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Gestão estratégica para Farmácia Fundamentos de gestão estratégica, governança, ética, cultura organizacional e logística. Prof. Bernardo Andretti, Prof.ª Patricia Sotello, Prof. Francisco Carlos Viegas Cásseres/ Colaboração: Prof. Enrique Jesús Sánchez, Elvira Prof. Marcelo da Silveira Villela, Prof. Eduardo Corsino Freire 1. Itens iniciais Propósito Em qualquer profissão podemos alcançar cargos de gestão, coordenando equipes e sendo responsáveis por setores dentro da empresa. Para isso, é importante compreendermos como funciona a gestão estratégica dentro de uma organização, quais são seus pontos-chave, o que é uma cadeia de suprimento e de que forma organizar a logística do setor que está sob sua responsabilidade. Objetivos Identificar os conceitos de gestão estratégica, ética empresarial e governança corporativa. Descrever os elementos e as variáveis determinantes da cultura organizacional. Descrever os conceitos de logística, cadeia de suprimentos e logística reversa. Introdução Estudaremos a estratégia empresarial e sua relação com o conceito de governança corporativa. Também estabeleceremos uma relação entre o conceito de ética empresarial e o de responsabilidade social nas organizações, em que destacaremos a importância da ética e de códigos éticos e os seus impactos sobre as organizações. Falaremos ainda sobre como se manifesta a cultura nas empresas, quais elementos estão por trás desse fenômeno, a forma de gerenciá-la e como internalizar as mudanças pretendidas nos membros da organização por meio da socialização. Por fim, trataremos de logística, cadeia de suprimentos e da logística reversa, tópicos que estão cada vez mais em alta nos serviços de saúde farmacêuticos e que influenciam de maneira importante o dia a dia do farmacêutico gestor em diversos ambientes de trabalho. • • • 1. Conceito, governança, regulação e ética Conceito de estratégia empresarial A estratégia é conhecida no campo da administração como uma área com significativa amplitude de abordagens. Portanto, a palavra “estratégia” tem significados diferentes conforme o contexto em que se apresenta. Por exemplo, uma conotação no mundo corporativo e outra no acadêmico. Empresarial No ambiente empresarial, podemos definir estratégias como os planos definidos pela alta administração para alcançar resultados consistentes com a missão e os objetivos da organização, ou como um padrão (ou plano) que integra as principais metas, políticas e sequências de ação dela em um todo coerente. Portanto, a estratégia é o ato de pensar e planejar ações, de forma que as empresas consigam não apenas alcançar resultados, mas também que o alcance destes objetivos esteja alinhado com os valores e políticas da organização. Acadêmico No ambiente acadêmico, o principal expoente em temas vinculados à administração estratégica é o professor e economista Michael Porter. A definição trazida por este autor aponta a criação de uma posição única e valiosa, envolvendo um conjunto diferente de atividades. Segundo Porter (1996), quando a estratégia é um assunto tratado em uma circunstância comum, ela pode ser entendida como: “um plano ou algo equivalente — uma direção, um guia ou curso de ação para o futuro, um caminho para ir daqui até ali”. (PORTER, 1996, p. 68.) Buscando unificar pontos incomuns levantados por diferentes visões, Mintzberg, Ashlstrand e Lampel (2004) apresentam sua definição: “Estratégia é um padrão, isto é, consciência em comportamento ao longo do tempo.” (MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL, 2004, p. 17) Além disso, a estratégia representa coisas distintas nas falas corriqueiras das pessoas. Lembre-se de que formas você já ouviu essa palavra sendo usada: talvez em algum jogo, em uma reunião de família, em uma entrevista de emprego ou em um filme, como na famosa definição do capitão Nascimento em Tropa de Elite, lançado em 2007: Brincadeiras à parte, se a área estratégica é tão ampla, como é possível compreendermos todas as suas definições? Essa seria uma tarefa quase impossível e não temos esta pretensão, já que não seria viável o esgotamento do assunto apenas neste conteúdo. Contudo, veremos que, apesar das perspectivas diversas, a estratégia tem uma abrangência familiar às nossas atividades diárias, especialmente àquelas realizadas nas organizações. Ou seja, as estratégias são parte da nossa rotina diária, mesmo que muitas vezes isso passe despercebido. Em resumo, as estratégias empresariais podem ser entendidas como ações fundamentais de qualquer organização. Enquanto uma boa estratégia pode levar ao sucesso e ao crescimento de longo prazo de uma empresa, estratégias mal pensadas ou mal executadas poderão gerar enormes prejuízos. Responsabilidade social corporativa Neste vídeo, aprofundaremos a abordagem desse assunto. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Planejamento estratégico Como vimos, apesar de fontes distintas para conceituar a palavra “estratégia”, duas palavras recorrentes, especialmente se considerarmos as definições de Porter e de Mintzberg e autores, são plano e padrão. Isso não ocorre por acaso... Para que as ações desejadas sejam materializadas e as metas sejam alcançadas, é necessário um planejamento. Caso contrário, a organização estaria fadada ao insucesso. Desse modo, o planejamento constitui uma ferramenta fundamental para se colocar a estratégia em prática. Segundo Maximiano (2012), o planejamento estratégico é o processo de elaborar uma estratégia. Ou seja, trata-se do meio de colocá-la em prática. Durante o planejamento, a organização, com foco nas ações de médio e longo prazo, define sua missão, a visão e os valores, que servirão como bússola que servirá de orientação para as estratégias da organização em busca de atingir os resultados esperados. Vamos entender o que representam estes três itens: Missão É a razão de ser de uma empresa, o motivo pelo qual ela se mantém em atividade, ou seja, o motivo de sua existência. Visão É o lugar onde se pretende chegar ou os objetivos que a organização pretende alcançar, em um determinado período de tempo. Serve como um norteador dos planos. Valores Têm a função de demarcar os princípios que guiarão as ações a serem realizadas. São ideias que conduzem, inclusive, a postura dos colaboradores perante os clientes do negócio, além de servirem como balizadores para as ações a serem tomadas. A necessidade de definir a missão, a visão e os valores de um negócio independem do tamanho ou da finalidade dele. Esses conceitos estratégicos devem ser estabelecidos por qualquer organização que almeje resultados, que pode ser o lucro (no caso das empresas privadas de qualquer porte), resultados de interesse público (nos órgãos públicos em geral) ou resultados de interesse social (organizações sem fins lucrativos). Para compreendermos melhor, vamos analisar exemplos de empresas brasileiras. Cimed O laboratório farmacêutico Cimed apresenta como sua missão: “Proporcionar saúde e qualidade de vida para toda a sociedade.” (CIMED, s.d) Natura No planejamento estratégico vigente da empresa Natura, sua visão para 2050 é: “Nós acreditamos que uma marca de beleza pode fazer muito mais pelo mundo. Pode ir além e gerar impacto positivo na vida das pessoas e no planeta. Porque, para nós, sustentabilidade é mais que um discurso. Faz parte do nosso dia a dia, da nossa trajetória e do nosso futuro.” (NATURA, s.d.) Os valores de uma empresa podem ser representados por um grupo de palavras ou mesmo por uma única diretriz, que rege a cultura da organização e sua forma de se relacionar com clientes internos e externos e fornecedores. A Rede D’Or São Luiz, uma das maiores redes de hospitais do país, define como seus valores a competência, credibilidade, desenvolvimento sustentável, humanização, integridade e respeito. Ao declarar sua missão, uma organização também deve incorporar as demandas dos stakeholders no processo de tomada de decisões estratégicas. Como os objetivos desses atores tendem a ser conflitantes, ao expor amatéria-prima básica, além de atacadistas, distribuidores, varejistas e clientes finais. E fornecedor da matéria-prima básica, distribuidores e clientes. A alternativa D está correta. A cadeia de suprimentos é composta por todos os fornecedores envolvidos no processo de fabricação até os consumidores finais. Questão 2 Analise as afirmativas abaixo acerca da logística reversa: I. É um processo que interessa apenas a indústrias que podem reaproveitar as embalagens, como as de alimentos. II. É um processo que gera benefícios em impostos às empresas aderentes, além de melhorar a percepção do consumidor sobre a empresa. III. Tem o objetivo de reutilizar ou descartar corretamente o produto ou partes ao final do seu ciclo de vida útil. Está(ão) corretas(s) A I, apenas. B II, apenas. C III, apenas. D II e III, apenas. E I e III, apenas. A alternativa D está correta. A logística reversa pode ser aplicada em diversos setores, inclusive na indústria farmacêutica, onde os medicamentos vão ter o descarte correto feito evitando a contaminação ambiental. Além disso, as empresas recebem descontos em impostos e podem aumentar suas vendas em função de consumidores que preferem marcas ligadas à proteção ambiental. 4. Conclusão Considerações finais Estudamos o conceito de estratégia empresarial, estabelecendo sua relação com a governança corporativa. Para isso, analisamos o nível estratégico empresarial ou da alta gerência, o que nos permitiu entender os elementos fundamentais do planejamento estratégico para as empresas. Além disso, destacamos a matriz SWOT, que é uma ferramenta valiosa no planejamento estratégico. Falamos ainda sobre a cultura, que se manifesta nas organizações do mesmo modo que em outros âmbitos da nossa vida cotidiana. A cultura organizacional não é um conceito simples de entender e não é identificável materialmente. É por isso que, até meados do século XX, não era uma dimensão considerada nem pelos cientistas sociais nem pelas empresas. Hoje, a cultura é um eixo do gerenciamento das organizações de importância cada vez maior, de modo que, se a cultura não está alinhada com os desafios enfrentados interna e, sobretudo, externamente, isso pode resultar no desaparecimento das empresas. Por fim, abordamos os conceitos de Supply Chain Management, ressaltando a sua relevância no mundo empresarial, e listamos os conceitos e definições da estratégia logística das empresas. Além disso, foram abordados conceitos acerca do efeito chicote, tão presentes nas organizações atuais, justamente pela falta de confiança nas informações de toda a cadeia de suprimentos. Também vimos o conceito de logística reversa, ramo da logística que vem ganhando espaço e despertando a atenção das empresas porque, além de representar possibilidades de redução de custos, também ajuda na melhoria de imagem das organizações junto a seus clientes. Podcast Para encerrar, ouça um resumo dos principais conteúdos estudados anteriormente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para entender como é construída a cultura organizacional em uma das empresas mais inovadoras em gestão de pessoas (Google), sugerimos a leitura do livro “Um novo jeito de trabalhar”, de Laszlo Bock. Para saber mais sobre os assuntos referentes à logística integrada e gestão da cadeia de suprimentos, recomendamos o excelente livro “Gerenciamento da cadeia de suprimentos”, de Ronald Ballou. Leia ainda a tese de Cecília Juliani Aurélio intitulada “Estratégias para operacionalização da logística reversa de medicamentos” da escola de artes, ciências e humanidades programa de pós-graduação em sustentabilidade da Universidade de São Paulo. Leia também o livro “Logística reversa para o setor de medicamentos” elaborado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Referências CORAZZA, Rosana et al. Logística Reversa para o setor de medicamentos. Brasília: ABDI, 2013. ALVES FILHO, F. D. Uma década de governança corporativa: história do IBGC, marcos e lições da experiência. São Paulo: Saraiva, 2006. AURÉLIO, C.J. Estratégias para operacionalização da logística reversa de medicamentos. 2015 Dissertação (mestrado em Ciências) Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Brasília, 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. O que é governança corporativa. Consultado na internet em: 24 nov. 2020. BALLOU, R. H. Business logistics management: planning, organizing, and controlling the supply chain. Nova Jersey: Prentice Hall, 2006. BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/Logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. BALLOU, R. H. Logística empresarial. São Paulo: Atlas, 2012. BATEMAN, T. S.; SNELL, S. A. Administração: novo cenário competitivo. São Paulo: Atlas, 2006. BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A sociedade como realidade subjetiva. In: BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. 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Conceito, governança, regulação e ética Conceito de estratégia empresarial Empresarial Acadêmico Responsabilidade social corporativa Conteúdo interativo Planejamento estratégico Missão Visão Valores Cimed Natura Análise SWOT Forças (Strengths) Oportunidades (opportunities) Fraquezas (weakenesses) Ameaças (threats)Governança corporativa Modelos de governança Outsider system Insider system Agentes da governança corporativa Sócios ou acionistas Conselho de administração Diretoria Órgãos de fiscalização e controle Conformidade e ética Prática da ética nas organizações Nike Comportamentos éticos Primeira Segunda Terceira Vem que eu te explico! O conceito de estratégia empresarial Conteúdo interativo Governança corporativa Conteúdo interativo Planejamento estratégico Conteúdo interativo Conformidade e ética Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Comportamento e cultura organizacional Conceito Origens e evolução da cultura organizacional Sistemas abertos Novos modelos organizacionais Gestão de Pessoas Vale do Silício Do que é composta a cultura em uma organização? Elementos da cultura organizacional Valores Crenças Ritos e cerimônias Símbolos Histórias e mitos Tabus Heróis Normas/prioridades Processo de comunicação Subculturas e ilhas culturais É possível gerenciar a cultura das organizações? Comentário Gestão sustentável da cultura organizacional Conteúdo interativo Socialização na gestão da cultura organizacional Conteúdos e aprendizagens na socialização organizacional Competência Qualificação Domínio da linguagem Interação com as pessoas Objetivos e valores da organização Políticas Condições materiais de trabalho História da organização Proatividade Vem que eu te explico! Variáveis que influenciam a cultura organizacional Conteúdo interativo É possível gerenciar a cultura das organizações? Conteúdo interativo Socialização na gestão da cultura organizacional Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Logística e cadeia de suprimentos Definição de logística Componentes do sistema logístico Serviços ao cliente Transportes Estoques Compras ou vendas Armazenagem Processamento de pedidos A gestão da cadeia de suprimentos Ferroviário Rodoviário Aéreo Hidroviário Dutoviário Exemplo Fornecedores de segunda camada Fornecedores de primeira camada Empresa Fornecedores de primeira camada (atacadistas) Fornecedores de segunda camada (varejistas) Consumidores finais Prestadores de serviços Saiba mais Efeito chicote e conceitos relevantes para o SCM Curiosidade Exemplo Conceitos relevantes agregados ao SCM Efficient Consumer Response (ECR) Vendor Managed Inventory (VMI) Continuous Replenishment (CR) Collaborative Planning, Forecasting and Replenishment (CPFR) Vendor Managed Inventory (sistema just-in-time) Total Quality Management (TQM) Lean Manufacturing (LM) Logística reversa Logística reversa de medicamentos Exemplo Logística reversa no setor de medicamentos Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Definição de logística Conteúdo interativo A gestão da cadeia de suprimentos Conteúdo interativo Logística reversa Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasrazão pela qual existe, a empresa torna pública a prioridade da alta direção, consequentemente ficando próxima do grupo que ela julga ter prioridade em relação aos demais. Stakeholders No mundo corporativo, significa as “partes interessadas”, ou seja, são todos aqueles que são impactados de alguma forma por um negócio ou projeto, que podem ser os trabalhadores, acionistas, fornecedores, a sociedade local, entre outros. Para minimizar os conflitos resultantes da postura adotada pela organização, uma das possibilidades é estabelecer a representação dos diferentes grupos em sua estratégia. Vemos, com isso, a governança corporativa interagindo com o planejamento estratégico, já que, para garantir que os interesses dos representantes sigam de maneira convergente com os interesses dos representados, o planejamento precisa prever mecanismos de governança. Análise SWOT As definições da organização sustentarão a base das ações seguintes ao planejamento estratégico. Estas ações também precisam incluir uma análise do ambiente no qual a empresa está inserida. Essa análise é conhecida pela sigla SWOT e trata-se de um mapeamento que contempla aspectos dos ambientes externo e interno da organização. Cada letra representa um aspecto abarcado por esta análise: os dados importantes que caracterizam as forças (strengths), as fraquezas (weaknesses), as oportunidades (opportunities) e as ameaças (threats) mapeadas pela organização. Em português, as iniciais relativas aos mesmos aspectos resultam em outra sigla: FOFA. Vamos compreender melhor estes itens? 1 Forças (Strengths) São os elementos de excelência da instituição quando comparada com seus concorrentes. Elas representam aquilo que a empresa faz de melhor, indicando seus principais diferenciais no serviço ou no produto ofertado. 2 Oportunidades (opportunities) São os aspectos favoráveis que podem tornar a empresa vantajosa. Trata-se de tudo aquilo que, apesar de não ter sido gerado por ela, tem o potencial de contribuir para seu crescimento. Mesmo externos, tais aspectos representam enormes possibilidades, ainda mais se for levado em consideração o atual mundo globalizado, porque ele sempre está em constante mudança. 3 Fraquezas (weakenesses) São caracterizadas por todas as desvantagens competitivas identificadas após a comparação com as demais organizações e em uma avaliação de seus processos internos. Elas indicam, portanto, pontos a serem melhorados – e eles sempre devem ser considerados prioritários nas organizações. 4 Ameaças (threats) São representadas por cenários alheios à organização que podem trazer-lhe algum tipo de risco ou danos. São aqueles produtos ou serviços ofertados por concorrentes que se assemelham às atividades da empresa. Elas também podem indicar as possibilidades de novos entrantes no mercado ou de novas regulações e leis. Quando o mapeamento de cada um desses elementos é realizado, a efetivação da análise SWOT ocorre pelo cruzamento de informações em quadrantes (cada um representando um item). O resultado disso é o delineamento das estratégias que serão adotadas pela instituição. A seguir, apresentamos um exemplo: Análise SWOT. Dessa forma, é possível perceber que a análise SWOT representa um olhar cuidadoso para dentro das empresas, capaz de reconhecer suas forças e fraquezas, mas também um olhar externo, que lhes permita vislumbrar tanto as oportunidades de negócios que podem surgir quanto as ameaças, presentes e futuras, aos seus resultados e ao cumprimento de suas estratégias. A análise SWOT é uma ferramenta de gestão fundamental para a realização da análise ambiental, constituindo a base do planejamento estratégico das organizações. Esse instrumento simples tem como objetivo definir o posicionamento estratégico da instituição no ambiente (interno e externo) no qual ela atua. Assim, a alta gestão pode tomar decisões mais assertivas que direcionem a empresa rumo a estratégias mais precisas e factíveis, garantindo, assim, sua sobrevivência e um crescimento feito em longo prazo. Governança corporativa Primeiramente, é importante definirmos o que é a governança corporativa. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) define da seguinte forma: Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. (IBGC, 2020) Modelos de governança Existem variações quanto ao modelo das práticas de governança. Isso porque esses modelos dependem do ambiente social, econômico, corporativo e regulatório. Não há um único modelo capaz de se adequar às peculiaridades dos diferentes países. Os modelos de governança podem ser divididos em dois grandes grupos: 1 Outsider system É um modelo que conta com uma pulverização de acionistas, uma estrutura de controle dispersa, um financiamento por meio do mercado de ações e, por fim, investidores de grande porte e acionistas ativos. Este modelo é forte em mercados acionários com fonte de financiamento, como ocorre nos Estados Unidos. 2 Insider system É um modelo no qual os acionistas ficam no comando das operações do dia a dia, esse controle pode ser familiar, no caso deste modelo empresarial ou do Estado. Além disso, títulos e dívidas financiam o negócio, assim como os investidores de menor porte e sem força ativista. Conhecido como modelo japonês, por ser difundido a partir de seu uso no Japão, este modelo também é comum em países como o Brasil, onde existe mais propriedade concentrada, como, por exemplo, as empresas familiares e aquelas controladas pelo Estado. Agentes da governança corporativa Nos últimos anos, a governança nas empresas ampliou seu foco para as demais partes interessadas, sem diminuir a importância dos sócios e administradores. Isso demandou dos agentes de governança corporativa maior cuidado no processo de tomada de decisão. Mas você sabe quem são os principais agentes da governança? Sócios, conselho de administração, diretoria e órgãos de fiscalização e controle. Vamos analisar o papel de cada um deles: Sócios ou acionistas São as pessoas físicas ou jurídicas que contribuem para a formação da organização. No caso das empresas, eles detêm a propriedade de uma parcela do capital social. Por meio do estatuto e do contrato social, são os sócios que estabelecem a forma de funcionamento da organização, incluindo as alçadas e as atribuições dos demais agentes de governança. Eis aqui um ponto crucial e inicial da governança: os sócios, graças a estatuto ou contrato que complementa a legislação, contribuem para a transparência do sistema de governança da empresa. Além disso, fomentam a confiança nas relações com todas as partes interessadas relevantes. Conselho de administração É um órgão colegiado, encarregado do processo de decisão de uma organização com relação ao seu direcionamento estratégico. Seus membros são eleitos pelos sócios. Este conselho exerce o papel de guardião de princípios, valores, objeto social e sistema de governança da organização, sendo seu principal componente. Além da decisão acerca dos rumos estratégicos do negócio, compete ao conselho de administração compor a diretoria da organização, de acordo com seu melhor interesse, atuando como um elo entre ela e os sócios. Diretoria É responsável por colocar em prática o plano estratégico por meio da gestão da empresa. Seu principal objetivo é fazer com que ela cumpra seu objeto e sua função social. A diretoria executa a estratégia e as diretrizes gerais aprovadas pelo conselho de administração, administra os ativos da organização e conduz seus negócios. Ela viabiliza e dissemina propósitos, princípios e valores da organização. Órgãos de fiscalização e controle São compostos por vários agentes da governança, dentre os quais destacam-se o comitê de auditoria, a auditoria interna e a independente, além do conselho fiscal. Esses órgãos possuem uma estreita relaçãocom o processo de compliance. Atividade discursiva O que você entende como ética? Chave de resposta Segundo Hill e Jones (2013), o termo ética está vinculado aos princípios reconhecidos pela sociedade como aquilo que é considerado certo para o comportamento humano quando seus indivíduos se relacionam com a coletividade. Também estão inseridos no conceito os comportamentos esperados para os membros de uma categoria profissional, assim como para as ações de uma organização. Conformidade e ética Nas organizações, o conceito de ética abrange os princípios que moldam a conduta das pessoas nos negócios, sendo um elemento tão essencial que nenhuma ação coletiva pode esquivar-se de realizá-la sem haver, como consequência disso, prejuízo à imagem e à credibilidade pública que se deseja atingir. Uma constante evolução tecnológica, sem precedentes na história, além de inovações disruptivas e ameaças cibernéticas tem gerado para as empresas a necessidade de constantes transformações nos ambientes onde estão inseridas. Como se não bastasse tudo isso, escândalos de fraude e corrupção estão entre os grandes desafios que vêm forçando as organizações a atuarem de forma cada vez mais ativa nos processos de avaliação e nas tomadas de decisão e deliberação ética. Alves Filho (2006) afirma que a ética é uma dimensão que se caracteriza como um ponto de partida para a consolidação da boa governança. Além disso, há estudiosos que a entendem como um objeto particular de estudo. Para Dupont (2010), ela tem um objeto próprio, assim como suas leis e seus métodos. O objeto da ética é a moral, sendo parte integrante dela o comportamento humano. Portanto, é impossível dissociar os comportamentos dos indivíduos em uma dada empresa de possíveis dilemas éticos e de suas consequências. Prática da ética nas organizações A ética empresarial elabora, divulga e torna institucionais os valores desejados pela organização, que devem estar refletidos nas atitudes, no comportamento e na prática dos atores envolvidos com a corporação. De acordo com Oliveira (2003), esses valores influenciam as relações da empresa com todos aqueles envolvidos no negócio. Eles moldam a forma e as relações de trabalho de seus funcionários, se refletindo não apenas nas relações interpessoais, mas também nos seus resultados e níveis estratégicos e administrativos. A discussão de assuntos vinculados à ética nas organizações tem sido alvo de interesse e de valorização crescente. A exigência para que elas se posicionem nos mercados em que atuam, com base em princípios éticos, já configura uma tendência mundial. Atualmente, muitos investidores exigem condutas éticas das empresas, inclusive no que diz respeito à questão ambiental. Segundo Camargo e demais autores (2014), a análise da ética nas organizações e no ambiente acadêmico tornou-se uma consequência natural, sendo um objeto de estudo central para o entendimento do bom funcionamento das organizações. De acordo com Bateman e Snell (2006), o principal objetivo de se praticar a ética nas organizações é identificar quais são as regras que devem guiar o comportamento das pessoas, além de valorizar as boas práticas a serem buscadas. O clima ético em uma empresa ocorre no processo de avaliação das decisões que precisam ser tomadas, utilizando isso como base sobre o que é certo ou errado. Muitas vezes, a ausência de padrões éticos não viola as leis. Nesse sentido, as legislações não conseguem, necessariamente, delimitar quais comportamentos éticos devem ser perseguidos pelas empresas. No entanto, há um conjunto de regras tácitas que contribuem para essa questão, fazendo com que os indivíduos possam compreender as regras de comportamento em determinado ambiente. Veja um exemplo mundialmente conhecido: Nike Buscando aumento de lucratividade em seus negócios, a gigante na área de esportes elaborou, nos anos 1990, um contrato em que transferia a produção de calçados esportivos para fábricas instaladas em países em desenvolvimento, como o Vietnã. O caso do Vietnã teve repercussão internacional, pois as condições de trabalho nesse país eram tão ruins que foram consideradas desumanas pois estavam muito aquém do mínimo para a garantia de sobrevivência de um cidadão local. O salário oferecido aos trabalhadores era de US$0,20 por hora, com turnos de seis dias por semana e exposição a materiais tóxicos, enquanto as condições mínimas para a sobrevivência no país demandavam um pagamento de, pelo menos, US$3 por hora. A Nike não violava a legislação trabalhista do Vietnã, porém os limites éticos para a obtenção da lucratividade almejada ficaram expostos. Com isso, a marca foi alvo de uma onda de protestos e boicotes por parte dos consumidores. A partir do exemplo da Nike e de tantas outras marcas, devemos refletir sobre os comportamentos éticos que precisam ser adotados nas empresas não apenas para que as leis e as regras formais sejam cumpridas, mas também garantia da dignidade e dos direitos de todos os indivíduos. Comportamentos éticos Comportamentos éticos permeiam todas as atividades do nosso dia a dia e, como não poderia deixar de ser, também estão presentes nas empresas. Segundo Hill e Jones (2013), esses comportamentos nos negócios podem ser exemplificados por meio das seguintes práticas: Enviar informações regulares e precisas sobre os investimentos dos acionistas. Disponibilizar integralmente informações acerca de produtos e serviços que os consumidores estão adquirindo. Ofertar trabalho em condições adequadas de segurança para os colaboradores, assim como um salário justo para as tarefas que eles desempenham, além de tratamento adequado por parte dos gestores. Respeitar os contratos firmados com fornecedores, não se valendo de vantagens advindas de desequilíbrio de poder entre as partes. • • • • Atender às regras de concorrência e não violação das legislações que regulam a concorrência do mercado em que atuam. Não violar as expectativas básicas da sociedade perante as instituições. A busca de ações pautadas pela ética deve ser do interesse dos próprios gestores, pois reconhecer e respeitar os direitos dos stakeholders garante o apoio e a legitimidade de suas ações, o que traz benefício, em última instância, tanto à empresa quanto aos stakeholders. As ações antiéticas, pelo contrário, podem causar danos aos interessados e, consequentemente, para a organização que não se resguardar eticamente. Comportamentos éticos também podem ser compreendidos como aqueles que não geram consequências negativas. Agir eticamente, em muitos casos, é simplesmente seguir em direção ao que é certo, isolando: A busca por atender a interesses pessoais dos gestores. A interferência negativa nos objetivos da organização. A manipulação das informações. Os comportamentos anticompetitivos. A oferta de preços acima do mercado para relações comerciais com órgãos públicos. A exploração oportunista de outros agentes vinculados à instituição. O descarte inadequado e proposital de resíduos que contaminam o ambiente. A corrupção. Contudo, desvios de comportamentos éticos são muito frequentes e podem ser assim caracterizados quando seus administradores, por exemplo, se valem de algum recurso disponível na organização para o benefício próprio, buscando, com isso, vantagens pessoais. Ou quando utilizam o controle que possuem sobre os dados corporativos para esconder ou distorcer as informações, o que resulta na exposição do que melhor lhe convém, seja isso algo financeiro ou não. Ou, o que é considerado extremamente grave, quando pagam (ou recebem) suborno para ter acesso ou fazer parte de contratos lucrativos, prejudicando a igualdade das condições entre concorrentes (corrupção). Dessa maneira, considerando as possibilidades de seus funcionários agirem com comportamentos que possam ser considerados atitudes antiéticas, a organização precisa pensar em formas de se garantir o comportamento ético e, para isso, é importante considerar que sejam seguidas três diretrizes importantes: Primeira Agirconforme os princípios éticos em todos os relacionamentos mantidos pela organização. Segunda Garantir a adoção de práticas gerenciais, comerciais e empresariais institucionalmente pautadas em valores éticos. Terceira Respeitar os indivíduos em todas as formas de interação. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. • • • • • • • • • • O conceito de estratégia empresarial Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Governança corporativa Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Planejamento estratégico Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conformidade e ética Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Sobre os valores, que precisam ser definidos pelas organizações como parte do planejamento estratégico, assinale a alternativa correta: A Tratam-se das diretrizes que devem ser respeitadas pelos funcionários e gestores de uma empresa para ajudá-la a cumprir sua missão. B São os norteadores para os planos futuros. C São o lugar ao qual a organização pretende chegar, assemelhando-se a uma meta no sentido de haver maior alcance. D Têm como objetivo expandir a empresa pela enunciação de um estado futuro ambicioso. E Representam a razão de ser da organização. A alternativa A está correta. Os valores demarcam os princípios que guiarão as ações a serem realizadas. São ideias que conduzem, inclusive, a postura que os colaboradores terão com os clientes do negócio, além de constituírem balizadores para as ações a serem tomadas. Questão 2 Podemos entender a ética como A um conjunto de valores morais e princípios que norteia a conduta humana na sociedade. B um conjunto de comportamentos certos e relacionados à conduta humana na interação com a coletividade. C o comportamento esperado entre os indivíduos. D as ações que devem ser praticadas exclusivamente pelos gestores das organizações. E a ciência da conduta humana perante o ser e seus semelhantes. A alternativa B está correta. O comportamento ético precisa ser perseguido por todas as partes que se relacionam em uma sociedade. No âmbito organizacional, ele deve ser adotado por todos os stakeholders. 2. Comportamento e cultura organizacional Conceito Para iniciarmos, uma pergunta: você atua e interage da mesma forma quando está com a sua família e quando está com seus amigos? Provavelmente, não. Isso se explica porque você se adapta à cultura que existe em cada ambiente. Você reconhece os valores compartilhados criados ao longo do tempo em cada um, conhece o tipo de interações particulares de cada contexto. Em qual dos dois ambientes pode expressar-se mais livremente? Que tipo de piadas serão bem recebidas em cada caso? Quando tem algum problema, de quais dos grupos espera receber mais apoio? E qual tipo de apoio? As dimensões e variáveis da cultura nas organizações são bastante similares àquelas que você identifica na sua família ou entre seus amigos. Em todos esses âmbitos, em qualquer caso, você terá mais facilidade para observar as consequências e os efeitos da cultura e os elementos que a explicam. Tradicionalmente, usa-se o exemplo de um iceberg para entender a forma em que se expressa a cultura nas empresas. Ao olhar para o iceberg você verá apenas sua superfície, mas o que sustenta a maior parte do seu peso não está visível, está submerso na água. Da mesma forma, é fácil identificar as normas de uma empresa, a sua estrutura, o ambiente físico, os salários, as práticas de marketing ou os procedimentos formais que os trabalhadores realizam. Porém, tentar definir os elementos profundos que a sustentam como sua cultura e valores é uma tarefa mais complexa. A cultura organizacional é um conjunto de formas de pensar, de sentir e de atuar que é compartilhado pelos membros que compõem a organização. Segundo Hofstede (1991), a cultura organizacional nasce a partir da dinâmica da sociedade, porque é onde as pessoas socializam e, claro, estão inseridas as organizações. Desse modo, o contexto no qual uma empresa atua condiciona a sua cultura. Igualmente, cada um dos atores que compõem a organização, direta ou indiretamente, determinam as caraterísticas de sua cultura. Em maior ou menor medida, dependendo da sua capacidade de influência e posição dentro da empresa, um diretor, uma chefia, um estagiário, um cliente ou um encargado de segurança podem moldar essa cultura, que pode ser atualizada constantemente, com a chegada de novos atores. Thévenet (1990) ressalta cinco pequenas definições que ajudam a entender o que é a cultura organizacional: É o cimento que aglomera todos os componentes da empresa. É uma explicação fundamental do que acontece nela. É o resultado de uma história, e não de um instantâneo. É um patrimônio de experiências e conhecimentos, de formas de atuar e pensar, de visões comuns. É um modelo de descrição da organização. Schein (2009), um dos maiores especialistas em cultura organizacional, em seu livro Cultura organizacional e liderança, escrito em meados dos anos 1980 e considerado um clássico na área, sublinha que cada empresa tem uma cultura diferenciada das demais. Cada organização tem uma realidade única, um estilo próprio e uma projeção singular para fora e para dentro. Portanto, é um desafio tentar imitar uma cultura-modelo e levá-la para outra realidade. Origens e evolução da cultura organizacional 1. 2. 3. 4. 5. Até meados do século XX, a visão tradicional de uma organização era a de um sistema fechado, no qual era possível fazer transformações por meio de normativas internas. Acreditava-se que uma empresa podia ter sucesso no mercado com práticas adequadas dentro de seus locais. Um controle adequado, bem como uma boa gestão de seus processos e suas finanças, bastava para que lucros fossem obtidos. Essa visão era fruto de um pensamento clássico, fundamentado em variáveis estáticas. O entorno, o meio externo, era concebido como estável, sem incertezas, e os trabalhadores eram considerados simples peças de um processo. As linhas principais dessa concepção das organizações tinham suas origens nos postulados burocráticos de Weber, da Administração Clássica de Fayol ou na perspectiva manufatureira de Taylor, cujas contribuições foram essenciais, mas que eram insuficientes para explicar a realidade do funcionamento das empresas. Veja um pouco da evolução do pensamento ao longo das décadas: 1960 Sistemas abertos Autores como Mc Gregor, Mc Clelland, Herzberg, Porter e Lawler, entre outros, aportam novos conceitos que consideram as organizações sistemas abertos, nos quais a cultura exerce um papel fundamental. 1970 Novos modelos organizacionais Surgem pesquisas de novos modelos organizacionais, com sistemas de funções, tomada de decisões, redes de comunicação e de gestão. O fator humano ganha força como elemento-chave, e o seu estudo avança. O entorno das empresas e as relações entre essas duas dimensões começam a ser uma área de interesse central. 1980/1990 Gestão de Pessoas Impulsionadas pelo desafio proposto a partir do modelo de gestão japonês, as empresas ocidentais desenvolvem uma nova perspectiva, voltada para sistemas abertos e em constante mutação, e nos quais a gestão de pessoas é um eixo que deve ser desenvolvido para se adaptar a essas condições. Em paralelo a esse movimento, a literatura científica oferece orientações para direcionar, de forma mais precisa, esse novo rumo, a partir de diferentes abordagens e incluindo o desenvolvimento do construto de cultura organizacional e as suas dimensões. 2000 Vale do Silício O novo pulso transformador em relação à cultura empresarial acontece no âmbito das empresas de alta tecnologia, de software e serviços baseados na internet. As empresas do chamado Vale do Silício, nos Estados Unidos, propõem uma cultura baseada nas equipes, na criatividade e na agilidade e praticidadedos processos. Essa cultura permanece até hoje. O auge das grandes empresas automotivas e tecnológicas japonesas (Toyota, Mitsubishi, Nissan, Sony, Sanyo) revoluciona a forma de gerenciar as organizações. Essas empresas ganham os mercados com bons produtos, mais baratos e com rápida adaptação e incorporação de novas tecnologias nos seus processos. Além de tudo, mostram uma forte cultura instalada nas companhias, o que lhes dá vantagem competitiva. Algumas das principais caraterísticas dessa japonesa de gestão são a disposição para a mudança, a aceitação continuada das decisões grupais, a participação, o trabalho em equipe, a comunicação e o engajamento com a organização, entre outros elementos-chave. Do que é composta a cultura em uma organização? Elementos da cultura organizacional Para compreendermos melhor a cultura organizacional, convém analisarmos cada uma das suas partes, considerando as interpretações mais aceitas na literatura. A seguir, apresentamos as definições mais importantes que a compõem, com adição de alguns exemplos concretos: Valores Expressam o que “pensa” a empresa. São pautas que orientam o comportamento dos atores envolvidos e são compartilhadas por todos, em maior ou menor grau. Alguns exemplos de valores podem ser: Fomentar o pensamento criativo. Discutir abertamente os problemas. Integrar os clientes nos processos. Crenças Expressa aquilo que é tido como “verdade” na organização. Essas verdades são concebidas ou aceitas a partir da observação de fatos e pela convivência em um grupo de pessoas. Essas crenças tendem a tornar-se inconscientes e inquestionáveis e servem como fundamento para os valores. Tomando os exemplos anteriores dos valores, sua origem teria as seguintes crenças compartilhadas: Questionar sempre a realidade. Acreditar no diálogo. Atuar em equipe para conseguir coisas. Ritos e cerimônias São atividades rotineiras, com propósitos específicos e diretos, e consequências práticas e expressivas, tornando a cultura mais tangível. Podem ser ritos de transição, utilizados nas mudanças de cargos, de degradação, nos quais se expõem publicamente os erros cometidos; de reforço, para valorizar e reconhecer os resultados positivos; de renovação, para aperfeiçoar os processos; de redução de conflitos, para restabelecer o equilíbrio nas relações; e de integração, para promover boas relações e compromisso com a organização. Veja a seguir alguns pontos complementares aos ritos e cerimônias: Símbolos São os nomes, as logomarcas e características físicas usadas para conduzir a imagem de uma organização. • • • • • • Histórias e mitos São narrativas de eventos verídicos que oferecem informação sobre as caraterísticas da organização. Já os mitos se referem a histórias vinculadas com os valores organizacionais, porém sem sustentação nos fatos. Tabus São elementos da empresa, sejam acontecimentos sejam comportamentos orientados à proibição, não permitidos. Heróis São personagens que influenciam os valores presentes na organização ou pretendidos. Podem ser internos ou tomados de outros contextos. Heróis na cultura empresarial do século passado foram Henry Ford e John Rockefeller, por exemplo. Hoje, poderiam ser Steve Jobs, Larry Page ou Elon Musk, entre outros. Normas/prioridades São as regras que definem ou condicionam o comportamento dos membros da empresa e as suas relações. Podem estar escritas ou não. Assim, as prioridades se traduziriam na hierarquia de valores, na estratégia ou na tomada de decisões, por exemplo, que não necessariamente estão regulamentadas. Processo de comunicação São redes de comunicação informal. Funciona como excelente meio de atualização de crenças, valores e mitos. Por meio dessa rede, a cultura da empresa é reciclada e reafirmada. Seria, por exemplo, a comunicação transmitida e compartilhada na “fofoca” dentro de uma empresa. Subculturas e ilhas culturais Acontecem, especialmente, nas grandes corporações. São grupos de trabalhadores com valores e prioridades comuns entre eles que diferem total ou parcialmente da cultura dominante. Um conjunto de subculturas pode conformar uma cultura empresarial. Por exemplo, pode-se falar da subcultura dos contábeis, dos comerciantes ou dos tecnólogos. As ilhas culturais acontecem quando certos grupos têm uma cultura diferenciada e separada da cultura geral de uma empresa (uma equipe inovadora ou um grupo que desenvolve uma tarefa específica insatisfatória para eles). Uma vez concretizado o que conforma a cultura organizacional e as variáveis que a influenciam, abordaremos a forma de gerenciar essa cultura. É possível gerenciar a cultura das organizações? Compreendemos como se manifesta a cultura dentro das organizações e quais são os seus elementos mais importantes. Como pode ter observado, a cultura não é um elemento tangível, ou seja, uma coisa que você identifique materialmente. O gerente de uma empresa pode modificar o ambiente físico do trabalho, ampliando-o ou adicionando novos móveis, pode comprar uma nova impressora ou dez cadeiras ergonômicas. Também pode contratar novos colaboradores ou demitir os que fazem parte do quadro. Pode solicitar um empréstimo e gerenciar o fluxo de ganhos da empresa. Além disso, pode contratar ou desenvolver comerciais para seu novo produto. Todas essas ações comportam elementos físicos reconhecíveis, e as suas decisões levam a mudanças que são evidentes. No entanto, será que o gestor também pode modificar algo intangível, como a cultura instalada na sua empresa? É viável gerenciar algo que não é visível? A resposta é sim! É possível. Cada vez mais tem-se dado importância à gestão da cultura empresarial, que é usada para atrair os melhores talentos e melhorar a competitividade e o desempenho da organização. Comentário Em algumas organizações, a cultura é gerenciada de forma cuidadosa e orientada para fins específicos, seja com uma visão de longo prazo seja diante de uma mudança que o mercado ou o contexto exigem no curto prazo. Na maioria das empresas, porém, a cultura se desenvolve de maneira espontânea, sem nenhum tipo de planejamento ou controle. Quando uma empresa não atua em relação à sua cultura, deixando que se desenvolva sem nenhum tipo de gestão, pode chegar um momento em que essa cultura influencie negativamente o andamento da organização. Mesmo quando, já na fundação e primeiras fases da empresa, houve a iniciativa de adotar uma cultura forte, se esta não for gerenciada, com o passar do tempo pode ficar disfuncional, desatualizada em relação ao contexto ou perder alinhamento com os objetivos almejados. Nesse sentido, podemos elencar algumas razões que podem exigir uma intervenção na cultura organizacional por parte do gestor: A cultura existente não é coerente ou orientada para a estratégia da empresa. Mudanças significativas nos referentes culturais, que obrigam as organizações a se adaptar a eles (nos âmbitos econômico, político, tecnológico ou social). A empresa se abre para um novo setor de negócio, que tem outros traços culturais. Um conflito manifesto e relevante existe entre os trabalhadores ou entre grupos. As diferentes subculturas da organização entram em conflito ou a harmonia existente entre elas é quebrada. Uma aliança estratégica é efetuada com outra companhia que possui uma cultura distinta. A sobrevivência da empresa está em jogo, e transformações para sair da crise são requeridas. • • • • • • • Você percebeu a relevância de um correto gerenciamento da cultura organizacional? Ainda a cultura se desenvolva naturalmente a favor dos interesses da organização e de seus trabalhadores, existem múltiplas circunstâncias que podem exigir uma intervenção nessa realidade. Gestão sustentável da cultura organizacional Agora, vamos aprofundar as possibilidades de gerenciar a cultura nas organizações. Analisaremos, em detalhe, as etapas e ações necessárias e a forma de conseguir que as transformações desejadas se consolidem e se mantenham ao longo do tempo. Conteúdo interativoAcesse a versão digital para assistir ao vídeo. Socialização na gestão da cultura organizacional Com a socialização, é possível que os novos direcionamentos da transformação cultural sejam internalizados por todos os membros da empresa. Segundo Durkheim (1987), este trata-se de um processo de aprendizagem das normas e dos códigos sociais pelos quais todas as pessoas passam para se tornar membros da sociedade. Podemos distinguir dois tipos de socialização (BERGER; LUCKMANN, 1985): Em relação à capacidade do indivíduo em desenvolver um comportamento humano, Levy Junior (1973) afirma que: [...] Em estado de isolamento social, o indivíduo não é capaz de desenvolver um comportamento humano, pois este deve ser aprendido ao longo de suas interações com os grupos sociais. (LEVY JR., 1973, p. 60) Quando esse fenômeno é levado para o âmbito das organizações, ele é conhecido como socialização organizacional ou também pelo termo inglês onboarding. Segundo Maanen (1996), um dos teóricos mais relevantes no estudo da socialização nas empresas, trata- se de um processo por meio do qual os trabalhadores aprendem valores e normas de comportamentos esperados, e isso permite que eles participem como membros de uma organização. Essa socialização durará enquanto a pessoa fizer parte dela, e o indivíduo deverá renunciar a certos valores e prioridades próprias. Essa socialização acontece, particularmente, quando uma pessoa é contratada e começa seu trabalho na empresa. Porém, se acontecem transformações culturais, também deverá ocorrer uma ressocialização entre os colaboradores que já formam parte da empresa. Além desse papel na implementação e manutenção da cultura organizacional, podemos citar várias implicações práticas da socialização. Vamos conferir: Primária Adquire-se durante a infância e acontece, principalmente, por meio da família. Nesta etapa, interiorizam-se regras básicas sociais, deixando uma forte marca nos indivíduos. Secundária Ocorre durante a vida adulta e em outros contextos, como na escola, entre os amigos, no trabalho etc., sofrendo alterações e incorporando novos significados. Melhora o desempenho dos trabalhadores. Permite que o colaborador entenda seu papel quanto ao trabalho realizado na empresa. Desenvolve competências, habilidades e conhecimentos. Promove o relacionamento interpessoal. Diminui a ansiedade dos novos membros e dos veteranos diante das mudanças. Reduz a rotatividade de profissionais. Iguala as expectativas da empresa e do novo colaborador. Melhora a imagem da organização. Conteúdos e aprendizagens na socialização organizacional Agora que você já conheceu a importância da socialização para gerenciar a cultura nas organizações também é importante que entenda que existem diferentes estratégias para implementá-la. Para finalizarmos, vamos apresentar os conteúdos que um indivíduo aprende durante a socialização e que servem para medir os avanços de um trabalhador nesse processo. É possível que uma empresa dê especial ênfase a um ou outro conteúdo, ou que pretenda que a socialização aconteça em todos os aspectos possíveis. Borges e colaboradores (2010) criaram os inventários de conteúdo ou fatores da socialização nas organizações, que são: 1 Competência Indica se o colaborador sente que realiza as suas funções adequadamente e executa as tarefas que lhe são designadas no seu cargo. 2 Qualificação Alude à percepção do indivíduo de estar capacitado, de ter os conhecimentos e as competências adequados a seu cargo ou às expectativas da empresa. 3 Domínio da linguagem Mede se o trabalhador sente que compreende e usa os termos técnicos requeridos para desempenhar a sua função e a linguagem caraterística da cultura da organização. 4 Interação com as pessoas Mostra se a pessoa se percebe integrada em relação ao resto dos membros da empresa, se ela é aceita, acolhida e se sente parte do grupo. 5 Objetivos e valores da organização Indica o grau de conhecimento do colaborador sobre a organização e seus valores, suas prioridades, e como ele deve atuar de acordo com esses conhecimentos. • • • • • • • • 6 Políticas Clareza que o trabalhador tem das relações de poder, estruturas e funcionamento na tomada de decisões dentro da empresa. 7 Condições materiais de trabalho Percepção dos membros sobre o apoio que recebem da organização quanto aos meios materiais que possibilitam realizar seu trabalho. 8 História da organização Indica se o colaborador percebe a identidade da empresa por meio da história e trajetória dela. 9 Proatividade Percepção do indivíduo em relação às suas próprias ações e iniciativas para se integrar à organização. Com base nesses conteúdos, uma organização pode criar testes para comprovar o nível de socialização dos seus colaboradores. Assim como existem métodos para diagnosticar a cultura organizacional, também existem métodos para medir o grau de socialização dela entre seus membros. Nesse sentido, os resultados da medição entre os envolvidos irão definir se a cultura é sólida ou frágil, e se precisa de novas iniciativas ou modalidades de socialização. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Variáveis que influenciam a cultura organizacional Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. É possível gerenciar a cultura das organizações? Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Socialização na gestão da cultura organizacional Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Como estudamos, a definição da cultura de uma organização depende de diversas variáveis. Identifique a alternativa que contenha variáveis que influenciem a cultura organizacional. A Crenças, símbolos e normas. B Cerimônias, coleguismo e valores. C Normas, coleguismo e prioridades. D Missão, subcultura e ritos. E Heróis, ilhas culturais e coleguismo. A alternativa A está correta. As crenças representam o que a organização acredita, fundamentando seus valores. Trata-se da verdade de uma organização, com base na análise de fatos e no comportamento, a partir da convivência dos indivíduos que compõe aquele grupo. Já os símbolos representam, por exemplo, nomes e logos e usadas na construção da imagem de uma organização. Por fim, as normas representam as regras de comportamento que devem nortear os membros da empresa e as relações entre eles. O coleguismo, por exemplo, não é uma variável da cultura organizacional, mas uma caraterística possível da cultura de uma empresa, um exemplo dos valores que pode possuir. Questão 2 Existem momentos na trajetória de uma organização nos quais se faz necessária uma intervenção em sua cultura. Nesse contexto, é preciso uma mudança na cultura organizacional quando A a cultura existente está de acordo com a estratégia estabelecida. B é realizada uma aliança estratégica com outra organização que possui cultura similar. C não existem conflitos relevantes entre diferentes unidades. D a cultura é imitada por outras empresas da competência. E uma tecnologia é desenvolvida no setor da empresa. A alternativa E está correta. Qualquer mudança significativa nos referentes culturais como os âmbitos econômico, político, tecnológico ou social no setor de atuação da empresa deve levar à uma reavaliação da cultura organizacional. 3. Logística e cadeia de suprimentos Definição de logística Hoje de manhã você se levantou e escovou os dentes. Já pensou de onde veio o creme dental que usou? Se disser da farmácia ou do mercado, estaria correto. Mas qual o caminho percorrido pelo creme dental até chegar a esse estabelecimento? De forma simplificada, podemos dizer que foi a partir de um distribuidor, que adquiriu este produto de uma indústria fabricante e que, por sua vez, precisou comprar insumos com outras indústrias e assim por diante. Organizar esse processo, de modo que funcione e o produto chegue até suas mãos comqualidade, no volume adequado e no tempo certo não é um processo fácil, mas para isso existe uma ciência chamada logística. As primeiras definições de logística datam das épocas militares. Ballou (2006), apresenta uma versão dicionarizada sobre este tema com enfoque nessa origem militar: O ramo da ciência militar que lida com a obtenção, manutenção e transporte de material, pessoal e instalações. (BALLOU, 2006, p. 27) Do ponto de vista empresarial, as primeiras atribuições da logística se limitavam à análise das questões de administração de materiais e distribuição de mercadorias entre diferentes destinos, como especificado na definição da Council of Logistic Management (CLM), associação americana dos profissionais de logística, criada no ano de 1962: Logística é o processo de planejamento, implantação e controle do fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e das informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo com o propósito de atender às exigências dos clientes. (CLM, s.d. apud BALLOU, 2006, p. 27.) Analisando a definição do CLM, podemos verificar uma visão mais abrangente do conceito de logística até então apresentado, com destaque para o fluxo de mercadorias e de informações, desde o início do processo, na etapa de transformação da matéria-prima, até o uso final, no ponto de consumo. Componentes do sistema logístico A logística não se resume aos transportes de mercadoria, diferente do que pensa o senso comum. É composta por vários atores e vários elementos que se complementam. Podemos citar como componentes do sistema logístico: Serviços ao cliente Avaliação de necessidades e desejos dos clientes, determinação da reação dos clientes a um serviço específico, estabelecimento de níveis de serviço. Transportes Processo de seleção de modal e serviço de transporte; consolidação de fretes; determinação de roteiros de entregas; programação e seleção de veículos; frete. Estoques Definição da política de estocagem de matéria-prima e produtos acabados; previsão de vendas de curto prazo; variedade de produtos a serem estocados; número e tamanho e localização dos pontos de estocagem; estratégias de just-in-time, onde a empresa trabalha apenas conforme a demanda a compra de materiais e a produção, não permitindo que produtos fiquem parados em estoque. Compras ou vendas Seleção da fonte de suprimento (um ou mais fornecedores); momento de compra; quantidade de compra; regras sobre pedidos. Armazenagem Determinação do espaço; layout do estoque; configuração do armazém; localização do estoque dentro do armazém. Processamento de pedidos Definição de procedimento e interface entre pedidos de compra e estoque; método de transmissão de informação para cada pedido; regras para priorização de pedidos. A gestão da cadeia de suprimentos Para compreender o conceito de gestão da cadeia de suprimentos ou supply chain management (SCM) é preciso entender a concepção de canal de distribuição, amplamente consolidado nos livros de marketing. Canal de distribuição corresponde aos meios pelos quais os produtos de uma empresa são direcionados até seu consumidor final. A escolha do canal de distribuição é fundamental para a eficiência do processo de comercialização e distribuição de bens e serviços, pois é através dele que os consumidores terão acesso aos produtos e serviços de uma determinada empresa. A imagem a seguir apresenta a cadeia de suprimentos imediata de uma empresa: Cadeia de suprimentos imediata de uma empresa. Note na imagem que o transporte é utilizado em quatro momentos diferentes, ou seja, os modais de transporte são fundamentais na cadeia de suprimentos e precisa ser bem pensada. Existem cinco modais de transportes possíveis. Vamos conhecer cada um deles: Ferroviário Baseado no uso de trens para transporte de cargas. Apresenta longo curso e baixa velocidade, ou seja, a carga transportada por esse modal não deve ter necessidade de chegar rapidamente em seu destino. É preferido para matérias-primas e produtos manufaturados de baixo custo. No Brasil, a malha ferroviária é pequena, o que limita o uso deste modal. Rodoviário Baseado no transporte feito por meio das estradas, ou seja, utiliza caminhões, carros e ônibus (quando pensamos em transporte de pessoas). É um modal que transporta principalmente produtos acabados ou semiacabados e, embora apresente menor capacidade de transporte que o ferroviário, apresenta maior flexibilidade, podendo transportar quantidades variadas de produto, fazer entregas porta-a-porta e integrar diferentes modais. Aéreo Baseado no transporte feito por meio de aviões. É mais caro que os demais, porém extremamente rápido. É um modal extremamente útil quando estamos tratando de grandes distâncias, como no caso de importações de produtos semiacabados para serem envasados em território nacional. Hidroviário Baseado em transportes aquáticos, ou seja, embarcações de porte pequeno, médio e grande através de oceanos, rios e canais. É um dos mais antigos e pode transportar volumes grandes de carga em contêiner, por exemplo. No entanto, este modal depende da malha fluvial do país e, por isso, nem sempre é uma opção. Dutoviário Baseado na utilização de dutos, que podem ser subterrâneos ou não. É muito utilizado no transporte de petróleo e gás natural, porém ainda limitado para outras aplicações. Esse modal é interessante, pois o transporte por meio dele é constante e só necessita ser parado em caso de manutenção dos dutos. Um mesmo produto pode usar mais de um tipo de modal, onde o produto circulará com a nota fiscal emitida pelo vendedor e o transporte será organizado por um único operador de transporte, em um sistema multimodal. Exemplo Se você fizer uma compra em um site internacional, seu produto sairá do país de origem provavelmente de barco ou avião. Ao chegar no Brasil, será levado de caminhão até a transportadora e, de lá, será utilizado um carro para levar este produto até você. A única nota emitida nesse processo, é a emitida pelo vendedor no ato da sua compra e o trajeto, monitoramento e prazos são definidos por um único operador de transporte, que atua tanto no país de origem quanto no país de destino do produto. É no canal de distribuição que, muitas vezes, as informações de mercado, os desejos dos clientes e suas necessidades são registrados. Com o avanço das redes de telecomunicação, as informações adquiridas pelos canais de distribuição chegam aos demais elos da cadeia logística, fazendo com que todos trabalhem de forma sincronizada. Foi por meio dessa integração entre os diversos elos da cadeia de suprimentos que se solidificou o conceito de Supply Chain Management (SCM), que, segundo a associação Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP), pode ser definido como: O planejamento e a gestão de todas as atividades associadas à logística interna, bem como a coordenação e colaboração entre todos os parceiros da cadeia, sejam eles fornecedores, prestadores de serviço ou consumidores. (CLM, 1995, s.p.) A imagem a seguir representa uma empresa hipotética, composta pelas áreas de compras, produção e vendas, e distribuição. Repare que, extrapolando para fora da fronteira da empresa, à esquerda da imagem, há duas camadas de fornecedores, que se relacionam com esta empresa e entre si. Essa parcela do SCM, englobando fornecedores e área de compras, é conhecida como logística de aquisição. Já no lado direito da imagem, estão os clientes da empresa, em várias camadas, representando o atacadista, varejista e consumidor final. Essa parcela, em conjunto com as áreas de venda e distribuição da empresa, é denominada como logística de distribuição. Esquema da SCM. No caso do serviço hospitalar, por exemplo, quem seriam estes atores? 1 Fornecedores de segunda camada Seriam as indústrias que fornecem reagentes químicos para a produção de insumos farmacêuticos. 2 Fornecedores de primeira camada Seriam as indústrias de produção de insumos farmacêuticos (ativos ou não, ou seja, princípios ativos e excipientes,embalagens, etc). 3 Empresa É a indústria que produz os medicamentos e outros insumos hospitalares. 4 Fornecedores de primeira camada (atacadistas) Os distribuidores de medicamentos e insumos. 5 Fornecedores de segunda camada (varejistas) Os hospitais e serviços de saúde. 6 Consumidores finais Os pacientes. 7 Prestadores de serviços São a empresa de transportes terceirizada que leva o produto da indústria para os distribuidores. O conceito mais preciso do que é o gerenciamento da cadeia de suprimentos (SCM) ocorre quando ultrapassamos a fronteira da empresa, envolvendo todas as camadas de fornecedores e de clientes, todos agindo de forma sincronizada, colaborativa e em uma só direção. No caso da indústria farmacêutica, a cadeia produtiva é ampla e apresenta vários intermediários até que o medicamento alcance o consumidor final, por isso, a logística é fundamental nesse setor, para garantir que não haja desabastecimento de medicamentos para os consumidores finais, que são os pacientes. Saiba mais Na cadeia de suprimentos, uma empresa exerce a coordenação das atividades e setores, desde o fornecimento de matéria-prima até o cliente final. Já na cadeia produtiva, ocorre o envolvimento de empresas de diferentes segmentos com estratégias e características diversas. A próxima imagem apresenta um fluxograma da cadeia produtiva da indústria farmacêutica, quem são seus principais elos e atores. Cadeia produtiva da indústria farmacêutica. Precisamos ainda ressaltar o fluxo de informação, que segue de maneira bidirecional, ou seja, segue o mesmo fluxo do produto, mas também o fluxo inverso. Isso revela que todas as informações são repassadas para os elos anteriores de maneira que todos trabalhem em prol de um único objetivo e uma única informação. Na essência, não há espaço para manobras ou artifícios que gerem perturbações nesse fluxo. Isso evita um efeito clássico da logística, o efeito chicote, que estudaremos a seguir. Efeito chicote e conceitos relevantes para o SCM O efeito chicote, em inglês Bullwhip Effect, descreve um fenômeno observado em cadeias de distribuição de vários níveis, com padrões de demanda incertos, em que as informações são repassadas aos demais elos de forma limitada, trazendo perturbações aos diferentes elos da cadeia de suprimentos. Esse efeito é causado pelo mau gerenciamento da cadeia de suprimentos, que gera um erro na previsão de demanda e afeta toda a cadeia de modo inverso a partir do ponto onde ocorreu o erro, tendo por consequência um excesso de estoques nos diferentes atores da cadeia. Curiosidade O efeito chicote, às vezes, também é chamado de efeito Forrester, porque foi descrito pela primeira vez por Jay Wright Forrester, professor do MIT Sloan School of Management, em seu livro Industrial Dynamics, em 1961. Esses estudos inovadores foram fundamentais para o gerenciamento moderno da cadeia de suprimentos. O exemplo mais clássico do efeito chicote foi evidenciado em estudos realizados com uma cadeia de suprimentos simples, de apenas quatro elos, na qual pequenas variações na demanda inicial levaram a amplitudes de pedidos de ressuprimento em até 900%. Essa situação considerando apenas quatro níveis de suprimento. Já imaginou o que ocorre nas cadeias de suprimento mais complexas e com mais entes envolvidos? Os estudos que deram origem ao efeito chicote demonstraram que a principal causa para flutuações erráticas de tamanhos de pedidos e níveis de estoque nas cadeias de suprimentos não era realmente motivada pela incerteza em dada função de demanda, mas pela característica da cadeia de suprimentos e o comportamento de seus gerentes, que sempre indicavam estoque a mais por dúvidas inerentes ao fornecimento de produtos. Efeito chicote. Os principais fatores que influenciam as amplitudes na cadeia de suprimentos são: Tamanho ou número de elos na cadeia de suprimentos. Velocidade ou tempo de reposição, que é o tempo entre o pedido e o atendimento do pedido. Reações exageradas, com pedidos “de pânico” à medida que os níveis de estoque vão chegando aos níveis mínimos. Baixa informação sobre os demais elos da cadeia de suprimentos. Esse fenômeno é geralmente referido como um efeito cascata inverso, causando erros de previsão em toda a cadeia de suprimentos o que, muitas vezes, leva a um desalinhamento de oferta e demanda amplificada, em que os pedidos para o fornecedor tendem a exagerar os verdadeiros padrões de demanda final. • • • • Exemplo Vamos pensar em um fornecedor que produziu cerca de 180 unidades, mas que, na realidade, o consumo foi de pouco mais de 100 unidades. Aumento de 80% de demanda que, na prática, virou estoque. Ou seja, dinheiro empatado em estoques, sem, de fato, gerar receita para a empresa. Nesse sentido, compreende-se a real importância de sempre demonstrar claridade ao seu fornecedor, para que ele se dimensione da forma como a demanda final se comporta. Conceitos relevantes agregados ao SCM Durante a evolução do conceito de SCM, diversas considerações e práticas de mercado surgiram e serviram de base para a implantação e amadurecimento da cadeia de suprimentos. Vamos ver algumas: Efficient Consumer Response (ECR) Resposta Eficiente ao Consumidor é uma estratégia que estimula os participantes da cadeia de suprimentos a estudarem e a implementarem métodos que possibilitem o trabalho conjunto entre os participantes, para que consigam atingir a missão da cadeia como um todo. Vendor Managed Inventory (VMI) Estoque Gerido pelo Fornecedor é um sistema no qual o fornecedor se responsabiliza pela gestão dos níveis de estoque nos clientes. O fornecedor tem acesso aos dados relativos ao estoque (vendas) do cliente e assume as decisões sobre os reabastecimentos, com base em uma política de estoque pré- estabelecida com seu cliente. O VMI integra-se na cadeia de abastecimento como forma de estabelecer uma real colaboração e partilha de informação entre o fornecedor e o cliente e, com isso, permite não apenas a redução do nível de estoque ao longo da cadeia, mas também proporciona uma redução de custos. Continuous Replenishment (CR) Reposição contínua é uma das práticas que têm complementado ou mesmo substituído o VMI em algumas situações é a Reposição Contínua, que busca principalmente o atendimento dos quatros processos: promoções, reposições de estoques, sortimento (mix) dos estoques e introdução de novos produtos. Collaborative Planning, Forecasting and Replenishment (CPFR) Planejamento, Previsão e Reposição Colaborativos baseia-se em um programa colaborativo entre os diferentes intervenientes da cadeia de abastecimento, que estabelece uma coordenação entre a produção, planejamento, previsão de vendas e reposição. Vendor Managed Inventory (sistema just-in-time) Estoque Gerido pelo Fornecedor (no momento certo), traduzido do inglês, é um sistema que objetiva produzir a quantidade exata (não prevê estoques), de acordo com a demanda, de forma rápida, fazendo com que o produto seja acabado mais próximo da necessidade temporal do cliente. Total Quality Management (TQM) Gestão da Qualidade Total representa a consciência de que todos tem a autonomia para gerar e agregar qualidade aos processos organizacionais. Lean Manufacturing (LM) Manufatura Enxuta, também chamada de sistema Toyota de produção, é a filosofia focada na redução de sete tipos de desperdícios (superprodução, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos). Nesse sentido, reduzindo esses desperdícios, a qualidade melhora e o tempo e custo de produção diminuem. Uma das ferramentas que auxiliam a realizar a manufatura enxuta é o kanban. A ferramenta Kanban representa o conceito de que as tarefas não precisam ser executadas sequencialmente, mas sim de forma simultânea. Esse paralelismo faz com que os objetivos finais sejam alcançados muito mais rapidamente. Logística reversa Conforme ilustramos, geralmente associamos a logística ao gerenciamento do fluxo de produtos no sentido dos fornecedores atéo consumidor final. No entanto, com aumento do valor dado à responsabilidade socioambiental, tanto por consumidores como pelas empresas, o conceito de logística reversa se apresentou como emergente e de considerável importância no mundo contemporâneo. Segundo a CLM (2007): A logística reversa é o processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo de matérias-primas, produtos em processamento, produtos acabados e informações relacionadas desde o ponto de consumo ao ponto de origem, com o propósito de recapturar o fluxo, criar valor ou descartá- lo adequadamente. (CLM, 2007, s. p.) A crescente consciência ambiental associada à consequente preocupação com o fluxo reverso de produtos fortalece a imagem das empresas, podendo servir como diferencial competitivo e como fator de redução de custos. A vantagem competitiva vem do fato que os consumidores valorizam uma marca e os produtos associados a ela quando seu processo de produção é sustentável e utiliza, por exemplo, de reciclagem para produção de embalagens. Além disso, a questão dos custos fica evidente quando a empresa, ao utilizar embalagens retornáveis, poupa possíveis custos no processo de compra ou fabricação de recipientes novos. De acordo com Figueiredo, Fleury e Wanke (2003), as atividades típicas de logística reversa são apresentadas na imagem a seguir: Atividades de logística reversa. Analisando a imagem, após a coleta dos materiais aptos para iniciar o processo de logística reversa, eles são embalados e expedidos. Nessa representação, os materiais podem retornar para o fornecedor, serem revendidos, recondicionados, reciclados ou até mesmo totalmente descartados em local e procedimentos conforme a legislação. Nesse momento, cria-se o sentimento de não poluir o meio ambiente, situação que, infelizmente, é comum atualmente. (...) na Alemanha, o governo obriga os varejistas a recolherem as caixas de cereais nos pontos de venda. Normalmente, os consumidores pagam pelo produto, abrem a caixa e despejam o conteúdo em sacolas que trazem para casa, devolvendo as embalagens em compartimentos de coleta. O vendedor fica responsável pela recuperação dos materiais utilizados, sua reembalagem e reutilização, ou pelo descarte dentro das normas estabelecidas. (BALLOU, 2006) Logística reversa de medicamentos No Brasil, a logística reversa foi estabelecida pela lei n° 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que abrange a responsabilidade de cada um dos atores da cadeia de consumo pelo ciclo de vida dos produtos, porém sem definir claramente qual o papel de cada ator nesse processo. A lei estabelece resíduo sólido como: Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. (BRASIL, 2010) Essa mesma lei estabelece a definição de logística reversa no contexto dos resíduos sólidos: Instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. (BRASIL, 2010) Agora vamos pensar no caso específico da farmácia. A logística reversa abrange produtos que já foram comercializados/utilizados. No caso de medicamentos, normalmente nos referimos a resíduos ou medicamentos com prazo de validade expirado (vencido). Nos serviços de saúde, como hospitais, clínicas e laboratórios, estes itens são denominados resíduos de serviços em saúde e seu gerenciamento e destinação estão muitos bem consolidados e regulados pela RDC nº 306 da ANVISA e CONAMA 358, que se referem ao Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde. O problema maior desse descarte reside no fluxo domiciliar, ou seja, os medicamentos que estão com a população em geral. Você já teve em sua farmacinha doméstica um medicamento que passou do prazo de validade? O que você fez com ele? Muitas pessoas simplesmente jogam esses medicamentos no vaso sanitário ou no lixo comum, o que compromete recursos naturais e afeta a saúde da população no médio e longo prazo. Cenário atual do descarte de medicamentos. RSS = resíduos de serviços de saúde; RSU = resíduos sólidos urbanos. Diante da preocupação com o descarte incorreto de medicamentos, foi editado, em 2020, o Decreto nº10.388, que instituiu o sistema de logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso, de uso humano, industrializados e manipulados, e de suas embalagens após o descarte pelos consumidores. Neste decreto, ficou estabelecido que a coleta de medicamentos poderá ser feita em drogarias, farmácias e outros pontos localizados em municípios com população igual ou superior a cem mil habitantes. Além disso, farmácias e drogarias deverão disponibilizar e manter pelo menos um ponto fixo de recebimento a cada dez mil habitantes, desde que o município tenha população superior a cem mil habitantes. Cabe ainda aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a campanha de divulgação do sistema de logística reversa. Em janeiro de 2022, foi publicado o Decreto nº 10.936 que institui uma atualização da Política Nacional de Resíduos Sólidos, publicada na lei 12.305/2010. Seu objetivo é regulamentar a prática de descarte correto dos produtos no fim de sua vida útil. O Ministério do Meio Ambiente determinará os critérios e diretrizes do programa, mas poderá contar com o apoio de outros ministérios como o da Saúde e da Agropecuária, Pecuária e Abastecimento quando houver necessidade de avaliação do risco à saúde pública de um determinado resíduo. Essa prática vale a pena para as empresas ou é só mais uma despesa? Podemos analisar a partir de duas perspectivas. Uma delas diz respeito ao valor agregado que isso gera para a empresa. Consumidores, cada vez mais preocupados com questões ambientais, vêm procurando consumir de empresas que compartilham desses valores. Por isso, a divulgação do descarte correto de medicamentos pode gerar um maior número de vendas para a empresa. Além disso, podemos falar sobre as possibilidades financeiras que esta prática pode representar. Exemplo Redes de farmácia e drogarias podem negociar a devolução dos medicamentos a vencer com a indústria previamente em trocar de bônus ou descontos. Podem ainda fazer o descarte correto através de empresas especializadas, podendo obter até 35% de retorno em impostos pagos sobre os produtos que foram destruídos ou incinerados, por meio de um sistema de dedutibilidade fiscal. Logística reversa no setor de medicamentos Conheça agora o funcionamento da logística reversa no setor de medicamentos: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Definição de logística Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A gestão da cadeia de suprimentos Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Logística reversa Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A cadeia de suprimentos de uma empresa é constituída de A fornecedores da matéria-prima básica, atacadistas, distribuidores e varejistas. B todos os fornecedores e clientes, excluindo-se o cliente final. C todos os fornecedores da empresa, os fornecedores de seus fornecedores, e assim por diante, até o fornecedor da matéria-prima básica. D fornecedores de primeira e segunda camadas, incluindo o fornecedor da