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www.princexml.com Prince - Personal Edition This document was created with Prince, a great way of getting web content onto paper. Nutrição aplicada ao esporte Estratégias nutricionais que favorecem o desempenho em diferentes modalidades Monise Viana Abranches 1ª Edição 2012 EXPEDIENTE Pesquisa de conteúdo Ceres Matos Della Lucia Produção editorial e Revisão final Adelson Marques Canudo Assistência editorial Adriana Lopes Peixoto CRN9 - 9521 Capa e Produção gráfica Peter Pereira Imagens antropométricas Mariana Braga Neves CRN9 - 2000100325 Edição ortográfica e textual Éverton Oliveira Coordenação de projeto para mídia digital Rafael da Silva Carrasco Coordenação geral Adelson Marques Canudo Luiz Eduardo Ferreira Fontes Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte deste livro eletrônico poderá ser reproduzida total ou par- cialmente sem autorização prévia da A.S. Sistemas. Nutrição aplicada ao esporte ISBN nº: 978-85-65880-04-6 Nutricionista Monise Vi- ana Abranches CRN9 - 6925 A.S. Sistemas Rua Professor Carlos Schlottfeld, casa 10 – Clélia Bernardes – Viçosa – MG – CEP 36570-000 Tel: (31) 3892 7700 site: www.assistemas.com.br 4/172 Sumário Nutrição aplicada ao esporte Módulo I 1 Conceitos relacionados à nutrição Digestão e absorção Transporte Excreção 2 Conceitos relacionados à nutrição aplicada ao esporte Considerações importantes da nutrição esportiva Nutrição aplicada ao esporte Objetivos da nutrição esportiva 3 Praticantes de atividade física devem ingerir alimentos especiais? 4 Como a dieta pode influenciar a atividade física? Premissas da nutrição saudável voltada ao desempenho físico Desconfortos pré-competição e durante a competição Fatores que são associados ao desconforto 5 Objetivos da adequação calórica 6 Componentes do gasto energético Taxa metabólica basal Termogênese induzida pela dieta Efeito térmico da atividade física 7 Metabolismo e sistemas energéticos básicos Energia para a atividade celular Fontes energéticas Módulo 2 8 Ressíntese de ATP: esporte e produção de energia Tipos de exercício e utilização de nutrientes As fibras musculares e a ressíntese de ATP Influência dos nutrientes da dieta Influência do treinamento 9 Cálculo das necessidades energéticas no exercício A unidade Como se expressa o gasto energético do metabolismo de exercício Estimativa do gasto energético na atividade física 10 Nutrientes energéticos I: os carboidratos Funções dos carboidratos A importância dos carboidratos no exercício 11 Os carboidratos podem influenciar a atividade física? Você se lembra como calcular as calorias dos alimentos? Carboidratos vs. exercícios: existem estratégias a serem seguidas? Consumo de carboidrato antes do exercício Dieta de supercompensação do glicogênio muscular Esquema da dieta de supercompensação do glicogênio muscular Ação nutricional antes de começar a atividade em linhas gerais Ação nutricional 60 minutos antes de iniciar a atividade Ingestão de carboidratos durante o exercício Ingestão de carboidratos após o exercício 12 Índice glicêmico e exercício físico 13 Nutrientes energéticos II: lipídios e exercícios Papel dos lipídios no organismo Dinâmica das gorduras no exercício 14 Nutrientes energéticos III: proteínas e exercício Reservas de proteínas Proteínas/aminoácidos plasmáticos Proteína muscular Proteína visceral Ingestão de proteína Suplementação com proteína 6/172 Módulo 3 15 A importância dos minerais e da água na prática esportiva Sódio Potássio e cloreto Cálcio Fósforo, ferro e zinco Água 16 A importância das vitaminas na prática esportiva Alguns achados sobre a suplementação vitamínica Radicais livres e antioxidantes 17 Sudorese e reposição hídrica: o uso dos isotônicos Sudorese Condições que influenciam a temperatura corporal e levam à desidratação A hidratação pode limitar o desempenho? Cuidados especiais Recomendações de reposição de líquidos Os isotônicos 18 Suplementos alimentares para atletas Proteínas Aminoácidos Creatina Beta-hidroxi-beta-metilbutirato L-carnitina Ácido linoleico conjugado (CLA) 19 Atendimento nutricional do atleta 1ª Etapa - avaliação do consumo alimentar 2ª Etapa - avaliação da composição corporal 3ª Etapa - solicitação e análise de exames bioquímicos 4ª Etapa - elaboração do planejamento alimentar - etapas 20 Referências bibliográficas 21 Glossário 22 Apêndice 7/172 Estudo de caso 1 Estudo de caso 2 8/172 INTRODUÇÃO A performance dos atletas vem aumentando gradativamente. Exemplo disso pode ser observado durante as Olimpíadas; os sucess- ivos recordes alcançados por esportistas de todas as áreas mostram claramente o maior preparo físico. Adicionalmente, deparamo-nos com a crescente busca de uma melhor qualidade de vida e do “corpo perfeito” por grande parte das pessoas que praticam atividades físicas. Não há dúvidas de que o tipo, a quantidade, a composição e a frequên- cia de ingestão alimentar podem afetar drasticamente o desempenho físico, a recuperação após o exercício, o peso e a composição corporal e, por conseguinte, a saúde. Associadas ao sucesso de talentosos esportistas estão a ciência da nutrição e a ciência e tecnologia dos alimentos, as quais têm col- aborado para o alcance de resultados. Mas deve-se ressaltar que quando esses instrumentos são utilizados de forma inadequada podem levar a condições patológicas para as quais o exercício regular exerce importantes contribuições positivas. Diante disso, o objetivo desta obra é apresentar os princípios que norteiam a nutrição aplicada ao esporte e as estratégias nutricion- ais que favorecem o bom desempenho nas diversas modalidades, se- jam elas de competição ou não. Monise Viana Abranches Módulo 1 Nutrição, metabolismo e componentes do gasto energético 1 Conceitos relacionados à nutrição Iniciaremos o conteúdo relembrando alguns conceitos que muito contribuirão para o entendimento da nutrição na prática esportiva. A propósito, o que você entende por nutrição? Diversos conceitos são empregados para designar o termo “nutrição”. De forma sucinta, podemos dizer que nutrição é: • Ingestão + absorção + conversão dos nutrientes em suas formas utilizáveis pelo organismo (biodisponibilidade dos nutrientes); • Possibilitar o crescimento e a manutenção das funções bio- lógicas do organismo; • Promover a saúde. A maneira pela qual os nutrientes se tornam partes integ- rantes do corpo e contribuem para a sua função depende dos pro- cessos fisiológicos e bioquímicos que governam suas ações. Assim, prosseguimos o nosso estudo com uma visão geral dos processos de digestão, absorção, transporte e excreção, já que essas funções de- terminam o destino do alimento após sua entrada no organismo. Digestão e absorção A digestão começa na boca O processo de digestão inicia-se bem antes de a comida chegar ao estômago. Quando vemos, sentimos o cheiro ou mesmo imagin- amos um saboroso lanche, as nossas glândulas salivares, que estão loc- alizados sob a língua e perto do maxilar inferior, começam a produzir saliva. Esse fluxo de saliva começa em resposta ao estímulo que vem do cérebro, ou seja, é um reflexo desencadeado quando “sentimos” a comida ou pensamos em comer. Em resposta a essa estimulação sen- sorial, o cérebro envia impulsos através dos nervos que controlam as glândulas salivares, dizendo-lhes para se prepararem para a refeição. Os dentes têm a função de rasgar e cortar os alimentos, en- quanto a saliva umedece o que colocamos na boca para favorecer a de- glutição. Uma enzima digestiva chamadaamilase, encontrada na saliva, começa a quebrar alguns dos carboidratos (amidos) presentes no alimento, antes mesmo que ela saia da boca. A deglutição, que é realizada por movimentos musculares na língua e boca, move o alimento na garganta ou faringe. A faringe, uma passagem de alimentos e ar, possui cerca de 5 cm de comprimento. Um retalho de tecido flexível chamado epiglote reflexivamente se fecha sobre a traqueia quando engolimos, evitando, assim, a asfixia. Da garganta, o alimento percorre um tubo muscular chamado esôfago. Ondas de contrações musculares criam uma sequência de movimentos chamada peristaltismo, que força o alimento para baixo através do esôfago ao estômago. O estômago No final do esôfago, um anel muscular chamado esfíncter es- ofágico permite que o alimento entre no estômago e depois se contrai para evitar que o alimento ou líquido volte para o esôfago. Os movi- mentos musculares do estômago misturam os alimentos com secreções ácidas e enzimas, tornando o alimento mais fácil de ser di- gerido. Um ambiente ácido é necessário para que a digestão ocorra no 12/172 estômago. Além de enzimas e secreções ácidas, diversos hormônios participam do processo de digestão. Esses hormônios servem como sinais para início ou término dos eventos digestivos. Você sabia? As glândulas do estômago produzem cerca de três litros de sucos digestivos por dia. Quando os alimentos estão na consistência e na concentração apropriada (nesse ponto, o bolo alimentar é uma espécie de secreção espessa denominada quimo), o estômago é estimulado a liberar grad- ativamente seu conteúdo para o intestino delgado, por meio do esfínc- ter pilórico. O intestino No intestino, ocorre parte da digestão e da absorção de nutri- entes. O amido que já teve seu processo digestivo iniciado na boca é reduzido a açúcares simples por enzimas liberadas pelo pâncreas. As enzimas do pâncreas e da borda em escova no intestino delgado com- pletam a digestão das proteínas, convertendo-as em pequenos pep- tídeos e aminoácidos. As gorduras emulsificadas pelos sais biliares, produzidos no fígado e armazenados na vesícula biliar, são reduzidas a gotículas lipídicas, as quais se tornam alvo da ação das lípases do pân- creas, sendo convertidas em ácidos graxos e monoglicerídeos. Ao longo do comprimento do intestino delgado, macronutri- entes, minerais, vitaminas, oligoelementos e a maior parte da água re- manescente são absorvidos antes de atingirem o cólon. O intestino grosso, ou cólon e reto, absorve a maioria do líquido remanescente. O cólon absorve especialmente os eletrólitos e, em certa extensão, alguns produtos finais da digestão. A flora 13/172 intestinal desempenha papel essencial na fermentação da fibra in- gerida, carboidratos e aminoácidos remanescentes. A fermentação das fibras resulta na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o butirato, propionato, acetato e lactato, e gases. Os AGCC ajudam a manter a mucosa intestinal saudável e contribuem para a ab- sorção de sais remanescentes e água. O intestino grosso também serve como reservatório para o armazenamento temporário de produtos da excreção, que servem como meio para a síntese de algumas vitaminas. O reto e o ânus con- trolam a defecação. Relembrando alguns mecanismos responsáveis pela absorção A absorção é um processo complexo, já que combina o pro- cesso relativamente simples da difusão passiva, no qual os nutrientes passam das células da mucosa intestinal (enterócitos e colonócitos) para a corrente sanguínea, com o processo um pouco mais sofisticado com gasto de energia, denominado transporte ativo. A difusão envolve o movimento dos solutos através das pro- teínas presentes nas membranas das células. Algumas dessas pro- teínas atuam como canais (difusão passiva), enquanto outras fun- cionam como carreadoras (difusão facilitada), interagindo com os solutos que transportam. O transporte ativo necessita de energia para ocorrer, uma vez que se dá contra um gradiente de concentração. Al- guns nutrientes podem compartilhar o mesmo carreador, e, assim, competir pelo mesmo sítio de absorção. 14/172 Transporte Em nível celular, o transporte dos nutrientes ingeridos pode ocorrer com auxílio de proteínas transportadoras. Mas não podemos nos esquecer que, de forma geral, a maior parte dos nutrientes (por exemplo, carboidratos, sais minerais, aminoácidos) é liberada para a corrente sanguínea (capilares sanguíneos) e chega até o fígado, de onde é transportada para as células que compõem os demais órgãos e tecidos. Os ácidos graxos absorvidos são reagrupados em triglicerídeos e, juntamente com proteínas e colesterol, formam os quilomícrons, que são transportados pelos vasos linfáticos até as veias subclávia e jugular, onde são lançados na circulação central e conduzidos até o fígado. No fígado, parte dos lipídeos é degradada e destinada à ex- creção, mas a maior parcela é redistribuída ao corpo por meio das lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL). Excreção Os resíduos não absorvidos são excretados através das fezes. Considera-se que elas consistem em 75% de água e 25% de sólidos, embora essas proporções variem muito. Cerca de 1/3 da matéria sólida consiste de bactérias mortas. Os materiais inorgânicos e gorduras con- stituem 20% a 40% e, a proteína, aproximadamente 2% a 3 %. O rest- ante inclui fibra não digerida, células epiteliais descamadas e compon- entes dos sucos digestivos, como pigmentos biliares. A defecação, ou expulsão das fezes através do ânus, ocorre com frequência variável de três vezes ao dia a uma a cada três dias ou mais. O tempo de trânsito da boca ao ânus pode variar de 18 h a 72 h. 15/172 Uma dieta que abranja quantidades abundantes de frutas, vegetais e grãos integrais tipicamente resulta em tempo de trânsito mais curto, evacuações mais frequentes, fezes maiores e mais moles. Outra forma de excreção é via urina. O sangue é filtrado nos rins, sendo a maior parte dos nutrientes reabsorvida pelos túbulos renais. A urina, produto resultante desse filtrado, contém compostos hidrossolúveis tóxicos ou não utilizados pelo nosso organismo (por ex- emplo, vitamina C quando ingerida em excesso). Já podemos perceber que todos os processos mencionados en- volvem a transformação dos alimentos em partículas menores ou moléculas (nutrientes) que podem ser utilizadas com as seguintes finalidades: • Energética (carboidratos, lipídios e proteínas); • Construção e reparo de tecidos (proteínas, lipídios, minerais e vitaminas); • Construção e manutenção do sistema esquelético (cálcio, fósforo e proteínas); • Regulação da fisiologia corpórea (vitaminas, minerais, lipí- dios, proteínas e água). No próximo capítulo, iremos aprender um pouco mais sobre a função dos nutrientes e a sua relação com a prática esportiva. 16/172 2 Conceitos relacionados à nutrição aplicada ao esporte A relação nutrição e desempenho físico fascina as pessoas já há algum tempo. Os atletas, na Grécia Antiga, possuíam esquemas especiais de nutrição para se prepararem para os Jogos Olímpicos. Diferentes tipos de exercícios e diferentes esportes ap- resentam necessidades diferentes de energia e de nutrientes e, port- anto, a ingestão de alimentos precisa ser ajustada de acordo com tais necessidades. Determinadas estratégias nutricionais podem melhorar o desempenho, a recuperação após o exercício e resultar em ad- aptações mais significativas ao treinamento. Considerações importantes da nutrição esportiva A prática de atividades esportivas pode proporcionar inúmer- os benefícios à composição corporal, saúde e na qualidade de vida. No entanto, o esporte competitivo nem sempre é sinônimo de equilíbrio no organismo, podendo influenciar de maneira direta e significativa o estado nutricional dos atletas. Dessa forma, alterações fisiológicas e o desgaste físico e nutricionalocasionados pelo esforço excessivo podem levar o atleta até o limite entre a saúde e doença, sobretudo, se não houver um equilíbrio adequado entre esses eventos. Além disso, a pro- porção da resposta ao exercício físico parece estar diretamente asso- ciada à influência de diferentes variáveis, como a natureza do es- tímulo, duração, intensidade do esforço, grau de treinamento e estado nutricional. As necessidades de energia, macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) e micronutrientes (vitaminas, minerais e elementos-traço) são modificados com a prática de exercícios físicos. Isso porque, além de gerar uma maior demanda calórica, a atividade pode ocasionar adaptações fisiológicas e bioquímicas que determinam maiores necessidades de nutrientes. Dessa forma, a alimentação é um dos fatores que pode limitar o desempenho do atleta, e para um planejamento alimentar adequado, devemos considerar diversos fatores como a adequação energética e de macro e micronutrientes da dieta, levando em consideração as ne- cessidades individuais dos atletas, como a frequência, a intensidade e a duração do treinamento. O organismo utiliza diferentes fontes de energia – glicose, ácidos graxos e aminoácidos. Nos exercícios mais intensos e rápidos, como corrida de velocidade ou levantamento de peso, o organismo usa basicamente a glicose como combustível para os músculos, proveni- ente do armazenamento de glicogênio. Nos esportes intermitentes e de menor intensidade, como basquete, futebol e corrida, o organismo também solicita a glicose como fonte de energia, mas a gordura é pre- dominantemente oxidada como fonte de energia. Assim, uma boa nutrição é um dos fatores que podem melhor- ar o desempenho atlético e, quando bem equilibrada, pode reduzir a fadiga, permitindo que o atleta treine por um maior número de horas ou que se recupere mais rapidamente entre as sessões de exercícios. A nutrição adequada pode otimizar os depósitos de energia para a com- petição ou repará-las mais rapidamente afetando a situação tanto competitiva quanto de treinamento. Por outro lado, deficiências nutri- cionais podem reduzir a capacidade para executar exercícios. Em resumo 18/172 A falta de atenção à alimentação pode interferir no rendi- mento durante uma competição e, o que é mais grave, causar prob- lemas de saúde decorrentes da prática esportiva. Treinos constantes e competições podem causar desgastes e estresse para os quais o corpo não está preparado. A alimentação está relacionada não somente ao tipo de es- porte, mas também à intensidade e duração da atividade, levando-se em consideração variáveis como a necessidade nutricional do indiví- duo, de acordo com composição corporal e com o gasto energético do esporte praticado. Atualmente, muitos alimentos destinados aos esportistas fo- ram desenvolvidos e estão sendo comercializados sob a alegação de melhorarem o desempenho, como é o caso de: bebidas especiais, bar- ras energéticas e suplementos nutricionais. Mas vale ressaltar que a ingestão deve estar sempre atrelada às necessidades e não aos modismos. Nutrição aplicada ao esporte Cada vez mais os atletas estão preocupados em melhorar seu desempenho e a sua qualidade de vida, tornando evidente a grandeza da contribuição do nutricionista para este fim. Nesse sentido, é funda- mental ressaltar a importância da avaliação nutricional, sobretudo para adequação alimentar ao gasto e a necessidade energética da atividade física, além de fornecer dados antropométricos e de com- posição corporal, fundamentais para o desempenho nas diferentes modalidades. Inicialmente, aquele que deseja se aprofundar um pouco mais nesse assunto, deve considerar as questões a seguir: 19/172 • Com que objetivo o cliente procurou a consulta nutricional? • Ele pratica esportes para competição ou como lazer/ma- nutenção da saúde? • Como prescrever? • O que e quanto prescrever? • Quando ingerir? A prescrição dietética deve se basear no cálculo do metabol- ismo. O total de energia gasto é influenciado por três fatores prin- cipais: taxa metabólica basal, termogênese induzida pelos alimentos e atividade física. Além disso, todos esses fatores ainda são direta ou indiretamente afetados pela idade, gênero, peso, estatura e clima. Assim, a dieta deve oferecer quantidades de calorias ideais para cada tipo de metabolismo utilizado no esforço e ainda possuir carboidratos e proteínas de forma a garantir a produção de energia e a recuperação muscular. Adicionalmente, nas práticas esportivas, o or- ganismo tem diferentes demandas por vitaminas e sais minerais que regulam o metabolismo. Dessa forma, deve-se considerar a função an- tioxidante de alguns alimentos e também outras substâncias capazes de melhorar o desempenho dos atletas – os recursos ergogênicos, pois, dependendo da atividade, o organismo vai exigir diferentes fontes de energia. 20/172 Objetivos da nutrição esportiva Podemos dizer que os principais objetivos da nutrição esport- iva são: • Promover a saúde; • Equilibrar as necessidades energéticas; • Oferecer os nutrientes básicos; • Permitir uma recuperação adequada e rápida; • Atuar como recurso ergogênico; • Diminuir a velocidade de perda de rendimento; • Reduzir a ação dos radicais livres. 21/172 3 Praticantes de atividade física devem ingerir alimentos especiais? Um dos primeiros pontos que devemos observar na nutrição esportiva é se o cliente que procura o seu atendimento realiza os exer- cícios apenas como forma de melhorar a saúde e a estética, ou se, a essa prática, ele também associa algum objetivo competitivo. Assim, há uma reflexão a se fazer. Ambos os grupos de pessoas podem receber o mesmo tipo de orientação nutricional? A resposta a esse questionamento é simples. Confira! Para os indivíduos que praticam exercícios físicos sem maiores preocupações com a performance O papel da atividade física no controle do peso corporal e da massa de gordura tem sido amplamente estudado. Pesquisas indicam que pessoas mais ativas apresentam valores mais baixos de peso cor- poral, índice de massa corporal, percentual de gordura e relação cintura-quadril que indivíduos sedentários pertencentes à mesma faixa etária. Recentemente, organizações científicas como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta (CDC) e o American College of Sports Medicine (ACSM) concluíram que sessões de pelo menos 30 minutos por dia, na maior parte dos dias da semana, desenvolvidas continuamente ou em períodos cumulativos de 10 a 15 minutos, em intensidade moderada, podem representar o limiar para a população adquirir os benefícios à saúde. Existem poucas evidências que garantam que modificar signi- ficativamente a composição corporal e o peso em indivíduos saudá- veis, enquanto estratégia de intervenção isolada, possa promover uma maior eficácia na realização do exercício. Provavelmente, esse fato deve-se ao aumento do consumo alimentar induzido pelo exercício, o que promove a estabilização do peso corporal. Por outro lado, a com- posição da dieta é outro fator que também pode afetar a adiposidade. Assim, para se obter mudanças substanciais na massa corporal, são necessárias mudanças na dieta. O consumo alimentar ou o valor calórico da dieta acima dos valores de recomendação, principalmente com elevado percentual de gordura, está associado ao acúmulo de gordura corporal. Sugere-se então, para aqueles que desejam apenas controlar o peso e prover a saúde, a associação entre a prática de exercícios físicos regulares e o consumo de uma dieta balanceada (a mesma indicada para a população saudável), que é suficiente para a obtenção de res- ultados eficazes. Praticantes de atividades físicas não competitivas: • Necessário - alimentação balanceada (semelhante à da pop- ulação saudável); • Sem necessidade- dieta especial. Para atletas Os estudos científicos vêm demonstrando que a performance e a saúde de atletas podem ser beneficiadas com a modificação ali- mentar. Em relação a esse tema, existem poucas controvérsias diante da documentação que comprova os efeitos benéficos para a saúde, mudanças favoráveis da composição corporal e aprimoramento do desempenho desportivo de atletas decorrentes do manejo dietético. Os estudos têm sido convergentes em conclusões que estabelecem que, de um modo geral, basta o manejo dietético para a obtenção dos efeitos acima explicitados. A suplementação alimentar deve, portanto, ficar restrita aos casos especiais, que serão apresentados nesta diretriz, nos 23/172 quais a eventual utilização deve sempre decorrer da prescrição dos profissionais qualificados para tal, que são os nutricionistas e os médi- cos especialistas. A indústria de alimentos e suplementos nutricionais tem desenvolvido alimentos modificados com a promessa de melhorar a performance. De uma forma geral, eles utilizam apenas nutrientes cu- jas fontes são os alimentos consumidos na alimentação normal. Pode- se afirmar que o atleta que deseja otimizar sua performance, antes de qualquer manipulação nutricional, precisa adotar um comportamento alimentar adequado ao seu esforço, em termos de quantidade e var- iedade, levando em consideração o que está estabelecido como ali- mentação saudável. As orientações que constam nesta seção destinam- se a atletas saudáveis, adultos e adolescentes em fase de maturação sexual final. Assim, esportistas profissionais devem seguir um plano ali- mentar minucioso, de modo a influenciar não somente a saúde e o bom desempenho do atleta, mas também em sua recuperação metabólica no decorrer da realização dos treinos. Vale ressaltar que muito cuidado deve ser tomado caso seja necessário suplementar. Desportistas profissionais e atletas de elite: • Necessário - alimentação especial é parte do programa de condicionamento físico; • Sem necessidade - alimentação balanceada (semelhante a da população saudável). A nutrição constitui o alicerce para o desempenho físico: pro- porciona o combustível para o trabalho biológico e as substâncias químicas para extrair e utilizar a energia potencial dos alimentos. 24/172 4 Como a dieta pode influenciar a atividade física? A oferta de nutrientes em quantidade suficiente à realização da prática esportiva é o ponto crítico da nutrição aplicada ao esporte. Vejamos o porquê! Como exemplo, consideraremos a energia, item absoluta- mente necessário à realização dos movimentos durante o exercício. Em condições de repouso, as células precisam de energia para fun- cionar: as bombas iônicas nas membranas precisam de energia para transportar íons através das membranas celulares, enquanto que as fibras musculares do coração necessitam de energia para contraírem. No decorrer da realização do exercício, o gasto energético pode aumentar consideravelmente, principalmente porque a muscu- latura esquelética precisa de energia para se contrair. Em alguns casos, o fornecimento de energia pode tornar-se crítico e a continu- ação do exercício depende da disponibilidade das reservas de energia. A maioria dessas reservas precisa ser obtida através da nutrição (via ingestão de carboidratos, lipídeos e, em última instância, proteínas). Nos atletas de resistência, por exemplo, a depleção de energia (ex- austão de carboidratos) é uma das causas mais comuns de fadiga. Assim, a ingestão de carboidratos é essencial para evitar fadiga pre- coce resultante da depleção de carboidratos. Então, podemos inferir que o fornecimento adequado de nu- trientes promove: • Prevenção de lesões; • Alcance dos resultados esperados; • Melhora do rendimento. É importante salientar que a oferta de energia não aumenta o rendimento do atleta, mas prolonga sua capacidade de realização, sendo que, quanto maior o tempo da atividade, maior o impacto posit- ivo dessa estratégia. Premissas da nutrição saudável voltada ao desempenho físico Para que o atleta tenha um bom desempenho físico é necessário: • Permitir que o estômago esteja relativamente vazio no início da competição. Isso porque estudos demonstram que exercí- cios moderados a intensos podem comprometer o esvazia- mento gástrico (Capítulo 1).Adicionalmente, fisiologistas concordam que exercícios com intensidade moderada a in- tensa reduzem o fluxo sanguíneo intestinal, o que, con- sequentemente, retarda a absorção dos nutrientes tão ne- cessários à prática esportiva; • Ajudar a evitar ou minimizar distúrbios gastrointestinais (diarreias, vômitos, gases, etc); • Ajudar a prevenir a hipoglicemia e seus sintomas, que po- dem prejudicar o desempenho; • Fornecer substrato suficiente, sobretudo de carboidrato, ao sangue e aos músculos; 26/172 • Fornecer quantidade adequada de água e eletrólitos ao corpo (hidratar). Desconfortos pré-competição e durante a competição O desconforto pré-competição e durante a competição geral- mente aparece como: • Problemas de estômago e gastrointestinais superiores (azia, vômito, inchaço, peso da comida e dores de estômago); • Problemas gastrointestinais inferiores (gases, câimbras in- testinais, urgência em defecar, bolos fecais soltos e diarreia). Fatores que são associados ao desconforto Tipo de esporte Ciclistas e nadadores têm menos desconforto do que atletas corredores que geram impacto direto sobre o intestino pelo movimento. Estado de treinamento Atletas que já se acostumaram com a rotina dos treinos e com- petições desenvolvem tolerância e percebem que gradativamente o desconforto diminui ou até desaparece. 27/172 Idade Atletas jovens encontram maiores dificuldades, provavel- mente porque ainda não conhecem bem as questões relacionadas à ali- mentação. Já os veteranos que experimentaram diversas receitas aprendem a conhecer o metabolismo e mantêm uma relação harmôn- ica com ele. Gênero Normalmente, as mulheres têm maior tendência a terem com- plicações por causa das constantes alterações hormonais e também devido ao período menstrual. Tensão emocional e mental Pessoas tensas ou nervosas têm esvaziamento gástrico mais lento e com isso ficam com a sensação de estômago cheio ou com peso. Intensidade do exercício Treinos leves não comprometem a digestão, mas, durante ex- ercícios que exigem mais esforço, a mudança do fluxo sanguíneo da parte central para os músculos em funcionamento pode causar algum desconforto. Tipo de alimento utilizado pré-competição A ingestão de alimentos muito ricos em proteínas e gorduras algumas horas antes da prova podem comprometer o resultado. Já ali- mentos que fazem parte do dia a dia do atleta e que são utilizados dur- ante os treinamentos seriam a melhor escolha para garantir um mel- hor rendimento. Ingestão de comida durante as atividades A maioria dos atletas suporta pequenas quantidades de ali- mento em seu estômago, de forma a não comprometer a função 28/172 digestiva. Se a atividade tiver um tempo de duração maior que 45 minutos e a intensidade não for alta, pode ser necessário algum aporte energético. Entretanto, se a intensidade for alta, o alimento pode so- frer refluxo, o que oferece risco ao desempenho. Cafeína Estimula o sistema nervoso, pode causar diarreia e um desem- penho inferior ao esperado. Soluções concentradas em açúcar Geram desconforto gástrico. As bebidas repositoras de fluidos possuem, em média, 200 kcal por 225 mL e contam com baixa con- centração de carboidratos, sendo consideradas boas alternativas. Nível de hidratação A desidratação aumenta o risco dos problemas intestinais. Deve-se manter a ingestão hídrica bebendo-se fluidos diferentes, em horários regulares, para aprender como o corpo reage à água, aos su- cos, ou a qualquer fluido que possa vir a ser utilizado. Algunsitens da dieta sofrem alteração dependendo do clima onde acontecerá uma competição. O clima é outro fator a ser considerado. Exemplo disso é que uma prova ou torneio em locais de clima quente exige maior atenção na hidratação, já que o consumo adequado de água impede a desidratação e a redução do desempenho. As exigências energéticas para trabalho no calor podem chegar a 0,5% para cada aumento de 0,02°C, à medida em que a temperatura ambiente cresça de 30°C para 40°C. Mudanças hormonais que acontecem durante o exercício O processo digestivo está sob controle hormonal e o exercício estimula mudanças nesses hormônios. Exemplo disso são os 29/172 hormônios gastrointestinais, que dobram ou aumentam sua quan- tidade em até cinco vezes do que os níveis encontrados no repouso. 30/172 5 Objetivos da adequação calórica Atualmente, os técnicos e os atletas têm consciência da im- portância da obtenção e da manutenção do peso corporal ideal para o desempenho máximo nos esportes. A constituição, a composição e o tamanho corporal adequados são fundamentais para o sucesso em quase todas as empreitadas atléticas. Assim, os objetivos da adequação calórica são: Manutenção do peso corporal: quando o peso corporal já se encontra dentro dos parâmetros de normalidade, a adequação do fornecimento energético tende a mantê-lo constante. Adequação da composição corporal: dois indivíduos que ten- ham o mesmo peso e a mesma altura não têm necessariamente a mesma composição corporal, ou seja, as mesmas proporções de massa muscular e de tecido adiposo no organismo. Muitas vezes, deparamo- nos com indivíduos que, aparentemente, apresentam peso adequado para sua altura e idade, mas possuem um alto percentual de gordura corporal, que poderá ser corrigido com a prática de atividade física e com uma alimentação equilibrada. Maximizar os resultados do treinamento: o peso corporal ideal é fundamental para que o atleta tenha bons resultados na sua modal- idade esportiva. Manter a saúde: um estilo de vida sedentário tem sido associado a um maior risco de dois distúrbios metabólicos import- antes: a obesidade e o diabetes. Embora nenhuma dessas doenças rep- resente uma causa importante de morte, ambas são fortemente asso- ciadas a outras doenças que apresentam taxas de mortalidade eleva- das, como a hipertensão, doenças cardiovasculares e o câncer. Atual- mente, milhões de pessoas ao redor do mundo são obesas, diabéticas ou ambas. A consequência dessas doenças são debilitantes e os custos de seus tratamentos são elevados. 32/172 6 Componentes do gasto energético A quantidade total de energia despendida diariamente pode ser expressa como a soma de três componentes: • Taxa metabólica basal (TMB) (60%); • Termogênese induzida pela dieta (TID) (10%); • Efeito térmico da atividade física (30%). Vamos falar agora sobre cada um deles. Taxa metabólica basal A taxa metabólica basal representa a energia necessária para as funções vitais do organismo no estado de vigília. Durante o sono, como há uma diminuição da atividade corporal, essa taxa é reduzida. Um termo equivalente, que é utilizado para calcular quantas calorias gastamos por dia, é denominado de taxa metabólica em repouso, que representa aproximadamente 60% a 75% da energia gasta diariamente. Fatores que afetam a taxa metabólica basal Cerca de 80% da taxa metabólica é determinada genetica- mente, enquanto os 20% restantes dependem de outros fatores que serão listados a seguir. Tecido muscular - quanto mais músculos o indivíduo tem, maior e mais veloz é o gasto calórico, independente do seu nível de atividade, da sua idade, etc. Os músculos são tecidos altamente ativos e consomem muita energia ao longo do dia. O tecido muscular é bastante ativo e contribui para o aumento da taxa metabólica basal. Sexo - o metabolismo masculino é mais acelerado que o fem- inino, pois os homens apresentam proporção maior de massa muscu- lar e menor proporção de gordura que as mulheres. Homens e mul- heres de mesmo peso e mesma estatura apresentam o metabolismo bem diferente, uma vez que sua composição corporal também é diferente. Idade - a partir dos 30 anos de idade, o metabolismo começa a ficar mais lento. Mas vale ressaltar que pesquisas indicam que isso ocorre pelo fato de as pessoas tornarem-se mais sedentárias depois dessa idade, o que acarreta uma perda gradual de massa muscular. Por isso, é importante que haja um controle alimentar e prática regular de atividade física. A redução da taxa metabólica basal que ocorre com o avanço da idade relaciona-se, principalmente, com a perda de massa muscular. Clima - os fatores ambientais também influenciam a taxa metabólica em repouso. O metabolismo de repouso de pessoas que residem em climas tropicais em geral é 5% a 20% mais alto que o de quem vive em climas temperados. Da mesma forma, exercícios feito no calor aumentam o consumo de oxigênio em 5% comparado a um clima neutro, devido à energia adicional exigida pela atividade das glândulas sudoríparas e pela circulação alterada durante a atividade. Os climas frios alteram também o metabolismo tanto em repouso quanto no exercício, dependendo da gordura corporal e quantidade e qualidade da roupa usada. A TMB pode até duplicar ou triplicar com os calafrios, pois o organismo tenta manter a temperatura central 34/172 estável. Tanto climas quentes como frios alteram o metabolismo em repouso e durante o exercício. Gestação - os estudos sugerem que a dinâmica cardiovascu- lar materna adota padrões normais de resposta durante o exercício moderado e que a gestação não impõe estresse fisiológico à mãe além do imposto pelo aumento adicional de peso e pela sobrecarga dos te- cidos fetais. Vale ressaltar que por meio de pesquisas se constatou que a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio das mães são os mes- mos observados antes e após o nascimento de seus filhos. Por outro lado, à medida que a gestação progride, o aumento de peso da mãe representa uma sobrecarga significativa do peso, como caminhar, trotar e subir escadas. O crescimento do feto e o aumento dos tecidos aumentam a taxa metabólica basal em mulheres grávidas. Fatores patológicos – as febres aumentam a taxa metabólica em torno de 13% para cada grau acima de 37°C. Estados febris também aumentam a taxa metabólica basal. Hormônios – a tiroxina, produzida pela tireoide, e a adren- alina, produzida pelas adrenais, aumentam a TMB. A tiroxina é o hormônio responsável por aumentar o metabolismo. Estresse – ele aumenta a atividade do sistema nervoso sim- pático, que aumenta a TMB. Pessoas estressadas apresentam maior taxa metabólica basal devido ao maior estímulo ao sistema nervoso simpático. Termogênese induzida pela dieta Seria possível comer e perder calorias? Pode parecer um tanto controverso, mas é sabido que o consumo de alimentos, de uma forma 35/172 geral, induz a uma elevação de nosso metabolismo energético, o que confere a denominação termogênese induzida pela dieta (TID), que pode ser dividida em duas fases: • Fase ou termogênese obrigatória: caracterizada pelo gasto energético proveniente da própria absorção e digestão dos alimentos; • Fase ou termogênese facultativa: relaciona-se com a capa- cidade de aumentar a liberação de calor sob determinada circunstância ou demanda, que pode ser, também, de ori- gem alimentar. Acredita-se que a primeira experiência acerca desse tema foi realizada por Max Rubner, em 1891. Em seu experimento, Rubner utilizou como referência o dispêndio energético de um cão que se en- contrava em jejum por um período de 24 horas. Após essa fase de je- jum, o cão foi alimentado com 2 kg de carne, que possuíam o equival- ente a 1926 kcal. Os números obtidos por Rubner indicavam que o gasto energético do cão em jejum era de 742 kcal, já que, com a in- trodução da carne em sua dieta, essenúmero passou para 1046 kcal, isto é, houve um aumento significativo no dispêndio energético diário do cão (41%), justificado pela própria intensificação do metabolismo em digerir e absorver os macronutrientes advindos da carne. A contribuição da TID chega ao valor de 5% a 15% do gasto en- ergético total (GET), indicando assim uma grande importância na ma- nutenção do peso corporal e do próprio balanço energético. Por outro lado, ao se analisar os macronutrientes de maneira isolada, consider- ando o gasto energético que o mesmo possui dentro do organismo, chega-se à conclusão de que a proteína possui propriedades mais ter- mogênicas (20% a 30%), seguida pelo carboidrato (5% a 10%) e, por último, os lipídeos (0% a 3%), sendo essas faixas de variação percentu- al referentes ao valor total de calorias ingeridas. 36/172 Efeito térmico da atividade física A terceira forma pela qual gastamos energia é através da prát- ica do exercício físico, conhecido como efeito térmico da atividade física (ETAF). Nos indivíduos sedentários, o ETAF contribui com uma taxa que varia de 10% a 15% da energia gasta durante o dia, primeira- mente através de atividades leves como caminhar, subir escadas ou carregar objetos. Mas, durante exercícios moderados e pesados, pode- se chegar a 20% a 30% da energia gasta durante o dia, o que repres- enta excelente contribuição para os programas de perda de peso. 37/172 7 Metabolismo e sistemas energéticos básicos Muitos dicionários definem o termo energia como a capacid- ade de realizar trabalho. Infelizmente, isso não diz nada a respeito das muitas funções biológicas que dependem da produção e da liberação de energia. A energia nunca é perdida ou criada. Em vez disso, ela sofre uma degradação constante de uma forma a outra e, finalmente, transforma-se em calor. Tipicamente, cerca de 60% a 70% da energia total consumida pelo corpo humano é degradada em calor, enquanto a energia remanescente é utilizada para a atividade muscular e os pro- cessos celulares. Como o nosso corpo utiliza a energia antes de atingir o estágio final? Energia para a atividade celular Toda energia é originária do sol sob a forma de energia lu- minosa. Reações químicas nas plantas (fotossíntese) convertem a luz em energia química armazenada. De nossa parte, obtemos a energia consumindo plantas ou animais que as ingeriram. A energia é armazenada nos alimentos sob a forma de carboidratos, gorduras e proteínas. Esses componentes alimentares básicos podem ser clivados no interior de nossas células para liberar a energia armazenada. Como toda energia finalmente degradada sob a forma de cal- or, a quantidade de energia liberada numa reação biológica é calculada a partir da quantidade de calor produzido. Nos sistemas biológicos, a energia é mensurada em quilocalorias (kcal). Por definição, 1 kcal é igual à quantidade de energia térmica necessária para elevar a temperatura de 1 kg de água em 1°C a partir de uma temperatura de 15°C. A queima de um fósforo, por exemplo, libera aproximadamente 0,5 kcal, enquanto a combustão completa de 1 g de carboidrato gera, aproximadamente, 4 kcal. Fontes energéticas Os alimentos são compostos principalmente por carbono, hidrogênio, oxigênio e – no caso das proteínas – nitrogênio. As lig- ações moleculares dos alimentos são relativamente fracas e produzem pouca energia quando rompidas. Consequentemente, os alimentos não são utilizados diretamente nos processos celulares. Em vez disso, a en- ergia das ligações moleculares dos alimentos é liberada quimicamente no interior de nossas células e, em seguida, ela é armazenada sob a forma de um composto altamente energético denominado adenosina trifosfato (ATP). Em repouso, a energia que seu corpo necessita deriva tanto da degradação dos carboidratos quanto da degradação das gorduras. As proteínas são os tijolos do seu corpo, usualmente fornecendo pouca energia para a função celular. Durante o esforço muscular leve a in- tenso, uma quantidade maior de carboidratos é utilizada, com menor dependência das gorduras. No exercício máximo de curta duração, o ATP é gerado quase que exclusivamente a partir dos carboidratos. Mais informações sobre os nutrientes energéticos serão fornecidas no Módulo 2. 39/172 Módulo 2 Necessidades nutricionais 8 Ressíntese de ATP: esporte e produção de energia A energia que precisamos para a realização das atividades nas células, ou seja, o combustível necessitado, de maneira global, para a execução dos exercícios, provém de nutrientes que estão em nossa ali- mentação. Entretanto, essa energia não é diretamente repassada dos nutrientes para as células. Tipos de exercício e utilização de nutrientes Em situação de repouso ou de exercício, a ressíntese de ATP acontece através da produção de energia, a partir de diferentes sub- stratos energéticos. A ressíntese de ATP precisa ser feita logo que ini- ciamos algum exercício físico. O aumento no consumo de energia produz aumento do consumo de oxigênio. Portanto, sempre que o or- ganismo tem um consumo maior de ATP, precisamos de um tempo para organizar a disponibilidade de oxigênio, porque se faz necessária a queima de substratos energéticos. Porém, somos capazes de ressin- tetizar o ATP, sem a presença de oxigênio, em condições em que o or- ganismo não pode esperar pela disponibilidade dessa substância. Durante o exercício extenuante, neuroendócrinos fazem aumentar a produção de adrenalina, noradrenalina e glucagon e re- duzem a produção de insulina. Essas respostas hormonais ativam a glicogênio-fosforilase, que facilita a glicogenólise no fígado e nos mús- culos ativos. Como o glicogênio muscular proporciona energia, sem precisar de oxigênio, ele acaba contribuindo com a maior parte da en- ergia nos minutos iniciais do exercício, quando a utilização de oxigênio não consegue atender às demandas. As fibras musculares e a ressíntese de ATP A capacidade do nosso organismo de ressintetizar ATP pode ser exercida em condições aeróbias e anaeróbias (presença ou não de oxigênio), o que varia conforme a necessidade de nossos músculos. Te- mos diferentes fibras musculares capacitadas a gerar energia em cada condição. • Fibras do tipo I (contração lenta - ressíntese oxidativa) - são também chamadas de fibras vermelhas, fazem a ressíntese oxidativa de ATP e são recrutadas para esforços prolongados e de intensidade leve à moderada; • Fibras do tipo II a (ressíntese oxidativa) - são relacionadas à esforços de alta intensidade; • Fibras do tipo II b - são também chamadas de fibras bran- cas. Elas têm baixa capacidade de ressíntese oxidativa e alta capacidade de ressíntese glicolítica (capacidade de extrair energia da glicose sem utilização de O2). Elas são recrutadas, especialmente, em esforços de alta intensidade e curta duração. Na maioria dos tipos de atividade desenvolvida por nossos músculos, as fibras do tipo I (lentas) são solicitadas antes das fibras rápidas. A exceção são os movimentos de força máxima. Alguns fatores podem interferir na ressíntese de ATP e são eles os nutrientes da dieta e o treinamento. 42/172 Influência dos nutrientes da dieta Carboidrato: fornece energia para o trabalho celular. É re- crutado para liberação de energia rápida (anaeróbios). Em caso de lib- eração de energia rápida, a glicose sanguínea e o glicogênio (acumu- lado) irão fornecer a maior parte de energia para a ressíntese de ATP. Gordura: a gordura é transformada em energia quando é re- movida do tecido adiposo e é transferida para o músculo (especial- mente para as fibras de contração lenta). Proteína: a proteína não é capaz de fornecer mais do que 15% da energia solicitada pelo exercício. Você sabia? Quando a gordura é solicitada para a ressínte de ATP? Qual é a sua relação com o emagrecimento? Uma forma de fornecimento de energia através de reações aer- óbiasé a oxidação dos ácidos graxos, derivados de gordura estocados no organismo humano. Esse processo é denominado betaoxidação e produz quantidades grandes de energia, porém de forma mais demorada. Ambas oxidações dos substratos - glicose e ácido graxo - lib- eram a energia utilizada para a ressíntese de ATP. Como mostra o gráfico abaixo, após os primeiros momentos do exercício, os lipídios aportam a maior quantidade de energia requerida pelos músculos. É importante perceber que o ponto mais alto do gráfico abaixo se dá no momento em que a intensidade do exercício se encontra entre 65% e 85% da frequência cardíaca (Fc) máxima. Isso indica uma intensidade moderada - alta, considerada, a partir dos princípios da prescrição do 43/172 treinamento, uma frequência cardíaca alvo ou ideal para a redução da gordura corporal e emagrecimento. Como exemplo, a Fc geralmente atingida pelo tenista durante uma partida fica em torno de 155 bpm e 163 bpm, o que salienta, de maneira considerável, a utilização da gordura como um importante substrato para o fornecimento energético ao longo do jogo. Influência do treinamento O treinamento aeróbio favorece a utilização do ácido graxo e incrementa a capacidade de mobilização das reservas de gordura den- tro do músculo. Isso faz com que a energia esteja disponível para ser utilizada em maiores quantidades e mais rapidamente, visto que o processo de metabolismo de ácido graxo, que, em geral, é lento, pode ser encurtado. Esse fato pode ser explicado, pelo fato de que a gordura é armazenada no organismo em forma de triglicerídeos (três moléculas de ácido graxo ligadas a uma molécula de glicerol) no tecido adiposo e nos músculos. Para serem liberados e utilizados, é necessário haver a quebra dessa ligação. Tal reação é catalisada pela enzima lipase, que é estimulada pelas catecolaminas e hormônio do crescimento. No tecido adiposo, após ser efetuada a quebra dessa ligação, o glicerol dirige-se ao fígado e então é transformado em glicose. Já os três ácidos graxos são liberados e transportados no sangue com auxílio das albuminas (proteínas carreadoras). Assim, seguem para o músculo e, no interior da fibra, entram na mitocôndria. Depois disso, é realiz- ada a betaoxidação, que dá origem a 35 ATPs e oito Acetil-Coa, primeiros substratos do Ciclo de Krebs, que dá origem a mais 96 ATPs. Após esses processos, ocorre a cadeia respiratória, dando origem a 44/172 moléculas de dióxido de carbono e água. Os triglicerídeos intramuscu- lares, quando são degradados, liberam o glicerol, que, da mesma maneira, dirige-se ao fígado para ser transformado em glicose. Os ácidos graxos, como já se encontram no interior da célula muscular, são utilizados diretamente, fazendo com que o processo seja mais simples e rápido. Então, a partir do músculo, o caminho é o mesmo: mitocôndria - betaoxidação (acetil-Coa) - ciclo de krebs - cadeia res- piratória - produção de CO2 e H2O. Dessa forma, pode-se constatar que a oxidação dos ácidos graxos proporciona o aporte de altas quantidades de energia em tempo mais prolongado. Assim, quando o tenista é submetido a parti- das que ocupam um longo período, esse sistema torna-se essencial para que haja o fornecimento de energia suficiente para contração dos músculos e recuperação. Os nutrientes armazenados em nosso organismo promovem a ressíntese de ATP e, assim, obtemos energia continuamente. Os sub- stratos energéticos serão degradados de acordo com a reposição de ATP que o organismo precisa, o que poderá ocorrer via metabolismo aeróbio ou anaeróbio (Tabela 1). Sistema Necessidade de O2 Fonte de energia Quantidade de ATP Velocidade de síntese de ATP ATP-PC ou fosfagênio Não Fosfocreatina Muito limitada Muito alta Anaeróbico lático Não Glicogênio Limitada Alta Aeróbico Sim Glicogênio - gordura proteína Ilimitada Baixa - lenta 45/172 Tabela 1 - Relação com a velocidade de sintese de ATP de acordo com o tipo de metabolismo 46/172 9 Cálculo das necessidades energéticas no exercício O equilíbrio de energia pode ser definido como a resultante zero entre a ingestão de alimentos, bebidas e suplementos, e seu con- sumo, pelo metabolismo basal, efeito térmico do alimento e a ativid- ade física voluntária. Ingestão insuficiente de macro e micronutri- entes, resultando em balanço calórico negativo, pode ocasionar perda de massa muscular e maior incidência de lesão, disfunções hormonais, osteopenia/osteoporose e maior freqüência de doenças infecciosas, ou seja, algumas das principais características da síndrome do overtrain- ing, comprometendo o treinamento pela queda do desempenho e rendimento esportivo. Quando há desprendimento de energia nas últimas etapas dos processos metabólicos, também ocorre desprendimento de água e calor. Medindo-se o calor produzido, obtém-se então a energia desprendida. Historicamente, a definição de calorias era a quantidade de energia necessária para elevar em 1 grau celsius a temperatura de 1g de água (o calor específico da água é, por definição, igual a 1). Todavia, com a evolução das técnicas de medida, verificou-se que o calor específico não era constante com a temperatura. Por isso buscou-se padronizá-lo para uma faixa estreita, e a caloria foi então redefinida como sendo o calor trocado quando a massa de um grama de água passa de 14,5 °C para 15,5 °C. A unidade A unidade padrão desta medida é a caloria. 1 caloria = 4,1868J Quando usamos caloria para nos referirmos ao valor ener- gético dos alimentos, na verdade queremos dizer a quantidade de en- ergia necessária para elevar a temperatura de 1 quilograma (equival- ente a 1 litro) de água de 14,5 °C para 15,5 °C. O correto neste caso ser- ia utilizar kcal (quilocaloria), porém o uso constante em nutrição fez com que se modificasse a medida. Assim, quando se diz que uma pessoa precisa de 2.500 calori- as por dia, na verdade são 2.500.000 calorias (2.500 quilocalorias) por dia. Hoje também é comum expressar quilocalorias escrevendo-se a abreviatura de caloria "Cal" com a letra C em maiúsculo. 1 Cal =1000 cal = 1 kcal Não podemos nos esquecer que os objetivos da adequação calórica são: • Manutenção do peso corporal; • Adequação da composição corporal; • Maximizar os resultados do treinamento; • Manter a saúde. Os fatores que influenciam no gasto energético são: • Doença; 48/172 • Idade; • Gênero; • Peso Corporal; • Período de crescimento. Atividade Física (condicionamento físico e fase de treina- mento, levando em consideração sua frequência, intensidade e dur- ação e modalidade). Como se expressa o gasto energético do metabolismo de exercício O gasto energético pode ser expresso de diferentes formas: • Em kcal ou kJ, onde 1 kcal ≈ 4 kJ; • Em volume de O2 consumidos, onde 1 L O2 = 5 kcal; • Em METS (Múltiplos da Taxa Metabólica de Repouso), onde 1 MET (consumo de O2 em repouso) = 3,5 mL O2/kg peso corporal/min Como expressar o gasto energético: Exemplo 1 Gasto do exercício: 20 kJ/min 49/172 Para obter o gasto calórico, divida kJ pelo valor equivalente de 1 kcal. Gasto calórico = 20 kJ/min = 5 kcal/min 4 kJ Exemplo 2 Gasto do exercício: 3 L O2/min Para obter o gasto calórico, multiplique litros de O2 gasto no exercício pelo correspondente a quantidade de kcal gastas por 1 L de O2. Gasto calórico = 3 L O2/min x 5 kcal = 15 kcal/min Exemplo 3 Gasto do exercício: 12 METS (como exemplo, vamos consider- ar um homem de 70 kg). Multiplique o total de METS pelo volume de O2 equivalente a 1 MET. 12 METS x 3,5 mL O2 x 70 kg/min = 2.940 mL O2/min Converta mL em L: 2.940 mL O2/min = 2,94 L O2/min Multiplique litros de O2 pelas kcal por litro de O2 Gasto calórico = 2,94 L O2/min x 5 kcal = 14,70 kcal/min Na tabela seguinte (Tabela 2), acompanhe alguns exemplos do gasto energético de diferentes atividadesesportivas. 50/172 Atividade Kcal / min VO2 mL (kg.min)-1 Basquete 8,5 – 15,0 24,5 – 42,0 Futebol 6,0 – 15,0 17,5 – 42,0 Musculação 10,0 28,0 Tênis 5,0 14,0 – 31,5 Voleibol 3,7 – 7,5 10,5 – 21,0 Tabela 2 - Exemplo do gasto energético de várias atividades Estimativa do gasto energético na atividade física Kcal = METS treino x Peso Corporal (kg) x Tempo da ativid- ade física (min.) 60 min. Exemplo 1: VO2 treino = 37,5 mL O2 (kg.min) -1 = 10,71 MET 3,5 mL O2 (kg.min) -1 Peso corporal = 70 kg Tempo de duração da atividade: 30 min. kcal = 10,71 MET x 70 kg x 30 (min) = 374,85 51/172 60 Então: o gasto energético na atividade física é de 374,85 kcal 52/172 10 Nutrientes energéticos I: os carboidratos Entre os nutrientes energéticos, os carboidratos são as fontes primárias de energia. Carboidratos também conhecidos como hidratos de carbono, glicídios ou açúcares são as biomoléculas mais abundantes na natureza, constituídas principalmente por carbono, hidrogênio e ox- igênio, podendo apresentar nitrogênio, fósforo ou enxofre em sua composição. Fórmula geral [C(H2O)]n, sendo n ≥ 3 Funções dos carboidratos Energética: constituem a principal substância a ser convertida em energia nas células, sob a forma de ATP, particularmente durante o exercício de alta intensidade. Nos animais, são armazenados no fígado e nos músculos como glicogênio. Estrutural: determinados carboidratos proporcionam rigidez, consistência e elasticidade a algumas células. A pectina, a hemicelu- lose e a celulose compõem a parede celular dos vegetais. A quitina forma o exoesqueleto dos artrópodes. Os ácidos nucleicos apresentam carboidratos, como a ribose e a desoxirribose, em sua estrutura. Além dessas funções, os carboidratos têm papel um pouco mais complexo na fisiologia do exercício e na nutrição esportiva: • Evitam a degradação das proteínas para a produção de energia; • Combustível indispensável ao sistema nervoso central; • Atuam como ativadores do metabolismo de gorduras, uma vez que é necessário haver a glicólise e o Ciclo de Krebs para que os acetil-CoA provenientes da lipólise continuem sendo metabolizados e das reações subsequentes ocorra a liberação de energia. Fontes primárias = pães, biscoitos, massas, tubérculos, entre outros. A importância dos carboidratos no exercício Antes – aumentar o conteúdo do glicogênio muscular/hep- ático e aumentar a disponibilidade de glicose no sangue. Durante – manter os níveis sanguíneos de glicose, aumentar a performance e tempo total de exercício e diminuir os níveis plas- máticos de ácidos graxos. Depois – recuperar os estoques de glicogênio muscular. 54/172 11 Os carboidratos podem influenciar a atividade física? O exercício prolongado reduz acentuadamente os níveis de glicogênio muscular, obrigando a constante preocupação com sua cor- reta reposição, fundamental para manter seu efeito ergogênico. Tal equilíbrio na reposição de carboidratos é absolutamente necessário em todas as atividades esportivas, em quaisquer níveis, mas principal- mente nos de alta intensidade e longa duração. No entanto, observa-se uma baixa preocupação dos atletas, de diferentes modalidades, para o consumo da quantidade correta. De maneira geral, a demanda diária recomendada de carboidratos é: • Entre 55–65% da energia total necessária para suprir o gasto energético, mas, em casos especiais, como em dias de treino intenso, pode chegar a 75% das necessidades. Outra forma de expressar as necessidades de carboidratos: • 5–8 g/kg de peso corporal (300 g–600 g de carboidratos), podendo chegar a 12 g/kg de peso corporal. Você se lembra como calcular as calorias dos alimentos? • Os carboidratos e as proteínas fornecem cerca de 4 kcal/g de energia; • Os lipídios fornecem 9 kcal/g; • O álcool fornece 7 kcal/g. Para fazer o cálculo de quilocalorias (kcal) em alimentos, basta multiplicar o peso/g de carboidratos e proteínas por 4, e o peso/g dos lipídios por 9. Exemplo: considerando que os valores de um alimento são: Carboidratos = 13,23 g; Proteínas = 2,3 g e Lipídios = 2,35g Então o cálculo do valor calórico é: kcal totais = 13,23 x 4 +2,3 x 4 + 2,35 x 9 Total= 83,27 kcal Carboidratos vs. exercícios: existem estratégias a serem seguidas? A escolha dos alimentos fontes de carboidrato, assim como a preparação da refeição que antecede o evento esportivo (treino ou prova), deve respeitar as características gastrointestinais individuais dos atletas. A recomendação do fracionamento da dieta em três a cinco re- feições diárias deve considerar o tempo de digestão necessária para a refeição pré-treino ou prova. Atentar a isso é importante porque o tamanho da refeição e sua composição em quantidades de proteínas e fibras podem exigir mais de três horas para o esvaziamento gástrico. Na impossibilidade de esperar por esse tempo para a digestão, pode-se 56/172 evitar o desconforto gástrico com refeições pobres em fibras e ricas em carboidratos. Sugere-se escolher uma preparação com consistência leve ou líquida, com adequação na quantidade de carboidratos. Assim, a refeição que antecede os treinos deve ser suficiente na quantidade de líquidos para manter hidratação, pobre em gorduras e fibras para facilitar o esvaziamento gástrico, rica em carboidratos para manter a glicemia e maximizar os estoques de glicogênio, além de ser moderada na quantidade de proteína e fazer parte do hábito ali- mentar do atleta. Os cuidados com a ingestão de carboidratos devem ser espe- cialmente ressaltados em algumas situações. Confira os exemplos: • Exercícios de longa duração (90 a 120 minutos ou mais) em níveis de intensidade moderados a altos; • Exercícios que exigem explosões intermitentes por um per- íodo prolongado (ex: futebol). A prescrição desse nutriente exige alguns cuidados especiais, a saber: 1) Seleção dos alimentos que o contém • Tipo - os alimentos em questão são fontes do nutriente desejado? • Quantidade - a quantidade dos alimentos é suficiente para atender às necessidades energéticas proporcionais do nutriente? • Qualidade - os carboidratos dos alimentos selecionados são em sua maioria complexos ou simples? 57/172 2) Estratégia • Evitar hiperglicemia • Evitar hipoglicemia • Plenitude gástrica Para a prescrição das refeições antes dos treinos, devemos considerar o tempo de digestão necessária para a refeição. • Quatro horas antes do exercício: 4 a 5 g de carboidratos/kg de peso. Devem ser oferecidos ao atleta sucos, polímeros de glicose, frutas ou amidos; • Uma hora antes do exercício: 1 a 2 g de carboidratos/kg de peso. Devem ser oferecidos ao atleta polímeros de glicose e alimentos de baixo índice glicêmico. Consumo de carboidrato antes do exercício Uma das grandes preocupações no campo da nutrição ap- licada ao esporte está em garantir que o atleta venha a competir ou treinar tendo seu estoque de glicogênio muscular e hepático completa- mente refeito do estresse físico anterior, além de propiciar níveis de glicemia sanguínea dentro da faixa de normalidade, visando a evitar uma condição de hipoglicemia já no início da atividade. A ação de carboidratos antes do exercício poderá ser avaliada sob três aspectos diferentes: 58/172 • O primeiro, está relacionado a uma ação mais prolongada e um planejamento semanal específico, visando a aumentar ao máximo a capacidade de armazenamento de glicogênio muscular. Essa ação é conhecida como dieta de supercom- pensação, a qual abordaremos adiante; • A segunda ação nutricional está associada ao dia do exercí- cio. As recomendações de consumo de carboidratos variam conforme a hora em que é realizada a atividade física; • Por último, uma recomendação específica para a última hora que antecede a atividade física. Dieta de supercompensação do glicogênio muscularPara que o glicogênio muscular seja recuperado nos dias que antecedem a competição e os estoques sejam máximos, são necessári- os alguns cuidados que se iniciam uma semana antes da competição. Os critérios abaixo englobam todas as provas que exigem grande parti- cipação do componente aeróbico. Assim, haverá uma ação combinada: Exercício ‹― Ação combinada ―› Dieta Essa é uma estratégia interessante, indicada principalmente para atletas de elite, e deve ser programada para começar exatamente sete dias antes da competição. Em linhas gerais, deve-se realizar uma ação combinada entre a dieta e o exercício, de modo a, inicialmente, promover um desgaste e depleção das reservas de glicogênio muscu- lar, por meio de treinos intensos e longos e, posteriormente, aumentar a captação de glicogênio pelo músculo, que estará com seus estoques extremamente reduzidos e estará mais apto a realizar essa captação. 59/172 Essa estratégia é indicada para aquelas provas em que haja uma grande participação do componente aeróbio. Esquema de treino • 7º dia antes da prova: treino, em geral, deve ser longo (mais de duas horas de duração), levando ao desgaste e depleção das reservas de glicogênio do músculo; • 6º e 5º dias antes da prova: deve haver uma redução da carga de treino, mas ainda com volumes importantes; • A partir do 4º dia: aplicar treinos mais tranquilos, em uma fase de anabolismo. Esquema da dieta de supercompensação do glicogênio muscular 7º dia: 20% carboidratos, 50% lipídeos, 30% proteínas. 6º dia: 20% carboidratos, 55% lipídeos, 25% proteínas. 5º dia: 25% carboidratos, 50% lipídeos, 25% proteínas. 4º dia: 70% carboidratos, 20% lipídeos, 10% proteínas. 3º dia: 70% carboidratos, 20% lipídeos, 10% proteínas. 2º dia: 75% carboidratos, 15% lipídeos, 10% proteínas. 1º dia: 60% carboidratos, 25% lipídeos, 15% proteínas. Vantagens: 60/172 • Aumento dos estoques de glicogênio muscular; • Aumento do limiar de fadiga; • Facilidade de recuperação; • Maior tempo de duração do exercício; • Maior intensidade do exercício. Desvantagens: • Mioglobinúria; • Desconforto gástrico; • Dores torácicas; • Aumento do peso corporal; • Baixa palatabilidade. Ação nutricional antes de começar a atividade em linhas gerais Pela manhã, entre 6 h e 8 h - É indicado o jejum? Sem maiores problemas, em alguns casos. Em atletas treinados, é possível a realização de provas em jejum, pois: 61/172 • Os estoques de glicogênio muscular e hepático são maiores; • Há maior participação do metabolismo de gorduras. Caso o atleta relate fome, o mais indicado é prescrever alimen- tos leves, como pães integrais, frutas, sucos, entre outros. No meio da manhã, entre 9 h e 11 h - (processo digestivo é mais lento nesse intervalo) - evitar excesso de leite e derivados. Na hora do almoço, entre 12 h e 14h - não almoçar antes. Se for comer, fazer pequeno lanche pelo menos 1 h antes do treino. Os alimentos proteicos (carnes, ovo, leite, iogurtes, queijos) não devem ter seu consumo muito próximo ao início da atividade por terem uma digestão mais demorada. Da mesma forma que os proteicos, alimentos ricos em gordura não devem ter seu consumo muito próximo ao início dos treinos. No meio da tarde, entre 15 h e 17 h (o almoço deve ter- minar até às 12h) - diminuir o volume da refeição. Preferir alimen- tos de fácil digestibilidade. No fim da tarde, entre 18 h e 19 h - caso não ocorram maiores problemas, observar se a ingestão durante o dia foi regular e fracionada. Se for comer, fazer pequeno lanche pelo menos 1 h antes do treino. Os alimentos proteicos (carnes, ovo, leite, iogurtes, queijos) não devem ter seu consumo muito próximo ao início da atividade por terem uma digestão mais demorada. Da mesma forma que os protéi- cos, alimentos ricos em gordura não devem ter seu consumo próximo ao início dos treinos. Horário noturno, entre 20 h e 22 h – caso não ocorram maiores problemas, a recomendação segue o mesmo protocolo aplic- ado no fim da tarde. 62/172 Ação nutricional 60 minutos antes de iniciar a atividade O objetivo principal de uma intervenção nutricional na hora que antecede o exercício é o de procurar manter um estado de eugli- cemia (60-110 mg/dL), evitando o aparecimento de um quadro de hipoglicemia (menor que 60 mg/dL) durante esse período ou no de- correr do exercício físico. O aparecimento de um quadro de hipogli- cemia durante a atividade promove a redução do desempenho, assim como outros reflexos indesejáveis, como tonturas, náuseas, falta de concentração, irritabilidade, redução coordenativa e, em casos mais agudos, desmaio e coma. Quadros de hipoglicemia podem surgir por dois erros aliment- ares que normalmente prejudicam o desempenho atlético. Acompanhe: • o atleta não se alimentar por um período longo de tempo an- terior à prova (mais de quatro horas), iniciando, assim, o ex- ercício com níveis baixos de glicemia, podendo induzir uma hipoglicemia no meio da atividade; • ingerir grandes quantidades de carboidratos entre 30 e 60 minutos antes do treino ou competição. Esse procedimento eleva a taxa de glicemia, disparando, assim, o mecanismo de controle por meio da liberação da insulina, provocando, dessa forma, o aparecimento da “hipoglicemia de rebote” no meio da atividade, prejudicando o rendimento atlético. Visando a evitar o aparecimento de um estado de hipoglicemia indesejável, recomenda-se o consumo de uma “ração de manutenção” entre os 60 e 20 minutos que antecedem o exercício, com o ofereci- mento de carboidratos de baixo índice glicêmico (conforme discutire- mos mais adiante neste módulo), para evitar um rápido aumento da glicemia. Alimentos com alto teor de frutose podem ser uma 63/172 alternativa interessante para essa fase. Alguns exemplos de alimentos que podem constituir essa “ração de manutenção” são: • Uma porção de fruta a cada 40 minutos (as frutas são ricas em frutose, que não necessita de insulina para entrar na célula); • Sucos diversos; • Alimentos ricos em carboidratos, em pequenos volumes, principalmente quando a atividade ocorrer no horário entre 18h e 19h (ex: barra de cereais). Entretanto, visando a maximizar os estoques de carboidratos sem o risco de uma “hipoglicemia de rebote”, é possível estabelecer nos últimos 20 minutos uma oferta de carboidratos, preferencial- mente sob a forma líquida, totalizando 50-60 g do nutriente. Essa en- ergia poderá ser disponibilizada oferecendo-se líquidos em dois mo- mentos prévios, 20 minutos antes e imediatamente antes do início da atividade. É importante considerar que esse fornecimento de energia exógena não aumenta o rendimento do atleta, mas prolonga sua capa- cidade de realização, sendo que, quanto maior o tempo de atividade, maior o impacto positivo dessa estratégia. Uma estratégia alternativa seria o oferecimento de carboidratos 20 minutos e imediatamente antes do início da atividade. Podem ser oferecidos, por exemplo, 250 mL de bebida carboidratada ao atleta. Para uma prescrição mais individualizada, recomenda-se a ingestão dessa bebida na proporção de 3 mL/kg de peso corporal para homens e 2 mL/kg de peso corporal para mulheres. Atenção! 64/172 As recomendações aqui comentadas são guias gerais. É necessário treinar o sis- tema digestivo do atleta para adaptar-se à quantidade de líquidos e energia ofere- cida, a fim de se evitar problemas gastrointestinais. Fatores psicológicos, como o estresse competitivo, também po- dem alterar a resposta digestiva, assim como adaptações hormonais individuais podem impor diferentes recomendações. Ingestão de carboidratos durante o exercício O ritmo de utilização da glicose a partir do glicogênio armazenado no corpo pode ser reduzido pelo suprimento de carboidrato oral. Exemplo: quando o carboidrato contido em um ali- mento é ingerido, digerido e absorvido, ele penetrará,após a digestão, na circulação na forma dos monossacarídeos componentes, principal- mente glicose e frutose. Consequentemente, a glicose sanguínea aumenta após a ingestão oral de carboidratos. Essa elevação reduz a necessidade de fracionar o glicogênio hepático para a manutenção de um nível sanguíneo apropriado de glicose. A partir disso, o suprimento de glicose pura e a captação de glicose pelo músculo serão elevados. Em verdade, uma grande evidência científica mostra que a ingestão oral de carboidrato reduz a produção de glicose pelo fígado, mas eleva a glicose sanguínea em um ritmo semelhante. A glicose sanguínea aumentada após a ingestão de carboidrato estimula a liberação de in- sulina e, com ela, a captação de glicose pelo músculo, assim como a oxidação subsequente do carboidrato. Teoricamente, esses eventos 65/172 reduzem o ritmo de degradação do glicogênio e da proteína dos mús- culos para a produção de energia, e retardam o início da fadiga, além de aprimorarem o desempenho. Para o exercício que dura mais de 45 minutos, recomenda-se que sejam consumidos pelo menos 20g de carboidratos, não ultrapas- sando o limite de 60g, com uma quantidade de líquido suficiente, dur- ante cada hora subsequente de exercício. Essas quantidades não retar- dam o esvaziamento gástrico num grau fisiologicamente importante e estimulam a absorção de água no intestino. Esse aspecto é de particu- lar importância nos eventos de endurance em um clima quente, quando a disponibilidade tanto de carboidratos quanto de líquidos pode ser um fator capaz de limitar o desempenho. As fontes de carboidratos usadas devem ser rapidamente digeríveis e absorvíveis. São mais eficientes as fontes de carboidratos que podem ser ingeridas com um líquido (solúveis). O ritmo de esvaziamento gástrico deve ser relativamente rápido e a forma física do carboidrato deve permitir a digestão/hidrólise enzimática rápida. Isso não ocorre com todas as formas de carboidratos. Por exemplo, as fibras alimentares nas quais estão “acondicionadas” algumas fontes de carboidratos podem formar uma barreira física para as enzimas digestivas e reduzir, dessa forma, o ritmo de esvaziamento gástrico. As refeições diárias normais devem conter principalmente alimentos ricos em carboidratos lentamente di- geríveis e fibras que resultem em um baixo índice glicêmico. Exemplos desses alimentos são os produtos com grãos integrais. No entanto, os alimentos ingeridos pouco antes e durante o exercício devem ser pobres em fibras alimentares e possuir um alto índice glicêmico, para proporcionar um esvaziamento gástrico e uma digestão/absorção rápidos. A razão para esse aparente paradoxo consiste no fato de que as fibras alimentares podem reduzir o esvaziamento gástrico e diminuir o grau com que as enzimas conseguem alcançar o amido para a hidról- ise. Por outro lado, as fibras aumentam o volume do conteúdo 66/172 gastrointestinal por causa da captação de água e tumefação. As fibras insolúveis aceleram o trânsito no intestino, enquanto as solúveis po- dem estar sujeitas à fermentação bacteriana, acarretando a produção de gases. O amolecimento do conteúdo intestinal pelas fibras e o con- sequente trânsito intestinal acelerado são desejáveis nos indivíduos sedentários, mas podem criar um problema durante o exercício in- tensivo. Esses fatores podem explicar porque os atletas que ingerem alimentos com grãos integrais de digestão lenta, antes e depois do ex- ercício, experimentam mais problemas gastrointestinais que os atletas que ingerem produtos pobres em fibras. As fontes ótimas de carboidratos para os eventos de endur- ance de alta intensidade são aqueles carboidratos processados (pré-di- geridos) que são pobres em fibras alimentares, como: • Monossacarídeos (glicose); • Dissacarídeos (sacarose, maltose); • Polímeros de glicose (maltodextrina); • Amidos. Esses tipos de carboidratos proporcionam um benefício adi- cional por serem dissolvidos facilmente nos líquidos, o que constitui um aspecto importante, pois as demandas de carboidratos e de líquid- os são determinadas pela intensidade e duração do exercício. Os tipos de carboidratos listados anteriormente se revelaram igualmente efet- ivos no sentido de aumentar os níveis sanguíneos de glicose e os rit- mos de oxidação durante o exercício, assim como em aprimorar o desempenho. Os efeitos sobre os níveis sanguíneos de insulina durante o exercício também não parecem ser diferentes. 67/172 Alguns dos primeiros estudos mostraram que a ingestão de 50-70 g de carboidratos rapidamente absorvíveis antes do exercício in- duz uma elevação rápida na glicose e insulina sanguíneas e uma “hipoglicemia de rebote”, assim como um desempenho reduzido dur- ante o exercício subsequente. Entretanto, esses estudos foram realiza- dos após um jejum noturno e o carboidrato foi ingerido no estado de repouso, 45-60 minutos antes do exercício. Essas condições não são comparáveis àquelas do atleta de endurance, que deve fazer um desjejum pré-atividade e realizar um aquecimento antes do início da competição. Em linhas gerais, podemos estabelecer que as diretrizes prát- icas em relação à ingestão de água e carboidratos durante o exercício físico devem levar em consideração o volume, a composição e a tem- peratura da solução carboidratada a ser ingerida, a frequência de in- gestão e os horários. Um esquema simples de administração de água e solução carboidratada (SC) pode ser conferido no quadro a seguir (Quadro 1): 15’ 30’ 45’ 60’ 75’ 90’ 105’ 120’ H2O H2O H2O SC H2O H2O SC H2O Quadro 1 – Esquema simples de administração de água e solução carboidratada Recomenda-se que 20 minutos antes da atividade e imediata- mente após a conclusão do exercício seja consumida a solução carboidratada. A quantidade a ser administrada, a cada 15 minutos, conforme já discutido anteriormente, pode ser individualizada para at- letas do sexo masculino e feminino. Assim, a recomendação é que ho- mens ingiram 3 mL de água ou solução carboidratada/kg de peso cor- poral e que mulheres ingiram 2 mL/kg de peso corporal. 68/172 Atenção! É indicado que sejam escolhidas soluções carboidratadas que possuam de 5 a 7% de carboidratos quando o clima estiver quente e de 7 a 9% quando o clima estiver mais frio. Ingestão de carboidratos após o exercício Após o exercício, o reservatório de carboidratos endógenos de- ve ser reabastecido. Dependendo do tempo disponível para a recuper- ação total, isto é, o tempo transcorrido entre o término do exercício e a próxima atividade desportiva, pode ou não ser necessário acelerar a recuperação. A síntese de glicogênio é mais rápida durante as primeir- as horas após o exercício. Daí em diante, o ritmo de ressíntese declin- ará gradualmente. A própria síntese de glicogênio só será possível se forem fornecidas as substâncias estruturais necessárias, isto é, as moléculas de glicose. O ritmo de síntese de glicogênio, portanto, de- pende da velocidade de regulação dessa síntese e do oferecimento de glicose. Este depende em grande parte do tipo de alimento ingerido, isto é, da velocidade de digestão e absorção. A própria fonte de carboidrato também pode ser importante. A glicose favorece a recu- peração do glicogênio muscular, enquanto a frutose é captada princip- almente pelo fígado, favorecendo, assim, a recuperação do glicogênio hepático. Quando for realizada a próxima atividade após um ou dois dias, o atleta poderá recuperar-se convenientemente ingerindo re- feições normais com um alto conteúdo de carboidratos, isto é, 55-65% do valor energético total (VET). Essas refeições devem ser compostas 69/172 preferencialmente por alimentos com um baixo índice glicêmico, como grãos integrais, cereais, hortaliças e algumas frutas. Nessa condição, é favorável uma digestão e uma absorção relativamente lentas. Desse modo, 400-600 g de carboidrato por dia devemser suficientes para recuperar as reservas de glicogênio necessárias para atender às de- mandas diárias de energia de até 4.000 kcal. Entretanto, se o gasto energético for muito alto, como ocorre durante as competições de ciclismo que duram vários dias, a necessid- ade de carboidratos pode alcançar mais de 12 g/kg de peso corporal/ dia. Nessa condição, a ingestão de carboidratos por meio das refeições normais constituídas por fontes glicídicas com um baixo índice glicêmico pode resultar em um volume gastrointestinal excessivo e causar desconforto. Portanto, os atletas que ingerem somente re- feições consideradas normais nessas circunstâncias não serão capazes de ingerir alimentos suficientes, o que resultará em um balanço ener- gético negativo e em uma ingestão insuficiente de carboidrato para compensar o glicogênio usado durante o exercício. Isso fará com que o exercício do próximo dia seja iniciado em um estado de recuperação incompleta. A prática desportiva mostrou que as altas necessidades de energia e de carboidratos nos dias com um dispêndio energético acima de 4.500 kcal/dia somente poderão ser atendidas convenientemente pela ingestão de alimentos/soluções contendo carboidratos com um alto índice glicêmico (os alimentos que acarretam um aumento lento da glicose sanguínea possuem um baixo índice glicêmico, enquanto aqueles que induzem uma elevação rápida da glicose sanguínea pos- suem um alto índice glicêmico, como veremos mais detalhadamente a seguir). Além disso, quando o tempo para a recuperação é muito limit- ado, por exemplo, em uma situação em que uma segunda sessão de treinamento ou uma competição vai ser realizada no mesmo dia, a in- gestão alimentar entre as refeições normais deve ser constituída por alimentos que sejam digeridos e absorvidos rapidamente, isto é, que tenham alto índice glicêmico. 70/172 As soluções de carboidratos podem ser usadas durante o exer- cício em qualquer situação em que a ingestão de carboidratos por meio do consumo de alimento normal não pode ser realizada ou é insufi- ciente. Isso ajudará a acelerar a recuperação do glicogênio nas primeiras horas após o exercício. 71/172 12 Índice glicêmico e exercício físico Índice glicêmico (IG) é o potencial ou a capacidade de um carboidrato em uma porção fixa (50 g) aumentar a taxa de glicose na corrente sanguínea, comparado à mesma porção (50 g) de um carboidrato de referência, geralmente o pão branco ou a própria glicose. Ao ingerimos carboidratos, eles entram na corrente sanguínea em diferentes velocidades de acordo com as suas características de ab- sorção e digestão pelo corpo humano. Quanto mais rápida a sua en- trada, maior será a concentração de açúcar no sangue e, consequente- mente, a liberação do hormônio insulina pelo pâncreas, pois o corpo sempre tenta equilibrar os níveis de açúcar. Quando os alimentos disponibilizam maior quantidade de en- ergia em curto espaço de tempo, o fator complicante é que os níveis de açúcar tendem a despencar na mesma velocidade que sobem. Esses al- imentos são os considerados de alto valor glicêmico, pois afetam muito a resposta de insulina no sangue. Níveis elevados de insulina promovem aumento do catabolismo dos carboidratos, contribuindo para a queda prematura do glicogênio e, consequentemente, para o es- tágio de fadiga precoce. Além disso, em longo prazo, esses níveis el- evados de insulina também podem acarretar, entre outros males, dia- betes e problemas do coração. O índice glicêmico, quando acompanhado da carga glicêmica (CG), pode ser mais útil na escolha dos alimentos. A carga glicêmica (CG) reflete a quantidade de carboidrato disponível em uma porção de tamanho normal de um alimento em particular, de modo que demonstre situações reais de alimentação. A CG é calculada usando uma fórmula que multiplica a quan- tidade de carboidrato disponível em uma porção do alimento pelo IG do alimento e dividindo o resultado por 100. Assim, temos uma visão mais realista que varia de acordo com o impacto na liberação de glicose e produção de insulina em uma porção usual de alimento. Em conjunto, os dois fatores funcionam melhor. Imaginemos a melancia, que tem um alto IG. Dessa forma, se consumirmos 50 g de melancia, a quantidade de açúcar no sangue subirá mais rapidamente que outros alimentos de menor IG. No ent- anto, a melancia possui uma baixa CG. Isso significa que esse alimento possui pouca quantidade de carboidrato em uma porção usual. Port- anto, seu impacto na produção final de glicose não é tão significativo. A tendência é que a dieta diária seja composta principalmente de carboidratos, cerca de 60 a 70% da proporção total. Destes, a regra é que as maiores quantidades devem ser de carboidratos de baixo IG e CG, que mantêm a taxa de insulina mais constante e adequada para o funcionamento do organismo. Carboidratos de alto IG devem ser con- sumidos com moderação, concentrando-se principalmente logo após os exercícios. Ao escolher quais alimentos consumir, deve-se levar em consideração também que muitos alimentos com baixo IG e CG trazem na sua composição altas concentrações de gorduras. Uma hora antes do exercício, devem ser priorizados alimentos com baixo IG, dando preferência aos repositores energéticos líquidos (soluções carboidratadas), pois serem de fácil absorção. Algumas pesquisas indicam que essa ingestão produz efeitos desejáveis como um nível menor de glicose e insulina 30 a 60 minutos após a ingestão, maior nível de ácidos graxos livres, menor oxidação de carboidratos durante o exercício e um período de realização do exercício 9 a 20 minutos maior que o tempo correspondente aos dos indivíduos que in- geriram a refeição de alto IG. A proporção deve ser de 1-2 g de carboidrato/kg de peso. Após uma refeição contendo carboidratos, as 73/172 concentrações de glicose e insulina atingem seu pico máximo tipica- mente entre 30 – 60 minutos. Caso o exercício seja iniciado nesse per- íodo, a concentração plasmática de glicose provavelmente estará abaixo dos níveis normais. Quinze minutos antes do exercício, a ingestão de 50-60 g de polímeros de glicose (ex. maltodextrina – carboidrato proveniente da hidrólise parcial do amido) pode elevar o desempenho, sendo semel- hante à realizada durante o exercício. Durante o exercício, a suplementação de carboidratos é re- comendada e muito eficiente na prevenção da fadiga, mas seus benefí- cios são considerados somente para atividades com duração superior a 60 minutos. Apenas nos casos de atletas que iniciam a atividade em je- jum, quando estão sob restrição alimentar visando a perda de peso ou quando os estoques corporais de carboidratos estejam reduzidos no início da atividade, a suplementação de carboidratos pode aumentar o rendimento durante atividades com até 60 minutos de duração. A taxa indicada é de 0,7 g de carboidrato/kg/hora, ou de 30-60 g de carboidrato/hora. Isso retarda a fadiga em, aproximadamente, 15-30 minutos, por poupar os estoque de glicogênio, mantendo a glicemia, prevenindo dores de cabeça e náuseas. Glicose, sacarose e maltodex- trina parecem ser igualmente efetivas em melhorar a performance. Após o exercício, recomenda-se 1,5g de carboidrato/kg de peso nos primeiros 30 minutos e novamente a cada duas horas durante as 4-6 horas que sucedem o término do exercício. A recuperação dos estoques de glicogênio pós-exercício parece ocorrer de forma similar quando é feito o consumo tanto de glicose quanto de sacarose, enquanto que o consumo de frutose induz uma menor taxa de recuperação. Assim, devemos priorizar os carboidratos de alto índice glicêmico. 74/172 13 Nutrientes energéticos II: lipídios e exercícios Nesse capítulo, iremos abordar, de maneira bem objetiva, a segunda parte dos nutrientes energéticos. Trata-se dos lipídios, nutri- entes que têm um papel importante quando o assunto é nutrição ap- licada ao esporte. Alémdos conceitos relacionados aos lipídios, fare- mos uma abordagem mais aprofundada sobre esses nutrientes dur- ante os exercícios. Papel dos lipídios no organismo As importantes funções dos lipídios no organismo incluem: • São fonte e reserva de energia; • Protegem os órgãos vitais; • Oferecem isolamento térmico; • São carreadores de vitaminas e supressores da fome. Dinâmica das gorduras no exercício As gorduras intracelular e extracelular suprem entre 30 e 80% da energia necessária para a atividade física, dependendo do estado nutricional, da aptidão e da intensidade e duração do exercício. O aumento do fluxo sanguíneo através do tecido adiposo observado com o exercício acelera a liberação de ácidos graxos livres para serem fornecidos e utilizados pelo músculo. A utilização de gordura para ob- tenção de energia no exercício leve e moderado é três vezes maior do que nas condições de repouso. Com um exercício mais intenso (maior percentual de capacidade aeróbia), a liberação de ácidos graxos livres pelo tecido adiposo não aumenta muito acima dos níveis de repouso, o que resulta em uma queda nos níveis plasmáticos de ácidos graxos livres. Por outro lado, isso estimula uma maior utilização do glicogênio muscular e, simultaneamente, uma maior oxidação dos triglicerídeos intramusculares. A contribuição em termos de energia por parte dos triglicerídeos intramusculares varia provavelmente entre 15 e 35%, com os atletas treinados em endurance catabolizando a maior quan- tidade de gordura intramuscular. O consumo crônico de dietas ricas em gordura induz adaptações enzimáticas que aceleram a oxidação das gorduras durante o exercício submáximo. A disponibilidade de carboidratos também influencia a utiliza- ção das gorduras para a obtenção de energia. Com reservas adequadas, o carboidrato torna-se o combustível preferido durante o exercício aeróbio de alta intensidade, em comparação com o ritmo de 30-50% mais lento para o fracionamento das gorduras. No fim do exercício prolongado, quando as reservas de glicogênio são depletadas, a gordura supre quase 80% da energia total necessária. O maior metabolismo das gorduras durante o exercício pro- longado é resultante provavelmente, de uma pequena queda no açúcar sanguíneo e de reduções na insulina (um poderoso inibidor da lipól- ise), com aumentos correspondentes na produção de glucagon pelo pâncreas. Essas respostas acabam reduzindo o catabolismo da glicose (e seu possível efeito inibidor e controlador sobre o fracionamento dos ácidos graxos de cadeia longa) de forma a estimular ainda mais a liber- ação de ácidos graxos livres para a obtenção de energia. 76/172 As recomendações para a ingestão de lipídios alimentares por parte dos atletas em geral obedece a recomendações prudentes rela- cionadas à saúde para a população geral, ou seja, entre 25 e 30% do valor energético total. 77/172 14 Nutrientes energéticos III: proteínas e exercício Um suprimento apropriado de proteína com a dieta diária é essencial para o crescimento e o desenvolvimento de órgãos e tecidos. A hipertrofia muscular depende dos aminoácidos. Logo, um suprimento insuficiente de proteína, em geral, ou de aminoácidos es- senciais (aqueles que não podem ser sintetizados pelo corpo humano), em particular, está associado sabidamente com um crescimento al- terado. Nos parágrafos seguintes, descreveremos resumidamente como as funções biológicas essenciais dependem de um suprimento apropriado de proteína e como essas funções são influenciadas pelo exercício. Reservas de proteínas O corpo humano não possui uma reserva de proteína com- parável à grande reserva de energia existente no tecido adiposo e no glicogênio. Toda a proteína no corpo é representada por proteína fun- cional, isto é, faz parte das estruturas teciduais ou faz parte do meta- bolismo, como sistema de transporte, hormônios, etc. Você sabia? Qualquer quantidade abundante de proteína não poderá ser armazenada na forma de proteína. Con- sequentemente, o corpo degradará a proteína que não foi utilizada, oxidará os aminoácidos liberados e excretará seu nitrogênio juntamente com a urina. Como alternativa, os aminoácidos podem ser conver- tidos metabolicamente em glicose ou ácidos graxos que poderão ser armazenados nos respectivos reser- vatórios. Em condições em que há déficits de energia, os aminoácidos podem ser utilizados preferencial- mente como combustível energético para a ressíntese de ATP. O corpo humano possui três reservatórios principais de pro- teína funcional: • As proteínas plasmáticas e os aminoácidos plasmáticos; • Proteína muscular; • Proteína visceral (órgãos abdominais) Vamos discutir um pouco melhor sobre cada um desses três reservatórios. Proteínas/aminoácidos plasmáticos A albumina e a hemoglobina são proteínas plasmáticas im- portantes. Ambas participam dos processos de transporte (carreadoras) e sua quantidade pode estar reduzida como resultado de uma insuficiência prolongada na ingestão de proteína (nitrogênio), na ingestão de energia ou de uma combinação de ambas. 79/172 Os aminoácidos plasmáticos circulantes perfazem o reser- vatório central de substâncias proteicas metabolicamente disponíveis. Qualquer proteína consumida irá participar, após a digestão e a ab- sorção, do reservatório plasmático de aminoácidos. Todos os aminoá- cidos necessários para a síntese da proteína funcional serão retirados desse reservatório de aminoácidos. A composição do reservatório plasmático de aminoácidos é mantida dentro de uma variação estreita. A escassez de aminoácidos não essenciais induzirá a produção desses aminoácidos pelo organ- ismo. Já a escassez de aminoácidos considerados essenciais, não poderá ser compensada por essa síntese. Existem apenas duas maneir- as de compensar esse tipo de escassez: maior consumo de proteínas fontes desses aminoácidos essenciais ou fracionamento da proteína funcional dentro do corpo. O último processo resultará na liberação de aminoácidos para o interior do reservatório plasmático. Além de ser- em os blocos estruturais de todos os tecidos, os aminoácidos circu- lantes desempenham também inúmeras funções importantes no meta- bolismo energético e no sistema nervoso central. Qualquer modi- ficação acentuada na composição dos aminoácidos plasmáticos pode, portanto, afetar o ritmo da síntese proteica, o estado de alerta, a sensação de fadiga, o humor, etc. Qualquer modificação prolongada também pode ter consequências para a saúde. Influência do exercício Sabe-se que o exercício está associado a modificações na com- posição de aminoácidos plasmáticos. Foi mostrado que os aminoá- cidos de cadeia ramificada (leucina, valina, isoleucina), ao serem oxid- ados, contribuem para a produção de energia durante o exercício. Como resultado, sua concentração no plasma se reduz. Isso tem duas consequências importantes: 80/172 • A oxidação dos aminoácidos de cadeia ramificada resulta na formação de amônia, um produto terminal metabólico con- hecido, em princípio, por ser tóxico e estar associado com à fadiga; e • A relação dos aminoácidos de cadeia ramificada para outros aminoácidos se modifica. Essa modificação acarreta um aumento do transporte de alguns aminoácidos par ao interi- or do cérebro, como é o caso do triptofano, que é sabida- mente precursor de hormônios e de peptídeos no sistema nervoso central. Admite-se que essa captação modificada dos aminoácidos influencia a neurotransmissão e a fadiga. A escassez de carboidratos (glicogênio, glicose sanguínea) acarreta um aumento dramático na utilização das proteínas para a produção de energia. O esforço atlético exaustivo impõe ao corpo um estresse ener- gético e, portanto, resulta em maior utilização de aminoácidos, in- cluindo os essenciais. Em qualquer evento de endurance, essa utiliza- ção é aumentada quando ocorre depleçãodos reservatórios de carboidratos endógenos. Consequentemente, os atletas devem saber que o fracionamento da proteína e a oxidação dos aminoácidos poderi- am ser limitados pelo suprimento de carboidratos durante e imediata- mente após o exercício. Proteína muscular A massa muscular forma o maior reservatório de proteína dentro do corpo. Admite-se que a proteína muscular constitui o reser- vatório que irá suprir os aminoácidos durante as condições de inan- ição. A inanição se caracteriza por uma redução na massa muscular e 81/172 uma menor capacidade de realizar trabalho muscular. Sabe-se que a inanição, assim como a exaustão física resultante de déficits de ener- gia, modifica a relação anabólica/catabólica na direção do catabol- ismo. Como resultado, a ressíntese da proteína cairá para níveis mais baixos. A maior degradação e oxidação da proteína, juntamente com uma síntese reduzida, resultarão na sequência em perda global de pro- teína funcional, que pode ser medida como um equilíbrio nitrogenado negativo. Influência do exercício A maior oxidação dos aminoácidos, assim como as perdas de nitrogênio induzidas pelo exercício, já foi bem descrita. Houve contro- vérsias na tentativa de se esclarecer que os aminoácidos oxidados dur- ante o exercício prolongado provêm do músculo, do trato gastrointest- inal - incluindo o fígado -, ou de ambos. As mensurações por determ- inados grupos musculares mostraram que alguns aminoácidos são produzidos e/ou liberados a partir do músculo durante o exercício. Entretanto, esse evento pode não refletir necessariamente o fraciona- mento total do tecido muscular, pois o músculo também é capaz de sintetizar aminoácidos. Outros eventos também podem influenciar a perda de pro- teína pelo músculo. O dano microscópico das fibras musculares devido à influência do estresse mecânico pode ocorrer nas provas de corrida, por exemplo. Esse dano induz processos de reparo e de inflamação após o exercício, que resultarão na percepção de dor, mais in- tensamente 2-4 dias depois (o denominado início tardio da dor mus- cular). Basicamente, esses processos de reparo necessitam do forneci- mento de aminoácidos. 82/172 Proteína visceral Depois dos músculos, os tecidos viscerais (basicamente os ór- gãos abdominais) formam o segundo maior reservatório de proteína. Os aminoácidos provenientes desse reservatório podem ser forne- cidos/permutados antes de serem utilizados por outros reservatórios. Foi observado que o fígado, em particular, contribui de maneira signi- ficativa para a troca entre os órgãos dos aminoácidos durante o jejum e o estresse físico induzido pelas doenças. Influência do exercício O exercício pode induzir uma maior contribuição de proteína visceral para a troca de aminoácidos entre os órgãos. Entretanto, já houve muita especulação sobre a contribuição quantitativa dos aminoácidos provenientes desse reservatório para o metabolismo en- ergético e a gliconeogênese e, consequentemente, para a perda de ni- trogênio com o suor e a urina durante e após o exercício. Embora tenha sido sugerido no passado que a perda de nitrogênio induzida pelo exercício derivava principalmente da proteína muscular, existem indicações de que os tecidos viscerais, que sofrem uma grande redução do fluxo sanguíneo, podem proporcionar uma contribuição significativa. Ingestão de proteína A variação média da ingestão diária recomendada para pro- teína nos países europeus é de 54-105 g para homens adultos e de 43-81 g para mulheres adultas. Em comparação, a quantidade diária recomendada nos Estados Unidos alcança os 58 e 50 g respectiva- mente, ou 0,8-0,9 g/kg de peso corporal/dia. Em geral, a ingestão de 83/172 proteínas pelas pessoas no mundo ocidental chega a 10-15% do valor energético total (VET). Esse número não parece mudar muito nos at- letas envolvidos em um exercício pesado e prolongado. No entanto, essa relação não existe nos atletas vegetarianos. Isso porque se admite, em geral, que esportistas adeptos ao vegetarianismo adotam ingestões diárias de proteína relativamente baixas, em virtude da densidade pro- teica reduzida dos alimentos que eles consomem. Além disso, na maioria dos casos, sua ingestão energética também é relativamente baixa. O mesmo é válido para mulheres atletas que consomem apenas pequenas quantidades de alimento a fim de manter um peso corporal relativamente baixo, como acontece com as ginastas e bailarinas. Existe uma grande evidência de que a necessidade de proteína dos atletas de endurance varia de 1,2 a 1,8 g/kg de peso corporal/dia. Existem dados apenas limitados acerca dos atletas que praticam des- portos de força e que possuem massa muscular relativamente alta e uma massa de gordura baixa. Admite-se com frequência que esses at- letas necessitam de mais proteína que os atletas de endurance - prin- cipalmente por causa de sua maior massa corporal magra - para con- seguir um ótimo estado de treinamento e de desempenho. Entretanto, com bastante frequência isso foi sugerido exclusivamente por causa das altas ingestões proteicas observadas em atletas de força, às vezes superiores a 4g/kg de peso corporal/dia. Entretanto, estão disponíveis poucos estudos sobre balanço nitrogenado em atletas desse tipo. Lembre-se Independentemente disso... Em geral admite-se que as ingestões de 1,5-2,5 g/kg de peso corporal/dia 84/172 contribuem para um bem-estar ideal e um desempenho ótimo nos atletas de força. Suplementação com proteína Em termos de demanda nutricional, parece que a suple- mentação com proteína conseguida por meio do aumento da ingestão proteica diária até um nível superior a 12-15% do VET será alta para a maioria dos atletas. Levando-se em conta que uma ingestão energética diária mais alta nos atletas de endurance também resultará em uma ingestão mais alta de proteína, o valor da suplementação proteica para o desporto em questão pode ser questionado. Com base na relação ob- servada entre o consumo de energia e o consumo de proteínas, os at- letas que despendem e ingerem 5.000 kcal/dia estão ingerindo duas vezes mais proteína que as pessoas não envolvidas no exercício e que despendem/ingerem apenas 2.500 kcal/dia. Assim sendo, a ingestão de proteína para qualquer atleta de endurance será suficiente desde que a dieta seja bem balanceada e contenha uma grande variedade de fontes proteicas, tais como carne magra, peixe, produtos lácteos, ovos e proteínas de origem vegetal. A suplementação pode ser justificada nos atletas que competem em determinadas classes de peso e que combinam o treinamento intensivo com programas de redução de peso. Também os atletas vegetarianos, que consomem dietas com baixos índices energético e proteico, ou os atletas que por qualquer razão são incapazes de ingerir uma quantidade suficiente de proteína podem ser beneficiados por alguma suplementação proteica com o ob- jetivo de que seja conseguida uma ingestão de 1,2-1,8 g/kg de peso corporal/dia. Isso pode ser conseguido ao se ingerir uma quantidade 85/172 moderada de proteína em pó (proteínas do leite, hidrolisados de pro- teína do leite ou a proteína de soja, que são adequadas para essas finalidades. Não podemos nos esquecer que as refeições ingeridas durante os eventos de ultra endurance, como o triátlon, as combinações de ciclismo cuja duração leva vários dias e as escaladas nas grandes alti- tudes, e que são usadas para substituir as refeições normais, podem ser constituídas por uma relação de 60-70% de carboidrato, 10-15% de proteína e 25-30% de gordura. 86/172 Módulo 3 Atendimento nutricional e suplementação 15 A importância dos minerais e da água na prática esportiva Os minerais são substâncias inorgânicas essenciais para as funções celulares normais. Eles compõem cerca de 4% do peso corpor- al e estão presentes em altas concentrações no esqueleto e dentes. Encontram-sedentro e fora das células e dissolvidos nos fluidos cor- porais. Os minerais podem se apresentar na forma de íons ou com- binados com vários compostos orgânicos. Os compostos minerais que podem ser dissociados em íons no organismo são denominados eletrólitos. Enquanto os macrominerais são aqueles cuja quantidade diária necessária pelo corpo é superior a 100 mg/dia, os micromin- erais são aqueles necessários em menores quantidades. Ao contrário das vitaminas, é menos comum a suplementação de minerais pela população atlética, possivelmente devido às menores qualidades ergogênicas imputadas a minerais específicos. Neste capítulo, abordaremos os principais aspectos dos min- erais mais frequentemente investigados. Sódio Presente em fluídos e tecidos corporais, é encontrado especial- mente no líquido extracelular e no plasma sanguíneo. O sódio é um dos responsáveis pela manutenção do equilíbrio e distribuição de água, do equilíbrio osmótico normal e do ritmo cardíaco. As dietas ocidentais possuem uma grande quantidade de sódio e, por isso, é pouco provável a sua deficiência alimentar. Mas como é perdido no suor, qualquer condição que cause uma transpiração ex- cessiva, como o esforço extremo ou o exercício num ambiente quente, pode reduzi-lo. Vale lembrar que as necessidades individuais variam, mas as megadoses nunca são aconselháveis. Nas bebidas esportivas, a presença de sódio é obrigatória. Vamos saber o porquê: • Confere boa palatabilidade à bebida; • Facilita a absorção de glicose no intestino (como vimos no capítulo 1, diferentes tipos de transporte celular fazem parte do processo de absorção de nutrientes. No caso da glicose, a sua absorção é dependente do cotransporte de sódio na membrana apical do enterócito); • Aumenta a velocidade do esvaziamento gástrico; • Previne a hiponatremia. Potássio e cloreto Assim como o sódio, o potássio e o cloreto são amplamente distribuídos nos fluidos e tecidos corporais. O cloreto é encontrado, sobretudo, no liquido extracelular e no plasma sanguíneo, mas o potássio é encontrado principalmente dentro das células. A dis- tribuição seletiva dos três minerais estabelece a separação de carga elétrica nas membranas dos neurônios e das fibras musculares. Por isso, esses minerais permitem que os impulsos neurais controlem a atividade muscular. 89/172 É raro a ocorrência de câimbra por deficiência de potássio, sendo mais comum a ocorrência do desconforto pelo excesso. Além disso, muito cuidado deve ser tomado com a superdosagem, pois o ex- cesso de potássio pode causar insuficiência cardíaca! A transpiração com perda de água em grandes quantidades pode levar à hipercalemia, que é dependente da intensidade do exercí- cio. Deve-se destacar ainda que, durante o exercício, pode ocorrer uma desregulação da bomba Na+/K+-ATPase, com maior saída de potássio para o meio extracelular, o que acarreta comprometimento da con- tração muscular. Cálcio O cálcio é o mineral mais abundante no nosso organismo, rep- resentando aproximadamente 40% do seu conteúdo mineral. Ele é bem conhecido por manter a saúde dos ossos e dos dentes. O cálcio tem papel importante na ativação enzimática e na regulação da per- meabilidade da membrana celular, ambas importantes para o meta- bolismo e essenciais para a função muscular normal. O consumo de cálcio em quantidades adequadas é crucial para a saúde dos atletas. O baixo consumo de cálcio pode levar à retirada desse mineral dos ossos e dentes, levando à osteopenia. Portanto, muito cuidado deve ser tomado com a prescrição! Atletas do sexo feminino, por exemplo, em dietas de restrição calórica, podem sofrer deficiências no aporte de minerais. É o caso do cálcio. Recomendações e considerações 90/172 Garantir 1 g/dia + margem de segurança - considerar a ingestão adequada (AI) e a ingestão máxima tolerável (UL). A absorção é de 10 a 20% do consumo. Deficiência de cálcio pode gerar câimbras. Fósforo, ferro e zinco O fósforo está intimamente ligado ao cálcio. Ele representa aproximadamente 22% do conteúdo mineral do organismo. Cerca de 80% dele está combinado com o cálcio (fosfato de cálcio), fornecendo força e rigidez aos ossos. É uma parte essencial do metabolismo, da es- trutura da membrana celular e do sistema tampão (para manutenção do pH sanguíneo). Como vimos nos capítulos anteriores, o fósforo tem papel importantíssimo na bioenergética, uma vez que é componente essencial do ATP. O ferro, um micromineral, está presente no organismo numa quantidade relativamente pequena (35 a 50 mg/Kg de peso corporal). Ele tem papel fundamental no transporte do oxigênio: é necessário para a formação tanto da hemoglobina quanto da mioglobina. A baixa ingestão desse mineral, que ocorre em cerca de 15% da população mundial, causa fadiga e anemia, afetando o desempenho atlético e o sistema imunológico. Recomenda-se atenção especial ao consumo de alimentos com ferro de elevada biodisponibilidade, com oferta recomendada de 15 mg/dia para a população feminina e 10 mg/ 91/172 dia para a masculina. Para as gestantes, a recomendação diária se el- eva para 30 mg. Tais necessidades podem ser contempladas pela ali- mentação, não sendo necessária a suplementação. Isso deve ocorrer somente quando houver necessidade. O zinco está envolvido no processo respiratório celular e sua deficiência em atletas pode gerar anorexia, perda de peso significativa, fadiga, queda no rendimento em provas de resistência e risco de osteo- porose, razão pela qual tem sido sugerida sua suplementação aliment- ar. Entretanto, as evidências científicas não justificam o uso sis- temático do zinco em suplementação nutricional e, sim, quando o acompanhamento determinar a necessidade. Água A água representa cerca de 60% do peso corporal de um homem jovem e 50% do peso corporal de uma mulher jovem. Foi es- timado que nós podemos sobreviver a perdas de 9 a 12% do peso cor- poral de água. Valores acima dessa faixa podem ser fatais. A água tem papel fundamental no exercício, por exemplo: • Tranporte de oxigênio (através das hemácias), transporte de nutrientes (glicose, ácidos graxos e aminoácidos) e trans- porte de gases e metabólitos para as células e os músculos por meio do plasma sanguíneo, que é constituído basica- mente de água; • Muitos hormônios são transportados aos seus locais de ação também por meio do sangue; 92/172 • A água facilita a dissipação do calor corporal gerado durante o exercício; • Auxilia na manutenção da função cardiovascular; • Em suma, as reações do nosso organismo ocorrem em meio aquoso. Nos capítulos subsequentes, examinaremos mais detalhada- mente o papel da água. 93/172 16 A importância das vitaminas na prática esportiva Mais de 40 anos de pesquisa não confirmam a tendência de utilizar suplementos vitamínicos para melhorar o desempenho nos ex- ercícios ou a capacidade de treinamento árduo em pessoas sadias. As vitaminas são um grupo de compostos orgânicos que real- izam determinadas funções para promover o crescimento e manter a saúde. Nós necessitamos delas em quantidades pequenas, mas sua de- ficiência nos impossibilita a utilização de outros nutrientes que ingerimos. As vitaminas atuam principalmente como catalisadoras de reações químicas. Elas são essenciais para síntese de energia, con- strução tecidual e regulação do metabolismo. Quando a ingestão de vitaminas alcança os valores re- comendados, os suplementos não aprimoram o desempenho nos exer- cícios nem fazem aumentar necessariamente os níveis sanguíneos desses micronutrientes. Alguns achados sobre a suplementação vitamínica Suplementação com piridoxina (vitamina B6): • Representa cofator essencial no metabolismo do glicogênio e dos aminoácidos; • Não apresenta benefícios durante o exercício aeróbico de alta intensidade; • Dados recentes mostramque o estado dos atletas em relação a essa vitamina é igual aos padrões de referência para a pop- ulação saudável em geral; • A vitamina B6 não diminui com o exercício extenuante até um nível que justifique a suplementação. Suplementação com vitamina C: • Representa fator necessário para a síntese de colágeno e do hormônio da suprarenal noradrenalina; • A suplementação com vitamina C exerce efeito negligen- ciável sobre o desempenho de endurance, e não modifica a incidência, a gravidade e a duração das lesões em com- paração com o tratamento por placebo; • Para atletas em regime de treinamento intenso, tem sido sugerido, o que tem gerado controvérsia, o consumo de vit- amina C entre 500 e 1.500 mg/dia (proporcionaria melhor resposta imunológica e antioxidante) e de vitamina E (aprimoraria a ação antioxidante). A documentação científica permite que os profissionais qualificados, que seri- am apenas nutricionistas e médicos, prescrevam de forma sistemática as vitaminas C e E para atletas, com a ressalva de que tal atitude se baseia em baixo grau de evidência científica. Pesquisadores relatam achados semelhantes para outras vit- aminas. Além disso, a ingestão energética das pessoas ativas aumenta para corresponder às maiores demandas de energia da atividade física. Dessa forma, ocorre também um aumento proporcional na ingestão de 95/172 micronutrientes, na maioria das vezes, em quantidades que ultrapas- sam muito os níveis recomendados. Radicais livres e antioxidantes Estudos revelam que a produção de radicais livres aumenta após o exercício agudo, o qual, teoricamente, coincide com a lesão te- cidual oxidativa. Como esses radicais livres são altamente reativos, foi teorizado que eles modulam a função muscular e aceleram o processo de fadiga. No entanto, as fibras musculares possuem enzimas antiox- idantes que servem como um sistema de defesa eficiente para impedir o acúmulo prejudicial de radicais livres. Além disso, a ingestão de compostos antioxidantes, como as vitaminas C e E, também serve para evitar os danos celulares causados pelos radicais livres, tornando-os reduzidos. Estudos demonstram que os mecanismos regulatórios promovidos pela ingestão combinada ou isolada de vitaminas C, A, E, de cobre e zinco produzem efeitos antiox- idantes. Alguns pesquisadores sugerem que suplementos de compos- tos antioxidantes possam auxiliar no bloqueio da liberação de radicais livres. Todavia, a suplementação está reservada para atletas de alto desempenho, nos quais a oferta desses nutrientes através da dieta bal- anceada, suficiente na maioria dos casos, mostra-se insuficiente. Ainda assim, altas doses podem não apresentar os efeitos esperados e ainda trazer prejuízos à saúde. 96/172 17 Sudorese e reposição hídrica: o uso dos isotônicos Para um desempenho ideal, a água corporal e o conteúdo de eletrólitos devem permanecer relativamente constantes. Infelizmente, isso nem sempre ocorre durante o exercício. Sob condições normais de repouso, o nosso conteúdo de água corporal é relativamente constante: a ingestão de água é igual ao débito. Cerca de 60% de nossa ingestão diária de água é obtida através de líquidos que ingerimos e cerca de 30% são derivados dos alimentos que consumimos. Os 10 % restantes são produzidos nas nossas células durante o metabolismo (como subproduto da fosforilação oxidativa). O débito de água, ou perda hídrica, ocorre de quatro maneiras distintas: • Evaporação cutânea; • Evaporação do trato respiratório; • Excreção renal; • Excreção através do intestino grosso. Em condições de repouso, as duas primeiras formas de perda hídrica ocorrem sem que percebamos e são responsáveis por 30% da perda hídrica diária. A maior parte do débito de água (60%) ocorre at- ravés dos rins, na forma de urina. Outros 5% de água são perdidos at- ravés da transpiração (embora isso seja frequentemente considerado em conjunto com a perda hídrica que não percebemos) e os 5% rest- antes são excretados pelo intestino grosso. Durante o exercício, a perda hídrica aumenta. A capacidade de nosso organismo de eliminar o calor gerado durante o exercício de- pende basicamente da formação e da evaporação do suor. Sudorese É através da sudorese que o corpo consegue manter a temper- atura num nível ideal para não prejudicar o metabolismo celular. Uma vez na superfície da pele, o suor evapora, resfriando os vasos san- guíneos e equilibrando a temperatura corporal. Ao mesmo tempo, mais água é produzida durante o exercício por causa do aumento do metabolismo oxidativo. Felizmente, a quantidade de água produzida, mesmo durante o esforço mais intenso, tem apenas um impacto pequeno sobre a desidratação, ou perda hídrica, resultante da tran- spiração excessiva. A falência do mecanismo de controle da temper- atura corporal pode causar hipertermia e até levar à morte. Durante uma hora de esforço intenso, por exemplo, uma pess- oa pesando 70 kg pode metabolizar aproximadamente 254 g de carboidratos. Isso produz cerca de 146 mL de água. Durante o mesmo período, no entanto, as perdas por meio da transpiração podem ultra- passar 1.500 mL. Apesar disso, a água produzida durante o metabol- ismo oxidativo ajuda a reduzir, mesmo que de forma mínima, a de- sidratação que ocorre durante o exercício. De maneira geral, a quantidade de suor produzido durante o exercício é determinada: • pela temperatura do ambiente; • pelo tamanho corporal; e 98/172 • pela taxa metabólica. Esses três fatores influenciam o acúmulo de calor e a temper- atura corporal. Condições que influenciam a temperatura corporal e levam à desidratação O calor é transferido das áreas mais quentes para as mais frias e, consequentemente, a perda de calor do organismo é comprometida nos ambientes de temperatura elevada. O tamanho corporal é importante porque os atletas grandes geralmente necessitam de mais energia para realizar uma determinada tarefa e, por isso, normalmente possuem uma maior taxa metabólica e produzem mais calor. Mas eles possuem uma maior área superficial (pele), o que permite uma maior evaporação do suor. À medida que a intensidade do exercício aumenta, a taxa metabólica também o faz. Isso eleva a produção de calor, que, por sua vez, aumenta a transpiração. O atleta que realiza um esforço intenso pode perder de 1 a 2 litros de água durante a atividade. Nos atletas de resistência, ocorrem perdas de até 4% do peso corporal. Nesses casos, o isotônico é indispensável. Vejamos os exem- plos a seguir que mostram a maior e a menor preocupação com a hidratação. Exemplo 1: natação - Acarreta baixa desidratação. 99/172 - Produz baixa produção de suor, - O fato de a boca estar constantemente molhada reduz a sensação de sede. - Maior preocupação: aporte energético adequado. Exemplo 2: ciclismo - Possibilita o aporte hídrico e energético. Exemplo 3: corrida - O movimento ondulatório das vísceras dificulta o aporte energético. - O aporte hídrico pode ser feito sem problemas. A hidratação pode limitar o desempenho? Uma hidratação apropriada durante a atividade física de caráter recreativo ou competitivo pode garantir que o desempenho es- perado seja atingido e que problemas de saúde sejam evitados. Os pro- cedimentos para assegurá-la requerem conhecimento de fatores que influenciam quando e o quanto beber de água. As recomendações de- pendem do tipo de atividade e de fatores individuais, como condicio- namento físico, idade, modalidade praticada, estresse ambiental, entre outros. Mesmo que a desidratação seja leve ou moderada, com até 2% de perda do peso corporal, agrava-se à medida que ela se acentua. 100/172 Com 1 a 2% de desidratação inicia-se o aumento da temperatura cor- poral em até 0,4ºC para cada percentual subsequente de desidratação. Em torno de 3%, há redução importante do desempenho; com 4 a 6% pode ocorrerfadiga térmica; a partir de 6% existe risco de choque térmico, coma e morte. Como o suor é hipotônico em relação ao sangue, a de- sidratação provocada pelo exercício pode resultar em aumento da os- molaridade sanguínea. Tanto a hipovolemia como a hiperosmolarid- ade aumentam a temperatura interna e reduzem a dissipação de calor pela evaporação e convecção. A hiperosmolaridade plasmática pode aumentar a temperatura interna, afetando o hipotálamo e/ou glându- las sudoríparas e retardando o início da sudorese e da vasodilatação periférica durante o exercício. A desidratação afeta o desempenho aeróbio, diminui o volume sanguíneo e aumenta a frequência cardíaca. São alterações acentuadas em climas quentes e úmidos, ocasionando importantes reduções da pressão arterial, do retorno venoso e do débito cardíaco. A reposição hídrica em volumes equivalentes aos das perdas de água pela sudorese pode prevenir declínio no volume sanguíneo. Tal reposição também é benéfica para a termorregulação, facilitando a transferência de calor interno para a parte externa. O reconhecimento dos sinais e sintomas da desidratação é fundamental. Quando leve a moderada, ela se manifesta com fadiga, perda de apetite e sede, pele vermelha, intolerância ao calor, tontura, oligúria e aumento da concentração urinária. Quando grave, ocorre di- ficuldade para engolir, perda de equilíbrio, aparência seca e murcha da pele, olhos afundados e visão fosca, disúria, pele dormente, delírio e espasmos musculares. Em indivíduos saudáveis, uma estimativa simples da desidratação pode ser realizada de acordo com a cor da ur- ina. Quanto mais escura ela parecer, mais desidratado o indivíduo está. 101/172 Foi demonstrado ainda que a ingestão de líquidos, independ- ente da presença de carboidrato, melhora o desempenho para a primeira hora de exercício aeróbico em alta intensidade. Como a de- sidratação decorrente do exercício pode ocorrer não apenas devido à sudorese intensa, mas também em função da ingestão insuficiente e/ou deficiente absorção de líquidos, é importante reconhecer os ele- mentos que influem na qualidade da hidratação. Água A água é uma boa opção de reidratação para o exercício por ser facilmente disponível, barata e ocasionar esvaziamento gástrico re- lativamente rápido. Entretanto, para as atividades intermitentes, de mais de uma hora de duração, ou para as atividades de menor duração e de elevada intensidade como futebol, basquete, tênis e handebol, a água poderá apresentar as desvantagens de não conter sódio e carboidratos e de ser insípida, favorecendo a desidratação voluntária e dificultando o processo de equilíbrio hidreletrolítico. A desidratação voluntária é verificada quando se compara a hidratação com água com a hidratação com bebidas contendo sabor. Sódio As reservas de eletrólitos, como a concentração de sódio no sangue, por exemplo, são muito bem reguladas pelos rins através de respostas hormonais da aldosterona e vasopressina. Entretanto, em muitas situações de exercício intenso e prolongado e hábitos aliment- ares restritivos, justifica-se a adição de alguns eletrólitos às bebidas esportivas, principalmente o sódio, e também cloro e potássio, a qualquer tempo. A perda de sódio através da sudorese, em determinada situ- ações, justifica sua ingestão durante o exercício. Sua concentração no suor varia individualmente, de acordo com fatores como a idade, grau de condicionamento e aclimatização ao calor. A concentração média 102/172 de sódio no suor de um adulto está em torno de 40 mEq/L. Supondo que um indivíduo de 70kg corra por três horas e perca dois litros de suor por hora, a perda total de sódio é de 240 mEq, ou seja, 10% do total existente no espaço extracelular. Essa perda seria irrelevante, não fosse o risco de hiponatremia, concentração de sódio plasmático men- or que 130 mEq·l-1, decorrente de reposição hídrica com líquidos isen- tos de sódio ou com pouco sódio, principalmente em eventos muito prolongados. A diminuição da osmolaridade plasmática produz um gradi- ente osmótico entre o sangue e o cérebro, causando apatia, náusea, vômito, consciência alterada e convulsões, que são algumas das mani- festações neurológicas da hiponatremia. Carboidratos A ingestão de carboidratos durante atividades prolongadas, acima de uma hora, melhora o desempenho e pode retardar a fadiga nas modalidades esportivas que envolvem exercícios intermitentes e de alta intensidade. A ingestão de carboidratos previne a queda da gli- cemia após duas horas de exercício. Existem estudos que indicam que uma bebida com 8% de carboidrato ocasiona maior lentidão na ab- sorção e no esvaziamento gástrico em comparação com a água e as be- bidas que contêm até 6% de carboidrato. Preferencialmente, deve ser utilizada uma mistura de glicose, frutose e sacarose. O uso isolado de frutose pode causar distúrbios gastrointestinais e retardar sua absorção. A reposição necessária de carboidratos para manter a glicemia e retardar a fadiga é de 30 a 60 g/hora, com concentração de 4 a 8 g/100 mL. Mesmo com uso combinado de diversos carboidratos, sua ingestão não deve exceder 80 g/hora. Maiores concentrações de carboidratos poderão ser ingeridas em intervalos maiores de tempo, como, por exemplo, em períodos de 20 a 30 minutos. Tal estratégia é aplicada em exercícios de baixa intensidade e longa duração, como nas 103/172 provas de aventura, caminhadas longas, expedições em altitudes el- evadas ou mesmo em treinamento de natação. Em qual situação o grau de hidratação pode limitar o desempenho? Sob certos aspectos, em provas anaeróbicas (judô, levan- tamento de peso, ginástica rítmica), a hidratação não é fator limitante. Já em provas aeróbicas (marcha, maratona, futebol), ocorre o inverso: a hidratação torna-se item crucial para a performance atlética. Cuidados especiais Crianças e adolescentes Em ambiente laboratorial, crianças apresentam menor taxa de sudorese quando comparadas com os adultos para esforços que se assemelham em intensidade e duração e em condições térmicas idênticas. No entanto, elas se desidratam da mesma forma que um adulto. A influência da desidratação no desempenho físico desses grupos ainda não está bem esclarecida. Nessa população, a palatabilidade é fator importante no es- tímulo à reposição de água, visto que pesquisas mostram que sua in- gestão voluntária aumenta quando são adicionados sabores, como at- ravés da inclusão de sódio (20 a 25 mEq/L) e carboidrato (6%), evitando a desidratação. Idosos Há diminuição de fluxo sanguíneo cutâneo e da taxa de su- dorese com o envelhecimento, atenuada naqueles com estilo de vida ativo. A menor sensibilidade dos barorreceptores faz com que idosos 104/172 tenham menor percepção da sede e saciedade, expondo-os com mais facilidade às armadilhas da desidratação. A utilização de líquidos com sódio e carboidratos deve receber análise individual, pois alguns contam com restrições dietéticas decor- rentes de doenças crônicas preexistentes. Recomendações de reposição de líquidos Devemos ingerir líquidos antes, durante e após o exercício. Antes do exercício: para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, recomenda-se que ele beba cerca de 250 a 500 mL de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício: recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. O volume a ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, geralmente entre 500 e 2.000 mL/h. Se a atividade durar mais de uma hora, ou se for intensa do tipo intermitente mesmo com menos de uma hora, deve-se repor carboidrato na quantidade de 30 a 60 g/h e sódio na quantidade de 0,5 a 0,7 g/L. A bebida deve estar em temperatura vari- ando em torno de 15 a 22°C e apresentar um sabor de acordo com a preferência do indivíduo, favorecendo a palatabilidade. Após o exercício:é preciso continuar ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de água pela diurese e sudorese. Deve-se aproveitar para ingerir carboidratos, em média de 50 g de glicose, nas primeiras duas horas após o exercício para que se pro- mova a ressíntese do glicogênio muscular e o rápido armazenamento de glicogênio muscular e hepático. 105/172 A hiperidratação com líquidos contendo glicerol pode aument- ar o risco de hiponatremia pela maior diluição, e a vontade de urinar durante a competição. Mesmo que uma boa hidratação durante o exer- cício prolongado no calor favoreça as respostas termorregulatórias e de performance esportiva, não podemos garantir que, em situações de extremo estresse térmico, ela seja suficiente para evitar fadiga ou choque térmico. Os isotônicos Os isotônicos foram desenvolvidos para repor líquidos e sais minerais perdidos pela sudorese. No entanto, algumas pesquisas in- dicam que a adição de glicose às bebidas reidratantes, além de forne- cer uma fonte de energia, também poderia estimular a absorção de sódio. A inclusão de sódio nas bebidas reidratantes promove maior absorção de água e carboidratos pelo intestino durante e após o exercí- cio. Isso se dá porque o transporte de glicose é acoplado com o trans- porte de sódio, resultando em maior absorção de água. Em exercícios prolongados, que ultrapassam uma hora de duração, recomenda-se beber líquidos contendo de 0,5 a 0,7 g/L (20 a 30 mEq/L) de sódio, o que corresponde a uma concentração similar ou mesmo inferior àquela do suor de um indivíduo adulto. Tal re- comendação deve ser estudada caso a caso quando o exercício for de alta intensidade e para algumas modalidades, mesmo que em menor duração. A utilização de gel energético durante o exercício vem sendo cada vez mais frequente e cumpre o papel na reposição de carboidratos. No entanto, seu uso deve ser acompanhado da ingestão 106/172 regular de água, para que a associação garanta a manutenção do desempenho de um organismo corretamente hidratado. A seleção da bebida deve ser precedida de leitura cuidadosa de seus componentes. Normalmente, os valores são para porções de 100 mL. Assim, uma bebida que contenha 60 g/L terá 6 g/100 mL de carboidratos. Por força da lei, as informações nutricionais constam no rótulo do produto. Outros elementos que afetam a eficácia de uma be- bida esportiva O esvaziamento gástrico é facilitado com a ingestão de líquid- os com baixo teor calórico, sendo a absorção intestinal otimizada com líquidos isosmóticos, entre 200 e 260 mosmol/kg. A ingestão de líquidos hipertônicos poderia causar a secreção de água do organismo para a luz intestinal. Vários outros fatores referentes à palatabilidade do líquido afetam a ingestão voluntária, como a temperatura, doçura, intensidade do gosto e acidez, além da sensação de sede e das preferências pessoais. A ingestão de bebidas geladas influi apenas na palatabilidade, facilitando sua ingestão. Não existem evidências atuais de que bebidas geladas facilitem a absorção da água ou nutrientes que as acompan- ham. Alguns afirmam que ao chegar ao estômago, a temperatura do líquido ingerido já será próxima da temperatura corporal. De maneira geral, os isotônicos têm em sua formulação básica: sódio, potássio, cloreto e glicose. São uma espécie de “soro” capaz de facilitar a absorção de moléculas de água e acelerar a hidratação. Recomendações 107/172 • Não é recomendada a ingestão de isotônicos para crianças menores de 5 anos; • A mesma recomendação é feita a pessoas com hipertensão e gestantes, devido à presença de sódio; • O uso de isotônicos só é recomendado quando há de- sidratação profunda ou perda de no mínimo 2% de água; • Para quem pratica atividades intensas, uma dose de 300 a 500 mL é suficiente para repor os eletrólitos perdidos. 108/172 18 Suplementos alimentares para atletas Suplementos alimentares para atletas, também denominados alimentos para atletas, são indicados para indivíduos com necessid- ades nutricionais específicas em decorrência de exercícios físicos. Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada é suficiente para atender às necessidades nutricionais de atletas. Apenas em situações específicas, alguns atletas necessitam de suplementação, conforme orientação de nutricionista ou médico. Como uma dieta equilibrada é capaz de suprir quaisquer necessidades atléticas, esses alimentos não são indicados para praticantes de exercício físico de forma regular ou esporádica com objetivo de promoção da saúde, recreação, estética, aptidão e condicionamento físico, inserção social, desenvolvimento de habilidades motoras ou reabilitação orgânico-funcional. As categorias de suplementos para atletas, segundo a Anvisa, são especificadas abaixo: • Suplemento hidreletrolítico: produto destinado a auxiliar a hidratação; • Suplemento energético: produto destinado a complementar as necessidades energéticas; • Suplemento proteico: produto destinado a complementar as necessidades proteicas; • Suplemento para substituição parcial de refeições: produto destinado a complementar as refeições de atletas em situ- ações nas quais o acesso a alimentos que compõem a ali- mentação habitual seja restrito; • Suplemento de creatina: produto destinado a complementar os estoques endógenos de creatina; • Suplemento de cafeína: produto destinado a aumentar a res- istência aeróbia em exercícios físicos de longa duração; • Apresentaremos as observações da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte quanto à alguns tipos de suplementos. Apresentaremos as observações da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte quanto à alguns tipos de suplementos. Proteínas A ingestão proteica deve ser obtida por uma dieta normal e variada, sendo a suplementação uma forma prática e segura de ad- equar um consumo de boa qualidade e a biodisponibilidade de aminoácidos para as demandas aumentadas de um atleta em treina- mento e competição. O horário e seu tipo é parte de um programa de treinamento e tem por objetivo principal melhorar a recuperação muscular. Para se estabelecer o valor adequado para ingestão de pro- teína, é necessário, antes de tudo, determinar, além das características individuais (sexo, idade, perfil antropométrico, estado de saúde, etc.), parâmetros básicos a respeito da atividade física praticada, como in- tensidade, duração e frequência. Para indivíduos sedentários, recomenda-se a ingestão de 0,8 g de proteína por kg/dia. Já os indivíduos ativos, com a ingestão de 1,2 a 1,4 g/kg/dia, teriam sua demanda atendida. Visando à hipertrofia 110/172 muscular, atletas ou não teriam suas necessidades atendidas com o consumo máximo de 1,8g/kg/dia, o que pode ser contemplado perfeit- amente em uma alimentação equilibrada, salvo em situações especiais. Estudos recomendam que o uso dos suplementos proteicos, como a proteína do soro do leite ou a albumina da clara do ovo, deve estar de acordo com a ingestão proteica total. O consumo adicional desses suplementos acima das necessidades diárias (1,8 g/kg/dia) não determina ganho de massa muscular adicional nem promove melhoria no desempenho. A ingestão proteica, após o exercício físico de hipertrofia, favorece o aumento de massa muscular, quando combinada com a in- gestão de carboidratos, reduzindo a degradação proteica. A dose re- comendada é de 10 g de proteínas e 20 g de carboidratos. Esse con- sumo deve estar de acordo com a ingestão proteica e calórica total. O aumento da massa muscular ocorre como consequência do treina- mento, assim como a demanda proteica, não sendo o inverso verdadeiro. Aminoácidos O consumo de aminoácidos, sob a forma de suplementação, tem sido sugerido como estratégia que visa a atender a uma solicitação metabólica específica para as necessidades do exercício. A ingestão de aminoácidos essenciais após o treino intenso,adicionados a soluções de carboidratos, determinaria maior recuperação do esforço seguido de aumento da massa muscular. Do consumo de aminoácidos isola- dos, apenas os essenciais apresentam alguma sustentação na literatura científica. 111/172 Os efeitos da suplementação com aminoácidos de cadeia rami- ficada (BCAA) no desempenho esportivo são discordantes e a maioria dos estudos realizados parece não mostrar benefícios, não sendo justi- ficável seu consumo com finalidade ergogênica. Outro ponto que carece de confirmação científica é seu uso com objetivo de melhora do sistema imunológico após atividade física prolongada. Considerações especiais Os aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina), por serem potentes moduladores da captação de triptofano pelo sistema nervoso central, aumentariam a tolerância ao esforço físico prolongado. Entretanto, esses dados, relatados em alguns estudos, são pouco reprodutivos, não sendo justificável seu consumo com finalidade ergogênica. Outro ponto que carece de comprovação é seu consumo visando ao aprimoramento da atividade do sistema imunológico após atividade física intensa. Desse modo, recomenda-se que não seja utilizada a suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada com finalidade ergogênica. A comercialização de BCAA é vetada pela Anvisa. A glutamina, aminoácido que age como nutriente para as célu- las de divisão rápida, como as intestinais e imunitárias, por exemplo, tem sido utilizada para aumentar a defesa imunológica de atletas, dur- ante períodos de treinamento intenso. Quando a ingestão é oral, o el- evado consumo pelas células intestinais inviabiliza sua disponibilidade para outras regiões do organismo. Tal condição mostra ser inviável a justificativa de sua suplementação oral, mesmo para os participantes de exercícios físicos muito desgastantes. Atualmente, não existe evid- ência científica suficiente que demonstre a glutamina altera a função imune e previne lesões em atletas saudáveis que consomem níveis ad- equados de proteínas, o que torna sua suplementação necessária apen- as em casos em que a avaliação individual assim indicar. 112/172 A ornitina e a arginina são aminoácidos que produzem maior secreção de hormônio de crescimento quando oferecidos através de in- fusão intravenosa, sendo, entretanto, seu consumo por via oral in- eficaz. Não é recomendada a suplementação desses aminoácidos. Creatina A creatina tem sido apontada como o suplemento nutricional de maior eficiência na melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade e no aumento de massa muscular. A hipótese é que quanto mais creatina disponível no músculo, maior formação de fosfocreatina, o que aumenta a ressíntese da ATP e proporciona mais energia para a realização de exercícios de força e explosão, auxiliando no aumento de massa muscular. Já seu uso como recurso ergogênico em atividades físicas pro- longadas não encontra nenhum suporte na literatura científica. A mel- hora, ou não, do desempenho em exercícios com predominância aeró- bia é pouco documentada. Embora com resultados ainda controversos, muitos estudos têm sugerido que a creatina teria efeito ergogênico em indivíduos nos quais se constata diminuição de aporte da creatina exógena alimentar, como ocorre com os vegetarianos e os indivíduos idosos. Somente para esses casos específicos, após boa análise de um profissional especializ- ado, médico e/ou nutricionista, é justificável seu uso, embora, ainda, com fraco grau de recomendação. Somente para atletas competitivos de eventos de grande inten- sidade e curta duração, ou seja, atividades nas quais predomina a util- ização de fosfagênios, sempre em caráter excepcional, o uso de creat- ina é permitido. Portanto, mesmo nesses casos, a recomendação é a de 113/172 que, em geral, não se deve usar a suplementação de creatina, sendo seu uso aceito em raras ocasiões. Para os demais desportistas fica es- tabelecida a recomendação de nunca usar. Desse modo, recomenda-se que a utilização da creatina como suplemento, com finalidade ergo- gênica, seja analisada individualmente. Atualmente, a Anvisa permite a comercialização desse suplemento. • Dose comumente usada: 20 a 30 g/dia, de 4 a 6 doses de 5 g, devendo ser ingerida ao longo de 5 a 7 dias. Depois desse período, para não provocar sobrecarga, é indicado o uso de doses de 2 a 5 g/dia. Beta-hidroxi-beta-metilbutirato O uso de beta-hidroxi-beta-metilbutirato (HMB) tem sido co- gitado como um potencial agente para o aumento da força e massa magra corporal, por promover ação anticatabólica. No entanto, ainda faltam estudos científicos que comprovem de maneira inequívoca a eficácia do suplemento nessa ação ergogênica, a não ser em algumas situações específicas, como é o caso de populações de idosos que parti- cipam de programas de exercícios físicos visando ao ganho de força muscular. Para a população em geral, mesmo quando se trata de atletas de competição, não existe recomendação para seu uso, devendo preva- lecer a orientação de que não se deve usar. 114/172 L-carnitina A L-carnitina é um composto endógeno fundamental para o transporte de ácidos graxos para dentro da mitocôndria. Ela é sintetiz- ada no fígado e rins a partir da lisina e contida nos alimentos de ori- gem animal. A teoria é que a L-carnitina seja direcionada músculo es- quelético. A biodisponibilidade da carnitina ingerida é baixa. As célu- las não captam o composto de forma efetiva. Seriam necessárias altas doses para afetar a concentração de carnitina nos músculos. A suple- mentação, portanto, a suplementação não seria justificada. Especulações ergogênicas da L-carnitina: • Aumento da oxidação de ácidos graxos: no exercício longo pouparia o glicogênio muscular; • Melhora da resistência à fadiga; • Redução da gordura corporal; • Reposição da carnitina perdida nos treinamentos; • Doses estudadas: 2 a 6 g/dia O que a literatura diz a respeito? Bioquimicamente não é possível ocorrer tal mecanismo não existindo evidências da eficácia. A oxidação dos ácidos graxos ocorre devido, especialmente, à presença da Coenzima-A, não sendo a carnit- ina responsável por essa função. Segundos consensos científicos, a suplementação de L-carnit- ina não afeta a concentração de carnitina muscular, metabolismo das gorduras e a perda de peso. É considerado um suplemento 115/172 aparentemente inefetivo (as teorias têm pouco fundamento e existem poucas pesquisas científicas, que, em grande parte, mostram que não é efetivo). Ácido linoleico conjugado (CLA) O ácido linoleico conjugado é um tipo de gordura trans form- ado a partir de ácidos graxos insaturados. Ele é obtido por um pro- cesso de hidrogenação natural, transformação que ocorre na flora mi- crobiana intestinal dos ruminantes. Estudos sugerem que o CLA está relacionado com alterações na composição corporal, que levam a um aumento da massa muscular e redução do percentual de gordura corporal. Entretanto, de acordo com as pesquisas, ainda não foi compreendida a ação do CLA, já que a maior parte das análises foi feita com animais e não com seres humanos. O que a literatura diz a respeito? Estudos desenvolvidos com humanos mostram poucos efeitos comprovados sobre a composição corporal. É considerado um suple- mento aparentemente ineficaz. 116/172 19 Atendimento nutricional do atleta O organismo do atleta é uma máquina que precisa gerar ener- gia adequada para a realização de treinos e competições. Sendo assim, é indispensável que o combustível, no caso, o alimento, seja adequado. Se forem utilizados alimentos inadequados ou de maneira errônea, pode ocorrer queda do rendimento e o desempenho do atleta fica com- prometido. Dessa maneira, é essencial que o atleta nutra seu organ- ismo de forma correta e estratégica para obter bons resultados e até mesmo evitar lesões e outrosproblemas que a má alimentação pode acarretar. No atendimento nutricional do atleta, algumas etapas devem ser seguidas, as quais serão abordadas e detalhadas na sequência. Acompanhe: • Avaliação do consumo alimentar; • Avaliação da composição corporal; • Solicitação e análise de exames bioquímicos e registro do treinamento; • Elaboração do plano alimentar. 1ª Etapa - avaliação do consumo alimentar A avaliação do consumo alimentar, enquanto primeira etapa do atendimento nutricional, apresenta uma série de objetivos. Como mais importantes metas pode-se apontar que essa etapa permite con- hecer o hábito alimentar do atleta e do praticante de atividade física, bem como identificar possíveis distúrbios nutricionais. Além disso, por meio dessa avaliação, é possível indicar alguma provável inad- equação em relação à quantidade, à qualidade e ao fracionamento da dieta, bem como identificar terapias nutricionais apropriadas para possibilitar uma intervenção precisa. Também é possível apontar, pre- cocemente, algum risco de inadequação de consumo de micronutri- entes importantes para a prática esportiva. Para uma avaliação do consumo alimentar detalhada, é ne- cessário que seja elaborado um roteiro de análise que contenha as seguintes informações: Dados pessoais: informações como nome completo, en- dereço e telefone são obrigatórias. Outros itens também podem ser coletados, dependendo da experiência e do “jogo de cintura” do profis- sional, como a renda, por exemplo. Esse é um dado importante, pois poderá guiar todo o planejamento alimentar, definindo a escolha dos alimentos que farão parte da rotina do atleta. Meta: deve-se perguntar ao atleta qual a sua expectativa em relação ao atendimento nutricional (hipertrofia muscular, melhora do rendimento, emagrecimento, reeducação alimentar). Rotina diária: coleta de informações relacionadas às horas de sono e ao treinamento. Pode-se fazer, por exemplo, perguntas a re- speito do tipo de treinamento, intensidade, horário, frequência seman- al. Acompanhe algumas situações possíveis a seguir: • Tipo: deve-se perguntar qual o tipo do esporte principal (futebol, vôlei, natação, etc), mas também não devem ser es- quecidas as atividades complementares (musculação, cor- rida, tênis aos fins de semana, etc); 118/172 • Intensidade: o esporte é praticado em sua intensidade máx- ima ou submáxima? Qual a porcentagem em relação ao VO2máximo? Essa pergunta pode ser respondida pelo pre- parador físico do atleta; • Horário: a prática esportiva ocorre pela manhã, pela tarde ou à noite? Essa informação irá guiar, inclusive, o planeja- mento das refeições (volume e tipos de alimentos em cada refeição); • Frequência semanal: a atividade ocorre todos os dias? Ou três vezes por semana? Não se esqueça de considerar a atividade principal e as complementares. Histórico de utilização de suplementos alimentares e medicamentos: perguntar ao atleta se ele já fez uso de suplementos e medicamentos com intuito de aumentar o percentual de massa mus- cular, aumentar o rendimento ou a capacidade de realização da ativid- ade, perder peso, etc. Recordatório de 24 h: incluindo os horários das refeições e locais onde são realizadas. Caso o profissional prefira, ao invés de se utilizar o recordatório de 24 h, pode-se perguntar ao paciente sobre sua alimentação habitual (anamnese). Essa prática elimina a possibil- idade de o dia anterior à consulta ter sido um dia atípico, ou seja, que não reflete os hábitos cotidianos do atleta. Questionário de frequência alimentar: existem inúmer- os tipos de questionários de frequência alimentar, desde os mais simples e objetivos até os mais extensos, cujas listas de alimentos po- dem conter mais de 300 itens! Como normalmente o atendimento nu- tricional não leva um tempo demasiadamente longo, é interessante que o profissional privilegie nesse questionário os alimentos mais im- portantes e com maior impacto na rotina alimentar do atleta. Por ex- emplo, a lista deve conter alimentos ricos em carboidratos, proteínas, 119/172 cálcio e ferro, mas também precisam aparecer alimentos muito ricos em gorduras e açúcares, que podem trazer prejuízos à saúde. 2ª Etapa - avaliação da composição corporal A avaliação da composição corporal é fundamental para se de- cidir quanto ao diagnóstico nutricional de um indivíduo e a conduta dietética a ser prescrita. A composição corporal pode ser definida pela fórmula: • Composição corporal = peso de gordura + peso muscular + peso ósseo + peso residual (órgãos, pele, sangue, tecido epi- telial, sistema nervoso, etc.) Gordura essencial Acumulada na medula dos ossos e no coração, nos pulmões, fígado, baço, rins, intestinos, músculos e tecidos ricos em lipídios no sistema nervoso central. Necessária para o funcionamento fisiológico normal. Gordura de reserva Acumulada no tecido adiposo, é uma reserva nutricional. In- clui os tecidos viscerais que protegem os órgãos internos dos traumat- ismos,e a gordura subcutânea, localizada, como o próprio nome faz pressupor,por debaixo da superfície cutânea. Curiosidade 120/172 Homens apresentam apenas 3% de gordura de re- serva, enquanto as mulheres apresentam 12%. A tabela a seguir (Tabela 3) mostra os valores de referência para gordura essencial em homens e mulheres. Classificação Homens Mulheres Gordura essencial 01 a 05 % 03 a 08 % Maioria dos atletas 05 a 13 % 12 a 22 % Saúde ótima 12 a 18 % 16 a 25 % Obesidade limítrofe 22 a 27 % 30 a 34 % Tabela 3 - Diretrizes Sugeridas para Composição Corporal para Esporte, Saúde e Aptidão Fonte: Foss & Keteyian, 2000 A avaliação da composição corporal permite quantificar os principais componentes estruturais do corpo: músculo, ossos e gordura. Quando nos deparamos com tabelas de peso x altura, temos que ter em mente que elas são baseadas em dados estatísticos obtidos por meio das variações médias da massa corporal em relação à es- tatura, onde a taxa de mortalidade é mais baixa. Além disso, essas ta- belas não levam em consideração a quantidade de gordura corporal presente no organismo do indivíduo e não podem ser utilizadas como padrão para atletas. Como exemplo disso, pode-se citar o índice de massa corporal, obtido por meio da fórmula: 121/172 • IMC = peso (kg)/altura (m²) - não é considerado um bom parâmetro para atletas! Métodos para avaliação da composição corporal Todos os métodos prontamente disponíveis para avaliar a composição corporal se baseiam em certas suposições e, portanto, rep- resentam estimativas do percentual real de gordura corporal. Os méto- dos mais utilizados para fazer uma estimativa do conteúdo adiposo do corpo são listados a seguir. Pesagem hidrostática Estimativa da densidade corporal: Dc = PAR / K - (VR + 100) onde: Dc = densidade corporal (g/cm³) PAR = peso no ar em gramas (pesagem em condições habituais) K = [peso no ar (PAR, g) - peso na água (Págua , g)] /densid- ade da água (em função da ToC) (peso no ar - peso na água, representa o volume na água) VR = volume residual em cm³ 100 = estimativa do gás gastrointestinal em cm³ Estimativa da gordura corporal a partir de medidas de circunferências As regiões anatômicas utilizadas na tomada de medidas de cir- cunferência para homens e mulheres, jovens e idosos, são descritas abaixo: 122/172 • Mulheres jovens: abdome (A), coxa direita (B), antebraço direito (C) • Mulheres idosas: abdome (A), coxa direita (B), panturrilha direita (C) • Homens jovens: braço direito (A), abdome (B), antebraço direito (C) • Homens idosos: nádegas (A), abdome (B), antebraço direito (C) Essas medidas devem ser tomadas da seguinte forma: • Abdome: uma polegada acima do umbigo • Nádegas: protuberância máxima com os calcanhares unidos • Coxa direita: parte superior da coxa • Braço direito: braço estendido, elevado edisposto lateral- mente ao corpo (medido no ponto médio entre o ombro e o cotovelo) • Antebraço direito: circunferência máxima com o braço es- tendido e elevado lateralmente ao corpo. • Panturrilha direita: maior circunferência na região entre o tornozelo e o joelho. A gordura percentual pode ser calculada diretamente através do uso de três constantes, A, B e C. Os valores correspondentes para cada constante são substituídos em fórmulas específicas: 123/172 • Mulheres jovens: gordura % = constante A + constante B - constante C - 19,6 • Mulheres idosas: gordura % = constante A + constante B - constante C - 18,4 • Homens jovens: gordura % = constante A + constante B - constante C - 10,2 • Homens idosos: gordura % = constante A + constante B - constante C – 15,0 Atenção Essas equações estimam a gordura percentual a partir de circunferências e podem não ser válidas quando aplicadas a jovens atletas que se dedicam a treinamentos físicos rigorosos e indivíduos grandes ou pequenos que poderiam ser visualmente classific- ados como magros ou obesos. Mensuração de dobras cutâneas (mensuração da den- sidade corporal) A seguir, conheça as principais dobras cutâneas utilizadas para a mensuração da densidade corporal de cada indivíduo: Tríceps Dobra vertical medida na linha média da parte superior do braço, a meio caminho entre a ponta do ombro e a ponta do cotovelo (Figura 1). 124/172 Figura 1 - Tríceps Subescapular Dobra oblíqua medida imediatamente abaixo da extremidade inferior da escápula (Figura 2). Figura 2 - Subescapular Suprailíaca Dobra ligeiramente oblíqua, medida diretamente acima do osso do quadril (Figura 3). Figura 3 - Suprailíaca 125/172 Coxa Dobra vertical medida na linha média da coxa, a dois terços da distância entre a patela e o quadril (Figura 4). Figura 4 - Coxa Axilar média Dobra oblíqua, tendo como ponto de reparo a orientação dos espaços intercostais localizados na intersecção da linha axilar (Figura 5). Figura 5 – Axilar média Peitoral Dobra diagonal pontuada na metade da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo para os homens e a um terço da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo para as mulheres (Figura 6). 126/172 Figura 6 - Peitoral Dobra cutânea abdominal Localizada lateralmente a 3 cm da cicatriz umbilical, realizada em um sentido longitudinal, acompanhando a distribuição vertical das fibras musculares do reto do abdominal. Também realizada em um sentido horizontal, acompanhando a disposição das fáscias tendinosas do músculo reto abdominal (Figura 7). Figura 7 – Dobra cutânea abdominal Dobra cutânea da panturrilha Localizada ao redor do maior volume muscular (protusão) da perna, realizada em um sentido longitudinal, acompanhando a dis- tribuição vertical das fibras musculares dos dois gastrocnêmios, est- ando o indivíduo sentado com os quadris e os joelhos em ângulo aproximado de 90° (Figura 8). 127/172 Figura 8 – Dobra cutânea da panturrilha Dobra cutânea bicipital Localizada na distância de inserção entre a borda anterossu- perior do processo acromial escapular e a fossa cubial anterior, realiz- ada em um sentido longitudinal, acompanhando a distribuição vertical das fibras musculares do bíceps braquial (Figura 9). Figura 9 – Dobra cutânea bicipital As equações 1 e 2 abaixo são generalizadas e comportam uma ampla aplicação na população, levando em conta idade, sexo e es- pessura das dobras cutâneas. 1. Equação generalizada de Jackson, Pollock e Ward (JPW) para mulheres: Dc = 1,0994921 - 0,0009929 . (X1) + 0,0000023 . (X1)2 - 0,0001392 . (X2) 128/172 Onde: Dc = densidade corporal em g/cm3 X1 = soma das dobras cutâneas tricipital, suprailíaca e do ter- ço médio da coxa (mm) X2 = idade em anos 2. Equação generalizada de Jackson e Pollock (JP) para homens Dc = 1,10938 - 0,0008267 . (X1) + 0,0000016 . (X1)2 - 0,0002574 . (X2) Onde: X1 = somas das dobras cutâneas peitoral, abdominal e do ter- ço médio da coxa (mm) X2 = idade em anos Essas equações geralmente são convertidas em percentual de gordura corporal pela equação de Siri, analisada mais adiante. Foi relatado que as equações JPW e JP comportam um valor aproximado de ± 3,5%. Cálculo do percentual de gordura corporal A densidade corporal será convertida em gordura corporal at- ravés de duas equações, que dão resultados semelhantes. Equação de Siri (1961) % de gordura corporal = 495 / Dc - 450 Equação de Brozec (1963) % gordura = 457 / Dc - 414,2 129/172 Com exceção de valores adiposos "0% de gordura" e acima de 30%, ambas as equações dão resultados semelhantes. Nesses ex- tremos, elas proporcionam respostas divergentes e deve-se ter cautela na interpretação dos resultados. Essas equações são baseadas em cadáveres masculinos e não contemplam variações de sexo, idade e raça. A tabela a seguir (Tabela 4) fornece equações alternativas para estimar o percentual de gordura corporal e também podem ser utiliza- das com segurança. Idade Sexo Equação M %Gord = [(5,03/Dc)- 4,59] x100 15-16 F %Gord = [(5,07/Dc)- 4,64] x100 M %Gord = [(4,98/Dc)- 4,53] x100 17-19 F %Gord = [(5,05/Dc)- 4,62] x100 M %Gord = [(4,95/Dc)- 4,50] x100 20-50 F %Gord = [(5,03/Dc)- 4,59] x100 Tabela 4 - Equações alternativas para estimar o % de gordura (Variação de Brozec e Siri) Equação de Falkner % Gordura = (S4PC x 0,153) + 5,783 Onde: S4PC = somas das quatro pregas - tríceps, subescapu- lar, suprailíaca e abdominal. 130/172 Atenção A qualidade de cada um dos métodos de avaliação da composição corporal depende da habilidade de quem realiza as mensurações. Segundo as diretrizes sugeridas pela RDA (1968), a com- posição corporal desejável para esporte, saúde e aptidão encontra-se na tabela abaixo (Tabela 5): Classificação Homens Mulheres Gordura essencial 1 a 5% 3 a 8% Maioria dos atletas 5 a 13% 12 a 22% Saúde ótima 10 a 25% 18 a 30% Aptidão ótima 12 a 18% 16 a 25% Obesidade limítrofe 22 a 27% 30 a 34% Tabela 5 - Diretrizes sugeridas da Composição Corporal para Esporte, Saúde e Aptidão Fonte: RDA, 1968. Buskirk (Tabela 6) e Hall (Tabela 7) sugeriram, cada um, as seguintes mensurações das dobras cutâneas para classificar os atletas do sexo masculino em termos de gordura corporal: subescápula, ab- dome, tríceps. 131/172 Classificação % degordura Tríceps (mm) Subescapular (mm) Abdome (mm) Soma (mm) Magro <7% <7 <8 <10 <25 Aceitável 7 a15% 7-13 8-15 10-20 25-48 Gordo >15% >13 >15 >20 >48 Tabela 6 - Classificação das mensurações das dobras cutâneas para atletas masculinos segundo Buskirk Classificação % degordura Tríceps (mm) Subescapular (mm) Abdome (mm) Soma (mm) Magro <12% <9 <7 <7 <23 Aceitável 12 a25% 9-17 7-14 7-15 23-46 Gordo >25% >17 >14 >15 >46 Tabela 7 - Classificação das mensurações das dobras cutâneas para mulheres atletas segundo Hall As tabelas abaixo, mostram o percentual de gordura para o sexo masculino (Tabela 8) e para o sexo feminino (Tabela 9). Percentual de gordura (g%) para homens Nível /Idade 18 - 25 26 - 35 36 - 45 46 - 55 56 – 65 132/172 Excelente 4 a 6 % 8 a 11% 10 a14% 12 a 16% 13 a 18% Bom 8 a 10% 12 a 15% 16 a18% 18 a 20% 20 a 21% Acima da média 12 a 13% 16 a 18% 19 a 21% 21 a 23% 22 a 23% Média 14 a 16% 18 a 20% 21 a23% 24 a 25% 24 a 25% Abaixo da média 17 a 20% 22 a 24% 24 a 25% 26 a 27% 26 a 27% Ruim 20 a24% 20 a 24% 27 a 29% 28 a 30% 28 a 30% Muito ruim 26 a36% 28 a 36% 30 a 39% 32 a 38% 32 a 38% Tabela 8 - Percentual de gordura (g%) para homens Percentual de gordura (g%) para mulheres Nível /Idade 18 - 25 26 – 35 36 - 45 46 - 55 56 - 65 Excelente 13a 16 % 14 a 16% 16 a 19% 17 a 21% 18 a22%Bom 17 a 19% 18 a20% 20 a 23% 23 a 25% 24 a 26% 133/172 Acima da média 20 a 22% 21 a 23% 24 a 26% 26 a 28% 27 a 29% Média 23 a 25% 24 a25% 27 a 29% 29 a 31% 30 a 32% Abaixo da média 26 a 28% 27 a 29% 30 a 32% 32 a 34% 33 a 35% Ruim 29 a 31% 31 a 33% 33 a 36% 35 a38% 36 a 38% Muito ruim 33 a 43% 36 a 49% 38 a 48% 39 a 50% 39 a 49 Tabela 9 - Percentual de gordura (g%) para mulheres. A avaliação da composição corporal também pode ser feita pela avaliação da gordura corporal ou pela avaliação da estrutura cor- poral de acordo com o somatótipo, conforme descrito a seguir. Somatótipos (Sheldon & Heath-Carter) O termo somatótipo se refere ao tipo corporal ou à classi- ficação física do corpo humano. Os termos endomorfo, mesomorfo e ectomorfo são usados para descrever uma pessoa em relação ao seu somatótipo. Endomorfia (gordura): componente corporal que se caracter- iza por certa predominância do abdômen em relação ao tórax, ombros altos e quadrados e pescoço curto. A endomorfia é o componente "gor- duroso" do corpo. Existe uma regularidade dos contornos em todas as áreas, sem relevo muscular. 134/172 Mesomorfia (músculo): componente que se caracteriza por um corpo anguloso (quadrado) com musculatura dura, robusta e proemin- ente. Os ossos são grandes e as pernas, o tronco e os braços costumam ser maciçamente musculosos. Muitos atletas possuem um alto grau desse componente. Ectomorfia (corpo magro): inclui características como linear- idade, fragilidade e delicadeza do corpo. Esse é o componente de magreza, os ossos são pequenos e os músculos finos. Não existe proeminência dos músculos em nenhum ponto do físico. Cada um de nós possui certo grau de todos os componentes corporais típicos. Atletas e pessoas ativas tendem a possuir compon- entes mesomórfico e ectomórfico mais altos que os não atletas ou os indivíduos sedentários. Outras formas de avaliação da composição corporal: • BIA (impedância bioelétrica) - é um instrumento portátil que mede a resistência corporal total para uma corrente fraca passada através do corpo; • Avaliação ultrassônica da gordura - um medidor ul- trassônico portátil mede a distância entre a pele e a camada de gordura - músculo e a camada de gordura-músculo e osso; • Avaliação radiográfica da gordura do braço - estimativa direta e inequívoca do conteúdo em gordura corporal. A es- pessura da gordura fornecida pela radiografia substitui as dobras cutâneas; • Avaliação da gordura por tomografia computadorizada (TC) - a técnica de mapeamento por TC consegue fornecer im- agens em corte transversal para qualquer parte do corpo. 135/172 3ª Etapa - solicitação e análise de exames bioquímicos No atendimento nutricional, é de extrema importância que seja feita a análise de exames bioquímicos, que são aplicados para complementar a avaliação do atleta. Sugere-se a análise dos seguintes resultados bioquímicos: Hemograma completo: é comum verificar um aumento do número de hemácias quando se realiza a avaliação do exame bioquímico do atleta. A explicação para esse fato é que o exercício pro- longado constitui um estímulo para que haja um aumento no número dessas células. Isso significa que, se realizarmos um hemograma num atleta e o compararmos com o hemograma de um indivíduo sedentário, com certeza o atleta terá muito mais hemácias do que o in- divíduo comum. Esse aumento proporcionará um sangue mais oxigen- ado para o músculo. Sabe-se que as hemácias são as estruturas do sangue responsáveis pelo transporte do oxigênio para os tecidos; com o aumento do número dessas células, conseqüentemente o oxigênio chegará com mais facilidade ao músculo. Perfil lipídico (Lipidograma) completo (colesterol total e frações): em casos específicos, ressalta-se a importância de solicitação de exames bioquímicos para atletas que apresentam fatores de risco para dislipidemias, visando à prevenção de doenças futuras. Assim, torna-se necessária a intervenção constante junto aos atletas com per- fil lipídico alterado, reforçando a relevância de programas específicos de atenção à saúde. Além desses, podem ser solicitados também: • Hepatograma completo (Gama GT, TGO, TGP, Fosfatase Al- calina, etc.); 136/172 • Íons: Na, K, Cl, Ca, Mg, etc; • “Marcadores catabólicos” (CK, LDH). 4ª Etapa - elaboração do planejamento alimentar - etapas A importância da nutrição adequada é um fato conhecido pela maioria dos atletas e seus treinadores. Para aqueles que estão en- volvidos em competições, o objetivo é um só: melhorar cada vez mais suas marcas. Já para os que praticam esportes como passatempo ou como um meio de melhorar a sua saúde, o objetivo da alimentação ad- equada é o atendimento às necessidades nutricionais, evitando tanto as deficiências quanto os excessos. Portanto, é essencial que todos os praticantes de atividade esportiva estejam alimentados adequada- mente. O planejamento alimentar, como última etapa do atendimento nutricional do atleta, também deve seguir alguns passos, que serão descritos a seguir. 1º passo: determinação das necessidades energéticas do atleta. As necessidades energéticas dependem da idade, estilo de vida, saúde e, especialmente, o tipo de atividade física. A dieta deve ser equilibrada para conseguir o melhor desempenho atlético. O consumo de energia deve atender à despesa de energia e permitir que o atleta mantenha seu peso corporal ideal. 2º passo: análise do consumo alimentar, em que podem ser utilizados os métodos descritos anteriormente. 137/172 3º passo: atendimento às recomendações de carboidratos, proteínas, lipídios e água. Nessa fase, algumas dicas valiosas podem ser dadas ao atleta: • A ingestão de alimentos ricos em proteínas não é re- comendada antes da atividade física. É importante evitar principalmente alimentos como leite, queijos, carnes, presunto; • Alimentos ricos em óleo e gorduras não são aconselháveis antes da atividade; • Evitar café e alimentos ricos em cafeína (chá mate e preto), uma vez que esses alimentos são potentes diuréticos; • É preciso dar mais atenção para a hidratação; • Também é importante evitar o consumo de alimentos com excesso de fibras antes do exercício, pois eles são capazes de causar distensão abdominal e, consequentemente, descon- forto gástrico; • É desaconselhada a prática de atividade física imediata- mente após as grandes refeições (almoço e jantar). O consumo de alimentos fontes de carboidratos durante o ex- ercício complementa a quantidade do nutriente ofertada pelas bebidas carboidratadas. Assim, frutas, barras de cereais e carboidratos em sachê po- dem ser usados a cada meia hora de prática da atividade, a partir da primeira hora. Cuidados com a alimentação após o término da atividade: 138/172 É uma estratégia importante incluir uma refeição à dieta do esportista tão logo a atividade termine. O ideal é que a refeição pós-ex- ercício seja realizada nas duas primeiras horas que sucedem a prática. Caso os horários não permitam a inclusão de uma boa refeição após o treino, o atleta deve ter sempre consigo uma barra de proteína ou um sachê de mel e procurar ingeri-los junto a sucos e iogurtes. Esses ali- mentos farão com que ele aguarde o horário da refeição com mais tranquilidade. Após o exercício é sempre importante incluir alimentos com o índice glicêmico mais alto, como pão branco, arroz, mel, sucos e frutas como melancia ou banana. O atleta deve associar a esse carboidrato fontes de proteínas como peito de frango, atum, queijos, peito de peru. O consumo de módulos de proteína ( Whey Protein , albu- mina), cápsulas de aminoácidos ou hipercalóricos pode ser ou não in- dicado, dependendo das condições atléticas de cada indivíduo. Além disso, é importante que o praticante de atividade física tenha cuidados com sono, descanso, consumode álcool em excesso e o consumo regular de água. Dieta de treinamento para hipertrofia A hipertrofia é o resultado da acumulação de sucessivos per- íodos de balanço proteico positivo após exercício quando a proteína é consumida. Nesse caso, a dieta deve possui algumas características especiais. Como deve ser a dieta? Carboidratos: devem estar presentes em quantidades adequa- das, visando a suprir a necessidade de energia. Deve-se evitar usar proteínas endógenas como fonte de energia tanto antes quanto após a atividade. 139/172 Atenção Considerações sobre a ingestão proteica - 2g/kg/ dia: • Ingerir proteína animal pode elevar consumo de gordura saturada e colesterol; • História familiar de doenças hepáticas e renais exi- gem especial atenção; • Dieta desbalanceada com excesso de proteínas pode levar à redução do conteúdo mineral ósseo (cálcio). Exemplo: Suponhamos um indivíduo de 70 kg cujo consumo calórico seja de 4000 kcal/dia, e que mantenha uma dieta composta por 15% de proteínas, o que significa um ingestão diária de 150g de proteína ou 2,14g/kg/dia. Nesse caso, não há necessidade de suplementação, que pode ser usada por praticidade e não pela crença de que é impossível con- sumir toda proteína demandada pela alimentação. Suponhamos outro exemplo em que o objetivo do atleta seja aumentar 500 g de músculo em uma semana. Isso significa aumentar o consumo calórico em 2300 a 3500 kcal em uma semana, o que cor- responde a um incremento de 400 a 500 kcal/dia. Para incorporar essa quantidade de massa muscular, consid- erando a composição do músculo esquelético (70% de água, 22% de 140/172 proteína e demais elementos), são necessários entre 88 e 110 g pro- teína/semana ou 12,5 a 15,7 g/dia. Para um homem de 70 kg, basta dividir essa quantidade de proteínas pelo peso corporal: 12,5/70 = 0,178 (adicional de proteínas por dia). Abaixo, temos exemplos de alguns alimentos ricos em proteínas: • 250mL de leite desnatado = 9g de proteína (90 kcal; 12,5g CHO; 0,25g LIP) • 2 fatias (50g) de presunto magro = 12g de proteína (84 kcal; 4g LIP) • 2 fatias (40g) de queijo prato = 11,7g de proteína (140 kcal; 10,4g LIP) • 1 ovo cozido = 6,4g de proteína (80 kcal; 5,7g LIP) Total: 39,1g de proteína: essa quantidade já seria mais do que suficiente para atingir os objetivos do indivíduo em questão, sem haver a necessidade de suplementação. Alguns fatores parecem afetar a necessidade diária de pro- teína. Vamos falar um pouco sobre cada um deles. Ingestão de energia: a ingestão de energia inadequada, tanto por ingestão reduzida quanto por aumento do gasto com exercí- cio, acarreta uma maior necessidade de proteína, que acaba sendo util- izada como energia. Essa quantidade é diferente entre homens e mulheres. Conteúdo de carboidrato: sabe-se que o conteúdo de carboidrato é inversamente proporcional à taxa de catabolismo 141/172 proteico durante o exercício. Assim, deve-se ter cuidado com a in- gestão excessiva de carboidratos para não aumentar as reservas de gordura corporal, uma vez que, na prática, o atleta nem sempre repõe o glicogênio. Tipo, duração e intensidade do exercício Intensidade e duração: exercícios aeróbicos requerem maior uso de proteína como combustível auxiliar (50 a 75% acima RDA=1,2 a 1,4 g/kg). Exercício de força: mudança na taxa de síntese proteína mus- cular e manutenção de uma maior massa muscular (100 % acima RDA=1,6 a 1,8 g/kg). Qualidade da proteína Homens em treino de força obtêm maior ganho de massa muscular em dieta com carne quando comparada à dieta lactoveget- ariana. Esses dados sugerem que o tipo de proteína pode ter um papel importante no crescimento muscular. Gênero A maioria dos estudos é feita com homens. Aeróbio Alguns estudos mostram menor utilização de proteínas em mulheres. Mecanismo Ação hormonal na mulher favorece uso de gordura (menor quantidade de carboidratos e proteína). Força 142/172 Não tem sido estudada sistematicamente. Idade Sarcopenia: • inatividade • 30% de redução na síntese proteica em indivíduos acima de 60 anos Atenção A ingestão de nutrientes é menor que o desejado na terceira idade. Tanto as calorias quanto a proteína podem ser responsáveis pelo aumento de força e massa muscular acima de 60 anos de idade. “Timing” da ingestão de macronutrientes É possível estimular o crescimento muscular (por minimizar a degradação e/ou maximizar a síntese) via ingestão de carboidratos ou aminoácidos logo após a sessão de treino de força. Isso ocorre provavelmente devido a mudanças estimuladas pela insulina no con- sumo de aminoácidos e à síntese de proteínas pelo músculo. 143/172 20 Referências bibliográficas ALVARES, T. S.; MEIRELLES, C. M. 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Ela provém do metabol- ismo dos carboidratos e dos lipídios, e, em menor proporção, do meta- bolismo das proteínas. Ácido lático: composto orgânico de função mista ácido car- boxílico - álcool que apresenta fórmula molecular C3H6O3 e estrutural CH3 - CH (OH) - COOH. Participa de vários processos bioquímicos e o lactato é o sal desse ácido. Ácido pirúvico: composto orgânico que contém três átomos de carbono (C3H4O3), originado ao fim da glicólise. Ácidos graxos: ácidos monocarboxílicos de cadeia normal que apresentam o grupo carboxila (–COOH) ligado a uma longa ca- deia alquílica, saturada ou insaturada. Como nas células vivas dos ani- mais e vegetais os ácidos graxos são produzidos a partir da combin- ação de acetil coenzima A, a estrutura dessas moléculas contém números pares de átomos de carbono. ACSM: American College of Sports Medicine. Adenosina: nucleosídeo formado pela união de uma adenina e uma ribose. Adenosina trifosfato: nucleotídeo responsável pelo armazenamento de energia em suas ligações químicas. Constitui-se por adenosina, um nucleosídeo associado a três radicais fosfato conectados em cadeia. A energia é armazenada nas ligações entre os fosfatos. Adrenais: glândulas em forma triangular localizadas na parte superior dos rins. Também chamadas suprarrenais. Adrenalina: hormônio derivado da modificação de um aminoácido aromático (tirosina), secretado pelas glândulas suprarrenais, assim chamadas por estarem acima dos rins. Em mo- mentos de estresse, as suprarrenais secretam quantidades abundantes desse hormônio, que prepara o organismo para grandes esforços físi- cos, estimula o coração, eleva a tensão arterial, relaxa certos músculos e contrai outros. Água duplamente marcada: método realizado a partir da ingestão de água contendo isótopos estáveis de hidrogênio e oxigênio, que são misturados com a água corporal. As taxas de perda de hidro- gênio e oxigênio são medidas pelo declínio de suas concentrações em algum fluido do corpo, geralmente a urina. A diferença entre a taxa de perda de ambos isótopos é utilizada para estimara produção de dióx- ido de carbono e o gasto energético. Alvéolos pulmonares: estruturas de pequenas dimensões, localizadas no fim dos bronquíolos, onde se realiza a hematose pulmonar. Antioxidante: substância formada por vitaminas, minerais, pigmentos naturais e outros compostos vegetais e, ainda, enzimas , que compreende um conjunto heterogêneo que bloqueia o efeito danoso dos radicais livres. O termo antioxidante significa "que impede a oxidação de outras substâncias químicas", que ocorrem nas reações metabólicas ou por fatores exógenos como as radiações ionizantes. Antropometria: conjunto de técnicas utilizadas para medir o corpo humano ou suas partes. 151/172 Atletas de resistência: atletas que têm capacidade de resi- stir por mais tempo às ações do jogo (embora este, em geral, seja de menor intensidade). Na maioria dos casos, os atletas com muita res- istência são menos velozes, enquanto os que são dotados de grande ve- locidade possuem menor capacidade de manter a atividade por per- íodo de tempo maior. Bicarbonato: sais que contêm o ânion HCO3-. Quimica- mente, são resultantes de uma reação de salificação parcial. Entre os bicarbonatos, o mais importante é o bicarbonato de sódio. Devido a sua solubilidade relativamente baixa, é um intermediário no processo de obtenção do carbonato de sódio. ß-oxidação: processo catabólico dos ácidos graxos. Eles sofr- em remoção, por oxidação, de sucessivas unidades de dois átomos de carbono na forma de acetil-CoA. Cadeia de transporte de elétrons: etapa da respiração ce- lular que ocorre nas cristas mitocondriais, onde se encontram trans- portadores proteicos com diferentes graus de afinidade para os elétrons. As moléculas de NADH e de FADH2, anteriormente formadas (glicólise e Ciclo de Krebs) transferem os elétrons que transportam para as proteínas (citocromos) da cadeia transportadora de elétrons. Ao longo da cadeia respiratória ocorre libertação gradual de energia, à medida que os elétrons passam de um transportador para outro. De- pois disso, essa energia libertada é utilizada na síntese de moléculas de ATP, a partir de ADP+Pi, dissipando-se alguma sobre a forma de calor. Calafrio: sensação de frio causada pela exposição a um ambi- ente de baixa temperatura, ou um episódio de tremores com palidez e uma sensação de friagem. 152/172 Capilares sanguíneos: também conhecidos como vasos ca- pilares, são vasos do sistema circulatório com forma de tubos de pequeníssimo calibre. CDC: Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta. Ciclo de Krebs: processo que compreende uma série de reações químicas que ocorrem na vida da célula. Esse ciclo inicia-se quando o piruvato que é sintetizado durante a glicólise é transformado em acetil-CoA (coenzima A) por ação da enzima piruvato desidro- genase. Em seguida, esse composto reage com o oxaloacetato, que é um produto do ciclo anterior, formando citrato. Depois disso, o citrato dá origem a um composto de cinco carbonos, o alfa-cetoglutarato, com libertação de NADH e de CO2. O alfa-cetoglutarato também origina outros compostos de quatro carbonos com formação de GTP, FADH2 e NADH e oxaloacetato. Clivados: quebrados, degradados. Combustão: queima. Combustão glicolítica: quebra da molécula de glicose por meio de um conjunto de dez reações conhecido como glicólise. Composição corporal: a avaliação da composição corporal é realizada para quantificar os principais componentes do organismo humano: ossos, musculatura e gordura corporal. A composição corpórea é dividida em dois grupos: massa magra (livre de gordura e constituída por proteínas, água intra e extracelular e conteúdo mineral ósseo) e massa gorda (gordura corpórea). Dessa forma, a análise da composição corporal possibilita compreender as modificações result- antes de alterações metabólicas e identificar riscos à saúde. Creatina fosfato: molécula de creatina fosforilada que é um importante depósito de energia no músculo esquelético, já que trans- porta uma ligação fosfato de alta energia similar às ligações do ATP. A 153/172 fosfocreatina é clivada instantaneamente para reconstituir a molécula de ATP (gasta na contração muscular) a partir de um ADP e de um novo íon fosfato que se liga a ele. Debilitante: que debilita, que enfraquece. Depleção: redução de alguma substância ou processo físico, químico ou biológico. Desportivo: relativo a desporto, desporte ou esporte, que compreende qualquer atividade física ou mental sujeita a determina- dos regulamentos e que geralmente visa a competição entre praticantes. Deutério: um dos isótopos estáveis do hidrogênio (símbolo ²H). Informalmente, é simbolizado pela letra D. O núcleo do deutério é formado por um próton e um nêutron. A sua massa atômica é igual a 2. O hidrogênio contém 0,014% de deutério. Diabetes: doença metabólica caracterizada por um aumento anormal do açúcar ou glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo, mas que, quando consumida em excesso, pode trazer várias complicações à saúde. Quando não tratada adequa- damente, a diabetes causa doenças como infarto do coração, acidente vascular cerebral, insuficiência renal, problemas visuais e lesões de di- fícil cicatrização, entre outras complicações. Difusão passiva: passagem de soluto de um meio mais con- centrado para um meio menos concentrado, ou seja, ocorre a favor de um gradiente, mas é um processo físico, que não utiliza proteínas transportadoras e não há gasto de energia. Dispêndio: gasto. Dispendioso: oneroso, caro. 154/172 Doenças cardiovasculares: doenças que afetam o sistema circulatório, ou seja, o coração (cárdio = coração; vasculares = vasos sanguíneos, incluindo artérias, veias e vasos capilares). Entre as mais comuns, podemos citar o enfarte do miocárdio, a angina de peito, a aterosclerose, os AVC (acidente vascular cerebral), etc. As suas prin- cipais causas são a vida sedentária, o consumo excessivo de alimentos ricos em gordura e sal, álcool (ainda que estudos demonstrem um efeito benéfico no consumo moderado de bebidas alcoólicas) e tabaco. Epiglote: uma espécie de lâmina que se encontra por detrás da língua e que serve para fechar a ligação da faringe com a glote dur- ante a deglutição. Enzima ATPase: constitui uma família de enzimas que ca- talisam a hidrólise do ATP (adenosina trifosfato) para originar ADP (adenosina difosfato) e fosfato inorgânico, com liberação de energia. Exaustão: fadiga, estafa, esgotamento. FAD: cofator capaz de sofrer ação redox, presente em diversas reações importantes no metabolismo. O FAD pode existir em dois es- tados de oxidação e o seu papel bioquímico envolve frequentemente alternância entre esses dois estados. O FAD é capaz de se reduzir a FADH2, estado que aceita dois átomos de hidrogênio. Faringe: porção anatômica que conecta o nariz e a boca, à laringe e ao esôfago. Fisiologista: profissional que estuda as múltiplas funções mecânicas, físicas e bioquímicas nos seres humanos. Fotossíntese: processo físico-químico realizado pelos vege- tais clorofilados, que utilizam dióxido de carbono e água, obtendo glicose e amido através de energia luminosa. 155/172 Glândulas salivares: localizam-se no interior e também em torno da cavidade bucal, tendo como função principal a produção e secreção da saliva. Glândulas sudoríparas: glândulas que produzem o suor, realizando função importante para regular a temperatura do corpo e eliminar substâncias tóxicas. Glicogênese: processo de síntese de glicogênio no fígado e músculos, no qual moléculas de glicose são adicionadas à cadeia do glicogênio. Glicogênio: polissacarídeo e principal reserva energética nas células animais, encontrado, principalmente, no fígado e nos músculos. Glicogenólise: quebra de glicogênio realizada através da re- tirada sucessiva de glicoses. Glicose: monossacarídeo e o carboidratomais importante na biologia. As células a usam como fonte de energia e intermediário metabólico. A glicose é um dos principais produtos da fotossíntese. É um cristal sólido de sabor adocicado, de fórmula molecular C6H12O6, encontrado na natureza na forma livre ou combinada. Juntamente com a frutose e a galactose, é o carboidrato fundamental de carboidratos maiores, como sacarose e maltose. Hipertensão: conhecida popularmente como pressão alta, é uma das doenças com maior prevalência no mundo moderno e é cara- cterizada pelo aumento da pressão arterial. É aferida com esfigmo- manômetro (aparelho de pressão) ou tensiômetro e tem como causas a hereditariedade, a obesidade, o sedentarismo, o alcoolismo, o estresse, o fumo entre outras. Infusão: ação de infundir, de verter um líquido dentro de um vaso ou sobre algum objeto. 156/172 Isótopos: átomos de um elemento químico cujos núcleos têm o mesmo número atômico, ou seja, os isótopos de um certo elemento contêm o mesmo número de prótons designado por "Z", mas que con- têm diferentes números de massas atômicas, designadas por "A". Macronutrientes: nutrientes necessários ao organismo di- ariamente e em grandes quantidades. Constituem a maior parte da di- eta. Fornecem energia e componentes fundamentais para o cresci- mento e manutenção do corpo. Fazem parte desse grupo carboidratos, proteínas e gorduras. Mensuração: ato de realizar uma medida. Metabolismo: conjunto de transformações que as substân- cias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. O termo "metabolismo celular" é usado em referência ao conjunto de todas as reações químicas que ocorrem nas células. Essas reações são respon- sáveis pelos processos de síntese e degradação dos nutrientes na célula e constituem a base da vida, permitindo o crescimento e reprodução das células, mantendo as suas estruturas e adequando respostas aos seus ambientes. Micronutrientes: nutrientes necessários para a manutenção do organismo, embora sejam requeridos em pequenas quantidades, de miligramas a microgramas. Fazem parte desse grupo as vitaminas e os minerais. Mitocôndria: uma das organelas celulares mais importantes, sendo extremamente relevante para a respiração celular. É abastecida pela célula que a hospeda a partir de substâncias orgânicas como ox- igênio e glicose, as quais processa e converte em energia sob a forma de ATP, que devolve para a célula hospedeira. Monoglicerídeo: um ácido graxo esterificado a uma molécula de glicerol. 157/172 Nutrição: ciência responsável pelo estudo dos alimentos, seus nutrientes e o próprio ato de se alimentar. NAD: coenzima que apresenta dois estados de oxidação: NAD+ (oxidado) e NADH (reduzido). A forma NADH é obtida pela re- dução do NAD+ com dois elétron e aceitação de um próton (H+). Quimicamente, é um composto orgânico encontrado nas células de to- dos os seres vivos, usado como "transportador de elétrons" nas reações metabólicas de oxi-redução, tendo um papel preponderante na produção de energia para a célula. Nêutrons: partículas que, junto com o próton, formam os núcleos atômicos. Sua massa é muito similar à do próton. Oligoelementos: elementos químicos essenciais (minerais) para os seres vivos. Geralmente, são encontrados em baixa con- centração nos organismos, mas são essenciais aos processos biológicos por serem indispensáveis para a formação de enzimas vitais para de- terminados processos bioquímicos OMS: Organização Mundial da Saúde. Oneroso: caro, dispendioso. Organelas celulares: são estruturas subcelulares comuns a muitos tipos de células. São compartimentos celulares limitados por membranas. Essas organelas desenvolvem funções distintas, que, no total, produzem as características de vida associadas à célula. Performance: desempenho físico. Propriedades termogênicas: capacidade de gastar calorias à medida que um alimento passa pelos processos de digestão, ab- sorção e transporte pelo organismo. 158/172 Quimo: é o nome que se dá para o alimento quando ele chega ao intestino, depois de passar pelo estômago, e já se transformou em um líquido pastoso. Radicais livres: são moléculas ou átomos com um número ímpar de elétrons. Os radicais livres possuem elétrons de valência desemparelhados e, portanto, são altamente reativos. Recursos ergogênicos: substâncias ou artifícios utilizados visando a melhora da performance. Radioativos: que emitem radiação. Saliva: é um fluido aquoso, transparente, que é secretado pelas glândulas salivares diretamente na cavidade bucal. Suplementação alimentar: são preparações destinadas a aumentar o aporte da dieta e fornecer nutrientes, como vitaminas, minerais, fibras, ácidos graxos ou aminoácidos, que não podem ser consumidas em quantidade suficiente em alguma dieta. Sangue arterial: sangue rico em oxigênio, ao contrário do sangue venoso, que é rico em gás carbônico. O sangue arterial circula pelas veias pulmonares e pelas artérias sistêmicas. O termo “sangue arterial” não significa sangue que circula nas artérias, mas sim sangue rico em oxigênio. O sangue que circula nas artérias pulmonares é de- nominado venosos, pobre em oxigênio e rico em gás carbônico. Sedentário: adjetivo que remete a alguém que não costuma se exercitar fisicamente; que não exercita o corpo e o conserva inativo. Sistema nervoso simpático: faz parte do sistema nervoso autônomo (SNA), que também inclui o sistema nervoso parassim- pático (SNP). O sistema nervoso simpático estimula ações que per- mitem ao organismo responder a situações de estresse, como a reação de lutar, fugir ou uma discussão. Essas ações são: a aceleração dos 159/172 batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, aumento da adren- alina, concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabol- ismo geral do corpo e processam-se de forma automática, independ- entemente da nossa vontade. Sistemas biológicos: sistema orgânico, ou seja, um grupo de órgãos que juntos executam determinada tarefa. São exemplos de alguns sistemas comuns, como aqueles presentes em mamíferos e out- ros animais, e vistos na anatomia humana, o sistema circulatório, o sistema respiratório, o sistema nervoso, etc. Sprinting: corrida rápida de curta distância. Substratos: compostos químicos que sofrem uma reação ca- talisada por enzimas. Transporte ativo: tráfego de substâncias através da mem- brana celular com gasto de energia. Taxa metabólica basal: quantidade calórica ou energética que o corpo utiliza, durante o repouso, para o funcionamento de todos os órgãos, por exemplo, o coração, cérebro, pulmões, intestino, etc. Termogênese induzida pelos alimentos: gasto ener- gético proveniente da própria absorção e digestão dos alimentos e ca- pacidade de aumentar a liberação de calor induzida pelos alimentos Tireoide: é uma das maiores glândulas do corpo. Ela é uma estrutura de dois lobos localizada no pescoço (em frente à traqueia), que produz hormônios, principalmente tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), responsáveis por regular a taxa do metabolismo e afetam o aumento e a taxa funcional de muitos outros sistemas do corpo. Tiroxina: também chamada tetraiodotironina (T4), é um im- portante hormônio tiroidal sintetizado pela glândula tireoide e lançado na corrente sanguínea, junto com o T3 - (triiodotironina). A 160/172 tiroxina é composta pela união de aminoácidos iodados. A sua função é estimular o metabolismo basal das células através de vários mecanismos. Trotar: andar a trote; corrida leve. VLDL: lipoproteína de muito baixa densidade. Vigília: estado ordinário de consciência, complementar ao es- tado de sono, ocorrente no ser humano e em outros animais superi- ores, em que há máxima ou plena manifestação da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária. 161/172 22 Apêndice Estudo de caso 1 Nathália é uma triatleta, tem 47 anos, é casada e mãe de trêsfilhos. Seus treinos são diários e se iniciam às 5h30 e incluem 15 a 20 minutos de alongamento, 1h de corrida (aproximadamente 13 a 14 Km) no calor e umidade do sul do Paraná e 15 a 20 minutos de recu- peração. Nos fins de semana, realiza mais 1 a 2h de treino, incluindo corrida, ciclismo e natação. Participa de competições de uma a duas vezes por mês. Nathália trabalha como secretária de um consultório médico e precisa estar no trabalho às 8h. Normalmente, não consome o café da manhã porque tem que levar os filhos à escola, almoça em um restaurante tipo fast-food e janta enquanto lê ou enquanto assiste à TV com o seu marido. Nos últimos seis meses, Nathália está parada devido à falta de tempo e ao desconforto que sofre durante o período pré-menstrual. Gostaria de ter mais energia durante os treinos e o resto do dia, mas sente dificuldade de consumir mais alimentos sem aumentar a sua gordura corporal. Sendo assim, precisa de sugestões de alimentos rápidos, fáceis e práticos e está disposta a suplementar a sua dieta se não for possível atingir as necessidades diárias. Qual seria o diagnóstico dessa paciente? Diagnóstico: falta de conhecimento relacionado a alimentos práticos, refeições saudáveis para um estilo de vida ativo, evidenciado através do recordatório dietético e das atividades, e necessita de orientação. O que parece ser a causa dos problemas de energia de Nathália? Horário das refeições, a frequência ou a menopausa? Os problemas de Nathália podem ser resultante da má ali- mentação (horário e frequência das refeições), por falta de tempo (fica um intervalo muito longo sem se alimentar, e dessa forma ocorre uma deficiência de substrato para a produção de energia) e início do cli- matério. Essa condição que influencia diretamente no estado físico e psicológico das mulheres. O importante nesta situação é procurar um médico ginecologista para identificar se a paciente encontra-se ou não nesta etapa da vida. Agora em relação aos horários e frequências das refeições, esta deve ser a primeira alteração a ser realizada no dia a dia da atleta. Qual é o tipo de alimento que Nathália pode consumir a caminho do trabalho? É importante que a paciente seja conscientizada da importân- cia do consumo adequado de alimento e siga os horários e frequência de ingestão estabelecidos pelo profissional de nutrição. Nathália por ter pouco tempo para se alimentar pela manhã, deve optar por alimen- tos mais práticos, que possam ser consumidos no caminho do tra- balho, estes poderiam ser barras energéticas ou de cereais, frutas ou até mesmo gel energético que geralmente são utilizados pelos atletas, dessa forma recuperaria o glicogênio que foi gasto durante o treino e manteria sua glicemia em valores normais. Porém, vale ressaltar que o ideal seria que Nathália se alimentasse pelo menos meia hora antes de treinar, já que os treinos são pela manhã e encontra-se de jejum. Qual é o tipo de alimento ou bebida que Nathália pode consumir durante os treinos para ajudar no processo de recuperação e aumentar os níveis de energia? 163/172 Durante os treinos é recomendável que a Nathália faça a in- gestão de bebidas ou alimentos que irão repor carboidratos, água e eletrólitos perdidos durante a atividade física. O mais aconselhável seria bebidas esportivas ou pastilhas nutritivas que contem em sua composição carboidratos e eletrólitos, lembrando que as pastilhas de- vem ser consumidas com água. Fazendo a ingestão destes tipos de ali- mentos irá retardar o aparecimento da fadiga muscular, além de poupar a proteína endógena, evitando que esta seja fonte de energia. Qual é a quantidade de proteína recomendada para Nathália, sabendo que ela pesa 59 kg e mede 1,67 m? Recomendação = 1,5 g/Kg de peso corporal. Nathália tem 59 Kg, então seria 59 x 1,5 = 88,5 g de proteínas por dia. Qual alimento rápido e prático Nathália pode com- prar no trabalho ou preparar em casa para consumir no tra- balho que pode ajudar na recuperação do glicogênio muscular? Uma opção de lanche rápido que poderia consumir ou levar para o trabalho seria uma fruta, ou até mesmo um sanduíche natural (pão integral, alface, tomate, queijo branco e presunto magro). Pequenas refeições ao longo do dia podem ajudar Nathália a manter elevados seus níveis de energia? Com certeza! O consumo de pequenas refeições ao longo do dia manteria o seu nível de glicemia nos padrões normais. E assim, teria substrato para a produção de energia, se sentiria mais animada e com maior disposição. Qual é o tipo de perda nutricional que Nathália pode ter nos próximos poucos anos até a menopausa? Quais nu- trientes ela deve priorizar? 164/172 Durante esta fase da vida ocorrem muitas mudanças fisioló- gicas no corpo da mulher, dentre elas está a perda de massa óssea e a mudança na composição corporal, sendo que pode estar havendo uma perda de massa magra e um aumento no percentual de gordura, além de uma diminuição no metabolismo basal. Todos estes fatores podem levar Nathália a ganhar peso e desenvolver a osteoporose. Por essa razão deve ficar atenta à ingestão de cálcio, que inclusive a RDA já é maior nesta etapa, devido a essa questão e também na quantidade de calorias consumidas, lembrando que necessita ter uma dieta equilib- rada, para que não ultrapasse sua necessidade energética. Outro nutri- ente a ser priorizado é a vitamina D, pois além da importância na ma- nutenção dos níveis do cálcio no sangue e na saúde dos ossos, tem um papel muito importante na maioria das funções metabólicas e também nas funções musculares, cardíacas e neurológicas. Estudo de caso 2 Felipe é um estudante universitário de 21 anos que está in- teressado em ganhar massa muscular e perder gordura corporal. A sua estatura é 1,72 m e o seu peso é 72,5 kg. Não entende porque não está perdendo gordura corporal, já que realiza duas vezes por semana tre- inamento contra resistência (TCR) e exercício cardiovascular. Sua ali- mentação é basicamente a seguinte: Desjejum 1 barra com 45 g de proteína e 300 kcal Após o treino 1 bebida hiperprotéica com 30 g de proteína 165/172 Café da manhã 1 shake de proteína com amoras e 60 g de proteína. Mingau de aveia com uma medida de proteína de soro (25 g de proteína) Almoço 1 sanduíche de atum com 170 a 255 g de proteína, alface e tomate Antes do treino da tarde 1 barra com 60 g de proteína Após o treino 1 bebida hiperprotéica com 45 g de proteína Jantar ½ frango, feijão e uma salada de alface com azeite Felipe diz que, embora seja muito disciplinado, nos fins de se- manas come pizza, batata chips, costelas de porco, nozes e bebe cerveja. Ele não trabalha nos fins de semana. Diagnóstico: consumo excessivo de proteína através de bar- ras e bebidas protéicas e baixa ingestão de carboidratos e lipídeos. Quantas gramas de proteína Felipe consome diaria- mente? Qual é a quantidade de proteína consumida por quilograma de peso corporal? Isto pode contribui para a di- ficuldade de perder gordura corporal? Felipe consome aproximadamente 265 g de proteínas diaria- mente. Comparada a RDA que é de 55 a 75 g/dia para normal cresci- mento e desenvolvimento o seu consumo está atingindo um percentu- al em torno de 407% da recomendação diária. Dessa forma, como ele tem 72,5 Kg, a quantidade de proteína consumida por Kg/peso corpor- al é de 3,65. Como sua ingestão está muito acima do que é 166/172 recomendado, parte da proteína ingerida está sendo utilizada para a produção de energia e o restante está sendo armazenado na forma de gordura, já que ela é o último substrato a ser oxidado. Além disso, a gordura é queimada geralmente em exercícios aeróbios de moderada intensidade e de longa duração, como pratica musculação (alta inten- sidade de média duração) isto também dificulta a perda de peso. Qual é a quantidade de proteína recomendada para Felipe? Existe diferença daRDA? Que outras fontes saudá- veis de proteína ele pode consumir? A recomendação de proteína para Felipe, já que ele pratica atividade física apenas 2 vezes por semana é de 0,8g/Kg de peso, ou seja, ele deveria estar ingerindo em torno de 58g de proteínas diárias. Isso mostra que não há diferença entre a RDA (55 a 75 g/dia). Fontes mais saudáveis de proteína que Felipe poderia estar consumindo seri- am: Leite e derivados (queijo, iogurte, requeijão), lentilha, soja, além das carnes magras que ele já tem o costume de ingerir. Felipe consome calorias em excesso nos fins de sem- ana? Qual tipo de bebidas para recuperação e dose de pro- teína é adequado para ele? Sobre o consumo de barras e suplementos, que tipo de orientação você poderia dar? Sim. É provável que nos fim semana extrapole o consumo calórico recomendado. Durante o exercício recomenda-se iniciar a in- gestão já nos primeiros 15 minutos e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. Após o exercício, deve-se continuar ingerindo líquidos (água e sucos de frutas naturais) para compensar as perdas adicionais de água pela urina e sudorese. O ideal é que se utilizem roupas leves e confortáveis para auxiliar a perda de calor para o ambiente. Sobre o consumo de barras e suplementos o correto é orientar o Felipe dizendo que para o tipo e intensidade de atividade física que prática não há ne- cessidade de suplementos, pois sua necessidade de proteína e até mesmo de carboidratos e lipídios são atingidos somente por uma 167/172 alimentação saudável e equilibrada. E que o consumo exagerado destes produtos, principalmente os ricos em proteínas podem trazer danos à sua saúde, como sobrecarga do sistema real. Quais nutrientes estão deficientes na dieta de Felipe? Quais alimentos você poderia incluir? O principal nutriente deficiente na dieta de Felipe é o carboidrato. O ideal é que ele acrescente mais frutas, cereais como ar- roz, pão, macarrão (de preferência integrais) etc., para suprir as necessidades. Deve-se levar em consideração que a dieta de Felipe pode ter também deficiência de alguns micronutrientes (vitaminas e minerais), já que sua dieta é pobre em frutas e hortaliças. Outra questão importante, mas que muitos atletas e ou esportista se es- quecem é sobre o consumo de lipídeos, nutriente que exerce funções importantes. Sendo assim, para o planejamento alimentar todos os nutrientes devem ser considerados, mas, é claro, levando em consider- ação as necessidades nutricionais de cada individuo. Que outras mudanças Felipe pode fazer nos fins de semana? Quais alimentos podem ajudá-lo a reduzir a gordura corporal e manter o seu peso? Felipe deve evitar nos fins de semana consumir alimentos muito calóricos e gordurosos. Como já foi citado, ele precisa adicionar em sua dieta alimentos fontes de carboidratos, para poder suprir suas necessidades fisiológicas e melhorar seu desempenho, já que a glicose é a fonte preferencial de energia para a célula. Os alimentos que ajudam a perder peso são principalmente os cereais integrais, as leguminosas, frutas e hortaliças, pois possuem em sua composição fibras que irão diminuir a absorção de lipídios. 168/172 Monise Viana Abranches Graduada pela Universidade Federal de Viçosa (2007) e Mestre em Ciência da Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa (2009). Atualmente é discente do Programa de Pós- graduação em Biologia Celular e Estrutural da Universidade Federal de Viçosa (nível Doutorado). Possui experiência na área de Nutrição, com ênfase em bioquímica nutricional; avaliação do valor nutricional, fun- cional e qualidade de alimentos e dietas; atendimento clínico, especialmente a portadores de necessidades especiais; ali- mentação do escolar e elaboração de software para atendi- mento clínico nutricional. Autora de capítulos de livros, artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, é também colunista do site Saúde Plena/Portal UAI. Link para o currículo Lattes: ht- tp://lattes.cnpq.br/7853243994333324 Fundada em 1997, a A.S. Sistemas foi a empresa pioneira da Incubadora de Base Tecnológica da Universidade Federal de Viçosa (UFV - MG), onde permaneceu incubada por três anos. Ao longo de sua história desenvolveu produtos fundamenta- dos em conhecimento e tecnologia: sites, multimídias e aplic- ativos para as áreas de educação, agronegócio, saúde e meio ambiente. A partir de 2003 a empresa passou a ter como principal produto o software de avaliação e prescrição de dietas "Di- etpro". Devido a isto, a empresa ampliou os esforços e investi- mentos no segmento de Nutrição e Saúde com o intuito de oferecer ao cliente, produtos e serviços inovadores de alta qualidade e tecnologia. Em 2009, a empresa passou por uma reformulação e ampliou sua área de atuação para novos seguimentos. Atualmente oferece também cursos online para nutrição, saúde e empreendedorismo, software de Gestão empresarial (ERP), aplicativos móveis (APP), geração de notícias e e-book. 171/172 @Created by PDF to ePub Módulo 1 1 Conceitos relacionados à nutrição Digestão e absorção Transporte Excreção 2 Conceitos relacionados à nutrição aplicada ao esporte Considerações importantes da nutrição esportiva Nutrição aplicada ao esporte Objetivos da nutrição esportiva 3 Praticantes de atividade física devem ingerir alimentos especiais? 4 Como a dieta pode influenciar a atividade física? Premissas da nutrição saudável voltada ao desempenho físico Desconfortos pré-competição e durante a competição Fatores que são associados ao desconforto 5 Objetivos da adequação calórica 6 Componentes do gasto energético Taxa metabólica basal Termogênese induzida pela dieta Efeito térmico da atividade física 7 Metabolismo e sistemas energéticos básicos Energia para a atividade celular Fontes energéticas Módulo 2 8 Ressíntese de ATP: esporte e produção de energia Tipos de exercício e utilização de nutrientes As fibras musculares e a ressíntese de ATP Influência dos nutrientes da dieta Influência do treinamento 9 Cálculo das necessidades energéticas no exercício A unidade Como se expressa o gasto energético do metabolismo de exercício Estimativa do gasto energético na atividade física 10 Nutrientes energéticos I: os carboidratos Funções dos carboidratos A importância dos carboidratos no exercício 11 Os carboidratos podem influenciar a atividade física? Você se lembra como calcular as calorias dos alimentos? Carboidratos vs. exercícios: existem estratégias a serem seguidas? Consumo de carboidrato antes do exercício Dieta de supercompensação do glicogênio muscular Esquema da dieta de supercompensação do glicogênio muscular Ação nutricional antes de começar a atividade em linhas gerais Ação nutricional 60 minutos antes de iniciar a atividade Ingestão de carboidratos durante o exercício Ingestão de carboidratos após o exercício 12 Índice glicêmico e exercício físico 13 Nutrientes energéticos II: lipídios e exercícios Papel dos lipídios no organismo Dinâmica das gorduras no exercício 14 Nutrientes energéticos III: proteínas e exercício Reservas de proteínas Proteínas/aminoácidos plasmáticos Proteína muscular Proteína visceral Ingestão de proteína Suplementação com proteína Módulo 3 15 A importância dos minerais e da água na prática esportiva Sódio Potássio e cloreto Cálcio Fósforo, ferro e zinco Água 16 A importância das vitaminas na prática esportiva Alguns achados sobre a suplementação vitamínica Radicais livres e antioxidantes 17 Sudorese e reposição hídrica: o uso dos isotônicos Sudorese Condições que influenciam a temperatura corporal e levam à desidratação A hidratação pode limitar o desempenho? Cuidados especiais Recomendações de reposição de líquidos Os isotônicos 18 Suplementos alimentares para atletas Proteínas Aminoácidos CreatinaBeta-hidroxi-beta-metilbutirato L-carnitina Ácido linoleico conjugado (CLA) 19 Atendimento nutricional do atleta 1ª Etapa - avaliação do consumo alimentar 2ª Etapa - avaliação da composição corporal 3ª Etapa - solicitação e análise de exames bioquímicos 4ª Etapa - elaboração do planejamento alimentar - etapas 20 Referências bibliográficas 21 Glossário 22 Apêndice Estudo de caso 1 Estudo de caso 2