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## Resumo da Norma ABNT NBR 7483:2004 – Cordoalhas de aço para concreto protendido – RequisitosA ABNT NBR 7483:2004 estabelece os requisitos técnicos para a fabricação, encomenda, fornecimento, inspeção e aceitação de cordoalhas de aço de alta resistência, utilizadas como armaduras em concreto protendido. Esta norma, que substitui a edição anterior de 1991, é fundamental para garantir a qualidade e a segurança das cordoalhas empregadas em estruturas de concreto protendido, definindo critérios rigorosos para os materiais, processos produtivos e controle de qualidade.### Objetivo e AplicaçãoO principal objetivo da norma é fixar os requisitos mínimos para cordoalhas de aço de três e sete fios, classificadas conforme o número de fios e a resistência à tração, em duas categorias principais: CP-190 e CP-210, que indicam o limite mínimo de resistência à tração em kgf/mm² (equivalente a MPa). A norma também define termos técnicos essenciais, como passo da hélice, diâmetro nominal, lance, rolo, carretel e lote, para padronizar a comunicação e o entendimento entre fabricantes, compradores e usuários.### Requisitos Gerais e FabricaçãoA fabricação das cordoalhas deve seguir critérios rigorosos, começando pelo fio de aço-carbono, que deve ser encruado a frio por trefilação, com limites máximos para fósforo (0,020%) e enxofre (0,025%) para garantir a qualidade do material. O fio deve estar livre de defeitos superficiais ou internos que possam comprometer sua resistência. Para as cordoalhas de sete fios, o fio central deve ter diâmetro nominal pelo menos 2% maior que os fios externos, e o passo da hélice deve variar entre 12 a 16 vezes o diâmetro nominal da cordoalha, garantindo a firmeza e uniformidade do encordoamento. Para as cordoalhas de três fios, todos os fios têm o mesmo diâmetro nominal e são encordoados com o mesmo passo.A norma proíbe a presença de soldas no produto final, exigindo que quaisquer trechos com soldas sejam descartados para evitar pontos frágeis. Após o encordoamento, as cordoalhas devem passar por um tratamento termomecânico final para atender aos requisitos mecânicos e de relaxação especificados. Além disso, as cordoalhas devem apresentar uma curvatura permanente (flecha) máxima de 15 cm em um comprimento de 2 metros, quando desenroladas sobre uma superfície plana, para garantir a qualidade geométrica do produto.### Acondicionamento, Transporte e MarcaçãoAs cordoalhas devem ser fornecidas em rolos firmemente amarrados, com diâmetro interno mínimo de 750 mm, permitindo a retirada de amostras sem danificar a estrutura do rolo. Durante o transporte e armazenamento, é essencial proteger as cordoalhas contra danos físicos e contaminação, especialmente contra agentes que possam causar corrosão. Cada rolo deve ser identificado com uma etiqueta resistente contendo informações essenciais, como nome do produtor, número da norma, designação do produto (número de fios, categoria, relaxação), diâmetro nominal, identificação do rolo e massa líquida.A designação do produto segue um padrão claro, por exemplo, "CP-190 RB 12,7" indica uma cordoalha de sete fios para concreto protendido, categoria 190, relaxação baixa, com diâmetro nominal de 12,7 mm. Para cordoalhas de três fios, a designação inclui o número de fios e o diâmetro nominal de cada fio, como "CP 190 RB 3 x 3,0".### Inspeção, Ensaios e Controle de QualidadeA inspeção do material é responsabilidade do comprador e do contratante, que devem garantir que as cordoalhas atendam aos requisitos da norma. O comprador deve exigir certificados de ensaio do fabricante, contendo dados como data, identificação do rolo e características dimensionais e mecânicas. O comprador pode realizar inspeções adicionais, limitadas a uma amostra a cada dez rolos, e pode solicitar registros de ensaios de relaxação em cordoalhas similares para comprovar a conformidade.O contratante deve verificar a integridade física das cordoalhas e pode fiscalizar o comprador, analisar os ensaios realizados ou contratar laboratórios credenciados para controle de qualidade. A amostragem para ensaios deve ser feita na extremidade externa de um rolo de cada lote, e as amostras não podem ser submetidas a tensionamento ou aquecimento antes dos testes.Os ensaios principais são o de tração, conforme ABNT NBR 6349, que avalia carga versus deformação, carga a 1% de alongamento, carga de ruptura, alongamento após ruptura e módulo de elasticidade; e o de relaxação, conforme ABNT NBR 7484, que mede a perda de tensão sob carga constante equivalente a 80% da carga mínima de ruptura.### Aceitação, Rejeição e Considerações FinaisA aceitação do produto depende do atendimento a todos os requisitos especificados, exceto o módulo de elasticidade, que pode apresentar variações até 5% sem motivo para rejeição. Caso um corpo-de-prova não atenda aos critérios, um reensaio deve ser realizado; se este for satisfatório, o rolo é aprovado, caso contrário, o lote inteiro deve ser testado. A norma admite oxidação superficial leve e uniforme, desde que não haja corrosão localizada, e recomenda a remoção manual dessa oxidação para garantir a qualidade do produto.A liberação do produto não depende do resultado do ensaio de relaxação, devido à sua longa duração, podendo o comprador basear-se em resultados recentes de materiais similares do mesmo fabricante. A norma enfatiza a importância do controle rigoroso para garantir a segurança e durabilidade das estruturas de concreto protendido, assegurando que as cordoalhas atendam às exigências técnicas e de desempenho.---### Destaques- A norma ABNT NBR 7483:2004 define requisitos para cordoalhas de aço de alta resistência usadas em concreto protendido, classificadas por número de fios e resistência à tração (CP-190 e CP-210).- A fabricação exige fios de aço-carbono trefilados a frio, com controle rigoroso da composição química e ausência de defeitos, além de proibição de soldas no produto final.- As cordoalhas devem passar por tratamento termomecânico final, apresentar curvatura limitada e ser acondicionadas em rolos com identificação clara e proteção contra corrosão.- A inspeção envolve certificados de ensaio, amostragem criteriosa e ensaios de tração e relaxação, com procedimentos para aceitação, rejeição e reensaio.- Oxidação superficial leve é permitida, e a liberação do produto não depende do ensaio de relaxação, podendo-se usar dados de ensaios anteriores para comprovar conformidade.