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Estrutura do cabelo Estruturação e constituição do couro cabeludo e do pelo. Abordagem sobre anatomia, embriologia e histologia, bem como as propriedades físicas e químicas e o pH do cabelo. Prof. Rodrigo Monteiro 1. Itens iniciais Propósito Compreender os conceitos e as estruturas referentes ao couro cabeludo e ao pelo, além de sua aplicabilidade nas áreas de estética e beleza. Objetivos Identificar as fases de desenvolvimento do couro cabeludo segundo a descrição da anatomia do pelo. Enumerar as propriedades físico-químicas do cabelo com base na definição de embriologia e histologia do pelo. Introdução Desde os tempos mais remotos, os seres humanos buscam compreender a natureza das coisas por meio de perguntas pertinentes. Ao longo de muitos anos de estudos, várias dúvidas foram desvendadas graças ao aprimoramento da ciência. Atualmente, diversas disfunções capilares já se encontram devidamente catalogadas. Por isso, os profissionais da área precisam conhecer a anatomia, a embriologia e a histologia do pelo, já que esse conteúdo os torna aptos para o desenvolvimento de um programa de tratamento dentro dos limites da profissão do esteticista. Assim, para o florescimento de certas habilidades, é necessário entender como e por que determinado fenômeno se desenvolve. Dominar as bases do assunto abordado, portanto, se mostra algo fundamental. Em tópicos inerentes às estruturas do cabelo, a compreensão sobre sua formação e suas características físicas e químicas é importante para a garantia de um olhar mais clínico e assertivo. Além do conhecimento científico obtido, isso possibilita a aplicação de uma terapêutica adequada. • • 1. Desenvolvimento do couro cabeludo Conceitos básicos de anatomia Antes de falarmos sobre tais conceitos, precisaremos responder à seguinte pergunta: O que significa anatomia? Trata-se de uma ciência que estuda a organização estrutural dos seres vivos. A tricologia, por sua vez, constitui a seção da medicina especializada em tratamentos capilares. Ela estuda pelos ou cabelos e afecções ou doenças do couro cabeludo. Seu tratamento exige uma base de conhecimentos de: Anatomia. Histologia. Embriologia. Propriedades físicas e químicas da região. O conhecimento das estruturas do couro cabeludo e dos pelos (ou cabelo), desse modo, é de suma importância para o tricologista. • • • • Os pelos fazem parte do tecido corporal, sendo formados por proteínas e subdivididos em estruturas maiores, como a cutícula, córtex e medula, além da relação com ácidos graxos e aminoácidos. (PASTANA; SOUZA, 2017) Couro cabeludo Antes de darmos continuidade ao tema proposto, contudo, devemos conceituar agora as áreas da ciência. Afinal, não poderemos discorrer sobre os pelos e as suas características sem abordar as estruturas que lhes dão origem. Por conta disso, a anatomia e a estrutura da pele – com ênfase no couro cabeludo – devem ser estudadas. Anatomia Vamos conhecer as características da pele e do couro cabeludo. Pele Não é apenas um tecido, e sim o maior órgão do corpo humano. Por se tratar de um órgão (ou seja, um sistema tegumentar), ela possui características e peculiaridades próprias. Couro cabeludo Tem as mesmas características da pele, embora conte com fios de cabelo mais desenvolvidos que os pelos de outras partes do corpo. O couro cabeludo se estende da linha nucal posterior (região posterior da cabeça e da nuca) até as margens supraorbitárias (supercílios). Estrutura e morfologia O couro cabeludo pode ser dividido em cinco camadas. Três delas são consideradas principais; as restantes, complementares. Inicialmente, falaremos sobre as principais. Em seguida, conheceremos as duas complementares. Couro cabeludo próprio Trata-se da pele (epiderme e derme). Epiderme: Camada mais superficial da pele, ela é rica em queratina, um tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado. Derme: Camada subjacente à epiderme, vê-se composta por um tecido conjuntivo com glândulas sudoríparas e sebáceas, além de vasos sanguíneos, terminações nervosas e músculo eretor. Tecido conjuntivo denso Oferece sustentação e preenche espaços entre os tecidos aderidos. Sua diferença está no fato de o tecido denso ser rico em fibras colágenas, o que lhe proporciona uma grande resistência. Camada ou gálea aponeurótica Reveste a parte superior do crânio. Sua função é tracionar o couro cabeludo, elevando as sobrancelhas e enrugando a fronte (testa) como ocorre na expressão de surpresa. Tecido conjuntivo frouxo Serve para preencher espaços, além de nutrir e envolver vasos sanguíneos e nervos. Periósteo ou pericrânio Pode ser classificado como um tecido conectivo. Realiza o revestimento de ossos e tem a importante função de formar elementos ósseos, nutrindo e protegendo o osso. Atenção Por se tratar de uma região delicada – afinal, ela é facilmente rompida em feridas profundas – e fazer uma comunicação com veias emissárias, este tecido está sujeito tanto ao desenvolvimento de uma infecção quanto à sua propagação através das veias emissárias, podendo levá-la, dessa forma, até a região intracraniana. A seguir, observamos as representações dos tecidos do couro cabeludo: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Representação de um corte anatômico do tecido epitelial e seus anexos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Representação de um corte do couro cabeludo e dos tecidos adjacentes. Pelo Ausentes somente nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, os pelos contam basicamente com a mesma estrutura da pele. Um pelo é: Filiforme. Queratinizado. Produzido no folículo piloso. Delinearemos a seguir os tipos, a estrutura e as fases dele. Tipos Existem os seguintes tipos de pelo: Lanugo ou fetal Pouco desenvolvido, ele possui uma pilosidade fina e clara. Vellus Usualmente visto após o nascimento, embora ainda exista na fase adulta. Trata-se dos pelos finos e claros que aparecem no couro cabeludo, fenômeno comum principalmente em mulheres. Terminal Observado em abundância na fase adulta. Espessos e pigmentados, seus pelos constituem as seguintes áreas do corpo: cabelos, barba, pelos pubianos e axilas. Estrutura Os pelos possuem duas partes: Haste Parte livre. Raiz Parte presente na região intradérmica. Falaremos sobre a raiz mais à frente. A haste, por sua vez, pode se subdividir em quatro partes: • • • Córtex Localizado entre a medula e a cutícula, ele é responsável pela elasticidade, resistência e fixação dos pigmentos dos cabelos. Medula Parte mais central do fio de cabelo. Além de ser a matriz dele, serve como caminho dos pigmentos e dos lipídios secretados pelas glândulas sebáceas. Cimento intercelular Seu papel é manter a boa saúde capilar e garantir a proteção das cutículas e do córtex. Cutícula Parte mais externa do fio, a cutícula é composta por células sobrepostas como as telhas de uma casa. Elas formam uma barreira protetora de agentes químicos, sendo as responsáveis pelo brilho, pela proteção e pela porosidade do fio. A seguir, observamos a representação dos cortes anatômicos do fio de cabelo: Fases Conhecê-las é uma tarefa importante para que nós consigamos identificar e compreender com maior precisão as características e as possíveis afecções que envolvem o cabelo. As fases do ciclo capilar se dividem em três: Anágena Esta primeira fase compreende o período do crescimento capilar. Em condições normais, tal processo pode durar de um a sete anos. Catágena O cabelo finaliza seu crescimento, enquanto a raiz dele se desprende da papila. Esta fase dura entre duas e três semanas. Telógena Esta é a chamada fase do repouso. A papila fica inativa neste período e a raiz do cabelo se retrai (como demonstra a figura o lado), deixando espaço para o crescimento do novo cabelo dentro do folículo. Este período dura de três a quatro meses. Após o término desta fase, a papila dará inícioa outro ciclo e um novo cabelo vai se desenvolver, empurrando o velho fio para fora do folículo. Recomendação Em tempos de pandemia como a do Covid-19, a lavagem dos cabelos acaba sendo uma forma de prevenção. No entanto, é bom ter cuidado: o estresse, a escovação e a secagem podem levar a um processo mais acelerado da queda capilar. Anexos da pele Na raiz, encontram-se: Folículo piloso Onde ocorre a origem do pelo. Outras estruturas anexas Suas funções importantes dão suporte ao pelo. Vamos conhecer as estruturas cujas funções dão suporte ao pelo: Glândulas sebáceas Produzem sebo. Sua função é lubrificar e impermeabilizar tanto a pele quanto os pelos dos mamíferos. Glândulas sudoríparas Glândulas que secretam suor, as sudoríparas săo compostas por duas partes: secrecional espiralada (localizada na junçảo da derme e da gordura subcutânea) e reta (ou seja, o ducto, secretando o suor). Vasos sanguíneos Sua função é irrigar o tecido para que haja nutrição e oxigenação das estruturas. Músculos eretores Trata-se dos músculos lisos que realizam o movimento do pelo. Quando arrepiamos os pelos, são eles que estão em atividade graças a estímulos do sistema nervoso. A função desses movimentos é regular a temperatura corporal e reagir às emoçőes. A seguir, observamos a representação dessas estruturas: Muitas afecções da pele e do couro cabeludo possuem uma íntima relação com distúrbios provocados nas glândulas sebáceas, como a proliferação de bactérias e fungos. Dica Além de regular a temperatura corporal, o suor auxilia na excreção das substâncias tóxicas que circulam no organismo. Especialista fala sobre o couro cabeludo Neste vídeo, entrevistaremos um especialista na área de tricologia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Em relação às estruturas do couro cabeludo, assinale a alternativa correta. A O couro cabeludo é um tecido espesso. Por isso, em lesões profundas que acometam as veias emissárias, existe pouco risco de uma infecção intracraniana. B O couro cabeludo é subdividido em três camadas: couro cabeludo próprio, tecido conjuntivo e periósteo. C As glândulas sebáceas encontram-se na derme do couro cabeludo, mas não estão ligadas ao fio de cabelo. D A glândula sudorípara secreta suor para o meio externo através de seu ducto. A alternativa D está correta. As glândulas sudoríparas possuem um papel fundamental na regulação térmica e na eliminação de toxinas produzidas pelo organismo. Questão 2 Em relação à estrutura dos pelos, indique a alternativa correta. A Filiformes, os pelos nascem no folículo piloso e não são queratinizados. B Os pelos estão presentes em todas as partes do corpo. C A fase telógena compreende um estágio de repouso e tem duração de três a quatro meses. D O lanugo é o pelo que encontramos na fase adulta. A alternativa C está correta. A papila fica inativa neste período e a raiz do cabelo se retrai, deixando espaço para o crescimento do novo cabelo dentro do folículo. 2. Propriedades físico-químicas do cabelo Histologia e embriologia A histologia é o ramo da Medicina que estuda as estruturas e as funções das células, dos tecidos e dos órgãos. Já a embriologia analisa o desenvolvimento embrionário dos seres vivos, ou seja, a formação, a partir de uma célula, de um embrião. Verificaremos a seguir a aplicação de ambas para uma análise pormenorizada das propriedades e características presentes na pele. Fases embriológicas do desenvolvimento de seres vivos e suas semelhanças. Pele Demonstraremos agora sua composição, histologia e embriologia. Composição Segundo Santos (2016), a pele é composta por: Epiderme Constituída de tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado, a epiderme é subdividida em quatro camadas ou estratos: Basal - Contém as células-tronco da epiderme, cuja atividade mitótica é intensa. São produzidas nesta região os queratinócitos, que são células da pele. Também estão localizados nela as células de Merkel e os melanócitos responsáveis por produzir a melanina (que dá cor aos cabelos). Espinhoso - Seu nome se deve aos pontos de contato entre as células. Conhecidos como pontes intercelulares, esses pontos têm a aparência de espinhos. Este estrato ainda contém as células de Langerhans, que são as apresentadoras de antígenos. Com isso, ele pode ser um coadjuvante nos processos de dermatite alérgica por contato. Granuloso - Os queratinócitos modificam a expressão gênica e passam a sintetizar as proteínas envolvidas na queratinização, ou seja, eles preparam a queratina que vai recobrir toda a parte mais externa da pele (a que vemos superficialmente). Por causa da pressão associada a esta região apical, as células se tornam pavimentosas (forma cúbica); além disso, elas apresentam grânulos basófilos (cor roxa) observáveis pelo microscópio, diversificando-as das demais regiões. Córneo - Trata-se da camada mais externa da epiderme. Nesta região, as células morrem; com a perda de seu núcleo e de suas organelas, sobra somente a queratina. Ela é responsável pela impermeabilidade da pele, protegendo-nos do meio externo. • • • • Derme Formada por tecido conjuntivo, sua camada pode ser subdividida em derme: Papilar: Formada por tecido conjuntivo frouxo. Reticular: Ocupa a maior parte da derme, sendo constituída por um tecido conjuntivo denso não modelado. A derme ainda contém os anexos cutâneos. Eles são constituídos por: Vasos sanguíneos. Vasos linfáticos. Nervos. Terminações de neurônios sensoriais. De acordo com Parussolo (2016), as terminações nervosas livres que envolvem os folículos pilosos funcionam como mecanorreceptores (sensoriais). Tecido conjuntivo/hipoderme O tecido conjuntivo e a hipoderme (camada subjacente à derme) são tecidos intimamente ligados, dando sustentação à pele e a conectando aos órgãos. Sua classificação ocorre de acordo com a composição das suas células. O tecido conjuntivo adiposo é composto por células ricas em ácidos graxos (gorduras). A hipoderme apresenta esse tecido, cuja função não se limita à de um reservatório energético: ele também é responsável por fazer o isolamento térmico, a modelagem da superfície corporal, a absorção de choques e o preenchimento para a fixação de órgãos. Histologia Você sabe como os pelos se desenvolvem? Eles se originam de invaginações na epiderme, ou seja, folículos pilosos constituídos de bainhas radiculares (interna e externa) derivadas da epiderme. • • • • • • A bainha dérmica, por sua vez, constitui uma camada de tecido conjuntivo que fica ao redor das bainhas radiculares. O músculo eretor do pelo fica preso tanto a ela quanto à derme papilar. No folículo, existe o bulbo piloso. No centro dele, é possível observar a papila dérmica de tecido conjuntivo frouxo. As células que a recobrem formam a raiz do pelo, local de onde emerge o eixo dele. Em um corte histológico do pelo, verifica-se a presença de células queratinizadas: a cutícula, o córtex e a medula. Atenção Pelos mais finos não possuem a medula. O melanócito (célula responsável pela produção da melanina) está presente no epitélio da raiz do pelo e na papila dérmica. Ao redor dos folículos pilosos, encontram-se as glândulas sebáceas e sudoríparas, além do músculo eretor. Corte histológico de tecido epitelial com a presença e estruturas de suporte do pelo. Embriologia Quando o embrião começa a se desenvolver, ele pode ser dividido em três camadas: Ectoderma Camada mais externa. Mesoderma Camada intermediária. Endoderma Camada mais interna. Ectoderma, mesoderma e endoderma. A epiderme e seus anexos (unhas, cabelos, pelos e glândulas sudoríparas, sebáceas e mamárias) provêm do ectoderma, ou seja, de um desenvolvimento embrionário. A derme se diferencia do mesoderma subjacente ao ectoderma. O mesoderma somático dá origem à derme que recobre os membros e o abdômen, enquanto a que descende da crista neural tem origem ectodérmica,recobrindo a face e partes do pescoço. No segundo mês embrionário, a epiderme se constitui da camada: No sexto mês, após a morte e a descamação das células da epiderme e a diferenciação das demais camadas, a epiderme, conforme já destacamos, apresenta os seguintes estratos: basal, espinhoso, granuloso e córneo. Graças à presença de queratina, essas células são chamadas queratinócitos. A queratinização faz com que a pele se torne uma barreira impermeável e protetora. Isso é importante nesse momento da gestação, pois a urina começa a se acumular no líquido amniótico, tornando-se necessária uma impermeabilização. No fim do primeiro trimestre, são encontradas na epiderme: Basal Nesta região, existe uma alta atividade mitótica. Superficial de células pavimentosas Denominada periderme, ela ainda permite, nesse período, a passagem de água e de eletrólitos. Células de Langerhans Apresentam antígenos (proteção). Células de Merkel São mecanorreceptores. Melanócitos Convertem um aminoácido denominado tirosina em melanina, um pigmento que é depositado nos queratinócitos, cuja função é proteger o material genético da radiação ultravioleta (UVA, UVB). Saiba mais Os raios ultravioleta do tipo A e B (UVA e UVB) e infravermelho são emitidos pelo sol. Eles têm um papel importante para a vida, já que participam, por exemplo, da produção da vitamina D, sendo fundamentais na manutenção do nosso sistema imunológico e na calcificação dos ossos. No entanto, seu excesso também pode provocar danos, como câncer de pele e manchas (melasma), dois fenômenos mais ligados aos raios UVA. A principal diferença entre ambos é que os raios UVA possuem a capacidade de atingir a derme (camada mais profunda da pele) e passam com maior facilidade através das nuvens. Os UVB, por sua vez, normalmente são bloqueados na presença delas, mas podem provocar queimaduras mais superficiais na pele, deixando-a vermelha. A morfologia e a distribuição dos pelos estão intimamente ligadas à derme (subjacente à epiderme). É no quarto mês que o feto exibe cabelos, cílios, sobrancelhas e finos pelos (lanugo). Sua função é proteger a pele do líquido amniótico. Eles caem pouco antes do nascimento, sendo substituídos por pelos conhecidos como vellus. Cabelo Discorreremos sobre as propriedades químicas e a estrutura do cabelo, apontando os efeitos da água e do pH nele. Além disso, listaremos as cores e os tipos encontrados. Propriedades químicas Como citamos anteriormente, o cabelo é formado por queratina. Nesta proteína, três tipos de ligações demonstram uma capacidade de manter as fibras conectadas, garantindo, assim, a integridade e a forma de seus fios: Ligações fracas Formadas por pontes de hidrogênio, estas ligações ocorrem, por exemplo, quando molhamos o cabelo, fazendo com que ele fique mais maleável para modificações. Ligações de força média Mais fortes que as ligações fracas, elas podem ser quebradas quando usamos produtos alcalinos ou ácidos (efeito conhecido como ligação iônica). Ligações fortes Quimicamente falando, estas ligações ocorrem nas fibras paralelas de proteínas formadas entre os aminoácidos conhecidos como cistina. Recomendação Ao quebrarmos duas ligações (média e forte) ao mesmo tempo, provocamos uma dissolução do fio de cabelo; por isso, deve-se ter cuidado ao manusear produtos que tenham essas finalidades. Estrutura química dos fios Estudiosos podem nos ajudar a entender algumas características presentes em sua estrutura: A composição molecular do cabelo consiste em 45% de carbono, 28% de oxigênio, 15% de nitrogênio, 7% de hidrogênio e 5% de enxofre. Os minerais essenciais são ferro, cobre, zinco, iodo, alumínio, cobalto e mais de 20 tipos de aminoácidos, sendo um dos principais a cistina, além de proteínas, sendo 90% delas a queratina. Apresentam também lipídios, gorduras, pentoses, glicogênio, ácido glutâmico e aproximadamente 12% de água, que controla umidade e temperatura. (COSTA; ELGERSMA; 2017) A deficiência alimentar gera efeitos até nos cabelos de suas vítimas, porque, em situações assim, o organismo prioriza órgãos vitais, fazendo com que os fios fiquem sem o suporte nutricional devido. Há outros fatores que contribuem para a queda capilar, como problemas hormonais e genéticos, além do estresse e até algumas patologias. Efeitos da água, cor e tipos de cabelos Efeitos Observaremos os efeitos no cabelo realizados por: 1pH O pH é o parâmetro que determina a acidez ou a alcalinidade de uma substância. Para medi-lo, utilizamos uma medida que pode variar entre 0 e 14. Tendo como parâmetro o encontrado na água, a neutralidade é de pH 7. Números abaixo disso são considerados ácidos; os acima disso, alcalinos. Para que as cutículas do cabelo mantenham seus fios planos e alinhados, o pH natural da queratina presente nele deve estar em torno de pH 4, constituindo, portanto, um pH ácido. Índices de pH 2 (ácido) e pH 10 (alcalino) fazem com que as cutículas se abram. Esse processo é usado, por exemplo, quando é feito um alisamento do cabelo com o uso do tioglicolato. 2 Água Dentro da homeostase (normalidade), o cabelo tem uma taxa de umidade de 10% - ou seja, ele possui 10% de água retida. Esse valor pode variar de acordo com a umidade relativa do ar. Quando molhamos o cabelo, ele chega a absorver uma quantidade de água equivalente a 30% do seu peso. Com essa absorção, muitas ligações fracas são quebradas, o que proporciona um leve aumento do volume do cabelo. Eis as características de um cabelo hidratado: além de mais brilhante e macio, ele é fácil de pentear. Cor A cor dos cabelos se deve à presença de partículas de pigmentos produzidas pelos melanócitos no córtex do pelo. Quanto mais escuro ele for, maior será o tamanho médio das partículas. Exemplo Nos cabelos negros, a presença dessas partículas é menor, porém elas possuem um maior tamanho. Diferentes tons e cores são o resultado de uma combinação de dois tipos de melanina: Eumelanina - Produz a cor negra ou escura. Feomelanina - Cores amarela ou vermelha. • • Saiba mais Os queratinócitos degradam a melanina por meio da atividade lisossômica. Nos negros, essa ação é mais estável. As pessoas brancas, ao contrário, têm uma despigmentação mais acelerada, podendo apresentar cabelos brancos mais precocemente. Tipos Esta classificação ocorre devido à distribuição de oleosidade ao longo dos fios. Ela provém das glândulas sebáceas associadas aos folículos pilosos. Com isso, dois fatores são importantes para a determinação do tipo de cabelo: 1 Atividade da glândula sebácea Ela faz com que o fio tenha algumas características específicas, tornando os cabelos: Oleosos - Atividade mais intensa. Secos - Baixa. Normais - Moderada e adequada. Mistos - Alta atividade, embora tenha uma má distribuição ao longo do fio, fazendo com que o cabelo seja oleoso na raiz e seco nas pontas. 2 Capacidade do fio de absorver essa oleosidade ou distribuí-la ao longo de sua superfície A falha ocorrida nos cabelos mistos pode ser decorrente dos seguintes fatores: Falta de homogeneidade do fio em termos microscópicos (disposição das cutículas) ou macroscópicos (excesso de curvaturas). Quase incapacidade de o cabelo absorver a oleosidade proveniente da raiz. • • • • • • Atenção Cabelos secos podem surgir devido à exposição de fatores extrínsecos (cloro de piscina, raios solares em excesso e químicas diversas de beleza) e intrínsecos (anorexia, deficiências nutricionais e hipotireoidismo). Efeitos da água sobre os fios do cabelo Neste vídeo, conheça mais sobre efeitos da água sobre os fios do cabelo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 De acordo com seu conhecimento sobre histologia, assinale a alternativa correta. A A pele é composta por tecido epitelial estratificado pavimentoso não queratinizado. B O tecido conjuntivo é classificado somente como tecido conjuntivo adiposo. C A camada da derme pode sersubdividida em derme papilar e reticular. D O tecido conjuntivo denso não confere elasticidade à pele. A alternativa C está correta. A derme papilar é constituída por tecido conjuntivo frouxo; a reticular, por tecido conjuntivo denso não modelado. Questão 2 Segundo nosso estudo sobre as propriedades físicas e químicas e o pH do cabelo, assinale a resposta correta. A Dentro da homeostase, o cabelo tem uma taxa de umidade de 40%. B Os cabelos secos sofrem a ação da alta atividade das glândulas sebáceas. C A cor dos cabelos se deve à presença de partículas de pigmentos produzidas pelos melanócitos na medula do pelo. D O pH do cabelo é ácido. A alternativa D está correta. O cabelo tem um índice de pH 4, ou seja, ele é ácido. Variações do pH podem alterar a estrutura dos fios. 3. Conclusão Considerações finais A anatomia apresenta uma visão macroscópica do corpo humano como se pudéssemos observar o globo terrestre de uma estação espacial. Dessa forma, conseguiríamos ter uma noção do todo ao olharmos as divisões dos continentes e a localização deles. De maneira similar, pudemos aplicar a mesma lógica na observação e na identificação de músculos, ossos e órgãos do corpo humano. Demonstramos que a histologia e a embriologia possibilitam a observação de estruturas das bases anatômicas. Desse modo, vimos mais de perto, ou seja, de forma microscópica, como elas se comportam e se desenvolvem em todas as suas nuances. Em seguida, nos aprofundamos nessa análise, observando as suas partes químicas e físicas. Nesse contexto, verificamos as estruturas atômicas que compõem e dão vida a todas as outras conhecidas. Reunir todos esses conhecimentos nos deu a chance de adquirir uma capacidade maior de compreensão sobre como o nosso organismo funciona em toda sua perfeição e magnitude. Podcast Para encerrar, ouça sobre estrutura do cabelo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Pesquise na internet os seguintes artigos: ABRAHAM, L. S. et al. Tratamentos estéticos e cuidados dos cabelos: uma visão médica (parte 1). In: Surgical & Cosmetic Dermatology, v. 1, n. 3, p. 130-136, 2009. CUNHA, M. G. da; CUNHA, A. L. G. da; MACHADO, C. A. Hipoderme e tecido adiposo subcutâneo: duas estruturas diferentes. In: Surgical & Cosmetic Dermatology, v. 6, n. 4, p. 355-359, 2014. Referências COSTA, L.; ELGERSMA, R. F. Cabelo tem fome? De quê?. In: Corpore. Consultado em meio eletrônico em: 8 jun. 2020. GABARRA, M. A. L. et al. Caracterização do cabelo envelhecido e sua influência na qualidade de vida. In: Biomedical and biopharmaceutical research. Ribeirão Preto/SP. 2015. p. 79-89. GOMES, A. L. O uso da tecnologia cosmética no trabalho do profissional cabelereiro. São Paulo: Senac, 2019. • • HALLAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. São Paulo: Cengage Learning, 2011. JAMES, W.; BERGER, T.; ELSTON, D. Andrews' diseases of the skin: clinical dermatology. 10. ed. Saunders. p. 7. MONTANARI, T. Embriologia: texto, atlas e roteiros de aula prática. Porto Alegre: Edição do Autor, 2013. PALERMO, E. et al. Tratado de cirurgia dermatológica, cosmiatria e laser: da sociedade brasileira de dermatologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. PARUSSOLO, L. Histofisiologia animal. Santa Catarina: IFSC, 2016. PASTANA, C. da C.; SOUZA, F. G. L. Tricologia e terapia capilar: uma abordagem necessária enquanto formação profissional. Serra/ES: Faculdade Fasserra, 2017. SANTOS, L. Histologia-UFAN. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, maio 2016. SCHWARZKOPF PROFESSIONAL. Entendendo as três fases do ciclo do cabelo. In: Schwarzkopf professional. 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Propriedades físico-químicas do cabelo Histologia e embriologia Pele Composição Epiderme Derme Tecido conjuntivo/hipoderme Histologia Atenção Embriologia Ectoderma Mesoderma Endoderma Células de Langerhans Células de Merkel Melanócitos Saiba mais Cabelo Propriedades químicas Ligações fracas Ligações de força média Ligações fortes Recomendação Estrutura química dos fios Efeitos da água, cor e tipos de cabelos Efeitos pH Água Cor Exemplo Saiba mais Tipos Atividade da glândula sebácea Capacidade do fio de absorver essa oleosidade ou distribuí-la ao longo de sua superfície Atenção Efeitos da água sobre os fios do cabelo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências