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Guia de antimicrobianos 
e 
antineoplásicos 
 
Gustavo Pellegrini 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2016 
Guia de antimicrobianos 
e 
Antineoplásicos 
2 
 
Seção I 
Quimioterapida antimicrobiana 
Locais de ação 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Capítulo 1 
Sulfonamidas 
 
Mecanismo de ação: As sulfonamidas atuam diretamente inibindo uma enzima necessária 
para a produção de Timidinas e Purinas na via do folato (figura 1.1). Em geral elas inibem a 
DHPS (dihidropteroato sintetase), e podem estar associados com um antimicrobiano (como a 
trimetoprima) que atua de forma sinérgica com o Sulfametoxazol, inibindo a DHPR (diihidrofolato 
redutase), assim, atuando em duas partes importantes na via do folato. São bacteriostáticos. 
 
Figura 1.1 Via do folato 
 
Espectro: Possui amplo espectro 
 
ADME 
(absorção, distribuição, metabolismo e excreção) 
Sulfametoxazol: Possui boa absorção gastrointestinal (comprimido), tem ampla distribuição e 
T1/2 de 10 horas, não atravessa barreiras, metabolização hepática e excreção renal
16. 
 RA (reações adversas): Anemia megaloblástica, agranulocitose, RH, rash e distúrbio do 
TGI16. 
Sulfadiazina: Rapidamente absorvido no TGI, tem ampla distribuição, atravessa a barreira 
HEC, possui T1/2 de 10 horas, é metabolizada no fígado e excretada via renal17. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, depressão e convulsões17. 
 
4 
 
Capítulo 2 
Penicilinas 
Mecanismo de ação: Impede a síntese de peptiodeoglicano e formação da parede bacteriana 
via ligação e inibição na PLP (proteína de ligação da penicilina), responsável pelo último passo da 
síntese da parede (figura 2.1). Há algumas no mercado disponíveis em associação com inibidores 
de β-lactamases produzidos por alguns microorganismos resistentes aos β-lactâmicos (como a 
amoxicilina + clavulanato)7. 
Classificação: São classificadas em: benzilpenicilinas, aminopenicilinas, penicilinas 
resistentes a penicilinase e penicilinas de amplo espectro (abaixo descrito em ordem). 
Espectro: O espectro de ação das Penicilinas pode variar de acordo com a classe, abaixo 
descrito. 
 
ADME & Espectro 
Benzilpenicilina Benzatina: Usa-se em via IM (MAJORITARIAMENTE). É uma penicilina 
de depósito, possui lenta absorção³, distribuição ampla e rápida excreção em pacientes nefro-
competentes (não se fala sobre metabolização na bula, mas acredito que seja hepática)5. 
 Espectro: Em geral, Estafilococcus, Streptococcus e Pneumococcus3. 
 RA: Exantema, urticária, febre, broncoespasmo e dermatite esfoliativa3. 
Ampicilina: Uso IM, IV ou VO. Boa absorção no TGI (trato gastrointestinal), ampla distribuição 
e T1/2 de 1 hora, não travessa barreira placentária, atravessa a barreira HEC apenas na presença 
de meningite. Majoritariamente excretada na urina e poucamente excretada no leite6. 
 Espectro: Possui amplo espectro3. 
 RA: Náuseas, vômitos, diarréia, prurido, irritação do TGI, febre e eritema cutâneo3. 
Oxacilina: Usa-se IV ou IM. Em uso IM, há rápida absorção, com picos séricos em 30 minutos. 
A distribuição é ampla, não atravessa eficazmente a barreira HEC8 e não possui estudos 
suficientes para demonstrar se atravessa ou não a barreira placentária. É metabolizada no fígado, 
rapidamente excretada na urina e na bile3. 
 Espectro: Gram-Positivo 
 RA: Eritema, urticária, febre, neutropenia e anemia3. 
Amoxacilina + Clavulanato: Usa-se em via IV ou VO. Rapidamente e bem absorvido no 
TGI, com ampla distribuição, T1/2 de 1,3 horas, penetra apenas a barreira placentária, é 
metabolizada no fígado sendo excretada na urina e nas fezes (bile)7. 
 Espectro: Possui amplo espectro (principalmente por causa do Clavulanato)3. 
 RA: Diarréia, dor abdominal e náuseas3. 
5 
 
Cefalosporinas 
Mecanismo de ação: Mecanismo de ação parecido com as penicilinas (figura 2.1), ou seja, β-
lactâmicos². 
 
Figura 2.1 Via de ação dos B-lactâmicos 
Classificação: São classificadas em gerações, sendo que, conforme a geração ascende, há 
maior espectro, menos reação adversa e melhor farmacocinética e dinâmica. São dividas em: 1ª, 
2ª, 3ª e 4ª geração abaixo descrito na ordem respectiva. 
Espectro: O espectro de ação das Cefalosporinas pode variar de acordo com a classe, abaixo 
descrito. 
 
 
 
 
 
 
6 
 
ADME & Espectro 
Cefalotina: Classificada com 1ª geração e pode ser administrada IV ou IM. Em via IM possui 
rápida absorção, amplamente distribuída e não atravessa barreiras9. É metabolizada no fígado, 
excretadas em maior parte nos rins e o resto via biliar3. 
 Espectro: Possui amplo espectro9. 
 RA: Hipersensibilidade e tromboflebite3. 
Cefuroxima: Classificada como 2ª geração e pode ser administrada IV. Não tem boa absorção 
(disponibilização em ampola IV), ampla distribuição, atravessa a barreira HEC, T1/2 de 1,7 horas, 
possui metabolismo hepático e é excretado em maior parte nos rins11. 
 Espectro: Possui amplo espectro3. 
 RA: Hipersensibilidade e tromboflebite3. 
Ceftriaxona: Classificada como 3ª geração, pode ser administrada IV ou IM. Possui baixa 
absorção oral, com ampla distribuição, atravessa barreira HEC3, possui T1/2 de 8 horas, 
metabolismo hepático e excreção renal11. 
 Espectro: Possui amplo espectro, medicamento de escolha para prevenção de infecção 
hospitalar³. 
 RA: Hipersensibilidade e tromboflebite3. 
Cefepime: Classificada como 4ª geração, pode ser administrada IV ou IM. Possui rápida 
absorção quando via IM, com ampla distribuição e T1/2 de 2 horas, metabolização hepática e 
excreção renal11. 
 Espectro: Amplo espectro3. 
 RA: Hipersensibilidade, mal-estar, diarréia, náusea e dispepsia3. 
 
. Carbapenêmicos 
Mecanismo de ação: Mecanismo de ação parecido com as penicilinas, ou seja, β-
lactâmicos². 
Classificação: São classificadas em gerações, sendo que, conforme a geração ascende, há 
maior espectro, menos reação adversa e melhor farmacocinética e dinâmica. São dividas em: 1ª, 
2ª e 3ª geração abaixo descrito na ordem respectiva. 
Espectro: O espectro de ação dos Carbapenêmicos pode variar de acordo com a classe, 
abaixo descrito. 
 
 
7 
 
ADME & Espectro 
Imipeném: São classificados como 1ª geração, somente forma IV. Não é absorvido no TGI, 
possui ampla distribuição, não atravessa barreiras, possui T1/2 de 1 hora, metabolizado no fígado 
e excretado na urina11. 
 Espectro: Amplo espectro3. 
 RA: Náusea, vômitos e convulsões11 (aumenta o risco quando administrado com 
ganciclovir3). 
Meropenem: São classificados como 2ª geração, carbapenêmico de escolha e disponível 
somente IV. Não é absorvido no TGI, possui ampla distribuição, atravessa a barreira HEC 
(escolha quase empírica para meningites e doenças associadas), possui T1/2 de 
aproximadamente 3 horas, metabolismo hepático e excreção renal12. 
 Espectro: Amplo espectro3. 
 RA: Náusea, vômito e convulsões (porém, com um risco muito mais baixo em comparado 
ao imipeném)3. 
Ertapenem: São classificados como 3ª geração, carbapenêmico de escolha para tratamento 
ambulatorial (permite a adm. 1x/dia) e escolha para cepas MULTI R (a multiresistencia confere a 
resistência a quase todos os antibióticos) gram-negativas produtoras de β-lactmases. Não tem 
absorção VO, possui ampla distribuição, possui T1/2 longo, metabolismo hepático e excreção 
renal. 
 Espectro: Amplo espectro3. 
 RA: Diarréia, reações no local da infusão, náusea e cefaléia3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Capítulo 3 
Aminoglicosídeos 
Mecanismo de ação: Se liga na porção 30-50S do ribossomo da bactéria (figura 3.1), 
impedindo a produção ou promovendo a produção de uma proteína sem função11.Figura 3.1 A. Os aminoglicosídeos (representados pelo circulo vermelho) se liga à subunidade ribossômica 30S e interfere na 
iniciação da síntese de proteínas, levando a B, terminação prematura da tradução com liberação do complexo ribossômico e 
síntese da proteína incompleta ou C, incorporação de aminoácidos incorretos (representados pelo X vermelho), resultando na 
produção de proteínas anormais ou não funcionais 
Espectro: Gram-negativo (gentamicina) e amplo espectro (amicacina)3. 
 
ADME & Espectro 
Gentamicina: Disponível em formas IV e IM (mas também há indicação para inalatório13). 
Pouca absorção oral, ampla distribuição, (com boa penetração óssea³), atravessa a barreira 
placentária e a HEC, metabolização hepática e excreção renal11, 13. 
 RA: Ototoxicidade e Nefrotoxicidade são as RAs principais. Outras incluem: Bloqueio na 
JNM (rara), exantema, febre³. 
Amicacina: Disponível em formas IV e IM. Pouca absorção oral, ampla distribuição, atravessa 
barreiras placentária e HEC, metabolização hepática com excreção renal11. 
 RA: Ototoxicidade e Nefrotoxicidade são as RAs principais. Outras incluem: Bloqueio da 
JNM (rara), exantema, febre3, 11. 
Estreptomicina: Disponível em formas IV e IM. Pouca absorção oral, ampla distribuição, 
metabolização hepática e excreção renal 
 RA: Ototoxicidade e nefrotoxicidade são as RAs principais. 
Neomicina + Bacitracina: Ou nebacetim, de uso tópico. 
 
9 
 
Capítulo 4 
Tetraciclinas 
Mecanismo de ação: Inibem a porção 30S do ribossomo da bactéria (figura 4.1), impedindo a 
produção ou promovendo a produção de uma proteína sem função. São bacteriostáticos11. 
 
Figura 4.1 As tetraciclinas inibem a síntese protéica bacteriana mediante ligação à subunidade 30S e bloqueio da ligação do tRNA 
ao local A. 
Espectro: Amplo espectro3. 
 
ADME & Espectro 
Doxiciclina: Possui boa absorção VO, mas também há disponibilidade em forma IV. Ampla 
distribuição, possui T1/2 de 16-18 horas, atravessa as barreiras HEC e placentária, e se encontra 
concentrações significativas no leite materno. É metabolizado no fígado e possui excreção 
renal11. 
 RA: RH, anemia hemolítica, trombocitopenia e irritação no TGI14. 
 
 
 
 
 
 
10 
 
Cloranfenicol & ADME 
 Mecanismo de ação: Inibem a porção 50S do ribossomo da bactéria, impedindo a 
produção ou promovendo a produção de uma proteína sem função (figura 5.1). São 
bacteriostáticos11. 
 
Figura 5.1 O cloranfenicol liga-se à subunidade ribossômica 50S no local da peptidiltransferase e inibe a reação de 
transpeptidação. 
 Espectro: Amplo espectro. 
 ADME: Possui boa absorção no TGI (mas também há disponibilização em IV e tópico). 
Possui ampla distribuição, atravessa barreiras HEC e placentária, é metabolizado no 
fígado e possui excreção renal11. 
 RA: RH, anemia, trombocitopenia, neutoprenia11. 
 SÍNDROME DO BEBE CINZENTO: O uso de Cloranfenicol em mulheres grávidas pode 
ocasionar esta síndrome. O Cloranfenicol atinge concentrações altas na barreira 
placentária e causa os seguintes sintomas no feto: letargia, cianose, hipotensão, vomitos, 
distensão abdominal, hipotermia, respiração irregular e pancitopenia fatal. Aparentemente 
a síndrome se estabelece no feto porque ele ainda não desenvolveu a enzima necessária 
pra biotransformar o Cloranfenicol para ser excretado, tornando o fármaco ativo por um 
longo período15. 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
Macrolídeos 
Mecanismo de ação: Os macrolídeos se ligam irreversivelmente á porção 50S da bactéria, 
impedindo a translocação dos peptídeos, produzindo proteínas defeituosas e sem função¹(figura 
6.1). Sua ação pode ser tanto bactericida quanto bacteriostática, baseada em dose-dependencia 
para a efetuação da ação desejada3. 
 
Figura 6.1 Os antibióticos macrolídeos são agentes bacteriostáticos que inibem a síntese de proteína por sua ligação reversível às 
subunidades ribossômicas 50S de microorganismos sensíveis. 
Espectro: Os macrolídeos possuem amplo espectro de ação3. 
 
ADME 
Azitromicina: Possui boa absorção gastrointestinal (comprimido), amplamente distribuída (com 
preferência aos tecidos1, também encontrada em macrófagos2), não atravessa barreiras 
(barreiras placentária, hematoencefálica e nem excretada no leite) com biodisponibilidade de 
37%¹. É metabolizada no fígado (?) e primariamente eliminada na bile, sendo uma pequena 
quantidade encontrada na urina2. 
 RA (reações adversas): Ototoxicidade em doses elevadas, náuseas, diarréia, dor 
abdominal, cefaléia e tonturas3. 
Claritromicina: Possui rápida absorção VO, sendo que a presença de alimentos atrasa tal 
fato. Possui pico de concentração em 2 horas, tem maior distribuição tecidual do que plasmática 
(aparentemente atravessa a barreira placentária, estudos indicam anomalia cardiovascular em 
ratos e retardo no crescimento fetal em macacos3) e possui meia-vida de 4,5-4,8 horas. É 
metabolizada no fígado e excretada na urina4. 
 RA: Náusea, vômitos, dor abdominal, cefaléia e tontura e ototoxicidade notada em dose 
elevada3. 
 
 
12 
 
Glicopeptídeos 
Mecanismo de ação: Atua por três mecanismos: aumenta a permeabilidade da membrana 
bacteriana, inibe a síntese de peptideoglicano (figura 7.1) e interfere na síntese de RNA 
citoplasmático18. 
 
Figura 7.1 A vancomicina inibe a polimerização ou a reação da transglicosilase (A) por ligação à extremidade terminal da 
D-alanil-D-alanina da unidade precursora da parede celular unida a seu transportador lipídico e por bloqueio da ligação ao 
polímero glicopeptídico (indicado pela letra subscrita n) 
Espectro: Gram-positivo3. 
 
ADME & Espectro 
Teicoplanina: Possui uma absorção no TGI pobre (disponibilização em IM e IV). Distribuição 
ampla, não atravessa barreira (talvez atravesse a barreira placentária, risco C³), metabolização 
hepática e excreção renal3. 
 RA: Distúrbios nos componentes sanguíneos, oto, hepato e nefrotoxicidade19. 
Vancomicina: Possui uma absorção no TGI pobre (mas ainda sim há indicações para diluição 
da ampola em água e administração enteral, disponibilização IV). Distribuição ampla, atravessa a 
barreira HEC, metabolização hepática e excreção renal11. 
 RA: Distúrbios nos componentes sanguíneos, oto e nefrotoxicidade, RH, síndrome do 
homem vermelho e náusea. 
 
 
 
 
13 
 
Polimixina B & ADME 
 Mecanismo de ação: Interage com o polissacarídeo na membrana externa da bactéria, 
retirando cálcio e magnésio, desestabilizando a membrana20. 
 Espectro: Gram-negativo3. 
 ADME: Não possui absorção oral (disponibilização em IV e IM). Possui ampla distribuição, 
não penetra barreiras, metabolização hepática e excreção renal21. 
 RA: Neuro e nefrotoxicidade, hiperemia facial, sonolênia, ataxia, febre, tonturas e erupções 
cutâneas3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
Fluorquinolonas 
Mecanismo de ação: Inibe a topoisomerase IV e a DNA girase. 
Espectro: Amplo espectro 
 
ADME 
Ciprofloxacino: Boa absorção no TGI (evitar administração concomitante com antiácido, pois 
diminui a absorção), ampla distribuição (principalmente no trato urinário), metabolização hepática 
e excreção renal11. 
 RA: Distúrbios do TGI, dor abdominal, diarréia e neurotoxicidade³. 
Norfloxacino: Boa absorção no TGI, baixa distribuição (alcançando em níveis terapêuticos 
somente urina, fezes e próstata), não atravessa barreiras, metabolização hepática e excreção 
renal3, 11. 
 RA: Distúrbios do TGI e RH³. 
Levofloxacino: Boa absorção no TGI (evitar administração concomitante com antiácido, pois 
diminui a absorção), ampla distribuição(principalmente no trato urinário), metabolização hepática 
e excreção renal3, 11. 
 RA: Distúrbios do TGI, prurido, exantema e vaginite3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
Capítulo 5 
Tuberculostáticos 
Mecanismo de ação: Variam de acordo com o fármaco (figura 8.1). 
 
Figura 8.1 Mecanismo da Clofazimina omitido pois não bem elucidado ainda 
Espectro: Restritos a micobactérias (exceto rifampicina, que alcança um maior espectro). 
 
ADME 
Rifampicina: Inibe a biossíntese do RNA bacteriano ao inibir fortemente a subunidade β da 
RNA-polimerase que depende do DNA, evitando a união da enzima do DNA e bloqueando, assim, 
o início da transcrição do RNA (figura 8.1)3. 
 Espectro: Micobactérias e bactérias gram-positivas e negativas. 
 ADME: São bem absorvidas no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção 
renal11. 
 RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade, distúrbios do TGI e rash. 
Isoniazida: Inibe a síntese do ácido micólico, um componente importante da parede de 
micobactérias (figura 8.1)3. 
 Espectro: Restrito a micobactérias. 
 ADME: Possui boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção 
renal11. 
 RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade , distúrbios do TGI, rash e febre3. 
16 
 
Pirazinamida: É um análogo químico da nicotinamida. Mecanismo ainda não bem elucidado, 
mas foram propostos três mecanismos: Inibição do ácido graxo sintetase tipo 1 levando à 
interferência na síntese do ácido micólico; redução do pH intracelular; interrupção do transporte 
de membrana por HPOA (figura 8.1)11. 
 Espectro: Restrito a micobactérias. 
 ADME: Possui boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção 
renal3. 
 RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade, distúrbios do TGI, artralgias e hiperuricemia3. 
Etambutol: Inibe a arabinosil transferase II, desarranjando a estrutura da parede celular 
micobacteriana (figura 8.1)11. É bacteriostático-bacterida dose-dependente3. 
 Espectro: Restrito a micobactérias. 
 ADME: Boa absorção no TGI, amplamente distribuída com T1/2 de 9-12 horas, 
metabolizado no fígado e excretado no rim3, 11. 
 RA: Pode ocorrer grave hepatotoxicidade, distúrbios do TGI, febre, rash, artralgia, cefaléia 
e tontura3. 
Clofazimina: Possíveis mecanismos de ação: rompimento da membrana; inibição da 
fosfolipase A2 micobacteriana; inibição do transporte de K
+ microbiano; geração de peróxido de 
hidrogênio; interferência nas cadeias de transporte de elétrons bacteriana11. 
 ADME: Possui absorção no TGI variável (mas boa), ampla distribuição e T1/2 de 70 dias, 
não atravessa barreiras, metabolismo hepático e excreção renal 3, 11. 
 RA: Neurite óptica, hiperuricemia, distúrbios do TGI, cefaléia, tontura, rash, febre3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
Seção II 
Antifúngicos 
Locais de ação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
Capítulo 6 
Anfotericinas 
Mecanismo de ação: As anfotericinas reconhecem e se ligam ao ergosterol presente na 
parede do fungo ou do parasito (como acontece na Leishmania), promovendo perda eletrolítica 
por desestabilização da parede, concedendo um efeito fungicida ou fungiostático dose-
dependente23. 
Anfotericina B: Baixa absorção oral (uso IV). Ampla distribuição e atravessa a barreira 
placentária, metabolismo hepático e excreção renal. T1/2 de 24 horas
23. 
 RA: RH, febre, mal-estar, perda de peso, rubor e nefrotoxicidade11. 
 NEFROTOXICIDADE: Pelo seu mecanismo de ação, há uma chance alta da anfotericina 
“confundir” uma célula sadia (reconhecendo um esterol da membrana) com o ergosterol da 
parede do fungo. 
Anfotericina complexo lipídico (Abelcet): Consiste na molécula da Anfotericina ligada a 
um complexo lipídico, que mantem o espectro e diminui os efeitos adversos (principalmente o uso 
de uma dosagem maior em troca de uma baixa nefrotoxicidade) 
Anfotericina Lipossomal (amBisome): Consiste na molécula de Anfotericina envolta de 
uma cápsula lipossômica, mantendo o espectro e diminuindo os efeitos adversos (principalmente 
o uso de uma dosagem maior em troca de uma baixa nefrotoxicidade). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
Capítulo 7 
Imidazóis & Triazóis 
Mecanismo de ação: Pela inibição da P450 do fungo (consequentemente interferência na 14-
α-esterol desmetilase), resulta na inibição da síntese do ergosterol do fungo, consequentemente 
há deficiência na produção da parede celular fúngica24. 
Fluconazol: Possui boa absorção no TGI, com ampla distribuição, atravessa a barreira HEC, 
possui metabolismo hepático e excreção renal. T1/2 de aproximadamente 19 horas
25. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, convulsão, tontura, alopecia, rash, hepatotoxicidade e 
mielossupressão (em relação a trombocitopenia, neutropeniae leucopenia)25. 
Cetoconazol: Boa absorção no TGI, ampla distribuição com ótima penetração tecidual (pele e 
couro cabeludo, principal local de ação), metabolização hepática e excreção renal26. T1/2? 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, dor abdominal, disfunção hepática26. 
Voriconazol: Absorção no TGI boa, rápida e quase totalmente absorvida, ampla distribuição, 
atravessa a barreira HEC, metabolismo hepático e excreção biliar. T1/2 6 horas
27. 
 RA: Disturbios do TGI, rash, febre, cefaléia, distúrbios visuais e edema periférico24. 
Itraconazol: Absorção no TGI boa e rápida, ampla distribuição (com preferência por lipídeos) e 
atravessa a barreira HEC, possui metabolização hepática e excreção hepática-renal (sendo 
hepática > que a renal)28. 
 RA: Cefaleia, náusea e dor abdominal28. 
Giseofulvina: Boa absorção no TGI, distribuição terapêutica limita-se a pele (isto é, a 
concentração necessária para efetuar de fato um efeito considerado terapêutico só é alcançada 
na pele), atravessa a placenta, possui metabolismo hepático e excreção hepática-renal. T1/2 9-24 
horas24, 29. 
 RA: Cefaleia, rash, urticária e distúrbios do TGI29. 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
Flucitosina 
 Mecanismo de ação: A flucitosina serve de substrato em uma cascata (figura 9.1), em 
que é convertida a um composto inibitório da timidilato sintase, enzima necessária para a 
catálise final de dUMP em dTMF. 
 
Figura 9.1 Cascata reacional da flucitosina no fungo. 
 
 ADME: Absorção boa e rápida no TGI, ampla distribuição, metabolização hepática e 
excreção renal. T1/2 de 3-6 horas
11. 
 RA: Mielosupressão, distúrbios do TGI e exantema11. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
Capítulo 8 
Benzimidazóis (BZs) 
Mecanismo de ação: O mecanismo de ação principal dos BZs parece inibir a polimerização 
dos microtúbulos se ligando a β-tubulina. Também há varias alterações bioquímicas, como: 
inibição da fumarato redutase mitocondrial, a redução do transporte de glicose e o bloqueio da 
fosforilação oxidativa11. 
Albendazol: Boa absorção no TGI (maior ainda na presença de alimentos gordurosos ou sais 
biliares), ampla distribuição e rápida metabolização em sulfóxido de albendazol (no fígado e 
também no intestino), que tem uma ação anti-helmíntica potente e excreção renal11. 
 RA: Distúrbios do TGI, tontura e cefaléia11. 
Mebendazol: Absorção do TGI média (aumentada com o uso concomitante de cimetidina, um 
inibidor enzimático do CYP responsável pelo metabolismo de primeira passagem do 
mebendazol)11, média distribuição, metabolização hepática e excreção biliar. T1/2 de 5 horas
30. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, tontura, febre e prurido30. 
Tiabendazol: Possui boa e rápida absorção no TGI, ampla distribuição (sem certeza), 
metabolização hepática e excreçãorenal31. 
 RA: Distúrbios do TGI, tontura, vertigem, sonolência, formigamento31. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
Capítulo 9 
Antihelmínticos 
Dietilcarbamazina: Parece causar dano às organelas e apoptose contra espécies sensíveis e 
filarias11. 
 ADME: É bem e rapidamente absorvida no TGI, ampla distribuição (sem certeza), 
metabolização hepática (com metabólito ativo) e excreção renal (pH ácido dependente)11. 
 RA: Distúrbios do TGI e cefaleia11. 
Ivermectina: Acredita-se (ainda não em elucidado) que ela pode atuar como um antagonista 
gabaérgica. Também possui alta afinidade aos canais iônicos de Cloro-glutamato-dependente, e 
a sua ligação aumenta a permeabilidade da membrana celular por íons coloro, resultando em 
uma hiperpolarização da membrana, levando a paralisia e conseqüente morte do parasito24. 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição (não atravessa barreiras), metabolismo 
hepático e excreção hepática-renal24. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, tontura e febre11. 
Praziquantel: Paralisa a movimentação via inibição da bomba sódio-potássio do parasito, 
despolarizando a membrana permitindo o influxo de cálcio24. 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição e atravessa a barreira HEC, excreção 
renal-hepática. T1/2 de até três horas
11, 24. 
 RA: Distúrbios do TGI, tontura e sonolência11. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
Capítulo 10 
ANTIMALÁRICOS 
Classificação: A classificação é dada pela sua ação no ciclo da malária, sendo os de primeira 
categoria (asseguradamente eficazes no ciclo eritrocítico da malária, composta por artemisininas, 
cloroquina, mefloquina, quinina e quinidina, pirimetamina, sulfadoxina e tetracicilina), segunda 
categoria (útil tanto no ciclo hepático, hipnozoítos, quanto no ciclo eritrocítico, são a atovaquona e 
proguanila), e terceira categoria, composta apenas pela primaquina, que tem ação nos 
hipnozoítos e gametócitos11. 
Cloroquina: Esquizontocida, entra no fagossomo do parasito. Devido ao pH ácido no interior, 
se protona e acaba aprisionado dentro do fagossomo, permitindo sua ação sobre o parasita. Inibe 
a HEME-polimerase, enzima do parasito, que a utiliza para diminuir a toxicidade do grupo Heme e 
poder degradar sem problemas ao parasito32. 
 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal24. 
T1/2 de 50 horas32. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia e tontura. Rápida infusão IV pode ocasionar hipotensão 
acompanhada de uma disritmia, sendo este quadro potencialmente fatal32. 
Quinina: Esquizontocida, entra no fagossomo do parasito. Devido ao pH ácido no interior, se 
protona e acaba aprisionado dentro do fagossomo, permitindo sua ação sobre o parasita. Inibe a 
HEME-polimerase, enzima do parasito, que a utiliza para diminuir a toxicidade do grupo Heme e 
poder degradar sem problemas ao parasito32. 
 ADME: Boa absorção no TGI, baixa distribuição, metabolização hepática e excreção 
renal24. T1/2 de 24 horas
32. 
 RA: Quinismo (intoxicação, comum), delírio, RH, alterações no ECG, PTI e PTT24. 
Mefloquina: Esquizontocida, entra no fagossomo do parasito. Devido ao pH ácido no interior, 
se protona e acaba aprisionado dentro do fagossomo, permitindo sua ação sobre o parasita. Inibe 
a HEME-polimerase, enzima do parasito, que a utiliza para diminuir a toxicidade do grupo Heme e 
poder degradar sem problemas ao parasito32. 
 ADME: Lenta absorção no TGI (aumenta com a administração concomitante de alimentos), 
ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção biliar24. T1/2 30 dias (possivelmente 
por mecanismos do ciclo entero-hepático)32. 
 RA: Ansiedade, distúrbios do SNC e do TGI, bradiarritmia. 
Artemeter: Esquizontocida, por um mecanismo ainda não bem elucidado, porém, os estudos 
indicam que artemisininas e seus derivados atuam de forma a causar uma cisão redutora da 
ponte peróxido pelo ferro do heme reduzido, que é produzido no interior do vacúolo digestivo 
altamente ácido do parasito, durante a sua digestão da hemoglobina. Também podem gerar 
radicais livres que alquilam e oxidam proteínas e possivelmente lipídeos nos eritrócitos 
parasitados11. 
 ADME: Boa absorção no TGI (aumenta na presença de alimentos) e lenta em 
administração IM, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção renal24. 
24 
 
 RA: Distúrbios do SNC e TGI, cefaléia, alterações no ECG, bloqueio AV e rash33. 
Artesunato: Ainda não bem elucidado, porém, os estudos indicam que artemisininas e seus 
derivados atuam de forma a causar uma cisão redutora da ponte peróxido pelo ferro do heme 
reduzido, que é produzido no interior do vacúolo digestivo altamente ácido do parasito, durante a 
sua digestão da hemoglobina. Também podem gerar radicais livres que alquilam e oxidam 
proteínas e possivelmente lipídeos nos eritrócitos parasitados11. 
 ADME: Boa absorção no TGI e IM, baixa distribuição, metabolização hepática e excreção 
renal24. 
 RA: Distúrbios do SNC e TGI, cefaléia, alterações no ECG, bloqueio AV e rash33. 
Atovaquona: Age seletivamente sobre o complexo mitocondrial citicromo bc1, de modo a inibir 
o transporte de elétrons e anular o potencial de membrana mitocondrial11. 
 ADME: Lenta absorção no TGI (melhora quando administrada concomitantemente com um 
alimento gorduroso), metabolização hepática e excreção biliar11. 
 RA: Distúrbios do TGI, dor de cabeça e exantema11. 
Primaquina: Age no estágio hipnozoíto (no fígado), não bem elucidado, mas acredita-se que 
aumenta H2O2 no interior do parasito, causando morte por lesão no DNA
32. 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição e atravessa a barreira placentária 
(teratogênica), metabolização hepática e excreção renal24. T1/2 de 30 dias
32. 
 RA: Náusea e dor abdominal24. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
Seção III 
Agentes Antivirais 
Locais de ação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
Capítulo 11 
Antivirais não retrovirais 
 
Aciclovir: É um análogo sintético da purina com atividade contra herpes vírus simples 1 (HSV-
1), HSV-2 e varicela zoster vírus (VZV). O Aciclovir sofre conversão dentro da célula infectada 
pelo vírus a Trifosfato de aciclovir (figura 10.1), a qual constitui o metabólito de ação antiviral. O 
TPaciclovir se liga e inibe competitivamente a DNA polimerase do DNA viral (DNAv)24. A enzima 
responsável pelo mecanismo citado anteriormente chama-se timidicinase viral, a qual possui certa 
semelhança com a humana, porém o Aciclovir possui 200x mais afinidade pela enzima viral do 
que pela humana11. 
 
Figura 10.1 
 ADME: IV e VO. Possui boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolização hepática 
e excreção renal24. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia e mal-estar24. 
Amantadina: Ativo conta o vírus da Influenza, inibe, provavelmente, a etapa de desnudamento 
do vírus. Atua principalmente na inibição na produção dos canais M2 necessários para promover 
o desnudamento e inserção do material genético do vírus11. 
 ADME: Boa absorção oral, baixa distribuição, metabolização hepática e excreção renal. 
T1/2 de 10 a 25 horas 
11, 24. 
 RA: Distúrbios do TGI e SNC, fadiga24. 
27 
 
Oseltamivir: Ativo principalmente contra H1N1, inibe a ultima fase da proliferação do vírus via 
inibição das neuramidases, que são responsáveis por clivar a ligação da hemaglutinina do vírus 
com os receptores da membrana11, 24, 
 ADME: Em geral, vendido como fosfato de oseltamivir, uma pró-droga. Boa absorção no 
TGI, biotransformação de primeira passagem hepática (em carboxilato de oseltamivir, 
composto ativo), baixa distribuição, metabolização de segunda passagem hepática eexcreção renal24. 
 RA: Distúrbios do TGI24. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
Capítulo 12 
Intérferons (IFN) 
Mecanismo de ação: Os intérferons possuem atividades antivirais, imunomoduladoras e 
antiproliferativa. São sintetizadas por células do hospedeiro em resposta a vários indutores e 
provocam alterações bioquímicas na célula, ocasionando um estado antiviral em celulas 
infectadas. Existem três tipos: o IFN-α, IFN-β e o IFN-γ. O IFN-γ pode ser produzido nos linfócitos 
T e nas células NK, enquanto os IFN-α e IFN-β podem ser produzidas por quase todas as células 
em resposta à infeccção viral e uma variedade de outros estímulos, sendo que exibem ações 
antivirais e antiproliferativas, estimulam a atividade citotóxica dos linfócitos, das NK e dos 
macrófagos e exercem suprarregulação dos antígenos de MHC-1. Após a ligação, as IFNs ativam 
a via de transdução de sinais JAK/STAT e levam à transolocação nuclear de um complexo 
protéico celular, que se liga a genes contendo um elemento de resposta específico de IFN (figura 
11.1)11. 
 
Figura 11.1 
 
 
29 
 
Capítulo 13 
Agentes Antirretrovirais 
I. Inibidores nucleosídicos da transcriptase reversa 
Zidovudina (AZT): Uma vez dentro da célula, é fosforilada a 5-trifosfato de zidovudina pela 
timidinacinase. A 5-TP de AZT é carente de um grupo de 3’-hidroxila e sua incorporação ao DNA 
nascente do vírus HIV interrompe a cadeia (figura 12.1). Também inibe competitivamente a 
timidilatocinase celular e inibe potentemente a polimerase mitocondrial11, 24. 
 
 
Figura 12.1 
 ADME: Boa e rapidamente absorvida no TGI, baixa distribuição e atravessa as barreiras 
HEC e placentária (diminui a % de chance da transmissão vertical de HIV), metabolização 
hepática, excreção renal e também se encontra concentrações no leite. T1/2 de 1 hora11, 24. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, febre, mal-estar e tosse24. 
30 
 
II. Inibidores não nucleosídicos da transcriptase reversa 
Nevirapina: Se liga diretamente a transcriptase reversa (RT), promovendo uma alteração 
tridimensional nesta enzima, diminuindo drasticamente a concentração plasmática de RNA do 
HIV (figura 13.1)11. 
 
Figura 13.1 
 ADME: Boa absorção no TGI, baixa distribuição e atravessa as barreiras HEC e 
placentária (diminui a % de chance da transmissão vertical de HIV), metabolização 
hepática e excreção renal24. 
 RA: Distúrbios do TGI, fadiga, cefaléia, lipodistrofia e rash11. 
Efavirenz: Se liga diretamente a transcriptase reversa (RT), promovendo uma alteração 
tridimensional nesta enzima, diminuindo drasticamente a concentração plasmática de RNA do 
HIV (figura 13.1)11. 
 ADME: Boa absorção no TGI, atravessa a barreira placentária com efeito teratogênico 
metabolização hepática e excreção biliar-renal (> biliar)33. T1/2 de 50 horas 
 RA: Distúrbios do TGI e SNC, aumento de triglicérides, febre e rash33. 
31 
 
III. Inibidores da protease do HIV 
Ritonavir: É um inibidor da protease do HIV peptidomimético planejado para complementar o 
eixo de simetria C2 do local ativo enzimático (figura 14.1)
11. 
 
Figura 14.1 Mecanismo de ação dos inibidores da protease 
 ADME: Boa e rápida absorção no TGI (aumentada na presença de alimentos), 
metabolização hepática e excreção biliar-renal33. 
 RA: Distúrbios do TGI, mal-estar e distorção do paladar33. 
 
 
 
 
 
32 
 
IV. Inibidores de fusão 
Maraviroque: Impede a ligação da proteína gp120 do envoltório externo do HIV ao receptor de 
quimiocina CCR5, a qual estabiliza o complexo e permite a fusão para a célula11. É ativo somente 
contra HIV com tropismo por CCR5 (figura 15.1)33. 
 
Figura 15.1 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolização hepática e excreção 
renal-biliar33. 
 RA: Distúrbios do TGI, rash, prurido, sinusite, artropatia, mialgia e tontura33. 
Enfuvirtida: Interage com a glicoproteína gp41, impedindo a fusão do HIV para a célula11. 
 ADME: Boa absorção no TGI (e também é utilizado via parenteral), baixa distribuição, 
metabolização hepática e excreção renal11, 33. 
 RA: Dor, eritema e induração no local de injeção, nódulos e cistos. 
 
 
 
33 
 
V. Inibidores da integrase 
Raltegravir: Bloqueia a atividade catalítica da integrase codificada pelo HIV, impedindo a 
integração do DNAv ao cromossomo do hospedeiro (figura 16.1)11. 
 ADME: Absorção do TGI muito variável, sendo aumentada com a administração 
concomitante a alimentos, metabolização hepática e excreção biliar-renal33. 
 RA: Cefaléia, náusea, fadiga e astenia11, 33. 
 
Figura 16.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
Seção IV 
Agentes antineoplásicos 
Locais de ação 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
Capítulo 14 
Agentes citotóxicos 
I. Alquilantes 
Na atualidade, são utilizados seis tipos principais de agentes alquilantes na quimioterapia das 
doenças neoplásicas: 
 Mostardas nitrogenadas 
 Etilenoiminas 
 Alquisulfonatos 
 Nitrosureias 
 Triazenos 
 Agentes de metilação do DNA, incluindo procarbazina, temozolomida e dacabarzina11. 
São substâncias que se tornam nucleofílicas ao adentrar nas células. Possuem um C livre 
altamente reativo a doadores de elétrons, como grupamentos amino, hidroxila, presentes no DNA 
acabam sendo alvo de ligação desses agentes alquilantes. Se ligam nas duas fitas do DNA, 
impedindo que haja a abertura desse DNA para que haja síntese de uma nova fita para ocorrer a 
mitose, logo, impedindo a mitose das células32. 
 
Mostarda nitrogenada: Entre elas, ciclofosfamida, melfalana, clorambucila e estamistina 
Ciclofosfamida: Se liga a um radical hidroxila na posição N7 do DNA, substituindo este grupo 
por um alquil. Ação antiproliferativa. 
 ADME: Boa absorção no TGI, baixa distribuição, é um pró-farmaco com biotransformação 
de primeira passagem hepática (em 4-hidroxifosfamida sendo convertido espontaneamente 
para 4-aldofosfamida, alcançando o tecido alvo e convertido espontaneamente novamente 
a mostarda fosforamida e acroleína, os metabólitos tóxicos e ativos, figura 17.1), 
metabolização de segunda passagem hepática e excreção renal11, 34. 
 RA: Mielossupressão, toxicidade das mucosas, distúrbios do TGI, alopecia e hemorragia 
cística (revertida com Mesna) 
36 
 
 
Figura 17.1 Metabolização da ciclofosfamida 
Nitrossouréias: Entre elas, Lomustatina e Carmustina 
Lomustina: Interfere na função do DNA e RNA. Atua inibindo a síntese de DNA por inibição 
chave de um processo enzimático24. 
 ADME: Boa e rápida absorção no TGI, atravessa a barreira HEC, metabolização hepática 
e excreção renal24, 32. 
 RA: Pulmonar, nefro e hepatotoxicidade, mielossupressão24. 
 Uso: Escolha para tumores primários e secundários do SNC 
 
Compostos de Platina 
Cisplatina: Possui um átomo central de platina ligado a dois cloros e dois amônios. A entrada 
na célula ocasiona a perda de dois cloros, sendo expostas duas ligações altamente reativas, a 
qual se liga coordenativamente com duas bases de Guanina, levando a célula à indução 
apoptótica. 
 ADME: Metabolização hepática e excreção renal24. 
 RA: Mielossupressão (branda), distúrbios do TGI e SNC, nefro e ototoxicidade24. 
 Uso: Câncer sólido gonadal. 
Bussulfano: Exerce atividade citotóxica interferindo na replicação do DNA e na transcrição do 
RNA, causando interrupção funcional dos ácidos nucléicos. Atua, principalmente, sobre os 
precursores dos granulócitos na medula óssea35. 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, metabolismo hepático e excreção renal35. RA: Mielossupressão, náusea, estomatite, anorexia, distúrbios do TGI, insônia, cefaléia. 
 Uso: Leucemia granulomatosa 
37 
 
Procarbazina: Derivada da metil-hidrazina, aparentemente, pode inibir a síntese do DNA, RNA 
e de proteínas, pode lesar o DNA diretamente e suprimir a mitose35. 
 ADME: Boa e rápida absorção no TGI, metabolismo renal e hepático e excreção renal24, 35. 
 RA: Distúrbios do TGI e mielossupressão35. 
 Uso: Linfoma Hodkings. 
 
II. Antimetabólitos 
Análogos do folato 
Metotrexato: Seu mecanismo de ação consiste em antagonizar o ácido fólico 
competitivamente por possuir mais afinidade a diidrofolato redutase (DHFR)24, 34. 
 
 ADME: Boa absorção no TGI, ampla distribuição, conversão em metabólito ativo 
intracelular, metabolização hepática (inativo) e excreção renal24, 35. 
 RA: Nefro e mielotoxicidade e anemia megaloblástica35. 
 Usos: Imunomodulação, leucemia linfoblástica35. 
 
Análogos das pirimidinas 
Fluoracila: a 5-fluorouracila (5-FU) exerce sua atividade citotóxica em duas vias, sendo que 
serve de precursor para ambas. Na via do DNA, seu metabólito após algumas reações interage 
com a timidilato sintetase, parando da síntese do DNA11. 
 ADME: Metabolização hepática e excreção renal11. 
 RA: Distúrbios do TGI, cefaléia, mielossupressão (branda), alopecia34. 
 Usos: Carcinoma de mama e TGI superior 
 
Análogos da citidina 
Citarabina: É um análogo da 2’-desoxicitidina com uma 2’-hidroxila em uma posição trans, que 
dificulta a rotação da base pirimidina em torno da ligação nucleosídica e interfere no 
emparelhamento das bases11 (ou seja, inibie a DNA polimerase na fase S34). 
 ADME: Baixa absorção no TGI (uso de IV), metabolismo hepático e excreção renal34. 
 RA: Mielossupressão, distúrbios do TGI, sangramento, rash e febre34. 
 
 
 
 
38 
 
III. Produtos Naturais 
Alcalóides da vinca: A sua atividade é devido a capacidade de se ligar e inibir a β tubulina e 
bloquear a sua polimerização com a α tubulina em microtúbulos. São elas: vincristina, vimblastina 
e vinorelbina11. 
 Usos: Leucemias, linfomas, cânceres de testículo, pulmão e mama11. 
Taxanos: Compostos pelo paclitaxel e docetaxel, funcionam como antimitóticos e diferente das 
Vincas, eles se ligam a uma porção diferente da β tubulina e promovem sua formação11. 
 Usos: Cânceres de ovário, pulmão, GI, geniurinário e de cabeça e pescoço11. 
Doxorrubicina: Se intercala na fita de DNA, inibindo a progressão da topoisomerase II, a qual 
desespirala o DNA e depois religa os filamentos11. 
Epipodofilotoxinas: Constituído principalmente pelo etopósido e tenipósido, formam um 
complexo ternário com a toposimorase II, impedindo o reparo da quebra que normalmente ocorre 
após a ligação da topoisomerase ao DNA11. 
Bleomicina: Sua ação consiste na capacidade oxidativa da desoxirribose do timidilato e de 
outros nucleotídeos, resultando em quebras de filamentos simpels e filamentos duplos do DNA11. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
Capítulo 15 
Antineoplásicos dirigidos para alvos 
Inibidores da BCR-ABL cinase: Composto pelo imatinibe, desatinibe e nilotinibe. Se liga a 
um segmento do domínio da cinase que fixa a enzima em um estado fechado ou não funcional, 
no qual a proteína é incapaz de se ligar a seu substrato e é utilizado para tratar leucemia mielóide 
crônica11. 
Anticorpos monoclonais: Sendo composto pelo trastuzumabe, impedem a ativação do 
receptor cinase e a sinalização distal e iniciação da citotoxicidade celular dependente de 
anticorpos11. 
Inibidores da angiogênese: Entre os diversos, se destacam o bevacizumabe (primeiro 
anticorpo aprovado pelo FDA como antiangiogêncio). A talidomida ainda está sendo estudada e 
não tem mecanismo elucidado11. 
 
Capítulo 16 
Hormônios na quimioterapia 
Glicocorticóides: São usados em geral para tratar leucemia aguda em crianças e linfoma 
maligno por conta de seu efeito linfolítico e capacidade de suprimir a mitose dos linfócitos11. 
Antiestrógeno: Composto principalmente pelo tamoxifeno, que é um inibidor ocmpetitivo da 
ligação do estradiol ao RE, e é utilizado principalmente para tumores responsivos a estrógeno 
(que se “alimentam” dele, basicamente)11. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
Referências 
 
1. Medley, MedicinaNET. Bula: Azitromicina. 2013. Disponível 
em<http://www.medicinanet.com.br/bula/766/azitromicina.htm>.Acesso em 10 de maio de 2016. 
 
2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Governo Federal. Antimicrobianos: Base teórica e 
uso clínico. Acesso em 10 de maio de 2016, disponível em <http://goo.gl/AJp5WV> 
 
3. MELO, Vivianne Vieira. Guia de antimicrobianos do Hospital das Clínicas da Universidade 
Federal de Goiás (HC-UFG). Goiania, 2012 
 
4. Medley, MedicinaNET. Bula: Claritromicina. 2013. Disponível 
em<http://www.medicinanet.com.br/bula/1501/claritromicina.htm>.Acesso em 10 de maio de 
2016. 
 
5. Medley, MedicinaNET. Bula: Benzil Penicilina Benzatina. 2008. Disponível em: 
<http://www.medicinanet.com.br/bula/8027/benzil_penicilina_benzatina.htm>.Acesso em 10 de 
maio de 2016. 
 
6. Medley, MedicinaNET. Bula: Ampicilina. 2013. Disponível 
em:<http://www.medicinanet.com.br/bula/506/ampicilina.htm>.Acesso em 10 de maio de 2016. 
 
7. Medley, MedicinaNET. Bula: Amoxicilina e Clavulanato. 2016. Disponível 
em:<http://www.medicinanet.com.br/bula/8007/amoxicilina_e_clavulanato.htm>.Acesso em 10 de 
maio de 2016. 
 
8. Medley, MedicinaNET. Bula: Oxacilina. 2011. Disponível 
em:<http://www.medicinanet.com.br/bula/3936/oxacilina.htm>.Acesso em 10 de maio de 2016. 
 
9. Medley, MedicinaNET. Bula: Cefalotina. 2012. Disponível 
em:<http://www.medicinanet.com.br/bula/8060/cefalotina.htm>.Acesso em 10 de maio de 2016. 
 
10. <http://www.bulas.med.br/p/bulas-de-medicamentos/bula/4714/zinnat.htm>. 
 
11. BRUNTON, L. L.; LAZO, J. S.; PARKER, K. L. Goodman & Gilman. As bases farmacológicas 
da terapêutica. 11. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil, 2007. Cap. 48-63 
 
12. ABL, Antibióticos do Brasil. Bula: meropeném tri-hidratado 2010. 
 
13. SANTISA, Laboratório Farmacêutico S/A. Bula: gentamisan 2012. 
 
14 Medley, MedicinaNET. Bula: Doxiciclina em comprimido revestido. 2013. Disponível em: 
<http://www.medicinanet.com.br/bula/2075/doxiciclina_comprimido_revestido.htm>.Acesso em 10 
de maio de 2016. 
 
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15. ANVISA, Antimicrobianos. Cloranfenicol, disponível em: <http://goo.gl/OEbdLI>Acesso em 10 
de maio de 2016 
 
16. Medley, MedicinaNET. Bula: Sulfametoxazol e Trimetoprima. 2013. Disponível em: 
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19. ANVISA, Antimicrobianos. Glicopeptídeos, disponível em: <http://goo.gl/CW3qAZ> Acesso em 
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20. ANVISA, Antimicrobianos. Polimixina B, disponível em: <http://goo.gl/vP79Gv> Acesso em 10 
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21. Medley, MedicinaNET. Bula:Polimixina B. 2008. Disponível em: 
<http://www.medicinanet.com.br/bula/8306/polimixina_b.htm>Acesso em 10 de maio de 2016. 
 
22. Fundação para o Remédio Popular. Bula: Rifampicina.Disponível em:<http://goo.gl/Kh2nFk>. 
Acesso em 10 de maio de 2016 
 
23. Medley, MedicinaNET. Bula Anfotericina B. 2008. Disponível 
em:<http://www.medicinanet.com.br/bula/8010/anfotericina_b.htm>Acessoem 10 de maio de 
2016. 
 
24. Micromedex® Solutions. Disponível em Micromedex®: 
www.micromedexsolutions.com 
 
25. Sanobiol, Bulas de medicamentos. Bula: Fluconazol, disponível em: <http://goo.gl/zbECs1> 
Acesso em 10 de maio de 2016. 
 
26. Teuto, Teuto. Bula: Cetoconazol, disponível em: <http://goo.gl/tCXVXq> Acesso em 10 de 
maio de 2016. 
 
27. Pfizer, Pfizer. Bula: Voriconazol, disponível em: <http://goo.gl/VomqaU> Acesso em 10 de 
maio de 2016. 
 
28. Janssen, Janessen. Bula: Itraconazol, disponível em: <http://goo.gl/QfgoZA> Acesso em 10 
de maio de 2016. 
 
29. AstraZeneca, AstraZeneca. Bula: Griseofulvina, disponível em: <http://goo.gl/fWrtV5> Acesso 
em 10 de maio de 2016. 
 
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30. Medley, MedicinaNET. Bula: Mebendazol. 2013. Disponível 
em:<http://www.medicinanet.com.br/bula/8234/mebendazol_100.htm>Acesso em 10 de maio de 
2016. 
 
31. UCI FARMA. Bula: Tiabendazol. Disponível em <http://goo.gl/JU2uPu>. Acesso em 10 de 
maio de 2016 
 
32. Autor desconhecido. Tabela geral de antimicrobianos e antineoplásicos. 
 
33. SANTOS, Luciana; TORRIANI, Mayde; BARROS, Elvino. Medicamentos na prática da 
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35. BUZAID, Antonio; COTAIT, Fernando; ROCHA, Caio. Manual de Oncologia Clínica do Brasil, 
disponível em: <www.mocbrasil.com>