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1 Roberta Medeiros – SOI I - S1 – M02 – Objetivos 1- Compreender o que é metodologia ativa e seus diferentes tipos e diferenciá-la da tradicional. 2- Conhecer as vantagens e desvantagens da metodologia ativa e da tradicional. 3- Analisar como deve ser feito o trabalho em equipe 4- Estudar como deve ser feito o feedback. 5- Entender os aspectos éticos em relação aos direitos de imagem e voz. Metodologia ativa e seus aspectos - Na educação a distância, principalmente, a metodologia ativa tem bastante espaço - A metodologia ativa é um processo de ensino- aprendizagem no qual o aluno é colocado como protagonista e o professor assume um papel de suporte. - Autonomia do aluno é estimulada de forma que ele seja capaz de construir o próprio conhecimento. - A construção de novos modelos de aprendizagem requer constante empenho, visando ao seu aperfeiçoamento - Momentos de estudo se prolongam muito além dos horários das aulas - Diferenças da metodologia ativa para a tradicional: • No método tradicional, a construção do conhecimento gira em torno do professor, que o transmite em uma sala de aula para alunos que se ocupam com anotações ou mesmo com alguma distração • Após certa quantidade de aulas expositivas, uma avaliação é aplicada para averiguar o que os alunos supostamente aprenderam. • A passividade dos estudantes • Na metodologia ativa, os alunos são incentivados o tempo todo a fazerem pesquisas, leituras e atividades desafiadoras - Diferentes tipos de metodologia ativa: • Sala de aula invertida: o estudante entra em contato com o conteúdo curricular antes da aula na qual o tema será abordado • Gamificação: busca trazer jogos para a sala de aula, e assim fazer dos celulares aliados na aprendizagem dos conteúdos das aulas. • Aprendizagem entre pares • PBL: construção do conhecimento a partir da discussão em grupo de um problema. • TBL: baseada em equipes envolve algumas etapas que começa na formação dos grupos e seguem até o final da disciplina. -Desvantagens da metodologia ativa: • Maior dificuldade na garantia de um aprendizado comum a todos. • Difícil aceitação dos alunos no começo (já que exige mais esforço) - Como deve ser feito o feedback: ele deve ser realizado por interpares, de forma justa e coerente, visando a melhoria no intelecto e no desempenho Referências bibliográficas - Strengths and weaknesses in the use of active learning methods / Revista Brasileira de Educação Médica Print version ISSN 0100-5502 Rev. bras. educ. med. vol.34 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2010 Maria José Sanches MarinI; Edna Flor Guimarães LimaII; Ana Beatriz PaviottiI ; Daniel Tsuji MatsuyamaI; Larissa Karoline Dias da SilvaI; 2 Roberta Medeiros – SOI I - S1 – M02 Carina GonzalezI; Suelaine DruzianIII; Mércia IliasI 1 Roberta Medeiros – SOI I – APG – S1 – M02 – – OBJETIVOS 1- Estudar o que é célula e qual a sua composição estrutural. 2- Entender quais as organelas citoplasmáticas, e suas funções. 3- Conhecer as proteínas de membrana seu processo de produção e processamento 4- Compreender a estrutura do DNA, RNA e os cromossomos ESTRUTURA CELULAR - A maioria das células do corpo humano são eucarióticas (núcleo delimitado por uma membrana), ou seja, com exceção das hemácias - Compartimentos: núcleo, citoplasma, componentes celulares e membrana plasmática -Núcleo: armazenamento de material genético e enzimas (responsáveis pela transcrição) -Membrana (separa o intra do extra celular) ORGANELAS CITOPLASMÁTICAS -Mitocôndria: síntese de ATP, DNA e RNA próprios, 2 membranas e espaço intermembranoso (liquido semelhante ao do citoplasma das células), cristas (fosforilação oxidativa), matriz mitocondrial (DNA e RNA mitocondrial) - Retículo endoplasmático rugoso: ligação com ribossomos, tradução do RNAm (síntese e secreção de proteínas) -Complexo de Golgi: embalagem e proteínas do Reticulo endoplasmático rugoso - Retículo endoplasmático liso: sem ribossomos, síntese de lipídios, converte moléculas hidrofóbicas em hidrossolúveis. Em células miocárdicas são chamados de retículo sarcoplasmático (função importante no aparelho contrátil, pois sequestra cálcio) -Lisossomos: função degradativa, interior ácido e presença de enzimas Obs: PROTEOSSOMO • Função degratativa • Nobel 2004 - Ubiquitina • Beijo da morte – “processador de lixo” - Ribossomos: livres no citoplasma, tradução do RNAm, síntese de proteínas citosólicas -Peroxissomos: possuem enzimas oxidativas, oxidam ácidos graxos -Citoesqueleto: dinâmico, filamentos proteicos • Microtúbulos: mitose e meiose, responsáveis por tracionar os cromossomos • Filamentos de actina: aparelho contrátil • Filamentos intermediários: filamentos de queratina MEMBRANA PLASMÁTICA E SEUS TRASNPORTES - Transporte seletivo de moléculas - Reconhecimento (através de antígenos de superfície) - Comunicação celular - Organização em tecidos - Atividade enzimática - Determina a forma celular (interage com o citoesqueleto) - Composição: • Bicamada lipídica • Proteínas • Estrutura mosaico fluido • Fosfolipídios 2 Roberta Medeiros – SOI I – APG – S1 – M02 Álcool + fosfato Polar: cabeça hidrofílica Apolar: duas cadeias de ácidos graxos hidrofóbicas • Glicolipídios: açúcar (hidrofílica) • Colesterol: OH (hidrofílica) e região esteróide PROTEÍNAS DE MEMBRANA - Integrais: transmembranas (atravessam toda membrana), permitem a passagem de determinadas substâncias - Periféricas - Transporte pela membrana • LIC E LEC: H2O + Solutos • Estrutura da membrana: barreira inteligente • Atravessam a membrana: Difusão simples: gases e etanol Difusão facilitada (proteínas de transporte): H2O (aquaporinas) e solutos Bomba de Na e P ATPase por proteínas de membrana • Passagem de íons: pode ocorrer através de canais seletivos ou não seletivos Mecanismo • Carreadores de soluto: uniportadores (uma substância em único fluxo), simportadores (duas substâncias em único fluxo), antiportadores (duas substâncias em fluxos opostos) • Transportes dependentes de ATP: ATPase: tipo P e V ABC (ATP – binding cassette/atp que se junta a um conjunto de aminoácidos) - Transporte ativo e passivo • Passivo: a favor do gradiente • Ativo: contra o gradiente - Osmose: passagem de água pela membrana, ditada pela pressão osmótica (pressão que o soluto exerce para passar a membrana, ou seja, quanto mais soluto maior a pressão osmótica) - Osmolalidade vs. Osmolaridade Quantidade Pressão osmótica de mol. na- quele sol. - Tonicidade: propriedade determinada solução - > volume celular - Pressão Oncótica: pressão osmótica de grandes moléculas (pressão do plasma) ex: Kwashiorkor (diminuição da albumina, diminuição da pressão oncótica e extravasamento do plasma) - Transporte Vesicular: • Endocitose: transporte de substâncias para dentro da célula, por meio de vesículas - pinocitose (pequenas moléculas), fagocitose (grandes partículas, ex: resto de bactéria), mediada por receptores de superfície • Exocitose: transporte de substâncias para fora da célula, por meio de vesículas – constitutiva (da própria célula), regulada (ex: hormônios), transcitose (mesma vesícula que entrou por endocitose, sai por exocitose) 3 Roberta Medeiros – SOI I – APG – S1 – M02 NÚCLEO, DNR, RNA E CROMOSSOMOS - Centro de controle das atividades celulares, pois contém os cromossomos (DNA – nosso material genético) - Visível apenas quando a célula está em interfase - Geralmente é único de 5 a 10 uM e tem formato variável - Cora pela hematoxilina, basófilo (por conta dos grupos de fosfato) - Componentes celulares: envoltório nuclear, cromatina, nucléolo,matriz celular e nucleoplasma • Envoltório nuclear (carioteca): separa o conteúdo nuclear do citoplasma, formado por duas membranas (ext:contém polirribossomos, contínuo com RE granuloso / int: relacionada com a cromatina, cistena perinuclear – espaço entre membranas, poros) • Cromatina: dois tipos (heterocromatina: condensada e inativa / eucromatina: difusa e ativa – quanto mais eucromatina tiver na célula, maior a produção de protreica) DNA + Proteínas (histonas) = nucleassomo (oito moléculas de histonas + envolvidas por DNA), esses nucleassomos se organizam cada vez mais até formar o cromossomo Cromatina sexual: mamíferos do seco femino, um dos cromossomos X se mantém condesado no núcleo interfásico, utilizada para verificação do sexo genético • Nucléolo: fábrica para a produção de ribossomos, formação de intranucleares arredondadas (basófilas, constituídas por RNA ribossomal e proteínas) • Matriz nuclear: estrutura fibrilar que suporta as estruturas nucleares, principal componente é a lâmina nuclear Lâmina nuclear: rede de meléculas proteicas fibrosas, ligada a face interna do envoltório nuclear, estabiliza o envoltório nuclear, apoia os cromossomos interfásicos, regula o ciclo celular, diferenciação e expressão dos genes, replicação e transcrição do DNA • Nucleoplasma: componente granuloso que preenche o espaço entre elementos do núcleo, soluto com água, íons, aminoácidos, metabólitos e precursores - O RNA é feito na fase G1 (interfase) da divisão celular - O DNA é feito na fase S (interfase) - Estrutura dos cromossomos: - Classificação dos cromossomos de acordo com a posição do centrossomo: Obs: inexistência de cromossomos telocêntricos na espécie humana, pois a expectativa de vida da célula seria muito menor - Cariótipo Humano: conjunto dos cromossomos (46) • Cromossomos autossomos 44, divididos em 22 pares, iguais para ambos os sexos 4 Roberta Medeiros – SOI I – APG – S1 – M02 • Cromossomos sexuais 2, dividido em 1 par – último par - (xy ou xx) - Organização dos cromossomos humanos: • Por isso as síndromes cromossômicas mais comuns na espécie humana são a Síndrome de Donw (21), Síndrome de Edwards (18), Síndrome de Patau (13), pois esses cromossomos têm menos genes 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – – - Estudar a anatomia e fisiologia do coração e sua função como bomba - Compreender a contração e o relaxamento do músculo cardíaco - Conhecer os fatores hormonais, psicológicos, fisiológicos e ambientais que influenciam o funcionamento cardíaco - O coração é como uma bomba que faz o sangue circular por todo corpo e assim consiga alcançar todas as células e troque materiais com ela -O coração se contra cerca de 100.000 mil vezes por dia, o que perfaz 35 milhões de contrações por ano - Localização do coração: • Repousa sobre o diafragma, próximo a linha mediana da cavidade torácida • Encontra-se no mediastino (região que se estende do esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao diafragma), entre os pulmões • O ápice do coração representa a ponta do ventrículo esquerdo e está sobre o diagrama e direcionado para frente, para baixo e para a esquerda • A base do coração está do lado oposto ao ápice e constitui a sua face posterior - A membrana que envolve o coração é pericárdio e ela restringe o coração à sua posição no mediastino, possibilitando liberdade de movimento suficiente para a contração vigorosa e rápida - O pericárdio pode ser dividido em duas partes: • Pericárdio fibroso: superficial, tecido conjuntivo inelástico, denso, resistente e irregular, impede a hiperdistensão do coração, fornece proteção e ancora o coração no mediastino • Pericárdio seroso: mais profundo, membrana mais fina. A lâmina parietal do pericárdio seroso mais externa está fundida ao pericárdio fibroso • A inflamação no pericárdio é chamada de pericardite - A parede do coração é formada por três camadas: o epicárdio, o miocárdio e o endocárdio • O epicárdio é camada mais externa e é composta por duas camadas • A camada média é chamada de miocárdio que é responsável pela ação do bombeamento do coração e é composto por tecido muscular cardíaco, representa 95% do órgão. As fibras musculares, como as do musculo estriado esquelético, são envolvidas e separadas em feixes por bainhas do tecido conjuntivo. Já as fibras musculares cardíacas são organizadas em feixes que circundam diagonalmente o coração e produzem fortes ações de bombeamento do coração. Embora seja estriado como o musculo esquelético, o musculo cardíaco é involuntário como o musculo liso • Endocárdio é mais interno e fornece um revestimento liso para as câmaras, o que minimiza o atrito de superfície conforme o sangue passa • Miocardite e endocardite - Anatomia do coração: 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - O par de átrios recebe sangue dos vasos sanguíneos que retornam o sangue ao coração, as chamadas veias, enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração para vasos sanguíneos chamados artérias. Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura saculiforme enrugada chamada aurícula, assim chamada por causa de sua semelhança com a orelha de um cão - Cada aurícula aumenta discretamente a capacidade de um átrio, de modo que ele possa conter maior volume de sangue - O sangue flui para o átrio direito a partir da veia cava superior, da veia cava inferior e do seio coronário, e para o átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares. - Valvas cardíacas e circulação do sangue; • Quando cada câmara se contrai, empurra um volume de sangue a um ventrículo ou para fora do coração a uma artéria. As valvas se abrem e fecham em resposta às MUDANÇAS DE PRESSÃO conforme o coração se contrai e relaxa. Cada uma das 4 valvas ajudam o coração assegurar o fluxo unidirecional de sangue através da abertura ao possibilitar que o sangue passe e, em seguida, se fechando para impedir seu refluxo • As valvas atrioventriculares: direita e esquerda, entre um átrio e um ventrículo. Se as AV estiverem danificadas, o sangue pode regurgitar para os átrios quando os ventrículos se contraem • As valvas semilunares se inserem na parede arterial, possibilitam a ejeção de sangue do coração para as artérias, mas evitam o refluxo de sangue para os ventrículos. Elas se abrem quando a pressão do no ventrículo é superior à pressão nas artérias - Circulações sistema e pulmonar: • O lado esquerdo do coração é uma bomba para a circulação sistêmica: ele recebe sangue oxigenado vermelho brilhante dos pulmões • O lado direito do coração é uma bomba para a circulação pulmonar: ele recebe todo o sangue desoxigenado vermelho escuro que retorna da circulação sistêmica 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Sístole ventricular: contração isovolumétrica, o volume não se altera porque todas as valvas estão fechadas; ejeção rápida quando se consegue vencer a pressão (70% do volume ventricular) -Diástole ventricular: ejeção lenta (30% do volume ventricula), efeito windkessel (inércia do sangue), relaxamento isovolumétrico. Nem todo o sangue do ventrículo será ejetado, todas as portas fechadas, mas em uma situação de relaxamento - Enchimento ventricular: enchimento rápido, enchimento lento (diástese), contração atrial (< 20% do volume) - Mecanismo de Frank-Starling: todo sangue que chegar ao coração, se o órgão estiver em boas condições, ele será ejetado. Ou seja, dentro dos limites fisiológicos, o coração bombeia todo o sangue que a ele retorna pelas veias (resistência de uma mola). Isso baseia a Pré-Carga, que é a energia de estiramento. Já a Pós-Carga compreende a resistência que o coração precisa vencer, ou seja, a energianecessária para superar a pressão aórtica - Volume diastólico final: volume máximo (ventrículo totalmente cheio) - Volume de ejeção: volume ejetado - Volume sistólico final: volume restante - Fração de ejeção = volume de ejeção/volume diastólico final (sinais prognósticos, da para identificar várias patologias) -Débito cardíaco = volume de ejeção/frequência cardíaca (quantidade de sangue que será ejetada por minuto) - A divisão autônoma do sistema nervoso e os hormônios liberados pelas medulas das glândulas suprarrenais (epinefrina e norepinefrina) - Regulação autonômica da frequência cardíaca: a regulação do coração pelo sistema nervoso se origina no centro cardiovascular localizado no bulbo. Essa região recebe informações de vários receptores sensoriais e dos centros cerebrais, como o sistema límbico e córtex cerebral - O centro cardiovascular direciona o débito apropriado, aumentando ou diminuindo a frequência dos impulsos nervosos nas partes simpática e parassimpática do SNA -Mesmo antes de a atividade física começar, especialmente em situações de competição, a 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 frequência cardíaca pode aumentar. Este aumento antecipatório ocorre porque o sistema límbico envia impulsos nervosos para o centro cardiovascular no bulbo -Quando a atividade física começa, os proprioceptores que estão monitorando a posição dos membros e os músculos enviam impulsos nervosos ao centro cardiovascular para aumentar a frequência -Outros receptores sensitivos que fornecem informações ao centro cardiovascular incluem os quimiorreceptores, que monitoram alterações químicas no sangue, e os barorreceptores, que monitoram o estiramento das principais artérias e veias causado pela pressão do sangue que flui neles. - Da região torácica da medula espinal, nervos simpáticos aceleradores cardíacos estendem-se para o nó SA, para o nó AV e para a maior parte das porções do miocárdio. Os impulsos nos nervos cardíacos aceleradores desencadeiam a liberação de norepinefrina, que se liga os receptores beta-1 (β1) das fibras musculares cardíacas. - Regulação química da frequência cardíaca: a hipoxia (nível de oxigênio reduzido), acidose (pH baixo) e alcalose (pH elevado) deprimem a atividade cardíaca • Hormônios: A epinefrina e a norepinefrina (provenientes da medula da glândula suprarrenal) melhoram a efetividade do bombeamento cardíaco. O exercício, o estresse e a excitação fazem com que as medulas das glândulas suprarrenais liberem mais hormônios. Os hormônios tireoidianos também melhoram a contratilidade cardíaca e aumentam a frequência cardíaca. Um sinal de hipertireoidismo é a taquicardia, ou seja, uma frequência cardíaca de repouso elevada. • Cátions: as diferenças entre as concentrações intracelulares e extracelulares de vários cátions (p. ex., Na+ e K+) são cruciais para a produção de potenciais de ação em todas as fibras nervosas e musculares, não é de se estranhar que os desequilíbrios iônicos possam comprometer rapidamente a efetividade do bombeamento cardíaco. - Outros fatores que influenciam na regulação da frequência cardíaca: • Idade, sexo, condição física e temperatura corporal também influenciam na frequência cardíaca de repouso • A frequência cardíaca declina ao longo da vida • As mulheres adultas geralmente tem a frequência cardíaca em repouso maiores que a dos homens • Uma pessoa fisicamente condicionada pode apresentar até bradicardia (FC < 50 bpm) • O aumento da temperatura corporal, como ocorre durante a febre ou os exercícios extenuantes, faz com que o nó SA libere impulsos mais rapidamente, aumentando assim a frequência cardíaca. A diminuição da temperatura corporal reduz a frequência e a força de contração cardíacas 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – 1- Estudar o funcionamento do ciclo cardíaco e o papel do coração como bomba 2- Entender como funciona o metabolismo cardíaco da pessoa normal e do atleta 3- Compreender como ocorre a sincronia das células musculares cardíacas para produzir o fluxo das câmaras 4- Diferenciar as fibras claras e escuras - Um ciclo cardíaco inclui todos os eventos associados a um batimento cardíaco - Assim, um ciclo cardíaco consiste em uma sístole dos átrios e uma sístole e uma diástole dos ventrículos - OBS: a despolarização provoca a contração e a repolarização causa o relaxamento das fibras musculares cardíacas - Mudanças de pressão e volume durante o ciclo cardíaco: em cada ciclo cardíaco, os átrios e os ventrículos se contraem e relaxam alternadamente, forçando o sangue das áreas de alta pressão para as de baixa pressão. Quando uma câmara se contrai, a pressão arterial dela aumenta. As pressões no lado direito são consideravelmente mais baixas • Sístole atrial (0,1 s): átrios contraídos e ventrículos relaxados 1- A despolarização do nó sinusal (sinoatrial) provoca a despolarização atrial (onda P do ECG) e causa a sístole atrial. 2- A sístole atrial contribui com os últimos 25 ml de sangue ao volume já existente em cada ventrículo (cerca de 105 ml). Assim, cada ventrículo contém cerca de 130 mℓ no final do seu período de relaxamento (diástole). Este volume de sangue é chamado volume diastólico final (VDF). Conforme o átrio se contrai, ele exerce pressão sobre o sangue dentro dele, forçando-o a passar pelas valvas AV abertas pelos ventrículos 3- O fim da sístole atrial também é o fim da diástole ventricular. 4- O complexo QRS no ECG marca o inicio da despolarização ventricular • Sístole ventricular (0,3 s): os ventrículos se contraem e, ao mesmo tempo, os átrios estão relaxados na diástole atrial 1- Conforme a sístole ventricular começa, a pressão intraventricular se eleva e empurra o sangue contra atrioventriculares, forçando seu fechamento. Por cerca de 0,05s, as valvas AV do tronco pulmonar e da aorta estão fechadas e este período é chamado de contração isovolumétrica. Durante esse intervalo, as fibras musculares cardíacas estão se contraindo e exercendo força, mas ainda não estão se encurtando. Assim, a contração muscular é isométrica. 2- A pressão no interior dos ventrículos vai aumentando acentuadamente. Quando a pressão ventricular esquerda ultrapassa a pressão aórtica em cerca de 80 milímetros de mercúrio (mmHg) e a pressão ventricular direita sobe acima da pressão no tronco pulmonar (cerca de 20 mmHg), as valvas do tronco pulmonar e da aorta se abrem. Neste momento, começa a ejeção de sangue do coração. O período é quem as valvas do tronco pulmonar e da aorta estão abertas é chamado de ejeção ventricular (0,25 s) 3- O ventrículo esquerdo ejeta cerca de 70 mℓ de sangue para a aorta, e o ventrículo direito ejeta o mesmo volume de sangue para o tronco pulmonar. O volume remanescente em cada ventrículo no final da sístole, cerca de 60 mℓ, é o volume sistólico final (VSF). O volume sistólico, o volume ejetado a cada batimento por cada ventrículo, é igual ao volume diastólico final menos o volume sistólico final: VS = VDF – VSF. Em repouso, o volume sistólico é de aproximadamente 130 mℓ – 60 mℓ = 70 mℓ. A onda T do 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 ECG marca o inicio da repolarização ventricular • Período de relaxamento (0,4 s): os ventrículos e os átrios estão relaxados. Com o aumento da frequência cardíaca o período de relaxamento vai se tornando mais curto, enquanto a duração da sístole atrial e da ventricular se encurta discretamente. 1- A repolarização ventricular provoca a diástole ventricular. Conforme os ventrículos relaxam a pressão no interior das câmaras cai e o sangue da aorta e do tronco pulmonar começa a refluir para as regiões de baixa pressão nos ventrículos. O refluxo de sangue sobreas válvulas fechadas da valva da aorta produz a onda dicrótica na curva de pressão aórtica. Depois do fechamento das valvas do tronco pulmonar e da aorta, existe um breve intervalo em que o volume de sangue do ventrículo não se modifica porque as quatro valvas estão fechadas. Este é o período de relaxamento isovolumétrico. 2- Conforme os ventrículos continuam relaxando, a pressão cai rapidamente. Quando a pressão ventricular cai abaixo da pressão atrial, as valvas do tronco pulmonar e da aorta se abrem e começa o enchimento ventricular. A maior parte do enchimento ventricular ocorre logo após a abertura das valvas do tronco pulmonar e da aorta. O sangue que fluiu para os átrios e ali se acumulou durante a sístole ventricular então se desloca rapidamente para os ventrículos. No final do período de relaxamento, os ventrículos estão cerca de 75% cheios. A onda P aparece no ECG, sinalizando o início de outro ciclo cardíaco. - Gráfico do ECG: - Pressão dentro das câmaras: - Volume dentro dos ventrículos e as fases do ciclo: Papel do coração como bomba: - A comunicação elétrica do coração começa em uma célula auto excitável. A despolarização se propaga rapidamente para as células vizinhas através das junções comunicantes nos discos intercalares. - A despolarização começa no nó sinoatrial (AS), as células auto excitáveis do átrio direito servem como principal marca-passo do coração. A onda de despolarização se propaga rapidamente por uma rede condução, constituído de fibras auto excitáveis não contráteis. - Uma via intermodal ramificada conecta o nó AS com o nó atrioventricular (nó AV). Do nó AV, a despolarização move-se para os ventrículos. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - As fibras de Purkinje, células de condução especializada dos ventrículos, transmitem os sinais elétricos muito rapidamente para baixo pelo fascículo atrioventricular, ou feixe AV, também chamado de feixe de His (“hiss”), no septo ventricular. - Percorrido um curto caminho no septo, o fascículo se divide em ramos esquerdo e direito. Esses ramos continuam se deslocando para o ápice do coração, onde se dividem em pequenas fibras de Purkinje, que se espalham lateralmente entre as células contráteis. (As fibras de Purkinje do miocárdio não devem ser confundidas com as chamadas células de Purkinje dos neurônios cerebrais.) - Quando os potenciais de ação se espalham pelos átrios, eles encontram o esqueleto fibroso do coração na junção entre os átrios e os ventrículos. Esta barreira impede que os sinais elétricos sejam transferidos dos átrios para os ventrículos. Consequentemente, o nó AV é o único caminho através do qual os potenciais de ação podem alcançar as fibras contráteis dos ventrículos. - A ejeção do sangue dos ventrículos é ajudada pelo arranjo em espiral dos músculos nas paredes - Uma segunda função do nó AV é atrasar um pouco a transmissão do potencial de ação. Esse atraso permite que os átrios completem suas contrações antes do início da contração ventricular. O atraso no nó AV ocorre devido à diminuição na velocidade de condução dos sinais através das células nodais. - Alguns tipos de exercícios são mais efetivos do que outros em melhorar a saúde do sistema cardiovascular - Os exercícios aeróbicos (ou seja, qualquer atividade que aciona grandes músculos do corpo durante pelo menos 20 minutos) eleva o débito cardíaco e acelera a taxa metabólica - Praticas de exercícios aumenta a demanda de oxigênio para os músculos. O fato da demanda ser atendida depende principalmente da adequação do débito cardíaco e do bom funcionamento do sistema respiratório. - Após varias dias de exercícios uma pessoa aumenta o debito cardíaco máximo (volume de sangue ejetado dos ventrículos para as respectivas artérias por minuto), elevando assim o fornecimento máximo de oxigênio aos tecidos. Além disso, o transporte de oxigênio aumenta porque os músculos esqueléticos desenvolvem mais redes capilares em resposta ao treinamento prolongado - Durante uma atividade extenuante, um atleta pode alcançar o dobro do debito cardíaco de uma 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 pessoa sedentária, pois causa a hipertrofia do coração. Também chamada de cardiomegalia fisiológica - A prática regular de exercício também ajuda a reduzir a pressão arterial, a ansiedade e a depressão; a controlar o peso; e a aumentar a capacidade do organismo de dissolver coágulos de sangue. - O conteúdo de mioglobina, proteína de cor vermelha que se liga ao oxigênio nas fibras musculares, varia entre as fibras musculares - Uma fibra é classificada como lenta ou rápida dependendo da rapidez com a qual a ATPase nas suas cabeças de miosina hidrolisa o ATP. - Fibras oxidativas lentas (OL): alto conteúdo de mioglobina, aparecem mais escuras (a carne escura das asas e coxas de frango), contêm mais mitocôndrias e são servidas por capilares sanguíneos. Também chamadas de fibras oxidativas lentas (OL), geram ATP principalmente por respiração aeróbica, motivo pelo qual elas são chamadas de fibras oxidativas. Diz-se que essas fibras são lentas porque a ATPase, nas cabeças de miosina, hidrolisa ATP de maneira relativamente devagar e o ciclo de contração procede em ritmo mais lento que nas fibras “rápidas”. Seus abalos musculares levam mais tempo para chegar à tensão de pico. São bastante resistentes à fadiga e adaptadas para a manutenção da postura e para atividades aeróbicas de resistência como corrida de maratona - Fibras Oxidativo- Glicolíticas rápidas (ORG): fibras maiores, elas contêm grandes quantidades de mioglobina e muitos capilares sanguíneos. Desse modo, também tem uma aparência vermelho-escura. Podem gerar uma quantidade de ATP considerável por respiração aeróbica, o que lhes conferem resistência moderada à fadiga. Uma vez que seu nível intracelular de glicogênio é alto, elas também geram ATP por glicólise anaeróbica. As fibras OGR são “rápidas” porque a ATPase nas suas cabeças de miosina hidrolisa ATP 3 a 5 vezes mais rapidamente que a ATPase na miosina das fibras OL, tornando sua velocidade de contração maior. As fibras OGR contribuem para atividades como a caminhada e a corrida de velocidade. - Fibras Glicolíticas rápidas (GR): baixo conteúdo de mioglobina, poucos capilares sanguíneos e poucas mitocôndrias e se mostram de cor branca. Elas contêm grandes quantidades de glicogênio e geram ATP principalmente por glicólise. Devido a capacidade de hidrolisar ATP com rapidez, as fibras GR se contraem forte e rapidamente. São adaptadas para exercícios anaeróbicos intensos devido a sua contração rápida. Programas de treinamento de força que colocam a pessoa em atividades que requerem grande força para curtos períodos aumentam o tamanho, a força e o conteúdo de glicogênio das fibras glicolíticas rápidas. As fibras GR de um levantador de peso podem ser 50% maiores que aquelas de pessoas sedentárias ou de um atleta de resistência por conta da síntese mais intensa de proteínas musculares. O resultado geral é o crescimento muscular decorrente da hipertrofia das fibras GR. Distribuição e recrutamento de diferentes tipos de fibras: - Cerca da metade das fibras de um músculo esquelético típico é composta por fibras OL. - As proporções variam razoavelmente, dependendo da ação do músculo, do regime de treinamento da pessoa e de fatores genéticos. - Os músculos posturais continuamente ativos do pescoço, coluna vertebral e membros inferiores apresentam uma grande proporção de fibras OL. - Os músculos dos ombros e dos braços não são constantemente ativados, sendo usados ocasionalmente, de maneira breve para produzir grandes quantidades de tensão, como no levantamento de peso e nos arremessos. Esses músculosapresentam uma grande proporção de fibras GR - Os músculos dos membros inferiores, que não apenas sustentam o corpo, como também são usados para andar e correr, revelam grandes quantidades de fibras OL e OGR. 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – 1. Revisar anatomia e fisiologia do coração 2. Estudar a embriogênese do coração 3. Conhecer os fatores de risco relacionados com a malformação congênita 4. Compreender os tipos de malformação congênita 5. Entender a fisiologia do sopro cardíaco 6. Estudar a anatomia e fisiologia das válvulas cardíacas - O coração é como uma bomba que faz o sangue circular por todo corpo e assim consiga alcançar todas as células e troque materiais com ela -O coração se contra cerca de 100.000 mil vezes por dia, o que perfaz 35 milhões de contrações por ano - Localização do coração: • Repousa sobre o diafragma, próximo a linha mediana da cavidade torácida • Encontra-se no mediastino (região que se estende do esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao diafragma), entre os pulmões • O ápice do coração representa a ponta do ventrículo esquerdo e está sobre o diagrama e direcionado para frente, para baixo e para a esquerda • A base do coração está do lado oposto ao ápice e constitui a sua face posterior - A membrana que envolve o coração é pericárdio e ela restringe o coração à sua posição no mediastino, possibilitando liberdade de movimento suficiente para a contração vigorosa e rápida - O pericárdio pode ser dividido em duas partes: • Pericárdio fibroso: superficial, tecido conjuntivo inelástico, denso, resistente e irregular, impede a hiperdistensão do coração, fornece proteção e ancora o coração no mediastino • Pericárdio seroso: mais profundo, membrana mais fina. A lâmina parietal do pericárdio seroso mais externa está fundida ao pericárdio fibroso • A inflamação no pericárdio é chamada de pericardite - A parede do coração é formada por três camadas: o epicárdio, o miocárdio e o endocárdio • O epicárdio é camada mais externa e é composta por duas camadas • A camada média é chamada de miocárdio que é responsável pela ação do bombeamento do coração e é composto por tecido muscular cardíaco, representa 95% do órgão. As fibras musculares, como as do musculo estriado esquelético, são envolvidas e separadas em feixes por bainhas do tecido conjuntivo. Já as fibras musculares cardíacas são organizadas em feixes que circundam diagonalmente o coração e produzem fortes ações de bombeamento do coração. Embora seja estriado como o musculo esquelético, o musculo cardíaco é involuntário como o musculo liso • Endocárdio é mais interno e fornece um revestimento liso para as câmaras, o que minimiza o atrito de superfície conforme o sangue passa • Miocardite e endocardite - Anatomia do coração: 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - O par de átrios recebe sangue dos vasos sanguíneos que retornam o sangue ao coração, as chamadas veias, enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração para vasos sanguíneos chamados artérias. Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura saculiforme enrugada chamada aurícula, assim chamada por causa de sua semelhança com a orelha de um cão - Cada aurícula aumenta discretamente a capacidade de um átrio, de modo que ele possa conter maior volume de sangue - O sangue flui para o átrio direito a partir da veia cava superior, da veia cava inferior e do seio coronário, e para o átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares. - No final da segunda semana, a nutrição embrionária é obtida do sangue materno por difusão através do córion, celoma extraembrionário e vesícula umbilical. - A formação inicial do sistema cardiovascular está correlacionada à necessidade urgente de transporte de oxigênio e nutrientes para o embrião a partir da circulação materna através do córion. - No inicio da terceira semana, a formação dos vasos sanguíneos, ou vasculogênese, começa no mesoderma extraembrionário da vesícula umbilical e do pedículo de conexão. - A vasculogênese se inicia no córion e os vasos sanguíneos se originam dois dias depois. - No final da terceira semana, desenvolve-se o primórdio de uma circulação uteroplacentária - Essa formação dos vasos sanguíneos no embrião e nas membranas extraembrionárias durante a terceira semana pode ser: • Vasculogênese: 1- Células mesênquimais se diferenciam em precursores endoteliais ou angioblastos (células formadoras de vasos), que se agregam e formam grupos de células angiogênicas (ilhotas sanguíneas) 2- Dentro das ilhotas sanguíneas, fendas intercelulares confluem, formando pequenas cavidades, formando o primórdio do endotélio 3- Essas cavidades revestidas por endotélio logo se fusionam para formar redes de canais endoteliais • Angiogênese 1- Vasos se espalham nas áreas não vascularizadas adjacentes por brotamento - O coração e os grandes vasos formam-se a partir de células mesenquimais no primórdio do coração ou na área cardiogênica. - Durante a terceira semana, forma-se um par de tubos revestidos por endotélio (tubos cardíacos endocárdicos) que se fundem formando um tubo cardíaco primitivo. - O coração tubular se une a vasos sanguíneos do embrião, do pedículo de conexão, do córion e da vesícula umbilical, formando o sistema cardiovascular primitivo - No final da terceira semana, o sangue circula e coração começa a bater no 21º ou 22º dia. - O sistema cardiovascular é o primeiro sistema que alcança um estágio funcional primitivo. - Os batimentos cardíacos embrionários podem ser detectados por ultrassonografia Doppler durante a quarta semana, cerca de 6 semanas após o último período menstrual normal. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - As anomalias cardíacas e vasculares constituem a maior categoria de defeitos congênitos humanos e são encontradas em 1% dos nascidos vivos. A incidência em natimortos é 10 vezes maior. Estima-se que 12% dos recém-nascidos com defeitos cardíacos tenham uma anomalia cromossômica e, por outro lado, que 33% dos bebês com anomalia cromossômica tenham um defeito cardíaco. Além disso, 30% dos defeitos cardíacos ocorrem em recém-nascidos com outras malformações principais. - Os defeitos cardíacos têm origem heterogênea e são difíceis de classificar epidemiologicamente. - O estabelecimento da lateralidade durante a gastrulação é essencial para o desenvolvimento cardíaco normal porque especifica as células que contribuem e padronizam os lados direito e esquerdo do coração. - As células progenitoras cardíacas também são especificadas nesse período, tanto para as partes do coração que elas formarão quanto para a lateralidade esquerda-direita pela via da lateralidade - Os indivíduos com defeito de lateralidade, como heterotaxia, frequentemente apresentam muitos tipos diferentes de defeitos cardíacos, incluindo dextrocardia (coração no lado direito), defeitos do septo interventricular (comunicação interventricular, CIV), defeitos do septo interatrial (comunicação interatrial, CIA), dupla via de saída do ventrículo direito (DVSVD; aorta e artéria pulmonar saindo do ventrículo direito) e defeitos da via de saída, como transposição dos grandes vasos, estenose da valva pulmonar e outros - Aproximadamente 2% dos defeitos cardíacos se devem a agentes ambientais; porém, a maioria deles é causada por uma interação complexa de influências genéticas e ambientais (causas multifatoriais). Exemplos clássicos de teratógenos cardiovasculares incluem o vírus da rubéola e a talidomida. Outros incluem ácido retinoico, álcool etílico e muitos outros compostos. Doenças maternas, como diabetes melito insulinodependente, também foram relacionadas com defeitos cardíacos. - Há tambémum forte componente genético para os defeitos, como ilustrado pelo fato de que a heterotaxia pode ser familiar e os indivíduos de tais famílias frequentemente têm defeitos cardíacos, independentemente de apresentarem ou não anormalidades de lateralidade • Detroxcardia: é uma condição em que o coração se encontra no hemitórax direito, em vez do esquerdo, e ocorre quando o coração se curva para a esquerda em vez de para a direita. O defeito pode ser induzido durante a gastrulação, quando a lateralidade é estabelecida, ou um pouco mais tarde, quando ocorre a alça cardíaca. A dextrocardia vem acompanhada de situs inversus, uma reversão total de todos os órgãos, ou de sequências de lateralidade (heterotaxia) em que as posições de apenas alguns órgãos estão revertidas • Cardiopatia hipertrófica: Mutações em vários genes que regulam a produção de proteínas sarcoméricas, que pode resultar em morte súbita em atletas e na população geral. A doença é herdada de modo autossômico dominante, e a maioria das mutações (45%) ocorre no gene da cadeia pesada da miosina β (14q11.2). O resultado é hipertrofia cardíaca decorrente da interferência na organização das células musculares cardíacas (irregularidade miocárdica), que influencia adversamente 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 o débito cardíaco e/ou a condução cardíaca. • Inversão ventricular: é um defeito no qual o ventrículo esquerdo morfológico está à direita e se conecta ao átrio direito por uma valva mitral. O ventrículo direito morfológico está no lado esquerdo e se conecta ao átrio esquerdo por uma valva tricúspide. Algumas vezes, o defeito é chamado de levotransposição das grandes artérias porque a artéria pulmonar sai do ventrículo esquerdo morfológico e a aorta sai do ventrículo direito morfológico. As artérias estão em suas posições normais, mas os ventrículos estão revertidos. A anomalia surge durante o estabelecimento da lateralidade e a especificação dos lados esquerdo e direito do coração pela via da lateralidade. • Síndrome do coração direito hipoplásico e síndrome do coração esquerdo hipoplásico: são defeitos raros que provocam subdesenvolvimento dos lados direito ou esquerdo do coração, respectivamente. À direita, o ventrículo é muito pequeno, a artéria pulmonar é afetada e pode apresentar atresia ou estenose; o átrio pode ser pequeno; à esquerda, o ventrículo é muito pequeno, a aorta pode apresentar atresia ou estenose, e o átrio pode ser reduzido em tamanho. A lateralidade associada a esses defeitos sugere um efeito adverso na especificação das células progenitoras cardíacas direitas e esquerdas nos estágios iniciais da morfogênese cardíaca. Os defeitos também podem surgir quando os fatores de transcrição hélice-alça- hélice Hand1 (ventrículo esquerdo) e Hand2 (ventrículo esquerdo) que regulam o crescimento ventricular estão com a expressão desregulada. • Comunicação interatrial: é uma anomalia cardíaca congênita com uma incidência de 6,4/10.000 nascimentos e com uma prevalência de 2:1 em recém- nascidos do sexo feminino em relação aos do sexo masculino. Um dos defeitos mais significativos é o defeito do óstio secundário, caracterizado por uma grande abertura entre os átrios esquerdo e direito. A anomalia mais séria desse grupo é a ausência completa de septo interatrial. Essa condição, conhecida como átrio comum ou coração trilocular biventricular, está sempre associada a defeitos importantes em outros locais do coração. Ocasionalmente, o forame oval se fecha durante a vida pré-natal. Essa anomalia, o fechamento prematuro do forame oval, resulta em hipertrofia maciça de átrio e ventrículo direitos e subdesenvolvimento do lado esquerdo do coração. A morte ocorre habitualmente logo após o nascimento. Os coxins endocárdicos do canal atrioventricular não dividem apenas esse canal em óstios direito e esquerdo, mas também participam na formação da parte membranosa do septo interventricular e no fechamento do óstio primário. Essa região tem a aparência de uma cruz, com os septos interatrial e interventricular formando a parte vertical, e os coxins endocárdicos, a parte horizontal. A integridade dessa cruz é um sinal importante nas ultrassonografias do coração. Sempre que os coxins atrioventriculares não se fundem, o resultado é um canal atrioventricular persistente, combinado com um defeito no septo cardíaco. Esse defeito septal tem um componente atrial e um ventricular, separados por folhetos valvares anormais no único óstio atrioventricular 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 • Atresia tricúspide: que envolve a obliteração do óstio atrioventricular direito, é caracterizada pela ausência ou pela fusão das valvas tricúspides. A atresia da valva tricúspide sempre está associada a: (1) persistência do forame oval; (2) comunicação interventricular (CIV); (3) subdesenvolvimento do ventrículo direito; e (4) hipertrofia do ventrículo esquerdo • Anomalia de Ebstein: é uma condição em que a valva tricúspide está deslocada na direção do ápice do ventrículo direito e, como resultado, há um átrio direito expandido e um ventrículo direito pequeno. Os folhetos das valvas estão posicionados anormalmente, e o folheto anterior está geralmente aumentado. Os folhetos da valva tricúspide estão deslocados em direção ao ápice do ventrículo direito e há expansão da região atrial direita. - O som dos batimentos cardíacos é decorrente principalmente da turbulência do sangue causada pelo fechamento das valvas cardíacas. - O fluxo tranquilo do sangue é silencioso - Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um estetoscópio. - A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a segunda bulha. B1 é causada pela turbulência do sangue associada ao fechamento das valvas AV logo depois de a sístole ventricular começar. A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte quanto a primeira, pode ser descrita como um som de tá. B2 é causada pela turbulência no sangue associada ao fechamento das valvas do tronco pulmonar e da aorta no início da diástole ventricular. Apesar de B1 e B2 serem decorrentes da turbulência do sangue associada ao fechamento de valvas, são mais bem auscultadas na superfície do tórax em locais que são um pouco diferentes das localizações das valvas. Isto porque o som é transportado pelo fluxo sanguíneo para longe das valvas. B3, que normalmente não é intensa o suficiente para ser auscultada, é decorrente da turbulência do sangue durante o enchimento ventricular rápido, e B4 é ocasionada pela turbulência do sangue durante a sístole atrial. 6 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 • Sopros cardíacos: As bulhas cardíacas fornecem informações valiosas sobre o funcionamento mecânico do coração. Um sopro cardíaco é um som anormal que é auscultado antes, durante ou depois das bulhas cardíacas normais, ou que pode mascarar as bulhas cardíacas normais. Os sopros cardíacos em crianças são extremamente comuns e, geralmente, não representam um problema de saúde. São mais frequentemente detectados em crianças entre os 2 e 4 anos de idade. Estes tipos de sopros cardíacos são chamados de sopros cardíacos inocentes ou funcionais; muitas vezes, diminuem ou desaparecem com o crescimento. Embora alguns sopros cardíacos em adultos sejam inocentes, com frequência um sopro no adulto indica um distúrbio valvar. Quando uma valva cardíaca apresenta estenose, o sopro cardíaco é auscultado quando ela deveria estar totalmente aberta, mas não está. Por exemplo, a estenose atrioventricular esquerda(ver correlaçãO clínica | Valvopatias cardíacas) produz um sopro durante o período de relaxamento, entre B2 e a B1 seguinte. Uma valva cardíaca incompetente, em contrapartida, causa o aparecimento de um sopro quando a valva deveria estar totalmente fechada, mas não está. Então, um sopro decorrente de incompetência da valva atrioventricular esquerda (ver correlaçãO clínica | Valvopatias cardíacas) ocorre durante a sístole ventricular, entre B1 e B2. 1 Roberta Medeiros – S1 – M02 – SOI I APG IX – SISTEMA CIRCULATÓRIO OBJETIVOS 1- Estudar a anatomia dos vasos 2- Entender o que é aterosclerose e conhecer o processo inflamatório causado pela formação das placas de gordura 3- Analisar como os hábitos de vida causam impacto na saúde 4- Revisar Ciclo Cardíaco ANATOMIA DOS VASOS - Estrutura básica dos vasos: A parede de um vaso sanguíneo é composta por 3 camadas: um tecido epitelial interno (túnica íntima), uma de músculo liso e tecido conjuntivo elástico (túnica média) e um revestimento externo de tecido conjuntivo (túnica externa). - As diferenças estruturais se correlacionam com as diferenças de funções - Artérias: são classificados de acordo com o seu diâmetro, em grandes artérias elásticas, artérias de diâmetro médio ou artérias musculares e arteríolas. Grandes Artérias Elásticas: As grandes artérias elásticas contribuem para estabilizar o fluxo sanguíneo e incluem a aorta e seus grandes ramos. Corpos carotídeos: Corpos carotídeos são pequenos quimiorreceptores sensíveis à concentração de dióxido de carbono e oxigênio no sangue, encontrados perto da bifurcação da artéria carótida comum. Seios carotídeos: Esses seios contêm barorreceptores que detectam variações na pressão sanguínea e transmitem essa informação ao sistema nervoso central. Artérias Musculares: contêm a túnica média formada essencialmente por células musculares lisas Arteríolas: diâmetro muito pequeno - Capilares: sofrem variações estruturais que os adaptam para exercer níveis diferentes de troca metabólica entre o sangue e os tecidos circunvizinhos. Os capilares são compostos de uma única camada de células endoteliais que se enrolam em forma de tubo. -Veias: das vênulas, o sangue é coletado em veias de maior calibre, arbitrariamente classificadas como veias pequenas, médias e grandes 2 Roberta Medeiros – S1 – M02 – SOI I ATEROSCLEROSE E PROCESSO INFALAMATÓRIO CAUSADO PELA FORMAÇÃO DE PLACAS DE GORDURA - A aterosclerose é a maior responsável pela doença das artérias coronárias; - Para que ocorra a formação de placas de gordura é necessário que exista um processo inflamatório, do qual deve-se destacar: Presença de algum fator irritante: lipídios (LDL colesterol), toxinas (nicotina – cigarro) e alta pressão sanguínea (hipertensão). Danificação no endotélio Depósito de LDL-c Monócito -> macrófago -> célula espumosa -Lesões ateroscleróticas são caracterizadas por espessamentos focais da túnica íntima, pela proliferação das células musculares lisas e de elementos celulares e extracelulares do tecido conjuntivo, e pelo depósito de colesterol nas células musculares lisas e em macrófagos. -As artérias coronárias estão entre as que apresentam maior predisposição para desenvolver a aterosclerose - Quando há essa danificação no endotélio, o Colesterol (LDL) consegue entrar em contato diretamente com a parede do vaso. Esse LDL consegue se estender pela parede do vaso por causa do fluxo sanguíneo. Tal lipídio irá se oxidar, o que fará o sistema imunológico enviar células de combate, os monócitos. Esse glóbulo branco tentará eliminar o colesterol e, quando chegar ao endotélio, ele se converterá em macrófago. Entretanto, esses macrófagos começarão a se autodestruir, devido ao grande acúmulo de colesterol nos seus interiores. Quando essas células são visualizadas em um microscópio eletrônico, elas apresentam um formato de espuma, por isso são chamadas de células espumosas. -Com o aumento dessa inflamação mais células são danificadas, o que faz aumentar ainda mais as placas de gordura. Com efeito, as células do músculo liso (túnica média) começam a migrar para fora do tecido e adentrar nessas placas, visto que percebem o comportamento anormal do organismo e querem encobrir a placa porque não querem que o trombogênico, que significa coagulante, seja exposto ao sangue. Começa-se, então, a surgir uma casca fibrosa (de proteína feita de colágeno e elastina), isolando-a da corrente sanguínea. -Além disso, quando as células espumosas morrem elas induzem o músculo liso a depositar cálcio dentro da placa. O que torna as artérias bem rígidas -Essas placas acumuladas dentro dos vasos sanguíneos podem causar uma obstrução parcial ou, 3 Roberta Medeiros – S1 – M02 – SOI I até mesmo, total das artérias. Geralmente a obstrução completa das artérias ocorre devido ao rompimento dessa placa, fazendo com que o material que estava dentro dela é expelido para o meio do vaso, formando um coágulo de sangue, impedindo totalmente o fluxo sanguíneo para chegar ao coração. - Se essa placa persistir obstruindo o fluxo sanguíneo para o coração, em cerca de 20 minutos, a parte que deveria ser irrigada pelo coração começará a morrer, caracterizando, assim, um infarto do miocárdio (IM). COMO OS HÁBITOS DE VIDA CAUSAM IMPACTO NA SAÚDE -De fato, a rotina de uma pessoa pode influenciar diretamente no seu bem-estar físico e mental. -Tudo se inicia a partir da alimentação, pois ela é a porta de entrada tanto para suprir as necessidades biológicas do ser humano quanto para proporcionar momentos de felicidade também. Uma alimentação saudável ajudará a manter ou suprir as quantidades necessárias de vitaminas, sais minerais, lipídios, carboidratos e proteínas. Com isso, o organismo, possivelmente, evitará desencadear diversas doenças, como diabetes, hipertensão e patologias ligadas a escassez de vitaminas (beribéri – escassez de B1, escorbuto – escassez de C, xerofitalmia – escassez de A, etc ). -Além disso, vale ressaltar a importância do hábito de exercícios físicos, que, aliados à uma boa alimentação saudável, consegue oferecer diversos benefícios para a saúde do indivíduo. Dentre eles, deve-se ressaltar a possibilidade de equilibrar o saldo calórico do nosso organismo e diminuir sintomas de problemas psicológicos (ansiedade, por exemplo), o estímulo fisiológico de vários órgãos e tecidos, como o muscular e a capacidade de promover a socialização. Evidentemente, se esses fatores não forem hábitos de uma pessoa, as consequências dessa faltam resultarão em um grande impacto negativo nesse ser. Isso pode ocorrer não apenas com o acometimento de doenças, mas também na socialização do ser humano e das pessoas que ele influencia. CICLO CARDÍACO Na contração, o músculo papilar puxa as cordas tendíneas e isso faz com que o sangue não volte para o átrio. -Nome dado ao intervalo de um batimento cardíaco completo até que um novo batimento ocorra. - O ciclo cardíaco pode ser explicado a partir de qualquer ponto, mas como forma de exemplificação, seguiremos a seguinte ondem: Tum = 1ª bulha cardíaca (B1) B1= Fechamento das valvas ventriculares (AV) Ta= 2ª bulha cardíaca (B2) B2 = Fechamento das valvas semilunares -Quando os ventrículos se enchem de sangue, longo em seguida eles se contraem e isso é chamado de sístole cardíaca, -Fases: 1ª fase da sístole cardíaca: contração isovolumétrica 2ª: ejeção cardíaca Ejeção rápida: ~70% do volume no primeiro terço de tempo Ejeção lenta: ~30% do volume nos 2/3 restantes do tempo Contração no ventrículo acaba, o que faz com que a pressão no interior do ventrículo seja menor do que na base da artéria que estava recebendo tal sangue 1ª faseda diástole cardíaca: relaxamento isovolumétrico Enchimento rápido: ~70% do volume no primeiro terço do tempo Diástase cardíaca: fase de enchimento lento dos ventrículos 3ª fase Sístole atrial: 20% do volume no último terço do enchimento Ao fim de cada sístole, existe o volume sistólico final (VSF – 50 ml). Ao fim de cada diástole, volume distólico final (VDF – 120 ml) 1 Roberta Medeiros – SOI I/ APG – S1 – M02 – OBJETIVOS 1. Compreender o que é anamnese direcionada\coerente, sua importância e como ela se encaixa em cada ocasião. 2. Entender como deve ocorrer uma comunicação efetiva e ética entre médico\paciente. 3. Compreender como deve ocorrer uma relação ética e comunicativa entre os profissionais ANAMNESE E SEUS DESDOBRAMENTOS - A anamnese é o primeiro contato que o médico irá estabelecer com o paciente. É a partir dela que este poderá trazer memórias relacionadas a doença. - Ela é feita estilo uma entrevista, por isso se tornará o núcleo da relação médico – paciente - A anamnese deve seguir princípios teóricos e éticos, com humanidade, pois, se ela for bem feita, os diagnósticos e tratamentos serão eficazes - Há alguns tipos de anamnese, entre eles estão: • Relato livre: espontâneo, não há interferência do médico • Condução objetiva: dirigida ou direcionada tecnicamente por esquema mental básico (geralmente mais utilizada por estudantes) • Relato livre + Condução objetiva - Além disso, a anamnese deve seguir alguns princípios: • Demonstração de TOTAL atenção ao paciente. Apresentar cumprimentos e preguntas acerca do nome dele, das situações de dor, ansiedade, sono, estresse, tristeza. Nesse momento que se estabelece a relação médico – paciente • Compreensão das condições socioculturais, pois elas podem ser determinantes no diagnóstico de algumas doenças • Atenção para perceber e observar distúrbios aparentes • Cuidado com preconceitos e ideias preconcebidas - Se esse procedimento for bem realizado, os sintomas bem investigados, o exame físico ajudará a ser mais objetivo - Um histórico clínico mal concebido pode ocasionar vários erros de diagnóstico e colocar a vida do paciente em risco - O médico após obter as queixas e os sintomas do paciente deve ter um raciocínio clínico - Não pode omitir informações na anamnese por conta de exames complementares - O tempo que um médico conduz uma anamnese pode classifica-lo em competente e incompetente - O que não deve faltar em uma anamnese? Nome: não se deve utilizar rotulações ou numerar os pacientes Idade: cada grupo etário tem suas próprias doenças Sexo: prevalência de determinadas doenças quanto ao gênero e a raça Raça/etnia Estado civil Profissão: pode ter relação causal ou agravante da doença atual Local de nascimento e procedência de moradia Religião - Componentes da anamnese: 1 – Queixa principal (QR): • O que motivou a doença? • Por que o paciente me procurou? • O que o(a) senhor(a) está sentindo? 2 Roberta Medeiros – SOI I/ APG – S1 – M02 Ex: “dor de cabeça”, “falta de ar”, “dor de barriga” etc • As palavras do paciente devem ser escritas. Se o profissional quiser utilizar “” para referir a elas, também é possível. • É PROIBIDO PRÉ- DIAGNÓSTICOS! 2 – História da Doença Atual (HDA): • O médico não pode induzir respostas! • Deve-se apurar exames, tratamentos e a evolução da doença • O profissional deve ler a história escrita para o paciente, para que o mesmo possa confirmar, corrigir ou acrescentar algo • SINTOMA GUIA: a queixa mais longa, ou o sintoma mais destacado (QP) • ESQUEMA PARA A ANÁLISE DE UM SINTOMA: INÍCIO: “quando a dor surgiu?” CARACTERÍSTICA DO SINTOMA: “onde dói?”, “quanto tempo dura?” FATORES DE MELHORA OU DE PIORA: “o que melhora a dor?”, “o que piora a dor?” RELAÇÃO COM OUTRAS QUEIXAS: “você está tossindo?”, “está com falta de ar?” EVOLUÇÃO: “nos últimos três dias essa dor mudou?” SITUAÇÃO ATUAL: “como está a dor hoje?” 3 – Interrogatório sintomatológico • Ajudará a complementar a história da doença e pode ser denominada de “Anamnese especial” ou revisão dos sistemas • Será útil para reconhecer enfermidades sem relação com o quadro sintomatológico na HDA • SISTEMATIZAÇÃO DO IS: Sintomas gerais -> febre, astenia, sudorese, calafrios, cãibras, alterações de peso Pele e fâneros Cabeça e pescoço Tórax Abdome Sist. Hematolinfopoiético Sist. Geniturinário Sist. Endócrino Coluna vertebral, ossos, articulações e extremidades Músculos Artérias, veias, linfáticos e microcirculação Sistema nervoso Exame psíquico e avaliação das condições emocionais 4 – Antecedentes pessoais e familiares (APF) • Avalia-se o estado de saúde passado e presente pessoais e familiares, visto que pode influenciar no processo saúde-doença • Investiga-se: Gestação e nascimento Desenvolvimento psicomotor e neural Desenvolvimento sexual Doenças sofridas pelo paciente Alergias Cirurgias, traumatismos, transfusões sanguíneas História obstetrícia Vacinas Medicamentos em uso 5 – Hábitos de Vida (HV) • Nesse item, investiga-se os hábitos de vida do paciente: Alimentação Ocupação atual e as anteriores Atividades físicas Se há uso de tabaco, bebidas alcoólicas, anabolizantes e drogas 6 – Condições socioeconômicas e culturais • Avalia-se a condições financeiras, situações afetivas familiares, religião, escolaridade, condições de moradia etc. 3 Roberta Medeiros – SOI I/ APG – S1 – M02 ÉTICA MÉDICA ENTRE PACIENTES E OUTROS PROFISSIONAIS -A ética está relacionada ao caráter. É a conduta segundo a moral que vê atitudes pela razão - A ética médica é a conduta centrada no paciente. Ela deve respeitar a dignidade (reconhecer sentimentos morais e religiosos) e reconhecer valores (reconhecer as necessidades materiais) - No cotidiano de uma medicina ruim, ocorre: negligência, imprudência e imperícia - A bioética é a reflexão sobre a adequação das ações que envolvem a vida e o viver - A relação médico-paciente faz parte da essência da profissão médica - Ao longo da história, houve uma evolução dessa relação. Antes, ela era paternalista e autoritária, que havia monopólio dos conhecimentos sobre doenças e tratamentos. Atualmente, a relação é contratualista, pois há o reconhecimento de direitos e deveres, possibilidades e limitações. - Existem alguns cuidados na relação: • Preservação do sigilo médico • Evitar juízo de valor sobre atitudes e comportamentos do paciente • Ter paciência • Uso de habilidades de comunicação • Neutralidade - As principais expectativas do paciente: • Ser ouvido • Ser visto como um todo, não apenas como uma parte ou diagnóstico • Ser atendido por um médico competente • Não ser abandonado - Principais princípios da relação médico- paciente: • Consideração da condição humana do paciente • Precaução com palavras e atitudes • Isonomia de atenção entre os pacientes • Portação adequada aos pacientes • Reconhecimento dos limites de atuação • Aprimoramento contínuo -Padrões e comportamentos médicos: • Paternalista • Autoritário • Agressivo • Inseguro • Tecnista • Otimista • Pessimista • Rotulador • Frustrado • Sem vocação -Padrões e comportamentos do paciente: • Ansioso: gaste mais tempo com fatos não relacionados a doença, pode reduzir a tensão • Deprimido: conquiste a atenção e confiança • Que chora: deixe-o chorar sem indagação e consolo, leve toque na mão, um abraço ou silêncio respeitoso • Verborreico: recondução contanteção relato dos sintomas • Hostil: tenha serenidade e autoconfiança • Agitado: se for grave, contenção física e/ou uso de antipsicóticos • Eufórico • Comretardo mental de fácil reconhecimento: adotar raciocínio simples, com perguntas diretas e corriqueiras • Hipocondríaco: ouvir com paciência e compreensão – atitudes firmes • Surdo: buscar apoio da família para melhores compreensões • Em estado grave: postura objetiva e coletar dados para diagnóstico e exame direcionado • Paciente terminal: sem possibilidade terapêutica curativa – neoplasias 4 Roberta Medeiros – SOI I/ APG – S1 – M02 malignas avançadas – posição médico -paciente difícil. 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – – “ ” Objetivos 1 - Estudar os canais iônicos 2 - Conhecer como funciona a eletrofisiologia do coração 3 - Analisar como a atividade elétrica do coração pode ser interpretada e representada Canais Icônicos - Os canais icônicos ficam localizados em partes específicas da membrana plasmática das células. Eles são proteínas transmembranas integrais, ou seja, estendem-se do exterior celular até o seu interior. Eles são os responsáveis por permitir a passagem de íons inorgânicos de baixa carga, que fazem parte de vários processos fisiológicos, como a Bomba de Na+ e K+. -Permitem a passagem de íons inorgânicos pequenos que são muito hidrofílicos para penetrar no interior apolar da bicamada lipídica. - A maioria dos canais iônicos são seletivos, ou seja, só passa um tipo de íon. -O tipo de transporte de membrana que utiliza esses poros é a difusão facilitada mediada por canal. Eletrofisiologia do Coração - Automaticidade cardíaca - O maestro principal: Nó sinoatrial (localizado no átrio direito), pois ele realiza esse ciclo bem mais rápido do que qualquer outra parte do sistema de condução. Se esse falhar, outros podem assumir, porém sem a mesma eficiência, diminuindo a frequência cardíaca. - Esses impulsos são transmitidos não apenas pelo sistema especializado, mas também por células musculares cardíacas que formam o sincício, ou seja, agem como se fossem uma única coisa. Se excitar uma célula, todas as demais também serão excitadas. - Trajeto do impulso elétrico: 1. Criação no nó sinusal (sinoatrial) 2. Sua propagação pelas vias intermodais até o Nó atrioventricular 3. O impulso passa para o átrio esquerdo por meio do Feixe de Bechmann (até esse momento o impulso fica limitado aos átrios, devido ao isolamento elétrico criado pelo esqueleto fibroso, permitindo que prossiga apenas pelo sistema de condução). Isso ocorre para que a sístole atrial ocorra antes da sístole ventricular, permitindo que o sangue acumulado nos átrios seja ejetado para os ventrículos. 4. A partir daí, após o atraso do nó atrioventricular, o impulso segue pelo feixe atrioventricular e pelos seus ramos esquerdo e direito, por meio do septo interventricular até o ápice cardíaco 5. Do ápice cardíaco, o impulso segue pelas paredes livres, pelas fibras de Purkinje, alcançando todo o restante dos ventrículos 6. Devido essa conformação das fibras de Purkinje, a despolarização ocorrerá do ápice para a base. Ou seja, os ventrículos ordenam o sangue em direção a base cardíaca, que ficam os óstios dos grandes vasos, que são as rodas desejadas no momento pelo ciclo (maior eficiência na ejeção) - A despolarização ocorre pela mudança nas concentrações iônicas - Tudo ocorre nos canais iônicos presentes na membrana celular, especialmente nos de Na, K e Ca - Inicialmente, o meio intracelular se encontra com a carga negativa em relação ao meio extracelular. Ou seja, a célula está polarizada, com uma concentração de K maior no seu interior e de Na e Ca maior no meio externo -Essa diferença se mantem devido a impermeabilidade da membrana e pelo trabalho da 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 bomba de sódio e potássio, que favorece essas concentrações utilizando energia (ATP) - Os canais seletivos desses íons se abrem, permitindo o deslocamento deles a favor do gradiente de concentração quando estão sob determinada voltagem - Os canais de sódio lento permitem uma entrada constante de Na, que aos poucos irá “positivando” esse potencial. Quando o potencial chega a -40mV (o potencial inicial é -60mV), os canais de cálcio dependentes de voltagem se abrem, permitindo um grande influxo de cálcio, o que eleva o potencial a valores positivos, ou seja, leva a despolarização da membrana - Quando o potencial da membrana se torna positivo, os canais de potássio se abrem, repolarizando novamente a membrana. A partir daí, as bombas de Na e K e as bombas de Ca retomam as concentrações originais, expulsando o Na e o Ca e recapitando o K para a célula - Essa perturbação é chamada a nível celular de potencial de ação - Esse processo acontece 1 vez por segundo. O que teoricamente quer dizer que nosso coração bate 1 vez/segundo -Criação do potencial de ação nos nós = resposta lenta -Condução do impulso elétrico nas demais células cardíacas = resposta rápida - Como ocorre a reposta rápida: • Nas demais células cardíacas, haverá outros tipos de canais de iônicos: os canais de Na (rápido) e Ca (igual ao do sinoatrial) e de K (lento) • As células musculares cardíacas possuem as junções comunicantes (GAP) e o retículo sarcoplasmático, que é uma estrutura que armazena cálcio internamente. Nesses, existem canais de cálcio dependentes de voltagem • Alguns dos íons de Na e Ca que entraram na fase de despolarização no potencial de ação, irão para as células adjacentes por meio das junções comunicantes e lá desencadearão outro processo • Na condução, o gatilho para a perturbação do equilíbrio será a entrada desses íons. Isso 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 porque o potencial de membrana dessas outras células cardíacas (inicialmente a - 90mV) será levemente positivado, o suficiente para abrir os canais de sódio rápido e desecandear um grande influxo de sódio, consequentemente depolarizando a membrana BRUSCAMENTE • Essa despolarização irá resultar na abertura dos outros dois canais. O de cálcio irá se abrir devagar, logo o potássio começa a sair repolarizando a célula, porém, em uma velocidade menor, o cálcio começa a entrar • A entrada de cálcio não permite uma repolarização brusca (forma o efeito platô – pois as cargas que estão entrando e saindo serão equilibradas) e dispara a saída do cálcio armazenado no retículo sarcoplasmático • Logo, uma grande quantidade de cálcio se concentra no meio intracelular, o que é importantíssimo, pois é ele que dispara o processo de contração muscular • Com a leve queda do potencial no platô, os canais de cálcio voltam a fechar novamente, pois ele deixa de ser adequado para mantê- los abertos. • Com isso, a repolarização ocorre RAPIDAMENTE, pois apenas o potássio está saindo • As bombas irão restabelecer as concentrações iniciais, inclusive dentro do retículo sarcoplasmático - Fases • Fase 0: despolarização (pelo Na) • Fase 1: repolarização inicial (saída de K) • Fase 2: platô (equilíbrio da mov. do K e do Ca) • Fase 3: repolarização final (saída unicamente de K) • Fase 4: restauração das concentrações - Período refratário: durante esse período a célula ou está inviabilizada de sofrer nova despolarização ou necessita de um estímulo muito maior • Efetivo: os canais de Na não serão novamente abertos, independentemente do potencial • Relativo: os canais só serão abertos se ocorrer um potencial maior do que o exigido anteriormente - Esses períodos são importantes para que as células miorcárdias não entrem em tentania, ou seja, fiquem mais tempo do que o necessário contraídas. Ou seja, apenas quando entrar na fase 4, é que os canais atenderão aos potenciais padrões Interpretação e representação da atividade cardíaca - Todo o trajeto do impulso cardíaco pode serregistrado no eletrocardiograma (ECG) 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - O ECG é tipo como se fosse uma filmadora que fará registros do impulso elétrico a partir da posição do ápice do coração, considerando se o mesmo se aproximou e se afastou dela - O impulso sai do nó sinoatrial (sinusal) em direção ao nó atrioventricular, despolarizando os átrios. Ou seja, aproximando-se da “câmera” que registra a onda positiva (onda P). - O nó atrioventricular atrasa o impulso e, como não há movimentação, o ECG registra apenas uma linha reta que é o segmento PR. - Na despolarização inicial do septo, é preciso que todas as resultantes se afastem da “câmera” e registe a onda negativa Q - O impulso segue bruscamente em direção ao ápice, pelos ramos, aproximando-se bastante da “filmadora”, registrando a grande onda R - Posteriormente, há a subida pelas paredes livres dos ventrículos se afastando novamente da câmera, o que forma a onda negativa S, despolarizando os ventrículos - Após a despolarização, as células voltam ao seu estágio inicial (repolarização), formando a onda T -Resumindo: • A onda P é a despolarização dos átrios, ou seja, é quando eles recebem o estímulo da contração • O complexo QRS é a despolarização dos ventrículos • A onda T é a repolarização dos ventrículos • A repolarização dos átrios ocorre em um período semelhante a despolarização ventricular, que é mais intensa e por isso não aparece no ECG Referências Bibliográficas Berne & Levy, fisiologia humana Guyton & Mall, fisiologia Médica 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 APG XII – A SAÚDE DAS PERNAS Objetivos 1. Estudar a anatomia e fisiologia dos vasos nos membros inferiores. 2. Entender como funciona o retorno sanguíneo. 3. Abordar ações de promoção e proteção da saúde do trabalhador. Anatomia e fisiologia dos vasos nos membros inferiores - Os membros inferiores possuem veias superficiais localizadas no tecido subcutâneo (veia safena parva e safena magna) e veias profundas que acompanham as principais artérias - A artéria ilíaca externa supre os músculos da parede abdominal e o membro inferior - A artéria femoral é a continuação da artéria ilíaca externa após o ligamento inguinal e ela supre o períneo, o quadril, a coxa e o joelho - Na altura da região poplítea origina a artéria poplítea, que se estende até a margem inferior do músculo poplíteo. - A artéria tibial posterior se estende ao longo face posterior da perna e origina as artérias planares medial e lateral - A artéria tibial anterior se estende pela face anterior da perna e dá origem à artéria dorsal do pé -As artérias digitais dorsais se originam das artérias metatarsais dorsais 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - As duas principais veias superficiais no membro inferior são as veias safenas e parva - A veia safena magna é formada pela união da veia dorsal do hálux e o arco venoso dorsal do pé Retorno sanguíneo - À semelhança dos membros superiores, o sangue dos membros inferiores é drenado por veias superficiais e profundas - Todas as veias dos membros inferiores apresentam válvulas, que são mais numerosas do que nas veias dos membros superiores 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - O retorno venoso nos membros inferiores começa inicia nos arcos venosos do pé (dorsal e plantar) -Dos arcos venosos, as veias se convergem para a veia safena magna e parva - A veia safena magna se estende por todo o comprimento do membro inferior (considerada a maior do corpo) e coleta sangue das veias superficiais e através do hiato safeno desemboca na veia femoral - A veia femoral é uma veia profunda que acompanha a artéria femoral do hiato dos adultos ao ligamento inguinal e recebe sangue de todas as veias que drenam o membro inferior Saúde do trabalhador - Compreende práticas interdisciplinares e interinstitucionais - Sua abordagem busca superar a saúde ocupacional e a medicina do trabalho, pois além da medicina e engenharia de segurança, inclui outras disciplinas: a epidemiologia, a administração e planejamento em saúde e as ciências sociais em saúde -Saúde e doença estão condicionados e determinados pelas condições de vida das pessoas e são expressos entre os trabalhadores também pelo modo como vivenciam as condições, os processos e os ambientes em que trabalham. 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - A execução das ações de ST, segundo a Constituição Federal, Art. 200 é competência do SUS devendo este:”II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; e...VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho”. - A atuação da área de Saúde do Trabalhador ultrapassa os limites do SUS e deve ser realizada necessariamente em conjunto com outras áreas do poder público, com a cooperação da sociedade e dos próprios trabalhadores organizados pois estes são os que conhecem de fato seu trabalho e os riscos a que estão submetidos. - A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora- PNST: são definidos os princípios, as diretrizes e as estratégias nas três esferas de gestão do SUS – federal, estadual e municipal, para o desenvolvimento das ações de atenção integral à Saúde do Trabalhador, com ênfase na vigilância, visando a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos sendo este o seu objetivo. - Quem são os trabalhadores para os quais o SUS dirige a PNST? São todos os trabalhadores, independentemente de sua localização, urbana ou rural, de sua forma de inserção no mercado de trabalho, formal ou informal, de seu vínculo empregatício, público ou privado, assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativados, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado; diferentemente do público alvo do Ministério do Trabalho e Emprego e da Previdência Social que se ocupam dos trabalhadores formais. - Como o SUS realiza a PNST? Articulando ações individuais de assistência e de recuperação dos agravos, com ações coletivas, de promoção, de prevenção, de vigilância dos ambientes, processos e atividades de trabalho, e de intervenção sobre os fatores determinantes da saúde dos trabalhadores; ações de planejamento e avaliação com as práticas de saúde; o conhecimento técnico e os saberes dos trabalhadores. - São alguns objetivos da PNST: Fortalecer a Vigilância em ST e integrá-la aos demais componentes da Vigilância em Saúde; Promover a saúde e ambientes e processos de trabalho saudáveis; Ampliar o entendimento da ST como ação transversal, identificando a relação saúde-trabalho em todos os pontos da rede de atenção; Incluir nas análises de situação de saúde e nas ações de promoção da saúde a categoria trabalho; Identificar a situação do trabalho dos usuários nas ações e serviços de saúde e considerar o trabalho das pessoas e suas consequências nas intervenções em saúde; - Principais estratégias de implantação da PNST Análise do perfil produtivo e da situação de saúde dos trabalhadores; Estruturação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador- RENAST no contexto da Rede de Atenção à Saúde: ações junto à APS, à Urgência e Emergência e Atenção Especializada (Ambulatorial e Hospitalar). Fortalecimento e ampliação da articulação intersetorial; Estímulo à participação da comunidade, dos trabalhadores e do controle social; Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos; 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02– Objetivos 1- Compreender mecanismos de prevenção de acidentes no trabalho; 2- Estudar anatomia, fisiologia e morfologia dos vasos em membros superiores e diferenciá-los; 3- Entender o mecanismo fisiológico de controle da pressão arterial e do volume sanguíneo; 4- Conhecer os sinais vitais normais; 5- Compreender o choque hipovolêmico e a hipovolemia sanguínea. Prevenção de acidentes de trabalho - Antes do advento do SUS, existiam programas que prevalecia a dimensão assistencialista ao trabalhador, como o CRST (Centro de Referência a Saúde do Trabalhador), que tinham como foco principal o diagnóstico, a orientação e o acompanhamento de doenças decorrentes do trabalho. • Tudo mudou quando houve a VIII Conferência Nacional de Saúde, pois se apontou que o trabalho em condições dignas e o conhecimento e controle dos trabalhadores sobre processos e ambientes de trabalho são pré-requisitos para o pleno exercício do acesso à saúde. • A primeira CNST incorporou a proposta de que o SUS deve englobar ações e órgãos de ST, na perspectiva da saúde como direito - A Lei Orgânica da Saúde determina que as ações de Saúde do Trabalhador devem ser executadas pelo SUS nos âmbitos de assistência, vigilância, informação, pesquisa e participação de sindicatos. - Há diversos riscos ambientais e organizacionais aos quais estão expostos, em função de sua inserção nos processos de trabalho, por isso as ações de saúde devem ser incluídas formalmente na agenda da rede básica de atenção à saúde. - A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora tem finalidade de definir princípios, diretrizes e estratégias para serem observadas nas três esferas de gestão do SUS, visando o desenvolvimento da atenção integral à saúde do trabalhador, com ênfase na vigilância, com fito de promover a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimotarlidade decorrente dos modelos desenvolvidos e dos processos produtivos. - O termo “acidentes de trabalho” refere-se a todos os acidentes que ocorrem no exercício da atividade laboral, ou no percurso de casa para o trabalho e vice-versa, podendo trabalhador está inserido no mercado formal ou informal. OBS: são considerados acidentes de trabalho aqueles que, embora não tenha sido causa única, contribuíram diretamente para a ocorrência do agravo. - São exemplos de fatores mais frequentes envolvidos na gênese dos acidentes de trabalho: arranjo físico inadequado, falta de proteção em máquinas perigosas, ferramentas defeituosas, possibilidade de incêndio e explosão, esforço físico intenso, levantamento manual de peso, posturas e posições inadequadas, pressão da chefia por produtividade, ritmo acelerado na realização das tarefas, repetitividade de movimento, extensa jornada de trabalho com frequente realização de hora-extra, pausas inexistentes, trabalho noturno ou em turnos, presença de animais peçonhentos e presença de substâncias tóxicas. Anatomia, fisiologia e morfologia dos vasos dos membros superiores - As artérias dos membros superiores se originarão a partir de ramificações da artéria aorta. - Todas as veias dos membros superiores vão desembocar nas veias cavas superiores. - A distribuição das veias e artérias será um pouco diferente nos membros superiores direito e esquerdo. • Artérias membro superior direito: a primeira ramificação do tronco baquiocefálico irá irrigar o membro 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 superior direito, formando a artéria subclávia direita (passa por baixo da clavícula). Após a artéria subclávia direita passar a clavícula, ela dará origem a artéria axilar. Depois de passar pela axila, essa artéria entrará profundamente (entre os músculos) no braço, formando a artéria braquial direita (responsável pelo suprimento vascular ósseo e muscular dessa região). Quando chegar no cotovelo, a artéria baquial direita se ramifica em uma porção lateral e um medial. A porção lateral forma a artéria radial (pois ela tem uma relação direta com o osso rádio). A porção medial forma a artéria ulnar (relação muito estreita com a ulna). Quando a artéria radial e a ulnar penetra a mão elas formam um arco, os chamados arcos arteriais palmares. Esses arcos se dividem em arco palmar profundo, que formará as artérias metacarpiais (irrigam a parte média da mão), e em arco palmar superficial dará origem as artérias digitais (entram pelas laterais dos dedos) • Artérias membro superior esquerdo: diretamente do arco da aorta, a artéria subclávia esquerda irá se originar. O restante das artérias e ramificações são iguais ao membro superior direito; • Veias dos membros superiores: a partir dos dedos haverá o retorno do sangue para o coração. O ponto de entrada do sangue venoso para o coração é a veia cava superior. O sistema de drenagem dos membros superiores se divide em dois: sistema de drenagem profunda e sistema de drenagem superficial. As veias digitais drenam o sangue para o arco venoso superficial, o qual irá conduzir o sangue para a veia ulnar. A veia radial foi formada a partir do arco venoso profundo e das veias metacarpiais (esse é um sistema profundo de drenagem). As veias radiais e ulnar quando chegarem no cotovelo elas se unem para formar a veia braquial, que se unirá a veia axilar indo em direção a clavícula, passando a se chamar de veia subclávia. Despois dessa veia subclávia tem a veia braquiocefálica e veia cava superior. Esse mecanismo configura-se em sistema profundo de drenagem, a partir das veias palmares. Quando se fala do sistema de drenagem superficial, ele se inicia nas veias dorsais. Inicia-se nas veias digitais dorsais e arco venoso superficial dorsal, o qual se dividirá em duas veias, uma lateral (veia cefálica) que desembocará lá na veia axilar e outra medial (veia basílica) que se unirá a veia braquial para formar a veia axilar Pressão arterial e volume sanguíneo - A pressão arterial é controlada por vários sistemas de feedbacks negativos interligados, por meio do ajuste do ritmo cardíaco, do volume sistólico, da resistência vascular sistêmica e do volume de sangue. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Alguns ajustes são rápidos, pois precisam lidar com mudanças bruscas, como a queda da pressão sanguínea no encéfalo que ocorre quando uma pessoa levanta da cama; outros agem de forma mais devagar para que essa regulação da pressão sanguínea seja a longo prazo - O centro cardiovascular (CV) presente no bulbo ajuda a regular a frequência cardíaca e o volume sistólico. Grupo de neurônios espalhados no centro CV regulam a frequência cardíaca, a contratilidade (força de contração dos ventrículos) e o diâmetro dos vasos sanguíneos. Alguns neurônios estimulam o coração (centro cardioestimulatório),outros inibem o coração (centro cardioinibitório). Há aqueles que controlam o diâmetro dos vasos sanguíneos, causando constrição (centro vasoconstritor) ou dilatação (centro vasodilatador). Esses neurônios são chamados coletivamente de centro vasomotor. - O centro cardiovascular recebe informações das regiões superiores do encéfalo e dos receptores sensitivos. - Os impulsos nervosos descem do córtex cerebral, sistema límbico e hipotálamo para afetar o centro cardiovascular. - Os três tipos principais de receptores sensitivos que fornecem informações ao centro cardiovascular são os proprioceptores, os barorreceptores e os quimiorreceptores. - Os proprioceptores monitoram os movimentos das articulações e músculos e forneceminformações ao centro cardiovascular durante a atividade física. Sua atividade é responsável pelo rápido aumento da frequência cardíaca no início do exercício. Os barorreceptores monitoram as alterações na pressão e distendem as paredes dos vasos sanguíneos, e os quimiorreceptores monitoram a concentração de vários produtos químicos no sangue. - Os estímulos do centro cardiovascular deslocam- se ao longo dos neurônios simpáticos e parassimpáticos do SNA. - Os impulsos simpáticos chegam ao coração pelos nervos aceleradores cardíacos. Um aumento na estimulação simpática eleva a frequência cardíaca e a contratilidade, enquanto a diminuição da estimulação simpática reduz a frequência e a contratilidade cardíacas. Estímulos parassimpáticos, transmitidos pelos nervos vagos (X), diminuem a frequência cardíaca. Assim, influências simpáticas (estimuladoras) e parassimpáticas (inibidoras) opostas controlam o coração. - Regulação neural da pressão sanguínea: o sistema nervoso regula a pressão sanguínea por meio de alças de feedback negativo que ocorrem como dois tipos de reflexo (barorreceptores e quimiorreceptores). • Reflexos barorreceptores: (Os barorreceptores são neurônios sensíveis à pressão que monitoram a distensão). Os barorreceptores, receptores sensitivos sensíveis à pressão, estão localizados na aorta, nas artérias carótidas internas (artérias do pescoço que fornecem sangue ao encéfalo) e outras grandes artérias do pescoço e do tórax. Eles enviam impulsos para o centro cardiovascular para ajudar a regular a pressão sanguínea. Os dois reflexos barorreceptores mais importantes são o reflexo do seio carótico e o reflexo da aorta. Os barorreceptores da parede dos seios caróticos iniciam o reflexo do seio carótico, que ajuda a regular a pressão sanguínea no encéfalo. Os seios caróticos são pequenas ampliações das artérias carótidas internas direita e esquerda, um pouco acima do ponto em que elas se ramificam da artéria carótida comum. A pressão arterial distende a parede do seio carótico, o que estimula os barorreceptores. Os impulsos nervosos se propagam dos barorreceptores do seio carótico para os axônios sensitivos nos nervos glossofaríngeos (IX) para o centro cardiovascular no bulbo. Os 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 barorreceptores da parede da parte ascendente da aorta e arco da aorta iniciam o reflexo da aorta, que regula a pressão arterial sistêmica. Os impulsos nervosos dos barorreceptores aórticos chegam ao centro cardiovascular via axônios sensitivos do nervo vago (X). Quando a pressão arterial cai, os barorreceptores são menos distendidos e enviam impulsos nervosos em uma frequência mais lenta ao centro cardiovascular. Em resposta, o centro CV diminui a estimulação parassimpática do coração por meio dos axônios motores dos nervos vago e aumenta a estimulação simpática do coração via nervos aceleradores cardíacos. Outra consequência do aumento na estimulação simpática é o aumento na secreção de epinefrina e norepinefrina pela medula da glândula suprarrenal. Conforme o coração bate mais rápido e com mais força, e a resistência vascular sistêmica aumenta, o débito cardíaco e a resistência vascular sistêmica aumentam, e a pressão arterial aumenta até o nível normal. Inversamente, quando é detectado um aumento na pressão, os barorreceptores enviam impulsos em uma frequência mais rápida. O centro CV responde aumentando a estimulação parassimpática e diminuindo a estimulação simpática. As reduções resultantes da frequência cardíaca e força de contração diminuem o débito cardíaco. O centro cardiovascular também diminui a frequência com que envia impulsos simpáticos aos neurônios vasomotores que normalmente causam vasoconstrição. A vasodilatação resultante diminui a resistência vascular sistêmica. A diminuição do débito cardíaco e a redução da resistência vascular sistêmica reduzem a pressão arterial sistêmica ao nível normal. Passar do decúbito ventral para a posição ortostática diminui a pressão arterial e o fluxo sanguíneo na cabeça e parte superior do corpo. Os reflexos barorreceptores, no entanto, neutralizam rapidamente a queda de pressão. Às vezes, esses reflexos operam mais lentamente do que o normal, especialmente em idosos, caso em que uma pessoa pode desmaiar em razão da redução do fluxo sanguíneo cerebral após levantar-se muito rapidamente. • Reflexos quimiorreceptores: (Quando a pressão arterial diminui, a frequência cardíaca aumenta). Os quimiorreceptores, receptores sensitivos que monitoram a composição química do sangue, estão localizados perto dos barorreceptores do seio carótico e do arco da aorta em pequenas estruturas chamadas glomos caróticos e glomos para-aórticos, respectivamente. Estes quimiorreceptores detectam mudanças nos níveis sanguíneos de O2, CO2 e H+. Hipoxia (baixa disponibilidade de O2), acidose (aumento na concentração de H+) ou hipercapnia (excesso de CO2) estimulam os quimiorreceptores a enviar impulsos ao centro cardiovascular. Em resposta, o centro CV aumenta a estimulação simpática de arteríolas e veias, provocando vasoconstrição e aumento da pressão sanguínea. Estes quimiorreceptores também fornecem informações ao centro respiratório no tronco encefálico para ajustar a frequência respiratória. 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 • Regulação hormonal da pressão sanguínea: vários hormônios ajudam a regular a pressão arterial e o fluxo sanguíneo por meio da alteração no débito cardíaco, alteração da resistência vascular sistêmica ou ajuste do volume total de sangue: 1.Sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAA). Quando o volume de sangue cai ou o fluxo sanguíneo para os rins diminui, as células justaglomerulares dos rins secretam renina na corrente sanguínea. Na sequência, a renina e a enzima conversora de angiotensina (ECA) atuam sobre seus substratos para produzir o hormônio ativo angiotensina II, que aumenta a pressão arterial de duas maneiras. Em primeiro lugar, a angiotensina II é um potente vasoconstritor; isso aumenta a pressão arterial ao aumentar a resistência vascular sistêmica. Em segundo lugar, estimula a secreção de aldosterona, a qual aumenta a reabsorção dos íons sódio (Na+) e água pelos rins. A reabsorção de água aumenta o volume sanguíneo total, o que eleva a pressão arterial. 2.Epinefrina e norepinefrina. Em resposta à estimulação simpática, a medula da glândula suprarrenal libera epinefrina e norepinefrina. Esses hormônios aumentam o débito cardíaco ao elevarem a velocidade e força das contrações cardíacas. Também causam constrição das arteríolas e veias na pele e órgãos abdominais e dilatação das arteríolas no músculo cardíaco e esquelético, o que ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo para o músculo durante o exercício. 3.Hormônio antidiurético (HAD). O hormônio antidiurético (HAD) é produzido pelo hipotálamo e liberado pela neuro- hipófise em resposta à desidratação ou à diminuição no volume sanguíneo. Entre outras ações, o HAD causa vasoconstrição, o que aumenta a pressão arterial. Por isso, o HAD é também chamado vasopressina. O HAD também promove o deslocamento de água do lúmen dos túbulos renais para a corrente sanguínea. Isso resulta em aumento no volume sanguíneo e diminuição na produção de urina. 4.Peptídio natriurético atrial (PNA). Liberado pelas células do átrio do coração, o PNA reduz a pressão arterial ao causar vasodilatação e promover a perda de sal e água na urina,o que reduz o volume sanguíneo. Sinais Vitais - São aqueles que evidenciam o funcionamento e as alterações da função corporal. Dentre os inúmeros sinais que são utilizados na pratica diária para o auxilio do exame clinico, destacam-se pela sua importância: pressão arterial, pulso, temperatura e respiração. - Pressão arterial: • Hipotensão: menor ou igual a 90x60mmHg • Normotensão: 120x80mmHg • Hipertensão: maior ou igual 140x90mmHg - Frequência Cardíaca: • Bradicardia: menor que 60bpm • Normocardia: entre 60 a 100 bpm 6 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 • Taquicardia: maior que 100bpm - Temperatura: • Hipotermia: menor que 35ºC • Afebril: entre 36,1ºC a 37,2ºC • Hipertermia: 37,8ºC a 38,9ºC • Parexia: 39ºC a 40ºC • Hiperpirexia: maior que 40ºC - Frequência Respiratória: • Bradpnéia: menor que 16rpm • Normopnéia: entre 16 a 20 rpm • Taquipneia: maior que 20rpm Choque hipovolêmico e Hipovolemia cardíaca - O choque ocorre quando há uma falha do sistema circulatório em entregar O2 e nutrientes suficientes para atender às necessidades metabólicas da célula. - As causas do choque podem ser diversas, mas todas elas estão relacionadas ao fluxo sanguíneo inadequado aos tecidos do corpo. - Com a escassez de O2, a células passam da produção aeróbica para a anaeróbica de ATP, causando a produção de ácido láctico, o qual se acumula nos líquidos corporais. - Se o choque persistir, as células e os órgãos são danificados, e as células podem morrer, a menos que seja tratado rapidamente. - Tipos de choque: • Choque hipovolêmico: diminuição do volume sanguíneo • Choque cardiogênico: disfunção cardíaca • Choque vascular: vasodilatação inadequada • Choque obstrutivo: obstrução do fluxo sanguíneo - Choque hipovolêmico: a causa principal é a hemorragia aguda (súbita). Ela pode ser externa ou interna. A perda de líquidos corporais por transpiração excessiva, diarreia ou vômitos também pode causar o choque hipovolêmico. Além disso, em condições de diabetes melitus, há a perda excessiva de liquido pela urina que também pode ocasionar essa condição. Seja qual for a causa, quando o volume de líquidos cai, o retorno venoso para o coração diminui, o enchimento do coração cai, o volume sistólico diminui e há uma redução do débito cardíaco. Então, é necessário repor o quanto antes o volume de sangue perdido. - Respostas homeostáticas ao choque: os mecanismos de compensação são os sistemas de feedback negativo que trabalham para devolver o débito cardíaco e a pressão arterial normal. Quando o choque é leve, a compensação por mecanismos homeostáticos evita danos graves. Em uma pessoa saudável, os mecanismos compensatórios podem manter o fluxo sanguíneo e a pressão arterial adequados mesmo com uma perda de sangue de até 10% do volume total. 1-Ativação do sistema renina-angiotensina- aldosterona: redução do fluxo sanguíneo para os rins faz com que estes secretem renina e inicia o sistema renina-angiotensina-aldosterona. Lembre- se de que a angiotensina II causa vasoconstrição e estimula o córtex da glândula suprarrenal a secretar aldosterona, hormônio que aumenta a reabsorção de Na+ e água pelos rins. O aumento na resistência vascular sistêmica e no volume de sangue ajuda a elevar a pressão arterial. 2- Secreção do hormônio antidiurético: Em resposta à diminuição na pressão arterial, a neuro- hipófise libera mais hormônio antidiurético (HAD). O HAD aumenta a reabsorção de água pelos rins, que conserva o volume sanguíneo restante. Também provoca vasoconstrição, o que aumenta a resistência vascular sistêmica. 3- Ativação da parte simpática da divisão autônoma do sistema nervoso: Conforme a pressão arterial diminui, os barorreceptores aórticos e caróticos iniciam potentes respostas simpáticas por todo o corpo. Um dos resultados é a vasoconstrição acentuada das arteríolas e veias da pele, rins e outras vísceras abdominais. (A vasoconstrição não ocorre no encéfalo nem no coração.) A vasoconstrição das arteríolas aumenta a resistência vascular sistêmica, e a vasoconstrição das veias aumenta o retorno venoso. Ambos os efeitos ajudam a manter a pressão arterial adequada. A estimulação simpática também aumenta a frequência e contratilidade cardíaca e eleva a secreção de epinefrina e norepinefrina pela medula da glândula suprarrenal. Esses hormônios intensificam a vasoconstrição e incrementam a frequência e contratilidade cardíacas, que ajudam a aumentar a pressão arterial. 4- Liberação de vasodilatadores locais: Em resposta à hipoxia, as células liberam vasodilatadores – incluindo K+, H+, ácido láctico, adenosina e óxido nítrico – que dilatam as arteríolas e relaxam os esfíncteres pré-capilares. 7 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Essa vasodilatação aumenta o fluxo sanguíneo local e pode restaurar o nível de O2 ao normal na parte do corpo. Contudo, a vasodilatação também tem o efeito potencialmente nocivo de diminuir a resistência vascular sistêmica e, portanto, reduzir a pressão arterial. - Se o volume de sangue cai mais do que 10 a 20%, ou se o coração não for capaz de elevar suficientemente a pressão arterial, os mecanismos compensatórios podem falhar em manter o fluxo sanguíneo adequado para os tecidos. Neste ponto, o choque torna-se potencialmente fatal, conforme as células danificadas começam a morrer. - Sintomas e sinais do choque: mesmo que os sinais e sintomas do choque variem com a gravidade da condição, a maior parte pode ser prevista tendo em vista as respostas produzidas pelos sistemas de feedback negativo que tentam resolver o problema. • PA sistólica menor que 90mmHg • FC em repouso elevada, em razão da estimulação simpática e aumento dos níveis sanguíneos de epinefrina e norepinefrina • Pulso fraco e rápido, em decorrência da redução do debito cardíaco e a frequência cardíaca acelerada • Pele fria, pálida e úmida, em razão da constrição simpática dos vasos sanguíneos da pele e estimulação simpática da transpiração • Estado mental alterado, em decorrência da redução no suprimento de oxigênio ao encéfalo 8 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Imagens 9 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 10 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 11 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 12 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1- Conhecer a anatomia, fisiologia e morfologia do sistema linfático 2- Estudar os principais vasos linfáticos e compreender a irrigação dos membros superiores - MMSS 3- Entender a importância da drenagem linfática e a prevenção do linfedema Anatomia, morfologia e fisiologia do sistema linfático - Contribui para amanutenção do equilíbrio corporal ao drenar o liquido intersticial, bem como fornecer os mecanismos de defesa contra doenças. - Apesar da constante exposição a uma variedade de patógenos, a maior parte das pessoas se mantém saudável. - O sistema linfático consiste em: linfa, vasos linfáticos, medula óssea, linfócitos - Auxilia na circulação de líquidos corporais e ajuda a proteger o corpo contra os agentes causadores de doenças - Depois que o líquido intersticial passar para os vasos linfáticos ele é chamado de linfa - A principal diferença entre o líquido intersticial e a linfa é a sua localização: o liquido intersticial é encontrado entre as células e a linfa está localizada nos vasos linfáticos e no tecido linfático -O tecido linfático é um tipo especializado de tecido conjuntivo reticular que contem numerosos linfócitos, os quais são leucócitos agranulócitos - Dois tipos de linfócitos participam das respostas imunes adaptativas: os linfócitos B e os linfócitos T. - Funções do sistema linfático: 1- Drenar o excesso de líquido intersticial. Os vasos linfáticos drenam o excesso de líquido intersticial dos espaços teciduais e o devolvem ao sangue. Esta função conecta-o intimamente com o sistema circulatório. Na verdade, sem esta função, a manutenção do volume de sangue circulante não seria possível. 2.Transportar lipídios oriundos da dieta. Os vasos linfáticos transportam lipídios e vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) absorvidas pelo sistema digestório. 3.Desempenhar respostas imunes. O tecido linfático inicia respostas altamente específicas dirigidas contra microrganismos ou células anormais específicos. Vasos linfáticos e circulação da linfa: -Os vasos linfáticos começam como capilares linfáticos. Estes capilares, que estão localizados nos espaços entre as células, são fechados em uma das extremidades. - Os capilares linfáticos se unem para formar vasos linfáticos maiores que se assemelham em estrutura a pequenas veias, mas têm paredes mais finas e mais válvulas. Em intervalos ao longo dos vasos linfáticos, a linfa flui pelos linfonodos, órgãos encapsulados em forma de feijão que consistem em massas de linfócitos B e linfócitos T. Na pele, os vasos linfáticos se encontram no tecido subcutâneo e geralmente acompanham as veias; os vasos linfáticos das vísceras geralmente acompanham as artérias, formando plexos em torno delas. Os tecidos que não apresentam capilares linfáticos incluem os tecidos avasculares (como a cartilagem, a epiderme e a córnea do olho), a parte central do sistema nervoso, partes do baço e a medula óssea • Capilares linfáticos - Têm maior permeabilidade do que os capilares sanguíneos e, assim, conseguem absorver moléculas grandes como as proteínas e os lipídios. Os capilares linfáticos também têm um diâmetro um pouco maior do que os capilares sanguíneos e têm uma estrutura unidirecional que possibilita que o líquido intersticial flua para dentro, mas não para fora. As extremidades das células endoteliais que formam a parede de um capilar linfático se sobrepõem. - Quando a pressão é maior no líquido intersticial do que na linfa, as células se separam discretamente, como a abertura de uma porta de mola de sentido único, e o líquido intersticial entra no capilar linfático. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Quando a pressão é maior no interior do capilar linfático, as células aderem mais entre si e a linfa não consegue retornar ao líquido intersticial. A pressão é aliviada conforme a linfa se move adiante pelo capilar linfático. Ligado aos capilares linfáticos estão os filamentos de ancoragem, que contêm fibras elásticas. Eles se estendem para fora do capilar linfático, anexando as células endoteliais linfáticas aos tecidos circundantes. Quando o excesso de líquido intersticial se acumula e causa edema do tecido, os filamentos de ancoragem são puxados, tornando ainda maiores as aberturas entre as células para que mais líquido possa fluir para o capilar linfático. - No intestino delgado, capilares linfáticos especializados chamados lactíferos carregam lipídios oriundos da dieta para os vasos linfáticos e, por fim, para o sangue. - Esses lipídios conferem à linfa drenada do intestino delgado uma aparência branca cremosa; essa linfa é chamada de quilo. Em outros lugares, a linfa é um líquido claro, amarelo-pálido. • Troncos e ductos linfáticos - Quando os vasos linfáticos saem dos linfonodos em uma dada região do corpo, eles se unem para formar troncos linfáticos. Os principais troncos são os troncos lombar, intestinal, broncomediastinal, subclávio e jugular. - Os troncos lombares drenam linfa dos membros inferiores, da parede e vísceras da pelve, dos rins, das glândulas suprarrenais e da parede abdominal. O tronco intestinal drena a linfa do estômago, intestinos, pâncreas, baço e parte do fígado. Os troncos broncomediastinais drenam a linfa da parede torácica, pulmão e coração. Os troncos subclávios drenam os membros superiores. Os troncos jugulares drenam a cabeça e o pescoço. • Órgãos do sistema linfático: Os órgãos e tecidos linfáticos amplamente distribuídos são classificados em dois grupos, de acordo com suas funções. Os órgãos linfáticos primários são os locais em que as células-tronco se dividem e se tornam imunocompetentes, isto é, capazes de elaborar uma resposta imune. Os órgãos linfáticos primários são a medula óssea (dos ossos chatos e epífises de ossos longos nos adultos) e o timo. As células-tronco pluripotentes da medula óssea dão origem a linfócitos B maduros e imunocompetentes, e a células pré-T. As células pré-T por sua vez migram para o timo, onde se transformam em linfócitos T imunocompetentes. Os órgãos e tecidos linfáticos secundários são os locais em que ocorre a maior parte das respostas imunes. Eles incluem os linfonodos, o baço e os nódulos linfáticos (folículos). O timo, os linfonodos e o baço são considerados órgãos porque são circundados por uma cápsula de tecido conjuntivo; os nódulos linfáticos, por outro lado, não são considerados órgãos, porque carecem de uma cápsula. 1- Timo: O timo é um órgão bilobado localizado no mediastino entre o esterno e a aorta. Uma camada envolvente de tecido conjuntivo mantém os dois lobos unidos, mas separados por uma cápsula de tecido conjuntivo. Extensões da cápsula, chamadas trabéculas, penetram internamente e dividem cada lobo em lobos do timo. Cada lobo do timo consiste em um córtex externo de coloração escura e uma medula central de coloração mais clara. O córtex do timo é composto por uma grande quantidade de linfócitos T e células dendríticas dispersas, células epiteliais e macrófagos. Os linfócitos T imaturos (células pré-T) migram da medula óssea para o córtex do timo, onde se proliferam e começam a maturar. As células dendríticas, que são derivadas dos monócitos (e assim chamadas porque eles têm longas projeções ramificadas que lembram os dendritos de um neurônio), auxiliam no processo de maturação. Como você verá em breve, as células dendríticas em outras partes do corpo, como nos linfonodos, desempenham outro papel fundamental na resposta imunológica. Cada uma das células epiteliais especializadas no córtex tem vários processos longos que cercam e servem como estrutura para aproximadamente 50 linfócitos T. Estas células epiteliais ajudam a “educar” as células pré-T em um processo conhecido como seleção positiva. Além disso, produzem hormônios do timo que, acredita-se, auxiliem na maturação dos linfócitos T. Apenas aproximadamente 2% dos linfócitos T em desenvolvimento sobrevivem no córtex. Os linfócitos restantes morrem por apoptose (morte celular programada). Os macrófagos do timo ajudam a remover os detritos de células 3 Roberta Medeiros– SOI I – S1 – M02 mortas e morrendo. Os linfócitos T sobreviventes entram na medula. 2- Linfonodos Localizados ao longo dos vasos linfáticos estão aproximadamente 600 linfonodos em forma de feijão. Eles estão espalhados por todo o corpo, tanto superficial quanto profundamente, e geralmente ocorrem em grupos. Grandes grupos de linfonodos estão presentes perto das glândulas mamárias e nas axilas e virilha. Os linfonodos medem de 1 a 25 mm de comprimento. Como o timo, são cobertos por uma cápsula de tecido conjuntivo denso que se estende até o linfonodo. As extensões capsulares, chamadas trabéculas, dividem o linfonodo em compartimentos, fornecem suporte e proporcionam uma via para os vasos sanguíneos até o interior de um linfonodo. Internamente à cápsula está uma rede de apoio de fibras reticulares e fibroblastos. A cápsula, as trabéculas, as fibras reticulares e os fibroblastos constituem o estroma (estrutura de apoio do tecido conjuntivo) de um linfonodo. 3- Baço O baço, uma estrutura oval, é a maior massa única de tecido linfático do corpo, tendo aproximadamente 12 cm de comprimento. Está localizado na região do hipocôndrio esquerdo, entre o estômago e o diafragma. A face superior do baço é lisa e convexa e se adapta à face côncava do diafragma. Os órgãos vizinhos fazem endentações na face visceral do baço – a impressão gástrica (estômago), a impressão renal (rim esquerdo) e a impressão cólica (flexura esquerda do colo). Como os linfonodos, o baço tem um hilo. Através dele passam a artéria esplênica, a veia esplênica e os vasos linfáticos eferentes. Uma cápsula de tecido conjuntivo denso envolve o baço e por sua vez é recoberta por uma túnica serosa, o peritônio visceral. Trabéculas se estendem internamente a partir da cápsula. A cápsula mais as trabéculas, fibras reticulares e fibroblastos constituem o estroma do baço; o parênquima do baço é composto por dois tipos diferentes de tecido chamados de polpa branca e polpa vermelha. A polpa branca é composta por tecido linfático, que consiste principalmente em linfócitos e macrófagos dispostos em torno de ramos da artéria esplênica chamados de artérias centrais. A polpa vermelha é constituída por seios venosos cheios de sangue e cordões de tecido esplênico chamado cordões esplênicos ou cordões de Billroth. Os cordões esplênicos são constituídos por eritrócitos, macrófagos, linfócitos, plasmócitos e granulócitos. As veias estão intimamente associadas à polpa vermelha. O sangue que flui para o baço através da artéria esplênica entra nas artérias centrais da polpa branca. Na polpa branca, os linfócitos B e os linfócitos T desempenham funções imunológicas, semelhantemente ao que ocorre nos linfonodos, enquanto os macrófagos do baço destroem agentes patogênicos que estão no sangue por fagocitose. Dentro da polpa vermelha, o baço desempenha três funções relacionadas com as células de sangue: (1) remoção de células do sangue e plaquetas que estejam rompidas, desgastadas ou defeituosas pelos macrófagos; (2) armazenamento de até um terço do suprimento de plaquetas do organismo; e (3) produção de células sanguíneas (hematopoese) durante a vida fetal. 4- Nódulos linfáticos: Os nódulos linfáticos (folículos) são massas ovaladas de tecido linfático que não são cercadas por uma cápsula. Como estão espalhados por toda a lâmina própria (tecido conjuntivo) das túnicas mucosas que revestem os sistemas digestório, urinário e genital e as vias respiratórias, os nódulos linfáticos nessas áreas são também chamados de tecido linfoide associado à mucosa (MALT). Embora muitos linfonodos sejam pequenos e solitários, alguns ocorrem em múltiplos grandes agregados em partes específicas do corpo. Entre 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 estes estão as tonsilas na região da faringe e os nódulos linfáticos agregados do íleo do intestino delgado. Os nódulos linfáticos agregados também ocorrem no apêndice vermiforme. Normalmente há cinco tonsilas, que formam um anel na junção entre a cavidade oral e a parte oral da faringe e na junção entre a cavidade nasal e a parte nasal da faringe. As tonsilas estão estrategicamente posicionadas de modo a participar das respostas imunes contra substâncias estranhas inaladas ou ingeridas. A ímpar tonsila faríngea está embutida na parede posterior da parte nasal da faringe. As duas tonsilas palatinas se situam na região posterior da cavidade oral, uma de cada lado; estas são as tonsilas que costumam ser removidas em uma tonsilectomia. O par de tonsilas linguais, localizadas na base da língua, também podem precisar ser removidas durante uma tonsilectomia. Principais vasos linfáticos e processo de irrigação dos membros superiores - A maior parte dos componentes do plasma sanguíneo, como nutrientes, gases e hormônios, atravessam livremente as paredes dos capilares para formar o líquido intersticial, mas um volume maior de líquido sai dos capilares sanguíneos do que retorna a eles por reabsorção. O excesso de líquido filtrado – aproximadamente 3 ℓ/dia – drena para os vasos linfáticos e se torna a linfa. Como a maior parte das proteínas plasmáticas é muito grande para sair dos vasos sanguíneos, o líquido intersticial contém apenas uma pequena quantidade de proteína. As proteínas que saem do plasma sanguíneo não conseguem retornar ao sangue por difusão, porque o gradiente de concentração (alto nível de proteínas no interior dos capilares sanguíneos, baixo nível fora) se opõe a este movimento. As proteínas conseguem, no entanto, se mover facilmente através dos capilares linfáticos, que são mais permeáveis à linfa. Assim, uma importante função dos vasos linfáticos é devolver as proteínas plasmáticas perdidas e o plasma à corrente sanguínea. - Como as veias, os vasos linfáticos contêm válvulas, que asseguram a circulação linfática unidirecional. Como já mencionado, a linfa drena para o sangue venoso pelo ducto linfático direito e pelo ducto torácico na junção entre as veias jugular interna e subclávia. Assim, a sequência de fluxo de líquido é dos capilares sanguíneos (sangue) → espaços intersticiais (líquido intersticial) → capilares linfáticos (linfa) → vasos linfáticos (linfa) → ductos linfáticos (linfa) → junção entre as veias jugular interna e subclávia (sangue). - As mesmas duas “bombas” que ajudam no retorno do sangue venoso ao coração mantêm o fluxo de linfa. 1- 1.Bomba de músculo esquelético. A “ação de ordenha” das contrações do músculo esquelético comprime os vasos linfáticos (assim como as veias) e força a linfa em direção à junção entre as veias jugular interna e subclávia. 2- 2.Bomba respiratória. O fluxo de linfa é também mantido pelas alterações de pressão que ocorrem durante a inspiração. A linfa flui da região abdominal, onde a pressão é maior, para a região torácica, onde ela é mais baixa. Quando as pressões se invertem durante a expiração, as válvulas nos vasos linfáticos evitam o refluxo da linfa. Além disso, quando um vaso linfático se distende, o músculo liso de suas paredes se contrai, o que ajuda a mover linfa de um segmento do vaso para o seguinte. 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Importância da drenagem linfática e prevenção do linfedema - 6 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - 7 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 8 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos: • Compreender o que é processo de hemostasia. • Estudar o processo de coagulação sanguinea e como ele ocorre nos vasos. • Estudar quais são os componentes e fatores da cascata de coagulação. Processode hemostasia - Nosso sistema de coagulação possui um equilíbrio entre os agentes pró coagulantes (hemostasia primária – formação do tampão plaquetário / hemostasia secundária – rede adesiva de fibrina, coágulo), agentes anticoagulantes e agentes fibrinolíticos. - A célula pluripotente se divide em duas linhagens: a mieloide e a linfoide. Na mieloide, existem os megacariócitos (células de tamanho grande). As plaquetas são fragmentos anucleados desses megacariócitos. - As plaquetas mudam sua morfologia conforme seu estado (repouso ou ativadas). Se ela estiver em repouso, estará toda invaginada, com a membrana recolhida (sistema canalicular). Já quando a plaqueta está ativa ela se expande (sistema canalicular aberto), expondo todos seus elementos, inclusive proteínas que irão ajudar na adesão plaquetária. - Elas também expõem seus grânulos alfa e densos. Os grânulos-alfa vão liberar por exocitose algumas proteínas que serão essenciais para a hemostasia primária, como o Fator de VonWillebrand, a fibronectina e o fibrinogênio. Os grânulos densos irão liberar, principalmente, ADP e cálcio, que serão cofatores importantes na hemostasia secundária. - Além disso, as proteínas que ficam escoradas no citoesqueleto (glicoproteínas-integrinas) também serão expostas: • GP Ia/IIa • GP Ib • GP IV • GP IIb/IIIa Hemostasia Primária: resposta inicial - Trauma no vaso é o evento inicial - Três fases: adesão, ativação e agregação • Adesão - Primeiramente, é necessário expor a matriz subendoterial do vaso, que é feita de colágeno. Quando há o rompimento as GP Ia/IIa e a GP IV das plaquetas se ligam ao colágeno (ligação fraca). -Como esse primeiro contato é superficial, a GP Ib ligado ao Fator de VonWillebrand vão se ligar ao colágeno • Ativação - As plaquetas precisam ser ativadas para que mais sítios de glicoproteínas sejam expostos, o 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 que irá garantir uma adesão mais efetiva da plaqueta à lesão. - Fatores que ativam as plaquetas: 1- Colágeno 2- Epinefrina 3- Serotonina 4- Trombina 5- Glicoproteína IV - Essa fase irá deixar a plaqueta mais robusta e forte, acabando com as invaginações, aumentando a superfície de contato. Dessa forma, haverá mais receptores de adesão e maior exposição dos receptores de agregação. - Haverá também a liberação de outras substâncias dos grânulos densos. Eles liberarão cálcio e ADP. O ADP vai ativar a fosfolipase A2, a qual sinterizará a Trombooxane A2 pela COX – 1. Esse tromboxane irá ajudar que mais plaquetas fiquem aderidas à lesão. - Ademais, haverá a exposição do fosfolipideo plaquetário na membrana da plaqueta (importante na hemostasia plaquetária) • Agregação - Os receptores de membranas também farão parte desse processo - Ligação da GP IIb/IIIa com o fibrinogênio - Com isso, haverá a formação do trombo branco, que representa o fim da hemostasia primária Hemostasia Secundária: tem como objetivo formar a rede de fibrina, para evitar o ressangramento e o deslocamento e assim a formação do coágulo (trombo vermelho) - Conjunto de proteínas plasmáticas, os fatores de coagulação, podem ser ativados e inativados através da cascata de coagulação, para que assim haja a produção de fibrina. - Esses fatores são produzidos dependem da produção hepática (com exceção do fator VIII). - Alguns precisam de modificações quando ficam prontos, são os chamados fatores Vitamina K- dependentes. - Os fatores vitamina-k dependentes são os II, VII, IX, X. Eles serão carboxilados dos resíduos de ácido glutâmico, fazendo assim a ancoragem do fosfolipídeo plaquetário - Para formar a rede de fibrina, é necessário transformar a protrombina em trombina, que por sua vez irá converter o fibrinogênio em fibrina. - Existem dois caminhos para formar essa rede de fibrina. A via intrínseca e a extrinseca . • Via Intrínseca irá mexer com os fatores de coagulação 12,11,9 e 8 - Será ativada pelo contato do sangue com superfícies de carga negativa (como o colágeno) - Haverá a liberação do CAPM (cininogênio de alto peso molecular), ele dará inicio a via intrínseca da coagulação - Precisa-se de alguns cofatores que são liberados quando as plaquetas são ativadas, como o cálcio, o fosfolipídeo plaquetário e o fator VIIIa - No final da via intrínseca, haverá a formação do fator X, marcado o início da via comum. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 • Via extrínseca (fator tecidual e o 7) - ativada pelo contato do sangue com o fatpr tecidual, que é liberado após a lesão endotelial. - Transformar o VII em VIIa, o qual ativará o fator 10. - O fator VII é o principal gatpr dependete vitamentina k - cofatores: cálcio e fosfolipideo plaquetário - Formação do fatpr 10 e inicio da via comum Fatores Anti-coagulantes: para não sair trombrosando todo o corpo 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1- Estudar a função fisiológica e morfológica das hemácias normais e o que as diferem das hemácias falciformes 2- Compreender a estrutura das proteínas globulares 3- Identificar a organização da estrutura, composição e a função das hemoglobinas 4- Entender o porquê a anemia falciforme está mais presente entre os negros e quais outras doenças predispostas nessa raça Fisiologia e morfologia das hemácias normais e das anormais Anatomia das hemácias: estruturas bicônvocas, com membrana plasmática flexível e resistente, o que as protegem de rompimento quando elas atravessam capilares estreitos. Elas não possuem núcleo (ou seja, são anucleadas) e outras organelas, nem podem se reproduzir nem realizar atividades metabólicas intensas. Fisiologia das Hemácias: sua função é transportar oxigênio e isso é facilitado pelo espaço interno que fica disponível pela ausência de núcleo. Além disso, as hemácias geram ATP de forma anaeróbica, ou seja, elas não utilizam o oxigênio que elas transportam, visto que não possuem mitocôndrias. • Anemia falciforme Nas hemácias falciformes, o gene da globina β sofre mutação o que causará a formação da hemoglobina S. Essa hemoglobina sofre polimerização das moléculas de hemoglobina anormal quando desoxigenadas. A HbS levará a uma deformação na hemácia quando houver uma desoxigenação, quando estiver com o pH baixo (situação de stress, por exemplo) ou em temperaturas baixas. Essa hemoglobina S irá se agregar em polímeros longos e insolúveis e isso irá deformar a hemácia, levando a sua formação em foice. Esse formato vai reduzir a sua capacidade de deformidade, o que vai dificultar a sua circulação e a capacidade de armazenamento de oxigênio. Proteínas globulares - Inicialmente, é válido ressaltar as estruturas das proteínas em geral. Existe a estrutura primária (que é uma sequência de aminoácidos), a estrutura secundária (que é um arranjo espacial da cadeia polipeptídica), a estrutura terciária (que é enovelamento dessa cadeia polipeptídica) e a estrutura quaternária (que é a montagem das cadeias polipeptídicas). - As proteínas globulares tem uma estrutura complexa e são móveis e solúveis em água, como é o caso da hemoglobina e da albumina. Hemoglobinas - Cada molécula de hemoglobina é composta por uma proteína chamada globina, a qual possui quatro cadeias polipeptídicas (duas cadeias alfas e duas beta) e um pigmento não proteico anular 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 chamado heme, que está ligado a cada uma das cadeias. - No centro de cada anel de heme, encontra-se um íon ferro (Fe 2+) que pode se combinar reversivamente com uma molécula de oxigênio, possibilitando que cada molécula de hemoglobina se ligue a quatro moléculas de oxigênio. - Cada molécula de oxigênio captada dos pulmões liga-se a um íon ferro. -A hemoglobinalibera oxigênio, que se difunde primeiro para o liquido intersticial e, depois, para as células - Ela também transporta cerca de 23% do CO2 total, um subproduto do metabolismo. O sangue que flui pelos capilares sanguíneos capta dióxido de carbono e parte dele se combina com aminoácidos na parte globina da hemoglobina. - Conforme o sangue flui pelos pulmões, o dióxido de carbono é liberado da hemoglobina e exalado - Além disso, a hemoglobina também participa na regulação do fluxo sanguíneo e da pressão arterial. -O hormônio gasoso óxido nítrico (NO), produzido pelas células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos, se liga à hemoglobina. Sob algumas circunstâncias, a hemoglobina libera NO. O NO liberado causa vasodilatação, um aumento do diâmetro do vaso sanguíneo que ocorre quando o músculo liso na parede dos vasos relaxa. A vasodilatação melhora o fluxo de sangue e aumenta o fornecimento de oxigênio para as células próximas do local de liberação do NO. - As hemácias também contêm a enzima anidrase carbônica (CA), que catalisa a conversão de dióxido de carbono e água em ácido carbônico, que, por sua vez, se dissocia em H+ e HCO3 –. Toda a reação é reversível e resumida da seguinte maneira: - Essa reação é importante por dois motivos: (1) permite que cerca de 70% do CO2 seja transportado no plasma sanguíneo das células teciduais para os pulmões na forma de HCO3 – e (2) também serve como um importante tampão no líquido extracelular. Anemia falciforme mais presente entre os negros e outras doenças mais frequentes nessa raça - Acredita-se que a prevalência de anemia falciforme na etnia negra é um dos principais casos de seleção natural, pois considera que o gene da hemoglobina modificada, chamada de Hb S, permaneceu estável durante gerações em virtude da proteção contra a malária que possuem os portadores do traço falciforme. - Essa relação foi concebida com base na presença de portadores do traço falciforme em regiões da África endêmicas de malária e na observação de sua maior resistência à infecção pelo Plasmodium falciparum, em comparação aos demais indivíduos. - A prevalência da anemia falciforme na população negra e mestiça dá-se por conta de uma mutação que surgiu que surgiu no continente africano e em localidades da Arábia Saudita e Índia e que foi trazida ao Brasil na época da escravidão. -As novas hipóteses biomédicas sobre a anemia falciforme conjugaram-se a mudanças sociais que, a partir dos anos 1950, com o movimento pelos direitos civis, fortaleceram a luta contra o racismo nos EUA. A aproximação de novos conceitos médicos e sociais foi, por conseguinte, o que levou à reconfiguração do significado de doença racial para a anemia falciforme. 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos • Conhecer as linhagens vermelhas e brancas das células sanguíneas, suas respectivas funções e morfologia • Estudar o que acontece o aumento e/ou diminuição do número de algumas células sanguíneas • Analisar o que é e qual a função do hemograma Linhagens vermelhas e brancas: morfologia e função - O processo pelo qual os elementos do sangue são formados é chamado de hemopoese, eritropoese ou hematopoese. - Antes de nascer, esses elementos do sangue são formados primeiramente no saco vitelínico, depois do fígado, no baço e nos linfonodos do feto. - A medula óssea vermelha continua sendo a fonte de células sanguíneas depois do nascimento e ao longo da vida. - Essa medula é um tecido muito vascularizado localizado nos espaços microscópios entre as trabéculas do tecido ósseo esponjoso. - Cerca de 0,05 a 0,1% das células da medula óssea vermelha são células-tronco pluripotentes ou hemacitoblastos, que são derivadas do mesênquima (daquele em que a maioria dos tecidos conjuntivos se origina), as quais são capazes de se desenvolver em muitos tipos de células diferentes. - Com o passar dos anos, a velocidade de formação das células sanguíneas diminui, a medula óssea vermelha na cavidade medular dos ossos longos se torna inativa e é substituída por medula óssea amarela, formada principalmente por células gordurosas. - Em situações atípicas, como grandes hemorragias, a medula óssea amarela pode voltar a ser medula óssea vermelha; isso ocorre porque células-tronco formadoras de sangue da medula óssea vermelha vão para a medula óssea amarela, que é repovoada por células-tronco pluripotentes. - As células-tronco pluripotentes na M.O.V produzem mais dois tipos de células-tronco: as células-tronco mieloides e células-tronco linfoides - Células-tronco mieloides: origem na M.O.V e dão origem a hemácias, plaquetas, monócitos, neutrófilos, eosinófilos, basófilos e mastócitos. - Células-tronco linfoides: origem na M.O.V mas conclusão nos tecidos linfáticos, e dão origem aos linfócitos. - Além disso, algumas CT mieloides se diferenciam em células progenitoras, as quais não são mais capazes de se reproduzir e estão comprometidas a dar origem apenas a elementos do sangue. Algumas dessas células são conhecidas como unidades formadoras de colônia (UFC). - Depois da designação UFC vem a abreviação que indica os elementos maduros no sangue que vão produzir: UFC-E (eritrócitos), UFC-M (megacariócitos) e UFC-GM (granulócitos, sobretudo neutrófilos) e monócitos. - Outras células-tronco mieloides e as células- tronco linfoides se desenvolvem diretamente nas células precursoras. - Na geração seguinte, as células são chamadas de células precursoras, também conhecidas como blastos. Depois de várias divisões, elas se desenvolvem nos elementos figurados do sangue propriamente ditos. Por exemplo, os monoblastos se tornam monócitos, os mieloblastos eosinofílicos se tornam eosinófilos e assim por diante. As células precursoras apresentam aparências microscópicas reconhecíveis. OBS: Algumas células-tronco podem também formar osteoblastos, condroblastos e células musculares, que podem ser usadas como fonte de tecido ósseo, cartilaginoso e muscular com finalidade de reposição orgânica e tecidual. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Com exceção dos linfócitos, os elementos figurados não se dividem depois que deixam a medula óssea vermelha. Aumento e diminuição das células sanguíneas - Vários hormônios chamados de fatores de crescimento hematopoéticos regulam a diferenciação e a proliferação de células progenitoras específicas. - A eritropoetina (EPO) aumenta o número de células precursoras de hemácias. - A EPO é produzida principalmente por células que se encontram entre os túbulos renais (células intersticiais peritubulares). Em caso de insuficiência renal, a liberação de EPO fica mais lenta e a produção de hemácias inadequada, o que leva à diminuição do hematócrito e da capacidade de levar oxigênio aos tecidos corporais. - A trombopoetina (TPO) é um hormônio produzido pelo fígado que estimula a formação de plaquetas a partir dos megacariócitos. - Várias citocinas diferentes regulam o desenvolvimento de tipos distintos de células sanguíneas. Citocinas são pequenas glicoproteínas tipicamente produzidas por células como as da medula óssea vermelha, leucócitos, macrófagos, fibroblastos e células endoteliais. Em geral, atuam como hormônios locais (autócrinos ou parácrinos). As citocinas estimulam a proliferação de células progenitoras na medula óssea vermelha e regulam as atividades de células envolvidas nas defesas inespecíficas (como fagócitos) e respostas imunes (como células B e T). - Os fatores estimuladores de colônia (FEC) e as interleucinas (IL) são duas importantes famílias de citocinas que estimulam a formação de leucócitos. Hemograma - Estuda os compostos celulares do sangue: • Hemácias • Leucócitos • Plaquetas -O que interfere no resultado: 1. Fase pré-analítica: variáveis fisiológicas (gênero, idade, estado clínico do paciente), coleta e manipulação da amostra, variáveis endógenas (anticorpos do paciente e/ou medicamentos de uso contínuo dele) 2. Fase analítica 3. Fase pós-analítica - Série Vermelha: 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1- Estudar como ocorre o processo de defesa no organismo mediada pelas imunoglobulinas 2- Compreender os tipos de hipersensibilidades 3- Analisar as alterações estruturais e manifestações clínicas das reações de sensibilidade Processo de defesa do organismo mediada pelas imunoglobulinas - Imunoglobulinas são proteínas circulantes produzidas em respostas à exposição a antígenos. O ideal é que o corpo produza anticorpos para antígenos não-próprios (estranhos) e não produza para antígenos próprios (doenças autoimunes). - As informações da construção das imunoglobulinas estão no genoma. - As células que produzem as imunoglobulinas são as células B (linfócito B) - As imunoglobulinas podem existir em duas formas: 1- conectadas à membrana (BCR) 2- secretadas - A hipersensibilidade imediata, ou hipersensibilidade tipo I, é um tipo de reação patológica causada pela liberação de mediadores de mastócitos. Essa reação é muitas vezes desencadeada pela produção de anticorpo imunoglobulina E (IgE) contra antígenos ambientais e ligação da IgE aos mastócitos em diversos tecidos. - A sequência de eventos no desenvolvimento das reações de hipersensibilidade imediata começa com a ativação de células TH2 e produção de anticorpos IgE em resposta a um antígeno, com a ligação da IgE a receptores de Fc dos mastócitos e, então, com a subsequente exposição ao antígeno, ligação cruzada da IgE ligada pelo antígeno reintroduzido e liberação de mediadores dos mastócitos - Alguns mediadores de mastócitos causam um rápido aumento na permeabilidade vascular e na contração do músculo liso, resultando em muitos dos sintomas dessas reações. - Essa reação vascular e do músculo liso pode ocorrer minutos após a reintrodução do antígeno em um indivíduo pré-sensibilizado – daí a designação hipersensibilidade imediata. - Esse componente inflamatório da hipersensibilidade imediata é denominado reação de fase tardia, e é responsável principalmente pela lesão tecidual que resulta de ataques repetidos de hipersensibilidade imediata. - A hipersensibilidade imediata desenvolve-se em consequência da ativação das células TH2 em resposta a antígenos de proteínas ou substâncias químicas que se ligam às proteínas. Os antígenos que produzem as reações de hipersensibilidade imediata (alérgicas) geralmente são chamados de alérgenos. Qualquer indivíduo atópico pode ser alérgico a um ou mais desses antígenos. Não se sabe por que apenas um pequeno subconjunto de antígenos ambientais comuns faz com que eles provoquem reações de TH2 e produção de IgE, ou quais características desses antígenos são responsáveis por seu comportamento como alérgenos. OBS: As reações de anafilaxia (reações potencialmente fatais de hipersensibilidade sistêmica grave) são desencadeadas quase sempre por reações mediadas pela IgE, após exposição a um antígeno em indivíduos previamente sensibilizados. - Duas das citocinas secretadas pelas células TH2, interleucina-4 (IL-4) e IL-13, estimulam linfócitos B específicos para os antígenos estranhos a 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 mudarem para plasmócitos produtores de IgE. Assim, os indivíduos atópicos produzem grandes quantidades de anticorpos IgE em resposta a antígenos que não produzem respostas da IgE em outras pessoas. A propensão ao desenvolvimento de TH2, produção de IgE e hipersensibilidade imediata tem uma forte base genética; o 350principal risco conhecido para o desenvolvimento de alergias é um histórico familiar de doença atópica. Tipos de hipersensibilidade O que é hipersensibilidade? • Distúrbios causados por respostas imunes • Resposta imune faz mal se: for mal controlada, direcionada aos tecidos próprios, microrganismos comensais, antígenos ambientais - Anticorpos que não a IgE podem causar doenças de duas maneiras. Anticorpos direcionados contra antígenos celulares ou teciduais podem danificar essas células ou tecidos ou podem prejudicar sua função. Diz-se que essas doenças são mediadas por anticorpos e representam a hipersensibilidade tipo II. - Às vezes, anticorpos contra antígenos solúveis podem formar complexos com os antígenos, e os complexos imunes podem-se depositar nos vasos sanguíneos em vários tecidos e causar inflamação e lesão tecidual. Tais doenças são denominadas doenças de complexo imune e representam a hipersensibilidade tipo III. - Finalmente, algumas doenças resultam das reações dos linfócitos T, geralmente contra antígenos próprios nos tecidos. Essas doenças mediadas pelas células T são denominadas hipersensibilidade tipo IV. Alterações estruturais e manifestações clínicas das reações de sensibilidade - 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1. Compreender o transporte de gases no nosso organismo; 2. Entender o que é e como ocorre uma intoxicação por CO; 3. Compreender a importância de uma rede de atenção à saúde mental como mecanismo de prevenção do suicídio; 4. Analisar quais os ricos de danos psicológicos devido aos ataques pessoais na internet; Transporte de gases - A maior parte do transporte do O2 acontece ligado a hemoglobina (conjunto oxi-hemoglobina) - Uma pequena parte do O2 está dissolvida no sangue e pode ser aferida pela pO2 Sobre a hemoglobina: • Heme 4 grupos Ferro Ferroso: local de ligação do oxigênio • Globina 4 cadeias polipeptídicas 2 alfas + 2 betas: Hemoglobina A (preponderante no indivíduo adulto) 2 alfas + 2 gamas: Hemoglobina F (mais preponderante no feto e tem maior afinidade pelo O2) - O oxigênio altera a capacidade da hemoglobina de absorver a luz, torna o salgue arterial (rico em oxigênio) vermelho brilhante. Enquanto o sague venoso (desoxigenado) é vermelho-azulado - A curva de dissociação do oxigênio com a hemoglobina: tudo começa nos alvéolos, o oxigênio se difunde no plasma e se liga à hemoglobina. Nos tecidos, a hemoglobina e o oxigênio se separam. - Saturação de hemoglobina e gasometria arterial e como esses valores se relacionam: - O P50 é o ponto da curva onde 50% da hemoglobina está saturada, ou seja, há 50% da hemoglobina carreando oxigênio nesse momento. Em indivíduos normais, o P50 se correlaciona com a PO2 de 27. - Quando esse P50 se eleva pra cima é chamado de DESVIO PARA A DIREITA: acontece quando se estar precisando de oxigênio nos tecidos (tecido hipoxêmico). - Quando a P50 se eleva pra baixo é chamado de DESVIO PARA A ESQUERDA: quando o oxigênio se prende a hemoglobina ao máximo. - O que faz o oxigênio mudar seu curso: • Influência do pH - Na acidose tecidual, há uma grande demanda tecidual de oxigênio, por isso precisa do desvio para a direita, porque tem muita secreção de gás carbônico. Com isso aumentará a captação de oxigênio pelos pulmões e a liberação do oxigênio para os tecidos. OBS: a taxa de CO2 alta tira o oxigênio da hemoglobina (efeito Bohr). Quanto mais CO2 tiver, mais fácil será tirar oxigênio da hemoglobina. • Influência da temperatura - Quando se tem um AUMENTO da temperatura, há o desvio para a direita - Quando se tem uma DIMINUIÇÃO da temperatura, há o desvio para a esquerda. O oxigênio não se separa da hemoglobina. Isso explica porque as extremidades do corpo ficam frias, porque não há liberação de O2 para aqueles locais. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02Hipóxia - Ocorre quando a quantidade de oxigênio disponível para as células é insuficiente para manter o metabolismo aeróbico. - Sinal de sofrimento celular. - Acidose metabólica - Provocará a cianose de extremidades - Causas: • Hipóxica: o problema está no pulmão • Anêmica: o problema está no transporte (hemoglobina) • Circulatória: o problema está na bomba coração) ou nos vasos • Histotóxica: envenenamento e acaba interferindo no papel da mitocôndria Transporte de Gás Carbônico - O CO2 parte dos tecidos e ele é produzido a partir do metabolismo energético - Ele sai dos tecidos, cai no vaso sanguíneo e entra na hemácia por difusão - O CO2 quando entra em contato com a água, sob a ação da anidrase carbônica, irá formar o HCO3. Ele irá se dissociar em hidrogênio e bicarbonato. O hidrogênio irá ser tamponado pela hemoglobina, enquanto o bicarbonato (HCO3) é trocado com o cloreto. Dessa forma, o cloreto cai na circulação e dentro da hemácia e o bicarbonato será transportado na circulação. - O CO2 tem influência direta nos distúrbios ácido básicos, porque ele irá influenciar nas concentrações de hidrogênio e de bicarbonato. - Efeito Haldane (dissociação do gás carbônico): sai de bicarbonato e vira CO2. O oxigênio no alvéolo se liga à hemoglobina, com isso há a transformação do heme ferroso em um ácido mais forte e esse ácido irá aumentar a quantidade de hidrogênio na hemácia. O hidrogênio se liga ao bicarbonato (que é o gás carbônico camuflado), então ocorrerá a seguinte reação: - Isso vai fazer o CO2 ser difundido pelos alvéolos e expulso - Resumo do efeito Haldane: quanto mais oxigênio tiver, mais facilmente o CO2 será expulso Intoxicação por CO - Influencia diretamente no transporte de oxigênio - Quando um individuo tem contato com monóxido de carbono essa substância irá se ligar ao ferro e transformar essa substância que estava em estado ferroso (que era perfeito para o oxigênio) em estado férrico (Fe 3+). Dessa forma, haverá uma drástica redução da capacidade do oxigênio de se ligar à hemoglobina. - Além disso, é válido ressaltar que o monóxido de carbono possui uma grande afinidade com a hemoglobina, por isso sua ligação com ela é 200x mais forte do que a da hemoglobina com o oxigênio. Devido a isso, o organismo tenta fazer o 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 desvio para a esquerda para que diminua a separação da hemoglobina com o oxigênio. - Se tiver ligação com o CO, pois a hemoglobina ficará saturada com monóxido de carbono e haverá a formação de metemoglobina. Essa reação é IRREVERSÍVEL e por isso fatal! 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1. Explicar as funções das vias aéreas superiores 2. Entender o processo de formação de muco nas vias aéreas superiores 3. Compreender o mecanismo de proteção das vias aéreas superiores 4. Estudar a importância dos seios paranasais Vias aéreas superiores - Primeiramente, é válido definir quais partes do sistema respiratório fazem parte das vias aéreas superiores. Entre elas estão o nariz, a cavidade nasal, a faringe e estruturas associadas. - Consiste em uma parte externa e visível e em uma interna (intracraniana) chamada de cavidade nasal. - As principais funções da parte interna do nariz: • Aquecimento, umidificação e filtragem do influxo de ar • Detecção de estímulos olfatórios • Modificações das vibrações da fala à medida que elas passam pelas grande e ocas câmeras de ressonância - A cavidade nasal fica na face anterior do crânio, na parte superior à cavidade oral e inferior ao osso nasal. O septo nasal divide a cavidade nasal em dois lados: direito e esquerdo. A parte anterior do septo nasal é composta principalmente por cartilagem hialina; o restante é formado por ossos vômer, lâmina perpendicular do etmoide, maxila e palatinos. - Na parte anterior, a cavidade nasal se funde ao nariz, já na parte posterior há uma comunicação com a faringe com a faringe por meio de duas aberturas chamadas cóanos. A cavidade nasal está dividida em uma parte respiratória inferior maior e um parte olfatória superior menor. Obs: ductos dos seios nasais (que drenam o muco) e lacrimonasais (que drenam as lágrimas) também se abrem na cavidade nasal - Funções das cavidades nasais: • Com os seios nasais irão formar o muco • Ressonância do som - A faringe começa nos cóanos e se estende para o nível da cartilagem cricóidea, a cartilagem mais inferior da laringe. Músculos esqueléticos relaxados ajudam a manter a faringe patente. A contração dos músculos esqueléticos auxilia na deglutição. - A faringe pode ser dividida em três regiões anatômicas: 1) parte nasal da faringe (chamada nasofaringe na prática clínica) 2) parte oral da faringe (chamada orofaringe na prática clínica) 3) parte laríngea da faringe (chamada laringofaringe na prática clínica) - Funções da faringe: • A faringe atua como uma passagem para o ar e comida • Fornece uma câmara de ressonância para os sons da fala • Abriga as tonsilas, que participam das reações imunológicas contra invasores estranhos. Processo de formação do muco - A mucosa das vias aéreas, desde as cavidades nasais até os bronquíolos respiratórios, é 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 constituída de um epitélio pseudo-estratificado, cilíndrico ciliado, entremeado por glândulas submucosas e células caliciformes, que são os elementos celulares responsáveis pela produção do muco respiratório. - Na cavidade nasal as glândulas seromucosas situam-se na submucosa e são as principais responsáveis pela produção de muco. - O muco nasal é uma complexa mistura de secreções provenientes das células caliciformes, glândulas submucosas, lacrimais e água. -Conforme o ar inspirado circula pelas conchas e meatos, é aquecido pelo sangue nos capilares. O muco secretado pelas células caliciformes umedece o ar e retém as partículas de poeira. A drenagem do ducto lacrimonasal também ajuda a umedecer o ar e às vezes é assistida por secreções dos seios paranasais. Os cílios movem o muco e as partículas de poeira retidas em direção à faringe, onde podem ser engolidas ou cuspidas, removendo assim as partículas do sistema respiratório. O principal mecanismo de controle da secreção nasal é autonômico sendo que a estimulação parassimpática aumenta o volume das secreções. Apesar de este mecanismo ser basicamente mediado pela acetilcolina, a presença do peptídeo intestinal vasoativo (VIP) sugere a existência de mecanismos não mediados por acetilcolina. Mecanismo de proteção das vias aéreas superiores - Quando as vias aéreas superiores são invadidas por algum vírus ou bactéria o muco que normalmente é produzido se modifica e se compõe por células inflamatórias como macrófagos, basófilos, mastócitos e eosinófilos, cujas concentrações variam nos diferentes estados patológicos. Também fazem parte da composição do muco nasal proteínas como a albumina, lactoferrina, glicoproteínas (mucinas de alto peso molecular), lisozimas e todas as principais imunoglobulinas. - Essa mistura de componentes que vai formar o “catarro”, que pode apresentar diversas cores. Por meio dessa cor pode-se identificar o tipo da infecção. Em situações normais, o muco ter coloração transparente; em viroses, ele também é transparente durante muito tempo. Já em infecções bacterianas, esse muco tem cor amarela ou verde. A secreção vermelha pode ser um sinal de estado grave, podendo significar tuberculose ou câncer de pulmão, ou apenas uma consequência de um rompimento deum vaso. A coloração marrom ou preta é comum em fumantes ou em pessoas que ficam muito expostas à poluição e/ou fuligem. Seios paranasais - São cavidades encontradas nos ossos (pneumáticos): Frontal, maxilares, esfenóides e etmóide - Recebem seus nomes conforme suas localizações, ou seja, Seio Frontal, Seios Maxilares, Seio Esfenoidal e Seio Etmoidal. - Todos os seios paranasais se comunicam na cavidade nasal - Atuam como uma câmara de ressonância e são os responsáveis por drenar todo o muco produzido na cavidade nasal. - Muitas vezes esse processo de filtragem se transforma em um processo inflamatório. A sinusite ocorre quando há uma produção exagerada de muco e acontece uma obstrução dos seios paranasais, o que gera um congestionamento, desconforto e, consequentemente, dor 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1. Estudar os componentes que participam do sistema de defesa da região faríngea. 2. Conhecer a anatomia, fisiologia e histologia da faringe e laringe, entendo a inervação dessa região. 3. Compreender a fisiologia vocal. 4. Conhecer os órgãos linfoides da faringe e laringe com foco nas Tonsilas. Anatomia, fisiologia e histologia da faringe e laringe e suas inervações Faringe - Ela é um órgão tubular, que é responsável por conduzir o ar e direcionar o alimento - A faringe é um tubo de aproximadamente 13 cm em forma de funil que inicia nos cóanos e se estende para o nível da cartilagem cricóidea, que é a cartilagem mais inferior da laringe. Ela se encontra posteriormente às cavidades nasal e oral, estando superior à laringe e anterior às vértebras cervicais. - A parede da faringe é constituída por músculos esqueléticos e é revestida por túnica mucosa. - A faringe pode ser dividida em 3 partes: • Nasofaringe: porção superior da faringe. Fica posterior a cavidade nasal e acima do palato mole. Ela vai se comunicar com a cavidade nasal através das coánas e com o sistema auditivo pelo óstio faríngeo. Única porção da faringe onde só há passagem de ar. Tem funções de conduzir ar para as vias aéreas e equilibrar o gradiente de pressão entre a tuba auditiva e a faringe. • Orofaringe: entre o palato mole e a porção superior da glote. Fica superior ao palato mole, inferior a base da língua e a sua lateral é o arco platoglosso e o arco palatofaríngeo. Sua função está relacionada ao processo de deglutição (função digestória). Nessa região haverá o Istmo das fauces, porção que se refere a transição entre a cavidade oral pra a faringe. Ademais, nessa localização é que se encontra as tonsilas palatinas. • Laringofaringe: porção inferior da faringe. Fica entre a porção superior da epiglote e cartilagem cricóide e posteriormente em relação a laringe. - Inervação da faringe: a maior parte da inervação é feita pelo plexo faríngeo. • Motora: realizada pelos ramos faríngeos do nervo vago. Como já foi dito a maior parte da inervação dos músculos é feita pelo plexo faríngeo, mas existem algumas exceções: 1- Estilofaríngeo: inervado pelo glossofaríngeo 2- Tensor do véu palatino: inervado pelo trigêmeo • Sensitiva: realizadas pelo glossofaríngeo que inerva toda a faringe, ramos do trigêmeo. Laringe - É um órgão em formato de tubo formado por músculos, nove cartilagens sendo 3 impares (tireoide cricoide e epiglótica) e 3 pares (aritenoidea, corniculada e cuneiforme). -Localiza-se entre a faringe (porção laringofaríngea) e a traqueia na região anterior do pescoço. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Tem função na fonação, pois envolve a região das cordas vocais e, principalmente, na proteção das vias aéreas durante a deglutição através da movimentação de abertura e fechamento da glote que direciona o ar para as vias aéreas e o alimento para o esôfago, mantendo a via aérea pérvia. Desse modo, caso haja a entrada de alimento nas vias aéreas o mecanismo de tosse é acionado. - Inervação da faringe: o nervo laríngeo superior se divide em ramos laríngeo interno e laríngeo externo. • Nervo laríngeo inerva todos os músculos intrínsecos da laringe, com exceção do nervo cricotiroideo. • Nervo laríngeo interno: é um nervo sensitivo e autônomo responsável pela inervação das seguintes regiões: 1- Cavidade média da laringe 2- Vestíbulo da laringe (mucosa) • Nervo laríngeo externo: é um nervo motor responsável pela inervação do músculo cricotireoideo e constritor inferior da laringe. Fisiologia vocal - O ar é inspirado até os pulmões e retorna pelas vias aéreas, passando pela laringe. As pregas vocais se aproximam e vibram para produzir o som. O som da voz é amplificado pela caixa de ressonância (boca, faringe, nariz e seios paranasais) e moldado pelos articuladores (língua e lábios). - A voz é produzida através da passagem de ar pelo interior da laringe, ao tocar as nas pregas vocais, essas estando aduzidas, ou seja, fechando a glote. Sua amplificação ocorre nas cavidades ressonantes que se localizam posterior a saída do ar pela glote. - A fisiologia da voz é formada por 3 sistemas: o sistema respiratório, o fonatório e o articulatório • Quanto maior é a tensão na musculatura das cordas vocais, mais agudo será o som • Quanto mais relaxada é a tensão na musculatura das cordas vocais, mais grave é o som - As cartilagens aritenoideas da laringe são responsáveis pela mudança de pressão e de posição das cordas vocais, devido sua relação com o músculo tireo-aritenoideo (adutor externo ou tensor) e crico-aritenoides (abdutor interno ou dilatador) -No interior da laringe, conseguimos perceber as pregas vestibulares, conhecidas como pregas falsas e as pregas vocais, essas ficam mais abaixo, que são as pregas verdadeiras. O espaço entre cada par de prega é a glote, o que está acima da glote chama-se espaço vestibular e abaixo das pregas, infraglote. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Órgãos linfáticos da laringe e faringe - Linfonodos na região cervical: a linfa dos tecidos superficiais na região cervical lateral entra nos linfonodos cervicais superficiais situados ao longo da VJE superficial ao ECM. Os vasos eferentes drenam para os linfonodos cervicais profundos, que formam uma cadeia ao longo do trajeto da VJI embutida na faísca da bainha carótida. • Cavidade nasal: Porção lateral externa do nariz e terço anterior da cavidade nasal: linfonodos submaxilares Dois terços posteriores da cavidade nasal e seios etmoidais: linfonodos retrofaríngeos e parcialmente para os linfonodos cervicais profundos superiores • Cavidade oral: A drenagem linfática da cavidade oral é dividida primeiramente em linfonodos regionais e linfonodos cervicais profundos. Para correta compreensão, deve-se notar que somente os linfonodos que drenam diretamente as estruturas anatômicas da cavidade oral serão mencionados, sendo nomeados a partir da sua área de drenagem. Linfonodos regionais: parotídeos, bucais, submandibulares, submentonianos, cervicais superficiais Linfonodos cervicais profundos: jugulodigástrico, júgulo-omo-hióideo - Tecido linfoide associado à mucosa (MALT): O tecido linfóide associado à mucosa (conhecido pelo acrônimo MALT, do inglês “Mucosa- associated lymphoid tissue”) é encontrado ao longo do revestimento mucoso do corpo. A nomenclatura utilizada para descrever o tecido linfóide se adapta à anatomia regional. Por exemplo, MALT no trato gastrointestinal é chamado de Tecido linfóide associado ao trato gastrointestinal (GALT, do inglês “gut-associated lymphatic tissue”), enquanto o MALT nas vias aéreas é chamado de tecido linfóide associado aos brônquios (BALT, do inglês “bronchus-associated lymphoid tissue”). Na nasofaringe e orofaringeo MALT é encontrado nos espaços intratonsilares (ou seja, entre os agregados tonsilares). - Anel de Waldeyer: O anel atua como uma primeira linha de defesa contra microorganismos que entram no corpo através das vias nasal e oral. • consiste em quatro estruturas tonsilares, a saber as tonsilas faríngeas (ou adenoides), tubárias, palatinas (ou amígdalas) e linguais, bem como pequenas coleções de tecido linfático disperso ao longo do revestimento mucoso da faringe - tecido linfóide associado à mucosa (MALT). Tonsila Faríngea - Situada superior e posteriormente ao tórus tubário (uma elevação ao redor da abertura faríngea da tuba auditiva ou Trompa de Eustáquio), no teto da nasofaringe, a tonsila faríngea é a principal responsável por ‘rastrear’ o ar que entra através das narinas. A tonsila faríngea é revestida por epitélio pseudoestratificado colunar ciliado (epitélio respiratório). Ao contrário das outras tonsilas, não existem criptas (invaginações na superfície da tonsila) presentes nesse órgão. 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Tonsila palatina - As tonsilas palatinas são conhecidas historicamente somente pelo termo “tonsilas”. Elas são facilmente visualizadas na orofaringe quando inflamadas. Esses agregados linfóides bilaterais situam-se de cada lado no interior de uma incisura tonsilar, limitados anteriormente pelo arco palatoglosso e posteriormente pelo arco palatofaríngeo. Ao contrário da adenoide, as tonsilas palatinas são cobertas por epitélio escamoso estratificado não-queratinizado. Elas possuem ainda muitas invaginações que aumentam a probabilidade de exposição a antígenos (antigénios) externos ao tecido linfático presente nas criptas. Tonsila lingual - As numerosas protrusões localizadas no terço posterior da língua são conhecidas coletivamente como tonsilas linguais. Elas também são cobertas por epitélio escamoso estratificado não-queratinizado. O ramo lingual dorsal da artéria lingual e a veia lingual são responsáveis pelo suprimento vascular e a drenagem venosa destes agregados linfáticos, respectivamente, enquanto o nervo glossofaríngeo os inerva, como o faz com o terço posterior da língua. Tonsila tubária - As tonsilas tubárias também se localizam no teto da nasofaringe. Elas são bilaterais e posteriores ao torus tubários, na fossa de Rosenmüller (recesso faríngeo). Devido à relativa proximidade das tonsilas tubárias e do tórus tubário, elas são chamadas algumas vezes de “tonsilas do tórus tubário”. O termo “tonsilas tubárias” também é sinônimo dos termos tonsilas de Eustáquio ou tonsilas de Gerlach. 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1- Estudar a embriogênese do sistema respiratório 2- Conhecer as características citológicas e histológicas das diferentes fases de maturação pulmonar 3- Entender o processo de maturação das vias aéreas inferiores com foco nos pulmões. 4- Compreender a composição e função dos líquidos surfactantes. Embriogênese do sistema respiratório Desenvolvimento até a 3ª semana - Tudo começa no zigoto, o qual sofrerá diversas divisões e se transformará em mórula (estágio de 8 células) que também continuará sofrendo o processo de clivagem até se modificar em blastocisto. Nessa etapa, ocorre o processo de gastrulação, que formará os folhetos embrionários (endoderme, mesoderme e ectoderme), os quais são os responsáveis por formar todos os tecidos do corpo humano. Período de organogênese (4-8ª semana) - O endomerme é responsável por formar todo o epitélio respiratório e o mesoderme às cartilagens e aos vasos desse sistema. O ectoderme fica responsável por formar o sistema nervoso central, o que pode contribuir eventualmente com algumas células que vão para tal sistema. - O trato respiratório surge do divertículo respiratório, na 4ª semana. Esse divertículo deriva da poção anterior do intestino primitivo. Isso até permite inferir a origem e a similaridade do esôfago e da traqueia, é como se ele fossem “irmãos” e tivessem se separado ao longo da gestação. Muitas vezes essa separação não ocorre de forma efetiva, o que ocasiona fístulas, atresia, alterações congênitas. Nesse momento, também surge o broto pulmonar, que nada mais é do que os futuros pulmão esquerdo e pulmão direito. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Más formações congênitas: Período pseudoganglionar (5-16ª semana) - Nesse período, as vias respiratórias vão aumentando juntamente com o tecido pulmonar. Se houver um parto prematuro nesse tempo, o bebê não conseguirá respirar porque o alvéolo respiratório primitivo, que é o aparato de troca gasosa, ainda não está desenvolvido. Período canalicular (16-26ª semana) - Crescimento ainda mais das ramificações do trato respiratório (sistema de condução) e a formação do alvéolo primitivo, ou seja, começa haver as primeiras conexões com a parte circulatória. - A partir do bronquíolo terminal, já há a formação do primórdio de estruturas especializadas em troca gasosa Período de saco terminal (26ª semana ao parto) - O epitélio respiratório fica ainda mais fino, o que facilita ainda mais as trocas gasosas. Os capilares começam a invadir essas estruturas - Surgimento de estruturas de troca e de células especializadas, pneumócitos. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 • Pneumócitos tipo 1: responsável por revestir o saco alveolar. Tem que ser fino o suficiente para que permita a troca gasosa. • Pneumócito tipo 2: produz o surfactante, sustância responsável por reduzir a tensão superficial e o colapso dos alvéolos. Período alveolar (do parto aos 8 anos) - Desenvolvimento máximo dos alvéolos. - Nesse momento que começará haver os movimentos respiratórios, o que acometerá a remoção do líquido pulmonar após o nascimento. Esse líquido finalmente será substituído por ar. Membrana alvéolo-capilar - A conexão da endoderme e do mesoderme é que formará a membrana do nos alvéolos. Se não houver a membrana de surfactante revestindo a membrana do alvéolo, esse último entrará em colapso - Quando esse alvéolo entra em colapso, ocorre a Síndrome da Angústia Respiratória do recém- nascido, quadro de insuficiência respiratória. Formação da pleura - A pleura deriva a partir do mesoderma, a partir do canal pericardioperitopeneal. Inicialmente, a cavidade pericardia está ligada a cavidade pleural, 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 mas a partir da 4ª semana quando o coração do feto começa a se desenvolver e bater, essas cavidades passam a ocupar um espaço mais individualizado. Maturação pulmonar - Dividida em 4 estágios histológicos 1. Estágio pseudoganglionar - Aparência de uma glândula exócrina - Acontece durante a 5ª à 17ª semana. - Nele há a presença de todos os componentes estão formados, exceto os envolvidos nas trocas gasosas (sacos alvéolares) 2. Estágio canalicular - Acontece durante a 16ª à 26ª semana - Nesse período, haverá um aumento da luz dos brônquios e dos bronquíolos terminais. Além disso também haverá um aumento da vascularização (arborização) dos pulmões - Os vasos sanguíneos serão de origem do mesênquima. Eles irão aumentar ao longo do período canalicular. - A partir da 24ª semana, haverá o surgimento dos bronquíolos respiratórios e de 3 a 6 ductos alveolares primitivos. - Após 26 semanas, a respiração teoricamente seria possível, pois já existem alguns sacos terminais. 3. Estagio de saco terminal - Período da 24ª semana até o final do período fetal - Desenvolvimento de diversos sacos terminais (alvéolos primitivos) - Epitélio fica mais fino nos sacos, para que haja um contato mais intimo entre o capilare a via respiratória (barreira hematoaérea) - Há o aumento do número de capilares. 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Durante esse período se inicia a produção do liquido surfactante. 4. Estágio alveolar - Condições necessárias para a mudança para troca gasosa autônoma (após a 32ª semana) • Produção de surfactante nos sacos alveolares de forma adequada • Transformação dos pulmões de órgãos secretores (do líquido amniótico) capazes de realizar trocas gasosas • Estabelecimento das circulações sistêmicas e pulmonar - Existem diversas vias de sinalização que atuam no desenvolvimento dos pulmões • Fator de transcrição tireoideano 1 • Fator nuclear dos hepatócitos 3 beta • Fator de crescimento de fibroblastos 10 - Nesse estágio também haverá os movimentos respiratórios fetais (MFR) que são importantes para o desenvolvimento dos pulmões. Eles vão estimular as vias de maturação dos pneumócitos tipo 1 e tipo 2, o que vai permitir a maturação final dos pulmões. Além disso, eles também estimulam a musculatura respiratória. - Outros fatores necessários para o desenvolvimento normal dos pulmões: • Espaço torácido adequado • Movimentos respiratórios fetais • Volume de liquido aminiótico adequado Liquido surfactante - É uma substância extremamente importante para manter o saco alveolar aberto. Ele é uma película de fosfolipídios e proteínas que fica na parede interna dos sacos alveolares. - Esse liquido surfactante é o responsável de neutralizar as forças de tensão superficial (força que tenderia a fechar o saco). - Esses sacos alveolares abertos são fundamentais para a entrada de mais ar e a troca gasosa, justamente porque os capilares estão ao redor do alvéolo 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos • Conhecer a anatomia e fisiologia do pulmão • Estudar o volume e a capacidade pulmonar • Compreender a mecânica respiratória Anatomia e fisiologia do pulmão Anatomia do Pulmão - O pulmão faz parte intratorácida da anatomia do sistema respiratório e da zona respiratória. Essa parte é composta pela traqueia e pulmão, o qual é formado por brônquios, bronquíolos. - Os pulmões são órgãos cônicos que são separados pelo coração e por outras estruturas do mediastino. Isso que explica a capacidade de uma das partes do pulmão continuar se expandindo se a outra colapsar. - Cada pulmão é protegido por uma camada dupla de pleura. A camada superficial é a pleura pariental, a qual reveste a parede da cavidade torácida. Já a camada profunda, a pleura visceral, recobre os pulmões propriamente dito. Entre a pleura visceral e a pleura parietal há um pequeno espaço, a cavidade pleural, que contém um pequeno volume de líquido lubrificante que é secretado pelas membranas. Obs1: Este líquido pleural reduz o atrito entre as membranas, o que lhes possibilita deslizar facilmente uma sobre a outra durante a respiração. Obs2: as cavidades pleurais podem se encher de ar (pneumotórax), sangue (hemotórax) ou pus. O ar nas cavidades pleurais, mais comumente introduzido em uma abertura cirúrgica do tórax ou como resultado de um ferimento por arma branca ou projetil de arma de fogo, pode fazer com que os pulmões colapsem. Este colapso de uma parte de um pulmão, ou raramente de um pulmão inteiro, é chamado de atelectasia. O objetivo do tratamento é evacuar o ar (ou sangue) do espaço pleural, o que possibilita a reinsuflação do pulmão. Um pequeno pneumotórax pode ser reabsorvido espontaneamente, mas muitas vezes é necessário inserir um dreno de tórax para ajudar na evacuação. - Os pulmões se estendem desde o diafragma até a região discretamente superior às clavículas e encontra-se contra as costelas anterior e posteriormente. - A larga parte inferior do pulmão, a base, é côncava e se encaixa sobre a zona convexa do diafragma. A parte superior estreita do pulmão é o ápice. - A superfície do pulmão apoiada sobre as costelas, a face costal, coincide com a curvatura arredondada das costelas. A face mediastinal (medial) de cada pulmão contém uma região, o hilo do pulmão, por meio da qual os 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 brônquios, os vasos sanguíneos pulmonares, os vasos linfáticos e os nervos entram e saem. - Estas estruturas são mantidas unidas pela pleura e tecido conjuntivo e constituem a raiz do pulmão. - Medialmente, o pulmão esquerdo também contém uma concavidade, a incisura cardíaca, em que o vértice do coração se encontra. Obs 3 :Em razão do espaço ocupado pelo coração, o pulmão esquerdo é aproximadamente 10% menor do que o pulmão direito. Embora o pulmão direito seja mais espesso e mais largo, é também um pouco mais curto do que o pulmão esquerdo, porque o diafragma é maior no lado direito, acomodando o fígado que se encontra inferiormente a ele. - O ápice dos pulmões encontra-se superiormente ao terço médio das clavículas, e esta é a única área em que ele pode ser palpado. - As faces anterior, lateral e posterior dos pulmões se apoiam sobre as costelas. - A base dos pulmões se estende da 6a cartilagem costal anteriormente ao processo espinhoso da vértebra T X posteriormente. - A pleura se estende de aproximadamente 5 cm abaixo da base, da 6a cartilagem costal anteriormente à costela XII posteriormente. Assim, os pulmões não preenchem completamente a cavidade pleural nesta área. - A remoção do excesso de líquido na cavidade pleural pode ser feita sem lesionar o tecido pulmonar por meio da inserção de uma agulha anteriormente através do 7o espaço intercostal, em um procedimento chamado de toracocentese. A agulha é passada ao longo da margem superior da costela inferior para evitar danos aos nervos intercostais e vasos sanguíneos. Inferiormente ao 7o espaço intercostal há o perigo de penetrar o diafragma. Lobos, fissuras e lóbulos - Uma ou duas fissuras dividem cada pulmão em lobos. - Ambos os pulmões têm uma fissura oblíqua, que se estende inferior e anteriormente; o pulmão direito tem também uma fissura, a fissura horizontal do pulmão direito. - A fissura oblíqua no pulmão esquerdo separa o lobo superior do lobo inferior. - No pulmão direito, a parte superior da fissura oblíqua separa o lobo superior do lobo inferior; a parte inferior da fissura oblíqua separa o lobo inferior do lobo médio, que é limitado superiormente pela fissura horizontal. - Cada lobo recebe seu próprio brônquio lobar. Assim, o brônquio principal direito dá origem a três brônquios lobares chamados brônquios lobares superior, médio e inferior; o brônquio principal esquerdo dá origem aos brônquios lobares superior e inferior. - No pulmão, os brônquios lobares dão origem aos brônquios segmentares, que são constantes tanto em origem quanto em distribuição – existem 10 brônquios segmentares em cada pulmão. - O segmento de tecido pulmonar que cada brônquio segmentar supre é chamado segmento broncopulmonar. As doenças brônquicas e pulmonares (como os tumores ou abscessos) que estão localizados em um segmento broncopulmonar podem ser removidas cirurgicamente sem perturbar gravemente o tecido pulmonar circundante. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - Cada segmento broncopulmonar dos pulmões tem muitos pequenos compartimentos, chamados lóbulos; cada lóbulo é envolvido por tecido conjuntivo elástico e contém um vaso linfático, uma arteríola, uma vênula e uma ramificação de um bronquíolo terminal. - Os bronquíolos terminais subdividem-se em ramos microscópicos chamados bronquíolos respiratórios. - Eles também têm alvéolos ramificando-se de suas paredes. Os alvéolos participam das trocas gasosas; portanto, os bronquíolos respiratórios iniciam a zona respiratória do sistema respiratório. - Conformeos bronquíolos respiratórios penetram mais profundamente nos pulmões, o revestimento epitelial passa de cúbico simples para escamoso simples. - Os bronquíolos respiratórios por sua vez se subdividem em vários (2 a 11) ductos alveolares, que consistem em epitélio escamoso simples. - As vias respiratórias da traqueia aos ductos alveolares contêm aproximadamente 25 ordens de ramificação; a ramificação da traqueia em brônquios primários é chamada de ramificação de primeira ordem; aquela dos brônquios principais em brônquios lobares é chamada ramificação de segunda ordem, e assim por diante até os ductos alveolares. Alvéolos - Em torno da circunferência dos ductos alveolares estão diversos alvéolos e sacos alveolares. - Um alvéolo é uma evaginação em formato de taça revestida por epitélio escamoso simples e apoiada por uma membrana basal fina e elástica; um saco alveolar é constituído por dois ou mais alvéolos que compartilham uma abertura comum - As paredes dos alvéolos são formadas por dois tipos de células epiteliais alveolares -As células alveolares do tipo I (epiteliais escamosas pulmonares), mais numerosas, são células epiteliais escamosas simples que formam um revestimento quase contínuo da parede alveolar. - As células alveolares do tipo II, também chamadas células septais, existem em menor número e são encontradas entre as células alveolares do tipo I. - As finas células alveolares do tipo I são os principais locais de trocas gasosas. As células alveolares do tipo II, células epiteliais arredondadas ou cúbicas com superfícies livres contendo microvilosidades, secretam líquido alveolar, o que mantém úmida a superfície entre as células e o ar. - Incluído no líquido alveolar está o surfactante, uma complexa mistura de fosfolipídios e lipoproteínas. O surfactante reduz a tensão superficial do líquido alveolar, o que diminui a tendência de colabamento dos alvéolos e, assim, mantém a sua perviedade. 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Volume e capacidade pulmonar - Em repouso, um adulto médio saudável respira 12 vezes por minuto, movendo a cada inspiração e expiração aproximadamente 500 mℓ de ar para dentro e para fora dos pulmões. - O volume de uma respiração é chamado volume corrente (VC). - A ventilação minuto (VM) – o volume total de ar inspirado e expirado a cada minuto – é dada pela frequência respiratória multiplicada pelo volume corrente: VM = 12 ciclos/min × 500 mℓ/respiração = 6 ℓ/min - O volume corrente varia consideravelmente de uma pessoa para outra e na mesma pessoa em momentos diferentes. - Em um adulto típico, aproximadamente 70% do volume corrente (350 mℓ) alcança efetivamente a zona respiratória do sistema respiratório – bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolos – e participa na respiração externa. - Os outros 30% (150 mℓ) permanecem nas vias respiratórias de condução do nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais. - Coletivamente, as vias respiratórias de condução com ar que não é submetido à troca respiratória são conhecidas como espaço morto anatômico (respiratório). Nem toda a ventilação minuto pode ser usada nas trocas gasosas, pois um pouco dela permanece no espaço morto anatômico. A taxa de ventilação alveolar é o volume de ar por minuto que efetivamente alcança a zona respiratória. No exemplo dado, a taxa de ventilação alveolar seria de 350 mℓ/respiração × 12 incursões respiratórias/min = 4.200 mℓ/min. - Vários outros volumes pulmonares são definidos em relação à respiração forçada. Em geral, esses volumes são maiores no sexo masculino, indivíduos mais altos e adultos mais jovens, e menor nas mulheres, indivíduos mais baixos e idosos. - As capacidades pulmonares são combinações de volumes pulmonares específicos. - A capacidade inspiratória é a soma do volume corrente e do volume de reserva inspiratório (500 mℓ + 3.100 mℓ = 3.600 mℓ nos homens e 500 mℓ + 1.900 mℓ = 2.400 mℓ nas mulheres). 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - A capacidade residual funcional é a soma do volume residual e do volume de reserva expiratório (1.200 mℓ + 1.200 mℓ = 2.400 mℓ nos homens e 1.100 mℓ + 700 mℓ = 1.800 mℓ nas mulheres). - A capacidade vital é a soma do volume de reserva inspiratório, volume corrente e volume de reserva expiratório (4.800 mℓ nos homens e 3.100 mℓ nas mulheres). - Por fim, a capacidade pulmonar total é a soma da capacidade vital e do volume residual (4.800 mℓ + 1.200 mℓ = 6.000 mℓ nos homens e 3.100 mℓ + 1.100 mℓ = 4.200 mℓ nas mulheres). Mecânica Respiratória - Na mecânica da caixa torácida, faz parte costelas, diafragma, cavidade abdominal e músculos. Inspiração - Na mecânica dinâmica, tudo começa com a contração do diafragma, o que vai empurrar o conteúdo abdominal ir para baixo e fazer as costelas irem pra cima e se expandir. Essa expansão cria uma pressão negativa no interior dos pulmões e é isso que faz o ar entrar para dentro dele. A inspiração é um processo ativo Expiração - Vai tentar normalizar a pressão negativa e voltar ao equilíbrio, por isso é considerado um processo passivo. Ciclo respiratório No repouso: Inspiração: 6 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Expiração: 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1- Compreender os mecanismos de trocas gasosas com enfoque na barreira hematoaerea. 2- Descrever o processo de controle respiratório. 3- Conhecer a interação entre sistema nervoso e respiratório. Trocas gasosas e barreira hematoaerea - Primeiramente, é importante relembrar a principal estrutura para as trocas gasosas e todo processo de hematose, que são os alvéolos. Eles são compostos por dois tipos de células epiteliais, cerca de 97 % de pneumócitos tipo I e os 3% restantes de pneumócitos tipo II, os quais são responsáveis por formar o liquido surfactante e regenerar o tecido alveolar. - Entre os alvéolos e os capilares existe uma membrana respiratória, também chamada de membrana hematoaerea ou rede alvéolo-capilar. Ela é composta basicamente por células alveolares tipo I, células endoteliais dos capilares e as respectivas membranas basais dos alvéolos e dos eritrócitos. - Todo o processo de troca gasosa ocorrerá de forma passiva por meio da difusão dos gases entre os alvéolos e o sangue. À priori, é importante ressalta que o ar que respiramos é composto por diversas substâncias: nitrogênio, oxigênio e dióxido de carbono, principalmente e todos eles sofrerão difusão, a qual será influencia diretamente pelo impacto da pressão parcial de cada um. Esses gases também estão dissolvidos no sangue e exercem uma pressão, devido ao movimento cinético dessas moléculas e pelo o coeficiente de solubilidade de cada uma. - Nos alvéolos, a pressão parcial de cada gás da mistura gasosa respiratória tentará forçar as moléculas de gás para a solução de sangue. Já no tecido hematopoiético, as moléculas do mesmo gás que já estão dissolvidas nele se movem aleatoriamente no líquido, o que faz elas escaparem aleatoriamente de volta aos alvéolos. A intensidade que elas escapam é diretamente proporcional à sua pressão parcial no sangue. - A direção que ocorrerá essa difusão efetiva dos gases é do meio mais concentrado para o mais concentrado. Nos alvéolos, há a maior concentração de oxigênio na forma gasosa, o que fará com que ele se difunda para o sangue. E no sangue, há maior concentração de dióxido de carbono dissolvido o que faz com ele vá para a fase gasosa nos alvéolos. - É possível ver prontamente que as moléculas da área de alta pressão, por serem mais numerosas, têm a probabilidade estatisticamentemaior de se moverem aleatoriamente para a área de baixa pressão do que as moléculas que tentam ir na direção oposta. Entretanto, algumas moléculas se agitam aleatoriamente da área de baixa pressão para a área de alta pressão. Portanto, a difusão efetiva do gás da área de alta pressão para a área de baixa pressão é igual ao número de moléculas 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 que se move nessa direção menos o número de moléculas que se move na direção oposta, que é proporcional à diferença da pressão parcial do gás entre as duas áreas, denominada, simplesmente, diferença de pressão que causa difusão. Obs: o CO2 se difunde por cerca de 20 vezes mais rápido que o O2. O oxigênio se difunde cerca de duas vezes mais rápido que o nitrogênio. - Voltando às membranas respiratórias, existem alguns fatores que podem influenciar diretamente a difusão dos gases através dela, dentre eles deve- se destacar a espessura da membrana, a área superficial da membrana, o coeficiente de difusão do gás na substância da membrana e a diferença de pressão parcial do gás entre os dois lados membrana Processo de controle respiratório e interação do sistema nervoso - O controle respiratório é responsável por gerar, regular e modificar o ritmo respiratório de acordo com os sinais periféricos. Isso ocorre para que se mantenha os níveis normais de gases no sangue, a PCO2 seja regular (entre 35 e 45) e haja um equilíbrio ácido-base do organismo. - O principal atuante nesse processo é o Centro de Controle Respiratório, o qual receberá informações dos quimiorreceptores centrais, quimiorreceptores periféricos. Ele também pode receber informações dos mecanorreceptores pulmonares e dos nervos sensoriais, quando os mesmos estão presentes e atuando. - O Centro de Controle Respiratório está localizado no bulbo e é composto por núcleos. Ele tem como função gerar o padrão rítmico da ventilação, receber e integrar as informações vindas de outros locais e modular a frequência e a amplitude do padrão. - Aos receber informações dos receptores nervosos, o CCR vai disparar feixes nervosos que vão caminhar através de neurônios motores até chegar ao nervo frênico e os nervos intercostais que vão controlar a musculatura responsável pela respiração. - As informações serão fornecidas pelos quimiorreceptores: • Centrais: estão em contato direto com o CCR, localizados logo abaixo da superfície ventrolateral do bulbo. São sensíveis ao pH do líquido que os banha (no caso, o líquor) Eles vão reconhecer tanto variações na PCO2 quanto no pH sanguíneo. A pressão parcial de dióxido de carbono está muito relacionada a ao pH. • Periféricos: estão localizados no arco aórtico e na bifurcação das artérias carótidas. Eles reconhecem variações na pO2 (únicos), pCO2 e no pH e enviam tais informações através do nervo vago e do nervo glossofaríngeo. - Os mecanorreceptores pulmonares e os nervos sensoriais percebem substâncias irritantes ou substâncias locais que precisam ser reguladas e informam ao centro regulador. - Todo o processo acima descrito se refere à respiração automática. - Quando o controle respiratório é voluntário, ele acontece em outra via. É no córtex motor que vai descer por meio dos tratos córtico-espinhais e através dos neurônios motores na coluna espinhal fazem a respiração de forma voluntária. - Quem domina o controle respiratório é o automático, pois mesmo que o individuo tente controlar a respiração de forma voluntária no início, o tempo de apneia provoca a variação de pCO2, o que é inviável ao corpo. 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - A pCO2 é o principal parâmetro regulador do centro respiratório. Seus valores normais variam entre 35 a 45 mmHg e o meio termo disso é o ideal. Os quimiorreceptores irão ajudar informando como está a sua concentração no sangue: • Se a pCO2 estiver ALTA, haverá um estimulo para aumentar a respiração e assim diminuir a concentração. • Se a pCO2 estiver BAIXA, haverá um estimulo para diminuir a respiração e assim aumentar a pCO2. - Existe a possibilidade de mudar a capacidade de resposta do centro respiratório. Isso pode ser feito por meio de fármacos inibidores, como morfina, barbitúricos e anestésicos. Uma condição que pode alterar incisivamente essa resposta é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a qual é mais comum em pacientes com alta carga tabágica. Aprofundando um pouco mais sobre o controle respiratório do CCR: - Diferentemente do coração, não há um “marca- passo” respiratório. Basicamente tem dois grupos de neurônios que parecem estar envolvidos: • Grupo respiratório dorsal (GRD): que é composto por Núcleo do Trato Solitário que vão receber aferência do nervo vago e do glossofaríngeo • Grupo respiratório ventral (GVR): que é composto pela porção rostral do Núcleo Retrofacial, pela porção caudal do núcleo Retroambíguo e pelo Núcleo Para- ambíguo, o qual vai conter neurônios inspiratórios e expiratórios - Por meio dos quimiorrepceptores e dos mecanorreceptores, o CCR vai determinar as fases da respiração: (1 inspiratória e 2 expiratórias) 1 inspiratória: ela começa com uma descarga do Núcleo do Trato Solitário, Retroambíguo e do Parambíguo, o que vai provocar uma contração progressiva dos músculos respiratórios. 2 expiratórias: quando há a inspiração acontece o estiramento dos parêquima pulmonar o que estimula os receptores de estiramento sinalizando o fim da inspiração e provoca o desligamento da descarga neuronal (reflexo de Hering-Breuer). Logo após o inicio da expiração, há o aumento paradoxal não esperado da descarga inspiratória, mas sem o objetivo de inspirar e sim de se contrapor a expiração que é um processo um pouco passivo para criar um pouco de resistência e assim aumentar o tempo expiratório, e vai diminuindo aos pouquinhos e termina no final da expiração. 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 1- Compreender a formação da cavidade oral com o foco na fenda palatina 2- Estudar a composição anatômica da cavidade oral 3- Estudar o contexto social e as dificuldades vivenciadas pelas pessoas com fenda palatina Cavidade oral e fenda palatina - O palato, que serve como estrutura de separação entre a cavidade oral e nasal, pode dividido em palato primário e secundário. Seu desenvolvimento se inicia a partir da 6ª e se completa na 12ª. Existem dois genes importantes para o desenvolvimento dessas estruturas que são os genes WNT e Princkle1. - Primeiramente, o palato primário tem uma origem embrionária diferente do secundário e o ponto de intersecção entre essas duas estruturas é o forame incisivo (o que está anterior ao forame é o palato primário e o que está posterior é o secundário). • Palato primário (6 ª semana): sua origem é das proeminências nasais mediais, que fazem parte do processo fronto-nasal. O seu desenvolvimento mesenquimal se dará a partir da parte interna das proeminências maxilares. Esse palato primário também é chamado de pré-maxila (anterior ao forame incisivo): pequena parte do palato duro (4 incisivos superiores) • Palato secundário (6º semana): dura um pouco mais de tempo para concluir o seu desenvolvimento total. Se origina a partir da ruptura da membrana oronasal, que vai dividir a cavidade nasal da oral. Com o passar da embriogênese essa membrana precisa se romper justamente para permitir o desenvolvimento dos processos palatinos laterais, que são originários das proeminências maxilares, e depois vão se fundir na linha mediana para formar o palato secundário. Lembrando que as proeminências maxilares são originadas do primeiro arco faríngeo. • Palato definitivo: duro e mole - A ruptura da membrana oronasal é muito importante equando não há o palato não irá se desenvolver de forma adequada, pois ela precisa haver a ruptura para que haja espaço, que irá comunicar a cavidade oral e nasal e durante a gestação (até a 12ª) haverá a fusão. - Essa fusão vai se iniciar na porção central do palato secundário e vai finalizar com a união das porções das úvulas na linha mediana. Dessa forma, se conclui a vedação da cavidade oral e nasal, fazendo com que elas se comuniquem apenas na parte posterior, que é a faringe (nasofaringe e orofaringe), através das coanas. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - O palato primário inclui a região mais anterior (filtro labial) do lábio e os 4 dentes incisivos da maxila - O crescimento dos processos palatinos laterais, inicialmente em direção à língua e isso será ajudado com o rompimento da membrana oronasal. Quando a língua desce, esses processos palatinos irão se unir na linha mediana para fechar completamente o palato. Além disso, haverá também a fusão com o septo nasal, que é composto por uma parte cartilaginosa (mais anterior) e uma óssea (inclui a lâmina perpendicular do etmoide e o vômer. Isso vai acontecer entre a 9ª e a 12ª semana - As fendas palatinas é uma das principais más formações craniofacial e está relacionada a outras más-formações da face, como fissuras faciais, alterações de arcadas (maxila e mandíbula), de nariz, da região das órbitas. - Sua razão ocorre devido a um erro no fechamento da região do palato e do lábio. Essa fenda pode ser apenas labial (defeito apenas de parte mole), labialpalatina (defeito de parte mole e óssea). - Ela causa alterações funcionais bastante relevantes na fala, alimentação e respiração. - No contexto da alimentação, deve haver um acompanhamento desde os primeiros dias de nascimento da criança, pois pode há risco de bronquiaspiração. O seu tratamento definitivo é cirúrgico e feito por etapas, visto que é a longo prazo devido a espera do desenvolvimento completo da face do paciente (fim da adolescência, em torno de 18 anos) Classificação das fendas: • Labial / palatina / labiopalatina • Unilateral ou bilateral • Completa ou incompleta (forame incisivo) 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 Composição anatômica da cavidade oral - A cavidade oral é a primeira parte do sistema digestório e suas principais funções estão relacionadas à ingestão e à mastigação de alimentos, à fonação e à ventilação. - Sua localização é no terço inferior da face. Sua comunicação com o exterior do corpo é pela abertura oral, e com o interior (parte oral da faringe, mais precisamente da orofaringe) é pelo istmo da garganta. - Essa cavidade oral pode ser dividida no vestíbulo da boca e na cavidade própria da boca, interna aos dentes. Essas subdivisões são: lábios, bochechas, dentes, gengivas, palato (que forma o céu-da-boca e separa das cavidades orais e nasais), assoalho da boca (que é formado pelos músculos milo-hióideos e é ocupado principalmente pela língua), as glândulas salivares maiores (parótida, submandibular e sublingual) e glândulas salivares menores (labiais, da bochecha, palatinas, linguais). - O vestíbulo da boca é o espaço delimitado entre os dentes e gengiva, e entre os lábios e bochechas. Essas estruturas delimitam um espeço semelhante a uma fenda. - A cavidade da boca (oral) tem como limites: • Anterior e lateralmente: os lábios e as bochechas • Posteriormente: o istmo da garganta • Superiormente; o palato • Inferiormente: o assolho da boca, onde está fixada a língua 1 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 – Objetivos 01- Estudar a anatomia e histologia do intestino grosso 02- Estudar a função dos pós, pro e prebiótico na microbiota, (apêndice) 03- Compreender as funções absortiva, secretora e motora do intestino grosso (para entender a formação do fecaloma). Intestino grosso Anatomia - Parte terminal do canal alimentar, se estende do íleo ao ânus, com aproximadamente 1,5m de comprimento e 6,5cm de diâmetro em humanos e cadáveres. - Ligado à parede posterior do abdome por seu mesocolo (camada dupla de peritônio). - O intestino grosso é estruturalmente formado por 4 regiões: ceco, colo, reto e canal anal. - Na abertura do intestino grosso, há o íleo onde é guardado uma prega mucosa chamada de óstio ileal, a qual possibilita a passagem de materiais do intestino delgado para o intestino grosso. Inferiormente ao óstio ileal, existe o ceco que é uma pequena bolsa de 6 cm, anexado a ele há o apêndice vermiforme. - A parte aberta do ceco se funde ao um tubo longo chamado de colo, que é segmentado em ascendente, transverso, descendente e sigmoide. - As partes ascendentes e descendentes são retroperitoneais, já o colo transverso e sigmoide não são. • Colo ascendente: sobe pelo lado DIREITO do abdome, alcança a face inferior do fígado e vira abruptamente para a esquerda de modo a formar a flexura direita do colo. • Colo transverso: cruza o abdome até o lado esquerdo. • Colo descendente: curva-se sob a extremidade inferior do baço no lado ESQUERDO formando a flexura esquerda do colo, e desde até o nível da crista ilíaca. • Colo sigmoide: começa perto da crista ilíaca, projeta medialmente à linha média, e termina como o reto aproximadamente no nível da terceira vértebra sacral (S III). - O reto mede aproximadamente 15cm de comprimento e está localizado inferiormente ao sacro e cóccix. Os 2 a 3cm finais do intestino grosso são chamados de canal anal. Na túnica desse canal, há pregas longitudinais chamadas de colunas anais, que é extremamente vascularizada. A abertura do canal anal para o exterior é chamada de ânus, que é formada pelo músculo esfíncter interno do ânus (músculo liso involuntário) e pelo músculo externo do ânus (músculo esquelético voluntário). Histologia - A parede do intestino grosso é formada por 4 camadas de túnicas: túnica mucosa, túnica submucosa, túnica muscular e túnica serosa. 2 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 - A túnica mucosa é formada por epitélio colunar simples, lâmina própria (tecido conjuntivo areolar) e lâmina muscular da mucosa (músculo liso). - O epitélio colunar simples possui células absortivas e caliciformes. Estão localizadas em glândulas intestinais tubulares longas e retas que se estendem por toda a espessura da túnica mucosa • Células absortivas: atuam na absorção de água e apresentam microvilosidades • Células caliciformes: secretam muco que lubrifica a passagem do conteúdo do colo - A tela submucosa é formada por tecido conjuntivo areolar. A túnica muscular possui uma camada externa de músculo liso longitudinal e uma camada interna de músculo liso circular. As partes formadas pelo músculo liso são espessas, diferentemente de outros canais alimentares, e forma 3 bandas chamadas de tênias do colo. - A aparência enrugada é devida as bolsas formas pelas contrações tônicas das bandas que unem o colo, chamadas de saculações do colo. - A túnica serosa é a parte do peritônio visceral. Funções absortiva, secretora e motora do intestino grosso e formação do fecaloma - Dentre as principais funções do intestino grosso, destacam-se a agitação das saculações do colo, o peristaltismo e o peristaltismo da massa que move o conteúdo do colo para o reto. Além disso, a microbiota (bactérias) do intestino grosso convertem as proteínas em aminoácidos, clivam os aminoácidos e produzem algumas vitaminas B e vitaminas K. Também há absorção de água, embora seja em menor quantidade, de íons e vitaminas. Por último, mas não menos importante, é responsável por formas as fezes e esvaziar o reto (defecação). - Quando o quimo, após permanecer 3 a 10h no intestino grosso, absorveágua e se torna sólido ou semissólido passa a se chamar de fezes. Elas são 3 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 formadas por água, sais inorgânicos, células epiteliais da túnica mucosa do canal alimentar, bactérias, produtos da decomposição bacteriana, materiais digeridos e não absorvidos e partes não digeríveis de alimentos. - O fecaloma, também chamado de fecálito, acontece quando o bolo fecal permanece muito tempo no reto ou na porção final do intestino e toda a sua umidade vai sendo progressivamente absorvida. Dessa forma, as fezes vão ficando cada vez mais ressecadas a ponto de ficarem “empredadas”. - Essa situação é mais comum em pessoas acamadas e idosos devido à diminuição dos movimentos intestinais, além disso, pessoas que não possuem alimentação adequada ou que não praticam atividades físicas estão mais propensas à formação do fecaloma. - O fecaloma é mais comum em pessoas idosas e com dificuldade de locomoção, pois os movimentos intestinais são dificultados, não havendo eliminação completa das fezes, que permanecem no organismo e acabam por ressecar e endurecer. Além disso, algumas situações, como Doença de Chagas por exemplo, podem levar à formação de fecalomas. Outras situações que podem favorecer o fecaloma são: sedentarismo, má alimentação, pouca ingestão de líquidos, uso de medicamentos e prisão de ventre. Função pré- e pós-biótico na microbiota - Pré-bióticos: são substâncias que servem como alimento para os microrganismos e que influenciam de forma positiva seu desenvolvimento, ou seja, funcionam como uma espécie de alimento para as bactérias boas. - Probióticos: são microrganismos vivos que estimulam a proliferação de bactérias boas. Estão presentes em medicamentos e alguns alimentos que fortalecem o sistema imunológico e melhoram a absorção de nutrientes. - Pós-bióticos: são produtos do metabolismo desses probióticos e, devido a sua bioatividade, esses produtos podem imitar efeitos benéficos dos probióticos. - O apêndice é uma bolsa localizada inferiormente ao óstio ileal que inflama quando algum corpo estranho (pequenas porções de fezes, um parasita ou até semente de frutas) obstrui essa estrutura, levando a um inchaço e ao aparecimento de um abcesso em sua ponta. Ali contida, a secreção favorece a proliferação de bactérias. - Com o uso de pre, posbioticos e probióticos o funcionamento do intestino se torna mais eficaz, pois diminui o tempo do trânsito intestinal, o que reduz o risco de fezes estacionarem no apêndice e, assim, ocasionar a apendicite. 4 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 5 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02 6 Roberta Medeiros – SOI I – S1 – M02