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PNEUMOLOGIA
SONS PULMONARES
SUMÁRIO
1. Introdução ...................................................................................................... 3
2. Ausculta pulmonar .......................................................................................... 4
3. Sons normais ................................................................................................. 5
4. Sons adventícios .......................................................................................... 10
Referências Bibliográficas ............................................................................................19
Sons Pulmonares   3
1. INTRODUÇÃO
A ausculta pulmonar é uma habilidade médica que surgiu em 1816, quando René 
Laennec fez um cone com uma folha de papel e escutou os pulmões de um paciente, 
sendo este o primeiro estetoscópio.
A ausculta dos sons pulmonares permitem suspeitar de determinadas doenças. 
Os sons normais são o som traqueal, brônquico e vesicular, que corresponde ao 
som de abertura dos alvéolos. Já os sons que denotam doença pulmonar são os 
sons adventícios, que podem ser classificados em sons contínuos, descontínuos ou 
indefinidos. Os sons contínuos incluem os sibilos, estertores e roncos; os sons des-
contínuos compreendem os estertores finos, estertores grossos e grasnidos; e um 
exemplo de som pulmonar indefinido é o som do atrito pleural.
SONS 
PULMONARES
NORMAIS ADVENTÍCIOS
TRAQUEAL
BRÔNQUICO
VESICULAR
ESTERTORES
ESTRIDOR
RONCOS
SIBILOS
GRASNIDOS
ATRITO PLEURAL
Fonte: Elaborado pelo autor.
Sons Pulmonares   4
2. AUSCULTA PULMONAR
A ausculta é um método semiológico básico no exame físico dos pulmões, que 
diferentemente da percussão, permite analisar o funcionamento pulmonar. A boa 
ausculta pulmonar requer o máximo de silêncio no ambiente do exame e posição cô-
moda do paciente. O médico deve se posicionar por trás do paciente, que por sua vez 
deve retirar a camisa e estar ereto, respirando sem provocar ruídos. 
A ausculta deve começar pela parte posterior, passando para as faces laterais e 
anterior, lembrando que os pulmões estão aproximadamente a quatro dedos trans-
versos abaixo da ponta da escápula. As regiões devem ser auscultadas de maneira 
simétrica, buscando examinar todos os lobos pulmonares (superior, médio e infe-
rior). Também é recomendado que o paciente faça algumas respirações profundas e 
tussa várias vezes, permitindo avaliar os dois tempos respiratórios. 
Os focos de ausculta pulmonar estão na imagem abaixo. Para isso recomenda- se 
que se ausculte em pelo menos 5 pontos simétricos, ou seja, 5 em um pulmão e 5 no 
outro pulmão.
Figura 1. Focos da ausculta pulmonar.
Fonte: Inspiring/shutterstock.com.
Sons Pulmonares   5
AUSCULTA 
PULMONAR
O BOM EXAME REQUER 
POSIÇÃO CÔMODA DO PACIENTE 
E MÁXIMO SILÊNCIO
ORIENTAR O PACIENTE 
A FAZER RESPIRAÇÕES 
PROFUNDAS
ANÁLISE DO 
FUNCIONAMENTO 
PULMONAR
EXAMINAR REGIÕES SIMÉTRICAS
Fonte: Elaborado pelo autor.
3. SONS NORMAIS
Os sons pulmonares normais são os sons traqueal, brônquico, broncovesicular e 
murmúrio vesicular. O som traqueal é um som tubular, oco e não musical. Este som é 
bem auscultado na região supraesternal e na lateral do pescoço, local de topografia 
da traqueia, gerado pela passagem do ar pela fenda glótica e pela própria traqueia.
O som traqueal é muito energético e é ouvido nas duas fases do ciclo respiratório 
(na expiração tem uma energia maior), sendo que na inspiração é um som mais rude 
e na expiração um som mais forte e duradouro. Ele transporta a maioria dos sons 
pulmonares, ou seja, quando há um som adventício, normalmente é possível auscul-
tar esse som na topografia traqueal por propagação do som. Além disso, o som tra-
queal demonstra se a traquéia está pérvia ou não, alcançando frequências de 100 a 
5000Hz, sendo que quanto mais obstruída, mais agudo será o som.
Figura 2. Pontos de ausculta do som traqueal.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Sons Pulmonares   6
O som brônquico é mais suave que o som traqueal, também é oco, não musical e 
é mais agudo que o murmúrio vesicular. Basicamente ele representa o som traqueal 
audível na zona de projeção dos brônquios de maior calibre, sendo considerado uma 
variação do som traqueal, do qual se diferencia por ter o componente expiratório me-
nos intenso. O som brônquico pode ser auscultado com maior qualidade na topogra-
fia dos brônquios maiores, na região paraesternal quando o acesso é anterior, e no 
acesso posterior na região interescapulovertebral direita. Lembrando que o brônquio 
direito é contínuo com a traqueia, então o som do brônquio esquerdo é um pouco 
mais brando. 
O som brônquico também está presente nas duas fases do ciclo respiratório e tem 
a mesma duração tanto na expiração quanto na inspiração. Quando este som apa-
rece na periferia do pulmão, é sugestivo de doença, especialmente consolidação ou 
colapso pulmonar. O som brônquico é um som intermediário entre o som traqueal e 
o som vesicular, e nas áreas que corresponde à condensação pulmonar, atelectasia 
ou nas regiões próximas de cavernas superficiais a respiração brônquica substitui o 
murmúrio vesicular.
Figura 3. Pontos de ausculta do som brônquico.
Fonte: Elaborado pelo autor.
 Se liga! O colapso pulmonar, ou atelectasia, consiste no fechamen-
to do pulmão, que fica contíguo com a parede torácica, ou seja, o pulmão sofre 
retração de uma parte ou da totalidade. Isso ocorre geralmente devido a uma 
obstrução, por muco, tumor, objeto estranho, coágulo sanguíneo, estreitamento 
das vias respiratórias por infecções crônicas, pneumotórax ou pressão externa. 
Já a consolidação pulmonar é caracterizada pela substituição do ar alveolar 
por líquido, como transudato, exsudato ou tecido conjuntivo, podendo sugerir 
neoplasia.
Sons Pulmonares   7
Figura 4. Radiografia de tórax evidenciando pulmão direito colapsado.
Fonte: pakirri/shutterstock.com
Os ruídos respiratórios são oriundos da passagem do ar pelo brônquios, bem co-
mo por cavidades de tamanhos distintos, a exemplo dos bronquíolos e alvéolos. O 
som vesicular é suave, oco e não musical. Habitualmente, este pulmão, sendo mais 
intenso na inspiração e início da expiração. A intensidade do componente inspirató-
rio neste som é gerada pelo fluxo turbulento dos brônquios lobares e segmentares, 
que produz um som mais intenso, duradouro e de tonalidade mais alta, enquanto o 
componente expiratório é derivado das vias aéreas centrais maiores, que geram um 
som mais fraco, de menor duração e tonalidade mais baixa. Porém, diferente do que 
ocorre na respiração traqueal, não é perceptível um intervalo silencioso entre as duas 
fases da respiração. Além disso, este som é o mais baixo dos outros tons, podendo 
apresentar frequência de 100 a 1000Hz. Quando comparado o som do murmúrio ve-
sicular e o som brônquico, por exemplo, o murmúrio é mais fraco e mais suave. 
O murmúrio vesicular foi o primeiro som pulmonar descrito, quando foi com-
parado ao som das folhas recebendo uma brisa suave. Nos brônquios menores, a 
velocidade do ar é maior, tornando o fluxo laminar e quase inaudível, ou seja, não 
auscultamos som alveolar, e por conta disso alguns autores defendem que não de-
ve chamar este som de vesicular (relativo aos alvéolos) e apenas de som pulmonar 
normal. Este som pode ser auscultado em quase todo o tórax, exceto nas regiões 
esternal superior, interescapular direita e no nível da 3ª e 4ª vértebras dorsais, áreas 
nas quais se ouve o som broncovesicular. o mumúrio vesicular possui diferentes 
intensidades ao redor do tórax, sendo mais intenso na região anterossuperior, nas 
regiões axilares e nas regiões infraescapulares, e sofre variação em sua intensidade 
de acordo com a amplitude dos movimentos respiratórios e da espessura da parede 
torácica, sendo mais fraco nas pessoas musculosas ou obesas.
Sons Pulmonares   8
Figura 5. Pontos de ausculta do som vesicular.
Fonte: Elaborado pelo autor.
As principais alterações no murmúrio vesicular são a diminuiçãoou o aumento 
de sua intensidade e prolongação do componente expiratório. O prolongamento da 
expiração, que em condições normais é mais curta, aparece principalmente na asma 
brônquica, no enfisema e na bronquite espastiforme, e esse achado representa a difi-
culdade de saída do ar. O murmúrio é mais intenso quando o paciente respira ampla-
mente e com a boca aberta, após esforço, em crianças e em pessoas emagrecidas.
Pacientes que apresentam algum tipo de comprometimento pulmonar de apenas 
um lado, irá apresentar murmúrio alterado deste mesmo lado e murmúrio contralate-
ralmente. Diversas situações podem provocar diminuição do murmúrio vesicular como 
pneumotórax, hemotórax, enfisema pulmonar, obstrução de vias aéreas, entre outros.
O som broncovesicular é a junção do som brônquico e do murmúrio vesicular. 
Não há diferença no som inspiratório e expiratório, entretanto esse som possui maior 
intensidade e duração em relação ao murmúrio vesicular, porém menos intenso 
que o som brônquico. Nas crianças, por conta do tamanho menor do tórax, o som 
broncovesicular é audível nas regiões mais periféricas. Normalmente, este só é aus-
cultado na região esternal superior, na interescapulovertebral direita e no nível da 
terceira e quarta vértebras dorsais. A presença do som broncovesicular em outras 
regiões indica consolidação pulmonar, atelectasia por compressão ou presença de 
caverna, isto é, nas mesmas condições em que se observa o som brônquico. Vale 
pontuar que para que o som broncovesicular seja auscultado, é preciso que haja na 
área lesionada alvéolos mais ou menos normais capazes de originar o som do tipo 
vesicular. Abaixo, uma tabela sistematizando as principais características dos sons 
pulmonares normais. As + representem a intensidade do som em cada fase do ciclo 
respiratório:
Sons Pulmonares   9
SOM LOCAL DE AUSCULTA INSPIRAÇÃO EXPIRAÇÃO
Traqueal Área de projeção da traqueia +++ ++++
Brônquico Áreas de projeção dos brônquios principais +++ +++
Broncovesicular
Região esternal superior e 
interescápulo-vertebral direita
++ ++
Murmúrio vesicular Periferia dos pulmões +++ ++
Tabela 1. Principais características dos sons pulmonares normais.
Fonte: Porto & Porto, 2014.
TRAQUEAL
MURMÚRIO VESICULAR
BRÔNQUICO
BRONCOVESICULAR
SONS 
PULMONARES 
NORMAIS
MAIS INTENSO 
NAS REGIÕES 
INFRAESCAPULARES 
E AXILARES 
PPROLONGADO NA 
ASMA BRÔNQUICA
DIMINUÍDO POR 
PNEUMOTÓRAX, ENFISEMA, 
ESPESSAMENTO PLEURAL
REGIÃO SUPRAESTERNAL 
E LATERAL DO PESCOÇO
INDICA TRAQUEIA 
PÉRVIA
PRESENTE NAS 
DUAS FASES
MAIS INTENSO 
QUE O MV
AUSCULTADO 
NORMALMENTE NA 
REGIÃO ESTERNAL 
SUPERIOR, 
INTERESCAPULO-
VERTEBRAL DIREITA 
E ENTRE AS 3ª E 4ª 
VÉRTEBRAS
PRESENÇA EM 
REGIÕES DIFUSAS 
DO PULMÃO INDICA 
CONSOLIDAÇÃO, 
ATELECTASIA OU 
CAVERNAS
ZONA DE PROJEÇÃO 
 DOS BRÔNQUIOS DE 
MAIOR CALIBRE
SUGESTIVO DE 
DOENÇA QUANDO ESTÁ 
NA PERIFERIA
PRESENTE NAS DUAS 
FASES DO CICLO
Fonte: Elaborado pelo autor.
Sons Pulmonares   10
 Saiba mais! A asma é uma doença inflamatória crônica das vias 
aéreas, caracterizada por episódios recorrentes de sibilos, dispneia, opressão 
torácica e tosse, principalmente à noite ou no início da manhã. O quadro clínico 
da asma está associado à broncoconstrição difusa e consequente limitação 
do fluxo aéreo, o que ocorre em resposta a alguns estímulos, sendo a doença 
classificada em atópica, quando há evidências de sensibilização a alérgenos, 
ou não atópica, quando não há evidências de sensibilização a nenhum alérgeno 
específico. Os sintomas da asma também podem ser agravados por infecções 
respiratórias, exposição a irritantes (fumaças), ar frio, estresse e exercício. A 
asma é tratada com medicamentos a base de corticoide e broncodilatadores.
4. SONS ADVENTÍCIOS
Os sons adventícios são os sons pulmonares anormais. Estes sons podem ser clas-
sificados em sons contínuos e descontínuos. Os sons contínuos são mais musicais, 
ou seja, se sobressaem em relação ao som vesicular, e são audíveis em qualquer fase 
da respiração, e geralmente apresentam ondas mais longas (> 250ms). Os exemplos 
dos sons contínuos são o estridor, sibilos e roncos. 
O estridor é um som musical, agudo, sinusoidal, ou seja, possui oscilação repetitiva, 
com frequência maior que 500Hz. Este som pode ser melhor ouvido na topografia tra-
queal e as vezes é tão agudo e pode ser ouvido sem o estetoscópio. O estridor pode 
ser inspiratório, expiratório ou bifásico. É um som parecido com os sibilos, dos quais 
se diferem por ser mais inspiratórios e por serem ouvidos na topografia traqueal.
O estridor é formado pela obstrução anatômica ou funcional da laringe ou traqueia, 
o que acontece quando a obstrução traqueal é menor que 5 mm, que gera fluxo turbu-
lento de ar. Quando é somente inspiratório, sugere uma obstrução extratorácica, como 
pode ocorrer quando há estenose de traqueia provocada por intubação prolongada, 
ou laringomalácia e lesão de corda vocal unilateral. Quando o estridor é expiratório, é 
sugestivo de obstrução intratorácica, como uma compressão por tumor, ou uma bron-
quiomalácia. Por fim, quando o estridor aparece nos dois ciclos respiratórios, sugere 
uma lesão fixa, como a paralisia de cordas vocais bilaterais, uma massa laríngea grande, 
edema de vias aéreas por reação alérgica, por exemplo. Na respiração calma, há uma 
menor intensidade, entretanto em respirações com maior esforço, há uma significativa 
intensificação desse som.
O sibilo é um som musical, agudo, e pode ser auscultado em todo o pulmão, mas 
principalmente na topografia da traqueia e até na laringe, ou seja, pode ser ouvido 
às vezes sem estetoscópio. Porém, ele não representa uma obstrução central. A 
Sons Pulmonares   11
transmissão sonora pelas vias aéreas é melhor do que a transmissão pela caixa to-
rácica, como se os pulmões absorvessem melhor os sons mais agudos, e por isso 
os sibilos são mais marcantes na topografia da traqueia, o que não significa que o 
problema seja nessa região. Os sibilos também são sinusoidais, com frequência de 
100 a 5000Hz (alta frequência = som agudo) e duração maior que 80ms. Esses sons 
são formados no segundo ao sétimo ramo da árvore brônquica, pela tremulação do 
ar, chamado de flutter das vias aéreas, e também pela parede da via aérea estreita, 
ou seja, não só pelo diâmetro mas também pelo espessamento da via aérea pela 
doença brônquica. Além disso, o sibilo pode ser ouvido tanto na inspiração quanto 
na expiração, fase em que mais intenso normalmente, sendo, de maneira geral, disse-
minados por todo o tórax. Quanto maior a duração do sibilo na fase de inspiração e 
quanto mais agudo ele é, maior é a obstrução que o está provocando.
Os sibilos são gerados nas doenças obstrutivas. Em alguns casos, a obstrução po-
de ser tão intensa a ponto de impedir a oscilação do ar, e com isso ocorre velocida-
des baixas de flutter, quando não é possível ouvir sibilos. Nesses casos, o murmúrio 
vesicular também se torna menos audível, o que pode indicar asma grave, por exem-
plo. Vale pontuar que os sibilos também pode ser localizados em determinado ponto 
da caixa pulmonar, e isso indica que há obstrução local, como por tumor ou corpo 
estranho – ou seja, os sibilos não são patognomônicos de asma.
 Se liga! As doenças pulmonares crônicas não infecciosas são clas-
sificadas em obstrutivas, ou doenças das vias aéreas, ou restritivas, ou doenças 
intersticiais difusas. As doenças obstrutivas são caracterizadas pelo aumento 
da resistência ao fluxo aéreo por uma obstrução parcial ou completa em qual-
quer nível da árvore respiratória. Já as doenças restritivas são caracterizadas 
pela redução do parênquima pulmonar e consequente diminuição da capacida-
de pulmonar total. Como exemplo de doenças obstrutivas há a DPOC (enfisema 
e bronquite crônica), asma e bronquiectasia; e como exemplos de doenças 
restritivas podemos citar a fibrose pulmonar idiopática. Vale pontuar que nem 
sempre a condição pulmonar poderá ser classificada em um dos dois tipos de 
doença,restritiva ou obstrutiva.
O ronco é um som musical, grave, melhor auscultado no centro do tórax do que na 
periferia. Eles também são sinusoidais, e apresentam frequências de 150 Hz e dura-
ção maior que 80ms, ou seja, possui uma baixa frequência, sendo um som grave. É 
um som muito semelhante ao ronco durante o sono, e possui tom mais baixo que o 
sibilo, sendo muitas vezes chamado de sibilo de baixa frequência, sendo que parece 
ter a mesma origem que o sibilo, ou seja, oriundo de vibrações devido ao estreita-
mento, seja por espasmos ou secreções. Porém, muitas vezes o ronco desaparece 
Sons Pulmonares   12
com a tosse, o que sugere que há secreção como um componente na sua formação. 
Também são formados pelo espessamento da via aérea, seja por secreção ou fibro-
se, por exemplo. Assim, o ronco está presente na DPOC, nas bronquites, pneumonias 
e fibroses císticas. Além disso, este som aparece tanto na inspiração quanto na expi-
ração, predominando nessa última. 
Há ainda os sopros pulmonares, auscultados em certas regiões do tórax (7ª vér-
tebra cervical no dorso, traqueia, região interescapular), podemos perceber um sopro 
brando, mais longo na expiração. Isso é um achado normal, porém quando o pulmão 
perde sua textura normal, como nas pneumonias bacterianas (hepatização), nas 
grandes cavernas (brônquio de drenagem permeável) e no pneumotórax hipertensi-
vo, esses sopros são chamados de tubários, cavitários e anfóricos. 
Já os sons descontínuos não são musicais, são intermitentes, ou seja, não aparecem 
em todas as fases da respiração, e normalmente são ondas mais curtas (e os 
Sons Pulmonares   16
espaços intercostais se retraem durante a inspiração, por conta da contração dos 
músculos respiratórios acessórios.
Além disso, importante citar as respirações anormais como a de Cheyne-Stokes, 
Biot e Kussmaul. Insuficiência cardíaca, hipetensão intracraniana e AVE podem pro-
vocar a respiração de Cheyne-Stokes. Esse padrão respiratório é caracterizado por 
uma fase de dispneia, seguida de inspirações cada vez mais prolongadas até um 
ponto máximo, momento em que decresce o período de inspiração e ocorre nova 
pausa (dispneia). O ritmo de Biot compartilha as mesma etiologias da respiração de 
Cheyne-Stokes, sendo caracterizado pela respiração em duas fases. A primeira é de 
apneia, seguida de movimentos inspiratórios e expiratórios desordenados em relação 
ao ritmo e à amplitude. Normalmente o ritmo de Biot represente grave acometimento 
cerebral.
A respiração de Kussmaul é provocada principalmente pela acidose diabética, e 
é composta por quatro fases: 1. Alternância entre respirações rápidas com baixa 
amplitude e respirações amplas; 2. Apneia; 3. Alternância entre inspirações de baixa 
amplitude e rápidas com expirações profundas; 4. Apneia.
Por fim, a respiração suspirosa é caracterizada pela inspiração mais profunda e 
expiração rápida. Ainda, em alguns momentos, a respiração normal é interrompida 
por suspiros isolados ou agrupados. Esse padrão respiratório sugere tensão emocio-
nal e ansiedade. Lembrando que esses padrões respiratórios são avaliados na inspe-
ção, e sua identificação auxilia a direcionar o raciocínio clínico em conjunto com os 
achados da ausculta. 
Além dos sons já descritos, é importante pontuar que no exame físico dos pul-
mões também deve ser auscultada a voz nitidamente pronunciada e a voz cochi-
chada. Para isso, o paciente deve pronunciar o número 33 enquanto o examinador 
examina o tórax com o estetoscópio, comparando regiões homólogas, como se faz 
no frêmito toracovocal usando as mãos.
Os sons da voz ouvidos na parede torácica constituem a ressonância vocal. 
Quando não há doença, tanto na voz falada quanto a cochichada, a ressonância con-
siste em sons incompreensíveis. Isso é explicado pelo fato de que quando o parên-
quima pulmonar está normal, ele absorve muitos componentes sonoros, mas quando 
há consolidação (pneumonia, infarto pulmonar), a transmissão é facilitada, ou seja, é 
possível identificar as sílabas das palavras faladas auscultando o tórax.
A ressonância é mais intensa no ápice do pulmão direito, nas regiões interes-
cápulo-vertebral direita e esternal superior, ou seja, exatamente nas mesmas regiões 
de ausculta do som broncovesicular. Além disso, a ressonância normalmente é mais 
forte nos homens do que nas mulheres e crianças, devido ao timbre da voz.
Sons Pulmonares   17
ATRITO PLEURAL
SONS 
PULMONARES 
ADVENTÍCIOS
ESTRIDOR
SIBILOS
CONTÍNUOS DESCONTÍNUOS
INDEFINIDOS
FRICÇÃO DOS 
FOLHETOS PLEURAIS: 
PLEURITE SECA
OUVIDO NA TOPOGRAFIA 
DA TRAQUEIA
OBSTRUÇÃO DA 
LARINGE OU TRAQUEIA: 
INTUBAÇÃO PROLONGADA, 
LARINGOMALÁCIA, TUMOR
OUVIDO NA 
TOPOGRAFIA DA 
TRAQUEIA E LARINGE
REPRESENTA 
OBSTRUÇÃO CENTRAL: 
ASMA, TUMOR, CORPO 
ESTRANHO
OUVIDO NO CENTRO 
DO TÓRAX
REPRESENTA 
ESPESSAMENTO DA 
VIA AÉREA: DPOC, 
BRONQUITES, PNEUMONIAS, 
FIBROSE CÍSTICA
RONCOS
ESTERTORES FINOS 
(VELCRO)
GRASNIDOS
• OUVIDOS NA BASE 
DO PULMÃO
• MAIS INTENSO NA 
INSPIRAÇÃO
REPRESENTA ABERTURA 
DAS VIAS FECHADAS 
(PERIFERIA): DOENÇAS 
INTERSTICIAIS, CONGESTÃO 
PULMONAR (ICC), FIBROSE 
PULMONAR IDIOPÁTICA
DOENÇAS 
INTERSTICIAIS: 
BRONQUIOLITES, 
PNEUMONITE, 
PNEUMONIA , 
BRONQUIECTASIA
SEGUIDOS OU 
PRECEDIDOS POR 
EXTERTORES
• AUSCULTADOS 
DIFUSAMENTE 
(VIAS PRINCIPAIS)
• MAIS INTENSO 
NA EXPIRAÇÃO
• REPRESENTA ABERTURA 
DE GRANDES VIAS
• SE ALTERA COM A 
TOSSE: DOENÇAS 
OBSTRUTIVAS, DPOC, 
BRONQUIECTASIA
ESTERTORES 
GROSSOS (BOLHOSOS)
Fonte: Elaborado pelo autor.
Sons Pulmonares   18
NÃO MUSICAIS/ 
INTERMITENTES: 
ESTERTORES FINOS E 
GROSSOS E GRASNIDOS
SONS 
PULMONARES
DESCONTÍNUOS
MUSICAIS/ SOBREPÕEM-
SE AO SOM VESICULAR/ 
PRESENTE EM TODO CICLO 
RESPIRATÓRIO: RONCOS, 
SIBILOS E ESTRIDOR
ATRITO PLEURAL
REPRESENTA 
TRAQUEIA PÉRVIA
QUANDO APARECE 
NA PERIFERIA SUGERE 
CONSOLIDAÇÃO OU 
COLAPSO PULMONAR
FLUTTER AÉREO/ 
AUSCULTADO DIFUSAMENTE, 
EXCETO NAS REGIÔES 
ESTERNAL SUPERIOR, 
INTERESCAPULAR DIREITA E 
3ª-4ª VÉRTEBRAS DORSAIS 
(SOM BRONCOVESICULAR)
CONTÍNUOS
INDEFINIDOS
TRAQUEAL
BRÔNQUICO
VESICULAR
ADVENTÍCIOS
NORMAIS
Fonte: Elaborado pelo autor.
Sons Pulmonares   19
REFERÊNCIAS
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PORTO & PORTO. Semiologia Médica. 7ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 
2014.
KUMAR, Vinay, et al. Robbins & Cotran: Bases patológicas das doenças. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2010.
GOLDMAN, Lee, SCHAFER, Andrew L, et al. Goldman-Cecil. Medicina. 25ª ed. Rio de 
Janeiro. Elsevier, 2018.
Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www.
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ral-2264422149 Acesso em: 01 de Abril de 2023.
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Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www.
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Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www.shut-
terstock.com/pt/image-photo/chest-x-ray-film-patient-infectious-786937069 Acesso 
em: 01 de Abril de 2023.
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