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Disfunções capilares Disfunções capilares. Afecções do couro cabeludo. Sintomatologia. Recursos terapêuticos. Profa. Cláudia Batalha 1. Itens iniciais Propósito Entender as diversas disfunções capilares, como também o papel do terapeuta capilar nesta área e os recursos terapêuticos disponíveis. Objetivos Identificar as principais alterações da haste capilar. Compreender as principais afecções do couro cabeludo. Introdução Desde o início da humanidade, é grande a preocupação com os cabelos, pois são eles que emolduram o rosto, dão ar de sensualidade, ou seja, representam cada indivíduo. Os cabelos também têm representação cultural para algumas pessoas e causam muito impacto na vida pessoal. Quando ocorre algum problema, podem, inclusive, impactar sua vida social. No mercado atual, há profissionais destinados à pesquisa para tratar os cabelos e o couro cabeludo, devido à importância que essas partes do corpo exercem na vida do ser humano. São eles o tricologista, especializado em doenças dos cabelos e do couro cabeludo, e o terapeuta capilar. • • 1. Principais alterações da haste capilar Haste capilar Há diversas afecções no cabelo, logo, a busca por serviços que envolvem terapia capilar está cada vez maior. Porém, é fundamental saber diferenciar as disfunções na haste capilar. Durante a realização da anamnese e avaliação capilar, é possível nos depararmos com doenças que não são de competência estética, mas médica; desta forma, o profissional deve encaminhar esse cliente a um médico dermatologista. Em muitos casos, é necessário prescrever substâncias farmacológicas e tratamentos invasivos. Além disso, em determinadas situações, o tratamento requer mais de um profissional, ou seja, uma equipe multiprofissional. O que é anamnese capilar? Realizada no primeiro contato com o paciente, quando serão coletadas informações importantes sobre dados pessoais, doenças atuais, uso de medicamentos, tratamentos já realizados. Atuação do terapeuta capilar e mercado de trabalho Assista ao vídeo sobre atuação do terapeuta capilar e mercado de trabalho. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Antes de conhecermos as afecções do cabelo e couro cabeludo, vamos entender quem é o terapeuta capilar? O terapeuta capilar atua dentro da Estética (formação acadêmica), podendo fazer especialização na área, trabalhando em salões de beleza, clínicas de dermatologia, clínica estética etc. Eles realizam procedimentos de forma inerente à estética capilar, em acometimentos em que não ocorram patologia nem lesão pré- existente, exercendo protocolos com a utilização de alguns recursos eletroestéticos, como: Cosmetologia capilar Argiloterapia Aromaterapia Eletroterapia (estética) Microagulhamento Laser de baixa potência A haste capilar pode apresentar alterações em suas estruturas, chamadas displasias pilosas, que modificarão não apenas a estrutura, mas a aparência normal da fibra capilar. Podem ser congênitas (de nascimento) ou adquiridas. Em sua grande maioria, as anomalias da haste capilar só podem ser vistas por meio da utilização de um microscópio e, muitas vezes, exigem a análise mais detalhada do cabelo por parte do terapeuta capilar. Veja, a seguir, o que significa cada uma das displasias pilosas. Alterações congênitas Moniletrix (cabelos em contas) O termo monile (latim) = colar e trix (grego) = pelo. A fibra capilar apresenta variação em sua espessura, conferindo a presença de nodosidades e aspecto em contas ao longo do fio, devido à produção irregular de queratina no folículo; são facilmente quebráveis e frágeis. Há uma alopecia parcial com ceratose pilar. O terapeuta capilar estabilizará a queda capilar, ou até mesmo dará fim a ela, melhorando as condições do couro cabeludo, estimulando o aporte sanguíneo, linfático e de oxigênio, para nutrir melhor o bulbo capilar, reforçando os folículos pilosos. Nestas alterações fisiológicas, quando não existir nenhum tipo de lesão cutânea, nem o uso de princípios ativos medicamentosos que exijam formação em Clínica Dermatológica, o profissional da área de Estética poderá elaborar programas de tratamento. Nos casos das alterações patológicas, elas devem ser tratadas por médicos dermatologistas ou neurologistas. Elas podem se originar de vários fatores, como: desequilíbrio hormonal, menopausa, bactérias, fungos, disfunção metabólica, desequilíbrio nervoso etc. Tricorrexis nodosa Caracteriza-se pela presença de nódulos pequenos nos fios, denominando a doença, que costuma causar o enfraquecimento dos fios, além de deixá-los quebradiços. A patologia acomete, geralmente, os cabelos que passaram por algum trauma físico ou procedimento químico (alisamentos, por exemplo). Os nódulos, no entanto, só somem com o crescimento do cabelo e, por isso, o desaparecimento completo do problema pode levar de dois a quatro anos. Para que o problema seja controlado, é indicado o uso de antibióticos. Pili torti (cabelos torcidos) Afecção congênita caracterizada por pelos espiralados (torcidos), secos e quebradiços, cuja localização mais frequente é o couro cabeludo. Acomete mais crianças, devido à fragilidade dos cabelos, e “usuários” de isotretinoína (não é regra). Alterações adquiridas Tricoptilose (pontas duplas) O pelo se parte espontaneamente nas extremidades ou nas laterais, devido ao ressecamento, representando um desgaste na cutícula. Isso causa rompimento das pontas, deixando-as como ponta de um pincel. Pili bifurcati (cabelos divididos) O cabelo cresce e se divide, originando dois pelos distintos com a própria cutícula. Diferencia-se da tricoptilose, na qual a cutícula está ausente. Tricoclasia (pontas desfiadas) Cabelos quebradiços e com fraturas transversais da haste, mantendo a cutícula e o córtex preservados. Pode estar associada a uma alteração decorrente de trauma físico-químico de baixa qualidade, deixando a aparência de pincel ou vassoura. Os fios ficam desfiados e desfibrilados. É a evolução na forma grave da tricoptilose. Triconodose (cabelo com nó) Alteração típica observada em cabelos crespos ou cacheados, menos comum em cabelos lisos. Afecção comum por torção, que resulta em nós ou laços. No segmento do fio, os nós causam a perda da cutícula, expondo o córtex e, consequentemente, ocorre a quebra do fio. Ela é decorrente de excesso de química. ➤ Cabelos finos e crespos formam nós facilmente. Pili multigemini (cabelos compostos) Caracteriza-se pela presença de vários (até oito) pelos saindo de um único aparelho pilossebáceo (fenômeno raro). Várias papilas dérmicas produzem individualmente sua fibra. Tricoglifos (redemoinhos) Trata-se de uma modificação na disposição dos cabelos de origem embrionária, formando uma espiral (redemoinhos), ocorrida normalmente na região cortical, sem alteração anatômica do folículo ou haste, ou seja, não caracteriza doença. Não tem tratamento; o indivíduo precisa conviver com a alteração. Pili triangulati (síndrome do cabelo impermeável – raro) Apresenta uma característica diferenciada em seu padrão cuticular, deixando os cabelos arrepiados, secos e ásperos ao toque sensorial, dificultando o penteado. É mais comum em crianças, podendo ter relação genética, e costuma melhorar com o avançar da idade. Pili recurvati (cabelos encravados) Acomete mais os pelos da barba e da nuca e atinge particularmente os negros. Os pelos encravados sugerem processos inflamatórios, evoluindo para uma foliculite. Foliculite Refere-se a um processo infeccioso que acomete, em seu estágio inicial, os folículos pilosos, podendo ocorrer por meio de pelos encravados (pili recurvati) ou através de uma infecção bacteriana ou fúngica, mas também pode ser ocasionada por vírus. A infecção é parecida com acne grau 2, pois possui pontas brancas e um ou mais folículos pilosos. Na grande maioria dos casos, é superficial, acompanhada de prurido. O processo inflamatório tende a desaparecer da mesma forma que surgiu, espontaneamente, porém, casos mais severos e recorrentes exigematenção e tratamento com um médico dermatologista, pois podem ocasionar a perda permanente do pelo e deixar cicatrizes. A foliculite apresenta-se em dois tipos de acometimentos: superficial ou profundo. No primeiro caso, mais simples, afeta apenas a parte superior do folículo piloso. Quando o processo inflamatório é mais grave, manifesta-se de forma mais profunda, e pode ocorrer a formação de furúnculos. São foliculites superficiais: Estafilocócica – tipo mais comum, microorganismo Staphylococcus aureus. Pseudomonas – encontrados em banheiras de hidromassagem e piscinas aquecidas, devido à assepsia comprometida. Pseudofoliculite da barba – acomete, em sua maioria, indivíduos negros, devido à espessura dos fios. Foliculite pitirospórica – atinge adolescentes e homens adultos. Vejamos a sugestão de protocolo estético para foliculite não inflamada: • • • • Etapa 01 Assepsia das mãos: Profissional e cliente. Etapa 02 Alta frequência: Utilizar o eletrodo forquilha em toda a região e extensão por, aproximadamente, três minutos. Etapa 03 Argiloterapia (argila verde com carvão vegetal): Realizar um cataplasma de argila verde com os óleos essenciais, aplicados principalmente nas regiões de maior acometimento. Deixar agir por 20 minutos e, depois, remover com água fria. Esses óleos essenciais são: cedro (controlador da oleosidade) + Melaleuca (antifúngico) + Lavanda (Acalmar a Hiperemia), sendo uma gota de cada óleo acrescida no prepararo do cataplasma. Etapa 04 Lavar a região afetada: Utilize sabonete líquido específico para controle de oleosidade (princípio ativo: à base de enxofre ou ácido salicílico). Deixar agir de 3 a 5 minutos e, depois, remover com água fria. Etapa 05 Finalização: Loção à base de aloe vera (babosa). Aplicar em toda a região afetada e extensão, com movimentos deslizantes, para ajudar na permeação dos princípios ativos. NÃO REMOVA O PRODUTO! Não se esqueça! Quando fizer a anamnese do cliente, observe possíveis contraindicações a óleos essenciais e princípios ativos. Este protocolo proporciona controle da foliculite, redução do acometimento, desobstrui os óstios foliculares e estimula a circulação da região. Dica Em foliculite com processo inflamatório, substitua a argiloterapia (argila) por uma máscara em gel neutro, utilizando os mesmos óleos essenciais e seguindo o passo a passo descrito anteriormente. O procedimento profissional pode ser repetido duas vezes por semana para controlar a infecção. Sugestão home-care uso diário: manhã e noite. Sabonete líquido específico – à base de ácido salicílico ou enxofre; Loção finalizadora – à base de aloe vera ou óleo essencial melaleuca; Protetor solar nas regiões, caso fiquem expostas (FPS acima de 35). Verificando o aprendizado Questão 1 Diante das foliculites superficiais, temos aquela que é mais comum no nosso ambiente e, consequentemente, possui maior número de casos, sendo causada por: A Pseudomonas. B Staphylococcus aureus. C Fungos. D Parasitos. A alternativa B está correta. A foliculite mais comum é causada por Staphylococcus aureus, um microrganismo encontrado em nosso ambiente; entretanto, nem todas as pessoas ficarão doentes, mas somente aquelas que estiverem propensas a isso, ou seja, com a imunidade baixa. Questão 2 As alterações da haste capilar podem ser congênitas ou adquiridas. A moniletrix é uma: A Alteração heditária. B Alteração adquirida. • • • C Alteração congênita. D Transmissão infecciosa. A alternativa C está correta. A moniletrix é uma anomalia congênita, ou seja, nasce com a alteração da haste capilar. Há uma degeração da matriz do cabelo, e os fios ficam fracos e quebradiços. 2. Principais afecções do couro cabeludo Afecções de tratamento estético O couro cabeludo é uma extensão da pele e precisa de higienização e tratamentos específicos, pois pode apresentar doenças que afetam a saúde do indivíduo. Desta forma, é de suma importância que o terapeuta capilar tenha o conhecimento das afecções que acometem essa região, a fim de proceder com os tratamentos estéticos capilares. Cabe ressaltar que, em alguns casos, o tratamento fica sob responsabilidade do médico, como, por exemplo: dermatofitoses, tinha do couro cabeludo, tinha favosa, tinha tonsurante, tinha k’érion, líquen plano folicular. Caso o terapeuta identifique algum desses problemas, deve orientar o paciente a procurar um serviço especializado. Psoríase [...] A psoríase trata-se de uma doença autoimune que acomete entre 2 e 3% da população mundial. Sittart (2011) É uma doença crônica da pele e surge devido ao excesso de queratinização. É caracterizada por lesão eritematosa e descamativa – são placas e pápulas vermelhas com escamas branco-prateadas, de bordas claras, podendo acometer uma ou mais regiões do corpo do indivíduo: unhas, couro cabeludo, mãos e pés, cotovelos e joelhos, acompanhada de prurido ou não. Também está envolvida com predisposição genética e/ ou relacionada ao aspecto emocional, e não é contagiosa. A psoríase não tem cura, e seu tratamento é feito para controlar a doença. Para realizar qualquer procedimento estético, deve-se, primeiro, fazer uma avaliação médica. Caso o especialista indique um profissional de Estética, eles podem trabalhar de forma conjunta. Áreas de acometimentos: membros, cotovelos, joelhos, região sacra, couro cabeludo. Suponhamos que você avalie um cliente com psoríase. Como proceder? Dentro das definições, é sabido que esse cliente deve ser encaminhado para um médico, de preferência um dermatologista. Ao nos deparamos com uma situação dessas, devemos ter muita cautela, para não assustar nem não causar constrangimentos ao cliente. Por isso, seja sutil ao orientá-lo a procurar um médico e peça que retorne, a fim de dar sequência ao atendimento. Atenção Não use a frase “Você tem psoríase e precisa procurar um médico, pois eu não trato essa doença!”. Dermatite seborreica ou sebopsoríase Acomete o couro cabeludo, entre outras regiões do corpo, e é caracterizada por processo inflamatório, apresentando vermelhidão e descamação – são escamas gordurosas e eritematosas que aparecem no couro cabeludo, nas orelhas, na barba, na face etc. A causa da dermatite seborreica é desconhecida, mas se tem conhecimento de que ela se manifesta devido à hiperatividade das glândulas sebáceas associada ao fungo pityrosporum ovale, encontrado na região acometida. Ela também sofre influência hormonal; neste caso, do androgênio, que apresenta maior atividade após o período da puberdade. Além disso, pode ser encontrada em recém-nascidos, em virtude de o androgênio estar presente no leite materno. Um efeito que se deve observar na dermatite são os momentos de crise e calmaria, ou seja, momentos de piora e o desaparecimento momentâneo. Essa doença forma crostas no couro cabeludo e nas adjacências, e, caso a pessoa tente arrancá-las, pode causar sangramento. Quais fatores contribuem para o aparecimento da dermatite? Estresse, hormônios, temperaturas altas, clima seco, banhos quentes etc. Tratamento Indicado para couro cabeludo com seborreia, caspa intensa, alopecia causada por excesso de oleosidade. Promove limpeza profunda no couro cabeludo, desobstrui os óstios foliculares e estimula a circulação do sangue no couro cabeludo. Ao agendar o cliente, peça que ele chegue ao salão com os cabelos lavados e secos. • • Etapa 01 Preenchimento da ficha de anamnese. Etapa 02 Assepsia das mãos: Profissional e cliente. Etapa 03 Alta frequência: Utilizar o eletrodo pente em todo o couro cabeludo por aproximadamente 7 minutos. Etapa 04 Desincruste: Realizar se houver oleosidade excessiva (verificar a polaridade do indicativo do produto). Etapa 05 Óleo vegetal de coco: Fios médios (para evitar o ressecamento dos fios). Etapa 06 Argiloterapia (argila verde com carvão vegetal): Realizar um cataplasma de argila verde com O.E (Cedro-Melaleuca-Ylang-Menta) e deixar agir por 20 minutos envolvido em plástico osmótico. Após o tempodeterminado, retirar o plástico, deixar a cabeça esfriar por 5 minutos e retirar o cataplasma, fazendo uma esfoliação no couro cabeludo. Esse procedimento ajuda a soltar as caspas. Etapa 07 Lavar a cabeça: Com shampoo específico para o couro (P.A.: ácido salicílico, enxofre etc.) e deixar agir de 3 a 5 minutos. Depois desse tempo, enxague. Etapa 08 Shampoo para os fios: (P.A.) específico para hidratação dos fios; deixar agir de 3 a 5 minutos. Depois desse tempo, enxague. Etapa 09 Massofilaxia capilar: Realizar a massagem capilar por, aproximadamente, 4 minutos (trabalhar as regiões escapular, cervical, occipital e todo o escalpe da cabeça). Faça isso de forma suave, para não estimular a oleosidade; é um procedimento para relaxar o cliente. Etapa 10 Ionização: Ionto capilar para controlar a oleosidade (+) – ionizar o couro cabeludo. Etapa 11 Pré-finalização: Loção capilar à base de jaborandi e D-pantenol. Etapa 12 Finalização: Leave-in somente nas pontas. Etapa 13 Entregue o pente ao cliente, para ele se pentear. OBS.: P.A. – sigla para representar princípios ativos. Home care Shampoo à base de ácido salicílico (aplicar no couro cabeludo) – uso diário. Deixe agir por 2 minutos; Shampoo para os fios (para cabelos compridos somente) – ação hidratante nas pontas; Loção capilar à base de ácido salicílico – utilize à noite e não retire o produto. Pitiríase simplex ou caspa seca Manifesta-se por meio de escamas secas e finas, com coloração cinzenta ou acastanhada. Apresenta prurido, e seu desenvolvimento é ocasionado por fatores emocionais, sendo vinculada à circulação deficiente, à falta de asseio e a produtos químicos, entre outros. Trata-se da fase inicial da dermatite seborreica. 1. 2. 3. Pitiríase esteatoide ou caspa oleosa Manifesta-se, geralmente, como uma seborreia e se caracteriza por escamas oleosas e espessas, que se fixam no couro cabeludo, podendo provocar uma crosta; podem sangrar ao coçar. Possuem uma espécie de camada untuosa. A caspa, às vezes, causa coceira (prurido), de ação intensa ou branda, dependendo da extensão de acometimento. É proveniente da modificação intensa, da proliferação da população microbiana que vive no couro cabeludo. O fungo Malassezia furfur, presente, em condições normais, no couro cabeludo sadio, prolifera-se exageradamente, até constituir 75% da microflora local. Dentro das competências do terapeuta capilar, consiste no tratamento da caspa, tanto a seca quanto a oleosa. Porém, de que forma o profissional de Estética pode atuar neste tratamento? Tratamento O terapeuta capilar deve ficar atento às informações relatadas pelos clientes, pois acometimentos como caspa, seborreia etc., de forma mais agressiva, costumam causar a queda dos fios. Com isso, para tratar o cliente e conter a queda acentuada, recomenda-se que as três primeiras sessões sejam realizadas em curto espaço de tempo. Ex.: segunda e quinta-feira. Mas lembre-se: o tratamento ocorrerá uma vez por semana. Outro detalhe importante é a recomendação do uso de shampoos e loções para tratamento em domicílio (Home care), para reforçar o procedimento realizado em cabine. Afecções de tratamento médico Conheça essas afecções: Dermatofitoses São afecções produzidas por dermatófitos, fungos que afetam a pele, o cabelo e as unhas. Esse tipo de lesão é chamado de “tinha” e varia de acordo com a sua localização. Trata-se de infecção fúngica altamente contagiosa do couro cabeludo ou da pele; micose escamosa e pode apresentar vermelhidão e prurido. São muito comuns em crianças, acometendo o couro cabeludo, podendo causar calvície em certas áreas. Tratamento: O tratamento para a micose é realizado por meio de medicamentos antifúngicos, devendo o profissional de Estética orientar a necessidade de consulta médica. Tinhas do couro cabeludo Refere-se a um tipo de micose de caráter superficial que atinge o couro cabeludo e é causada por fungos do gênero Microsporum spp, que se inicia pelo processo de lesões eritematosas, podendo ser única ou múltipla, escamosas e folicular. A alopécia tonsurante ocorre principalmente em crianças, sendo rara em indivíduos adultos. Atenção: as tinhas são contagiosas. Tinha favosa ou tínea favosa (Favus) Causada por infecção fúngica no couro cabeludo, com a presença de pequenas lesões crateriformes (formam uma espécie de cratera) em torno do óstio folicular, que se desenvolve como mancha redonda, de cor rósea, apresentando, geralmente, pequenas pústulas em sua borda. Recebe esse nome porque deixa o cabelo com um tipo de favus. Inicia-se na infância, mas pode persistir ainda na fase adulta do indivíduo. Também é contagiosa. Tinha ou tínea tonsurante São placas descamativas, formando alopecias, algumas vezes, com prurido. Abscessos fazem parte desta afecção. Também pode ter o estafilococo como causador, ocasionando perda localizada de cabelos. Pode ser transmitida quando ocorre compartilhamento de objetos infectados, como bonés e toalhas. Possui caráter contagioso. Tinha ou tínea kérion celsi O processo começa com formação de placas ou nódulos com processo inflamatório, acompanhada de dor, com formação de crostas e pústulas, de caráter grave, podendo fazer alopecia cicatricial. Tem a participação dos fungos dermatófitos e afinidade com tecido queratinizado. É contagiosa. Líquen plano folicular (RARO) Refere-se a uma patologia de característica inflamatória, que, quando acomete o couro cabeludo de forma acentuada, causa a morte do folículo pilossebáceo, devido à formação de um processo cicatricial. Dessa forma, o pelo não poderá nascer. Sua origem é desconhecida, podendo acometer, além do couro cabeludo, unhas, pele e mucosas, atingindo ambos os sexos. Ocorre com menor incidência em crianças. Demodex folliculorum Trata-se de parasita microscópio que vive no couro cabeludo e extensão, como testa (orla do couro cabeludo), sobrancelhas, tendo sua presença associada ao enfraquecimento, afinamento ou à queda dos cabelos. Este microrganismo produz uma enzima digestiva chamada lipase, necessária para que o demodex possa quebrar e se alimentar do sebo produzido pelas glândulas sebáceas. Para se prevenir e combater esse parasita, deve-se sempre realizar a lavagem dos cabelos, para impedir que ele se prolifere. Saiba mais Conforme abordado no topo de nosso estudo, algumas afecções e patologias deverão ser encaminhadas para um médico especialista. Assim, só é permitido ao terapeuta capilar atuar caso esse médico indique o tratamento simultâneo nos casos citados a seguir ou em quaisquer acometimentos de conteúdo purulento, lesão etc. Os tratamentos que NÃO SÃO de competência do esteticista / terapeuta capilar: Dermatofitoses; Tinha do couro cabeludo; Tinha favosa; Tinha tonsurante; Tinha kérion; Líquen plano folicular. Pediculose Pediculose do couro cabeludo Causada pelo Pediculus Humanus Var Capitis (piolho), um parasita cinzento-acastanhado que se alimenta de sangue, não voa nem pula e pode habitar o couro cabeludo, o corpo e a região pubiana. Devido à coceira (prurido), provoca escoriações, levando a infecção estafilococo. Causam pápulas e escoriações no couro cabeludo. As lêndeas são encontradas principalmente nas áreas retroauriculares e occipital. Esse parasita vive aproximadamente 30 dias, e a fêmea pode depositar até 300 ovos durante sua existência. As lêndeas devem ser diferenciadas da pedra branca, que é uma dermatofitose que acomete somente os fios. • • • • • • A denominação pediculose (ou anopluridose) refere-se à doença causada por inseto sem asas conhecido como piolho, um sugador de sangue, cujo hospedeiro ideal é o homem. Suas picadas (punctura) causam inflamação aguda da pele e prurido. Formas de contágio: são transmitidos pelo contato direto com indivíduo infectado ou pelo uso compartilhado de toalhas, pentes, escovas de cabelo, roupa de cama, bonés, chapéus. Pediculose do corpo Pediculus Humanus Var Corporis (nome vulgar: Muquirana), onde as lêndeas são presas aos pelos corporaise às roupas do indivíduo. Pediculose da região pubiana Phthirus pubis – (nome vulgar: chato), suas lêndeas são depositadas nos pelos pubianos, provocando prurido na região. A pediculose pode ser tratada por um terapeuta capilar? De que forma? Sim! Através dos recursos da alta frequência com eletrodo pente e uso de pente fino de ferro, o terapeuta capilar pode atuar no combate à pediculose. Dica Outro recurso terapêutico interessante é utilizar aromaterapia, aplicando óleo vegetal de jojoba e três gotas de óleo essencial de lavada (misturados) no couro cabeludo. Deixe a mistura agir por 30 minutos no plástico osmótico e, depois disso, passe o pente fino de ferro, para retirar as lêndeas. Em nosso estudo sobre disfunções capilares, abordamos vários comprometimentos que podem ocorrer no couro cabeludo, interferindo na saúde/doença do indivíduo, e que, caso não sejam cuidados por um médico, podem evoluir para situações muito mais graves. O que o médico pode tratar ou quando o tratamento é de competência do esteticista Assista ao vídeo e veja o que o médico pode tratar ou quando o tratamento é de competência do esteticista. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Patologia caracterizada pela formação de escamas, devido à produção de sebo, acompanhada de prurido, que tem como agente causador o Malassezia furfur: A Pitiríase capitis simplex. B Pitiríase capitis esteatoide. C Tinha do couro cabeludo. D Tricorrexis nodosa. A alternativa B está correta. Pitiríase esteatoide, ou caspa oleosa, como também é conhecida, é causada por um fungo e apresenta prurido (coceira) como um dos sinais. Questão 2 Nas doenças do couro cabeludo, uma tem seu acometimento devido a um parasita que provoca prurido e suga o sangue, causando desconforto a seu hospedeiro. A Demodex folliculorum. B Malassezia. C Pediculose. D Pityrosporum ovale. A alternativa C está correta. A pediculose é uma doença parasitária causada por inseto sem asas, o piolho, sugador de sangue, cujo hospedeiro ideal é o homem. Essa afecção pode ser tratada pelo terapeuta capilar. 3. Conclusão Considerações finais Abordamos as principais disfunções capilares e do couro cabeludo, algumas delas bastante recorrentes na sociedade, aumentando a procura por tratamentos com profissionais de Estética. Contudo, precisamos estar atentos às alterações de competência médica. Para realizar tratamento capilar, o estabelecimento precisa reservar um espaço para atender o cliente, a fim de que não ocorra nenhum tipo de constrangimento. Caso o paciente precise ser encaminhado a um médico e não tenha acesso ao serviço de saúde privado, oriente-o a procurar a Clínica da Família de seu bairro. O SUS possui assistência voltada para a atenção primária, que dá todo o suporte de atendimento aos usuários em várias especialidades. Podcast Para encerrar, ouça sobre disfunções capilares. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore+ Pesquise o artigo Tratamentos estéticos e cuidados dos cabelos: uma visão médica (parte 1), da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Referências HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. São Paulo: Cengage Learning, 2014. PEREIRA, J. M. Propedêutica das doenças dos cabelos e do couro cabeludo. São Paulo: Atheneu, 2011. SITTART, J. A. de S. Dermatologia para o clínico. 3. ed. São Paulo: Lemos, 2011. Disfunções capilares 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Principais alterações da haste capilar Haste capilar Atuação do terapeuta capilar e mercado de trabalho Conteúdo interativo Cosmetologia capilar Argiloterapia Aromaterapia Eletroterapia (estética) Microagulhamento Laser de baixa potência Alterações congênitas Moniletrix (cabelos em contas) Tricorrexis nodosa Pili torti (cabelos torcidos) Alterações adquiridas Tricoptilose (pontas duplas) Pili bifurcati (cabelos divididos) Tricoclasia (pontas desfiadas) Triconodose (cabelo com nó) Pili multigemini (cabelos compostos) Tricoglifos (redemoinhos) Pili triangulati (síndrome do cabelo impermeável – raro) Pili recurvati (cabelos encravados) Foliculite Etapa 01 Etapa 02 Etapa 03 Etapa 04 Etapa 05 Dica Verificando o aprendizado 2. Principais afecções do couro cabeludo Afecções de tratamento estético Psoríase Atenção Dermatite seborreica ou sebopsoríase Tratamento Etapa 01 Etapa 02 Etapa 03 Etapa 04 Etapa 05 Etapa 06 Etapa 07 Etapa 08 Etapa 09 Etapa 10 Etapa 11 Etapa 12 Etapa 13 Home care Pitiríase simplex ou caspa seca Pitiríase esteatoide ou caspa oleosa Tratamento Afecções de tratamento médico Dermatofitoses Tinhas do couro cabeludo Tinha favosa ou tínea favosa (Favus) Tinha ou tínea tonsurante Tinha ou tínea kérion celsi Líquen plano folicular (RARO) Demodex folliculorum Saiba mais Pediculose Pediculose do couro cabeludo Pediculose do corpo Pediculose da região pubiana Dica O que o médico pode tratar ou quando o tratamento é de competência do esteticista Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore+ Referências