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Relações Trabalhistas e Sindicais - Aula 1

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RELAÇÕES TRABALHISTAS E 
SINDICAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 01 - 
BREVE HISTÓRICO 
DA ASCENSÃO DOS 
DIREITOS SOCIAIS 
NO MUNDO E NO 
CONTEXTO 
BRASILEIRO 
 
Olá, 
O desenvolvimento dos direitos sociais está relacionado com o conceito de 
Estado social e de constituição social. O fracasso do Estado Mínimo, baseado na 
liberdade, destacou a necessidade de mecanismos compensatórios para equilibrar 
direitos e obrigações. A crise de 1929 obrigou o Estado a intervir ativamente na 
economia, marcando o início do Estado-providência, promovendo os direitos 
econômicos e sociais. Constituições como as do México (1917) e da Alemanha 
(1919) influenciaram a Constituição brasileira de 1934. No entanto, os críticos 
apontam que o Estado Social brasileiro nasceu sob uma ditadura. 
A base dos direitos civis, como a dignidade humana, impõe limites à 
flexibilidade destes direitos. A proibição do retrocesso público é uma limitação legal 
a esta flexibilidade. Casos complexos, como o assentamento de mulheres grávidas, 
demonstram a importância da unidade jurídica em matéria de direitos civis, para 
garantir que a negociação coletiva não corroa os direitos fundamentais. A 
modernização dos métodos de produção e a flexibilidade devem promover uma 
gestão inteligente dos trabalhadores, garantindo a igualdade de benefícios e 
preservando a dignidade humana. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
1 A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS: DO ESTADO MÍNIMO AO 
CONSTITUCIONALISMO SOCIAL 
O desenvolvimento dos direitos sociais está profundamente relacionado com o 
conceito de Estado Social e a constituição que o acompanha (BARROSO, 2011). O 
fracasso do modelo do Pequeno Mundo, de orientação liberal, é demonstrado ao 
considerar o indivíduo como único ponto de referência no estatuto jurídico do Estado 
(THEODORO, 2016). Nem a teoria econômica de Adam Smith nem a política nacional 
subsequente foram suficientes para abordar adequadamente o problema 
fundamental: a diversidade natural dos seres humanos e a necessidade de 
mecanismos compensatórios para equilibrar o serviço de direitos e obrigações 
(ZAFFARONI, 2011). 
A igualdade formal do Estado Livre não forneceu estes meios, e o capitalismo 
descontrolado mostrou, em períodos tristes da história mundial, que a independência 
do indivíduo pode ser uma negligência coletiva, causando grandes desigualdades 
sociais e tragédias humanas (THEODORO, 2016). 
O Pânico de 1929, marcado pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova Iorque, 
obrigou o Estado a assumir um papel anteriormente proibido: a intervenção saudável 
na vida dos seus cidadãos, através de investimentos públicos em grande escala e da 
regulação econômica (SOUZA, 2008). Os mercados não regulamentados revelaram-
se perigosos para o desenvolvimento social, especialmente para os mais 
desfavorecidos, que sofreram com os baixos salários, com longos horários de trabalho 
e as condições insalubres nas áreas urbanas no final do século XIX e no início do 
século XX (AROUCA, 2014). 
O Estado social e o constitucionalismo social surgiram como uma nova 
máquina política da Constituição, tornando-se uma ferramenta de desenvolvimento 
social, além de garantir a liberdade frente ao Estado (PEREIRA, 2018). A Constituição 
Mexicana (1917) e a Constituição Alemã (1919, Constituição de Weimar) foram 
pioneiras nesse modelo, influenciando a Constituição Brasileira de 1934, a mais 
abrangente até então em termos de direitos e proteções básicas (SOUZA, 2008). 
Contudo, Sarmento e Neto (2012), criticam a determinação da constituição 
social no Brasil da época, apontando que a instauração do Estado Social brasileiro 
esteve intimamente ligada à instauração da ditadura durante o período do Estado 
 
 
 
Novo. Este período viu o Executivo assumir responsabilidades mais amplas, 
enfraquecendo o significado político do texto constitucional. O chefe de Estado, entre 
outras funções, tem o poder de rever as decisões do Supremo Tribunal e fechar o 
parlamento por razões de segurança nacional, consolidando estranhamente o poder 
(AROUCA, 2014). 
Apesar das limitações quanto às liberdades constitucionais, este período foi 
marcado pelo estabelecimento de importantes direitos civis no Brasil, embora tenha 
impedido a expansão da ideia de uma Constituição comum, como as Constituições 
foram estabelecidas pela primeira vez em outros países europeus (ZAFFARONI, 
2011). 
1.1. A nota de fundamentalidade dos direitos sociais 
Os direitos humanos, tal como os direitos na luta em curso, não podem permitir-
se ficar livres de ataques, sejam eles do Governo ou de determinados setores da 
sociedade (THEODORO, 2016). Pereira (2018), referindo-se ao pensamento de 
Danièle Lochak, enfatizou que os direitos humanos não apresentam uma história 
linear, não compõem a história de uma marcha triunfal, nem a história de uma causa 
perdida de antemão, mas a história de um combate. No contexto desta luta histórica 
pelos direitos sociais, a propaganda para tornar os direitos dos trabalhadores mais 
flexíveis foi introduzida tendo em mente o fundamento dos direitos civis (GAGLIANO; 
FILHO, 2016). 
“Nota sobre a importância da cidadania” refere-se à inevitabilidade das 
condições existentes. A violação desses direitos, em conjunto com outros direitos 
humanos, tem impacto negativo no conceito de dignidade humana. Por outro lado, há 
diferenças na medida em que as pessoas usufruem destes direitos no local de 
trabalho. Por outro lado, existem limites significativos para além dos quais não se pode 
discutir um local de trabalho digno e, consequentemente, a dignidade da profissão. 
Para reconhecer a importância dos direitos civis, deve primeiro reconhecer que 
há algo de importante na dignidade humana na defesa destes direitos. Isto coloca 
limites à ação da vontade nesta área, seja por parte do legislador, seja por parte do 
sujeito de direito, uma vez que os direitos fundamentais são, por definição, 
inalienáveis e intransferíveis (PEREIRA, 2018). 
 
 
 
Mesmo sem direitos absolutos, a flexibilidade ainda pode ser discutida sem 
grandes perturbações na estrutura básica dos direitos civis (AROUCA, 2014). Essa 
flexibilidade exige um debate sério sobre quais os direitos sociais que podem ser 
flexibilizados, em que medida e com base em que parâmetros de considerações 
sociais relevantes (GAGLIANO; FILHO, 2016). Nem a mera abolição dos direitos civis 
nem a perturbação da estrutura do conselho de administração da relação comercial 
envolvida são aceitáveis (BARROSO, 2011). 
Esta complexidade de ideias e interesses contraditórios mostra a importância 
do diálogo sobre o desenvolvimento dos direitos civis (SOUZA, 2008). O ponto de 
partida óbvio desta análise é que nenhuma teoria que promova “a extensão das 
negociações jurídicas”, ou a doutrina da “completa invisibilidade dos direitos civis”, 
pode resolver o problema com provas no seu estado atual (GAGLIANO; FILHO, 2016). 
A sabedoria do Hinduísmo e do Budismo propõe um caminho intermédio, ou curso de 
ação correto, como ponto de equilíbrio neste debate acirrado (PEREIRA, 2018). 
1.2. A vedação ao retrocesso social como limite jurídico da possibilidade de 
flexibilização de direitos sociais 
A base dos direitos civis identifica um valor importante nestas garantias, o que 
dificulta a questão da flexibilidade do ponto de vista da manutenção de padrões 
mínimos de civilização (LUHMANN, 2009). Em primeiro lugar, é necessário distinguir 
o conceito de prevenção da degradação social do equívoco sobre a invisibilidade dos 
direitos sociais. É claro que os direitos civis são bons benefícios do Governo, são 
firmemente mantidos e podem ser protegidos (GAGLIANO; FILHO, 2016). Esta tensão 
faz com que a concretização destes direitos seja uma construção contínua limitada 
por fatores temporais, psicológicos e econômicos, refletidos em serviçoscomo saúde, 
educação, assistência social e pensões (BARROSO, 2011). 
No entanto, os direitos dos trabalhadores, como parte dos direitos sociais, estão 
menos dependentes de benefícios diretos do Governo, que promovem indiretamente 
boas condições de trabalho (SOUZA, 2008). Portanto, o argumento sobre a falta de 
recursos não funciona como uma limitação direta ao gozo desses direitos. As 
limitações aos direitos dos trabalhadores encontram-se, portanto, noutros 
fundamentos constitucionais, como a liberdade de ação e os direitos de propriedade 
(GAGLIANO; FILHO, 2016). Portanto, o desenvolvimento dos direitos dos 
 
 
 
trabalhadores é consistente com a abordagem de casos difíceis, como mencionado 
por Ronald Dworkin em “Levando os Direitos a Sério”, incluindo os princípios jurídicos 
conflitantes necessários para analisar teorias e conceitos (THEODORO, 2016). 
Esta complexidade indica a falta de uma decisão racional para resolver a 
questão, uma vez que a interação entre princípios jurídicos igualmente válidos deve 
geralmente ser resolvida caso a caso, respeitando a integridade da lei (PEREIRA, 
2018). Portanto, a perspectiva maniqueísta (fortalecimento das negociações jurídicas 
contra a invisibilidade absoluta dos direitos civis) não é suficiente para resolver o 
conflito entre os campos jurídicos sobre a reivindicação deste direito (GAGLIANO; 
FILHO, 2016). 
Dado que um caso particular é importante para a discussão sobre o 
desenvolvimento dos direitos dos trabalhadores, o Judiciário apresenta-se como uma 
parte relevante desta discussão (ZAFFARONI, 2011). Numa democracia totalmente 
liberalizada, onde a negociação coletiva é livre de desigualdades no poder econômico 
e social, esta reconciliação pode ser diferente. Porém, no contexto brasileiro, a 
representação sindical não é uma solução eficaz no combate ao equilíbrio de poder 
entre capital e trabalho, devido ao estreitamento do modelo organizacional adotado 
na Constituição (AROUCA, 2014). 
Por esse motivo, a primeira parte mantém a competência da Justiça do 
Trabalho nos termos do art. 114, § 2º, da Constituição do Estado, previu que os 
debates sobre direitos civis acabariam nos Tribunais de Justiça (AROUCA, 2014). Ao 
alterar a Constituição nº 45 de abril, houve proposta de retirada desse poder geral, 
mas a lei do TST permaneceu inalterada no que diz respeito às disputas econômicas. 
Isto mostra que a reforma constitucional não teve um impacto muito claro, quando os 
elementos reais do poder ainda convergem na proteção dos interesses coletivos do 
poder judicial, mostrando a necessidade de maturidade em termos políticos antes de 
mudanças importantes (PEREIRA, 2018). 
Trocar a frase “estabelecer normas e condições” para “determinar conflitos” não 
muda a ideia, porque o Ministério da Justiça só trabalha para resolver conflitos, sejam 
eles individuais ou coletivos (LUHMANN, 2009). Portanto, uma norma jurídica revela 
seu verdadeiro significado quando aplicada em um caso específico, segundo a teoria 
organizacional de Friedrich Müller. 
 
 
 
O controle judicial sobre as etapas da negociação coletiva garante os diferentes 
interesses envolvidos, a conciliação do consentimento mútuo e os direitos sociais 
mínimos, que são essencialmente inalienáveis (AROUCA, 2014). A dificuldade reside 
em estabilizar as expectativas dos atores sociais, uma vez que a falta de uniformidade 
jurídica em algumas áreas do direito laboral cria incerteza, impedindo a negociação 
coletiva e a participação crescente entre as finanças e os trabalhadores (ZAFFARONI, 
2011). 
A aplicação dos princípios no sistema jurídico brasileiro ainda é incipiente 
devido à polêmica e à densidade caótica associada ao discurso jurídico (BARROSO, 
2011). Isto torna a definição jurídica nas relações laborais, especialmente no que diz 
respeito à adequação ou flexibilidade dos direitos sociais dos trabalhadores, uma 
questão importante (SOUZA, 2008). Por outro lado, a negociação coletiva não pode 
pôr fim ao desenvolvimento social garantido pela Constituição. Por outro lado, a 
Constituição Federal Brasileira, em seu art. 7º, XXVI, assegura a validade e eficácia 
dos instrumentos de negociação, o que impõe ao tradutor jurídico a complexa tarefa 
de harmonizar as intenções das partes em um instrumento coletivo comum sem afetar 
as garantias mínimas de dignidade profissional. Este equilíbrio nem sempre é 
alcançado, criando divisões entre as partes envolvidas e entre os juízes que julgam 
estes litígios (AROUCA, 2014). 
A falta de uma abordagem hermenêutica para consolidar de forma coerente a 
Constituição num discurso judicial eficaz é um problema premente (GAGLIANO; 
FILHO, 2016). As pessoas precisam de confiar na interpretação da Constituição, que 
deve ser consistente na teoria e na prática (LUHMANN, 2009). Desta forma, os 
intervenientes jurídicos podem ver o sistema de justiça como um local seguro para 
definir e fazer cumprir os seus direitos, evitando que as relações jurídicas e sociais se 
tornem imprevisíveis e sujeitas a culpa, prejudicando o desenvolvimento econômico e 
político de uma sociedade ordenada e livre (PEREIRA, 2018). 
Nesse contexto, a reforma trabalhista que deu origem à Lei nº 1. 13.467, de 13 
de julho de 2017, é relevante porque uma de suas inovações diz respeito à ação 
judicial em matéria de negociação coletiva. A revolução enfatiza a expansão do que é 
negociado sobre o que é legislado, o que poderia ameaçar a manutenção dos padrões 
mínimos de civilização (LUHMANN, 2009). Instalação artística 611-A, especialmente 
o § 1º, da CLT, limita a atuação do Ministério da Justiça aos aspectos jurídicos da 
 
 
 
negociação coletiva, introduzindo o conceito do “princípio da interferência mínima no 
direito à autodeterminação da vontade coletiva”. 
Esta limitação é problemática, uma vez que o fortalecimento dos direitos civis 
é uma obrigação constitucional inalienável das estruturas da Justiça do Trabalho. A 
nova lei reforça perigosa e ilegalmente estas garantias constitucionais (AROUCA, 
2014). A flexibilidade da cidadania deve obedecer a critérios rígidos e rigorosos 
propostos no trabalho discutido. Se não for possível manter um nível mínimo de 
civilidade, então devem ser permitidas ações legais para garantir direitos civis 
mínimos sem quaisquer restrições (GAGLIANO; FILHO, 2016). 
Para negociar uma medida é importante entender que devemos agir como 
forma de controlar os excessos, limitar tanto os princípios coletivos desiguais que 
violam os direitos civis mínimos quanto a excessiva dedicação estatal (PEREIRA, 
2018). Em todos os casos, é importante manter o controle sobre as questões em 
discussão, especialmente no caso de violações menores dos direitos civis, puníveis à 
medida que se discutem conflitos constitucionais (HABERLE, 2002). 
1.3. O caso da flexibilização da estabilidade da gestante: algumas reflexões 
sobre a importância da sindicabilidade judicial dos direitos sociais 
Em meados de 2004, enquanto trabalhava na 1ª Turma do Tribunal Superior 
do Trabalho, o escritor, Pereira (2018), teve a oportunidade de relatar um caso que 
causou séria reflexão no Tribunal Superior do Trabalho. Este caso foi posteriormente 
apreciado pelo Tribunal com toda a sua discricionariedade, o que levou a uma 
alteração da lei. Refere-se ao caso AIRR-1422400-38.2002.5.04.0900, que discutiu a 
legalidade de um dispositivo de direito coletivo que impõe às trabalhadoras grávidas 
a condição de usufruir do direito à estabilidade regulamentado 10, II, b, do ADCT. 
A cláusula estabelece que, em caso de demissão sem justa causa, a 
empregada grávida deve revelar sua gravidez ao empregador no prazo de 60 dias 
antes da notificação para garantir o direito a recurso (HABERLE, 2002). Durante o 
julgamento de 10 de março de 2004, a 1ª Câmara de Julgamento do Tribunal Superior 
do Trabalho, contrariando a legislação então vigente (extinto JO nº 88 da SDI-1 doTST), decidiu confirmar esta previsão geral, tendo acatado o veredito legal. A seguinte 
interpretação: “é impossível aceitar uma interpretação restritiva que permita 
compreender que o incumprimento do prazo previsto nas regras coletivas sobre a 
 
 
 
obrigação de comunicar ao empregador a gravidez pode ser um fator que impede a 
suspensão temporária do direito estabilizado, ou pelo menos reduz o período de 
estabilização". 
Portanto, o Conselho 1 tende a ir contra o entendimento escrito no JO n. 88 da 
SDI-1 para o TST. De acordo com os regulamentos internos em vigor, os resultados 
do caso não foram anunciados, mas foi tomada a decisão de transferir a competência 
para resolver o caso para o Tribunal de Recurso. A decisão é escrita com as seguintes 
disposições: 
Decisão: por unanimidade, suspender o pronunciamento do resultado do 
julgamento, visto que a 1ª Turma identificou possível contrariedade à O.J. n. 
88 da SESBDI-1, submetendo a matéria à apreciação do Tribunal Pleno do 
TST. Após a votação do Exmo. Ministro Emmanoel Pereira, Relator, que 
negava provimento ao agravo de instrumento (BRASIL, 2005). 
Posteriormente, na audiência realizada em 15 de abril de 2004, o Plenário 
analisou a questão e manteve o parecer expresso no caso. Esta decisão resultou na 
alteração da redação do JO n. 88 da SDI-1 do TST, passando a vigorar com o 
seguinte: "PARA GESTANTES ESTABILIDADE TEMPORÁRIA. O desconhecimento 
do empregador sobre a gravidez não prejudica o direito à indenização causada pela 
estabilidade" (art. 10, II, b, ADCT). Com o retorno do caso ao Primeiro Conselho, a 
matéria foi encaminhada para novo julgamento, no qual o voto do relator foi 
confirmado por unanimidade, culminando com a redação de decisão exemplar sobre 
esta questão, estão resumidos no seguinte resumo: 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. 
ESTABILIDADE DA GESTANTE. 
O artigo 10, inciso II, “b”, do ADCT, garante à gestante o direito à estabilidade 
provisória no emprego, abrangendo o período desde a confirmação da 
gravidez até cinco meses após o parto. Este comando constitucional não 
permite uma interpretação restritiva que aceite a ideia de que o não 
cumprimento do prazo fixado em norma coletiva para a comunicação ao 
empregador sobre o estado gravídico possa impedir o direito à estabilidade 
provisória ou reduzir seu período. A jurisprudência que sugere que a demora 
da gestante em informar seu estado ao empregador, conforme estabelecido 
em norma coletiva, poderia prejudicar a trabalhadora, surgiu do entusiasmo 
em privilegiar convenções e acordos coletivos de trabalho, respeitando o que 
foi acordado entre as partes. No entanto, este entendimento negligencia um 
aspecto crucial do objetivo do constituinte, pois a estabilidade garantida pela 
Constituição possui um caráter duplo: além de proteger o direito da 
trabalhadora, visa, principalmente, proteger o nascituro. Não havendo ofensa 
ao artigo 10, inciso II, “b”, do ADCT, nega-se provimento ao agravo (BRASIL, 
2005). 
 
 
 
Desde esta nova decisão, que dá prioridade ao direito inevitável das mulheres 
e dos nascituros à dignidade durante a gravidez e nas primeiras fases da vida do 
recém-nascido, registaram-se grandes progressos na estabilidade das trabalhadoras 
grávidas (BARROSO, 2011). Este direito, que tinha sido enfraquecido pelos princípios 
coletivos que estabelecem as condições e os encargos para a sua plena utilização, foi 
fortalecido pelo novo paradigma estabelecido pelo exemplo acima dado (AROUCA, 
2014). 
Historicamente, devido à falta de disposições constitucionais específicas e às 
limitações impostas pelo atual regime político, tanto as agências jurídicas como as de 
inteligência não hesitaram em garantir o direito das mulheres a uma vida estável 
durante a gravidez (LUHMANN, 2009). A Súmula 244 do TST, anterior ao advento da 
Constituição Federal de 1988, dispunha sobre tal direito nos seguintes termos: 
“GESTANTE. GARANTIA DE EMPREGO (Redação original – Res. 15/1985, DJ 05, 
06 e 09.12.1985). A garantia de emprego à gestante não autoriza a reintegração, 
assegurando-lhe apenas o direito a salários e vantagens correspondentes ao período 
e seus reflexos”. 
A partir de 1988, com a inclusão do direito à fixação da gestante no ADCT, que 
passou a ser entendido como uma garantia de retorno à participação, baseada no 
princípio da proteção da mulher e do nascituro, do nascimento, bem como no princípio 
da continuidade de trabalho (HABERLE, 2002). O Tribunal Superior do Trabalho, em 
razão da alteração dos parâmetros gerais, considerou o conteúdo do Escrito TST 244, 
que incluía o direito à reintegração nas seguintes condições: 
GESTANTE. GARANTIA DE EMPREGO (Súmula revisada – Res. 121/2003, 
DJ 19, 20 e 21.11.2003). A garantia de emprego da gestante permite a 
reintegração apenas se esta ocorrer dentro do período de estabilidade. Caso 
contrário, a garantia limita-se ao recebimento dos salários e demais direitos 
relativos ao período de estabilidade (BRASIL, 2016). 
A Súmula 244 do TST de 2012, esclarece o direito constitucional à estabilização 
da gestante, afirmando que esse direito se limita ao período de estabilização, sem 
garantir indenização obrigatória após esse período. Contudo, permite a discussão 
judicial, que se converte em indenização caso não seja utilizada. Esta interpretação 
abrange situações em que o empregador não pretende reintegrar à grávida durante o 
período de resolução ou nos casos em que a reintegração é necessária após a 
 
 
 
rescisão, por incumprimento de compatibilidade induzida por evento (LUHMANN, 
2009). 
Esta garantia, centrada na dignidade das mulheres e dos nascituros como 
direito social mínimo, foi escrita ao longo do tempo, evidenciando a mudança de 
paradigma estabelecida pelos precedentes judiciais que limita a interpretação 
extremamente liberal dos princípios coletivistas, exemplificada pelas reformas laborais 
(LUHMANN, 2009). Esta mudança, ao expandir as negociações sindicais formais e 
limitadas, desafia a autonomia garantida constitucionalmente na regulação dos 
direitos civis (BARROSO, 2011). 
É importante notar que a lei, embora tenha um papel na definição e limitação 
dos direitos públicos, deve evitar suprimir esses direitos, especialmente os direitos 
básicos de saúde, higiene e segurança no local de trabalho (AROUCA, 2014). A 
discussão da reforma laboral levanta questões sobre o equilíbrio entre a negociação 
coletiva e os direitos constitucionalmente protegidos, tais como a estabilidade das 
mulheres grávidas, que não devem participar nas negociações das reformas laborais 
põem em perigo a sua própria natureza (PEREIRA, 2018). 
Em suma, a função administrativa desempenha um papel importante na 
proteção destes direitos contra os excessos coletivos, garantindo que a autonomia 
coletiva não ultrapassa os limites estabelecidos pela constituição (PEREIRA, 2018). 
1.4. O discurso da modernização dos meios de produção do novo modelo de 
gestão da força de trabalho como fundamento para a flexibilização de 
direitos sociais 
A emergência de um novo modelo econômico global, influenciado por fatores 
neoliberais, tem sido defendida por economistas e pelo direito econômico (SOUZA, 
2008). Este modelo aplica o sistema de produção distribuída da Toyota, dividindo os 
processos de produção em todo o mundo para otimizar as condições de mercado e 
gerir eficazmente os recursos de trabalho e produção (HABERLE, 2002). A adoção 
deste método coincidiu com o que foi chamado de terceira revolução tecnológica, que 
marcou um afastamento dos métodos tradicionais de produção, como o fordismo e o 
taylorismo (SOUZA, 2008). 
Neste contexto, as pessoas continuam a ser sujeitos de direitos, não 
desvinculados do processo de informatização social. Isto cria exigências de qualidade 
 
 
 
de vida que muitas vezes contradizem as expectativas cada vez menores de 
benefícios econômicos e sociais (LUHMANN, 2009). O paradoxosurge quando a 
sociedade, ao se modernizar em busca de maior qualidade de vida, parece estar 
comprometendo o acesso a recursos considerados importantes ou necessários 
(BARROSO, 2011). 
Na história industrial, o entusiasmo inicial britânico pelo advento da máquina a 
vapor e da produção em massa logo revelou a necessidade de abolir a escravatura 
para expandir o mercado consumidor noutro país (LUHMANN, 2009). Este exemplo 
histórico destaca que o desenvolvimento inacessível a todos não é sustentável na 
sociedade. Os custos ambientais destes desenvolvimentos resultam muitas vezes na 
redução da qualidade de vida, sem proporcionar benefícios claros para a sociedade 
como um todo (SOUZA, 2008). 
A modernização dos meios de produção não é, portanto, apenas uma questão 
de flexibilidade e vulnerabilidade das relações laborais (ZAFFARONI, 2011). Deve 
incluir uma gestão inteligente do trabalho, promovendo métodos socialmente 
libertadores como o trabalho remoto, metas salariais individuais, participação nos 
lucros e investimento na formação especializada através de institutos técnicos e 
escolas de competências (LUHMANN, 2009). A redução dos custos de produção não 
pode ser alcançada através da criação de relações laborais, nem conduz à supressão 
dos direitos sociais básicos (PEREIRA, 2018). 
Além disso, é importante que os benefícios do desenvolvimento econômico 
sejam partilhados de forma equitativa por toda a sociedade e não apenas revertam 
em benefícios monetários (THEODORO, 2016). As mudanças nos métodos de 
recrutamento e nos métodos de gestão do trabalho deverão simultaneamente 
aumentar a competitividade dos empregadores e promover uma melhor qualidade de 
vida dos trabalhadores. Caso contrário, enfrentarão oposição significativa do público 
e, portanto, do poder judicial (PEREIRA, 2018). 
Em suma, o desenvolvimento dos direitos sociais deve ser realizado de acordo 
com a filosofia do “ganha-ganha”, em que tanto os empregadores como os 
trabalhadores beneficiam, evitando a alienação da dignidade humana devido aos 
benefícios financeiros (SOUZA, 2008). Isto é importante para garantir que o 
desenvolvimento econômico não comprometa os princípios democráticos e os 
 
 
 
importantes objetivos de uma sociedade livre, justa e solidária, conforme determinado 
pela Constituição do país (PEREIRA, 2018). 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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BARROSO, L. R. Neoconstitucionalismo e constitucionalização do direito. In: CLÈVE, 
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gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização 
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