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Guia de antimicrobianos e antineoplásicos Gustavo Pellegrini São Paulo 2016 Guia de antimicrobianos e Antineoplásicos 2 Seção I Quimioterapida antimicrobiana Locais de ação 3 Capítulo 1 Sulfonamidas Mecanismo de ação: As sulfonamidas atuam diretamente inibindo uma enzima necessária para a produção de Timidinas e Purinas na via do folato (figura 1.1). Em geral elas inibem a DHPS (dihidropteroato sintetase), e podem estar associados com um antimicrobiano (como a trimetoprima) que atua de forma sinérgica com o Sulfametoxazol, inibindo a DHPR (diihidrofolato redutase), assim, atuando em duas partes importantes na via do folato. São bacteriostáticos. Figura 1.1 Via do folato Espectro: Possui amplo espectro ADME (absorção, distribuição, metabolismo e excreção) Sulfametoxazol: Possui boa absorção gastrointestinal (comprimido), tem ampla distribuição e T1/2 de 10 horas, não atravessa barreiras, metabolização hepática e excreção renal 16. RA (reações adversas): Anemia megaloblástica, agranulocitose, RH, rash e distúrbio do TGI16. Sulfadiazina: Rapidamente absorvido no TGI, tem ampla distribuição, atravessa a barreira HEC, possui T1/2 de 10 horas, é metabolizada no fígado e excretada via renal17. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, depressão e convulsões17. 4 Capítulo 2 Penicilinas Mecanismo de ação: Impede a síntese de peptiodeoglicano e formação da parede bacteriana via ligação e inibição na PLP (proteína de ligação da penicilina), responsável pelo último passo da síntese da parede (figura 2.1). Há algumas no mercado disponíveis em associação com inibidores de β-lactamases produzidos por alguns microorganismos resistentes aos β-lactâmicos (como a amoxicilina + clavulanato)7. Classificação: São classificadas em: benzilpenicilinas, aminopenicilinas, penicilinas resistentes a penicilinase e penicilinas de amplo espectro (abaixo descrito em ordem). Espectro: O espectro de ação das Penicilinas pode variar de acordo com a classe, abaixo descrito. ADME & Espectro Benzilpenicilina Benzatina: Usa-se em via IM (MAJORITARIAMENTE). É uma penicilina de depósito, possui lenta absorção³, distribuição ampla e rápida excreção em pacientes nefro- competentes (não se fala sobre metabolização na bula, mas acredito que seja hepática)5. Espectro: Em geral, Estafilococcus, Streptococcus e Pneumococcus3. RA: Exantema, urticária, febre, broncoespasmo e dermatite esfoliativa3. Ampicilina: Uso IM, IV ou VO. Boa absorção no TGI (trato gastrointestinal), ampla distribuição e T1/2 de 1 hora, não travessa barreira placentária, atravessa a barreira HEC apenas na presença de meningite. Majoritariamente excretada na urina e poucamente excretada no leite6. Espectro: Possui amplo espectro3. RA: Náuseas, vômitos, diarréia, prurido, irritação do TGI, febre e eritema cutâneo3. Oxacilina: Usa-se IV ou IM. Em uso IM, há rápida absorção, com picos séricos em 30 minutos. A distribuição é ampla, não atravessa eficazmente a barreira HEC8 e não possui estudos suficientes para demonstrar se atravessa ou não a barreira placentária. É metabolizada no fígado, rapidamente excretada na urina e na bile3. Espectro: Gram-Positivo RA: Eritema, urticária, febre, neutropenia e anemia3. Amoxacilina + Clavulanato: Usa-se em via IV ou VO. Rapidamente e bem absorvido no TGI, com ampla distribuição, T1/2 de 1,3 horas, penetra apenas a barreira placentária, é metabolizada no fígado sendo excretada na urina e nas fezes (bile)7. Espectro: Possui amplo espectro (principalmente por causa do Clavulanato)3. RA: Diarréia, dor abdominal e náuseas3. 5 Cefalosporinas Mecanismo de ação: Mecanismo de ação parecido com as penicilinas (figura 2.1), ou seja, β- lactâmicos². Figura 2.1 Via de ação dos B-lactâmicos Classificação: São classificadas em gerações, sendo que, conforme a geração ascende, há maior espectro, menos reação adversa e melhor farmacocinética e dinâmica. São dividas em: 1ª, 2ª, 3ª e 4ª geração abaixo descrito na ordem respectiva. Espectro: O espectro de ação das Cefalosporinas pode variar de acordo com a classe, abaixo descrito. 6 ADME & Espectro Cefalotina: Classificada com 1ª geração e pode ser administrada IV ou IM. Em via IM possui rápida absorção, amplamente distribuída e não atravessa barreiras9. É metabolizada no fígado, excretadas em maior parte nos rins e o resto via biliar3. Espectro: Possui amplo espectro9. RA: Hipersensibilidade e tromboflebite3. Cefuroxima: Classificada como 2ª geração e pode ser administrada IV. Não tem boa absorção (disponibilização em ampola IV), ampla distribuição, atravessa a barreira HEC, T1/2 de 1,7 horas, possui metabolismo hepático e é excretado em maior parte nos rins11. Espectro: Possui amplo espectro3. RA: Hipersensibilidade e tromboflebite3. Ceftriaxona: Classificada como 3ª geração, pode ser administrada IV ou IM. Possui baixa absorção oral, com ampla distribuição, atravessa barreira HEC3, possui T1/2 de 8 horas, metabolismo hepático e excreção renal11. Espectro: Possui amplo espectro, medicamento de escolha para prevenção de infecção hospitalar³. RA: Hipersensibilidade e tromboflebite3. Cefepime: Classificada como 4ª geração, pode ser administrada IV ou IM. Possui rápida absorção quando via IM, com ampla distribuição e T1/2 de 2 horas, metabolização hepática e excreção renal11. Espectro: Amplo espectro3. RA: Hipersensibilidade, mal-estar, diarréia, náusea e dispepsia3. . Carbapenêmicos Mecanismo de ação: Mecanismo de ação parecido com as penicilinas, ou seja, β- lactâmicos². Classificação: São classificadas em gerações, sendo que, conforme a geração ascende, há maior espectro, menos reação adversa e melhor farmacocinética e dinâmica. São dividas em: 1ª, 2ª e 3ª geração abaixo descrito na ordem respectiva. Espectro: O espectro de ação dos Carbapenêmicos pode variar de acordo com a classe, abaixo descrito. 7 ADME & Espectro Imipeném: São classificados como 1ª geração, somente forma IV. Não é absorvido no TGI, possui ampla distribuição, não atravessa barreiras, possui T1/2 de 1 hora, metabolizado no fígado e excretado na urina11. Espectro: Amplo espectro3. RA: Náusea, vômitos e convulsões11 (aumenta o risco quando administrado com ganciclovir3). Meropenem: São classificados como 2ª geração, carbapenêmico de escolha e disponível somente IV. Não é absorvido no TGI, possui ampla distribuição, atravessa a barreira HEC (escolha quase empírica para meningites e doenças associadas), possui T1/2 de aproximadamente 3 horas, metabolismo hepático e excreção renal12. Espectro: Amplo espectro3. RA: Náusea, vômito e convulsões (porém, com um risco muito mais baixo em comparado ao imipeném)3. Ertapenem: São classificados como 3ª geração, carbapenêmico de escolha para tratamento ambulatorial (permite a adm. 1x/dia) e escolha para cepas MULTI R (a multiresistencia confere a resistência a quase todos os antibióticos) gram-negativas produtoras de β-lactmases. Não tem absorção VO, possui ampla distribuição, possui T1/2 longo, metabolismo hepático e excreção renal. Espectro: Amplo espectro3. RA: Diarréia, reações no local da infusão, náusea e cefaléia3. 8 Capítulo 3 Aminoglicosídeos Mecanismo de ação: Se liga na porção 30-50S do ribossomo da bactéria (figura 3.1), impedindo a produção ou promovendo a produção de uma proteína sem função11.Figura 3.1 A. Os aminoglicosídeos (representados pelo circulo vermelho) se liga à subunidade ribossômica 30S e interfere na iniciação da síntese de proteínas, levando a B, terminação prematura da tradução com liberação do complexo ribossômico e síntese da proteína incompleta ou C, incorporação de aminoácidos incorretos (representados pelo X vermelho), resultando na produção de proteínas anormais ou não funcionais Espectro: Gram-negativo (gentamicina) e amplo espectro (amicacina)3. ADME & Espectro Gentamicina: Disponível em formas IV e IM (mas também há indicação para inalatório13). Pouca absorção oral, ampla distribuição, (com boa penetração óssea³), atravessa a barreira placentária e a HEC, metabolização hepática e excreção renal11, 13. RA: Ototoxicidade e Nefrotoxicidade são as RAs principais. Outras incluem: Bloqueio na JNM (rara), exantema, febre³. Amicacina: Disponível em formas IV e IM. Pouca absorção oral, ampla distribuição, atravessa barreiras placentária e HEC, metabolização hepática com excreção renal11. RA: Ototoxicidade e Nefrotoxicidade são as RAs principais. Outras incluem: Bloqueio da JNM (rara), exantema, febre3, 11. Estreptomicina: Disponível em formas IV e IM. Pouca absorção oral, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção renal RA: Ototoxicidade e nefrotoxicidade são as RAs principais. Neomicina + Bacitracina: Ou nebacetim, de uso tópico. 9 Capítulo 4 Tetraciclinas Mecanismo de ação: Inibem a porção 30S do ribossomo da bactéria (figura 4.1), impedindo a produção ou promovendo a produção de uma proteína sem função. São bacteriostáticos11. Figura 4.1 As tetraciclinas inibem a síntese protéica bacteriana mediante ligação à subunidade 30S e bloqueio da ligação do tRNA ao local A. Espectro: Amplo espectro3. ADME & Espectro Doxiciclina: Possui boa absorção VO, mas também há disponibilidade em forma IV. Ampla distribuição, possui T1/2 de 16-18 horas, atravessa as barreiras HEC e placentária, e se encontra concentrações significativas no leite materno. É metabolizado no fígado e possui excreção renal11. RA: RH, anemia hemolítica, trombocitopenia e irritação no TGI14. 10 Cloranfenicol & ADME Mecanismo de ação: Inibem a porção 50S do ribossomo da bactéria, impedindo a produção ou promovendo a produção de uma proteína sem função (figura 5.1). São bacteriostáticos11. Figura 5.1 O cloranfenicol liga-se à subunidade ribossômica 50S no local da peptidiltransferase e inibe a reação de transpeptidação. Espectro: Amplo espectro. ADME: Possui boa absorção no TGI (mas também há disponibilização em IV e tópico). Possui ampla distribuição, atravessa barreiras HEC e placentária, é metabolizado no fígado e possui excreção renal11. RA: RH, anemia, trombocitopenia, neutoprenia11. SÍNDROME DO BEBE CINZENTO: O uso de Cloranfenicol em mulheres grávidas pode ocasionar esta síndrome. O Cloranfenicol atinge concentrações altas na barreira placentária e causa os seguintes sintomas no feto: letargia, cianose, hipotensão, vomitos, distensão abdominal, hipotermia, respiração irregular e pancitopenia fatal. Aparentemente a síndrome se estabelece no feto porque ele ainda não desenvolveu a enzima necessária pra biotransformar o Cloranfenicol para ser excretado, tornando o fármaco ativo por um longo período15. 11 Macrolídeos Mecanismo de ação: Os macrolídeos se ligam irreversivelmente á porção 50S da bactéria, impedindo a translocação dos peptídeos, produzindo proteínas defeituosas e sem função¹(figura 6.1). Sua ação pode ser tanto bactericida quanto bacteriostática, baseada em dose-dependencia para a efetuação da ação desejada3. Figura 6.1 Os antibióticos macrolídeos são agentes bacteriostáticos que inibem a síntese de proteína por sua ligação reversível às subunidades ribossômicas 50S de microorganismos sensíveis. Espectro: Os macrolídeos possuem amplo espectro de ação3. ADME Azitromicina: Possui boa absorção gastrointestinal (comprimido), amplamente distribuída (com preferência aos tecidos1, também encontrada em macrófagos2), não atravessa barreiras (barreiras placentária, hematoencefálica e nem excretada no leite) com biodisponibilidade de 37%¹. É metabolizada no fígado (?) e primariamente eliminada na bile, sendo uma pequena quantidade encontrada na urina2. RA (reações adversas): Ototoxicidade em doses elevadas, náuseas, diarréia, dor abdominal, cefaléia e tonturas3. Claritromicina: Possui rápida absorção VO, sendo que a presença de alimentos atrasa tal fato. Possui pico de concentração em 2 horas, tem maior distribuição tecidual do que plasmática (aparentemente atravessa a barreira placentária, estudos indicam anomalia cardiovascular em ratos e retardo no crescimento fetal em macacos3) e possui meia-vida de 4,5-4,8 horas. É metabolizada no fígado e excretada na urina4. RA: Náusea, vômitos, dor abdominal, cefaléia e tontura e ototoxicidade notada em dose elevada3. 12 Glicopeptídeos Mecanismo de ação: Atua por três mecanismos: aumenta a permeabilidade da membrana bacteriana, inibe a síntese de peptideoglicano (figura 7.1) e interfere na síntese de RNA citoplasmático18. Figura 7.1 A vancomicina inibe a polimerização ou a reação da transglicosilase (A) por ligação à extremidade terminal da D-alanil-D-alanina da unidade precursora da parede celular unida a seu transportador lipídico e por bloqueio da ligação ao polímero glicopeptídico (indicado pela letra subscrita n) Espectro: Gram-positivo3. ADME & Espectro Teicoplanina: Possui uma absorção no TGI pobre (disponibilização em IM e IV). Distribuição ampla, não atravessa barreira (talvez atravesse a barreira placentária, risco C³), metabolização hepática e excreção renal3. RA: Distúrbios nos componentes sanguíneos, oto, hepato e nefrotoxicidade19. Vancomicina: Possui uma absorção no TGI pobre (mas ainda sim há indicações para diluição da ampola em água e administração enteral, disponibilização IV). Distribuição ampla, atravessa a barreira HEC, metabolização hepática e excreção renal11. RA: Distúrbios nos componentes sanguíneos, oto e nefrotoxicidade, RH, síndrome do homem vermelho e náusea. 13 Polimixina B & ADME Mecanismo de ação: Interage com o polissacarídeo na membrana externa da bactéria, retirando cálcio e magnésio, desestabilizando a membrana20. Espectro: Gram-negativo3. ADME: Não possui absorção oral (disponibilização em IV e IM). Possui ampla distribuição, não penetra barreiras, metabolização hepática e excreção renal21. RA: Neuro e nefrotoxicidade, hiperemia facial, sonolênia, ataxia, febre, tonturas e erupções cutâneas3. 14 Fluorquinolonas Mecanismo de ação: Inibe a topoisomerase IV e a DNA girase. Espectro: Amplo espectro ADME Ciprofloxacino: Boa absorção no TGI (evitar administração concomitante com antiácido, pois diminui a absorção), ampla distribuição (principalmente no trato urinário), metabolização hepática e excreção renal11. RA: Distúrbios do TGI, dor abdominal, diarréia e neurotoxicidade³. Norfloxacino: Boa absorção no TGI, baixa distribuição (alcançando em níveis terapêuticos somente urina, fezes e próstata), não atravessa barreiras, metabolização hepática e excreção renal3, 11. RA: Distúrbios do TGI e RH³. Levofloxacino: Boa absorção no TGI (evitar administração concomitante com antiácido, pois diminui a absorção), ampla distribuição(principalmente no trato urinário), metabolização hepática e excreção renal3, 11. RA: Distúrbios do TGI, prurido, exantema e vaginite3. 15 Capítulo 5 Tuberculostáticos Mecanismo de ação: Variam de acordo com o fármaco (figura 8.1). Figura 8.1 Mecanismo da Clofazimina omitido pois não bem elucidado ainda Espectro: Restritos a micobactérias (exceto rifampicina, que alcança um maior espectro). ADME Rifampicina: Inibe a biossíntese do RNA bacteriano ao inibir fortemente a subunidade β da RNA-polimerase que depende do DNA, evitando a união da enzima do DNA e bloqueando, assim, o início da transcrição do RNA (figura 8.1)3. Espectro: Micobactérias e bactérias gram-positivas e negativas. ADME: São bem absorvidas no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal11. RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade, distúrbios do TGI e rash. Isoniazida: Inibe a síntese do ácido micólico, um componente importante da parede de micobactérias (figura 8.1)3. Espectro: Restrito a micobactérias. ADME: Possui boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal11. RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade , distúrbios do TGI, rash e febre3. 16 Pirazinamida: É um análogo químico da nicotinamida. Mecanismo ainda não bem elucidado, mas foram propostos três mecanismos: Inibição do ácido graxo sintetase tipo 1 levando à interferência na síntese do ácido micólico; redução do pH intracelular; interrupção do transporte de membrana por HPOA (figura 8.1)11. Espectro: Restrito a micobactérias. ADME: Possui boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal3. RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade, distúrbios do TGI, artralgias e hiperuricemia3. Etambutol: Inibe a arabinosil transferase II, desarranjando a estrutura da parede celular micobacteriana (figura 8.1)11. É bacteriostático-bacterida dose-dependente3. Espectro: Restrito a micobactérias. ADME: Boa absorção no TGI, amplamente distribuída com T1/2 de 9-12 horas, metabolizado no fígado e excretado no rim3, 11. RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade, distúrbios do TGI, febre, rash, artralgia, cefaléia e tontura3. Clofazimina: Possíveis mecanismos de ação: rompimento da membrana; inibição da fosfolipase A2 micobacteriana; inibição do transporte de K + microbiano; geração de peróxido de hidrogênio; interferência nas cadeias de transporte de elétrons bacteriana11. ADME: Possui absorção no TGI variável (mas boa), ampla distribuição e T1/2 de 70 dias, não atravessa barreiras, metabolismo hepático e excreção renal 3, 11. RA: Neurite óptica, hiperuricemia, distúrbios do TGI, cefaléia, tontura, rash, febre3. 17 Seção II Antifúngicos Locais de ação 18 Capítulo 6 Anfotericinas Mecanismo de ação: As anfotericinas reconhecem e se ligam ao ergosterol presente na parede do fungo ou do parasito (como acontece na Leishmania), promovendo perda eletrolítica por desestabilização da parede, concedendo um efeito fungicida ou fungiostático dose- dependente23. Anfotericina B: Baixa absorção oral (uso IV). Ampla distribuição e atravessa a barreira placentária, metabolismo hepático e excreção renal. T1/2 de 24 horas 23. RA: RH, febre, mal-estar, perda de peso, rubor e nefrotoxicidade11. NEFROTOXICIDADE: Pelo seu mecanismo de ação, há uma chance alta da anfotericina “confundir” uma célula sadia (reconhecendo um esterol da membrana) com o ergosterol da parede do fungo. Anfotericina complexo lipídico (Abelcet): Consiste na molécula da Anfotericina ligada a um complexo lipídico, que mantem o espectro e diminui os efeitos adversos (principalmente o uso de uma dosagem maior em troca de uma baixa nefrotoxicidade) Anfotericina Lipossomal (amBisome): Consiste na molécula de Anfotericina envolta de uma cápsula lipossômica, mantendo o espectro e diminuindo os efeitos adversos (principalmente o uso de uma dosagem maior em troca de uma baixa nefrotoxicidade). 19 Capítulo 7 Imidazóis & Triazóis Mecanismo de ação: Pela inibição da P450 do fungo (consequentemente interferência na 14- α-esterol desmetilase), resulta na inibição da síntese do ergosterol do fungo, consequentemente há deficiência na produção da parede celular fúngica24. Fluconazol: Possui boa absorção no TGI, com ampla distribuição, atravessa a barreira HEC, possui metabolismo hepático e excreção renal. T1/2 de aproximadamente 19 horas 25. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, convulsão, tontura, alopecia, rash, hepatotoxicidade e mielossupressão (em relação a trombocitopenia, neutropeniae leucopenia)25. Cetoconazol: Boa absorção no TGI, ampla distribuição com ótima penetração tecidual (pele e couro cabeludo, principal local de ação), metabolização hepática e excreção renal26. T1/2? RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, dor abdominal, disfunção hepática26. Voriconazol: Absorção no TGI boa, rápida e quase totalmente absorvida, ampla distribuição, atravessa a barreira HEC, metabolismo hepático e excreção biliar. T1/2 6 horas 27. RA: Disturbios do TGI, rash, febre, cefaléia, distúrbios visuais e edema periférico24. Itraconazol: Absorção no TGI boa e rápida, ampla distribuição (com preferência por lipídeos) e atravessa a barreira HEC, possui metabolização hepática e excreção hepática-renal (sendo hepática > que a renal)28. RA: Cefaleia, náusea e dor abdominal28. Giseofulvina: Boa absorção no TGI, distribuição terapêutica limita-se a pele (isto é, a concentração necessária para efetuar de fato um efeito considerado terapêutico só é alcançada na pele), atravessa a placenta, possui metabolismo hepático e excreção hepática-renal. T1/2 9-24 horas24, 29. RA: Cefaleia, rash, urticária e distúrbios do TGI29. 20 Flucitosina Mecanismo de ação: A flucitosina serve de substrato em uma cascata (figura 9.1), em que é convertida a um composto inibitório da timidilato sintase, enzima necessária para a catálise final de dUMP em dTMF. Figura 9.1 Cascata reacional da flucitosina no fungo. ADME: Absorção boa e rápida no TGI, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção renal. T1/2 de 3-6 horas 11. RA: Mielosupressão, distúrbios do TGI e exantema11. 21 Capítulo 8 Benzimidazóis (BZs) Mecanismo de ação: O mecanismo de ação principal dos BZs parece inibir a polimerização dos microtúbulos se ligando a β-tubulina. Também há varias alterações bioquímicas, como: inibição da fumarato redutase mitocondrial, a redução do transporte de glicose e o bloqueio da fosforilação oxidativa11. Albendazol: Boa absorção no TGI (maior ainda na presença de alimentos gordurosos ou sais biliares), ampla distribuição e rápida metabolização em sulfóxido de albendazol (no fígado e também no intestino), que tem uma ação anti-helmíntica potente e excreção renal11. RA: Distúrbios do TGI, tontura e cefaléia11. Mebendazol: Absorção do TGI média (aumentada com o uso concomitante de cimetidina, um inibidor enzimático do CYP responsável pelo metabolismo de primeira passagem do mebendazol)11, média distribuição, metabolização hepática e excreção biliar. T1/2 de 5 horas 30. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, tontura, febre e prurido30. Tiabendazol: Possui boa e rápida absorção no TGI, ampla distribuição (sem certeza), metabolização hepática e excreçãorenal31. RA: Distúrbios do TGI, tontura, vertigem, sonolência, formigamento31. 22 Capítulo 9 Antihelmínticos Dietilcarbamazina: Parece causar dano às organelas e apoptose contra espécies sensíveis e filarias11. ADME: É bem e rapidamente absorvida no TGI, ampla distribuição (sem certeza), metabolização hepática (com metabólito ativo) e excreção renal (pH ácido dependente)11. RA: Distúrbios do TGI e cefaleia11. Ivermectina: Acredita-se (ainda não em elucidado) que ela pode atuar como um antagonista gabaérgica. Também possui alta afinidade aos canais iônicos de Cloro-glutamato-dependente, e a sua ligação aumenta a permeabilidade da membrana celular por íons coloro, resultando em uma hiperpolarização da membrana, levando a paralisia e conseqüente morte do parasito24. ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição (não atravessa barreiras), metabolismo hepático e excreção hepática-renal24. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, tontura e febre11. Praziquantel: Paralisa a movimentação via inibição da bomba sódio-potássio do parasito, despolarizando a membrana permitindo o influxo de cálcio24. ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição e atravessa a barreira HEC, excreção renal-hepática. T1/2 de até três horas 11, 24. RA: Distúrbios do TGI, tontura e sonolência11. 23 Capítulo 10 ANTIMALÁRICOS Classificação: A classificação é dada pela sua ação no ciclo da malária, sendo os de primeira categoria (asseguradamente eficazes no ciclo eritrocítico da malária, composta por artemisininas, cloroquina, mefloquina, quinina e quinidina, pirimetamina, sulfadoxina e tetracicilina), segunda categoria (útil tanto no ciclo hepático, hipnozoítos, quanto no ciclo eritrocítico, são a atovaquona e proguanila), e terceira categoria, composta apenas pela primaquina, que tem ação nos hipnozoítos e gametócitos11. Cloroquina: Esquizontocida, entra no fagossomo do parasito. Devido ao pH ácido no interior, se protona e acaba aprisionado dentro do fagossomo, permitindo sua ação sobre o parasita. Inibe a HEME-polimerase, enzima do parasito, que a utiliza para diminuir a toxicidade do grupo Heme e poder degradar sem problemas ao parasito32. ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal24. T1/2 de 50 horas32. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia e tontura. Rápida infusão IV pode ocasionar hipotensão acompanhada de uma disritmia, sendo este quadro potencialmente fatal32. Quinina: Esquizontocida, entra no fagossomo do parasito. Devido ao pH ácido no interior, se protona e acaba aprisionado dentro do fagossomo, permitindo sua ação sobre o parasita. Inibe a HEME-polimerase, enzima do parasito, que a utiliza para diminuir a toxicidade do grupo Heme e poder degradar sem problemas ao parasito32. ADME: Boa absorção no TGI, baixa distribuição, metabolização hepática e excreção renal24. T1/2 de 24 horas 32. RA: Quinismo (intoxicação, comum), delírio, RH, alterações no ECG, PTI e PTT24. Mefloquina: Esquizontocida, entra no fagossomo do parasito. Devido ao pH ácido no interior, se protona e acaba aprisionado dentro do fagossomo, permitindo sua ação sobre o parasita. Inibe a HEME-polimerase, enzima do parasito, que a utiliza para diminuir a toxicidade do grupo Heme e poder degradar sem problemas ao parasito32. ADME: Lenta absorção no TGI (aumenta com a administração concomitante de alimentos), ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção biliar24. T1/2 30 dias (possivelmente por mecanismos do ciclo entero-hepático)32. RA: Ansiedade, distúrbios do SNC e do TGI, bradiarritmia. Artemeter: Esquizontocida, por um mecanismo ainda não bem elucidado, porém, os estudos indicam que artemisininas e seus derivados atuam de forma a causar uma cisão redutora da ponte peróxido pelo ferro do heme reduzido, que é produzido no interior do vacúolo digestivo altamente ácido do parasito, durante a sua digestão da hemoglobina. Também podem gerar radicais livres que alquilam e oxidam proteínas e possivelmente lipídeos nos eritrócitos parasitados11. ADME: Boa absorção no TGI (aumenta na presença de alimentos) e lenta em administração IM, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção renal24. 24 RA: Distúrbios do SNC e TGI, cefaléia, alterações no ECG, bloqueio AV e rash33. Artesunato: Ainda não bem elucidado, porém, os estudos indicam que artemisininas e seus derivados atuam de forma a causar uma cisão redutora da ponte peróxido pelo ferro do heme reduzido, que é produzido no interior do vacúolo digestivo altamente ácido do parasito, durante a sua digestão da hemoglobina. Também podem gerar radicais livres que alquilam e oxidam proteínas e possivelmente lipídeos nos eritrócitos parasitados11. ADME: Boa absorção no TGI e IM, baixa distribuição, metabolização hepática e excreção renal24. RA: Distúrbios do SNC e TGI, cefaléia, alterações no ECG, bloqueio AV e rash33. Atovaquona: Age seletivamente sobre o complexo mitocondrial citicromo bc1, de modo a inibir o transporte de elétrons e anular o potencial de membrana mitocondrial11. ADME: Lenta absorção no TGI (melhora quando administrada concomitantemente com um alimento gorduroso), metabolização hepática e excreção biliar11. RA: Distúrbios do TGI, dor de cabeça e exantema11. Primaquina: Age no estágio hipnozoíto (no fígado), não bem elucidado, mas acredita-se que aumenta H2O2 no interior do parasito, causando morte por lesão no DNA 32. ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição e atravessa a barreira placentária (teratogênica), metabolização hepática e excreção renal24. T1/2 de 30 dias 32. RA: Náusea e dor abdominal24. 25 Seção III Agentes Antivirais Locais de ação 26 Capítulo 11 Antivirais não retrovirais Aciclovir: É um análogo sintético da purina com atividade contra herpes vírus simples 1 (HSV- 1), HSV-2 e varicela zoster vírus (VZV). O Aciclovir sofre conversão dentro da célula infectada pelo vírus a Trifosfato de aciclovir (figura 10.1), a qual constitui o metabólito de ação antiviral. O TPaciclovir se liga e inibe competitivamente a DNA polimerase do DNA viral (DNAv)24. A enzima responsável pelo mecanismo citado anteriormente chama-se timidicinase viral, a qual possui certa semelhança com a humana, porém o Aciclovir possui 200x mais afinidade pela enzima viral do que pela humana11. Figura 10.1 ADME: IV e VO. Possui boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção renal24. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia e mal-estar24. Amantadina: Ativo conta o vírus da Influenza, inibe, provavelmente, a etapa de desnudamento do vírus. Atua principalmente na inibição na produção dos canais M2 necessários para promover o desnudamento e inserção do material genético do vírus11. ADME: Boa absorção oral, baixa distribuição, metabolização hepática e excreção renal. T1/2 de 10 a 25 horas 11, 24. RA: Distúrbios do TGI e SNC, fadiga24. 27 Oseltamivir: Ativo principalmente contra H1N1, inibe a ultima fase da proliferação do vírus via inibição das neuramidases, que são responsáveis por clivar a ligação da hemaglutinina do vírus com os receptores da membrana11, 24, ADME: Em geral, vendido como fosfato de oseltamivir, uma pró-droga. Boa absorção no TGI, biotransformação de primeira passagem hepática (em carboxilato de oseltamivir, composto ativo), baixa distribuição, metabolização de segunda passagem hepática eexcreção renal24. RA: Distúrbios do TGI24. 28 Capítulo 12 Intérferons (IFN) Mecanismo de ação: Os intérferons possuem atividades antivirais, imunomoduladoras e antiproliferativa. São sintetizadas por células do hospedeiro em resposta a vários indutores e provocam alterações bioquímicas na célula, ocasionando um estado antiviral em celulas infectadas. Existem três tipos: o IFN-α, IFN-β e o IFN-γ. O IFN-γ pode ser produzido nos linfócitos T e nas células NK, enquanto os IFN-α e IFN-β podem ser produzidas por quase todas as células em resposta à infeccção viral e uma variedade de outros estímulos, sendo que exibem ações antivirais e antiproliferativas, estimulam a atividade citotóxica dos linfócitos, das NK e dos macrófagos e exercem suprarregulação dos antígenos de MHC-1. Após a ligação, as IFNs ativam a via de transdução de sinais JAK/STAT e levam à transolocação nuclear de um complexo protéico celular, que se liga a genes contendo um elemento de resposta específico de IFN (figura 11.1)11. Figura 11.1 29 Capítulo 13 Agentes Antirretrovirais I. Inibidores nucleosídicos da transcriptase reversa Zidovudina (AZT): Uma vez dentro da célula, é fosforilada a 5-trifosfato de zidovudina pela timidinacinase. A 5-TP de AZT é carente de um grupo de 3’-hidroxila e sua incorporação ao DNA nascente do vírus HIV interrompe a cadeia (figura 12.1). Também inibe competitivamente a timidilatocinase celular e inibe potentemente a polimerase mitocondrial11, 24. Figura 12.1 ADME: Boa e rapidamente absorvida no TGI, baixa distribuição e atravessa as barreiras HEC e placentária (diminui a % de chance da transmissão vertical de HIV), metabolização hepática, excreção renal e também se encontra concentrações no leite. T1/2 de 1 hora11, 24. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, febre, mal-estar e tosse24. 30 II. Inibidores não nucleosídicos da transcriptase reversa Nevirapina: Se liga diretamente a transcriptase reversa (RT), promovendo uma alteração tridimensional nesta enzima, diminuindo drasticamente a concentração plasmática de RNA do HIV (figura 13.1)11. Figura 13.1 ADME: Boa absorção no TGI, baixa distribuição e atravessa as barreiras HEC e placentária (diminui a % de chance da transmissão vertical de HIV), metabolização hepática e excreção renal24. RA: Distúrbios do TGI, fadiga, cefaléia, lipodistrofia e rash11. Efavirenz: Se liga diretamente a transcriptase reversa (RT), promovendo uma alteração tridimensional nesta enzima, diminuindo drasticamente a concentração plasmática de RNA do HIV (figura 13.1)11. ADME: Boa absorção no TGI, atravessa a barreira placentária com efeito teratogênico metabolização hepática e excreção biliar-renal (> biliar)33. T1/2 de 50 horas RA: Distúrbios do TGI e SNC, aumento de triglicérides, febre e rash33. 31 III. Inibidores da protease do HIV Ritonavir: É um inibidor da protease do HIV peptidomimético planejado para complementar o eixo de simetria C2 do local ativo enzimático (figura 14.1) 11. Figura 14.1 Mecanismo de ação dos inibidores da protease ADME: Boa e rápida absorção no TGI (aumentada na presença de alimentos), metabolização hepática e excreção biliar-renal33. RA: Distúrbios do TGI, mal-estar e distorção do paladar33. 32 IV. Inibidores de fusão Maraviroque: Impede a ligação da proteína gp120 do envoltório externo do HIV ao receptor de quimiocina CCR5, a qual estabiliza o complexo e permite a fusão para a célula11. É ativo somente contra HIV com tropismo por CCR5 (figura 15.1)33. Figura 15.1 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção renal-biliar33. RA: Distúrbios do TGI, rash, prurido, sinusite, artropatia, mialgia e tontura33. Enfuvirtida: Interage com a glicoproteína gp41, impedindo a fusão do HIV para a célula11. ADME: Boa absorção no TGI (e também é utilizado via parenteral), baixa distribuição, metabolização hepática e excreção renal11, 33. RA: Dor, eritema e induração no local de injeção, nódulos e cistos. 33 V. Inibidores da integrase Raltegravir: Bloqueia a atividade catalítica da integrase codificada pelo HIV, impedindo a integração do DNAv ao cromossomo do hospedeiro (figura 16.1)11. ADME: Absorção do TGI muito variável, sendo aumentada com a administração concomitante a alimentos, metabolização hepática e excreção biliar-renal33. RA: Cefaléia, náusea, fadiga e astenia11, 33. Figura 16.1 34 Seção IV Agentes antineoplásicos Locais de ação 35 Capítulo 14 Agentes citotóxicos I. Alquilantes Na atualidade, são utilizados seis tipos principais de agentes alquilantes na quimioterapia das doenças neoplásicas: Mostardas nitrogenadas Etilenoiminas Alquisulfonatos Nitrosureias Triazenos Agentes de metilação do DNA, incluindo procarbazina, temozolomida e dacabarzina11. São substâncias que se tornam nucleofílicas ao adentrar nas células. Possuem um C livre altamente reativo a doadores de elétrons, como grupamentos amino, hidroxila, presentes no DNA acabam sendo alvo de ligação desses agentes alquilantes. Se ligam nas duas fitas do DNA, impedindo que haja a abertura desse DNA para que haja síntese de uma nova fita para ocorrer a mitose, logo, impedindo a mitose das células32. Mostarda nitrogenada: Entre elas, ciclofosfamida, melfalana, clorambucila e estamistina Ciclofosfamida: Se liga a um radical hidroxila na posição N7 do DNA, substituindo este grupo por um alquil. Ação antiproliferativa. ADME: Boa absorção no TGI, baixa distribuição, é um pró-farmaco com biotransformação de primeira passagem hepática (em 4-hidroxifosfamida sendo convertido espontaneamente para 4-aldofosfamida, alcançando o tecido alvo e convertido espontaneamente novamente a mostarda fosforamida e acroleína, os metabólitos tóxicos e ativos, figura 17.1), metabolização de segunda passagem hepática e excreção renal11, 34. RA: Mielossupressão, toxicidade das mucosas, distúrbios do TGI, alopecia e hemorragia cística (revertida com Mesna) 36 Figura 17.1 Metabolização da ciclofosfamida Nitrossouréias: Entre elas, Lomustatina e Carmustina Lomustina: Interfere na função do DNA e RNA. Atua inibindo a síntese de DNA por inibição chave de um processo enzimático24. ADME: Boa e rápida absorção no TGI, atravessa a barreira HEC, metabolização hepática e excreção renal24, 32. RA: Pulmonar, nefro e hepatotoxicidade, mielossupressão24. Uso: Escolha para tumores primários e secundários do SNC Compostos de Platina Cisplatina: Possui um átomo central de platina ligado a dois cloros e dois amônios. A entrada na célula ocasiona a perda de dois cloros, sendo expostas duas ligações altamente reativas, a qual se liga coordenativamente com duas bases de Guanina, levando a célula à indução apoptótica. ADME: Metabolização hepática e excreção renal24. RA: Mielossupressão (branda), distúrbios do TGI e SNC, nefro e ototoxicidade24. Uso: Câncer sólido gonadal. Bussulfano: Exerce atividade citotóxica interferindo na replicação do DNA e na transcrição do RNA, causando interrupção funcional dos ácidos nucléicos. Atua, principalmente, sobre os precursores dos granulócitos na medula óssea35. ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal35. RA: Mielossupressão, náusea, estomatite, anorexia, distúrbios do TGI, insônia, cefaléia. Uso: Leucemia granulomatosa 37 Procarbazina: Derivada da metil-hidrazina, aparentemente, pode inibir a síntese do DNA, RNA e de proteínas, pode lesar o DNA diretamente e suprimir a mitose35. ADME: Boa e rápida absorção no TGI, metabolismo renal e hepático e excreção renal24, 35. RA: Distúrbios do TGI e mielossupressão35. Uso: Linfoma Hodkings. II. Antimetabólitos Análogos do folato Metotrexato: Seu mecanismo de ação consiste em antagonizar o ácido fólico competitivamente por possuir mais afinidade a diidrofolato redutase (DHFR)24, 34. ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, conversão em metabólito ativo intracelular, metabolização hepática (inativo) e excreção renal24, 35. RA: Nefro e mielotoxicidade e anemia megaloblástica35. Usos: Imunomodulação, leucemia linfoblástica35. Análogos das pirimidinas Fluoracila: a 5-fluorouracila (5-FU) exerce sua atividade citotóxica em duas vias, sendo que serve de precursor para ambas. Na via do DNA, seu metabólito após algumas reações interage com a timidilato sintetase, parando da síntese do DNA11. ADME: Metabolização hepática e excreção renal11. RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, mielossupressão (branda), alopecia34. Usos: Carcinoma de mama e TGI superior Análogos da citidina Citarabina: É um análogo da 2’-desoxicitidina com uma 2’-hidroxila em uma posição trans, que dificulta a rotação da base pirimidina em torno da ligação nucleosídica e interfere no emparelhamento das bases11 (ou seja, inibie a DNA polimerase na fase S34). ADME: Baixa absorção no TGI (uso de IV), metabolismo hepático e excreção renal34. RA: Mielossupressão, distúrbios do TGI, sangramento, rash e febre34. 38 III. Produtos Naturais Alcalóides da vinca: A sua atividade é devido a capacidade de se ligar e inibir a β tubulina e bloquear a sua polimerização com a α tubulina em microtúbulos. São elas: vincristina, vimblastina e vinorelbina11. Usos: Leucemias, linfomas, cânceres de testículo, pulmão e mama11. Taxanos: Compostos pelo paclitaxel e docetaxel, funcionam como antimitóticos e diferente das Vincas, eles se ligam a uma porção diferente da β tubulina e promovem sua formação11. Usos: Cânceres de ovário, pulmão, GI, geniurinário e de cabeça e pescoço11. Doxorrubicina: Se intercala na fita de DNA, inibindo a progressão da topoisomerase II, a qual desespirala o DNA e depois religa os filamentos11. Epipodofilotoxinas: Constituído principalmente pelo etopósido e tenipósido, formam um complexo ternário com a toposimorase II, impedindo o reparo da quebra que normalmente ocorre após a ligação da topoisomerase ao DNA11. Bleomicina: Sua ação consiste na capacidade oxidativa da desoxirribose do timidilato e de outros nucleotídeos, resultando em quebras de filamentos simpels e filamentos duplos do DNA11. 39 Capítulo 15 Antineoplásicos dirigidos para alvos Inibidores da BCR-ABL cinase: Composto pelo imatinibe, desatinibe e nilotinibe. Se liga a um segmento do domínio da cinase que fixa a enzima em um estado fechado ou não funcional, no qual a proteína é incapaz de se ligar a seu substrato e é utilizado para tratar leucemia mielóide crônica11. Anticorpos monoclonais: Sendo composto pelo trastuzumabe, impedem a ativação do receptor cinase e a sinalização distal e iniciação da citotoxicidade celular dependente de anticorpos11. Inibidores da angiogênese: Entre os diversos, se destacam o bevacizumabe (primeiro anticorpo aprovado pelo FDA como antiangiogêncio). A talidomida ainda está sendo estudada e não tem mecanismo elucidado11. Capítulo 16 Hormônios na quimioterapia Glicocorticóides: São usados em geral para tratar leucemia aguda em crianças e linfoma maligno por conta de seu efeito linfolítico e capacidade de suprimir a mitose dos linfócitos11. Antiestrógeno: Composto principalmente pelo tamoxifeno, que é um inibidor ocmpetitivo da ligação do estradiol ao RE, e é utilizado principalmente para tumores responsivos a estrógeno (que se “alimentam” dele, basicamente)11. 40 Referências 1. Medley, MedicinaNET. Bula: Azitromicina. 2013. Disponível em<http://www.medicinanet.com.br/bula/766/azitromicina.htm>.Acesso em 10 de maio de 2016. 2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Governo Federal. Antimicrobianos: Base teórica e uso clínico. Acesso em 10 de maio de 2016, disponível em <http://goo.gl/AJp5WV> 3. MELO, Vivianne Vieira. Guia de antimicrobianos do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG). Goiania, 2012 4. Medley, MedicinaNET. Bula: Claritromicina. 2013. 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