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PNEUMOLOGIA SONS PULMONARES SUMÁRIO 1. Introdução ...................................................................................................... 3 2. Ausculta pulmonar .......................................................................................... 4 3. Sons normais ................................................................................................. 5 4. Sons adventícios .......................................................................................... 10 Referências Bibliográficas ............................................................................................19 Sons Pulmonares 3 1. INTRODUÇÃO A ausculta pulmonar é uma habilidade médica que surgiu em 1816, quando René Laennec fez um cone com uma folha de papel e escutou os pulmões de um paciente, sendo este o primeiro estetoscópio. A ausculta dos sons pulmonares permitem suspeitar de determinadas doenças. Os sons normais são o som traqueal, brônquico e vesicular, que corresponde ao som de abertura dos alvéolos. Já os sons que denotam doença pulmonar são os sons adventícios, que podem ser classificados em sons contínuos, descontínuos ou indefinidos. Os sons contínuos incluem os sibilos, estertores e roncos; os sons des- contínuos compreendem os estertores finos, estertores grossos e grasnidos; e um exemplo de som pulmonar indefinido é o som do atrito pleural. SONS PULMONARES NORMAIS ADVENTÍCIOS TRAQUEAL BRÔNQUICO VESICULAR ESTERTORES ESTRIDOR RONCOS SIBILOS GRASNIDOS ATRITO PLEURAL Fonte: Elaborado pelo autor. Sons Pulmonares 4 2. AUSCULTA PULMONAR A ausculta é um método semiológico básico no exame físico dos pulmões, que diferentemente da percussão, permite analisar o funcionamento pulmonar. A boa ausculta pulmonar requer o máximo de silêncio no ambiente do exame e posição cô- moda do paciente. O médico deve se posicionar por trás do paciente, que por sua vez deve retirar a camisa e estar ereto, respirando sem provocar ruídos. A ausculta deve começar pela parte posterior, passando para as faces laterais e anterior, lembrando que os pulmões estão aproximadamente a quatro dedos trans- versos abaixo da ponta da escápula. As regiões devem ser auscultadas de maneira simétrica, buscando examinar todos os lobos pulmonares (superior, médio e infe- rior). Também é recomendado que o paciente faça algumas respirações profundas e tussa várias vezes, permitindo avaliar os dois tempos respiratórios. Os focos de ausculta pulmonar estão na imagem abaixo. Para isso recomenda- se que se ausculte em pelo menos 5 pontos simétricos, ou seja, 5 em um pulmão e 5 no outro pulmão. Figura 1. Focos da ausculta pulmonar. Fonte: Inspiring/shutterstock.com. Sons Pulmonares 5 AUSCULTA PULMONAR O BOM EXAME REQUER POSIÇÃO CÔMODA DO PACIENTE E MÁXIMO SILÊNCIO ORIENTAR O PACIENTE A FAZER RESPIRAÇÕES PROFUNDAS ANÁLISE DO FUNCIONAMENTO PULMONAR EXAMINAR REGIÕES SIMÉTRICAS Fonte: Elaborado pelo autor. 3. SONS NORMAIS Os sons pulmonares normais são os sons traqueal, brônquico, broncovesicular e murmúrio vesicular. O som traqueal é um som tubular, oco e não musical. Este som é bem auscultado na região supraesternal e na lateral do pescoço, local de topografia da traqueia, gerado pela passagem do ar pela fenda glótica e pela própria traqueia. O som traqueal é muito energético e é ouvido nas duas fases do ciclo respiratório (na expiração tem uma energia maior), sendo que na inspiração é um som mais rude e na expiração um som mais forte e duradouro. Ele transporta a maioria dos sons pulmonares, ou seja, quando há um som adventício, normalmente é possível auscul- tar esse som na topografia traqueal por propagação do som. Além disso, o som tra- queal demonstra se a traquéia está pérvia ou não, alcançando frequências de 100 a 5000Hz, sendo que quanto mais obstruída, mais agudo será o som. Figura 2. Pontos de ausculta do som traqueal. Fonte: Elaborado pelo autor. Sons Pulmonares 6 O som brônquico é mais suave que o som traqueal, também é oco, não musical e é mais agudo que o murmúrio vesicular. Basicamente ele representa o som traqueal audível na zona de projeção dos brônquios de maior calibre, sendo considerado uma variação do som traqueal, do qual se diferencia por ter o componente expiratório me- nos intenso. O som brônquico pode ser auscultado com maior qualidade na topogra- fia dos brônquios maiores, na região paraesternal quando o acesso é anterior, e no acesso posterior na região interescapulovertebral direita. Lembrando que o brônquio direito é contínuo com a traqueia, então o som do brônquio esquerdo é um pouco mais brando. O som brônquico também está presente nas duas fases do ciclo respiratório e tem a mesma duração tanto na expiração quanto na inspiração. Quando este som apa- rece na periferia do pulmão, é sugestivo de doença, especialmente consolidação ou colapso pulmonar. O som brônquico é um som intermediário entre o som traqueal e o som vesicular, e nas áreas que corresponde à condensação pulmonar, atelectasia ou nas regiões próximas de cavernas superficiais a respiração brônquica substitui o murmúrio vesicular. Figura 3. Pontos de ausculta do som brônquico. Fonte: Elaborado pelo autor. Se liga! O colapso pulmonar, ou atelectasia, consiste no fechamen- to do pulmão, que fica contíguo com a parede torácica, ou seja, o pulmão sofre retração de uma parte ou da totalidade. Isso ocorre geralmente devido a uma obstrução, por muco, tumor, objeto estranho, coágulo sanguíneo, estreitamento das vias respiratórias por infecções crônicas, pneumotórax ou pressão externa. Já a consolidação pulmonar é caracterizada pela substituição do ar alveolar por líquido, como transudato, exsudato ou tecido conjuntivo, podendo sugerir neoplasia. Sons Pulmonares 7 Figura 4. Radiografia de tórax evidenciando pulmão direito colapsado. Fonte: pakirri/shutterstock.com Os ruídos respiratórios são oriundos da passagem do ar pelo brônquios, bem co- mo por cavidades de tamanhos distintos, a exemplo dos bronquíolos e alvéolos. O som vesicular é suave, oco e não musical. Habitualmente, este pulmão, sendo mais intenso na inspiração e início da expiração. A intensidade do componente inspirató- rio neste som é gerada pelo fluxo turbulento dos brônquios lobares e segmentares, que produz um som mais intenso, duradouro e de tonalidade mais alta, enquanto o componente expiratório é derivado das vias aéreas centrais maiores, que geram um som mais fraco, de menor duração e tonalidade mais baixa. Porém, diferente do que ocorre na respiração traqueal, não é perceptível um intervalo silencioso entre as duas fases da respiração. Além disso, este som é o mais baixo dos outros tons, podendo apresentar frequência de 100 a 1000Hz. Quando comparado o som do murmúrio ve- sicular e o som brônquico, por exemplo, o murmúrio é mais fraco e mais suave. O murmúrio vesicular foi o primeiro som pulmonar descrito, quando foi com- parado ao som das folhas recebendo uma brisa suave. Nos brônquios menores, a velocidade do ar é maior, tornando o fluxo laminar e quase inaudível, ou seja, não auscultamos som alveolar, e por conta disso alguns autores defendem que não de- ve chamar este som de vesicular (relativo aos alvéolos) e apenas de som pulmonar normal. Este som pode ser auscultado em quase todo o tórax, exceto nas regiões esternal superior, interescapular direita e no nível da 3ª e 4ª vértebras dorsais, áreas nas quais se ouve o som broncovesicular. o mumúrio vesicular possui diferentes intensidades ao redor do tórax, sendo mais intenso na região anterossuperior, nas regiões axilares e nas regiões infraescapulares, e sofre variação em sua intensidade de acordo com a amplitude dos movimentos respiratórios e da espessura da parede torácica, sendo mais fraco nas pessoas musculosas ou obesas. Sons Pulmonares 8 Figura 5. Pontos de ausculta do som vesicular. Fonte: Elaborado pelo autor. As principais alterações no murmúrio vesicular são a diminuiçãoou o aumento de sua intensidade e prolongação do componente expiratório. O prolongamento da expiração, que em condições normais é mais curta, aparece principalmente na asma brônquica, no enfisema e na bronquite espastiforme, e esse achado representa a difi- culdade de saída do ar. O murmúrio é mais intenso quando o paciente respira ampla- mente e com a boca aberta, após esforço, em crianças e em pessoas emagrecidas. Pacientes que apresentam algum tipo de comprometimento pulmonar de apenas um lado, irá apresentar murmúrio alterado deste mesmo lado e murmúrio contralate- ralmente. Diversas situações podem provocar diminuição do murmúrio vesicular como pneumotórax, hemotórax, enfisema pulmonar, obstrução de vias aéreas, entre outros. O som broncovesicular é a junção do som brônquico e do murmúrio vesicular. Não há diferença no som inspiratório e expiratório, entretanto esse som possui maior intensidade e duração em relação ao murmúrio vesicular, porém menos intenso que o som brônquico. Nas crianças, por conta do tamanho menor do tórax, o som broncovesicular é audível nas regiões mais periféricas. Normalmente, este só é aus- cultado na região esternal superior, na interescapulovertebral direita e no nível da terceira e quarta vértebras dorsais. A presença do som broncovesicular em outras regiões indica consolidação pulmonar, atelectasia por compressão ou presença de caverna, isto é, nas mesmas condições em que se observa o som brônquico. Vale pontuar que para que o som broncovesicular seja auscultado, é preciso que haja na área lesionada alvéolos mais ou menos normais capazes de originar o som do tipo vesicular. Abaixo, uma tabela sistematizando as principais características dos sons pulmonares normais. As + representem a intensidade do som em cada fase do ciclo respiratório: Sons Pulmonares 9 SOM LOCAL DE AUSCULTA INSPIRAÇÃO EXPIRAÇÃO Traqueal Área de projeção da traqueia +++ ++++ Brônquico Áreas de projeção dos brônquios principais +++ +++ Broncovesicular Região esternal superior e interescápulo-vertebral direita ++ ++ Murmúrio vesicular Periferia dos pulmões +++ ++ Tabela 1. Principais características dos sons pulmonares normais. Fonte: Porto & Porto, 2014. TRAQUEAL MURMÚRIO VESICULAR BRÔNQUICO BRONCOVESICULAR SONS PULMONARES NORMAIS MAIS INTENSO NAS REGIÕES INFRAESCAPULARES E AXILARES PPROLONGADO NA ASMA BRÔNQUICA DIMINUÍDO POR PNEUMOTÓRAX, ENFISEMA, ESPESSAMENTO PLEURAL REGIÃO SUPRAESTERNAL E LATERAL DO PESCOÇO INDICA TRAQUEIA PÉRVIA PRESENTE NAS DUAS FASES MAIS INTENSO QUE O MV AUSCULTADO NORMALMENTE NA REGIÃO ESTERNAL SUPERIOR, INTERESCAPULO- VERTEBRAL DIREITA E ENTRE AS 3ª E 4ª VÉRTEBRAS PRESENÇA EM REGIÕES DIFUSAS DO PULMÃO INDICA CONSOLIDAÇÃO, ATELECTASIA OU CAVERNAS ZONA DE PROJEÇÃO DOS BRÔNQUIOS DE MAIOR CALIBRE SUGESTIVO DE DOENÇA QUANDO ESTÁ NA PERIFERIA PRESENTE NAS DUAS FASES DO CICLO Fonte: Elaborado pelo autor. Sons Pulmonares 10 Saiba mais! A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por episódios recorrentes de sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse, principalmente à noite ou no início da manhã. O quadro clínico da asma está associado à broncoconstrição difusa e consequente limitação do fluxo aéreo, o que ocorre em resposta a alguns estímulos, sendo a doença classificada em atópica, quando há evidências de sensibilização a alérgenos, ou não atópica, quando não há evidências de sensibilização a nenhum alérgeno específico. Os sintomas da asma também podem ser agravados por infecções respiratórias, exposição a irritantes (fumaças), ar frio, estresse e exercício. A asma é tratada com medicamentos a base de corticoide e broncodilatadores. 4. SONS ADVENTÍCIOS Os sons adventícios são os sons pulmonares anormais. Estes sons podem ser clas- sificados em sons contínuos e descontínuos. Os sons contínuos são mais musicais, ou seja, se sobressaem em relação ao som vesicular, e são audíveis em qualquer fase da respiração, e geralmente apresentam ondas mais longas (> 250ms). Os exemplos dos sons contínuos são o estridor, sibilos e roncos. O estridor é um som musical, agudo, sinusoidal, ou seja, possui oscilação repetitiva, com frequência maior que 500Hz. Este som pode ser melhor ouvido na topografia tra- queal e as vezes é tão agudo e pode ser ouvido sem o estetoscópio. O estridor pode ser inspiratório, expiratório ou bifásico. É um som parecido com os sibilos, dos quais se diferem por ser mais inspiratórios e por serem ouvidos na topografia traqueal. O estridor é formado pela obstrução anatômica ou funcional da laringe ou traqueia, o que acontece quando a obstrução traqueal é menor que 5 mm, que gera fluxo turbu- lento de ar. Quando é somente inspiratório, sugere uma obstrução extratorácica, como pode ocorrer quando há estenose de traqueia provocada por intubação prolongada, ou laringomalácia e lesão de corda vocal unilateral. Quando o estridor é expiratório, é sugestivo de obstrução intratorácica, como uma compressão por tumor, ou uma bron- quiomalácia. Por fim, quando o estridor aparece nos dois ciclos respiratórios, sugere uma lesão fixa, como a paralisia de cordas vocais bilaterais, uma massa laríngea grande, edema de vias aéreas por reação alérgica, por exemplo. Na respiração calma, há uma menor intensidade, entretanto em respirações com maior esforço, há uma significativa intensificação desse som. O sibilo é um som musical, agudo, e pode ser auscultado em todo o pulmão, mas principalmente na topografia da traqueia e até na laringe, ou seja, pode ser ouvido às vezes sem estetoscópio. Porém, ele não representa uma obstrução central. A Sons Pulmonares 11 transmissão sonora pelas vias aéreas é melhor do que a transmissão pela caixa to- rácica, como se os pulmões absorvessem melhor os sons mais agudos, e por isso os sibilos são mais marcantes na topografia da traqueia, o que não significa que o problema seja nessa região. Os sibilos também são sinusoidais, com frequência de 100 a 5000Hz (alta frequência = som agudo) e duração maior que 80ms. Esses sons são formados no segundo ao sétimo ramo da árvore brônquica, pela tremulação do ar, chamado de flutter das vias aéreas, e também pela parede da via aérea estreita, ou seja, não só pelo diâmetro mas também pelo espessamento da via aérea pela doença brônquica. Além disso, o sibilo pode ser ouvido tanto na inspiração quanto na expiração, fase em que mais intenso normalmente, sendo, de maneira geral, disse- minados por todo o tórax. Quanto maior a duração do sibilo na fase de inspiração e quanto mais agudo ele é, maior é a obstrução que o está provocando. Os sibilos são gerados nas doenças obstrutivas. Em alguns casos, a obstrução po- de ser tão intensa a ponto de impedir a oscilação do ar, e com isso ocorre velocida- des baixas de flutter, quando não é possível ouvir sibilos. Nesses casos, o murmúrio vesicular também se torna menos audível, o que pode indicar asma grave, por exem- plo. Vale pontuar que os sibilos também pode ser localizados em determinado ponto da caixa pulmonar, e isso indica que há obstrução local, como por tumor ou corpo estranho – ou seja, os sibilos não são patognomônicos de asma. Se liga! As doenças pulmonares crônicas não infecciosas são clas- sificadas em obstrutivas, ou doenças das vias aéreas, ou restritivas, ou doenças intersticiais difusas. As doenças obstrutivas são caracterizadas pelo aumento da resistência ao fluxo aéreo por uma obstrução parcial ou completa em qual- quer nível da árvore respiratória. Já as doenças restritivas são caracterizadas pela redução do parênquima pulmonar e consequente diminuição da capacida- de pulmonar total. Como exemplo de doenças obstrutivas há a DPOC (enfisema e bronquite crônica), asma e bronquiectasia; e como exemplos de doenças restritivas podemos citar a fibrose pulmonar idiopática. Vale pontuar que nem sempre a condição pulmonar poderá ser classificada em um dos dois tipos de doença,restritiva ou obstrutiva. O ronco é um som musical, grave, melhor auscultado no centro do tórax do que na periferia. Eles também são sinusoidais, e apresentam frequências de 150 Hz e dura- ção maior que 80ms, ou seja, possui uma baixa frequência, sendo um som grave. É um som muito semelhante ao ronco durante o sono, e possui tom mais baixo que o sibilo, sendo muitas vezes chamado de sibilo de baixa frequência, sendo que parece ter a mesma origem que o sibilo, ou seja, oriundo de vibrações devido ao estreita- mento, seja por espasmos ou secreções. Porém, muitas vezes o ronco desaparece Sons Pulmonares 12 com a tosse, o que sugere que há secreção como um componente na sua formação. Também são formados pelo espessamento da via aérea, seja por secreção ou fibro- se, por exemplo. Assim, o ronco está presente na DPOC, nas bronquites, pneumonias e fibroses císticas. Além disso, este som aparece tanto na inspiração quanto na expi- ração, predominando nessa última. Há ainda os sopros pulmonares, auscultados em certas regiões do tórax (7ª vér- tebra cervical no dorso, traqueia, região interescapular), podemos perceber um sopro brando, mais longo na expiração. Isso é um achado normal, porém quando o pulmão perde sua textura normal, como nas pneumonias bacterianas (hepatização), nas grandes cavernas (brônquio de drenagem permeável) e no pneumotórax hipertensi- vo, esses sopros são chamados de tubários, cavitários e anfóricos. Já os sons descontínuos não são musicais, são intermitentes, ou seja, não aparecem em todas as fases da respiração, e normalmente são ondas mais curtas (e os Sons Pulmonares 16 espaços intercostais se retraem durante a inspiração, por conta da contração dos músculos respiratórios acessórios. Além disso, importante citar as respirações anormais como a de Cheyne-Stokes, Biot e Kussmaul. Insuficiência cardíaca, hipetensão intracraniana e AVE podem pro- vocar a respiração de Cheyne-Stokes. Esse padrão respiratório é caracterizado por uma fase de dispneia, seguida de inspirações cada vez mais prolongadas até um ponto máximo, momento em que decresce o período de inspiração e ocorre nova pausa (dispneia). O ritmo de Biot compartilha as mesma etiologias da respiração de Cheyne-Stokes, sendo caracterizado pela respiração em duas fases. A primeira é de apneia, seguida de movimentos inspiratórios e expiratórios desordenados em relação ao ritmo e à amplitude. Normalmente o ritmo de Biot represente grave acometimento cerebral. A respiração de Kussmaul é provocada principalmente pela acidose diabética, e é composta por quatro fases: 1. Alternância entre respirações rápidas com baixa amplitude e respirações amplas; 2. Apneia; 3. Alternância entre inspirações de baixa amplitude e rápidas com expirações profundas; 4. Apneia. Por fim, a respiração suspirosa é caracterizada pela inspiração mais profunda e expiração rápida. Ainda, em alguns momentos, a respiração normal é interrompida por suspiros isolados ou agrupados. Esse padrão respiratório sugere tensão emocio- nal e ansiedade. Lembrando que esses padrões respiratórios são avaliados na inspe- ção, e sua identificação auxilia a direcionar o raciocínio clínico em conjunto com os achados da ausculta. Além dos sons já descritos, é importante pontuar que no exame físico dos pul- mões também deve ser auscultada a voz nitidamente pronunciada e a voz cochi- chada. Para isso, o paciente deve pronunciar o número 33 enquanto o examinador examina o tórax com o estetoscópio, comparando regiões homólogas, como se faz no frêmito toracovocal usando as mãos. Os sons da voz ouvidos na parede torácica constituem a ressonância vocal. Quando não há doença, tanto na voz falada quanto a cochichada, a ressonância con- siste em sons incompreensíveis. Isso é explicado pelo fato de que quando o parên- quima pulmonar está normal, ele absorve muitos componentes sonoros, mas quando há consolidação (pneumonia, infarto pulmonar), a transmissão é facilitada, ou seja, é possível identificar as sílabas das palavras faladas auscultando o tórax. A ressonância é mais intensa no ápice do pulmão direito, nas regiões interes- cápulo-vertebral direita e esternal superior, ou seja, exatamente nas mesmas regiões de ausculta do som broncovesicular. Além disso, a ressonância normalmente é mais forte nos homens do que nas mulheres e crianças, devido ao timbre da voz. Sons Pulmonares 17 ATRITO PLEURAL SONS PULMONARES ADVENTÍCIOS ESTRIDOR SIBILOS CONTÍNUOS DESCONTÍNUOS INDEFINIDOS FRICÇÃO DOS FOLHETOS PLEURAIS: PLEURITE SECA OUVIDO NA TOPOGRAFIA DA TRAQUEIA OBSTRUÇÃO DA LARINGE OU TRAQUEIA: INTUBAÇÃO PROLONGADA, LARINGOMALÁCIA, TUMOR OUVIDO NA TOPOGRAFIA DA TRAQUEIA E LARINGE REPRESENTA OBSTRUÇÃO CENTRAL: ASMA, TUMOR, CORPO ESTRANHO OUVIDO NO CENTRO DO TÓRAX REPRESENTA ESPESSAMENTO DA VIA AÉREA: DPOC, BRONQUITES, PNEUMONIAS, FIBROSE CÍSTICA RONCOS ESTERTORES FINOS (VELCRO) GRASNIDOS • OUVIDOS NA BASE DO PULMÃO • MAIS INTENSO NA INSPIRAÇÃO REPRESENTA ABERTURA DAS VIAS FECHADAS (PERIFERIA): DOENÇAS INTERSTICIAIS, CONGESTÃO PULMONAR (ICC), FIBROSE PULMONAR IDIOPÁTICA DOENÇAS INTERSTICIAIS: BRONQUIOLITES, PNEUMONITE, PNEUMONIA , BRONQUIECTASIA SEGUIDOS OU PRECEDIDOS POR EXTERTORES • AUSCULTADOS DIFUSAMENTE (VIAS PRINCIPAIS) • MAIS INTENSO NA EXPIRAÇÃO • REPRESENTA ABERTURA DE GRANDES VIAS • SE ALTERA COM A TOSSE: DOENÇAS OBSTRUTIVAS, DPOC, BRONQUIECTASIA ESTERTORES GROSSOS (BOLHOSOS) Fonte: Elaborado pelo autor. Sons Pulmonares 18 NÃO MUSICAIS/ INTERMITENTES: ESTERTORES FINOS E GROSSOS E GRASNIDOS SONS PULMONARES DESCONTÍNUOS MUSICAIS/ SOBREPÕEM- SE AO SOM VESICULAR/ PRESENTE EM TODO CICLO RESPIRATÓRIO: RONCOS, SIBILOS E ESTRIDOR ATRITO PLEURAL REPRESENTA TRAQUEIA PÉRVIA QUANDO APARECE NA PERIFERIA SUGERE CONSOLIDAÇÃO OU COLAPSO PULMONAR FLUTTER AÉREO/ AUSCULTADO DIFUSAMENTE, EXCETO NAS REGIÔES ESTERNAL SUPERIOR, INTERESCAPULAR DIREITA E 3ª-4ª VÉRTEBRAS DORSAIS (SOM BRONCOVESICULAR) CONTÍNUOS INDEFINIDOS TRAQUEAL BRÔNQUICO VESICULAR ADVENTÍCIOS NORMAIS Fonte: Elaborado pelo autor. Sons Pulmonares 19 REFERÊNCIAS PEREIRA, C.A.C, HOLANDA, M.A. Medicina respiratória. Ed. Atheneu. São Paulo. 2014 PORTO & PORTO. Semiologia Médica. 7ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2014. KUMAR, Vinay, et al. Robbins & Cotran: Bases patológicas das doenças. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. GOLDMAN, Lee, SCHAFER, Andrew L, et al. Goldman-Cecil. Medicina. 25ª ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2018. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www. shutterstock.com/pt/image-vector/lung-auscultation-thorax-anterior-posterior-late- ral-2264422149 Acesso em: 01 de Abril de 2023. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www.shut- terstock.com/pt/image-photo/chest-xray-atelectasis-1214598001 Acesso em: 01 de Abril de 2023. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www. shutterstock.com/pt/image-photo/xray-film-patient-pulmonary-tuberculosis-fibro- sis-1142600069 Acesso em: 01 de Abril de 2023. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www. shutterstock.com/pt/image-photo/bronchiectasis-xray-chest-show-multiple- -lung-201421901 Acesso em: 01 de Abril de 2023. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www.shut- terstock.com/pt/image-photo/chest-x-ray-film-patient-infectious-786937069 Acesso em: 01 de Abril de 2023. sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados. Sanar Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770 1. Introdução