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Resuminhos O que é a inflamação? É uma reação do organismo a uma infecção ou lesão dos tecidos. Em um processo inflamatório a região atingida fica avermelhada e quente. Isso ocorre devido a um aumento do fluxo de sangue e demais líquidos corporais migrados para o local. Como a inflamação geralmente provoca o edema e outras alterações que afetam as terminações nervosas provocando a dor, a melhora da inflamação leve a moderada diminui a sensibilidade dolorosa, tendo os anti-inflamatórios, portanto, também ação analgésica. A inflamação, ou resposta inflamatória, pode ser caracterizada como uma cascata complexa de eventos fisiológicos, os quais promovem proteção aos tecidos e órgãos do corpo. Tal cascata atua restringindo os danos no local da agressão, embora possa ter efeitos deletérios quando ocorre de forma exacerbada (BILATE, 2007). Os mediadores químicos variam de acordo com o processo inflamatório. Os fosfolipídios das membranas plasmáticas liberados pela destruição das células (por exemplo, dos neutrófilos, e, dos monócitos) podem ser transformados no ácido araquidônico em seus derivados, quase sempre através de enzimas especificas, levando a formação de mediadores químicos. A escolha e a via de administração dos medicamentos analgésicos dependem da natureza e da duração da dor. Geralmente, a dor leve e moderada é tratada com os fármacos anti-inflamatórios não esteroides denominados como AINEs (por exemplo, cefaleia, dismenorreia, dor muscular). A dor aguda intensa (devido a queimaduras, pós- operatórias, fraturas ósseas, câncer, artrite grave) é tratada com derivados da morfina, denominados opioides. A dor neuropática crônica (por exemplo, devido a amputação de extremidades) que não responde aos opioides é tratada com fármacos antidepressivos tricíclicos. são classificados em: Anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) Os AINEs correspondem ao grupo de fármacos que se apresentam quimicamente diferentes, inclusive diferem em suas atividades antipirética, analgésica e anti-inflamatória, inibindo as enzimas da via cicloxigenase, sendo excelentes medicamentos para tratar os efeitos indesejáveis causados pela resposta inflamatória. Quando ocorre uma lesão na membrana celular, que é constituída fundamentalmente por fosfolipídios, a enzima fosfolipase A2, presente nos leucócitos e plaquetas, é ativada por citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina (IL)-1. Esta enzima leva à degradação dos fosfolipídios, resultando na produção de ácido araquidônico. Este, ao ser metabolizado, forma os leucotrienos, pela ação da enzima lipooxigenase, e as prostaglandinas, as prostaciclinas e os tromboxanos, pela ação da enzima cicloxigenase (Cox). Na produção das prostaglandinas a partir do ácido araquidônico, a primeira enzima envolvida é a Cox2-4. Esta converte, por oxigenação, o ácido araquidônico em dois componentes instáveis: a prostaglandina G2 e a prostaglandina H2. Essas prostaglandinas são posteriormente transformadas por isomerases em prostaciclina, em tromboxane A2, e em prostaglandinas D2, E2 e F2a. A prostaglandina E2 é importante por sua ação pirogênica e no aumento da sensibilidade à dor. O ácido araquidônico também leva à produção de leucotrienos, via enzima lipooxigenase. Apesar de geralmente seguros, podem levar a vários efeitos adversos, que variam desde uma simples dispepsia até a morte por uma úlcera perfurada ou hemorragia. Seu uso, portanto, deve ser criterioso e bem indicado para que possa proporcionar mais benefícios do que riscos ao paciente. Sua administração sempre deve ser monitorizada com exames laboratoriais complementares, com especial atenção à função hepática, renal e hemograma. A ação dos AINES consiste na inibição das enzimas Cox, com consequente diminuição da produção de prostaglandinas, combatendo, assim, a inflamação, a dor e a febre. Existem anti-inflamatórios que inibem de forma mais seletiva ou específica a Cox 1 ou a Cox 2. Apenas a Cox 1 inibe a formação de tromboxano. A inibição da Cox 1 está associada a aumento do risco de sangramentos e a danos no trato gastrintestinal. Os inibidores seletivos e específicos de Cox 2 foram desenvolvidos na tentativa de diminuir a incidência dos efeitos adversos da inibição da Cox 1. São eles: ✓ piroxicam, meloxicam, diclofenaco, naproxeno e nimesulida (inibidores seletivos da Cox 2, primeira geração); ✓ Celecoxibe, etoricoxibe, valdecoxibe, parecoxibe e lumiracoxibe (inibidores seletivos, mais específicos da Cox 2, segunda geração). Os fármacos anti-inflamatórios não-esteroides são classificados em grupos de acordo com a substancia que levou aos respectivos derivados: Derivados do ácido salicílico derivados da pirazolona Derivados do para-aminofenol derivados do ácido acético Derivados do ácido enólico derivados do ácido fenilantranílico Derivados do ácido propanoico inibidores seletivos da enzima cicloxigenase-2. Derivados do ácido salicílico Indicação: Anti-inflamatório, antipirético, analgésico, aumenta ventilação alveolar (doses terapêuticas), diminui a agregação plaquetária, prevenção da angina Pectoris e do infarto do miocárdio. ✓ A aspirina tem sido classificada por alguns autores como droga cardiovascular devido a importante ação antiplaquetária inibindo de forma irreversível a agregação plaquetária. ✓ Acetila irreversivelmente a enzima cicloxigenase, único AINE que inibe a agregação plaquetária, e, a desgranulação de forma irreversível), diminuindo a incidência de angina Pectoris, e, infarto do miocárdio em pacientes predispostos a estas doenças. ✓ Enquanto com os demais AINEs o efeito somente é mantido enquanto estes fármacos permanecem no plasma, com o uso da aspirina a recuperação da hemostasia normal depende da produção de novas plaquetas funcionantes, que ocorre após 7 a 10 dias (fato que deve ser lembrado antes de cirurgias pois pode causar hemorragia). Doses de aspirina superiores a 325 mg provocam a inibição da síntese de prostaciclinas no endotélio, provocando, portanto, efeito contrário à 3 prevenção do infarto agudo do miocárdio, pois, a prostaciclinas inibe a agregação plaquetária, e, leva a vasodilatação. A aspirina é absorvida no meio ácido do estomago. Cuidado ao empregar os salicilatos em pacientes que apresentem lesões hepáticas, hipoprotrombinemia, deficiência de vitamina K, hemofilia ou quando tomam anticoagulantes orais. A inibição da hemostasia plaquetária pode resultar em hemorragia severa. Derivados da pirazolona ▪ Potente ação anti-inflamatória, mas são discretos como analgésicos e antipiréticos. ▪ Não devendo ser utilizados por mais de uma semana devido aos efeitos adversos. ▪ Alguns autores não consideram a dipirona como fármaco com potente ação anti-inflamatória, referindo-se a este medicamento apenas como bom analgésico, e, antipirético (ação de reduzir a febre) devido a ação no SNC. Exemplos de fármacos: fenilbutazona (butazolidina); oxifenilbutazona (febupen); dipirona ou metamizol. Os efeitos adversos mais frequentes são: náuseas, vômitos, erupções cutâneas e desconforto epigástrico. Pode também ocorrer diarreia, insônia, vertigem, visão turva, euforia ou nervosismo, e hematúria. Derivados do para-aminofenol: Paracetamol ou acetaminofeno São considerados não-narcóticos porque não causam tolerância nem dependência física. Apresenta fraca ação anti-inflamatória porque em tecidos periféricos tem menor efeito sobre a cicloxigenase mas, no SNC temação efetiva sendo utilizado como analgésico e antipirético ✓ Em doses terapêuticas são mínimos os efeitos adversos, como erupções cutâneas e reações alérgicas que raramente ocorrem. O risco mais grave ocorre com doses altas que pode provocar a hepatotoxicidade e levar ao óbito (devido a reações bioquímicas reagindo com os grupamentos sulfidrila das proteínas hepáticas formando reações covalentes, o que leva a formação do metabólito Nacetilbenzoquinona). Sintomas de toxicidade: Náuseas, vômitos, dores abdominais, sonolência, excitação, e, desorientação. ➢ Como antídoto do paracetamol, dentro de dez horas após a administração do paracetamol, a administração de N-acetilcisteína pode ser a solução , pois, a N-acetilcisteína contém grupamentos sulfidrila aos quais o metabólito tóxico pode ligar-se. Derivados do ácido acético Aceclofenaco, Diclofenaco. Potente anti-inflamatório (mais do que a aspirina) em casos agudos dolorosos como artrite gotosa aguda, espondilite anquilosante e osteoartrite coxofemoral, controle da dor associada a uveíte e/ou pós-operatório de cirurgia oftalmológica. Diclofenaco de sódio x Diclofenaco de potássio: As diferentes indicações para uso do Diclofenaco, se devem somente à tecnologia farmacêutica que nada mais é do que a forma de liberação do fármaco- empregada. Sendo a forma de liberação imediata empregada principalmente como analgésica, pois o comprimido sofre desintegração e dissolução do fármaco no estômago, produzindo início de ação mais rápido e maior pico de concentração plasmática. Diclofenaco potássico e Diclofenaco sódico não apresentam diferenças farmacodinâmicas (mecanismo de ação) nem farmacocinéticas significantes. Ambos são administrados sob a mesma condição e absorvidos na forma ácida. Ademais, a porção ativa da molécula é o Diclofenaco. Porém, a única diferença (quase mínima) entre os dois é o tempo de início e duração da ação. Apesar de serem sais diferentes (um é sódio e o outro é potássio), possuem a mesma ação no organismo. Derivados do ácido enólico Piroxicam, meloxicam, tenoxicam... Possui a vantagem de ter a meia-vida mais longa, e, apenas cerca de 20% dos pacientes apresenta efeitos adversos, entretanto, aumenta o tempo de coagulação e pode interferir na eliminação renal de lítio. Além de serem usados para o tratamento das doenças inflamatórias, principalmente o piroxicam é também utilizado no tratamento das lesões musculoesqueléticas, na dismenorreia, na dor do pós-operatório. Derivados do ácido fenilantranílico Ácido mefenâmico. O principal uso tem sido na dismenorreia devido a ação antagonista nos receptores da PGE2 e PGF2alfa. A via de administração é oral. A limitação tem sido a diarreia e inflamações intestinais, e, tem sido relatados casos de anemia hemolítica. Derivados do ácido propiônico (ou ácido fenilpropiônico): Cetoprofeno, fenoprofeno , ibuprofeno, loxoprofeno, naproxeno, pranoprofeno. Analgésico e antipirético, a baixa toxicidade leva a melhor aceitação por alguns pacientes, com menor incidência de efeitos adversos do que a aspirina. O naproxeno sódico é absorvido mais rapidamente, e, o pico da concentração plasmática ocorre em período mais curto do que a forma não sódica. Alteram a função plaquetária e o tempo de sangramento, especialmente o naproxeno. Não alteram os efeitos dos hipoglicemiantes orais. Inibidores seletivos da enzima cicloxigenase-2 Nimesulida, celecoxib, etoricoxib e valdecoxib Estes fármacos têm a ação específica sobre a enzima cicloxigenase-2 (COX-2) sendo também conhecidos como coxibes. Anti-inflamatórios, analgésicos e antipiréticos Com o uso contínuo dos inibidores seletivos da enzima cicloxigenase-2 a produção da prostaciclinas (que tem ação vasodilatadora) fica inibida, e, como os fármacos desse grupo não inibem a COX-1 que leva à produção do tromboxano (que causa agregação plaquetária, vasoconstrição, e, proliferação vascular), assim, o uso prolongado (ou abusivo) desses medicamentos inibidores seletivos da enzima cicloxigenase 2 pode provocar a hipertensão arterial com as respectivas complicações como a angina Pectoris, e, o infarto agudo do miocárdio. Fármacos úteis no tratamento da artrite reumatoide: Quando não se consegue controlar a inflamação ou não são bem tolerados os AINE, usamos outros medicamentos são utilizados os fármacos de ação lenta no tratamento da artrite reumatoide. Geralmente, o inicio de ação ocorre depois de 3 a 4 meses de uso, tendo ação protetora e gradual, e, não atuam sobre os derivados do ácido araquidônico, portanto, não possuem atividade analgésica e nem são primariamente anti- inflamatórios. Medicamentos que fazem parte desse grupo: hidroxicloroquina, D-penicilamina e metotrexato. Hidroxicloroquina: Inibem a síntese de ácidos nucléicos, estabilizam a membrana dos lisossomos, e, aprisionam radicais livres. Na Artrite reumatoide que não respondem aos AINEs isoladamente, podendo ser usados juntamente com AINEs. Retardam o progresso das lesões erosivas ósseas, podendo proporcionar a remissão dos sintomas. São fármacos utilizados principalmente no tratamento da malária e atualmente estudado sobre o possível tratamento contra COVID 19. D-penicilamina Consiste em um análogo do aminoácido cisteína que retarda o progresso da destruição óssea e da artrite reumatoide, inclusive os níveis do fator reumatoide (Ig M) diminuem com a sua administração. A D-penicilamina também é usada no tratamento de envenenamento por metais pesados. Metotrexato Trata-se de um imunossupressor (ou imunodepressor) utilizado em Artrite reumatoide grave sem resposta adequada aos AINEs, e, a pelo menos uma das medicações (agentes) de ação lenta. Consiste em um antimetabólito, estruturalmente análogo ao ácido fólico, que inibe de maneira competitiva a atividade da enzima diidrofolato-redutase, e, considerado quimioterápico específico da fase S (de síntese) do ciclo celular (utilizado em alguns tipos de neoplasias malignas). A resposta ao metotrexato ocorre em 3 a 6 semanas após o início do tratamento. Entenda as duas formas de cicloxigenase: Cox1 e Cox 2. O fator de ativação das plaquetas) é um lipídio liberado indiretamente por muitas células inflamatórias (neutrófilos, macrófagos, eosinófilos ativados, por mastócitos e basófilos devido à interação com antígenos, e, por plaquetas após a estimulação com a trombina), sendo um mediador em muitos tipos de inflamação principalmente na resposta brônquica. O ácido araquidônico tem este nome porque foi inicialmente conhecido como derivado do ácido do amendoim. A maioria dos AINE bloqueia a produção de todas as prostaglandinas, incluindo as produzidas na mucosa gástrica, predispondo a gastrite. A prostaglandina PGE2 que aumenta a secreção do muco gástrico; inibe a secreção do ácido gástrico; tem maior ação pirogênica (provoca a febre); provoca a contração do útero grávido (é utilizada em Obstetrícia para interromper a gravidez). A prostaglandina PGF2alfa provoca a contração do útero (aumenta no período pré menstrual, e, é derivada da destruição das hemácias acumuladas, de modo fisiológico, no útero). Entre as prostaglandinas encontra-se também a prostaciclinas (PGI2) que estimula a secreção de muco gástrico, e, bicarbonato, além de inibir a secreção de ácido gástrico. A COX 2 corresponde a Cicloxigenase formada principalmente durante a inflamação, enquanto a COX 1, é formada fisiologicamente em grandes quantidades na mucosa gástrica, transformando o ácido araquidônico em prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica. As prostaglandinas têmesse nome devido ser identificada ini cialmente na próstata, onde se acreditava que fosse produzida, e, estocada na vesícula seminal. Enquanto a enzima cicloxigenase-1 (COX-1) é a principal geradora do tromboxano (formado principalmente nas plaquetas) que causa a agregação plaquetária, vasoconstrição e proliferação vascular. Os leucotrienos apresentam este nome porque foram inicialmente encontrados nos leucócitos, e, possuem três duplas ligações na sua estrutura. Os leucotrienos provoca a broncoconstrição (contração que causa redução na passagem de ar pelas vias aéreas), um mecanismo que leva a crise asmática. • A Zona glomerulosa a mais externa produz hormônios classificados como mineralocorticóides, como a aldosterona, responsáveis pelo pela regulação do metabolismo hidroeletrolítico (e, pelo metabolismo hidrossalino). • A produção de aldosterona é regulada principalmente pelo sistema renina-angiotensina. A Zona fasciculada (zona média, logo abaixo da zona glomerulosa) produz glicocorticoides, principalmente o cortisol também conhecido como hidrocortisona. • Os glicocorticoides têm esse nome devido à ação sobre a glicose sanguínea, embora também tenha atividade sobre o metabolismo das proteínas, e, lipídios. • Os glicocorticoides são derivados do colesterol, e, produzidas pelo córtex adrenal em resposta ao ACTH também denominado como corticotropina, e, produzido pela hipófise. • Para a liberação do ACTH, a hipófise é estimulada pelo hipotálamo que produz o Fator de liberação da corticotropina. • Os glicocorticoides são produzidos continuamente, e, liberados de forma pulsátil, em um ritmo circadiano, com níveis maiores pela manhã (um dos motivos que aumenta o nível de estresse pela manhã), e, menores à noite. • Porém, situação de estresse contínuo, este ritmo é alterado. A zona reticular sintetiza androgênios suprarrenais. Os corticosteroides ou esteroides ou hormônios esteroidais compreendem os hormônios do córtex adrenal (glicocorticoides e mineralocorticóides), e, os hormônios sexuais (andrógenos, progestágenos e estrógenos). Somente os glicocorticoides apresentam atividade anti-inflamatória importante, além de suprimir a imunidade. Foram desenvolvidos vários fármacos derivados semissintéticos dos glicocorticoides, e, indiretamente bloqueiam a liberação do ácido araquidônico devido estes fármacos estimularem a produção da lipocortina que tem a ação de inibir a enzima fosfolipase A2, responsável pela transformação dos fosfolipídios em ácido araquidônico. Os corticosteroides também estabilizam a membrana celular do mastócito, e, dos leucócitos evitando ou diminui a liberação de histamina assim como de fatores quimiotáxicos, e, de mediadores inflamatórios, o que reduz o influxo de leucócitos para o local da inflamação. Portanto, a inflamação é acentuadamente reduzida com o uso de glicocorticoides que também tem a ação de evitar que os neutrófilos migrem até o local da inflamação, embora os glicocorticoides aumentem o número de neutrófilos circulantes. Os glicocorticoides são utilizados na terapia inflamatória, e, imunossupressora em variadas patologias, como: Doenças autoimunes, inflamatórias, asma, distúrbios alérgicos, do colágeno, dermatológicos, gastrintestinais, hematológicas, oftálmicas, orais, respiratórias. Outra indicação para o uso de glicocorticoides consiste em gestante com possibilidade de parto prematuro, e, com maturação inadequada dos pulmões, com o objetivo de acelerar o processo fisiológico (neste caso, o agente de eleição é a betametasona, pois, tem menor capacidade de ligação às proteínas plasmáticas, e, assim, o fármaco livre atravessa a barreira placentária). As vias de administração dependem da natureza da doença e da condição do paciente, e, podem administrados por via oral ,parenteral, tópica , oftálmica – inalatória – intra-articular – retal. A via retal é usada em inflamações intestinais, e, a via tópica é utilizada em distúrbios dermatológicos. De acordo com as potências. Os glicocorticóides podem provocar a Osteoporose pois: 1 – Inibem o crescimento e função dos osteoblastos; 2 – Diminui a absorção do cálcio intestinal, e, aumenta excreção do cálcio renal; 3 - Inibem a duplicação das células ósseas e síntese do colágeno I e II. Principais componentes: Albumina: Principal proteína plasmática; α1-Antitripsina: Modula a proteólise endógena; α2–Macroglobulina: Inibidor de proteinases; Haptoglobina: Ligante da Hb livre; β-Lipoproteína: LDL; Transferrina: Transporte de ferro para a síntese de Heme; Complemento: Proteínas imunidade humoral inata; Fibrinogênio: Importante fator de coagulação; Ceruloplasmina: Proteína ligante do cobre; Globulina: Ligante vitamina D; Hemopexina: Ligante do Heme; Glicoproteína α1-ácida: Ligante de progesterona e outros lipófilos Proteína C-Reativa: Ligante de Fosfatidilcolina e ácidos nucleicos Inibidorde proteinases / Ptnvolumosa Proteína mais abundante do plasma sanguíneo e altamente solúvel em água. Constitui até 2/3 das proteínas plasmáticas totais. Sintetizada no fígado, atua como repositório móvel de aminoácidos para incorporação a outras proteínas. Importante transportador de várias substâncias pelo plasma, tais como: tiroxina, bilirrubina, penicilina, cortisol. Aumento: Raro, desenvolvendo um quadro de desidratação. Redução: está conjugada ao quadro de desnutrição; Cirrose: A redução da síntese hepática, é compensada pela produção das imunoglobulinas. Síndrome nefrotica: Causada pela excreção de albumina na urina. A α1-fetoproteína é um análogo da albumina, sendo uma das primeiras α globulinas a aparecer no soro de mamíferos durante o desenvolvimento do embrião. Também é a proteína sérica dominante no início da fase embrionária. Ela reaparece no soro de adultos durante certas patologias, tais como: Carcinomas Hepatocelulares. Importante no metabolismo da vitamina D, pois esta liga-se a um componente grupo-específico da globulina. Mostra-se reduzida na síndrome nefrótica, levando à perda de vitamina D. Esta perda pode contribuir para os problemas subsequentes do metabolismo do cálcio encontrados na síndrome nefrótica. α – É um importante inibidor de proteinases do plasma Não é uma proteína de fase aguda. É uma molécula muito grande, e não se difunde no meio plasmático. Sua concentração aumenta significativamente na síndrome nefrotica. Concentrações baixas aparecem em paciente com pancreatite aguda grave e em pacientes com carcinoma avançado na próstata. Tem como principal função a ligação à hemoglobina liberada pela lise dos eritrócitos, afim de preservar as reservas de ferro e proteínas. Esse complexo é uma peroxidase potente, capaz de hidrolisar peróxidos liberados durante a fagocitose pelos leucócitos polimorfonucleares nos sítios de inflamação. Concentração sérica elevada em resposta ao estresse, infecção, inflamação aguda ou necrose tecidual, provavelmente por estimulação à síntese. É uma proteína de fase aguda. Possui uma grande importância na manutenção do estado iônico do ferro. Funciona como oxidante ou antioxidante, depende de fatores como a presença de íons de ferro livre e o sitio de ligação da Transferrina. • Corresponde a fração de LDL das lipoproteínas plasmáticas. • Vamos abordar na parte de dislipidemias, certo? • É encontrada na superfície celular das células nucleadas. • O aumento é caracterizado por insuficiência renal, inflamação,neoplasias associadas principalmente com linfócitos B. • é a principal proteína plasmática de transporte de ferro. • O complexo Transferrina transporta o ferro para as células, para incorporação nos citocromos, hemoglobinas, mioglobinas e para os locais de reserva como o fígado e o reticulo endotelial. • A Transferrina é utilizada no diagnostico da anemia e no monitoramento. • Deficiência de ferro: Transferrina elevada; • Proteína que tem propriedade de se ligar ao HEME, que é liberado pela degradação da hemoglobina, contribuindo para a manutenção das reservas de ferro. • As reduções mais profundas ocorrem após hemólise intravascular, quando a quantidade de hemoglobina disponível excede a capacidade de ligação da Haptoglobina. • É o mais abundante dos fatores de coagulação sanguínea, formador de coagulo de fibrina. ✓ Sua concentração elevada nas reações de fase aguda. ✓ A velocidade de sedimentação também encontra- se elevada devido aos conteúdos de fibrinogênio. ✓ Na gravidez e no uso de contraceptivos. • As concentrações se elevam sempre que houver necrose tecidual; • Está presente no soro e é capaz de se ligar a restos celulares; • Uma vez complexada, ativa a via clássica do sistema complemento. • É uma das primeiras a se elevar em doenças inflamatórias; • Em casos de infarto agudo do miocárdio, eleva-se 6 a 12 horas após o seu início. E pode apresentar valores 2000 vezes mais que o normal. • Conhecidas como: anticorpos humorais, reconhecem antígenos estranhos e iniciam o mecanismo que removem ou destrói. • São conhecidos 5 tipos: IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. IgA: é encontrada nas secreções corporais, como: lagrimas, suor, saliva, leite, colostro... inibe a aderência dos microrganismos a superfície das células da mucosa, impedindo sua penetração. É envolvida em respostas contra parasitas por induzir a desgranulação dos eosinófilos. IgD: Principal imunoglobulina de membrana na superfície, especialmente de recém nascidos. IgE: é tão rápida e firmemente ligada aos mastócitos, que estão normalmente presentes no soro. Está envolvida nos processos de hipersensibilidade imediata. É importante na resposta imune humoral e parasitas, é encontrados em níveis elevados no caso de parasitados por helmintos. IgG: é o mais estudado, é constituída a principal imunoglobulina do sangue, produzida durante a resposta imune secundária. São os únicos anticorpos capazes de atravessar a barreira placentária. IgM: é a classe mais abundante de anticorpos secretados no sangue na fase inicial de uma resposta primaria por anticorpos. É uma macroglobulina, a única sintetizada por neonatos e não atravessa a barreira placentária. Pico policlonal - representa resposta imunológica simultânea de diversos clones plasmocitários a determinado estímulo antigênico, seja inflamatório, imune ou infeccioso, tais como tuberculose, leishmaniose, artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico. Este padrão aparece como aumento difuso da fração gama, representado pela presença de uma curva de base larga, demonstrando a produção de todas as classes de imunoglobulinas Pico monoclonal - consiste no aumento homogêneo e fusiforme da fração gama, que representa a produção por um único clone plasmocitários de um tipo específico de imunoglobulina e, sendo essas moléculas idênticas entre si, apresentam a mesma mobilidade eletroforéticos, levando à produção de uma curva de base estreita conhecida como pico monoclonal. A proteína monoclonal geralmente gera um pico na fração gama, porém, este pode estar presente algumas vezes na fração beta, quando a imunoglobulina envolvida é a IgA ou IgM. Hipogamaglobulinemia/ agamaglobulinemia – consiste na redução do nível das gamaglobulinas, geralmente sem alteração pronunciada nas outras regiões da globulina. Esse padrão está presente nas hipo ou agamaglobulinemias congênitas ou secundárias, em que há ausência de um ou mais anticorpos específicos, que resulta em infecções freqüentes algumas vezes fatais. Os tubos para coleta de sangue se diferenciam uns dos outros pelas cores da tampa, sendo elas: Azul: tubo com citrato de sódio, O sangue que precisa passar por uma análise de coagulação, que deve conter amostra de plasma, deve ser colhido em um tubo com citrato de sódio. Amarelo /vermelho: tubo sem anticoagulante; Os tubos para coleta de sangue com as tampas em vermelho ou amarelo são para análises bioquímicas e sorológicas, pois contêm ativador de coágulo. A diferença entre as duas é que a vermelha possui gel e a amarela não. Verde: tubo com heparina; Para análises bioquímicas, gasometria ou outros exames, a amostra de plasma deve ser colhida em um tubo com heparina. Roxa: tubo com EDTA; para investigar possíveis distúrbios sanguíneos, é necessário realizar uma análise hematológica. Para isso, o tubo com tampa roxa é ideal, pois ele possui anticoagulante e EDTA. Cinza: tubo com fluoreto de sódio. A amostra do plasma deve ser colhida em um tubo com fluoreto de sódio, ou seja, de tampa cinza, quando será realizada uma análise de glicemia. • São formados no organismo como resultado do catabolismo de ácidos nucléicos, aminoácidos e proteínas. • Principais nitrogenados não proteicos: Creatinina, Ureia, Ácido Úrico. ✓ A creatina-fosfato é a principal reserva de fosfato altamente energético necessário ao metabolismo muscular. ✓ Sintetizada no fígado, rins e pâncreas a partir da arginina, glicina e metionina. ✓ A creatinina é filtrada pelos glomérulos mas é principalmente ou completamente reabsorvida pelos túbulos renais, sendo excretada a uma taxa constante, que é proporcional à massa muscular do indivíduo. Creatinina sérica e urinária são usadas como índices da função renal, em virtude da constância da formação da Creatinina (clearance) → A renovação da creatinina é constante: 1,0% a 2,0% da creatina total livre é transformada a cada 24 h. ✓ É um indicador bioquímico da função renal. ✓ A concentração sanguínea de creatinina é proporcional à massa muscular. ✓ A excreção de creatinina só se realiza por via renal, uma vez que ela não é reabsorvida nem reaproveitada pelo organismo. ✓ Aumenta de forma significativa e rápida na insuficiência renal. A ureia é sintetizada no fígado a partir da amônia derivada do catabolismo dos aminoácidos. É excretada principalmente pela urina, e em menor grau, pelo intestino e leite, sendo filtrada no glomérulo e parcialmente reabsorvida de forma passiva nos túbulos. A reabsorção da ureia no túbulo está relacionada de forma inversa com o fluxo da urina. A concentração de ureia pode estar aumentada em alimentação com excesso de proteína. Azotemia: É o aumento nas concentrações de compostos nitrogenados (ureia e creatinina) e outras substâncias residuais nitrogenadas não proteicas no sangue. Pode ocorrer por qualquer condição que reduza o fluxo sanguíneo renal. Uremia: É a presença de todos os constituintes da urina no sangue; pode ocorrer secundariamente a falência renal ou a distúrbios pós-renais, incluindo obstrução uretral e ruptura da vesícula urinária. ✓ A ureia é o principal produto excretado do catabolismo das proteínas, sendo sintetizada no fígado a partir de CO2 e da amônia gerada pela desaminação dos aminoácidos por meio do ciclo da ornitina ou do ciclo de Krebs-Henseleit. ✓ Mais de 90% é excretada pelos rins, onde é facilmente filtrada do plasma pelos glomérulos. Porém, de 40 a 80% são reabsorvidos por difusão passiva do túbulo renal para o interstício,para retornar ao plasma. Ureia elevada: ✓ Dieta rica em proteínas ✓ Catabolismo proteico elevado ✓ Tratamento com cortisol ou seus análogos sintéticos ✓ Desidratação ácido úrico é o produto final da degradação dos ácidos nucléicos e do catabolismo das purinas em seres humanos: adenosina e guanosina. Deriva de 3 fontes principais: 1. Catabolismo das nucleoproteínas ingeridas 2. Catabolismo das nucleoproteínas endógenas 3. Transformação direta de purina-nucleotídeos endógenos. ➢ É o principal composto nitrogenado do excremento dos répteis e pássaros. ➢ Encontrado em pequenas quantidades na urina dos mamíferos, e seus sais ocorrem nas articulações na gota. Sintomas suspeitos: • Insuficiência renal ou cálculos numa criança ou adulto jovem • Presença de gota num homem ou mulher, devido ao acumulo de ácido úrico no organismo. ▪ Consiste no acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações. ▪ Ocorre quando o urato monossódico se precipita dos líquidos corporais. ▪ A articulação do dedão do pé é o sítio clássico da gota. A artrite gotosa pode estar associada aos cristais de urato no líquido da articulação e a depósitos de cristais o tecido das articulações. Em qualquer lugar que ocorram, despertam uma resposta inflamatória intensa, consistindo de leucócitos polimorfonucleares e macrófagos. Geralmente, durante uma crise gotosa a concentração de ácido úrico plasmática é normal. Se classificam em: Primária e secundária: Primária: Associação de superprodução metabólica de purinas, excreção renal reduzida e ingestão alimentar elevada. Pode também estar relacionada a defeitos enzimáticos herdados na via metabólica da purina. Secundária: Resulta da hiperuricemia atribuível a diversas causas identificáveis. Doença Renal aguda ou crônica de qualquer tipo. Consequência da administração de diuréticos. Acidemia orgânica ocasionada pela elevação do aceto acetato (cetoacidose diabética) ou acidose láctica. Caso clinico: Homem de 46 anos chega ao setor de emergência com forte dor nos dedos do pé direito. O paciente apresentava um estado de saúde normal até de manhã cedo quando se levantou com dor forte no dedão do pé direito. O paciente nega qualquer trauma no pé por batida e não tinha histórico prévio desse tipo de dor em outras articulações. Relatou ter tomado “algumas cervejas a mais” com os amigos na noite anterior. O exame mostrou temperatura de 38,2°C e o incômodo decorrente da dor no dedão do pé direito, que estava inchado, quente, avermelhado e muito sensível. O resto do exame foi normal. Foi coletado líquido sinovial que mostrou a presença de cristais. 1. Qual o diagnóstico mais provável? 2. Como seria feito um diagnóstico definitivo? 3. Qual é a fisiopatologia dessa doença? Antibióticos Histórico • 1928- Fleming descobre a penicilina • 1939- Inicia-se uso clinico -> 2° Guerra Mundial • 1940- Howard Florey e Ernst Chain -> Produção em escala industrial ‘A era dos antibióticos’ • 1961- 513 Antibióticos • Atualmente – Cerca de 8000 antibióticos. • Liquens, algas, animais, plantas (+ 3000 substâncias com atividade antibiótica.) • 123 São produzidos por fermentação • + 50 são produzidos como compostos semissintéticos. • 3 são completamente sintéticos. Classificação de acordo com a estrutura química: Sulfonamidas e drogas relacionadas: Sulfametoxazol, dapsona (DDS, Sulfona). Quinolonas: Norfloxacino, Ciprofloxacino. Antibioticos B-Lactâmicos: Penicilinas, cefalosporinas,carbapenemas,monobactâmicos. Tetraciclinas: Doxiciclina. Derivados do nitrobenzeno: Cloranfenicol. Aminoglicosídeos: gentamicina, neomicina. Macrolídeos: eritromicina, raxitromicina, azitromicina. Polipeptídicos: Polimixina B, bacitracina. Glicopeptídicos: Vancomicina, teicoplanina. Poliênicos: anfotericina B, Nistatina. Classificação de acordo com o espectro de atividade: • Espectro estreito: Penicilina G, Estreptomicina, Eritromicina. • Espectro amplo: Tetraciclinas, cloranfenicol. Riscos para a gestante: necrose gordurosa do fígado, pancreatite e lesão renal (tetraciclinas) Classificação de acordo com o tipo de atividade: Bacteriostática: Sulfonamidas, tetraciclinas, cloranfenicol, eritromicina. Bactericida: Penicilinas, cefalosporinas, vancomicina, aminoglicosideos, polipeptídicos, quinolonas, rifampicina. Toxicidade dos antibioticos: ✓ Irritação local ✓ Dor e formação de abcessos. (intramuscular) ✓ Tromboflebites. (Intravenoso) ✓ Antibioticos irritantes: Eritromicina, tetraciclinas, cloranfenicol, algumas cefalosporinas. Dependentes da função renal: Necessidade de diminuição das doses. Na insuficiência renal leve: Aminoglicosídeos, vancomicina, cefalosporinas. Na insuficiência renal moderada-grave: Carbenicilina, fluoroquinolonas, Cotrimoxazol. Fármacos a evitar: Cefalotina, cefaloridina, ácido nalidixico, nitrofurantoína, tetraciclinas (exceto a doxiciclina) Dependentes da idade: ▪ Síndrome do bebê cinzento: cloranfenicol; ▪ Kernicterus: Sulfonamidas; ▪ Ototoxicidade: Aminoglicosídeos; ▪ Deposição nos ossos e dentes em formação: Tetraciclinas. Dependentes da função hepática: Necessidade de diminuição das doses: Cloranfenicol, metronidazol, clindamicina, rifampicina. Fármacos a evitar: Estolato de eritromicina, tetraciclinas, pefloxacina, acido nalidixico. Dependentes da Gravidez: ✓ Todos devem ser evitados. Riscos para o feto: Surdez (AMG), ossos e dentes (tetraciclinas) São considerados seguros: Penicilinas, cefalosporinas, eritromicina. Ação dos antibióticos: Dependentes de fatores locais: ✓ Presença de pus e secreções: Contém fagócitos, resíduos celulares e proteínas -> podem se ligar ao fármaco ou criar condições desfavoráveis para a sai ação. ✓ Presença de Hematomas: Ligação de fármacos á hemoglobina. (penicilinas, cefalosporinas e tetraciclinas.) ✓ Diminuição do pH no local da infecção: Diminuição da atividade dos aminoglicosídeos e macrolideos. ✓ Abcessos: Comprometimento da penetração na área-> necessidade de drenagem do abcesso. ✓ Presença de material necrótico e corpos estranhos. Escolha do antibiótico depende de: Espectro de atividade; Tipo de atividade; Sensibilidade ao microrganismo; Toxicidade relativa; Perfil farmacocinético; Vias de administração; Evidencias de eficácia clínica; Custo. Uso combinado de antibióticos Obter um sinergismo. ✓ Sulfametoxazol + trimetoprima; ✓ Amoxicilina + Acido clavulânico; Reduzir a gravidade ou incidência de efeitos adversos. Prevenir o desenvolvimento de resistência: ✓ Valor nas infecções crônicas -> tratamentos prolongados. (Hanseníase, h.pylori) Ampliar o espectro de ação: ✓ Tratamento de infecções mistas ✓ Tratamento inicial de infecções graves ✓ Topicamente (bacitracina + neomicina) Resistência bacteriana Inibidoresda parede celular: Beta-lactâmicos Estes antibióticos se caracterizam pela presença, em sua estrutura química, do anel β- lactâmico, responsável pela sua ação antimicrobiana. A ligação do anel βlactâmico com outros diferentes anéis, como anel tiazolidínico, nas penicilinas, ou o anel di-hidrotiazina, nas cefalosporinas, compõem as estruturas básicas que caracterizam as diferentes classes de antibióticos beta-lactâmicos. Ao longo do tempo, algumas bactérias adquiriram a capacidade de produzir enzimas, denominadas beta-lactamases, que são capazes de promover a hidrólise do anel beta-lactâmico, inativando a ação destes antibióticos. Ao se associar o ácido clavulânico à amoxicilina, esta combinação passa a exercer atividade antimicrobiana contra as cepas resistentes à amoxicilina. Dentre os antibióticos beta-lactâmicos estão incluídos todas as penicilinas, as cefalosporinas, carbapenêmicos e monobactâmicos Algumas bactérias adquiriram a capacidade de produzir “beta-lactamases”, que são capazes de hidrolisar o anel beta-lactâmico, inativando a ação destes antibióticos Existem os “inibidoras de beta- lactamase” que quando associados ao antibiótico originalmente sem atividade contra a bactéria, pode recuperar, e as vezes ampliar, a sua ação contra bactérias produtoras desta enzima. Mecanismo de ação dos antibióticos beta- lactâmicos: Todos os antibióticos beta-lactâmicos possuem ação bactericida. Eles atuam por inibição da síntese da parede celular bacteriana, que é uma estrutura essencial da célula por manter a sua integridade, prevenindo-a da lise osmótica. Devemos lembrar que a osmolaridade no interior da célula bacteriana é bem superior ao do meio em que elas habitualmente vivem, e parede celular é a estrutura fundamental que mantém as bactérias vivas e em seus formatos característicos. lista dos principais antibióticos beta-lactâmicos utilizados na prática clínica: Penicilinas naturais: Penicilina G (Benzil- penicilina): penicilina cristalina, procaína e benzatina, Penicilina V. Penicilinas semi-sintéticas: Oxacilina Aminopenicilinas: Ampicilina e Amoxicilina. Carboxipenicilinas: Carbenicilina, Ticarcilina. Inibidores da beta-lactamase: Ácido Clavulânico/amoxicilina, Tazobactam/Piperacilina , Sulbactam/ampicilina. Cefalosporinas: Primeira geração: Cefalexina, Cefadroxil, Cefalotina, Cefazolina. Estável frente ao ácido Ativo contra cepas G+ Moderadamente ativo contra G- Segunda geração: Cefoxitina, Cefuroxime, Cefaclor. Mais potente contra algumas G- (E.coli, Kleb, Proteus) Algumas tem boa atividade contra patógenos respiratórios. Menos ativo contra G+ que os de 1° geração. Nenhuma atividade contra pseudomonas. Terceira geração: Ceftriaxone, Cefotaxime, Ceftazidime. Muito potente contra G- Algumas possui atividade contra pseudomonas Moderadamente ativo contra anaeróbios. Quarta-geração: Cefepima, cefpiroma, cefoselis. Espectro mais equilibrado Permeabilidade da membrana elevada Ativas contra G- e G+ Modesta atividade contra anaeróbios. Glicopeptídeos Estruturas cíclicas complexas: Aminoácidos e açúcares Triciclicas: Vancomicina Tetracíclicas: Teicoplanina. ✓ De um modo geral, têm atividade contra bactérias gram-positivas aeróbias e anaeróbias. ✓ Não possuem atividade contra bacilos gram- negativos e Bacteroides fragilis. ✓ As principais indicações de uso englobam o tratamento de infecções por Staphylococus resistentes à oxacilina, Enterococcus resistentes a ampicilina e Streptococcus com resistência de alto nível às penicilinas. ✓ a Ceftriaxona é uma opção adequada contra Streptococcus com resistência intermediária às penicilinas Mecanismo de ação: • Nos microrganismos em reprodução, durante a formação de nova parede celular, os glicopeptídeos ligam-se e formam complexos com as unidades N-acetilglicosamina e N- acetilmurâmico-peptídeo, que iriam compor o peptidoglicano da nova parede. • Desta maneira, interrompem o processo de polimerização (formação) da parede celular. Desprovidas de parede celular, as bactérias sensíveis sofrem lise, devido à elevada pressão osmótica do seu meio interno. • Seu efeito é, portanto, bactericida. É importante observar que, apesar do processo ser diferente, o resultado é similar ao ocorrido com a administração de antibióticos beta-lactâmicos. Mecanismo de resistência: O mecanismo de resistência aos glicopeptídeos envolve uma menor afinidade destas drogas aos precursores de peptidoglicano das bactérias, permitindo a síntese de desta estrutura da parede celular apesar da exposição ao antimicrobiano. Este mecanismo é observado com maior frequência em espécies de Enterococcus, sobretudo E. faecium, sendo incomum nos demais cocos gram-positivos. Principais representantes da classe: ✓ Vancomicina: A vancomicina foi o primeiro antibiótico da classe desenvolvido para uso clínico. Foi obtida através de culturas de Amycolatopsis orientalis. • Está disponível na formulação endovenosa (mais amplamente difundida), mas também na oral. A administração pode ser feita a cada 8 ou 12 horas • Exerce atividade contra estafilococos, enterococos, estreptococos, Clostridium difficile (bactéria causadora de colite pseudomembranosa) e outras bactérias anaeróbias gram-positivas, como Peptostreptococcus. • Principais usos clínicos: A vancomicina é utilizada via endovenosa para o tratamento de bacteremias, infecções graves de pele e partes moles, intra-abdominais, urinárias, osteomielites, pneumonias, meningites e endocardites causadas por estafilococos resistentes a oxacilina, enterococos resistentes a ampicilina e estreptococos com resistência elevada às penicilinas. É recomendado o uso também, nestes casos, para pacientes que apresentam alergia às penicilinas e cefalosporinas. • A vancomicina deve ser indicada para infecções por cocos gram-positivos somente se não for possível o uso de penicilinas e cefalosporinas, por alergia ou resistência bacteriana. • Efeitos adversos: Uma dos efeitos adversos mais comuns da vancomicina é a “síndrome do homem vermelho”, associada à rápida velocidade de infusão. Está relacionada à ativação de mastócitos e liberação de histamina. Manifesta-se como pruridoe eritema, principalmente em face e pescoço. Em alguns casos, também ocorre angioedema e hipotensão. Outro efeito adverso descrito é a nefrotoxicidade, considerando-se a excreção renal, via filtração glomerular da droga. ✓ Teicoplanina: A teicoplanina foi desenvolvida a partir da fermentação do Actinoplanes teichomyceticus. • A formulação disponível do medicamento pode ser administrada por via endovenosa, intramuscular ou oral. No entanto, assim como descrito para Vancomicina, a droga possui baixa absorção oral. • O espectro de atividade é semelhante ao da vancomicina, porém apresenta meia-vida sérica mais longa, o que permite a administração em dose única diária. • Principais usos clínicos: As principais indicações terapêuticas são semelhantes às da vancomicina, no entanto, considerando-se que não ultrapassa barreira hematoencefálica mesmo na presença de inflamação meníngea, não é uma opção para tratamento de meningite. Para o tratamento de bacteremias e endocardites, a vancomicina também é superior. Aminoglicosídeos Os aminoglicosídeos são drogas altamente efetivas contra bacilos gram-negativos e potencializam o efeito de penicilinas e cefalosporinas em infecções graves. Todos os aminoglicosídeos de uso clínico foram obtidos inicialmente de duas espécies de fungos: Streptomyces spp. e o Micromonospora spp. Não são absorvíveis por via oral, portanto, para que tenham efeito sistêmico precisam ser administrados por via parenteral. Mecanismo de ação: ✓ Os aminoglicosídeos são drogas primariamente bactericidas por causarem alterações em proteínas sintetizadas pela bactéria, ao ligarem- se irreversivelmente aos ribossomos bacterianos. ✓ Podem também atuar de forma bacteriostática ao inibirem a síntese de proteínas. ✓ Para agirem é fundamental que entrem dentro da bactéria e esta etapa é dependente de energia e oxigênio. A passagem do antibiótico do meio externo para o meio intracelular é mediada por um mecanismo ativo de transporte, auxiliado pelo potencial elétrico transmembrana (carga positiva da droga e carga negativa do meio intracelular) da bactéria. ✓ A penetração dos aminoglicosídeos na bactéria é facilitada pela ação de antibióticos que inibem a síntese da parede celular, como os antibióticos betalactâmicos. ✓ Três características descrevem a atividade bactericida dos aminoglicosídeos ao inibir a síntese de proteínas da bactéria: é dependente da concentração da droga no local da infecção, o efeito pós-antibiótico e o sinergismo com outros antibióticos, em especial a penicilina, ampicilina, oxacilina, cefalosporinas e a vancomicina. Dentre os principais mecanismos de resistência aos aminoglicosídeos estão a produção de enzimas inativadoras e a redução da permeabilidade da membrana celular bacteriana às drogas. Esta resistência costuma ter origem na aquisição de plasmídeos conjugativos, mas pode ter origem cromossômica. Os principais aminoglicosídeos de uso clínico: ✓ Estreptomicina: A estreptomicina foi descoberta em 1944, e foi o primeiro antibiótico que demonstrou ação contra bacilos gram-negativos e, em especial, contra o Mycobacterium tuberculosis. ✓ A ação nas enterobactérias (E.coli, Klebsiella, Proteus) é variável e dependendente da sensibilidade do isolado bacteriano, por isso não é o aminoglicosídeo recomendada para o tratamento de infecções causadas por estes microrganismos. ✓ É recomendada para uso por via intramuscular (IM), aplicada diariamente de 3 a 5 vezes por semana, na fase de ataque do tratamento da tuberculose, que deverá ser completado por medicamentos por via oral na fase de manutenção. Gentamicina: A gentamicina, juntamente com a amicacina, compõem as principais drogas desta classe para o tratamento de infecções causadas por enterobactérias e Pseudomonas aeruginosa. A sua absorção por via intramuscular é completa, mas em infecções graves a via endovenosa é a preferida. Pode ser indicada em infecções urinárias, com alta taxa de cura. A gentamicina pode ser utilizada na profilaxia cirúrgica em procedimentos no trato gênito- urinário (TGU) e gastrintestinal (TGI), para casos de alergia a betalactâmicos. ▪ Amicacina: A amicacina é o aminoglicosídeo semi-sintético mais utilizado na prática clínica, e é um derivado da canamicina. É o mais resistente à inativação pelas enzimas produzidas por enterobactérias e Pseudomonas aeruginosa. ▪ A amicacina está indicada no tratamento de infecções por estafilococos em associação com a oxacilina, em casos de endocardite e pode ser usado no início do tratamento (3 a 5 dias) em infecções graves de outros sítios (pneumonia, sepse, celulite). Tetraciclinas A primeira tetraciclina foi descoberta a partir de um rastreamento de potenciais antibióticos naturais oriundos de bactérias presentes no solo. As tetraciclinas são compostos formados por um núcleo central de quatro anéis ligados a vários radicais periféricos. Uma dimetil-amina posicionada na posição Carbono-4 é necessária para condicionar a atividade antimicrobiana destes medicamentos. Radicais contendo oxigênio na porção inferior da molécula também parecem exercer papel importante na atividade terapêutica, já que são os sítios de ligação de alguns metais como o magnésio e zinco, importantes mediadores da ligação destes antibióticos no ribossomo bacteriano. Mecanismos de ação: As tetraciclinas atuam através da inibição da síntese proteica bacteriana, o que ocorre principalmente através da sua ligação reversível à subunidade 30S do ribossomo bacteriano. Desta forma, há inibição da ligação do RNA transportador ao ribossomo e, consequentemente, ocorre interferência no aporte e na ligação dos aminoácidos formadores das proteínas. São considerados, portanto, antibióticos bacteriostáticos. Principais representantes da classe: ✓ Doxiciclina: É considerado um antimicrobiano de amplo espectro, sendo ativo contra cocos gram- positivos (Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae), alguns bacilos gram-negativos, microrganismos intracelulares, atípicos, riquétsias e espiroquetas. A doxiciclina pode ser usada em diversas situações, dentre elas: ▪ Infecções sexualmente transmissíveis: é a opção de escolha para o tratamento de linfogranuloma venéreo e donovanose (causas de úlcera genital de evolução prolongada). Também é recomendada no esquema de tratamento de doença inflamatória pélvica. ▪ Infecções respiratórias: é uma alternativa para o tratamento de pneumonias comunitárias quando há impossibilidade do uso de beta-latâmicos ou quando se suspeita de infecção por microrganismos atípicos, como alternativa ao uso de macrolídeos. Também é uma opção para tratamento de sinusites. ▪ Infecções de pele, partes moles e osteomielite: considerando-se a boa penetração da droga nestes sítios, é uma opção para o tratamento destas infecções causadas por microrganismos sensíveis. ▪ Febre maculosa: como apresenta espectro de ação contra Rickettsia, é a droga de escolha para o tratamento de febre maculosa, quando for possível o uso de medicação por via oral. ✓ Minociclina: A minociclina apresenta espectro de ação semelhante à doxiciclina. Atualmente, no entanto, seu uso não é difundido. A principal indicação é na composição do esquema terapêutico para hanseníase. ✓ Efeitos adversos: As tetraciclinas geralmente são bem toleradas, mas podem causar intolerância alimentar, náuseas, vômitos e diarreia. É também descrito fotossensibilidade e hiperpigmentação, esta última principalmente associada à minociclina. • Glicilciclinas: As glicilciclinas foram desenvolvidas apartir de modificações químicas realizadas na minociclina, o que proporcionou ampliação do espectro de ação, abrangendo microrganismos resistentes às tetraciclinas. O único representante da classe é a tigeciclina, que está disponível somente na formulação para uso endovenoso. • Atuam também sobre Staphylococcus aureus resistentes a oxacilina, Enterococcus resistentes à vancomicina, enterobactérias e Acinetobacter baumannii. Não há atuação contra Proteus e Pseudomonas aeruginosa. Macrolideos • Eritromicina • Claritromicina • Azitromicina Os macrolídeos constituem um grupo de antibióticos formados quimicamente por um anel macrocíclico de lactona, ao qual se ligam um ou mais açúcares. As principais drogas pertencentes a esta classe são a eritromicina, a claritromicina, a azitromicina e a espiramicina. Mecanismo de ação: • Para facilitar a compreensão do mecanismo de ação dos macrolideos, é fundamental o conhecimento dos mecanismos envolvidos na síntese proteica bacteriana, que é um processo metabólico bastante complexo, comandado por genes cromossômicos. • O cromossomo bacteriano, ligado à face interna da membrana celular, é formado por uma única molécula longa de DNA, na qual está contido o código genético com o programa completo da síntese de proteínas. Para que ocorra a produção de qualquer proteína, é necessária a participação de três tipos de RNA: RNA mensageiro (RNAm), RNA transportador (RNAt) e RNA ribossômico (RNAr). • O RNAm é sintetizado a partir do DNA durante o processo denominado transcrição, através da atividade da enzima RNA polimerase. No RNAm está especificado o tipo e a ordem de aminoácidos a serem ligados (códons) para formar a proteína, de acordo com o código genético determinado pelo DNA. Ao ser produzido, associa-se aos ribossomos que são os locais onde ocorrerá a síntese proteica. Os ribossomos das bactérias possuem coeficiente de sedimentação 70S (unidade Svedberg: medida indireta do tamanho do ribossomo conforme sua velocidade de sedimentação quando submetido a uma força ultracentrífuga). • O RNAr, constituinte dos ribossomos, constitui 70% do RNA celular total, ou seja, apresenta-se em maior quantidade que o RNAm (14%) e o RNAt (16%). Os agregados ribossomo-RNAm são denominados polirribossomos ou polissomos e contêm todos os componentes do sistema de síntese de proteínas. Finalmente, o RNAt, também produzido pela célula, se encarregará de trazer os aminoácidos absorvidos para serem ligados na composição do peptídeo. • Os RNAt apresentam uma sequência de bases que formam os anticódons, fixando-se ao complexo RNAm-ribossomo no local do códon correspondente. • A ligação ao ribossomo se dá pelas unidades 30S e 50S. Ocorre então uma série de reações, catalisadas pela enzima peptidil-transferase por meio das quais o ribossomo, deslocando-se ao longo dos RNAm, vai ligando os aminoácidos trazidos pelo RNAt. • Este processo resulta na formação de peptídeos de acordo com o programa contido no RNAm, finalizando por constituir a proteína codificada geneticamente no cromossomo. A síntese proteica pode sofrer interferência dos antibióticos em várias fases do seu desenvolvimento. As drogas pertencentes à classe dos macrolideos são consideradas bacteriostáticas na maioria dos casos. Agem bloqueando a síntese proteica bacteriana ao se ligarem à subunidade 50S do ribossomo. Assim, impedem a transferência dos aminoácidos conduzidos pelo RNA transportador para a cadeia polipeptídica em formação. Medicamentos disponíveis: ✓ Eritromicina: É formado por três componentes, as eritromicinas A, B e C, sendo a eritromicina A a predominante e mais ativa. O conjunto destas substâncias é referido como eritromicina básica (base), que apresenta baixa absorção oral. ✓ Esse medicamento age contra Streptococcus, Staphylococcus, Listeria monocytogenes, Corynebacterium diphtheriae. ✓ Em relação à cobertura para microrganimos Gramnegativos, demonstra excelente atividade contra Bordetella pertussis, moderada atividade contra Neisseria gonorrohae e Neisseria meningitidis e espectro bastante restrito para Haemophilus influenzae. ✓ Para o uso em gestantes, deve-se evitar a formulação com o éster estolato, devido ao maior risco de hepatotoxicidade (icterícia colestática). ▪ Espiramicina: A espiramicina é um antibiótico macrolídeo natural obtido a partir de culturas de Streptomyces ambofaciens. Apresenta propriedades antimicrobianas semelhantes às da eritromicina, porém com menor potência antimicrobiana. Mantém o mesmo espectro, porém, diferente desta, demonstra atividade contra o protozoário Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose. ▪ Atualmente, o principal uso clínico da espiramicina é no tratamento de toxoplasmose na gestação, quando não há evidências de infecção fetal, já que esta droga também não ultrapassa adequadamente a barreira placentária. Claritromicina: A Claritromicina é um antibiótico semissintético derivado da eritromicina. Apresenta maior estabilidade no ácido gástrico, possibilitando melhor absorção via oral. Além de melhor tolerada que a eritromicina, não sofre interferência da alimentação e apresenta meia vida mais prolongada, o que possibilita administração duas vezes ao dia. É uma das principais drogas para o tratamento de pneumonias atípicas, infecções por micobactérias do complexo Mycobacterium avium e infecções causadas por Helicobacter pylori (bactéria associada a úlceras pépticas, linfoma gástrico, gastrite). Azitromicina: Azitromicina também é um macrolideos semissintético derivado da eritromicina. É considerado como pertencente à subclasse dos azalídeos, devido à modificação ocorrida no anel básico da eritromicina que possibilitou o seu desenvolvimento. Diferencia-se da eritromicina por seu espectro de ação mais amplo, maior meia-vida, boa tolerância oral e baixa toxicidade. É uma alternativa para o tratamento de infecções de vias aéreas (superior e inferior) causadas por Streptococcus, Staphylococcus, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e também infecções de pele de menor gravidade causadas por Streptococcus e Staphylococcus. É ativa no tratamento da coqueluche. Clindamicina A clindamicina é um derivado semissintético da lincomicina, um antibiótico natural obtido da fermentação do fungo Streptomyces lincolnensis. Usos clínicos: Infecções graves por anaeróbios, infecções ginecológicas, abcessos pulmonares, gangrena gasosa. A clindamicina encontra-se disponível em solução injetável e cápsulas para uso oral. ✓ A clindamicina atua predominantemente em bactérias aeróbias gram-positivas e anaeróbios. Não tem ação contra aeróbios gram-negativos. ✓ não atua nas Enterobactérias, portanto não deve ser usada no tratamento de infecções suspeitas ou comprovadas por aeróbios gram-negativos. Ela também não age contra Enterococcus, H. influenza e N. meningitidis. Cloranfenicol Mecanismo de ação: O cloranfenicol se liga à subunidade 50S do ribossomo, inibindo a síntese protéica da bactéria, tendo, assim, ação bacteriostática. Porém, pode ser bactericida contra algumas espécies como S. pneumoniae, H. influenzae e N. meningitidis, através de mecanismo não bem elucidado. Mecanismos de resistência: A resistência pode ser adquirida através de plasmídeos ou alterações de permeabilidade à droga. Mais frequentemente,a resistência é determinada pela produção de uma enzima, acetiltransferase ou nitro redutase, que inativa o composto. O primeiro antibacteriano utilizado nos Estados Unidos, em 1935, foi uma Sulfonamidas, a sulfanilamida. Nos anos subsequentes, este composto foi modificado no intuito de reduzir os efeitos colaterais e ampliar o espectro de ação. A utilização conjunta das sulfonamidas com um derivado diaminopirimidínico (trimetoprima) foi empregada a partir de 1968, o que possibilitou maior eficácia terapêutica para o tratamento de diversas infecções bacterianas e também para algumas causadas por protozoários e fungos. ffdfd sdsf Mecanismo de ação: ✓ As Sulfonamidas e as diaminopirimidinas bloqueiam, sequencialmente, a biossíntese de tetraidrofolatos (a forma ativa do ácido folínico). ✓ As sulfonamidas inibem as sintetases, que transformam o ácido paraaminobenzoico (PABA) em ácido fólico. ✓ Já as diaminopirimidinas inibem as redutases, que reduzem o ácido fólico a ácido folínico. ✓ Não havendo a formação de tetraidrofolatos, fica comprometida a síntese de bases nitrogenadas (purinas), que iriam originar os ácidos nucleicos Desta maneira, o uso associado de sulfonamidas e diaminopirimidinas promove bloqueio sequencial na via de síntese do ácido folínico de microrganismos sensíveis. ✓ Sulfametoxazol – trimetoprima: Trata-se de composto bem absorvido por via oral, sem interferência de alimentos. Há disponível também a formulação endovenosa. Atravessa a barreira hematoencefálica, atingindo concentrações terapêuticas no líquor. Indicações clínicas: • Tem sido usado no tratamento de infecção por enterococos resistentes à vancomicina. • Pode ser utilizada nas salmoneloses, principalmente na febre tifóide. • É alternativa no tratamento de meningite bacteriana e epiglotite, artrite séptica e osteomielite por Haemophilus influenzae em pacientes alérgicos aos ß-lactâmicos. • Indicado no tratamento de ricketsioses ou erlickiose Efeitos colaterais: • Reações de hipersensibilidade como erupção macular ou vesicular acompanhada ou não de febre são incomuns. • Náuseas, vômitos, alteração no paladar, diarréia e irritação anal podem ocorrer durante administração oral. • A toxicidade hematológica apresenta-se com reticulocitopenia, podendo evoluir com anemia, granulocitopenia e trombocitopenia. Essas alterações são dose-dependentes e reversíveis com a suspensão da droga. • Também pode apresentar-se como anemia aplástica irreversível, geralmente entre 3 e 12 semanas após a terapia. Embora rara, freqüentemente é fatal e pode ocorrer com qualquer apresentação, mesmo tópica. A “Síndrome do bebê cinzento” é outra forma grave de toxicidade, cujos sinais se iniciam após 3 a 4 dias de tratamento, caracterizando-se por vômitos, distensão abdominal, letargia, cianose, hipotensão, respiração irregular, hipotermia e morte. Ocorre pela falta de capacidade do recém-nascido conjugar e eliminar a droga. Como atravessa a placenta e é encontrada no leite, seu uso deve ser evitado em gestantes e lactantes. É contraindicada no terceiro trimestre de gestação, devido ao risco de “síndrome cinzenta”. Sulfonamidas Farmacocinética: ✓ As quinolonas, com exceção do Ácido Nalidíxico e da Norfloxacina, são consideradas drogas de alto Volume de Distribuição (Vd) e Ligação Protéica (Lp) reduzida o que, pelo menos em parte, explica sua adequada penetração nos diversos compartimentos do organismo. ✓ Assim, conseguem atingir níveis terapêuticos em pele, articulações, ossos, pulmão, parênquima renal e próstata. Novamente, a incorporação de radicais às estruturas básicas da classe permite às quinolonas altas taxas de absorção oral. ✓ As quinolonas e seus metabólitos são eliminados preferencialmente pela via renal. Em geral, não há necessidade de ajustes significativos de dose de acordo com a função renal ou hepática, com exceção da ciprofloxacina. ✓ Eventos adversos são pouco comuns, entretanto, fototoxicidade, alterações no ritimo cardíaco e encefalopatia sejam descritos. Farmacodinâmica: As Quinolonas são consideradas bactericidas para a maioria das síndromes infecciosas onde possuem indicação. A disponibilidade da droga tanto no interstício quanto no meio intracelular proporciona concentrações várias vezes maiores que a Concentração Inibitória Mínima (CIM) para cada microrganismo. O efeito terapêutico das Quinolonas ocorre através da inibição de duas enzimas, a Topoisomerase II ou DNA- Girase e a Topoisomerase IV, envolvidas na síntese do material genético bacteriano. A inibição destas duas moléculas faz com que as cadeias de DNA sejam formadas com falhas estruturas em sua composição, inibindo a replicação e levando à morte bacteriana. Tem ação sobre bactérias gram negativas, gram- positivas, protozoários e fungos. No entanto, a resistência bacteriana a estas drogas tem se difundido amplamente, tanto na comunidade quanto no ambiente hospitalar, limitando seu uso para infecções causadas por Streptococcus, Staphylococcus, Enterobacteriaceas, dentre outros. Principais usos clínicos: ✓ Dentre as infecções bacterianas, os principais usos clínicos são para tratamento de infecções urinárias e prostatites. ✓ No entanto, como mencionado anteriormente, as taxas crescentes de resistência dos principais patógenos, como a Escherichia coli, têm limitado seu uso clínico. ✓ Já foi utilizada em larga escala para tratamento de infecções estreptocócicas de vias aéreas superiores e inferiores. ✓ Em relação às infecções fúngicas, é a principal alternativa terapêutica para tratamento e profilaxia primária e secundária de infecções por Pneumocystis jirovecii, infecção oportunista frequente em portadores de HIV/aids. Quinolonas • As Quinolonas foram descobertas por acaso e artificialmente a partir da síntese da Cloroquina. • São conhecidas quatro estruturas moleculares precursoras, a partir das quais as Quinolonas vêm sendo desenvolvidas e aprimoradas. • Todas são formadas por um conjunto bicíclico aromático e uma função cetona na posição quatro das moléculas. Principais representantes e suas indicações clínicas: ✓ Ácido Nalidíxico: Primeiro representante das Quinolonas para uso clínico, o Ácido Nalidíxico também representa a única Quinolonas de primeira geração. Por suas limitações de espectro de ação antimicrobiana, absorção oral e pela incapacidade de atingir concentrações séricas terapêuticas, ficou restrita para o tratamento de infecções não complicadas do trato urinário e diarreias bacterianas. ✓ Norfloxacina: O primeiro produto das Quinolonas de segunda geração possui um espectro de ação bastante semelhante ao apresentado pelo Ácido Nalidixico. Manteve a ação já conhecida para o tratamento de infecções por enterobactérias, sendo incluído em seu espectro a Pseudomonas aeruginosa. ✓ Ciprofloxacina: Esta Quinolonas é a representante da classe mais prescrita na atualidade. A Ciprofloxacina manteve o amplo espectro de ação antimicrobiana em bacilos gram negativos, entretanto, a atividade consistente em Pseudomonas aeruginosa é o que marca a sua atividade neste grupo de microrganismos. Outro aspecto notório de seu espectro de ação se dá na ampliação de atividade em cocos gram positivos. ✓ Ofloxacina: Este outro representante das quinolonas de segunda geração possui características muito semelhantes às apresentadas pela Ciprofloxacina, muito embora a sua utilização seja restrita no país aos pacientes em tratamento de infecções pelo Micobacterium tuberculosis, resistentes aos tuberculostáticos de primeira linha. ✓ Levofloxacina: A Levofloxacina inaugura o grupo das quinolonas de terceira geração, sendo também conhecidas como quinolonas respiratórias.Possuem um espectro de ação maior em relação à Norfloxacina e à Ciprofloxacina, já que mantém a atividade em enterobactérias e Pseudomonas aeruginosa e oferece cobertura consistente para gram positivos, incluindo o Estreptococcus pneumoniae e os microorganismos atípicos como Legionella pneumophila, Micoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. ✓ Moxifloxacina: A Moxifloxacina foi a terceira quinolona de terceira geração a ser disponibilizada no Brasil, após a remoção da gatifloxacina do mercado brasileiro pela associação com casos insuficiência hepática. Manteve boa parte das características de farmacocinética da Levofloxacina, porém, evoluiu na potência e no espectro de ação antimicrobiana. Farmacocinética e farmacodinâmica Farmacocinética: Absorção, distribuição metabolismo e excreção de fármacos. Farmacodinâmica: Estuda os efeitos fisiológicos, bioquímicos e mecanismo de ação dos fármacos. Farmacologia x Fisiologia Sódio, potássio Potencial de ação Cálcio Sinapse Contração e relaxamento muscular Agonista e Antagonista Receptores celulares Farmacodinâmica: Fármaco + Receptor: Tipos de transdutores de sinais: Receptores: Proteínas possuidoras de um ou mais sítios que, quando ativados por substâncias endógenas, são capazes de desencadear uma resposta fisiológica. SÍTIOS DE AÇÃO: Locais onde as substâncias endógenas ou exógenas (fármacos) interagem para promover uma resposta fisiológica ou farmacológica. Em Farmacologia: Receptor - local onde o fármaco interage e produz um efeito farmacológico. Principais alvos para ação dos fármacos: Receptores (receptores para ligantes reguladores endógenos) Canais Iônicos Transportadores Enzimas Proteínas Estruturais. AÇÃO DOS FÁRMACOS Para produzir efeito farmacológico o fármaco precisa ter duas características: TIPOS DE RECEPTORES FARMACOLÓGICOS: Receptores ligados a canais: ✓ Denominados receptores ionotrópicos Participam principalmente da transmissão rápida. ✓ Proteínas oligoméricas dispostas ao redor de um canal. ✓ A ligação do ligante e a abertura do canal ocorrem em milissegundos. ✓ Alguns exemplos: nAch, GABAA , NMDA. Receptores ligados à proteína G: ✓ Receptores metabotrópicos ✓ A proteína G é uma proteína de membrana que consiste em três subunidades (), em que a subunidade possui atividade GTPase. ✓ Existem vários tipos de proteína G, que interagem com diferentes receptores e controlam diferentes efetores. ✓ Alguns exemplos: mAch, adrenorreceptores, GABAB. Efetores controlados por proteínas G: ✓ Duas vias chaves são controladas por receptores através de proteínas G. ✓ Ambas podem ser ativadas ou inibidas por ligantes farmacológicos. ✓ Via da adenilato ciclase/cAMP: - AC catalisa a formação do mensageiro intracelular cAMP - O cAMP ativa várias proteínas quinases, fosforilando de várias enzimas, transportadores e outras proteínas. Afinidade pelo receptor Atividade intrínseca Capacidade de se ligar. Depois de ligar tem que ter capacidade de ativar. Receptor beta adrenérgico: Efetores controlados por proteínas G: ✓ Via da fosfolipase C/trifosfato de inositol/ diacilglicerol: Catalisa a formação de dois mensageiros intracelulares ✓ IP3 e DAG - O IP3 aumenta a concentração intracelular de cálcio - O [ ] intracelular de cálcio desencadeia eventos como: contração, secreção, ativação enzimática e hiperpolarização de membrana. ✓ O DAG ativa proteína quinase C que controla muitas funções celulares. Receptores ligados a quinases: ▪ Os receptores de vários hormônios (p. ex insulina) e fatores de crescimento incorporam a tirosina quinase em seu domínio intracelular. ▪ Estão envolvidos principalmente em eventos que controlam o crescimento e a diferenciação celulares e atuam indiretamente ao regular a transcrição gênica. Receptores intracelulares: Controlam a transcrição gênica Os ligantes incluem hormônios esteroides, hormônios tiroidianos, vit. D, ac. retinóico Os receptores são proteínas intracelulares, os ligantes devem penetrar nas células. Os efeitos são produzidos em consequência da síntese alterada de proteínas e, portanto, de início lento. Ação e efeito das drogas são a mesma coisa? Ação das drogas: Combinação da droga com seu receptor. Efeito das drogas: Consiste na alteração final da função biológica, consequência da ação da droga. Tipos de efeito das drogas: Estimulação: Aumento da atividade celular (exemplo: adrenalina estimula as glândulas salivares.) Depressão: Redução da atividade celular. (exemplo: Barbitúricos deprimem o SNC.) Irritação: Efeito lesivo sobre células. (exemplo: ácidos irritam a mucosa gástrica) Reposição: Acrescentar molécula ausente ou deficiente. (exemplo: insulina no diabetes.) Citotóxica: Destruição seletiva das células. (exemplo: antibióticos destruindo as bactérias.) O que é dose? É a quantidade adequada de uma droga que é necessária para produzir certo grau de resposta em determinado paciente. A dose de uma droga deve ser determinada em termos de resposta escolhida. Exemplo: Dose analgésica da aspirina: 0,3 a 0,6g dose anti-inflamatória da aspirina: 3 a 6g/dia. Janela terapêutica: Especificidade: Os receptores são específicos para os ligantes. Descreve a tendência de uma droga para combinar-se com um tipo particular de receptor. As substanciasquímicas que possuem afinidade por um dado receptor podem ser classificadas como: Agonistas ou antagonistas. Conceitos básicos: Agonistas: Substâncias que causam alterações na função celular, produzindo vários tipos de efeitos. Antagonistas: Substâncias que se liga ao receptor sem causar ativação impedindo consequentemente a ligação do agonista. Especificidade: capacidade de um fármaco reconhecer apenas um receptor. Afinidade: Tendência de um fármaco se ligar ao seu receptor. Eficácia: Tendência de um fármaco, uma vez ligado ativar o receptor. Farmacodinâmica eficácia: Efeito máximo que uma droga pode produzir. Droga + Receptor 1- Efeito máximo: Agonista pleno/total 2- Efeito parcial: Agonista parcial 3- Nenhum efeito: Antagonista Potência: A concentração efetiva 50 (CE50) é usada para determinar a potência de um fármaco. Concentração em que produz 50% de sua resposta máxima. Agonistas: Agonistas totais: Produzem resposta máxima por ocupar todos os receptores ou parte deles. Agonistas parciais: Não desencadeiam resposta máxima mesmo quando ocupam todos os receptores. Antagonistas: Impedem que os agonistas se liguem ao receptor. 1. Antagonistas competitivos: Se ligam no mesmo sitio do agonista no receptor. (ligação reversível) 2. Antagonistas não competitivos: Se ligam no mesmo sítio do agonista no receptor. (ligação irreversível) 3. Antagonistas alostéricos: Se ligam num sitio alostéricos e impedem que o agonista se ligue ao receptor. Índices terapêuticos: Farmacocinética: É responsável por analisar o trajeto percorrido pelo fármaco, desde a sua absorção até sua eliminação, passando pela distribuição e biotransformação ou metabolismo. Em alguns órgãos chave: intestino, fígado e pulmão. Além disso, algumas características do fármaco e do organismo irão fornecer informações para o conhecimento da farmacocinética e, consequentemente farmacodinâmica. Vias de administração: As vias de administração são escolhidas para que o fármaco seja capaz de ultrapassar as barreiras apresentadas pelo corpo, aproveitando-se das moléculas de transporte e de outros mecanismos que permitem a absorção dos fármacos. Quanto mais rápida a absorção, menor tempo para alcançar a concentração máxima do plasma que, conseguinte terá uma queda na curva pelos outros mecanismos farmacocinéticos. Absorção: A Absorção de um fármaco é definida como sua passagem do local de administração, atravessando as membranas biológicas, com destino a corrente sanguínea, considerando a amplitude dessa transferência. Características do fármaco: Hidrossolubilidade Natureza, pka e potencial de ionização. Coeficiente de partição. Massa molar. Características do meio fisiológico: • pH • Integridade e espessura da barreira mucosa lipídica. • Grau de vascularização • Dependência de transportadores de membrana. No processo de absorção, deve-se considerar como os fármacos atravessam as membranas biológicas e, nesse sentido, a difusão passiva, difusão facilitada e transporte ativo, são importantes por serem as principais formas de transporte dos fármacos. Difusão passiva: • Fármaco se desloca da maior para menor concentração, a favor do gradiente de concentração. • Não há gasto de energia. • Não apresenta seletividade. • Não pode ser saturada. • Não envolve inibição competitiva. • Hidrossolubilidade, lipossolubilidade e porção ionizada do fármaco são de extrema importância. Difusão facilitada: ▪ Fármaco se desloca da maior para menor concentração, em maior velocidade e não proporcional ao gradiente de concentração. ▪ Reserva energética para manter o sistema. ▪ Transportador facilita a passagem. ▪ Pode ser saturado. ▪ Pode existir inibição competitiva. ▪ Transportador da natureza desconhecida. Transporte ativo: Fármaco se desloca da maior concentração para a menor, contra o gradiente de concentração. Há necessidade de energia via ATP Presença de transportador. Pode ser saturado. Ocorrência de inibição competitiva. Transportador especifico para uma substância. Metabolismo dos fármacos: O metabolismo é definido como uma mudança estrutural em determinada molécula para torna-la mais susceptível a excreção. O metabolismo de um fármaco começa na mucosa intestinal, passa pelo fígado e termina nos pulmões. No fígado é onde ocorre o fenômeno metabolismo de primeira passagem hepático. Com frequência, os fármacos administrados por via oral são absorvidos em sua forma inalterada pelo TGI e transportados até o fígado através da circulação porta, permitindo ao tecido hepático que promova seu metabolismo. Distribuição: Após o processamento do fármaco há distribuição pelo organismo que representa biodisponibilidade, ou seja fração ou percentual de fármaco que após administrado atinge a circulação geral, podendo determinar o valor de concentração plasmática, suas taxas máximas e o tempo de efeito pós administração do fármaco. Eliminação dos fármacos: É definida como o passo em que o fármaco deixa o organismo. Ocorre através de alguns mecanismos, podendo ser de forma direta, por excreção biliar ou renal; pode ocorrer a transformação da droga em metabolitos hidrossolúveis. Um dos parâmetros importantes é a meia vida, definida como: intervalo de tempo durante o qual a concentração plasmática de um fármaco é reduzido pela metade. Farmacologia do sistema nervoso autônomo. ▪ O Sistema Nervoso no organismo humano controla, e, coordena as funções de todos os sistemas do organismo como também, ao receber os devidos estímulos, tem a capacidade de capaz de interpretá-los, e, desencadear respostas adequadas aos respectivos estímulos. ▪ Enquanto muitas funções do sistema nervoso dependem da vontade (voluntários), muitas outras ocorrem sem que tenhamos a consciência (involuntários) dessa integração com o meio ambiente. O Sistema Nervoso no organismo humano é dividido em Sistema Nervoso Central (SNC), e Sistema Nervoso Periférico (SNP). O SNC compreende o cérebro, o cerebelo, o bulbo, e, a medula espinal (ou espinhal). O Sistema Nervoso Periférico consiste em todos os neurônios aferentes (sensoriais), e, eferentes (motores). No Sistema Nervoso Periférico os nervos sensoriais e motores são constituídos por feixes de axônios. Os nervos são considerados cranianos quando partem do crânio, e, espinhais quando partem da medula. Os gânglios podem ser aferentes ou eferentes, sendo que os aferentes são os cranianos, e, espinhais. Os eferentes são autônomos. O Sistema Nervoso Periférico eferente se subdivide em Sistema Nervoso Somático (voluntário), e, Sistema Nervoso Autônomo (involuntário). A função do Sistema Nervoso Autônomo, é a regulação do sistema cardiovascular, digestão, respiração, temperatura corporal, metabolismo, secreção de glândulas exócrinas, e, portanto, manter constante o ambiente interno (homeostase). Os sistemas parassimpático, e, simpático exercem ações opostas em algumas situações, por exemplo, no controle da frequência cardíaca, na musculatura gastrintestinal, mas, não exercem ações opostas em outras situações como em relação às glândulas salivares, e, o músculo ciliar. Enquanto a atividade simpática aumenta no estresse, a atividade parassimpática predomina durante o repouso, e, à saciedade. → Os principais transmissores do sistema nervoso autônomo são: Acetilcolina (no sistema nervoso parassimpático),e, a noradrenalina (no sistema nervoso simpático). A comunicação entre células nervosas, portanto, entre neurônios e órgãos efetuadores, ocorre através da liberação de sinais químicos (substancias químicas) específicos produzidos pelas terminações nervosas, denominados neurotransmissores. Os neurônios que liberam a noradrenalina são denominados de neurônios adrenérgicos ou noradrenérgicos. Os neurônios que liberam a acetilcolina são denominados de neurônios colinérgicos. Sistema parassimpático • O sistema parassimpático é formado por algumas fibras que estão contidas nos pares cranianos III, VII, IX e X, e, por outras fibras que emergem da região sacra da medula espinhal. A acetilcolina é inativada pela enzima acetilcolinesterase que tem origem na membrana pós sináptica da sinapse colinérgica, e, também encontrada nas hemácias e na placenta. No sistema cardiovascular, doses pequenas de acetilcolina provocam vasodilatação nas redes vasculares mais importantes do organismo, entretanto, esta vasodilatação depende de um intermediário denominado óxido nítrico. A acetilcolina, assim, produz diminuição das pressões sistólica e diastólica, além de reduzir a frequência cardíaca, produzindo a bradicardia. No sistema respiratório, a acetilcolina, em doses pequenas produz broncoconstrição e aumento da secreção, o que pode desencadear crises asmáticas. No sistema urinário, a acetilcolina provoca contração e redução da capacidade da bexiga, enquanto no trato gastrintestinal provoca o aumento da motilidade e do tônus da musculatura lisa, podendo provocar náuseas e vômitos. Através do sistema autonômico simpático, a acetilcolina age nos receptores nicotínicos da medula supra-renal provocando a liberação de catecolaminas, como a adrenalina e a noradrenalina, o que em situações de estresse, aumenta a produção destas catecolaminas, provocando a vasoconstrição, elevação rápida da pressão arterial e aumento da frequência cardíaca. → Experiências comprovaram que a administração da muscarina que é o princípio ativo extraído do cogumelo venenoso Amanita muscarina produzem ações semelhantes às da acetilcolina em determinados receptores situados em alguns órgãos efetores sendo denominados de receptores muscarínicos (ou seja, nos mesmos receptores onde a acetilcolina age). → E, verificou-se também que administrando a atropina ocorre o bloqueio das ações estimuladas pela acetilcolina ou muscarina nos receptores muscarínicos, mas, em outros receptores, a administração da acetilcolina (mesmo logo após o bloqueio pela atropina) ocorre a produção de efeitos semelhantes aos da nicotina, assim, podemos afirmar que no sistema parassimpático ou transmissão colinérgica existem dois tipos de receptores nos órgãos efetuadores que são denominados de receptores muscarínicos, e, receptores nicotínicos. Esses termos, nicotínicos ou muscarínicos, lembram as ações e os efeitos da nicotina e da muscarina. Os receptores colinérgicos são classificados em dois grupos: Receptores nicotínicos e receptores muscarínicos. receptores nicotínicos (estão diretamente acoplados aos canais catiônicos) são classificados em dois grupos: musculares e neuronais. Enquanto os receptores ou tipos musculares são encontrados na junção neuromuscular esquelética; os receptores ou tipos neuronais são encontrados principalmente no cérebro e em gânglios autônomos, e, terminação nervosa sensorial. Os receptores muscarínicos (estão acoplados a proteína G) são classificados em: M1 ou neural, M2 ou cardíacos, e, M3 ou glandular. Existem mais dois tipos de receptores muscarínicos que ainda não estão bem caracterizados. → O receptores M1 ou neurais produzem excitação (lenta) dos gânglios (entéricos e autônomos), das células parietais (estômago), e, do SNC (córtex e hipocampo). → O receptores M2 ou cardíacos são encontrados nos átrios e provocam redução da frequência cardíaca e força de contração dos átrios. Estes receptores também agem na inibição pré sináptica. → Os receptores M3 ou glandulares causam a secreção, contração da musculatura lisa vascular, e, relaxamento vascular (agindo no endotélio vascular). Sistema simpático No sistema simpático, a noradrenalina, portanto, é o neurotransmissor dos impulsos nervosos dos nervos autonômicos pós-ganglionares para os órgãos efetuadores. → A noradrenalina é formada a partir do aminoácido tirosina, de origem alimentar, que chega até aos locais da biossíntese, como à medula adrenal, às células croma fins e às fibras sinápticas através da corrente sanguínea. A tirosina é transportada para o citoplasma do neurônio adrenérgico através de um carregador ligado ao sódio (Na+). → A enzima tirosina hidroxilase transforma a tirosina em DOPA (diidroxifenilalanina). A DOPA é transformada em dopamina através da enzima dopa descarboxilase (também denominada L- amino-descarboxilase ácida aromática), sendo, então, a DOPA descarboxilação para se transformar em dopamina. As enzimas Monoamina oxidase (MAO), e, a Catecol- O-metil transferase (COMT) inativam a noradrenalina. • A MAO é uma enzima desanimadora que retira grupamento NH2 de diversos compostos, como noradrenalina, adrenalina, dopamina, serotonina. A MAO localiza-se nas mitocôndrias dos neurônios, e, em tecidos não neurais, como o intestinal e o hepático, e, oxida a noradrenalina transformando no ácido vanilmandélico. Os receptores adrenérgicos ou adrenoceptores reconhecem a noradrenalina, e, iniciam uma sequência de reações na célula, o que leva a formação de segundos mensageiros intracelulares, sendo considerados os transdutores da comunicação entre a noradrenalina e a ação gerada na célula efetuadora. São conhecidos cinco grupos de adrenoceptores ou receptores adrenérgicos: Alfa 1 – alfa2 – beta 1 – beta 2 - beta 3. ✓ Estes adrenoceptores quando são ativados apresentam os seguintes efeitos: Alfa 1: Vasoconstrição – aumento da resistência periférica – aumento da pressão arterial – midríase – estimulo da contração do esfíncter superior da bexiga – secreção salivar – glicogenólise hepática – relaxamento do músculo liso gastrintestinal. Alfa 2: Inibição da liberação de neurotransmissores, incluindo a noradrenalina – inibição da liberação da insulina – agregação plaquetária – contração do músculo liso vascular. Beta 1: Aumento da frequência cardíaca (taquicardia) – aumento da força cardíaca (da contratilidade do miocárdio) – aumento da lipólise. Beta 2: Broncodilatação – vasodilatação – pequena diminuição da resistência periférica – aumento da glicogenólise muscular e hepática – aumento da liberação de glucagon – relaxamento da musculatura lisa uterina – tremor muscular. Beta 3 - Termogênese e lipólise. Ações do sistema nervoso simpático e parassimpático. Simpático Parassimpático dilatação da pupila ou midríase Contração do músculo ciliar Secreção viscosa (espessa) da glândulas salivares contração da pupila ou miose Aumento da frequência cardíaca e da contratilidade – Secreção aquosa (abundante) da glândulas salivares - Elevação da pressão sanguínea Diminuição da frequência cardíaca e da contratilidade - Dilatação da traqueia e bronquíolos (broncodilatação) Diminuição da pressão sanguínea Diminuição do tono muscular e da motilidade gastrintestinal broncoconstrição Contração de esfíncteres gastrintestinais Aumento do tono muscular e da motilidade gastrintestinal Relaxa o músculo detrusor e contração do esfíncter (retenção urinária) Contração do músculo detrusor da bexiga Estimula a ejaculação Relaxamento do trígono e do esfíncter (bexiga) Elevação da glicemia e Liberaçãode ácidos graxos no sangue Estimula a ereção (acetilcolina e óxido nítrico) Fármacos agonistas colinérgicos: • Denomina-se de medicamento agonista o que possui afinidade celular especifica produzindo ação farmacológica. • Assim, no caso de fármaco ou medicamento agonista colinérgico, portanto, são os caracterizados pelos efeitos que produzem de modo semelhante aos da acetilcolina, e, agindo ao nível da sinapse colinérgica (do sistema nervosos autônomo parassimpático). • Os fármacos agonistas colinérgicos são também denominados de parassimpaticomiméticos ou colinomiméticos. Geralmente, a acetilcolina não tem importância terapêutica, devido a sua multiplicidade de ações, e, sua rápida inativação pela acetilcolinesterase. Em situação ocasional, como agente local em Oftalmologia (principalmente para produzir miose em cirurgia oftálmica), alguns autores sugerem como única possibilidade do uso terapêutico da acetilcolina. Os fármacos agonistas colinérgicos ou parassimpaticomiméticos ou colinomiméticos são distribuídos em dois grupos: Agonistas colinérgicos de ação direta, também denominados de colinérgicos diretos ou colinomiméticos diretos ou parassimpaticomiméticos diretos – que agem nos receptores colinérgicos como agonistas, ativando esses receptores e desencadeando respostas semelhantes às provocadas pela estimulação do parassimpático. Agonistas colinérgicos de ação indireta, também denominados de colinérgicos indiretos ou colinomiméticos indiretos ou parassimpaticomiméticos indiretos – que embora não tenham ação direta sobre os receptores colinérgicos, são drogas que proporcionam maior tempo da ação da acetilcolina, inibindo a enzima que tem o poder de destruir a acetilcolina, portanto, os inibidores da acetilcolinesterase ou anticolinesterásicos. Estes inibidores da acetilcolinesterase podem ser reversíveis e irreversíveis. OS FÁRMACOS AGONISTAS COLINÉRGICOS DE AÇÃO DIRETA → São utilizados com maior frequência: Betanecol, e, a pilocarpina. O Betanecol é um éster da colina, que não é hidrolisado pela acetilcolina, e, possui intensa atividade muscarínica, e, pouca ou nenhuma ação nicotínica. Devido a ação de estimular o músculo detrusor da bexiga, e, relaxar o trígono e o esfíncter, provocando a expulsão da urina. O Betanecol é utilizado para estimular bexiga atônica, principalmente no pós-parto, e, na retenção urinária não- obstrutiva pós- operatória. Devendo ser lembrados os efeitos adversos da estimulação colinérgica generalizada, como a queda da pressão arterial, a sudorese, a salivação, o rubor cutâneo, a náusea, a dor abdominal, a diarreia e o broncoespasmo. A pilocarpina é um alcaloide, capaz de atravessar a membrana conjuntival, e, consiste em uma amina terciária estável à hidrólise pela acetilcolinesterase. É muito menos potente do que a acetilcolina, possui atividade muscarínica. Com a aplicação ocular, produz contração do músculo ciliar, provocando a miose. Como efeito adverso, a pilocarpina pode atingir o SNC (principalmente em idosos com a idade avançada provocando confusão), e, produzir distúrbios de natureza central, e, produzir sudorese e salivação. FÁRMACOS AGONISTAS COLINÉRGICOS DE AÇÃO INDIRETA OU ANTICOLINESTERÁSICOS → As drogas agonistas colinérgicos de ação indireta ou anticolinesterásicos inibem a enzima acetilcolinesterase, prolongando a ação da acetilcolina. → Portanto, provocam a potencialização da transmissão colinérgica nas sinapses autônomas colinérgicas e na junção neuromuscular. ✓ Estes anticolinesterásicos podem ser reversíveis, se a ação não for prolongada, e, irreversíveis, se esta ação for prolongada. Os fármacos anticolinesterásicos reversíveis utilizados são: Fisostigmina – neostigmina – piridostigmina – edrofônio – inibidores dirigidos contra a enzima acetilcolinesterase no SNC. ➢ A fisostigmina alcaloide que consiste em uma amina terciária, bloqueia de modo reversível a acetilcolinesterase, potencializando a atividade colinérgica em todo o organismo, possuindo grande número de atividades, inclusive atingindo o SNC. A duração de ação da fisostigmina é 2 a 4 horas. ➢ A neostigmina , derivado do trimetilbenzenamínio, também inibe reversivelmente a enzima acetilcolinesterase, entretanto é mais polar do que a fisostigmina e não penetra no SNC, tendo atividade sobre a musculatura esquelética mais intensa do que a fisostigmina. A duração de ação da neostigmina é de 2 a 4 horas. ➢ A neostigmina é mais útil no tratamento da miastenia grave do que a fisostigmina, pois, a fisostigmina tem menor potência na junção neuromuscular do que a neostigmina. Entretanto, a fisostigmina é mais útil do que a neostigmina em condições de etiologia central, como por exemplo, em caso de superdosagem de atropina (pois, a atropina penetra no SNC, e, a neostigmina não atinge o SNC). ➢ A piridostigmina, derivado do metilpiridínio, consiste em outro inibidor da acetilcolinesterase com duração de ação 3 a 6 horas, portanto, maior do que a neostigmina, e, a fisostigmina, também é utilizado no tratamento da miastenia grave e como antídoto de agentes bloqueadores neuromusculares. ➢ O edrofônio, que consiste em uma amina quaternária, tem ações farmacológicas semelhantes às da neostigmina, entretanto, o edrofônio possui ação de curta duração, entre 10 a 20 minutos, sendo utilizada em administração venosa, geralmente para fins de diagnóstico da miastenia grave, provocando rápido aumento da força muscular, entretanto, o excesso pode levar a uma crise colinérgica. Tem sido também referido o uso do edrofônio para reverter os efeitos do bloqueador neuromuscular após uma cirurgia. Tabela de neurotransmissores Molécula transmissora Derivada Local de síntese Acetilcolina Colina SNC, nervos parassimpáticos Serotonina Glutamato SNC, células croma fins do trato digestivo, células entéricas GABA Glutamato SNC Histamina Histidina Hipotálamo Adrenalina ou epinefrina Tirosina Medula adrenal, algumas células do SNC Noradrenalina Tirosina SNC, nervos simpáticos Dopamina Tirosina SNC Adenosina ATP SNC, nervos periféricos Óxido nítrico Arginina SNC, trato gastrointestinal Fármacos antagonistas colinérgicos. • Os antagonistas colinérgicos são drogas que agem nos receptores colinérgicos, bloqueando seletivamente a atividade parassimpática (reduzindo ou bloqueando a ação da acetilcolina), sendo estes antagonistas também chamados parassimpaticolíticos ou fármacos anticolinérgicos ou anticolinérgicos assim, diminuem, inibem ou bloqueiam a resposta colinérgica. • Portanto, reduzem ou anulam o efeito de estimulação do sistema nervoso parassimpático (impede que a acetilcolina estimule os receptores colinérgicos), e, em determinadas situações (indiretamente) tem o efeito estimulante do sistema nervoso simpático. Bloqueadores ou agentes antimuscarínicos → Os receptores muscarínicos são os receptores colinérgicos (os que liberam a acetilcolina nos neurônios do sistema nervoso autônomo parassimpático) que são estimulados pelo alcaloide muscarina, e, bloqueados pela atropina. ✓ Os receptores muscarínicos (estão acoplados a proteína G) são classificados em: M1 ou neural, M2 ou cardíacos, e, M3 ou glandular. Os bloqueadores ou agentes antimuscarínicos são seletivos para o sistema parassimpático, agindo unicamente nos receptores muscarínicos, bloqueando ou inibindo as ações da acetilcolina nestes receptores. → Existem vários agentes antimuscarínicos, entretanto, são mais utilizados: Atropina – escopolaminaou hioscina – ipratrópio propantelina - dicicloverina –diciclomina – glicopirrolato – ciclopentolato - tropicamida. ATROPINA (Sulfato de atropina) A atropina é um alcaloide extraído, principalmente da planta Atropa belladona, usado na forma de sulfato, consiste em um bloqueador muscarínico potente com ação tanto central quanto periférica, com duração de quatro horas, exceto quando administrado no epitélio ocular que pode durar alguns dias os seus efeitos. Todos os receptores muscarínicos são bloqueados pela atropina. É utilizada: ▪ Antiespasmódico (no trato gastrintestinal); ▪ broncodilatador, midriático, antissecretório do trato respiratório superior e inferior, antiarrítmico; ▪ Na asma, como broncodilatador; ▪ Como adjuvante da anestesia reduzindo as secreções, e, provocando a broncodilatação; ▪ Utilizado no exame oftalmológico como midriático; ▪ Na intoxicação por anticolinesterásicos; ▪ É utilizada na bradicardia, e, como antiarrítmico. ESCOPOLAMINA OU HIOSCINA (Buscopan). A escopolamina ou hioscina também é um alcaloide da belladona. Apresenta efeitos semelhantes aos da atropina, porém, a escopolamina tem ações e efeitos mais pronunciados no SNC, com a duração mais prolongada do que a atropina. Apresenta também o efeito de bloquear a memória recente. IPRATRÓPIO (Atrovent) Consiste em um derivado quaternário da atropina. Não tem efeitos sobre o SNC, é utilizado no tratamento da asma, bronquite e DPOC para a broncodilatação, principalmente sob a forma de brometo de ipratrópio através da via de administração inalatória. As reações adversas sistêmicas são reduzidas e confinadas principalmente à boca, e, às vias aéreas. Geralmente, a via de administração do ipratrópio é a inalatória. PROPANTELINA Consiste em um antagonista muscarínico utilizado como antiespasmódico, na rinite, na incontinência urinária, e, no tratamento da úlcera gástrica e duodenal. Em altas doses apresenta efeitos nicotínicos que levam ao bloqueio da transmissão neuromuscular. DICICLOVERINA ou DICICLOMINA Antiespasmódico, e, espasmolítico derivado do ácido bicicloexilcarboxílico que reduz a contratura da musculatura lisa do tubo digestivo e do trato urinário. Indicado para cólicas intestinais, cólon irritável ou espasmódico, colopatias funcionais agudas ou crônicas, e, incontinência urinária. GLICOPIRROLATO Um antagonista muscarínico utilizado como antiespasmódico, em alguns distúrbios do trato gastrointestinal e para reduzir a salivação decorrente da utilização de alguns anestésicos. CICLOPENTOLATO E TROPICAMIDA São utilizados em Oftalmologia como midriáticos. Bloqueadores ganglionares. → Os Bloqueadores ganglionares bloqueiam os receptores nicotínicos, bloqueando os canais iônicos, não sendo seletivos para o sistema simpático ou parassimpático, tem sido utilizados mais de modo experimental, e, pouco usados na terapêutica, pois, possui ações complexas e imprevisíveis. ✓ Bloqueadores ganglionares: Toxina botulínica - Nicotina – Trimetafano – mecamilamina Bloqueadores neuromusculares → Consistem em bloqueadores da transmissão colinérgica no sistema somático na placa motora neuromuscular da musculatura esquelética. Assim, combinam-se com os receptores nicotínicos bloqueando a ação da acetilcolina. Tem sido utilizados principalmente na anestesia para produzir relaxamento muscular, sem a necessidade de doses anestésicas mais elevadas. Estes bloqueadores não penetram nas células com facilidade, sendo a maioria excretada pela urina de forma inalterada. ✓ Bloqueadores neuromusculares: Tubocurarina (alcurônio) – atracúrio – mivacúrio rocurônio – vecurônio – pancurônio - succinilcolina. Estes bloqueadores são considerados de ação local. Anticolinérgicos centrais → Os antipsicóticos (também denominados como neurolépticos) são largamente usados para tratamento de transtornos mentais crônicos. Entretanto, está associado a vários efeitos colaterais, incluindo distúrbios do movimento. Muitos pacientes com transtorno psicótico agudo que são medicados com neurolépticos também recebem drogas anticolinérgicas para reduzir alguns dos efeitos colaterais motores também conhecida como Impregnação Neuroléptica como, por exemplo, provocada pelo haloperidol (Haldol) que é um antipsicótico (ou neuroléptico). → Os efeitos adversos dos anticolinérgicos centrais são: Agitação, confusão mental, euforia, secura da boca, midríase, retenção urinária, e, constipação. Reativação das enzimas colinesterases. Os anticolinesterásicos irreversíveis (agonistas colinérgicos) correspondem aos compostos organofosforados sintéticos que possuem a capacidade de efetuar ligação covalente com a enzima acetilcolinesterase, com ação bastante prolongada, o que leva ao aumento duradouro da concentração de acetilcolina em todos os locais onde esta é liberada. Entretanto, para reativar as colinesterases inibidas pelos organofosforados inibidores da colinesterase, é utilizada a pralidoxima, de uso parenteral, que consiste em um composto peridíneo sintético, com a capacidade de deslocar o organofosforado através da fosforilação do inseticida ou composto relacionado, se a pralidoxima for utilizada dentro de pouco tempo após o uso do organofosforado, revertendo os efeitos dos inseticidas, como os efeitos sistêmicos do isofluorato, exceto os efeitos no SNC. A pralidoxima deve ser usada somente em conjunção com a atropina, após oxigenação adequada. A atropina é utilizada também no tratamento de paciente vítima de envenenamento por espécies de cogumelos que contém altas concentrações de muscarina, e, outros alcaloides relacionados. Os fármacos anticolinérgicos, frequentemente, provocam constipação podendo necessária a administração de laxativos, e, como os medicamentos que afetam o sistema nervoso autônomo não são muito específicos, os efeitos colaterais devem ser observados de acordo com o segmento afetado, como por exemplo, ressecamento da boca (reduz a salivação), náusea, vômito, diarreia, cólicas abdominais, taquicardia, dificuldade na deglutição, retenção urinária, e, fraqueza. Portanto, podem ser importantes procedimentos para aliviar alguns dos efeitos adversos. O Ciclo menstrual é causada pela secreção alternada dos hormonios: FSH(Hormônio folículo estimulante) e LH (Hormônio luiteinizante), pela hopófise e dos estrogenios e progesterona pelos ovários. Pico de FSH: Estimula a liberação de LH Pico de LH: Estímulo para ovulação Corpo lúteo: progesterona. A produção de FSH e LH pelo cérebro regula o ciclo ovárico, que se divide em três fases: folicular, ovulatória e luteínica. Fase Folicular: A fase folicular inicia-se no dia 1 de cada ciclo. A FSH (cujo aumento gradual é ligeiramente mais precoce e pronunciado do que a LH) estimula o crescimento de 3 a 30 folículos, sendo que, normalmente, apenas um vai atingir a plena maturação e libertar um óvulo, enquanto os restantes degeneram. À medida que se desenvolve, o folículo liberta hormonas ováricas, sobretudo estrogénio. Esta fase termina precisamente antes do aumento da LH que antecede a ovulação. Fase Ovulatória: Começa com o aumento progressivo da LH, que 16 a 32 horas depois resulta num pico de concentração, estimulando a rotura do folículo e libertação do óvulo que iniciará pouco depois a descida através das trompas até ao útero. É nesta fase que poderá encontrar os espermatozoides com possibilidade de fecundação. Fase Luteínica: Começa após a ovulação e termina imediatamente antes do início da maturação de um novo folículo.Nesta fase, os níveis de LH e FSH são mínimos, e o folículo rebentado forma uma estrutura amarela, denominada “corpo lúteo”, que segrega grandes quantidades de estrogénio e progesterona. Ciclo Uterino (Endometrial) O endométrio é a camada mais interna do útero, que reveste a cavidade uterina, sofrendo alterações durante o ciclo menstrual, por influência das hormonas ováricas. Estas modificações permitem, em cada mês, preparar o útero para uma possível gravidez, e dividem-se em 4 fases: proliferativa, secretora, menstrual e pré menstrual. 1. Fase Menstrual: O dia 1 do ciclo corresponde ao primeiro dia da menstruação, que consiste na descamação das células endometriais, que se tinham desenvolvido no ciclo anterior. Esta descamação resulta da quebra de estrogénios e progesterona, devido ao desaparecimento do corpo lúteo. 2. Fase proliferativa: Com o desenvolvimento de um novo folículo ovárico, ocorre um aumento de estrogénio, que promove a proliferação do endométrio, com crescimento rápido das suas glândulas e vasos sanguíneos. Nesta fase, as glândulas produzem um muco fino e pegajoso que se alinha no canal cervical, e que tem por função guiar os espermatozoides até ao útero. 3. Fase secretora: Após a ovulação, o corpo lúteo produz estrogénios e progesterona em grandes quantidades. O estrogénio promove o crescimento adicional do endométrio, enquanto a progesterona promove o desenvolvimento das glândulas secretoras e do tecido conjuntivo, transformando o endométrio num órgão secretor rico em nutrientes, capaz de nutrir precocemente o embrião e de permitir a sua fixação. Uma semana após a ovulação, o endométrio mede 5 a 6 mm de espessura. Se não ocorrer a fixação do embrião na parede uterina e consequente gravidez, o corpo lúteo degenera, há quebra dos níveis de estrogénio e progesterona, e aparece a menstruação, iniciando-se um novo ciclo 4. Fase Pré menstrual: Período da queda das concentrações dos hormônios ovarianos, quando a camada de superfície do endométrio perde seu suprimento sanguíneo normal e a mulher está prestes a menstruar, dura cerca de 2 dias. Pode ser acompanhada por dor de cabeça, dor e inchaço nas mamas, irritabilidade, insônia. (tpm ou tensão pré menstrual.) Regulação hormonal: Estrógeno: Induz as células de muitos locais do organismo, a proliferar, isto é, a aumentar em número. Progesterona: A progesterona é um hormônio, produzido pelos ovários, que tem um papel muito importante no processo de gravidez, sendo responsável por regular o ciclo menstrual da mulher e preparar o útero para receber o óvulo fertilizado, evitando que seja expulso pelo corpo. Contraceptivos hormonais. Tipos de pílula: Classificam-se em combinadas e apenas com progestogênio ou minipílulas; as primeiras compõem-se de um estrogênio associado a um progestogênio, enquanto a minipílula é constituída por progestogênio isolado. As combinadas dividem-se ainda em monofásicas, bifásicas e trifásicas. Nas monofásicas, a dose dos esteroides é constante nos 21 ou 22 comprimidos da cartela. As bifásicas contêm dois contêm três tipos de comprimidos com os mesmos hormônios em proporções diferentes. Anticoncepcionais hormonais orais combinados: São componentes que contêm dois hormônios sintéticos, o estrogênio e o progestogênio, semelhantes aos produzidos pelo ovário da mulher. As pílulas combinadas atuam basicamente por meio da inibição da ovulação, além de provocar alterações nas características físico-químicas do endométrio e do muco cervical. Orientação ao paciente: 1. No primeiro mês de uso, deve-se tomar no primeiro dia da menstruação. (no máximo até o 5° dia) 2. A seguir deve-se ingerir um comprimido ao dia sempre no mesmo horário. 3. No final da cartela de 21 dias, deve-se fazer a pausa de 7 dias e iniciar no 8° dia uma nova cartela. Se a cartela tem 22 pílulas, a pausa é de 6 dias. Alguns tipos já possuem 7 dias de placebo, quando deve ocorrer o sangramento, não sendo necessário haver interrupção. 4. Caso não ocorra a menstruação no intervalo entre as cartelas, a paciente deve procurar o serviço de saúde para descartar a hipótese de gravidez. 5. Caso a paciente esqueça de tomar a pílula: Caso tenha ultrapassado o período de 12 horas, pule o comprimido e tome normalmente seguindo a cartela. Caso o não tenha ultrapassado o período de 12 horas pode fazer a ingestão de 2 pílulas. 6. No caso de esquecimento é recomendado utilizar um método de barreira. 7. No caso de diarreia, vomito com duração de mais de 2 dias deve-se utilizar um método de barreira existem possibilidades da não-absorção dos esteroides da pílula, com consequente perda da ação anticonceptiva. Interações medicamentosas: Anticonvulsivantes: Barbitúricos Carbamazepina Primidona Difenil-hidantoína Antibióticos: Rifampicina Fungicidas: Griseofulvina Efeitos adversos: Alteração de humor, náuseas, cefaleia, tonturas, dores nas mamas, mal estar gástrico. Benefícios além da ação contraceptiva: Redução da doença inflamatória pélvica (DIP). Redução da frequência de cistos funcionais do ovário. Redução da incidência do adenocarcinoma de ovário. Redução da frequência do adenocarcinoma de endométrio. Redução da doença benigna da mama. Redução da dismenorreia e dos ciclos hiper menorrágicos. Redução da anemia. são classificados em: monofásico, bifásico e trifásico. O monofásico apresenta a mesma dosagem de estrógeno e progestogênio em toda as pílulas da cartela. O bifásico e o trifásico podem mudar a quantidade e o tipo de hormônio nos diferentes momentos do ciclo de ingestão das pílulas. Anticoncepcionais hormonais orais apenas de progestogênio. São comprimidos que contêm uma dose muito baixa de progestogênio, que promove o espessamento do muco cervical, dificultando a penetração dos espermatozoides, e inibe a ovulação em aproximadamente metade dos ciclos menstruais. Orientações a paciente: 1. Nas lactantes devem-se iniciar o uso após a sexta semana do parto. 2. As não-lactantes devem-se ter seu uso continuo após o termino da cartela de 35 comprimidos. 3. Se a mulher atrasou a ingestão da pílula mais do que três horas ou esqueceu alguma pílula e já não amamenta ou amamenta, mas a menstruação retornou, deve tomar a pílula esquecida, assim que possível, e continuar tomando uma pílula por dia. 4. Também deve usar preservativos ou evitar relações sexuais, pelo menos durante dois dias 5. Em caso de diarreia grave ou vômitos durante mais de 24 horas, orientar a mulher para continuar o uso da pílula se for possível, usar o preservativo ou evitar relações sexuais até que tenha tomado uma pílula por dia, durante sete dias seguidos, depois que a diarreia e os vômitos cessarem. Interação medicamentosa Pode haver infecção com rifampicina, griseofulvina e anticonvulsivante (fenitoína, carbamazepina, barbituratos, primidona), que são medicamentos indutores de enzimas hepáticas e reduzem a eficácia da minipílula. Efeitos adversos: Alteração do fluxo menstrual, dor nos seios, cefaleia. Benefícios além da ação contraceptiva: Prevenção das doenças benignas de mama; câncer de endométrio ou de ovário; e doença inflamatória pélvica. Temos o exemplo citado a cima, são conhecidos também como minipílulas. TIPOS DE INJETÁVEIS: • Com progestogênio isolado: Consiste na administração de progestogênio isolado, via parenteral (I.M), com obtenção de efeito anticonceptivo por períodos de 3 meses. • Combinado: Os anticoncepcionais injetáveis combinadoscontêm uma associação de estrogênio e progestogênio, para uso parenteral (I.M), mensal. Principais componentes e dosagem: Anticoncepcionais hormonais injetáveis com progestogênio isolado: O anticoncepcional hormonal injetável, aprovado para uso no Brasil, é um derivado da 17 alfahidroxiprogesterona, preparado em suspensão microcristalina, para administração intramuscular profunda. Além de inibirem a ovulação, aumentam a viscosidade do muco cervical dificultando a passagem dos espermatozoides. Orientações a paciente: 1. É utilizado 150 mg trimestralmente. 2. Deve ser aplicada nos primeiros cinco a sete dias do ciclo menstrual, na região glútea, para permitir a formação do depósito. Não se deve massagear o local após a injeção 3. Deve-se repetir a injeção a cada intervalo definido pela paciente (trimestral), podendo ser feita até, no máximo, quinze dias após a data estipulada, para não aumentar o risco de falha. Efeitos adversos: Amenorreia, Sangramento irregular, Aumento de peso, Cefaleia, Alterações de humor e Nervosismo. Interação medicamentosa Não tem sido demonstrada interação com antibióticos. Benefícios além da ação contraceptiva: ✓ Pode reduzir o risco de: 1. DIP (doença inflamatória pélvica). 2. Câncer de endométrio. 3. Anemia falciforme. 4. Endometriose. 5. Câncer de ovário. 6. Cisto de ovário. Anticoncepcionais hormonais injetáveis combinados: os anticoncepcionais hormonais injetáveis combinados contêm um éster de estrogênio natural, o estradiol, e um progestogênio sintético. Inibem a ovulação e tornam o muco cervical espesso, impedindo a passagem dos espermatozoides. Orientações a paciente: 1. A primeira injeção deve ser feita até o 5º dia do início da menstruação. As aplicações sequentes devem ocorrer a cada 30 dias. 2. Deve-se aplicar por via intramuscular profunda, abstendo-se de massagem ou calor local para evitar difusão do material injetado. 3. Se houver atraso de mais de três dias para a nova injeção, a mulher deve ser orientada para o uso do preservativo. Efeitos adversos: Alterações menstruais, Cefaleia, Náuseas e/ou vômitos, Mastalgia e Aumento de peso. Interações medicamentosas: Os antirretrovirais (ARV) não-nucleosídeos (Efavirenz e Nevirapina) e os inibidores de protease (Nelfinavir e Ritonavir), disponíveis para o controle da infecção pelo HIV, interagem diminuindo os níveis séricos dos hormônios estrogênicos. A anticoncepção de emergência é um uso alternativo da anticoncepção hormonal oral para evitar uma gravidez depois da relação sexual. Deve ser tomada antes de completar 72 horas após a relação sexual desprotegida. Atua basicamente inibindo adiando a ovulação, interferindo na capacitação espermática e possivelmente na maturação do oocito. Não interrompe uma gravidez em andamento. Atenção: Não deve ser utilizada de rotina como método anticoncepcional, mas apenas em situações de emergência. Tipos e composição: Anticoncepcionais orais apenas de progestogênio: Levonorgestrel 0,75 mg (Postinor-2, Norlevo, Pozato e Pilem). Método de Yuzpe: ✓ Anticoncepcionais orais combinados contendo 0,25 mg de levonorgestrel e 0,05mg de etinilestradiol (Evanor, Neovlar). ✓ Anticoncepcionais orais combinados contendo 0,15 mg de levonorgestrel e 0,03mg de etinilestradiol (Microvlar, Nordette). Início de uso: Até 72 horas após uma relação sexual sem proteção anticoncepcional, mas quanto mais rápido se administra, maior a proteção. Até 72 horas após uma relação sexual desprotegida, a mulher deve utilizar um dos esquemas descritos na tabela abaixo: Orientações a paciente 1. Explique que as pílulas podem ser usadas em qualquer momento do ciclo menstrual, porem o quanto mais rápido for administrada, maior eficácia. 2. Após tomar as pílulas, a menstruação poderá ocorrer até 10 dias antes ou depois da data esperada, mas numa porcentagem importante dos casos a menstruação ocorre na data esperada com uma variação de 3 dias para mais ou para menos. 3. A anticoncepção de emergência não protege contra posteriores relações sexuais desprotegidas, e deverá, portanto, utilizar algum método regular de anticoncepção para futuras relações sexuais desprotegidas. 4. Caso ocorra gravidez, as pílulas não provocam qualquer efeito adverso para o feto. 5. Suspender o uso do anticoncepcional (caso faça uso) esperar a menstruação e só depois iniciar uma nova cartela. Efeitos adversos: náuseas, vômitos, tontura, fadiga, cefaleia, Mastalgia, diarreia, dor abdominal e irregularidades menstruais. Uma estudante de farmácia As Células como unidades vivas do corpo. A unidade básica do nosso organismo é a Célula. Cada órgão possui um agregado de células diferentes, mantidas e unidas por estruturas de suporte intercelular. Cada tipo de célula é especialmente adaptada para realizar algumas funções determinadas. → Embora cada célula possui diferenças umas das outras, todas possui características básicas comuns. → O mecanismo químicos gerais de transformação de nutrientes em energia são basicamente os mesmos, em todas as células são liberados produtos finais de suas reações químicas nos líquidos que a cercam. → Quase todas as células tem a capacidade de reproduzir células adicionais de seu próprio tipo. Geralmente quando essas células são destruídas, as células restantes do mesmo tipo geram novas células para suprir a perca. Líquido extracelular (meio interno) Cerca de 60% do nosso corpo é composto por líquidos, solução aquosa de íons e outras substâncias. Embora a maior parte desse líquido esteja dentro das células e seja chamado de líquido intracelular, cerca de um terço se encontra nos espaços fora das células e é chamado liquido extracelular. ▪ O liquido extracelular está em movimento constante por todo corpo. ▪ Ele é rapidamente transportado no sangue circulante e em seguida misturado no sangue pelos líquidos teciduais, por difusão através da parede dos capilares. Diferença entre os líquidos extracelular e intracelular. O Liquido extracelular possui grandes quantidades de sódio, cloreto e íons bicarbonato mais os nutrientes para as células, como oxigênio, glicose, ácidos graxos e aminoácidos. Também possui dióxido de carbono que é transportado das células para os pulmões e serem excretados, além de outros produtos de excreção celular que são transportado para os rins e serem eliminados. Os líquidos intracelulares diferem significativamente do liquido extracelular, ele contem grandes quantidades de íon potássio, magnésio e fosfato. Mecanismos especiais para o transporte de íons através de membranas celulares, matem as diferenças de concentração iônica entre os líquidos extracelulares e intracelulares. Homeostasia • É definido como: a manutenção de condições quase constantes no meio interno. ✓ Todos os órgãos e tecidos do corpo humano executam funções que contribuem para manter essas condições relativamente constante. O Sistema circulatório do sangue: → O liquido extracelular é transportado para todas as partes do corpo em dois estágios. O primeiro é a movimentação do sangue pelo corpo, nos vasos sanguíneos. E o segundo é a movimentaçãode liquido entre os capilares sanguíneos e os espaços intercelulares entre as células e tecidos. Uma estudante de farmácia → Todo sangue na circulação percorre o circuito circulatório, em media uma vez a cada minuto, quando o corpo está de repouso é ate 6 vezes por minuto, quando a pessoa está extremamente ativa. Origem dos Nutrientes do fluido extracelular. → Sistema respiratório: Cada vez que o sangue passa pelo corpo, flui também pelos pulmões. O sangue capta nos alvéolos, o oxigênio necessário para as células. → Trato gastrointestinal: Grande parte do sangue bombeado pelo coração também flui através das paredes do trato gastrointestinal, aí diferentes nutrientes dissolvidos, incluindo: carboidratos, ácidos graxos e aminoácidos, são absorvidos, do alimento ingerido para o liquido extracelular no sangue. → Fígado e outros órgãos que realizam funções metabólicas: Nem todas as substâncias absorvidas pelo trato gastrointestinal podem ser usadas na forma absorvida pelas células. O fígado altera quimicamente muitas dessas substâncias, para formas mais utilizáveis em outros tecidos do corpo (células adiposas, rim, glândulas endócrinas e mucosas gastrointestinais.) Contribuem para modificar as substâncias absorvidas ou as armazenam até que sejam necessárias. → Sistema musculo esquelético: Proporciona mobilidade para proteção contra ambientes diversos, sem ele todo o organismo com seus mecanismos homeostáticos poderia ser instantaneamente destruídos. Remoção dos produtos finais do metabolismo. Remoção do dióxido de carbono pelos pulmões: Ao mesmo tempo que o sangue capta oxigênio nos pulmões, o dióxido de carbono é liberado do sangue para os alvéolos pulmonares; o movimento respiratório do ar para dentro e para fora dos pulmões carrega o dióxido de carbônio para a atmosfera. Rins: A passagem do sangue pelos rins remove do plasma a maior parte das outras substâncias, além do dióxido de carbono, que não são necessárias para as células. Essas substancias inclui diferentes produtos finais de metabolitos celulares, tais como a ureia e o ácido úrico, também o excesso de água dos alimentos. Trato gastrointestinal: O material não digerido que entra no trato gastrointestinal e parte dos resíduos não aproveitáveis do metabolismo são eliminados nas fezes. Fígado: Entre as funções do fígado está a desintoxicação ou a remoção de muitas drogas e químicas que são ingeridas. O fígado secreta varias perdas em bile, para ser eliminada nas fezes. Anemias: Definição: Redução da massa de eritrócitos ou decréscimo na concentração de hemoglobina. Defeito fisiológico: Redução na capacidade transportadora de oxigênio e consequente menor oxigenação dos tecidos = Disfunção de órgãos. Sintomas gerais: ▪ Mudança no padrão de comportamento (irritabilidade); ▪ Anorexia; ▪ Fadiga, fraqueza muscular; ▪ Dispneia no exercício palpitações; ▪ Vertigens, tonturas, zumbidos; ▪ Cefaleia; ▪ Palidez ou icterícia; ▪ Irregularidades menstruais. Classificação morfológica das anemias: Hipocrômica-Microcítica: Deficiência de ferro; Desordens da síntese das globinas; Desordens das porfirinas e síntese do Heme. Macrocíticas: Megaloblásticas Deficiência de vitamina B12 Deficiência de ácido fólico Desordens herdadas ou induzidas da síntese de DNA. Normocrômica-Normocítica: Perda sanguínea recente Anemias Hemolíticas Medula óssea hipoplásica Medula óssea infiltrada Doenças crônicas. Anemias Megaloblástica Anemias carenciais: Anemias por deficiência de: Ferro Ácido fólico Vitamina B12 Causas: Deficiência: Vitamina B12 Ac. Fólico Fisiopatologia: Síntese defeituosa de DNA Afeta as 3 linhagens, mais proeminente na linhagem eritróide (Assincronia de maturação núcleo/citoplasma) Hematopoese inefetiva (Aumento da proporção de morte de células na MO) Causas Deficiência de folatos: ▪ Ingestão inadequada ▪ Requerimento aumentado (gravidez, lactação, anemias hemolíticas crônicas) ▪ Absorção defeituosa, mecanismos multifatoriais. Deficiência de vitamina B12: ❖ Ingestão inadequada ❖ absorção defeituosa (gastrite, gastrectomia total ou parcial, atrofia gástrica autoimune, ❖ administração de drogas como cimetidina, ranitidina e omeprazol. ❖ Transporte defeituoso (Deficiência congênita de transcobalamina II) DNA Eritroblastos policromático Manifestações clinicas Manifestações neurológicas: Parestesias Distúrbios motores -> Dificuldade de marcha Manifestações mentais: Depressão (deficiência de folatos); Déficit de memória; Disfunção cognitiva e demência; (Deficiência de vitamina B12) Tríade: Fraquezas, úlceras na língua e parestesias.Manifestações Hematológicas: Anemia, sangramento e infecções são pouco comuns. Alteração de epitélios: Diarreias e glossite. Quadro laboratorial Sangue periférico: ✓ Anisocitose e poiquilocitose (esquisitócitos, Dacriócitos). ✓ Pontilhado basófilo, corpúsculos de howell-jolly, anel de cabot, eritroblastos. ✓ Reticulócitos: diminuído (VN: 0,5 a 2%) ✓ Leucopenia, neutropenia absoluta, hiperseguimentação de granulócitos ✓ Trombicitopenia. Anel de cabot Corpúsculo de Howell-Jolly pontilhado basófilo Inclusões eritrocitárias Provas auxiliares diagnóstico - Níveis séricos de vitamina B12; - Níveis séricos de folatos; - Pesquisa de metabolitos: Ácido metilmalônico e homocisteína. -Anticorpos contra fator intrínseco e células parietais (anemia perniciosa) -Teste de Schilling (absorção de VitB12) Tratamento: Anemia perniciosa > Tratamento permanente via parenteral. Demais pacientes: VitB12 via parenteral e oral. Tratamento Ac. Fólico: Correção da dieta, aumento no consumo de verduras e folatos via oral. Anemia Normocítica e Normocrômica A anemia normocítica e Normocrômica ocorre em muitas situações que envolvem desde doenças malignas, doenças específicas de órgãos, hemorragias e processos hemolíticos. → A contagem de reticulócitos na anemia normocítica e Normocrômica geralmente fornece a resposta para avaliar o grau de atividade eritropoiética. → Na presença de anemia normocítica e Normocrômica, com reticulócitos normais ou diminuídos, sugere-se o exame citológico da medula óssea, que pode apresentar um quadro normal nas doenças crônicas, renal, hepática e endocrinológicas, bem como no início da deficiência de ferro. Com reticulocitose Hemorragias, Hemólises hereditárias e adquiridas Leucemia (M.O. anormal) I.R.C. (M.O. anormal) Sem reticulocitose Hepatopatias (M.O. normal) Doenças crônicas (M.O.normal) Início de ferropenia (M.O. normal) M.O. - Medula Óssea; I.R.C. - Insuficiência Renal Crônica Anemia Falciforme → O eritrócito tem estrutura e propriedades metabólicas extremamente complexas que ainda hoje são objeto de investigações. → A hemoglobina representa importante fator do controle da integridade do eritrócito. Sua elevada concentração, próxima de 30 g/dL, faculta à hemácia operar com máxima eficiência, mas implica, em contrapartida, um potencial letal. A anemia falciforme é um exemplo clássico de uma alteração mínima na estrutura de hemoglobina capaz de provocar, sob determinadas circunstâncias, uma singular interação molecular e drástica redução na sua solubilidade. Fisiopatologia: A causa da doença é uma mutação pontual no gene beta da globina, em que há a substituição de uma base nitrogenada do códon GAG para GTG, resultando na troca do ácido glutâmico (Glu) pela valina (Val) na posição número seis do gene. Essa substituição origina uma molécula de hemoglobina anormal denominada hemoglobina S (HbS), ao invés da hemoglobina normal chamada de hemoglobina A (HbA) Essa pequena modificação estrutural é responsável por profundas alterações nas propriedades físico-químicas da molécula de hemoglobina no estado desoxigenado. A anemia falciforme também pode ser denominada siclemia ou drepanocitose Principal manifestação clínica da anemia falciforme: → A alteração celular causada pelo processo de falcização influencia intensamente o fluxo sanguíneo, aumentando a sua viscosidade; → Dor: Em decorrência da transformação da hemácia em forma anormal de foice, tende a ocorrer a estagnação mecânica do sangue nos capilares, contribuindo para a oclusão vascular. → Síndrome mão-pé: nas crianças pequenas as crises de dor podem ocorrer nos pequenos vasos sanguíneos das mãos e dos pés, causando inchaço, dor e vermelhidão no local; → Infecções: as pessoas com doença falciforme têm maior propensão a infecções e, principalmente as crianças podem ter mais pneumonias e meningites. Por isso elas devem receber vacinas especiais para prevenir estas complicações. Ao primeiro sinal de febre deve- se procurar o hospital onde é feito o acompanhamento da doença. Isto certamente fará com que a infecção seja controlada com mais facilidade; → Úlcera (ferida) de Perna: ocorre mais frequentemente próximo aos tornozelos, a partir da adolescência. As úlceras podem levar anos para a cicatrização completa, se não forem bem cuidadas no início do seu aparecimento. Para prevenir o aparecimento das úlceras, os pacientes devem usar meias grossas e sapatos; → Sequestro do Sangue no Baço: o baço é o órgão que filtra o sangue. Em crianças com anemia falciforme, o baço pode aumentar rapidamente por sequestrar todo o sangue e isso pode levar rapidamente à morte por falta de sangue para os outros órgãos, como o cérebro e o coração. É uma complicação da doença que envolve risco de vida e exige tratamento emergencial. Diagnóstico: A detecção é feita através do exame eletroforese de hemoglobina. O teste do pezinho, realizado gratuitamente antes do bebê receber alta da maternidade, proporciona a detecção precoce de hemoglobinopatias, como a anemia falciforme. O diagnóstico das síndromes falciformes depende fundamentalmente da comprovação da hemoglobina S pela eletroforese de hemoglobinas, utilizando conjuntos complementares de suportes e tampões que permitam a distinção das diferentes hemoglobinas anormais. As técnicas mais utilizadas incluem a eletroforese de hemoglobina em acetato de celulose com pH 8.4, em gel de ágar com pH 6.2, e teste de solubilidade da hemoglobina em tampão fosfato concentrado. Tratamento: • Quando descoberta a doença, o bebê deve ter acompanhamento médico adequado baseado num programa de atenção integral. • Nesse programa, os pacientes devem ser acompanhados por toda a vida por uma equipe com vários profissionais treinados no tratamento da anemia falciforme para orientar a família e o doente a descobrir rapidamente os sinais de gravidade da doença, a tratar adequadamente as crises e a praticar medidas para sua prevenção. • A equipe é formada por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, dentistas, etc. Além disso, as crianças devem ter seu crescimento e desenvolvimento acompanhados, como normalmente é feito com todas as outras crianças que não têm a doença. Não há tratamento específico das doenças falciformes. Assim, medidas gerais e preventivas no sentido de minorar as consequências da anemia crônica, crises de falcização e susceptibilidade às infecções são fundamentais na terapêutica destes pacientes. ✓ Hidratação: Desidratação e hemoconcentração precipitam crises vaso oclusivas. Poroutro lado, indivíduos com doença falciforme são particularmente susceptíveis à desidratação devido à incapacidade de concentrar a urina com consequente perda excessiva de água. Assim, a manutenção de boa hidratação é importante, principalmente durante episódios febris, calor excessivo, ou situações que cursem com diminuição do apetite. ✓ Profilaxia contra infecções: Penicilina Profilática Penicilina profilática previne 80% das septicemias por S. pneumoniae (Pneumococo) em crianças com anemia falciforme até 3 anos de idade ✓ O impacto da profilaxia é enorme e deve ser iniciado aos 3 meses de idade para todas as crianças com doenças falciformes (SS, SC, SB). ✓ A terapêutica deve continuar até 5 anos de idade. Pode-se utilizar a forma oral (Penicilina V) ou parenteral. ✓ Imunização: A imunização deve ser realizada como em qualquer outra criança, contra agentes virais e bacterianos. Entretanto, particular ênfase deve ser dada à vacinação contra Pneumococo, Haemophilus influenzae e Hepatite B . ✓ Desde que septicemia por Pneumococo e H. influenzae tipo B são frequentes na doença falciforme, a imunização deve ser precoce. Entretanto, a vacina contra Pneumococo atualmente no mercado não é imunogênica antes de dois anos de idade. Já a vacina contra hepatite B pode ser realizada ao nascimento. ✓ Nutrição: Assim como outros pacientes com hemólise crônica, indivíduos com doenças falciformes estão particularmente sujeitos à superposição de anemia megaloblástica, principalmente quando a dieta é pobre em folato, durante a gestação ou em períodos de crescimento rápido. Além disso, a carência de folato pode estar relacionada a um maior risco de trombose e má- formação de tubo neural no primeiro bimestre da gestação. Assim, para prevenção da deficiência de ácido fólico, recomenda-se a suplementação com 1a 2 mg de folato ao dia. ✓ Educação e Higiene: Frio é um fator desencadeante de crises de falcização. Portanto, utilizar roupas apropriadas, principalmente em dias de chuva e à noite. ✓ A utilização de meias de algodão e sapatos protege os tornozelos de possíveis traumas que podem cursar com úlceras de perna de difícil cicatrização. ✓ Medidas de higiene e cuidado com a cavidade oral são fundamentais na prevenção de complicações como recorrência de úlceras de perna e infecções que podem precipitar crises vaso oclusivas. O processo vaso-oclusivo. Mecanismo de vaso-oclusão na anemia falciforme: O contato direto das hemácias SS e a presença de hemólise intravascular levam à ativação das células endoteliais que revestem o vaso; a presença do heme livre na circulação tem efeito deletério no vaso e ainda consome o Óxido Nítrico (NO) sintetizado pelas células endoteliais. Juntamente com a presença de Espécies Reativas de Oxigênio (ROS), a hipóxia e os vasoconstritores como Endotelina-1 (ET-1), esses mecanismos contribuem para a ativação das células endoteliais. O estado de hipercoagulabilidade leva a níveis aumentados de Fator Tecidual (FT), Fator Ativador de Plaquetas (FAP), Fator de von Willebrand (FvW) e ativação plaquetária. A ativação do endotélio também conta com a presença das plaquetas ativadas no vaso sanguíneo e a sua adesão à parede vascular. Após sua ativação, as células endoteliais aumentam a expressão das moléculas de adesão (como ICAM-1, VCAM-1 e E-selectina) na superfície do vaso e também liberam mais citocinas e quimiocinas como o IL-8, IL-6 e IL-1B, que com o TNF-B, contribuem para a inflamação vascular e a ativação das células sanguíneas. Os leucócitos e as hemácias aderem à parede vascular devido à sua ativação e expressão de moléculas de adesão e, também, podem haver interações heterotípicas entre leucócitos aderidos e hemácias. A vasoconstrição elevada e a obstrução física do vaso ocasionam uma redução no fluxo sanguíneo com consequente hipóxia e falcização das hemácias, dificultando a passagem do sangue, e finalmente resultando na vaso-oclusão. Anemia hemolítica → O complexo mecanismo da formação do eritrócito, a eritropoiese, ocorre no ambiente específico da medula óssea. Após a perda do núcleo picnotico, a hemácia é liberada em circulação com sua forma característica de disco bicôncavo, e sobrevive, em média, por 120 dias. Durante esse período, percorre uma distância de aproximadamente 200 quilômetros e enfrenta a turbulência da bomba cardíaca mais de 500 mil vezes. Portanto, é previsível que a hemácia seja uma célula metabolicamente ativa e necessite de suprimento adequado de glicose para produção de energia. Mecanismos de destruição das Hemácias: Como a vida média das hemácias em circulação é de aproximadamente 120 dias, cerca de 1/120 ou 0,8% da massa total de hemácias é destruída diariamente, e outra quantidade igual é produzida, resultando em equilíbrio. Em condições normais, a destruição das hemácias ocorre preferencialmente no interior dos macrófagos, e somente pequena quantidade de hemólise ocorre no compartimento intravascular. A hemólise no sistema fagocítico mononuclear acontece primariamente no baço, no fígado e na medula óssea. Devido a sua anatomia vascular peculiar, o baço é extremamente sensível para detectar defeitos eritrocitários mínimos. O sangue da zona marginal do baço e o da arteríola terminal é drenado para a polpa vermelha, diretamente aos seios venosos e daí para as veias eferentes ou, alternativamente, para os cordões existentes entre os seios. A passagem de volta dos cordões esplênicos para os sinusoides só é possível através de poros estreitos, irregulares e tortuosos, e os macrófagos e outras células atuam como obstáculos físicos à sua volta. Para ultrapassar esses obstáculos, o eritrócito necessita de enorme grau de deformabilidade. Esse tipo de circulação, além de remover eritrócitos pouco deformáveis, é capaz de remover partículas ligadas à membrana como corpos de Heinz, corpúsculos de Howell-Jolly, grânulos sideróticos e vacúolos. Outro importante aspecto da circulação esplênica é a redução no volume de plasma no sangue esplênico. O fluxo laminar nas arteríolas centrais desvia o plasma para os ramos perpendiculares, levando à formação de sangue de elevado hematócrito que circula lentamente na polpa vermelha. Como consequência, há maior estase e condições metabólicas desfavoráveis, como hipóxia, acidose e redução na concentração de glicose. O fígado não é tão sensível quanto o baço para detectar defeitos mínimos das hemácias. No entanto, sendo a lesão suficientemente importante para ser detectada pelos macrófagos hepáticos, ele é mais eficiente que o baço, pois seu fluxo sanguíneo é muito maior: o fluxo sanguíneo hepático corresponde a 35% do volume-minuto cardíaco, ao passo que o fluxo esplênico corresponde a 5%. Assim, na esferocitose hereditária as hemácias são destruídas no baço; o fígado não é capaz de detectar o defeito. Como consequência, a esplenectomia é terapêutica eficaz nessa moléstia. Já as hemácias na anemia falciforme são suficientemente deformadas para serem detectadas pelo fígado, e de nada adianta a remoção do baço nessa doença. Conceito de anemia hemolítica: As anemias hemolíticas compreendem um grupo de doenças em que a sobrevida das hemácias em circulação está acentuadamente reduzida e a medula óssea não é capaz de compensação mesmo aumentando sua produção. Hemólise intravascular: A hemólise intravascular resulta em hemoglobinemia quando a quantidade de hemoglobina liberada no plasma excede a capacidade de ligação da Hb da haptoglobina, proteína de ligação do plasma, normalmente presente em concentrações plasmáticasde aproximadamente 100 mg/dL (1,0 g/L). Os níveis plasmáticos da haptoglobina livre serão baixos. Com hemoglobinemia, dímeros de Hb não ligada são filtrados na urina e reabsorvidos nas células tubulares renais; quando a capacidade de reabsorção é excedida, ocorre a hemoglobinemia. O ferro é convertido em hemossiderina dentro das células tubulares, sendo este, em parte, assimilado para reutilização e, em parte, chega à urina quando as células tubulares se degradam. Consequências da hemólise ✓ A hiperbilirrubinemia não conjugada (indireta) e a icterícia acontecem quando a conversão da hemoglobina em bilirrubina excede a capacidade do fígado de conjugar e excretar a bilirrubina ( Visão geral da função biliar). O catabolismo da bilirrubina causa aumento de estercobilina nas fezes e urobilinogênio na urina e, às vezes, colelitíase. ✓ A medula óssea responde à excessiva perda de eritrócitos, acelerando a produção e a liberação de eritrócitos e provocando reticulocitose. Sinais e sintomas: As manifestações sistêmicas assemelham-se às de outras anemias e incluem palidez, fadiga, tontura e possível hipotensão. Icterícia conjuntival e/ou icterícia podem ocorrer e pode haver esplenomegalia. As crises hemolíticas (hemólise aguda, grave) são incomuns; podem ser acompanhadas de calafrios, febre, dores lombar e abdominal, prostração e choque. Hemoglobinúria faz com que a urina fique vermelha ou vermelho-amarronzada. Diagnóstico: Esfregaço de sangue periférico e contagem de reticulócitos Bilirrubina sérica, LDH, haptoglobina e ALT Teste de Coombs e/ou rastreamento de hemoglobinopatias. ✓ Suspeitar hemólise nos pacientes com anemia e reticulocitose. ✓ Se houver suspeita de hemólise, examinar o esfregaço de sangue periférico e dosar bilirrubina sérica, LDH, haptoglobina e ALT. ✓ O esfregaço de sangue periférico e a contagem de reticulócitos são os exames mais importantes para o diagnóstico da hemólise. https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-hep%C3%A1ticos-e-biliares/abordagem-ao-paciente-com-doen%C3%A7a-hep%C3%A1tica/icter%C3%ADcia https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-hep%C3%A1ticos-e-biliares/dist%C3%BArbios-da-ves%C3%ADcula-biliar-e-ductos-biliares/vis%C3%A3o-geral-da-fun%C3%A7%C3%A3o-biliar https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-hep%C3%A1ticos-e-biliares/dist%C3%BArbios-da-ves%C3%ADcula-biliar-e-ductos-biliares/colelit%C3%ADase ✓ Teste de Coombs ou rastreamento de hemoglobinopatia (p. ex., HPLC) podem ajudar a identificar a causa da hemólise. Uma vez identificada a hemólise, procurar a etiologia. Para estreitar o diagnóstico diferencial das anemias hemolíticas. Tratamento: Os corticoides são úteis no início do tratamento de hemólise autoimune causada por anticorpos quentes. A terapia de transfusão a longo prazo pode provocar acúmulo excessivo de ferro, necessitando, dessa forma, de terapia de quelação. A esplenectomia é benéfica em algumas situações, principalmente quando o sequestro esplênico for a causa principal da destruição de eritrócitos. Se possível, a esplenectomia é adiada até 2 semanas após a vacinação com vacinas pneumocócicas contra Haemophilus influenzae e meningocócicas. Na doença da crioaglutinina (ou aglutinina fria), recomenda-se evitar o frio e, algumas vezes, o sangue é aquecido antes da hemotransfusão. A substituição de folato é necessária para pacientes com hemólise crônica. CITOSE PENIA Leucocitose Leucopenia Linfocitose Linfopenia Monocitose Monopenia FILIA PENIA Neutrofilia Neutropenia Eosinofilia Eosinopenia Basofilia Basopenia Interpretação de hemograma Eritrograma (Série vermelha) Número de hemácias; Hemoglobina; Hematócrito ; Índices Hematimétricos (VCM, HCM,CHCM, RDW); Avaliação morfológica das hemácias. Leucograma (Série Branca) Número de leucócito total; Contagem especifica de leucócitos; Avaliação morfológica dos leucócitos. Plaquetograma Numero de plauquetas; Avaliação morfologica das plaquetas. Indices hematimétricos Mostra a morfologia das hemácias. VCM: Volume corpuscular médio. (Tamanho) VGM: Volume globular médio. Tamanho normal: Hemácia normocitica (normocitose) Tamanho menor: Hemácia microcitica (Microcitose) Tamanho maior: Hemácia Macrocitica (macrocitose) Quantidade de hemoglobina nas hemácias. HCM: Hemoglobina crepuscular média HGM: Hemoglobina globular média. CHCM: Concentração de hemoglibina corpuscular média. CHGM: Concentração de hemoglobina globular média. Normal: Hemácia normocrômica (Normocromia) Menor: Hemácia hipocromica (Hipocromia) Os indices hematimetricos servem para classificar as anemias: VCM e HCM baixo: Anemia microcitica e hipocrômica; VCM e HCM normais: Anemia normocitica e normocromica; VCM alto: Anemia macrocitica. RDW: Amplitude de distribuição das hemácias. Atenção: VCM: Normocitose RDW: Normocitose Serie branca Leucocitos, linfocitos e monocitos: Granulocitos: Neutrofilo, Eosinofilo e Basofilo Alterações da Série vermelha: Microcitose. Macrocitose Hipocromia Anisocitose Poiquilocitose Seta preta: Codócitos, Seta vermelha: Esferócitos, seta azul: Estomatocitos. Inclusões eritrocitárias Pontilhado basófilo Corpúsculos de Howell-Jolly Microcitose: Hemácias menores que o normal, com VCM abaixo de 30fL. Macrocitose: Hemácias maiores que o normal, VCM acima de 100fL. Hipocromia: Hemácias menos coradas do que o normal, observa-se aumento nohalo central da hemácia. Anisocitose: Variação no tamanho das hemácias. Poiquilocitose: Variação na forma das hemácias: (Esferócitos, eliptocitos, estomatócitos, drepanócitos, esquisitócitos...) Inclusões eritrocitárias: Corpúsculo de howell- jolly, pontilhado basófilo, parasitas... Variações da série vermelha: Eliptocitos Esferócitos (marcado pelo *) Estomatocitos. Dacriócitos: (Forma de gota/coxinha) Esquizitócitos: (hemácia sem formato definido) Poiquilocitoses: Hemácia em foice/drepanocito. Codócitos ou célula em alvo. Acantocitos: Série branca (leucograma) É a parte do hemograma que inclui a avaliação dos glóbulos brancos, compreende a contagem global e diferencial dos leucocitos, além da avaliação morfologica do esfregaço sanguineo ao microscopio. Esse exame está indicado no diagnóstico e acompanhamentos dos processos infecciosos, inflamatórios, alergicos, tóxicos e neoplásicos. Variação: Idade, sexo, raça, uso de medicamentos, doenças subjacentes... Leucocitose: (>11000 leucocitos/ mm3) Resposta da fase aguda de várias doeças. Processos infecciosos e inflamatórios. Leucemia. Leucopenia: (<4500 leucocitos/mm3) Associada a uma variedade de infecções, em geral virais. Resulta em um maior consumi ou menor sobrevida intravascular. Desvio a esquerda: é o processo de maturação dos granulocitos posicionados a celulas mais jovens á esquerda. Presença de celulas mais jovens da série granulocitica. Polimorfonucleares: Celulas com numerosos grânulos especificos e núcleo segmentado. Neutrofilos: São os leucocitos mais numerosos, entre 50 e 70%. Agem nas agressoes microbianas, podendo conter granulações grosseiras (toxicas) em infecções graves. Aumento: Neutrofilia Redução: Neutropenia. Eosinofilos: entre 1 e 4% do total (50 a 450/mm3) é importante na mediação de processos inflamatórios associados a alergia e na defesa contra parasitas helminticos. Aumento: Eosinofilia Redução: Eosinopenia Basófilo: Entre 0 a 1% do total. (0 a 100/mm3) desempenham funções importantes na reação alérgica e anafilaticas, relacionadas a ação do igE, histamina e outras aminas vasoativas. Aumento: basofilia diminuição: Basopenia Alterações morfologicas: Linfocito atipico. Granulações toxicas. Corpos de dohle Neutrófilos hipersegmentados/ Pleucariócitos. Plaquetas Hemostasia, menor componente celular, fragmentos citoplasmáticos sem núcleo. Valor normal: 150.000 – 400.000/mm3 Trombocitopenia – Valores inferiores a 150.000/mm3 Trombocitose- Valores superiores a 400.000/mm3 plaquetas normais. Agregação plaquetária Uma estudante de farmácia Hemácias normais. Origem e desenvolvimento das células sanguíneas Sangue periférico → Eritrócitos (Hemácias) → Leucócitos polimorfonucleares: Neutrófilos, eosinófilos e basófilo. → Leucócitos mononucleares: Linfócitos e monócitos. → Plaquetas. Medula Óssea Adultos: Ossos chato do crânio, extremidade proximal dos ossos longos, vertebras, costelas, ossos da bacia (Crista ilíaca) esterno e medula óssea. Medula óssea vermelha: Produz sangue. Medula óssea amarela: Não se produz mais sangue, é substituído ao longo da vida por tecido adiposo. A medula óssea precisa saber quantas células foram destruídas para repor novamente na mesma quantidade. Hematopoiese: Produção de células do sangue. Após o nascimento os locais que produzem sangue são: Vertebra, esterno, costelas e até os 22/25 anos: fêmur e tíbia. Multiplicação celular: Proliferação. Maturação celular: Diferenciação. Célula jovem no sangue: Patologia. Eritropoiese: Produção de Hemácias. Eritrócito (Hemácia) Uma estudante de farmácia Maturação das hemácias: Proeritroblastos Núcleo redondo ou leve oval Halo perinuclear Cromatina Fina. Citoplasma azul pálido Núcleo proeminente. Eritoblasto basófilo Citoplasma basófilo Zona Perinuclear Clara (ao redor do núcleo) Cromatina + condensada que o proeritroblasto e menos condensada que o eritoblasto policromático. Eritoblasto Policromático Uma estudante de farmácia Citoplasma azul claro Cromatina condensada Policromático Núcleo + condensado que o basófilo e – condensado que o Ortocromatico. Eritoblasto Ortocromatico Citoplasma Acidófilo Cromatina extremamente condensada Núcleo picnotico ‘Perto de sair’ Reticulócito Citoplasma esverdeado Extrusão do núcleo do eritoblasto Ortocromatico Força o citoplasma a sair completamente Núcleo é fagocitado pelo macrófago Restos de DNA 2 a 3 Dias vira hemácia. Reticulo filamentosa Corante azul de cresil brilhante cora as hemácias e reticulócitos. Se corar com corante picnotico:Hemácia policromática. Muita hemácia policromática: Policromasia. Maturação dos neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Uma estudante de farmácia Mieloblasto Cromatina fina Núcleo sem segmentação Visualização de nucléolos (mancha) Citoplasma basófilo Com presença de grânulos (difícil visualização) Promielocito Núcleo sem segmentação Cromatina fina Visualização de nucléolos (manchas) Citoplasma basófilo Intensa granulação Mielocito Cromatina mais condensada que o promielocito Cromatina fina Sem visualização de nucléolos Núcleo não segmenta Citoplasma basófilo/ acidófilo. Com granulações. Metamielocito Núcleo: Cromatina fina. + condensada que a do Mielocito. não segmenta sem visualização de nucléolos citoplasma acidófilo com granulação fina. Uma estudante de farmácia A Imunologia surgiu do estudo de mecanismos de defesa contra infecções. Historicamente, imunidade significou proteção contra doenças, mais precisamente, proteção às doenças infecciosas. Imunologia é, no conceito mais amplo, a disciplina que estuda os processos de reconhecimento de substâncias não-próprias ao organismo ou próprias modificadas (antígenos), que incluem microrganismos ou macromoléculas e o conjunto de respostas geradas consiste na: RESPOSTA IMUNOLÓGICA. É denominado antígeno: ▪ Qualquer estrutura química que possa induzir uma resposta imune. ▪ moléculas estranhas ao organismo (não próprias; ex. microrganismos), e também em moléculas do próprio organismo. Imunidade inata ou natural. Imunidade adaptativa ou adquirida Inata: ✓ Presente no nascimento; ✓ Não especifica; ✓ Não muda de intensidade com a exposição; ✓ Não há memória. Adquirida: ✓ A partir da exposição; ✓ É especifica; ✓ Aumenta a intensidade com a exposição; ✓ Há memória. Nasce com o indivíduo. “Proteção dependente de mecanismos que existem antes da ocorrência de infecção, são capazes de uma resposta rápida e reagem essencialmente do mesmo modo (...)” (ABBAS et. al) Envolve mecanismos de defesa presentes ao nascer ou que se desenvolvem naturalmente devido à maturação do indivíduo; Representa a primeira linha de defesa do organismo; Não apresenta memória; Filogeneticamente mais antiga (Presente em todos os organismos multicelulares, incluindo plantas e insetos). 3 Importantes funções: 1. Resposta inicial para prevenir infecção no hospedeiro; 2. Os mecanismos efetores da imunidade inata são sempre usados para eliminar microrganismos mesmo durante a resposta imune adaptativa; 3. Estimula a resposta imune adaptativa e pode influenciar sua natureza tornando-a mais efetiva contra diferentes tipos de microrganismos. ✓ Epitélios (pele, revestimentos do trato intestinal e respiratório) -> Barreira ✓ Ativam-se na presença do microrganismo - Fagócitos e Sistema Complemento ▪ A imunidade adquirida é também denominada específica porque planeja um ataque a um antígeno específico previamente encontrado. ▪ Suas características são as capacidades de aprender, adaptar e lembrar. ▪ A imunidade adquirida leva tempo para se desenvolver após a primeira exposição a um novo antígeno. Receptores Celulares de Reconhecimento de Padrão: Tipos Toll Like Receptors Lectinas Tipo C Receptores Varredores (Scavenger) Receptores a N-Formil- Met-Leu-Phe Toll Like Receptors ✓ Macrófagos, Células Dendríticas, Neutrófilos, Células Epiteliais Mucosas e Endoteliais; ✓ Encontrados na superfície celular e em membranas intracelulares (Reconhecimento em regiões distintas). Lectinas Tipo C ▪ Moléculas ligadoras de carboidrato cálcio- dependentes; ▪ Membrana de Macrófagos e Células Dendríticas. Receptores Varredores (Scavenger) ✓ Moléculas que medeiam a captação de lipoproteínas oxidadas para dentro das células. Ex.: CD36 e CD68; Receptores a N-Formil- Met-Leu-Phe ▪ Reconhecem peptídeos curtos que contêm resíduos Nformilmetionil. Proteínas bacterianas são iniciadas por essa sequência. DAMPS ▪ O sistema imune inato também reconhece moléculas endógenas que são produzidas ou liberadas por células danificadas ou mortas. ▪ Podem ser produzidas como resultados de danos celulares provocados por infecções, como também podem indicar a ocorrência de lesões celulares assépticas causadas por diversos mecanismos, como toxinas químicas, queimaduras, traumas ou redução do suprimento sanguíneo. ▪ Não são liberados por células mortas por apoptose. ▪ São produzidas por células saudáveis para aumentar a resposta imune inata. O sistema imune inato usa diversos tipos de receptores celulares, presentes em diferentes localizações nas células, moléculas solúveis no sangue e nas secreções de mucosas para reconhecer PAMPS e DAMPS Células Efetoras: Fagócitos Funções: identificar, ingerir e destruir microrganismos. 1. Neutrófilos: população celular mais abundante no sangue; núcleo segmentado; grânulos no citoplasma; estágio precoce da resposta imune inata (primeiras horas); 2. Macrófagos: monócitos (sangue); residentes em locais de entrada de patógenos; estágio tardio da resposta imune inata (1-2 dias); 3. Células Dendríticas. Neutrófilos Mais abundantes na circulação; Medeiam a fase precoce da resposta inflamatória; Numerosas projeções e núcleo segmentado; Citoplasma rico em grânulos; Produção: 1x10 a 11/dia (adulto); Macrófagos Papel central nas respostas inata e adaptativa; Sangue: monócitos; Tecidos: macrófagos; Células dominantes da fase tardia da RI inata (1 ou 2 dias após infecção); Meia vida longa. Células Dendríticas → Conexão entre a Resposta Inata e Adaptativa – “ APC’s Profissionais” → Apresentam-se morfologicamente com projeções membranosas – Auxilia na captura dos patógenos; → Amplamente distribuídas (tecidos linfoides, epitélio mucoso e parênquima dos órgãos). Fagocitose de Microrganismos “Processo ativo de englobamento de partículas”. (ABBAS et. al) Células NK ✓ Linhagem Linfoide; ✓ Reconhecimento de células infectadas e/ou estressadas e células malignas; ✓ Provocam destruição direta destas células e secretam citocinas inflamatórias, principalmente IFN-; ✓ Receptores de Ativação x Receptores de Inibição. Ramo Humoral da Imunidade Inata. O Sistema do Complemento (Sistema em Cascata que pode ser ativado por 3 vias – MAC); Pentraxinas (Proteínas que reconhecem estruturas microbianas) Ex. PCR Proteína Soro amiloide (Fase aguda – IL-6 e IL-1) ; Sistema complemento: ❖ É um dos principais mecanismos efetores da imunidade inata e da imunidade humoral; ❖ Consiste em proteínas plasmáticas e de superfície celular inativas; ❖ A ativação envolve a proteólise sequencial de proteínas para gerar enzimascom atividade proteolítica; ❖ A proteólise gera produtos que se ligam covalentemente à superfícies microbianas ou à anticorpos. Vias de ativação: Proteínas da via clássica: Proteínas da Via Alternativa Via da lectina Ativada na ausência de Ac pela ligação de polissacarídeos microbianos à lectinas circulantes; MBL inicia a ativação. MBL promove a ligação nos resíduos de manose dos polissacarídeos microbianos. Proteínas da via da lectina: Funções do complemento: Citocinas Função: Recrutar e ativar leucócitos; Induzir alterações sistêmicas: aumento na síntese de células efetoras e proteínas que potenciam a resposta antimicrobiana. Principais fontes: macrófagos, neutrófilos e NK. Ação biológica na RI inata: Controle de infecção viral: IFN e - Inflamação: TNF, IL1 e quimiocinas Proliferação e ativação: IL 12 e IL15 – Ativação de macrófagos: IFN- Produção de neutrófilos e síntese de proteína C- reativa: IL6. Uma estudante de farmácia Conceitos Básicos Microbiologia é a ciência que estuda as bactérias de interesse clínico. No laboratório a identificação bacteriana é feita através de isolamento e cultivo bacteriano em meios de cultura especifico, seguido de testes baseados na análise das características morfotintorias e avaliação do metabolismo bacteriano. Características morfotintorias: Se refere a forma e arranjo bacteriano e a classificação através da coloração pelo método de gram, que é o mais utilizado em bacteriologia. Quanto á forma, as principais bactérias patogênicas são classificadas em: Cocos, bacilos, cocobacilos e formas espiraladas. Métodos de coloração As bactérias são seres microscópicos e para sua visualização é necessário um microscópio óptico e a confecção de uma lamina contendo o esfregaço fixado e corado. A melhor objetiva para analisar essas analises é a lente de imersão que amplia 100x e deve ser usada com uma gota de óleo de imersão. Os métodos de coloração podem ser classificados em simples e compostos. → Simples: possui apenas um tipo de corante e tem como objetivo principal corar as bactérias para avaliação morfológica. → Compostos: Utilizam de mais de um tipo de corante e são utilizados para avaliação morfológica e para diferenciar as bactérias em grupos distintos, por exemplo: Coloração de gram, coloração de Ziehl-Neelsen. Método de coloração Gram Ela classifica a bactéria em dois grupos: Gram positiva e Gram negativa. Esse método baseia na composição e característica de permeabilidade da parede celular bacteriana. As bactérias Gram positivas apresentam uma parede celular com várias camadas de peptideoglicano, e não possuem membrana externa lipoproteica, sendo mais rígida e capaz de conter o cristal violeta no seu interior corando de roxo ou purpura até o final do processo, não sofrendo descoloração pelo álcool. As bactérias Gram Negativas apresentam uma parede celular com uma fina camada de peptideoglicano e possui uma membrana externa lipoproteica contendo LPS (lipopolissacarídeo) e no processo de coloração após a ação do álcool se descolorem e perdem o complexo cristal violeta, corando-se de Fucsina que é da cor rosa. Uma estudante de farmácia Técnica de coloração Gram Para a realização do método de coloração é necessário confeccionar a lâmina contendo o esfregaço da amostra fixada. A seguir a lâmina precisa ser posicionada para começar o processo de coloração como mostrada na figura a seguir: Método de coloração Ziehl-Neelsen Um método amplamente empregado para o diagnóstico da tuberculose, sendo um método de coloração a quente, diferencial, que tem como finalidade corar e identificar os BAAR (Bacilos Álcool Ácidos Resistentes). → Essas bactérias apresentam uma parede celular diferenciada e com uma externa camada de ácidos micólicos, que dificulta a penetração de vários corantes. Proporcionando maior resistência a ação dos agentes álcool-ácido, empregados nesse método de coloração. → Esse método é muito utilizado em amostras de escarros para pesquisa de BAAR em pacientes com suspeita de tuberculose. Técnica de coloração de Ziehl- Neelsen → Fixação do esfregaço na chama → Fucsina de Ziehl (5 min) Aquecer ate desprender (vapores por 3x) → Álcool acido (2 min) → Azul de metileno (2 minutos) → Lamina pronta! Introdução a química farmacêutica: É a ciência que procura descobrir e desenvolver novos químicos que possam ser úteis como medicamentos. Pode envolver a síntese, ou o estudo da relação entre a estrutura e atividade biológica, podendo elucidar a interação entre o composto e o sítio alvo. Desenvolvimento de fármacos Paracelso(1493 a 1541), pai da farmacoquímica ou iatroquímica, tentou estabelecer o modo pelo qual as drogas atuavam para fazer desaparecer os sintomas ou debelar com a doença. Adotou a “doutrina da assinatura”, segundo Deus indicara qual o agente medicinal adequado para o tratamento do órgão afetado, exemplo: os talos da hepática, seriam úteis no tratamento de doenças hepáticas, o açafrão curaria a icterícia, as raízes vermiformes seriam eficientes medicamentos contra vermes intestinais. Embora essa doutrina tivesse como fundamento crendices populares, ela contribuiu, de certa forma para o progresso das ciências médicas. Medicamento x remédio Os medicamentos são substâncias ou preparações elaboradas em farmácias (medicamentos manipulados) ou indústrias (medicamentos industriais), que devem seguir as determinações legais de segurança, eficácia e qualidade. A ideia de remédio está associada a todo e qualquer tipo de cuidado utilizado para curar ou aliviar doenças, sintomas, desconforto e mal-estar. Alguns exemplos de remédio são: banho quente ou massagem para diminuir as tensões; chazinho caseiro e repouso em caso de resfriado; Conceitos importantes: Relação estrutura - atividade Interação fármaco – receptor Classificação dos medicamentos: • Por efeito farmacológico: Ex: analgésicos; anti- psicóticos; anti-hipertensivos; antiasmáticos; antibióticos, etc. • Por estrutura química: têm em comum a mesma estrutura; ex: penicilinas, barbitúricos, opiáceos, esteróides, catecolaminas, etc. • Por sitio alvo: são compostos que atingem o mesmo sistema no corpo, usualmente envolvem um mensageiro químico; ex: anti-histaminico, colinergico, etc. • Por sitio de ação: são agrupados de acordo com enzima ou receptor com o qual interagem. Fases importantes da ação dos fármacos: Fatores que influenciam as ações dos fármacos: Fatores relacionados ao fármaco: • Fatores intrínsecos físico-químicos: • Formulação medicamentosa • Associação medicamentosa. Fatores intrínsecos físico-químicos: • Lipossolubilidade • Coeficiente de partição: Óleo/água • Tamanho e forma molecular • Carga elétrica. Fatores relacionados as propriedades físico-químicas dos fármacos: ✓ Hidrossolubilidade: A solubilidade dos fármacos é uma propriedade importante para a sua absorção e, consequentemente, para a sua atividade. A velocidade de absorção de fármacos depende da velocidadede dissolução que, entres outras propriedades, depende também do tamanho das partículas. ✓ Lipofilicidade: Relacionada com a passagem através de membranas plasmáticas: ABSORÇÃO ✓ é a propriedade mais importante para um fármaco. ✓ Está relacionada a absorção, distribuição, potência e eliminação. ✓ Lipofilicidade é um fator importante em todas as seguintes propriedades (biológicas ou físico- químicas) : Solubilidade Absorção Ligação proteína plasmáticas Clearance metabólico Volume de distribuição Interação com alvo Clearance renal e biliar Penetração SNC Depósito em tecido Biodisponibilidade Toxicidade. ✓ Coeficiente de partição: É definido pela concentração da substância na fase orgânica/concentração da substância na fase aquosa (Corg/Caq). ✓ Grau de ionização: Adicionalmente, essa propriedade físico química é de fundamental importância na fase farmacodinâmica, devido à formação de espécies ionizadas que podem interagir complementarmente com resíduos de aminoácidos complementares do sitio ativo do receptor. ✓ Absorção: Agente químico: Solubilidade, Grau de ionização, tamanho e forma da molécula. Organismos: Membrana Biológica. Fatores que influenciam na ação dos fármacos: ✓ Grau de ionização da droga: pka da droga, pH do meio. ✓ Equação de Handerson- Hasselbach Na difusão simples, as moléculas atravessam as membranas lipídicas na forma não-ionizada. A distribuição da forma Não ionizada é função do pka da droga e do pH do meio, sendo expressa pela equação que citamos anteriormente. ✓ Influencia do pH: A aspirina e outros ácidos fracos são mais absorvidos no estomago devido ao meio ácido. Pka da aspirina: 3,5 pH do estômago: 1,5 pH do intestino: 6,5 Passagem através das barreiras celulares: Valores de pka para alguns fármacos ácidos e básicos: Coeficiente de partição Pka Propriedades físico químicas e atividade biológica: As principais propriedades Físico-químicas da molécula capazes de alterar o perfil farmacoterapêutico são: Lipofilicidade Coeficiente de ionização Mecanismos de transporte através de membranas: • Transporte passivo • Transporte ativo • Transporte facilitado • Pinocitose (líquidos) • Fagocitose (sólidos) Transporte Passivo Principal mecanismo para a passagem de drogas que possuem certo grau de lipossolubilidade. Depende do gradiente de concentração do agente químico e de sua solubilidade nos lipídios, que é caracterizada pelo coeficiente de partição lipídeo/água Transporte Ativo: O transporte ativo ocorre com gasto de energia e, assim como na difusão facilitada, ocorre com a ajuda de proteínas carreadoras, que são denominadas de bombas. Diferentemente da difusão, no entanto, o transporte ocorre contra o gradiente de concentração. O exemplo mais conhecido de transporte ativo é a bomba de sódio e potássio. Ácido acetilsalicílico Ácido orgânico fraco, pka 3,5 Rapidamente absorvido no estômago. Eliminado na forma de salicilato. Alcalinização da urina aumenta a eliminação de salicilato. Análogos, pró- fármacos e latenciação de fármacos: ▪ Análogos e pró- fármacos são compostos estruturalmente semelhante a um fármaco protótipo. ▪ As propriedades biológicas destes compostos são, porém, diferentes das do fármaco protótipo no que diz respeito a certos aspectos, tais como potência, espectro de ação, índice terapêutico e biodisponibilidade. ▪ O fármaco análogo não raro diverge estruturalmente do fármaco protótipo apenas por um átomo ou grupo de átomos, geralmente isósteros daqueles presentes no fármaco matriz. A ampicilina é análoga da benzilpenicilina. ▪ O pró- fármaco, por sua vez, é derivado de fármaco conhecido e provado, derivado este que, em razão de suas propriedades físico- químicas melhoradas, aumenta a biodisponibilidade do referido fármaco e que, mediante processo enzimático ou químico, é transformado no fármaco primitivo, antes de atingir o seu local de ação ou no local de ação. Os pró- fármacos são também, chamados derivados reversíveis ou bio- reversíveis de fármacos. Ao processo de obtenção de pró- fármacos dá-se o nome de latenciação de fármacos. Consiste essencialmente em converter, mediante modificação química, um composto biologicamente ativo em forma de transporte inativa que, após ataque enzimático ou químico, libertará o fármaco ativo. O emprego de pró-fármacos ou latenciação de fármacos visa a modificar várias propriedades farmacêuticas e biológicas dos fármacos matrizes. Entre os seus objetivos: Alteração da farmacocinética do fármaco in vivo a fim de melhorar a sua absorção, distribuição, metabolismo e excreção; https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/biologia/o-que-e-impulso-nervoso.htm Melhoria da biodisponibilidade; Aumento da estabilidade do produto final; Auxílio à formulação farmacêutica; 5-Diminuição da toxidade e dos efeitos colaterais. Como o pH varia no corpo? Fluido pH Humor aquoso 7,2 Sangue 7,4 Colón 5-8 Duodeno (vazio) 4,4-6,6 Duodeno (alimentado) 5,2-6,2 Saliva 6,4 Intestino Delgado 6,5 Estômago (vazio) 1,4-2,1 Estômago (alimentado) 3-7 Suor 5,4 Urina 5,5-7,0 Assim, um fármaco terá diferentes perfis de ionização pelo corpo. Por exemplo, compostos básicos não serão bem absorvidos no estômago comparados aos ácidos, visto que a forma não ionizada é a forma capaz de difundir à circulação sanguínea. O que ocorre com o fármaco além de interagir? → Um fármaco oral deve: ▪ dissolver ▪ Ficar intacto em diferentes pHs (1.5 a 8.0) ▪ Ficar intacto ao contato com a flora intestinal ▪ Ultrapassar membranas ▪ Ficar intacto ao metabolismo hepático ▪ Evitar transporte ativo pela bile ▪ Evitar excreção renal ▪ Permear órgãos ▪ Evitar partição em tecidos indesejados (Ex: cérebro, feto) Química Orgânica é a área da Química que estuda os compostos que contêm carbono, chamados de compostos orgânicos. Atualmente são chamados de compostos orgânicos os compostos que contêm carbono, sejam ou não produzidos por organismos vivos. Elementos comuns em compostos orgânicos: os átomos unem-se por ligação covalente. Ligação covalente: ocorre tipicamente entre átomos de elementos não-metálicos e/ou semimetálicos, os quais formam moléculas. Os compostos orgânicos formam substâncias moleculares. Como ocorre tipicamente com substâncias moleculares algumas substâncias orgânicas são gasosas, nas condições ambientes, outras são líquidas e outras são sólidas. • Cadeia carbônica é a estrutura formada por todos os átomos de carbono de um molécula orgânica e também pelo heteroátomo que esteja posicionado entre esses carbonos. Qualquer átomo em uma molécula orgânica que não seja de carbono ou de hidrogênio é denominado heteroátomo. Classificar um carbono significa dizer a quantos outros carbonos ele se encontra ligado na cadeia carbônica. Exemplo: 1. Classificação quanto a presença de ciclos: 2. Quanto a presença de heteroátomo: Homogênea: Não apresenta heteroátomo.Heterogênea: Apresenta Heteroátomo. 3. Quanto a insaturação: 4. Quanto a presença de ramificações: 5. Quanto a presença de aromaticidade: conjunto de substâncias que apresentam semelhanças na fórmula estrutural e, possuem propriedades químicas semelhantes. É o átomo ou grupo de átomos característico de uma certa classe funcional. A nomenclatura de compostos orgânicos segue as regras elaboradas pela IUPAC. O nome de um composto orgânico é formado pela união de três fragmentos: prefixo + infixo + sufixo. • O prefixo, a parte inicial, indica o número de átomos de carbono presentes na molécula. • O infixo indica o tipo de ligação química entre os átomos de carbono. • O sufixo, a parte final, indica a classe funcional do composto. ✓ Nos Hidrocarbonetos: a cadeia principal é a maior sequência de átomos de carbono que contém as ligações duplas e triplas. ✓ Nas demais classes de compostos orgânicos: a cadeia principal é a maior sequência de átomos de carbono que contém o grupo funcional. ✓ A expressão grupos substituintes orgânicos ou, simplesmente grupos orgânicos é usada para designar qualquer grupo de átomos que apareça com frequência nas moléculas orgânicas. ✓ São compostos orgânicos formados exclusiva- mente por átomos de carbono e de hidrogênio. • Classe de compostos com a semelhança estrutural de apresentar o grupo - OH ligado a um carbono saturado. Álcoois Primários: contêm um grupo - OH ligado a um carbono que tem um ou nenhum átomo de carbono ligado a ele. Álcoois Secundários: contêm um grupo - OH ligado a um carbono que, por sua vez, está ligado a outros dois átomos de carbono. Álcoois Terciários: contêm um grupo - OH ligado a um carbono que, por sua vez, está ligado a outros três átomos de carbono. Substâncias que apresentam o grupo funcional – CHO. É composta por substâncias que apresentam o grupo carbonila C = O entre carbonos. Para denominar as cetonas, usamos o sufixo ona. Os compostos desta classe têm em comum a presença do grupo funcional – COOH. Grupo funcional característico desta classe de compostos: Os ésteres são comumente empregados como flavorizantes em balas e doces. O grupo funcional característico desta classe funcional é: As aminas são derivadas da amônia, na qual um, dois ou três dos hidrogênios foram substituídos por grupos orgânicos. Isômeros são dois ou mais compostos diferentes que apresentam a mesma fórmula molecular. Isomeria plana ou constitucional. Estereoisomeria: Isomeria geométrica Isomeria ótica. ✓ Pode ser percebida observando-se a fórmula estrutural plana dos compostos. ✓ Isômeros constitucionais diferem na maneira com que seus átomos estão conectados. exemplos: Caracteriza-se pela existência de diferentes compostos, que embora apresentem fórmulas moleculares e estruturais idênticas, apresentam diferentes arranjos espaciais dos átomos. Pode ser: cis-trans ou ótica Isomeria geométrica (cis-trans): A isomeria geométrica ocorre devido à diferente disposição espacial dos átomos em cadeias insaturadas ou cíclicas. apresentam fórmulas estruturais planas idênticas, mas diferentes propriedades. Em Compostos Cíclicos: Observe: O composto 1,2-dimetilciclopentano. Observe que um deles possui os dois ligantes iguais no mesmo lado do plano, sendo designado como isômero cis. Já o outro composto possui os ligantes iguais em planos diferentes, sendo, portanto, o isômero trans. Em Compostos com Ligação Dupla C = C ✓ Para que uma dada fórmula estrutural plana permita a existência de isômeros geométricos, é necessário, além da presença de uma ligação dupla, que cada um dos carbonos da dupla apresente dois ligantes diferentes entre si. • Ocorre em moléculas que não apresentam plano de simetria; • uma molécula é a imagem especular da outra. Condição para haver isômeros óticos: presença de carbono quiral ou assimétrico. ▪ Uma maneira muito simples para representar compostos orgânicos em duas dimensões foi introduzida pelo químico alemão Emmil Fischer e denomina-se projeção de Fischer. Isômeros óticos desviam o plano de vibração da luz polarizada. Um desvia o plano da luz polarizada no sentido horário e o outro no anti-horário. A luz é denominada polarizada quando oscila em apenas uma direção. A luz polarizada é obtida quando a luz atravessa lentes especiais denominadas polarizadores. Uma das propriedades características de moléculas quirais é a sua capacidade de desviar o plano de vibração da luz polarizada. O aparelho utilizado para medir esse desvio é denominado polarímetro Moléculas simétricas são oticamente inativas Ao passar por um tubo contendo apenas moléculas simétricas, o plano de vibração da luz polarizada não sofre desvio (rotação). Moléculas assimétricas são oticamente ativas. Ao passar por um tubo contendo moléculas assimétricas, o plano de vibração da luz polarizada sofre desvio (rotação). Parasitologia é uma ciência que se baseia no estudo dos parasitas e suas relações com o hospedeiro, englobando os filos Protozoa (protozoários), do reino Protista e Nematoda e Platyhelminthes (platelmintos) e Arthropoda (artrópodes), do reino Animal. Agente etiológico: é o agente causador ou o responsável pela origem da doença. pode ser um vírus, bactéria, fungo, protozoário ou um helminto. Endemia: quando o número esperado de casos de uma doença é o efetivamente observado em uma população em um determinado espaço de tempo. Doença endêmica: aquela cuja incidência permanece constante por vários anos, dando uma ideia de equilíbrio entre a população e a doença. Epidemia: é a ocorrência, numa região, de casos que ultrapassam a incidência normalmente esperada de uma doença. Infecção: é a invasão do organismo por agentes patogênicos microscópicos. Infestação: é a invasão do organismo por agentes patogênicos macroscópicos. Vetor: organismo capaz de transmitir agentes infecciosos. o parasita pode ou não desenvolver se enquanto encontra-se no vetor. Hospedeiro: organismo que serve de habitat para outro que nele se instala encontrando as condições de sobrevivência. o hospedeiro pode ou não servir como fonte de alimento para a parasita. Hospedeiro definitivo: é o que apresenta o parasito em fase de maturidade ou em fase de atividade sexual. Hospedeiro intermediário: é o que apresenta o parasito em fase larvária ou em fase assexuada. Profilaxia - é o conjunto de medidas que visam a prevenção, erradicação ou controle das doenças ou de fatos prejudiciais aos seres vivos. Adaptação parasitária A perda parcial de um ou mais sistemas metabólicos e da capacidade de utilizar outra fonte nutricional no meio ambiente externo, em todo seu ciclo de vida ou em parte dele, faz com que o parasita se instale em seu hospedeiro e dependa da sobrevida deste, principalmente se tratando dos endoparasitas, em que, caso ocorra morte do hospedador, o parasita normalmente também sucumbe. Como estratégia de sobrevivência e transmissão, o parasita “busca” reduzir sua capacidade de agressão em relação ao seu hospedeiro, o que se dá por seleção natural, no sentido de uma melhor adaptação a determinado(s) hospedeiro(s). Nestecaso, quanto maior for à agressão, menos adaptado é este parasita a espécie que o hospeda, e consequente possibilidade de morte deste, o que tende com o passar dos anos à seleção de amostras (cepas) menos virulentas para este hospedador. Habitat parasitário • Tal como acontece com os seres de vida livre, que têm um habitat definido em determinada área geográfica estudada, a localização de um parasita em seu hospedeiro não se dá ao acaso, mas sim é consequência de uma adequação parasitária a determinado segmento anatômico que passa a ser assim o seu ecossistema interno, em decorrência sofre as consequência das ações naturais de resistência de seu hospedeiro. • Podemos por assim dizer que o “habitat” parasitário é o local mais provável de encontro de determinado parasita em seu hospedeiro, sendo que para os helmintos normalmente consideramos, quanto não se especifica a fase de desenvolvimento em questão, o habitat da forma adulta. Principais tipos de parasitismo: Acidental: Quando o parasita é encontrado em hospedeiro anormal ao esperado. P.e. Adulto de Dipylidium caninum parasitando humanos. Errático: Se o parasita se encontra fora de seu habitat normal. P.e. Adulto de Enterobius vermicularis em cavidade vaginal. Obrigatório: É o tipo básico de parasitismo, onde o parasita é incapaz de sobreviver sem seu hospedeiro P.e. A quase totalidade dos parasitas. Proteliano: Expressa uma forma de parasitismo exclusiva de estágios larvares, sendo o estágio adulto de vida livre.P.e. Larvas de moscas produtoras de miíases. Facultativo: É o caso de algumas espécies que podem ter um ciclo em sua integra de vida livre e opcionalmente podem ser encontrados em estado parasitário. P.e. Algumas espécies de moscas que normalmente se desenvolvem em materiais orgânicos em decomposição no solo (cadáveres ou esterco), podem sob determinadas condições, parasitar tecidos em necrose, determinando o estado de miíases necrobiontófa:gas. Ciclo vital É a sequência das fases que possibilitam o desenvolvimento e transmissão de determinado parasita. Quanto ao número de hospedeiros necessários para que o mesmo ocorra, podemos ter dois tipos básicos de ciclos: Monoxeno: Onde é o bastante um hospedeiro para que o mesmo se complete. P.e. Ascaris lumbricoides e Trichomonas vaginalis. Heteroxeno: Onde são necessários mais de um hospedeiro para que o ciclo se complete, existindo pelo menos uma forma do parasita exclusivo de um tipo de hospedeiro. Quando existem dois hospedeiros, é denominado ciclo dixeno (P.e. Gên. Taenia e Trypanosoma cruzi); entretanto, quando são necessários mais de dois hospedeiros, de ciclo polixeno (P.e. Gên. Diphyllobothrium). Especificidade parasitária É a capacidade que apresenta o parasita de se adaptar a determinado número de hospedeiros, o que geralmente acarreta sua maior ou menor dispersão geográfica. Quando são encontrados um grande número de espécies de hospedeiros parasitadas de forma natural, denominamos o parasita de eurixeno (P.e. Toxoplasma gondii), se existe pequeno número de espécies tendendo a somente uma, denominamos de estenoxeno (P.e. Wuchereria bancrofti). Tipos de hospedeiro Ciclo Heteroxeno: Definitivo: Quando o parasita se reproduz neste, de forma sexuada e/ou é encontrado em estágio adulto. Intermediário: Se o parasita no hospedeiro só se reproduz de forma assexuada ou se encontra exclusivamente sob forma larvar (helmintos). Obs.: Se um protozoário não apresenta em seu ciclo reprodução sexuada em nenhum dos hospedeiros, estes são conhecidos como hospedeiro vertebrado e invertebrado respectivamente. Paratênico ou de transporte - Quando no mesmo, não ocorre evolução parasitária, porém, o hospedeiro não está apto a destruir o parasita rapidamente, podendo assim, ocorrer posterior transmissão em caso de predação por espécie hospedeira natural. Obs. Não é um verdadeiro caso de parasitismo. Reservatório: É representado pelo hospedeiro vertebrado natural na região. Períodos clínicos e parasitológicos: Períodos Clínicos ▪ Período de incubação: Consiste no período desde a penetração do parasita no organismo até o aparecimento dos primeiros sintomas, podendo ser mais longo que o período pré-patente, igual ou mais curto. Período de sintomas: É definido pelo surgimento de sinais e/ou sintomas. ▪ Período de convalescência: Iniciam-se logo após ser atingida a maior sintomatologia, findando com a cura do hospedeiro. Cutânea Muco Cutânea Viceral ▪ Período latente: É caracterizado pelo desaparecimento dos sintomas, sendo assintomática e finda com o aumento do número de parasitas (período de recaída). Períodos Parasitológicos: Período pré-patente: É o compreendido desde a penetração do parasita no hospedeiro até a liberação de ovos, cistos ou formas que possam ser detectadas por métodos laboratoriais específicos. Período patente: Período em que os parasitas podem ser detectados, ou seja, podem-se observar estruturas parasitárias com certa facilidade. Período sub-patente: Ocorre em algumas protozooses, após o período patente e caracteriza- se pelo não encontro de parasitas pelos métodos usuais de diagnóstico, sendo geralmente sucedido por um período de aumento do número de parasitas (período patente). Protozoários são seres unicelulares, na maioria heterótrofos, mas com formas autotróficas e com mobilidade especializada. A maioria deles é muito pequena, medindo de 0,01 mm a 0,05 mm aproximadamente, sendo que algumas exceções podem medir até 0,5 mm como, por exemplo, os foraminíferos. Sua forma de nutrição é muito diferenciada, pois podem ser predadores ou filtradores, herbívoros ou carnívoros, parasitas ou mutualistas. A digestão é intracelular, por meio de vacúolos digestivos, sendo que o alimento é ingerido ou entra na célula por meio de uma "boca", o citóstoma. A leishmaniose apresenta três formas clínicas mais comuns: Leishmaniose cutânea; que causa feridas na pele. Leishmaniose muco-cutânea; cujas lesões podem levar a destruição parcial ou total das mucosas. Leishmaniose visceral; também chamada calazar, caracterizada por surtos febris irregulares, substancial perda de peso, espleno e hepatomegalia e anemia severa. Enfermidade polimórfica da pele e das mucosas, caracterizada por lesões ulcerosas indolores, únicas ou múltiplas (forma cutânea simples), lesões nodulares (forma difusa) ou lesões cutaneomucosas, que afetam as regiões muco faríngeas concomitantemente ou após a infecção cutânea inicial. Agente etiológico: A LTA é causada por parasitos do gênero Leishmania Ross, 1903.Este protozoário tem seu ciclo completado em dois hospedeiros, um vertebrado e um invertebrado (Heteroxeno). Os hospedeiros vertebrados incluem uma grande variedade de mamíferos: Roedores, endentados (tatu, tamanduá, preguiça), marsupiais (gambá), canídeos e primatas, inclusive o homem. Os hospedeiros invertebrados são pequenos insetos da ordem Díptera, família Psycodidae, subfamília Phlebotominae, gênero Lutzomyia. ✓ Morfologia: a Leishmania apresenta três formas durante o seu ciclo: 1. Amastigotas: de forma oval ou esférica, estas são as formas encontradas no hospedeiro vertebrado, no interior das células do SMF. Não há flagelo livre, mas um rudimento presente na bolsa flagelar. 2. Promastigotas: formas alongadas em cuja região anterior emerge um flagelo livre. São encontradas no tubo digestivo do inseto vetor e em cultura. 3. Paramastigotas: formas ovais ou arredondadas com flagelo livre. São encontradas aderidas ao epitélio do trato digestivo dovetor através de hemidesmossomas. Reprodução: divisão binária. Ciclo vetor 1. o inseto pica o vertebrado contaminado para fazer o seu repasto sanguíneo e ingere macrófagos contendo as formas amastigotas do parasito. 2. Ao chegarem ao estômago do inseto, os macrófagos se rompem liberando as amastigotas. 3. Estas sofrem uma divisão binária e se transformam rapidamente em Promastigotas, que se multiplicam ainda no sangue ingerido, que é envolto pela membrana peritrófica. 4. Esta membrana se rompe no 3o ou no 4o dia e as formas Promastigotas ficam livres. As formas Promastigotas permanecem se reproduzindo por divisão binária, podendo seguir dois caminhos, de acordo com a espécie do parasito. 5. As leishmanias do “complexo brasiliensis” vão migrar para as regiões do piloro e do íleo (seção peripilária). Nestes locais elas se transformam de Promastigotas para Paramastigotas, aderindo ao epitélio do intestino do inseto. 6. Nas leishmanias do “complexo mexicana” o mesmo fenômeno ocorre, porém a fixação das Paramastigotas se dá no estômago do inseto. Novamente se transformam em Promastigotas e migram para a região da faringe do inseto. 7. Neste local se transformam novamente em Paramastigotas e à partir daí vão se transformando em pequenas Promastigotas infectantes, altamente móveis, que se deslocam para o aparelho bucal do inseto. Ciclo no vertebrado: 1. O inseto, na sua tentativa de ingestão de sangue, injeta as formas promastigotas no local da picada. 2. Dentro de 4 a 8 horas estes flagelados são interiorizados pelos macrófagos teciduais. Rapidamente as formas promastigotas se transformam em amastigotas, que são encontradas no sangue 24 horas após a fagocitose. 3. As amastigotas resistem à ação destruidora dos macrófagos e se multiplicam intensamente, até ocupar todo o citoplasma. O macrófago se rompe, liberando as amastigotas, que vão penetrar em outros macrófagos, iniciando a reação inflamatória. Patogenia: No início da infecção, as células destruídas pela probóscida do inseto e a saliva inoculada atraem para a área células fagocitárias mononucleares, como os macrófagos. Ao serem fagocitadas, as formas Promastigotas se transformam em amastigotas e sofrem divisões binárias sucessivas; mais macrófagos são atraídos para o local, onde se fixam e são infectados. A lesão inicial é manifestada por um infiltrado inflamatório composto principalmente de linfócitos e macrófagos na derme, estes últimos abarrotados de parasitos. Um amplo aspectro de formas pode ser visto na LTA, variando de uma lesão auto resolutiva a lesões desfigurastes. Esta variação está intimamente ligada ao estado imunológico do paciente e às espécies de Leishmania. Profilaxia: Evitar as picadas de flebotomíneos através de medidas de proteção individual: repelentes, telas de mosquiteiro de malha fina e embebidos em inseticida piretróide Em áreas de colonização recente, recomenda-se a construção de casas a uma distância de pelo menos 500 m da mata, devido à baixa capacidade de voo dos flebotomíneos. Diagnóstico: ▪ Diagnóstico Clínico: Baseado na característica da lesão e em dados epidemiológicos. ▪ Diagnóstico laboratorial Pesquisa do parasito Exame direto de esfregaços corados: após anestesia local, retira-se um fragmento das bordas da lesão e faz- se um esfregaço em lâmina, corado com derivados de Romanowsky, Giensa ou Leishman. Cultura: pode ser feita a cultura de fragmentos de tecido ou de espirados da borda da lesão. Inóculo em animais: o hamster é o animal mais utilizado para o isolamento de Leishmania. Inocula-se, por via intradérmica, no focinho ou nas patas, um triturado do fragmento com solução fisiológica. Tratamento: Atualmente é utilizado um antimonial pentavalente, o Glucantime. Somente a forma difusa não responde bem ao tratamento. Imunoterapia: a Leishvacin, vacina utilizada para imunoprofilaxia, vem sendo usada no tratamento de pacientes que não respondem bem ao tratamento com resultados promissores. A Leishmaniose visceral canina (LVC) ou calazar é uma enfermidade infecciosa generalizada, crônica, caracterizada por febre, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, anemia com leucopenia, edema e estado de debilidade progressivo, levando o paciente ao óbito se não for submetido ao tratamento específico. Agente etiológico: Leishmania chagasi Morfologia: Semelhante a Leishmaniose tegumentar americana. Ciclo: O ciclo é do tipo Heteroxeno e envolve como transmissor as fêmeas do mosquito Lutzomyia longipalpis. O ciclo é semelhante à da LTA, com o inseto ingerindo as formas amastigotas durante o seu repasto sanguíneo e sofrendo divisões e transformações dentro do inseto. A figura abaixo representa o ciclo da LVC: As formas Promastigotas injetadas pela picada do flebotomíneo são fagocitadas por macrófagos, transformam-se em amastigotas e reproduzem-se dentro dos macrófagos. Quando os macrófagos estão densamente parasitados rompem-se e as amastigotas são fagocitadas por outros macrófagos. Patogenia: As formas amastigotas se multiplicam rapidamente no local da picada do mosquito. Pode se desenvolver no local um nódulo, o leishmanioma, que não se ulcera como na LTA. A partir daí ocorre a visceralização das amastigotas, ou seja, a sua migração para as vísceras, principalmente os órgãos linfoides. Os órgãos ricos em células do SMF são mais densamente parasitados, como a medula óssea, baço, fígado e linfonodos. A via de disseminação das leishmanias pode ser hematogênica e/ou linfática. A Leishmania chagasi raramente tem sido encontrada no sangue periférico humano, embora nos canídeos este achado seja frequente. Aspectos clínicos: Alterações esplênicas: a esplenomegalia (aumento do baço) é o achado mais importante e destacado do calazar. Alterações hepáticas: outra característica marcante do calazar, as alterações hepáticas causam disproteinemia, que leva ao edema generalizado e a ascite, comuns na fase final da doença. Alterações no tecido hematopoiético: uma das mais importantes é a anemia. A medula óssea é usualmente encontrada densamente parasitada. O único vetor é a Lutzomyia longipalpis, de ampla distribuição geográfica. A taxa de infecção de Promastigotas deste vetor é dependente da taxa de infecção no hospedeiro. Ciclo epidemiológico do calazar: Ciclo silvestre: envolve os flebotomíneos e as raposas. Ciclo doméstico ou peridoméstico: envolve o homem e o cão doméstico. Profilaxia: -Tratamento de todos os casos humanos; - Eliminação dos cães infectados; - Combate ao vetor; - Controle rigoroso dos cães vadios; - Uso de repelentes e telas de mosquiteiro; - Vacinação. Diagnóstico: Clínico: Febre baixa recorrente, envolvimento linfático, esplenomegalia e caquexia, combinados com histórico de residência em área endêmica. Laboratorial -Pesquisa do parasito: o parasito pode ser demonstrado com material obtido da punção da medula óssea, fígado e baço, através de esfregaços corados pelo Giensa. Agente etiológico: Trypanosoma cruzi Ciclo: Heteroxênico, passando por uma fase de multiplicação intracelular no hospedeiro vertebrado e extracelular no inseto vetor (triatomíneos). Ciclo biológico no hospedeiro vertebrado: As formas tripomastigotas metacíclicas eliminadas nas fezes e na urina dos barbeiros, durante ou logo após o repasto sanguíneo, penetram pelo local da picada e interagem com as células do SMF da pele e mucosas. Neste local ocorre a transformação das tripomastigotas em amastigotas, que se multiplicam por divisão binária. A seguir ocorre a diferenciação das amastigotas em tripomastigotas que são liberados da célula hospedeira caindo nointerstício. Estas tripomastigotas na corrente sanguínea, atingem outras células de qualquer outro tecido ou órgão para cumprir um novo ciclo celular ou são destruídos pelo sistema imune. Podem ainda ser ingeridos por triatomíneos, onde cumprirão seu ciclo extracelular. Ciclo biológico no hospedeiro invertebrado: Os barbeiros triatomíneos se infectam ao ingerir as formas tripomastigotas presentes na corrente circulatória do hospedeiro vertebrado durante a hematofagia. No estômago do inseto se transformam em formas arredondadas ou epimastígotas. No intestino médio as epimastígotas se reproduzem por divisão binária, sendo responsáveis pela manutenção da infecção no vetor. No reto, porção final do tubo digestivo, as epimastígotas se diferenciam em tripomastigotas metacíclicas, infectantes para os vertebrados, sendo eliminadas nas fezes ou na urina Mecanismos de Transmissão: - Transmissão pelo vetor; - Transfusão sanguínea; - Transmissão congênita; - Acidentes de laboratório; - Transmissão oral; - Coito; - Transplantes. Patogenia: Fase aguda: Pode ser sintomática ou assintomática, sendo a segunda mais freqüente. Ambas estão relacionadas com o estado imunológico do paciente. A fase aguda se inicia através das manifestações locais, quando o T. cruzi penetra na conjuntiva (sinal de Romaña) ou na pele (chagoma de inoculação) As manifestações gerais são febre, edema localizado e generalizado, hepatomegalia, esplenomegalia, e ás vezes, insuficiência cardíaca e perturbações neurológicas. O óbito, quando ocorre, é devido a meningoencefalite aguda ou a insuficiência cardíaca, devido a miocardite aguda difusa, uma das mais violentas que se tem notícia. Fase crônica: Forma indeterminada: Caracterizada pelos seguintes parâmetros: Positividade de exames parasitológicos ou sorológicos; Ausência de sintomas; Eletrocardiograma convencional normal; Coração, esôfago e cólon radiologicamente normais. Cerca de 50% dos paciente chagásicos que passaram pela fase aguda pertencem a esta forma. Diagnóstico: Clínico: Origem do paciente, presença dos sinais de entrada, acompanhados de febre irregular ou ausente, hepatoesplenomegalia, taquicardia, edema generalizado ou dos pés. As alterações cardíacas (reveladas pelo eletrocardiograma), do esôfago e do cólon (reveladas pelo raio X) fazem suspeitar da fase crônica da doença. Laboratorial São utilizados métodos diferentes para a fase aguda e a fase crônica. Na fase aguda, observa-se alta parasitemia podendo ser utilizados métodos diretos de busca do parasito. Na fase crônica, a parasitemia é baixíssima, fazendo-se necessário métodos imunológicos. Pesquisa do parasito: - Esfregaço sanguíneo corado pelo Giensa; - Métodos de concentração; - Xenodiagnóstico; - Hemocultura. Métodos sorológicos - Reação de precipitação; - RIFI; - Reação de fixação do complemento (RFC); - Reação de Hematoaglutinação indireta; - ELISA - Lise mediada pelo complemento; - Sondas de DNA (PCR); - Anticorpos monoclonais. Profilaxia: - Melhoria das habitações rurais; - Combate ao barbeiro; - Controle do doador de sangue; - Vacinação. A malária é uma das doenças parasitárias que maior dano já causou a milhões de pessoas nas regiões tropicais e subtropicais do globo. A malária humana existente no Brasil é causada por três espécies de Plasmodium: P. vivax, causador da terçã benigna; P. falciparum, agente da terçã maligna e P. malariae causador da quartã benigna. Possui ciclo heteroxeno onde o homem é o hospedeiro intermediário e os mosquitos do gênero Anopheles são os definitivos. Hábitat do parasito: Varia conforme a fase do ciclo evolutivo do parasito. Assim, no homem, temos formas parasitando os hepatócitos durante a fase pré-eritrocítica e formas parasitando hemácias na fase eritrocítica. No mosquito encontramos formas parasitárias principalmente no estômago e glândulas salivares. Ciclo biológico: No homem pode ser dividido em duas partes: 1. Fase exoeritrocítica: é a fase do ciclo que se passa nos hepatócitos antes de se desenvolver nos eritrócitos. É também conhecida como ciclo pré- eritrocítico, ciclo tissular primário ou criptozoico. 2. Fase eritrocítica: é a fase do ciclo que se passa nos eritrócitos. O ciclo se passa em dois hospedeiros: No homem, com reprodução assexuada do tipo esquizogonia e no mosquito, com reprodução sexuada do tipo esporogonia. 1. Uma pessoa entra numa zona malarígena e é picada por um mosquito fêmea do gênero Anopheles. Estando infectado, este inocula de 10 a 20 esporozoítos. Esses permanecem na corrente sanguínea por cerca de 30 minutos. 2. Daí vão para o fígado, onde penetram em hepatócitos iniciando o ciclo tissular. 3. No hepatócito se multiplicam completando a esquizogonia com a produção de milhares de merozoítos (10.000 para P. vivax e 40.000 para P. falciparum). Esta fase dura seis dias em P. falciparum e oito dias para P. vivax. 4. Após este período, os merócitos (hepatócitos contendo merozoítos) se rompem, pondo em liberdade milhares de merozoítos. 5. Parte destes é englobada por células fagocitárias e destruídas, outra parte poderia tomar duas direções: uns voltariam para os hepatócitos, permanecendo aí dormentes ou em um novo ciclo esquizogônico e outros iniciam um novo ciclo eritrocítico. 6. Estes merozoítos que invadem as hemácias estão dando início ao ciclo eritrocítico. 7. O merozoíto penetra na hemácia, transforma-se em trofozoíto eritrocíctico jovem. Apresentando-se dentro da hemácia na forma de um anel, com a massa citoplasmática envolvendo um vacúolo digestivo e um único núcleo. 8. Esse trofozoíto continua a crescer às expensas da hemácia (O2, hemoglobina, glicose): o vacúolo diminui e o núcleo se desenvolve. O citoplasma também aumenta – é o trofozoíto médio. 9. As transformações continuam: o citoplasma enche quase toda a hemácia e se torna irregular (amebóide); o pigmento, antes esparso, reúne-se no centro do parasito. Ele está com 48-72 horas e pronto para iniciar a esquizogonia – transformação e divisão celular. 10. Completada a esquizogonia temos o esquizonte: citoplasma enchendo quase toda a hemácia com um número variável de núcleos, dependendo da espécie. 11. Cada núcleo se separa com uma porção de citoplasma, formando os merozoítos dentro da hemácia, e ao conjunto denominamos rosácea ou merócito. Cada espécie de Plasmodium tem uma quantidade determinada de merozoítos compondo o merócito: P. vivax, 12 a 14, P. falciparum, 8 a 36, e P. malariae, 6 a 12. (ver a figura com as formas dos trofozoítos eritrocíticos no final do roteiro). 12. A esquizogonia se processa em intervalos regulares para cada espécie: P. vivax, 48 horas (terçã benigna); P. falciparum, 36 a 48 horas (terçã maligana) e P. malariae, 72 horas (quartã benigna). 13. Durante a fase eritrocítica, alguns merozoítos penetram em hemácias jovens (ainda na medula óssea) e se diferenciam, formando os gametócitos. É o início da reprodução sexuada ou esporogonia, que se completará no mosquito. 14. Os gametócitos aparecem na corrente sanguínea de 6 a 8 dias depois do primeiro acesso febril; são mais numerosos na fase inicial da doença e o número de gametócitos femininos (macrogametócitos) é maior que masculinos (microgametócitos). Para que haja infecção do mosquito é necessário que o paciente apresente cerca de 300 gametócitos por mm3 de sangue. A fêmea do mosquito Anopheles, ao exercer a hematofagia ingere as formas sanguíneas do parasito, mas apenas os gametócitos são capazes de evoluir no inseto. As outras degeneram e morrem. Transmissão: Ocorre pela inoculação de esporozoítos durante a picada de fêmeas de mosquitosdo gênero Anopheles. Estes mosquitos pertencem a família Culicidae, a mesma do mosquito da dengue (Aedes aegypti) e do pernilongo comum (Culex quinquefasciatus). São essencialmente silvestres, sendo a principal espécie transmissora da malária no Brasil o Anopheles darlingi. A transmissão congênita, embora muito rara, pode ocorrer. Outro mecanismo possível é através da transmissão de sangue de doadores na fase crônica, sem sintomatologia aparente. Diagnóstico Clínico: a anamnese, o tipo de acesso, a anemia e a esplenomegalia. Porém, para a identificação da espécie, há necessidade de exames de laboratório. Laboratorial: a necessidade de identificar a espécie do parasito reside no fato de que a terapêutica é específica e, quando mais precoce, melhor. Para isso podem ser usados métodos parasitológicos e imunológicos. Parasitológicos: consistem no exame de sangue em esfregaços para evidenciar os parasitos. O diagnóstico é baseado na morfologia do plasmódio, no aspecto da hemácia e nos estádios encontrados no sangue. Os métodos de exame de sangue são: *Exame em gota espessa (corado pelo Giensa): ainda é considerado o “padrão ouro” dos testes diagnósticos de malária. Tem uma desvantagem sobre a esfregaço delgado por ser difícil a identificação específica. * Esfregaços sanguíneos em camada delgada (corados pelo Giensa ou leishman): deve ser um esfregaço fino e uniforme; usado para diagnóstico individual. O sangue deve ser colhido durante ou logo o acesso malárico. Tratamento O tratamento é feito atualmente usando a cloroquina, um derivado da quinina. Nos casos de plasmódios resistentes pode se utilizar a primaquina. Na malária, o tratamento dos doentes e principalmente dos gametóforos é um dos elos mais importantes do controle. Agente etiológico: Humanos: Trichomonas vaginalis Suínos: Tritrichomonas suis Bovinos: Trichomonas foetus Aves: Trichomonas gallinae e Tetratrichomonas gallinarum É Monoxeno e não possui forma cística, somente a trofozoítica. Reprodução por divisão binária longitudinal. Local da infecção: Trato geniturinário do homem e da mulher. Transmissão: É uma doença venérea. É transmitido pela relação sexual e pode sobreviver por mais de um mês no prepúcio de um homem sadio, após o coito com uma mulher infectada. O homem é o vetor da doença; com a ejaculação, os tricomonas presentes na mucosa da uretra são levados a vagina pelo esperma. A tricomoníase neonatal em meninas é adquirida durante o parto. Patologia Mulher: - Varia da forma assintomática ao estado agudo. - A infecção vaginal provoca uma vaginite que se caracteriza por um corrimento vaginal fluido abundante de cor amarelo-esverdeada, bolhoso, de odor fétido, mais comumente no período pós- menstrual. - A mulher apresenta dor e dificuldade para as relações sexuais, desconforto nos genitais internos, dor ao urinar e frequência miccional. Homem: - A tricomoníase no homem é comumente assintomática. - Se sintomática, apresenta como uma uretrite com fluxo leitoso ou purulento e uma leve sensação de prurido na uretra. - Pela manhã, antes da passagem da urina, pode ser observado um corrimento claro, viscoso e pouco abundante, com desconforto para urinar (ardência miccional). Diagnóstico: Clínico: o diagnóstico diferencial da tricomoníase, tanto no homem como na mulher é difícil, sendo essencial o diagnóstico parasitológico. ▪ O diagnóstico é feito através da observação do material coletado a fresco no microscópio ou em cultura de parasitos. ▪ O exame é feito com o material coletado diluído em solução salina isotônica (0,15M) tépida. Este é o mais prático e rápido método de diagnóstico, mas possui uma sensibilidade relativamente baixa. ▪ Para aumentar a sensibilidade das preparações a fresco, estas podem ser coradas, com Safranina, verde-malaquita ou azul de metileno. ▪ As culturas de parasito são mais sensíveis, porém demoram de 3 a 7 dias para fornecer resultados. ▪ Os exames de RIFI e ELISA são mais sensíveis que os exames já descritos, porém, são tecnicamente mais complexos. Estes métodos possuem maior significado em caso de pacientes assintomáticos. Profilaxia: - Abster-se do ato sexual; - Uso de preservativos (camisinha) durante todo o intercurso sexual; - Limitar o número de parceiros; - Se um dos parceiros estiver infectado, o outro também tem de ser tratado, prevenindo a reinfecção. Tratamento: Eficiente, realizado com nitrimidazóis, mais comumente com metronidazol. Agente etiológico: Giardia lamblia. Morfologia: Apresenta duas formas: cística e trofozoítica. Ciclo: A G. lamblia é um parasito Monoxeno de ciclo biológico direto. A via de infecção normal para o homem é a ingestão de cistos. Em voluntários humanos, verificou-se que um pequeno número de cistos pode causar a infecção (10 a 100). Após a ingestão do cisto, o desencistamento ocorre no meio ácido do estômago e é completado no duodeno e jejuno, onde ocorre a colonização do parasito. Este se reproduz por divisão binária longitudinal. O ciclo se completa com o encistamento do parasito e a sua eliminação nas fezes. Quando o trânsito intestinal está acelerado, é possível achar trofozoítos nas fezes. Transmissão: Através da ingestão de cistos, veiculados através de: - Ingestão de água sem tratamento ou deficientemente tratadas (só com cloro); - Alimentos contaminados, sendo que estes podem ser contaminados por moscas e baratas; - De pessoa a pessoa, através de mãos contaminadas; - Através de sexo anal; - Animais domésticos contaminados com Giardia de morfologia semelhante a humana. Sintomatologia: A maioria das infecções por G. lamblia é assintomática. Os casos sintomáticos dependem de fatores não bem conhecidos e estão relacionados com a cepa e o número de cistos ingeridos, deficiência imunitária do paciente e principalmente por baixa acidez no suco gástrico (acloria). A forma aguda se apresenta como uma diarreia do tipo aquosa, explosiva, de odor fétido, acompanhada de gases, com distensão e dores abdominais. Essa forma aguda dura poucos dias e seus sintomas iniciais podem ser confundidos com diarreias virais e bacterianas. Ela se resolve espontaneamente e os parasitos podem desaparecer das fezes. Após o desenvolvimento da imunidade, há uma regressão dos sintomas, podendo alguns pacientes se tornarem portadores assintomáticos. Diagnóstico Clínico: diarreia com esteatorréia, irritabilidade, insônia, náuseas e vômitos, perda de apetite e dor abdominal. Apesar destes sintomas serem bastante característicos, é conveniente a comprovação por exames laboratoriais. Laboratorial: deve-se fazer exame de fezes nos pacientes para identificar cistos ou trofozoítos nestas. Em fezes formadas: os métodos de escolha são os de concentração: método de Faust ou de MIFC. Em fezes diarreicas: usar o método direto (com salina ou lugol) ou o método da hematoxilina férrica. O diagnóstico da giardíase apresenta dificuldades devido ao fato de que pacientes infectados não eliminam cistos continuamente. Para contornar tal situação, recomenda-se fazer o exame de três amostras fecais em dias alternados. Caso ainda não se encontrem cistos, recomenda-se o exame do fluído duodenal e biópsia jejunal, obtidas através de tubagem duodenal. Profilaxia - Higiene pessoal; - Proteção dos alimentos; - Tratamento de água; - Ferver a água; - Diagnóstico e tratamento dos doentes. Tratamento: - Metronidazol, tinidazol, e secnidazol. Classificação: - Filo Sarcomastigophora - Sub-filo Sarcodina - Ordem Amoebida - Família Entamoebida Dentro da família Entamoebida, quatro espécies podem habitar o corpo humano. Entamoeba histolyticaE. coli E. hartmanni E. gingivalis Endolimax nana Destas, somente E. histolytica pode causar doença ao homem. Apresentam duas formas: Uma forma de resistência, que também é a forma infectante, chamado cisto. Os cistos são esféricos ou ovais, medindo de 8 a 20m de diâmetro. Possuem quatro núcleos, com cariossoma pequeno e central e a cromatina periférica. A segunda forma é a reprodutiva, ou trofozoítica. Mede de 20 a 40 m, mas podem chegar a 60m nas formas obtidas de lesões tissulares. Geralmente possuem um só núcleo, bem nítido nas formas coradas e pouco visível nas formas vivas. Examinado á fresco mostra-se pleiomórfico, ativo, alongado, com emissão contínua e rápida de pseudópodes, grossos e hialinos; costuma imprimir uma movimentação direcional, parecendo estar deslizando em uma superfície como uma lesma. Ciclo: A E. histolytica é um parasito monoxeno de ciclo biológico direto. ▪ A via de infecção normal para o homem é a ingestão de cistos. Após a ingestão do cisto, o desencistamento ocorre no meio ácido do estômago e é completado no duodeno e jejuno, onde ocorre a colonização do parasito. ▪ Este se reproduz por divisão binária longitudinal. O ciclo se completa com o encistamento do parasito e a sua eliminação nas fezes. Quando o trânsito intestinal está acelerado, é possível achar trofozoítos nas fezes. Diagnóstico Clínico: Difícil de ser feito, por apresentar sintomatologia comum a várias doenças intestinais. No abcesso hepático, além da dor, febre e esplenomegalia, pode-se fazer o diagnóstico através de raios-x, cintilografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada. Laboratorial Exame de fezes, procurando por cistos ou trofozoítos. O exame do aspecto e da consistência das fezes é muito importante, principalmente se ela é desintérica e contém muco e sangue. O exame a fresco das fezes deve ser feito tão logo ela seja emitida, no máximo 20 a 30 minutos após, pois tem o objetivo de encontrar trofozoítos. Fezes formadas: técnicas de concentração. Como a emissão de cistos e trofozoítos não é constante, recomenda-se vários exames em dias alternados. Profilaxia - Saneamento básico; - Educação sanitária; - Combate aos insetos sinantrópicos; - Lavar os alimentos com substâncias amebicidas (permanganato de potássio, iodo). - Vacinas. Tratamento Derivados imidazólicos: Metronidazol, são os mais utilizados. Agente Etiológico: Toxoplasma gondii um protozoário de distribuição geográfica mundial, com alta prevalência sorológica, podendo atingir 60% da população em determinados países. A toxoplasmose é uma zoonose e atinge quase todas as espécies de mamíferos e aves. Os felinos são os hospedeiros definitivos e os outros animais (inclusive o homem) hospedeiros intermediários. Morfologia e hábitat ❖ O T. gondii pode ser encontrado em vários tipos de tecidos e células (exceto hemácias) e líquidos orgânicos (saliva, leite, esperma, líquido peritoneal). Formas: Taquizoíto. É a forma encontrada na fase aguda da infecção, sendo denominada também forma proliferativa, forma livre ou trofozoítica. É uma forma móvel, de multiplicação rápida (tachys = rápido), por endodiogenia. São pouco resistentes a ação do suco gástrico, no qual são rapidamente destruídos. Bradizoíto. É a forma encontrada nos tecidos (musculares esquelético e cardíaco, nervoso, retina), geralmente durante a fase crônica da infecção. Se multiplicam lentamente (bradys = lento) dentro do cisto por endodiogenia ou endopoliginia. A parede do cisto é resistente e elástica, isolando os bradizoítos da ação do sistema imune do hospedeiro. São mais resistentes à passagem pelo estômago que os taquizoítos e podem permanecer viáveis por vários anos nos tecidos. Oocisto. É a forma de resistência que possui uma parede dupla bastante resistente às condições do meio ambiente. São produzidos nas células intestinais dos felinos não imunes e são eliminados ainda imaturos junto com as fezes. Após a esporulação no meio ambiente, cada oocisto contém dois esporocistos, cada um com quatro esporozoítos. Ciclo: Possui duas fases: - Assexuada, nos tecidos de vários hospedeiros; - Sexuada, nas células do epitélio intestinal dos gatos jovens. Fase assexuada: Começa com o hospedeiro susceptível (mamíferos e aves) ingerindo oocistos maduros ou tecidos contendo cistos com bradizoítos. Os taquizoítos são destruídos pelo suco gástrico, mas se penetrarem na mucosa oral poderão evoluir como os oocistos e os bradizoítos. Os esporozoítos e bradizoítos se transformam em taquizoítos dentro das células intestinais. Após esta rápida passagem pelo epitélio intestinal, os taquizoítos vão invadir vários tipos de células do corpo, formando um vacúolo parasitário, onde se multiplicarão intensamente por endodiogenia (ver figura), formando novos taquizoítos (fase proliferativa), que irão romper a célula e invadir novas células. Essa disseminação no organismo ocorre através de taquizoítos livres na linfa e na corrente sanguínea pode acarretar um quadro polissintomático, de gravidade variável, podendo levar o indivíduo à morte. Com o aparecimento da imunidade, os parasitos extracelulares desaparecem do sangue e há uma diminuição da multiplicação intracelular. Os parasitos resistentes evoluem para a produção de cistos. Esta fase cística, juntamente com a diminuição dos sintomas, caracteriza a fase crônica. Esta fase pode durar por muito tempo ou, por mecanismos ainda não totalmente esclarecidos (diminuição da imunidade, alteração hormonal, etc.) poderá haver reagudização, com sintomatologia semelhante à primoinfecção. Fase sexuada ✓ Ocorre somente nas células epiteliais do intestino de gatos e outros felinos jovens (não imunes). São por isso considerados hospedeiros definitivos. ✓ Assim, o gato não imune se infecta ingerindo oocistos, taquizoítos ou cistos tissulares (quem sabe comendo um rato?), desenvolverá o ciclo sexuado. ✓ Os esporozoítos, bradizoítos ou taquizoítos, ao penetrarem no epitélio intestinal do gato sofrerão um processo de multiplicação por endodiogenia e merogonia, dando origem á vários merozoítos. ✓ Alguns merozoítos penetrarão em novas células epiteliais e se transformarão nas formas sexuadas masculinas e femininas: os gametócitos, que após um processo de maturação se transformam no gameta masculino móveis (microgameta) e no feminino imóvel (macrogameta). ✓ O macrogameta permanece dentro da célula epitelial enquanto os microgametas móveis irão sair da sua célula e fecundar o macrogameta, formando o ovo ou zigoto. ✓ Este evoluirá dentro do epitélio, formando uma parede externa dupla, resistente, dando origem ao oocisto. ✓ A célula epitelial se rompe e os oocistos são liberados na luz do intestino e levados ao meio ambiente pelas fezes, e num período de quatro dias, ficará maduro com dois esporocistos com quatro esporozoítos cada. ✓ O gato jovem é capaz de eliminar oocistos por um mês, aproximadamente. O oocisto, em boas condições de umidade e temperatura e em local sombreado, é capaz de se manter infectante por cerca de 12 a 18 meses Transmissão O homem adquire a doença por três vias principais: - Ingestão de oocistos presentes em jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados mecanicamente por moscas, baratas, minhocas, etc. - Ingestão de cistos tissulares encontrados na carne crua ou mal cozida, especialmente de porco e de carneiro. O congelamento a 0oC e o cozimento acima de 60oC mata os cistos na carne. - Congênita outransplacentária: cerca de 40% dos fetos pode adquirir a doença se a mãe estiver na fase aguda da doença durante a gestação. Vias de infecção do feto: Transplacentária; Rompimento de cistos no endométrio (útero); Taquizoítos livres no líquido amniótico. Diagnóstico Clínico: difícil, porque as maioria das infecções é assintomática ou se confunde com sintomas de outras doenças. Laboratorial: Demonstração do parasito: Obtida na fase aguda em exsudados, liquor, sangue, leite, etc. a forma encontrada é o trofozoíto, melhor evidenciado após centrifugação. Estes métodos não são utilizados na rotina. Na fase crônica, a demonstração do parasito é feita através da biópsia de tecidos diversos contendo os cistos. O material obtido pode ser inoculado em camundongos ou usado para exame histopatológico. Apesar de raramente empregado, quando utilizado, a dificuldade freqüente é a diferenciação com outros parasitos que formam cistos, como Sarcocystis e Histoplasma Tratamento Só eficaz na fase aguda, não existindo uma droga eficaz na fase crônica da doença. Os medicamentos só agem nas formas proliferativas, e não nos cistos tissulares. Pirimetamina com sulfadiazina ou sulfadoxina. Uma estudante de farmácia Construção Histórica das políticas de saúde no Brasil. A Constituição federal de 1988, deu nova forma à saúde no Brasil, estabelecendo-a como Direito universal. A saúde passou a ser dever constitucional de todas as esferas do governo, sendo que antes era apenas da união e relativo ao trabalhador segurado. O conceito de saúde foi ampliado e vinculado as politicas sociais e econômicas. A assistência concebida de forma integral (preventiva e curativa). Definiu-se a gestão participativa como importante inovação, assim como comando e fundos financeiros únicos para cada esfera de governo. (Brasil,1988) Como era antes do sus? A vinda da corte portuguesa para o Brasil em 1808 determinou mudanças na administração publica colonial, até mesmo na área da saúde. A cidade do Rio de Janeiro tornou-se centro das ações sanitárias. Era necessário então criar rapidamente centros de formação de médicos. Assim, por ordem real, foram fundadas as academias medico-cirúrgicas no RJ e BA na primeira década do século XIX, que logo foram transformadas nas duas primeiras escolas de medicina do país. A vinda da família real para o Brasil, criou a necessidade da organização de uma estrutura sanitária mínima, capaz de dar suporte a quem se instalava na cidade do RJ. Início das republicas (Republica velha 1889-1930) A proclamação da república, em 1889, foi moldada na ideia de modernizar o Brasil. A necessidade urgente de atualizar a economia e a sociedade com o mundo capitalista mais avançado favoreceu a redefinição dos trabalhadores brasileiros como capital humano. → O cenário político econômico girava em torno da instalação do modo de produção capitalista, surgindo as primeiras industrias. → Precárias condições de vida e de trabalho das populações urbanas, surgimento de movimentos operários que resultam em embriões de legislação trabalhista e previdenciária. → Quadro sanitário era caótico, devido a inexistência de um modelo sanitário, deixando as cidades favoráveis a epidemias. → Predominavam-se as doenças transmissíveis, grandes epidemias e doenças pestilenciais, frutos da imigração, migração e das precárias condições de saneamento básico: Febre amarela, Varíola, Tuberculose, Sífilis e endemias. Rodrigo Alves presidente do Brasil, nomeou Oswaldo Cruz como diretor do departamento federal de saúde pública, que se propôs erradicar a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro. Nesse mesmo período um fato marcante aconteceu: A Revolta da Vacina, desencadeada pela lei federal 1.261/1904 que tornava-se obrigatória a vacinação contra a varíola. O nascimento da previdência social. ✓ A acumulação capitalista advinda do comercio exterior tornou possível o inicio do processo de industrialização no país, que se deu principalmente no eixo Rio-SP. • Esse processo foi acompanhado de uma urbanização crescente e da utilização de imigrantes, especialmente europeus (italianos e portugueses..), como mão de obra nas indústrias. Os operários na época não tinham quaisquer garantias trabalhistas, como: Férias, Pensão, aposentadoria e jornada de trabalho definida. • Em função das péssimas condições de trabalhos existentes e da falta de garantia de direitos trabalhistas, o movimento operário organizou Uma estudante de farmácia xsd duas greves gerais no país, uma em 1917 e outra em 1919. • Através desses movimentos, os operários conseguiram a conquistar alguns direitos sociais. Em 24 de janeiro de 1923, foi aprovado pelo congresso nacional a lei Elói Chaves, marco inicial da previdência social no Brasil. Através dessa lei foram instituídas as caixas de aposentadoria e pensão (CAPS) Características do CAPS Aposentadoria e pensões; Por instituições ou empresas; Serviços funerários, socorro médico para a família, medicamento por preço especial; Assistência por acidente de trabalho; Financiamento e gestão: Trabalhador e empregado; Assistência médica para o empregado e família. Atenção: 1. Primeira CAP -> Ferroviários e Segunda CAP -> Marítimos. 2. Não esqueça: Era por empresa; 3. O Estado não participada do financiamento das CAPS, logo, o financiamento era bipartite! A crise do café e a crise da politica velha republica desencadearam um golpe de estado conhecido como Revolução de 30. A indústria passou a ser o maior responsável pelo maior acúmulo de capital. “O Primeiro governo Vargas foi reconhecido pela literatura como um marco nas configurações de politicas sociais no Brasil. As mudanças institucionais que ocorreram, a partir de 1930, moldaram a politica pública brasileira , estabelecendo um arcabouço jurídico e material que conformaria o sistema de proteção social até um período recente (CAMPOS E FERREIRA, acesso em: 29/02/2020) Em 1933, as CAPS foram unificadas e foi criados os institutos de aposentadoria e pensões (IAPS), garantindo benefícios assegurados aos associados: ✓ Aposentadoria; ✓ Pensão em caso de morte; ✓ Assistência medica hospitalar; ✓ Socorros farmacêuticos, mediante indenização pelo preço do custo acrescido das despesas de administração. Em 1941, aconteceu a I Conferência Nacional de saúde, e a criação do serviço especial de saúde pública. Ocorreu durante a segunda guerra mundial como consequência do convenio firmado entre os governos brasileiros e norte-americano em 1942. Uma estudante de farmácia FARMACOTECNICA II SISTEMAS DISPERSOS → Materiais sólidos, líquidos e gasosos distribuem-se dentro de outros materiais sólidos, líquidos ou gasosos, formando sistemas homogêneos ou heterogêneos. → A formação do sistema homogêneo, heterogêneo depende de: Solubilidade > Características físico- químicas do fármaco. E do tamanho das partículas dispersas ao meio. → Soluções: Homogêneo/ Suspensões: Heterogêneos DISPERSÃO Uma dispersão consiste em um sistema em que a substância A está em forma de pequenas partículas, distribui uniformemente sobre a substância B. A substância A será a fase dispersa do sistema> partícula. E a substância B será a fase dispersante do sistema> Veiculo. Fase dispersa: Interna/ Fase dispersante: Externa. DE ACORDO COM O TAMANO DA FASE DISPERSA... SOLUÇÕES VERDADEIRAS O Fármaco é solúvel, o sistema é homogêneo; As partículas não sedimentam, pois a solução instável. Não pode ser observada no microscópio, um exemplo é a solução aquosa de NaCl DISPERSÃO COLOIDAL É homogêneo aolho nu, e heterogêneo ao microscópio, não forma sedimento, dispersão de nanopartículas, polímeros. (Carbopol, natrosol...) VANTAGENS DO SISTEMA COLOIDAL: Quanto menor o tamanho da partícula menor a influencia da gravidade sobre ela; Apesar de ser um sistema disperso é um sistema estável. Pode haver sistemas dispersos do tipo: Solido/liquido: Suspensões Liquido/liquido: Emulsões cosméticas e farmacêuticas Liquido/sólido-gás: Aerossóis Sólido/Liquido: Pós, comprimidos.. DISPERSÕES FINAS E DISPERSÕES GROSSEIRAS ✓ Sistemas heterogêneos. ✓ Partículas se sedimentam em função do tempo e da gravidade. ✓ Suspensão e emulsões de uso cosmético e farmacêutico. COLOIDE LIOFÓBICO: → Não possui afinidade pelo solvente, um exemplo comum é: água e óleo. → Não tem afinidade pelo sistema. → Sistema termodinamicamente instável. → Alteram pouco a viscosidade do sistema, independente da concentração. COLOIDE LIOFILICO → Possui afinidade pelo solvente. → Possui afinidade pelo meio dispersante. → Forma dispersão estável. → Aumenta a viscosidade do sistema dependente da concentração. → Dispersa espontaneamente na fase dispersante. Uma estudante de farmácia FARMACOTECNICA II METODOS DA DISPERSÃO: 1) Método de dispersão (top down): quebra de partículas grosseiras em partículas de dimensões coloidais empregando métodos físicos. 2) Método da condensação (bottom-up): síntese de partículas coloidais baseada nos arranjos formados átomos a átomos, moléculas a moléculas de uma maneira controlada. ESTABILIDADE DOS SISTEMAS COLOIDAIS: COLOIDES LIOFÓBICOS • Superfícies adquirem cargas em meio aquoso; • Dissociação de íons: substâncias iônicas – cargas através da dissolução desigual dos íons de carga oposta (Ex: IAg = I- + Ag+) • Ionização: ionização de cargas de superfície, dependente do pH • Adsorção de íons: Adsorção desigual de íons de cargas opostas (agentes tensoativos) A DUPLA CAMADA ELÉTRICA – ESTABILIDADE DOS SISTEMAS COLOIDAIS: ▪ Carga da superfície influencia distribuição das cargas do meio, formação de dupla camada elétrica na interface da partícula com o meio ▪ Potencial zeta: diferença de potencial entre a superfície da camada interna e a região eletro neutra. ▪ Carga da partícula; ▪ Interação com membranas biológicas; ▪ Estabilidade dos sistemas dispersos. POTENCIAL ZETA : ESTABILIDADE DO SISTEMA . • Potencial zeta abaixo de determinado valor /30 mv/ = coagulação • Estabilidade de partículas (maior valor em módulo da carga superficial das partículas, maior estabilidade) • Alta Estabilidade: Valor de potencial zeta maior do que -30mV ou +30 mV. FATORES QUE INFLUENCIAM NO POTENCIAL ZETA: PH. Força iônica do meio: maior força iônica do meio leva a compressão da dupla camada e diminui o potencial zeta. TIPOS DE GÉIS: Gelificação de sóis liofóbicos (géis bifásicos): sóis liofóbicos floculados onde gel pode ser considerado um flóculo continuo. Exemplo: gel de hidróxido de alumínio e magnésio. Uma estudante de farmácia FARMACOTECNICA II Geleificação de sóis liofílicos: Macromoléculas distribuídas uniformemente na fase dispersante (géis monofásicos). Polímeros sintéticos: Carbômero Derivados de celulose (Natrosol) Aumento da concentração da macromolécula: aumento da viscosidade do gel. TIPOS ESPECIAIS DE FLOCULADO DE SÓIS LIOFÓBICOS Coloides hidratados cuja estrutura dos cristais apresenta- se como placas chatas. Exemplo: bentonita, silicato de alumínio e magnésio (Veegum), caulim. GELIFICAÇÃO IN SITU Géis mantidos por ligações intermoleculares muito fracas, transição de sol-gel ocorre em função de agente externos com pH, temperatura. TÉCNICA DE PREPARO DOS GÉIS: • Fase crucial: manuseio e hidratação do polímero Pesar os agentes conservantes e solubilizá-los no veículo Polvilhar o agente geleificante sobre o veículo, sob agitação vigorosa Caso haja formação de grumos, dispersar com agitação ou trituração Adicionar agente alcalinizante quando necessário, após dispersão completa do polímero Incorporar os ativos, misturando até homogeneizar Uma estudante de farmácia FARMACOTECNICA II . Polímero Incompatibilidades Concentrações usuais (%) pH de estabilização Carbômero - Carbopol Polímeros catiônicos, ácidos fortes, eletrólitos 0,5 – 1,0 5-11 Carboximetilcelulose Sais de ferro, alumínio, zinco, gelatina, pectina, colágeno 4,0 – 6,0 2-10 Hidroxietilcelulose - Natrosol Soluções salinas 0,1 – 3,0 2-12 Metilcelulose Parabenos e ácidos mineirais 2,0 – 5,0 3-11 Uma estudante de farmácia TOXICOLOGIA CONCEITOS BÁSICOS: TOXICOLOGIA: → É a ciência que estuda os efeitos nocivos causados pelas substâncias químicas e agentes físicos ao interagirem com o organismo vivo. ÁREAS DE ATUAÇÃO DA TOXICOLOGIA: Ambiental: Estuda os efeitos nocivos causados por substancias químicas presentes no macroambiente, local onde se vive. (Ar, solo, água...) Ocupacional: Estuda os efeitos nocivos causados por substancias químicas presente no ambiente de trabalho. Medicamentos: Estuda os efeitos adversos que os medicamentos podem causar. Social: Os efeitos adversos causados pelo uso de drogas decorrente da vida. (Álcool, nicotina...) Alimentos: Estuda os efeitos nocivos decorrentes da utilização de aditivos e da presença de resíduos contaminantes. ( Corante, edulcorante, agrotóxicos...) Agente toxico, toxicante ou xenobiótico: é uma substancia de estrutura química definida ou agente físico que interage com o organismo causando um efeito nocivo. Toxicidade: é a capacidade ou propriedade potencial que as substancias químicas possuem de produzirem efeitos nocivos ao organismo, pode causar toxicidade independente da quantidade em contato. FATORES QUE INTERFEREM NA TOXICIDADE: Ao próprio agente químico, solubilidade e volatilidade. -> Físico-químicas. Ao organismo: Fatores genéticos, idade, sexo, estado nutricional. Aumenta a penetração ou diminui no organismo. Idade podemos comparar a infância X velhice, onde são as duas idades que possui mais sensibilidade a intoxicação, devido a diminuição e a maturação das enzimas presentes no organismo. Ao ambiente, levamos em consideração a temperatura e a pressão. Exposição ao agente toxico: Tempo de exposição X frequência; (Concentração X tempo); via de administração. AÇÃO TÓXICA X ANTÍDOTO Ação tóxica: É o mecanismo pelo qual o agente tóxico causa seu efeito. Antidoto: é uma substancia empregada para antagonizar o efeito do agente tóxico. INTOXICAÇÃO: Processo patológico causado pelo agente tóxico e é caracterizado pelo desequilíbrio fisiológico, consequente de alterações bioquímicas, o processo é evidenciado por sinais e sintomas. FATORES DETERMINANTES DA INTOXICAÇÃO: A via de acesso do agente ao organismo. As propriedades físico-químicas do agente tóxico. O estado fisiopatológico do individuo exposto, particularmente no que diz a respeito das funções cardíacas, hepáticas e renais. INTOXICAÇÃO AGUDA X INTOXICAÇÃO CRONICA:Intoxicação aguda: Decorre de um único contato, ou vários contatos decorrentes no período de 24 horas. Os efeitos surgem em imediato ou no período de 2 semanas após o contato. Intoxicação Crônica: Resulta da exposição prolongada e repetitiva a doses cumulativas do agente toxico, num período prolongado, geralmente maior que 3 meses. Os efeitos podem aparecer em meses ou anos. FASES DA INTOXICAÇÃO. É DIVIDIDA EM 4 FASES: → Fase de exposição: é a fase que a superfície interna ou externa do organismo entra em contato com o agente tóxico. (Via inalatória, via oral, digestiva e transdermica.) NÃO EXISTE VIA PRINCIPAL. → Fase toxicocinética: Inclui todos os processos envolvidos na intoxicação, desde a disponibilidade, concentração do agente tóxico nos diferentes tecidos do organismo até a biotransformação, absorção, distribuição e excreção do agente tóxico. → Fase toxicodinâmica: interação do agente tóxico com seus sítios de ação específicos ou não, e o aparecimento do desequilíbrio fisiológico. → Fase Clínica: é a fase em que há evidências de sinais e sintomas, ou ainda alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas. Uma estudante de farmácia TOXICOLOGIA SINAIS CLÍNICOS DA INTOXICAÇÃO: A intoxicação é o conjunto de sinais e sintomas que demonstra o desequilíbrio orgânico promovido pela ação de uma substância tóxica. É um estado patológico do organismo frente à presença de uma dada concentração de um agente tóxico. CATEGORIAS DE SINAIS CLÍNICOS: → os sinais clínicos localizados aparecem ao nível da primeira barreira vencida pelo tóxico, como pulmões e pele; → os sinais clínicos sistematizados referem-se a cada uma das etapas posteriores do caminho da substância nociva no organismo. INTERAÇÕES ENTRE SUBSTÂNCIAS : A exposição a várias substâncias pode vir a causar efeitos diferentes daqueles que seriam provocados por apenas uma. Esse comportamento pode ser fruto da interação dessas substâncias. Esses efeitos podem manifestar-se de 3 modos: Efeito aditivo: efeito final é a soma dos efeitos isolados de cada substância. Efeito sinérgico: efeito final é maior que a soma dos efeitos isolados da cada substância. Aqui uma substância intensifica o efeito de outra. Efeito antagônico: uma substância apresenta efeito contrário ao de outra substância. TOXICOCINÉTICA é o estudo da relação entre a quantidade de um agente tóxico que atua sobre o organismo e a concentração dele no plasma, relacionando os processos de absorção, distribuição e eliminação do agente, em função do tempo. → O efeito tóxico é geralmente proporcional à concentração do agente tóxico no plano do sítio de ação, denominado também tecido-alvo. → ABSORÇÃO - a passagem de uma substância química do meio externo para a circulação sanguínea. Assim sendo a absorção torna-se o principal processo associado à intoxicação. MECANISMOS DE ABSORÇÃO Transporte ou difusão passiva: nesse mecanismo o agente tóxico atravessa a membrana celular apenas por apresentar características físico-químicas semelhantes a da mesma, sem necessidade de estruturas transportadoras. obedece ao gradiente de concentração, substância tende a sair do meio mais concentrado para o menos concentrado; sofre influência do pka do agente tóxico e pH do meio, isto é, substâncias que se encontram sem carga tem absorção facilitada (substâncias ácidas/substâncias básicas); não apresenta gasto de energia (não necessita de estruturas especializadas em transporte); não sofre saturação (todo agente tóxico tende a ser absorvido independente de sua concentração). • Transporte ativo: mecanismo no qual o agente tóxico é transportado para o interior da célula através da ação de estruturas presentes na membrana dessa célula, especializadas em transporte. Essas estruturas recebem o nome de carreadores de membrana. • não obedece ao gradiente de concentração, é dependente do número de carreadores e sua eficiência; • ocorre consumo de energia da célula, pois para exercerem sua função eles devem apresentar mudança estrutural e essa necessita de energia para ocorrer; • o transporte ativo não sofre influência do pka do agente tóxico e do pH do meio; • esses carreadores sofrem saturação, isto é, podem parar de exercer o transporte em quantidades muito grandes do agente tóxico por falta de energia. • DISTRIBUIÇÃO → Depois que a substância química é absorvida ela passa através do sangue por todo o organismo, causando os efeitos nocivos especialmente nos órgãos alvo. → A distribuição é dependente dos fatores abaixo: -fluxo sanguíneo e linfático -fixação às proteínas plasmáticas -diferença entre o pH dos diferentes tecidos -coeficiente de partição óleo/água. Uma estudante de farmácia TOXICOLOGIA → Podemos estimar a distribuição de um agente tóxico através do volume de distribuição (Vd), o qual é definido como sendo volume aparente que recebe de maneira homogênea o agente tóxico absorvido. Pode ser calculado como segue: BIOTRANSFORMAÇÃO → é um conjunto de reações que tem como finalidade alterar a estrutura da molécula do agente tóxico de forma a facilitar a sua eliminação. → O principal órgão responsável pela biotransformação é o fígado, porém, esta ocorre em outros órgãos como rins, intestino, sistema nervoso, etc. Em todos esses órgãos o processo é realizado por enzimas. Como a biotransformação é dependente de enzimas, o processo sofre influência dos fatores abaixo: Fatores internos: • Genética; • sexo; • idade; • temperatura corporal; • estado nutricional; • estado patológico. → Fatores externos: entre os fatores externos temos as substâncias que atuam sobre os sistemas enzimáticos inibindo-os ou ativando-os. Essas substâncias são os inibidores ou indutores enzimáticos. • A biotransformação pode ser estimada através do cálculo do tempo de meia-vida (T1/2) do agente tóxico. O tempo de meia-vida é o tempo necessário para que a concentração do agente tóxico se reduza à metade. O tempo de meia-vida pode ser calculado de duas maneiras: T1/2 = 0,7 x Vd ou T1/2 = 0,7 Cl kel Vd = Volume de distribuição; Cl = Clearance ou depuração; kel = constante de eliminação. Quanto maior o tempo de meia -vida mais lentamente será biotransformado o ag ente tóxico. EXCREÇÃO OU ELIMINAÇÃO saída do agente tóxico do organismo. Vias de excreção: via renal via hepática via respiratória outras vias: cabelo, unha, saliva, lágrima, suor e leite materno → Podemos avaliar a eliminação através de um ente matemático conhecido como Clearance (Cl) ou Depuração. → A maioria das substâncias apresenta velocidade de eliminação diretamente proporcional à sua concentração (eliminação de primeira ordem). • Pode-se calcular o Cl de maneira simples para uma estimativa de eliminação. Cl = dose ASC ASC = área sob a curva de concentração plasmática versus tempo. As curvas de concentração plasmáticas versus tempo podem ser de 2 tipos: CURVA A (A) curvareferente a exposição endovenosa, onde observamos apenas a fase de eliminação (reta descendente). Concentração plasm. tempo Uma estudante de farmácia TOXICOLOGIACURVA B (B) curva referente aos outros tipos de exposição (pulmonar, digestiva, cutânea), onde observamos as fases de absorção (reta ascendente), distribuição (reta paralela ao eixo das abscissas) e eliminação (reta descendente). O cálculo para ASC das curvas acima mencionadas emprega as fórmulas relacionadas as figuras geométricas triângulo (A) e trapézio (B). Essas fórmulas são apresentadas abaixo: ASC = b x h 2 ASC = (B + b) x h 2 Onde: b = base B = base maior h = altura b = base menor Quanto maior o valor do clearance mais rapidamente o agente tóxico será retirado da corrente sanguínea. Toxicodinâmica A Toxicodinâmica é o estudo da natureza da ação tóxica exercida por substâncias químicas sobre o sistema biológico, sob os pontos de vista bioquímico e molecular. → Seletividade de ação: Os agentes tóxicos produzem seus efeitos alterando as condições fisiológicas e bioquímicas normais das células. Agentes não seletivos: Alguns compostos do tipo ácido ou base atuam indistintamente sobre qualquer órgão, causando irritação e corrosão nos tecidos de contato. Seletivos: outros compostos são mais específicos no seu modo de ação e causam danos a um tipo específico de órgão ou estrutura, chamado estrutura- alvo, sem lesar outros. Essas estruturas-alvo frequentemente são moléculas proteicas que exercem importantes funções no organismo tais como enzimas, moléculas transportadoras. canais iônicos e receptores. → A seletividade de alguns compostos decorre de dois fatores: 1. o agente é equitóxico a diversos órgãos, mas é acumulado principalmente em determinados órgãos; 2. reage regularmente com um componente citológico ou bioquímico que está ausente ou não desempenha função relevante num órgão. Mecanismos gerais Interações de agentes tóxicos com receptores. Ex: nicotina que ativa os receptores colinérgicos provocando aumento da ação colinérgica e a d- tubocurarina que bloqueia esses receptores levando a falta de ação colinérgica. Interferências nas funções e membranas excitáveis. Ex: tetrodotoxina, derivada de gônadas, fígado e pele de peixe da família Tetrodontidae, que bloqueia os canais de sódio, situados nas membranas axônicas, impedindo as trocas iônicas. Inibição da fosforilação oxidativa Pode ocorrer por 4 mecanismos: Concentração plasm. tempo Uma estudante de farmácia TOXICOLOGIA • bloqueio do fornecimento de oxigênio aos tecidos. Ex: conversão da hemoglobina em metemoglobina pelos nitritos, a utilização de oxigênio pelos tecidos é bloqueada pelo cianeto, sulfeto e azida, por causa da sua afinidade ao citocromo oxidase. • inativação de enzimas específicas do processo. Por exemplo, a rotenona que age sobre enzimas específicas na cadeia transportadora de elétrons. • bloqueio da fosforilação oxidativa. Os compostos nitrofenóis são exemplos deste mecanismo. • Inibição do Ciclo de Krebs ou do Ácido Tricarboxílico. Exemplo desse efeito é o fluoracetato de sódio. → Complexação com biomoléculas Componentes enzimáticos. Ex: os inseticidas organofosforados inibem irreversivelmente a acetilcolinesterase, o monóxido de carbono se fixa a hemoglobina inibindo o transporte de oxigênio aos tecidos, além de combinar-se com o citocromo oxidase. Proteínas. Ex: paracetamol, promovem diminuição significativa de glutationa no organismo o que impede que esta participe da eliminação de outras substâncias. Lipídeos. Ex: Tetracloreto de carbono formam radicais livres (molécula eletrofílica e reativa) que participam da peroxidação de lipídeos. Perturbação de homeostase cálcica. Ex: nitrofenóis, quinonas, peróxidos, aldeídos, dioxinas, alcanos e alcenos halogenados e alguns íons metálicos, possuem a propriedade de desequilibrar a homeostase de cálcio. Nos estudos de Toxicodinâmica são determinados índices importantes como dose efetiva (DE) e dose letal (DL) empregados no cálculo da Margem de Segurança (MS). Também podemos avaliar a toxicidade de uma agente tóxico através de um tipo de curva denominada Curva dose-resposta graduada, a qual é aplicada a qualquer tipo de substância. Neste tipo de curva avalia-se a extensão dos efeitos em função da concentração do agente tóxico. 1° da manhã 1015-1025 Introdução: Urina: Inicio da analise laboratorial, (cor, turvação, odor, volume, teste da formiga...) Vantagens: Amostra de obtenção rápida, fácil coleta, informações por exames simples e barato. Formação e composição da urina: • Formada continuamente nos rins: Ultrafiltrado do plasma. • Volume médio: 1200mL/dia. → Composição: Maior parte: água + elementos dissolvidos. Ureia, substancias orgânicas como: Creatinina, ácido úrico. Substancias inorgânicas: Cloro, sódio e Potássio. Interferências: Hábitos alimentares, atividade física, metabolismo, função endógena. Anormais: Muco, células, cristais, bactérias... Volume ▪ Depende da concentração de água excretada. (hidratação do indivíduo). ▪ A água ingerida é eliminada através da urina, suor. ▪ Débito urinário médio: 1200-1500 mL/dia ▪ Faixa normal: 600 a 2000mL/dia. ▪ Influências: Ingestão de líquidos, perda (suor), queimaduras, ação do hormônio antidiurético... Terminologias importantes Sufixo úria: Relativo a urina ✓ Anúria: Ausência – de 100mL/dia. ✓ Cetonúria: Cetonas, presença de corpos cetonicos na urina. ✓ Disúria: Dor, ardor para urinar. ✓ Glicosúria: Presença de glicose na urina. ✓ Hematúria: Hemácias na urina. ✓ Hiperestenúria (>1,010) ✓ Hipoestenúria (<1,010) Densidade da urina. ✓ Isoestenúria (=1,010) ✓ Nictúria: Aumento urinário noturno. ✓ Oligúria: diminuição do volume urinário (400 mL) ✓ Piúria: presença de pûs na urina ✓ Poliúria: Aumento volume diário médio. ✓ Proteinúria: Presença de proteína na urina. Sufixo Emia: relativo a sangue. ✓ Uremia: Ureia/Sangue ✓ Glicemia: Glicose/sangue. ✓ Calculo renal ✓ Diálise renal: Remoção de resíduos. ✓ Diurese: Quanto de urina está sendo eliminado. ✓ Diurético: Aumento da eliminação urinaria. ✓ Micção: Urinar ✓ Nefrite: Inflamação Uroanálise: Análise física, química e microscópica da urina. Coleta e manipulação das amostras • Técnicas de biossegurança: Luvas, jaleco e óculos de proteção. • Amostras coletadas em recipiente LIMPO e SECO (tampa de rosca, frascos estéreis, bolsas...) • Identificação do paciente: Nome, data, hora da colheita (no frasco) • Amostra entregue imediatamente ao laboratorio e analisadas em 1 hora ou conservadas adequadamente (refrigeração 4- 8°C) bacteriostatico congela a bacteria em ate meia hora. Alterações emamostras não conservadas: → Mantidas em temperatura ambiente + de 1 hora: • Aumento do PH: Uréia é degradada em amônia. • Diminuição da glicose: Glicolise. • Diminuição das cetonas: Volatização • Diminuição da bilirrubina: sensível a luz. • Diminuição urobilinogênio: Oxida urobilina. • Aumenta nitrito: Redução do nitrato por bacterias. • Aumento do número de bactérias. • Aumento da turvação • Desintegração de hemácias e cilindros. • Alteração da cor. (altera metabolitos) Instruções para coleta: Mulheres: Lavar as mãos com água e sabão; Lavar a região genital, de frente pra trás com água e sabão. (não enxugar) Afastar os grandes lábios: Importante para que a colheita seja feita diretamente do jato urinário; Desprezar o 1° jato sem interromper a micção, recolher apenas o jato intermédio para um frasco estéril. Evitar encher o frasco, fechar a tampa de rosca. Entregar de imediato no laboratório ou preservar na geladeira. Homens: Lavar as mãos com água e sabão. Lavar a glande com água e sabão; não enxugar Rejeitar o primeiro jato, recolher o jato intermédio em um frasco estperil. Evitar enxer o frasco, fechar a tampa de rosca. Entregar de imediato ao laboratório ou preservar na geladeira. Bebês: O adulto deverá lavar as mãos e fazer o mesmo na zona genital do bebê, enxugar com gaze estéril. Aplicar o saco coletor: Meninos -> Pênis introduzido na abertura do saco; deve ser aplicada na metade superior do órgão genital. Meninas -> Abertura do saco deve ser aplicada na metade superior do órgão genital. Após a colheita retirar o saco e fechar colando metade do adesivo da outra metade. Se o bebê não urinar no espaço de 30 minutos o saco deve ser substituído e todo procedimento repetido. Hemácias: estruturas arredondadas, refringentes, com halo central. Células epiteliais: Citoplasma abundante e irregular, podem aparecer em aglomerados. Cilindro hialino: Estrutura alongada, incolor, são melhores observadas em pequeno aumento e luz difusa. Cristais ácido úrico Cristais fosfato triplo Cristais oxalato de cálcio Leucocitos: Redondos, maiores que as hemácias, contém granulos e núcleo lobulado. Cilindro granuloso: Estrutura alongada com conteudo granuloso no seu interior. Cristais ácido úrico: Amarelo-acastanhado, encontrados em úrina acida. Cristais fosfato triplo: Formato de ‘tampa de caixão’ encontrados em urina alcalina. Cristais oxalato de cálcio: Em formato de envelope, mas pode aparecer em formato oval. Encontrados em urinas acidas ou neutras.