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11:19 4G 6 Caso de Evandro OK 1 de 1 Apresentação do Caso de Evandro Evandro, homem cis, branco, 30 anos, noivo, sem filhos, funcionário do serviço de entrega de uma farmácia. paciente relatava retraimento social desde a infância, referindo lembranças de isolamento em sala de aula, incômodo em se alimentar na frente de colegas e dificuldade em iniciar contato social. Em situações nas quais se sentia observado por uma ou mais pessoas, foi sendo progressivamente acometido por tique motor caracterizado pela contração da musculatura da face. Nestas situações, procurava esconder parte do rosto com as mãos e encerrar contato social para sair do local. Em uma ocasião o tique foi notado por um colega, o que aumentou ainda mais sua esquiva à conversa com pessoas não íntimas. Aos 14 anos de idade, em evento escolar no qual os alunos se reuniam no pátio para cantar o Hino Nacional, o paciente foi acometido por aumento súbito de ansiedade frente à ideia de que estava sendo observado e de crítica alheia, o que o levou a sudorese, vertigem, com posterior queda ao solo. Após este evento, o paciente passou a apresentar uma série de desmaios em situações de exposição a aglomerações de pessoas nas quais poderia ser alvo de atenção, como na igreja e na escrita à lousa na escola. Há alguns anos descontinuou os estudos, pois na ocasião de uma atividadeescolar na qual cada aluno deveria se apresentar, abandonou a sala antes de sua apresentação por temor de desmaio. Como resultado de tudo isso, passou a evitar situações em que poderia ser observado, como frequentar restaurantes, lojas ou igreja e iniciou o uso de óculos escuros temendo acometimento de tiques. Procurou uma série de neurologistas para investigação dos desmaios, sendo encaminhado para psiquiatra que o diagnosticou como tendo Transtorno de Ansiedade Social (TAS) do tipo generalizado, segundo os critérios do DSM-IV (APA, 1994). o paciente foi encaminhado para terapia após três anos de seguimento clínico e baixa resposta do tique e da ansiedade social ao tratamento medicamentoso. Apresentava-se há dois anos sem desmaios, mas possuía uma série de prejuízos funcionais inerentes ao TAS: trabalhava como entregador de farmácia somente com óculos escuros e não fazia contato visual com clientes, não se alimentava junto com colegas e tinha grande dificuldade em usar o telefone da empresa, não usava o banheiro público, não entrava em lojas com vendedor, possuía grande sofrimento em se expor a ambientes em que podia ser observado, e se dizia incapaz de entrar na igreja frente à vigência de seu casamento, que ocorreria após dois meses da primeira sessão terapêutica. A