Prévia do material em texto
CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA CURSO: TURISMO DISCIPLINA: Agenciamento e Operação de Roteiros CONTEUDISTA: RICARDO DIAS DA COSTA Aula 12 Segmentação turística META Apresentar e discutir as características da segmentação turística. OBJETIVOS Após a leitura da aula, espera-se que o aluno seja capaz de: 1. Identificar os diversos segmentos turísticos classificados pelo Mtur; 2. Apontar os impactos causados por estes segmentos na economia de um país; 1 - INTRODUÇÃO Em nossa última aula nos dedicamos a discutir e entender como funciona a segmentação de mercado dentro de uma economia competitiva como a que vivemos nos dias de hoje. Sob os olhos do turismo e principalmente das agências de turismo, a segmentação de mercado vem determinando quais os procedimentos os empresários deverão tomar para aumentarem o faturamento de suas empresas. A segmentação de mercado proporciona às empresas turísticas uma economia de escala, aumento da concorrência, criação de políticas públicas de 1 preços, de propaganda especializada e principalmente a promoção de um maior número de pesquisas científicas. O mercado turístico brasileiro tem se mostrado cada vez mais competitivo em função da diversificação dos fatores motivacionais de viagens e da constante qualificação da oferta turística. Assim o comportamento do turista deve ser conhecido, para que as estratégias e ações sejam planejadas com objetivo de promover os destinos turísticos junto aos nichos de mercado que se deseja conquistar. 2 – MERCADO TURÍSTICO Na aula anterior vimos o conceito e as características de mercado. Agora vamos ver o mercado turístico propriamente dito, pois ele tem suas peculiaridades. De acordo com a OMT (2001 apud Mtur 2007, p.15) “a natureza da atividade turística é um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática, ou seja, um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica”. Podemos dizer que o mercado turístico é composto por quatro elementos básicos: • Demanda – conjunto de consumidores, ou potenciais consumidores, de bens e/ou serviços turísticos; • Oferta – conjunto de produtos e/ou serviços e organizações envolvidas ativamente na experiência turística; • Operadores de mercado – empresas e instituições cuja principal função é facilitar a inter-relação entre a demanda e a oferta. Constituem os operadores as agências de turismo, as operadoras de turismo, as empresas de transporte regular, órgãos públicos e privados que organizam e promovem o turismo; • Espaço geográfico – é o espaço físico onde se encontram a oferta e a demanda, onde se encontram também as pessoas residentes, que de uma 2 maneira ou de outra influenciam no planejamento turístico e assim devem ser considerados como elementos deste. Assim podemos considerar o mercado turístico como “o encontro e a relação existente entre a oferta de produtos e/ou serviços turísticos e a demanda, individual ou coletiva, interessada e motivada pelo consumo e uso destes produtos”. Para que este mercado se desenvolva três fatores são importantes(Dias, 2005) • Que haja necessidade – busca por determinado tipo de produto e/ou serviço; • Que haja desejo de satisfazer – por intermédio da oferta de produtos e/ou serviços; • Que haja capacidade de compra – disponibilidade de moeda de troca ou crédito para processamento das transações. Entender o mercado turístico implica em entender as pessoas, que são os componentes deste mercado, pois elas têm interesses diferentes em momentos e por fatores diferentes e esta heterogeneidade é que faz abrir a cada momento uma nova oportunidade de negócio. As pessoas são heterogêneas e esta característica que compõe a demanda é um dos muitos fatores que movimentam o mercado turístico. Essa movimentação se dá porque surgem novas oportunidades de negócios em função das diferentes demandas 3 – PRODUTO TURÍSTICO O Ministério do Turismo entende por produto turístico “o conjunto de atrativos, equipamentos e serviços turísticos acrescidos de facilidades, 3 localizados em um ou mais municípios, ofertado de forma organizada pro um determinado preço"1. Como o objetivo maior é satisfazer aos consumidores, os produtos podem sofrer adequações em função das exigências de cada segmento de mercado, isso evita uma padronização da oferta turística. Segundo Ignarra (1999) o produto turístico é formado por seis componentes: 1. Recursos naturais 2. Bens e serviços 3. Infraestrutura e equipamentos 4. Gestão 5. Imagem da marca 6. Preço Em função do que foi exposto o produto turístico não pode ser visto isoladamente, mas sim como um conjunto de fatores diversos que compõem a experiência turística. A sua definição é a combinação de atrativos disponíveis, localidade com equipamentos, serviços e infraestrutura para proporcionar ao turista uma experiência agradável a um preço competitivo. Para que consideremos um produto turístico como foco em algum segmento é necessário levar em conta: • A vocação do destino - • A imagem do destino • O perfil do turista • As preferências da demanda 1 BRASIL, Ministério do Turismo. Programa de regionalização do turismo – Roteiros do Brasil: Módulos Operacional 8 – Promoção apoio à comercialização. Brasília: Ministério do Turismo, 2007:17. 4 4 – DEMANDA TURÍSTICA Como você viu, a segmentação está intimamente ligada à características da demanda turística, mas o que é demanda turística? Segundo Dias(2005) é o conjunto de turistas, que de forma individual e/ou coletiva, estão motivados a consumir uma série de produtos e serviços turísticos com o objetivo de cobrir suas necessidades de descanso, recreação, entretenimento e cultura em seu período de férias. A demanda turística é composta de demanda real, que é o número de pessoas que efetivamente viajam para um destino ou localidade e demanda potencial, que é composta de pessoas que tem perfil para consumir produtos e/ou serviços turísticos. Vários fatores influenciam essa demanda, tais como: • Disponibilidade de tempo dos turistas • Disponibilidade financeira • Fatores demográficos • Fatores sociais • Sazonalidade • Elasticidade da demanda • Concentração espacial • Heterogeneidade das motivações Caro aluno, acho que posso fechar esse assunto com a afirmação de que a segmentação turística tem como objetivo direcionar a produção turística, de acordo com a vocação do destino, de forma competitiva, focando o segmento de demanda que em maior potencial de consumo dessa produção. 5 – SEGMENTAÇÃO TURISTICA Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto e para tal vamos ver o conceito de segmento, que segundo Dias (2005) é do ponto de vista da demanda, é um grupo de clientes atuais e potenciais que compartilham as mesmas características, necessidades, comportamento de compra ou padrões de consumo. Já o Ministério do Turismo vê a segmentação como uma forma de 5 organizar o turismo para fins de planejamento, gestão e mercado. Os segmentos turísticos podem ser estabelecidos a partir dos elementos de identidade da oferta e também das características e variáveis da demanda. Ainda segundo Dias (2005) vários benefícios podem ser obtidos com a segmentação do mercado turístico, quais sejam: • Facilita a identificação dos públicos mais rentáveis • Percebe-se me quais segmentos a concorrência tem menor atuação • Definem-se mais claramente as necessidades já satisfeitas dos consumidores e as soluções que devem ser criadas para atender as demandas ainda nãos satisfeitas • Facilita a adaptação do produto às mudanças do mercado • Reduz odesperdício de investimento • Melhora a comunicação do produto e do destino em função do direcionamento de mensagens para um público com características distintas Existem vários critérios para estabelecer a segmentação da demanda, segundo Kotler;Keller (2006) elas podem ser divididas em dois grupos de variáveis: características do grupo e respostas dos indivíduos. 5.1 – Segmentação geográfica Significa dividir a demanda em diferentes regiões geográficas emissoras, como cidades, estados ou países. 5.2 – Segmentação demografia e socioeconômica Para se segmentar um perfil de demanda não basta conhecer o destino e a origem do turista, mas também o seu perfil (idade, gênero,renda, formação acadêmica e nível de educação). 5.3 – Segmentação psicográfica Nessa segmentação consideram-se os fatores com o estilo de vida, personalidade e valores das pessoas. Mesmo que os turistas tenham o mesmo 6 nível de renda ou o mesmo destino ou origem, alguns buscarão serviços de luxo e outros não. 5.4 – Segmentação comportamental Vários são os fatores comportamentais de um grupo ou individuo que influenciam na segmentação de mercado, tais como: ocasiões, benefícios, status do usuário. 5.5 – Segmentação por padrões de consumo Essa segmentação está relacionada com as motivações de viagens ou com o perfil do turista. Alguns podem ser considerados heavy-users, pois têm, por exemplo, alto consumo de viagens em função de atividade profissional, já com referência ao turismo de lazer podem ser considerados como light-users. Há também os medium-user, que têm frequência mediana de viagens em função da baixa disponibilidade financeira. 6 – SEGMENTAÇÃO DA OFERTA Como estamos vendo a características da demanda influenciam sobremaneira o desenvolvimento da atividade turística, mas não só ela é importante, mas também a segmentação da oferta turística, assim pode-se definir que tipo de turismo será oferecido ao visitante. Concorrem para essa definição algumas características, tais como: • Aspectos e características comuns • Atividades, práticas e tradições comuns • Serviços e infraestrutura comuns A oferta turística é que vai determinar os produtos e roteiros turísticos a serem oferecidos, de modo a caracterizar os segmentos ou tipos de turismo específicos. Assim as características dos segmentos da ofertas é que determinam a imagem do roteiro ou do destino. 7 O Ministério do Turismo em 2006 definiu alguns segmentos turísticos prioritários, como intuito de promover o entendimento e orientar o setor quanto a algumas terminologias, abordagens e delimitações da segmentação turística. 1. Turismo cultural 2. Turismo de pesca 3. Turismo rural 4. Turismo de aventura 5. Ecoturismo 6. Turismo náutico 7. Turismo de sol e praia 8. Turismo de estudos intercâmbio 9. Turismo de negócios e eventos 10.Turismo de esportes 11.Turismo de saúde 12.Turismo social A partir de agora vamos conhecer detalhadamente cada um desses segmentos. Antes abe ressaltar que atendendo as premissas da OMT – Organização Mundial do Turismo, as ações e estratégias definidas para o Turismo social perpassam 8 transversalmente todos os segmentos ou tipos de turismo, como forma de se promover a inclusão pela atividade turística. TURISMO CULTURAL Nesse segmento fica clara a relação existente entre o turismo e a cultura. Segundo o Ministério do Turismo1, a delimitação da abrangência do recorte conceitual do segmento diante da amplitude de possibilidades da interação turismo e cultura e condição primordial para o direcionamento das políticas públicas a serem aplicadas. Assim conceitua-se como Segmento cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivencia do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura O termo vivencia citado na conceituação diz respeito basicamente a duas formas de relação do turista com a cultura ou alguma manifestação cultural, o conhecimento e possibilidade de experiências participativa e/ou contemplativas e de entretenimento. Dentro do segmento cultural podemos destacar tipos de segmentos que poderíamos chamar de subtipos, recortes são eles: Turismo cívico – ocorre em função de viagens para observação e/ou participação em eventos cívicos. Este tipo de turismo abrange fatos do presente e do passado relacionados à pátria do turista quanto a de outrem e podem ser relativos à esfera municipal, estadual, nacional ou internacional. Turismo religioso – está relacionado às religiões institucionalizadas e decorre da busca espiritual e da prática religiosa em espaços e eventos. 1 Marcos conceituais 9 Turismo místico e isotérico – caracteriza-se pelas atividades turísticas decorrentes da busca da espiritualidade e do auto-conhecimento em práticas, crenças e rituais considerados alternativos. Turismo étnico – decorre das vivencia de experiências autenticas em contatos direto com os modos de vida e a identidade de outros grupos étnicos. TURISMO DE PESCA Esse segmento só passou a ser trabalhado como tal a partir de 1998 com o incentivo do PNDA - Programa Nacional de desenvolvimento da Pesca Amadora(executado pelo Ministério do Meio Ambiente, IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e pelo Ministério dos Esportes Turismo/Embratur. O conceito de turismo de pesca fundamenta-se nos movimentos turísticos que ocorrem em territórios específicos, em função da presença de espécimes raros. Assim entende-se esse segmento como, Turismo de pesca compreende as atividades turísticas decorrentes da prática da pesca amadora. A pesca amadora é praticada com finalidade de lazer, turismo ou desporto, sem finalidade comercial. A pesca amadora pode ser classificada quanto a: Forma • Desembarcada, • Embarcada • Subaquática Modalidades • De barranco • De arremesso • De corrido • De rodada • Com moca 10 Ambiente • Águas marinhas – realizadas no mar territorial • Águas interiores ou litorâneas – realizadas em baias, enseadas,a angras, braços de mar ou áreas de manguezais. • Águas continentais – realizada em água doce(rios, ribeiros, lagos, lagoas, etc...) Para fins de navegação a Autoridade Marinha, considera as seguintes áreas de navegação para fins de embarcações: • Área 1 – aéreas abrigadas, tais como lago, lagoas, baías, rios que não apresentam dificuldade para navegação; • Área 2 – áreas parcialmente abrigadas, onde ocorram combinações adversas tais como, vento, correnteza ou maré e que dificultem a navegabilidade; • Mar aberto – águas marinhas desabrigas e que se dividem em: o Águas costeiras – dentro das 200 milhas o Águas oceânicas – área localizada fora das 200 milhas da costa TURISMO RURAL Acho que todos nós já praticamos o que hoje é chamado de turismo rural, ou seja, visitar propriedades rurais sempre uma prática na sociedade brasileira. A partir dos anos 80 esta atividade começou a ser considerada economicamente ativa a partir do seu desenvolvimento em algumas fazendas do interior de Santa Catarina e do rio Grande do Sul, em função das dificuldades econômicas pelas quais estavam passando. O que caracteriza o turismo rural é que as atividades normais da fazenda continuam se desenvolvendo normalmente, os visitantes saciam a vontade viver o ambiente rural e o fazendeiro aumenta a sua renda sem deixar de desenvolver suas atividades precípuas. O Ministério do Turismo entende assim a atividade intitulada turismo rural 11 Turismo Rural é o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecuária,agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade O sentido de meio rural que é utilizado acima refere-se a idéia de território voltado para a utilização da terra e a valorização da ruralidade. Essa ruralidade contempla algumas características tais como: produção territorializada de qualidade, a paisagem, a biodiversidade, a cultura e o modo de vida, voltados para a atividade agrícola e a identificação dos ciclos da natureza. São consideradas ainda características do turismo rural: O comprometimento com a produção agropecuária; Agregação de valor a produtos e serviços; Resgate e promoção do patrimônio cultural e natural TURISMO DE AVENTURA Antes de começarmos este tópico, você sabe responder de onde vma palavra aventura? Etimologicamente falando ela vem do latim adventura, que significa o que há por vir o que já pode dar uma pista das características desta modalidade. A palavra desafio é uma das que compõem as características desta prática. Durante muito tempo o turismo de aventura foi associado ao ecoturismo, mas a partir da década de 90 a intensificação de sua prática, levou-o a ter características próprias e a diversidade de formas de sua exploração vem dando um contorno próprio a esta atividade. Os impactos causados por esta atividade podem ser sentidos tanto no núcleo receptor quanto no núcleo emissor, principalmente no que diz respeito ao ítens de segurança. O conceito de Turismo de Aventura fundamenta-se em aspectos que se referem à atividade turística e ao território em relação à motivação do turista, e pod assim ser conceituado: Turismo de Aventura compreende os movimentos turísticos 12 decorrentes da prática de atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo Em função de suas características não devemos confundir esta prática com o turismo de esportes, cujas atividades de aventura ou não soão desenvolvidas com características de competição. ECOTURISMO No final da década de 1980, seguindo uma tendência mundial de valorização do meio ambiente, o termo Ecoturismo foi introduzindo no Brasil. Já em 1994 a EMBRATUR publicou as Diretrizes para uma política nacional de Ecoturismo em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, aí o turismo ecológico passou denominar-se e foi conceituado como, Ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, patrimônio natural e cultural, incentiva ssua conservação e busca a formação de um consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações. O trade turístico e todos os turistas praticantes do Ecoturismo têm consciência da importância das práticas sustentáveis no setor, mas é bom ressaltar que há uma diferença entre Ecoturismo e turismo sustentável. Baseado no que diz a OMT o ecoturismo refere-se a um segmento do turismo, enquanto que o turismo sustentável tem os seus princípios permeando todos os diferentes tipos de turismo em quaisquer destinos. O entendimento do ecoturismo propicia a elaboração de políticas pública específicas que integrem o meio ambiente e o turismo. Podemos então depreender que o ecoturismo é o conjunto de atividades que são baseadas na relação sustentável com a natureza, comprometidas com a conservação e a educação ambiental. TURISMO NÁUTICO 13 Em função da proibição da navegação de cabotagem1 de embarcações com bandeiras estrangeiras, até o ano de 1995, o Brasil não aproveitava todo o seu potencial para turismo náutico. Apesar de ter um litoral com 7.367 km, mais de 30.000 km de vias navegáveis internas e vários reservatórios de água doce não fazíamos parte do grande mercado náutico mundial. Somente a partir de 1995, com a emenda constitucional 07/95 é que foi liberada a navegação de cabotagem para turismo no litoral brasileiro. O turismo náutico pode ser caracterizado em 04 categorias: Turismo fluvial Turismo lacustre Turismo marítimo Turismo em represas Podemos então considerar que Turismo náutico caracteriza pela utilização de embarcações náuticas como finalidade da movimentação turística. As embarcações náuticas são classificadas conforme o seu tamanho: • Embarcação de grande porte ou iate - possui comprimento igual ou superior a 24 metros; • Embarcação de médio porte – possui comprimento inferior a 24 metros, exceto as miúdas; • Embarcação miúda – possui comprimento inferior ou superior a 5 metros e tem convés aberto; convés fechado sem cabine habitável e sem propulsão mecânica e se utilizar motor de popa, esse não deve ultrapassar 30 HP. Todas as embarcações são classificadas pelas Normas da autoridade marítima para amadores, embarcações de esporte e/ou recreio e para cadastramento e funcionamento das marinas, clubes e entidades desportivas náuticas em função da área de navegação e de seu tipo, assim temos: 1 Navegação de Cabotagem - Entende-se por navegação de cabotagem “aquela realizada entre portos brasileiros, utilizando exclusivamente a via marítima ou a via marítima e as interiores”. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior, Desenvolvimento de Ações de apoio à Cadeia Produtiva da Indústria Naval e Marinha Mercante. Junho, 2002. 14 • Navegação em águas interiores – realizada em áreas abrigadas, que são divididas em área 1 e 2, sendo que a primeira não apresentam dificuldades de navegação tais como lagos, represas, baías e a segunda áreas com certo grau de dificuldade de navegação e que apresentam correnteza, maré ou ventos • Navegação em mar aberto – realizada em águas marinhas desabrigadas, que se dividem em costeiras, que estão dentro das 20 milhas e oceânicas que estão fora das 20 milhas da costa. Segundo a ABREMAR – Associação Brasileira de cruzeiros marítimos, “ o segmento de Cruzeiros Marítimos é um dos que registram maior índice de crescimento na indústria turística nacional. Nos últimos anos a atividade teve crescimento exponencial de 623% e expansão média de 33% ao ano. O Brasil possui condições naturais muito favoráveis à expansão dos Cruzeiros Marítimos e é o único país da América do Sul que integra os 40 destinos mais procurados no ranking da Organização Mundial do Turismo. O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial da CLIA - Cruise Lines International Association. Os Estados Unidos são o maior mercado, com 10, 1 milhões de cruzeiristas, seguidos por Inglaterra (1,65 milhão), Alemanha (1,26 milhão) e Itália (850 mil). De acordo com o Conselho Europeu de Cruzeiros, que prevê quatro milhões de passageiros neste ano, cada milhão de euros gastos pela indústria de navios turísticos no continente cria outros 2,2 milhões em rendimentos.” Ainda, segundo esta entidade o Brasil movimentou U$534 milhões na temporada 2009/2010. O Brasil tem uma grande vantagem sobre outros países em função das suas condições climáticas, o nordeste se destaca em função de permitir o desenvolvimento da atividade turística ao longo de quase todo o ano. Podemos dizer que um cruzeiro marítimo: • É divertido e animado • Oferece promoções • É diferente • Oferece comodidade e riqueza cultural • É seguro 15 • Para muitos é a realização de um sonho. TURISMO DE SOL E PRAIA Este segmento é o que podemos chamar de demais democrático de todos os segmentos turísticos, visto que é de acesso a todas as camadas da sociedade. Ele não surgiu agora, mas tem histórico desde o século XIX, com destaque para atividades no mar Mediterrâneo. No Brasil podemos dizer que surgiu no Rio de Janeiro e se espalhou pela região sudeste e sul, sendo que se espalhou por toda costa brasileira rapidamente. A partir da década de 1970 a região nordeste se apresenta como um destino forte principalmente em função das políticas públicas desenvolvidas pelosgoverno federal e estadual e pelas condições climáticas. Em função das várias definições,o Ministério do Turismo,preocupado com a formulação e aplicação de políticas públicas voltadas para o segmento, ele foi definido como, Turismo de Sol e Praia constitui-se das atividades turísticas relacionadas à recreação, entretenimento ou descanso em praias, em função da presença conjunta de água, sol e calor Este segmento se caracteriza por: • Recreação, entretenimento e descanso em praias • Presença conjunta de água, sol e calor TURISMO DE ESTUDOS E INTERCÂMBIO Este segmento se tornou mais evidente após a Revolução Industrial da Europa, quando houve uma necessidade de se acompanhar melhor a evolução cientifica da época. Hoje esse segmento está presente na balança comercial de vários países, que viram nesse segmento uma boa oportunidade de captar divisas. O interesse pelo estudo de idiomas e conhecimento do modo de vida de outros países levou os estados Unidos da América, a Nova Zelândia, Austrália, Japão e 16 Reino Unido a terem vários programas específicos para receberem um público ávido por conhecimento. Hoje no Brasil, segundo estudos do Ministério do Turismo existem mais de 15 empresas e/ou entidades que atuam na recepção e/ou envio de turistas de intercâmbio e estudos, são elas agências de turismo, agências de intercambio, escolas de idioma e instituições de ensino médio e superior. Analisando este cenário, o Ministério do Turismo conceituou o segmento como, Turismo de estudos e intercâmbio constitui-se da movimentação turística gerada por atividades e programas de aprendizagem e vivencias para fins de qualificação, ampliação de conhecimento e de desenvolvimento pessoal e profissional. As atividades desenvolvidas em programas de aprendizagem compreendem a realização de cursos e troca de experiências podem ser consideradas uma alternativa para os períodos de baixa temporada em muitos destinos. São muitas as vantagens oriundas desta prática, dentre elas: • Desenvolvimento pessoal e profissional • Qualificação e ampliação do conhecimento • Fortalecimento e divulgação cultural TURISMO DE NEGÓCIOS E EVENTOS O Brasil está passando por um período de grande atividade socioeconômico e o segmento de turismo e negócios se desenvolve de maneira crescente. A globalização, o surgimento e crescimento das empresas multinacionais, a constante necessidade de viagens com interesses de comercialização, participação em feiras e de interesses diversos ligados à área profissional. Dentro do segmento de turismo e eventos existem vários tipos de eventos e alguns deles podem levar a fechamento de contratos o que torna difícil classificá- los, assim o Ministério do Turismo entendeu denominar como tal, Turismo de Negócios e Eventos compreende o conjunto de atividades turísticas 17 decorrentes dos encontros de interesse profissional, associativo, institucional, de caráter comercial, promocional, técnico, científico e social Característica positivas deste segmento: • Alternância entre os períodos de baixa e alta temporada, visto que ele independe de condições climáticas; • Alta rentabilidade em função do público consumidor ter um gasto médio mais alto, pois na maioria das vezes os custos da viagem é pago pelas empresas; • Exposição midiática o que pode ocasionar um retorno do passageiro de negócios como passageiro de lazer; TURISMO DE ESPORTES Foi a partir do século XX que o turismo de esporte passou a ser visto e tratado como uma atividade turística, visto que o ato de viajar por motivos esportivos e os seus desdobramentos comerciais começaram a chamar a atenção dos empresários. A prática de atividades esportivas aliadas à cultura de vida saudável e a globalização das informações tornaram conhecidas várias competições esportivas, tais como: Jogos Olímpicos, olimpíadas de Inverno, Copa do Mundo de Futebol. Com o intuito de unificar a compreensão em torno do tema e a sua abrangência estabeleceu-se que, Turismo de esportes compreende as atividades turísticas decorrentes da prática, envolvimento ou observação de modalidades esportivas. O turismo de esporte tem algumas consequências : • Estimula outros segmentos; • Incentiva os calendários esportivos e a eventos; • Independe, na maioria das vezes, de recursos naturais; 18 • Proporciona um legado à comunidade receptora no tocante à infraestrutura urbana e esportiva • Promove a confraternização entre os povos • Desenvolve o sentimento de pertence e de autoestima • Facilita a sociabilidade através das competições esportivas Neste segmento não podemos deixar de destacar a diversidade de atividades esportivas que o Brasil irá sediar nos próximos anos. Quero ressaltar que os maiores impactos não virão com a realização dos eventos em si, mas principalmente em função da exposição que o país sofrerá durante os acontecimentos. Um número imensamente maior de pessoas que virão ao Brasil assistirá à cobertura jornalística que será feita antes, durante e depois dos eventos. Esta é a essência do turismo, geração de emprego e renda para o núcleo receptor. A exposição à mídia que o Brasil sofrerá renderá dividendos por muito tempo e a capacidade distributiva da atividade turística ser fará presente proporcionando uma melhoria de condições de vida diretamente para os núcleos receptores e seus adjacentes e em consequência para toda a economia nacional. O país já cumula ma certa bagagem na realização de grandes eventos esportivos, haja visto, os Jogos Panamericanos, os Jogos Mundiais Militares que foram realizados na cidade do Rio de Janeiro. TURISMO DE SAÚDE Não é de hoje que o turismo de saúde é praticado. Já na Grécia antiga, bem como em Roma era comum o uso de águas medicinais na cura de algumas enfermidades. As termas, estâncias hidroterápicas além d serem muito utilizadas eram acompanhadas de massagens e dietas especiais. No Brasil a primeira estância hidrotermal surgiu em santa Catarina, Caldas da Imperatriz em idos d 1813. O Circuito Turístico das Águas no estado de Minas Gerais é composto por 11 municípios, sendo que São Lourenço e Caxambu são as cidades pólo, as demais são: • Baependi 19 • Cambuquira • Campanha • Carmo de Minas • Caxambu • Conceição do Rio Verde • Heliodora • Lambari • São Lourenço • Soledade de Minas • Três Corações Este circuito oferece aos turistas momentos de descanso, lazer e relaxamento, visto que estão à disposição várias fontes e balneários para banhos, massagens e momentos de interação corpo e mente. O Ministério do Turismo deu a este segmento, como conceito para fins mercadológicos a seguinte definição: Turismo de Saúde constitui-se das atividades turísticas decorrentes da utilização de meios e serviços para fins médicos, terapêuticos e estéticos Este segmento tem como finalidade os tratamentos médicos, terapêuticos e estéticos. Outras denominações do turismo de saúde: • Turismo hidrotermal • Turismo hidromineral • Turismo hidroterápico • Turismo termal • Termalismo • Turismo de bem-estar • Turismo de águas 20 TURISMO SOCIAL Surgido na Europa em meados do século XX, o Turismo social tem como proposta o lazer para um número cada vez maior de pessoas e deve ser organizado por associações, sindicatos e cooperativas. Segundo os marcos conceituais, editado pelo Ministério do Turismo, o código mundial de ética do turismo, dispõe que o turismo social tem por finalidade promover um turismo responsável, sustentável e acessível a todos, no exercício do direito que qualquer pessoa tem de utilizar seu tempo livre em lazer ou viagens e no respeito pelas escolhas sociais de todos os povos. O Ministério do Turismo,tendo como objetivo desenvolver o turismo com perspectivas a inclusão, entende que o papel do estado é o de agente incentivador e coordenador no que diz respeito à participação de outros órgãos do governo, da sociedade civil organizada e do setor privado em relação ao turismo. Assim defini-se que, Turismo social é a forma de conduzir e praticar a atividade turística promovendo a igualdade de oportunidades, a equidade, a solidariedade e o exercício da cidadania na perspectiva da inclusão. Esclarecendo o conceito a forma de conduzir e praticar a atividade turística refere-se à maneira de entender,conceber e direcionar políticas e orientar os processos que levam ao desenvolvimento do turismo e a forma de praticar refere- se às circunstâncias de acesso à experiência turística. A promoção da igualdade de oportunidade, da equidade, da solidariedade e do exercício da cidadania se refere ao conceito humanístico e n foco em condiçõoes que favoreçam a cidadania. Também deve ser considerada a facilitação de acesso aos benefícios provenientes da atividade turística como incentivo de respeito pelos outros, independente da precariedade econômica ou da situação social. 21 22 CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA META