Prévia do material em texto
• • • • região, elas normalmente se conectam entre si. Essas conexões, chamadas de anastomoses, fornecem vias alternativas, chamadas de circulação colateral, para que o sangue chegue a um órgão ou tecido específico. O miocárdio contém muitas anastomoses que conectam ramos de uma determinada artéria coronária ou se estendem entre os ramos de diferentes artérias coronárias. Elas fornecem desvios para o sangue arterial se uma via principal estiver obstruída. Assim, o músculo cardíaco pode receber oxigênio suficiente, mesmo que uma de suas artérias coronárias esteja parcialmente bloqueada. Veias coronárias Depois de o sangue passar pelas artérias da circulação coronariana, ele flui para os capilares, onde fornece oxigênio e nutrientes ao músculo cardíaco e coleta dióxido de carbono e escórias metabólicas e, em seguida, deslocase para as veias coronárias. A maior parte do sangue venoso do miocárdio drena para um grande seio vascular no sulco coronário na face posterior do coração, chamado seio coronário (Figura 20.8B). (Um seio vascular é uma veia de paredes finas que não tem músculo liso para alterar seu diâmetro.) O sangue venoso do seio coronário drena para o átrio direito. As principais tributárias que transportam sangue para o seio coronário são: Veia cardíaca magna no sulco interventricular anterior, que drena as áreas do coração irrigadas pela artéria coronária esquerda (ventrículos esquerdo e direito e átrio esquerdo) Veia interventricular posterior no sulco interventricular posterior, que drena as áreas irrigadas pelo ramo interventricular posterior da artéria coronária direita (ventrículos esquerdo e direito) Veia cardíaca parva no sulco coronário, que drena o átrio direito e o ventrículo direito Veias anteriores do ventrículo direito, que drenam o ventrículo direito e drenam diretamente para o átrio direito. Quando o bloqueio de uma artéria coronária priva o músculo cardíaco de oxigênio, a reperfusão, o restabelecimento do fluxo sanguíneo, pode danificar ainda mais o tecido. Este efeito surpreendente é decorrente da formação de radicais livres de oxigênio a partir do oxigênio reintroduzido. Como você viu no Capítulo 2, os radicais livres são moléculas que apresentam um elétron não pareado (ver Figura 2.3B). Estas moléculas instáveis, muito reativas, causam reações em cadeia que levam a danos e morte celulares. Para combater os efeitos dos radicais livres de oxigênio, as células do corpo produzem enzimas que convertem os radicais livres em substâncias menos reativas. Duas dessas enzimas são o superóxido dismutase e a catalase. Além disso, os nutrientes – como a vitamina E, a vitamina C, o betacaroteno, o zinco e o selênio – atuam como antioxidantes, que eliminam os radicais livres de oxigênio da circulação. Atualmente estão sendo desenvolvidos fármacos que diminuem a lesão de reperfusão após um infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico (AVE). CORRELAÇÃO CLÍNICA | Isquemia e infarto agudo do miocárdio A obstrução parcial do uxo sanguíneo nas artérias coronárias pode causar isquemia miocárdica, uma condição de redução no uxo sanguíneo para o miocárdio. Normalmente, a isquemia causa hipoxia, o que pode enfraquecer as células sem matá-las. A angina de peito, que signi ca literalmente “tórax estrangulado”, é uma dor intensa que normalmente acompanha a isquemia miocárdica. Tipicamente, é descrita como uma sensação de aperto ou compressão, como se o tórax estivesse em um torno. A dor associada à angina de peito muitas vezes é referida ao pescoço, queixo ou para o braço esquerdo até o cotovelo. A isquemia miocárdica silenciosa, episódios isquêmicos sem dor, é particularmente perigosa, porque a pessoa não tem aviso prévio de um infarto agudo do miocárdio iminente. A obstrução completa do uxo sanguíneo em uma artéria coronária pode resultar em um infarto agudo do miocárdio (IAM). O infarto signi ca a morte de uma área de tecido por causa da interrupção da irrigação sanguínea. Uma vez que o tecido cardíaco distal à obstrução morre e é substituído por tecido cicatrizado não contrátil, o músculo cardíaco perde um pouco de sua força. Dependendo do tamanho e da localização da área infartada, um infarto compromete o sistema de condução do coração e causa a morte súbita por desencadear uma brilação ventricular. O tratamento para o infarto agudo do miocárdio pode envolver a injeção de um agente trombolítico (promotor de dissolução de coágulo), como a estreptoquinase ou tPA, além de heparina (anticoagulante), ou a realização de uma angioplastia coronariana ou cirurgia de revascularização miocárdica. Felizmente, o músculo cardíaco consegue permanecer vivo em uma pessoa em repouso se receber tão pouco quanto 10 a 15% de seu suprimento sanguíneo normal. Figura 20.8 Circulação coronariana. As incidências do coração a partir da face anterior em (A) e (B) foram desenhadas como se o coração fosse transparente, para revelar os vasos sanguíneos da face posterior. As artérias coronárias direita e esquerda fornecem sangue para o coração; as veias coronárias drenam o sangue https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html#ch2fig3 7. 8. 9. 20.3 do coração para o seio coronário. Quais vasos sanguíneos coronarianos fornecem sangue oxigenado às paredes do átrio esquerdo e ventrículo esquerdo? TESTE RÁPIDO O que faz com que as valvas cardíacas se abram e fechem? Que estruturas de suporte garantem que as valvas funcionem corretamente? Na sequência correta, quais câmaras do coração, valvas cardíacas e vasos sanguíneos uma gota de sangue percorreria ao fluir do átrio direito para a aorta? Quais artérias conduzem sangue oxigenado para o miocárdio dos ventrículos esquerdo e direito? Tecido muscular cardíaco e sistema de condução do coração • • • OBJETIVOS Descrever as características estruturais e funcionais do tecido muscular cardíaco e sistema de condução do coração Explicar como ocorre um potencial de ação nas fibras cardíacas contráteis Descrever os eventos elétricos de um eletrocardiograma (ECG) normal. Histologia do músculo cardíaco Em comparação às fibras musculares esqueléticas, as fibras musculares cardíacas são mais curtas e menos circulares em um corte transversal (Figura 20.9). Também apresentam ramificação, que dão a cada fibra muscular cardíaca uma aparência de “degrau” (ver Tabela 4.9). Uma fibra de músculo cardíaco típica tem 50 a 100 μm de comprimento e cerca de 14 μm de diâmetro. Geralmente, existe um núcleo central, embora uma célula ocasionalmente tenha dois núcleos. As extremidades das fibras musculares cardíacas se ligam às fibras vizinhas por espessamentos transversais irregulares de sarcolema chamados discos intercalares. Os discos contêm desmossomos, que mantêm as fibras unidas, e junções comunicantes, que possibilitam que os potenciais de ação musculares sejam conduzidos de uma fibra muscular para as fibras vizinhas. As junções comunicantes possibilitam que todo o miocárdio dos átrios ou dos ventrículos se contraia como uma única unidade, coordenada. As mitocôndrias são maiores e mais numerosas nas fibras do músculo cardíaco do que nas fibras musculares esqueléticas. Em uma fibra muscular cardíaca, elas ocupam 25% do espaço do citosol; em uma fibra muscular esquelética, apenas 2% do espaço do citosol é ocupado pelas mitocôndrias. As fibras musculares cardíacas têm o mesmo arranjo de actina e miosina, e as mesmas bandas, zonas e discos Z, que as fibras musculares esqueléticas. Os túbulos transversos do músculo cardíaco são mais largos, mas menos abundantes do que no músculo esquelético; há um único túbulo transverso por sarcômero no disco Z. O retículo sarcoplasmático das fibras musculares cardíacasé um pouco menor do que o RS das fibras musculares esqueléticas. Como resultado, o músculo cardíaco tem uma menor reserva intracelular de Ca2+. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Regeneração das células cardíacas Como observado anteriormente neste capítulo, o coração de um indivíduo que sobrevive a um infarto agudo do miocárdio muitas vezes tem regiões de tecido muscular cardíaco infartado, que tipicamente são substituídas por tecido cicatricial broso não contrátil ao longo do tempo. A nossa incapacidade de reparar os danos de um infarto agudo do miocárdio tem sido atribuída à ausência de células estaminais (células-tronco) no músculo cardíaco e à ausência de mitose nas bras musculares cardíacas maduras. No entanto, um estudo recente dos receptores de transplante cardíaco feito por cientistas norte-americanos e italianos fornece evidências da substituição signi cativa das células cardíacas. Os pesquisadores estudaram homens que tinham recebido o coração de uma mulher, e depois pesquisaram se existia cromossomo Y nas células cardíacas. (Todas as células do sexo feminino, exceto os gametas, têm dois cromossomos X e nenhum cromossomo Y.) Vários anos após a cirurgia de transplante, entre 7 e 16% das células cardíacas do tecido transplantado, incluindo as bras musculares cardíacas e células endoteliais das arteríolas e capilares coronários, haviam sido substituídas por células do receptor, como evidenciado pelo um cromossomo Y. O estudo também revelou células com algumas das características das células estaminais, tanto nos corações transplantados quanto nos corações do grupo-controle. Evidentemente, as células estaminais conseguem migrar do sangue para o coração e se diferenciar em músculo funcional e células endoteliais. A esperança é que os pesquisadores possam aprender a “ligar” tal regeneração das células cardíacas, a m de tratar pessoas com insu ciência cardíaca ou miocardiopatia. Fibras autorrítmicas | O sistema de condução A atividade elétrica inerente e rítmica é o motivo das contrações cardíacas ao longo da vida. A fonte desta atividade elétrica é uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas chamadas fibras autorrítmicas, porque são autoexcitáveis. As fibras autorrítmicas produzem repetidamente potenciais de ação que desencadeiam contrações cardíacas. Elas continuam estimulando o coração a contrair, mesmo após terem sido removidas do corpo – como por exemplo quando o coração é retirado para ser transplantado para outra pessoa – e todos os seus nervos foram seccionados. (Nota: Os cirurgiões não tentam reinserir os nervos cardíacos durante as cirurgias de transplante de coração. Por isso, dizse que os cirurgiões cardíacos são melhores “encanadores” do que são “eletricistas”.) Figura 20.9 Histologia do tecido muscular cardíaco. (Ver Tabela 4.9 uma micrografia óptica do músculo cardíaco.) https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter04.html#ch4tab9 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter04.html#ch4tab9 1. 2. As fibras musculares cardíacas se conectam às fibras vizinhas por discos intercalares, que contêm desmossomos e junções comunicantes. Quais são as funções dos discos intercalares nas fibras musculares cardíacas? Durante o desenvolvimento embrionário, apenas aproximadamente 1% das fibras musculares cardíacas tornamse fibras autorrítmicas; estas fibras relativamente raras têm duas funções importantes: Agem como marcapasso, definindo o ritmo da excitação elétrica que provoca a contração do coração. Formam o sistema de condução do coração, uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas que oferecem uma via para que cada ciclo de excitação cardíaca se propague pelo coração. O sistema de condução garante que as câmaras do coração sejam estimuladas de modo a se contrair coordenadamente, o que torna o coração uma bomba eficaz. Como você verá mais adiante neste capítulo, os problemas com as fibras autorrítmicas podem resultar em arritmias, em que o coração se contrai de modo irregular, muito rápido ou muito lento. Os potenciais de ação cardíacos se propagam ao longo do sistema de condução na seguinte sequência (Figura 20.10A): A excitação cardíaca normalmente começa no nó sinoatrial (SA), localizado na parede atrial direita, discretamente inferior e lateral à abertura da veia cava superior. As células do nó SA não têm potencial de repouso estável. Em vez disso, elas se despolarizam repetida e espontaneamente até um limiar. A despolarização espontânea é um potencial marcapasso. Quando o potencial marcapasso alcança o limiar, ele dispara um potencial de ação (Figura 20.10B). Cada potencial de ação do nó SA se propaga ao longo de ambos os átrios via junções comunicantes nos discos intercalares das fibras musculares atriais. Após o potencial de ação, os dois átrios se contraem ao mesmo tempo. Ao ser conduzido ao longo das fibras musculares atriais, o potencial de ação alcança o nó atrioventricular (AV), localizado no septo interatrial, imediatamente anterior à abertura do seio coronário (Figura 20.10A). No nó AV, o potencial de ação se desacelera consideravelmente, como resultado de várias diferenças na estrutura celular do nó AV. Este atraso fornece tempo para os átrios drenarem seu sangue para os ventrículos. A partir do nó AV, o potencial de ação entra no fascículo atrioventricular (AV) (feixe de His,). Este fascículo é o único local em que os potenciais de ação podem ser conduzidos dos átrios para os ventrículos. (Em outros lugares, o esqueleto fibroso do coração isola eletricamente os átrios dos ventrículos.) Depois da propagação pelo fascículo AV, o potencial de ação entra nos ramos direito e esquerdo. Os ramos se estendem ao longo do septo interventricular em direção ao ápice do coração. Por fim, os ramos subendocárdicos calibrosos (fibras de Purkinje) conduzem rapidamente o potencial de ação, começando no ápice do coração e subindo em direção ao restante do miocárdio ventricular. Em seguida, os ventrículos se contraem, deslocando o sangue para cima em direção às válvulas semilunares. Por conta própria, as fibras autorrítmicas do nó SA iniciariam um potencial de ação a cada 0,6 s, ou 100 vezes por minuto. Assim, o nó SA define o ritmo de contração do coração – é o marcapasso natural. Esta frequência é mais rápida do que a de qualquer outra fibra autorrítmica. Como os potenciais de ação do nó SA se espalham ao longo do sistema de condução e estimulam outras áreas antes que estas sejam capazes de produzir um potencial de ação no seu próprio ritmo, mais lento, o nó SA age como o marcapasso natural do coração. Os impulsos nervosos da divisão autônoma do sistema nervoso (SNA) e hormônios transportados pelo sangue (como a epinefrina) modificam sua sincronização e força a cada batimento cardíaco, mas não estabelecem o ritmo de base. Em uma pessoa em repouso, por exemplo, a acetilcolina liberada pela parte parassimpática do SNA atrasa a estimulação do nó SA para a cada aproximadamente 0,8 s, ou 75 potenciais de ação por minuto (Figura 20.10B). CORRELAÇÃO CLÍNICA | Marca-passos arti ciais Se houver comprometimento do nó SA, o nó AV mais lento pode assumir a tarefa de marca-passo. Sua frequência de estimulação espontânea é de 40 a 60 vezes por minuto. Se a atividade de ambos os nós estiver suprimida, o batimento cardíaco ainda pode ser mantido por bras autorrítmicas dos ventrículos – o fascículo AV, um dos ramos, ou os ramos subendocárdios. No entanto, a frequência de estimulação é tão lenta (20 a 35 bpm) que o uxo sanguíneo para o encéfalo é inadequado. Quando esta condição ocorre, o ritmo cardíaco normal pode ser restaurado e mantido pela implantação cirúrgica de um marca-passo arti cial, um aparelho que envia pequenas correntes elétricas para estimular o coração ase contrair. O marca-passo consiste em uma bateria e um gerador de impulso, e habitualmente é implantado sob a pele logo abaixo da clavícula. O marca-passo é conectado a um ou dois condutores exíveis ( os), que são inseridos até a veia cava superior e, em seguida, passados até as câmaras do coração. Muitos dos marca-passos mais modernos, chamados de marcapassos de demanda, aceleram automaticamente os batimentos cardíacos durante o exercício. Potencial de ação e contração das 耀䧞bras contráteis O potencial de ação iniciado pelo nó SA propagase pelos sistema de condução e se espalha para excitar as fibras musculares atriais e ventriculares “atuantes”, chamadas de fibras contráteis. Um potencial de ação ocorre em uma fibra contrátil do seguinte modo (Figura 20.11): Figura 20.10 Sistema de condução do coração. Fibras autorrítmicas no nó SA, localizadas na parede do átrio direito (A), atuam como marcapasso do coração, iniciando potenciais de ação cardíacos (B) que causam a contração das câmaras do coração. O sistema de condução garante que as câmaras do coração se contraiam de modo coordenado. Qual componente do sistema de condução fornece a única ligação elétrica entre os átrios e os ventrículos? Despolarização. Ao contrário das fibras autorrítmicas, as fibras contráteis têm um potencial de repouso estável, que é de cerca de 90 mV. Quando uma fibra contrátil alcança seu limiar por um potencial de ação de fibras vizinhas, seus canais de Na+ acionados por voltagem se abrem. Estes canais de íons sódio são chamados de “rápidos” porque se abrem muito rapidamente em resposta a despolarização no nível do limiar. A abertura destes canais possibilita a entrada de Na+, porque o citosol das fibras contráteis é eletricamente mais negativo do que o líquido intersticial e a concentração de Na+ é mais elevada no líquido intersticial. O influxo de Na+ abaixo do gradiente eletroquímico produz despolarização rápida. Em alguns milissegundos, os rápidos canais de Na+ se inativam automaticamente e o influxo de Na+ diminui. Platô. A próxima fase de um potencial de ação em uma fibra contrátil é o platô, um período de despolarização mantida. É em parte decorrente da abertura dos lentos canais de Ca2+ acionados por voltagem do sarcolema. Quando estes canais se abrem, os íons cálcio se movem do líquido intersticial (que tem uma maior concentração de Ca2+) para o citosol. Este influxo de Ca2+ faz com que ainda mais Ca2+ saia do retículo sarcoplasmático para o citosol por canais adicionais de Ca2+ da membrana do retículo sarcoplasmático. O aumento da concentração de Ca2+ no citosol por fim provoca a contração. Vários tipos diferentes de canais de K+ acionados por voltagem também são encontrados no sarcolema de uma fibra contrátil. Pouco antes da fase de platô começar, alguns desses canais de K+ se abrem, possibilitando que os íons potássio saiam da fibra contrátil. Por isso, a despolarização é sustentada durante a fase de platô porque o influxo de Ca2+ equilibra a saída de K+. A fase de platô dura cerca de 0,25 s, e o potencial de membrana da fibra contrátil está próximo de 0 mV. Para comparação, a despolarização em um neurônio ou de fibra muscular esquelética é muito mais breve, de cerca de 1 ms (0,001 s), porque falta uma fase de platô. Repolarização. A recuperação do potencial de repouso durante a fase de repolarização de um potencial de ação cardíaco lembra o de outras células excitáveis. Após um atraso (que é particularmente prolongado no músculo cardíaco), canais de K+ acionados por voltagem adicionais se abrem. O influxo de K+ restaura o potencial de repouso negativo (–90 mV). Ao mesmo tempo, os canais de cálcio do sarcolema e do retículo sarcoplasmático estão se fechando, o que também contribui para a repolarização. O mecanismo de contração é semelhante nos músculos cardíaco e esquelético: a atividade elétrica (potencial de ação) leva a uma resposta mecânica (contração) depois de um pequeno atraso. Conforme a concentração de Ca2+ aumenta no interior de uma fibra contrátil, o Ca2+ se liga à proteína reguladora troponina, que possibilita que os filamentos de actina e miosina comecem a deslizar um sobre o outro, e a tensão começa a se desenvolver. Substâncias que alteram o fluxo de Ca2+ através dos lentos canais de Ca2+ influenciam a força das contrações cardíacas. A epinefrina, por exemplo, aumenta a força de contração melhorando o fluxo de Ca2+ para o citosol. No músculo, o período refratário é o intervalo de tempo durante o qual uma segunda contração não pode ser acionada. O período refratário de uma fibra muscular cardíaca dura mais tempo do que a contração propriamente dita (Figura 20.11). Como resultado, outra contração não pode começar até que o relaxamento esteja bem encaminhado. Por esta razão, a tetania (contração mantida) não pode ocorrer no músculo cardíaco como no músculo esquelético. A vantagem é evidente, se você considerar como os ventrículos trabalham. Sua função de bombeamento depende da alternância entre contração (quando ejetam sangue) e relaxamento (quando se enchem). Se o músculo cardíaco pudesse sofrer tetania, o fluxo sanguíneo cessaria. Figura 20.11 Potencial de ação em uma fibra contrátil ventricular. O potencial de repouso de membrana é de cerca de –90 mV. Um período refratário longo evita a tetania nas fibras musculares cardíacas. Como a duração de um potencial de ação em uma fibra de contração ventricular se compara à de uma fibra muscular esquelética? Produção de ATP no músculo cardíaco Ao contrário do músculo esquelético, o músculo cardíaco produz pouco do ATP que precisa por respiração celular anaeróbica (ver a Figura 10.11). Em vez disso, depende quase que exclusivamente da respiração celular aeróbica em suas diversas mitocôndrias. O oxigênio necessário se difunde do sangue da circulação coronariana e é liberado da mioglobina para as fibras musculares cardíacas. As fibras musculares cardíacas usam vários combustíveis para potencializar a produção de ATP mitocondrial. Em uma pessoa em repouso, o ATP do coração vem principalmente da oxidação de ácidos graxos (60%) e glicose (35%), com menores contribuições do ácido láctico, aminoácidos e corpos cetônicos. Durante o exercício, o uso do ácido láctico – produzido pela contração ativa dos músculos esqueléticos – pelo coração aumenta. Como o músculo esquelético, o músculo cardíaco também produz um pouco de ATP a partir do fosfato de creatina. Um sinal de que um infarto agudo do miocárdio (ver correlaçãO clínica | Isquemia e infarto agudo do miocárdio) ocorreu é a elevação dos níveis sanguíneos de creatinoquinase (CK), a enzima que catalisa a transferência de um grupo fosfato da creatina fosfato para o ADP a fim de produzir ATP. Normalmente, a CK e outras enzimas estão confinadas nas células, mas fibras do músculo cardíaco ou esquelético lesionadas ou mortas liberam creatinoquinase para o sangue. Eletrocardiograma Conforme os potenciais de ação se propagam ao longo do coração, eles produzem correntes elétricas que podem ser detectadas na superfície do corpo. O eletrocardiograma (ECG) é um registro desses sinais elétricos. O ECG é composto pelo registro do potencial de ação produzido por todas as fibras musculares do coração durante cada batimento cardíaco. O instrumento utilizado para registrar as alterações é um eletrocardiógrafo. Na prática clínica, posicionamse eletrodos nos braços e pernas (derivações dos membros) e em seis posições do tórax (derivações torácicas) para registrar o ECG. O eletrocardiógrafo amplifica os sinais elétricos do coração e produz 12 traçados diferentes a partir das distintas combinações de derivações de membros e tórax. Cada eletrodo no membro e tórax registrauma atividade elétrica discretamente diferente, por causa da diferença em sua posição em relação ao coração. Ao comparar estes registros entre si e com registros normais, é possível determinar (1) se a via condutora está anormal, (2) se o coração está dilatado, (3) se determinadas regiões do coração estão danificadas e (4) a causa da dor torácica. Em um registro típico, três ondas claramente reconhecíveis aparecem a cada batimento cardíaco (Figura 20.12). A primeira, chamada onda P, é um pequeno desvio para cima no ECG. A onda P representa a despolarização atrial, que se propaga do nó SA ao longo das fibras contráteis em ambos os átrios. A segunda onda, denominada complexo QRS, começa com uma deflexão para baixo, continua como uma grande onda vertical triangular, e termina como uma onda descendente. O complexo QRS representa a despolarização ventricular rápida, conforme o potencial de ação se propaga ao longo das fibras contráteis ventriculares. A terceira onda é um desvio para cima em forma de cúpula chamada de onda T. Indica a repolarização ventricular e ocorre apenas quando os ventrículos começam a relaxar. A onda T é menor e mais larga do que o complexo QRS, porque a repolarização ocorre mais lentamente do que a despolarização. Durante o período de platô da despolarização constante, o traçado do ECG é reto. Figura 20.12 Eletrocardiograma (ECG) normal. Onda P = despolarização atrial; complexo QRS = início da despolarização ventricular; onda T = repolarização ventricular. O ECG é um registro da atividade elétrica que inicia cada batimento cardíaco. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter10.html#ch10fig11 O que significa uma onda Q aumentada? Na leitura de um ECG, o tamanho das ondas pode fornecer indícios de anomalias. Ondas P maiores indicam aumento das dimensões de um átrio; uma onda Q alargada pode indicar um infarto agudo do miocárdio e uma onda R alargada geralmente indica ventrículos aumentados. A onda T é mais plana do que o normal quando o músculo cardíaco não está recebendo oxigênio suficiente – como por exemplo na doença da artéria coronária. A onda T pode estar elevada na hiperpotassemia (nível de K+ elevado no sangue). A análise de um ECG também envolve medir os intervalos de tempo entre ondas, que são chamados intervalos ou segmentos. Por exemplo, o intervalo PQ é o tempo desde o início da onda P até o início do complexo QRS. Representa o tempo de condução do início da excitação atrial até o início da excitação ventricular. Dito de outro modo, o intervalo PQ é o tempo necessário para que o potencial de ação avance pelos átrios, nó atrioventricular e fibras restantes do sistema de condução. Quando o potencial de ação é forçado a desviar de um tecido cicatricial causado por distúrbios como uma doença da artéria coronária e febre reumática, o intervalo PQ se alonga. O segmento ST, que começa no fim da onda → e termina no início da onda T, representa o momento em que as fibras contráteis ventriculares são despolarizadas durante a fase de platô do potencial de ação. O segmento ST está elevado (acima da linha de base) no IAM e deprimido (abaixo da linha de base) quando o músculo cardíaco não recebe oxigênio suficiente. O intervalo QT se estende do início do complexo QRS até ao final da onda T. É o tempo a partir do início da despolarização ventricular até o fim da repolarização ventricular. O intervalo QT pode ser prolongado por dano miocárdico, isquemia miocárdica (diminuição do fluxo sanguíneo) ou anormalidades de condução. Às vezes, é útil avaliar a resposta do coração ao estresse do exercício físico (provas de esforço) (ver Distúrbios | Desequilíbrios homeostáticos no final deste capítulo). Embora artérias coronárias estreitadas consigam transportar sangue oxigenado suficiente enquanto a pessoa está em repouso, elas não serão capazes de atender a um aumento da demanda miocárdica de oxigênio durante o exercício extenuante. Esta situação cria alterações que podem ser vistas em um eletrocardiograma. Batimentos cardíacos anormais e um fluxo sanguíneo inadequado para o coração podem ocorrer momentaneamente ou de modo imprevisível. Para detectar esses problemas, utilizase a eletrocardiografia ambulatorial contínua. Neste procedimento, a pessoa usa um monitor portátil (monitor Holter), que registra um ECG continuamente por 24 h. Eletrodos conectados ao tórax são conectados ao monitor, e as informações sobre a atividade do coração são armazenadas no monitor e recuperadas mais tarde pela equipe médica. 10. 11. 12. 13. 14. 20.4 • • Correlação das ondas do ECG comsístoles atriais e ventriculares Como você viu, os átrios e ventrículos se despolarizam e então se contraem em momentos diferentes porque o sistema de condução conduz os potenciais de ação cardíacos ao longo de uma via específica. O termo sístole referese à fase de contração; a fase de relaxamento é a diástole. As ondas do ECG predizem o momento da sístole e diástole atrial e ventricular. Em uma frequência de 75 bpm, a sincronização é a seguinte (Figura 20.13): Um potencial de ação cardíaco surge no nó SA. Ele se propaga ao longo do músculo atrial e para baixo em direção ao nó AV em cerca de 0,03 s. Enquanto as fibras contráteis atriais se despolarizam, a onda P aparece no ECG. Depois do início da onda P, os átrios se contraem (sístole atrial). A condução do potencial de ação se desacelera no nó AV, porque as fibras têm diâmetros muito menores e menos junções comunicantes. (O trânsito diminui de modo semelhante quando uma rodovia com quatro pistas se estreita para uma só pista em uma área de reforma!) O 0,1 s de atraso resultante possibilita tempo para os átrios se contraírem, aumentando assim o volume de sangue nos ventrículos antes de a sístole ventricular começar. O potencial de ação se propaga rapidamente de novo depois de entrar no fascículo AV. Cerca de 0,2 s após o início da onda P, ele se propagou ao longo dos ramos, ramos subendocárdios e todo o miocárdio ventricular. A despolarização progride para baixo pelo septo, para cima a partir do ápice, e para fora da superfície do endocárdio, produzindo o complexo QRS. Ao mesmo tempo, ocorre a repolarização atrial, mas esta normalmente não é evidente em um ECG, porque os complexos QRS maiores a mascaram. A contração das fibras contráteis ventriculares (sístole ventricular) começa pouco depois do complexo QRS aparecer e continua durante o segmento ST. Conforme a contração prossegue do ápice à base do coração, o sangue é espremido para cima em direção às válvulas semilunares. A repolarização das fibras contráteis ventriculares começa no ápice e se espalha por todo o miocárdio ventricular. Isso produz a onda T do ECG em cerca de 0,4 s depois do início da onda P. Logo após a onda T começar, os ventrículos começam a relaxar (diástole ventricular). Em 0,6 s, a repolarização ventricular está completa e as fibras contráteis ventriculares estão relaxadas. Durante o próximo 0,2 s, as fibras contráteis dos átrios e ventrículos estão relaxadas. Em 0,8 s, a onda P aparece novamente no ECG, os átrios começam a se contrair, e o ciclo se repete. Como você acabou de ver, os eventos no coração ocorrem em ciclos que se repetem durante toda a sua vida. A seguir, veremos como as mudanças de pressão associadas ao relaxamento e à contração das câmaras do coração possibilitam que o coração alternadamente se encha com sangue e depois o ejete para a aorta e tronco pulmonar. TESTE RÁPIDO Como as fibras musculares cardíacas diferem estrutural e funcionalmente das fibras de músculo esquelético? Quais são as semelhanças e diferenças entre as fibras autorrítmicas e as fibras contráteis? O que acontece durante cadauma das três fases de um potencial de ação nas fibras contráteis ventriculares? De que modo o ECG é útil no diagnóstico de problemas cardíacos? Como cada onda, intervalo e segmento do ECG se relaciona com a contração (sístole) e relaxamento (diástole) dos átrios e ventrículos? Ciclo cardíaco OBJETIVOS Descrever as mudanças de pressão e volume que ocorrem durante o ciclo cardíaco Relacionar a sincronização das bulhas cardíacas com as ondas do ECG e alterações de pressão durante a sístole e diástole. Um único ciclo cardíaco inclui todos os eventos associados a um batimento cardíaco. Assim, um ciclo cardíaco consiste em uma sístole e uma diástole dos átrios mais uma sístole e uma diástole dos ventrículos. Figura 20.13 Sincronização e rota do potencial de ação de despolarização e repolarização ao longo do sistema de condução e miocárdio. A cor verde indica a despolarização, e a vermelha indica a repolarização. A despolarização provoca a contração e a repolarização causa o relaxamento das fibras musculares cardíacas. Em que parte do sistema de condução os potenciais de ação se propagam mais devagar? Mudanças de pressão e volume durante o ciclo cardíaco Em cada ciclo cardíaco, os átrios e ventrículos se contraem e relaxam alternadamente, forçando o sangue das áreas de alta pressão às áreas de baixa pressão. Enquanto uma câmara do coração se contrai, a pressão arterial dentro dela aumenta. A Figura 20.14 mostra a relação entre os sinais elétricos do coração (ECG) e as mudanças na pressão atrial, na pressão ventricular, na pressão aórtica e no volume ventricular durante o ciclo cardíaco. As pressões mostradas na figura se aplicam ao lado esquerdo do coração; as pressões do lado direito são consideravelmente mais baixas. Cada ventrículo, no entanto, expele o mesmo volume de sangue por contração, e existe o mesmo padrão para as duas câmaras de bombeamento. Quando a frequência cardíaca é de 75 bpm, um ciclo cardíaco dura 0,8 s. Para analisar e correlacionar os eventos que ocorrem durante o ciclo cardíaco, vamos começar com a sístole atrial. Sístole atrial Durante a sístole atrial, que dura cerca de 0,1 s, os átrios estão se contraindo. Ao mesmo tempo, os ventrículos estão relaxados. A despolarização do nó SA provoca a despolarização atrial, marcada pela onda P no ECG. A despolarização atrial causa a sístole atrial. Conforme o átrio se contrai, ele exerce pressão sobre o sangue dentro dele, o que o força a passar através das valvas AV abertas para os ventrículos. A sístole atrial contribui com os últimos 25 mℓ de sangue ao volume já existente em cada ventrículo (cerca de 105 mℓ ). O fim da sístole atrial é também o fim da diástole ventricular (relaxamento). Assim, cada ventrículo contém cerca de 130 m ℓ no final do seu período de relaxamento (diástole). Este volume de sangue é chamado volume diastólico final (VDF). O complexo QRS no ECG marca o início da despolarização ventricular. Sístole ventricular Durante a sístole ventricular, que dura cerca de 0,3 s, os ventrículos se contraem. Ao mesmo tempo, os átrios estão relaxados na diástole atrial. A despolarização ventricular provoca a sístole ventricular. Conforme a sístole ventricular começa, a pressão intraventricular se eleva e “empurra” o sangue contra as valvas atrioventriculares (AV), forçando seu fechamento. Por cerca de 0,05 s, as valvas atrioventriculares, do tronco pulmonar e da aorta estão fechadas. Este é o período de contração isovolumétrica. Durante este intervalo, as fibras musculares cardíacas estão se contraindo e exercendo força, mas ainda não estão se encurtando. Assim, a contração muscular é isométrica (mesmo comprimento). Além disso, como as quatro valvas estão fechadas, o volume ventricular permanece o mesmo (isovolumétrica). A contração continuada dos ventrículos faz com que a pressão no interior das câmaras aumente acentuadamente. Quando a pressão ventricular esquerda ultrapassa a pressão aórtica em cerca de 80 milímetros de mercúrio (mmHg) e a pressão ventricular direita sobe acima da pressão no tronco pulmonar (cerca de 20 mmHg), as valvas do tronco pulmonar e da aorta se abrem. Neste momento, começa a ejeção de sangue do coração. O período durante o qual as valvas do tronco pulmonar e da aorta estão abertas é a ejeção ventricular, que tem a duração de cerca de 0,25 s. A pressão no ventrículo esquerdo continua subindo até cerca de 120 mmHg, e a pressão no ventrículo direito sobe para cerca de 25 a 30 mmHg. O ventrículo esquerdo ejeta cerca de 70 mℓ de sangue para a aorta, e o ventrículo direito ejeta o mesmo volume de sangue para o tronco pulmonar. O volume remanescente em cada ventrículo no final da sístole, cerca de 60 mℓ, é o volume sistólico final (VSF). O volume sistólico, o volume ejetado a cada batimento por cada ventrículo, é igual ao volume diastólico final menos o volume sistólico final: VS = VDF – VSF. Em repouso, o volume sistólico é de aproximadamente 130 mℓ – 60 mℓ = 70 mℓ. A onda T do ECG marca o início da repolarização ventricular. Período de relaxamento Durante o período de relaxamento, que dura cerca de 0,4 s, os átrios e os ventrículos estão relaxados. Conforme aumenta a frequência cardíaca, o período de relaxamento tornase cada vez mais curto, enquanto a duração da sístole atrial e da sístole ventricular se encurta apenas discretamente. A repolarização ventricular provoca a diástole ventricular. Conforme os ventrículos relaxam, a pressão no interior das câmaras cai, e o sangue da aorta e do tronco pulmonar começa a refluir para as regiões de baixa pressão nos ventrículos. O fluxo retrógrado de sangue atinge as válvulas das valvas e fecha as valvas do tronco pulmonar e da aorta. A valva da aorta se fecha a uma pressão de cerca de 100 mmHg. O refluxo de sangue sobre as válvulas fechadas da valva da aorta produz a onda dicrótica na curva de pressão aórtica. Depois do fechamento das valvas do tronco pulmonar e da aorta, existe um breve intervalo em que o volume de sangue do ventrículo não se modifica porque as quatro valvas estão fechadas. Este é o período de relaxamento isovolumétrico. Conforme os ventrículos continuam relaxando, a pressão cai rapidamente. Quando a pressão ventricular cai abaixo da pressão atrial, as valvas do tronco pulmonar e da aorta se abrem e começa o enchimento ventricular. A maior parte do enchimento ventricular ocorre logo após a abertura das valvas do tronco pulmonar e da aorta. O sangue que fluiu para os átrios e ali se acumulou durante a sístole ventricular então se desloca rapidamente para os ventrículos. No final do período de relaxamento, os ventrículos estão cerca de 75% cheios. A onda P aparece no ECG, sinalizando o início de outro ciclo cardíaco. Figura 20.14 Ciclo cardíaco. A. ECG. B. Alterações na pressão do átrio esquerdo (linha verde), pressão ventricular esquerda (linha azul) e pressão aórtica (linha vermelha) e sua relação com a abertura e fechamento das valvas cardíacas. C. Bulhas cardíacas. D. Alterações no volume ventricular esquerdo. E. Fases do ciclo cardíaco. Um ciclo cardíaco é composto por todos os eventos associados a um batimento cardíaco. Quanto sangue permanece em cada ventrículo no final da diástole ventricular em uma pessoa em repouso? Como este volume é chamado? Bulhas cardíacas A ausculta, o ato de ouvir sons do corpo, geralmente é feita com um estetoscópio. O som dos batimentos cardíacos é decorrente principalmente da turbulência do sangue causada pelo fechamento das valvas cardíacas. O fluxo tranquilo do sangue é silencioso. Compare os sons de corredeiras ou de uma cachoeira com o silêncio de um rio que flui lentamente. Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhascardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um estetoscópio. A Figura 20.14C mostra a sincronização das bulhas cardíacas em relação aos outros eventos do ciclo cardíaco. A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a segunda bulha. B1 é causada pela turbulência do sangue associada ao fechamento das valvas AV logo depois de a sístole ventricular começar. A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte quanto a primeira, pode ser descrita como um som de tá. B2 é causada pela turbulência no sangue associada ao fechamento das valvas do tronco pulmonar e da aorta no início da diástole ventricular. Apesar de B1 e B2 serem decorrentes da turbulência do sangue associada ao fechamento de valvas, são mais bem auscultadas na superfície do tórax em locais que são um pouco diferentes das localizações das valvas (Figura 20.15). Isto porque o som é transportado pelo fluxo sanguíneo para longe das valvas. B3, que normalmente não é intensa o suficiente para ser auscultada, é decorrente da turbulência do sangue durante o enchimento ventricular rápido, e B4 é ocasionada pela turbulência do sangue durante a sístole atrial. Figura 20.15 Bulhas cardíacas. Localização das valvas (roxo) e dos focos de ausculta (vermelho) das bulhas cardíacas. O ato de ouvir sons internos do corpo é chamado ausculta; habitualmente é feito com um estetoscópio. Quais bulhas cardíacas estão relacionadas com a turbulência do sangue associada ao fechamento das valvas atrioventriculares? 15. 16. 17. 18. 20.5 • • • CORRELAÇÃO CLÍNICA | Sopros cardíacos As bulhas cardíacas fornecem informações valiosas sobre o funcionamento mecânico do coração. Um sopro cardíaco é um som anormal que é auscultado antes, durante ou depois das bulhas cardíacas normais, ou que pode mascarar as bulhas cardíacas normais. Os sopros cardíacos em crianças são extremamente comuns e, geralmente, não representam um problema de saúde. São mais frequentemente detectados em crianças entre os 2 e 4 anos de idade. Estes tipos de sopros cardíacos são chamados de sopros cardíacos inocentes ou funcionais; muitas vezes, diminuem ou desaparecem com o crescimento. Embora alguns sopros cardíacos em adultos sejam inocentes, com frequência um sopro no adulto indica um distúrbio valvar. Quando uma valva cardíaca apresenta estenose, o sopro cardíaco é auscultado quando ela deveria estar totalmente aberta, mas não está. Por exemplo, a estenose atrioventricular esquerda (ver correlaçãO clínica | Valvopatias cardíacas) produz um sopro durante o período de relaxamento, entre B2 e a B1 seguinte. Uma valva cardíaca incompetente, em contrapartida, causa o aparecimento de um sopro quando a valva deveria estar totalmente fechada, mas não está. Então, um sopro decorrente de incompetência da valva atrioventricular esquerda (ver correlaçãO clínica | Valvopatias cardíacas) ocorre durante a sístole ventricular, entre B1 e B2. TESTE RÁPIDO Por que a pressão ventricular esquerda tem de ser maior do que a pressão aórtica durante a ejeção ventricular? O fluxo sanguíneo nas artérias coronárias é maior durante a diástole ventricular ou durante a sístole ventricular? Explique sua resposta. Durante quais dois períodos do ciclo cardíaco as fibras musculares cardíacas apresentam contrações isométricas? Que eventos produzem as quatro bulhas cardíacas normais? Quais bulhas geralmente podem ser auscultadas com um estetoscópio? Débito cardíaco OBJETIVOS Definir débito cardíaco Descrever os fatores que afetam a regulação do volume sistólico Destacar os fatores que afetam a regulação da frequência cardíaca. Embora o coração tenha fibras autorrítmicas que possibilitam a ele bater de modo independente, seu funcionamento é regulado por eventos que ocorrem em todo o corpo. As células do corpo precisam receber uma certo aporte de oxigênio do sangue a cada minuto para manter a saúde e a vida. Quando as células estão metabolicamente ativas, como durante o exercício, elas gastam ainda mais oxigênio do sangue. Durante os períodos de repouso, a demanda metabólica celular é reduzida, e a carga de trabalho do coração diminui. O débito cardíaco (DC) é o volume de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo (ou ventrículo direito) na aorta (ou tronco pulmonar) a cada minuto. O débito cardíaco é igual ao volume sistólico (VS), o volume de sangue ejetado pelo ventrículo a cada contração, multiplicado pela frequência cardíaca (FC), a quantidade de batimentos cardíacos por minuto: DC (mℓ/min) = VS (mℓ/batimento) × FC (batimentos/min) Em um homem adulto típico em repouso, o volume sistólico é de 70 mℓ/batimento, em média, e a frequência cardíaca é de cerca de 75 bpm. Assim, o débito cardíaco médio é: DC= 70 mℓ/batimento × 75 bpm = 5.250 mℓ/min = 5,25 ℓ/min Este volume é próximo do volume total de sangue, que é de cerca de 5 ℓ em um homem adulto típico. Assim, todo o volume de sangue flui pelas circulações pulmonar e sistêmica a cada minuto. Fatores que aumentam o volume sistólico ou a frequência cardíaca normalmente elevam o DC. Durante o exercício leve, por exemplo, o volume sistólico pode aumentar para 100 mℓ /batimento, e a frequência cardíaca para 100 bpm. O débito cardíaco então seria de 10 ℓ /min. Durante o exercício intenso (mas ainda não máximo), a frequência cardíaca pode acelerar para 150 bpm e o volume sistólico pode subir para 130 mℓ/batimento, resultando em um débito cardíaco de 19,5 ℓ/min. A reserva cardíaca é a diferença entre o débito cardíaco máximo de uma pessoa e o débito cardíaco em repouso. A pessoa média tem uma reserva cardíaca de quatro ou cinco vezes o valor de repouso. Os atletas de endurance de elite têm uma reserva cardíaca sete ou oito vezes o seu DC de repouso. As pessoas com cardiopatia grave podem ter pouca ou nenhuma reserva cardíaca, o que limita a sua capacidade de realizar até mesmo as tarefas simples da vida diária. Regulação do volume sistólico Um coração saudável bombeia o sangue que entrou em suas câmaras durante a diástole anterior. Em outras palavras, se mais sangue retornou ao coração durante a diástole, então mais sangue será ejetado na próxima sístole. Em repouso, o volume sistólico é de 50 a 60% do volume diastólico final, porque 40 a 50% do sangue permanece nos ventrículos depois de cada contração (volume sistólico final). Três fatores regulam o volume sistólico e garantem que os ventrículos esquerdo e direito bombeiem volumes iguais de sangue: (1) précarga, o grau de estiramento no coração antes de ele se contrair; (2) contratilidade, o vigor da contração das fibras musculares ventriculares individuais; e (3) póscarga, a pressão que tem de ser sobrepujada antes que possa ocorrer ejeção do sangue a partir dos ventrículos. Précarga | Efeito do alongamento A maior précarga (estiramento) nas fibras musculares cardíacas antes da contração aumenta a sua força de contração. A précarga pode ser comparada ao estiramento de uma faixa de borracha. Quanto mais esticada está a faixa de borracha, com mais força ela retornará quando liberada. Dentro de certos limites, quanto mais o coração se enche de sangue durante a diástole, maior será a força de contração durante a sístole. Esta relação é conhecida como a Lei de FrankStarling do coração. A précarga é proporcional ao volume diastólico final (VDF) (o volume de sangue que enche os ventrículos no final da diástole). Normalmente, quanto maior é o VDF, mais forte é a contração seguinte. Dois fatoreschave determinam o VDF: (1) a duração da diástole ventricular e (2) o retorno venoso, o volume de sangue que retorna ao ventrículo direito. Quando a frequência cardíaca aumenta, a duração da diástole é menor. Menos tempo de enchimentosignifica um VDF menor, e os ventrículos podem se contrair antes que sejam devidamente preenchidos. Por outro lado, quando o retorno venoso aumenta, um maior volume de sangue flui para os ventrículos, e o VDF é aumentado. Quando a frequência cardíaca ultrapassa cerca de 160 bpm, o volume sistólico geralmente declina em decorrência do tempo de enchimento curto. Nestas frequências cardíacas rápidas, o VDF é menor, e a précarga é menor. As pessoas que têm frequências cardíacas de repouso mais lentas geralmente têm grandes volumes sistólicos de repouso, porque o tempo de enchimento é prolongado e a précarga é maior. A lei de FrankStarling do coração equaliza o volume ejetado pelos ventrículos direito e esquerdo e mantém o mesmo volume de sangue que flui para as circulações sistêmica e pulmonar. Se o lado esquerdo do coração bombeia um pouco mais de sangue do que o lado direito, o volume de sangue que retorna para o ventrículo direito (retorno venoso) aumenta. O aumento do VDF faz com que o ventrículo direito se contraia com mais força no próximo batimento, trazendo os dois lados de volta ao equilíbrio. Contratilidade O segundo fator que influencia o volume sistólico é a contratilidade do miocárdio, a força de contração em uma dada pré carga. As substâncias que aumentam a contratilidade são agentes inotrópicos positivos; aqueles que diminuem a contratilidade são os agentes inotrópicos negativos. Assim, para uma précarga constante, o volume sistólico aumenta quando uma substância inotrópica positiva está presente. Os agentes inotrópicos positivos muitas vezes promovem o influxo de Ca2+ durante potenciais de ação cardíacos, o que aumenta a força da contração seguinte. A estimulação da parte simpática da divisão autônoma do sistema nervoso (SNA), hormônios como a epinefrina e a norepinefrina, o aumento do nível de Ca2+ no líquido intersticial e fármacos digitálicos têm efeitos inotrópicos positivos. Em contraste, a inibição da parte simpática do SNA, a anoxia, a acidose, alguns anestésicos e o aumento no nível de K+ no líquido intersticial têm efeitos inotrópicos negativos. Os bloqueadores dos canais de cálcio são fármacos que podem ter um efeito inotrópico negativo, reduzindo o influxo de Ca2+, diminuindo assim a força da contração cardíaca. Póscarga A ejeção de sangue do coração começa quando a pressão no ventrículo direito excede a pressão no tronco pulmonar (cerca de 20 mmHg), e quando a pressão no ventrículo esquerdo excede a pressão na aorta (cerca de 80 mmHg). Nesse momento, a pressão mais elevada no sangue faz com que os ventrículos pressionem as válvulas semilunares a abrir. A pressão que precisa ser superada antes de que uma válvula semilunar possa abrir é denominada póscarga. Um aumento da póscarga faz com que o volume sistólico diminua, de modo que mais sangue permanece nos ventrículos no final da sístole. As condições que podem aumentar a póscarga incluem a hipertensão (pressão arterial elevada) e o estreitamento das artérias pela aterosclerose (ver o verbete sobre a doença da artéria coronária na seção Distúbios | Desequilíbrios homeostáticos, no final deste capítulo). Regulação da frequência cardíaca Como você acabou de ver, o débito cardíaco depende tanto da frequência cardíaca quanto do volume sistólico. Os ajustes na frequência cardíaca são importantes no controle a curto prazo do débito cardíaco e da pressão arterial. O nó sinoatrial (SA) inicia a contração e, se deixado por si só, estabeleceria uma frequência cardíaca constante de cerca de 100 bpm. No entanto, os tecidos exigem diferentes volumes de fluxo sanguíneo em condições distintas. Durante o exercício, por exemplo, o débito cardíaco aumenta para fornecer mais oxigênio e nutrientes aos tecidos que estão trabalhando. O volume sistólico pode cair se o miocárdio ventricular estiver danificado ou se o volume de sangue for reduzido por causa de sangramento. Nestes casos, os mecanismos homeostáticos mantêm um débito cardíaco adequado pelo aumento da frequência e da contratilidade cardíacas. Entre os vários fatores que contribuem para a regulação da frequência cardíaca, os mais importantes são a divisão autônoma do sistema nervoso e os hormônios liberados pelas medulas das glândulas suprarrenais (epinefrina e norepinefrina). Regulação autonômica da frequência cardíaca A regulação do coração pelo sistema nervoso se origina no centro cardiovascular localizado no bulbo. Esta região do tronco encefálico recebe informações de vários receptores sensoriais e dos centros cerebrais superiores, como o sistema límbico e o córtex cerebral. O centro cardiovascular então direciona o débito apropriado, aumentando ou diminuindo a frequência dos impulsos nervosos nas partes simpática e parassimpática do SNA (Figura 20.16). Mesmo antes de a atividade física começar, especialmente em situações de competição, a frequência cardíaca pode aumentar. Este aumento antecipatório ocorre porque o sistema límbico envia impulsos nervosos para o centro cardiovascular no bulbo. Quando a atividade física começa, os proprioceptores que estão monitorando a posição dos membros e os músculos enviam impulsos nervosos ao centro cardiovascular para aumentar a frequência. As informações dos proprioceptores são um grande estímulo para o rápido aumento da frequência cardíaca que ocorre no início da atividade física. Outros receptores sensitivos que fornecem informações ao centro cardiovascular incluem os quimiorreceptores, que monitoram alterações químicas no sangue, e os barorreceptores, que monitoram o estiramento das principais artérias e veias causado pela pressão do sangue que flui neles. Barorreceptores importantes localizados no arco da aorta e nas artérias carótidas (ver Figura 21.13) detectam alterações na pressão arterial e fornecem informações sobre essas mudanças ao centro cardiovascular. O papel dos barorreceptores na regulação da pressão arterial é discutido em detalhes no Capítulo 21. Aqui vamos nos concentrar na inervação do coração pelas partes simpática e parassimpática do SNA. Os neurônios simpáticos se estendem do bulbo à medula espinal. Da região torácica da medula espinal, nervos simpáticos aceleradores cardíacos estendemse para o nó SA, para o nó AV e para a maior parte das porções do miocárdio. Os impulsos nos nervos cardíacos aceleradores desencadeiam a liberação de norepinefrina, que se liga os receptores beta1 (β1) das fibras musculares cardíacas. Essa interação tem dois efeitos distintos: (1) Nas fibras do nó SA (e AV), a norepinefrina acelera a taxa de despolarização espontânea, de modo que estes marcapassos disparam impulsos mais rapidamente e aumentam a frequência cardíaca; (2) nas fibras contráteis dos átrios e ventrículos, a norepinefrina aumenta a entrada de Ca2+ através dos canais lentos de Ca2+ acionados por voltagem, aumentando assim a contratilidade. Como resultado, um maior volume de sangue é ejetado durante a sístole. Em caso de aumento moderado da frequência cardíaca, o volume sistólico não diminui, porque o aumento da contratilidade compensa a redução da précarga. Com a estimulação simpática máxima, no entanto, a frequência cardíaca pode chegar a 200 bpm em uma pessoa de 20 anos de idade. Em uma frequência cardíaca assim alta, o volume sistólico é menor do que em repouso, por causa do tempo de enchimento muito curto. A frequência cardíaca máxima diminui com a idade; como regra, subtrair sua idade de 220 fornece uma boa estimativa de sua frequência cardíaca máxima em batimentos por minuto. Os impulsos nervosos parassimpáticos chegam ao coração por meio dos nervos vagos (NC X) direito e esquerdo. Os axôniosvagais terminam no nó SA, no nó AV e no miocárdio atrial. Eles liberam acetilcolina, o que reduz a frequência cardíaca, diminuindo a velocidade de despolarização espontânea das fibras autorrítmicas. Dado que apenas algumas fibras vagais inervam o músculo ventricular, as alterações na atividade parassimpática pouco influenciam a contratilidade dos ventrículos. Existe um equilíbrio que flutua continuamente entre a estimulação simpática e a estimulação parassimpática do coração. Em repouso, a estimulação parassimpática predomina. A frequência cardíaca de repouso – de aproximadamente 75 bpm – geralmente é menor do que a frequência autorrítmica do nó SA (cerca de 100 bpm). Com a estimulação máxima pela parte parassimpática, o coração pode desacelerar para 20 ou 30 bpm, ou pode até mesmo parar momentaneamente. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter21.html#ch21fig13 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter21.html 1. 2. Figura 20.16 Controle do coração pelo sistema nervoso. O centro cardiovascular no bulbo controla tanto os nervos simpático (azul) quanto parassimpático (vermelho) que inervam o coração. Qual região do coração é inervada pela divisão simpática, mas não pela divisão parassimpática do sistema autônomo? Regulação química da frequência cardíaca Determinados produtos químicos influenciam a fisiologia de base do músculo cardíaco e a frequência cardíaca. Por exemplo, a hipoxia (nível de oxigênio reduzido), acidose (pH baixo) e alcalose (pH elevado) deprimem a atividade cardíaca. Vários hormônios e cátions têm grandes efeitos sobre o coração: Hormônios. A epinefrina e a norepinefrina (provenientes da medula da glândula suprarrenal) melhoram a efetividade do bombeamento cardíaco. Estes hormônios afetam as fibras musculares cardíacas de modo muito semelhante à maneira como o faz a norepinefrina liberada pelos nervos aceleradores cardíacos – aumentam a frequência e a contratilidade cardíacas. O exercício, o estresse e a excitação fazem com que as medulas das glândulas suprarrenais liberem mais hormônios. Os hormônios tireoidianos também melhoram a contratilidade cardíaca e aumentam a frequência cardíaca. Um sinal de hipertireoidismo é a taquicardia, ou seja, uma frequência cardíaca de repouso elevada. Cátions. Dado que as diferenças entre as concentrações intracelulares e extracelulares de vários cátions (p. ex., Na+ e K+) são cruciais para a produção de potenciais de ação em todas as fibras nervosas e musculares, não é de se estranhar que os desequilíbrios iônicos possam comprometer rapidamente a efetividade do bombeamento cardíaco. As concentrações relativas de três cátions – K+, Ca2+ e Na+ – exercem efeito acentuado na função cardíaca. Níveis sanguíneos elevados de K+ ou Na+ diminuem a frequência e a contratilidade cardíaca. O excesso de Na+ bloqueia o influxo de Ca2+ durante potenciais de ação cardíacos, diminuindo assim a força de contração, enquanto o excesso de K+ bloqueia a produção de potenciais de ação. Um aumento moderado do nível intersticial (e, portanto, intracelular) de Ca2+ acelera a frequência cardíaca e fortalece as contrações cardíacas. Outros fatores que atuam na regulação da frequência cardíaca A idade, o sexo, a condição física e a temperatura corporal também influenciam na frequência cardíaca de repouso. É provável que um recémnascido apresente uma frequência cardíaca de repouso superior a 120 bpm; essa frequência depois declina, gradualmente, ao longo da vida. As mulheres adultas muitas vezes têm frequências cardíacas de repouso um pouco maiores do que os homens adultos, embora o exercício regular tenda a reduzir a frequência cardíaca de repouso em ambos os sexos. Uma pessoa fisicamente condicionada pode até apresentar bradicardia, uma frequência cardíaca de repouso inferior a 50 bpm. Este é um efeito benéfico do treinamento de endurance, porque uma frequência cardíaca mais baixa é mais eficiente em termos energéticos do que uma frequência cardíaca mais rápida. O aumento da temperatura corporal, como ocorre durante a febre ou os exercícios extenuantes, faz com que o nó SA 19. 20. 21. 22. 23. libere impulsos mais rapidamente, aumentando assim a frequência cardíaca. A diminuição da temperatura corporal reduz a frequência e a força de contração cardíacas. Durante o reparo cirúrgico de determinadas anormalidades cardíacas, é útil reduzir a frequência cardíaca do paciente por meio da hipotermia, em que o corpo da pessoa é deliberadamente resfriado até uma temperatura central baixa. A hipotermia diminui o metabolismo, o que reduz as demandas de oxigênio dos tecidos, possibilitando que o coração e o encéfalo resistam a curtos períodos de fluxo sanguíneo reduzido ou interrompido durante um procedimento clínico ou cirúrgico. A Figura 20.17 resume os fatores que podem aumentar o volume sistólico e a frequência cardíaca e, assim, aumentar o débito cardíaco. TESTE RÁPIDO Como é calculado o débito cardíaco? Defina volume sistólico (VS) e explique os fatores que o regulam. No que consiste a lei de FrankStarling do coração? O que ela significa? Defina reserva cardíaca. Como ela muda com o treinamento ou com a insuficiência cardíaca? Como as partes simpática e parassimpática da divisão autônoma do sistema nervoso ajustam a frequência cardíaca? Figura 20.17 Fatores que aumentam o débito cardíaco. O débito cardíaco é igual ao volume sistólico multiplicado pela frequência cardíaca. 20.6 • 24. 20.7 • Quando você está se exercitando, a contração dos músculos esqueléticos ajuda o sangue a retornar ao coração mais rapidamente. Será que isso tende a aumentar ou diminuir o volume sistólico? Exercício e coração OBJETIVO Explicar como o coração é afetado pelo exercício. O condicionamento cardiorrespiratório de uma pessoa pode ser melhorado em qualquer idade com o exercício regular. Alguns tipos de exercício são mais efetivos do que outros em melhorar a saúde do sistema cardiovascular. Os exercícios aeróbicos, qualquer atividade que aciona grandes músculos do corpo durante pelo menos 20 min, eleva o débito cardíaco e acelera a taxa metabólica. Geralmente recomendase 3 a 5 sessões por semana para melhorar a saúde do sistema cardiovascular. Caminhadas rápidas, corrida, ciclismo, esqui crosscountry e natação são exemplos de atividades aeróbicas. A prática de exercícios físicos aumenta a demanda de oxigênio dos músculos. O fato de a demanda ser atendida depende principalmente da adequação do débito cardíaco e do bom funcionamento do sistema respiratório. Após várias semanas de treinamento, uma pessoa saudável aumenta o débito cardíaco máximo (o volume de sangue ejetado dos ventrículos para as respectivas artérias por minuto), elevando assim o fornecimento máximo de oxigênio aos tecidos. O transporte de oxigênio também aumenta porque os músculos esqueléticos desenvolvem mais redes capilares em resposta ao treinamento prolongado. Durante a atividade extenuante, um atleta bem treinado pode alcançar o dobro do débito cardíaco de uma pessoa sedentária, em parte porque o treinamento provoca hipertrofia do coração. Esta condição é conhecida como cardiomegalia fisiológica. A cardiomegalia patológica está relacionada com cardiopatia grave. Mesmo que o coração de um atleta bem treinado seja maior, seu débito cardíaco de repouso é aproximadamente o mesmo de uma pessoa não treinada saudável, porque o volume sistólico (volume de sangue bombeado a cada contração de um ventrículo) é aumentado enquanto a frequência cardíaca é diminuída. A frequência cardíaca de repouso de um atleta treinado muitas vezes é de apenas 40 a60 bpm (bradicardia de repouso). A prática regular de exercício também ajuda a reduzir a pressão arterial, a ansiedade e a depressão; a controlar o peso; e a aumentar a capacidade do organismo de dissolver coágulos de sangue. TESTE RÁPIDO Quais são alguns dos benefícios cardiovasculares da prática regular de exercício? Suporte para a insu耀䧞ciência cardíaca OBJETIVO Descrever as várias técnicas utilizadas para tratar a insuficiência cardíaca. Na insuficiência cardíaca a pessoa tem diminuição na capacidade de exercício ou até mesmo de se movimentar. Existem várias técnicas cirúrgicas e dispositivos médicos para ajudar um coração em insuficiência. Para alguns pacientes, mesmo um aumento de 10% no volume de sangue ejetado pelos ventrículos pode significar a diferença entre permanecer acamado e ter mobilidade limitada. O transplante cardíaco consiste na substituição de um coração com lesões importantes por um coração normal de um doador em morte cerebral ou falecido recentemente. Os transplantes cardíacos são realizados em pacientes com insuficiência cardíaca em estágio terminal ou doença da artéria coronária (DAC) grave. Quando um coração adequado é localizado, a cavidade torácica é exposta por meio de uma secção medioesternal. Depois de o paciente ser colocado em um aparelho de circulação extracorpórea, que oxigena e circula o sangue, o pericárdio é seccionado para expor o coração. Em seguida, o coração lesionado é removido (geralmente com exceção da parede posterior do átrio esquerdo) (Figura 20.18) e o coração do doador é colocado e suturado na posição de modo que o restante do átrio esquerdo e os grandes vasos sejam ligados ao coração do doador. O novo coração é estimulado quando o sangue flui por ele (pode ser utilizado um choque elétrico para corrigir um ritmo anormal), o paciente é retirado do aparelho de circulação extracorpórea, e o tórax é fechado. O paciente precisa utilizar fármacos imunossupressores por toda a vida para evitar a rejeição. Como o nervo vago (X) é seccionado durante a cirurgia, o novo coração se contrai cerca de 100 vezes por minuto (em comparação com a frequência normal de cerca de 75 bpm). Figura 20.18 Transplante cardíaco. O transplante cardíaco consiste na substituição de um coração muito danificado por um coração saudável de um doador em morte cerebral ou recentemente falecido. Que pacientes são candidatos a um transplante cardíaco? Em geral, um coração doado é perfundido com uma solução fria e, em seguida, conservado em gelo estéril. Isto consegue manter o coração viável durante cerca de 4 a 5 h. Em maio de 2007, cirurgiões norteamericanos realizaram o primeiro transplante com o coração batendo. O coração do doador foi mantido na temperatura corporal normal e ligado a um sistema que possibilitou a contração com sangue quente e oxigenado fluindo através ele. Esta abordagem prolonga consideravelmente o tempo entre a remoção do coração do doador e o transplante em um receptor, e diminui a lesão no coração enquanto ele está privado de sangue, o que pode levar à rejeição. Os transplantes cardíacos são comuns hoje em dia e produzem bons resultados, mas a disponibilidade de corações para doação é muito limitada. Outra abordagem é a utilização de dispositivos de assistência cardíaca e outros procedimentos cirúrgicos que auxiliam a função cardíaca sem remover o coração. A Tabela 20.1 descreve vários destes dispositivos e procedimentos. TABELA 20.1 Procedimentos e dispositivos de assistência cardíaca. DISPOSITIVO DESCRIÇÃO Balão intra-aórtico Um balão de poliuretano de 40 mℓ colocado em um cateter é inserido em uma artéria da região inguinal e avançado ao longo da artéria femoral até a parte torácica da aorta (ver Figura A). Uma bomba externa insu a o balão com gás hélio no início da diástole ventricular. Quando o balão é insu ado, ele “desloca” o sangue em direção ao coração (melhora o uxo sanguíneo coronariano) e para os tecidos periféricos. O balão é então rapidamente esvaziado pouco antes da próxima sístole ventricular, drenando o sangue para fora do ventrículo esquerdo (facilitando a ejeção do sangue pelo ventrículo esquerdo). Como o balão é insu ado entre as contrações cardíacas, esta técnica é chamada balão intra-aórtico de contrapulsação. Dispositivo de assistência ventricular (DAV) Uma bomba mecânica ajuda um ventrículo enfraquecido a bombear o sangue por todo o corpo, de modo que o coração não precise trabalhar tão arduamente. O DAV pode ser usado para ajudar um paciente sobreviver até que um transplante de coração possa ser realizado (ponte para o transplante) ou fornecer uma alternativa ao transplante cardíaco (terapia de destino). Os DAV são classi cados de acordo com o ventrículo que requer auxílio. O dispositivo de assistência ventricular esquerda (DAVE), o mais comum, ajuda o ventrículo esquerdo a bombear sangue para a aorta (ver Figura B). O dispositivo de assistência ventricular direita (DAVD) ajuda a bombear sangue do ventrículo direito para o tronco pulmonar. Um dispositivo de assistência biventricular (DAVB) ajuda no funcionamento tanto do ventrículo esquerdo quanto direito. Para ajudá-lo a entender como um DAV funciona, veja o DAVE (Figura B). Um tubo de entrada conectado ao ápice do ventrículo esquerdo leva sangue do ventrículo por meio de uma valva unidirecional à bomba. Quando a bomba se enche de sangue, um sistema de controle externo dispara o bombeamento, e o sangue ui através de uma valva unidirecional a um tubo de saída, que entrega o sangue à aorta. O sistema de controle externo está ligado a uma cinta na cintura ou a uma alça no ombro. Alguns DAV bombeiam a uma frequência constante; outros são coordenados com os batimentos cardíacos da pessoa. 25. 26. 20.8 • Miocardioplastia Um grande pedaço de músculo esquelético do próprio paciente (latíssimo do dorso esquerdo) é parcialmente liberado de suas inserções de tecido conjuntivo e envolto em torno do coração, deixando o suprimento sanguíneo e nervoso intacto. Um marca-passo implantado estimula os neurônios motores do músculo esquelético a se contrair 10 a 20 vezes por minuto, em sincronia com alguns dos batimentos cardíacos. Dispositivo de assistência utilizando músculo esquelético Um pedaço de músculo esquelético do próprio paciente é utilizado para formar uma bolsa que é inserida entre o coração e a aorta, funcionando como um reforço para o coração. Um marca-passo estimula os neurônios motores do músculo para provocar uma contração. TESTE RÁPIDO Descreva como é realizado um transplante de coração. Explique quatro procedimentos e dispositivos de suporte cardíacos diferentes. Desenvolvimento do coração OBJETIVO Descrever o desenvolvimento do coração. Ouvir os batimentos cardíacos fetais pela primeira vez é um momento emocionante para os futuros pais, mas também é uma importante ferramenta diagnóstica. O sistema circulatório é um dos primeiros sistemas a se formar no embrião, e o coração é o primeiro órgão funcional. Esta ordem de desenvolvimento é essencial por causa da necessidade do embrião que cresce rapidamente de obter oxigênio e nutrientes e se livrar dos resíduos. Conforme você verá em breve, o desenvolvimento do coração é um processo complexo, e quaisquer interrupções ao longo do caminho podem resultar em cardiopatias congênitas (presentes ao nascimento). Essas patologias, descritas em Distúrbios | Desequilíbrios homeostáticos no final do capítulo, são responsáveis por quase metade de todas as mortes por malformações congênitas. O coração começa o seu desenvolvimento da mesoderme no 18o ou 19o dia após a fertilização. Na extremidade cranial do embrião, o coração se desenvolve a partir de um grupo de células mesodérmicas chamado área cardiogênica (Figura 20.19A). Em resposta aos sinais vindos da endoderme subjacente, a mesoderme daárea cardiogênica forma um par de cordões alongados chamados cordões cardiogênicos. Pouco tempo depois, esses cordões desenvolvem um centro oco e, em seguida, tornamse conhecidos como tubos endocárdicos (Figura 20.19B). Quando o embrião se dobra lateralmente, o par de tubos endocárdicos se aproxima um do outro e se funde em um tubo único chamado tubo cardíaco primitivo no 21o dia após a fertilização (Figura 20.19C). Figura 20.19 Desenvolvimento do coração. As setas no interior das estruturas indicam a direção do fluxo sanguíneo. O coração começa seu desenvolvimento a partir de um grupo de células mesodérmicas chamado de área cardiogênica durante a terceira semana após a fertilização. Em que parte do desenvolvimento embrionário o coração primitivo começa a se contrair? No 22o dia, o tubo cardíaco primitivo se desenvolve em cinco regiões distintas e começa a bombear o sangue. Da extremidade caudal à extremidade cranial (e na mesma direção que o fluxo sanguíneo) estão (1) o seio venoso, (2) o átrio primitivo, (3) o ventrículo primitivo, (4) o bulbo cardíaco e (5) o tronco arterial. O seio venoso inicialmente recebe sangue de todas as veias do embrião; as contrações do coração começam nesta região e seguem sequencialmente às outras regiões. Assim, nesta fase, o coração é constituído por uma série de regiões não pareadas. O destino das regiões é descrito a seguir: Figura 20.20 Compartimentação do coração em quatro câmaras. A compartimentação do coração começa por volta do 28o dia após a fertilização. 1. 2. 3. 4. 5. 27. 28. Quando a compartimentação do coração está completa? O seio venoso se desenvolve em parte do átrio direito (parede posterior), seio coronário e nó sinoatrial (SA). O átrio primitivo se desenvolve em parte do átrio direito (parede anterior), aurícula direita, parte do átrio esquerdo (parede anterior) e aurícula esquerda. O ventrículo primitivo dá origem ao ventrículo esquerdo. O bulbo cardíaco se desenvolve em ventrículo direito. O tronco arterial dá origem à parte ascendente da aorta e tronco pulmonar. No 23o dia após a fertilização, o tubo cardíaco primitivo se alonga. Como o bulbo cardíaco e o ventrículo primitivo crescem mais rapidamente do que outras partes do tubo e como as extremidades atriais e venosas do tubo estão confinadas pelo pericárdio, o tubo começa a se curvar e a se dobrar. Inicialmente, o tubo cardíaco primitivo assume uma forma de U; mais tarde, assume uma forma de S (Figura 20.19E). Como resultado desses movimentos, que são concluídos por volta do 28o dia após a fertilização, os átrios e ventrículos primitivos do futuro coração são reorientados de modo a assumir suas posições adultas finais. O restante do desenvolvimento do coração consiste na remodelação das câmaras e formação de septos e valvas para formar um coração de quatro câmaras. Por volta do 28o dia após a fertilização, aparecem espessamentos da mesoderme do revestimento interno da parede do coração chamados de coxim endocárdico (Figura 20.20). Eles crescem um em direção ao outro, fundemse e dividem o canal atrioventricular único (região entre os átrios e ventrículos) em canais atrioventriculares menores, separados em esquerdo e direito. Além disso, o septo interatrial começa o seu crescimento em direção aos coxins endocárdicos fundidos. Por fim, o septo interatrial e os coxins endocárdicos se unem e uma abertura no septo, o forame oval, se desenvolve. O septo interatrial divide a região atrial em um átrio direito e um átrio esquerdo. Antes do nascimento, o forame oval possibilita que a maior parte do sangue que entra no átrio direito passe para o átrio esquerdo. Após o nascimento, ele normalmente se fecha, de modo que o septo interatrial é uma partição completa. O remanescente do forame oval é a fossa oval (Figura 20.4A). A formação do septo interventricular divide a região ventricular em um ventrículo direito e um ventrículo esquerdo. A compartimentação do canal atrioventricular, região atrial e região ventricular está basicamente completa até o final da 5a semana após a fertilização. As valvas atrioventriculares se formam entre a 5a e a 8a semana de fertilização. As válvulas semilunares se formam entre a 5a e a 9a semana de fertilização. TESTE RÁPIDO Porque o sistema circulatório é um dos primeiros sistemas a se desenvolver? A partir de qual tecido o coração se desenvolve? DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS Doença da artéria coronária A doença da artéria coronária (DAC) é um problema de saúde grave que afeta cerca de 7 milhões de pessoas anualmente. É responsável por quase 750 mil mortes nos EUA a cada ano, é a principal causa de morte em homens e mulheres. A DAC resulta dos efeitos do acúmulo de placas ateroscleróticas (descrito em breve) nas artérias coronárias, o que leva a uma redução do fluxo sanguíneo para o miocárdio. Algumas pessoas não têm sinais ou sintomas; outros experimentam angina (dor torácica), e outros ainda sofrem infarto agudo do miocárdio. Fatores de risco para a DAC As pessoas que apresentam combinações de determinados fatores de risco são mais propensas a desenvolver DAC. Os fatores de risco (características, sintomas ou sinais presentes em uma pessoa livre da doença que estão estatisticamente associados a uma maior chance de desenvolver a doença) incluem o tabagismo, a hipertensão arterial, o diabetes melito, níveis elevados de colesterol, a obesidade, a personalidade “tipo A”, sedentarismo e antecedentes familiares de DAC. A maior parte destes fatores pode ser modificada, alterando a dieta e outros hábitos, ou pode ser controlada tomando medicamentos. No entanto, outros fatores de risco são não modificáveis (estão além do nosso controle), incluindo a predisposição genética (antecedentes familiares de DAC em idade precoce), idade e gênero. Por exemplo, os homens adultos são mais propensos do que as mulheres adultas de desenvolver DAC; depois dos 70 anos de idade, os riscos são praticamente iguais. O tabagismo é, sem dúvida, o principal fator de risco em todas as doenças associadas ao DAC, praticamente dobrando o risco de morbidade e mortalidade. Desenvolvimento das placas ateroscleróticas Embora a discussão a seguir se aplique às artérias coronárias, este processo também pode ocorrer em artérias fora do coração. O espessamento e a perda de elasticidade das paredes das artérias são as principais características de um grupo de doenças chamadas de arteriosclerose. Uma modalidade de arteriosclerose é a aterosclerose, uma doença progressiva caracterizada pela formação de lesões chamadas placas ateroscleróticas nas paredes das grandes e médias artérias (Figura 20.21). Para entender como as placas ateroscleróticas se desenvolvem, é necessário conhecer o papel das moléculas produzidas pelo fígado e intestino delgado, chamadas lipoproteínas. Estas partículas esféricas são constituídas por um núcleo interno de triglicerídios e de outros lipídios e por uma camada externa de proteínas, fosfolipídios e colesterol. Como a maior parte dos lipídios, o colesterol não se dissolve em água e deve ser convertido em solúvel em água a fim de ser transportado pelo sangue. Isto é conseguido por meio da combinação com as lipoproteínas. Duas das principais lipoproteínas são a lipoproteína de baixa densidade (LDL) e a lipoproteína de alta densidade (HDL). A LDL transporta colesterol do fígado para as células do corpo para ser utilizado na reparação da membrana celular e produção de hormônios esteroides e sais biliares. No entanto, quantidades excessivas de LDL promovem a aterosclerose, de modo que o colesterol nessas partículas é vulgarmente conhecidocomo “mau colesterol”. A HDL, por outro lado, remove o excesso de colesterol das células do corpo e o transporta para o fígado para ser eliminado. Como a HDL diminui o nível de colesterol no sangue, o colesterol na forma de HDL é comumente chamado de “bom colesterol”. Basicamente, você quer que sua concentração de LDL seja baixa e que sua concentração de HDL seja elevada. A inflamação, uma resposta de defesa do organismo à lesão tecidual, desempenha um papelchave no desenvolvimento das placas ateroscleróticas. Como resultado dos danos teciduais, os vasos sanguíneos se dilatam e aumentam a sua permeabilidade, e os fagócitos, incluindo os macrófagos, aparecem em grande quantidade. A formação de placas ateroscleróticas começa quando LDL em excesso do sangue se acumula na camada interna de uma parede arterial (camada mais próxima da corrente sanguínea), os lipídios e proteínas LDL sofrem oxidação (remoção de elétrons), e as proteínas se ligam a açúcares. Em resposta, as células endoteliais e de músculo liso da artéria secretam substâncias que atraem monócitos do sangue e convertemnos em macrófagos. Os macrófagos então ingerem e ficam tão cheios de partículas de LDL oxidada que assumem uma aparência espumosa quando vistos ao microscópio (células espumosas). As células T (linfócitos) seguem os monócitos até o revestimento interno de uma artéria, onde liberam produtos químicos que intensificam a resposta inflamatória. Juntos, as células espumosas, os macrófagos e as células T formam uma estria gordurosa, o início de uma placa aterosclerótica. Os macrófagos secretam substâncias químicas que fazem com que as células de músculo liso da túnica média de uma artéria migrem para a parte superior da placa aterosclerótica, formando uma capa sobre ela e, assim, compartimentandoa do sangue. Como a maior parte das placas ateroscleróticas se expande para longe da corrente sanguínea em vez de em direção a ela, o sangue ainda pode fluir através da artéria afetada com relativa facilidade, muitas vezes ao longo de décadas. Relativamente poucos infartos agudos do miocárdio são causados por uma placa de artéria coronária que se expandiu para a corrente sanguínea e restringiu o fluxo sanguíneo. A maior parte dos infartos agudos do miocárdio ocorre quando a capa sobre a placa se rompe em resposta a substâncias químicas produzidas pelas células espumosas. Além disso, as células T induzem as células espumosas a produzir fator tecidual (FT), uma substância química que inicia a cascata de reações que resulta na formação de coágulos sanguíneos. Se o coágulo em uma artéria coronária for grande o suficiente, pode diminuir significativamente ou interromper o fluxo sanguíneo e resultar em um infarto agudo do miocárdio. Figura 20.21 Fotomicrografias da seção transversa de uma artéria normal e de uma parcialmente obstruída por uma placa aterosclerótica. A inflamação desempenha um papelchave no desenvolvimento das placas ateroscleróticas. Qual é o papel da HDL? Uma série de outros fatores de risco (todos modificáveis) também foi identificada como preditores significativos da DAC quando seus níveis estão elevados. A proteína C reativa (PCR) é uma proteína produzida pelo fígado ou presente no sangue em um formato inativo que é convertido em um formato ativo durante a inflamação. A PCR pode desempenhar um papel direto no desenvolvimento da aterosclerose, ao promover a absorção de LDL pelos macrófagos. A lipoproteína (a) é uma partícula semelhante à LDL que se liga a células endoteliais, macrófagos e plaquetas do sangue; pode promover a proliferação de fibras musculares lisas; e inibe a quebra de coágulos sanguíneos. O fibrinogênio é uma glicoproteína envolvida na coagulação do sangue que pode ajudar na regulação da proliferação celular, vasoconstrição e agregação plaquetária. A homocisteína é um aminoácido que pode induzir a danos nos vasos sanguíneos pela promoção da agregação plaquetária e proliferação do músculo liso da fibra. Diagnóstico de DAC Muitos procedimentos podem ser utilizados para diagnosticar a DAC; o procedimento específico utilizado dependerá dos sinais e sintomas do indivíduo. O eletrocardiograma de repouso (ver Seção 20.3) é o exame padrão utilizado para diagnosticar a DAC. Também podem ser realizados testes de estresse. No teste ergométrico, monitorase o funcionamento do coração quando colocado sob estresse físico pelo exercício em uma esteira, bicicleta ergométrica ou exercícios de braço. Durante o procedimento, os registros de ECG são monitorados continuamente e a pressão arterial é monitorada em intervalos. Um teste de estresse sem exercício (farmacológico) é usado para pessoas que não podem se exercitar em razão de condições como a artrite. Injetase medicação que estressa o coração de modo a mimetizar os efeitos do exercício. Durante o teste ergométrico e o teste farmacológico, podese realizar uma cintigrafia para avaliar o fluxo sanguíneo ao longo do músculo cardíaco (ver Tabela 1.3). O diagnóstico de DAC também pode envolver a ecocardiografia, uma técnica que utiliza ondas de ultrassom para produzir imagens do interior do coração. A ecocardiografia possibilita que o coração seja visto em movimento e pode ser utilizada para determinar o tamanho, a forma e as funções das câmaras do coração; o volume e velocidade do sangue bombeado pelo coração; a condição das valvas cardíacas; a presença de defeitos de nascimento; e anormalidades do pericárdio. Uma técnica bastante recente para avaliar a DAC é a tomografia computadorizada por feixe de elétrons (EBCT), que detecta depósitos de cálcio nas artérias coronárias. Estes depósitos de cálcio são indicadores da aterosclerose. A angiografia coronariana por tomografia computadorizada (CCTA) é um procedimento radiográfico assistido por computador em que é injetado um meio de contraste na veia e é administrado um betabloqueador para diminuir a frequência cardíaca. Feixes de raios X são então aplicados em forma de arco em torno do coração e, por fim, produzem uma imagem chamada de CCTA scan. Este procedimento é utilizado principalmente para detectar obstruções como placas ateroscleróticas ou depósitos de cálcio (ver Tabela 1.3). O cateterismo cardíaco é um procedimento invasivo utilizado para visualizar câmaras do coração, valvas e grandes vasos, a fim de diagnosticar e tratar doenças não relacionadas com anomalias nas artérias coronárias. Também pode ser usado para medir a pressão no coração e grandes vasos; para avaliar o débito cardíaco; para medir o fluxo sanguíneo ao longo do coração e grandes vasos; para identificar a localização de defeitos septais e valvares; e para retirar amostras de tecido e sangue. O procedimento básico envolve a inserção de um cateter flexível longo e radiopaco (tubo de plástico) em uma veia periférica (por cateterismo cardíaco direito) ou por uma artéria periférica (por cateterismo cardíaco esquerdo) e guiálo sob fluoroscopia (observação radiográfica). A angiografia coronariana é um procedimento invasivo utilizado para obter informações sobre as artérias coronárias. No procedimento, é inserido um cateter em uma artéria da virilha ou do punho, que é introduzido sob fluoroscopia até o coração e, em seguida, até as artérias coronárias. Depois de a ponta do cateter estar no lugar, injetase um meio de contraste radiopaco nas artérias coronárias. As radiografias das artérias, chamadas de angiografias, aparecem em movimento em um monitor e as informações são registradas em uma fita de vídeo ou computador. A angiografia coronariana pode ser usada para visualizar as artérias coronárias (verTabela 1.3) e para injetar fármacos que dissolvem coágulos, como a estreptoquinase ou o ativador do plasminogênio tecidual (tPA) em uma artéria coronária para dissolver um trombo obstrutivo. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter01.html#ch1tab3 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter01.html#ch1tab3 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter01.html#ch1tab3 Tratamento da DAC As opções de tratamento para a DAC incluem fármacos (antihipertensivos, nitroglicerina, betabloqueadores, medicamentos para baixar o colesterol e agentes para dissolver coágulos) e vários procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos destinados a aumentar o suprimento sanguíneo para o coração. A cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) é um procedimento cirúrgico no qual um vaso sanguíneo de outra parte do corpo é ligado (“enxertado”) a uma artéria coronária para desviar de uma área de bloqueio. Um pedaço do vaso sanguíneo enxertado é suturado entre a aorta e a porção bloqueada da artéria coronária (Figura 20.22A). Às vezes, vários vasos sanguíneos precisam ser enxertados. Um procedimento não cirúrgico utilizado para tratar a DAC é a angioplastia coronariana transluminal percutânea (PTCA). Em uma variação deste procedimento, é inserido um cateter balão em uma artéria da perna ou do braço, que é delicadamente guiado até uma artéria coronária (Figura 20.22B). Enquanto é injetado corante, realizamse angiografias (registros em vídeo de radiografias dos vasos sanguíneos) para localizar as placas. Em seguida, o cateter é avançado até o ponto de obstrução, e um dispositivo semelhante a um balão é insuflado com ar para esmagar a placa contra a parede do vaso sanguíneo. Como 30 a 50% das artérias abertas por PTCA falham em razão da reestenose (reestreitamento) dentro de 6 meses após o procedimento ser realizado, podese inserir uma prótese endovascular (stent) por meio de um cateter. O stent é um tubo de fios metálicos finos que é mantido permanentemente em uma artéria para conservála patente (aberta), possibilitando que o sangue circule (Figura 20.22C, D). A reestenose pode ser decorrente do dano do próprio procedimento, já que a PTCA pode danificar a parede arterial, levando a ativação de plaquetas, proliferação das fibras musculares lisas e formação de placa. Recentemente, stents coronarianos revestidos com fármacos (stents farmacológicos) têm sido usados para prevenir a reestenose. Os stents são revestidos com um de vários fármacos antiproliferativos (fármacos que inibem a proliferação das fibras musculares lisas da túnica média de uma artéria) e fármacos antiinflamatórios. Demonstrouse que os stents revestidos com fármaco reduzem a taxa de reestenose quando comparados a stents de metal nu (não revestidos). Além da angioplastia com balão e stent, utilizamse cateteres emissores de laser para vaporizar as placas (angioplastia coronariana com excimer laser ou ELCA) e pequenas lâminas no interior de cateteres para remover parte da placa (aterectomia coronariana direcional). Figura 20.22 Procedimentos para restabelecer o fluxo sanguíneo nas artérias coronárias obstruídas. As opções de tratamento para a DAC incluem fármacos e diversos procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos. • • • Qual procedimento diagnóstico para a DAC é utilizado para visualizar os vasos sanguíneos coronarianos? Uma área atual de pesquisa envolve a refrigeração da temperatura central do corpo durante procedimentos como a cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM). Foram encontrados alguns resultados promissores a partir da aplicação de crioterapia durante um acidente vascular encefálico (AVE). Esta pesquisa surgiu a partir de observações de pessoas que sofreram um incidente hipotérmico (como afogamento em água fria) e que se recuperaram com déficits neurológicos relativamente mínimos. Cardiopatias congênitas Um defeito que está presente ao nascimento e, geralmente, antes dele, é chamado de defeito congênito. Muitos desses defeitos não são graves e podem passar despercebidos por toda a vida. Outros são potencialmente fatais e precisam ser reparados cirurgicamente. Dentre os vários defeitos congênitos que afetam o coração estão os seguintes (Figura 20.23): Coarctação da aorta. Nesta condição, um segmento de aorta é demasiadamente estreito e, assim, o fluxo de sangue oxigenado para o corpo é reduzido, o ventrículo esquerdo é forçado a bombear mais arduamente, e há desenvolvimento de elevação na pressão arterial. A coarctação geralmente é reparada cirurgicamente pela remoção da área de obstrução. As intervenções cirúrgicas que são feitas na infância podem exigir revisões na idade adulta. Outro procedimento cirúrgico é uma dilatação com balão, inserção e insuflação de um dispositivo na aorta para esticar o vaso. Um stent pode ser inserido e deixado no local para manter o vaso aberto. Persistência do ducto arterial (PDA). Em alguns bebês, o ducto arterial, um vaso sanguíneo temporário entre a aorta e o tronco pulmonar, permanece aberto em vez de se fechar logo após o nascimento. Como resultado, o sangue da aorta flui para o tronco pulmonar que tem baixa pressão, aumentando assim a pressão arterial no tronco pulmonar e sobrecarregando ambos os ventrículos. Na PDA sem complicações, pode ser utilizada medicação para facilitar o fechamento do defeito. Em casos mais graves, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica Comunicação interatrial. Um defeito septal é uma abertura no septo que separa o interior do coração em lados • • esquerdo e direito. Na comunicação interatrial, o forame oval fetal entre os dois átrios não se fecha após o nascimento. A comunicação interventricular é causada pelo desenvolvimento incompleto do septo interventricular. Nesses casos, o sangue oxigenado flui diretamente do ventrículo esquerdo para o ventrículo direito, onde se mistura com o sangue venoso. A condição é tratada cirurgicamente Tetralogia de Fallot. Esta condição é uma combinação de quatro defeitos de desenvolvimento: um defeito do septo interventricular, uma aorta que emerge a partir de ambos os ventrículos em vez de apenas a partir do ventrículo esquerdo, uma valva do tronco pulmonar estenosada e um ventrículo direito ampliado. Há uma diminuição no fluxo sanguíneo para os pulmões e a mistura de sangue de ambos os lados do coração. Isto causa cianose, a coloração azulada mais facilmente vista no leito ungueal e nas túnicas mucosas quando o nível de hemoglobina desoxigenada é alto; em recémnascidos, esta condição é conhecida como “bebê azul”. Apesar da aparente complexidade desta condição, o reparo cirúrgico geralmente é bemsucedido. Figura 20.23 Defeitos cardíacos congênitos. Um defeito congênito é aquele que está presente ao nascimento e, geralmente, antes dele. Quais são os quatro defeitos de desenvolvimento que ocorrem na tetralogia de Fallot? Arritmias O ritmo normal dos batimentos cardíacos, estabelecido pelo nó SA, é chamado ritmo sinusal normal. O termo arritmia referese a um ritmo anormal, resultante de um defeito no sistema de condução do coração. O coração pode bater de modo irregular, muito rápido ou muito devagar. Os sintomas incluem dor torácica, dispneia, tontura, vertigem e desmaios. As arritmias podem ser causadas por fatores que estimulam o coração, como estrese, cafeína, álcool, nicotina, cocaína e determinados fármacos que contêm cafeína ou outros estimulantes. As arritmias também podem ser causadas por um defeito congênito, Doençada artéria coronária, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, valvas cardíacas defeituosas, doença reumática do coração, hipertireoidismo e deficiência de potássio. As arritmias são categorizadas de acordo com sua velocidade, ritmo e origem do problema. A bradicardia refere se a uma frequência cardíaca lenta (abaixo de 50 bpm); a taquicardia referese a um aumento da frequência cardíaca (mais de 100 bpm); e a fibrilação referese a batimentos cardíacos rápidos, descoordenados. As arritmias que começam nos átrios são chamadas arritmias supraventriculares ou atriais; aquelas que se originam nos ventrículos são chamadas arritmias ventriculares. A taquicardia supraventricular (TSV) consiste em uma frequência cardíaca rápida, mas regular (160 a 200 bpm), que se origina nos átrios. Os episódios começam e terminam repentinamente e podem durar de alguns minutos a várias horas. A TSV às vezes pode ser interrompida por manobras que estimulam o nervo vago (X) e • • • • • • diminuem a frequência cardíaca. Estes incluem fazer força como se tentasse evacuar, esfregar a área sobre a artéria carótida no pescoço para estimular o seio carótico (não recomendado para pessoas com mais de 50 anos, uma vez que pode causar um acidente vascular encefálico), e mergulhar o rosto em uma bacia com água gelada. O tratamento também pode envolver antiarrítmicos e destruição da via anormal por ablação por radiofrequência O bloqueio cardíaco é uma arritmia do coração que ocorre quando as vias elétricas entre os átrios e os ventrículos estão bloqueadas, retardando a transmissão de impulsos nervosos. O local mais comum de bloqueio é o nó atrioventricular, uma condição chamada bloqueio atrioventricular (AV). No bloqueio AV de primeiro grau, o intervalo PQ é prolongado, geralmente porque a condução por meio do nó AV é mais lenta do que o normal (Figura 20.24B). No bloqueio AV de segundo grau, alguns dos potenciais de ação a partir do nó SA não são conduzidos ao longo do nó AV. O resultado são batimentos “perdidos” por causa da excitação que nem sempre alcança os ventrículos. Consequentemente, há menos complexos QRS do que ondas P no ECG. No bloqueio AV de terceiro grau (completo), nenhum potencial de ação do nó SA passa pelo nó AV. Fibras autorrítmicas nos átrios e ventrículos estimulam as câmaras superiores e inferiores separadamente. No bloqueio AV completo, a frequência de contração ventricular é inferior a 40 bpm A contração atrial prematura (CAP) é um batimento cardíaco que ocorre mais cedo do que o esperado e interrompe brevemente o ritmo cardíaco normal. Muitas vezes, provoca uma sensação de um batimento cardíaco perdido seguido por um batimento cardíaco mais forte. As CAPs se originam do miocárdio atrial e são comuns em indivíduos saudáveis O flutter atrial consiste em contrações atriais rápidas e regulares (240 a 360 bpm), acompanhadas de um bloqueio atrioventricular (AV) em que alguns dos impulsos nervosos do nó SA não são conduzidos pelo nó AV A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia comum que afeta a maior parte das pessoas idosas em que a contração das fibras atriais é assíncrona (e não em uníssono), de modo que o bombeamento atrial cessa completamente. Os átrios podem bater a 300 a 600 bpm. Os ventrículos também podem acelerar, resultando em um batimento cardíaco rápido (até 160 bpm). O ECG de um indivíduo com fibrilação atrial normalmente não tem ondas P claramente definidas e complexos QRS (e intervalos RR) irregularmente espaçados (Figura 20.24C). Como os átrios e ventrículos não batem no ritmo, o batimento cardíaco é irregular no tempo e força. Em um coração de outro modo forte, a fibrilação atrial reduz a eficácia do bombeamento do coração em 20 a 30%. A complicação mais perigosa da fibrilação atrial é o AVE, porque o sangue pode estagnar nos átrios e formar coágulos sanguíneos. Um AVE ocorre quando parte de um coágulo sanguíneo obstrui uma artéria que irriga o encéfalo A contração ventricular prematura, outra modalidade de arritmia, surge quando um foco ectópico, uma região do coração que não faz parte do sistema de condução, tornase mais excitável do que o normal e causa a ocorrência de um potencial de ação anormal ocasional. Conforme a onda de despolarização se espalha a partir do foco ectópico, provoca uma contração ventricular prematura (batimento). A contração ocorre no início da diástole antes do momento normalmente programado para o nó SA disparar o seu potencial de ação. As contrações ventriculares prematuras podem ser relativamente benignas e podem ser causadas por estresse emocional, ingestão excessiva de estimulantes, como cafeína, álcool ou nicotina, e a falta de sono. Em outros casos, os batimentos prematuros podem refletir uma doença subjacente A taquicardia ventricular (TV) é uma arritmia que se origina nos ventrículos e é caracterizada por quatro ou mais contrações ventriculares prematuras. Isso faz com que os ventrículos batam muito rápido (pelo menos 120 bpm) (Figura 20.24D). A TV está quase sempre associada à cardiopatia ou a um infarto agudo do miocárdio e pode evoluir para uma arritmia muito grave chamada fibrilação ventricular (descrita a seguir). A TV sustentada é perigosa, porque os ventrículos não conseguem se encher corretamente e, portanto, não bombeiam sangue suficiente. O resultado pode ser uma baixa pressão arterial e insuficiência cardíaca Figura 20.24 Arritmias importantes. A arritmia é um ritmo anormal, resultante de um defeito no sistema de condução do coração. • Por que a fibrilação ventricular é uma arritmia tão grave? A fibrilação ventricular (FV) é a arritmia mais mortal, em que as contrações das fibras ventriculares são completamente assíncronas, de modo que os ventrículos palpitam em vez de se contraírem de modo coordenado. Como resultado, o bombeamento ventricular para, a ejeção de sangue cessa, e a insuficiência circulatória e morte ocorrem a menos que haja intervenção médica imediata. Durante a fibrilação ventricular, o ECG não tem ondas P, complexos QRS nem ondas T claramente definidos (Figura 20.24E). A causa mais comum da fibrilação ventricular é o fluxo inadequado de sangue ao coração em razão de uma doença da artéria coronária, como ocorre durante um infarto agudo do miocárdio. Outras causas são o choque cardiovascular, o choque elétrico, o afogamento, e níveis muito baixos de potássio. A fibrilação ventricular causa inconsciência em segundos e, se não tratada, ocorrem convulsões e podem ocorrer lesões cerebrais irreversíveis depois de 5 min. A morte ocorre logo em seguida. O tratamento envolve a reanimação cardiopulmonar (RCP) e a desfibrilação. Na desfibrilação, também chamada de cardioversão, entregase uma corrente elétrica forte e breve ao coração, que muitas vezes pode interromper a fibrilação ventricular. O choque elétrico é produzido por um aparelho chamado de desfibrilador e aplicado por meio de dois grandes eletrodos em forma de pá pressionados contra a pele do tórax. Os pacientes que têm um alto risco de morrer de perturbações do ritmo cardíaco agora podem receber um desfibrilador cardioversor automático (AICD), um dispositivo implantado que monitora o ritmo cardíaco e entrega um pequeno choque diretamente ao coração em caso de ocorrência de uma perturbação de ritmo potencialmente fatal. Milhares de pacientes em todo o mundo têm AICD. Também estão disponíveis desfibriladores automáticos externos (DAE), que funcionam como AICD, exceto que são dispositivos externos. Do tamanho de um computadorportátil, os DAE são utilizados por equipes de emergências e são encontrados em frequência cada vez maior em locais públicos, como estádios, cassinos, aeroportos, hotéis e shopping centers. A desfibrilação também pode ser utilizada como um tratamento de emergência para a parada cardíaca. Insuficiência cardíaca congestiva Na insuficiência cardíaca congestiva (ICC), há uma perda de eficiência no bombeamento do coração. As causas da ICC incluem a doença da artéria coronária, os defeitos congênitos, a hipertensão arterial prolongada (que aumenta a póscarga), o infarto agudo do miocárdio (regiões de tecido cardíaco morto decorrentes de um infarto agudo do miocárdio prévio) e valvopatias. À medida que a bomba se torna menos eficaz, mais sangue permanece nos ventrículos no final de cada ciclo e, gradualmente, o volume diastólico final (précarga) aumenta. Inicialmente, a elevação da précarga pode promover o aumento da força de contração (lei de FrankStarling do coração), mas 20.1 1. 2. 3. 4. conforme a précarga aumenta ainda mais, o coração é sobrecarregado e se contrai com menos força. O resultado é um ciclo de feedback positivo potencialmente letal: o bombeamento menos eficaz leva a uma capacidade de bombeamento ainda menor. Frequentemente, um dos lados do coração começa a falhar antes do outro. Se o ventrículo esquerdo falha primeiro, ele não consegue bombear todo o sangue que recebe. Como resultado, o sangue retrocede para os pulmões e provoca edema pulmonar, o acúmulo de líquido nos pulmões que pode causar asfixia se não tratado. Se o ventrículo direito falhar primeiro, o sangue retorna às veias sistêmicas e, ao longo do tempo, os rins causam um aumento no volume de sangue. Neste caso, o edema periférico resultando geralmente é mais visível nos pés e tornozelos. TERMINOLOGIA TÉCNICA Assistolia. Falha do miocárdio em se contrair. Cardiomegalia. Aumento do coração. Cardiomiopatia. Doença progressiva na qual a estrutura ou função ventricular está prejudicada. Na cardiomiopatia dilatada, os ventrículos se ampliam (distendem) e se tornam mais fracos, reduzindo a ação de bombeamento do coração. Na cardiomiopatia hipertrófica, as paredes do ventrículo se engrossam e a eficiência de bombeamento dos ventrículos é reduzida. Concussão cardíaca. Danos ao coração, muitas vezes fatais, decorrentes de um golpe forte e não penetrante ao tórax enquanto os ventrículos estão repolarizando. Cor pulmonale (CP). Termo que se refere à hipertrofia ventricular direita por distúrbios que provocam a hipertensão (pressão arterial elevada) na circulação pulmonar. Fração de ejeção. Fração do volume diastólico final (VDF) que é ejetado durante um batimento cardíaco médio. Igual ao volume sistólico (VS) dividido pelo VDF. Morte súbita cardíaca. Cessação inesperada da circulação e respiração em razão de uma cardiopatia subjacente, como uma isquemia, um infarto agudo do miocárdio ou um distúrbio do ritmo cardíaco. Palpitações. Vibração do coração ou frequência ou ritmo anormal do coração do qual o indivíduo está consciente. Parada cardíaca. Interrupção do batimento cardíaco efetivo. O coração pode estar completamente parado ou em fibrilação ventricular. Reabilitação cardíaca. Programa supervisionado de exercício progressivo, apoio psicológico, orientação e treinamento para permite ao paciente retomar as atividades normais após um infarto agudo do miocárdio. Síndrome do nó sinoatrial. Um nó SA funcionando de modo irregular que inicia batimentos cardíacos muito lentamente ou rapidamente, faz uma pausa muito longa entre os batimentos cardíacos, ou para de produzir batimentos cardíacos. Os sintomas incluem tontura, dispneia, perda de consciência e palpitações. É causada pela degeneração das células do nó SA e é comum em pessoas idosas. Também está relacionada com a doença da artéria coronária. O tratamento consiste em medicamentos para acelerar ou desacelerar o coração ou a implantação de um marcapasso artificial. Taquicardia paroxística. Período de batimentos cardíacos rápidos que começa e termina repentinamente. Testes eletrofisiológicos. Procedimento no qual um cateter com um eletrodo é passado pelos vasos sanguíneos e introduzido no coração para detectar a localização exata de vias de condução elétrica anormais. Uma vez que uma via anormal é localizada, ela pode ser destruída pelo envio de uma corrente por um eletrodo, em um procedimento chamado de ablação por radiofrequência. REVISÃO DO CAPÍTULO Conceitos essenciais Anatomia do coração O coração está localizado no mediastino; cerca de dois terços de sua massa ficam à esquerda da linha mediana. Tem a forma de um cone deitado de lado. Seu ápice é a parte inferior pontiaguda; sua base é a ampla parte superior. O pericárdio é a membrana que envolve e protege o coração; é constituída por uma camada fibrosa externa e um pericárdio seroso interno, que é composto por uma lâmina parietal e uma lâmina visceral. Entre as camadas parietal e visceral do pericárdio seroso está a cavidade do pericárdio, um espaço potencial preenchido por alguns mililitros de líquido lubrificante, que reduz o atrito pericárdico entre as duas membranas. Três camadas formam a parede do coração: o epicárdio, o miocárdio e o endocárdio. O epicárdio consiste em mesotélio e tecido conjuntivo, o miocárdio é formado pelo tecido muscular cardíaco, e o endocárdio consiste em endotélio e tecido conjuntivo. As câmaras do coração incluem duas câmaras superiores, os átrios direito e esquerdo, e duas câmaras inferiores, os 5. 6. 7. 8. 9. 10. 20.2 1. 2. 3. 4. 20.3 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 20.4 1. 2. 3. 20.5 1. ventrículos direito e esquerdo. As características externas do coração incluem as aurículas, o sulco coronário entre os átrios e ventrículos, e os sulcos anterior e posterior entre os ventrículos nas faces anterior e posterior do coração, respectivamente. O átrio direito recebe sangue da veia cava superior, veia cava inferior e seio coronário. É separado internamente do átrio esquerdo pelo septo interatrial, que contém a fossa oval. O sangue sai do átrio direito através da valva atrioventricular direita. O ventrículo direito recebe sangue do átrio direito. Separado internamente do ventrículo esquerdo pelo septo interventricular, bombeia o sangue através da valva do tronco pulmonar para o tronco pulmonar. O sangue oxigenado entra no átrio esquerdo pelas veias pulmonares e sai pela valva atrioventricular esquerda. O ventrículo esquerdo bombeia o sangue oxigenado através da valva da aorta até a aorta. A espessura do miocárdio das quatro câmaras varia de acordo com a função da câmara. O ventrículo esquerdo, com a maior carga de trabalho, tem a parede mais espessa. O esqueleto fibroso do coração é formado por tecido conjuntivo denso que circunda e suporta as valvas cardíacas. Valvas cardíacas e circulação do sangue As valvas cardíacas evitam o refluxo do sangue de volta para o coração. As valvas atrioventriculares (AV), que se encontram entre os átrios e ventrículos, são a valva atrioventricular direita no lado direito do coração e a valva atrioventricular esquerda no lado esquerdo. As válvulas semilunares são a valva da aorta na entrada da aorta, e a valva do tronco pulmonar na entrada do tronco pulmonar. O lado esquerdo do coração é a bomba para a circulação sistêmica, a circulação do sangue ao longo do corpo, exceto para os alvéolos dos pulmões. O ventrículo esquerdo ejeta sangue para a aorta e, em seguida, o sangue flui para as artérias sistêmicas, arteríolas, capilares, vênulas e veias, que o transportam de volta ao átrio direito. O lado direito do coraçãoé a bomba para a circulação pulmonar, o fluxo do sangue através dos pulmões. O ventrículo direito ejeta o sangue para o tronco pulmonar e, em seguida, o sangue flui para as artérias pulmonares, capilares pulmonares e veias pulmonares, que o transportam de volta ao átrio esquerdo. A circulação coronariana fornece o fluxo sanguíneo para o miocárdio. Suas principais artérias são as artérias coronárias direita e esquerda; suas principais veias são as veias cardíacas e o seio coronário. Tecido muscular cardíaco e sistema de condução do coração As fibras musculares cardíacas geralmente contêm um único núcleo localizado centralmente. Em comparação às fibras do músculo esquelético, as fibras do músculo cardíaco contêm mais e maiores mitocôndrias, um retículo sarcoplasmático ligeiramente menor, e túbulos transversos mais largos, que estão localizados nos discos Z. As fibras musculares cardíacas são conectadas pelas suas extremidades pelos discos intercalares. Os desmossomos dos discos fornecem a força, e as junções comunicantes possibilitam que os potenciais de ação musculares sejam conduzidos de uma fibra muscular às suas vizinhas. As fibras autorrítmicas formam o sistema de condução, as fibras musculares cardíacas que despolarizam espontaneamente e produzem potenciais de ação. Os componentes do sistema de condução são o nó sinoatrial (SA) (marcapasso), o nó atrioventricular (AV), o fascículo atrioventricular (AV), os ramos e os ramos subendocárdios. As fases de um potencial de ação em uma fibra de contração ventricular incluem a despolarização rápida, um platô longo e a repolarização. O tecido muscular cardíaco tem um período refratário longo, o que impede a tetania. O registro das alterações elétricas durante cada ciclo cardíaco é chamado de eletrocardiograma (ECG). Um ECG normal é composto por uma onda P (despolarização atrial), um complexo QRS (início da despolarização ventricular) e uma onda T (repolarização ventricular). O intervalo PQ representa o tempo de condução a partir do início da excitação atrial até o início da excitação ventricular. O segmento ST é o período em que as fibras ventriculares contráteis estão completamente despolarizadas. Ciclo cardíaco Um ciclo cardíaco consiste em uma sístole (contração) e uma diástole (relaxamento) de ambos os átrios, mais uma sístole e uma diástole de ambos os ventrículos. Com uma frequência cardíaca média de 75 bpm, um ciclo cardíaco completo requer 0,8 s. As fases do ciclo cardíaco são (a) a sístole atrial, (b) a sístole ventricular e (c) o período de relaxamento. B1, a primeira bulha cardíaca (tum), é causada pela turbulência do sangue associada ao fechamento das valvas atrioventriculares. B2, a segunda bulha (tá), é causada pela turbulência no sangue associada ao fechamento das válvulas semilunares. Débito cardíaco O débito cardíaco (DC) é o volume de sangue ejetado por minuto pelo ventrículo esquerdo para a aorta (ou pelo ventrículo 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 20.6 1. 2. 20.7 1. 2. 20.8 1. 2. 1. 2. 3. 20.1 20.2 20.3 20.4 20.5 20.6 direito para o tronco pulmonar). É calculado do seguinte modo: DC (mℓ/min) = volume sistólico (VS) em mℓ/batimento × frequência cardíaca (FC) em batimentos/min. O volume sistólico (VS) é o volume de sangue ejetado por um ventrículo durante cada sístole. A reserva cardíaca é a diferença entre o DC máximo de uma pessoa e seu DC em repouso. O volume sistólico está relacionado com a précarga (estiramento do coração antes de ele se contrair), contratilidade (vigor da contração) e póscarga (pressão que precisa ser sobrepujada antes que a ejeção ventricular possa ter início). De acordo com a lei de FrankStarling do coração, uma précarga maior (volume diastólico final) distendendo as fibras musculares cardíacas pouco antes da contração aumenta a sua força de contração até que o alongamento se torne excessivo. O controle nervoso do sistema circulatório se origina no centro cardiovascular localizado no bulbo. Os impulsos simpáticos aumentam a frequência cardíaca e a força de contração; os impulsos parassimpáticos diminuem a frequência cardíaca. A frequência cardíaca é afetada por hormônios (epinefrina, norepinefrina, hormônios da tireoide), íons (Na+, K+, Ca2+), idade, sexo, condicionamento cardiorrespiratório e temperatura corporal. Exercício físico e coração A prática persistente de exercícios físicos aumenta a demanda de oxigênio dos músculos. Entre os benefícios do exercício aeróbico estão o aumento do débito cardíaco, a diminuição da pressão arterial, o controle do peso e o aumento da atividade fibrinolítica. Suporte para insuficiência cardíaca O transplante cardíaco consiste na substituição de um coração com lesões graves por um coração saudável. Os procedimentos e dispositivos de assistência cardíaca incluem o balão intraaórtico, o dispositivo de assistência ventricular, a miocardioplastia e um dispositivo de assistência utilizando músculo esquelético. Desenvolvimento do coração O coração se desenvolve a partir da mesoderme. Os tubos endocárdicos evoluem para o coração de quatro câmaras e os grandes vasos do coração. QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA Gerald consultou recentemente seu dentista. Durante o processo de limpeza, Gerald apresentou discreto sangramento gengival. Dois dias depois, Gerald desenvolveu febre, taquicardia, sudorese e calafrios. Ele consultou seu médico de família, que detectou um leve sopro no coração. Gerald recebeu antibióticos e ainda está sob monitoramento cardíaco. Como a consulta odontológica de Gerald está relacionada com a sua doença? A sedentária Sylvia resolveu começar um programa de exercícios. Ela lhe disse que quer fazer seu coração “bater tão rápido quanto ele puder” durante o exercício. Explique por que isso não é uma boa ideia. O Sr. Pedro é um homem grande, de 62 anos, que adora doces e alimentos fritos. Sua ideia de exercício físico é a caminhada até a cozinha para pegar mais batata frita para comer enquanto ele assiste programas de esporte na televisão. Ultimamente, ele tem sentido dor torácica enquanto sobe escadas. O médico lhe disse para parar de fumar e ele tem uma angiografia cardíaca prevista para a próxima semana. No que consta a realização deste procedimento? Por que o médico solicitou este exame? RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS O mediastino é a região anatômica que se estende do esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao diafragma, e entre os pulmões. A lâmina visceral do pericárdio seroso (epicárdio) é parte tanto do pericárdio quanto da parede do coração. O sulco coronário delimita a fronteira entre os átrios e ventrículos. Quanto maior a carga de trabalho de uma câmara do coração, mais espesso o seu miocárdio. O esqueleto fibroso se insere nas valvas cardíacas e evita a hiperdistensão das valvas conforme o sangue passa através delas. Os músculos papilares se contraem, o que puxa as cordas tendíneas e impede que as válvulas das valvas 20.7 20.8 20.9 20.10 20.11 20.12 20.13 20.14 20.15 20.16 20.17 20.18 20.19 20.20 20.21 20.22 20.23 20.24 atrioventriculares evertam e deixem o sangue refluir para os átrios. Os algarismos de 2 a 6 ilustram a circulação pulmonar; os algarismos 7 a 1 descrevem a circulação sistêmica. A artéria circunflexa fornece sangue oxigenado para o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Os discos intercalados mantêm unidas as fibras do músculo cardíaco e possibilitam que os potenciais de ação se propaguem de uma fibra muscular para outra. A única ligação elétrica entre os átrios e os ventrículos é o fascículo atrioventricular. A duração do potencial de ação é maior em uma fibra contrátil ventricular (0,3 s = 300 ms) do em que uma fibra muscular esquelética (1 a 2 ms). Uma onda Q alargada pode indicar um infarto agudo do miocárdio. Os potenciais de ação se propagam maislentamente através do nó AV. O volume de sangue em cada ventrículo no final da diástole ventricular – o chamado volume diastólico final – é de cerca de 130 mℓ em uma pessoa em repouso. A primeira bulha cardíaca (B1) está associada ao fechamento das valvas atrioventriculares. O miocárdio ventricular recebe inervação apenas da parte simpática do sistema nervoso. A contração do músculo esquelético aumenta o volume sistólico pelo aumento da précarga (volume diastólico final). Os indivíduos com insuficiência cardíaca em fase terminal ou doença da artéria coronária (DAC) grave são candidatos ao transplante cardíaco. O coração começa a se contrair por volta do 22o dia de gestação. A compartimentação do coração está completa até o final da 5a semana após a fertilização. HDL remove o excesso de colesterol das células do organismo e transportao para o fígado para ser eliminado. A angiocoronariografia é usada para visualizar muitos vasos sanguíneos. A tetralogia de Fallot envolve um defeito no septo interventricular, uma aorta que emerge de ambos os ventrículos, uma valva do tronco pulmonar estenosada e dilatação do ventrículo direito. Na fibrilação ventricular, o bombeamento ventricular para, a ejeção de sangue cessa e a insuficiência circulatória e morte podem ocorrer se não houver intervenção médica imediata. 21.1 • Vasos sanguíneos, hemodinâmica e homeostasia Os vasos sanguíneos contribuem para a homeostasia, possibilitando uxo sanguíneo através do coração e a troca de nutrientes e escórias metabólicas nos tecidos. Também têm participação importante no ajuste da velocidade e do volume de uxo sanguíneo. O sistema circulatório contribui para a homeostasia de outros sistemas corporais, por meio do transporte e distribuição de sangue por todo o corpo para fornecer materiais (como oxigênio, nutrientes e hormônios) e remover escórias metabólicas. As estruturas envolvidas nestas importantes tarefas são os vasos sanguíneos, que formam um sistema fechado de tubos que leva o sangue para fora do coração, transportamno para os tecidos do corpo e, em seguida, o devolvem ao coração. As câmaras cardíacas esquerdas bombeiam o sangue para aproximadamente 100.000 km de vasos sanguíneos. O lado direito do coração bombeia o sangue através dos pulmões, possibilitando que o sangue capte o oxigênio e libere dióxido de carbono. Os Capítulos 19 e 20 descrevem a composição e as funções do sangue, e a estrutura e as funções do coração. Neste capítulo, focase na estrutura e funções dos vários tipos de vasos sanguíneos; na hemodinâmica, as forças envolvidas em circular o sangue por todo o corpo; e nos vasos sanguíneos, que constituem as principais vias circulatórias. Estrutura e função dos vasos sanguíneos OBJETIVOS Diferenciar a estrutura e a função de artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias • • Analisar os vasos por onde o sangue se desloca em sua passagem do coração para os capilares e o percurso de retorno Distinguir entre os reservatórios de pressão e os reservatórios de sangue. Os cinco tipos principais de vasos sanguíneos são as artérias, as arteríolas, os capilares, as vênulas e as veias (ver Figura 20.7). As artérias transportam o sangue do coração para outros órgãos. Artérias grandes e elásticas deixam o coração e se ramificam em artérias musculares, de médio porte, que emitem ramos a várias regiões do corpo. As artérias de médio porte então se dividem em pequenas artérias, as quais por sua vez se dividem em artérias ainda menores chamadas arteríolas. Conforme as arteríolas entram em um tecido, se ramificam em diversos vasos minúsculos chamados capilares. As paredes finas dos capilares possibilitam a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo. Grupos de capilares no tecido se unem para formar pequenas veias chamados vênulas. Estas, por sua vez, se fundem para formar vasos sanguíneos progressivamente maiores chamados veias. As veias são os vasos sanguíneos que conduzem o sangue dos tecidos de volta para o coração. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Angiogênese e doença Angiogênese é o crescimento de novos vasos sanguíneos. É um processo importante no desenvolvimento embrionário e fetal, que na vida pós-natal desempenha funções importantes, como a cicatrização de feridas, a formação de um novo revestimento no útero após a menstruação, a formação do corpo lúteo após a ovulação e o desenvolvimento de vasos sanguíneos em torno de artérias coronárias obstruídas. Várias proteínas (peptídios) são conhecidas por promover e inibir a angiogênese. Clinicamente, a angiogênese é importante porque as células de um tumor maligno secretam proteínas chamadas fatores de angiogênese tumoral (TAF) que estimulam o crescimento de vasos sanguíneos para nutrir as células tumorais. Os pesquisadores procuram produtos químicos que inibam a angiogênese e, assim, impeçam o crescimento de tumores. Na retinopatia diabética, a angiogênese é importante no desenvolvimento de vasos sanguíneos que, na verdade, causam cegueira, de modo que a descoberta de inibidores da angiogênese pode também evitar a cegueira associada ao diabetes melito. Estrutura básica de um vaso sanguíneo A parede de um vaso sanguíneo é composta por três camadas, ou túnicas, de tecidos diferentes: um revestimento epitelial interno, uma túnica média formada por músculo liso e tecido conjuntivo elástico, e um revestimento externo de tecido conjuntivo. As três camadas estruturais de um vaso sanguíneo qualquer, da mais interna para a mais periférica, são a túnica íntima, a túnica média e a túnica externa (Figura 21.1). Modificações nessa estrutura básica respondem pelos cinco tipos de vasos sanguíneos e pelas diferenças estruturais e funcionais entre os vários tipos de vasos. Lembrese sempre de que as variações estruturais se correlacionam com as diferenças na função que ocorrem em todo o sistema circulatório. Túnica íntima A túnica íntima forma o revestimento interno de um vaso sanguíneo e está em contato direto com o sangue que flui pelo lúmen, ou luz, do vaso (Figura 21.1A, B). Embora a túnica tenha várias partes, seus componentes teciduais contribuem minimamente para a espessura da parede do vaso. Sua camada mais interna é chamada endotélio, que é contínuo com o endocárdio. O endotélio é uma lâmina fina de células planas que revestem a face interna de todo o sistema circulatório (coração e vasos sanguíneos). Até recentemente, as células endoteliais eram consideradas como pouco mais do que uma barreira passiva entre o sangue e o restante da parede do vaso. Sabese agora que as células endoteliais são participantes ativas em inúmeras atividades relacionadas com vasos, incluindo influências físicas sobre o fluxo sanguíneo, secreção de mediadores químicos de ação local que influenciam o estado contrátil do músculo liso sobrejacente ao vaso e assistência com a permeabilidade capilar. Além disso, a sua face luminal lisa facilita o fluxo sanguíneo eficiente, reduzindo o atrito superficial. O segundo componente da túnica íntima é uma membrana basal profunda ao endotélio. Ela fornece uma base de apoio físico para a camada epitelial. Sua estrutura de fibras colágenas confere à membrana basal substancial resistência à tração, além de resiliência ao estiramento e distensão. A membrana basal do endotélio se ancora ao tecido conjuntivo subjacente, regulando também o movimento molecular. Parece ter uma participação importante na orientação dos movimentos celulares durante o reparo de tecidos das paredes dos vasos sanguíneos. A parte mais externa da túnica íntima, que forma a fronteira entre a túnica íntima e a túnica média, é a lâmina elástica interna. A lâmina elástica interna é uma lâmina fina de fibras elásticas com número variável de aberturas semelhantes a janelas (fenestrações) que lhe conferem o aspecto de um queijo https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter20.html#ch20fig7suíço. Estas fenestrações facilitam a difusão de materiais através da túnica íntima para a túnica média mais espessa. Túnica média A túnica média é uma camada de tecidos muscular e conjuntivo que apresenta a maior variação entre os diferentes tipos de vasos (Figura 21.1A, B). Na maioria dos vasos, é uma camada relativamente espessa que compreende células de músculo liso e, principalmente, quantidades substanciais de fibras elásticas. A principal função das células musculares lisas, que se estendem circularmente em torno do lúmen como um anel circunda o dedo, é regular o diâmetro do lúmen. O aumento da estimulação simpática estimula tipicamente o músculo liso a se contrair, apertando a parede do vaso e estreitando o lúmen. Essa diminuição do diâmetro do lúmen de um vaso sanguíneo é chamada vasoconstrição. Em contrapartida, quando a estimulação simpática diminui, ou na presença de determinados compostos químicos (como o óxido nítrico, H+ e ácido láctico) ou em resposta à pressão arterial, as fibras musculares lisas relaxam. O consequente aumento do diâmetro do lúmen é chamado vasodilatação. Como você verá em mais detalhes em breve, a taxa de fluxo sanguíneo nas diferentes partes do corpo é regulada pela magnitude da contração do músculo liso nas paredes de vasos específicos. Além disso, a magnitude da contração do músculo liso em tipos específicos de vasos é crucial na regulação da pressão arterial. Figura 21.1 Estrutura comparativa dos vasos sanguíneos. O capilar (C) foi aumentado em relação à artéria (A) e à veia (B). As artérias levam o sangue do coração para os tecidos; as veias trazem o sangue dos tecidos para o coração. Qual vaso – a artéria femoral ou a veia femoral – tem uma parede mais espessa? Qual tem o lúmen mais amplo? Além de regular o fluxo e a pressão sanguínea, o músculo liso se contrai quando uma pequena artéria ou arteríola está danificada (vasospasmo) para ajudar a limitar a perda de sangue através do vaso lesionado. As células musculares lisas também ajudam a produzir as fibras elásticas na túnica média que possibilitam que os vasos se estirem e retraiam à pressão exercida pelo sangue. A túnica média é a mais variável das túnicas. Ao estudar os diferentes tipos de vasos sanguíneos no restante deste capítulo, você perceberá que as diferenças estruturais nesta camada são responsáveis pelas muitas variações na função entre os diferentes tipos de vasos. A separação entre a túnica média e a túnica externa se dá por uma rede de fibras elásticas, a lâmina elástica externa, que faz parte da túnica média. Túnica externa O revestimento externo de um vaso sanguíneo, a túnica externa, é composto por fibras elásticas e colágenas (Figura 21.1A, B). A túnica externa contém diversos nervos e, especialmente nos grandes vasos, minúsculos vasos sanguíneos que irrigam o tecido da parede do vaso. Esses pequenos vasos que fornecem sangue para os tecidos do vaso são chamados vasos dos vasos, ou vasa vasorum. Eles são facilmente vistos em grandes vasos, como a aorta. Além da importante função de fornecer nervos e vasa vasorum à parede do vaso, a túnica externa ajuda a ancorar os vasos aos tecidos circundantes. Artérias Como antigamente as artérias foram encontradas vazias no momento da morte, acreditavase que contivessem apenas ar. A parede de uma artéria tem as três túnicas de um vaso sanguíneo normal, mas tem uma espessa túnica média muscular a elástica (Figura 21.1A). Em decorrência da abundância de fibras elásticas, as artérias normalmente têm alta complacência, o que significa que suas paredes se esticam ou expandem facilmente sem se romper em resposta a um pequeno aumento da pressão. Artérias elásticas As artérias elásticas são as maiores artérias do corpo e seu tamanho varia desde o de uma mangueira de jardim (como a aorta e o tronco pulmonar) até um dedo da mão (ramos da aorta). Elas têm o maior diâmetro entre as artérias, mas suas paredes (cerca de 1/10 do diâmetro total do vaso) são relativamente finas em comparação ao tamanho total do vaso. Estes vasos são caracterizados por lâminas elásticas interna e externa bem definidas, juntamente com uma túnica média espessa que é dominada por fibras elásticas, chamadas lamelas elásticas. As artérias elásticas incluem os dois troncos principais que saem do coração (a aorta e o tronco pulmonar), juntamente com os principais ramos iniciais da aorta, como o tronco braquiocefálico, a artéria subclávia, a artéria carótida comum e a artéria ilíaca comum (ver Figura 21.19A). As artérias elásticas desempenham uma função importante: ajudam a impulsionar o sangue no sentido anterógrado enquanto os ventrículos estão relaxados. Conforme o sangue é ejetado do coração para as artérias elásticas, suas paredes se distendem, acomodando facilmente o pulso de sangue. Quando elas se esticam, as fibras elásticas momentaneamente armazenam energia mecânica, funcionando como um reservatório de pressão (Figura 21.2A). Em seguida, as fibras elásticas recuam e convertem a energia armazenada (potencial) no vaso em energia cinética do sangue. Assim, o sangue continua se movendo ao longo das artérias, mesmo quando os ventrículos estão relaxados (Figura 21.2B). Como conduzem sangue do coração para as artérias médias, mais musculosas, as artérias elásticas são também chamadas artérias condutoras. Figura 21.2 Função de reservatório de pressão das artérias elásticas. A elasticidade das artérias elásticas mantém o sangue fluindo durante o relaxamento ventricular (diástole). Na aterosclerose, as paredes das artérias elásticas se tornam menos complacentes (mais rígidas). Qual efeito a complacência reduzida tem sobre a função de reservatório de pressão das artérias? Artérias musculares As artérias de médio porte são chamadas artérias musculares, porque sua túnica média contém mais músculo liso e menos fibras elásticas do que as artérias elásticas. A abundância de músculo liso, aproximadamente 75% da massa total, torna as paredes das artérias musculares relativamente espessas. Assim, as artérias musculares conseguem se dilatar e contrair mais para se ajustar à velocidade do fluxo sanguíneo. As artérias musculares têm uma lâmina elástica interna bem definida, mas uma lâmina elástica externa fina. Estas duas lâminas elásticas formam os limites interno e externo da túnica média muscular. Nas grandes artérias, a espessura da túnica média pode alcançar até 40 camadas de células musculares lisas dispostas circunferencialmente, enquanto nas artérias menores, existem poucas camadas (até mesmo 3). A espessura das artérias musculares varia desde as artérias femoral e axilar que têm a espessura de um lápis até as artérias filiformes que penetram nos órgãos (até mesmo 0,5 mm de diâmetro). Em comparação com as artérias elásticas, a parede do vaso das artérias musculares representa uma porcentagem maior (25%) do diâmetro total do vaso. Uma vez que as artérias musculares continuam ramificandose e, por fim, distribuem sangue para todos os órgãos, elas são chamadas artérias distributivas. Exemplos incluem a artéria braquial no braço e a artéria radial no antebraço (ver Figura 21.19A). A túnica externa muitas vezes é mais espessa do que a túnica média nas artérias musculares. Esta camada externa contém fibroblastos, fibras colágenas e fibras elásticas, todos orientados longitudinalmente. A estrutura frouxa desta camada possibilita que ocorram alterações no diâmetro do vaso, mas também impede o encurtamento ou a retração do vaso quando ele é seccionado. Por causa da diminuição do tecido elástico nas paredes das artérias musculares, estes vasos não conseguem dilatar e ajudar a impulsionar o sangue como as artérias elásticas. Em vez disso, a espessa túnica média muscular é a principal responsável pelasfunções das artérias musculares. A capacidade do músculo de se contrair e manter um estado de contração parcial é chamado tônus vascular. O tônus vascular enrijece a parede do vaso e é importante para manter a pressão do vaso e o fluxo sanguíneo eficiente. Anastomoses A maioria dos tecidos do corpo recebe sangue de mais de uma artéria. A união dos ramos de duas ou mais artérias que irrigam uma mesma região do corpo é chamada anastomose (ver Figura 21.21C). As anastomoses entre as artérias constituem vias alternativas para o sangue chegar a um tecido ou órgão. Se o fluxo sanguíneo for interrompido por um curto período de tempo quando movimentos normais comprimem um vaso, ou se o vaso for bloqueado por uma doença, lesão ou cirurgia, então a circulação para essa parte do corpo não é necessariamente interrompida. A via alternativa de fluxo sanguíneo para uma parte do corpo por meio de uma anastomose é conhecida como circulação colateral. As anastomoses também podem ocorrer entre veias e entre arteríolas e vênulas. As artérias que não se anastomosam são conhecidas como artérias terminais. A obstrução de uma artéria terminal interrompe a irrigação sanguínea a todo um segmento de órgão, provocando necrose (morte) desse segmento. Vias alternativas de sangue também podem ser fornecidas por vasos sem anastomose que irrigam uma mesma região do corpo. Arteríolas Significando literalmente pequenas artérias, as arteríolas são abundantes vasos microscópicos que regulam o fluxo sanguíneo para as redes capilares dos tecidos do corpo (ver Figura 21.3). As aproximadamente 400 milhões de arteríolas têm diâmetros que variam de 15 a 300 μm. A espessura da parede das arteríolas corresponde à metade do diâmetro total do vaso. As arteríolas têm uma túnica íntima fina com uma lâmina elástica interna fina, fenestrada (com pequenos poros), que desaparece na extremidade terminal. A túnica média é constituída por uma a duas camadas de células musculares lisas que têm uma orientação circular na parede do vaso. A extremidade terminal da arteríola, a região chamada metarteríola, se afunila em direção à junção capilar. Na junção metarteríolacapilar, a célula muscular mais distal forma o esfíncter pré capilar, que monitora o fluxo sanguíneo para o capilar; as outras células musculares da arteríola regulam a resistência (oposição) ao fluxo sanguíneo (ver Figura 21.3). Figura 21.3 Arteríolas, capilares e vênulas. Esfíncteres précapilares regulam o fluxo sanguíneo nos leitos capilares. Nos capilares, o sangue e o líquido intersticial trocam nutrientes, gases e escórias metabólicas. Por que tecidos metabolicamente ativos têm redes capilares extensas? A túnica externa da arteríola é constituída por tecido conjuntivo areolar contendo numerosos nervos simpáticos amielínicos. Esta inervação simpática, juntamente com as ações dos mediadores químicos locais, pode alterar o diâmetro das arteríolas e, portanto, variar a velocidade do fluxo sanguíneo e a resistência ao longo destes vasos. As arteríolas têm uma participação essencial na regulação do fluxo sanguíneo das artérias para os vasos capilares, regulando a resistência, a oposição ao fluxo sanguíneo decorrente do atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. Por isso, são conhecidas como vasos de resistência. Em um vaso sanguíneo, a resistência é decorrente principalmente do atrito entre o sangue e as paredes internas dos vasos sanguíneos. Quando o diâmetro do vaso sanguíneo é menor, o atrito é maior, de modo que há mais resistência. A contração do músculo liso de uma arteríola provoca vasoconstrição, o que aumenta ainda mais a resistência e diminui o fluxo sanguíneo para os vasos capilares irrigados por essa arteríola. Em contrapartida, o relaxamento do músculo liso das arteríolas provoca vasodilatação, que diminui a resistência e aumenta o fluxo sanguíneo para os vasos capilares. A mudança do diâmetro da arteríola pode afetar também a pressão arterial: a constrição das arteríolas aumenta a pressão arterial, e a dilatação das arteríolas diminui a pressão arterial. Capilares O capilar, o menor dos vasos sanguíneos, tem diâmetro de 5 a 10 μm, e forma as curvas em U que conectam o efluxo arterial ao retorno venoso (Figura 21.3). Como os eritrócitos têm um diâmetro de 8 μm, frequentemente precisam se dobrar sobre si mesmos a fim de passar em fila indiana pelos lumens desses vasos. Os capilares formam uma rede extensa, de aproximadamente 20 bilhões de vasos curtos (centenas de micrômetros de comprimento), ramificados e interconectados, que passam entre cada grupo de células do corpo. Esta rede constitui uma enorme área de superfície que entra em contato com as células do corpo. O fluxo do sangue de uma metarteríola para os capilares e para uma vênula póscapilar (vênula que recebe sangue de um capilar) é chamada microcirculação do corpo. A função primária dos capilares é a troca de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. Por causa disto, estes vasos de paredes finas são chamados vasos de troca. Capilares são encontrados perto de quase todas as células do corpo, mas seu número varia de acordo com a atividade metabólica do tecido irrigado. Os tecidos corporais com necessidades metabólicas elevadas, como os músculos, o encéfalo, o fígado, os rins e o sistema nervoso, usam mais O2 e nutrientes e, portanto, têm redes capilares extensas. Os tecidos com necessidades metabólicas mais baixas, como os tendões e os ligamentos, contêm menos capilares. Não há capilares em alguns tecidos, como todos os revestimentos e epitélios de revestimento, a córnea e a lente do olho, e a cartilagem. A estrutura dos capilares é bem adequada à sua função de vaso de troca e eles não têm túnica média nem túnica 1. 2. externa. Como as paredes dos capilares são compostas por apenas uma única camada de células endoteliais (ver Figura 21.1E) e uma membrana basal, uma substância do sangue precisa atravessar apenas uma camada de células para alcançar o líquido intersticial e as células teciduais. A troca de materiais ocorre apenas pelas paredes dos capilares e o início de vênulas; as paredes das artérias, das arteríolas, da maioria das vênulas e das veias constituem uma barreira muito espessa. Os capilares formam redes de ramificação extensas que aumentam a área de superfície disponível para a troca rápida de materiais. Na maioria dos tecidos, o sangue flui por apenas uma pequena parte da rede capilar quando as necessidades metabólicas são baixas. No entanto, quando um tecido está ativo, como um músculo em contração, toda a rede capilar se enche com sangue. Em todo o corpo, os capilares atuam como parte do leito capilar (Figura 21.3), uma rede de 10 a 100 capilares que emerge de uma única metarteríola. Em quase todo o corpo, o sangue flui por uma rede capilar de uma arteríola para uma vênula, como se segue: Capilares. Nesta via, o sangue flui de uma arteríola para os capilares e, em seguida, para as vênulas (vênulas pós capilares). Como observado anteriormente, nas junções entre a metarteríola e os capilares estão anéis de fibras musculares lisas chamadas esfíncteres précapilares, que controlam o fluxo sanguíneo nos capilares. Quando os esfíncteres précapilares estão relaxados (abertos), o sangue flui para os capilares (Figura 21.3A); quando os esfíncteres précapilares se contraem (se fecham parcial ou totalmente), o fluxo sanguíneo nos capilares cessa ou diminui (Figura 21.3B). Tipicamente, o sangue flui de modo intermitente pelos capilares por causa da contração e do relaxamento alternados da musculatura lisadas metarteríolas e dos esfíncteres précapilares. Esta contração e esse relaxamento intermitentes, que pode ocorrer de 5 a 10 vezes por minuto, é chamado vasomoção. Em parte, a vasomoção é decorrente de substâncias químicas liberadas pelas células endoteliais; o óxido nítrico é um exemplo. Em um dado momento, o sangue flui por aproximadamente apenas 25% dos capilares. Canal preferencial. A extremidade proximal de uma metarteríola está rodeada por fibras musculares lisas dispersas, cuja contração e relaxamento ajudam a regular o fluxo sanguíneo. A extremidade distal do vaso não tem músculo liso; assemelhase a um capilar e é chamado canal preferencial. Este canal oferece uma rota direta para o sangue de uma arteríola para uma vênula, sem passar pelos capilares. O corpo contém três tipos diferentes de capilares: capilares contínuos, capilares fenestrados e vasos sinusoides (Figura 21.4). A maioria dos capilares é de capilares contínuos, em que as membranas plasmáticas das células endoteliais formam um tubo contínuo, que é interrompido apenas por fendas intercelulares, lacunas entre células endoteliais vizinhas (Figura 21.4A). Os capilares contínuos são encontrados na parte central do sistema nervoso, nos pulmões, no tecido muscular e na pele. Outro tipo de capilar do corpo são os capilares fenestrados. As membranas plasmáticas das células endoteliais nesses capilares têm muitas fenestrações, pequenos poros com 70 a 100 nm de diâmetro (Figura 21.4B). Os capilares fenestrados são encontradas nos rins, nas vilosidades do intestino delgado, nos plexos corióideos dos ventrículos no encéfalo, nos processos ciliares dos olhos e na maioria das glândulas endócrinas. Os vasos sinusoides são mais largos e mais sinuosos do que os outros capilares. Suas células endoteliais têm fenestrações excepcionalmente grandes. Além de ter uma membrana basal incompleta ou ausente (Figura 21.4C), os vasos sinusoides têm fendas intercelulares muito grandes, que possibilitam que as proteínas e, em alguns casos, até mesmo as células do sangue passem de um tecido para a corrente sanguínea. Por exemplo, as células do sangue recémformadas entram na corrente sanguínea por meio dos vasos sinusoides da medula óssea. Além disso, os vasos sinusoides contêm células de revestimento especializadas que são adaptadas à função do tecido. Os vasos sinusoides do fígado, por exemplo, contêm células fagocíticas que removem bactérias e outros detritos do sangue. O baço, a adenohipófise e as glândulas paratireoides e suprarrenais também têm vasos sinusoides. Figura 21.4 Tipos de capilares. Os capilares são vasos sanguíneos microscópicos que ligam arteríolas e vênulas. Como as substâncias se movem através das paredes capilares? O sangue normalmente sai do coração e, em seguida, passa pelas artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias e, então, retorna ao coração. Em algumas partes do corpo, no entanto, o sangue passa de uma rede capilar para outra por meio de uma veia chamada veia porta. Esta circulação sanguínea é denominada sistema porta. O nome do sistema porta vem da localização do segundo capilar. Por exemplo, existem sistemas porta associados ao fígado (circulação porta hepática, ver Figura 21.28) e à hipófise (sistema portohipofisial; ver Figura 18.5). Vênulas Ao contrário de suas correspondentes arteriais de paredes espessas, as vênulas e veias têm paredes finas que não mantêm facilmente a sua forma. As vênulas drenam o sangue capilar e iniciam o fluxo de retorno do sangue de volta ao coração (ver Figura 21.3). Como observado anteriormente, as vênulas que primeiro recebem sangue dos capilares são chamadas vênulas pós capilares. Estas são as menores vênulas, e medem de 10 a 50 μm de diâmetro. Elas têm junções intercelulares pouco organizadas (os contatos endoteliais mais fracos são encontrados ao longo de toda a árvore vascular) e, portanto, são muito porosas. Atuam em importantes locais de troca de nutrientes e escórias metabólicas e emigração de leucócitos. Por esta razão, formam parte da unidade de troca microcirculatória, juntamente com os capilares. Conforme as vênulas póscapilares se afastam dos capilares, adquirem uma ou duas camadas de células musculares lisas dispostas circularmente. Estas vênulas musculares (50 a 200 μm) têm paredes mais espessas, através das quais a troca com o líquido intersticial não pode mais ocorrer. As paredes finas das vênulas póscapilares e musculares são os elementos mais distensíveis do sistema vascular; isso lhes possibilita expandir e servir como excelentes reservatórios de grandes volumes de sangue. Foram mensurados aumentos de 360% no volume de sangue nas vênulas póscapilares e musculares. Veias Enquanto as veias mostram alterações estruturais conforme aumentam de tamanho de pequeno para médio para grande, essas alterações não são tão evidentes como nas artérias. As veias, em geral, têm paredes muito finas em relação ao seu diâmetro total (a espessura média é menor do que 1/10 do diâmetro do vaso). Variam em tamanho de 0,5 mm de diâmetro nas pequenas veias a 3 cm nas grandes veias cava superior e cava inferior, que se conectam ao coração. Figura 21.5 Válvulas venosas. As válvulas das veias possibilitam que o sangue flua em uma direção única: ao coração. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter18.html#ch18fig5 Por que as válvulas são mais importantes nas veias do braço e da perna do que nas veias do pescoço? Embora as veias sejam compostas por, essencialmente, as mesmas três túnicas que as artérias, as espessuras relativas dessas túnicas são diferentes. A túnica íntima das veias é mais fina do que a das artérias; a túnica média das veias é muito mais fina do que a das artérias, com relativamente pouco músculo liso e fibras elásticas. A túnica externa das veias é a mais espessa e é composta por colágeno e fibras elásticas. As veias não têm a lâmina elástica interna ou externa encontrada nas artérias (ver Figura 21.1B). São distensíveis o suficiente para se adaptar às variações de pressão e ao volume de sangue que passa por elas, mas não são concebidas para suportar altas pressões. O lúmen de uma veia é maior do que o de uma artéria comparável, e as veias frequentemente parecem colabadas (achatadas) quando seccionadas. A ação de bombeamento do coração é um fator importante no deslocamento do sangue venoso de volta ao coração. A contração dos músculos esqueléticos dos membros inferiores também ajuda a impulsionar o retorno venoso para o coração (ver Figura 21.9). A pressão sanguínea média nas veias é consideravelmente mais baixa do que nas artérias. A diferença de pressão pode ser observada quando o sangue flui de um vaso seccionado. O sangue sai de uma veia seccionada em um fluxo lento e contínuo, mas jorra rapidamente de uma artéria seccionada. A maioria das diferenças estruturais entre as artérias e as veias reflete esta diferença de pressão. Por exemplo, as paredes das veias não são tão fortes quanto as das artérias. Muitas veias, especialmente as dos membros, também contêm válvulas, pregas finas de túnica íntima que formam válvulas semelhantes a abas. As válvulas da válvula se projetam para o lúmen, apontando para o coração (Figura 21.5). A baixa pressão arterial nas veias possibilita que o sangue que retorna ao coração desacelere ou até mesmo retorne; as válvulas auxiliam no retorno venoso impedindo o refluxo do sangue. O seio venoso é uma veia com uma parede endotelial fina que não tem músculo liso para alterar seu diâmetro. Em um seio venoso, o tecido conjuntivo denso circundante substitui as túnicas média e externa no fornecimento de suporte. Por exemplo, os seios venososdurais, que são apoiados pela duramáter, levam o sangue desoxigenado do encéfalo para o coração. Outro exemplo de um seio vascular é o seio coronário do coração (ver Figura 20.3C). Enquanto as veias seguem vias semelhantes às de suas artérias homólogas, elas diferem das artérias em diversas https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter20.html#ch20fig3 maneiras, além das estruturas de suas paredes. Em primeiro lugar, as veias são mais numerosas do que as artérias por vários motivos. Algumas veias formam pares e acompanham artérias musculares de médio a pequeno porte. Estes conjuntos duplos de veias escoltam as artérias e se conectam por canais venosos chamados veia anastomótica. As veias anastomóticas cruzam a artéria acompanhante formando “degraus” entre o par de veias (ver Figura 21.25C). A maior quantidade de pares de veia ocorre no interior dos membros. A camada subcutânea profunda à pele é outra fonte de veias. Estas veias, chamadas veias superficiais, atravessam a tela subcutânea desacompanhadas de artérias paralelas. Ao longo de seu curso, as veias superficiais formam pequenas conexões (anastomoses) com as veias profundas que estão entre os músculos esqueléticos. Estas conexões possibilitam a comunicação entre os fluxos sanguíneos profundo e superficial. O fluxo sanguíneo pelas veias superficiais varia de um local para outro no interior do corpo. No membro superior, as veias superficiais são muito mais espessas do que as veias profundas; atuam como as principais vias dos capilares do membro superior de volta ao coração. No membro inferior, o oposto é verdadeiro; as veias profundas atuam como as principais vias de retorno. Na verdade, as válvulas unidirecionais dos pequenos vasos anastomóticos possibilitam que o sangue passe das veias superficiais para as veias profundas, mas evitam que o sangue passe no sentido inverso. Esta anatomia tem importantes implicações no desenvolvimento das veias varicosas. Em alguns indivíduos, as veias superficiais são vistas como tubos azulados que passam sob a pele. Como o sangue venoso é vermelhoescuro, as veias parecem azuis porque suas paredes finas e os tecidos da pele absorvem os comprimentos de onda de luz vermelha, possibilitando que a luz azul passe para a superfície, onde as vemos como azuis. Um resumo das características distintivas dos vasos sanguíneos é apresentado na Tabela 21.1. TABELA 21.1 Características distintivas dos vasos sanguíneos. VASO SANGUÍNEO CALIBRE TÚNICA ÍNTIMA TÚNICA MÉDIA TÚNICA EXTERNA FUNÇÃO Artérias elásticas Maiores artérias do corpo. Lâmina elástica interna bem de nida. Espessa e dominada por bras elásticas; lâmina elástica externa bem de nida. Mais na do que a túnica média. Conduzem sangue do coração para as artérias musculares. Artérias musculares Artérias de médio porte. Lâmina elástica interna bem de nida. Espessa e dominada por músculo liso; lâmina elástica externa na. Mais espessa do que a túnica média. Distribuem sangue às arteríolas. Arteríolas Microscópico (15 a 300 μm de diâmetro). Fina com uma lâmina elástica interna fenestrada que desaparece distalmente. Uma ou duas camadas de músculo liso orientadas circularmente; as células do músculo liso mais distal formam um esfíncter pré- capilar. Tecido conjuntivo frouxo e nervos simpáticos. Fornecem sangue aos capilares e ajudam a regular o uxo sanguíneo das artérias para os capilares. Capilares Microscópico; menores vasos sanguíneos (5 a 10 μm de diâmetro). Endotélio e membrana basal. Ausente. Ausente. Possibilitam a troca de nutrientes e escórias metabólicas entre o sangue e o líquido intersticial; distribuem sangue para as vênulas pós-capilares. Vênulas Microscópico (10 a 50 μm de diâmetro). Endotélio e membrana basal. Ausente. Esparsa. Passam sangue para as vênulas musculares; possibilitam a troca de nutrientes e escórias metabólicas entre o sangue e o líquido intersticial e atuam na emigração de leucócitos. Vênulas musculares Microscópico (50 a 200 μm de diâmetro). Endotélio e membrana basal. Uma ou duas camadas de músculo liso orientadas circularmente. Esparsa. Passam sangue para a veia; atuam como reservatórios de grandes volumes de sangue (juntamente com as vênulas pós-capilares). Veias Varia de 0,5 mm a 3 cm de diâmetro. Endotélio e membrana basal; ausência de lâmina elástica interna; contêm válvulas; lúmen muito maior do que o da artéria acompanhante. Muito mais na do que nas artérias; lâmina elástica externa ausente. Mais espessa das três túnicas. Retornam o sangue ao coração, facilitado pelas válvulas das veias dos membros. Distribuição do sangue A maior parte do seu volume sanguíneo em repouso – cerca de 64% – está nas veias e vênulas sistêmicas (Figura 21.6). As artérias e arteríolas sistêmicas detêm cerca de 13% do volume de sangue, os capilares sistêmicos detêm cerca de 7%, os vasos sanguíneos pulmonares detêm cerca de 9%, e o coração detém cerca de 7%. Como as veias e vênulas sistêmicas contêm uma grande porcentagem do volume sanguíneo, funcionam como reservatórios de sangue a partir dos quais o sangue pode ser desviado rapidamente em caso de necessidade. Por exemplo, durante o aumento da atividade muscular, o centro cardiovascular no tronco encefálico envia mais impulsos simpáticos para as veias. O resultado é a venoconstrição, a constrição das veias, que reduz o volume de sangue nos reservatórios e possibilita que um maior volume sanguíneo flua para os músculos esqueléticos, onde é mais necessário. Um mecanismo semelhante atua em casos de hemorragia, quando o volume de sangue e a pressão diminuem; neste caso, a venoconstrição ajuda a neutralizar a queda da pressão sanguínea. Entre os principais reservatórios de sangue estão as veias dos órgãos abdominais (especialmente do fígado e do baço) e as veias da pele. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Varizes As válvulas venosas insu cientes podem fazer com que as veias se tornem dilatadas e retorcidas, uma condição chamada veias varicosas ou varizes. O singular é variz. A condição pode ocorrer em veias de quase qualquer parte do corpo, mas é mais comum no esôfago, no canal anal e nas veias super ciais dos membros inferiores. As varizes nos membros inferiores podem variar de problemas estéticos a condições clínicas graves. O defeito valvular pode ser congênito ou pode resultar de estresse mecânico ( car em pé por tempo prolongado ou gestação) ou envelhecimento. As válvulas venosas insu cientes possibilitam o re uxo do sangue das veias profundas para as menos e cientes veias super ciais, nas quais o sangue se acumula. Isso cria uma pressão que distende a veia e possibilita que o líquido vaze para o tecido circundante. Como resultado, a veia afetada e o tecido em torno dela podem se tornar in amados e dolorosos à palpação. As veias próximas da superfície das pernas, especialmente a veia safena, são muito suscetíveis às varicosidades; as veias mais profundas não são tão vulneráveis, porque os músculos esqueléticos circundantes evitam que suas paredes se distendam excessivamente. As varizes no canal anal são chamadas hemorroidas. As varizes esofágicas resultam de veias dilatadas nas paredes da parte inferior do esôfago e, às vezes, da parte superior do estômago. O sangramento de varizes esofágicas é potencialmente fatal e geralmente é decorrente de doença hepática crônica. Várias opções de tratamento estão disponíveis para as veias varicosas de membros inferiores. Meias elásticas (meias compressivas) podem ser utilizadas por indivíduos com sintomas leves ou para os quais outras opções não sejam recomendadas. A escleroterapia envolve a injeção de uma solução nas veias varicosas que dani ca a túnica íntima, induzindo trombo ebite super cial inofensiva (in amação envolvendo um coágulo de sangue). A cicatrização da parte dani cada leva à formação de tecido brótico que obstruia veia. A oclusão intravenosa por radiofrequência envolve a aplicação de energia de radiofrequência para aquecer e fechar as veias varicosas. A oclusão a laser utiliza terapia a laser para ocluir a veia. Em um procedimento cirúrgico chamado eboextração total, as veias são removidas. Neste procedimento, introduz-se um o exível na veia e, em seguida, puxa-se para retirá-lo (removê-lo) do corpo. Figura 21.6 Distribuição do sangue no sistema circulatório em repouso. Como as veias e vênulas sistêmicas contêm mais de 50% do volume sanguíneo total, são chamadas reservatórios de sangue. 1. 2. 3. 4. 5. 21.2 • Se o seu volume total de sangue for 5 ℓ, qual volume está em suas vênulas e veias agora? E em seus capilares? TESTE RÁPIDO Qual é a função das fibras elásticas e do músculo liso da túnica média das artérias? Qual a diferença entre as artérias elásticas e as artérias musculares? Que características estruturais dos capilares possibilitam a troca de materiais entre o sangue e as células do corpo? Qual é a diferença entre os reservatórios de pressão e os reservatórios de sangue? Qual é a importância de cada um deles? Qual é a relação entre as anastomoses e a circulação colateral? Troca capilar OBJETIVO Discutir as pressões que causam o movimento de líquidos entre os capilares e os espaços intersticiais. A missão de todo o sistema circulatório é manter o sangue fluindo pelos capilares para possibilitar a troca capilar, o movimento de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. Os 7% do sangue que estão nos capilares sistêmicos a qualquer momento estão continuamente trocando materiais com o líquido intersticial. As substâncias entram e saem dos capilares por três mecanismos básicos: difusão, transcitose e fluxo de massa. Difusão O método mais importante de troca capilar é a difusão simples. Muitas substâncias, como o oxigênio (O2), o dióxido de carbono (CO2), a glicose, os aminoácidos e os hormônios, entram e saem dos capilares por difusão simples. Como o O2 e os nutrientes normalmente estão presentes em concentrações mais elevadas no sangue, eles se difundem por gradiente de concentração para o líquido intersticial e, em seguida, para as células do corpo. O CO2 e outras escórias metabólicas liberadas pelas células do corpo são encontrados em maiores concentrações no líquido intersticial, de modo que se difundem para o sangue. Substâncias no sangue ou no líquido intersticial podem atravessar as paredes de um capilar por difusão por meio das fendas intercelulares ou fenestrações ou por difusão por meio das células endoteliais (ver Figura 21.4). Substâncias hidrossolúveis, como a glicose e os aminoácidos, atravessam as paredes capilares por meio das fendas intercelulares ou fenestrações. Materiais lipossolúveis, como o O2, o CO2 e os hormônios esteroides, podem cruzar as paredes capilares diretamente pela bicamada lipídica da membrana plasmática das células endoteliais. A maioria das proteínas plasmáticas e eritrócitos não consegue atravessar as paredes capilares dos capilares contínuos e fenestrados, porque são muito grandes para caber nas fendas intercelulares e fenestrações. Nos vasos sinusoides, no entanto, as fendas intercelulares são tão grandes que possibilitam que até mesmo proteínas e células do sangue atravessem suas paredes. Por exemplo, os hepatócitos sintetizam e liberam muitas proteínas plasmáticas, como o fibrinogênio (a principal proteína de coagulação) e a albumina. Estas então se difundem para a corrente sanguínea por meio dos vasos sinusoides. Na medula óssea, as células do sangue são formadas (hematopoese) e, em seguida, entram na corrente sanguínea por meio dos vasos sinusoides. Ao contrário dos vasos sinusoides, os capilares do encéfalo possibilitam que apenas algumas substâncias atravessem suas paredes. A maior parte das áreas do encéfalo contêm capilares contínuos; no entanto, estes capilares são muito “apertados”. As células endoteliais da maioria dos capilares do encéfalo são mantidas unidas por junções apertadas. O resultante bloqueio ao deslocamento de substâncias para dentro e para fora dos capilares encefálicos é conhecido como barreira hematencefálica (ver Seção 14.1). Nas áreas do encéfalo que não apresentam barreira hematencefálica, como por exemplo o hipotálamo, a glândula pineal e a hipófise, há troca capilar mais livre. Transcitose Uma pequena quantidade de material atravessa as paredes capilares por transcitose. Neste processo, as substâncias do plasma sanguíneo são englobadas por minúsculas vesículas pinocíticas que primeiro entram nas células endoteliais por endocitose, atravessamna e saem do outro lado por exocitose. Este método de transporte é importante, principalmente para grandes moléculas insolúveis em lipídios que não conseguem atravessar as paredes capilares de outro modo. Por exemplo, o hormônio insulina (uma pequena proteína) entra na corrente sanguínea por transcitose e determinados anticorpos (proteínas) passam da circulação materna para a circulação fetal por transcitose. Fluxo de massa | Filtração e reabsorção O fluxo de massa é um processo passivo em que uma grande quantidade de íons, moléculas ou partículas em um líquido se move em conjunto, no mesmo sentido. As substâncias se movem muito mais rapidamente do que pode ser explicado somente pela difusão. O fluxo de massa ocorre a partir de uma área de alta pressão para uma zona de pressão mais baixa, e continua desde que exista uma diferença de pressão. A difusão é mais importante para a troca de solutos entre o sangue e o líquido intersticial, mas o fluxo de massa é mais importante para a regulação dos volumes relativos de sangue e líquido intersticial. O movimento impulsionado pela pressão de líquidos e solutos dos capilares sanguíneos para o líquido intersticial é chamado filtração. O movimento impulsionado pela pressão do líquido intersticial para os capilares sanguíneos é chamado reabsorção. Duas pressões promovem a filtração: a pressão hidrostática do sangue (PHS), a pressão produzida pela ação de bombeamento do coração, e a pressão osmótica do líquido intersticial. A principal pressão para a promoção da reabsorção de líquido é a pressão coloidosmótica do sangue. O saldo dessas pressões, chamado pressão de filtração efetiva (PFE), determina se os volumes de sangue e líquido intersticial permanecem estáveis ou se alteram. Em geral, o volume de líquidos e solutos normalmente reabsorvidos é quase tão grande quanto o volume filtrado. Este equilíbrio próximo é conhecido como lei de Starling dos capilares. Vamos ver como estas pressões hidrostática e osmótica se equilibram. Dentro de vasos, a pressão hidrostática é decorrente da pressão que a água no plasma sanguíneo exerce contra as paredes dos vasos sanguíneos. A pressão hidrostática do sangue (PHS) é de cerca de 35 milímetros de mercúrio (mmHg) na extremidade arterial do capilar, e de cerca de 16 mmHg na extremidade venosa do capilar (Figura 21.7). A PHS “empurra” o líquido para fora dos capilares para o líquido intersticial. A pressão contrária do líquido intersticial, chamada pressão hidrostática do líquido intersticial (PHLI), “empurra” o líquido dos espaços intersticiais de volta para os capilares. No entanto, a PHLI está perto de zero. (A PHLI é difícil de medir, e seus valores relatados variam de pequenos valores positivos a pequenos valores negativos.) Para a nossa discussão, assumimos que PHLI é igual a 0 mmHg ao longo dos capilares. A diferença na pressão osmótica na parede de um capilar é quase inteiramente decorrente da presença de proteínas plasmáticas no sangue, que são demasiadamente grandes para passaratravés das fenestrações e lacunas entre as células endoteliais. A pressão coloidosmótica do sangue (PCS) é uma força causada pela suspensão coloidal destas grandes proteínas plasmáticas, medindo em média 26 mmHg na maioria dos capilares. O efeito da PCS é “puxar” o líquido dos espaços intersticiais para os capilares. Em oposição à PCS está a pressão osmótica do líquido intersticial (POLI), que “puxa” o líquido para fora dos capilares em direção ao líquido intersticial. Normalmente, a POLI é muito pequena – 0,1 a 5 mmHg – porque apenas pequenas quantidades de proteínas estão presentes no líquido intersticial. A pequena quantidade de proteína que vaza do plasma sanguíneo para o líquido intersticial não se acumula lá, porque passa para a linfa nos capilares linfáticos e, por fim, é devolvida ao sangue. Para a discussão, podemos considerar um valor de 1 mmHg para a POLI. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14-1 • Figura 21.7 Dinâmica da troca capilar (lei de Starling dos capilares). O excesso de líquido filtrado drena para os capilares linfáticos. A pressão hidrostática do sangue “empurra” o líquido para fora dos capilares (filtração) e a pressão coloidosmótica do sangue puxa o líquido para os capilares (reabsorção). Uma pessoa que sofre de insuficiência hepática não consegue sintetizar uma quantidade normal de proteínas plasmáticas. Como o déficit de proteínas plasmáticas afeta a pressão coloidosmótica do sangue e qual é o efeito sobre a troca capilar? CORRELAÇÃO CLÍNICA | Edema Se a ltração excede em muito a reabsorção, o resultado é o edema, um aumento anormal no volume de líquido intersticial. O edema geralmente não é detectável nos tecidos até que o volume de líquido intersticial tenha aumentado 30% acima do normal. O edema pode ser decorrente do excesso de ltração ou da reabsorção inadequada. Duas situações podem causar a ltração em excesso: O aumento da pressão do sangue capilar faz com que mais líquido seja ltrado dos capilares • • 6. 7. 8. 21.3 • • • • O aumento da permeabilidade dos capilares aumenta a pressão osmótica do líquido intersticial, possibilitando o vazamento de algumas proteínas plasmáticas. Este vazamento pode ser causado por efeitos destrutivos de agentes químicos, bacterianos, térmicos ou mecânicos sobre as paredes dos capilares. Uma situação que comumente causa reabsorção inadequada: A diminuição da concentração de proteínas plasmáticas reduz a pressão coloidosmótica do sangue. A síntese ou ingestão inadequada ou a perda de proteínas plasmáticas estão associadas a doenças hepáticas, queimaduras, desnutrição (p. ex., kwashiorkor; ver Distúrbios | Desequilíbrios homeostáticos no Capítulo 25) e doença renal. O fato de o líquido sair ou entrar no capilar depende do equilíbrio das pressões. Se as pressões que empurram o líquido para fora dos capilares excedem as pressões que puxam o líquido para os capilares, o líquido se move dos capilares para os espaços intersticiais (filtração). Se, no entanto, as pressões que empurram o líquido para fora dos espaços intersticiais para os capilares ultrapassam as pressões que puxam o líquido para fora dos capilares, então o líquido vai passar dos espaços intersticiais para os capilares (reabsorção). A pressão de filtração efetiva (PFE), que indica o sentido da circulação do líquido, é calculada como se segue: Na extremidade arterial de um capilar, PFE = (35 +1) mmHg – (26 + 0) mmHg = 36 – 26 mmHg = 10 mmHg Assim, na extremidade arterial de um capilar, existe uma pressão efetiva externa de 10 mmHg, e o líquido se move do capilar para os espaços intersticiais (filtração). Na extremidade venosa de um capilar, PFE = (16 + 1) mmHg = – (26 + 0) mmHg = 17 – 26 mmHg = –9 mmHg Na extremidade venosa de um capilar, o valor negativo (– 9 mmHg) representa uma pressão efetiva para dentro, e o líquido se move dos espaços teciduais (reabsorção) para o capilar. Em média, cerca de 85% do líquido filtrado para fora dos capilares é reabsorvido. O excesso de líquido filtrado e as poucas proteínas plasmáticas que escapam do sangue para o líquido intersticial entram nos capilares linfáticos (ver Figura 22.2). Como a linfa drena para a junção das veias jugular e subclávia no tórax superior (ver Figura 22.3), estes materiais retornam para o sangue. Todos os dias, cerca de 20 ℓ de líquido são filtrados para fora dos capilares em direção aos tecidos em todo o corpo. Deste total, 17 ℓ são reabsorvidos e 3 ℓ entram nos capilares linfáticos (excluindo a filtração durante a formação da urina). TESTE RÁPIDO Como as substâncias podem entrar e sair do plasma sanguíneo? Como as pressões hidrostática e osmótica determinam o movimento de líquidos através das paredes dos capilares? Defina edema e descreva como ele se desenvolve. Hemodinâmica | Fatores que afetam o 쬇�uxo sanguíneo OBJETIVOS Explicar os fatores que regulam o volume do fluxo sanguíneo Explicar como a pressão arterial se altera ao longo do sistema circulatório Descrever os fatores que determinam a pressão arterial média e a resistência vascular sistêmica Descrever a relação entre a área da seção transversa e a velocidade do fluxo sanguíneo. O fluxo sanguíneo é o volume de sangue que flui através de qualquer tecido em um determinado período de tempo (em mℓ/min). O fluxo sanguíneo total é o débito cardíaco (DC), o volume de sangue que circula através dos vasos sanguíneos sistêmicos (ou pulmonares) por minuto. No Capítulo 20, vimos que o débito cardíaco depende da frequência cardíaca e do https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter25.html https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html#ch22fig2 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html#ch22fig3 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter20.html volume sistólico: débito cardíaco (DC) = frequência cardíaca (FC) × volume sistólico (VS). O modo como o débito cardíaco é distribuído nas vias circulatórias que irrigam os vários tecidos do corpo depende de dois outros fatores: (1) da diferença de pressão que conduz o fluxo sanguíneo por um tecido e (2) da resistência ao fluxo sanguíneo em vasos sanguíneos específicos. O sangue flui de regiões de maior pressão para regiões de menor pressão; quanto maior a diferença de pressão, maior for o fluxo sanguíneo. Mas quanto maior a resistência, menor o fluxo sanguíneo. Pressão arterial Como você acabou de ver, o sangue flui de regiões de maior pressão para regiões de menor pressão; quanto maior a diferença de pressão, maior for o fluxo sanguíneo. A contração dos ventrículos produz a pressão arterial (PA), a pressão hidrostática exercida pelo sangue nas paredes de um vaso sanguíneo. A PA é determinada pelo débito cardíaco (ver Seção 20.5), volume de sangue e resistência vascular (descrita sucintamente). A PA é mais alta na aorta e nas grandes artérias sistêmicas; em um adulto jovem em repouso, a PA sobe para cerca de 110 mmHg durante a sístole (contração ventricular) e cai para cerca de 70 mmHg durante a diástole (relaxamento ventricular). A pressão arterial sistólica (PAS) é a maior pressão alcançada nas artérias durante a sístole e a pressão arterial diastólica (PAD) é a pressão arterial mais baixa durante a diástole (Figura 21.8). Conforme o sangue sai da aorta e flui ao longo da circulação sistêmica, sua pressão cai progressivamente à medida que a distância do ventrículo esquerdo aumenta. A pressão arterial diminui para cerca de 35 mmHg conforme o sangue passa das artérias sistêmicas para as arteríolas sistêmicas e para os capilares, onde as flutuações de pressão desaparecem. Na extremidade venosa dos capilares, a pressão sanguínea caiu para cerca de 16 mmHg. A pressão sanguínea continuacaindo conforme o sangue entra nas vênulas sistêmicas e então nas veias, porque esses vasos estão mais distantes do ventrículo esquerdo. Por fim, a pressão sanguínea alcança 0 mmHg quando o sangue flui para o ventrículo direito. Figura 21.8 Pressões sanguíneas em várias partes do sistema circulatório. A linha pontilhada é a pressão sanguínea média na aorta, artérias e arteríolas. A pressão arterial sobe e desce a cada contração cardíaca nos vasos sanguíneos que levam aos capilares. A pressão arterial média na aorta está mais próxima da pressão sistólica ou diastólica? O valor da pressão arterial média (PAM), a pressão sanguínea média nas artérias, pode ser estimado como se segue: https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter20.html#ch20-5 1. 2. 3. PAM = PA diastólica + 1/3 (PA sistólica – PA diastólica) Assim, em uma pessoa cuja PA é 110/70 mmHg, a PAM é de cerca de 83 mmHg [70 + 1/3 (110 – 70)]. Já vimos que o débito cardíaco é igual à frequência cardíaca multiplicada pelo volume sistólico. Outro modo de calcular o débito cardíaco é dividir a pressão arterial média (PAM) pela resistência (R): DC = PAM/R. Reorganizando os termos desta equação, você pode ver que PAM = DC × R. Se o débito cardíaco aumenta em decorrência de aumento no volume sistólico ou frequência cardíaca, então a PAM aumenta desde que a resistência permaneça constante. Do mesmo modo, uma diminuição no débito cardíaco provoca redução da PAM, se a resistência não mudar. A pressão arterial também depende do volume total de sangue no sistema circulatório. O volume sanguíneo normal em um adulto é de cerca de 5 ℓ. Qualquer diminuição neste volume, como por hemorragia, diminui o volume de sangue que circula pelas artérias a cada minuto. Uma modesta diminuição pode ser compensada por mecanismos homeostáticos que ajudam a manter a pressão sanguínea (descritos na Seção 21.4), mas se a diminuição no volume de sangue for maior do que 10% do total, a pressão arterial diminui. Por outro lado, tudo o que aumenta o volume de sangue, como a retenção de água no organismo, tende a aumentar a pressão sanguínea. Resistência vascular Como observado anteriormente, a resistência vascular é a oposição ao fluxo sanguíneo em decorrência do atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. A resistência vascular depende (1) do tamanho do lúmen do vaso sanguíneo (2), da viscosidade do sangue e (3) do comprimento total dos vasos sanguíneos. Tamanho do lúmen. Quanto menor o lúmen de um vaso sanguíneo, maior é a sua resistência ao fluxo sanguíneo. A resistência é inversamente proporcional diâmetro (d) do lúmen do vaso sanguíneo elevado à quarta potência (R ∝ 1/d4). Quanto menor o diâmetro do vaso sanguíneo, maior a resistência que ele oferece ao fluxo sanguíneo. Por exemplo, se o diâmetro de um vaso sanguíneo diminui pela metade, a sua resistência ao fluxo sanguíneo aumenta 16 vezes. A vasoconstrição estreita o lúmen, e a vasodilatação o amplia. Normalmente, as flutuações instantâneas no fluxo sanguíneo em um dado tecido são decorrentes da vasoconstrição e vasodilatação das arteríolas do tecido. Conforme as arteríolas se dilatam, a resistência diminui, e a pressão arterial cai. Conforme as arteríolas se contraem, a resistência aumenta, e a pressão arterial sobe. Viscosidade do sangue. A viscosidade do sangue depende principalmente da proporção de eritrócitos em relação ao volume de plasma (líquido) e, em menor grau, da concentração de proteínas no plasma. Quanto maior a viscosidade do sangue, maior a resistência. Qualquer condição que aumente a viscosidade do sangue, como desidratação ou policitemia (contagem anormalmente elevada de eritrócitos), portanto, aumenta a pressão sanguínea. A depleção de proteínas plasmáticas e eritrócitos em decorrência da anemia ou hemorragia diminui a viscosidade e, assim, reduz a pressão sanguínea. Comprimento total dos vasos sanguíneos. A resistência ao fluxo sanguíneo em um vaso é diretamente proporcional ao comprimento deste vaso. Quanto mais longo o vaso, maior a resistência. As pessoas obesas frequentemente têm hipertensão arterial (pressão arterial elevada) porque os vasos sanguíneos adicionais em seu tecido adiposo aumentam o comprimento total de seus vasos sanguíneos. Estimase que se desenvolvam 650 km de vasos sanguíneos adicionais por cada quilograma adicional de gordura. A resistência vascular sistêmica (RVS), também conhecida como resistência periférica total (RPT), referese a todas as resistências vasculares oferecidas pelos vasos sanguíneos sistêmicos. Os diâmetros das artérias e veias são grandes, de modo que sua resistência é muito pequena, porque a maior parte do sangue não entra em contato físico com as paredes do vaso sanguíneo. Os vasos menores – arteríolas, capilares e vênulas – contribuem com a maior parte da resistência. Uma função principal das arteríolas é controlar a RVS – e, por conseguinte, a pressão sanguínea e o fluxo sanguíneo para tecidos específicos – alterando seus diâmetros. As arteríolas precisam vasodilatar ou vasocontrair apenas um pouco para ter um grande efeito sobre a RVS. O principal centro de regulação da RVS é o centro vasomotor no tronco encefálico (descrito a seguir). Retorno venoso O retorno venoso, o volume de sangue que flui de volta ao coração pelas veias sistêmicas, é consequente à pressão produzida pelo ventrículo esquerdo por meio das contrações do coração. Embora pequena, a diferença de pressão entre as vênulas (em média de aproximadamente 16 mmHg) e o ventrículo direito (0 mmHg) normalmente é suficiente para provocar o retorno venoso para o coração. Se a pressão no átrio ou ventrículo direito aumentar, o retorno venoso irá • • • • diminuir. Uma das causas do aumento da pressão no átrio direito é uma valva atrioventricular direita incompetente (com extravasamento), que possibilita a regurgitação (refluxo) de sangue quando os ventrículos se contraem. O resultado é a diminuição no retorno venoso e o acúmulo de sangue no lado venoso da circulação sistêmica. Ao ficar em pé, por exemplo, no final de uma palestra de anatomia e fisiologia, a pressão que empurra o sangue para cima nas veias de seus membros inferiores é apenas suficiente para vencer a força da gravidade que empurra o sangue de volta para baixo. Além do coração, dois outros mecanismos “bombeiam” o sangue da parte inferior do corpo de volta ao coração: (1) a bomba de músculo esquelético e (2) a bomba respiratória. Ambas as bombas dependem das válvulas existentes nas veias. A bomba de músculo esquelético funciona do seguinte modo (Figura 21.9): Na posição ortostática, tanto as válvulas venosas mais próximas do coração (válvulas proximais) quanto aquelas mais distantes (válvulas distais) nesta parte do membro inferior estão abertas, e o sangue flui para cima em direção ao coração. A contração dos músculos das pernas, como quando você fica na ponta dos pés ou dá um passo, comprime a veia. A compressão empurra o sangue através da válvula proximal, em uma ação chamada ordenha. Ao mesmo tempo, a válvula distal do segmento não comprimido se fecha conforme um pouco de sangue é empurrado contra ela. As pessoas que estão imobilizadas em decorrência de uma lesão ou doença não têm essas contrações de músculos da perna. Como resultado, seu retorno venoso é mais lento e elas podem desenvolver problemas de circulação. Logo após o relaxamento muscular, a pressão cai na seção previamente comprimida da veia, o que faz com que a válvula proximal se feche. A válvula distal agora se abre porque a pressão arterial no pé está mais elevada do que na perna, e a veiase enche com o sangue que vem do pé. A válvula proximal então reabre. A bomba respiratória também é baseada na compressão e descompressão alternadas das veias. Durante a inspiração, o diafragma se move para baixo, o que provoca uma diminuição da pressão na cavidade torácica e um aumento da pressão na cavidade abdominal. Como resultado, as veias abdominais são comprimidas, e um maior volume de sangue se move das veias abdominais comprimidas para as veias torácicas não comprimidas e então para dentro do átrio direito. Quando as pressões se invertem durante a expiração, as válvulas das veias evitam o refluxo do sangue das veias torácicas para as veias abdominais. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Síncope A síncope, ou desmaio, é uma perda súbita e temporária da consciência não decorrente de traumatismo cranioencefálico, seguida por recuperação espontânea. É mais comumente ocasionada por isquemia cerebral, falta de uxo sanguíneo su ciente para o encéfalo. A síncope pode ocorrer por vários motivos: A síncope vasodepressora é decorrente de estresse emocional súbito ou uma lesão real, possível ou imaginária A síncope situacional é causada por estresse por pressão associada a incontinência urinária e fecal, ou tosse intensa A síncope induzida por fármacos pode ser causada por anti‐hipertensivos, diuréticos, vasodilatadores e ansiolíticos A hipotensão ortostática, uma diminuição excessiva da pressão arterial que ocorre ao car em pé, pode causar desmaios. Figura 21.9 Ação da bomba de músculo esquelético em retornar o sangue ao coração. A ordenha referese às contrações do músculo esquelético que impulsionam o sangue venoso para o coração. Além das contrações cardíacas, que mecanismos atuam como bombas para aumentar o retorno venoso? A Figura 21.10 resume os fatores que elevam a pressão arterial por intermédio do aumento do débito cardíaco ou da resistência vascular sistêmica. Velocidade do 胱岒uxo sanguíneo Anteriormente, vimos que o fluxo sanguíneo é o volume de sangue que flui em qualquer tecido em um determinado período de tempo (em m ℓ /min). A velocidade do fluxo sanguíneo (em cm/s) é inversamente proporcional à área de seção transversa. A velocidade é menor quando a área de seção transversa total é maior (Figura 21.11). Cada vez que uma artéria se ramifica, a área de seção transversa total de todos os seus ramos é maior do que a área de seção transversa do vaso original, de modo que o fluxo sanguíneo se torna mais e mais lento conforme o sangue se distancia do coração, e é mais lento nos capilares. Por outro lado, quando as vênulas se unem para formar veias, a área de seção transversa total se torna menor e o fluxo se torna mais rápido. No adulto, a área da seção transversa da aorta é de apenas 3 a 5 cm2, e a velocidade média do sangue lá é de 40 cm/s. Nos capilares, a área de seção transversa total é de 4.500 a 6.000 cm2, e a velocidade do fluxo sanguíneo é inferior a 0,1 cm/s. Nas duas veias cava combinadas, a área de seção transversa é de cerca de 14 cm2, e a velocidade é de cerca de 15 cm/s. Assim, a velocidade do fluxo sanguíneo diminui à medida que o sangue flui da aorta para as artérias para as arteríolas para os capilares, e aumenta à medida que o sangue deixa os capilares e retorna ao coração. O fluxo relativamente lento nos capilares auxilia na troca de materiais entre o sangue e o líquido intersticial. Figura 21.10 Resumo dos fatores que aumentam a pressão arterial. As alterações dispostas nos boxes verdes aumentam o débito cardíaco; as alterações dispostas nos boxes azuis aumentam a resistência vascular sistêmica. Aumentos do débito cardíaco e da resistência vascular sistêmica provocam elevação da pressão arterial média. Que tipo de vaso sanguíneo exerce o maior controle sobre a resistência vascular sistêmica, e como se dá esse controle? Figura 21.11 Correlação entre a velocidade do fluxo sanguíneo e a área de seção transversa total nos diferentes tipos de vasos sanguíneos. O fluxo sanguíneo é mais lento nos capilares porque eles têm a maior área total de seção transversa. Em qual vaso o fluxo sanguíneo é mais rápido? O tempo de circulação é o período de tempo necessário para uma gota de sangue passar do átrio direito para a circulação pulmonar, voltar ao átrio esquerdo pela circulação sistêmica em direção ao pé e retornar novamente ao átrio direito. Em uma pessoa em repouso, o tempo de circulação normalmente é de aproximadamente 1 min. 9. 10. 11. 12. 21.4 • TESTE RÁPIDO Explique como a pressão arterial e a resistência determinam o volume do fluxo sanguíneo. O que é resistência vascular sistêmica e quais fatores contribuem para ela? Como é realizado o retorno do sangue venoso ao coração? Porque a velocidade do fluxo sanguíneo é maior nas artérias e veias do que nos capilares? Controle da pressãoe do 쬇�uxo sanguíneo OBJETIVO Descrever como a pressão sanguínea é regulada. Vários sistemas de feedback negativo interligados controlam a pressão arterial por meio do ajuste do ritmo cardíaco, do volume sistólico, da resistência vascular sistêmica e do volume de sangue. Alguns sistemas possibilitam ajustes rápidos para lidar com mudanças bruscas, como a queda da pressão sanguínea no encéfalo que ocorre quando a pessoa levanta da cama; outros agem mais lentamente para fornecer a regulação a longo prazo da pressão sanguínea. O corpo também pode exigir ajustes na distribuição do fluxo sanguíneo. Durante o exercício, por exemplo, maior porcentagem do fluxo sanguíneo total é desviada para os músculos esqueléticos. Papel do centro cardiovascular No Capítulo 20, descreveuse como o centro cardiovascular (CV) no bulbo ajuda a regular a frequência cardíaca e o volume sistólico. O centro CV também controla sistemas de feedback negativo neurais, hormonais e locais que regulam a pressão e fluxo sanguíneo a tecidos específicos. Grupos de neurônios espalhados no centro CV regulam a frequência cardíaca, a contratilidade (força de contração) dos ventrículos e o diâmetro dos vasos sanguíneos. Alguns neurônios estimulam o coração (centro cardioestimulatório); outros inibem o coração (centro cardioinibitório). Outros, ainda, controlam o diâmetro dos vasos sanguíneos, causando constrição (centro vasoconstritor) ou dilatação (centro vasodilatador); esses neurônios são chamados coletivamente de centro vasomotor. Como os neurônios do centro CV se comunicam um com o outro, atuam em conjunto, e não estão claramente separados anatomicamente, discutiremos eles aqui como um grupo. O centro cardiovascular recebe informações das regiões superiores do encéfalo e dos receptores sensitivos (Figura 21.12). Os impulsos nervosos descem do córtex cerebral, sistema límbico e hipotálamo para afetar o centro cardiovascular. Por exemplo, mesmo antes de começar uma corrida, sua frequência cardíaca pode aumentar em decorrência dos impulsos nervosos transmitidos do sistema límbico ao centro CV. Se a sua temperatura corporal aumentar durante uma corrida, o hipotálamo envia impulsos nervosos para o centro CV. A resultante dilatação dos vasos sanguíneos da pele possibilita que o calor se dissipe mais rapidamente pela superfície da pele. Os três tipos principais de receptores sensitivos que fornecem informações ao centro cardiovascular são os proprioceptores, os barorreceptores e os quimiorreceptores. Os proprioceptores monitoram os movimentos das articulações e músculos e fornecem informações ao centro cardiovascular durante a atividade física. Sua atividade é responsável pelo rápido aumento da frequência cardíaca no início do exercício. Os barorreceptores monitoram as alterações na pressão e distendem as paredes dos vasos sanguíneos, e os quimiorreceptores monitoram a concentração de vários produtos químicos no sangue. Os estímulos do centro cardiovasculardeslocamse ao longo dos neurônios simpáticos e parassimpáticos do SNA (Figura 21.12). Os impulsos simpáticos chegam ao coração pelos nervos aceleradores cardíacos. Um aumento na estimulação simpática eleva a frequência cardíaca e a contratilidade, enquanto a diminuição da estimulação simpática reduz a frequência e a contratilidade cardíacas. Estímulos parassimpáticos, transmitidos pelos nervos vagos (X), diminuem a frequência cardíaca. Assim, influências simpáticas (estimuladoras) e parassimpáticas (inibidoras) opostas controlam o coração. Figura 21.12 Localização e função do centro cardiovascular (CV) no bulbo. O centro CV recebe informações dos centros superiores do encéfalo, de proprioceptores, de barorreceptores e de quimiorreceptores. Em seguida, fornece estímulos às partes simpática e parassimpática da divisão autônoma do sistema nervoso (SNA). O centro cardiovascular é a principal região de regulação do sistema nervoso do coração e dos vasos sanguíneos. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter20.html 21 Sistema Circulatório | Vasos Sanguíneos e Hemodinâmica