatômico consiste em sangue venoso
sistêmico que chega ao ventrículo esquerdo sem ter passado pelas vasculatura
pulmonar. Hipoventilação causa hipoxemia se a taxa de suprimento de O2 do alvéolo é
menor que a taxa de remoção de O2 pelo sangue.
De longe, a mais comum e importante causa de hipoxemia é a relação V/Q.
Quando essa relação é maior que 1, há excesso de espaço morto ventilado, quando é
menor que 1, há mistura venosa. As possíveis relações V/Q são sumarizadas
sucintamente no diagrama O2-CO2 na figura 1.9. Em casos extremo onde a via aérea
está obstruída (v=0), mas o fluxo sanguíneo persiste (Q), há shunt intrapulmonar (lado
esquerdo do diagrama). O gás preso atrás da via aérea ocluído poderia ter
composição de sangue venoso misto, a saber, PO2=40mmHg e PCO2=45mmHg. No
extremo oposto, a ventilação ocorre e não há fluxo sanguíneo (lado direito do
diagrama); a composição do gás alveolar pode ser o mesmo do gás inspirado, a saber,
PO2=150mmHg e PCO2=0mmHg. Entre esses dois extremos é uma transição gradual
da relação V/Q que é descrita pela linha sólida. A figura 9 ilustra como a relação V/Q
diminui no ápice pulmonar. Note que ambos o fluxo sanguíneo e ventilação aumentam
do ápice à base, mas o fluxo sanguíneo aumenta mais que a ventilação. Como
resultado dessa diferença regional da V/Q, o O2 é mais elevado e CO2 é mais baixo no
ápice e o contrário é verdadeiro.
Figura 10 O efeito das mudanças na relação ventilação-perfusão sobre a PO2 e PCO2 alveolares.
A. V/Q normal. B. V/Q = 0. C V/Q infinita. As setas denotam a direção do fluxo sanguíneo. Adaptado
de: Raff e Levitzky, (2012).
Qual é a aplicação clínica do V/Q e shunt? O aumento da fração inspirada de
O2 (FIO2) não pode diretamente aumentar a oxigenação do shunt sanguíneo mas pode
melhorar o conteúdo de O2 no sangue passando através das unidades com baixo V/Q.
Em um paciente com pneumonia há hipoxemia durante a respiração do ar ambiente.
Um desequilíbrio V/Q ocorre quanto mais regiões do pulmão tornam-se zona 3 (baixo
V/Q). Se o O2 é oferecido, isso compensa o desequilíbrio V/Q e permite que a
perfusão excessiva de sague seja oxigenada. Com o progresso da pneumonia e a
FIO2 sejam aumentadas, mais vias aéreas se tornam obstruídas e atelectasia por
absorção ocorre. Quando ocorre atelectasias o desequilíbrio V/Q se torna shunt
intrapulmonar. Não há troca gasosa se o sangue passa pelo alvéolo colapsado. O
aumento da fração inspirada de oxigênio não melhora a oxigenação se a causa da
11
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
hipoxemia for shunt intrapulmonar. Aumento na FIO2 torna-se cada vez menos efetiva
com o desequilíbrio V/Q convertido em shunt intrapulmonar. A distinção entre o
desequilíbrio V/Q e o shunt intrapulmonar costumava ser feito mensurando a pressão
parcial de oxigênio (PaO2) a 100% de O2. Hipoxemia por shunt intrapulmonar não pode
ser melhorado pelo aumento da FIO2, e a PaO2 permanece baixa, enquanto a
hipoxemia devido ao desequilíbrio V/Q pode ser melhorado. Dois grandes erros
resultam dessa técnica: respirar 100% reverte a vasoconstricção hipóxica pulmonar1 e
desvia sangue para unidade de baixo V/Q, e 100% de O2 causa atelectasia por
absorção uma vez que o nitrogênio (do ar) é lavado.
Transporte do gás
O oxigênio é transportado fisicamente dissolvido no sangue é quimicamente
combinado com a hemoglobina (Hb) nas hemácias. A capacidade do oxigênio arterial
é determinada pelo produto do conteúdo de Hb, saturação arterial, e 1.39 ml/ml
(Quantidade de O2 capaz de combinar-se com 1 grama-molecular de Hb). O conteúdo
de oxigênio (CaO2) normal é aproximadamente 20ml/100ml de sangue. A entrega de
oxigênio aos tecidos é determinado pelo produto do CaO2 e débito cardíaco (DC).
Somente três variáveis que pode ser manipulada para melhorar a entrega de O2 para
os tecidos, são Hb, DC e saturação arterial de O2.
Dissociação da Oxi-hemoglobina
A forma da curva de dissociação da oxi-hemoglobina (HbO2) favorece a
dissociação da HbO2 no capilar sanguíneo suprindo células metabolicamente ativa, e a
Hb se desliga do O2 especialmente fácil na amplitude de PO2 de 20-40mmHg onde a
curva é tão íngreme, Isso significa que uma pequena diminuição na PO2 pode resultar
em substancial dissociação adicional entre oxigênio e hemoglobina, liberando mais
oxigênio para ser utilizado pelos tecidos (Fig. 11). A curva da HbO2 desloca para a
direita, ou seja para um dado PO2 existe menos O2 ligado a Hb, com a diminuição do
pH, aumento da PCO2, aumento da temperatura, (2-3-difosfoglicerato (2-3-DPG) e
anemia. Em estados de baixa perfusão tecidual quando ocorre a acidose, a curva
desloca para a direita, e a liberação de O2 é facilitada, pois no mesmo PO2 o sangue
é menos saturado. A diferença entre a quantidade de saturação de O2 em diferentes
níveis pH e PCO2. auto pH e baixa PCO2 desvia a curva para a esquerda assim como
baixo pH e alta PCO2 desvia a curva para a direita, essa influência do pH (PCO2) é
conhecido como efeito Bohr e resulta em O2 extra disponível para os tecidos com
queda do pH e aumento da PCO2.
Curva de dissociação do CO2
O dióxido de carbono é transportado no sangue sob as seguintes formas:
dissolvido (5-10%), quimicamente ligado a aminoácidos (5-10%) e como íons
bicarbonato (80-90%). A saturação de O2 do sangue também influencia o carreamento
de CO2. Sangue dessaturado pode carregar mais CO2 que o oxigenado, esse efeito de
transporte de CO2 é chamada de efeito Haldane. A curva de dissociação do CO2 difere
da dissociação da HbO2 por que na amplitude fisiológica dele é essencialmente linear
(Fig. 12).
1 O mecanismo da vasoconstrição pulmonar hipóxica não é bem compreendido. A reposta ocorre
localmente, apenas na área da hipóxia alveolar. Ela também pode agir diretamente sobre o músculo liso
vascular pulmonar para produzir vasoconstrição pulmonar hipóxica. Ela também inibe uma corrente de
efluxo de potássio, o que leva a despolarização das células musculares lisas vasculares pulmonares,
permitindo a entrada de cálcio nessas células e provocando contração.
Aristides Oliveira
Figura 11 Os efeitos do pH (A), da PCO2, (B), da temperatura (C) e do 2,3-DPG (D) sobre a curva de
dissociação da oxi-hemoglobina.
Se a ventilação alveolar é duplicada, o CO2 alveolar é reduzido pela metade, se
a ventilação alveolar é reduzida pela metade o CO2 alveolar é duplicado. Isso nos diz
que se atelectasia ou outra patologia no pulmão impede a remoção adequada de CO2
na doença pulmonar, hiperventilação no pulmão bom pode compensar e prevenir
aumento do CO2 arterial acima do valor normal de 40 mmHg.
Figura 12 As curvas de dissociação do dióxido de carbono para o sangue (37ºC) com diferentes
saturações da oxi-hemoglobina. Observar que a ordenada é o conteúdo de CO2 no sangue em
mililitros de CO2 por 100ml de sangue. a, ponto arterial; v, ponto venosos misto.
Diagrama O2-CO2
As curvas de dissociação do O2 eCO2 podem ser traçadas juntas para mostra
a saturação de O2 a uma dada PO2 e PCO2. O diagrama permite que a saturação
arterial seja determinada quando a PCO2 seja maior ou menor que 40mmHg. A baixa
saturação arterial pode ocorrer por causa do efeito de aumento da PCO2.
O efeito das mudanças na relação V/Q mostra outra aplicação que essa
informação pode ser obtida do diagrama O2-CO2 em que uma única linha representa
todo o espectro de possíveis relações V/Q. O resultado da análise da PO2 e PCO2
13
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar
alveolar em qualquer ponto da curva é obtido da ordenada. No extremo do espaço
morto mostra, no ponto ar inspirado, contem nenhum CO2 e tem um O2 de 150mmHg
(Fig. 10C). Isso é quantitativamente similar ao ápice ou zona 1. No outro final da curva,
que mostra o "verdadeiro" shunt intrapulmonar, a tensão do gás alveolar é o mesmo
daquele encontrado na mistura venosa, a saber, O2=40mmHg e CO2=45mmHg (Fig.
10B). O espectro de V/Q crescente e decrescente em ambos os lados do ponto A
representa o desequilíbrio V/Q, a causa mais comum de hipóxia. O ponto A (Fig. 10A)
descreve o alvéolo ideal onde a ventilação e perfusão são iguais, similar a zona 2.
Muco respiratório
O volume normal de secreção traqueobrônquica é estima-se uma variação de
10 a 100 ml/dia. O muco cobre a via aérea do alvéolo até a traqueia e tem espessura
de 2-5µm. A secreção é uma mistura heterogenia derivada de muitas fontes. Os quatro
maiores constituintes são glicoproteínas (MGP), lipídeos, proteínas e água. As células
produtora de secreção incluem célula alveolar tipo II, células de clara, células
caliciformes, células glandulares mucosa e serosa da superfície do epitélio. As células
caliciformes estão em todo o trato respiratório até o ducto alveolar, onde as células de
claras2* são encontradas.
O muco desempenha importantes funções de defesa das vias aéreas, incluindo
uma fina camada de revestimento que captura materiais particulados e
microrganismos; um meio móvel que pode ser propulsionado pelos cílio; uma camada
a prova d'água que atua reduzindo a perda de líquido através das vias aéreas; e um
meio que transporta substâncias essenciais secretadas, como enzimas, defensinas,
colectinas, antiproteases e imunoglobulinas. O mecanismo de defesa do muco pode
ser sobrecarregado pela excessiva secreção ou um aumento nas proteínas ou células.
As secreções não infectadas traqueobrônquicas são constituídas por 95% de água, 2
a 3% de glicoproteínas e pequena quantidade de algumas outras proteínas e lipídeos.
A glicoproteína "mucosa" é que lhe confere as importantes qualidades viscoelásticas e
a permeabilidade seletiva que possuem. Durante processos inflamatórios, grades
quantidades de macromoléculas, como DNA e actina polimerizada provenientes de
leucócitos, podem ser encontradas no muco, aumentado marcadamente sua
viscosidade.
A secreção de muco da árvore brônquica encontra-se basicamente sob
controle colinérgico. A metacolina estimula sua produção tanto por células de
glândulas mucosas como serosas. Todavia, o controle adrenérgico também deve estar
presente, com os agentes β-adrenérgicos estimulando a secreção mucosa e os α-
adrenérgicos, a secreção serosa.
. O macrófago pulmonar tem função como a primeira linha de defesa contra
partículas inaladas, recrutando outros tipos de células para o pulmão inflamado, e
participa no processo de secreção do muco. A secreção dos macrófagos aumenta a
secreção de glicoproteína em estados de inflamação pulmonar e na bronquite
relacionada ao tabagismo.
2* Além da função secretora, também exerce o papel na inativação de substância inalada, possuindo
enzimas oxidativas.
Aristides Oliveira
Referências
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Aristides Oliveira
Capítulo 2 – Anatomia e fisiologia cardíaca
Anatomia superficial do coração
Morfologia cardíaca
O coração é essencialmente uma bomba muscular, possuindo duas câmaras
de recepção, o átrio direito e esquerdo, e duas câmaras de bombeamento principais, o
ventrículo direito e esquerdo. O coração está situado no tórax, posteriomente ao
esterno e às cartilagens costais, e repousa na superfícies posterior do diafragma (Fig.
1). O coração posiciona-se obliquamente no tórax, com seu ápice voltado
anteriormente e à esquerda da linha média do corpo, entre a quinta e a sexta costela
logo abaixo do mamilo esquerdo. A base do coração é sua ampla superfície posterior.
O coração possui quatro margens definidas por quatro pontos na parte anterior do
tórax. A partir da segunda costelas, o ponto superior direito situa-se onde a cartilagem
costal da terceira costela se une ao esterno, o pontos superior esquerdo está na
margem inferior da cartilagem costal da segunda costela, o ponto inferior direito está
situado na cartilagem costal da sexta costela, e finalmente, o ponto inferior esquerdo,
ponto do ápice, situa-se no quinto espaço intercostal na linha medioclavicular.
Figura 1 Localização do coração no tórax. Relação do coração como esterno e as costelas em
uma pessoa deitada. (Em uma pessoa em pé, o coração situa-se ligeiramente abaixo dessa
posição.
O coração é revestido pelo pericárdio que é um saco de camada tripla que
confina o coração. A camada externa é o pericárdio fibroso, que adere inferiormente
ao diafragma e superiormente funde-se às raízes dos grandes vasos que entram e
saem do coração. Logo abaixo do pericárdio fibroso encontra-se a camada dupla do
pericárdio seroso. A lâmina parietal externa do pericárdio seroso adere à superfície
interna do pericárdio fibroso, a lâmina visceral ou epicárdio é considerada parte
integrante da parede cardíaca. Entre as lâminas há um espeço similar a uma fenda, a
cavidade do pericárdio, onde contém um fluido seroso, esse fluido tem função de
diminuir o atrito entre o coraçao e a parede externa do saco pericádio durante os
batimentos cardíaco.
As paredes do coração possuem três camadas, epicárdio superficial, também
conhecido como lâmina visceral do pericárdio seroso, miocárdio intermediário,
músculo do coração, e endocárdio profundo, reveste as câmaras cardíacas e cobre as
valvas cardíacas.
17
Capítulo 2 – Anatomia e Fisiologia cardíaca
O coração possui duas câmaras, superiores, átrios e duas inferiores,
ventrículos, que pode ser divido em coração direito e coração esquerdo cada um
contendo um átrio e um ventrículo. Em seu interior, o coração é dividido
longitudinalmente por uma parede, septo interatrial entre os átrios e pelo septo
interventricular entre os ventrículos. O átrio direito recebe o sangue com baixo teor de
oxigênio que volta da circulação sistêmica, através das veias cava superior, inferior e
seio coronário. O átrio abre-se para o ventrículo direito através da valva atrioventricular
direita (valva tricúspide). O ventrículo forma a maior parte da face anterior do coração.
Ele recebe sangue do átrio direito e o bombeia para a circulação pulmonar via artéria
tronco pulmonar. Faixas finas e fortes chamadas cordas tendínea, projetam-se acima
dos músculos papilares até as membranas (cúspides) da valva atrioventricular.
Superiormente, a abertura entre o ventrículo direito e o tronco pulmonar contém a
valva do tronco pulmonar (valvas semilunares). O átrio esquerdo corresponde à maior
parte da face posterior do coração, ou base. Ele recebe sangue com alto teor de
oxigênio que retorna dos pulmões por duas veias pulmonares direita e esquerda, o
átrio esquerdo abre-se para o ventrículo esquerdo através da valva atrioventricular
esquerda (mitral). Por sua vez, o ventrículo esquerdo forma o ápice, bombeia o
sangue na circulação sistêmica. Assim como o ventrículo direito, ele contém músculos
papilares e cordas tendínea. Superiormente, o ventrículo abre-se para o tronco arterial
da circulação sistema (a aorta) onde se encontra a válvula da aorta também forma por
válvulas semilunares. A função das valvas é permitir o fluxo sanguíneo e evitar o
refluxo sanguíneo em respostas às diferenças na pressão arterial de cada lado delas.
Os músculos papilares tracionam as cordas tendínea impedindo a eversão das valvas
atrioventriculares. A figura 2 ilustra a função das valvas.
Figura 2 Função das valvas atrioventricular (imagem superior) e valvas semilunares (imagem
inferior).
Aristides Oliveira
O fechamento das valvas provoca vibrações no sangue adjacente e nas
paredes cardíacas as quais contribuem para os sons familiares de "lub-dub" de cada
batimento cardíaca: o som "lub" é produzido pelo fechamento das valvas AV no início
da contração ventricular; o "dub" resulta do fechamento das valvas semilunares no
final da contração ventricular. A valva AV esquerda fecha um pouco antes da AV
direita e a valva aorta geralmente fecha logo antes da valva do tronco pulmonar.
Percurso do sangue através do coração
O sangue proveniente das regiões do corpo acima do diafragma (excluindo a
parede cardíaca) entra no átrio direito pela veia cava superior; o sangue que volta das
regiões do corpo abaixo do diafragma entra pela veia cava inferior; e o sangue que
escoa da própria parede do coração é coletado pelo átrio direito através do seio
coronário. O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através da valva AV
direita, impelido pela gravidade e pela contração do átrio direito. Em seguida o
ventrículo contrai, impulsionando o sangue que passa pela valva do tronco pulmonar,
depois de recém-oxigenado, o sangue retorna por quatro veias pulmonares até o átrio
esquerdo e passa pela valva AV esquerda, seguindo para o ventrículo esquerdo,
impelido pela gravidade e contração do átrio esquerdo. Então o ventrículo esquerdo
contrai e impulsiona o sangue pela valva da aorta.
Circulação Coronária
O miocárdio possui sua própria rede de vasos sanguíneos. As artérias
coronárias se originam a partir da parte ascendente da aorta e circundam o coração
(Fig. 2.3). Duas artérias coronárias, direita e esquerda, fornecem sangue oxigenado. A
artéria coronária esquerda passa inferiormente à aurícula esquerda, dividindo-se em
ramos intraventricular anterior e circunflexo enquanto que a artéria coronária direita
fornece pequenos ramos para o átrio direito e termina se dividindo em ramos
marginais direito e interventricular posterior. A maior parte do sangue desoxigenado
provenientes do miocárdio drena para um grande seio vascular, chamado de seio
coronário. O sangue no seio coronário drena para o átrio direito. As principais
tributárias que levam sangue para o seio coronário são: veia cardíaca magna,
interventricular posterior, parva e anteriores do ventrículo direito.
Figura 3 Ilustracão das irrigacão cardíaca artérias e veias, (visão anterior, à esquerda, visão
posterior à direita).
19
Capítulo 2 – Anatomia e Fisiologia cardíaca
Fisiologia cardíaca
Coordenação dos eventos cardíacos
A atividade mecânica do coração é precisamente regulada com a atividade
elétrica do coração. Os eventos elétricos e mecânico são sumarizados na figura 4.
Esses eventos incluem propagação da onda de excitação elétrica através do
miocárdio, resultando na sequência de contração do átrio ao ventrículo seguido por
mudanças dinâmicas na pressão e no volume sanguíneo nas câmaras cardíacas, os
sons cardíacos e o tempo desses eventos. O ciclo cardíaco ocorre em 0.8 segundos
quando numa frequência de 75 batidas por minuto. A sístole ventricular ou ejeção
ocorre em cerca de um terço desse tempo. Seu início e término são marcados
respectivamente pelo fechamento e abertura das válvulas AV (mitral e tricúspide).
Diástole ou período entre sucessivas sístoles ventriculares em que o ventrículo enche
de sangue ocorre em dois terços de 0.8 segundos de cada ciclo cardíaco.
Figura 4 Ciclo cardíaco. (a) ECG, (b) Alteração na pressão atrial esquerda (linha verde), pressão
ventricular esquerda (linha azul) e pressão aórtica (linha vermelha), à medida que relacionam com
a abertura e o fechamento das valvas do coração. (c) Bulhas cardía cas. (d) alterações no volume
ventricular esquerdo.
Evento elétrico
O ciclo cardíaco é iniciado quando o potencial de ação é disparado no nodo
sino atrial (SA) causando uma onda de despolarização que primeiro se espalha pelo
do átrio. O impulso é conduzido ao nodo atrioventricular (AV) e finalmente aos
ventrículos. Campos de potencial elétrico provocados pela atividade elétrica do
coração estendem-se pelo tecido corporal e podem ser medidos com eletrodos
colocados na superfície do corpo como o eletrocardiograma (ECG). Os traçados do
ECG, onda P, representa a despolarização atrial. A primeira deflexão negativa, a onda
Aristides Oliveira
Q, é normalmente pequena e pode nem sempre ser vista. A deflexão positiva após a
onda Q (ou segunda deflexão positiva se não houver onda Q) é a onda R. A onda S é
uma deflexão negativaapós a onda R. O complexo QRS representa a despolarização
ventricular. Após uma pausa, a onda T segue a onda S. A onda T representa a
repolarização ventricular.
Fases da sístole e diástole
A sístole ventricular normalmente têm quatro fases: (1) período de contração
isovolumétrica, Durante esse período, a pressão ventricular eleva, mas não ocorre
nenhuma mudança no volume ventricular, pois a valvas mitral e aórtica estão
fechadas, uma vez que as valvas se abrem ocorre o (2) período de ejeção rápida, e (3)
período de ejeção lenta, as pressões ventricular e aórtica começam a diminuir.
Quando a pressão ventricular está abaixo da pressão aórtica, a valva aórtica se fecha,
marcando o período de relaxamento isovolumétrico, início da diástole. Note que o
ventrículo não ejeta todo o sangue do seu conteúdo, o sangue restante é conhecido
como volume sistólico final.
A diástole ventricular também têm três fases: fase de enchimento rápido
passivo, ocorrendo logo após a abertura das valvas AV, diástase (fase de enchimento
gradual), e a fase de enchimento rápido ativo.
Sons cardíacos
Durante cada ciclo cardíaco, há quatro bulhas cardíacas, mas em um coração
normal a primeira e segunda são altas o bastante para serem ouvidas com um
estetoscópio. O primeiro som (S1) é descrito como um som de baixa frequência e
longa duração seguida por um segundo som (S2) de alta frequência e curta duração
que se assemelha ao som fonético de LUB-dub. O S1 está associado com o
fechamento da valva semilunar. Na inspiração a valva aórtica fecha alguns
milissegundos antes da valva pulmonar, resultando na divisão do segundo som
cardíaco, S2. Durante a inspiração, a pressão intratorácica torna-se mais negativa, por
isso a ejeção pulmonar é prolongada nessa situação, e o fechamento da valva
pulmonar é atrasado. A presença do terceiro ou quarto som cardíaco é geralmente
considerado como anormal. S3 é geralmente associado com a fase de enchimento
rápido passivo, e S4 com a fase de enchimento rápido ativo.
Mudanças de volume e pressão
As mudanças na curva de volume ventricular e na onda de pressão aórtica
refletem mudanças na pressão atrial e ventricular durante a sístole e diástole. A
sequência de eventos (descritas na figura 4): despolarização do miocárdio; contração
ventricular; fechamento das valvas tricúspide e mitral; aumento da pressão e excesso
de pressão pulmonar e aórtica; abertura das valvas pulmonar e aórtica; ejeção
completa; queda da pressão abaixo das pressões pulmonar e aórtica; fechamento das
valvas pulmonar e aórtica; abertura das valvas mitral e tricúspide; enchimento
diastólico e despolarização do miocárdio.
Os gradientes de pressão dentro do coração são responsáveis pela abertura e
fechamento das valvas. Essa coordenação durante a abertura e fechamento é
21
Capítulo 2 – Anatomia e Fisiologia cardíaca
importante na promoção do movimento unidirecional prevenindo ineficiência mecânica
da bomba cardíaca resultante da regurgitação de sangue valvar durante a contração
ventricular.
Influências sobre o volume sistólico
Efeito de alterações na pré-carga ventricular: Lei de Starling do coração
O volume de sangue que o coração ejeta em cada batimento pode variar
significativamente. A lei de Starling afirma que, mantendo os outros fatores
inalterados, o volume sistólico aumenta quando o enchimento cardíaco aumento. O
aumento da pré-carga muscular irá aumentar a taxa de encurtamento durante uma
contração subsequente com uma carga total fixa (Fig. 5A), lembrando-se da natureza
da relação comprimento-tensão: uma pré-carga aumentada é necessariamente
acompanhada por um aumento inicial no comprimento da fibra muscular. Dessa forma,
quando um músculo parte de um comprimento maior, ele tem uma maior distância
para encurtar antes de atingir o comprimento em que sua capacidade de gerar tensão
é maior do que a carga que ele suporta. Aumentos na pré-carga ventricular aumentam
tanto o volume diastólico final quanto o volume sistólico quase igualmente (Fig. 5B).
Figura 5 Efeito de alterações da pré-carga sobre o encurtamento do músculo cardíaco durante a
contração pós-carga (A) e no volume sistólico ventricular (B).
Efeito de mudanças na pós-carga ventricular
A pós-carga aumentada, com uma pré-carga constante, tem um efeito negativo
sobre o encurtamento do músculo cardíaco, nesse caso, o músculo não pode encurtar
além do comprimento em que seu potencial de gerar o pico de tensão isométrica se
iguala à carga imposta sobre ele.
Efeito de alterações na contratilidade cardíaca
Já foi visto que a ativação do sistema nervoso simpático resulta na liberação de
noradrenalina a partir dos nervos simpáticos cardíacos, que aumentam a contratilidade
das células musculares cardíacas isoladas. Isso resulta em um desvio para cima no
pico isométrico da curva comprimento-tensão. tal desvio resultará em um aumento do
encurtamento do músculo em contração com pré-carga e carga total constantes. A
noradrenalina liberada vai aumentar o volume sistólico diminuindo o volume sistólico
final (volume de sangue que permanece no ventrículo após a contração) sem
influenciar diretamente o volume diastólico final.
Aristides Oliveira
Além dessas alterações na taxa de encurtamento do cardiomiócito, um
aumento na contratilidade irá causar também uma elevação na taxa de
desenvolvimento de tensão e de encurtamento do cardiomiócito. Isso resultará em
aumento na taxa de desenvolvimento de pressão isovolumétrica (dP/dt) e na taxa de
ejeção durante a sístole.
O resumo dos determinantes do débito cardíaco está ilustrado na figura 6. A
FC é controlada por influência cronotrópica sobre a atividade elétrica espontânea das
células do nodo SA. O nervo parassimpático tem efeito cronotrópico negativo, e os
simpáticos positivo, sobre o nodo SA. O volume sistólico é controlado por influências
no desempenho contrátil do músculo cardíaco ventricular. As três diferentes
influências sobre o VS são contratilidade, pré-carga e a pós-carga.
Figura 6 Influências sobre o débito cardíaco.
A vasculatura
O sangue ejetado para o interior da aorta pelo coração esquerdo passa
consecutivamente através de muitos tipos diferentes de vasos antes de retornar para o
coração direito. As principais classificações dos vasos são as artérias, arteríolas,
capilares, vênulas e veias. Esses segmentos distinguem-se uns dos outros por meio
de diferenças nas dimensões físicas, características morfológicas e função. Todos os
vasos têm em comum é o seu revestimento por uma camada única contígua de
células endoteliais.
A estrutura básica de um vaso sanguíneo é constituída de três camadas, ou
túnicas, da mais interna para a mais externa, é a túnica íntima, média e externa. O
controle dos vasos sanguíneos é amplamente influenciado pelas alterações na
atividade dos nervos simpáticos que inervam as arteríolas. Esses nervos liberam
noradrenalina que interagem com os receptores α-adrenérgicos nas células do
músculo liso, a contração resulta em redução do diâmetro arteriolar que por sua vez
aumenta a resistência vascular e diminui o fluxo sanguíneo. As vênulas e veias
também são ricamente inervadas por nervos simpáticos que contraem quando esses
nervos são ativados. O mecanismo é o mesmo do envolvido nas arteríolas. Assim, o
aumento da atividade simpática é acompanhado de redução do volume venoso.
23
Capítulo 2 – Anatomia e Fisiologia cardíaca
Hemodinâmica
O fluxo sanguíneo através de todos os órgãos é passivo e ocorre apenas
porque a pressão arterial é mantida mais alta do que a pressão venosa pela ação de
bombeamento do coração. A bomba cardíaca direita fornece a energia para mover o
sague através dos órgãos sistémicos. Dessa forma a relação entre o fluxo, diferença
de pressão (∆ܲ) e resistência é descrita pela equaçãobásica de fluxo:
ܨ݈ݑݔ =
∆
௦௦௧ê
ܳ = ∆
ோ
Onde: Q= intensidade de fluxo, ∆P= Diferença de pressão (mmHg) e R = Resistência
ao fluxo (mmHg x tempo/volume)
A quantidade de sangue advinda de cada ventrículo bombeada por minuto
(débito cardíaco [DC]) depende do volume de sangue ejetado em cada batimento (o
volume sistólico [VS)] e do número de batimento cardíacos por minuto (frequência
cardíaca [FC]), como se segue:
ܦܥ = ܸܵ × ܨܥ (Volume/minuto = Volume/batimento X batimento/minuto)
A lei de Poiseuille afirma que o fluxo através de um cilindro rígido varia
diretamente com o gradiente de pressão e inversamente com o raio elevado a quarta
potência, e proporcional ao comprimento do tubo e a viscosidade do fluído. É óbvio, o
fluxo sanguíneo através do sistema cardiovascular não satisfaz os critérios
especificados por Poiseuille, mas essa lei é útil para explicar a relação entre os fatores
que influencia a resistência vascular. Isso significa que mesmo pequenas alterações
no raio do vaso pode resultar em grande aumento da resistência:
ܴ =
8ܮ݊
ߨݎସ
Onde: r = é o raio interno do tubo, L = é o comprimento do tubo e n = é a
viscosidade do líquido.
Controle da circulação sistêmica
O tônus das arteríolas determina a velocidade do fluxo em direção aos leitos
capilares. Os fatores que influenciam o tônus arteriolar incluem o controle autonômico,
hormônios circundantes, fatores do próprio endotélio e concentração local de
metabólitos. As arteríolas são inervadas por fibras nervosas simpáticas, esses nervos
liberam noradrenalina que interagem com os receptores α-adrenérgicos nas células do
músculo liso, para provocar contração, resultando em constrição arteriolar. A redução
do diâmetro arteriolar aumenta a resistência vascular e diminui o fluxo sanguíneo.
O músculo liso arteriolar também é muito responsivo a mudanças nas
condições químicas locais dentro de um órgão que acompanham mudanças nas taxas
metabólicas do tecido leva à dilatação arteriolar e ao aumento do fluxo sanguíneo do
tecido. O endotélio vascular tem um importante papel na regulação local do tono
muscular liso vascular. O endotélio participa nas respostas vasodilatadoras,
vasoconstrictoras, e nas adaptações vascular de longo termo. Ele libera pelo menos
Aristides Oliveira
dois potentes substâncias vasodilatadoras, óxido nítrico e protaciclina, em respostas
nas concentrações químicas dentro do sangue.
Controle da pressão arterial
A pressão arterial (PA) pode ser definida como a pressão exercida pelo sangue
contra as paredes dos vasos sanguíneos. Possui a importante função de permitir a
correta perfusão sanguínea dos órgãos. A regulação da PA pode ser regulada de
forma rápida ou neural (i.e., barorreflexo) ou lenta ou hormonal (i.e., sistema renina-
angiotensina-aldosterona) figura 7.
Os barroreceptores localizados dentro do arco aórtico e no seios carotídeos
detectam o aumento na PA. Esses mecanoreceptores são ativados quando distendido,
e subsequentemente enviam o potencial de ação para região rostral ventrolateral da
medula (RRVL; localizado na medula oblonga do tronco cerebral) que propara mais o
sinal, através do sistema nervo autonômico, ajustanto a resistência periférica total
através da vasodilatação (i.e., inibição simpática), e reduz o DC atráves do eveito
inotropico negativo e contrnotrópico (i.e., ativação parasimpática). Contrariamente, os
barroreceptores dentro da veia cava e veias pulmonares são ativadas quando a PA
cai. Esse feedback resulta em liberação de hormônio antidiurético. O sistema renina-
angiotensina-aldosterona também é ativado. O subsequente aumento no volume
sanguíneo resulta no aumento da PA. O reflexo barroreceptor involve o alongamento
dos receptores localizados dentro do átrio; similar aos mecanoreceptores no arco
aórtico e senio carotídeo, os receptores são ativados quando são distendidos (como o
átrio se torna preenchido de sangue). entretanto, deferente de outros
mecanoreceptores, os receptores do átrio aumentam a presssão arterial através da
ativação simpatética (primeiro na medula, então subsequente no nodo SA), assim
aumento no DC e aliviando o aumento do volume sanguínio que causou pressão no
átrio.
Em adição ao sistema nervoso autonômico, a função cardiovascular é também
influenciada por numerosos horômonios. Liberadas da glândula adrenal, epinefrina,
dopamina (e utimamente, noraepinefrina) estão todas envolvidas na iniciação da
resposta "fuga-ou-luta", enquanto vasopressina, renina, algiotensina, aldosterona, e
peptídeo natriurético estão todos envolvidos na reabsorção de água para propósitos
de regulação da PA. A PA é regulada através do sistema de vasoconstricção e
vasodilatação (i.e., resistência vascular). A mudança na resistência do vaso é
proporcional ao comprimento do vaso (L) e a viscosidade (n) do sangue e
inversamente proporcional ao rádio do vaso elevado a quarta potência (r4). Sabendo-
se que o diâmetro do vaso é controlado pelo sistema simpatético podendo der
tremendo impacto na pressão arterial através das regulação do diâmetro dos
pequenos vasos. ܴ ∝ .
ర
.
Sistema renina-angiotensina-aldosterona: Esse sistema serve para regular a
PA e o balanço hídrico durante por exemplo em estados de hipovolemia ou perda
sanguínea. Há três mecanismos pelos quais esse sistêma pode ser ativado:
barroreceptores com o seio carotídeo pode detectar diminuição da PA, a diminuição na
concentração de cloreto de sódio e/ou diminuição na taxa de fluxo sanguíneo através
da macula densa. Uma vez que a diminuição do volume sanguíneo é detectada, a
renina é liberada pelos rins e cliva angiotensinogenio (produzido no fígado) em
25
Capítulo 2 – Anatomia e Fisiologia cardíaca
angiotensina I. Angiotensina I é convertida em angiotensina II pela enzima conversora
de angiotensina (ECA) que é produzina no leito capilar dos pulmões. Angiotensina II
age nos túbulos proximais nos rins aumento a reabsorçã de sódio, assim auxiliando a
reter água enquanto mantem a taxa de filtração glomerular e PA. Isso serve também
para constrigir a as artérias renais, bem como arteríolas aferentes e eferentes. Através
da contração das células mesangiais (células encontradas no mesângio do corpúsculo
renal), isso também diminui a taxa de filtração dos rins. Angiotensina II também
aumenta a sensibilidade do feedback tubuloglomerular por aumentar a responsividade
das arteríolas aferentes na macula densa. Isso pode também reduzir o fluxo de
sangue medula. Finalmente, isso causa liberação de aldosterona do córtex adrenal,
que causa retenção de sódio e excressão de potássio.
Angiotensina II tem três grandes efeitos no sistema cardiovascular: É um
potente vasoconstritor, causando aumento direto da PA sistemica; também exibe
efeito pró trombótico, estimulando agregação plaquetária e causando produção de
fatores pró trombóticos (PAI-1 e PAI-2); finalmente, ele age como um estimulador Gq
quando liberadas no modo autócritno-parácrino dos cardiomiocítos, causa crescimento
celular através da proteína quinase C durante a hipertrofia do miocárdio.
Figura 7 Esquema dos reflexos cardiovasculares e suas influências no coração e na função dos
vasos. NTS: Núcleo do trato solitário; Symp: Simpatético; SNC: Sistema Nervoso Central; SRAA:
Sistema Renina-angiotensina-aldosterona.
O sistema de troca capilar
O propósito de todo o sistema circulatório é manter o sangue fluindo pelos
capilares para permitir a troca capilar, o movimento de substância entre o sangue e o
líquido intersticial. Os 7% do sangue nos capilares sistêmicos, em qualquer dado
momento, estão continuamente trocando substâncias com o líquido intersticial. As
substâncias entram e saem dos capilares por três mecanismos básicos: difusão,
transcitose e fluxo de massa.
SNC
Rins e
glândulaadrenal
Hormônios
e.g., SRAA
vaso
Barroreceptore
Quimoreceptore
Receptores
aferentes
PA
Carótida
AD
VD
VE
AE
Aristides Oliveira
Difusão de gases e moléculas
As moléculas lipossolúveis, como O2 e CO2, difunde diretamente através da
membrana lipoproteica do endotélio capilar. A taxa de difusão é proporcional a
diferença na pressão parcial do gás no outro lada da membrana e a área de interface,
e inversamente proporcional a espessura da membrana. As moléculas hidrossolúveis,
tal como íons, proteínas e glicose, passam através dos poros localizados entre as
células endoteliais. O processo de filtração e reabsorção auxilia o movimento dessas
substâncias hidrossolúveis.
Movimento do fluído transcapilar
Em adição a troca de gases, nutrientes, e resíduos, há um movimento
constante de fluídos através da parede do capilar que causado por foças ilustradas na
figura 6. No final arterial do capilar, a pressão intravascular é alta (~30mmHg), relativo
a pressão do fluído no espaço intersticial (~0mmHg), e é mais alta que a pressão
coloidosmótica exercida por proteínas plasmáticas. Este gradiente de pressão causa a
saída do fluído do capilar para o espaço intersticial (filtração). No final do capilar
venoso, a pressão intravascular ainda é alta relativo a pressão intersticial, mas ambas
as pressões são menores que a pressão coloidosmótica, que puxa o fluído de volta
para o capilar (reabsorção). Normalmente, 85% do fluído que é filtrado é reabsorvido.
Sangue
A maior parte do nosso volume de sangue em repouso, 64%, está nas veias e
vênulas sistêmicas. As artérias e arteríolas contêm aproximadamente 13% do volume
de sangue, os capilares sistêmicos, 7%, os vasos pulmonares 9% e o coração 7%. O
sangue serve como meio de transporte para substâncias entre os tecidos do corpo e
desempenham outras funções (e.g., tampão sanguíneo). Cerca de 40% do volume
sanguíneo são ocupados pelas células sanguíneas que ficam suspensas no líquido
aquoso, o plasma, responsável pelo restante do volume. O sangue é composto por
três tipos gerais de "elementos formados": eritrócitos, leucócitos e plaquetas. O
plasma é o componente líquido do sangue e consiste numa solução complexa de
eletrólitos e proteínas.
Reflexo quimioreceptor
Os quimioreeceptores periféricos localizados na carótida e aorta monitora os
conteúdos de oxigênio e dióxido de carbono bem como o pH do sangue. O
quimioreceptores centrais estão localizados na face ventrolateral da medula no
sistema nervoso sentral e são sensiveis aos níveis de pH e CO2. Durante a hipovlemia
ou perda sanguínea severa, o conteúdo sanguíneo de O2 cai e/ou pH está diminuído
(mais ácido), e os níveis de CO2 são mais prováveis de estarem aumentados,
potenciais de ação são enviados para os nervos glossofaríngeo ou vago (a primeiro
para os receptores carotídeos, o última para aortico) para o centro medular, onde a
estimulação parassimpática é diminuída, resultando em um aumento na frequência
cardíaca (e assim um aumento na troca gasosa bem como respiração).
Adicionalmente, a estimulação simpática é aumetada, resultando em mais aumento da
FC, que por sua bez resulta em um ainda maior restauração do débito cardíaco.
27
Capítulo 2 – Anatomia e Fisiologia cardíaca
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29
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
O prontuário
O paciente na UTI em virtude de sua doença apresenta-se com complexa
patofisiologia e sintomatologia. Em muitos casos, esses pacientes estão intubados,
com rebaixamento do nível de consciência, e não podem dar informações sobre seu
histórico. O exame físico, monitoramento fisiológico e os exames laboratoriais
fornecem informações que são a base para o diagnóstico e o início do tratamento
nesses casos.
O prontuário é o local de registro das informações necessárias para o
reconhecimento e tratamento de muitos desarranjos fisiológico nos pacientes críticos.
Um prontuário bem organizado fornece informações diárias sobre os diferentes órgãos
ao invés de apenas sinais vitais. As principais categorias apropriadas para o prontuário
da UTI incluem: Sinais vitais, estado neurológico, parâmetros hemodinâmicos,
parâmetros ventilatórios, entrada e saída (e.g., débito urinário e hidratação), dados
laboratoriais, medicações.
Avaliação objetiva e subjetiva
A anamnese se dar inicialmente pela coleta de dados do paciente que é
realizado através da leitura do prontuário e se possível em entrevista com o paciente
ou com o familiar caso o paciente esteja inconsciente. Deve ser realizada
primeiramente uma anamnese colhendo os dados pessoais do paciente bem como
dados pertinentes sobre o paciente desde o momento da sua internação (e.g.,
trauma), como históriada doença atual, patológica pregressa (e.g., diabético ou
hipertenso), hábito de vida (e.g., se tabagista, uso de drogas ilícitas, álcool) e familiar
(e.g., doenças cardiovasculares) e social (e.g., prática esportiva, sedentário etc.)
algum desses dados devem ser pesquisados junto a família nos casos em que o
paciente apresente um estado comatoso ou apresente confsão mental, além de
identificar na história clínica o sexo, idade, altura, peso, número de dias de internação
hospitalar e o que levou a ser internado na UTI, e diagnóstico médico.
Avaliação orientada por sistemas
Esse modelo é utilizado por causa dos múltiplos problemas médicos, a coleta
sistemática e apresentação dos dados necessários para propor o tratamento desses
pacientes. Além de evitar movimentos desnecessários com o paciente, uma vez que
segue-se um roteiro torna-se mais intuitivo no momento de verificar se ficou alguma
dúvida, ou até mesmo no momento de transcrever os achados do exame para o
prontuário.
Neurológico
Para simplicar o exame do estado mental, o exame foi divido na abordagem
que enfatiza cinco elementos básicos: (1) alerta e atenção, (2) confusão,
desorientação, ou comportamento anormal, (3) linguagem, (4) memória, e (5) outra
função cortical alta.
Aristides Oliveira
Passo 1. Avalie o nível de consciência, atenção e concentração: Deve-se avaliar a
escala de coma de Glasgow (Tabela. 1). Se o paciente está sedado, avaliar o escore
de Rass (Tabela. 2), ou qual o escore de outra escala utilizada na instituição.
Passo 2: Avaliação da desorientação, confusão ou anormalidades comportamentais
Esse passo é baseado na observação, (agita x apático) e resposta emocional (tristesa,
alegria). Orientação. Teste normal de orientação para nome, lugar, tempo (data, dia da
semana, mês e ano), e situação.
Passo 3: teste de linguagem. O paciente pronuncia normalmente? Compreensão. O
paciente consegue realizar um comando específico?
Passo 4: Teste de memória. A memória é classificada como, imediata, curto prazo, e
longo prazo.
Passo 5: Teste para funções emocional e cognitiva alta (mini exame do estado mental
tabela. 3).
Além disso, deve-se prosseguir para o exame do tônus que pode ser
classificado em hipotonia, ocorrem em paralisia aguda, hipertonia que pode vir em três
variáveis, espástica, rígida e paratonia, avaliem a coordenação (dedo-nariz), exame
dos reflexos profundos e avaliação sensória.
TABELA 1 Escala de Coma de Glasgow
Escore Resposta ocular Resposta verbal Resposta motora
6 Obedece ao
comando
5 Orientado Localiza a dor
4 Espontânea Confuso Reação inespecífica
3 Ordem verbal Palavras
inapropriadas
Flexão anormal
(decorticação)
2 Dor Sons
incompreensíveis
Extensão anormal
(descerebração)
1 Sem resposta Sem resposta Sem resposta
TABELA 2 Escala de Richmond de Agitação-Sedação (RASS).
Pontos Classificação Descrição
+4 Combativo Violento; perigoso
+3 Muito agitado Conduta agressiva; remoção de tubos ou cateteres.
+2 Agitado Movimentos sem coordenação frequentes.
+1 Inquieto Ansioso mas sem movimentos agressivos ou vigoroso.
0 Alerta, calmo
1 Sonolento Não se encontra totalmente alerta, mas tem o despertar
sustentado ao som da voz (> 10 seg).
2 Sedação leve Acorda rapidamente e faz contato visual com o som da voz (<10
seg).
3 Sedação moderada Movimento ou abertura dos olhos ao som da voz (mas sem
contato visual).
4 Sedação profunda Não responde ao som da voz, mas movimenta ou abre os olhos
com estimulação física.
5 Incapaz de ser
despertado
Não responde ao som da voz ou ao estímulo físico.
Procedimento da medida do RASS:
1. Observar o paciente
• Paciente está alerta, inquieto ou agitado.(0 a +4)
2. Se não está alerta, dizer o nome do paciente e pedir para ele abrir os olhos e olhar para o profissional.
• Paciente acordado com abertura de olhos sustentada e realizando contato visual. (-1)
• Paciente acordado realizando abertura de olhos e contato visual, porém breve. (-2)
• Paciente é capaz de fazer algum tipo de movimento, porém sem contato visual. (-3)
3. Quando paciente não responde ao estimulo verbal realizar estímulos físicos.
• Paciente realiza algum movimento ao estímulo físico. (-4)
• Paciente não responde a qualquer estímulo. (-5)
31
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
TABELA 3 Escala Mine Exame do Estado Mental
Identificação do paciente: Máximo
normal
Pontos obtidos
pelo paciente Idade: Escolaridade (em anos): Data:
Orientação Ano, mês, dia do mês e da semana, hora aproximada
Nome do estado, cidade, andar, local em que se
encontra
5
5
Retenção de
dados
Repetir os nomes de três objetos 3
Memória Repetir os nomes de três objetos já referidos 3
Atenção e
cálculos
Diminuir 7 de 100 cinco vezes seguidas, ou soletrar a
palavra mundo na ordem inversa
5
Linguagem Nomear caneta e relógio
Repetir nem aqui, nem ali, nem lá
Prova dos três comandos
Ler e executar FECHE OS OLHOS
Escrever uma frase
2
1
3
1
1
Função não
verbal
Copiar um desenho
1
Total 30
Notas de corte do MEEM
Escolaridade Nota de corte mínima considerada normal
Analfabetos 14
4 anos 18
4-7 anos 20
Ensino fundamental completo (8 anos) 21
Ensino médio completo (11 anos) 23
Ensino superior completo 26
Cardiovascular
No contexto das doenças cardiovasculares, deve-se destacar a importância de
incluir, na anamnese do paciente, dados relativos a fatores de risco para doenças
cardiovasculares (tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia,
diabetes melito, menopausa, uso de contraceptivos, história familiar de doenças
cardiovasculares).
Sintomas e sintomas:
Dispnéia. A dispnéia é a percepção de uma respiração desconfortável, incômoda ou
trabalhosa. A dispnéia cardíaca resulta em edema nas paredes bronquiolares e
endurecimento do pulmão devido a edema parenquimatoso ou alveolar, que interferem
no fluxo aéreo. A dispnéia também ocorre quando o débito cardíaco é inadequado
para as demandas metabólicas corpóreas e pode ocorrer sem edema pulmonar.
Dor torácica. A dor torácica é uma manifestação sintomática relativamente frequente
e complexa, uma vez que pode ser decorrente de causas cardíacas e não cardíacas.
Múltiplos mecanismos fisiopatológicos, manifestando-se aguda ou cronicamente. As
causas de dor torácica crônica são angina estável, prolapso valvar mitral, estenose
valvar aórtica, cardiomiopatia hipertrófica.
Edema. Denomina-se edema a espação do volume do componente extravasculares
do líquido extracelular. O conceito não inclui acúmulo de líquido no interior das células,
a não ser nos casos do tecido nervoso. O mecanismo básico e geral da formação do
Aristides Oliveira
edema consiste em uma ou mais alterações das forças de Starling, que atua na
microcirculação. Há aumento da filtração e diminuição da reabsorção. O edema de
origem cardíaca tem a seguinte característica: geralmente é frio, mole, indolor,
vespertino e bilateral.
Cianose. A cianose representa uma coloração azulada da pele e das mucosas de
grau variável. Ela pode ser central ou periférica (manifesta-se na extremidades). A
cianose resulta do aumento da quantidade de hemoglobina reduzida. tal manifestação
pode decorrer da diminuição da tensão de O2, transtornos V/Q, shunt direito esquerdo,
estase venosa.
Sinais vitais
Temperatura. Mudanças na temperatura em pacientes críticos está associado com
significante morbidade e mortalidade. Tornando-o clinicamente importante reconhecer
anormalidades na temperatura. A temperatura anormal é frequentemente é o sinal
clínico inicial de infecção, inflamação, disfunção do SNC, ou intoxicação por drogas.
As causas mais comuns de hipotermia parece ser exposição ao frio, uso de drogas, e
hipoglicemia,desordens do SNC. Enquanto que, as causas comuns de hipertermia
são exercício, febre, incapacidade de perder calor, drogas, condições debilitante.
Frequência cardíaca. A FC de um adulto saldável em repouso varia de 60 a 100
bpm. Considera-se taquicardia frequência maior que 100bpm, sendo relacionada com
hipóxia, anemia, exercício e febre. Bradicardia é definida como menor que 60 bpm,
sendo relacionada com medicamento cardíacos e pacientes atletas.
Pressão Arterial. Geralmente mede-se a PA de forma não invasiva com o
esfigmomanômetro, ou de forma intermitente automaticamente, os valores podem ser
conferidos através do monitor. Os valores normais da pressão sistólica no adulto varia
de (100-140 mmHg) e diastólica (60-90 mmHg). A hipertensão é definida como
pressão sistólica maior que 150 mmHg e a diastólica maior que 100 mmHg, a
hipotensão apresenta um valor menor que 90/60 mmHg.
Exame Físico
Perfusão periférica. A investigação clínica da perfusão periférica pode ser efetuada
com base na análise de várias características: temperaturas, coloração e grau de
enchimento das extremidades. Alteração na magnitude da perfusão periférica pode ser
ocasionado por outras variáveis fisiológicas ou por entidades nosológicas não-
cardiovasculares (e.g., reflexo vasoconstricção periférica em resposta ao frio). A
avaliação da coloração à inspeção pode ser muito prejudicada em pacientes anêmicos
ou de pele escura. O enchimento do leito vascular das extremidades, normalmente é
rápido 2 a 3 segundos. Nos casos de redução da perfusão, esse enchimento se torna
cada vez mais lento, mantendo uma correlação direta com a gravidade do quadro. No
contexto do choque cardiogênico, pode-se observar extremidades frias, cianóticas e
com enchimento lentificado, enquanto na fase inicial do choque séptico elas podem
ser quentes e coradas, ainda que também apresentem enchimento prejudicado.
Auscultação. Avaliação dos sons cardíacos pode dar informações sobre a condição
do paciente e a tolerância ao tratamento e a fisioterapia através da avaliação da
função valvular, frequência, ritmo, complacência valvar, e complacência ventricular.
Para ouvir os sons cardíacos, o estetoscópio com ambos a campânula e o diafragma é
necessário. O exame deve seguir um padrão sistemático usando ambos campânula
33
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
(para baixa frequência) e o diafragma (para alta frequência) e deve cobrir todas as
áreas, como ilustrado na figura 1.
Figura 1 Sistematização da ausculta cardíaca.
Respiratório
Monitorização respiratória.
Vários parâmetros respiratórios devem ser monitorados, incluindo frequência
respiratória (FR), volume corrente ou volume minuto e saturação arterial de oxigênio
(SaO2) em pacientes críticos. Em pacientes ventilados mecanicamente, várias funções
fisiológicas podem ser monitoradas rotineiramente e continuamente através do
ventilador (veja o capítulo), os parâmetro atuais devem ser anotados, incluindo modo
ventilatório, volume corrente, presença da FR, e FR do paciente, fração inspirada de
oxigênio (FiO2), PEEP (positive end-expiratory pressure) e/ou PS e seus níveis.
Quando pertinente, parâmetros de pico de fluxo e relação I:E devem ser notadas.
Pacientes ventilados mecanicamente a complacência estática e dinâmica devem ser
mensuradas diariamente, volume minuto e outros parâmetros. A gasometria mais
recente de ser comparada com as anteriores. Cálculos do gradiente alvéolo-arterial
devem ser realizados.
Oximetria de pulso. A Oximetria de pulso é um método simples, não invasivo e eficaz
para monitorização contínua do oxigênio que é liberado aos tecidos. Entre suas
vantagens, estão a rápida resposta às alterações da saturação e a calibração
permanente.
O oximetro distingui entre oxi-hemoglobina e hemoglobina reduzida baseado
na sua diferença de absorção da luz. Oxi-hemoglobina absorve muito menos luz
vermelho (±660nm) e levemente mais luz infravermelho (±910 a 940nm) que a
hemoglobina não oxigenada. A saturação de oxigênio dessa forma é determinada pela
razão da absorção de luz vermelha e infravermelha.
Os problemas encontrados que afetam a acurácia do oximetro são hipoxemia
severa, estados de baixa perfusão, pigmentação da pele, e hiperbilirrubinemia.
Sinais e Sintomas
Dispnéia. Embora seja um fenômeno subjetivo, a dispnéia pode exteriorizar-se por
meio de manifestações objetivas como aumento da FR, tiragem e aspecto de
sofrimento. No exame deve ser avaliado a duração, as condições do aparecimento
(relação com a postura do paciente, com o decúbito, com repouso, ou sob esforços
Aristides Oliveira
grandes, médios ou leve), sintomas e os sinais associados (dor, retrações intercostais
e sibilância).
Tosse. É um importante mecanismo de defesa na eliminação de secreções das vias
aéreas. É classificada como tosse produtiva ou não produtiva quando não há
secreção. É importante considerar frequência, ritmo e momento de ocorrência (pela
manhã, ao deitar ou à noite) e verificar se ela é ou não acompanhada com aspirações,
pigarrear, eventuais complicações relacionada à tosse (e.g., pneumomediastino,
pneumotórax, fraturas de costela, procedimento cirúrgico).
Sintomas adicionais. Pacientes com doenças respiratória pode reclamar de
sibilância, sugestivo de doença das vias aéreas, particularmente asma. Hemoptise,
Dor torácica ou desconforto é também considerado de origem respiratória. Como o
parênquima pulmonar não é inervado com fibras nociceptivas, a dor no tórax
proveniente de doenças respiratórias pode ser ou da pleura parietal (e.g.,
pneumotórax) ou da vasculatura pulmonar (e.g., hipertensão pulmonar).
Exame Físico
O exame físico geralmente é iniciado pelo sinais vitais. A FR informa se há
taquipneia (FR>25) ou bradipnéia (FR<8), outros dados relevantes podem ser notados
a partir do monitor, como já descrito.
Inspeção do tórax
Estática. Deve-se avaliar a morfologia do tórax (Fig. 2), verificando o tipo (normolíneo,
brevelíneo, longilíneo) e sua simetria. Nessa inspeção, faz-se a revisão de pele e
fâneros e busca-se a circulação venosa colateral.
Dinâmica. Avaliam-se o tipo de respiração e frequência, o ritmo e a amplitude
respiratória, bem como retrações inspiratórias (tiragem). Em situações de doença
obstrutiva com hiperinsuflação pulmonar, o paciente assume a posição sentada como
preferencial, aumentando a eficácia dos músculos inspiratórios.
Palpação do tórax. Nesse exame é importante avaliar pele, tecidos subcutâneo,
músculos e gânglios supraclaviculares e cervicais, verifica-se também a sensibilidade,
elasticidade e expansibilidade torácica e mobilidade respiratória. Deve-se buscar
frêmito toracovocal e suas eventuais anormalidades (reduzido, abolido, aumentado,
por variações do meio condutor da vibração gerada pela voz), frêmito brônquico,
frêmito pleural.
Percussão do tórax. Através da vibração e pela elasticidade dos tecidos, verifica-se a
sensação auditiva para som claro pulmonar, maciço, submaciço ou timpânico. As
estruturas normalmente aeradas produzem som ressonante, som claro pulmonar.
Estruturas pulmonares desaeradas, como nas atelectasias ou nas consolidações,
produzem som surdo correspondendo à macicez dos tecidos examinados. Estruturas
com excesso de ar ou com ar sob pressão produzem som hiper-ressonante ou
timpânico, como o que acontece na hiperinsuflação e no pneumotórax.
35
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
Tórax Normal. Seu diâmetro
lateral é maior que o
anteroposterior.
Peito escavado. Note a depressão
na porção inferior do esterno.
Tórax em barril. Há um aumento
do diâmetro anteroposterior.
Tórax em peito de pombo. O
esterno é desviado
anteriormente
Tórax com fraturas de costelas.
podem resultar em movimentos
paradoxais do tórax.
Cifoescoliose torácica.Curvatura
espinhal anormal e rotação
vertebral deformam o tórax
Figura 13 Morfologia do tórax
Ausculta
Os sons respiratórios são divididos em dois grupos: os sons normais e os sons
ou ruídos respiratórios adventícios, que substituem ou se agregam aos sons normais
(veja a figura 3 para localização e sequência dos locais de ausculta).
Sons respiratórios normais
Som brônquico ou tubular. Som produzido pela turbulência do fluxo aéreo nas vias
aéreas superiores e nas vias respiratórias inferiores centrais (traqueia e grandes
brônquios).
Som broncovesicular. Originado pela turbulência do fluxo aéreo no nível dos
brônquios fontes e lobares e atenuados pela interposição dos alvéolos e, portanto,
audível perto dos brônquios fontes.
Som vesicular (murmúrio vesicular). Som gerado pela turbulência do fluxo aéreo
nos brônquios centrais, com possível contribuição de remos brônquicos mais
periféricos (de padrão irregular de fluxo aéreo) e atenuados pela camada de
parênquima pulmonar interposta até a parede do tórax.
Sons respiratórios anormais
São sons audíveis quando há processo patológico nas vias aéreas, no parênquima
pulmonar (estertores) ou na pleura (atrito). Não são ouvidos em condições normais.
Genericamente são chamados de ruídos adventícios ou estertores.
Roncos e sibilos. Representam obstrução parcial do fluxo em vias aéreas por
secreção, espasmo, edema de mucosa ou compressão extrínseca; brônquios
estreitados ao ponto de fechamento, cujas paredes opostas oscilam (vibram) entre
posições de fechamento e abertura.
Crepitações: São ruídos discretos, descontínuos, como sequência de estalidos. O
mecanismo básico de produção é a equalização rápida das pressões que se segue à
remoção súbita de uma barreira, separando dois compartimentos contendo gás a
pressões diferentes.
Creptações de final de inspiração: são os ruídos adventícios mais finos que se
originam no pulmão e são causados pela reabertura sequencial das vias aéreas
Aristides Oliveira
periféricas com reexpação pulmonar. Condições patológicas: edema pulmonar,
pneumonias, atelectasias, alveolites fibrosantes.
Crepitações inspiratórias precoces e/ou no final da expiração: Conhecidas como
estertores bolhosos, não são alteradas pela postura, mas sim pela tosse. São
produzidos pela passagem de bolhas de ar através de uma via aérea
intermitentemente oclusa. São produzidas principalmente quando os volumes
pulmonares se aproxima do volume pré-inspiratório (CRF). Costumam ser
escutadas como uma pequena sequência de estalidos de igual altura e
intensidade.
Figura 3 Locais da ausculta
Ritmos respiratórios
Taquipneia/bradipnéia. A taquipneia pode ser desencadeada por diversas razões,
inclusive acidose metabólica, patologias resistivas do tórax, atelectasias, SDRA
(síndrome do desconforto respiratório agudo), distúrbios da ventilação mecânica com o
paciente (auto-PEEP), acúmulo de secreção traqueal, obstrução das vias aéreas
artificiais, barotrauma, dor e hipoxemia. Já a bradipneia está relacionada está
relacionada à depressão do sistema nervoso central induzida por drogas e traumas.
Respiração de Cheyne-Stokes. É um ritmo respiratório por um período com
incursões que aumentam progressivamente de amplitude até o seu máximo, seguidos
de diminuição do seu ritmo até a apneia. Nessa última fase, observa-se diminuição do
tônus do paciente, pupilas mióticas e resposta mínima a estímulos externos. Está
relacionada a lesões cerebrais difusas ou nos hemisférios.
Respiração atáxica ou de Biot. É determinada por uma constante irregularidade,
com inspirações profundas esporádicas. É causada por lesões cerebrais difusas,
depressão do centro respiratório, lesão medular e compressão do bulbo.
Hiperpneia. É caracterizada por respirações profundas e rápidas, causadas
principalmente por acidose metabólica, coma, infarto agudo do miocárdio, lesão de
ponte e ansiedade.
Dreno no tórax. O acúmulo de fluidos (líquidos ou gases) no espaço pleural
pressupões a alteração do estado de equilíbrio e prejudica a mecânica pulmonar.
Desta forma, punções e drenagens do tórax são procedimentos importantes para
promover a manutenção ou restabelecimento da pressão negativa do espaço pleural,
por mio da retirada de fluido que se encontrem acumulados na cavidade pleural. Nós
temos, pneumotórax (ar), hemotórax (sangue), empiema (pus), quilotórax (linfa) e
hidrotórax (líquido do pericárdio). Sistema de drenagem subaquática. Normalmente
37
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
são utilizados frascos com capacidade superior a 5 litros e altura de 20 a 25cm.
Agindo com uma válvula unidirecional, eferente a pleura.
Abdome
Inicialmente há que se estabelecer os limites entre o abdome e o tórax entre o
abdome e a pélvis. O limite superior da cavidade abdominal corresponde a uma linha
circular que passa pela junção xifoesternal e pela apófise espinhosa de T7. O limite
inferior corresponde externamente a linha circular que passa pela apófise espinhosa
de L4, cristas ilíacas, espinha ilíaca anteriores e ligamentos de Poupart (ligamentos
inguinais) e sínfise púbica. O abdome pode ser dividido de vários modos, sendo as
divisões em quatro quadrantes ou em nove regiões as mais utilizadas (Fig. 4). A
avaliação do abdome deve seguir essa sequência: Inspeção, ausculta, percussão e
palpação.
Figura 4 Regiões abdominais: 1) hipocôndrio direito; 2) epigástrico; 3) hipocôndrio esquerdo; 4)
flanco direito; 5) mesogástrio ou região umbilical; 6) flanco esquerdo; 7) fossa ilíaca direita; 8)
hipogástrio; 9) fossa ilíaca esquerda.
Sinais e sintomas
Dor abdominal. O tipo, localização, severidade, cronologia e duração da dor dão
importantes pistas sobre a origem do problema. Dor difusa e sensibilidade é visto na
maioria dos pacientes com problemas abdominais agudo podendo ser sutil e
mascarado em idosos e pelo o uso de corticosteroides. Dor abdominal é o sintoma
chave de peritonite. Porém, a correta avaliação da dor não é possível em pacientes
inconscientes ou sedados, paciente ventilado mecanicamente, pode ser muito difícil de
alcançar o diagnóstico de peritonite. Dor visceral é fracamente localizada devido a sua
característica embotada e dolorosa. Surge de um espasmo ou distensão de um órgão
oco. Dor parietal é bem localizada e aguda (e.g., apendicite aguda). Dor referida é
percebida por estar perto da superfície do corpo e doendo (e.g., pneumonia basal).
Tipos de dor visceral (Veja a Figura 5).
Distensão abdominal. É um sinal não específico que pode, mas não necessita ser
originado do trato gastrointestinal. As causas para distensão abdominal são
relacionada ao aumento do volume intra-abdominal: ascite, edema de intestino,
hematoma. Os achados anormais na percussão incluem timpanismo no caso de alto
conteúdo de ar no abdome ou no intestino e embotamento nos casos de grande
quantidade de fluidos (e.g., ascite).
Aristides Oliveira
Figura 5 Dor visceral: 1. Quadrante superior direito ou dor epigástrica proveniente da arvore biliar
e fígado. 2. Dor epigástrica proveniente estomago, duodeno ou pâncreas 3. Dor periumbilical do
intestino, apêndice ou cólon proximal. 4. Dor suprapúbica ou sacral proveniente do reto. 5. Dor
hipogástrica proveniente do cólon, bexiga, ou útero a dor do cólon pode ser mais difusa do que a
ilustrada.
Inspeção
Coloração da pele
Avalie o contorno do abdome, é simétrico, globoso ou plano? É rígido ou mole?
Note se há peristalse, movimento respiratório e pulsação. Na pele note, cicatriz,
ferimento cirúrgico, se há circulação colateral (tipo veia cava inferior ou tipo portal),
equimose da parede abdominal é vista em hemorragias intraperitoneal ou
retroperitoneal. Descoloração abdominal pode ocorrer como um sinal associado com
infecção da parede abdominal ou com pancreatite.
Ausculta
Auscultaçãofornece importante informação sobre a motilidade intestinal.
Pratique auscultação até que você esteja familiarizado com a variação dos sons
normais e poderá detectar mudanças sugestivas de inflamação ou obstrução. Os sons
normais consistem em clicks e murmúrio, ocorrendo em uma frequência estimada de 5
a 34 vezes por minuto. A figura 6 ilustra os locais de ausculta abdominal.
Percussão
A percussão auxilia a você avaliar a quantidade e distribuição do gás no
abdome, possíveis massas que são sólidas ou preenchidas com fluídos, e o tamanho
do fígado e baço. Percutir levemente em todos os quatro quadrantes para avaliar a
distribuição do som timpânico e maciço. O som timpânico é predominante devido ao
gás no trato gastrointestinal, mas áreas difusas de macicez dos fluídos e fezes
também são típicas. Note qualquer área larga de macicez sugerindo massa ou
aumento de algum órgão. Essa observação irá guiar a sua palpação.
Palpação
A palpação superficial investigam-se a sensibilidade superficial, a resistência
da parede, a continuidade da parede abdominal, as pulsações e o reflexo cutâneo-
abdominal. Como já descrito, a dor sentida na parede abdominal pode originar-se aí
mesmo ou em outras estruturas. A resistência da parede abdominal em condições
normais é a de um músculo descontraído.
1 2
3
4 5
39
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
Figura 6 Pontos de ausculta abdominal
Musculoesquelético
O exame do sistema musculoesquelético incluem inspeção (para articulações,
edema, vermelhidão e deformidade, hipotrofia), palpação (para articulações
aquecidas, sensíveis, crepitante, tônus, trofismo), e investigação da amplitude de
movimento.
Sinais e sintomas.
Dor. A dor articular pode ser de origem intra-articular ou extra-articular (e.g., tendões,
ligamentos, bursa ou nervos) Doença articular caracteristicamente causa edema e
vermelhidão que envolve toda a articulação e limita o repertório de movimentos,
durante ambos passivo ou ativo. Extra-articular por outro lado causa edema e
vermelhidão localizada, afetando alguns aspectos do movimento, também tende a
limitar os movimentos ativos mais que os passivos. A articulação séptica geralmente é
quente, edemaciada, e muito sensível e todos os movimentos estão restritos.
Inspeção
Para realizar a inspeção, o examinador deve sempre comparar articulações
homólogas, assim, permitindo reconhecer aumento de volume, rubor (vermelhidão) e
atrofia, desalinhamento articular, deformidades, fístulas.
Palpação
Através da palpação verifica-se a causa do aumento do volume articular, a
presença de pontos hiperestésicos ao nível da interlinha articular e em outras áreas,
nódulos, derrame articular, aumento da temperatura cutânea local. A presença de
calor é seguro sinal de inflamação. Utilizando-se a inspeção e palpação de modo
conjugado são estudados os seguintes elementos: pele e anexos, tecido subcutâneo,
trofismo da musculatura, sistema neurovascular. Inclui-se aqui a avaliação dos
membros inferiores relativo à TVP, sinal de Homans (Sinal de Homans: consiste na
dorsiflexão do pé sobre a perna e o paciente vai referir dor na massa muscular da
panturrilha) e sinal de Sinal da Bandeira (consiste em menor mobilidade da panturrilha
empastada ao se comparar um membro inferior com outro, durante a palpação).
Articulações.
Aorta abdominal
Artéria renal
Artéria Ilíaca
Artéria femoral
Aristides Oliveira
Forma e volume. Anotam-se irregularidades do contorne e modificações do tamanho
das articulações. É conveniente medir a circunferência. O aumento do volume pode
ser edema, excesso de líquido sinovial.
Avaliação dos movimentos articulares. Permite a verificação do grau de impotência
funcional dessas. Por isso é fundamental conhecer os movimentos normais de cada
articulação. A limitação do movimento constituem importante sinal para o diagnóstico
de comprometimento articular. Vale lembra, (1) a movimentação da articulação deve
ser feita com máxima delicadeza; (2) devem ser pesquisados movimentos ativos; (3)
Observar atentamente as reações do paciente, em especial demonstração de dor; (4)
sempre que possível medir a ADM;
Força muscular. Frequentemente é difícil obter a cooperação do paciente devido sua
inabilidade de comunicação, pouca atenção, sedação, e fatigabilidade. O teste de
força muscular pode ser inadequado e não aplicável.
O teste de força pode ser uma ferramenta potencial diagnóstica e prognóstica
para as causas fisiopatológicas limitantes do esforço. O Medical Research Counicil
(MRC) (Tabela 4) é um instrumento simples adaptado para a avaliação da força
muscular em pacientes críticos. Neste escore, seis movimentos de membros
superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII) são avaliados. A graduação da força
varia de 0 (plegia) a 5 pontos (força normal), totalizando um valor máximo de 60
pontos. Os pacientes com o escore MRC menor que 48 são considerados como
portadores de fraqueza muscular adquirida na UTI.
TABELA 4 Medical Research Counicil (MRC)
Movimentos avaliados Grau de força
Abdução do ombro
Flexão do cotovelo
Extensão do punho
Flexão do quadril
Extensão do joelho
Dorsiflexão do tornozelo
0= Nenhuma contração visível
1= Contração visível sem movimento do seguimentos
2= Movimento ativo com eliminação da gravidade
3= Movimento ativo contra a gravidade
4= Movimento ativo contra a gravidade e resistência
5= Força normal
Avaliação Neurovascular
Os componentes da avaliação neurovascular são dor, palidez (coloração),
pulso periférico, Parestesia, paralisia, e pressão do membro.
Dor. É a característica mais importante da avaliação neurovascular, ainda assim há
um problema frequente com pacientes que não falam (como resultado de sedação ou
nível de consciência deprimido). Dor extrema, particularmente no movimento passivo,
é o sinal subjetivo mais significante de provável deficiência neurovascular da
extremidade. É sugerida que, com objetivo de garantir consistência entre os
profissionais, deve ser usada uma escala de dor que melhor determine a severidade
do nível de dor. Contudo, como qualquer dado subjetivo, o paciente deve estar
acordado, alerta e ser capaz de responder aos questionamentos. Sugere-se que sinais
não verbais como inquietação, caretas devem ser anotados. Outros sinais objetivos
associados com dor mediada via sistema nervoso simpático, tal como taquicardia,
hipertensão, taquipneia e sudorese podem ser significantes em pacientes críticos. A
literatura sugere que a escala de dor The Behavioural Pain Scale (BPS), apresenta
41
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
melhores respostas em pacientes sedados na avaliação da dor Cade, (2008) e Morete,
et al., (2014), a escala está apresentada na tabela 5.
Palidez e Perfusão. O membro corado e aquecido é importante sinal objetivo. A pele
pálida pode indicar pouca perfusão arterial, enquanto que cianose sugere estase
venosa. É importante fazer o comparativo da coloração com o membro contralateral
(membro não afetado). Nos indivíduos com peles mais escuras pode ser mais difícil
para detectar usando medidas objetivas como as mudanças podem ser extremamente
sutil. Frieza na extremidade distal do membro lesado pode indicar diminuição do
suprimento arterial para a área. É recomendado que se utilize o dorso da mão para
avaliar a variação de temperatura. É importante que, achados essencialmente
subjetivos, sejam comparados com a temperatura do membro contralateral, como
frieza simétrica pode indicar uma causa sistêmica, que local. Também recomenda-se
que a avaliação da temperatura deve incluir a comparação da temperatura proximal e
distal para que a discrepância no, ou além do local do trauma possam ser detectados.
Para aumentar a validade da avaliação da temperatura como um indicadorde
perfusão do membro, o enchimento capilar pode ser utilizado.
Pulso. Avaliação do pulso periférico é um importante componente nessa avaliação. A
presença do pulso e volume devem ser anotados como forte e palpável, fraco, ou
ausente. Perda do pulso na extremidade distal da lesão é um achado crítico e
necessita de intervenção médica, sendo um sinal tardio, e implica em déficit vascular.
Lembre-se de avaliar e comparar ambos os lados.
Parestesia e Paralisia. Parestesia ou sensação anormal pode ser o primeiro sintoma
que aparece com os nevos sensórios são extremamente sensíveis a pressão.
Alterações comuns na sensação como aumento da pressão da fáscia muscular são
descritos e incluem dormência, formigamento ou "pontadas de agulha". Recomenda-
se que a sensação deva ser avaliada nas áreas acima e abaixo da lesão, e
documentando se a resposta é ausente, prejudicada ou normal. A avaliação efetiva
depende da cooperação do paciente, que pode ser inatingível em pacientes sedados
ou inconscientes. Em pacientes críticos, a sensação pode ser confundida por drogas
ou nível de consciência deprimido. Paralisia do membro ou extremidade é geralmente
um sintoma tardio, ocorrendo em consequência de prolongada compressão nervosa
ou dano muscular irreversível. A função motora é comumente avaliada através da
capacidade do paciente em movimentar, ou tentar movimentar, a extremidade distal à
lesão. Novamente, em pacientes críticos sedados ou inconscientes, é claramente
problemático. Nessas situações, sugere-se que a avaliação sensória e motora deve
ser baseada na resposta motora reflexa ao estímulo doloroso aplicado no membro
lesionado, ou outra expressão de dor.
Aristides Oliveira
TABELA 5 Versão final brasileira da escala Behavioural Pain Scale
Item Descrição Escore
Expressão facial Relaxada
Parcialmente tensa (por exemplo, abaixa a sobrancelha)
Totalmente tensa (por exemplo, fecha os olhos)
Faz careta: presença de sulco perilabial, testa franzida e
pálpebras ocluídas
1
2
3
4
Membros
superiores
Sem movimento
Com flexão parcial
Com flexão total e flexão de dedos
Com retração permanente: totalmente contraído
1
2
3
4
Adaptação à
ventilação
mecânica
Tolera movimentos
Tosse com movimentos
Briga com o ventilador
Incapaz de controlar a ventilação mecânica
1
2
3
4
Total
A pontuação total varia entre os 3 pontos (sem dor) e os 12 pontos (dor máxima)
Adaptada de: MORETE, M. C. et al. Tradução e adaptação cultural da versão portuguesa
(Brasil) da escala de dor Behavioural Pain Scale. Rev Bras Ter Intensiva., v. 26, n. 4, p.
373-378, 2014.
Avaliação tegumentar
A pele é a primeira linha de defesa contra a infecção. Assim, os parâmetros de
avaliação são focados no exame da integridade da pele. A avaliação da pele pode ser
realizada enquanto se examinam outros sistemas. Por exemplo, a pele do tórax e do
abdome pode ser examinada enquanto se auscultam os ruídos pulmonares e
intestinais, respectivamente.
Inspecione a integridade global, a cor, a temperatura e o tugor da pele.
Observe a presença de erupções, estrias, manchas, cicatrizes, tubos ou lesões.
Repare no tamanho, na profundidade e na presença ou ausência de secreções em
quaisquer abrasões, lesões, úlceras ou feridas.
Avaliação Funcional
A capacidade funcional pode ser definida como o grau de preservação do
indivíduo na capacidade de realizar atividades básicas de vida diária como: banhar-se,
vestir-se, transferir, ter continência e alimentar-se, além da capacidade de desenvolver
atividades instrumentais de vida diária - AVD’S como: cozinhar, arrumar a casa,
telefonar, ir as compras e tomar remédios. Existem muitas formas de se avaliar a
capacidade funcional do indivíduo internado na terapia intensiva. A escala de equilíbrio
de Berg pode ser utilizada para avaliar o equilíbrio, o teste TUG (Timed Up and Go) e
o teste de caminhada de 6 minutos avalia o nível submáximo de capacidade funcional
e que melhor reflete a capacidade funcional de exercício para a realização de AVD's, o
índice de Barthel e a MIF (Medida de Independência Funcional) são utilizadas para
medir a capacidade de realização das AVD's.
Delírio
O delirium é um distúrbio da consciência, atenção, cognição e percepção
caracterizada por início agudo e flutuante da função cognitiva, de forma que a
capacidade do paciente receber, processar, armazenar e recordar informações está
marcadamente alterada1. Ele ocorre em curto período (horas ou dias), é geralmente
reversível e pode ser consequência direta de uma condição médica, síndrome de
intoxicação ou abstinência, causada por uso de drogas mesmo em concentração
terapêutica, exposição a toxinas ou a combinação destes fatores.
43
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
A prevalência de delirium em pacientes críticos varia entre os diversos estudos
e pode acometer cerca de 80% dos pacientes internados em Unidade de Terapia
Intensiva, em uso de ventilação mecânica, porém, apenas 32% a 66% dos pacientes
são corretamente diagnosticados e tratados. O delirium tem sido associado ao maior
tempo de permanência do paciente no hospital e ao aumento da mortalidade.
Métodos para o Diagnóstico. Atualmente utiliza-se o método de Avaliação CAM-ICU
(Confusion Assessment Method in a Intensive Care Unit) para diagnosticar o delirium
em pacientes críticos (Fig. 7 e Tabela 6). Este método foi adaptado do método CAM,
desenvolvido inicialmente para médicos não-psiquiatras com o objetivo de identificá-lo
em pacientes capazes de se comunicar verbalmente.
Figura 7 Diagrama de Fluxo do Método CAM-ICU Para diagnóstico do delirium é preciso identificar
a presença de alterações do estado mental, desatenção e pensamento desorganizado ou nível
alterado da consciência.
Aristides Oliveira
TABELA 6 Manual CAM-ICU para Diagnóstico do Delirium
CAM-ICU – Características e Descrições
Característica 1: Início agudo ou curso flutuante
A. Há evidência de uma alteração aguda no estado mental em relação ao estado
basal?
ou
B. Este comportamento (anormal) flutuou nas últimas 24 horas, isto é, teve
tendência a ir e vir, ou aumentar ou diminuir na sua gravidade, tendo sido
evidenciado por flutuações na escala de sedação (p. ex.: RASS), Glascow, ou
avaliação de delirium prévio?
Ausente Presente
Característica 2: Falta de atenção
A. O paciente teve dificuldades em focar a atenção, tal como evidenciado por
índices inferiores a 8, quer no componente visual quer no componente auditivo do
Teste te Atenção (Attention Screening Examination - ASE)?
Ausente Presente
Característica 3: Pensamento desorganizado
Existem sinais de pensamento desorganizado ou incoerente tal como evidenciado
por respostas incorretas a duas ou mais das 4 questões e/ou incapacidade de
obedecer aos seguintes comandos:
Questões (alternar conjunto A e conjunto B)
Ausente Presente
Conjunto A
1. Uma pedra pode flutuar na água ?
2. Existem peixes no mar?
3. Um quilo pesa mais do que dois
quilos?
4. Pode-se usar um martelo para pesar
uma agulha?
Conjunto B
1. Uma folha pode flutuar na água?
2. Existem elefantes no mar?
3. Dois quilos pesam mais do que um
quilo ?
4. Pode usar-se um martelo para cortar
madeira?
Característica 4. Nível de consciência alterado Ausente Presente
O nível de consciência do paciente é outro qualquer que não o alerta*, tal como o vigil**,
letárgico*** ou estuporoso**** ? (p. ex.: RASS diferente de “0” na altura da avaliação)
CAM-ICU Global (Características 1 e 2 e quer característica 3 ou 4)
Sim Não
*Alerta: completamente ciente do ambiente, e inter-atua apropriadamente de forma espontânea.
** Vigilante: hiper-alerta. ***Letárgico: sonolento mas facilmente despertável,não está ciente de alguns
elementos do ambiente ou não interage de forma apropriada com o entrevistador; torna-se
completamente ciente do ambiente e interage apropriadamente quando estimulado minimamente.
****Estuporoso: completamente alheado mesmo quando estimulado vigorosamente; só despertável com
estímulos vigorosos e repetidos, e assim que o estímulo cessa, o indivíduo estuporoso volta para o estado
anterior de não despertável. Retirado de Ely, et al., (2001).
45
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
Avaliação diária na UTI
Quando você chega na UTI pela manhã:
1. Pergunte sobre a noite passada do seu paciente, verifique o livro de ocorrência.
2. Reveja o prontuário. Identificação, idade, diagnóstico principal, dia de internação
hospitalar, dia de internação na UTI. Maiores eventos nas últimas 24 horas, menção
de qualquer evento médico ou estudo diagnóstico que foi significante. Por exemplo,
cirurgia torácica ou parada cardiorrespiratória, tomografia computadorizada, re-
intubação, ou mudanças na ventilação mecânica.
Avaliação sistemática e diária
Serão apresentados alguns roteiros retirados de diversas literaturas para
avaliação rápida (é sugerido a lida de cada uma das referências em casos de
dúvidas):
Baseado em: Varon e Acosta, (2010)
Quantidade mínima de informação necessária para apresentação de casos
durante em UTI
1. Identificação/lista de problemas
2. Maiores eventos durante as últimas
24horas
3. Neurológio: Nível de consciência; pupilas;
escala de como de Glasgow; déficit motor;
sedação; dose de sedativos; resultados de
exames.
4. Cardiovascular: Ritmo; FC; PAM; uso de
drogas vasoativas e suas doses; PVC,
Swan-Ganz; Oxigenação tissular (pH, BE,
Lactato, CO2, gap, Ca-vO2/CO2, SvO2,
DO2, VO2)
5. Respiratório: Sinais e sintomas;
parâmetros ventilatórios; última
gasometria arterial; raio-x de tórax
(pneumotórax, atelectasia, infiltrado novo);
pressão do cuff e localização da cânula
traqueal.
6. Metabólico e renal: Diurese (Kg/hora e
total em 24 horas); balanço hídrico; diálise;
creatina; eletrólitos; estado ácido-base,
função hepática.
7. Gastrointestinal: Exame do abdome;
ingesta oral ou por cateter enteral; débito
do cateter nasogástrico; diarréia ou
obstipação; resultado de exames.
8. Infecção: Curva térmica, leucograma;
culturas; uso de antibióticos (quanto,
quais, quanto tempo).
9. Hematológico: Hematócrito;
coagulograma; medicamento que alteram
a crase sanguínea.
10. Nutricional: Enteral ou parenteral; ingesta
calórica; ingesta proteíca, lípidica e de
carboidratos; balanço nitrogenado,
albumina, pré-albumina.
11. Endócrino: Hiperglicemias?
Administração de insulina; necessita de
dosagem de hormônios tireoidianos ou
cortisol? Diabetes insipidus? SIADH?
12. Psicossocial: Depressão, delirium? Os
familiares estão inteirados da situação?
Há como viabilizar acompanhamento
psicológico e/ou terapia ocupacional?
13. Tubos, drenos, cateteres e medicamento:
Posicionamento de tubos, drenos e
cateteres; posição, fixação, data e
presença de sinais de infecção na
inserção de cateteres venosos e arteriais;
checar ritmo de gotejamento das drogas e
funcionamento das bombas de infusão.
SIADH: Síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético
Aristides Oliveira
Checklist desenvolvido para que ações importantes não sejam esquecidas no
cotidiano, utilizando o recurso minemônico que se origina a frase "SUPERITA PARA O
BEM", baseado em: Vincent, (2005).
Sedação: Verifique se o paciente está recebendo sedativos em dose adequada e se já é
possível retirá-lo. Analisar o ciclo sono-vigília. Discutir interrupção diária da sedação.
Úlcera: Checar se o paciente está recebendo profilaxia para gastroplastia erosiva aguda.
Suspensão (elevação) da cabeceira: verificar se o paciente em ventilação mecânica encontra-
se com a cabeceira acima de 30º.
Períneo: examinar a região do períneo observando lesões de pele e região genital. Avaliar a
possibilidade de se retirar a sonda vesical ou trocar por dispositivo não invasivo (equipe
médica)
Escara: verificar se existe prevenção para úlceras de pressão, como mudança de decúbito e
colchão piramidal. Se presentes, confirmar se estão sendo tratadas.
Infecção de cateter: avaliar sinais flogísticos na inserção do cateter venoso central e verificar a
necessidade de mantê-lo.
TVP: checar se o paciente está em uso de profilaxia para TVP, seja farmacológica ou mecânia
Alimentação: atentar se o paciente está recebendo dieta. Se prescrita, observar a tolerância
(vômitos, estase, diarreia) e se o aporte calórico é adequado (25 a 30 Kcal/kg). Avaliar a
possibilidade de iniciar dieta em pacientes com dieta zero e de substituição ou associação de
dieta enteral nos pacientes com nutrição parenteral total.
Pressão das vias aéreas: certificar-se de que o platô esteja <30 cmH2O
Analgesia: determinar se o paciente recebe analgesia contínua ou intermitente em
quantidades necessária para o alívio de sua dor.
Retirada do leito: analisar a possibilidade de remover o paciente do leito para poltrona ou
deambular.
Antibiótico: verificar se os antibióticos utilizados são adequados e analisar a possibilidade de
sua suspensão, seja pelo controle de infecção ou pela falta de indicação.
Oftalmoproteção: nos pacientes sedados ou com rebaixamento do nível de consciência,
verificar se existe proteção ocular contra úlceras de córnea.
Balonete: checar a pressão do tubo endotraqueal ou da traqueostomia com a finalidade de
evitar lesões das vias aéreas. Recomendam-se valores < 25-30 mmHg
Extubação: analisar a possibilidade de extubação ou desmame da ventilação e de realização
de traqueostomia. Recomenda-se a utilização de protocolos de desmame diariamente.
Metabólico: avaliar e corrigir distúrbios metabólicos. Avaliar a necessidade de controle
glicêmico
É importante ressaltar que algumas das atividades acima descritas são de competência de
outros profissionais da equipe.
47
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
Talley e O’Connor, (2014) Sugere um métodos para um exame físico rápido.
1. Mãos e braços
Inicie pegando a mão do paciente e
examinando as unhas para baqueteamento
(RESP, CVS, GI) e por lesões na mão para
endocartide infeciosa (CVS) ou doenca
crônica do figado (GI). As mudanças nas
unhas sugerem doença renal crônica ou
deficiência de ferro deve também ser
avaliada (REN, HEM). Note qualquer
evidência de artropatia (REU). Examene a
outra mão
Sinta o pulso do paciente e note a frequência
e regularidade ou irregularidade (CVS).
Enquanto se faz isso os braços podem ser
inspecionados para marcas decontusões ou
arranhões (GI, HEM, REN). Determine o
estado de hidratação (GI, REN, CVS).
Continue e examene a axila para
adenopatia(HEM).
2. Face
Olhe os olhos para icterícia (GI, HEM) ou
exoftalmo (ENDO). Olhe a face para
evidências de eupção vascular (REU).
Inspecione a boca para úlceras da mucosa
(REU, GI, HEM, INF) e a lingua para
glossite (deficiência nutricional) ou cianose
(RESP, CVS).
3. Pescoço anterior
Sinto o pulso carotídeo e em 45º preste
atenção no estado da pressão venosa
jugula (CVS). Sinta suavemente a posição
da traqueia (RESP). Então palpe os
linfonodos supraclavicular (HEM, GI).
4. Tórax anterior
Exame o tórax para cicatriz e deformidade.
Note qualquer aranha vascular (GIT) ou
perda de pelo (GI, ENDO). Palpe a parede
torácica e auscute o coração (CVS). Então
percuta e auscute o tórax (RESP) e exame
a mama.
5. Pescoço e tórax posterior
Sente o paciente e incline-o para frente. Após
a inspeção, teste a espação do lobo
superior e inferior dos pulmões. Percuta e
auscute na parte posterior do tórax (RESP).Sinta para linfadenopatia cervical (RESP,
GI, HEM). então examene para bócio
(ENDO). Teste para edema sacral (CVS,
REN).
6. Abdome
Deito o paciente em decúbito dorsal sobre um
travesseior. Inspecione o abdome de lado,
então palpe para organomegalia e outras
massas abdominal. Percuta para mudança
de macicez se for apropriado ausculte.
Palpe a região inguinal para linfadenopatia
e hernias (GI, REN).
7. Pernas
Procure por edema periférico (CVS, REN) e
úlceras (HEM, REU, CVS, SNC). Sinta
todos os pulsos periféricos (CVS).
8. Exame neurológico
Descubra se o paciente é destro ou canhoto.
Inicie o exame com os altos centros e
nervos cranianos. Teste a orientação e
note qualquer défict na fala. Pergunte sobre
qualquer problema com senso de cheiro
(NCI). Examine acuidade visual (NCII), o
movimento da pupila e olho (NC III, IV, VI).
Procure por outros nervos craniano
testando a sensação de dor na face (NCV),
força dos músculos faciais supeores e
inferiores (VII), ouvir voz susurrada
(NCVIII), movimento do palato ('ah') (NC IX,
X), colocar a lingua para fora (NC XII) e
rotação da cabeça (NC XI).
Em seguida procure por hipotrofia e
fasciculação nos membros superiores.
teste o tônus, força (ombro, cotovelo,
punho e dedos) e os reflexos do bíceps,
tríceps e braquioradial. Avalie o movimento
dedo nariz. Então teste a sensicibilidade no
topo do ombro, na parte interna e externa
do antebraço,e nas áreaa mediana, radial e
ulnar na mão.
Vá para os membros inferiores. teste a
marcha: peça para o paciente andar alguns
passos, virar rapidamente e caminhar de
volta. Então teste caminhar calcanhar-
dedão (cerebelo), habilidade de ficar em pé
sobre os dedões (S1) e calcanhar (L4, L5)
e agachar (musculos proximais). Próximo,
teste flexão e extensão do quadril e joelho,
e dorsiflexão e flexão plantar do pé na
cama. Então realize os reflexos do joelho,
tornozelo, plantar e faça o teste calcanhar-
joelho. Teste a sensação no terço médio
das coxas, ambos os lados da tíbia, o
dorso do pé, o dedo mínimo, nas nádegas
e três níveis no tronco em ambos os lados.
SNC. Sistema nervoso central (e periférico); CVS. Sistema Cardiovascular; ENDO. Sistema
Endócrino; GI. Sistema Gastrointestinal; HEM. Sistema Hematológico; INF. Doenças
Infecciosas; REN. Sistema Renal; RESP. Sistema respiratório; REU. Sistema Reumatológico.
Aristides Oliveira
Metkus e Kim, (2015)
Estado Geral Avalie o estado geral, status nutricional, nível de conforto, e a Gestalt* clínica
do paciente.
Cabeça Inspecione pupilas para assimetria e teste a resposta a luz; veja a simetria
facial. Inspecione nariz e orofaringe para sangramento. Inspecione os
lábios, boca e linga para ulceração ou lesões. Assegure-se que o tubo
orotraqueal e enteral estejam bem seguros sem úlceras depressão ou dano
na pele.
Pescoço Avalie a pressão venosa jugular, inspecione os locais de acesso vascular.
Tórax Palpe para ar subcutâneo em pacientes ventilados mecanicamente.
Inspecione para o uso de musculatura acessória incluindo movimento do
diafragma e padrão (paradoxal), Com o estetoscópio ouças os sons
respiratórios bilateralmente. Ouça os sons cardíacos, notado dobramento
do segundo som cardíaco, murmúrios, notando fricção, e galope.
MMSS Avalie a simetria. Inspecione todo os acessos. Avaliar manchas e perfusão
periférica.
Abdome Note o padrão do movimento diafragmático com a respiração. Avalie para
distensão e timpanismo. Palpe para rigidez e defesa involuntária. Avalie
aumento do fígado e baço, para massas e para ruídos e sons intestinais.
MMII Avalia qualquer acesso vascular e palpe o pulso pedioso. Avalie manchas e
perfusão periférica. Avalie edema periférico.
Sistema
neurológico
e estado
mental
Pupilas e simetria facial foram avaliadas previamente. Avalie se o paciente
pode seguir comando e se todas as quatro extremidades movem
igualmente. Avalie a resposta de retirada plantar ao estímulo doloroso.
Avalie delirium usando CAM-ICU ou outra escala validada.
Dispositivos
e incisões
Todos os locais cirúrgicos e entrada de dispositivos, incluindo tudo
endotraqueal, acesso vascular, tubo torácico e enteral, e cateteres urinários
devem ser avaliados. A característica e quantidade de urina na bolça de
Foley devem ser anotadas.
Posterior O exame deve ser realizado quando o paciente é virado. Úlceras de pressão
devem ser inspecionadas. Edema na região posterior devido a posição do
corpo
Monitor e
formato de
ondas
O ventilador (modo, pressão, VM, e formas de onda), monitor hemodinâmico
(pressão venosa, pressão arterial), telemetria, e sinais vitais, bem como
outros monitores beira leito, devem ser inspecionados para anormalidade
quantitativa e qualitativa.
*Gestalt: Um todo organizado que é percebido como mais do que a soma de suas partes.
49
Capítulo 3 – Avaliação beira leito
Roteiro para evolução no prontuário
Você deve procurar resposnder as seguintes questões quando for avaliar, e
evolui no protuário:
1. Qual o nível de consciência?
a. Sedado? Qual o score RASS ou Ramsey?
b. Não sedado? Escala de Coma de Glasgow?
2. Qual o estado Hemodinâmico?
a. Instável? Faz uso de droga vasoativa? Qual droga e dosagem (ml/hr)
b. Estável? As custas de droga vasoativa? Qual droga e dosagem (ml/hr)
c. Estável sem uso de droga vasoativa.
3. Sinais Vitais: FC, FR, PAM (sitólica/diastólica) e SpO2
4. Modo ventilatório
a. Respira espontaneamente?
i. Ar ambiente
ii. Com auxilio de O2, qual auxílio? Mascara de venture? Canula nasal?
Qual a FIO2?
b. Ventilação Mecânica?
i. Modo ventilatório?
ii. PEEP
iii. FIO2
iv. Qual a via dessa ventilação? TOT? TQT?
5. Na avaliação do tórax:
a. Inspeção
i. A expansibilidade do tórax é simétrica ou assimétrica?
ii. O ritmo é torácico, abdominal ou misto?
iii. Tem ferimento cirúrgico?
iv. Tem dreno? Se sim, é oscilante? Qual o aspecto do líquido?
b. Ausculta
i. O múrmurio vesicular (MV) está presente, diminuído ou abolido?
1. No ápice? Base? De um hemitórax ou de ambos hemitórax?
ii. Têm ruídos adventícios?
1. Qual? Ronco? Sibilo? Estertores finos, grossos, bolhos?
2. Onde se localiza? Ápice? Base? De um ou ambos os
hemotórax?
6. Na avaliação do abdome:
a. Inspeção
i. É plano, globoso, ascítico?
1. Está flácido? Rígido? é depressível?
ii. Tem ferida?
1. Cirúrgica?
2. Ostomias?
7. Na avaliação musculoesquelética
a. Edemas? Localizacão? Intensidade (+, a ++++/4)? Duro ou mole? Tem cacifo
positivo? Ou Homans para TVP?
b. ADM?
i. Presente? Restrita por encurtamento muscular ou deformidades?
ii. Tem úlceras?
c. Força muscular
i. MRC? Escore?
ii. Bloqueioneuromuscular?
Aristides Oliveira
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Capítulo 3 – Avaliação beira leito
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Aristides Oliveira
Capítulo 4 – Exames Complementares
Radiografia de tórax
Introdução
A radiografia de tórax (RXT) a beira leito ainda é uma dos exames mais
requisitados, e permanece a pedra angular no diagnóstico e monitorização invasiva de
pacientes na UTI. A RTX a beira leito é essencial para detectar mau posicionamento
de material de monitorização, para identificar complicações associadas, e analisar
razões basais para deterioração cardiopulmonar.
A recomendação da interpretação do RXT é primeiramente identificar achados
anormais, incluindo sua localização e distribuição, e então definir padrões que ajudem
a classificar e categorizar. Baseado nessas informações correlacionado com a história
do paciente, é possível gerar o diagnóstico diferencial, ou conclusão.
Por exemplo, o relato do corpo e impressão do RXT descrevem uma
consolidação em um paciente como tosse, febre e elevada contagem de células
brancas pode parecer com isso:
Achados: Opacidade focal desigual é notada no ápice do pulmão direito com
broncogramas aéreos.
Interpretação: Consolidação a direita, consistente com pneumonia.
Indicações e técnica
Os critérios apropriados para RXT a beira leito, publicado pela American
College of Radiology em 2006 estabelece as seguintes indicações:
Diário, RXT é indicado em pacientes com doenças cardiopulmonar aguda e em
ventilação mecânica.
O RXT imediato é indicado após a inserção do tubo endotraqueal, cateter venoso
central, cateter de artéria pulmonar, tubos torácicos, e tubos nasogastrico.
No contexto da terapia intensiva onde o paciente está limitado a ir até o
departamento de radiologia, esta pode ser realizada no leito, através de radiografia
portátil, sendo quase sempre anteroposterior (AP). Esse incidência não fornece tantas
informações quando a PA e a em perfil por diversas razões. Por se trata de uma
incidência única, as lesões não são fácil nem precisamente localizadas ao longo do
eixo AP do tórax. O paciente pode não ser capaz de cooperar no momento da apneia
em inspiração total.
Na radiografia torácica bem posicionada, as clavículas se apresentam alinhadas e
simétricas. O alinhamento da cabeça e do tronco, bem como os processos
espinhosos, devem ser vistos no meio das clavículas e da coluna de ar da traqueia. A
rotação indevida do tórax produz falsas elevações do hemidiafragma ipsilateral no lado
para o qual ocorreu a rotação. Além disso, quando o paciente não está
adequadamente posicionado, a análise dos hilos, do volume pulmonar e da área
53
Capítulo 4 – Exames Complementares
cardíaca fica prejudicada. O grau de inspiração é avaliado pela relação entre o
posicionamento do diafragma e os arcos costais posteriores (9º a 11º).
Radiografia de tórax normal
O conhecimento da anatomia torácica e a análise rotineira de todas as
estruturas radiologicamente aparentes são elementos essenciais para a interpretação
do RXT.
Existem várias formas de se avaliar a RXT, podendo ser avaliadas da região
periférica para a central obedecendo a seguinte sequência: partes moles, partes
ósseas, pleuras, diafragma, parênquima, hilos, e por último mediastino. Pode ser, do
centro para a periferia, inicia-se com a traqueia, a carina, mediastino (arco aórtico,
tronco pulmonar, apêndice atrial esquerdo e pelo ventrículo esquerdo, veia cava
superior e átrio direito), segue-se para os hilos pulmonares, parênquima, os vasos
pulmonares, os lobos pulmonares, os seios costofrênicos, contornos diafragmáticos e
por fim, as estruturas ósseas e partes moles (Fig. 1A a D)
Figura 1 A. Contornos radiológicos do mediastino. O contorno do mediastino à direita é
determinado pela veia cava superior (a) e pelo átrio direito (b). À esquerda, o contorno mediastinal
é definido pelo arco aórtico (c), pelo tronco da artéria pulmonar (d), pelo apêndice atrial esquerdo
(e) e pelo ventrículo esquerdo (f). B. Índice cardiotorácico. O índice cardiotorácico é calculado por
meio da divisão do diâmetro cardíaco máximo (a + b) pelo maior diâmetro da caixa torácica (c). C.
Fissuras pulmonares nas incidências póstero-anterior e lateral e D. As fissuras maiores (a) situam-
se posteriormente no nível da 5a vértebra dorsal, estendendo-se até o nível do contorno anterior
do 6º arco costal. A fissura menor (b) apresenta um trajeto horizontal, no nível da porção anterior
do 4º arco costal à direita. Adaptada de: Faccin e Torres, (2009).
Outro método sistemática de interpretação do RXT, usa um padrão de busca
mnemônico que concite no ABCDEs. O acrônimo inclui os seguintes: Airway (via
aérea): Traqueia, vias aéreas maiores, hilo (o esquerdo é ligeiramente mais alto).
Breathing (respiração): Pespectiva global dos pulmões (compare os lados para
A B
D
C
Aristides Oliveira
simetria, imagens muito escuras ou muito claras) examine o parênquima para
infiltrados, espaço pleura (pneumotórax e fluídos no ângulo costofrênico).
Cardiovascular: inicie do topo para a base, examine as margens, posição das
estruturas mediastinais, tamanho do coração e aorta (Fig. 4.1A). Diafragma: Posição
(a diferença entre a altura entre a hemiculpula esquerda e direita é de <3), formato,
claridade, ar abaixo do diafragma. Equipamento: tubos (Tubo OT, nasogástrico, dreno,
acesso venoso central), próteses, equipamento externo; soft tissue (tecido mole):
Mamas (e.g., mastectomia), abaixo do diafragma (bolhas de ar no estômago), entorno
do tórax (e.g., enfisema subcutâneo) e pescoço (massas). Hard tissue: costelas,
clavícula escápula coluna vertebral. Segunda olhada: ápices, área retrocardíaco e
ângulos costofrênicos.
Avaliação e descrição dos achados
O relato deve ser previsível e consistentes para fornecer o rápido entendimento
do significado. O RXT deve ser realizado imediatamente após um procedimento
invasivo (e.g., intubação OT, colocação de cateter arterial central) para assegurar o
posicionamento adequado do mecanismo e excluir complicações.Tubo traqueal. A confirmação radiográfica da localização do tubo é crucial. Quando a
cabeça do paciente está na posição neutra, a ponta do tubo endotraqueal deve estar
localizada na região média da traqueia, aproximadamente 2 a 3 cm da carina. O
posicionamento do tubo endotraqueal no brônquio principal direito frequentemente
acarreta atelectasia ou barotraumas (Fig. 2A).
Acessos e tubos. Uma revisão mais compreensiva de acessos e tubos está além do
escopo desse texto. Entretanto é importante conhecer que tipos de acessos e tubos
foram colocados, junto com suas posições ótimas e potenciais complicações de mal
posicionamento (Fig. 2 B a D).
Figura 2 A. Mau posicionamento do tudo endotraqueal, intubação seletiva no brônquio principal
direito, com consecutiva atelectasia do pulmão esquerdo e pneumotórax devido ao barotrauma no
pulmão direito. B. Tubo nasogástrico mal posicionado: o tubo dobrou e retornou, oferecendo
risco de aspiração. C. Aumento do enfisema nos tecidos moles e persistência do
pneumotórax indicando mau posicionamento do dreno torácico; primariamente no
tecido subcutâneo da parede torácica. D. Radiografia após o colocar um acesso sem
sucesso. O paciente desenvolveu um hematoma mediastinal direito após inserção sem
sucesso do cateter via veia jugular interna. Adaptadas de: Eisenhuber, et al., (2012).
Alterações radiológicas
Ao encontrar uma imagem anômala, deve-se classifica-la de acordo com as
seguintes características, densidade, extensão, localização e repercussão:
A B C D
55
Capítulo 4 – Exames Complementares
Densidade. A depender do maior ou menor grau de absorção dos raios X, as
alterações pulmonares serão consideradas, respectivamente, hipertransparente ou
hipotransparentes. A maioria das doenças pulmonares causam aumento da
densidade, hipotransparência ou condensação/opacificação (imagem mais
escura), podendo ser homogêneas ou heterogêneas (infiltrados).
o As opacidades ou consolidações homogêneas, para descrever imagens sólidas e
de limites precisos (Fig. 4.3A).
o Opacidades ou consolidação heterogênea, para descrição de imagens de limites
imprecisos (Fig. 4.3B)
Extensão. As imagens podem abranger todo o hemitórax, serem lobar, segmentar
ou ainda subsegmentar;
Localização. As características da lesão, bem como sua localização, devem ser
descrita.
Repercussão. Há processos que provocam aumento do hemitórax e deslocam o
mediastino para o lado oposto, aumentando os espaços intercostais (e.g.,
hiperinsuflação pulmonar, pneumotórax, hérnia diafragmática). Em oposição, há
processos que reduzem o volume do hemitórax comprometido e provoca retração,
desvio do mediastino para o lado da lesão e diminuição dos espaços intercostais
(e.g., atelectasias, fibrose).
Figura 3 A. Incidência frontal com imagem focada do lobo superior esquerdo demonstrando nível
hidroaéreo (seta). Nesse paciente, a linha que separa o ar e o líquido é de mesmo tamanho em
ambas as incidências, sugerindo que a lesão cavitária tem forma esférica, o que é característico de
nível hidroaéreo no parênquima pulmonar, nesse caso, um abscesso pulmonar. B. Radiografia PA
revelando uma opacidade no hemitórax esquerdo por trás do cateter venoso central do paciente.
Esta opacidade é mal definida nas margens superior e lateral. Adaptado de: Chiles e Gulla, (2012).
Aristides Oliveira
Exames Laboratoriais
Interpretação do hemograma
O hemograma corresponde a um conjunto de teste laboratoriais que estabelece
os aspectos quantitativos e qualitativos dos elementos celulares do sangue: eritrócitos
(eritrograma), leucócito (leucograma) e plaquetas (plaquetograma).
Eritrograma
1. Contagem de eritrócito (E). Determinação do número de eritrócitos por mm3 de
sangue:
Normal:
o Homem: 4.400.000 a 6.000.000/mm3
o Mulheres: 3.900.00 a 5.400.00/mm3
2. Dosagem de Hemoblobina (Hb). Determinação da quantidade total de Hb, por meio
da lise das hemácias e determinação do valor por espectrofotometria.
Normal
o Homem: 14 a 18g/dL
o Mulher: 12 a 16g/dL
Quando abaixo do valor normal para idade, sexo e altitude, diz-se estar diante de
um quadro de anemia; quando acima, trata-se de poliglobulia, que pode ser primária
(mieloproliferação crônica, policitemia vera) ou secundária (aumento da eritropoietina
em situações de hipoxemia crônica ou tumores produtores de eritropoetia).
3. Hematócrito (Ht). É a proporção que o volume da massa eritrocitária ocupa na
amostra de sangue, estabelecida pela relação percentual entre a massa eritrocitária
e o plasma. Pode ser determinado diretamente, por centrifugação, ou
indiretamente, pelo cálculo: ܪݐ = ܧ/ܸܥܯ, onde: E=eritrócito, VCM= volume
corpuscular médio.
Normal
o Homem: 40 a 54%
o Mulher: 38 a 49%
Valores abaixo do normal podem indicar anemia ou hemodiluição, enquanto
que valores acima do normal podem corresponder à poliglobulia ou desidratação.
Indivíduos desidratados com Ht normal podem estar anêmicos.
4. Volume corpuscular médio. O VCM refere-se à média do volume de uma população
de eritrócitos. Pode ser obtido diretamente por impedância elétrica ou dispersão
óptica, ou indiretamente por cálculo: ܸܥܯ = ܪݐ/ܧ
Normal: 80 a 96fL (normocíclica)
o Valores abaixo do normal (<80fL): microcitose, significando alteração na
síntese da Hb (alteração da maturação citoplasmática),
consequentemente à diminuição da disponibilidade de ferro, da síntese
de cadeia globulínica ou da síntese do heme;
o Valores acima do normal (>96fL): macrocitose, decorrente de alterações
do metabolismo de ácidos nucleicos, alteração na maturação dos
eritrócitos, reticulocitose, entre outros.
57
Capítulo 4 – Exames Complementares
5. Hemoglobina corpuscular média. HCM é a média do conteúdo (em peso) de Hb em
uma população de eritrócitos. Pode ser obtido por método automático por meio da
derivação do VCM e da CHCM: Normal. 27 a 31pg.
6. Concentração de hemoglobina corpuscular média. A CHCM corresponde à média
das concentrações internas de Hb de uma população de eritrócitos, sendo
responsável pela cor dele. Normal: 32 a 36 g/dL, hipercromia (CHHCM >36g/dL) e
hipocromia (CHCM <32g/dL).
7. Red Distribution Width (RDW). É um coeficiente que revela numericamente a
variação de volume dos eritrócitos (grau de anisocitose). Bastante importante na
classificação e diagnóstico das anemias, pois é o primeiro índice a ser alterado nas
anemias carenciais. Normal 11 a 14,5.
Esses pacientes, com anemia, devem ser criteriosamente avaliados e a
conduta fisioterapêutica deverá ser direcionada, pois, devido a queda da viscosidade
do sangue associada à hipóxia, ocorre uma diminuição da resistência ao fluxo
sanguíneo nos vasos periféricos, aumentado o débito cardíaco em cerca de 2 vezes o
seu valor normal, caracterizando um dos principais efeitos da anemia: a sobrecarga
cardíaca.
Leucograma
O sistema imune é um complexo e dinâmmico sistema que promove a defesa
contra infecções por bactérias, vírus, fungos, protozoários e outros parasitas, além de
células neoplásicas, rejeição de células, órgãos e tecidos. Os leucócitos são as
principais élulas do sistema imune e atuam tanto de forma direta (neutrófilos, linfócitos
T citotóxico, células NK) quanto de forma indireta, pela produção de anticorpos
(linfócitos B). Os valores de referência para o leucograma variam de acordo com a
idade do paciente.
para fins práticos, os leucócitos são classificados em 2 grandes grupos:
- Polimorfonucleares (granulócitos): neutrófilos, eosinófilos e basófilos
- Mononucleares: monócitos e linfócitos.
O aumento ou a diminuição de leucócitos deve levar em conta: A capacidade de
produção medular e/ou lonfonodal; Se há causas evidente para tal resposta (patógeno,
trauma, neoplasica, inflamaçao crônica)ou se é aumento primário (neoplasia
hematológica).
- Contagem diferencial
O número global de leucócitos deve sempre ser avaliada em conjunto com os
valores absolutos (e não com os relativos) de cada subtipo leucocitário e com
possíveis alterações morfológicas.
Leucocitoses. É o aumento na contagem de leucócitos, >11.000/mm3, geralmente à
custa do aumento isolado de uma única linhagem: neutrófilo, eosinófilo, basófilo,
linfócito ou monócito.
Aristides Oliveira
Neutrofilia. É o aumento da contagem de neutrófilos (somatório de segmentados +
bastonetes) > 7.000/mm3. Pode ser primária (e.g., doenças mieloproliferativas
crônicas) ou secundária (e.g., tabagismo, infecção aguda, inflamação crônica).
Linfocitose. Aumento da contagem de linfócito acima dos valores de referência para a
idade (>4.000/mm3 em maiores de 12 anos). A 1ª causa a ser investigada é infecção
viral. Algumas infecções bacterianas e por protozoários também podem apresentar
linfocitose.
Monocitose. São células fagocitárias, mais eficaz na destruição de fungos, vírus e
parasitas. É definida como contagem >800/uL.
Eosinofilia. Definida como contagem acima de 500/mm3, independente da contagem
global de leucócitos, pode ser primária (e.g., doenças hematológicas) ou secundária
(e.g., asma, reação a drogas).
Basofilia. Definica como mais de 200/mm3. É cmumente encontra em neoplasias,
mieloproliferativas e outras doenças hematológicas malignas.
Leucopenia
Consiste na diminuição da contagem de leucócitos a valores abaixo da
referência para idade e raça.
Neutropenia. Definida como valores abaixo de 1.500/ neutrófilos/mm3 de sangue. O
risco de infecção é inversamente proporcional à contagem de neutrófilos, sendo maior
se os valores estiverem abaixo de 500/mm3.
Linfopenia. contagem linfocitária <1.000/mm3 de sangue em adultos. É causada por
baixa produção (e.g., desnutrição proteico-calórico, imunodeficiência) e aumento na
destruição (e.g., quimioterapia e radioterapia, alterações de vasos linfáticos, infecções
virais). pode decorrer de situações perdedoras de linfócitos, diante de eventos
estressantes, como infecções, queimados e trauma, em resposta à elevação de
corticoide,
Monocitopenia. Contagem de monócitos abaixo de 100/mm3 desangue. De escasso
valor clínico, exceto na leucemia de células cabeludas (neoplasias de células B).
Eosinopenia. Contagem abaixo de 20/mm3, ocorre em quadros de infecções agudas
com neutrofilias acentuadas. É bastante útil para o diagnóstico de casos de abdome
agudo e ocorre também quando em uso de corticoide e epinefrina.
Basopenia. De pouca aplicabilidade clínica.
Plaquetograma
Como os demais, a contagem de plaquetária pode ser feita por meio e
contagem direta, indireta ou automatizada. O valor normal é de 140.00 a 450.000/mm3.
Confirmada a plaquetopenia pelo contador automático, por meio de coleta
adequada em EDTA (do inglês Ethylenediamine tetraacetic acid) e citrato, e análise do
sangue periférico, deve-se pensar em:
59
Capítulo 4 – Exames Complementares
Diminuição da produção: deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, aplasia de
medula, mielodisplasia, infiltração da medula por neoplasia, efeito de medicamentos e
agentes tóxicos ou infecciosos (rubéola, varicela, parvovírus, HCV, EBV);
Excesso de destruição ou consumo: microangiopatia, destruição imune, CIVD e
infecção;
Hiperesplenismo.
As falsas plaquetoses são bem menos comuns e decorrem, principalmente, da
presença de fragmentos eritrocitários, encontrados em microangiopatias (esquizócitos)
e aquecimento indevido da amostra; ou da microcitose extrema.
Confirmada a plaquetose, devem-se excluir quadros infecciosos, inflamatórios
ou neoplásicos, e ainda a ferropenia.
Bioquímica
A dosagem de componentes bioquímicos no sangue é utilizada para
diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças.
Enzimas.
Amilase. Valores de referência 27 e 131 U/L. Estão presente em maior concentração
no pâncreas é também encontrada nas glândulas salivares. Valores três acima do
valor normal são importantes para o diagnóstico de pancreatite aguda (eleva-se nas
primeiras 24hr e se normaliza nas 24 a 48hrs). Há aumento também nas úlceras
gástricas ou duodenais perfuradas, obstrução intestinal e de árvore biliar.
Lipase. Valores de referência entre 18 e 285 mUI/ml. Como a amilase possui o
pâncreas como principal fonte, também sendo secretada pela mucosa gástrica e
intestinal. Na pancreatite aguda sua elevação é mais tardia bem como sua
permanência é maior.
Desidrogenase láctica (DLH ou LDH). Os valores variam entre 12 e 158 ng/dl. Eleva-
se em casos de hepatopatia, infarto agudo do miocárdio e outras miopatias. É
inespecífica para diagnósticos.
Transaminases (AST/TGO, ALP/TGP). As duas transaminases de importância clínica
são o aspartato aminotransferase (AST/TGO) e a alanina aminotransferase
(ALP/TGP). Estão distribuídas de forma ampla, AST predomina no coração no fígado
músculos esqueléticos, rins e pâncreas, e a ALT, no coração, fígado e rins. O uso
dessas enzimas se dar com destruição hepatocelular (hepatites agudas e hepatopatia
crônica). Valores de referência AST/TGO 10 a 40U/L em homens e 7 e 35 U/L em
mulheres. A ALT/TGP varia entre 10 e 30 U/L.
Fosfatase alcalina (FA). Valores de referência, 15 e 100U/L. Estão presentes no
fígado, no epitélio dos canais biliares, nos ossos, na mucosa intestinal e na placenta. A
FA hepática pode aumentar em qualquer hepatopatia.
γ-Glutamil transpeptidase (γ-GT). Seus valores, 2 e 30U/L em homens e 1 e 24U/L
em mulheres. É principalmente encontrada no tecido renal e está ligada às doenças do
fígado e das vias biliares.
Aristides Oliveira
Creatina-quinase (CK). Enzima que se encontra em maior concentração nos
músculos esqueléticos, tecido cerebral e músculo cardíaco. Tem como função
catalisar a reação na qual o fosfato de creatina (fosfocreatina) cede sua ligação
fosfórica ao ADP resultando em ATP. Seus valores de referência para homens até
235U/L e até 190U/L em mulheres. A dosagem total de CK é realizada nos casos de
suspeita de infarto agudo do miocárdio e em doenças musculoesqueléticas.
As isoenzimas da CK dividem-se em: CK-BB, tecido cerebral; CK-MM, tecido
musculoesquelético; e CK-MB, músculo cardíaco. Sua atividade, porém, não é
específica da lesão isquêmica, podendo ter seus valores alterados por desfibrilação e
a cardioversão.
Glicose. Glicemia mede a quantidade de um tipo de açúcar, denominado glicose. A
glicose provém de carboidratos e constitui a principal fonte de energia usada pelo
corpo. Os níveis de glicose são regulados pela insulina e pelo glucagon. Os valores de
referência são: 70 a 99g/dl, faixa crítica <45 e >500g/dl. Os valores estão diminuídos
nos distúrbios pancreáticos, tumores extrapancreáticos, doença hepática. Os valores
estão elevados na diabetes melito, aumento de epinefrina circulante, pancreatite
aguda, pancreatite crônica, efeitos farmacológicos, algumas lesões do SNC.
Ureia. O catabolismo das proteínas e dos ácidos nucleicos resulta na formação de
ureia e amônia. A ureia é sintetizada principalmente no fígado, e >90% são excretados
pelos rins. Valores de referências 7 a 23mg/dl. É utilizado para avaliação da função
renal, associado com a creatinina sérica, os níveis de ureia no sangue ajudam no
diagnóstico diferencial da hiperuricemia pré-renal, renal e pós-renal. Diagnóstico de
insuficiência renal, avaliação da função glomerular, na doença renal crônica. Um nível
sanguíneo de ureia entre 50 e 150mg/dl indica grave comprometimento da função
renal. Seus valores estão elevados na ICC, Choque, depleção de sal e água,
hemorragia digestiva, IAM. Valores diminuídos, diurese, lesão hepática grave.
Creatina. A creatinina é sintetizada no fígado, captada pelos músculos para
armazenamentode energia na forma de fosfato de creatina e degradada em
creatinina; em seguida entra na circulação e é excretada pelos rins. Os valores de
referência Homens 0,2 a 0,7 mg/dl e 0,3 a 0,9mg/dl para mulheres. Os níveis séricos
de creatina podem estar significativamente aumentados na esclerose lateral
amiotrófica, dermatomiosite, miastenia grave, inanição, distrofias musculares e
traumatismo. A síntese da creatina é estimulada pela metiltestosterona e também
pode estar aumentada no hipertireoidismo, na acidose diabética e no puerpérios.
Proteínas Plasmáticas
A determinação das proteínas plasmáticas tem sua importância ligada ao fato
de essas serem fundamentais na manutenção da pressão coloidosmótica plasmática,
além de terem seus valores alterados por numerosas doenças. Essas proteínas são
divididas em seis grupos principais: pré-albumina, albumina, alfaglobulina 1,
alfaglobulina 2, betaglobulina, fibrinogênio, gamaglobulina.
Albumina. A albumina é a proteína mais importante, constituindo 55 a 65% das
proteínas plasmática total. Cerca de 300 a 500 g de albumina estão distribuídos pelos
líquidos corporais, e o fígado de um adulto de porte médio sintetiza aproximadamente
61
Capítulo 4 – Exames Complementares
15 g por dia. A meia-vida média da albumina é de cerca de 20 dias, com degradação
diária de 4% do reservatório total de albumina. Valores de referência >16 anos 3,5 a
4,8 g/dl. É utilizada na determinação do estado nutricional, avaliação de doença
crônica, avaliação de doença hepática. Os valores estão elevados na desidratação e
diminuídos na doença hepática aguda ou crônica (diminuição da síntese), má
absorção, desnutrição, diabetes melito, reação de fase aguda, inflamação e doenças
crônicas, queimaduras.
Gamaglobulina. Grupo que compreende imunoglobulinas integrantes do sistema
imunológico e são responsáveis especificamente pela resposta humoral. Aumentam
de modo geral nas infecções agudas e crônicas.
Fibrinogênio. O fibrinogênio é uma glicoproteína sintetizada no fígado. É modificada
pela trombina, transformando-se em coágulo visível de fibrina. Trata-se também de um
reagente de fase aguda. Os valores de referência 150 a 400 mg/dl (o mais abundante
dos fatores da coagulação circulantes). Esse teste detecta níveis diminuídos ou
anormais de fibrinogênio, pode ser usado para determinar a gravidade e a evolução da
coagulação intravascular disseminada (CID), devido à elevação inicial do fibrinogênio,
a sua determinação não é útil no diagnóstico de CID. A deficiência grave de
fibrinogênio pode prolongar o TP, o TTP e o TT. Os valores estão elevados em
processos inflamatórios/infeciosos agudo, câncer, idade avançada. E diminuídos na
doença hepática muito avançada, CID e fibrinólise patológica.
Bilirrubinas; total, direta e indireta. Essas dosagens são testes comumente
realizados para avaliar a função hepática. A produção diária de bilirrubina não
conjugada provém principalmente dos eritrócitos senescentes. A meia-vida da
bilirrubina não conjugada é de < 5 min. A UDP-glicuronil-transferase catalisa a rápida
conjugação da bilirrubina no fígado; bilirrubina conjugada é excretada na bile e está
essencialmente ausente do sangue nos indivíduos normais. A bilirrubina delta
(proteína bili) é produzida pela reação da bilirrubina conjugada com albumina, e a sua
meia-vida é de 17 a 20 dias.
Tipicamente, a bilirrubina é determinada em dois testes para bilirrubina “total” e
“direta”; a subtração da bilirrubina direta da total fornece a “bilirrubina indireta”. A
bilirrubina direta mede a maior parte da bilirrubina delta e conjugada e uma pequena
porcentagem de bilirrubina não conjugada. Valores de referência: 0,3 a 1,2 mg/dl e
direta 0,0 a 0,4 mg/dl.
É utilizada na avaliação da função hepática, ampla diversidade de doenças que
afetam a produção, a captação, o armazenamento, o metabolismo ou a excreção de
bilirrubina e monitoramento da eficácia da fototerapia neonatal. Os valores elevados
indica lesão hepatocelular, obstrução biliar, doenças hemolíticas, hipotireoidismo e
valores diminuídos em resposta à fármacos (e.g., barbitúricos).
Equilíbrio hidroeletrolítico
Em pessoas normais, a água, é distribuída entre os espaços intracelular e
extracelular, constitui 50-60% do peso corporal total. Doentes críticos não somente
resulta de anormalidades na quantidade e distribuição de água, mas também pode ser
causado por normalidade da água e solutos.
Aristides Oliveira
Os distúrbios hidroeletrolíticos têm grande importância não só na prática
clínica, mas particularmente em Medicina Intensiva, pois podem ser um marcador de
uma doença de base, são comumente associados a emergências cardiovasculares e
podem causar PCR ou dificultar esforços de RCP.
Distribuição da água corporal
A água corporal total é distribuída livremente no corpo exceto por algumas
áreas em que o movimento de água é limitado (e.g., partes dos túbulos renais e ductos
coletores). A água difunde-se livremente entre o espaço extra e intracelular em
resposta ao gradiente de concentração dos solutos. Portanto, a quantidade de água
em diferentes compartimentos depende do soluto presente naquele compartimento.
Os dois maiores compartimentos, o espaço intracelular, em que os maiores
solutos são potássio e vários cátions, e o espaço extracelular, em que o sódio e outros
ânions são os maiores solutos. A distribuição extracelular é dividida em intersticial e
intravascular. A distribuição entre esses dois compartimentos é complexa em sujeitos
normais e ainda mais durante uma patologia. Normalmente, o volume intravascular é
mantido pela pressão oncótica.
Distúrbios do Sódio
O sódio é íon funcionalmente impermeável, contribuído para a tonicidade
plasmática e estimulando o movimento de água através da membrana celular. O sódio
e o cloro constituem os principais cátions e ânions do compartimento extracelular
(CEC) e praticamente 90% das partículas osmoticamente ativas deste compartimento.
A regulação principal do sódio é renal. A regulação do balanço de sódio é importante
na manutenção do volume circulante efetivo e do volume extracelular. Os rins
constituem a via final comum responsável pelo balanço de sódio, regulado
principalmente pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e pelo peptídeo
natriurético atrial (PNA).
Hipernatremia. Caracteriza-se por concentrações de sódio acima de 145 mEq/L,
denota hiperosmolaridade hipertônica que causa desidratação celular, pelo menos
temporariamente. Os três principais fatores geradores da hipernatremia são: perdas
aquosas, ganho ou retenção de sódio, perdas de sódio e de água com predomínio da
segunda. Hipernatremia traduz um balanço negativo (perdas) de água e/ou um
balanço positivo (ganhos) de sódio.
Quadro clínico. Hipernatremia é bem menos comum que a hiponatrimia. Por ser um
estado hiperosmolar, os sinais e sintomas envolvem predominantemente o SNC. O
nível de consciência correlaciona-se com a severidade, letargia, irritabilidade,
inquietude, hiporreflexia, espasticidade, febre, náuseas ou vômitos.
Hiponatremia. É definida como a diminuição da concentração do sódio sérico abaixo
de 135 mEq/L. Na maioria dos casos é resultado do aumento da oferta hídrica, oral ou
intravenosa, com subsequente retenção de água.
Hiponatrimia hipertônica. A hiponatremia hipertônica resulta de uma translocação de
água das células para o compartimento extracelular, devido à presença de
determinados solutos neste compartimento (como ocorre na hiperglicemia e retenção
63
Capítulo 4 – Exames Complementares
de manitol hipertônico). Nestes casos, a osmolaridade sérica está aumentada, bem
como a tonicidade, a qual é a responsável pela desidratação celular. Hiperglicemia é a
principal causa de hiponatremia translocacional. Um aumento de 100 mg/dl na glicosesérica diminui aproximadamente 1,6 mEq/L no sódio sérico.
Hiponatremia hipotônica ou dilucional. A mais frequente das hiponatremias, é
causada por retenção hídrica. Se o consumo de água ultrapassa a capacidade de
excreção renal, a diluição dos solutos resultará em hiposmolaridade e hipotonicidade.
A hipotonicidade por sua vez pode causar edema cerebral. Os dois principais
mecanismos responsáveis pela geração da hiponatremia hipotônica são as perdas de
sódio e/ou a retenção aquosa.
Na hiponatremia com volume extracelular normal, a secreção ou a resposta renal ao
ADH é maior do que a esperada. A principal causa desse tipo de hiponatremia é a
SIADH (síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético). A SIADH
ocorre em alterações neuropsiquiátricas, em doenças malignas e em grandes
cirurgias.
Quadro clínico. Os sintomas clínicos de hiponatremia aparecem quando o sódio
plasmático for menor do que 130 mEq/L, e os quadros mais graves ocorrem com
valores inferiores a 125 mEq/L. As manifestações da hiponatremia hipotônica estão
relacionadas com o SNC, principalmente quando a concentração plasmática de sódio
sofre uma queda muito rápida ou de grande magnitude. Náuseas e vômitos são os
sintomas mais precoces e ocorrem quando o sódio sérico está entre 125 - 130 mEq/L.
Em seguida aparecem: cefaleia, câimbras, letargia, desorientação e hiporreflexia,
seguidos de convulsões, coma, dano cerebral permanente, parada respiratória,
herniação e morte, quando o valor do sódio sérico cai abaixo de 115 - 120 mEq/L.
Distúrbios do potássio
O potássio é o maior cátion intracelular, sendo 98% encontrado no intracelular
e apenas 2% (~70 mEq) no fluído extracelular. O potássio corporal total representa
cerca de 3.500 mEq (50 mEq/Kg) sendo encontrado em uma dieta normal: 1-1,5
mEq/Kg (40-120m Eqm/dia). Os rins são responsáveis por 90% da excreção da
sobrecarga de K+ diário. O K+ é regulado por, estado ácido básico; concentrações de
insulina plasmática; e níveis de catecolaminas plasmáticas.
Hipocalemia. É definida quando o K+ sérico <3,5 mEq/L (3,5 mmol/L) e pode ser
encontrada em até 20% dos pacientes hospitalizados. Ao identificar a hipocalemia
deve-se procurar e tratar o distúrbio primário que pode ser: baixa ingesta/desnutrição,
perdas gastrointestinais, perdas renais, mudança/desvio - redistribuição de K+ (e.g.,
alcalose). No ambiente hospitalar as causas mais comuns observa-se: diuréticos,
estenose pilórica com drenagem para SNG, vômitos, diarreia,, alcoolismo e trauma.
Alguns medicamentos podem levar a hipocalemia através do deslocamento dentro da
célula (e.g., overdose de insulina, β-adrenérgicos). Os pacientes com hipocalemia com
valores menores que 3,0 mmol/L podem-se observar fraqueza muscular, paralisia,
parestesias, constipação, vômitos, arritmias, alterações no ECG. O tratamento
consiste na reposição de K+ por via oral que é mais segura e de menor risco de
hipercalemia.
Aristides Oliveira
Hipercalemia. Tem sido diagnosticadas em até 8% dos pacientes hospitalizados e a
taxa de mortalidade pode chegar a 67% se não tratada rapidamente. Define-se
hipercalemia quando o K+ > 5,0 mEq/L. Ela torna-se ameaçadora à vida e requer
tratamento quando moderada (6-7mEq/L) e grave (7 mEq/L). Suas causas são
pseudo-hipercalemia (hemólise no tubo laboratorial, trombocitose, leucocitose),
redistribuição (acidose, deficiência de insulina, Betabloqueadores), sobrecarga
excessiva de K+ endógeno (rabdomiólise, hemorragia interna), excreção de K+
diminuída (IRA, IRC, diuréticos). Sua manifestações clínica incluem neuromuscular
(fraqueza, paralisia ascendente, Insuficiência respiratória) ECG. Seu tratamento parte
da proteção cardíaca de arritmia (gluconato de cálcio a 10% para diminuir o risco de
fibrilação ventricular), deslocar o K+ para dentro da celular (bicarbonato de sódio,
glicose, nebulização com beta2-agonista) e promover a excreção de K+ pela diurese
(furosemida), diálise.
Distúrbio do cálcio (Ca2+)
Ca2+ é um elemento químico do organismo sendo o mais abundante do
esqueleto e sua fração ionizada é importante cofator para a transmissão nervosa, para
diversas atividade enzimáticas, para a coagulação sanguínea, contratilidade muscular.
No líquido extracelular, encontra-se ligado a proteínas sobretudo albumina e
globulinas (40%), sob a forma de íons complexos (5 a 15%) e sob a forma livre de
cálcio ionizado (50%). O sistema de equilíbrio do Ca2+ no corpo humano conta com um
eficiente sistema de proteção composto pelas glândulas paratireoides, ossos, rins e
intestino.
Hipercalcemia. É uma anormalidade do equilíbrio entre diferentes compartimentos
corporais podendo resultar do aumento da reabsorção óssea, diminuição da excreção
renal, aumento da reabsorção pelo GI ou qualquer combinação desses mecanismos.
O hiperparatireoidismo primário e as doenças neoplásicas respondem por 80 a 90%
dos caos. As principais causas são: insuficiência adrenal, diuréticos tiazídicos,
carcinomas de rim, pulmão, ovário, bexiga, pele e esôfago, imobilização, insuficiência
renal. Os sinais e sintomas podem ser divididos em quatro grupos; (1) mentais:
confusão, obnubilação; (2) neurológicos e esqueléticos: rebaixamento da consciência,
redução do tônus muscular, diminuição dos reflexos tendíneos profundos; (3) do trato
GI e urológico: náuseas; desidratação, hipovolemia, poliúria; e (4) cardiovasculares:
alteração da contratilidade miocárdica, arritmias, diminuição do espaço QT e aumento
da resistência vascular. O tratamento deve ser direcionado para a etiologia. A ingestão
de líquidos é importante e mesmo a hidratação endovenosa com solução salina. Após
a restauração volêmica a utilização de furosemida pode aumentar a excreção urinária
de Ca2+ e a diurese.
Hipocalcemia. Ela pode estar associada a um espectro de manifestações clínicas,
que varia de poucos ou nenhum sintomas, se a hipocalcemia é leve e/ou crônica, até
sintomas de risco de vida se grave e severa e/ou aguda. Hipocalcemia é quando a
dosagem de Ca2+ sérico estiver abaixo de 9,0 mg% na presença de albuminemia
normal. As manifestações clínicas da hipocalcemia incluem parestesias, irritabilidade,
tremores, tetania latente e, até, situações mais graves, laringoespasmo e convulsões.
As causas são hiperalbuminemia, anormalidade no sistema PTH, anormalidade no
sistema da vitamina D, e remoção de Ca2+ do plasma. O tratamento nas situações
65
Capítulo 4 – Exames Complementares
sintomático grave ou aguda deve ser realizado com a administração de cálcio por via
endovenosa, visando interrupção dos sintomas e manter as concentrações de cálcio
total acima de 7 a 7,5 mg/dL.
Distúrbios do Fósforo
Ca2+ e fósforo são os minerais mais abundantes do corpo. Cerca de 85% do
fósforo pode ser encontrado nos ossos e dentes, mas este importante mineral está
presente em praticamente todas as células e tecidos do corpo. Colabora na filtração
renal, é essencial no armazenamento e utilização da energia e é necessário para o
crescimento, manutenção e reparação dos tecidos. O valor normal do nível sérico de
fosfato situa-se entre 0,80 - 1,45 mmol/L (2,5 - 4,5 mg/dL).
Hipofosfatemia. Cerca de 5% dos pacientes hospitalizados apresentam
hipofosfatemia, definida como nível sérico de fosfato menor que 2,5mg/dL (0,80
mmol/dL). Essa prevalência aumenta para 30 a 50% se o estudo abordar o paciente
alcoólatra, sepse grave ou trauma. Os três maiores mecanismos que provocam a
hipofosfatemia são: redução da absorção de fosfato pelo intestino; aumento da
excreção renal de fosfato; redistribuição do fosfato do fluído extra para o intracelular. A
maioria dos pacientes não desenvolvem sintomas e, quando presentes, esses não se
correlacionam diretamente com a dosagem sérica. As complicações ocorrem devido
ao prejuízo no metabolismo energético. A hipofosfatemia está relacionadacom a
disfunção da musculatura respiratória, podendo provocar falência respiratória e
dificuldade para o desmame da VM, pois o esgotamento do 2,3-didosfoglicerato (2,3-
DGP) leva a mudança na curva de dissociação da Hb para a esquerda, diminuindo a
entrega de oxigênio para os tecidos periféricos. Disfunções miocárdicas e arritmias
também podem ser causadas pelas hipofosfatemia. A reposição de fosfato pode ser
por via oral ou intravenosa. Quando a causa é conhecida, o tratamento da causa
subjacente é extremamente importante e muitas vezes curativo.
Hiperfosfatemia. É definida quando os níveis séricos estão acima de 4,5 mg/dL. O
diagnóstico visa elucidar o mecanismo pelo qual o fosfato no fluido extracelular excede
a capacidade que pode ser excretado ou por que o limiar para a excreção desse
eletrólito está aumentado além do normal. São três, as condições que explicam a
Hiperfosfatemia, carga de fosfato aguda e maciça (e.g., rabdomiólise, hipertermia
maligna), insuficiência renal aguda ou crônica e aumento primário da reabsorção de
fosforo pelo túbulo proximal. As manifestações clínicas mais comuns são relacionadas
com a hipocalcemia (tetania, mialgia, câimbras), devido À precipitação de fosfato de
cálcio. A terapêutica da hiperfosfatemia exige identificação da causa e objetiva atingir
níveis séricos normais de fósforo (2,7 - 4,5 mg/dL).
Distúrbio do Magnésio
O magnésio é o segundo íon intracelular mais abundante, apenas atrás do potássio.
Suas funções biológicas envolvem diversas funções enzimáticas, processos do
metabolismo energético, atividade neuronal e muscular. Apenas 1% do Mg encontra-
se no plas. Com relação ao Mg plasmático, apresenta valores normal 1,8 - 2,3 mg/dL.
Hipomagnesemia. São inúmeras as causas, muitas delas presentes em pacientes
oncológicos, alcoólatras, diabéticos, desnutridos e naqueles submetidos à cirurgia
Aristides Oliveira
abdominal. Outras causas são muito particulares do doente crítico, como a acidose
metabólica, o uso de catecolaminas, sepse, diuréticos. Raramente se observa
manifestações clínicas da hipomagnesemia no paciente crítico, pois seu diagnóstico é
geralmente realizado precocemente por alterações na dosagem laboratorial. Dentre as
manifestações ocasionada por hipomagnesemia é o potencial desenvolvimento de
arritmias, atriais e principalmente ventriculares. É importante ressaltar que a
hipomagnesemia é muito prevalente na sepse choque septico. O tratamento consiste
na reposição de Mg que se dá com a infusão endovenosa de sulfato de magnésio a
10%.
Hipermagnesemia. A hipermagnesemia é bem menos frequente que a
hipomagnesemia em terapia intensiva. Este distúrbio está basicamente associado com
a presença da diminuição da filtração glomerular abaixo de 30 mL/min/m2, mas
principalmente na IRC, e em formas avançadas (TFG <10 mL/min/m2). A presença de
disfunção renal não é suficiente para o desenvolvimento da hipomagnesemia.
Geralmente a hipermagnesemia só é sintomática quando os valores do Mg
ultrapassam 4,8 mg/dL. São algumas manifestações clínicas. (1) letargia, podendo
chegar ao coma, (2) alterações neur o e cardiovascular lembra as da hipercalemia
grave. Nesses pacientes que têm diurese residual, pode-se tentar forçar a diurese,
com a associação de salina isotônica e diurético de alça. Em pacientes com disfunção
renal avançada, os tratamentos extracorpóreos de subtituição renal, dialise, serão os
únicos tratamentos realmente eficazes.
Equilíbrio ácido-base
O pH plasmático é normalmente mantido em níveis próximos a 7,4 para
garantir uma adequada função de células, tecidos, órgãos e sistemas.
Gasometria arterial
A interpretação da gasometria arterial é baseada na avaliação do pH, PaCO2 e
HCO3 arteriais através dos quais pode-se fazer o diagnóstico dos distúrbios básicos do
equilíbrio ácido-base: acidose metabólica, alcalose metabólica, acidose respiratória e
alcalose respiratória. Os valores normais e seus distúrbios estão descritos nas tabelas
1 e 2.
TABELA 1 Valores normais
Varação Média
pH 7,35-7,45 7,40
PaCO2 (mmHg) 35-45 40
HCO3
(mEq/L) 22-26 24
TABELA 2 Tipos de distúrbios ácido-base.
pH PaCO2 Bicarbonato
Acidose metabólica Baixo Baixo Baixo
Alcalose metabólica Alto Alto Alto
Acidose respiratória Baixo Alto Alto
Alcalose respiratória Alto Baixo Baixo
67
Capítulo 4 – Exames Complementares
Acidose metabólica
É um distúrbio do equilíbrio ácido-base caracterizado por níveis plasmáticos
reduzidos de pH e bicarbonato. A PaCO2 costuma estar diminuída como
consequência da hiperventilação compensatória, que é uma resposta dos pulmões
para combater a acidose. ܲܥܱଶ = 1,5 × ܪܥܱଷ + 8 ± 2
A acidose metabólica pode resultar basicamente de acúmulo de ácido
(ingestão, aumento da produção endógena, redução da excreção) ou por perda de
base (bicarbonato). A acidose metabólica pode ser dividida em dois grupos segundo o
ânio gap: ܣܩ = ܰܽା − (ܥ݈ + ܪܥܱଷ), acidose metabólica com o AG aumentado e AG
normal, valores normais 8-16mEq/l.
Acidose metabólica com Ânion Gap aumentado (AG >16). É o resultado do
acúmulo de ácidos orgânicos (acidose láctica, cetoacidose diabética, uremia,
intoxicação por salicilato e metanol)
Delta gap. Corresponde à diferença entre o desvio do AG e do bicarbonado dos
valores normais. ∆ܩܣܲ = (ܣܩ − 12) − (24 − ܾ݅ܿܽݎܾ݊ܽݐ). Os valores variam de -6 a
+6. O achado de um ∆gap superior a 6 significa que a redução do bicarbonato
plasmático foi inferior ao esperado e sugere uma alcalose metabólica concomitante.
Um ∆gap mais negativo que -6 implicam em uma perda de bicarbonato superior à
esperada e sugere a presença de uma acidose metabólica com AG normal ou alcalose
concomitante.
Acidose metabólica com AG normal (entre 8 e 16). Resulta da perda de base
(diarreia, fístula digestiva, acidose tubular renal). Essa acidose ainda pode ser dividida
em dois grupos, dependendo?
AGurinário: ܣܩ௨á = (ܰܽ௨á + ܭ௨á) − ܥ݈௨á.
Se o AGurinário <0, a acidose proveniente é secundária a perdas
gastrointestinais, se >0 deve estar relacionado com perda renal de bicarbonato.
Quadro clínico. Os sinais de acidose metabólica são geralmente os da doença de
base. Podendo apresentar taquipneia para eliminar o CO2 na tentativa de compensar a
acidose. (pH inferior a 7,20) diminui a contratilidade do miocárdio a atividade de
aminas vasoativas e provoca vasodilatação com consequente hipotensão arterial.
Tratamento. A causa básica deve ser corrigida. O uso de bicarbonato de sódio está
reservado para situações onde o pH estiver abaixo de 7,1.
Alcalose metabólica
É um distúrbio caracterizado por níveis plasmáticos elevados de pH e de
bicarbonato. A PaCo2 também está elevada como resultado da hipoventilação alveolar
que ocorre na tentativa de compensar o distúrbio primário. A alcalose pode ser
consequência da redução da volemia, hipotassemia e hiperaldosteronismo. Os
pacientes portadores de alcalose metabólica podem ser divididos em dois grupos. (1)
cloreto-responsiva, pacientes com depleção de volume apresentam concentrações de
Cl urinário inferior a 10mEq/L e tem melhora da alcalose com a utilização de NaCl a
Aristides Oliveira
0,9%. (2) Cloreto-resistente, paciente que não apresentam depleção de volume se
caracterizam por possuir uma concentração de Cl urinário >20mEq/L e não melhoram
a alcalose com a utilização de NaCl a 0,9%.
Quadro clínico. A alcalose metabólica pode causar confusão mental, parestesia,
tetania e crise convulsivas. A alcalose desvia a curva da dissociação da Hb para a
esquerda, diminuindo a oferta de oxigênio para os tecidos. Ela também diminui o drive
respiratório (hipoventilação), o que pode tornar difícil o desmame de pacientes em uso
de ventilação mecânica (VM).
Tratamento. Considerando que o déficit de volume, cloro e potássiocausam aumento
na reabsorção renal de bicarbonato. Tipo salino-responsivo, consiste na administração
de soro fisiológico. Tipo salino-resistente, nesses pacientes o soro fisiológico não é
eficaz, sendo assim, devem receber suplementação de potássio, se o excesso de
mineralocorticoides for a causa provável.
Acidose respiratória
A acidose respiratória é caracterizada por elevação da PaCO2 (hipoventilação)
e redução do pH plasmático. O HCO3 plasmático geralmente está aumentado em uma
tentativa de combater o distúrbio primário. A relação entre PaCO2 e HCO3 na acidose
respiratória estão descritas na tabela 3:
A acidose respiratória é devida à redução da ventilação alveolar que pode
ocorrer em DPOC, edema pulmonar, asma grave, depressão do SNC por drogas e
doenças neuromusculares.
Quadro clínico. Agitação, cefaleia, sonolência, papiledema, arritmia cardíaca. O
aumento da PaO2 provoca vasodilatação cerebral, que pode gerar hipertensão
intracraniana.
Tratamento. Consiste na resolução da causa básica e em medidas para melhorar a
ventilação alveolar (VM pode ser necessária).
Alcalose respiratória
Caracteriza-se por elevação do pH e redução da PaCO2 plasmática
(hiperventilação). O HCO3 diminui em uma tentativa de compensar o distúrbio primário.
A redução da PaCO2 diminui o fluxo plasmático cerebral e consequentemente a
pressão intracraniana. Pode aumentar a resistência vascular sistêmica e precipitar o
vasoespasmo. A relação entre PaCO2 e HCO3 na alcalose respiratória estão descritas
na tabela 3.
A alcalose respiratória é causada por hiperventilação alveolar que pode ocorrer
em ansiedade, sepse, crise asmática em fase inicial, VM inapropriada, febre e
hepatopatia grave.
Quadro clínico. Confusão mental, parestesias, tetania, crises convulsivas e arritmia
cardíaca.
Tratamento. Corrigir a causa básica.
69
Capítulo 4 – Exames Complementares
TABELA 3 Resposta esperada aproximada para um único distúrbio.
Para cada Mudança esperada
Acidose respiratória aguda Aumento de 1 mmHg na
PaCO2
[HCO3] aumenta 1 mEq/L
Acidose respiratória crônica [HCO3] aumenta 0,5 mEq/L
Alcalose respiratória aguda Diminuição de 1 mmHg na
PaCO2
[HCO3] diminui 0.25 mEq /L
Alcalose respiratória crônica [HCO3] diminui 0.5 mEq/L
Acidose metabólica [HCO3] diminui 1 mEq/L PaCO2 diminui 1,25 mmHg
Alcalose metabólica [HCO3] aumenta 1 mEq/L PaCO2 aumenta 0,5 mmHg
Adaptado de: (1).
Aristides Oliveira
Fluxograma para determinação dos distúrbios ácido-base.
Acidemia (<7.36)
Cheque HCO3 e PaCO2
Baixo HCO3
Alto PaCO2
Distúrbio misto
Ac. met.
Ac. Resp.
Baixo HCO3
Baixo PaCO2
Predominante
Ac. Met.
Aplicar regra
compensatória
PaCO2 muito
alta
Misto
Ac. Met e Rep
PaCO2 muito
baixa
Misto
Ac. Met
Alc. Resp
PaCO2
apropriada
Ac. metabólica
Alto HCO3
Alto PaCO2
Predominante
Ac. Resp.
Aplicar regra
compensatória
HCO3 muito
baixo
Misto
Ac. Resp e
Met.
HCO3 muito
alto
Misto
Ac. Resp.
Alc. Met.
HCO3
apropriado
Simples Ac.
Resp.
Alto HCO3
Baixo PaCO2
Não é
possível.
71
Capítulo 4 – Exames Complementares
Fluxograma para determinação dos distúrbios ácido-base.
Alcalemia (pH>7.44)
Cheque HCO3 e PaCO2
Alto HCO3
Baixo PaCO2
Distúrbio misto
Alc. met.
Alc. Resp.
Alto HCO3
Alto PaCO2
Predominante
Alc. Met.
Aplicar regra
compensatória
PaCO2 muito
alto
Misto
Alc. Met
Ac. Rep
PaCO2 muito
baixo
Misto
Alc. Met
Alc. Resp
PaCO2
apropriado
Simples Alc.
met.
Baixo HCO3
Baixo PaCO2
Predominante
Alc. Resp.
Aplicar regra
compensatória
HCO3 muito
baixo
Misto
Alc. Resp.
Ac. Met.
HCO3 muito
alto
Misto
Alc. Resp.
Alc. Met.
HCO3
apropriado
Simples Alc.
Resp.
Baixo HCO3
Alto PaCO2
Não é
possível.
Aristides Oliveira
Referências
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73
Capítulo 5 – Oxigenioterapia
Capítulo 5 – Oxigenioterapia
Esse capítulo foi baseado nos seguintes Guideline: BTS guideline for
emergency oxygen use in adult patients1 e Thoracic Society of Australia and New
Zealand oxygen guidelines for acute oxygen use in adults2.
Introdução
A vida mamífera e os processos bioenergéticos dependem do contínuo
suprimento de oxigênio para manter o metabolismo aeróbico. Oferta reduzida de
oxigênio e incapacidade celular de utilizar o oxigênio resulta em disfunção de órgão e
morte. Prevenção, identificação precoce, e correção da hipóxia tissular são habilidades
essenciais. O entendimento dos passos chaves no transporte de oxigênio dentro do
corpo é essencial para evitar hipóxia tecidual. O transporte de oxigênio do ambiente
para a mitocôndria das células ocorre numa série de passos. O coração, pulmão, e
circulação extrai oxigênio da atmosfera e gerando um fluxo de sangue oxigenado para
os tecidos manterem o metabolismo aeróbico.
Bases fisiológicas da oxigenioterapia
A pressão arterial de oxigênio (PaO2) é determinada pela concentração de
oxigênio inspirado, pressão barométrica, ventilação alveolar, difusão do oxigênio do
alvéolo para os capilares, e a distribuição da relação ventilação/perfusão (V/Q). A
porcentagem de oxigênio na atmosfera é constante em 21% e não muda com a
altitude. A pressão atmosférica é a soma das pressões parciais dos gases
constituintes, oxigênio, nitrogênio e varia com o clima e altitude. A ventilação alveolar é
essencial, para a manutenção da pressão alveolar de oxigênio (PAO2) é a retirada do
CO2. A ventilação alveolar (VA) depende da frequência respiratória e do volume
corrente (VT). O volume corrente normal de 600 ml resulta na ventilação alveolar de
450 ml, com 150 ml permanecendo no espaço morto (VD) da árvore traqueobrônquica.
Efeito do volume corrente na ventilação
Se o volume minuto é 6 L/min, a FR é 10 ipm, o VT 0.6 L, e o VD 0.15 L
ܸ = ܨܴ × (்ܸ − ܸ) onde ܸ = 10 × (0.6 − 0.15) = 4.5 ݈, que é adequado.
Se o volume minuto for de 6 L/min, a FR 30 ipm, o VT 0.2 L, e o VD 0.15 l
ܸ = 30 × (0.2 − 0.15) = 1.5 ݈, que é inadequado.
O gradiente alvéolo-arterial D(A-a)O2 descreve no geral a eficiência da difusão do
oxigênio do gás alveolar para o vaso arterial. Para o calculo utiliza-se a seguinte
equação: D(A-a)O2 = PAO2 - PaO2 onde ܱܲଶ = ܨூܱଶ × ( ܲ − ுܲଶை)−
ைమ
ோ
, assim
sendo, D(A-a)O2 = (ܨூܱଶ × [ ܲ − ுܲଶை] −
ைమ
ோ
) − ܱܲܽଶ. Onde: Pb = pressão barométrica
(ao nível do mar 760 mmHg); PH2O: Pressão de vapor de água (igual a 47); PaCO2:
pressão arterial de CO2 (valor da gasometria); PaO2: Pressão arterial de O2 (valor da
gasometria) e R: taxa de trocas respiratórias considera-se 0,8 se respirando FIO2
<60% e 1 se FIO2 ≥60%.
Aristides Oliveira
A diferença alvéolo-arterial normal pode ser calculado por: ܦ(ି)ܱଶ = 2,5 +
(ܨܱ݅ଶ × ݅݀ܽ݀݁ ݁݉ ܽ݊ݏ).
Os fatores cardiovasculares determinantes para a oferta de oxigênio aos
tecidos (DO2) são o débito cardíaco (DC), lembre-se que (o débito cardíaco é produto
da frequência cardíaca (FC) pelo volume sistólico (VS), e este último é influenciado
pela pré-carga, pós-carga e pela contratilidade do ventrículo esquerdo) e o conteúdo
arterial de oxigênio (CaO2), como demostrado pela equação de Fick:
ܦܱଶ = 10 × ܦܥ × ܥܱܽଶ sendo que, ܥܱܽଶ = ܪܾ × ܱܵܽଶ × 1,34 + (0,003 × ܱܲܽଶ)
Onde 1.34 é a quantidade de oxigênio (em ml) carreado por 1g de hemoglobina, Hb é
a concentração de hemoglobina (gramas por 100 mL), e 0,003 é a solubilidade do
oxigênio no plasma. Em um adulto normal no repouso a nível do mar, o DO2 é
aproximadamente 1,000 mL/min baseado no DC de 5l/min, o nível de hemoglobina de
15 g/100 mL, e SAO2 de 100%. A grande parte do oxigênio é carreado pela
hemoglobina (21 mL/100 mL) comparado com o plasma (0.3 mL/100 mL). Sem
hemoglobina, o DC de pelo menos 80 L/min seria necessário para manter o consumo
de oxigênio (VO2) durante o repouso que é de aproximadamente 250 mL/min em
adultos. O VO2 global é quantidade de oxigênio consumido pelos tecidos por unidade
de tempo e pode ser descrito pela seguinte equação: Vܱଶ(݉ܮ/݉݅݊) = 10 × ܦܥ ×
(ܥܱܽଶ − ܥݒܱଶ) onde o CVO2 é o conteúdo de oxigênio no sangue venoso ܥݒܱଶ =
ܪܾ × ܵݒܱଶ × 1,34 + (0,003 × ܲݒܱଶ), e PvO2 é a mistura venosa de PO2.
Aplicação clínica
Introdução
Como qualquer outra medicação há uma clara indicação para o tratamento com
o oxigênio e apropriados métodos para administração. Doses inapropriadas e fracasso
na monitorização do tratamento podem ter sérias consequências. Para garantir à
segurança e a efetividade do tratamento a prescrição deve conter o fluxo, sistema de
administração, e monitorização do tratamento. O oxigênio é o tratamento para
hipoxemia, não para a falta de ar. A correta avaliação e prescrição da oxigenioterapia
devem ser baseadas em objetivos bem definidos a serem alcançados.
Em um ensaio clínico unicentro, entre pacientes de UTI geral-cirurgica com
espectativa de permanência de >72 horas foram randomizados para receber
oxigenioterapia de forma conservadora (maneter PaO2 entre 70 e 100 mmHg ou SpO2
entre 94-98%) ou de forma convencional (permitir PaO2 >150 mmHg ou SpO2 entre 97
e 100%), o desfeicho principal foi a mortalidade na UTI e secundariamente inclui a
ocorrencia de novas insuficiecias de órgãos ou infecção 48 horas ou mais após
admissão na UTI. Girardis, et al., (2016) avaliaram 434 pacientes, 218 receberam
oxigenioterapia convencional e 216 conservadora. Os autores observaram menor
mortalidade no grupo conservador (redução absoluta de 8.6%), o que é explicado pela
associação entre hiperóxia e mortalidade. Além disso, o grupo conservador teve
menos episódios de choque, falência hepática e bacteremia, esses achados podem
ser explicados pelos possíveis efeitos danosos da hiperóxia no sistema imunologico
inato.
75
Capítulo 5 – Oxigenioterapia
Hipóxia
O evento da deficiência de concentração de O2 no sangue é denominado
hipoxemia, deferente de hipóxia, que é a baixa disponibilidade de O2 para determinado
tecido, e pode ocorrer na presença de quantidade normal no sangue arterial, como no
infarto agudo do miocárdio ou no acidente vascular encefálico.
Insuficiência respiratória é a condição em que o sistema respiratório falha em
um ou em ambas as funções da troca gasosa, i.e., oxigenação de e/ou eliminação do
dióxido do carbono da mistura venosa. É convencionalmente definida pela tensão
arterial de oxigênio (PaO2) de <60mmHg, um pressão parcial de CO2 (PaCO2) de >45
mmHg (hipercapnia) ou ambos. A causa comum de hipoxemia inclui diminuição da
inalação de oxigênio (tal como em altas altitudes), hipoventilação, anormalidades na
V/Q, shunt direito-esquerdo e defeitos na difusão ao nível alvéolo-capilar. A maioria
das doenças pulmonares opera em um ou mais desses mecanismos.
A insuficiência respiratória pode ser dividida em duas formas tipo 1: hipoxêmica
com diminuição da PO2 mas com PaCO2 normal ou diminuído como resultado de uma
variedade de patologias, (a. disfunção V/Q, b. aumento do shunt, c. diminuição da
difusão, e d. hipoventilação alveolar) e Tipo 2: que está relacionado a insuficiência da
bomba respiratória em manter a adequada troca gasosa resultando em hipoventilação
e hipercapnia (elevação da PaCO2). Há três causas maiores que levam a essa
disfunção, 1. Inadequada regulação dos centros respiratórios (e.g., anestesia, abuso
de drogas); 2. Defeito mecânico na caixa torácica (e.g., múltiplas fraturas das costelas,
hiperinflação pulmonar, achatamento do diafragma); 3. Fadiga da musculatura
respiratória (i.e., aumento do trabalho respiratório). As causas da hipoventilação
alveolar de início agudo e insidioso estão descritos nas tabelas 1 e 2 respectivamente.
TABELA 1 Causas de hipoventilação alveolar, início agudo.
Diminuição do drive central
Drogas (sedativos)
Doenças do SNC (encefalite, AVE, trauma)
Alteração da transmissão neural e
neuromuscular
Trauma medular
Mielite transversa
Tétano
Esclerose lateral amiotrófica
Síndrome de Guillain-Barré
Miastenia Gravis
Envenenamento por organofosfato
Botulismo
Anormalidade muscular
Distrofia muscular
Atrofia por desuso
Prematuridade
Anormalidade pleural e parede torácica
Hiperinflação aguda
Trauma da caixa torácica (tórax flutuante,
ruptura do diafragma)
Doença pulmonar e das vias aéreas
Asma aguda
DPOC exacerbada
Edema pulmonar cardiogênico ou não
cardiogênico
Pneumonia
Obstrução das vias aéreas
Bronquiectasias
Outros
Sepse
Choque circulatório.
AVE: Acidente Vascular Encefálico, DPOC: Doença pulmonar Obstrutiva Crônica, SNC:
Sistema Nervoso Central.
Aristides Oliveira
TABELA 2 Causas de hipoventilação alveolar, início insidioso.
Doença pulmonar e das vias aéreas
Doença crônica obstrutiva das vias aéreas
(bronquite, enfisema, bronquiectasias)
Anormalidade da parede torácica
Cifoescoliose
Toracoplastia
Obesidade
Efusão pleura
Doenças neuromusculares
Doença pulmonar e da parede torácica
Esclerodermia
Polimiosite
Lúpus sistémico
Anormalidade do SNC
Hipoventilação alveolar primária (síndrome
de Ondine)
Outros
Anormalidade eletrolítica
Desnutrição
Desordens endócrinas
DPOC: Doença pulmonar Obstrutiva Crônica, SNC: Sistema Nervoso Central.
Avaliação beira leito
As razões fisiológicas da insuficiência respiratória podem ser determinadas na
avaliação beira leito que se seguem:
1. Trabalho respiratório: O uso da musculatura acessória, retração subcostal, e
respiração paradoxal abdominal, taquipneia;
2. Volume minuto, FR e volume corrente, reflexos da dispneia;
3. Força inspiratória: essa é a mensuração da força muscular da respiração. É a
máxima pressão que o paciente pode gerar após a expiração máxima. Pressão
inspiratória menor que -20 a -25 cmH2O sugere que o paciente não tem força
adequada para manter a ventilação por si só;
4. P0.1max (pressão de oclusão das vias aéreas). É a estimativa do drive respiratório
do paciente e é avaliado mensurando a queda da pressão nos primeiros 100
milissegundos da respiração iniciada pelo paciente;
5. Avalie outras causas de hipoventilação alveolar: por exemplo, depressão do
central/troncocerebral por drogas ou obesidade.
6. anormalidade eletrolítica causa miopatia tal como Mg/PO4 ou polineuropatia.
Além do supracitado, o oximetro de pulso deve esta disponível em todas as
situações clínicas em que o oxigênio é utilizado. A gasometria arterial deve ser
considerada nas seguintes situações: paciente crítico com disfunção
cardiorrespiratória ou metabólica, em pacientes com SaO2 <92% em quem a hipoxemia
pode estar presente, piora da saturação de oxigênio necessitando aumento da FIO2,
pacientes com risco de hipercapnia, pacientes sem fôlego em que o sinal da oximetria
não pode ser obtido. Outros sinais vitais são o pulso, pressão arterial, temperatura e
frequência cardíaca.
Prescrição de oxigênio
O oxigênio deve ser prescrito para atingir uma saturação alvo de 94-98% para
a maioria dos pacientes críticos ou 88-92% para aqueles em risco de insuficiência
respiratória hipercapnica. Alguns sujeitos normais, especialmente pessoas com idade
>70 anos pode ter saturação abaixo de 94% e não necessitam de O2 complementar
quando estáveis clinicamente. A PaO2 ideal pode ser determinada pela seguinte
equação: ܱܲܽଶ = 100 ݉݉ܪ݃ − 0.3 × ݅݀ܽ݀݁ ݁݉ ܽ݊ݏ.
77
Capítulo 5 – Oxigenioterapia
Métodos de administração de oxigênio
Existem três modelos básicos de liberação de oxigênio: sistemas de baixo fluxo
(cânulas e cateteres nasais), com reservatório (mascaras simples e mascaras com
bolsa) e alto fluxo (máscaras de Venturi). Os sistemas cercados (i.e., helmet),
comumente identificados como uma quarta categoria, na realidade, são reservatórios
que envolvem a cabeça ou o corpo. Cada modelo compartilha características,
quantidade e fluxo de oxigênio que eles fornecem.
Quando o fluxo de oxigênio é ajustado em valores que variam de 1 a 4 l/min
não há necessidade de umidificação suplementar, entretanto, durante a utilização de
fluxos superiores a esses, o oxigênio deve ser umidificado para evitar o ressecamento
das vias aéreas e das secreções traqueobrônquicas.
Sistema de baixo fluxo
Os sistemas de baixo fluxo dependem da existência de um reservatório
anatômico (cavidade nasal e oral) ou artificial de oxigênio, do fluxo de gás fornecido,
da FR, do volume corrente e do volume minuto. A FIO2 liberada por um sistema de
baixo fluxo é extremamente variável e imprevisível devido a todas as variáveis
apresentadas. Ela depende essencialmente do padrão ventilatório do paciente.
Cânula nasal. São confortáveis e permitem que o paciente possa falar, tossir e
se alimentar durante seu uso, podendo atingir FIO2 que varia de 24 a 44% com fluxos
de 1 a 6 L/min. Ocorre variação de 4% entre cada valor de fluxo ajustado (Tabela 3). A
utilização de fluxos superiores não é indicada devido ao risco de irritação local e
dermatites.
TABELA 3 Oxigenioterapia
por cânula nasal.
Fluxo L/min FIO2
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
0,24
0,28
0,32
0,36
0,40
0,44
Máscaras simples
Aumentam o reservatório artificial de oxigênio, permitindo uma maior inalação
do gás na inspiração. Envolvem a boca e o nariz e há orifícios pelos quais o paciente
expira. As máscaras simples apresentam um reservatório de 100 a 200 mL de
oxigênio, que permite obter uma FIO2 de 40 a 60% com fluxos de 5 a 12 L/min. Fluxos
inferiores a 5 L/min aumentam o risco de reinalação de CO2 e devem ser evitados.
Máscaras com reservatório
São mascaras acopladas a uma bolsa inflável de 1L que armazena oxigênio a
100% na expiração. Na inspiração o oxigênio é inalado do reservatório. As máscaras
podem ser de reinalação parcial e de reinalação. A máscara de reinalação parcial
permite a oferta de FIO2 de 60 a 80%, com fluxo de 7 a 10 L/min. O fluxo deve ser
adequado para que a bolsa esvazie apenas 1/3 do seu volume para prevenir acúmulo
de CO2 no sistema.
Aristides Oliveira
As máscaras de não reinalação utilizam uma válvula unidirecional e deve
receber fluxo o suficiente para evitar o esvaziamento da bolsa durante a expiração.
Essas más caras atinge FIO2 de 60 a 100%.
Sistemas de alto fluxo
A máscara de venture irá fornecer uma acurada concentração de oxigênio para
o paciente independente do fluxo (o fluxo mínimo é sugerido em cada venture). A
concentração de oxigênio permanece constante devido ao princípio venture. O fluxo
de gás dentro da máscara é diluído com ar que está entrando pelos orifícios do
adaptador da Venturi. As máscaras de Venturi estão disponíveis nas seguintes
concentrações: 24%, 28%, 35%, 40% e 60%.
Efeitos colaterais do oxigênio
Estresse Oxidativo
O estresse oxidativo é definido como o excesso de radicais livres no
organismo. As espécies reativas de oxigênio (ERO), as espécies reativas de oxigênio
são moléculas que apresentam elétrons não pareados em sua órbita externa, sendo
capazes de modificarem outras moléculas, como proteínas, carboidratos, lipídeos e o
ácido desoxirribonucleico (DNA). São encontradas em todos os sistemas biológicos.
Essas espécies reativas se desenvolvem a partir do metabolismo aeróbio do oxigênio
que pelo processo de sua redução acaba por formar espécies reativas.
Em situação de hiperóxia (PaO2 elevada) nem todo o sangue inspirado é
reduzido diretamente à água, o que favorece o aparecimento das ERO. As principais
ERO conhecidas são: oxigênio singlet (O2), hidroxila (OH-), superóxido (O-2) e peróxido
de hidrogênio (H2O2). A geração desses radicais causa lesão celular e tecidual nos
pulmões. O pulmão é protegido contra as espécies reativas de oxigênio por enzimas
endógenas antioxidantes tal como a superóxido dismutase e a catalase. Os
componentes não enzimáticos, as citocinas como IL-11 e IL-6 conferem proteção em
lesão pulmonar aguda causada por hiperóxia e que essa resposta é resultado da
habilidade da IL-11 em inibir a indução de morte celular causada pelo excesso de
oxigênio.
Atelectasias de Absorção
A utilização de altas FIO2 promove depleção rápida dos níveis de nitrogênio
(N2) do organismo, havendo assim uma redução da concentração de N2 no gás
alveolar. Esse fenômeno pode promover colapso pulmonar, pois o oxigênio se difunde
rapidamente para o sangue e o alvéolo perde sua fonte de estabilização. Dessa forma,
a pressão gasosa no interior do alvéolo cai progressivamente até que haja colapso. As
situações que favorecem o aparecimento das atelectasias de absorção: Altas FIO2,
anormalidade do surfactante, existências de áreas com baixa V/Q, e volume corrente
baixo.
79
Capítulo 5 – Oxigenioterapia
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Aristides Oliveira
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Introdução
A ventilação mecânica (VM) ou, como seria mais adequado chamarmos, o
suporte ventilatório, consiste em um método em que um aparato mecânico é utilizado
para satisfazer as necessidades ventilatórias do paciente. A VM está indicada quando
o paciente não é capaz de manter a ventilação adequada para a manutenção da vida
ou quando é necessário tomar o controle da respiração do paciente prevenindo danos
na função de outros órgãos. Dessa forma, a VM substitui total ou parcialmente a
ventilação espontânea, propiciando melhora nas trocas gasosas e diminuição do
trabalho respiratório, a assistência ventilatória pode ser utilizada de forma não invasiva
através de uma interface externa, e de forma invasiva através de um tubo
endotraqueal ou cânula de traqueostomia.
Indicações
As indicações para a VM, como descrito no estudo realizado por Wunsch, et
al., (2010), os autores estudaram os dados epidemiológicos do uso de VM nas UTI’s
dos estados unidos, eles indentificaram que 182,326 indivíduos receberam ventilacão
mecânica, em geral os pacientes tinham idade >65 anos (52.2%). A comorbidade mais
comum foram as doencas pulmonares (13.2%), diabetes (15.4%), dentre as
disfuncões que não envolviam o órgão respiratório foi liderado por problemas renais
(20.7%) e disfuncão cardíaca (18.4%).
No estudo brasileiro, realizado por, Damasceno, et al., (2006), o estudo foi
realizado com 40 UTI, com 390 internados e 217 (55,6%) dos indivíduos em VM, no
estudo, também pode-se constatar que a maioria dos pacientes internados tem idade
média de 63,6 anos, com domínio do sexo masculino. A principal causa para
internacão foi insulficiencia respiratória aguda (IRA), o coma representa 21,2%,
doença pulmonar obstrutica crônica (DPOC) 5,5% e doencas neuromusculares 2,3%.
As indicações da VM, derivado do estudo de ESTEBAN, et al., (2000) que
estudou 1,638 paientes em oito paises, são insuficiência respiratória aguda (66%),
coma (15%), exarcebação na DPOC (13%), e doenças neuromusculares (5%). Os
problemas no primeiro grupo incluem SDRA (síndrome do desconforto respiratório
agudo), insuficiência cardíaca, pneumonia, sepse, complicações de cirurgias e
traumas (em cada subgrupo com uma média em torno de 8 a 11%).
Segundo o III consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica6, os parâmetros
indicativos para o uso da VM estão ilustrados na tabela 1. As principais indicações
para iniciar o suporte ventilatório são: parada cardiorespiratória, hipoventilação e
apnéia (marcada pela elevação da PaCO2 >50 mmHg, acompanhada com acidose
respiratória), insuficiência respiratória devido a doença pulmonar intrínseca e
hipoxemia (PaO2 <50 mmHg), falência mecânica do aparelho respiratório (e.g.,
fraqueza muscular, doenças neuromusculares), instabilidade do drive respiratório (e.g.,
trauma cranio encefálico, acidente vascular encefálico, abuso de drogas), prevenção
de complicações respiratórias (e.g., pós-operatório de cirurgias de abdome superior,
tórax).
81
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
De forma resumida, a VM é aplicada em pacientes com incapacidade de
manter os valores adequados de PaO2 e PaCO2 sanguíneos, determinando um
grandiente alveolo-arterial P(A-a)O2 alterados. A relacão PaO2/FIO2 tem sido utilizada
para quantificar a gravidade da lesão pulmonar, na comparacão evolutiva e na
predicão das mudancas de PaO2 e FIO2, essas relacões serão melhor abordadas mais
adiante nesse capítulo.
TABELA 1 Parâmetros que podem indicar a
necessidade de suporte ventilatório.
Parâmetros Normal Considerar VM
Frequência respiratória 12-20 >35
Volume corrente (mL/kg) 5-8 <5
Capacidade Vital (mL/kg) 65-75 <50
Volume minuto (L/min) 5-6 >10
Pressão inspiratória máxima
(cmH2O)
- 80 a -120 >–25
Pressão expiratória máxima
(cmH2O)
80-100 <+25
Espaço morto (%) 25-40 >60
PaCO2 (mmHg) 35-45 >50
PaO2 (mmHg) (FIO2 = 0,21) >75 <50
P(A-a)O2 (FIO2 = 1,0) 25-80 >350
PaO2/FIO2 >300 <200
Adaptado de: Carvalho, Toufen Junior e França, (2007).
Fisiologia da Ventilação Mecânica
A VM utilizada no suporte ventilatório utiliza pressão positiva para abertura das
vias aéreas inflando os pulmões. Apesar de a pressão positiva ser responsável por
muitos efeitos benéficos, ele também é responsável por muitos efeitos deletérios.
Devido à interação homeostática entre os pulmões e os demais órgãos do corpo, a VM
pode afetar quase todos os órgãos do corpo.
Média de pressão das vias aéreas
Durante a respiração espontânea, a pressão intratorácica é negativa durante o
ciclo respiratório. A pressão intrapleural varia em cerca de -5 cmH2O durante a
expiração à -1 cmH2O durante a inspiração. A diminuição na pressão intrapleural
durante a inspiração facilita o pulmão inflar e o retorno venoso. A pressão
transpulmonar é a diferença entre a pressão proximal das vias aéreas e a pressão
intrapleural. A pressão que pode ser gerada durante a ventilação espontânea é menos
que 35 cmH2O.
A pressão intratorácica flutua durante a VM por pressão positiva e é contrária
ao que ocorre durante a respiração espontânea. Devido a essa pressão positiva,
ocorrendo um aumento durante a inspiração e diminui durante a expiração. Assim, o
retorno venoso é maior durante a expiração e isso pode diminuir se a frequência
respiratória (FR) for muito curta ou a média da pressão alveolar muito alta.
Muito dos efeitos benéficos e adversos estão associado com a média das
pressões das vias aéreas, essa média está relacionada a ambas a duração e
quantidade de pressão aplicada durante a fase inspiratória (pico de pressão
inspiratória, forma de onda da pressão inspiratória, e tempo inspiratório) e a fase
expiratória (positive end-expiratory pressure [PEEP] e FR).
Aristides Oliveira
Efeitos pulmonares
Shunt. É definido como perfusão sem ventilação alveolar, dessa forma o sangue não
realiza as trocas gasosas. A pressão positiva normalmente diminui o shunt e melhora
a oxigenação arterial. Uma pressão inspiratória que excede a pressão de abertura
alveolar expande o alvéolo colapsado, e uma pressão expiratória maior que a pressão
de fechamento alveolar previne seu colapso. Dessa forma, se a pressão positiva
produzir hiperdistensão (hiperinsuflação) de algumas unidades pulmonares, isso pode
resultar em redistribuição do sangue pulmonar para regiões não ventiladas, isso ocorre
devido à pressão que o alvéolo realiza sob os capilares.
Apesar de a pressão positiva poder melhorar o shunt capilar, isso pode piorar o
shunt anatômico (ocorre quando o sangue passa direito do coração direito para o
esquerdo sem passar pelo pulmão, devido às veias de tebésio e a circulação
bronquial). O aumento na pressão alveolar pode aumentar a resistência vascular
pulmonar, que pode resultar no aumento do fluxo através do shunt anatômico,
diminuindo o fluxo através do pulmão.
Ventilação. é o movimento de gás para dentro e para fora dos pulmões. O volume
corrente (VT) é a quantidade de gás inalado ou exalado durante uma respiração e
ventilação minuto (VE) é o volume de gás respirado em 1 minuto: Dessa forma
ாܸ = ்ܸ × ܨܴ. A ventilação minuto é também a soma do espaço morto (VD) e
ventilação alveolar (VA). Assim, ாܸ = ܸ + ܸ
A VA participa das trocas gasosas enquanto que o VD não. O espaço mortoanatômico é o volume de gás nas vias aéreas condutoras, assim, efetivamente a
ܸ = ܨܴ × ( ்ܸ − ܸ). O espaço morto alveolar refere-se ao alvéolo ventilado, mas não
perfundido. A fração fisiológica total do espaço morto (VD/VT) é normalmente cerca de
1/3 do volume minuto (VE). O espaço morto mecânico refere-se ao volume reinalado
do circuito do ventilador e age como a extensão do espaço morto anatômico. Devido
ao espaço morto anatômico ser fixo, um baixo volume corrente (VT) aumenta a fração
do espaço morto e diminui a ventilação alveolar.
Uma vez que VM pode fornecer o VT e FR desejável. O nível de ventilação
necessária depende da PaCO2 desejável, ventilação alveolar, e produção tecidual de
CO2 (VCO2). Isso é ilustrado pela seguinte relação:
ܲܥܱଶ ∝
ைమ
ಲ
e ܲܥܱଶ =
(ைమ×.଼ଷ)
ಶ×[ଵିವ ⁄ ]
Um alto VE será necessário para manter a PaCO2 se o VCO2 está aumentado,
tal situação ocorre com a febre e sepse. Se o espaço morto está aumentado, um alto
VE é necessário para manter o mesmo nível de VA e PaCO2.
Atelectasia. é uma complicação comum da VM. Isso pode ser o resultado de
ventilação preferencial nas regiões pulmonares não dependentes com ventilação
passiva, o peso pulmonar causa compressão das regiões dependentes ou obstrução
das vias aéreas. Respirar a 100% de oxigênio pode produzir atelectasia de absorção.
Barotrauma. é a ruptura alveolar devido a hiperdistensão. Barotrauma pode levar a
enfisema pulmonar intersticial, e pneumotórax.
83
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Interação Cardiopulmonar
O coração e pulmões estão intimamente ligados por sua localização próxima
dentro do tórax, e mais importante, por suas responsabilidades para oferta de O2
necessário para células e órgãos enquanto excreta o CO2 produzido pelo
metabolismo. Ventilação pode profundamente alterar a função cardiovascular.
Hipoxemia aguda prejudica a contratilidade cardíaca e o tono vascular da musculatura
lisa, promovendo colapso cardiovascular. Hipercapnia causa vasodilatação e aumenta
a resistência vascular pulmonar, que impede a ejeção do ventrículo direito e também
comprime o coração dentro da fossa cardíaca em um análogo ao tamponamento.
Ambas as respirações espontânea e por pressão positiva aumentam o volume
pulmonar acima da linha base expiratória. Muitos dos efeitos hemodinâmicos de todas
as formas de ventilação são similares apesar das diferenças nos modos de ventilação.
Dessa forma, a principal razão para diferentes respostas hemodinâmicas vista durante
a respiração espontânea e pressão positiva está relacionada às mudanças na pressão
intratorácica e a energia necessária para produzir essas mudanças.
Efeito do volume pulmonar
A mudança do volume pulmonar fisicamente altera o tônus autonômico e a
resistência vascular pulmonar. Em volumes pulmonares muito elevados, a expansão
dos pulmões comprime o coração na fossa cardíaca, limitando o volume cardíaco
absoluto análogo ao tamponamento cardíaco, exceto que com hiperinsuflação ambas
as pressões pericárdica e intratorácica estão elevadas em similar quantidade.
Tônus autonômico
A resposta autonômica às variações de volume corrente durante a respiração
espontânea resulta em arritmia sinusal. Durante a inspiração ocorre aumento da
frequência cardíaca por inibição vagal. A inflação pulmonar a volume corrente normal
(<10 mL/Kg) induz a retirada do tono vagal, acelerando a frequência cardíaca (FC).
Esse fenômeno é conhecido como arritmia sinusal respiratória e pode ser usada para
documentar o controle autonômico normal, especialmente em pacientes diabético com
risco de neuropatia periférica. O aumento do volume pulmonar com altos volume
corrente (>15 mL/kg), entretanto, diminui a FC pela combinação de ambos, aumento
do tono vagal e retirada simpática. Essa resposta pode reduzir a contratilidade do
ventrículo esquerdo (VE), e é responsável pela hipotensão e bradicardia em pacientes
ventilados.
Os fatores humorais incluem o bloqueio de compostos pela inibição
cicloxigenase, liberada do endotélio pulmonar durante a insuflação pulmonar pode
também induzir essa resposta depressora, essa resposta não parece ser clinicamente
significativa, pois hiperinsuflação unilateral pulmonar não altera a hemodinâmica
sistêmica.
Resistência vascular pulmonar
O volume pulmonar somente pode aumentar se a pressão de distensão
aumentar. Essa pressão de distensão é chamada de pressão transpulmonar, que é
igual à diferença das pressões alveolar (Palv) e intratorácica.
Aristides Oliveira
Vasoconstrição pulmonar hipóxica. Diferente dos vasos sistêmicos que vasodilatam
em condições de hipóxia, a vasculatura pulmonar realiza vasoconstrição. Uma vez que
a PaO2 <60 mmHg, ou ocorra acidemia, o tono vasomotor aumenta causando
vasoconstricção. Presumidamente a vasoconstrição hipóxica pulmonar ocorre para
diminuir o desequilíbrio V/Q causada por hipoventilação local. Hipóxia alveolar
generalizada aumenta o tono vasomotor global, impedindo a ejeção do ventrículo
direito. Com baixo volumes pulmonares ocorrem colapso dos bronquíolos terminais,
com aprisionamento de ar e subsequente diminuição de O2 levando ao colapso.
De acordo com o supracitado, a VM pode reduzir o tono vasomotor pulmonar
por vários mecanismos. Primeiro, a vasoconstrição hipóxica pode ser reduzida quando
o paciente é ventilado com alta FIO2 aumentando a PAO2. Segundo, a PEEP pode
ventilar áreas hipoventiladas e recrutar alvéolos colapsados, causando aumento local
da PAO2. Terceiro, a VM frequentemente reverte à acidose aumentando a ventilação
alveolar. Quarto, diminuição da ação aferente simpática, pela sedação ou diminuição
do trabalho respiratório, também reduz o tono vasomotor.
É importante ressaltar que, a hiperinsuflação passivamente comprime os vasos
pulmonares que aumenta a resistência vascular pulmonar. Essa hiperinsuflação pode
criar significante hipertensão pulmonar e pode precipitar insuficiência ventricular direita
(cor-pulmonale) e isquemia ventricular direita.
Interação mecânica pulmão-coração
A hiperinsuflação comprime o coração entre os pulmões expandidos,
aumentando a pressão intratorácica justacardíaca e a pressão pericárdica mais que a
pressão intratorácica lateral. Essa "aparente" diminuição da complacência diastólica
do ventrículo esquerdo (VE) foi previamente mal interpretada como PEEP-induz déficit
na contratilidade do VE. Entretanto, quando o paciente é ressuscitado com fluídos
volta ao seu volume diastólico final do VE apesar da aplicação continuada da PEEP
(1).
Ventilação altera a pressão intratorácica (PIT)
O coração é uma câmara pressórica dentro de uma câmara pressórica. Dessa
forma, as mudanças na PIT irão afetar o gradiente de pressão de ambos o retorno
venoso (RV) sistêmico para o ventrículo direito (VD) e o volume sistólico do VE,
independentemente do coração. Aumento na PIT, pelo aumento da pressão no átrio
direito (Pad) e diminuição da pressão sistólica transmural do VE, que irá reduzir o
gradiente de pressão para o RV e a ejeção do VE, diminuído o volume sanguíneo
intratorácico. Diminuição na PIT irá aumentar o RV e impede a ejeção do VE e
aumenta o volume sanguíneo intratorácico.
Retorno venoso sistêmico
Durante a respiração espontânea há diminuição da pressão pleural (Ppl) que é
transmitida ao interior do átrio direito e veias cavas. Com a redução da Ppl ocorre
redução da pressão em torno do coração favorecendo o retorno venoso. Durante a
inspiração por pressão positiva ocorre o aumento da PIT e a pressão no átrio direito,
diminuindo o gradiente de pressão para o retorno venoso, o volume sistólico do VD e
consequentemente o débito cardíaco (DC). Essa redução do retorno venoso é
85
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
minimizada pelo concomitante aumento na pressão intra-abdominalinduzido pelo
diafragma e a contração da parede muscular abdominal.
Pré-carga do ventrículo esquerdo e interdependência ventricular
Mudanças no retorno venoso deve eventualmente resultar em mudanças
diretamente semelhantes na pré-carga do VE após dois ou três batimentos, como visto
na manobra de Valsava. Esse atraso de fase no output do VD e VE é exagerado se o
volume corrente ou a FR são aumentada ou em situações de hipovolemia. O aumento
do volume do VD empurra o septo interventricular para o VE, limitando a sua
complacência diastólica. Durante a ventilação por pressão positiva (VPP), o volume do
VD geralmente está diminuído, minimizando a interdependência ventricular. VPP induz
o aumento no volume pulmonar que comprime os dois ventrículos um contra o outro,
diminuído o volume biventricular.
Pós-carga do ventrículo esquerdo
Máxima distensão da parede do VE, ou pós-carga, normalmente ocorre no final
da contração isométrica. A pós-carga do VE normalmente diminui durante a ejeção,
por que o volume do VE diminui acentuadamente apesar do pequeno aumento da
pressão de ejeção. Com a dilatação do VE, contudo, como na insuficiência cardíaca
congestiva, o estiramento máximo da parede do VE ocorre durante a ejeção do VE,
fazendo o coração mais sensível a mudanças na pressão de ejeção. O mecanismo
barorreceptor normal funciona para manter a pressão constante no que diz respeito à
atmosfera. Se as pressões atriais permaneceram constantes com aumento na PIT,
então a pressão transmural do VE deve diminuir. Similarmente, se a pressão arterial
transmural for mantida constante com aumento da PIT, então a distensão da parede
do VE deverá diminuir. Assim, aumento na PIT diminuir a pós-carga do VE, diminuição
da PIT aumenta a pós-carga do VE.
Princípios da ventilação mecânica
A VM se faz através da utilização de aparelhos que, intermitentemente,
insuflam as vias respiratórias com volumes de ar (VT). O movimento do gás para
dentro dos pulmões ocorre devido à geração de um gradiente de pressão entre as vias
aéreas superiores e o alvéolo, podendo ser através da ventilação por pressão negativa
(diminuição da pressão alveolar) ou pressão positiva (aumento da pressão alveolar)
esse último mais utilizado na prática clínica. Nesse ar, controla-se a concentração de
O2 (FIO2), controla-se ainda, a velocidade com que o ar será administrado (Fluxo
inspiratório - V) e também se define a forma de onda de fluxo. O número de ciclos
respiratórios (frequência respiratória - FR) será consequência do tempo inspiratório,
que dependem do fluxo, e do tempo expiratório (Texp).
Ciclo Ventilatório
Como a respiração é um evento periódico, o ventilador deve ser capaz de
controlar um número de variáveis durante o ciclo ventilatório (e.g., o tempo para iniciar
uma respiração e o tempo para iniciar a próxima). Dessa forma esse intervalo de
tempo pode ser dividido em quatro fases (Fig. 1): (1) inspiração; (2) a mudança da
inspiração para expiração (ciclagem); (3) final da expiração; e (4) a mudança da
expiração para inspiração (disparo ou trigger). Essa convenção é útil para examinar
como o ventilador começa, mantém e termina a respiração e o que é feito entre as
inspirações.
Aristides Oliveira
Figura 1 Fases do ciclo respiratório. Curva de fluxo – ventilação controlada por volume. Adaptado
de: Carvalho, Toufen Junior e França, (2007).
Variável Disparo (trigger)
Todos os ventiladores mensuram uma ou mais variáveis associadas com a
equação do movimento (e.g., pressão, volume, fluxo ou tempo). A inspiração é iniciada
quando uma dessas variáveis alcança o valor pré-definido. Assim, a variável de
interesse é considerada um iniciador, disparo ou trigger. O tempo é a variável de
disparo quando o ventilador inicia o ciclo respiratório de acordo com a frequência
ajustada independente do esforço espontâneo do paciente. Pressão é a variável de
disparo quando o ventilador “sente” a queda na linha base de pressão causada pelo
esforço inspiratório do paciente e inicia o ciclo respiratório independe da frequência
ajustada. Fluxo ou volume são as variáveis de disparo quando o ventilador “sente” o
esforço inspiratório do paciente em forma de, seja ela, fluxo ou volume para dentro dos
pulmões.
O disparo a fluxo reduz o trabalho que o paciente deve realizar para iniciar a
inspiração. Isto por que, o trabalho é proporcional ao volume que o paciente inspira
vezes a mudança na linha base de pressão necessária para o disparo. O disparo a
pressão é necessário alguma mudança e consequentemente um irredutível quantidade
de trabalho para realizar o disparo. Com disparo a fluxo ou a volume, contudo, a linha
basal da pressão não precisa mudar, e teoricamente, o paciente não precisa fazer
nenhum trabalho para disparar o ventilador.
O esforço do paciente necessário para o disparo do ventilador é determinado
pelo ajuste da sensibilidade do ventilador. Uma vez que o ventilador é disparado, há
sempre um atraso antes do fluxo seja enviado para o paciente. Esse atraso é
chamado de “tempo de resposta” e é secundário ao tempo de processamento do sinal
e a inércia mecânica. É importante para o ventilador ter um curto período de resposta
para manter ótima sincronia com o esforço inspiratório do paciente.
Variável Alvo
Aqui alvo quer dizer restringir a magnitude de uma variável durante a
inspiração. A variável alvo é uma que pode ser alcançada e mantida no nível presente
antes do final da inspiração (i.e., ela não termina ao fim da inspiração). Pressão, fluxo
ou volume podem ser a variável alvo e atualmente todas podem ser ativadas para uma
única respiração (e.g., usando a Pmax característica no ventilador Dräger). O termo
limite, aqui substituindo por alvo, foi feito para ser consistente com a nova
nomenclatura vigente, onde o termo limite vem sendo aplicado em situações de
alarme somente.
87
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Lembre-se, que a variável alvo não deve ser confundida com a variável
ciclagem. Pois a ciclagem significa "final da inspiração". A variável ciclagem sempre
finaliza a inspiração. A variável alvo não termina a inspiração; ela somente estabelece
um limite superior para pressão, volume ou fluxo (Fig. 2).
Variável Ciclagem
A fase inspiratória sempre termina quando alguma variável alcança o valor pré-
definido. Essa variável de ciclagem pode ser pressão, volume, fluxo, ou tempo.
Quando o ventilador é ajustado para ciclar à pressão, ele envia um fluxo até
que a pressão pré-definida seja alcançada, no qual o tempo inspiratório pare e o fluxo
expiratório inicie. A aplicação mais comum da ciclagem a pressão em ventilação
mecânica é para configuração de alarmes.
Quando o ventilador é ajustado para ciclar a volume, ele envia um fluxo até que
o presente volume tenha passado através da válvula de controle. Por definição, tão
logo o volume ajustado é cumprido, o fluxo para e a fase expiratória se inicia. Se a
expiração não iniciar imediatamente após o fluxo inspiratório ter parado, então uma
pausa inspiratória foi ajustada, e o ventilador é, por definição, ciclado a tempo (veja a
Fig. 2).
Quando o ventilador é ajustado para ciclar a fluxo, ele envia um fluxo até o
nível pré-ajustado seja alcançado. O fluxo então para, e a expiração é iniciada. A
aplicação mais frequente da ciclagem a fluxo é no modo pressão de suporte (PS).
Nesse modo, a variável de controle é a pressão, e o ventilador fornece um fluxo
necessário para alcançar a pressão inspiratória alvo. Em fazer isso, o fluxo inicia em
um relativo alto valor e diminui exponencialmente (assumindo que os músculo
inspiratório do paciente estão inativos após o disparo). Uma vez que fluxo tenha
diminuído até um valor relativamente baixo (tal como 25% do pico de fluxo,
tipicamente presente pela fabricante), o ciclo inspiratório termina.Figura 2 Essa figura ilustra a distinção entre o temo alvo e ciclo. A. A inspiração tem como alvo a
pressão e é ciclado a tempo. B. O fluxo é o alvo, mas o volume não é, e a inspiração é ciclada a
volume. C. Ambos o volume e fluxo são o alvo, e a inspiração é ciclada a tempo. Adaprtado de:
Tobin, (2013).
Aristides Oliveira
Curvas ventilatórias: análise gráfica
Fluxo, pressão, e volume são três variáveis mensuráveis e mostradas por
gráficos em tempo real. As curvas pressão-volume, e fluxo-volume também estão
disponíveis. Os princípios que explicam a inter-relação básica do volume, pressão,
fluxo e tempo sua usadas para criar a forma de onda que é exibida, seguem:
1. O volume (V) enviado depende da quantidade de fluxo e do tempo inspiratório (T ins)
(ܸ = ܨ݈ݑݔ × ܶ௦).
2. O fluxo de gás dentro dos pulmões depende da pressão do ventilador e a pressão
dentro dos pulmões. Fluxo é medido como a mudança de volume por unidade de
tempo, onde o tempo é o Tins. (F݈ݑݔ =
்ೞ
).
3. A quantidade de pressão (∆P) necessária para inflar os pulmões depende da
complacência e resistência das vias aéreas. Se o pulmão é muito complacente (e.g.,
DPOC), uma pressão menor é necessária. Se o pulmão for muito rígido (e.g.,
enfisema) maior pressão é necessária para inflá-los (∆ܲ = ∆
), onde Ci é a
complacência. Para a resistência das vias aéreas, o fator mais importante que afeta o
grau de resistência é o diâmetro das vias aéreas (ou mais especificamente o raio de
acordo com a lei de Poiseuille). Quanto maior o raio, menor a resistência o contrário
também é verdadeiro.
Curva de fluxo-tempo
O fluxo inicia-se, nos modos controlados, depois de determinado intervalo de
tempo (depende da FR ou da relação inspiração/expiração – I:E) ou através de um
limite de sensibilidade (disparo ou trigger) pré-estabelecido. Após o disparo o fluxo
aumenta até atingir um valor pré-fixado, chamado de pico de fluxo. Esse valor definido
pelo operador no modo volume controlado e pode ser mantido constante ou ter valor
decrescente no tempo. Assim, o fluxo vai definir o tempo que a válvula inspiratória
permanecerá aberta (Tins), de acordo com o VT (volume corrente) estabelecido.
Por exemplo: Ventilação com volume controlado com:
VT de 500 mL e
V(fluxo) de 60 L/min (ou seja, 1 L/s);
Logo o Tins será de 0,5 s – tempo que a válvula inspiratória permanecerá aberta para
propiciar a entrada de 0,5 L de ar.
O fluxo encerra-se conforme o modo de ciclagem (término da ins. e início da
exp.) estabelecido. As características da curva de fluxo nos modos espontâneos (pico
e duração) são determinadas pela demanda do paciente. O começo e o final da
inspiração são, geralmente, minimamente afetados pelo tempo de resposta das
válvulas. Porém, em casos de alta demanda, por parte do paciente, o retardo na
abertura da válvula pode gerar assincronia. A figura 3 ilustra a curva de fluxo,
dependendo das condições, modos, e fabricante, seis distintos padrões de fluxo
podem ser ajustado ou desenvolvido durante a ventilação por pressão positiva (VPP);
onda constante de fluxo; subida convexa de fluxo (linha pontilhada) no fluxo; rampa
descendente ou padrão côncavo (linha pontilhada); rampa ascendente no fluxo, e fluxo
sinusoide.
89
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Figura 14 Seis formas de onda de fluxo disponível para PPV: fluxo constante (quadrada), fluxo
constante convexa (linha pontilhada acima e a esquerda), rampa descendente (descendente
quadrada), rampa descendente côncava (linha pontilhada acima e a direita), rampa descendente
côncava (linha pontilhada acima e a direita), rampa descendente, e padrão de fluxo sinusoide.
Adaptado de: Chang, (2014).
A forma de onda constante de fluxo pode apresentar um padrão convexo se o
tempo de subida para o pico de fluxo é desacelerado para o conforto do paciente
durante a ventilação controlada a volume (VCV). Dependendo do fabricante, o
ventilador pode oferecer uma "verdadeira" rampa descendente de fluxo que desce do
pico de fluxo inicial para nível zero final de fluxo, como apresentado na figura 3 acima
(gráfico de cima e a direita). Durante a ventilação por pressão controlada (PCV), a
rampa descendente de fluxo pode apresentar uma queda exponencial ou padrão
côncavo dependendo da característica pulmonar e do esforço do paciente. O aumento
rápido do pico de fluxo oferecido pela forma de onda constante de fluxo e rampa
descendente de fluxo tem mostrado ser superior para atender as demandas de fluxo
dos pacientes.
O uso de forma de onda em rampa ascendente ou sino pode ser apropriado
para ventilação controlada onde o esforço do paciente, fluxo, ou volume de gás
demandada não é um problema. Quando o paciente está sedado e não há esforço, o
aumento lento para alcançar o pico de fluxo pode melhorar a distribuição do gás no
pulmão devido a menor resistência ao fluxo de gás.
Aristides Oliveira
Curva de pressão-tempo
Figura 4 Gráfico fluxo- e pressão-tempo. O primeiro gráfico, à esquerda, marca as várias fases do
ciclo respiratório (descrição no texto). O segundo, à direita, mostra um atraso no tempo de subida
do pico de fluxo. Adaptado de: Chang, ( 2014).
A forma de onda ideal para pressão-tempo que é criada em condições passiva
com fluxo constante é uma "step" rampa ascendente. A letra a no gráfico pressão-
tempo na figura 4 acima, indica o início da inspiração e corresponde no tempo a forma
de onda de fluxo como indicado pela linha tracejada conectando as duas formas de
onda. O início da forma de onda de pressão fornece informações sobre a variável de
disparo da fase inspiratória. Não ha esforço do paciente ou assistência na inspiração
(veja a figura 16 para um exemplo de disparo por parte do paciente), o que indica que
o fluxo inicial é disparado a tempo. O fluxo inicial do ventilador para os pulmões do
paciente e como isso acelera o pico de fluxo.
A elevação inicial da pressão (apesar da elevação vertical linear a-b no gráfico
da pressão) é principalmente o resultado da resistência do fluxo através do circuito do
ventilador e tubo endotraqueal. A letra b representa a mudança na curva (slope) na
curva de pressão que ocorre uma vez que o pico de fluxo tenha sido alcançado. Então,
o pico de fluxo é mantido (constante) durante a inspiração. Quando o fluxo entregue
pelo ventilador torna-se constante, ha uma elevação relativamente linear na dinâmica
ou pressão de abertura das vias aéreas (PAO), que é quase paralela à elevação linear
na pressão alveolar (PALV) até que o pico de pressão inspiratória (PIP) e pico da PALV é
alcançada no final da inspiração.
A letra c marca a PIP, o final da inspiração, e o início da expiração onde o
ventilador é ciclado-tempo e -volume. A segunda linha pontilhada mostra que o final o
final do fluxo inspiratório e PIP são contínuos no tempo. A letra d marca o final da
pressão expiração sendo sentida pelo manômetro de pressão do ventilador.
A figura 5 ilustra a onda de pressão ideal com detalhes que correspondem ao a
onda de fluxo quadrada fechada apresentada na parte superior da figura 5 é, nesse
exemplo, uma pausa de 0.5 s na entrega do fluxo do ventilador foi programada
(prolongando o tempo inspiratório Tins). A pausa no envio do fluxo resulta na
91
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
mensuração da pressão estática sendo mantida no mesmo nível por 0.5 seg, criando
um platô no final da forma de onda.
Figura 5 Use a pausa inspiratória para criar e mensurar o pico de pressão alveolar (Pico PALV ou
pressão de platô) e a pressão transpulmonar (PTA). O pico de PALV é utilizado para calcular a
complacência estática; PTA é usada para calcular a resistência do fluxo aéreo. Flow: Fluxo; Peak:
pico; Resistance: resistência. Adaptado de: Chang, (2014).
No gráfico do fluxo,a seta dupla mostra que nenhum fluxo está sendo enviado
do ventilador por 0,5 s. Durante esse período, as válvulas inspiratória e expiratória
estão fechadas mantendo o volume de gás constante nos pulmões do paciente,
permitindo a mensuração da pressão pulmonar ou, mais importante, a pressão
alveolar (PALV). Desde que não haja fluxo, a pressão correspondente criada pela
resistência do fluxo dissipa imediatamente. A pressão cai do pico de pressão alveolar
(PALV), para o nível da pressão de platô (Pplatô), que pode ser mensurada. Uma vez que
se conheça o pico de PALV, a resistência do circuito e das vias aéreas pode ser
determinada [ܴ݁ݏ݅ݏݐê݊ܿ݅ܽ = (ூିಲಽೇ
ி௨௫
)].
Tecnicamente, o calculo da resistência do circuito e vias aéreas deve ser o
gradiente de pressão entre PIP e pico PALV. Essa pressão de pico de PALV permite
calcular a complacência do pulmão-tórax (CLT [LT para lung-torax]) (e.g., ܥ் =
ܸ݈ݑ݉݁ ܲݎ݁ݏݏã⁄ , e observando o gráfico isso pode ser determinada assim CLT=1 L/20
cmH2O=0.50 L/cmH2O).
Curva pressão-volume
A curva pressão-volume (PV) pode ser usada para monitorizar mudanças na
complacência pulmonar (ܥ݈݉ܽܿê݊ܿ݅ܽ = ∆
∆
) e resistência das vias aéreas.
Os componentes da curva PV, mostradas na figura 6A, é uma curva típica
gerada durante a respiração por pressão positiva. Esse ciclo respiratório é disparado
por tempo (ventilador). Quando o ventilador fornece o ciclo, a curva é desenhada na
direção anti-horária. Note que as curvas inspiratória e expiratória não são arcos
perfeitos. Note também que a pressão máxima atingida na abscissa X é a PIP, o
volume máximo alcançado na ordenada Y é o VT.
Aristides Oliveira
Figura 6 Curva pressão-volume típica para respiração com pressão positiva. A curva representa a
pressão e o volume medidos nas vias aéreas superiores. O ponto mais alto do volume corrente (VT
[linha vertical]) e o pico de pressão inspiratória (PIP [linha horizontal]) representa a complacência
dinâmica que é representada pela relação pressão-volume. B. Curva PV mostrando o pico de
inspiratório de pressão (PIP), a pressão de abertura das vias aéreas (PAO), e pressão nas vias
aéreas (Pta)
A linha sólida da curva na Fig. 6B acima representa a pressão de abertura das
vias aéreas (PAO) e volume. A linha tracejada representa a linha estática PV, que
reflete a PALV em condições de fluxo zero. A pressão das vias aéreas Pta (transairway
pressure), ou Pressão resistiva fluxo, que é a diferença entre a pressão alveolar e a
pressão de abertura das vias aéreas é representada pelas setas duplas.
Mudança na curva Pressão-volume com mudanças no fluxo.
Mudança na entrega do fluxo pode alterar a forma da curva PV (Fig. 7). Altos
fluxos resultam em alta Pta (ܴ௪ = ௧ܲ ݂݈ݑݔ⁄ ). Assim, se a Raw é 2 cmH2O/L/s e o fluxo
é 1.0 L/s (60 L/min), Pta é 2.0 cmH2O.
Curva Pressão-volume com mudanças na complacência.
Durante a ventilação por pressão positiva para pulmões menos complacentes
(pulmão rígido), maior pressão será necessária para alcançar um dado volume. A
curva PV dessa forma tende a se achatar (Fig. 7A). Condições pulmonares marcadas
pela complacência reduzida incluem fibrose pulmonar e condições em que os alvéolos
estão cheios de fluidos (e.g., edema pulmonar, pneumonia, e SDRA). Complacência
reduzida também é vista em condições em que os alvéolos estão colapsados (e.g.,
atelectasias). A figura 7B ilustra a curva PV para um paciente com SDRA. Note a
quantidade de pressão necessária para entregar uma pequena quantidade de VT.
Também note que o nível d histerese é reduzido dessa forma, pouca pressão é usada
para o trabalho não elástico (resistência).
A B
93
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Figura 7 A. Com mudança na complacência, o volume entregue muda, mas a pressão permanece
constante. B. Curva PV de um paciente com ARDS/SARA durante a ventilação controlada. Note a
diminuição na área (representando o trabalho não elástico inspiratório e expiratório) e a mudança
da curva para a direita com a diminuição da complacência.
A figura 8 mostra a curva PV refletindo as mudanças na pressão em uma
ventilação controlada a volume (volume constante). Como o volume permanece
constante, mudança na complacência irá refletir mudanças na pressão para a entrega
do gás que foi ajustado.
Figura 8 Mudanças na curva PV durante a ventilação com volume controlado com a mudança da
complacência pulmonar. A entrega de volume permanece constante, mas a PIP muda.
Curva pressão volume com aumento na resistência das vias aéreas.
Quando a complacência pulmonar é constante, mas a Raw (resistência nas vias
aéreas) aumenta (e.g., durante o broncoespasmo), a quantidade de pressão
necessária para superar a Raw aumenta. A curva PV alarga-se ou tende a arquear-se.
A figura 9A ilustra as mudanças que ocorre na curva P-V durante a ventilação
controlada por pressão com mudanças na Raw. A figura 9B ilustra a curva PV
produzida por um paciente com um pulmão complacente e com aumento da Raw, tal
como pode ocorre no enfisema. A curva não é somente mais larga por causa do
aumento da Raw, mas o axis é mais alto devido ao aumento da complacência estática
no pulmão. A Raw pode está aumentada por edema na mucosa, broncoespasmo,
aumento nas secreções das vias aéreas, e o uso de um pequeno tubo endotraqueal.
A B
Aristides Oliveira
Figura 9 A. Curva PV durante a ventilação por pressão demostrando mudanças na resistência das
vias aéreas. Com aumento da resistência, menos volume é entregue, e a curva diminui e se alarga.
B. Curva P-V de um paciente com DPOC durante ventilação controlada. Note o aimento do trabalho
não eslástico inspiratório e expiratório (alargamento da curva) e mudança na complacência
dinâmica para cima e para a esquerda.
Respiração espontânea e a curva pressão-volume
A figura 10 ilustra a curva PV para um paciente que dispara o ventilador.
Quando o paciente respira espontaneamente, a curva move-se para a esquerda
(sentido horário), refletindo o esforço do paciente. Com o disparo positivo do fluxo do
ventilado, a curva cruza para a direita e é traçada no sentido anti-horário, que indica
que a maquina está fazendo o trabalho.
Figura 10 Curva PV de um paciente disparando o ventilador. Note que a área dentro do circulo, que
indica o esforço do paciente para disparar o ventilador.
Curva pressão-volume e o trabalho respiratório
Na figura 11, linha AB (pico de Palv) representa a relação pressão-volume de
um pulmão normal em condições estática (sem fluxo), que é a Palv durante a condição
estática. C é o componente elástico do pulmão e da parede torácica (Fig. 10). O
triângulo ABE representa a quantidade de trabalho mecânico necessário para superar
a resistência do pulmão e da parede torácica. Para uma dada quantidade de pressão
aplicada ao pulmão, resulta em certa quantidade de volume. Quando o fluxo está
presente, a relação direta (linha reta) não mais existe como visto nas curvas PV
anteriores, a linha é curva durante a inspiração e expiração.
A B
95
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Figura 11 Linha PV em um pulmão normal. A linha AB representa a complacência ou a relação
pressão-volume do pulmão em condições estáticas (sem fluxo). A curva ACB é a inspiração. A
curva BDA é expiração. A área ABE denota o trabalho para superar a resistência elástica do
pulmão. A área tracejada ACB representa o trabalho realizado para superar a resistência não
elástica do fluxo durante a inspiração. A área ABD representa a resistência do fluxo aéreo durante
a expiração.
Curva fluxo-volume
A curva fluxo-volume (FV) é utilizada durante a ventilação mecânica para vários
propósitos. Inclusive é útil para avaliar a interação paciente ventilador.
Componentes da curva fluxo-volume com ciclos mandatórios.A curva FV na figura 12 é o tipo que pode ser registrado durante a respiração
por pressão positiva. A inspiração está acima da linha base e expiração a baixo. (note:
este é o inverso da curva FV que é registrada no teste de função pulmonar.) Pico de
fluxo expiratórios é um dos parâmetros mensurados na curva FV. Isto é o mais alto
valor na curva de fluxo expiratório.
Figura 152 Curva normal de FV durante a ventilação. A curva inspiratória está na parte superior, e
a curva expiratória na parte inferior. Note a mudança linear no fluxo expiratório do pico final da
expiração. Também, o fluxo expiratório final é zero.
Aristides Oliveira
Variação na forma de onda do fluxo e variação do fluxo com a curva fluxo-
volume durante a ventilação a volume.
A figura 13, A, mostra uma curva de FV com ventilação a volume usando um
padrão sinusoide. A curva de fluxo inspiratório é mais sinusoide que a produzida pelo
fluxo entregue durante o fluxo constante. A figura 13, B, mostra três configurações de
fluxo durante o fluxo constante durante a ventilação a volume.
A figura 13, C, mostra uma curva FV durante a ventilação com pressão
controlada. O fluxo mais alto durante a inspiração ocorre no início da respiração. Isto é
similar ao achado com a curva fluxo-tempo durante a ventilação com pressão
controlada. A figura 13, D, ilustra a curva FV por três pressões ajustadas durante a
ventilação por pressão controlada, que resulta em diferentes volumes entregues.
Resistência das vias aéreas e avaliação da terapia com broncodilatadores com a
curva de fluxo-volume
A figura 13 ilustra uma das mais valiosas utilidades da curva FV, avaliando a
Raw. A curva A na Fig. 13 é a curva FV refletindo uma complacência normal. As
curvas B e C refletem aumento na Raw. A curva FV inspiratória não é significantemente
afetada por que o ventilador está ajustado para enviar um fluxo constante (50 L/min) e
volume (cerca de 530 mL). Entretanto o pico de fluxo expiratório final diminui com o
aumento da Raw.
Figura 13 A. Curva F-V com a forma de fluxo sinusoide durante a inspiração com ventilação a
volume. B. Curva F-V durante a ventilação com três diferentes ajustes de fluxo. C. F-V duante a
ventilação por pressão controlada. D. Curva F-V durante a ventilação mecânica com pressão
controlada em diferentes ajustes. Com o aumento da pressão, a entrega de fluxo e volume
aumentam. A complacência e a resistência das vias aéreas são constantes nesse exemplo.
A
B
C
D
97
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
A queda do pico de fluxo expiratório final abaixo do normal está associada com
obstrução das vias aéreas (e.g., broncoespasmo). A figura 14, B, ilustra o exemplo da
curva FV que poderia ser obtida em pacientes com obstrução das vias aéreas. Note
que há um achatamento na curva expiratória.
Figura 14 A. Curva F-V mostrando ventilação por volume controlado com o fluxo constante, mas
com mudanças na resistência das vias aéreas (Raw) (complacência constante). A curva A mostra
uma Raw normal. As curvas B e C representa o progressivo aumento da Raw. Note a queda no
fluxo expiratório e o pico de fluxo expiratório final com aumento da resistência. B. Curva F-V
durante a ventilação em um paciente com DPOC. Note o diminuído pico de fluxo expiratório final e
o formato achado da curva expiratória. (note: A escala de fluxo é 0 a 30 L/min durante a inspiração
e de 0 a -20 L/min na expiração).
Solucionando problemas com a curva fluxo-volume durante a ventilação
mecânica
A curva FV também pode ser utilizada para detectar vazamento e
aprisionamento de ar (auto-PEEP). A figura 15 ilustra a curva FV em que o volume
expirado é menor que o volume inspirado. A porção expiratória da curva acaba em um
volume maior que zero (cerca de 50 mL).
Figura 15 Aprisionamento aéreo (auto-PEEP) identificado na curva F-V em que a porção expiratória
da curva não retorna a zero, mas alcança um valor menor que zero.
A B
Aristides Oliveira
Modos ventilatórios convencionais
Ventilação mandatória contínua
Todos os ciclos ventilatórios são disparados e/ou ciclados pelo ventilador
(ciclos mandatórios). Quando o disparo ocorre pelo tempo, o modo é apenas
controlado. Quando o disparo ocorre de acordo com pressão negativa ou fluxo positivo
realizado pelo paciente, o modo é chamado de assistido/controlado.
Modo à Volume
Ventilação mandatória contínua com volume controlado – modo controlado
Nesse modo, fixa-se a frequência respiratória, o volume corrente, fluxo
inspiratório e o padrão de fluxo. O início da inspiração (disparo) ocorre de acordo com
a frequência respiratória pré-estabelecida (e.g., com a FR de 12, o disparo ocorre a
cada 5s). O disparo ocorre exclusivamente por tempo, ficando o comando
sensibilidade desativado (Fig. 16).
Figura 16 Ventilação Mecânica Controlada (CMV) limitada a volume.
A ciclagem ocorre após a liberação do volume corrente (VT) pré-estabelecido
em velocidade determinada pelo fluxo. O tempo que demora em alcançar o VT
predefinido depende da velocidade do fluxo inspiratório ajustado no respirador. Nesse
modo a pressão inspiratória pode mudar de acordo com, por exemplo, complacência e
resistência das vias aéreas.
Ventilação mandatória contínua com volume controlado – modo assistido-
controlado
Nessa situação, a FR pode variar de acordo com o disparo decorrente do
esforço inspiratório do paciente, porém mantêm-se fixos tanto o VT como o fluxo. Caso
o paciente não atinja o valor pré-determinado de sensibilidade para disparar o
aparelho, este manterá ciclos ventilatório de acordo com a FR mínima ajustada (Fig.
17).
99
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Figura 17 Ventilação mecânica assistido controlada limitada por volume. Note que nos dois
primeiros ciclos no gráfico de pressão ocorre negativação (setas), enquanto que no último não
ocorre.
Vantagens e desvantagens da ventilação controlada a volume
A principal vantagem desse modo é que o volume ajustado será entregue ao
paciente, independente da complacência pulmonar, resistência das vias aéreas ou
esforço do paciente. O objetivo desse modo é manter determinado nível de PaCO2
A desvantagem primária da ventilação controlada a volume se torna evidente
quando a condição pulmonar piora. Isso causa aumento do pico de pressão e pressão
alveolar, levando a hiperdistensão alveolar. A tabela 2 sumariza como as mudanças
na complacência e resistência das vias aéreas podem afetar as pressões.
TABELA 2 Fatores que afetam a pressão durante a ventilação por volume
controlado.
Características pulmonares
Redução da Ci pulmonar ou torácica = altas PIP e de platô; aumento na Ci = menores
pressões de pico e de platô.
Aumento na Raw = alto PIP; redução na Raw = menor PIP;
Padrão de fluxo
O PIP é alto com fluxo constante e menor com padrões de fluxos desacelerado.
Padrões de fluxo desacelerados tem uma maior pressão média das vias aéreas;
padrões de fluxo constante gera menor pressão média das vias aéreas.
Alto fluxo inspiratório gera aumento na PIP.
Ajuste do volume
Altos volumes = alta PIP e de Pplatô; menores volumes = menores PIP e de Pplatô.
PEEP
Aumento da PEEP aumenta o PIP e
pressão média.
Auto-PEEP
Aumento na auto-PEEP aumenta o
PIP.
Abreviações: Ci: Complacência; Raw: Resistência das vias aéreas; PIP: Pico de pressão
inspiratória; Pplatô: Pressão de platô. Adaptado de: (2)
Modo à Pressão
Ventilação mandatória contínua com pressão controlada – modo controlado
Neste modo, são fixados a FR, a relação I:E (tempo de
inspiração:tempo de expiração - substituto da velocidade de fluxo inspiratório) e o
limite de pico de pressão inspiratória (PIP). O disparo é predeterminado pela FR. A
ciclagem acontece de acordo como tempo inspiratório ou a relação I:E, e não a
volume ou fluxo conforme os regimes volumétricos. (Fig. 18). O VT é dependente da
pressão inspiratória preestabelecida, do Tins selecionado pelo operador e das
condições de impedância do sistema respiratório.
Aristides Oliveira
Figura 18 Ventilação mecânica controlada (CMV) limitada a pressão.
Ventilação mandatória contínua com pressão controlada – modo assistido-
controlado
No modo assistido-controlado, os ciclos assistidos ocorrem conforme o esforço
do paciente ultrapassa a sensibilidade. O VT obtido também é dependente desses
esforços. Os ciclos controlados seguem o padrão anterior (Fig. 19).
Figura 19 Ventilação mecânica assistido - controlada limitada por pressão. Note que no gráfico de
pressão ocorre negativação.
Vantagens e desvantagens da ventilação controlada a pressão
Esse modo tem várias vantagens. Primeiro, ele permite o ajuste máximo de
pressão, que reduz o risco de hiperdistensão. Segundo, o ventilador entrega o padrões
de fluxo desacelerado, além de ser considerado um componente das estratégias
ventilatórias protetivas. Também pode ser mais confortável para o paciente que respira
espontaneamente. As desvantagens desse modo são que o volume entregue para o
paciente varia o VT e o volume expirado (VExp) diminuem quando as características
pulmonares deterioram-se. A tabela 3 sumariza os fatores que afetam a entrega de
gás durante a ventilação por pressão controlada.
101
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
TABELA 13
Fatores que afetam o volume durante a ventilação por pressão
controlada.
Ajuste da pressão
Pressão elevada produz maiores
volumes, enquanto que menor pressão
produz menores volumes. Em outras
palavras, aumento na pressão de pico
inspiratório (PIP) enquanto mantem
constante a pressão expiratória final
(end-expiratory pressure EEP) aumenta a
entrega do volume (e vice-versa).
Gradiente de pressão
Aumento da EEP (PEEP + auto-PEEP)
enquanto se mantem a PIP constante
reduz o gradiente de pressão (PIP - EEP)
e menor volume é entregue (e vice-
versa).
Características pulmonares
Redução da complacência resulta em
menores volumes; aumento da
complacência resulta no aumento do
volume para uma dada pressão
inspiratória.
Aumento na resistência das vias aéreas
(Raw) resulta em menores frações de
volume entregues se o fluxo ativo estiver
presente; redução na Raw resulta em
maior fração de volume entregue se o
fluxo ativo estiver presente.
Com o aumento da Raw, após o fluxo cair
a zero durante a inspiração, a resistência
não mais afeta o VT (i.e., sem fluxo, sem
resistência).
Tempo inspiratório
Quando o Tins é extenso, ocorre aumento
na entrega do volume. Isso é verdade
enquanto o fluxo esta presente durante a
inspiração. (i.e., a curva de fluxo-tempo
mostra o fluxo acima de zero quando a
ins termina). Entretanto se o fluxo retorna
a zero antes do fim da ins, maior
aumento no Tins pode diminuir a entrega
de volume se não houver tempo
adequado para a expiração.
Abreviações: PIP: pico de pressão inspiratória; Raw: Resistência das vias aéreas; VT: Volume
corrente. Adaptado de: Cairo, (2012).
Modo Mandatório Intermitente
Ventilação mandatória intermitente sincronizada com volume controlado
Neste modo, fixa-se a FR, o VT e o fluxo inspiratório, além do critério de
sensibilidade para a ocorrência do disparo do ventilador pelo paciente. Esta
modalidade ventilatória permite que o ventilador aplique ciclos mandatórios pré-
determinados em sincronia com o esforço inspiratório do paciente. Os ciclos
mandatórios ocorrem na janela de tempo pré-determinada (de acordo com a FR do
SIMV), porém sincronizados com o disparo do paciente. Se houver apneia, o ciclo será
disparado pelo ventilador até que retornem as incursões inspiratórias do paciente (Fig.
20 e 21).
Figura 20 Ventilação mandatória intermitente sincronizada.
Aristides Oliveira
Figura 21 Na figura ainda ocorrem três ciclos ventilatórios no período de um minuto, porém, após
um período de apneia no segundo ciclo, ocorre um ciclo disparado a tempo no início do terceiro
ciclo. O paciente então retoma a ventilação e dispara um ciclo mandatória ainda no terceiro
período.
Ventilação mandatória intermitente sincronizada com pressão controlada
Semelhante ao modo anterior, com a diferença que os parâmetros definidos
pelo operador passam a ser a FR, o tempo inspiratório ou a relação I:E, e o limite de
pressão inspiratória, além do critério de sensibilidade para a ocorrência do disparo do
ventilador pelo paciente.
Ventilação mandatória intermitente sincronizada (com volume controlado ou
com pressão controlada) associada a ventilação com pressão de suporte
Existe aqui a combinação das ventilações mandatórias sincronizadas com
ventilações espontâneas assistidas através de pressão inspiratória pré-estabelecida.
Modo Espontâneo
Nesse modo há ambas as características mandatória e espontânea. Em uma
respiração assistida, todo ou parte do ciclo respiratório é gerado pelo ventilador, que
faz parte do trabalho respiratório para o paciente. Se a pressão das vias aéreas sobe
acima da linha de base durante a inspiração, a respiração é assistida. Por exemplo,
durante a pressão de suporte a pressão alvo é ajustada, mas o paciente inicia a
respiração (disparo pelo paciente). O ventilador entrega a pressão ajustada acima da
linha de base da pressão para assistir o esforço respiratório do paciente. O paciente
cicla a respiração.
Ventilação com pressão de suporte (PSV)
A PSV é limitada a pressão, ciclada a fluxo e disparada pelo paciente.
Tradicionalmente, a única variável ajustada com a PSV é o nível de pressão de
suporte. FR, Tins, fluxo inspiratório, e VT são controlados pelo paciente. Nos
ventiladores mais modernos, é possível ajustar o tempo de subida com a PSV. O
ventilador cicla para a expiração quando o fluxo inspiratório diminui ao nível
predeterminado, normalmente 25% do pico de fluxo inspiratório.
O tempo de subida (i.e., o tempo necessário para que seja atingida a pressão
de suporte ajustada) mais apropriada e o critério de ciclagem devem ser ajustados
para aumentar o conforto do paciente. Uma negativação excessiva indica que o tempo
de subida é muito curto (fluxo é muito rápido), entretanto um conqueive na subida na
103
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
pressão inicial das vias aéreas indica que o tempo de subida é muito longo (fluxo é
muito lento). O critério de ciclagem deve ser ajustado para que o paciente não dispare
duas vezes ou ative os músculos expiratórios para finalizar a respiração.
O tempo de subida, o critério de ciclagem, e o nível de pressão de suporte são
inter-relacionados. O pico de fluxo aumenta com o aumento do tempo de subida ou
aumento da pressão ajustada. Como resultado, haverá um grande fluxo para terminar
a inspiração se o ventilador determinar o ciclo baseado na porcentagem do pico de
fluxo. Assim, se qualquer uma dessas três variáveis for mudada (pressão, tempo de
subida, e fim do fluxo), os outros dois devem ser reavaliados. O gráfico da pressão das
vias aéreas é útil para ajustar apropriadamente o fim da inspiração.
O prolongamento do tempo inspiratório, além do tempo inspiratório neural do
paciente, pode ocorre com a PSV quando o escape de ar está presente ou o critério
para fim da inspiração está ajustado muito baixo. Vazamento do cuff, fistula
broncopleural, ou vazamento no circuito pode prolongar a inspiração por que ele pode
prevenir que o critério para ciclar seja alcançado. Isto é, o fluxo não conseguirá
diminuir até o nível necessário para iniciar a expiração. Quando o prolongamento do
tempo inspiratório é observado com a pressão desuporte, devem ser suspeitados. se
há vazamento no circuito ou ajuste inapropriado da ciclagem.
A tabela 4 sumariza os modos ventilatórios convencionais, sua forma de
disparo, ciclagem, alvo (“limite”) entre outras características.
Aristides Oliveira
TABELA 4 Característica das modalidades a volume e a pressão
Modo Disparo Alvo (limite) Ciclagem Vantagens Desvantagens
VCV Tempo ou
paciente
(fluxo ou
pressão)
Fluxo,
volume
Volume Diminui o WOB.
Garante o VT
Efeitos
adversos
hemodinâmic
os potenciais
(auto-PEEP),
hipoventilacã
o, pressão
inspiratória
excessiva
PCV Tempo ou
paciente
(fluxo ou
pressão)
Pressão Tempo Limita a PIP Hipo ou
hiperventilacã
o, mudanças
na resistência
ou elastancia
das vias
aéreas.
SIMV Paciente
ou tempo
Pressão
(paciente
dispara)
Fluxo/Volume
(ciclos a
volume
controlado)
Pressão
(disparo a
tempo
limitado a
pressão)
Fluxo
(paciente
dispara)
Volume ou
tempo
para ciclos
controlado
s
Menor
interferência
com função
cardiovascular
normal
Aumento do
WOB
comparado
com o modo
A/C
Assincronia
Modo fraco
para
desmame.
PSV Paciente Pressão Fluxo Conforto do
paciente.
Melhora a
sincronia
paciente-
ventilador
Diminui o WOB
O alarme de
apneia é o
único backup.
Abreviações: A/C: Modo Assistido controlado; PCV: Ventilacão Controlada a Pressão; PIP:
Pressão Inspiratória de Pico; PSV: Ventilacão com Pressão de Suporte; SIMV: Ventilação
mandatória intermitente sincronizada; VT: Volume Corrente; WOB: Work Of Breathing (trabalho
respiratório). Modificado de: Archambault e St-Onge, (2012).
Ajustes de parâmetros ventilatório
Frequência respiratória
A frequência inicial do ventilador é o número de respiração por minuto que é
entendida para fornecer a ventilação eupneia (PaCO2 em um paciente "normal"). A FR
inicial é geralmente ajustada entre 10 e 12/min. Essa frequência, associa-se com o
volume corrente de 10 a 12 mL/Kg, geralmente produz um volume minuto que é
suficiente para normalizar a PaCO2 do paciente. Frequência de 20/min ou maiores
estão associadas com auto-PEEP e devem ser evitadas.
Um método alternativo para selecionar a FR inicial é estimar o volume minuto
do paciente e dividir o volume estimado pelo volume corrente.
ܨݎ݁ݍݑê݊ܿ݅ܽ =
ܸ݈ݑ݉݁ ݉݅݊ݑݐ ݁ݏݐ݅݉ܽ݀
ܸ݈ݑ݉݁ ܿݎݎ݁݊ݐ݁
105
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
A estimativa do volume minuto para homem é igual a 4.0 multiplicado pela área
de superfície corporal e para mulheres é igual a 3.5 multiplicado pela área de
superfície corporal. A área de superfície corporal (ASC) pode ser obtida por duas
fórmulas:
Fórmula de Dubois:
ܤܵܣ = 0.007184 × ܲ݁ݏ.ସଶହ × ܣ݈ݐݑݎܽ.ଶହ Onde o peso é em Kg e a altura em cm.
Fórmula de Masteller:
ܤܵܣ (݉ଶ) = ට
௧௨×௦
ଷ
మ
Onde a altura é em cm e o peso em Kg.
A Recomendações brasileiras de ventilação mecânica 20138 recomenda que a
frequência respiratória inicial seja controlada entre 12 e 16/min, com fluxo inspiratório
ou tempo inspiratório visando manter inicialmente a relação I:E em 1:2 a 1:3. Em caso
de doença obstrutiva, pode-se começar usando FR mais baixa (<12rpm) e, em caso
de doenças restritivas, pode-se utilizar FR mais elevada (>20rpm, por exemplo, se o
quadro clínico assim exigir). Reavaliar assim que disponível a primeira gasometria.
Volume corrente
O volume corrente é o volume de ar que entra e sai dos pulmões a cada
respiração. O volume corrente é calculado da altura do paciente. Uma vez que na UTI
a altura pode ser difícil de mensurar, o peso predito é utilizado como um substituto que
pode ser calculado pela fórmula que se segue:
50 + 0.91 × (݈ܽݐݑݎܽ ݁݉ ܿ݉ − 152.4) para homens e
45.5 + 0.91 × (݈ܽݐݑݎܽ ݁݉ ܿ݉ − 152.4) para mulheres.
O uso de altos volumes corrente foi utilizado como padrão durante muitos anos.
O racional por trás dessa estratégia era que altos volumes correntes poderia
constantemente abrir partes do pulmão que colapsavam no final da expiração, dessa
forma, prevenindo shunt, com isso prevenindo necessidade de altos níveis de FIO2.
Atualmente, sabe-se que altos volumes ou excessiva pressão inspiratória de platô
(>30 cmH2O) resultam em hiperdistensão alveolar sendo denominado de volutrauma e
barotrauma, respectivamente. Atualmente, as estratégias de ventilação protetiva
enfatizam baixos volumes correntes (≤6 mL/Kg de peso ideal) em pacientes com
SDRA/SARA o estudo realizado por Amato, et al., (1998) mostra que a redução do
volume corrente de 12 para 6 mL/Kg de peso ideal reduziu a mortalidade em 46% com
o uso de baixos volume corrente.
PEEP
O uso de baixo volume corrente pode promover atelectasias, ainda mais na
ventilação mecânica de longa duração, que pode ser a razão para utilizar PEEP
(Positive end-expiratory pressure) em altos níveis, que pode ser benéfico em pacientes
com SDRA/SARA. A PEEP aumenta a capacidade residual funcional e é útil para
tratar hipoxemia refratária (baixa PaO2 não responsiva a altas FIO2). Altos níveis de
PEEP pode induzir ao comprometimento hemodinâmico e hiperinsuflação. Entretanto
auto nível de PEEP pode ser benéfico para alguns tipos de pacientes na UTI, como
Aristides Oliveira
pacientes obesos, com aumento da elasticidade da caixa torácica, em pacientes sem
SDRA/SARA não existem evidências, entretanto o consenso de ventilação mecânica
de 2013 recomenda que o nível inicial de PEEP pode ser ajustado de 3 a 5 cmH2O.
Subsequentes mudanças de PEEP devem ser baseadas nos resultados da gasometria
arterial, necessidade de FIO2, tolerância de PEEP, e respostas cardiovasculares.
Outros métodos para titular a PEEP usando PaO2 e complacência como indicador veja
a tabela 5.
TABELA 5 Titulação de PEEP ótima usando PaO2 e Complacência.
PEEP (cmH2O) PaO2 (mmHg) Complacência (mL/cmH2O)
0 43 26
5 67 33
8 77 37
10* 83 43
12 79 41
*Nesse caso 10 cmH2O é a PEEP ótima, uma vez que houve melhoras na PaO2 e na
complacência, valores acima de 10 cmH2O causa redução em ambos, PaO2 e
complacência.
Fração inspirada de Oxigênio (FIO2)
Em pacientes com hipoxemia severa ou anormalidades da função
cardiopulmonar (e.g., pós-ressuscitação, inalação de fumaça, SDRA), a FIO2 inicial
pode ser ajustada a 100%. A FIO2 deve ser avaliada por meio da gasometria arterial
após a estabilização do paciente. E deve ser ajustada para manter a PaO2 entre 80 e
100 mmHg (menor para pacientes com retenção crônica de CO2). Após a estabilização
do paciente, a FIO2 deve ser mantida abaixo de 50% a fim de evitar lesões induzidas
pelo oxigênio.
Para pacientes com hipoxemia moderada ou paciente com função
cardiopulmonar normal (e.g., overdose de drogas, pós-operatório sem complicações),
a FIO2 pode ser ajustada a 40% ou a FIO2 do paciente antes da ventilação mecânica. A
recomendação brasileira de ventilação mecânica 2013, recomenda utilizar FIO2
necessária para manter a saturação periférica de oxigênio (SaO2) entre 93 e 97%.
Relação I:E
A relação inspiração:expiração normalmente é mantida na faixa de 1:2 e 1:4.
Uma relação I:E maior (maior relação E) pode ser usado em pacientes que precisam
de tempo expiratório adicional devido a possibilidade de aprisionamento de ar e auto-
PEEP. A presença de auto-PEEP pode ser avaliada ocluindo a porta expiratória do
circuito do ventilador no final da expiração. Auto-PEEP está presente quando a
pressão no final da expiração não retorna a linha de base (i.e., 0 cmH2O ou o nível de
PEEP quando a PEEP é usada) no final da expiração.
A relação I:E inversa tem sido utilizada para corrigir hipoxemia refratária em
pacientes com SDRA/SARA com complacência muito baixa. Mas isso não deve ser o
ajuste inicial desde quea relação I:E inversa tem suas complicações inerentes ao
sistema cardiovascular. Essa relação inversa deve ser utilizada apenas após a falha
das estratégias tradicionais em melhorar a oxigenação e ventilação do paciente.
107
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Efeitos da mudança na taxa de fluxo, VT e FR e na relação I:E. O ajuste do fluxo é
o método mais comum para mudar a relação I:E pois o controle da taxa de fluxo é uma
característica disponível em todos os ventiladores. Quando o VT e a FR se mantem
inalteradas, o aumento do fluxo diminui o Tins e aumenta o Texp, com aumento da
relação I:E, o contrário também é verdadeiro. Quando ocorre mudança aumento no VT
o Tins aumenta, o Texp diminui e a relação I:E diminui, o inverso é verdadeiro. Quando
ocorre aumento da FR, o Tins tem pouca alteração, o Texp diminui com consequente
diminuição do I:E, o inverso também é verdadeiro.
Pico pressão
Os limites aceitáveis de pressões de pico ≤40 cmH2O e de platô ≤28-30
cmH2O. Pressões acima desses limites refletem hiperdistensão alveolar e risco de
baro/volutrauma. A pressão de pico é a pressão máxima alcançada ao final da
administração do fluxo inspiratório, quando o seu valor ao final da expiração for igual a
zero (sem presença de PEEP – pressão positiva ao final da expiração). A pressão de
platô é a pressão estática da retração elástica de todo o sistema respiratório, ao final
da insuflação realizada pelo ventilador mecânico.
Drive Pressure (∆P)
O drive pressure é a relação do volume corrente com a complacência do
sistema respiratório (CRS) (estático); i.e., ∆ܲ =
ೃೄ
. O drive pressure pode ser calculado
beira leito como a pressão de platô (Ppla) menos a PEEP.
A utilização de estratégias ventilatórias protetoras e a abordagem "open lung"
estão associadas com menor lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI - ventilator
induced lung injury), melhora da oxigenação e melhora os resultados. Os
componentes dessa estratégia diminuem o estresse pulmonar, são eles, baixos VT (>6
ml/Kg de peso ideal), menor pressão de Platô (Ppla) e PEEP elevada. Entretanto, existe
um conflito quanto a utilização separada desses componentes. Para minimizar a VILI,
tem-se utilizado o VT associado com o peso predito, entretanto, em pacientes com
SDRA/SARA a proporção de pulmão disponível para a ventilação é marcadamente
diminuída, isso reflete a baixa complacência do sistema respiratório (CRS) Amato, et
al., (2015).
Levando em consideração o exposto, se dois pulmões do mesmo tamanho (em
paciente com mesmo peso predito ideal), um desses pulmões tenham menor CRS, a
entrega do VT irá causar mais estresse do que no outro com melhor CRS. Dessa forma,
normaliza-se o VT com CRS obtendo melhores preditores do que apenas o VT.
A AARC - ADULT MECHANICAL VENTILATOR PROTOCOLS3# recomenda
que o ∆P seja de ∆P ≤20 cmH2O. Para melhor compreensão sobre o drive pressure,
sugiro a leitura do artigo de Amato, et al., (2015).
Alarmes
Embora os diferentes ventiladores tenham diferentes sistemas de alarmes, os
seguintes alarmes devem ser básicos para qualquer ventilador: alarme de baixo
volume exalado, alta e baixa pressão inspiratória, apneia, alta frequência, e FIO2.
3# Fonte: https://c.aarc.org/resources/protocol_resources/documents/general_vent.pdf
Aristides Oliveira
Esses alarmes devem ser ajustados pela fonte de bateria para prevenir mau
funcionamento durante um evento de queda de energia.
Alarme de baixo volume exalado. Esse alarme deve ser ajustado em cerca de 100
mL a menos que o volume expirado mecanicamente. Esse alarme é disparado se o
paciente não exala adequado volume corrente. É tipicamente utilizado para detectar
vazamento no sistema ou desconexão.
Alarme de baixa pressão inspiratória. Deve ser ajustado a 10 a 15 cmH2O abaixo da
pressão de pico inspiratório (PIP) observado. Esse alar é disparado se o pico de
pressão inspiratória é menor que o ajustado. Esse alarme complementa o baixo
volume exalado e é também usado para detectar vazamento e desconexão do circuito.
Alarme de alta pressão inspiratória. Deve ser ajustado 10 a 15 cmH2O acima do PIP
observado. Esse alarme dispara quando a PIP é maior ou igual ao ajustado. Uma vez
que o alarme é disparado por obstrução de fluxo, a inspiração é imediatamente
terminada e o ventilador cicla. As causas comuns incluem água no circuito, torção ou
mordida no tubo endotraqueal, secreção nas vias aéreas, broncoespasmo, rolhas,
pneumotórax hipertensivo, diminuição da complacência pulmonar, aumento da
resistência das vias aéreas, e tosse.
Alarme de apneia. O baixo volume e baixa pressão são disparados na apneia e na
desconexão do circuito. A desconexão inadvertida é comum em pacientes com
traqueostomia. O alarme deve ser ajustado com 15 a 20s de atraso, com menos
tempo de atraso a altas frequências. Em alguns ventiladores o alarme de apneia
dispara o back-up de modo ventilatório fornecendo um suporte ventilatório até que a
condição de alarme não mais exista.
Alarme de alta frequência. Alta frequência deve ser ajustada a 10/min acima da
frequência observada. O disparo de alta frequência pode indicar que o paciente está
em angústia respiratória.
Alarme de alta e baixa FIO2. A alta FIO2 deve ser ajustada a 5 a 10% da FIO2
analisada e a baixa FIO2 deve ser ajustada de 5 a 10% abaixo da FIO2 analisada.
Os alarmes devem ser regulados de forma individualizada, usando critérios de
especificidade e sensibilidade adequados para o quadro clínico do paciente. Devem-se
regular o back-up de apneia e os parâmetros específicos de apneia, se disponível no
equipamento.
O fluxograma abaixo fornece uma abordagem pragmática para iniciar a
ventilação mecânica protetiva.
109
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Adaptado de: KILICKAYA, O.; GAJIC, O. Initial ventilator settings for critically ill patients.
Critical Care, v. 17, n. 123, 2013.
Inciar
ventilação
protetiva
Confirmar a posição
do tubo orotraqueal
Auscuta pulmonar, monitor
de EtCO2, Radiografia de
tórax.
Prevenir volutrauma
Ajuste VT 6-8 mL/Kg peso ideal
(homem adulto ≈450 ml e
mulher adulta ≈350 mL)
Mantenha Ppla <25-30
Se percistir alta Ppla diminuir VT
4mL/kg de peso ideal
Em pacientes com
anormalidades da caixa
torácica, pode ser aceita alta
Ppla (~35 cmH2O)
Garanta adequada
ventilação
Ajuste a FR 20-35 imp
Baixas FR e Texp longo pode ser
necessário em pacientes com
auto-PEEP
Previna
desrecrutamento
alveolar/atelectasia
Ajuste PEEP ≥ 5 cmH2O
Geralmente precedido por manobra
de recrutamento (i.e., 10-15s de
inflação com pico de pressão nas
vias aéreas de ≈40 cmH2O)
Considere alta PEEP (10-15
cmH2O) em pacientes com rigidez
da parede torácica
Titule a FIO2 para
prevenir hipóxia
Alvo SpO2 88-95%, PO2 ≈60 mmHg
Aristides Oliveira
Monitorização em Ventilação Mecânica
Monitorar a condição clínica do paciente durante a ventilação mecânica é vital
devido às mudanças rápidas e não preditiva. A condição clínica do paciente pode ser
afetada pela doença de base, medicações, falência de órgãos, e até mesmo os ajustes
do ventilador.
Há quatro razões para monitorizar continuamente o paciente: (1) Os dados
básicos podem ser usados para estabelecer o plano de tratamento inicial e serve
como ponto de referência para mensurações futuras; (2) uma tendência pode ser
estabelecida para documentar o progresso ou regressão do paciente; (3) O plano de
tratamento pode ser adicionado, alterado, ou descontinuado de acordo com a
avaliação; e (4) Os limites dos alarmes podem ser ajustados para resguardar a
segurança do paciente.
Sinais vitais
Os sinais vitais (FC, PA, FR e temperatura) podem fornecer informações úteis
sobre a condiçãogeral do paciente. Durante a VM, mudanças nos sinais vitais do
paciente frequentemente indicam alterações na situação cardiovascular.
Frequência cardíaca
Taquicardia. FC >100bpm, durante e a VM algumas condições podem aumentar a FC
do paciente, são hipoxemia, dor, ansiedade e estresse, febre, reações farmacológicas,
e infarto do miocárdio. A taquicardia pode alertar sobre déficits do volume sanguíneo
ou débito cardíaco.
Bradicardia. FC <60 bpm, frequentemente ocorre durante a aspiração endotraqueal
com estimulação do nervo vago, pré-oxigenação sempre é necessária para minimizar
a ocorrência de dessaturação arterial e arritmias. Outras condições que se relacionam
a bradicardia são fluxo coronário inadequado, anormalidade na função do nodo
sinoatrial, hipotermia, reação a fármacos.
Pressão Arterial
Hipertensão. Pode ocorre em condições agudas e crônicas. Condições agudas como
excesso de fluidos, vasoconstrição, estresse, ansiedade, e dor podem levar a
hipertensão. Pacientes com história de insuficiência cardíaca congestiva (ICC), doença
cardiovascular, ou policitemia* podem desenvolver hipertensão, que pode vir a ser um
fator complicador durante a VM.
Hipotensão. Pode ser devido a hipovolemia absoluta (perda sanguínea) ou relativa
(choque), ou falência da bomba cardíaca (ICC). Quando a hipotensão ocorre durante a
VM, ele está frequentemente associada com pressão intratorácica excessiva, pico de
pressão inspiratório, e volume pulmonar.
Frequência respiratória
Taquipneia pode ser um sinal de alerta para hipoventilação ou hipóxia. em
indivíduos normais a resposta máxima a hipóxia ocorre com a PaO2 abaixo de 50
mmHg. Se a FR excede 20 ipm e está subindo, o paciente deve ser avaliado para a
causa da taquipneia. Taquipneia pode preceder o desenvolvimento de insuficiência
111
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
respiratória. Durante a VM, taquipneia é um indicativo de disfunção respiratória,
quando taquipneia e baixo VT são observados, o sucesso no desmame da VM é
menos provável.
Temperatura
Hipertermia. Pode ocorrer como o resultado de infecção, necrose tecidual, e outras
condições que aumentem a taxa metabólica e utilização de O2. Hipertermia também
causa desvio da curva da oxi-hemoglobina para a direita, causando menor saturação
de oxigênio em uma dada PaO2. Essa dessaturação do O2 ocorre por que o aumento
da temperatura causa descarga do oxigênio da hemoglobina para os tecidos.
Hipotermia. É menos comum entre os pacientes críticos, mas pode ocorrer como
resultado de problemas do sistema nervoso central (SNC), desordens metabólicas, e
de certas drogas e toxinas. Algumas vezes a hipotermia é induzida com o objetivo de
diminuir a taxa metabólica basal.
Exame físico
A inspeção, palpação e ausculta foram previamente discutidas no capítulo 3.
Dessa forma, é sugerido à realização de uma revisão do capítulo citado.
Avaliação ventilatória
A avaliação direta da tensão arterial de dióxido de carbono (PaCO2) via punção
arterial é o método mais acurado para avaliar o estado ventilatório do paciente.
Hipoventilação e acidose respiratória estão presentes quando a PaCO2 está elevada
com concomitante diminuição do pH. Essa condição pode estar correlacionada pelo
aumento da FR ou VT. Por outro lado, a frequência ou VT deve ser reduzido quando
ocorrem hiperventilação e alcalose respiratória.
Quando o desequilíbrio ácido-básico é causado metabolicamente, isso pede
por diferente estratégia na ventilação. O problema de metabólico de base deve ser
corrigido antes da mudança dos ajustes ventilatórios. Ajustes no VT ou na FR não
devem ser realizados para "corrigir" as anormalidades ácido-básico de origem
metabólica.
Fadiga respiratória. O paciente ventilado mecanicamente que desenvolve falência
respiratória hipercapnica secundário ao aumento na produção do dióxido de carbono
(VCO2) devem ser monitorados atentamente. Essa condição pode levar ao aumento
da Ventilação minuto na tentativa de manter o aumento da produção de CO2. Esse
aumento no trabalho respiratório pode levar a fadiga dos músculos da respiração.
Excessivo trabalho respiratório (volume minuto maior que 10 L/min) está relacionado
com resultados pobres em pacientes em processo de desmame.
Avaliação da oxigenação
Mudanças na oxigenação do paciente são comumente avaliadas por (1) tensão
arterial de oxigênio (PaO2), (2) gradiente alvéolo-arterial de oxigênio [P(A-a)O2], (3)
relação arterio-alveolar de oxigênio (PaO2/PAO2), e (4) relação PaO2/FiO2.
A diminuição da PaO2, um aumento na P(A-a)O2, um PaO2/PAO2 diminuído, ou a
diminuição da PaO2/FIO2 reflete hipóxia tissular. A tabela 6 descreve o guia para
interpretação da oxigenação do paciente.
Aristides Oliveira
Em geral, uma PaO2 diminuída com concomitante diminuição da P(A-a)O2 é
indicativo de hipoxemia divido a problemas de difusão, desequilíbrio V/Q, ou shunt. A
diminuição na PaO2 com pouco ou nenhum aumento na P(A-a)O2é provavelmente
devido a hipoventilação que pode ser confirmado pelo o elevado PaCO2.
P(A-a)O2 é a diferença entra a PAO2 e PaO2, e pode ser calculada pela seguinte
fórmula: (ܲି)ܱଶ = ܱܲଶ − ܱܲଶ. A PaO2 é obtida pela gasometria arterial e a PAO2
pode ser calculada pela seguinte equação: ܱܲଶ = ൫ ܲ − ுܲమை൯ × ܨூܱଶ −
(ೌ ைమ)
ோ
, onde
PB é a pressão barométrica, PH2O é a pressão de vapor de água (geralmente 47 mmHg
à 37ºC), R é consciente respiratório (estimado em 0.8 quando a FIO2 < 60% e 1
quando FiO2 > 60%). A PAO2 é principalmente afetada por mudanças na FIO2, PaCO2, e
PB. O valor de referência da P(A-a)O2: ܲ(ି) = 2.5 + (0.21 × ݅݀ܽ݀݁ ݁݉ ܽ݊ݏ).
TABELA 6 Interpretação do status de oxigenação
Parâmetros Critério Interpretação
PaO2 80–100 mmHg
60–79 mmHg
40–59 mmHg
<40 mmHg
Normal
Hipoxemia leve
Hipoxemia moderada
Hipoxemia severa
PaO2/FiO2 ≤ 300 mmHg
≤ 200 mmHg
Lesão pulmonar aguda
SDRA
P(A-a)O2 Ar ambiente
100% O2
Deve ser menor que 4 mmHg para cada 10 anos, caso
contrário, hipoxemia.
A diferença em cada 50 mmHg aproximado 2% shunt.
PaO2/PAO2 FiO2 ≥ 30% > 75% Normal
< 75% Hipoxemia
SDRA: Síndrome do desconforto respiratório agudo.
Hipoventilação. Causa retenção de CO2 (aumento na PaCO2) e acidose respiratória.
Sem O2 suplementar, hipoventilação leva a hipoxemia. Esse tipo de hipoxemia não
deve ser tratado somente com O2 com a condição de base somente pode ser corrigida
pelo melhora na ventilação alveolar.
Desequilíbrio V/Q. Quando a PaO2 está diminuída ou não há nenhuma mudança na
PaCO2, o desequilíbrio V/Q ou shunt intrapulmonar deve ser suspeitado. Hipoxemia
devido ao desequilíbrio V/Q é caracterizado por uma PaCO2 normal ou diminuído, e
esse tipo de hipoxemia responde bem a moderados níveis de O2 suplementar.
Shunt intrapulmonar. Hipoxemia causada por shunt intrapulmonar não responde bem
as altas concentrações de O2 suplementar. Isso ocorre por que o sangue não entra em
contato com o alvéolo ventilado (oxigenado). A PaCO2 é normal ou baixa devido aos
quimiorreceptores que respondem rapidamente a hipoxemia aumentando o volume
minuto. PEEP associado com O2 suplementar é, geralmente, necessário para correção
da hipoxemia.
Defeitos de difusão. Anormalidades na difusão pode causar hipoxemia por três
mecanismos: (1) baixo gradiente de pressão de O2, (2) aumento da espessura alvéolo
capilar ou gradiente de difusão, e (3) diminuição da área de superfície alveolar. Um
baixo gradiente arterio-alveolar geralmente é em decorrência a redução na PO2
alveolar. Oxigênio terapia aumenta o PO2 alveolar e o gradiente arterio-alveolar de O2.
113
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Aumento na espessura alvéolo-capilar ou gradiente de difusão podem ser
vistas em condições tais como pneumonia e edema intersticial. Em casos mais leves,a hipoxemia pode ser revertida pela oxigenioterapia. Diminuição da área de superfície
alveolar pode ser vista no enfisema devido a destruição do tecido pulmonar. Esse tipo
de defeito estrutural não é reversível, mas o problema de difusão pode ser
parcialmente tratado pela oxigenioterapia.
Capnografia
A capnografia é a mensuração da pressão parcial de CO2 na amostra de gás.
Quando a amostra é coletada no final da expiração, ele é chamado de PetCO2 (end-
tidal partial pressure of carbon dioxide). A monitorização da PetCO2 fornece em tempo
real, de forma não invasiva, a análise do CO2 expirado pelo paciente.
O CO2 exalado no circuito do ventilador é coletado e mensurado por técnicas
de absorção de infravermelho. Apresenta boa correlação com a pressão parcial de
CO2 no sangue arterial (PaCO2), sendo mais baixa 1 a 5 mmHg em pacientes normais.
Também é útil na monitorização de pacientes neurológicos e para indicar a adequação
da ventilação alveolar. Também pode ser utilizado para verificação do correto
posicionamento do tubo traqueal após intubação.
Sincronia paciente ventilador
Como já vimos, a ventilação mecânica pode ser instituída em pacientes com ou
sem drive respiratório, utilizando-se modos assistidos, espontâneos ou controlados.
Em modalidades controladas, o sistema respiratório representa uma estrutura passiva,
onde o ventilador é responsável pelo disparo, manutenção e ciclagem do ciclo
respiratório. Enquanto que nos modos assistido e/ou espontâneo, o controle da
respiração está relacionado aos parâmetros do ventilador. Durante a ventilação
mecânica, o sistema respiratório está sob influência de duas bombas: os parâmetros
ajustados e da função dos músculos respiratórios. A interação paciente ventilador é
dada pela harmonia desses dois.
A assincronia ocorre devido a múltiplos fatores (tabela 7), ora relacionados ao
paciente (e.g., fraqueza dos músculos respiratórios, diminuição do drive respiratório,
acidose) e relacionados aos parâmetros do ventilador (e.g., sensibilidade, nível de
pressão de suporte, critérios de ciclagem). A assincronia pode levar a maior
necessidade de sedação, prejuízo na qualidade do sono, aumento do trabalho
respiratório com consequente dano a musculatura respiratória, atraso ou desmame
prolongado, hiperinsuflação dinâmica.
TABELA 7 Fatores que afetam a sincronia paciente-ventilador
Fatores relacionados ao ventilador Fatores relacionados ao paciente
Variáveis de disparo;
Ajuste da sensibilidade;
Tempo de subida;
Formato, modo e ajuste da entrega de fluxo;
Padrão de fluxo selecionado;
Modelo da válvula de exalação;
Como a PEEP é gerada pelo software;
Fluxo estranho (e.g., do nebulizador ou O2
extra).
Nível de sedação: dor, talas;
Esforço inspiratório/drive respiratório;
Patologia do sistema respiratório ou
abdome; secreções;
PEEP intrínseca;
Tamanho e tipo de vias aéreas;
Presença de escapes.
Aristides Oliveira
Tipos de Assincronia
Assincronia de disparo (fase 1)
Esse termo é definido como "esforço muscular sem disparo do ventilador".
Apesar de essa definição descrever o problema quando o esforço não dispara o
ventilador, será discutido alguns problemas adicionais de disparo: disparo duplo, auto
disparo, e disparo insensível (disparo que requer esforço excessivo do paciente).
Assincronia de disparo é apenas um tipo de problema associado com a luta do
paciente com o paciente. Apesar de pensar que o problema do disparo estar
relacionado a sensibilidade, existem outras variáveis que são influenciadas pelo
esforço inspiratório do paciente ou drive respiratório, e a taxa que o ventilador fornece
gás para o circuito (Fig. 21). Essas variáveis incluem (1) o tradicional "pressão de
disparo" ou "sensibilidade da válvula", que pode ser ajustada; (2) a pressão máxima,
que é a pressão mais negativa; (3) o tempo de disparo, que é o tempo transcorrido
entre o esforço e ponto em que a pressão das vias aéreas alcança a pressão basal
máxima; (4) tempo de retorno da pressão de disparo a linha basal; e (5) o atraso do
tempo inspiratório, que é o atraso do tempo total partindo do esforço inicial até a
pressão retornar a linha basal.
Figura 16 Esquema de uma respiração típica. P-T = Pressão de disparo. D-T = Tempo inspiratório
de disparo. D-B = Tempo de retorno da pressão das vias aéreas a zero. D-I = tempo de atraso
inspiratório. Área 1 = Produto da pressão-tempo do disparo. D-E = tempo de atraso expiratório. P-E
= mudança de pressão expiratória supra-platô. Área E= área de pressão expiratória. Copiado de:
Nilsestuen e Hargett, (2005).
A presença de auto-PEEP pode também fazer com que o disparo do ventilador
seja mais difícil para o paciente. Quando a auto-PEEP está presente, o esforço do
paciente pode não ser transmitido para o mecanismo de sensibilidade e o ventilador
não fornece o fluxo de gás inspiratório. Uma vez que a auto-PEEP é uma condição
dinâmica, ela pode estar presente em um ciclo e ausente no próximo.
Assincronia de Fluxo (fase 2)
Esse tipo de assincronia ocorre quando a demanda de fluxo do paciente não é
preenchida pelo ventilador. O tipo e o modo sendo usando frequentemente determina
quanto fluxo está disponível. Ventilações com volume controlado com o fluxo fixo,
115
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
volume controlado com o fluxo variável, e pressão controlada e pressão de suporte
diferem um do outro.
Durante a ventilação com volume controlado, se o fluxo é constante, o fluxo
ajustado pode não ser adequado para a demanda do paciente. Um fluxo inicial de 80
L/min é tipicamente sugerido. Assim, nessas situações a melhor forma de determinar
se o fluxo adequado está sendo utilizado é avaliando a escala pressão-tempo. Quando
a curva de pressão parece alterar de um ciclo para o outro, o paciente está ativamente
respirando. A aparência côncava na curva de pressão inspiratória durante a ventilação
por volume controlado indica inspiração ativa (Fig. 23).
Figura 23 O gráfico superior mostra a curva fluxo-tempo para um fluxo constante, ventilação a
volume. O gráfico do meio representa a curva pressão-tempo mensurado nas vias aéreas
superiores. O gráfico inferior é a curva pressão-tempo por pressão esofágica. O ciclo a é um ciclo
controlado sem esforço do paciente. No ciclo b o paciente dispara com fluxo adequado. A linha
pontilhada mimetiza um ciclo respiratório passivo como visto em a. O ciclo c é disparado pelo
paciente com fluxo inadequado (linha sólida). A área sobreada mostra como a curva (linha
pontilhada) deveria parecer com a respiração controlada. Adaptado de Cairo, (2012).
Se o fluxo varia com o esforço do paciente, a curva pressão-tempo irá mostrar
uma ligeira queda na pressão durante a inspiração e a curva de fluxo-tempo um
aumento no fluxo para acomodar o esforço do paciente. Durante a ventilação com
disparo a pressão, tal como PSV, o ventilador rapidamente fornece alto fluxo para
alcançar e manter a pressão ajustada. Tão logo a pressão ajustada seja adequada, o
fluxo para o paciente será adequado. Por outro lado, o fluxo no início da inspiração
durante a ventilação controlada a pressão pode ser excessivo para o paciente. Um
tempo de subida pequeno ou slope pode ser benéfico para esses tipos de pacientes
(Fig. 24).
Aristides Oliveira
Figura 24 Imagem da esquerda mostra a pressão das vias aéreas sob o tempo e a imagem da
direita mostra o fluxo sob o tempo e a imagem da direita mostra o fluxo sob o tempo. A
curva ilustra a mudança de pressão e fluxo em diferentes tempos de subida ajustados. O
tempo de subida rápido (a) também tem fluxo mais rápido (a). Em geral, a sincronia é
ótima quando a forma de onda da pressão tem uma configuração quadrada lisa (curva
b). Usar muito slope pode resultar em assincronia (curva d). Adaptada de: Cairo, (2012).
Assincroniade ciclagem (fase 3)
Os dois primeiros tipos de assincronia estão associados com o ciclo
inspiratório. Os restantes estão associados com o ciclo expiratório. Esses incluem
término precoce ou atrasado do final do ciclo (ciclagem). Esse tipo de assincronia
ocorre quando o esforço inspiratório do paciente permanece após a ciclagem
(ciclagem prematura). O problema oposto também pode acontecer e é denominado
atraso de ciclagem: ocorre quando o paciente está expirando enquanto que o
ventilador está enviando o ciclo inspiratório. O tempo inspiratório geralmente é
ajustado pelo profissional usando um controle de tempo inspiratório ou baseando-se
nos ajustes de FR, fluxo, e volume. Esse tipo de assincronia ocorre frequentemente
quando o Tins é muito longo. Aumentar o fluxo durante a ventilação controlada a
volume encurta o Tins ou diminuir o ajuste de Tins em volume controlado ou pressão
controlada pode ajudar.
Na respiração espontânea, atraso de ciclagem é marcada pela falta de esforço
do paciente antecedendo o final da inspiração assistida pelo ventilador ou pelo
paciente expirando ativamente durante a inspiração assistida pelo ventilador. Atraso
de ciclagem pode ser resultado de tempo expiratório insuficiente e/ou grande VT,
resultando em aprisionamento de ar, e subsequente ineficiência de disparo.
Atraso de ciclagem. O atraso na ciclagem é evidenciado por um pico de pressão no
final da respiração e diminuição rápida no fluxo, que pode ser causar subsequente
falha na tentativa de disparo (Fig. 25). A expiração ativa pode ser observada pelo
exame e palpação do abdome do paciente.
Pressão
das vias
aéreas
Fluxo
117
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Figura 25 (ciclagem prematura) Esse paciente está sendo ventilado com volume controlado
contínua mandatória. O pico de pressão difere. A respiração marca pelas setas A mostra o pico no
final da inspiração, sugerindo que o paciente não mais está inspirando. Note que o ciclo marcado
pela seta B não é disparada pelo paciente e o pico de pressão que ocorre no inicio da inspiração; a
pressão gerada pelo os músculos inspiratório do paciente "puxa para baixo" a curva de pressão, e
o ventilador está forçando a entrada de gás mais rápido do que o paciente está "puxando,"
resultando em um pico de pressão nas vias aéreas precocemente no ciclo inspiratório. Há também
um esforço não efetivo (seta T). Adaptado de: de Wit, (2011).
Ciclagem prematura. Esse tipo de assincronia pode ser identificado pela curva de
pressão-tempo, que irá mostrar uma concavidade após o término (indicando esforço
contínuo do paciente para disparar) e na curva de fluxo-tempo, que irá mostrar alto e
prolongado fluxo durante a respiração, seguido por rápida desaceleração e um padrão
convexo no fluxo expiratório na curva fluxo-tempo, que indica esforço contínuo de
disparo (Fig. 26).
Figura 26 (atraso de ciclagem) O paciente está sendo ventilado com dois tipos de ciclo
respiratório. No ciclo com alto pico de pressão, alto pico de fluxo, e grande volume corrente, o
fluxo retorna a zero na metade da inspiração mecânica.O paciente para a inspiração, mas o
ventilador continua enviando pressão. O equilíbrio da pressão é alcançado (seta A) e nenhum
fluxo é enviado. Esse paciente está sendo ventilado com SIMV e PS. A PEEP é 10 cmH2O. O ciclo
mandatório (seta A) é pressão controlada (28 cmH2O enviado a 1,70 s), resultando em um pico de
pressão de 38 cmH2O. A PS (10 cmH2O) tem sensibilidade de ciclagem de 25%. A PEEP é 10
cmH2O. Adaptado de: de Wit, (2011).
Aristides Oliveira
Assincronia expiratória (fase 4)
A assincronia expiratória é um fenômeno comum durante todos os modos de
ventilação mecânica assistida. Como visto acima, assincronia expiratória ocorre
quando o final da inspiração mecânica precede ou segue o final da inspiração neural.
Um Texp curto tem maiores complicações clínicas devido ao risco de causar auto-
PEEP. Enquanto que o Texp prolongado é de pequenas consequências, a menos que o
Texp seja tão longo a ponto de causar hipoventilação. A assincronia expiratória pode
ocorrer em condições em que haja um atraso no relaxamento dos músculos
expiratórios antes da próxima inspiração ou sobreposição entre a atividade muscular
expiratória e inspiratória.
O tempo expiratório curto cria um potencial aprisionamento de ar e auto-PEEP,
que pode causar assincronia de disparo devido ao esforço adicional necessário para
puxar além da auto-PEEP para alcançar o limiar de disparo. A respiração anterior a
falha de disparo tipicamente tem tempo inspiratório longo e expiratório curto, e está
associado com auto-PEEP.
Cuidados durante a ventilação mecânica
Prevenção de Pneumonia associada à VM
Pneumonia associada à ventilação (PAV) é definida como pneumonia que
ocorre 48 a 72 horas seguidas à intubação orotraqueal, caracterizado pela presença
de novos ou progressivos infiltrados, sinais de infecção sistêmica (febre, contagem de
células brancas alteradas), mudança nas características das secreções (i.e., catarro) e
a detecção do agente causador. A PAV contribui com aproximadamente metade das
causas de pneumonia adquirida no hospital, estima-se que a PAV ocorre em 9-27% de
todos os pacientes em ventilação. O risco de PAV é maior durante os cinco primeiros
dias de ventilação mecânica, com média de duração entre a intubação e o
desenvolvimento de 3.3 dias. Esse risco diminui 2%/dia entre os dias 5 e 10 de
ventilação e 1% nos dias subsequentes. A mortalidade por PAV é de 9-13%, mas essa
taxa é variável e depende da doença de base.
Até o momento, não há padrão ouro para o diagnóstico de PAV. Avaliação
diária em conjunto com a radiografia de tórax somente pode sugerir a presença ou
ausência de PAV, mas não define. O Guideline28 da American Thoracic Society (ATS)
e Infectious Diseases Society of America (IDSA) recomenda obter amostras do trato
respiratório inferior para cultura e microbiologia. Os critérios clínicos para diagnóstico
da PAV são: CPIS (The Clinical Pulmonary Infection Score) que leva em conta
evidências clínicas, fisiológica, microbiológica e radiográfica que permite através de
um valor numérico predizer a presença ou ausência de PAV. Esse score varia de 0 a
12 com o escore ≥ 6 mostra boa correlação com a presença de PAV.
Prevenção
Existem varias medidas que são recomendadas para a prevenção de PAV.
Essas medidas estão resumidas na tabela 8. As UTI podem observar redução nas
taxas de PAV utilizando a abordagem "bundle-PAV" ou pacotes de prevenção de PAV.
No trabalho realizado por (3), o bundle incluiu: higiene oral com clorexidina 0,12%,
elevação da cabeceira entre 30-45º, pressão do cuff entre 20-30 cmH2O e cuidados
119
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
com aspiração de secreções. Cada um desses elementos demonstrou reduzir a
incidência de PAV, entretanto é importante que todas às estratégias escolhidas para
compor o Bundle sejam realizadas de forma "tudo ou nada" para que dessa forma
sejam obtidos resultados significativos.
TABELA 8
Medidas sugeridas para prevenção de pneumonia associada a
ventilação (PAV): Medidas focadas na UTI
Política de higiene das mãos com álcool
antes e após o contato com o paciente.
Descontinuar precocemente instrumentos
invasivos
Reduzir taxas de reintubações
Uso de sonda orogástrica vs nasogástrico
Cabeceira elevada (30-45º)
Pressão do cuff ≈20 cmH2O
Traqueostomia precoce
Adaptado de: Kalanuria, Zai e Mirski, (2014).
Prevenção de estenose traqueal
Lesão iatrogênica das vias aéreas após a traqueostomia e a intubação
endotraqueal continua a ser um sério problema. Os tubos endotraqueais causa lesão
cutaneomucosa por pressão nas vias aéreas superiores e inferiores. Essas
complicações das vias aéreas secundárias à intubação endotraqueal sãofrequentes,
embora tenham diminuído significativamente nos últimos anos.
Devido a configuração da glote em "V", as principais lesões ocorrem na porção
posterior da laringe, nos processos vocais, onde a sonda encontra-se em íntimo
contato com a mucosa. Na fisiopatologia dessas lesões, a isquemia da mucosa é o
denominador comum, particularmente pelo uso de tubos traqueais de maior diâmetro e
pela elevada pressão do cuff. Os fatores de risco para as complicações pós-intubação
são de três tipos: fatores relacionados ao paciente (e.g., idade, tabagismo), condições
técnicas (e.g., intubação prolongada, tamanho do tubo, agitação do paciente, mau
posicionamento) e finalmente fatores relacionados ao profissional (e.g., a falta de
experiência e a dificuldade de colocação do tubo orotraqueal no lugar apropriado).
As medidas profiláticas para evitar sequelas laringotraqueais à intubação é o
controle da pressão do balonete três vezes ao dia, pode contribuir para prevenir lesões
isquêmicas e o desenvolvimento de estenose traqueal. A pressão do balonete de alto
volume e baixa pressão deve permanecer abaixo de 30 mmHg, para prevenir lesões
isquêmicas e consequente estenose traqueal.
Prevenção de extubação acidental
A necessidade de garantir a patência e fornecer o suporte ventilatório requer o
uso da intubação endotraqueal largamente utilizado entre os pacientes críticos. Como
a intubação prolongada predispõem a complicações, principalmente infecções
respiratórias, o tubo endotraqueal é eletivamente removido tão logo seja indicado.
Entretanto, a extubação pode algumas vezes ocorrer prematuramente de forma não
programada, antes que o paciente esteja apto a manter a adequada ventilação.
A extubação não planejada incluem dois tipos distintos, auto extubação que
refere ao paciente ativamente retira o tubo, a razão para auto extubação incluem
desconforto ou dor causada pela via aérea artificial, e ansiedade devido a inabilidade
do paciente para conversar ou respirar por si. A extubação acidental, segundo tipo, é
atribuída a ambas, manipulação inapropriada durante os cuidados com o paciente ou
ação não proposital do paciente, e.g., tosse. Esses dois tipos pode diferir
Aristides Oliveira
significativamente em termos de incidência, fatores de risco, e efeitos no desfecho do
paciente.
No estudo realizado por Kiekkas, et al., (2013), que avaliou 34 estudos,
descreve a incidência de 0,5% a 14,2%, sendo que a maioria dos casos correspondem
a auto extubação, que varia entre 68% a 95.1% do total. Nesse mesmo estudo, os
fatores de risco associados ao paciente foram agitação, mais comum com significante
alto risco de extubação não planejada, além da agitação, o nível de consciência é
outro fator, sendo mais elevado nos pacientes com Glasgow de 9-15, sexo masculino,
extubação prévia, e eventos adversos hospitalares tais como reação adversa a
medicação ou hemorragia. Ainda mais, a alta incidência de extubação não planejada
pode possivelmente refletir a longa duração da intubação e o processo de desmame.
Cuidados de enfermagem. Os riscos associados aos cuidados de enfermagem são:
manutenção da patência do tubo, fixação e posicionamento, higiene oral rotineira,
mudança de posicionamento do paciente e transporte do paciente pode ser
geralmente associado com extubação acidental. Por outro lado, aumento dos
profissionais de enfermagem está associado com menores riscos de extubação.
No que diz respeito aos eventos diários, a extubação acidental é predominante
durante a troca de plantões, durante a manhã, devido ao aumento das atividades de
cuidado. Por outro lado, à auto extubação é significativamente mais elevada durante a
troca de plantão noturno. Uma explicação para isso pode estar relacionado ao alto
risco de delirium durante a noite.
Restrição física. Auto extubação é a razão primária para o uso dessa estratégia, por
outro lado, a restrição pode evocar ou piorar a agitação e delirium nesses pacientes,
assim resultando no aumento do risco de auto extubação. É importante lembrar que, a
restrição do pulso pode ser seguido por efeitos fisiológicos e psicológicos adversos,
principalmente hipertensão, taquicardia, déficit de circulação, lesão nervosa, úlceras
de pressão.
Sedação e desmame. A maior indicação para a sedação é aumentar a tolerância do
paciente a ventilação e ao tubo consequentemente. Dessa forma, maior incidência
ocorre em pacientes com menores níveis de sedação, por outro lado, sedação
excessiva ou prolongada pode ser seguida por depressão do sistema cardiovascular,
ventilação mecânica prolongada, PAV. A maioria da auto extubação ocorre durante o
processo de desmame refletindo o efeito da progressiva diminuição da sedação.
Fixação e rota do tubo. A estabilização do tubo é necessária para manter-se no local.
Um número diverso de materiais tem sido utilizado para manter o tubo no local e.g.,
cadarços e fitas adesivas. A falta de um fixador forte está associada com o aumento
da incidência de extubação acidental. Os casos de extubação durante os cuidados
com o paciente estão mais relacionado com a rota oral.
Consequências da extubação não planejada. A extubação com o cuff inflado pode
lesar a laringe seguido por complicações hemodinâmicas ou nas vias aéreas, incluindo
hipotensão, arritmias, broncoespasmo, aspiração e edema de laringe. A extubação
não planejada está associada com aumento significativo de PAV.
121
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Minimizar lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica
A proposta da ventilação mecânica é dar descaço a musculatura respiratória
enquanto fornece adequada troca gasosa. O suporte ventilatório provou ser
indispensável durante a epidemia de pólio em 1952 em Copenhague, diminuindo a
mortalidade de 80% para 40%. Além dos claros benefícios dessa terapia, muitos
pacientes eventualmente morreram após o início da ventilação mecânica, mesmo
quando suas gasometrias estavam normalizadas. Essa mortalidade foi atribuída a
múltiplos fatores, incluindo complicação com a ventilação tais como barotrauma,
toxicidade por oxigênio, e comprometimento hemodinâmico. Mas recentemente, o
dano causado pela ventilação mecânica é caracterizado patologicamente por
infiltrados de células inflamatórias, formação de membrana hialina, aumento da
permeabilidade vascular, e edema pulmonar. Essa constelação de consequências
pulmonares da ventilação mecânica foi denominada de lesão pulmonar induzida pela
ventilação (LPIV) ou VILI (Ventilator-induced lung injury).
Características patofisiológicas
Pressão nos pulmões. Como já descrito, para inflamar os pulmões é necessária uma
pressão para sobrepor a resistência das vias aéreas, a inércia (pressão necessária
para acelerar os gases), e das propriedades elásticas do pulmão e caixa torácica. Ao
final da inspiração, fluxo zero, a pressão transpulmonar (Palveolar - Ppleural) é a principal
força que mantem o pulmão inflado, assim a pressão transpulmonar e o volume são
intrinsecamente relacionados. A distensão regional pulmonar (i.e., heterogênea ou
homogênea) é o fator chave na geração da LPIV/VILI. A pressão alveolar é facilmente
estimada como a pressão alveolar durante o fluxo zero, a pressão durante a pausa no
final da inspiração é chamada de pressão de platô (Ppla). Se o paciente não está
realizando esforço inspiratório, a Ppla representa a pressão para distender o pulmão e
a caixa torácica. Durante a inspiração, o aumento do tamanho em pulmões doentes se
dá de forma heterogênea, essa expansão heterogênea leva à concentrações regionais
de forças nos pulmões, ou estresses (força por unidade de área) e deformação (strain
em inglês) que é o estiramento causado por uma tensão em relação ao seu
comprimento no estado de relaxamento.
Forças Físicas
Ventilação a altos volumes. A LPIV/VILI pode ocorrer devidoa altos volumes
(absolutos) pulmonares levando a ruptura alveolar, vazamento de ar, e barotrauma
grosseiro (e.g., pneumotórax, pneumomediastino e enfisema subcutâneo). A lesão
mais sutil pode se manifestar como edema pulmonar que pode ocorrer como resultado
da hiperdistensão pulmonar. Alguns experimentos animais tem mostrado que volume e
não pressão das vias aéreas é o fator mais importante na determinação da lesão (i.e.,
volutrauma).
Ventilação a baixos volumes. A ventilação que ocorre a baixos volumes pulmonares
(absolutos) também pode causar lesão através de múltiplos mecanismos, incluindo
abertura cíclica das vias aéreas e unidades pulmonares, efeitos na função do
surfactante, e hipóxia regional. Esse tipo de lesão é caracterizado por descamação
epitelial, membrana hialina, e edema pulmonar, é denominado como atelectrauma. O
atelectrauma é amplificado em pulmões que são ventilados heterogeneamente.
Aristides Oliveira
Forças biológicas. As forças físicas descritas acima podem causar liberação de
vários mediadores intracelulares ambos direto (por lesão das células) ou indireto (por
traduzir essas forças na ativação da cascata de ativação celular no epitélio, endotélio
ou células inflamatórias). Alguns mediadores podem lesar diretamente as células
enquanto outros podem, indiretamente, iniciar estágios para subsequente
desenvolvimento de fibrose pulmonar. Adicionalmente alguns mediadores podem agir
como orientador "sinalizador" para recrutamento celular (e.g., neutrófilos) para o
pulmão. Esse processo é chamado de biotrauma. O deslocamento de mediadores,
bactérias, ou lipopolissacarídeos do espaço aéreo para a circulação sistêmica pode
ocorre nos pulmões que apresentam aumento da permeabilidade alvéolo-capilar.
Tratamento clínico
Estratégias ventilatórias. Várias estratégias são utilizadas para minimizar a lesão
pulmonar: baixo volume corrente (máximo de 7 mL/kg de peso ideal) para limitar a
hiperdistensão, PEEP elevadas para prevenir lesão por baixo volume (atelectrauma), e
manobras de recrutamento (i.e., procedimento realizados para reinflar áreas
colapsadas) que envolve manter a aplicação de pressão nas vias aéreas de mais que
aproximadamente 35 cmH2O.
Em pacientes com SDRA frequentemente apresenta regiões não aeradas (i.e.,
colapsadas) e relativas aerada. Devido ao pequeno volume disponível para ventilação,
essa condição é definida como "baby lung". Isto implica no baixo volume que deve ser
usado para prevenir distensão das, relativamente pequenas, regiões que são
normalmente aeradas.
PEEP elevada e manobras de recrutamento são utilizadas devido às várias
formas de insuficiência respiratória, edema pulmonar e alvéolo colapsado no final da
expiração. A PEEP baixa pode não ser o suficiente para manter a estabilidade alveolar
e mantê-los abertos, dessa forma aumentando a probabilidade de LPIV por
atelectrauma. Contraditoriamente, PEEP elevada tem potenciais efeitos adversos,
incluindo diminuição do retorno venoso e hiperdistensão pulmonar.
Intervenção farmacológica (e.g., surfactante, óxido nítrico, β2-agonista) não mostra
eficácia para reduzir a mortalidade. O racional por traz do uso de relaxante
neuromuscular é devido à extrema dispneia em pacientes com ARDS que
frequentemente "luta com o ventilador", isso pode agravar a LPIV, dessa forma o
bloqueio neuromuscular garante a sincronia paciente-ventilador e facilita a limitação do
volume corrente e pressão.
123
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Ventilação mecânica em situações específicas
Ventilação Mecânica na Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo
A síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) ou síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA) é definida, de acordo com a conferência de consenso
Europeia-Americana, como uma síndrome de insuficiência respiratória de instalação
aguda, caracterizada por infiltrado pulmonar bilateral à radiografia de tórax, compatível
com edema pulmonar; hipoxemia grave, PaO2/FIO2≤200, um valor entre 200 e 300
(independente da PEEP aplicada) define a lesão pulmonar aguda (LPA), ausência de
aumento na pressão de oclusão da artéria pulmonar. A diferença entre ALI e
SDRA/SARA é quanto a severidade do processo patológico.
Fisiopatologia
A dinâmica dos fluídos dentro do pulmão é governada pela equação de
Starling. O movimento de fluído entre o interstício e o capilar pulmonar é determinado
pela resultante de duas forças opostas, pressão hidrostática e pressão oncótica. O
desequilíbrio dessas forças resulta em transdução de fluído do interstício para dentro
dos alvéolos. Esse fluído dentro do alvéolo pode causar comprometimento da troca
gasosa. Na SDRA, devido a perda da integridade da membrana alvéolo-capilar, A
presença de fluído com proteínas diminui o gradiente de pressão oncótica, quando
isso ocorre, o alvéolo se enche e os vasos linfáticos não são capazes de removê-los.
A membrana hialina, detritos e fluído proteico enchem os espaços aéreos,
comprometendo severamente a troca gasosa. A mudança no estado fibrinolítico do
pulmão para pro-coagulante leva a formação da membrana hialina.
Assim, grandes áreas pulmonares formam atelectasias e pobremente ventilada.
Devido à atelectasia as unidades pulmonares resistem a espação, e a complacência
total do pulmão diminui que origina o termo "baby lung", por fim a pressão das vias
aéreas se eleva danosamente ou ocorre hiperdistensão alveolar.
Presumidamente, por causa da hipoxemia bem como a compressão vascular
direta pelo aumento da pressão intratorácica que a ventilação mecânica produz, a
hipertensão da artéria pulmonar ocorre com frequência.
Estratégias ventilatórias
Modo ventilatório. Ambos os modos controlados, limitados a volume e pressão são
aceitáveis. Devido ao controle da pressão das vias aéreas serem um desafio na
SDRA, o modo limitado à pressão é preferido entre os clínicos. Como a mecânica
pulmonar não, geralmente, muda rapidamente na SDRA, seja controlado a volume ou
a pressão é igualmente apropriada, sendo a escolha baseada na familiaridade do
modo pelo operador. Assim, para Amato et al.37, recomenda-se a utilização da pressão
controlada apenas em virtude da lógica de seu funcionamento, que é muito mais
afinada com os conceitos de proteção pulmonar: prioriza-se o controle das pressões
inspiratórias, em detrimento do volume-minuto.
Volume corrente e pressão nas vias aéreas. Os pulmões são funcionalmente
menores na SDRA, e baixo volumes são utilizado com objetivo de evitar
hiperdistensão, barotrauma, e hipotensão. Altos volumes correntes, associados a altas
Aristides Oliveira
pressões de platô (representando a pressão alveolar), devem ser evitados em
pacientes com SARA. Volume corrente baixo (≤6 mL/kg de peso corporal predito) e
manutenção da pressão de platô ≤30 cmH2O são recomendados.
Frequência respiratória. A FR é frequentemente alta na respiração espontânea em
paciente com SARA; isso ocorre em resposta a necessidade de preservar um volume
minuto em face do restrito volume corrente oferecida pelo pulmão restrito. Com a
adoção do volume corrente baixo, a FR deve ser necessária alta o suficiente para
evitar acúmulo de PaCO2.
Forma da onda de fluxo. Aumento na FR diminui o ciclo respiratório. o Texp torna-se
proporcionalmente mais curto, podendo levar a auto-PEEP. Aumento no fluxo
inspiratório permite a entrega do volume corrente ajustado com Tins curto permitindo
mais Texp. é recomendando que, na ventilação controlada a volume, utilize-se a forma
de onda desacelerada, o fluxo inspiratório diminui com concomitante redução nas
pressões das vias aéreas.
PEEP. Recomenda-se que sempre se use PEEP em pacientes com LPA/SARA, para
diminuir o potencial de lesão pulmonar associada ao uso de concentrações tóxicas de
oxigênio inspirado e para evitar o colapsopulmonar ao final da expiração. Ainda é
contraditório os valores de PEEP a ser utilizados nesses pacientes ("alta" 15 cmH2O
ou baixa 8 cmH2O).
Hipercapnia permissiva. A aplicação de baixos volumes corrente frequentemente
significa aceitar um grau de hipercapnia. Permitir que o PaCO2 se eleve acima do
normal, pode ser tolerada em pacientes com LPA, se necessário para diminuir a
pressão de platô e o volume corrente. Elevações aguda no PaCO2 pode levar a
acidemia severa, arritmias cardíaca, e lesão neurológica severa. Não se tem
estabelecido limite superior para a PaCO2, existindo algumas recomendações não
validadas de se manter o pH > 7,20-7,25.
Manobras de recrutamento alveolar. Como mencionada acima, o pulmão com
SDRA é caracterizado por pequenas regiões aeradas, chamada baby lung. As
manobras de recrutamento são frequentemente realizadas para aumentar o volume de
regiões aeradas, dessa forma, melhorando a troca gasosa. A evidência para a
aplicação de manobras de recrutamento a pacientes com LPA/SARA é ainda exígua:
breves períodos de elevado CPAP parecem ineficazes em produzir melhora
sustentada na oxigenação. Por outro lado, breves períodos de CPAP (≈40 cmH2O) ou
pressões inspiratórias elevadas (até 50-60 cmH2O) seguidas de elevação da PEEP, ou
uso de posição prona, podem ser eficazes em sustentar a oxigenação arterial.
Fração inspirada de oxigênio (FIO2). Os objetivos da oxigenioterapia incluem manter
a PaO2 ≥60mmHg e/ou SpO2 ≥ 90%. Na obtenção desses objetivos, a FIO2 deve ser
mantida abaixo de 60%, sempre que possível. Apesar de não estar bem definido o
limite superior de FIO2 aceitáveis, valores elevados acarreta o risco de atelectasia de
absorção e de toxicidade por oxigênio.
Posição prona. A posição prona deve ser considerada em pacientes necessitando de
elevados valores de PEEP e FIO2 para manter adequada SpO2 (e.g., PEEP> 10cmH2O
a uma FIO2 ≥ 60% para manter SpO2 ≥90%) ou pacientes com LPA/SDRA grave
125
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
(complacência estática do sistema respiratório < 40 mL/cmH2O), a menos que o
paciente seja de alto risco para consequência adversas da mudança postural ou esteja
melhorando rapidamente.
Ventilação Mecânica no Paciente Neurológico
Existem 4 componentes que podem contribuir para a ocorrência de
insuficiência respiratório e necessidade de ventilação mecânica. Primeiro,
comprometimento das vias aéreas devido a fraqueza dos músculos facial, orofaríngeo,
faríngeo, e laríngeo que pode interferir na deglutição e limpeza (clearance) das
secreções, colocando o paciente em risco de aspiração. Adicionalmente, a fraqueza
desses músculos pode resultar em obstrução. Segundo, fraqueza dos músculos
inspiratórios (i.e., diafragma, intercostais e músculos acessórios) resultando em
espação pulmonar inadequada, com microatelectasia, levando ao desequilíbrio V/Q, e
consequente hipoxemia. Taquipneia compensatória, com pequeno VT, exacerba a
atelectasia, com redução da complacência do sistema respiratório e aumenta a carga
mecânica dos já fracos músculos respiratórios. Terceiro, fraqueza dos músculos
expiratório, leva a incapacidade e/ou redução da capacidade de tosse e limpeza das
secreções, aumentando o risco de pneumonia e aspiração. Finalmente, complicação
aguda da doença, tal como pneumonia ou embolismo pulmonar, pode aumentar ainda
mais a demanda ventilatória do sistema respiratório já insuficiente.
As condições comuns que causa disfunção neuromuscular são Síndrome de
Guillain-Barré, esclerose lateral amiotrófica (ELA), miastenia gravis, distrofia muscular
de Duchnne (DMD), a tabela 9 classifica a lesões de acordo com a topografia. Uma
vez que os pulmões estão essencialmente normais, o mecanismo de troca gasosa não
é afetado. Nessa situação ocorre insuficiência respiratória tipo dois, com a queda na
PaO2 sendo combinada com aumento na PaCO2. A diferença arterio-alveolar de O2
(D(A-a)O2) é normal a menos que ocorra significante atelectasia.
TABELA 9 Condições neurológicas de acordo com a topografia
Topografia Exemplos
Medula espinhal Mielite transversa, Trauma, Compressão extrínseca.
Neurônio motor Esclerose lateral amiotrófica, Poliomielite.
Nervos periféricos Polirradiculoneurite aguda, Polineuropatia do doente crítico.
Junção neuromuscular Miastenia Gravis, Botulismo, Intoxicação por organofosforados.
Músculos Distrofias musculares, Miopatia, Miosite.
Avaliação clínica
O critério absoluto para intubação inclue comprometimento do nível de
consciência, para cardíaca ou respiratória, choque, arritimias, alterações da
gasometria arterial, e disfunção bulbar com aspiração confirmada. A decisão para
intubação é muito mais desafiadora para aqueles que não se enquadram nos critérios
absolutos. A tabela 10 fornece os dados para avaliação.
Aristides Oliveira
TABELA 10 Sinais e sintomas de insuficiencia respiratória e a necessidade de
intubação endotraqueal.
Sinais gerais de alerta Aumento generalizado de fraqueza, disfagia, disfonia, dispneia ao
exercício ou no repouso.
Avaliacão subjetiva Respiracão rápida e superficial, taquicardia, tosse fraca,
alterações na fala, uso de musculatura acessoria, respiração
abdominal paradóxica, ortopneia, fraqueza de trapézio e músculos
do pescoço, tosse após deglutição.
Avaliacão objetiva Capacidade vital < 15 mL/Kg, capacidade vital < 1L, ou queda de
50% na capacidade vital.
Pressão inspiratória máxima > -30 cmH2O
Pressão expiratória máxima < 40 cmH2O
Dessaturacão noturna.
Adaptado de: (4)
Lesão da medular
O diafragma é o principal músculo da inspiração; ele é inervado pelo nervo
frénico (C3-C5). A lesão ao nível cervical acima do nível de C3 resulta em imediata
cessação da respiração. Sendo necessário suporte ventilatório, Embora a função
muscular possa eventualmente retornar se a lesão for incompleta. Com lesões entre
C3 e C5, urgente, e provavelmente crônico, suporte ventilatório é necessário também,
devido a completa paralisia de ambos os nervos frênico e intercostal. Entre C6 e C8, os
pacientes geralmente exibem função normal dos músculos diafragma e intercostais. A
tabela 11 ilustra os comprometimentos respiratórios relacionados com o nível de lesão.
TABELA 11
Comprometimento respiratório correlacionado com o nível da lesão
espinhal
Nível Comprometimento
Acima de C3 Completa ausência de ventilação: necessidade de suporte
ventilatório
Alta incidência de problemas pulmonares (pneumonia, atelectasia)
C3-C5 Necessidade de ventilação mecânica inicialmente
Tardio, a recuperação permite respiração não assistida.
Alguns pacientes progridem para insuficiência respiratória crônica
tipo 2 após muitos anos.
C6-C8 Há, geralmente, função normal dos músculos respiratório,
diafragma e acessórios.
Ventilação mecânica é necessária se a lesão espinhal se extender
para cima através de C5 devido à hemorragia ou edema.
Coluna torácica Reflexo de tosse e mecânica pulmonar relativamente preservada.
Relativa baixa incidência de infecções pulmonares.
Ajustes ventilatórios iniciais. A mecânica pulmonar pode ser considerada mais ou
menos normal. Assim a limitação para o uso de altos volumes correntes não se aplica
aqui, por essa mesma razão, esses pacientes são menos propensos a desenvolver
barotrauma. Dessa forma há a preferencia por altos volumes correntes (12-20 mL/Kg
de peso predito), esse VT vai em oposição as estratégias ventilatórias protetoras. Altos
volumes são benéficos para estabilização da ventilação nesses pacientes. O pico de
pressão nas vias aéreas raramente ultrapassa 30 cmH2O devido a flacidez muscular
desses indivíduos com lesão medular sem SDRA. Baixos volumes podem resultar em
atelectasias, rolhas, e diminuição na produção de surfactante. Pouca expansão
pulmonar resulta em troca gasosa inadequada levando a atelectasia.A FR pode ser
127
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
ajustada inicial de 8 a 10 ipm, e o modo ventilatório controlado a volume. A PaCO2
deve ser objetivada dentro da faixa normal de 35 a 45 mmHg Wong, Shem e Crew,
(2012). O uso de PEEP não é recomendado por não haver evidências que comprovem
a efetividade de PEEP no tratamento de atelectasias na lesão medular aguda Berlly e
Shem, (2007).
Guillain-Barré na crise miastênica
Entre 25 e 50% dos pacientes com síndrome de Guillain-Barré (SGB), e 15-
27% dos pacientes com miastenia gravis, necessitam de intubação e ventilação
mecânica. A duração média da ventilação mecânica é de 18-29 dias na Guillain-Barré.
Em pacientes com miastenia gravis, a média de duração é de 18 dias, com 25% de
extubação no dia 7, 50% no dia 13 e 75% no dia 31. Os pacientes com SGB devem
ser avaliados com medidas de PImax, PEmax, e capacidade vital, nestes pacientes,
devem ser intubados de acordo com a avaliação objetiva da tabela 10.
Ventilação mecânica. Em geral, a ventilação não invasiva (VNI) é inapropriada em
pacientes com SGB ou crise miastênica a menos que a função das vias aéreas esteja
relativamente preservada. O objetivo inicial da ventilação mecânica é promover
descanso e expansão pulmonar. Adequada pressão e volume são usado para reservar
e limitar colapso alveolar progressivo e atelectasia. O volume corrente é de 8 a 10
mL/Kg (podendo chegar até ≈15 mL/Kg) combinado com baixas frequência respiratória
9 a 10 ipm para manter o volume minuto normal de 6 a 10 litros e PaCO2 em torno de
40 mmHg. O níveis de PEEP é mantido em torno de 5 a 10 cmH2O com pressão de
platô abaixo de 35 cmH2O Yavagal e Mayer, (2002).
Ventilação Mecânica na DPOC
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é um espectro de doença que
incluem bronquite e enfisema. Os pacientes com obstrução das vias aéreas apresenta
aumento da resistência das vias aéreas, o estreitamento das vias aéreas impede o
fluxo de ar assim o tempo disponível para a expiração é insuficiente para "esvaziar" os
pulmões. Isso leva a hiperinsuflação dinâmica (HD) e aprisionamento de ar dentro dos
pulmões. A HD pode por si levar a distensão alveolar e barotrauma, e pode dificultar o
retorno venoso. A tabela 12 apresentam os danos ao sistema respiratório na DPOC.
A variedade de fatores clínicos são considerados por influenciar a história
natural da doença e prognóstico do paciente com DPOC. Esses fatores incluem entre
outros, obstrução das vias aéreas (VEF1 - volume expiratório forçado no primeiro
segundo), peso (IMC - índice de massa corporal), hipercapnia crônica e frequência de
exacerbação aguda.
Exacerbação aguda manifesta com gradual piora dos sintomas respiratórios
(e.g., dispnéia, aumento da produção de secreções e purulência das secreções), que
leva ao aumento do esforço respiratório e insuficiência respiratória algumas vezes
necessitando de admissão na UTI e suporte ventilatório. Pacientes com frequente
exacerbação tem rápido e grande declínio na VEF1, redução na sua atividade de vida
diária e aumento da mortalidade.
Aristides Oliveira
TABELA 12 Comprometimento respiratório na DPOC
Aumento da carga respiratória Diminuição da eficiência muscular
Aumento da carga resistiva (diminuição do
diâmetro do lúmen da via aérea)
Hipertrofia e espasmo do músculo liso
brônquico.
Inflamação e edema da mucosa
Aumento da secreção das vias aéreas
Aumento da possibilidade de colapso da
cartilagem bronquial degenerada
Perda da ancoragem da parede
brônquica que envolve o parênquima
pulmonar
Aumento da carga elástica
Hiperinsuflação dinâmica resulta da
diminuição na complacência.
Diminuição da curvatura diafragmática:
As forças de contração são direcionadas
medialmente mais que para baixo.
Diminuição da zona de aposição com a
parede torácica
Encurtamento da fibra diafragmática:
relação comprimento-tensão sub-ótima se
traduz em diminuição da força de
contração.
Infiltrado inflamatório no sarcômero
diafragmático
Possível diminuição de suprimento
sanguíneo para o diafragma
Decisão para intubação e características clínicas dos pacientes admitido na UTI
A exacerbação aguda é a principal razão para admissão na UTI. Durante a
exacerbação, o paciente tem aumento do esforço respiratório, que algumas vezes leva
a fadiga dos músculos respiratórios e finalmente insuficiência respiratória necessitando
de ventilação mecânica. Outra causa é a pneumonia adquirida na comunidade,
eventos cardiovasculares ou insuficiência respiratória crônica de outras causas:
sedativos, pneumotórax e embolismo pulmonar. Vários estudos apontam que, a
maioria dos pacientes admitidos na UTI tem idade de 70±10 anos, com média de
score APACHE II de 22, geralmente em oxigênio terapia domiciliar de longo tempo,
com hospitalizações prévias, recebendo esteroides inalatório ou sistemáticos e tem
duas ou mais comorbidades.
As indicações para admissão na UTI são: 1. dispneia severa que não responde
à terapia inicial, 2. mudanças no nível de consciência, 3. persistência ou piora da
hipoxemia (PaO2 <40 mmHg) e/ou severa ou piora da acidose respiratória pH <7,25
independente do oxigênio suplementar e VNI, 4. necessidade para intubação e
ventilação mecânica e 5. instabilidade hemodinâmica e necessidade de vasopressor.
A intubação endotraqueal segure-se utilizar cânulas de maior diâmetro, acima de 8
mm, para reduzir a resistência das vias aéreas e facilitar a remoção de secreções.
Suporte ventilatório
Nessa sessão não será apresentada estratégias de VNI, para tal leia o capítulo
7. As indicações para ventilação mecânica na exacerbação aguda são, falha ou
intolerância a VNI, parada cardiorrespiratória, comprometimento da consciência ou
delírio não controlado com medicações e necessidade de sedação, aumento do risco
de aspiração brônquica, secreções copiosas, arritmia ventricular severa, hipoxemia
severa, instabilidade hemodinâmica severa não responsiva a fluidos e vasopressores.
Os objetivos da ventilação mecânica invasiva é promover o repouso da musculatura,
promover a melhora dos distúrbios agudos da troca gasosa, redução da HD e
otimização da sincronia paciente-ventilador.
129
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Ajustes ventilatórios
Os ajustes iniciais para pacientes com DPOC são descritos na tabela 13,
abaixo segue o pensamento dos ajustes.
1. A redução da HD e aprisionamento de ar é alcançado com broncodilatadores e
apropriado ajustes ventilatórios incluindo Texp longo, altos fluxos inspiratórios,
baixo FR e titulação da PEEP em 80% da PEEP intrínseca.
2. A adequada troca gasosa é alcançada com relativa baixa FIO2 como o mecanismo
patofisiológico primário de hipoxemia nesses pacientes é o desequilíbrio V/Q. A
correção da PaCO2 é objetivada para retornar aos valores prévios a exacerbação, e
não a normocapnia.
3. Para prevenção de lesão pulmonar induzida pelo ventilador (LPIV), deve ser
utilizado pequenos volumes corrente (5-7 mL/Kg). Isso é chamado de
hipoventilação controlada e pode resultar em acidose respiratória, que é tolerada
se pH > 7.25 (hipercapnia permissiva).
4. Evitar alcalose respiratória, que pode causar diminuição do débito cardíaco,
constrição de vasos no cérebro, desvio para a esquerda na curva da oxi-
hemoglobina interrompendo a liberação de O2 nos tecidos e depressão do drive
respiratório.
TABELA 13 Ajustes ventilatórios iniciais.
Parâmetros Ajustes
Modo ventilatório Volume controlado ou pressão controlada de acordo com a
familiaridade do modo ventilatório.
FIO2 Utilizar com base na gasometria arterial e oximetro de pulso
objetivando a SpO2 ≥ 88% e PaO2 entre 65-80 mmHg
Volume corrente 5-7 mL/Kg nos modos PCV e OS monitorar excessos de volume
FR 8-12* ou 10-14 ipm,objetivando normalizar o pH e não a PaCO2
Fluxo inspiratório *Fluxo desacelerado, 40 a 60 L/min.
Fluxo com onda quadrada de 80 a 100 L/min
Relação I:E 1:3 permitindo um Texp prolongado para promover desinsuflação
pulmonar e melhorar o aprisionamento aéreo.
PEEP Iniciar com 5 cmH2O, e nos casos de auto-PEEP ajustar a PEEP
a 75% a 85% da auto-PEEP.
Volume minuto <115 mL/Kg para garantir menor tempo inspiratório
Sensibilidade (Disparo) É ajustado de -1 a 2 cmH2O para pressão e 2 L/min para fluxo.
PIP e Pplatô A PIP deve ser mantida >40-45 cmH2O e Pplatô ≥30 cmH2O
Abreviação: FR: frequência respiratória; PEEP: Positive End-Expiratory Pressure; PIP: Pressão
Inspiratória de Pico. pH: potencial hidrogeniônico; SpO2: Saturação periférica de oxigênio.
Fonte: Reddy e Guntupalli, (2007), Vicente, et al., (2011), Diretrizes brasileiras de Ventilação
Mecânica – 2013, Kyriakoudi, et al., (2014) e Ahmed e Athar, (2015).
Aristides Oliveira
Fórmulas em cuidados respiratórios
Índice de oxigenação (PaO2/FIO2)
Valores normais
1. Para finalidade de desmame com FIO2<40%, 150 a 200 mmHg ou maior sugere
sucesso no desmame.
2. Para pacientes com edema pulmonar não-cardiogênico, o limiar é <300 mmHg para
LPA e <200 mmHg para SDRA
Área de superfície corporal (ASC)
Equação 1:
ܣܵܥ =
(4 × ݇݃) + 7
݇݃ + 90
ASC: Área de superfície corporal em m2
Kg: peso corporal em kg.
Equação 2:
ܣܵܥ = 0.04950 × ݇݃.ସ
Valor normal
Média do adulto = 1.7 m2
Débito cardíaco (DC): método estimado de Fick
Equação 1:
ܦܥ =
ܸܱଶ
ܥܱଶ − ܥܱଶ
Equação 2:
ܦܥ =
130 × ܣܵܥ
ܥܱଶ − ܥܱଶ
DC: débito cardíaco em L/min
VO2: consumo de oxigênio: estimado ser 130 X BSA, em mL/min
CaO2: conteúdo arterial de oxigênio em Volume%
CvO2: Conteúdo de oxigênio na mistura venosa em volume%
130: consumo de O2 estimado para o adulto em mL/min/m2
ASC: Área de superfície corporal em m2
Valor normal:
DC= 4 a 8 L/min
Pressão de perfusão cerebral
Equação:
ܲܲܥ = ܯܲܣ − ܲܫܥ
PPC: Pressão de perfusão cerebral
MPA: média de pressão arterial
PIC: Pressão intracraniana
Valor normal:
70 a 80 mmHg
Complacência
Complacência dinâmica (CDYN)
ܥே =
∆V
∆P
CDYN: Complacência dinâmica em
ml/cmH2O
∆V: Volume corrente corrigido em mL
∆P: variação de pressão (Pico inspiratório
de pressão - PEEP) em cmH2O
Valor normal:
30 a 40 mL/cmH2O
Complacência estática (CST)
Equação:
ܥௌ் =
∆V
∆P
CST: Complacência estática em ml/cmH2O
∆V: Volume corrente corrigido em mL
∆P: variação de pressão (Pressão de
platô - PEEP) em cmH2O
Valor normal
40 - 60 mL/cmH2O
131
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Volume corrente corrigido (VT)
்ܸܿݎݎ݅݃݅݀ = ்ܸ݁ݔ݅ݎܽ݀ − ܸ݈ݑ݉݁ ݀ ݐݑܾ
VT expirado: Volume Corrente expirado em mL
Volume do tubo: Volume "perdido" no tubo durante a fase inspiratória (∆P X
complacência do tubo).
Relação espaço morto e volume corrente (VD/VT)
Equação:
ܸ
்ܸ
=
( ܲܥܱଶ − ாܲܥܱଶ)
ܲܥܱଶ
VD/VT: Relação espaço morto/volume corrente em %
PaCO2: Tensão arterial de dióxido de carbono em mmHg
PECO2: Tensão da mistura expirada de dióxido de carbono
em mmHg
Valores normais:
20-40% em pacientes respirando espontaneamente
40-60% em pacientes recebendo VM
Relação I:E
Exemplo 1
Quando o Tins e Texp são conhecidos
Qual é a relação I:E se o Tins é 0.4 s e o
Texp é 1.2 s?
ܫ: ܧ = ൬ ܶ௦
ܶ௦
൰ : ൬
ܶ௫
ܶ௦
൰
= ൬
0.4
0.4
൰ : ൬
1.2
0.4
൰ = 1: 3
Exemplo 2
Quando o %Tins é conhecido:
Qual é a relação I:E se o Tins é 25% ou
0.25?
ܫ: ܧ = ൬
% ܶ௦
% ܶ௦
൰ : ൬
1 − % ܶ௦
% ܶ௦
൰
= ൬
0.25
0.25
൰ : ൬
1 − 0.25
0.25
൰
= (1): ൬
0.75
0.25
൰ = 1: 3
Exemplo 3
Quando o Tins e FR são conhecidas:
Qual é a relação I:E se o Tins é 1.5 s e a
FR é 15/min?
Tins = 1.5s
ܶ௫ =
60
ܨܴ − ܶ௦
=
ଵହିଵ.ହ
= 2.5ݏ
ܫ: ܧ = ܶ௦/ ܶ௫
= 1.5/2.5
= ቀ
்ೞ
்ೞ
ቁ : ቀ ்ೣ
்ೞ
ቁ = ቀଵ.ହ
ଵ.ହ
ቁ : ቀ
ଶ.ହ
ଵ.ହ
ቁ = 1: 1.67
Exemplo 4
Quando o volume minuto (VE) e fluxo são
conhecidos:
Dado: VT= 800 mL (0.8 L)
FR = 12/min
Fluxo= 40 L/min
Qual é a relação I:E
ܫ: ܧ = ாܸ: (ܨ݈ݑݔ − ாܸ) sabe-se que
ாܸ = ்ܸ × ܨܴ
= ( ்ܸ × ܨܴ): (ܨ݈ݑݔ − ்ܸ × ܨܴ)
= (0.8 × 12): (40 − 0.8 × 12)
= 9.6: (40 − 9.6)
= 1: 3.2
Aristides Oliveira
Média de pressão nas vias aéreas (mPaw)
Equação
݉ ܲ௪ =
ܨܴ × ܶ௦
60
൨ × (ܲܫܲ − ܲܧܧܲ) + ܲܧܧܲ
mPaw: média de pressão nas vias aéreas
em cmH2O
FR: Frequência respiratória por minuto
PIP: pico inspiratório de pressão
PEEP: Positive end-expiratory pressure
em cmH2O
Valores normais
Abaixo de 30 cmH2O (adultos)
Ventilação minuto: expirado e alveolar
Equação 1:
ாܸ = ்ܸ × ܨܴ
Equação 2:
ܸ = ( ்ܸ − ܸ) × ܨܴ
VE: Ventilação minuto expirado em L/min
VA: Ventilação minuto alveolar em L/min
VT: Volume corrente em mL
VD: Volume de espaço morto em mL
FR: Frequência respiratória por minuto
Conteúdo de oxigênio: arterial (CaO2)
Equação:
ܥܱଶ = (ܪܾ × 1.34 × ܱܵଶ) + ( ܱܲଶ × 0.003)
CaO2: Conteúdo arterial de oxigênio em %volume
Hb: conteúdo de hemoglobina em g%
1.34: quantidade de oxigênio que a hemoglobina saturada pode carrear em g
SaO2: Saturação arterial de oxigênio em %
0.003: Quantidade de oxigênio dissolvido para 1mmHg de PaO2
Valor normal:
16 a 20 %volume
Índice de oxigenação (oxigen index-OI)
Equação:
ܱܫ =
݉ ܲ௪ × ܨூܱଶ
ܱܲଶ
IO: índice de oxigenação
mPaw: média de pressão nas vias aéreas
FIO2: fração inspirada de oxigênio em %
PaO2: tensão arterial de oxigênio em mmHg
Valor normal:
<30%
Equação de Shunt (Qsp/QT): fisiologia clássica
Equação:
ܳ௦
்ܳ
=
ܥܱଶ − ܥܱଶ
ܥܱଶ − ܥܱଶ
Qsp/QT: Shunt fisiológica da relação de perfusão total em %
Qsp: quantidade de sangue que alcança a circulação sistêmica
sem sofrer hematose por minuto em%
QT é a quantidade total de sangue que passa pelo pulmão por
minuto em%.
CcO2 é o conteúdo de oxigênio capilar em %,
CaO2 é o conteúdo de oxigênio arterial em%
CvO2 é o conteúdo de oxigênio venoso misto em %.
Valor normal
Menos que 10%
133
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
Resistência vascular
Pulmonar
Equação:
ܴܸܲ = (ܲܯܣܲ − ܲܥܲ) ×
80
ܦܥ
RVP: Resistência vascular pulmonar em
dyn.seg/cm5
PMAP: Pressão média da artéria
pulmonar
DC: débito cardíaco
80: Fator de conversa de mmHg/L/min
para Dyn.seg/cm5
Valor normal
50 a 150 dyn.seg/cm5
Sistêmica
Equação:
ܴܸܵ = (ܯܲܣ − ܴܣ) ×
80
ܦܥ
RVS=(MPA-RA)X80/DC
RVS: Resistência vascular: sistêmica
PAM: Pressão arterial média
RA: Média da pressão do átrio direito em
mmHg
DC: débito cardíaco
80: Fator de conversa de mmHg/L/min
para Dyn.seg/cm5
Valor normal:
800 a 1,500 dyn.seg/cm5
Ajuste da FR para PaCO2 desejada
Equação 1:
ܨܴ ݊ݒܽ =
ܨܴ × ܲܥܱଶ
ܲܥܱଶ݀݁ݏ݆݁ܽ݀
Equação 2:
ܨܴ݊ݒܽ
=
(ܨܴܺ ܲܥܱଶ) × ( ்ܸ − ܸ)
ܲܥܱଶ݀݁ݏ݆݁ܽ݀ܽ × ( ்ܸ݊ݒ − ܸ݊ݒ)
FR Nova : FR necessária para PaCO2 desejada
FR: FR ajustada no ventilador
PaCO2: Tensão de CO2 original em mmHg
PaCO2 desejada: PaCO2 desejada em mmHg
VT: Volume corrente original
VD: Espaço morto original
VT novo: Novo volume corrente
VD novo: Novo espaço morto.
Resistência das vias aérea estimada (Raw)
Equação:
ܴ௪ =
(ܲܫܲ − ܲ௧)
ܨ݈ݑݔ
Raw: Resistência das vias aéreas em cmH2O/L/Seg
PIP: Pico inspiratório de pressão em cmH2O
Pplat: Pressão de platô em cmH2O (pressão estática)
Fluxo: taxa de fluxo em L/seg (Fluxo L/seg=Fluxo L/min/60)
Valor normal
0.6 a 2.4 cmH2O/L/seg a um fluxo de 0.5 L/seg (30 L/min).
FIO2 necessáriaPara a PaO2 desejada
Equação 1:
ܱܲଶ݊݁ܿ݁ݏݏáݎ݅ܽ =
ܱܲଶ ݀݁ݏ݆݁ܽ݀ܽ
ܱܲଶ
ܱܲଶ
Equação 2:
ܨூܱଶ =
ܱܲଶ݊݁ܿ݁ݏݏáݎ݅ܽ + 50
730
PAO2 necessária: Tensão alveolar de oxigênio necessária para a PaO2 desejada
PaO2 desejada: Tensão arterial de O2 desejada
Relação a/A = PaO2/PAO2 em %
FIO2: Fração inspirada de O2 necessária para conseguir a PaO2 desejada.
Aristides Oliveira
Pressão arterial média (PAM)
Equação:
ܲܣܯ =
ܲܣܵ + 2 × ܲܣܦ
3
PAS: Pressão Arterial Sistólica
PAD: Pressão arterial Diastólica
A PAM é diretamente relacionado a resistência vascular periférica (RVP) e ao débito
cardíaco. ܲܣܯ = ܴܸܲ × ܦܥ
PaO2 predito baseado na idade
Equação 1:
ܱܲଶ (௦௨) = 103.5 − (0.42 × ݅݀ܽ݀݁)
Equação 2:
ܱܲଶ (௦௧ௗ) = 104.2 − (0.27 × ݅݀ܽ݀݁)
Cálculos adaptados de: Chang, (2014) e Varon e Fromm Jr, (2014).
135
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva
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139
Capítulo 8 – Desmame da ventilação mecânica invasiva
Capítulo 7 – Ventilação mecânica não invasiva
Introdução
Ventilação não invasiva com pressão positiva (VNIPP) é o método de
ventilação mecânica que não requer uma via aéria artificial, ou seja, intubação
endotraqueal. A VNIPP é aplicada via uma máscara (ou interface) como o meio de
condução de ar do ventilador para o paciente sob pressão positiva. Inicialmente, a
VNIPP foi utilizada para tratar insuficiência respiratória crônica, causada por
deformidades torácica, doenças neuromusculares, ou hipoventilação central.
Recentemente, a VNIPP tem aumentado seu uso para tratar pacientes com várias
formas de insuficiência respiratória aguda.
Objetivos e indicações
O objetivo da VNI é proporcionar assistência ventilatória, reduzindo o trabalho
respiratório pelos mesmos mecanismos da ventilação invasiva, aumentando a pressão
transpulmonar, inflando os pulmões, e aumentando o volume corrente (VT). A exalação
é realizada pelo recolhimento elástico passivo. Outro benefício inclue o aumento da
capacidade residual funcional (CRF) que abre os alvéolos colapsados, reduzindo o
shunt e melhorando a relação ventilação/prefusão (V/Q) em certas formas de
insuficiência respiratória como no edema agudo pulmonar cardiogênico (EAPC). Os
benefícios mais significante da VNIPP é evitar a intubação endotraqueal. A intubação
endotraqueal está associada com complicações tais como trauma das vias aéreas,
aumento do risco de aspiração, pneumonia nosocomial, e considerável desconforto
por parte do paciente, necessitando o uso de sedativos, que resulta a maior
permanência hospitalar, alta taxa de mortalidade e aumento nos custos.
Apesar das vatangens da VNIPP relacionada a invasão das vias aéreas, a falta
da conexação direta com as vias aéreas inferiores também representa um desafio. O
paciente deve ser capaz de proteger suas vias éreas e ser capaz de mobilizar suas
secreções adequadamente, ou a falência do método é invevitável. Como a via aérea
do paciente deve permitir o fluxo de ar diretamtente para seus pulmões, a VNIPP não
pode ser utilizada em pacientes com grandes obstruções das vias aéreas.
Adicionalmente, o vazamento de ar em volta da interface está presente em quase
todas as interfaces e pode interferir com a eficácia da ventilação. Além disso, paciente
deve ser capaz de cooperar e sincronizar a respiração com o ventilador. O sucesso da
VNIPP e a prevenção de maiores complicações depende da seleção apropriada dos
pacientes. O processo de seleção deve considerar o diagnóstico do paciente e as
características, bem como o risco de falência da terapeutica.. A tabela 1 descreve os
critérios de seleção de acordo com o BTS Guideline. Uma vez que a necessidade de
suporte ventilatório esteja estabelecido, o segundo passo é excluir o paciente que
tenham contraindicações para a utilização da VNIPP. A tabela 2 descreve as
contraindicações de acordo com o III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica.
Preditores de sucesso ou fracasso da VNI
A consideração final na seleção do paciente com insuficiência respiratória
aguda é a pontecial reversibilidade do processo da doença. O suporte ventilatório
pode dar tempo para que as terapias convensionais (e.g., broncodilatadores, oxigênio,
Aristides Oliveira
antibioticos) revertam o processo agudo dessa forma a intubação possa ser evitada. A
reversibilidade da doença deve ser considerada antes do início da VNI. todos os
pacientes devem ser monitorados para que a intubação não seja atrasada.
Os preditores de fracasso da VNI observados em pacientes com DPOC e com
insuficiência respiratória são os seguintes: Baixo pH arterial, maior severidade da
doença, como indicado pelo score APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health
Evaluation), indabilidade de coordenar com o ventilador, inabilidade de minimizar o
vazamento pela boca quando utilizada a máscara nasal, menos eficiente ou lenta
correção da hipercapnia, pH, ou taquipneia nas horas iniciais, limitações funcionais
causadas pela DPOC antes da adimissão na UTI, avaliando usando escala
correlacionado as atividades de vida diária (AVD), maior número de complicações
médicas (particularmente hiperglicemia) na admissão na UTI.
Os preditores de fracsso da VNI observados em pacientes hipoxêmicos com
insuficiência respiratória são os seguintes: alta severidade no escore Simplified acute
Physiology Score (SAPS) II≥35, idade avançada (> 40 anos), presença da síndrome
da angústia respiratória ou pneumonia adquirida na cominidade, insucesso para
melhorar a oxigenação após 1 hora de tratamento (PaO2/FIO2 ≤ 175), frequência
respiratória elevada durante a VNI, necessidade de vasopressor, e necessidade de
hemodiálise.
TABELA 1
Indicações, sintomas, e critério de seleção para VNI na insuficiência
respiratória aguda em adultos
Indicacões Sintomas Critério fisiológico
DPOC exacerbação Dispneia moderada a severa PaCO2 > 45 mmHg, pH > 7.35
Asma aguda Frequencia respiratória >
24/min
Ou
IRpH Uso da musculatura acessória PaO2/FIO2 < 200
PAC Respiração paradóxica
EAC
Paciente
imunocomprometido
Pos-operatório
Pós-extubacão
“Não intubar”
EAPC: Edema agudo pulmonar cardiogênico; IRpH: insuficiência respiratória hipoxêmica. PAC:
Pneumonia adquirida na comunidade. “Não intubar”: pacientes em cuidados paliativos.
TABELA 2
Contra-Indicações para o Uso da Ventilação Mecânica Não-
Invasiva com Pressão Positiva
Diminuição da consciência, sonolência,
agitação, confusão ou recusa do paciente
Instabilidade hemodinâmica com
necessidade de medicamento
vasopressor, choque (pressão arterial
sistólica < 90 mmHg), disritmias
complexas
Obstrução de via aérea superior ou trauma
de face
Tosse ineficaz ou incapacidade de
deglutição
Distensão abdominal, náuseas ou
vômitos
Sangramento digestivo alto
Infarto agudo do miocárdio
Pós-operatório recente de cirurgia de
face, via aérea superior ou esôfago
Uso de VNI é controverso: pós-
operatório de cirurgia gástrica,
gravidez
141
Capítulo 8 – Desmame da ventilação mecânica invasiva
A metánalise realizada por Cabrini, et al., (2015) os autores avaliaram a
sobrevivência assocaida a VNI, esse estudo destaca que o uso precoce da VNI
apresenta vantagens na sobrevivência, mesmo quando comparado com pacientes que
receberam o tratamento padrão seguido por VNI tardia. Em pacientes com
exacerbação da DPOC a VNI cortou em quase metade a mortalidade neste grupo,
mesmo que este grupo apresente outras causas de insuficiência respiratória tal como
pneumonia, ou quando a VNI foi utilizada para prevenira insuficiência respiratória pós-
operatória e pós-extubacão. Já pacientes com edema pulmonar cardiogênico, a VNI
diminui a mortalidade evitando as complicações associadas com a intubação
endotraqueal, melhorando os volumes pulmonares, diminuindo o trabalho respiratório,
a VNI oferece outras vantagens para este grupo que são, redução da pré e pós-carga.
Além disso, a VNI deve ser utilizada com cuidado em casos como a insuficiência
respiratória aguda severa, que ocorre nos casos de síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA), nesses casos a VNI apresenta uma taxa de falência de
80% e de 100% nos casos de SDRA acompanhado de choque.
O estudo também pode constatar que, a VNI não reduz a mortalidade, em
indivíduos pós-extubados com insuficiência respiratória já está estabelecida.
Contraditoriamente, a VNI mostrou efetiva na sobrevivência quando a VNI foi utilizada
no tratamento da insuficiência respiratória estabelecida no pós-operatório.
Efeitos pulmonares e hemodinâmicos da pressão positiva
A VNI pode reverter muitos dos desarranjos fisiológicos e mecânicos
associados com a insuficiência respiratória:
Reduz o trabalho respiratório e o esforço respiratório/fadiga: Na revisão realizada
por Kallet e Diaz, (2009), em pacientes apresentando doenças pulmonares de
diversas etiologias e severidade, a VNI diminui o esforço inspiratório, que pode ser
constatado através da redução da pressão esofágica (∆Pes) em 8-15 cmH2O (50-
76%), a média da pressão diafragmática reduz de 5 a 10 cmH2O (42-62%). Pode-
se notar que ocorre redução na média da eletromiografia diafragmática (EMGdi),
variando de 17% a 93% que significa diminuição do esforço inspiratório. A pressão
positiva inspiratória reduz o trabalho respiratório suplementando a maior porção da
pressão transpulmonar durante a inspiração (o efeito “empurra-puxa”). Em
contraste, a aplicação de PEEP reduz o trabalho respiratório por dois mecanismos:
premeiro, por contrabalancear a PEEPintrínseca e dessa forma reduzindo o limiar da
inspiração; segundo, por aumentar a complacência do sistema respiratório (CRES) e
assim reduz a carga eslástica durante a inspiração.
Aumento da ventilação alveolar, ajuda a reverter a acidose e a hipercapnia. Em
sujeitos normais a complacência pulmonar dinâmica (CDYN) é de aproximadamente
130 mL/cmH2O (varia de 80-230 mL/cmH2O). Pacientes com insuficiência
respiratória crônica (primariamente DPOC) a média da CDYN é de 60-97
mL/cmH2O. Em indivídus normais, a resistência pulmonar inspiratória é
aproximadamente 2-4 cmH2O/L/s. Já em pacientes com DPOC, obesidade
mórbida, ou doença restritiva da parede torácica, a média de resistência pulmonar
inspiratória varia de próximo ao normal (5.5 cmH2O/L/s) a marcadamente elevada
(11.8-18 cmH2O/L/s). Nesses pacientes, a VNI geralmente aumenta a CDYN de
17%-50%. Entretanto a redução na resistêncai pulmonar foi menor e
Aristides Oliveira
estatisticamente insignificante (4-6%) em alguns estudos e (23-72%) em outros
estudos (1).
Efeitos hemodicâmicos. Os efeitos hemodinâmicos da VNI variam, de acorodo com
o estado da doença, se a PEEP é utilizada, e o tipo de interface utilizada, Em
sujeitos normais, CPAP nasal de 3-20 cmH2O resulta em diminuição do índice
cardíaco4$ pressão-dependente, em 19-23% (0.8-0.9 L/min/m2), que somente
é´significante com presão ≥ 15cmH2O. Em outro estudo, o CPAP de 10 cmH2O e
BiPAP de 15/10 cmH2O produziram a diminuição de 19% do débito cardíaco (1.1
L/min/m2), mas a pressão arterial média peranece sem alterações. O tipo de
máscara de CPAP pode alterar a deressão cardíaca, com CPAP de 15-20 cmH2O
não ocorreram efeitos hemodinâmicos quando a máscara nasal foi utilizada e a
boca estava ligeiramente aberta. Quando utilizado a mesma máscra nasal com a
boca fechada, ocorre diminuição no débito cardíaco similarmente a máscara facial
total. A utilização da pressão de suprote (PS) de (10 e 20 cmH2O) sem PEEP
causa diminuição insignificante do débito cardíaco e da oferta de oxigênio. Mas
quando a PEEP de 5 cmH2O está presente, com PS de 20 cmH2O há significante
diminuição do débito cardíaco (0.9 L/min, 18%). Já a pressão de oclusão da artéria
pulmonar aumenta significativamente (4 mmHg, 57%) com PS de 20 cmH2O,
independete da PEEP utilizada, entretatno a média da pressão arterial pulmonar
não foi alterada. Em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC) os
efeitos hemodinâmicos são mais favoráveis. O CPAP nasal com a média de
pressão de 12 cmH2O, aumenta o IC (0.4 L/min/m2 ou 16%), a oferta de oxigênio
sistêmico (2 mL/min/Kg ou 19%), e o consulmo de oxigênio (1 mL/min/Kg ou 30%).
A pressão de oclusão da artéria pulmonar não é alterada significativamente.
Presume-se que o mecanismo para aumentar a função cardíaca ocorre devido a
diminuição da pós-carga associada com pressão pleural positiva. Em paciente com
ICC a ∆Pes é significativamente maior que em pacientes normais, que reflete o
aumento no trabalho respiratório o que causa aumento da pressão transmural do
ventrículo esquerdo (VE). O CPAP reduz ambas a ∆Pes e pressão transmural do
VE, e dessa forma, a pós-carga e aumenta o débito cardíaco Mehta e Hill, (2001) e
Kallet e Diaz, (2009).
Funcão nas troca gasosa. De forma geral, o ajuste da VNI para melhorar o
trabalho respriatório, resulta em; aumento da média do pH em 0.06, entretanto a
média do PaCO2 diminui em 9 mmHg, a PaO2 aumenta em 8 mmHg e a relação
PaO2/FIO2 aumenta em 27 mmHg. Assim, o CPAP aumenta a pressão
intratorácica, diminui o shunt arterio-venoso, melhora a oxigenação e dispneia, e
diminui o trabalho respiratório em pacientes com edema pulmonar cardiogênico.
Em pacientes hipercápnicos, o CPAP significantemente reduz a PaCO2 (12 mmHg,
21%) e aumenta a média do pH (de 7.18 para 7.28), enquanto em pacientes
normocapnicos o CPAP não induz a hipocapnia L’Her, et al., (2005) e Kallet e
Diaz, (2009).
Insuficiência respiratória
Insuficiência respiratória é definido como a incapacidade para manter a troca
gasosa adequada e é caracterizado por anormalidades na tensão de gás arterial. A
4$ É a quantidade de sangue que será bombeado pelo coração em uma contração. Índice
cardíaco (IC) = Débito cardíaco (DC)/superfície corpórea
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Capítulo 8 – Desmame da ventilação mecânica invasiva
insuficiênca tipo 1 é definida por uma PaO2 < 60 mmHg com PaCO2 normal ou
reduzida. A insuficiência tipo 2 é definida por PaO2 < 60 mmHg e a PaCO2 > 45 mmHg.
A insuficiência respiratória pode ser aguda, cronica agudiza, ou crônica. Essa distinção
é importante na decisão para localização do tratamento do paciente e a estratégia de
tratamento mais apropriado, particularmente no tipo 2:
Insuficiência respiratória hipercapnica aguda: O paciente irá ter nenhuma, ou
pouca evidência de doença pré existênte e na tensão de gás arterial irá mostrar
alta PaCO2, pH baixo, e bicarbonato normal.
Crônico hipercápnico: evidência de doença respiratória crônica, alta PaCO2, pH
normal, e bicarbonato elevado.
Crônico agudizado hipercápnico: Uma deteriorização aguda em um indivíduo com
significante insuficiência respiratória hipercapnica pré-existente, alta PaCO2, pH
baixo, e bicarbona elevado.
O conhecimento do gases arterial é essencial antes de tomar a decisão quando
a VNI é indicada. O paciente deve-se inicial estabelecer apropriadamente a oxigenio
terapia e a interpretação da gasometria arterial a luz da FIO2. A proporção de
pacientes que irão preencher o critério gasométrico para VNI (pH < 7.35) no momento
da admissão melhoram rapidamente com tratamento médico inicial com FIO2
apropriada.
Ventiladores e modos ventilatórios
Teoricamente, qualquer ventilador mecânico e modo ventilatório podem ser
utilizados para a ventilação não invasiva mas, na vida real, a maioria dos ventiladores