Prévia do material em texto
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E PRIVADO – 22-11-25 Prof. Arthur José Pavan Torres Tema: Sujeitos de direito internacional público. Direito Internacional Público e Privado Sujeitos de Direito Internacional Público Sujeito é o titular de direitos e deveres dentro de uma organização jurídica; O sujeito de direito internacional público é aquele que é titular de direitos e deveres oriundos de uma fonte de direito internacional; Direito Internacional Público e Privado Sujeitos de Direito Internacional Público - Doutrinas Doutrina Voluntarista – positivista clássica – reconhece apenas o Estado como sujeito de direito internacional público; Direito Internacional Público e Privado Sujeitos de Direito Internacional Público – Alguns Exemplos Estados Organizações Internacionais Humanidade Indivíduo Direito Internacional Público e Privado 1. Estado Estado é a organização jurídico-política da Nação, e que lhe dá validade e legitimação para atuar, no plano externo, como sujeito do Direito Internacional Público. Compreendendo-se nesta definição quatro elementos constitutivos do Estado: povo, território, governo e finalidade. Valério Mazzuoli, Curso de Direito Internacional Público. Direito Internacional Público e Privado Estado Os Estados são os sujeitos de direitos internacionais públicos por excelência, vez que esta é uma decorrência da ideia de Estado Moderno, que estabeleceu a soberania como expressão máxima do poder de instituir obrigações por meio de tratados livremente celebrados. Os Estados, desde o início da era moderna, desenvolvem relações diplomáticas e consulares, que dão origem ao direito de legação, pelo qual o Estado deposita em certas pessoas, os diplomatas, a representação dos interesses nacionais no exterior, ao mesmo tempo em que recebe e acredita os representantes de governos estrangeiros. Direito Internacional Público e Privado Estado Direito à independência é uma projeção da soberania estatal vista no aspecto interno (faculdade inerente do direito ao Estado de escolher a forma de governo e a organização política que julgar mais conveniente) e externo (considerar que a vida internacional exige a formulação de regras que limitem o poder do Estado torna relativa a soberania). Os Estados podem concluir tratados, estabelecer relações diplomáticas, declarar guerra e celebrar a paz. Legítima defesa exige a presença de dois requisitos: a) ataque injusto e atual; b) proporcionalidade entre a defesa e a agressão. Direito Internacional Público e Privado Sujeitos de Direito Internacional Público – Reconhecimento de Estado O reconhecimento é o ato pelo qual se reconhece a existência de um Estado apto a firmar relações jurídicas válidas. “ato livre pelo qual um ou mais Estados reconhecem a existência, em um território determinado, de uma sociedade humana politicamente organizada, independente de qualquer outro Estado existente e capaz de observar as prescrições do Direito Internacional”, tal como definido pelo Institut de Droit International na sua reunião de Bruxelas de 1936, de que foi relator Philip Marshall Brown. O reconhecimento tem várias modalidades: implícito ou expresso; unilateral ou coletivo; discricionário ou vinculado; De direito (de jure) ou de fato (de facto). Direito Internacional Público e Privado Sujeitos de Direito Internacional Público – Reconhecimento de Estado Possibilidades – criação de Estado (fundação direta), mudança políticas, revoluções e golpes, mudanças territoriais como desmembramento, separação ou fusão. Direito Internacional Público e Privado Natureza Jurídica do Reconhecimento Concepção constitutiva – sustenta que o novo Estado só é formado quando os demais Estados reconhecerem sua legitimação. Está em declínio e é defendida por defendida, entre outros, por Jellinek, Triepel, Kelsen, Anzilotti e H. Lauterpacht. Concepção declaratória – a criação do novo Estado não se subordina ao assentimento dos outros sujeitos internacionais, já que a existência do Estado é decorrência natural da presença de quatro elementos: povo, território, governo e finalidade. Esta é a concepção preponderante atualmente. Esta teoria é defendida por Fauchille, Antokoletz, Delbez, George Scelle, Brierly, Marcel Sibert, Rivier, Cassese e, entre nós, Bevilaqua e Accioly. Direito Internacional Público e Privado Artigo 3 - Convenções sobre direitos e deveres dos Estados (DECRETO Nº 1.570, DE 13 DE ABRIL DE 1937.) A existência política do Estado é independente do seu reconhecimento pelos demais Estados. Ainda antes de reconhecido, tem o Estado o direito de defender sua integridade e independência, prover a sua conservação e prosperidade, e conseguintemente, organizar-se como achar conveniente, legislar sôbre seus interesses, administrar seus serviços e determinar a jurisdição e competência dos seus tribunais. O exercício dêstes direitos não tem outros limites além do exercício dos direitos de outros Estados de acôrdo com o Direito Internacional. Direito Internacional Público e Privado Artigo 13 da Carta da Organização dos Estados Americanos A existência política do Estado é independente do seu reconhecimento pelos outros Estados. Mesmo antes de ser reconhecido, o Estado tem o direito de defender a sua integridade e independência, de promover a sua conservação e prosperidade, e, por conseguinte, de se organizar como melhor entender, de legislar sobre os seus interesses, de administrar os seus serviços e de determinar a jurisdição e a competência dos seus tribunais. O exercício desses direitos não tem outros limites senão o do exercício dos direitos de outros Estados, conforme o direito internacional. Direito Internacional Público e Privado Principio do ex injuria jus non oritur, ou seja, a lei não surge da injustiça. O exemplo clássico nessa matéria, citado pela maioria da doutrina, diz respeito ao Estado da Manchúria, criado pelo Japão com território tomado à força da China. Esta teoria – também chamada de “doutrina Stimson”, porque formulada, em 1932, pelo então Secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Stimson, a propósito da guerra sino-japonesa, deflagrada em1931 – obteve sua consagração ao tempo da Liga das Nações, com o TratadoAntibélico do Rio de Janeiro e com a Convenção sobre Direitos e Deveres dosEstados, de Montevidéu, ambos de 1933. Direito Internacional Público e Privado Sobre o tema do reconhecimento de governo, duas grandes doutrinas emergiram na América Latina na primeira metade do século XX: Doutrina Tobar Criada em 1907, pelo então Ministro das Relações Exteriores do Equador, Carlos Tobar, sustentava que a América deveria negar-se a reconhecer governos que alcançaram o poder inspirados pela ambição, em virtude de golpes de Estado ou de revoluções internas, em flagrante violação às normas constitucionais e ao poder constituído. Doutrina Estrada Formulada em 1930, pelo então Secretário de Estado das Relações Exteriores do México, o chanceler Genaro Estrada, tal doutrina pregava que o reconhecimento de governos constitui ingerência indevida em assuntos particulares dos Estados, implicando ofensa à soberania da nação interessada. Em consequência, declarava Estrada que o México deveria limitar-se a manter, ou não, quando cresse necessário, seus agentes diplomáticos no território do Estado atingido pelas crises políticas advindas da mudança de governo, sem pretender julgar a sua legitimidade. Reconhecimento internacional da Palestina como Estado Fonte: https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FReconhecimento_internacional_do_Estado_da_Palestina&psig=AOvVaw3ipPYCcl5tCkBl6vx0HVLA&ust=1631824745723000&source=images&cd=vfe&ved=0CAsQjRxqFwoTCPCHwIvrgfMCFQAAAAAdAAAAABAV O Brasil reconheceu o Estado da Palestina em 2010 Irlanda, Espanha e Noruega, em 2024, e Reino Unido, França, Austrália, Canadá e Portugal, em 2025, oficializam reconhecimento da Palestina como Estado; premiê irlandês anuncia Embaixada na Cisjordânia “O Saara Ocidental ocupa área de 252 mil km2 (equivalenteà do Estado de São Paulo) na costa atlântica do continente africano, contígua ao território marroquino e confinante com Argélia e Mauritânia. Não é reconhecido pelo Brasil como Estado independente e é considerado parte do Reino do Marrocos. O território saariano é árido, quase desértico, mas seu litoral é rico em produtos da pesca. Possui, ademais, vultosas jazidas de fosfato, cobre, urânio e ferro. A reduzida população, cerca de 500 mil habitantes, dedica-se, em grande parte, a atividades agropastoris. A análise do contexto socioeconômico saariano é prejudicada pela escassez de dados estatísticos levantados localmente.” (grifos nossos) (Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/invest-export-brasil/exportar/conheca-os-mercados/como_exportar_privado/como-exportar.pdf/GNSaaraOcidental.pdf) Kosovo – País balcânico independente da Sérvia - O Kosovo é membro do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Conselho de Cooperação Regional e solicitou a adesão à Interpol e o status de observador na Organização para a Cooperação Islâmica. Reconhecido pouco mais de uma centena de países. A Espanha não o reconhece. Brasil não reconhece a independência kosovar, argumentando a Resolução 1.244, da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1999, que reconhece o Kosovo como parte da Sérvia (Agência Senado, 2018) Direito Internacional Público e Privado Uma reflexão sobre o reconhecimento: A soberania tem ainda hoje a paradoxal virtude de dar a cada Estado o poder de determinar, por si mesmo, se lhe parecem ou não soberanos os demais entes que, a seu redor, se arrogam a qualidade estatal. Irrecusável, por isso, é a liberdade de que todo Estado desfruta para, numa concepção minoritária, ou mesmo solitária — e, ao ver dos demais, exótica —, negar a condição de Estado ao ente que lhe pareça destituído de personalidade jurídica de direito internacional público. A afirmação inversa não é menos verdadeira. Não há o que impeça um Estado de reconhecer num governo exilado, numa autoridade insurreta, num movimento de libertação, a legitimidade que outros Estados ali não reconhecem, e de, consequentemente, manter relacionamento de índole diplomática — ainda que sob denominação variante, por conveniência — com tal entidade. (Curso de Direito Internacional Público- 13ª Ed, REZEK Francisco, pag. 277). Estreito de Gibraltar Gibraltar é um promontório e território ultramarino britânico na costa sul da Espanha. O local é dominado pelo Rochedo de Gibraltar, em calcário e com 426 m de altitude. Primeiramente colonizado pelos mouros na Idade Média e, depois, governado pelos espanhóis, o território foi cedido aos britânicos em 1713. Estado ou Estado Anômalo? Direito Internacional Público e Privado Santa Sé e Cidade Estado do Vaticano Inicialmente, cabe advertir que a Santa Sé e o Vaticano são dois entes distintos, que têm em comum, fundamentalmente, o vínculo com a Igreja Católica Apostólica Romana e a controvérsia em relação à personalidade jurídica internacional de ambos. A Santa Sé é a entidade que comanda a Igreja Católica Apostólica Romana. É chefiada pelo Papa (ou Vigário de Cristo) e é composta pela Cúria Romana, conjunto de órgãos que assessora o Sumo Pontífice em sua missão de dirigir o conjunto de fiéis católicos na busca de seus fins espirituais. É sediada no Estado da Cidade do Vaticano, e seu poder não é limitado por nenhum outro Estado, sendo reconhecida como sujeito do Direito Internacional, mesmo não sendo tecnicamente um Estado. Direito Internacional Público e Privado Santa Sé e Cidade Estado do Vaticano Quando a Santa Sé e a Itália, firmaram os tratados de Latrão – com suas estipulações recíprocas, deram origem a esse novo sujeito: a Cidade Estado do Vaticano, que pode ser considerada um Estado instrumental a serviço da Santa Sé A Santa Sé é um sujeito de Direito Internacional, status adquirido ao longo de séculos de influência na vida mundial, que remontam à época em que o poder temporal do Papado era amplo e abrangia a capacidade de estabelecer regras de conduta social válidas para o mundo inteiro, de resolver conflitos internacionais e de governar os Estados Pontifícios. Direito Internacional Público e Privado Santa Sé e Cidade Estado do Vaticano Na atualidade, o Santo Padre ainda goza de status e prerrogativas de Chefe de Estado e continua a ter certa ascendência na sociedade internacional, como provam suas reiteradas manifestações em assuntos de interesse internacional. Além disso, a Santa Sé pode celebrar tratados, participar de organizações internacionais e exercer o direito de legação (direito de enviar e receber agentes diplomáticos), abrindo missões diplomáticas (chamadas de “nunciaturas apostólicas”) chefiadas por “Núncios Apostólicos” e compostas por funcionários de nível diplomático, beneficiários de privilégios e imunidades diplomáticas. Direito Internacional Público e Privado Organizações Internacionais As organizações internacionais são entidades criadas e compostas por Estados por meio de tratado, com arcabouço institucional permanente e personalidade jurídica própria, com vistas a alcançar propósitos comuns. Contam com ampla capacidade de ação no cenário internacional e, por isso, são reconhecidas como sujeitos de Direito Internacional, podendo, por exemplo, celebrar tratados e recorrer a mecanismos internacionais de solução de controvérsias. Como são estabelecidas pelos Estados, sujeitos que têm personalidade internacional originária, a doutrina entende que sua personalidade internacional é derivada. Direito Internacional Público e Privado Os primeiros organismos internacionais surgiram no século XIX. Entretanto, a noção de que tais entidades seriam sujeitos de Direito das Gentes remonta apenas a meados do século XX e teve como marco o parecer da Corte Internacional de Justiça (CIJ) relativo à reparação, devida à Organização das Nações Unidas (ONU), pela morte de seu mediador para o Oriente Médio, Conde Folke Bernadotte, em Jerusalém, em 1948. Direito Internacional Público e Privado “Em consequência do assassinato, em setembro de 1948, em Jerusalém, do Conde Folke Bernadotte, Mediador das Nações Unidas na Palestina, e de outros membros da Missão das Nações Unidas na Palestina, a Assembleia Geral perguntou à Corte se as Nações Unidas tinham capacidade para apresentar uma reclamação internacional contra o Estado responsável com o objetivo de obter reparação pelos danos causados à Organização e à vítima. Se esta pergunta fosse respondida afirmativamente, perguntava-se ainda de que forma a ação das Nações Unidas poderia ser conciliada com os direitos que poderiam ser possuídos pelo Estado de que a vítima era nacional. Em seu Parecer Consultivo de 11 de abril de 1949, a Corte considerou que a Organização se destinava a exercer funções e direitos que só poderiam ser explicados com base na posse de uma grande personalidade internacional e na capacidade de operar no plano internacional.” Parecer Consultivo de 11 de abril de 1949 Direito Internacional Público e Privado Indivíduo A doutrina vem paulatinamente rendendo-se à evidência de que o indivíduo age na sociedade internacional, muitas vezes independentemente do Estado, começando a reconhecer na pessoa natural o caráter de sujeito internacional. Várias normas internacionais fazem menção a direitos e obrigações dos indivíduos, como evidenciado, por exemplo, pelos tratados de direitos humanos, que visam a proteger a dignidade humana, e de Direito Internacional do Trabalho, que tutelam as relações laborais. A pessoa natural está obrigada a observar as normas internacionais e, caso não o faça, pode responder pelo ato em foros in- ternacionais, como o Tribunal Penal Internacional (TPI), órgão competente para processar e julgar indivíduos por determinados crimes definidos em preceitos de Direito Internacional. Direito Internacional Público e Privado Indivíduo Principais instrumentos legais que conferem ao indivíduo capacidade de agir contra o Estado de sua nacionalidade.Declaração Universal dos Direitos do Homem; Pacto sobre Direitos Civis e Políticos; Pacto sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Direito Internacional Público e Privado Organizações-Não Governamentais (ONGs) As organizações não-governamentais (ONGs) são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em áreas de interesse público, inclusive em típicas funções estatais. Embora existam há muitos anos, as ONGs adquiriram maior notoriedade, inclusive na sociedade internacional, apenas a partir da década de 90 do século XX. As ONGs cumprem o papel de promover a aplicação de normas internacionais em vários campos, como os direitos humanos e o meio ambiente, porém não podem celebrar tratados. Direito Internacional Público e Privado World Wide Fund for Nature Alguns exemplos de Organizações-Não Governamentais (ONGs) Direito Internacional Público e Privado Empresas Multinacionais É notório o papel empresarial no atual cenário internacional, gerando flu- xos expressivos de comércio, de investimentos e de capitais. Com isso, começa a admitir-se a personalidade internacional das empresas, mormente as multi- e transnacionais. As empresas (pessoas jurídicas), beneficiam-se diretamente de normas internacionais, a exemplo daquelas que facilitam o comércio internacional e os fluxos de investimentos. Ao mesmo tempo, têm obrigações fixadas pelo Direito das Gentes, como os padrões internacionais mínimos (standarts), estabelecidos em tratados, em matérias como trabalho e meio ambiente. Em alguns casos, as empresas têm acesso a mecanismos internacionais de solução de controvérsias, como no Mercosul. Direito Internacional Público e Privado Empresas Multinacionais As empresas podem celebrar instrumentos jurídicos com Estados e organizações internacionais, que não serão, porém, tratados, mas apenas contratos, como aqueles concluídos internamente entre entes privados e o Estado, ou instrumentos não vinculantes, como protocolos de intenções. Direito Internacional Público e Privado Beligerantes, Insurgentes e Nações em Luta pela Soberania Os beligerantes são movimentos contrários ao governo de um Estado, que visam a conquistar o poder ou a criar um novo ente estatal, e cujo estado de beligerância é reconhecido por outros membros da sociedade internacional. O reconhecimento de beligerância é normalmente feito por uma declaração de neutralidade e é ato discricionário. Com as sensibilidades existentes nas relações internacionais, é normal que o primeiro Estado a fazê-lo seja aquele onde atue o beligerante. A prática do ato, porém, não obriga outros entes estatais a fazer o mesmo. Direito Internacional Público e Privado Beligerantes, Insurgentes e Nações em Luta pela Soberania As principais consequências do reconhecimento de beligerância incluem a obrigação dos beligerantes de observar as normas aplicáveis aos conflitos armados como: o art. 3º comum às quatro Convenções de Genebra, ao Protocolo II adicional das Convenções de Genebra de 1977, e a possibilidade de que firmem tratados com Estados neutros. O ente estatal onde atue o beligerante fica isento de eventual responsabilização internacional pelos atos deste, e terceiros Estados ficam obrigados a observar os deveres inerentes à neutralidade. Exemplo: Sandinistas da Nicarágua, que foram reconhecidos como beligerantes pelo Pacto Andino de 1979. Direito Internacional Público e Privado Beligerantes, Insurgentes e Nações em Luta pela Soberania Os insurgentes também são grupos que se revoltam contra governos, mas cujas ações não assumem a proporção da beligerância, como no caso de ações localizadas e de revoltas de guarnições militares, e cujo status de insurgência venha a ser reconhecido por outros Estados, fazendo com que os atos dos insurgentes deixem de ser qualificados como criminosos, de banditismo, terroristas ou de pura violência. Exemplo: A Revolta da Armada (1893), A Revolta da Armada foi um movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra os dois primeiros governos republicanos do país. O reconhecimento de insurgência é ato discricionário, dentro do qual são estabelecidos seus efeitos, que normalmente não estão pré-definidos no Direito Internacional e que, portanto, dependem do ente estatal que a reconhece. Em regra, o reconhecimento do caráter de insurgente exime o Estado onde ocorre o movimento de responder internacionalmente pelos atos dos revoltosos e impõe, a todos os lados envolvidos em uma revolta, a obrigação de respeitar as normas internacionais de caráter humanitário. Direito Internacional Público e Privado Beligerantes, Insurgentes e Nações em Luta pela Soberania As nações em luta pela soberania são movimentos de independência nacional, que acabam adquirindo notoriedade tamanha que fica impossível ignorá-los nas relações internacionais. Tem sua auge no movimento de descolonização da África, Ásia, Oceania e da região do Caribe, durante a segunda metade do Século XX. Podem ter origem na beligerância ou na insurgência, e sua personalidade de Direito das Gentes com a plenitude das prerrogativas dependerá do reconhecimento de outros integrantes da comunidade internacional, como os Estados e as organizações internacionais. Exemplo: A antiga Organização para a Libertação da Palestina (OLP), atual Autoridade Palestina, que, sem contar com a soberania estatal, exercia e ainda exerce certas prerrogativas típicas dos Estados, como a de celebrar tratados e o direito de legação (direito de enviar e receber representantes diplomáticos). Direito Internacional Público e Privado Exemplos de movimentos separatistas pelo mundo. Direito Internacional Público e Privado Blocos Regionais Os blocos regionais são, sucintamente, esquemas criados por Estados localizados em uma mesma região do mundo, com o intuito de promover a maior integração entre as respectivas economias e, eventualmente, entre as suas sociedades nacionais. Os blocos regionais são também conhecidos como “mecanismos de integração regional”. Surgem a partir de tratados, celebrados entre os Estados que os criaram, e funcionam não apenas no âmbito do marco dos atos internacionais que os constituíram, como também de acordo com regras, fixadas por outros tratados e por modalidades normativas peculiares, concebidas no bojo de suas atividades, como as diretrizes do MERCOSUL e os regulamentos, diretivas e decisões da UNIÃO EUROPEIA. Direito Internacional Público e Privado Blocos Regionais Dependendo do nível de aproximação entre seus Estados-membros, os blocos regionais organizam-se de modo a agirem autonomamente nas relações internacionais, ganhando personalidade jurídica própria e passando a empregar poderes típicos de sujeitos de Direito das Gentes, como celebrar tratados, comparecer a mecanismos de solução de controvérsias internacionais e exercer o direito de legação. Exemplo de bloco regional que tem personalidade jurídica de Direito Internacional é o Mercosul, nos termos dos arts. 34 a 36 do Protocolo Adicional ao Tratado de Assunção sobre a Estrutura Institucional do Mercosul (Protocolo de Ouro Preto), de 1994. (Decreto 1.901, de 19/03/1996). Esse é também o caso da União Europeia e da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL). Direito Internacional Público e Privado Cruz Vermelha A história internacional e nacional do CICV começa em 24 de junho de 1859, no norte de Itália, no espírito do jovem suíço Henry Dunant, que ao presenciar a Batalha de Solferino resolveu intervir com ajuda humanitária imediata, à vista da quantidade de feridos que os serviços de saúde militar não conseguiam cuidar. A região de Solferino – povoado da Lombardia, ao norte da Itália – pertencia desde 1815 à monarquia dos Habsburgos. A batalha de 24 de junho de 1859 durou apenas 16 horas, mas opôs os exércitos aliados da Sardenha e da França (exércitos franco-sardos) contra o exército Austro-Húngaro, no decurso da Segunda Guerra da Independência italiana, da qual resultaram 40 mil vítimasmortais. A tragédia vivida por Dunant naquela data foi colocada em livro por ele escrito em 1862, intitulado Uma Lembrança de Solferino. Direito Internacional Público e Privado Cruz Vermelha Direito Internacional Público e Privado Cruz Vermelha A ONU reconheceu a Cruz Vermelha como sujeito de direito internacional ao celebrar um tratado com ela. A doutrina entende que ela deve ser considerada como um sujeito sui generis, já que não se configura como Estado ou tampouco uma organização internacional. Ela atua no campo do direito humanitário a quem foi delegada a tarefa de zelar pela aplicação das quatro Convenções de Genebra de 1949 e seu Protocolos adicionais, que são tratados internacionais que contêm as normas mais relevantes sobre os limites da guerra. Elas protegem pessoas que não participam dos combates (civis, pessoal de saúde, profissionais humanitários) e as que deixaram de combater (militares feridos, enfermos e náufragos, prisioneiros de guerra). Direito Internacional Público e Privado Humanidade Para alguns autores a primazia dos interesses gerais da humanidade em relação aos interesses particulares dos Estados. Esta reflexão marca a construção dos direitos internacional do direitos humanos, penal, do meio ambiente, direito do mar e a regulação do espaço estratosférico. O Parecer Consultivo da CIJ sobre as Reservas à Convenção contra o Genocídio, de 1951, fala em “consciência da humanidade”. Direito Internacional Público e Privado Humanidade Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional Artigo 7o Crimes contra a Humanidade 1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crime contra a humanidade", qualquer um dos atos seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque: a) Homicídio; b) Extermínio; c) Escravidão; d) Deportação ou transferência forçada de uma população; e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de direito internacional; f) Tortura; g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável; h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3o, ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal; i) Desaparecimento forçado de pessoas; j) Crime de apartheid; k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. Direito Internacional Público e Privado Lista de Sujeitos de Direito Internacional Público Tradicionais Novos (Fragmentários) Outros Entes que Podem Atuar na Sociedade Internacional Estados, Organizações interna- cionais e Santa Sé Indivíduo, Organizações não-governamentais (ONGs), Empresas e Blocos Regionais Beligerantes, Insurgentes e Nações em luta pela soberania Observação: A humanidade não se insere na lista, pois não é pacífico o seu reconhecimento como sujeito de direito internacional. Direito Internacional Público e Privado image1.png image2.png image3.png image4.png image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.jpeg image14.png image15.png image16.png image17.png image18.jpeg image19.jpeg image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.gif image26.jpeg image27.png image28.png image29.png