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Interpretação de exames bioquímicos Outubro de 2024 Profª Nina Santiago O que é? investigação realizada por meio de amostra sanguínea para detecção de doenças associadas a carências e/ou excesso de determinados nutrientes e outras substâncias presentes no sangue. • Medidas objetivas das alterações do estado nutricional • Usada para: • Confirmação das deficiências nutricionais; • Identificação precoce de problemas nutricionais; • Monitoramento do indivíduo em tratamento. • Desvantagens: • Sofre influência de diversas doenças; • Interação droga-nutriente • Ingestão recente de determinado nutriente 02 03 01 LEGISLAÇÃO Resolução CFN nº 417, de 18 de março de 2008 Lei Federal nº 8.234, de 17 de setembro de 19911 Resolução CFN nº 306, de 24 de março de 20032 Compete ao nutricionista a solicitação de exames laboratoriais necessários à avaliação, à prescrição e à evolução nutricional do cliente/paciente.” É atribuído ao nutricionista a solicitação de exames laboratoriais necessários ao acompanhamento dietético.” estabelece a Avaliação de Parâmetros Bioquímicos (solicitação e/ou avaliação de exames laboratoriais complementares necessários à atenção dietética e nutricional) como um dos procedimentos nutricionais para atuação do nutricionista É importante destacar que o diagnóstico de doenças deve ser feito por um médico. Os exames solicitados por nutricionistas devem ser limitados à monitorização dietoterápica e diagnósticos nutricionais. Exames para acompanhamento nutricional Exames laboratoriais utilizados em avaliação nutricional Hemograma; Proteínas totais; Índice de creatinina-altura (ICA), Albumina, Transferrina, Pré-albumina, Proteína transportadora de retinol Avaliação e acompanhamento de doenças cardiovasculares Triglicérides; Colesterol total; Lipoproteína de alta densidade (HDL); Lipoproteína de baixa densidade (LDL); Lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) Acompanhamento de doenças endócrinas Glicemia; Teste oral de tolerância à glicose; Insulina; Peptídeo C; Hemoglobina glicada Avaliação da tireoide Tiroxina (T4) total e livre; Triiodotironina (T3); Globulina ligadora de tiroxina (TGB); Hormônio estimulador da tireoide (TSH) Exames para acompanhamento nutricional Acompanhamento de doenças renais Gasometria; Ureia; Creatinina; Sódio; Cálcio (total e iônico); Potássio sérico; Fósforo sérico; Magnésio sérico; Ácido úrico; Oxalato; Citrato Acompanhamento de doenças hepáticas Alanina aminotransferase (ALT) ou transaminase glutâmico-pirúvica (TGP); Aspartato aminotransferase (AST) ou transaminase glutâmico-oxalacética (TGO); Gama glutamil transferase (GGT); Bilirrubina Acompanhamento da saúde do ferro Ferro; Transferrina; Ferritina; Capacidade total de ligação do ferro. Acompanhamento de carências específicas advindas de cirurgia bariátrica Vitamina B12; Ácido fólico; Cálcio total; Ferro; Zinco; Sódio; Fósforo; Selênio; Cloro; Vitamina A; Vitamina C; Vitamina E; Vitamina K; Vitamina D3. “Solicitação de exame” ou “solicito exame” ou “pedido de exame” Nome do paciente Nome dos exames solicitados Assinatura e carimbo com o número de inscrição do CRN Data Motivo da solicitação. Exemplo: investigação de deficiências nutricionais Avaliação do Estado Nutricional Relativo às Proteínas • O corpo humano não faz reserva de proteínas; • 30 a 50% - músculo esquelético; • Cerca de 18% - viscerais, especialmente no fígado ❑ Albumina: ❑ Proteína mais abundante no plasma sanguíneo ❑ Meia-vida longa - 18 a 20 dias ❑ Funções principais: ❑ Ligação e transporte de substâncias: cálcio, zinco, magnésio, cobre, ácidos graxos de cadeia longa, esteróides, drogas etc. ❑ Manutenção da pressão coloidosmótica do plasma ❑ Ineficaz para diagnóstico de desnutrição aguda e demora para revelar resultado depois da recuperação do paciente Indicadores Proteicos Viscerais ❑Albumina: ❑ Limitações: Indicadores Proteicos Viscerais Valores Aumentados Desidratação Valores Reduzidos Situações de estresse metabólico (trauma, sepse, queimaduras, infecções/inflamações), edema, má absorção intestinal, doenças hepáticas, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva, hiper-hidratação, câncer, eclampsia, idosos, carência de zinco. Pré-Albumina: ❑Função: transportar hormônio tireoidiano (tiroxina) e formar um complexo com a proteína ligante de retinol. ❑Meia vida curta (2 a 3 dias) Indicadores Proteicos Viscerais Valores Aumentados Desidratação, insuficiência renal Valores Reduzidos Situações de estresse metabólico (trauma, sepse, queimaduras, infecções/inflamações), doenças hepáticas, hiper-hidratação Meia vida curta de apenas algumas horas Muito utilizada para monitorar a evolução e o prognóstico da inflamação pois quanto maior seu valor maior o nível de inflamação. Proteínas C reativa ❑ Utilizado para estimar a massa proteica muscular; ❑ Calculado a partir do volume urinário de 24 horas; ❑ A creatinina é um metabólito derivado da hidrólise não enzimática irreversível da creatina e da fosfocreatina. ❑ Encontrado quase exclusivamente no tecido muscular (98%) ❑ Quando o paciente não come fontes de creatina, pode-se dizer que o excretado de creatinina é igual ao presente no músculo ❑ Uma vez formada, a creatinina não possui função biológica específica e é excretada por via renal Índice de creatinina-altura 𝐼𝐶𝐴% = 𝐶𝑟𝑒𝑎𝑡𝑖𝑛𝑖𝑛𝑎 𝑛𝑎 𝑢𝑟𝑖𝑛𝑎 𝑑𝑒 24ℎ 𝑥 100 𝐶𝑟𝑒𝑎𝑡𝑖𝑛𝑖𝑛𝑎 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎 ❑ Creatinina média: ❑ Homem= 18 mg/Kg ❑ Mulher = 23 mg/Kg ❑ Não se aplica a idosos e enfermos Índice de creatinina-altura 80 a 90% Depleção leve 60 a 80% Depleção Moderada 0 Balanço nitrogenado neutro (equilíbrio) 0 Depleção leve (catabolismo leve) -5 a -10 Depleção moderada (catabolismo moderado) -10 a -15 Depleção grave (catabolismo grave)de ferro Estágios A avaliação dos estoques de ferro pode ser realizada pela dosagem de ferritina. Sua baixa concentração no sangue é considerada um forte indicador de depleção de ferro. FERRITINA Ferro sérico Capacidade total de ligação do ferro Quando as reservas de ferro estão exauridas, qualquer declínio adicional no ferro corporal é acompanhado por uma redução na concentração do ferro circulante no sangue. Aumenta na deficiência de ferro, mas diminui na inflamação, fornecendo evidência para diferenciação das duas situações. Contudo, esse parâmetro deve ser criteriosamente avaliado, uma vez que pode estar dentro da faixa de normalidade quando inflamação e deficiência coexistem O estágio final da carência de ferro está associado a um significativo decréscimo na concentração de hemoglobina. Esse é, portanto, o parâmetro universalmente utilizado para definir anemia. O hematócrito, que representa a concentração de eritrócitos no sangue. De acordo com os padrões diagnósticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a ADF é considerada leve a moderada se os valores de Hb estiverem entre 7 e 12 g/dℓ e grave se o valor de Hb for menor que 7 g/dℓ (com variações de acordo com idade, sexo ou presença de gestação). Índices hematimétricos Na anemia por deficiência de ferro, ocorrem mudanças no tamanho e na coloração dos eritrócitos, células hipocrômicas e microcíticas aparecem em maior quantidade no sangue após um decréscimo na concentração de hemoglobina. Os índices hematimétricos comumente utilizados são: ● volume corpuscular médio (VCM), que avalia o tamanho médio dos eritrócitos; ● amplitude de variação do tamanho dos eritrócitos (RDW, do inglês red distribution width), que avalia a variabilidade no tamanho dos eritrócitos; ● hemoglobina corpuscular média (HCM) e concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM), que avaliam a concentração de hemoglobina no eritrócito. Índices hematimétricos Análise de resultados Avaliação do Estado Nutricional em Ferro Parâmetro Normal Depleção de ferro Eritropoese ferro- deficiente Anemia por deficiência de ferro Capacidade total de ligação do ferro (μg/dℓ) 330 ± 30 360 390 410 Ferritina sérica (μg/ℓ) 100 ± 60 20 10 40 >40 Desejável TRIGLICERÍDEO