Prévia do material em texto
CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM TERAPIA NUTRICIONAL EM CUIDADOS INTENSIVOS NUTRIÇÃO E UTI A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) inclui pacientes em resposta de fase aguda, que é a resposta metabólica ao stress, envolve intenso catabolismo, mobilização de proteínas para reparo de tecidos lesados e fornecimento de energia, sobrecarga fluida, intolerância à glicose entre outras alterações. Assim, nos pacientes graves, a depleção nutricional é característica (1). Nutr. Cristiane Siviero Scorza UNIFESP/ EMTN TULL Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com Ao mesmo tempo, os critérios e avaliação nutricional de pacientes graves estão sob a interferência das alterações metabólicas decorrentes da resposta inflamatória sistêmica (2-3). Os parâmetros antropométricos e bioquímicos sofrem interferência das alterações de distribuição hídrica e modificação nos processos de síntese e degradação de proteínas. As proteínas constitutivas, como albumina, transferrina, pré-albumina, têm sua síntese reduzida em prol das proteínas de fase aguda, o que dificulta a avaliação e o monitoramento nutricional (4). Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com ÍNDICE NUTRIC SCORE04 Fases do doente crítico05 Exame Físico06 Evolução das metas07 Proteína08 Evolução e Volume Residual Gástrico (VRG)09 03 Rounds10 Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com NUTRIC Score 05 O NUTRIC score é composto por 6 variáveis que são fáceis de obter no ambiente de cuidados intensivos, com a exceção dos níveis da interleucina-6 (IL-6), que não é medido por rotina. A pontuação final da ferramenta varia de 0-10, quando doseada a IL-6, sendo considerados doentes de alto risco os que apresentam pontuação ≥ 6. Também validado sem IL-6 mas, a pontuação varia de 0-9, sendo considerados de alto risco os doentes com pontuação ≥ 5 (5). Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com Alinhadas junto com a equipe multi em rounds diários Avaliar através de exame físico, possíveis riscos. Atenção à função renal e metas proteicas, alinhadas com equipe multi Parâmetros de lactato, PCO2, HCO3 devem descartar causas locais e não sistêmicas Aumento da droga vasoativa e associação podem pedir jejum Evidência de início da terapia nutricional precoce em diversos desfechos clínicos Fases do Doente Crítico Metas Fase aguda: imediatamente após o evento agudo e geralmente tem duração 72 horas. Esta fase é a produção de mediadores de processo inflamatório, principalmente as citocinas pró-inflamatórias IL-1, IL-6 e TNF-α, que possuem papel crucial na resposta ao estresse, promovendo em especial alterações no metabolismo de macronutrientes. Fase pós aguda: O paciente apresenta intenso hipercatabolismo. A intensa perda de massa magra promove redução da atividade sistema imunológico, prejudica o reparo tecidual e é a principal causa nutricional de aumento da mortalidade do paciente crítico. Deste modo, o adequado fornecimento protéico, além de atender às demandas metabólicas do paciente, de reverter o balanço nitrogenado negativo e reduzir o catabolismo muscular, auxilia na manutenção da integridade da barreira mucosa.. Fase pós UTI: Atenção a diminuição na oferta nutricional na transição da dieta oral para enteral. Fisioterapia motora e desmame de medicamentos. Considerar avaliação antropométrica completa. Fase pós hospital: Fase de reabilitação intensa, aumento do suporte nutricional, suplementos nutricionais e estratégias de suporte nutricional em alta demanda. 05 Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com Exame físico RASTREANDO DÉFICITS NUTRICIONAIS "A DOENÇA ESTÁ NO LIVRO, O DOENTE NÃO" No hemodinâmico, antes de examinar, olhe para o monitor ou para o dispositivo de suporte circulatório acoplado ao paciente, veja a FC, a PA, aprenda a mexer no monitor, olhe paras as curvas, veja se estão adequadas. Na terapia intensiva você tem que tornar essa ferramenta em aliada. Feito isso podemos começar o exame. Podemos iniciar com a ausculta do precórdio. Nessa parte, pode-se aproveitar e avaliar os membros junto com a parte hemodinâmica, checando as mucosas, enchimento capilar, pulsos ,especialmente ,o pedioso, temperatura da pele, buscando edemas, palpando panturrilhas em busca de empastamento ( sabemos que não é o sinal mais confiável do mundo, mas ajuda ). Questionar diurese, se está com cateter vesical, a cor da urina. Sempre olhar as infusões, em busca de alguma droga de suporte hemodinâmico como um inotrópico e em que solução e velocidade de infusão está sendo feita. Avaliar todos os acessos vasculares! TODOS! Periférico, profundo, em qual sítio, a quantos dias está o acesso, se há sinal de infecção ou inflamação ao redor do sítio de punção. 06 Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com ATENÇÃO JUST IF ICAT IVA Cronograma Evolução das metas calóricas e proteicas de acordo com a evolução Passo 1: Calcule a necessidade calórica pela sua equação preferida e meta 70% (primeira semana) ou meça o gasto de energia por calorimetria indireta (após o dia 3) e defina isso como a meta de 100%. FASE AGUDA As equações são imprecisas e a superalimentação está associada ao aumento da morbidade e mortalidade. A produção de energia endógena precoce não pode ser inibida pela alimentação Subtraia a quantidade de calorias não nutritivas fornecidas pelo propofol, glicose ou citrato. CALORIAS NÃO NUTRICIONAIS Calcule o limite diário de superalimentação (máximo de calorias permitidas para alimentação). EVOLUÇÃO DAS METAS Monitore a ingestão real durante o dia e progrida para taxas de infusão mais altas do que as calculadas por tempo limitado em caso de interrupções anteriores da administração (paradas) e use estratégias baseadas em volume. MONITORAMENTO 07 As calorias não nutricionais aumentam a quantidade diária total de calorias e podem levar à superalimentação quando combinadas com a alimentação em dose completa. Recomenda-se um aumento gradual, por exemplo, após a admissão na UTI, vá para a meta em etapas de 25% para atingir a meta no dia 4. Selecione uma alimentação enteral com relação proteína-energia muito alta ou a maior relação proteína-energia disponível e calcule a dose máxima aceitável com base na etapa 3 sem superalimentação Alimentos concentrados de alta energia aumentam o risco de superalimentação, embora não atinjam a meta de proteína. Quando a proporção proteica das calorias totais é superior a 30-32% na maioria dos pacientes, não são necessários suplementos proteicos adicionais. Há muitas interrupções durante a alimentação dos doentes críticos; portanto, aumentar a administração por curtos períodos de tempo para compensar as horas perdidas é uma boa estratégia para cumprir as metas diárias. Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com Avaliação não use proteína até atingir a meta calórica Considerar de 1,3 - 1,5 g/ kg ptn na fase pós aguda Metas acima de 30 Kcal/ kg com 1,5 - 2,0 g/ kg após estabilidade e pós UTI Metas acima de 35 Kcal/ kg e 2,0 - 2,5 g / kg de ptn na alta Adicione suplementos de proteína enteral caso mais alimentação enteral leve a superalimentação ao aumentar a dose de administração. Não use suplementos de proteína durante a fase inicial (dia 1 – dia 3). Em pacientes obesos ou com sobrepeso, as necessidades de proteína são muito altas, enquanto as metas calóricas não são; então, mesmo ao usar alimentos com muito alto teor de proteína, os suplementos de proteína enteral devem ser considerados. van Zanten ARH, De Waele E, Wischmeyer PE. Nutrition therapy and critical illness: practical guidance for the ICU, post-ICU, and long-term convalescence phases. Crit Care. 2019 Nov 21;23(1):368. 08 Parenteral Suplementar Adicionar suplementaçãoparenteral de aminoácidos em caso de contraindicações à alimentação enteral ou alimentação enteral inadequada/suplementação de proteína enteral em 4-7 dias após a admissão na UTI (provavelmente mais cedo em pacientes desnutridos) Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com EVOLUÇÃO EM VOLUME PROTOCOLOS DE VRG VERIFICAR COM A EQUIPE NECESSIDADE DE NÃO DOSAR DE ROTINA VRG EM PACIENTES ESTÁVEIS E COM BOA TOLERÂNCIA DA DIETA AÇÕES ESTRATÉGICAS 09 Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com ROUNDS COMO SE ORGANIZAR PARA A VISITA MULTI? Alinhar expectativas, avaliar eventos adversos, verificar com a equipe metas de conduta com o paciente pretendidas. - Avaliar prescrito x infundido - Avaliar dose de Droga vasoativa; - Exames bioquímicos ; - Balanço hídrico anterior; - Evacuação; - Lactato e gasometria; - Necessidades nutricionais do dia; - Calorias não nutricionais. AÇÕES ESTRATÉGICAS 10 Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com Nutr. Cristiane Siviero Scorza CRN 12022 UNIFESP EMTN TULL 11 REFERÊNCIAS Caruso L, Teixeira ACC, Maia FOM, Hoshino WI, Soriano FG, Lotufo PA. Elaboração de protocolo em terapia nutricional: relato de experiência. In: XII Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva – Adulto, Pediátrico – Neonatal, 2006. Recife, RBTI, 2006. p.285. McClave SA, Taylor BE, Martindale RG, Warren MM, Johnson DR, Braunschweig C, et al. Guidelines for the Provision and Assessment of Nutrition Support Therapy in the Adult Critically Il l Patient: Society of Critical Care Medicine (SCCM) and American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (A.S.P.E.N.). JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2016; 40(2):159-211. SINGER, Pierre et al. ESPEN guideline on clinical nutrition in the intensive care unit. Clinical Nutrition, set. 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.clnu.2018.08.037 van Zanten ARH, De Waele E, Wischmeyer PE. Nutrition therapy and critical i l lness: practical guidance for the ICU, post-ICU, and long-term convalescence phases. Crit Care. 2019;23(1):368. Published 2019 Nov 21. doi:10.1186/s13054-019-2657-5 Heyland DK, Dhaliwal R, Jiang X, Day AG. Identifying critically i l l patients who benefit the most from nutrition therapy: the development and initial validation of a novel risk assessment tool. Critical Care. 2011;15(6):R268 Manual de semiologia médica: a prática do exame físico / Gilberto Yoshikawa, Roberto Chaves Castro, Orgs. – Belém: EDUEPA, 2015 1. 2. 3. 4. 5. 6. Licenciado para - T haynara O liveira S ousa - 06318561102 - P rotegido por E duzz.com https://aspenjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jpen.2267 http://dx.doi.org/10.1016/j.clnu.2018.08.037