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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E PRIVADO – 22/11/2025 Prof. Arthur José Pavan Torres Tema: Fontes princípios e conceitos fundamentais; problemas e temas relevantes; fundamentos históricos e constitucionais Direito Internacional Público e Privado Fontes do Direito Internacional Teoria das fontes – enumera requisitos de fato e de direito para a produção de normas jurídicas válidas. Considerando o contexto social do momento histórico, bem como a análise e classificação das diversas formas ou processos de produção das regras jurídicas. Numerus clausus (número fechado) – direito a indicar os requisitos de validade das diferentes prescrições normativas. Obrigatoriedade – decorrência natural do conceito de fonte direito é a coercitividade. Direito Internacional Público e Privado Fontes do Direito Internacional Positivistas – Acordo de vontades é o principal modo de criação das obrigações jurídicas quer sob forma de tratado (acordo expresso), quer sob forma do costume (acordo tácito). Objetivistas – Fontes criadoras (fatores jurídicos como a opinião pública, a consciência coletiva, o sentimento de justiça, a solidariedade etc.) e fontes formais (confere caráter formal àqueles fatores). Direito Internacional Público e Privado Art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça – (Decreto nº 19.841/1945) 1. A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará: a) as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais. que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes; b) o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito; c) os princípios gerais de direito reconhecidos pelas Nações civilizadas; d) sob ressalva da disposição do art. 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes Nações, como meio auxiliar para a determinação das regras de direito. 2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Côrte de decidir uma questão ex aeque et bono, se as partes com isto concordarem. Direito Internacional Público e Privado Atenção – Não existe hierarquia entre as fontes do direito internacional, portanto elas possuem idêntica relevância jurídica. Direito Internacional Público e Privado Tratados Internacionais A relevância dos tratados internacionais – Mecanismo de regulação entre Estados, sobre os mais diferentes fins como: constituição de alianças militares, celebração de paz, estabelecimento de linha fronteiriças entre os países, intensificação do intercâmbio econômico e cultural. Realizados de forma bilateral (Tratado de Westfália – 1648) ou multilateral (Congresso de Viena de 1815). Direito Internacional Público e Privado Tratados Internacionais A noção de tratado – Acordo formal, concluído somente entre sujeitos de direito internacional público (Estados e Organizações Internacionais) destinado a produzir efeitos jurídicos. Sua celebração se dá por meio escrito, como meio de conferir maior segurança e estabilidade às relações entre as partes, por meio de um instrumento único ou dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica. Os gentlemen´s agreement (Carta da Atlântico) e as declarações conjuntas (Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992). Direito Internacional Público e Privado Tratados Internacionais I. A noção de tratado Carta e convenção – tratados constitutivos de organizações internacionais; Ajustes, arranjos ou memorandos – tratados de importância reduzidas; Concordata – tratado bilateral entre determinado Estado e a Santa Sé, visando a regulação de matéria de interesse religioso. (Decreto nº 7.107/2010) Direito Internacional Público e Privado Tratados Internacionais II. Notas típicas dos acordo internacionais – Os tratados são em geral iniciados por um preâmbulo, seguido da parte dispositiva, às vezes complementada por anexos. Os tratados em regra são iniciadas a partir de negociações entre funcionários (plenipotenciários), que recebem amplos poderes para representar o Estado com vistas à conclusão do acordo internacional. Até o final da Primeira Guerra Mundial o francês era a língua de referência, posteriormente após o final da Segunda Guerra Mundial passou a ser o inglês. Atualmente os tratados bilaterais são redigidos nas línguas dos Estados envolvidos e, normalmente, em inglês. Direito Internacional Público e Privado Tratados Internacionais III. Notas típicas dos acordo internacionais – Os tratados multilaterais firmados sob pela Organização das Nações Unidas (ONU) são redigidos em inglês, francês, espanhol, russo, chinês e árabe. Assinado o tratado o Estado parte não pode contrariar as finalidades do tratados, impossibilitando a concretização do objeto nele estipulado antes que o instrumento entre em vigor (boa-fé). O direito internacional não disciplina o procedimento de ratificação dos tratados, que é matéria regulada pela ordem jurídica interna. O propósito que orienta esta conduta é permitir ao legislador nacional reexaminar o acordo antes que o Estado venha a se comprometer no plano internacional. Por fim se tem a ratificação dos tratados. Direito Internacional Público e Privado IV. Tratados e convenções celebrados pelo Brasil com nações estrangeiras – art. 49, I, da CF de 1988 – Competência do Poder Legislativo. Acordos formalizados pelo Executivo (reversibilidade e preexistência de cobertura orçamentária do orçamento do Ministério das Relações Exteriores). A discussão da matéria ocorre nas duas Casas do Congresso, ou seja, na Câmara e no Senado, sendo que a negativa da primeira impede a apreciação pela segunda. A aprovação pelo Congresso não obriga o Executivo a ratificar o tratado, que deve analisar as questões de oportunidade e conveniência. Aprovado o tratado, a promulgação será feita por decreto legislativo do presidente do Senado. Direito Internacional Público e Privado Fonte: http://noosfero.ucsal.br/articles/0010/4219/mazzuoli-curso-de-direito-internacional-publico-1-120.pdf, pg. 101. Direito Internacional Público e Privado Costume O costume é uma prática que determinado povo realiza em um local específico, tornando-se assim uma forma de direito, não escrito, mas que costuma ser respeitado pelos demais daquele mesmo ambiente. Filas são um ótimo exemplo de costumes. No direito internacional, para que determinado comportamento seja considerado um costume internacional, é necessário que atenda a dois requisitos. O primeiro, um elemento objetivo, ou material e o segundo, um elemento subjetivo, considerado psicológico. Direito Internacional Público e Privado Costume O elemento material ou objetivo, é aquela prática geral e constante pelos sujeitos do direito das gentes (sinônimo de direito internacional público). O elemento subjetivo ou psicológico, faz referência aquilo que é aceito por todos como sendo um direito. Vale mencionar que a falta do elemento subjetivo faz desaparecer o status daquele ato como um "costume", sendo considerado portanto como mero uso. Direito Internacional Público e Privado Os princípios gerais de direito Os princípios são normas dotadas de generalidade e abstração. Os princípios gerais do direito portanto, são valores que vão nortear a criação e interpretação de determinada norma jurídica. Quando falamos de direito internacional público, entretanto, devemos observar o que diz o artigo 38 do Estatuto anteriormente mencionado e ele faz referência aos princípios gerais de direito que são aqueles reconhecidos pelos diversos sistemas jurídicos nacionais, tais como o da boa fé, do contraditório, reciprocidade, dentre outros. Direito Internacional Público e Privado Fontes auxiliares: a jurisprudência e a doutrina jurisprudência – interpretações feitas pelos tribunais que acabam determinando uma norma. São consideradas como meio auxiliar pois dela não nascem novas normas, apenas são registradas formas de interpretação do direito. doutrina dos publicistas – publicistassão aqueles que são versados em direito público. Como possuem conhecimento para tal, suas interpretações do direito também podem ser consideradas meios auxiliares assim como a jurisprudência. Direito Internacional Público e Privado Fontes auxiliares: a jurisprudência e a doutrina analogia e equidade – entram como meio auxiliar no caso da falta de norma jurídica para um determinado caso. Tem como objetivo chegar a decisão mais justa para conflitos de interesses. A analogia é a aplicação de uma norma jurídica feita para servir a um outro caso semelhante, enquanto a equidade ocorre quando não há norma jurídica capaz de abranger o caso determinado. OBS.: art. 38, § 2º, do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (CIJ) – a aplicação da equidade (ex aequo et bono - conforme o correto e válido) pela CIJ depende de anuência expressa dos Estados envolvidos em um litígio. Direito Internacional Público e Privado Fontes auxiliares: a jurisprudência e a doutrina erga omnes – obrigações impostas a todos, independentemente de aceitação. Tem por finalidade preservar valores fundamentais internacionais jus cogens – conjunto de normas que se sobrepõem à autonomia da vontade do Estados. São hierarquicamente superiores às normas convencionais e não podem ser revogadas nem por tratados ou por costumes. Dentre elas estão a proibição da agressão, do genocídio e da escravidão. Direito Internacional Público e Privado Atos unilaterais dos Estados Atos unilaterais dos Estados: consistem em manifestação de vontade unilateral e inequívoca, formulada com a intenção de produzir efeitos jurídicos, com o conhecimento expresso dos demais integrantes da sociedade internacional. Exemplos Normas sobre aquisição e perda de nacionalidade podem ser instituídas pelos Estados (Nottebohm – 1955), valendo perante outros Estados desde que estejam em conformidade com o Direito Internacional. Reconhecimento do nascimento de outros Estado, condição para o estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais regulares. Direito Internacional Público e Privado Atos unilaterais dos Estados Declaração do Presidente Truman (EUA – 1945) da jurisdição americana sobre a Plataforma Continental, que logo se converteu em prática generalizada, abrindo caminha para o aparecimento de nova regra em matéria de direito marítimo. Direito Internacional Público e Privado A proliferação normativa e a fragmentação do direito internacional O alargamento do espectro regulatório do direito internacional a domínios que outros pertenciam exclusivamente às relações diplomáticas e a massificação de normas para regular os múltiplos problemas decorrentes das interações econômicas, sociais e políticas. Contribuem para elevar, de forma inusitada, a probabilidade de conflitos normativos. Direito Internacional Público e Privado A proliferação normativa e a fragmentação do direito internacional - Causas Descentralização da produção normativa. Tempo. Processo de formação das normas internacionais. Ausência de uma corte com jurisdição geral e compulsória encarregada de zelar pela aplicação das normas internacionais. Passagem das normas de coexistência para as normas de cooperação. Globalização. Hierarquia de valores. Ampliação da solução jurídica das controvérsias. Direito Internacional Público e Privado A proliferação normativa e a fragmentação do direito internacional - Antinomias Entre uma norma que ordena um comportamento e uma norma que proíbe o mesmo comportamento; Entre uma norma que ordena fazer algo e outra que permite não fazer; e Entre uma norma que proíbe fazer e outra que permite fazer. Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Papel fundamental dos tratados na história das relações internacionais Tratados como fonte do Direito Internacional Meio de desenvolver a cooperação pacífica entre as nações, quaisquer que sejam seus sistemas constitucionais e sociais Reconhecimento universal dos princípios do livre consentimento e da boa fé e a regra pacta sunt servanda Solução pacífica de controvérsias internacionais em conformidade com os princípios da Justiça e do Direito Internacional Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Busca dos povos das Nações Unidas em criar condições necessárias à manutenção da Justiça e do respeito às obrigações decorrentes dos tratados. Respeito aos princípios da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos, da igualdade soberana e da independência de todos os Estados, da não-intervenção nos assuntos internos dos Estados, da proibição da ameaça ou do emprego da força e do respeito universal e observância dos direitos humanos e das liberdades fundamentais para todos. Codificação e desenvolvimento progressivo do direito dos tratados para promover os propósitos das Nações Unidas da manutenção da paz e da segurança internacionais, o desenvolvimento das relações amistosas e a consecução da cooperação entre as nações. Regras do Direito Internacional consuetudinário regem as questões não reguladas pela Convenção. Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Conclusão e Entrada em Vigor Todo Estado tem capacidade para concluir tratados (art. 6) Plenos Poderes (art. 7), confirmação posterior por falta inicial de poderes (art. 8) Regra de adoção do texto (art. 9) e autenticação do texto (art. 10) Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Reservas Reservas (art. 19): a) a reserva seja proibida pelo tratado; b) o tratado disponha que só possam ser formuladas determinadas reservas, entre as quais não figure a reserva em questão; ou c) nos casos não previstos nas alíneas a e b, a reserva seja incompatível com o objeto e a finalidade do tratado. Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Reservas Efeitos das Reservas (art. 21): 1. Uma reserva estabelecida em relação a outra parte, de conformidade com os artigos 19, 20 e 23: a)modifica para o autor da reserva, em suas relações com a outra parte, as disposições do tratado sobre as quais incide a reserva, na medida prevista por esta; e b)modifica essas disposições, na mesma medida, quanto a essa outra parte, em suas relações com o Estado autor da reserva. Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Entrada em Vigor Entra em vigor na forma e na data previstas no tratado ou acordadas pelos Estados negociadores ou tão logo o consentimento em obrigar-se pelo tratado seja manifestado por todos os Estados negociadores (art. 24). Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Observância e Aplicação Pacta sunt servanda (art. 26) Irretroatividade de Tratados (art. 28) Aplicação Territorial de Tratados (art. 29) Aplicação de Tratados Sucessivos sobre o Mesmo Assunto (art. 30) Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Validade e Vigência de Tratados 1. A validade de um tratado ou do consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado só pode ser contestada mediante a aplicação da presente Convenção. 2. A extinção de um tratado, sua denúncia ou a retirada de uma das partes só poderá ocorrer em virtude da aplicação das disposições do tratado ou da presente Convenção. A mesma regra aplica-se à suspensão da execução de um tratado. Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Nulidades de Tratados Violação manifesta e que diga respeito a uma norma de seu direito interno de importância fundamental (art. 46) Restrições específicas ao poder de manifestar o consentimento de um Estado (art. 47) Erro (art.48) Dolo (art. 49) Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Nulidades de Tratados Corrupção de Representante de um Estado (art. 50) Coação de Representante de um Estado (art. 51) Coação de um Estado pela Ameaça ou Emprego da Força (art. 52) Tratado em Conflito com uma Norma Imperativa de Direito Internacional Geral (jus cogens) (art. 53) Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Extinção ou Suspensão Extinção ou Retirada de um Tratado em Virtude de suas Disposições ou por consentimento das Partes (art. 54) Redução das Partes num Tratado Multilateral aquém do Número Necessário para sua Entrada em Vigor (art. 55) Denúncia, ou Retirada, de um Tratado que não Contém Disposições sobre Extinção, Denúncia ou Retirada (art. 56) Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Extinção ou Suspensão Suspensão da Execução de um Tratado em Virtude de sua Disposições ou pelo Consentimento das Partes (art. 57) Suspensão da Execução de Tratado Multilateral por Acordo apenas entre Algumas da Partes (art. 58) Extinção ou Suspensão da Execução de um Tratado em Virtude da Conclusão de um Tratado Posterior (art. 59) Direito Internacional Público e Privado Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados - DECRETO Nº 7.030/2009 Extinção ou Suspensão Extinção ou Suspensão da Execução de um Tratado em Conseqüência de sua Violação (art. 60) Impossibilidade Superveniente de Cumprimento (art. 61) Mudança Fundamental de Circunstâncias (art. 62) Rompimento de Relações Diplomáticas e Consulares (art. 63) Superveniência de uma Nova Norma Imperativa de Direito Internacional Geral (jus cogens) (art. 64) image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.svg image7.jpeg