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QUESTÕES Questão 1: Mãe leva a filha de 13 anos e 15 dias à consulta em Unidade Básica de Saúde (UBS). A filha demonstra preocupação, pois ainda não menstruou, fato que já ocorreu com todas as suas amigas. No histórico, consta telarca aos 10 anos. Relata que há uma semana começou com secreção vaginal transparente e sem odor, que por vezes molhava a roupa íntima. Informa não ter tido relações sexuais até o momento da consulta. Exame físico: índice de massa corporal de 18,5 kg/m²; estatura de 1,58 m; pressão arterial de 115 x 80 mmHg; mamas M3 e pelos pubianos P3 (escala de Tanner). Presença de hímen íntegro com orifício anular. Ausência de nódulos inguinais. De acordo com a história clínica, qual é a conduta adequada? A. Explicar que a adolescente apresenta desenvolvimento normal e que provavelmente terá a sua menarca em breve. B. Encaminhar a paciente para atenção secundária, por suspeita de hipogonadismo hipogonadotrófico. C. Solicitar dosagem de estrogênio, FSH, LH, cariótipo e exame de imagem. D. Iniciar terapia estrogênica para preservação de massa óssea. Questão 2: Paciente de 16 anos comparece ao ambulatório para mostrar os resultados dos exames complementares solicitados na consulta anterior. Está preocupada porque todas as colegas da mesma idade já menstruaram e ela não. O fenótipo é feminino, com pelos pubianos e axilares esparsos. Os exames complementares evidenciam ausência do útero à ultrassonografia pélvica, dosagem sérica do hormônio folículo estimulante (FSH) normal, dosagem de testosterona sérica compatível com níveis do sexo masculino e cariótipo 46 XY. Com base no quadro clínico e nos dados apresentados, a principal hipótese diagnóstica dessa paciente é A. disgenesia gonadal B. malformação Mulleriana C. obstrução do trato genital D. insensibilidade androgênica Questão 3: Menino de 6 anos é levado para consulta por seus pais, por estarem preocupados com seu ganho de peso. Notaram escurecimento da pele da criança em região de pescoço e axilas, pensando que isso pode ser algum problema grave. O menino apresenta índice de massa corporal (IMC) entre +2 e +3 no escore Z e uma relação circunferência abdominal / estatura de 0,9. Ao exame físico, apresenta manchas escurecidas e aveludadas em região de pescoço e axilas. Nesse caso, as alterações clínicas e a conduta adequada, respectivamente, são A. Risco de sobrepeso e acantosis nigricans; iniciar hipoglicemiante oral. B. Eutrofia e acrodermatite; encaminhar o paciente para dermatologia. C. Obesidade e acantosis nigricans; orientar alimentação e prática de esportes. D. Sobrepeso e acrodermatite; encaminhar o paciente para endocrinologia infantil. Questão 4: Ao ser avaliado em consulta de puericultura, lactente apresenta alterações dos marcos de desenvolvimento em relação à comunicação, comportamento e socialização. Nesse caso, o médico deve fazer triagem específica para transtorno do espectro autista (TEA) | 1 QUESTÕES A. aos 2, 4 e 10 meses, independentemente se o quadro é associado à epilepsia, distúrbios do sono ou deficiência intelectual. B. aos 9, 18 e 30 meses, independentemente se o quadro é associado à epilepsia, distúrbio do sono ou deficiência intelectual. C. aos 12, 24 e 36 meses, principalmente se o quadro é associado à história familiar de TEA ou à deficiência intelectual. D. aos 2, 4 e 6 anos, principalmente se o quadro é associado à história familiar de TEA ou à deficiência intelectual. Questão 5: Menino de 10 meses é atendido em unidade básica de saúde (UBS) com história de febre alta iniciada há 4 dias (até 39 �), com 3 picos por dia, Inicialmente sem outros sintomas associados, evoluindo com exantema maculopapular em região cervical e tronco. Não apresentou febre nas últimas 18 horas. A respeito de possiveis diagnósticos diferenciais para o quadro apresentado, assinale a alternativa correta. A. O diagnóstico de sindrome mão-pé-boca é mais provável, ainda que não tenham sido observadas vesículas na pele. B. A anamnese e o exame físico exigem descartar laboratorialmente o diagnóstico diferencial de sarampo, pois se trata de menor de 1 ano. C. A anamnese e o exame fisico são suficientes para o diagnóstico de exantema súbito, não havendo indicação de exames complementares. D. A presença de febre alta torna um quadro bacteriano mais provável, o que, associado à presença do exantema, sugere o diagnóstico de escarlatina. Questão 6: Menina de 2 anos e 6 meses é atendida em uma unidade básica de saúde (UBS). A mãe relata que a criança consome cerca de um litro de leite de vaca por dia e ingere pouca carne. O médico observa palidez cutaneomucosa e solicita exames. Os resultados são apresentados a seguir. O médico inicia tratamento com ferro elementar na dose de 2 mg/kg/dia. Após 3 meses, exames foram repetidos, conforme tabela a seguir. Com relação ao tratamento e à conduta desse paciente é correto afirmar que a Imagens anexas: | 2 QUESTÕES A. Resposta é a esperada para o tratamento; devendo-se manter o tratamento atual por mais 3 meses e reavaliar laboratorialmente. B. Resposta à administração de ferro oral é resistente; deve-se repor com ferro endovenoso e investigar a má absorção por doença celíaca. C. Falha terapêutica é sugestiva de outra causa da anemia microcítica; deve-se considerar hipótese de traço talassêmico e encaminhar a paciente para hematologista. D. Falha terapêutica deve-se a persistência de fatores de risco relacionados à alimentação e à subdose de ferro elementar; deve-se aumentar a dose e orientar a alimentação. Questão 7: Adolescente de 12 anos, sexo feminino, é levada à Unidade Básica de Saúde (UBS) para verificar se suas vacinas estão atualizadas. Até os 8 anos, todas as vacinas preconizadas pelo Ministério da Saúde para o biênio 2024-2025 foram feitas, sendo que tomou 1 dose da vacina contra febre amarela aos 9 meses. Nesse momento, deve receber as vacinas A. HPV, reforço da hepatite B e dT. B. reforço da hepatite B, dT e SCR. C. HPV, meningocócica ACWY e febre amarela. D. SCR, meningocócica ACWY e febre amarela. Questão 8: | 3 QUESTÕES Recém-nascido de 15 dias, a termo, Apgar 8/9, peso e comprimento ao nascer de 2.600 g e 46 cm, respectivamente, com síndrome de Down, e cuja gestação não apresentou outras intercorrências. Está na consulta de puericultura com peso e comprimento atuais de 2.900 g e 47 cm, respectivamente. Para o acompanhamento pôndero-estatural, os dados devem ser plotados nas A. curvas de crescimento da OMS desde o nascimento até a adolescência B. curvas de crescimento específicas para síndrome de Down desde o nascimento C. curvas de crescimento da OMS, corrigindo o peso e o comprimento para síndrome de Down D. curvas de crescimento da OMS até os dois anos e, a partir daí, em curvas específicas para síndrome de Down Questão 9: Menina de 7 anos e 6 meses é encaminhada ao ambulatório de pediatria porque sua família percebeu surgimento de broto mamário há cerca de 3 meses. O exame físico revela que seu estadiamento puberal é M2P1 e sua estatura está próxima ao escore Z +2 para a idade, com peso em escore Z 0. Um exame de radiografia simples de punho, solicitado pelo médico da atenção primária, mostra idade óssea compatível com 9 anos e 6 meses. Considerando essa situação, assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese diagnóstica, seguida de sua justificativa. A. Puberdade precoce central, pois o crescimento das mamas está associado a avanço da idade óssea. B. Telarca isolada precoce, pois a diferença entre a idade óssea e a idade cronológica não é significativa. C. Telarca isolada precoce, pois o crescimento das mamas foi um achado isolado na investigação da paciente. D. Puberdade precoce central, pois, além da telarca, há também sinais de pubarca, o que sugere ativação do eixo hormonal. Questão 10: A violência contra adolescentes pode ter várias causas e atores. Os sinais que demonstram essas ações podem ser indiretos, mas devem ser observados pelos profissionais da saúde. Assinaledo transtorno na prática: sintomas persistentes, início precoce, presença em mais de um contexto e quantificação por instrumentos padronizados. Alternativa C: INCORRETA. Apesar de descrever adequadamente o quadro clínico do transtorno opositor-desafiador (desobediência, desafio e hostilidade), essa alternativa é incorreta para o caso apresentado porque os sinais predominantes do menino (desatenção, hiperatividade, impulsividade desde a infância e prejuízo escolar) apontam mais fortemente para TDAH. Além disso, o TOD costuma ter padrão relacional — dirigido a figuras de autoridade — e não o perfil global de desatenção relatado pela escola. Alternativa D: INCORRETA. Mistura elementos verdadeiros (avaliação psiquiátrica pode fazer parte do processo) com uma descrição imprecisa dos sintomas centrais do TDAH, ao enfatizar “dificuldade em aceitar regras” e “irritação” como núcleos diagnósticos. Esses sintomas podem ocorrer como coocorrências ou como expressão de transtornos concorrentes, mas não substituem a necessidade de evidenciar desatenção, hiperatividade e impulsividade habituais e quantitativas por escalas validadas. Alternativa E: INCORRETA. Repete a ideia de transtorno opositor-desafiador com ênfase em avaliação clíni- ca/psiquiátrica adequada, mas não se aplica ao caso apresentado, cuja história (início precoce, queixa escolar de desatenção e agitação persistente, comprometimento em sala de aula) é muito sugestiva de TDAH. Importante lembrar: TOD pode coexistir com TDAH, por isso a avaliação deve sempre investigar comorbidades, mas o raciocínio diagnóstico aqui busca o transtorno principal sugerido pelos sintomas. Resposta: Alternativa B Questão 17: Dica do autor: O quadriculado aqui é simples: quando um cuidador relata sinais precoces de transtorno do desenvolvimento social — pouco contato visual, falta de gestos como estender os braços para pedir colo, história familiar positiva para TEA — isso acende uma bandeira amarela. Aos 9 meses ainda não se faz diagnóstico definitivo de Transtorno do Espectro Autista; muitas coisas são ainda imaturas e variáveis nessa faixa etária. O pulo do gato é iniciar intervenções e acompanhamento precoce em vez de esperar pelo diagnóstico formal. Intervenções precoces (estimulação dirigida por fonoaudiologia, terapia ocupacional, orientações às famílias e estímulos parentais) são de baixo risco, potencialmente benéficas e aumentam as chances de melhores desfechos. Encaminhamentos especializados e exames complementares entram em cena se houver sinais neurológicos associados (crises convul- sivas, macro/microcefalia, atraso motor significativo, sinais sindrômicos), ou se os sinais persistirem ou progredirem. Medicação não é tratamento inicial para sinais de socialização em lactente; fármacos só têm indicação específica e restrita, após avaliação multiprofissional e, muitas vezes, confirmação diagnóstica. Em suma: leve a sério o relato da mãe, comece estimulação, marque retorno breve para reavaliar e definir necessidade de encaminhamentos. Alternativa A: INCORRETA. Encaminhar diretamente para neuropediatria e geneticista não é a atitude imediata padrão se o exame neurológico e o desenvolvimento motor e nutricional estão adequados, como no caso. Esses encaminhamentos são indicados quando há sinais neurológicos associados, suspeita de síndrome genética (dis- morfias, atraso global) ou quando os achados persistem/resistem a intervenção inicial. Mandar direto para serviços especializados pode atrasar o início de estímulos que a família pode começar já na atenção básica. Alternativa B: CORRETA. Iniciar estímulos precoces e agendar retorno breve é a conduta mais apropriada. A ideia é agir em duas frentes: (1) oferecer orientações e intervenções de estímulo ao vínculo, comunicação e brincadeiras adaptadas à idade (família como agente terapêutico), e (2) monitorar de perto com revisão em curto prazo para avaliar evolução. Família com história positiva para TEA merece vigilância aumentada, mas como o bebê não apresenta sinais neurológicos claros nem atraso motor/nutricional, não se justifica postergar intervenção esperando um laudo. Essa abordagem é pró-ativa, de baixo risco e potencialmente modificadora do prognóstico. Alternativa C: INCORRETA. Tranquilizar a mãe e apenas manter o bebê nas consultas de rotina de puericultura é uma omissão. Dizer que está tudo bem e não fazer acompanhamento mais próximo pode atrasar identificação e início | 24 COMENTÁRIOS de terapias que são mais eficazes quanto mais precoces. Reassurance sem plano de vigilância e intervenção não é suficiente quando existem sinais comunicativos atípicos e história familiar positiva. Alternativa D: INCORRETA. Iniciar risperidona e encaminhar para equipe multiprofissional é inadequado como conduta inicial. Antipsicóticos têm indicação restrita para sintomas comportamentais (p. ex. irritabilidade grave, agres- sividade) em crianças mais velhas com diagnóstico estabelecido; não tratam os déficits de comunicação/socialização e expõem o lactente a efeitos adversos. O caminho certo é estimular, acompanhar e avaliar necessidade de equipe multiprofissional se os sinais persistirem — mas não começar medicação de imediato. Resposta: Alternativa B Questão 18: Dica do autor: O pulo do gato aqui é conhecer a diferença entre as vacinas meningocócicas usadas na primeira infância (principalmente contra o sorogrupo C) e a estratégia para adolescentes (vacina conjugada ACWY). Na criança pequena, a proteção primária contra meningococo C é feita por esquemas iniciais em dose(es) múltiplas na infância, com reforço no período pré-escolar/primeira infância para manter títulos protetores. Já no adolescente, o foco é ampliar a cobertura para outros sorogrupos (A, C, W e Y) por meio de uma dose da vacina ACWY em idade escolar/adolescente, como dose única de rotina no calendário. Na prática clínica, ao olhar uma caderneta, o que importa é: o lactente deve ter completado a série primária (duas doses iniciais quando o esquema for 3/5 meses); a criança em idade pré-escolar normalmente já teve as doses iniciais mais o reforço de rotina; o adolescente deve ter recebido a dose única da ACWY, que substitui a estratégia focada apenas em C nessa faixa etária. Alternativa A: INCORRETA. Indica que o lactente teria apenas uma dose de MenC — isso é insuficiente: o esquema inicial prevê duas doses na infância (quando iniciado no período de 3 e 5 meses) para estabelecer a imunidade primária. Mantendo o raciocínio, a segunda parte dessa alternativa (uma dose e um reforço para a criança maior) também não bate com o que se espera para a faixa etária de 4 anos, que já teria recebido a série básica mais o reforço. A terceira parte (uma dose ACWY para a adolescente) estaria correta isoladamente, mas a alternativa como um todo está errada. Alternativa B: CORRETA. É a combinação que casa com o que se espera no calendário: o lactente de 9 meses, quando o esquema começou na primeira infância, deve ter recebido duas doses da vacina meningocócica C conjugada (série primária); a criança de 4 anos já teria a série primária e o reforço (duas doses iniciais mais reforço) para manter a proteção; e a adolescente de 15 anos, na rotina, recebe uma dose da vacina meningocócica ACWY conjugada, para ampliar a proteção contra outros sorogrupos emergentes. Ou seja, bater o olho e saber: criança pequena = esquema MenC (duas doses iniciais), pré-escolar = esquema completo + reforço, adolescente = dose única ACWY. Alternativa C: INCORRETA. Propõe esquemas com mais doses do que o necessário (por exemplo, “duas doses e um reforço” como primária seguida de “três doses e um reforço” em outra faixa) e duas doses da ACWY para o adolescente — isso não corresponde ao calendário de rotina: não se exige três doses e reforço rotineiramente nem duas doses de ACWY na adolescência. É excesso de esquema e, portanto, incorreto. Alternativa D: INCORRETA. Mistura conceitos de dose única + reforço de forma equivocadapara cada faixa: sugerir “uma dose e um reforço” para o lactente foge do esquema infantil (que prevê duas doses iniciais quando iniciado nos primeiros meses), e propor “uma dose e um reforço” de ACWY para o adolescente também não reflete a prática rotineira, que prevê uma única dose ACWY para essa faixa etária. Em resumo, a alternativa falha em alinhar o número de doses com a faixa etária correta. Resposta: Alternativa B Questão 19: Dica do autor: A síndrome de Down é a cromossomopatia mais comum, ocorrendo em cerca de 1 em cada 600 a 800 nascidos-vivos. A suspeita clínica pode ser feita logo após o nascimento, pelos sinais característicos da | 25 COMENTÁRIOS doença, sendo os principais no período neonatal: hipotonia muscular, fissura palpebral oblíqua, braquidactilia (mãos largas com dedos curtos), epicando, orelha de implantação baixa e prega palmar única transversa. O cariótipo confirma o diagnóstico ao evidenciar a trissomia do cromossomo 21. Como a síndrome de Down pode estar associada a uma série de outras patologias recomenda-se o seguimento clínico e laboratorial frequente desses pacientes. Essa questão aborda justamente a triagem dessas patologias. Para começar, já é descrito no enunciado a avaliação cardiológica, essencial nesses casos já que cerca de 40% das crianças com síndrome de Down apresentam malformação cardiovascular, sendo o defeito do septo atrioventricular a cardiopatia congênita mais específica da síndrome e a comunicação interventricular a mais frequente. Por esse motivo recomenda-se a realização detriagem cardiológica por meio de eletrocardiograma, radiografia de tórax e ecocardiograma logo ao nascimento. Outras triagens indicadas logo ao nascimento são: - Oftalmológica: fundo de olho para o rastreio de catarata, glaucoma congênito, estrabismo e nistagmo. - Audiológica: potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) para o rastreio de anomalias e disfunções que podem comprometer o ouvido médio e o interno. - Biológica: teste do pezinho, sendo especialmente importante a triagem do hipotireoidismo congênito, doença comum no paciente com síndrome de Down. - Hematológica: hemograma completo, para avaliação de alterações hematológicas como reações leucemoide, policitemia, leucemia e doença mieloproliferativa. Alternativa A: INCORRETA. Se a triagem cardiológica é normal ao nascimento há indicação de repetir o ecocardio- grama apenas se suspeita clínica. Como o paciente é assintomático este exame não está indicado. Alternativa B: CORRETA. Como o paciente apresenta instabilidade do quadril há suspeita de displasia do desenvolvi- mento do quadril (DDQ), que compreende um espectro de anormalidades que envolvem o quadril em crescimento e se caracterizam pela existência de uma relação anormal entre a cabeça femoral e a cavidade acetabular. Basicamente o que vemos é a associação da displasia acetabular (acetábulo com cavidade defeituosa, mais rasa e mais aberta) com a frouxidão capsular, permitindo que a cabeça do fêmur fique parcialmente desencaixada do acetábulo e com movimento anômalo (instabilidade do quadril). Em seu grau mais intenso, é chamada luxação congênita do quadril, quando não há qualquer contato entre as superfícies articulantes do quadril. Há, portanto, indicação de ultrassonografia de quadril e de acompanhamento com ortopedista pediátrico. Alternativa C: INCORRETA. Como a dosagem de hormônios tireoidianos foi normal no 6º mês de vida não há necessidade de solicitar ultrassonografia de tireoide. Na verdade, recomenda-se a dosagem anual desses hormônios, ou seja, apenas daqui a 1 ano. Alternativa D: INCORRETA. Como o hemograma era normal com 6 meses de vida, não há necessidade de repetição mensal, mas sim anual. Resposta: Alternativa B. Questão 20: QUESTÃO ANULADA | 26 COMENTÁRIOS Dica do autor: Estamos diante de um menino de 9 anos, sem comorbidades, que é levado pela mãe por queixa de baixa estatura. Note que ele realmente, tem uma baixa estatura, definida pela estatura para idade abaixo do escore Z – 2 ou do percentil 3 na curva da OMS.Diante dessa queixa devemos avaliar três fatores principais: a velocidade de crescimento (e se ela é compatível com o estadiamento puberal), a estatura-alvo do paciente (de acordo com a análise da altura dos pais, sendo importante também a avaliação da idade da menarca da mãe) e a idade óssea (considerada normal se até 2 anos de diferença em relação a idade cronológica). A história pregressa também é importante para a identificação de fatores que possam comprometer o crescimento. O problema da questão é que além da confirmação de que ele realmente apresenta uma baixa estatura pela classificação antropométrica, não temos mais dados relativos a outros aspectos essenciais para a definição do diagnóstico, e dentre eles eu cito especificamente a velocidade de crescimento. Saber se avelocidade de crescimento é normal para o desenvolvimento puberal é muito importante para definir se você está diante de um quadro fisiológico, as variantes da normalidade como a baixa estatura constitucional, ou de uma baixa estatura patológica, como a deficiência do GH. Não temos essa informação, temos apenas a negativa de comorbidades e a descrição de um exame físico normal. Temos também um outro dado que, ao invés de ajudar, atrapalha. A descrição de que foram realizados dois testes provocativos da secreção do GH (e existe uma falha importante aqui, já que não foram descritos os métodos usados nestes testes, ou seja, se o estímulo usado foi hipoglicemia, glucagon, clonidina, GHRH etc) que apresentaram valores abaixo da referência fornecida. Como é que a questão pode não fornecer o dado da velocidade de crescimento e apresentar esses dados laboratoriais e considerar que a hipótese mais provável é de baixa estatura constitucional? Como é que podemos tirar essa conclusão do enunciado apresentado? Impossível e nem faz sentido. A alteração de dois testes de provocação do GH na verdade fecharia o diagnóstico de deficiência de GH, que também cursaria com velocidade de crescimento reduzida e baixa estatura desde os 2-3 anos de idade, não compatível com o padrão de crescimento familiar (outro dado que não foi fornecido no enunciado). Lembre-se que a baixa estatura constitucional, ou familiar, é uma variante da normalidade e se caracteriza como uma estatura abaixo do percentil 3 (ou escore Z - 2) para idade, com velocidade de crescimento normal (compatível com o estadiamento puberal), relação segmento superior/segmento inferior normal (baixa estatura proporcionada) e idade óssea compatível com a idade cronológica. Na baixa estatura familiar, a estatura alvo familiar é baixa, de forma que a criança, na verdade, segue dentro do padrão familiar esperado. Resposta: Questão Anulada. *Nota: Apesar da resposta inicial fornecida pela banca ter sido a alternativa D o enunciado não fornece dados suficientes para esse diagnóstico, na verdade o diagnóstico mais provável seria a deficiência de GH, alternativa B, embora também faltem elementos para confirmar essa hipótese no enunciado. Provavelmente por este motivo, a questão foi anulada pela banca. Questão 21: Dica do autor: A violência sexual infantil é qualquer ato de interação sexual ou ero�tica de uma pessoa com mais idade do que a vi�tima, podendo a autoria ser de um adulto ou mesmo um adolescente para obter de satisfac'a�o pessoal pro�pria ou prazer de terceiros. Atualmente, define-se estupro como qualquer ato libidinoso ou conjunc'a�o carnal mediante constrangimento, uso de viole�ncia, grave ameac'a ou por seduc'a�o (vi�tima com idade igual ou menor de 14 anos). Incluem-se desde cari�cias e manipulac'a�o dos o�rga�os genitais até coito oral, anal ou vaginal. | 27 COMENTÁRIOS A violência sexual ocorre em todas as classes sociais, envolve pessoas de todas as profisso�es e perpassa pela questa�o de ge�nero. Alternativa A: CORRETA. Em geral, os agressores sa�o pessoas muito pro�ximas, consanguíneas ou com algum lac'oafetivo com a vítima ou sua fami�lia. Nos abusos sexuais, os autores geralmente sa�o homens, sendo, em cerca de 90% dos casos, o pai ou o companheiro da ma�e. Alternativa B: INCORRETA. Por conta da sociedade patriarcal em que vivemos, é muito mais comum que os abusos sejam cometidos contra meninas, justamente pela cultura do silenciamento imposta às mulheres desde a infância. Especialmente às meninas, é requerido que se comportem, não incomodem e respeitem os mais velhos, sendo muito comum inclusive a culpabilização da vítima do abuso por “sedução” do adulto agressor. Alternativa C: INCORRETA. Além das possíveis lesões físicas, o abuso sexual tem amplas consequências no desenvolvimento psíquico da criança que repercutem até a vida adulta, principalmente no que diz respeito a formação dos vínculos afetivos. Alternativa D: INCORRETA. Em 2021, o governo Bolsonaro publicou uma medida provisória que obrigava a equipe médica a denunciar a ocorrência de abuso sexual às autoridades, medida que era inclusive necessária para a solicitação do aborto legal nos casos decorrentes de violência sexual. No entanto, no começo de 2023, uma das primeiras ações do governo Lula foi revogar algumas medidas provisórias do governo anterior, inclusive essa que obrigava a denúncia formal. Sendo assim, no ano desse concurso, essa alternativa seria considerada incorreta, já que a equipe médica deveria sim denunciar o ocorrido. Já a partir de 2023, essa alternativa se torna correta, uma vez que a equipe médica não deve mais participar da abertura do processo penal contra o abusador. Resposta: alternativa A. Questão 22: Dica do autor: O quadro descrito é típico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) aguda com sinais de gravidade: febre alta, dor abdominal intensa, dor à mobilização do colo (cervical motion tenderness), descarga purulenta cervical e sinais de irritação peritoneal. Numa situação dessas, o pulo do gato é reconhecer que é preciso tratar de imediato e de forma empírica, sem esperar identificação etiológica, porque a morbi-mortalidade reprodutiva aumenta com atraso no início do antimicrobiano. O tratamento inicial deve ser hospitalar e com antibioticoterapia parenteral de amplo espectro que cubra Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, bactérias anaeróbias e enterobactérias, além de monitorização para possíveis complicações (abscesso tubo-ovariano, sepse, necessidade de drenagem). Coletas para exame (teste de gravidez, exames microbiológicos/cultura/NAAT, hemograma, PCR, exames de imagem quando indicado) são importantes, mas nunca devem atrasar a antibioticoterapia em pacientes com sinais de gravidade. Alternativa A: INCORRETA. Identificar o agente etiológico é desejável, mas não pode preceder o início do tratamento em casos graves. As amostras para cultura e testes nucleicos devem ser coletadas antes da primeira dose quando possível, mas a conduta imediata é iniciar antimicrobianos empíricos. A espera pela identificação delayaria uma terapêutica que pode ser decisiva para evitar progressão para sepse e comprometer fertilidade. Alternativa B: CORRETA. Encaminhar para tratamento em ambiente hospitalar com antibioticoterapia injetável é a conduta adequada diante de sinais de gravidade: febre alta, dor abdominal intensa, comprometimento hemodinâmico relativo e descarga purulenta com dor anexial bilateral. No hospital, administra-se esquema parenteral de amplo es- pectro, realiza-se monitorização clínica, exames complementares (incluindo US para avaliar abscesso) e interrupção de anticoncepcionais se houver indicação, além de tratar partners e avaliar necessidade cirúrgica se houver abscesso roto ou falta de resposta ao tratamento. Alternativa C: INCORRETA. O tratamento ambulatorial é indicado apenas para casos leves e quando o paciente tem condições de retorno e observação próximas. Este caso apresenta sinais de gravidade que contraindicam manejo | 28 COMENTÁRIOS ambulatorial: febre alta, dor intensa, hipotensão relativa e secreção purulenta com dor anexial. Mandar o tratamento ambulatorial com retorno em 48 horas seria arriscado demais. Alternativa D: INCORRETA. Encaminhar diretamente para tratamento cirúrgico não é a primeira medida, salvo quando há suspeita de abscesso roto, peritonite franca ou falha do tratamento clínico. A maioria dos casos graves inicia com antibioticoterapia parenteral; a cirurgia ou drenagem só vem como segunda etapa se houver indicação (abscesso grande, ruptura, isquemia ou não resolução com antibióticos). Resposta: Alternativa B Questão 23: Dica do autor: Aqui o pulo do gato é reconhecer duas fases distintas: uma infecção aguda com faringite, febre prolongada, astenia marcada e erupção cutânea após uso de amoxicilina; e, em seguida, um quadro neurológico progressivo com parestesias e fraqueza ascendente, arreflexia/areflexia. A reação cutânea ao antibiótico (manchas maculopapulosas após amoxicilina) é quase patognomônica de mononucleose infecciosa por vírus Epstein–Barr. A mononucleose costuma cursar com fadiga que persiste por semanas, linfadenopatia e faringite. Já a síndrome de Guillain–Barré é uma neuropatia inflamatória pós-infecciosa que se manifesta tipicamente por paresia simétrica, início distal e ascendente, redução/abolição dos reflexos e alterações sensitivas discretas; costuma surgir dias a semanas após o evento infeccioso. Na prática clínica, diante desse histórico e exame neurológico (paraparesia simétrica, reflexos abolidos nos inferiores), as hipóteses mais coerentes são mononucleose seguida por Guillain–Barré. O manejo exige confirmação eletrofisiológica/ponteira de LCR (dissociação albuminocitológica) e tratamento imediato com imunoglobulina endovenosa ou plasmaférese, além de monitorização respiratória e autonômica. Alternativa A: INCORRETA. Dengue pode cursar com febre, mialgias e rash, mas a sequência de faringite proem- inente com a clássica erupção após amoxicilina não é compatível com dengue. Meningite asséptica causa sinais meníngeos, cefaleia intensa e alterações do líquor; não explica o quadro de paresia simétrica progressiva com arreflexia predominante, típico de uma neuropatia periférica. Alternativa B: INCORRETA. Guillain–Barré pode, sim, ser desencadeada por diversos agentes, inclusive vírus trans- mitidos por mosquitos, mas o quadro inicial descrito (faringite importante, febre prolongada e rash após amoxicilina) aponta para mononucleose por EBV como agente responsável pelo quadro infeccioso inicial, não para dengue. Além disso, a apresentação com astenia por semanas e faringite é muito mais compatível com mononucleose. Alternativa C: INCORRETA. Mononucleose é uma hipótese bem adequada para a primeira fase clínica, porém meningite asséptica não casa com o exame neurológico: meningite provoca sinais meníngeos e alterações de consciência ou cefaleia marcante, não paresia motora simétrica progressiva com abolição dos reflexos, que é típico de uma neuropatia periférica inflamatória como a síndrome de Guillain–Barré. Alternativa D: CORRETA. Este é o pareamento lógico. A sequência — faringite febril com astenia prolongada e erupção após amoxicilina — sugere mononucleose infecciosa por EBV. Semanas depois aparece dor, parestesias e fraqueza progressiva com arreflexia/abolição dos reflexos, padrão clássico de Guillain–Barré pós-infecciosa. O diagnóstico é sustentado por eletroneuromiografia (padrão desmielinizante ou axonal) e pelo líquor (dissociação albuminocitológica). O tratamento é urgente: imunoglobulina EV ou plasmaférese, suporte ventilatório se necessário e monitorização autonômica. Resposta: Alternativa D Questão 24: Dica do autor: A profilaxia da anemia ferropriva é uma medida universal no Brasil, recomendada pelo Ministério da Saúde para todas as crianças a termo e hígidas, entre 6 e 24 meses de idade, que não recebem fórmula láctea enriquecida com ferro. A dose indicada é de 1 mg/kg/dia de ferro elementar, administrado na forma de sulfato | 29 COMENTÁRIOS ferroso.Mesmo quando a alimentação complementar está adequada, a suplementação profilática é mantida, pois a necessidade de ferro nessa fase é alta e dificilmente suprida apenas com a dieta. Quanto ao calendário vacinal, uma criança de 8 meses e 15 dias deve ter recebido até o momento: • BCG: 1 dose ao nascer; • Hepatite B: 4 doses no total — sendo 1 dose monovalente ao nascimento e 3 doses incluídas na vacina pentavalente (aos 2, 4 e 6 meses); • Pentavalente (DTP + Hib + Hep B): 3 doses (2, 4 e 6 meses); • Poliomielite: 3 doses intramusculares (VIP — 2, 4 e 6 meses); • Rotavírus: 2 doses (2 e 4 meses); • Pneumocócica 10-valente: 2 doses (2 e 4 meses) — o reforço é feito aos 12 meses; • Meningocócica C: 2 doses (3 e 5 meses) — com reforço também aos 12 meses; • Febre amarela: ainda não é indicada, pois é aplicada a partir dos 9 meses de idade, exceto em situações especiais. Assim, o esquema vacinal está adequado para a idade, e a profilaxia com ferro deve ser mantida até os 2 anos, na dosagem recomendada. Alternativa A: CORRETA. A dose de ferro 1 mg/kg/dia está adequada para criança a termo e hígida. A contagem de 1 dose de hepatite B refere-se à monovalente ao nascimento, enquanto as outras três estão corretamente implícitas na pentavalente. As demais vacinas estão listadas corretamente para a idade. Alternativa B: INCORRETA. A dose de 3 mg/kg/dia de ferro é indicada para prematuros ou crianças com condições específicas, não para lactentes hígidos. Além disso, a vacina da febre amarela ainda não deve ter sido administrada aos 8 meses, pois é indicada a partir dos 9 meses. Alternativa C: INCORRETA. A dose de ferro está correta, mas a descrição de apenas 1 dose de hepatite B pode levar a erro se não for considerado que as outras estão na pentavalente. A menção a 3 doses de pneumocócica está adiantada para a idade de 8 meses, já que o esquema é de 2+1 (com reforço apenas aos 12 meses). Alternativa D: INCORRETA. Apesar da dose correta de ferro, há erro na contagem de doses da poliomielite, que deve incluir 3 doses intramusculares até os 8 meses (não apenas 2 IM + 1 VO como listado). A pneumocócica aparece com apenas 2 doses, mas o texto não está alinhado com o restante do esquema apresentado. Resposta: Alternativa A Questão 25: Nível de dificuldade: Fácil. Dica do professor: (3) Úlcera de mucosa, serosites, proteinúria, artrite, anemia hemolítica, anticorpo anti-Sm e antifosfolípide positivos. - O lúpus eritematoso sitêmico acomete diversas partes do corpo, sendo diagnosticado através do critério de entrada (FAN maior ou igual a 1:80) associado a critérios aditivos que somem 10 ou mais pontos. São critérios aditivos: febre, úlcera oral, artrite ou dor com rigidez matinal menor que 1h em duas ou mais articulações, derrame pleural ou pericárdico ou pericardite aguda, leucopenia ( 0,5 g/dia, nefrite lúpica a biópsia, delirium, psicose, convulsão, anticorpo antifosfolipídio, queda do complemento (C3 e/ou C4) e anticorpo específico (anti-DNA ou anti-Sm) (5 ) Febre por pelo menos 5 dias, conjuntivite asséptica bilateral, ressecamento nos lábios, alteração da mucosa oral, edemas nas mãos e pés e adenomegalia cervical - | 30 COMENTÁRIOS A doença de Kawasaki é diagnosticada através de febre por 5 dias ou mais (critério obrigatório), associado a pelo menos quatro dos seguintes sintomas: congestão conjuntiva bilateral não exsudativa, alterações em lábio e cavidade oral (lábio em framboesa), adenomegalia cervical não supurativa, exantema polimorfo e/ou bolhas, eritema e edema palmo plantar (1) Febre alta diária intermitente por mais de 15 dias, exantema macular, atrito pericárdico, hepatoesplenomegalia, monoartrite após algumas semanas, fator reumatoide negativo - A artrite idiopática juvenil caracteriza-se pela idadecegueira noturna, xeroftalmia ou xerodermia. Alternativa C: INCORRETA. Hipovitaminose C (escorbuto) provoca sangramento gengival, má cicatrização, petéquias, irritabilidade e dor articular; pode afetar o crescimento indiretamente, mas não provoca cegueira noturna nem xeroftalmia. O quadro ocular descrito não é típico de escorbuto. Alternativa D: INCORRETA. "Hipovitaminose B" é vaga e, em qualquer caso, deficiências das vitaminas do complexo B têm apresentações distintas (por ex., beribéri, pelagra, anemia megaloblástica, neuropatias); não causam especi- ficamente xeroftalmia e cegueira noturna típicas da falta de vitamina A. Resposta: Alternativa A Questão 28: Nível de dificuldade: intermediário. Paciente apresenta quadro clínico compatível com Kwashiorkor (lesões cutâneas hipocrômicas e hipercrômicas com descamação em membros, facies de lua cheia, hepatomegalia, edema em membros e despigmentação de cabelos), que é uma desnutrição proteica grave, devendo ser encaminhado para internação hospitalar. Lembrar do diferencial importante com Marasmo, que é uma desnutrição proteico-calórica também grave. ALTERNATIVA A: CORRETA. Questão 29: Nível de dificuldade: fácil. Questão sobre orientações do aleitamento materno. A queixa de fissura é muito comum, a mãe deve ser orientada a expor a mama ao sol, visando evitar rachaduras e consequentemente sangramentos. ALTERNATIVA D: CORRETA. Não há necessidade de se prescrever corticoides (ALTERNATIVA A INCORRETA), e o regime deve seguir o de aleitamento materno exclusivo sob livre demanda (ALTERNATIVAS B, C e D INCORRETAS). Questão 30: Nível de dificuldade: fácil. Paciente portadora de LLA em quimioterapia e suscetível a varicela pelo contato hospitalar com risco de formas graves devido a imunossupressão, ou seja, com indicação de realizar imunoglobulina específica. ALTERNATIVA B: CORRETA. | 32 COMENTÁRIOS | 33a alternativa com a situação em que se deve notificar o Conselho Tutelar. A. Manuel, 15 anos, abandonado pelos pais e sob os cuidados de uma família acolhedora, apresenta febre, vômitos, petéquias que evoluem para púrpuras em MMII e SS, rigidez de nuca e história vacinal desconhecida. B. Michele, 13 anos, está morando temporariamente com os tios enquanto a mãe faz um curso no exterior. Há 1 mês vem apresentando equimoses em face, pernas, coxas, em vários estágios de evolução, e evita falar sobre o fato. C. Felipe, 11 anos, acolhido em um abrigo desde os 9 anos, há 3 dias está mais recolhido no seu quarto e dorme quase o tempo todo. Apresenta febre, muita dor no corpo e retroorbitária, sangramento gengival quando escova os dentes e petéquias pelo corpo. D. Edilene, 16 anos, que cumpre medidas socioeducativas em uma instituição do Estado, apresenta várias equimoses nos membros superiores e inferiores, além do tronco. Refere também suores noturnos, febre inexplicada, perda de peso e linfonodos aumentados de tamanho em região cervical, supraclavicular e inguinal bilateralmente. Questão 11: Menino de 6 meses, saudável, é levado para consulta de rotina. Ele está em aleitamento materno exclusivo e a mãe busca orientações sobre a introdução alimentar, pois se trata de seu primeiro filho. Nesse caso, a conduta adequada é manter aleitamento materno e | 4 QUESTÕES A. Introduzir 1 refeição com composto lácteo. B. Iniciar 1 refeição minimamente processada. C. Oferecer suco de frutas e dar 2 papas de legumes. D. Introduzir 1 refeição principal e 1 porção de fruta. Questão 12: Mulher de 18 anos deu à luz uma criança do sexo feminino, Apgar 9/10, nascida a termo, com peso de nascimento de 3.500 g, comprimento de 50 cm e perímetro cefálico de 35 cm. A criança permaneceu em aleitamento materno exclusivo desde o nascimento. Com 24 horas de vida, o médico constata a perda de 175 g, eliminações presentes, a paciente corada e hidratada. Nesse caso, a perda de peso em relação ao peso do nascimento é de A. 5%, o que não é motivo de preocupação. B. 15%, devendo receber complemento com fórmula. C. 15%, sendo necessária observação clínica rigorosa. D. 5%, mas não deveria estar acontecendo nesse momento. Questão 13: Menina de 11 meses, nascida a termo é levada para avaliação médica pois a mãe está preocupada com o desenvolvi- mento da criança; está mais irritada, não senta sem apoio, não engatinha, e dorme pouco. A alimentação consiste de aleitamento materno complementado com a dieta da família, que é vegana. Faz suplementação de vitamina D (400 Ul ao dia). O hemograma da criança revela leucócitos totais normais e diferencial de células sem alterações, além dos seguintes achados: Considerando o quadro descrito, a conduta adequada para essa criança é A. solicitar avaliação de nutricionista e iniciar suplementação de vitamina A e vitamina C. B. iniciar suplementação de ferro e vitamina B12 e solicitar acompanhamento com fisioterapia. C. encaminhar para neurologista infantil e iniciar suplementação de ácido fólico e de vitamina B12. | 5 QUESTÕES D. aumentar a dose de suplementação de vitamina D, iniciar ferro e manter acompanhamento de rotina. Questão 14: Menino de 6 anos é levado ao pronto-socorro pediátrico por sua mãe, que relata que a criança introduziu um objeto metálico pequeno no nariz enquanto brincava. O paciente apresenta obstrução nasal à direita, sem outros sintomas significativos. Radiografia em mentonaso dos seios da face revela uma imagem radiopaca circular com duplo contorno em fossa nasal direita. Nesse caso, qual é a conduta médica adequada? A. Alta médica, com encaminhamento para consulta com otorrinolaringologista. B. Transferência para centro de referência, para nasofibroscopia imediata. C. Internação no pronto-socorro, para lavagem e aspiração nasal. D. Internação hospitalar, para realização de rinoscopia eletiva. Questão 15: Recém-nascida de 10 dias é levada pelos pais à Unidade Básica de Saúde (UBS). Mãe queixa-se de lesões na pele da filha, que apareceram há 3 dias. Nega febre, diarreia e vômitos associados. A bebê nasceu a termo e não houve intercorrências nos períodos gestacional e perinatal. Na inspeção foram observadas três vesículas e bolhas de paredes flácidas e não agrupadas, com conteúdo amarelado, na região do abdome, e duas lesões avermelhadas/marrons numulares, que a responsável informou serem bolhas que estouraram. O tratamento indicado é A. Mupirocina tópico. B. Aciclovir intravenoso. C. Sulfadiazina de prata tópico. D. Imunoglobulina varicela zoster intramuscular. Questão 16: Um escolar de 8 anos é levado à consulta de rotina por sua mãe, que relata estar preocupada com o desenvolvimento de seu filho. Relata ter sido alertada pela escola que o menino tem comportamento bastante impulsivo e indisciplinado, que não demonstra interesse pelas atividades desenvolvidas em sala, que não termina as tarefas propostas e que atrapalha os demais alunos com conversas frequentes ou com brincadeiras. Ela conta que ele é, de forma geral, desatento, agitado e desmotivado. Relata que desde os 4 anos ele tem esse tipo de comportamento e que, em algumas ocasiões, ele reagiu agressivamente — mas nunca em ambiente escolar. À anamnese, percebe-se erro alimentar, com preferência por alimentos açucarados e por carboidratos e, ao exame clínico, apresenta-se na faixa de sobrepeso, segundo a curva de índice de massa corpórea, sem outras anormalidades. Considerando o quadro descrito, trata-se de um caso suspeito de A. Transtorno opositor-desafiador, deve-se realizar uma avaliação clínica e psicossocial completa, e o diagnóstico deve se basear em sintomas de desatenção, de irritação e de impulsividade, a partir de escalas variadas. B. Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, deve-se realizar uma avaliação clínica e psicossocial completa, e o diagnóstico deve se basear em sintomas indicativos de desatenção, de hiperatividade e de impulsividade, a partir de escalas validadas. C. Transtorno opositor-desafiador, deve se realizar uma avaliação psiquiátrica completa, e o diagnóstico deve se basear em sintomas indicativos de desobediência, de atitudes de desafio e de hostilidade contra figuras de autoridade, a partir de escalas validadas. | 6 QUESTÕES D. Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, deve-se realizar uma avaliação psiquiátrica completa, e o diagnóstico deve se basear em sintomas indicativos de desatenção, de dificuldade em aceitar regras e de irritação, a partir de escalas validadas. Questão 17: Um lactente de 9 meses, nascido a termo, é trazido pela mãe ao hospital, que relata estar preocupada com o comportamento do filho, que é diferente do comportamento dos outros dois irmãos. A mãe também relata que o menino não estende os braços para pedir colo e que tem apresentado pouco contato visual quando estimulado. A história familiar mostra um tio paterno com Transtorno de Espectro Autista. Na avaliação, o médico nota o bebê irritado, com choro persistente ao ser examinado, e registra que seu desenvolvimento motor e seu estado nutricional estão adequados para a idade. Considerando-se esse quadro clínico, a conduta médica imediata a ser adotada diante do relato da mãe é: A. Encaminhar o paciente para a neuropediatria e para um geneticista. B. Iniciar estímulos precoces e agendar breve retorno. C. Tranquilizar a mãe e manter o bebê em consultas de rotina de puericultura. D. Iniciar uso de risperidona e encaminhar o paciente para uma equipe multiprofissional. Questão 18: Ao realizar uma visita domiciliar, a médica da unidade básica de saúde avalia uma família de 6 pessoas, sendo a configuração familiar formada por pai, mãe, avó paterna, duas crianças - uma de 9 meses e outra de 4 anos - e uma adolescente de 15 anos. Durante a consulta, a médica solicita as cadernetas de vacina das crianças e da adolescente, a fim de conferir se estão em dia de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação. Nessecaso, em relação às vacinas contra a meningite meningocócica, a médica deve observar se as crianças de 9 meses e de 4 anos e se a adolescente de 15 anos possuem, respectivamente: A. Uma dose da vacina meningocócica C conjugada; uma dose e um reforço da vacina meningocócica C conjugada; e uma dose da vacina meningocócica ACWY conjugada. B. Duas doses da vacina meningocócica C conjugada; duas doses e um reforço da vacina meningocócica C conjugada; e uma dose da vacina meningocócica ACWY conjugada. C. Duas doses e um reforço da vacina meningocócica C conjugada; três doses e um reforço da vacina meningocócica C conjugada; e duas doses da vacina meningocócica ACWY conjugada. D. Uma dose e um reforço da vacina meningocócica C conjugada; duas doses e um reforço da vacina meningocócica C conjugada; e uma dose e um reforço da vacina meningocócica ACWY conjugada. Questão 19: Um paciente com Trissomia do 21 (T21) é atendido na unidade básica de saúde para realizar puericultura no 7º mês de vida. Sua genitora apresenta alguns exames que são registrados no prontuário: ecocardiograma realizado ao nascimento sem qualquer alteração; e hemograma e dosagem dos hormônios tireoidianos solicitados na consulta do 6º mês, que apresentam valores dentro das referências para a idade. Ao exame físico, observa-se, além das características fenotípicas do paciente, apenas hipotonia global e instabilidade do quadril. Nesse caso, de acordo com o que as diretrizes de acompanhamento ao paciente com T21 recomendam, qual é a conduta médica adequada? A. Repetir o ecocardiograma e realizar consulta com um cardiologista pediátrico. B. Fazer ultrassonografia do quadril e orientar acompanhamento com ortopedista pediátrico. | 7 QUESTÕES C. Realizar ultrassonografia da tireoide e fazer acompanhamento com endocrinologista pediátrico. D. Coletar hemograma mensalmente e realizar acompanhamento com um hematologista pediátrico. Questão 20: Um menino de 9 anos, sem comorbidades, é levado pela mãe à consulta ambulatorial por apresentar baixa estatura. A mãe refere que seu filho é o mais baixo entre os colegas da sala de aula. Na avaliação antropométrica, evidencia-se que o paciente apresenta mais de 3 desvios-padrão (escore Z: -3) da curva de altura/idade e escore Z=0 para peso/altura da Organização Mundial de Saúde. Demais aspectos do exame físico sem alterações. Foram realizados dois testes provocativos da secreção de hormônio de crescimento (GH), com resultados de 4,2 e 4,3 mcg/dL respectivamente (Valor de referência de GH > 5mcg/L). Com base nesse achado, o diagnóstico etiológico mais provável da baixa estatura, é A. hipotireoidismo. B. deficiência de GH. C. má absorção de nutrientes. D. baixa estatura constitucional. Questão 21: Uma mulher leva sua filha de 6 anos para uma consulta na unidade básica de saúde do bairro, por suspeitar que a filha esteja sendo abusada sexualmente pelo tio de 24 anos de idade. O tio toma conta da menina quando ela se ausenta para trabalhar como faxineira. A menina conta que brinca de "papai e mamãe" com o tio, mas afirma não querer falar mais sobre o assunto, dizendo que o tio lhe havia dito que a “brincadeira” era um segredo apenas entre os dois. Com relação a situações de suspeita de abuso infantil, a exemplo da descrita, é correto afirmar que A. O mais comum é o agressor/abusador ser uma pessoa conhecida da família, ou um membro dela, o que favorece a repetição do abuso. B. Os casos de abusos sexuais contra meninos são mais recorrentes do que contra meninas, pois eles tendem a esconder mais as agressões de que são vítimas. C. As crianças muito novas que sofrem abuso sexual tendem a esquecer o que aconteceu na fase adulta, havendo, portanto, pouca repercussão desse abuso no futuro. D. A equipe de saúde da família deve se restringir ao tratamento das lesões físicas e eventuais danos psicológicos, sem se envolver no encaminhamento da denúncia às autoridades policiais. Questão 22: Um paciente com 28 anos de idade, nulípara, usuária de anticoncepcional hormonal combinado oral, relata, em consulta, que há 3 dias iniciou com dor em baixo ventre, de forte intensidade, associada a náuseas e vômitos, que piorou nas últimas 8 horas. Ao exame físico, apresenta pressão arterial = 100x60mmHg, temperatura = 39,1°C, abdome com dor intensa à palpação no andar inferior e à descompressão brusca em fossas ilíacas. Ao exame especular, verifica-se a presença de conteúdo purulento exteriorizando-se pelo orifício do colo uterino. O toque vaginal evidencia dor à mobilização do colo uterino e à palpação dos anexos, bilateralmente. Diante dessa situação, a conduta imediata indicada é A. identificar o agente etiológico da secreção cervical antes de iniciar o tratamento medicamentoso. B. encaminhar a paciente para o tratamento em ambiente hospitalar com antibioticoterapia injetável. | 8 QUESTÕES C. instituir tratamento clínico ambulatorial de imediato para a paciente, com retorno em 48 horas para reavaliação. D. encaminhar a paciente para tratamento cirúrgico a fim de melhor avaliar o comprometimento do sistema reprodutivo. Questão 23: Uma adolescente com 13 anos de idade é atendida no pronto-socorro por apresentar “perda de força nas pernas”. Segundo a mãe, a adolescente está doente há mais de um mês; na primeira semana da doença, teve febre alta que durou 5 dias, dor de garganta, dores no corpo e cansaço extremo. Ela informa, ainda, que a filha foi diagnosticada com amigdalite, recebeu amoxicilina por 7 dias e que, durante esse tratamento, apresentou manchas vermelhas levemente pruriginosas pelo corpo. A mãe relata também que, após desaparecimento da febre, a adolescente persistiu com desânimo por cerca de 3 semanas e, quando parecia estar se recuperando, começou a queixar-se de dor e formigamento nos pés e pernas, com dificuldade progressiva para caminhar e que, hoje, não havia conseguido levantar-se da cama. Ao exame físico, a paciente apresenta paraparesia simétrica e diminuição de força muscular em membros superiores, reflexos osteotendinosos diminuídos em membros superiores e abolidos nos membros inferiores. Em relação a esse quadro clínico, quais são as principais hipóteses diagnósticas? A. Dengue; meningite asséptica B. Dengue; síndrome de Guillain-Barré. C. Mononucleose infecciosa; meningite asséptica. D. Mononucleose infecciosa; síndrome de Guillain-Barré. Questão 24: Pedro é um lactente de 8 meses e 15 dias. pesa 9 kg, encontra-se em aleitamento materno e sua alimentação complementar está sendo oferecida de maneira adequada.Foi um recém-nascido de termo e adequado para a idade gestacional. É uma criança hígida, com crescimento e desenvolvimento dentro de parâmetros da normalidade e seu calendário vacinal está em dia. Não faz uso de fórmulas lácteas ou qualquer outro suplemento ou vitamina. Durante uma consulta de rotina, sua mãe questiona a necessidade de tratamento de anemia ferropriva visto que seu hemograma indicou Hemoglobina de 12,3 g/dL e Hematócrito de 38%. Assinale a orientação correta a respeito da oferta de ferro e do estado vacinal adequado para a idade. A. Prescrever 1 mg/kg/dia de ferro até completar 24 meses; BCG (1 dose); Hepatite B (1 dose); Penta (3 doses); Poliomielite IM (3 doses); Rotavírus (2 doses); Pneumocócica (2 doses) e Meningocócica C (2 doses). B. Prescrever 3 mg/kg/dia de ferro até completar 24 meses; BCG (1 dose); Hepatite B (3 doses); Penta (3 doses); Poliomielite IM (3 doses); Rotavírus (2 doses); Pneumocócica (3 doses); Meningocócica C (2 doses) e Febre amarela (1 dose). C. Prescrever 1 mg/kg/dia ferro até completar 24 meses; BCG (1 dose); Hepatite B (1 dose); Penta (3 doses); Poliomielite IM (3 doses); Rotavírus (2 doses); Pneumocócica (3 doses) e Meningocócica C (2 doses). D. Prescrever 3 mg/kg/dia de ferro até completar 24 meses; BCG (1 dose); Hepatite B (1 dose); Penta (3 doses); Poliomielite IM (2 doses); Poliomelite VO (1 dose); Rotavírus (2 doses); Pneumocócica (2 doses) e MeningocócicaC (2 doses). Questão 25: Na prática diária, o conhecimento das manifestações clínicas e laboratoriais de doenças semelhantes é fundamental para o diagnóstico e tratamento corretos. Em relação à doença e sua sintomatologia, numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda. 1- Artrite idiopática juvenil; 2- Doença reumática; 3- Lupus eritematoso sistêmico; 4- Púrpura de Henoch-Schönlein; 5- Doença de Kawasaki; ( ) Úlcera de mucosa, serosites, proteinúria, artrite, anemia hemolítica, anticorpo anti-Sm e antifosfolípide positivos. ( ) Febre por pelo menos 5 dias, conjuntivite asséptica | 9 QUESTÕES bilateral, ressecamento nos lábios, alteração da mucosa oral, edemas nas mãos e pés e adenomegalia cervical. ( ) Febre alta diária intermitente por mais de 15 dias, exantema macular, atrito pericárdico, hepatoesplenomegalia, monoartrite após algumas semanas, fator reumatoide negativo. ( ) Artrite migratória, nódulos subcutâneos, cardite e movimentos involuntários. ( ) Artrite transitória, lesões micro-hemorrágicas palpáveis, geralmente nas nádegas e membros inferiores que aparecem em surtos, hematúria. Assinale a sequência correta. A. 1, 3, 2, 5, 4 B. 3, 5, 1, 2, 4 C. 2, 3, 4, 1, 5 D. 3, 4, 1, 2, 5 Questão 26: Uma mãe e seu recém-nascido (RN) comparecem à Unidade Básica de Saúde em busca de orientações quanto à prevenção da febre amarela, pois viajarão para área endêmica da doença no mês seguinte. A mãe quer informações sobre imunização e deseja saber se a amamentação poderá ser mantida após ela ter recebido a vacina. Nessa situação, deve ser esclarecido que A. a mãe e o recém-nascido deverão ser vacinados e a amamentação deverá ser suspensa por 8 dias após a vacinação. B. a mãe deverá ser vacinada antes da viagem e a amamentação deverá ser suspensa, temporariamente, por 14 dias. C. a mãe deverá ser vacinada com, no mínimo cinco dias de antecedência em relação à viagem e a amamentação deverá ser suspensa por 8 dias. D. a vacina é constituída de fragmentos de vírus mortos, não havendo, portanto, contraindicações à aplicação no recém-nascido e na puérpera, o que justifica a manutenção da amamentação. Questão 27: Uma criança com 3 anos de idade é levada à consulta na Unidade Básica de Saúde. A mãe queixa-se que o filho não está crescendo, tem apresentado perda do apetite e parece não enxergar bem, principalmente no período da noite. Ao exame físico, o médico observou que o peso da criança se situa entre (-2) e (-3) escore z da curva da Organização Mundial da Saúde, além de xerodermia e xeroftalmia. O quadro clínico apresentado pela criança é de: A. hipovitaminose A. B. hipovitaminose D. C. hipovitaminose C. D. hipovitaminose B. Questão 28: Um lactente de um ano de idade apresenta inapetência, apatia, palidez cutâneo- mucosa acentuada, lesões cutâneas hipocrômicas e hipercrômicas com descamação em membros, facies de lua cheia, hepatomegalia, edema em membros e despigmentação de cabelos. A temperatura axilar é de 35,7°C. Foi identificado pelo agente comunitário de saúde em seu domicílio, onde mora com a mãe e mais cinco irmãos, e encaminhado para avaliação na Unidade Básica de Saúde (UBS). Peso = 7 kg e comprimento = 65 cm. Com essas informações, o diagnóstico nutricional e a conduta médica mais adequados são, respectivamente, | 10 QUESTÕES A. desnutrição proteica grave e encaminhamento para internação hospitalar . B. desnutrição proteico-calórica grave e encaminhamento para internação hospitalar . C. desnutrição proteica grave e monitoramento de peso na Unidade Básica de Saúde. D. desnutrição proteico-calórica moderada e encaminhamento para internação hospitalar. E. desnutrição calórica moderada e monitoramento do peso na Unidade Básica de Saúde. Questão 29: Uma mãe comparece à primeira consulta de Pediatria após 15 dias do nascimento de seu primeiro filho. A gestação correu sem intercorrências e o parto foi vaginal, a termo. O bebê nasceu com 3 500 g, Apgar de 9 e 10, tendo recebido alta com a mãe em 2 dias. No momento, a mãe mostra-se muito ansiosa e insegura quanto à amamentação e tem apresentado dificuldades para amamentar seu filho. Relata que as mamas estão repletas de leite, dolorosas e têm fissuras e sangramento frequentes. Além disso, o bebê chora muito e fica irritado pela dificuldade em mamar . O pediatra observa que a criança está em excelente estado geral e já superou o peso de nascimento. Tendo em vista as vantagens do aleitamento materno, a mãe deve ser estimulada a mantê-lo, a despeito dessas dificuldades iniciais, com a recomendação de A. lavar as mamas a cada mamada, para evitar infecções, e fazer aplicação tópica de creme de corticosteroide. B. limitar o tempo de mamada a 20 minutos e, caso a criança chore, oferecer complemento com fórmula infantil. C. of erecer complemento com fórmula infantil a cada 3 horas, para compensar a dificuldade nas mamadas, e usar protetor de seio materno. D. expor a mama ao sol de 10 a 15 minutos, duas vezes ao dia, visando evitar as rachaduras e, consequentemente, sangramento no bico do seio. E. estabelecer horários fixos de mamadas a cada 3 horas, de modo a disciplinar a criança, evitando que ela mesma tenha horários aleatórios para alimentação. Questão 30: Menina com cinco anos de idade, acometida de leucemia linfóide aguda (LLA), internada em enfermaria pediátrica, está sendo submetida à quimioterapia para tratamento da leucemia. Em outra ala da enfermaria, uma criança apresentou febre e desenvolveu lesões eritemato bolhosas sugestivas de varicela. Nesse contexto, a conduta ideal a ser tomada em relação a criança com leucemia é A. administrar vacina contra varicela B. aplicar imunoglobulina específica anti-varicela. C. administrar aciclovir por 10 dias. D. administrar a vacina contra varicela e o aciclovir por 10 dias E. administrar a vacina contra varicela e imunoglobulina específica. | 11 GABARITO 1 - A 2 - D 3 - C 4 - B 5 - C 6 - D 7 - C 8 - B 9 - A 10 - B 11 - D 12 - A 13 - B 14 - B 15 - A 16 - B 17 - B 18 - B 19 - B 20 - D 21 - A 22 - B 23 - D 24 - A 25 - B 26 - B 27 - A 28 - A 29 - D 30 - B | 12 COMENTÁRIOS Questão 1: Dica do autor: O que importa aqui é entender o tempo e a sequência normais da puberdade. A telarca costuma ser o primeiro sinal, em média por volta dos 10–11 anos, e a menarca geralmente aparece depois, com intervalo médio de 2 a 3 anos desde o início do desenvolvimento mamário. Existe variação individual grande; considera-se atraso significativo quando não há menarca até os 15 anos ou quando não ocorrer menarca no prazo de 3 anos após o início do desenvolvimento mamário. Além disso, secreção vaginal clara, sem odor, é típica de aumento estrogênico e não indica infecção quando é escassa e assintomática. A avaliação inicial é clínica: história detalhada (peso, ganho ponderal, sintomas sistêmicos, uso de medicações, sinais de virilização, atividade sexual) e exame físico com estadiamento de Tanner e exame abdominal/pélvico conforme o caso. Investigações laboratoriais e de imagem só são necessárias se houver sinais de puberdade incompleta/ausente, sinais de hiperandrogenismo, suspeita de anomalia anatômica ou se ultrapassados os limites de idade que configuram amenorreia primária. No fim das contas, o pulo do gato é reconhecer criança que está dentro da variabilidade normal e evitar exames e tratamentos desnecessários; oriente, acompanhe e explique quando retornar. Alternativa A: CORRETA. A adolescente apresenta telarca precoce (às 10 anos) e está em estádio Tanner M3/P3 aos 13 anos, com IMC normal e sinais claros de ação estrogênica (secreção vaginal fisiológica). Esses achados são compatíveis com puberdade em evolução e a menarca pode ainda demorar até cerca de 2–3 anos após a telarca. Portanto a conduta adequada é explicar, tranquilizar e acompanhar clinicamente, com orientação sobre higiene, sinais de alarme e retorno caso não ocorra menarca dentro do prazo esperado. Alternativa B: INCORRETA. Encaminharpor suspeita de hipogonadismo hipogonadotrófico não faz sentido aqui: nesse quadro haveria atraso no desenvolvimento puberal, poucos ou ausentes sinais sexuais secundários e fre- quentemente história de perda ponderal, doenças crônicas ou sinais neurológicos. Esta paciente tem desenvolvimento mamário e pubiano adequado para a idade e não traz sinais de deficiência hormonal central. Alternativa C: INCORRETA. Solicitar rotina de dosagens hormonais, cariótipo e imagem de entrada é exagero neste momento. Esses exames são indicados quando há amenorreia primária estabelecida (por exemplo, sem menarca aos 15 anos ou 3 anos após telarca), sinais de virilização, suspeita de anomalia mülleriana ou quando o padrão de desenvolvimento é discordante. Investigações indiscriminadas geram ansiedade, custo e podem levar a achados incidentais sem significado clínico. Alternativa D: INCORRETA. Iniciar terapia estrogênica para “preservação de massa óssea” é desnecessário e potencialmente prejudicial quando há puberdade espontânea em curso. Reposição estrogênica é indicada em hipogonadismo verdadeiro para induzir e manter características sexuais secundárias e proteger os ossos, mas não em adolescentes com puberdade normal cuja menarca ainda está por vir. Resposta: Alternativa A Questão 2: Dica do autor: O pulo do gato nessa apresentação é juntar fenótipo feminino com amenorreia primária e sinais de masculinidade bioquímica (testosterona em nível masculino) mais cariótipo 46,XY e ausência de útero. Em insensibilidade androgênica completa o receptor de andrógeno está defeituoso; os testículos (formados por SRY) produzem testosterona e hormônio anti-Mülleriano, que provoca regressão do trato Mülleriano (ausência de útero e trompas). Como os tecidos periféricos não respondem aos andrógenos, o externo é feminino e o pelo pubiano/axilar costuma ser escasso, já que o crescimento desses pelos é dependente de andrógenos. A testosterona circula e parte é aromatizada em estrógeno, explicando o desenvolvimento de mamas mesmo em 46,XY. Já a disgenesia gonadal e outras causas têm quadro hormonal e cariótipo diferentes — por isso, bater o olho e saber que 46,XY + testosterona masculina + ausência de útero + pelos escassos = insensibilidade androgênica completa. Alternativa A: INCORRETA. Disgenesia gonadal 46,XY (ex.: síndrome de Swyer) costuma apresentar fenótipo femi- nino com útero presente porque, na ausência de testículos funcionantes, não há produção de hormônio anti�Mülleriano; assim, o trato Mülleriano se desenvolve. Além disso, há falha gonadal com baixos níveis de testosterona e elevação | 13 COMENTÁRIOS das gonadotrofinas (FSH/LH). No caso apresentado, a testosterona está em níveis do sexo masculino e o FSH não está elevado, o que não bate com disgenesia gonadal. Alternativa B: INCORRETA. Malformação mülleriana (síndrome de Mayer�Rokitansky�Küster�Hauser) ocorre em 46,XX: há ausência ou hipoplasia do útero e parte superior da vagina, mas os ovários funcionam normalmente, com hor- mônios femininos e puberdade típica (pêlos pubianos/axilares normais). O cariótipo do caso é 46,XY e a testosterona está em níveis masculinos — achados incompatíveis com malformação mülleriana. Alternativa C: INCORRETA. Obstrução do trato genital (ex.: hímen imperfurado, septo vaginal transverso) causa amenorreia primária com presença de útero e geralmente dor cíclica por acúmulo menstrual (hematocolpos). Nesses casos o cariótipo é 46,XX e a anatomia uterina está preservada; os exames hormonais costumam ser normais. A ausência de útero à USG e o cariótipo 46,XY tornam essa alternativa pouco provável. Alternativa D: CORRETA. Insensibilidade androgênica completa explica de forma elegante todos os achados: fenótipo feminino externo, pelos pubianos/axilares escassos por falta de ação androgênica, ausência de útero por efeito do hormônio anti�Mülleriano produzido pelos testículos, níveis séricos de testosterona compatíveis com sexo masculino (produzidos pelos testículos) e cariótipo 46,XY. O FSH pode estar normal ou discretamente alterado dependendo da fase, mas não apresenta o perfil de falha gonadal que veríamos em disgenesias. Em suma: tudo aponta para síndrome da insensibilidade androgênica completa. Resposta: Alternativa D Questão 3: Dica do autor: O escurecimento da pele nas regiões de pescoço e axilas, descrito como manchas aveludadas e escurecidas (acastanhadas), é uma característica clássica da acantose nigricans, uma condição cutânea frequentemente associada à resistência à insulina, que pode ser um sinal precoce de síndrome metabólica. A acantose nigricans está comumente relacionada a condições como obesidade e diabetes tipo 2. No caso desse menino de 6 anos, com um IMC entre +2 e +3 no escore Z (indicando obesidade) e uma relação circunferência abdominal/estatura de 0,9 (sugerindo obesidade central), há uma clara associação entre o ganho de peso e a presença de acantose nigricans. A obesidade infantil é uma condição que demanda intervenções precoces para prevenir complicações futuras, como diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia. A principal abordagem consiste em orientar a alimentação saudável e a prática de atividades físicas, com foco na redução do risco metabólico, além de monitoramento contínuo para detectar sinais de resistência à insulina ou diabetes. Vamos aproveitar ainda essa questão para relembrar a classificação do IMC/idade em crianças maiores de 5 anos: • Magreza extrema: se inferior ao escore Z -3. • Magreza: entre os escores Z -3 e -2. • Eutrofia: entre os escores Z -2 e +1. • Sobrepeso: entre os escores Z +1 e +2. • Obesidade: entre os escores Z +2 e +3. • Obesidade grave: acima do escore Z +3. Alternativa A: INCORRETA. O paciente não apresenta risco de sobrepeso. Esse diagnóstico é dado em crianças menores de 5 anos que apresentam IMC/idade entre os escores Z +1 e +2. A classificação nutricional para uma criança de 6 anos com IMC/idade entre +2 e +3 é de obesidade. | 14 COMENTÁRIOS Alternativa B: INCORRETA. A acantose nigricans é um sinal clínico associado ao risco de obesidade e resistência à insulina, e não é uma acrodermite. Além disso, o paciente não pode ser classificado como eutrofia, definida como IMC/idade entre -2 e +1. Alternativa C: CORRETA. O menino apresenta obesidade e acantose nigricans, e a conduta mais adequada é orientar uma alimentação saudável e prática de esportes para controlar o peso e melhorar a saúde metabólica. Essas medidas ajudam a melhorar a resistência à insulina e a prevenir o desenvolvimento de diabetes tipo 2. O acompanhamento contínuo e o monitoramento do risco metabólico também são essenciais. Alternativa D: INCORRETA. O paciente não apresenta sobrepeso, mas sim obesidade, e a lesão de pele é a acantose nigricans e não a acrodermatite. Resposta: Alternativa C. Questão 4: Dica do autor: O pulo do gato na identificação do transtorno do espectro autista (TEA) é a vigilância do desenvolvi- mento aliada a triagens pontuais em idades-chave. Sinais precoces costumam aparecer na comunicação social e no comportamento: pouco contato visual, resposta social reduzida, atraso na linguagem baseada em gestos/sons, ausência de sorriso social, ecos de fala, interesses restritos e comportamentos repetitivos. Fazer triagem não é “esperar para ver”: é aplicar instrumentos simples, padronizados e de fácil aplicação no ambulatório e, quando positivos, encaminhar rapidamente para avaliação diagnóstica e intervenção precoce multiprofissional. A triagem em 9, 18 e 30 meses captura a janela em que esses sinais ficam mais evidentes e permite iniciar intervenção no período em que o cérebro tem maior plasticidade. Fique ligado: comorbidades como epilepsia, distúrbio do sono ou deficiência intelectual aumentam a chance de TEA, mas não mudam a recomendação — a triagem é universal nessas idades. No fim das contas, bater o olho e saber: rastrear cedo = encaminhar cedo = melhor prognóstico funcional. Alternativa A: INCORRETA. Idadesde 2, 4 e 10 meses não são os marcos estabelecidos para triagem específica do TEA. Aos 2 e 4 meses ainda predominam sinais gerais de desenvolvimento neuromotor e social primário; muitos sinais característicos do TEA (gestos, atenção conjunta, resposta ao nome, brincadeira social) não estão suficientemente desenvolvidos para triagem confiável. Além disso, 10 meses não é um ponto padronizado de triagem para TEA, o que tornaria o rastreio descontinuado e pouco eficiente para detecção precoce. Alternativa B: CORRETA. Aos 9, 18 e 30 meses são os momentos recomendados para triagem específica do TEA independentemente de comorbidades. Essas idades coincidem com pontos em que características sociais e comunicativas já podem ser avaliadas de forma validada, permitindo identificar sinais precoces e encaminhar para diagnóstico e intervenção precoce. A recomendação universal (ou seja, independentemente de história familiar, epilepsia, sono ou deficiência intelectual) evita que casos passem despercebidos e agiliza o manejo. Alternativa C: INCORRETA. Embora idades como 12, 24 e 36 meses tragam oportunidades para avaliar desen- volvimento global, este conjunto não corresponde à triagem específica recomendada para TEA no modelo proposto pela questão. Esperar até 36 meses pode atrasar diagnóstico e início de intervenção. Além disso, condicionar a triagem principalmente à história familiar ou deficiência intelectual é um erro: esses fatores aumentam o risco, mas não substituem a triagem universal em idades definidas. Alternativa D: INCORRETA. Triar somente aos 2, 4 e 6 anos é claramente tardio para detecção precoce do TEA. Intervenções efetivas têm muito mais impacto quando iniciadas na primeira infância; postergar a triagem para a idade pré-escolar perde essa janela de oportunidade. Além disso, vincular a indicação principal a história familiar ou deficiência intelectual novamente falha em detectar casos esporádicos que também beneficiam de rastreio precoce. Resposta: Alternativa B Questão 5: | 15 COMENTÁRIOS Dica do autor: O diagnóstico de doenças infecciosas em crianças pequenas muitas vezes envolve a análise cuidadosa da evolução clínica e dos sintomas associados, como febre, exantema e outros sinais. O exantema súbito (também conhecido como roséola infantil) é uma doença viral comum em crianças com menos de 2 anos de idade e é frequentemente associada a um quadro de febre alta que surge de maneira abrupta e que, após a febre ceder, é seguido pelo aparecimento de exantema maculopapular, geralmente no tronco e pescoço. A febre costuma durar entre 3 a 5 dias, e o exantema surge após a queda da febre. O diagnóstico clínico de exantema súbito pode ser feito com base nessa história típica, e exames laboratoriais geralmente não são necessários. Outros diagnósticos diferenciais podem ser considerados com base na anamnese e no exame físico, como o sarampo e a síndrome mão-pé-boca, mas a característica do exantema e a evolução da febre favorecem o diagnóstico de exantema súbito. É importante, porém, estar atento à possibilidade de complicações ou diagnósticos alternativos. Alternativa A: INCORRETA. Embora a síndrome mão-pé-boca possa ocorrer com febre e exantema, a presença de vesículas é um achado clínico importante e característico para o diagnóstico. Como não foram observadas vesículas na pele, o diagnóstico de síndrome mão-pé-boca é menos provável. Além disso, a evolução da febre e a característica do exantema são mais compatíveis com exantema súbito. Alternativa B: INCORRETA. Embora o sarampo deva ser considerado no diagnóstico diferencial em crianças pequenas, especialmente em um contexto de febre alta e exantema, a anamnese e exame físico no quadro apresentado sugerem mais fortemente exantema súbito. A ausência de outros sinais do sarampo, como o catarro e a conjuntivite, e a evolução do exantema são mais consistentes com o diagnóstico de exantema súbito. Testes laboratoriais para sarampo não são necessários nesse contexto clínico, já que o quadro típico não é sugestivo dessa infecção. Alternativa C: CORRETA. A história clínica e o exame físico são suficientes para o diagnóstico de exantema súbito. O quadro clínico com febre alta inicial, que depois cede e é seguido pelo exantema maculopapular, é característico dessa doença. Exames complementares geralmente não são necessários para confirmar o diagnóstico, pois o padrão clínico é bastante característico. O tratamento é basicamente sintomático e o prognóstico é geralmente favorável. Alternativa D: INCORRETA. Embora a febre alta possa ser um sinal de infecção bacteriana, o quadro de exantema maculopapular não é típico de escarlatina. A escarlatina geralmente é associada a uma erupção cutânea mais característica, com aspecto de pele em lixa e hiperemia faríngea associada. Além disso, o exantema da escarlatina aparece simultaneamente ou logo após o início da febre, o que não coincide com o padrão descrito neste caso. Resposta: Alternativa C. Questão 6: Dica do autor: Aanemia ferropriva é a principal causa de anemia, responsável por cerca de 60% dos casos no mundo. Algumas fases da vida são particularmente suscetíveis a deficiência de ferro devido à alta demanda metabólica, como a primeira infância (especialmente nos primeiros 2 anos de vida), a adolescência e durante a gestação, justamente por esse motivo recomenda-se a suplementação profilática de ferro durante a infância e a gestação. Além disso, considerando a biodisponibilidade do ferro, alguns hábitos alimentares também aumentam o risco de anemia ferropriva, sendo digno de nota na infância, a dieta pobre em ferro heme (sem consumo de carne e vísceras) e a introdução de leite de vaca antes de um ano de vida, principalmente se consumido em grandes volumes ao dia (> 500 a 750 mL/dia). Os exames laboratoriais são essenciais para o diagnóstico de anemia ferropriva e devem ser solicitados antes do início do tratamento. É possível identificar desde a fase de redução dos estoques de ferro (redução da ferritina), até a deficiência de ferro (redução do ferro sérico e da saturação de transferrina, acompanhados de um aumento da capacidade total de ligação da transferrina) e o diagnóstico de anemia, caracterizado pela redução dos níveis de hemoglobina e hematócrito com alteração dos parâmetros hematimétricos: volume corpuscular médio (VCM) baixo, hemoglobina corpuscular média (HCM) baixa e índice de variação de eritrócitos (RDW) aumentado, | 16 COMENTÁRIOS classificando a anemia ferropriva como uma anemia microcítica, hipocrômica e com anisocitose. Além disso, como a anemia ferropriva decorre de uma falha na eritropoese obviamente também háredução dos reticulócitos, precursores das hemácias. Nesse caso estamos diante de uma quadro de anemia ferropriva em uma criança de 2 anos e 6 meses que ingere muito leite e come pouca carne. Note que a paciente já apresenta até sintomas de anemia (palidez cutaneomucosa), que pode ser confirmada pelos exames demonstrando uma anemia microcítica (hemoglobina de 9,2 g/dL, hematócrito de 27,9% e VCM de 68 fL) com redução da ferritina (12 ng/mL). O tratamento da anemia ferropriva consiste na orientação nutricional para o consumo de alimentos fonte, princi- palmente de ferro heme, e na reposição de ferro por via oral na dose terapêutica de 3 mg/kg/dia a 6 mg/kg/dia de ferro elementar por, no mínimo, oito semanas. Essa dose pode ser fracionada ou única, antes das refeições. A suplementação deve ser continuada visando à reposição dos estoques de ferro, ou seja, até a obtenção de ferritina sérica maior que 15 ¼g/dL. Note que foi prescrito ferro, mas em uma dose baixa, de 2 mg/kg/dia, e depois de 3 meses de tratamento a paciente persiste com anemia, sem melhora dos parâmetros hematimétricos e do estoque de ferritina. Isso significa que devemos pensar em um diagnóstico diferencial? NÃO! Significa que devemos ajustar a dose do ferro, para entre 3 a 6 mg/Kg/dia, realizando nova coleta de exames em 30 a 60 dias. Amonitorizaçãodo tratamento deve ser feita por exames laboratoriais, orientando-se a coleta de reticulócitos e hemograma completo a cada 30 a 60 dias, perfil de ferro e ferritina com 30 e 90 dias. Após três a quatro dias do início da reposição de ferro, começa o aumento dos reticulócitos, que atinge o pico com sete dias. Em até 30 dias ocorre a elevação dos níveis de hemoglobina – lembrando que o tratamento deve durar até a reposição dos estoques de ferro, que pode demorar de dois a seis meses. Alternativa A: INCORRETA. A resposta ao tratamento de ferro elementar não foi suficientemente boa após 3 meses, o que sugere que o tratamento atual não foi suficiente. Alternativa B e C: INCORRETAS. Não há evidências suficientes para sugerir que a anemia da paciente seja resistente ao uso de ferro, já que a dose dada foi baixa. Antes de investigar outras causas de persistência da anemia é importante ajustar o tratamento. Alternativa D: CORRETA. A persistência de fatores de risco como o consumo excessivo de leite de vaca pode justificar a baixa resposta ao tratamento com ferro. Além disso, a dose doferro oral está baixa e deve ser ajustada. Resposta: Alternativa D. Questão 7: Dica do autor: Em adolescentes, o foco do calendário é reforçar proteção contra meningiteeHPV e regularizar febre amarela conforme histórico. Aos 12 anos, quem cumpriu as vacinas até os 8 anos geralmente já tem o esquema básico de hepatite B completo e duas doses de SCR (sarampo, caxumba e rubéola). Para essa faixa etária, entra a meningocócica ACWY (dose única entre 11 e 14 anos) e o HPV (esquema de dose única entre 9 e 14 anos). Quanto à febre amarela, se a criança apenas recebeu 1 dose aos 9 meses e não fez o reforço previsto quando a primovacinação ocorre antes dos 5 anos, deve-se fazer a dose de atualização/captura agora, sem a necessidade de reforço vacinal posterior. Alternativa A: INCORRETA. HPV está correto, mas reforço de hepatite B e dT não são rotineiramente indicados agora se o esquema infantil foi completo até os 8 anos (o próximo reforço de dT/Td costuma ser mais adiante, 10 anos depois da última dose, ou seja, aos 14 anos). | 17 COMENTÁRIOS Alternativa B: INCORRETA. Reforço de hepatite B e SCR não são necessários em quem já completou as séries na infância. dT idem: não há indicação imediata se o esquema está em dia. Alternativa C: CORRETA. HPV (dose única), meningocócica ACWY (dose da adolescência) e febre amarela (dose de atualização, já que só recebeu a dose aos 9 meses e não teve reforço posterior). É exatamente o pacote esperado para essa idade com esse histórico. Alternativa D: INCORRETA. SCR não é necessária se duas doses já foram feitas até os 8 anos. Falta ainda HPV (fundamental na adolescência) nessa alternativa. Resposta: Alternativa C. Questão 8: Dica do autor: O acompanhamento do crescimento de crianças com síndrome de Down requer atenção especial, pois essas crianças apresentam padrões de crescimento diferentes da população geral, com menor estatura e menor ganho ponderal desde o nascimento. Por esse motivo, a utilização das curvas de crescimento da OMS (que representam crianças com desenvolvimento típico) pode levar a interpretações errôneas, como superestimação de déficit ponderal ou estatural. Atualmente, as principais referências, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam que o acompanhamento de crianças com síndrome de Down seja feito com curvas específicas, desenvolvidas a partir de estudos populacionais que consideram o padrão de crescimento característico dessa síndrome. Essas curvas foram elaboradas pela CDC (Centers for Disease Control and Prevention), com base em crianças com síndrome de Down dos Estados Unidos, e estão disponíveis para meninos e meninas, desde o nascimento até os 20 anos. Assim, desde o nascimento, a criança com síndrome de Down deve ser acompanhada nessas curvas específicas, que refletem melhor sua realidade biológica e garantem uma avaliação mais precisa de seu crescimento e desenvolvimento. Alternativa A: INCORRETA. As curvas de crescimento da OMS representam crianças sem condições genéticas específicas e não consideram o padrão de crescimento peculiar da síndrome de Down. Utilizá-las pode levar a diagnósticos incorretos de baixo peso ou baixa estatura, o que resultaria em intervenções desnecessárias ou interpretações equivocadas. Portanto, não são adequadas para o acompanhamento de crianças com essa síndrome. Alternativa B: CORRETA. O acompanhamento deve ser realizado desde o nascimento nas curvas de crescimento específicas para síndrome de Down. Essas curvas foram criadas com base em estudos longitudinais e refletem com precisão o padrão de crescimento esperado para essa população. Permitem identificar desvios significativos dentro de uma faixa realista e biológica. Além disso, utilizá-las desde o início possibilita um monitoramento individualizado e um diagnóstico precoce de problemas nutricionais ou endócrinos, comuns na síndrome de Down (como hipotireoidismo e doença celíaca). Alternativa C: INCORRETA. Não existe correção de peso e estatura para síndrome de Down a partir das curvas da OMS. O conceito de “corrigir” medidas com base em uma condição genética não tem respaldo científico. O que existe são curvas específicas para esses pacientes, que devem ser utilizadas desde o nascimento. Alternativa D: INCORRETA. Não há recomendação para utilizar as curvas da OMS até os dois anos e, depois, migrar para curvas específicas. As curvas especiais devem ser aplicadas desde o nascimento, pois o padrão de crescimento diferenciado da síndrome de Down já está presente desde o período neonatal. Essa proposta atrasaria a detecção de possíveis alterações e comprometeria o acompanhamento precoce do desenvolvimento ponderoestatural. Resposta: Alternativa B. | 18 COMENTÁRIOS Questão 9: Dica do autor: Apuberdade é o processo biológico por meio do qual a criança se torna um adulto com funções repro- dutivas. Caracteriza-se pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e pela aceleração do crescimento, culminando, por fim, com a aquisição de capacidade reprodutiva. Resumidamente podemos dizer que a puberdade decorre de três os processos fisiológicos: • Adrenarca: início da produção dos andrógenos adrenais, que ocorre de forma independente entre 6 e 8 anos de vida; • Ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal; • Gonadarca: início da produção dos esteroides sexuais. A puberdade deve se iniciar em meninas entre oito e 13 anos e, em meninos, entre nove e 14 anos de idade, obedecendo a uma sequência cronológica de desenvolvimento puberal. O surgimento de características sexuais secundárias antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos indica um quadro de puberdade precoce. Apenas sabendo desse conceito já é possível concluir que estamos diante de um quadro de puberdade precoce, já que a menina apresenta caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos. Podemos dividir as etiologias da puberdade precoce em três grupos: central, periférica e mista. A puberdade precoce central é dependente de gonadotrofinas e decorre da ativação precoce do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal com elevação do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). Manifesta-se por maturação sexual completa e que segue a sequência normal do desenvolvimento puberal, com caracteres sexuais secundários sempre concordantes com o sexo (isossexual). É exatamente isso o que vemos nesse caso, já que há desenvolvimento mamário precedendo o aparecimento de outras características sexuais secundárias, e associado ao avanço da idade óssea. A avaliação da idade óssea é fundamental para compreender o progresso do desenvolvimento. A radiografia de punho mostrou idade óssea de 9 anos e 6 meses, indicando um avanço significativo da idade óssea em relação à idade cronológica da paciente. Alternativa A: CORRETA. A puberdade precoce central é a hipótese mais adequada, pois, além da telarca(broto mamário: M2 de Tanner), a paciente apresenta também avanço da idade óssea. A diferença significativa entre a idade óssea e a idade cronológica (2 anos) confirma o diagnóstico de puberdade precoce central, que é causada pela ativação precoce do eixo hormonal. Alternativa B e C: INCORRETAS. A telarca isolada precoce poderia ser cogitada se a paciente tivesse apenas o crescimento mamário sem o avanço da idade óssea. No entanto, o exame de radiografia da paciente mostra um avanço significativo da idade óssea, o que caracteriza puberdade precoce, e não uma simples telarca isolada. Alternativa D: INCORRETA. A puberdade precoce central é caracterizada pela ativação precoce do eixo hormonal, mas a paciente não apresenta pubarca (crescimento de pelos pubianos) até o momento. O único sinal identificado até agora é a telarca, o que torna a puberdade precoce central a causa mais provável, mesmo sem pubarca. Resposta: Alternativa A. Questão 10: Dica do autor: Todo profissional de saúde tem o dever legal e ético de notificar o Conselho Tutelar quando houver suspeita ou confirmação de violência, maus-tratos, negligência, abuso ou qualquer violação dos direitos de crianças e adolescentes. Essa notificação deve ser feita independente da confirmação do diagnóstico, pois o objetivo é garantir proteção imediata e articulação da rede de cuidado. | 19 COMENTÁRIOS Sinais indiretos como equimoses em diferentes fases de evolução, comportamento evitativo ou retraído, presença em ambiente sem vínculo afetivo e protetivo e relato não compatível com as lesões devem sempre acender o alerta para violência física ou negligência. Portanto, a notificação não exige certeza, basta a suspeita razoável. A situação clínica do adolescente, por si só, pode não indicar violência — mas o contexto em que ela ocorre, a repetição de eventos e a ausência de explicação plausível para os sinais devem orientar a conduta de proteção. Alternativa A: INCORRETA. Apesar do quadro clínico de Manuel ser grave e levantar suspeita de meningococcemia, ele está acolhido por uma família substituta, e o caso, neste momento, é uma urgência médica infecciosa, não necessariamente um indicativo de maus-tratos ou negligência. Alternativa B: CORRETA. Michele apresenta equimoses em face, pernas e coxas em diferentes estágios, um dos sinais clássicos de violência física, além de evitar falar sobre o assunto — um comportamento comum em vítimas de agressão, por medo ou coação. Ainda que esteja sob os cuidados de familiares, a suspeita de maus-tratos físicos é clara, o que obriga o profissional de saúde a notificar o Conselho Tutelar imediatamente. Alternativa C: INCORRETA. Felipe apresenta quadro clínico compatível com dengue com manifestação grave, e está acolhido institucionalmente. Embora esteja mais isolado, o quadro clínico pode ser explicado por uma doença aguda, sem indícios objetivos de maus-tratos. Não há elementos que justifiquem, nesse momento, uma notificação ao Conselho Tutelar, já que o quadro parece primariamente infeccioso. Alternativa D: INCORRETA. Edilene apresenta equimoses e linfonodomegalias generalizadas, além de sintomas sistêmicos (febre, perda de peso), o que sugere doença hematológica ou infecciosa crônica (como linfoma, tuberculose ou infecção oportunista em imunossupressão). Ela está sob medida socioeducativa, ou seja, já em instituição de proteção e vigilância do Estado, e não há elementos clínicos claros de violência atual ou maus-tratos. Portanto, não há, até o momento, indicação de notificação obrigatória ao Conselho Tutelar. Resposta: Alternativa B. Questão 11: Dica do autor: A introdução alimentar é um marco importante no desenvolvimento do bebê, e a introdução de alimentos sólidos deve ser feita de forma gradual e cuidadosa. A recomendação oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde do Brasil é que o aleitamento materno exclusivo seja mantido até os 6 meses de idade, depois dos quais pode ser iniciada a introdução de alimentos complementares. A introdução alimentar deve ocorrer de forma gradual, com alimentos saudáveis e in natura, com foco no desenvolvimento do paladar do bebê e na ampliação das opções alimentares. Tradicionalmente, a introdução da alimentação complementar é iniciada com frutas aos seis meses de vida, preferindo sempre a fruta in natura em vez do suco (evitar sucos até um ano ou, pelo menos, limitar a ingestão máxima a 100 mL por dia). A papa principal (também chamada de papa salgada, embora se deva evitar a colocação de sal), inicialmente introduzida no horário do almoço e, posteriormente, no jantar, deve ser composta por cereais ou tubérculos, leguminosas, carne e hortaliças (verduras e legumes) cozidos e amassados, não devendo ser peneirada ou batida no liquidificador, para manter uma boa consistência. Não é incomum a recusa na introdução de alguns alimentos complementares, mas isso não deve ser interpretado como uma recusa definitiva, pois podem ser necessárias até dez exposições a um novo alimento antes que a criança o aceite definitivamente. O aumento da quantidade e da consistência dos alimentos deve ser gradual, até que a criança receba a comida na mesma consistência da família, o que deve acontecer por volta de um ano de idade. Alternativa A: INCORRETA. O composto lácteo não é indicado nunca na pediatria. O aleitamento materno deve continuar como a principal fonte de nutrição, e os alimentos complementares devem ser oferecidos após os 6 meses de forma gradual, começando com a papa principal e as frutas in natura. | 20 COMENTÁRIOS Alternativa B: INCORRETA. O ideal é que a introdução alimentar seja feita com alimentos in natura. O foco inicial deve ser a introdução de alimentos frescos, como papas de legumes ou frutas, de forma simples, sem a necessidade de processamento excessivo. Alternativa C: INCORRETA. Suco de frutas não é recomendado para bebês menores de um ano, devido ao excesso de carboidratos simples e a pouca quantidade de fibras. Além disso, a ingestão de suco pode substituir as refeições saudáveis, como a fruta fresca, que é mais rica em fibras e nutrientes. A introdução alimentar deve ser baseada em alimentos sólidos e integrais, como legumes e frutas frescas. Alternativa D: CORRETA. A recomendação mais adequada é introduzir 1 refeição principal (na consistência papa) e 1 porção de fruta. A introdução de papas principais ou frutas é uma maneira saudável de iniciar a alimentação complementar, sempre mantendo o aleitamento materno como principal fonte de nutrição até os 12 meses de idade. Resposta: Alternativa D. Questão 12: Dica do autor: A perda de peso no neonato é uma ocorrência fisiológica nas primeiras 48-72 horas de vida, especialmente em recém-nascidos que estão em aleitamento materno exclusivo. A perda de até 10% do peso ao nascimento é considerada normal, desde que o recém-nascido esteja clinicamente estável, com boa hidratação, eliminação de urina e fezes, e sem sinais de desconforto ou doenças. Perdas superiores a 10% exigem atenção, po- dendo indicar problemas com a amamentação ou condições clínicas subjacentes, podendo inclusive se correlacionar com a icterícia neonatal. Para fazer o cálculo da perda ponderal fazemos uma regra de três simples: 3500g ------------------- 100% 175g -------------------- X Dessa forma temos que: 175 x 100 = 17500/3500 = 5% Sendo assim, no caso apresentado, a perda de 175 g, representando cerca de 5% do peso ao nascimento, está dentro dos limites esperados e não é motivo de preocupação, desde que o recém-nascido esteja bem hidratado e sem sinais de complicações. Deve-se apenas orientar a manutenção do aleitamento materno exclusivo, corrigindo eventuais erros de técnica. Resposta: Alternativa A. Questão 13: Dica do autor: Em lactentes com dieta vegana, como no caso descrito, é fundamental suspeitar de deficiência de vitamina B12, especialmente diante de anemia macrocítica (VCM elevado), plaquetopenia e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.A vitamina B12 é obtida exclusivamente de fontes animais, e sua deficiência em bebês pode causar irritabilidade, hipotonia, atraso motor e até regressão de marcos do desenvolvimento. Além disso, como a alimentação da criança também pode ser pobre em ferro, a suplementação conjunta de ferro e vitamina B12 é essencial. A fisioterapia é indicada para estimular a motricidade, diante do atraso observado. | 21 COMENTÁRIOS Alternativa A: INCORRETA. A deficiência de vitamina A ou C não justifica o quadro clínico e laboratorial. O achado mais relevante é a anemia macrocítica, que deve direcionar a investigação para vitamina B12. Alternativa B: CORRETA. A criança apresenta anemia macrocítica (VCM = 101 fL), irritabilidade e atraso motor, em um contexto de dieta vegana sem suplementação de vitamina B12. A conduta correta é suplementar vitamina B12 e ferro, além de iniciar acompanhamento com fisioterapia. Alternativa C: INCORRETA. Embora o quadro neurológico chame atenção, o encaminhamento precoce para neurologia não deve preceder o tratamento da causa provável e corrigível, que é a deficiência de B12. Alternativa D: INCORRETA. A suplementação de vitamina D está sendo feita adequadamente com 400 UI ao dia. O erro da alternativa está em não abordar o tratamento da vitamina B12, foco central do quadro clínico apresentado. A suplementação de ferro isoladamente é insuficiente, e o acompanhamento de rotina não é suficiente diante do atraso motor evidente. Resposta: Alternativa B Questão 14: Dica do autor: a introdução de corpos estranhos nasais em crianças é uma emergência comum, especialmente em crianças pequenas que exploram o ambiente com os sentidos. Quando um objeto é introduzido no nariz, é importante que a remoção do corpo estranho seja realizada com precaução e rapidez, para evitar complicações como infecção, perfuração nasal ou aspiração com consequente obstrução da via aérea. O quadro clínico de- scrito é sugestivo de obstrução nasal unilateral, que é até confirmada pela radiografia, revelando uma imagem radiopaca circular, já queo corpo estranho é metálico e visível na radiografia. A melhor forma de remover um corpo estranho nasal em situações como essa é através de nasofibroscopia, um procedimento realizado por um otorrinolaringologista. A nasofibroscopia permite a visualização direta do corpo estranho e sua remoção com segurança, minimizando riscos de lesões nas vias aéreas superiores. A transferência imediata para um centro de referência é necessária para garantir que o procedimento seja realizado por profissionais especializados, com o uso de equipamentos adequados para a remoção segura do objeto. Alternativa A: INCORRETA. A simples alta médica com encaminhamento para consulta não é adequada neste caso. A remoção do corpo estranho deve ser feita imediatamente, pois a criança apresenta obstrução nasal unilateral e o risco de complicações aumenta com o tempo. O atraso no tratamento pode resultar em aspiração do corpo estranho. Alternativa B: CORRETA. A transferência para um centro de referência para nasofibroscopia imediata é a conduta mais adequada. A nasofibroscopia permite a remoção direta e segura do corpo estranho, minimizando o risco de complicações, e deve ser realizada em um ambiente especializado, como um centro de otorrinolaringologia. Alternativa C: INCORRETA. A internação no pronto-socorro para lavagem e aspiração nasal pode ser útil em casos de secreção espessa, mas não é indicada para a remoção de corpos estranhos visíveis, especialmente quando há o risco de aspiração. A realização da lavagem nasal pode inclusive favorecer a aspiração do corpo estranho, com posterior obstrução de via aérea. Alternativa D: INCORRETA. A internação hospitalar para realização de rinoscopia eletiva não é a conduta correta, pois a remoção do corpo estranho deve ser feita de imediato, utilizando métodos como a nasofibroscopia. Resposta: Alternativa B. Questão 15: | 22 COMENTÁRIOS Dica do autor: O recém-nascido desta questão apresenta um quadro clínico de lesões cutâneas vesiculobolhosas flácidas, de conteúdo amarelado, evoluindo para crostas e áreas eritematosas/marrons, sem sinais sistêmicos. Essa apresentação é mais compatível com impetigo bolhoso, uma forma de infecção bacteriana superficial da pele, causada principalmente por Staphylococcus aureus, que produz toxinas esfoliativas. Diferente das lesões herpéticas (que são agrupadas e sobre base eritematosa), as bolhas do impetigo bolhoso são mais frágeis, rompem facilmente e deixam áreas erosadas. O tratamento de escolha em quadros leves e localizados em pacientes estáveis é antibiótico tópico, como mupiroci- na. A antibioticoterapia sistêmica fica reservada para casos mais extensos ou com sinais sistêmicos. Alternativa A: CORRETA. A mupirocina tópica é indicada para quadros de impetigo bolhoso localizado em recém-nascidos estáveis. É eficaz contra Staphylococcus aureus, que é o principal agente etiológico. Trata-se de uma opção segura e eficaz em infecções superficiais da pele sem comprometimento sistêmico. Alternativa B: INCORRETA. O aciclovir intravenoso é reservado para casos suspeitos de infecção por herpes simplex vírus, geralmente com vesículas agrupadas, lesões disseminadas ou sinais sistêmicos — características ausentes neste caso. Alternativa C: INCORRETA. A sulfadiazina de prata é usada em queimaduras e não é a primeira escolha para tratamento de impetigo. Além disso, seu uso em neonatos deve ser evitado, pois pode causar toxicidade, como meta-hemoglobinemia e deslocamento da bilirrubina. Alternativa D: INCORRETA. A imunoglobulina varicela-zoster é indicada como profilaxia pós-exposição ao vírus da varicela, especialmente em pacientes de risco. Não tem qualquer papel no tratamento de infecções bacterianas de pele. Resposta: Alternativa A Questão 16: Dica do autor: O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um quadro neurodesenvolvimental car- acterizado por sintomas persistentes de desatenção e/ou de hiperatividade-impulsividade que são inadequados para o nível de desenvolvimento da criança, aparecem precocemente e se estendem por múltiplos contextos (ex.: casa e escola), prejudicando o funcionamento social, acadêmico ou ocupacional. O diagnóstico é clínico: exige avaliação de- talhada da história (início e evolução dos sintomas), confirmação da presença dos sintomas em mais de um ambiente e investigação de comorbidades frequentes (transtornos de aprendizagem, ansiedade, transtorno desafiador-opositor, transtorno do sono, entre outros). Escalas validadas e relatórios escolares são ferramentas essenciais para quantificar sintomas e orientar diagnóstico e tratamento. Exames complementares não confirmam o diagnóstico, mas servem para excluir outras causas (problemas auditivos/visuais, alterações endocrinológicas, uso de substâncias, défices cognitivos). O manejo é multimodal: psicoeducação familiar e escolar, intervenções psicossociais/psicopedagógicas e, quando indicado (casos moderados a graves ou com prejuízo funcional significativo), farmacoterapia com estimulantes ou alternativas aprovadas, sempre com monitorização de efeitos e acompanhamento longitudinal. Alternativa A: INCORRETA. Descreve o transtorno opositor-desafiador (TOD) de forma incorreta, porque mistura sinais de desatenção com irritabilidade e impulsividade. O TOD é caracterizado por comportamentos de desafio, desobediência e hostilidade em relação a figuras de autoridade, não por desatenção primária. Além disso, o enunciado fala em “escalas variadas” sem enfatizar o uso de instrumentos validados e relatórios contextuais (escola/família), o que é impreciso para o diagnóstico diferencial. | 23 COMENTÁRIOS Alternativa B: CORRETA. Apresenta a definição correta de TDAH e as medidas necessárias para o diagnóstico: avaliação clínica e psicossocial completa, foco em sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, e uso de escalas validadas. É isso que norteia a identificação