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Gêneros Acadêmicos Moisés Stefano Barel Neste momento, dedicaremos nossos estudos aos gêneros textuais mais usados no ambiente universitário. Analisaremos aspectos do resumo, fichamento, resenha, trabalhos de conclusão de cursos, entre outros, além de estratégias de comunicação escrita e oral. Por fim, trataremos de multiletramento digital e fakenews. 2 Subtópicos Gêneros textuais acadêmicos �������������������������� 3 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������11 Gêneros textuais em suportes digitais ���������12 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������23 Estratégias de leitura e interpretação textual ������������������������������������������������������������������24 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������27 Estratégias de comunicação ��������������������������28 Comunicação escrita ���������������������������������������������������������������������28 Comunicação oral ��������������������������������������������������������������������������30 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������33 Referências Bibliográficas & Consultadas ��34 3 Gêneros textuais acadêmicos Estar num curso superior demanda uma série de apti- dões� Uma delas é o conhecimento acerca das diferentes tipologias existentes entre os gêneros textuais que são habituais ao mundo acadêmico� Tais textos se diferem em relação aos demais, não ape- nas em seus objetivos, mas também em seus formatos, linguagem utilizada e formas de apresentação� Assim, cada um dos gêneros que serão apresentados a seguir, pode ser considerado uma espécie de ferramenta inte- lectual dotada de características que são utilizáveis nos mais diversos momentos da vida universitária� Cada um dos modelos pode ser diferenciado a partir da forma como é estruturado, o seu objetivo e ao público a que se destina (KOCHE; MARINELLO, 2017)� Antes de ingressarmos nas tipologias do texto acadê- mico, precisamos ter claro que existem fatores comuns a todas as espécies deste tipo de trabalho, ou seja, a construção de um trabalho intelectual, por meio de pa- lavras, deve atender a propósitos universitários� E quais são eles? Koche e Marinello (2017) revelam alguns: a investigação científica, a perspectiva crítica, estrutura argumentativa, além de extensão e uso de elementos linguísticos� Evidente, porém, que embora tais atributos sejam verificáveis, eles não compõem uma relação imu- 4 tável acerca daquilo que deve constar numa produção universitária� Valle (2013) destaca que a tradição acadêmica acabou por estabelecer que o preceito fundamental dos textos produzidos em ambientes universitários deve ser a for- malidade, afinal, segundo ela, se trata de um ambiente de valorização da ciência� E por compartilharmos da mesma visão, cremos ser importante mais um detalhe: a necessidade de coerência e coesão ortográfica. Considerando isso, verifiquemos, a seguir, os principais gêneros textuais utilizados durante os cursos superiores: z Fichamento: seu propósito fundamental é servir como uma espécie de guia de estudo, ou seja, unir infor- mações que sintetize aquilo que de mais importante de um livro, filme, documentário ou qualquer outro suporte informacional� Ele não é publicável, porém, é de bastan- te valia para determinar os pontos mais importantes a serem lembrados na hora de estudar� Eventualmente, pode ser objeto de algum processo de avaliação para compor a nota final de uma ou mais disciplinas. Além disso, geralmente, contém algumas ideias do autor original transcritas na íntegra, de maneira a preservar a essência daquilo que o estudante acredita ser impor- tante destacar� 5 Exemplo de fichamento Nome da disciplina: Comunicação e Linguagem Nome da obra: Moderna gramática Portuguesa, edição� Autor/editora: Evanildo Bechara, Nova Fronteira/RJ, 2019� Se trata de um compilado das regras de utilização gramatical da Língua Portuguesa, de modo a sanar dúvidas que possam existir sobre os mais diversos elementos constituintes do idioma, os quais são cobrados em universidade, concursos públicos, si- tuações de trabalho e outros ambientes públicos e/ou privados� “A Língua Portuguesa é a continuação ininterrupta, no tempo e no espaço, do latim levado à península Ibérica pela expansão do império romano, no início do século 3 a�C�, particularmente, no processo de romanização dos povos do oeste e noroeste” (BECHARA, 2019, p� 27)� z Resumo: texto que objetiva sintetizar os pontos mais importantes de uma obra, seja ela impressa, au- diovisual ou virtual, e que se mantém atrelado a um viés puramente informativo, ou seja, sem emissão de opiniões por parte de quem o produz� O resumo forne- ce uma espécie de introdução ao conteúdo total, uma prévia daquilo que determinado trabalho intelectual traz em sua completude� Em ambientes universitários, é comum também a existência do chamado “resumo expandido”, que é uma síntese de um trabalho de maior densidade e, neste caso, obrigatoriamente, apresentar as linhas teóricas, autores e metodologias que susten- tam a pesquisa integral; 6 z Resenha: se trata de um gênero textual que, de certo modo, se parece com o resumo� Porém, ela deve con- ter, obrigatoriamente, a opinião de quem a produz em relação ao trabalho avaliado, ou seja, é preciso expor uma percepção pessoal e, por isso, ela é considerada um gênero que mescla informação e opinião, uma vez que a síntese da obra trabalhada também deve apa- recer, com destaque para os pontos mais pertinentes identificados por quem concebe tal trabalho. Pode ser utilizada para tratar de livros, peças de teatro, séries de TV e/ou streming, filmes, entre outras possibilidades; z Artigo: este é um dos gêneros mais usuais em ter- mos de vida acadêmica, especialmente em cursos de pós-graduação lato sensu (especializações/MBAs) e/ou stricto sensu (mestrado e doutorado)� Se trata de uma investigação científica, ou seja, um trabalho de maior detalhamento informacional e opinativo acerca de um fenômeno que tenha sido submetido à apreciação cientí- fica, amparada por métodos e técnicas de pesquisa. Sua publicação, costumeiramente, é realizada em revistas e/ ou jornais especializados em determinados temas, cuja veiculação é direcionada a professores, pesquisadores e/ou profissionais cuja área de atuação esteja relacio- nada com a temática enfatizada� A estrutura organiza- cional do artigo está fundamentada na existência de cinco elementos, os quais tem por objetivo organizar o pensamento científico. São eles: 7 1. introdução: que deve trazer aquilo que de mais rele- vante há no trabalho, bem como, sua justificativa, objeto investigado e indicação do método de pesquisa; 2. método: que é a descrição detalhada do tipo de estudo realizado, com apresentação das técnicas de pesquisa usadas para realizar a pesquisa; 3. resultados: é a seção onde devem constar os dados obtidos e sistematizados, os quais motivaram o estudo; 4. discussão: é o momento do texto em que apresen- tamos as evidências proporcionadas pelo estudo; 5. considerações finais: é o instante em que se deve externar a conclusão e/ou indícios a que as análises chegaram� z Ensaio: suas características mais nítidas são o cons- tante debate em torno de um tema e a sua flexibilidade em termos de construção, já que dispensa a obrigatorie- dade do uso de citações diretas, restrições de tamanho ou, até mesmo, organização estrutural pré-determinada� É um gênero mais livre, em que quem o escreve tem a possibilidade de refletir e se posicionar intelectualmente de modo mais ostensivo� Trata-se de um trabalho muito autoral e singular em termos de produção; SAIBA MAIS Quem desejar obter mais detalhes sobre o ensaio, conhecer nuances específicas de sua concepção, bem como, entender conceitos, tipologias e recursos textuais para ele� Também pode buscartais informações na obra Doze ensaios sobre o ensaio, 8 publicada no Brasil pela editora do Instituto Moreira Salles, e escrita por Paulo Roberto Pires� Nesse texto, o autor, formado em psiquiatria e literatura, investiga, por exemplo, como é pos- sível definir o ensaio, as etimologias e as origens do gênero e sua pertinência literária� z Monografia: é um gênero textual que objetiva pro- mover uma reflexão científica, em nível inicial, sobre um determinado problema de pesquisa, o qual, para o seu devido estudo, requer uma investigação amparada, por exemplo, em revisão de literatura e métodos de pesqui- sa� Sua redação é, predominantemente, de caráter infor- mativo, sendo que análises opinativas devem constar na parte final do trabalho, no tópico que, geralmente, é denominado de “considerações finais”. Além disso, a monografia costuma ser um dos elementos necessá- rios para fechamento de um curso em nível superior e pressupõe ser um trabalho realizado por apenas uma única pessoa, dado seu caráter de investigação cientí- fica. De tamanho variável, em geral, costuma ter entre 30 e 50 páginas; z Dissertação: é produzida em cursos de pós-gradua- ção stricto sensu em nível de mestrado� Seu intuito é demonstrar que a pessoa que a produz possui habilida- des em termos de investigação científica, elaboração de instrumentos de pesquisa e capacidade de aprofun- damento analítico em torno de um objeto de pesquisa� Requer, obrigatoriamente, maior pluralidade de fontes informativas em relação a monografia, bem como, maior 9 precisão conceitual e relevância em termos de viabili- dade científica. Costuma ter entre 100 e 200 páginas; z Tese: é um gênero textual cuja essência consiste na produção de conhecimento inédito, amparado em metodologias de pesquisa, capacidade analítica de quem a produz, cruzamento de fontes distintas e rigor metodológico� Sua realização visa à obtenção do títu- lo de doutorado em determinada área do saber, o que pressupõe que a pessoa seja detentora de saber notório num determinado campo� Sua realização se dá ao longo de 4 anos e a sua extensão costuma ter, em média, en- tre 150 e 300 páginas. Deste trabalho, espera-se muita inovação e viabilidade para justificar sua realização e o possível apoio financeiro por parte dos órgãos de fomento à pesquisa, seja em nível estadual ou federal; z Mapa mental: é um gênero textual de uso misto, ou seja, que além das palavras, também se vale bastante de imagens e/ou ilustrações, e cujo principal intuito é didatizar determinado conhecimento para que o mesmo seja facilmente compreendido� Além de auxiliar no en- tendimento das informações veiculadas, também possui o mérito de trabalhar a criatividade e a capacidade de síntese textual, uma vez que sua estrutura organizacional não pressupõe que seja um trabalho longo� Muito usual em estudos para concursos públicos e vestibulares, é considerado uma excelente ferramenta para destacar aquilo que é considerado mais importante (LIMA; DOU- GLAS, 2022); 10 z Relatório: costuma possuir estrutura organizacional semelhante à de um artigo, porém, sem a necessida- de de utilizar métodos de amostragem científica e/ou técnicas de pesquisa� Consiste, essencialmente, na apresentação de um resumo, ou seja, aspectos mais importantes de uma atividade profissional, filme, livro, peça artística, musical, viagem ou qualquer outro evento que necessite de registro� Sua linguagem não precisa ser excessivamente formal, porém, é recomendável que gírias e expressões idiomáticas que não estejam em conformidade às regras gramaticais, não sejam utilizadas. Devem possuir introdução, desenvolvimento e conclusão� FIQUE ATENTO Gatilhos mentais são estímulos externos que provocam reações cerebrais que objetivam tirar um indivíduo, por exemplo, de uma situação de comodismo� Ele, geralmente, contém palavras que chamam atenção, sejam fáceis de guardar e possuem a capa- cidade de simplificar ideias e/ou propósitos. Recurso muito útil aos mapas mentais, os gatilhos contribuem, ainda, para a criação de uma espécie “alerta intelectual”, ou seja, sensação psíquica que faz o cérebro humano potencializar sua capacidade de concentração e retenção informativa� 11 Considerações finais 9 As especificidades de cada uma das tipologias e a organização estrutural que lhes dá forma são essenciais para reconhecermos um gênero textual� 9 As definições e usabilidades de cada um dos tipos textuais permitem aplicações mais assertivas na cons- trução dos nossos textos� 12 Gêneros textuais em suportes digitais A revolução informacional em vigor desde a década de 1990, quando se deu o início da popularização da internet, traz consigo uma constatação específica em relação aos gêneros textuais: eles não são, nem estão, restritos a tipos restritos e imutáveis� Novas tipologias surgiram, em especial, por unirem em torno delas ca- racterísticas específicas das mídias digitais, como o uso constante e simultâneo de textos, imagens, áudios e vídeos, entre outros recursos� Os chamados gêneros textuais digitais, além de produ- tos da revolução informacional, podem ser considera- dos, ainda, atualizações tipológicas para incluir novas formas e métodos de comunicação através de sites, redes sociais e aplicativos para troca de mensagens instantâneas� Xavier (2016) destaca que estas novas denominações refletem novas formas linguísticas e cognitivas para comunicação entre os indivíduos, isto significa que as pessoas criaram novas formas de rela- cionamento e troca de informações que são específicas para as mídias digitais� Com isso, é possível afirmarmos que os gêneros tex- tuais digitais estão totalmente atrelados à internet e, por diversas vezes, interligados entre si, seja por meio de recursos linguísticos ou computacionais, como o uso de hiperlinks� Xavier (2016) vai além e destaca que a in- 13 ternet trouxe consigo novas maneiras de ler e escrever, as quais são fruto de adaptações e simplificações do uso cotidiano da linguagem formal, e que, ao invés da adequação plena às normas gramaticais, estes novos jeitos de se comunicar criaram uma espécie de “idioma paralelo”� Verifiquemos então quais são os principais gêneros textuais digitais� Aqui, iremos trabalhar, especialmen- te, as dez modalidades mais usuais, a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2017), “documento de caráter normativo que define o conjun- to de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver”� z Currículo web: é uma adaptação do tradicional currí- culo impresso, a qual se vale das possibilidades de junção de documentos, vídeos e outros recursos informativos que permitem a integração e comprovação de diversas experiências profissionais, por meio de vínculos (links) que remetem ao acesso de tais conteúdos; z Grafics Interchange Format (GIF): montagem ima- gética que se constitui num pequeno vídeo, muito curto, cuja junção de elementos verbais e não-verbais busca atribuir ênfase a um fato, entendimento e/ou interpre- tação pessoal em relação a ele� Pode conter ou não, elementos de humor e sons; z Fanfiction: tipologia digital muito recorrente entre internautas que gostam de literatura, filmes e séries 14 através de streaming� É uma recriação a partir da histó- ria original retratada na obra� Neste caso, ela é utilizada como espelho para o novo trabalho� Exemplo: imagine a série “Cobra Kai”� Ela possui um roteiro próprio, criado por seus idealizadores� Os fãs, a partir desse conteú- do, recriam o enredo através de quadrinhos, constroem novos cenários, situações e até mesmo personagens, para moldar um conteúdo paralelo, porém, que dialoga com o produto original; z Blog: atualização do antigo diário pessoal, ou seja, um tipo de produção textual que preza pelo relato em primeira pessoa para narrar experiências, dissabores, sucessos, infortúnios e qualquer outro tipo de vivência pela qual tenha passado a pessoa que realiza os regis-tros virtuais; z Meme: gênero digital que se vale de textos e imagens para satirizar determinado fato, situação ou persona- gem� Além disso, sua mensagem é veiculada através de linguagem direta, ou seja, sem rodeios� A utilização do humor é outra característica deste tipo de construção digital e por meio dele, se busca a viralização, ou seja, a popularização do conteúdo através de milhares ou milhões de compartilhamentos; z Postagem (post): recurso que reúne em torno de si o ato de publicar conteúdos, seja em formato de texto ou não, nas mais diversas plataformas digitais, para fazer com que tais mensagens se tornem de conhe- 15 cimento da maior quantidade possível de usuários ao redor do mundo, a partir de uma rede de conexões que se expande no instante em que um conteúdo é inserido no ambiente virtual� Quando tratamos de gêneros digitais textuais, cremos que não seja suficiente apenas indicar nomenclaturas e exemplificações de cada um deles. É preciso ir além, tratando, então, de fenômenos comunicacionais e lin- guísticos contemporâneos, como os conceitos de pós- -verdade e fakenews, muito propagados na atualidade, mas não devidamente esclarecidos� O vocábulo verdade, conforme o dicionário Houaiss (2001), significa estar de acordo com a realidade e/ou possuir fidelidade com aquilo que ocorreu. Evidente, porém, que não é um termo que possa ser materializa- do, ou seja, não pode ser tido como isto ou aquilo, em definitivo. Sua compreensão é variável e depende de uma série de valores que integrem, por exemplo, um sistema cultural, filosófico, religioso ou mesmo indivi- dual de cada pessoa� Entretanto, desde meados da década de 2010, uma res- significação linguística tem disputado com este termo a primazia que até então lhe pertencia, para modelar o entendimento popular� Trata-se do neologismo pós- -verdade, que pode ser definido como a situação em que a concretude fatual impacta menos do que informações construídas com o nítido intuito de deturpar a realidade 16 e promover apelos emotivos, com base em crenças e preconceitos, ao se aproveitar da superficialização in- telectual que acomete milhões de pessoas� Charaudeau (2022) afirma que o saber humano se cons- trói por meio da linguagem e ela cria uma representação social, ou seja, molda a opinião pública e, por extensão, promove o imaginário das pessoas� Além disso, o autor enfatiza que a sociedade contemporânea, mesmo dian- te de tantas oportunidades de obter esclarecimento e fundamentação racional para produzir juízos de valor, não se pauta pela Ciência, pelo racionalismo, mas sim pela opinião, e não reconhece a necessidade de ela ser baseada no que ele chama de “saberes de conhecimen- to”� Bastam apenas os “saberes de crença”� Esta forma de compreensão pode ser desmembrada em outras duas� O saber de experiência, em que o aprendi- zado, teoricamente, se dá por meio da vivência prática, e o saber de opinião, baseado na subjetividade de valo- res que uma pessoa atribui a outra ou a um grupo, bem como, as ocorrências cotidianas� Ralph Keyes (2018) destaca que, na atualidade, grande parte das pessoas perdeu a vergonha que outrora tinha em manipular a noticiabilidade fatual, construir mentiras ou prestar fal- so testemunho contra outrem� A pós-verdade, segundo ele, opera numa “zona ética crepuscular”� 17 Existem, porém, alguns pontos que ainda precisam ser esclarecidos� Um elemento é a linguagem verbal� Notí- cias, comentários, opiniões e quaisquer outras formas de orientações sociais, seja por meio da palavra escrita ou falada, são usadas� Neste caso, além de manipula- ção de dados técnicos, estatísticos, enquadramentos informativos, entre outros, é corriqueiro o uso de eufe- mismos e recursos suavizantes que tentam minimizar ou, até mesmo, descontextualizar, o impacto de uma mensagem� Quando recursos não-verbais são usados, a deturpação da veracidade pode ocorrer, por exemplo, através da manipulação de imagens em softwares que evidenciam, mascaram, desqualificam ou até mesmo apagam algo e/ou alguém� É um ato que busca a reconstrução de um determinado momento, para que, na sequência, ele possa ser publicado sob outras condições ou aspec- tos� Outra situação possível é o sequestro, em termos de usabilidade, de símbolos públicos, como bandeiras, hinos, fotografias, entre outros. Tais atitudes, na opinião de Empoli (2019), evidenciam o nível de chantagem que pode ser realizado por um povo, sendo condizente com a baixeza educacional ou intelectual� As fakenews, por sua vez, podem ser definidas como notícias falsas criadas, prioritariamente, com um propó- sito para desqualificar pessoas, criar fatos positivos para uns e negativos para outros, destruir reputação pessoal ou profissional e, por consequência, criar uma espécie 18 de “realidade paralela” para seus destinatários� O tem- po presente tem sido caracterizado pela disseminação da pós-verdade como principal sistema doutrinador de crenças, a partir de ideias pré-concebidas, e por meio das possibilidades de manipulação da opinião pública ofe- recidas pela ampla disseminação de conteúdos falsos� Em tempos de digitalização de conteúdos e comunicação instantânea, dois fatores potencializam a circulação das fakenews e reforçam campanhas de desinformação� O primeiro é a pluralidade de produtores que podem estar, direta ou indiretamente, envolvidos no processo, uma vez que é característica primordial da internet a demo- cratização de oportunidades em termos de criação e veiculação de mensagens� Nos ambientes virtuais, estão presentes milhões de pessoas com os mais diversos perfis ideológicos, profissionais e intelectuais. O outro, menos materializável, porém, possuidor de importância singular, atende pelo nome técnico de al- goritmo. Didaticamente, podemos simplificá-lo como uma espécie de “robô” que filtra informações e as ex- põe quando julgar oportuno� É projetado para calcular o que está em alta, ou seja, os assuntos e palavras-chave mais buscadas na rede mundial de computadores num dado momento� A partir desta observação, é possível afirmarmos que o seu conjunto, ou seja, milhares de algoritmos, ao agirem de forma simultânea, impactam, inclusive, na formação da opinião pública� 19 FIQUE ATENTO Algoritmo pode ser entendido como um conjunto limitado e pré- -estabelecido de procedimentos computacionais para realizar determinada tarefa ou conjunto delas, por meio de rastros com- putacionais deixados pelos usuários� São procedimentos que, à luz da informática, considerados lógicos para resolver dilemas ou sugerir decisões, a partir de preferências pessoais definidas com o cruzamento de informações retidas pela internet com as buscas dos usuários em determinado momento� Essas operações, a partir das “pistas” deixadas pelos usuários, criam as chamadas “bolhas de filtro”, expres- são cunhada por Pariser (2012), as quais acabam por expor as pessoas àquilo que elas estejam propensas a receber, comprar, ler ou até mesmo pensar� Essas “bo- lhas”, atreladas aos algoritmos, aos clickbaits, que em boa parte dos casos são constituídos por fakenews, são a base de toda e qualquer campanha de desinformação e acabam por incutir, no imaginário popular, aquilo que Charaudeau (2022) nomeou como “verdade-convicção”, que pode ser entendida como a força motriz interior que move um indivíduo a pensar de determinada forma e a fazer julgamentos morais, única e exclusivamente, a partir da sua valoração social, a qual é impulsionada por uma ampla estratégia comunicacional� A “verdade-convicção” se opõe a qualquer reflexão e, muitas vezes, leva a consequências nefastas� Acerca disso, é possível destacarmos as insanas invasões ao 20 Capitólio dos Estados Unidos em 2021 e a ação de mes- mo porte realizada em Brasília, em janeiro de 2023, a qual também deixou um rastro de destruição patrimonial e desrespeito para com as instituições democráticas� Em ambos os casos, os vândalos agiam sob uma espéciede “efeito” de uma verdade única� Chegamos, então, num ponto crucial� Se a sociedade mundial sofre tanto com os males gerados por estraté- gias comunicacionais antiéticas, a ponto de a humani- dade vivenciar um momento histórico que passou a ser definido como época da pós-verdade, qual a situação atual da chamada “identidade coletiva”, ou seja, a forma como as pessoas se posicionam diante das mais diver- sas situações que dizem respeito à vida pública? Será que temos, enquanto humanidade, nos portado com respeito à pluralidade de ideias? Conseguimos conviver com o pensamento contraditório de forma respeitosa, ao mesmo tempo em que discordâncias intelectuais sejam explicitadas? Respostas para tais questionamentos podem ser as mais diversas, porém, comecemos, justamente, por avaliar o cenário cotidiano da identidade coletiva que marca os seres humanos� Charaudeau (2016) revela que ela própria já é algo frágil em sua essência, volúvel e facilmente descontruída� Para ele, os diversos grupos sociais existentes ao redor do mundo, ao se confron- tarem, estabelecem entre si relações que são, primei- ramente, de força, ao invés de respeitabilidade mútua� 21 Isto resulta em dominações, absorções e exclusões� É assim, desde a Antiguidade dos povos, Idade Média ou mesmo era moderna, vide as disputas territoriais e comerciais� A dominação de um grupo sobre outro pode ocorrer por diversos motivos, porém, o fará, basicamente, por dois modos� Pode ser através da força, onde o mais forte impõe regras e um modo de organização social, ou por meio da persuasão� O primeiro, costuma gerar mais resistência, enquanto o segundo, muitas vezes, é mais fácil de ser perpetrado, embora, leve mais tempo para cumprir seu intento� Esta onda de disseminação é beneficiada pela instantaneidade das principais plata- formas de mensagens eletrônicas da atualidade, mas não só por isso� Na atualidade, milícias digitais agem como se fossem militantes espontâneos, quando, na realidade, são grupos articulados e que operam por meio de notícias falsas, manipulação de dados e assassinato de reputações (cancelamentos virtuais) para promover descontex- tualizações sociais e, a partir disso, fabricar consen- sos e implantar a “verdade-convicção”, que conduz à pós-verdade� Van Dijk (2018) afirma que para entender os métodos de ação dos discursos manipuladores e, consequente- mente, compreender o que leva os indivíduos a viverem sua atmosfera de “verdade-convicção” sem qualquer 22 tipo de autorreflexão, é necessário analisar o ambiente social ao qual tais mensagens estão vinculadas e os receptores delas inseridos� “Para exercer este controle social sobre os outros, determinados atores precisam satisfazer critérios pessoais e coletivos que os permitem exercer influência” (VAN DIJK, 2018, p. 236). Por fim, antes de encerrarmos este tópico, julgamos ser pertinente destacarmos que nos ambientes virtuais, tanto quanto nos demais, é preciso trabalhar somente com informações verídicas, que zelem pela qualidade e confiabilidade, de modo que nossa credibilidade possa ser mantida e ampliada perante seus contatos e redes de relacionamento� Comunicação e linguagem ética são elementos que devem estar vinculados, afinal de contas, vivemos numa era em que todas as pessoas se tornaram produtoras de conteúdos, sendo capazes de atrair maior atenção e relevância, por isso, é essencial agirmos de maneira profissional, coerente, focando em assuntos de relevância social e com zelo para com questões relativas a moralidade, empatia e defesa das causas democráticas� 23 Considerações finais 9 Ainda que tendo como referência os gêneros textuais já estabelecidos, os gêneros textuais digitais contam com características próprias� 9 O surgimento dos gêneros textuais digitais está di- retamente vinculado à consolidação da internet e das mídias digitais contemporâneas� 9 Aspectos humanitários e sociais correm risco, caso os conceitos de pós-verdade e fakenews se enraízem no imaginário popular� 24 Estratégias de leitura e interpretação textual Quando se adquire o hábito da leitura, é comum que as pessoas digam que o mundo se descortina e uma imensidão de informações, elementos culturais, plurali- dade de ideias, conhecimentos históricos e uma gama infindável de outras possibilidades ocorram, auxiliando o processo de ampliação do saber� Entretanto, diversas pessoas não possuem o hábito de leitura� Considerando isto, buscaremos destacar aqui algumas sugestões e estratégias para potencializar hábitos de leitura, inter- pretação e compreensão textual� Com isso, podemos nos perguntar: para que servem es- tratégias de leitura? Entendemos que elas são métodos para reter mais facilmente os conteúdos lidos, ou seja, são ferramentas que possibilitam que a leitura se torne um prazer, algo gostoso e que as pessoas desejem� Claro, o contato com livros, revistas, periódicos acadêmicos, jornais, etc�, proporciona, ainda, a oportunidade de nos tornarmos indivíduos mais conscientes, mais engajados socialmente e conhecedores de direitos e obrigações em termos de cidadania. Dito isto, analisemos a seguir algumas estratégias de leitura e interpretação de textos� O primeiro ponto que sugerimos é trivial, porém, impor- tante para tornar a leitura um hábito agradável� Busque por livros que contenham assuntos do seu interesse� É isso mesmo! Para tomar gosto, é preciso que os contatos 25 iniciais sejam com temas, áreas e personagens com os quais nos identificamos. Para Sammis Reachers (2018), ao tomar gosto pela leitura, uma pessoa mergulha num oceano de riqueza cultural� Além disso, ao se ambientar com este hábito, a tendência é que você comece a ter melhor desempenho em tarefas relativas à redação, já que o contato com verbetes de toda ordem, amplia repertório vocabular� Outro ponto que recomendamos, portanto, a segunda estratégia que sugerimos, é que se busque manter a concentração, exclusivamente, naquilo que lê� Para isso, devemos evitar situações conturbadas, períodos barulhentos e certa distância de aparelhos eletrônicos, por exemplo� Quanto mais tranquilo for o seu ambiente de leitura, a tendência é que fiquemos mais focados no texto, e isto é um facilitador para a retenção de saberes� Bechara (2019) também destaca que a leitura é uma atividade reflexiva e, por isso, o silêncio é elemento pro- pício para este mergulho interno, dentro de si próprio� Leia em voz alta sempre que preciso. Quando neces- sário, podemos recorrer a este recurso na tentativa de memorizar os conteúdos com mais facilidade� Além disso, existe outro benefício gerado por esta prática: a manutenção da concentração� É possível também fazermos anotações, marcações e um resumo daquilo que se lê� As anotações e marcações facilitam a busca e o encontro de informações importantes e tópicos es- 26 pecíficos. O resumo, por sua vez, reúne num texto breve a essência da leitura� Há outro ponto importante a ser destacado� Ele diz respeito à capacidade de interpretação e compreensão textual� Para que o devido entendimento de um texto seja efetuado, não deve haver pressa no ato da leitura� Além disso, para eventuais passagens ou expressões que não sejam plenamente compreendidas, recomen- damos a busca por informações complementares em outras mídias, como livros, sites de instituições con- fiáveis, relatórios científicos, entre outras. Além disso, consultar pessoas que tenham notório saber na área em questão também é recomendável� 27 Considerações finais 9 Para ampliar o gosto pela leitura ou tornar esta prá- tica algo mais desejado é possível contarmos com al- gumas estratégias; 9 Destacar trechos ou expressões de compreensão mais difícil e realizar leitura em voz alta são técnicas que colaboram com a interpretação de textos� 28 Estratégias de comunicação Comunicar é um ato complexo� Não é simplesmente criar um conteúdo qualquer e publicá-lo nas redes sociais, tampouco, ter umaopinião sobre algo e/ou alguém, e acreditar que isto seja a verdade absoluta em torno do assunto e/ou personagem. A comunicação eficaz é calcada em conhecimentos sobre linguagem, público receptor, boa argumentação, redação adequada, co- nhecimento das melhores plataformas para disseminar a mensagem, além de bom senso para compreender que os destinatários precisam entender aquilo que se transmite a eles� Listamos abaixo, uma série de lembretes acerca de estratégias de comunicação, primeiramente, escrita, e depois, oral. Desse modo, é preciso termos claro que a comunicação escrita possui características singulares e os relatos falados também, ou seja, também requerem conhecimentos específicos para que a mensagem seja adequada e assertiva. Verifiquemos a seguir: Comunicação escrita Desde a invenção da prensa gráfica no século 15, o registro de informações ganhou caráter de maior per- manência através dos suportes físicos, como papiro, pergaminho e papel, entre outros� Mais recentemente, a digitalização de conteúdos também passou a contribuir para a manutenção e preservação atemporal de conhe- 29 cimentos de toda espécie. Dito isto, acreditamos que alguns vícios de linguagem devem ser evitados, para que a produção textual fique livre de elementos que possam prejudicar a eficácia da mensagem. Conforme Valle (2013, p� 178), “constituem vícios de linguagem as incorreções no uso da língua escrita e/ ou falada� Resultam do descaso de quem se expressa ou do desconhecimento das exigências linguísticas da norma-padrão”� A comunicação possui singularidades que requerem atenção por parte de quem a utiliza, entre as quais destacamos: a necessidade de construir um texto devidamente entendível, optar por palavras de fá- cil compreensão, realização de conferência ortográfica para evitar erros e/ou entendimentos dúbios, bem como, coerência informativa� Além disso, a comunicação escrita deve ser construída sem os chamados vícios de linguagem, como os mais corriqueiros, que é chamado gerundismo, um modismo que, por exemplo, é muito usual nos atendimentos de telemarketing. Expressões como “vou estar analisando” ou “vamos estar telefonando”, devem ser trocadas por “irei analisar” ou “vamos telefonar”, por exemplo� O pleonasmo, que é caracterizado pela repetição des- necessária de verbetes com o mesmo significado, é outra prática a ser evitada� Expressões como “barulho sonoro”, “repetir novamente”, “ganhar grátis”, entre ou- tras, são erros grosseiros� A cacofonia é outro exemplo 30 de vício de linguagem a ser evitado� “Fui atendido pela dona Ana”, “A boca dela está machucada”, “Uma mão lava outra”, são alguns exemplos deste problema� Os chamados lugares-comuns (clichês) também devem ser evitados, uma vez que demonstram arcaísmos lin- guísticos� Portanto, não use expressões como “antes de mais nada”, “aparar as arestas”, “carreira meteórica”, “joia da coroa”, etc� Comunicação oral Agilidade, imediatismo e transitoriedade são caracterís- ticas que marcam a comunicação oral e revelam que esta forma de transmissão de mensagens também possui características peculiares e, portanto, sua utili- zação deve ocorrer de forma adequada� Maxwell (2021) destaca que, na atualidade, em tempos marcados por tanta velocidade e quantidade informativa, mesmo que as pessoas se comuniquem, apenas uma pequena parte delas é capaz de estabelecer os laços conectivos que a oralidade permite, por exemplo, através do tom vocal, das palavras usadas, emoções transmitidas ou mesmo pela transparência evidenciada� Pasmem! Mas o silêncio é, ele próprio, um recurso oral� É isso mesmo� O silêncio pode expressar sentimentos, dúvidas, reflexões, discordâncias e, na comunicação falada, a sua inserção revela estratégia que foge à tra- dicional troca de palavras instantânea, acelerada e, muitas vezes, não previamente refletidas. Aliás, na co- 31 municação oral, outra característica é fundamental é a assertividade, já que palavras desconexas, frases mal explicadas e/ou interpretações errôneas, podem deter- minar o insucesso de uma tratativa, do estabelecimento de um acordo, de uma proposta de trabalho, pedido de namoro, socorro ou atenção� Polito (2005), por sua vez, destaca que a boa oratória, ou seja, a boa comunicação oral, é capaz de “abrir portas” nas mais diversas situações da vida privada, pública ou profissional. Uma técnica para desenvolver esta habili- dade consiste em interpretar um texto, um diálogo ou cena artística, diante de um espelho, para se adquirir, além da desenvoltura vocabular, o aperfeiçoamento da linguagem corporal, uma vez que ela, também é ca- racterística marcante num processo de comunicação frente a frente, numa vídeo-chamada, live ou qualquer outra forma de interação em que se vê a pessoa com quem se interage� Desse modo, há algumas dicas que podem melhorar nossa comunicação oral: usarmos palavras de fácil compreensão; sermos diretos, exceto em situações que requeiram prudência de fala; boa pronúncia, evitando o uso de termos pejorativos, palavras grosseiras ou termos inadequados; assertividade ao fazermos colo- cações e nunca usarmos expressões preconceituosas ou antiéticas. 32 Lembremos sempre: aquilo que dizemos, nem sem- pre é o que o outro indivíduo entende� Portanto, uma fala bem articulada é essencial para o seu sucesso da comunicação� 33 Considerações finais 9 Para que uma comunicação, seja ela escrita ou oral, obtenha êxito, há elementos importantes a serem pra- ticados ou evitados� 9 Exercícios de aprimoramento da linguagem corporal, por exemplo, são recursos úteis quando se pretende realizar atos comunicativos orais� 9 Uma comunicação adequada é uma ferramenta faci- litadora para uma série de propósitos em nossas vidas� 34 Referências Bibliográficas & Consultadas KOCHE, V�; MARINELLO, A� F� Ler, escrever e analisar a língua a partir de gêneros textuais. Petrópolis/RJ: Vozes, 2017� LIMA, F.; DOUGLAS, W. Mapas mentais e memorização para provas e concursos. São Paulo: Impetus, 2022� VALLE, M� L� E� Não erre mais: língua portuguesa nas empresas� Curitiba: Intersaberes, 2013� BRASIL� Ministério da Educação� Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 2017. Disponível em: http://basena- cionalcomum�mec�gov�br� Acesso: 14 jun� 2023� CHARAUDEAU, P. A conquista da opinião pública. São Paulo: Contexto, 2016� CHARAUDEAU, P. A manipulação da verdade. São Paulo: Contexto, 2022� EMPOLI, G� Os engenheiros do caos. São Paulo: Ves- tígio, 2019� HOUAISS, A� Dicionário da língua portuguesa. São Pau- lo: Objetiva, 2001� KEYES, R� A era da pós-verdade. Petrópolis/RJ: Vozes, 2018� http://basenacionalcomum.mec.gov.br http://basenacionalcomum.mec.gov.br 35 PARISER, E� O filtro invisível: o que a internet está es- condendo de você� Rio de Janeiro: Zahar, 2012� VAN DIJK, T. Discurso e poder. São Paulo: Contexto, 2018� XAVIER, A� C� Hipertexto e gêneros digitais: novas for- mas de construção do sentido� São Paulo: Cortez, 2016� BECHARA, E� Moderna gramática portuguesa. 39 ed� Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019� REACHERS, S� O livro e o prazer da leitura em 400 ci- tações. São Paulo: Ed. Digital, 2018. POLITO, R� Seja um ótimo orador. São Paulo: Saraiva, 2005� MAXWELL, J. Todos se comunicam, poucos se conec- tam. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2021� Gêneros textuais acadêmicos Considerações finais Gêneros textuais em suportes digitais Considerações finais Estratégias de leitura e interpretação textual Considerações finais Estratégias de comunicação Comunicação escrita Comunicação oral Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas